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MONITORIA SOI III APG 04 – Doença de Chagas - Etiologia, Epidemiologia, Ciclo biológico, Fisiopatologia, Fatores de risco, Manifestações clínicas, Diagnóstico, Prevenção e Complicações da Doença de Chagas. INTRODUÇÃO - Agente etiológico: protozoário Trypanosoma Cruzi; - Descoberto por Carlos Chagas; - Frequente nas Américas, principalmente America Latina; - Brasil: 8 milhões de habitantes / populações pobres que residem em condições precárias; - Problema social → morte súbita / emprego / marginalização / aposentadorias precoces. MORFOLOGIA NO VERTEBRADO: - Intracelular → Amastigota; - Extracelular → Tripomastigotas EPIDEMIOLOGIA: - 16 a 18 milhões de habitantes de 18 países, causando 21.O00mortes anuais e uma incidência de 300.000 novos casos por ano; - A transmissão pelos dejetos do triatomíneo é que tem maior importância epidemiológica; - Era uma doença exclusiva de triatomíneos e animais silvestres, mas atingiu o humano na medida em que ele interferiu no ciclo silvestre; - O T.cruzi circula entre humanos e animais, desde o sul dos EUA até a Argentina; - Domiciliação de barbeiros: no peridomicílio, os refúgios correspondem a estábulos, chiqueiros, galinheiros e pombais; e no domicilio, em frestas de paredes de casas de barro batido ou em folhagens de palmeiras usadas para a cobertura de tais habitações, mas também podem refugiar-se nas casas melhor construídas, em fendas de paredes, nos móveis, em malas e baús, colchões e camas de todos os tipos; - Os reservatórios silvestres mais importantes são o tatu e o gambá, e domésticos cão, rato e gato; - No Brasil, a doença de Chagas humana é encontrada nos seguintes estados: Rio Grande do Sul, parte de Santa Catarina e Paraná, São Paulo, Minas Gerais (exceto no sul de Minas), Goiás Tocantins e estados do Nordeste; CICLO BIOLÓGICO: - Heteroxêno (reprodução intracelular no vertebrado e extracelular no invertebrado – triatomíneos); - Tripomastigotas metacíclicos eliminados na urina/fezes do do T.Cruzi → penetram no local da picada → transformação em amastigota → multiplicação por divisão binária → diferenciação em tripomastigotas → liberados na corrente sanguínea → atingem outros tecidos ou são destruídos pela imunidade → OU → ingeridos por triatomíneos → ciclo extracelular. - Fase aguda → ↑ parasitemia (alta mortalidade em crianças); - Se resposta imune eficaz → ↓ parasitemia → fase crônica (forma clínica após 10 a 15 anos) FORMAS DE TRANSMISSÃO: - Transmissão pelo vetor: - O de maior importância epidemiológica; - Penetração dos tripomastigotas metacíclicos em solução de continuidade da pele ou mucosa íntegra; - Transfusão sanguínea (fiscalização); - Transmissão congênita: - Ocorre quando existem ninhos de amastigotas na placenta → circulação fetal; - Pesquisa de IgM anti-T.Cruzi no soro do RN; - Acidentes de laboratório; - Transmissão oral: - leite materno na fase aguda da infecção; - animais ingerindo triatomíneos infectados; - canibalismo entre diferentes espécies de animais; - pessoas ingerindo alimentos contaminados com fezes ou urina de triatomíneos infectados (açaí); - Coito: nunca foi comprovado (apenas experimentalmente); - Transplante: pode desencadear fase aguda grave devido às drogas imunossupressoras. A DOENÇA: FASE AGUDA: - Sintomática ou assintomática (+ frequente); - A forma aguda sintomática é mais frequente na primeira infância (10%); - Sinal de Romaña → penetração na conjuntiva; - edema bipalpebral unilateral, congestão conjuntival, linfadenite-satélite,com linfonodos pré-auriculares, submandibulares e outros aumentados de volume, palpáveis, celulite do tecido gorduroso periorbitário e palpebral e presença de parasitos intra e extracelularesem abundância - Chagoma de inoculação → penetração na pele; - inflamação aguda local na derme e hipoderme, no ponto de inoculação do parasito. - Esses sinais aparecem em 4-10 dias após a picada e regridem em 1 ou 2 meses (tbm pode ter linfonodomegalia); - Manifestações gerais: febre, edema localizado e generalizado, poliadenia, hepatomegalia, esplenomeglia e, às vezes, insuficiência cardíaca e perhirbações neurológicas. A DOENÇA: FASE CRÔNICA ASSINTOMÁTICA (INDETERMINADA): - Após a fase aguda, longo período assintomático (10 a 30 anos); - Positividade de exames sorológicos e/ou parasitológicos; - Ausência de sinais e sintomas; - ECG normal; - Coração, esôfago e cólon radiologicamente normais; - Apesar de assintomáticos e de apresentarem lesões muito discretas, tem sido registrado morte súbita de pacientes com esta forma da doença. FASE CRÔNICA SINTOMÁTICA: - Forma cardíaca, digestiva ou mista; - Reativação intensa do processo inflamatório (nem sempre relacionado com o parasito, que se encontra escasso); - FORMA CARDÍACA: - 20% A 40% dos pcts no centro-oeste e sudeste; - Insuficiência cardíaca congestiva (ICC); - Diminuição da massa muscular (substituída por fibrose), destruição do SNA (arritmias) e exsudato inflamatório; - Fenômenos tromboembólicos → cardíacos são mais frequentes, mas também podem ser formados nas veias dos MMII; - QUADRO DE ICC → dispnéia de esforço, insônia, congestão visceral e edema dos membros inferiores evoluindo em dispnéia continua, anasarca e morte. - FORMA DIGESTIVA: - 7% a 11% dos casos; - Incoordenação motora (aperistalse, discinesia) → Megaesôfago e Megacólon; - Megaesôfago: disfagia, odinofagia, dor retroestemal, regurgitação, pirose, soluço, tosse e sialose; - Megacólon: - Dilatação do sigmoide e reto; - Obstipação!; - Complicações mais graves: obstrução intestinal, perfuração, peritonite. - FORMA NERVOSA: - Existência discutida; - Alterações psicológicas, comportamentais e perda de memória; - Denervação ou consequência da isquemia devido à ICC e arritmias? - DOENÇA DE CHAGAS TRANSFUSIONAL: - Fase aguda semelhante, exceto pela ausência do chagoma; - Febre é o sintoma + frequente, seguida de linfadenopatia e esplenomegalia; - Mal diagnosticada, confundida com infecções bacterianas; - DOENÇA DE CHAGAS CONGÊNITA: - A transmissão pode ocorrer em qualquer fase da gravidez → aborto, parto prematuro, baixo peso ao nascer.. - A criança evolui bem sem nenhum sintoma da doença ou pode ter peso reduzido, hepatoesplenomegalia, abdome distendido - Vários fatores influenciam no aparecimento de lesões pelo T.Cruzi: - Devidos ao parasito → polimorfismo, tropismo, virulência, cepa... - Devidos ao hospedeiro → genética, sexo, idade, imunidade... FASE AGUDA: - As células mais frequentemente parasitadas são: macrófagos, células de Schwann, micróglia, fibroblastos, células musculares lisas estriadas; - Ocorre uma reação inflamatória inicial (surge imunidade na 2ª semana), mas os parasitos não são detidos no foco inflamatório inicial; - Na fase aguda o coração pode ser lesado intensamente! FASE CRÔNICA: - FORMA CARDÍACA: - Cardiomegalia; - Hipertrofia das paredes ventriculares e atriais; - Dilatação dos anéis das válvulas tricúspide e mitral; - FORMA DIGESTIVA: - O T.Cruzi parasita as células musculares, fibroblastos e principalmente o sistema nervoso intramural; - Sinais de incoordenação motora acompanhados de alterações da secreção e absorção; FISIOPATOLOGIA E PATOGÊNESE: - A infecção mobiliza vários mecanismos humorais e celulares → Multiplicação reduzida; - Como persiste indefinidamente, lesões prolongadas acumulam-se; - Imunidade inata: - Ativação do sistema complemento; - Atuação das células-NK → Liberação do interferon gama → Ativação de macrófagos; - Imunidade humoral: - Surgimento precoce de IgM e IgG (7 a 15d) → Níveis elevados na 5ª semana IMUNIDADE: DIAGNÓSTICO: CLÍNICO: - Origem, sinais de porta de entrada, febre, adenopatia, hepatoesplenomegalia, taquicardia, edema → AGUDA; - Alterações cardíacas + ICC + Alterações digestivas no RX → CRÔNICA. LABORATORIAL: - FASE AGUDA → pesquisa direta e, se necessário, indireta; - Exame de sangue a fresco / Gota espessa / Xenodiagnóstico+ hemocultura; - IgM detectado em média a partir do 15º dia de infecção (RIFI ou ELISA); - FASE CRÔNICA→ métodos sorológicos ou pesquisa do parasito por métodos indiretos; - A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o diagnóstico sorológico da doença de Chagas seja realizado utilizando sempre dois testes sorológicos diferentes em paralelo, para a obtenção de resultados mais precisos ALTERAÇÕES NOS EXAMES DE IMAGEM: ELETROCARDIOGRAMA: - Constituem, frequentemente, o primeiro indicador do surgimento da CCC; - Retardos transitórios ou fixos da condução atrioventricular, da condução no ramo direito, alterações da repolarização ventricular e ectopias ventriculares; - Complexos QRS alargados. RADIOGRAFIA TORÁCICA: - Cardiomegalia global; - Congestão venosa sistêmica; - Derrame pleural e pericárdico. - Melhoria das condições de vida do camponês + Modificação do hábito secular de destruição da fauna e flora; - Melhoria das habitações rurais: transformação das casas de pau-a-pique e barro para alvenaria... - Combate ao barbeiro: o seu combate por meio de inseticidas eficientes promove a curto prazo a eliminação do principal modo de transmissão; - Controle do doador de sangue: seleção dos doadores por exames sorológicos (ELISA, IUFI, RHA, RFC) e exclusão dos positivos ou suspeitos; - Controle de transmissão congênita. PROFILAXIA: REFERÊNCIAS: - NEVES, David Pereira. Parasitologia humana. 13 Rio de Janeiro: Atheneu, 2016, 588 p. - DATA SUS. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinannet/cnv/chagasMT.def; - KROPF, Simone Petraglia; AEVEDO, Nara; FERREIRA, Luiz Otávio. Doença de Chagas: a construção de um fato científico e de um problema de saúde pública no Brasil. Disponível em: < https://www.scielosp.org/article/csc/2000.v5n2/347-365/> Acesso em: 18 de novembro de 2020. “Dedique à disciplina o seu coração e os seus ouvidos às palavras que dão conhecimento.” Provérbios 23:12 OBRIGADA! http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinannet/cnv/chagasMT.def