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CPF: 860.542.154-18
PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18
É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
1 
 
Direito Constitucional 
Ponto 7 
Controle de Constitucionalidade - 
Parte 02: Ações Constitucionais. 
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2 
CURSO MEGE 
 
Site para cadastro: www.mege.com.br 
Celular / Whatsapp: (99) 982622200 (Tim) 
Turma: Clube Delta 
Material: Ponto 7 (Direito Constitucional) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Direito Constitucional 
Ponto 7 
Controle de Constitucionalidade - Parte 
02: Ações Constitucionais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3 
SUMÁRIO 
 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA ...................................................................... 4 
1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 5 
1.1. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE .................................................................... 5 
2. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................ 78 
3. QUESTÕES ................................................................................................................... 87 
4. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 96 
 
 
 
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4 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA 
(Conforme Edital Mege) 
 
 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
Controle de Constitucionalidade - Parte 02: Ações Constitucionais. (Ponto 7) 
 
 
 
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5 
1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 
1.1.1. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (ADI) 
 
Conceito - É a análise de compatibilidade de lei ou ato normativo com a 
Constituição Federal (mais precisamente, com o bloco de constitucionalidade), sendo 
tal demanda de feição objetiva, caracterizada por uma generalidade, impessoalidade e 
abstração, ou seja, trata-se de controle em tese (abstrato). Por essa razão, a doutrina 
afirma que não há lide em sentido material, aqui entendida como o conflito de 
interesses subjetivos qualificado por uma pretensão resistida. 
Não há partes no sentido clássico, uma vez que, em tese, todos os envolvidos 
no processo defendem a intangibilidade da ordem jurídica, não obstante, não raras 
vezes, haja acirrada contraposição de teses e argumentos. 
Nesse controle, a decisão se dá em caráter principal (principalite). Dessa forma, 
a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo impugnado faz parte do pedido, e 
não apenas da causa de pedir. O dispositivo da decisão será então a declaração de 
constitucionalidade ou inconstitucionalidade da Lei ou ato normativo. 
Conforme explica Pedro Lenza: 
 
“Ao contrário da via de exceção ou defesa, pela qual o controle 
(difuso) se verificava em casos concretos e incidentalmente ao 
objeto principal da lide, no controle concentrado a 
representação de inconstitucionalidade, em virtude de ser em 
relação a um ato normativo em tese, tem por objeto principal a 
declaração de inconstitucionalidade da lei ou ato normativo 
impugnado. O que se busca saber, portanto, é se a lei (lato 
sensu) é inconstitucional ou não, manifestando-se o Judiciário de 
forma específica sobre o aludido objeto”. 
 
1.1.1.1. Objeto da ADI 
 
Objeto - Em regra, é a Lei ou Ato Normativo Estadual ou Federal. 
 
ATENÇÃO! Normas MUNICIPAIS NÃO podem ser objeto de ADI. 
 
A lei ou ato normativo deve estar vigente no momento da propositura da 
demanda, razão pela qual não se admite o controle de constitucionalidade jurisdicional 
preventivo e abstrato (ADI) de meras proposições normativas, já que estas não ensejam 
inovação formal na ordem jurídica. 
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6 
O próprio art. 102, I, “a”, da CF/88, conforme apontado, estabelece como 
objeto da ADI lei ou ato normativo, e não projeto de lei ou projeto de ato normativo. Da 
mesma forma, normas revogadas não são objeto de ADI, e sua revogação enseja, em 
regra, a extinção do processo em razão da perda do objeto. Tal se justifica em razão do 
próprio escopo do processo – proteger a ordem jurídica no aspecto objetivo. Logo, se a 
norma foi revogada, não haveria mais lesão à ordem jurídica, e eventuais efeitos 
pretéritos inconstitucionais devem ser discutidos nas vias próprias. 
Sem embargo do exposto, o STF vem construindo em sua jurisprudência uma 
série de exceções, as quais admitem o seguimento da ADI, mesmo com a superveniência 
da revogação da norma, a exemplo de situações nas quais fica evidenciada a tentativa 
de fraudar o exercício da jurisdição concentrada do STF, ou para preservar os trabalhos 
já realizados. 
Podemos esquematizar algumas exceções mais cobradas em prova da seguinte 
forma: 
 
REGRA: o objeto da ADI deve ser uma lei ou ato normativo, federal ou estadual, 
vigente ao tempo do julgamento, sob pena de se caracterizar a perda do objeto da 
ação. 
Exceção 1: Não haverá perda do objeto da ADI se ficar demonstrado que o ato 
normativo impugnado foi repetido em outro diploma normativo (ADI 2418/DF). 
Exceção 2: Não haverá perda do objeto da ADI se ficar demonstrado que houve 
“fraude processual”, ou seja, a revogação foi proposital a fim de evitar os efeitos da 
declaração de inconstitucionalidade, que em regra são retroativos (ADI 3306). 
Exceção 3: Não haverá perda do objeto da ADI se o STF julgou o mérito da ação sem 
ter sido comunicado que a norma foi revogada (ADI 951 ED). 
Exceção 4: Não haverá perda do objeto da ADI se a revogação da norma impugnada 
se deu por medida provisória, pois a MP é “lei sob condição resolutiva”, que precisa 
ser confirmada. Assim, enquanto não votada e não convertida a MP em lei, a ADI não 
perde o objeto (ADI 5717/DF). 
 
Em suma, o controle abstrato por via de ADI, em regra, só é aplicável para 
normas vigentes e supervenientes ao parâmetro constitucional (princípio da 
contemporaneidade). 
Outro aspecto da ADI é que, por meio desta via de controle, apenas podem ser 
impugnadas normas primárias, de caráter autônomo. 
Decretos regulamentares e atos infralegais de caráter meramente 
regulamentar e secundário não são objeto de ação direta, pois, neste caso, eventual 
ofensa seria reflexa, e não direta à Constituição. 
Contudo, caso o decreto tenha caráter autônomo e se dissocie totalmente de 
qualquer lei ou ato normativo primário, inovando efetivamente no ordenamento, 
poderá, neste caso, ser objeto de ADI. 
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Sistematizando: 
 
Norma Primária Tem aptidão de inovar na ordem jurídica. Seu fundamento de 
validade diretoé a constituição. A questão é de 
constitucionalidade, logo, cabe ADI. 
Norma 
Secundária 
Não inova no ordenamento, apenas regulamenta outra norma 
primária, isto é, seu fundamento de validade é a norma primária. 
A questão é de legalidade, e eventual ofensa à Constituição seria 
reflexa, e não direta. 
 
Em relação aos atos normativos que podem ser objeto de fiscalização 
concentrada perante o STF por meio de ADI, temos o seguinte panorama: 
i. Todas as espécies normativas do art. 59 da CF podem ser objeto de ADI: Lei 
Complementar; Lei Ordinária; Lei Delegada; Medida Provisória; Decretos Legislativos e 
Resoluções podem ser objeto de controle de constitucionalidade, pois derivam direto 
da Constituição. 
Importante destacar que, atualmente para o STF, não há mais importância a 
distinção entre Lei em sentido material (inova efetivamente no ordenamento) e Lei em 
sentido formal (Lei de efeitos concretos). Ambas podem ser objeto de controle em ADI, 
por derivar diretamente do art. 59 da CF. 
Ao firmar esta posição, o STF superou antiga jurisprudência que considerava a 
via da ação direta inadequada para sindicar leis de conteúdo concreto, como as leis 
orçamentárias. Atualmente, o STF passou a entender que as leis derivadas diretamente 
do art. 59 da CF podem ser objeto de ADI, independentemente de seu conteúdo. 
 
ATENÇÃO! Já caiu em prova: cabe ADI para impugnar leis orçamentárias. 
 
ii. Ato Normativo: é todo e qualquer ato revestido de indiscutível caráter 
normativo. Via de regra, apenas os atos normativos primários (atos que encontram 
condição de validade diretamente no texto constitucional, sem a intermediação de 
outras verificações de legalidade) podem ser objeto de controle de constitucionalidade. 
A doutrina e a jurisprudência entendem que os regimentos internos dos 
tribunais podem ser objeto de controle de constitucionalidade, desde que busquem 
inovar no ordenamento jurídico. 
iii. Súmulas Vinculantes: não podem ser objeto de ADI, pois não são atos 
normativos, e sim o reflexo da interpretação de outros atos normativos, consolidados 
em um enunciado. Para estas existe um procedimento específico de revisão. 
iv. Emendas Constitucionais: podem ser objeto de ADI, pois são a manifestação 
do poder constituinte derivado reformador, estando limitadas ao que dispõe o art. 60 
da CF. Essa é a premissa a ser fixada, especialmente para fins de prova objetiva. 
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À guisa de maior aprofundamento teórico, deixo no quadro abaixo reflexões 
sobre as limitações a que se sujeita o poder constituinte derivado reformador. 
 
ATENÇÃO! O poder constituinte derivado reformador, por ser instituído pelo poder 
constituinte originário, está delimitado pelas balizas estabelecidas na própria 
Constituição, devendo observar limites formais, circunstanciais e inclusive materiais, 
tendo sido reservado um núcleo intangível e pretensamente imune à atuação de 
maiorias transitórias. 
Nesse contexto, a doutrina de Paulo Bonavides nos ilumina com a percepção de que 
os limites materiais ao poder constituinte derivado reformador, as famigeradas 
“cláusulas pétreas” constituem verdadeiros mecanismos de defesa da Constituição, 
garantias de sua própria existência. 
No cumprimento de tal desiderato, ocupam um especial espaço de imunidade tanto 
contra a legislação ordinária como também contra as investidas qualificadas do Poder 
Legislativo no exercício do poder de reforma. Assim, constituem-se em um núcleo de 
identidade constitucional, o qual não pode ser desnaturado, com escopo de evitar 
uma possível “erosão da consciência constitucional”, ou seja, a dissolução do núcleo 
axiológico da Constituição. 
Na doutrina, a questão das cláusulas pétreas levanta digressões importantes, 
sobretudo para provas com cobrança de doutrina mais densa, como a PGE/RJ. Daniel 
Sarmento coloca em perspectiva a problemática da legitimidade intergeracional das 
cláusulas pétreas. Nas palavras do renomado jurista, a questão que se coloca é (...) 
estabelecer em qual proporção se afigura legítimo que uma Constituição prefigure os 
caminhos e decisões do povo do futuro. Quando reconhecemos que as constituições, 
em geral, aspiram vigorar por muito tempo e disciplinar a coexistência política de 
sucessivas gerações ao longo da trajetória de uma nação, somos confrontados com 
uma pergunta fundamental: por que e até que ponto pode uma geração adotar 
decisões vinculativas para as outras que a sucederão? 
Nesse sentido, alguns limites materiais poderiam ser revisitados, a exemplo do direito 
adquirido em face do poder constituinte derivado de reforma (obs.: posição 
doutrinária e minoritária, para o STF prevalece que emenda não pode alcançar direito 
adquirido). 
Os argumentos expendidos são no sentido de que os limites materiais ao poder 
constituinte de reforma se chocariam, em tese, com o direito democrático de cada 
geração se autogovernar, e não seria a vedação absoluta de deliberação sobre 
determinados temas que garantiria a proteção à estabilidade do regime 
constitucional, ou seja, o desejo de se evitar abalos institucionais que visem a 
suplantar limitações de reforma aparentemente insuperáveis, tendo em vista que a 
depender do desejo de mudança, tal rigidez pode instigar inclusive a ruptura da 
ordem constitucional, com a manifestação de um novo poder constituinte originário. 
Por fim, o professor ressalva que o espírito da CF/88 se volta muito mais à 
transformação do status quo do que a sua irredutível conservação. Ou seja, a 
modificação das estruturas sociais é um desejo do constituinte tão forte quanto a 
manutenção de estruturas supostamente ideais à “segurança jurídica”. 
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Contudo, Sarmento, ao ponderar a tensão entre a legitimidade intergeracional e os 
limites materiais ao poder de reforma, conclui que seriam estas necessárias com 
escopo de preservação da intangibilidade da ordem jurídica e da preservação da 
democracia, que não se confunde apenas com o desejo de maiorias transitórias, mas 
é afirmada com o respeito aos direitos das minorias e a máxima efetividade dos 
direitos fundamentais. 
Justifica-se a existência de tais limites, uma vez que, se o poder de revisão fosse amplo 
e não sujeito a tais balizas, acabaria por arvorar-se na condição de poder constituinte 
originário, pois somente este é “ilimitado” juridicamente, no que abriria a 
possibilidade de constituir, por meio de um mero processo legislativo, uma nova 
ordem jurídica. 
Por derradeiro, os limites materiais ao poder constituinte derivado reformador não 
tutelam interesses específicos ou corporativos, cuidando de normas constitucionais 
de maior envergadura, as quais traduzem o núcleo da Constituição e do modelo de 
Estado projetado pelo constituinte para as gerações presentes e futuras, com 
abertura suficiente para acomodações, sendo os processos constitucionais 
legislativos e exegéticos suficientes para evitar o descompasso entre o texto da 
Constituição e os anseios sociais mais legítimos, defendendo-as de uma ruptura com 
princípios e estruturas essenciais da Constituição. 
São as normas de conteúdo mais relevante que foram protegidas do esvaziamento 
por ação do poder reformador. Isso implica perceber, também, que não estão a 
proibir qualquer alteração – que poderão ser toleradas – desde que não desqualifique 
ou reduza a essência do protegido. 
Logo, as Emendas, ainda que se constituam na mais alta expressão da vontade do 
parlamento, podem ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade, e, portanto, 
invalidadas pelo STF, caso transbordemdos limites inseridos no art. 60, § 4º, da CF. 
 
v. Normas Originárias da CF: prevalece no STF o entendimento de que não cabe 
controle de constitucionalidade do poder originário. Como visto no ponto anterior, NÃO 
se adota a perspectiva de Otto Bachof, jurista alemão, que teoriza a possibilidade de 
existirem “normas originárias inconstitucionais”. 
Nesse sentido, a jurisprudência do STF: 
 
“Ação direta de inconstitucionalidade. ADI. Inadmissibilidade. 
Art. 14, § 4º, da CF. Norma constitucional originária. Objeto 
nomológico insuscetível de controle de constitucionalidade. 
Princípio da unidade hierárquico-normativa e caráter rígido da 
Constituição brasileira. Doutrina. Precedentes. Carência da ação. 
Inépcia reconhecida. Indeferimento da petição inicial. Agravo 
improvido. Não se admite controle concentrado ou difuso de 
constitucionalidade de normas produzidas pelo poder 
constituinte originário” (ADI 4.097-AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, 
j. 08.10.2008, DJE de 07.11.2008). 
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vi. Medida Provisória: podem ser objeto de ADI, pois têm força de lei, sendo 
espécie normativa prevista no art. 59 da CF. 
Observação – Em relação aos requisitos da relevância e urgência, como 
pressupostos objetivos da Medida Provisória, cumpre destacar que o STF entende que, 
em regra, são conteúdos de acentuado caráter político, razão pela qual sua análise, em 
sede de ADI, só é possível de maneira excepcional, notadamente na hipótese de ficar 
evidenciado o desvio ou abuso no exercício da função legiferante pelo Executivo (em 
outras palavras, quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva). 
Assim, em regra, quanto à análise dos requisitos de relevância e urgência, 
adota-se uma postura de maior deferência em relação à decisão do Presidente da 
República (autocontenção judicial), sobretudo porque a análise dos requisitos será 
submetida ao crivo do Legislativo. 
Sobre o tema, recente julgado do STF: 
 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO 
CONSTITUCIONAL. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 746/2016. 
CONVERSÃO NA LEI Nº 13.415/2017. MODIFICAÇÃO 
SUBSTANCIAL. PREJUDICIALIDADE PARCIAL DA AÇÃO. ANÁLISE 
DA INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. REQUISITO DE 
URGÊNCIA PARA EDIÇÃO DE MEDIDA PROVISÓRIA. 
EXCEPCIONALIDADE ENSEJADORA DA ATUAÇÃO DO PODER 
JUDICIÁRIO NÃO CARACTERIZADA. PRECEDENTES. 
IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO DIRETA DE 
INCONSTITUCIONALIDADE. 1. As alterações introduzidas pelo 
Projeto de Lei de Conversão n. 34/2016, posteriormente 
transformado na Lei n. 13.415/2017 são significativas a ponto de 
interromper a continuidade normativa do texto primitivo da 
Medida Provisória n. 746/2016, resultando na extinção parcial 
da presente ação por perda superveniente de objeto. 
Precedentes. 2. A inconstitucionalidade formal de medida 
provisória não se convalida com a sua conversão em lei, razão 
pela qual, conquanto haja perda de objeto relativamente à 
inconstitucionalidade material, remanesce o interesse de agir no 
que tange à inconstitucionalidade formal. 3. No limitado 
controle dos requisitos formais da medida provisória deve o 
Poder Judiciário verificar se as razões apresentadas na 
exposição de motivos pelo Chefe do Poder Executivo são 
congruentes com a urgência e a relevância alegadas, sem 
adentrar ao juízo de fundo que o texto constitucional atribui ao 
Poder Legislativo. 4. Ação direta julgada improcedente. 
(ADI 5599, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado 
em 26/10/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-280 DIVULG 25-11-
2020 PUBLIC 26-11-2020) 
 
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Assim, para o STF, é possível o controle judicial dos pressupostos de relevância 
e urgência para a edição de medidas provisórias. No entanto, “o escrutínio a ser feito 
pelo Judiciário neste particular é de domínio estrito, justificando-se a invalidação da 
iniciativa presidencial apenas quando atestada a inexistência cabal desses requisitos” 
(RE 592.377). 
Em sua prova, muita atenção com a forma de questionamento. 
Ainda sobre o tema, pergunta-se, como fica a ADI interposta para discutir os 
requisitos de relevância e urgência para edição de Medida Provisória, caso haja a 
conversão em lei antes do julgamento? 
Embora seja um tema que alberga discussão, prevalece que a intercorrente 
conversão da medida provisória em lei faz com que a ADI, proposta exclusivamente 
para discutir a presença dos requisitos constitucionais da relevância e urgência, perca 
o objeto. 
Não haveria a convalidação de um vício de origem, pois, diferente do que 
ocorre com os demais vícios formais, a ausência dos requisitos de urgência e relevância 
em nada interfere na lei conversora (tendo em vista a autonomia da lei de conversão 
em relação à medida provisória em si – a relevância e a urgência são requisitos 
constitucionais para a edição da medida, e não para aprovação da Lei, tanto é que o 
parlamento aprecia primeiro a presença destes requisitos, e somente depois o mérito 
legislativo). 
Dessa forma, eventual vício quanto aos requisitos da relevância e urgência 
haveria de interferir apenas em relação ao período que a medida provisória esteve 
vigente, não sendo a ADI o mecanismo adequado para fiscalizar a constitucionalidade 
de ato normativo que não se encontra em vigor, notadamente se a lei convertida não 
apresenta outro vício (na doutrina, entre outros IVO DANTAS). 
SITUAÇÃO DISTINTA ocorre quando o vício é material ou mesmo formal, 
diverso dos sobreditos requisitos. Nesta hipótese, a conversão da medida provisória 
em lei não prejudica o julgamento da ADI, tendo em vista a continuidade normativa e 
a permanência do vício, e, neste caso, prevalece que a ADI terá seguimento, cabendo 
ao autor aditar a petição inicial, informando a mudança do objeto. Neste caso, é pacífica 
a jurisprudência do STF: 
 
(...) Não prejudica a ação direta de inconstitucionalidade 
material de medida provisória a sua intercorrente conversão 
em lei sem alterações, dado que a sua aprovação e 
promulgação integrais apenas lhe tornam definitiva a vigência, 
com eficácia “ex tunc” e sem solução de continuidade, 
preservada a identidade originária do seu conteúdo normativo, 
objeto da arguição de invalidade. (...) STF. Plenário. ADI 691 MC, 
Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgado em 22/04/1992. 
 
Por fim, cabe estabelecer uma distinção em relação à análise dos requisitos 
constitucionais da relevância e urgência nas medidas provisórias comuns dos requisitos 
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constitucionais de imprevisibilidade e urgência (art. 62 c/c o art. 167, § 3º, ambos da 
CF) da Medida Provisória que abre crédito extraordinário: 
 
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da 
República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, 
devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. 
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: 
I - relativa a: 
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e 
créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no 
art. 167, § 3º; 
(...) 
Art. 167. São vedados: 
(...) 
§ 3º A abertura de crédito extraordinário somente será admitida 
para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as 
decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública, 
observado o disposto no art. 62. 
 
Nesta situação, a carga normativa da exigência de “imprevisibilidade” reduz de 
sobremaneiraa discricionariedade do chefe do executivo, pois não basta que haja 
urgência e relevância (requisitos sensivelmente mais abertos), sendo necessária uma 
carga de imprevisibilidade na circunstância apta a excepcionar a necessidade de 
observância pelo chefe do executivo do devido processo legislativo orçamentário. Assim 
decidiu o STF: 
 
EMENTA: Limites constitucionais à atividade legislativa 
excepcional do Poder Executivo na edição de medidas 
provisórias para abertura de crédito extraordinário. 
Interpretação do art. 167, § 3º c/c o art. 62, §1º, inciso I, alínea 
d, da Constituição. Além dos requisitos de relevância e urgência 
(art. 62), a Constituição exige que a abertura do crédito 
extraordinário seja feita apenas para atender a despesas 
imprevisíveis e urgentes. (...), os requisitos de imprevisibilidade 
e urgência (art. 167, § 3º) recebem densificação normativa da 
Constituição. Os conteúdos semânticos das expressões ‘guerra’, 
‘comoção interna’ e ‘calamidade pública’ constituem vetores 
para a interpretação/aplicação do art. 167, § 3º c/c o art. 62, § 
1º, inciso I, alínea d, da Constituição. (...) ADI 4.048-MC, Rel. 
Min. Gilmar Mendes, j. 14.05.2008, DJE de 22.08.2008). No 
mesmo sentido: ADI 4.049-MC, Rel. Min. Carlos Britto, j. 
05.11.2008. 
 
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13 
vii. Decretos Regulamentares: conforme asseverado, não podem ser objeto de 
ADI, pois apenas regulamentam leis. Trata-se de questão de ilegalidade, e não 
inconstitucionalidade. 
Entretanto, a doutrina e a jurisprudência afirmam que os decretos autônomos 
podem ser objeto de ADI (art. 84, VI, da CF). Neste caso, seriam verdadeiras normas 
primárias por inovarem no ordenamento jurídico. Relembrando: 
 
DECRETO REGULAMENTAR Previsto no art. 84, IV, da Constituição 
Federal - expedido para fiel execução das 
leis, sem inovar no ordenamento jurídico. 
DECRETO AUTÔNOMO Previsto no art. 84, VI, da Constituição 
Federal. Pode dispor unicamente sobre: 
i) organização e funcionamento da 
administração federal, quando não 
implicar aumento de despesa nem 
criação ou extinção de órgãos públicos; 
ii) extinção de funções ou cargos públicos, 
quando vagos. 
 
Portanto, atenção ao questionamento: 
 
Decretos meramente regulamentares 
NÃO podem ser objeto de ADI. 
Decretos autônomos podem ser objeto 
de ADI. 
 
Exemplo: o STF entendeu cabível ADI contra decreto autônomo do Presidente 
da República que extinguiu colegiados da Administração Pública Federal (ADI 6121). 
viii. Tratados Internacionais (comuns): podem ser objeto de controle por ADI, 
pois têm natureza de norma ordinária. Até mesmo os tratados relacionados a direitos 
humanos podem ser controlados por ADI, pois se submetem aos limites impostos ao 
Poder Constituinte derivado de reforma (tal como as emendas constitucionais). 
Segundo o STF, os tratados internacionais de direitos humanos aprovados antes 
da emenda 45 têm natureza supralegal. Eles podem paralisar a eficácia de todas as leis 
inferiores. Tais tratados são incorporados ao ordenamento jurídico interno (com status 
supralegal, como visto) e podem ser objeto de controle de constitucionalidade. 
Entretanto, não podem ser parâmetro de controle de constitucionalidade (situam-se 
hierarquicamente acima das leis, mas abaixo da constituição). 
 
OBSERVAÇÃO: a doutrina chama a análise de compatibilidade da lei com os tratados e 
convenções internacionais de direitos humanos sem força de emenda constitucional 
como controle de supralegalidade ou de convencionalidade. 
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14 
 
ix. Leis Anteriores à CF: não podem ser objeto de ADI; ou são recepcionadas 
pelo novo ordenamento ou não (juízo de recepção, não de constitucionalidade). 
Sob este aspecto, não existe o fenômeno da constitucionalidade ou 
inconstitucionalidade superveniente, pois se aplica o princípio da contemporaneidade, 
conforme visto anteriormente. As normas anteriores à Constituição são recepcionadas 
quando compatíveis ou meramente revogadas quando incompatíveis com o texto 
constitucional, não sendo a ADI o mecanismo adequado para investigar se houve ou não 
recepção. 
Aprofundando: 
 
OBSERVAÇÃO: o STF não admite a teoria da inconstitucionalidade superveniente em 
decorrência da promulgação de nova constituição ou emenda constitucional, 
resolvendo a questão no plano da revogação. 
Ocorre que há outro sentido para inconstitucionalidade superveniente, este ACEITO 
pelo STF, que é aquela decorrente de um processo de inconstitucionalização. É que 
determinada norma pode ser reconhecida como constitucional em um primeiro 
momento, porém vir a se tornar inconstitucional sem que haja alteração do 
parâmetro constitucional, mas em razão de alterações nas condições fáticas que 
davam suporte de validade à norma, ou mesmo na visão jurídica sobre o assunto. 
Exemplo é justamente o caso do amianto, no qual o STF passou a entender ser 
constitucional a sua proibição em razão da alteração no quadro fático, decorrente de 
avanços científicos, surgimento de outros materiais menos nocivos à saúde, dentre 
outras circunstâncias. 
 
x. Atos Estatais de Efeitos Concretos: entende-se, como regra, que atos de 
efeitos concretos não podem ser objeto de ADI, pois não são contidos de generalidade. 
Entretanto, atualmente, o STF tem entendido que, se esses atos forem editados sob a 
forma de lei, mesmo tendo efeitos concretos, podem ser objeto de controle. 
Leis Orçamentárias: como visto, o STF admite o controle em sede abstrata, 
bastando que uma lei orçamentária, em sentido formal, seja o objeto da controvérsia. 
Dessa forma, o tribunal não mais leva em consideração a densidade normativa da lei, 
podendo ser objeto de ADI qualquer lei orçamentária. 
xi. Ato Normativo Já Revogado ou de Eficácia Exaurida: não cabe ADI em face 
desses atos, pois falta objeto para a ação. 
xii. Lei Revogada ou que Perde Vigência Após a Propositura da ADI: como 
regra, a revogação da lei durante o processo de julgamento da ADI causa a 
prejudicialidade da ação por perda do objeto (STF), atentando-se para as exceções 
estudadas. 
Em sentido contrário, Gilmar Mendes afirma que o procedimento deveria 
continuar para evitar conflitos no plano de ações individuais. Essa posição foi adotada 
na ADPF 449, que tratou sobre lei municipal proibitiva dos aplicativos de transporte 
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15 
individual e foi julgada mesmo com a posterior revogação da lei municipal objeto da 
ação: 
 
(...) A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 
não carece de interesse de agir em razão da revogação da norma 
objeto de controle, máxime ante a necessidade de fixar o regime 
aplicável às relações jurídicas estabelecidas durante a vigência 
da lei, bem como no que diz respeito a leis de idêntico teor 
aprovadas em outros Municípios (ADPF 449, Relator(a): Min. 
LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 08/05/2019, PROCESSO 
ELETRÔNICO DJe-190 DIVULG 30-08-2019 PUBLIC 02-09-2019) 
 
Assim, mais uma vez, é importante ficar atento à forma de questionamento em 
provas. 
xiii. Resoluções do CNJ, do CNMP e Resoluções do TSE: podem ser objeto de 
controle de constitucionalidade, especialmente quando tenham em seu conteúdo 
normas de caráter geral, abstrato e autônomo (Ex: ADI 5122, ADI 4263). 
NÃO CONFUNDA: respostas emitidas pelo TSE não podem ser objeto de ADI. 
De fato, resposta do TSE à consulta eleitoralnão tem natureza jurisdicional nem efeito 
vinculante (MS 26.604). 
xiv. Parecer normativo da Consultoria-Geral da República, aprovado pelo 
Presidente da República pode ser objeto de impugnação mediante ação direta de 
inconstitucionalidade (ADI 4/DF). 
Segundo o art. 22, § 2º e art. 23 do Decreto 92.889/86, este parecer, quando 
aprovado pelo Presidente, assume força normativa, assim, teoricamente, poderia ser 
objeto de ADI. 
xv. Controle dos Atos que Incorporam o Tratado Internacional ao 
Ordenamento Interno: de acordo com a jurisprudência do STF, a incorporação dos 
tratados à ordem interna decorre de um ato subjetivamente complexo, resultante da 
conjugação de duas vontades homogêneas: a do Congresso Nacional, que resolve, 
definitivamente, mediante decreto legislativo, sobre tratados, acordos ou atos 
internacionais (art. 49, I da CF) e a do Presidente da República, que, além de poder 
celebrar esses atos (art. 84, VIII da CF), também dispõe (na qualidade de chefe de Estado 
que é) da competência para promulgá-los mediante decreto. 
O iter procedimental de incorporação dos tratados internacionais, superadas 
as fases prévias da celebração, de sua aprovação congressional e da ratificação pelo 
Chefe de Estado, conclui-se com a expedição, pelo Presidente, de decreto, de cuja 
edição derivam três efeitos básicos que lhe são inerentes: i) a promulgação do tratado 
internacional; ii) a publicação oficial de seu texto; e iii) a executoriedade do ato 
internacional, que passa, então, e somente então, a vincular e a obrigar no plano do 
direito potestativo interno. Daí, a necessidade de ajuizar ADIn contra os dois 
normativos, conforme entendimento predominante. 
NÃO CONFUNDA: 
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16 
 
Tratados internacionais podem ser 
OBJETO de ADI, ou seja, podem ser 
impugnados em face da Constituição 
Federal. 
Tratados internacionais não podem ser 
PARÂMETRO de ADI, salvo se versarem 
sobre direitos humanos e forem 
aprovados na forma do art. 5º, § 3º, da 
Constituição Federal, quando terão 
status de emenda constitucional. 
 
*Os Tratados internacionais que versem sobre direitos humanos e não foram 
aprovados na forma do art. 5º, § 3º, da Constituição Federal, têm status supralegal e 
podem ser parâmetro de controle de convencionalidade de leis (condicionam a 
legislação). 
Outros atos de conteúdo normativo já apreciados pelo STF em sede de Ação 
Direta de Inconstitucionalidade: 
 
- Resolução ou deliberações administrativas de Tribunais: será 
possível quando ostentar conteúdo normativo, com 
generalidade e abstração sendo nesta hipótese cabível o 
controle abstrato de constitucionalidade. ADI 3202/RN, rel. 
Min. Cármen Lúcia, 5.2.2014. (ADI-3202) 
- Regimento das casas do Legislativo: será cabível quando tiver 
caráter autônomo, e não meramente ancilar. ADI 4587. 
- Atos do poder executivo com conteúdo derrogatório sobre 
outros atos de caráter normativo: atos infralegais que ostentam 
normatividade, inclusive buscando derrogar outras normas. Na 
ADI 3206, o STF declarou a inconstitucionalidade da Portaria nº 
160 de 13 de abril de 2004, da Lavra do Ministério do Trabalho e 
Emprego. 
- Resoluções do Controle Interministerial de preços: STF já 
conheceu da ação que impugnava resolução de controle de 
preços, vide ADI 08. 
- Lei com destinatários determináveis: Ex.: lei que dispõe que 
determinada classe de servidores será aproveitada em outra 
carreira. Pode ser objeto de ADI-Re 1186465. O simples fato de 
a lei possuir destinatários determináveis não retira a 
possibilidade do controle por meio de ADI. 
- Decreto autônomo que extinguiu colegiados da 
Administração Pública: pode ser objeto de ADI- ADI 6121. 
- Resolução de Tribunal de Justiça: pode ser objeto de ADI - ADI 
5310. 
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17 
- Lei estadual que dispõe sobre criação, incorporação, fusão ou 
desmembramento de municípios: pode ser objeto de ADI (ADI 
1825). 
- Lei fruto de acordo homologado judicialmente: pode ser 
objeto de ADI. O fato de a lei ter sido aplicada em casos 
concretos, com decisões transitadas em julgado, em nada 
interfere na possibilidade dessa mesma norma ser analisada, 
abstratamente, em sede de ação direta de inconstitucionalidade 
(ADI 1244). 
 
Novidade jurisprudencial: o STF admitiu ADI contra Resolução de Conselho 
Profissional de Psicologia que expressa conteúdo normativo relativo a direitos e 
garantias individuais: 
 
Ementa: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. 
RESOLUÇÃO DO CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. 
RESTRIÇÃO AO COMÉRCIO E USO DE TESTES PSICOLÓGICOS. 
CABIMENTO. LIMITAÇÃO DESPROPORCIONAL À LIBERDADE DE 
ACESSO À INFORMAÇÃO (ART. 5º, XIV, CF) E À LIVRE 
MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO, CRIAÇÃO, EXPRESSÃO E 
INFORMAÇÃO (ART. 220, CAPUT, CF). 1. A Jurisprudência do 
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL admite o uso da ação direta de 
inconstitucionalidade contra atos normativos infralegais que 
inovem originariamente no ordenamento, em confronto direto 
com o texto constitucional. 2. A competência dos Conselhos 
Profissionais para regulamentar o exercício das respectivas 
profissões não permite a limitação ao comércio e uso de livros, 
revistas, apostilas ou qualquer meio editorial pelo qual se 
veiculem conteúdos relacionados ao exercício profissional. 3. A 
regulamentação deve recair sobre as situações concretas em 
que se realiza diagnóstico, orientação ou tratamento, mas não 
sobre a mera aquisição e leitura de material bibliográfico 
destinado a subsidiar materialmente a prática de atos privativos 
de profissional habilitado. 4. A restrição da aquisição de testes 
psicológicos apenas a psicólogos habilitados, uma vez que não 
proporciona útil e necessária tutela à saúde pública e ao 
exercício regular de profissão relacionada à saúde humana, é 
restrição desproporcional à liberdade de acesso à informação e 
à livre comunicação social. 5. Ação direta julgada procedente. 
(ADI 3481, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, 
julgado em 08/03/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-062 
DIVULG 05-04-2021 PUBLIC 06-04-2021) 
 
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18 
Na ação de controle concentrado há uma contraposição entre o objeto e o 
parâmetro de controle, sendo o parâmetro a norma constitucional (inserida no bloco de 
constitucionalidade), tida como violada. 
Parâmetro (ou norma de referência) 
Em controle de constitucionalidade, quando falamos em “parâmetro”, 
queremos dizer quais serão as normas da Constituição que serão analisadas para 
sabermos se a lei ou o ato normativo atacado realmente as violou. Em outras palavras, 
parâmetro são as normas que servirão como referência para que o Tribunal analise se 
determinada lei é ou não inconstitucional. Se a lei está em confronto com o parâmetro, 
ela é inconstitucional. 
Bloco de Constitucionalidade – O parâmetro é extraído do bloco de 
constitucionalidade, ou seja, dentre as normas com caráter constitucional. Não estão 
apenas no corpo da Constituição. 
Esse bloco é formado pela própria CF, em seu corpo de artigos, os quais contêm 
regras e princípios, sendo que estes podem estar expressos no texto ou serem dele 
extraídos de maneira implícita (ex.: proporcionalidade, segurança jurídica, 
razoabilidade); pelas emendas constitucionais (até mesmo o texto interno que não 
tenha sido incorporado à CF); e os tratados internacionais de direitos humanos 
aprovados com status de emenda.Também fazem parte desse bloco de 
constitucionalidade as disposições contidas no ADCT. O preâmbulo, embora esteja na 
Constituição, não possui força cogente, não integrando o bloco de constitucionalidade 
(STF). 
O STF adota um conceito formal de bloco de constitucionalidade. Será 
parâmetro a norma constitucional, em razão de ter sido aprovado por meio de um 
processo legislativo solene e mais oneroso em relação às demais normas, sendo idêntico 
processo legislativo exigível para a aprovação de emendas constitucionais e normas 
inseridas no ADCT. Os princípios implícitos que também sejam erigidos como parâmetro 
derivam diretamente da exegese de tais normas, o que não afasta o aspecto formal de 
supremacia constitucional. 
Da mesma forma, os tratados internacionais sobre direitos humanos, 
aprovados e que passem a integrar o ordenamento jurídico com status de emenda 
constitucional, devem ser submetidos a um processo legislativo de incorporação similar 
ao das emendas, o que impede de conceber uma abertura material no conceito de bloco 
de constitucionalidade, tendo em vista a necessidade de aprovação solene. 
Existem autores, entretanto, que tomam o conceito no sentido amplo. Para 
estes, o bloco de constitucionalidade engloba não apenas as normas formalmente 
constitucionais, mas todas aquelas que versem sobre matéria constitucional, 
alcançando, assim, a legislação infraconstitucional. Estes autores privilegiam o 
conceito material de bloco de constitucionalidade, e não o conceito formal. 
Entretanto, o sentido amplo de bloco de constitucionalidade não serve para 
definir o parâmetro do controle de constitucionalidade, que se define pela hierarquia 
formal da CF, de acordo com o entendimento da doutrina majoritária e da jurisprudência 
pátria. O STF adota o sentido formal de bloco de constitucionalidade, como dito. 
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19 
Alteração do Parâmetro de Constitucionalidade Invocado - Anteriormente, a 
alteração do parâmetro constitucional invocado, ou seja, o aspecto da CF que a lei 
contrariaria, causava a prejudicialidade. Entretanto, o STF mudou seu entendimento 
(ADI 2158) e determinou que a ADI deveria continuar, pois a mudança de parâmetro 
não muda o vício congênito da inconstitucionalidade (ex.: caso da taxação dos 
inativos). Isso reforça a premissa de que não é possível a constitucionalidade 
superveniente, ou seja, uma vez que a inconstitucionalidade é vício de origem, a 
alteração no parâmetro constitucional invocado não afasta a possibilidade de ser 
reconhecida a inconstitucionalidade da norma. 
Nesse sentido: 
 
(...) 1. Em nosso ordenamento jurídico, não se admite a figura 
da constitucionalidade superveniente. Mais relevante do que a 
atualidade do parâmetro de controle é a constatação de que a 
inconstitucionalidade persiste e é atual, ainda que se refira a 
dispositivos da Constituição Federal que não se encontram mais 
em vigor. Caso contrário, ficaria sensivelmente enfraquecida a 
própria regra que proíbe a convalidação. 
(...) 
3. A Lei estadual nº 12.398/98, que criou a contribuição dos 
inativos no Estado do Paraná, por ser inconstitucional ao 
tempo de sua edição, não poderia ser convalidada pela Emenda 
Constitucional nº 41/03. E, se a norma não foi convalidada, isso 
significa que a sua inconstitucionalidade persiste e é atual, ainda 
que se refira a dispositivos da Constituição Federal que não se 
encontram mais em vigor, alterados que foram pela Emenda 
Constitucional nº 41/03. (...) STF. Plenário. ADI 2158, Rel. Min. 
Dias Toffoli, julgado em 15/09/2010. 
 
Amplitude do Efeito Vinculante da ADI - O efeito vinculante vincula o Judiciário 
e a Administração Pública. Entretanto, não vincula o legislador (na função de legislar). 
Este pode editar uma lei com conteúdo idêntico àquele que foi objeto de ADI. A ADI não 
vincula o legislativo sob pena de fossilização (petrificação, não evolução) do sistema 
jurídico. O julgamento da ADI também não vincula o plenário do STF. 
 
OBSERVAÇÃO: Teoria dos Diálogos Institucionais/Constitucionais – Possibilidade de 
mutação constitucional pela via legislativa. 
Do próprio texto constitucional decorre o preceito de que o legislador não fica 
vinculado ao que decide o STF em relação à constitucionalidade das leis e atos 
normativos. A ideia do poder constituinte originário é justamente evitar o fenômeno 
da “fossilização” da Constituição e do ordenamento jurídico, ou seja, ao conceber que 
as decisões do STF seriam perpétuas e imutáveis, haveria verdadeiro impedimento à 
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20 
acomodação do ordenamento jurídico ao avanço sociológico, fático, econômico e 
jurídico da sociedade. 
Nesse sentido, é relevante conhecer a teoria dos diálogos, já citada inclusive no 
próprio STF, que reconheceu que não pode se arvorar do poder definitivo sobre os 
institutos constitucionais. Para a manutenção da ordem constitucional, é certo que o 
STF possui para essa teoria a última palavra, porém uma última palavra provisória, e 
não definitiva. 
O assunto é tratado pelos professores Daniel Sarmento e Cláudio Pereira de Souza 
Neto: 
“(...) não é salutar atribuir a um único órgão qualquer a prerrogativa de dar a última 
palavra sobre o sentido da Constituição. (...). É preferível adotar-se um modelo que 
não atribua a nenhuma instituição – nem do Judiciário, nem do Legislativo – o “direito 
de errar por último”, abrindo-se a permanente possibilidade de correções recíprocas 
no campo da hermenêutica constitucional, com base na ideia de diálogo, em lugar 
da visão tradicional, que concede a última palavra nessa área ao STF. (...) As decisões 
do STF em matéria constitucional são insuscetíveis de invalidação pelas instâncias 
políticas. Isso, porém, não impede que seja editada uma nova lei, com conteúdo 
similar àquela que foi declarada inconstitucional. (...) Se o fato ocorrer, é muito 
provável que a nova lei seja também declarada inconstitucional. Mas o resultado pode 
ser diferente. O STF pode e deve refletir sobre os argumentos adicionais fornecidos 
pelo Parlamento ou debatidos pela opinião pública para dar suporte ao novo ato 
normativo, e não ignorá-los, tomando a nova medida legislativa como afronta à sua 
autoridade. Nesse ínterim, além da possibilidade de alteração de posicionamento de 
alguns ministros, pode haver também a mudança na composição da Corte, com 
reflexões no resultado do julgamento.” (SARMENTO, Daniel; SOUZA NETO, Cláudio 
Pereira de. Direito Constitucional. Teoria, história e métodos de trabalho. Belo 
Horizonte: Fórum, 2012, p. 402-405) 
Uma vez que o Legislativo não fica vinculado ao que decidiu o STF, é possível que haja 
reação legislativa, ou seja, a edição de uma nova norma com conteúdo semelhante, 
buscando superar os argumentos indicados pelo STF, e com isso a Corte venha a ser 
instada novamente a se manifestar, vindo a mudar de posição, inclusive alterando a 
exegese em relação ao parâmetro constitucional que determinava a 
inconstitucionalidade, no que consiste em verdadeira mutação constitucional 
instigada pelo legislativo. 
À luz dessas premissas, forçoso reconhecer que o legislador pode, por emenda 
constitucional ou lei ordinária, superar a jurisprudência, reclamando, a depender do 
instrumento normativo que veicular a reversão, posturas distintas do Supremo 
Tribunal Federal. 
Se veiculada por emenda, há a alteração formal do texto constitucional, 
modificando, bem por isso, o próprio parâmetro que amparava a jurisprudência do 
Tribunal. Nessas situações, a invalidade da emenda somente poderá ocorrer nas 
hipóteses de descumprimentodo art. 60 da Constituição. 
Se, porém, introduzida por legislação ordinária, a lei que frontalmente colidir com a 
jurisprudência da Corte nasce, segundo o próprio STF, com presunção de 
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21 
inconstitucionalidade, de sorte que caberá ao legislador o ônus de demonstrar, 
argumentativamente, que a correção do precedente se afigura legítima. 
 
A teoria dos diálogos institucionais já foi citada pelo Supremo Tribunal Federal. 
Em outras palavras, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo nas ações 
do controle concentrado de constitucionalidade não vinculam o legislativo em sua 
função típica de legislar. Não existe uma vedação prévia a tais atos normativos. O 
legislador pode, por legislação ordinária ou emenda constitucional, superar a 
jurisprudência consolidada do STF, o que é chamado de reversão legislativa, reação 
legislativa, ativismo congressual ou efeito “back lash”. No ponto, necessário fazer uma 
diferenciação: 
 
- Se o legislativo edita uma EMENDA constitucional para superar 
a jurisprudência do STF em controle concentrado de 
constitucionalidade: essa emenda só é considerada 
inconstitucional se ofender cláusula pétrea ou o processo 
legislativo. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a EC 96/2017 
(Emenda da Vaquejada), que buscou superar o entendimento do 
STF no sentido de que a prática da vaquejada seria 
inconstitucional por submeter os animais à crueldade. Tratou-se 
de uma hipótese de “mutação constitucional” pela via 
legislativa. 
- Se o legislativo edita uma LEI para superar a jurisprudência do 
STF em controle concentrado de constitucionalidade: haveria 
uma presunção RELATIVA de inconstitucionalidade, cabendo ao 
legislativo o ônus argumentativo de superar o entendimento da 
corte constitucional. 
 
Segue ementa de um elucidativo julgado sobre a temática da teoria dos 
diálogos institucionais: 
 
SUPERAÇÃO LEGISLATIVA: DIREITO CONSTITUCIONAL E 
ELEITORAL. DIREITO DE ANTENA E DE ACESSO AOS RECURSOS 
DO FUNDO PARTIDÁRIO ÀS NOVAS AGREMIAÇÕES PARTIDÁRIAS 
CRIADAS APÓS A REALIZAÇÃO DAS ELEIÇÕES. REVERSÃO 
LEGISLATIVA À EXEGESE ESPECÍFICA DA CONSTITUIÇÃO DA 
REPÚBLICA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NAS ADIs 4490 
E 4795, REL. MIN. DIAS TOFFOLI. INTERPRETAÇÃO CONFORME 
DO ART. 47, § 2º, II, DA LEI DAS ELEIÇÕES, A FIM DE 
SALVAGUARDAR AOS PARTIDOS NOVOS, CRIADOS APÓS A 
REALIZAÇÃO DO PLEITO PARA A CÂMARA DOS DEPUTADOS, O 
DIREITO DE ACESSO PROPORCIONAL AOS DOIS TERÇOS DO 
TEMPO DESTINADO À PROPAGANDA ELEITORAL GRATUITA NO 
RÁDIO E NA TELEVISÃO. LEI Nº 12.875/2013. TEORIA DOS 
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22 
DIÁLOGOS CONSTITUCIONAIS. ARRANJO CONSTITUCIONAL 
PÁTRIO CONFERIU AO STF A ÚLTIMA PALAVRA PROVISÓRIA 
(VIÉS FORMAL) ACERCA DAS CONTROVÉRSIAS 
CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE SUPREMACIA JUDICIAL EM 
SENTIDO MATERIAL. JUSTIFICATIVAS DESCRITIVAS E 
NORMATIVAS. PRECEDENTES DA CORTE CHANCELANDO 
REVERSÕES JURISPRUDENCIAIS (ANÁLISE DESCRITIVA). 
AUSÊNCIA DE INSTITUIÇÃO QUE DETENHA O MONOPÓLIO DO 
SENTIDO E DO ALCANCE DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS. 
RECONHECIMENTO PRIMA FACIE DE SUPERAÇÃO LEGISLATIVA 
DA JURISPRUDÊNCIA PELO CONSTITUINTE REFORMADOR OU 
PELO LEGISLADOR ORDINÁRIO. POSSIBILIDADE DE AS 
INSTÂNCIAS POLÍTICAS AUTOCORRIGIREM-SE. NECESSIDADE 
DE A CORTE ENFRENTAR A DISCUSSÃO JURÍDICA SUB JUDICE À 
LUZ DE NOVOS FUNDAMENTOS. PLURALISMO DOS 
INTÉRPRETES DA LEI FUNDAMENTAL. DIREITO 
CONSTITUCIONAL FORA DAS CORTES. ESTÍMULO À ADOÇÃO DE 
POSTURAS RESPONSÁVEIS PELOS LEGISLADORES. STANDARDS 
DE ATUAÇÃO DA CORTE. EMENDAS CONSTITUCIONAIS 
DESAFIADORAS DA JURISPRUDÊNCIA RECLAMAM MAIOR 
DEFERÊNCIA POR PARTE DO TRIBUNAL, PODENDO SER 
INVALIDADAS SOMENTE NAS HIPÓTESES DE ULTRAJE AOS 
LIMITES INSCULPIDOS NO ART. 60, CRFB/88. LEIS ORDINÁRIAS 
QUE COLIDAM FRONTALMENTE COM A JURISPRUDÊNCIA DA 
CORTE (LEIS IN YOUR FACE) NASCEM PRESUNÇÃO IURIS 
TANTUM DE INCONSTITUCIONALIDADE, NOTADAMENTE 
QUANDO A DECISÃO ANCORAR-SE EM CLÁUSULAS 
SUPERCONSTITUCIONAIS (CLÁUSULAS PÉTREAS). ESCRUTÍNIO 
MAIS RIGOROSO DE CONSTITUCIONALIDADE. ÔNUS IMPOSTO 
AO LEGISLADOR PARA DEMONSTRAR A NECESSIDADE DE 
CORREÇÃO DO PRECEDENTE OU QUE OS PRESSUPOSTOS 
FÁTICOS E AXIOLÓGICOS QUE LASTREARAM O 
POSICIONAMENTO NÃO MAIS SUBSISTEM (HIPÓTESE DE 
MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL PELA VIA LEGISLATIVA). 1. O 
hodierno marco teórico dos diálogos constitucionais repudia a 
adoção de concepções juriscêntricas no campo da 
hermenêutica constitucional, na medida em que preconiza, 
descritiva e normativamente, a inexistência de instituição 
detentora do monopólio do sentido e do alcance das 
disposições magnas, além de atrair a gramática constitucional 
para outros fóruns de discussão, que não as Cortes. 2. O 
princípio fundamental da separação de poderes, enquanto 
cânone constitucional interpretativo, reclama a pluralização 
dos intérpretes da Constituição, mediante a atuação 
coordenada entre os poderes estatais – Legislativo, Executivo e 
Judiciário – e os diversos segmentos da sociedade civil 
organizada, em um processo contínuo, ininterrupto e 
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republicano, em que cada um destes players contribua, com 
suas capacidades específicas, no embate dialógico, no afã de 
avançar os rumos da empreitada constitucional e no 
aperfeiçoamento das instituições democráticas, sem se 
arvorarem como intérpretes únicos e exclusivos da Carta da 
República. 3. O desenho institucional erigido pelo constituinte 
de 1988, mercê de outorgar à Suprema Corte a tarefa da guarda 
precípua da Lei Fundamental, não erigiu um sistema de 
supremacia judicial em sentido material (ou definitiva), de 
maneira que seus pronunciamentos judiciais devem ser 
compreendidos como última palavra provisória, vinculando 
formalmente as partes do processo e finalizando uma rodada 
deliberativa acerca da temática, sem, em consequência, 
fossilizar o conteúdo constitucional. 4. Os efeitos vinculantes, 
ínsitos às decisões proferidas em sede de fiscalização abstrata 
de constitucionalidade, não atingem o Poder Legislativo, ex vi 
do art. 102, § 2º, e art. 103-A, ambos da Carta da República. 5. 
Consectariamente, a reversão legislativa da jurisprudência da 
Corte se revela legítima em linha de princípio, seja pela atuação 
do constituinte reformador (i.e., promulgação de emendas 
constitucionais), seja por inovação do legislador 
infraconstitucional (i.e., edição de leis ordinárias e 
complementares), circunstância que demanda providências 
distintas por parte deste Supremo Tribunal Federal. 5.1. A 
emenda constitucional corretiva da jurisprudência modifica 
formalmente o texto magno, bem como o fundamento de 
validade último da legislação ordinária, razão pela qual a sua 
invalidação deve ocorrer nas hipóteses de descumprimento do 
art. 60 da CRFB/88 (i.e., limites formais, circunstanciais, 
temporais e materiais), encampando, neste particular, exegese 
estrita das cláusulas superconstitucionais. 5.2. A legislação 
infraconstitucional que colida frontalmente com a 
jurisprudência (leis in your face) nasce com presunção iuris 
tantum de inconstitucionalidade, de forma que caberá ao 
legislador ordinário o ônus de demonstrar, 
argumentativamente, que a correção do precedente faz-se 
necessária, ou, ainda, comprovar, lançando mão de novos 
argumentos, que as premissas fáticas e axiológicas sobre as 
quais se fundou o posicionamento jurisprudencial não mais 
subsistem, em exemplo acadêmicode mutação constitucional 
pela via legislativa. Nesse caso, a novel legislação se submete a 
um escrutínio de constitucionalidade mais rigoroso, 
nomeadamente quando o precedente superado amparar-se 
em cláusulas pétreas. 6. O dever de fundamentação das 
decisões judiciais, inserto no art. 93 IX, da Constituição, impõe 
que o Supremo Tribunal Federal enfrente novamente a questão 
de fundo anteriormente equacionada sempre que o legislador 
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lançar mão de novos fundamentos. 7. O Congresso Nacional, no 
caso sub examine, ao editar a Lei nº 12.875/2013, não 
apresentou, em suas justificações, qualquer argumentação 
idônea a superar os fundamentos assentados pelo Supremo 
Tribunal Federal, no julgamento das ADIs nº 4430 e nº 4795, rel. 
Min. Dias Toffoli, em que restou consignado que o art. 17 da 
Constituição de 1988 – que consagra o direito político 
fundamental da liberdade de criação de partidos – tutela, de 
igual modo, as agremiações que tenham representação no 
Congresso Nacional, sendo irrelevante perquirir se esta 
representatividade resulta, ou não, da criação de nova legenda 
no curso da legislatura. 8. A criação de novos partidos, como 
hipótese caracterizadora de justa causa para as migrações 
partidárias, somada ao direito constitucional de livre criação de 
novas legendas, impõe a conclusão inescapável de que é defeso 
privar as prerrogativas inerentes à representatividade política do 
parlamentar trânsfuga. 9. No caso sub examine, a justificação do 
projeto de lei limitou-se a afirmar, em termos genéricos, que a 
regulamentação da matéria, excluindo dos partidos criados o 
direito de antena e o fundo partidário, fortaleceria as 
agremiações partidárias, sem enfrentar os densos fundamentos 
aduzidos pelo voto do relator e corroborado pelo Plenário. 10. A 
postura particularista do Supremo Tribunal Federal, no exercício 
da judicial review, é medida que se impõe nas hipóteses de 
salvaguarda das condições de funcionamento das instituições 
democráticas, de sorte (i) a corrigir as patologias que desvirtuem 
o sistema representativo, máxime quando obstruam as vias de 
expressão e os canais de participação política, e (ii) a proteger os 
interesses e direitos dos grupos políticos minoritários, cujas 
demandas dificilmente encontram eco nas deliberações 
majoritárias. 11. In casu, é inobjetável que, com as restrições 
previstas na Lei nº 12.875/2013, há uma tentativa obtusa de 
inviabilizar o funcionamento e o desenvolvimento das novas 
agremiações, sob o rótulo falacioso de fortalecer os partidos 
políticos. Uma coisa é criar mecanismos mais rigorosos de 
criação, fusão e incorporação dos partidos, o que, a meu juízo, 
encontra assento constitucional. Algo bastante distinto é, uma 
vez criadas as legendas, formular mecanismos normativos que 
dificultem seu funcionamento, o que não encontra guarida na 
Lei Maior. Justamente por isso, torna-se legítima a atuação do 
Supremo Tribunal Federal, no intuito de impedir a obstrução dos 
canais de participação política e, por via de consequência, 
fiscalizar os pressupostos ao adequado funcionamento da 
democracia. 12. Ação direta de inconstitucionalidade julgada 
procedente para declarar a inconstitucionalidade dos arts. 1º e 
2º, da Lei nº 12.875/2013. 
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(ADI 5105, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 
01/10/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-049 DIVULG 15-03-
2016 PUBLIC 16-03-2016) 
 
Proibição do “Atalhamento Constitucional” ou do “Desvio de Poder 
Constituinte” - Refere-se à utilização de um meio aparentemente legal (formalmente) 
buscando atingir uma finalidade ilícita (materialmente). 
Ex.: EC 52/2006 buscava incluir a obrigatoriedade da verticalização das 
coligações partidárias. Assim, determinava uma modificação no processo eleitoral. 
Entretanto, a própria emenda afirmava que a modificação se aplicava sem observar o 
prazo de 1 ano, previsto na CF para estas situações, e ainda de maneira retroativa. 
É com base nesta proibição que não é permitida a remoção da garantia das 
cláusulas pétreas para uma posterior revogação destas especificamente. Este tipo de 
modificação foi considerado inconstitucional pelo STF, por tentar burlar a própria 
Constituição. 
Também com base nesse fundamento, se proíbe o que é denominado 
“constitucionalismo abusivo”. A expressão foi citada pelo Ministro Barroso na ADPF 622 
(que impugnava decreto do Executivo que esvaziou a participação da sociedade civil no 
CONANDA) e indica práticas legislativas aparentemente válidas sob o ponto de vista 
formal, mas que promovem a alteração do ordenamento jurídico de forma a concentrar 
poderes no chefe do Executivo, corroer a tutela de direitos e desabilitar os agentes que 
exercem o controle social da gestão pública. Para maior elucidação, seguem trechos 
do voto do Ministro Barroso: 
 
“O constitucionalismo e as democracias ocidentais têm se 
deparado com um fenômeno razoavelmente novo: os 
retrocessos democráticos, no mundo atual, não decorrem mais 
de golpes de estado com o uso das armas. Ao contrário, as 
maiores ameaças à democracia e ao constitucionalismo são 
resultado de alterações normativas pontuais, aparentemente 
válidas do ponto de vista formal, que, se examinadas 
isoladamente, deixam dúvidas quanto à sua 
inconstitucionalidade. Porém, em seu conjunto, expressam a 
adoção de medidas que vão progressivamente corroendo a 
tutela de direitos e o regime democrático. 13. Esse fenômeno 
tem recebido, na ordem internacional, diversas denominações, 
entre as quais: “constitucionalismo abusivo”, “legalismo 
autocrático” e “democracia iliberal”. Todos esses conceitos 
aludem a experiências estrangeiras que têm em comum a 
atuação de líderes carismáticos, eleitos pelo voto popular, que, 
uma vez no poder, modificam o ordenamento jurídico, com o 
propósito de assegurar a sua permanência no poder. O modo de 
atuar de tais líderes abrange: (i) a tentativa de esvaziamento ou 
enfraquecimento dos demais Poderes, sempre que não 
compactuem com seus propósitos, com ataques ao Congresso 
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Nacional e às cortes; (ii) o desmonte ou a captura de órgãos ou 
instituições de controle, como conselhos, agências reguladoras, 
instituições de combate à corrupção, Ministério Público etc; (iii) 
o combate a organizações da sociedade civil, que atuem em prol 
da defesa de direitos no espaço público; (iv) a rejeição a 
discursos protetivos de direitos fundamentais, sobretudo no que 
respeita a grupos minoritários e vulneráveis – como negros, 
mulheres, população LGBTI e indígenas; (v) o ataque à imprensa, 
sempre que leve ao público informações incômodas para o 
governo. A lógica de tal modo de atuar está em excluir do espaço 
público todo e qualquer ator que possa criticar, limitar ou dividir 
poder com o líder autocrático, em momento presente ou futuro, 
de forma a assegurar seu progressivo empoderamento e 
permanência no cargo. Experiências de tal gênero estão ou 
estiveram presentes na Hungria, na Polônia, na Romênia e na 
Venezuela. O resultado final de tal processo tende a ser a 
migração de um regime democrático para um regime 
autoritário, ainda que se preserve a realização formal de 
eleições. 15. Embora não me pareça ser o caso de falar em risco 
democrático no que respeita ao Brasil, cujas instituições 
amadureceram ao longo das décadas ese encontram em pleno 
funcionamento, é sempre válido atuar com cautela e aprender 
com a experiência de outras nações. Nessa linha, as cortes 
constitucionais e supremas cortes devem estar atentas a 
alterações normativas que, a pretexto de dar cumprimento à 
Constituição, em verdade se inserem em uma estratégia mais 
ampla de concentração de poderes, violação a direitos e 
retrocesso democrático.” 
 
1.1.1.2. Técnicas de decisão 
 
A extensão dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade proferida no 
controle abstrato de constitucionalidade pode variar conforme a técnica de decisão 
adotada. Vejamos: 
 
Lei nº 9.868/1999 
Art. 28. (...) Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade 
ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme 
a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade 
sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito 
vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à 
Administração Pública federal, estadual e municipal. 
 
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Assim sendo, quanto às técnicas de decisão, nos ensina o doutrinador e 
Procurador Federal Marcelo Novelino a seguinte classificação: 
a) Declaração de inconstitucionalidade com redução de texto 
A inconstitucionalidade pode ser declarada com redução total ou parcial do 
texto da lei ou ato normativo. Ao adotar esta técnica de decisão, o Tribunal atua como 
uma espécie de legislador negativo. 
a.1) declaração de inconstitucionalidade com redução total de texto 
Pode decorrer de vícios distintos, conforme as normas constitucionais violadas. 
Os vícios formais suscitarão a nulidade de toda a lei ou ato normativo sempre que não 
for possível a divisão em partes válidas e inválidas. Tratando-se de vício material, esta 
espécie de declaração deverá ser empregada quando todos os dispositivos do objeto 
impugnado tiverem o conteúdo incompatível com a constituição ou quando houver uma 
relação de interdependência entre as partes válidas e inválidas. 
a.2) declaração de inconstitucionalidade com redução parcial de texto 
Atinge apenas parte da lei ou ato normativo, não se estendendo o juízo de 
censura às demais normas constantes do diploma normativo infraconstitucional. Esta 
espécie de declaração poderá atingir, inclusive, expressões ou palavras isoladas 
(princípio da parcelaridade), não sendo necessário abranger todo o dispositivo, como 
ocorre com o veto parcial. São condições necessárias para a declaração de nulidade 
parcial a existência de condições objetivas de divisibilidade e a não intervenção no 
âmbito da vontade do legislador (por exemplo, ao declarar a inconstitucionalidade de 
expressões ou palavras, o Tribunal não poderá subverter o sentido do texto editado pelo 
Legislador). 
b) Interpretação conforme a constituição 
No direito brasileiro, a interpretação conforme a constituição tem sido 
empregada em dois sentidos distintos, ora como princípio interpretativo, ora como 
técnica de decisão judicial. 
O princípio da interpretação conforme a Constituição é corolário da supremacia 
da Constituição e da presunção de constitucionalidade. O reconhecimento de sua força 
normativa e o seu deslocamento para o centro do sistema jurídico conferiram à 
Constituição uma posição de destaque na interpretação dos demais ramos do direito, 
cujos dispositivos devem ser compreendidos à luz da Constituição, de modo a realizar, 
por meio da chamada “filtragem constitucional”, os valores nela consagrados. Por outro 
lado, se as leis e atos normativos têm como fundamento de validade a Constituição, e 
se os poderes competentes para elaborá-los retiram sua competência desta, deve-se 
presumir que agiram em conformidade com os preceitos constitucionais. Assim, quando 
da interpretação de dispositivos infraconstitucionais plurissignificativos (ou 
polissêmicos), deve-se optar pelo sentido compatível, e não conflitante, com a 
Constituição. 
Tradicionalmente, afirma-se que a interpretação conforme encontra limites no 
sentido inequívoco do dispositivo legal, não sendo permitido ao intérprete contrariá-lo 
(interpretação contra legem), assim como no objetivo supostamente perseguido pelo 
legislador ao editar a norma, cuja vontade não poderia ser substituída pela do juiz. 
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A interpretação conforme, como técnica de decisão judicial, costuma ser 
utilizada em três sentidos diversos. 
 
i) No primeiro, o ato impugnado é considerado constitucional, 
desde que interpretado no sentido fixado pelo órgão 
jurisdicional. Fixa-se, assim, uma interpretação possível e exclui 
as demais. Ex: ADI 3685, o STF deu interpretação conforme ao 
art. 1º da EC 52/06 no sentido de que a inovação trazida, que 
instituiu novas regras sobre coligações partidárias eleitorais, só 
seria aplicada após um ano da data da sua vigência. 
ii) No segundo, exclui-se uma ou algumas das possíveis 
interpretações do dispositivo, por ser incompatível com a 
constituição. Assim, exclui-se uma(s) das interpretações 
possíveis e permite as demais. Neste sentido, a interpretação 
conforme equivale à declaração parcial de nulidade sem 
redução de texto (o STF costuma utilizar as expressões como 
sinônimos). Ex.: na ADI 1.946, o STF deu interpretação conforme 
a Constituição para excluir da incidência do art. 14 da EC 20/98 
(que instituiu o teto dos benefícios previdenciários do Regime 
Geral da Previdência Social) o benefício do salário maternidade, 
que deve ser pago sem sujeição ao teto e sem prejuízo do 
emprego e salário. 
iii) Por fim, a interpretação conforme pode ser utilizada para 
afastar a aplicação de uma norma válida a determinada hipótese 
de incidência possível. Em vez de uma dada interpretação ser 
considerada inconstitucional, ocorre a declaração de não 
incidência da norma em relação a uma específica situação de 
fato. Nesse caso, embora a norma seja considerada 
constitucional, sua aplicação ao caso concreto é afastada 
(inconstitucionalidade em concreto) ante as circunstâncias 
fáticas específicas (ex.: afastamento da tipificação do aborto 
para o caso de antecipação terapêutica do parto de feto 
anencéfalo). 
 
Em síntese, a interpretação conforme pode ser empregada: 
 
I) como metanorma, ao impor a interpretação de normas 
infraconstitucionais à luz dos valores consagrados na 
constituição (princípio da interpretação conforme a 
constituição); ou 
II) como técnica de decisão judicial (II.1) ao impor um dado 
sentido em detrimento dos demais (interpretação conforme 
propriamente dita), (II.2) ao excluir determinada interpretação 
considerada inconstitucional (declaração parcial de nulidade 
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sem redução de texto) ou, ainda, (II.3) ao afastar a incidência da 
norma em uma situação concreta (inconstitucionalidade em 
concreto). 
 
c) Declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto 
A utilização desta técnica de decisão judicial faz com que uma determinada 
hipótese de aplicação da lei seja declarada inconstitucional, sem que ocorra qualquer 
alteração em seu texto. Não há supressão de palavras que integram o texto da norma, 
mas apenas a exclusão de determinada interpretação considerada inconstitucional. 
No âmbito do controle normativo abstrato, o Supremo Tribunal Federal tem 
empregado a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto e a 
interpretação conforme aConstituição como técnicas de decisão judicial equivalentes. 
Em ambas, há uma redução do âmbito de aplicação de dispositivos com mais de uma 
interpretação possível, sem qualquer alteração de seu texto. 
A despeito da semelhança entre elas, é possível, no entanto, identificar 
algumas diferenças. Na interpretação conforme é conferido um sentido à norma e 
afastados outros analisados na fundamentação, enquanto na declaração parcial de 
inconstitucionalidade sem redução de texto é excluída uma determinada interpretação, 
permitindo-se as demais comportadas pelo texto constitucional. Ao fixar dada 
interpretação como constitucional, não se declara a inconstitucionalidade de todas as 
outras possíveis interpretações, podendo surgir novas hipóteses compatíveis com o 
texto da Lei Maior. Por esse motivo, há quem defenda que a declaração de nulidade sem 
redução de texto é dotada de maior clareza e segurança jurídica. Ademais, a declaração 
de inconstitucionalidade é técnica de decisão utilizável exclusivamente no controle 
normativo abstrato, ao passo que a interpretação conforme pode ser empregada, pelo 
Tribunal Constitucional, como técnica decisória, mas também, por qualquer intérprete 
da constituição, como princípio de interpretação das leis. 
Sistematizando: 
 
Interpretação conforme a Constituição e 
declaração parcial de inconstitucionalidade 
sem redução do texto (na prática, o STF tem 
tratado as expressões como sinônimas). 
PONTOS EM COMUM: 
- Ambas são utilizadas em caso de normas 
polissêmicas ou plurissignificativas; 
- Em ambos os casos, não há alteração do 
texto normativo; 
- Em ambos os casos, há uma redução das 
possibilidades de interpretação do texto 
normativo; 
- São situações intermediárias entre a 
constitucionalidade plena e a total 
inconstitucionalidade da norma (“situações 
constitucionais imperfeitas”- terminologia já 
cobrada em provas). 
 
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Interpretação conforme a Constituição e 
declaração parcial de 
inconstitucionalidade sem redução do 
texto (na prática, o STF tem tratado as 
expressões como sinônimas). 
DIFERENÇAS: 
- A declaração parcial de 
inconstitucionalidade sem redução de 
texto só pode ser utilizada no controle 
concentrado de constitucionalidade (é 
uma técnica de decisão); 
- A interpretação conforme a Constituição 
pode ser utilizada tanto no controle 
difuso quanto no controle concentrado 
de constitucionalidade (como visto, é 
tanto técnica de decisão como princípio 
interpretativo); 
- Na declaração parcial de 
inconstitucionalidade sem redução de 
texto afasta-se um ou mais sentidos ou 
hipóteses de incidência da norma, 
permitindo-se os demais; 
- Na interpretação conforme a 
Constituição é conferido um sentido 
constitucional para a norma e são 
afastados os demais. 
 
d) inconstitucionalidade por arrastamento (ou por atração) 
A inconstitucionalidade consequencial (por arrastamento ou por atração) é 
declarada quando o vício do dispositivo questionado acaba por atingir outro não 
expressamente impugnado na inicial. Diversamente do controle concreto, no qual a 
inconstitucionalidade pode ser reconhecida de ofício pelo órgão prolator da decisão, no 
âmbito do controle normativo abstrato, a declaração de inconstitucionalidade, em 
regra, só pode abranger o objeto impugnado (regra da adstrição). 
Não obstante, quando houver uma relação de interdependência entre 
dispositivos, a inconstitucionalidade de normas não impugnadas poderá ser declarada 
por “arrastamento”. 
A interdependência pode ocorrer entre dispositivos do mesmo diploma 
normativo (arrastamento horizontal) ou em relação a atos regulamentares, quando sua 
inconstitucionalidade for consequente de um vício na lei regulamentada (arrastamento 
vertical). É o caso da declaração de inconstitucionalidade de uma Lei, que implica 
necessariamente a inconstitucionalidade do decreto que a regulamenta. 
e) inconstitucionalidade progressiva (ou “lei ainda constitucional” ou 
“declaração de constitucionalidade de norma em trânsito para a 
inconstitucionalidade”) 
Trata-se de técnica de decisão judicial utilizada para a manutenção da validade 
de normas de constitucionalidade duvidosa, em razão das circunstâncias fáticas 
existentes no momento. A norma se situa entre a constitucionalidade plena e a 
inconstitucionalidade absoluta, sendo considerada válida (norma ainda constitucional), 
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enquanto perdurar a situação constitucional imperfeita, por razões de segurança 
jurídica ou pelos efeitos deletérios advindos de sua invalidação, potencialmente mais 
prejudiciais que a manutenção temporária. 
Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal entendeu que não cabe o 
reconhecimento da inconstitucionalidade de dispositivo legal conferindo “prazo em 
dobro, para recurso, às Defensorias Públicas, ao menos até que sua organização, nos 
Estados, alcance o nível de organização do respectivo Ministério Público, que é a parte 
adversa, como órgão de acusação, no processo da ação penal pública”. 
 
1.1.1.2.1. Sentenças intermediárias 
 
Tema instigante no controle de constitucionalidade e, por vezes, cobrado em 
algum dos seus aspectos em provas, se refere às sentenças intermediárias. Trata-se de 
uma espécie de decisão na qual a Corte relativiza o binômio 
constitucionalidade/inconstitucionalidade, adotando técnicas que buscam conciliar o 
Princípio da Supremacia da Constituição com outros valores igualmente relevantes no 
Estado Democrático de Direito. 
Neste contexto, se inserem as chamadas decisões normativas (manipuladoras 
ou manipulativas), nas quais a Corte adota uma postura mais ativa na construção do 
ordenamento jurídico, não se limitando a atuar como legislador negativo, pois da 
decisão se extrai verdadeira norma emanada do exercício da jurisdição constitucional e 
as sentenças transitivas, nas quais ocorre a relativização dos efeitos decorrentes da 
declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. 
José Adércio Leite Sampaio as divide em dois grupos: 
 
Sentenças normativas Sentenças transitivas 
Levam à criação de uma norma geral Implicam relativa transação com a 
supremacia constitucional 
Sentenças interpretativas ou de 
interpretação conforme 
Sentenças de inconstitucionalidade sem 
efeito ablativo 
Sentenças aditivas Sentenças de inconstitucionalidade com 
ablação diferida 
Sentenças aditivas de princípios Sentenças de apelo ou apelativas 
Sentenças substitutivas Sentenças de aviso 
 
As sentenças aditivas e substitutivas são colocadas por parte da doutrina 
como decisões manipuladoras. Esta doutrina não acolhe as sentenças interpretativas 
como normativas e as divide em interpretativas de aceitação, quando a Corte anula 
decisões judiciais das instâncias inferiores que sejam contrárias à Constituição e 
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interpretativas de rechaço quando a norma questionada permanece válida, anulando-
se apenas a sua interpretação inconstitucional. 
As sentenças normativas influenciam diretamente no ordenamento, pois 
alteram os contornos de normas gerais e abstratas, que passam a ter alcance alargado 
ou reduzido segundo a decisão da Corte. Nesse sentido, não extirpam do ordenamento 
a norma impugnada, mantendo-as no ordenamento, determinando a interpretação ou 
as interpretações possíveis (sentenças interpretativas ou de interpretação conforme),ou alargando a sua incidência para hipóteses não previstas (sentenças aditivas), 
estabelecendo diretrizes para atuação do legislador suprir eventuais lacunas 
(sentenças aditivas de princípios), ou anulando uma disposição para, em seguida, 
acrescentar um novo sentido normativo (sentenças substitutivas). 
As sentenças transitivas implicam a mitigação do dogma da nulidade no 
controle de constitucionalidade, sendo a modulação de efeitos uma manifestação desse 
tipo de decisão. Na declaração de inconstitucionalidade sem efeito ablativo, a norma 
é mantida no ordenamento jurídico, pois a declaração de nulidade afetaria de forma 
mais severa a ordem constitucional; na ablação diferida, a norma é extirpada do 
ordenamento, porém sem eficácia retroativa, podendo ser determinado um momento 
no futuro a partir do qual a declaração de inconstitucionalidade terá efeito; as sentenças 
de apelo indicam “apelo” ao legislador para que adote providências necessárias para 
que a inconstitucionalidade passe a existir; nas sentenças de aviso, o Tribunal sinaliza 
que poderá, em breve, alterar seu entendimento, no que pode resultar em 
reconhecimento de inconstitucionalidade (pure prospectivy overruling). 
 
1.1.1.3. Competência 
 
Competência do STF - art. 102, I, “a” da CF - Compete ao STF julgar 
inconstitucionalidade de lei federal ou estadual em face da Constituição Federal. 
Lei municipal que viola a CF não é controlada por meio de ADI genérica de 
modo originário no STF, dada a ausência de previsão na própria CF. Para o STF, o silêncio 
da CF demonstra a intenção de não inclusão da lei municipal como objeto da ADI (pode, 
contudo, ser objeto de ADPF, como veremos adiante). 
Assim, a lei do DF (que acumula competência legislativa municipal e estadual) 
que tenha natureza de lei municipal também não pode ser objeto de ADI no STF. 
Entretanto, a lei do DF que decorre do exercício da competência estadual pode ser 
objeto de ADI no STF. 
 
Súmula 642 - STF: Não cabe ação direta de inconstitucionalidade 
de lei do Distrito Federal derivada da sua competência legislativa 
municipal. 
 
Impossibilidade de Utilização da Constituição Estadual como Parâmetro de 
ADI no STF - A Constituição Estadual não pode ser parâmetro de confronto no Supremo, 
pois o STF é intérprete final da Constituição Federal, e não da Constituição Estadual. 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
33 
Neste caso, o STF estaria invadindo a competência local, pois compete aos Tribunais de 
Justiça dos Estados essa análise. 
Parâmetro da Constituição Federal de Reprodução Obrigatória na 
Constituição Estadual - Quando o parâmetro de constitucionalidade está presente na 
Constituição Federal e na Constituição Estadual, sendo a norma de reprodução 
obrigatória pelos Estados (expressas ou implícitas), a ADI que está no TJ (impugnando 
norma estadual ou municipal em face da Constituição Estadual) pode ser objeto de 
Recurso Extraordinário, solicitando o julgamento pelo STF. Afinal, neste caso, o 
julgamento da ADI estadual acabaria por transformar o TJ em intérprete final da CF de 
forma indireta, pois o parâmetro de aferição da constitucionalidade decorre da própria 
CF (ex.: normas de reprodução obrigatória que tratem sobre processo legislativo). 
Chama-se atenção para o fato de que nesta situação, uma lei municipal poderia ser 
objeto de controle no STF por meio de ADI. 
Controle da Lei Estadual perante o Tribunal de Justiça. 
Competência do TJ - art. 125, § 2º, da CF - Cabe aos estados a instituição de 
representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou 
municipais em face da Constituição do Estado. Nesse caso, quem julga é o Tribunal de 
Justiça local. 
O TJ pode analisar ADI, tendo como paradigma ou parâmetro de confronto a CF? 
Em regra, não. A CF não pode ser parâmetro de confronto na ADI genérica originária do 
TJ, pois o TJ é intérprete final apenas da Constituição Estadual. Exceção: normas 
constitucionais de reprodução obrigatória pelos Estados, expressas ou implícitas. 
 
ATENÇÃO! Em recente julgamento (RE 650.898), o STF fixou o seguinte entendimento: 
“Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis 
municipais utilizando como parâmetro normas da Constituição Federal, desde que se 
trate de normas de reprodução obrigatória pelos Estados”. 
 
Havendo incompatibilidade entre Lei Municipal e a Lei Orgânica do Município, 
haverá apenas controle de legalidade, cujas regras serão especificadas pela própria lei 
orgânica. 
Em suma, o Tribunal de Justiça poderá ter como parâmetro: 
 
- Normas inseridas na Constituição Estadual em geral. 
- Normas de observância obrigatória, ainda que não estejam 
presentes na Constituição Estadual de forma expressa, pois se 
presumem: Ex. art. 58, § 3º, CF – requisitos para criação de CPI. 
- Normas remissivas: fazem referência ao conteúdo de 
determinadas normas da CF. Não têm conteúdo próprio. 
- Normas de mera reprodução/repetição: simplesmente 
reproduzem, por livre e espontânea vontade do constituinte 
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34 
estadual, normas da CF. Neste caso, devem estar expressas no 
texto. 
 
1.1.1.4. Legitimidade ativa da ADI estadual 
 
A CF não diz quem são os legitimados, mas veda a atribuição da legitimidade a 
um único órgão. Não precisa ser observada a simetria quanto ao art. 103 da CF (STF). 
Modelo de introversão – legitimados são apenas órgãos do poder público. 
Modelo de extroversão – órgãos do poder público e entidades privadas. 
Há doutrina que sustenta que a legitimidade não pode ser atribuída a qualquer 
pessoa do povo, uma vez que inviabilizaria o controle em âmbito estadual. 
 
• Lei Estadual que viola a Constituição Federal e a Constituição Estadual 
simultaneamente (“SIMULTANEUS PROCESSUS”) 
 
Quando Lei Estadual viola a CF e a CE, e há a propositura simultânea de ações 
de controle abstrato perante o Tribunal de Justiça Local e o STF, ocorre o chamado 
“simultaneus processos”. 
Neste caso, em regra, a ADI no TJ fica suspensa aguardando a ação proposta no 
STF. Do julgamento do STF, podem ocorrer as seguintes hipóteses: 
 
i) Se o STF declara a inconstitucionalidade da Lei, a ADI no TJ 
fica prejudicada; 
ii) Se o STF declara a improcedência da ação, a presunção de 
constitucionalidade continua. Entretanto, o TJ poderá julgar a 
ADI procedente por violar a CE, desde que o fundamento seja 
diverso do STF. 
 
Excepcionalmente, é possível que o julgamento da Ação no Tribunal de Justiça 
prejudique o conhecimento da ação no STF. Vejamos o julgado: 
 
ADI e representação de inconstitucionalidade. Coexistindo duas 
ações diretas de inconstitucionalidade, uma ajuizada perante o 
tribunal de justiça local e outra perante o Supremo Tribunal 
Federal (STF), o julgamento da primeira – estadual – somente 
prejudica o da segunda – do STF – se preenchidas duas 
condições cumulativas: 1) se a decisão do tribunal de justiça for 
pela procedência da ação e 2) se a inconstitucionalidade for por 
incompatibilidade com preceito da Constituição do Estado sem 
correspondência na Constituição Federal. Caso o parâmetro do 
controle de constitucionalidade tenha correspondência na 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
35 
Constituição Federal, subsiste a jurisdição do STF para o controle 
abstrato de constitucionalidade. ADI 3659/AM – INF.927 
 
Ou seja: 
I) Caso o parâmetro de controleseja norma constitucional de reprodução 
obrigatória, esteja ou não esta norma presente na Constituição Estadual (para o STF, 
estas estão sempre presentes, ainda que de forma implícita), o processo de fiscalização 
abstrata perante o TJ DEVE ser suspenso até manifestação do STF, pois este deve ter a 
última palavra na interpretação da CF. 
II) Suspenso o processo no TJ, surgem duas opções de julgamento perante o 
STF. 
 
II.1) Caso o STF julgue procedente a ação, a lei será extirpada do 
ordenamento e o processo de fiscalização estadual extinto por 
perda do objeto. 
II.2) Caso o STF julgue IMPROCEDENTE a ADI, o processo volta a 
correr no TJ, que pode declarar a inconstitucionalidade da 
norma, DESDE QUE por fundamento não rechaçado pelo STF (a 
violação a outro dispositivo da Constituição Estadual, por 
exemplo). O mesmo raciocínio se aplica no caso de normas que 
não sejam de reprodução obrigatória, mas que estejam 
presentes de forma expressa na Constituição Estadual. 
 
No caso apontado no julgado, excepcionalmente, o julgamento do 
procedimento pelo TJ prejudicou o processamento da demanda objetiva no STF em 
virtude de ter como parâmetro norma presente APENAS na CE, logo, extirpada a norma 
do ordenamento, a ação perante o STF perdeu o objeto. 
 
1.1.1.4.1. Legitimidade na ADI genérica 
 
Art. 103 da CF - São legitimados para propor ADIN: 
 
1. Presidente da República; 
2. Mesa do Senado Federal; 
3. Mesa da Câmara dos Deputados; 
4. Mesa da Assembleia Legislativa Estadual ou da Câmara do DF; 
5. Governadores do Estado ou do DF; 
6. Procurador Geral da República; 
7. Conselho Federal da OAB; 
8. Partido político com representação no Congresso Nacional; 
CPF: 860.542.154-18
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36 
9. Confederação Sindical ou Entidade de Classe de Âmbito 
Nacional. 
 
ATENÇÃO! Pegadinhas clássicas de provas objetivas: 
- A Mesa do Congresso Nacional NÃO é legitimada para interpor ADIN. 
- A entidade de classe deve ser de âmbito NACIONAL (não estadual). 
- A legitimidade é do conselho FEDERAL da OAB (não Seccional). 
- O Advogado-Geral da União (AGU) NÃO é legitimado. 
- A Defensoria Pública NÃO é legitimada. 
- A CONFEDERAÇÃO sindical (e não FEDERAÇÃO) é legitimada. 
PARA MEMORIZAR: 
- 4 mesas (Mesas do Senado, Mesa da Câmara, Mesa da Assembleia Legislativa 
Estadual e Mesa da Câmara do DF). 
- 4 autoridades (Presidente da República, Governador do Estado, Governador do DF 
e Procurador-Geral da República-PGR). 
- 4 entidades (Conselho FEDERAL da OAB, partido político com representação no 
CONGRESSO NACIONAL, confederação sindical ou entidade de classe de âmbito 
nacional). 
ATENÇÃO: o rol de legitimados é numerus clausus, não sendo possível acrescentar 
outros por analogia. 
 
Tipos de Legitimados: 
 
i) Legitimados Neutros ou Universais - Não precisam 
demonstrar pertinência temática, ou seja, independente da 
causa da inconstitucionalidade podem propor a ação. 
ii) Legitimados Interessados ou Especiais - Devem demonstrar 
seu “interesse de agir” (pertinência temática) entre as suas 
atribuições institucionais e a impugnação da norma. São estes os 
legitimados do art. 103, IV, V e IX (Governador; Mesa da 
Assembleia Legislativa ou Câmara Legislativa e Confederação 
Sindical ou Entidade de Classe de Âmbito Nacional). 
 
Entidade de Classe de Âmbito Nacional - As entidades de classes devem estar 
organizadas, no mínimo, em 9 (nove) Estados para serem consideradas de âmbito 
nacional. Esta é a posição do STF em aplicação analógica da Lei Orgânica dos Partidos 
Políticos (art. 7º da Lei 9.096/95). A decisão que consagra essa regra está na ADI 3850 – 
AGR. Essa regra admite exceção: quando houver uma relevância nacional na atividade 
exercida pelos associados (ADI 2866- MC). Ex: atividade dos produtores de sal. Não estão 
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37 
presentes em todos os Estados, pois nem todos situam-se no litoral, mas a atividade é 
nacionalmente relevante. 
Ainda, a entidade de classe deve ser representativa de apenas uma 
determinada atividade ou categoria social, profissional ou econômica. Ex: ADI 271 e ADI 
142. 
 
 
ATENÇÃO! Tese de repercussão geral. A entidade que não representa a totalidade de 
sua categoria profissional não possui legitimidade ativa para ajuizamento de ações de 
controle concentrado de constitucionalidade. 
 
Questão da legitimidade da Associação Nacional de Juristas Evangélicos 
(ANAJURE). 
 
- Na ADPF 703, sob relatoria do Ministro Alexandre de Moraes, 
restou decidido, de forma unânime, que a ANAJURE não tem 
legitimidade para a propositura de ação concentrada de 
constitucionalidade perante o Supremo, por não se adequar à 
categoria de “entidade de classe de âmbito nacional”. 
- Na ADPF 701, também ajuizada pela ANAJURE, o Ministro 
Nunes Marques, em decisão monocrática, admitiu liminar para 
autorizar práticas religiosas presenciais em locais que estavam 
vedadas no contexto de medidas restritivas de combate à 
pandemia da Covid-19. 
- No julgamento da ADPF 811, o STF decidiu que são válidos e 
constitucionais os atos de governadores e prefeitos que 
permitem a abertura ou determinam o fechamento de igrejas, 
templos e demais estabelecimentos religiosos enquanto durar a 
pandemia. 
- Após o julgamento da ADPF 811, o Ministro Nunes Marques 
revogou a liminar anteriormente concedida na ADPF 701, sem 
adentrar na questão da legitimidade. 
 
Para fins de prova: entendo que persiste a ilegitimidade da ANAJURE para a 
propositura de ações de controle concentrado, devendo ser acompanhada a evolução 
jurisprudencial do STF quanto ao tema. 
SISTEMATIZANDO: 
Sistematizo os parâmetros atuais para que a entidade de classe de caráter 
nacional tenha legitimidade para a propositura de ação de controle concentrado de 
constitucionalidade perante o STF: 
 
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i) caracterização como entidade de classe, decorrente da 
representação de categoria empresarial ou profissional; 
ii) a entidade deve ter abrangência ampla, representando toda a 
categoria, e não apenas uma fração desta; 
iii) caráter nacional da representatividade, aferida pela presença 
em ao menos 9 unidades da federação (salvo casos excepcionais 
como da associação dos produtores de sal, em razão da 
relevância nacional da atividade); 
iv) pertinência temática entre as finalidades institucionais da 
entidade e o objeto da impugnação. 
 
Confederações Sindicais - São aquelas constituídas, por, no mínimo, 3 (três) 
federações sindicais (art. 535 da CLT). Cada federação deve ser constituída por no 
mínimo 5 (cinco) sindicatos da mesma categoria. 
“Associação de Associações” - O STF admite a propositura de ADI por essas 
associações (informativo 356; ADI AGR/DF). Ex.: Associação Brasileira de Emissoras de 
Rádio e Televisão-ABERT, associação de âmbito nacional que reúne as empresas de 
radiodifusão, abrangendo as emissoras de rádio (radiodifusão de sons) e as emissoras 
de televisão (radiodifusão de sons e imagens). 
Por outro lado, associações que abrangem apenas fração da categoria, como 
visto, NÃO podem propor as ações do controle concentrado. 
Perda de Representação do Partido Político - A perda da representação no 
Congresso Nacional pelo partido político não descaracteriza a legitimidade. A 
representação deverá existir somente na época da propositura da ação. OBS.: não 
confundir com o Mandado de Segurançaimpetrado por parlamentar para tutela do 
devido processo legislativo constitucional, que deve ser extinto se o parlamentar perder 
o mandato no curso da ação (natureza jurídica diferente do controle a permitir a 
diferenciação da solução apresentada). 
Necessidade de Advogado - Segundo o STF, os partidos políticos, as 
confederações sindicais e as entidades de classe de âmbito nacional (art. 103, VIII, e IX 
da CF) precisam de advogado para o ajuizamento das ações do controle concentrado. 
Ressalta-se que no instrumento de mandato deve haver autorização específica para a 
propositura da ADI. Deve também ser indicado o ato normativo questionado, não 
bastando os poderes para propor ADI (ADI 4409/SP, Inf.905). 
 
OBSERVAÇÃO 1: a ausência de procuração com poderes específicos e com expressa 
referência ao ato normativo questionado é um vício sanável na representação 
processual, podendo ser conferido prazo para regularização. STF. Plenário. ADI 6051. 
 
OBSERVAÇÃO 2: procurador público possui capacidade postulatória no controle 
concentrado de constitucionalidade? Cuidado. A ação direta de inconstitucionalidade 
deve ser, obrigatoriamente, assinada pelos legitimados do art. 103 da CF/88 ou pelos 
legitimados previstos na Constituição estadual. Por outro lado, os atos subsequentes ao 
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39 
ajuizamento da ação (inclusive a interposição dos recursos) são atos de natureza técnica. 
Logo, devem ser assinados, obrigatoriamente, pelos procuradores da parte legitimada, 
conjuntamente ou não com os legitimados. Nesse sentido: 
Os Procuradores (do Estado, do Município, da ALE, da Câmara etc.) possuem 
legitimidade para a interposição de recursos em ação direta de inconstitucionalidade. 
STF. 2ª Turma. RE 1126828. 
NÃO CONFUNDA: 
O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em 
sede de controle concentrado de constitucionalidade, ainda que a ADI tenha sido 
ajuizada pelo respectivo Governador. 
A legitimidade para recorrer, nestes casos, é do próprio Governador (previsto como 
legitimado pelo art. 103 da CF/88), e não do Estado-membro. STF. Plenário. ADI 4420 
ED-AgR. 
 
Já os outros legitimados não precisam de advogado, pois a capacidade 
postulatória decorre direto da Constituição Federal, conforme entendimento 
tradicional. Exemplo é o Governador do Estado, que pode sozinho interpor a ação de 
controle, sem necessidade de assinatura ou intervenção da PGE (muito embora, na 
prática, na maioria das vezes, fique a cargo do órgão elaborar a minuta da ação). 
Sistematizando: 
 
PRECISAM DE ADVOGADO Partidos políticos, confederações 
sindicais e entidades de classe de âmbito 
nacional. 
NÃO PRECISAM DE ADVOGADO Mesa do Senado, Mesa da Câmara, Mesa 
da Assembleia Legislativa Estadual, Mesa 
da Câmara do DF, Presidente da 
República, Governador do Estado, 
Governador do DF, Procurador-Geral da 
República-PGR e Conselho FEDERAL da 
OAB. 
 
OBS.: CAPACIDADE POSTULATÓRIA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA. 
O ministro Marco Aurélio, em decisão monocrática, negou trâmite à ADI 6764, 
ajuizada pelo presidente Jair Bolsonaro, por ter sido subscrita somente pelo presidente, 
e não pelo Advogado-Geral da União. Segundo o Ministro, a legitimidade do art. 103 não 
se confunde com capacidade postulatória. 
No ponto, friso que a decisão foi monocrática, sendo necessário acompanhar a 
evolução jurisprudencial do tema junto ao Supremo Tribunal Federal. 
 
1.1.1.5. Procedimento 
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Fundamento - Art. 103, §§ 1º e 3º da CF; arts. 169 a 178 do RISTF; e Lei 
9.868/99. 
Petição Inicial - Esta deverá indicar o dispositivo da lei ou do ato normativo 
impugnado e os fundamentos jurídicos do pedido em relação a cada uma das 
impugnações, bem como o pedido, com suas especificações. 
Quando subscrita por advogado, a petição inicial deverá vir acompanhada de 
procuração contendo autorização especial para a propositura de ADI (indicando 
objetivamente a lei ou ato normativo e respectivos preceitos). 
 
OBSERVAÇÃO: É possível o aditamento da petição inicial da ADI para impugnar outros 
dispositivos? Sim, é possível nas hipóteses em que a inclusão da nova impugnação: 
 a) dispense a requisição de novas informações e manifestações; e 
b) não prejudique o cerne da ação. 
 Nesse sentido: O aditamento da inicial só é possível, observados os princípios da 
economia e da celeridade processuais, quando a inclusão de nova impugnação dispensa 
a requisição de novas informações. STF. Plenário. ADI 4.265. 
 
Vinculação ao Pedido - O STF, ao julgar a ADI, está vinculado ao pedido 
formulado. Logo, em regra, se o pedido de declaração de inconstitucionalidade é da Lei 
“A”, não pode o STF ir além e, no dispositivo, declarar a inconstitucionalidade da Lei “B”. 
Vale aqui o princípio da congruência (ou adstrição), e preserva-se a inércia da jurisdição. 
Entretanto, não está o STF vinculado ao fundamento de tal pedido (causa de pedir). 
Em outras palavras, o objeto (pedido) é fechado, mas a causa de pedir é aberta. 
Veja como Nathalia Masson explica o tema: 
 
“Quanto aos fundamentos, não vale a regra da adstrição. Isso 
significa que o Supremo Tribunal não se vincula aos 
fundamentos jurídicos apresentados na peça inaugural de forma 
que a causa de pedir pode ser considerada aberta. Assim, o 
legitimado ativo está obrigado a apresentar a fundamentação do 
seu pedido, sob pena de, não o fazendo, a Corte não conhecer a 
ação direta; todavia a Corte pode julgar com base em 
fundamentos diversos. Para ilustrar, imaginemos que o 
legitimado ativo ingresse com uma ADI alegando a 
inconstitucionalidade da lei “X”, que instituiu um tributo, ao 
argumento de que ela violou o princípio da legalidade. O STF 
decide pela procedência do pedido, no entanto, por fundamento 
diverso: a lei em análise não afetou o princípio da legalidade, ao 
contrário, é inconstitucional por ofensa ao princípio da 
anterioridade tributária. 
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41 
É importante reconhecer a necessidade de a Corte percorrer 
todos os dispositivos constitucionais para decidir, afinal, quando 
ela afirma que uma determinada lei é constitucional, isso 
importa no reconhecimento de sua compatibilidade com todos 
os preceitos da Constituição. Por isso, não basta que o STF avalie 
somente os fundamentos apresentados pelo autor, eis que a lei 
não pode ser considerada constitucional só porque não ofende 
o parâmetro indicado pelo legitimado ativo nos fundamentos: 
ela é constitucional somente se além de não ofender o 
parâmetro constitucional indicado pelo legitimado, não ofender 
também nenhum outro dispositivo constitucional.” (MASSON, 
Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 3ª ed., Salvador: 
Juspodivm, 2015, p. 1106-1107). 
 
Indeferimento Liminar - Percebendo o relator que a petição inicial é inepta, 
não fundamentada ou manifestamente improcedente, poderá, liminarmente, indeferi-
la. 
Um exemplo de improcedência manifesta, segundo o STF, ocorre quando o 
dispositivo já foi previamente declarado constitucional pelo Supremo, ainda que em 
sede de controle difuso: 
 
A jurisprudência do STF considera manifestamente 
improcedente a ação direta de inconstitucionalidade que versar 
sobre norma cuja constitucionalidade já tenha sido 
expressamente declarada pelo Plenário da Corte, mesmo que 
em recurso extraordinário (ADI 4.071-AgR,j.22.04.2009. No 
mesmo sentido: ADI 4.466, Rel. Min. Dias Toffoli, decisão 
monocrática, j. 13.02.2012. 
 
Pedido de Informações - Não sendo a petição inicial indeferida liminarmente, 
o relator pedirá informações aos órgãos ou às autoridades das quais emanou a lei ou o 
ato normativo, devendo tais informações serem prestadas no prazo de 30 dias contados 
do recebimento do pedido. 
Participação do AGU - O Advogado Geral da União deverá, obrigatoriamente, 
ser citado para defender o ato no prazo de 15 dias. Normalmente, quem editou o ato 
também é citado para prestar informações. 
 
Constituição Federal 
Art. 103 (...) § 3º Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a 
inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato 
normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que 
defenderá o ato ou texto impugnado. 
Lei nº 9.868/99 
CPF: 860.542.154-18
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42 
CAPÍTULO II 
DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 
(…) 
Art. 8º Decorrido o prazo das informações, serão ouvidos, 
sucessivamente, o Advogado-Geral da União e o Procurador-
Geral da República, que deverão manifestar-se, cada qual, no 
prazo de quinze dias. 
 
Na ADI, o AGU defende a presunção de constitucionalidade da lei impugnada. 
Assim, mesmo que o ato impugnado seja uma lei estadual, o seu papel de defensor legis 
deverá ser desempenhado. 
A doutrina e a jurisprudência admitem duas hipóteses em que o AGU não estará 
obrigado a defender a presunção de constitucionalidade da lei impugnada em ADI, quais 
sejam: 
 
i) tese jurídica já declarada inconstitucional pelo STF (essa tese 
pode ter sido fixada em sede de controle difuso, por exemplo); 
e 
ii) violação a interesse da União Federal (por exemplo, no caso 
de ADI em face de lei estadual que usurpa competência da União 
Federal). 
 
Não existem consequências processuais ou sanções na hipótese de não haver 
a defesa do ato. 
Situações de Participação Facultativa do AGU: 
 
a) Quando o plenário do STF já se manifestou, em caso 
semelhante, pela inconstitucionalidade, e no mesmo sentido é o 
entendimento do AGU; 
b) Ação Direta de Constitucionalidade - ADC; 
c) ADI por omissão; e 
d) Nas Ações de Descumprimento de Preceito Fundamental - 
ADPF. 
 
Parecer do PGR - O PGR deverá dar um parecer contendo a opinião do MP. 
Ressalta-se que esse parecer não deverá, obrigatoriamente, seguir a tese de nenhum 
dos requerentes ou do requerido. 
Além disso, o PGR pode se manifestar de maneira contrária, mesmo em face 
das ações propostas por ele mesmo. 
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43 
Peter Häbele e a Tese da “Sociedade Aberta dos Intérpretes da Constituição” 
- O que essa tese propõe é que todos as pessoas e grupos que vivem a Constituição em 
uma determinada sociedade participem de sua interpretação, direta ou indiretamente, 
e, dessa forma, colaborem para a compreensão e aplicação de seus preceitos. 
Ele diz que a interpretação constitucional vinha sendo considerada uma coisa 
de “sociedade fechada”, ou seja, restrita aos chamados “operadores jurídicos”. Mas, 
com a ampliação da democracia, “cidadãos e grupos, órgãos estatais, o sistema político 
e a opinião pública (…) representam forças produtivas de interpretação (…) são 
intérpretes constitucionais em sentido lato, atuando nitidamente, pelo menos, como 
pré-intérpretes”. 
Amicus Curiae - art. 7º, § 2º, da Lei 9.868/99 - O relator, considerando a 
relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, poderá, por despacho 
irrecorrível, admitir, observado o prazo fixado, a manifestação de outros órgãos ou 
entidades. 
Objetivo - O amicus curiae é um fator de legitimação social das decisões, que 
busca pluralizar o debate (Celso de Melo - ADI 2130). 
Prazo Máximo - Antes era aceito o ingresso até o dia do julgamento. 
Atualmente, o STF entende que é permitido o ingresso até a data em que o relator libera 
o processo para a pauta. 
Participação do Amicus Curiae - Este pode: 
 
i) Fazer sustentação oral (art. 131 do RISTF); 
ii) Juntar memoriais e pareceres técnicos etc. 
 
Impossibilidade de Interposição de Recurso - O Amicus Curiae não pode 
interpor recursos, inclusive embargos de declaração, pois não é parte, e sim “terceiro 
estranho à relação processual”. Igualmente, não possui legitimidade para pedido de 
concessão de medida cautelar-ADPF 347. 
O art. 7º, § 2º, da Lei nº 9.868/99 e o art. 138 do CPC preveem que o Relator 
poderá, por “despacho” (decisão) irrecorrível, admitir o ingresso do amicus. 
Por outro lado, a decisão que INADMITE amicus curiae é recorrível? Tema 
divergente, havendo decisões recentes em dois sentidos: 
 
O Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 2018, decidiu que 
“a decisão do Relator que ADMITE ou INADMITE o ingresso do 
amicus curiae é irrecorrível” (STF. Plenário. RE 602584. AgR, Rel. 
para acórdão Min. Luiz Fux, julgado em 17/10/2018). 
Porém, em que pese a decisão proferida em 2018 acima 
colacionada, em 2020, o Supremo Tribunal Federal analisou 
novamente o tema, decidindo que: 
É recorrível a decisão denegatória de ingresso no feito como 
amicus curiae. É possível a impugnação recursal por parte de 
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terceiro, quando denegada sua participação na qualidade de 
amicus curiae. STF. Plenário. ADI 3396 AgR/DF, Rel. Min. Celso 
de Mello, julgado em 6/8/2020 (Info 985). 
 
Observa-se, portanto, que o tema ainda não está pacificado no STF. Insta 
consignar, ainda, que a decisão proferida na ADI 3396 AgR/DF não foi julgada pela 
unanimidade dos Ministros, pois os Ministros Alexandre de Moraes e Roberto Barroso 
não votaram. 
Ademais, o Ministro Celso de Mello esclareceu, em seu voto, que julgou 
conforme a realidade da época em que o recurso foi interposto (2011), quando existiam 
precedentes que admitiam o cabimento. Explicando, por fim, que o Plenário do STF tem 
entendido que é irrecorrível a decisão. 
Portanto, mesmo que a decisão seja mais recente (2020), não é possível 
afirmar que houve uma nova mudança de entendimento para permitir a 
recorribilidade. O que, por sua vez, também não autoriza dizer que o tema já está 
pacificado. 
Ressalte-se que a presença do amicus curiae também é aceita nas outras ações 
de controle de constitucionalidade (ADPF - art. 6, § 2º, da Lei 9.882/09; ADC - art. 18, § 
2º, da Lei - apesar de vetado, aceita-se por analogia, já que ADI e ADC são ações 
dúplices). 
Natureza Jurídica - O art. 138 do CPC/15 trouxe o amicus curiae no título que 
trata da intervenção de terceiros. Vejamos: 
 
TÍTULO III 
DA INTERVENÇÃO DE TERCEIROS 
(…) 
CAPÍTULO V 
DO AMICUS CURIAE 
Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da 
matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a 
repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão 
irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem 
pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de 
pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com 
representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de 
sua intimação. 
§ 1º A intervenção de que trata o caput não implica alteração de 
competência nem autoriza a interposição de recursos, 
ressalvadas a oposição de embargos de declaração e a hipótese 
do § 3º. 
§ 2º Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou 
admitir a intervenção, definir os poderes do amicus curiae. 
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§ 3º O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o 
incidente de resolução de demandas repetitivas. 
 
Pessoa física como Amicus Curiae - O art. 138 do CPC prevê a possibilidade de 
pessoas físicas que detenham representatividade adequada e possuam experiência na 
matéria possam atuar como amicus curiae. 
Entretanto, o STF tem jurisprudência recente no sentido de não se aplicar o art. 
138 do CPC para as hipóteses de controle concentrado de constitucionalidade perante 
o Supremo. Vejamos: 
 
A pessoa física não tem representatividade adequada para 
intervir na qualidade de amigo da Corte em ação direta. STF. 
Plenário. ADI 3396 AgR/DF. 
 
Deve se ter cautela em relação às provas nas quais se cobre expressamente o 
posicionamento do STF, pois a corte, historicamente, não admite pessoa física como 
amicus curiae, destacando-se, nesse sentido, a ADI 4.178/GO. No silêncio, se a questão 
falar genericamente em pessoa física como amicus curiae, preferencialmente, deve se 
acolher a possibilidade em razão do texto expresso do CPC. 
 
OBSERVAÇÃO: CUSTOS VULNERABILIS. O STJ já admitiu a intervenção da Defensoria 
Pública da União em feito que formava precedente em favor de vulneráveis e dos 
direitos humanos, o que é chamado de “custos vulnerabilis”. Não se confunde com 
amicus curiae. Trata-se de participação processual da Defensoria, não como 
representante da parte, mas como protetor dos interesses dos necessitados, nos termos 
do art. 134 da Constituição. 
 
Audiências Públicas - A Lei da ADI admite a realização de audiências públicas 
(art. 9º, § 1º, da Lei 9.868/99). Segundo o dispositivo da lei, (...) “o relator pode requisitar 
informações adicionais, designar perito, comissão de peritos para que emita parecer ou 
fixar data para audiência pública” (...). 
Estas também são um fator de legitimação social das decisões, que busca 
pluralizar o debate. 
Quórum de Instalação de Seção de Votação - Para se começar o julgamento de 
uma ADI, devem estar presentes, pelo menos, 8 ministros (2/3). 
Quórum de Votação - Para se declarar a inconstitucionalidade, o quórum é de 
maioria absoluta (6 ministros). 
 
1.1.1.6. Efeitos da decisão 
 
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Regra - Os efeitos são erga omnes, ex tunc e vinculantes em relação aos órgãos 
do Poder Judiciário e da administração pública federal, estadual, municipal e distrital 
(art. 28 da Lei 9.868/99). 
Ressalta-se que o efeito da ADI não vincula o Poder Legislativo (em sua função 
típica), sob pena de fossilização desse poder. Também não vincula o plenário do STF. 
Princípio da Parcelaridade - Determina que o STF pode julgar parcialmente 
procedente o pedido da ADI, expurgando do texto legal apenas uma palavra, 
expressão, desde que o Tribunal não subverta o sentido do texto editado pelo 
Legislador. 
Assim, pode-se perceber que o que ocorre com a ADI é diferente do que ocorre 
com o veto presidencial. 
 
ATENÇÃO! Efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade. 
Necessidade de impugnação de todo o “complexo normativo”. 
Estabelecida a premissa de que os efeitos da decisão em ADI retroagem, em razão da 
nulidade ser cominada desde sua origem, todos os efeitos da Lei declarada 
inconstitucional são inválidos, inclusive a eficácia derrogatória da legislação anterior, 
razão pela qual em regra, com a decisão prolatada em sede de ADI a legislação 
revogada pela Lei declarada inconstitucional volta a ter vigência. Este é o chamado 
efeito ou eficácia repristinatória da ADI. 
Aponte-se que se trata de fenômeno diverso da repristinação, não admitida no 
ordenamento jurídico pátrio como regra. A repristinação ordinária é a possibilidade 
de uma norma revogada voltar a ter vigência pelo simples fato da revogação da norma 
que a ab-rogou (não admitida em nosso ordenamento, salvo se expressamente 
declarada). 
Os efeitos repristinatórios, ao revés, decorrem da decisão em ADI, e não precisam ser 
declarados pelo STF (aliás, é justamente o inverso! A falta de modulação de efeitos é 
que consolida o efeito repristinatório). 
Neste contexto, é que pode surgir a problemática do “efeito repristinatório 
indesejado”, pois na hipótese de na legislação anterior estar presente o mesmo vício 
que inquinou a norma objeto de impugnação na ADI, o julgamento desta não surtiria 
efeito prático, pois restauraria a vigência de norma igualmente inconstitucional. 
Nestas circunstâncias, para evitar o efeito repristinatório indesejado, o autor da ação 
tem o ônus de impugnar não apenas a norma vigente, mas todo o complexo 
normativo, sendo excepcionalmente admitida hipótese de impugnação de norma já 
revogada em sede de ADI. Segundo Gilmar Mendes, o limite temporal é a CF/88 – é 
necessário que haja a impugnação apenas das normas posteriores à Constituição. 
E o que acontece se o autor não impugnar todo o complexo normativo? 
Caso o autor não impugne o complexo normativo, a ação será extinta pelo STF sem 
análise de mérito, pois faltaria interesse de agir. Deve-se rememorar que o STF 
embora não se vincule à causa de pedir, vincula-se ao pedido, não podendo declarar 
inconstitucional, em caráter principal, norma diferente da impugnada na inicial. 
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Poderia o STF relativizar tal consequência diante da inércia do autor, declarando, 
por exemplo, a inconstitucionalidade por arrastamento? 
Não é o caso, também, de se declarar a inconstitucionalidade por arrastamento, uma 
vez que não há relação lógica ou de prejudicialidade entre as normas que se sucedem, 
exceto pela revogação. 
Ocorre que tal exigência pode ser suavizada pelo próprio STF na hipótese de 
modulação de efeitos, pois bastaria que se preservasse a eficácia revogadora. Tal 
modulação pode ser feita de ofício. STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson 
Fachin, julgado em 2/10/2018 (Info 918). 
 
Modulação dos Efeitos da Decisão - art. 27 da Lei 9.868/99 - O STF pode 
modular os efeitos da decisão visando proteger a segurança jurídica ou um excepcional 
interesse social. 
 
Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato 
normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de 
excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal 
Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir 
os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha 
eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro 
momento que venha a ser fixado. 
 
Trata-se, portanto, do reconhecimento legislativo da possibilidade de 
transação com o postulado da nulidade, relativizando a rigidez da supremacia 
constitucional com escopo de harmonizar este valor com a segurança jurídica, confiança, 
dentre outros valores relevantes para a própria intangibilidade da ordem constitucional. 
É possível, portanto, que seja atribuída eficácia puramente prospectiva, 
inclusive em momento posterior, declarando a inconstitucionalidade sem pronúncia de 
nulidade. Trata-se de hipóteses já analisadas quando expostas as tipologias de 
sentenças intermediárias, especificamente as transitivas. 
Caso o STF, ao julgar uma ADI, ADC ou ADPF, declare a lei ou ato normativo 
inconstitucional, ele poderá, de ofício, fazer a modulação dos efeitos dessa decisão. 
STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 2/10/2018 (Info 918). 
Segundo o STF já professou, o julgamento de uma ação de controle 
concentradopossuiria um caráter bifásico, pois, em um primeiro momento, o STF avalia 
a questão principal, relativa à constitucionalidade ou inconstitucionalidade da norma e, 
após, aprecia a possibilidade de modulação de efeitos. 
Trata-se, portanto, de poder inerente ao exercício da jurisdição constitucional, 
cabendo ao próprio STF apreciar a necessidade de modulação dos efeitos, tendo em 
vista, sempre, o caráter de exceção da modulação, sob pena de se esvaziar o postulado 
da nulidade que dá sustentação à supremacia constitucional. 
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A parte autora também pode instigar o STF a se manifestar sobre a modulação 
de efeitos, podendo se valer, para tanto, dos embargos de declaração. 
 
REGRA: se o STF declara uma lei ou ato normativo inconstitucional em ADI, ADC ou 
ADPF, essa decisão, em regra, produz efeitos EX TUNC (retroativos); aplica-se o 
postulado da nulidade desde a origem. 
 
Excepcionalmente, o STF pode, pelo voto de, no mínimo, 8 Ministros (2/3) – Quórum 
de Modulação (sentença transitiva): 
* restringir os efeitos da declaração; ou 
* decidir que ela só tenha eficácia a partir de 
seu trânsito em julgado; ou 
* de outro momento que venha a ser fixado. 
Desde que haja razões de: 
* segurança jurídica; ou 
* excepcional interesse social. 
 
Decisão importante sobre o tema: 
 
Decidiu o STF que em ação direta de inconstitucionalidade, com 
a proclamação do resultado final, tem-se por concluído e 
encerrado o julgamento e, por isso, inviável a sua reabertura 
para fins de modulação. (...) A Corte destacou que a análise da 
ação direta de inconstitucionalidade seria realizada de maneira 
bifásica: a) primeiro se discutiria a questão da 
constitucionalidade da norma, do ponto de vista material; e, b) 
declarada a inconstitucionalidade, seria discutida a 
aplicabilidade da modulação dos efeitos temporários, nos 
termos do art. 27 da Lei 9.868/1999. Assim, se a proposta de 
modulação tivesse ocorrido na data do julgamento de mérito, 
seria possível admiti-la. (...) ADI 2949 QO/MG, rel. orig. Min. 
Joaquim Barbosa, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 
8.4.2015. (ADI-2949) 
 
Eficácia da decisão em relação à coisa julgada e atos jurídicos acabados - 
Distinção entre o plano normativo e o plano singular - Gilmar Mendes 
As decisões do STF em controle concentrado possuem, como visto, eficácia 
geral e efeito vinculante em relação a todos os juízos e tribunais, sendo os limites 
subjetivos da coisa julgada extensíveis a todos. Contudo, independente da modulação 
de efeitos, isso não implica a automática desconstituição de atos individualizados, como 
a coisa julgada e os atos jurídicos perfeitos (que até podem ser alcançados pela eficácia 
rescisória do julgado, porém não de forma automática). 
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Neste aspecto, cabe destacar valiosa lição do Min. Gilmar Mendes, ao 
diferenciar a eficácia da decisão no plano normativo e no plano individual, sendo os 
efeitos do controle abstrato compatibilizados com a segurança jurídica por meio das 
chamadas fórmulas de preclusão (sem embargo da modulação de efeitos, que se trata 
de outra perspectiva): 
 
“Trata-se da proteção ao ato singular, em homenagem ao 
princípio da segurança jurídica, procedendo-se à diferenciação 
entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no 
plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das 
fórmulas de preclusão (...) somente serão afetados pela 
declaração de inconstitucionalidade com eficácia geral os atos 
ainda suscetíveis de revisão ou impugnação” (I. G. da S. Martins, 
G. F. Mendes, Controle concentrado de constitucionalidade: 
comentários à Lein. 9.868, de 10.11.99, p. 405-406 e 526). 
 
Logo, a decisão do STF não implica a automática desconstituição de atos no 
plano singular praticados sob a égide da lei reputada inconstitucional, a exemplo da 
coisa julgada, devendo ser promovida a eficácia transrescisória da declaração de 
inconstitucionalidade, por meio de mecanismos específicos, como os embargos 
rescisórios e a ação rescisória. 
No RE 730462/SP o STF fez a seguinte distinção: 
- Eficácia normativa 
Quando o STF, no controle concentrado de constitucionalidade, decide que 
determinada lei é constitucional ou inconstitucional, há a consequência que se pode 
denominar de eficácia normativa, que significa manter ou excluir (declarar nula) a 
referida norma do ordenamento jurídico. Essa eficácia, como estudamos, opera-se em 
regra “ex tunc”, sendo, portanto, retroativa. 
- Eficácia executiva ou instrumental 
Além da eficácia normativa, a sentença de mérito no controle concentrado de 
constitucionalidade provoca também um efeito vinculante, consistente em atribuir ao 
julgado uma força impositiva e obrigatória em relação aos atos administrativos ou 
judiciais supervenientes. Em outras palavras, os atos administrativos e judiciais que 
forem praticados depois do julgado do STF deverão respeitar aquilo que foi decidido. A 
isso, o Min. Teori Zavascki chama de eficácia executiva ou instrumental (eficácia 
vinculante). 
Em caso de descumprimento dessa eficácia executiva ou instrumental, a parte 
prejudicada poderá ajuizar no STF uma reclamação (art. 102, I, “l” da CF/88). 
A eficácia executiva produziria efeitos “ex nunc”. Assim, o termo inicial da 
eficácia executiva é o dia de publicação do acórdão do STF no Diário Oficial (art. 28 da 
Lei 9.868/1999). Em outras palavras, o dever de todos respeitarem aquilo que foi 
decidido só surge depois da decisão. O efeito vinculante não atinge automaticamente 
os atos passados, sobretudo a coisa julgada. Os atos passados, mesmo quando decididos 
com base em norma ou interpretação declarada inconstitucional (“coisa julgada 
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inconstitucional”), só poderão ser desfeitos em processo próprio (não podem ser 
atacados por simples reclamação). 
De acordo com o CPC, em seu art. 525, § 15 e art. 535, § 8º, proferida decisão 
pelo STF no sentido da inconstitucionalidade da lei/ato normativo ou da sua 
aplicação/interpretação, após o trânsito em julgado da decisão exequenda, caberá ação 
rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo 
Supremo Tribunal Federal. No entanto, não se pode deixar de observar que parte da 
doutrina pátria defende a inconstitucionalidade dos dispositivos mencionados, no 
tocante ao termo inicial do prazo para ação rescisória, qual seja “do trânsito em julgado 
da decisão proferida pelo STF”, por violação do princípio da segurança jurídica. O STF 
ainda não se manifestou sobre o tema. Em prova objetiva, atenção para o comando do 
enunciado. Em prova discursiva é importante citar a controvérsia. 
Título Judicial Fundado em Lei ou Ato Normativo Declarado Inconstitucional - 
art. 525, § 12, do NCPC e § 5º do art. 535 do NCPC. Nesses casos, será cabível 
impugnação para evitar o cumprimento de sentença. 
Decisão importante sobre o tema: 
 
A decisão do STF que declara a constitucionalidade ou a 
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo não produz a 
automática reforma ou rescisão das sentenças anteriores que 
tenham adotado entendimento diferente; para que tal ocorra, 
será indispensável a interposição do recurso próprio ou, se for o 
caso, a propositura da ação rescisória própria, nos termos do art. 
485, V, do CPC 1973 (art. 966, V, do NCPC), observado o 
respectivoprazo decadencial. Ressalva-se desse entendimento, 
quanto à indispensabilidade da ação rescisória, a questão 
relacionada à execução de efeitos futuros da sentença proferida 
em caso concreto sobre relações jurídicas de trato continuado. 
STF. Plenário. RE 730462, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 
28/05/2015 (repercussão geral). 
 
Início da Eficácia da Decisão que Reconhece a Inconstitucionalidade da Lei - 
Segundo o art. 28 da Lei 9.868/99, tem eficácia a partir da decisão transitada em julgado. 
Entretanto, dada a demora processual, o STF determinou que a eficácia tem seu início 
com a publicação da ata de julgamento da ADI no DJU. 
Desta forma, publicada a ata de julgamento, a decisão já tem efeito, e seu 
descumprimento enseja, inclusive, a proposição de reclamação perante o STF. O prazo 
para interpor embargos de declaração é que só começa a fluir após a publicação do 
acórdão, e não interpostos embargos, e se interpostos após o seu julgamento é que será 
certificado o trânsito em julgado da ação. - Rcl 3.632-AgR, Redator para o acórdão o 
Ministro Eros Grau, Plenário, DJ 18.08.2006. Nesse sentido, cf. decisão monocrática da 
Min. Cármen Lúcia na Rcl 17.446, j. 31.03.2014. 
Caráter Ambivalente ou Dúplice da Decisão da ADI e da ADC - Conforme 
dispõe o art. 24 da Lei nº 9.868/99, proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á 
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improcedente a ação direta ou procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a 
inconstitucionalidade, julgar-se-á procedente a ação direta ou improcedente eventual 
ação declaratória. 
Assim, uma vez julgada improcedente a ADI, declara-se a constitucionalidade 
da lei e, uma vez julgada procedente, declara-se a inconstitucionalidade da lei. O mesmo 
raciocínio aplica-se para a ADC de forma invertida. 
Dessa forma, a doutrina e jurisprudência afirmam que a ADI e a ADC são ações 
idênticas com sinais trocados. 
Decisão importante sobre o tema: 
 
O STF assentou a regularidade processual na cumulação de 
pedidos típicos de ADI e ADC em uma única demanda de 
controle concentrado, o que se daria na espécie, vencido o 
Ministro Marco Aurélio. Asseverou que a cumulação de ações 
seria não só compatível como também adequada à promoção 
dos fins a que destinado o processo objetivo de fiscalização 
abstrata de constitucionalidade, destinado à defesa, em tese, 
da harmonia do sistema constitucional, reiterado o que 
decidido na ADI 1.434 MC/SP (DJU de 22.11.1996). Além disso, 
a cumulação objetiva de demandas consubstanciaria categoria 
própria à teoria geral do processo. Como instrumento, o 
processo existiria para viabilizar finalidades materiais que lhes 
seriam externas. A cumulação objetiva apenas fortaleceria essa 
aptidão na medida em que permitiria o enfrentamento judicial 
coerente, célere e eficiente de questões minimamente 
relacionadas entre elas. Não seria legítimo que o processo de 
controle abstrato fosse diferente. Outrossim, rejeitar a 
possibilidade de cumulação de ações — além de carecer de 
fundamento expresso na Lei 9.868/1999 — apenas ensejaria a 
propositura de nova demanda com pedido e fundamentação 
idênticos, a ser distribuída por prevenção, como ocorreria em 
hipóteses de ajuizamento de ADI e ADC em face de um mesmo 
diploma. Ademais, os pedidos articulados na inicial não seriam 
incompatíveis jurídica ou logicamente, sendo provenientes de 
origem comum. ADI 5316 MC/DF, rel. Min. Luiz Fux, 21.5.2015. 
(ADI-5316). 
 
OBSERVAÇÃO: a ambivalência pressupõe que se tenha alcançado o quórum de 
julgamento com eficácia erga omnes (maioria absoluta). Na ADI 4874, o STF declarou 
a RDC 14/2012-ANVISA constitucional. Ocorre que 5 Ministros votaram pela 
constitucionalidade da Resolução e outros 5 Ministros entenderam que ela seria 
inconstitucional. 1 Ministro se julgou suspeito para votar. 
Houve, portanto, um empate. O art. 97 da CF/88 exige um quórum mínimo de 6 
Ministros do STF para que uma lei ou ato normativo seja declarado inconstitucional. 
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52 
Como houve apenas 5 votos, a Resolução impugnada não foi declarada 
inconstitucional. 
Disso não se depreende que da improcedência da ADI houve efeito ambivalente 
(declaração de constitucionalidade, que torna a presunção relativa de 
constitucionalidade da Lei em absoluta, vinculando os demais órgãos do Judiciário). 
Nesta situação, o STF, após empate na votação, manteve a validade da Resolução RDC 
14/2012-ANVISA, que proíbe a comercialização no Brasil de cigarros com sabor e 
aroma. Esta parte do dispositivo não possui eficácia erga omnes e efeito vinculante. 
Significa dizer que, provavelmente, as empresas continuarão ingressando com ações 
judiciais, em 1ª instância, alegando que a Resolução é inconstitucional e pedindo a 
liberação da comercialização dos cigarros com aroma. Os juízes e Tribunais estarão 
livres para, se assim entenderem, declararem inconstitucional a Resolução e 
autorizar a venda. STF. Plenário. ADI 4874/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 
1º/2/2018 (Info 889). Em suma, a ambivalência pressupõe a identidade de quórum. 
O quórum necessário para obter uma decisão com eficácia erga omnes e efeito 
vinculante é idêntico ao da ADI, por isso o efeito dúplice. 
Se não foi alcançado o quórum para declarar inconstitucional, tampouco restaria 
alcançado o quórum para obtenção de declaração com ampla eficácia em ADC. 
Diante da presunção de constitucionalidade das normas, a ausência de quórum 
impõe a manutenção da mesma no ordenamento, porém com a sua presunção 
relativa de constitucionalidade, e não a absoluta que pode ser obtida em ADC, o que 
permite que continue a ser discutida nas instâncias inferiores. 
 
1.1.1.7. Medida cautelar em ADI 
 
Previsão Legal - art. 10 da Lei 9.868/99 - Salvo no período de recesso, a medida 
cautelar na ação direta será concedida por decisão da maioria absoluta (6 Ministros) 
dos membros do Tribunal, observado o disposto no art. 22, após a audiência dos órgãos 
ou autoridades dos quais emanou a lei ou ato normativo impugnado, que deverão 
pronunciar-se no prazo de cinco (5) dias. 
Natureza - A doutrina afirma que não se trata de uma medida cautelar, mas, 
sim, de uma antecipação dos efeitos da tutela. 
Medida Cautelar Durante o Recesso Anual - Durante o recesso, quem concede 
a medida cautelar é o Presidente do Tribunal. 
Oitiva do AGU e do PGR - § 1º - O relator, julgando indispensável, ouvirá o 
Advogado-Geral da União e o Procurador-Geral da República, no prazo de três (3) dias. 
Possibilidade de Sustentação Oral pelos Representantes dos Responsáveis 
pela Expedição do Ato - § 2º - No julgamento do pedido de medida cautelar, será 
facultada sustentação oral aos representantes judiciais do requerente e das autoridades 
ou órgãos responsáveis pela expedição do ato, na forma estabelecida no Regimento do 
Tribunal. 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
53 
Medida Cautelar sem Audiência das Autoridades - § 3º - Em caso de 
excepcional urgência, o Tribunal poderá deferir a medida cautelar sem a audiência dos 
órgãos ou das autoridades das quais emanou a lei ou o ato normativo impugnado. 
Efeitos da Medida Cautelar - art. 11, § 1º, da Lei - A medida cautelar tem 
eficácia erga omnes e será concedida com efeito ex nunc (não retroativo), salvo se o 
tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa. 
Retorno da Aplicabilidade da Legislação Anterior- § 2º - A concessão da 
medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo expressa 
manifestação em sentido contrário (efeito repristinatório da decisão liminar). 
Indeferimento da Cautelar - O indeferimento de cautelar faz com que a lei 
permaneça produzindo efeitos normalmente. Assim, deve-se esperar o julgamento do 
mérito para a conclusão final (a presunção de constitucionalidade continua relativa). 
Entretanto, a negativa de cautelar não produz efeito vinculante. Assim, o juiz 
ou tribunal podem, incidentalmente, afastar a aplicação da lei. 
Julgamento da Cautelar como Ação Principal - art. 12 da Lei - Havendo pedido 
de medida cautelar, o relator, em face da relevância da matéria e de seu especial 
significado para a ordem social e a segurança jurídica, poderá, após a prestação das 
informações, no prazo de dez (10) dias, e a manifestação do Advogado-Geral da União 
e do Procurador-Geral da República, sucessivamente, no prazo de cinco (5) dias, 
submeter o processo diretamente ao Tribunal, que terá a faculdade de julgar 
definitivamente a ação. 
Requisitos: 
 
i) Relevância da Matéria; 
ii) Especial Significado para a Ordem Social e a Segurança 
Jurídica. 
 
Procedimento: 
 
i) Pedido de medida cautelar; 
ii) Submissão (facultativa) do relator quando observar os 
requisitos; 
iii) Prestação de informações no prazo de 10 dias; 
iv) Manifestação do AGU e PGR, sucessivamente, em 5 dias. 
 
1.1.2. ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (ADPF) 
 
Conforme já demonstrado, embora diversas espécies normativas possam ser 
controladas via ADI, existe limitação decorrente do princípio da contemporaneidade, o 
que deixa de fora do âmbito da ADI a análise de recepção de normas anteriores à 
Constituição de 1988. Leis municipais também estão fora do alcance da ação direta, e 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
54 
havia espaço residual importante referente à hipótese de controvérsia decorrente da 
interpretação de preceito constitucional de forma divergente entre juízos. A ADPF, 
então, surgiu como uma forma de colmatar essa lacuna no controle concentrado, 
ampliando ainda mais o espectro de atuação do STF. 
Fundamento - art. 102, § 1º, da CF e Lei 9.882/99: 
 
Art. 102, § 1º da CF - A arguição de descumprimento de preceito 
fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada 
pelo STF na forma da lei (Lei 9.882/99). 
 
O art. 102, § 1º, da CF, é uma norma de eficácia limitada, pois depende da 
regulamentação dada pela Lei 9.882/99. 
Modalidades de ADPF: 
Uma peculiaridade da ADPF é que por meio dela pode ser impugnado 
diretamente um ato normativo (caráter principal), como é possível também provocar a 
jurisdição do STF a partir de situações concretas, que revelem controvérsia 
constitucional, tendo como pano de fundo o questionamento de ato normativo (caráter 
incidental). Duas são as modalidades de ADPF: 
 
A) ADPF Autônoma Art. 1º da Lei 9.882/99 Terá por objeto evitar ou 
reparar uma lesão a um 
preceito fundamental 
resultante de um ato do 
poder público. 
 
B) ADPF por Equivalência 
ou Equiparação 
Art. 1º, parágrafo único, 
da Lei 9.882/99 - Caberá 
também arguição de 
descumprimento de 
preceito fundamental: 
Quando for relevante o 
fundamento da 
controvérsia 
constitucional sobre lei 
ou ato normativo federal, 
estadual ou municipal, 
incluídos os anteriores à 
Constituição. 
 
Dessa forma, pelo dispositivo legal, esta ação não necessariamente envolve ato 
normativo, podendo ter como objeto qualquer ato do poder público atentatório a um 
preceito fundamental. Há um caráter preventivo (evitar), mas também repressivo 
(reparar), sendo necessário que haja nexo de causalidade entre a lesão ao preceito 
fundamental e o ato do poder público. 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
55 
Ressalte-se que, com fundamento neste dispositivo, também cabe ADPF em 
face de normas que tenham se tornado incompatíveis com a CF em função de uma 
determinada emenda constitucional. 
Decisão importante sobre o tema: 
 
Cabimento de ADPF contra conjunto de decisões judiciais que 
determinaram a expropriação de recursos do Estado-membro 
(STF. Plenário. ADPF 405 MC/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgado 
em 14/6/2017 - Info 869). 
O Estado do Rio de Janeiro vive uma grave crise econômica, 
estando em débito com o pagamento de fornecedores e atraso 
até mesmo no pagamento da remuneração dos servidores 
públicos. Os órgãos e entidades também estão sem dinheiro 
para custear os serviços públicos. Diante disso, diversas ações 
(individuais e coletivas) foram propostas, tanto na Justiça 
comum estadual como também na Justiça do Trabalho, pedindo 
a realização desses pagamentos. Os órgãos judiciais estavam 
acolhendo os pedidos e determinando a apreensão de valores 
nas contas do Estado para a concretização dos pagamentos. 
Neste cenário, o Governador do Estado ajuizou ADPF no STF 
com o objetivo de suspender os efeitos de todas as decisões 
judiciais do TJRJ e do TRT da 1ª Região que tenham 
determinado o arresto, o sequestro, o bloqueio, a penhora ou 
a liberação de valores das contas administradas pelo Estado do 
Rio de Janeiro. 
O STF afirmou que a ADPF é instrumento processual adequado 
para esse pedido e deferiu a medida liminar. O conjunto de 
decisões questionadas são atos típicos do Poder Público 
passíveis de impugnação por meio de APDF. 
 
Princípio da Subsidiariedade da ADPF - art. 4º da Lei 9.882/99 - Não será 
admitida a ADPF quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade. 
Ressalte-se que a existência de processos ordinários e recursos extraordinários 
não deve excluir, a priori, a utilização da arguição de descumprimento de preceito 
fundamental, em virtude da feição marcadamente objetiva da ação. 
Ou seja, é necessário que haja outro meio de controle concentrado adequado 
- mesma imediaticidade, amplitude e efetividade - para que se afaste o cabimento da 
ADPF. Exemplo: Lei editada após a CF/88 - cabe ADI. 
Conceito de Preceito Fundamental - São normas qualificadas, que veiculam 
princípios e servem de vetores de interpretação das demais normas constitucionais 
(Cássio Juvenal Faria). São exemplos: 
 
Art. 1º, I, II, III, IV e V da CF - Fundamentos da República. 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
56 
Art. 3º da CF - Objetivos Fundamentais da República. 
Art. 34, VII, “a” a “e” da CF - Princípios Sensíveis. 
 
O Min. Gilmar Ferreira Mendes (MENDES, 2016, p. 1325) reconhece, em sua 
obra, a inexistência de um rol taxativo de preceitos fundamentais, mas afirma que 
alguns deles “estão enunciados, de forma explícita, no texto constitucional”. Ainda, 
enumera algumas normas que inegavelmente se enquadrariam como preceitos 
fundamentais, quais sejam: (1) “direitos e garantias fundamentais (art. 5º, dentre 
outros)”; (2) “demais princípios protegidos pela cláusula pétrea do art. 60, § 4º, da CF: 
o princípio federativo, a separação de Poderes e o voto direto, secreto, universal e 
periódico”; (3) “os princípios constitucionais sensíveis” previstos no art. 34, VII, da 
Constituição. 
Pode-se concluir, portanto, que o STF não adota uma perspectiva restritiva de 
preceitos fundamentais. Apesar de não haver um rol fechado de quais são os preceitos 
fundamentais, o Tribunal já manifestou entendimento, em decisão plenária (ADPF 33), 
que são preceitos fundamentais: (I) direitos e garantias individuais(art. 5º, dentre 
outros); (II)“...demais princípios protegidos pela cláusula pétrea do art. 60, § 4º, da 
Constituição, quais sejam, a forma federativa de Estado, a separação dos Poderes, o voto 
direto, secreto universal e periódico”; (III) princípios sensíveis (art. 34, VII, da CRFB); e 
(IV) a proibição de vinculação de salários a múltiplos do salário mínimo (art. 7º, IV, in 
fine, da Constituição Federal). Em suma, compete ao próprio STF, como guardião da 
Constituição, a definição dos preceitos fundamentais. 
 
ATENÇÃO! OBJETO DA ADPF 
Nos termos da Lei nº 9.882/99, cabe ADPF para evitar lesão a preceito fundamental 
decorrente de ato do poder público ou quando houver relevante controvérsia 
constitucional sobre lei ou ato normativo de todos os entes da federação, inclusive 
anteriores à Constituição. Conforme já exposto, a ADPF foi concebida como forma de 
colmatar as lacunas decorrentes das restrições de cabimento da ADI, porém, segundo 
o STF, isso não implica uma ampliação sem qualquer limite do controle concentrado. 
Segundo a jurisprudência do STF e a doutrina, cabem os seguintes apontamentos: 
1) Direito pré-constitucional: é cabível ADPF para sindicar a compatibilidade das 
normas anteriores à CF/88 com o texto Constitucional, inclusive de âmbito estadual e 
municipal. É o que dispõe expressamente a Lei nº 9.882/99. 
2) Lei pré-constitucional e alteração de competência: a teoria da recepção adotada 
pelo STF indica que basta que haja compatibilidade material com a Constituição para 
que uma norma seja recepcionada. Gilmar Mendes aponta interessante exceção: o 
caso de alteração de competência legislativa. 
Neste caso, se uma competência municipal ou estadual passa a ser da União, estas 
são derrogadas, pois não há possibilidade fática e jurídica de federalizar normas 
estaduais ou municipais, notadamente em razão da possibilidade de distintos 
tratamentos dados à matéria. 
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57 
Por outro lado, se havia legislação federal e a competência passou a ser outorgada 
aos entes menores, subsiste a legislação até que o ente competente edite lei nova, 
com base no princípio da continuidade do ordenamento jurídico (RE 218.160 STF). 
Para Gilmar Mendes, trata-se de hipótese em que é cabível ADPF. 
3) Direito Municipal: deve-se ter atenção em relação à possibilidade de 
questionamento de Lei Municipal no STF via ADPF. São recorrentes questões que 
afirmam a impossibilidade de controle concentrado no STF tendo como objeto leis 
municipais. Errado!! Não cabe ADI, porém será cabível ADPF. 
4) Norma revogada: diferente do que ocorre na ADI/ADC, é possível questionar lei já 
revogada perante o STF. 
5) Interpretação judicial: na ADPF 101, restou consignada a possibilidade de se ajuizar 
arguição contra decisões judiciais lesivas a preceitos fundamentais, pois elas também 
configuram ato do Poder Público. O mesmo entendimento foi aplicado na ADPF 484. 
6) Tratado internacional antes da aprovação pelo CN, ou antes, de sua incorporação 
definitiva à ordem jurídica interna: segundo Gilmar Mendes, é possível o controle do 
conteúdo do tratado antes de sua integração definitiva ao ordenamento pátrio. Tal 
possibilidade descerra‐se desde sua submissão ao CN, para aprovação, até a edição 
do ato do Executivo relativo à promulgação; 
7) Veto presidencial: prevalece que não é cabível ADPF em face do veto, por ser ato 
político de competência exclusiva do Chefe do Executivo. Na ADPF 1, restou assentada 
a impossibilidade, sob o fundamento de que o ato cuidaria de exercício de poder 
político, não se inserindo na expressão “ato de poder público”. Ocorre que não se 
trata de uma questão fechada, pois na ADPF 45, o Ministro Celso de Mello considerou 
a ADPF instrumento idôneo a sindicar veto presidencial tendente a lesar preceitos 
fundamentais. Gilmar Mendes, em consonância com o quanto consignado na ADPF 
45, entende que o veto pode ser objeto de ADPF; 
8) Proposta de Emenda Constitucional: prevalece que não é cabível. O STF enfrentou 
a questão na ADPF 43 e decidiu ser impossível o escrutínio de PEC por meio de ADPF, 
aduzindo que o controle da proposta de reforma do texto constitucional se limitaria 
à hipótese do Mandado de Segurança preventivo. Em sede doutrinária, Gilmar 
Mendes discorda, asseverando que a ADPF seria o meio mais eficaz e expedito do que 
o MS, especialmente em razão da legitimidade ativa e do procedimento; 
9) Decisão transitada em julgado: o STF já entendeu NÃO ser cabível ADPF contra 
decisão judicial transitada em julgado (ADPF 81). 
10) ADPF para sanar omissão do Poder Público. 
 
NOVIDADE JURISPRUDENCIAL - O STF entendeu pelo cabimento de ADPF para 
sanar omissão do Poder Público: 
 
A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) 
é instrumento eficaz de controle da inconstitucionalidade por 
omissão. 
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58 
A ADPF pode ter por objeto as omissões do poder público, quer 
totais ou parciais, normativas ou não normativas, nas mesmas 
circunstâncias em que ela é cabível contra os atos em geral do 
poder público, desde que essas omissões se afigurem lesivas a 
preceito fundamental, a ponto de obstar a efetividade de norma 
constitucional que o consagra. 
STF. Plenário. ADPF 272/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 
25/3/2021 (Info 1011). 
 
Competência - art. 102, § 1º, da CF - Segundo a CF, a competência de 
julgamento é do STF, na forma da lei (Lei 9.882/99). 
Para a competência ser do STF, o parâmetro de controle é a Constituição 
Federal. A ressalva é que esse parâmetro é reduzido em relação à ADI, pois não é 
qualquer norma constitucional que pode ser indicada como parâmetro, mas tão 
somente aquelas que sejam vetores de preceitos fundamentais. 
Legitimidade - São os mesmos legitimados da ADI. Entretanto, conforme o art. 
2º, § 1º, da Lei, qualquer interessado pode representar ao PGR para que este proponha 
a ação (direito de petição). 
Procedimento da ADPF: 
Petição Inicial - Deverá conter todos os requisitos do art. 319 do NCPC e: 
 
i. Indicação do ato questionado; 
ii. Indicação do preceito fundamental violado; 
iii. Prova da violação do preceito fundamental; 
iv. Pedido com especificações; e 
v. Se for o caso, comprovação da existência de controvérsia 
judicial relevante sobre a aplicação do preceito fundamental que 
se considera violado. 
 
Indeferimento da Inicial - Liminarmente, o relator, não sendo caso de arguição, 
faltante um dos requisitos apontados, ou inepta a inicial, indeferirá a petição inicial, 
sendo cabível o recurso de agravo, no prazo de 5 dias, para atacar tal decisão. 
Solicitação de Informações - Apreciado o pedido de liminar, o relator solicitará 
as informações às autoridades responsáveis pela prática do ato questionado, no prazo 
de dez (10) dias. 
Se entender necessário, poderá o relator ouvir as partes nos processos que 
ensejaram a arguição, requisitar informações adicionais, designar perito ou comissão de 
peritos para que emita parecer sobre a questão, ou ainda, fixar data para declarações, 
em audiência pública, de pessoas com experiência e autoridade na matéria. 
Poderão ser autorizadas, a critério do relator, sustentação oral e juntada de 
memoriais, por requerimento dos interessados no processo. 
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Vista do Processo pelo MP - O Ministério Público, nas arguições que não houver 
formulado,terá vista do processo, por cinco (5) dias, após o decurso do prazo para 
informações. 
Comunicação às Autoridades na ADPF Autônoma - No caso da arguição 
autônoma, julgada procedente a ação, far-se-á comunicação à autoridade ou aos órgãos 
que praticaram os atos questionados e serão fixados os modos e as condições da 
interpretação e aplicação do preceito fundamental (art. 10 da Lei). 
A decisão tem efeito erga omnes e deve ser imediatamente cumprida, podendo 
caber reclamação contra o ato que descumpre a decisão. 
Efeitos da Decisão - No caso da arguição por equiparação, os efeitos são os 
mesmos da ADI (erga omnes, ex tunc e vinculante). 
Quórum de Votação - Para se começar o julgamento de uma ADPF, devem estar 
presentes pelo menos 8 Ministros, ou seja, 2/3 (quórum de instalação). Para se julgar a 
ADPF, o quórum é de maioria absoluta (6 ministros). 
Modulação de Efeitos - art. 11 da Lei - O STF pode modular os efeitos da decisão 
visando proteger a segurança jurídica ou um excepcional interesse social pelo quórum 
de 2/3. 
Medida Cautelar - art. 5º da Lei - O STF, por decisão da maioria absoluta de 
seus membros, poderá conceder a medida cautelar. 
Cautelar pelo Relator - Em caso de extrema urgência, ou período de lesão 
grave, ou recesso, poderá o relator conceder a cautelar ad referendum (monocrática). 
A liminar poderá consistir na determinação a juízes e tribunais que 
suspendam julgamentos e decisões que tratem da matéria (art. 5º, § 3º, da Lei). 
Entretanto, o STF suspendeu esse dispositivo (ADI 2231-MC/DF). Ressalte-se que, 
mesmo suspenso esse dispositivo, o STF o aplicou na ADPF 77. Dessa forma, apesar de 
existir uma cautelar suspendendo formalmente este dispositivo, na prática, ele vem 
sendo aplicado normalmente pela corte. 
Oitivas das Autoridades e Terceiros - O relator poderá, ainda, ouvir órgãos ou 
autoridades responsáveis pelo ato questionado, bem como o AGU ou o PGR no prazo 
comum de 5 dias. 
Na ADPF também cabem audiências públicas e amicus curiae. 
A ADPF pode ser reconhecida como ADI. Para isso, basta que a matéria 
proposta na ADPF seja matéria de ADI. Assim, pode-se dizer que existe uma 
fungibilidade entre essas ações. Entretanto, nesse caso, a ADPF deverá ser recebida 
como ADI pelo princípio da subsidiariedade. Também é possível cumular diversos 
pedidos em ADPF, a exemplo do juízo de recepção, declaração de inconstitucionalidade 
e inconstitucionalidade por omissão: 
As ações diretas de inconstitucionalidade (ADI genérica, ADC, ADI por omissão, 
ADPF) são fungíveis entre si. Em razão dessa fungibilidade, é possível propor uma única 
ação direta, no caso, a ADPF, cumulando pedidos para: a) não recepção de norma 
anterior à Constituição (Lei nº 1.079/50); b) declaração da inconstitucionalidade de 
normas posteriores (regimentos internos); c) superação da omissão parcial 
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inconstitucional. STF. Plenário. ADPF 378/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 16, 17 
e 18/12/2015 (Info 812). 
Não seria razoável exigir que fossem propostas três ações diferentes para 
atingir os três objetivos acima, sendo que todos eles estão interligados e devem ser 
apreciados e decididos conjuntamente. 
Outras decisões importantes: 
O STF já reconheceu a possibilidade de conhecimento da ADPF mesmo que a 
lei atacada tenha sido revogada antes do julgamento. Tratou-se de ADPF contra lei 
municipal que proibia transporte particular por aplicativo (lei que proibia o “uber”) e 
que havia sido revogada por outra lei municipal. Contudo, o STF entendeu que persistia 
a utilidade da prestação jurisdicional com caráter erga omnes e vinculante para regular 
as relações jurídicas estabelecidas durante a vigência da norma e em relação a leis de 
idêntico teor aprovadas em outros Municípios. Segue trecho da ementa do julgado: 
 
Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL, ADMINISTRATIVO E 
REGULATÓRIO. PROIBIÇÃO DO LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE 
DE TRANSPORTE INDIVIDUAL DE PASSAGEIROS. 
INCONSTITUCIONALIDADE. ESTATUTO CONSTITUCIONAL DAS 
LIBERDADES. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA LIVRE 
INICIATIVA E DO VALOR SOCIAL DO TRABALHO (ART. 1º, IV), DA 
LIBERDADE PROFISSIONAL (ART. 5º, XIII), DA LIVRE 
CONCORRÊNCIA (ART. 170, CAPUT), DA DEFESA DO 
CONSUMIDOR (ART. 170, V) E DA BUSCA PELO PLENO EMPREGO 
(ART. 170, VIII). IMPOSSIBILIDADE DE ESTABELECIMENTO DE 
RESTRIÇÕES DE ENTRADA EM MERCADOS. MEDIDA 
DESPROPORCIONAL. NECESSIDADE DE REVISÃO JUDICIAL. 
MECANISMOS DE FREIOS E CONTRAPESOS. ADPF JULGADA 
PROCEDENTE. 1. A Arguição de Descumprimento de Preceito 
Fundamental é cabível em face de lei municipal, adotando-se 
como parâmetro de controle preceito fundamental contido na 
Carta da República, ainda que também cabível em tese o 
controle à luz da Constituição Estadual perante o Tribunal de 
Justiça competente. 2. A procuração sem poderes específicos 
para ajuizar a Arguição de Descumprimento de Preceito 
Fundamental pode ser regularizada no curso do processo, mercê 
da instrumentalidade do Direito Processual. 3. A Arguição de 
Descumprimento de Preceito Fundamental não carece de 
interesse de agir em razão da revogação da norma objeto de 
controle, máxime ante a necessidade de fixar o regime aplicável 
às relações jurídicas estabelecidas durante a vigência da lei, bem 
como no que diz respeito a leis de idêntico teor aprovadas em 
outros Municípios. Precedentes: ADI 3306, Relator(a): Min. 
GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 17/03/2011; ADI 
2418, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado 
em 04/05/2016; ADI 951 ED, Relator(a): Min. ROBERTO 
BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 27/10/2016; ADI 4426, 
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61 
Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 
09/02/2011; ADI 5287, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, 
julgado em 18/05/2016. 
(...) 
(ADPF 449, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 
08/05/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-190 DIVULG 30-08-
2019 PUBLIC 02-09-2019) 
 
O STF também já decidiu ser possível a celebração de acordo em ADPF. Vale 
dizer, ainda que se trate de ação de controle abstrato, havia um conflito de interesses 
subjacente que foi resolvido mediante transação. Importante destacar que, com a 
homologação do acordo, não houve a chancela de nenhuma tese jurídica sobre a 
constitucionalidade ou inconstitucionalidade da norma impugnada. Segue a ementa do 
julgado: 
 
ACORDO COLETIVO. PLANOS ECONÔMICOS. EXPURGOS 
INFLACIONÁRIOS. VIABILIDADE. LEGITIMADOS COLETIVOS 
PRIVADOS. NATUREZA DELIBATÓRIA DA HOMOLOGAÇÃO. 
REQUISITOS FORMAIS PRESENTES. REPRESENTATIVIDADE 
ADEQUADA. PUBLICIDADE AMPLA. AMICI CURIAE. PARECER 
FAVORÁVEL DO PARQUET. SALVAGUARDAS PROCESSUAIS 
PRESENTES. PROCESSO COLETIVO COMO INSTRUMENTO DE 
DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO À JUSTIÇA. INEXISTÊNCIA DE 
PREVISÃO DE SUSPENSÃO PROCESSUAL NO ACORDO. 
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONTINGENTES DEVIDOS. 
REGRAS RELATIVAS AO CONTRATO DE MANDATO. INCENTIVOS 
FINANCEIROS PARA ATUAÇÃO NA SOCIEDADE CIVIL NA TUTELA 
DE DIREITOS COLETIVOS. JUSTA REMUNERAÇÃO DOS 
PATRONOS DE AÇÕES COLETIVAS. APRIMORAMENTO DO 
PROCESSO COLETIVO BRASILEIRO. NÃO VINCULAÇÃO DA 
SUPREMA CORTE ÀS TESES JURÍDICAS VEICULADAS NO ACORDO. 
INCIDENTE PROCESSUAL RESOLVIDO COM A HOMOLOGAÇÃO 
DA AVENÇA COLETIVA. 
I – Homologação de Instrumento de Acordo Coletivo que prevê 
o pagamento das diferenças relativas aos Planos Econômicos 
Bresser, Verão e Collor II, bem como a não ressarcibilidade de 
diferenças referentes ao Plano Collor I. 
II – Viabilidade do acordo firmado por legitimados coletivos 
privados, em processo de índole objetiva, dada a existênciade 
notável conflito intersubjetivo subjacente e a necessidade de 
conferir-se efetividade à prestação jurisdicional. 
III – Presença das formalidades extrínsecas e das salvaguardas 
necessárias para a chancela do acordo, notadamente de 
representatividade adequada, publicidade ampla dos atos 
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62 
processuais, admissão de amici curiae e complementação da 
atuação das partes pela fiscalização do Ministério Público. 
IV – Decisão do Supremo Tribunal Federal que assume o caráter 
de marco histórico na configuração do processo coletivo 
brasileiro, como forma de ampliação do acesso à Justiça, diante 
da disseminação das lides repetitivas no cenário jurídico 
nacional atual e da possibilidade de solução por meio de 
processos coletivos. 
V – Inocorrência de previsão de suspensão das ações durante o 
prazo de adesão dos poupadores. 
VI – Divergências entre a parte e seu advogado quanto à adesão 
do acordo solucionam-se por meio das regras relativas ao 
contrato de mandato. 
VII – Adoção de um sistema de honorários advocatícios 
contingentes que é de suma importância para fortalecer a 
posição do autor coletivo e, consequentemente, do próprio 
processo coletivo. 
VIII – Acordo que deve ser homologado tal como proposto, de 
maneira a pacificar a controvérsia espelhada nestes autos, que 
há décadas se arrasta irresolvida nos distintos foros do País, 
possibilitando-se aos interessados aderir ou não ao ajuste, 
conforme a conveniência de cada um. 
IX – Decisão que não implica qualquer comprometimento desta 
Suprema Corte com as teses jurídicas veiculadas na avença, 
especialmente aquelas que pretendam, explícita ou 
implicitamente, vincular terceiras pessoas ou futuras decisões 
do Poder Judiciário. 
(ADPF 165 Acordo, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, 
Tribunal Pleno, julgado em 01/03/2018, ACÓRDÃO ELETRÔNICO 
DJe-080 DIVULG 31-03-2020 PUBLIC 01-04-2020) 
 
1.1.3. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO (ADO) 
 
O art. 103, § 2º, fala em “omissão de medida” para tornar efetiva norma 
constitucional em razão de omissão de qualquer dos Poderes ou de órgão 
administrativo. 
Com precisão, anota Barroso que a omissão é de cunho normativo, que é mais 
ampla do que a omissão de cunho legislativo. Assim, engloba “... atos gerais, abstratos 
e obrigatórios de outros Poderes e não apenas daquele ao qual cabe, precipuamente, a 
criação do direito positivo”. 
Segundo o Min. Celso de Melo, na ADI 1484, a omissão do poder público pode 
gerar o fenômeno da “erosão da consciência constitucional”, ou seja, o 
comprometimento da credibilidade da Constituição e da crença em sua efetividade. 
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63 
Fundamento - art. 103, § 2º, da CF e art. 12-A a 12-H da Lei 9.868/99. 
 
Art. 103, § 2º, da CF - Declarada a inconstitucionalidade por 
omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, 
será dada ciência ao Poder competente para a adoção das 
providências necessárias e, em se tratando de órgão 
administrativo, para fazê-lo no prazo de 30 dias. Ver também 
artigos 12-A a 12-H da Lei 9.868/99 (redação dada pela lei 
12.063/09). 
 
Pressuposto para Cabimento - Para o cabimento da ADO deve haver falta de 
medida para tornar efetiva norma da Constituição Federal. 
Objeto da ADO - O objeto da ADO deve ser norma da CF com eficácia limitada. 
A omissão da medida será do poder competente (Legislativo, Executivo ou 
Judiciário). 
O estado de mora legislativa pode ocorrer em momentos: 
 
a) pode acontecer na fase inaugural do processo de elaboração 
das leis, com a não propositura do projeto de regulamentação 
do dispositivo constitucional pelo legitimado, o que é chamado 
de mora agendi; 
b) pode ocorrer no estágio de deliberação sobre proposições já 
veiculadas, quando não atende prazo razoável, o que é chamado 
de mora deliberandi. 
 
O Supremo Tribunal Federal, atualmente, reconhece ambos os estágios (mora 
de iniciativa e mora deliberativa) como aptos a caracterizar omissão inconstitucional e 
mora legislativa, sendo passíveis de controle pela Suprema Corte. 
Omissões Normativas: 
 
A) Parcial: 
A.1. Parcial Propriamente Dita - Nesse caso, existe a lei, mas a 
regulamentação não é completa. Ex.: salário-mínimo - art. 7º, IV, 
da CF. 
A.2. Parcial Relativa - Esta surge quando a lei existe e outorga 
determinado benefício a certa categoria, mas deixa de concedê-
lo a outra, que deveria ter sido contemplada. Ex.: aumento 
diferenciado do servidor público militar e civil (essa 
diferenciação acabou com a emenda 19). 
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64 
B) Total ou Absoluta - Nesse caso, não existe qualquer 
regulamentação. Ex.: art. 37, VII (direito de greve do servidor 
público); e art. 40, § 4º (aposentadoria especial). 
 
Legitimidade - Para o STF, conforme o art. 12-A da Lei 9.868/99, são aqueles 
mesmos legitimados da ADI (art. 103 da CF): 
 
- Presidente da República; 
- Mesa do Senado Federal; 
- Mesa da Câmara dos Deputados; 
- Mesa da Assembleia Legislativa Estadual ou da Câmara do DF; 
- Governadores do Estado ou do DF; 
- Procurador Geral da República; 
- Conselho Federal da OAB; 
- Partido político com representação no Congresso Nacional; 
- Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito 
nacional. 
 
Competência - A competência é do STF, desde que o parâmetro de omissão 
seja a Constituição Federal. 
Procedimento da ADO: 
Petição Inicial - art. 12-B da Lei - A petição indicará: 
 
I - a omissão inconstitucional total ou parcial quanto ao 
cumprimento de dever constitucional de legislar ou quanto à 
adoção de providência de índole administrativa; 
II - o pedido, com suas especificações. 
Parágrafo único - A petição inicial, acompanhada de instrumento 
de procuração, se for o caso, será apresentada em 2 (duas) vias, 
devendo conter cópias dos documentos necessários para 
comprovar a alegação de omissão. 
 
Indeferimento da Inicial - art. 12-C da Lei - A petição inicial inepta, não 
fundamentada, e a manifestamente improcedente serão liminarmente indeferidas pelo 
relator. 
 
Parágrafo único - Cabe agravo da decisão que indeferir a petição 
inicial. 
 
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65 
Impossibilidade de Desistência - art. 12-D da Lei - Proposta a ação direta de 
inconstitucionalidade por omissão, não se admitirá desistência. 
Manifestação do AGU - O relator poderá solicitar a manifestação do Advogado-
Geral da União, que deverá ser encaminhada no prazo de 15 (quinze) dias. 
Vistas do PGR - O Procurador-Geral da República, nas ações em que não for 
autor, terá vista do processo, por 15 (quinze) dias, após o decurso do prazo para 
informações. 
Aplicação das Regras da ADI - Aplicam-se subsidiariamente, no que couber, as 
regras procedimentais da ADI. 
Efeitos da Decisão - art. 12-H da Lei - Declarada a inconstitucionalidade por 
omissão, será dada a ciência ao poder competente para a adoção das providências 
necessárias. 
Pela literalidade legislativa, o STF não poderia obrigar o poder a suprir a 
omissão da medida. Assim, haveria apenas uma notificação a esse poder, em respeito 
ao princípio da tripartição dos Poderes, insculpido no art. 2º da CF/88,pois não é 
permitido ao Judiciário legislar (salvo nas hipóteses constitucionalmente previstas, 
como a elaboração de seu Regimento Interno). 
Ocorre que a doutrina e a jurisprudência divergem sobre os efeitos da 
declaração de inconstitucionalidade por omissão. Importante, sobre o tema, citar duas 
correntes doutrinárias principais: 
 
- Corrente não-concretista: adota a interpretação literal da lei, 
segundo a qual cabe ao STF apenas cientificar o órgão 
competente da omissão constitucional 
- Corrente concretista. Gilmar Mendes e parte da doutrina 
defendem que a decisão que atesta a omissão legislativa possui 
natureza mandamental e impõe ao legislador em mora o dever 
de, dentro de um prazo razoável, proceder à eliminação do 
estado de inconstitucionalidade. 
 
 Em provas, importante atentar-se à forma de questionamento: literalidade da 
lei ou dos entendimentos existentes. 
Em se tratando de órgão administrativo, o STF poderá determinar as medidas 
que devam ser adotadas no prazo de até 30 dias ou em prazo razoável a ser estipulado 
excepcionalmente pelo tribunal, sob pena de responsabilidade. Dessa forma, nesse 
caso, existe um caráter mandamental na decisão do STF. 
Medida Cautelar - art. 12-F da Lei - Em caso de excepcional urgência e 
relevância da matéria, o Tribunal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, 
observado o disposto no art. 22, poderá conceder medida cautelar, após a audiência dos 
órgãos ou autoridades responsáveis pela omissão inconstitucional, que deverão 
pronunciar-se no prazo de 5 (cinco) dias. 
Efeitos da Cautelar - A medida cautelar poderá consistir na suspensão da 
aplicação da lei ou do ato normativo questionado no caso de omissão parcial. 
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A medida cautelar também poderá consistir na suspensão de processo judicial; 
processos administrativos ou qualquer outra providência a ser tomada pelo STF. 
Audiência dos Órgãos e Autoridades - Haverá audiência dos órgãos ou 
autoridades responsáveis pela omissão inconstitucional, que deverão pronunciar-se no 
prazo de 5 dias. 
Oitiva do PGR - O relator, julgando indispensável, ouvirá o PGR, no prazo de 3 
dias. 
Sustentação Oral - No pedido de medida cautelar, será facultada a sustentação 
oral dos representantes judiciais do requerente e das autoridades ou órgãos 
responsáveis pela omissão inconstitucional, na forma estabelecida no Regimento do 
Tribunal. 
 
1.1.4. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE (ADC) 
 
Surgimento Histórico - Surgiu com a EC 03/93 (não se trata de norma 
constitucional originária, fruto do poder constituinte originário). Nessa época, somente 
o Presidente da República, a Mesa da Câmara e do Senado e o PGR podiam propor esta 
ação. Entretanto, a Emenda 45/04 ampliou os legitimados igualando-os aos da ADI. 
Fundamento - art. 102, I, “a” da CF e Lei 9.868/99. 
Objetivo - Sua função é declarar constitucional lei ou ato normativo federal 
(art. 102, I, “a” da CF). As leis, como se sabe, são presumidamente constitucionais. 
Ocorre que se trata de presunção relativa de constitucionalidade, que pode ser levada 
à apreciação do judiciário, tanto na via concentrada como difusa, nos casos concretos. 
Dito isto, o objetivo da ADC é tornar a presunção relativa de constitucionalidade 
em presunção absoluta. Assim, diante da eficácia erga omnes da decisão, uma vez 
declarada a constitucionalidade em sede de ADC, não poderão os demais órgãos do 
Judiciário afastar a aplicabilidade da Lei, sob pena de desrespeitar a autoridade do 
pronunciamento do STF, sujeitando a decisão à reclamação constitucional. 
Registre-se, contudo, que essa presunção absoluta deve ser vista com 
temperamentos, uma vez que a declaração de constitucionalidade em sede de ADC não 
impede que o STF venha, em outra oportunidade, a revisitar sua jurisprudência e passe 
a entender pela inconstitucionalidade da norma. Da mesma forma, a alteração do 
parâmetro constitucional por meio de emenda ou mesmo um processo de mutação 
constitucional pode culminar com a extirpação da norma do ordenamento. 
Por sua natureza ambivalente, no entanto, caso a ADC seja julgada 
improcedente, ter-se-á declaração de inconstitucionalidade da norma, conforme art. 24 
da Lei nº 9.868/99, extirpando o comando do ordenamento jurídico. 
Requisito de Admissibilidade - art. 14, III da Lei 9.868/99 - É requisito da 
petição inicial que se demonstre a existência de uma controvérsia judicial relevante 
sobre a aplicação da disposição do objeto da ação declaratória. 
A relevância da controvérsia é avaliada sob o aspecto qualitativo, e não 
meramente quantitativo. Segundo o STF, ainda que haja poucas decisões judiciais sobre 
a norma, é possível que haja controvérsia relevante, que afete de fato a presunção de 
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constitucionalidade da norma. Outro parâmetro já adotado pelo STF foi o da própria 
envergadura da norma questionada, no caso uma Emenda à Constituição. 
Ressalte-se que a mera divergência doutrinária não se enquadra como 
controvérsia judicial relevante. É necessário, portanto, que existam decisões judiciais, 
ainda que em quantitativo reduzido. 
Decisão importante sobre o tema: 
 
Durante o julgamento da chamada “PEC da Bengala” (EC 88/15) 
O STF decidiu que o requisito relativo à existência de 
controvérsia judicial relevante, necessário ao processamento e 
julgamento da ADC (Lei 9.868/1999, art. 14, III), seria 
qualitativo, e não quantitativo, isto é, não diria respeito 
unicamente ao número de decisões judiciais num ou noutro 
sentido. Dois aspectos tornariam a controvérsia em comento 
juridicamente relevante. O primeiro diria respeito à estatura 
constitucional do diploma que estaria sendo invalidado nas 
instâncias inferiores — a EC 88/2015, que introduzira o art. 100 
ao ADCT —, ou seja, uma emenda à Constituição, expressão 
mais elevada da vontade do parlamento brasileiro. Em segundo 
lugar, decisões similares poderiam vir a se proliferar pelos 
Estados-Membros, a configurar real ameaça à presunção de 
constitucionalidade da referida emenda constitucional. ADI 
5316 MC/DF, rel. Min. Luiz Fux, 21.5.2015. (ADI-5316) 
 
Objeto da ADC - Lei ou Ato Normativo Federal. 
Quanto ao objeto da ADC, o art. 102, I, “a”, parte final, CF/88, delimita-o para 
abarcar, tão somente, as leis e demais atos normativos federais. Não é admissível, 
portanto, a propositura de ADC para a declaração de constitucionalidade de lei (ou outro 
ato normativo) estadual, distrital ou municipal. 
 
ATENÇÃO! Lei estadual, distrital ou municipal NÃO PODEM SER OBJETO DE ADC. 
 
O STF é guardião da Constituição Federal. Logo, não faria sentido que 
declarasse de modo absoluto a constitucionalidade de lei estadual, que pode ainda ser 
confrontada com a Constituição local. 
Legitimidade - São os mesmos legitimados da ADI genérica. 
Caráter Ambivalente ou Dúplice da Decisão da ADI e da ADC - art. 24 da Lei - 
Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta ou 
procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar-
se-á procedente a ação direta ou improcedente eventual ação declaratória. 
Procedimento da ADC: 
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i. Requisito de Admissibilidade da Petição - Para o exame do mérito, é 
necessário que seja demonstrada a controvérsia judicial que põe risco a presunção de 
constitucionalidadedo ato normativo sob exame, permitindo à Corte o conhecimento 
das alegações em favor da constitucionalidade e contra ela, e do modo como estão 
sendo decididas num ou noutro sentido. 
ii. Indeferimento da Inicial - A petição inicial inepta, não fundamentada, e a 
manifestamente improcedente serão liminarmente indeferidas pelo relator. 
Caberá agravo da decisão que indeferir a petição inicial. 
iii. Manifestação do AGU - A lei não prevê a manifestação do AGU. Entretanto, 
tem-se entendido que é possível sua manifestação dado o caráter dúplice da ADC (sua 
procedência é a improcedência da ADIN). 
Ressalte-se que o STF entende que sua participação é desnecessária. 
Entretanto, a doutrina entende que esta participação é facultativa. 
iv. Vistas do Processo ao PGR - art. 19 da Lei - Será aberta vista ao Procurador-
Geral da República, que deverá pronunciar-se no prazo de quinze (15) dias. 
v. Possibilidade de Diligências e Audiência Pública - Em caso de necessidade 
de esclarecimento de matéria ou circunstância de fato ou de notória insuficiência das 
informações existentes nos autos, poderá o relator requisitar informações adicionais, 
designar perito ou comissão de peritos para que emita parecer sobre a questão ou fixar 
data para, em audiência pública, ouvir depoimentos de pessoas com experiência e 
autoridade na matéria. 
Quórum de Votação - Para se começar o julgamento da ADC devem estar 
presentes pelo menos 8 Ministros, ou seja, 2/3 (quórum de instalação). Para se julgar a 
ADC, o quórum é de maioria absoluta (6 ministros). 
Impossibilidade de Desistência - Proposta a ação direta de constitucionalidade, 
não se admitirá desistência. 
Efeitos da Decisão - São erga omnes, ex tunc e vinculantes. 
Medida Cautelar - art. 21 da Lei 9.868/99 - Cabe cautelar na ADC, por voto da 
maioria absoluta, e esta consiste na suspensão às ações que estão em andamento. 
Esta suspensão irá vigorar pelo prazo de 180 dias, sob pena de perda da eficácia. 
Segundo o STF, é possível o efeito vinculante e erga omnes em sede liminar na 
ADC, tendo em vista o poder geral de cautela, podendo suas decisões serem preservadas 
pelo instrumento de reclamação. 
 
1.1.5. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE INTERVENTIVA (REPRESENTAÇÃO 
INTERVENTIVA) 
 
A Constituição Federal consagra o Postulado da Não Intervenção, como 
consequência direta da autonomia concedida aos entes da Federação. Como regra, 
nenhum ente poderá intervir em outro, salvo nas situações excepcionais indicadas na 
Constituição, como forma de proteger a ordem constitucional. 
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A intervenção é a suspensão temporária da autonomia do ente federativo em 
virtude de atos considerados lesivos à federação. 
 
ATENÇÃO! Registre-se que a União apenas pode intervir nos Estados e no Distrito 
Federal, jamais nos Municípios (SALVO MUNICÍPIOS LOCALIZADOS EM TERRITÓRIO 
FEDERAL-pegadinha de prova). Os Estados, por sua vez, podem, excepcionalmente, 
intervir em seus Municípios. O Distrito Federal jamais poderá promover intervenção, 
pois este não se divide em municípios. 
 
A intervenção pode ser espontânea, quando decretada diretamente pelo Chefe 
do Executivo, ou provocada. 
No ponto 8, estudaremos com mais detalhes o instituto da intervenção, suas 
modalidades e fases. Neste ponto, para fins de entendimento, frisa-se que uma forma 
de provocar a intervenção é, justamente, por meio da ADI interventiva, ou 
representação interventiva, perante o STF. 
A ADI interventiva pode ser proposta nos casos de i) violação aos princípios 
constitucionais sensíveis; ii) recusa, por parte do Estado-membro, de execução à lei 
federal. 
O Judiciário exerce, na hipótese, controle de constitucionalidade de forma 
concreta, pois há uma situação fática subjacente. 
Segundo Barroso, há verdadeiro litígio constitucional, sendo estabelecida uma 
relação processual contraditória, que contrapõe União e Estado-membro. 
Fundamentos Legais da ADI Interventiva: 
 
- Art. 34, VI e VII; art. 35 e art. 36, III e §§ 3º e 4º da CF; 
- Arts. 350 a 354 do RISTF; e 
- Arts. 19 a 22 da Lei 8.038/90. 
- Lei 12.562/2011 (Lei da Representação Interventiva). 
 
Finalidade - É um pressuposto para uma futura e eventual intervenção de um 
ente federado em outro, nas hipóteses admitidas pela Constituição. O princípio (regra) 
é o da não intervenção, ou seja, da autonomia entre os entes da federação (art. 34 da 
CF). Assim, a intervenção é uma exceção para casos de crises. 
Dessa forma, pode-se dizer que a ADIn Interventiva é um elemento de 
estabilização de crises. 
Natureza da ADI Interventiva - Esta ação não é um procedimento em abstrato, 
pois se aplica a um caso concreto. Assim, é uma ação de controle concentrado e 
concreto. 
 
1.1.6. ADI INTERVENTIVA FEDERAL 
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Objeto da ADI Interventiva Federal - 
Nos termos do art. 2º da Lei 12.562/2011, a ADI-interventiva será proposta em 
casos de violação aos princípios sensíveis ou de recusa, por parte de Estado-Membro, à 
execução de lei federal. 
PARA RELEMBRAR - São princípios constitucionais sensíveis: 
 
a) forma republicana, sistema representativo e regime 
democrático; 
b) direitos da pessoa humana; 
c) autonomia municipal; 
d) prestação de contas da administração pública, direta e 
indireta; 
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos 
estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na 
manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços 
públicos de saúde. 
 
A doutrina destrincha o conceito, citando alguns exemplos: 
 
i) Lei ou Ato Normativo que viole princípios sensíveis; 
ii) Omissão ou Incapacidade das autoridades locais para se 
assegurar o cumprimento e preservação dos princípios sensíveis 
(ex.: direitos da pessoa humana); 
iii) Ato Governamental Estadual que desrespeite os princípios 
sensíveis da CF; 
iv) Ato Administrativo, que afronte os princípios sensíveis; 
v) Ato Concreto que viole os princípios sensíveis. 
vi) recusa de execução à lei federal 
 
Competência - Na Intervenção Federal, a União intervém nos Estados, no 
Distrito Federal ou em Municípios localizados em territórios federais. Assim, o STF irá 
julgar e requisitar e o Presidente irá decretar a intervenção. 
Legitimidade - art. 36, III, da CF - a legitimidade para representação é exclusiva 
do Procurador Geral da República. 
Entende-se que a legitimidade passiva é do ente federado no qual se verifica a 
violação ao princípio sensível da CF, devendo ser solicitadas informações às autoridades 
responsáveis pelos atos. 
Procedimento da ADI Interventiva Federal: 
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71 
Petição Inicial - A petição Inicial deverá conter: 
 
i) A indicação do princípio constitucional sensível (art. 34, VII, da 
CF) que se considera violado ou, se for o caso de recusa à 
aplicação da lei federal, das disposições questionadas; 
ii) A indicação do ato normativo, do ato administrativo, do ato 
concreto ou da omissão questionados; 
iii) A prova da violação do princípio constitucional ou da recusa 
da execução de lei federal; e 
iv) O pedido, com suas especificações. 
 
A petição inicial será apresentada em 2 vias, devendo conter, se for o caso, 
cópia do ato questionado (estadual ou distrital) e dos documentos necessários para 
comprovar a impugnação. 
Tentativa de dirimir o conflito - Recebidaa inicial, o relator deverá tentar 
dirimir o conflito que dá causa ao pedido, utilizando-se dos meios que julgar necessários, 
na forma do regimento interno. 
Indeferimento Liminar da Petição Inicial - Cabe ao relator indeferir 
liminarmente a petição inicial quando: 
 
i) Não for o caso de representação interventiva; 
ii) Faltar algum dos requisitos estabelecido na lei; 
iii) For inepta. 
 
Recurso do Indeferimento Liminar - Contra a decisão de indeferimento da 
petição inicial caberá agravo, no prazo de 5 dias. 
Solicitação de Informações às Autoridades - Não solucionado o problema e não 
sendo caso de arquivamento, apreciado eventual pedido liminar ou, logo após recebida 
a petição inicial, se não houver pedido liminar, o relator solicitará as informações às 
autoridades responsáveis pela prática do ato questionado, que as prestarão em até 10 
dias. 
Manifestação do AGU e PGR - Decorrido o prazo para prestação de 
informações, serão ouvidos, sucessivamente, o AGU e o PGR, que deverão manifestar-
se, cada qual, no prazo de 10 dias. 
Audiência Pública - O relator, se entender necessário, poderá requisitar 
informações adicionais, designar perito ou comissão de peritos para que elabore laudo 
sobre a questão ou, ainda, fixar data para declarações, em audiência pública, de pessoas 
com experiência e autoridade na matéria. 
Amicus Curiae - Poderão, se autorizadas, ainda, a critério do relator, a 
manifestação e a juntada de documentos por parte de interessados no processo, 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
72 
reconhecendo-se, assim, nos termos do art. 7º da Lei 12.562/11, a manifestação do 
amicus curiae. 
Quórum de Votação - Para se começar o julgamento, devem estar presentes 
pelo menos 8 Ministros, ou seja, 2/3 (quórum de instalação). 
Para se julgar, o quórum é de maioria absoluta (6 ministros). 
Comunicação da Decisão - art. 11 da Lei 12.562/2011 - Julgada a ação, far-se-á 
a comunicação às autoridades ou aos órgãos responsáveis pela prática dos atos 
questionados, e, se a decisão final for pela procedência do pedido formulado na 
representação interventiva, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, publicado o 
acórdão, levá-lo-á ao conhecimento do Presidente da República para, no prazo 
improrrogável de até 15 (quinze) dias, dar cumprimento aos §§ 1º e 3º do art. 36 da 
Constituição Federal. 
Ressalte-se que, por se tratar de requisição, e não mera solicitação, o 
Presidente não poderá descumprir a ordem mandamental, sob pena de cometimento 
tanto de crime comum como de responsabilidade, devendo, então, decretar a 
intervenção. 
Cabe destacar que a decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido 
da representação interventiva é: i) irrecorrível; ii) insuscetível de impugnação por ação 
rescisória. 
Medida Liminar - art. 5º da Lei 11.562/11 - O Supremo Tribunal Federal, por 
decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida liminar 
na representação interventiva. 
Oitiva das Autoridades e Terceiros - § 1º O relator poderá ouvir os órgãos ou 
autoridades responsáveis pelo ato questionado, bem como o Advogado-Geral da União 
ou o Procurador-Geral da República, no prazo comum de 5 (cinco) dias. 
Efeitos da Liminar - § 2º A liminar poderá consistir na determinação de que se 
suspenda o andamento de processos ou os efeitos de decisões judiciais ou 
administrativas ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria 
objeto da representação interventiva. 
 
1.1.7. REPRESENTAÇÃO INTERVENTIVA ESTADUAL 
 
Legitimados - A legitimidade será do Procurador-Geral de Justiça - PGJ. 
Competência - Na ADI interventiva estadual, os Estados intervêm em seus 
Municípios. Assim, o TJ irá julgar e requisitar, e o Governador irá decretar a 
intervenção, nos termos do art. 35, IV, da Constituição Federal: 
 
Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União 
nos Municípios localizados em Território Federal, exceto 
quando: 
V - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para 
assegurar a observância de princípios indicados na Constituição 
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73 
Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de 
decisão judicial. 
 
Objeto - Lei ou ato normativo, ou omissão, ou ato governamental municipais 
que desrespeitem os princípios indicados na Constituição Estadual. 
As regras procedimentais vêm previstas nas Constituições Estaduais e nos 
regimentos internos dos tribunais locais, devendo, em essência, por simetria, seguir o 
modelo federal. 
 
ATENÇÃO! Súmula 637-STF: Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de 
Tribunal de Justiça que defere pedido de intervenção estadual em Município. 
Com efeito, prevalece que quando o Tribunal de Justiça decide um pedido de 
intervenção estadual, essa decisão, apesar de proferida por órgão do Poder Judiciário, 
reveste-se de caráter político-administrativo (e não jurisdicional em sentido estrito). 
 
1.1.8. CONTROLE ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE NOS ESTADOS-MEMBROS 
 
Previsão Legal - art. 125, § 2º, da CF - Cabe aos Estados a instituição de 
representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou 
municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para 
agir a um único órgão. 
Objeto - Leis ou atos normativos estaduais ou municipais poderão ser objeto 
de controle em face da Constituição Estadual. 
Competência - É do Tribunal de Justiça do respectivo estado membro. 
Legitimados - No âmbito estadual, o TJ, quando for regulamentar a matéria de 
ADI, poderá determinar a simetria ao art. 103 da CF. Ressalte-se que a legitimidade está 
vedada a somente um único órgão. Além disso, a Constituição Estadual pode 
acrescentar outros legitimados. 
Parâmetro de Controle - É a Constituição Estadual, não podendo, via de regra, 
ter como parâmetro a CF. Dessa forma, a lei estadual sofre uma dupla fiscalização, uma 
em face da CE pelo TJ e outra em face da CF pelo STF. 
Simultaneidade de Ações de Inconstitucionalidade no STF e TJ - Questão 
abordada no tópico sobre ADI. Em regra, ocorrendo a tramitação simultânea, o processo 
de fiscalização estadual fica suspenso, aguardando decisão do STF. Caso o Tribunal se 
antecipe ao julgamento do STF, podem emergir duas hipóteses: 
 
i. TJ Declara Previamente a Lei Estadual Constitucional - 
Naturalmente, nessa hipótese, não haverá simultaneidade de 
ações. Assim, em sendo no futuro ajuizada a ADI perante o STF, 
tendo por objeto a mesma lei estadual, o STF poderá reconhecê-
la como inconstitucional diante da CF. 
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74 
ii. TJ Declara Previamente a Lei Estadual Inconstitucional - 
Nessa situação, não haveria mais sentido falar em controle 
perante o STF, já que a lei estadual foi retirada do ordenamento 
jurídico. 
 
Utilização do Recurso Extraordinário no Controle Concentrado e em Abstrato 
Estatal 
De modo geral, não cabe recurso da decisão do Tribunal de Justiça sobre a 
constitucionalidade da lei estadual ou municipal em face da Constituição Estadual. 
Entretanto, excepcionalmente, pode surgir situação em que o parâmetro da CE seja uma 
norma de reprodução obrigatória da CF. Nesse caso, a lei estadual ou municipal, que 
viola a CE, no fundo, estará também violando a CF. Dessa forma, como o TJ não tem essa 
atribuição de análise, buscando-se evitar a situação de o TJ usurpar competência do STF, 
abre-sea possibilidade de se interpor recurso extraordinário contra o acórdão do TJ 
em controle de constitucionalidade abstrato estadual para que o STF diga qual a 
interpretação da lei estadual ou municipal perante a CF. 
Nesse específico Recurso Extraordinário, a decisão do STF produzirá efeitos de 
ADI (erga omnes, ex tunc e vinculante), podendo o STF, naturalmente, modular os 
efeitos da decisão (portanto, não se aplicará a regra do art. 52, X, da CF, que exige a 
suspensão do ato normativo pelo Senado Federal para a obtenção do efeito erga 
omnes). 
Nesse caso, perceba: surgirá a possibilidade de o STF analisar a 
constitucionalidade de lei municipal perante a CF e com efeitos erga omnes, se na 
análise inicial do controle abstrato estadual a lei municipal foi confrontada em relação 
à norma da CE de reprodução obrigatória e compulsória da CF. Ver RE 187.142-RJ; 
RE199281 e ADI 1.268. 
Inconstitucionalidade do parâmetro de controle estadual - Questão intrigante 
suscitada em doutrina é a possibilidade de o Tribunal considerar de forma prejudicial a 
inconstitucionalidade do próprio parâmetro estadual. 
Em outras palavras, pode o Tribunal de Justiça se deparar com norma da 
constituição estadual, que, suscitada em controle de constitucionalidade, viole a 
Constituição Federal. 
Nesse caso, segundo Gilmar Mendes, pode o Tribunal declarar incidentalmente 
a inconstitucionalidade da norma da Constituição Estadual, extinguindo o processo sem 
resolução de mérito. 
Prossegue o doutrinador, afirmando que da decisão caberia Recurso 
extraordinário para o STF, que poderia confirmar a inconstitucionalidade, mantendo a 
decisão, ou mesmo revê-la, como intérprete último da CF, considerando constitucional 
a norma da Constituição Estadual, o que deveria implicar o retorno dos autos para que 
o Tribunal de Justiça prosseguisse com o julgamento da ação. 
 
1.1.9. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO MUNICIPAL 
 
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75 
Quanto ao controle difuso dos atos normativos municipais, ele poderá ser 
exercido de forma ampla, tendo como objeto de controle, lei ou um ato normativo 
municipal, bem como parâmetro de constitucionalidade tanto a Constituição Federal 
quanto a Constituição Estadual do respectivo Estado-membro onde está situado o 
Município, além de ser exercido por qualquer juiz ou tribunal, observadas as regras de 
competência. 
Quanto ao controle abstrato, a CF estabelece, em seu art. 125, parágrafo 2º, 
que os Tribunais de Justiça realizarão o controle de constitucionalidade da norma 
municipal, tendo como parâmetro a Constituição Estadual. 
Em recente julgamento (RE 650.898), o STF fixou o seguinte entendimento: 
“Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis 
municipais utilizando como parâmetro normas da Constituição Federal, desde que se 
trate de normas de reprodução obrigatória pelos Estados”. 
Assim, é possível questionar a constitucionalidade da lei municipal, tendo 
como parâmetro a norma da Constituição Federal, de reprodução obrigatória na 
Constituição do Estado. Nesse caso, como já debatido, se a lei municipal viola a 
Constituição Estadual, em última análise, pode ser que ela esteja, também, violando a 
Constituição Federal. Assim, abre-se a possibilidade de se interpor recurso 
extraordinário contra o acórdão do TJ em controle abstrato para que o STF diga, então, 
qual a interpretação da lei estadual ou municipal perante a CF. Trata-se, portanto, de 
manejo de típico recurso do controle difuso (pela via incidental) no controle 
concentrado e em abstrato no âmbito estadual. 
Portanto, surgirá a possibilidade de o STF analisar a constitucionalidade de lei 
municipal perante a CF e com efeitos erga omnes, se na análise do controle abstrato 
estadual a lei municipal foi confrontada em relação à norma da Constituição Estadual 
de reprodução obrigatória da Constituição Federal. 
Noutro giro, convém lembrar que é possível o controle concentrado de 
constitucionalidade de lei municipal, por meio da ADPF. A Arguição do 
Descumprimento de Preceito Fundamental está prevista no parágrafo 1º do art. 102 da 
CF e foi regulamentada pela Lei n. 9.882/99. 
 
ATENÇÃO! É incorreto afirmar que não existe controle concentrado de 
constitucionalidade de lei municipal. Como visto acima, é cabível o manejo da ADPF (não 
de ADI nem de ADC). 
Assim, em provas, atenção à forma de questionamento. 
 
1.1.9.1. Controle de Constitucionalidade de Lei municipal em face da lei orgânica do 
Município 
 
ATENÇÃO! Prevalece que não existe a possibilidade de controle de 
constitucionalidade de lei municipal em face da lei orgânica municipal. É cabível, 
apenas, controle de legalidade. 
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76 
 
Prevalece na doutrina que não há que se falar em controle de 
constitucionalidade no âmbito estritamente municipal, na contraposição entre a Lei 
Orgânica do Município e demais Leis, não obstante a autonomia municipal e o caráter 
superior da Lei Orgânica, que tem o papel de definir a organização estrutural, 
administrativa e de governo no âmbito municipal. 
Na hipótese, a crise não seria de constitucionalidade, pois a Lei Orgânica, como 
indica sua denominação, não é Constituição, mas sim Lei, sendo hipótese de controle de 
legalidade, cujas regras deverão ser explicitamente previstas na Lei Orgânica de cada 
Município, desde que compatíveis com o traçado estabelecido na Constituição Federal 
e na Constituição Estadual. 
Na doutrina, podemos citar CELSO BASTOS e IVES GANDRA MARTINS, os quais 
afirmam, peremptoriamente, que “não pode haver ação de inconstitucionalidade por 
lesão à lei orgânica do município, uma vez que, nada obstante a simetria de que ela 
desfruta com as Constituições Estaduais e Federal, a sua natureza é de lei e não de 
Constituição. O vício é de mera ilegalidade e não de inconstitucionalidade”. 
Outra questão que pode ser oposta em face do controle abstrato, tendo como 
parâmetro a Lei Orgânica, é a inexistência de Poder Judiciário municipal. Desta forma, 
não poderia o Município estabelecer, sem que haja previsão na Constituição do Estado, 
que a competência para o julgamento seria, por exemplo, do Tribunal de Justiça, uma 
vez que é matéria a ser tratada na Constituição Estadual. 
Não obstante, há doutrina minoritária que considera a natureza constitucional 
da Lei Orgânica de Município e sugere que a possibilidade de controle, seja pela via 
incidental, como abstratamente, lembrando a previsão de controle concentrado de lei 
municipal em face da lei orgânica, nos termos do art. 61, I, “l”, da Constituição do Estado 
de Pernambuco. 
Ocorre que, neste caso, a possibilidade dependeu de manifestação não apenas 
do legislativo municipal, pois o controle foi sufragado em razão da atuação do 
constituinte estadual. 
Nesse sentido, ficou assentado no âmbito do TJPE que “Lei Orgânica Municipal 
não é uma lei ordinária comum, ela é a constituição do ente federado chamado 
município. Isso é o que eu defendo, e a Constituição Federal, ao estabelecer que os 
Estados poderiam instituir a representação de inconstitucionalidade de Lei Municipal em 
face da Constituição Estadual, ela não vedou que ele ampliasse para a criação da 
instituição da Ação Direta em face da Lei Orgânica” (TJPE, CE-ADIN n. 135590-0, rel. 
Des.Bartolomeu Bueno, notas taquigráficas, j. 17 jun. 2006). 
Resta aguardar como o STF vai evoluir sobre esse assunto (matéria pendente). 
Interessante destacar a posição de André Ramos Tavares, no sentido de que o 
controle seria feito pelo sistema difuso apenas:“O que parece fora de questão é que se pode atribuir à Lei 
Orgânica um caráter constitucional, não em função de instituir 
uma entidade estatal, mas por ser a norma maior reguladora da 
atividade política do município, mantendo, assim, superioridade 
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77 
hierárquica em relação a todo o restante do ordenamento 
municipal. 
Sendo assim, a incompatibilidade de conteúdos entre um ato 
normativo da Câmara dos Vereadores e a lei orgânica é causa 
suficiente para que se busque a eliminação da referida norma do 
ordenamento, em nome da coerência interna do sistema. Deve-
se controlar a adequação das normas inferiores de um Município 
ao conjunto de suas normas fundamentais, a lei orgânica. Como 
proceder a esse controle, não previsto pelo constituinte federal 
ou estadual, é questão que continua a demandar estudo mais 
aprofundado, embora, pela interpretação lógico-sistemática do 
ordenamento, algumas considerações iniciais possam ser 
traçadas.” (A. R. Tavares, Curso de direito constitucional, 8. ed., 
p. 476.) 
 
Para fins de prova, é mais seguro adotar o posicionamento dominante. 
 
 
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78 
2. JURISPRUDÊNCIA 
 
SÚMULAS DO STF 
 
Súmula Vinculante 10: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão do 
órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a 
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta a sua incidência 
no todo ou em parte. 
Súmula 642: Não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal 
derivada da sua competência legislativa municipal. 
Súmula 614: Somente o Procurador-Geral da Justiça tem legitimidade para propor ação 
direta interventiva por inconstitucionalidade de Lei Municipal. 
Súmula 637: Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de Tribunal de Justiça que 
defere pedido de intervenção estadual em Município. 
 
JULGADOS 
 
Os Estados-membros da Federação, no exercício da competência outorgada pela 
Constituição Federal (art. 25, caput, c/c art. 125, § 2º, CF), não podem afastar a 
legitimidade ativa do Chefe do Ministério Público estadual para propositura de ação 
direta de inconstitucionalidade perante o Tribunal de Justiça local. STF. Plenário. ADI 
5.693/CE, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 18/11/2021. 
 
É constitucional o dispositivo de constituição estadual que confere ao tribunal de justiça 
local a prerrogativa de processar e julgar ação direta de inconstitucionalidade contra leis 
e atos normativos municipais tendo como parâmetro a Constituição Federal, desde que 
se trate de normas de reprodução obrigatória pelos estados. Admite-se o controle 
abstrato de constitucionalidade, pelo Tribunal de Justiça, de leis e atos normativos 
estaduais e municipais em face da Constituição da República, apenas quando o 
parâmetro de controle invocado for norma de reprodução obrigatória ou exista, no 
âmbito da Constituição estadual, regra de caráter remissivo à Carta federal. STF. 
Plenário. ADI5647/AP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 3/11/2021 (Info 1036). 
 
Não se admite controle concentrado de constitucionalidade de leis ou atos normativos 
municipais em face da lei orgânica respectiva. Com efeito, não é possível extrair, da 
literalidade do art. 125, § 2º, da Constituição Federal, o cabimento de controle 
concentrado de constitucionalidade de leis ou atos normativos municipais contra a lei 
orgânica respectiva. Não compete ao Poder Legislativo, de qualquer das esferas 
federativas, suspender a eficácia de lei ou ato normativo declarado inconstitucional em 
controle concentrado de constitucionalidade. As decisões tomadas em controle 
concentrado já são dotadas de eficácia erga omnes. Desse modo, a atuação do Poder 
Legislativo só se justifica no âmbito do controle difuso — de modo a expandir a todos os 
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79 
efeitos de decisão dotada originalmente com eficácia “entre as partes”. ADI 5548/PE, 
relator Min. Ricardo Lewadowski, julgamento virtual finalizado em 16.8.2021 (Info 
1.025 - STF). 
 
Governador de estado afastado cautelarmente de suas funções — por força do 
recebimento de denúncia por crime comum — não tem legitimidade ativa para a 
propositura de ação direta de inconstitucionalidade. A interpretação que melhor se 
coaduna com a Constituição Federal (CF) é aquela que — diante de afastamento 
cautelar, no qual se suspendem as relações entre o ocupante do cargo e o desempenho 
das funções correlatas — rejeita, com mais razão, a possibilidade de o governador 
afastado propor ação direta. De uma parte, porque a atribuição contida no art. 103, V, 
da CF só pode ser entendida como componente do feixe de funções típicas do cargo e, 
portanto, alvo da suspensão. De outra, em virtude do lugar central que ocupa a 
legitimação para a propositura de ações diretas no desenho das instituições 
democráticas, não se pode conceber que esta capacidade seja preservada ao chefe do 
Poder Executivo quando outras lhe são defesas. Ademais, a possibilidade de conferir-se 
a governador afastado de suas funções o direito de propositura de ação direta de 
inconstitucionalidade conduz à situação de grave inconsistência, pois, ou retira-se essa 
faculdade do governador em exercício, ou se permite que aquele, de forma anômala, 
concorra com este no acesso à fiscalização abstrata das normas. ADI 6728 AgR/DF, 
relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 30.4.2021 (Info 1.015 – 
STF). 
 
A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) é instrumento eficaz 
de controle da inconstitucionalidade por omissão. Com efeito, a ADPF pode ter por 
objeto as omissões do poder público, quer totais ou parciais, normativas ou não 
normativas, nas mesmas circunstâncias em que ela é cabível contra os atos em geral do 
poder público, desde que essas omissões se afigurem lesivas a preceito fundamental, a 
ponto de obstar a efetividade de norma constitucional que o consagra. O preceito 
veiculado pelo art. 75 da Constituição Federal (CF) aplica-se, no que couber, à 
organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito 
Federal e dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios, excetuando-se ao 
princípio da simetria os Tribunais de Contas do Município. De fato, a Constituição da 
República de 1988 manteve em funcionamento os Tribunais de Contas do Município 
existentes na data da sua promulgação (Tribunal de Contas do Município de São Paulo 
e do Rio de Janeiro), vedando a criação de novos Tribunais de Contas municipais, nos 
termos do § 4º do seu art. 31. A existência especial de dois Tribunais de Contas 
municipais, absorvidos pela CF/1988, consagram o caráter sui generis e excepcional 
desses órgãos de controle remanescentes do modelo antes vigente. Os Tribunais de 
Contas do Município — órgãos autônomos e independentes, com atuação circunscrita 
à esfera municipal, compostos por servidores municipais, com a função de auxiliar a 
Câmara Municipal no controle externo da fiscalização financeira e orçamentária do 
respectivo Município —, distinguem-se, portanto, dos Tribunais de Contas dos 
Municípios — órgãos estaduais, cuja área de abrangência coincide com o território do 
estado ao qual vinculados. Inexiste paralelismo entre o modelo federal estabelecido ao 
Tribunal de Contas da União e o do Tribunal de Contas do Município, sendo essamais 
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80 
uma das assimetrias constitucionais entre os entes federados, como, por exemplo, a 
ausência de Poder Judiciário, Ministério Público e Polícia Militar na esfera municipal. 
Ausente a instituição no plano municipal, não há o que se instituir, menos ainda sob o 
argumento de ausência de simetria do que se tem no estado e na União sobre o 
Ministério Público. Dessa forma, no caso, não é obrigatória a instituição e 
regulamentação do Ministério Público especial junto ao Tribunal de Contas do Município 
de São Paulo. ADPF 272/DF, relatora Min. Cármen Lúcia, julgamento em 25.3.2021 
(Info 1.011). 
 
Cabe ADPF para sanar omissão do Poder Público 
A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) é instrumento eficaz de 
controle da inconstitucionalidade por omissão. A ADPF pode ter por objeto as omissões 
do poder público, quer totais ou parciais, normativas ou não normativas, nas mesmas 
circunstâncias em que ela é cabível contra os atos em geral do poder público, desde que 
essas omissões se afigurem lesivas a preceito fundamental, a ponto de obstar a 
efetividade de norma constitucional que o consagra. STF. Plenário. ADPF 272/DF, Rel. 
Min. Cármen Lúcia, julgado em 25/3/2021. 
É constitucional a promulgação, pelo Chefe do Poder Executivo, de parte incontroversa 
de projeto da lei que não foi vetada, antes da manifestação do Poder Legislativo pela 
manutenção ou pela rejeição do veto, inexistindo vício de inconstitucionalidade dessa 
parte inicialmente publicada pela ausência de promulgação da derrubada dos vetos. 
 
A CAUSA DE PEDIR ABERTA DAS AÇÕES DO CONTROLE CONCENTRADO DE 
CONSTITUCIONALIDADE TORNA DESNECESSÁRIO O AJUIZAMENTO DE NOVA AÇÃO 
DIRETA PARA A IMPUGNAÇÃO DE NORMA CUJA CONSTITUCIONALIDADE JÁ É 
DISCUTIDA EM AÇÃO DIRETA EM TRÂMITE PERANTE O STF, PROPOSTA PELA MESMA 
PARTE PROCESSUAL. 
[ADI 5.749 AgR, rel. min. Alexandre de Moraes, j. 9-2-2018, P, DJE de 26-2-2018.]. 
DECISUM (DECISÃO): Verificada a identidade entre as partes e o pedido, consistente na 
impugnação do mesmo ato normativo, considera também idêntica a causa de pedir, 
uma vez que esta é necessariamente aberta, razão pela qual impõe-se a extinção sem 
resolução do mérito da segunda ação direta proposta. 
RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): O Supremo Tribunal Federal, ao 
apreciar a (in)constitucionalidade de uma norma o faz considerando todo o bloco de 
constitucionalidade, tanto no aspecto formal como material, não estando adstrito aos 
fundamentos deduzidos pelo autor da Ação Direta. Presume-se que, ao julgar a ADI 
improcedente, o STF repeliu não apenas os argumentos do autor, mas confrontou a 
norma com toda a Constituição. Desta forma, se o autor ao ajuizar a ação em razão de 
um vício material posteriormente verificar que o mesmo ato normativo padece também 
de vício formal, não será necessário propor uma nova ação. Assim, os argumentos já se 
consideram alcançados pela ação direta em trâmite, podendo o autor, se achar 
pertinente, lançar a nova perspectiva nos autos, com a mesma extensão e eficácia, a 
título de aditamento à petição inicial daquela ação. 
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Vale uma observação! Esta situação não invalida a possibilidade de que o STF declare a 
constitucionalidade de uma norma, porém posteriormente seja novamente instado a se 
manifestar sobre a constitucionalidade da norma e verifique que esta padece de vício 
não enfrentado na ação anterior. Nada impede que, após o questionamento da 
constitucionalidade de uma norma sob o aspecto formal, seja proposta uma segunda 
ADI questionando, por exemplo, a inconstitucionalidade material da lei. 
O fato de o STF ter declarado a validade formal de uma norma não interfere nem impede 
que ele reconheça posteriormente que ela é materialmente inconstitucional, podendo 
em algumas situações a presunção de que o STF enfrentou todos os argumentos 
possíveis em face da (in)constitucionalidade da norma ser relativizada pela própria 
corte. Neste sentido: STF. Plenário. ADI 5081/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 
27/5/2015 (Info 787). 
Um apontamento final: Na ADI 5.749, mais recente, a ação ainda estava em curso, além 
de ter sido a nova ação ajuizada pelo mesmo autor. Logo os julgados aparentemente 
incongruentes em alguns pontos se complementam, havendo distinções que devem ser 
percebidas pelo candidato: 
Situação 1 – ADI é julgada, e posteriormente sobrevém nova ação, argumentando vício 
totalmente diverso da anterior: pode vir a ser conhecida pelo STF, que decidirá a 
questão, podendo alterar a conclusão anterior; 
Situação 2 – ADI ainda em tramitação, e o mesmo legitimado verifica outro vício não 
apontado na inicial: neste caso, não é o caso de propor outra ação, podendo o autor 
aditar a inicial, sem prejuízo da possibilidade de ser o vício não inicialmente indicado 
conhecido de ofício pelo STF. 
 
O EFEITO REPRISTINATÓRIO DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO 
REVIGORA A VIGÊNCIA DE NORMAS PRÉ-CONSTITUCIONAIS, NÃO HAVENDO ÓBICE AO 
CONHECIMENTO DE AÇÃO DIRETA QUE SE LIMITA A IMPUGNAR PARTE DE CADEIA 
NORMATIVA EDITADA APÓS A CF/1988 
[ADI 3.111, rel. min. Alexandre de Moraes, j. 30-6-2017, P, DJE de 8-8-2017.]. 
DECISUM (DECISÃO): O limite do efeito repristinatório decorrente do julgamento da ADI 
no aspecto temporal é a data da promulgação da Constituição de 1988, sendo 
necessário ao autor impugnar o complexo normativo considerando as leis editadas 
somente após essa data. 
RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): O STF ao exercer a jurisdição 
constitucional está adstrito ao pedido, pois o fato de o processo ser objetivo não 
desnatura a natureza jurisdicional (que tem como uma das principais características a 
inércia) razão pela qual em regra o STF não pode declarar de ofício a 
inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo em caráter principal. Diante disto, para 
evitar o efeito repristinatório indesejado o autor da ADI tem o ônus de impugnar todo o 
complexo normativo, inclusive as normas já revogadas que antecederam a que está 
sendo questionada, quando padeçam do mesmo vício, relativizando o princípio da 
Contemporaneidade. Porém não é necessário ao autor regressar ilimitadamente na 
cadeia normativa antecedente, sendo a data da promulgação da Constituição de 1988 
o marco temporal que delimita essa necessidade. Isso porque as leis anteriores à 
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Constituição são consideradas simplesmente como não recepcionadas pela 
Constituição, pois o STF resolve a questão do conflito de normas anteriores à CF com 
esta no plano cronológico, e não hierárquico propriamente dito, razão pela qual as 
normas anteriores e incompatíveis são consideradas não recepcionadas (revogadas), 
sendo possível ao STF declarar de ofício a não recepção, uma vez que não se trata de 
vício de inconstitucionalidade propriamente dito. 
 
ESTÃO SUJEITOS AO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE CONCENTRADO OS ATOS 
NORMATIVOS EM SENTIDO AMPLO, E NÃO APENAS AS LEIS EDITADAS PELO 
LEGISLATIVO. O PODER LEGISLATIVO NÃO DETÉM O MONOPÓLIO DA FUNÇÃO 
NORMATIVA, MAS APENAS DE UMA PARCELA DELA, A FUNÇÃO LEGISLATIVA. 
[ADI 2.950 AgR, rel. p/ o ac. min. Eros Grau, j. 6-10-2004, P, DJ de 9-2-2007.] 
DECISUM (DECISÃO): Estão sujeitos ao controle de constitucionalidade concentrado os 
atos normativos, expressões da função normativa, cujas espéciescompreendem a 
função regulamentar (do Executivo), a função regimental (do Judiciário) e a função 
legislativa (do Legislativo). Os decretos que veiculam ato normativo também devem 
sujeitar-se ao controle de constitucionalidade exercido pelo STF. 
RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): Todas as expressões da 
normatividade que tenham por escopo regular relações, fatos ou situações relevantes 
para o direito podem, em tese, ser objeto de fiscalização abstrata perante o STF, 
mediante a provocação por meio do mecanismo adequado. Não são apenas Leis que 
ostentam normatividade, pois, embora seja essa função típica do legislativo, é exercida 
também de maneira atípica pelos outros poderes, sendo que o próprio art. 59 da CF 
estabelece um rol de atos normativos primários, os quais não são editados 
exclusivamente pelo legislativo. Além disso, atos normativos secundários que se 
revestem de conteúdo autônomo e não buscam regulamentar outra norma, mas sim 
efetivamente inovar no ordenamento também podem ser objeto de controle 
concentrado. 
 
A EDIÇÃO DE MEDIDA PROVISÓRIA REVOGANDO LEI QUE ESTÁ SENDO QUESTIONADA 
EM SEDE DE ADI NÃO IMPLICA A PERDA DO OBJETO DESTA, SALVO SE HOUVER 
CONVERSÃO DA MP EM LEI. 
STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e ADI 5727/DF, Rel. Min. Rosa 
Weber, julgados em 27/3/2019 (Info 935) 
DECISUM (DECISÃO): Caso uma Lei objeto de impugnação em sede de ADI venha a ser 
revogada por medida provisória, não haverá a perda do objeto da Ação e a ADI pode ser 
julgada, desde que não haja a intercorrente conversão da medida provisória em Lei, 
revogando definitivamente a norma. 
RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): A medida provisória, por ser ato 
normativo primário cuja força normativa deriva diretamente da Constituição, pode 
revogar uma Lei. Ocorre que a revogação não ocorre de imediato, com a simples edição 
da medida provisória, sendo primeiro suspensa a eficácia da norma, e a ultimação da 
revogação se dá apenas quando da conversão em lei. Por esta razão, a doutrina 
considera que a medida provisória é uma espécie de “lei sob condição resolutiva”, uma 
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vez que começa a produzir efeitos imediatamente, desde sua edição, porém caso venha 
a ser rejeitada (condição resolutiva) perderá a eficácia, o que implica o retorno da 
aplicabilidade da legislação que se pretendia revogar. Dito isto, enquanto não 
convertida em lei a MP, a norma questionada ainda está vigente, porém com eficácia 
suspensa, razão pela qual remanesce a possibilidade de ser retirada do ordenamento 
por meio da ADI. Com a conversão em lei, concretiza-se a revogação, razão pela qual a 
ADI perde o objeto. 
 
CONSEQUÊNCIAS PARA A AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE EM CASO DE 
ALTERAÇÃO DA LEI QUESTIONADA 
STF. Plenário. ADI 1931/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2018 (Info 890). 
DECISUM (DECISÃO): O autor da ADI tem o dever de aditar a petição inicial informando 
a alteração, bem como deve demonstrar que a nova redação do dispositivo impugnado 
apresenta o mesmo vício de inconstitucionalidade que existia na redação original, ou 
ainda que a pecha de inconstitucionalidade permanece, ainda que por fundamento 
distinto. 
RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): A revogação, ou substancial 
alteração, do complexo normativo impõe ao autor o ônus de apresentar eventual 
pedido de aditamento, caso considere subsistir a inconstitucionalidade na norma que 
promoveu a alteração ou revogação. Se o autor não fizer isso, o STF não irá conhecer da 
ADI, julgando prejudicado o pedido em razão da perda superveniente do objeto. 
 
AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE DO ESTADO PARA INTERPOR RECURSO EM ADI 
STF. Plenário. ADI 1663 AgR/AL, rel. Min. Dias Toffoli, 24/4/2013 (Info 703). 
STF. Plenário. ADI 4420 ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 05/04/2018. 
DECISUM (DECISÃO): O Estado-membro não dispõe de legitimidade para interpor 
recurso em sede de controle normativo abstrato, ainda que a ADI tenha sido ajuizada 
pelo respectivo Governador. 
RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): A legitimidade recursal no controle 
concentrado é paralela à legitimidade processual ativa, não se conferindo ao ente 
político a prerrogativa de recorrer das decisões tomadas pelo STF em sede de ação 
direta. O Governador e as demais autoridades e entidades previstas no art. 103, I a VII, 
da CF/88 possuem capacidade processual plena e capacidade postulatória para 
ajuizarem ADI, sendo desnecessária inclusive a assinatura do Procurador Geral do 
Estado ou de advogado. Desse modo, repita-se, o Estado-membro não tem legitimidade 
para propor ADI. A legitimidade pertence ao Governador do Estado. Logo, se 
hipoteticamente a petição inicial da ADI proposta pelo Governador é indeferida, quem 
tem legitimidade para recorrer é o próprio Governador (e não o Estado ou o PGE). 
 
Governador de Estado afastado cautelarmente de suas funções — por força do 
recebimento de denúncia por crime comum — não tem legitimidade ativa para a 
propositura de ação direta de inconstitucionalidade. STF. Plenário. ADI 6728 AgR/DF, 
Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/4/2021 (Info 1015). 
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AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE DA UNE e da CUT PARA PROPOR ADI 
(ADI 894-MC, rel. min. Néri da Silveira, julgamento em 18-11-1993, Plenário, DJ de 20-
4-1995.) 
(ADI 271-MC, rel. min. Moreira Alves, julgamento em 24-9-1992, Plenário, DJ de 6-9-
2001.) No mesmo sentido: ADI 1.442, rel min. Celso de Mello, julgamento em 3-11-
2004, Plenário, DJ de 29-4-2005. 
DECISUM (DECISÃO): Segundo o STF, a União Nacional dos Estudantes - UNE, bem como 
a Central Única dos Trabalhadores - CUT não se revestem da condição de 'entidade de 
classe de âmbito nacional', para os fins previstos no inciso IX, segunda parte, do art. 103, 
da Constituição, portanto não podem propor Ação Direta de Inconstitucionalidade. 
RATIO DECIDENDI (FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA): A Constituição Federal de 1988 
promoveu notória ampliação no rol de legitimados para propor ações de controle 
abstrato de constitucionalidade, mas disto não decorre a construção de uma exegese 
ampliativa do rol. Segundo o STF, o conteúdo semântico da expressão 'confederação 
sindical', constante da primeira parte do dispositivo maior em referência está 
diretamente ligado à ideia de 'profissão', -- entendendo-se 'classe' no sentido não de 
simples segmento social, de 'classe social', mas de 'categoria profissional', -- razão pela 
qual falta legitimidade à UNE enquadramento na regra constitucional aludida. Não se 
cuida, entretanto, nessa situação, do exercício de uma profissão, no sentido do art. 5º, 
XIII, da Lei Fundamental de 1988. Ademais, trata-se de representação bastante 
heterogênea, que alberga em seu seio interesses não uniformes e, possivelmente, 
contrapostos, o que dificulta a aferição da pertinência temática. Essa heterogeneidade 
na composição também afasta a legitimidade da CUT, uma vez que representa 
categorias profissionais diversas, o que afasta seu enquadramento na expressão - 
entidade de classe de âmbito nacional - a que alude o artigo 103 da Constituição, 
contrapondo-se às confederações sindicais, porquanto não é uma entidade que 
congregue os integrantes de uma determinada atividade ou categoria profissional ou 
econômica, e que, portanto, represente, em âmbito nacional, uma classe. 
 
TESE DA INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS CONSTITUCIONAIS INFERIORES EM 
FACE DE NORMAS CONSTITUCIONAIS SUPERIORES 
(ADI 815, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES, Tribunal Pleno, julgado em 28/03/1996, 
DJ 10-05-1996PP-15131 EMENT VOL-01827-02 PP-00312) 
DECISUM (decisão): O Supremo Tribunal Federal carece de competência para fiscalizar 
o Poder Constituinte originário quanto ao dito direito suprapositivo, esteja este 
positivado ou não na Constituição. Esta Corte tem por missão constitucional precípua 
guardar a Constituição da República. Sua competência está expressamente prevista no 
art. 102, que a adscreve à estima intra-sistemática das normas, sem lhe facultar 
cognição da sua legitimidade ou justiça pré-jurídicas ou suprapositivas. 
RATIO DECIDENDI (fundamentação jurídica): A tese de que há hierarquia entre normas 
constitucionais originárias dando azo à declaração de inconstitucionalidade de umas em 
face de outras e incompassível com o sistema de Constituição rígida. - Na atual Carta 
Magna 'compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da 
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Constituição' (artigo 102, 'caput'), o que implica dizer que essa jurisdição lhe é atribuída 
para impedir que se desrespeite a Constituição como um todo, e não para, com relação 
a ela, exercer o papel de fiscal do Poder Constituinte originário, a fim de verificar se 
este teria, ou não, violado os princípios de direito suprapositivo que ele próprio havia 
incluído no texto da mesma Constituição. - Por outro lado, as cláusulas pétreas não 
podem ser invocadas para sustentação da tese da inconstitucionalidade de normas 
constitucionais inferiores em face de normas constitucionais superiores, porquanto a 
Constituição as prevê apenas como limites ao Poder Constituinte derivado ao rever ou 
ao emendar a Constituição elaborada pelo Poder Constituinte originário, e não como 
abarcando normas cuja observância se impôs ao próprio Poder Constituinte originário 
com relação às outras que não sejam consideradas como cláusulas pétreas, e, portanto, 
possam ser emendadas. 
 
POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DE PEDIDOS TÍPICOS DE ADI E ADC EM UMA ÚNICA 
DEMANDA. 
(ADI 5316 MC/DF, rel. Min. Luiz Fux, 21.5.2015.) 
DECISUM (Decisão): há regularidade processual na cumulação de pedidos típicos de ADI 
e ADC em uma única demanda de controle concentrado. 
RATIO DECIDENDI (Fundamentação jurídica): a cumulação de ações seria não só 
compatível como também adequada à promoção dos fins a que destinado o processo 
objetivo de fiscalização abstrata de constitucionalidade, destinado à defesa, em tese, da 
harmonia do sistema constitucional, reiterado o que decidido na ADI 1.434 MC/SP (DJU 
de 22.11.1996). Além disso, a cumulação objetiva de demandas consubstanciaria 
categoria própria à teoria geral do processo. Como instrumento, o processo existiria 
para viabilizar finalidades materiais que lhes seriam externas. A cumulação objetiva 
apenas fortaleceria essa aptidão na medida em que permitiria o enfrentamento judicial 
coerente, célere e eficiente de questões minimamente relacionadas entre elas. Não 
seria legítimo que o processo de controle abstrato fosse diferente. Outrossim, rejeitar a 
possibilidade de cumulação de ações — além de carecer de fundamento expresso na Lei 
9.868/1999 — apenas ensejaria a propositura de nova demanda com pedido e 
fundamentação idênticos, a ser distribuída por prevenção, como ocorreria em hipóteses 
de ajuizamento de ADI e ADC em face de um mesmo diploma. Ademais, os pedidos 
articulados na inicial não seriam incompatíveis jurídica ou logicamente, sendo 
provenientes de origem comum. 
 
Controle judicial sobre interpretação de normas regimentais legislativas é 
inconstitucional. Recurso Extraordinário (RE) 1297884, com repercussão geral 
reconhecida (Tema 1120). 
A tese de repercussão geral aprovada foi a seguinte: “Em respeito ao princípio da 
separação dos Poderes, previsto no artigo 2º da Constituição Federal, quando não 
caracterizado o desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo 
legislativo, é defeso ao Poder Judiciário exercer o controle jurisdicional em relação à 
interpretação do sentido e do alcance de normas meramente regimentais das Casas 
Legislativas, por se tratar de matéria interna corporis”. 
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É possível o aditamento da petição inicial da ADI para a inclusão de novos dispositivos 
legais? Não é admitido o aditamento à inicial da ação direta de inconstitucionalidade 
após o recebimento das informações dos requeridos e das manifestações do 
Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da República. STF. Plenário. ADI 
4541/BA, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 16/4/2021 (Info 1013). 
O aditamento da inicial só é possível, observados os princípios da economia e da 
celeridade processuais, quando a inclusão de nova impugnação dispensa a requisição de 
novas informações. STF. Plenário. ADI 4.265, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 
09/04/2018. 
 
 
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3. QUESTÕES 
 
1. No tocante ao processo e julgamento da arguição de descumprimento de preceito 
fundamental, pode-se afirmar que: 
a) Caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental quando for 
relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo 
federal, estadual ou municipal, exceto os anteriores à Constituição. 
b) Da decisão de indeferimento da petição inicial caberá agravo, no prazo de dez dias 
c) O Supremo Tribunal Federal, por decisão de um terço de seus membros, poderá 
deferir pedido de medida liminar na arguição de descumprimento de preceito 
fundamental. 
d) Julgada a ação, far-se-á comunicação às autoridades ou órgãos responsáveis pela 
prática dos atos questionados, fixando-se as condições e o modo de interpretação e 
aplicação do preceito fundamental. 
e) O presidente do Tribunal determinará o cumprimento da decisão, após a lavratura do 
acórdão. 
 
2. Sobre o tema controle de constitucionalidade, julgue os itens a seguir: 
I - Havendo pedido de medida cautelar, o relator, em face da relevância da matéria e de 
seu especial significado para a ordem social e a segurança jurídica, poderá, após a 
prestação das informações, no prazo de dez dias, e a manifestação do Advogado-Geral 
da União e do Procurador-Geral da República, sucessivamente, no prazo de cinco dias, 
submeter o processo diretamente ao Tribunal, que terá a faculdade de julgar 
definitivamente a ação. 
II - Efetuado o julgamento, proclamar-se-á a constitucionalidade ou a 
inconstitucionalidade da disposição ou da norma impugnada se num ou noutro sentido 
se tiverem manifestado pelo menos seis Ministros, quer se trate de ação direta de 
inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade. 
III - Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões 
de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal 
Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela 
declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de 
outro momento que venha a ser fixado. 
a) Apenas o item I está correto 
b) Apenas o item II está correto 
c) Apenas o item III está correto 
d) Apenas os itens I e III estão corretos 
e) Todos os itens estão corretos 
 
3. Em voto proferido quando da concessão de medida cautelar em sede de arguição 
de descumprimento de preceito fundamental, o Ministro Relator, apoiando-se em 
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técnica empregada por Corte Constitucional estrangeira, entendeu que estava 
comprovada, no caso, situação de violação generalizada de direitos fundamentais e 
incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar a 
situação, sendo que a superação das transgressões exigia a atuação não apenas de um 
órgão, e sim de uma pluralidade de autoridades. Mais adiante, afirmou o Relator que, 
em situações tais, ao Tribunal cabe retirar as autoridades públicas do estado de 
letargia, provocar a formulação de novas políticas públicas, aumentar a deliberação 
política e social sobre a matéria e monitorar o sucesso da implementação das 
providências escolhidas, assegurando, assim, a efetividade prática das soluções 
propostas. 
Cuida-se, no caso, de técnica de 
a) interpretação conforme a Constituição. 
b) declaração de estado de coisas inconstitucional. 
c) decisão manipulativa de efeitos aditivos. 
d) decisão manipulativa de efeitos substitutivos. 
e) declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade. 
 
4. A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) foi regulamentada 
pela Lei n° 9.882/1999. Da mesma forma que a Ação Direta de Inconstitucionalidade 
(ADI), a ADPF é uma ação no âmbito do controle abstrato e concentrado de 
constitucionalidade. Ambas as ações são iguais em diversos aspectos. Em diversas 
situações, a arguição da inconstitucionalidade de uma lei pode ser feita por meio de 
qualquer das duas ações, sem diferenças. Mas há situações em que apenas uma delas 
é cabível. Diante disso, a constitucionalidade de 
a) leis estaduais e municipais somente pode ser questionada por meio de ADPF. 
b) leis municipais e de leis anteriores à promulgação da Constituição de 1988 somente 
pode ser questionada por meio de ADPF. 
c) emendas constitucionais e leis complementares somente pode ser questionada por 
meio de ADI. 
d) tratados internacionais e leis anteriores à promulgação da Constituição de 1988 
somente pode ser questionada por meio de ADPF. 
 e) tratados internacionais e de leis que envolvem direitos fundamentais somente pode 
ser questionada por meio de ADPF. 
 
5. Depois de várias derrotas políticas nas votações de projetos de lei na respectiva 
assembleia legislativa, o governador de determinado estado da Federação editou 
decreto dissolvendo a referida assembleia e proibindo a entrada dos deputados 
estaduais no prédio do órgão legislativo. 
Nessa situação hipotética, o instrumento adequado para questionar a 
constitucionalidade da lei é a ADI interventiva proposta 
a) pelo procurador-geral de justiça do estado em questão. 
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b) pelo procurador-geral da República. 
c) pelo presidente da República. 
d) por partido político com representação no Congresso Nacional. 
e) pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. 
 
6. À luz do entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), julgue os seguintes itens, 
acerca do controle incidental de constitucionalidade. 
I. Admite-se o controle difuso de constitucionalidade em ação civil pública, desde que a 
alegação de inconstitucionalidade não se confunda com o pedido principal da causa. 
II. Não se admite a modulação temporal de efeitos em controle difuso de 
constitucionalidade. 
III. A cláusula de reserva de plenário se aplica às turmas recursais dos juizados especiais. 
IV. A regra da reserva de plenário não se aplica a julgamento de competência singular, 
podendo o juiz, mesmo de ofício, deixar de aplicar preceitos normativos que considere 
contrários ao texto constitucional. 
Estão certos apenas os itens: 
a) I e III. 
b) I e IV. 
c) II e III. 
d) II e IV. 
e) I, III e IV. 
 
7. O STF pode, por decisão da maioria absoluta de seus membros, deferir pedido de 
medida cautelar em ação declaratória de constitucionalidade, determinando que 
juízes e tribunais suspendam o julgamento de processos que envolvam a aplicação de 
lei ou de ato normativo objeto da referida ação até o seu julgamento definitivo. Nesse 
sentido, a medida cautelar em ação declaratória de constitucionalidade, até o 
julgamento final da ação, produzirá efeito: 
a) repristinatório e eficácia ex tunc. 
b) vinculante e eficácia ex nunc. 
c) vinculante e eficácia ex tunc. 
d) repristinatório e eficácia ex nunc. 
 
8. A Constituição Federal estabelece que a Arguição de Descumprimento de Preceito 
Fundamental (ADPF), dela decorrente, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal 
(STF), na forma da lei. A esse propósito, considerada a regulamentação da matéria à 
luz da jurisprudência da referida Corte: 
a) as normas processuais destinadas a resguardar os interesses da Fazenda Pública, a 
exemplo da exigência de intimação pessoal dos entes públicos para início da contagem 
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de prazos, são aplicáveis no âmbito da ADPF, embora não o sejam nos demais processos 
de controle concentrado, por sua natureza objetiva. 
b) em sede de medida liminar, pode ser determinada a suspensão dos efeitos de 
decisões judiciais relacionadas com a matéria objeto da ADPF, admitida a relativização 
dos decorrentes de coisa julgada, por decisão de maioria qualificada do STF, diante de 
circunstâncias de excepcional interesse social. 
c) admite-se o ingresso de amici curiae na ADPF, pela aplicação, por analogia, do 
estabelecido em lei relativamente à ação direta de inconstitucionalidade, desde que 
demonstradas a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes. 
d) considerado seu caráter subsidiário, não pode a ADPF ser conhecida como ação direta 
de inconstitucionalidade, acaso manejada em hipótese de cabimento desta, sendo 
inaplicável o princípio da fungibilidade entre ações de controle concentrado. 
e) não se admite a modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade em 
sede de ADPF, por ausência de previsão legal, diferentemente do que ocorre em relação 
às ações direta de inconstitucionalidade e declaratória de constitucionalidade. 
 
9. Considerando o sistema de controle de constitucionalidade previsto na Constituição 
Federal, mostra-se: 
a) incabível a produção de efeitos repristinatórios a decisão judicial que declara a 
inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo em sede de controle abstrato de 
constitucionalidade. 
b) cabível o exercício do controle concreto e incidental, bem como do controle abstrato 
e principal de constitucionalidade, em face da Constituição Federal, de tratados 
internacionais que tenham sido incorporados ao direito brasileiro. 
c) cabível o exercício do controle de constitucionalidade de lei municipal em face da 
Constituição Federal, realizado originariamente pelo Supremo Tribunal Federal em sede 
de ação direta de inconstitucionalidade. 
d) cabível o exercício do controle jurisdicional abstrato e principal de 
constitucionalidade de decreto regulamentar que contrarie os limites que lhe toram 
impostos pela lei regulamentada, por violação ao princípio constitucional da legalidade. 
e) incabível, no exercício do controle jurisdicional abstrato e principal de 
constitucionalidade por omissão, que seja fixado prazo para que o órgão administrativo 
supra a omissão inconstitucional. 
 
10. Em ação direta de inconstitucionalidade por omissão proposta perante o Supremo 
Tribunal Federal, com fundamento na ausência de lei específica tipificando 
criminalmente a prática de discriminação decorrente de orientaçãosexual ou de 
identidade de gênero, o autor pleiteou: 
I. o reconhecimento do estado de mora inconstitucional do Poder Legislativo federal na 
implementação da prestação legislativa exigida pela Constituição Federal, bem como a 
cientificação do Congresso Nacional para as providências necessárias. 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
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II. a fixação de prazo para que o Poder Legislativo federal edite a lei demandada pelo 
texto constitucional, sob pena de o crime e a respectiva pena serem definidos pelo 
Supremo Tribunal Federal. 
III. a condenação do Estado brasileiro ao pagamento de indenização às vítimas de todas 
as formas de homofobia e transfobia, caso a lei não venha a ser editada no prazo fixado 
judicialmente. 
De acordo com a Constituição Federal e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, 
mostra-se cabível APENAS o requerimento expresso em: 
a) III. 
b) I. 
c) I e II. 
d) I e III. 
e) II e III. 
 
11. Quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal 
Federal, é correto afirmar: 
a) A ação direta de inconstitucionalidade ou declaratória de inconstitucionalidade tem 
natureza dúplice: a procedência do pedido na ação direta de inconstitucionalidade 
resulta na declaração de inconstitucionalidade do ato impugnado, o que também é 
válido para a hipótese contrária, ou seja, o julgamento de improcedência equivale à 
declaração da constitucionalidade do ato impugnado. 
b) Somente a decisão propriamente dita – dispositivo – proferida em ação direta de 
inconstitucionalidade produzirá efeitos vinculantes, jamais a “ratio decidendi”. 
c) É incontroverso que o princípio da interpretação conforme a Constituição se situa no 
âmbito do controle de constitucionalidade, não apenas regra de interpretação, e tem 
aplicação plena, sem qualquer limitação, na medida em que o STF, em sua função de 
corte constitucional, atua não só como legislador negativo. 
d) A decisão proferida em julgamento de ação direta de inconstitucionalidade e ação 
declaratória de constitucionalidade têm efeito vinculante e erga omnes, o que não 
ocorre no julgamento de arguição de descumprimento de preceito fundamental. 
 
12. O Tribunal de Justiça do Estado Alfa foi instado a realizar o controle concentrado 
de constitucionalidade de três normas do Município Beta: (1) a primeira norma tratava 
do processo legislativo no âmbito da Câmara Municipal, temática sobre a qual a 
Constituição do Estado Alfa não versava; (2) a segunda dispunha sobre temática que a 
Constituição do Estado Alfa disciplinava de modo literalmente idêntico à Constituição 
da República de 1988; e (3) a terceira, sobre temática somente prevista na 
Constituição do Estado Alfa, não na Constituição da República de 1988. O Tribunal de 
Justiça do Estado Alfa, preenchidos os demais requisitos exigidos: 
a) deve realizar o controle das normas descritas em 1, 2 e 3; 
b) não deve realizar o controle das normas descritas em 1, 2 e 3; 
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c) apenas deve realizar o controle das normas descritas em 2 e 3; 
d) apenas deve realizar o controle da norma descrita em 1; 
e) apenas deve realizar o controle da norma descrita em 3. 
 
13. Um grupo de deputados da Assembleia Legislativa do Estado Beta apresentou 
projeto de lei dispondo sobre a obrigatoriedade de instalação de duas câmeras de 
segurança em cada unidade escolar mantida pelo Estado. O projeto foi aprovado no 
âmbito da Casa legislativa e sancionado pelo governador do Estado, daí resultando a 
promulgação da Lei estadual nº XX. À luz dos aspectos do processo legislativo descrito 
na narrativa e da sistemática constitucional, a Lei estadual nº XX: 
a) apresenta vício ao dispor sobre o funcionamento dos órgãos da rede educacional 
estadual, matéria de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo, vício não 
convalidado pela sanção; 
b) ao acarretar aumento de despesa, sem indicação da respectiva fonte de custeio, 
apresenta vício de inconstitucionalidade material; 
c) ao acarretar aumento de despesa, apresenta vício de iniciativa, o qual foi convalidado 
pela posterior sanção do chefe do Poder Executivo; 
d) não apresenta vício de iniciativa, pois a criação de atribuições e de obrigações, para 
o Poder Executivo, configura atividade regular do Legislativo; 
e) não apresenta vício de iniciativa, pois, embora tenha criado obrigação para o Poder 
Executivo, não instituiu nova atribuição para os seus órgãos. 
 
14. Em relação ao controle de constitucionalidade, analise as afirmativas a seguir 
I. A arguição de descumprimento de preceito fundamental será apreciada pelo Supremo 
Tribunal Federal, em se tratando de controle de constitucionalidade de lei municipal em 
face da Constituição Federal. 
II. A arguição de descumprimento de preceito fundamental é cabível em caso de lei 
vigente anterior à Constituição Federal em relação à qual se pretende o controle. 
III. Dentre os legitimados a propor a arguição de descumprimento de preceito 
fundamental está o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. 
IV. A decisão que julgar procedente ou improcedente a ação de descumprimento de 
preceito fundamental é irrecorrível, mas cabível ação rescisória. 
Está correto o que se afirma em: 
a) I, II e III, somente. 
b) I e II, somente. 
c) I, II, III e IV. 
d) II e IV, somente. 
 
15. Sobre jurisdição constitucional, assinale a afirmativa correta. 
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93 
a) Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade, dentre outros, o Presidente da 
República, a Mesa do Senado Federal, a Mesa da Câmara dos Deputados, a Mesa de 
Assembleia Legislativa, o Governador de Estado ou o Prefeito de Município. 
b) Não cabe recurso da decisão do relator que indefere liminarmente petição inicial de 
ação direta de inconstitucionalidade. 
c) A Lei Federal nº 9.868/1999 prevê, expressamente, a possibilidade de o Supremo 
Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos das 
declarações de constitucionalidade e de inconstitucionalidade, bem como decidir que 
elas só tenham eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que 
venha a ser fixado. 
d) Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade por omissão os legitimados à 
propositura da ação direta de inconstitucionalidade e da açã0 declaratória de 
constitucionalidade. 
e) O pedido de medida cautelar na ação direta de inconstitucionalidade por omissão 
inconstitucional é vedado pela Lei Federal nº 9.868/1999. 
 
16. O Supremo Tribunal Federal vem proferindo decisões relevantes acerca de temas 
como mutação constitucional e controle de constitucionalidade, redefinindo, não 
raras vezes, os seus limites e possibilidades. Considere as afirmações abaixo, tendo 
por base o posicionamento do STF acerca dessas matérias. 
I - Em sede de jurisdição constitucional abstrata, a chamada modulação de efeitos já 
foi excepcionalmente admitida em caso de decisão declaratória de 
constitucionalidade de atos normativos. 
II - O reconhecimento, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, de declaração 
incidental de inconstitucionalidade em sede de ação direta (ADI) é vedado pelo 
ordenamento jurídico brasileiro, notadamente pelo artigo 52, inciso X, da Constituição 
do Brasil, que prevê competir ao Senado Federal a suspensão da execução de lei 
declarada inconstitucional por decisão definitivado Supremo Tribunal Federal. 
III - A superveniente alteração redacional de ato normativo questionado em ação 
direta de inconstitucionalidade não impede o julgamento dessa ação, desde que não 
tenha havido alteração substancial no conteúdo desse ato. 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas I e II. 
d) Apenas I e III. 
e) I, II e III. 
 
17. Sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, instituída pela Lei 
nº 9.882/1999, como instrumento de controle de constitucionalidade, é correto 
CPF: 860.542.154-18
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afirmar, de acordo com a jurisprudência majoritária do Supremo Tribunal Federal, 
que: 
a) em homenagem ao princípio da subsidiariedade, não é possível aplicar a fungibilidade 
e convolá-la em Ação Direta de Inconstitucionalidade; 
b) não é admissível o emprego para reparar ou evitar lesão a preceito fundamental, 
resultante de omissão do poder público; 
c) é um mecanismo que não poderá ser proposto contra ato normativo já revogado, 
ainda que seja anterior à Constituição da República de 1988; 
d) é uma ferramenta que poderá ser proposta contra Súmula Vinculante do STF, uma 
vez que, em razão do princípio da subsidiariedade, não há outro meio eficaz de 
questioná-la; 
e) não poderá ser proposta contra Lei municipal que violar, ao mesmo tempo, a 
Constituição da República de 1988 e a Constituição do Estado, em norma de observância 
obrigatória. 
 
18. O Supremo Tribunal Federal (STF), pela escassa maioria de um voto, declarou a 
inconstitucionalidade da Lei Estadual nº XX, em sede de controle concentrado de 
constitucionalidade, o que gerou grande insatisfação junto a diversos segmentos da 
população do Estado Alfa. Sensível a essa insatisfação, um grupo de deputados 
estaduais apresentou um projeto de lei de teor idêntico ao referido diploma 
normativo, o qual veio a ser aprovado pela Assembleia Legislativa e sancionado, daí 
surgindo a Lei Estadual nº YY. Considerando os efeitos regulares da decisão proferida 
pelo STF ao declarar a inconstitucionalidade da Lei Estadual nº XX, é correto afirmar 
que a Lei Estadual nº YY é: 
a) constitucional, pois o efeito vinculante da decisão proferida não obsta que o legislador 
edite outro diploma normativo de idêntico teor, salvo se resolução do Senado Federal 
atribuísse efeitos erga omnes a essa decisão, o que não ocorreu; 
b) constitucional, pois o efeito vinculante da decisão proferida não obsta que o 
legislador edite outro diploma normativo de idêntico teor, salvo se fosse aprovada 
súmula vinculante, o que não ocorreu; 
c) inconstitucional, pois a referida declaração de inconstitucionalidade produz efeitos 
vinculantes e erga omnes, o que afasta a possibilidade de ser editada nova lei de idêntico 
teor; 
d) inconstitucional, pois o Tribunal não excepcionou a Assembleia Legislativa, de 
maneira expressa, do alcance de sua decisão, embora estivesse autorizado a fazê-lo; 
e) constitucional, pois o efeito vinculante da decisão proferida não obsta que o legislador 
edite outro diploma normativo de idêntico teor. 
 
19. Em relação ao controle de constitucionalidade, à súmula vinculante e à 
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a opção correta. 
a) A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) não é instrumento 
eficaz de controle da inconstitucionalidade por omissão. 
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b) O efeito vinculante em ação direta de inconstitucionalidade (ADI) e em ação 
declaratória de constitucionalidade (ADC) não atinge o Poder Legislativo no exercício de 
sua função típica de legislar, em observância à proibição de fossilização constitucional. 
c) O defensor público-geral da União não tem legitimidade para propor nem ação direta 
de inconstitucionalidade (ADI), nem a edição, a revisão ou o cancelamento de súmula 
vinculante. 
d) Exige-se a observância da cláusula de reserva de plenário nas hipóteses em que o 
tribunal decida pela não recepção de determinada norma pré-constitucional. 
e) Não cabe ação direta de inconstitucionalidade (ADI) contra lei que viole a Convenção 
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, por esta possuir status 
normativo supralegal. 
 
 
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4. GABARITO COMENTADO 
 
1. RESPOSTA: LETRA D. 
ALTERNATIVA A - LEI Nº 9.882/99 
Art. 1º A argüição prevista no § 1º do art. 102 da Constituição Federal será proposta 
perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito 
fundamental, resultante de ato do Poder Público. 
Parágrafo único. Caberá também argüição de descumprimento de preceito 
fundamental: 
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato 
normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição; 
ALTERNATIVA B - LEI Nº 9.882/99 
Art. 3º (…) 
§ 2º Da decisão de indeferimento da petição inicial caberá agravo, no prazo de cinco 
dias. 
ALTERNATIVA C - LEI Nº 9.882/99 
Art. 5º O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, 
poderá deferir pedido de medida liminar na argüição de descumprimento de preceito 
fundamental. 
ALTERNATIVA D - LEI Nº 9.882/99 
Art. 10. Julgada a ação, far-se-á comunicação às autoridades ou órgãos responsáveis 
pela prática dos atos questionados, fixando-se as condições e o modo de interpretação 
e aplicação do preceito fundamental. 
ALTERNATIVA E - LEI Nº 9.882/99 
Art. 10. Julgada a ação, far-se-á comunicação às autoridades ou órgãos responsáveis 
pela prática dos atos questionados, fixando-se as condições e o modo de interpretação 
e aplicação do preceito fundamental. 
§ 1º O presidente do Tribunal determinará o imediato cumprimento da decisão, 
lavrando-se o acórdão posteriormente. 
§ 2º Dentro do prazo de dez dias contados a partir do trânsito em julgado da decisão, 
sua parte dispositiva será publicada em seção especial do Diário da Justiça e do Diário 
Oficial da União. 
§ 3º A decisão terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais 
órgãos do Poder Público. 
 
2. RESPOSTA: LETRA E. 
ITEM I - Lei n. 9.868/99: Art. 12. Havendo pedido de medida cautelar, o relator, em face 
da relevância da matéria e de seu especial significado para a ordem social e a segurança 
jurídica, poderá, após a prestação das informações, no prazo de dez dias, e a 
manifestação do Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da República, 
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sucessivamente, no prazo de cinco dias, submeter o processo diretamente ao Tribunal, 
que terá a faculdade de julgar definitivamente a ação. 
ITEM II - Art. 23. Efetuado o julgamento, proclamar-se-á a constitucionalidade ou a 
inconstitucionalidade da disposição ou da norma impugnada se num ou noutro sentido 
se tiverem manifestado pelo menos seis Ministros, quer se trate de ação direta de 
inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade. 
ITEM III - Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo 
em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o 
Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terçosde seus membros, restringir os 
efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito 
em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. 
 
3. RESPOSTAS: LETRA B. 
Sistema carcerário: estado de coisas inconstitucional e violação a direito fundamental. 
O Plenário concluiu o julgamento de medida cautelar em arguição de descumprimento 
de preceito fundamental em que discutida a configuração do chamado “estado de coisas 
inconstitucional” relativamente ao sistema penitenciário brasileiro. Nessa mesma ação, 
também se debate a adoção de providências estruturais com objetivo de sanar as lesões 
a preceitos fundamentais sofridas pelos presos em decorrência de ações e omissões dos 
Poderes da União, dos Estados-Membros e do Distrito Federal. No caso, alegava-se estar 
configurado o denominado, pela Corte Constitucional da Colômbia, “estado de coisas 
inconstitucional”, diante da seguinte situação: violação generalizada e sistêmica de 
direitos fundamentais; inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades 
públicas em modificar a conjuntura; transgressões a exigir a atuação não apenas de um 
órgão, mas sim de uma pluralidade de autoridades. Postulava-se o deferimento de 
liminar para que fosse determinado aos juízes e tribunais: 
a) que lançassem, em casos de decretação ou manutenção de prisão provisória, a 
motivação expressa pela qual não se aplicam medidas cautelares alternativas à privação 
de liberdade, estabelecidas no art. 319 do CPP; 
b) que, observados os artigos 9.3 do Pacto dos Direitos Civis e Políticos e 7.5 da 
Convenção Interamericana de Direitos Humanos, realizassem, em até 90 dias, 
audiências de custódia, viabilizando o comparecimento do preso perante a autoridade 
judiciária no prazo máximo de 24 horas, contadas do momento da prisão; 
c) que considerassem, fundamentadamente, o quadro dramático do sistema 
penitenciário brasileiro no momento de implemento de cautelares penais, na aplicação 
da pena e durante o processo de execução penal; 
Decisão manipulativa (manipuladora). 
A decisão tomada pelo STF, e acima explicada, pode ser classificada como uma “decisão 
manipulativa”. 
Gilmar Mendes, citando a doutrina italiana de Riccardo Guastini, afirma que decisão 
manipulativa é aquela mediante a qual “o órgão de jurisdição constitucional modifica ou 
adita normas submetidas a sua apreciação, a fim de que saiam do juízo constitucional 
com incidência normativa ou conteúdo distinto do original, mas concordante com a 
Constituição” (RE 641320/RS). 
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Decisão manipulativa, portanto, como o nome indica, é aquela em que o Tribunal 
Constitucional manipula o conteúdo do ordenamento jurídico, modificando ou aditando 
a lei a fim de que ela se torne compatível com o texto constitucional. 
Trata-se de instituto que surgiu no direito italiano, sendo, atualmente, no entanto, 
adotado em outros Tribunais constitucionais no mundo. 
Espécies de decisões manipulativas: 
As decisões manipulativas podem ser divididas em: 
1) Decisão manipulativa de efeitos aditivos (SENTENÇA ADITIVA): 
Verifica-se quando o Tribunal declara inconstitucional certo dispositivo legal não pelo 
que expressa, mas pelo que omite, alargando o texto da lei ou seu âmbito de incidência. 
“A sentença aditiva pode ser justificada, por exemplo, em razão da não observância do 
princípio da isonomia, notadamente nas situações em que a lei concede certo benefício 
ou tratamento a determinadas pessoas, mas exclui outras que se enquadrariam na 
mesma situação. 
Nessas hipóteses, o Tribunal Constitucional declara inconstitucional a norma na parte 
em que trata desigualmente os iguais, sem qualquer razoabilidade e/ou nexo de 
causalidade. 
Assim, a decisão se mostra aditiva, já que a Corte, ao decidir, 'cria uma norma 
autônoma'', estendendo aos excluídos o benefício.” (LENZA, Pedro. Direito 
Constitucional Esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2014, p. 177). 
Ex1.: ADPF 54, Rel. Min. Marco Aurélio, julgada em 12/4/2012, na qual o STF julgou 
inconstitucional a criminalização dos abortos de fetos anencéfalos atuando de forma 
criativa ao acrescentar mais uma excludente de punibilidade – no caso de o feto padecer 
de anencefalia – ao crime de aborto. Ao decidir o mérito da ação, assentando a sua 
procedência e dando interpretação conforme aos arts. 124 a 128 do Código Penal, o STF 
proferiu uma típica decisão manipulativa com eficácia aditiva em matéria penal. 
Ex2.: MI 670, Red. para o acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 25/10/2007, na qual 
o STF determinou a aplicação aos servidores públicos da Lei nº 7.783/89, que dispõe 
sobre o exercício do direito de greve na iniciativa privada, pelo que promoveu extensão 
aditiva do âmbito de incidência da norma. 
 
4. RESPOSTA: LETRA B. 
Segundo o disposto no art. 1º, parágrafo único, I, da Lei de n. 9.882/99: 
Art. 1º A argüição prevista no § 1º do art. 102 da Constituição Federal (ADPF) será 
proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão 
a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. Parágrafo único. Caberá 
também argüição de descumprimento de preceito fundamental: I - quando for relevante 
o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, 
estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição; 
Na medida em que o tratado internacional é internalizado por meio de Decreto, e este 
Decreto é considerado autônomo, cabe ADI, conforme os seguintes excertos de 
julgados: 
CPF: 860.542.154-18
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
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“O STF tem, excepcionalmente, admitido ação direta de inconstitucionalidade em face 
de Decreto, desde que este seja um Decreto autônomo, não seja um Decreto que 
regulamente lei. Desta forma, os Decretos presidenciais (CRFB, art. 84, IV) podem ter 
seu conteúdo apreciado em sede de ADIn [11]. Assegura o STF que: "(...) não havendo 
lei anterior que possa ser regulamentada, qualquer disposição sobre o assunto tende a 
ser adotada em lei formal. O decreto seria nulo, não por ilegalidade, mas por 
inconstitucionalidade, já que supriu a lei onde a Constituição exige.” 
Os Decretos, cujo conteúdo seja tratado internacional, são autônomos e não há 
qualquer discussão sobre isso. A discussão apassivada, como ficou demonstrado, pelo 
STF, diz respeito aos Decretos que não são autônomos, aqueles que regulamentam leis. 
Neste caso, havendo disparidade de conteúdo entre a lei e o seu decreto 
regulamentador, não se trata de inconstitucionalidade, mas, sim, de conflito de 
legalidade entre a lei e o seu decreto regulamentador. 
Art. 1º A arguição prevista no § 1º do art. 102 da Constituição Federal (ADPF) será 
proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão 
a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. Parágrafo único. Caberá 
também arguição de descumprimento de preceito fundamental: I - quando for relevante 
o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, 
estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição; 
 Até o presente momento de evolução jurisprudencial, a ação de ADPF é o único modo 
de se obter um controle de constitucionalidade de normas pré-constitucionais frente à 
atual Constituição (1988), sendo que tal posicionamento está em processo evolutivo 
diante dos debates ocorridos no julgamento da ADI-MC de n. 3.833. 
 
5. RESPOSTA: LETRA B. 
De acordo com o artigo 36, III, da CF/88, a ADI Interventiva poderá ser federal, mediante 
proposta do Procurador-Geral da República, sendo o SupremoTribunal Federal - STF, o 
órgão competente para apreciá-la e julgá-la. 
 
6. RESPOSTA: LETRA B. 
ITEM I - “A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem reconhecido que se pode 
pleitear a inconstitucionalidade de determinado ato normativo na ação civil pública, 
desde que incidenter tantum. Veda-se, no entanto, o uso da ação civil pública para 
alcançar a declaração de inconstitucionalidade com efeitos erga omnes” (RE 424993, 
Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em 12/09/2007, DJe-126 
DIVULG 18-10-2007 PUBLIC 19-10-2007 DJ 19-10-2007 PP-00029 EMENT VOL-02294-03 
PP-00547). 
ITEM II - Apesar de admitida pela jurisprudência a modulação de efeitos em controle 
difuso de constitucionalidade, não foi estabelecido qualquer limitador temporal na 
hipótese. (HC 133800, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 
03/05/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-164 DIVULG 04-08-2016 PUBLIC 05-08-2016) 
ITEM III - A regra da chamada reserva do plenário para declaração de 
inconstitucionalidade (art. 97 da CF) não se aplica, deveras, às turmas recursais de 
juizado especial. Mas tal circunstância em nada atenua nem desnatura a rigorosa 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
100 
exigência de juntada de cópia integral do precedente que tenha, ali, pronunciado 
inconstitucionalidade de norma objeto de recurso extraordinário fundado no art. 102, 
III, b, da Constituição da República, pela mesmíssima razão por que, a igual título de 
admissibilidade do recurso, não se dispensa juntada de cópia de acórdão oriundo de 
plenário. (STF, RE 453.744 AgR, voto do rel. min. Cezar Peluso, j. 13-6-2006, 1ª T, DJ de 
25-8-2006.) 
ITEM IV - PROCESSO CIVIL. CONTROLE DIFUSO DA CONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO 
DA RESERVA DE PLENÁRIO. O juiz singular pode deixar de aplicar lei inconstitucional; os 
órgãos fracionários dos tribunais, não - porque, mesmo no âmbito do controle difuso da 
constitucionalidade, os tribunais só podem deixar de aplicar a lei pelo seu plenário ou, 
se for o caso, pelo respectivo órgão especial (CF, art. 97), observado o procedimento 
previsto no artigo 480 e seguintes do Código de Processo Civil, salvo se já houver 
pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão 
(CPC, art. 481, parágrafo único). Recurso especial conhecido e provido. (STJ, REsp 
89.297/MG, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, TERCEIRA TURMA, julgado em 06/12/1999, 
DJ 07/02/2000, p. 151) 
 
7. RESPOSTA: LETRA B. 
Trata-se de mais uma questão baseada na literalidade da lei. 
Conforme art. 11, § 1º, da Lei nº 9.868/99 (que versa o procedimento da ADI e ADC), “a 
medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc, 
salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa”. 
Ressalte-se que aludido artigo, embora esteja no capítulo relativo a ADI, também se 
aplica à ação declaratória de constitucionalidade. Tal conclusão decorre do art. 21 de 
aludida lei (“consistente na determinação de que os juízes e os Tribunais, suspendam o 
julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto 
da ação até seu julgamento definitivo”). O comando é geral (“juízes e os Tribunais”), 
razão pela qual se depreende ser vinculante. Ademais, não prevê retroação dos efeitos: 
pelo contrário, o parágrafo único do art. 21 prevê perda automática da eficácia cautelar 
se o Tribunal não julgar o feito em 180 dias. 
Por isso, a alternativa B é correta. 
 
8. RESPOSTA: C. 
(A) ADI 5814 (STF confirma inaplicabilidade do prazo em dobro para recurso em 
processo de controle de constitucionalidade, inclusive ADPF). 
(B) 2/3 dos Ministros podem modular os efeitos (art. 11 da Lei nº 9.882, de 3 de 
dezembro de 1999). 
(D) É possível a fungibilidade entre a ADI e ADPF (art. 11 da Lei nº 9.882 de 1999). 
(E) Possível modulação dos efeitos na ADPF (art. 11 da Lei nº 9.882 de 1999). 
 
9. RESPOSTA: B. 
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101 
(A) INCORRETA. 
No âmbito do controle concentrado, temos a restauração da lei anteriormente revogada 
a partir da declaração de inconstitucionalidade da lei revogadora, salvo se o STF dispuser 
expressamente de modo diverso, caso em que, deve respeitar os requisitos do quórum 
de votação de 2/3 dos membros, bem como razões de segurança jurídica ou excepcional 
interesse público. 
(B) CORRETA. 
“Cabível o exercício do controle concreto e incidental, bem como do controle abstrato 
e principal de constitucionalidade, em face da Constituição Federal, de tratados 
internacionais que tenham sido incorporados ao direito brasileiro”. 
O controle de constitucionalidade se manifesta no Brasil das seguintes maneiras: a) via 
incidental; b) via principal ou ação; c) abstrato ou em tese, e d) concreto. 
Como afirma o Ministro Luiz Roberto Barroso: 
“Não se confundem, conceitualmente, o controle por via incidental - realizado na 
apreciação de um caso concreto - e o controle difuso – desempenhado por qualquer 
juiz ou tribunal no exercício regular da jurisdição. No Brasil, no entanto, como regra, eles 
se superpõem, sendo que desde o início da república, o controle incidental é exercido 
de modo difuso. Somente com a arguição de descumprimento de preceito fundamental, 
criada pela Lei n 9.982, de 3 de dezembro de 1999, cujas potencialidades ainda não 
foram exploradas, passou-se a admitir uma hipótese de controle incidental 
concentrado”. 
(C) INCORRETA. 
Não é cabível ação direta de inconstitucionalidade proposta no STF em face de lei 
municipal. 
“Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da 
Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de 
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória 
de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal;”. 
(D) INCORRETA. 
Decreto regulamentar que contrarie os limites que lhe foram impostos pela lei 
regulamentada se assemelha a decreto autônomo que é a exceção no direito brasileiro, 
nos termos do art. 84, VI, da CF/88. 
A alternativa se equivoca ao afirmar que há violação ao princípio da legalidade quando 
na verdade há ofensa ao princípio da reserva legal. 
“(...) a Constituição reserva conteúdo específico, caso a caso, à lei, encontramo-nos 
diante do princípio da reserva legal” (SILVA, José Afonso da. Curso de direito 
constitucional positivo. 22. ed. São Paulo: Malheiros, 2000. p. 421.). 
“Ação Direta de Inconstitucionalidade. Decreto nº 4.010, de 12 de novembro de 2001. 
Pagamento de servidores públicos da Administração Federal. Liberação de recursos. 
Exigência de prévia autorização do Presidente da República. Os artigos 76 e 84, I, II e VI, 
a, todos da Constituição Federal, atribuem ao Presidente da República a posição de 
Chefe supremo da administração pública federal, ao qual estão subordinados os 
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102 
Ministros de Estado. Ausência de ofensa ao princípio da reserva legal, diante da nova 
redação atribuída ao inciso VI do art. 84 pela Emenda Constitucional nº 32/01, que 
permite expressamente ao Presidente da República dispor, por decreto, sobre a 
organização e o funcionamento da administração federal, quando isso não implicar 
aumento de despesa ou criação de órgãos públicos, exceções que não se aplicam ao 
Decreto atacado.” (ADI 2.564, Rel. Min. Ellen Gracie, DJ 06/02/04). 
(E)INCORRETA. 
A alternativa se equivoca ao afirmar que não existe prazo para que órgão 
administrativo supra omissão constitucional. 
Art. 103, § 2º, da CF/88. “Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida 
para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para 
a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para 
fazê-lo em trinta dias”. 
 
10. RESPOSTA: B. 
(I) CORRETA. 
A ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADO) é considerada uma 
exclusividade do direito brasileiro e veio a lume a partir da CF/88, servindo para 
combater a mora legislativa que ficou conhecida pela doutrina como “síndrome da 
inefetividade das normas constitucionais”. 
Nesse sentido é o art. 12-H da Lei nº 9.868/99: “Declarada a inconstitucionalidade por 
omissão, com observância do disposto no art. 22, será dada ciência ao Poder 
competente para a adoção das providências necessárias.” 
(II) INCORRETA. 
A questão abordou o conhecimento do caso julgado pela ADO 26, que inobstante ter 
reconhecido o estado de mora inconstitucional do Congresso Nacional na 
implementação da prestação legislativa destinada a cumprir o mandado de incriminação 
a que se referem os incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição, para efeito de proteção 
penal aos integrantes do grupo LGBT, não ficou consignado que o STF fixaria o crime e 
pena caso o Poder Legislativo não o fizesse. 
(III) INCORRETA. 
Ainda no âmbito da ADO 26, foi declarada a existência de omissão normativa 
inconstitucional do Poder Legislativo da União, porém sem a condenação do Estado 
Brasileiro ao pagamento de indenização às vítimas. No voto do Ministro Barroso, ficou 
consignado: “A ação direta de inconstitucionalidade por omissão e o mandado de 
injunção não são instrumentos processuais adequados à formulação de pedido 
indenizatório. Ações não conhecidas nessa parte”. 
 
11. RESPOSTA: A. 
(A) CORRETA. As ações declaratórias de constitucionalidade e direta 
inconstitucionalidade são ação de natureza dúplice ou de “sinal trocado”. 
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103 
(B) INCORRETA. O STF adotou a teoria restritiva em que somente o dispositivo da 
decisão produz efeito vinculante. Dessa feita, os motivos invocados na decisão não são 
vinculantes, entretanto, em casos pontuais, o STF já chegou a adotar a tese da 
transcendência dos motivos determinantes. 
(C) INCORRETA. O princípio da interpretação conforme a Constituição 
(verfassungskonforme auslegung) e princípio que se situa no âmbito do controle da 
constitucionalidade, e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse 
princípio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de 
uma lei em tese, o STF - em sua função de corte constitucional - atua como legislador 
negativo, mas não tem o poder de agir como legislador positivo, para criar norma 
jurídica diversa da instituída pelo poder legislativo. Rp 1417/DF, Julgamento: 
09/12/1987. Publicação: 15/04/1988. 
(D) INCORRETA. O art. 10, § 3º, da Lei 9882/99, dispõe: A decisão terá eficácia contra 
todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. 
 
12. RESPOSTA A. 
A CF/88 traz previsão expressa sobre o controle de constitucionalidade no âmbito dos 
tribunais de justiça: 
“Art. 125, § 2º Cabe aos Estados a instituição de representação de 
inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da 
Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão”. 
A questão trouxe como possíveis casos passíveis de controle os seguintes: 
(1) a primeira norma tratava do processo legislativo no âmbito da Câmara Municipal, 
temática sobre a qual a Constituição do Estado Alfa não versava: poderá ser passível de 
controle. Não obstante não haver previsão expressa na Constituição Estadual, trata-
se de matéria de reprodução obrigatória. 
(2) a segunda dispunha sobre temática que a Constituição do Estado Alfa disciplinava de 
modo literalmente idêntico à Constituição da República de 1988: pelo princípio da 
simetria também é passível de controle de constitucionalidade. 
(3) a terceira, sobre temática somente prevista na Constituição do Estado Alfa, não na 
Constituição da República de 1988: o tribunal de justiça detém competência para 
proceder o controle de constitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou 
municipais em face da Constituição Estadual. 
Pelo exposto, o item a ser marcado é o que diz: “deve realizar o controle das normas 
descritas em 1, 2 e 3”. 
 
13. RESPOSTA: E. 
O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou jurisprudência dominante no sentido de 
que não invade a competência privativa do chefe do Poder Executivo lei que, embora 
crie despesa para os cofres municipais, não trate da estrutura ou da atribuição de órgãos 
do município nem do regime jurídico de servidores públicos. A matéria foi apreciada no 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
104 
Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 878911, de relatoria do ministro Gilmar 
Mendes, que teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do STF. 
Pelo exposto, o item a ser marcado é o que diz: “não apresenta vício de iniciativa, pois, 
embora tenha criado obrigação para o Poder Executivo, não instituiu nova atribuição para os 
seus órgãos”. 
 
14. RESPOSTA: A. 
I – CORRETO. 
Art. 1º., Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de preceito 
fundamental: 
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato 
normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição; 
II – CORRETO. 
Art. 1º, Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de preceito 
fundamental: 
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato 
normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição; 
III – CORRETO. 
Art. 2º Podem propor arguição de descumprimento de preceito fundamental: 
I - os legitimados para a ação direta de inconstitucionalidade; 
IV – INCORRETO. 
Art. 12. A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido em argüição de 
descumprimento de preceito fundamental é irrecorrível, não podendo ser objeto de 
ação rescisória. 
Obs.: todos os artigos são da Lei nº 9.882, de 3 de dezembro de 1999. 
 
15. RESPOSTA: D. 
(A) INCORRETO. 
Mesa de Assembleia Legislativa não é legitimada para propor ADI, nos termos do art. 
103 da CF/88. 
(B) INCORRETO. 
É cabível recurso de acordo com a Lei nº 9.868, de 3 de dezembro de 1999: 
Art. 4º A petição inicial inepta, não fundamentada e a manifestamente improcedente 
serão liminarmente indeferidas pelo relator. Parágrafo único. Cabe agravo da decisão 
que indeferir a petição inicial. 
(C) INCORRETO. 
ITEM CONSIDERADO INCORRETO PELA BANCA, MAS ESPELHA A LITERALIDADE DA LEI: 
Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista 
razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
105 
Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos 
daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em 
julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. 
(D) CORRETO. 
Item que também espelha a literalidade da Lei: 
Art. 12-A.Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade por omissão os 
legitimados à propositura da ação direta de inconstitucionalidade e da ação 
declaratória de constitucionalidade. 
(E) INCORRETO. 
O pedido de medida cautelar é expressamente previsto pela Lei nº 9.868/1999 no seu 
art. 12-F e seguintes. 
 
16. RESPOSTA: D. 
I – CORRETO. 
O STF vem entendendo pela modulação dos efeitos em sede de ação declaratória de 
constitucionalidade – ADC, a exemplo da ADC nº 49. 
II – INCORRETO. 
Houve mutação constitucional do art. 52, X, da CF/88. A nova interpretação deve ser 
a seguinte: quando o STF declara uma lei inconstitucional, mesmo em sede de controle 
difuso, a decisão já tem efeito vinculante e erga omnes e o STF apenas comunica ao 
Senado com o objetivo de que a referida Casa Legislativa dê publicidade daquilo que 
foi decidido. STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgados 
em 29/11/2017 (Info 886). 
III – CORRETO. 
Não haverá perda do objeto se ficar demonstrado que o conteúdo do ato impugnado 
foi repetido, em sua essência, em outro diploma normativo. Neste caso, como não 
houve desatualização significativa no conteúdo do instituto, não há obstáculo para o 
conhecimento da ação (STF ADI 2418/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 4/5/2016. 
Info 824) 
 
17. RESPOSTA: E. 
ALTERNATIVA A: INCORRETA. 
A jurisprudência do STF, há muito, reconhece a aplicação da fungibilidade entre a ADPF 
e a ADI, como se vê do julgado a seguir destacado: 
Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental conhecida como Ação Direta 
de Inconstitucionalidade. 2. Resolução 4.765, de 27 de novembro de 2019, do Conselho 
Monetário Nacional (CMN). Cobrança de tarifa de cheque especial. 3. Resolução editada 
pelo CMN tem caráter de norma primária. 4. Princípio da subsidiariedade 
e fungibilidade entre as ações diretas. 5. Atuação do CMN no campo da intervenção 
estatal na economia (arts. 174 e 192 da CF). Tarifa bancária com características de taxa. 
Possível violação ao princípio da legalidade tributária. Cobrança que coloca o 
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106 
consumidor em situação de vulnerabilidade econômico-jurídica. Desproporcionalidade 
da medida adotada pelo CMN para correção de falha de mercado. 6. Medida Cautelar 
deferida e referendada pelo Plenário do STF. 7. Ação direta de inconstitucionalidade 
julgada procedente. (STF, ADI 6407, Tribunal Pleno, Rel. Min. GILMAR MENDES, DJE 
13/05/2021) 
ALTERNATIVA B: INCORRETA. 
O STF possui entendimento majoritário no sentido do cabimento de ADPF para reparar 
lesão a preceito fundamental, ainda que decorrente de omissão do poder público. 
Confira-se o precedente que reflete a orientação da Suprema Corte: 
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL POR OMISSÃO. 
ORGANIZAÇÃO E REGULAMENTAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO NO TRIBUNAL DE 
CONTAS DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO. ARTS. 73, 75 E 130 DA CONSTITUIÇÃO DA 
REPÚBLICA. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA SIMETRIA PARA OS TRIBUNAIS DE 
CONTAS DO MUNICÍPIO. AUTONOMIA MUNICIPAL. PACTO FEDERATIVO. 
EXCEPCIONALIDADE DO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO. OMISSÃO 
LEGISLATIVA NÃO RECONHECIDA. ARGUIÇÃO JULGADA IMPROCEDENTE. 1. O Tribunal 
de Contas do Município de São Paulo é órgão autônomo e independente, com atuação 
circunscrita à esfera municipal, composto por servidores municipais, com a função de 
auxiliar a Câmara Municipal no controle externo da fiscalização financeira e 
orçamentária do respectivo Município. 2. O preceito veiculado pelo art. 75 da 
Constituição da República aplica-se, no que couber, à organização, composição e 
fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal e dos Tribunais e 
Conselhos de Contas dos Municípios, excetuando-se ao princípio da simetria os 
Tribunais de Contas do Município. Precedentes. 3. O incremento de novo órgão na 
esfera da competência municipal, sem que se demonstre real necessidade de sua 
criação, compromete os gastos públicos de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal 
e atenta contra a eficiência da Administração Pública. 4. Arguição de descumprimento 
de preceito fundamental julgada improcedente por não estar configurada omissão 
legislativa na criação de Ministério Público especial no Tribunal de Contas do 
Município de São Paulo. 
(ADPF 272, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 25/03/2021, 
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-068 DIVULG 09-04-2021 PUBLIC 12-04-2021) 
ALTERNATIVA C: INCORRETA. 
O STF sedimentou orientação no sentido da possibilidade de “a utilização da arguição 
de descumprimento de preceito fundamental para questionar leis ou atos normativos 
já revogados, desde que haja controvérsia relevante quanto aos efeitos jurídicos 
residuais” (ADPF 33, Rel. Min. Gilmar Mendes, Plenário, DJ de 27/10/2006; ADPF 324, 
Rel. Min. Roberto Barroso, julgada em 30/8/2018; ADIs 2.028, 2.036, 2.228, 2.621, 
Redatora do acórdão Min. Rosa Weber, Plenário, DJe de 8/5/2017 e de 16/5/2017). 
ALTERNATIVA D: INCORRETA. 
O STF possui entendimento no sentido de que “a arguição de descumprimento de 
preceito fundamental não é a via adequada para se obter a interpretação, a revisão ou 
o cancelamento de súmula vinculante.” (ADPF 147-AgR, rel. min. Cármen Lúcia, 
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julgamento em 24-3-2011, Plenário, DJE de 8-4-2011), já que há procedimento próprio 
para tanto, estabelecido na Lei 11.417/06. 
ALTERNATIVA E: CORRETA. 
Diante da aplicação do princípio da subsidiariedade, não é cabível o manejo de ADPF 
para impugnar lei municipal que viola norma de reprodução obrigatória existente em 
Constituição Estadual. Nesse caso, é cabível o ajuizamento de ADI, a ser julgada pelo 
Tribunal Local, tendo como parâmetro a norma constante da Constituição Estadual. 
Confiram o seguinte precedente, que reflete a orientação do STF: 
AGRAVO REGIMENTAL EM ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO 
FUNDAMENTAL. LEI MUNICIPAL QUE INSTITUI FERIADO. ALEGAÇÃO DE USURPAÇÃO 
DE COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA UNIÃO. NORMA DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. 
PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE. INOBSERVÂNCIA. CABIMENTO DE ADI ESTADUAL. 
DESPROVIMENTO. 1. A jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal exige a 
aplicação do princípio da subsidiariedade às ações de descumprimento de preceito 
fundamental (art. 4º, §1º, da Lei 9.882/1999), configurado pela inexistência de meio 
capaz de sanar a controvérsia de forma geral, imediata e eficaz no caso concreto. 
Precedentes. 2. A impugnação da norma municipal que desafia tanto o texto federal 
quanto o estadual, pode ser feita perante o Tribunal local por meio do ajuizamento de 
ação de controle concentrado. Ausente o requisito da subsidiariedade. Precedentes. 
3. Agravo regimental desprovido. (STF, ADPF 723 AgR, Tribunal Pleno, Rel. Min. EDSON 
FACHIN, DJE 16/04/2021) 
 
18. RESPOSTA: E. 
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF no julgamento de ADI, ADC ou 
ADPF possuem eficácia contra todos (erga omnes) e efeito vinculante (§ 2º do art. 102 
da CF/88). 
O Poder Legislativo, em sua função típica de legislar, não fica vinculado. Assim, o STF 
não proíbe que o Poder Legislativo edite leis ou emendas constitucionais em sentido 
contrário ao que a Corte já decidiu. Não existe uma vedação prévia a tais atos 
normativos. 
O legislador pode, por emenda constitucional ou lei ordinária, superar a jurisprudência. 
Trata-se de uma reação legislativa à decisão da Corte Constitucional com o objetivo de 
reversão jurisprudencial. 
O Poder Legislativo promoverá verdadeira hipótese de mutação constitucional pela via 
legislativa. STF. Plenário.ADI 5105/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 1º/10/2015 (Info 
801). 
 
19. RESPOSTA: B. 
(A) INCORRETA. 
A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) é instrumento eficaz 
de controle da inconstitucionalidade por omissão. A ADPF pode ter por objeto as 
omissões do poder público, quer totais ou parciais, normativas ou não normativas, nas 
mesmas circunstâncias em que ela é cabível contra os atos em geral do poder público, 
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desde que essas omissões se afigurem lesivas a preceito fundamental, a ponto de obstar 
a efetividade de norma constitucional que o consagra. STF. Plenário. ADPF 272/DF, Rel. 
Min. Cármen Lúcia, julgado em 25/3/2021 (Info 1011). 
(B) CORRETA. 
A declaração de inconstitucionalidade proferida em controle concentrado não atinge o 
Poder Legislativo na sua função típica de legislar sob pena de “fossilização” da 
Constituição (LENZA, 2022, p. 905). 
(C) INCORRETA. 
O DPGU possui legitimidade para propor revisão e cancelamento de súmula 
vinculante. 
Art. 3º, LEI Nº 11.417/06. São legitimados a propor a edição, a revisão ou o 
cancelamento de enunciado de súmula vinculante: VI - o Defensor Público-Geral da 
União; 
(D) INCORRETA. 
A mitigação da cláusula de reserva de plenário vem sendo observada em outras 
situações. Em conclusão, não há a necessidade de se observar a regra do art. 97, CF/88: 
nos casos de normas pré-constitucionais, porque a análise do direito editado no 
ordenamento jurídico anterior em relação à nova Constituição não se funda na teoria 
da inconstitucionalidade, mas, como já estudado, em sua recepção ou revogação; 
(LENZA, 2022, p. 537-538). 
(E) INCORRETA. 
No Brasil, à Convenção foi conferido status de emenda constitucional, por ter sido 
aprovada com o quórum qualificado previsto no § 3º do art. 5º da Constituição da 
República de 1988, por meio do Decreto Legislativo nº 186/2008.

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