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CENTRO UNIVERSITÁRIO DO SUL DE MINAS 
UNIS – MG 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO FINAL: Estágio em Análises Clínicas 
 
 
 
 
THAYANA DUTRA DE ANDRADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VARGINHA 
2022 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DO SUL DE MINAS 
UNIS – MG 
 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO FINAL: Estágio em Análises Clínicas 
 
Relatório final de estágio obrigatório em análises clínicas 
apresentado no Centro Universitário do Sul de Minas como parte 
das exigências para obtenção do grau de Bacharel em 
Biomedicina. 
 
 
Varginha, 07 de dezembro de 2022 
 
SUPERVISORA 
 
Maria Victoria Prado Furlanetto 
(Biomédica – Bio Clínica) 
 
 
 
 
 
 
 
 
VARGINHA 
2022 
INTRODUÇÃO 
 
 O presente estágio obrigatório foi realizado no laboratório Bio Clínica LTDA, 
localizado à Rua Alferes Joaquim Antônio, nº 16, Vila Pinto, na cidade de Varginha, Minas 
Gerais. O período de realização teve início no dia 01 de agosto de 2022 e término no dia 07 de 
dezembro de 2022. Durante esse período foi possível realizar atividades nos setores de 
recepção, coleta, triagem, hematologia, imunologia, microbiologia, bioquímica, uronálise, 
parasitologia, bioquímica, lavagem e esterilização de materiais e também pós analítico. As 
atividades realizadas foram monitoradas pela biomédica responsável pelo laboratório, Maria 
Victória Prado Furlanetto, onde também foram realizados relatórios parciais de cada setor na 
qual o estágio foi realizado. 
 O estágio foi realizado em turnos de 8 horas durante 30 dias e no restante dos dias foram 
feitos turnos de 4 horas, concentrando-se no período da manhã. Ao fim do estágio obrigatório 
totaliza-se então 500 horas. 
 Com isso, o presente relatório será dividido em 9 partes, cada uma delas buscando 
descrever as atividades realizadas em cada setor. 
 
1. COLETA, TRIAGEM E RECEPÇÃO 
As atividades deste setor foram realizadas no período de 01 de agosto de 2022 ao dia 23 
agosto do mesmo mês, totalizando 92 horas no mesmo. Apesar disso, foi um setor onde foi 
possível se manter presente durante todo o período de estágio, tendo em vista que é uma das 
principais atividades no período da manhã, ao iniciar o expediente do laboratório de análises 
clínicas. 
Neste setor foram realizadas as seguintes atividades: atendimento dos pacientes, orientação 
e instrução para os exames, entrega dos resultados, agendamento, coleta e auxílio nas coletas 
infantis, separação dos tubos para os exames, nomeação dos tubos e frascos, e emissão e 
conferências das etiquetas. 
A recepção é um espaço onde é possível ter contato com os pedidos de exames de todos os 
outros setores, onde houve a possibilidade de habituar-se com os pedidos médicos, 
relacionando-os com a clínica do paciente, além de correlacionar os exames e entender quais 
são enviados ao laboratório de apoio. Além disso, é um espaço onde é possível observar a 
importância da atenção ao pré-analítico, questionando sempre ao paciente sobre o uso de 
medicamentos, orientando corretamente sobre a preparação dos exames, sobre a coleta e 
acondicionamento de materiais biológicos, como as fezes e a urina, sabendo se comunicar até 
mesmo com as pacientes com maior dificuldade. É muito importante estar sempre atento a 
identificação dos pacientes, emissão de etiquetas, pedidos presentes na guia, se o paciente 
seguiu as orientações. O sistema utilizado no laboratório é o AutoLac e o laboratório de apoio 
é o Diagnósticos do Brasil (DB). 
Na parte de coleta e triagem, também foi possível observar a importância da atenção aos 
pedidos presentes na solicitação médica ou na ficha feita na recepção, para que sejam coletados 
os tubos corretos, além da importância da identificação correta dos tubos e frascos, onde no 
laboratório segue-se uma ordem numérico diária, que é muito interessante para organização da 
rotina. Outro ponto importante é a observação das regras básicas de coleta, observando o tempo 
de garroteamento máximo, volume dos frascos. No laboratório as coletas são realizadas à vácuo, 
com exceções para os casos mais complicados. Apesar disso, foi um espaço onde foi possível 
perder a insegurança relacionada a esta etapa, tendo em vista a grande experiência das coletoras, 
inclusive em coletas infantis. 
 
2. HEMATOLOGIA 
Neste setor as atividades realizadas foram a realização de hemograma em aparelho 
automatizado, confecção de esfregaço sanguíneo e coloração das lâminas, contagem de 
reticulócitos, auxiliar nas provas coagulação. 
No setor da hematologia, o principal exame realizado é o hemograma, que tem sua análise 
automatizada. O analisador hematológico utilizado é o ABX Micros 60, que analisa os seguintes 
parâmetros hematológicos: WBC (leucócitos), RBC (eritrócitos), HGB (hemoglobina), HCT 
(hematócrito), MCV (volume corpuscular médio), RDW (distribuição), PLT (plaquetas), LYM 
(porcentagem e diferenciação de linfócitos), MON (monócitos) e GRA (granulócitos). O 
aparelho realiza apenas a diferenciação em 3 partes (LYM, MON e GRA) e, portanto, para obter 
os valores dos segmentados, basófilos e eosinófilos é necessário fazer uma lâmina e contar 
manualmente ou realizar cálculo. Basicamente, os reagentes utilizados na automação são: um 
diluente, para diluir o sangue e deixar as células espaçadas; um detergente, usado a cada final 
de análise para descontaminação e manutenção preventiva; e um hemolisante, que faz a quebra 
e separa as hemácias. 
Mesmo que a automação seja relativamente simples, é importante estar atento para que 
sejam entregues resultados fidedignos. As amostras utilizadas para o hemograma são coletadas 
em tubo de EDTA (com raras exceções onde não é possível realizar a leitura, como em casos 
de pseudoplaquetopenia) e estes devem ser colocados no homogeneizador em velocidade baixa, 
para que não haja hemólise. Também é importante antes de colocar a amostra no aparelho 
observar se há formação de coágulos no tubo, o que pode interferir na leitura e danificar o 
aparelho. A agulha presente no aparelho deve descer até o fim do tubo e subir sem tocar as 
paredes do tubo. A metodologia empregada pelo sistema de hematologia é a impedância 
elétrica. Quando algum resultado/parâmetro sofre alteração como por exemplo, leucócitos 
acima de 15.000, plaquetas abaixo de 100.000, hemoglobina abaixo de 8 ou hematócrito abaixo 
de 30, o teste é repetido na automação e caso persista é confeccionado esfregaço sanguíneo com 
a coloração de panótico. 
Outro teste realizado neste setor é a determinação do grupo sanguíneo e fator Rh, utilizando 
os soros anti A, anti B e anti D. No laboratório é empregada a técnica em lâminas, onde são 
dispostas 3 gotas de sangue sobre 2 lâminas, e uma gota de cada 
reagente é adicionada e é feita a homogeneização. Aqueles que 
apresentam aglutinação após alguns segundos são considerados 
positivos. A determinação do fator Rh é determinada pelo soro 
anti D, contudo, em casos que o resultado é negativo, é 
necessário realizar o teste confirmatório para D “fraco”. 
 
Determinação do grupo sanguíneo. Neste exemplo é possível observar a 
mesma amostra de sangue com o anti-A e anti-B, respectivamente. Portanto, 
o paciente pertence ao grupo sanguíneo A. Fonte: Os autores 
 Para a contagem de reticulócitos, o sangue é adicionado ao tubo de hemólise com 3 
gotas de azul de cresil brilhante e colocado em banho maria por 15 minutos, e, posteriormente, 
é realizado esfregaço e leitura. No laboratório é empregado a metodologia de contar os 
reticulócitos em 10 campos e fazer a porcentagem. Os reticulócitos são hemácias jovens 
presentes na circulação, com inclusões em seu interior, indicando a maior ativação da medula 
óssea. 
 No coagulograma são incluídos o Tempo de Protrombina (TPA), Tempo de 
Tromboplastina Parcial Ativa (TTPa), Tempo de Coagulação e Retração do Coágulo e 
determinação do RNI. Esses exames geralmente são coletados em tubo citratado. O TPA é a 
solicitação que aparececom maior frequência e é um teste que busca determinar o tempo de 
coagulação à 37ºC. Para realização da técnica, o sangue do paciente é centrifugado para haver 
separação do plasma, e posteriormente, é colocado 0,1mL do plasma em banho-maria, e 0,2 mL 
da suspensão de tromboplastina cálcica preparada previamente é colocada no soro e o 
cronometro é disparo simultaneamente. Dentro do banho-maria o tubo é colocado em inclinação 
constante até haver formação do coágulo. A metodologia adotada é que ao adicionar 
tromboplastina cálcica ao plasma descalcificado, a protrombina é convertida em trombina e 
produz o coágulo. Com o tempo obtido, a atividade de protrombina é determinada com auxílio 
dos tempos de Quick presentes em uma tabela. Na tabela também é possível encontrar o Índice 
de Sensibilidade Internacional (ISI). O RNI é expresso por RISI, onde R é o tempo do paciente 
dividido pelo tempo controle. Contudo, na tabela adaptada no laboratório também possível 
encontrar o RNI. Para o resultado percentual do TAP, o laboratório padronizou uma fórmula, 
na qual é subtraído 6,6 do resultado em segundos e dividi-lo por 540. Estes exames sofrem 
alteração de vários medicamentos e condições clínicas, portanto é importante ter acesso as 
fichas dos pacientes. 
 Outro exame realizado é a Velocidade de Hemossedimentação (VHS), que é um teste 
pouco específico comum para investigar doenças inflamatórias. Na técnica é observada a 
sedimentação dos eritrócitos dentro de 1 hora em um tubo vertical. 
 Outros exames realizados neste setor, como o teste de Coombs indireto, são enviados 
para o laboratório de apoio. 
Um ponto interessante é que o laboratório realiza 
mensalmente exames para a clínica hospitalar 
NefroSul, e com isso, foi possível observar as 
alterações hematológicas encontradas nos 
pacientes com insuficiência renal e aqueles que 
realizam diálise, entendendo melhor sua clínica 
e relacionar os resultados. 
 
Sangues em EDTA provenientes dos pacientes da 
NefroSul do mês de agosto/2022. Fonte: Os autores 
 
 Outro caso de relevante destaque é o caso de clínico da paciente P.S.S, 30 anos, que 
procura o laboratório para realizar exames admissionais, contudo, ao realizar o hemograma, o 
aparelho não consegue realizar leitura dos leucócitos. Como as plaquetas e o hematócrito 
também se apresentavam um pouco baixos, suspeitou-se de pseudoplaquetopenia, e então foi 
solicitado a re-coleta em citrato, contudo, o problema não foi solucionado. Tendo isso em vista, 
foi confeccionado esfregaço com coloração de panótico rápido. Ao realizar a leitura ao 
microscópio é possível encontrar uma quantidade muito alta de leucócitos por campo 
(incontáveis) e ao observar os tubos também é possível observar a diferença no plasma da 
paciente. Suspeita-se de leucemia mieloide. 
 
Esfregaço sanguíneo. Tubos da paciente em comparação com amostra normal. Fonte: Os autores, 2022. 
 
3. IMUNOLOGIA 
As atividades realizadas no setor da imunologia incluem auxiliar na realização dos testes, 
observação dos resultados e centrifugação das amostras. É um setor relativamente simples e na 
qual as técnicas são realizadas com rapidez, portanto, é importante sempre relembrar os 
conceitos da disciplina de imunologia. 
Os exames que são realizados no laboratório incluem o VDRL, ASLO, Fator Reumatoide, 
Proteína C Reativa (PCR), HBsAg, HCV, HIV, Beta-HCG e Covid-19, sendo estes também o 
que são solicitados com maior frequência. Outros exames imunológicos, como os testes para 
toxoplasmose, FTA-abs, pesquisa de IGE’s relacionados a alergias, são enviados ao laboratório 
de apoio. Esses exames geralmente exigem o uso de técnicas mais complexas, como a 
quimioluminiscência, imunofluorescência direta ou indireta, imunocromatografia e ELISA, 
metodologias essas que não seriam viáveis de serem realizadas em laboratório de pequeno 
porte. 
Nos testes de sorologia realizados no laboratório as principais técnicas empregadas são a 
precipitação, aglutinação, fixação do complemento e imunoensaios, onde são procurados 
anticorpos ou antígenos específicos. O teste de VDRL é um teste não treponêmico de 
floculação, utilizado na rotina para identificação e acompanhamento da Sífilis. É teste onde são 
colocados 50uL da amostra e 20uL de um reagente com partículas de colesterol revestidas com 
cardiolipina em uma placa de Kline (placa escavada). Após 4 minutos em agitação, a placa é 
levada no microscópio para observar a formação de grumos. Em testes positivos é realizado o 
teste semiquantitativo, com diluição seriada utilizando salina, são preparadas as diluições ½, ¼, 
1/8, 1/16 e 1/32. 
Os exames ASLO, Fator Reumatoide e PCR aplicam o princípio da aglutinação. O ASLO 
é utilizado na identificação da febre reumática, onde ocorre a identificação de anticorpos anti 
estreptolisina O, uma das toxinas presentes na bactéria Streptococcus pyogenes, infecção 
associada ao desenvolvimento da febre reumática. No desenvolvimento da técnica, são 
colocados 25uL do soro do paciente em um cartão teste com fundo escuro e 25uL do reagente 
que contém partículas de látex revestidas com estreptolisina O. Ambos os conteúdos são 
misturados com auxílio de uma vareta plástica e então são realizados movimentos circulares 
com a placa por 2 minutos, observando a formação de aglutinado. Contudo, o exame positivo 
representa uma resposta imunológica a infecção bacteriana e não necessariamente reumatismo. 
Também é realizado o semiquantitativo através da diluição seriada. O Fator Reumatoide, 
também conhecido como “Látex” é definido como um grupo de imunoglobulinas contra a 
fração FC de IgG’s (anti-imunoglobulinas). No método do kit é utilizada partículas de látex 
revestidas com IgG humana. O FR é um ótimo marcador da artrite reumatoide, contudo não é 
específico. A realização da técnica é similar ao realizado no ASLO. “Waaler-Rose” trata-se do 
mesmo exame, contudo a técnica utiliza eritrócitos de carneiro revestidos com imunoglobulina 
de coelho. Na proteína C reativa (PCR) são utilizadas partículas de látex cobertas com 
anticorpos anti-PCR. A técnica também é similar as citadas 
anteriormente, sendo importante a realização do 
semiquantitativo. O PCR é um marcador da inflamação, sendo 
importante no diagnóstico e acompanhamento. 
Nos testes imunocromatográficos são identificadas 
doenças infecciosas por meio de testes rápidos, por associação 
específica a anticorpos com partículas coloridas conjugadas. 
Dentre os testes que utilizam essa técnica estão o HBsAg, 
HCV, HIV, Beta-HCG e Covid-19. Os testes são realizados em 
pequenas placas, chamadas popularmente de “sabonetes”. Em 
alguns testes podem ser encontrados o anticorpo e em outros o 
antígeno, a depender do exame. Nas placas existe uma 
cavidade onde é pipetado o soro do paciente e posteriormente, 
se necessário, algumas gotas do reagente. É possível encontrar Teste BETA-HCG, e testes de HCV 
realizados para a NefroSul. Fonte: Os 
autores, 2022 
a formação de uma banda controle e a do teste, em casos positivos. 
 
4. MICROBIOLOGIA 
No setor de microbiologia os principais exames realizados são a urocultura, coprocultura, 
cultura de swab da orofaringe, pesquisa micológica direta e antibiograma. As atividades 
executadas eram inocular os meios de cultura com as amostras, realizar leitura dos resultados e 
dos antibiogramas, repique para meio bioquímico, confecção do antibiograma e observar as 
lâminas micológicas. 
Uma das técnicas mais básicas é a coloração de Gram, onde é possível dividir as bactérias 
em duas classes, de acordo com sua parede celular: as gram positivas e gram negativas. Apesar 
de ser uma ótima técnica, não é muito necessária na clínica, já que é possível fazer a 
identificação da bactéria por meio de outras técnicas, por exemplo, pelos próprios meios de 
cultura. Para a semear nos meios de cultura, deve ser observado que cada tipo de amostra (e 
suspeita clínica)tem meios de cultura mais indicados. As amostras de urocultura o semeio é 
realizado e dois meios, um meio de isolamento primário (CLED) e outro meio seletivo para 
gram negativas (EMB). Na técnica de cultivo, com auxílio de um swab ou alça de platina, 
embebidos na amostra e então é feita semeadura por estriamento. Posteriormente, a placa é 
colocada em estufa microbiológica por 24 horas à 37ºC, e caso não haja crescimento, por mais 
24 horas. As técnicas de biossegurança também devem ser obedecidas: flambar a alça de 
platina, as placas devem ser abertas no fogo, evitando a contaminação do ambiente. 
Após o crescimento das colônias, essas e o próprio meio apresentam características que 
facilitam a identificação e diferenciação, característica conferidas pelas propriedades 
bioquímicas do meio de cultura. EMB ágar, por exemplo, possui propriedades bioquímicas que 
permitem a diferenciação das enterobactérias. Como fermentadores de sacarose e lactose 
apresentam colônias verdes metálicas, é fácil identificar Escherichia coli, simplesmente por 
essa característica. Fermentadoras fracas possuem cor púrpura, é o caso da Klebsiella spp., que 
apresenta colônias cremosas e com odor fermentativo. Contudo, a identificação por meio das 
culturas não é suficiente. Para a identificação corretas utiliza-se as provas bioquímicas. Para as 
gram-negativas é feita a série bioquímica de não fermentadoras ou de enterobactérias, onde é 
empregado o meio Rugai e LMI, de meio a identificar motilidade, lisina, H2S, formação de gás, 
ureia, glicose, sacarose, triptofano e indol. A inoculação é realizada com 1 colônia e com auxílio 
de uma agulha de platina, e após isso o meio é colocado na estufa por 24 a 48 horas para que 
seja visualizada as características formadas. Para as gram-positivas também é necessário 
realizar testes, sendo os principais a prova da catalase, coagulase e bile-escurina. Contudo, não 
foi possível observar gram-positivas durante o período de estágio. 
 Para que possa ser feito o tratamento do paciente, é necessário realizar o antibiograma, 
de maneira a direcionar o médico no tratamento com antibiótico mais eficaz. Para isso é 
utilizada a metodologia da difusão do disco, com meio Muller Hilton em placas de Petri 
grandes. Para essa semeadura são utilizados cultivos puros de acordo com a escala de 
McFarland, ou seja, aproximadamente 1 colônia por mL de solução salina. O inóculo deve ser 
feito de maneira uniforme, de maneira de cubra todo o disco e após isso os antibióticos 
selecionados de acordo com o tipo de microrganismo analisado são colocados sobre a placa, 
que é colocada na estufa por 24 horas. A leitura dos discos é realizada para avaliar os tamanhos 
dos halos de inibição, seguindo as normas estabelecidas pelo BrCast para cada bactéria e 
antibiótico. Os halos são avaliados em resistente, sensível e intermediário e anotados em um 
caderno próprio. 
 
Colônias de Klebsiella sp. e E. coli. Placa de Antibiograma. Teste de Rugai. Fonte: Os autores, 2022 
 Outro exame que geralmente é solicitado é a pesquisa 
micológica direta em raspados de unha. Neste caso, é feito 
raspagem na unha do paciente com auxílio de bisturi 
descartável em recipiente estéril. Para a confecção da 
lâmina a amostra é diluída com KOH e analisada na 
objetiva de 40. 
Presença de leveduras no micológico direto unha da mão. Fonte: Os 
autores, 2022 
 
5. URONÁLISE 
As atividades realizadas no setor de uronálise contam com a separação e identificação das 
amostras, realização do EAS (físico-química e auxiliar na análise microscópica), separar 
amostras para enviar ao laboratório de apoio. 
O principal exame do setor é o EAS (elementos 
anormais do sedimento), também chamado de urina I ou 
urina de rotina. Esse exame é divido em análise física, 
química e sedimentoscopia. A análise física é uma etapa 
qualitativa na qual são observados volume, aspecto, 
depósito, cor, densidade e odor. O analista observa os 
aspectos visualmente e posteriormente, anota na ficha do 
paciente. Após isso é realizada a análise química através 
das “tiras reativas” onde é possível observar o pH, 
proteínas, glicose, corpos cetônicos, bilirrubinas, urobilinogênio, hemoglobina, nitrito e 
leucócitos. Para a avaliação desses parâmetros existem várias outros metodologias para cada 
um desses, contudo, a metodologia que foi observada e realizada no laboratório foi apenas a 
fita reativa. 
Na etapa da sedimentoscopia, tem como 
objetivo detectar, quantificar e identificar 
material insolúvel presente na urina. Através 
da sedimentoscopia é possível visualizar 
hemácias, leucócitos, cilindros, células 
epiteliais, flora bacteriana, cristais, parasitas, 
muco, espermatozoides, leveduras e artefatos. 
Para a realização do exame, 10 ml de urina é 
centrifugada em tubo Falcon (fundo cônico) 
por 3 minutos à 3.000 rpm. O sedimento é 
colocado na câmara de Neubauer para 
contagem de 10 campos, com luminosidade e condensador baixos. 
 Outro exame realizado é a urina de 24 horas, na qual a coleta é realizada pelo período 
de um dia, com exceção da primeira urina do primeiro dia, e adicionada a primeira urina do 
segundo dia. É observado o volume coletado, e é um exame utilizado para verificar a função 
renal. Através dele é possível fazer clearance de creatinina e realizado o EAS normalmente. 
Essa solicitação não é rotina no laboratório. 
Como citado e descrito anteriormente no setor de microbiologia, os exames de urocultura e 
o antibiograma também são solicitados com grande frequência. Para a realização destes exames 
a parte mais importante é a orientação dos pacientes para a coleta da primeira urina do dia, jato 
1Exemplo de ficha de análise de urina. Fonte: Os 
autores, 2022 
2Urinas preparadas, identificadas e separadas para 
centrifugação. Fonte: Os autores, 2022 
médio e com devida assepsia. Caso contrário, é possível encontrar contaminação nas amostras 
e resultados falso-positivos. 
Outros exames presentes nesse setor são a microalbuminúria, ácido hipúrico, ácido 
metilhipúrico e ácido transmucônico, contudo, estes são enviados para o laboratório de apoio. 
A microalbuminúria é feita através da turbidimetria e é utilizada para identificar pequenas 
quantidades de albumina e é utilizada no diagnóstico da lesão renal, correlacionando com 
valores de creatinina urinária. Os ácidos hipúrico, metilhipúrico e transmucônico são solicitados 
para o diagnóstico ocupacional, e são exames que identificam a exposição à compostos 
químicos através da cromatografia líquida (HPLC). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagens da sedimentoscopia. Células epiteliais, hematúria e cristais de oxalato de cálcio, leveduras, piúria e 
leveduras, respectivamente. Fonte: Os autores, 2022 
 
6. PARASITOLOGIA 
O setor da parasitologia tem sua rotina bem definida e é relativamente muito simples. As 
atividades desenvolvidas eram basicamente auxiliar na preparação das amostras. 
No setor de parasitologia o principal exame solicitado é o Exame Parasitológico de Fezes 
(EPF). Dentro deste exame várias técnicas diferentes podem ser empregadas, de acordo com o 
tipo de amostra e com a clínica apresentada pelo paciente. Apesar da principal finalidade do 
exame ser a identificação de parasitas, no exame também são observadas outras características 
das fezes. A princípio, as fezes pastosas são observadas através do método direto, onde com 
uma porção pequena da amostra sobre a lâmina é adicionada solução salina e lugol e então 
observada nas objetivas de 10x e 40x, onde o principal objetivo é a identificação dos trofozoítos. 
Para outros tipos de amostra são empregadas às chamadas técnicas de concentração, que é o 
mais comum dentro do laboratório de análises clínicas. Basicamente essas técnicas podem 
utilizar da propriedade da flutuação ou da sedimentação. No laboratório é emprega a técnica de 
sedimentação simples (popularmente chamada de HPJ). Através dela, odiagnóstico é facilitado 
mesmo quando os parasitas, ovos, cistos ou larvas apresentam-se em pequeno número, pois 
concentra a amostra. Em sua realização 10 gramas de fezes são dissolvidas em água e 
posteriormente filtradas em um funil com gaze em tubos Falcon. O béquer que foi feita a 
dissolução deve ser lavado 2 fezes, com seu conteúdo sendo despejado sobre o cálice. Após 
isso o tubo é deixado em repouso até 24 horas, quando o sedimento é colocado sobre a lâmina 
com uma gota de lugol e então analisada nas objetivas de 10x e 40x, com luz baixa. Ao 
microscópio deve-se observar a presença não apenas dos parasitas estudados, mas também de 
sangue, muco, leveduras, células e polimorfonucleares. 
Outra etapa importante no exame fecal é a análise macroscópica, onde se devem observar 
os seguintes parâmetros: aspecto, consistência, forma, cor, cheiro e outras observações. Com 
objetivo de preservar os achados também é possível encontrar no laboratório pedidos médicos 
de coleta de fezes com preservantes. Foi possível ter contato com MIF (Mertiolato-Iodo-
Formaldeído), que preserva e cora quase todos os estágios parasitológicos. 
O exame de Sangue Oculto nas Fezes é realizado no laboratório de apoio por meio do 
método de Meyer. Para a realização desse exame é necessário que o paciente realize uma 
restrição alimentar pelos quatro dias que antecedem a coleta da amostra de fezes. Nesta restrição 
alimentar deve-se evitar o consumo de carne vermelha, alguns vegetais, leguminosas de cor 
vermelha, frutas cítricas e chocolate. Também se recomenda não fazer uso de medicamentos 
anti-inflamatórios, corticoides, vitamina C e evitar o consumo de bebida alcóolica. No método 
de Meyer a hemoglobina é detectada na amostra de fezes por meio da atividade da 
pseudoperoxidase da hemoglobina que reage com o Reativo de Meyer e apresenta coloração 
vermelha. É usada amostra de fezes diluída à 5%, filtrada em gaze e após centrifugação o 
sobrenadante é misturado com 1 ml de reativo de Meyer e 4 gotas de peróxido de hidrogênio, 
e então observada à coloração. 
A coprocultura é outro exame que também pertence ao setor de microbiologia. Geralmente 
é solicitado para identificação do agente causador de infecções intestinais, mas como não é tão 
frequente assim, geralmente esta solicitação está associada a exames ocupacionais. Neste 
exame utilizam-se meios específicos para identificação de Salmonela e Shiguella (meio SS). 
A parte mais complicada do setor é a orientação dos pacientes, uma vez que um erro pré-
analítico pode prejudicar os resultados. Muitos pacientes confundem a “restrição alimentar” 
necessários para o exame de sangue oculto nas fezes com o jejum que é necessário para a 
realização dos outros exames. Nem sempre a fácil fazer a orientação de pacientes com baixa 
instrução, utilizando termos populares, também tendo em vista que muitos pacientes não 
gostam de realizar essas coletas ou não são orientados pelo seu médico da necessidade da 
realização do exame. Outra dificuldade é a realização da etapa microscópica setores, pois nem 
sempre é fácil identificar o que estamos vendo, e se estamos corretos, pela falta de prática e 
confiança, portanto, é sempre necessário questionar os profissionais. 
Graças ao acesso a saneamento básico e cuidados realizados pela vigilância sanitário-
epidemiológica, em nossa região a situação epidemiológica relacionada a parasitoses é positiva, 
portanto, são raros os encontrados laboratoriais neste setor. A maior parte dos encontrados são 
as entamoebas. 
 
Preparação das fezes para sedimentação overnight. Taenia spp. Fonte: Os autores, 2022 
 
7. BIOQUÍMICA 
As atividades realizadas no setor bioquímico incluem centrifugar, etiquetar e separar os 
tubos, auxiliar no interfaceamento, auxiliar na preparação do COBAS, auxiliar na pipetagem 
das amostras e na fotometria. 
A bioquímica é um setor que tem uma rotina bem definida e repetitiva, porém é necessário 
que tudo seja feito com muita atenção, já que qualquer pequeno erro pode causar uma cascata 
de outros erros. Por exemplo, ao realizar a separação das amostras nos flaconetes e o 
interfaceamento dos exames para o aparelho, é necessário 
que seja feito com atenção toda destinada a esta atividade, 
para não colocar as amostras na estante trocadas, já que 
cada número corresponde a um paciente. Como já foi 
citado no relatório do setor de hematologia, o laboratório 
realiza exames do Nefro Sul, dos pacientes de hemodiálise. 
Então é muito interessante para observar os resultados 
alterados e correlacionar com as patologias. 
Para a realização dos exames do setor bioquímico é 
utilizado o aparelho automatizado COBAS Mira Plus. 
Neste aparelho é possível realizar diversos exames, porém, 
o laboratório se limita a realizar apenas o que são 
solicitados com maior frequência, tendo em vista os 
valores dos reagentes, dentre eles estão: dosagens de colesterol total, colesterol HDL, 
triglicérides, transaminase glutâmica pirúvica e oxalacética (TGO e TGP), Gama-GT, Ureia, 
Creatinina, Ácido Úrico, Albumina, Bilirrubina Total e Direta, Cálcio, Cloro, Ferro, Fosfatase 
Alcalina, Fósforo, Glicose, Magnésio, Proteínas Totais, Potássio e Sódio. Neste aparelho de 
automação os exames fazem parte de um sistema integrado e, portanto, em um único sistema é 
possível encontrar interfaceado os exames de cada paciente. Para isso é necessário pipetar o 
soro dos pacientes em flaconetes na ordem definida pelo próprio sistema. Após a realização dos 
exames os resultados são encontrados no próprio sistema e devem ser conferidos pelo 
biomédico responsável, onde, caso apareça algum alterado seja realizado em replicada. No 
aparelho os reagentes são colocados ao início do dia e são colocados em uma ordem pré-
definida. Também é importante trocar a água que é utilizada no aparelho todos os dias e ao 
iniciar, programa-lo para limpeza. 
A metodologia empregada pelo aparelho é principalmente o colorimétrico enzimático. Essa 
metodologia é baseada nos fundamentos da espectrofotometria, onde através da absorção de luz 
pelas partículas em determinada amostra é possível determinar as concentrações de determinada 
substância. No método enzimático é possível quantificar mesmo em substâncias que absorvam 
pouca luminosidade, pois o substrato se liga a uma enzima específica que produz cor, e, 
portanto, a intensidade da cor produzida é proporcional à concentração do mesmo. A diferença 
do aparelho para a metodologia aplicada com os kits manuais é que o aparelho realiza as 
análises de maneira contínua e automática. 
3Soros dos pacientes da NefroSul do mês 
de novembro de 2022. Fonte: Os autores, 
2022 
Outros exames que não são realizados no COBAS são o sódio e potássio, que são feitos no 
fotômetro de chama. Na técnica a princípio deve-se colocar o soro em pequenos recipientes 
previamente identificados, a amostra é puxada por uma cânula nebulizador. A amostra se 
mistura no aparelho com gás de cozinha e com quantidade adequada de ar, de maneira que a 
chama emite coloração específica do elemento analisado. O aparelho possui um fotodetector 
que permite identificar a coloração emitida e a concentração aparece na tela. Este aparelho 
necessita de revisão e calibração periódica, sendo sempre necessário passar soluções padrão de 
sódio e potássio e definição dos valores de referência no aparelho. 
Os outros exames que não são realizados no laboratório são enviados ao laboratório de 
apoio, sendo estes: Creatina Quinase (CK); Capacidade de Ligação do Ferro, Ferritina, 
Hormônios de maneira geral (TSH, T4 e T3 livre e total, testosterona livre e total, estradiol, 
progesterona, prolactina, PTH), Vitaminas (25-hidroxi-vitamina D, vitamina B12, ácido fólico, 
cortisol). Estes exames não são realizados no laboratório porque seus reagentes não valem a 
pena financeiramente serem adquiridos ou então são realizadas por meio de metodologias que 
o laboratórionão possui. A principalmente metodologia utilizada para exames hormonais, 
vitaminas e outros exames específicos é a quimiluminescência. Basicamente, nesta técnica o 
método imune enzimático é empregado, de maneira que são utilizados anticorpos poli clonais 
específicos marcados com enzimas específicos para o hormônio (ou molécula testada). Após a 
adição substrato quimiolumiscente que se ligam as estas moléculas é realizada a leitura em 
luminômetro. 
 
 
 
4Interfaceamento do Interlac com o COBAS. Fotômetro de Chama. Fonte: Os autores, 2022 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8. LAVAGEM E ESTERILIZAÇÃO 
Nesta etapa do estágio foi possível auxiliar na autoclave dos materiais para descarte, na 
lavagem dos materiais (cubetas, flaconetes, lâminas, lamínulas). 
Na etapa de lavagem, são lavados com água deionizada e detergente desincrustante alcalino, 
detergente comum ou hipoclorito de sódio, os seguintes materiais: lâminas, lamínulas, peneiras 
para fezes (a depender de seu estado), cubetas utilizadas no COBAS, flaconetes também 
utilizados na bioquímica, ponteiras, placas, tubos de plástico utilizados na uronálise, entre 
outros materiais que seja possível reaproveitar. Para utilizar novamente estes materiais os 
mesmos devem ser perfeitamente enxaguados e estar totalmente secos. Um exemplo são as 
cubetas utilizadas no COBAS, que são enxaguadas em média 10 vezes, para que não haja 
resíduo químico e nem das amostras. Alguns destes, a depender do exame realizado, ficam de 
“molho” overnight. 
A esterilização dos materiais, como vidrarias, ou até mesmo meios de culturas que serão 
preparados, é realizada na autoclave. Para que a esterilização aconteça é importante que os 
materiais permaneçam na autoclave por 15 minutos à 121ºC, temperatura capaz de matar todos 
os microrganismos presentes na amostra. Os materiais que serão descartados, como amostras 
microbiológicas ou contaminantes, também são autoclavados antes de serem encaminhados ao 
seu destino final. O descarte é realizado conforme o orientado pela RDC nº 306/2004, separando 
os resíduos em grupos. Basicamente, os resíduos comuns são descartados em lixo comum de 
saco preto. Os resíduos perfurocortantes são descartados em descarpacks, e os resíduos 
5Flaconetes organizados em 
ordem numérica na estante do 
COBAS. Reagentes no 
equipamento. Fonte: Os autores, 
2022 
contaminantes são descartados em lixo de saco branco. Estes resíduos das duas últimas 
categorias são destinados à empresa de descarte de resíduos hospitalares específica, onde os 
materiais são incinerados. Como citado anteriormente, os materiais biológicos (sangue, placas 
de microbiologia) são autoclavados antes do descarte definitivo, para evitar contaminação. 
A etapa de lavagem de materiais deve ser feita com bastante cuidado e de maneira 
impecável, já que qualquer resíduo de material que fique nas vidrarias ou tubos que são 
utilizados no COBAS, seja de materiais de limpeza ou de amostras, pode causar graves 
alterações nos resultados dos próximos exames que serão realizados com estes materiais ou até 
mesmo pode ser que o aparelho não consiga realizar leitura do exame. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9. PÓS ANÁLITICO E CONTROLE DE QUALIDADE 
As principais atividades realizadas nessa etapa são a digitação e conferência de laudos, e 
acompanhamento do controle interno e externo de qualidade. 
Na etapa de digitação e conferência de laudos no laboratório preconiza-se que uma pessoa 
digite os resultados todos os dias e outra pessoa confira os mesmos. No laboratório pede-se o 
prazo de uma semana para a entrega dos resultados aos pacientes, para que seja possível realizar 
essas etapas e também dos resultados enviados ao laboratório de apoio fiquem prontos, exceto 
com exceções, como é o caso de exames de urgência ou de exames admissionais que são 
realizados no laboratório. Para os exames realizados no setor da bioquímica, o aparelho COBAS 
realiza o interfaceamento, ou seja, ao mesmo tempo em que realiza os exames, os resultados já 
6Detergente desincrustante alcalino utilizado para lavagem dos materiais. Materiais de 
molho overnight para serem lavados no outro dia. Fonte: Os autores, 2022. 
são automaticamente enviados ao cadastro do paciente. Portanto, é necessário apenas que a 
biomédica responsável confira se os resultados estão dentro dos valores de referência, e se não 
estiverem, peça para realizar a duplicata ou triplicata. Na conferência também é importante 
analisar as alterações encontradas e correlaciona-las com outros resultados encontrados e com 
a clínica do paciente. Resultados de sódio e potássio, que são realizados no fotômetro de chama, 
são digitados manualmente. O restante dos resultados é anotado na ficha do paciente e digitados 
manualmente. No setor de microbiologia o nome do paciente é anotado no momento que feita 
a semeadura e posteriormente a presença de bactérias e os resultados do antibiograma são 
anotados no mesmo e digitados manualmente. 
No laboratório é mantido um banco de soro pelo período de uma semana. As amostras dos 
exames realizados são refrigeradas em geladeira comum. Isso é importante para realização de 
repetição do exame caso de faça necessário, ou no caso de o laboratório de apoio solicitar 
recoleta. Todos os pacientes do dia são numerados e seus nomes e resultados são anotados para 
posterior conferência, os seus resultados também são anotados em um caderno diariamente. O 
laboratório possui um caderno para microbiologia, um para provas de coagulação, um para 
testes imunológicos, um para testes bioquímicos e outro para hematologia. Resultados positivos 
e também os negativos na análise parasitológica são anotados em uma planilha. Todas essas 
etapas fazem parte do Controle Interno de Qualidade (CIQ). 
Além disso, para o Controle Interno de Qualidade (CIQ) da bioquímica é utilizado o PRO-
IN adquirido do PNCQ (Programa Nacional de Controle de Qualidade). Esses testes são 
realizados todos os dias ao iniciar a rotina para saber se o aparelho está calibrado e se os exames 
estão sendo feitos de maneira correta, de maneira que garante que os resultados obtidos são 
fidedignos à realidade. Na hematologia utiliza-se uma amostra de resultado já conhecido. Os 
resultados obtidos são comparados com os valores de referência do lote enviado pelo PNCQ e 
caso não passem, é feita a replicata buscando corrigir o erro existente, até encontrar o valor 
dentro da referência. Todas essas informações são anotadas em uma planilha própria. Além 
disso, todos os dias as temperaturas das estufas e geladeiras são anotadas. 
Já o Controle Externo de Qualidade (CEQ) também é enviado pelo PNCQ mensalmente, 
onde estão presentes analitos para todos os setores, inclusive testes online de microscopia e 
educação continuada básica. Após a realização dos testes, os resultados são enviados ao PNCQ 
que posteriormente, mandam as respostas e setores que precisam de correção. As medidas que 
forem tomadas precisam ser esclarecidas ao PNCQ. 
 
Realização do PRO-IN do setor bioquímico do dia 23 de novembro de 2022. Amostras do CEQ – PNCQ. Digitação 
de Resultados. Fonte: Os autores, 2022 
 
O pós-analítico é uma das etapas das análises clínicas que mais demanda atenção do 
profissional, para evitar erros na transmissão dos resultados ao paciente. Também foi possível 
observar que é um setor que demanda integração de todos os setores do laboratório, onde a falta 
de uma amostra ou da digitação de um resultado pode afetar a entrega dos resultados. 
 
10. CONCLUSÃO 
Portanto, conclui-se que o período de estágio no laboratório Bio Clínica foi muito 
enriquecedor no ponto de vista acadêmico e profissional, onde foi possível ter contato com 
todos os setores das análises clínicas e com a rotina laboratorial. Neste período foi possível 
fixar o conhecimento adquirido durante todos os períodos da graduação, adquirir novos 
conhecimentos e aprendizagens,além de ser uma ferramenta para ganhar segurança como 
profissional. No laboratório de análises clínicas podemos ter um maior ponto de vista clínico 
do paciente, onde todo o conteúdo trabalho estão em constante integração. 
11. REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO 
BIOMEDICINA PADRÃO. Para responder. 2011. Disponível em 
<https://www.biomedicinapadrao.com.br/2011/05/para-
responder.html#:~:text=Reticul%C3%B3citos%20s%C3%A3o%20as%20c%C3%A9lulas%2
0que,com%20azul%20de%20cresil%20brilhante.>. Acesso em: 03 dez. 2022 
 
Diagnósticos do Brasil. DB. Disponível em < https://www.diagnosticosdobrasil.com.br/>. 
Acesso em: 04 dez. 2022 
 
DOS SANTOS, V. M.; CUNHA, SF de C.; DA CUNHA, D. F. Velocidade de sedimentação 
das hemácias: utilidade e limitações. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 46, p. 
232-236, 2000. 
LABTEST. Aplicação dos reagentes Labtest para o Cobas Mira Plus. Disponível em 
<https://labtest.com.br/wp-content/uploads/2016/11/COBAS-MIRA-Bioquimica-02-07-
2015.pdf>. Acesso em: 04 dez. 2022 
 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. SÍFILIS: Estratégia para diagnóstico no Brasil. Secretaria de 
Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. 2010. Disponível em < 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sifilis_estrategia_diagnostico_brasil.pdf>. Acesso 
em: 04 dez. 2022 
 
PNCQ. Programa Nacional de Controle de Qualidade. Disponível em <https://pncq.org.br/>. 
Acesso em: 03 dez. 2022 
 
SANARMED. Resumo de coagulograma: hemostasia, defeitos, avaliação prática e mais. 
2021. Disponível em <https://www.sanarmed.com/resumo-de-coagulograma-hemostasia-
defeitos-avaliacao-pratica-e-mais>. Acesso em: 04 dez. 2022 
 
 
https://www.biomedicinapadrao.com.br/2011/05/para-responder.html#:~:text=Reticul%C3%B3citos%20s%C3%A3o%20as%20c%C3%A9lulas%20que,com%20azul%20de%20cresil%20brilhante.
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