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Ergonomia 
 Engenharia de produção 
36 
 
3 FISIOLOGIA DO TRABALHO 
 
 
A fisiologia estuda o funcionamento dos órgãos e a interdependência de cada órgão com 
os sistemas que compõem o organismo humano. Os estudos de fisiologia do trabalho 
proporcionam diversas informações para possibilitar a organização adequada do 
trabalho, como energia (kcal / min) que determinada tarefa exige do trabalhador, e 
assim estabelecer um limite compatível com a jornada contínua ou com o 
estabelecimento de pausas de recuperação; quantidade de trabalhadores necessários em 
determinada atividade; dispêndio energético da tarefa associado à avaliação da carga de 
calor ambiental; limite de peso recomendado; etc. 
 
Este capítulo se limita apenas à abordagem das questões relativas à capacidade de 
trabalho físico e fadiga. 
 
3.1 Capacidade de trabalho físico 
 
A energia obtida pelo corpo humano para a realização de um trabalho físico se dá 
através da transformação da energia de natureza química recebida pela alimentação em 
energia térmica e mecânica. 
 
A realização de uma atividade muscular provoca aumento do ritmo respiratório e da 
profundidade das inspirações para garantir um suprimento de oxigênio às células que se 
contraem. Simultaneamente acontece incremento do ritmo cardíaco para aumentar o 
fluxo sangüíneo que transporta o oxigênio para as células. O sangue transporta, às 
células, oxigênio e nutrientes que fornecerão a energia necessária para a contração. 
 
A capacidade de trabalho físico, para atividades que empregam muitos músculos, é o 
máximo de oxigênio que um indivíduo é capaz de inspirar, combinar com o sangue e 
transportar até às células que se contraem. Um indivíduo alcança a sua potência 
aeróbica máxima quando os incrementos da carga não provocam aumento do consumo 
de oxigênio. Por outro lado, é impossível que o indivíduo realize trabalho com 
intensidade tal que necessite que o consumo de oxigênio seja máximo. Neste sentido, 
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 Engenharia de produção 
37 
recomenda-se que o limite admissível seja de 30% do volume máximo de oxigênio. Este 
valor pode mudar em função da quantidade de músculos empregados na execução da 
atividade e da intensidade de componente estático. Neste sentido, a carga de trabalho 
não só é refletida pelo consumo de calorias, como também pelo número de músculos 
envolvidos e pelo grau de exigência de trabalho estático da musculatura. O consumo de 
energia na atividade física é tão maior quanto maior for a solicitação à musculatura. 
 
A capacidade de trabalho físico de um indivíduo é por definição relativa, 
correspondendo à relação dos gastos energéticos do trabalho com o volume de oxigênio 
máximo do indivíduo que é função da massa muscular disponível. Tal capacidade 
aumenta com a altura e massa magra do indivíduo (peso total corporal - peso dos 
tecidos gordurosos) e diminui com a idade. A mulher tem uma menor capacidade de 
transporte de oxigênio, logo um volume de oxigênio máximo mais baixo que o do 
homem. Quando a carga de trabalho físico ultrapassa as tolerâncias permitidas pela 
capacidade aeróbica do trabalhador, as pausas passam a representar o mecanismo 
fisiológico de compensação e de prevenção da fadiga crônica. 
 
A determinação da capacidade de trabalho físico se realiza normalmente por meio de 
testes em bicicleta ergométrica ou degrau, analisando a relação entre o ritmo cardíaco e 
a carga de trabalho. Na medida em que se aumenta a carga de trabalho, aumenta o ritmo 
cardíaco. Como se utiliza normalmente um ritmo cardíaco máximo de 170 pul / min, 
pode-se determinar a carga de trabalho máxima que poderá ser submetido um individuo 
para não ultrapassar este valor. Atualmente, a freqüência cardíaca é uma medida melhor 
do que o consumo de energia para a avaliação da carga de trabalho. O Quadro 1 mostra 
uma estimativa da carga de trabalho com base na frequência cardíaca. 
 
Quadro 1 - Carga de trabalho e frequência cardíaca 
CARGA DE TRABALHO 
FREQUÊNCIA CARDÍACA 
(Batidas / min) 
Muito leve 60 – 70 
Baixa 75 – 100 
Média 100 – 125 
Alta 125 – 150 
Muito alta 150 – 175 
Extremamente alta > 175 
 Fonte: CHRISTENSEN, 1995. 
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 Engenharia de produção 
38 
 
Porém, os seres humanos não são utilizados, na atualidade, como recursos energéticos. 
No entanto, ainda existem algumas ocupações que exigem esforços consideráveis, seja 
em momentos determinados ou acumulação de esforços durante o trabalho. Portanto, a 
medição do gasto energético é importante, pois o comparando à capacidade de trabalho 
físico do indivíduo podem-se avaliar suas atitudes para o tipo de trabalho e estabelecer 
períodos de trabalho e de descanso e alimentação adequados. 
 
Uma vez que a tolerância do indivíduo a maior ou menor carga de trabalho físico é uma 
interação entre o dispêndio energético da tarefa e a capacidade aeróbica do trabalhador, 
a classificação da carga de trabalho físico pode ser expressa numa relação entre as duas 
variáveis, ou seja: 
 muito leve ou leve: uso de até 25% da capacidade aeróbica; 
 moderadamente pesada: uso de 25,1 a 37,5% da capacidade aeróbica; 
 pesada: uso de 37,6 a 50% da capacidade aeróbica; 
 pesadíssima: uso de 50,1 a 62,5% da capacidade aeróbica; 
 extremamente pesada: uso acima de 62,5% da capacidade aeróbica. 
 
O consumo de energia (medido em kj ou kcal, onde 1 kcal = 4,187 kj) em determinado 
tipo de trabalho pode variar segundo a maneira de realizá-lo e a postura que os 
trabalhadores adotam. Neste sentido o gasto energético pode ser um dos critérios a 
serem utilizados para definição do melhor método de trabalho para otimizar a eficiência 
do trabalhador do ponto de vista biológico. No ser humano pode-se medir o consumo de 
energia de maneira indireta determinando-se o consumo de oxigênio, pois existe uma 
correspondência entre o metabolismo e o consumo de oxigênio (a queima de 1 litro de 
oxigênio consome, em média, a energia de 20 kj ou 4,8 kcal). Conforme Lemanh, 
estimativas do gasto energético, excluindo o metabolismo basal (transformação de 
energia do homem em repouso), para diferentes tipos de posturas podem ser vistas no 
Quadro 2 e para diferentes tipos de trabalho, no Quadro 3. 
 
 
 
 
 
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Quadro 2 - Gasto energético para diferentes posturas 
POSTURA DO CORPO GASTO ENERGÈTICO (Kcal/h) 
Sentado 20 
Ajoelhado 30 
Agachado 30 
Parado 35 
Encurvado de pé 50 
Caminhando 100 – 200 
 Fonte: LEMANH, [s.d.]. 
 
Quadro 3 - Gasto energético para diferentes tipos de trabalho 
TIPO DE TRABALHO GASTO ENERGÈTICO (Kcal/h) 
Manual 
Leve 15 – 35 
Moderado 35 – 50 
Pesado 50 – 60 
Com um braço 
Leve 40 – 65 
Moderado 65 – 90 
Pesado 90 – 120 
Com dois 
braços 
Leve 80 – 110 
Moderado 110 – 135 
Pesado 135 – 160 
Com todo o 
corpo 
Leve 135 -220 
Moderado 220 – 325 
Pesado 325 – 450 
Muito pesado 450 – 600 
 Fonte: LEMANH, [s.d.]. 
 
Os valores de metabolismo podem variar em função da velocidade do movimento. A 
norma ISO 8996/90 relaciona valores do gasto energético para diferentes tipos de 
posturas, para diferentes tipos de trabalho e para as diferentes ocupações e atividades. 
 
3.2 Fadiga no trabalho 
 
A multiplicidade de uso da expressão “fadiga” levou a uma quase caótica organização 
dos conceitos. Para algumas pessoas, a fadiga é conseqüência normal de esforços físicos 
(fadiga muscular ou generalizada) ou mentais intensos resultando em sensação de 
cansaço, desinteresse, perda de eficiência. Significativa é certamente a distinção feita 
entre a fadiga muscular e a fadiga generalizada. A primeira é um acontecimento local, 
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agudo, doloroso que a pessoa atingida sente em sua musculatura sobrecarregada. A 
fadiga generalizada é uma sensação difusa que é acompanhada de uma indolência e falta 
de motivação para qualquer atividade (GRANDJEAN, 1998). 
 
A fadiga muscular resulta de uma demanda muscular muito intensa, que com exigências 
crescentes, diminui o desempenho dos músculos, até que o estímulo não gera mais 
nenhuma resposta. No músculo em trabalho ocorrem reações liberadoras de energia e 
reações constituidoras de energia. Quando o consumo de energia supera a capacidade de 
reposição de energia, acontece uma perturbação do equilíbrio dos processos 
metabólicos, que se manifesta por uma diminuição da capacidade de produção do 
músculo (GRANDJEAN, 1998), acarretando redução da força, da velocidade de 
movimento e das reservas de energia e aumento de erros e de acidentes. 
 
No estado de fadiga generalizada há sensação subjetiva de cansaço geral. Nos sentimos 
travados, pesados e indolentes, não temos motivação e nossas atividades são inibidas. A 
sensação de cansaço, assim como a sede e a fome, é um mecanismo de proteção do 
homem contra maiores sobrecargas, evitando que o mesmo evite novas sobrecargas para 
que os processos normais de reestabecimento possam acontecer em todo o organismo 
(GRANDJEAN, 1998). Por exemplo, quando permanecemos sentados, numa mesma 
posição, por muito tempo, as dores que o corpo vai sentido são avisos relacionados à má 
circulação sangüínea, baixas taxas de oxigênio nos tecidos, alimentação deficiente da 
coluna vertebral, tendões, músculos e nervos tensionados. Da mesma forma, o sono que 
sentimos no final do dia é uma manifestação de defesa, onde o corpo nos avisa que é 
hora de descansar. Se, contudo, permanecemos acordados por necessidade (trabalhar, 
estudar, etc.) o corpo vai dando sinais de cansaço cada vez mais intensos. 
 
Além da fadiga física e mental, existe também a fadiga psíquica. O homem, além de um 
ser pensante, é um ser que possui sentimentos. Seu lado emocional, que influi 
diretamente na sua vida, manifesta-se em desequilíbrio quando as realidades 
vivenciadas não vão de encontro às suas expectativas. Portanto, a incapacidade de 
tolerar e superar situações que ultrapassam o nível de exigências psíquicas do ser 
humano se traduz pela fadiga psíquica. Por exemplo, um indivíduo que trabalha numa 
empresa que o desvaloriza como ser humano, sentindo-se desprezado, sentirá a fadiga 
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psíquica de modo constante. Mudando de emprego, encontrando uma outra empresa que 
o respeite e valorize, superará o estado emocional no qual se encontrava. 
 
Na prática empresarial, as causas da fadiga são de natureza variada, como conteúdo, 
intensidade e duração do trabalho físico e mental, ambiente (ruído, iluminação, 
temperatura), ritmo (noite / dia), responsabilidades, conflitos, resultando na falta de 
disposição, sonolência, dificuldade para pensar, diminuição da atenção e lentidão na 
percepção, etc (GRANDJEAN, 1998). Estas várias formas de expressão e causas 
múltiplas dificultam o entendimento das interações, fazendo com que a medição da 
fadiga seja apenas através de “indicadores”. 
 
Exemplos de métodos objetivos para medição da fadiga física são a medição da 
frequência cardíaca, a eletromiografia (EMG) e exames de sangue, e para a fadiga 
mental, a eletroencefalografia (EEG), testes psicomotor e de “dupla tarefa”. 
 
Como método subjetivo de medição da fadiga, são utilizados, por exemplo, 
questionários nórdico e bipolar. O questionário nórdico é utilizado para possibilitar que 
o trabalhador indique a intensidade e a frequência de desconforto nas diversas partes do 
seu corpo. Já no questionário bipolar são descritos dois adjetivos opostos em cada uma 
das extremidades de uma linha de 7 cm, conforme ilustrado no Quadro 4. Neste caso, o 
trabalhador interrogado é convidado a qualificar a sua sensação de fadiga, num dado 
momento da sua jornada de trabalho. Para tanto, ele deve fazer um traço ou um “X” 
sobre aquela linha de forma que a fadiga seja quantificada pela medida da distância do 
traço ou do “X” de cada um dos adjetivos descritos. Este questionário pode ser aplicado 
em qualquer momento da jornada de trabalho, permitindo avaliar se há alteração da 
intensidade da fadiga ao longo da jornada e dos dias de trabalho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Quadro 4 - Questionário bipolar para medição da fadiga 
Você se sente neste momento ... ? 
Completamente descansado __________________________________________ Bastante cansado. 
Atento __________________________________________ Desatento. 
Sonolento __________________________________________ Bem acordado. 
Em pleno vigor __________________________________________ Esgotado. 
Fraco __________________________________________ Forte. 
Cheio de energia __________________________________________ Apático. 
Abatido, indiferente __________________________________________ Pronto para agir. 
Interessado __________________________________________ Desinteressado. 
Animado __________________________________________ Desanimado. 
Calmo __________________________________________ Nervoso. 
Motivado __________________________________________ Desmotivado. 
Alegre __________________________________________Triste. 
 
 Fonte: Adaptado de COUTO, 1996. 
 
A utilização de métodos subjetivos para avaliação da fadiga requer análise criteriosa 
para validação das informações coletadas. A confrontação de informações obtidas em 
momentos diferentes com os mesmos trabalhadores e em momentos diferentes com 
trabalhadores diferentes pode ser muito útil na validação das informações. Caso 
contrário, se as informações não representarem a realidade das situações de trabalho, as 
decisões a serem tomadas serão equivocadas.

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