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FACULDADE REALIZA CURSO DE GESTÃO PÚBLICA ADRIANA LUZ DE OLIVEIRA ADEIR JUNIO ROCHA MARQUES IGOR ADRIANO PEREIRA DE PAULA PAULO DA CRUZ ALVES DE LIMA RAFAEL EVANGELISTA CHAVES VICTOR TOMAZ DA SILVA A INTER-RELAÇÃO DOS DIREITOS SOCIAIS E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA GOIÂNIA 2023 2 FACULDADE REALIZA CURSO DE GESTÃO PÚBLICA ADRIANA LUZ DE OLIVEIRA ADEIR JUNIO ROCHA MARQUES IGOR ADRIANO PEREIRA DE PAULA PAULO DA CRUZ ALVES DE LIMA RAFAEL EVANGELISTA CHAVES VICTOR TOMAZ DA SILVA A INTER-RELAÇÃO DOS DIREITOS SOCIAIS E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Trabalho Científico apresentado ao curso de Gestão Pública oferecido pela Faculdade Realiza como requisito para a aprovação na disciplina Trabalho Interdisciplinar I, sob a orientação da Professora Larissa Lissoni Nani. GOIÂNIA 2023 3 FICHA DE IDENTIFICAÇÃO DO ALUNOS Nome: Paulo da Cruz Alves de Lima Telefone: 62 991071929 Trimestre: 4º Curso: Tecnólogo em Gestão Pública Nome: Rafael Evangelista Chaves Telefone: 62 994329506 Trimestre: 2º Curso: Tecnólogo em Gestão Pública Nome: Igor Adriano Pereira de Paula Telefone: 62 998494931 Trimestre: 2º Curso: Tecnólogo em Gestão Pública Nome: Adeir Junio Rocha Marques Telefone: 62 993388526 Trimestre: 4º Curso: Tecnólogo em Gestão Pública Nome: Adriana Luz de Oliveira Telefone: 62 983257533 Trimestre: 5º Curso: Tecnólogo em Gestão Pública Nome: Victor Tomaz da Silva Telefone: 999246350 Trimestre: 2º Curso: Tecnólogo em Gestão Pública Entrega: _____/______/____ (Não escrever data de entrega) competência de secretaria 4 A INTER-RELAÇÃO DOS DIREITOS SOCIAIS E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Alunos: OLIVEIRA, Adriana Luz de MARQUES, Adeir Junio Rocha PAULA, Igor Adriano Pereira de CHAVES, Rafael Evangelista LIMA, Paulo da Cruz Alves de SILVA, Victor Tomaz da Orientadora: FERREIRA, Nayara dos Santos Resumo: O presente artigo, visa o estudo sobre a Dignidade da Pessoa Humana e os Direitos Sociais, demonstrando a inter-relação entre ambos. Foi realizada uma análise histórica bem como a sua efetiva aplicação nos dias atuais através da Constituição Federal. O propósito social e acadêmico ao falar sobre direitos sociais e a dignidade da pessoa humana é disseminar informações, promover o debate construtivo e aumentar a conscientização sobre esses temas importantes para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e respeitosa dos direitos humanos. Para isso, foi realizado um fichamento com foco em doutrinadores que abordam temas semelhantes para que se fosse possível aprimorar o conhecimento no assunto e atingir objetivos acerca do tema desejado. Palavras chaves: Direitos Humanos, Constituição Federal, Sociedade. 5 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .................................................................................................. 6 2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA .............................................................................. 7 3. DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS ................................................................ 8 3.1. DOS DIREITOS DE 1ª DIMENSÃO ............................................................. 9 3.2. DOS DIREITOS DE 2ª DIMENSÃO ........................................................... 10 3.3 DOS DIREITOS DE 3ª DIMENSÃO ............................................................ 11 3.4 DOS DIREITOS DE 4ª DIMENSÃO ............................................................ 12 3.5 DOS DIREITOS DE 5ª DIMENSÃO ............................................................ 12 3.6 DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA ................................................... 12 3.7 DOS DIREITOS SOCIAIS ........................................................................... 13 3.8 DA INTER-RELAÇÃO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA COM OS DIREITOS SOCIAIS ........................................................................................ 14 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 15 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 16 6 INTRODUÇÃO O presente trabalho visa apresentar um estudo sobre os Direitos Fundamentais e Direitos Sociais porque eles são pilares essenciais para a proteção e promoção dos direitos humanos. Ambos os conceitos estão enraizados nas constituições de muitos países democráticos e visam garantir o bem-estar e a dignidade de todos os indivíduos. Os Direitos Fundamentais, também conhecidos como Direitos Humanos, são os direitos básicos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de sua nacionalidade, raça, gênero, religião ou qualquer outra característica. Esses direitos são considerados fundamentais porque são essenciais para a existência e a realização plena dos indivíduos. Eles incluem direitos civis e políticos, como a liberdade de expressão, igualdade perante a lei, o direito à vida e à segurança, entre outros. Os Direitos Sociais, por sua vez, referem-se aos direitos relacionados ao bem- estar social e econômico das pessoas. Eles visam garantir que todos os indivíduos tenham condições adequadas de vida, como acesso à educação, saúde, moradia, trabalho decente, segurança social e cultura. Os Direitos Sociais são particularmente importantes para combater a desigualdade e a exclusão social, buscando promover a igualdade de oportunidades e a justiça social. Academicamente, ao abordar esses assuntos, busco fornecer um panorama geral sobre os conceitos, princípios e fundamentos relacionados aos direitos sociais e à dignidade humana. Isso pode incluir informações sobre a sua base teórica, sua evolução histórica, bem como casos emblemáticos, legislações e tratados internacionais que tratam dessas questões. Ao discutir a dignidade da pessoa humana, por exemplo, enfatizo que todos os indivíduos têm o direito inerente de serem tratados com respeito e consideração, independentemente de sua condição social, econômica, étnica, de gênero ou outra. Destaco que a dignidade humana é a base para a garantia de outros direitos e deve ser protegida e promovida em todas as esferas da vida social. Quanto aos direitos sociais, o objetivo é informar sobre sua importância na busca da justiça social, na redução das desigualdades e na garantia de condições de vida adequadas para todos os membros da sociedade. Isso pode envolver a discussão de direitos como educação, saúde, moradia, trabalho digno, previdência social, entre outros, demonstrando como esses direitos contribuem para a melhoria das condições de vida e a promoção do bem-estar coletivo. 7 Dessa forma, a pesquisa se justifica pelo fato destacarmos a importância de reconhecer e respeitar a dignidade e os direitos de todas as pessoas, independentemente de sua posição social ou econômica. Além disso, promover e proteger esses direitos contribui para o fortalecimento da democracia, da coesão social e do desenvolvimento sustentável de uma sociedade. No contexto jurídico, discutir os Direitos Fundamentais e os Direitos Sociais é fundamental para garantir que as leis e políticas públicas sejam compatíveis com esses princípios e para buscar a efetivação desses direitos na prática. Através desse tema o objetivo é falar sobre os Direitos Fundamentais trazendo uma teoria e uma junção com a prática fazendo a relação dele com o Direito Social. Isso envolve a proteção legal contra violações dos direitos, ações afirmativas para corrigir desigualdades existentes e a criaçãode mecanismos de participação e inclusão social. Para tanto a metodolodia pesquisa utilizada foi longo processo de análise de textos, escolha de autores para embasar a discussão, foi realizado um fichamento e escritas que originaram a produção aqui apresentada (GIL, 2002) A pesquisa dispõe de um método qualitativo de cunho bibliográfico, pois não se preocupa com representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, etc. A pesquisa qualitativa preocupa-se com aspectos da realidade que não podem ser quantificados, centrando-se na compreensão e explicação da dinâmica das relações sociais (PORTELA, 2004). Para a operacionalização do processo investigativo, foi utilizada a pesquisa do tipo bibliográfica sendo respectivamente, o levantamento de referências teóricas já analisadas no fichamento de autores como: Afonso da Silva, Pedro Lenza, Flávio Martins, André Ramos Tavares; e publicações por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites, e a recorrência a fontes mais diversificadas (GIL, 2002). 2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA A história da sociedade passou por um longo caminho, por diversos sistemas e regimes de organização social e política, O próprio sistema capitalista passou por diversas fases, como a mercantilista, a industrial, a financeira e a pós-industrial, típica da sociedade 8 da informação e do conhecimento (GARCIA, 2016). As relações humanas se caracteriza pela superação progressiva dos diferentes modos de produção, com a presença de constantes lutas sociais, em que as classes desfavorecidas, por meio da união de seus integrantes, finalmente conseguem fazer nascer uma nova ordem política, social e econômica. Compreender a Constituição como técnica de proteção das liberdades é característica do constitucionalismo atual, que envolve conhecer para que se possa discernir o próprio período atual, que muitos chamam de neoconstitucionalismo (MENDES, 2023). O Estado Social com o tempo passou a sofrer críticas mais rígidas do chamado neoliberalismo, este defende a inviabilidade da manutenção, destacando os seus elevados custos econômicos, por superar a capacidade financeira da população ativa e também das empresas (GARCIA, 2016). A assertiva que a Constituição tem valor de norma suprema do ordenamento jurídico, se hoje passa por um truísmo, é, na realidade, um produto do pensamento constitucionalista, que culmina uma sucessão de registros de inteligência sobre o assunto, muitas vezes desencontrados (MENDES, 2023). Com isso, nascem as disputas ideológicas a respeito de qual deve ser a intensidade e a abrangência da performance estatal nas relações sociais e econômicas e o nível de regulação do mercado, assim a primeira Constituição que atribuiu o caráter de “fundamentalidade” aos direitos sociais, ao lado das liberdades públicas e dos direitos políticos (MARTINS,2022). Assim, o Estado Democrático de Direito, desta forma, não se agrada mais com a democracia no plano estritamente político e governamental, ele exige a sua ampliação e concretização em todas as outras áreas da sociedade. 3. DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS Os Direitos Fundamentais consistem em uma barreira de proteção para os sujeitos diante das ações do Estado. É inerente a qualquer ser humano, independente da qualificação pessoal. Importante frisar que à medida que a sociedade e o Estado mudam, 9 os direitos fundamentais evoluem junto com novas prioridades que na maioria das vezes são mais garantias e direitos aos cidadãos. Os direitos do homem, por mais fundamentais que sejam, são direitos históricos, ou seja, nascidos em certas circunstâncias, caracterizados por lutas em defesa de novas liberdades contra velhos poderes, e nascidos de modo gradual, não todos de uma vez e nem de uma vez por todas. (BOBBIO, 1992, p5) Didaticamente podemos situar o início do nosso estudo na transição entre Idade Média e Idade Moderna, com a formação do Estado Moderno. Esse modelo de Estado, inspirado nas teorias de contratualistas de John Locke, Thomas Hobbes, Montesquieu e Rousseau, fez a transição de um modelo de Governo inspirado na vontade pessoal do Governante para o início do Modelo de Estado de Direito, ou seja, um Estado governado por leis. Inicialmente com a formação dos Estados Modernos ocorreu a concentração do poder nas mãos dos Governantes, aos moldes da Teoria Contratualista de Hobbes que previa a figura do Monarca como a do Soberano e o povo sujeito à vontade deste Soberano. Este modelo de estado fortemente centralizado nas mãos do Governante, se replicou em diversos Estados Europeus, com a concentração de riquezas nas mãos da nobreza formação do exército nacional para manter a ordem pública. Com a ascensão da burguesia, e do movimento da ilustração, novas ideologias surgiram para validar o surgimento do movimento liberal, com expoentes como John Locke, e suas teorias sobre o direito natural de propriedade. Essas teorias ajudaram a estabilizar o direito de propriedade para a nova classe econômica em ascensão. Nesse cenário de um Estado Unificado na figura de um governante, com uma máquina estatal hipertrofiada e consumidora dos recursos sociais, em meio a uma sociedade na qual o povo vivia sobre condição de extrema miséria, somados aos ventos de mudança do movimento Iluminista, financiado por Mecenas de uma nova classe social emergente, situamos o início deste estudo com a Revolução Francesa, na transição da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. 3.1. DOS DIREITOS DE 1ª DIMENSÃO Os direitos de 1ª Dimensão, liberdades individuais, surgem em contraposição a figura do Estado Absoluto, Concentrador e Despótico. Esses direitos visam assegurar o 10 indivíduo de eventuais arbitrariedades cometidas pelos Governantes, numa perspectiva de afastamento total do Estado (Absenteísmo Estatal). Vale ressaltar que essa ideia de afastamento do Estado, liberal ou não intervencionista, vai de encontro ao modelo liberal- burguês, que prega o afastamento do Estado do controle do Mercado, que passaria a ser controlado pela chamada mão invisível do Mercado (David Ricardo). Enfim, são direitos de oposição ou resistência ao Estado. Destacam-se com documentos históricos sobre os direitos de 1ª Geração: Magna Carta de 1215, Paz de Westfália (1648), Habeas Corpus Act (1679), Bill of Rights (1688), Declaração Americana (1776) e a Declaração Francesa (1789). Os direitos de 1ª dimensão são os que surgiram na legislação dos povos, por isso mesmo, são os direitos individuais ou liberdades públicas, como vida, liberdade, pro- priedade etc. O Estado tem o dever principal de não fazer, de não agir, de não interferir na liberdade pública do indivíduo (MARTINS, 2022). 3.2. DOS DIREITOS DE 2ª DIMENSÃO O fato histórico que impulsiona os direitos humanos da 2ª dimensão é a Revolução Industrial. O ideal Estado não intervencionista culminou no afastamento do Estado em verdadeiro Absenteísmo Estatal. A burguesia Inglesa, diante da liberdade nas práticas de mercado, e do não intervencionismo estatal, sujeitou a classe operária a condições de penúria. No início da Revolução Industrial, os operários viviam em péssimas condições de vida e trabalho. O ambiente das fábricas era insalubre, assim como os cortiços onde muitos trabalhadores viviam. A jornadas de trabalho chegava a 80 horas semanais, e os salários estavam abaixo do nível de subsistência, e para mulheres e crianças, submetidos ao mesmo número de horas e às mesmas condições de trabalho, os salários eram ainda mais baixos. Em decorrência das péssimas condições de trabalho, eclodem movimentos na busca de reivindicações trabalhistas e normas de assistência social. A Primeira Grande Guerra Mundial, no início do século XX, também serviu como impulsionador da fixação dos DireitosSociais. Essa perspectiva de evidenciação dos direitos sociais, culturais e econômicos, bem como dos direitos coletivos, ou de coletividade, correspondendo aos direitos de igualdade (substancial, real e material, e não meramente formal), mostra-se marcante em 11 alguns documentos, destacando-se: Constituição do México, de 1917; Constituição de Weimar, de 1919; Tratado de Versalhes; e a Constituição de 1934, no Brasil. Fato interessante é que essas Constituições, em primeiro plano, exigiam uma grande prestação material por parte do Estado, de maneira tal que se tornaram ineficazes, ou de eficácia duvidosa. Essas prestações materiais nem sempre podiam ser cumpridas devido a fatores como carência ou limitação de meios e recursos. Hodiernamente estes esses direitos estão compreendidos dentro do que se convencionou chamar “reserva do possível” (O princípio da reserva do possível regulamenta a possibilidade e a abrangência da atuação do Estado no que diz respeito ao cumprimento de alguns direitos, como os direitos sociais, subordinando a existência de recursos públicos disponíveis à atuação do Estado), dentro de uma esfera Programática, ou seja, são considerados objetivos a serem alcançados pelas políticas públicas. 3.3 DOS DIREITOS DE 3ª DIMENSÃO Os direitos de 3ª Dimensão são marcados pela alteração da sociedade por profundas mudanças na comunidade internacional (sociedade de massa, crescente desenvolvimento tecnológico e científico), identificando-se profundas alterações nas relações econômico-sociais. Novos problemas e preocupações surgem, tais como a necessária noção do preservacionismo ambiental e as dificuldades para proteção dos consumidores. O ser humano passa a ser inserido em uma coletividade e passa a ter direitos de solidariedade e fraternidade. Os direitos de 3ª Dimensão são chamados de Transindividuais, isto é, direitos que vão além dos interesses do indivíduo, pois são concernentes ao gênero humano. A teoria de Karel Vasak, identificou, em rol exemplificativo, os seguintes direitos de 3 ª Dimensão: direito ao desenvolvimento; direito a paz (Bonavides Classifica como direito de 5ª Dimensão); direito ao meio ambiente; direito de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade e direito de comunicação (BONAVIDES, 2005). Vale lembrar que este rol é meramente exemplificativo e não exclui outros direitos que venham a ser elencados, além do fato da sociedade e as relações sociais estarem em constante transformação, fato este que dá origem a novos direitos e obrigações, visto que o Direito é um regulador das relações sociais. 12 3.4 DOS DIREITOS DE 4ª DIMENSÃO Segundo Norberto Bobbio, mestre italiano, essa dimensão de direitos seria decorrente dos avanços da engenharia genética, em razão destes avanços colocarem em risco a própria existência humana. Por outro lado, Bonavides (2005), afirma que “a globalização política” na esfera da normatividade jurídica introduz os direitos de quarta dimensão, que, segundo ele, correspondem à derradeira fase (última instância de aplicação) de institucionalização do Estado social, destacando-se a: democracia direta; informação e pluralismo. Assim, para Bonavides (2005), os direitos de 4ª Dimensão são desdobramentos da globalização dos direitos fundamentais, o que significa a sua universalização no campo institucional, a fim de garantir ulterior e máxima efetividade desses direitos. Nesta perspectiva os direitos fundamentais interagem uns com os outros a fim de garantir a eficácia máxima para a promoção institucionalizada do Estado Social. 3.5 DOS DIREITOS DE 5ª DIMENSÃO Bonavides (2005) entende que o direito à paz deva ser tratado em dimensão autônoma, chegando a afirmar que a paz é o axioma da democracia participativa, ou ainda, supremo direito da humanidade. 3.6 DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Ela é um conceito preexistente tal como a própria pessoa humana não sendo uma criação constitucional; e a Constituição reconhecendo a sua existência e importância, transformou num valor supremo da ordem jurídica, quando a declara como um fundamento da República Federativa do Brasil constituída em Estado Democrático de Direito (SILVA, 1998). Para Tavares (2016) consiste tão somente na negação de que a pessoa não será alvejada de afrontas ou humilhações, mas também acrescenta a afirmação positiva do 13 pleno desenvolvimento da personalidade de cada indivíduo, que de um lado, o prestígio da autodisponibilidade, sem influências ou impedimentos exteriores, das prováveis atuações de cada homem; de outro, a autodeterminação que nasce da livre projeção histórica da razão humana, antes que de uma predeterminação oferecida pela natureza. Barcellos (2019), entende que é possível ser um fenômeno, em que a existência é antecedente a ordem jurídica, em que se trata de uma ideia que prevê as pessoas um status diferenciado, um valor intrínseco com titularidade de direitos involuntariamente de atribuições por qualquer norma jurídica. Ela não é uma criação constitucional, pois é um conceito, um dado preexistente a toda experiência especulativa, como a própria pessoa humana e a Constituição, conhecendo a sua existência e a sua eminência, transformou a mesma como uma estima soberana da ordem jurídica, com isso ela é declarada um dos alicerces da República Federativa do Brasil constituída em Estado Democrático de Direito (SILVA, 1998). 3.7 DOS DIREITOS SOCIAIS Os Direitos Sociais, tratam dos direitos relacionados ao bem-estar social e econômico das pessoas, em que visa garantir que todos os indivíduos tenham condições adequadas de vida, como acesso à educação, saúde, moradia, trabalho decente, segurança social e cultura, estes direitos encontram-se elecados no art.6º da CF/88 (BRASIL,1988) Para Canotilho (2013), os direitos sociais são direios fundamentais, prestações positivas proporcionadas pelo Estado, apresentadas em normas constitucionais, com a possibilidade de uma melhora nas condições de vida, em que buscam realizar a igualdade nas situações sociais da sociedade. (CANOTILHO, 2013). Estes direitos são importantes para combater a desigualdade e a exclusão social, buscando promover a igualdade de oportunidades e justiça social; pois possuem contéudo de extrema relevância para a economia social. Estes direitos possuem o objetivo de aprimorar as condições de existênciais, por meio de prestações positivas do Estado, em relação as pessoas menos favorecidas e mais frágeis economicamente (DEMARCHI; LIEBL, 2018).. Assim, portanto são prestações positivas por parte do Estado em prol da pessoas mais necessitadas, esses direitos possuem conteúdo econômico-social, uma vez que através deles, busca-se melhorar as condições de vida e trabalho, não correspondendo a 14 uma categoria específica de titulares (DEMARCHI; LIEBL, 2018). 3.8 DA INTER-RELAÇÃO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA COM OS DIREITOS SOCIAIS Dentro da proteção à dignidade da pessoa humana com o passar do tempo, passaram a tutelar os direitos sociais, e esta proteção se explica pelo simples motivo de que uma parte eficiente dos direitos sociais, econômicos e culturais favorece o exercício real e consciente de outras categorias de direitos fundamentais, quanto os direitos políticos e individuais, e em conjunto contribuem para que seja aplicável a dignidade humana (BARCELLOS, 2002). Os direitos sociais que estão no art. 6º da Constituição Federal de 1988, surgem com o questionamento através da verificação de que os direitos sociais que se encontram elencadas no artigo ao invés de traduzirem regras e revestem, em sua maioria, a natureza de princípios ou subprincípios (BRASIL,1988). Seus efeitos não são determinados e nem há escolha dos meios que deverão ser adotados para o seu cumprimento, tornando ainda mais misteriosa a definição do alcance eaplicabilidade das referidas normas (MACHADO, 2014). Para Barcellos (2019), as normas que envolvem a dignidade da pessoa humana não podem ter seus efeitos postos em dúvida, porque estas normas são dotadas de dominação axiológica, em benefício de seu status constitucional, e que em toda magnitude dos efeitos que essas regras de direitos sociais anseiam produzir, é possível identificar um conteúdo mínimo que se oferece com a estrutura de regra (BARCELLOS, 2019). Há um núcleo de condições materiais que compõe a noção de dignidade de maneira tão fundamental que sua existência se impõe como uma regra, e não como um princípio. Isto é; se tais condições não existirem, não há o que ponderar ou otimizar ao modo dos princípios e a dignidade terá sido violada, da mesma forma como as regras o são (MACHADO, 2014). 15 Se não houver consenso com relação ao teor mínimo da dignidade, a sociedade estará sob uma crise ética e moral de grande proporção que o princípio da dignidade terá que se modificar uma fórmula totalmente abandonada, sem significado correspondente. CONSIDERAÇÕES FINAIS Através do estudo do presente tema, nota-se, que os conceitos de direito fundamental e direitos sócias são abrangentes e passaram por uma grande evolução histórica, para que fosse possível chegar a realidade que presenciamos no atual cenário constitucional brasileiro, principalmente no que tange a perspectiva dos direitos sociais, que significaram uma conquista da luta pelos direitos coletivos. A respeito da dignidade da pessoa humana, nota-se grande avanço dos direitos fundamentais, como o direito de primeira geração, que garantiu aos indivíduos um direito a uma vida digna, com mínimo existencial que é assegurado pelo Estado. O direito de segunda geração, em que implica o dever de prestação positiva, ou seja, uma obrigação de fazer, a igualdade. Já o da terceira geração, foram conhecidos pelos direitos de fraternidade, solidariedade. Completando o conhecido: liberdade, igualdade e fraternidade. Por fim, nota-se acerca da relação do direito a dignidade e o direito social, que um está entrelaçado ao outro, ou seja, um adveio do outro. Com isso para que seja possível usufruir de um direito social, precisa antes disso verificar se não está violando o primordial que é a dignidade da pessoa humana. 16 REFERÊNCIAS BARCELLOS, Ana Paula de. Curso de Direito Constitucional. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019. BOBBIO, N. Era dos direitos. Rio de Janeiro: Campus, 1988. [Trad. Carlos Nelson Coutinho] DECLARAÇÃO dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789. Disponível em: <http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%- C3%A0 -cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%- C3%A9- 1919/declaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html>. Acesso em: 15 de mai. de 2023. BOBBIO, Norberto. A Era dos Direitos. Tradução Carlos Nelson Coutinho. 14 tiragem. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1992. BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 17 ed. 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