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1 10ª aula teórica Hormonas pancreáticas: insulina, glucagina e somatostatina. Regulação do metabolismo Correlação clínica: Alterações metabólicas no jejum. Resposta metabólica à hiperglicémia e Diabetes mellitus 13-Mar-2023 BIOQUÍMICA II Ensino Teórico _ 1º ano MIM_FMUC (2022/2023) Objetivos • Identificar a função fisiológica das hormonas pancreáticas, insulina e glucagina, e a ação da somatostatina • Analisar o controlo pancreático da glicémia - papel auxiliar da adrenalina. • Identificar os recetores e vias de transdução intracelulares ativados por estas hormonas. • Rever os alvos enzimáticos de controlo das vias metabólicas reguladas por estas hormonas. • Verificar os efeitos do cortisol e hormona do crescimento na regulação metabólica e da glicémia • Correlação clínica: • Analisar as alterações metabólicas em diferentes estados de jejum • Analisar a resposta metabólica à hiperglicémia e Diabetes mellitus Determinação da glicémia? Quando? Suspeita de hiperglicemia: • Aumento da micção (poliuria) • Aumento da sede (polidipsia) • Aumento da ingestão de alimentos (polifagia) • Visão turva • Fadiga (cansaço inexplicável) • Feridas que demoram a cicatrizar (…) Suspeita de hipoglicemia: • Aumento da fome • Ansiedade • Sudorese (suor inexplicável) • Tremores • Confusão mental (mais frequente em idosos) (…) Presença de fatores de risco: • Obesidade (excesso de peso) • Diabetes • Hipertensão arterial • Doenças cardiovasculares • Hereditariedade: familiares com história de doenças acima descritas Hipoglicémia Causas: Exercício físico; Jejum; Excesso de insulina exógena; Insulinoma: excesso de insulina endógena; Inibição da produção endógena de glucose (e.g. por ação do álcool) Hipoglicémia 1 2 3 4 5 6 2 FLUTUAÇÕES METABÓLICAS EM ESTADOS DE JEJUM – PÓS-PRANDIAL Glicogénio hepático Glicose plasmática Pâncreas e hormonas pancreáticas Pâncreas: localizado no abdómen, atrás do estômago e entre o duodeno e o baço; integra os sistemas digestivo e endócrino. Pâncreas e hormonas pancreáticas islets of Langerhans Regulação da [glucose]sangue por ação da glucagina e da insulina Glucagina Estimula degradação do glicogénio e a gluconeogénese Glicose é exportada do fígado para outros tecidos Insulina Estimula síntese do glicogénio e a utilização de glucose C O N T R O LO H O R M O N A L D A G LI C É M IA 7 8 9 10 11 12 3 GlucaginaInsulina Mechanism of insulin secretion from pancreatic β-cells and glucagon release from α-cells Efeitos das hormonas pancreáticas - INSULINA Porquê? Mecanismos de ação da INSULINA Como são operados em paralelo estes diferentes efeitos ? O recetor da insulina é um recetor catalítico - Dimerização do recetor é requerida para a sua ativação - Ocorre auto-fosforilação (tirosina cinase, TK) - Várias proteínas responsáveis por coordenar modificações metabólicas - Várias vias intracelulares de sinalização são ativadas em paralelo Vias de sinalização do recetor da insulina (TK) Regulação da glicogénese após ativação do recetor da insulina h tt p :/ /t h e m e d ic a lb io c h e m is tr yp a g e .o rg /i n s u lin .p h p 13 14 15 16 17 18 4 Efeitos das hormonas pancreáticas - GLUCAGINA Regulação hormonal do metabolismo do glicogénio Insulina Síntese hepática Epinefrina = adrenalina Degradação muscular (e hepática) Glucagina Degradação hepática [Glicogénio] (mol/g fígado)Jejum (horas) 300 260 216 42 16 0 2 4 24 64 Efeito do jejum nos níveis de glicogénio hepático: Glucose facilmente utilizável As hormonas epinefrina e glucagina regulam o catabolismo do glicogénio [glucose]sangue Libertação de glucagina (células- pancreáticas) Libertação de adrenalina ou epinefrina (células glândula adrenal) Interação com recetores membranares (fígado e tecido adiposo) Interação com recetores membranares (fígado e músculo) A Glicogenólise é ativada durante o jejum Glicogénio fosforilase a ativa Estimula degradação do glicogéno Glicogénio sintetase b inativa Inibe síntese do glicogéno Hypoglycemia is physiologically the most potent secretory stimulus for glucagon, a peptide hormone secreted from the alpha cells of the pancreatic islets of Langerhans Ativação de proteínas G por um recetor membranar – ex. R-glucagina R-adrenalina PKA inativa PKA ativa Fosforilase cinase inativa Fosforilase cinase ativa Fosfatase Glicogénio fosforilase b (inativa) Glicogénio fosforilase a (ativa) Fosfatase Glicogénio sintetase ativa Glicogénio sintetase inativa Fosfatase Glucose sanguínea Glucose-6-fosfatase (fígado) Via não ativa Glicogénio Glucose-1-P Glucose-6-P Fosfoglucomutase (UDP-glucose) Glucose Glucocinase Glucose-6-P Glucose-1-P R G AC Glucagina (fígado) Epinefrina Glucose citosolATP AMPc AMP Fosfodiesterase AC: adenilato ciclase/adenilciclase PKA: proteína cinase A 19 20 21 22 23 24 5 Alpha-cell (glucagon) paracrine signaling in the regulation of beta-cell insulin secretion Holter et al., Front. Endocrinol., 2022 Músculo Estimulação recetores -adrenérgicos Estimulação por impulso nervoso (recetores acetilcolina) Fígado: Estimulação recetores -adrenérgicos Glicogenólise induzida por epinefrina no músculo e no fígado (+ ação do impulso nervoso no músculo) Insulin and glucagon influence different metabolic pathways Sinalização pelo balanço e não apenas por um dos sinais Pancreatic islet is shown here with alpha, beta, delta cells and secreted hormones. Mechanism of release of somatostatin from delta cells through the activation of glucose transporters and voltage gated calcium channels Somatostatin from the hypothalamus inhibits the pituitary gland's secretion of growth hormone and thyroid stimulating hormone. In addition, somatostatin is produced in the pancreas and inhibits the secretion of other pancreatic hormones such as insulin and glucagon. • Somatostatin from the hypothalamus inhibits the pituitary gland's secretion of growth hormone (GH) and thyroid stimulating hormone (TSH). • In addition, somatostatin is produced in the pancreas ( cells) and inhibits the secretion of other pancreatic hormones such as insulin, glucagon and gastrin, and pancreatic enzymes that aid in digestion. Mechanism of action of somatostatin (SST) on insulin secretion by negative feedback. SST binds to the SST receptor on the β-cell and inhibits the activation of voltage gated calcium channels and ATP sensitive K+ channels. This reduces cyclic adenosine monophosphate (cAMP) levels thereby inhibiting the release of insulin. -cell 25 26 27 28 29 30 6 H o rm o n as p an cr e át ic as GIP, ‘Gastric inhibitory polypeptide’ CCK, ‘Cholecystokinin’ Resposta do tecido ReguladoresEstado nutricional Degradação glicogénio; Síntese de glicogénio Degradação glicogénio; Síntese de glicogénio Degradação glicogénio; Síntese de glicogénio Síntese de glicogénio; Transporte de glucose Síntese de glicogénio; Transporte de glucose Síntese de glicogénio Degradação glicogénio Glicólise Fígado: Sangue: Glucagina Insulina; Tecido: AMPc Sangue: Glucagina, Insulina; Tecido: AMPc, glucose Sangue: Epinefrina; Tecido: IP3, Ca2+-calmodulina Músculo: Sangue: Insulina Sangue: Insulina Sangue: Epinefrina; Tecido: AMPc, Ca2+-calmodulina Jejum Refeição de carbohidratos Exercício e stresse Jejum (repouso) Refeição de carbohidratos (repouso) Exercício Regulação das reservas de glicogénio no fígado e no músculo Controlo dos níveis séricos de glucose pelas hormonas pancreáticas + anti-inflammatory & immunosupressive action (…) Influência do cortisol (glucocorticóide) na regulação metabólica Glucocorticoids (steroid hormones) regulate glucose homeostasis. Glucocorticoids promote gluconeogenesis in liver, whereas in skeletal muscle and white adipose tissue decrease glucose uptakeand utilization by antagonizing insulin response. Therefore, excess glucocorticoid exposure causes hyperglycemia and insulin resistance. In liver, glucocorticoids increase glycogen storage, whereas in skeletal muscle they play a permissive role for catecholamine- induced glycogenolysis and/or inhibit insulin-stimulated glycogen synthesis. Corticotropin-releasing hormone (CRH) = corticotropin-releasing factor (CRF) + STRESS (adrenal cortex) Papel da hormona do crescimento na regulação metabólica e da proliferação celular/crescimento Alterações metabólicas no Jejum Alterações metabólicas no Jejum 31 32 33 34 35 36 7 12-48 horas – fase inicial: - [glicose] - secreção glucagina ( insulina) Glicogenólise [glicose] - -oxidação AG ATP (músculo esquelético e cardíaco, rim) - [glicogénio] ao fim de 12 horas - Neoglicogénese (a partir de: lactato, aminoácidos, glicerol) JEJUM Tecidos utilizadores de glicose: - Cérebro - GB - GV - Retina - Medula supra-renal Utilização de ácidos gordos como fonte energética durante o jejum Jejum prolongado Os níveis plasmáticos de ácidos gordos e de corpos cetónicos aumentam, enquanto a glicose diminui Biochemistry. 5th Ed., Berg JM, Tymoczko JL, Stryer L., New York: W H Freeman; 2002 JEJUM PROLONGADO 2-24 dias – fase intermédia: - -oxidação AG ATP (músculo e rim) - -oxidação AG corpos cetónicos ATP (músculo esquelético e cardíaco, rim) - metabolização dos aminoácidos glucogénicos neoglicogénese - metabolização dos aminoácidos síntese de ATP (90% alanina; 10% glicerol) JEJUM PROLONGADO Mais de 24 dias – fase avançada: - temperatura corporal, batimento cardíaco, tensão arterial, metabolismo basal - deficiências vitamínicas (C, B) - redução da velocidade de degradação das proteínas - catabolismo TG formação de corpos cetónicos (fígado) utilização pelo cérebro (e GV) Fase final: - reservas lipídicas - catabolismo proteínas para centenas g/dia (anteriormente: 30-55 g/dia) - atrofia muscular; redução atividade cerebral Morte e Resposta metabólica à hiperglicémia e Diabetes mellitus Resposta metabólica à hiperglicémia e Diabetes mellitus 37 38 39 40 41 42 8 Diabetes Mellitus * Doença endócrina mais comum * Caracterizada por hiperglicémia por falta e/ou resistência à insulina (a insulina controla a glicémia) * A diabetes pode ser: - Tipo 1 _ Insulino-dependente (15% dos diabéticos) Jovens < 30 anos Início rápido Insulina Destruição auto-imune das células dos ilhéus pancreáticos Fatores ambientais (infeção viral; toxinas) - Tipo 2 _ Não insulino-dependente (85% dos diabéticos) > 40 anos / qualquer idade Início lento Insulina presente Resistência à insulina Alteração da secreção de insulina ? Obesidade Diabetes Mellitus HLA, Human Leukocyte Antigen system – a major histocompatibility complex (MHC) in humans. Alterações Bioquímicas da Diabetes • Glicosúria • Sintomas clássicos de poliúria, polidipsia e polifagia • Incapacidade dos tecidos utilizarem a glicose como energia • Utilização dos ácidos gordos como fonte energética, com aumento da síntese do colesterol aterosclerose • Utilização dos ácidos gordos na formação de corpos cetónicos cetonémia • Utilização das proteínas como fonte energética, com perda de peso (massa muscular) Diabetes Mellitus • Falência relativa ou absoluta na secreção de insulina pelas células beta do pâncreas • Existência de hiperglicémia e glicosúria • Doença crónica ligada ao metabolismo da glicose • Alterações secundárias do metabolismo proteico, lipídico, água e eletrólitos Consequências do défice de insulina Falta de insulina Cetoacidose diabética: - Aumento glicémia - Corpos cetónicos presentes - Acidose moderada/elevada - Hiperventilação e Desidratação A cetonémia resulta em acidémia pelo carácter acídico dos corpos cetónicos, com descida do pH sanguíneo. 43 44 45 46 47 48 9 Diabetes Mellitus e resistência à insulina a The insulin receptor signaling pathway. b Model of the regulation of IR endocytosis by IRS and spindle checkpoint proteins. In the basal state, p31comet prevents IR endocytosis. Activated IR auto-phosphorylates multiple tyrosine residues on IR, including Y960 in the NPEY960 motif (1), recruits IRS proteins and initiates insulin signaling cascades. IR phosphorylates Y612/Y632/Y662 of the YXXΦ motifs on IRS1 (2). Activated ERK phosphorylates S616/S636/S666 on IRS1 (3). SHP2 binds to the C-terminal phosphotyrosine sites on IRS1 and dephosphorylates pY612/pY632/pY662 of the doubly phosphorylated IRS1 (pY/pS) to facilitate the IRS1–AP2 interaction (4). IR-bound MAD2 binds to BUBR1- CDC20, providing another binding surface for AP2. These two modules promote IR endocytosis. Inhibition of the feedback regulation prevents IR endocytosis, prolongs metabolic branch of insulin signaling, and improves insulin sensitivity. MIM, MAD2-interacting motif. IRS- and MAD2-dependent mechanisms collaborate to trigger insulin receptor endocytosis – role in the pathophysiology of insulin resistance H al l, C ., Y u , H . & C h o i, E. In su lin r ec ep to r en d o cy to si s in t h e p at h o p h ys io lo gy o f in su lin re si st an ce .E x p M o l M e d 5 2 , 9 1 1 –9 2 0 (2 0 2 0) . h tt p s: // d o i.o rg /1 0. 10 38 /s 1 22 76 -0 20 -0 45 6 -3 Na Diabetes ocorre: * Microangiopatia * Retinopatia * Nefropatia * Neuropatia * Macroangiopatia – Aterosclerose Triglicerídeos VLDL HDL * Doença vascular – 60% doentes (35% doentes cardíacos) Na Diabetes: * Aumenta a mobilização de AG dos adipócitos: re-esterificação no fígado VLDL * Aumento TG sanguíneos Aumento das VLDL na Diabetes 0 10 20 30 40 50 60 TG Proteína C CE PL VLDL P e rc e n ta g e m d o p e s o t o ta l Indivíduo Saudável: * TG provêm da glicose da dieta Síntese e secreção de VLDL num hepatócito: A diabetes tipo II anda de mão dadas com a obesidade!!! RESISTÊNCIA À INSULINA Mas... nem todos os obesos desenvolvem diabetes 49 50 51 52 53 54 10 Diabetes Mellitus – tipo II HbA1c_Hb glicada N-terminal -chain Hb Bibliografia • Devlin TM (2019) “Textbook of Biochemistry with Clinical Correlations”, 8th Ed, Wiley, New York: Cap. 11 • Baynes JW and Dominiczak MH (2022) Medical Biochemistry, 6th Ed, Elsevier: Cap. 31 55 56 57 58 59