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Trabalho de Economia Individual
Aluna: Vitória Firmino Silva
RA: 243671
Tema: Economia como Ciência Social: Escolas clássica e neoclássica
Um sistema de mercado auto-regulável, de acordo com Polanyi, seria um sistema capaz de organizar toda a vida econômica sem interferência externa. Porém, de acordo com o autor, tal sistema não possui precedentes. Esse sistema passou a ser preconizado principalmente após a crise do modelo oposto, o Estado de Bem-Estar Social (Welfare State), nos anos de 1970. Proni destaca que explicar as razões para tal declínio é complexo, mas algumas das causas que contribuíram a isto foram o enfraquecimento da hegemonia do EUA, incluindo a perda de força do dólar, o sobreinvestimento em setores já consolidados, a saturação dos mercados internacionalizados, o esfriamento do processo de elevação da produtividade global, o primeiro choque do petróleo, entre outras. 
A crença que um mercado funcionará melhor se nele não se interferir é típica da Escola econômica Neoclássica, que, como o nome sugere, teve origem na clássica, como aponta Chang. O principal fundador da escola clássica foi Adam Smith, e os principais argumentos dessa escola são o livre-comércio, a mão invisível do mercado e a Lei de Say. De acordo com Polanyi, os economistas clássicos como Adam Smith tentaram basear as leis do mercado na suposta “natureza de barganha e permuta” do homem. Essa crença mais tarde originou o conceito de Homem Econômico.
Chang define a ideia da mão invisível do mercado, a Lei de Say e o livre-comércio da seguinte forma, respectivamente: a busca do interesse próprio por agentes individuais produziria a máxima riqueza nacional, a oferta criaria sua própria demanda e um mercado nunca deve ser controlado por protecionismos ou regulamentações advindas do governo.
No entanto, a teoria clássica possui diversas limitações, como apontado pelo próprio Chang: ela não explica por que a concorrência desenfreada do mercado não é socialmente benéfica, é incapaz de lidar com problemas macroeconômicos e tem dificuldades até mesmo com os microeconômicos.
Já a teoria Neoclássica, de acordo com Chang, “[...] afirmava ser a herdeira intelectual da escola clássica, mas se sentia diferente a ponto de afixar o prefixo ‘neo’.” Tal escola realmente possui algumas diferenças em relação à clássica, como a abordagem das falhas de mercado, a ideia de que outras variáveis definem o preço além do tempo de trabalho, etc.
Contudo a escola neoclássica também possui suas limitações, assim como a clássica. Ela assume indivíduos “irrealistas, egoístas e racionais”, conforme disse Chang. Além disso, ela aceita o status quo com demasiada facilidade, ao tomar como dada a estrutura econômico-social vigente.
Refutação da escola neoclássica por Polanyi
Polanyi refuta a tese neoclássica ao afirmar, com base nos estudos de Malinowski, que o homem não é regido pelo interesse pessoal econômico, mas sim pelo interesse em proteger suas relações sociais. Dessa forma, ele nos apresenta que, na verdade, a motivação do lucro não supera a motivação da manutenção das relações sociais. Para o autor, a ordem na distribuição e na produção é garantida por três princípios básicos: o da reciprocidade, o da redistribuição e o da domesticidade, ou ainda, uma combinação dos três. O autor acredita que a crença em um indivíduo natural puramente egoísta é completamente infundada, pois aquele “[...]selvagem individualista, que procura alimentos ou caça para si mesmo ou para sua família, nunca existiu”. Assim, nesse sentido de refutação dessa escola, Polanyi afirma que o mercado auto-regulável nunca existiu de verdade e que não passa de um mito capitalista.
Considerações finais
As escolas clássica e neoclássica apresentam muitas similaridades entre si. No entanto, elas possuem suas diferenças – e também suas limitações. Ambas acreditam num mercado auto-regulável, embora apenas uma considere suas possíveis falhas. Assim, percebe-se o avanço da economia por meio da criação de novas escolas para que se possa ter alternativas a esses modelos tão cheios de erros.
Referências:
POLANYI, K. “Sociedades e Sistemas Econômicos”. In: POLANYI, K. (2000) A Grande Transformação: as origens da nossa época. Rio de Janeiro: Campus, 2000.
PRONI, M. (1997) O império da concorrência: uma perspectiva histórica das origens e expansão do capitalismo. Revista Paranaense de Desenvolvimento. Curitiba, n. 92, set/dez, 1997, pp. 3-32.
CHANG, H-J. “Que desabrochem cem flores: como “fazer” economia”. In: Chang, H-J. (2015) Economia – modo de usar. São Paulo: Editora Schwarcz, pp. 105-157.
PRONI, M. (2006) “Economia e sociedade nos anos de ouro”. In: PRONI, M. e DEDECCA, C. (Orgs.) Economia e Proteção Social: textos para estudo dirigido. Campinas, SP: UNICAMP. IE.

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