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Conteudista: Profª Adriana Diniz 
Revisão Textual: Adrielly Rodrigues | Aline Gonçalves 
Material Teórico
Referências
Contatologia: Lentes Gelatinosas – Unidade 1
Histórico, Materiais, Desenhos e Parâmetros das
Lentes de Contato
Histórico
Dentro da história das lentes de contato, podemos dizer que muitos pensadores contribuíram
para seu aperfeiçoamento e a literatura diverge um pouco sobre quem realmente foi seu
precursor. 
1 / 2
Material Teórico
 Objetivo da Unidade:
Conhecer o histórico das lentes de contato, e também os
materiais, desenhos, tipos e parâmetros.
Figura 1
Fonte: Reprodução
Em primeiro lugar, deve ser lembrado o grande e genial Leonardo da Vinci, que, por volta de
1500, realizou experimentos com o objetivo de pesquisar a formação das imagens oculares.
Ele era um homem à frente de seu tempo e contribuiu com o estudo sobre anatomia, �loso�a,
poesia, escultura, engenharia e arquitetura. Um autodidata que muito contribuiu para Óptica
com seus desenhos esquemáticos para modi�car a visão. Entre seus cadernos de anotação,
deixou um legado para o ramo da Física e da Óptica, em que seus desenhos mostravam
espelhos côncavos que concentrariam raios de luz a partir de diversos ângulos, ajudando
nosso entendimento sobre fundamentos básicos da Óptica.
Em 1636, René Descartes construiu uma lente muito rudimentar e distinta das atuais, porém
já reconhecendo a sua função óptica e com ela modi�cando a potência dióptrica da córnea.
Consistia em um tubo de vidro cheio de água, que tinha a superfície de uma das extremidades
com a curvatura semelhante à da córnea e a outra extremidade (oca) era colocada diretamente
sobre o olho. E em função de esse dispositivo ser colocado diretamente sobre o olho, muitos
consideram Descartes como o descobridor da lente de contato.
O inglês Thomas Young (1801) estudou o processo de acomodação com uma pesquisa que
envolvia um tubo de 25 mm de comprimento com uma extremidade fechada por uma lente
biconvexa. O tubo era preenchido de água e colocado em contato com o olho, o que
neutralizava o efeito refrativo da córnea e descrevia os princípios atuais das lentes de contato.
Com esta experiência, ele provou que a córnea não fazia parte do processo acomodativo.  
Em 1888, Adolf Fick (em Zurique), Eugene Kalt (em Paris) e August Muller (na Alemanha)
trabalharam de forma independente e simultaneamente para desenvolver as lentes de
contato. 
Apesar de tudo, de 1888 a 1948, as lentes de contato mais empregadas foram as esclerais,
fabricadas de vidro soprado, depois desbastadas e polidas. Os nomes que mais se destacaram
foram Muller e Zeiss, ambos da Alemanha.
Com o advento do plástico, no �nal da década de 1930, novos horizontes se abriram à
Contatologia.
Em 1936, iniciou-se o uso do metil metacrilato como material apropriado para fabricação de
próteses oculares e lentes de contato. Foi comprovado que esse material não afetava os
tecidos oculares, além de ser leve, transparente, fácil de ser trabalhado e não se quebrava com
facilidade. Desse monômero adveio o PMMA (polimetil metacrilato), que é usado até os dias
atuais, porém com a combinação de outros monômeros, de forma a aumentar a
permeabilidade aos gases.
Em 1963, Otto Wichterle, diretor do Instituto de Química Macromolecular de Praga
(Checoslováquia), apresentou as primeiras lentes de hidrogel, do polímero 2
hidroxietilmetacrilato, conhecido como HEMA. Ele conseguiu produzir as quatro primeiras
lentes de contato de hidrogel em um aparelho caseiro construído com um kit infantil de
construção, um dínamo de bicicleta pertencente a um de seus �lhos e um
transformador. Todos os moldes e tubos de vidro necessários para dosar com monômero
também foram feitos individualmente, e assim ele conseguiu fabricar por centrifugação as
primeiras lentes hidrofílicas. Posteriormente, a Bausch comprou os direitos da patente e
iniciou a comercialização nos EUA.
Em 1978, iniciou-se o uso de materiais ópticos permeáveis ao gás para a fabricação de lentes
rígidas. As primeiras lentes lançadas foram as de acetato butirato de celulose (CAB) e as lentes
rígidas siliconadas (copolímero de metil metacrilato e siloxane).
Em 1979, nos Estados Unidos da América, o F.D.A. (Agência para Controle de Drogas e
Alimentos) aprova as primeiras lentes hidrofílicas para uso prolongado, e em 1982, aprova as
LCH bifocais.
Em 1985, surgiram as lentes rígidas gás-permeáveis de alto valor DK com indicação para uso
prolongado, e em 1987, a Contatologia teve um grande avanço com a introdução no mercado
das LCH descartáveis. Em 1998, surgiu a nova geração de materiais para LCH descartáveis,
combinando �uorossiloxano com hidrogel, as lentes de silicone-hidrogel. Naquele mesmo
ano, também foram lançadas as LCH multifocais descartáveis.
A cada dia surgem novas composições poliméricas que aumentam a permeabilidade das lentes
ao oxigênio para diminuir as alterações corneais advindas do uso, melhorar o desempenho
visual e ampliar o espectro de adaptação em larga escala mundialmente. 
Materiais e desenhos
As lentes moles hidrofílicas são formadas por polímeros que, quando absorvem água, se
tornam: gelatinosas, maleáveis e elásticas. Possuem ângulo de umectação de,
aproximadamente, 20 graus. Quanto maior o ângulo de umectação, mais facilmente a lágrima
se espalha pela lente de contato. Os tipos de materiais de lentes hidrofílicas se classi�cam por
seus materiais, hidratação, ionicidade, espessura, coloração e durabilidade.
Materiais
Hema: lente hidrofílica muito transparente e que apresenta índice de refração de 1,43. Pode ser
feita para uso diário ou prolongado em função de sua hidratação, e tem, em média, de um ano
a um ano e meio de vida útil, dependendo dos cuidados e do tipo de lágrima do usuário.
Não Hema: a polimerização do monômero Hema resulta no PHEMA (2-hidroxietil-
metacrilato), outro tipo de hidrogel. Assim como as de HEMA, podem ser usadas por tempo
maior, dependendo da alta hidratação, e com mesmo período de vida útil. 
Polidroxietilmetacrilato (Phema): formado de monômeros de hidroxietil metacrilato, é um
material hidrofílico com conteúdo líquido aproximado de 38%. Normalmente, são lentes mais
grossas e indicadas para uso diário. 
Hema + vinilpirrolidona: combinação utilizada na fabricação de lentes de alto conteúdo
aquoso, podendo variar de 37,5% a 79%. Essas lentes hidrofílicas têm grande a�nidade com
formação de depósitos. Lentes com conteúdo aquoso menor que 50% são consideradas de
baixa hidratação, e aquelas com mais de 50%, de alta hidratação. Podem ser iônicas e não
iônicas, sendo que as não iônicas têm maior tempo de duração, pois são menos reagentes aos
depósitos da lágrima. 
Silicone-hidrogel: as lentes com esse material misturam silicone com polímeros hidrofílicos
e são mais resistentes à formação de depósitos. O silicone é responsável pela alta
permeabilidade ao oxigênio, e a parte aquosa, pela promoção do movimento e conforto. 
Fabricação
Torneadas: são produzidas de um botão de plástico em estado sólido que, após passar pelo
torno, dá origem às lentes na espessura, curvatura e nos diâmetros desejados.
Posteriormente, recebem hidratação.  
Centrifugadas: são feitas de plástico em estado líquido, que é injetado em moldes e
centrifugado em grande velocidade. Com a variação da quantidade de plástico e molde, é
possível se obter os mais diversos parâmetros. 
Moldadas: o material é colocado em um molde e prensado. Há também um processo misto
com a superfície anterior da lente centrifugada e a posterior torneada.
Hidratação
Baixa hidratação: a absorção de água é de até 50%. Essas lentes têm por caraterística um uso
de até 12 horas. 
Alta hidratação: a absorção de água é maior que 50%. As lentes de alta hidratação são mais
permeáveis ao oxigênio, proporcionando um tempo maior de uso em comparação com as de
baixa hidratação, porém são mais suscetíveis a depósitos.
Ionicidade
Iônicas: nos polímeros com mais ionicidade, o material possui carganegativa que atrai mais
proteínas e lipídios do �lme lacrimal sobre as lentes. Em função disso, a Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) determina que as lentes com maior ionicidade devem ter
menos tempo de vida útil.
Não iônicas: é possível ter lentes de alta e baixa hidratação iônicas e não iônicas; com isso em
mente, o contatólogo deve avaliar melhor a possibilidade de depósitos e da e�ciência dos
produtos de limpeza e conservação. As lentes de menor ionicidade são menos propensas aos
depósitos.
Espessura
A espessura de uma lente ou DK/L está ligada também à permeabilidade aos gases.
Obviamente, a transmissibilidade depende do material do qual a lente é feita, mas depende
também da espessura da lente (L). Logo, duas lentes, feitas do mesmo material
(permeabilidade idêntica), porém com graus diferentes (espessuras distintas), terão
diferentes transmissibilidades. E pelo fato de terem essa característica distinta, terão
indicações clínicas diferentes. Em outras palavras, lentes fabricadas com o mesmo material
terão tempo de uso diferente, dependendo do poder da lente.
Tipos e parâmetros
Coloração
Filtrantes: existem �ltrantes de cor azul ou verde que não alteram a cor dos olhos e são
indicadas para pessoas fotossensíveis ou com di�culdade de manuseio. São indicadas também
para albinos. 
Dentro dessa classi�cação, existem as �ltrantes marrons com pupila, que são indicadas para
casos de leucomas, ou sem pupila, para leucoma com área visual preservada. Podem ser
fabricadas com a dioptria do usuário e são indicadas para pessoas com pupilas lesionadas ou
não reagentes.
Coloridas: estas lentes, graduadas ou não, geralmente são para usuários que gostariam de
alterar sua estética, mas podem ser indicadas para casos de arco senil. Hoje em dia, são
fabricadas também em tóricas.
Figura 2 – Lentes �ltrantes
Fonte: Divulgação
Filtro vermelho: a lente com este �ltro pode ser indicada para daltônicos com protanomalia
(enxerga pouco o vermelho) ou deuteranomalia (enxerga pouco o verde). Ela deve ser
adaptada somente no olho não dominante.
Durabilidade
Convencionais: variam de descarte em torno de um ano a um ano e meio, dependendo dos
cuidados e da lágrima do usuário.
Troca programada: são retiradas para dormir e substituídas a intervalos regulares, geralmente
a cada 15 ou 30 dias. Dependendo do material, podem ser de uso contínuo quando se dorme
com as lentes, com troca em períodos que variam de sete a 30 dias. Lembrando que, apesar de
o fabricante alegar que a lente se encontra dentro dos padrões da Anvisa para esse tipo de uso,
não se tem como de�nir a reação metabólica de cada usuário a esse tipo de lente, portanto é
necessário que o adaptador tenha muita cautela antes de a�rmar que o usuário está livre para
dormir com suas lentes.
Descartáveis: são usadas e descartadas diariamente. A vantagem dessas lentes é não precisar
de limpeza e desinfecção, sendo úteis para os pacientes alérgicos ou pacientes que
apresentaram conjuntivite papilar e tende a apresentar reação autoimune aos depósitos e à
toxidade dos produtos de assepsia das lentes. Existem outras descartáveis que são retiradas
após sete dias de uso contínuo e diário. Sendo descartadas após esse prazo.
Curvatura
Esféricas: tanto a superfície anterior quanto a posterior são esféricas.
Tóricas: os dois meridianos principais têm diferentes raios de curvatura. Essas lentes são
utilizadas para a correção do astigmatismo. A lente poderá ter toricidade em face anterior, em
face posterior ou em ambas, quando são chamadas de lentes bitóricas. 
Asféricas: têm diferentes raios de curvatura do centro para a periferia, acompanhando a
curvatura da córnea. São indicadas para correção de pequenos astigmatismos corneanos
combinados com a receita, onde não há necessidade das tóricas. Graças à asfericidade, é
possível criar uma lente com efeito multifocal, muito útil para os pacientes presbitas.
Parâmetros
Há três parâmetros básicos principais: curva-base, graduação e diâmetro.
Curva-base: chamada também de Curvatura Central Posterior (CCP), é o raio de CCP da lente de
contato que se ajusta sobre a superfície corneana. É expressa em milímetros ou dioptrias. As
lentes projetadas com curva-base de único valor de raio de curvatura são chamadas de
esféricas.
Poder dióptrico: a zona óptica corresponde à área onde está o poder dióptrico da lente. A zona
óptica de uma lente deve se mover sobre o centro da córnea, devendo cobrir toda a pupila. O
diâmetro varia de 7,0 mm a 8,5 mm, em lentes rígidas, e até 12 mm nas gelatinosas. Pupilas
grandes exigem zona óptica grande para evitar imagens fantasmas. Quanto ao poder dióptrico
para correção visual, temos: 
Esférica: corrige miopia e hipermetropia;
Tórica: corrige dioptrias combinadas de esférico e cilíndrico;
Multifocal e bifocal: são fabricadas com desenhos diferentes e atendem aos usuários
presbitas.
Diâmetro: é a medida linear de borda a borda, expressa em milímetros. A escolha do diâmetro
depende do diâmetro da córnea, tamanho da fenda palpebral e do tipo de lente de contato. Nas
lentes gelatinosas, de 12.0 a 15.0 mm, podendo ser de 10.5 mm em bebês.
IMPORTANTE! 
É interessante ressaltar que para todo exame complementar de
sobrerrefração (exame de vista feito com uso de LC), o pro�ssional
adaptador necessitará do restante do material, como foróptero ou
caixa de lentes oftálmicas, e um consultório contendo pia, papel
toalha descartável e lixeiras tampadas.
EM SÍNTESE 
Nesta unidade, você aprendeu sobre os equipamentos que compõem
um consultório de adaptação de lentes de contato. Em sala de aula, seu
professor poderá ensinar como manejá-los e qual sua utilidade no dia
a dia da pro�ssão.
2 / 2
Referências
BLOG DO OPTOMETRISTA. Ceratometria ou queratometria. Disponível
em: <http://blogdooptometrista.blogspot.com/p/ceratometria.html>.
Acesso em: 17/10/2019.
CAETANO, É. Leonardo Da Vinci. Mundo Educação. Disponível em:
<https://mundoeducacao.uol.com.br/artes/leonardo-vinci.htm>. Acesso
em: 17/10/2019. 
CORAL-GHANEM, C.; KARA-JOSÉ, N. Lentes de contato na clínica
oftalmológica. 4. ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 2015.
DE MARTINI OFTALMOLOGIA. Lâmpada de Fenda. Disponível em:
<https://www.demartinioftalmologia.com.br/exames/ver/66/lampada-
de-fenda>. Acesso em: 17/10/2019. 
LIMA FILHO, A. et al. Bases da Oftalmologia. Rio de Janeiro: Cultura
Médica, 2008. v. 1.
MIRAGLIA JR., O. Considerações sobre a transmissibilidade de oxigênio
(Dk/L) pelas lentes de contato. CBO. Disponível em:
<http://www.cbo.com.br/soblec/educac01.htm>. Acesso em: 17/10/2019. 
MOREIRA, S.; MOREIRA, H.; MOREIRA, L. Lente de contato. 1. ed. Rio de
Janeiro: Cultura Médica, 2007.
NETTO, A. L.; CORAL-GHANEM, C.; OLIVEIRA, P. R. Lentes de contato 3.
ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 2013.
SAONA, C. L. Contatologia clínica. 2. ed. Barcelona: Ediciones Scriba,
2001.
THE CONTACT LENS MUSEUM. Otto Wichterle. Disponível em:
<https://www.thecontactlensmuseum.org/otto-wichterle.html>. Acesso
em: 17/10/2019.

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