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Tecnologias na Construção Civil

Material didático sobre Tecnologias na Construção Civil que aborda evolução das técnicas construtivas, industrialização, construção enxuta e utilização do BIM para gestão de obras; inclui objetivos de estudo e contextualização histórica.

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TECNOLOGIAS NA CONSTRUÇÃO 
CIVIL
2
Bibiana Zanella Ribeiro
São Paulo
Platos Soluções Educacionais S.A 
2021
 TECNOLOGIAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL
1ª edição
3
2021
Platos Soluções Educacionais S.A
Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César
CEP: 01418-002— São Paulo — SP
Homepage: https://www.platosedu.com.br/
Diretor Presidente Platos Soluções Educacionais S.A
Paulo de Tarso Pires de Moraes
Conselho Acadêmico
Carlos Roberto Pagani Junior
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Camila Braga de Oliveira Higa
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Priscila Pereira Silva
Tayra Carolina Nascimento Aleixo
Coordenador
Mariana Gerardi Mello
Revisor
Arthur Ribeiro Torrecilhas
Editorial
Alessandra Cristina Fahl
Beatriz Meloni Montefusco
Carolina Yaly
Mariana de Campos Barroso
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_________________________________________________________________________________________ 
Ribeiro, Bibiana Zanella
R484t Tecnologias na construção civil / Bibiana Zanella 
 Ribeiro. - São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 
 2021.
 41 p.
 ISBN 978-65-5356-042-0
 1. Técnicas construtivas. 2. Industrialização da 
 construção. 3. Construção enxuta. I. Títul.
 
CDD 721
____________________________________________________________________________________________
Evelyn Moraes – CRB-8 10289
© 2021 por Platos Soluções Educacionais S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, 
eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de 
sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, 
por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A.
4
SUMÁRIO
Evolução das técnicas construtivas ___________________________ 05
Industrialização da construção _______________________________ 22
Construção enxuta ___________________________________________ 39
Utilização do BIM para a gestão de obras ____________________ 55
TECNOLOGIAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL
5
Evolução das técnicas 
construtivas
Autoria: Bibiana Zanella Ribeiro
Leitura crítica: Arthur Ribeiro Torrecilhas
Objetivos
• Compreender sobre a evolução das técnicas 
construtivas ao longo da história da humanidade.
• Relacionar as construções com os conhecimentos 
técnicos e materiais disponíveis.
• Refletir sobre o contexto histórico e os objetivos da 
construção com as estratégias e técnicas utilizadas.
6
1. A evolução das tecnologias construtivas
Qual a imagem da primeira construção feita pelo homem que vem à sua 
lembrança? É uma enorme construção com tecnologias avançadas para 
a época, ou algo simples, familiar, de abrigo?
Nesta leitura, você estudará e compreenderá que a humanidade, ao 
longo do tempo, desenvolveu, e ainda desenvolve, soluções para os 
problemas e as demandas do tempo e do local em que vive, com o 
uso de recursos e conhecimentos disponíveis no momento. Iniciando 
a linha do tempo histórica, logo após os nômades, o homem neolítico 
desenvolveu a agricultura, a domesticação dos animais, a manipulação 
de materiais e objetos em pedra, cerâmica e metais, fixou residência 
próximo aos recursos hídricos em abrigos rupestres e evoluiu suas 
relações sociais.
O arquiteto alemão Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969) descreveu 
a arquitetura como “o desejo traduzido em espaço” e definiu como 
marco o momento em que “dois tijolos foram bem assentados juntos”. 
Resumindo, a arquitetura é o ato consciente de construir (GLANCEY, 
2018, p. 4).
Com o passar do tempo, o homem construiu pirâmides, templos, 
ginásios, obras hidráulicas, jardins, túneis, pontes, museus, muros, 
ilhas inteiras e prédios cada vez mais altos, além da melhoria dos 
sistemas complementares de estruturas, saneamento básico, energia 
e comunicação digital. Tudo isso se desenvolveu motivado pelas 
demandas culturais e pela demonstração de poder e dos recursos 
disponíveis, atendendo aos desejos e às necessidades dos indivíduos. 
Pereira (2010, p. 13) comenta: “[...] conforme se diz, fazer edifícios novos 
sempre foi uma crítica aos edifícios do passado, não é verdade?”.
A partir de agora, você verá o desenvolvimento histórico das civilizações 
e das técnicas construtivas, relacionando com a cultura, a organização 
7
societária, os conhecimentos e os recursos disponíveis, explicando 
as permanências e as impermanências do homem e suas estruturas. 
Importante ressaltar que algumas obras possuem influência de mais 
de uma referência, portanto são, por vezes, consideradas de períodos 
diferentes, dependendo do autor, e o objetivo aqui é estudar a evolução 
das técnicas construtivas, e não detalhes de classificação.
1.1 As primeiras construções – da aldeia à cidade
A pré-história se inicia em torno de 35.000 a.C. e se encerra, 
aproximadamente, em 3.000 a.C. Tem como referência o 
desenvolvimento no leste do Mediterrâneo, em partes da Europa, no 
Oriente Médio, na América Central e na China. O período é marcado 
pela evolução entre a forma primitiva de interações sociais de caçadores 
e coletores, até o início das civilizações agrícolas, da moradia fixa e da 
hierarquia da sociedade. Também é caracterizado pelas edificações 
simples e de abrigo, em um núcleo autossuficiente para divisão de 
tarefas, como caça, coleta e proteção contra inimigos. A cabana mais 
antiga encontrada foi descoberta na atual Ucrânia, construída por volta 
de 14.000 a.C. A maior residência foi construída utilizando uma estrutura 
em forma de cúpula sustentada com ossada de mamutes, revestida 
com peles de animais, datada de 12.000 a.C., próximo a Moscou (FAZIO; 
MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
Para o período, podemos imaginar que as construções tinham a 
principal finalidade de abrigo e moradia, configuradas, inicialmente, em 
cavernas naturais, evoluindo para escavadas. A escassez de cavernas em 
determinados territórios e a progressão do uso de materiais naturais e 
objetos utilitários permitiram as primeiras edificações idealizadas pelo 
homem em forma de cabanas organizadas em sistemas construtivos 
padronizados. As moradias celtas tinham formato circular e cobertura 
de palha e eram sustentadas por escoras em madeira (PEREIRA, 2010).
8
É bem verdade que a inexistência de obras intactas e de registros 
escritos e as diversas intervenções humanas e naturais nas edificações e 
nos objetos desta época dificultam a comprovação das diversas teorias 
acerca dos métodos construtivos e, ainda, envolvem de mistério algumas 
informações. O fato é que muitas das construções estão aí, ainda em 
pé, para que os estudos sejam realizados. As pesquisas sobre os hábitos 
da época são realizadas pela investigação e datação de artefatos e pelo 
uso de tecnologias, como carbono 14 e termoluminescência (FAZIO; 
MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
Nossos ancestrais deixaram registrado em Stonehenge os seus precisos 
conhecimentos astronômicos e sua capacidade construtiva que até 
hoje despertam teorias sobre o processo executivo. A capacidade de 
observação dos fenômenos da natureza e de trabalhar com grandes 
pedras sem o uso de ferramentas de cobre ou bronze (indisponíveis 
ainda) e sem o uso de rodas e animais para tração das peças mostra um 
potencial impressionante (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
Como marco de transição entre a pré-história e a história, temos o 
desenvolvimento da escrita e o surgimento das primeiras civilizações 
urbanas independentes, chamadas de cidade-estado. Por volta de 3.000 
a.C., os sumérios ocuparam a Mesopotâmia, áreas férteis entre os rios 
Tigre e Eufrades, e os egípcios desenvolveram-se ao longo do rio Nilo.
No período, destacam-se as edificações com objetivos religiosos e/ou 
funerários. As edificações mesopotâmicas encontradas já contavamcom estrutura sobre uma plataforma e muros estabilizados em forma 
trapezoidal e utilizavam o adobe (tijolos de argila seca ao sol) e a 
cobertura em material leve, como junco ou madeira (FAZIO; MOFFETT; 
WODEHOUSE, 2011). Pereira (2010) reforça as noções de orientação de 
direção espacial e ortogonalidade precisa relacionada com elementos da 
natureza e a astronomia.
9
Os egípcios deixaram, ao longo do rio Nilo, obras arquitetônicas 
diversificadas (com características diferentes para cada uma das 30 
dinastias), as quais comprovam a força dos valores culturais da época. 
As pirâmides e os obeliscos eram um símbolo da conexão entre o 
soberano e o deus-sol, além de acreditar que os rituais realizados dentro 
das câmaras mortuárias e a preservação do corpo físico garantiam o 
sucesso da transição do mundo dos vivos para o mundo dos mortos. 
Provavelmente, as pirâmides eram construídas por grandes equipes de 
trabalhadores, utilizando recursos, como rampas, núcleo escalonado 
e alavancas, para a movimentação dos blocos. A extração das pedras 
disponíveis em calcários, arenitos e granitos era realizada com serras de 
metal ou golpes repetitivos ao longo de linhas. A ausência de veículos 
com rodas não era significativa, pois o transporte das pedras era feito 
por água ou areia (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
Como exemplo acerca da tecnologia construtiva, a Pirâmide de Quéops 
(maior das três pirâmides de Gizé), originalmente, possuiu 147 metros 
de altura e 241 metros de lado. Exigiu 2,3 milhões de blocos de pedra 
encaixados precisamente e foi revestida com pedra calcária polida, já 
removida pela erosão (GLANCEY, 2018).
1.2 Arquitetura clássica
A arquitetura clássica é baseada no antropomorfismo, que considera o 
homem como o centro e a medida proporcional do universo. A escala 
humana é a base da arquitetura grega, e sobre isso Pereira (2010, p. 48) 
comenta:
[...] saber o que é e como se determina a polegada, o pé, o palmo, a braça, 
o passo ou a jarda, e entender que todos eles surgem como um método 
adequado de medição de comprimento no qual cada pessoa leva consigo 
sua própria unidade de medida.
10
Neste período, os profissionais, entre eles, os atuais arquitetos, 
engenheiros, astrônomos e artistas, possuíam múltiplos conhecimentos, 
portanto conceitos, como beleza, harmonia, proporção, simetria, 
estética, solidez, plasticidade e grandiosidade, são termos comuns 
utilizados nas artes e na arquitetura.
Os gregos desenvolveram sistemas que conhecemos hoje como a base 
da linguagem clássica da arquitetura, identificada por três ordens: 
Dórica, mais pesada e baseada nas proporções de um homem; Jônica, 
leve em caráter para refletir as proporções de uma mulher; Coríntia, 
mais esbelta, com capitel decorado, sugerindo as proporções de uma 
jovem virgem (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
O templo grego mais famoso é o Partenon de Atenas, dedicado à Atena 
Polias, protetora da cidade. É um templo Dórico períptero, composto por 
colunas posicionadas em sequência, que suportam o frontão e o lintel 
(vergas), finalizadas pelo entablamento (espécie de viga de coroamento). 
É classificado como octostilico (oito colunas na fachada principal e 17 
colunas de profundidade). Possui elementos da ordem jônica, incluindo 
colunas com, aproximadamente, 10,40 metros de altura, esbeltas e 
com friso contínuo. Ergue-se sobre uma plataforma, ou estilobata, 
de três degraus; as colunas não possuem o mesmo diâmetro (as das 
extremidades são mais grossas) nem o mesmo espaçamento e não 
são verticais (são levemente inclinadas para trás), evitando a rigidez 
geométrica. A única fonte de luz eram as duas grandes portas em 
bronze (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
11
Figura 1 - Partenon de Atenas
Fonte: clu/iStock.com.
Em Roma, o matemático Pitágoras relacionou as proporções musicais 
com as proporções entre as dimensões no mundo visual e uma visão do 
ordenamento do universo (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
Pereira (2010) destaca que os micênicos construíram templos para 
guardar imagens divinas, utilizando uma sala retangular precedida de 
um pórtico com colunas, sobre a qual era elevada uma caixa de paredes 
e uma cobertura com duas águas, projetadas ao exterior um frontão, 
que recebia decoração de esculturas.
Para os romanos, as edificações públicas desempenhavam um papel 
importante na sociedade romana. As termas eram construídas 
com recursos particulares, mas de uso gratuito pela comunidade, 
complementando os serviços de higiene, desportivos e sociais. Para os 
espetáculos, foram construídos os teatros, os anfiteatros e os circos, 
12
cada um com suas características e usos próprios. Além das edificações 
coletivas, a arquitetura doméstica também foi destaque, desenvolvendo 
três tipos diferentes: os domus, habitações para os cidadãos; as insulas, 
várias habitações idênticas sobrepostas; as villas, habitações nas 
fazendas (PEREIRA, 2010).
Os romanos contribuíram com a ampliação do repertório técnico e 
novas técnicas para a construção, em que as paredes são os elementos 
essenciais – incorporando e assumindo novas concepções espaciais com 
os arcos e as abóbodas e cúpulas, caracterizadas por estruturas que 
trabalhavam à compressão e pela anulação dos empuxos, aumentando 
os vãos livres no interior das edificações. Uso de paredes redondas 
e desenvolvimento de argamassas e concretos, permitindo uma 
construção sustentável, pois possibilitava o aproveitamento dos resíduos 
e, posteriormente, era coberto com mármore ou estuque (PEREIRA, 
2010).
Os arcos e as cúpulas são sistemas estruturais de forma ativa, 
distribuindo as cargas externas por meio de esforços de compressão. 
São estruturas importantes no desenvolvimento de maiores vãos, 
pelo eficiente suporte de cargas, esforços e deformações em função 
do formato. Os esforços de compressão, as cargas e o peso próprio 
são suportados pelos apoios, decompostos em reações verticais e 
horizontais, em proporção de que, quanto maior a altura do arco, maior 
a reação vertical nos apoios. As abóbodas possuem características 
semelhantes aos arcos, mas se tornam complexas pela análise em 
três dimensões e de acordo com o tipo de apoio e geometria (ENGEL; 
RAPSON; ZOLLINGER, 2001).
Fazio, Moffett e Wodehouse (2011) descrevem a construção de um arco 
verdadeiro sendo:
[...] composto por aduelas assentadas em uma curva, geralmente um 
semicírculo. Sua construção requer uma fôrma de madeira temporária (ou 
13
cimbre) para sustentar as aduelas à medida que são distribuídas; uma vez 
que o arco não consegue se sustentar sozinho até o assentamento te todas 
aduelas, incluindo a chave central. (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, 
p. 128)
Figura 2 - Componentes do arco
Fonte: https://blogdaengenhariacivil.wordpress.com/2014/12/08/a-engenharia-das-
estruturas-em-arco/. Acesso em: 17 ago. 2021.
Uma das principais referências é o Pantheon, construído pelo arquiteto 
sírio Apolodoro de Damasco em 115 d.C. É, praticamente, uma esfera 
de 43 metros de diâmetro, sustentada por um cilindro com altura 
equivalente ao raio da cúpula, executada em alvenaria de tijolos cozidos 
(FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011). Seu pórtico ostenta três fileiras 
com oito colunas coríntias dispostas retangularmente, e a iluminação é 
exclusivamente pelas portas em bronze e pelo óculo no centro da cúpula 
(GLANCEY, 2018).
Havia as termas, locais para banhos públicos, vida social e esportiva. 
A maior delas é a de Diocleciano, que comportava 3.000 banhistas em 
uma área de 13 hectares (GLANCEY, 2018). Arquitetonicamente, era 
dividida em piscinas de água fria, sala de calefação, sala para banho de 
https://blogdaengenhariacivil.wordpress.com/2014/12/08/a-engenharia-das-estruturas-em-arco/
https://blogdaengenhariacivil.wordpress.com/2014/12/08/a-engenharia-das-estruturas-em-arco/
14
água quente e vapor, sala de massagem, sala de reuniões, biblioteca 
e alojamento dos atletas. Contribuíram para o desenvolvimento dos 
sistemas hidráulicos (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE,2011).
O Coliseu de Roma, anfiteatro romano, dedicado a combates, lutas 
e espetáculos. Em planta elíptica cercado por arquibancadas, foi 
construído em sua maior parte em concreto e comportava 50.000 
pessoas. Os espetáculos ocorriam na arena central, composta por 
corredores, câmaras e escotilhas, para a movimentação de feras, 
gladiadores e atores (PEREIRA, 2010).
1.3 Arquitetura na Idade Média
A arquitetura medieval, também conhecida como “Idade das Trevas”, é a 
união dos estilos predominantes entre os séculos V e XV, principalmente, 
na Europa. Tem como características principais a influência teocêntrica, 
representada por construções grandiosas de igrejas, basílicas e 
mosteiros; o uso de técnicas construtivas inovadoras; o uso de mosaicos, 
altos tetos e cúpulas decorados, que representavam a abóboda celeste. 
É dividida em três principais estilos: o bizantino, o romântico e o gótico 
(PEREIRA, 2010).
A Basílica de Santa Sofia representa a arquitetura bizantina. As janelas 
cruzam, sob a cúpula, fachos de luz, que representam a luz divina 
difundindo-se sobre os homens e destacam a atmosfera mística que 
transporta o fiel para “um mundo onde não valem as leis do reino físico 
e profano, mas as do sobrenatural e transcendente Reino de Deus” 
(BRANDÃO, 1991, p. 37). Esse efeito é destacado pelos revestimentos 
de mármore e mosaicos, que escondem as estruturas de colunas com 
capitéis decorados com folhagem de serpentina e paredes ricamente 
decoradas (GLANCEY, 2018).
A construção da igreja românica foi patrocinada por abades e reis 
interessados em recriar a glória da Roma antiga. As edificações 
15
caracterizadas pela solidez típica dos castelos e pela adoção de fórmulas 
inspiradas da Roma antiga trazem arcadas formadas por arcos altos e 
arredondados e colunas esculpidas. A Catedral de Pisa, por exemplo, é 
um complexo que compreende a catedral, o batistério e o campanário 
(famosa torre inclinada). As três edificações são revestidas em mármore 
branco brilhante (GLANCEY, 2018).
A arquitetura medieval gótica marcou os limites da engenharia 
com o uso de paredes mais finas, aspecto mais leve, janelas e o 
desenvolvimento do arcobotante, dos arcos em forma de ogiva e do 
uso de estratégias de luz e sombra. Elementos, como florões, rosáceas 
e vitrais, assim como esculturas com aspecto mais real e humano, 
transmitem a ideia de proporcionalidade entre o nível inferior e o 
nível superior da criação (BRANDÃO, 1991). Tais recursos têm como 
“resultado o movimento vertical vertiginoso e uma impulsão mística que 
não favorece a contemplação sossegada, mas sim um sentimento de 
êxtase, transcendência e admiração” (BRANDÃO, 1991, p. 43).
Um dos maiores avanços foi a utilização do arcobotante, um meio 
arco, erguido na parte exterior dos edifícios, transmitindo o empuxo de 
uma abóbora ou teto da parte superior de uma parede para um apoio 
ou contraforte exterior. Quanto mais alta a parede, maior o vão do 
arcobotante, sendo preenchido por vitrais coloridos contando histórias 
do Antigo Testamento e da vida de Cristo (GLANCEY, 2007).
Quase todos os avanços tecnológicos do período foram utilizados para 
a construção da Catedral de Notre-Dame. A abóboda sobre a nave é 
atravessada duas vezes por nervuras em pedra, permitindo atingir 30 
metros de altura. A construção dos arcobotantes no exterior permitiu 
a sustentação de janelas em nível superior, que possibilitam a entrada 
de luz. A fachada é racional e sóbria, com duas imponentes torres 
simétricas, adornadas por diversas estátuas e uma imensa rosácea 
rendilhada (GLANCEY, 2018).
16
1.4 Arquitetura renascentista
A arquitetura renascentista se desenvolveu lentamente ao longo de um 
século, predominantemente na Itália. Contrapondo a arquitetura gótica, 
os artistas não mais se entendiam como peões de Deus, mas como 
medida de todas as coisas, tendo nas mãos as ferramentas para dar 
forma às coisas, combinando esse racionalismo com uma redescoberta 
da arquitetura romana. No período, o acesso à leitura e aos livros deixou 
de ser restrito ao clero, e o conhecimento foi difundido rapidamente. 
Esse avanço marcou a abertura das rotas de comércio e culminou com a 
Reforma na Igreja Protestante (GLANCEY, 2007).
A publicação do tratado de arquitetura escrito por Leon Battista Alberti 
expunha com detalhes matemáticos elementos de arquitetura, como o 
quadrado, o cubo, o círculo e a esfera, com as proporções em harmonia 
com a natureza, a música e o corpo humano idealizado. As anotações 
de Leonardo da Vinci com plantas e elevações dos edifícios com essas 
características eram profundas e influenciavam diversos arquitetos, mas 
nenhum dos seus projetos arquitetônicos foi concretizado (GLANCEY, 
2007).
O equilíbrio e a simetria marcaram as obras do período, que é 
comumente dividido pelos estudiosos em dois principais estilos: 
o Classicismo, que buscava reviver a arquitetura grega e romana, 
e o Humanismo, que colocava o homem como centro do mundo 
(ARQUITETURA..., 2021).
Mesmo com a coexistência de diferentes estilos renascentistas, é 
possível citar características em comum das edificações, como as 
fachadas simétricas em torno de um eixo vertical; o uso de frontão, 
organização de pilares, arcos e janelas em direção ao centro; repetição 
regular de janelas em todos os pavimentos e com a porta localizada 
no centro; uso de cúpulas; plantas simétricas em formas quadradas, 
geralmente, em módulos; uso de colunas jônicas, dóricas e coríntias; 
17
portas e janelas apresentavam lintéis quadrados e, normalmente, 
estavam inseridas em um arco. Destacam-se as paredes em alvenaria de 
tijolos, com revestimento em pedras ou em lavagem de cal. Em espaços 
formais, as paredes internas eram decoradas com afrescos, pintura de 
tetos e paredes sobre camada de cimento fresco, gesso ou nata de cal 
(ARQUITETURA..., 2021).
1.5 Arquitetura moderna – Barroco e rococó
O estilo barroco foi difundido pelo mundo entre os séculos XVI e XVIII, 
por meio de casamentos dinásticos, guerras e expansão de territórios 
e viagens. Este período foi marcado pela urbanização da Europa e 
influenciou a arquitetura europeia, principalmente na Alemanha e 
na Áustria e em suas colônias, inclusive o Brasil. Predominante em 
edificações relacionadas ao catolicismo, exalta a religião consolidando o 
movimento da Contrarreforma (em oposição ao Protestantismo). A arte 
deveria ser de fácil compreensão, retratar cenas bíblicas, de santos e 
sacramentos, evitando referências pagãs e nus (ARQUITETURA..., 2019).
Exaltando Deus e a Igreja, o barroco ignora a simetria e a racionalidade, 
passando a utilizar formas e texturas, produzindo emoções e 
sentimentos. Extravagância, grandiosidade, poder e riqueza são 
evidenciados por muitos, assim como ricos ornamentos decorativos, 
coloridos, dourados e materiais nobres. Elementos, como a cruz grega, 
fachadas convexas ou côncavas, efeitos de gesso ou estuque, entre 
outros, reforçam as características arquitetônicas (ARQUITETURA..., 
2019).
No Brasil, o estilo teve um início tardio, em meados do século XVIII, 
com destaque em Minas Gerais, nas obras do escultor, entalhador e 
arquiteto Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e foram propagadas 
pelos jesuítas. Pelas dificuldades construtivas de materiais e mão 
de obra disponíveis, o estilo barroco brasileiro, embora admirado 
18
internacionalmente, possui traços mais simples e retilíneos que os 
encontrados na Europa (ARQUITETURA..., 2019).
O rococó é estilo lúdico de decoração, que floresceu primeiro na França 
e era subordinado ao barroco. A utilização de espelhos, trabalhos em 
gesso, a beleza dos querubins que tocam instrumentos e o balanço de 
uma jovem vestida com camadas das mais finas sedas que voa no ar 
sem esforço em um jardim reforçam a ideia de que a “decoração parece 
dançar uma valsa diante dos olhos do visitante” (GLANCEY, 2018, p. 234).
1.6 O mundo industrial
O período industrial marcou o século XIX como a era das inovações 
com os transportes por trens,a comunicação por meio do telégrafo 
e a descoberta da eletricidade. Esses avanços permitiram que os 
materiais de construção fossem fabricados ou extraídos de um local e 
transportados para outro. Em meados do século XVIII, a Europa adotou 
a máquina a vapor e mergulhou na Revolução Industrial, acelerando a 
industrialização e o transporte de materiais, inclusive os explorados das 
colônias. As construções foram revolucionadas com o uso de estruturas 
em aço, concreto armado, pré-moldados, ferro fundido, vidro curvo e 
ênfase em atrações urbanas (GLANCEY, 2018).
As obras principais destacam-se pelo uso de estruturas esbeltas, 
como o Palácio de Cristal, em Londres, construído em ferro e com 
300 mil lâminas de vidro fabricadas na França; a Torre Eiffel, também 
construída em ferro fundido, com 300 metros de altura, pesando 7.300 
toneladas, 2,5 milhões de rebites e 1.665 degraus; o Edifício Monadnock, 
em Chicago, destaca-se pelos 16 pavimentos erguidos em paredes 
autoportantes em alvenaria e com espessura de dois metros no térreo 
(GLANCEY, 2018).
19
1.7 Arquitetura moderna
Durante o século XX, os impulsos tecnológicos desenvolveram áreas 
nunca imaginadas anteriormente. O mundo de 1900 experimentou 
os primeiros voos, o cinema mudo e a comunicação instantânea via 
telefone. Cem anos mais tarde, o lançamento de satélites, a exploração 
espacial e o uso de automóveis e computadores (GLANCEY, 2018).
Contrapondo o sofrimento vivido na Primeira Guerra Mundial e nos 
regimes ditatoriais, a arquitetura e as artes surgiram com a proposta 
de regeneração, com edificações iluminadas, arejadas e saneadoras. 
Mal o mundo se recuperou da Grande Depressão, na década de 1930, 
a Segunda Guerra Mundial foi devastadora para a arquitetura, pois 
os ataques e bombardeios aéreos tinham o objetivo de destruir áreas 
centrais das cidades (GLANCEY, 2018).
Como curiosidade, a evolução dos computadores teve fundamental 
contribuição para a arquitetura com o desenvolvimento do CAD 
(computer-aided design, ou projeto assistido por computador), permitindo 
projetos mais detalhados e elaborados (GLANCEY, 2018).
Os arquitetos modernistas pretendiam ser revolucionários, desejando 
um novo mundo socialista, inspirados pela filosofia da escola alemã de 
design Bauhaus. O sonho utópico de funcionamento fluido, em espaços 
abertos e naturalmente iluminados, com o uso de paredes de tijolos 
de vidro, brises de concreto, pilotis e rampas em concreto armado. 
O prédio da escola Bauhaus foi inaugurado em 1919, construído em 
concreto armado, com fechamento em alvenarias e esquadrias metálicas 
reticuladas (GLANCEY, 2018).
1.8 Arquitetura contemporânea – 1945 em diante
Ao final do século XX, a arquitetura moderna cedeu espaço a um 
“caleidoscópio de estilos” (GLANCEY, 2018, p. 372). O arquiteto Le 
20
Cobusier mostrou como as formas podem gerar emoções poderosas. 
Após a Segunda Guerra Mundial, as novas tecnologias e materiais 
estimularam a mudança, não só da arquitetura mas também de 
novos ideais sociais e políticos. Formas irregulares, fluidas e junção de 
formas, coberturas do tipo tenda, janelas em zigue-zague, elevadores 
externos e arranha-céus para facilitar a instalação de equipamentos de 
comunicação são características do período (GLANCEY, 2018).
Impossível não ressaltar a importância do urbanista Lúcio Costa, do 
arquiteto Oscar Niemeyer e do engenheiro Joaquim Cardoso, os quais, 
sob a encomenda de Juscelino Kubitschek, desenvolveram o projeto e a 
construção da nova capital brasileira: Brasília. As edificações projetadas 
em concreto armado se confundem com verdadeiras esculturas, com 
obras sensuais inéditas para o modernismo e inspiradas pela vista do 
mar e montanhas do Rio de Janeiro (GLANCEY, 2018).
1.9 Conclusão
Ao longo desta leitura, você estudou, sob um olhar amplo, as 
características construtivas, principalmente ocidentais, ao longo do 
tempo, partindo do homem pré-histórico até os dias atuais. Cabe 
ressaltar que o estudo completo sobre as edificações e suas tecnologias 
não pode ser dissociado do estudo de outras áreas, como pintura, 
escultura, música, teatro, filosofia, contexto político e religioso, entre 
tantos outros aspectos.
Convém refletir as características atuais das novas construções 
contemporâneas, o uso de tecnologias e materiais industrializados e 
padronizados, mesmo assim, altamente personalizáveis. Os projetos se 
adaptam às necessidades dos interessados, sem a limitação de estética 
temporal característica, dificultando a classificação e o estudo das obras 
e de seus idealizadores.
21
Também não podemos esquecer do avanço e da importância que 
a sociedade impõe nas edificações, priorizando sustentabilidade, 
automação, eficiência energética, reuso de águas e tantas outras 
possibilidades de valores pessoais que podem ser transmitidas para o 
uso dos espaços, tanto públicos quanto familiares.
Para concluir, cabe destacar que a pandemia de Covid-19 será, 
possivelmente, um novo marco histórico para o desenvolvimento de 
outras formas de utilizar as moradias e os espaços urbanos e de uso 
comum, pois as edificações devem ser adequadas aos novos requisitos 
de segurança, evitando contaminações biológicas.
Referências
ARQUITETURA barroca e influências brasileiras: entenda mais sobre o movimento. 
Archtrends Portobello, 2019. Disponível em: https://archtrends.com/blog/
arquitetura-barroca/. Acesso em: 5 jul. 2021.
ARQUITETURA renascentista: síntese do classicismo e do humanismo. Archtrends 
Portobello, 2021. Disponível em: https://archtrends.com/blog/arquitetura-
renascentista/. Acesso em: 5 jul. 2021.
BRANDÃO, C. A. L. A formação do homem moderno vista através da 
arquitetura. Belo Horizonte, MG: Ed. UFMG, 1991.
ENGEL, H.; RAPSON, R.; ZOLLINGER, C. Sistemas de estructuras. Barcelona: 
Gustavo Gili, 2001.
FAZIO, M.; MOFFETT, M.; WODEHOUSE, L. A história da arquitetura mundial. 
Porto Alegre, RS: AMGH, 2011.
GLANCEY, J. História da arquitetura. São Paulo, SP: Loyola, 2007.
GLANCEY, J. Arquitetura: um percurso visual pelos quatro cantos do mundo, da 
antiguidade aos tempos modernos. Trad. Luis Reyes Gil. São Paulo, SP: Publifolha, 
2018.
PEREIRA, J. R. A. Introdução à história da arquitetura. Porto Alegre, RS: Bookman, 
2010.
22
Industrialização da construção
Autoria: Bibiana Zanella Ribeiro
Leitura crítica: Arthur Ribeiro Torrecilhas
Objetivos
• Conhecer as principais tecnologias construtivas 
e as características técnicas, dos materiais e dos 
processos de execução.
• Compreender e avaliar quais são as indicações 
e contraindicações para o uso de cada técnica 
construtiva.
• Obter a noção que os sistemas construtivos 
industrializados garantem a qualidade dos 
materiais, o gerenciamento eficiente da execução e, 
consequentemente, menores custos e desperdícios.
23
1. A edificação e seus subsistemas
Uma edificação é o conjunto de sistemas complexos que atuam de 
forma coordenada, interrelacionada e interdependente durante o 
uso, dispostos em uma estrutura tridimensional. Uma das formas de 
organizar é dividir os sistemas em componentes, como fundações, 
estruturas, vedações, instalações elétricas, instalações hidráulicas, 
instalações sanitárias, instalações pluviais e drenagem, instalações de 
lógica, entre outros (CHING, 2017).
Indissociavelmente, é preciso atender aos requisitos e à finalidade da 
edificação sobre os mais diversos aspectos: exigências de desempenho, 
durabilidade, qualidade, segurança, conforto, eficiência energética e 
hídrica, compatibilidade de sistemas, funcionalidade, acessibilidade, e 
manutenção (requisitos da NBR 15.575), além de aspectos estéticos, 
sustentabilidade, condicionantes legais, considerações econômicas, 
impactos ambientais (durante a obra e ao longo da utilização), práticas 
de construção, possibilidade de ampliações e adaptações e as mais 
diversas solicitações que influenciarão nas decisões de projeto (CHING, 
2017). Portanto, não existe uma solução melhor ou pior que a outra, 
mas a mais adequada às necessidadese aos parâmetros.
Cabe salientar que o sucesso do resultado de uma nova edificação não 
depende das qualidades dos materiais, da mão de obra de execução, 
do projeto ou do gerenciamento de forma isolada, mas sugere uma 
compreensão mais ampla (MEDEIROS, 2012).
Importante relacionar com o tema os conceitos de sustentabilidade, 
inovação, invenção, gestão de recursos, desperdício, produtividade, 
gestão eficiente, processos, industrialização (dos materiais e da 
construção), redução de consumos, ciclo de vida das edificações, 
racionalidade, entre tantos outros que fazem o diferencial de qualquer 
projeto.
24
A construção brasileira é fortemente influenciada pelas imigrações 
portuguesas, italianas e espanholas, cuja alvenaria é a técnica 
construtiva predominante. Outra característica é o uso intensivo de mão 
de obra ainda pouco qualificada. Nos últimos 20 anos, o setor deu sinais 
de avanços tecnológicos, mas ainda tímidos e insuficientes (MEDEIROS, 
2012).
Mesmo com o desenvolvimento dos softwares para modelagem e 
contabilização entre os sistemas da edificação, algumas técnicas, por 
si só, são mais complexas, e as falhas são inerentes. As instalações 
elétricas e hidráulicas em alvenarias necessitam de recortes nas 
paredes já levantadas, gerando retrabalho e possíveis patologias, 
independentemente se foram bem projetadas e compatibilizadas. Além 
disso, alguns profissionais da construção desconhecem os sistemas, não 
apresentando para os clientes novas soluções construtivas.
Podemos classificar as técnicas construtivas de diversas formas, através 
das suas diferentes características. O tipo convencional refere-se, 
basicamente, ao uso de alvenarias, e o termo não convencional faz 
referência aos sistemas consequentes do processo de industrialização 
dos materiais e do sistema de montagem em si. Para o tipo leve, 
definido com peso não superior a 60 kgf/m², temos como exemplo o 
drywall e o Light Steel Frame. Os pesados são, geralmente, a base de 
cimento. Podemos classificar também as construções secas, sem a 
utilização de água na construção, diferente das construções à base de 
cimento que necessitam o uso de água para as reações químicas do 
material (ABDI, 2015).
Nesta aula, você conhecerá diversas técnicas construtivas, suas 
interações com os projetos, as necessidades dos clientes, as indicações 
técnicas, as vantagens e desvantagens de cada possibilidade, adquirindo 
os conhecimentos necessários para tomadas de decisão mais assertivas.
25
2. Concreto armado + alvenaria convencional
Pela tradição e pelo consistente uso do sistema de estrutura de concreto 
armado e alvenarias convencionais, é inevitável iniciar os estudos por 
outro sistema.
A combinação entre estruturas de concreto armado (que possuem 
o papel de suporte da estrutura) e das paredes de alvenaria (que 
assumem a função de vedação) ainda é a principal técnica construtiva 
residencial e comercial, de pequeno, médio e grande porte. Em uma 
obra idealizada nos livros e no ensino de engenharia, teríamos o 
controle absoluto de todos os materiais e serviços realizados, mas, na 
prática, em nossas obras reais, falhas em projeto, planejamento e no 
controle são recorrentes e, de certa forma, “aceitáveis”. Profissionais e 
contratantes se conformam que as obras possuem falhas, que podem 
ter problemas no planejamento, no orçamento ou futuras patologias.
Entre as dificuldades deste processo, temos o tempo de cura do 
concreto e das argamassas, visto que o material cimento necessita de 
cerca de 28 dias para finalizar as reações químicas e, consequentemente, 
atingir a resistência e as propriedades desejadas, evitando patologias. 
Além disso, o sistema é composto de diversas etapas, envolvendo 
profissionais específicos para cada serviço, como armador, carpinteiro, 
pedreiro, ajudantes, entre outros. A gestão de tantas especificidades 
deste sistema contribui para que o planejamento e o controle sejam 
complexos e de difícil acompanhamento do tempo e dos recursos.
As vedações usando tijolos ou blocos, geralmente em cerâmica cozida, 
intertravados, unidos por argamassa e organizados em painéis internos 
e externos. Na sequência, é necessário revestir a alvenaria com 
argamassa em camadas (chapisco, emboço, reboco e suas variações) ou 
revestimento cerâmico ou similar.
26
Claro que este sistema construtivo tem sua relevância, principalmente, 
nos aspectos culturais e sociais, pois tem mão de obra abundante e 
materiais relativos de baixo custo e fácil disponibilidade.
3. Alvenaria estrutural
Neste sistema construtivo, a alvenaria possui função simultânea de 
vedação e resistência vertical à compressão e esforços horizontais, como 
o vento, com paredes autoportantes, construídas em um conjunto de 
blocos unidos com argamassa. A padronização dos blocos e a montagem 
precisa do conjunto são as condições necessárias para garantir a 
qualidade, a eficiência e a segurança do sistema (SALGADO, 2018).
Como material, utilizam-se blocos de concreto ou cerâmicos cozidos, 
com aberturas na vertical, facilitando a passagem da armadura de 
travamento e graute, além das instalações elétricas e hidráulicas. Uma 
das regras do sistema é que os blocos não podem ser quebrados, 
portanto são necessárias peças específicas para cada função na 
estrutura (SALGADO, 2018).
Por ser uma construção considerada racionalizada (comparando com 
a alvenaria convencional), os projetos necessitam de detalhamento 
e compatibilização mais bem desenvolvidos, com especificação de 
montagem de todos os blocos para fiadas pares e ímpares, vergas e 
contravergas, ligação de travamento, instalações elétricas, hidráulicas e 
sanitárias e outras necessidades específicas de cada projeto (SALGADO, 
2018).
27
4. Paredes em concreto pré-moldado
O sistema industrializado em concreto pré-moldado possibilita melhor 
controle de qualidade e alta produtividade, se comparado com o 
sistema de concreto armado convencional, garantida pela execução das 
estruturas em formas apropriadas e fora do local definitivo, seja em 
uma fábrica ou no próprio canteiro de obras. As soluções adotadas para 
a estrutura podem ser do tipo aporticadas, em esqueleto ou paredes 
portantes, dependendo do projeto arquitetônico, para ser definida a 
melhor estratégia. Outra possibilidade é o uso de painéis portantes, 
geralmente nas fachadas, que suportam as cargas de apoio para os 
pavimentos e garantem grandes vãos (ABDI, 2015).
O sistema pode ser subdividido e coordenado com outras técnicas 
construtivas, por exemplo, o uso de pré-moldados nas estacas de 
fundação e de estruturas em concreto armado, ou pilares e vigas em 
pré-moldado e as vedações em alvenaria.
As peças podem ser dimensionadas em formatos geométricos, ocos 
ou maciços, e em formatos únicos, específicos para cada projeto. 
Importante destacar que o dimensionamento estrutural das peças, além 
do aspecto de montagem, deve considerar as situações transitórias 
de desforma, manuseio, içamento (geralmente, em pequenas idades), 
transporte e armazenamento dos elementos, além de eventuais cargas 
durante a obra, como o peso do concreto fresco para o capeamento 
estrutural, se adotado (ABDI, 2015).
Como ponto de destaque negativo, é necessário verificar as instalações 
complementares, que são complexas para embutir e, geralmente, são 
instaladas de forma aparente nas edificações.
28
5. Estruturas metálicas
O sistema construtivo industrializado utilizando o ferro e o aço não 
é novidade, sendo desenvolvido e amplamente utilizado a partir da 
segunda metade dos anos 1800 (ABDI, 2015). Com suas propriedades 
e características flexíveis e versáteis, o aço pode ser empregado em 
diversos empreendimentos, como edificações comerciais e residenciais, 
estruturas para coberturas e estádios desportivos, estações de 
transporte público, ferrovias, grandes galpões, indústrias diversas, 
pontes e viadutos, estruturas tridimensionais, fundações em estacas, 
entre outras tantas possibilidades.
Vale ressaltar a importância dacompatibilidade do projeto arquitetônico 
com o as estruturas e os outros sistemas. As vedações e instalações 
devem ser compatíveis com o sistema construtivo estrutural. A estrutura 
metálica é perfeitamente compatível com qualquer tipo de fechamento, 
sejam eles alvenaria, pré-fabricados e painéis. Para os pisos e lajes, 
também é possível escolher diferentes sistemas, destacando o steel-
deck, que consiste na utilização de uma forma em aço galvanizado 
permanente, que trabalha como forma e como armadura positiva para 
as cargas e não necessita de escoramentos (ABDI, 2015).
Embora seja um sistema versátil, necessita de mão de obra capacitada, 
equipamentos específicos para os processos (de fabricação e na obra) e 
transporte das peças, além de inspeção e manutenção periódica, para 
evitar patologias, como ferrugem ou perda de torque dos parafusos.
O material possui elevada resistência mecânica, permitindo peças mais 
esbeltas, leves e de dimensões precisas, o que possibilita a concepção 
de projetos arquitetônicos arrojados. O processo de fabricação 
industrializada, com rigoroso controle dimensional e de qualidade, dos 
perfis e das chapas, reduz o tempo de obra, visto que sua montagem e 
junção por soldas e/ou parafusos é, de certa forma, simples e rápido. 
29
Além disso, praticamente, não gera resíduos na obra, e o material é 
totalmente reaproveitado e/ou reciclado (ABDI, 2015).
Durante a etapa de projeto, é importante o detalhamento das 
estruturas e suas ligações, considerando os produtos disponibilizados 
pela indústria metalúrgica na forma de chapas, perfis, tubos, barras 
e outras, além do tipo de fabricação, que pode ser de variadas ligas e 
composições de metais, moldados a frio ou a quente, perfis soldados, 
laminados, em chapas, dobrados, e os parafusos e outras peças (ABDI, 
2015).
As uniões são compostas por elementos de ligação, como enrijecedores, 
cantoneiras e reforços, e por meios de ligação, como soldas, parafusos, 
barras roscadas e chumbadores. Para evitar a principal patologia, 
a corrosão, a estrutura necessita de proteção, seja por processo de 
galvanização ou pintura específica para este fim (ABDI, 2015).
6. Wood frame
O desenvolvimento do sistema wood frame não é recente, com registros 
similares de uso na Idade Média e com evolução construtiva ao longo 
do tempo. Os imigrantes europeus difundiram a técnica na América 
do Norte, e os alemães foram as principais referências no Brasil. 
Atualmente, os povos que mais utilizam as construções em madeira são 
os norte-americanos, os canadenses e os japoneses (ABDI, 2015).
O sistema de construção em madeira pode ser realizado em quatro 
formas de execução:
• Kits pré-cortados: método artesanal, cuja estrutura é montada no 
canteiro de obras.
30
• Panelized homes: método mais utilizado nos Estados Unidos, em 
que se utilizam componentes industrializados, como painéis e 
treliças.
• Modular homes: fabricados módulos tridimensionais, com 
esquadrias e instalações embutidas.
• Manufactured home: transportada pronta para o local e instalada 
sobre um chassi metálico (ABDI, 2015).
O sistema é aberto de possibilidades na composição das camadas, 
geralmente, composto por fundações do tipo radier e por estruturas de 
madeira, preferencialmente, de reflorestamento, que recebem proteção 
química. A base das vedações internas e externas é executada em OSB 
(Oriented Strang Board), que garante o contraventamento do conjunto. 
O isolamento de umidade é garantido pela membrana hidrófuga na 
face externa, e entre as peças da estrutura utilizam-se mantas para 
isolamento termoacústico. Internamente, pode-se utilizar placas de 
gesso acartonado e, externamente, placas cimentícias, embora existam 
no mercado outras possibilidades, que serão destacadas no próximo 
capítulo. Também é possível a utilização de revestimentos cerâmicos 
nas áreas molhadas. Além disso, é necessário o tratamento preventivo 
contra cupins e fungos.
Sob o ponto de vista da sustentabilidade, são necessárias políticas para 
o manejo sustentável das matérias-primas, evitando desmatamentos de 
áreas preservadas.
7. Light Steel Framing e Drywall
O Light Steel Framing (LSF), também conhecido como Steel Frame, é um 
sistema estruturado em perfis de aço galvanizado formados a frio. É 
um sistema construtivo aberto e flexível, que permite uma combinação 
31
de diversos materiais dispostos em camadas, os quais, em conjunto, 
garantem os requisitos estéticos e de conforto. Por seus materiais serem 
industrializados, é possível considerar as dimensões deles e projetar 
de forma racionalizada, evitando perdas desnecessárias. Além disso, 
os materiais são duráveis, de baixa e econômica manutenção, projeto 
customizável e com a possibilidade de um gerenciamento de obra e 
recursos bastante eficiente (ABDI, 2015). A montagem dos perfis precisa 
ser dimensionada de forma a resistir às cargas atuantes na edificação, 
projetando reforços, treliças e outros recursos de suporte.
O Drywall é um sistema construtivo utilizado para a construção de forros, 
divisórias e, geralmente, paredes internas, pois utiliza placas em gesso 
acartonado no fechamento dos painéis. Pode ser combinado, para 
vedação, com qualquer outro sistema construtivo estrutural.
Por semelhança, os dois sistemas – LSF e Drywall – se complementam e 
são utilizados em conjunto, variando os tipos de perfis e montagem das 
estruturas e o uso de diferentes placas para vedação interna e externa. 
Todas as placas, independentemente do modelo, são parafusadas com 
parafusos específicos na estrutura metálica, e as juntas (emendas entre 
as placas) são tratadas com fitas e massas adequadas, eliminando a 
necessidade de qualquer revestimento argamassado. De qualquer 
forma, se desejado, aceita revestimentos cerâmicos em pisos e paredes.
As instalações elétricas e hidráulicas são facilmente distribuídas 
pelo interior das paredes. Os perfis metálicos apresentam furos que 
permitem a passagem das tubulações, que são acomodadas nas mantas 
de isolamento. Além disso, já existem tubulações de água fria flexíveis, 
específicas para o sistema.
Materiais do sistema LSF e Drywall:
32
Estrutura:
• Perfil LSF: o sistema LSF suporta até oito pavimentos, e sua 
estrutura é montada com perfis de aço galvanizado estrutural, 
geralmente, revestidas com zinco de imersão à quente. A 
espessura da chapa varia entre 0,80 e 3,0 mm, e seu formato de 
seção, normalmente, em “C” ou “U”, com diferenças específicas 
para as peças utilizadas nos montantes (barras verticais, 
montadas em espaçamentos de 40 ou 60 cm) e as guias de base e 
de topo dos painéis (ABDI, 2015).
• Perfil Drywall: similares aos perfis para LSF, também em formato 
de “C” e “U”, são mais leves e menos resistentes, indicados para as 
áreas internas e sem cargas relevantes.
Isolamento interno (térmico e acústico): são os componentes 
dedicados para garantir o isolamento térmico e acústico. Leves, 
distribuídos, geralmente, em rolos de diversas dimensões e espessuras. 
Utilizados em paredes e tetos. Garantem conforto e isolamento 
termoacústico, inclusive, com o uso de telhas metálicas sob incidência 
solar e chuvas intensas. Pode ou não possuir face aluminizada.
• Lã de pet: ecológico, 100% de matéria-prima reciclada e mais leve 
que os demais tipos, é uma opção econômica e eficiente para 
garantir o conforto e isolamento termoacústico.
• Lã de vidro: fabricada com sílica e sódio, aglomerados por resina 
sintética, é a mais eficiente das opções do mercado. Atenção para 
a instalação, pois alguns modelos provocam alergia frequente no 
manuseio, e já existem no mercado as opções antialérgicas.
• Lã de rocha: fabricada pela fusão de rochas basálticas com adição 
de resinas, é o tipo mais eficiente contra incêndios. Mais rígida 
que os outros tipos, é vendida em placas de 1,35 x 0,6 m, com 
espessuras entre 25 e 100 mm.
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Vedações externas (LSF): o mercado brasileiro já oferece diversas 
opções para vedações externas, garantindo a estética desejada,o conforto apropriado e a conformidade aos requisitos quanto à 
estanqueidade, à durabilidade e à resistência.
• OSB (Oriented Strang Board): as placas de tiras de madeira 
orientadas são estáveis, resistentes, duráveis, rígidas e 
estáveis. Podem ser utilizadas como base para a colocação de 
revestimentos externos flexíveis ou placas cimentícias, ou como 
revestimento externo final, desde que adequadamente tratadas e 
impermeabilizadas. Medidas: 2,44 x 122 m e espessuras de 6,0mm, 
9,5 mm, 11,0 mm, 12,0 mm, 15,0 mm e 18,0 mm.
• Placas cimentícias: fabricadas em fibrocimento com aditivos 
hidrófugos, fibras celulósicas e agregados finos, são altamente 
resistente a impactos e intempéries, além de acabamento estético 
uniforme. Medidas: 1,20 x 2,40 m e espessuras de 6,0 mm, 8,0 mm 
e 10,0 mm. Peso: entre 25 e 30 kg.
• Telha metálica: confeccionada em aço galvanizado ou liga de 
alumínio com zinco, em forma de lâminas e em formato ondulado, 
trapezoidal, podendo ser com ou sem isolamento termoacústico 
e receber pinturas com tintas adequadas. Medidas: diversas e sob 
medida.
• Siding vinílico: revestimento flexível, leve, resistente, durável, rápida 
instalação (de encaixe entre as peças e recorte com ferramenta 
manual), de baixa manutenção e dispensa pinturas (disponível em 
várias cores). Por ser flexível e deve ser fixado sobre placa de OSB 
protegida com manta Tyvek. Medidas: 0,20 x 3,80 m, espessura 1,0 
mm. Peso: 1,6 kg/peça.
• XPS (Poliestireno Extrudado): placa de espuma rígida de 
poliestireno com estrutura celular fechada e homogênea, 
garantindo eficientes propriedades, como isolamento térmico, 
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conforto acústico e alta resistência. Medidas: 0,60 x 1,20 m, 
espessura 25 ou 50 mm.
• Gesso para áreas externas: lançado recentemente no mercado 
brasileiro, o produto é fabricado com aditivos específicos e 
revestido nas duas faces por um véu de vidro com composto 
polimérico. Segundo o fabricante, resiste a intempéries, 
tempestades, raios UV, mofo, impactos e até fogo. Indicado 
também para churrasqueiras e piscinas.
• Outros: aplicação de texturas, peças 3D (em gesso, PVC ou outros 
materiais), etc. Vale sempre a verificação das propriedades com os 
fabricantes antes de definir os revestimentos.
Vedações internas (Drywall/gesso acartonado): as placas de drywall 
são fabricadas de forma plana, sequencial e sobre uma folha de 
cartão, com a principal função de garantir a resistência no transporte, 
o armazenamento, o manuseio e a montagem das peças. Devem ser 
instaladas nas áreas internas das edificações. Possuem três tipos 
principais:
• Placa Standart: em cor branca ou cinza, é indicada para uso geral 
em áreas secas, paredes e forros.
• Placa verde (RU): resistente à umidade, recomendada para áreas 
de serviço, cozinhas e banheiros, pois possui componentes 
hidrofugantes. Não indicada para saunas, piscinas e tetos.
• Placa rosa (RF): com fibra de vidro na composição, possui 
resistência maior ao fogo e ao calor. Indicada para escadas 
enclausuradas e áreas com alto risco de incêndios.
Pisos: por seu conjunto ser mais leve que outras construções, 
dependendo das decisões de projeto, a estrutura pode ser montada 
sobre um radier simples ou placas específicas.
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• Lage seca: composto de madeira laminada colada e prensada 
entre duas faces em placas cimentícias, possui alta resistência e 
durabilidade. Com largura de 1,20 m e comprimento e espessura 
variados, pesa entre 23 e 32 kg/m² e suporta cargas entre 300 e 
500 kg/m².
Tratamento de juntas e quinas reentrantes e salientes: necessitam 
de aplicação em conjunto com as massas específicas e, após cura, 
devem ser lixadas para acabamento perfeito.
• Fitas teladas: flexíveis e teladas, garantem a movimentação entre 
as placas e evitam fissuras, principalmente, em placas cimentícias e 
áreas externas.
• Fitas de papel: utilizadas nas áreas internas e placas de gesso, 
podem ser autoadesivas ou fixadas umedecendo-as em água e, em 
seguida, aplicando massa com desempenadeira apropriada.
• Cantoneiras metálicas: utilizadas em cantos salientes frágeis, de 
alto fluxo, garantindo a durabilidade do acabamento.
Membrana hidrófuga: membrana impermeável e corta vento, mas 
que permite a saída de umidade em forma de vapor, evitando mofos 
e fungos. Utilizada logo antes do revestimento externo escolhido, 
geralmente, sobre o OSB de base.
Massas: para facilitar a aplicação nos cantos, usam-se desempenadeiras 
específicas para o fim. Pode ser base PVA ou acrílica. Escolher de acordo 
com o uso e as instruções do fabricante.
Acessórios diversos: pendural para forro (peça metálica com a 
finalidade de fixação e regulagem horizontal por meio de molas de 
calibração de altura); buchas para fixação (quadros, móveis suspensos 
leves, etc.); reforço para TV e móveis suspensos pesados; parafusos, com 
ponta agulha ou ponta autobrocante, dependendo do uso.
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Ferramentas indicadas: nível a laser, parafusadeira elétrica, lixadeira 
elétrica, desempenadeira lisa para cantos salientes e cantos reentrantes, 
serrote para gesso, tesoura para metais, entre outras.
8. Outros sistemas
A criatividade e o desenvolvimento de outras tecnologias permitem que 
inúmeras técnicas sejam testadas, mas nem todas são amplamente 
utilizadas pelo mercado. Podemos destacar:
• Contêiner marítimo: uso de contêineres marítimos inservíveis 
para o transporte de carga, reutilizados como estrutura e vedação 
externa para edificações. Mesmo com as alterações de formato e 
aberturas para esquadrias, possui limitações quanto à altura do pé 
direito (2,39 m, sem isolamento interno), além da necessidade de 
mão de obra qualificada para corte e solda.
• Módulos tridimensionais: partes tridimensionais montadas, 
inclusive, com instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias, içadas, 
instaladas e conectadas no conjunto da edificação. O maior desafio 
é o transporte e a montagem dos módulos.
• Parede de EPS: uso de isopor de alta densidade para a estrutura 
das paredes. Pode ser montada in loco, usando estrutura telada e 
argamassada no local, ou pré-fabricada, com placas argamassadas 
de fábrica, sob medida, em ambas as faces.
• Paredes moldadas in loco: formas resistentes e duráveis (PVC ou 
metálicas) são montadas de acordo com o projeto arquitetônico 
das paredes da edificação, com as instalações já embutidas, 
o que impede alterações nos pontos e dificulta manutenções 
(vazamentos de água, principalmente). O concreto fresco é lançado 
nas formas e, depois, retirado após o tempo de pega, o que 
permite rapidez na execução de obras repetitivas.
37
• Blocos modulares “ecológicos”: geralmente produzidos de 
forma prensada, com matéria-prima disponível e potencialmente 
descartada no local e com formato de dois furos. Esses blocos 
possuem boa regularidade dimensional e execução similar à 
alvenaria estrutural.
• Impressões 3D: ainda em desenvolvimento, as expectativas são 
de um sistema com alto nível de detalhamento de projetos, com 
novas possibilidades arquitetônicas e nos subsistemas construtivos 
(elétrico e hidrossanitário), além de necessitar de pouca mão de 
obra no canteiro.
9. O presente e o futuro
Podemos ver que as melhorias na construção civil estão longe 
de estagnar, e que as possibilidades são inúmeras, não só nos 
aspectos de estruturas e vedações que destacamos nesta aula mas 
também nos sistemas eficientes de energia, uso de água consciente 
(pluvial e de reuso), tratamento de efluentes, utilização de materiais 
sustentáveis (elevando os padrões construtivos), utilização de polímeros 
potencialmente descartados (por exemplo, PVC reciclado ou borracha 
de pneus), esquadrias eficientes e inteligentes e automação dos espaços 
(casas inteligentes).
É claro que a decisão entre sistemas passa por diversos critérios, como 
requisitos do cliente, fatores técnicos e operacionais e de recursos 
disponíveis. A avaliação dos custos não pode ser limitada ao valor dos 
materiais em si, mas contemplar também quantidade de operadores, 
tempo de obra,produtividade, custos diretos e indiretos, desperdício 
de materiais, retrabalho, manutenções preventivas e corretivas, vida 
útil, valorização imobiliária, entre outras despesas que impactam tanto 
durante a obra quanto durante o uso e a operação da edificação.
38
Não esquecer que a escolha do sistema é indissociável de vários 
fatores técnicos, financeiros, estéticos, arquitetônicos, financeiros, 
disponibilidade de mão de obra qualificada, manutenção, impacto 
ambiental, durabilidade, qualidade, desempenho, entre tantos outros. 
Escolha o que se adapta melhor às necessidades do cliente.
Referências
AGÊNCIA BRASILEIRA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL. Manual da Construção 
Industrializada: conceitos e etapas. Volume 1: Estruturas e Vedação. Brasília, 
DF: ABDI, 2015. Disponível em: http://www.abramat.org.br/datafiles/publicacoes/
manual-construcao.pdf. Acesso em: 13 jul. 2021.
CHING, F. D. K. Técnicas de Construção Ilustradas. 5. ed. Porto Alegre, RS: 
Bookman, 2017.
MEDEIROS, J. S. Construção – 101 perguntas e respostas: dicas de projetos, 
materiais e técnicas. Barueri, SP: Minha Editora, 2012.
SALGADO, J. C. P. Técnicas e práticas construtivas para edificação. 4. ed. São 
Paulo, SP: Érica, 2018.
http://www.abramat.org.br/datafiles/publicacoes/manual-construcao.pdf
http://www.abramat.org.br/datafiles/publicacoes/manual-construcao.pdf
39
Construção enxuta
Autoria: Bibiana Zanella Ribeiro
Leitura crítica: Arthur Ribeiro Torrecilhas
Objetivos
• Compreender sobre a gestão enxuta.
• Conhecer os conceitos e princípios do lean.
• Ser capaz de planejar a implementação de sistema 
enxuto na construção civil, independentemente do 
método construtivo.
40
 1. Introdução
Quando falamos em produção de produto ou serviço ou, no caso da 
engenharia, de construção de uma edificação, com certeza você já 
refletiu sobre: qual a ordem das etapas construtivas? Como dividir as 
tarefas? Como gerenciar o empreendimento? Quantas pessoas serão 
necessárias para a conclusão? A quantidade é constante ou sofre 
alterações em diferentes períodos do projeto? Como e onde estocar a 
matéria-prima, os equipamentos (andaimes, guinchos, equipamentos 
de segurança, entre outros) e as ferramentas? Como melhorar a 
produtividade e maximizar os lucros do projeto?
Através de métodos ou sistemas, podemos definir quais as melhores 
práticas, adaptando para cada obra e garantindo eficiência e eficácia nos 
processos. Neste capítulo, daremos ênfase para a filosofia da construção 
enxuta, ou lean construction, abordando a teoria e, posteriormente, 
aplicando na construção civil. Os autores também citam variações, como 
seis sigma, teoria das restrições, sistema ágil, scrum, entre outras, mas 
todas com objetivos e métodos semelhantes.
A necessidade de criação e desenvolvimento de sistemas de gestão 
eficientes surgiu logo no início da industrialização de produtos, antes de 
fabricação artesanal. Dennis (2008) descreve a produção de automóveis 
em 1900, em que cada carro era único, fabricado sob medida de acordo 
com as especificações do cliente, de forma personalizada e de alto custo. 
Hoje em dia, ainda se produz desta forma, mas para o nicho de produtos 
exclusivos, de luxo e colecionadores.
A indústria de automóveis foi a precursora no desenvolvimento de 
processos de gestão da produção. As estratégias produtivas surgiram 
para solucionar os problemas encontrados nos processos artesanais, a 
partir da experimentação e análise de resultados.
41
O primeiro a sistematizar os processos de manufatura foi Fred Winslow 
Taylor, inventor da engenharia industrial, que trabalhava como gerente 
em uma fundição na Filadélfia. O sistema separava o processo de 
planejamento e a produção em si, estudando padronização do trabalho, 
planejamento de tempo, ciclo e movimento, medição e análise de 
parâmetros de eficácia e eficiência (DENNIS, 2008).
Em 1908, Henry Ford desenvolveu o automóvel Model T e a linha de 
montagem, embora a motivação principal tenha sido o intercâmbio e 
a padronização de peças, e não o processo executivo eficiente. Mesmo 
assim, destacamos três principais inovações: intercambialidade e 
facilidade de montagem das peças, redução das ações exigidas de cada 
trabalhador e linha de montagem em movimento (DENNIS, 2008).
Alfred Sloan descentralizou os diversos tipos de operações da General 
Motors em cinco divisões, cada uma administrada por um gerente, que 
reportava para uma equipe administrativa superior. A produção em 
massa incentivou o início dos movimentos sindicais, pois os operários 
eram considerados como máquinas e custo variável, que poderiam ser 
trocados com facilidade (DENNIS, 2008).
Podem parecer ótimas a melhoria e a inovação nos sistemas 
produtivos, mas, obviamente, eram obstáculos, principalmente para 
os recursos humanos. Os trabalhadores detestavam as fábricas, os 
sindicatos buscavam reduzir horas de trabalho, não havia sentimento 
de cooperação entre empresa e funcionários. Além disso, a qualidade 
não era prioridade ,e a inspeção do produto era somente no final da 
linha, gerando retrabalho. O desenvolvimento de máquinas iniciou o 
processo de produção em lotes e o crescimento dos estoques. Para 
justificar o alto custo de investimento, a ênfase era manter as máquinas 
trabalhando continuamente, mesmo que resultasse em enormes 
estoques sem clientes para comprá-los (DENNIS, 2008).
42
No processo de industrialização das fábricas, a descentralização das 
operações dividiu o trabalho, inclusive, dos engenheiros. Com produtos 
cada vez mais complexos, surgiram ramificações de engenharia 
especializada (DENNIS, 2008).
2. Definição produção enxuta
O Sistema Toyota de Produção, ou sistema Lean de Produção, foi 
desenvolvido por Taiichi Ohno e apoiado por Eiji Toyoda, com origem 
nos estudos de Deming. Eles aperfeiçoaram o sistema durante trinta 
anos, à medida que ele era difundido (inclusive, no Ocidente), mantendo 
suas raízes, seus valores e sua cultura (LIKER, 2018). Liker (2018, [s. 
p.]) simplifica no prólogo o sentimento de que o sistema é um “norte 
verdadeiro, um farol que guia o comportamento diário”, o que justifica o 
sucesso e a ampla disseminação do sistema em indústrias.
Não há consenso entre os autores sobre as nomenclaturas e a definição 
de um único conceito para definir produção enxuta, embora todos 
concordem que o modelo Toyota é mais do que simplesmente eliminar 
perdas dos processos com o uso de ferramentas. O termo Produção 
Enxuta é a tradução de Lean Construction e se refere à filosofia produtiva, 
e o sistema Toyota de Produção é um exemplo aplicado desta filosofia. 
Mesmo com a sutil diferença, estes termos são tratados como sinônimos 
na bibliografia.
Liker (2018, p. 18) discute que o lean, sob um aspecto holístico, é 
definido como “uma filosofia genérica que pode ser aplicada a qualquer 
organização e, se aplicada com disciplina, praticamente garante 
melhorias drásticas”. Salienta que é um sistema que interconecta o 
sistema de pessoas com os processos produtivos, que se esforçam de 
forma contínua para melhorar o modo de trabalho, produzindo valor 
para o cliente, sem perder de vista a busca pela perfeição em todas as 
43
etapas, em direção às metas claras e bem definidas. Ressalta, ainda, 
dois principais pilares do Modelo Toyota, que são: melhoria contínua e 
respeito pelas pessoas. O autor deixa claro que o Modelo Toyota é um 
sistema baseado em princípios, os quais, através de metodologias não 
específicas, resultam em ações práticas.
Para Tubino (2015, p. 14), a manufatura enxuta é definida como:
Estratégia de produção focada na diferenciação, baseada em um conjunto 
de práticas, oriundas do sistema Toyota de Produção, cujo objetivo é 
melhorar continuamente o sistema produtivo por meio da eliminação das 
atividades que não agregam valor ao cliente, chamadas de desperdícios.
Dennis (2008, p. 29) define a produção lean como “fazer mais com 
menos – menos tempo, menos espaço, menos esforço humano, menos 
maquinário, menos materiais – e,ao mesmo tempo, dar aos clientes o 
que eles querem”, dando ênfase aos custos e ao lucro.
Ballé et al. (2019) aborda o tema sob um ponto de vista mais humano, 
entendendo que o engajamento das pessoas envolvidas deve ser 
o primeiro passo para o sucesso das operações, enfatizando a 
necessidade de um esforço para adquirir disciplina na mudança de 
pensamento.
Independentemente da linha ou ênfase, o importante é a compreensão 
de que, para qualquer melhoria de processo ou rotina de produção, 
as pessoas são parte ativas e devem participar de forma eficiente da 
implementação e manutenção do sistema. Ballé et al. (2019) aborda este 
tema em um capítulo inteiro – Lidere de baixo para cima – sobre como 
engajar, valorizar e liderar equipes.
44
3. Conceitos e princípios da produção enxuta
Para que as mudanças aconteçam, é necessário implantar metodologias 
e estimular os colaboradores, para que participem de forma ativa e 
continuamente do processo de melhoria, resultando em benefícios 
produtivos (redução de desperdícios que resultam em aumento de 
lucro) (TUBINO, 2015).
Os autores enumeram cinco princípios do pensamento enxuto: 
Especificação de valor (o que agrega valor do produto ao cliente); 
Identificação da cadeia de valor (onde o valor é gerado); Fluxo (o que 
faz o valor fluir); Produção puxada (produzir somente conforme a 
demanda); Melhoria contínua (melhorar sempre).
4. Melhoria Contínua–Kaizen
Kaizen (em japonês), ou melhoria contínua, é o princípio de que a 
empresa deve melhorar e evoluir diariamente sua posição competitiva, 
considerando um problema ou erro como oportunidade de melhoria do 
processo (TUBINO, 2015).
O método mais conhecido e utilizado para implantar as melhorias é 
o Ciclo PDCA (divulgado por Deming e, inicialmente, relacionado ao 
sistema TQC – Qualidade Total) e suas variações. O PDCA, ilustrado 
na Figura 1, é um sistema útil para identificar, analisar e resolver 
problemas. Consiste em um processo cíclico contínuo indefinidamente 
de ações sequenciais de planejar (Plan), executar (Do), acompanhar e 
avaliar (Check) e agir corretivamente ou preventivamente (Act) (TUBINO, 
2015).
45
Figura 1 - Ciclo PDCA
Fonte: Heavypong/iStock.com.
Ballé et al. (2019) compara o pensamento lean com o pensamento sob o 
viés da gestão financeira, conforme destacamos no Quadro 1.
https://www.istockphoto.com/br/portfolio/Heavypong?mediatype=illustration
46
Quadro 1 - Comparação entre o pensamento tradicional e o 
pensamento lean
Gestão financeira Pensamento Lean
Definir Analisar os números, 
encontrar o problema de 
rentabilidade e pensar em 
soluções alternativas.
Decidir Decidir e comprometer-
se com um traçado 
(estratégia) e elaborar 
um plano de ação.
Desempenhar Executar o plano de ação e 
monitorar a realização das 
ações individualmente.
Apoiar esforços locais de 
kaizen em todos os processos 
para fazer melhor e ver em 
primeira mão os pontos fortes 
e fracos dos produtos, das 
pessoas e dos processos.
Confrontar Avaliar o impacto da 
estratégia pela análise 
dos números e busca de 
explicações a posteriori.
Estabelecer medidas físicas 
pontuais para quantificar 
resultados de negócios 
além do que aparece nas 
demonstrações financeiras.
Definir Ruminar sobre as perguntas 
gerais sobre como você 
quer transformar o mundo 
em um lugar melhor e 
definir quais devem ser as 
dimensões de melhoria no 
nível da empresa, além de 
entender os mecanismos 
de resistência presentes.
Decidir Comprometer-se com 
o desenvolvimento de 
capacidades por meio da gestão 
das curvas de aprendizagem, 
apoiando o kaizen em 
processos padronizados 
e buscando inovações 
radicais onde necessário. 
Fonte: adaptado de Ballé et al. (2019).
47
5. Engajamento das pessoas
Este princípio ressalta a importância da participação ativa de todos 
os envolvidos na organização, na sua área de atuação e cada um com 
seu papel. Os níveis mais altos, estratégico e tático, geralmente, são 
responsáveis pelas inovações e decisões de longo prazo (e/ou maior 
investimento). Os níveis operacionais, tático e operacional, atuam com 
foco restrito no ambiente de trabalho (TUBINO, 2015).
É consenso que a melhor forma (mas não a única) para o engajamento 
e sucesso das operações é o trabalho em grupos (em forma de sistemas 
coordenados) e a troca de informações entre os setores (planejamento, 
produção, marketing, vendas, compras, pós-venda, gestores, entre 
outros), garantindo que todos serão ouvidos e a solução será coletiva 
(TUBINO, 2015).
Dennis (2008) enfatiza a importância da governança na criação da 
cultura e do comportamento organizacional da empresa, e coloca o setor 
responsável pelos colaboradores como fundamental departamento, pois 
fornece o principal input: as pessoas.
Definir como recrutar, quais as qualidades pessoais, como capacitar e 
desenvolver as pessoas, como motivar, em quais atividades podemos 
envolvê-las e como medir e avaliar esses parâmetros determinam a 
experiência e o comportamento diário na organização (DENNIS, 2008).
Os sentidos de segurança e de pertencimento a uma equipe também 
contribuem para segurança física (e ergonomia), estabilidade no 
emprego, uniformes, salas, refeitórios e vagas de estacionamento 
colaborativas e integradas entre os níveis hierárquicos e presença de 
gerentes “no chão da fábrica”, que são exemplos de ações que criam a 
cultura empresarial (DENNIS, 2008).
48
6. Eliminar desperdícios
Podemos definir desperdício como toda atividade que não agrega valor 
ao produto ou ao cliente. Tubino (2015) destaca que as atividades de 
espera, inspeção e transporte são as “vilãs” da produção, mas inclui 
muitos processos separados (adicionando espera, inspeção e transporte 
interno no processo) ou mal dimensionados. Identificar e solucionar 
a fonte dos desperdícios é fundamental para o processo de melhoria. 
Mesmo assim, precisamos entender que as paradas planejadas são 
fundamentais para manter a continuidade da produção, pois é melhor 
realizar manutenções preventivas programadas e evitar paradas 
corretivas bruscas causadas por quebra de equipamentos ou por 
defeitos na produção por falta de ajuste.
Além desses desperdícios mais genéricos, podemos descrever e 
classificar em oito categorias (TUBINO, 2015):
• Desperdício de superprodução: quando produzimos mais 
(quantitativa) ou antes (temporal) do que o necessário para 
atender à demanda do momento. Está relacionado a três principais 
causas: lotes econômicos grandes, demandas instáveis e falta 
de capacidade produtiva uniforme. Como consequências, temos 
os consumos desnecessários de materiais e recursos produtivos 
(máquinas, mão de obra e espaços físicos) e, consequentemente, 
de recursos financeiros antes do tempo.
• Desperdício de estoque: na verdade, essa categoria é um efeito 
da superprodução. As causas são as mesmas da superprodução, 
e suas consequências são a necessidade de locais para 
armazenagem e a alocação de recursos para produção. Além 
dos custos diretos imediatos, os materiais parados por muito 
tempo dificultam a movimentação e o controle do estoque, 
principalmente de produtos perecíveis, pois os que foram 
produzidos primeiro também devem sair primeiro.
49
• Desperdício de transporte: o transporte interno desnecessário, 
entre estoque de matérias-primas, máquinas, setores ou locais 
de armazenagem, não agrega valor ao produto e gera gargalos 
produtivos, como a necessidade de equipamentos e pessoas, 
além de maior possibilidade de danos aos produtos durante o 
transporte. As causas são relacionadas ao layout entre as etapas 
produtivas e à produção de grandes lotes (que gera a necessidade 
de estocagem das partes inacabadas).
• Desperdício de espera: é o tempo que o produto, ou parte dele, 
aguarda um processo, um movimento ou uma inspeção. As 
causas podem ser pontuais e temporárias, como a necessidade de 
manutenção corretiva ou preventiva em um equipamento.
• Desperdício de processamentos desnecessários: consiste em 
adicionar um esforço mais do queo requerido pelo cliente, o que 
não agrega valor ou um retrabalho.
• Desperdício por movimentos improdutivos: relacionado no 
entorno da máquina e com problemas de ergonomia e layout.
• Desperdício de elaborar produtos defeituosos: com origem em 
matérias-primas sem qualidade, máquinas desreguladas ou sem 
manutenção e mão de obra desqualificada.
• Desperdício intelectual: o mais recente desperdício adicionado 
aos outros, consiste em não aproveitar as ideias e sugestões dos 
colaboradores, o que demonstra falta de liderança.
7. Padronização
O trabalho padronizado não significa um conceito engessado, rígido ou 
uma ordem imposta por um superior. O padrão lean tem sido a forma 
mais eficaz, econômica, fácil e segura de fazer algo hoje, o que significa 
50
que amanhã pode haver uma forma melhor. Portanto, até mesmo um 
padrão deve sofrer melhorias.
Dennis (2008) destaca que as melhorias seriam impossíveis e sem 
estabilidade sem atenção aos 4 Ms:
• Mão de obra: membros da equipe.
• Máquina: equipamentos, gabaritos, etc.
• Material: matéria-prima e peças de fornecedores.
• Método: os processos.
A Figura 2 relaciona os elementos dos 4Ms como entradas do sistema 
com as etapas produtivas, e como o trabalho padronizado, utilizado 
como ferramenta, desenvolve e melhora o método lean.
Figura 2 - Processo
Fonte: adaptada de Denis (2008).
51
A base da produção de excelência é a padronização dos processos, 
visto não de forma rígida, mas como uma referência comparativa. 
Dennis (2008) exemplifica três tipos de padrão e seu relativo impacto: 
uma descrição escrita – pouco efeito; uma imagem impressa no local 
de trabalho – médio impacto; exemplos reais (correto e errado) – alto 
impacto.
Também é possível afirmar que não existe uma única forma de fazer 
um trabalho; os trabalhadores devem projetar o trabalho; o objetivo da 
padronização é fornecer base para melhorias (DENNIS, 2008).
O trabalho padronizado é justificado por benefícios, como estabilidade 
de processos, pontos de início, parada e fim claros para cada processo, 
aprendizagem organizacional, permite auditorias e avaliações, 
envolvimento do funcionário, melhoria contínua e capacitação (DENNIS, 
2008).
8. Desafios de implantação da construção 
enxuta
Lembrando que um dos objetivos principais da manufatura enxuta 
é implementar um conjunto de práticas nos sistemas de produção 
repetitivos em lotes, depois de tantas teorias, ficam muitas perguntas: 
como adaptar para a minha realidade? Por onde começar? Devo 
implantar aos poucos ou tudo de uma vez?
O fato é que não existe uma resposta única e certa, mas é evidente que 
é necessário estudo, análise e planejamento, adotando as melhores 
soluções para cada situação.
A bibliografia aborda de forma geral (como as referências utilizadas 
neste texto) a filosofia lean em um ambiente fabril controlado, com 
espaços fixos e atividades repetitivas. Quando falamos de obras de 
52
construção civil, precisamos extrapolar esses parâmetros, pois, no 
canteiro de obras, as variáveis são bem diferentes das outras indústrias. 
Nesse sentido, cabe a reflexão sobre até que ponto é possível aplicar 
sistemas de gestão de forma eficiente em tecnologias construtivas 
convencionais de concreto armado e alvenarias. Realmente estamos 
promovendo a industrialização, ou mantemos os hábitos antigos?
Os parâmetros localização, tempo, clima, tecnologia e mão de obra de 
um empreendimento são variáveis que alteram sensivelmente qualquer 
método de gerenciamento. Um mesmo projeto executado em outro 
local, dois anos depois, utilizando outras técnicas construtivas e/ou mão 
de obra (incluindo a gerência) diferente, certamente, não terá o mesmo 
caminho nem os mesmos resultados, mesmo que a aparência final da 
edificação seja idêntica.
De forma prática, uma construtora deve possuir diretrizes em seu 
ambiente macro, mas flexíveis e adaptáveis para cada diferente 
obra que execute, respeitando suas características, especificidades 
e particularidades únicas. É importante também não manter os 
empreendimentos isolados, mas permitir troca de experiências e ações 
de sucesso entre elas, possibilitando a coesão da cultura organizacional 
de boas práticas.
Para uma obra de edificações, o procedimento gerencial das atividades 
é o mesmo para qualquer sistema de gestão: a identificação das 
atividades e a ordem que devem ser organizadas. Essas atividades 
precisam ser divididas de forma repetitiva, dependendo da tecnologia 
e do planejamento, seja em módulos, pavimentos ou etapa construtiva. 
Aí surge um novo desafio: a infinidade de serviços diferentes de 
uma edificação, com inúmeros materiais, tempos, características e 
profissionais diferentes, que precisam ser coordenados de maneira 
eficiente para o sucesso.
53
Uma atividade atrasada, por qualquer motivo, gera consequências, 
dentre as quais podemos citar: mão de obra ociosa, excesso de 
material em estoque e aceleração das atividades posteriores. Cada 
uma dessas consequências gera um outro nível de consequências, 
como descontentamento da mão de obra, baixa qualidade dos serviços 
e problemas com estoque de materiais, além de, obviamente, custos 
adicionais e descontentamento dos clientes.
9. Conclusão
Comparando os diversos autores sobre o tema, mesmo que abordem 
de formas e com ênfases distintas, é comum a todos os conceitos de 
padronização, trabalho em equipe e continuidade das melhorias através 
da implantação de um sistema cíclico e contínuo. “A produção lean não 
é um conjunto de técnicas. Ao se conectar a todo nosso ser, torna-se um 
caminho que cria energia, foco e longevidade.” (DENNIS, 2008, p. 166).
O lean de verdade precisa ultrapassar a linha de produção e permear 
por toda a organização, criando uma cadeia de gerentes. Isso não pode 
ser implantado superficialmente, precisa ser sólido e duradouro em 
todos os níveis e departamentos (LIKER, 2018).
O modelo lean é o sistema competitivo mais poderoso, pois as relações 
entre empresa, funcionários e clientes são o foco gerencial. Evolui de 
forma dinâmica e aprofundada dia a dia, à medida que os problemas 
mais detalhados são resolvidos, assim como o mundo, as expectativas e 
as necessidades das pessoas (BALLÉ et al., 2019).
54
Referências
BALLÉ, M. et al. A estratégia lean: para criar vantagem competitiva, inovar e 
produzir com crescimento sustentável. Trad. Altair Klippel. Porto Alegre, RS: 
Bookman, 2019.
DENNIS, P. Produção Lean Simplificada: um guia para entender o sistema de 
produção mais poderoso do mundo. Trad. Rosalia Angelita Neumann Garcia. Porto 
Alegre, RS: Bookman, 2008.
LIKER, J. K. O modelo Toyota de excelência em serviços: a transformação lean 
nas organizações de serviço. Trad. Francisco Araújo da Costa. Porto Alegre, RS: 
Bookman, 2018.
TUBINO, D. F. Manufatura enxuta como estratégia de produção: a chave para a 
produtividade industrial. São Paulo, SP: Atlas, 2015.
55
Utilização do BIM para a gestão de 
obras
Autoria: Bibiana Zanella Ribeiro
Leitura crítica: Arthur Ribeiro Torrecilhas
Objetivos
• Compreender os fundamentos e conceitos do BIM.
• Entender sobre os desafios e as vantagens da 
implantação dos recursos BIM.
• Conhecer os recursos disponíveis para o 
gerenciamento de obras em BIM.
56
1. Introdução
Os processos para o desenvolvimento de projetos tradicionais, com 
o uso de desenhos em 2D, resultam em informações fragmentadas, 
incompletas e tratadas de forma independente, que costumam acabar 
em erros e/ou dificuldades, como atrasos de cronograma, custos 
imprevistos, atritos pessoais, alterações de projeto para resolver 
incompatibilidades, entre outros problemas (SACKS et al., 2021). 
Neste capítulo, você compreenderá o uso de metodologias atuais 
para solucionar, compatibilizar e agilizar possíveis conflitos. O uso 
de tecnologias em “tempo real”, para o compartilhamento de plantas 
e documentos, permite maior interação na comunicação entre os 
diferentes dados.
Mesmo entendendo que analisar a produtividade da construção éuma tarefa abrangente e complexa, inclusive pela dificuldade de 
estabelecer parâmetros, ao comparar a construção civil com outras 
indústrias manufatureiras, estudos mostram queda na produtividade e 
desempenho inferior aos demais setores econômicos (AMORIM, 2020). 
O Building Information Modelling (BIM), por ser “um sistema integrado 
de concepção, produção e uso da construção” (AMORIM, 2020, p. 4), 
promove desenvolvimento da indústria da construção, elevando a 
produtividade construtiva e fortalecendo o setor economicamente 
através da inovação.
O desenvolvimento das técnicas de produção e a industrialização 
impulsionaram a evolução dos processos de projetos e planejamentos 
(ou será que as novas formas de planejar que evoluíram as técnicas 
de produção?). A partir de 1950, com o desenvolvimento dos 
computadores, os projetos, antes realizados manualmente, passaram 
a ser desenvolvidos por softwares de sistema CAD (Computer Aided 
Design, ou desenho assistido por computador), promovendo melhorias, 
como uso de mesas digitalizadoras, compatibilidade com sistemas 
57
operacionais, melhorias na interface e recursos 2D e 3D, disponibilidade 
de plugins, entre outras.
O CAD refere-se a um programa ou desenho assistido por computador, 
geralmente bidimensional, em que o projeto é o conjunto de linhas, 
textos e outros elementos vetoriais. A edição é realizada em nível de 
objeto, e os dados obtidos são geométricos, como área e perímetro. O 
BIM não é simplesmente um CAD 3D, pois é composto de um banco de 
dados integrado, gerado pela modelagem paramétrica e informações 
fornecidas pelo usuário (KENSEK, 2018).
Com o passar do tempo e maior disponibilidade de recursos e 
conhecimentos, surge a necessidade de elaborar uma metodologia de 
gerenciamento de projetos, evoluindo para o que hoje conhecemos 
como BIM, ou modelagem da informação da construção.
Os processos BIM contribuem para o gerenciamento do fluxo de 
informações para todas as atividades, dependente da articulação de 
quatro dimensões: tecnologia, recursos, procedimentos e pessoas, 
consolidando as práticas do sistema (AMORIM, 2020). O BIM tornou-se 
um facilitador de processos para serviços de engenharia, arquitetura 
e construção, permitindo a criação de modelos virtuais precisos e 
compatíveis entre os sistemas da construção ainda na fase de projeto, 
além de promover a análise e o controle, antes impossíveis em sistemas 
manuais (SACKS et al., 2021).
Embora o sistema BIM seja mais que um simples desenho em três 
dimensões, a modelagem 3D foi desenvolvida, no fim dos anos 1960, 
para atender diversas necessidades, além da construção predial, como 
uso em produtos, filmes e jogos. A partir de um conjunto de sólidos 
básicos com formas de plano, esfera, bloco e cilindro, os objetos podiam 
ser regenerados e editados sob demanda. Por curiosidade, Tron foi o 
primeiro filme em computação gráfica, lançado em 1987 (EASTMAN et 
al., 2014).
58
Amorim (2020) destaca algumas características na concepção dos 
projetos, como a latência nas respostas e a tomada de decisões efetivas, 
vinculadas a processos e informações segmentadas e sequenciadas, 
dificultando o entendimento do conjunto e a agilidade no processo 
decisório. No processo de projeto BIM, como a comunicação é 
simultânea e centralizada em um banco de dados, é possível simular e 
testar soluções.
2. Conceitos e fundamentos
Kensek (2018) define o BIM como um banco de dados integrado com 
informações da construção, composto por uma coleção de objetos 
paramétricos. Os parâmetros definidos pelo usuário criam descrições e 
características complexas, permitindo integração com outros softwares.
Na medida em que fornecemos mais dados e parâmetros ao conjunto 
do projeto, podemos classificar as categorias em dimensões, conforme o 
Quadro 1:
Quadro 1 - Dimensões do BIM
DIMENSÕES CARACTERÍSTICAS
2D Desenhos planos, seções, elevações.
3D Adiciona altura. Dimensão mais utilizada e representativa 
do BIM atualmente. Utilizada para compatibilidade de 
projetos, identificando conflitos, análise de insolação 
e ação de ventos, características dos materiais, entre 
outros. Realismo de projetos e maquetes eletrônicas.
4D Integração com tempo: cronograma, sequência 
de etapas. Inclui animações renderizadas ou 
simulação de um passeio ou a sequência executiva 
da construção. Possível importação de dados 
para softwares de gerenciamento de projetos.
5D Adiciona custos. Estimativas e medições detalhadas 
para licitação. Durante a concepção do projeto, simples 
alterações promovem o “e se?”, podendo-se comparar 
ao custo de cada solução antes da tomada de decisão. 
59
6D e 7D Adiciona componentes do ciclo de vida e segurança de 
vida dentro das edificações. Ainda em desenvolvimento e 
pouco utilizado pelos profissionais, permite o planejamen-
to estratégico, gerenciamento de espaço, qualidade e sus-
tentabilidade, operações, entre outros. 
Fonte: adaptado de Kensek (2018).
Para a gestão de obras, utilizam-se, de forma integrada, os recursos das 
dimensões 4 e 5, com dados da dimensão 3D obrigatoriamente.
O BIM, por meio do fluxo de trabalho e das tecnologias disponíveis, faz o 
intercâmbio de dados e informações. Embora alguns autores descrevam 
esse modelo como único, para outros, é mais bem descrito como 
uma coleção de muitos modelos, bancos de dados e documentação, 
compartilhados entre as disciplinas envolvidas e com o objetivo de 
minimizar tempo, custo e conflitos, resultando em economia e tomadas 
de decisão assertivas (KENSEK, 2018).
Um dos conceitos mais importantes é a interoperabilidade, pressupondo 
que os fluxos e os formatos dos dados sejam compatíveis, possibilitando 
o intercâmbio de dados, manipulados em diferentes fases do projeto e 
em diferentes softwares (KENSEK, 2018). Para Sacks et al. (2021, p. 59), 
a interoperabilidade “é a habilidade de passar dados entre aplicações e 
de contribuir para que múltiplas aplicações atuem de forma conjunta no 
trabalho em questão”.
O aprimoramento contínuo da tecnologia permite que todas as 
atividades e especialidades tenham cada vez melhor suporte, 
suportando, além da geometria e dos materiais, análises mais 
complexas. O cronograma do processo construtivo pode ser entendido 
como uma representação não geométrica. Os modelos de sistemas 
complementares, como estruturas, instalações elétricas e hidráulicas, 
são representações de detalhamento especializado (SACKS et al., 2021).
Na Quadro 2, apresentamos outros termos técnicos ligados ao sistema 
BIM e suas definições.
60
Quadro 2 - Termos e definições
TERMOS DEFINIÇÕES
Aplicativo BIM São as ferramentas de software que podem produzir 
modelos 3D, baseados em objetos ricos em dados. 
Aplicativo Especializado São as ferramentas de software que utilizam os modelos 
3D, mas analisam seus componentes, como desempenho 
térmico, ciclo de vida ou qualquer outro aspecto.
Atributos Conjunto de características de um objeto. 
Geometria, propriedades e comportamento.
Biblioteca de 
objetos BIM
Uma coleção de objetos BIM que seguem um conjunto 
ou mesmo esquema de dados unificados.
Detecção de 
interferências ou 
verificação de conflitos
A partir do modelo 3D, confrontar os diferentes 
sistemas (elétrico, estruturas, hidrossanitários, 
etc.), identificando e resolvendo conflitos entre os 
elementos virtuais antes da construção real. 
Famílias de objetos BIM Conjunto de objetos que cumprem a mesma função 
em uma edificação, com processos semelhantes e que 
correspondam a tipos de produtos usuais no mercado. 
Industry Foundation 
Classes (IFC)
Esquema desenvolvido para definir um conjunto extensivo 
de representações de dados consistentes de informações da 
construção para intercâmbio entre aplicações de software. 
Projetado para tratar todas as informações da construção, 
desde a viabilidade e o planejamento, passando pelo 
projeto e pela execução, até a ocupação e a operação. 
Modelagem 3D Uso de softwares para gerar geometrias tridimensionais 
como superfícies ou sólidosnão paramétricos.
Modelagem da 
informação da 
construção BIM
Processo de desenvolvimento de projeto que resulta em 
representação digital das características físicas e funcionais 
de uma instalação. O resultado se constitui em um modelo 
de informações consistentes sobre a construção.
Modelo BIM Modelo da informação da construção (modelo BIM) é o 3D rico 
em dados, baseado em objetos, gerado por um aplicativo BIM.
Objeto BIM Representação digital de um produto ou construção 
que contempla as características geométricas e pode 
conter parâmetros funcionais e de especificação. São os 
componentes básicos para o desenvolvimento do modelo BIM. 
Interoperabilidade Capacidade de transferir dados de maneira eficaz 
entre diferentes domínios e plataformas.
Intraoperabilidade Capacidade de transferir dados do projeto 
entre módulos ou softwares dentro do conjunto 
interno dos pacotes de uma empresa. 
Fonte: adaptado de Amorim (2020), Kensek (2018) e Sacks et al. (2021).
61
3. Colaboração e interoperabilidade
Ainda no início do uso do CAD 2D, na década de 1980, era evidente o 
desafio do compartilhamento de dados entre as diferentes aplicações. 
Na era pós-Sputnik, a NASA percebeu gastos elevados com tradutores 
entre os projetistas de CAD. A solução foi reunir as companhias de 
software de CAD para que entrassem em acordo para o uso de um 
formato comum (SACKS et al., 2021).
Para um projeto possuir interoperabilidade, é necessário, 
primeiramente, definir um modelo ou esquema de dados, geralmente, 
em três níveis:
• Nível 1 – Externo: é a visão do usuário sobre os requisitos de 
intercâmbio das informações, em que cada usuário necessita 
de um conjunto distinto de informações para realizar as suas 
atividades. É a etapa de coleta de requisitos e modelagem, em que 
são coletadas as necessidades dos usuários.
• Nível 2 – Conceitual: independente de um modelo de 
implementação ou sistema de aplicação, organizado como um 
esquema lógico.
• Nível 3 – Interno: um esquema lógico implantado no nível 2 pode 
ser implementado de diversas maneiras, em diferentes estruturas 
de dados.
62
Figura 1 - Intercâmbio de informações em três níveis
Fonte: Sacks et al. (2021).
Sacks et al. (2021) ressalta os diferentes métodos que podem ser 
utilizados para o intercâmbio de dados, entre eles:
• Ligações diretas: as empresas de software costumam fornecer 
ligação direta, suporte e intercâmbio entre interfaces da mesma 
companhia e/ou outras que mantêm parceria comercial, por 
exemplo, GDL (da ArchiCAD) e Open API (da Revit), implementadas 
dependendo da linguagem de programação (C++, C# ou Visual 
Basic).
• Intercâmbio de dados baseado em arquivos: método de troca de 
dados a partir de um arquivo modelo, entre eles, as extensões DXF 
e RVT (da Autodesk) e PLN (Graphisoft).
• Intercâmbio de dados baseado em um servidor modelo: modelo 
de troca de dados por meio de um sistema de gerenciamento de 
banco de dados, BDMS – Database Management System, também 
chamado de servidor modelo, servidor BIM, repositório de dados 
ou ambiente de dados comum. O servidor BIM é frequentemente 
estruturado em modelos de dados padronizados, como o IFC 
(Industry Foundation Classes) ou o CIS/2 (CIMsteel Integration 
Standard versão 2).
63
O intercâmbio de dados baseado em servidor modelo apresenta 
vantagem em relação ao intercâmbio por arquivos, pois permite melhor 
controle de versão e evita conflitos, além de reduzir problemas de 
interoperabilidade através de funções de inteligência artificial. Permite 
também a análise automatizada, capaz de preencher informações 
faltantes ou em conflito (SACKS et al., 2021).
4. As funções do BIM
Conforme Sacks et al. (2021), as funcionalidades de um servidor BIM 
devem suportar as propriedades das informações e o controle de 
acessos de forma articulada. Seus requisitos podem ser organizados da 
seguinte forma:
• Gerenciar usuários: rastreamento de fluxos de trabalho, níveis de 
acesso e permissões.
• Importar e analisar modelos BIM: os arquivos podem ser salvos em 
seu formato original ou associados aos dados do projeto.
• Consultar e exportar instâncias de dados no nível do objeto: seja 
em um servidor BIM ou em um arquivo modelo BIM independente.
• Administrar instâncias de objeto: ações de ler, escrever, editar e 
deletar, com base em protocolos autorizados.
• Versões de controle de dados armazenados: capacidade de manter 
e gerenciar registros de alterações de dados, especialmente em 
ambiente de usuários múltiplos.
Além desses, um servidor BIM pode suportar consultas visuais de dados, 
funções web ou na nuvem, bibliotecas de produtos, armazenamento de 
especificações de produtos, armazenar dados de comércio eletrônico, 
64
gerenciar formas não estruturadas de dados de comunicação (SACKS et 
al., 2021).
Amorim (2020), afirma que os usos do BIM ainda não estão definidos e 
consolidados, considerando que a experiência é recente e por possuir 
usos em potencial não explorados. Uma pesquisa listou os usos mais 
comuns do BIM, destacando a coordenação 3D, a revisão de projeto 
e o desenvolvimento de projeto. Além desses, apresentou o projeto 
de solução construtiva, a modelagem de condições existentes, o 
planejamento e controle 3D, a programação de serviços, o planejamento 
4D (custos e prazos), os registros de modelagem e a utilização de 
canteiro de obras como usos com frequência intermediária. Já 
desenvolvimento de animações em 3D, para apoio em vendas ou 
realidade virtual, análise de desempenho acústico, gestão de materiais 
e recursos humanos no canteiro de obras, compatibilização com 
equipamentos móveis de medição, entre outras necessidades, são usos 
em potencial.
O processamento de informações e o uso das funcionalidades existentes 
dependem da maturidade de implementação do BIM na organização, 
pois implica capacitação e investimentos no setor, além de recursos 
tecnológicos de equipamentos e velocidade de tráfego de dados 
robusto. A normativa ISO/DIS 16.950 – Organization of information 
about constructions works (Organização de informações sobre obras 
de construção) classifica em quatro estágios: o estágio 0, analógico, 
indica informações desestruturadas; o estágio 1, já digital, apresenta 
informações estruturadas em CAD 2D e 3D, processos ainda reativos; no 
estágio 2, os arquivos são compartilhados, e a organização é proativa; 
no estágio 3, o banco de dados é compartilhado, com foco na melhoria 
do monitoramento e no controle dos processos. Pela necessidade 
de servidores potentes, que interfere no processamento de dados 
síncronos, a maioria das empresas no Brasil e no mundo permanece no 
estágio 2 (AMORIM, 2020).
65
5. Implantação de processos em BIM
É indiscutível que a implantação do uso do BIM, mesmo em estágios 
ainda em desenvolvimento, garante melhorias significativas nos 
processos, integrando de forma eficiente, gerando benefícios em toda a 
cadeia envolvida no empreendimento.
Para a implantação de qualquer sistema gerencial, os elementos 
tecnologia, pessoas, processos e políticas precisam ser articulados. 
Algumas organizações, públicas e privadas, já exigem determinados 
serviços e projetos produzidos utilizando o BIM, motivadas pela 
importância econômica do setor da construção civil, oportunidades 
de melhoria na qualidade e gerenciamento ao longo do ciclo de vida 
do projeto, fornecimento de dados para tomada de decisões mais 
assertivas, ferramenta para atingir os objetivos de sustentabilidade, 
entre outras razões (SACKS et al., 2021).
A implementação do BIM pode ser considerada uma inovação 
tecnológica disruptiva (radical), pois depende de uma reestruturação 
completa da organização (AMORIM, 2020), mas exige tempo e etapas 
incrementais, implantadas de acordo com as rotas estratégicas 
(roadmaps) e evoluindo a maturidade BIM planejada, podendo ser um 
processo linear ou cíclico (melhoria contínua), aumentando o escopo. Os 
modelos de maturidade BIM necessitam ser gerenciados e quantificados, 
para que possam ser analisadose auditados. As medidas BIM são os 
parâmetros do processo de implantação de forma progressiva, como 
custo do investimento e tempo de retorno, monitorando o progresso do 
desempenho (SACKS et al., 2021).
À medida que sistemas BIM são implantados e pessoas capacitadas 
desenvolvem novos conhecimentos, guias, manuais e publicações 
sobre o tema, sugestões de boas práticas para a implementação do BIM 
surgem para auxiliar novos usuários (SACKS et al., 2021).
66
De qualquer forma, a tecnologia BIM depende de pessoas para 
efetivamente funcionar, o que é frequentemente identificado pelos 
gestores como o gargalo para a implantação do modelo em suas 
organizações. Para isso, capacitação constante e investimentos 
em profissionais qualificados são fundamentais para a evolução 
e a maturidade dos processos BIM, inclusive, com a promoção de 
certificações aplicadas à área (SACKS et al., 2021).
É importante ressaltar que, além dos desafios técnicos e práticos, 
questões de ordem legal e de segurança de dados precisam ser 
discutidas, evitando disputas legais. Questionamentos, como quem 
é o proprietário da informação, quem possui os direitos autorais do 
projeto, quem pode ter acesso, alterar ou utilizar um modelo e quem é 
responsável por erros nas informações ou dados, devem ser pontuados 
claramente entre os envolvidos. Guias publicados nos EUA, na Finlândia, 
na Coreia do Sul e em Cingapura afirmam que o cliente é o proprietário 
dos modelos digitais e da informação. O guia de Cingapura distingue o 
proprietário do modelo, o autor do modelo e os usuários do modelo, 
cada um com seus acessos e permissões de uso (SACKS et al., 2021).
Sacks et al. (2021) destaca, ainda, as questões de segurança das 
informações digitais, expondo vulnerabilidades do sistema, como 
ataques cibernéticos para sabotagem ou extorsão; acesso não 
autorizado aos modelos para espionagem; ataques durante a fase 
operacional, por meio de sistemas de automação de edificações e/ou 
sistemas de instalações prediais apoiados pelo BIM.
Em termos práticos e esquemáticos, Kensek (2018) propõe sete passos 
para implantar o processo BIM em uma empresa, abordando:
• Motivação: por que o uso do BIM? Compreensão dos motivos para 
a migração de sistema.
67
• Objetivos e metas: parâmetros para gerenciamento e 
acompanhamento do processo de mudança, contemplando 
objetivos intermediários, custos e prazos.
• Planejamento: criado em conjunto com os colaboradores 
envolvidos e reavaliação do fluxo de trabalho do escritório.
• Investimento: definição dos recursos investidos (tempo, 
produtividade, dinheiro, etc.) e tempo de retorno do investimento.
• Determinação do software: avaliar com os colaboradores qual 
a melhor opção entre as disponíveis no mercado, comparando 
avaliações de outros usuários, especificações técnicas, custos de 
licença, entre outros aspectos.
• Ferramentas: definir softwares complementares, de acordo com 
a necessidade, e que tenham conflitos minimizados. Ferramentas 
para orçamentação, gerenciamento de projetos colaborativos 
e programas para análises diversas compõem o conjunto de 
acessórios necessários.
• Hardware: os softwares e arquivos BIM necessitam de espaço em 
disco rígido e mais memória, além de processadores e placas de 
vídeo eficientes. Impressoras e plotters com alta definição também 
valorizam os resultados.
Kensek (2018) ressalta as questões de pessoal, em que são necessários 
um coordenador BIM e o engajamento de todos os envolvidos.
6. Tecnologias de interface e aplicativos
As primeiras modelagens em três dimensões, na década de 1960, 
eram desenvolvidas de duas formas predominantes: a primeira 
abordava a representação por fronteira (Boundary Representation), em 
68
que funções computacionais desenvolvidas permitiam a criação de 
sólidos conhecidos, além de funções, como formatos de revolução, 
extrusão, união, subtração e interseção espacial (operações booleanas), 
permitindo a criação de inúmeras formas poliédricas definidas e 
complexas. A segunda, pela abordagem da geometria sólida construtiva 
(Constructive Solid Geometry–CSG), representava a forma como um 
conjunto de poliedros primitivos, em funções algébricas combinadas, 
utilizava as operações booleanas. Essa abordagem era de difícil 
parametrização e edição (SACKS et al., 2021).
As plataformas BIM atuais para projetos arquitetônicos, incluindo os 
mais utilizados – Revit e ArchiCAD –, são derivadas da modelagem 
paramétrica desenvolvida para sistemas mecânicos. Nesses softwares, 
um objeto edita a si mesmo, de acordo com suas características de 
comportamento e as regras aplicadas. Os aplicativos de projeto BIM 
interagem com outros aplicativos e interfaces para tarefas específicas, 
como renderização, estimativa de custos e prazos, entre outras. Esses 
aplicativos ou softwares são organizados em (SACKS et al., 2021):
• Ferramentas BIM: são os recursos associados às plataformas BIM. 
Alguns não são considerados originalmente como ferramentas 
BIM, mas, se utilizados no contexto BIM, cumprem a função. 
Exemplos: ferramentas para orçamentação, cronogramas, 
especificação e outras com base em Excel (baseadas em texto); 
AutoCAD (se utilizado em processo BIM).
• Plataforma BIM: os aplicativos paramétricos mais conhecidos são 
Revit, ArchiCAD, Tekla Structures, Vectorworks, entre outros. São 
geradores centrais de informações BIM, que fornecem um modelo 
de dados primário que hospeda as informações fornecidas por 
outros aplicativos BIM. Possuem interfaces com alta capacidade de 
interoperabilidade com múltiplas ferramentas e são compatíveis 
com ferramentas internas (renderização, detecção de conflitos) 
e externas (citadas anteriormente). Oferecem conjuntos de 
69
interfaces e bibliotecas específicas, como Revit Structure e 
ArchiCAD MEP.
• Ambiente BIM: definido como o conjunto de aplicativos, 
ferramentas, plataformas, servidores, bibliotecas e processos BIM 
que interagem de forma integrada.
Sacks et al. (2021) destaca considerações importantes sobre os 
aplicativos BIM, como interface do usuário, facilidade de geração 
de desenho, facilidade de personalização de objetos paramétricos, 
modelagem de superfícies curvas complexas, bibliotecas de objetos 
BIM, interoperabilidade, ambiente multiusuário, suporte efetivo de 
gerenciamento de propriedades, entre outras.
7. Conclusão
Amorim (2020) diz que o projeto BIM é a melhor opção para o 
desenvolvimento de projetos de edificações ou infraestrutura, 
agregando valor ao trabalho de projetistas e gerentes, mas depende da 
interação entre tecnologias, pessoas, processos e procedimentos e deve 
ser embasada em indicadores sólidos.
Para Kensek (2018), a modelagem de informações da construção é 
um termo amplo, que permite ao modelo 3D o gerenciamento de 
parâmetros, como detecção de conflitos e estimativas de custos. A 
autora incentiva a transformação das metodologias antigas, mas 
reconhece as limitações, os desafios e os potenciais do BIM como uma 
tecnologia progressiva e incremental de produção de projetos, com 
perspectivas de impactar o desempenho das edificações futuras.
No início da era BIM, pensava-se que um único aplicativo poderia 
atender às necessidades nos níveis de ferramenta, de plataforma e de 
ambiente. Contudo, esse idealismo foi desaparecendo aos poucos, à 
70
medida que se passou a entender a escala de um projeto BIM e dos 
sistemas necessários para suportá-lo (SACKS et al., 2021).
Diante destes aspectos, percebe-se que o debate e o estudo sobre o 
BIM são amplos e dinâmicos, longe de serem dominados de forma 
abrangente.
Referências
AMORIM, S. R. L. de. Gerenciamento e coordenação de projetos BIM: um guia de 
ferramentas e boas práticas para o sucesso de empreendimentos. Rio de Janeiro, RJ: 
LTC, 2020.
CARDOSO, M. C. Autodesk Civil 3D 2020: aplicações BIM para projetos de 
infraestrutura. São Paulo, SP: Érica, 2020.
EASTMAN, C. et al. Manual de BIM: um guia de modelagem da informação da 
construção para arquitetos, engenheiros, gerentes,construtores e incorporadores. 
Porto Alegre, RS: Bookman, 2014.
KENSEK, K. Building Information Modeling: fundamentos e aplicações. Trad. 
Edson Furmankiewicz. Rio de Janeiro, RJ: Elsevier, 2018.
SACKS, R. et al. Manual de BIM: um guia de modelagem da informação da 
construção para arquitetos, engenheiros, gerentes, construtores e incorporadores. 
3. ed. Porto Alegre, RS: Bookman, 2021.
71
BONS ESTUDOS!
	Sumário
	Evolução das técnicas construtivas
	Objetivos
	1. A evolução das tecnologias construtivas
	Referências 
	Industrialização da construção
	Objetivos
	1. A edificação e seus subsistemas 
	2. Concreto armado + alvenaria convencional 
	3. Alvenaria estrutural 
	4. Paredes em concreto pré-moldado 
	5. Estruturas metálicas 
	6. Wood frame 
	7. Light Steel Framing e Drywall 
	8. Outros sistemas 
	9. O presente e o futuro 
	Referências 
	Construção enxuta
	Objetivos
	 1. Introdução 
	2. Definição produção enxuta 
	3. Conceitos e princípios da produção enxuta 
	 4. Melhoria Contínua-Kaizen 
	5. Engajamento das pessoas 
	6. Eliminar desperdícios 
	7. Padronização 
	8. Desafios de implantação da construção enxuta 
	9. Conclusão 
	Referências 
	Utilização do BIM para a gestão de obras
	Objetivos
	1. Introdução 
	2. Conceitos e fundamentos 
	3. Colaboração e interoperabilidade 
	4. As funções do BIM 
	5. Implantação de processos em BIM 
	6. Tecnologias de interface e aplicativos 
	7. Conclusão 
	Referências

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