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- Controle de Constitucionalidade 
- Aulas G7 Jurídico (professor Marcelo Novelino) + questões de concurso + Informativos DOD.
- Observação: Compreende Arquivo 05, Pasta 01.
- Leitura Lei Seca: Lei 9868/99; Lei 9882/99; Lei 11.417/06; Lei 12.562/11; Lei 13.300/16; Constituição Federal (principais artigos: art. 36, inciso III; art. 97; art. 102 a 103-A; art. 125, §2º); Súmulas Vinculantes (nº 10); Súmulas do STF (642 e 614);
- Atualização em 01/04/2021: questões de concurso
- Atualização em 11/10/20: ponto “Controle Preventivo” + Info do DOD, especialmente quanto à abstratização do controle difuso (decisão do STF – site DOD + inclusão de comentários da aula de atualização do G7 Jurídico – Jan./2018) + inclusão de julgado do Info 896 STF (p. 43; 105/106); do Info 899 (item 3.3.1., ponto “atos normativos” – cabimento de ADI contra Resoluções do CNMP, em nota de rodapé); do Info 900 (item 3.3.1., ponto “atos normativos” – cabimento de ADI contra Resoluções do TSE, em nota de rodapé); Info 917 (item 3.2.1.1, em nota de rodapé); Info 917 (item 1.3.3.); Info 922 (item 3.2.1.1.1. Perspectiva material da ADPF); Item novo (5.1.1. Coexistência de ADI no Tribunal de Justiça e ADI no STF, sendo a ADI estadual julgada primeiro – julgado veiculado Info 927); Item 7.2 (Info 929); Item 3.2.1.1. Perspectiva material (Info 935); Item 2, letra a): Parâmetro (Info 940); 3.2.1.1. Perspectiva material da ADI/ADC (Info 944); 3.2.1.1. Perspectiva material (Info 734 e Info 964 + questão de concurso); Info 965 (cláusula de reserva de plenário).
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 
1. TEORIA GERAL DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 
De acordo com o Professor Marcelo Novelino, Controle de Constitucionalidade é uma das matérias mais importantes do Direito Constitucional para concursos públicos. Serão diversas aulas sobre o tema, que abordarão: (i) Teoria geral do controle; (ii) Controle concentrado abstrato; (iii) Controle das omissões inconstitucionais; (iv) Controle difuso incidental; e (v) Controle de constitucionalidade no âmbito dos Estados. 
1.1. SUPREMACIA CONSTITUCIONAL 
A expressão “supremacia constitucional” pode ser usada em dois sentidos: material (conteúdo) ou formal (procedimento de elaboração das normas). 
1.1.1. Supremacia material 
É o corolário (consequência lógica) do objeto clássico das constituições, ou seja, das chamadas matérias constitucionais (que são os fundamentos do Estado de Direito). Por serem os fundamentos do Estado de Direito, estão acima do conteúdo das leis. São elas: 
· Direitos e Garantias Fundamentais; 
· Estrutura do Estado e; 
· Organização dos Poderes. 
A supremacia material é atributo de toda a Constituição. Não existe Constituição sem tais matérias e que, portanto, não tenha supremacia de conteúdo com relação às leis. Todavia, não é a supremacia mais importante para fins de controle de constitucionalidade. 
1.2.1. Supremacia formal ou jurídica
Ao contrário da supremacia material, presente em toda e qualquer Constituição, a supremacia formal ou jurídica é característica exclusiva das Constituições rígidas, [footnoteRef:1] pois tais constituições são as únicas que possuem um procedimento de elaboração de suas normas mais solene e complexo do que o procedimento de elaboração da legislação ordinária. [footnoteRef:2] É exatamente essa dificuldade na elaboração das normas que faz com que a Constituição tenha uma supremacia formal em relação às leis (se a forma for a mesma, não há como falar em supremacia formal). [1: (Espec. Regulação/ANP-2013-CESPE): A supremacia formal ou jurídica somente existe nas constituições rígidas.
(Anal. Judic.-TRE/PB-2007-FCC): Em tema de controle de constitucionalidade, a chamada supremacia formal é atributo das Constituições classificadas como rígidas.] [2: (TCEMS-2013-PUCPR): A supremacia formal da constituição decorre da ideia de rigidez e da existência de mecanismos de controle de constitucionalidade.] 
Isso traz uma superioridade hierárquica das normas constitucionais em relação às leis, que se expressa de duas formas:
· Quanto à forma de elaboração das leis: Uma norma infraconstitucional deve observar o procedimento estabelecido pela Constituição. Ex.: CF, art. 69: “As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta”. Esta é uma formalidade constitucionalmente prevista para leis complementares; se uma lei, que trata de matéria reservada à lei complementar for aprovada por maioria simples, haverá uma inconstitucionalidade formal da lei.
· Quanto ao conteúdo da Constituição: As normas devem observar o conteúdo da Constituição em razão do princípio da unidade do ordenamento jurídico (não podem haver normas com conteúdo conflitante entre si). Ex.: se uma lei possui conteúdo incompatível com o conteúdo constitucional, esta lei será materialmente inconstitucional. 
Em matéria de controle de constitucionalidade, o que importa é a supremacia formal da constituição, supremacia esta que decorre da rigidez constitucional (como é o caso da CF/88). Caso haja essa superioridade hierárquica, as leis devem observar a forma prevista na Constituição, bem como o conteúdo das normas constitucionais. [footnoteRef:3] [3: (DPU-2017-CESPE): A CF goza de supremacia tanto do ponto de vista material quanto do formal.
(Analista Administrativo/DPU-2010-CESPE): No que tange à supremacia constitucional e à vigência das normas, assinale a opção correta: As normas jurídicas anteriores à CF devem respeitar a supremacia material da constituição atualmente vigente, sob pena de não serem recepcionadas.] 
##EM RESUMO: Os doutrinadores Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo explicam, de forma didática, a diferença entre supremacia formal e material:
· A SUPREMACIA FORMAL decorre da rigidez constitucional, isto é, da existência de um processo legislativo distinto, mais laborioso, para elaboração da norma constitucional. Uma norma constitucional é dotada de supremacia formal pelo fato de ter sido elaborada mediante um processo legislativo especial, mais rígido, que a diferencia das demais leis do ordenamento.
· A SUPREMACIA MATERIAL decorre do conteúdo da norma constitucional. Uma norma constitucional é dotada de supremacia material em virtude da natureza do seu conteúdo, isto é, por tratar de matéria substancialmente constitucional, que diga respeito aos elementos estruturantes da organização do Estado.
2.1. PARÂMETRO (NORMAS DE REFERÊNCIA) 
##Questiona-se: Quais as partes da Constituição que podem servir de base para o controle de constitucionalidade? Tudo que está no texto constitucional serve como parâmetro? Em controle de constitucionalidade, quando falamos em "parâmetro", queremos dizer quais serão as normas da Constituição que serão analisadas para sabermos se a lei ou o ato normativo atacado realmente as violou. 
Em outras palavras, parâmetro compreende as normas que servirão como referência para que o Tribunal analise se determinada lei é ou não inconstitucional, ou seja, a norma constitucional supostamente violada. Se a lei está em confronto com o parâmetro, ela é inconstitucional.
a) Constituição formal 
A CF/88 é dividida em (i) preâmbulo; (ii) parte permanente – arts. 1º ao 250; e (iii) ADCT.
 PREÂMBULO: Nos termos da jurisprudência do STF, o preâmbulo não possui caráter normativo e, portanto, não serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. 
Ex.: Constituição do Estado do Acre não prevê a proteção de Deus no preâmbulo e, por isso, foi questionada sua constitucionalidade em face do preâmbulo da CF/88. Entretanto, o STF decidiu que o preâmbulo não pode ser invocado como parâmetro de constitucionalidade. 
 PARTE PERMANENTE (arts. 1º a 250 da CF/88): Todas as normas da parte permanente, sem exceção, são normas formalmente constitucionais (elaboradas por um procedimento diferenciado e pelo Poder Constituinte Originário ou Derivado) e, portanto, servem como parâmetro para o controle de constitucionalidade. Não importa a relevância do conteúdo e se é matéria constitucional ou não, mas apenas a forma como foram editadas – supremacia formal (ex.: nãoimporta se é a norma que trata sobre o Colégio Pedro II ou se é a que se refere à dignidade da pessoa humana).
 ADCT: Segundo STF, depende do tipo de norma, conforme abaixo: 
· Normas de eficácia exaurível (ainda não exauriram a sua eficácia, ou seja, não foram aplicadas ao caso concreto por elas previsto) servem como parâmetro para o controle de constitucionalidade. 
· Normas de eficácia exaurida (já produziram os efeitos para que foram criadas) não servem como parâmetro para o controle de constitucionalidade. 
Ex.1: ADCT, art. 2º “No dia 7 de setembro de 1993 o eleitorado definirá, através de plebiscito, a forma (república ou monarquia constitucional) e o sistema de governo (parlamentarismo ou presidencialismo) que devem vigorar no País”; 
Ex.2: ADCT, art. 3º “A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral”. 
##Atenção: ##STF: ##DOD: Cabe ADPF para declarar a constitucionalidade de dispositivo de lei cuja eficácia já foi exaurida. Dado o seu perfil subsidiário, a arguição de descumprimento de preceito fundamental se apresenta como medida processual mais adequada para afirmar a constitucionalidade do art. 38 da Lei nº 8.880/94, dispositivo de natureza transitória e de eficácia já exaurida que instrumentalizou a instituição do Plano Real. STF. Plenário. ADPF 77/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 16/5/19 (Info 940).
##Comentário do julgado acima: ##DOD: Nas palavras do STF: “O requisito da subsidiariedade está presente, visto que se questiona preceito de natureza eminentemente transitória, com efeitos exauridos no momento do ajuizamento da ação. É incabível outro instrumento de controle concentrado capaz de solver a controvérsia de forma ampla, geral e imediata”.
b) Princípios implícitos na Constituição (ordem constitucional global) 
Os princípios implícitos são aqueles que estão consagrados no texto da Constituição, mas não de maneira textual (expressa), apenas de maneira implícita. Em outras palavras, são aqueles que podem ser deduzidos das normas expressamente consagradas no texto constitucional. 
Ex.: princípio da razoabilidade – não está expresso na CF/88, mas pode ser deduzido de várias normas nela consagradas (por exemplo, Estado de Direito). 
##Atenção: Canotilho utiliza a expressão “ordem constitucional global” para se referir tanto aos princípios implícitos, quanto à normas expressas (escritas) da Constituição formal. 
c) Tratados e convenções internacionais de direitos humanos (CF, art. 5º, § 3º) 
Com a EC 45/04, passamos a ter um novo parâmetro para o controle de constitucionalidade, que são os tratados e convenções internacionais de direitos humanos. São normas fora do texto da CF/88 que possuem o status de Emenda Constitucional, visto que possuem a mesma forma de aprovação das Emendas. Vejamos:
CF, art. 5º, § 3º: “Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais”. 
Sendo assim, a CF/88 exige um requisito material (serem os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos) e um requisito formal (serem aprovados por 3/5 dos votos dos membros da Câmara e do Senado e em dois turnos).[footnoteRef:4] [4: (MPCE-2020-CESPE): No Brasil, após a promulgação da EC nº 45/04, os tratados relativos aos direitos humanos aprovados na forma prevista são equivalentes às emendas constitucionais. BL: art. 5º, §3º, CF.
(MPSC-2019): Em conformidade com o entendimento do STF, os tratados e convenções sobre direitos humanos que não foram aprovados na forma do art. 5º, § 3º, da Constituição da República Federativa do Brasil, possuem natureza de normas supralegais. BL: art. 5º, §3º, CF.] 
Ex.: Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Embora esteja fora do texto constitucional é formalmente constitucional e, portanto, serve como parâmetro do controle de constitucionalidade.
##Atenção: Existem três tratados internacionais aprovados no Brasil nesses moldes: 
· A Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência;
· O Protocolo Facultativo à proteção dos Direitos das Pessoas com Deficiência (Convenção de Nova Iorque); e
· O Tratado de Marraqueche (dá direito às pessoas com deficiência visual de terem livros impressos escritos em plataformas legíveis por tais pessoas, em detrimento dos direitos autorais dos autores e editoras). [footnoteRef:5] [5: (DPEPR-2017-FCC): De acordo com o posicionamento do STF sobre a hierarquia dos tratados internacionais de direitos humanos, consideram-se como tratados de hierarquia constitucional: 1) Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu respectivo Protocolo Facultativo − Convenção de Nova Iorque e; 2) Tratado de Marraqueche para facilitar o acesso a obras publicadas às pessoas cegas, com deficiência visual ou com outras dificuldades para aceder ao texto impresso.
##Atenção: O Tratado de Marraqueche foi aprovado pelo Congresso Nacional com status de emenda pelo Decreto Legislativo 261/2015, em setembro de 2015, sendo ratificado em 11 de dezembro de o 2015. Ainda aguarda-se a promulgação do Tratado. (ACR, 2017, p. 282/283). Sendo assim, o Brasil aprovou o Tratado de Marraqueche na forma qualificada prevista no § 3º do artigo 5º da Constituição Federal, conforme o Projeto de Decreto Legislativo 347/2015 do Senado Federal (57/2015, na Câmara dos Deputados). Com o vigor internacional do Tratado, o Brasil passa a ter mais um instrumento com equivalência de emenda constitucional — o terceiro tratado com nível hierárquico formalmente constitucional no Brasil, que vem somar-se à Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e pelo seu Protocolo Facultativo, ambos aprovados por maioria congressual qualificada em 2009 (promulgados pelo Decreto 6.949/2009).
(MPSP-2013): O Decreto Legislativo n.º 186, de 09 de julho de 2008, aprovou o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova Iorque, em 30 de março de 2007. O Decreto n.º 678, de 6 de novembro de 1992, promulgou a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), de 22 de novembro de 1969.Tais normas ingressaram no ordenamento jurídico brasileiro com o grau hierárquico de norma constitucional e norma supralegal, respectivamente.
##Atenção: A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova Iorque, em março de 2007 trata-se DE NORMA CONSTITUCIONAL, posto que FOI APROVADA PELO QUORUM QUALIFICADO DE EMENDA CONSTITUCIONAL, previsto no art. 5º § 3º da CF/88. Já a Convenção Americana de Direitos Humanos, como NÃO FORA APROVADA PELO QUORUM QUALIFICADO, trata-se de NORMA SUPRALEGAL, isto é, acima, da lei, mas abaixo da CF/88, consoante entendimento do STF. Porém, há doutrina que entende que os tratados internacionais de Direitos Humanos, MESMO QUE NÃO APROVADOS PELO QUORUM QUALIFICADO DE EMENDA CONSTITUCIONAL, tem status DE NORMA CONSTITUCIONAL, consoante art. 5º, §3º DA CF/88.] 
##Atenção: Tripla hierarquia dos Tratados Internacionais: O STF a partir do RE 466.343/SP determinou que os Tratados Internacionais possuem tripla hierarquia. Os de maior hierarquia são os de direitos humanos aprovados na forma do §3º art. 5º da CF/88, que possuem o mesmo patamar da Constituição Federal. Abaixo deles estão os Tratados sobre Direitos Humanos que não foram aprovados na forma citada, tendo status supralegal, como o Pacto de São José da Costa Rica. Eles estão abaixo da CF e acima das leis. Há ainda os tratados internacionais que não são de direitos humanos, que tem status de leis ordinárias. Tal raciocínio pode ser resumido no quadro abaixo extraído do site do professor Márcio Cavalcante, do Dizer o Direito, que apresenta, de forma detalhada, a natureza jurídica e a equivalência da espécie normativados tratados internacionais promulgados pelo Brasil:
	Qual é a natureza jurídica dos tratados internacionais promulgados pelo Brasil?
Os tratados internacionais são equivalentes a que espécie normativa?
	1) Tratados internacionais que não tratem sobre direitos humanos
	Status de lei ordinária
	2) Tratados internacionais que versem sobre direitos humanos, mas que não tenham sido aprovados na forma do art. 5º, § 3º, da CF/88
	Status supralegal
	3) Tratados internacionais sobre Direito Tributário (art. 98 do CTN)
	Status supralegal
	4) Tratados internacionais sobre matéria processual civil (art. 13 do CPC/2015)
	Status supralegal
	5) Tratados internacionais que versem sobre direitos humanos e que tenham sido aprovados na forma do art. 5º, § 3º, da CF/88
	Emenda constitucional
##Atenção: ##STF: ##DOD: Segundo o STF, não se admite ADI contra lei que teria violado tratado internacional não incorporado ao ordenamento brasileiro na forma do art. 5º, § 3º da CF/88:
Em regra, não é cabível ADI sob o argumento de que uma lei ou ato normativo violou um tratado internacional. Em regra, os tratados internacionais não podem ser utilizados como parâmetro em sede de controle concentrado de constitucionalidade. 
Exceção: será cabível ADI contra lei ou ato normativo que violou tratado ou convenção internacional que trate sobre direitos humanos e que tenha sido aprovado segundo a regra do § 3º do art. 5º, da CF/88. Isso porque neste caso esse tratado será incorporado ao ordenamento brasileiro como se fosse uma emenda constitucional. STF. Plenário. ADI 2030/SC, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/8/2017 (Info 872).
O STF, em relação ao julgado acima, não conheceu da ADI proposta contra a referida lei estadual porque a Convenção sobre Prevenção da Poluição Marinha por Alijamento de Resíduos e Outras Matérias (Decreto 87.566/1982) não trata sobre direitos humanos e, portanto, possui status de lei ordinária em nosso país. Logo, o autor estava alegando, em uma ADI, que uma lei estadual teria violado uma norma com status de lei ordinária federal. Isso não é matéria de ADI. Nas palavras do STF, “não se admite o exame de contrariedade à norma infraconstitucional em sede de controle concentrado de constitucionalidade”.
##Atenção: Registre-se que todos os tratados internacionais sobre Direitos Humanos são paradigmas do controle da convencionalidade das leis - não apenas a CADH. –, compreendendo uma modalidade parecida com o controle de constitucionalidade, como medida apta a aferir a consonância das normas aos tratados internacionais com status de emenda constitucional ou de supralegalidade. Existem duas situações: 
· 1ª) Controle CONCENTRADO de Convencionalidade: requer-se que o tratado tenha equivalência de emenda constitucional, caso contrário, não será apreciado pelo STF. Temos tratados aprovados com essa equivalência pelo Brasil: a) A convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência; b) O Protocolo dos Direitos das Pessoas com Deficiência; e b) O Tratado de Marrakesh. Pode-se utilizar todas as ações do controle abstrato para invalidar leis federais ou estaduais que violem os tratados internacionais de Direitos Humanos constitucionalizados (ex.: ADI; ADCON; ADPF). 
· 2ª) Controle DIFUSO de Convencionalidade: todos os juízes podem exercer. Tem como base TODOS os tratados de direitos humanos, sejam tratados supralegais, sejam os com status de emendas, sejam aprovados pela sistemática do art. 5º, §2º ou art. 5º, §3º da CF. Desse modo, quaisquer tratados de direitos humanos possuem status especial no direito brasileiro, acima das leis ordinárias e, portanto, serão paradigmas de controle pela via difusa. Além disso, os tratados sobre direitos humanos não se contentam em aplicar sempre o tratado. Assim, havendo norma mais benéfica ao indivíduo, aplica-se a norma mais benéfica, isto é, no controle difuso de convencionalidade opera sempre que o tratado internacional for mais benéfico ao cidadão, independe o status de tratado sobre Direitos Humanos. Porém, ressalte-se que nos casos em que a regra interna seja a mais benéfica, o próprio tratado internacional cederá diante do direito interno.[footnoteRef:6] [6: (MPSP-2019): A respeito do controle de convencionalidade, é correto afirmar: É realizado de forma difusa por qualquer juízo ou tribunal, inclusive o STF em julgamento de RE.
(TJRS-2018-VUNESP): No atual sistema normativo brasileiro, à luz do posicionamento assumido pelo STF, os tratados que possuem status normativo supralegal são sujeitos a um controle de convencionalidade difuso, sendo dever do juiz nacional examinar a compatibilidade das normas internas com as convencionais, mediante provocação da parte ou de ofício. BL: art. 5º, §3º, CF.] 
##Atenção: Incorporação dos Tratados Internacionais no ordenamento jurídico brasileiro:
· 1ª tese: A jurisprudência e doutrina concordam que qualquer tratado internacional já é norma com status constitucional. Se aprovado pelo art. 5, §3º, da CF, são equivalentes às Emendas Constitucionais;
· 2ª tese: O STF vai dizer que todos os tratados de Direitos Humanos tem status supralegal, porém infraconstitucional. Todavia, se aprovados pelo art. 5º, §3º da CF, serão equivalentes às Emendas Constitucionais;
· 3ª tese: DIVERGÊNCIA = Tratado NÃO APROVADOS pelo art. 5º, §3º, da CF: 
· STF: a hierarquia é de norma supralegal. 
· Doutrina: a hierarquia é de norma com status constitucional.
2.1.1. “Bloco de constitucionalidade” 
Expressão cunhada pelo autor Louis Favoreu para fazer referência às normas do ordenamento jurídico francês com status constitucional. 
Na França, além da Constituição de 1958, também faz parte do “bloco de constitucionalidade”, o preâmbulo da Constituição de 1946 (Obs.: a Constituição de 1958 não possui preâmbulo), a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 e os princípios implícitos extraídos pela jurisprudência do Conselho Constitucional francês, órgão de cúpula francês no âmbito administrativo (Ex.: salvaguarda da dignidade da pessoa humana e da continuidade do serviço público). 
A expressão “bloco de constitucionalidade” é muito utilizada pelo Min. Celso de Mello. Tal expressão se espalhou pelo mundo e hoje é utilizada pela doutrina em dois sentidos diferentes: [footnoteRef:7] [7: (TRF5-2009-CESPE): A respeito do controle de constitucionalidade das leis e dos atos normativos, assinale a opção correta: A expressão bloco de constitucionalidade pode ser entendida como o conjunto normativo que contém disposições, princípios e valores materialmente constitucionais fora do texto da CF formal.
(DPEMS-2012-VUNESP): Considerando a doutrina pátria do direito constitucional, pode-se afirmar sobre o denominado bloco de constitucionalidade brasileiro que a Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência, aprovada pelo Decreto Legislativo n.º 186/08, passou a integrar o nosso bloco de constitucionalidade.] 
 SENTIDO AMPLO: Abrange normas formalmente constitucionais e, também, normas vocacionadas a desenvolver a eficácia dos preceitos constitucionais, isto é, normas necessárias a desenvolver direitos garantidos na CF/88, a exemplo do art. 7º, IV da CF/88, que trata do salário mínimo que deve ser fixado em lei. Dessa forma, a lei que determina o salário mínimo faria parte do bloco de constitucionalidade. Nos direitos sociais isso é muito comum. Sendo assim, o bloco de constitucionalidade em sentido amplo abrange, inclusive, normas infraconstitucionais que regulamentam dispositivos da Constituição. [footnoteRef:8] Vejamos o teor do art. 7º, IV da CF/88: [8: (Assessor Jurídico/TJPR-2013-PUCPR): Bloco de constitucionalidade é o parâmetro de constitucionalidade fundado numa concepção ampliada de elemento conceitual de constitucionalidade, numa ideia de ordem constitucional global.] 
CF/88, art. 7º, IV: “São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] 
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às desua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; [...]”. 
Para que o trabalhador usufrua do salário-mínimo é necessário que exista uma norma regulamentadora fixando o seu valor. Assim, em sentido amplo, a lei que estabelece que o valor do salário-mínimo faz parte do bloco de constitucionalidade, pois, sem ela, a norma prevista na Constituição não possuirá eficácia positiva (aptidão para ser aplicada ao caso previsto por ela). Portanto, tal preceito é fundamental para dar eficácia e efetividade ao dispositivo constitucional. 
No Brasil, seria possível incluir o preâmbulo da CF/88 no bloco de constitucionalidade e o Pacto de São José da Costa Rica – tratado internacional de direitos humanos não aprovado pelo rito da CF, art. 5º, § 3º (status supralegal). Embora não sirvam como parâmetro, estão dentro do bloco de constitucionalidade em sentido amplo. 
 SENTIDO ESTRITO (utilizado pelo Ministro Celso de Mello, do STF): Abrange apenas normas de referência para o controle de constitucionalidade. Em sentido estrito, portanto, o bloco de constitucionalidade é equivalente ao parâmetro (“paradigma de confronto”) de constitucionalidade, restringindo-se à CF/88, aos princípios implícitos e aos Tratados sobre Direitos Humanos, aprovados na forma do art. 5 §3º da CF/88. [footnoteRef:9] [9: (DPEMT-2016-UFMT): Leia o texto abaixo. [...] A Constituição de 1988 é explicitamente receptiva ao Direito Internacional Público em matéria de direitos humanos, o que configura uma identidade de objetivos do Direito Internacional e do Direito Público Interno, quanto à proteção da pessoa humana. [...] (LAFER, C. A internacionalização dos direitos humanos: Constituição, racismo e relações internacionais. Barueri, SP: Manole, 2005.). Sobre os tratados internacionais de direitos humanos e o bloco de constitucionalidade, assinale a afirmativa correta: As normas dos tratados de direitos humanos recepcionados pela Constituição de 1988 são materialmente constitucionais e servem de parâmetro hermenêutico para imprimir vigor à força normativa da Constituição.
(DPEMS-2012-VUNESP): Considerando a doutrina pátria do direito constitucional, pode-se afirmar sobre o denominado bloco de constitucionalidade brasileiro que a Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência, aprovada pelo Decreto Legislativo n.º 186/08, passou a integrar o nosso bloco de constitucionalidade.] 
Nesse sentido, vejamos o seguinte trecho da ADI 545/ES:
“Veja-se, pois, a importância de compreender-se, com exatidão, o significado que emerge da noção de bloco de constitucionalidade [...], pois, dessa percepção, resultará, em última análise, a determinação do que venha a ser o paradigma de confronto, cuja definição mostra-se essencial, em sede de controle de constitucionalidade, à própria tutela constitucional” (g.n.).
3.1. FORMAS DE INCONSTITUCIONALIDADE 
São várias classificações, cada uma baseada em determinado critério. 
##Obs.: O professor Marcelo Novelino analisa as mais importantes para concursos públicos. 
3.1.1. Quanto ao tipo de conduta praticada pelo Poder Público 
a) Por ação 
Decorre de condutas comissivas (facere) contrárias a preceitos constitucionais. 
Na inconstitucionalidade por ação, o poder público pratica uma conduta comissiva incompatível com a constituição. 
Ex.: Lei de Crimes Hediondos, que vedava a progressão do regime em abstrato. Segundo STF, tal disposição violava o princípio da individualização da pena, previsto no art. 5º da CF/88. Nesse caso, o legislador criou uma lei contrária a um preceito constitucional (por isso, inconstitucionalidade por ação).
b) Por omissão (total ou parcial) 
Ocorre quando não são adotadas (non facere ou non praestare), ou quando são adotadas, de modo insuficiente, medidas necessárias para tornar plenamente aplicáveis normas constitucionais carentes de intermediação (“fenômeno da erosão da consciência constitucional”, de Karl Loewenstein). A omissão pode ser total ou parcial.[footnoteRef:10] Nesse sentido, vale recordar a seguinte decisão do STF: [10: (TRF4-2010): Assinale a alternativa correta: A inconstitucionalidade pode decorrer de omissão total ou parcial por parte do Poder Público.] 
STF: “Se o Estado deixar de adotar as medidas necessárias à realização concreta dos preceitos da Constituição, em ordem a torná-los efetivos, operantes e exequíveis, abstendo-se, em consequência, de cumprir o dever de prestação que a Constituição lhe impôs, incidirá em violação negativa do texto constitucional. Desse non facere ou non praestare, resultará a inconstitucionalidade por omissão, que pode ser total, quando é nenhuma a providência adotada, ou parcial, quando é insuficiente a medida efetivada pelo Poder Público.” (ADI 1.458-MC, rel. min. Celso de Mello, julgamento em 23-5-1996, Plenário, DJ de 29-9-1996.)[footnoteRef:11] [11: (TJAM-2016-CESPE): À luz da jurisprudência do STF, assinale a opção correta acerca da supremacia da CF e dos diferentes tipos de inconstitucionalidade: Se o Estado deixar de adotar as medidas necessárias à realização concreta dos preceitos da CF, ou seja, a torná-los efetivos, operantes e exequíveis, abstendo-se, em consequência, de cumprir o dever de prestação que a CF lhe impôs, incidirá em violação negativa do texto constitucional. Desse non facere ou non praestare, resultará a inconstitucionalidade por omissão, que pode ser total ou parcial. BL: ADI 1458-MC, STF.] 
No caso de normas de eficácia limitada, se o Poder Público não age, há omissão total – a norma não consegue produzir efeitos no caso concreto. Por outro lado, se a lei for insuficiente (ex.: lei do salário mínimo como valor que não é suficiente para atender às necessidades vitais básicas do cidadão), há omissão parcial por parte do Poder Público. 
##Obs.: “Fenômeno da erosão da consciência constitucional” (criada por Karl Loewenstein e utilizada por Celso de Mello, ADI 484): Quando o Parlamento se abstém de cumprir o dever de legislar viola a integridade da Constituição e estimula o fenômeno da erosão da consciência constitucional. De acordo com Loewenstein, é um fenômeno no qual a indiferença dos Poderes Públicos em relação à Constituição cria um efeito psicológico na sociedade, ou seja, cria-se uma espécie de atrofia da consciência constitucional (a consciência de que a Constituição é uma norma que deve ser respeitada e observada fica atrofiada). Há uma erosão dessa consciência constitucional.
3.1.1.1. Estado de coisas inconstitucional (ECI)[footnoteRef:12] [12: (DPEAP-2018-FCC): Em voto proferido quando da concessão de medida cautelar em sede de arguição de descumprimento de preceito fundamental, o Ministro Relator, apoiando-se em técnica empregada por Corte Constitucional estrangeira, entendeu que estava comprovada, no caso, situação de violação generalizada de direitos fundamentais e incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar a situação, sendo que a superação das transgressões exigia a atuação não apenas de um órgão, e sim de uma pluralidade de autoridades. Mais adiante, afirmou o Relator que, em situações tais, ao Tribunal cabe retirar as autoridades públicas do estado de letargia, provocar a formulação de novas políticas públicas, aumentar a deliberação política e social sobre a matéria e monitorar o sucesso da implementação das providências escolhidas, assegurando, assim, a efetividade prática das soluções propostas. Cuida-se, no caso, de técnica de 
declaração de estado de coisas inconstitucional. BL: ADPF 347 MC/DF, no Info 798 do STF. 
(DPEPR-2017-FCC): Em determinada decisão de sua relatoria no STF, Ministro da referida casa assim se pronunciou: o Tribunal não chega a ser um “elaborador” de políticas públicas, e sim um coordenador institucional, produzindo um “efeito desbloqueador”. Na mesma decisão disse, ainda, que naquele caso caberia ao Judiciário catalisar ações e políticas públicas,coordenar a atuação dos órgãos do Estado na adoção dessas medidas e monitorar a eficiência das soluções. Os efeitos mencionados pelo Ministro são característicos da decisão que reconhece o Estado de Coisas Inconstitucional BL: ADPF 347 MC/DF, no Info 798 do STF. ] 
Segundo Carlos Alexandre de Azevedo Campos,[footnoteRef:13] o Estado de Coisas Inconstitucional ocorre quando: [13: ##Atenção: Conceito baseado nas lições de Carlos Alexandre de Azevedo Campos (O Estado de Coisas Inconstitucional e o litígio estrutural. Disponível em: http://www.conjur.com.br/2015-set-01/carlos-campos-estado-coisas-inconstitucional-litigio-estrutural), artigo cuja leitura se recomenda.] 
• verifica-se a existência de um quadro de violação generalizada e sistêmica de direitos fundamentais,
• causado pela inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar tal conjuntura;
• de modo que apenas transformações estruturais da atuação do Poder Público e a atuação de uma pluralidade de autoridades podem modificar a situação inconstitucional.
O Estado de Coisas Inconstitucional é uma subespécie de inconstitucionalidade derivada da conduta do Poder Público, criado pela Corte Constitucional Colombiana, resultante de um conjunto de ações e omissões dos Poderes Públicos (ou seja, por condutas comissivas e omissivas). 
No Brasil, foi trazido pela ADPF 347 – o ECI questionado foi com relação ao sistema carcerário brasileiro. 
Vejamos o teor da ADPF 347, veiculada no Info 798 do STF (Fonte: DOD):
O Estado de Coisas Inconstitucional ocorre quando verifica-se a existência de um quadro de violação generalizada e sistêmica de direitos fundamentais, causado pela inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar a conjuntura, de modo que apenas transformações estruturais da atuação do Poder Público e a atuação de uma pluralidade de autoridades podem modificar a situação inconstitucional. O STF reconheceu que o sistema penitenciário brasileiro vive um "Estado de Coisas Inconstitucional", com uma violação generalizada de direitos fundamentais dos presos. As penas privativas de liberdade aplicadas nos presídios acabam sendo penas cruéis e desumanas. Vale ressaltar que a responsabilidade por essa situação deve ser atribuída aos três Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), tanto da União como dos Estados-Membros e do Distrito Federal. A ausência de medidas legislativas, administrativas e orçamentárias eficazes representa uma verdadeira "falha estrutural" que gera ofensa aos direitos dos presos, além da perpetuação e do agravamento da situação. Assim, cabe ao STF o papel de retirar os demais poderes da inércia, coordenar ações visando a resolver o problema e monitorar os resultados alcançados. Diante disso, o STF, em ADPF, concedeu parcialmente medida cautelar determinando que: 1) juízes e Tribunais de todo o país implementem, no prazo máximo de 90 dias, a audiência de custódia; 2) a União libere, sem qualquer tipo de limitação, o saldo acumulado do Fundo Penitenciário Nacional para utilização na finalidade para a qual foi criado, proibindo a realização de novos contingenciamentos. Na ADPF havia outros pedidos, mas estes foram indeferidos, pelo menos na análise da medida cautelar. STF. Plenário. ADPF 347 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 9/9/15 (Info 798)
3.1.1.1.1. Origem
A ideia de que pode existir um Estado de Coisas Inconstitucional e que a Suprema Corte do país pode atuar para corrigir essa situação surgiu na Corte Constitucional da Colômbia, em 1997, com a chamada "Sentencia de Unificación (SU)". A Corte Constitucional da Colômbia constatou que a inércia estatal decorria do labirinto burocrático e do bloqueio institucional responsáveis por descoordenar e dispersar a responsabilidade sobre o tema(GRAVITO; FRANCO, 2010). Foi aí que primeiro se utilizou essa expressão. Depois disso, a técnica já teria sido empregada em mais nove oportunidades naquela Corte. Existe também notícia de utilização da expressão pela Corte Constitucional do Peru.
3.1.1.2.1. Pressupostos para a configuração: fático, político e jurídico
PRESSUPOSTO FÁTICO: Para que haja um Estado de Coisas Inconstitucional, não basta violação a um direito subjetivo individual; deve haver uma violação generalizada e sistêmica de direitos fundamentais, que afete um número elevado e indeterminado de pessoas. A violação é sistêmica e não individualizada, ou seja, deve haver uma vulneração massiva e generalizada de direitos fundamentais de um número significativo de pessoas. Ex.: na Colômbia, foi invocado em razão do deslocamento forçado de pessoas em virtude das FARCs. 
PRESSUPOSTO POLÍTICO: Caracterizados por exigir um conjunto de ações e omissões reiteradas, tendentes a perpetuar ou agravar o quadro de inconstitucionalidade. Os poderes públicos, ao invés de contribuir para a resolução do problema, acaba fazendo com que o problema fique ainda mais agravado. Isso fica muito claro com a crise do sistema carcerário no Brasil, já que os poderes públicos não têm adotado medidas suficientes para resolver esse problema (até por não ser uma medida muito popular para os eleitores). 
PRESSUPOSTO JURÍDICO: É a necessidade de adoção de medidas estruturais para a superação das violações constatadas. Não basta apenas uma determinada medida contra um determinado poder. Para que o Estado de Coisas Inconstitucional possa ser resolvido, é necessário que sejam adotadas medidas estruturais (já que as falhas são estruturais). Ainda no exemplo do sistema carcerário, a culpa dessa crise é só de um poder ou entidade? Não, é global, estrutural (há falhas de todos os poderes e ocorre em diversos estados). 
3.1.1.3.1. Medidas judiciais 
As medidas judiciais não são voltadas para a proteção de direitos subjetivos, mas, sim, para proteger a dimensão objetiva dos direitos fundamentais. Em outras palavras, é a proteção dos direitos fundamentais na perspectiva da sociedade como um todo e não de indivíduos específicos. 
Além disso, são medidas voltadas a resolver um “litígio estrutural”, que é caracterizado pelo alcance a número amplo de pessoas e órgãos (e não entre partes específicas) e por implicar ordens de execução complexa (foge um pouco do padrão de medidas adotadas pelos poderes públicos e do controle judicial) – medidas não ortodoxas. Ex.: revisão dos gastos públicos, debates entre os Poderes sobre as soluções a serem adotadas. É como se o Poder Judiciário fosse uma espécie de provocador do debate. 
Há uma atuação proativa do Poder Judiciário, isto é, age de forma um pouco mais “forte” do que em outras situações. Nessa atuação, costuma formular ordens flexíveis de execução, isto é, o Poder Judiciário não detalha a política pública a ser implementada, mas limita-se a estabelecer balizas/parâmetros para a atuação dos Poderes. Dentro dessas balizas, os Poderes adotarão as medidas necessárias para tentar resolver o Estado de Coisas Inconstitucional.
Além das ordens flexíveis para que realmente a decisão judicial tenha efetividade, a experiência colombiana releva que é necessário um monitoramento contínuo da decisão, uma espécie de fiscalização do cumprimento da decisão. 
Existem várias críticas a esta atuação proativa do Poder Judiciário quando declara o Estado de Coisas Inconstitucional. A mais contundente, contudo, é com relação à separação dos poderes: o Poder Judiciário, ao ser proativo, acaba por substituir a atuação dos Poderes políticos, de modo a violar o princípio da separação dos Poderes. É a mesma crítica feita ao ativismo judicial.
Nesse sentido, vejamos trecho da ADPF 344 MC/DF, julgada pelo STF:
“[...] Presente quadro de violação massiva e persistente de direitos fundamentais, decorrente de falhas estruturais e falência de políticas públicas e cuja modificação depende de medidas abrangentes de natureza normativa, administrativa e orçamentária, deve o sistema penitenciário nacional ser caracterizado como ‘estado de coisas inconstitucional’”.
##Questiona-se: O que a Corte Constitucional do paísfaz após constatar a existência de um ECI? O ECI gera um “litígio estrutural”, ou seja, existe um número amplo de pessoas que são atingidas pelas violações de direitos. Diante disso, para enfrentar litígio dessa espécie, a Corte terá que fixar “remédios estruturais” voltados à formulação e execução de políticas públicas, o que não seria possível por meio de decisões mais tradicionais. A Corte adota, portanto, uma postura de ativismo judicial estrutural diante da omissão dos Poderes Executivo e Legislativo, que não tomam medidas concretas para resolver o problema, normalmente por falta de vontade política. [footnoteRef:14] No entanto, o Plenário entendeu que o STF não pode substituir o papel do Legislativo e do Executivo na consecução de suas tarefas próprias. Em outras palavras, o Judiciário deverá superar bloqueios políticos e institucionais sem afastar, porém, esses poderes dos processos de formulação e implementação das soluções necessárias. Nesse sentido, não lhe incumbe definir o conteúdo próprio dessas políticas, os detalhes dos meios a serem empregados. Em suma, o Poder Judiciário exerce um papel instaurador e coordenador do diálogo institucional entre os Poderes. Ele provoca o debate em torno do tema para que sejam adotadas as medidas de natureza normativa, administrativa e orçamentária voltadas à resolução do Estado de Coisas Inconstitucional. [14: (TJBA-2019-CESPE): A respeito da situação conhecida como estado de coisas inconstitucional, assinale a opção correta: No plano dos remédios estruturais para saneamento do estado de coisas inconstitucional, estão a superação dos bloqueios institucionais e políticos e o aumento da deliberação de soluções sobre a demanda. BL: Info 798 do STF.] 
##Atenção: Na ocasião, o Min. Marco Aurélio, ao tratar da legitimidade da Corte para intervir na situação carcerária, em seu voto, esclareceu o seguinte: “Apenas o Supremo revela-se capaz, ante a situação descrita, de superar os bloqueios políticos e institucionais que vêm impedindo o avanço de soluções, o que significa cumprir ao Tribunal o papel de retirar os demais. Poderes da inércia, catalisar os debates e novas políticas públicas, coordenar as ações e monitorar os resultados. Isso é o que se aguarda deste Tribunal e não se pode exigir que se abstenha de intervir, em nome do princípio democrático, quando os canais políticos se apresentem obstruídos, sob pena de chegar-se a um somatório de inércias injustificadas. (AURÉLIO, Marco. Voto medida cautelar da ADPF 347).”
3.2.1. Quanto à norma constitucional ofendida[footnoteRef:15] [15: ##Atenção: Tema cobrado na prova do TRF2-2009, Banca CESPE.] 
Levando em consideração a norma constitucional atingida, a inconstitucionalidade poderá ser:
 
a) Formal: (ou nomodinâmica – relacionada ao processo de criação de normas, que é dinâmico).[footnoteRef:16] Significa, portanto, que a norma constitucional atingida estabelece uma formalidade ou algum procedimento a ser observado. [16: (Analista/MPU-2010-CESPE): Verifica-se a inconstitucionalidade formal, também conhecida como nomodinâmica, quando a lei ou o ato normativo infraconstitucional contém algum vício em sua forma, independentemente do conteúdo.] 
Subdivide-se em três espécies, vejamos:
 FORMAL PROPRIAMENTE DITA (subjetiva/objetiva): Ocorre quando há violação de norma constitucional referente ao processo legislativo (CF, arts. 59 e ss.). Quando a norma constitucional violada estabelece o processo de elaboração de outras normas, a inconstitucionalidade é formal propriamente dita. Ela poderá ser:
· Subjetiva – Está relacionada ao sujeito, ou seja, não houve a observância do sujeito competente para tomar a iniciativa. Ex.: CF, art. 61, § 1º (leis de iniciativa do Presidente da República). Se algum deputado/senador propuser lei sobre alguma das matérias elencadas no § 1º, haverá inconstitucionalidade formal subjetiva da norma. São os casos de vícios de iniciativa. De acordo com o STF (ADI 3739), o vício de iniciativa não pode ser suprido pela sanção posterior do Presidente da República. Trata-se de vício insanável, de forma que a Súmula nº 5 do STF foi superada após a CF/88. 
· Objetiva – Não houve a observância das demais fases processo legislativo. Ex.: CF, art. 60, § 2º (procedimentos para aprovação de Emendas). Se a Emenda for votada em apenas um turno, haverá inconstitucionalidade formal objetiva.
 FORMAL ORGÂNICA: Ocorre quando há violação de norma definidora do órgão competente para tratar da matéria. Ex.: CF, art. 22 (elenca uma série de matérias que são de competência da União) – se um estado-membro legislar sobre alguma dessas matérias, haverá inconstitucionalidade formal orgânica. 
 FORMAL POR VIOLAÇÃO A PRESSUPOSTOS OBJETIVOS: É aquela ocorre por inobservância de requisitos (pressupostos objetivos) constitucionalmente exigidos para elaboração de determinados atos normativos. Ex.: CF, art. 62 – observância dos requisitos de relevância e urgência para edição de Medidas Provisórias. 
##Atenção: O STF admite o controle judicial dos pressupostos constitucionais para a edição de Medida Provisória, mas apenas em hipóteses excepcionais, quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva.[footnoteRef:17] Vejamos os seguintes julgados do STF, ambos veiculados no Info 851: [17: (TJSP-2017-VUNESP): A edição de medidas provisórias pelo Presidente da República, com fundamento nos conceitos jurídicos indeterminados de “urgência” e “relevância”, submete-se a controle jurisdicional, uma vez que seu regime jurídico é de natureza constitucional e a atividade do chefe do Poder Executivo é de competência extraordinária.
##Atenção: De acordo com o STF, a análise dos requisitos constitucionais de "relevância" e "urgência" pelo Poder Judiciário é possível mas só deve ocorrer excepcionalmente, quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva. Conforme entendimento consolidado da Corte, os requisitos constitucionais legitimadores da edição de medidas provisórias, vertidos nos conceitos jurídicos indeterminados de "relevância" e "urgência" (art. 62 da CF), apenas em caráter excepcional se submetem ao crivo do Poder Judiciário, por força da regra da separação de poderes (art. 2º da CF) (ADI 2.213, Rel. Min. Celso de Mello, DJ de 23-4-2004; ADI 1.647, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 26-3-1999; ADI 1.753-MC, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 12-6-1998; ADI 162-MC, Rel. Min. Moreira Alves, DJ de 19-9-1997).
(Anal. Legisl.-Câm. Deputados-2014-CESPE): Julgue o item seguinte , referente ao processo legislativo e ao controle preventivo de constitucionalidade. Se o presidente da República editar determinada medida provisória, os requisitos constitucionais de relevância e urgência apenas em caráter excepcional submeter-se-ão ao crivo do Poder Judiciário, por força do princípio da separação dos poderes.] 
Se é proposta uma ADI contra uma medida provisória e, antes de a ação ser julgada, a MP é convertida em lei com o mesmo texto que foi atacado, esta ADI não perde o objeto e poderá ser conhecida e julgada. Como o texto da MP foi mantido, não cabe falar em prejudicialidade do pedido. Isso porque não há a convalidação ("correção") de eventuais vícios existentes na norma, razão pela qual permanece a possibilidade de o STF realizar o juízo de constitucionalidade. Neste caso, ocorre a continuidade normativa entre o ato legislativo provisório (MP) e a lei que resulta de sua conversão. Ex: foi proposta uma ADI contra a MP 449/1994 e, antes de a ação ser julgada, houve a conversão na Lei nº 8.866/94. Vale ressaltar, no entanto, que o autor da ADI deverá peticionar informando esta situação ao STF e pedindo o aditamento da ação. STF. Plenário. ADI 1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2016 (Info 851).[footnoteRef:18] [18: ##Atenção: Tema cobrado na prova do MPMT-2019 (FCC).] 
O art. 62 da CF/88 prevê que o Presidente da República somente poderá editar medidas provisórias em caso de relevância e urgência. A definição do que seja relevante e urgente para fins de edição de medidas provisórias consiste,em regra, em um juízo político (escolha política/discricionária) de competência do Presidente da República, controlado pelo Congresso Nacional. Desse modo, salvo em caso de notório abuso, o Poder Judiciário não deve se imiscuir na análise dos requisitos da MP. No caso de MP que trate sobre situação tipicamente financeira e tributária, deve prevalecer, em regra, o juízo do administrador público, não devendo o STF declarar a norma inconstitucional por afronta ao art. 62 da CF/88. STF. Plenário. ADI 1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2016 (Info 851).
STF: (...) “A verificação pelo Judiciário dos requisitos de relevância e urgência para a adoção de medida provisória só é possível em caráter excepcional, quando estiver patente o excesso de discricionariedade por parte do Chefe do Poder Executivo.” (...) (RE 550652 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, 2º Turma, j. 17/12/2013.)
b) Material: (ou nomoestática – relacionada ao conteúdo da norma, que é estático) 
Ocorre quando o conteúdo da lei impugnada é incompatível com uma a NORMA CONSTITUCIONAL DE FUNDO, ou seja, que estabelecem direitos e deveres a serem observados/respeitados.[footnoteRef:19] Esse termo é utilizado para diferenciar das normas que estabelecem procedimentos (competência, processo legislativo). [19: (PCPA-2016-FUNCAB): No tocante ao controle de constitucionalidade, na hipótese de recente lei ordinária dispensar o contraditório em processo administrativo que objetiva a imposição de sanções a servidores públicos, é correto afirmar que o referido ato normativo padeceria de inconstitucionalidade nomoestática.] 
Ex.: A inconstitucionalidade do dispositivo da Lei de Crimes Hediondos que vedava a progressão de regime é uma inconstitucionalidade material, pois seu conteúdo era incompatível com o conteúdo de uma garantia prevista na CF, art. 5º, XLVI (garantida da individualização da pena).
A INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL não pode ser admitida em razão da violação ao princípio da unidade do ordenamento jurídico (não permite que normas com conteúdo conflitante permaneçam válidas dentro do mesmo ordenamento). Em outras palavras, o princípio que fundamenta esse tipo de inconstitucionalidade é o princípio da unidade do ordenamento jurídico, que impede a coexistência de normas contraditórias. Quando há esse quadro uma delas deve ser afastada, a partir dos critérios cronológicos, da especialidade e o hierárquico, que é o caso ora tratado.
##Atenção: Uma coisa é supremacia formal, que é pressuposto para o controle de constitucionalidade. Só há controle se houver essa supremacia formal, isto é, a rigidez da Constituição. A partir disso, pode haver lei com inconstitucionalidade formal ou material.
##Questiona-se: O que se entende por inconstitucionalidade chapada/enlouquecida/desvairada? Trata-se de expressão utilizada pelo ex-ministro Sepúlveda Pertence para se referir a situações em que a inconstitucionalidade é evidente, clara, flagrante, não restando qualquer dúvida sobre o vício, seja formal ou material. Cite-se alguns julgados em que a expressão foi utilizada: ADI 2.527, ADI 3.715, ADI 1.923.
3.3.1. Quanto à extensão 
a) Total: 
A inconstitucionalidade atinge a lei, o ato normativo ou o dispositivo em sua integralidade, não restando partes válidas a serem aplicadas. 
b) Parcial: 
Ocorre quando os poderes públicos deixam de adotar medidas suficientemente adequadas para tornar efetiva normas constitucionais (omissão parcial) ou parte da lei/dispositivo legal afronta a constituição. 
Sendo assim, pode-se afirmar que ela ocorrerá quando parte de uma lei ou de um dispositivo é incompatível com a Constituição.
##Atenção: Quando se fala dos tipos de inconstitucionalidade total ou parcial, é importante mencionar do que se fala (se é lei ou se é apenas de um dispositivo). Isso porque a inconstitucionalidade pode ser total para o dispositivo e parcial para a lei, total para a lei, ou parcial para dispositivo (vejamos exemplo abaixo). 
Ex.: A declaração de inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º da Lei de Crimes Hediondos. Em relação ao art. 2º, § 1º da referida Lei foi uma declaração de inconstitucionalidade total, pois declarou todo o artigo inconstitucional. Em relação à Lei dos Crimes Hediondos, foi uma declaração de inconstitucionalidade parcial, pois os outros dispositivos continuam válidos. 
##Cuidado: DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL É DISTINTA DO VETO PARCIAL. O veto parcial (CF, art. 66, § 2º) deve abranger, necessariamente, todo o artigo, todo o parágrafo, toda a alínea ou todo o inciso. Por outro lado, a declaração de inconstitucionalidade parcial pode abranger apenas uma palavra ou uma expressão dentro de um dispositivo. No entanto, é vedado declarar inconstitucional uma palavra ou expressão de modo a modificar o restante do sentido do dispositivo. Ex.: a lei proíbe algo. Tribunal declara inconstitucional a expressão “não” contida na Lei. A norma proibitiva tornar-se-á norma impositiva. 
Nesse sentido, vejamos o teor da ementa da ADI 347 do STF, que, declarou inconstitucional uma expressão do art. 74, XI da Constituição de São Paulo) e da ementa da ADI 2645, nessa ordem: 
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO. ART. 74, XI. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE, PELO TRIBUNAL DE JUSTIÇA, DE LEI OU ATO NORMATIVO MUNICIPAL EM FACE DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PROCEDÊNCIA. É pacífica a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, antes e depois de 1988, no sentido de que não cabe a tribunais de justiça estaduais exercer o controle de constitucionalidade de leis e demais atos normativos municipais em face da Constituição federal. Precedentes. Inconstitucionalidade do art. 74, XI, da Constituição do Estado de São Paulo. Pedido julgado procedente. (ADI 347, Relator(a):  Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em 20/09/06, DJ 20-10-06)
EMENTA: I. Ação direta de inconstitucionalidade da parte final do art. 170 da L. est. 1284-TO, de 17/12/01 - Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado: inadmissibilidade, dado que, em tese, a inconstitucionalidade parcial argüida imporia a declaração de invalidade da lei em extensão maior do que a pedida. II. Ação direta de inconstitucionalidade parcial: incindibilidade do contexto do diploma legal: impossibilidade jurídica. 1. Da declaração de inconstitucionalidade adstrita à regra de aproveitamento automático decorreria, com a subsistência da parte inicial do art. 170, a inversão do sentido inequívoco do pertinente conjunto normativo da L. 1284/01: a disponibilidade dos ocupantes dos cargos extintos - que a lei quis beneficiar com o aproveitamento automático - e, com essa disponibilidade, a drástica conseqüência - não pretendida pela lei benéfica - de reduzir-lhes a remuneração na razão do tempo de serviço público, imposta por força do novo teor ditado pela EC 19/98 ao art. 41, § 3º, da Constituição da República. 2. Essa inversão do sentido inequívoco da lei - de modo a fazê-la prejudicial àqueles que só pretendeu beneficiar -, subverte a função que o poder concentrado de controle abstrato de constitucionalidade de normas outorga ao Supremo Tribunal. (ADI 2645 MC, Relator(a):  Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, julgado em 11/11/04, DJ 29-09-06).
3.4.1. Quanto ao momento 
a) Originária: 
O surgimento da norma-objeto[footnoteRef:20] é posterior ao da norma-parâmetro[footnoteRef:21] ofendida. [20: Norma-objeto é a lei ou ato normativo que é impugnada em uma ADI, ou seja, é o que está sendo questionado (objeto da ação). ] [21: Norma-parâmetro é aquela norma da Constituição supostamente violada. ] 
Em uma inconstitucionalidade originária, a norma já nasce inconstitucional. Para tanto, é necessário que o parâmetro seja anterior a ela.
Em outras palavras, é aquela que ocorre quando o objeto impugnado surge após a existência do parâmetro. O objeto já nasce inconstitucional, pois o parâmetro já existia.
Ex.: Depois da CF/88, uma lei modifica uma disposição do CPP dispondo que a prerrogativa de foro deve ser estendida após o términodo mandato (inconstitucionalidade originária). É diferente do que aconteceu com a Lei de Imprensa (de 1967) que era constitucional só que, com o surgimento da CF/88, se tornou inconstitucional (trata-se da inconstitucionalidade superveniente). 
b) Superveniente:[footnoteRef:22] [22: ##Atenção: Tema cobrado nas provas: i) MPF-2017; ii) MPCE-2020 (CESPE).] 
A existência da norma-objeto é anterior à da norma de referência e, embora originariamente constitucional, torna-se incompatível com o novo parâmetro (nova Constituição ou Emenda).
Dito de outro modo, é aquela que ocorre quando a norma nasce constitucional, mas em razão de uma mudança do parâmetro, ela acaba se tornando inconstitucional.[footnoteRef:23] [23: (MPMS-2015-FAPEC): Quando a inconstitucionalidade é decorrente de reforma, inovação hermenêutica ou alteração das circunstâncias fáticas fala-se em: Inconstitucionalidade superveniente.] 
A inconstitucionalidade superveniente, em regra, não é admitida no Brasil. 
Em Portugal, por exemplo, admite-se a inconstitucionalidade superveniente de forma expressa: Constituição Portuguesa de 76, art. 282, § 2º alude que: “Tratando-se, porém de inconstitucionalidade ou de ilegalidade por infracção de norma constitucional ou legal posterior, a declaração só produz efeitos desde a entrada em vigor desta última”. 
No Brasil, em regra, trata-se de hipótese de “não recepção” (às vezes, o STF usa a expressão “revogação”). Exemplos: 1) ADPF 130 (Lei de Imprensa não foi recepcionada pela CF/88); 2) ADI 718/MA (aqui, STF usou a expressão “revogação”, mas o mais correto tecnicamente seria “não recepção”). Vejamos o seguinte trecho de julgado do STF:
STF: “(...) É que não há falar em inconstitucionalidade superveniente. Tem-se, em tal caso, a aplicação da conhecida doutrina de Kelsen: as normas infraconstitucionais anteriores à Constituição, com esta incompatíveis, não são por ela recebidas. Noutras palavras, ocorre derrogação, pela Constituição nova, de normas infraconstitucionais com esta incompatíveis”. (RE 396.386/SP, Rel. Min. Carlos Velloso, 2ª Turma, DJ 13.8.2004).
##Obs.: Para Hans Kelsen, toda lei necessita de um fundamento de validade para ser elaborada, isto é, a Constituição da época de sua elaboração. Além disso, Hans Kelsen afirmava que a inconstitucionalidade consiste em uma conduta do poder público contrária à Constituição. Nos casos em que a lei é anterior à Constituição, não há conduta incompatível com a Constituição (não é culpa do poder público que a nova Constituição tenha mudado), por isso ocorre a não recepção ou a revogação (e não a inconstitucionalidade). 
Existem, todavia, duas exceções a esta regra, que decorrem de mudança nas relações fático-jurídicas: 
 MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL:[footnoteRef:24] Consiste em processos informais de alteração do conteúdo da Constituição, sem modificação de seu texto. Há apenas uma mudança na interpretação de um dispositivo constitucional, que continua com o mesmo texto, mas o sentido é alterado. Embora o resultado da nova interpretação seja posterior à Lei, é hipótese de inconstitucionalidade superveniente.[footnoteRef:25] [24: ##Atenção: Caiu nas provas: i) TRF3-2011; ii) MPF-2011.] [25: (TJRS-2018-VUNESP): No ano de 2017, o Min. Rel. Luís Roberto Barroso suscitou, no âmbito do STF, uma questão de ordem na Ação Penal (AP) 937, defendendo a tese de que o foro de prerrogativa de função deve ser aplicado somente aos delitos cometidos por um deputado federal no exercício do cargo público ou em razão dele. O julgamento se encontra suspenso por um pedido de vistas, mas, se prevalecer o entendimento do Ministro Relator, haverá uma mudança de posicionamento do STF em relação ao instituto do foro de prerrogativa de função, que ocorrerá independentemente da edição de uma Emenda Constitucional. A hermenêutica constitucional denomina esse fenômeno de mutação informal da Constituição. BL: Info 900, STF.
##Atenção: É o que se depreende do seguinte excerto da questão: “haverá uma mudança de posicionamento do STF em relação ao instituto do foro de prerrogativa de função, que ocorrerá independentemente da edição de uma Emenda Constitucional é o fenômeno” da mutação constitucional, que representa a possibilidade de alteração da Constituição sem passar por seu processo formal de modificação, que ocorre mediante emenda constitucional. A alteração é feita por um processo informal, que modifica o significado da norma, sem alterar o seu texto.
(MPRJ-2012): No que se refere à interpretação constitucional, o processo informa de alteração da Constituição possibilita modificar o sentido de norma constitucional originária, sem alterar o seu texto, é mutação constitucional.] 
Imagine que a lei foi criada com base em uma interpretação da CF/88 (lembrando que norma é o resultado da interpretação). Contudo, posteriormente aquele mesmo dispositivo da CF/88 passa a ser interpretado de outra maneira, gerando uma norma diferente, de modo que a lei criada passe a ser incompatível com essa nova interpretação. No caso, a lei é posterior ao dispositivo, mas é anterior à nova norma constitucional (originária da nova interpretação). Esse caso é de não recepção ou inconstitucionalidade? Há inconstitucionalidade. 
Ex.: Lei de Crimes Hediondos – Houve uma mudança do sentido do art. 5º, XLVI da CF/88 (princípio da individualização da pena). A interpretação originária era compatível com o art. 2º da Lei de Crimes Hediondos. Contudo, com a “nova inteligência” do princípio (novo sentido), foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo. Assim, diante do fenômeno da mutação constitucional ocorrida com o princípio da individualização da pena, a norma foi declarada inconstitucional. Vejamos o seguinte trecho de julgado do STF:
STF: “Conflita com a garantia da individualização da pena - artigo 5º, inciso XLVI, da Constituição Federal - a imposição, mediante norma, do cumprimento da pena em regime integralmente fechado. Nova inteligência do princípio da individualização da pena, em evolução jurisprudencial, assentada a inconstitucionalidade do artigo 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.” (STF, HC 82.959/SP).
 INCONSTITUCIONALIDADE PROGRESSIVA: Há uma situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta (nem é totalmente constitucional, nem totalmente incompatível com a Constituição). 
Contudo, em razão das circunstâncias fáticas existentes naquele momento, o Poder Judiciário opta por manter a norma em vez de invalidá-la, pois, se declarar a inconstitucionalidade, os prejuízos advindos da declaração de inconstitucionalidade são maiores que os benefícios. É um cálculo de custo-benefício da decisão. 
Exemplo 1:
STF: “(...) Não é de ser reconhecida a inconstitucionalidade do § 5 do art. 1 da Lei n 1.060, de 05.02.1950, acrescentado pela Lei n 7.871, de 08.11.1989, no ponto em que confere prazo em dobro, para recurso, às Defensorias Públicas, ao menos até que sua organização, nos Estados, alcance o nível de organização do respectivo Ministério Público, que é a parte adversa, como órgão de acusação, no processo da ação penal pública.” (STF, HC 70514, Rel. Min. Sydney Sanches, Tribunal Pleno, j. 23/03/1994).
O art. 5º, §5º da Lei 1.060/50 (Lei de Assistência Judiciária Gratuita), incluído pela Lei 7.871/89), estabelece o prazo em dobro para a Defensoria Pública. O STF, analisando a situação fática entre as estruturas da Defensoria e do Ministério Público, declarou que a norma ainda seria constitucional até quando a Defensoria alcançasse o nível de organização do seu quadro de pessoal e estrutura funcional, momento em que a norma passará a ser inconstitucional.
Dito de outro modo, a norma só passará a ser inconstitucional quando a defensoria pública tiver a mesma estrutura do que o MP (pode-se falar em “inconstitucionalidade progressiva”). Nova realidade trará nova interpretação ao dispositivo. 
Exemplo 2:
STF: “Ao Estado, no que assegurado constitucionalmente certo direito, cumpre viabilizar o respectivo exercício. Enquanto não criada por lei, organizada - e, portanto,preenchidos os cargos próprios, na unidade da Federação - a Defensoria Pública, permanece em vigor o artigo 68 do Código de Processo Penal, estando o Ministério Público legitimado para a ação de ressarcimento nele prevista”. (STF, RE 135.328/SP).
Nesse caso, se a ação fosse proposta hoje (que todos os estados da federação possuem Defensorias Públicas), o STF teria feito outra intepretação e a decisão teria sido diferente. Com a mudança das circunstancias fáticas, a norma que foi recepcionada se tornará progressivamente inconstitucional. 
##RESUMINDO:
· REGRA: A inconstitucionalidade superveniente é tratada como não recepção ou revogação.
· EXCEÇÃO: A exceção é quando há mudança nas relações fáticas ou jurídicas (que pode afetar a interpretação do dispositivo constitucional, gerando a mutação constitucional, ou a interpretação do dispositivo infraconstitucional, levando à inconstitucionalidade progressiva). 
b.2.) Inconstitucionalidade Superveniente: Acepção Tradicional versus Acepção Moderna
No julgamento do STF, veiculado no Info 874, em que se proibiu a utilização de qualquer forma de amianto, merece destaque no voto do Min. Dias Toffoli, que mencionou a ocorrência da inconstitucionalidade superveniente em relação à Lei Federal nº 9.055/95. Como se sabe, a utilização dessa expressão sempre gera uma certa dúvida. Isso porque a maioria das pessoas conhece a concepção “tradicional” do que seja “inconstitucionalidade superveniente” e pensa que ela é proibida. 
No entanto, essa expressão possui dois sentidos, vejamos:
· ACEPÇÃO TRADICIONAL (entrada em vigor de uma nova CF e leis anteriores incompatíveis) .
Assim, se a lei ou ato normativo for anterior à CF/88 e com ela incompatível, não se pode dizer que há uma inconstitucionalidade.
Nesse caso, o que existe é a não-recepção da lei pela Constituição atual. Logo, nesse sentido, afirma-se que não existe no Brasil inconstitucionalidade superveniente para se explicar que a lei anterior à 1988 e que seja contrária à atual CF não pode taxada como “inconstitucional”. 
Tal acepção não é admitida no Brasil.
 
· ACEPÇÃO MODERNA (lei que sofreu um processo de inconstitucionalização) 
Significa que a lei ou ato normativo impugnado por meio de ADI deve ser posterior ao texto da CF/88 invocado como parâmetro. 
Desse modo, significa dizer que uma lei ou ato normativo que foi considerado constitucional pelo STF pode, com o tempo e as mudanças verificadas no cenário jurídico, político, econômico e social do país, tornar-se inconstitucional em um novo exame do tema. 
Assim, inconstitucionalidade superveniente, nesse sentido, ocorre quando a lei (ou ato normativo) torna-se inconstitucional com o passar do tempo e as mudanças ocorridas na sociedade. Não há aqui uma sucessão de Constituições. A lei era harmônica com a atual CF e, com o tempo, torna-se incompatível com o mesmo Texto Constitucional. 
Tal acepção é admitida no Brasil.
3.5.1. Quanto ao prisma de apuração 
a) Direta (imediata ou antecedente): 
Resulta da violação frontal à Constituição, ante a inexistência de ato normativo situado entre a norma-objeto e o parâmetro ofendido. 
Em outras palavras, é aquela que ocorre quando o objeto impugnado está ligado diretamente à Constituição, violando, portanto, diretamente uma norma constitucional.
A lei questionada está diretamente ligada à Constituição, por isso, se a lei viola a Constituição, tal violação é direta. A Constituição é o fundamento de validade direto da norma-objeto (Kelsen). 
##IMPORTANTE: Só são admitidas como objeto de uma ação de controle normativo abstrato (ADI, ADC, ADPF) normas que violem diretamente a Constituição, raciocínio utilizado também para o Recurso Extraordinário (art. 102, § 3º, “a”, CF/88). 
b) Indireta (mediata): 
Ela ocorre quando da presença de norma interposta entre o objeto e o dispositivo constitucional, ou seja, quando um ato interposto entre a Constituição e o ato impugnado.
Nesse caso, entre a Constituição e o ato questionado, há um outro ato interposto (por exemplo, uma lei). Em razão desse ato interposto, a violação da Constituição ocorrerá apenas de maneira indireta. 
A inconstitucionalidade indireta pode ser de duas subespécies, que geram consequências diferentes, permitindo ou não a propositura de uma ação de controle concentrado:
 INCONSTITUCIONALIDADE CONSEQUENTE: É aquela que ocorre quando a inconstitucionalidade do ato é decorrente da inconstitucionalidade de um a outra norma.
O vício de uma norma atinge outra dela dependente. Há uma norma inconstitucional e, por isso, ela acaba gerando a inconstitucionalidade de outra norma que depende dela. 
Ex.: Uma lei, cujo assunto é de competência da União, é editada por assembleia legislativa de um Estado-membro (há uma inconstitucionalidade formal orgânica que, nesse caso, é direta). Contudo, o governador do Estado-membro elabora um decreto para regulamentar tal lei. Este decreto será inconstitucional em razão da inconstitucionalidade da lei por ele regulamentada (a inconstitucionalidade é consequente da inconstitucionalidade da lei). 
A lei, por violar diretamente a Constituição, pode ser objeto de uma ADI. Contudo, se o STF declarar a inconstitucionalidade desta lei e não mencionar o decreto, ele ficará perdido no ordenamento jurídico e não poderá ser objeto de nenhuma ação de controle normativo abstrato, já que ele não viola diretamente a Constituição. 
Portanto, nos casos de inconstitucionalidade consequente, a lei poderá ser objeto da ADI e o decreto - mesmo que não tenha sido impugnado na ADI – poderá também ser declarado inconstitucional pelo STF através da TÉCNICA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR ARRASTAMENTO ou POR ATRAÇÃO (utilizada nos casos de inconstitucionalidade consequente). Tal técnica pode ocorrer com normas de níveis distintos (arrastamento VERTICAL) e normas com dispositivos interdependentes (arrastamento HORIZONTAL) – ex.: art. 1º é dependente do art. 2º. Os juristas Gilmar F. Mendes, Inocêncio M. Coelho e Paulo Gustavo G. Branco lecionam que “a dependência ou a interdependência normativa entre os dispositivos de uma lei pode justificar a extensão da declaração de inconstitucionalidade a dispositivos constitucionais mesmo nos casos em que estes não estejam incluídos no pedido inicial da ação. (...)”[footnoteRef:26]-[footnoteRef:27] Nesse contexto, explica Nathalia Masson que tal técnica de inconstitucionalidade por arrastamento “ocorre quando há entre duas normas uma relação de dependência - uma principal e outra acessória - sendo que a declaração de inconstitucionalidade da principal enseja a declaração de inconstitucionalidade da acessória, ainda que o pedido tenha se limitado à norma principal.”[footnoteRef:28] Ex.: Lei "X" é regulada pelo Decreto "Y". Se a Lei "X" é declarada inconstitucional, essa inconstitucionalidade contamina o Decreto "Y". Logo tanto a Lei "X" quanto o Decreto "Y" serão banidos do ordenamento jurídico. [26: MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio M.; BRANCO, Paulo g. Gonet - Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2007.] [27: (Advogado/BANPARÁ-2017): A dependência ou interdependência normativa entre os dispositivos de uma lei pode justificar a extensão da declaração de inconstitucionalidade a dispositivos constitucionais mesmo nos casos em que estes não estejam incluídos no pedido inicial da ação direta de inconstitucionalidade. É o que se pode denominar de declaração de inconstitucionalidade consequente ou por arrastamento. BL: ADI 4772 e ADI 1521, STF.] [28: Manual de Direito Constitucional, Editora JusPodivm, 2016, p. 1059.] 
##Atenção: ##TRF2-2009: ##CESPE: Como a técnica do arrastamento pode ser aplicada em processos distintos? Retornando ao exemplo anterior, suponha que foi ajuizada uma ADI em face da Lei "X" e o STF a julgou inconstitucional. 2 anos depois, uma nova ADI é instaurada, agora em face do Decreto "Y". Perceba que o Decreto "Y" era uma norma acessória da Lei "X", porém tanto o autor da ADI quanto o STF "esqueceram-se" de ampliar a declaração de inconstitucionalidade para esse último.Nessa segunda ADI, o STF limitar-se-á a declarar a inconstitucionalidade do decreto, pois a inconstitucionalidade da lei fora reconhecida na primeira ADI. Por conta disso, podemos concluir que a técnica do arrastamento poderá ser aplicada:
i) No mesmo processo, quando, no exemplo acima, o STF declara a inconstitucionalidade da Lei "X" e do Decreto "Y" na mesma ADI.
ii) Em processos diferentes, quando, no exemplo acima, o STF declara a Lei "X" inconstitucional e, tempos depois, em nova ADI, declara o Decreto "Y" inconstitucional por arrastamento.[footnoteRef:29] [29: (TRF2-2009-CESPE): Quanto ao controle de constitucionalidade, assinale a opção correta: De acordo com a doutrina, a técnica da declaração de inconstitucionalidade por arrastamento pode ser aplicada tanto em processos distintos como no mesmo processo.] 
 INCONSTITUCIONALIDADE REFLEXA (OU OBLÍQUA): Resulta da violação a normas infraconstitucionais interpostas (constitucional). Não há violação direta à Constituição. [footnoteRef:30] [30: (MPMG-2014): A inconstitucionalidade reflexa ou por via oblíqua resulta da violação de uma norma infraconstitucional interposta entre o ato questionado e a Constituição.] 
Dito de outro modo, é aquela que ocorre quando o objeto impugnado é diretamente ilegal e indiretamente inconstitucional, ou seja, entre ele e a CF existe outro ato normativo interposto. Quando um decreto viola ou exacerba o conteúdo de uma lei, tal decreto não pode ser impugnado numa ADI.
Nesse caso, a lei (norma interposta) é constitucional. No entanto, o decreto é incompatível com a lei (ilegal). Por ser ilegal, o decreto é inconstitucional por via reflexa, pois há violação da CF, art. 84, VI “Compete privativamente ao Presidente da República: [...] IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; [...]”. Mesmo quando o decreto vai além do conteúdo da lei (exorbita os limites da regulamentação legal), a violação à Constituição é tão-somente indireta. 
Para ser caso de violação direta, é necessário que não exista um ato interposto entre o decreto e a CF, ou seja, o decreto deve ser autônomo (regulamentador de assunto tratado na CF). 
É nesse sentido o que afirma Alexandre de Moraes, em que o STF, excepcionalmente, tem admitido ação direta de inconstitucionalidade cujo objeto seja decreto, quando este, no todo ou em parte, manifestamente não regulamenta a lei, apresentando-se, assim, como decreto autônomo. Nessa hipótese, haverá possibilidade de análise de compatibilidade diretamente com a Constituição Federal para verificar-se a observância do princípio da reserva legal.
4.1. FORMAS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 
Existem várias classificações quanto à forma de controle de constitucionalidade.
4.1.1. Quanto ao momento de realização do controle
a) Controle de constitucionalidade preventivo
Realizado durante o processo legislativo com o objetivo de evitar ofensa à Constituição, ou seja, ocorre antes que o processo legislativo esteja acabado. Tem por finalidade prevenir que a Constituição seja atingida por lei ou ato normativo, antes que o processo legislativo esteja acabado.
b) Controle de constitucionalidade repressivo: 
Realizado após a conclusão definitiva do processo legislativo com o objetivo de reparar ofensa à Constituição. Já não serve mais para evitar, mas para reparar eventual lesão à Constituição. 
##Obs.: É a mesma ideia do Mandado de Segurança preventivo/repressivo e/ou Habeas Corpus preventivo/repressivo.
##Atenção: Existe divergência no STF sobre o momento exato da transição de um tipo de controle para o outro: 
· 1ª CORRENTE: Para o ex-ministro Cezar Peluso, deve ser levado em consideração a promulgação da lei, ou seja, a partir do momento em que é promulgada, a lei pode ser objeto do controle repressivo. 
· 2ª CORRENTE: De outro lado, para os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello (posição acompanhada pelo professor Marcelo Novelino), o controle repressivo só ocorre depois que o ato é editado, promulgado E publicado. Sendo assim, antes da publicação, não pode haver controle repressivo, pois a lei ainda não produz efeitos, de modo que não há como falar em violação à Constituição. 
##Atenção: Durante o período de vacatio legis também há controversa. Pelo entendimento dos Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello seria possível o controle repressivo na vacatio legis, pois a lei já foi publicada.
##Atenção: Os três poderes podem exercer tanto o controle preventivo, quanto o repressivo. 
##Questiona-se: É possível que o STF, ao julgar Mandado de Segurança impetrado por parlamentar, exerça controle de constitucionalidade de projeto que tramita no Congresso Nacional e o declare inconstitucional, determinando seu arquivamento?
· REGRA: EM REGRA, não se deve admitir a propositura de ação judicial para se realizar o controle de constitucionalidade prévio dos atos normativos.[footnoteRef:31] [31: (TJSP-2015-VUNESP): Por meio de mandado de segurança preventivo, Vereador pretende obter ordem judicial obstando a tramitação de projeto de lei municipal que disciplina, no âmbito do Município, como deve ser ministrado o ensino religioso. Adotando como referência o decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do MS 32033/DF, é correto afirmar que não é cabível o controle preventivo de constitucionalidade material das normas em curso de formação.] 
· EXCEÇÕES: Há DUAS EXCEÇÕES em que é possível o controle de constitucionalidade prévio realizado pelo Poder Judiciário:
a) caso a proposta de emenda à Constituição seja manifestamente ofensiva à cláusula pétrea[footnoteRef:32]; e [32: (Advogado/UEPB-2017-CPCON): Sobre as Emendas Constitucionais e o seu processo de elaboração é CORRETO afirmarmos que a proposta de emenda constitucional, ainda em tramitação parlamentar, poderá ser impugnada por meio de mandado de segurança sob o argumento de vulneração às cláusulas pétreas.] 
b) na hipótese em que a tramitação do projeto de lei ou de emenda à Constituição violar regra constitucional que discipline o processo legislativo.[footnoteRef:33] [33: ##Atenção: ##STF: ##DOD: ##TJDFT-2014: ##CESPE: ##TJSP-2015/2018: ##VUNESP: É possível que o STF, ao julgar MS impetrado por parlamentar, exerça controle de constitucionalidade de projeto que tramita no Congresso Nacional e o declare inconstitucional, determinando seu arquivamento? Em regra, não. Existem, contudo, duas exceções nas quais o STF pode determinar o arquivamento da propositura: a) proposta de emenda constitucional que viole cláusula pétrea; b) proposta de emenda constitucional ou projeto de lei cuja tramitação esteja ocorrendo com violação às regras constitucionais sobre o processo legislativo. STF. Plenário. MS 32033/DF, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, 20/6/2013 (Info 711).
(TJSP-2015-VUNESP): Por meio de mandado de segurança preventivo, Vereador pretende obter ordem judicial obstando a tramitação de projeto de lei municipal que disciplina, no âmbito do Município, como deve ser ministrado o ensino religioso. Adotando como referência o decidido pelo STF no julgamento do MS 32033/DF, é correto afirmar que não é cabível o controle preventivo de constitucionalidade material das normas em curso de formação. BL: Info 711, STF.
(TJDFT-2014-CESPE): No que se refere à impetração de mandado de segurança por vício de inconstitucionalidade e ao ajuizamento de ADI contra PEC em tramitação no Congresso Nacional, assinale a opção correta: Somente parlamentar tem legitimidade para impetrar mandamus contra atos ditos incompatíveis com disposições constitucionais sobre processo legislativo e praticados durante o trâmite de PEC. BL: Info 711, STF.] 
Nessas duas situações acima, o vício de inconstitucionalidade está diretamente relacionado aos aspectos formais e procedimentais da atuação legislativa (regras de processo legislativo), sendo, portanto, admitida a impetração de mandado de segurança com a finalidade de corrigir tal vício, antes e independentemente da final aprovaçãoda norma.
##Cuidado: ##STF: ##Atenção: ##TJSP-2018: ##VUNESP: É possível afirmar que, no sistema constitucional brasileiro, de acordo com a jurisprudência do STF, o mandado de segurança poderá ser utilizado para impedir a tramitação de projeto de lei ou proposta de emenda constitucional (PEC) que contenha vício de inconstitucionalidade. Entretanto, quando se trata de PEC, o STF admite o controle prévio nos aspectos formais e materiais; quando se trata de projeto de lei, apenas se admite o controle dos aspectos formais. Vejamos a seguinte decisão do STF: 
Não se admite, no sistema brasileiro, o controle jurisdicional de constitucionalidade material de projetos de lei (controle preventivo de normas em curso de formação). 1. O que a jurisprudência do STF tem admitido, como exceção, é “a legitimidade do parlamentar - e somente do parlamentar - para impetrar mandado de segurança com a finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de lei ou emenda constitucional incompatíveis com disposições constitucionais que disciplinam o processo legislativo” (MS 24.667, Pleno, Min. Carlos Velloso, DJ de 23.04.04). Nessas excepcionais situações, em que o vício de inconstitucionalidade está diretamente relacionado a aspectos formais e procedimentais da atuação legislativa, a impetração de segurança é admissível, segundo a jurisprudência do STF, porque visa a corrigir vício já efetivamente concretizado no próprio curso do processo de formação da norma, antes mesmo e independentemente de sua final aprovação ou não. 2. Sendo inadmissível o controle preventivo da constitucionalidade material das normas em curso de formação, não cabe atribuir a parlamentar, a quem a Constituição nega habilitação para provocar o controle abstrato repressivo, a prerrogativa, sob todos os aspectos mais abrangente e mais eficiente, de provocar esse mesmo controle antecipadamente, por via de mandado de segurança. (...) (STF. Planário. MS 32033, Min. Rel. Gilmar Mendes, Rel. p/ Ac. Teori Zavascki, j. 20/06/13).
##DIZERODIREITO: ##Quadro-resumo:
	É possível que o STF, ao julgar MS impetrado por parlamentar, exerça controle de constitucionalidade de projeto que tramita no Congresso Nacional e o declare inconstitucional, determinando seu arquivamento?
	Regra geral:
NÃO
	Existem duas exceções nas quais o STF pode determinar o arquivamento da propositura:
a)      Proposta de emenda constitucional que viole cláusula pétrea;
b)      Proposta de emenda constitucional ou projeto de lei cuja tramitação esteja ocorrendo com violação às regras constitucionais sobre o processo legislativo.
 
##Atenção: ##TJRJ-2013: ##VUNESP: O fato de uma Proposta de Emenda à Constituição possuir disposição violadora ao regimento interno não é causa para atuação do parlamentar junto ao STF por meio de mandado de segurança. O que possibilita sua atuação por meio do mandado de segurança é a ofensa a CF/88, mais precisamente no que tange a ofensa ao devido processo legislativo. Sem respaldo constitucional/legal para sua atuação, lhe falta interesse de agir, portanto, é caso de não conhecimento do mandado de segurança.[footnoteRef:34] Nesse sentido, vejamos a seguinte julgado do STF: [34: (TJRJ-2013-VUNESP): No ano de 2012, na Câmara dos Deputados, foi discutida, votada e rejeitada uma determinada proposta de emenda constitucional (PEC). No ano de 2013, a mesma matéria daquela PEC veio à pauta novamente para deliberação pelos Deputados Federais. Discordando desse procedimento, bem como do projeto que continha disposição violadora do Regimento Interno da respectiva Casa Legislativa, um Deputado impetra um mandado de segurança perante o STF para impedir que essa nova PEC seja votada e aprovada. Considerando essas informações, bem como o entendimento do STF sobre o assunto, é correto afirmar que o referido mandado de segurança embora haja em tese legitimidade do parlamentar, o writ não deve ser conhecido e nem poderia ser concedida a segurança, uma vez que, no caso, não houve qualquer violação à Constituição Federal.] 
(...) I - O tema da cognoscibilidade do pedido precede o da apreciação do agravo regimental contra despacho concessivo de liminar, e de seu cabimento à vista da jurisprudência do Supremo. II - A natureza interna corporis da deliberação congressional - interpretação de normas do Regimento Interno do Congresso - desautoriza a via utilizada. Cuida-se de tema imune à análise judiciária. Precedentes do STF. Inocorrência de afronta a direito subjetivo. Agravo regimental parcialmente conhecido e provido, levando ao não-conhecimento do mandado de segurança. (MS 21754 AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ Ac. Min. Francisco Rezek, Tribunal Pleno, j. 7/10/93, DJ 21-2-97).
##Distinção: Ambas as formas de controle são realizadas por todos os Poderes. O controle preventivo é majoritariamente exercido pelo Poder Legislativo (Poder Judiciário, excepcionalmente). Por outro lado, o controle repressivo (controle típico) é precipuamente exercido pelo Poder Judiciário (Poderes Legislativo e Executivo, excepcionalmente). É por isso que no Brasil se diz que o sistema de controle adotado é o de “controle jurisdicional” (é o “sistema jurisdicional”).
Vejamos:
4.2.1. Hipóteses de controle preventivo
4.2.1.1. Poder Legislativo[footnoteRef:35] [35: ##Atenção: Tema cobrado na prova do TRF2-2009, Banca CESPE.] 
i. COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA (CCJ): Toda casa Legislativa possui uma Comissão de Constituição e Justiça, encarregada precipuamente do exercício prévio de controle de constitucionalidade dos projetos de lei. 
##Obs.: Tamanha a importância da CCJ, que ela pode arquivar projetos de lei. De fato, esse arquivamento pode ser contestado perante o Plenário da Casa e o projeto pode prosseguir para julgamento, porém se não houver a impugnação o projeto fica definitivamente arquivado.
ii. PLENÁRIO: O controle pode ser exercido também pelo Plenário das Casas. Nada impede que, mesmo com a CCJ entendendo que o projeto de lei é constitucional, os Deputados e Senadores, ao votarem aquele projeto de lei, em Plenário, tenham um entendimento diverso (seja de proposta de lei, seja de proposta de emenda).
iii. DELEGAÇÃO ATÍPICA (CF, art. 68, §3º): A delegação atípica ocorre quando o Presidente da República solicita a delegação do Congresso Nacional para a elaboração de uma lei. Porém, em vez de dar a delegação típica (na qual após a resolução autorizativa o restante do procedimento legislativo se passa no âmbito do executivo), ele dá uma delegação atípica, na qual o projeto feito pelo Presidente da República retorna ao Congresso Nacional para sua apreciação. Se o Congresso Nacional entender que a lei delegada é incompatível com a constituição (ou simplesmente exorbitou os limites da delegação), ele pode rejeitar o projeto. Vejamos o teor do art. 68, §3º da CF:
CF, art. 68, § 3º: As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional; (...). 
§ 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada qualquer emenda.
4.2.1.2. Poder Executivo
O Poder Executivo exerce o controle preventivo através do veto jurídico do Presidente da República.[footnoteRef:36] [36: (Anal. Legisl.-Câm. Deputados-2014-CESPE): O fato de um projeto de lei ser aprovado e, após seu encaminhamento para sanção do presidente da República, sofrer veto presidencial com fundamento na inconstitucionalidade do ato objeto de deliberação comprova a existência, no ordenamento legislativo brasileiro, de controle preventivo de constitucionalidade, ao lado do consagrado sistema jurisdicional, normalmente de caráter repressivo.
(Anal. Administ./ANTT-2013-CESPE): No Brasil, o controle preventivo de constitucionalidade é realizado dentro do processo legislativo pelas comissões de constituição e justiça e também pelo veto jurídico deferido ao chefe do Poder Executivo.] 
##Obs.: Lembrar que o veto pode ser político ou jurídico. O veto político é aquele contrário ao interesse público, aopasso que o veto jurídico se refere à análise de constitucionalidade de um projeto de lei.
Sobre o assunto, vejamos o art. 66, §1º da CF:
CF, art. 66, § 1º: Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto.[footnoteRef:37] [37: (Anal. Legisl./Câm. Deputados-2014-CESPE): O fato de um projeto de lei ser aprovado e, após seu encaminhamento para sanção do presidente da República, sofrer veto presidencial com fundamento na inconstitucionalidade do ato objeto de deliberação comprova a existência, no ordenamento legislativo brasileiro, de controle preventivo de constitucionalidade, ao lado do consagrado sistema jurisdicional, normalmente de caráter repressivo. BL: art. 66, §1º, CF.] 
Sendo assim, no Poder Executivo, o controle preventivo ocorre por meio do veto jurídico oposto pelo Presidente da República a projeto de lei considerado inconstitucional (CF, art. 66, § 1°).
4.2.1.3. Poder Judiciário[footnoteRef:38] [38: (TCM/RJ-2015-FCC): São mecanismos de controle preventivo de constitucionalidade existentes no Direito brasileiro: comissões parlamentares de constituição e justiça; sanção e veto; e mandado de segurança contra proposta de emenda constitucional questionada em face de cláusula pétrea.
(MPF-2011): Existe a possibilidade de controle preventivo de constitucionalidade no caso de proposta de emenda constitucional infringente de cláusula pétrea.] 
O Poder Judiciário somente exerce o controle preventivo quando impetrado mandado de segurança por parlamentar quando inobservado o devido processo legislativo constitucional.[footnoteRef:39] Nesse sentido, vejamos as seguintes decisões do STF sobre o assunto: [39: (Anal. Legisl-Valinhos/SP-2017-VUNESP): O controle prévio ou preventivo de constitucionalidade a ser realizado pelo Poder Judiciário sobre projeto de lei em trâmite na Casa Legislativa pode ser legitimamente exercido pelo parlamentar, exclusivamente, na medida em que somente os membros do Poder Legislativo possuem o direito público subjetivo de participar de um processo legislativo hígido.
OBS: Somente o parlamentar tem legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança com a finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de leis e emendas constitucionais que não se compatibilizam com o processo legislativo constitucional. (MS 24642, Rel. Min. Carlos Velloso, Tribunal Pleno, julgado em 18/02/2004).
(Anal. Legisl./Câm. Deputados-2014-CESPE): De acordo com o entendimento do STF, caso o processo de aprovação de uma proposta de emenda à Constituição esteja incompatível com as disposições constitucionais que disciplinam o processo legislativo, apenas o parlamentar — deputado federal ou senador — terá legitimidade para impetrar mandado de segurança com a finalidade de coibir os atos praticados durante o processo de aprovação.
(TJMA-2013-CESPE): O controle judicial preventivo de constitucionalidade é admitido no sistema brasileiro unicamente por meio do denominado controle in concreto, de modo incidental. 
OBS: O controle judicial preventivo de constitucionalidade é admitido no sistema brasileiro unicamente por meio do denominado controle in concreto, de modo incidental. 
(TJPB-2011-CESPE): Acerca do controle de constitucionalidade, assinale a opção correta: O controle judicial preventivo de constitucionalidade, que envolve vício no processo legislativo, deve ser exercido pelo STF via mandado de segurança, caracterizando-se como controle in concreto e efetivando-se de modo incidental. BL: MS 24.667.
(Anal. Judic./TRT5-2008-CESPE): O senador da República tem legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança para o controle da constitucionalidade de aspecto procedimental relativo a processo legislativo de decreto legislativo que esteja em tramitação no Senado Federal. BL: MS 24642, STF.] 
O STF admite a legitimidade do parlamentar – e somente do parlamentar – para impetrar mandado de segurança com a finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de lei ou emenda constitucional incompatíveis com disposições constitucionais que disciplinam o processo legislativo. Precedentes do STF: MS 20.257/DF, Min. Moreira Alves (leading case) (RTJ 99/1031); MS 20.452/DF, Min. Aldir Passarinho (RTJ 116/47); MS 21.642/DF, Min. Celso de Mello (RDA191/200); MS 24.645/DF, Min. Celso de Mello, DJ de 15-9-03; MS 24.593/DF, Min. Maurício Corrêa, DJ de 8-8-03; MS 24.576/DF, Min. Ellen Gracie, DJ de 12-9-03;MS 24.356/DF, Min. Carlos Velloso, DJ de 12-9-03." (MS 24.667-AgR, Rel. Min.Carlos Velloso, j. 4-12-03, Plenário, DJ de 23-4-04.) No mesmo sentido: MS 32.033, rel. p/ o ac. min. Teori Zavascki, j. 20-6-2013, Plenário, DJE de 18-2-14.
Para o STF,“[...] apenas os membros do Congresso Nacional dispõem de legitimidade ativa ‘ad causam’ para provocar a instauração de controle jurisdicional referente o processo de formação de espécies normativas, [...] assistindo-lhes, sob tal perspectiva, irrecusável direito subjetivo de impedir que o Poder Legislativo, no exercício de sua competência institucional, incida em desvios institucionais” (STF. Decisão monocrática. MS 35.537-MC/DF, rel. Min. Celso de Melo, j. 19.02.2018).[footnoteRef:40] [40: ##Atenção: Caiu na prova do TJSP-2018, Banca VUNESP.] 
Cumpre ressaltar que a admissão do mandado de segurança como ferramenta do controle preventivo não possui previsão constitucional expressa, mas, sim, implícita. [footnoteRef:41] [41: ##Atenção: Caiu na prova do TJSP-2018, Banca VUNESP.] 
Além disso, apenas o parlamentar da Casa na qual o projeto esteja em tramitação poderá impetrar o mandado de segurança nesse caso (v.g. se o projeto tramita no Senado Federal, o Deputado Federal não pode impetrar MS nesse momento). A justificativa decorre da violação de um direito líquido e certo do parlamentar, qual seja, a observância do devido processo legislativo constitucional. 
Se, após impetrado o Mandado de Segurança, o mandato do parlamentar terminar, por ser um direito subjetivo dele, o mandado de segurança será extinto sem julgamento de mérito por perda do objeto (perda superveniente da legitimidade). Sobre o assunto, vejamos o seguinte precedente do STF:
STF, MS 27.971/DF: EMENTA: [...] PERDA SUPERVENIENTE, PELO IMPETRANTE, DE SUA CONDIÇÃO POLÍTICO-JURÍDICA DE PARLAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE DE PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO MANDAMENTAL. LEGITIMAÇÃO ATIVA “AD CAUSAM” QUE DEVE ESTAR PRESENTE, JUNTAMENTE COM AS DEMAIS CONDIÇÕES DA AÇÃO, NO MOMENTO DA RESOLUÇÃO DO LITÍGIO (CPC, ART. 462) (...) a perda superveniente de titularidade do mandato legislativo tem efeito desqualificador da legitimidade ativa do congressista que, apoiado nessa específica condição político-jurídica, ajuizou ação de mandado de segurança com o objetivo de questionar a validade jurídica de determinado procedimento que ambas as Casas do Congresso Nacional têm adotado em matéria de apreciação de medidas provisórias. É que a atualidade do exercício do mandato parlamentar configura, nesse contexto, situação legitimante e necessária, tanto para a instauração, quanto para o prosseguimento da causa perante o STF”.[footnoteRef:42] [42: (TJAC-2019-VUNESP): Na hipótese de um parlamentar que impetrou mandado de segurança perante o STF com o objetivo de impugnar projeto de lei eivado de inconstitucionalidade por ofensa ao devido processo legislativo, mas que, posteriormente, venha a perder o mandato parlamentar, é correto afirmar que o writ deve ser declarado extinto.] 
Portanto, o STF tem entendimento assente no sentido de que a perda superveniente de mandato impõe a extinção do mandado de segurança impetrado justamente em razão da condição de parlamentar. Entende-se que, para o mandado de segurança, vige a regra da atualidade quando da apreciação da legitimidade ativa. A perda do mandato implicaria, assim, extinção do processo.
##Atenção:Não confundir essa perda superveniente de legitimidade do MS (que é um direito subjetivo do parlamentar) com as hipóteses em que os partidos políticos ajuízam ADI, ADC e ADPF: Para que os partidos políticos ajuízem ADI, ADC e ADPF, eles precisam possuir um representante no Congresso Nacional. Porém, caso percam esse representante depois de ajuizada a ação, a ADI, ADC e ADPF prossegue até o final. Nesse caso, a legitimidade é aferida no momento da propositura.
##Atenção: Ressalve-se que se trata de um controle preventivo, não havendo obstáculo para que, posteriormente, seja realizado o controle repressivo.
##Atenção: O Brasil não contempla o controle judicial preventivo concentrado.[footnoteRef:43] Como já referido, o controle judicial preventivo se dá por meio de mandado de segurança impetrado por parlamentar perante o STF contra projeto de lei ou proposta de emenda constitucional. No entanto, segundo A DOUTRINA DOMINANTE, trata-se de controle difuso de constitucionalidade. É nesse sentido também a jurisprudência do STF (STF, MS 24.667). [43: (TCESP-2017-VUNESP): No que diz respeito às espécies de controle de constitucionalidade, é correto afirmar que o sistema brasileiro não contempla o controle judicial preventivo concentrado.] 
4.3.1. Hipóteses de controle repressivo
4.3.1.1. Poder Legislativo[footnoteRef:44] [44: ##Atenção: Tema cobrado na prova do TRF2-2009, Banca CESPE.] 
i. CF, art. 49, V: O Congresso Nacional poderá SUSTAR os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem o poder regulamentar ou os limites de delegação legislativa. Vejamos o teor do dispositivo: 
CF, art. 49, V: É da competência exclusiva do Congresso Nacional: 
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa.
Sendo assim, é um controle de legalidade, mas indiretamente, reflexamente é um controle de inconstitucionalidade. Vejamos alguns exemplos:
Ex.1: Uma lei é regulamentada por um decreto do Presidente da República, porém esse decreto regulamentador não se atém a fiel execução da lei e exorbita seus limites ao tratar de matéria não contida na lei. Nesse caso, o Congresso Nacional poderá sustar essa parte do decreto elaborado pelo Presidente da República que exorbitou os limites do poder regulamentar. 
Ex.2: O Presidente solicita a delegação da elaboração de uma lei e o Congresso Nacional fixa os seus limites. Ao elaborar a lei delegada, o Presidente da República extrapola os limites da resolução, tratando de temas alheios aos que lhe foram delegados. Da mesma forma, o Congresso Nacional poderá editar um decreto legislativo sustando esta parte da lei delegada que exorbitou os limites da delegação. Vejamos o teor do art. 68 da CF/88:
CF/88, Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional.
§ 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação sobre:
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.
§ 2º A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício.
§ 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada qualquer emenda.
##Questiona-se: ##TRF4-2012: ##Prova MPRJ-2016: O decreto legislativo elaborado pelo Congresso Nacional para sustar o ato do executivo que exorbitou os limites do poder regulamentar ou da delegação legislativa poderá ser objeto de ADI? Sim, pois os atos sustados por ele são atos normativos. Logo, o decreto legislativo também será um ato normativo.
ii. CF, art. 62: Trata-se da sustação das medidas provisórias. Como a medida provisória produz efeitos desde a sua edição, se ela for incompatível com a CF/88, irá imediatamente ofendê-la. Se o Congresso Nacional rejeitar uma medida provisória irá reparar uma inconstitucionalidade que já ocorreu. Desse modo, o Congresso poderá rejeitar medidas provisórias: 1) por ausência dos requisitos objetivos de relevância e urgência (art. 62, §5º); 2) por terem conteúdo incompatível com a CF/88 ou por ela vedado (art. 62, §1º) ou, ainda, 3) por terem sido reeditadas na mesma sessão legislativa em que foram rejeitadas ou que tenham perdido sua eficácia por decurso de prazo (art. 62, §10).[footnoteRef:45] Vejamos o teor das partes citadas do art. 62 da CF/88: [45: (TJSP-2018-VUNESP): É possível afirmar que, no sistema constitucional brasileiro, embora o controle repressivo de constitucionalidade seja, em regra, exercido pelo Judiciário, existem exceções, uma delas correspondente ao juízo sobre a constitucionalidade das medidas provisórias que cada uma das Casas do Congresso Nacional realiza antes de deliberar sobre o seu mérito.] 
CF, art. 62: Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
I – relativa a: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
b) direito penal, processual penal e processual civil; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
II – que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
III – reservada a lei complementar; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) (...)
§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) (...)
§ 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
##Atenção: Quando o Presidente da República elabora uma Medida Provisória, ela já possui força de lei, isto é, ela já produz efeitos desde a sua edição. Todavia, nos termos do caput do art. 62 da CF/88, o Presidente da República, deverá submeter a MP, de imediato, ao Congresso Nacional (Poder Legislativo), que verificará se ela é ou não compatível com a CF/88. Se o Congresso rejeitar a medida provisória, ele estará reparando uma inconstitucionalidade que já ocorreu, sendo, portanto, um exemplo de controle político repressivo exercido pelo Poder Legislativo.
iii. Súmula do 347 STF: O Tribunal de Contas, órgão auxiliar do Legislativo, dentro do exercício de suas atribuições, poderá apreciar se determinada lei ou ato do Poder Público, nos quais o ato fiscalizado se baseou, são compatíveis ou não com a Constituição., isto é, a constitucionalidade deles. Vejamos o teor da Súmula 347 do STF:
Súmula 347 do STF: O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público.
##Atenção:O Tribunal de Contas não é subordinado ao Poder Legislativo e não pertence ao Poder Legislativo, mas é um órgão auxiliar do Poder Legislativo. Por essa razão, pode exercer este controle. É um controle incidental.
##Atenção: Há polêmica, mas prevalece, na doutrina, que a súmula continua sendo válida. Vale ressaltar que o Min. Gilmar Mendes já se mostrou contrário à subsistência do enunciado, ao proferir decisão monocrática no MS 25888 MC/DF, em 22/03/06. O Plenário do STF ainda não se manifestou sobre o tema.
4.3.1.2. Poder Executivo
A única hipótese de controle repressivo que pode ser realizado pelo Poder Executivo é quando da negativa de cumprimento a uma lei por ele considerada inconstitucional.
Atente-se que essa possibilidade de controle repressivo não é pacífica:
· 1ª Corrente (minoritária): Após a promulgação da CF/88, o Chefe do Poder Executivo não pode negar cumprimento a uma lei. O Chefe do Executivo é um dos legitimados para a propositura de ADI (CF, art. 103, I e V), de forma que se entender pela inconstitucionalidade deve ajuizar uma e pedir liminar.
· 2ª Corrente (majoritária): Mesmo após a promulgação da CF/88 o Chefe do Poder Executivo continua tendo a opção de negativa de cumprimento. Há precedentes do STF e do STJ neste sentido (ADI n. 221-MC e REsp n. 23121). 
##Obs.: Nesse caso, para que o Chefe do Poder Executivo não pratique crime de responsabilidade (deixar de cumprir a lei é considerado crime de responsabilidade) e não corra o risco de sofrer uma intervenção federal no Estado (ou intervenção estadual no Município) alguns requisitos devem ser observados: (i) o ato deve ser motivado; e (ii) deve ser dada publicidade ao ato por meio de decreto.
· 3ª Corrente (posição do Ministro Gilmar Mendes): O Chefe do Poder Executivo, mesmo após a CF/88, pode negar cumprimento a uma lei, mas deve concomitantemente ajuizar uma ADI, por uma questão de coerência. Caso não o faça, poderá ser caracterizada má-fé do Chefe do Poder Executivo. Nesse sentido, AO n. 1415/SE.
4.3.1.3. Poder Judiciário
É a regra, por termos adotado o sistema jurisdicional.
O Poder Judiciário exerce o controle repressivo de duas formas sendo considerado, portanto, um controle misto[footnoteRef:46], a saber: [46: (Anal. Judic./TRT22-2010-FCC): No Brasil o controle de constitucionalidade repressivo judiciário é misto.] 
(i) controle concentrado (exercido pelo STF no âmbito federal ou pelo TJ no âmbito estadual)[footnoteRef:47]; e [47: (Anal. Judic./TRF5-2012-FCC): Considera-se mecanismo de controle de constitucionalidade jurisdicional repressivo, previsto na CF/1988, a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual, de competência originária do Supremo Tribunal Federal. BL: art. 102, I, “a”, CF.] 
(ii) controle difuso (exercido por qualquer juiz ou Tribunal).[footnoteRef:48] [48: (TRT18-2012-FCC): O controle de constitucionalidade das leis no direito brasileiro pode ser levado a efeito por juízes que ainda não tenham adquirido vitaliciedade ou que estejam no exercício da judicatura em juizado especial.] 
4.4.1. Quanto à Competência Jurisdicional
4.4.1.1. Controle Difuso (ou aberto)
É aquele cuja competência é atribuída a por qualquer órgão do Poder Judiciário, ou seja, a qualquer juiz ou Tribunal.[footnoteRef:49] Não existe limitação. É um controle aberto. [49: (Anal. Judic./TRT20-2011-FCC): O controle difuso de constitucionalidade é verificado quando se reconhece o seu exercício a todos os membros do Poder Judiciário.] 
Recebe também a denominação “sistema norte-americano” em razão de que o controle difuso foi criado nos Estados Unidos no Caso Marbury v. Madison em 1803 (juiz John Marshall).[footnoteRef:50] Embora esse caso seja considerado um paradigma para o controle de constitucionalidade, outros precedentes estadunidenses anteriores e relevantes são Hayburn’s Case (1792) e Hylton’s Case (1796), os quais, de certa forma, também exerceram o controle difuso de constitucionalidade. [50: (TJRO-2011): O modelo difuso, criação jurisprudencial americana, é adotado no Brasil e permite que quaisquer magistrados se manifestem acerca da constitucionalidade de leis.
(DPEES-2008-CESPE): O controle difuso de constitucionalidade tem sua origem histórica no direito norte-americano, no caso Marbury versus Madison.] 
##Obs.: Destaque-se que essa espécie de controle de constitucionalidade é uma criação totalmente jurisprudencial deles, não havendo até hoje previsão expressa na constituição norte-americana.
A título de complementação, décadas antes houve uma decisão semelhante na Inglaterra, proferida pelo juiz Sir Edward Coke (1610), a qual é inclusive citada por John Marshall ao julgar o caso Marbury v. Madison. O magistrado Edward Coke exercia suas funções em um Tribunal chamado “Common Pleas”, cujo controle teve como parâmetro uma constituição não escrita.
##Obs.: No direito brasileiro, o controle difuso foi introduzido na Constituição Republicana de 1891, positivando-se a adoção do modelo estadunidense (Poder Judiciário como guardião da Constituição). A constituição imperial de 1824 não tinha controle de constitucionalidade, pois seguia o sistema francês de “supremacia do parlamento”.
4.4.1.2. Controle Concentrado (ou reservado)[footnoteRef:51] [51: (Proc./BACEN-2006-FCC): O controle concentrado de constitucionalidade no Brasil contempla a ação direta genérica, interventiva e por omissão, além da ação declaratória de constitucionalidade e da arguição de descumprimento de preceito fundamental.] 
Esse controle é atribuído exclusivamente a determinado Tribunal, estando os demais órgãos do judiciário excluídos de tal munus.
Recebe a denominação de “sistema austríaco” ou “sistema europeu” por ter sido criado por Hans Kelsen, o qual o introduziu na Constituição da Áustria de 1920, quando lá era Ministro de Guerra, sendo em seguida utilizado pela maior parte dos países da Europa.
Embora haja muita polêmica sobre o tema, o ENTENDIMENTO CORRETO é o de que no direito brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade foi introduzido pela Constituição de 1934, através da previsão da Representação Interventiva (art. 12 da Constituição de 1934), que atualmente é a ADI Interventiva. E a primeira vez que foi criado o controle concentrado abstrato foi com a EC 16/65, que trouxe a Representação de Inconstitucionalidade, tendo como único legitimado o Procurador-Geral da República, que poderia ser destituído a qualquer momento pelo Presidente, que, então, acabava controlando as suas ações.
##Obs.: A representação interventiva era proposta pelo Procurador-Geral da República para que o Presidente decretasse a intervenção nos Estados, em determinadas situações. A competência para processá-la e julgá-la era atribuída exclusivamente ao STF.
4.5.1. Quanto à Finalidade do Controle Jurisdicional
4.5.1.1. Controle Concreto (ou incidental, ou por via de defesa, ou por via de exceção)
Nesse tipo de controle, a pretensão é deduzida em juízo através de processo constitucional subjetivo, exercido com a finalidade principal de solucionar controvérsia envolvendo direitos subjetivos. 
O controle concreto é realizado a partir de um caso concreto. O indivíduo recorre ao Poder Judiciário para proteger direitos subjetivos. Em outras palavras, a preocupação daquele que provoca o controle concreto não é com a supremacia da Constituição, mas com a proteção de direitos subjetivos. Sendo assim, um indivíduo tem o seu direito violado e para que ocorra a proteção, será necessário afastar a lei, declarando a sua inconstitucionalidade. Por tal razão, o processo constitucional subjetivo é regido pelos princípios e regras do processo civil/processo penal.
##Obs.: Embora a finalidade primária seja a solução de um caso concreto, indiretamente se está protegendo a supremacia da Constituição. Ora, ao passo que o Judiciário decide a situação concreta da parte, incidentalmente deverá dizer se o ato normativo impugnado é ou não constitucional.
Ex.: Indivíduo que entende ser tributado excessivamente em razão de uma leifederal, a qual aumentou a alíquota de um determinado imposto. A preocupação deste indivíduo é a de não pagar o imposto majorado e ser restituído. Para isso, incidentalmente, no curso do processo, o Poder Judiciário deverá declarar a inconstitucionalidade da lei, a qual majorou o imposto.
4.5.1.2. Controle abstrato (ou por via de ação, ou por via direta, ou por via principal)
É voltado precipuamente (não exclusivamente) a assegurar a supremacia da constituição, ou seja, da ordem constitucional objetiva. 
##Obs.: Ao assegurar a supremacia da constituição, indiretamente também acaba protegendo direitos subjetivos.
No caso do controle abstrato, a pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional objetivo, ou seja, um processo constitucional sem partes formais (autor e réu). Não há a defesa de interesses próprios. Por essa razão, o processo constitucional objetivo não é regido pelos princípios e regras do processo civil (v.g. ampla defesa, duplo grau de jurisdição, contraditório, etc.).
##Obs.: Nas ações referentes ao controle abstrato há legitimados nos polos ativo e passivo. Porém, não há autor e réu, pois ninguém deflagra a ação para defender interesse próprio e sim para proteger a ordem constitucional objetiva.
O controle abstrato foi introduzido no direito brasileiro pela EC n. 16/65, que criou a representação de inconstitucionalidade, a qual corresponde hoje à ADI.[footnoteRef:52] [52: (TJMG-2012-VUNESP): O sistema judicial de controle de constitucionalidade brasileiro foi alterado pela Emenda n.º 16/65 à Constituição Federal brasileira de 1946, uma vez que introduziu o controle judicial abstrato.] 
##Questiona-se: No controle abstrato é permitida a análise de questões fáticas? Sim. Embora se fale em controle abstrato, as questões fáticas podem e devem ser analisadas nesse tipo de controle. 
##Obs.: Por isso a nomenclatura “abstrato” não é considerada a mais adequada, sendo tecnicamente mais correta a nomenclatura “por via principal”. 
Vejamos o teor do art. 9º, §1º da Lei 9868/99:
Lei n. 9.868/99, art. 9º, § 1º: Em caso de necessidade de esclarecimento de matéria ou circunstância de fato ou de notória insuficiência das informações existentes nos autos, poderá o relator requisitar informações adicionais, designar perito ou comissão de peritos para que emita parecer sobre a questão, ou fixar data para, em audiência pública, ouvir depoimentos de pessoas com experiência e autoridade na matéria.[footnoteRef:53] [53: (MPGO-2016): É possível a apuração de questões fáticas, tanto que se admite, por exemplo, a designação de peritos em caso de necessidade de esclarecimentos de circunstância de fato. BL: art. 9º, §1º, da Lei 9868/99.] 
Observe-se que a elucidação de uma questão fática pode ser fundamental para a decisão sobre a constitucionalidade de uma lei. 
Ex.1: ADI 3510 (questionamento sobre a constitucionalidade da Lei de Biossegurança no ponto em que permite a pesquisa com células-troncos embrionárias): foi necessária uma análise da importância com pesquisas dessa espécie para fins de cura, pois se pudessem ser alcançados os mesmos resultados com células comuns, não seria ética a pesquisa em debate. Assim, o STF convocou audiência pública para ouvir 17 especialistas, com o fito de elucidarem questões fáticas.
Ex.2: ADPF 54 (discussão sobre a criminalização do aborto de fetos anencéfalos): Para decidir a questão, o STF precisava saber se, no âmbito da medicina, é possível detectar, com precisão, a existência ou não de uma anencefalia. Se não houvesse a possibilidade de analisar de forma clara e precisa se há acrania ou não, haveria muito mais questões em debate. Com as respostas em sentido positivo, o STF considerou que a antecipação terapêutica do parto nesses casos não pode ser considerada crime de aborto.
##Obs.: Paralelo entre as formas de controle quanto à finalidade e quanto à competência:
EM REGRA, no direito brasileiro, o controle será CONCENTRADO-ABSTRATO ou DIFUSO-CONCRETO: 
· O controle feito para assegurar a supremacia da constituição (CONTROLE ABSTRATO), EM REGRA, irá se concentrar em determinado Tribunal (CONTROLE CONCENTRADO).[footnoteRef:54] [54: (Assistente de Chancelaria/MRE-2004-ESAF): Quando se realiza o controle de constitucionalidade de atos normativos por um único tribunal, independentemente da existência de um caso concreto a ser julgado, diz-se que esse controle é concentrado e abstrato.] 
· O controle feito à luz do caso concreto (CONTROLE CONCRETO), EM REGRA, poderá ser exercido por qualquer juiz ou Tribunal (CONTROLE DIFUSO).
Porém, HÁ EXCEÇÕES:
· CONTROLE CONCENTRADO-CONCRETO (ou INCIDENTAL): 
· Representação interventiva (art. 36, III, CF); 
· ADPF Incidental (art. 1º, § único, I, da Lei 9.882/99);[footnoteRef:55] [55: (TJCE-2018-CESPE): Considerando o entendimento do STF acerca dos modelos, dos instrumentos e dos efeitos das decisões no controle de constitucionalidade, assinale a opção correta: Embora seja ação típica do modelo concentrado, a arguição de descumprimento de preceito fundamental se presta, entre outros fins, ao controle concreto de constitucionalidade. BL: art. 1º, § único, I, Lei 9882/99.
OBS: Isso se dá devido à possibilidade de a ADPF servir com arguição incidental, sendo cabível quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição, contestados em face de um preceito constitucional fundamental (Lei 9.882/1999, art. 1°, parágrafo único, I). Desse modo, embora o controle concentrado (realizado pelo STF e TJs) seja, em regra, abstrato (análise do ato normativo em tese), na hipótese do ADPF incidental é possível o controle da legitimidade da lei em face de sua aplicação em uma situação concreta, resultando em excepcional hipótese de controle de constitucionalidade concentrado e concreto.] 
· Mandado de Segurança Impetrado por parlamentar quando inobservado o devido processo legislativo constitucional.
· CONTROLE DIFUSO-ABSTRATO: Exercido pelo Plenário ou Órgão Especial, no caso previsto no art. 97 da CF (Cláusula de reserva de plenário).
##Obs.: Terminamos a teoria geral do controle de constitucionalidade.
II - CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE EM ESPÉCIE – CONTROLE CONCENTRADO-ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE
1. CONTROLE CONCENTRADO-ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE
##Obs.: A ADI foi a primeira ação do controle abstrato a surgir, com a EC 16/65, que introduziu a representação de inconstitucionalidade. A CF/88 só trazia a ADI e a previsão de que a lei regulamentasse a ADPF. A ADC veio com a EC 03/93.
Aqui serão estudadas a ADI, a ADC e a ADPF. 
1.1. Aspectos Introdutórios
1.1.1. Leis Regulamentadoras da ADI, ADC e ADPF
As leis regulamentadoras da matéria são:
· Lei n. 9.868/99 (ADI e ADC);
· Lei n. 9.882/99 (ADPF).
1.1.2. Caráter Dúplice (ou Ambivalente ou “de sinal trocado”) da ADI e da ADC
A ADI e ADC são ações de mesma natureza com sinal trocado, ou seja, elas possuem um caráter dúplice (ou ambivalente).[footnoteRef:56] [56: (MPDFT-2009): A ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade são consideradas ações dúplices, quanto aos efeitos da decisão. BL: art. 24, Lei 9868/99.] 
Dado ao caráter dúplice (ou ambivalente), a diferença fundamental entre ADI e ADC é a seguinte:
· ADI: é uma ação direta de inconstitucionalidade. Quando se propõe a ADI, pede-se ao STF que declare que a lei é incompatível com a Constituição. Se o pedido for julgado improcedente, a lei é constitucional.
· ADC: é uma ação declaratória de constitucionalidade. Quando se propõe a ADC, pede-se ao STF que declare a lei como constitucional. Se o pedido for julgado improcedente, a lei é inconstitucional.
O que as diferencia, portanto, é o objetivo de quem as propõe. Vejamos o teor do art. 24 da Lei 9868/99, que proclama exatamente esse caráter dúplice:
Lei n. 9.868/99, art. 24: Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta ou procedente eventual ação declaratória; e, proclamadaa inconstitucionalidade, julgar-se-á procedente a ação direta ou improcedente eventual ação declaratória.
Por essa razão, quando uma mesma lei é objeto de ADI e de ADC, essas ações serão reunidas e julgadas em conjunto.
Ex.: Lei da Ficha Limpa, que foi objeto das ADC n. 29, ADC n. 30 e da ADI n. 4578. Foram todas reunidas e julgadas em conjunto.
1.1.3. Pressuposto da ADC: Controvérsia Judicial Relevante
Quando criada a ADC por meio da EC nº 3/93, foi questionada sua constitucionalidade. Dentre as supostas inconstitucionalidades arguidas, argumentava-se que existia uma presunção de constitucionalidade das leis e, se as leis se presumem constitucionais, não haveria sentido em pedir ao STF para declarar algo que já se presume.
Ocorre que a presunção de constitucionalidade é relativa e poderá ser afastada por qualquer juiz ou Tribunal por meio do controle difuso-incidental. A ADC surgiu em razão dessa presunção relativa e possui como pressuposto de admissibilidade a existência de controvérsia judicial relevante, que é exatamente para evitar que o STF se transforme em órgão de consulta. Em outras palavras, só se justifica a provocação do STF para se manifestar sobre a constitucionalidade de uma lei se houver dúvidas sobre essa constitucionalidade.
Como referido, STF não é um órgão de consulta. A controvérsia tem que ser judicial, não podendo ser meramente doutrinária. O STF já se pronunciou afirmando que seis ou sete julgados questionando a constitucionalidade da lei não seriam suficientes. Vale lembrar que a controvérsia precisa ser efetiva, não bastando ser potencial (PROVA DO MPMG-2017!).
Vejamos o teor do art. 14, III da Lei 9868/99:
Lei n. 9.868/99, art. 14, III: a existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória.[footnoteRef:57] [57: (Anal. Finanças e Controle/CGU-2006-ESAF): Sobre controle de constitucionalidade, assinale a única opção correta: É requisito de admissibilidade da ação declaratória de constitucionalidade a demonstração de existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória. BL: art. 14, III da Lei 9868/99.] 
Ainda sobre o assunto “controvérsia judicial relevante”, vejamos recente julgado do STF, veiculado no Info 786, resumida, de forma didática, pelo Dizer o Direito:
A Lei 9.868/99, ao tratar sobre o procedimento da ADC, prevê, em seu art. 14, os requisitos da petição inicial. Um desses requisitos exigidos é se demonstre que existe controvérsia judicial relevante sobre a lei objeto da ação. 
Em outras palavras, só cabe ADC se houver uma divergência na jurisprudência sobre a constitucionalidade daquela lei, ou seja, é necessário que existam juízes ou Tribunais decidindo que aquela lei é inconstitucional. Se não existirem decisões contrárias à lei, não há razão para se propor a ADC.
É possível que uma lei, dias após ser editada, já seja objeto de ADC? É possível preencher o requisito da “controvérsia judicial relevante” com poucos dias de vigência do ato normativo? 
SIM. Mesmo a lei ou ato normativo possuindo pouco tempo de vigência, já é possível preencher o requisito da controvérsia judicial relevante se houver decisões julgando essa lei ou ato normativo inconstitucional. 
O STF decidiu que o requisito relativo à existência de controvérsia judicial relevante é qualitativo e não quantitativo. Em outras palavras, para verificar se existe a controvérsia não se examina apenas o número de decisões judiciais. Não é necessário que haja muitas decisões em sentido contrário à lei. Mesmo havendo ainda poucas decisões julgando inconstitucional a lei já pode ser possível o ajuizamento da ADC se o ato normativo impugnado for uma emenda constitucional (expressão mais elevada da vontade do parlamento brasileiro) ou mesmo em se tratando de lei se a matéria nela versada for relevante e houver risco de decisões contrárias à sua constitucionalidade se multiplicarem. 
STF. Plenário. ADI 5316 MC/DF, Rel. Min. Luiz Fux, j. 21/5/15 (Info 786).
1.1.4. Caráter Subsidiário/Residual da ADPF
A ADPF só é cabível quando inexistir outro meio eficaz para sanar a lesividade. Assim, não é cabível a ADPF quando couber, por exemplo, ADI ou ADC.
Exemplo: As normas anteriores à Constituição não podem ser objeto de ADI porque no Brasil não se admite, como regra, a tese da inconstitucionalidade superveniente. Portanto, nesse caso o instrumento cabível será a ADPF. Foi o que ocorreu na Lei de Imprensa e nas discussões acerca do art. 128 do Código Penal (aborto da anencefalia).
Vejamos o teor do art. 4º, §1º da Lei 9.882/99, no qual prevê o caráter subsidiário da ADPF:
Lei n. 9.882/99, art. 4º, §1º: Não será admitida argüição de descumprimento de preceito fundamental quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade.[footnoteRef:58] [58: (DPEPE-2018-CESPE): O ajuizamento da ADPF deve atender à subsidiariedade, sendo proposta quando inexistir outro meio idôneo para instrumentalização da pretensão de sanar lesão a preceito fundamental. BL: art. 4º, §1º da Lei.
(TJMSP-2016-VUNESP): A ADPF, fórmula processual subsidiária do controle concentrado de constitucionalidade, é via adequada à impugnação de norma pré-constitucional. BL: art. 4º, §1º da Lei.
Explicação: "Lei de Imprensa. Adequação da ação. A ADPF, fórmula processual subsidiária do controle concentrado de constitucionalidade, é via adequada à impugnação de norma pré-constitucional. Situação de concreta ambiência jurisdicional timbrada por decisões conflitantes. Atendimento das condições da ação." (ADPF 130, rel. min. Carlos Britto, julgamento em 30-4-2009, Plenário)
OBS: Aplica-se à arguição de descumprimento o princípio da subsidiariedade, pois, nos termos do art. 4º, §1º desta Lei, não será admitida arguição de descumprimento de preceito fundamental quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade.
(Anal. Judic./STF-2013-CESPE): A arguição de descumprimento de preceito fundamental é instrumento de controle concentrado de constitucionalidade que possui caráter subsidiário ou residual, só podendo ser utilizada quando não houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade. BL: art. 4º, §1º da Lei.
(ABIN-2010-CESPE): ADPF tem caráter subsidiário, ou seja, só é possível se conhecer da ação caso inexista outro meio eficaz para a sua propositura. BL: art. 4º, §1º da Lei.] 
Obs.: Pela expressão “outro meio eficaz”, entende o STF que a expressão significa outro meio que tenha a mesma efetividade, imediaticidade e amplitude.
##Questiona-se: Para que o cabimento da ADPF seja afastado, é necessário que haja outra ação de controle concentrado-abstrato? Não, necessariamente. O STF interpreta no sentido de que o meio não precisa ser o instrumento de controle abstrato, mas deve ter a mesma imediaticidade, amplitude e efetividade da ADPF, ou seja, que ele substitua aquilo que a ADPF poderia fazer. Há, portanto, a possibilidade de que haja outro meio igualmente eficaz que não seja ADI, ADC ou ADO. Ex.: A ADPF 128 foi intentada com o objeto de uma súmula vinculante. O STF não admitiu a ADPF porque a Lei da Súmula Vinculante prevê outro meio com a mesma efetividade, imediaticidade e amplitude que a ADPF, qual seja, o pedido de revisão ou cancelamento da súmula vinculante. É um mecanismo que tem a mesma imediaticidade, amplitude e efetividade, de forma a não se observar o caráter subsidiário da ADPF. [footnoteRef:59] [59: ##Atenção: Caiu na prova do TJMT-2018, Banca VUNESP.] 
##Atenção: ##DOD: ##STF: ##TJMSP-2016: ##VUNESP: ##TJMS-2020: ##FCC: Não cabe arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) contra decisão judicial transitada em julgado. Este instituto de controle concentrado de constitucionalidade não tem como função desconstituir a coisa julgada. STF. Decisão monocrática. ADPF 81 MC, Rel. Min. Celso de Mello, j. 27/10/2015 (Info 810).
##Questiona-se: É possível que seja celebrado um acordo no bojo de uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF)? SIM. É possível a celebração de acordo num processode índole objetiva, como a ADPF, desde que fique demonstrado que há no feito um conflito intersubjetivo subjacente (implícito), que comporta solução por meio de autocomposição. Vale ressaltar que, na homologação deste acordo, o STF não irá chancelar ou legitimar nenhuma das teses jurídicas defendidas pelas partes no processo. O STF irá apenas homologar as disposições patrimoniais que forem combinadas e que estiverem dentro do âmbito da disponibilidade das partes. A homologação estará apenas resolvendo um incidente processual, com vistas a conferir maior efetividade à prestação jurisdicional. STF. Plenário. ADPF 165/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 1º/3/2018 (Info 892).
1.1.5. Princípio da Fungibilidade entre ADI, ADC e ADPF (e ADO)[footnoteRef:60] [60: ##Atenção: Caiu na prova do TJMS-2020, Banca FCC.] 
Embora nem todos os princípios e regras do processo civil sejam aplicáveis ao controle concentrado-abstrato (por se tratar de um processo constitucional objetivo), o princípio da fungibilidade é aplicado a essas ações, salvo na hipótese de erro grosseiro.
Temos vários exemplos no STF:
ADPF 132 – União Homoafetiva: 1. ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (ADPF). PERDA PARCIAL DE OBJETO. RECEBIMENTO, NA PARTE REMANESCENTE, COMO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. UNIÃO HOMOAFETIVA E SEU RECONHECIMENTO COMO INSTITUTO JURÍDICO. CONVERGÊNCIA DE OBJETOS ENTRE AÇÕES DE NATUREZA ABSTRATA. JULGAMENTO CONJUNTO. [...]
ADI 72 QO/PA: [...] Questão de ordem resolvida com o aproveitamento do feito como ação direta de inconstitucionalidade, ante a perfeita satisfação dos requisitos exigidos à sua propositura (legitimidade ativa, objeto, fundamentação e pedido), bem como a relevância da situação trazida nos autos, relativa a conflito entre dois Estados da Federação” (STF. ADPF 72 QO/PA, rel. Min. Ellen Gracie, DJ 02.12.2005).
ADI 4.163/SP: [...] 2. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. Impropriedade da ação. Conversão em Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF. Admissibilidade. Satisfação de todos os requisitos exigidos à sua propositura. Pedido conhecido, em parte, como tal. Aplicação do princípio da fungibilidade. Precedente.
ADI 875: [...] Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI n.° 875/DF, ADI n.° 1.987/DF, ADI n.° 2.727/DF e ADI n.° 3.243/DF). Fungibilidade entre as ações diretas de inconstitucionalidade por ação e por omissão. Fundo de Participação dos Estados - FPE (art. 161, inciso II, da Constituição). Lei Complementar n° 62/1989. Omissão inconstitucional de caráter parcial. Descumprimento do mandamento constitucional constante do art. 161, II, da Constituição, segundo o qual lei complementar deve estabelecer os critérios de rateio do Fundo de Participação dos Estados, com a finalidade de promover o equilíbrio socioeconômico entre os entes federativos. Ações julgadas procedentes para declarar a inconstitucionalidade, sem a pronúncia da nulidade, do art. 2º, incisos I e II, §§ 1º, 2º e 3º, e do Anexo Único, da Lei Complementar n.º 62/1989, assegurada a sua aplicação até 31 de dezembro de 2012. [footnoteRef:61] [61: (AGU-2012-CESPE): O atual posicionamento do STF admite a fungibilidade entre a ADI e a ADIO. BL: ADI 875.
OBS: O atual posicionamento do STF admite a fungibilidade entre a ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) e a ADIO (Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão). O termo "'fungibilidade"' significa a substituição de uma coisa por outra. O núcleo da fungibilidade, em questões juridicionais, esta em possibilitar o resultado prático, ainda que o meio processual adotado não seja o mais adequado. O tema da fungibilidade entre ADI e ADI por omissão é recente na jurisprudência do STF e foi aceita pela primeira vez em 2010, ao julgar a ADI 875. Nessa ADI, o Ministro Gilmar Mendes, do STF, comentou: "É preciso reconhecer que, em nosso sistema abstrato de controle de constitucionalidade, deve existir uma natural fungibilidade entre os diversos tipos de ação" e complementa o Ministro afirmando que "a distinção rígida entre as ações diretas de inconstitucionalidade por ação e por omissão, como pressuposto de sua infungibilidade, não se coaduna mais com a própria jurisprudência do Tribunal no tocante Tribunal no tocante ao controle abstrato de normas e às novas técnicas de decisão.. Tem-se, portanto, o estabelecimento de uma nova posição do STF, no sentido da fungibilidade entre as diversas ações que compõem o controle abstrato de constitucionalidade".] 
##Obs.: Atente-se para o fato de que em alguns casos não será possível a fungibilidade pela ausência de algum requisito essencial, como o de controvérsia judicial relevante da ADC.
Acrescente-se, ainda, que, em decorrência do princípio da fungibilidade, o STF tem admitido a cumulação de ações (de pedidos). Ou seja, pode-se em uma mesma ação o legitimado reunir pedidos que são de ações distintas. Nesse sentido, vejamos os seguintes precedentes:
ADI 5.316 MC/DF - “Pec da Bengala”: Assento de plano a admissibilidade da cumulação de ações de controle concentrado de constitucionalidade. […] Rejeitar a possibilidade de cumulação de ações […] apenas ensejaria a propositura de uma nova demanda com pedido e fundamentação idênticos, a ser distribuída por prevenção, como costuma ocorrer em hipóteses de ajuizamento de ADI e ADC em face de um mesmo diploma.
ADPF 378/DF – Impeachment da Dilma: A ação é cabível, mesmo se considerarmos que requer, indiretamente, a declaração de inconstitucionalidade de norma posterior à Constituição e que pretende superar omissão parcial inconstitucional. Fungibilidade das ações diretas que se prestam a viabilizar o controle de constitucionalidade abstrato e em tese.
1.2. Legitimidade Ativa
A legitimidade ativa entre ADI, ADC e ADPF é exatamente a mesma:
CF/88, Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: 
 I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
V o Governador de Estado ou do Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.
§ 1º O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal.[footnoteRef:62] [62: (TJMA-2008): O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do STF, o qual também pode propor ações diretas de inconstitucionalidade ou ações declaratórias de constitucionalidade. BL: art. 103, inciso VI e §1º da CF/88.] 
§ 2º Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias.
§ 3º Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado.
A legitimidade ativa foi alterada pela CF/88, a qual ampliou o rol de legitimados previstos no art. 103 da CF/88. 
Antes da CF/88, apenas o Procurador-Geral da República poderia propor a única ação existente de controle concentrado-abstrato (representação de inconstitucionalidade – atualmente chamada de ADI). Na época, o PGR não era apenas o Chefe do MPU, como é atualmente, e exercia também a função atualmente desempenhada pelo Advogado-Geral da União. E mais: além de defender o governo, o PGR era demissível “ad nutum” pelo Presidente da República, colocando sua independência e imparcialidadeem xeque. Com a CF/88 o PGR passou a exercer apenas a função de chefe do MPU e a função de AGU foi atribuída a outro órgão. 
Além disso, a CF/88 ampliou o rol de legitimados. Essa ampliação trouxe uma série de efeitos, entre os quais o surgimento do fenômeno da judicialização da política (v.g., qualquer partido, mesmo que com apenas um representante, pode ir ao judiciário) e das relações sociais (v.g. Conselho Federal da OAB e Conselhos de Classe podem recorrer ao STF).
O rol de legitimados deve ser interpretado restritivamente (numerus clausus). Portanto, não deve ser interpretado extensivamente, assim como, não é possível incluir, por analogia, legitimados que não estejam previstos no dispositivo constitucional.
No controle concentrado-abstrato, por ser tratar de um processo constitucional objetivo, a lei e o regimento interno do STF, não admitem:
· Desistência (o requerente não é titular da supremacia da Constituição; vide art. 5º da Lei 9.868/99).[footnoteRef:63] [63: (TJRJ-2011-VUNESP): Em se tratando de ADI, o STF firmou o entendimento de que ação dessa natureza não é suscetível de desistência. BL: art. 5º desta Lei.] 
· Assistência (vedada expressamente pelo Regimento Interno do STF).
· Intervenção de terceiros (vedada expressamente pela Lei 9.868/99, art. 7º)[footnoteRef:64]. [64: ##Atenção: ##TJAC-2019: ##VUNESP: ##STF: “Recurso interposto por terceiro prejudicado. Não cabimento. Procedentes. Embargos de declaração opostos pela OAB. Legitimidade. Questão de ordem resolvida no sentido de que é incabível a interposição de qualquer espécie de recurso por quem, embora legitimado para a propositura da ação direta, nela não figure como requerido” (STF. Plenário. ADI 1.105 MC-ED-QO, rel. Min. Maurício Corrêa, j. 23.08.2001).] 
##Obs.: Controvérsia doutrinária sobre o “amicus curiae”: Sendo certa a admissão dele (art. 7, §2º, Lei 9.868/99), há duas interpretações possíveis:
· Se considerar que o “amicus curiae” é espécie de intervenção de terceiros: trata-se de exceção à regra. → Entendimento majoritário.[footnoteRef:65] Trata-se de uma intervenção anômala ou sui generis entre os Ministros do STF. [65: (TJDFT-2012): Embora não seja admitida a intervenção de terceiros no processo da ADI, o STF vem permitindo o “amicus curiae”, para possibilitar à sociedade um mais amplo debate da questão constitucional. BL: art. 7º,§2º da Lei 9.868/99.
Explicação: Uma das características do controle concentrado de constitucionalidade é a inadmissibilidade de intervenção de terceiros (art. 7º, caput desta Lei). Mas o relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, poderá, por despacho irrecorrível, admitir a manifestação de outros órgãos ou entidades (art. 7º, §2º desta Lei), o que abre espaço para a figura do amicus curiae, conforme já decidiu o STF na ADI 2238. Assim, pode-se dizer que a atuação do amicus curiae tem natureza sui generis.] 
· Se considerar que o “amicus curiae” não é espécie de intervenção de terceiros: não é exceção à regra.
##Obs.: Em relação aos legitimados, o STF estabelece uma distinção entre legitimados universais e legitimados especiais, a fim de perquirir a necessidade de pertinência temática. Não há previsão legal desta distinção, consubstanciando-se em uma jurisprudência defensiva. 
· LEGITIMADO ATIVO UNIVERSAL: Não precisa demonstrar pertinência temática. Assim, poderá questionar qualquer lei ou ato normativo sem ter que demonstrar para o STF o nexo de causalidade entre o conteúdo do objeto impugnado e o interesse por ele representado (v.g. Presidente da República).
· LEGITIMADO ATIVO ESPECIAL: Precisa demonstrar pertinência temática, ou seja, precisa demonstrar o nexo entre o conteúdo do objeto impugnado e suas finalidades ou interesses (do legitimado) (v.g. Governador e Estado-Membro).
##Questiona-se: O Governador pode questionar uma lei de outro Estado-Membro, visto que é necessário existir pertinência temática? Sim, desde que ele demonstre que a lei do outro Estado-Membro viola o interesse do Estado por ele representado. Ex.: Questionar norma de outro Estado-Membro que reduziu alíquota de imposto, prejudicando a arrecadação de seu Estado-Membro.
1.2.1. Legitimados Ativos Universais
São os legitimados ativos universais: 
(i) Presidente da República; 
(ii) Mesa do Senado Federal; 
(iii) Mesa da Câmara dos Deputados; 	
(iv) Procurador-Geral da República; 
(v) Conselho Federal da OAB; 
(vi) Partidos políticos com representação no Congresso Nacional.[footnoteRef:66] [66: (MPPR-2008): De acordo com a jurisprudência consolidada pelo STF, são considerados “legitimados universais” para a propositura de ação direta de inconstitucionalidade perante aquele Tribunal: Apenas o Presidente da República, o Procurador-Geral da República, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, a Mesa do Senado Federal, a Mesa da Câmara dos Deputados e o partido político com representação no Congresso Nacional.] 
1.2.1.1. Presidente da República
O rol de legitimados, como já referido, é de numerus clausus, de modo que, em tese, o Vice-Presidente da República não poderia ser legitimado.[footnoteRef:67] [67: (PCPR-2007-UFPR): Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade as pessoas e órgãos adiante nominados, EXCETO: o Vice-Presidente da República.] 
##Questiona-se: O Vice-Presidente da República possui legitimidade para ajuizar ADI, ADO e ADPF? DEPENDE. Se o Vice-Presidente estiver no exercício da Presidência da República, é perfeitamente possível, pois ajuizará as respectivas ações não como Vice-Presidente, mas como Presidente da República em exercício. No entanto, se estiver atuando como Vice-Presidente, a resposta é negativa. Destaque-se que a legitimidade deve ser aferida no momento da propositura. O mesmo raciocínio é aplicado aos Governadores de Estado.
Logo, Vice-Presidente da República só tem legitimidade para ajuizar essas ações quando estiver no exercício da Presidência.
1.2.1.2. Mesa do Senado Federal
A mesa é o órgão diretivo da Casa.
1.2.1.3. Mesa da Câmara dos Deputados
A mesa é o órgão diretivo da Casa.
##Questiona-se: A Mesa do Congresso Nacional (formada por membros da Mesa do Senado e membros da Mesa da Câmara) possui legitimidade ativa? Não, visto que o rol do art. 103 da CF/88 é de numerus clausus, devendo a interpretação deve ser restritiva.
1.2.1.4. Procurador-Geral da República
1.2.1.5. Conselho Federal da OAB 
Destaque-se ser o único Conselho Federal que possui essa legitimidade.[footnoteRef:68] Os demais Conselhos não a possuem (ADI n. 641-MC). [68: (TJMS-2015-VUNESP): Segundo a CF/88 e a jurisprudência do STF, são dois exemplos de legitimados universais para a propositura da ação declaratória de constitucionalidade: o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e os partidos políticos com representação no Congresso Nacional. BL: art. 2º, § único, VII e VIII da Lei 9868 e art. 103, VII e VIII, CF.
(TJGO-2009-FCC): Conforme a disciplina do controle de constitucionalidade no ordenamento jurídico brasileiro, o Conselho Federal da OAB pode propor ADI, ADC e ADPF, perante o STF, sem exigência de pertinência temática. BL: art. 103, VII, CF.] 
1.2.1.6. Partidos políticos
Os partidos políticos estão condicionados a possuir representação no Congresso Nacional. 
A legitimidade do partido político deve ser aferida no momento da propositura da ação (ADI 2618-Agr-Agr). Se perder o representação no Congresso Nacional, a ação continua em regular trâmite. Em outros termos, a perda superveniente de representação no Congresso Nacional não obsta a continuidade da ação.[footnoteRef:69] [69: (TJAC-2019-VUNESP): Assinale a alternativa que está de acordo com o direito pátrio no que tange ao controle de constitucionalidade concentrado: A perda superveniente A perda superveniente de representação parlamentar de Partido Político não o desqualifica para permanecer no polo ativo da ação direta de inconstitucionalidade. 
##Atenção: ##STF: ##MPSP-2019: Conforme o STF, “Partido político.Legitimidade ativa. Aferição no momento da sua propositura. Perda superveniente de representação parlamentar. Não desqualificação para permanecer no polo ativo da relação processual. Objetividade e indisponibilidade da ação” (ADI 2.618 AgR-AgR, rel. min. Gilmar Mendes, j. 12/8/04).
(Analista/EBC-2011-CESPE): A aferição da legitimidade do partido político para a propositura de uma ação direta de inconstitucionalidade deve ser feita no momento da propositura da ação, sendo irrelevante a ulterior perda de representação no Congresso Nacional.] 
##Atenção: Devemos lembrar que tal situação se diferencia do Mandado de Segurança, proposto por parlamentar no controle preventivo de constitucionalidade junto ao Poder Judiciário: Nesse caso, trata-se de direito subjetivo do parlamentar ao devido processo legislativo constitucional, de modo que a perda superveniente de mandato enseja a falta de interesse de agir. Por outro lado, como já referido acima, a legitimidade dos partidos políticos refere-se à ADI, ADC e ADPF, que é um processo constitucional objetivo. O partido não defende interesse dele, mas sim a supremacia da Constituição.
1.3. Legitimados Especiais (não-universais)[footnoteRef:70] [70: (MPSP-2012): Em relação à legitimidade para propositura de ação direta de inconstitucionalidade, o Supremo Tribunal Federal exige a comprovação da presença de pertinência temática, por parte dos seguintes colegitimados: Mesa da Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Governador do Estado ou do Distrito Federal e confederações sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional.] 
São os legitimados ativos especiais: 
(i) Governadores; 
(ii) Mesas das Assembleias Legislativas e da Câmara Legislativa; 
(iii) Confederações sindicais e entidades de classe de âmbito nacional. 
Esses legitimados precisam demonstrar a pertinência temática.[footnoteRef:71] Acerca da pertinência temática, vejamos o seguinte julgado do STF: [71: (TJDFT-2007): Assinale a alternativa correta acerca da ação direta de inconstitucionalidade: segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a relação de pertinência temática entre o objeto da ADI e a atividade da entidade de classe de âmbito nacional também deve ser demonstrada na ação proposta pelo Governador de Estado que impugna ato normativo de outro Estado.
##Atenção: O Governador de um Estado poderá impugnar ato normativo de outro Estado, desde que comprove a pertinência temática, isto quer dizer que a referida norma poderá interferir em outro Estado. No caso de ICMS, o Estado de São Paulo poderá impugnar uma lei estadual do Pará que tenha causado mesmo que indiretamente prejuízo. ] 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - CONFEDERAÇÃO DOS SERVIDORES PÚBLICOS DO BRASIL (CSPB) - AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE ATIVA "AD CAUSAM" POR FALTA DE PERTINÊNCIA TEMÁTICA - INSUFICIÊNCIA, PARA TAL EFEITO, DA MERA EXISTÊNCIA DE INTERESSE DE CARÁTER ECONÔMICO-FINANCEIRO - HIPÓTESE DE INCOGNOSCIBILIDADE - AÇÃO DIRETA NÃO CONHECIDA. - O requisito da pertinência temática - que se traduz na relação de congruência que necessariamente deve existir entre os objetivos estatutários ou as finalidades institucionais da entidade autora e o conteúdo material da norma questionada em sede de controle abstrato - foi erigido à condição de pressuposto qualificador da própria legitimidade ativa "ad causam" para efeito de instauração do processo objetivo de fiscalização concentrada de constitucionalidade. STF. Plenário. ADI 1157 MC, Min. Rel. Celso de Mello, j. 01/12/94.[footnoteRef:72] [72: (MPRO-2008-CESPE): Acerca do controle da constitucionalidade, assinale a opção correta: O requisito da pertinência temática foi erigido à condição de pressuposto qualificador da própria legitimidade ativa ad causam para efeito de instauração do processo objetivo de fiscalização concentrada de constitucionalidade. BL: Entend. Jurisprud.] 
##Obs.: O professor Marcelo Novelino entende ser a necessidade de demonstração da pertinência temática incoerente com a finalidade do processo constitucional objetivo (proteger a supremacia da constituição).
1.3.1. Governadores 
Tanto dos Estados quanto do Distrito Federal. Sobre o assunto, vejamos o seguinte julgado:
O Governador de Estado precisa demonstrar a pertinência temática na arguição de inconstitucionalidade (STF. Plenário. ADI 902-MC/SP, rel. Min. Marco Aurélio, j. 3.3.94).
##Atenção: O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em sede de controle concentrado de constitucionalidade, consoante julgado veiculado no Info 896 do STF (Dizer o Direito):
O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo respectivo Governador. A legitimidade para recorrer, nestes casos, é do próprio Governador (previsto como legitimado pelo art. 103 da CF/88). Os Estados-membros não se incluem no rol dos legitimados a agir como sujeitos processuais em sede de controle concentrado de constitucionalidade. STF. Plenário. ADI 4420 ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 05/04/2018 (Info 896). [footnoteRef:73] [73: ##Atenção: Tema cobrado na prova do MPMT-2019 (FCC). 
(Analista/EBC-2011-CESPE): A aferição da legitimidade do partido político para a propositura de uma ação direta de inconstitucionalidade deve ser feita no momento da propositura da ação, sendo irrelevante a ulterior perda de representação no Congresso Nacional.] 
##Atenção: ##TJAC-2019: ##VUNESP: ##STF: “Embora dos legitimados especiais, como o Governador de Estado, devam comprovar a pertinência temática, “os Estados-membros da Federação não estão no rol dos legitimados a agir como sujeitos processuais em sede de controle concentrado de constitucionalidade, sendo indevida, no modelo de processo objetivo, a intervenção de terceiros subjetivamente interessados no feito” (STF. Plenário. ADI 3.013 ED-AgR, rel. Min. Ellen Gracie, j. 31.05.2006).
1.3.2. Mesas das Assembleias Legislativas e da Câmara Legislativa
1.3.3. Confederações sindicais e entidades de classe de âmbito nacional
Quanto as entidades de classe, o STF entende que elas só têm legitimidade se forem representativas de UMA determinada categoria profissional ou econômica. 
Exemplos: 
(i) CUT e CGT não possuem legitimidade para propor ADI, ADC e ADPF, pois não representam uma categoria profissional, mas sim várias categorias. Não há homogeneidade de interesses (STF, ADI, 271).
(ii) No mesmo sentido, a UNE também não possui legitimidade para propor ADI, ADC e ADPF, pois ela não representa uma categoria profissional ou econômica, mas sim uma categoria social.
Ademais, a Constituição exige que as entidades de classe sejam DE ÂMBITO NACIONAL. Como a CF/88 e a lei não dizem o que é “âmbito nacional”, o STF aplica, por analogia, a legislação eleitoral. O partido político para ter caráter nacional deve estar presente em pelo menos 1/3 dos Estados da Federação brasileira. Portanto, para ser considerada de âmbito nacional a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos Estados da Federação (é a regra – ADI n. 3850-AgR). Temos uma exceção, abaixo analisada.
##Exceção (ADI n. 2866-MC): Ajuizada pela Abersal (Associação Brasileira dos Extratores e Refinadores de Sal). A Abersal não possui representantes em nove Estados, pois não são todos os Estados-Membros produtores de sal, apenas os Estados costeiros. Neste caso ela foi admitida como legitimada porque o STF entendeu que, embora a entidade não cumprisse o requisito previsto em Lei e aplicado por analogia, a atividade possuía relevância nacional da atividade.
##Atenção: ##STF: ##DOD: A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) possui legitimidade para propor ADI contra ato normativo que previa que a competência para autorizar o pedido de trabalho de crianças e adolescentes em espetáculos artísticos seria da Justiça do Trabalho. A ABERT enquadra-se no conceito de entidade de classe de âmbito nacional (art. 103, IX, CF/88)e possui pertinência temática para questionar ato normativo que versa sobre esse tema, considerando a participação de crianças e adolescentes nos programas de suas associadas. STF. Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 27/9/2018 (Info 917).
##Obs.: Confederação sindical é sempre de âmbito nacional.
Um terceiro aspecto importante é o de que o STF só admitia entidades de classe formadas por pessoas físicas, ou seja, não admitia entidades formadas por pessoas jurídicas (“associação de associações”). O entendimento foi alterado, de modo que ATUALMENTE a jurisprudência do STF admite que associações formadas por pessoas jurídicas possam propor ADI, ADC e ADPF.
##Atenção: Sobre os legitimados em geral (CF, art. 103), não possuem capacidade postulatória, isto é, precisam ser representados por advogado: 
(i) Partidos políticos;[footnoteRef:74] [74: (TJMA-2013-CESPE): À luz da jurisprudência do STF, assinale a opção correta em relação ao exercício do controle concentrado ou abstrato de constitucionalidade: Para ajuizar ação declaratória de constitucionalidade, o partido político com representação no Congresso Nacional deve estar representado por advogado.] 
(ii) confederações sindicais; e 
(iii) entidades de classe.[footnoteRef:75]	 [75: (TJRS-2012): Com exceção de confederações sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional e de partidos políticos com representação no Congresso Nacional, todos os demais legitimados para propor ação direta de inconstitucionalidade dispõem de capacidade postulatória especial, podendo praticar, no processo, quaisquer atos ordinariamente privativos de advogados.] 
##Questiona-se: O CFM (“Conselho Federal de Medicina”.) possui legitimidade para ajuizar ADC? NÃO. Essa pergunta foi cobrada na prova da 2ª Fase do concurso da AGU. A banca deu como resposta o seguinte: “O CFM, por não ser entidade de classe, mas uma entidade de fiscalização profissional, não é legitimado para propor ADC, pois, conforme previsto no art. 103 da CF, o rol dos legitimados para propor ADC é taxativo e não inclui esse tipo de entidade de fiscalização. Nessa lógica, destacou-se que: “De fato, jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal fixou-se no sentido de que os conselhos de fiscalização de classe não detêm legitimidade para o ajuizamento das ações de controle concentrando, por serem entidades autárquicas, detentoras, portanto, de personalidade jurídica de direito público, não se enquadrando no conceito de 'entidade de classe de âmbito nacional' constante artigo 103 (inciso IX) da Constituição Federal". A única exceção, entre os conselhos de classe, é o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, em virtude de menção expressa na CF. Assim, não se mostra viável a ADC apresentada, por ilegitimidade ativa ad causam. Nesse sentido, a ADI 641 MC, Rel. para Acordão Min. Marco Aurélio, DJ 12/03/93; ADI 1997, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 8/6/99.”[footnoteRef:76] [76: (TJPA-2014-VUNESP): Conselho Federal de Medicina propõe Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) que tem por objeto Emenda à Constituição. Segundo o entendimento do STF, a referida ação: não deverá ser conhecida sob o fundamento de que o Conselho Federal de Medicina não se enquadra na previsão constitucional relativa às entidades de classe de âmbito nacional.] 
##Atenção: A entidade de classe de âmbito nacional, por ser um legitimado especial, deverá provar que a legislação questionada guarda relação de pertinência temática com as finalidades institucionais dessa entidade (STF. Plenário. ADI 2903, Rel. Min. Celso de Mello, j. 01/12/2005).
##QUADRO-RESUMO:
	 Legitimados ativos da ADI e ADC
	UNIVERSAIS (NEUTROS)
	ESPECIAIS (NÃO UNIVERSAIS)
	São aqueles que podem propor ADI e ADC contra leis ou atos normativos que versem sobre qualquer matéria, sem a necessidade de comprovar interesse específico no julgamento da ação.
	São aqueles que somente podem propor ADI e ADC contra leis ou atos normativos que tratem sobre matérias que digam respeito às funções ou objetivos do órgão ou entidade. O autor especial terá que provar o seu interesse específico no julgamento daquela ação.
Terá que ser provada a pertinência temática entre a norma impugnada e os objetivos do autor da ação.
	Quem são os legitimados universais:
• Presidente da República;
• Mesa do Senado e Mesa da Câmara;
• Procurador-Geral da República;
• Conselho Federal da OAB
• Partido político com representação no CN.
	Quem são os legitimados especiais:
• Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do DF;
• Governador de Estado/DF;
• Confederação sindical;
• Entidade de classe de âmbito nacional.
2. PARÂMETRO
O parâmetro é a norma da constituição supostamente violada. 
2.1. Causa de Pedir Aberta[footnoteRef:77] [77: ##Atenção: Tema cobrado na prova do TJRJ-2019.] 
Antes de analisarmos o parâmetro específico das ADI, ADC e ADPF, deve ser destacado que a causa de pedir nos processos constitucionais objetivos É ABERTA. 
A causa de pedir é a suposta violação de um determinado dispositivo da constituição. 
O fato da causa de pedir ser aberta significa o STF pode analisar a ação tendo como parâmetro não só o dispositivo indicado na inicial, mas toda a Constituição Federal. Em outras palavras, o STF não é vinculado ao parâmetro invocado pelo legitimado.[footnoteRef:78] Vejamos as seguintes do STF: [78: (DPECE-2008-CESPE): O STF pode decidir ação direta de constitucionalidade por outros fundamentos ainda que não alegados na petição inicial em razão da causa de pedir aberta.] 
ADI 3.576/RS: […] ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 155, § 2º, XII, G, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INOCORRÊNCIA. CAUSA DE PEDIR ABERTA. ART. 167, IV, DA CARTA MAGNA. (...)
O STF, ao julgar as ações de controle abstrato de constitucionalidade, não está vinculado aos fundamentos jurídicos invocados pelo autor. Assim, pode-se dizer que na ADI, ADC e ADPF, a causa de pedir (causa petendi) é aberta. Isso significa que todo e qualquer dispositivo da CF/1988 ou do restante do bloco de constitucionalidade poderá ser utilizado pelo STF como fundamento jurídico para declarar uma lei ou ato normativo inconstitucional. STF. Plenário. ADI 3796/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 8/3/17 (Info 856).
##Atenção: ##STF: ##MPSP-2019: Vejamos o seguinte julgado do STF:
(...) Ação direta de inconstitucionalidade. Objeto abrangido por ação anterior intentada pela mesma parte. Causa de pedir aberta das ações de controle concentrado. Desnecessidade de nova impugnação ao mesmo ato normativo quando possível declinar os mesmos fundamentos em ação já em curso no supremo tribunal federal. Litispendência parcial. 1. A causa de pedir aberta das ações do controle concentrado de constitucionalidade torna desnecessário o ajuizamento de nova ação direta para a impugnação de norma cuja constitucionalidade já é discutida em ação direta em trâmite perante o STF, proposta pelo mesma parte processual. (...) STF. Plenário. ADI 5749 AgR, Min. Rel. Alexandre de Moraes, j. 09/02/18.[footnoteRef:79] [79: (MPSP-2019): Assinale a alternativa correta: A causa de pedir aberta das ações do controle concentrado de constitucionalidade torna desnecessário o ajuizamento de nova ação direta para a impugnação de norma cuja constitucionalidade já é discutida em ação direta em trâmite, proposta pela mesma parte processual.] 
2.2. Parâmetro nas ADI e ADC
No caso da ADI e da ADC o parâmetro é qualquer norma formalmente constitucional. 
Vamos relembrar: 
· CF/88: a parte permanente e as normas de eficácia exaurível do ADCT (o preâmbulo não pode ser invocado como parâmetro); 
· Princípios implícitos (ordem constitucional global); 
· Tratados e convenções de direitos humanos, aprovados pelo rito da CF, art. 5º, § 3º.
2.3. Parâmetro da ADPF
Na ADPF o parâmetro é uma “arguição de descumprimento de preceito fundamental”. Em outras palavras, não é a norma formalmente constitucional, mas apenas àquelas normas que forem preceitos fundamentais. 
Por norma que constitui preceito fundamental, entende-se ser àquela norma imprescindível à identidadeda Constituição e ao regime por ela adotado (José Afonso da Silva). 
Não existe um dispositivo da Constituição ou uma lei que defina quais seriam esses preceitos fundamentais. Diante disso, entende-se que cabe ao STF, na função de guardião da Constituição, no caso concreto, dizer se aquele dispositivo invocado pelo autor pode ou não ser enquadrado como preceito fundamental.
Dentre os preceitos fundamentais, não se inclui apenas aqueles dispositivos expressos, mas também as prescrições implícitas, desde que consideradas fundamentais.
Exemplos:
· Princípios fundamentais (Título I da Constituição Federal);
· Direitos e garantias fundamentais - em sua maioria (Título II da Constituição Federal);[footnoteRef:80] [80: ##Atenção: ##CESPE: ##TRF4-2010: ##ADPF 45, STF: Na ADPF 45, no que tange à legitimidade constitucional do controle e da intervenção do Poder Judiciário em tema de implementação de políticas públicas, quando configurada hipótese de abusividade governamental, o rel. Min. Celso de Mello assim se manifestou: “A questão da legitimidade constitucional do controle e da intervenção do poder judiciário em tema de implementação de políticas públicas, quando configurada hipótese de abusividade governamental. Dimensão política da jurisdição constitucional atribuída ao STF. Inoponibilidade do arbítrio estatal à efetivação dos direitos sociais, econômicos e culturais. Caráter relativo da liberdade de conformação do legislador. Considerações em torno da cláusula da "reserva do possível". Necessidade de preservação, em favor dos indivíduos, da integridade e da intangibilidade do núcleo consubstanciador do "mínimo existencial". Viabilidade instrumental da arguição de descumprimento no processo de concretização das liberdades positivas (direitos constitucionais de segunda geração).”] 
· Princípios constitucionais sensíveis (CF, art. 34, VII – princípios que podem gerar intervenção federal no Estado-Membro, caso violados);
· Cláusulas pétreas – conferem identidade à Constituição.
##Obs.: Há outros “preceitos fundamentais” espalhados pela CF/88: direito à saúde, ao meio ambiente, etc. 
##Obs.: Na ADPF 405 MC/RJ, a Min. Rosa Weber afirmou que poderiam ser considerados preceitos fundamentais:
· A separação e independência entre os Poderes; 
· O princípio da igualdade; 
· O princípio federativo;
· A garantia de continuidade dos serviços públicos; 
· Os princípios e regras do sistema orçamentário (art. 167, VI e X, da CF/88); 
· O regime de repartição de receitas tributárias (arts. 34, V e 158, III e IV; 159, §§ 3º e 4º; e 160 da CF/88; 
· A garantia de pagamentos devidos pela Fazenda Pública em ordem cronológica de apresentação de precatórios (art. 100 da CF/88).
3. OBJETO
O objeto é a lei ou o ato normativo impugnado. A lei ou ato normativo impugnado devem atender a certos requisitos para que possam ser objeto de ADI, ADC ou ADPF.
3.1. Pedido: Adstrito
Antes de analisarmos o que pode ou não ser objeto, importante destacarmos que ele está relacionado ao pedido.
O pedido de um processo constitucional objetivo é a declaração de (in)constitucionalidade da lei. 
Como o objeto principal da ação é exatamente a declaração de inconstitucionalidade para assegurar a supremacia constitucional, vale a regra da adstrição. Ou seja, se o legitimado questionou a constitucionalidade de determinado dispositivo, o STF deve ficar adstrito ao dispositivo impugnado (o STF não pode analisar a constitucionalidade de toda a lei ou de outras leis).
Ex.: Se é proposta uma ADI questionando o art. 21 do CC/02, não pode o STF analisar todo o CC à luz da CF/88.
##Obs.: Não devemos confundir com a causa de pedir, que está relacionada ao parâmetro e é aberta (o fato de um legitimado invocar a violação a um dispositivo da constituição não impede que o STF analise a violação de outros dispositivos constitucionais).[footnoteRef:81] [81: (MPSP-2012): No controle abstrato de constitucionalidade, o Supremo Tribunal Federal fica condicionado ao pedido, porém não a causa de pedir, ou seja, analisará a constitucionalidade dos dispositivos legais apontados pelo autor, porém poderá declará-los inconstitucionais por fundamentação jurídica diferenciada, não estando adstrito aos fundamentos invocados pelo autor, podendo declarar a inconstitucionalidade por fundamentos diversos dos expedidos na inicial.] 
→ Parâmetro → Norma violada → Aberto;
→ Objeto → Norma violadora → Adstrito.
Porém, EXISTEM DUAS EXCEÇÕES, ou seja, situações nas quais mesmo sem ter sido provocado acerca dele, o STF pode declarar o dispositivo inconstitucional:
i. INTERDEPENDÊNCIA ENTRE DOIS DISPOSITIVOS: Se um dispositivo depende do outro, não tem sentido um deles ser invalidado e o outro não, só porque não houve provocação, permanecer na lei.
Exemplo: Questiona-se apenas o art. 1º de uma lei, o qual é interdependente com o art. 2º. O STF pode se manifestar tanto sobre o art. 1º quanto sobre o art. 2º.
ii. INCONSTITUCIONALIDADE CONSEQUENTE: A inconstitucionalidade consequente ocorre quando o vício de uma norma atinge outra dela dependente. Há uma norma inconstitucional e, por isso, ela acaba gerando também a inconstitucionalidade de outra norma que depende dela.
Exemplo: É questionada uma lei e há um decreto cuja inconstitucionalidade é consequente da lei, mesmo sem ter sido provocado sobre o decreto, o STF pode declará-lo inconstitucional.
Em ambos os casos se utiliza da técnica da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração (precedente: ADI n. 4451-MC-Ref.). É uma técnica de decisão judicial.
3.2. Perspectivas
A análise do objeto da ADI, ADC e ADPF deve ser feita sob três perspectivas distintas: 
(i) material (o conteúdo/natureza do ato); 
(ii) temporal (em que momento o ato foi feito – antes ou depois); 
(iii) espacial (de onde o ato emanou – federal, estadual ou municipal).
## Atenção: A análise não se faz pelo nome. 
Exemplo: um decreto, ou mesmo uma portaria, podem ou não ser objeto de ADI. Quanto a perspectiva material: se qualquer deles violar diretamente a CF pode; se estiver tratando de assunto contido em decreto que, por sua vez, está tratando de assunto contido em lei, não pode.
3.2.1. ADI e ADC
O objeto da ADI e da ADC está previsto no art. 102, I, a, da CF.
CF, art. 102, I: Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: 
I - processar e julgar, originariamente: 
a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo (aspecto material) federal ou estadual (aspecto espacial) e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo (aspecto material) federal (aspecto espacial).
3.2.1.1. Perspectiva material
Para que um ato possa ser objeto de ADI ou ADC, ele deve ser: 
(i) LEI ou ATO NORMATIVO; 
(ii) VIGENTE e EFICAZ; 
(iii) QUE VIOLE DIRETAMENTE A CONSTITUIÇÃO.
· LEI: O termo “LEI” deve ser interpretado em sentido estrito, ou seja, abrange leis ordinárias e complementares. Hodiernamente, admite-se como objeto de ADI e ADC qualquer tipo de lei, com ou sem efeitos concretos. 
##Atenção: ##STF: ##TRF4-2010: ##MPMG-2011: Até o julgamento da ADI n. 4048-MC, o STF não admitia como objeto leis de efeitos concretos (forma de lei, mas conteúdo de ato administrativo) (v.g. lei que concede a alguém o título de cidadão honorário: possui destinatário certo e objeto determinado).[footnoteRef:82] [82: (Anal. Judic./TJRJ-2014-FGV): Determinado Estado editou lei prorrogando certo contrato de concessão de serviço público, o que terminou por burlar a exigência constitucional de prévia licitação. Em situações como essa, é possível afirmar que o Supremo Tribunal Federal: realiza o controle concentrado de constitucionalidade, já que a lei é um ato de aplicação primária da Constituição, ainda que tenha efeitos concretos.] 
Desse modo, o STF passou a admitir qualquer lei, inclusive leis de efeitos concretos, isto é, que têm objeto certo e destinatário determinado. É lei formal, mas, materialmente, é um ato administrativo. Ex.: de lei orçamentária.[footnoteRef:83] [83: Tema cobrado nas provas: i) MPMG-2011;ii) MPF-2011 e; iii) MPMS-2018.] 
Quanto à lei de efeitos concretos, Celso de Barros Correia Neto[footnoteRef:84] discorre: “Durante muitos anos, prevaleceu no Supremo Tribunal Federal a orientação de que as leis de natureza orçamentária não poderiam ser submetidas ao controle abstrato de constitucionalidade. Seriam leis apenas em sentido “meramente formal” ou “de efeito concreto”, sem matéria que pudesse ser apreciada na jurisdição constitucional. (...) No precedente, o STF teve oportunidade de rediscutir os fundamentos que justificavam a orientação tradicional do Tribunal e, ao final, concluiu pelo cabimento do controle abstrato de constitucionalidade em relação às leis orçamentárias. A mesma orientação adotada na ADI 4.048 foi também aplicada no julgamento da medida cautelar na ADI 3.949 e na ADI 4.049, com relatoria dos ministros Gilmar Mendes e Ayres Britto, respectivamente.”(...). [84: https://www.conjur.com.br/2013-fev-23/observatorio-constitucional-stf-orcamento-creditos-extraordinarios ] 
##Atenção: ##STF: ##DOD: O fato de uma lei possuir destinatários determináveis não retira seu caráter abstrato e geral, tampouco a transforma em norma de efeitos concretos. STF. 1ª T. RE 1186465 AgR/TO, Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 8/10/19 (Info 955).
· ATOS NORMATIVOS: Os atos normativos são gerais e abstratos, com capacidade de inovar na ordem jurídica e produzidos pelos poderes públicos. São exemplos: 
(i) emendas à CF/88 (normas constitucionais derivadas)[footnoteRef:85]; [85: (MPPR-2011): Relativamente à ação direta de inconstitucionalidade é correto afirmar: Emenda à Constituição Federal está sujeita ao controle de constitucionalidade por essa via. 
(TJPR-2010): Emendas à Constituição constituem obra do poder constituinte derivado reformador, que se submete a limitações diversas emanadas do Poder Constituinte Originário. Se alguma emenda constitucional for aprovada com desrespeito, formal ou material, ao comando preconizado no art. 60 da CF, deverá ser declarada inconstitucional, podendo a impugnação se dar por meio de uma ADIN genérica perante a Corte Suprema (STF).
OBS: Em outras palavras, pode-se dizer que admite-se a existência de normas constitucionais inconstitucionais, desde que não sejam originárias, mas oriundas de emendas constitucionais.] 
(ii) Medidas Provisórias; 
(iii) Decretos legislativos; [footnoteRef:86] [86: (TRF4-2012): Considerando os seguintes atos normativos, assinale a alternativa que relaciona aquele(s) que pode(m) ser objeto(s) de controle concentrado de constitucionalidade: O decreto legislativo ratificador de tratado internacional.] 
(iv) Resoluções[footnoteRef:87] (ex.: Resolução do CNMP[footnoteRef:88]; Resolução do TSE[footnoteRef:89]); [87: (Anal. Judic./STF-2013-CESPE): Cabe ação direta de inconstitucionalidade contra resolução do Senado Federal que, ao suspender a execução de lei declarada inconstitucional pelo STF, extrapole os limites da decisão a que faz referência. BL: ADI 3.929-MC, STF.
OBS1: Quando o STF, em sede de controle difuso de constitucionalidade, declara a inconstitucionalidade de uma lei, tal decisão terá, em regra, validade apenas para o caso concreto. Dizemos “em regra” porque o Senado Federal poderá expandir os efeitos dessa decisão, atribuindo-lhe eficácia “erga omnes”. Para isso, o Senado Federal tem a faculdade de editar resolução, a qual terá o condão de atribuir eficácia geral à decisão do STF, suspendendo o ato inconstitucional. Conforme afirma o enunciado, caso essa resolução extrapole os limites da decisão do STF, ela poderá ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade. Ademais, a resolução do Senado Federal, por ser geral e abstrata, é um ato normativo federal e pode ser alvo de controle de constitucionalidade.
OBS2: Ação direta de inconstitucionalidade. Medida cautelar concedida. Referendo. Resolução 7, de 21-6-2007, do Senado Federal. Suspensão erga omnes da eficácia de todo o texto de leis relativas à cobrança do ICMS no Estado de São Paulo. Declaração de inconstitucionalidade anteriormente estendida, no exercício do controle difuso, apenas aos dispositivos que haviam prorrogado a majoração de alíquota e a sua vinculação a uma finalidade específica. Plausibilidade jurídica da alegação de ofensa ao art. 52, X, da CF. Perigo na demora igualmente demonstrado. O ato normativo impugnado, ao conferir eficácia erga omnes a um julgado singular, revela sua feição geral e obrigatória, sendo, portanto, dotado de generalidade, abstração e impessoalidade. Precedentes. O exame minucioso das decisões plenárias proferidas nos autos dos RE 183.906, 188.443 e 213.739 demonstra que a declaração de inconstitucionalidade dos atos normativos que sucederam à Lei estadual paulista 6.556/1989 alcançaram, tão somente, os dispositivos que tratavam, exclusivamente, da majoração da alíquota do ICMS e sobre a vinculação desse acréscimo percentual ao fundo criado para o desenvolvimento de determinado programa habitacional. O Senado Federal, em grande parte orientado por comunicações provenientes da Suprema Corte, acabou por retirar do mundo jurídico dispositivos das Leis paulistas 7.003/1990 e 7.646/1991, que, embora formalmente abarcados pela proclamação da inconstitucionalidade do próprio Diploma em que inseridos, em nenhum momento tiveram sua compatibilidade com a CF efetivamente examinada por este Supremo Tribunal. Plausibilidade da tese de violação ao art. 52, X, da Carta Magna. Deferimento de medida cautelar referendado pelo Plenário." (ADI 3.929-MC, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 29-8-2007, Plenário, DJ de 11-10-2007.)] [88: ##Atenção: ##STF: ##DOD: A Resolução do CNMP consiste em ato normativo de caráter geral e abstrato, editado pelo Conselho no exercício de sua competência constitucional, razão pela qual constitui ato normativo primário, sujeito a controle de constitucionalidade, por ação direta, no Supremo Tribunal Federal. STF. Plenário. ADI 4263/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/4/2018(Info 899).] [89: ##Atenção: ##STF: ##DOD: É cabível ADI contra Resolução do TSE que tenha, em seu conteúdo material, “norma de decisão” de caráter abstrato, geral e autônomo, apta a ser apreciada pelo STF em sede de controle abstrato de constitucionalidade. STF. Plenário. ADI 5122, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2018 (Info 900).
##Atenção: ##STF: ##DOD: A Resolução do TSE pode ser impugnada no STF por meio de ADI se, a pretexto de regulamentar dispositivos legais, assumir caráter autônomo e inovador. STF. Plenário. ADI 5104 MC/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 21/5/14 (Info 747).] 
(v) Regimentos internos dos Tribunais (desde que possuam caráter normativo e autônomo, assumem a feição de norma primária, com generalidade e abstração)[footnoteRef:90] e Regimento Interno de Assembleia Legislativa (desde que possua caráter normativo e autônomo)[footnoteRef:91]; [90: (TJMT-2018-VUNESP): Assinale a alternativa que aponta um tipo de ato ou espécie normativa que, como regra, é passível de controle abstrato de constitucionalidade: Regimentos Internos dos Tribunais.] [91: ##Atenção: ##STF: ##DOD: Dispositivo de Regimento Interno de uma Assembleia Legislativa pode ser impugnado no STF por meio de ADI, desde que possua caráter normativo e autônomo. É o caso, por exemplo, de um artigo do Regimento Interno que preveja o pagamento de remuneração aos Deputados Estaduais em virtude de convocação para sessão extraordinária. STF. Plenário. ADI 4587/GO, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 22/5/14 (Info 747)] 
(vi) Atos do poder executivo com força normativa;
(vii) Tratados e convenções internacionais comuns; 
(viii) Atos primários editados por pessoas jurídicas de direito público; 
(ix) Deliberações e/ou decisões proferidas em processo administrativo;[footnoteRef:92]-[footnoteRef:93] [92: ##Atenção: ##STF: ##DOD: ##MPGO-2016: Decisão administrativa de TJ que estende gratificação a todos os servidores do Judiciário estadual pode ser objeto de ADI. No caso concreto, o Plenário do TJRN, em um processo administrativo envolvendo dois servidoresdo Poder Judiciário, reconheceu que eles teriam direito a determinada gratificação e, além disso, estendeu esse mesmo benefício para todos os demais servidores do Tribunal que estivessem em situação análoga. O STF decidiu que essa decisão administrativa poderia ser objeto de ADI porque ela teve conteúdo normativo, com generalidade e abstração. Quanto ao mérito, o STF decidiu que a decisão administrativa do TJ foi inconstitucional por violar a necessidade de lei para concessão da gratificação (art. 37, X), por implicar em equiparação remuneratória entre os servidores (art. 37, XIII) e por violar o entendimento exposto na Súmula 339 do STF. STF. Plenário. ADI 3202/RN, rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 5/2/2014 (Info 734).
(MPGO-2016): Podem ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade as decisões proferidas em processo administrativo, quando a extensão dessas mesmas decisões seja tal que as torne um verdadeiro ato administrativo normativo genérico. BL: Info 734 do STF.] [93: ##Atenção: ##STF: ##DOD: É possível, em tese, o ajuizamento de ADI contra deliberação administrativa de tribunal, desde que ela tenha conteúdo normativo com generalidade e abstração, devendo, contudo, em regra, a ação ser julgada prejudicada caso essa decisão administrativa seja revogada. É cabível ação direta de inconstitucionalidade contra deliberação administrativa do Tribunal que determina o pagamento de reajuste decorrente da conversão da URV em reais (“plano real”) aos magistrados e servidores. Depois que a ADI foi proposta, e antes que fosse julgada, o TRT decidiu revogar essa deliberação administrativa. Diante disso, indaga-se: o mérito da ação foi julgado? NÃO. Em decorrência da revogação da deliberação, o STF julgou prejudicada a ADI, por perda superveniente de objeto. STF. Plenário. ADI 1244 QO-QO/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 19/12/19 (Info 964).] 
(x) Recomendação conjunta de Tribunal de Justiça e de Tribunal Regional do Trabalho recomendando aos juízes que considerem como sendo da Justiça do Trabalho a competência para autorizar o trabalho de crianças e adolescentes em eventos de natureza artística[footnoteRef:94]. [94: ##Atenção: ##STF: ##DOD: Cabe ADI contra recomendação conjunta de Tribunal de Justiça e de Tribunal Regional do Trabalho recomendando aos juízes que considerem como sendo da Justiça do Trabalho a competência para autorizar o trabalho de crianças e adolescentes em eventos de natureza artística. Esta recomendação deve ser considerada como ato de caráter primário, autônomo e cogente, inovando no ordenamento jurídico, razão pela qual pode ser impugnada por meio de ADI. STF. Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 27/9/18 (Info 917).] 
· EM RESUMO: Pode ser qualquer lei (em sentido estrito), seja de efeito geral ou concreto. Já ato normativo só pode se for geral e abstrato, pois não vale como objeto atos de efeitos concretos[footnoteRef:95] (ex.: decreto regulamentar não autônomo e resolução que autoriza processo contra o Presidente da República). [95: (TJMS-2015-VUNESP): No tocante ao controle concentrado de constitucionalidade, é correto afirmar sobre a ação direta de inconstitucionalidade (ADI): ato normativo, de caráter autônomo, geral e abstrato expedido por pessoa jurídica de direito público estadual e decreto editado com força de lei podem ser objeto de ADI perante STF. BL: art. 102, I, “a”, CF.] 
· (…) VIGENTE E EFICAZ: Deve assim ser em razão de que se não estiver mais dentro do ordenamento jurídico ou se não tiver mais aptidão para produzir os efeitos que lhes são próprios, não estará a lei ou o ato normativo mais ameaçando a supremacia da Constituição.
Por isso, não são admitidas como objeto leis temporárias após o fim da vigência, normas de eficácia suspensa pelo Senado Federal (52, X, CF), e normas de efeito concreto já exaurido.
Caso a revogação ou o exaurimento da eficácia ocorram após a propositura da ação, restará prejudicada por perda superveniente do objeto, salvo se houver fraude processual ou houver julgamento pelo STF por ausência de prévia comunicação a ele a respeito da revogação.
Ademais, a revogação do ato normativo originalmente combatido não impede a análise da inconstitucionalidade quando a alteração implementada pela norma revogadora não é substancial.
· (…) QUE VIOLE DIRETAMENTE A CONSTITUIÇÃO: Quando há uma violação diretamente à constituição (não há um ato interposto entre a CF/88 e o ato impugnado), admite-se ADI e ADC. 
Se houver um ato interposto (v.g. impugna-se um decreto por ele violar a lei) ele será inconstitucional apenas de forma reflexa ou oblíqua e, sendo a inconstitucionalidade apenas indireta, inviabiliza-se o cabimento do controle normativo abstrato. A análise dos atos tipicamente regulamentares, de natureza secundária, deve ocorrer no plano da legalidade.
Portanto, não pode haver nenhum ato entre ele e a CF/88. O STF não admite como objeto de ADI/ADC atos tipicamente regulamentares (ex: decreto regulamentar não autônomo do chefe do Poder Executivo[footnoteRef:96] e resolução que autoriza processo contra o Presidente da República[footnoteRef:97]), que se restringem a regulamentar determinada lei, pois a violação aqui seria reflexa ou oblíqua. O decreto autônomo, no entanto, viola diretamente a CF e pode ser objeto de ADI/ADC (STF, ADI 3664). Os decretos autônomos são aqueles que “veiculam normas que estabelecem proibições, mandamentos ou permissões que não estavam previstos no ordenamento jurídico. Cuida-se de atos que buscam validade diretamente da Constituição, como se fossem normas primárias.” (BERNARDES, Juliano Taveira; FERREIRA, Olavo Augusto Vianna Alves. Direito Constitucional. Tomo II. 8ª ed. Salvador: Juspodivm, 2019, p. 515). Sobre o tema, recentemente o STF entendeu que cabe ADI contra decreto regulamentar de lei estadual, vejamos: [96: ##Atenção: Caiu nas provas do MPF-2011 e do TJMT-2018 (Banca VUNESP).] [97: ##Atenção: ##TJMT-2018: ##VUNESP: A resolução que autoriza processo contra o Presidente da República, prevista no inciso I do art. 51 da Constituição, não está revestida de abstração e generalidade, o que impede o seu controle.] 
A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) é meio processual inadequado para o controle de decreto regulamentar de lei estadual. Seria possível a propositura de ADI se fosse um decreto autônomo. Mas sendo um decreto que apenas regulamenta a lei, não é hipótese de cabimento de ADI. STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 6/6/18 (Info 905). [footnoteRef:98] [98: ##Atenção: Caiu na prova do MPMT-2019 (FCC).] 
##Obs.: Detalhamento de aspectos relevantes à perspectiva material da ADI e ADC: Não são admitidos como objeto de ADI e ADC:
(a) ATOS TIPICAMENTE REGULAMENTARES: O nome do ato é irrelevante (v.g. decreto, portaria, resolução, instrução normativa). Deve ser analisado se entre o ato e a CF/88 há um ato interposto: caso o ato tipicamente regulamentar esteja ligado diretamente à CF, a inconstitucionalidade será direta ou antecedente e, portanto, poderá ser objeto de controle. Assim, um decreto poderá ser objeto de ADI ou ADC quando violar frontalmente a CF (v.g. decreto autônomo, na ADI n. 3664). 
O STF afirmou que a ADI deveria ser conhecida, ou seja, que o seu mérito deveria ser apreciado. Isso porque cabe ADI contra decreto desde que este tenha “coeficiente mínimo de normatividade, generalidade e abstração”, ou seja, desde que esse decreto possa ser considerado um ato normativo autônomo, que retire seu fundamento de validade diretamente da Constituição Federal. Nesse sentido, ADI 3239/DF, publicado no Info 890 do STF.
Resumidamente, para que um ato administrativo seja impugnado mediante ADIn, dois são os requisitos: 
1) Ter o ato administrativo caráter autônomo, isto é, ele deve afrontar diretamente a Constituição Federal; 
2) Ter o ato administrativo caráter normativo, ou seja, ser dotado de generalidade, abstração e normatividade.
Entretanto, na hipótese de violação oblíqua ou reflexa (inconstitucionalidade indireta), o ato não pode ser admitidocomo objeto de ADI ou ADC.
##Atenção: ##STF: ##DOD: ##TJMT-2018: ##VUNESP: É cabível ADI contra decreto presidencial que, com fundamento no art. 84, VI, “a”, da CF/88, extingue colegiados da Administração Pública federal. Isso porque se trata de decreto autônomo, que retira fundamento de validade diretamente da Constituição Federal e, portanto, é dotado de generalidade e abstração. STF. Plenário. ADI 6121 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 12 e 13/6/19 (Info 944).
(b) NORMAS CONSTITUCIONAIS ORIGINÁRIAS:[footnoteRef:99] Inicialmente, cumpre ressaltar que as normas constitucionais originárias têm caráter de absoluta constitucionalidade, diferente das emendas constitucionais, que poderão ser objeto de controle de constitucionalidade. Por conta disso, a CF/88 possui dois tipos de normas: as normas elaboradas pelo Poder Constituinte Originário e as normas elaboradas pelo Poder Derivado Reformador ou Revisor. Vejamos: [99: ##Atenção: Tema cobrado na provas: i) TRF4-2010; ii) MPMG-2011; iii) TJMT-2018 (VUNESP).] 
· Normas elaboradas pelo Poder Constituinte Originário: não poderão ser objeto de controle, em razão do princípio da unidade da Constituição, que afasta a tese da hierarquia entre normas constitucionais (v.g. ADI 4097, do PSC).[footnoteRef:100] Portanto, as normas constitucionais fruto do trabalho do poder constituinte originário serão sempre constitucionais, não podendo falar em controle de sua constitucionalidade.[footnoteRef:101] [100: ##Atenção: ##STF: ##MPGO-2019: Ação direta de inconstitucionalidade. ADI. Inadmissibilidade. Art. 14, § 4.º, da CF. Norma constitucional originária. Objeto nomológico insuscetível de controle de constitucionalidade. Princípio da unidade hierárquico-normativa e caráter rígido da Constituição brasileira. Doutrina. Precedentes. Carência da ação. Inépcia reconhecida. Indeferimento da petição inicial. Agravo improvido. Não se admite controle concentrado ou difuso de constitucionalidade de normas produzidas pelo poder constituinte originário. (ADI 4.097-AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, j. 08.10.2008, DJE de 07.11.2008).] [101: ##Atenção: Tema cobrado n prova do MPGO-2019.] 
· Normas elaboradas pelo Poder Derivado Reformador ou pelo Poder Derivado Revisor: devem observar as limitações previstas na CF/88 (temporais, circunstancias, formais e materiais). Em caso de não observância, poderão ser objeto de controle de constitucionalidade.
##Atenção: ##STF: ##TJRS-2018: ##VUNESP: A tese de normas constitucionais inconstitucionais não é compatível com o sistema brasileiro (STF. Pleno. ADI 815/DF, rel. Min. Moreira Alves, j. 28.03.96). Em caso de aparente conflito entre as normas constitucionais aplicam-se os princípios da hermenêutica constitucional. Por outro lado, as normas constitucionais derivadas são, sim, suscetíveis de controle de constitucionalidade (STF. Pleno. ADI 939/DF, rel. Min. Sidney Sanches, DJ 17.12.1993).
(c) LEI OU NORMA DE EFEITOS CONCRETOS JÁ EXAURIDOS: As leis de efeitos concretos, segundo a jurisprudência atual do STF, podem ser objeto de controle (v.g. ADIs n. 4048, 4049, 4050 e 4051). No entanto, leis ou normas de efeitos concretos com eficácia exaurida não poderão ser objeto de controle concentrado porque, se não produzem mais efeito (falta de aptidão para serem aplicadas ao caso concreto), não ameaçam a supremacia da Constituição. Em outras palavras, como o objetivo é proteger essa supremacia, não haveria mais utilidade no pronunciamento acerca de sua constitucionalidade.
(d) LEIS TEMPORÁRIAS: Leis temporárias são aquelas que vigem apenas durante um prazo pré-fixado. Caso o período de vigência tenha se esgotado, não poderá a lei temporária ser objeto de ADI ou ADC, porque não estará mais produzindo efeitos e, portanto, não ameaçará a supremacia da Constituição.
##EXCEÇÃO: se a lei temporária ainda estiver em seu período de produção de efeitos e for impugnada em tempo adequado (ou seja, a ADI ou ADC for proposta enquanto a lei temporária ainda estiver produzindo efeitos), o STF admite que tal lei seja objeto de controle de constitucionalidade, mesmo que a sua eficácia fique exaurida posteriormente (ADI n. 4426).
(e) NORMAS REVOGADAS: A norma revogada não produz mais efeitos e, portanto, não ameaça a supremacia da Constituição. Portanto, em regra, não são admitidas como objeto de controle de constitucionalidade. Assim, quando a lei é revogada no curso da ação, esta é extinta por perda do objeto. No entanto, o STF admite duas exceções:
· FRAUDE PROCESSUAL: Segundo o STF, se houver fraude processual, mesmo estando revogada a norma pode continuar sendo objeto de ADI.
Exemplo: ADI n. 3306 → (i) a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou determinada lei, a qual fora objeto de ADI no STF. No entanto, antes do julgamento da ação pelo Tribunal, a Câmara revogou a lei, para que a ADI perdesse o objeto. (ii) Posteriormente, a Câmara editou uma segunda lei com conteúdo idêntico à primeira, a qual fora novamente impugnada no STF. Entretanto, antes de julgá-la, o Tribunal tomou conhecimento de nova revogação e extinguiu a ação. (iii) A Câmara, não contente, editou uma terceira lei com o mesmo conteúdo das anteriores. (iv) Isso se justifica em razão de que a lei produz efeitos até a sua revogação, mas caso o STF declarasse a lei inconstitucional, a decisão, em regra, teria efeitos retroativos (“ex tunc”) e, portanto, a lei não teria validade em momento algum. Assim, a Câmara Legislativa optou por revogá-la para que produzisse efeitos durante o período em que ela esteve em vigor. (v) O STF reconheceu que o procedimento adotado burlava a jurisdição constitucional e que ficou caracterizada a fraude processual. (vi) Portanto, mesmo a lei tendo sido novamente revogada, a ADI prosseguiu até o julgamento final.
· Quando o julgamento de mérito é realizado sem que o Tribunal seja informado da revogação da lei: Ocorre quando o STF julga a ADI e só depois de fazer o julgamento avisam ele que a lei já havia sido revogada. É comum ocorrer com leis estaduais.
Exemplo1: ADI 951-ED → Nesses embargos de declaração, um dos legitimados avisou que a lei foi declarada inconstitucional, mas a lei já havia sido revogada antes do julgamento. O STF respondeu que, de fato, quando a lei é revogada antes do julgamento, em regra, a ADI perde o objeto. Porém, nesse caso ele não foi cientificado de que a lei havia sido revogada, tendo gastado seu tempo e exercido a jurisdição constitucional, não havendo sentido em simplesmente ignorar o julgamento que foi feito. Portanto, para aproveitar o ato, houve a declaração de inconstitucionalidade proferida, declarando-se a lei inconstitucional durante o período no qual esteve em vigor. 
Exemplo2: ADI 3147-ED → Um decreto autônomo foi objeto de impugnação em ADI, mas foi revogado por outro decreto. A distinção em relação à ADI n. 951-ED é que o segundo ato possuía conteúdo idêntico ao do primeiro já revogado. O STF decidiu que, embora o decreto tenha sido revogado, o novo decreto possuía conteúdo idêntico ao anterior e, portanto, o julgamento deveria ser aplicado para ambos. Em outras palavras, quando um ato normativo é revogado por outro, de idêntico conteúdo, a decisão pode abranger ambos.
##Atenção: ##STF: ##DOD: Determinada lei foi impugnada por meio de ação direta de inconstitucionalidade. Foi editada medida provisória revogando essa lei. Enquanto esta medida provisória não for aprovada, será possível julgar esta ADI. Assim, se chegar o dia de julgamento da ADI, e a MP ainda não tiver sido votada, o STF poderá apreciar livremente a ação, não tendo havido perda do interesse de agir (perda do objeto). Isso, porque a edição de medida provisória não tem eficácia normativa imediata de revogação da legislação anterior com ela incompatível, mas apenas de suspensão, paralisação, das leis antecedentes até o término do prazo do processo legislativo de sua conversão. Embora seja espécie normativa com força de lei, a medida provisória precisa ser confirmada. A medida provisória é lei sob condição resolutiva. Se for aprovada, a lei de conversãoresultará na revogação da norma. Dessa maneira, enquanto não aprovada a MP, não se pode falar em perda de interesse (perda do objeto). STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e ADI 5727/DF, Rel. Min. Rosa Weber, j. 27/3/19 (Info 935).
3.2.1.1.1. Perspectiva material da ADPF
O objeto da ADPF está previsto na Lei 9.882/99, em seu art. 1º, dispondo que o seu objeto é evitar ou reparar (preventiva ou repressiva) lesão a preceito fundamental (parâmetro), resultante de ato do Poder Público. Vejamos:
Lei n. 9.882/99, art. 1º: A argüição prevista no § 1º do art. 102 da Constituição Federal será proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público.
A expressão “ato do Poder Público” é mais ampla do que “lei ou ato normativo”, utilizada na ADC e ADPF. Portanto, há a possibilidade de que um ato do Poder Público possa ser impugnado em ADPF, mesmo não sendo lei ou ato normativo.[footnoteRef:102] [102: (TJSP-2014-VUNESP): A respeito do controle de constitucionalidade no direito brasileiro, pode-se afirmar que a ADPF pode servir para contrastar atos normativos, atos administrativos e atos jurisdicionais. BL: art. 1º, caput.] 
Dentro dessa perspectiva material, define-se o objeto da ADPF como qualquer ato do Poder Público que viole, diretamente, preceito fundamental da Constituição. 
##Atenção: ##STF: ##DOD: O conjunto de reiteradas decisões sobre determinada matéria é considerado ato do poder público passível de controle pela ADPF e esta é a via correta para questionar interpretação judicial de normas constitucionais e legais. STF. Plenário. ADPF 548 MC-Ref/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 31/10/2018 (Info 922).
##Atenção: ##STF: ##DOD: É possível que seja proposta ADPF contra súmula (comum ou vinculante)? SIM. É possível o ajuizamento de ADPF contra súmula de jurisprudência, quando o enunciado tiver preceito geral e abstrato. STF. Plenário. ADPF 501-AgR, Rel. p/ Ac. Min. Ricardo Lewandowski, j. 14/09/20.
##Questiona-se: A ADPF pode ter como objeto as omissões do Poder Público? A ADPF destina-se a proteger os preceitos fundamentais. Surge, então, a questão em torno da definição de preceito fundamental. A questão deve ser solucionada a partir de uma compreensão de valores, pois, a priori, toda norma constitucional é fundamental. Porém, os preceitos fundamentais são aqueles que estão ligados diretamente aos valores supremos do Estado e da Sociedade. Preceito fundamental não significa o mesmo que a expressão princípio fundamental. Trata-se de conceito mais amplo, abrangendo todas as prescrições que dão sentido básico à ordem constitucional. Assim, pode-se conceituar preceito fundamental como toda norma constitucional – norma princípio ou norma regra – que serve de fundamento básico para a conformação e preservação da ordem política e jurídica do Estado. Apesar de o conceito de “descumprimento” para efeito da ADPF ser consideravelmente mais amplo que o conceito de “inconstitucionalidade”, a Lei 9.882/99, entretanto, reduziu a abrangência da ADPF tão somente aos atos do poder público, mantendo a ideia de englobar atos de qualquer natureza, sejam normativos ou não, inclusive as omissões. Com efeito, pode-se afirmar que a ADPF pode ter como objeto omissões. Um exemplo possível seria a recente ADPF do Partido Rede Sustentabilidade em face da situação carcerária brasileira, que tratou diretamente da omissão estatal no trato com o problema penitenciário nacional.
##Obs.: Detalhamento de aspectos relevantes à perspectiva material da ADPF: Não são admitidos como objeto de ADPF:
(a) ATOS TIPICAMENTE REGULAMENTARES: Eles não violam, diretamente, preceito fundamental da Constituição. Não havendo violação direta, não se admite a ADPF. É o mesmo raciocínio da ADC e da ADI.
##Obs.: Lembrar que todas as ações de controle objetivo de constitucionalidade exigem que a violação seja direta e antecedente, salvo no caso do arrastamento (inconstitucionalidade consequente).
(b) NORMAS CONSTITUCIONAIS ORIGINÁRIAS: O princípio da unidade da Constituição afasta a tese da hierarquia entre normas constitucionais. Por isso, normas originárias não são admitidas como objeto.
(c) SÚMULAS COMUNS E SÚMULAS VINCULANTES:
· Súmula comum: É apenas a sedimentação de um entendimento adotado pelo Tribunal. Portanto, por apenas consolidar uma jurisprudência sobre determinado tema, não faz sentido que seja objeto de ADPF (ADPF 80/AgR). 
##Atenção: ##Mudança de Entendimento (vide abaixo julgado de 2020!!!: Ao menos, não fazia sentido antes do advento do Novo CPC, o qual valorizou o sistema de precedentes: consta do novo diploma processual que os Tribunais devem observar as súmulas de Tribunais Superiores. Portanto, atualmente a súmula comum possui uma eficácia maior do que possuía anteriormente. Entretanto, o STF, em 2020, modificou o seu entendimento acerca do tema, afirmando que é possível o ajuizamento de ADPF contra súmula de jurisprudência (comum ou vinculante), quando o enunciado tiver preceito geral e abstrato.
· Súmula vinculante: Ela possui um caráter normativo, mas o STF não a admitia, até pouco tempo, como objeto de ADPF pela ausência do caráter subsidiário (inexistência de outro meio similarmente eficaz para sanar a lesividade). Cumpre registrar que a aei que regulamenta a súmula vinculante possui mecanismo próprio: o pedido de cancelamento ou a revisão da súmula. Por haver procedimento específico com a mesma efetividade, imediaticidade e amplitude da ADPF, o caráter subsidiário não seria atendido (ADPF 147/AgR).[footnoteRef:103] [103: ##Atenção: Caiu na prova do TJMT-2018, Banca VUNESP.] 
##Atenção: ##Mudança de Entendimento (vide abaixo julgado de 2020!!!: Ocorre que, em 2020, o STF também modificou o entendimento acerca do tema quanto às sumulas vinculante, afirmando que é possível o ajuizamento de ADPF contra súmula de jurisprudência (comum ou vinculante), quando o enunciado tiver preceito geral e abstrato.
##Atenção: ##STF: ##DOD: É possível que seja proposta ADPF contra súmula (comum ou vinculante)? SIM. É possível o ajuizamento de ADPF contra súmula de jurisprudência, quando o enunciado tiver preceito geral e abstrato. STF. Plenário. ADPF 501-AgR, Rel. p/ Ac. Min. Ricardo Lewandowski, j. 14/09/20.
(d) PROPOSTAS DE EMENDAS À CONSTITUIÇÃO: A PEC não é ato pronto e acabado do Poder Público, mas apenas um ato em elaboração (um ato que ainda está em formação), que pode sequer chegar a ser aprovado (ADPF 43/AgR).
(e) VETOS: Não se admite ADPF em relação a veto em razão de que o veto deve ser analisado no âmbito político pelo Parlamento, o qual pode derrubá-lo (CF, art. 57, § 3º, IV) (ADPFs 01 e 73).
(f) DECISÕES JUDICIAIS TRANSITADAS EM JULGADO: Não se admite em razão de que, nesta hipótese, a ADPF seria utilizada como sucedâneo da ação rescisória (ADPF 288/MC).[footnoteRef:104] [104: (MPF-2012): Para o STF, não cabe arguição de descumprimento de preceito fundamental em face de sentenças transitadas em julgado.] 
##Atenção: ##DOD: ##STF: ##TJMSP-2016: ##VUNESP: ##TJMS-2020: ##FCC: Não cabe arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) contra decisão judicial transitada em julgado. Este instituto de controle concentrado de constitucionalidade não tem como função desconstituir a coisa julgada. STF. Decisão monocrática. ADPF 81 MC, Rel. Min. Celso de Mello, j. 27/10/15 (Info 810).
##Obs.: No entanto, se as ações judiciais ainda não transitaram em julgado, poderão ser objeto de ADPF. 
Exemplo: ADPF n. 101. Nesse caso concreto, o objeto da ADPF abordou decisões judiciais autorizativas da importação de pneus usados. O STF entendeu que tais decisões violavam dois preceitos fundamentais: o direito ao meio ambiente equilibrado e o direito à saúde das pessoas.
(g) LEIS REVOGADAS: (TEMA POLÊMICO – não há entendimento consolidado). Vejamos:
· Pela impossibilidade: ADPF n. 49. O Min. Menezes Direito, como relator, manifestou-se pela não admissão de ADPF que tinha como objeto lei revogada. Foi utilizado o mesmo raciocínioaplicado à ADI e à ADC, pelo qual estando a lei revogada não há ameaça à supremacia da Constituição.
· Pela possibilidade: ADPF n. 33. O Min. Gilmar Mendes entende ser possível haver ADPF que tenha como objeto lei revogada, mencionando tal posição em questão obter dicta (não fez parte da ratio decidendi).
##Cuidado: A Banca CESPE entende que lei revogada pode ser objeto de ADPF.
3.2.1.2. Perspectiva temporal
A perspectiva material pauta-se pelo momento em que o ato surgiu. 
No Brasil, em regra, não se admite inconstitucionalidade superveniente, a qual se dá quando o ato surge de acordo com a constituição e se torna incompatível depois (salvo mutação constitucional ou inconstitucionalidade progressiva). 
A inconstitucionalidade, portanto, deve ser originária, ou seja, já ter nascido incompatível com a constituição.
3.2.1.2.1. Perspectiva temporal na ADC e ADI
Na ADC, o objeto deve ser norma posterior ao parâmetro invocado/violado. 
Norma posterior ao parâmetro invocado não se confunde com norma posterior à Constituição, pois o parâmetro invocado pode ser uma emenda à CF/88.[footnoteRef:105] [105: (MPGO-2016): O fato de a ação declaratória ter sido criada pela EC nº 3/1993, não a impede de ter por objeto lei ou ato normativo produzido anteriormente à data da promulgação da referida emenda, desde que posterior ao parâmetro constitucional invocado (adaptada).] 
Exemplo: Lei de 1999 não pode ser objeto de ADC se o parâmetro for uma EC de 2004.
##Obs.: A ADC não é norma originária, já que foi criada pela EC 3/93. 
##Questiona-se: Atos anteriores à criação da ADC poderão ser objeto desta ação? Sim, leis e atos normativos, anteriores à EC n. 3/93, podem ser objeto de ADC (v.g. ADC 01 teve por objeto a LC 70/91).
3.2.1.2.2. Perspectiva temporal na ADPF
A ADPF pode ter como parâmetro normas anteriores ou posteriores a ele. Veja-se que a ADPF não é arguição de inconstitucionalidade, mas arguição de descumprimento de preceito fundamental e o termo “descumprimento” é mais amplo que o termo “inconstitucionalidade”.
Assim, se aplicarmos uma norma anterior à CF/88 que não foi recepcionada por ela, embora essa norma não seja inconstitucional, estar-se-á descumprindo a Constituição, pois há a aplicação de algo em descompasso com a lei maior.
Vejamos o art. 1º, parágrafo único, inciso I da Lei 9882/99:
Lei n. 9.882/99, art. 1º: (…) Parágrafo único. Caberá também argüição de descumprimento de preceito fundamental:
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição;[footnoteRef:106] (…). [106: (TJMS-2015-VUNESP): Uma lei federal em vigor antes da atual Constituição Federal pode ser objeto de controle de constitucionalidade por meio da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. BL: art. 1º, § único, I desta Lei 9982/99.
(MPMS-2011): Havendo evidente controvérsia constitucional acerca de importante dispositivo de lei estadual anterior à Constituição Federal de 1988, o Governador do Estado é legitimado a ingressar no STF com arguição de descumprimento de preceito fundamental. BL: art. 1º, § único, I desta Lei 9882/99.] 
3.2.1.3. Perspectiva espacial
A perspectiva espacial refere-se ao local, dentro da Federação (esferas federal, estadual e municipal), de onde o ato emanou.
3.2.1.3.1. Perspectiva espacial da ADC 
A ADC somente admite como objeto lei ou ato normativo FEDERAL.
##Obs.: Lei ou ato normativo dos Estados ou do Distrito Federal não pode ser objeto de ADC.
3.2.1.3.2. Perspectiva espacial da ADI
A ADI admite como objeto lei ou ato normativo FEDERAL e ESTADUAL.
##Obs.: O Distrito Federal possui competência híbrida (acumula a competência estadual ou municipal). Caso a lei ou o ato normativo do Distrito Federal possua conteúdo estadual poderá ser objeto de ADI. No entanto, caso possua conteúdo municipal, não. Vejamos a teor da Súmula 642 do STF:
Súmula 642, STF: Não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal derivada da sua competência legislativa municipal.[footnoteRef:107] [107: (MPRO-2010-CESPE): Não é cabível o ajuizamento de ADI perante o STF para impugnar ato normativo editado pelo DF, no exercício de competência que a CF tenha reservado aos municípios. BL: S. 642 do STF.] 
O Distrito Federal, por não ser dividido em Municípios, acumula competências estaduais e municipais (art. 32, §1º, CF). Assim, o DF pode editar leis tratando sobre assuntos de competência dos Estados ou dos Municípios. O art. 102, I, “a” da CF/88 somente admite ADI contra lei ou ato normativo federal ou estadual. Não cabe contra lei ou ato normativo de competência municipal. Logo, quando o DF edita uma lei no exercício de competência municipal, não cabe ADI contra este ato normativo. Porém, se tiver conteúdo de lei municipal, poderá ser objeto de ADPF.
3.2.1.3.3. Perspectiva espacial da ADPF
A ADPF admite como objeto lei ou ato do Poder Público FEDERAL, ESTADUAL ou MUNICIPAL.
##Obs.: O Distrito Federal possui competência híbrida (acumula a competência estadual e municipal). Portanto, o ato do Poder Público do DF poderá ser objeto de ADPF, seja derivado da competência estadual ou municipal.
##DICA: Para não confundir isso em prova coloque sempre na ordem alfabética: ADC (1 esfera), ADI (2 esferas) e ADPF (3 esferas).
4. PARTICIPAÇÃO DE ÓRGÃOS E ENTIDADES
4.1. “Amicus Curiae”
4.1.1. Conceito
O “amicus curiae”, em tradução literal, é um “amigo da Corte”. Tem-se que o “amicus curiae” é alguém que pode contribuir para a decisão a ser dada pelo Tribunal.
4.1.2. Papel
O “amicus curiae” exerce importante papel no âmbito do controle de constitucionalidade em razão da ausência de partes formais no controle concentrado, a qual enseja uma dificuldade na elaboração de uma “síntese” dos aspectos materiais discutidos, por não haver argumentos antagônicos. 
Assim, o “amicus curiae” contribui para: 
(i) pluralizar o debate constitucional; e 
(ii) conferir maior legitimidade democrática à decisão.
O “amicus curiae” traz ao STF argumentos, os quais contribuem para pluralizar o debate e conferir maior legitimidade democrática à decisão, porque são órgãos ou entidades representativas da sociedade. Tal papel está relacionado ao método concretista da constituição aberta de Peter Häberle.
4.1.3. Natureza Jurídica
Há duas correntes:
· 1ª CORRENTE (Fredie Didier Jr. e Marcelo Novelino) – minoritária: o “amicus curiae” é um auxiliar do juízo. 
· 2ª CORRENTE (defendida pela maioria dos Ministros do STF) – MAJORITÁRIA: o “amicus curiae” é uma espécie de intervenção de terceiros, figurando como exceção à inadmissibilidade da intervenção de terceiros no controle concentrado.
##Obs.: Atualmente, tal figura está regulamentada também no art. 138 do CPC, o qual se encontra no capítulo referente às intervenções de terceiro.
4.1.4. Admissibilidade nas espécies de controle
Embora a previsão legal do amicus curiae seja apenas a da Lei 9.868/99, que trata apenas da ADI, aplica-se a figura do “amicus curiae”, por analogia, à ADC e à ADPF, segundo o STF.[footnoteRef:108] [108: (TJMS-2020-FCC): A CF/1988 estabelece que a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, dela decorrente, será apreciada pelo STF, na forma da lei. A esse propósito, considerada a regulamentação da matéria à luz da jurisprudência da referida Corte, admite-se o ingresso de amici curiae na ADPF, pela aplicação, por analogia, do estabelecido em lei relativamente à ação direta de inconstitucionalidade, desde que demonstradas a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes. BL: art. 138, caput, NCPC c/c art. 7º, §2º, Lei 9868 e Entendimento Jurisprudencial. 
##Atenção: A Lei 9.882/99 (Lei da ADPF) não possui previsão expressa acerca do amicus curiae, o que não impede, porém, sua intervenção quando do julgamento de ADPFs. A aplicação decorre de aplicação analógica do art. 7º, §2º, da Lei 9.868/99 (Lei da ADI) e é louvável medida que visa conferir maior legitimidade democrática às decisões de cariz objetivo da Corte.A título de exemplo, vejamos o seguinte julgado do STF: “Diante do exposto, com base no disposto no art. 7º, §2º, da Lei 9.868/99, aqui aplicável por analogia, e o art. 138, caput, do CPC, admito a Associação dos Magistrados Brasileiros – AMB, como amicus curiae, facultando-lhe a apresentação de informações, memoriais escritos nos autos e de sustentação oral por ocasião do julgamento definitivo do mérito da presente ADPF”. (STF. Decisão monocrática. ADPF 403/SE, rel. Min. Edson Fachin, j. 26/06/18).] 
A figura do “amicus curiae” é também admitida no controle difuso-concreto. 
4.1.5. Admissibilidade em concreto e requisitos necessários
A entrada no processo pode ser requerida pelo próprio “amicus curiae” (v.g. a entidade interessada pede para atuar como tal), ou solicitada pelo STF de ofício (v.g. em tema de alta complexidade, o STF requer que grande autoridade fale sobre o assunto – HC 82.484).
Quando a participação é requerida pelo interessado, cabe ao Relator admiti-lo ou não. O despacho de admissão é irrecorrível, enquanto o despacho de inadmissão é recorrível por agravo ao Plenário.
Nesse passo, são os requisitos de admissibilidade previstos no art. 7º, §2º, da Lei 9.868/99: 
(i) relevância da matéria e a 
(ii) representatividade do postulante.
Além desses dois requisitos, no âmbito do controle abstrato, o STF tem exigido que o requerente seja pessoa jurídica: órgão ou instituição. O Supremo entende que a lei menciona apenas órgão ou instituição de forma que não são admitidas pessoas físicas.
##Obs.: No controle difuso pode ser pessoa física.
Ademais, o STF tem exigido pertinência temática, ou seja, aquele que pede para participar deve demonstrar que o conteúdo impugnado afeta, de alguma forma, o seu interesse.
##Obs.: Marcelo Novelino entende ser equivocada essa exigência, pois o papel do “amicus curiae” é contribuir para a decisão e não defender interesse próprio. Portanto, a seu ver, o STF acabou desconfigurando a essência desse instituto.
##EM RESUMO: São os requisitos de admissibilidade atualmente requeridos:
· Requisito objetivo: relevância da matéria.
· Requisito subjetivo: representatividade do postulante;
· Pessoa jurídica órgão ou instituição;
· Pertinência temática.
4.1.6. Forma de manifestação
A forma de manifestação do “amicus curiae” pode ser oral (pedir para ingressar e fazer sustentação oral) ou ser escrita (pedir para apresentar memoriais escritos).
O mais comum é que ele apresente pedido de ingresso já com memoriais e peça, também, para fazer sustentação oral. O STF pode admitir os dois, um dos dois, ou mesmo nenhum.
##Atenção: ##STF: ##DPEES-2016: ##FCC: O amicus curiae, uma vez admitido seu ingresso no processo objetivo, tem direito a ter seus argumentos apreciados pelo Tribunal, inclusive com direito a sustentação oral, mas NÃO TEM direito a formular pedido ou de aditar o pedido já delimitado pelo autor da ação. (AC 1362 / MG).[footnoteRef:109] [109: (DPEES-2016-FCC): O Supremo Tribunal Federal, no âmbito da ADI 5.357/DF, em que são impugnados dispositivos da nova Lei de Inclusão da Pessoa com Deficiência − Lei 13.146/15 (ou Estatuto da Pessoa com Deficiência), admitiu a intervenção de Defensoria Pública Estadual, por meio do seu Núcleo Especializado de Direitos das Pessoas com Deficiência, como amicus curiae, evidenciando a importância de tal atuação institucional em prol dos indivíduos e grupos sociais vulneráveis. Em relação ao instituto do amicus curiae, ou “amigo da corte”, no âmbito das ações constitucionais, é correto afirmar: O amicus curiae, muito embora tenha assegurado o direito de ter seus argumentos apreciados pelo Tribunal, não tem direito a formular pedido ou aditar o pedido já delimitado pelo autor da ação.] 
4.1.7. Prazo para ingresso
Não há prazo legal para ingresso.
Em regra, o STF admite o requerimento de ingresso do “amicus curiae” até a solicitação de julgamento do processo pelo Relator, que é quando se dá a inclusão na pauta de julgamento. (ADI 4.071-AgR, STF). [footnoteRef:110] [110: (TRT21-2012): O amicus curiae somente pode demandar sua intervenção nos autos até a data em que o relator liberar o processo para pauta. BL: STF, ADI 4.071-AgR.] 
No entanto, o STF vem admitindo várias exceções a esta regra, permitindo-se a participação de amicus curiae cujo requerimento de ingresso foi feito mesmo após a inclusão na pauta de julgamento. Exemplo: RE n. 597.064.
4.1.8. Análise comparativa: controle concentrado e abstrato e controle difuso incidental/concreto
· CONTROLE CONCENTRADO ABSTRATO:
Lei n. 9.868/99, art. 7º: Não se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação direta de inconstitucionalidade [regra].
(…) 
§ 2º: O relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, poderá, por despacho irrecorrível, admitir [obs.: não admissão: cabimento de agravo regimental], observado o prazo fixado no parágrafo anterior [obs.: vetado], a manifestação de outros órgãos ou entidades [obs.: STF não admite pessoas físicas, como ‘amicus curiae’, no controle concentrado abstrato].[footnoteRef:111] [111: (TJDFT-2012): Embora não seja admitida a intervenção de terceiros no processo da ADI, o STF vem permitindo o “amicus curiae”, para possibilitar à sociedade um mais amplo debate da questão constitucional. BL: art. 7º,§2º da Lei 9.868/99.
Explicação: Uma das características do controle concentrado de constitucionalidade é a inadmissibilidade de intervenção de terceiros (art. 7º, caput desta Lei). Mas o relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, poderá, por despacho irrecorrível, admitir a manifestação de outros órgãos ou entidades (art. 7º, §2º desta Lei), o que abre espaço para a figura do amicus curiae, conforme já decidiu o STF na ADI 2238. Assim, pode-se dizer que a atuação do amicus curiae tem natureza sui generis.] 
##ATENÇÃO: ##PROVADAAGU: ##IMPORTANTE: ##CESPE: De acordo com o STF, a admissão de terceiros na qualidade de amicus curiae não lhes assegura o direito à interposição de recursos, nem mesmo de embargos de declaração (ADI 4167, 27.02.13). O único recurso que pode ser interposto pelo amicus curiae é o agravo regimental quando indeferida a sua admissão no processo (ADI 3396, 10.05.12).[footnoteRef:112] [112: (Proc. Municipal-Aracaju/SE-2008-CESPE): O amicus curiae não tem legitimidade para recorrer de decisões proferidas em ação declaratória de inconstitucionalidade, salvo daquelas que não o admitam como tal no processo. BL: ADI 3396, STF.] 
· CONTROLE DIFUSO INCIDENTAL/CONCRETO:
CPC, art. 138: O juiz [obs.: juiz de 1º grau] ou o relator [obs.: Tribunal], considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação.[footnoteRef:113] [113: (MPSC-2016): Nos termos do novo CPC, no que se refere a intervenção do amicus curiae, o juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada. BL: art. 138, NCPC.
OBS: A partir do NCPC, tornou-se possível, em tese, a atuação do "amicus curiae" em qualquer processo. (TJPR-2017)
(PGEMT-2016-FCC): A intervenção de amicus curiae é admitida expressamente tanto no juízo de piso como perante órgãos colegiados. BL: art. 138, NCPC.
(PGEMT-2016-FCC): A intervenção de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada na condição de amicus curiae independe de pedido das partes, pois a lei prevê expressamente a possibilidade de ser determinada de ofício pelomagistrado. BL: art. 138, NCPC.] 
§1º: A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência nem autoriza a interposição de recursos [obs.: regra – aplicada ao controle concentrado abstrato], ressalvadas a oposição de embargos de declaração [obs.: não é aplicado ao controle concentrado abstrato] e a hipótese do § 3º.
§2º: Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a intervenção, definir os poderes do amicus curiae.
§3º: O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas.[footnoteRef:114] [114: (TJMSP-2016-VUNESP): A respeito do amicus curiae, é correto afirmar que passou a ser modalidade de intervenção de terceiro no processo, com poder de interpor recurso de decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas. BL: art. 138, NCPC.] 
##Atenção: VEJAMOS AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS:
i. Quanto aos legitimados:
· Controle concentrado abstrato (Lei n. 9.868/99): órgãos ou entidades.
· Controle difuso incidental/concreto (NCPC): pessoa natural ou jurídica.
ii. Quanto aos recursos:
· Controle concentrado abstrato (Lei 9.868/99): “amicus curiae” não tem legitimidade para requerer medida cautelar nem para interpor recurso.
· Controle difuso incidental/concreto (CPC): pode opor embargos declaratórios e recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas.
5.2. Procurador-Geral da República
Conforme o art. 103, §1º, da CF/88, o Procurador-Geral da Repúblcia deve ser intimado em “todos” os processos de competência do STF:
CF, art. 103, § 1º: O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal.[footnoteRef:115] [115: (TJMA-2008): O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do STF, o qual também pode propor ações diretas de inconstitucionalidade ou ações declaratórias de constitucionalidade. BL: art. 103, inciso VI e §1º da CF/88.] 
Porém, considerando a grande demanda de processos que chega à Corte, o STF interpreta a regra da CF, art. 103, §1º, com temperamentos, no sentido de que não é necessário que o PGR seja formalmente intimado a se manifestar em todos os processos, mas sim que possua conhecimento da tese discutida. Então, se ele foi intimado a se manifestar sobre determinada tese em determinado processo, essa manifestação vale para todos os outros processos que abordem a mesma tese.
Especificamente em relação ao controle concentrado abstrato, a atuação do PGR é a seguinte: além de lhe ser possibilitada a propositura da ação, ele tem o poder/dever de participar em todos os processos, atuando como “custos constitutionis” (fiscal da supremacia da Constituição) Assim, ele protege a ordem constitucional objetiva de violações. 
##ATENÇÃO: Inclusive, o PGR pode se manifestar contrariamente a uma ação proposta por ele mesmo (ADI n. 4975). O que não pode ocorrer é a desistência.
5.3. Advogado-Geral da União
Como não há autor e réu nas ações de controle abstrato, o AGU possui importante função, distinta da que ele exerce normalmente (CF, art. 131). Nesses processos, o AGU age na função de “defensor legis”, ou seja, defendendo a presunção de constitucionalidade das leis (é como se fosse um curador).
CF, art. 103, § 3º: Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado.[footnoteRef:116] [116: (TJMA-2008): O Advogado Geral da União não tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade, perante o STF. BL: art. 103, §3º da CF/88.
OBS: O AGU não tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade, perante o STF, pois, nos termos do art. 103, §3º, cabe a ele a defesa do ato ou texto impugnado.] 
A função do Advogado-Geral da União é diferente da exercida pelo Procurador-Geral da República, o qual emite pareceres objetivando a proteção da ordem constitucional objetiva. O AGU é obrigado a defender o ato impugnado (curador da presunção de constitucionalidade).
##Questiona-se: ##TJAC-2019: ##VUNESP: Como o AGU é o chefe da Advocacia-Geral da União, estaria ele obrigado a defender também as leis estaduais? Sim. Embora o AGU possua função geral de chefe da Advocacia-Geral da União, ao atuar no âmbito do controle abstrato, ele estará atuando em uma função especial de “defensor legis”, devendo defender o ato impugnado, não importa de onde emanou. Por isso, o entendimento é de que cabe a ele defender a lei ou o ato normativo federal ou estadual. Entretanto, STF adota o entendimento de que, EXCEPCIONALMENTE, o AGU não está obrigado a defender o ato impugnado nas seguintes hipóteses:
i. Tese jurídica já declarada inconstitucional pelo STF;
ii. O ato for contrário ao interesse da União;
##Obs. Para Marcelo Novelino é um entendimento equivocado, pois o AGU atua como “defensor legis” e não defensor da União.
iii. O ato cuja defesa seja inviável: Entende-se que, se o ato for claramente incompatível com a Constituição, não é possível obrigar o AGU a defender o ato. Ademais, há uma impossibilidade de sanção ao AGU caso não defenda o ato.
##Atenção: ##TRF1-2009: ##CESPE: ##TJAC-2019: ##VUNESP: ##STF: A regra é de que tanto o AGU, em âmbito federal, quanto o PGE, em nível estadual, defendam a constitucionalidade da norma. A jurisprudência do STF, no entanto, criou uma exceção, retirando a obrigatoriedade da defesa da constitucionalidade da norma quando já houver manifestação anterior da Suprema Corte no sentido da inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. É o que se observa: “(...) O múnus a que se refere o imperativo constitucional (CF, art. 103, § 3º) deve ser entendido com temperamentos. . O Advogado-Geral da União não está obrigado a defender tese jurídica se sobre ela esta Corte já fixou entendimento pela sua inconstitucionalidade. (...). Nesse contexto, o STF entende ser dispensável a atuação do Advogado-Geral da União em ADI na hipótese de já haver pronunciamento prévio da Corte sobre a (in)constitucionalidade da norma (STF. Plenário. ADI 1.616/PE, rel. Min. Maurício Corrêa, j. 25.06.97). De outro lado, a doutrina costuma defender a dispensa do AGU nas ações diretas de inconstitucionalidade por omissão. Isso porque a função do AGU se resume, em síntese, à defesa da norma cuja constitucionalidade fora arguida; deve ele defender a presunção de constitucionalidade das leis. No caso da ADO, não há lei a ser presumida constitucional, não subsistindo a função primordial do AGU.[footnoteRef:117] [117: (TRF1-2009-CESPE): Quanto às funções essenciais à justiça, julgue o item a seguir: A norma constitucional que impõe a citação prévia do advogado-geral da União para promover a defesa de ato ou texto impugnado em ação direta de inconstitucionalidade é compreendida com moderação, pelo STF, pois o advogado-geral da União não está obrigado a defender tese jurídica se sobre a inconstitucionalidade dela a Corte Suprema já fixou entendimento. BL: art. 103, §3º, CF e Entend. STF.] 
6. LIMINAR
6.1. Quórum (de Presença/Votação e de Julgamento)
Existem dois quóruns diferentes, o quórum de presença ou de votação (número mínimo de Ministros presentes para que o julgamento possa ser realizado) e o quórum de julgamento (número mínimo de votos para conceder ou não a liminar).
6.1.1. Regra
EM REGRA, o quórum necessário para julgamento da liminar é o da maioria absoluta dos membros (6 de 11) e o quórum de presença/instalação/votação é o de 08 Ministros (de 11).
Portanto, :
· Quórum de julgamento: maioria absoluta dos membros (6 de 11);
· Quórum de presença/votação: pelos menos 08 ministros (do total de 11).
Lei n. 9.868/99, art. 22: A decisão sobre a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo somente será tomada se presentes na sessão pelo menos oito Ministros.[footnoteRef:118] [118: (TJMS-2010-FCC):A ação direta de inconstitucionalidade no Direito Constitucional brasileiro NÃO pode ser decidida pelo STF na presença de seis ministros. BL: art. 22, Lei 9868.] 
6.1.2. Exceções (liminar concedida monocraticamente)
No caso da ADC, NÃO HÁ EXCEÇÕES. A liminar somente poderá ser concedida pelo Plenário, pois a lei já tem presunção de constitucionalidade. Vejamos o que dispõe o art. 21 da Lei 9.868/99:
Lei n. 9.868/99, art. 21: O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na determinação de que os juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo.
Entretanto, em se tratando de ADI HÁ DUAS EXCEÇÕES:
· Poderá conceder liminar, monocraticamente, o Presidente do Tribunal, ou quem o estiver substituindo, durante o período de recesso.
Nesse caso, após o período de recesso, o feito irá para o Relator, o qual, também monocraticamente, pode modificar essa decisão caso entenda necessário. 
· Poderá conceder liminar, monocraticamente, o Relator, em caso de extrema urgência e perigo de grave lesão. 
Nesse caso, a decisão deve ser referendada posteriormente pelo Pleno.
Lei n. 9.868/99, art. 10: Salvo no período de recesso, a medida cautelar na ação direta será concedida por decisão da maioria absoluta dos membros do Tribunal, observado o disposto no art. 22 [quórum de 8 Ministros], após a audiência dos órgãos ou autoridades dos quais emanou a lei ou ato normativo impugnado, que deverão pronunciar-se no prazo de cinco dias.[footnoteRef:119] [119: (TJMA-2008): Salvo no período de recesso, a medida cautelar na ação direta será concedida por decisão da maioria absoluta dos membros do Tribunal, após a audiência dos órgãos ou autoridades dos quais emanou a lei ou ato normativo impugnado. BL: art. 10 da Lei 9868/99.] 
Por fim, no caso da ADPF EXISTEM AS MESMAS EXCEÇÕES:
· Poderá conceder liminar, monocraticamente, o Presidente do Tribunal, ou quem o estiver substituindo, durante o período de recesso.
##Obs.: A lei fala que o relator concederá em período de recesso, mas quem fica no plantão é o Presidente.
· Poderá conceder liminar, monocraticamente, o Relator, em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave. Vejamos o teor do art. 5º, §1º da Lei 9.882/99:
ADPF: Lei n. 9.882/99, art. 5º: O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida liminar na argüição de descumprimento de preceito fundamental. 
§1º: Em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave, ou ainda, em período de recesso, poderá o relator conceder a liminar, ad referendum do Tribunal Pleno.[footnoteRef:120] [120: (TJGO-2015-FCC): Tão logo iniciado o ano judiciário, o Procurador-Geral da República, com base em representação promovida por Procurador-Geral de Justiça de determinado Estado da federação, propõe ADPF, com pedido de liminar, perante o STF, tendo por objeto dispositivos originais da lei de contravenções penais, promulgada em 1941, ainda em vigor e objeto de controvérsia judicial atual. Neste caso, em tese, à luz das normas constitucionais e legais pertinentes, caberá a liminar ser concedida pelo Relator em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave, ad referendum da maioria absoluta dos membros do STF. BL: art. 5º, §1º da Lei 9882/99.] 
6.2. Eficácia Objetiva e Subjetiva
6.2.1. Aspecto geral
Com relação à ADI, ADC e ADPF, os efeitos da liminar são sempre ERGA OMNES e VINCULANTES. 
O efeito “ERGA OMNES” (efeito contra todos) é inerente ao controle abstrato, dada a inexistência de partes formais. Pelo fato não existir partes formais, não faria sentido que a decisão fosse “inter partes”.
6.2.2. ADC
No caso da ADC, o efeito da liminar é A SUSPENSÃO DO JULGAMENTO DE PROCESSOS, nos quais a constitucionalidade da lei seja discutida. A razão disso é que já existe uma presunção de constitucionalidade das leis e, portanto, não há sentido em conceder uma liminar dizendo que a lei é constitucional. 
Destaque-se que o prazo máximo da suspensão é de 180 dias. Se, em 180 dias o feito não for julgado, a liminar exaure a sua eficácia. 
Vejamos o teor do art. 21, da Lei 9.868/99:
Lei n. 9.868/99, Art. 21. O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na determinação de que os juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo.
Parágrafo único. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário Oficial da União [obs.: antes de publicada não produzirá efeitos] a parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias, devendo o Tribunal proceder ao julgamento da ação no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de perda de sua eficácia.
##Obs. A parte dispositiva desta liminar apenas produz efeitos após publicada no Diário Oficial da União. Ora, como ela tem efeitos erga omnes, para que todos tenham conhecimento da liminar, é necessário que haja tal publicação.
6.2.3. ADI
Tratando-se de ADI, o efeito da liminar é A SUSPENSÃO DA VIGÊNCIA E EFICÁCIA DA NORMA. 
Ademais, embora a Lei n. 9.868/99 não possua nenhuma previsão específica de suspensão de processos no caso de ADI, o STF tem aplicado, por analogia, o art. 21 da Lei n. 9.868/99. Vejamos o seu teor:
Lei n. 9.868/99, art. 21, parágrafo único: Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário Oficial da União [antes de publicada não produzirá efeitos] a parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias, devendo o Tribunal proceder ao julgamento da ação no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de perda de sua eficácia.
6.2.4. ADPF
No caso da ADPF, a lei determina a SUSPENSÃO DA TRAMITAÇÃO DE PROCESSOS ou DE EFEITOS DE DECISÕES JUDICIAIS ou DE QUALQUER OUTRA MEDIDA, salvo se decorrentes da coisa julgada (pois nesse caso é hipótese de cabimento de ação rescisória). Vejamos o art. 5º, §3º da Lei 9.882/99:
Lei n. 9.882/99, art. 5º, § 3º: A liminar poderá consistir na determinação de que juízes e tribunais suspendam o andamento de processo ou os efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da arguição de descumprimento de preceito fundamental, salvo se decorrentes da coisa julgada.
##Obs.: Efeitos da negativa da liminar: Ao se negar a liminar, o STF está dizendo simplesmente que os pressupostos de cabimento da liminar não estão presentes. Assim, a negativa da liminar não produz nenhum tipo de efeito.[footnoteRef:121] Em outras palavras, a não concessão de liminar não produz qualquer efeito. Não tem efeito, portanto, de considerar a lei constitucional, por exemplo. É nesse sentido, o seguinte julgado do STF, do qual se extrai o seguinte trecho da ementa: [121: (AGU-2010-CESPE): Para o STF, o indeferimento da medida cautelar na ADI não significa confirmação da constitucionalidade da lei com efeito vinculante.
OBS: O indeferimento da ADI, ou de sua cautelar, pode acontecer por vários motivos, inclusive pela falta de pressupostos formais. Assim, somente se a decisão de mérito, fosse denegatória é que se confirmaria a constitucionalidade da lei.] 
“(...). Decisões do STF que, tornadas insubsistentes, já não podem respaldar a reclamação. 3. Somente as decisões concessivas das liminares em ADIs e ADCs é que se dotam de efeito vinculante. No caso da ADI 2.797, o que se teve foi decisão denegatória de liminar. 4. Face à natureza subjetiva do processo, as decisões proferidas em reclamação não têm efeito vinculante. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (Rcl 3233 AgR, Relator(a): Min. CARLOS BRITTO, 1ª Turma, j. 27/11/07).
6.3. Eficácia Temporal
6.3.1. ADC
No caso da ADC não há que se falar em eficácia temporal, pois o efeitoda liminar suspenderá o julgamento dos processos, obviamente daquele momento em diante. 
Em resumo, não se aplica.
6.3.2. ADI
Tratando-se de ADI, EM REGRA, o efeito da suspensão na concessão de uma liminar é “EX NUNC” (a partir da decisão). Veja que, ao se julgar uma liminar, o STF não está dizendo que a lei é inconstitucional, mas apenas que ela aparentemente é inconstitucional e, por isso, a suspensão não possui efeitos retroativos.
Porém, EXCEPCIONALMENTE, o STF pode fazer uma modulação temporal dos efeitos da decisão, dando-lhe efeitos “EX TUNC” (eficácia retroativa). A utilização da modulação depende do caso concreto (v.g. excepcional interesse social, segurança jurídica, etc). 
Vejamos o teor do art. 11, §1º da Lei 9.868/99:
Lei n. 9.868/99, art. 11, § 1º: A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc [regra], salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa [efeito ‘ex tunc’ – exceção].[footnoteRef:122] [122: (TJPR-2019-CESPE): O STF pode, por decisão da maioria absoluta de seus membros, deferir pedido de medida cautelar em ação declaratória de constitucionalidade, determinando que juízes e tribunais suspendam o julgamento de processos que envolvam a aplicação de lei ou de ato normativo objeto da referida ação até o seu julgamento definitivo. Nesse sentido, a medida cautelar em ação declaratória de constitucionalidade, até o julgamento final da ação, produzirá efeito vinculante e eficácia ex nunc. BL: art. 11, §1º c/c art. 21 Lei 9868/99.
OBS: Cumpre destacar que o art. 11 da Lei 9868/99, em que pese esteja no capítulo relativo a ADI, também se aplica à ADC. Tal raciocínio decorre do art. 21 da Lei 9868/99, que assim dispõe: “O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na determinação de que os juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo.”. Percebe-se, portanto que o comando é geral (“juízes e os Tribunais”), motivo pela qual se depreende ser vinculante. Além disso, não prevê retroação dos efeitos: pelo contrário, o § único do art. 21 prevê perda automática da eficácia cautelar se o Tribunal não julgar o feito em 180 dias.
(MPMG-2018): De acordo com a Lei 9.868/99, é CORRETO afirmar: a medida cautelar, na Ação Direta de Inconstitucionalidade, será dotada de eficácia contra todos, e concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa. BL: art. 11, §1º, Lei 9868/99.] 
Quando uma lei é suspensa, EM REGRA, a legislação revogada pela nova lei impugnada voltará a produzir efeitos novamente. 
Trata-se do fenômeno do EFEITO REPRISTINATÓRIO TÁCITO (tácito, porque a decisão do STF não faz nenhuma menção expressa à lei anterior, a qual havia sido revogada pela lei suspensa). Para que não haja o efeito repristinatório, o STF deve manifestar-se expressamente acerca disso[footnoteRef:123]. Sendo assim, o efeito repristinatório tácito É AUTOMÁTICO. Vejamos o teor do art. 11, §2º da Lei 9.868/99: [123: (PCMS-2006-FAPEC): Repristinação de uma lei é o mesmo que revalidação.] 
Lei n. 9.868/99, art. 11, § 2º: A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo expressa manifestação em sentido contrário.[footnoteRef:124] [124: (PGM-Várzea Paulista/SP-2016-VUNESP): Acerca do processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade perante o STF, nos expressos termos da legislação vigente sobre o tema, temos que a concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo expressa manifestação em sentido contrário. BL: art. 11, §2º da Lei 9868/99.
(PGM-São Paulo/SP-2014-VUNESP): No que se refere às decisões concessivas de medida cautelar, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade, é correto afirmar, como regra geral, que a norma tem sua eficácia suspensa, com efeito vinculante, ex nunc e erga omnes. BL: art. 11 da Lei 9868/99.] 
##Questiona-se: ##TJRJ-2013: ##VUNESP: ##MPF-2017: ##MPSP-2011/2019: É possível ocorrer o efeito repristinatório decorrente da declaração de inconstitucionalidade? Sim, conforme o entendimento do STF:
(...) A declaração final de inconstitucionalidade, quando proferida pelo STF em sede de fiscalização normativa abstrata, importa - considerado o efeito repristinatório que lhe é inerente - em restauração das normas estatais anteriormente revogadas pelo diploma normativo objeto do juízo de inconstitucionalidade, eis que o ato inconstitucional, por ser juridicamente inválido (RTJ 146/461-462), sequer possui eficácia derrogatória. Doutrina. Precedentes (STF). STF. Plenário. ADI 2867, Min. Rel. Celso de Mello, j. 03/12/03.[footnoteRef:125] [125: (MPSP-2019): Assinale a alternativa correta: A declaração final de inconstitucionalidade, quando proferida em sede de fiscalização normativa abstrata, considerado o efeito repristinatório que lhe é inerente, importa em restauração das normas estatais anteriormente revogadas pelo diploma normativo objeto do juízo de inconstitucionalidade. BL: art. 11, §2º, Lei 9868/99 e Entend. Jurisprud.] 
 Desse modo, a declaração da inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta o efeito repristinatório em relação à legislação anterior, que por ela havia sido revogada. Exemplificativamente, se a “Lei 2” revoga a “Lei 1”, a posterior declaração da inconstitucionalidade da “Lei 2” produz efeito repristinatório em relação à “Lei 1”, que volta a viger em todo o período em que esteve no ordenamento jurídico a “Lei 2”. Como, em regra, a declaração da inconstitucionalidade da “Lei 2” opera efeitos retroativos (ex tunc), retirando-a do ordenamento jurídico desde o seu nascimento, a anterior revogação da “Lei 1” é desfeita (essa revogação, na verdade, não ocorreu!) e, com isso, esta volta a viger em todo o período, sem interrupção. Conforme explica Marcelo Novelino: “Nos casos em que a decisão proferida pelo STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei com efeitos retroativos (ex tunc), a legislação anteriormente revogada voltará a produzir efeitos, desde que compatível com a Constituição. Ocorre, portanto, o fenômeno conhecido como efeito repristinatório tácito. Isso ocorre porque a lei inconstitucional é considerada um ato nulo, ou seja, com um vício de origem insanável. Sendo este vício reconhecido e declarado desde o surgimento da lei, não se pode admitir que ela tenha revogado uma lei válida. (...)” (Manual de Direito Constitucional. 9ª ed., São Paulo: Método, 2014, p. 475). 
6.3.3. ADPF
No que se refere à ADPF, EM REGRA, o efeito da suspensão na concessão de uma liminar é “EX NUNC” (a partir da decisão). Ressalte-se que, embora a Lei 9.882/99 não discipline o tema, aplica-se, por analogia, o art. 11, §1º, da Lei n. 9.868/99:
Lei n. 9.868/99, art. 11, § 1º: A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc [regra], salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa [efeito ‘ex tunc’ – exceção].
6.3.4. Aspecto comum – Obrigatoriedade
Por fim, seja na ADI, ADC ou ADPF, a obrigatoriedade da decisão se dá A PARTIR DA PUBLICAÇÃO (e não do trânsito em julgado) do dispositivo da decisão no DOU e DJU. 
Essa necessidade de publicação decorre do fato de que o processo objetivo inerente às ações de controle abstrato não possui partes formais, sendo as decisões, por natureza, dotadas de efeitos erga omnes. Havendo efeitos erga omnes, para que as pessoas tenham ciência do decidido, é preciso dar publicidade.
Vejamos o teor dos art. 11 e 21, § único da Lei 9.868/99:
Lei n. 9.868/99, art. 11: Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário Oficial da União e do Diário da Justiça da União a parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias, devendo solicitar as informações à autoridade da qualtiver emanado o ato, observando-se, no que couber, o procedimento estabelecido na Seção I deste Capítulo.
Lei n. 9.868/99, art. 21, parágrafo único: Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário Oficial da União [antes de publicada não produzirá efeitos] a parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias, devendo o Tribunal proceder ao julgamento da ação no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de perda de sua eficácia.
7. DECISÃO DE MÉRITO
7.1. Quórum
Essa matéria referente ao quórum é igual para ADI, ADC e ADPF.
Ao contrário da liminar, em que pode ocorrer uma concessão monocrática pelo Relator ou Presidente do Tribunal, a decisão de mérito é analisada exclusivamente pelo Plenário do STF. 
A única exceção a esta regra é a possibilidade do relator, monocraticamente, não admitir a ação. Porém, dessa decisão que indefere a petição inicial, caberá agravo para o Plenário.
O quórum de presença/ de sessão/ para votação é de, no mínimo, oito (2/3) Ministros presentes (Lei n. 9.868/99, art. 22 e Lei n. 9.882/99, art. 8º). Vejamos:
L. 9.868/99 (ADI e ADC), art. 22. A decisão sobre a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo somente será tomada se presentes na sessão pelo menos oito Ministros.
L. 9.882/99 (ADPF), art. 8o A decisão sobre a arguição de descumprimento de preceito fundamental somente será tomada se presentes na sessão pelo menos dois terços dos Ministros.
O quórum de julgamento, ou seja, o necessário para a declaração da (in)constitucionalidade é de 6 Ministros (maioria absoluta do STF). Vejamos:
Lei n. 9.868/99, art. 23: Efetuado o julgamento, proclamar-se-á a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da disposição ou da norma impugnada se num ou noutro sentido se tiverem manifestado pelo menos seis Ministros, quer se trate de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade.
Se o quórum mínimo de seis ministros (maioria absoluta) não é alcançado para proclamar a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade, a decisão não produzirá efeitos “erga omnes” e efeitos vinculantes em relação àquele ponto.
Nesse sentido, vejamos recente julgado do STF, publicado no Info 874 (##DOD):
Imagine a seguinte situação: é proposta uma ADI contra determinada lei. Cinco Ministros votam pela inconstitucionalidade da lei. Quatro Ministros votam pela constitucionalidade. Dois Ministros declaram-se impedidos de votar. 
Qual deverá ser a proclamação do resultado? Pode-se dizer que esta lei foi declarada inconstitucional por maioria de votos? 
NÃO. Não foi atingido o número mínimo de votos para a declaração de inconstitucionalidade da lei (6 votos). Assim, como não foi alcançado o quórum exigido pelo art. 97 da CF/88, entende-se que o STF não pronunciou juízo de constitucionalidade ou inconstitucionalidade da lei. Isso significa que o STF não declarou a lei nem constitucional nem inconstitucional. Além disso, esse julgamento não tem eficácia vinculante, ou seja, os juízes e Tribunais continuam livres para decidir que a lei é constitucional ou inconstitucional, sem estarem vinculados ao STF. STF. Plenário. ADI 4066/DF, Rel. Min. Rosa Weber, j. em 23 e 24/8/17 (Info 874).
##Atenção: A Lei 9.882/99, em sua redação original, exigia para o julgamento de uma ADPF o quórum de 2/3 (o quórum de julgamento era o mesmo quórum de votação/de sessão). Porém, o Presidente da República vetou esse dispositivo por entender que seria demasiadamente rígido e inviabilizaria o procedimento da ADPF. Assim, a lei da ADPF não prevê quórum, aplicando-se por analogia o mesmo da lei das ADI e ADC.
Sendo assim, caso preenchido o quórum de presença/votação (08 Ministros = 2/3), mas não o quórum de julgamento (06 Ministros), a decisão não produzirá efeitos erga omnes e vinculante. 
Exemplo: O STF vai julgar a (in)constitucionalidade de uma lei e estão presentes 08 (oito) Ministros (quórum de presença/votação preenchido). Para que seja declarada sua (in)constitucionalidade, 06 (seis) desses Ministros devem se manifestar no mesmo sentido.
Assim, se 05 (cinco) Ministros votarem pela inconstitucionalidade e 03 (três) Ministros pela constitucionalidade, não haverá quórum mínimo para declarar a lei constitucional ou inconstitucional, de forma que os efeitos da decisão não serão erga omnes e vinculante. Vejamos a seguinte decisão do STF:
STF, ADI 4.165/DF: (…) o Tribunal julgou a ação improcedente, por maioria. Quanto à eficácia erga omnes e ao efeito vinculante da decisão em relação ao §4º do art. 2º da Lei n. 11.738/08, o Tribunal decidiu que tais eficácias não se aplicam ao respectivo juízo de improcedência, contra os votos dos Senhores Ministros Joaquim Barbosa (Relator) e Ricardo Lewandowski.
7.2. Recorribilidade
A decisão de mérito nas ações de controle abstrato (ADI, ADC e ADPF) é uma DECISÃO IRRECORRÍVEL, o que é óbvio, já que o STF é a última instância em âmbito nacional.
EXCEPCIONA-SE a possibilidade de oposição de embargos declaratórios, que embora possam ter efeitos infringentes, não têm o objetivo de alterar a decisão (visam o esclarecimento de um ponto omisso, contraditório ou obscuro).
Da mesma forma, não cabe ação rescisória contra decisão proferida em sede de ADI, ADC e ADPF. 
O art. 26 da Lei 9.868/99 e o art. 12 da Lei 9882/99 assim dispõem:
Lei n. 9.868/99, art. 26: A decisão que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo em ação direta ou em ação declaratória é irrecorrível, ressalvada a interposição de embargos declaratórios, não podendo, igualmente, ser objeto de ação rescisória.[footnoteRef:126] [126: (TCESP-2017-FCC): Assinale a alternativa correta com relação à ação direta de inconstitucionalidade no ordenamento jurídico brasileiro. A decisão que declara a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo em ação direta não pode ser objeto de ação rescisória. BL: art. 26, da Lei 9868/99.] 
Lei n. 9.882/99, art. 12: A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido em argüição de descumprimento de preceito fundamental é irrecorrível, não podendo ser objeto de ação rescisória.
Em relação ao art. 26 da Lei 9868/99, segundo o STF, é cabível a oposição de embargos de declaração para fins de modulação dos efeitos de decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, ficando seu acolhimento condicionado, entretanto, à existência de pedido formulado nesse sentido na petição inicial. (ADI 2791 ED/PR, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, rel. p/ o acórdão Min. Menezes Direito, 22.4.2009).[footnoteRef:127] [127: (DPEPE-2018-CESPE): No procedimento da ação direta de inconstitucionalidade, é cabível a oposição de embargos de declaração, com o objetivo de obter a modulação dos efeitos da decisão. BL: art. 26, da Lei 9868/99 e STF, ADI 2791 ED/PR.] 
##Atenção: ##DOD: ##STF: ##TJMS-2020: ##FCC: Segundo o STF, não se aplica ao processo objetivo de controle abstrato de constitucionalidade a norma que concede prazo em dobro à Fazenda Pública (art. 183, CPC/2015): 
Não se conta em dobro o prazo recursal para a Fazenda Pública em processo objetivo, mesmo que seja para interposição de recurso extraordinário em processo de fiscalização normativa abstrata. Não há, nos processos de fiscalização normativa abstrata, a prerrogativa processual dos prazos em dobro. Não se aplica ao processo objetivo de controle abstrato de constitucionalidade a norma que concede prazo em dobro à Fazenda Pública. Assim, por exemplo, a Fazenda Pública não possui prazo recursal em dobro no processo de controle concentrado de constitucionalidade, mesmo que seja para a interposição de recurso extraordinário. STF. Plenário. ADI 5814 MC-AgR-AgR/RR, Rel. Min. Roberto Barroso; ARE 830727 AgR/SC, Rel. para acórdão Min. Cármen Lúcia, j. 6/2/19 (Info 929).
##Advertência: O STF entende que a previsão do prazo em dobro trazida atualmente pelo art. 183 do CPC/15 tem incidência unicamente nos processos subjetivos, ou seja, que discutem situações concretas e individuais, não se aplicando nos processosde controle concentrado de constitucionalidade. O processo de fiscalização abstrata de constitucionalidade configura típico processo de caráter objetivo, destinado a viabilizar o julgamento, não de uma relação jurídica concreta, mas de validade de lei em tese.
7.3. Eficácia Objetiva e Subjetiva
7.3.1. Características gerais e histórico
As decisões proferidas em ADI, ADC e ADPF possuem efeitos “ERGA OMNES” e VINCULANTE.
7.3.1.1. Efeitos “erga omnes”
A eficácia contra todos (ou EFEITO “ERGA OMNES”) é da própria natureza deste tipo de ação (“processo constitucional objetivo”, sem partes formais). Independe, portanto, de previsão constitucional ou legal.
##Obs.: No ordenamento jurídico brasileiro, algumas Constituições Estaduais submetiam a decisão em ADI à análise da Assembleia Legislativa (v.g. Constituição Estadual da Bahia). O STF, ao analisar tais dispositivos, consignou que a Assembleia Legislativa pode dar publicidade à decisão, mas que não é possível condicionar a eficácia contra todos a uma resolução da Casa Legislativa, por se tratar de um efeito decorrente da própria natureza deste tipo de ação.
7.3.1.2. Efeito vinculante
O texto originário da Constituição Federal de 1988 previa somente a eficácia “erga omnes”. 
O efeito vinculante foi introduzido expressamente pela EC 03/1993, a qual criou a ADC e conferiu a esta ação não apenas o efeito “erga omnes”, como também o efeito vinculante às decisões nela proferidas. 
Posteriormente, a jurisprudência do Supremo estendeu o efeito vinculante à ADI, mesmo sem a previsão em lei ou na Constituição. 
Em seguida, o art. 28, parágrafo único, da Lei 9.868/99, previu que tanto a ADI quanto a ADC teriam eficácia “erga omnes” e efeito vinculante. 
Por fim, com a EC n. 45/2004 previu-se o efeito vinculante de maneira expressa tanto para a ADI quanto para a ADC (CF, art. 102, § 2º).[footnoteRef:128] [128: (TJMG-2005): De acordo com a jurisprudência do STF, as decisões definitivas de mérito, por ele proferidas nas ações diretas de inconstitucionalidade, produzem eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e aos do Poder Executivo, quando proferidas após a vigência da EC n.º 3, de 17.03.93.
OBS: Na verdade, o efeito vinculante veio com a EC 45/04, mas o STF, desde a EC 03/93, que criou a ADC com eficácia erga omnes e efeito vinculante, já entendia que a ADIN e ADC eram ações de sinais trocados e tinham a mesma natureza, por conta desse entendimento o efeito vinculante da ADC foi estendido à ADIN.] 
7.3.2. Quanto à eficácia subjetiva (sujeitos)
A eficácia subjetiva está relacionada aos sujeitos abrangidos pela decisão (poderes públicos e particulares). Vejamos o teor do art. 102, §2º da CF/88 e art. 28, § único da Lei 9.868/99:
CF, art. 102, § 2º: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal (Alterado pela EC 45/04).[footnoteRef:129] [129: (DPESC-2017-FCC): As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. BL: art. 102, §2º da CF/88.] 
	
Lei n. 9.868/99, art. 28, parágrafo único: A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal.
##Atenção: Quando este artigo fala “órgãos do Poder Judiciário”, o STF não está incluído na vinculação. Sendo assim, o STF não fica vinculado a sua decisão, podendo mudar futuramente o seu posicionamento. Porém, a não vinculação do STF é apenas em relação ao Plenário do Tribunal, de forma que os Ministros e as Turmas ficam vinculados. 
##Atenção: ##TJSP-2018: ##VUNESP: Segundo o princípio da interpretação conforme a Constituição, instrumento previsto no art. 28, § único, da Lei 9.868/99, diante de normas que possuem mais de uma interpretação, deve-se adotar a exegese que mais se aproxime da Constituição. Todavia, essa interpretação só é admitida se houver um espaço de decisão. Se a norma for literal, embora contra a Constituição, o intérprete não pode contrariar seu texto só para lei se adapte à Carta Magna. O intérprete não pode se transformar em um legislador.
##Atenção: Perceba que nem a CF/88 e nem a lei fazem referência expressa à vinculação do Distrito Federal, mas é evidente que ele também fica vinculado.
Lei n. 9.882/99, art. 10, § 3º: A decisão terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público”.
##Atenção: Veja que, ao referir-se aos “demais órgãos do Poder Público”, não está incluído o PODER LEGISLATIVO. [footnoteRef:130] [130: (TJPR-2017-CESPE): O juiz constitucional já não interpreta, no processo constitucional, de forma isolada: muitos são os participantes do processo; as formas de participação se ampliam acentuadamente. Os instrumentos de informação dos juízes constitucionais — não apesar, mas em razão da própria vinculação à lei — devem ser ampliados e aperfeiçoados, especialmente no que se refere às formas gradativas de participação e à própria possibilidade de participação no processo constitucional (especialmente nas audiências e nas “intervenções”). Devem ser desenvolvidas novas formas de participação das potências públicas pluralistas como intérpretes em sentido amplo da Constituição. Peter Häberle. Hermenêutica constitucional: a sociedade aberta dos intérpretes da Constituição. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 2000, p. 47-8 (com adaptações). Tendo o texto precedente como referência inicial, assinale a opção correta acerca dos modelos e dos diversos instrumentos de controle de constitucionalidade do ordenamento jurídico brasileiro. Será constitucional o processo legislativo em que assembleia legislativa aprove lei com idêntico conteúdo de norma declarada inconstitucional pelo STF em sede de controle abstrato. 
OBS: A eficácia geral e o efeito vinculante de decisão, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, só atingem os demais órgãos do Poder Judiciário e todos os do Poder Executivo, NÃO ALCANÇANDO o legislador, que pode editar nova lei com idêntico conteúdo normativo, sem ofender a autoridade daquela decisão." (RTJ 193/858, Rel. Min. CEZAR PELUSO)] 
Além disso, conforme exposto pela legislação, o EFEITO VINCULANTE está direcionado diretamente aos Poderes Públicos (Executivo e demais órgãos do Poder Judiciário), isto é, o efeito vinculante não se dirige diretamente AOS PARTICULARES. No entanto, atinge os particulares indiretamente, pois os poderes públicos não poderão mais aplicar a norma declarada inconstitucional.
Já a EFICÁCIA CONTRA TODOS atinge a todos diretamente, ou seja, não só os Poderes Públicos, como também os particulares.
Exemplo: Anteriormente à introdução do efeito vinculante no Direito brasileiro, caso o STF julgasse uma ADI procedente, significaria que a lei estava sendo declarada inconstitucional. Essa declaração de inconstitucionalidade produzia eficácia contra todos, pois a lei atacada estava retirada do ordenamento jurídico. Assim, o Judiciário não poderia aplicá-la, o Executivo não poderia executá-la e dois particulares não poderiam celebrar um contrato com fundamento na lei. A (in)existência de efeito vinculante era indiferente. 
Por seu turno, caso o STF julgasse a ADI improcedente,ele estava declarando que a lei era constitucional, mas como a decisão não era vinculante, o fato de o STF julgar improcedente a ADI, não impedia que outros Tribunais continuassem a declarar a lei inconstitucional no controle difuso. 
Agora, com a introdução do efeito vinculante, a declaração impede a produção de efeitos divergentes.
→ Como os órgãos Poderes Públicos são atingidos?
Obs. Apesar de a redação ser diferente na CF88, na Lei 9.868/99 e na Lei 9.882/99, essas regras valem para as três ações (ADI, ADC e ADPF).
a) Poder Judiciário
A decisão vincula todos os órgãos do Poder Judiciário, exceto o próprio STF. O STF não fica vinculado a sua própria decisão.
Porém, afirmar que o STF não fica vinculado a sua própria decisão não significa que: 
(i) uma Turma do Supremo possa dar uma decisão contrária à do Plenário; 
(ii) um Ministro, individualmente, possa dar uma decisão monocrática contrariando o entendimento adotado pelo Plenário; e 
(iii) o STF, após ter declarado uma lei inconstitucional, possa dizer que essa mesma lei é constitucional e que poderá voltar a ser aplicada novamente. 
Todavia, por não ficar vinculado, o Plenário do STF, caso seja novamente provocado, poderá alterar o entendimento a respeito de tese adotada em julgamento anterior.
Exemplo: o STF disse ser inconstitucional a extensão por lei da prerrogativa de foro após o término do mandato (ocorreu no CPP). Como ele declarou a inconstitucionalidade, essa norma não pode mais ser objeto de arguição no STF. Porém, se amanhã o legislador fizer uma nova alteração no CPP estendendo a prerrogativa de foro, por exemplo, ao Presidente da República após o término do mandato, nada impede que o STF decida de forma diferente. Ele poderá dizer que, em evolução jurisprudencial, entende que, neste momento, é mais adequado que esta prerrogativa de foro seja estendida após o término do exercício do mandato no caso do Presidente da República.
Obs.: Esse entendimento vale tanto para o controle abstrato, quanto para o controle difuso. Vejamos dois dispositivos do Regimento Interno do STF:
RISTF, art. 101: A declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, pronunciada por maioria qualificada, aplica-se aos novos feitos submetidos às Turmas ou ao Plenário, salvo o disposto no art. 103. 
RISTF, art. 103: Qualquer dos Ministros pode propor a revisão da jurisprudência assentada em matéria constitucional e da compendiada na Súmula, procedendo-se ao sobrestamento do feito, se necessário.
b) Poder Legislativo
O entendimento pacífico em relação à ADI e ADC, bem como majoritário em relação à ADPF, é o de que não há uma vinculação do Poder Legislativo.
Porém, destaque-se que, embora seja usual a afirmação de que o Poder Legislativo não fica vinculado às decisões do Supremo, a rigor, o que a decisão não vincula é a função legiferante. 
Exemplos de vinculação do Poder Legislativo:
(i) ADPF n. 378 (discussão sobre o impeachment de Dilma Rousseff): O STF proferiu decisão sobre o procedimento de impeachment (v.g. o Senado não está obrigado a receber, através da autorização da Câmara, o processo de impeachment e a julgá-lo, pois poderia realizar um juízo de admissibilidade por maioria absoluta). Essa decisão proferida na ADPF n. 378 é vinculante para o Senado, órgão do Poder Legislativo, pois neste caso não se trata de uma função legislativa, mas sim de uma função jurisdicional (julgamento do Presidente da República por crime de responsabilidade). Portanto, em relação à função jurisdicional, o Poder Legislativo fica vinculado às decisões do Supremo.
(ii) Súmula Vinculante 13 do STF, que trata do nepotismo (“A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.”). O membro do Poder Legislativo não poderá desrespeitar o contido no enunciado da súmula vinculante n. 13, pois a contratação de parentes não é função legislativa, mas a função administrativa. Portanto, em relação à função administrativa, o Poder Legislativo fica vinculado às decisões do Supremo.
##EM SUMA: O Poder Legislativo não é vinculado às decisões do Supremo tão somente em relação à função legislativa (função típica). Assim, o Poder Legislativo pode novamente legislar sobre matéria anteriormente declarada inconstitucional pelo STF. 
##Atenção: Acrescente-se que, essa nova lei, novamente, poderá ser objeto de controle de constitucionalidade pela Suprema Corte, a qual também não está vinculada. A razão dessa desvinculação da função legislativa é que, embora o STF seja o guardião da Constituição, as vias de mudança interpretativa devem permanecer abertas para permitir o diálogo institucional entre os poderes na busca por melhores soluções, de modo a evitar a chamada “FOSSILIZAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO”. O Estado de Direito é pautado pela lei. Todos devem se submeter a ela. Assim, a rigor, a não vinculação ocorre em relação à atividade legiferante e não ao poder legislativo em si, de modo que suas funções atípicas são atingidas pelo efeito vinculante.
b.1.) Efeito backlash
Efeito backlash, sinônimo de reação retrógrada ou reação legislativa ou leis in your face, é um termo que descreve a situação em que o Poder Legislativo reage a uma decisão do Poder Judiciário em sede de controle de constitucionalidade concentrado abstrato que invalidou uma determinada norma jurídica, legislando em sentido oposto ao que foi decidido. 
Tal fenômeno, segundo Klarman, reverte o princípio da presunção de constitucionalidade das leis, já nascendo a novel legislação inquinada com a presunção de inconstitucionalidade. 
Ex.: A decisão do STF que tornou admissível a união homoafetiva, e que agora está ameaçada pelo Estatuto da Família em tramitação no Congresso Nacional.
Vejamos a seguinte decisão do STF, veiculada no Info 810 do STF:
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF no julgamento de ADI, ADC ou ADPF possuem eficácia contra todos (erga omnes) e efeito vinculante (§ 2º do art. 102 da CF/88). 
O Poder Legislativo, em sua função típica de legislar, não fica vinculado. Assim, o STF não proíbe que o Poder Legislativo edite leis ou emendas constitucionais em sentido contrário ao que a Corte já decidiu. Não existe uma vedação prévia a tais atos normativos. O legislador pode, por emenda constitucional ou lei ordinária, superar a jurisprudência. Trata-se de uma REAÇÃO LEGISLATIVA à decisão da Corte Constitucional com o objetivo de reversão jurisprudencial. No caso de reversão jurisprudencial (reação legislativa) proposta por meio de emenda constitucional, a invalidação somente ocorrerá nas restritas hipóteses de violação aos limites previstos no art. 60, e seus §§, da CF/88. Em suma, se o Congresso editar uma emenda constitucional buscando alterar a interpretação dada pelo STF para determinado tema, essa emenda somente poderá ser declarada inconstitucional se ofender uma cláusula pétrea ou o processo legislativo para edição de emendas. No caso de reversão jurisprudencial proposta por lei ordinária, a lei que frontalmente colidir com a jurisprudência do STF nasce com presunção relativa de inconstitucionalidade, de forma que caberá ao legislador o ônus de demonstrar, argumentativamente, que a correção do precedente se afigura legítima. Assim, para ser considerada válida, o Congresso Nacional deverá comprovar que as premissas fáticas e jurídicas sobre as quais se fundou a decisão do STF no passado não mais subsistem. O Poder Legislativo promoverá verdadeira hipótese de mutação constitucional pela via legislativa. STF. Plenário. ADI 5105/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 1º/10/2015 (Info 801).[footnoteRef:131][131: (Anal. Legisl./ALESE-2018-FCC): No exercício do controle concentrado de constitucionalidade, o STF declarou a inconstitucionalidade de uma lei editada pelo Congresso Nacional, com efeitos ex tunc. Não satisfeito com a decisão, o Poder Legislativo edita nova lei, com conteúdo idêntico à lei tida por inconstitucional pelo STF. Essa nova lei deverá, para que possa ser retirada do ordenamento jurídico pelo Poder Judiciário, ser objeto de novo controle concentrado de constitucionalidade, uma vez que o efeito vinculante das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF nas ações diretas de inconstitucionalidade não atinge o Poder Legislativo. BL: Info 801, STF.
(TJPR-2017-CESPE): O juiz constitucional já não interpreta, no processo constitucional, de forma isolada: muitos são os participantes do processo; as formas de participação se ampliam acentuadamente. Os instrumentos de informação dos juízes constitucionais — não apesar, mas em razão da própria vinculação à lei — devem ser ampliados e aperfeiçoados, especialmente no que se refere às formas gradativas de participação e à própria possibilidade de participação no processo constitucional (especialmente nas audiências e nas “intervenções”). Devem ser desenvolvidas novas formas de participação das potências públicas pluralistas como intérpretes em sentido amplo da Constituição. Peter Häberle. Hermenêutica constitucional: a sociedade aberta dos intérpretes da Constituição. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 2000, p. 47-8 (com adaptações). Tendo o texto precedente como referência inicial, assinale a opção correta acerca dos modelos e dos diversos instrumentos de controle de constitucionalidade do ordenamento jurídico brasileiro. Será constitucional o processo legislativo em que assembleia legislativa aprove lei com idêntico conteúdo de norma declarada inconstitucional pelo STF em sede de controle abstrato. BL: Info 801, STF.
OBS: A eficácia geral e o efeito vinculante de decisão, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, só atingem os demais órgãos do Poder Judiciário e todos os do Poder Executivo, NÃO ALCANÇANDO o legislador, que pode editar nova lei com idêntico conteúdo normativo, sem ofender a autoridade daquela decisão." (RTJ 193/858, Rel. Min. CEZAR PELUSO.] 
Sendo assim, o Poder Legislativo, na sua função típica de legislar, não está vinculado às decisões proferidas em sede de controle concentrado de constitucionalidade pelo STF. A referida não vinculação visa evitar a petrificação do direito posto e a denominada “FOSSILIZAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO”, uma vez que seria inviável o direito acompanhar a evolução social através de mudanças legislativas vedadas em sua gênese por confrontarem o entendimento jurisprudencial dominante. Assim, diante de inequívocas mudanças nas premissas fáticas, jurídicas e axiológicas que nortearam a aferição de inconstitucionalidade de determinada norma pelo STF, é possível a propositura de lei de igual teor ulteriormente pelo Congresso Nacional, configurando autêntica reação legislativa à decisão proferida pelo STF. Tal reação caracteriza assim uma forma de ativismo congressual com o objetivo de reverter situações de autoritarismo judicial pelo STF. Logo, o projeto de lei em questão, caso satisfeita as condições acimas delineadas, caracteriza, autêntica mutação constitucional pela via legislativa, amparada pelo princípio da separação harmônica entre os poderes.
##CUIDADO: Além de muitos manuais assim dizerem, também em questões objetivas é comum ter como alternativa correta a “ausência de vinculação do Poder Legislativo”.
c) Poder Executivo
EM REGRA, o Poder Executivo (Administração Pública) fica vinculado ao tratar-se de suas funções típicas (função administrativa). 
Entretanto, EXCEPCIONALMENTE, o Chefe do Poder Executivo não fica vinculado em relação à sua função legiferante – atividades referentes ao processo legislativo (v.g. apresentação de projeto de lei, sanção de projeto de lei, edição de medida provisória e de lei delegada e celebração de tratados e convenções internacionais).
Exemplo: O fato de o STF ter declarado uma lei inconstitucional não impede o Presidente da República de fazer um projeto de lei tratando daquele assunto de forma contrária ao entendimento do STF.
##EM RESUMO: A decisão do STF não vincula o próprio STF e a função legiferante. As demais funções administrativas e jurisdicionais ficam vinculadas, independentemente de ser do Judiciário, do Legislativo e do Executivo.
7.3.3. Quanto à eficácia objetiva (partes da decisão)
A eficácia objetiva refere-se às partes da decisão que produzem os efeitos “erga omnes” e vinculante.
Toda a decisão judicial possui três partes:
· Relatório;
· Fundamentação;
· Dispositivo.
a) Relatório
Não possui efeito vinculante.
b) Fundamentação
A rigor, a fundamentação é que atribui significado à Constituição, pois é nela que o STF interpreta o dispositivo constitucional. 
Por isso, de acordo com a tese da “TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS” (“EFEITO TRANSCENDENTE DOS MOTIVOS DETERMINANTES”), não apenas o dispositivo da decisão é vinculante, como também os motivos determinantes que levaram o Tribunal àquele resultado. Para os adeptos desta teoria, tais motivos devem transcender à decisão na qual foram suscitados, de modo a atingir também as decisões de casos futuros sobre o mesmo tema.
Veja-se que, segundo essa teoria, nem tudo o que está na fundamentação teria efeito vinculante A fundamentação é composta por questões: 
(i) “ratio decidendi” ou “holding”: São as razões determinantes para que o tribunal decida naquele sentido. Se tirar uma daquelas premissas não se chega àquela conclusão. 
(ii) “obiter dicta”: São questões ditas de passagem (acessórias do julgado). 
Nesse passo, apenas as questões “RATIO DECIDENDI”, ou seja, as razões determinantes para que o tribunal decida naquele sentido, seriam vinculantes. 
A teoria extensiva defende que os motivos determinantes da decisão também deve ter efeito vinculante. O STF, embora já tenha adotado a tese dos efeitos transcendentes dos motivos determinantes em alguns julgados, atualmente, a tem rejeitado, prevalecendo a teoria restritiva (Rcl n. 3014/SP; Rcl n. 2990-AgR; Rcl. 2475-AgR). Em outras palavras, nos dias atuais, o STF entende que as questões “ratio decidendi” da fundamentação também não são vinculantes.
O STF, recentemente, pronunciou-se sobre o tema, em julgados veiculados nos Infos 808 e 887, sintetizado pelo Dizer o Direito, vejamos:
O STF não admite a “teoria da transcendência dos motivos determinantes”. Segundo a teoria restritiva, adotada pelo STF, somente o dispositivo da decisão produz efeito vinculante. Os motivos invocados na decisão (fundamentação) não são vinculantes. A reclamação no STF é uma ação na qual se alega que determinada decisão ou ato: 
• usurpou competência do STF; ou 
• desrespeitou decisão proferida pelo STF. 
Não cabe reclamação sob o argumento de que a decisão impugnada violou os motivos (fundamentos) expostos no acórdão do STF, ainda que este tenha caráter vinculante (ex: ADI). Isso porque apenas o dispositivo do acórdão é que é vinculante. Assim, diz-se que a jurisprudência do STF é firme quanto ao não cabimento de reclamação fundada na transcendência dos motivos determinantes do acórdão com efeito vinculante. STF. Plenário. Rcl 8168/SC, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, j. 19/11/15 (Info 808). STF. 2ª Turma. Rcl 22012/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, red. p/ ac. Min. Ricardo Lewandowski, j. 12/9/17 (Info 887).[footnoteRef:132]-[footnoteRef:133] [132: (MPSP-2019): Assinale a alternativa correta: A jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal se consolidou no sentido de ser incabível reclamação fundada na teoria da transcendência dos motivos determinantes de acórdão com efeito vinculante. BL: Info 887, STF.] [133: ##Atenção: Tema cobrado na prova da DPESP-2015 (FCC).] 
##Questiona-se: Existe diferença entre efeito erga omnes e vinculante?Para a teoria extensiva, o efeito erga omnes atinge a parte dispositiva da decisão, enquanto o efeito vinculante atinge também a parte da fundamentação da decisão. Desta forma, pode-se dizer que esta teoria admite a transcendência dos motivos determinantes. Vale ressaltar que o STF, por diversas vezes, já deixou de aplicar esta tese da "transcendência dos motivos determinantes". A teoria restritiva, por sua vez, não vê diferenças substanciais entre efeito erga omnes e vinculante, defendendo que apenas a parte dispositiva da decisão possui efeito vinculante. Essa foi a diferença em termos objetivos. Entretanto, em termos subjetivos (ou seja, quanto ao aspecto subjetivo da decisão), conforme explica o autor Bernardo Gonçalves Fernandes, tem-se que enquanto o efeito erga omnes atinge particulares e o Poder Público, o efeito vinculante se especifica, de modo a atingir o Poder Judiciário e a Administração Pública no nível federal, estadual e municipal, embora de forma indireta ele, por obvio, alcance os particulares.
##Obs.: O professor Marcelo Novelino refere que, com o advento do NCPC, no qual há uma valorização dos precedentes, a questão poderá ser reaberta no STF, a despeito dos problemas de ordem prática (v.g. votos com resultados iguais, mas com fundamentações distintas – modelo agregativo).
c) Dispositivo
Pacificamente, produz eficácia contra todos (“erga omnes”) e efeito vinculante.
7.3. Eficácia Temporal
A eficácia temporal atine-se à produção de efeitos da decisão. Se ela produz efeitos desde logo, se são ex nunc ou ex tunc.
7.3.1. Obrigatoriedade
Independentemente da produção de efeitos ser ex nunc ou ex tunc, a obrigatoriedade para o cumprimento de uma decisão proferida em ADI, ADC e ADPF É SEMPRE a partir da publicação do dispositivo da decisão. É necessário que o dispositivo da decisão seja publicado no Diário da Justiça (DJ) e no Diário Oficial da União (DOU), assim como ocorre com a liminar. 
A razão disso é que as decisões das ações do controle concentrado, as quais não possuem partes formais, atingem a todos como se fossem uma lei (segundo Kelsen, o Tribunal atua como um legislador negativo ao declarar uma lei inconstitucional). Assim, para que as pessoas tenham conhecimento (ainda que “ficto”) da “decisão revogadora”, é necessário que ela seja publicada. Vejamos o teor do art. 28 da Lei 9.868/99:
Lei n. 9.868/99, art. 28: Dentro do prazo de dez dias após o trânsito em julgado da decisão, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União a parte dispositiva do acórdão.
7.3.2. Eficácia “ex nunc” ou “ex tunc” (##Atenção: Caiu na prova do TJRJ-2019)
##Questiona-se: Para compreender a regra adotada quanto à eficácia temporal, é oportuno lembrar a teoria adotada pelo STF em relação à natureza da lei declarada inconstitucional: é um ato inexistente, nulo ou anulável?
· INEXISTENTE (Seabra Fagundes): A lei inconstitucional é um ato inexistente em termos de pertinência ao ordenamento jurídico (inexistente dentro do ordenamento jurídico). Justifica-se no fato de que toda norma, para pertencer a um ordenamento jurídico, deve ser elaborada de acordo com seu fundamento de validade (CF). Embora, em tese, adequada, gera grandes problemas de ordem prática. Tese minoritária.
· ANULÁVEL (Hans Kelsen): Por ter a lei presunção de constitucionalidade, é necessário que um Tribunal a declare inconstitucional para ser invalidada e deixar de produzir efeitos. Nesta concepção, a decisão não é declaratória, mas constitutiva. Tese minoritária.
· NULO (doutrina, STF e jurisprudência norte-americanas): A lei inconstitucional possui um vício de origem. A decisão tem natureza meramente declaratória. Tese majoritária.[footnoteRef:134] [134: (TJRJ-2019-VUNESP): Assinale a alternativa correta no que se refere aos efeitos da decisão judicial no controle abstrato de constitucionalidade: No direito brasileiro, no tocante ao controle abstrato, o entendimento adotado é de que a lei inconstitucional é existente, porém nula, e a decisão que a reconhece tem natureza declaratória, com efeitos, em regra, retroativos. BL: art. 11 da Lei 9.882/99 e art. 27 da Lei 9.868/99 e entendimento jurisprud. STF.
##Atenção: No Direito brasileiro, o entendimento adotado é de que a lei é existente, porém nula. O STF adota a teoria da nulidade, de origem norte-americana, onde a norma já nasce eivada de nulidade, ou seja, a regra é o efeito ex tunc no controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade do ato impugnado, bem como retirando todos os seus efeitos desde o início de sua vigência. Cumpre ressaltar que Hans Kelsen adotou a teoria da anulabilidade, ou seja, a regra é o efeito ex nunc, sendo assim, a norma seria retirada do ordenamento jurídico a partir da publicação da parte dispositiva da decisão no diário de justiça, mas seus efeitos pretéritos são conservados. Esta é a exceção, segundo o art. 27 da 9.868/99 e o art. 11 da Lei n. 9.882/99, que disciplinam que, diante de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o STF, por maioria de 2/3 de seus membros, restringir os efeitos daquela decisão (ex nunc) ou decidir que ela só tenha eficácia a partir do seu trânsito em julgado ou do outro momento que venha a ser fixado (efeito pró-futuro).] 
Para o STF, a lei inconstitucional é um ATO NULO. Se a lei possui um vício de origem (nasce morta), o efeito da decisão, em regra, é retroativo (“ex tunc”). Portanto, A REGRA no direito brasileiro é o efeito “EX TUNC” (retroativo). A decisão é válida não somente da decisão em diante, como também retroage ao momento de vigência da lei. Vejamos precedente do STF:
STF – ADI 875/DF: (…) o princípio da nulidade continua a ser a regra também no direito brasileiro. O afastamento de sua incidência dependerá de um severo juízo de ponderação que, tendo em vista análise fundada no princípio da proporcionalidade, faça prevalecer a ideia de segurança jurídica ou outro princípio constitucional manifestado sob a forma de interesse social relevante. 
Essa regra POSSUI EXCEÇÕES, caso haja modulação dos efeitos da decisão. Essa modulação poderá atribuir os seguintes efeitos:
· “EX NUNC”: a lei é considerada válida até a decisão;
· “PRO FUTURO”: estabelece-se um momento futuro no qual a decisão começará a produzir efeitos.
Conforme o precedente acima transcrito, embora a lei seja um ato nulo, admite-se A MODULAÇÃO TEMPORAL DOS EFEITOS DA DECISÃO. Os princípios da segurança jurídica ou os manifestados sob a forma de interesse social relevante, podem justificar que o princípio da nulidade seja afastado em determinadas circunstâncias. Assim, EXCEPCIONALMENTE, pode o STF conferir à decisão efeito “EX NUNC” (retirada de eficácia da norma a partir da decisão) ou “PRO FUTURO” (estabelecimento de um momento futuro a partir do qual a decisão começará a produzir efeitos). 
Tal possibilidade de modulação está prevista nas Leis nº 9.868/99 e nº 9.882/99, as quais exigem DOIS REQUISITOS BÁSICOS:
i. Quórum de 2/3 dos Ministros (oito dos 11 ministros); 
##Obs.: Atente-se que não é por maioria absoluta, como no caso da decisão principal de declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade;
ii. Razões de segurança jurídica ou ao excepcional interesse social: o princípio da nulidade deve ser afastado pela aplicação de outros princípios, atrelados à segurança jurídica ou excepcional interesse social.
Lei n. 9.868/99, art. 27: Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.[footnoteRef:135] [135: (MPSC-2019): Para a modulação temporal dos efeitos da decisão que declara a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo devem ser observados dois requisitos, a saber: razões desegurança jurídica ou de excepcional interesse social, e o quórum de dois terços dos membros do Tribunal. BL: art. 27 da Lei 9868/99.
(Proc. Juríd.-SISPREM/RS-2015-FUNDATEC): Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, pode o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. A hipótese citada e legalmente prevista (Lei nº 9.868/1999) trata de: Modulação de efeitos da decisão. BL: art. 27 da Lei 9868/99.] 
Lei n. 9.882/99, art. 11: Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, no processo de argüição de descumprimento de preceito fundamental, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.
Vejamos a ementa do seguinte julgado do STF, que resume, de forma didática, o que se entende por modulação temporal dos efeitos da decisão:
A modulação temporal das decisões em controle judicial de constitucionalidade decorre diretamente da Carta de 1988 ao consubstanciar instrumento voltado à acomodação otimizada entre o princípio da nulidade das leis inconstitucionais e outros valores constitucionais relevantes, notadamente a segurança jurídica e a proteção da confiança legítima, além de encontrar lastro também no plano infraconstitucional (Lei nº 9.868/99, art. 27)." (ADI 4.425-QO, rel. min. Luiz Fux, julgamento em 25-3-2015, Plenário, DJE de 4-8-2015.)[footnoteRef:136] [136: (PCMS-2017-FAPEMS): Sobre o controle de constitucionalidade exercido pelo Supremo Tribunal Federal, afirma-se que o STF tem recorrido a diversas técnicas de decisão chamadas de sentenças intermediárias. A expressão sentença intermediária "compreende uma diversidade de tipologia de decisões utilizadas pelos Tribunais Constitucionais e/ou Cortes Constitucionais em sede de controle de constitucionalidade, com o objetivo de relativizar o padrão binário do direito (constitucionalidade/inconstitucionalidade)". FERNANDES, Bernardo. Curso de Direito Constitucional. 9a. ed. Salvador: Juspodivm. 2017, p. 1.578. Sobre tais técnicas, verifica-se que a modulação temporal foi amplamente utilizada no julgamentos das Ações Diretas de Inconstitucionalidade 4.357 e 4.425 (25/3/2015), referentes ao sistema de precatórios da Emenda Constitucional n° 62 de 2009. ] 
Exemplo de decisão com efeito “EX NUNC”: 
STF – ADI 4.029/AM: […] O Tribunal acolheu questão de ordem suscitada pelo Advogado-Geral da União, para, alterando o dispositivo do acórdão da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.029, ficar constando que o Tribunal julgou improcedente a ação, com declaração incidental de inconstitucionalidade do artigo 5º, caput, artigo 6º, §§ 1º e 2º, da Resolução nº 01/2002, do Congresso Nacional, com eficácia ex nunc em relação à pronúncia dessa inconstitucionalidade… 
Na ADI n. 4029/AM, que tinha como objeto a medida provisória que criou o Instituto Chico Mendes, o STF declarou, de ofício e incidentalmente, a inconstitucionalidade de uma resolução do Congresso Nacional que contrariava o disposto no artigo 62, § 9º da CF (“Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional”). 
Para evitar que mais de quinhentas medidas provisórias também fossem questionadas, por terem sido aprovadas com o mesmo procedimento, o STF, por razões de segurança jurídica, modulou os efeitos temporais da decisão, conferindo-lhe eficácia “ex nunc”.
Exemplo de decisão com efeito “PRO FUTURO”:
STF – ADI 1842/RJ: [...] 6. Modulação de efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Em razão da necessidade de continuidade da prestação da função de saneamento básico, há excepcional interesse social para vigência excepcional das leis impugnadas, nos termos do art. 27 da Lei n. 9868/1998, pelo prazo de 24 meses, a contar da data de conclusão do julgamento, lapso temporal razoável dentro do qual o legislador estadual deverá reapreciar o tema… 
##Atenção: ##Jurisprudência: Vejamos o teor do seguinte julgado do STF, veiculado no Info 780:
O STF, ao apreciar uma ADI, julgou que determinada lei é inconstitucional. No dia que ocorreu o julgamento, havia apenas 10 Ministros presentes. Na oportunidade, discutiu-se se deveria haver ou não a modulação dos efeitos da decisão. 7 Ministros votaram a favor, mas como são necessários, no mínimo, 8 votos, a proposta de modulação foi rejeitada e o resultado final do julgamento foi proclamado. No dia seguinte, o Ministro que estava ausente compareceu à sessão e afirmou que era favorável à modulação dos efeitos da decisão que declarou a lei inconstitucional no dia anterior. Diante disso, indaga-se: é possível que o Plenário reabra a discussão sobre a modulação? 
NÃO. Depois da proclamação do resultado final, o julgamento deve ser considerado concluído e encerrado e, por isso, mostra-se inviável a sua reabertura para discutir novamente a modulação dos efeitos da decisão proferida. A análise da ação direta de inconstitucionalidade é realizada de maneira bifásica: 
a) primeiro, o Plenário decide se a lei é constitucional ou não; e 
b) em seguida, se a lei foi declarada inconstitucional, discute-se a possibilidade de modulação dos efeitos. 
Para isso, são necessários 08 votos favoráveis à modulação (maioria qualificada de 2/3). Uma vez encerrado o julgamento e proclamado o resultado, inclusive com a votação sobre a modulação (que não foi alcançada), não há como reabrir o caso, ficando preclusa a possibilidade de reabertura para deliberação sobre a modulação dos efeitos. 
STF. Plenário. ADI 2949 QO/MG, rel. orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 8/4/2015 (Info 780).
##Atenção: ##STF: ##Info 918: ##DOD: Segundo o STF, é possível a decretação, de ofício, da modulação dos efeitos da decisão proferida em ADI (entendimento aplicável também à ADC e à ADPF):
Caso o STF, ao julgar uma ADI, ADC ou ADPF, declare a lei ou ato normativo inconstitucional, ele poderá, de ofício, fazer a modulação dos efeitos dessa decisão. Ex: no julgamento de uma ADI, o STF decidiu que determinado artigo de lei é inconstitucional. Um dos legitimados do art. 103 da CF/88 opôs embargos de declaração pedindo a modulação dos efeitos. Ocorre que o STF considerou que esses embargos eram intempestivos. O STF, mesmo não conhecendo dos embargos, poderá decretar a modulação dos efeitos da decisão. STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 2/10/18 (Info 918).
7.4. Técnicas de Decisão
Serão analisadas quatro técnicas de decisão atinentes ao controle abstrato (obs.: no controle concreto não se fala em técnicas de decisão):
· Declaração de inconstitucionalidade com redução parcial/total de texto;
· Declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto;
· Interpretação conforme a constituição;
· Declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade.
7.4.1. Declaração de inconstitucionalidade com redução parcial/total de texto[footnoteRef:137] [137: ##Atenção: Cobrado no seguinte concurso: i) TRF4-2009 (banca própria).] 
A declaração de inconstitucionalidade com redução texto pode ser com redução total ou parcial de texto:
· TOTAL: É a técnica mais usual, na qual o STF declara toda a lei inconstitucional, normalmente diante de um vício formal de competência legislativa.
· PARCIAL: Aqui há uma redução parcial do texto.
##Atenção: Conforme visto, é distinta do veto parcial. Ao contrário do que ocorre com o veto parcial (CF, art. 66, § 2º), na declaração de inconstitucionalidade com redução parcial de texto o STF poderá declararinconstitucional apenas uma palavra ou uma expressão, desde que não modifique o sentido restante do dispositivo.
##Atenção:Na declaração de inconstitucionalidade com redução parcial/total de texto, o Tribunal atua como um legislador negativo (expressão de Hans Kelsen). É como se estivesse revogando total ou parcialmente uma lei já existente.
Exemplo de declaração de inconstitucionalidade com redução parcial de texto: A CF/88 diz no art. 125, §2º, que o Tribunal de Justiça pode exercer o controle abstrato, através da representação de inconstitucionalidade, tendo como parâmetro a Constituição do respectivo Estado. A Constituição do Estado de Minas Gerais dizia que o TJ poderia exercer o controle abstrato tendo como parâmetro não só a constituição do Estado, como também a CF/88. Ao analisar esta ADI, o STF declarou a expressão “e da CF” inconstitucional. 
STF - ADI 508/MG: Ação Direta julgada procedente, pelo STF, para declarar a inconstitucionalidade das expressões “e da Constituição da República” e “em face da Constituição da República”, constantes do art. 106, alínea "h", e do parágrafo 1° do art. 118, todos da Constituição de Minas Gerais.
##CUIDADO: Recentemente, o STF decidiu que o controle realizado pelo TJ poderá ter como parâmetro norma da Constituição Federal, desde que seja uma norma de observância obrigatória pelos Estados, decisão essa em sede de repercussão geral, veiculada no Info 852:
Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis municipais utilizando como parâmetro normas da Constituição Federal, desde que se trate de normas de reprodução obrigatória pelos estados. STF. Plenário. RE 650898/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, j. 1º/2/17 (repercussão geral) (Info 852).[footnoteRef:138] [138: (MPMT-2019-FCC): De acordo com disposições normativas pertinentes e o entendimento do STF acerca do controle de constitucionalidade no direito brasileiro, Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis municipais utilizando como parâmetro normas da Constituição Federal, desde que se trate de normas de reprodução obrigatória pelos estados. BL: Info 852, STF.
(MPGO-2019): Com relação ao controle de constitucionalidade no plano estadual, assinale a alternativa correta: No controle de constitucionalidade concentrado-principal nos Estados, o STF entende que a competência é dos Tribunais de Justiça, quando o parâmetro de controle for a Constituição do Estado, ainda que se trate de normas de reprodução obrigatória. BL: Info 852, STF.
(TJRS-2018-VUNESP): Conforme já decidido pelo STF, em matéria de controle de constitucionalidade, inexiste usurpação de competência do STF quando os Tribunais de Justiça analisam, em controle concentrado, a constitucionalidade de leis municipais ante normas constitucionais estaduais que reproduzam regras da Constituição Federal que sejam de observância obrigatória. BL: Info 852, STF.
(Aud. Fiscal Tributos Estaduais/SEFIN-RO-2018-FGV): O Tribunal de Justiça do Estado Alfa foi instado a realizar o controle concentrado de constitucionalidade de lei do Município Beta. O autor da ação argumentava que teriam sido violados: (I) o Art. 10 da Constituição Estadual, que reproduzia literalmente preceito da Constituição da República; e (II) o Art. 39 da Constituição da República, pois é considerada norma de reprodução obrigatória, e a Constituição Estadual sujeitou os servidores às “normas constitucionais que lhes sejam aplicáveis”. Considerando o paradigma de confronto passível de ser utilizado pelo Tribunal de Justiça no controle concentrado de constitucionalidade, assinale a afirmativa correta: A ação pode ser conhecida em relação a ambos os fundamentos, pois o Tribunal de Justiça pode utilizar como parâmetro as normas da Constituição Estadual e as da Constituição da República de reprodução obrigatória. 
(TJSC-2017-FCC): De acordo com a jurisprudência do STF e com as normas da CF/88 a respeito das limitações ao Poder Constituinte dos Estados-membros, é admissível que emenda à Constituição estadual estabeleça a competência do Tribunal de Justiça do Estado para julgar ações diretas de inconstitucionalidade de leis municipais em face da Constituição estadual, ainda que a norma constitucional violada também conste da Constituição Federal e seja de observância obrigatória por todos os entes federados.
(PGM-Salvador-2015-CESPE): A omissão pela Constituição estadual de norma constitucional federal de reprodução obrigatória não impede o controle mediante ação direta contra lei municipal em face dos preceitos omitidos.] 
Desse modo, não devemos confundir as coisas, pois na ADI 508/MG, acima citada, o que se impediu é ter como parâmetro qualquer norma da CF/88, de reprodução obrigatória ou não.
7.4.2. Declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto
Ocorre quando o STF declara inconstitucional não uma parte do texto da norma, mas sim determinada interpretação, afastando um sentido (decidido ser inconstitucional) e permitindo os demais.
A referida técnica é plenamente admitida pelo STF, consistindo no reconhecimento da inconstitucionalidade de uma das possíveis hipóteses abrangidas pela norma objeto de controle, declarando-se a inconstitucionalidade, sem necessidade de reduzir-se o texto da norma, que para as demais hipóteses é compatível com a Constituição.[footnoteRef:139] [139: ##Atenção: Cobrado no seguinte concurso: i) TRF4-2009 (banca própria).] 
7.4.3. Interpretação conforme a Constituição[footnoteRef:140] [140: (TCECE-2015-FCC): Em sede de ação direta de inconstitucionalidade, admite-se a utilização das técnicas de decisão denominadas interpretação conforme à constituição e declaração de nulidade parcial sem redução de texto. BL: art. 28, § único, da Lei 9.868/99.] 
Ocorre quando o STF declara a inconstitucionalidade não do texto da norma, mas de determinada interpretação, de forma que confere um sentido (tido por constitucional) e afasta os demais.
No direito brasileiro, a Interpretação conforme a Constituição tem sido empregada em 2 sentidos: compreendida como um princípio interpretativo da legislação infraconstitucional, que deve ser interpretada à luz dos princípios e regras constitucionais, e como uma técnica de decisão judicial, hipótese em que a interpretação conforme a Constituição se manifesta em 3 concepções: 
1) impõe um determinado sentido interpretativo em detrimento dos demais (interpretação conforme propriamente dita); 
2) exclui determinada interpretação considerada inconstitucional (caso em que interpretação conforme equivale à declaração de nulidade parcial sem redução de texto); ou 
3) afasta a incidência de uma determinada norma, validamente extraível do enunciado legislativo, em uma determinada situação concreta, em razão de suas peculiaridades.
Então, perceba, que a Interpretação conforme a Constituição, em um dos seus sentidos, é equiparada a uma declaração de nulidade sem redução de texto.
Para Gilmar Mendes, ao fixar como constitucional dada interpretação da norma, a decisão não declara a inconstitucionalidade de todas as outras possíveis interpretações da norma, daí a situação constitucional imperfeita.[footnoteRef:141]-[footnoteRef:142] [141: MENDES, Gilmar Ferreira; et. al. Curso de Direito Constitucional. 2ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 1252-1253.] [142: ##Atenção: Cobrado nos seguintes concursos: i) TJSP-2018 (VUNESP); TJCE-2018 (CESPE) e ii) TJSC-2019 (CESPE).] 
Desse modo, podemos dizer que situação constitucional perfeita é aquela em que a norma é constitucional em todos os aspectos. Em sentido contrário, situação constitucional imperfeita é a que a norma não é nem constitucional, nem inconstitucional. Assim, tanto na interpretação conforme, quanto na declaração de nulidade parcial sem redução de texto, há situações de constitucionalidade imperfeita, pois como a norma possui muitos significados, dentre eles os que são constitucionais e os que não o são, a lei não seria nem plenamente constitucional, nem plenamenteinconstitucional.[footnoteRef:143]- [footnoteRef:144] [143: (TJSC-2019-CESPE): A respeito de métodos de interpretação constitucional e do critério da interpretação conforme a constituição, assinale a opção correta: A interpretação conforme a constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto são exemplos de situações constitucionais imperfeitas.
(TJCE-2018-CESPE): A interpretação conforme a Constituição é um tipo de situação constitucional imperfeita, pois somente atenua a declaração de nulidade em caso de inconstitucionalidade.] [144: (TRF4-2009): Assinale a alternativa correta: A técnica da interpretação conforme a Constituição sem redução de texto admite as variantes da exclusão de interpretação inconstitucional e da opção por uma determinada interpretação.] 
Vale ressaltar que a jurisprudência do STF considera como técnicas equivalentes a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto e a interpretação conforme a Constituição no âmbito do controle abstrato. Porém, essas duas técnicas possuem pontos em comum e diferenças. Vejamos elas:
· PONTOS EM COMUM:
1º ponto em comum: 
A doutrina afirma que as duas técnicas só podem ser utilizadas no caso de normas polissêmicas ou plurissignificativas.[footnoteRef:145] São expressões utilizadas para designar dispositivos que possuem mais de um significado possível. [145: (DPEAL-2009-CESPE): A respeito da interpretação das normas constitucionais, julgue o item seguinte: A técnica da interpretação conforme somente pode ser utilizada diante de normas polissêmicas.] 
Exemplo: Segundo o STF, a união estável poderia ser interpretada como exclusiva para uniões heteroafetivas ou ser interpretada tanto para uniões heteroafetivas quanto para uniões homoafetivas. Portanto, de acordo com o STF, havia duas interpretações possíveis, mas o Tribunal optou pela segunda.
2º ponto em comum: 
Em ambas as hipóteses, há uma redução do âmbito de aplicação do dispositivo. Para a utilização de tais técnicas de decisão a norma deve ser polissêmica (pode gerar duas normas distintas). A partir do momento em que é realizada uma interpretação conforme ou uma declaração de nulidade sem redução de texto, uma ou mais possibilidades são excluídas.
3º ponto em comum: 
Nos dois casos, não há alteração do texto normativo, o qual permanece inalterado. O que muda é a interpretação.
· DIFERENÇAS:
1ª diferença: Quanto à utilização: 
(i) a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto é uma técnica utilizada apenas no controle concentrado abstrato (técnica de decisão). O juiz, no âmbito do controle difuso incidental, não poderá declarar a inconstitucionalidade sem redução de texto, porque o objeto do pedido é a proteção de um direito subjetivo (no qual apenas reconhece-se o vício e afasta determinada interpretação naquele caso concreto, de forma que não há uma declaração de inconstitucionalidade). Por isso, declaração de nulidade sem redução de texto é uma técnica exclusiva do controle concentrado abstrato.
(ii) a interpretação conforme a Constituição pode ser utilizada no controle concentrado abstrato e no controle difuso incidental. A interpretação conforme não só é uma técnica de decisão, como também é um princípio de interpretação da Constituição.
2ª diferença: Quanto ao sentido:
(i) na declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, se afasta um sentido incompatível com a CF (inconstitucional) e permite-se os demais.
(ii) na interpretação conforme a Constituição, o STF confere um sentido constitucional e afasta/exclui os demais.
##Obs.: Afastar um sentido e permitir os demais e conferir um sentido e afastar os demais são situações distintas. Serão iguais somente se o dispositivo possuir apenas duas interpretações possíveis. 
Exemplo de precedente1: ADI 3.685/DF: O TSE fixou a regra da verticalização, adotando o entendimento de que, se os partidos fazem uma coligação no âmbito federal, no âmbito regional a coligação deveria ser composta pelos mesmos partidos. Esse entendimento foi próximo às eleições de 2006, mas dentro do período de um ano após sua vigência. A fim de impedir isso, o legislador estatuiu o fim da verticalização por meio da EC 52/06, porém a emenda se deu antes de um ano das eleições de 2006. O STF decidiu que nenhuma cláusula pétrea impede que a verticalização seja extinta, mas há uma cláusula pétrea que impede que leis ou emendas não podem modificar as regras eleitorais dentro do período de um ano das eleições. Assim, o STF fez uma interpretação conforme a constituição (art. 16, CF) no sentido de que a EC 52/06 é válida, mas somente nas eleições seguintes à de 2006. Vejamos trecho da ementa da ADI 3.685/DF, julgada pelo STF:
ADI 3.685/DF (Julgamento: 22/03/2006): Pedido que se julga procedente para dar interpretação conforme no sentido de que a inovação trazida no art. 1º da EC 52/06 [“fim da verticalização”] somente seja aplicada após decorrido um ano da data de sua vigência.
Exemplo de precedente2: ADPF 132/RJ: Fez-se uma interpretação conforme a Constituição para excluir do art. 1.723 do CC qualquer o significado que impeça o reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como família. Vejamos trecho da ementa da ADPF 132/RJ, julgada pelo STF:
ADPF 132/RJ (…) Ante a possibilidade de interpretação em sentido preconceituoso ou discriminatório do art. 1.723 do CC, não resolúvel à luz dele próprio, faz-se necessária a utilização da técnica de interpretação conforme a constituição. Isso para excluir do dispositivo em causa qualquer significado que impeça o reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como família. Reconhecimento que é de ser feito segundo as mesmas regras e com as mesmas consequências da união estável heteroafetiva.[footnoteRef:146] [146: (TCEAM-2013-FCC): Diante da "possibilidade de interpretação em sentido preconceituoso ou discriminatório do art. 1.723 do Código Civil", que reconhece como entidade familiar "a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família", o STF, ao apreciar sua constitucionalidade, à luz do princípio da igualdade, deu-lhe interpretação de forma a "excluir do dispositivo em causa qualquer significado que impeça o reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como família" (ADI 4.277 e ADPF 132, Rel. Min. Ayres Britto, Plenário, DJE de 14-10-11). Nesta hipótese, o STF procedeu à interpretação conforme a Constituição do art. 1.723 do Código Civil.
(PGEPA-2011): Na ADPF 132, o STF, após conhecê-la, à unanimidade, como ação direta de inconstitucionalidade para julgá-la em conjunto à ADI 4277, reconheceu assistir, a qualquer pessoa, o direito fundamental à orientação sexual, havendo proclamado, por isso mesmo, a plena legitimidade jurídica da união homoafetiva como entidade familiar, estendendo-lhe, em consequência, o mesmo regime jurídico aplicável à união estável entre pessoas de gêneros distintos.] 
Perceba como o STF confunde os conceitos de interpretação conforme e declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. 
Embora tenha feito uma interpretação conforme, o STF disse isso não para fixar um sentido, ou seja, conferir um sentido constitucional e afastar os demais (finalidade da interpretação conforme a constituição), mas sim para excluir um sentido, ou seja, afastar um sentido incompatível e permitir os demais (finalidade da declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto).
##Questiona-se: Qual é a natureza jurídica da interpretação conforme a Constituição? Vejamos o quadro abaixo:
	TEORIAS SOBRE A NATUREZA JURÍDICA DA “INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO”
	Princípio interpretativo.
	- É apenas um dos instrumentos hermenêuticos disponíveis ao intérprete, não estando necessariamente relacionada à atividade de controle de constitucionalidade.
	Técnica decisória de controle de constitucionalidade.
	- É apenas um método de fiscalizaçãoda constitucionalidade, não método de interpretação, pois busca discernir o sentido necessário e possível para adequar o preceito à força conformadora da constituição.
	Princípio interpretativo e técnica de decisão de controle.
	- Pode ser utilizado tanto para interpretar os atos normativos infraconstitucionais em geral quanto para decidir processos em que se discute a constitucionalidade de normas.
- Doutrina majoritária no Brasil.
	Princípio interpretativo ou técnica de decisão, a depender do tipo de controle.
	- É norma de hermenêutica, quando utilizada no controle concreto de constitucionalidade; e é técnica decisória, quando empregada no controle abstrato de constitucionalidade.
- Posição que parece ser a atual do STF.
7.4.4. Declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade
A declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade ocorre quando há uma modulação dos efeitos da decisão e a decisão é dada com efeitos “pro futuro”. Assim, embora a lei seja inconstitucional, não há uma pronúncia de nulidade desta lei, pois continua a ser aplicada por um determinado tempo previsto na decisão.[footnoteRef:147] [147: (PGEMT-2011-FCC): Ao julgar ações diretas de inconstitucionalidade tendo por objeto dispositivos de lei definidora de critérios para o rateio dos Fundos de Participação dos Estados e do Distrito Federal, o STF declarou a inconstitucionalidade, sem pronúncia de nulidade, dos dispositivos atacados, assegurada sua aplicação até 31 de dezembro de 2012 (ADI 875, ADI 1.987 e ADI 2.727, Rel. Min. Gilmar Mendes, Plenário, publ. DJE de 30-4-10). No caso em tela, o STF procedeu à modulação dos efeitos temporais da declaração de inconstitucionalidade, consoante faculdade prevista expressamente em lei. BL: art. 27 da Lei 9868/99.] 
Objetivo da técnica da declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade é evitar que o vácuo jurídico seja mais prejudicial que a violação da Constituição.
Exemplo de precedente1: STF – ADI 1842/RJ:
STF – ADI 1842/RJ: [...] 6. Modulação de efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Em razão da necessidade de continuidade da prestação da função de saneamento básico, há excepcional interesse social para vigência excepcional das leis impugnadas, nos termos do art. 27 da Lei n. 9868/1998, pelo prazo de 24 meses, a contar da data de conclusão do julgamento, lapso temporal razoável dentro do qual o legislador estadual deverá reapreciar o tema… 
Exemplo de precedente2: STF – ADI 429/CE:
ADI 429/CE: (…) 12. Pedido de inconstitucionalidade julgado parcialmente procedente para declarar: (i) inconstitucional o parágrafo 2º do art. 192, sem a pronúncia de nulidade, por um prazo de doze meses (ii) parcialmente inconstitucional o caput do art. 193, dando-lhe interpretação conforme para excluir de seu âmbito de incidência o ICMS (…) 
III - CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE EM ESPÉCIE – CONTROLE DIFUSO-INCIDENTAL
1. ASPECTOS GERAIS
1.1. Competência
Tal espécie de controle é realizado incidentalmente e tem por objetivo principal assegurar direitos subjetivos (e não a proteção da supremacia da Constituição). Desse modo, a inconstitucionalidade é apenas uma questão “incidenter tantum”, ou seja, uma questão discutida incidentalmente no curso do processo.
A competência é aberta, razão pela qual é denominado de controle difuso. Assim, qualquer órgão do Poder Judiciário é competente para exercer o controle difuso dentro de sua jurisdição. 
Em outras palavras, qualquer órgão do Poder Judiciário pode exercer o controle difuso, pois não existe restrição em relação à competência, isto é, o controle difuso é aberto, o qual, como referido, pode ser feito qualquer juiz ou Tribunal,[footnoteRef:148] dentro de sua esfera de competência.[footnoteRef:149] [148: (Assistente/DPEAM-2018-FCC): Dentre as modalidades de controle de constitucionalidade, considera-se controle difuso de constitucionalidade aquele que pode ser exercido por todo e qualquer juiz ou tribunal.] [149: (MPGO-2016): É viável o controle difuso de constitucionalidade sobre lei ou ato normativo municipal que contraria a Constituição da República. 
Explicação: Todas as esferas normativas (leis ou atos normativos federais, estaduais, distritais e municipais) estão sujeitas ao controle difuso - naturalmente, respeitando-se a competência jurisdicional do órgão. Conforme Nathalia Masson: "Nessa modalidade de controle, em que se faz a fiscalização concreta de constitucionalidade, qualquer juiz ou Tribunal do Poder Judiciário possui competência para verificar a legitimidade constitucional dos atos estatais, não havendo nenhuma restrição quanto ao tipo de processo".] 
Exemplo: Se for uma questão envolvendo à União, caberá à Justiça Federal; se for questão envolvendo ao Estado, caberá à Justiça Estadual, se for questão eleitoral, caberá à Justiça Eleitoral, e assim por diante.
1.2. Finalidade
Como já estudado, no controle abstrato, a finalidade principal é assegurar a supremacia da Constituição (proteção da ordem constitucional objetiva), embora indiretamente também vise a proteção de direitos subjetivos. 
Já no controle difuso é o inverso: a finalidade principal é a proteção de direitos subjetivos. Neste caso, a pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo.
Portanto, não existe um processo específico de controle difuso, seguindo-se os princípios e regras do processo, embora incidentalmente a constitucionalidade seja questionada naquela ação. A inconstitucionalidade ser reconhecida em Habeas Corpus, Mandado de Segurança, Ação Ordinária, Reclamação Trabalhista, etc. 
A inconstitucionalidade pode ser reconhecida, inclusive, de ofício pelo juiz ou Tribunal (STF, AI 666.523-AgR), ou seja, sem requerimento das partes.[footnoteRef:150] [150: (TJSP-2014-VUNESP): Assinale a opção correta a respeito do controle difuso de constitucionalidade brasileiro, segundo a orientação do STF: O controle difuso de constitucionalidade pode ser exercido independentemente de pedido ou requerimento da parte.] 
Exemplo: no curso do HC n. 82959, o STF, incidentalmente, declarou a inconstitucionalidade da Lei de Crimes Hediondos.
1.3. Legitimidade Ativa e Passiva
Como o objeto principal da ação é a proteção de direitos subjetivos e não da ordem constitucional objetiva, a legitimidade dependerá do interesse de agir. 
Portanto, aquele que se afirmar titular do direito possuirá legitimidade ativa e aquele a quem for atribuída a titularidade do dever figurará no polo passivo, como em qualquer processo judicial.
Nathalia Masson refere que "a legitimidade para inaugurar o controle difuso de constitucionalidade é ampla, caracterizando-se, pois, como a nota mais democrática dessa via de fiscalização. (...) Em resumo, diz a doutrina serem legitimados: as partes (autor ou réu), em quaisquer demandas; os eventuais terceiros intervenientes; o Ministério Público[footnoteRef:151]; e o órgão jurisdicional, de ofício - com exceção do STF no recurso extraordinário". [151: (MPGO-2016): Membros do Ministério Público que atuem em processo judicial possuem legitimidade para pleitear, incidentalmente, declaração difusa de inconstitucionalidade.] 
##Atenção: ##TJRS-2018: ##VUNESP: A via difusa é aquela por meio da qual a inconstitucionalidade assume papel de questão prejudicial à análise do mérito do processo. Considerando-se não existir, como regra, restrição cognitiva aos terceiros intervenientes, podem eles arguir a inconstitucionalidade de leis ou ator normativos se lhes aprouver, tendo em vista que a alegação se destina apenas a embasar sua tese jurídica.
1.4. Parâmetro
Aqui a regra é distinta da do controle abstrato. 
No controle abstrato, só pode ser invocada como parâmetro norma constitucional vigente, pois se a norma já foi revogada, não há ameaça à supremacia da Constituição.
Por seu turno, o controle difuso possui como finalidade principal a proteção de direitos subjetivos. Por isso, não importa se a norma (parâmetro e/ou objeto) está em vigor ou se foi revogada. O que interessa é analisar se:(i) quando o fato ocorreu, a norma estava em vigor?
(ii) se a norma estava em vigor, ela foi violada por uma lei vigente à época?
(iii) se a norma estava em vigor quando do fato e foi ofendida por uma lei vigente à época, houve violação a um direito subjetivo a justificar o controle incidental? Se a resposta for positiva, houve violação a um direito subjetivo a justificar o controle incidental.
Portanto, em relação ao parâmetro é aplicado O PRINCÍPIO “TEMPUS REGIT ACTUM”. 
Em outras palavras, devem ser analisadas quais as normas vigentes no momento em que o fato ocorreu. Não interessa se a norma foi posteriormente revogada. 
Assim, qualquer norma formalmente constitucional, ainda que revogada, desde que vigente à época do fato, poderá ser invocada como parâmetro no controle difuso-concreto de constitucionalidade.
##Questiona-se: O STF pode exercer o controle de constitucionalidade tendo como parâmetro a Constituição anterior? Sim, quando o fato tiver ocorrido sob a égide da Constituição anterior e a lei vigente à época for incompatível com o texto constitucional.
1.5. Objeto
Não há nenhum requisito específico em relação ao objeto. Basta que seja um ato emanado dos poderes públicos incompatível com a Constituição.
1.6. Efeitos da Decisão Proferidas no Controle Difuso Incidental
1.6.1. Quanto ao aspecto subjetivo
Quanto ao aspecto subjetivo, EM REGRA, o efeito será apenas entre as partes envolvidas no processo (“inter partes”).
Num primeiro momento, seguindo uma posição mais tradicional, pode-se afirmar que não há efeito “erga omnes” e vinculante, ou seja, a lei é afastada apenas para as partes no processo, mesmo que a decisão seja proferida pelo STF.
Analisando a evolução jurisprudencial, percebe-se que o STF cogitou a possibilidade de conferir efeitos “erga omnes” às decisões proferidas em controle difuso incidental, quando do julgamento do HC n. 82.959, o qual possuía como objeto a Lei de Crimes Hediondos.
O Min. Gilmar Mendes, no julgamento da Reclamação 4.335/AC, defendeu a tese de que seria necessária uma MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL no tocante ao papel do Senado (de acordo com o art. 52, X, da CF/88, cabe ao Senado Federal suspender a execução, no todo ou em parte, lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF). Este entendimento também foi adotado pelo Ministro Eros Grau, o qual tentou propor uma mutação constitucional. O Min. Gilmar Mendes sustentou, ainda, que as decisões do STF no controle difuso incidental deveriam ter efeitos erga omnes, como ocorre no controle concentrado abstrato, e que o Senado não iria mais suspender a execução dessas leis, já que a decisão teria efeito contra todos. Portanto, o Senado iria dar apenas publicidade às decisões do STF.
Na oportunidade, o Min. Gilmar Mendes foi vencido nesta tese, prevalecendo a posição do Min. Teori Zavascki, no sentido de que as decisões do STF no controle difuso incidental teria uma eficácia expansiva, mas que não haveria mutação constitucional em relação ao papel do Senado. Desse modo, embora as decisões devessem ser observadas por outros juízes e tribunais, elas não tinham o efeito vinculante, não permitindo o cabimento de Reclamação, como havia em ADI, ADC e AFPD.
Veja a Ementa do acórdão da Rcl 4.335/AC, julgada pelo STF: 
 “Reclamação, 2. Progressão de regime. Crimes Hediondos. 3. Decisão reclamada aplicou o art. 2º, §2º, da lei 8.072/90, declarando inconstitucional pelo Plenário do STF no HC 82.959/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 1.9.2006. 4. Superveniência da Súmula Vinculante nº 26. 5. Efeito ultra partes da declaração de inconstitucionalidade em controle difuso. Caráter expansivo da decisão. 6. Reclamação julgada procedente”.
Embora não se tenha admitdo a eficácia “erga omnes”, utilizou-se o termo “caráter expansivo da decisão”, com base no entendimento do Ministro Teori Zavascki, segundo o qual, embora as decisões do STF não sejam vinculantes e não tenham efeitos “erga omnes”, devem ser observadas pelos demais juízes e Tribunais. Assim, embora o efeito seja “inter partes”, como há uma eficácia expansiva da decisão, houve efeito “ultra partes”.
Recentemente, esse tema foi novamente suscitado, só que, agora, no julgamento de uma ADI (3.406/RJ), como uma questão obter dicta. Essa ADI discutiu uma Lei do Estado do Rio de Janeiro (Lei 3.579/2001), que proíbe a extração do asbesto/amianto em todo território daquela unidade da Federação e prevê a substituição progressiva da produção e da comercialização de produtos que o contenham.
O STF, INCIDENTALMENTE, na ADI, declarou inconstitucional o art. 2º da Lei Federal 9.055/1995, com efeito vinculante e erga omnes.
Ora, mas a ADI 3.406/RJ não tinha como objeto a Lei Federal (seu objeto era a Lei Estadual 3.579/2001)! Sim, mas a declaração de inconstitucionalidade da Lei Federal ocorreu de forma incidental.
O Min. Gilmar Mendes se manifestou durante o julgamento no sentido de que não haveria razão de o STF continuar diferenciando decisões proferidas em controle difuso incidental e decisões proferidas no controle concentrado abstrato. Para o Ministro, essas decisões deveriam ter o mesmo efeito e voltou a dizer que deveria haver mutação constitucional em relação ao papel do Senado. Para tanto, ele apresentou novo argumento: nos dias atuais, o Novo CPC prevê no art. 535, §5º o seguinte:
NCPC, Art. 535. A Fazenda Pública será intimada na pessoa de seu representante judicial, por carga, remessa ou meio eletrônico, para, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias e nos próprios autos, impugnar a execução, podendo arguir:
III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação;
§5. Para efeito do disposto no inciso III do caput deste artigo, considera-se também inexigível a obrigação reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo STF, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como incompatível com a Constituição Federal, em controle de constitucionalidade concentrado ou difuso. 
Portanto, não importa se a decisão foi proferida pelo STF no controle concentrado abstrato ou no controle difuso incidental. Em ambos os casos, tendo o STF adotado um entendimento sobre o tema, se o título executivo judicial se basear em uma decisão cujo entendimento é contrário ao entendimento adotado pelo STF, o título será inexigível.
Durante o julgamento da ADI, vários Ministros concordaram com a manifestação de Gilmar Mendes, dizendo que não haveria razão em diferenciar decisões proferidas em controle difuso e em controle concentrado. O Min. Celso de Mello chegou a dizer expressamente que concorda com a ideia de criar uma mutação constitucional em relação ao papel do Senado (no sentido de que o Senado só deveria dar publicidade às decisões do STF).
A Min. Cármen Lúcia afirmou que o STF está caminhando para uma inovação da jurisprudência, no sentido de não ser mais declarado inconstitucional cada ato normativo, mas a própria matéria que nele se contém.
O Min. Edson Fachin concluiu que a declaração de inconstitucionalidade, ainda que incidental, opera uma preclusão consumativa da matéria. Isso evita que se caia numa dimensão semicircular progressiva e sem fim.
Outros Ministros, embora tenham concordado com Gilmar Mendes (no sentido de que não haveria razão em diferenciar as decisões nos dois tipos de controle), não se manifestaram acerca da mutação constitucional em relação ao papel do Senado.
Embora a decisão proferida nesta ADI não seja vinculante, houve uma sinalização muito clara de que a tese do Min. Gilmar Mendes está ganhando força e de que o STF caminha a passos largos para adotar no controle difuso incidental o mesmo entendimento em relação aos efeitos da decisão no controle concentrado abstrato. Em outras palavras, no sentido de que as decisões do controle difuso incidental tenham eficácia vinculante e erga omnes. E então, o Senado deixaria de suspender a execução e passaria apenas a reforçar a publicidade das decisões proferidas pelo Supremo.
Em suma, o Min. GilmarMendes, basicamente, se pautou EM 02 ARGUMENTOS:
· A necessidade de evitar anomias e fragmentação da unidade impõe equalizar a decisão que se toma tanto em sede de controle abstrato quanto em sede de controle incidental;
· Seria necessário fazer uma releitura do disposto no art. 52, X, da CF, no sentido de que a Corte comunica ao Senado a declaração de inconstitucionalidade, para que ele faça a publicação e intensifique a publicidade da decisão.
##Obs.: Diferença entre o EFEITO VINCULANTE e o CARÁTER EXPANSIVO DA DECISÃO:
· EFEITO VINCULANTE: Se um juiz ou Tribunal não observarem o entendimento adotado pelo STF caberá Reclamação.
· CARÁTER EXPANSIVO DA DECISÃO: Se um juiz ou Tribunal não observarem o entendimento adotado pelo STJ não caberá reclamação diretamente para o Supremo (reclamação “per saltum”). 
##Questiona-se: Em suma, qual é a eficácia da decisão do STF que declara, incidentalmente, a inconstitucionalidade de uma lei?
	Concepção tradicional
	Concepção moderna (atual)
	Eficácia inter partes
Efeitos não vinculantes
	Eficácia erga omnes
Efeitos vinculantes
1.6.2. Quanto ao aspecto objetivo
A análise da inconstitucionalidade é realizada NA FUNDAMENTAÇÃO como uma questão “incidenter tantum”, ou seja, como uma questão incidental, pois não é o objeto principal da ação. 
No controle difuso-incidental, o pedido não é a declaração de inconstitucionalidade da lei, mas a proteção de um direito subjetivo. Assim, a causa de pedir (fundamento do pedido) é, exatamente, a inconstitucionalidade da lei.
Portanto, embora no controle difuso incidental não haja a declaração de inconstitucionalidade, a lei é afastada no caso concreto. O juiz ou o Tribunal deixa de aplicar a lei naquele caso por considerá-la incompatível com a Constituição.
No dispositivo não se dirá “declaro a inconstitucionalidade da lei”, pois isto será analisado na fundamentação. No dispositivo se dirá “julgo procedente a ação para assegurar blablabla”, sem dizer nele que a lei é inconstitucional.
1.6.3. Quanto ao aspecto temporal
A regra é a mesma do controle concentrado-abstrato: se a lei inconstitucional é um ato nulo, ela possui um vício de origem, de forma que os efeitos serão “EX TUNC”, ou seja, eles retroagem ao momento que a lei foi feita.[footnoteRef:152] [152: (MPPI-2019-CESPE): No curso de uma ação de ressarcimento por dano material, uma das partes suscitou a inconstitucionalidade de um dispositivo legal. Nesse caso, a sentença que julgar procedente o pedido de declaração de inconstitucionalidade fará coisa julgada no caso e entre as partes, bem como surtirá efeitos ex tunc.
##Atenção: Os efeitos da decisão no Controle Difuso possuem três aspectos: subjetivo, objetivo e temporal. No tocante ao aspecto subjetivo, os efeitos serão inter partes. Já o aspecto objetivo a inconstitucionalidade é apreciada de forma incidental (incidenter tantum) na fundamentação da decisão. Por fim, em relação ao aspecto temporal, os efeitos serão ex tunc. Essa regra pode ser excetuada nos casos de modulação temporal dos efeitos. Vejamos o esquema abaixo:
##DECISÕES DO STF:
- Controle concentrado:
• Ex tunc 
• Erga omnes
• Vinculante
- Controle difuso:
• Ex tunc 
• Erga omnes
• Vinculante
##DECISÕES DOS DEMAIS ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO EM CONTROLE DIFUSO:
• Ex tunc
• Inter partes
• Não vinculante] 
Ex.: não paga mais o tributo, como também recebe o que pagou indevidamente, observada a prescrição.
Não há previsão legal da modulação temporal dos efeitos da decisão. Porém, o STF vem admitindo a possibilidade de modulação temporal (STF, RE 586.453), aplicando-se, por analogia, o art. 27 da Lei n. 9.868/99, para o controle difuso:
Lei n. 9.868/99, art. 27: Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.
Em outras palavras, o STF tem admitido a modulação temporal dos efeitos da decisão, seja para conferir efeito “EX NUNC”, seja para conferir efeito “PRO FUTURO”.[footnoteRef:153] Em ambos os casos, quando feita essa modulação pelo Supremo, deverá observar os requisitos gerais da ADI/ADC: [153: ##Atenção: Tema cobrado na prova do TJCE-2018.] 
· Declaração por 2/3 dos Ministros, 
· Por razões de segurança jurídica ou excepcional interesse social.
Dessa forma, o STF entende que, excepcionalmente, admite-se, em caso de controle difuso de constitucionalidade, a modulação temporal dos efeitos da decisão proferida. Com o objetivo de seguir o mesmo modelo previsto no art. 27 da Lei n. 9.868/99, o STF decidiu que é necessário o quórum de 2/3 para que ocorra a modulação de efeitos em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. [footnoteRef:154] Considerou-se que esta maioria qualificada seria necessária para conferir eficácia objetiva ao instrumento[footnoteRef:155]. [154: (TJDFT-2012): Em caso de controle difuso de constitucionalidade, a jurisprudência da Excelsa Corte consagrou entendimento que admite, excepcionalmente, a modulação temporal da declaração de inconstitucionalidade, com efeitos prospectivos, desde que a decisão seja por maioria de 2/3 e se reconheça a presença de razões de segurança jurídica ou de exponencial interesse social. BL: art. 27 da Lei 9.868/99 e jurisprudência do STF.
(MPF-2012): Para o STF, É possível modular-se os efeitos da declaração de inconstitucionalidade no controle difuso. BL: art. 27 da Lei 9.868/99 e jurisprudência do STF.
(PGEPB-2008-CESPE): O STF, de forma excepcional, tem admitido eficácia ex nunc às declarações de inconstitucionalidade no âmbito do controle difuso. BL: art. 27 da Lei 9.868/99 e jurisprudência do STF.
(DPEDF-2006-CESPE): É possível aplicar o efeito ex nunc à declaração de inconstitucionalidade de lei municipal em processo de controle difuso. BL: art. 27 da Lei 9.868/99 e jurisprudência do STF.
OBS: O STF tem adotado como padrão de decisão o posicionamento de que o efeito ex nunc não se aplica em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei municipal em processo de controle difuso. No entanto, houve situação em que o STF adotou, invocando a excepcionalidade e a necessidade de conferir primazia à segurança jurídica, a postura de conferir o referido efeito ex nunc à declaração de inconstitucionalidade em processo de controle difuso. Como a assertiva se inicia com a expressão “é possível” e o STF entendeu, conforme demonstrado, que excepcionalmente é possível] [155: ##Atenção: ##DOD: ##STF: É possível a modulação dos efeitos da decisão proferida em sede de controle incidental de constitucionalidade. STF. Plenário. RE 522897/RN, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 16/3/17 (Info 857).] 
Nesse diapasão, Dirley da Cunha Júnior ao tratar o tema, dispõe que o modelo difuso-incidental admite a mitigação da teoria da nulidade e, por conseguinte, os efeitos da sentença que declara a inconstitucionalidade podem se revestir de características prospectas, ou seja, podem ser declarados ex nunc. Ainda nesse pensar, propõe que, com vistas à segurança jurídica e relevante interesse social, poderá, o STF, modular os efeitos da sentença, não restando dúvidas da aplicação analógica do art. 27 da Lei 9868/99 em sede de controle difuso.
Exemplo de modulação em controle difuso-incidental com eficácia “EX NUNC”: 
RE 556.664/RS: […] Inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição de 1988, e do parágrafo único do art. 5º do Decreto-lei 1.569/77, em face do § 1º do art. 18 da Constituição de 1967/69. V. MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO. SEGURANÇA JURÍDICA. São legítimos os recolhimentos efetuados nos prazos previstos nos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91 e não impugnados antes da data de conclusão deste julgamento.
Exemplo de modulação em controle difuso-incidental com eficácia “PRO FUTURO”: caso dos vereadores de MiraEstrela em número excessivo que estavam no meio do mandato. Vejamos:
RE 197.917/SP: […] 8. Efeitos. Princípio da segurança jurídica. Situação excepcional em que a declaração de nulidade, com seus normais efeitos ex tunc, resultaria grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente. Prevalência do interesse público para assegurar, em caráter de exceção, efeitos pro futuro à declaração incidental de inconstitucionalidade. Recurso extraordinário conhecido e em parte provido.
##Atenção: O STF também passou a admitir a possibilidade de modulação temporal em sede de recepção ou não recepção de uma norma (normas pré-constitucionais).[footnoteRef:156] [156: (MPGO-2016): Por meio do controle difuso de constitucionalidade é possível aferir a compatibilidade de direito pré-constitucional para com a Constituição Federal de 1988, o que não se mostra possível em sede de controle concentrado, a menos que o instrumento processual seja a Ação de descumprimento de preceito fundamental.] 
Porém, devemos nos atentar que há dois posicionamentos sobre o tema, a partir da análise AI 582.280 AgR/RJ, julgado pelo STF: o Min. Celso de Mello, relator, afirmou ser inaplicável “a teoria da limitação temporal dos efeitos, se e quando o STF, ao julgar determinada causa, nesta formular juízo negativo de recepção. Em sentido contrário, o Ministro Gilmar Mendes deixou consignado, em seu voto-vista, “a plena compatibilidade técnica para modulação de efeitos com a declaração de não recepção de direito ordinário pré-constitucional pelo Supremo Tribunal Federal”.
A modulação temporal foi utilizada em decisão recente envolvendo a recepção de norma elaborada em 1980. Vejamos o teor da Ementa do julgado:
RE 600.885/RS: […] 5. O princípio da segurança jurídica impõe que, mais de vinte e dois anos de vigência da Constituição, nos quais dezenas de concursos foram realizados se observando aquela regra legal, modulem-se os efeitos da não-recepção: manutenção da validade dos limites de idade fixados em editais e regulamentos fundados no art. 10 da Lei n. 6.880/1980 até 31 de dezembro de 2011. 6. Recurso extraordinário desprovido, com modulação de seus efeitos.
Inclusive, no julgamento dos embargos de declaração, foi prorrogada a modulação dos efeitos da declaração de não recepção por mais um ano, ou seja, até 31 de dezembro de 2012. Vejamos:
RE 600.885-ED/RS: […] 1. Embargos de declaração acolhidos para deixar expresso que a modulação da declaração de não recepção da expressão “nos regulamentos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica” do art. 10 da Lei n. 6.880/1980 não alcança os candidatos com ações ajuizadas nas quais se discute o mesmo objeto deste recurso extraordinário. 2. Prorrogação da modulação dos efeitos da declaração de não recepção até 31 de dezembro de 2012.
#Atenção: ##DOD: ##STF: Se o STF, em um recurso extraordinário repetitivo, declarar que determinada lei ou ato normativo é constitucional, será possível modular os efeitos dessa decisão? Qual será o quórum? SIM. Neste caso, o quórum será de maioria absoluta. Vejamos trecho da decisão: 
Exige-se quórum de MAIORIA ABSOLUTA dos membros do STF para modular os efeitos de decisão proferida em julgamento de recurso extraordinário repetitivo, com repercussão geral, no caso em que NÃO tenha havido declaração de inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. STF. Plenário. RE 638115 ED-ED/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 18/12/19 (Info 964).
##Atenção: ##DOD: ##Cuidado: Qual é o quórum para que o STF, no julgamento de recurso extraordinário repetitivo, com repercussão geral reconhecida, faça a modulação dos efeitos da decisão?
• Se o STF declarou a lei ou ato inconstitucional: 2/3 dos membros.
• Se o STF não declarou a lei ou ato inconstitucional: maioria absoluta.
2. CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (“FULL BENCH”, “FULL COURT” ou JULGAMENTO “EN BANC”)
A cláusula de reserva de plenário é assim chamada porque se reserva ao Plenário do STF e dos Tribunais ou aos respectivos órgãos especiais, onde houver, a competência para declarar a inconstitucionalidade de uma lei. Vejamos o que dispõe o art. 97 da CF/88:
CF, art. 97: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. [footnoteRef:157] [157: (MPSP-2019): Assinale a alternativa correta: A declaração de inconstitucionalidade de qualquer ato estatal, considerando a presunção de constitucionalidade das leis, só pode ser declarada pelo voto da maioria absoluta dos membros do Tribunal ou, onde houver, dos integrantes do respectivo órgão especial, sob pena de nulidade da decisão judicial que venha a ser proferida. BL: art. 97, CF.
##Atenção: Um de seus fundamentos teóricos é a presunção de constitucionalidade de atos normativos e a estabilidade das relações jurídicas – requerendo, portanto, um colegiado (com maior legitimidade democrática, a despeito do déficit de legitimação inerente ao Judiciário) para se deliberar sobre o tema.
(DPESC-2017-FCC): A cláusula de reserva de plenário estabelece que somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. BL: art. 97, CF/88.
(TJMT-2009-VUNESP): Um Município teve questionada, em mandado de segurança na justiça estadual, uma lei que instituiu um tributo municipal. O Tribunal de Justiça, pela 2.ª Câmara de Direito Público, entendendo que a exigência tributária não estava de acordo com a repartição constitucional de competências, afastou a cobrança do tributo dando provimento à apelação do contribuinte, mas no acórdão não houve declaração expressa de inconstitucionalidade. Nesse caso, portanto, nos moldes da Constituição e do entendimento do STF, cabe ao Município ajuizar uma Reclamação perante o STF, com fundamento na violação da cláusula de reserva de plenário. BL: SV 10, STF e arts. 97 e 103-A, §3º, CF/88.
OBS: Houve o descumprimento do teor da SV 10 do STF. E, nos termos do art. 103-A, §3º, da CF, do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao STF.] 
##Obs.: A expressão “FULL BENCH”, tida como sinônimo da cláusula de reserva de plenário, significa “TRIBUNAL CHEIO”. 
Vejamos os aspectos relacionados ao tema:
2.1. Controle difuso e concentrado
O art. 97 da CF/88 não faz nenhuma ressalva quanto ao tipo de controle. Portanto, a cláusula de reserva de plenário deve ser observada nos dois tipos de controle (difuso e concentrado).[footnoteRef:158] [158: (TJSP-2015-VUNESP): A cláusula de reserva de plenário (art. 97 CF) é compatível com o controle difuso de constitucionalidade. BL: art. 97 da CF/88.] 
##Obs.: Na Lei 9.868/99 (ADI e ADC) e 9.882/99 (ADPF) não há previsão expressa em relação ao controle difuso, mas aplica-se, por analogia, o quórum de ADI e ADC, ou seja, a declaração deve ser por maioria absoluta. Não é possível a declaração por maioria relativa, sob pena de inconstitucionalidade.
No controle difuso-incidental, a exigência existe apenas para a declaração de inconstitucionalidade da lei.
Já no controle concentrado-abstrato, a Lei n. 9.868/99 exige maioria absoluta tanto para a declaração de inconstitucionalidade quanto para a declaração de constitucionalidade.
2.2. Tribunais
Vimos que a CF/88 fala que somente pela maioria absoluta dos seus membros ou membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. 
Por maioria absoluta, entende-se ser mais da metade dos membros do órgão. Portanto, para a declaração de inconstitucionalidade é necessário que mais da metade dos membros do Tribunal ou do órgão especial votem nesse sentido.
##Obs.: A maioria relativa corresponde a mais da metade daqueles presentes na sessão.
Exemplo: O Tribunal tem 30 membros e estão presentes 20 na sessão de julgamento. A declaração de inconstitucionalidade deve serdada por 16 membros e não 11 membros (maioria relativa).
##Obs.: ÓRGÃOS ESPECIAIS: Em Tribunais com mais de 25 julgadores poderá ser criado um órgão especial, o qual receberá competências jurisdicionais (v.g. declaração de inconstitucionalidade) ou competências administrativas (v.g. realização de concurso) delegadas pelo tribunal pleno. Vejamos o art. 93, XI, da CF/88:
CF, art. 93, XI: nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores, poderá ser constituído órgão especial, com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros, para o exercício das atribuições administrativas e jurisdicionais delegadas da competência do tribunal pleno, provendo-se metade das vagas por antigüidade e a outra metade por eleição pelo tribunal pleno.
Destaque-se que atribuições legislativas (v.g. elaboração de regimento interno) e atribuições de natureza política (v.g. eleição do Presidente do Tribunal) não podem ser delegadas.
Não há que se falar em obediência à cláusula de reserva de plenário por juízes de primeiro grau. A cláusula de reserva de plenário só é aplica aos Tribunais. Portanto, o juiz de primeiro grau poderá, monocraticamente, afastar a aplicação da lei no caso concreto (nem teria como ser diferente). Em outras palavras, um juiz pode, sozinho, declarar a inconstitucionalidade de uma lei sem que seja necessário encaminhar o processo a qualquer órgão superior.
No âmbito do Tribunal, caso o órgão fracionário competente entenda que a lei é inconstitucional, ele deve submeter a questão ao Plenário ou ao órgão especial.
##Atenção: A Turma Recursal de Juizados Especiais não é Tribunal. Logo, não precisa observar a cláusula de reserva de plenário.[footnoteRef:159] Nesse sentido é a decisão do STF, no RE AgR n. 453.744: [159: ##Atenção: ##STF: ##TJMG-2005: ##MPDFT-2011: ##TRF4-2012: ##TJAC-2019: ##VUNESP: ##TJMS-2020: ##FCC: ##TRF5-2015: ##CESPE: Conforme o STF, O art. 97 da CF/88, ao subordinar o reconhecimento da inconstitucionalidade de preceito normativo a decisão nesse sentido da “maioria absoluta de seus membros ou dos membros dos respectivos órgãos especiais”, está se dirigindo aos tribunais indicados no art. 92 e aos respectivos órgãos especiais de que trata o art. 93, XI. A referência, portanto, não atinge juizados de pequenas causas (art. 24, X) e juizados especiais (art. 98, I), os quais, pela configuração atribuída pelo legislador, não funcionam, na esfera recursal, sob regime de plenário ou de órgão especial. [ARE 792.562 AgR, rel. min. Teori Zavascki, j. 18-3-2014, 2ª T, DJE de 2-4-2014.]] 
"A regra chamada reserva do plenário para declaração de inconstitucionalidade (art. 97 da CF) não se aplica, deveras, às turmas recursais de Juizado Especial".[footnoteRef:160] [160: (TRF5-2015-CESPE): Desde a Constituição de 1937, adotou-se, no Brasil, a chamada cláusula de reserva de plenário (full bench), prevista atualmente no art. 97 da CF, que preceitua que “somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público”. A respeito dessa cláusula, assinale a opção correta: A cláusula de reserva de plenário não atinge juizados de pequenas causas e juizados especiais, pois, segundo a configuração que lhes foi atribuída pelo legislador, esses juizados não funcionam, na esfera recursal, sob o regime de plenário ou de órgão especial. BL: STF, RE AgR n. 453.744.
(TRF4-2012): Assinale a alternativa correta: Conquanto a estrita observância do postulado da reserva de plenário atue como pressuposto de validade e eficácia jurídica da declaração jurisdicional de inconstitucionalidade, a exigência constitucional não se impõe nas hipóteses em que a decisão é proferida por Turma Recursal de Juizados Especiais Federais. BL: art. 97 da CF e STF, RE AgR n. 453.744.] 
Portanto, o STF entende que uma turma recursal (segundo grau dos juizados especiais) pode declarar a inconstitucionalidade de uma lei sem que se submeta ao plenário ou órgão especial do respectivo tribunal.
##Questiona-se: O Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento de Recurso Extraordinário, deve observar a cláusula de reserva de plenário? Pelo teor da CF/88, deveria. Entretanto, no julgamento do RE n. 361829/ED, o STF adotou o entendimento de que a própria Turma poderia declarar a inconstitucionalidade, pois seria da própria natureza do STF declarar a inconstitucionalidade. O envio da questão ao Plenário, no entendimento do STF, é uma faculdade, vejamos:
RE 361.829-ED: […] 3. O encaminhamento de recurso extraordinário ao Plenário do STF é procedimento que depende da apreciação, pela Turma, da existência das hipóteses regimentais previstas e não, simplesmente, de requerimento da parte. 4. O STF exerce, por excelência, o controle difuso de constitucionalidade quando do julgamento do recurso extraordinário, tendo os seus colegiados fracionários competência regimental para fazê-lo sem ofensa ao art. 97 da Constituição Federal.[footnoteRef:161] [161: (DPEPR-2017-FCC): Sobre a aplicação da cláusula de reserva de plenário, é correto afirmar: Há precedente do Supremo Tribunal Federal afirmando que, mesmo sendo órgãos fracionários, as Turmas do Supremo Tribunal Federal não se submetem à cláusula de reserva de plenário. BL: STF, RE 361.829-ED e art. 97 da CF.
(MPF-2011): O princípio da reserva de plenário não se aplica ao próprio STF, no julgamento de recursos extraordinários. BL: STF, RE 361.829-ED e art. 97 da CF.] 
RISTF, Art. 176, § 1º Feita a arguição [de inconstitucionalidade] em processo de competência da Turma, e considerada relevante, será ele submetido ao Plenário, independente de acórdão, depois de ouvido o Procurador-Geral. 
§ 2º De igual modo procederão o Presidente do Tribunal e os das Turmas, se a inconstitucionalidade for alegada em processo de sua competência
2.3. Inconstitucionalidade
A Constituição Federal prevê que, no caso do controle difuso-incidental, a cláusula de reserva de plenário deva ser observada nos casos de declaração de inconstitucionalidade. Porém, se for para declarar a lei constitucional não é necessário observá-la, pois a constitucionalidade se presume.
##Atenção: ##STF: ##TJAC-2019: ##TJRO-2019: ##VUNESP: Apenas há que se falar na incidência da cláusula de reserva de plenário para evitar a proclamação de inconstitucionalidade. É nesse sentido a posição do STF: “(...) É que as regras que, em prestígio da presunção de constitucionalidade das leis, restringem a atuação dos órgãos fracionários dos Tribunais, a exemplo do art. 97 da Constituição Federal, dos arts. 480 e seguintes do CPC e dos arts. 176 e 177 do RISTF, apenas incidem para evitar a proclamação de inconstitucionalidade (...).”STF. Plenário. AgR-segundo no RE 636.359/AP, Rel. Min. Luiz Fux, j. 03/11/11. Portanto, a cláusula de reserva de plenário só é aplicada para o caso de inconstitucionalidade; se for para declarar a constitucionalidade, não se aplica.[footnoteRef:162] [162: (TJRO-2019-VUNESP): Suponha que o Estado de São Paulo tenha, mediante a Lei Estadual Z, aprovado o reajuste da cobrança do Imposto X, de sua competência. Matteo, por entender que a mencionada lei viola a CF/1988, ajuíza uma ação ordinária com pedido de devolução de todos os valores pagos a título do Imposto X perante a Fazenda Pública do Estado de São Paulo em desfavor do Estado, defendendo como causa de pedir a inconstitucionalidade da lei. Ao analisar o pedido inicial, o Juiz de primeiro grau entendeu que a Lei Estadual Z respeitou os ditames estabelecidos pela Constituição Estadual e julgou improcedentes os pedidos iniciais. Inconformado com a questão, Matteo interpõe recurso de apelação perante o Tribunal de Justiça do Estado, pedindo a revisão do julgado. A partir desse caso hipotético e considerando as regras a respeito da Cláusula da Reserva de Plenário, assinale a alternativa correta: Caso entenda pela constitucionalidade da norma, a Câmara/Turma do Tribunal pode dispensar a aplicação da cláusula da reserva de plenário. BL: art.97, CF e Entend. Jurisprud.] 
##Atenção: ##STF: ##TJMS-2020: ##FCC: O STF entende que mesmo a declaração parcial de inconstitucionalidade, pressupõe a obediência à norma do art. 97 da CF (STF. 1ª T. RE 544.246/SE, rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 13.02.07).[footnoteRef:163] [163: (TJMS-2020-FCC): A cláusula de reserva de plenário (regra do full bench), nos termos da Constituição Federal e da jurisprudência do STF, tem aplicabilidade à decisão que declara a inconstitucionalidade de lei, ainda que parcial, inexistindo violação à referida cláusula na decisão de órgão fracionário quando houver declaração anterior proferida pela maioria absoluta do órgão especial ou Plenário do Tribunal respectivo. BL: SV 10, STF e RE 544.246/SE do STF c/c art. 97, CF/88.] 
##Atenção: ##STF: ##MPSP-2019: O STF entende que não há violação ao princípio da reserva de plenário quando o acórdão recorrido apenas interpreta norma infraconstitucional, sem declará-la inconstitucional ou afastar sua aplicação com apoio em fundamentos extraídos da Lei Maior. STF. 2ª T., ARE 784179 AgR, Min. Rel. Ricardo Lewandowski, j. 04/02/14.[footnoteRef:164] [164: (MPSP-2019): Assinale a alternativa correta: A jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal é firme no sentido de que não há violação ao princípio da reserva de plenário quando o acórdão recorrido apenas interpreta norma local, sem declará-la inconstitucional. BL: art. 97, CF e Entend. Jurisprud.] 
##Atenção: ##MPGO-2019: ##MPSP-2019: Por outro lado, não se faz necessária a observância da cláusula de reserva de plenário na declaração de não recepção (normas pré-constitucionais).[footnoteRef:165] Vejamos os seguintes julgados do STF: [165: (MPSP-2019): Assinale a alternativa correta: A controvérsia em torno da incidência, ou não, do postulado da recepção, por não envolver qualquer juízo de inconstitucionalidade, mas, sim, quando for o caso, o de simples revogação de diploma pré-constitucional, dispensa a aplicação do princípio da reserva de plenário, legitimando a possibilidade de reconhecimento, por órgão fracionário do Tribunal, de que determinado ato estatal não foi recebido pela nova ordem constitucional, além de inviabilizar, porque incabível, a instauração do processo de fiscalização normativa abstrata. BL: art. 97, CF e Entend. Jurisprud.] 
ARE 705.316 AgR/DF: As normas editadas quando da vigência das Constituições anteriores se submetem somente ao juízo de recepção ou não pela atual ordem constitucional, o que pode ser realizado por órgão fracionário dos Tribunais sem que se tenha por violado o art. 97 da CF.
Ag Rg. Rcl 15.786 (...) A norma cuja incidência teria sido afastada possui natureza pré-constitucional, a exigir, como se sabe, um eventual juízo negativo de recepção (por incompatibilidade com as normas constitucionais supervenientes), e não um juízo declaratório de inconstitucionalidade, para o qual se imporia, certamente, a observância da cláusula de reserva de plenário. (...)[footnoteRef:166] [166: (MPSP-2019): Assinale a alternativa correta: De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a superveniência de uma nova Constituição não torna inconstitucionais os atos estatais a ela anteriores e que, com ela, sejam materialmente incompatíveis: revoga-as. Trata-se de juízo negativo de recepção, inviabilizando, assim, a ação direta de inconstitucionalidade.
(MPGO-2019): Com relação ao controle de constitucionalidade no plano estadual, assinale a alternativa correta: Se o acórdão, no controle de constitucionalidade difuso-incidental nos Estados, reconhece que a norma não foi recepcionada em face da Constituição em vigor, não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário. BL: art. 97, CF e Entend. Jurisprud.] 
AgIN 851.849 AgRg (...) "A cláusula de reserva de plenário (full bench) é aplicável somente aos textos normativos erigidos sob a égide da atual Constituição".(...)[footnoteRef:167] [167: Tema cobrado nas provas: i) TRF5-2015 (CESPE); ii) MPGO-2019.] 
##Atenção: ##Cuidado: Embora o entendimento atual do STF seja no sentido de que normas pré-constitucionais não precisam observar a reserva de plenário, a questão será novamente analisada em sede de repercussão geral:
AI 838.188 RG/RS: Apresenta repercussão geral recurso extraordinário que verse sobre a exigência de observância da regra constitucional da reserva de plenário quando, eventualmente, for o caso de negar-se aplicação de norma anterior à Constituição Federal de 1988 (ainda não julgado).
##Atenção: A cláusula de reserva de plenário também não se aplica para atos de efeitos concretos. Vejamos o seguinte julgado do STF, veiculado no Info 844 (site DOD):
Não viola o art. 97 da CF/88 nem a SV 10 a decisão de órgão fracionário do Tribunal que declara inconstitucional decreto legislativo que se refira a uma situação individual e concreta. Isso porque o que se sujeita ao princípio da reserva de plenário é a lei ou o ato normativo. Se o decreto legislativo tinha um destinatário específico e referia-se a uma dada situação individual e concreta, exaurindo-se no momento de sua promulgação, ele não pode ser considerado como ato normativo, mas sim como ato de efeitos concretos. STF. 2ª T. Rcl 18165 AgR/RR, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 18/10/16 (Info 844).[footnoteRef:168] [168: Tema cobrado na prova do DPEPR-2017.] 
##Atenção: ##STF: ##DOD: ##PGM-Salvador/BA-2015: ##CESPE: ##DPEPR-2017: ##TJMS-2020: ##FCC: Além disso, não viola a cláusula de reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de tribunal que deixa de aplicar a norma infraconstitucional por entender não haver subsunção aos fatos ou, ainda, que a incidência normativa seja resolvida mediante a sua mesma interpretação, sem potencial ofensa direta à Constituição. É o que foi decidido pelo STF, veiculado no Info 848 e em julgado de 2010:
Não viola a Súmula Vinculante 10, nem a regra do art. 97 da CF/88, a decisão do órgão fracionário do Tribunal que deixa de aplicar a norma infraconstitucional por entender não haver subsunção aos fatos ou, ainda, que a incidência normativa seja resolvida mediante a sua mesma interpretação, sem potencial ofensa direta à Constituição. Além disso, a reclamação constitucional fundada em afronta à SV 10 não pode ser usada como sucedâneo (substituto) de recurso ou de ação própria que analise a constitucionalidade de normas que foram objeto de interpretação idônea e legítima pelas autoridades jurídicas competentes. STF. 1ª T. Rcl 24284/SP, rel. Min. Edson Fachin, j. 22/11/2016 (Info 848).[footnoteRef:169] [169: Tema cobrado na prova do DPEPR-2017.] 
(...) A simples ausência de aplicação de uma dada norma jurídica ao caso sob exame não caracteriza, apenas por isso, violação da orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal. 2. Para caracterização da contrariedade à súmula vinculante n. 10, do Supremo Tribunal Federal, é necessário que a decisão fundamente-se na incompatibilidade entre a norma legal tomada como base dos argumentos expostos na ação e a Constituição. (...) STF. Plenário. Rcl 6944, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 23/06/10.
Portanto, para que haja violação da cláusula de reserva de plenário, é necessário que o órgão fracionário do tribunal tenha afastado a lei ou ato normativo sob o argumento, expresso ou implícito, de que a norma infraconstitucional é incompatível com os critérios previstos na CF/88. Se o afastamento da lei ou ato normativo foi por causa de falta de subsunção, não há ofensa ao art. 97 da CF/88.
Entretanto, recentemente o STF proferiu nova decisão na Rcl 27068/MG seguindo outra orientação jurisprudencial, veiculada no Info 896 do STF, tratando do afastamento da aplicação do teor do art. 25, §1º da Lei 8.987/95, vejamos:
O art. 25, § 1º, da Lei 8.987/95 prevê o seguinte: “(...) a concessionária poderá contratar com terceiros o desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias ou complementares ao serviço concedido, bem como a implementação de projetos associados.” Se o órgão fracionário de um Tribunal (ex: uma das Turmas do TRT) julga ilegal a terceirização contratadapor uma concessionária do serviço público, afastando a aplicação do art. 25, § 1º, da Lei 8.987/95, esta decisão viola a súmula vinculante 10? SIM. O art. 25, § 1º, da Lei 8.987/95 permite a terceirização da atividade-fim das empresas concessionárias do serviço público. Logo, se um órgão fracionário do TRT afasta a aplicação deste dispositivo, haverá afronta à súmula vinculante 10 por violação à cláusula da reserva de plenário. STF. 1ª Turma. Rcl 27068/MG, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ac. Min. Luís Roberto, j. 5/3/18 (Info 896).
No caso em tela, a concessionária não se conformou com a decisão do órgão fracionário do TRT e ingressou com reclamação no STF alegando que a turma, ao afastar a aplicação do § 1º do art. 25 da Lei 8.987/95 sem que isso tenha sido submetido ao Plenário, violou a Súmula Vinculante 10. Com isso, a 1ª Turma do STF entendeu que o art. 25, § 1º da Lei 8.987/95 permite a terceirização e o TRT, ao não aplicá-lo para a situação concreta, negou vigência ao dispositivo sem que isso tenha sido submetido ao Plenário ou órgão especial do Tribunal. Logo, houve violação à cláusula da reserva de plenário prevista no art. 97 da CF/88. 
Todavia, o tema é polêmico e existem decisões em sentido contrário, como é o caso da Rcl 24284/SP, rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/11/2016 (Info 848).
Por fim, o STF adotou o entendimento de que no caso de interpretação conforme, por veicular um juízo de constitucionalidade (a lei é constitucional, desde que interpretada naquele sentido), não se exige a observância da cláusula de reserva de plenário. Vejamos:
RE 579.721/MG: […] A interpretação conforme a Constituição, por veicular juízo afirmativo da constitucionalidade da norma interpretada, dispensa, quando exercida no âmbito do controle concreto e difuso de constitucionalidade, a instauração do incidente processual atinente ao princípio da reserva de plenário ('full bench') de que trata o art. 97 da CR/88.
##Obs.: Esse é um entendimento posterior à Súmula Vinculante 10 (“Viola a cláusula de reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte”), porém ela continua aplicável.
A Súmula Vinculante 10 do STF foi criada para evitar o que se chamou de “declaração escamoteada de inconstitucionalidade”, que se dá quando o Tribunal não aplica a lei por considerá-la incompatível com a Constituição, mas não declara a inconstitucionalidade expressamente, com o intuito de não ter que submeter a questão ao Pleno.[footnoteRef:170] [170: (TJPR-2019-CESPE): Um órgão fracionário de determinado tribunal afastou a incidência de parte de ato normativo do poder público, sem declarar expressamente a inconstitucionalidade do ato. Nessa situação hipotética, segundo a Constituição Federal de 1988 e o entendimento sumulado do STF, a decisão desse órgão fracionário violou a cláusula de reserva do plenário, uma vez que afastou a incidência, ainda que em parte, de ato normativo do poder público. BL: SV 10, STF e art. 97, CF/88.
(PGM-Marília/SP-2017-VUNESP): Considerando as regras do controle de constitucionalidade no direito brasileiro, assinale a alternativa que prevê hipótese em que é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário: Decisão de Tribunal que afasta a incidência da lei, mas não declara expressamente a sua inconstitucionalidade, sem pronunciamento anterior do Pleno, do Órgão Especial ou do STF sobre a questão.  BL: SV 50, STF e art. 97, CF/88.
(Anal. Judic./TRF1-2017-CESPE): No exercício do controle difuso de constitucionalidade, o tribunal que, em decisão de órgão fracionário, afastar a incidência, em parte, de ato normativo do poder público, sem declarar expressamente a sua inconstitucionalidade, violará cláusula de reserva de plenário. BL: SV 50, STF e art. 97, CF/88.] 
##Atenção: ##STF: ##DOD: ##TJMS-2020: ##FCC: Em 2020, o STF entendeu que há violação da cláusula de reserva de plenário e da SV 10 a decisão de órgão fracionário do Tribunal que permite que empresa comercialize produtos em desacordo com as regras previstas em Decreto federal, sob o argumento de que este ato normativo violaria o princípio da livre concorrência. É o que foi decidido no Info 965 do STF:
O afastamento de norma legal por órgão fracionário, de modo a revelar o esvaziamento da eficácia do preceito, implica contrariedade à cláusula de reserva de plenário e ao Enunciado 10 da Súmula Vinculante. Caso concreto: a 4ª Turma do TRF da 1ª Região, ou seja, um órgão fracionário do TRF1, ao julgar apelação, permitiu que uma empresa comercializasse determinada espécie de cigarro mesmo isso sendo contrário às regras do Decreto 7.212/10. Embora não tenha declarado expressamente a inconstitucionalidade do Decreto, a 4ª Turma afirmou que ele seria contrário ao princípio da livre concorrência, que é previsto no art. 170, IV, da CF/88. Ao desobrigar a empresa de cumprir as regras do decreto afirmando que ele violaria o princípio da livre iniciativa, o que a 4ª Turma fez foi julgar o decreto inconstitucional. Ocorre que isso deveria ter sido feito respeitando-se a cláusula de reserva de plenário, conforme dispõe a SV 10. STF. 1ª T. RE 635088 AgR-segundo/DF, rel. Min. Marco Aurélio, j. 4/2/20 (Info 965).
##DICA: Toda vez que uma súmula parecer confusa, para entendê-la melhor é só olhar os debates acerca dela, constantes no site do STF.
##EM RESUMO: A cláusula de reserva de plenário NÃO é necessária nos casos:
- Reconhecimento de constitucionalidade, inclusive interpretação conforme a Constituição;
- Pronunciamento do próprio Tribunal ou do STF sobre o tema;
- Decisões de juízes singulares, das turmas recursais e dos juizados especiais;
- Não recepção de normas anteriores à Constituição (porque ocorre a não recepção da norma, e não a inconstitucionalidade);
- Medidas cautelares, pois não é decisão definitiva, sendo inapta a expurgar normas do ordenamento, não havendo declaração de inconstitucionalidade em decisão liminar;
- Para atos de efeitos concretos (Info 844, STF).
2.4. Código de Processo Civil
O tratamento dado à matéria pelo CPC/15 é, a rigor, o mesmo do CPC/73, mudando apenas o número do artigo e alguns pequenos detalhes.
Arguida a inconstitucionalidade em controle difuso, inicialmente, o relator submete a questão à turma ou câmara. Vejamos o art. 948 do NCPC:
CPC, art. 948: Arguida, em controle difuso, a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo do poder público, o relator, após ouvir o Ministério Público e as partes, submeterá a questão à turma ou à câmara à qual competir o conhecimento do processo.
Entretanto, se rejeitada a arguição de inconstitucionalidade pela turma ou câmara, ou seja, se ela entender que a questão é constitucional, o julgamento prosseguirá. Conforme visto, para declarar-se a constitucionalidade em controle difuso não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário.
Porém, se a arguição de inconstitucionalidade for acolhida pela turma ou câmara, ou seja, ela entender que a questão é inconstitucional, a questão será submetida ao plenário ou seu órgão especial (atente-se que apenas a questão é submetida, não o processo todo).
No caso de ACOLHIMENTO DA ARGUIÇÃO PELA TURMA OU CÂMARA, há duas exceções à necessidade de remessa ao plenário: caso ¹já haja pronunciamento do órgão especial ou tribunal sobre a questão ou ²o plenário do STF já tiver se pronunciado sobre a questão, quando o entendimento já firmado deverá ser seguido.[footnoteRef:171] [171: ##Atenção: ##STF: ##TJPA-2012: ##CESPE: ##TJRS-2018: ##VUNESP: “(...) 1. Não há falar em contrariedade à Súmula Vinculante n. 10, a autorizar o cabimento da reclamação [...] quando o ato judicial reclamando se utiliza de raciocínio decisório de controle de constitucionalidade, deixando de aplicar a lei, quando já existe pronunciamento acerca da matéria por este Supremo Tribunal Federal”. (STF. 1ª T. Rcl 16.528, rel. Min. Rosa Weber, j. 07.03.2017).] 
Na visão de Marcelo Novelino,não há inconstitucionalidade nessas exceções, pois como o plenário só analisa a inconstitucionalidade (e não o processo todo), não faria sentido que a mesma questão fosse analisada pelo pleno diversas vezes. Vejamos o teor do art. 949 do NCPC:
CPC, art. 949: Se a arguição for:
I - rejeitada, prosseguirá o julgamento;
II - acolhida, a questão será submetida ao plenário do tribunal ou ao seu órgão especial, onde houver.
Parágrafo único. Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial a arguição de inconstitucionalidade quando já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão.[footnoteRef:172] [172: (ABIN-2018-CESPE): No que se refere ao controle de constitucionalidade, julgue o item subsequente. A decisão de órgão fracionário de tribunal de justiça que deixa de aplicar lei por motivo de inconstitucionalidade não precisa observar a regra da reserva de plenário, caso se baseie em jurisprudência consolidada do plenário do Supremo Tribunal Federal. BL: art. 949, § único do NCPC.
##Atenção: Exceções à cláusula de reserva de plenário: Existem duas mitigações à cláusula de reserva de plenário, ou seja, duas hipóteses em que o órgão fracionário poderá decretar a inconstitucionalidade sem necessidade de remessa dos autos ao Plenário (ou órgão especial): i) quando o Plenário (ou órgão especial) do Tribunal que estiver decidindo já tiver se manifestado pela inconstitucionalidade da norma; ii) quando o Plenário do STF já tiver decidido que a norma em análise é inconstitucional. Tais exceções estão também consagradas no § único do art. 949 do CPC/15.] 
Remetida cópia do acórdão a todos os juízes, o presidente do tribunal designará a sessão de julgamento (art. 950, NCPC). Além das partes envolvidas, as pessoas jurídicas de direito público responsáveis pela edição do ato questionado poderão manifestar-se se quiserem. Ainda, as partes que podem propor ADI e ADC (art. 103, CF), poderão manifestar-se por escrito, sendo-lhes assegurado o direito de apresentar memoriais ou de requerer a juntada de documentos. É o teor do art. 950 do NCPC:
CPC, art. 950: Remetida cópia do acórdão a todos os juízes, o presidente do tribunal designará a sessão de julgamento.
§1º: As pessoas jurídicas de direito público responsáveis pela edição do ato questionado poderão manifestar-se no incidente de inconstitucionalidade se assim o requererem, observados os prazos e as condições previstos no regimento interno do tribunal.
§2º: A parte legitimada à propositura das ações previstas no art. 103 da Constituição Federal poderá manifestar-se, por escrito, sobre a questão constitucional objeto de apreciação, no prazo previsto pelo regimento interno, sendo-lhe assegurado o direito de apresentar memoriais ou de requerer a juntada de documentos.
§3º: Considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, o relator poderá admitir, por despacho irrecorrível, a manifestação de outros órgãos ou entidades.
A propósito, vejamos a seguinte decisão do STF, veiculada no Info 761 (site DOD):
Se já houve pronunciamento anterior, emanado do Plenário do STF ou do órgão competente do TJ local declarando determinada lei ou ato normativo inconstitucional, será possível que o Tribunal julgue que esse ato é inconstitucional de forma monocrática (um só Ministro) ou por um colegiado que não é o Plenário (uma câmara, p. ex.), sem que isso implique violação à cláusula da reserva de plenário. Ora, se o próprio STF, ou o Plenário do TJ local, já decidiram que a lei é inconstitucional, não há sentido de, em todos os demais processos tratando sobre o mesmo tema, continuar se exigindo uma decisão do Plenário ou do órgão especial. Nesses casos, o próprio Relator monocraticamente, ou a Câmara (ou Turma) tem competência para aplicar o entendimento já consolidado e declarar a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. STF. 2ª Turma. Rcl 17185 AgR/MT, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 30/9/2014 (Info 761).[footnoteRef:173] [173: (Anal. Judic./TJDFT-2015-CESPE): O STF, mitigando norma constitucional, entende que é dispensável a submissão da demanda judicial à regra da reserva de plenário quando a decisão do tribunal basear-se em jurisprudência do plenário ou em súmula do STF. BL: art. 949, § único do CPC, Info 761 do STF e art. 97, CF.
(TJRJ-2014-VUNESP): A cláusula de reserva de plenário pode ser afastada pelo órgão fracionário do tribunal quando houver pronunciamento anterior do STF a respeito da inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo. BL: art. 949, § único, CPC, Info 761 do STF e art. 97, CF.] 
##Dica: Veja-se que, embora o feito seja no controle difuso, a rigor, trata-se de um controle abstrato, pois o Plenário vai analisar a lei à luz da CF/88 (e não há luz do caso concreto). Então, é um controle difuso, mas ao mesmo tempo, um controle abstrato.
A inobservância da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão, pois há uma divisão de competências funcionais. Se esta divisão de competências não for observada a decisão é nula, pois o órgão que proferiu a decisão é incompetente.
3. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DA LEI PELO SENADO FEDERAL
Esta competência, introduzida no ordenamento jurídico pátrio pela Constituição de 1934, foi uma criação inovadora do Direito brasileiro.
O Brasil importou o modelo de controle difuso (sistema norte-americano) com a Constituição de 1891, mas sem acolher a cultura do “stare decisis”. Nos Estados Unidos, a decisão da Suprema Corte, ainda que proferida no controle difuso, vincula os demais órgãos do Poder Judiciário (“stare decisis”). No entanto, a Constituição de 1891 não consagrou o dever de observância dos precedentes do STF, cujas decisões podiam ser simplesmente ignoradas pelos demais juízes e Tribunais. Para tentar contornar o problema, a Constituição de 1934 criou a competência do Senado para suspender a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva pelo STF. Trata-se de um mecanismo voltado a estender a todo os efeitos “inter partes” das decisões proferidas no controle difuso.
Atualmente, a suspensão da execução de lei pelo Senado está consagrada nos seguintes moldes:
CF, art. 52: Compete privativamente ao Senado Federal: (…)
X – suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; (…).
A decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal no controle abstrato dispensa a suspensão de execução da lei pelo Senado, por produzir efeitos “erga omnes” e vinculante por si só. 
No entanto, se a decisão definitiva de mérito (não pode ser liminar) for proferida no controle difuso, como, em regra, o efeito é “inter partes”, o Senado poderá estender a todos os efeitos da decisão ao suspender a aplicação da lei, conferindo a essa decisão eficácia “erga omnes”. 
A competência do Senado, portanto, É RESTRITA às decisões do Supremo proferidas no controle difuso-incidental[footnoteRef:174], nos termos do art. 178 do RISTF: [174: (TJRS-2012): A competência privativa do Senado Federal de suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal restringe-se ao controle incidental ou concreto de inconstitucionalidade.
OBS: As resoluções da Câmara dos Deputados e do Senado Federal têm aptidão para produzir efeitos externos, a exemplo daquela emitida por força do art. 52, X, da CF, em que o Senado Federal suspende a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF.] 
RISTF, Art. 178. Declarada, incidentalmente, a inconstitucionalidade, na forma prevista nos arts. 176 e 177, far-se-á comunicação, logo após a decisão, à autoridade ou órgão interessado, bem como, depois do trânsito em julgado, ao Senado Federal, para os efeitos do art. 42, VII [atual art. 52, X da CF], da Constituição.
Vejamos, agora, os aspectos relevantes inerentes ao tema a partir do que consta no art. 52, inciso X da CF/88:
3.1. Ato de suspenderCF, art. 52: Compete privativamente ao Senado Federal: (…)
X – suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; (…).
##Questiona-se: A suspensão da execução de lei é ato discricionário ou vinculado do Senado Federal? Há divergências sobre o tema, acirrando acima mais o debate com a decisão veiculada no Info 886 do STF:
1ª CORRENTE (Zeno Veloso – entendimento minoritário): Ato vinculado. O Senado Federal estaria obrigado a suspender a execução da lei caso o Supremo a declare inconstitucional.
2ª CORRENTE (Posição do Senado; antiga posição do STF): Ato discricionário. O Senado somente suspenderá a execução da lei caso entenda conveniente. Ademais, não há prazo predeterminado para isso (RE n. 150.764). O Senado suspende se quiser e quando quiser.
3ª CORRENTE (ATUAL posição do STF a partir do julgado veiculado no Info 886 do STF, seguindo orientação defendida por Zeno Veloso): Ato vinculado. Seguindo antiga doutrina do Min. Gilmar Mendes, mudou sua jurisprudência e passou a entender que o art. 52, X, CF, passou por mutação constitucional, de modo que, agora, cabe ao Senado tão somente dar publicidade à decisão do STF, em sede de controle difuso. Com isso, a declaração incidental de inconstitucionalidade passa a ter efeito ERGA OMNES e vinculante, seguindo o mesmo regime jurídico, quanto aos efeitos, das decisões proferidas nas ações diretas de inconstitucionalidade. Assim, pode-se dizer que o STF passou a adotar a teoria da abstrativização do controle difuso. 
3.2. “No todo ou em parte”
CF, art. 52: Compete privativamente ao Senado Federal: (…)
X – suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; (…).
##Questiona-se: A expressão “NO TODO OU EM PARTE”, constante do dispositivo (CF/88, art. 52, X), significa que o Senado pode suspender apenas uma parte da lei caso o Supremo declare toda a lei inconstitucional ou que pode suspender toda a lei quando o Supremo declare apenas uma parte inconstitucional? Não. A expressão “no todo ou em parte” deve ser entendida em relação à decisão do STF. O entendimento é de que o Senado não pode ir além e nem ficar aquém na decisão proferida pelo STF. Deve suspender, portanto, a lei nos exatos limites da decisão. O Supremo, ao declarar a lei inconstitucional, poderá declará-la inconstitucional “no todo” ou apenas “em parte”:
→ Se o STF declarar a inconstitucionalidade “EM PARTE”: O Senado somente terá discricionariedade para suspender ou não a execução da parte da lei declarada inconstitucional – não poderá suspender o restante. Caso suspendesse o restante, o Senado estaria exercendo ele próprio um controle de constitucionalidade.
→ Se o STF declarar a inconstitucionalidade “NO TODO”: O Senado possui discricionariedade para suspender ou não a lei. Todavia, caso opte pela suspensão, se o STF declarou a inconstitucionalidade total, o Senado está obrigado a suspender a execução de toda a lei.
##Em suma, O Senado Federal não pode ir além e nem ficar aquém da decisão do STF, pois embora possua discricionariedade para decidir pela suspensão e quando ela será realizada, tal ato deve se dar nos exatos limites do entendimento adotado pelo STF.
##Atenção: Como já referido no item sobre o Controle Difuso, embora a decisão veiculada no Info 886 do STF não seja vinculante, houve uma sinalização muito clara de que a tese do Min. Gilmar Mendes está ganhando força e de que o STF caminha a passos largos para adotar no controle difuso incidental o mesmo entendimento em relação aos efeitos da decisão no controle concentrado abstrato. Em outras palavras, no sentido de que as decisões do controle difuso incidental tenham eficácia vinculante e erga omnes. E então, o Senado deixaria de suspender a execução e passaria apenas a reforçar a publicidade das decisões proferidas pelo Supremo.
3.3. “Lei”
CF, art. 52: Compete privativamente ao Senado Federal: (…)
X – suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; (…).
##Questiona-se: A palavra “LEI” deve ser interpretada em sentido amplo (qualquer ato normativo) ou estrito (apenas leis ordinárias e complementares)? Em outras palavras, o Senado poderá suspender lei delegada, medida provisória, decreto legislativo e emendas constitucionais ou apenas leis ordinárias e complementares? Quando a CF fala lei, refere-se à lei em sentido amplo. Portanto, o Senado pode suspender a execução de leis em sentido amplo (atos normativos), ou seja, de quaisquer atos gerais e abstratos.
##Questiona-se: Como o Senado é um órgão do Congresso Nacional, a competência para a suspensão é restrita às leis federais ou se estende também às leis estaduais e municipais? No segundo caso, tal entendimento violaria o princípio federativo? O Senado pode suspender a execução não apenas de leis federais, mas também de leis estaduais, distritais e municipais. Tal suspensão não viola o princípio federativo, pois o Senado Federal atua não apenas como órgão federal, mas também como órgão de caráter nacional.
##Obs.: A diferença entre o órgão federal e o órgão de caráter nacional pode ser compreendida nos mesmos moldes da distinção entre constituição/lei federal e constituição/lei nacional:
· “FEDERAL”: órgão ou norma constitucional/legal que trata, exclusivamente, de interesses da União (v.g. Lei n. 8.112/90 – Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União).
· “NACIONAL”: órgão ou norma constitucional/legal que trata de interesses não apenas da União, mas também dos Estados, do DF e dos Municípios. Ou seja, tratam de interesses de todos os entes da Federação brasileira (v.g. Código Tributário Nacional).
O que legitima o Senado a atuar também como órgão de caráter nacional é o fato de ser composto por representantes dos Estados.
##Obs.: Quanto à ausência de representantes dos Municípios, de fato, há uma incongruência. Essa é uma peculiaridade, incomum nos demais países, decorrente do fato dos Municípios serem considerados entes federativos em nosso sistema jurídico.
3.4. “Inconstitucional”
CF, art. 52: Compete privativamente ao Senado Federal: (…)
X – suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; (…).
##Questiona-se: Atos pré-constitucionais (atos anteriores à Constituição) podem ser objeto de suspensão pelo Senado? Conforme já exposto no estudo da cláusula de reserva de plenário, o STF tem considerado que apenas leis inconstitucionais se submetem à reserva de plenário e que, no caso de NÃO RECEPÇÃO, fica dispensado o deslocamento da competência para o plenário ou órgão especial (vale lembrar que, a despeito da jurisprudência do STF nesse sentido, a questão será objeto de reanálise em sede de repercussão geral). Em relação à suspensão do Senado, o entendimento é no mesmo sentido, ou seja, inconstitucionalidade não se confunde com “não recepção”.
Assim, no caso de atos pré-constitucionais, descabe ao Senado suspender a execução da lei (RE n. 387.271). Apenas leis inconstitucionais é que podem ser suspensas pelo Senado, enquanto os atos anteriores à constituição não estão sujeitos à suspensão.
3.5. Efeitos da resolução do Senado
O Senado Federal suspende a execução da lei via RESOLUÇÃO.
##Atenção: A suspensão dos efeitos de norma declarada inconstitucional depende de edição de resolução pelo Senado Federal, apenas no caso de controle difuso de constitucionalidade (CESPE).
##Questiona-se: A resolução suspende a execução da lei com efeito “ex tunc” (retroativo) ou “ex nunc” (não retroativo)? : Na doutrina, há divergências sobre esses efeitos:
1ª CORRENTE (José Afonso da Silva): A suspensão tem efeitos “EX NUNC”, pois suspender algo significa algo “dali em diante”, ou seja, não se suspende algo retroativamente.
2ª CORRENTE (Min. Gilmar Mendes): A suspensão tem efeitos “EX TUNC”, porém limitada aos casos em que não haja modulação dos efeitos temporaisda decisão pelo Supremo. Defende seu ponto de vista com base dois argumentos pragmáticos:
· Evitar maior sobrecarga de trabalho para o Poder Judiciário: Se o efeito for “ex nunc”, faz-se necessária a propositura de ações judiciais com o objetivo de fazer valer o direito violado no período anterior à edição da resolução (v.g. reaver valores pagos indevidamente no caso de tributos inconstitucionais), sobrecarregando o judiciário.
· Proteger indivíduos mais carentes: Se obrigarmos as pessoas recorrerem ao Judiciário, na verdade, seriam prejudicadas as pessoas mais carentes, pois elas, em regra, não têm acesso ao Judiciário.
Independentemente da posição adotada (ou seja, da suspensão da execução da lei pelo Senado ter efeitos retroativos ou não), não há impedimento para que a Administração Pública confira internamente efeitos retroativos à resolução. 
Contudo, no âmbito FEDERAL, o entendimento deve ser diverso, tendo em vista previsão expressa do Decreto nº 2.346/1997, o qual preconiza que referida suspensão, no que tange à Administração Federal direta e indireta, produzirá efeitos EX TUNC, destoando, portanto, da regra geral. Vejamos o teor do art. 1º e §§1º e 2º do referido decreto:
Dec. n. 2.346/97, art. 1º: (…) 
§ 1º: Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta [embora o decreto refira-se ao controle abstrato, esse entendimento aplica-se também ao controle difuso], a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial.
§ 2º: O disposto no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. (…).
4. AÇÃO CIVIL PÚBLICA[footnoteRef:175] [175: Tema cobrado nas provas da DPU-2015; TJPR-2017; TJMT-2018; TJRS-2018.] 
##Questiona-se: A ação civil pública pode ser admitida como instrumento de controle de constitucionalidade? Se admitida, em que casos ela pode ser utilizada?
Havia controvérsia sobre o tema em razão do efeito “erga omnes” desta ação, o que poderia causar uma usurpação da competência do Supremo. Ou seja, sendo os efeitos da ACP contra todos, entendia-se que ela poderia ser utilizada como sucedâneo da ADI.
Atualmente, é firme o entendimento da jurisprudência no sentido de que a ação civil pública pode ser utilizada, desde que seja como instrumento de controle incidental e se trate de questão incidenter tantum, do fundamento do pedido, da causa de pedir (trate-se de uma questão prejudicial de mérito). Em outras palavras, a declaração de inconstitucionalidade não pode ser objeto do pedido.[footnoteRef:176] [176: (TJMT-2018-VUNESP): Na hipótese de o Ministério Público ajuizar uma ação civil pública em âmbito da justiça estadual, objetivando, em defesa do patrimônio público, a anulação de uma licitação baseada em lei municipal incompatível com dispositivo da Constituição Federal, é correto afirmar que o Poder Judiciário Estadual poderá conhecer da ação, e o controle de constitucionalidade poderá ser decidido de modo incidental restringindo-se seus efeitos inter partes.
(MPSC-2014): A Ação Civil Pública, consagrada como uma das funções institucionais do Ministério Público, poderá ser promovida, segundo o entendimento do STF e do STJ, como instrumento de controle incidental de constitucionalidade, sendo que para tanto a controvérsia constitucional deve consistir no fundamento do pedido, na causa de pedir ou ainda na questão prejudicial que leve à solução do bem jurídico perseguido na ação.
OBS: Segundo o STJ, "é possível a declaração incidental de inconstitucionalidade, na ação civil pública, de quaisquer leis ou atos normativos do Poder Público, desde que a controvérsia constitucional não figure como pedido, mas sim como causa de pedir, fundamento ou simples questão prejudicial, indispensável à resolução do litígio principal, em torno da tutela do interesse público. Precedentes do STJ." (STJ. 2ª Turma, REsp 930016/DF, Rel. Min Eliana Calmon, j. 02.06.09)
(TJMG-2012-VUNESP): O STF já consolidou o entendimento de que a ação cível pública pode ser utilizada como meio de fiscalização difusa de constitucionalidade, desde que a declaração de inconstitucionalidade seja apenas a causa pedir e não constitua objeto único do pedido.
(MPF-2012): Em ação civil pública, proposta pelo Ministério Público, é possível que a inconstitucionalidade de determinada norma seja declarada incidentalmente, tendo em vista o caso concreto.
(TRF3-2011-CESPE): Assinale a opção correta, levando em conta a defesa coletiva, em juízo, dos consumidores: É admissível a propositura de ação civil pública em que haja declaração incidental de inconstitucionalidade, em face de fundamento ou questão prejudicial constitucional.
(MPRR-2008-CESPE): A respeito da ação civil pública, julgue o próximo item: É possível a declaração incidental de inconstitucionalidade na ação civil pública de quaisquer leis ou atos normativos do poder público, desde que a controvérsia constitucional não figure como pedido, mas sim como causa de pedir, fundamento ou simples questão prejudicial, indispensável à resolução do litígio principal em torno da tutela do interesse público.
(TJTO-2007): É possível a propositura de ação civil pública fundada na inconstitucionalidade de lei, desde que se trate de controle difuso de constitucionalidade, isto é, que essa declaração seja causa de pedir, fundamento ou mera questão prejudicial, indispensável à resolução do litígio principal, em torno da tutela do interesse público.] 
Dirley da Cunha Júnior refere que, por se tratar de questão resolvida “incidenter tantum”, ela não é atingida pelos efeitos da coisa julgada. O juiz a conhece e resolve como antecedente necessário de seu julgamento, mas não a decidirá. Trata-se de questão cuja solução comporá a fundamentação da decisão. Sobre tal decisão, todavia, não recairá a imutabilidade da coisa julgada.
Em uma ação civil pública o pedido deve ser de efeitos concretos, podendo a inconstitucionalidade da lei ser abarcada dentro do fundamento do pedido (da causa de pedir). Caso o próprio objeto do pedido seja a declaração de inconstitucionalidade, tendo em vista o efeito “erga omnes”, a ação civil pública será utilizada como sucedâneo da ADI, de modo a caracterizar uma usurpação da competência do STF.[footnoteRef:177][footnoteRef:178] [177: (TRT15-2010): O MP ajuíza ação civil pública para anular licitação baseada em Lei Municipal que alega ser inconstitucional por afrontar o artigo 37 da CF/88. Assinale a alternativa correta: é cabível o questionamento incidental de inconstitucionalidade nos autos de uma ação civil pública, mas seus efeitos ficam restritos apenas as partes e somente naquele caso concreto.] [178: ##Atenção: Caiu na prova do TJMT-2018, banca VUNESP.] 
##Portanto, repita-se: para que a ação civil pública possa ser utilizada como instrumento de controle, é necessário que a inconstitucionalidade seja o fundamento do pedido, a causa de pedir ou questão prejudicial de mérito.
##Obs.: Exemplos de permissibilidade: 
1) Entra-se com uma ACP pedindo o fechamento de bingos (pedido de efeitos concretos), fundada na inconstitucionalidade da lei que autoriza esse funcionamento (causa de pedir).
2) O pedido da ação civil pública visa a anulação do contrato administrativo, tendo como causa de pedir a inconstitucionalidade da lei municipal. Sendo assim, é possível a sua utilização como instrumento e controle incidental ou difuso de inconstitucionalidade. [footnoteRef:179] [179: (Anal. Judic./TRF3-2014-FCC): Em ação civil pública, para anulação de contrato administrativo, na qual preliminar invoque a inconstitucionalidade de lei municipal, será possível, quanto ao controle de constitucionalidade, em decisão proferida pelojuiz de primeiro grau de jurisdição, apenas o exercício da modalidade de controle difuso, com efeitos limitados às partes no caso concreto.] 
Caso haja usurpação da competência do Supremo mediante a utilização de ação civil pública para alcançar a declaração de inconstitucionalidade com efeitos erga omnes, caberá RECLAMAÇÃO.
Vejamos alguns precedentes do STF e do STJ:
STF, RE 595213 AgR: O Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento no sentido de se admitir o controle difuso de constitucionalidade em ação civil pública desde que a alegação de inconstitucionalidade não se confunda com o pedido principal da causa. (Rel. Min. Roberto Barroso).[footnoteRef:180] [180: (Procurador/IPSM-2018-VUNESP): Sobre o controle de constitucionalidade, é correto afirmar que o STF firmou o entendimento no sentido de se admitir o controle difuso de constitucionalidade em ação civil pública desde que a alegação de inconstitucionalidade não se confunda com o pedido principal da causa. BL: STF, RE 595213 AgR.] 
STF, RE 424.993/DF: A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem reconhecido que se pode pleitear a inconstitucionalidade de determinado ato normativo na ação civil pública, desde que incidenter tantum. Veda-se, no entanto, o uso da ação civil pública para alcançar a declaração de inconstitucionalidade com efeitos erga omnes.
STF, Rcl. 1733/SP: O Supremo Tribunal Federal tem reconhecido a legitimidade da utilização da ação civil pública como instrumento idôneo de fiscalização incidental de constitucionalidade, pela via difusa, de quaisquer leis ou atos do Poder Público, mesmo quando contestados em face da Constituição da República, desde que, nesse processo coletivo, a controvérsia constitucional, longe de identificar-se como objeto único da demanda, qualifique-se como simples questão prejudicial, indispensável à resolução do litígio principal. Precedentes. Doutrina.” (Rel. Min. CELSO DE MELLO)
STF, RCL 2.353/MT: 1. A pretensão deduzida nos autos da ação civil pública se destina a dissimular o controle abstrato de constitucionalidade da Emenda Constitucional nº 39/2002, que incluiu o art. 149-A na Constituição Federal de 1988, instituindo a competência tributária dos municípios e do Distrito Federal para a cobrança de contribuição de custeio do serviço de iluminação pública. [...] 3. Reclamação julgada procedente.
STF, RCL 2.24/SP: A ACP não se presta a realizar o controle abstrato de constitucionalidade, por ter por objeto a tutela de interesses coletivos lato sensu ou indisponíveis; e, sabe-se, o controle abstrato de constitucionalidade não tem por fundo interesses. (STF. Pleno. Rcl 2.224/SP, rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 26.10.2005). [footnoteRef:181] [181: ##Atenção: Caiu na prova do TJMT-2018, banca VUNESP.] 
STJ, REsp 299.271-PR: Na ação civil pública, é possível a declaração incidental de inconstitucionalidade de quaisquer leis ou atos normativos do Poder Público, desde que a controvérsia constitucional não figure como pedido, mas sim como causa de pedir, fundamento ou simples questão prejudicial, indispensável à resolução do litígio principal em torno da tutela do interesse público. A declaração incidental de inconstitucionalidade na ação civil pública não faz coisa julgada material, pois se trata de controle difuso de constitucionalidade, sujeito ao crivo do STF via recurso extraordinário, sendo insubsistente, portanto, a tese de que tal sistemática teria os mesmos efeitos da ação declaratória de inconstitucionalidade. O efeito erga omnes da coisa julgada material na ação civil pública será de âmbito nacional, regional ou local conforme a extensão e a indivisibilidade do dano ou ameaça de dano, atuando no plano dos fatos e litígios concretos, por meio, principalmente, das tutelas condenatória, executiva e mandamental, que lhe asseguram eficácia prática, diferentemente da ação declaratória de inconstitucionalidade, que faz coisa julgada material erga omnes no âmbito da vigência especial da lei ou ato normativo impugnado.
STJ, REsp 557.646/DF: 3. O efeito erga omnes da coisa julgada material na ação civil pública será de âmbito nacional, regional ou local conforme a extensão e a indivisibilidade do dano ou ameaça de dano, atuando no plano dos fatos e litígios concretos, por meio, principalmente, das tutelas condenatória, executiva e mandamental, que lhe asseguram eficácia prática, diferentemente da ação declaratória de inconstitucionalidade, que faz coisa julgada material erga omnes no âmbito da vigência espacial da lei ou ato normativo impugnado.
Da análise dos julgados acima citados percebe-se que a inconstitucionalidade pela ACP não tem o condão de produzir efeitos erga omnes, vez que, analisando sob o prisma comparativo, se o juiz declarar uma lei inconstitucional com efeito erga omnes, terá ele o mesmo poder que somente foi atribuído ao STF, ou seja, estará ele, usurpando, como já fora dito, a competência do STF.
Todavia, o efeito erga omnes poderá ocorrer na ACP com relação ao pedido, desde que seja um pedido de efeitos concretos e não um pedido de declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo.
Em conclusão, vale trazer a lição de Hugo Nigro Mazzilli sobre o tema:
“[...] nada impede que, por meio de ação civil pública da Lei n. 7.347/85, se faça, não o controle concentrado e abstrato de constitucionalidade das leis, mas sim, seu controle difuso ou incidental. [...] assim como ocorre nas ações populares e mandados de segurança, nada impede que a inconstitucionalidade de um ato normativo seja objetada em ações individuais ou coletivas (não em ações diretas de inconstitucionalidade, apenas), como causa de pedir (não o próprio pedido) dessas ações individuais ou dessas ações civis públicas ou coletivas”.
5. TENDÊNCIA DE ABSTRATIZAÇÃO 
A TENDÊNCIA DE ABSTRATIVIZAÇÃO designa o fenômeno/movimento de atribuir ao controle difuso-incidental (ou aberto-concreto) efeitos típicos do controle concentrado-abstrato (ou reservado por via direta).
##Obs.: Temos com o mesmo sentido: 
· A “tendência de abstrativização do Recurso Extraordinário”: é usado para o Recurso Extraordinário.
· A “tendência de verticalização do controle difuso”: é concentrar no STF as competências para exercer esse tipo de controle;
· A “tendência de objetivação do Recurso Extraordinário” ou “tendência de objetivação do processo constitucional subjetivo”: é atribuir efeitos típicos do processo constitucional objetivo ao Recurso Extraordinário ou ao processo subjetivo de modo geral. Nesse sentido, explica Gilmar Mendes que, em virtude de uma crescente aproximação entre os controles difuso e concentrado, as decisões do STF no controle difuso teriam sofrido uma “abstrativização”/objetivação. Sobre o tema, explica o autor que “preso entre a fórmula do Senado (CF, art. 52, X) e o referido aumento crescente de processos, o Supremo Tribunal Federal terminou avalizando uma tendência de maior objetivação do recurso extraordinário, que deixa de ter caráter marcadamente subjetivo ou de defesa de interesse das partes, para assumir, de forma decisiva, a função de defesa da ordem constitucional objetiva.” (...) “Deve-se reconhecer, portanto, que o recurso extraordinário ganha contornos marcadamente objetivos, a indicar evolução do entendimento do Tribunal acerca da forma mediante a qual presta a jurisdição constitucional”[footnoteRef:182]-[footnoteRef:183]. [182: MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de direito constitucional. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 1022-1023.] [183: (MPGO-2019): Assinale a alternativa correta: No sistema constitucional brasileiro, o recurso extraordinário tem função de defesa da ordem constitucional objetivamente considerada.] 
5.1. Aspectos Acerca do Tema
5.1.1. “Common Law”: “stare decisis”
Conforme visto, nós adotamos dos EUA o controle difuso. Entretanto, não adotamos a doutrina do “stare decisis”. 
Segundo a doutrina do “stare decisis”, deve ser dado o devido peso aos precedentes. A observância dos precedentes deve ocorrer tanto no âmbito horizontal, quantono âmbito vertical:
i. HORIZONTAL: É a observância dos precedentes pelo próprio Tribunal. É semelhante à cláusula de reserva de plenário (o Pleno ou o órgão especial decidem sobre a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei e tal decisão deve ser observada pelos órgãos fracionários).
ii. VERTICAL: os precedentes dos Tribunais Superiores devem ser observados pelos Tribunais inferiores (“binding effect”). É semelhante ao efeito vinculante do Direito brasileiro.
Portanto, no sistema da “common law”, embora seja adotado o controle difuso, as decisões vinculam os demais órgãos do Poder Judiciário.
O Brasil importou parcialmente o modelo norte-americano do controle difuso porque não trouxe, conjuntamente, a doutrina do “stare decisis”. Ao longo dos anos, o modelo gerou um grave problema de insegurança jurídica, pois o Supremo decide em um sentido e os demais órgãos jurisdicionais continuam livres para decidir como bem entenderem, e quebra da isonomia, pois quem chegou ao STF pode ter uma decisão num sentido e quem não chegou ter uma decisão em outro sentido..
5.1.2. Tendências de abstrativização nos âmbitos constitucional, legislativo e jurisprudencial
É possível observar nos últimos anos uma tendência de abstrativização nos âmbitos legislativo, doutrinário e jurisprudencial. Ou seja, vê-se a tendência de que as decisões do Supremo, mesmo quando proferidas no controle difuso incidental, sejam vinculantes ou obrigatórias para os demais órgãos.
Ora, se o STF é o órgão de cúpula uniformizar a interpretação, essa uniformização somente será possível se os outros órgãos do judiciário respeitarem o entendimento que o STF adotou.
Passamos a analisar as diversas manifestações dessa tendência de abstratização nos âmbitos legislativo, doutrinário e jurisprudencial.
5.1.2.1. Âmbito constitucional
Na reforma do Poder Judiciário (EC 45/04) dois dispositivos sinalizaram para essa tendência de abstrativização:
· CF, art. 103-A: Introdução da súmula vinculante/enunciado de súmula com efeito vinculante. 
O enunciado de súmula com efeito vinculante é a consolidação de um entendimento reiterado, adotado pelo STF sobre matéria constitucional.[footnoteRef:184] Assim, as diversas decisões proferidas no controle difuso pelo STF são sintetizadas em um enunciado, o qual passa a ter o efeito vinculante. Em outras palavras, o STF atribui eficácia vinculante a um entendimento surgido no controle difuso incidental. [184: (TCESP-2017-FCC): Suponha que o STF, de ofício, mediante a decisão de 2/3 de seus membros, após o julgamento de um caso de grande repercussão, tenha aprovado súmula vinculante. Nessa hipótese, é correto afirmar que a edição da Súmula Vinculante desrespeitou a CF/1988, pois a edição da Súmula Vinculante exige reiteradas decisões sobre a matéria constitucional aventada, o que não foi cumprido ao se decidir em apenas 1 caso. BL: art. 103-A, CF/88.] 
· CF, art. 102, § 2º: Introdução da repercussão geral como requisito de admissibilidade do Recurso Extraordinário.
O Recurso Extraordinário, tradicionalmente, sempre foi visualizado como um instrumento do processo constitucional subjetivo. A partir da EC 45/04, esta visão veio sendo alterada. 
Hoje, o Recurso Extraordinário possui uma feição nitidamente objetiva, pois só será admitido se for demonstrada a repercussão social, econômica, política ou jurídica da controvérsia. 
O Recurso Extraordinário deixou de ser um instrumento voltado apenas à proteção de direitos subjetivos das partes envolvidas no litígio, pois o STF agora fixa teses quando decide um Recurso Extraordinário com repercussão geral, as quais devem ser observadas em outros casos semelhantes.
5.1.2.2. Âmbito legislativo
No âmbito legislativo, o CPC antigo já possuía normas que sinalizavam nesse sentido. O NCPC reforçou ainda mais tais comandos, especialmente nos arts. 926 e 927, 332 e 932, quanto à força normativa dos precedentes:
CPC, Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente.[footnoteRef:185] [eficácia horizontal]; [185: (MPT-2017): Os tribunais, a par de uniformizar a sua jurisprudência, devem mantê-la estável, íntegra e coerente, comando que se aplica até mesmo para o Supremo Tribunal Federal. BL: art. 926, NCPC.] 
CPC, art. 927: Os juízes e os tribunais observarão:
I – as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade [eficácia vertical]; 
II – os enunciados de súmula vinculante [eficácia vertical];
III – os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos [eficácia vertical];
IV – os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional [eficácia vertical];
V – a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados [eficácia horizontal].[footnoteRef:186] [186: (TRF4-2016): O Código busca a segurança jurídica e a isonomia, reforçando o sistema de precedentes (stare decisis) e estabelecendo como regra, no plano vertical, a observância dos precedentes e da jurisprudência e, no plano horizontal, a estabilidade, a integridade e a coerência da jurisprudência. BL: arts. 926 e 927, NCPC.
OBS:
Precedentes no plano vertical: art. 927.
Precedentes no plano horizontal: art. 926.] 
(...).
CPC, art. 332: [obs.: trata da instância inicial, ou seja, da necessidade de observância do juiz de primeiro grau aos precedentes] Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da citação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar: 
I – enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça;
II – acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos;
III – entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; 
IV – enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local.[footnoteRef:187] (...). [187: (DPEMT-2016-UFMT): Autorizam o julgamento de improcedência liminar do pedido: os enunciados de súmula do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, acórdãos proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal em julgamento de recursos repetitivos, entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência e enunciado de súmula de Tribunal de Justiça sobre direito local. BL: art. 332, NCPC.] 
CPC, art. 932: Incumbe ao relator [de forma monocrática]: (...)
IV – negar provimento a recurso que for contrário a:
a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio tribunal;
b) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos;
c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência;[footnoteRef:188] (...). [188: (DPEMT-2016-UFMT): Nos Tribunais, poderá o relator negar provimento a recurso que for contrário à súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio tribunal, acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos e entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência. BL: art. 932, IV, NCPC.] 
5.1.2.3. Âmbito jurisprudencial
Esta tendência também pode ser observada no âmbito jurisprudencial. Essa tendência encontrava-se o final de 2017 um arrefecida, mas era identificável. Porém, com o julgado veiculado no Info 886 do STF houve uma mudança no panorama jurisprudencial.
Vejamos a tal evolução a partir de alguns exemplos: 
Exemplo nº 01: Há eficácia expansiva (ultra partes) das decisões do STF quanto às decisões de declaração de inconstitucionalidade proferidas em controle difuso.
Rcl 4.335/AC: Reclamação. 2. Progressão de regime.

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