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Disciplina: USINAGEM CONDIÇÕES ECONÔMICAS Professor: Kléber Mendes de Figueiredo 1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS Escola de Engenharia Elétrica, Mecânica e de Computação Curso de Engenharia Mecânica 2 Advertência •Os conteúdos apresentados nos slides da disciplina são obtidos na literatura tradicional de Usinagem. •As referências são listadas no Programa da Disciplina como fonte dos diversos conteúdos. •Aos que necessitarem de conteúdos para estudos posteriores ao Curso ou à Graduação, recomendo fortemente que se utilizem diretamente dos textos apresentados nas referências bibliográficas. •O conteúdo deste conjunto de slides está baseado no livro texto: Teoria da Usinagem dos Materiais (Machado, A.R.; Abrão, A.M.; Coelho, R.T.; Silva, M.B.) – 3ª Edição – 2015 (2018). E na apostila elaborada por Machado, A.R. e Silva, M.B. Professor: Kléber Mendes de Figueiredo UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS Escola de Engenharia Elétrica, Mecânica e de Computação Curso de Engenharia Mecânica CONDIÇÕES ECONÔMICAS A ideia de que quanto maior a velocidade de usinagem menor o custo de produção nem sempre é verdadeira. Velocidades de corte de máxima produção e de mínimo custo constituem um tema muito importante da usinagem, pois está diretamente ligado à produtividade e às condições que nela interferem produção horária e custos de produção. 3 CONDIÇÕES ECONÔMICAS A velocidade de corte tem uma grande influência sobre a vida da ferramenta de usinagem comparando-se com o avanço e profundidade de usinagem, de forma que ela influencia significativamente a economia do processo como um todo. Por exemplo, para uma mesma combinação de ferramenta e material sendo usinado, um aumento de 50% na velocidade de corte resulta em 90% de diminuição da vida da ferramenta. 4 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Um aumento de 50% no avanço resulta em 60% de diminuição no tempo de vida. Na mesma situação aplicando-se à profundidade de usinagem a diminuição é de apenas 15%. Isso indica que para a otimização de um processo de usinagem, de maneira geral, deve-se aumentar a profundidade de usinagem, em seguida o avanço e por último a velocidade de corte, observando-se a limitação de potência da máquina e a resistência mecânica da peça e ferramentas, naturalmente. 5 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Na medida em que se aumenta a velocidade de corte o tempo de usinagem diminui, mas o desgaste da aresta se acelera significativamente, e esta deve ser reposta mais frequentemente. Isso leva a uma situação em que, para se fabricar um lote de peças em uma produção seriada, o somatório dos tempos de troca de aresta será alto. Pode-se ter uma situação, por exemplo, onde o tempo de cada troca de aresta equivale ao tempo de corte de várias peças. 6 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Portanto, altas velocidades de corte induzem a frequentes trocas de aresta contribuindo para alto tempo de fabricação do lote. Por outro lado, se a velocidade de corte utilizada for baixa o desgaste será pequeno e não haverá troca de aresta muito frequentemente. No entanto o tempo de fabricação do lote também tende a ser alto, uma vez que o tempo de corte é alto. 7 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Desta forma, tudo leva a crer que há uma velocidade de corte “ideal” na qual o tempo de fabricação do lote e, por conseguinte de cada peça seja mínimo, já que função tc = f(v) (tempo de corte como função da velocidade de corte) parece aumentar quando v aumenta ou diminui. Os primeiros estudos econômicos sobre a usinagem foram realizados por Taylor nos EUA e por Schlesinger na Alemanha no início do século XX (Ferraresi, D., 1977). 8 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Desde esse tempo o desenvolvimento tecnológico tem sido intenso e alguns conceitos mudaram bastante. No início usavam-se definições de velocidade de corte de máxima produção como sendo aquela em que se produzia o máximo volume de cavacos num determinado tempo total de corte. Mais tarde esse conceito foi mais bem definido como sendo aquele onde o tempo de produção de uma peça, em um lote, é mínimo. 9 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Produção horária Tomando-se uma peça qualquer como exemplo a produção horária corresponde ao número de peças idênticas fabricadas em uma hora de trabalho. Para se obter o valor da produção horária, a primeira tarefa consiste em calcular o tempo gasto na fabricação de uma peça. 10 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Dividindo-se os minutos efetivamente trabalhados pelo operador durante uma hora pelos minutos gastos na confecção de um produto, obtém-se a produção horária. Por exemplo para furar uma placa foram gastos 2 minutos descontando-se do intervalo de uma hora 10 minutos não trabalhados têm-se 50 minutos de trabalho efetivo 50/2 = 25 peças por hora. 11 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Minutos não trabalhados são determinados por inúmeros fatores: • falta de energia elétrica; • quebra ou manutenção das máquinas; • programação inadequada do trabalho (falta de material, falta do desenho da peça etc.); • ausência dos operadores (faltas, acidentes pessoais etc.); 12 CONDIÇÕES ECONÔMICAS • afastamento dos operadores do posto de trabalho por motivos alheios à operação executada; • greves na empresa ou em outras empresas responsáveis por: fornecimento de matéria prima, manutenção das máquinas e equipamentos ou transporte dos trabalhadores etc.; • calamidades públicas como inundações e incêndios. 13 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Minutos não trabalhados também considerado tempo não produtivo reduzem a produção horária. Correspondem ao tempo não disponível para a produção. No estudo da produção horária, dois fatores são de grande importância a produtividade e a durabilidade das ferramentas. 14 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Produtividade É o conjunto de fatores relacionados à produção que é realizada no intervalo de uma hora. A produtividade indica o percentual de tempo destinado à produção efetiva. Nas indústrias brasileiras uma boa taxa de produtividade está situada em torno de 90%. 15 CONDIÇÕES ECONÔMICAS A produtividade é obtida por meio da fórmula: A produção horária está intimamente ligada ao tempo gasto na fabricação do produto quanto menor o tempo de fabricação maior a produção obtida. Século XIX primeiros estudos e pesquisas sobre produção industrial. 16 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Taylor e Fayol autores dos primeiros “trabalhos” sobre o tema consideravam que a produtividade deveria resultar do esforço coletivo e constante em busca de melhores condições econômicas e sociais e do desejo de aperfeiçoamento “fazer hoje melhor que ontem”. Consideravam que o aumento da produção dependia da modernização dos equipamentos e da organização do trabalho 17 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Modernização visava diminuir o tempo de fabricação da peça. Organização buscava a racionalização dos métodos de trabalho, a simplificação e a agilização dos procedimentos envolvidos nas tarefas. 18 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Durabilidade das ferramentas O tempo de vida das ferramentas é um dos temas mais importantes da usinagem. Interfere diretamente na produção horária. É influenciada, entre outros fatores, pelas paradas destinadas à troca de ferramentas. Durabilidade é o tempo que a ferramenta leva para atingir o desgaste máximo. 19 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Desgaste é o dano sofrido pela ferramenta devido ao atrito provocado pelo cavaco e a peça-obra contra a ferramenta. As ferramentas podem apresentar dois tipos de desgaste lateral e crateração. A durabilidade da ferramenta é influenciada pela velocidade de corte emprego de velocidades menores aumenta o tempo de vida da ferramenta.20 CONDIÇÕES ECONÔMICAS O desgaste das ferramentas também está relacionado às forças de usinagem forças de corte, de avanço e de penetração. Aumento do desgaste na ferramenta solicita o emprego de maiores forças de usinagem. O desgaste também é acelerado quando o material da ferramenta de corte é mais mole que o material da peça. O desgaste pode ocorrer tanto na superfície principal de folga quanto na superfície de saída. 21 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Considera-se uma ferramenta imprópria para a usinagem quando: • a crateração é elevada, podendo quebrar a pastilha de metal duro e impedir a utilização das demais arestas; • os desgastes geram forças e temperaturas excessivas; • o desgaste lateral não mantém as tolerâncias permitidas; • o acabamento superficial apresenta rugosidade acima da esperada. 22 CONDIÇÕES ECONÔMICAS A medição do desgaste interfere na produção é preciso interrompê-la para realizar a medição. É muito comum estabelecer um critério que indique quando a ferramenta atingiu o limite de desgaste e deve ser substituída. 23 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Avaria das ferramentas Avarias são danos provocados por condições imprevistas: • quebras ou lascamentos; • trincas perpendiculares ao fio de corte; • deformações da aresta de corte; • oxidação do material da ferramenta provocada por altas temperaturas. 24 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Algumas situações ocorridas na usinagem p. ex. os cortes interrompidos provocam a quebra ou lascamento das ferramentas. Cortes interrompidos provocam impactos sucessivos da peça sobre a ferramenta, lascando o fio de corte e acarretando a fadiga da ferramenta fresamento e aplainamento são casos típicos de corte interrompido. 25 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Podem provocar a quebra da ferramenta: • emprego de material frágil ou quebradiço em sua confecção; • a parada instantânea do movimento de corte sem tempo suficiente para a retirada da ferramenta em geral por falhas de energia elétrica. 26 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Ferramentas de metal duro quando submetidas a variações bruscas de temperatura podem sofrer trincas perpendiculares ao fio de corte. O resfriamento e aquecimento da pastilha geram trincas por fadiga térmica. A aresta de corte pode sofrer deformações, tais como: • formação da aresta postiça de corte; • esmagamento do fio de corte. 27 CONDIÇÕES ECONÔMICAS As deformações plásticas ou permanentes em geral ocorrem quando a aresta de corte é submetida a: • altas temperaturas; • tensões mecânicas; • materiais inadequados materiais moles demais utilizados na confecção das ferramentas. 28 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Tempos de fabricação O tempo de fabricação (Tt) interfere na produção horária. O tempo de fabricação corresponde à soma dos seguintes tempos: Tt = Ts + Tq +Ta + Tp + Tc + T2 onde: 29 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Ts = tempo de soltar e fixar a peça; Tq = tempo de controlar ou medir a peça durante a usinagem; Ta = tempo de aproximar e afastar a ferramenta para realizar as diversas operações e os vários passes; 30 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Tp = tempo de preparar a máquina: • 1 – separar as ferramentas e montá-las na máquina; • 2 – separar o instrumento para medição; • 3 – ajustar os parâmetros de corte avanço, velocidade de corte e profundidade; • 4 – limpar e lubrificar a máquina; • 5 – ler instruções como: ficha de fabricação, desenhos e outras informações; 31 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Tc = tempo de corte de remoção do sobremetal até a peça ficar pronta; T2 = tempo de troca e de afiação da ferramenta por peça. Os tempos independentes de produção correspondem aos tempos de produção não influenciados pelos parâmetros de corte e são calculados em relação a cada peça fabricada. 32 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Os tempos independentes da produção resultam da soma dos seguintes tempos: T1 = Ts + Ta + (Tp/z) + Tq onde: z = lote de peças quantidade de peças a serem usinadas. Da soma desses tempos conclui-se que a diminuição de qualquer parcela resultará na diminuição do tempo de fabricação e, consequentemente, no aumento da produção horária. 33 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Velocidade de corte de máxima produção É aquela que gera o maior número de peças em um tempo mínimo de fabricação. A velocidade de corte de máxima produção corresponde ao tempo mínimo destinado à fabricação de uma peça. Para se obter a velocidade de corte de máxima produção é preciso minimizar os tempos parciais que compõem o tempo total de fabricação que é obtido pela expressão: 34 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Tt = T1 + Tc + T2 Os parâmetros de corte, como o avanço e a velocidade de corte, interferem diretamente nos valores do tempo de corte (Tc), do tempo de troca (T2) e no tempo de afiação da ferramenta (T2). Aumentando os valores do avanço e a velocidade de corte deverá ocorrer a diminuição do Tc e o aumento do T2, pois o desgaste da ferramenta é mais rápido, exigindo a sua substituição com maior frequência. 35 CONDIÇÕES ECONÔMICAS O tempo total de fabricação aumenta com o emprego de velocidades de corte menores, e maiores que a velocidade máxima de produção. O desgaste da ferramenta é maior quando são empregadas velocidades de corte maiores e, em consequência, as trocas de ferramentas e o tempo de fabricação aumentam. 36 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Cálculo da velocidade de máxima produção (vmxp) Um ciclo básico e genérico de usinagem de uma peça, pertencente a um lote de Z peças, sendo executado em uma máquina CNC, pode ser constituído pelas seguintes fases: a) Preparo da máquina-ferramenta para a execução de Z peças; b) Colocação e fixação da peça para usinagem na máquina-ferramenta (carga); 37 CONDIÇÕES ECONÔMICAS c) Aproximação ou posicionamento da ferramenta para o início do corte; d) Corte da peça; e) Afastamento da ferramenta; f) Soltura e retirada da peça usinada (descarga); A redução de tempo correspondente à fase a) pode ser conseguida por meio de um adequado planejamento de processos, ou pelo emprego de dispositivos, etc. 38 CONDIÇÕES ECONÔMICAS As fases b) e e) podem ser otimizadas por um adequado programa CNC. Mesmo as fases b) e f) também podem ser otimizadas por dispositivos especiais de fixação, sistemas autômatos de carga/descarga, etc. A fase d), no entanto, deverá ser otimizada pelo presente estudo. 39 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Para tornar o estudo analítico usam-se os seguintes símbolos para designar cada uma das parcelas de tempo durante o ciclo completo de usinagem: tt = Tempo de usinagem de uma peça (fases de a a f); tp = Tempo de preparo da máquina (fase a); ts = Tempo de carga e de descarga da máquina (fases b e f); ta = Tempo de aproximação e de afastamento da ferramenta (fases c e e); tc = Tempo de corte (fase d); 40 CONDIÇÕES ECONÔMICAS ttf = Tempo de troca de ferramenta; T = Tempo de vida de uma aresta; nt = Número de trocas de aresta na produção do lote de Z peças; ZT = Número de peças usinadas com uma aresta de corte no tempo T; Z = Número total de peças no lote; O tempo de usinagem de uma peça no lote pode ser calculado da seguinte maneira: 41 CONDIÇÕES ECONÔMICAS (10.1) Na expressão acima somente a quarta e a quinta parcelas têm relação com a velocidade de corte. O número de trocas de aresta, nt, está relacionado ao tempo de corte, tc, e este depende diretamente da velocidade de corte. O tempo de corte depende particularmente da operação de usinagem sendo executada. 42 CONDIÇÕES ECONÔMICAS As trocas de aresta deverão acontecer, no máximo, depois de decorrido o tempo devida T. O número de peças usinadas, Zt, deve ser o número inteiro resultante da divisão do tempo de vida pelo tempo de corte: (10.2) Admitindo-se que ao final do lote haverá uma troca, pode-se escrever que: 43 CONDIÇÕES ECONÔMICAS (10.3) Substituindo-se a equação (10.2) em (10.3) e re- arranjando, tem-se: (10.4) Substituindo-se agora (10.4) em (10.1) e re-arranjando, tem-se; (10.5) 44 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Para este exemplo o tempo de usinagem será calculado para uma operação de torneamento cilíndrico externo representado na Figura 10.1. 45 Figura 10.1 – Esquema de uma operação de torneamento cilíndrico externo, usado para calcular o tempo de corte. CONDIÇÕES ECONÔMICAS Para este exemplo o tempo de corte pode ser escrito como: (10.6) A velocidade de avanço, por sua vez, pode ser escrita como: (10.7) onde n pode ser escrito como: (10.8) 46 CONDIÇÕES ECONÔMICAS substituindo a Equação (10.8) em (10.7) e então em (10.6) tem-se o tempo de corte escrito como função da velocidade de corte: (10.9) Substituindo-se então a Equação (10.9) em (10.5): (10.10) Tem-se ainda que o tempo de vida da aresta, T, é também função da velocidade de corte, segundo a equação de Taylor para vida de ferramentas: 47 CONDIÇÕES ECONÔMICAS (10.11) a qual substituída em (10.10) resulta, após re-arranjo: (10.12) A equação (10.12) pode ser dividida em três parcelas distintas de tempo: (10.13) 48 CONDIÇÕES ECONÔMICAS (10.14) (10.15) Na Figura 10.2 representa-se, qualitativamente o comportamento de cada uma das parcelas de tempo designadas acima por t1, t2 e t3. 49 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Figura 10.2 – Representação qualitativa das parcelas de tempo segunda a Equação (10.12). 50 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Observa-se que a primeira parcela, t1, terá sempre uma forma constante independente da velocidade de corte. A segunda parcela, t2, por sua vez, tem um comportamento inverso com relação à velocidade de corte, ou seja, diminui com o aumento da velocidade de corte. Já a terceira parcela, t3, aumenta exponencialmente com a velocidade de corte. 51 CONDIÇÕES ECONÔMICAS O comportamento da soma dessas três parcelas conterá um ponto de mínimo à medida que se aumenta a velocidade de corte, como já era de se esperar. Analisando-se a Equação (10.12) pode-se perceber que o tempo total de usinagem de uma peça é função de v e f. Pode-se perguntar se não haveria um mínimo desta função com relação a essas duas variáveis, ou apenas com relação ao avanço. 52 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Pode-se demonstrar que este mínimo não existe, do ponto de vista matemático e isto está demonstrado em Ferraresi, D., 1979. O efeito do aumento avanço, f, no tempo de corte, tc, é uma diminuição de tempo contínuo. Praticamente, o aumento do avanço causa uma diminuição do tempo de corte, porém também acarreta um aumento da força de corte, a qual pode atingir o limite de resistência da aresta de corte, ou da própria peça. 53 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Um valor de avanço muito alto pode também causar flexões na peça prejudicando suas dimensões finais usinadas. Por outro lado, o avanço é diretamente proporcional à rugosidade superficial, a qual pode atingir os limites aceitáveis para a especificação da peça. Sendo assim, o avanço não é uma variável de usinagem que possa ser usada para minimizar o tempo de corte, mas deve ser fixada em um máximo valor aceitável, levando-se em conta as limitações de resistência da peça, qualidade superficial e dimensional. 54 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Para encontrar, o ponto de mínimo da Equação (10.12), com relação a v, usa-se então a derivada: (10.16) resultando em: (10.17) onde vmxp é a velocidade de máxima produção, ou seja, aquela onde a fabricação do lote de Z peças será em um tempo mínimo. 55 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Re-escrevendo-se a Equação (10.17) da seguinte forma, pode-se avaliar o tempo de vida da ferramenta neste tempo: (10.18) (10.19) 56 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Cálculo da velocidade econômica de corte (v0) Para os cálculos da velocidade econômica de corte, necessita-se determinar primeiramente o custo da operação de usinagem. Custo, em uma empresa, é um assunto de extrema delicadeza, pois envolve aspectos econômicos, lucratividade, etc., geralmente tratados com bastante cautela e mantidos em segredo, tanto quanto possível. 57 CONDIÇÕES ECONÔMICAS A sua determinação precisa é muito complexa, tanto que há extensos estudos a respeito, com contínuos melhoramentos para sua determinação. Uma metodologia para determinação de custo de uma operação de usinagem apenas, a qual pode-se aplicar a situações reais, certamente mais complexas. Com essa metodologia chega-se a uma equação de custos, que pode ser tão completa quanto se deseja, dependendo das parcelas incluídas. 58 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Essa equação conterá parcelas relacionadas às variáveis de usinagem e somente estas serão analisadas, assumindo-se as demais constantes. Com esse objetivo em mente, definem-se algumas parcelas de custo como sendo: Cp = Custo de usinagem de uma peça de um lote de Z peças; Cm = Custo de matéria-prima para uma peça (ou da peça antes da operação); Cc = Custo do corte em usinagem; 59 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Cmq = Custo de operação da máquina (Juros, depreciação, manutenção, espaço ocupado, energia consumida, etc.); Cf = Custo da ferramenta de corte; Ctf = Custo de uma troca de ferramenta; Desta forma definidas as parcelas, pode-se calcular o custo da operação como sendo: (10.20) 60 CONDIÇÕES ECONÔMICAS A parcela de custos Cm é constante em relação às condições de usinagem. A parcela Cc pode ser calculada como: (10.21) onde Sh é o custo do operador da máquina, incluindo-se todos os encargos em R$ por hora. A parcela Cmq pode ser calculada como: 61 CONDIÇÕES ECONÔMICAS (10.22) onde Smq é o custo de operação da máquina em R$ por hora. A parcela de custo da ferramenta, Cf, envolve o custo da aresta de corte, do porta-ferramentas e também do tempo de troca de aresta. O custo de uma troca de ferramenta pode ser expresso da seguinte forma: 62 CONDIÇÕES ECONÔMICAS (10.23) onde: Cpf = Custo do porta-ferramentas (R$); npf = Número máximo de vezes que o porta-ferramentas suporta a troca de aresta; Cis = Custo do inserto (R$); na = Número de arestas úteis no inserto; Substituindo-se as Equações (10.21), (10.22) e (10.23) em (10.20), obtém-se: 63 CONDIÇÕES ECONÔMICAS (10.24) Usando-se a Equação (10.2) pode-se escrever que: (10.25) Usando-se a Equação (10.5) pode-se substituir o tt em (10.25). Para simplificar o raciocínio, abrevia-se a Equação (10.25) agrupando-se as parcelas de tempo que independem das condições de usinagem em uma única parcela, tf: 64 CONDIÇÕES ECONÔMICAS (10.26) onde: (10.27) Substituindo-se: (10.28) Para simplificar ainda cria-se mais três constantes C1, C2 e C3 como sendo: 65 CONDIÇÕES ECONÔMICAS (10.29) (10.30) (10.31) Sendo assim a Equação (10.28) é: (10.32) 66 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Para o caso do torneamento cilíndrico externo, acima já utilizado como exemplo, pode-se calcular o tempo de corte por meio da Equação (10.19) a qual será substituída em (10.32), resultando em: (10.33) Usando-se novamente aequação de Taylor e substituindo-se: (10.34) 67 CONDIÇÕES ECONÔMICAS De forma semelhante à análise realizada para a Equação (10.12) divide-se a Equação (10.33) em três parcelas distintas: (10.35) (10.36) (10.37) Na Figura 10.3 representa-se, qualitativamente o comportamento de cada uma das parcelas de custo designadas acima por Cp1, Cp2 e Cp3. 68 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Figura 10.2 – Representação qualitativa das parcelas de custo segundo a Equação (10.34). 69 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Observa-se que a primeira parcela, Cp1, terá sempre uma forma constante independente da velocidade de corte. A segunda parcela, Cp2, por sua vez, tem um comportamento inverso com relação à velocidade de corte, ou seja, diminui com o aumento da velocidade de corte. Já a terceira parcela, Cp3, aumenta exponencialmente com a velocidade de corte. 70 CONDIÇÕES ECONÔMICAS O comportamento da soma dessas três parcelas conterá um ponto de mínimo à medida que se aumenta a velocidade de corte, como já era de se esperar. Se a velocidade de corte usada for muito alta os custos de troca de ferramenta serão dominantes contribuindo para aumentar o custo total. Se, ao contrário, utiliza-se uma velocidade de corte muito baixa os custos de operação serão altos contribuindo também para o aumento de custo total. 71 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Para encontrar-se o mínimo custo, usa-se a mesma técnica já descrita para encontrar-se a velocidade de máxima produção. Faz-se a análise de custos em função do avanço, como na discussão acima para a velocidade de máxima produção. Uma abordagem mais detalhada pode se encontrada em Ferraresi, D., 1979. Buscando-se o mínimo custo, tem-se: 72 CONDIÇÕES ECONÔMICAS (10.38) Resolvendo-se: (10.39) onde v0 é a velocidade de mínimo custo. 73 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Intervalo de máxima eficiência (Imef) Na Figura 10.3 representam-se as curvas de custo de usinagem de uma peça e do tempo de usinagem, ambas em função da velocidade de corte. 74 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Figura 10.3 – Representação esquemática do intervalo de máxima eficiência. 75 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Define-se o intervalo de máxima eficiência como sendo compreendido entre a velocidade de mínimo custo e a de máxima produção. É primordial para a eficiência de usinagem de uma fábrica que esteja dentro deste intervalo. Para velocidades menores que v0 tem-se um aumento de custos devido a uma significativa parcela referente à longos tempos de corte fazendo pesar os custos de operação das máquinas e dos operadores, além de uma queda de produção. 76 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Ao contrário, trabalhando-se acima da velocidade vmxp, tem-se o peso de custos de ferramentas, e de operadores e máquinas devido à alta frequência de paradas referentes a trocas de ferramentas, com adicional redução da produção. Dentro do intervalo de máxima eficiência, aumentando-se a velocidade desde v0 até vmxp, haverá um aumento de custos, porém um correspondente aumento de produção. 77 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Este recurso pode ser utilizado sempre que a produção deva ser maior, em número de peças, porém sem ultrapassar o limite de vmxp a partir do qual a produção volta a cair, neste caso com a agravante de aumento de custos. O raciocino acima deve ser empregado com cautela e as variáveis fundamentais para a análise são as constantes da equação de Taylor. Estas podem ser obtidas por métodos experimentais para cada par ferramenta-peça e para condições de corte constantes. 78 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Estimativas podem ser feitas através de tabelas, porém sua utilização deve ser com bastante cautela, já que são muito dependentes das condições de usinagem. Preferencialmente, os valores de velocidades de mínimo custo de máxima produção devem estar dentro dos valores usados em ensaios experimentais para obtenção das constantes da equação de Taylor. Extrapolações podem ser arriscadas uma vez que a relação entre tempo de vida e velocidade de corte é exponencial, com expoente x, geralmente entre 2 e 4 e valores de K da ordem 1x108 e 1x1010, para a maioria dos ensaios realizados. 79 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Custo do produto O custo de um produto é determinado pela soma dos gastos realizados durante a sua fabricação. Em geral, os gastos são agrupados em: • custo da matéria prima; • custo da mão-de-obra; • custo dos meios de fabricação; • custos gerais ou indiretos. 80 CONDIÇÕES ECONÔMICAS O custo da matéria prima (MP) depende de fatores externos à empresa p. ex.: a sua disponibilidade no mercado quando a oferta é grande o preço tende a abaixar já a procura em grande quantidade nem sempre diminui o preço. O custo da mão de obra (MO) é o resultado do produto do salário/hora acrescido dos encargos sociais pelo número de horas gastas na fabricação do produto. O custo dos meios de fabricação disponíveis é o custo das máquinas e ferramentas utilizadas. 81 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Os custos das máquinas referem-se ao capital à disposição da produção ao valor da máquina, à sua manutenção e depreciação, à energia consumida e às instalações ocupadas. Os custos gerais ou indiretos são determinados pelos gastos desembolsados com a administração e funcionamento da empresa que não foram incluídos nos custos anteriores. 82 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Exemplos mais comuns de custos gerais: • salários de funcionários não ligados diretamente à produção (mensalistas, chefias, pessoal da administração e outros); • material para escritório, limpeza e embalagem; • veículos para transporte de mercadorias. 83 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Planejamento do Processo O planejamento do processo é a ligação entre a engenharia do produto e a manufatura. Diz respeito à seleção dos processos e ferramentas adequados para transformar a matéria-prima no produto final de acordo com as especificações do projeto. 84 CONDIÇÕES ECONÔMICAS O Planejamento do Processo pode ser definido como um procedimento de determinação dos métodos e da sequencia de fabricação para produzir um componente com as especificações de projeto. Tanto o planejamento do processo feito manualmente como o feito automaticamente pode ser dividido nas seguintes fases: • seleção das peças em bruto; • seleção dos processos, ferramentas e dispositivos;. 85 CONDIÇÕES ECONÔMICAS • seleção das máquinas-ferramenta; • seleção das condições de processo; • sequenciamento das operações; • seleção dos instrumentos de inspeção; • determinação das dimensões intermediárias e das tolerâncias de produção; • determinação dos tempos ativos e passivos; • edição das folhas de processo contendo as informações acima. 86 CONDIÇÕES ECONÔMICAS P. ex.: as informações iniciais para planejar a fabricação de uma determinada peça são: • projeções e vistas em corte dando uma ideia completa do projeto e da forma da peça; • dimensões e respectivas tolerâncias dimensionais e geométricas; • indicação da rugosidade superficial das superfícies; • tipo e especificações do material; 87 CONDIÇÕES ECONÔMICAS • peso da peça e tolerância de peso, se necessário; • quantidade de peças a serem produzidas; • outras especificações - tratamento térmico, dureza, camada de proteção, balanceamento, entre outros. 88 CONDIÇÕES ECONÔMICAS Acrescentando-se a estas informações os dados necessários das máquinas-ferramenta disponíveis, tais como, ferramentas, dispositivos, condições de trabalho, precisão, pode-se definir através de um processo lógico a sucessão de passos que transformem o material bruto em produto acabado.Numa avaliação geral do planejamento do processo pode-se dizer que o planejamento deve ser feito para todos os processos incluindo os processos de conformação, fundição, montagem, usinagem, etc. 89