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1 UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA FACULDADE DE DIREITO DISCIPLINA: INTRODUÇÃO AO DIREITO 2 DOCENTE: ISAAC COSTA REIS DISCENTE: EDER CARLOS RAMOS DOS SANTOS MATRÍCULA: 232012052 Em seu primeiro tópico de discussão, fala-se abertamente sobre a natureza da teoria jurídica, que se divide em dois pontos de vistas diferentes: o primeiro é o de Herbert Hart, o qual diz que essa natureza é “geral e descritiva” (p. 300), sendo geral por ser regida por regras e não ligada a nenhum sistema ou cultura jurídica concreta e descritiva por ser moralmente neutro e não necessitar de justificação (HART, 1961, p. 300-301). Já no que diz respeito ao outro ponto de vista, dessa vez por parte de Ronald Dworkin, a sua teoria jurídica baseia-se em um caráter “de avaliação e de justificação” (p. 301), consistindo na identificação de princípios que melhor se ajustam dentro de um determinado sistema jurídico. Em uma tentativa de comparação e resposta às criticas de Dworkin as suas obras, é o que fala sobre a natureza do positivismo jurídico. Primeiramente, ao abordar o positivismo como semântica, Dworkin fala que “os fundamentos do Direito” (p. 306) são aqueles que provam a verdade dos fatos e tais fundamentos propostos pelos positivistas, como os fixados por regras linguísticas, compondo uma área de mera fatualidade histórica, classificando o próprio Hart dentro desse contexto (HART, 1961, p. 306-307). Em contrapartida, Hart fala que os sistemas jurídicos internos possuem uma regra de reconhecimento, o qual especifica os critérios para a identificação das leis, podendo esses variar ou até mesmo serem controvertidos (HART, 1961, p. 307-308). Ademais, Dworkin chama tal regra de reconhecimento de positivismo meramente factual, por fundamentar-se somente em fatos históricos, proposição essa que Hart discorda, já que há também a presença de princípios de justiças ou valores morais substantivos os quais integram as regras de reconhecimento (HART, 1961, p. 309). Adiante, a teoria convencialista proposta por Dworkin também é rejeitada por Hart, já que também apresenta um direito meramente factual, sendo caracterizado por ser “de uma advertência leal, antes do uso da coerção” (p. 310). Hart rejeita tal ponto, mostrando novamente que sua teoria também admite valores e, mais importante, que sua teoria mostra que a função do Direito é “fornecer orientações à conduta humana e padrões de crítica a tal conduta” (p. 310) e não somente “justificar o uso da coerção” (p. 310). 2 Um ponto destacado por Hart dentro de sua teoria é sobre as regras secundarias de reconhecimento. Elas seriam utilizadas como remédios para solucionar alguns defeitos, quanto à identificação, qualidade estática e ineficiência, não sendo sustentada a parte de que tais remédios seriam um elemento coercitivo da teoria de Hart, o qual fala que em nenhum caso o diretamente utiliza (HART, 1961, p. 311). Ainda em uma resposta ao positivismo meramente factual dito por Dworkin, Hart aborda o positivismo moderado: permite que o direito seja identificado por meio de questões controvertidas de conformidade com a moral ou juízos de valor, e uma incoerência proposta por Dworkin entre esse conceito e as regras de reconhecimento, visto que sanariam os erros que o positivismo moderado viria a intervir (HART, 1961, p. 313). Esse positivismo moderado atua em situações em que o Direito se encontra incompleto ou incapaz de determinar uma resposta, em determinadas lacunas, chamadas de texturas abertas em que o juiz ou tribunais recorrem a uma função restrita de criação de Direito, chamada de poder discricionário (HART, 1961, p. 314). Contudo, Dworkin tenta mostrar que o Direito não possui tais lacunas e que ele não pode ser incompleto sendo que, dentro de um determinado sistema jurídico, deve-se sempre haver uma justificação moral baseada nos princípios que melhor se ajustam a tal situação, ou seja, o direito preexiste se ajusta com a “existência dos fatos” (p. 315). Na natureza das regras, há outra distinção entre os autores. A teoria da prática, produzida por Hart, mostra que as regras sociais de um grupo, obtidas por meio da prática social, por serem regulares passam por um processo de aceitação. Em relação aos pontos de vista, o externo corresponde a um observador da prática, enquanto que o interno seria um participante da prática (HART, 1961, p. 317). Dworkin faz uma critica exatamente sobre a teoria da pratica, já que não concorda que uma regra social seja constituída de uma prática social pois estabelecem “deveres e razões para agir” (p. 318), devendo ser abandonada. Hart novamente argumenta contrário, afirmando que a “teoria da prática das regras é plenamente aplicável a regra de reconhecimento” (p. 321). Segunda Hart, há uma diferenciação entre regras e princípios e que, além disso, seu livro não apresenta somente regras de tudo ou nada. Dentro da diferenciação, a primeira delas é a que envolve a questão do grau, isto é, os princípios são extensos, gerais e não específicos quando comparados às regras, sendo compostas por um vasto conjunto de considerações teóricas e práticas, formando padrões de condutas (HART, 1961, p. 322). Fornecem, ademais, “uma explicação ou fundamento lógico das regras” (p. 322), justificando-as e sendo desejáveis de manter. 3 É interessante também citar de outra diferenciação de princípios das regras, especialmente as de tudo ou nada. Segundo Dworkin, elas diferem pelos princípios não obrigarem uma decisão, mas “apontam para, ou contam a favor de uma decisão” (p. 323), sendo inconclusivos, enquanto que as regras obrigam e, por isso, tem esse caráter de tudo ou nada. Para Dworkin, as regras ou são válidas ou não são válidas, mas não possuem nenhum tipo de peso enquanto que os princípios possuem uma dimensão de peso, mas não de validade (HART, 1961, p. 323). Esses dois objetos de discussão constituem, dessa forma, o direito na visão de Dworkin. Para Dworkin, já que existem princípios, não seria necessária a adesão de uma regra de reconhecimento. Hart não concorda com tal ponto de vista e afirmar que os princípios são estabelecidos por um pedigree, isto é, o que faz daquilo o principio que ele é. Tal pedigree vai de encontro com o caráter não-conclusivo dos princípios o qual não teria êxito qualquer afirmação para o fim da regra de reconhecimento em prol de tais princípios (HART, 1961, p. 326-327). Essa diferença entre princípios e seus critérios é aonde entra a regra de reconhecimento segundo Hart, especificando “as fontes do direito e as relações de superioridade e de subordinação que se estabelecem entre elas (p. 329). Podem haver, segundo Hart, “direitos e deveres jurídicos que não têm qualquer justificação ou eficácia morais” (p. 331), ideia rejeitada por Dworkin já que para ele os “direitos jurídicos devem ser entendidos como uma espécie de direitos morais” (p. 331). Posteriormente, Hart explica que direitos e deveres não precisam necessariamente seguir um fundamento moral, já que as leis podem ser moralmente justas ou não, boas ou más e que isso não depende dos méritos morais do Direito (HART, 1961, p. 332). Ao abordar a identificação do Direito, surge a diferença mais fundamental entre as duas linhas de pensamento, segundo Hart. Hart afirma que a existência e o conteúdo do Direito têm referencias aos quesitos das fontes sociais do Direito, sem nenhum tipo de relação, em regra, a moral. Ao mesmo tempo, seguindo o modelo interpretativo proposto por Dworkin, todas as proposições de Direito têm um requisito moral, decorrendo de um conjunto de princípios com a melhor “justificação moral” (HART, p. 332). Tal teoria de Dworkin não só justifica o Direito, como também o identifica (HART, 1961, p. 332). Outro ponto agudo entre a teoria jurídica dos dois autores envolve a questãodo poder discricionário judicial e envolve exatamente as áreas em que o Direito é “parcialmente indeterminado ou incompleto”. Para Hart, nesse tipo de situação, o juiz cria um direito novo, dando uma conferência a decisão por um direito já estabelecido. Todavia, isso é rejeitado por Dworkin, sendo que para ele o Direito não tem esse caráter incompleto, ou seja, o juiz por 4 consequência também não tem a oportunidade de criar um novo direito, sendo todo esse processo errático (HART, 1961, p. 335-336). No lugar disso, as decisões deveriam ser pautadas em princípios implícitos morais, mais especificamente os casos difíceis (HART, 1961, p. 336). Para Hart, os poderes do juiz são “intersticiais” (p. 336): ele deve prover a criação do direito novo, mas não de forma arbitrária e sim seguindo suas próprias crenças e valores, ou ainda podem, em uma forma de aproximação com outros tribunais, recorrer “ao procedimento de analogia” (p. 337), em que há uma conformidade com as razões ou princípios pré-existentes, com base no direito que já existe, sendo também um dos núcleos da interpretação construtiva de Dworkin (HART, 1961, p. 337-338). Por fim, de certo modo há uma característica “antidemocrática e injusta” (p. 338), pois o poder de criação de Direito não emana diretamente do povo, mas Hart rejeita tal objetivação, uma vez que “se trata de casos em que o direito deixou regulados de forma incompleta e em que não há um estado conhecido do Direito” (p. 339). O texto parece ser importantíssimo para a teorização do Direito nos dias atuais, contendo conceitos relevantes que podem ser aplicados até hoje. Dois pontos importantes chamam a atenção no texto: o primeiro deles envolve o debate entre regras de reconhecimento e princípios e, nesse caso, Hart apresenta um ponto muito interessante, mostrando que as regras de reconhecimento e os princípios podem sim coexistirem, já que os princípios podem se contradizer ou um ser superior ao outro, surgindo então a necessidade de uma regra de reconhecimento. Outro ponto muito interessante urge sobre o poder discricionário de um juiz, já que tais situações, os casos difíceis, são praticamente inevitáveis com a complexidade social das comunidades atuais e o debate entre teorias tende a dar suporte em tais decisões, tornando os casos difíceis mais plausíveis com o passar do tempo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS HART, Herbert. O conceito de direito. 3° ed. Trad. de A. Ribeiro Mendes. São Paulo: LAEL – Livraria dos Advogados Editora Ltda. 1961. P. 298-339.