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CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 1 Direito Constitucional Ponto 7 Controle de Constitucionalidade - Parte 02: Ações Constitucionais. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 2 CURSO MEGE Site para cadastro: www.mege.com.br Celular / Whatsapp: (99) 982622200 (Tim) Turma: Clube Delta Material: Ponto 7 (Direito Constitucional) Direito Constitucional Ponto 7 Controle de Constitucionalidade - Parte 02: Ações Constitucionais. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 3 SUMÁRIO CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA ...................................................................... 4 1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 5 1.1. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE .................................................................... 5 2. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................ 78 3. QUESTÕES ................................................................................................................... 87 4. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 96 CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 4 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA (Conforme Edital Mege) DIREITO CONSTITUCIONAL Controle de Constitucionalidade - Parte 02: Ações Constitucionais. (Ponto 7) CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 5 1. DOUTRINA (RESUMO) 1.1. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 1.1.1. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (ADI) Conceito - É a análise de compatibilidade de lei ou ato normativo com a Constituição Federal (mais precisamente, com o bloco de constitucionalidade), sendo tal demanda de feição objetiva, caracterizada por uma generalidade, impessoalidade e abstração, ou seja, trata-se de controle em tese (abstrato). Por essa razão, a doutrina afirma que não há lide em sentido material, aqui entendida como o conflito de interesses subjetivos qualificado por uma pretensão resistida. Não há partes no sentido clássico, uma vez que, em tese, todos os envolvidos no processo defendem a intangibilidade da ordem jurídica, não obstante, não raras vezes, haja acirrada contraposição de teses e argumentos. Nesse controle, a decisão se dá em caráter principal (principalite). Dessa forma, a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo impugnado faz parte do pedido, e não apenas da causa de pedir. O dispositivo da decisão será então a declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade da Lei ou ato normativo. Conforme explica Pedro Lenza: “Ao contrário da via de exceção ou defesa, pela qual o controle (difuso) se verificava em casos concretos e incidentalmente ao objeto principal da lide, no controle concentrado a representação de inconstitucionalidade, em virtude de ser em relação a um ato normativo em tese, tem por objeto principal a declaração de inconstitucionalidade da lei ou ato normativo impugnado. O que se busca saber, portanto, é se a lei (lato sensu) é inconstitucional ou não, manifestando-se o Judiciário de forma específica sobre o aludido objeto”. 1.1.1.1. Objeto da ADI Objeto - Em regra, é a Lei ou Ato Normativo Estadual ou Federal. ATENÇÃO! Normas MUNICIPAIS NÃO podem ser objeto de ADI. A lei ou ato normativo deve estar vigente no momento da propositura da demanda, razão pela qual não se admite o controle de constitucionalidade jurisdicional preventivo e abstrato (ADI) de meras proposições normativas, já que estas não ensejam inovação formal na ordem jurídica. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 6 O próprio art. 102, I, “a”, da CF/88, conforme apontado, estabelece como objeto da ADI lei ou ato normativo, e não projeto de lei ou projeto de ato normativo. Da mesma forma, normas revogadas não são objeto de ADI, e sua revogação enseja, em regra, a extinção do processo em razão da perda do objeto. Tal se justifica em razão do próprio escopo do processo – proteger a ordem jurídica no aspecto objetivo. Logo, se a norma foi revogada, não haveria mais lesão à ordem jurídica, e eventuais efeitos pretéritos inconstitucionais devem ser discutidos nas vias próprias. Sem embargo do exposto, o STF vem construindo em sua jurisprudência uma série de exceções, as quais admitem o seguimento da ADI, mesmo com a superveniência da revogação da norma, a exemplo de situações nas quais fica evidenciada a tentativa de fraudar o exercício da jurisdição concentrada do STF, ou para preservar os trabalhos já realizados. Podemos esquematizar algumas exceções mais cobradas em prova da seguinte forma: REGRA: o objeto da ADI deve ser uma lei ou ato normativo, federal ou estadual, vigente ao tempo do julgamento, sob pena de se caracterizar a perda do objeto da ação. Exceção 1: Não haverá perda do objeto da ADI se ficar demonstrado que o ato normativo impugnado foi repetido em outro diploma normativo (ADI 2418/DF). Exceção 2: Não haverá perda do objeto da ADI se ficar demonstrado que houve “fraude processual”, ou seja, a revogação foi proposital a fim de evitar os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, que em regra são retroativos (ADI 3306). Exceção 3: Não haverá perda do objeto da ADI se o STF julgou o mérito da ação sem ter sido comunicado que a norma foi revogada (ADI 951 ED). Exceção 4: Não haverá perda do objeto da ADI se a revogação da norma impugnada se deu por medida provisória, pois a MP é “lei sob condição resolutiva”, que precisa ser confirmada. Assim, enquanto não votada e não convertida a MP em lei, a ADI não perde o objeto (ADI 5717/DF). Em suma, o controle abstrato por via de ADI, em regra, só é aplicável para normas vigentes e supervenientes ao parâmetro constitucional (princípio da contemporaneidade). Outro aspecto da ADI é que, por meio desta via de controle, apenas podem ser impugnadas normas primárias, de caráter autônomo. Decretos regulamentares e atos infralegais de caráter meramente regulamentar e secundário não são objeto de ação direta, pois, neste caso, eventual ofensa seria reflexa, e não direta à Constituição. Contudo, caso o decreto tenha caráter autônomo e se dissocie totalmente de qualquer lei ou ato normativo primário, inovando efetivamente no ordenamento, poderá, neste caso, ser objeto de ADI. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 7 Sistematizando: Norma Primária Tem aptidão de inovar na ordem jurídica. Seu fundamento de validade diretoé a constituição. A questão é de constitucionalidade, logo, cabe ADI. Norma Secundária Não inova no ordenamento, apenas regulamenta outra norma primária, isto é, seu fundamento de validade é a norma primária. A questão é de legalidade, e eventual ofensa à Constituição seria reflexa, e não direta. Em relação aos atos normativos que podem ser objeto de fiscalização concentrada perante o STF por meio de ADI, temos o seguinte panorama: i. Todas as espécies normativas do art. 59 da CF podem ser objeto de ADI: Lei Complementar; Lei Ordinária; Lei Delegada; Medida Provisória; Decretos Legislativos e Resoluções podem ser objeto de controle de constitucionalidade, pois derivam direto da Constituição. Importante destacar que, atualmente para o STF, não há mais importância a distinção entre Lei em sentido material (inova efetivamente no ordenamento) e Lei em sentido formal (Lei de efeitos concretos). Ambas podem ser objeto de controle em ADI, por derivar diretamente do art. 59 da CF. Ao firmar esta posição, o STF superou antiga jurisprudência que considerava a via da ação direta inadequada para sindicar leis de conteúdo concreto, como as leis orçamentárias. Atualmente, o STF passou a entender que as leis derivadas diretamente do art. 59 da CF podem ser objeto de ADI, independentemente de seu conteúdo. ATENÇÃO! Já caiu em prova: cabe ADI para impugnar leis orçamentárias. ii. Ato Normativo: é todo e qualquer ato revestido de indiscutível caráter normativo. Via de regra, apenas os atos normativos primários (atos que encontram condição de validade diretamente no texto constitucional, sem a intermediação de outras verificações de legalidade) podem ser objeto de controle de constitucionalidade. A doutrina e a jurisprudência entendem que os regimentos internos dos tribunais podem ser objeto de controle de constitucionalidade, desde que busquem inovar no ordenamento jurídico. iii. Súmulas Vinculantes: não podem ser objeto de ADI, pois não são atos normativos, e sim o reflexo da interpretação de outros atos normativos, consolidados em um enunciado. Para estas existe um procedimento específico de revisão. iv. Emendas Constitucionais: podem ser objeto de ADI, pois são a manifestação do poder constituinte derivado reformador, estando limitadas ao que dispõe o art. 60 da CF. Essa é a premissa a ser fixada, especialmente para fins de prova objetiva. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 8 À guisa de maior aprofundamento teórico, deixo no quadro abaixo reflexões sobre as limitações a que se sujeita o poder constituinte derivado reformador. ATENÇÃO! O poder constituinte derivado reformador, por ser instituído pelo poder constituinte originário, está delimitado pelas balizas estabelecidas na própria Constituição, devendo observar limites formais, circunstanciais e inclusive materiais, tendo sido reservado um núcleo intangível e pretensamente imune à atuação de maiorias transitórias. Nesse contexto, a doutrina de Paulo Bonavides nos ilumina com a percepção de que os limites materiais ao poder constituinte derivado reformador, as famigeradas “cláusulas pétreas” constituem verdadeiros mecanismos de defesa da Constituição, garantias de sua própria existência. No cumprimento de tal desiderato, ocupam um especial espaço de imunidade tanto contra a legislação ordinária como também contra as investidas qualificadas do Poder Legislativo no exercício do poder de reforma. Assim, constituem-se em um núcleo de identidade constitucional, o qual não pode ser desnaturado, com escopo de evitar uma possível “erosão da consciência constitucional”, ou seja, a dissolução do núcleo axiológico da Constituição. Na doutrina, a questão das cláusulas pétreas levanta digressões importantes, sobretudo para provas com cobrança de doutrina mais densa, como a PGE/RJ. Daniel Sarmento coloca em perspectiva a problemática da legitimidade intergeracional das cláusulas pétreas. Nas palavras do renomado jurista, a questão que se coloca é (...) estabelecer em qual proporção se afigura legítimo que uma Constituição prefigure os caminhos e decisões do povo do futuro. Quando reconhecemos que as constituições, em geral, aspiram vigorar por muito tempo e disciplinar a coexistência política de sucessivas gerações ao longo da trajetória de uma nação, somos confrontados com uma pergunta fundamental: por que e até que ponto pode uma geração adotar decisões vinculativas para as outras que a sucederão? Nesse sentido, alguns limites materiais poderiam ser revisitados, a exemplo do direito adquirido em face do poder constituinte derivado de reforma (obs.: posição doutrinária e minoritária, para o STF prevalece que emenda não pode alcançar direito adquirido). Os argumentos expendidos são no sentido de que os limites materiais ao poder constituinte de reforma se chocariam, em tese, com o direito democrático de cada geração se autogovernar, e não seria a vedação absoluta de deliberação sobre determinados temas que garantiria a proteção à estabilidade do regime constitucional, ou seja, o desejo de se evitar abalos institucionais que visem a suplantar limitações de reforma aparentemente insuperáveis, tendo em vista que a depender do desejo de mudança, tal rigidez pode instigar inclusive a ruptura da ordem constitucional, com a manifestação de um novo poder constituinte originário. Por fim, o professor ressalva que o espírito da CF/88 se volta muito mais à transformação do status quo do que a sua irredutível conservação. Ou seja, a modificação das estruturas sociais é um desejo do constituinte tão forte quanto a manutenção de estruturas supostamente ideais à “segurança jurídica”. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 9 Contudo, Sarmento, ao ponderar a tensão entre a legitimidade intergeracional e os limites materiais ao poder de reforma, conclui que seriam estas necessárias com escopo de preservação da intangibilidade da ordem jurídica e da preservação da democracia, que não se confunde apenas com o desejo de maiorias transitórias, mas é afirmada com o respeito aos direitos das minorias e a máxima efetividade dos direitos fundamentais. Justifica-se a existência de tais limites, uma vez que, se o poder de revisão fosse amplo e não sujeito a tais balizas, acabaria por arvorar-se na condição de poder constituinte originário, pois somente este é “ilimitado” juridicamente, no que abriria a possibilidade de constituir, por meio de um mero processo legislativo, uma nova ordem jurídica. Por derradeiro, os limites materiais ao poder constituinte derivado reformador não tutelam interesses específicos ou corporativos, cuidando de normas constitucionais de maior envergadura, as quais traduzem o núcleo da Constituição e do modelo de Estado projetado pelo constituinte para as gerações presentes e futuras, com abertura suficiente para acomodações, sendo os processos constitucionais legislativos e exegéticos suficientes para evitar o descompasso entre o texto da Constituição e os anseios sociais mais legítimos, defendendo-as de uma ruptura com princípios e estruturas essenciais da Constituição. São as normas de conteúdo mais relevante que foram protegidas do esvaziamento por ação do poder reformador. Isso implica perceber, também, que não estão a proibir qualquer alteração – que poderão ser toleradas – desde que não desqualifique ou reduza a essência do protegido. Logo, as Emendas, ainda que se constituam na mais alta expressão da vontade do parlamento, podem ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade, e, portanto, invalidadas pelo STF, caso transbordemdos limites inseridos no art. 60, § 4º, da CF. v. Normas Originárias da CF: prevalece no STF o entendimento de que não cabe controle de constitucionalidade do poder originário. Como visto no ponto anterior, NÃO se adota a perspectiva de Otto Bachof, jurista alemão, que teoriza a possibilidade de existirem “normas originárias inconstitucionais”. Nesse sentido, a jurisprudência do STF: “Ação direta de inconstitucionalidade. ADI. Inadmissibilidade. Art. 14, § 4º, da CF. Norma constitucional originária. Objeto nomológico insuscetível de controle de constitucionalidade. Princípio da unidade hierárquico-normativa e caráter rígido da Constituição brasileira. Doutrina. Precedentes. Carência da ação. Inépcia reconhecida. Indeferimento da petição inicial. Agravo improvido. Não se admite controle concentrado ou difuso de constitucionalidade de normas produzidas pelo poder constituinte originário” (ADI 4.097-AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, j. 08.10.2008, DJE de 07.11.2008). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 10 vi. Medida Provisória: podem ser objeto de ADI, pois têm força de lei, sendo espécie normativa prevista no art. 59 da CF. Observação – Em relação aos requisitos da relevância e urgência, como pressupostos objetivos da Medida Provisória, cumpre destacar que o STF entende que, em regra, são conteúdos de acentuado caráter político, razão pela qual sua análise, em sede de ADI, só é possível de maneira excepcional, notadamente na hipótese de ficar evidenciado o desvio ou abuso no exercício da função legiferante pelo Executivo (em outras palavras, quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva). Assim, em regra, quanto à análise dos requisitos de relevância e urgência, adota-se uma postura de maior deferência em relação à decisão do Presidente da República (autocontenção judicial), sobretudo porque a análise dos requisitos será submetida ao crivo do Legislativo. Sobre o tema, recente julgado do STF: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO CONSTITUCIONAL. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 746/2016. CONVERSÃO NA LEI Nº 13.415/2017. MODIFICAÇÃO SUBSTANCIAL. PREJUDICIALIDADE PARCIAL DA AÇÃO. ANÁLISE DA INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. REQUISITO DE URGÊNCIA PARA EDIÇÃO DE MEDIDA PROVISÓRIA. EXCEPCIONALIDADE ENSEJADORA DA ATUAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO NÃO CARACTERIZADA. PRECEDENTES. IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. 1. As alterações introduzidas pelo Projeto de Lei de Conversão n. 34/2016, posteriormente transformado na Lei n. 13.415/2017 são significativas a ponto de interromper a continuidade normativa do texto primitivo da Medida Provisória n. 746/2016, resultando na extinção parcial da presente ação por perda superveniente de objeto. Precedentes. 2. A inconstitucionalidade formal de medida provisória não se convalida com a sua conversão em lei, razão pela qual, conquanto haja perda de objeto relativamente à inconstitucionalidade material, remanesce o interesse de agir no que tange à inconstitucionalidade formal. 3. No limitado controle dos requisitos formais da medida provisória deve o Poder Judiciário verificar se as razões apresentadas na exposição de motivos pelo Chefe do Poder Executivo são congruentes com a urgência e a relevância alegadas, sem adentrar ao juízo de fundo que o texto constitucional atribui ao Poder Legislativo. 4. Ação direta julgada improcedente. (ADI 5599, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 26/10/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-280 DIVULG 25-11- 2020 PUBLIC 26-11-2020) CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 11 Assim, para o STF, é possível o controle judicial dos pressupostos de relevância e urgência para a edição de medidas provisórias. No entanto, “o escrutínio a ser feito pelo Judiciário neste particular é de domínio estrito, justificando-se a invalidação da iniciativa presidencial apenas quando atestada a inexistência cabal desses requisitos” (RE 592.377). Em sua prova, muita atenção com a forma de questionamento. Ainda sobre o tema, pergunta-se, como fica a ADI interposta para discutir os requisitos de relevância e urgência para edição de Medida Provisória, caso haja a conversão em lei antes do julgamento? Embora seja um tema que alberga discussão, prevalece que a intercorrente conversão da medida provisória em lei faz com que a ADI, proposta exclusivamente para discutir a presença dos requisitos constitucionais da relevância e urgência, perca o objeto. Não haveria a convalidação de um vício de origem, pois, diferente do que ocorre com os demais vícios formais, a ausência dos requisitos de urgência e relevância em nada interfere na lei conversora (tendo em vista a autonomia da lei de conversão em relação à medida provisória em si – a relevância e a urgência são requisitos constitucionais para a edição da medida, e não para aprovação da Lei, tanto é que o parlamento aprecia primeiro a presença destes requisitos, e somente depois o mérito legislativo). Dessa forma, eventual vício quanto aos requisitos da relevância e urgência haveria de interferir apenas em relação ao período que a medida provisória esteve vigente, não sendo a ADI o mecanismo adequado para fiscalizar a constitucionalidade de ato normativo que não se encontra em vigor, notadamente se a lei convertida não apresenta outro vício (na doutrina, entre outros IVO DANTAS). SITUAÇÃO DISTINTA ocorre quando o vício é material ou mesmo formal, diverso dos sobreditos requisitos. Nesta hipótese, a conversão da medida provisória em lei não prejudica o julgamento da ADI, tendo em vista a continuidade normativa e a permanência do vício, e, neste caso, prevalece que a ADI terá seguimento, cabendo ao autor aditar a petição inicial, informando a mudança do objeto. Neste caso, é pacífica a jurisprudência do STF: (...) Não prejudica a ação direta de inconstitucionalidade material de medida provisória a sua intercorrente conversão em lei sem alterações, dado que a sua aprovação e promulgação integrais apenas lhe tornam definitiva a vigência, com eficácia “ex tunc” e sem solução de continuidade, preservada a identidade originária do seu conteúdo normativo, objeto da arguição de invalidade. (...) STF. Plenário. ADI 691 MC, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgado em 22/04/1992. Por fim, cabe estabelecer uma distinção em relação à análise dos requisitos constitucionais da relevância e urgência nas medidas provisórias comuns dos requisitos CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 12 constitucionais de imprevisibilidade e urgência (art. 62 c/c o art. 167, § 3º, ambos da CF) da Medida Provisória que abre crédito extraordinário: Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I - relativa a: d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º; (...) Art. 167. São vedados: (...) § 3º A abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública, observado o disposto no art. 62. Nesta situação, a carga normativa da exigência de “imprevisibilidade” reduz de sobremaneiraa discricionariedade do chefe do executivo, pois não basta que haja urgência e relevância (requisitos sensivelmente mais abertos), sendo necessária uma carga de imprevisibilidade na circunstância apta a excepcionar a necessidade de observância pelo chefe do executivo do devido processo legislativo orçamentário. Assim decidiu o STF: EMENTA: Limites constitucionais à atividade legislativa excepcional do Poder Executivo na edição de medidas provisórias para abertura de crédito extraordinário. Interpretação do art. 167, § 3º c/c o art. 62, §1º, inciso I, alínea d, da Constituição. Além dos requisitos de relevância e urgência (art. 62), a Constituição exige que a abertura do crédito extraordinário seja feita apenas para atender a despesas imprevisíveis e urgentes. (...), os requisitos de imprevisibilidade e urgência (art. 167, § 3º) recebem densificação normativa da Constituição. Os conteúdos semânticos das expressões ‘guerra’, ‘comoção interna’ e ‘calamidade pública’ constituem vetores para a interpretação/aplicação do art. 167, § 3º c/c o art. 62, § 1º, inciso I, alínea d, da Constituição. (...) ADI 4.048-MC, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 14.05.2008, DJE de 22.08.2008). No mesmo sentido: ADI 4.049-MC, Rel. Min. Carlos Britto, j. 05.11.2008. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 13 vii. Decretos Regulamentares: conforme asseverado, não podem ser objeto de ADI, pois apenas regulamentam leis. Trata-se de questão de ilegalidade, e não inconstitucionalidade. Entretanto, a doutrina e a jurisprudência afirmam que os decretos autônomos podem ser objeto de ADI (art. 84, VI, da CF). Neste caso, seriam verdadeiras normas primárias por inovarem no ordenamento jurídico. Relembrando: DECRETO REGULAMENTAR Previsto no art. 84, IV, da Constituição Federal - expedido para fiel execução das leis, sem inovar no ordenamento jurídico. DECRETO AUTÔNOMO Previsto no art. 84, VI, da Constituição Federal. Pode dispor unicamente sobre: i) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; ii) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos. Portanto, atenção ao questionamento: Decretos meramente regulamentares NÃO podem ser objeto de ADI. Decretos autônomos podem ser objeto de ADI. Exemplo: o STF entendeu cabível ADI contra decreto autônomo do Presidente da República que extinguiu colegiados da Administração Pública Federal (ADI 6121). viii. Tratados Internacionais (comuns): podem ser objeto de controle por ADI, pois têm natureza de norma ordinária. Até mesmo os tratados relacionados a direitos humanos podem ser controlados por ADI, pois se submetem aos limites impostos ao Poder Constituinte derivado de reforma (tal como as emendas constitucionais). Segundo o STF, os tratados internacionais de direitos humanos aprovados antes da emenda 45 têm natureza supralegal. Eles podem paralisar a eficácia de todas as leis inferiores. Tais tratados são incorporados ao ordenamento jurídico interno (com status supralegal, como visto) e podem ser objeto de controle de constitucionalidade. Entretanto, não podem ser parâmetro de controle de constitucionalidade (situam-se hierarquicamente acima das leis, mas abaixo da constituição). OBSERVAÇÃO: a doutrina chama a análise de compatibilidade da lei com os tratados e convenções internacionais de direitos humanos sem força de emenda constitucional como controle de supralegalidade ou de convencionalidade. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 14 ix. Leis Anteriores à CF: não podem ser objeto de ADI; ou são recepcionadas pelo novo ordenamento ou não (juízo de recepção, não de constitucionalidade). Sob este aspecto, não existe o fenômeno da constitucionalidade ou inconstitucionalidade superveniente, pois se aplica o princípio da contemporaneidade, conforme visto anteriormente. As normas anteriores à Constituição são recepcionadas quando compatíveis ou meramente revogadas quando incompatíveis com o texto constitucional, não sendo a ADI o mecanismo adequado para investigar se houve ou não recepção. Aprofundando: OBSERVAÇÃO: o STF não admite a teoria da inconstitucionalidade superveniente em decorrência da promulgação de nova constituição ou emenda constitucional, resolvendo a questão no plano da revogação. Ocorre que há outro sentido para inconstitucionalidade superveniente, este ACEITO pelo STF, que é aquela decorrente de um processo de inconstitucionalização. É que determinada norma pode ser reconhecida como constitucional em um primeiro momento, porém vir a se tornar inconstitucional sem que haja alteração do parâmetro constitucional, mas em razão de alterações nas condições fáticas que davam suporte de validade à norma, ou mesmo na visão jurídica sobre o assunto. Exemplo é justamente o caso do amianto, no qual o STF passou a entender ser constitucional a sua proibição em razão da alteração no quadro fático, decorrente de avanços científicos, surgimento de outros materiais menos nocivos à saúde, dentre outras circunstâncias. x. Atos Estatais de Efeitos Concretos: entende-se, como regra, que atos de efeitos concretos não podem ser objeto de ADI, pois não são contidos de generalidade. Entretanto, atualmente, o STF tem entendido que, se esses atos forem editados sob a forma de lei, mesmo tendo efeitos concretos, podem ser objeto de controle. Leis Orçamentárias: como visto, o STF admite o controle em sede abstrata, bastando que uma lei orçamentária, em sentido formal, seja o objeto da controvérsia. Dessa forma, o tribunal não mais leva em consideração a densidade normativa da lei, podendo ser objeto de ADI qualquer lei orçamentária. xi. Ato Normativo Já Revogado ou de Eficácia Exaurida: não cabe ADI em face desses atos, pois falta objeto para a ação. xii. Lei Revogada ou que Perde Vigência Após a Propositura da ADI: como regra, a revogação da lei durante o processo de julgamento da ADI causa a prejudicialidade da ação por perda do objeto (STF), atentando-se para as exceções estudadas. Em sentido contrário, Gilmar Mendes afirma que o procedimento deveria continuar para evitar conflitos no plano de ações individuais. Essa posição foi adotada na ADPF 449, que tratou sobre lei municipal proibitiva dos aplicativos de transporte CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 15 individual e foi julgada mesmo com a posterior revogação da lei municipal objeto da ação: (...) A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental não carece de interesse de agir em razão da revogação da norma objeto de controle, máxime ante a necessidade de fixar o regime aplicável às relações jurídicas estabelecidas durante a vigência da lei, bem como no que diz respeito a leis de idêntico teor aprovadas em outros Municípios (ADPF 449, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 08/05/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-190 DIVULG 30-08-2019 PUBLIC 02-09-2019) Assim, mais uma vez, é importante ficar atento à forma de questionamento em provas. xiii. Resoluções do CNJ, do CNMP e Resoluções do TSE: podem ser objeto de controle de constitucionalidade, especialmente quando tenham em seu conteúdo normas de caráter geral, abstrato e autônomo (Ex: ADI 5122, ADI 4263). NÃO CONFUNDA: respostas emitidas pelo TSE não podem ser objeto de ADI. De fato, resposta do TSE à consulta eleitoralnão tem natureza jurisdicional nem efeito vinculante (MS 26.604). xiv. Parecer normativo da Consultoria-Geral da República, aprovado pelo Presidente da República pode ser objeto de impugnação mediante ação direta de inconstitucionalidade (ADI 4/DF). Segundo o art. 22, § 2º e art. 23 do Decreto 92.889/86, este parecer, quando aprovado pelo Presidente, assume força normativa, assim, teoricamente, poderia ser objeto de ADI. xv. Controle dos Atos que Incorporam o Tratado Internacional ao Ordenamento Interno: de acordo com a jurisprudência do STF, a incorporação dos tratados à ordem interna decorre de um ato subjetivamente complexo, resultante da conjugação de duas vontades homogêneas: a do Congresso Nacional, que resolve, definitivamente, mediante decreto legislativo, sobre tratados, acordos ou atos internacionais (art. 49, I da CF) e a do Presidente da República, que, além de poder celebrar esses atos (art. 84, VIII da CF), também dispõe (na qualidade de chefe de Estado que é) da competência para promulgá-los mediante decreto. O iter procedimental de incorporação dos tratados internacionais, superadas as fases prévias da celebração, de sua aprovação congressional e da ratificação pelo Chefe de Estado, conclui-se com a expedição, pelo Presidente, de decreto, de cuja edição derivam três efeitos básicos que lhe são inerentes: i) a promulgação do tratado internacional; ii) a publicação oficial de seu texto; e iii) a executoriedade do ato internacional, que passa, então, e somente então, a vincular e a obrigar no plano do direito potestativo interno. Daí, a necessidade de ajuizar ADIn contra os dois normativos, conforme entendimento predominante. NÃO CONFUNDA: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 16 Tratados internacionais podem ser OBJETO de ADI, ou seja, podem ser impugnados em face da Constituição Federal. Tratados internacionais não podem ser PARÂMETRO de ADI, salvo se versarem sobre direitos humanos e forem aprovados na forma do art. 5º, § 3º, da Constituição Federal, quando terão status de emenda constitucional. *Os Tratados internacionais que versem sobre direitos humanos e não foram aprovados na forma do art. 5º, § 3º, da Constituição Federal, têm status supralegal e podem ser parâmetro de controle de convencionalidade de leis (condicionam a legislação). Outros atos de conteúdo normativo já apreciados pelo STF em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade: - Resolução ou deliberações administrativas de Tribunais: será possível quando ostentar conteúdo normativo, com generalidade e abstração sendo nesta hipótese cabível o controle abstrato de constitucionalidade. ADI 3202/RN, rel. Min. Cármen Lúcia, 5.2.2014. (ADI-3202) - Regimento das casas do Legislativo: será cabível quando tiver caráter autônomo, e não meramente ancilar. ADI 4587. - Atos do poder executivo com conteúdo derrogatório sobre outros atos de caráter normativo: atos infralegais que ostentam normatividade, inclusive buscando derrogar outras normas. Na ADI 3206, o STF declarou a inconstitucionalidade da Portaria nº 160 de 13 de abril de 2004, da Lavra do Ministério do Trabalho e Emprego. - Resoluções do Controle Interministerial de preços: STF já conheceu da ação que impugnava resolução de controle de preços, vide ADI 08. - Lei com destinatários determináveis: Ex.: lei que dispõe que determinada classe de servidores será aproveitada em outra carreira. Pode ser objeto de ADI-Re 1186465. O simples fato de a lei possuir destinatários determináveis não retira a possibilidade do controle por meio de ADI. - Decreto autônomo que extinguiu colegiados da Administração Pública: pode ser objeto de ADI- ADI 6121. - Resolução de Tribunal de Justiça: pode ser objeto de ADI - ADI 5310. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 17 - Lei estadual que dispõe sobre criação, incorporação, fusão ou desmembramento de municípios: pode ser objeto de ADI (ADI 1825). - Lei fruto de acordo homologado judicialmente: pode ser objeto de ADI. O fato de a lei ter sido aplicada em casos concretos, com decisões transitadas em julgado, em nada interfere na possibilidade dessa mesma norma ser analisada, abstratamente, em sede de ação direta de inconstitucionalidade (ADI 1244). Novidade jurisprudencial: o STF admitiu ADI contra Resolução de Conselho Profissional de Psicologia que expressa conteúdo normativo relativo a direitos e garantias individuais: Ementa: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. RESTRIÇÃO AO COMÉRCIO E USO DE TESTES PSICOLÓGICOS. CABIMENTO. LIMITAÇÃO DESPROPORCIONAL À LIBERDADE DE ACESSO À INFORMAÇÃO (ART. 5º, XIV, CF) E À LIVRE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO, CRIAÇÃO, EXPRESSÃO E INFORMAÇÃO (ART. 220, CAPUT, CF). 1. A Jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL admite o uso da ação direta de inconstitucionalidade contra atos normativos infralegais que inovem originariamente no ordenamento, em confronto direto com o texto constitucional. 2. A competência dos Conselhos Profissionais para regulamentar o exercício das respectivas profissões não permite a limitação ao comércio e uso de livros, revistas, apostilas ou qualquer meio editorial pelo qual se veiculem conteúdos relacionados ao exercício profissional. 3. A regulamentação deve recair sobre as situações concretas em que se realiza diagnóstico, orientação ou tratamento, mas não sobre a mera aquisição e leitura de material bibliográfico destinado a subsidiar materialmente a prática de atos privativos de profissional habilitado. 4. A restrição da aquisição de testes psicológicos apenas a psicólogos habilitados, uma vez que não proporciona útil e necessária tutela à saúde pública e ao exercício regular de profissão relacionada à saúde humana, é restrição desproporcional à liberdade de acesso à informação e à livre comunicação social. 5. Ação direta julgada procedente. (ADI 3481, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 08/03/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-062 DIVULG 05-04-2021 PUBLIC 06-04-2021) CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 18 Na ação de controle concentrado há uma contraposição entre o objeto e o parâmetro de controle, sendo o parâmetro a norma constitucional (inserida no bloco de constitucionalidade), tida como violada. Parâmetro (ou norma de referência) Em controle de constitucionalidade, quando falamos em “parâmetro”, queremos dizer quais serão as normas da Constituição que serão analisadas para sabermos se a lei ou o ato normativo atacado realmente as violou. Em outras palavras, parâmetro são as normas que servirão como referência para que o Tribunal analise se determinada lei é ou não inconstitucional. Se a lei está em confronto com o parâmetro, ela é inconstitucional. Bloco de Constitucionalidade – O parâmetro é extraído do bloco de constitucionalidade, ou seja, dentre as normas com caráter constitucional. Não estão apenas no corpo da Constituição. Esse bloco é formado pela própria CF, em seu corpo de artigos, os quais contêm regras e princípios, sendo que estes podem estar expressos no texto ou serem dele extraídos de maneira implícita (ex.: proporcionalidade, segurança jurídica, razoabilidade); pelas emendas constitucionais (até mesmo o texto interno que não tenha sido incorporado à CF); e os tratados internacionais de direitos humanos aprovados com status de emenda.Também fazem parte desse bloco de constitucionalidade as disposições contidas no ADCT. O preâmbulo, embora esteja na Constituição, não possui força cogente, não integrando o bloco de constitucionalidade (STF). O STF adota um conceito formal de bloco de constitucionalidade. Será parâmetro a norma constitucional, em razão de ter sido aprovado por meio de um processo legislativo solene e mais oneroso em relação às demais normas, sendo idêntico processo legislativo exigível para a aprovação de emendas constitucionais e normas inseridas no ADCT. Os princípios implícitos que também sejam erigidos como parâmetro derivam diretamente da exegese de tais normas, o que não afasta o aspecto formal de supremacia constitucional. Da mesma forma, os tratados internacionais sobre direitos humanos, aprovados e que passem a integrar o ordenamento jurídico com status de emenda constitucional, devem ser submetidos a um processo legislativo de incorporação similar ao das emendas, o que impede de conceber uma abertura material no conceito de bloco de constitucionalidade, tendo em vista a necessidade de aprovação solene. Existem autores, entretanto, que tomam o conceito no sentido amplo. Para estes, o bloco de constitucionalidade engloba não apenas as normas formalmente constitucionais, mas todas aquelas que versem sobre matéria constitucional, alcançando, assim, a legislação infraconstitucional. Estes autores privilegiam o conceito material de bloco de constitucionalidade, e não o conceito formal. Entretanto, o sentido amplo de bloco de constitucionalidade não serve para definir o parâmetro do controle de constitucionalidade, que se define pela hierarquia formal da CF, de acordo com o entendimento da doutrina majoritária e da jurisprudência pátria. O STF adota o sentido formal de bloco de constitucionalidade, como dito. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 19 Alteração do Parâmetro de Constitucionalidade Invocado - Anteriormente, a alteração do parâmetro constitucional invocado, ou seja, o aspecto da CF que a lei contrariaria, causava a prejudicialidade. Entretanto, o STF mudou seu entendimento (ADI 2158) e determinou que a ADI deveria continuar, pois a mudança de parâmetro não muda o vício congênito da inconstitucionalidade (ex.: caso da taxação dos inativos). Isso reforça a premissa de que não é possível a constitucionalidade superveniente, ou seja, uma vez que a inconstitucionalidade é vício de origem, a alteração no parâmetro constitucional invocado não afasta a possibilidade de ser reconhecida a inconstitucionalidade da norma. Nesse sentido: (...) 1. Em nosso ordenamento jurídico, não se admite a figura da constitucionalidade superveniente. Mais relevante do que a atualidade do parâmetro de controle é a constatação de que a inconstitucionalidade persiste e é atual, ainda que se refira a dispositivos da Constituição Federal que não se encontram mais em vigor. Caso contrário, ficaria sensivelmente enfraquecida a própria regra que proíbe a convalidação. (...) 3. A Lei estadual nº 12.398/98, que criou a contribuição dos inativos no Estado do Paraná, por ser inconstitucional ao tempo de sua edição, não poderia ser convalidada pela Emenda Constitucional nº 41/03. E, se a norma não foi convalidada, isso significa que a sua inconstitucionalidade persiste e é atual, ainda que se refira a dispositivos da Constituição Federal que não se encontram mais em vigor, alterados que foram pela Emenda Constitucional nº 41/03. (...) STF. Plenário. ADI 2158, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/09/2010. Amplitude do Efeito Vinculante da ADI - O efeito vinculante vincula o Judiciário e a Administração Pública. Entretanto, não vincula o legislador (na função de legislar). Este pode editar uma lei com conteúdo idêntico àquele que foi objeto de ADI. A ADI não vincula o legislativo sob pena de fossilização (petrificação, não evolução) do sistema jurídico. O julgamento da ADI também não vincula o plenário do STF. OBSERVAÇÃO: Teoria dos Diálogos Institucionais/Constitucionais – Possibilidade de mutação constitucional pela via legislativa. Do próprio texto constitucional decorre o preceito de que o legislador não fica vinculado ao que decide o STF em relação à constitucionalidade das leis e atos normativos. A ideia do poder constituinte originário é justamente evitar o fenômeno da “fossilização” da Constituição e do ordenamento jurídico, ou seja, ao conceber que as decisões do STF seriam perpétuas e imutáveis, haveria verdadeiro impedimento à CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 20 acomodação do ordenamento jurídico ao avanço sociológico, fático, econômico e jurídico da sociedade. Nesse sentido, é relevante conhecer a teoria dos diálogos, já citada inclusive no próprio STF, que reconheceu que não pode se arvorar do poder definitivo sobre os institutos constitucionais. Para a manutenção da ordem constitucional, é certo que o STF possui para essa teoria a última palavra, porém uma última palavra provisória, e não definitiva. O assunto é tratado pelos professores Daniel Sarmento e Cláudio Pereira de Souza Neto: “(...) não é salutar atribuir a um único órgão qualquer a prerrogativa de dar a última palavra sobre o sentido da Constituição. (...). É preferível adotar-se um modelo que não atribua a nenhuma instituição – nem do Judiciário, nem do Legislativo – o “direito de errar por último”, abrindo-se a permanente possibilidade de correções recíprocas no campo da hermenêutica constitucional, com base na ideia de diálogo, em lugar da visão tradicional, que concede a última palavra nessa área ao STF. (...) As decisões do STF em matéria constitucional são insuscetíveis de invalidação pelas instâncias políticas. Isso, porém, não impede que seja editada uma nova lei, com conteúdo similar àquela que foi declarada inconstitucional. (...) Se o fato ocorrer, é muito provável que a nova lei seja também declarada inconstitucional. Mas o resultado pode ser diferente. O STF pode e deve refletir sobre os argumentos adicionais fornecidos pelo Parlamento ou debatidos pela opinião pública para dar suporte ao novo ato normativo, e não ignorá-los, tomando a nova medida legislativa como afronta à sua autoridade. Nesse ínterim, além da possibilidade de alteração de posicionamento de alguns ministros, pode haver também a mudança na composição da Corte, com reflexões no resultado do julgamento.” (SARMENTO, Daniel; SOUZA NETO, Cláudio Pereira de. Direito Constitucional. Teoria, história e métodos de trabalho. Belo Horizonte: Fórum, 2012, p. 402-405) Uma vez que o Legislativo não fica vinculado ao que decidiu o STF, é possível que haja reação legislativa, ou seja, a edição de uma nova norma com conteúdo semelhante, buscando superar os argumentos indicados pelo STF, e com isso a Corte venha a ser instada novamente a se manifestar, vindo a mudar de posição, inclusive alterando a exegese em relação ao parâmetro constitucional que determinava a inconstitucionalidade, no que consiste em verdadeira mutação constitucional instigada pelo legislativo. À luz dessas premissas, forçoso reconhecer que o legislador pode, por emenda constitucional ou lei ordinária, superar a jurisprudência, reclamando, a depender do instrumento normativo que veicular a reversão, posturas distintas do Supremo Tribunal Federal. Se veiculada por emenda, há a alteração formal do texto constitucional, modificando, bem por isso, o próprio parâmetro que amparava a jurisprudência do Tribunal. Nessas situações, a invalidade da emenda somente poderá ocorrer nas hipóteses de descumprimentodo art. 60 da Constituição. Se, porém, introduzida por legislação ordinária, a lei que frontalmente colidir com a jurisprudência da Corte nasce, segundo o próprio STF, com presunção de CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 21 inconstitucionalidade, de sorte que caberá ao legislador o ônus de demonstrar, argumentativamente, que a correção do precedente se afigura legítima. A teoria dos diálogos institucionais já foi citada pelo Supremo Tribunal Federal. Em outras palavras, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo nas ações do controle concentrado de constitucionalidade não vinculam o legislativo em sua função típica de legislar. Não existe uma vedação prévia a tais atos normativos. O legislador pode, por legislação ordinária ou emenda constitucional, superar a jurisprudência consolidada do STF, o que é chamado de reversão legislativa, reação legislativa, ativismo congressual ou efeito “back lash”. No ponto, necessário fazer uma diferenciação: - Se o legislativo edita uma EMENDA constitucional para superar a jurisprudência do STF em controle concentrado de constitucionalidade: essa emenda só é considerada inconstitucional se ofender cláusula pétrea ou o processo legislativo. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a EC 96/2017 (Emenda da Vaquejada), que buscou superar o entendimento do STF no sentido de que a prática da vaquejada seria inconstitucional por submeter os animais à crueldade. Tratou-se de uma hipótese de “mutação constitucional” pela via legislativa. - Se o legislativo edita uma LEI para superar a jurisprudência do STF em controle concentrado de constitucionalidade: haveria uma presunção RELATIVA de inconstitucionalidade, cabendo ao legislativo o ônus argumentativo de superar o entendimento da corte constitucional. Segue ementa de um elucidativo julgado sobre a temática da teoria dos diálogos institucionais: SUPERAÇÃO LEGISLATIVA: DIREITO CONSTITUCIONAL E ELEITORAL. DIREITO DE ANTENA E DE ACESSO AOS RECURSOS DO FUNDO PARTIDÁRIO ÀS NOVAS AGREMIAÇÕES PARTIDÁRIAS CRIADAS APÓS A REALIZAÇÃO DAS ELEIÇÕES. REVERSÃO LEGISLATIVA À EXEGESE ESPECÍFICA DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NAS ADIs 4490 E 4795, REL. MIN. DIAS TOFFOLI. INTERPRETAÇÃO CONFORME DO ART. 47, § 2º, II, DA LEI DAS ELEIÇÕES, A FIM DE SALVAGUARDAR AOS PARTIDOS NOVOS, CRIADOS APÓS A REALIZAÇÃO DO PLEITO PARA A CÂMARA DOS DEPUTADOS, O DIREITO DE ACESSO PROPORCIONAL AOS DOIS TERÇOS DO TEMPO DESTINADO À PROPAGANDA ELEITORAL GRATUITA NO RÁDIO E NA TELEVISÃO. LEI Nº 12.875/2013. TEORIA DOS CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 22 DIÁLOGOS CONSTITUCIONAIS. ARRANJO CONSTITUCIONAL PÁTRIO CONFERIU AO STF A ÚLTIMA PALAVRA PROVISÓRIA (VIÉS FORMAL) ACERCA DAS CONTROVÉRSIAS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE SUPREMACIA JUDICIAL EM SENTIDO MATERIAL. JUSTIFICATIVAS DESCRITIVAS E NORMATIVAS. PRECEDENTES DA CORTE CHANCELANDO REVERSÕES JURISPRUDENCIAIS (ANÁLISE DESCRITIVA). AUSÊNCIA DE INSTITUIÇÃO QUE DETENHA O MONOPÓLIO DO SENTIDO E DO ALCANCE DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS. RECONHECIMENTO PRIMA FACIE DE SUPERAÇÃO LEGISLATIVA DA JURISPRUDÊNCIA PELO CONSTITUINTE REFORMADOR OU PELO LEGISLADOR ORDINÁRIO. POSSIBILIDADE DE AS INSTÂNCIAS POLÍTICAS AUTOCORRIGIREM-SE. NECESSIDADE DE A CORTE ENFRENTAR A DISCUSSÃO JURÍDICA SUB JUDICE À LUZ DE NOVOS FUNDAMENTOS. PLURALISMO DOS INTÉRPRETES DA LEI FUNDAMENTAL. DIREITO CONSTITUCIONAL FORA DAS CORTES. ESTÍMULO À ADOÇÃO DE POSTURAS RESPONSÁVEIS PELOS LEGISLADORES. STANDARDS DE ATUAÇÃO DA CORTE. EMENDAS CONSTITUCIONAIS DESAFIADORAS DA JURISPRUDÊNCIA RECLAMAM MAIOR DEFERÊNCIA POR PARTE DO TRIBUNAL, PODENDO SER INVALIDADAS SOMENTE NAS HIPÓTESES DE ULTRAJE AOS LIMITES INSCULPIDOS NO ART. 60, CRFB/88. LEIS ORDINÁRIAS QUE COLIDAM FRONTALMENTE COM A JURISPRUDÊNCIA DA CORTE (LEIS IN YOUR FACE) NASCEM PRESUNÇÃO IURIS TANTUM DE INCONSTITUCIONALIDADE, NOTADAMENTE QUANDO A DECISÃO ANCORAR-SE EM CLÁUSULAS SUPERCONSTITUCIONAIS (CLÁUSULAS PÉTREAS). ESCRUTÍNIO MAIS RIGOROSO DE CONSTITUCIONALIDADE. ÔNUS IMPOSTO AO LEGISLADOR PARA DEMONSTRAR A NECESSIDADE DE CORREÇÃO DO PRECEDENTE OU QUE OS PRESSUPOSTOS FÁTICOS E AXIOLÓGICOS QUE LASTREARAM O POSICIONAMENTO NÃO MAIS SUBSISTEM (HIPÓTESE DE MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL PELA VIA LEGISLATIVA). 1. O hodierno marco teórico dos diálogos constitucionais repudia a adoção de concepções juriscêntricas no campo da hermenêutica constitucional, na medida em que preconiza, descritiva e normativamente, a inexistência de instituição detentora do monopólio do sentido e do alcance das disposições magnas, além de atrair a gramática constitucional para outros fóruns de discussão, que não as Cortes. 2. O princípio fundamental da separação de poderes, enquanto cânone constitucional interpretativo, reclama a pluralização dos intérpretes da Constituição, mediante a atuação coordenada entre os poderes estatais – Legislativo, Executivo e Judiciário – e os diversos segmentos da sociedade civil organizada, em um processo contínuo, ininterrupto e CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 23 republicano, em que cada um destes players contribua, com suas capacidades específicas, no embate dialógico, no afã de avançar os rumos da empreitada constitucional e no aperfeiçoamento das instituições democráticas, sem se arvorarem como intérpretes únicos e exclusivos da Carta da República. 3. O desenho institucional erigido pelo constituinte de 1988, mercê de outorgar à Suprema Corte a tarefa da guarda precípua da Lei Fundamental, não erigiu um sistema de supremacia judicial em sentido material (ou definitiva), de maneira que seus pronunciamentos judiciais devem ser compreendidos como última palavra provisória, vinculando formalmente as partes do processo e finalizando uma rodada deliberativa acerca da temática, sem, em consequência, fossilizar o conteúdo constitucional. 4. Os efeitos vinculantes, ínsitos às decisões proferidas em sede de fiscalização abstrata de constitucionalidade, não atingem o Poder Legislativo, ex vi do art. 102, § 2º, e art. 103-A, ambos da Carta da República. 5. Consectariamente, a reversão legislativa da jurisprudência da Corte se revela legítima em linha de princípio, seja pela atuação do constituinte reformador (i.e., promulgação de emendas constitucionais), seja por inovação do legislador infraconstitucional (i.e., edição de leis ordinárias e complementares), circunstância que demanda providências distintas por parte deste Supremo Tribunal Federal. 5.1. A emenda constitucional corretiva da jurisprudência modifica formalmente o texto magno, bem como o fundamento de validade último da legislação ordinária, razão pela qual a sua invalidação deve ocorrer nas hipóteses de descumprimento do art. 60 da CRFB/88 (i.e., limites formais, circunstanciais, temporais e materiais), encampando, neste particular, exegese estrita das cláusulas superconstitucionais. 5.2. A legislação infraconstitucional que colida frontalmente com a jurisprudência (leis in your face) nasce com presunção iuris tantum de inconstitucionalidade, de forma que caberá ao legislador ordinário o ônus de demonstrar, argumentativamente, que a correção do precedente faz-se necessária, ou, ainda, comprovar, lançando mão de novos argumentos, que as premissas fáticas e axiológicas sobre as quais se fundou o posicionamento jurisprudencial não mais subsistem, em exemplo acadêmicode mutação constitucional pela via legislativa. Nesse caso, a novel legislação se submete a um escrutínio de constitucionalidade mais rigoroso, nomeadamente quando o precedente superado amparar-se em cláusulas pétreas. 6. O dever de fundamentação das decisões judiciais, inserto no art. 93 IX, da Constituição, impõe que o Supremo Tribunal Federal enfrente novamente a questão de fundo anteriormente equacionada sempre que o legislador CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 24 lançar mão de novos fundamentos. 7. O Congresso Nacional, no caso sub examine, ao editar a Lei nº 12.875/2013, não apresentou, em suas justificações, qualquer argumentação idônea a superar os fundamentos assentados pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento das ADIs nº 4430 e nº 4795, rel. Min. Dias Toffoli, em que restou consignado que o art. 17 da Constituição de 1988 – que consagra o direito político fundamental da liberdade de criação de partidos – tutela, de igual modo, as agremiações que tenham representação no Congresso Nacional, sendo irrelevante perquirir se esta representatividade resulta, ou não, da criação de nova legenda no curso da legislatura. 8. A criação de novos partidos, como hipótese caracterizadora de justa causa para as migrações partidárias, somada ao direito constitucional de livre criação de novas legendas, impõe a conclusão inescapável de que é defeso privar as prerrogativas inerentes à representatividade política do parlamentar trânsfuga. 9. No caso sub examine, a justificação do projeto de lei limitou-se a afirmar, em termos genéricos, que a regulamentação da matéria, excluindo dos partidos criados o direito de antena e o fundo partidário, fortaleceria as agremiações partidárias, sem enfrentar os densos fundamentos aduzidos pelo voto do relator e corroborado pelo Plenário. 10. A postura particularista do Supremo Tribunal Federal, no exercício da judicial review, é medida que se impõe nas hipóteses de salvaguarda das condições de funcionamento das instituições democráticas, de sorte (i) a corrigir as patologias que desvirtuem o sistema representativo, máxime quando obstruam as vias de expressão e os canais de participação política, e (ii) a proteger os interesses e direitos dos grupos políticos minoritários, cujas demandas dificilmente encontram eco nas deliberações majoritárias. 11. In casu, é inobjetável que, com as restrições previstas na Lei nº 12.875/2013, há uma tentativa obtusa de inviabilizar o funcionamento e o desenvolvimento das novas agremiações, sob o rótulo falacioso de fortalecer os partidos políticos. Uma coisa é criar mecanismos mais rigorosos de criação, fusão e incorporação dos partidos, o que, a meu juízo, encontra assento constitucional. Algo bastante distinto é, uma vez criadas as legendas, formular mecanismos normativos que dificultem seu funcionamento, o que não encontra guarida na Lei Maior. Justamente por isso, torna-se legítima a atuação do Supremo Tribunal Federal, no intuito de impedir a obstrução dos canais de participação política e, por via de consequência, fiscalizar os pressupostos ao adequado funcionamento da democracia. 12. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade dos arts. 1º e 2º, da Lei nº 12.875/2013. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 25 (ADI 5105, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 01/10/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-049 DIVULG 15-03- 2016 PUBLIC 16-03-2016) Proibição do “Atalhamento Constitucional” ou do “Desvio de Poder Constituinte” - Refere-se à utilização de um meio aparentemente legal (formalmente) buscando atingir uma finalidade ilícita (materialmente). Ex.: EC 52/2006 buscava incluir a obrigatoriedade da verticalização das coligações partidárias. Assim, determinava uma modificação no processo eleitoral. Entretanto, a própria emenda afirmava que a modificação se aplicava sem observar o prazo de 1 ano, previsto na CF para estas situações, e ainda de maneira retroativa. É com base nesta proibição que não é permitida a remoção da garantia das cláusulas pétreas para uma posterior revogação destas especificamente. Este tipo de modificação foi considerado inconstitucional pelo STF, por tentar burlar a própria Constituição. Também com base nesse fundamento, se proíbe o que é denominado “constitucionalismo abusivo”. A expressão foi citada pelo Ministro Barroso na ADPF 622 (que impugnava decreto do Executivo que esvaziou a participação da sociedade civil no CONANDA) e indica práticas legislativas aparentemente válidas sob o ponto de vista formal, mas que promovem a alteração do ordenamento jurídico de forma a concentrar poderes no chefe do Executivo, corroer a tutela de direitos e desabilitar os agentes que exercem o controle social da gestão pública. Para maior elucidação, seguem trechos do voto do Ministro Barroso: “O constitucionalismo e as democracias ocidentais têm se deparado com um fenômeno razoavelmente novo: os retrocessos democráticos, no mundo atual, não decorrem mais de golpes de estado com o uso das armas. Ao contrário, as maiores ameaças à democracia e ao constitucionalismo são resultado de alterações normativas pontuais, aparentemente válidas do ponto de vista formal, que, se examinadas isoladamente, deixam dúvidas quanto à sua inconstitucionalidade. Porém, em seu conjunto, expressam a adoção de medidas que vão progressivamente corroendo a tutela de direitos e o regime democrático. 13. Esse fenômeno tem recebido, na ordem internacional, diversas denominações, entre as quais: “constitucionalismo abusivo”, “legalismo autocrático” e “democracia iliberal”. Todos esses conceitos aludem a experiências estrangeiras que têm em comum a atuação de líderes carismáticos, eleitos pelo voto popular, que, uma vez no poder, modificam o ordenamento jurídico, com o propósito de assegurar a sua permanência no poder. O modo de atuar de tais líderes abrange: (i) a tentativa de esvaziamento ou enfraquecimento dos demais Poderes, sempre que não compactuem com seus propósitos, com ataques ao Congresso CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 26 Nacional e às cortes; (ii) o desmonte ou a captura de órgãos ou instituições de controle, como conselhos, agências reguladoras, instituições de combate à corrupção, Ministério Público etc; (iii) o combate a organizações da sociedade civil, que atuem em prol da defesa de direitos no espaço público; (iv) a rejeição a discursos protetivos de direitos fundamentais, sobretudo no que respeita a grupos minoritários e vulneráveis – como negros, mulheres, população LGBTI e indígenas; (v) o ataque à imprensa, sempre que leve ao público informações incômodas para o governo. A lógica de tal modo de atuar está em excluir do espaço público todo e qualquer ator que possa criticar, limitar ou dividir poder com o líder autocrático, em momento presente ou futuro, de forma a assegurar seu progressivo empoderamento e permanência no cargo. Experiências de tal gênero estão ou estiveram presentes na Hungria, na Polônia, na Romênia e na Venezuela. O resultado final de tal processo tende a ser a migração de um regime democrático para um regime autoritário, ainda que se preserve a realização formal de eleições. 15. Embora não me pareça ser o caso de falar em risco democrático no que respeita ao Brasil, cujas instituições amadureceram ao longo das décadas ese encontram em pleno funcionamento, é sempre válido atuar com cautela e aprender com a experiência de outras nações. Nessa linha, as cortes constitucionais e supremas cortes devem estar atentas a alterações normativas que, a pretexto de dar cumprimento à Constituição, em verdade se inserem em uma estratégia mais ampla de concentração de poderes, violação a direitos e retrocesso democrático.” 1.1.1.2. Técnicas de decisão A extensão dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade proferida no controle abstrato de constitucionalidade pode variar conforme a técnica de decisão adotada. Vejamos: Lei nº 9.868/1999 Art. 28. (...) Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 27 Assim sendo, quanto às técnicas de decisão, nos ensina o doutrinador e Procurador Federal Marcelo Novelino a seguinte classificação: a) Declaração de inconstitucionalidade com redução de texto A inconstitucionalidade pode ser declarada com redução total ou parcial do texto da lei ou ato normativo. Ao adotar esta técnica de decisão, o Tribunal atua como uma espécie de legislador negativo. a.1) declaração de inconstitucionalidade com redução total de texto Pode decorrer de vícios distintos, conforme as normas constitucionais violadas. Os vícios formais suscitarão a nulidade de toda a lei ou ato normativo sempre que não for possível a divisão em partes válidas e inválidas. Tratando-se de vício material, esta espécie de declaração deverá ser empregada quando todos os dispositivos do objeto impugnado tiverem o conteúdo incompatível com a constituição ou quando houver uma relação de interdependência entre as partes válidas e inválidas. a.2) declaração de inconstitucionalidade com redução parcial de texto Atinge apenas parte da lei ou ato normativo, não se estendendo o juízo de censura às demais normas constantes do diploma normativo infraconstitucional. Esta espécie de declaração poderá atingir, inclusive, expressões ou palavras isoladas (princípio da parcelaridade), não sendo necessário abranger todo o dispositivo, como ocorre com o veto parcial. São condições necessárias para a declaração de nulidade parcial a existência de condições objetivas de divisibilidade e a não intervenção no âmbito da vontade do legislador (por exemplo, ao declarar a inconstitucionalidade de expressões ou palavras, o Tribunal não poderá subverter o sentido do texto editado pelo Legislador). b) Interpretação conforme a constituição No direito brasileiro, a interpretação conforme a constituição tem sido empregada em dois sentidos distintos, ora como princípio interpretativo, ora como técnica de decisão judicial. O princípio da interpretação conforme a Constituição é corolário da supremacia da Constituição e da presunção de constitucionalidade. O reconhecimento de sua força normativa e o seu deslocamento para o centro do sistema jurídico conferiram à Constituição uma posição de destaque na interpretação dos demais ramos do direito, cujos dispositivos devem ser compreendidos à luz da Constituição, de modo a realizar, por meio da chamada “filtragem constitucional”, os valores nela consagrados. Por outro lado, se as leis e atos normativos têm como fundamento de validade a Constituição, e se os poderes competentes para elaborá-los retiram sua competência desta, deve-se presumir que agiram em conformidade com os preceitos constitucionais. Assim, quando da interpretação de dispositivos infraconstitucionais plurissignificativos (ou polissêmicos), deve-se optar pelo sentido compatível, e não conflitante, com a Constituição. Tradicionalmente, afirma-se que a interpretação conforme encontra limites no sentido inequívoco do dispositivo legal, não sendo permitido ao intérprete contrariá-lo (interpretação contra legem), assim como no objetivo supostamente perseguido pelo legislador ao editar a norma, cuja vontade não poderia ser substituída pela do juiz. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 28 A interpretação conforme, como técnica de decisão judicial, costuma ser utilizada em três sentidos diversos. i) No primeiro, o ato impugnado é considerado constitucional, desde que interpretado no sentido fixado pelo órgão jurisdicional. Fixa-se, assim, uma interpretação possível e exclui as demais. Ex: ADI 3685, o STF deu interpretação conforme ao art. 1º da EC 52/06 no sentido de que a inovação trazida, que instituiu novas regras sobre coligações partidárias eleitorais, só seria aplicada após um ano da data da sua vigência. ii) No segundo, exclui-se uma ou algumas das possíveis interpretações do dispositivo, por ser incompatível com a constituição. Assim, exclui-se uma(s) das interpretações possíveis e permite as demais. Neste sentido, a interpretação conforme equivale à declaração parcial de nulidade sem redução de texto (o STF costuma utilizar as expressões como sinônimos). Ex.: na ADI 1.946, o STF deu interpretação conforme a Constituição para excluir da incidência do art. 14 da EC 20/98 (que instituiu o teto dos benefícios previdenciários do Regime Geral da Previdência Social) o benefício do salário maternidade, que deve ser pago sem sujeição ao teto e sem prejuízo do emprego e salário. iii) Por fim, a interpretação conforme pode ser utilizada para afastar a aplicação de uma norma válida a determinada hipótese de incidência possível. Em vez de uma dada interpretação ser considerada inconstitucional, ocorre a declaração de não incidência da norma em relação a uma específica situação de fato. Nesse caso, embora a norma seja considerada constitucional, sua aplicação ao caso concreto é afastada (inconstitucionalidade em concreto) ante as circunstâncias fáticas específicas (ex.: afastamento da tipificação do aborto para o caso de antecipação terapêutica do parto de feto anencéfalo). Em síntese, a interpretação conforme pode ser empregada: I) como metanorma, ao impor a interpretação de normas infraconstitucionais à luz dos valores consagrados na constituição (princípio da interpretação conforme a constituição); ou II) como técnica de decisão judicial (II.1) ao impor um dado sentido em detrimento dos demais (interpretação conforme propriamente dita), (II.2) ao excluir determinada interpretação considerada inconstitucional (declaração parcial de nulidade CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 29 sem redução de texto) ou, ainda, (II.3) ao afastar a incidência da norma em uma situação concreta (inconstitucionalidade em concreto). c) Declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto A utilização desta técnica de decisão judicial faz com que uma determinada hipótese de aplicação da lei seja declarada inconstitucional, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. Não há supressão de palavras que integram o texto da norma, mas apenas a exclusão de determinada interpretação considerada inconstitucional. No âmbito do controle normativo abstrato, o Supremo Tribunal Federal tem empregado a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto e a interpretação conforme aConstituição como técnicas de decisão judicial equivalentes. Em ambas, há uma redução do âmbito de aplicação de dispositivos com mais de uma interpretação possível, sem qualquer alteração de seu texto. A despeito da semelhança entre elas, é possível, no entanto, identificar algumas diferenças. Na interpretação conforme é conferido um sentido à norma e afastados outros analisados na fundamentação, enquanto na declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto é excluída uma determinada interpretação, permitindo-se as demais comportadas pelo texto constitucional. Ao fixar dada interpretação como constitucional, não se declara a inconstitucionalidade de todas as outras possíveis interpretações, podendo surgir novas hipóteses compatíveis com o texto da Lei Maior. Por esse motivo, há quem defenda que a declaração de nulidade sem redução de texto é dotada de maior clareza e segurança jurídica. Ademais, a declaração de inconstitucionalidade é técnica de decisão utilizável exclusivamente no controle normativo abstrato, ao passo que a interpretação conforme pode ser empregada, pelo Tribunal Constitucional, como técnica decisória, mas também, por qualquer intérprete da constituição, como princípio de interpretação das leis. Sistematizando: Interpretação conforme a Constituição e declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução do texto (na prática, o STF tem tratado as expressões como sinônimas). PONTOS EM COMUM: - Ambas são utilizadas em caso de normas polissêmicas ou plurissignificativas; - Em ambos os casos, não há alteração do texto normativo; - Em ambos os casos, há uma redução das possibilidades de interpretação do texto normativo; - São situações intermediárias entre a constitucionalidade plena e a total inconstitucionalidade da norma (“situações constitucionais imperfeitas”- terminologia já cobrada em provas). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 30 Interpretação conforme a Constituição e declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução do texto (na prática, o STF tem tratado as expressões como sinônimas). DIFERENÇAS: - A declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto só pode ser utilizada no controle concentrado de constitucionalidade (é uma técnica de decisão); - A interpretação conforme a Constituição pode ser utilizada tanto no controle difuso quanto no controle concentrado de constitucionalidade (como visto, é tanto técnica de decisão como princípio interpretativo); - Na declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto afasta-se um ou mais sentidos ou hipóteses de incidência da norma, permitindo-se os demais; - Na interpretação conforme a Constituição é conferido um sentido constitucional para a norma e são afastados os demais. d) inconstitucionalidade por arrastamento (ou por atração) A inconstitucionalidade consequencial (por arrastamento ou por atração) é declarada quando o vício do dispositivo questionado acaba por atingir outro não expressamente impugnado na inicial. Diversamente do controle concreto, no qual a inconstitucionalidade pode ser reconhecida de ofício pelo órgão prolator da decisão, no âmbito do controle normativo abstrato, a declaração de inconstitucionalidade, em regra, só pode abranger o objeto impugnado (regra da adstrição). Não obstante, quando houver uma relação de interdependência entre dispositivos, a inconstitucionalidade de normas não impugnadas poderá ser declarada por “arrastamento”. A interdependência pode ocorrer entre dispositivos do mesmo diploma normativo (arrastamento horizontal) ou em relação a atos regulamentares, quando sua inconstitucionalidade for consequente de um vício na lei regulamentada (arrastamento vertical). É o caso da declaração de inconstitucionalidade de uma Lei, que implica necessariamente a inconstitucionalidade do decreto que a regulamenta. e) inconstitucionalidade progressiva (ou “lei ainda constitucional” ou “declaração de constitucionalidade de norma em trânsito para a inconstitucionalidade”) Trata-se de técnica de decisão judicial utilizada para a manutenção da validade de normas de constitucionalidade duvidosa, em razão das circunstâncias fáticas existentes no momento. A norma se situa entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta, sendo considerada válida (norma ainda constitucional), CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 31 enquanto perdurar a situação constitucional imperfeita, por razões de segurança jurídica ou pelos efeitos deletérios advindos de sua invalidação, potencialmente mais prejudiciais que a manutenção temporária. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal entendeu que não cabe o reconhecimento da inconstitucionalidade de dispositivo legal conferindo “prazo em dobro, para recurso, às Defensorias Públicas, ao menos até que sua organização, nos Estados, alcance o nível de organização do respectivo Ministério Público, que é a parte adversa, como órgão de acusação, no processo da ação penal pública”. 1.1.1.2.1. Sentenças intermediárias Tema instigante no controle de constitucionalidade e, por vezes, cobrado em algum dos seus aspectos em provas, se refere às sentenças intermediárias. Trata-se de uma espécie de decisão na qual a Corte relativiza o binômio constitucionalidade/inconstitucionalidade, adotando técnicas que buscam conciliar o Princípio da Supremacia da Constituição com outros valores igualmente relevantes no Estado Democrático de Direito. Neste contexto, se inserem as chamadas decisões normativas (manipuladoras ou manipulativas), nas quais a Corte adota uma postura mais ativa na construção do ordenamento jurídico, não se limitando a atuar como legislador negativo, pois da decisão se extrai verdadeira norma emanada do exercício da jurisdição constitucional e as sentenças transitivas, nas quais ocorre a relativização dos efeitos decorrentes da declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. José Adércio Leite Sampaio as divide em dois grupos: Sentenças normativas Sentenças transitivas Levam à criação de uma norma geral Implicam relativa transação com a supremacia constitucional Sentenças interpretativas ou de interpretação conforme Sentenças de inconstitucionalidade sem efeito ablativo Sentenças aditivas Sentenças de inconstitucionalidade com ablação diferida Sentenças aditivas de princípios Sentenças de apelo ou apelativas Sentenças substitutivas Sentenças de aviso As sentenças aditivas e substitutivas são colocadas por parte da doutrina como decisões manipuladoras. Esta doutrina não acolhe as sentenças interpretativas como normativas e as divide em interpretativas de aceitação, quando a Corte anula decisões judiciais das instâncias inferiores que sejam contrárias à Constituição e CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 32 interpretativas de rechaço quando a norma questionada permanece válida, anulando- se apenas a sua interpretação inconstitucional. As sentenças normativas influenciam diretamente no ordenamento, pois alteram os contornos de normas gerais e abstratas, que passam a ter alcance alargado ou reduzido segundo a decisão da Corte. Nesse sentido, não extirpam do ordenamento a norma impugnada, mantendo-as no ordenamento, determinando a interpretação ou as interpretações possíveis (sentenças interpretativas ou de interpretação conforme),ou alargando a sua incidência para hipóteses não previstas (sentenças aditivas), estabelecendo diretrizes para atuação do legislador suprir eventuais lacunas (sentenças aditivas de princípios), ou anulando uma disposição para, em seguida, acrescentar um novo sentido normativo (sentenças substitutivas). As sentenças transitivas implicam a mitigação do dogma da nulidade no controle de constitucionalidade, sendo a modulação de efeitos uma manifestação desse tipo de decisão. Na declaração de inconstitucionalidade sem efeito ablativo, a norma é mantida no ordenamento jurídico, pois a declaração de nulidade afetaria de forma mais severa a ordem constitucional; na ablação diferida, a norma é extirpada do ordenamento, porém sem eficácia retroativa, podendo ser determinado um momento no futuro a partir do qual a declaração de inconstitucionalidade terá efeito; as sentenças de apelo indicam “apelo” ao legislador para que adote providências necessárias para que a inconstitucionalidade passe a existir; nas sentenças de aviso, o Tribunal sinaliza que poderá, em breve, alterar seu entendimento, no que pode resultar em reconhecimento de inconstitucionalidade (pure prospectivy overruling). 1.1.1.3. Competência Competência do STF - art. 102, I, “a” da CF - Compete ao STF julgar inconstitucionalidade de lei federal ou estadual em face da Constituição Federal. Lei municipal que viola a CF não é controlada por meio de ADI genérica de modo originário no STF, dada a ausência de previsão na própria CF. Para o STF, o silêncio da CF demonstra a intenção de não inclusão da lei municipal como objeto da ADI (pode, contudo, ser objeto de ADPF, como veremos adiante). Assim, a lei do DF (que acumula competência legislativa municipal e estadual) que tenha natureza de lei municipal também não pode ser objeto de ADI no STF. Entretanto, a lei do DF que decorre do exercício da competência estadual pode ser objeto de ADI no STF. Súmula 642 - STF: Não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal derivada da sua competência legislativa municipal. Impossibilidade de Utilização da Constituição Estadual como Parâmetro de ADI no STF - A Constituição Estadual não pode ser parâmetro de confronto no Supremo, pois o STF é intérprete final da Constituição Federal, e não da Constituição Estadual. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 33 Neste caso, o STF estaria invadindo a competência local, pois compete aos Tribunais de Justiça dos Estados essa análise. Parâmetro da Constituição Federal de Reprodução Obrigatória na Constituição Estadual - Quando o parâmetro de constitucionalidade está presente na Constituição Federal e na Constituição Estadual, sendo a norma de reprodução obrigatória pelos Estados (expressas ou implícitas), a ADI que está no TJ (impugnando norma estadual ou municipal em face da Constituição Estadual) pode ser objeto de Recurso Extraordinário, solicitando o julgamento pelo STF. Afinal, neste caso, o julgamento da ADI estadual acabaria por transformar o TJ em intérprete final da CF de forma indireta, pois o parâmetro de aferição da constitucionalidade decorre da própria CF (ex.: normas de reprodução obrigatória que tratem sobre processo legislativo). Chama-se atenção para o fato de que nesta situação, uma lei municipal poderia ser objeto de controle no STF por meio de ADI. Controle da Lei Estadual perante o Tribunal de Justiça. Competência do TJ - art. 125, § 2º, da CF - Cabe aos estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição do Estado. Nesse caso, quem julga é o Tribunal de Justiça local. O TJ pode analisar ADI, tendo como paradigma ou parâmetro de confronto a CF? Em regra, não. A CF não pode ser parâmetro de confronto na ADI genérica originária do TJ, pois o TJ é intérprete final apenas da Constituição Estadual. Exceção: normas constitucionais de reprodução obrigatória pelos Estados, expressas ou implícitas. ATENÇÃO! Em recente julgamento (RE 650.898), o STF fixou o seguinte entendimento: “Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis municipais utilizando como parâmetro normas da Constituição Federal, desde que se trate de normas de reprodução obrigatória pelos Estados”. Havendo incompatibilidade entre Lei Municipal e a Lei Orgânica do Município, haverá apenas controle de legalidade, cujas regras serão especificadas pela própria lei orgânica. Em suma, o Tribunal de Justiça poderá ter como parâmetro: - Normas inseridas na Constituição Estadual em geral. - Normas de observância obrigatória, ainda que não estejam presentes na Constituição Estadual de forma expressa, pois se presumem: Ex. art. 58, § 3º, CF – requisitos para criação de CPI. - Normas remissivas: fazem referência ao conteúdo de determinadas normas da CF. Não têm conteúdo próprio. - Normas de mera reprodução/repetição: simplesmente reproduzem, por livre e espontânea vontade do constituinte CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 34 estadual, normas da CF. Neste caso, devem estar expressas no texto. 1.1.1.4. Legitimidade ativa da ADI estadual A CF não diz quem são os legitimados, mas veda a atribuição da legitimidade a um único órgão. Não precisa ser observada a simetria quanto ao art. 103 da CF (STF). Modelo de introversão – legitimados são apenas órgãos do poder público. Modelo de extroversão – órgãos do poder público e entidades privadas. Há doutrina que sustenta que a legitimidade não pode ser atribuída a qualquer pessoa do povo, uma vez que inviabilizaria o controle em âmbito estadual. • Lei Estadual que viola a Constituição Federal e a Constituição Estadual simultaneamente (“SIMULTANEUS PROCESSUS”) Quando Lei Estadual viola a CF e a CE, e há a propositura simultânea de ações de controle abstrato perante o Tribunal de Justiça Local e o STF, ocorre o chamado “simultaneus processos”. Neste caso, em regra, a ADI no TJ fica suspensa aguardando a ação proposta no STF. Do julgamento do STF, podem ocorrer as seguintes hipóteses: i) Se o STF declara a inconstitucionalidade da Lei, a ADI no TJ fica prejudicada; ii) Se o STF declara a improcedência da ação, a presunção de constitucionalidade continua. Entretanto, o TJ poderá julgar a ADI procedente por violar a CE, desde que o fundamento seja diverso do STF. Excepcionalmente, é possível que o julgamento da Ação no Tribunal de Justiça prejudique o conhecimento da ação no STF. Vejamos o julgado: ADI e representação de inconstitucionalidade. Coexistindo duas ações diretas de inconstitucionalidade, uma ajuizada perante o tribunal de justiça local e outra perante o Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da primeira – estadual – somente prejudica o da segunda – do STF – se preenchidas duas condições cumulativas: 1) se a decisão do tribunal de justiça for pela procedência da ação e 2) se a inconstitucionalidade for por incompatibilidade com preceito da Constituição do Estado sem correspondência na Constituição Federal. Caso o parâmetro do controle de constitucionalidade tenha correspondência na CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 35 Constituição Federal, subsiste a jurisdição do STF para o controle abstrato de constitucionalidade. ADI 3659/AM – INF.927 Ou seja: I) Caso o parâmetro de controleseja norma constitucional de reprodução obrigatória, esteja ou não esta norma presente na Constituição Estadual (para o STF, estas estão sempre presentes, ainda que de forma implícita), o processo de fiscalização abstrata perante o TJ DEVE ser suspenso até manifestação do STF, pois este deve ter a última palavra na interpretação da CF. II) Suspenso o processo no TJ, surgem duas opções de julgamento perante o STF. II.1) Caso o STF julgue procedente a ação, a lei será extirpada do ordenamento e o processo de fiscalização estadual extinto por perda do objeto. II.2) Caso o STF julgue IMPROCEDENTE a ADI, o processo volta a correr no TJ, que pode declarar a inconstitucionalidade da norma, DESDE QUE por fundamento não rechaçado pelo STF (a violação a outro dispositivo da Constituição Estadual, por exemplo). O mesmo raciocínio se aplica no caso de normas que não sejam de reprodução obrigatória, mas que estejam presentes de forma expressa na Constituição Estadual. No caso apontado no julgado, excepcionalmente, o julgamento do procedimento pelo TJ prejudicou o processamento da demanda objetiva no STF em virtude de ter como parâmetro norma presente APENAS na CE, logo, extirpada a norma do ordenamento, a ação perante o STF perdeu o objeto. 1.1.1.4.1. Legitimidade na ADI genérica Art. 103 da CF - São legitimados para propor ADIN: 1. Presidente da República; 2. Mesa do Senado Federal; 3. Mesa da Câmara dos Deputados; 4. Mesa da Assembleia Legislativa Estadual ou da Câmara do DF; 5. Governadores do Estado ou do DF; 6. Procurador Geral da República; 7. Conselho Federal da OAB; 8. Partido político com representação no Congresso Nacional; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 36 9. Confederação Sindical ou Entidade de Classe de Âmbito Nacional. ATENÇÃO! Pegadinhas clássicas de provas objetivas: - A Mesa do Congresso Nacional NÃO é legitimada para interpor ADIN. - A entidade de classe deve ser de âmbito NACIONAL (não estadual). - A legitimidade é do conselho FEDERAL da OAB (não Seccional). - O Advogado-Geral da União (AGU) NÃO é legitimado. - A Defensoria Pública NÃO é legitimada. - A CONFEDERAÇÃO sindical (e não FEDERAÇÃO) é legitimada. PARA MEMORIZAR: - 4 mesas (Mesas do Senado, Mesa da Câmara, Mesa da Assembleia Legislativa Estadual e Mesa da Câmara do DF). - 4 autoridades (Presidente da República, Governador do Estado, Governador do DF e Procurador-Geral da República-PGR). - 4 entidades (Conselho FEDERAL da OAB, partido político com representação no CONGRESSO NACIONAL, confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional). ATENÇÃO: o rol de legitimados é numerus clausus, não sendo possível acrescentar outros por analogia. Tipos de Legitimados: i) Legitimados Neutros ou Universais - Não precisam demonstrar pertinência temática, ou seja, independente da causa da inconstitucionalidade podem propor a ação. ii) Legitimados Interessados ou Especiais - Devem demonstrar seu “interesse de agir” (pertinência temática) entre as suas atribuições institucionais e a impugnação da norma. São estes os legitimados do art. 103, IV, V e IX (Governador; Mesa da Assembleia Legislativa ou Câmara Legislativa e Confederação Sindical ou Entidade de Classe de Âmbito Nacional). Entidade de Classe de Âmbito Nacional - As entidades de classes devem estar organizadas, no mínimo, em 9 (nove) Estados para serem consideradas de âmbito nacional. Esta é a posição do STF em aplicação analógica da Lei Orgânica dos Partidos Políticos (art. 7º da Lei 9.096/95). A decisão que consagra essa regra está na ADI 3850 – AGR. Essa regra admite exceção: quando houver uma relevância nacional na atividade exercida pelos associados (ADI 2866- MC). Ex: atividade dos produtores de sal. Não estão CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 37 presentes em todos os Estados, pois nem todos situam-se no litoral, mas a atividade é nacionalmente relevante. Ainda, a entidade de classe deve ser representativa de apenas uma determinada atividade ou categoria social, profissional ou econômica. Ex: ADI 271 e ADI 142. ATENÇÃO! Tese de repercussão geral. A entidade que não representa a totalidade de sua categoria profissional não possui legitimidade ativa para ajuizamento de ações de controle concentrado de constitucionalidade. Questão da legitimidade da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE). - Na ADPF 703, sob relatoria do Ministro Alexandre de Moraes, restou decidido, de forma unânime, que a ANAJURE não tem legitimidade para a propositura de ação concentrada de constitucionalidade perante o Supremo, por não se adequar à categoria de “entidade de classe de âmbito nacional”. - Na ADPF 701, também ajuizada pela ANAJURE, o Ministro Nunes Marques, em decisão monocrática, admitiu liminar para autorizar práticas religiosas presenciais em locais que estavam vedadas no contexto de medidas restritivas de combate à pandemia da Covid-19. - No julgamento da ADPF 811, o STF decidiu que são válidos e constitucionais os atos de governadores e prefeitos que permitem a abertura ou determinam o fechamento de igrejas, templos e demais estabelecimentos religiosos enquanto durar a pandemia. - Após o julgamento da ADPF 811, o Ministro Nunes Marques revogou a liminar anteriormente concedida na ADPF 701, sem adentrar na questão da legitimidade. Para fins de prova: entendo que persiste a ilegitimidade da ANAJURE para a propositura de ações de controle concentrado, devendo ser acompanhada a evolução jurisprudencial do STF quanto ao tema. SISTEMATIZANDO: Sistematizo os parâmetros atuais para que a entidade de classe de caráter nacional tenha legitimidade para a propositura de ação de controle concentrado de constitucionalidade perante o STF: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 38 i) caracterização como entidade de classe, decorrente da representação de categoria empresarial ou profissional; ii) a entidade deve ter abrangência ampla, representando toda a categoria, e não apenas uma fração desta; iii) caráter nacional da representatividade, aferida pela presença em ao menos 9 unidades da federação (salvo casos excepcionais como da associação dos produtores de sal, em razão da relevância nacional da atividade); iv) pertinência temática entre as finalidades institucionais da entidade e o objeto da impugnação. Confederações Sindicais - São aquelas constituídas, por, no mínimo, 3 (três) federações sindicais (art. 535 da CLT). Cada federação deve ser constituída por no mínimo 5 (cinco) sindicatos da mesma categoria. “Associação de Associações” - O STF admite a propositura de ADI por essas associações (informativo 356; ADI AGR/DF). Ex.: Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão-ABERT, associação de âmbito nacional que reúne as empresas de radiodifusão, abrangendo as emissoras de rádio (radiodifusão de sons) e as emissoras de televisão (radiodifusão de sons e imagens). Por outro lado, associações que abrangem apenas fração da categoria, como visto, NÃO podem propor as ações do controle concentrado. Perda de Representação do Partido Político - A perda da representação no Congresso Nacional pelo partido político não descaracteriza a legitimidade. A representação deverá existir somente na época da propositura da ação. OBS.: não confundir com o Mandado de Segurançaimpetrado por parlamentar para tutela do devido processo legislativo constitucional, que deve ser extinto se o parlamentar perder o mandato no curso da ação (natureza jurídica diferente do controle a permitir a diferenciação da solução apresentada). Necessidade de Advogado - Segundo o STF, os partidos políticos, as confederações sindicais e as entidades de classe de âmbito nacional (art. 103, VIII, e IX da CF) precisam de advogado para o ajuizamento das ações do controle concentrado. Ressalta-se que no instrumento de mandato deve haver autorização específica para a propositura da ADI. Deve também ser indicado o ato normativo questionado, não bastando os poderes para propor ADI (ADI 4409/SP, Inf.905). OBSERVAÇÃO 1: a ausência de procuração com poderes específicos e com expressa referência ao ato normativo questionado é um vício sanável na representação processual, podendo ser conferido prazo para regularização. STF. Plenário. ADI 6051. OBSERVAÇÃO 2: procurador público possui capacidade postulatória no controle concentrado de constitucionalidade? Cuidado. A ação direta de inconstitucionalidade deve ser, obrigatoriamente, assinada pelos legitimados do art. 103 da CF/88 ou pelos legitimados previstos na Constituição estadual. Por outro lado, os atos subsequentes ao CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 39 ajuizamento da ação (inclusive a interposição dos recursos) são atos de natureza técnica. Logo, devem ser assinados, obrigatoriamente, pelos procuradores da parte legitimada, conjuntamente ou não com os legitimados. Nesse sentido: Os Procuradores (do Estado, do Município, da ALE, da Câmara etc.) possuem legitimidade para a interposição de recursos em ação direta de inconstitucionalidade. STF. 2ª Turma. RE 1126828. NÃO CONFUNDA: O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo respectivo Governador. A legitimidade para recorrer, nestes casos, é do próprio Governador (previsto como legitimado pelo art. 103 da CF/88), e não do Estado-membro. STF. Plenário. ADI 4420 ED-AgR. Já os outros legitimados não precisam de advogado, pois a capacidade postulatória decorre direto da Constituição Federal, conforme entendimento tradicional. Exemplo é o Governador do Estado, que pode sozinho interpor a ação de controle, sem necessidade de assinatura ou intervenção da PGE (muito embora, na prática, na maioria das vezes, fique a cargo do órgão elaborar a minuta da ação). Sistematizando: PRECISAM DE ADVOGADO Partidos políticos, confederações sindicais e entidades de classe de âmbito nacional. NÃO PRECISAM DE ADVOGADO Mesa do Senado, Mesa da Câmara, Mesa da Assembleia Legislativa Estadual, Mesa da Câmara do DF, Presidente da República, Governador do Estado, Governador do DF, Procurador-Geral da República-PGR e Conselho FEDERAL da OAB. OBS.: CAPACIDADE POSTULATÓRIA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA. O ministro Marco Aurélio, em decisão monocrática, negou trâmite à ADI 6764, ajuizada pelo presidente Jair Bolsonaro, por ter sido subscrita somente pelo presidente, e não pelo Advogado-Geral da União. Segundo o Ministro, a legitimidade do art. 103 não se confunde com capacidade postulatória. No ponto, friso que a decisão foi monocrática, sendo necessário acompanhar a evolução jurisprudencial do tema junto ao Supremo Tribunal Federal. 1.1.1.5. Procedimento CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 40 Fundamento - Art. 103, §§ 1º e 3º da CF; arts. 169 a 178 do RISTF; e Lei 9.868/99. Petição Inicial - Esta deverá indicar o dispositivo da lei ou do ato normativo impugnado e os fundamentos jurídicos do pedido em relação a cada uma das impugnações, bem como o pedido, com suas especificações. Quando subscrita por advogado, a petição inicial deverá vir acompanhada de procuração contendo autorização especial para a propositura de ADI (indicando objetivamente a lei ou ato normativo e respectivos preceitos). OBSERVAÇÃO: É possível o aditamento da petição inicial da ADI para impugnar outros dispositivos? Sim, é possível nas hipóteses em que a inclusão da nova impugnação: a) dispense a requisição de novas informações e manifestações; e b) não prejudique o cerne da ação. Nesse sentido: O aditamento da inicial só é possível, observados os princípios da economia e da celeridade processuais, quando a inclusão de nova impugnação dispensa a requisição de novas informações. STF. Plenário. ADI 4.265. Vinculação ao Pedido - O STF, ao julgar a ADI, está vinculado ao pedido formulado. Logo, em regra, se o pedido de declaração de inconstitucionalidade é da Lei “A”, não pode o STF ir além e, no dispositivo, declarar a inconstitucionalidade da Lei “B”. Vale aqui o princípio da congruência (ou adstrição), e preserva-se a inércia da jurisdição. Entretanto, não está o STF vinculado ao fundamento de tal pedido (causa de pedir). Em outras palavras, o objeto (pedido) é fechado, mas a causa de pedir é aberta. Veja como Nathalia Masson explica o tema: “Quanto aos fundamentos, não vale a regra da adstrição. Isso significa que o Supremo Tribunal não se vincula aos fundamentos jurídicos apresentados na peça inaugural de forma que a causa de pedir pode ser considerada aberta. Assim, o legitimado ativo está obrigado a apresentar a fundamentação do seu pedido, sob pena de, não o fazendo, a Corte não conhecer a ação direta; todavia a Corte pode julgar com base em fundamentos diversos. Para ilustrar, imaginemos que o legitimado ativo ingresse com uma ADI alegando a inconstitucionalidade da lei “X”, que instituiu um tributo, ao argumento de que ela violou o princípio da legalidade. O STF decide pela procedência do pedido, no entanto, por fundamento diverso: a lei em análise não afetou o princípio da legalidade, ao contrário, é inconstitucional por ofensa ao princípio da anterioridade tributária. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 41 É importante reconhecer a necessidade de a Corte percorrer todos os dispositivos constitucionais para decidir, afinal, quando ela afirma que uma determinada lei é constitucional, isso importa no reconhecimento de sua compatibilidade com todos os preceitos da Constituição. Por isso, não basta que o STF avalie somente os fundamentos apresentados pelo autor, eis que a lei não pode ser considerada constitucional só porque não ofende o parâmetro indicado pelo legitimado ativo nos fundamentos: ela é constitucional somente se além de não ofender o parâmetro constitucional indicado pelo legitimado, não ofender também nenhum outro dispositivo constitucional.” (MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 3ª ed., Salvador: Juspodivm, 2015, p. 1106-1107). Indeferimento Liminar - Percebendo o relator que a petição inicial é inepta, não fundamentada ou manifestamente improcedente, poderá, liminarmente, indeferi- la. Um exemplo de improcedência manifesta, segundo o STF, ocorre quando o dispositivo já foi previamente declarado constitucional pelo Supremo, ainda que em sede de controle difuso: A jurisprudência do STF considera manifestamente improcedente a ação direta de inconstitucionalidade que versar sobre norma cuja constitucionalidade já tenha sido expressamente declarada pelo Plenário da Corte, mesmo que em recurso extraordinário (ADI 4.071-AgR,j.22.04.2009. No mesmo sentido: ADI 4.466, Rel. Min. Dias Toffoli, decisão monocrática, j. 13.02.2012. Pedido de Informações - Não sendo a petição inicial indeferida liminarmente, o relator pedirá informações aos órgãos ou às autoridades das quais emanou a lei ou o ato normativo, devendo tais informações serem prestadas no prazo de 30 dias contados do recebimento do pedido. Participação do AGU - O Advogado Geral da União deverá, obrigatoriamente, ser citado para defender o ato no prazo de 15 dias. Normalmente, quem editou o ato também é citado para prestar informações. Constituição Federal Art. 103 (...) § 3º Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado. Lei nº 9.868/99 CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 42 CAPÍTULO II DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (…) Art. 8º Decorrido o prazo das informações, serão ouvidos, sucessivamente, o Advogado-Geral da União e o Procurador- Geral da República, que deverão manifestar-se, cada qual, no prazo de quinze dias. Na ADI, o AGU defende a presunção de constitucionalidade da lei impugnada. Assim, mesmo que o ato impugnado seja uma lei estadual, o seu papel de defensor legis deverá ser desempenhado. A doutrina e a jurisprudência admitem duas hipóteses em que o AGU não estará obrigado a defender a presunção de constitucionalidade da lei impugnada em ADI, quais sejam: i) tese jurídica já declarada inconstitucional pelo STF (essa tese pode ter sido fixada em sede de controle difuso, por exemplo); e ii) violação a interesse da União Federal (por exemplo, no caso de ADI em face de lei estadual que usurpa competência da União Federal). Não existem consequências processuais ou sanções na hipótese de não haver a defesa do ato. Situações de Participação Facultativa do AGU: a) Quando o plenário do STF já se manifestou, em caso semelhante, pela inconstitucionalidade, e no mesmo sentido é o entendimento do AGU; b) Ação Direta de Constitucionalidade - ADC; c) ADI por omissão; e d) Nas Ações de Descumprimento de Preceito Fundamental - ADPF. Parecer do PGR - O PGR deverá dar um parecer contendo a opinião do MP. Ressalta-se que esse parecer não deverá, obrigatoriamente, seguir a tese de nenhum dos requerentes ou do requerido. Além disso, o PGR pode se manifestar de maneira contrária, mesmo em face das ações propostas por ele mesmo. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 43 Peter Häbele e a Tese da “Sociedade Aberta dos Intérpretes da Constituição” - O que essa tese propõe é que todos as pessoas e grupos que vivem a Constituição em uma determinada sociedade participem de sua interpretação, direta ou indiretamente, e, dessa forma, colaborem para a compreensão e aplicação de seus preceitos. Ele diz que a interpretação constitucional vinha sendo considerada uma coisa de “sociedade fechada”, ou seja, restrita aos chamados “operadores jurídicos”. Mas, com a ampliação da democracia, “cidadãos e grupos, órgãos estatais, o sistema político e a opinião pública (…) representam forças produtivas de interpretação (…) são intérpretes constitucionais em sentido lato, atuando nitidamente, pelo menos, como pré-intérpretes”. Amicus Curiae - art. 7º, § 2º, da Lei 9.868/99 - O relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, poderá, por despacho irrecorrível, admitir, observado o prazo fixado, a manifestação de outros órgãos ou entidades. Objetivo - O amicus curiae é um fator de legitimação social das decisões, que busca pluralizar o debate (Celso de Melo - ADI 2130). Prazo Máximo - Antes era aceito o ingresso até o dia do julgamento. Atualmente, o STF entende que é permitido o ingresso até a data em que o relator libera o processo para a pauta. Participação do Amicus Curiae - Este pode: i) Fazer sustentação oral (art. 131 do RISTF); ii) Juntar memoriais e pareceres técnicos etc. Impossibilidade de Interposição de Recurso - O Amicus Curiae não pode interpor recursos, inclusive embargos de declaração, pois não é parte, e sim “terceiro estranho à relação processual”. Igualmente, não possui legitimidade para pedido de concessão de medida cautelar-ADPF 347. O art. 7º, § 2º, da Lei nº 9.868/99 e o art. 138 do CPC preveem que o Relator poderá, por “despacho” (decisão) irrecorrível, admitir o ingresso do amicus. Por outro lado, a decisão que INADMITE amicus curiae é recorrível? Tema divergente, havendo decisões recentes em dois sentidos: O Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 2018, decidiu que “a decisão do Relator que ADMITE ou INADMITE o ingresso do amicus curiae é irrecorrível” (STF. Plenário. RE 602584. AgR, Rel. para acórdão Min. Luiz Fux, julgado em 17/10/2018). Porém, em que pese a decisão proferida em 2018 acima colacionada, em 2020, o Supremo Tribunal Federal analisou novamente o tema, decidindo que: É recorrível a decisão denegatória de ingresso no feito como amicus curiae. É possível a impugnação recursal por parte de CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 44 terceiro, quando denegada sua participação na qualidade de amicus curiae. STF. Plenário. ADI 3396 AgR/DF, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 6/8/2020 (Info 985). Observa-se, portanto, que o tema ainda não está pacificado no STF. Insta consignar, ainda, que a decisão proferida na ADI 3396 AgR/DF não foi julgada pela unanimidade dos Ministros, pois os Ministros Alexandre de Moraes e Roberto Barroso não votaram. Ademais, o Ministro Celso de Mello esclareceu, em seu voto, que julgou conforme a realidade da época em que o recurso foi interposto (2011), quando existiam precedentes que admitiam o cabimento. Explicando, por fim, que o Plenário do STF tem entendido que é irrecorrível a decisão. Portanto, mesmo que a decisão seja mais recente (2020), não é possível afirmar que houve uma nova mudança de entendimento para permitir a recorribilidade. O que, por sua vez, também não autoriza dizer que o tema já está pacificado. Ressalte-se que a presença do amicus curiae também é aceita nas outras ações de controle de constitucionalidade (ADPF - art. 6, § 2º, da Lei 9.882/09; ADC - art. 18, § 2º, da Lei - apesar de vetado, aceita-se por analogia, já que ADI e ADC são ações dúplices). Natureza Jurídica - O art. 138 do CPC/15 trouxe o amicus curiae no título que trata da intervenção de terceiros. Vejamos: TÍTULO III DA INTERVENÇÃO DE TERCEIROS (…) CAPÍTULO V DO AMICUS CURIAE Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação. § 1º A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência nem autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração e a hipótese do § 3º. § 2º Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a intervenção, definir os poderes do amicus curiae. CPF: 860.542.154-18 PACHEGOGONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 45 § 3º O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas. Pessoa física como Amicus Curiae - O art. 138 do CPC prevê a possibilidade de pessoas físicas que detenham representatividade adequada e possuam experiência na matéria possam atuar como amicus curiae. Entretanto, o STF tem jurisprudência recente no sentido de não se aplicar o art. 138 do CPC para as hipóteses de controle concentrado de constitucionalidade perante o Supremo. Vejamos: A pessoa física não tem representatividade adequada para intervir na qualidade de amigo da Corte em ação direta. STF. Plenário. ADI 3396 AgR/DF. Deve se ter cautela em relação às provas nas quais se cobre expressamente o posicionamento do STF, pois a corte, historicamente, não admite pessoa física como amicus curiae, destacando-se, nesse sentido, a ADI 4.178/GO. No silêncio, se a questão falar genericamente em pessoa física como amicus curiae, preferencialmente, deve se acolher a possibilidade em razão do texto expresso do CPC. OBSERVAÇÃO: CUSTOS VULNERABILIS. O STJ já admitiu a intervenção da Defensoria Pública da União em feito que formava precedente em favor de vulneráveis e dos direitos humanos, o que é chamado de “custos vulnerabilis”. Não se confunde com amicus curiae. Trata-se de participação processual da Defensoria, não como representante da parte, mas como protetor dos interesses dos necessitados, nos termos do art. 134 da Constituição. Audiências Públicas - A Lei da ADI admite a realização de audiências públicas (art. 9º, § 1º, da Lei 9.868/99). Segundo o dispositivo da lei, (...) “o relator pode requisitar informações adicionais, designar perito, comissão de peritos para que emita parecer ou fixar data para audiência pública” (...). Estas também são um fator de legitimação social das decisões, que busca pluralizar o debate. Quórum de Instalação de Seção de Votação - Para se começar o julgamento de uma ADI, devem estar presentes, pelo menos, 8 ministros (2/3). Quórum de Votação - Para se declarar a inconstitucionalidade, o quórum é de maioria absoluta (6 ministros). 1.1.1.6. Efeitos da decisão CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 46 Regra - Os efeitos são erga omnes, ex tunc e vinculantes em relação aos órgãos do Poder Judiciário e da administração pública federal, estadual, municipal e distrital (art. 28 da Lei 9.868/99). Ressalta-se que o efeito da ADI não vincula o Poder Legislativo (em sua função típica), sob pena de fossilização desse poder. Também não vincula o plenário do STF. Princípio da Parcelaridade - Determina que o STF pode julgar parcialmente procedente o pedido da ADI, expurgando do texto legal apenas uma palavra, expressão, desde que o Tribunal não subverta o sentido do texto editado pelo Legislador. Assim, pode-se perceber que o que ocorre com a ADI é diferente do que ocorre com o veto presidencial. ATENÇÃO! Efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade. Necessidade de impugnação de todo o “complexo normativo”. Estabelecida a premissa de que os efeitos da decisão em ADI retroagem, em razão da nulidade ser cominada desde sua origem, todos os efeitos da Lei declarada inconstitucional são inválidos, inclusive a eficácia derrogatória da legislação anterior, razão pela qual em regra, com a decisão prolatada em sede de ADI a legislação revogada pela Lei declarada inconstitucional volta a ter vigência. Este é o chamado efeito ou eficácia repristinatória da ADI. Aponte-se que se trata de fenômeno diverso da repristinação, não admitida no ordenamento jurídico pátrio como regra. A repristinação ordinária é a possibilidade de uma norma revogada voltar a ter vigência pelo simples fato da revogação da norma que a ab-rogou (não admitida em nosso ordenamento, salvo se expressamente declarada). Os efeitos repristinatórios, ao revés, decorrem da decisão em ADI, e não precisam ser declarados pelo STF (aliás, é justamente o inverso! A falta de modulação de efeitos é que consolida o efeito repristinatório). Neste contexto, é que pode surgir a problemática do “efeito repristinatório indesejado”, pois na hipótese de na legislação anterior estar presente o mesmo vício que inquinou a norma objeto de impugnação na ADI, o julgamento desta não surtiria efeito prático, pois restauraria a vigência de norma igualmente inconstitucional. Nestas circunstâncias, para evitar o efeito repristinatório indesejado, o autor da ação tem o ônus de impugnar não apenas a norma vigente, mas todo o complexo normativo, sendo excepcionalmente admitida hipótese de impugnação de norma já revogada em sede de ADI. Segundo Gilmar Mendes, o limite temporal é a CF/88 – é necessário que haja a impugnação apenas das normas posteriores à Constituição. E o que acontece se o autor não impugnar todo o complexo normativo? Caso o autor não impugne o complexo normativo, a ação será extinta pelo STF sem análise de mérito, pois faltaria interesse de agir. Deve-se rememorar que o STF embora não se vincule à causa de pedir, vincula-se ao pedido, não podendo declarar inconstitucional, em caráter principal, norma diferente da impugnada na inicial. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 47 Poderia o STF relativizar tal consequência diante da inércia do autor, declarando, por exemplo, a inconstitucionalidade por arrastamento? Não é o caso, também, de se declarar a inconstitucionalidade por arrastamento, uma vez que não há relação lógica ou de prejudicialidade entre as normas que se sucedem, exceto pela revogação. Ocorre que tal exigência pode ser suavizada pelo próprio STF na hipótese de modulação de efeitos, pois bastaria que se preservasse a eficácia revogadora. Tal modulação pode ser feita de ofício. STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 2/10/2018 (Info 918). Modulação dos Efeitos da Decisão - art. 27 da Lei 9.868/99 - O STF pode modular os efeitos da decisão visando proteger a segurança jurídica ou um excepcional interesse social. Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Trata-se, portanto, do reconhecimento legislativo da possibilidade de transação com o postulado da nulidade, relativizando a rigidez da supremacia constitucional com escopo de harmonizar este valor com a segurança jurídica, confiança, dentre outros valores relevantes para a própria intangibilidade da ordem constitucional. É possível, portanto, que seja atribuída eficácia puramente prospectiva, inclusive em momento posterior, declarando a inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade. Trata-se de hipóteses já analisadas quando expostas as tipologias de sentenças intermediárias, especificamente as transitivas. Caso o STF, ao julgar uma ADI, ADC ou ADPF, declare a lei ou ato normativo inconstitucional, ele poderá, de ofício, fazer a modulação dos efeitos dessa decisão. STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 2/10/2018 (Info 918). Segundo o STF já professou, o julgamento de uma ação de controle concentradopossuiria um caráter bifásico, pois, em um primeiro momento, o STF avalia a questão principal, relativa à constitucionalidade ou inconstitucionalidade da norma e, após, aprecia a possibilidade de modulação de efeitos. Trata-se, portanto, de poder inerente ao exercício da jurisdição constitucional, cabendo ao próprio STF apreciar a necessidade de modulação dos efeitos, tendo em vista, sempre, o caráter de exceção da modulação, sob pena de se esvaziar o postulado da nulidade que dá sustentação à supremacia constitucional. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 48 A parte autora também pode instigar o STF a se manifestar sobre a modulação de efeitos, podendo se valer, para tanto, dos embargos de declaração. REGRA: se o STF declara uma lei ou ato normativo inconstitucional em ADI, ADC ou ADPF, essa decisão, em regra, produz efeitos EX TUNC (retroativos); aplica-se o postulado da nulidade desde a origem. Excepcionalmente, o STF pode, pelo voto de, no mínimo, 8 Ministros (2/3) – Quórum de Modulação (sentença transitiva): * restringir os efeitos da declaração; ou * decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado; ou * de outro momento que venha a ser fixado. Desde que haja razões de: * segurança jurídica; ou * excepcional interesse social. Decisão importante sobre o tema: Decidiu o STF que em ação direta de inconstitucionalidade, com a proclamação do resultado final, tem-se por concluído e encerrado o julgamento e, por isso, inviável a sua reabertura para fins de modulação. (...) A Corte destacou que a análise da ação direta de inconstitucionalidade seria realizada de maneira bifásica: a) primeiro se discutiria a questão da constitucionalidade da norma, do ponto de vista material; e, b) declarada a inconstitucionalidade, seria discutida a aplicabilidade da modulação dos efeitos temporários, nos termos do art. 27 da Lei 9.868/1999. Assim, se a proposta de modulação tivesse ocorrido na data do julgamento de mérito, seria possível admiti-la. (...) ADI 2949 QO/MG, rel. orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 8.4.2015. (ADI-2949) Eficácia da decisão em relação à coisa julgada e atos jurídicos acabados - Distinção entre o plano normativo e o plano singular - Gilmar Mendes As decisões do STF em controle concentrado possuem, como visto, eficácia geral e efeito vinculante em relação a todos os juízos e tribunais, sendo os limites subjetivos da coisa julgada extensíveis a todos. Contudo, independente da modulação de efeitos, isso não implica a automática desconstituição de atos individualizados, como a coisa julgada e os atos jurídicos perfeitos (que até podem ser alcançados pela eficácia rescisória do julgado, porém não de forma automática). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 49 Neste aspecto, cabe destacar valiosa lição do Min. Gilmar Mendes, ao diferenciar a eficácia da decisão no plano normativo e no plano individual, sendo os efeitos do controle abstrato compatibilizados com a segurança jurídica por meio das chamadas fórmulas de preclusão (sem embargo da modulação de efeitos, que se trata de outra perspectiva): “Trata-se da proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendo-se à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das fórmulas de preclusão (...) somente serão afetados pela declaração de inconstitucionalidade com eficácia geral os atos ainda suscetíveis de revisão ou impugnação” (I. G. da S. Martins, G. F. Mendes, Controle concentrado de constitucionalidade: comentários à Lein. 9.868, de 10.11.99, p. 405-406 e 526). Logo, a decisão do STF não implica a automática desconstituição de atos no plano singular praticados sob a égide da lei reputada inconstitucional, a exemplo da coisa julgada, devendo ser promovida a eficácia transrescisória da declaração de inconstitucionalidade, por meio de mecanismos específicos, como os embargos rescisórios e a ação rescisória. No RE 730462/SP o STF fez a seguinte distinção: - Eficácia normativa Quando o STF, no controle concentrado de constitucionalidade, decide que determinada lei é constitucional ou inconstitucional, há a consequência que se pode denominar de eficácia normativa, que significa manter ou excluir (declarar nula) a referida norma do ordenamento jurídico. Essa eficácia, como estudamos, opera-se em regra “ex tunc”, sendo, portanto, retroativa. - Eficácia executiva ou instrumental Além da eficácia normativa, a sentença de mérito no controle concentrado de constitucionalidade provoca também um efeito vinculante, consistente em atribuir ao julgado uma força impositiva e obrigatória em relação aos atos administrativos ou judiciais supervenientes. Em outras palavras, os atos administrativos e judiciais que forem praticados depois do julgado do STF deverão respeitar aquilo que foi decidido. A isso, o Min. Teori Zavascki chama de eficácia executiva ou instrumental (eficácia vinculante). Em caso de descumprimento dessa eficácia executiva ou instrumental, a parte prejudicada poderá ajuizar no STF uma reclamação (art. 102, I, “l” da CF/88). A eficácia executiva produziria efeitos “ex nunc”. Assim, o termo inicial da eficácia executiva é o dia de publicação do acórdão do STF no Diário Oficial (art. 28 da Lei 9.868/1999). Em outras palavras, o dever de todos respeitarem aquilo que foi decidido só surge depois da decisão. O efeito vinculante não atinge automaticamente os atos passados, sobretudo a coisa julgada. Os atos passados, mesmo quando decididos com base em norma ou interpretação declarada inconstitucional (“coisa julgada CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 50 inconstitucional”), só poderão ser desfeitos em processo próprio (não podem ser atacados por simples reclamação). De acordo com o CPC, em seu art. 525, § 15 e art. 535, § 8º, proferida decisão pelo STF no sentido da inconstitucionalidade da lei/ato normativo ou da sua aplicação/interpretação, após o trânsito em julgado da decisão exequenda, caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, não se pode deixar de observar que parte da doutrina pátria defende a inconstitucionalidade dos dispositivos mencionados, no tocante ao termo inicial do prazo para ação rescisória, qual seja “do trânsito em julgado da decisão proferida pelo STF”, por violação do princípio da segurança jurídica. O STF ainda não se manifestou sobre o tema. Em prova objetiva, atenção para o comando do enunciado. Em prova discursiva é importante citar a controvérsia. Título Judicial Fundado em Lei ou Ato Normativo Declarado Inconstitucional - art. 525, § 12, do NCPC e § 5º do art. 535 do NCPC. Nesses casos, será cabível impugnação para evitar o cumprimento de sentença. Decisão importante sobre o tema: A decisão do STF que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo não produz a automática reforma ou rescisão das sentenças anteriores que tenham adotado entendimento diferente; para que tal ocorra, será indispensável a interposição do recurso próprio ou, se for o caso, a propositura da ação rescisória própria, nos termos do art. 485, V, do CPC 1973 (art. 966, V, do NCPC), observado o respectivoprazo decadencial. Ressalva-se desse entendimento, quanto à indispensabilidade da ação rescisória, a questão relacionada à execução de efeitos futuros da sentença proferida em caso concreto sobre relações jurídicas de trato continuado. STF. Plenário. RE 730462, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 28/05/2015 (repercussão geral). Início da Eficácia da Decisão que Reconhece a Inconstitucionalidade da Lei - Segundo o art. 28 da Lei 9.868/99, tem eficácia a partir da decisão transitada em julgado. Entretanto, dada a demora processual, o STF determinou que a eficácia tem seu início com a publicação da ata de julgamento da ADI no DJU. Desta forma, publicada a ata de julgamento, a decisão já tem efeito, e seu descumprimento enseja, inclusive, a proposição de reclamação perante o STF. O prazo para interpor embargos de declaração é que só começa a fluir após a publicação do acórdão, e não interpostos embargos, e se interpostos após o seu julgamento é que será certificado o trânsito em julgado da ação. - Rcl 3.632-AgR, Redator para o acórdão o Ministro Eros Grau, Plenário, DJ 18.08.2006. Nesse sentido, cf. decisão monocrática da Min. Cármen Lúcia na Rcl 17.446, j. 31.03.2014. Caráter Ambivalente ou Dúplice da Decisão da ADI e da ADC - Conforme dispõe o art. 24 da Lei nº 9.868/99, proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 51 improcedente a ação direta ou procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar-se-á procedente a ação direta ou improcedente eventual ação declaratória. Assim, uma vez julgada improcedente a ADI, declara-se a constitucionalidade da lei e, uma vez julgada procedente, declara-se a inconstitucionalidade da lei. O mesmo raciocínio aplica-se para a ADC de forma invertida. Dessa forma, a doutrina e jurisprudência afirmam que a ADI e a ADC são ações idênticas com sinais trocados. Decisão importante sobre o tema: O STF assentou a regularidade processual na cumulação de pedidos típicos de ADI e ADC em uma única demanda de controle concentrado, o que se daria na espécie, vencido o Ministro Marco Aurélio. Asseverou que a cumulação de ações seria não só compatível como também adequada à promoção dos fins a que destinado o processo objetivo de fiscalização abstrata de constitucionalidade, destinado à defesa, em tese, da harmonia do sistema constitucional, reiterado o que decidido na ADI 1.434 MC/SP (DJU de 22.11.1996). Além disso, a cumulação objetiva de demandas consubstanciaria categoria própria à teoria geral do processo. Como instrumento, o processo existiria para viabilizar finalidades materiais que lhes seriam externas. A cumulação objetiva apenas fortaleceria essa aptidão na medida em que permitiria o enfrentamento judicial coerente, célere e eficiente de questões minimamente relacionadas entre elas. Não seria legítimo que o processo de controle abstrato fosse diferente. Outrossim, rejeitar a possibilidade de cumulação de ações — além de carecer de fundamento expresso na Lei 9.868/1999 — apenas ensejaria a propositura de nova demanda com pedido e fundamentação idênticos, a ser distribuída por prevenção, como ocorreria em hipóteses de ajuizamento de ADI e ADC em face de um mesmo diploma. Ademais, os pedidos articulados na inicial não seriam incompatíveis jurídica ou logicamente, sendo provenientes de origem comum. ADI 5316 MC/DF, rel. Min. Luiz Fux, 21.5.2015. (ADI-5316). OBSERVAÇÃO: a ambivalência pressupõe que se tenha alcançado o quórum de julgamento com eficácia erga omnes (maioria absoluta). Na ADI 4874, o STF declarou a RDC 14/2012-ANVISA constitucional. Ocorre que 5 Ministros votaram pela constitucionalidade da Resolução e outros 5 Ministros entenderam que ela seria inconstitucional. 1 Ministro se julgou suspeito para votar. Houve, portanto, um empate. O art. 97 da CF/88 exige um quórum mínimo de 6 Ministros do STF para que uma lei ou ato normativo seja declarado inconstitucional. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 52 Como houve apenas 5 votos, a Resolução impugnada não foi declarada inconstitucional. Disso não se depreende que da improcedência da ADI houve efeito ambivalente (declaração de constitucionalidade, que torna a presunção relativa de constitucionalidade da Lei em absoluta, vinculando os demais órgãos do Judiciário). Nesta situação, o STF, após empate na votação, manteve a validade da Resolução RDC 14/2012-ANVISA, que proíbe a comercialização no Brasil de cigarros com sabor e aroma. Esta parte do dispositivo não possui eficácia erga omnes e efeito vinculante. Significa dizer que, provavelmente, as empresas continuarão ingressando com ações judiciais, em 1ª instância, alegando que a Resolução é inconstitucional e pedindo a liberação da comercialização dos cigarros com aroma. Os juízes e Tribunais estarão livres para, se assim entenderem, declararem inconstitucional a Resolução e autorizar a venda. STF. Plenário. ADI 4874/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 1º/2/2018 (Info 889). Em suma, a ambivalência pressupõe a identidade de quórum. O quórum necessário para obter uma decisão com eficácia erga omnes e efeito vinculante é idêntico ao da ADI, por isso o efeito dúplice. Se não foi alcançado o quórum para declarar inconstitucional, tampouco restaria alcançado o quórum para obtenção de declaração com ampla eficácia em ADC. Diante da presunção de constitucionalidade das normas, a ausência de quórum impõe a manutenção da mesma no ordenamento, porém com a sua presunção relativa de constitucionalidade, e não a absoluta que pode ser obtida em ADC, o que permite que continue a ser discutida nas instâncias inferiores. 1.1.1.7. Medida cautelar em ADI Previsão Legal - art. 10 da Lei 9.868/99 - Salvo no período de recesso, a medida cautelar na ação direta será concedida por decisão da maioria absoluta (6 Ministros) dos membros do Tribunal, observado o disposto no art. 22, após a audiência dos órgãos ou autoridades dos quais emanou a lei ou ato normativo impugnado, que deverão pronunciar-se no prazo de cinco (5) dias. Natureza - A doutrina afirma que não se trata de uma medida cautelar, mas, sim, de uma antecipação dos efeitos da tutela. Medida Cautelar Durante o Recesso Anual - Durante o recesso, quem concede a medida cautelar é o Presidente do Tribunal. Oitiva do AGU e do PGR - § 1º - O relator, julgando indispensável, ouvirá o Advogado-Geral da União e o Procurador-Geral da República, no prazo de três (3) dias. Possibilidade de Sustentação Oral pelos Representantes dos Responsáveis pela Expedição do Ato - § 2º - No julgamento do pedido de medida cautelar, será facultada sustentação oral aos representantes judiciais do requerente e das autoridades ou órgãos responsáveis pela expedição do ato, na forma estabelecida no Regimento do Tribunal. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 53 Medida Cautelar sem Audiência das Autoridades - § 3º - Em caso de excepcional urgência, o Tribunal poderá deferir a medida cautelar sem a audiência dos órgãos ou das autoridades das quais emanou a lei ou o ato normativo impugnado. Efeitos da Medida Cautelar - art. 11, § 1º, da Lei - A medida cautelar tem eficácia erga omnes e será concedida com efeito ex nunc (não retroativo), salvo se o tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa. Retorno da Aplicabilidade da Legislação Anterior- § 2º - A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo expressa manifestação em sentido contrário (efeito repristinatório da decisão liminar). Indeferimento da Cautelar - O indeferimento de cautelar faz com que a lei permaneça produzindo efeitos normalmente. Assim, deve-se esperar o julgamento do mérito para a conclusão final (a presunção de constitucionalidade continua relativa). Entretanto, a negativa de cautelar não produz efeito vinculante. Assim, o juiz ou tribunal podem, incidentalmente, afastar a aplicação da lei. Julgamento da Cautelar como Ação Principal - art. 12 da Lei - Havendo pedido de medida cautelar, o relator, em face da relevância da matéria e de seu especial significado para a ordem social e a segurança jurídica, poderá, após a prestação das informações, no prazo de dez (10) dias, e a manifestação do Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da República, sucessivamente, no prazo de cinco (5) dias, submeter o processo diretamente ao Tribunal, que terá a faculdade de julgar definitivamente a ação. Requisitos: i) Relevância da Matéria; ii) Especial Significado para a Ordem Social e a Segurança Jurídica. Procedimento: i) Pedido de medida cautelar; ii) Submissão (facultativa) do relator quando observar os requisitos; iii) Prestação de informações no prazo de 10 dias; iv) Manifestação do AGU e PGR, sucessivamente, em 5 dias. 1.1.2. ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (ADPF) Conforme já demonstrado, embora diversas espécies normativas possam ser controladas via ADI, existe limitação decorrente do princípio da contemporaneidade, o que deixa de fora do âmbito da ADI a análise de recepção de normas anteriores à Constituição de 1988. Leis municipais também estão fora do alcance da ação direta, e CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 54 havia espaço residual importante referente à hipótese de controvérsia decorrente da interpretação de preceito constitucional de forma divergente entre juízos. A ADPF, então, surgiu como uma forma de colmatar essa lacuna no controle concentrado, ampliando ainda mais o espectro de atuação do STF. Fundamento - art. 102, § 1º, da CF e Lei 9.882/99: Art. 102, § 1º da CF - A arguição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada pelo STF na forma da lei (Lei 9.882/99). O art. 102, § 1º, da CF, é uma norma de eficácia limitada, pois depende da regulamentação dada pela Lei 9.882/99. Modalidades de ADPF: Uma peculiaridade da ADPF é que por meio dela pode ser impugnado diretamente um ato normativo (caráter principal), como é possível também provocar a jurisdição do STF a partir de situações concretas, que revelem controvérsia constitucional, tendo como pano de fundo o questionamento de ato normativo (caráter incidental). Duas são as modalidades de ADPF: A) ADPF Autônoma Art. 1º da Lei 9.882/99 Terá por objeto evitar ou reparar uma lesão a um preceito fundamental resultante de um ato do poder público. B) ADPF por Equivalência ou Equiparação Art. 1º, parágrafo único, da Lei 9.882/99 - Caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental: Quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição. Dessa forma, pelo dispositivo legal, esta ação não necessariamente envolve ato normativo, podendo ter como objeto qualquer ato do poder público atentatório a um preceito fundamental. Há um caráter preventivo (evitar), mas também repressivo (reparar), sendo necessário que haja nexo de causalidade entre a lesão ao preceito fundamental e o ato do poder público. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 55 Ressalte-se que, com fundamento neste dispositivo, também cabe ADPF em face de normas que tenham se tornado incompatíveis com a CF em função de uma determinada emenda constitucional. Decisão importante sobre o tema: Cabimento de ADPF contra conjunto de decisões judiciais que determinaram a expropriação de recursos do Estado-membro (STF. Plenário. ADPF 405 MC/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 14/6/2017 - Info 869). O Estado do Rio de Janeiro vive uma grave crise econômica, estando em débito com o pagamento de fornecedores e atraso até mesmo no pagamento da remuneração dos servidores públicos. Os órgãos e entidades também estão sem dinheiro para custear os serviços públicos. Diante disso, diversas ações (individuais e coletivas) foram propostas, tanto na Justiça comum estadual como também na Justiça do Trabalho, pedindo a realização desses pagamentos. Os órgãos judiciais estavam acolhendo os pedidos e determinando a apreensão de valores nas contas do Estado para a concretização dos pagamentos. Neste cenário, o Governador do Estado ajuizou ADPF no STF com o objetivo de suspender os efeitos de todas as decisões judiciais do TJRJ e do TRT da 1ª Região que tenham determinado o arresto, o sequestro, o bloqueio, a penhora ou a liberação de valores das contas administradas pelo Estado do Rio de Janeiro. O STF afirmou que a ADPF é instrumento processual adequado para esse pedido e deferiu a medida liminar. O conjunto de decisões questionadas são atos típicos do Poder Público passíveis de impugnação por meio de APDF. Princípio da Subsidiariedade da ADPF - art. 4º da Lei 9.882/99 - Não será admitida a ADPF quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade. Ressalte-se que a existência de processos ordinários e recursos extraordinários não deve excluir, a priori, a utilização da arguição de descumprimento de preceito fundamental, em virtude da feição marcadamente objetiva da ação. Ou seja, é necessário que haja outro meio de controle concentrado adequado - mesma imediaticidade, amplitude e efetividade - para que se afaste o cabimento da ADPF. Exemplo: Lei editada após a CF/88 - cabe ADI. Conceito de Preceito Fundamental - São normas qualificadas, que veiculam princípios e servem de vetores de interpretação das demais normas constitucionais (Cássio Juvenal Faria). São exemplos: Art. 1º, I, II, III, IV e V da CF - Fundamentos da República. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 56 Art. 3º da CF - Objetivos Fundamentais da República. Art. 34, VII, “a” a “e” da CF - Princípios Sensíveis. O Min. Gilmar Ferreira Mendes (MENDES, 2016, p. 1325) reconhece, em sua obra, a inexistência de um rol taxativo de preceitos fundamentais, mas afirma que alguns deles “estão enunciados, de forma explícita, no texto constitucional”. Ainda, enumera algumas normas que inegavelmente se enquadrariam como preceitos fundamentais, quais sejam: (1) “direitos e garantias fundamentais (art. 5º, dentre outros)”; (2) “demais princípios protegidos pela cláusula pétrea do art. 60, § 4º, da CF: o princípio federativo, a separação de Poderes e o voto direto, secreto, universal e periódico”; (3) “os princípios constitucionais sensíveis” previstos no art. 34, VII, da Constituição. Pode-se concluir, portanto, que o STF não adota uma perspectiva restritiva de preceitos fundamentais. Apesar de não haver um rol fechado de quais são os preceitos fundamentais, o Tribunal já manifestou entendimento, em decisão plenária (ADPF 33), que são preceitos fundamentais: (I) direitos e garantias individuais(art. 5º, dentre outros); (II)“...demais princípios protegidos pela cláusula pétrea do art. 60, § 4º, da Constituição, quais sejam, a forma federativa de Estado, a separação dos Poderes, o voto direto, secreto universal e periódico”; (III) princípios sensíveis (art. 34, VII, da CRFB); e (IV) a proibição de vinculação de salários a múltiplos do salário mínimo (art. 7º, IV, in fine, da Constituição Federal). Em suma, compete ao próprio STF, como guardião da Constituição, a definição dos preceitos fundamentais. ATENÇÃO! OBJETO DA ADPF Nos termos da Lei nº 9.882/99, cabe ADPF para evitar lesão a preceito fundamental decorrente de ato do poder público ou quando houver relevante controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo de todos os entes da federação, inclusive anteriores à Constituição. Conforme já exposto, a ADPF foi concebida como forma de colmatar as lacunas decorrentes das restrições de cabimento da ADI, porém, segundo o STF, isso não implica uma ampliação sem qualquer limite do controle concentrado. Segundo a jurisprudência do STF e a doutrina, cabem os seguintes apontamentos: 1) Direito pré-constitucional: é cabível ADPF para sindicar a compatibilidade das normas anteriores à CF/88 com o texto Constitucional, inclusive de âmbito estadual e municipal. É o que dispõe expressamente a Lei nº 9.882/99. 2) Lei pré-constitucional e alteração de competência: a teoria da recepção adotada pelo STF indica que basta que haja compatibilidade material com a Constituição para que uma norma seja recepcionada. Gilmar Mendes aponta interessante exceção: o caso de alteração de competência legislativa. Neste caso, se uma competência municipal ou estadual passa a ser da União, estas são derrogadas, pois não há possibilidade fática e jurídica de federalizar normas estaduais ou municipais, notadamente em razão da possibilidade de distintos tratamentos dados à matéria. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 57 Por outro lado, se havia legislação federal e a competência passou a ser outorgada aos entes menores, subsiste a legislação até que o ente competente edite lei nova, com base no princípio da continuidade do ordenamento jurídico (RE 218.160 STF). Para Gilmar Mendes, trata-se de hipótese em que é cabível ADPF. 3) Direito Municipal: deve-se ter atenção em relação à possibilidade de questionamento de Lei Municipal no STF via ADPF. São recorrentes questões que afirmam a impossibilidade de controle concentrado no STF tendo como objeto leis municipais. Errado!! Não cabe ADI, porém será cabível ADPF. 4) Norma revogada: diferente do que ocorre na ADI/ADC, é possível questionar lei já revogada perante o STF. 5) Interpretação judicial: na ADPF 101, restou consignada a possibilidade de se ajuizar arguição contra decisões judiciais lesivas a preceitos fundamentais, pois elas também configuram ato do Poder Público. O mesmo entendimento foi aplicado na ADPF 484. 6) Tratado internacional antes da aprovação pelo CN, ou antes, de sua incorporação definitiva à ordem jurídica interna: segundo Gilmar Mendes, é possível o controle do conteúdo do tratado antes de sua integração definitiva ao ordenamento pátrio. Tal possibilidade descerra‐se desde sua submissão ao CN, para aprovação, até a edição do ato do Executivo relativo à promulgação; 7) Veto presidencial: prevalece que não é cabível ADPF em face do veto, por ser ato político de competência exclusiva do Chefe do Executivo. Na ADPF 1, restou assentada a impossibilidade, sob o fundamento de que o ato cuidaria de exercício de poder político, não se inserindo na expressão “ato de poder público”. Ocorre que não se trata de uma questão fechada, pois na ADPF 45, o Ministro Celso de Mello considerou a ADPF instrumento idôneo a sindicar veto presidencial tendente a lesar preceitos fundamentais. Gilmar Mendes, em consonância com o quanto consignado na ADPF 45, entende que o veto pode ser objeto de ADPF; 8) Proposta de Emenda Constitucional: prevalece que não é cabível. O STF enfrentou a questão na ADPF 43 e decidiu ser impossível o escrutínio de PEC por meio de ADPF, aduzindo que o controle da proposta de reforma do texto constitucional se limitaria à hipótese do Mandado de Segurança preventivo. Em sede doutrinária, Gilmar Mendes discorda, asseverando que a ADPF seria o meio mais eficaz e expedito do que o MS, especialmente em razão da legitimidade ativa e do procedimento; 9) Decisão transitada em julgado: o STF já entendeu NÃO ser cabível ADPF contra decisão judicial transitada em julgado (ADPF 81). 10) ADPF para sanar omissão do Poder Público. NOVIDADE JURISPRUDENCIAL - O STF entendeu pelo cabimento de ADPF para sanar omissão do Poder Público: A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) é instrumento eficaz de controle da inconstitucionalidade por omissão. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 58 A ADPF pode ter por objeto as omissões do poder público, quer totais ou parciais, normativas ou não normativas, nas mesmas circunstâncias em que ela é cabível contra os atos em geral do poder público, desde que essas omissões se afigurem lesivas a preceito fundamental, a ponto de obstar a efetividade de norma constitucional que o consagra. STF. Plenário. ADPF 272/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 25/3/2021 (Info 1011). Competência - art. 102, § 1º, da CF - Segundo a CF, a competência de julgamento é do STF, na forma da lei (Lei 9.882/99). Para a competência ser do STF, o parâmetro de controle é a Constituição Federal. A ressalva é que esse parâmetro é reduzido em relação à ADI, pois não é qualquer norma constitucional que pode ser indicada como parâmetro, mas tão somente aquelas que sejam vetores de preceitos fundamentais. Legitimidade - São os mesmos legitimados da ADI. Entretanto, conforme o art. 2º, § 1º, da Lei, qualquer interessado pode representar ao PGR para que este proponha a ação (direito de petição). Procedimento da ADPF: Petição Inicial - Deverá conter todos os requisitos do art. 319 do NCPC e: i. Indicação do ato questionado; ii. Indicação do preceito fundamental violado; iii. Prova da violação do preceito fundamental; iv. Pedido com especificações; e v. Se for o caso, comprovação da existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação do preceito fundamental que se considera violado. Indeferimento da Inicial - Liminarmente, o relator, não sendo caso de arguição, faltante um dos requisitos apontados, ou inepta a inicial, indeferirá a petição inicial, sendo cabível o recurso de agravo, no prazo de 5 dias, para atacar tal decisão. Solicitação de Informações - Apreciado o pedido de liminar, o relator solicitará as informações às autoridades responsáveis pela prática do ato questionado, no prazo de dez (10) dias. Se entender necessário, poderá o relator ouvir as partes nos processos que ensejaram a arguição, requisitar informações adicionais, designar perito ou comissão de peritos para que emita parecer sobre a questão, ou ainda, fixar data para declarações, em audiência pública, de pessoas com experiência e autoridade na matéria. Poderão ser autorizadas, a critério do relator, sustentação oral e juntada de memoriais, por requerimento dos interessados no processo. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 59 Vista do Processo pelo MP - O Ministério Público, nas arguições que não houver formulado,terá vista do processo, por cinco (5) dias, após o decurso do prazo para informações. Comunicação às Autoridades na ADPF Autônoma - No caso da arguição autônoma, julgada procedente a ação, far-se-á comunicação à autoridade ou aos órgãos que praticaram os atos questionados e serão fixados os modos e as condições da interpretação e aplicação do preceito fundamental (art. 10 da Lei). A decisão tem efeito erga omnes e deve ser imediatamente cumprida, podendo caber reclamação contra o ato que descumpre a decisão. Efeitos da Decisão - No caso da arguição por equiparação, os efeitos são os mesmos da ADI (erga omnes, ex tunc e vinculante). Quórum de Votação - Para se começar o julgamento de uma ADPF, devem estar presentes pelo menos 8 Ministros, ou seja, 2/3 (quórum de instalação). Para se julgar a ADPF, o quórum é de maioria absoluta (6 ministros). Modulação de Efeitos - art. 11 da Lei - O STF pode modular os efeitos da decisão visando proteger a segurança jurídica ou um excepcional interesse social pelo quórum de 2/3. Medida Cautelar - art. 5º da Lei - O STF, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá conceder a medida cautelar. Cautelar pelo Relator - Em caso de extrema urgência, ou período de lesão grave, ou recesso, poderá o relator conceder a cautelar ad referendum (monocrática). A liminar poderá consistir na determinação a juízes e tribunais que suspendam julgamentos e decisões que tratem da matéria (art. 5º, § 3º, da Lei). Entretanto, o STF suspendeu esse dispositivo (ADI 2231-MC/DF). Ressalte-se que, mesmo suspenso esse dispositivo, o STF o aplicou na ADPF 77. Dessa forma, apesar de existir uma cautelar suspendendo formalmente este dispositivo, na prática, ele vem sendo aplicado normalmente pela corte. Oitivas das Autoridades e Terceiros - O relator poderá, ainda, ouvir órgãos ou autoridades responsáveis pelo ato questionado, bem como o AGU ou o PGR no prazo comum de 5 dias. Na ADPF também cabem audiências públicas e amicus curiae. A ADPF pode ser reconhecida como ADI. Para isso, basta que a matéria proposta na ADPF seja matéria de ADI. Assim, pode-se dizer que existe uma fungibilidade entre essas ações. Entretanto, nesse caso, a ADPF deverá ser recebida como ADI pelo princípio da subsidiariedade. Também é possível cumular diversos pedidos em ADPF, a exemplo do juízo de recepção, declaração de inconstitucionalidade e inconstitucionalidade por omissão: As ações diretas de inconstitucionalidade (ADI genérica, ADC, ADI por omissão, ADPF) são fungíveis entre si. Em razão dessa fungibilidade, é possível propor uma única ação direta, no caso, a ADPF, cumulando pedidos para: a) não recepção de norma anterior à Constituição (Lei nº 1.079/50); b) declaração da inconstitucionalidade de normas posteriores (regimentos internos); c) superação da omissão parcial CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 60 inconstitucional. STF. Plenário. ADPF 378/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 16, 17 e 18/12/2015 (Info 812). Não seria razoável exigir que fossem propostas três ações diferentes para atingir os três objetivos acima, sendo que todos eles estão interligados e devem ser apreciados e decididos conjuntamente. Outras decisões importantes: O STF já reconheceu a possibilidade de conhecimento da ADPF mesmo que a lei atacada tenha sido revogada antes do julgamento. Tratou-se de ADPF contra lei municipal que proibia transporte particular por aplicativo (lei que proibia o “uber”) e que havia sido revogada por outra lei municipal. Contudo, o STF entendeu que persistia a utilidade da prestação jurisdicional com caráter erga omnes e vinculante para regular as relações jurídicas estabelecidas durante a vigência da norma e em relação a leis de idêntico teor aprovadas em outros Municípios. Segue trecho da ementa do julgado: Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL, ADMINISTRATIVO E REGULATÓRIO. PROIBIÇÃO DO LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE INDIVIDUAL DE PASSAGEIROS. INCONSTITUCIONALIDADE. ESTATUTO CONSTITUCIONAL DAS LIBERDADES. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA LIVRE INICIATIVA E DO VALOR SOCIAL DO TRABALHO (ART. 1º, IV), DA LIBERDADE PROFISSIONAL (ART. 5º, XIII), DA LIVRE CONCORRÊNCIA (ART. 170, CAPUT), DA DEFESA DO CONSUMIDOR (ART. 170, V) E DA BUSCA PELO PLENO EMPREGO (ART. 170, VIII). IMPOSSIBILIDADE DE ESTABELECIMENTO DE RESTRIÇÕES DE ENTRADA EM MERCADOS. MEDIDA DESPROPORCIONAL. NECESSIDADE DE REVISÃO JUDICIAL. MECANISMOS DE FREIOS E CONTRAPESOS. ADPF JULGADA PROCEDENTE. 1. A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental é cabível em face de lei municipal, adotando-se como parâmetro de controle preceito fundamental contido na Carta da República, ainda que também cabível em tese o controle à luz da Constituição Estadual perante o Tribunal de Justiça competente. 2. A procuração sem poderes específicos para ajuizar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental pode ser regularizada no curso do processo, mercê da instrumentalidade do Direito Processual. 3. A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental não carece de interesse de agir em razão da revogação da norma objeto de controle, máxime ante a necessidade de fixar o regime aplicável às relações jurídicas estabelecidas durante a vigência da lei, bem como no que diz respeito a leis de idêntico teor aprovadas em outros Municípios. Precedentes: ADI 3306, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 17/03/2011; ADI 2418, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em 04/05/2016; ADI 951 ED, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 27/10/2016; ADI 4426, CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 61 Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 09/02/2011; ADI 5287, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 18/05/2016. (...) (ADPF 449, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 08/05/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-190 DIVULG 30-08- 2019 PUBLIC 02-09-2019) O STF também já decidiu ser possível a celebração de acordo em ADPF. Vale dizer, ainda que se trate de ação de controle abstrato, havia um conflito de interesses subjacente que foi resolvido mediante transação. Importante destacar que, com a homologação do acordo, não houve a chancela de nenhuma tese jurídica sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade da norma impugnada. Segue a ementa do julgado: ACORDO COLETIVO. PLANOS ECONÔMICOS. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. VIABILIDADE. LEGITIMADOS COLETIVOS PRIVADOS. NATUREZA DELIBATÓRIA DA HOMOLOGAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS PRESENTES. REPRESENTATIVIDADE ADEQUADA. PUBLICIDADE AMPLA. AMICI CURIAE. PARECER FAVORÁVEL DO PARQUET. SALVAGUARDAS PROCESSUAIS PRESENTES. PROCESSO COLETIVO COMO INSTRUMENTO DE DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO À JUSTIÇA. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO DE SUSPENSÃO PROCESSUAL NO ACORDO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONTINGENTES DEVIDOS. REGRAS RELATIVAS AO CONTRATO DE MANDATO. INCENTIVOS FINANCEIROS PARA ATUAÇÃO NA SOCIEDADE CIVIL NA TUTELA DE DIREITOS COLETIVOS. JUSTA REMUNERAÇÃO DOS PATRONOS DE AÇÕES COLETIVAS. APRIMORAMENTO DO PROCESSO COLETIVO BRASILEIRO. NÃO VINCULAÇÃO DA SUPREMA CORTE ÀS TESES JURÍDICAS VEICULADAS NO ACORDO. INCIDENTE PROCESSUAL RESOLVIDO COM A HOMOLOGAÇÃO DA AVENÇA COLETIVA. I – Homologação de Instrumento de Acordo Coletivo que prevê o pagamento das diferenças relativas aos Planos Econômicos Bresser, Verão e Collor II, bem como a não ressarcibilidade de diferenças referentes ao Plano Collor I. II – Viabilidade do acordo firmado por legitimados coletivos privados, em processo de índole objetiva, dada a existênciade notável conflito intersubjetivo subjacente e a necessidade de conferir-se efetividade à prestação jurisdicional. III – Presença das formalidades extrínsecas e das salvaguardas necessárias para a chancela do acordo, notadamente de representatividade adequada, publicidade ampla dos atos CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 62 processuais, admissão de amici curiae e complementação da atuação das partes pela fiscalização do Ministério Público. IV – Decisão do Supremo Tribunal Federal que assume o caráter de marco histórico na configuração do processo coletivo brasileiro, como forma de ampliação do acesso à Justiça, diante da disseminação das lides repetitivas no cenário jurídico nacional atual e da possibilidade de solução por meio de processos coletivos. V – Inocorrência de previsão de suspensão das ações durante o prazo de adesão dos poupadores. VI – Divergências entre a parte e seu advogado quanto à adesão do acordo solucionam-se por meio das regras relativas ao contrato de mandato. VII – Adoção de um sistema de honorários advocatícios contingentes que é de suma importância para fortalecer a posição do autor coletivo e, consequentemente, do próprio processo coletivo. VIII – Acordo que deve ser homologado tal como proposto, de maneira a pacificar a controvérsia espelhada nestes autos, que há décadas se arrasta irresolvida nos distintos foros do País, possibilitando-se aos interessados aderir ou não ao ajuste, conforme a conveniência de cada um. IX – Decisão que não implica qualquer comprometimento desta Suprema Corte com as teses jurídicas veiculadas na avença, especialmente aquelas que pretendam, explícita ou implicitamente, vincular terceiras pessoas ou futuras decisões do Poder Judiciário. (ADPF 165 Acordo, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/03/2018, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-080 DIVULG 31-03-2020 PUBLIC 01-04-2020) 1.1.3. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO (ADO) O art. 103, § 2º, fala em “omissão de medida” para tornar efetiva norma constitucional em razão de omissão de qualquer dos Poderes ou de órgão administrativo. Com precisão, anota Barroso que a omissão é de cunho normativo, que é mais ampla do que a omissão de cunho legislativo. Assim, engloba “... atos gerais, abstratos e obrigatórios de outros Poderes e não apenas daquele ao qual cabe, precipuamente, a criação do direito positivo”. Segundo o Min. Celso de Melo, na ADI 1484, a omissão do poder público pode gerar o fenômeno da “erosão da consciência constitucional”, ou seja, o comprometimento da credibilidade da Constituição e da crença em sua efetividade. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 63 Fundamento - art. 103, § 2º, da CF e art. 12-A a 12-H da Lei 9.868/99. Art. 103, § 2º, da CF - Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo no prazo de 30 dias. Ver também artigos 12-A a 12-H da Lei 9.868/99 (redação dada pela lei 12.063/09). Pressuposto para Cabimento - Para o cabimento da ADO deve haver falta de medida para tornar efetiva norma da Constituição Federal. Objeto da ADO - O objeto da ADO deve ser norma da CF com eficácia limitada. A omissão da medida será do poder competente (Legislativo, Executivo ou Judiciário). O estado de mora legislativa pode ocorrer em momentos: a) pode acontecer na fase inaugural do processo de elaboração das leis, com a não propositura do projeto de regulamentação do dispositivo constitucional pelo legitimado, o que é chamado de mora agendi; b) pode ocorrer no estágio de deliberação sobre proposições já veiculadas, quando não atende prazo razoável, o que é chamado de mora deliberandi. O Supremo Tribunal Federal, atualmente, reconhece ambos os estágios (mora de iniciativa e mora deliberativa) como aptos a caracterizar omissão inconstitucional e mora legislativa, sendo passíveis de controle pela Suprema Corte. Omissões Normativas: A) Parcial: A.1. Parcial Propriamente Dita - Nesse caso, existe a lei, mas a regulamentação não é completa. Ex.: salário-mínimo - art. 7º, IV, da CF. A.2. Parcial Relativa - Esta surge quando a lei existe e outorga determinado benefício a certa categoria, mas deixa de concedê- lo a outra, que deveria ter sido contemplada. Ex.: aumento diferenciado do servidor público militar e civil (essa diferenciação acabou com a emenda 19). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 64 B) Total ou Absoluta - Nesse caso, não existe qualquer regulamentação. Ex.: art. 37, VII (direito de greve do servidor público); e art. 40, § 4º (aposentadoria especial). Legitimidade - Para o STF, conforme o art. 12-A da Lei 9.868/99, são aqueles mesmos legitimados da ADI (art. 103 da CF): - Presidente da República; - Mesa do Senado Federal; - Mesa da Câmara dos Deputados; - Mesa da Assembleia Legislativa Estadual ou da Câmara do DF; - Governadores do Estado ou do DF; - Procurador Geral da República; - Conselho Federal da OAB; - Partido político com representação no Congresso Nacional; - Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Competência - A competência é do STF, desde que o parâmetro de omissão seja a Constituição Federal. Procedimento da ADO: Petição Inicial - art. 12-B da Lei - A petição indicará: I - a omissão inconstitucional total ou parcial quanto ao cumprimento de dever constitucional de legislar ou quanto à adoção de providência de índole administrativa; II - o pedido, com suas especificações. Parágrafo único - A petição inicial, acompanhada de instrumento de procuração, se for o caso, será apresentada em 2 (duas) vias, devendo conter cópias dos documentos necessários para comprovar a alegação de omissão. Indeferimento da Inicial - art. 12-C da Lei - A petição inicial inepta, não fundamentada, e a manifestamente improcedente serão liminarmente indeferidas pelo relator. Parágrafo único - Cabe agravo da decisão que indeferir a petição inicial. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 65 Impossibilidade de Desistência - art. 12-D da Lei - Proposta a ação direta de inconstitucionalidade por omissão, não se admitirá desistência. Manifestação do AGU - O relator poderá solicitar a manifestação do Advogado- Geral da União, que deverá ser encaminhada no prazo de 15 (quinze) dias. Vistas do PGR - O Procurador-Geral da República, nas ações em que não for autor, terá vista do processo, por 15 (quinze) dias, após o decurso do prazo para informações. Aplicação das Regras da ADI - Aplicam-se subsidiariamente, no que couber, as regras procedimentais da ADI. Efeitos da Decisão - art. 12-H da Lei - Declarada a inconstitucionalidade por omissão, será dada a ciência ao poder competente para a adoção das providências necessárias. Pela literalidade legislativa, o STF não poderia obrigar o poder a suprir a omissão da medida. Assim, haveria apenas uma notificação a esse poder, em respeito ao princípio da tripartição dos Poderes, insculpido no art. 2º da CF/88,pois não é permitido ao Judiciário legislar (salvo nas hipóteses constitucionalmente previstas, como a elaboração de seu Regimento Interno). Ocorre que a doutrina e a jurisprudência divergem sobre os efeitos da declaração de inconstitucionalidade por omissão. Importante, sobre o tema, citar duas correntes doutrinárias principais: - Corrente não-concretista: adota a interpretação literal da lei, segundo a qual cabe ao STF apenas cientificar o órgão competente da omissão constitucional - Corrente concretista. Gilmar Mendes e parte da doutrina defendem que a decisão que atesta a omissão legislativa possui natureza mandamental e impõe ao legislador em mora o dever de, dentro de um prazo razoável, proceder à eliminação do estado de inconstitucionalidade. Em provas, importante atentar-se à forma de questionamento: literalidade da lei ou dos entendimentos existentes. Em se tratando de órgão administrativo, o STF poderá determinar as medidas que devam ser adotadas no prazo de até 30 dias ou em prazo razoável a ser estipulado excepcionalmente pelo tribunal, sob pena de responsabilidade. Dessa forma, nesse caso, existe um caráter mandamental na decisão do STF. Medida Cautelar - art. 12-F da Lei - Em caso de excepcional urgência e relevância da matéria, o Tribunal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, observado o disposto no art. 22, poderá conceder medida cautelar, após a audiência dos órgãos ou autoridades responsáveis pela omissão inconstitucional, que deverão pronunciar-se no prazo de 5 (cinco) dias. Efeitos da Cautelar - A medida cautelar poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou do ato normativo questionado no caso de omissão parcial. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 66 A medida cautelar também poderá consistir na suspensão de processo judicial; processos administrativos ou qualquer outra providência a ser tomada pelo STF. Audiência dos Órgãos e Autoridades - Haverá audiência dos órgãos ou autoridades responsáveis pela omissão inconstitucional, que deverão pronunciar-se no prazo de 5 dias. Oitiva do PGR - O relator, julgando indispensável, ouvirá o PGR, no prazo de 3 dias. Sustentação Oral - No pedido de medida cautelar, será facultada a sustentação oral dos representantes judiciais do requerente e das autoridades ou órgãos responsáveis pela omissão inconstitucional, na forma estabelecida no Regimento do Tribunal. 1.1.4. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE (ADC) Surgimento Histórico - Surgiu com a EC 03/93 (não se trata de norma constitucional originária, fruto do poder constituinte originário). Nessa época, somente o Presidente da República, a Mesa da Câmara e do Senado e o PGR podiam propor esta ação. Entretanto, a Emenda 45/04 ampliou os legitimados igualando-os aos da ADI. Fundamento - art. 102, I, “a” da CF e Lei 9.868/99. Objetivo - Sua função é declarar constitucional lei ou ato normativo federal (art. 102, I, “a” da CF). As leis, como se sabe, são presumidamente constitucionais. Ocorre que se trata de presunção relativa de constitucionalidade, que pode ser levada à apreciação do judiciário, tanto na via concentrada como difusa, nos casos concretos. Dito isto, o objetivo da ADC é tornar a presunção relativa de constitucionalidade em presunção absoluta. Assim, diante da eficácia erga omnes da decisão, uma vez declarada a constitucionalidade em sede de ADC, não poderão os demais órgãos do Judiciário afastar a aplicabilidade da Lei, sob pena de desrespeitar a autoridade do pronunciamento do STF, sujeitando a decisão à reclamação constitucional. Registre-se, contudo, que essa presunção absoluta deve ser vista com temperamentos, uma vez que a declaração de constitucionalidade em sede de ADC não impede que o STF venha, em outra oportunidade, a revisitar sua jurisprudência e passe a entender pela inconstitucionalidade da norma. Da mesma forma, a alteração do parâmetro constitucional por meio de emenda ou mesmo um processo de mutação constitucional pode culminar com a extirpação da norma do ordenamento. Por sua natureza ambivalente, no entanto, caso a ADC seja julgada improcedente, ter-se-á declaração de inconstitucionalidade da norma, conforme art. 24 da Lei nº 9.868/99, extirpando o comando do ordenamento jurídico. Requisito de Admissibilidade - art. 14, III da Lei 9.868/99 - É requisito da petição inicial que se demonstre a existência de uma controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição do objeto da ação declaratória. A relevância da controvérsia é avaliada sob o aspecto qualitativo, e não meramente quantitativo. Segundo o STF, ainda que haja poucas decisões judiciais sobre a norma, é possível que haja controvérsia relevante, que afete de fato a presunção de CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 67 constitucionalidade da norma. Outro parâmetro já adotado pelo STF foi o da própria envergadura da norma questionada, no caso uma Emenda à Constituição. Ressalte-se que a mera divergência doutrinária não se enquadra como controvérsia judicial relevante. É necessário, portanto, que existam decisões judiciais, ainda que em quantitativo reduzido. Decisão importante sobre o tema: Durante o julgamento da chamada “PEC da Bengala” (EC 88/15) O STF decidiu que o requisito relativo à existência de controvérsia judicial relevante, necessário ao processamento e julgamento da ADC (Lei 9.868/1999, art. 14, III), seria qualitativo, e não quantitativo, isto é, não diria respeito unicamente ao número de decisões judiciais num ou noutro sentido. Dois aspectos tornariam a controvérsia em comento juridicamente relevante. O primeiro diria respeito à estatura constitucional do diploma que estaria sendo invalidado nas instâncias inferiores — a EC 88/2015, que introduzira o art. 100 ao ADCT —, ou seja, uma emenda à Constituição, expressão mais elevada da vontade do parlamento brasileiro. Em segundo lugar, decisões similares poderiam vir a se proliferar pelos Estados-Membros, a configurar real ameaça à presunção de constitucionalidade da referida emenda constitucional. ADI 5316 MC/DF, rel. Min. Luiz Fux, 21.5.2015. (ADI-5316) Objeto da ADC - Lei ou Ato Normativo Federal. Quanto ao objeto da ADC, o art. 102, I, “a”, parte final, CF/88, delimita-o para abarcar, tão somente, as leis e demais atos normativos federais. Não é admissível, portanto, a propositura de ADC para a declaração de constitucionalidade de lei (ou outro ato normativo) estadual, distrital ou municipal. ATENÇÃO! Lei estadual, distrital ou municipal NÃO PODEM SER OBJETO DE ADC. O STF é guardião da Constituição Federal. Logo, não faria sentido que declarasse de modo absoluto a constitucionalidade de lei estadual, que pode ainda ser confrontada com a Constituição local. Legitimidade - São os mesmos legitimados da ADI genérica. Caráter Ambivalente ou Dúplice da Decisão da ADI e da ADC - art. 24 da Lei - Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta ou procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar- se-á procedente a ação direta ou improcedente eventual ação declaratória. Procedimento da ADC: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 68 i. Requisito de Admissibilidade da Petição - Para o exame do mérito, é necessário que seja demonstrada a controvérsia judicial que põe risco a presunção de constitucionalidadedo ato normativo sob exame, permitindo à Corte o conhecimento das alegações em favor da constitucionalidade e contra ela, e do modo como estão sendo decididas num ou noutro sentido. ii. Indeferimento da Inicial - A petição inicial inepta, não fundamentada, e a manifestamente improcedente serão liminarmente indeferidas pelo relator. Caberá agravo da decisão que indeferir a petição inicial. iii. Manifestação do AGU - A lei não prevê a manifestação do AGU. Entretanto, tem-se entendido que é possível sua manifestação dado o caráter dúplice da ADC (sua procedência é a improcedência da ADIN). Ressalte-se que o STF entende que sua participação é desnecessária. Entretanto, a doutrina entende que esta participação é facultativa. iv. Vistas do Processo ao PGR - art. 19 da Lei - Será aberta vista ao Procurador- Geral da República, que deverá pronunciar-se no prazo de quinze (15) dias. v. Possibilidade de Diligências e Audiência Pública - Em caso de necessidade de esclarecimento de matéria ou circunstância de fato ou de notória insuficiência das informações existentes nos autos, poderá o relator requisitar informações adicionais, designar perito ou comissão de peritos para que emita parecer sobre a questão ou fixar data para, em audiência pública, ouvir depoimentos de pessoas com experiência e autoridade na matéria. Quórum de Votação - Para se começar o julgamento da ADC devem estar presentes pelo menos 8 Ministros, ou seja, 2/3 (quórum de instalação). Para se julgar a ADC, o quórum é de maioria absoluta (6 ministros). Impossibilidade de Desistência - Proposta a ação direta de constitucionalidade, não se admitirá desistência. Efeitos da Decisão - São erga omnes, ex tunc e vinculantes. Medida Cautelar - art. 21 da Lei 9.868/99 - Cabe cautelar na ADC, por voto da maioria absoluta, e esta consiste na suspensão às ações que estão em andamento. Esta suspensão irá vigorar pelo prazo de 180 dias, sob pena de perda da eficácia. Segundo o STF, é possível o efeito vinculante e erga omnes em sede liminar na ADC, tendo em vista o poder geral de cautela, podendo suas decisões serem preservadas pelo instrumento de reclamação. 1.1.5. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE INTERVENTIVA (REPRESENTAÇÃO INTERVENTIVA) A Constituição Federal consagra o Postulado da Não Intervenção, como consequência direta da autonomia concedida aos entes da Federação. Como regra, nenhum ente poderá intervir em outro, salvo nas situações excepcionais indicadas na Constituição, como forma de proteger a ordem constitucional. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 69 A intervenção é a suspensão temporária da autonomia do ente federativo em virtude de atos considerados lesivos à federação. ATENÇÃO! Registre-se que a União apenas pode intervir nos Estados e no Distrito Federal, jamais nos Municípios (SALVO MUNICÍPIOS LOCALIZADOS EM TERRITÓRIO FEDERAL-pegadinha de prova). Os Estados, por sua vez, podem, excepcionalmente, intervir em seus Municípios. O Distrito Federal jamais poderá promover intervenção, pois este não se divide em municípios. A intervenção pode ser espontânea, quando decretada diretamente pelo Chefe do Executivo, ou provocada. No ponto 8, estudaremos com mais detalhes o instituto da intervenção, suas modalidades e fases. Neste ponto, para fins de entendimento, frisa-se que uma forma de provocar a intervenção é, justamente, por meio da ADI interventiva, ou representação interventiva, perante o STF. A ADI interventiva pode ser proposta nos casos de i) violação aos princípios constitucionais sensíveis; ii) recusa, por parte do Estado-membro, de execução à lei federal. O Judiciário exerce, na hipótese, controle de constitucionalidade de forma concreta, pois há uma situação fática subjacente. Segundo Barroso, há verdadeiro litígio constitucional, sendo estabelecida uma relação processual contraditória, que contrapõe União e Estado-membro. Fundamentos Legais da ADI Interventiva: - Art. 34, VI e VII; art. 35 e art. 36, III e §§ 3º e 4º da CF; - Arts. 350 a 354 do RISTF; e - Arts. 19 a 22 da Lei 8.038/90. - Lei 12.562/2011 (Lei da Representação Interventiva). Finalidade - É um pressuposto para uma futura e eventual intervenção de um ente federado em outro, nas hipóteses admitidas pela Constituição. O princípio (regra) é o da não intervenção, ou seja, da autonomia entre os entes da federação (art. 34 da CF). Assim, a intervenção é uma exceção para casos de crises. Dessa forma, pode-se dizer que a ADIn Interventiva é um elemento de estabilização de crises. Natureza da ADI Interventiva - Esta ação não é um procedimento em abstrato, pois se aplica a um caso concreto. Assim, é uma ação de controle concentrado e concreto. 1.1.6. ADI INTERVENTIVA FEDERAL CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 70 Objeto da ADI Interventiva Federal - Nos termos do art. 2º da Lei 12.562/2011, a ADI-interventiva será proposta em casos de violação aos princípios sensíveis ou de recusa, por parte de Estado-Membro, à execução de lei federal. PARA RELEMBRAR - São princípios constitucionais sensíveis: a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático; b) direitos da pessoa humana; c) autonomia municipal; d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta; e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. A doutrina destrincha o conceito, citando alguns exemplos: i) Lei ou Ato Normativo que viole princípios sensíveis; ii) Omissão ou Incapacidade das autoridades locais para se assegurar o cumprimento e preservação dos princípios sensíveis (ex.: direitos da pessoa humana); iii) Ato Governamental Estadual que desrespeite os princípios sensíveis da CF; iv) Ato Administrativo, que afronte os princípios sensíveis; v) Ato Concreto que viole os princípios sensíveis. vi) recusa de execução à lei federal Competência - Na Intervenção Federal, a União intervém nos Estados, no Distrito Federal ou em Municípios localizados em territórios federais. Assim, o STF irá julgar e requisitar e o Presidente irá decretar a intervenção. Legitimidade - art. 36, III, da CF - a legitimidade para representação é exclusiva do Procurador Geral da República. Entende-se que a legitimidade passiva é do ente federado no qual se verifica a violação ao princípio sensível da CF, devendo ser solicitadas informações às autoridades responsáveis pelos atos. Procedimento da ADI Interventiva Federal: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 71 Petição Inicial - A petição Inicial deverá conter: i) A indicação do princípio constitucional sensível (art. 34, VII, da CF) que se considera violado ou, se for o caso de recusa à aplicação da lei federal, das disposições questionadas; ii) A indicação do ato normativo, do ato administrativo, do ato concreto ou da omissão questionados; iii) A prova da violação do princípio constitucional ou da recusa da execução de lei federal; e iv) O pedido, com suas especificações. A petição inicial será apresentada em 2 vias, devendo conter, se for o caso, cópia do ato questionado (estadual ou distrital) e dos documentos necessários para comprovar a impugnação. Tentativa de dirimir o conflito - Recebidaa inicial, o relator deverá tentar dirimir o conflito que dá causa ao pedido, utilizando-se dos meios que julgar necessários, na forma do regimento interno. Indeferimento Liminar da Petição Inicial - Cabe ao relator indeferir liminarmente a petição inicial quando: i) Não for o caso de representação interventiva; ii) Faltar algum dos requisitos estabelecido na lei; iii) For inepta. Recurso do Indeferimento Liminar - Contra a decisão de indeferimento da petição inicial caberá agravo, no prazo de 5 dias. Solicitação de Informações às Autoridades - Não solucionado o problema e não sendo caso de arquivamento, apreciado eventual pedido liminar ou, logo após recebida a petição inicial, se não houver pedido liminar, o relator solicitará as informações às autoridades responsáveis pela prática do ato questionado, que as prestarão em até 10 dias. Manifestação do AGU e PGR - Decorrido o prazo para prestação de informações, serão ouvidos, sucessivamente, o AGU e o PGR, que deverão manifestar- se, cada qual, no prazo de 10 dias. Audiência Pública - O relator, se entender necessário, poderá requisitar informações adicionais, designar perito ou comissão de peritos para que elabore laudo sobre a questão ou, ainda, fixar data para declarações, em audiência pública, de pessoas com experiência e autoridade na matéria. Amicus Curiae - Poderão, se autorizadas, ainda, a critério do relator, a manifestação e a juntada de documentos por parte de interessados no processo, CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 72 reconhecendo-se, assim, nos termos do art. 7º da Lei 12.562/11, a manifestação do amicus curiae. Quórum de Votação - Para se começar o julgamento, devem estar presentes pelo menos 8 Ministros, ou seja, 2/3 (quórum de instalação). Para se julgar, o quórum é de maioria absoluta (6 ministros). Comunicação da Decisão - art. 11 da Lei 12.562/2011 - Julgada a ação, far-se-á a comunicação às autoridades ou aos órgãos responsáveis pela prática dos atos questionados, e, se a decisão final for pela procedência do pedido formulado na representação interventiva, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, publicado o acórdão, levá-lo-á ao conhecimento do Presidente da República para, no prazo improrrogável de até 15 (quinze) dias, dar cumprimento aos §§ 1º e 3º do art. 36 da Constituição Federal. Ressalte-se que, por se tratar de requisição, e não mera solicitação, o Presidente não poderá descumprir a ordem mandamental, sob pena de cometimento tanto de crime comum como de responsabilidade, devendo, então, decretar a intervenção. Cabe destacar que a decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido da representação interventiva é: i) irrecorrível; ii) insuscetível de impugnação por ação rescisória. Medida Liminar - art. 5º da Lei 11.562/11 - O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida liminar na representação interventiva. Oitiva das Autoridades e Terceiros - § 1º O relator poderá ouvir os órgãos ou autoridades responsáveis pelo ato questionado, bem como o Advogado-Geral da União ou o Procurador-Geral da República, no prazo comum de 5 (cinco) dias. Efeitos da Liminar - § 2º A liminar poderá consistir na determinação de que se suspenda o andamento de processos ou os efeitos de decisões judiciais ou administrativas ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da representação interventiva. 1.1.7. REPRESENTAÇÃO INTERVENTIVA ESTADUAL Legitimados - A legitimidade será do Procurador-Geral de Justiça - PGJ. Competência - Na ADI interventiva estadual, os Estados intervêm em seus Municípios. Assim, o TJ irá julgar e requisitar, e o Governador irá decretar a intervenção, nos termos do art. 35, IV, da Constituição Federal: Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território Federal, exceto quando: V - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 73 Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial. Objeto - Lei ou ato normativo, ou omissão, ou ato governamental municipais que desrespeitem os princípios indicados na Constituição Estadual. As regras procedimentais vêm previstas nas Constituições Estaduais e nos regimentos internos dos tribunais locais, devendo, em essência, por simetria, seguir o modelo federal. ATENÇÃO! Súmula 637-STF: Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de Tribunal de Justiça que defere pedido de intervenção estadual em Município. Com efeito, prevalece que quando o Tribunal de Justiça decide um pedido de intervenção estadual, essa decisão, apesar de proferida por órgão do Poder Judiciário, reveste-se de caráter político-administrativo (e não jurisdicional em sentido estrito). 1.1.8. CONTROLE ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE NOS ESTADOS-MEMBROS Previsão Legal - art. 125, § 2º, da CF - Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão. Objeto - Leis ou atos normativos estaduais ou municipais poderão ser objeto de controle em face da Constituição Estadual. Competência - É do Tribunal de Justiça do respectivo estado membro. Legitimados - No âmbito estadual, o TJ, quando for regulamentar a matéria de ADI, poderá determinar a simetria ao art. 103 da CF. Ressalte-se que a legitimidade está vedada a somente um único órgão. Além disso, a Constituição Estadual pode acrescentar outros legitimados. Parâmetro de Controle - É a Constituição Estadual, não podendo, via de regra, ter como parâmetro a CF. Dessa forma, a lei estadual sofre uma dupla fiscalização, uma em face da CE pelo TJ e outra em face da CF pelo STF. Simultaneidade de Ações de Inconstitucionalidade no STF e TJ - Questão abordada no tópico sobre ADI. Em regra, ocorrendo a tramitação simultânea, o processo de fiscalização estadual fica suspenso, aguardando decisão do STF. Caso o Tribunal se antecipe ao julgamento do STF, podem emergir duas hipóteses: i. TJ Declara Previamente a Lei Estadual Constitucional - Naturalmente, nessa hipótese, não haverá simultaneidade de ações. Assim, em sendo no futuro ajuizada a ADI perante o STF, tendo por objeto a mesma lei estadual, o STF poderá reconhecê- la como inconstitucional diante da CF. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 74 ii. TJ Declara Previamente a Lei Estadual Inconstitucional - Nessa situação, não haveria mais sentido falar em controle perante o STF, já que a lei estadual foi retirada do ordenamento jurídico. Utilização do Recurso Extraordinário no Controle Concentrado e em Abstrato Estatal De modo geral, não cabe recurso da decisão do Tribunal de Justiça sobre a constitucionalidade da lei estadual ou municipal em face da Constituição Estadual. Entretanto, excepcionalmente, pode surgir situação em que o parâmetro da CE seja uma norma de reprodução obrigatória da CF. Nesse caso, a lei estadual ou municipal, que viola a CE, no fundo, estará também violando a CF. Dessa forma, como o TJ não tem essa atribuição de análise, buscando-se evitar a situação de o TJ usurpar competência do STF, abre-sea possibilidade de se interpor recurso extraordinário contra o acórdão do TJ em controle de constitucionalidade abstrato estadual para que o STF diga qual a interpretação da lei estadual ou municipal perante a CF. Nesse específico Recurso Extraordinário, a decisão do STF produzirá efeitos de ADI (erga omnes, ex tunc e vinculante), podendo o STF, naturalmente, modular os efeitos da decisão (portanto, não se aplicará a regra do art. 52, X, da CF, que exige a suspensão do ato normativo pelo Senado Federal para a obtenção do efeito erga omnes). Nesse caso, perceba: surgirá a possibilidade de o STF analisar a constitucionalidade de lei municipal perante a CF e com efeitos erga omnes, se na análise inicial do controle abstrato estadual a lei municipal foi confrontada em relação à norma da CE de reprodução obrigatória e compulsória da CF. Ver RE 187.142-RJ; RE199281 e ADI 1.268. Inconstitucionalidade do parâmetro de controle estadual - Questão intrigante suscitada em doutrina é a possibilidade de o Tribunal considerar de forma prejudicial a inconstitucionalidade do próprio parâmetro estadual. Em outras palavras, pode o Tribunal de Justiça se deparar com norma da constituição estadual, que, suscitada em controle de constitucionalidade, viole a Constituição Federal. Nesse caso, segundo Gilmar Mendes, pode o Tribunal declarar incidentalmente a inconstitucionalidade da norma da Constituição Estadual, extinguindo o processo sem resolução de mérito. Prossegue o doutrinador, afirmando que da decisão caberia Recurso extraordinário para o STF, que poderia confirmar a inconstitucionalidade, mantendo a decisão, ou mesmo revê-la, como intérprete último da CF, considerando constitucional a norma da Constituição Estadual, o que deveria implicar o retorno dos autos para que o Tribunal de Justiça prosseguisse com o julgamento da ação. 1.1.9. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO MUNICIPAL CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 75 Quanto ao controle difuso dos atos normativos municipais, ele poderá ser exercido de forma ampla, tendo como objeto de controle, lei ou um ato normativo municipal, bem como parâmetro de constitucionalidade tanto a Constituição Federal quanto a Constituição Estadual do respectivo Estado-membro onde está situado o Município, além de ser exercido por qualquer juiz ou tribunal, observadas as regras de competência. Quanto ao controle abstrato, a CF estabelece, em seu art. 125, parágrafo 2º, que os Tribunais de Justiça realizarão o controle de constitucionalidade da norma municipal, tendo como parâmetro a Constituição Estadual. Em recente julgamento (RE 650.898), o STF fixou o seguinte entendimento: “Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis municipais utilizando como parâmetro normas da Constituição Federal, desde que se trate de normas de reprodução obrigatória pelos Estados”. Assim, é possível questionar a constitucionalidade da lei municipal, tendo como parâmetro a norma da Constituição Federal, de reprodução obrigatória na Constituição do Estado. Nesse caso, como já debatido, se a lei municipal viola a Constituição Estadual, em última análise, pode ser que ela esteja, também, violando a Constituição Federal. Assim, abre-se a possibilidade de se interpor recurso extraordinário contra o acórdão do TJ em controle abstrato para que o STF diga, então, qual a interpretação da lei estadual ou municipal perante a CF. Trata-se, portanto, de manejo de típico recurso do controle difuso (pela via incidental) no controle concentrado e em abstrato no âmbito estadual. Portanto, surgirá a possibilidade de o STF analisar a constitucionalidade de lei municipal perante a CF e com efeitos erga omnes, se na análise do controle abstrato estadual a lei municipal foi confrontada em relação à norma da Constituição Estadual de reprodução obrigatória da Constituição Federal. Noutro giro, convém lembrar que é possível o controle concentrado de constitucionalidade de lei municipal, por meio da ADPF. A Arguição do Descumprimento de Preceito Fundamental está prevista no parágrafo 1º do art. 102 da CF e foi regulamentada pela Lei n. 9.882/99. ATENÇÃO! É incorreto afirmar que não existe controle concentrado de constitucionalidade de lei municipal. Como visto acima, é cabível o manejo da ADPF (não de ADI nem de ADC). Assim, em provas, atenção à forma de questionamento. 1.1.9.1. Controle de Constitucionalidade de Lei municipal em face da lei orgânica do Município ATENÇÃO! Prevalece que não existe a possibilidade de controle de constitucionalidade de lei municipal em face da lei orgânica municipal. É cabível, apenas, controle de legalidade. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 76 Prevalece na doutrina que não há que se falar em controle de constitucionalidade no âmbito estritamente municipal, na contraposição entre a Lei Orgânica do Município e demais Leis, não obstante a autonomia municipal e o caráter superior da Lei Orgânica, que tem o papel de definir a organização estrutural, administrativa e de governo no âmbito municipal. Na hipótese, a crise não seria de constitucionalidade, pois a Lei Orgânica, como indica sua denominação, não é Constituição, mas sim Lei, sendo hipótese de controle de legalidade, cujas regras deverão ser explicitamente previstas na Lei Orgânica de cada Município, desde que compatíveis com o traçado estabelecido na Constituição Federal e na Constituição Estadual. Na doutrina, podemos citar CELSO BASTOS e IVES GANDRA MARTINS, os quais afirmam, peremptoriamente, que “não pode haver ação de inconstitucionalidade por lesão à lei orgânica do município, uma vez que, nada obstante a simetria de que ela desfruta com as Constituições Estaduais e Federal, a sua natureza é de lei e não de Constituição. O vício é de mera ilegalidade e não de inconstitucionalidade”. Outra questão que pode ser oposta em face do controle abstrato, tendo como parâmetro a Lei Orgânica, é a inexistência de Poder Judiciário municipal. Desta forma, não poderia o Município estabelecer, sem que haja previsão na Constituição do Estado, que a competência para o julgamento seria, por exemplo, do Tribunal de Justiça, uma vez que é matéria a ser tratada na Constituição Estadual. Não obstante, há doutrina minoritária que considera a natureza constitucional da Lei Orgânica de Município e sugere que a possibilidade de controle, seja pela via incidental, como abstratamente, lembrando a previsão de controle concentrado de lei municipal em face da lei orgânica, nos termos do art. 61, I, “l”, da Constituição do Estado de Pernambuco. Ocorre que, neste caso, a possibilidade dependeu de manifestação não apenas do legislativo municipal, pois o controle foi sufragado em razão da atuação do constituinte estadual. Nesse sentido, ficou assentado no âmbito do TJPE que “Lei Orgânica Municipal não é uma lei ordinária comum, ela é a constituição do ente federado chamado município. Isso é o que eu defendo, e a Constituição Federal, ao estabelecer que os Estados poderiam instituir a representação de inconstitucionalidade de Lei Municipal em face da Constituição Estadual, ela não vedou que ele ampliasse para a criação da instituição da Ação Direta em face da Lei Orgânica” (TJPE, CE-ADIN n. 135590-0, rel. Des.Bartolomeu Bueno, notas taquigráficas, j. 17 jun. 2006). Resta aguardar como o STF vai evoluir sobre esse assunto (matéria pendente). Interessante destacar a posição de André Ramos Tavares, no sentido de que o controle seria feito pelo sistema difuso apenas:“O que parece fora de questão é que se pode atribuir à Lei Orgânica um caráter constitucional, não em função de instituir uma entidade estatal, mas por ser a norma maior reguladora da atividade política do município, mantendo, assim, superioridade CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 77 hierárquica em relação a todo o restante do ordenamento municipal. Sendo assim, a incompatibilidade de conteúdos entre um ato normativo da Câmara dos Vereadores e a lei orgânica é causa suficiente para que se busque a eliminação da referida norma do ordenamento, em nome da coerência interna do sistema. Deve- se controlar a adequação das normas inferiores de um Município ao conjunto de suas normas fundamentais, a lei orgânica. Como proceder a esse controle, não previsto pelo constituinte federal ou estadual, é questão que continua a demandar estudo mais aprofundado, embora, pela interpretação lógico-sistemática do ordenamento, algumas considerações iniciais possam ser traçadas.” (A. R. Tavares, Curso de direito constitucional, 8. ed., p. 476.) Para fins de prova, é mais seguro adotar o posicionamento dominante. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 78 2. JURISPRUDÊNCIA SÚMULAS DO STF Súmula Vinculante 10: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão do órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta a sua incidência no todo ou em parte. Súmula 642: Não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal derivada da sua competência legislativa municipal. Súmula 614: Somente o Procurador-Geral da Justiça tem legitimidade para propor ação direta interventiva por inconstitucionalidade de Lei Municipal. Súmula 637: Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de Tribunal de Justiça que defere pedido de intervenção estadual em Município. JULGADOS Os Estados-membros da Federação, no exercício da competência outorgada pela Constituição Federal (art. 25, caput, c/c art. 125, § 2º, CF), não podem afastar a legitimidade ativa do Chefe do Ministério Público estadual para propositura de ação direta de inconstitucionalidade perante o Tribunal de Justiça local. STF. Plenário. ADI 5.693/CE, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 18/11/2021. É constitucional o dispositivo de constituição estadual que confere ao tribunal de justiça local a prerrogativa de processar e julgar ação direta de inconstitucionalidade contra leis e atos normativos municipais tendo como parâmetro a Constituição Federal, desde que se trate de normas de reprodução obrigatória pelos estados. Admite-se o controle abstrato de constitucionalidade, pelo Tribunal de Justiça, de leis e atos normativos estaduais e municipais em face da Constituição da República, apenas quando o parâmetro de controle invocado for norma de reprodução obrigatória ou exista, no âmbito da Constituição estadual, regra de caráter remissivo à Carta federal. STF. Plenário. ADI5647/AP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 3/11/2021 (Info 1036). Não se admite controle concentrado de constitucionalidade de leis ou atos normativos municipais em face da lei orgânica respectiva. Com efeito, não é possível extrair, da literalidade do art. 125, § 2º, da Constituição Federal, o cabimento de controle concentrado de constitucionalidade de leis ou atos normativos municipais contra a lei orgânica respectiva. Não compete ao Poder Legislativo, de qualquer das esferas federativas, suspender a eficácia de lei ou ato normativo declarado inconstitucional em controle concentrado de constitucionalidade. As decisões tomadas em controle concentrado já são dotadas de eficácia erga omnes. Desse modo, a atuação do Poder Legislativo só se justifica no âmbito do controle difuso — de modo a expandir a todos os CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 79 efeitos de decisão dotada originalmente com eficácia “entre as partes”. ADI 5548/PE, relator Min. Ricardo Lewadowski, julgamento virtual finalizado em 16.8.2021 (Info 1.025 - STF). Governador de estado afastado cautelarmente de suas funções — por força do recebimento de denúncia por crime comum — não tem legitimidade ativa para a propositura de ação direta de inconstitucionalidade. A interpretação que melhor se coaduna com a Constituição Federal (CF) é aquela que — diante de afastamento cautelar, no qual se suspendem as relações entre o ocupante do cargo e o desempenho das funções correlatas — rejeita, com mais razão, a possibilidade de o governador afastado propor ação direta. De uma parte, porque a atribuição contida no art. 103, V, da CF só pode ser entendida como componente do feixe de funções típicas do cargo e, portanto, alvo da suspensão. De outra, em virtude do lugar central que ocupa a legitimação para a propositura de ações diretas no desenho das instituições democráticas, não se pode conceber que esta capacidade seja preservada ao chefe do Poder Executivo quando outras lhe são defesas. Ademais, a possibilidade de conferir-se a governador afastado de suas funções o direito de propositura de ação direta de inconstitucionalidade conduz à situação de grave inconsistência, pois, ou retira-se essa faculdade do governador em exercício, ou se permite que aquele, de forma anômala, concorra com este no acesso à fiscalização abstrata das normas. ADI 6728 AgR/DF, relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 30.4.2021 (Info 1.015 – STF). A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) é instrumento eficaz de controle da inconstitucionalidade por omissão. Com efeito, a ADPF pode ter por objeto as omissões do poder público, quer totais ou parciais, normativas ou não normativas, nas mesmas circunstâncias em que ela é cabível contra os atos em geral do poder público, desde que essas omissões se afigurem lesivas a preceito fundamental, a ponto de obstar a efetividade de norma constitucional que o consagra. O preceito veiculado pelo art. 75 da Constituição Federal (CF) aplica-se, no que couber, à organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal e dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios, excetuando-se ao princípio da simetria os Tribunais de Contas do Município. De fato, a Constituição da República de 1988 manteve em funcionamento os Tribunais de Contas do Município existentes na data da sua promulgação (Tribunal de Contas do Município de São Paulo e do Rio de Janeiro), vedando a criação de novos Tribunais de Contas municipais, nos termos do § 4º do seu art. 31. A existência especial de dois Tribunais de Contas municipais, absorvidos pela CF/1988, consagram o caráter sui generis e excepcional desses órgãos de controle remanescentes do modelo antes vigente. Os Tribunais de Contas do Município — órgãos autônomos e independentes, com atuação circunscrita à esfera municipal, compostos por servidores municipais, com a função de auxiliar a Câmara Municipal no controle externo da fiscalização financeira e orçamentária do respectivo Município —, distinguem-se, portanto, dos Tribunais de Contas dos Municípios — órgãos estaduais, cuja área de abrangência coincide com o território do estado ao qual vinculados. Inexiste paralelismo entre o modelo federal estabelecido ao Tribunal de Contas da União e o do Tribunal de Contas do Município, sendo essamais CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 80 uma das assimetrias constitucionais entre os entes federados, como, por exemplo, a ausência de Poder Judiciário, Ministério Público e Polícia Militar na esfera municipal. Ausente a instituição no plano municipal, não há o que se instituir, menos ainda sob o argumento de ausência de simetria do que se tem no estado e na União sobre o Ministério Público. Dessa forma, no caso, não é obrigatória a instituição e regulamentação do Ministério Público especial junto ao Tribunal de Contas do Município de São Paulo. ADPF 272/DF, relatora Min. Cármen Lúcia, julgamento em 25.3.2021 (Info 1.011). Cabe ADPF para sanar omissão do Poder Público A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) é instrumento eficaz de controle da inconstitucionalidade por omissão. A ADPF pode ter por objeto as omissões do poder público, quer totais ou parciais, normativas ou não normativas, nas mesmas circunstâncias em que ela é cabível contra os atos em geral do poder público, desde que essas omissões se afigurem lesivas a preceito fundamental, a ponto de obstar a efetividade de norma constitucional que o consagra. STF. Plenário. ADPF 272/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 25/3/2021. É constitucional a promulgação, pelo Chefe do Poder Executivo, de parte incontroversa de projeto da lei que não foi vetada, antes da manifestação do Poder Legislativo pela manutenção ou pela rejeição do veto, inexistindo vício de inconstitucionalidade dessa parte inicialmente publicada pela ausência de promulgação da derrubada dos vetos. A CAUSA DE PEDIR ABERTA DAS AÇÕES DO CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE TORNA DESNECESSÁRIO O AJUIZAMENTO DE NOVA AÇÃO DIRETA PARA A IMPUGNAÇÃO DE NORMA CUJA CONSTITUCIONALIDADE JÁ É DISCUTIDA EM AÇÃO DIRETA EM TRÂMITE PERANTE O STF, PROPOSTA PELA MESMA PARTE PROCESSUAL. [ADI 5.749 AgR, rel. min. Alexandre de Moraes, j. 9-2-2018, P, DJE de 26-2-2018.]. DECISUM (DECISÃO): Verificada a identidade entre as partes e o pedido, consistente na impugnação do mesmo ato normativo, considera também idêntica a causa de pedir, uma vez que esta é necessariamente aberta, razão pela qual impõe-se a extinção sem resolução do mérito da segunda ação direta proposta. RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a (in)constitucionalidade de uma norma o faz considerando todo o bloco de constitucionalidade, tanto no aspecto formal como material, não estando adstrito aos fundamentos deduzidos pelo autor da Ação Direta. Presume-se que, ao julgar a ADI improcedente, o STF repeliu não apenas os argumentos do autor, mas confrontou a norma com toda a Constituição. Desta forma, se o autor ao ajuizar a ação em razão de um vício material posteriormente verificar que o mesmo ato normativo padece também de vício formal, não será necessário propor uma nova ação. Assim, os argumentos já se consideram alcançados pela ação direta em trâmite, podendo o autor, se achar pertinente, lançar a nova perspectiva nos autos, com a mesma extensão e eficácia, a título de aditamento à petição inicial daquela ação. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 81 Vale uma observação! Esta situação não invalida a possibilidade de que o STF declare a constitucionalidade de uma norma, porém posteriormente seja novamente instado a se manifestar sobre a constitucionalidade da norma e verifique que esta padece de vício não enfrentado na ação anterior. Nada impede que, após o questionamento da constitucionalidade de uma norma sob o aspecto formal, seja proposta uma segunda ADI questionando, por exemplo, a inconstitucionalidade material da lei. O fato de o STF ter declarado a validade formal de uma norma não interfere nem impede que ele reconheça posteriormente que ela é materialmente inconstitucional, podendo em algumas situações a presunção de que o STF enfrentou todos os argumentos possíveis em face da (in)constitucionalidade da norma ser relativizada pela própria corte. Neste sentido: STF. Plenário. ADI 5081/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/5/2015 (Info 787). Um apontamento final: Na ADI 5.749, mais recente, a ação ainda estava em curso, além de ter sido a nova ação ajuizada pelo mesmo autor. Logo os julgados aparentemente incongruentes em alguns pontos se complementam, havendo distinções que devem ser percebidas pelo candidato: Situação 1 – ADI é julgada, e posteriormente sobrevém nova ação, argumentando vício totalmente diverso da anterior: pode vir a ser conhecida pelo STF, que decidirá a questão, podendo alterar a conclusão anterior; Situação 2 – ADI ainda em tramitação, e o mesmo legitimado verifica outro vício não apontado na inicial: neste caso, não é o caso de propor outra ação, podendo o autor aditar a inicial, sem prejuízo da possibilidade de ser o vício não inicialmente indicado conhecido de ofício pelo STF. O EFEITO REPRISTINATÓRIO DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO REVIGORA A VIGÊNCIA DE NORMAS PRÉ-CONSTITUCIONAIS, NÃO HAVENDO ÓBICE AO CONHECIMENTO DE AÇÃO DIRETA QUE SE LIMITA A IMPUGNAR PARTE DE CADEIA NORMATIVA EDITADA APÓS A CF/1988 [ADI 3.111, rel. min. Alexandre de Moraes, j. 30-6-2017, P, DJE de 8-8-2017.]. DECISUM (DECISÃO): O limite do efeito repristinatório decorrente do julgamento da ADI no aspecto temporal é a data da promulgação da Constituição de 1988, sendo necessário ao autor impugnar o complexo normativo considerando as leis editadas somente após essa data. RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): O STF ao exercer a jurisdição constitucional está adstrito ao pedido, pois o fato de o processo ser objetivo não desnatura a natureza jurisdicional (que tem como uma das principais características a inércia) razão pela qual em regra o STF não pode declarar de ofício a inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo em caráter principal. Diante disto, para evitar o efeito repristinatório indesejado o autor da ADI tem o ônus de impugnar todo o complexo normativo, inclusive as normas já revogadas que antecederam a que está sendo questionada, quando padeçam do mesmo vício, relativizando o princípio da Contemporaneidade. Porém não é necessário ao autor regressar ilimitadamente na cadeia normativa antecedente, sendo a data da promulgação da Constituição de 1988 o marco temporal que delimita essa necessidade. Isso porque as leis anteriores à CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 82 Constituição são consideradas simplesmente como não recepcionadas pela Constituição, pois o STF resolve a questão do conflito de normas anteriores à CF com esta no plano cronológico, e não hierárquico propriamente dito, razão pela qual as normas anteriores e incompatíveis são consideradas não recepcionadas (revogadas), sendo possível ao STF declarar de ofício a não recepção, uma vez que não se trata de vício de inconstitucionalidade propriamente dito. ESTÃO SUJEITOS AO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE CONCENTRADO OS ATOS NORMATIVOS EM SENTIDO AMPLO, E NÃO APENAS AS LEIS EDITADAS PELO LEGISLATIVO. O PODER LEGISLATIVO NÃO DETÉM O MONOPÓLIO DA FUNÇÃO NORMATIVA, MAS APENAS DE UMA PARCELA DELA, A FUNÇÃO LEGISLATIVA. [ADI 2.950 AgR, rel. p/ o ac. min. Eros Grau, j. 6-10-2004, P, DJ de 9-2-2007.] DECISUM (DECISÃO): Estão sujeitos ao controle de constitucionalidade concentrado os atos normativos, expressões da função normativa, cujas espéciescompreendem a função regulamentar (do Executivo), a função regimental (do Judiciário) e a função legislativa (do Legislativo). Os decretos que veiculam ato normativo também devem sujeitar-se ao controle de constitucionalidade exercido pelo STF. RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): Todas as expressões da normatividade que tenham por escopo regular relações, fatos ou situações relevantes para o direito podem, em tese, ser objeto de fiscalização abstrata perante o STF, mediante a provocação por meio do mecanismo adequado. Não são apenas Leis que ostentam normatividade, pois, embora seja essa função típica do legislativo, é exercida também de maneira atípica pelos outros poderes, sendo que o próprio art. 59 da CF estabelece um rol de atos normativos primários, os quais não são editados exclusivamente pelo legislativo. Além disso, atos normativos secundários que se revestem de conteúdo autônomo e não buscam regulamentar outra norma, mas sim efetivamente inovar no ordenamento também podem ser objeto de controle concentrado. A EDIÇÃO DE MEDIDA PROVISÓRIA REVOGANDO LEI QUE ESTÁ SENDO QUESTIONADA EM SEDE DE ADI NÃO IMPLICA A PERDA DO OBJETO DESTA, SALVO SE HOUVER CONVERSÃO DA MP EM LEI. STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e ADI 5727/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 27/3/2019 (Info 935) DECISUM (DECISÃO): Caso uma Lei objeto de impugnação em sede de ADI venha a ser revogada por medida provisória, não haverá a perda do objeto da Ação e a ADI pode ser julgada, desde que não haja a intercorrente conversão da medida provisória em Lei, revogando definitivamente a norma. RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): A medida provisória, por ser ato normativo primário cuja força normativa deriva diretamente da Constituição, pode revogar uma Lei. Ocorre que a revogação não ocorre de imediato, com a simples edição da medida provisória, sendo primeiro suspensa a eficácia da norma, e a ultimação da revogação se dá apenas quando da conversão em lei. Por esta razão, a doutrina considera que a medida provisória é uma espécie de “lei sob condição resolutiva”, uma CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 83 vez que começa a produzir efeitos imediatamente, desde sua edição, porém caso venha a ser rejeitada (condição resolutiva) perderá a eficácia, o que implica o retorno da aplicabilidade da legislação que se pretendia revogar. Dito isto, enquanto não convertida em lei a MP, a norma questionada ainda está vigente, porém com eficácia suspensa, razão pela qual remanesce a possibilidade de ser retirada do ordenamento por meio da ADI. Com a conversão em lei, concretiza-se a revogação, razão pela qual a ADI perde o objeto. CONSEQUÊNCIAS PARA A AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE EM CASO DE ALTERAÇÃO DA LEI QUESTIONADA STF. Plenário. ADI 1931/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2018 (Info 890). DECISUM (DECISÃO): O autor da ADI tem o dever de aditar a petição inicial informando a alteração, bem como deve demonstrar que a nova redação do dispositivo impugnado apresenta o mesmo vício de inconstitucionalidade que existia na redação original, ou ainda que a pecha de inconstitucionalidade permanece, ainda que por fundamento distinto. RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): A revogação, ou substancial alteração, do complexo normativo impõe ao autor o ônus de apresentar eventual pedido de aditamento, caso considere subsistir a inconstitucionalidade na norma que promoveu a alteração ou revogação. Se o autor não fizer isso, o STF não irá conhecer da ADI, julgando prejudicado o pedido em razão da perda superveniente do objeto. AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE DO ESTADO PARA INTERPOR RECURSO EM ADI STF. Plenário. ADI 1663 AgR/AL, rel. Min. Dias Toffoli, 24/4/2013 (Info 703). STF. Plenário. ADI 4420 ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 05/04/2018. DECISUM (DECISÃO): O Estado-membro não dispõe de legitimidade para interpor recurso em sede de controle normativo abstrato, ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo respectivo Governador. RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): A legitimidade recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade processual ativa, não se conferindo ao ente político a prerrogativa de recorrer das decisões tomadas pelo STF em sede de ação direta. O Governador e as demais autoridades e entidades previstas no art. 103, I a VII, da CF/88 possuem capacidade processual plena e capacidade postulatória para ajuizarem ADI, sendo desnecessária inclusive a assinatura do Procurador Geral do Estado ou de advogado. Desse modo, repita-se, o Estado-membro não tem legitimidade para propor ADI. A legitimidade pertence ao Governador do Estado. Logo, se hipoteticamente a petição inicial da ADI proposta pelo Governador é indeferida, quem tem legitimidade para recorrer é o próprio Governador (e não o Estado ou o PGE). Governador de Estado afastado cautelarmente de suas funções — por força do recebimento de denúncia por crime comum — não tem legitimidade ativa para a propositura de ação direta de inconstitucionalidade. STF. Plenário. ADI 6728 AgR/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/4/2021 (Info 1015). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 84 AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE DA UNE e da CUT PARA PROPOR ADI (ADI 894-MC, rel. min. Néri da Silveira, julgamento em 18-11-1993, Plenário, DJ de 20- 4-1995.) (ADI 271-MC, rel. min. Moreira Alves, julgamento em 24-9-1992, Plenário, DJ de 6-9- 2001.) No mesmo sentido: ADI 1.442, rel min. Celso de Mello, julgamento em 3-11- 2004, Plenário, DJ de 29-4-2005. DECISUM (DECISÃO): Segundo o STF, a União Nacional dos Estudantes - UNE, bem como a Central Única dos Trabalhadores - CUT não se revestem da condição de 'entidade de classe de âmbito nacional', para os fins previstos no inciso IX, segunda parte, do art. 103, da Constituição, portanto não podem propor Ação Direta de Inconstitucionalidade. RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): A Constituição Federal de 1988 promoveu notória ampliação no rol de legitimados para propor ações de controle abstrato de constitucionalidade, mas disto não decorre a construção de uma exegese ampliativa do rol. Segundo o STF, o conteúdo semântico da expressão 'confederação sindical', constante da primeira parte do dispositivo maior em referência está diretamente ligado à ideia de 'profissão', -- entendendo-se 'classe' no sentido não de simples segmento social, de 'classe social', mas de 'categoria profissional', -- razão pela qual falta legitimidade à UNE enquadramento na regra constitucional aludida. Não se cuida, entretanto, nessa situação, do exercício de uma profissão, no sentido do art. 5º, XIII, da Lei Fundamental de 1988. Ademais, trata-se de representação bastante heterogênea, que alberga em seu seio interesses não uniformes e, possivelmente, contrapostos, o que dificulta a aferição da pertinência temática. Essa heterogeneidade na composição também afasta a legitimidade da CUT, uma vez que representa categorias profissionais diversas, o que afasta seu enquadramento na expressão - entidade de classe de âmbito nacional - a que alude o artigo 103 da Constituição, contrapondo-se às confederações sindicais, porquanto não é uma entidade que congregue os integrantes de uma determinada atividade ou categoria profissional ou econômica, e que, portanto, represente, em âmbito nacional, uma classe. TESE DA INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS CONSTITUCIONAIS INFERIORES EM FACE DE NORMAS CONSTITUCIONAIS SUPERIORES (ADI 815, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES, Tribunal Pleno, julgado em 28/03/1996, DJ 10-05-1996PP-15131 EMENT VOL-01827-02 PP-00312) DECISUM (decisão): O Supremo Tribunal Federal carece de competência para fiscalizar o Poder Constituinte originário quanto ao dito direito suprapositivo, esteja este positivado ou não na Constituição. Esta Corte tem por missão constitucional precípua guardar a Constituição da República. Sua competência está expressamente prevista no art. 102, que a adscreve à estima intra-sistemática das normas, sem lhe facultar cognição da sua legitimidade ou justiça pré-jurídicas ou suprapositivas. RATIO DECIDENDI (fundamentação jurídica): A tese de que há hierarquia entre normas constitucionais originárias dando azo à declaração de inconstitucionalidade de umas em face de outras e incompassível com o sistema de Constituição rígida. - Na atual Carta Magna 'compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 85 Constituição' (artigo 102, 'caput'), o que implica dizer que essa jurisdição lhe é atribuída para impedir que se desrespeite a Constituição como um todo, e não para, com relação a ela, exercer o papel de fiscal do Poder Constituinte originário, a fim de verificar se este teria, ou não, violado os princípios de direito suprapositivo que ele próprio havia incluído no texto da mesma Constituição. - Por outro lado, as cláusulas pétreas não podem ser invocadas para sustentação da tese da inconstitucionalidade de normas constitucionais inferiores em face de normas constitucionais superiores, porquanto a Constituição as prevê apenas como limites ao Poder Constituinte derivado ao rever ou ao emendar a Constituição elaborada pelo Poder Constituinte originário, e não como abarcando normas cuja observância se impôs ao próprio Poder Constituinte originário com relação às outras que não sejam consideradas como cláusulas pétreas, e, portanto, possam ser emendadas. POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DE PEDIDOS TÍPICOS DE ADI E ADC EM UMA ÚNICA DEMANDA. (ADI 5316 MC/DF, rel. Min. Luiz Fux, 21.5.2015.) DECISUM (Decisão): há regularidade processual na cumulação de pedidos típicos de ADI e ADC em uma única demanda de controle concentrado. RATIO DECIDENDI (Fundamentação jurídica): a cumulação de ações seria não só compatível como também adequada à promoção dos fins a que destinado o processo objetivo de fiscalização abstrata de constitucionalidade, destinado à defesa, em tese, da harmonia do sistema constitucional, reiterado o que decidido na ADI 1.434 MC/SP (DJU de 22.11.1996). Além disso, a cumulação objetiva de demandas consubstanciaria categoria própria à teoria geral do processo. Como instrumento, o processo existiria para viabilizar finalidades materiais que lhes seriam externas. A cumulação objetiva apenas fortaleceria essa aptidão na medida em que permitiria o enfrentamento judicial coerente, célere e eficiente de questões minimamente relacionadas entre elas. Não seria legítimo que o processo de controle abstrato fosse diferente. Outrossim, rejeitar a possibilidade de cumulação de ações — além de carecer de fundamento expresso na Lei 9.868/1999 — apenas ensejaria a propositura de nova demanda com pedido e fundamentação idênticos, a ser distribuída por prevenção, como ocorreria em hipóteses de ajuizamento de ADI e ADC em face de um mesmo diploma. Ademais, os pedidos articulados na inicial não seriam incompatíveis jurídica ou logicamente, sendo provenientes de origem comum. Controle judicial sobre interpretação de normas regimentais legislativas é inconstitucional. Recurso Extraordinário (RE) 1297884, com repercussão geral reconhecida (Tema 1120). A tese de repercussão geral aprovada foi a seguinte: “Em respeito ao princípio da separação dos Poderes, previsto no artigo 2º da Constituição Federal, quando não caracterizado o desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo, é defeso ao Poder Judiciário exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e do alcance de normas meramente regimentais das Casas Legislativas, por se tratar de matéria interna corporis”. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 86 É possível o aditamento da petição inicial da ADI para a inclusão de novos dispositivos legais? Não é admitido o aditamento à inicial da ação direta de inconstitucionalidade após o recebimento das informações dos requeridos e das manifestações do Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da República. STF. Plenário. ADI 4541/BA, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 16/4/2021 (Info 1013). O aditamento da inicial só é possível, observados os princípios da economia e da celeridade processuais, quando a inclusão de nova impugnação dispensa a requisição de novas informações. STF. Plenário. ADI 4.265, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 09/04/2018. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 87 3. QUESTÕES 1. No tocante ao processo e julgamento da arguição de descumprimento de preceito fundamental, pode-se afirmar que: a) Caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, exceto os anteriores à Constituição. b) Da decisão de indeferimento da petição inicial caberá agravo, no prazo de dez dias c) O Supremo Tribunal Federal, por decisão de um terço de seus membros, poderá deferir pedido de medida liminar na arguição de descumprimento de preceito fundamental. d) Julgada a ação, far-se-á comunicação às autoridades ou órgãos responsáveis pela prática dos atos questionados, fixando-se as condições e o modo de interpretação e aplicação do preceito fundamental. e) O presidente do Tribunal determinará o cumprimento da decisão, após a lavratura do acórdão. 2. Sobre o tema controle de constitucionalidade, julgue os itens a seguir: I - Havendo pedido de medida cautelar, o relator, em face da relevância da matéria e de seu especial significado para a ordem social e a segurança jurídica, poderá, após a prestação das informações, no prazo de dez dias, e a manifestação do Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da República, sucessivamente, no prazo de cinco dias, submeter o processo diretamente ao Tribunal, que terá a faculdade de julgar definitivamente a ação. II - Efetuado o julgamento, proclamar-se-á a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da disposição ou da norma impugnada se num ou noutro sentido se tiverem manifestado pelo menos seis Ministros, quer se trate de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade. III - Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. a) Apenas o item I está correto b) Apenas o item II está correto c) Apenas o item III está correto d) Apenas os itens I e III estão corretos e) Todos os itens estão corretos 3. Em voto proferido quando da concessão de medida cautelar em sede de arguição de descumprimento de preceito fundamental, o Ministro Relator, apoiando-se em CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com| CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 88 técnica empregada por Corte Constitucional estrangeira, entendeu que estava comprovada, no caso, situação de violação generalizada de direitos fundamentais e incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar a situação, sendo que a superação das transgressões exigia a atuação não apenas de um órgão, e sim de uma pluralidade de autoridades. Mais adiante, afirmou o Relator que, em situações tais, ao Tribunal cabe retirar as autoridades públicas do estado de letargia, provocar a formulação de novas políticas públicas, aumentar a deliberação política e social sobre a matéria e monitorar o sucesso da implementação das providências escolhidas, assegurando, assim, a efetividade prática das soluções propostas. Cuida-se, no caso, de técnica de a) interpretação conforme a Constituição. b) declaração de estado de coisas inconstitucional. c) decisão manipulativa de efeitos aditivos. d) decisão manipulativa de efeitos substitutivos. e) declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade. 4. A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) foi regulamentada pela Lei n° 9.882/1999. Da mesma forma que a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), a ADPF é uma ação no âmbito do controle abstrato e concentrado de constitucionalidade. Ambas as ações são iguais em diversos aspectos. Em diversas situações, a arguição da inconstitucionalidade de uma lei pode ser feita por meio de qualquer das duas ações, sem diferenças. Mas há situações em que apenas uma delas é cabível. Diante disso, a constitucionalidade de a) leis estaduais e municipais somente pode ser questionada por meio de ADPF. b) leis municipais e de leis anteriores à promulgação da Constituição de 1988 somente pode ser questionada por meio de ADPF. c) emendas constitucionais e leis complementares somente pode ser questionada por meio de ADI. d) tratados internacionais e leis anteriores à promulgação da Constituição de 1988 somente pode ser questionada por meio de ADPF. e) tratados internacionais e de leis que envolvem direitos fundamentais somente pode ser questionada por meio de ADPF. 5. Depois de várias derrotas políticas nas votações de projetos de lei na respectiva assembleia legislativa, o governador de determinado estado da Federação editou decreto dissolvendo a referida assembleia e proibindo a entrada dos deputados estaduais no prédio do órgão legislativo. Nessa situação hipotética, o instrumento adequado para questionar a constitucionalidade da lei é a ADI interventiva proposta a) pelo procurador-geral de justiça do estado em questão. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 89 b) pelo procurador-geral da República. c) pelo presidente da República. d) por partido político com representação no Congresso Nacional. e) pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. 6. À luz do entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), julgue os seguintes itens, acerca do controle incidental de constitucionalidade. I. Admite-se o controle difuso de constitucionalidade em ação civil pública, desde que a alegação de inconstitucionalidade não se confunda com o pedido principal da causa. II. Não se admite a modulação temporal de efeitos em controle difuso de constitucionalidade. III. A cláusula de reserva de plenário se aplica às turmas recursais dos juizados especiais. IV. A regra da reserva de plenário não se aplica a julgamento de competência singular, podendo o juiz, mesmo de ofício, deixar de aplicar preceitos normativos que considere contrários ao texto constitucional. Estão certos apenas os itens: a) I e III. b) I e IV. c) II e III. d) II e IV. e) I, III e IV. 7. O STF pode, por decisão da maioria absoluta de seus membros, deferir pedido de medida cautelar em ação declaratória de constitucionalidade, determinando que juízes e tribunais suspendam o julgamento de processos que envolvam a aplicação de lei ou de ato normativo objeto da referida ação até o seu julgamento definitivo. Nesse sentido, a medida cautelar em ação declaratória de constitucionalidade, até o julgamento final da ação, produzirá efeito: a) repristinatório e eficácia ex tunc. b) vinculante e eficácia ex nunc. c) vinculante e eficácia ex tunc. d) repristinatório e eficácia ex nunc. 8. A Constituição Federal estabelece que a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), dela decorrente, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na forma da lei. A esse propósito, considerada a regulamentação da matéria à luz da jurisprudência da referida Corte: a) as normas processuais destinadas a resguardar os interesses da Fazenda Pública, a exemplo da exigência de intimação pessoal dos entes públicos para início da contagem CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 90 de prazos, são aplicáveis no âmbito da ADPF, embora não o sejam nos demais processos de controle concentrado, por sua natureza objetiva. b) em sede de medida liminar, pode ser determinada a suspensão dos efeitos de decisões judiciais relacionadas com a matéria objeto da ADPF, admitida a relativização dos decorrentes de coisa julgada, por decisão de maioria qualificada do STF, diante de circunstâncias de excepcional interesse social. c) admite-se o ingresso de amici curiae na ADPF, pela aplicação, por analogia, do estabelecido em lei relativamente à ação direta de inconstitucionalidade, desde que demonstradas a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes. d) considerado seu caráter subsidiário, não pode a ADPF ser conhecida como ação direta de inconstitucionalidade, acaso manejada em hipótese de cabimento desta, sendo inaplicável o princípio da fungibilidade entre ações de controle concentrado. e) não se admite a modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade em sede de ADPF, por ausência de previsão legal, diferentemente do que ocorre em relação às ações direta de inconstitucionalidade e declaratória de constitucionalidade. 9. Considerando o sistema de controle de constitucionalidade previsto na Constituição Federal, mostra-se: a) incabível a produção de efeitos repristinatórios a decisão judicial que declara a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo em sede de controle abstrato de constitucionalidade. b) cabível o exercício do controle concreto e incidental, bem como do controle abstrato e principal de constitucionalidade, em face da Constituição Federal, de tratados internacionais que tenham sido incorporados ao direito brasileiro. c) cabível o exercício do controle de constitucionalidade de lei municipal em face da Constituição Federal, realizado originariamente pelo Supremo Tribunal Federal em sede de ação direta de inconstitucionalidade. d) cabível o exercício do controle jurisdicional abstrato e principal de constitucionalidade de decreto regulamentar que contrarie os limites que lhe toram impostos pela lei regulamentada, por violação ao princípio constitucional da legalidade. e) incabível, no exercício do controle jurisdicional abstrato e principal de constitucionalidade por omissão, que seja fixado prazo para que o órgão administrativo supra a omissão inconstitucional. 10. Em ação direta de inconstitucionalidade por omissão proposta perante o Supremo Tribunal Federal, com fundamento na ausência de lei específica tipificando criminalmente a prática de discriminação decorrente de orientaçãosexual ou de identidade de gênero, o autor pleiteou: I. o reconhecimento do estado de mora inconstitucional do Poder Legislativo federal na implementação da prestação legislativa exigida pela Constituição Federal, bem como a cientificação do Congresso Nacional para as providências necessárias. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 91 II. a fixação de prazo para que o Poder Legislativo federal edite a lei demandada pelo texto constitucional, sob pena de o crime e a respectiva pena serem definidos pelo Supremo Tribunal Federal. III. a condenação do Estado brasileiro ao pagamento de indenização às vítimas de todas as formas de homofobia e transfobia, caso a lei não venha a ser editada no prazo fixado judicialmente. De acordo com a Constituição Federal e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, mostra-se cabível APENAS o requerimento expresso em: a) III. b) I. c) I e II. d) I e III. e) II e III. 11. Quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar: a) A ação direta de inconstitucionalidade ou declaratória de inconstitucionalidade tem natureza dúplice: a procedência do pedido na ação direta de inconstitucionalidade resulta na declaração de inconstitucionalidade do ato impugnado, o que também é válido para a hipótese contrária, ou seja, o julgamento de improcedência equivale à declaração da constitucionalidade do ato impugnado. b) Somente a decisão propriamente dita – dispositivo – proferida em ação direta de inconstitucionalidade produzirá efeitos vinculantes, jamais a “ratio decidendi”. c) É incontroverso que o princípio da interpretação conforme a Constituição se situa no âmbito do controle de constitucionalidade, não apenas regra de interpretação, e tem aplicação plena, sem qualquer limitação, na medida em que o STF, em sua função de corte constitucional, atua não só como legislador negativo. d) A decisão proferida em julgamento de ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade têm efeito vinculante e erga omnes, o que não ocorre no julgamento de arguição de descumprimento de preceito fundamental. 12. O Tribunal de Justiça do Estado Alfa foi instado a realizar o controle concentrado de constitucionalidade de três normas do Município Beta: (1) a primeira norma tratava do processo legislativo no âmbito da Câmara Municipal, temática sobre a qual a Constituição do Estado Alfa não versava; (2) a segunda dispunha sobre temática que a Constituição do Estado Alfa disciplinava de modo literalmente idêntico à Constituição da República de 1988; e (3) a terceira, sobre temática somente prevista na Constituição do Estado Alfa, não na Constituição da República de 1988. O Tribunal de Justiça do Estado Alfa, preenchidos os demais requisitos exigidos: a) deve realizar o controle das normas descritas em 1, 2 e 3; b) não deve realizar o controle das normas descritas em 1, 2 e 3; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 92 c) apenas deve realizar o controle das normas descritas em 2 e 3; d) apenas deve realizar o controle da norma descrita em 1; e) apenas deve realizar o controle da norma descrita em 3. 13. Um grupo de deputados da Assembleia Legislativa do Estado Beta apresentou projeto de lei dispondo sobre a obrigatoriedade de instalação de duas câmeras de segurança em cada unidade escolar mantida pelo Estado. O projeto foi aprovado no âmbito da Casa legislativa e sancionado pelo governador do Estado, daí resultando a promulgação da Lei estadual nº XX. À luz dos aspectos do processo legislativo descrito na narrativa e da sistemática constitucional, a Lei estadual nº XX: a) apresenta vício ao dispor sobre o funcionamento dos órgãos da rede educacional estadual, matéria de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo, vício não convalidado pela sanção; b) ao acarretar aumento de despesa, sem indicação da respectiva fonte de custeio, apresenta vício de inconstitucionalidade material; c) ao acarretar aumento de despesa, apresenta vício de iniciativa, o qual foi convalidado pela posterior sanção do chefe do Poder Executivo; d) não apresenta vício de iniciativa, pois a criação de atribuições e de obrigações, para o Poder Executivo, configura atividade regular do Legislativo; e) não apresenta vício de iniciativa, pois, embora tenha criado obrigação para o Poder Executivo, não instituiu nova atribuição para os seus órgãos. 14. Em relação ao controle de constitucionalidade, analise as afirmativas a seguir I. A arguição de descumprimento de preceito fundamental será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, em se tratando de controle de constitucionalidade de lei municipal em face da Constituição Federal. II. A arguição de descumprimento de preceito fundamental é cabível em caso de lei vigente anterior à Constituição Federal em relação à qual se pretende o controle. III. Dentre os legitimados a propor a arguição de descumprimento de preceito fundamental está o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. IV. A decisão que julgar procedente ou improcedente a ação de descumprimento de preceito fundamental é irrecorrível, mas cabível ação rescisória. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III, somente. b) I e II, somente. c) I, II, III e IV. d) II e IV, somente. 15. Sobre jurisdição constitucional, assinale a afirmativa correta. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 93 a) Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade, dentre outros, o Presidente da República, a Mesa do Senado Federal, a Mesa da Câmara dos Deputados, a Mesa de Assembleia Legislativa, o Governador de Estado ou o Prefeito de Município. b) Não cabe recurso da decisão do relator que indefere liminarmente petição inicial de ação direta de inconstitucionalidade. c) A Lei Federal nº 9.868/1999 prevê, expressamente, a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos das declarações de constitucionalidade e de inconstitucionalidade, bem como decidir que elas só tenham eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. d) Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade por omissão os legitimados à propositura da ação direta de inconstitucionalidade e da açã0 declaratória de constitucionalidade. e) O pedido de medida cautelar na ação direta de inconstitucionalidade por omissão inconstitucional é vedado pela Lei Federal nº 9.868/1999. 16. O Supremo Tribunal Federal vem proferindo decisões relevantes acerca de temas como mutação constitucional e controle de constitucionalidade, redefinindo, não raras vezes, os seus limites e possibilidades. Considere as afirmações abaixo, tendo por base o posicionamento do STF acerca dessas matérias. I - Em sede de jurisdição constitucional abstrata, a chamada modulação de efeitos já foi excepcionalmente admitida em caso de decisão declaratória de constitucionalidade de atos normativos. II - O reconhecimento, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, de declaração incidental de inconstitucionalidade em sede de ação direta (ADI) é vedado pelo ordenamento jurídico brasileiro, notadamente pelo artigo 52, inciso X, da Constituição do Brasil, que prevê competir ao Senado Federal a suspensão da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitivado Supremo Tribunal Federal. III - A superveniente alteração redacional de ato normativo questionado em ação direta de inconstitucionalidade não impede o julgamento dessa ação, desde que não tenha havido alteração substancial no conteúdo desse ato. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e II. d) Apenas I e III. e) I, II e III. 17. Sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, instituída pela Lei nº 9.882/1999, como instrumento de controle de constitucionalidade, é correto CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 94 afirmar, de acordo com a jurisprudência majoritária do Supremo Tribunal Federal, que: a) em homenagem ao princípio da subsidiariedade, não é possível aplicar a fungibilidade e convolá-la em Ação Direta de Inconstitucionalidade; b) não é admissível o emprego para reparar ou evitar lesão a preceito fundamental, resultante de omissão do poder público; c) é um mecanismo que não poderá ser proposto contra ato normativo já revogado, ainda que seja anterior à Constituição da República de 1988; d) é uma ferramenta que poderá ser proposta contra Súmula Vinculante do STF, uma vez que, em razão do princípio da subsidiariedade, não há outro meio eficaz de questioná-la; e) não poderá ser proposta contra Lei municipal que violar, ao mesmo tempo, a Constituição da República de 1988 e a Constituição do Estado, em norma de observância obrigatória. 18. O Supremo Tribunal Federal (STF), pela escassa maioria de um voto, declarou a inconstitucionalidade da Lei Estadual nº XX, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, o que gerou grande insatisfação junto a diversos segmentos da população do Estado Alfa. Sensível a essa insatisfação, um grupo de deputados estaduais apresentou um projeto de lei de teor idêntico ao referido diploma normativo, o qual veio a ser aprovado pela Assembleia Legislativa e sancionado, daí surgindo a Lei Estadual nº YY. Considerando os efeitos regulares da decisão proferida pelo STF ao declarar a inconstitucionalidade da Lei Estadual nº XX, é correto afirmar que a Lei Estadual nº YY é: a) constitucional, pois o efeito vinculante da decisão proferida não obsta que o legislador edite outro diploma normativo de idêntico teor, salvo se resolução do Senado Federal atribuísse efeitos erga omnes a essa decisão, o que não ocorreu; b) constitucional, pois o efeito vinculante da decisão proferida não obsta que o legislador edite outro diploma normativo de idêntico teor, salvo se fosse aprovada súmula vinculante, o que não ocorreu; c) inconstitucional, pois a referida declaração de inconstitucionalidade produz efeitos vinculantes e erga omnes, o que afasta a possibilidade de ser editada nova lei de idêntico teor; d) inconstitucional, pois o Tribunal não excepcionou a Assembleia Legislativa, de maneira expressa, do alcance de sua decisão, embora estivesse autorizado a fazê-lo; e) constitucional, pois o efeito vinculante da decisão proferida não obsta que o legislador edite outro diploma normativo de idêntico teor. 19. Em relação ao controle de constitucionalidade, à súmula vinculante e à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a opção correta. a) A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) não é instrumento eficaz de controle da inconstitucionalidade por omissão. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 95 b) O efeito vinculante em ação direta de inconstitucionalidade (ADI) e em ação declaratória de constitucionalidade (ADC) não atinge o Poder Legislativo no exercício de sua função típica de legislar, em observância à proibição de fossilização constitucional. c) O defensor público-geral da União não tem legitimidade para propor nem ação direta de inconstitucionalidade (ADI), nem a edição, a revisão ou o cancelamento de súmula vinculante. d) Exige-se a observância da cláusula de reserva de plenário nas hipóteses em que o tribunal decida pela não recepção de determinada norma pré-constitucional. e) Não cabe ação direta de inconstitucionalidade (ADI) contra lei que viole a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, por esta possuir status normativo supralegal. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 96 4. GABARITO COMENTADO 1. RESPOSTA: LETRA D. ALTERNATIVA A - LEI Nº 9.882/99 Art. 1º A argüição prevista no § 1º do art. 102 da Constituição Federal será proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. Parágrafo único. Caberá também argüição de descumprimento de preceito fundamental: I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição; ALTERNATIVA B - LEI Nº 9.882/99 Art. 3º (…) § 2º Da decisão de indeferimento da petição inicial caberá agravo, no prazo de cinco dias. ALTERNATIVA C - LEI Nº 9.882/99 Art. 5º O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida liminar na argüição de descumprimento de preceito fundamental. ALTERNATIVA D - LEI Nº 9.882/99 Art. 10. Julgada a ação, far-se-á comunicação às autoridades ou órgãos responsáveis pela prática dos atos questionados, fixando-se as condições e o modo de interpretação e aplicação do preceito fundamental. ALTERNATIVA E - LEI Nº 9.882/99 Art. 10. Julgada a ação, far-se-á comunicação às autoridades ou órgãos responsáveis pela prática dos atos questionados, fixando-se as condições e o modo de interpretação e aplicação do preceito fundamental. § 1º O presidente do Tribunal determinará o imediato cumprimento da decisão, lavrando-se o acórdão posteriormente. § 2º Dentro do prazo de dez dias contados a partir do trânsito em julgado da decisão, sua parte dispositiva será publicada em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União. § 3º A decisão terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. 2. RESPOSTA: LETRA E. ITEM I - Lei n. 9.868/99: Art. 12. Havendo pedido de medida cautelar, o relator, em face da relevância da matéria e de seu especial significado para a ordem social e a segurança jurídica, poderá, após a prestação das informações, no prazo de dez dias, e a manifestação do Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da República, CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 97 sucessivamente, no prazo de cinco dias, submeter o processo diretamente ao Tribunal, que terá a faculdade de julgar definitivamente a ação. ITEM II - Art. 23. Efetuado o julgamento, proclamar-se-á a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da disposição ou da norma impugnada se num ou noutro sentido se tiverem manifestado pelo menos seis Ministros, quer se trate de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade. ITEM III - Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terçosde seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. 3. RESPOSTAS: LETRA B. Sistema carcerário: estado de coisas inconstitucional e violação a direito fundamental. O Plenário concluiu o julgamento de medida cautelar em arguição de descumprimento de preceito fundamental em que discutida a configuração do chamado “estado de coisas inconstitucional” relativamente ao sistema penitenciário brasileiro. Nessa mesma ação, também se debate a adoção de providências estruturais com objetivo de sanar as lesões a preceitos fundamentais sofridas pelos presos em decorrência de ações e omissões dos Poderes da União, dos Estados-Membros e do Distrito Federal. No caso, alegava-se estar configurado o denominado, pela Corte Constitucional da Colômbia, “estado de coisas inconstitucional”, diante da seguinte situação: violação generalizada e sistêmica de direitos fundamentais; inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar a conjuntura; transgressões a exigir a atuação não apenas de um órgão, mas sim de uma pluralidade de autoridades. Postulava-se o deferimento de liminar para que fosse determinado aos juízes e tribunais: a) que lançassem, em casos de decretação ou manutenção de prisão provisória, a motivação expressa pela qual não se aplicam medidas cautelares alternativas à privação de liberdade, estabelecidas no art. 319 do CPP; b) que, observados os artigos 9.3 do Pacto dos Direitos Civis e Políticos e 7.5 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos, realizassem, em até 90 dias, audiências de custódia, viabilizando o comparecimento do preso perante a autoridade judiciária no prazo máximo de 24 horas, contadas do momento da prisão; c) que considerassem, fundamentadamente, o quadro dramático do sistema penitenciário brasileiro no momento de implemento de cautelares penais, na aplicação da pena e durante o processo de execução penal; Decisão manipulativa (manipuladora). A decisão tomada pelo STF, e acima explicada, pode ser classificada como uma “decisão manipulativa”. Gilmar Mendes, citando a doutrina italiana de Riccardo Guastini, afirma que decisão manipulativa é aquela mediante a qual “o órgão de jurisdição constitucional modifica ou adita normas submetidas a sua apreciação, a fim de que saiam do juízo constitucional com incidência normativa ou conteúdo distinto do original, mas concordante com a Constituição” (RE 641320/RS). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 98 Decisão manipulativa, portanto, como o nome indica, é aquela em que o Tribunal Constitucional manipula o conteúdo do ordenamento jurídico, modificando ou aditando a lei a fim de que ela se torne compatível com o texto constitucional. Trata-se de instituto que surgiu no direito italiano, sendo, atualmente, no entanto, adotado em outros Tribunais constitucionais no mundo. Espécies de decisões manipulativas: As decisões manipulativas podem ser divididas em: 1) Decisão manipulativa de efeitos aditivos (SENTENÇA ADITIVA): Verifica-se quando o Tribunal declara inconstitucional certo dispositivo legal não pelo que expressa, mas pelo que omite, alargando o texto da lei ou seu âmbito de incidência. “A sentença aditiva pode ser justificada, por exemplo, em razão da não observância do princípio da isonomia, notadamente nas situações em que a lei concede certo benefício ou tratamento a determinadas pessoas, mas exclui outras que se enquadrariam na mesma situação. Nessas hipóteses, o Tribunal Constitucional declara inconstitucional a norma na parte em que trata desigualmente os iguais, sem qualquer razoabilidade e/ou nexo de causalidade. Assim, a decisão se mostra aditiva, já que a Corte, ao decidir, 'cria uma norma autônoma'', estendendo aos excluídos o benefício.” (LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2014, p. 177). Ex1.: ADPF 54, Rel. Min. Marco Aurélio, julgada em 12/4/2012, na qual o STF julgou inconstitucional a criminalização dos abortos de fetos anencéfalos atuando de forma criativa ao acrescentar mais uma excludente de punibilidade – no caso de o feto padecer de anencefalia – ao crime de aborto. Ao decidir o mérito da ação, assentando a sua procedência e dando interpretação conforme aos arts. 124 a 128 do Código Penal, o STF proferiu uma típica decisão manipulativa com eficácia aditiva em matéria penal. Ex2.: MI 670, Red. para o acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 25/10/2007, na qual o STF determinou a aplicação aos servidores públicos da Lei nº 7.783/89, que dispõe sobre o exercício do direito de greve na iniciativa privada, pelo que promoveu extensão aditiva do âmbito de incidência da norma. 4. RESPOSTA: LETRA B. Segundo o disposto no art. 1º, parágrafo único, I, da Lei de n. 9.882/99: Art. 1º A argüição prevista no § 1º do art. 102 da Constituição Federal (ADPF) será proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. Parágrafo único. Caberá também argüição de descumprimento de preceito fundamental: I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição; Na medida em que o tratado internacional é internalizado por meio de Decreto, e este Decreto é considerado autônomo, cabe ADI, conforme os seguintes excertos de julgados: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 99 “O STF tem, excepcionalmente, admitido ação direta de inconstitucionalidade em face de Decreto, desde que este seja um Decreto autônomo, não seja um Decreto que regulamente lei. Desta forma, os Decretos presidenciais (CRFB, art. 84, IV) podem ter seu conteúdo apreciado em sede de ADIn [11]. Assegura o STF que: "(...) não havendo lei anterior que possa ser regulamentada, qualquer disposição sobre o assunto tende a ser adotada em lei formal. O decreto seria nulo, não por ilegalidade, mas por inconstitucionalidade, já que supriu a lei onde a Constituição exige.” Os Decretos, cujo conteúdo seja tratado internacional, são autônomos e não há qualquer discussão sobre isso. A discussão apassivada, como ficou demonstrado, pelo STF, diz respeito aos Decretos que não são autônomos, aqueles que regulamentam leis. Neste caso, havendo disparidade de conteúdo entre a lei e o seu decreto regulamentador, não se trata de inconstitucionalidade, mas, sim, de conflito de legalidade entre a lei e o seu decreto regulamentador. Art. 1º A arguição prevista no § 1º do art. 102 da Constituição Federal (ADPF) será proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental: I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição; Até o presente momento de evolução jurisprudencial, a ação de ADPF é o único modo de se obter um controle de constitucionalidade de normas pré-constitucionais frente à atual Constituição (1988), sendo que tal posicionamento está em processo evolutivo diante dos debates ocorridos no julgamento da ADI-MC de n. 3.833. 5. RESPOSTA: LETRA B. De acordo com o artigo 36, III, da CF/88, a ADI Interventiva poderá ser federal, mediante proposta do Procurador-Geral da República, sendo o SupremoTribunal Federal - STF, o órgão competente para apreciá-la e julgá-la. 6. RESPOSTA: LETRA B. ITEM I - “A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem reconhecido que se pode pleitear a inconstitucionalidade de determinado ato normativo na ação civil pública, desde que incidenter tantum. Veda-se, no entanto, o uso da ação civil pública para alcançar a declaração de inconstitucionalidade com efeitos erga omnes” (RE 424993, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em 12/09/2007, DJe-126 DIVULG 18-10-2007 PUBLIC 19-10-2007 DJ 19-10-2007 PP-00029 EMENT VOL-02294-03 PP-00547). ITEM II - Apesar de admitida pela jurisprudência a modulação de efeitos em controle difuso de constitucionalidade, não foi estabelecido qualquer limitador temporal na hipótese. (HC 133800, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 03/05/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-164 DIVULG 04-08-2016 PUBLIC 05-08-2016) ITEM III - A regra da chamada reserva do plenário para declaração de inconstitucionalidade (art. 97 da CF) não se aplica, deveras, às turmas recursais de juizado especial. Mas tal circunstância em nada atenua nem desnatura a rigorosa CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 100 exigência de juntada de cópia integral do precedente que tenha, ali, pronunciado inconstitucionalidade de norma objeto de recurso extraordinário fundado no art. 102, III, b, da Constituição da República, pela mesmíssima razão por que, a igual título de admissibilidade do recurso, não se dispensa juntada de cópia de acórdão oriundo de plenário. (STF, RE 453.744 AgR, voto do rel. min. Cezar Peluso, j. 13-6-2006, 1ª T, DJ de 25-8-2006.) ITEM IV - PROCESSO CIVIL. CONTROLE DIFUSO DA CONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA RESERVA DE PLENÁRIO. O juiz singular pode deixar de aplicar lei inconstitucional; os órgãos fracionários dos tribunais, não - porque, mesmo no âmbito do controle difuso da constitucionalidade, os tribunais só podem deixar de aplicar a lei pelo seu plenário ou, se for o caso, pelo respectivo órgão especial (CF, art. 97), observado o procedimento previsto no artigo 480 e seguintes do Código de Processo Civil, salvo se já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão (CPC, art. 481, parágrafo único). Recurso especial conhecido e provido. (STJ, REsp 89.297/MG, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, TERCEIRA TURMA, julgado em 06/12/1999, DJ 07/02/2000, p. 151) 7. RESPOSTA: LETRA B. Trata-se de mais uma questão baseada na literalidade da lei. Conforme art. 11, § 1º, da Lei nº 9.868/99 (que versa o procedimento da ADI e ADC), “a medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa”. Ressalte-se que aludido artigo, embora esteja no capítulo relativo a ADI, também se aplica à ação declaratória de constitucionalidade. Tal conclusão decorre do art. 21 de aludida lei (“consistente na determinação de que os juízes e os Tribunais, suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo”). O comando é geral (“juízes e os Tribunais”), razão pela qual se depreende ser vinculante. Ademais, não prevê retroação dos efeitos: pelo contrário, o parágrafo único do art. 21 prevê perda automática da eficácia cautelar se o Tribunal não julgar o feito em 180 dias. Por isso, a alternativa B é correta. 8. RESPOSTA: C. (A) ADI 5814 (STF confirma inaplicabilidade do prazo em dobro para recurso em processo de controle de constitucionalidade, inclusive ADPF). (B) 2/3 dos Ministros podem modular os efeitos (art. 11 da Lei nº 9.882, de 3 de dezembro de 1999). (D) É possível a fungibilidade entre a ADI e ADPF (art. 11 da Lei nº 9.882 de 1999). (E) Possível modulação dos efeitos na ADPF (art. 11 da Lei nº 9.882 de 1999). 9. RESPOSTA: B. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 101 (A) INCORRETA. No âmbito do controle concentrado, temos a restauração da lei anteriormente revogada a partir da declaração de inconstitucionalidade da lei revogadora, salvo se o STF dispuser expressamente de modo diverso, caso em que, deve respeitar os requisitos do quórum de votação de 2/3 dos membros, bem como razões de segurança jurídica ou excepcional interesse público. (B) CORRETA. “Cabível o exercício do controle concreto e incidental, bem como do controle abstrato e principal de constitucionalidade, em face da Constituição Federal, de tratados internacionais que tenham sido incorporados ao direito brasileiro”. O controle de constitucionalidade se manifesta no Brasil das seguintes maneiras: a) via incidental; b) via principal ou ação; c) abstrato ou em tese, e d) concreto. Como afirma o Ministro Luiz Roberto Barroso: “Não se confundem, conceitualmente, o controle por via incidental - realizado na apreciação de um caso concreto - e o controle difuso – desempenhado por qualquer juiz ou tribunal no exercício regular da jurisdição. No Brasil, no entanto, como regra, eles se superpõem, sendo que desde o início da república, o controle incidental é exercido de modo difuso. Somente com a arguição de descumprimento de preceito fundamental, criada pela Lei n 9.982, de 3 de dezembro de 1999, cujas potencialidades ainda não foram exploradas, passou-se a admitir uma hipótese de controle incidental concentrado”. (C) INCORRETA. Não é cabível ação direta de inconstitucionalidade proposta no STF em face de lei municipal. “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal;”. (D) INCORRETA. Decreto regulamentar que contrarie os limites que lhe foram impostos pela lei regulamentada se assemelha a decreto autônomo que é a exceção no direito brasileiro, nos termos do art. 84, VI, da CF/88. A alternativa se equivoca ao afirmar que há violação ao princípio da legalidade quando na verdade há ofensa ao princípio da reserva legal. “(...) a Constituição reserva conteúdo específico, caso a caso, à lei, encontramo-nos diante do princípio da reserva legal” (SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 22. ed. São Paulo: Malheiros, 2000. p. 421.). “Ação Direta de Inconstitucionalidade. Decreto nº 4.010, de 12 de novembro de 2001. Pagamento de servidores públicos da Administração Federal. Liberação de recursos. Exigência de prévia autorização do Presidente da República. Os artigos 76 e 84, I, II e VI, a, todos da Constituição Federal, atribuem ao Presidente da República a posição de Chefe supremo da administração pública federal, ao qual estão subordinados os CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 102 Ministros de Estado. Ausência de ofensa ao princípio da reserva legal, diante da nova redação atribuída ao inciso VI do art. 84 pela Emenda Constitucional nº 32/01, que permite expressamente ao Presidente da República dispor, por decreto, sobre a organização e o funcionamento da administração federal, quando isso não implicar aumento de despesa ou criação de órgãos públicos, exceções que não se aplicam ao Decreto atacado.” (ADI 2.564, Rel. Min. Ellen Gracie, DJ 06/02/04). (E)INCORRETA. A alternativa se equivoca ao afirmar que não existe prazo para que órgão administrativo supra omissão constitucional. Art. 103, § 2º, da CF/88. “Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias”. 10. RESPOSTA: B. (I) CORRETA. A ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADO) é considerada uma exclusividade do direito brasileiro e veio a lume a partir da CF/88, servindo para combater a mora legislativa que ficou conhecida pela doutrina como “síndrome da inefetividade das normas constitucionais”. Nesse sentido é o art. 12-H da Lei nº 9.868/99: “Declarada a inconstitucionalidade por omissão, com observância do disposto no art. 22, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias.” (II) INCORRETA. A questão abordou o conhecimento do caso julgado pela ADO 26, que inobstante ter reconhecido o estado de mora inconstitucional do Congresso Nacional na implementação da prestação legislativa destinada a cumprir o mandado de incriminação a que se referem os incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição, para efeito de proteção penal aos integrantes do grupo LGBT, não ficou consignado que o STF fixaria o crime e pena caso o Poder Legislativo não o fizesse. (III) INCORRETA. Ainda no âmbito da ADO 26, foi declarada a existência de omissão normativa inconstitucional do Poder Legislativo da União, porém sem a condenação do Estado Brasileiro ao pagamento de indenização às vítimas. No voto do Ministro Barroso, ficou consignado: “A ação direta de inconstitucionalidade por omissão e o mandado de injunção não são instrumentos processuais adequados à formulação de pedido indenizatório. Ações não conhecidas nessa parte”. 11. RESPOSTA: A. (A) CORRETA. As ações declaratórias de constitucionalidade e direta inconstitucionalidade são ação de natureza dúplice ou de “sinal trocado”. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 103 (B) INCORRETA. O STF adotou a teoria restritiva em que somente o dispositivo da decisão produz efeito vinculante. Dessa feita, os motivos invocados na decisão não são vinculantes, entretanto, em casos pontuais, o STF já chegou a adotar a tese da transcendência dos motivos determinantes. (C) INCORRETA. O princípio da interpretação conforme a Constituição (verfassungskonforme auslegung) e princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade, e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse princípio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STF - em sua função de corte constitucional - atua como legislador negativo, mas não tem o poder de agir como legislador positivo, para criar norma jurídica diversa da instituída pelo poder legislativo. Rp 1417/DF, Julgamento: 09/12/1987. Publicação: 15/04/1988. (D) INCORRETA. O art. 10, § 3º, da Lei 9882/99, dispõe: A decisão terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. 12. RESPOSTA A. A CF/88 traz previsão expressa sobre o controle de constitucionalidade no âmbito dos tribunais de justiça: “Art. 125, § 2º Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão”. A questão trouxe como possíveis casos passíveis de controle os seguintes: (1) a primeira norma tratava do processo legislativo no âmbito da Câmara Municipal, temática sobre a qual a Constituição do Estado Alfa não versava: poderá ser passível de controle. Não obstante não haver previsão expressa na Constituição Estadual, trata- se de matéria de reprodução obrigatória. (2) a segunda dispunha sobre temática que a Constituição do Estado Alfa disciplinava de modo literalmente idêntico à Constituição da República de 1988: pelo princípio da simetria também é passível de controle de constitucionalidade. (3) a terceira, sobre temática somente prevista na Constituição do Estado Alfa, não na Constituição da República de 1988: o tribunal de justiça detém competência para proceder o controle de constitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual. Pelo exposto, o item a ser marcado é o que diz: “deve realizar o controle das normas descritas em 1, 2 e 3”. 13. RESPOSTA: E. O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou jurisprudência dominante no sentido de que não invade a competência privativa do chefe do Poder Executivo lei que, embora crie despesa para os cofres municipais, não trate da estrutura ou da atribuição de órgãos do município nem do regime jurídico de servidores públicos. A matéria foi apreciada no CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 104 Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 878911, de relatoria do ministro Gilmar Mendes, que teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do STF. Pelo exposto, o item a ser marcado é o que diz: “não apresenta vício de iniciativa, pois, embora tenha criado obrigação para o Poder Executivo, não instituiu nova atribuição para os seus órgãos”. 14. RESPOSTA: A. I – CORRETO. Art. 1º., Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental: I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição; II – CORRETO. Art. 1º, Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental: I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição; III – CORRETO. Art. 2º Podem propor arguição de descumprimento de preceito fundamental: I - os legitimados para a ação direta de inconstitucionalidade; IV – INCORRETO. Art. 12. A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido em argüição de descumprimento de preceito fundamental é irrecorrível, não podendo ser objeto de ação rescisória. Obs.: todos os artigos são da Lei nº 9.882, de 3 de dezembro de 1999. 15. RESPOSTA: D. (A) INCORRETO. Mesa de Assembleia Legislativa não é legitimada para propor ADI, nos termos do art. 103 da CF/88. (B) INCORRETO. É cabível recurso de acordo com a Lei nº 9.868, de 3 de dezembro de 1999: Art. 4º A petição inicial inepta, não fundamentada e a manifestamente improcedente serão liminarmente indeferidas pelo relator. Parágrafo único. Cabe agravo da decisão que indeferir a petição inicial. (C) INCORRETO. ITEM CONSIDERADO INCORRETO PELA BANCA, MAS ESPELHA A LITERALIDADE DA LEI: Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 105 Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. (D) CORRETO. Item que também espelha a literalidade da Lei: Art. 12-A.Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade por omissão os legitimados à propositura da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade. (E) INCORRETO. O pedido de medida cautelar é expressamente previsto pela Lei nº 9.868/1999 no seu art. 12-F e seguintes. 16. RESPOSTA: D. I – CORRETO. O STF vem entendendo pela modulação dos efeitos em sede de ação declaratória de constitucionalidade – ADC, a exemplo da ADC nº 49. II – INCORRETO. Houve mutação constitucional do art. 52, X, da CF/88. A nova interpretação deve ser a seguinte: quando o STF declara uma lei inconstitucional, mesmo em sede de controle difuso, a decisão já tem efeito vinculante e erga omnes e o STF apenas comunica ao Senado com o objetivo de que a referida Casa Legislativa dê publicidade daquilo que foi decidido. STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 29/11/2017 (Info 886). III – CORRETO. Não haverá perda do objeto se ficar demonstrado que o conteúdo do ato impugnado foi repetido, em sua essência, em outro diploma normativo. Neste caso, como não houve desatualização significativa no conteúdo do instituto, não há obstáculo para o conhecimento da ação (STF ADI 2418/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 4/5/2016. Info 824) 17. RESPOSTA: E. ALTERNATIVA A: INCORRETA. A jurisprudência do STF, há muito, reconhece a aplicação da fungibilidade entre a ADPF e a ADI, como se vê do julgado a seguir destacado: Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental conhecida como Ação Direta de Inconstitucionalidade. 2. Resolução 4.765, de 27 de novembro de 2019, do Conselho Monetário Nacional (CMN). Cobrança de tarifa de cheque especial. 3. Resolução editada pelo CMN tem caráter de norma primária. 4. Princípio da subsidiariedade e fungibilidade entre as ações diretas. 5. Atuação do CMN no campo da intervenção estatal na economia (arts. 174 e 192 da CF). Tarifa bancária com características de taxa. Possível violação ao princípio da legalidade tributária. Cobrança que coloca o CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 106 consumidor em situação de vulnerabilidade econômico-jurídica. Desproporcionalidade da medida adotada pelo CMN para correção de falha de mercado. 6. Medida Cautelar deferida e referendada pelo Plenário do STF. 7. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente. (STF, ADI 6407, Tribunal Pleno, Rel. Min. GILMAR MENDES, DJE 13/05/2021) ALTERNATIVA B: INCORRETA. O STF possui entendimento majoritário no sentido do cabimento de ADPF para reparar lesão a preceito fundamental, ainda que decorrente de omissão do poder público. Confira-se o precedente que reflete a orientação da Suprema Corte: ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL POR OMISSÃO. ORGANIZAÇÃO E REGULAMENTAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO NO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO. ARTS. 73, 75 E 130 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA SIMETRIA PARA OS TRIBUNAIS DE CONTAS DO MUNICÍPIO. AUTONOMIA MUNICIPAL. PACTO FEDERATIVO. EXCEPCIONALIDADE DO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO. OMISSÃO LEGISLATIVA NÃO RECONHECIDA. ARGUIÇÃO JULGADA IMPROCEDENTE. 1. O Tribunal de Contas do Município de São Paulo é órgão autônomo e independente, com atuação circunscrita à esfera municipal, composto por servidores municipais, com a função de auxiliar a Câmara Municipal no controle externo da fiscalização financeira e orçamentária do respectivo Município. 2. O preceito veiculado pelo art. 75 da Constituição da República aplica-se, no que couber, à organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal e dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios, excetuando-se ao princípio da simetria os Tribunais de Contas do Município. Precedentes. 3. O incremento de novo órgão na esfera da competência municipal, sem que se demonstre real necessidade de sua criação, compromete os gastos públicos de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal e atenta contra a eficiência da Administração Pública. 4. Arguição de descumprimento de preceito fundamental julgada improcedente por não estar configurada omissão legislativa na criação de Ministério Público especial no Tribunal de Contas do Município de São Paulo. (ADPF 272, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 25/03/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-068 DIVULG 09-04-2021 PUBLIC 12-04-2021) ALTERNATIVA C: INCORRETA. O STF sedimentou orientação no sentido da possibilidade de “a utilização da arguição de descumprimento de preceito fundamental para questionar leis ou atos normativos já revogados, desde que haja controvérsia relevante quanto aos efeitos jurídicos residuais” (ADPF 33, Rel. Min. Gilmar Mendes, Plenário, DJ de 27/10/2006; ADPF 324, Rel. Min. Roberto Barroso, julgada em 30/8/2018; ADIs 2.028, 2.036, 2.228, 2.621, Redatora do acórdão Min. Rosa Weber, Plenário, DJe de 8/5/2017 e de 16/5/2017). ALTERNATIVA D: INCORRETA. O STF possui entendimento no sentido de que “a arguição de descumprimento de preceito fundamental não é a via adequada para se obter a interpretação, a revisão ou o cancelamento de súmula vinculante.” (ADPF 147-AgR, rel. min. Cármen Lúcia, CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 107 julgamento em 24-3-2011, Plenário, DJE de 8-4-2011), já que há procedimento próprio para tanto, estabelecido na Lei 11.417/06. ALTERNATIVA E: CORRETA. Diante da aplicação do princípio da subsidiariedade, não é cabível o manejo de ADPF para impugnar lei municipal que viola norma de reprodução obrigatória existente em Constituição Estadual. Nesse caso, é cabível o ajuizamento de ADI, a ser julgada pelo Tribunal Local, tendo como parâmetro a norma constante da Constituição Estadual. Confiram o seguinte precedente, que reflete a orientação do STF: AGRAVO REGIMENTAL EM ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL. LEI MUNICIPAL QUE INSTITUI FERIADO. ALEGAÇÃO DE USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA UNIÃO. NORMA DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE. INOBSERVÂNCIA. CABIMENTO DE ADI ESTADUAL. DESPROVIMENTO. 1. A jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal exige a aplicação do princípio da subsidiariedade às ações de descumprimento de preceito fundamental (art. 4º, §1º, da Lei 9.882/1999), configurado pela inexistência de meio capaz de sanar a controvérsia de forma geral, imediata e eficaz no caso concreto. Precedentes. 2. A impugnação da norma municipal que desafia tanto o texto federal quanto o estadual, pode ser feita perante o Tribunal local por meio do ajuizamento de ação de controle concentrado. Ausente o requisito da subsidiariedade. Precedentes. 3. Agravo regimental desprovido. (STF, ADPF 723 AgR, Tribunal Pleno, Rel. Min. EDSON FACHIN, DJE 16/04/2021) 18. RESPOSTA: E. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF no julgamento de ADI, ADC ou ADPF possuem eficácia contra todos (erga omnes) e efeito vinculante (§ 2º do art. 102 da CF/88). O Poder Legislativo, em sua função típica de legislar, não fica vinculado. Assim, o STF não proíbe que o Poder Legislativo edite leis ou emendas constitucionais em sentido contrário ao que a Corte já decidiu. Não existe uma vedação prévia a tais atos normativos. O legislador pode, por emenda constitucional ou lei ordinária, superar a jurisprudência. Trata-se de uma reação legislativa à decisão da Corte Constitucional com o objetivo de reversão jurisprudencial. O Poder Legislativo promoverá verdadeira hipótese de mutação constitucional pela via legislativa. STF. Plenário.ADI 5105/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 1º/10/2015 (Info 801). 19. RESPOSTA: B. (A) INCORRETA. A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) é instrumento eficaz de controle da inconstitucionalidade por omissão. A ADPF pode ter por objeto as omissões do poder público, quer totais ou parciais, normativas ou não normativas, nas mesmas circunstâncias em que ela é cabível contra os atos em geral do poder público, CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 108 desde que essas omissões se afigurem lesivas a preceito fundamental, a ponto de obstar a efetividade de norma constitucional que o consagra. STF. Plenário. ADPF 272/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 25/3/2021 (Info 1011). (B) CORRETA. A declaração de inconstitucionalidade proferida em controle concentrado não atinge o Poder Legislativo na sua função típica de legislar sob pena de “fossilização” da Constituição (LENZA, 2022, p. 905). (C) INCORRETA. O DPGU possui legitimidade para propor revisão e cancelamento de súmula vinculante. Art. 3º, LEI Nº 11.417/06. São legitimados a propor a edição, a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante: VI - o Defensor Público-Geral da União; (D) INCORRETA. A mitigação da cláusula de reserva de plenário vem sendo observada em outras situações. Em conclusão, não há a necessidade de se observar a regra do art. 97, CF/88: nos casos de normas pré-constitucionais, porque a análise do direito editado no ordenamento jurídico anterior em relação à nova Constituição não se funda na teoria da inconstitucionalidade, mas, como já estudado, em sua recepção ou revogação; (LENZA, 2022, p. 537-538). (E) INCORRETA. No Brasil, à Convenção foi conferido status de emenda constitucional, por ter sido aprovada com o quórum qualificado previsto no § 3º do art. 5º da Constituição da República de 1988, por meio do Decreto Legislativo nº 186/2008.