Prévia do material em texto
UNIDADE DE APRENDIZAGEM ÉTICA PROFISSIONAL NO AMBIENTE EMPRESARIAL ÉTICA PROFISSIONAL 3 • Para início de conversa • Objetivo de aprendizagem do Capítulo: • 1. Ética Profissional no Contexto Empresarial • 2. Responsabilidade Social Empresarial • 3. Código de conduta empresarial • 4. Ética e lucro • Considerações finais • Referências ............. 03 ............. 03 ............. 03 ............. 04 ............. 06 ............. 07 ............. 16 ............. 17 Sumário 3 PARA INÍCIO DE CONVERSA: Como já vimos nos capítulos anteriores, a ética profissional é um conjunto de valores, comportamentos e princípios que orientam a conduta do profissional no exercício de sua profissão. No contexto empresarial, isso se torna ainda mais importante, uma vez que as organizações têm responsabilidade social e precisam agir de maneira ética para garantir a confiança dos clientes, colaboradores e da sociedade em geral. OBJETIVO DE APRENDIZAGEM DO CAPÍTULO: Compreender a aplicação e os benefícios da ética e da RSE no contexto empresarial. 1. ÉTICA PROFISSIONAL NO CONTEXTO EMPRESARIAL. Sempre que iniciamos em um novo emprego, bate aquela dúvida sobre o que esperar e como devemos agir. não é mesmo? A ética nos ajuda a ter um pouco de respostas. De acordo com Maria Cecília Arruda Alvin , uma das primeiras preocupações éticas que se tem conhecimento no mundo dos negócios surgiu nos debates ocorridos principalmente nos países de origem alemã na década de 60. Isso porque os trabalhadores davam seu suor para que a empresa obtivesse lucro, mas começaram a exigir respeito e queriam ser ouvidos. A ideia era dar aos trabalhadores a oportunidade de participar dos conselhos de administração das organizações, o que representava um maior reconhecimento das empresas às pessoas que ali exerciam o labor. O ensino da ética nas faculdades de Administração e Negócios deu uma guinada nas décadas de 60 e 70, principalmente nos EUA, graças a alguns filósofos que queriam transformar o meio empresarial. Eles pegaram os conceitos éticos e aplicaram na vida real dos negócios, somando com uma boa dose de experiência empresarial. 4 2. RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL A Responsabilidade Social Empresarial, ou RSE, permite que as empresas façam muito bem para a sociedade. Para isso, as empresas devem seguir práticas que incluem coisas como investir em projetos sociais e ambientais, colocar em prática a inclusão e a diversidade, e garantir o bem-estar dos funcionários. No Brasil, a gente pode ver as primeiras referências sobre responsabilidade social falando assim: “parte da premissa de que as organizações têm responsabilidade direta e condições de abordar os muitos problemas que afetam a sociedade” (TOMEI, 1984, p. 189). Aí nasceu uma coisa nova: a Ética Empresarial, uma dimensão que antes não existia. Nos anos 70, as empresas multinacionais começaram a se espalhar pelo mundo todo, principalmente dos EUA e da Europa. Elas abriram filiais em todos os cantos, o que trouxe muitos conflitos culturais e discordâncias sobre práticas comerciais e padrões éticos das empresas-mãe. É interessante dar uma olhada nas ideias desenvolvidas por Robert Henry Srour nessa época. Naturalmente, os diferentes padrões culturais desfrutam de justificações morais que as sociedades lhes conferem. Assim, as morais são múltiplas e nenhum sistema de normas morais consegue obter o selo da eternidade ou a aura da universalidade. Porque os padrões morais fincam suas raízes na história, nos eventos singulares e em fluxo, donde seu caráter efêmero, transitório, provisório, passageiro, mutável. SROUR, Robert Henry. Ética empresarial. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. Desses conflitos morais, percebeu-se a necessidade de desenvolver e adotar códigos de ética corporativos para que fossem estabelecidos limites e definições das práticas que deveriam ser adotadas por todos, independentemente da cultura de cada lugar. FONTE: ENVATO 5 A RSE não é só sobre caridade ou filantropia, é uma necessidade urgente em um mundo cada vez mais cheio de complicações e interdependências. CARTILHA ONU . DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.DHNET.ORG.BR/DADOS/ CARTILHAS/A_PDF_DHT/CARTILHA_DE_RESPONSABILIDADE_SOCIAL_ EMPRESARIAL.PDF De acordo com o CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), a ética e a RSC são cruciais para o sucesso da empresa e a transformação da sociedade. Nesse sentido, vejamos: Uma empresa pode impactar a sociedade de forma positiva ou negativa. O sucesso do empreendimento pode aumentar a oferta de empregos e atrair investimentos. Inicia-se, então, um período de crescimento econômico. Por outro lado, as operações podem prejudicar a qualidade de vida da comunidade e enfraquecer o comércio local. Nesse caso, uma era pouco próspera se desenha. Em ambos os cenários nota-se que os impactos sociais causados por uma companhia não se restringem à questão econômica. Toda a engrenagem social é afetada. (CEBDS- 2016). Mesmo que a empresa esteja voltada para o lucro, o que os empresários já perceberam é que se os seus “stakeholders” não estão satisfeitos, o lucro, o reconhecimento e o fortalecimento da marca não acontecem. Stakeholders: significa público estratégico e descreve todas as pessoas ou “grupo de interesse” que são impactados pelas ações de um empreendimento, projeto, empresa ou negócio. Curiosidade: 6 No entanto, não é apenas por um interesse financeiro que empresas devem adotar condutas éticas. Elas têm uma responsabilidade social e política que transcende as questões econômicas. Empresas que atuam de forma antiética contribuem para o aumento da desigualdade social, prejudicam o meio ambiente e violam os direitos humanos. Por essas e outras razões, a importância das condutas éticas empresariais está amplamente presente nas discussões sobre responsabilidade social corporativa, sustentabilidade e governança corporativa. Esses conceitos buscam estabelecer melhores práticas de responsabilidade e transparência na gestão empresarial, de modo a minimizar impactos negativos nas esferas social, ambiental e econômica. Importante conhecermos uma iniciativa da ONU em busca da implementação global de regras de Responsabilidade Empresarial. 3. CÓDIGO DE CONDUTA EMPRESARIAL Hoje em dia, quando passamos em um concurso, ou somos contratados por uma empresa, é comum recebermos um documento para assinar e declaramos que conhecemos e seguiremos os códigos de ética da profissão ou da organização. Os códigos de conduta empresarial são um conjunto de regras e diretrizes que corporações e organizações devem seguir para garantir a integridade de seus negócios. O código de ética descreve as expectativas da empresa em relação aos seus colaboradores e clientes em termos de comportamento, ética e conduta profissional. Isso ajuda a garantir que todos em uma organização estejam alinhados em relação aos valores, visão e missão da empresa. A adoção de condutas éticas pelos negócios pode ser entendida como uma forma de investimento a longo prazo, já que a reputação ética de uma empresa é um ativo valioso que pode trazer benefícios em diversos aspectos. Além de melhorar a imagem da empresa, a ética também pode ser vista como um diferencial competitivo, uma vez que empresas éticas tendem a atrair e fidelizar clientes e colaboradores que valorizam esse tipo de postura. FONTE: ENVATO 7 Assim, é fundamental que as empresas desenvolvam programas de ética e conformidade, com políticas claras e transparentes baseadas em valores e princípios éticos. Além disso, é necessário que exista um compromisso efetivo de lideranças e colaboradores em seguir essas diretrizes e práticas, para promover um ambiente empresarial mais ético e sustentável. 4. ÉTICA E LUCRO Muitos empresários temem que ao adotar condutasde RSE, seu sucesso e viabilidade econômica estariam comprometidos. Por meio de uma carta de compromissos, aberta para assinatura de empresas de todo mundo, foram estabelecidos dez princípios de RSE que os signatários se comprometem a cumprir. O objetivo dessa carta é criar um compromisso com “valores de respeito aos direitos humanos internacionais, à responsabilidade socioambiental, à liberdade de organização e manifestação da classe trabalhadora, ao combate ao trabalho infantil e forçado e à discriminação no ambiente de trabalho.” (ANTUNES, 2012). Ainda segundo a autora: O Pacto Mundial (GlobalCompact) é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para estimular o desenvolvimento de práticas de sustentabilidade e responsabilidade social e ambiental em empresas. A iniciativa, anunciada em 1999 e tornada pública em 2000, ganhou força no Brasil, onde conta com a adesão de aproximadamente 30 empresas de grande porte, em uma lista que inclui universidades, bancos, redes de supermercados e empresas do ramo de energia, mineração e cosméticos, por exemplo. Apesar de sua importância, membros de organizações não governamentais como o Greenpeace e o ActionAid contestam a efetividade dessa iniciativa, argumentando que ela não possui a coercitividade necessária para alterar a conduta empresarial. (ANTUNES, 2012) FONTE: ADOBE STOCK 8 Curiosidade: De acordo com Geoffrey Jones, professor e pesquisador da Universidade de Harvard, “Embora os acionistas ainda reinam supremos em muitas empresas, uma mudança generalizada em direção a práticas de negócios mais responsáveis está levando mais líderes a se posicionarem sobre questões sociais e ambientais hoje”. “NOS ÚLTIMOS 10 ANOS VIMOS UMA MUDANÇA NAS EXPECTATIVAS SOCIAIS DE COMO OS NEGÓCIOS SE COMPORTAM.” “Uma geração mais jovem de empreendedores realmente institucionalizou uma profunda responsabilidade dentro do sistema [econômico]”, diz Jones. “Os últimos 10 anos viram uma mudança nas expectativas da sociedade sobre como os negócios se comportam. Pense na pressão sobre as empresas para sair da Rússia após a invasão da Ucrânia. Isso não acontecia há uma geração atrás.” https://hbswk.hbs.edu/item/two-centuries-of-business-leaders- who-took-a-stand-on-social-issues A gente consegue entender melhor o que acontece quando a empresa segue os códigos de condutas empresariais, ou não, por meio da análise de alguns casos reais. É importante destacar que ética e lucro não são conceitos opostos. Pelo contrário, uma empresa ética e socialmente responsável tende a ser mais lucrativa no longo prazo. Essas empresas são vistas como mais confiáveis, o que cria valor para as marcas e aumenta a lealdade dos clientes. Além disso, as empresas que investem em iniciativas sociais e ambientais tendem a atrair e reter talentos de alta qualidade, além de melhorar a reputação da empresa. De acordo com Argenti (2014, p. 148-149): Pesquisas mostram que seu efeito vem aumentando, e mais da metade dos executivos acredita que um compromisso declarado para com a R S E contribui em muito para a reputação geral da empresa. Estudos recentes também revelam que, para decidir em que empresas confiar, universitários americanos estão começando a considerar a responsabilidade social como fator mais importante do que marca corporativa ou desempenho financeiro, seguido da qualidade de produtos e serviços. 9 As embalagens dos produtos da companhia são feitos de material reciclado, sendo que a linha Ekos beneficia as comunidades da Amazônia, já que são utilizados ativos da região, como andiroba, açaí, buriti e ucuuba.” (NAÇÕES UNIDAS, 2015) Essas empresas são exemplos de sucesso das práticas de ética empresarial, reconhecidas mundialmente por suas abordagens de negócios socialmente responsáveis, sustentáveis e humanistas. Está claro que a ética empresarial e lucro são dois temas que na realidade são complementares. 1. Unilever – A Unilever é uma das maiores empresas de bens de consumo do mundo e tem uma longa tradição de compromisso com a ética empresarial. A empresa se preocupa com a proteção do meio ambiente, com direitos trabalhistas e com a responsabilidade social, tendo desenvolvido uma política rigorosa em relação à sustentabilidade em sua cadeia de suprimentos. 2. Natura – A Natura, empresa brasileira de cosméticos, é reconhecida por sua política ambiental e socialmente responsável, que inclui a compra de matérias-primas de fornecedores locais e a preservação da biodiversidade brasileira. A empresa também é bem avaliada segundo o Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3. Em 2015, a Natura ganhou o Prêmio das Nações Unidas “Campeões da Terra” na categoria Visão Empresarial. O Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, classificou a Natura como “pioneira na produção sustentável” e reconhece o compromisso da empresa em colocar a sustentabilidade no coração da sua estratégia de negócios. Curiosidade: “A Natura está presente em 14 países e em 2007, foi declarada uma empresa de carbono neutro, por ter reduzido suas emissões. HTTPS://STATIC.NATURA.COM/CDN/FF/ BWALYE4_9WXDWMXF6JK0WNUFDZJRTSKM3TSQ8UMCXYC/1652367152/ PUBLIC/INLINE-IMAGES/MIOLO-1_11.JPG/ 10 A ética empresarial é o conjunto de valores e princípios que guiam a conduta de uma empresa em relação às suas ações e decisões, enquanto o lucro é a recompensa financeira que a empresa espera obter por meio dessas ações e decisões.As embalagens dos produtos da companhia são feitos de material reciclado, sendo que a linha Ekos beneficia as comunidades da Amazônia, já que são utilizados ativos da região, como andiroba, açaí, buriti e ucuuba.” (NAÇÕES UNIDAS, 2015) Infelizmente, existem muitos exemplos de escândalos éticos empresariais que chocaram o mundo nos últimos anos. Alguns dos mais notórios são: 1. Volkswagen – Em 2015, a Volkswagen admitiu ter instalado um software em seus carros que falsificou os resultados dos testes de emissões. Isso causou um escândalo global que levou à demissão de vários executivos de alta patente e a uma série de processos judiciais. Em outubro de 2015, a montadora informa que fará um recall de 8,5 milhões de carros para reverter o problema, começando em 2016, na Alemanha. Nos EUA, a solução do recall foi aprovada pelo governo norte-americano somente em 2017. Além disso, a montadora afirmou que está em desenvolvimento na Alemanha uma atualização do software fraudulento (JUSTIÇA, 2018) e seu presidente afirma que “lamenta profundamente o comportamento que deu origem à crise do diesel. Desde que tudo isso veio à tona, trabalhamos incansavelmente para tornar as coisas corretas para nossos clientes afetados e já conseguimos algum progresso neste caminho” (MARQUET, 2017). Os prejuízos financeiros da empresa começaram a ser anunciados ainda em outubro de 2015: “O grupo VW anuncia seu primeiro prejuízo trimestral em pelo menos 15 anos. FONTE: ADOBE STOCK 11 O resultado é afetado pela reserva de € 6,7 bilhões para cobrir custos com a fraude”. O prejuízo informado foi de 1,3 bilhão de euros em 2015. Entre outros prejuízos, contabilizam-se: a. as multas do Ibama e do Procon-SP, da filial brasileira da empresa, em R$ 50 milhões e R$ 8,5 milhões, respectivamente; b. o programa de compensação financeira oferecido pela empresa aos clientes que adquiriram carros com o motor TDI (turbodiesel) no valor de US$ 1.000; c. processo judicial civil impetrado pelo Departamento de Justiça norte-americano com implicações de penalidades que podem chegar a US4 48 bilhões; d. dezenas de grandes acionistas ameaçaram processar a montadora para obterem compensação pela queda das suas ações provocadas pela fraude cometida; e e. acordo de US$ 10 bilhões para por fim a processos movidos por consumidores nos EUA (JUSTIÇA, 2018). Para se ter uma ideia das consequências dessafraude: – 482 mil veículos com motores a diesel violam os padrões federais, nos Estados Unidos, entre eles Jetta, Beetle (chamado de Fusca, Golf, Passat e o Audi A3 da marca que pertence ao grupo Volkswagen. Os veículos foram fabricados entre 2009 e 2015; – foram 11 milhões de veículos a diesel em todo o mundo, em modelos de várias marcas pertencentes ao grupo – Em janeiro de 2018, a VW comemorou o recorde anual de carros vendidos em 2017, superando a marca de 6.23 milhões de unidades em todo o mundo, obtida em 2017 (JUSTIÇA, 2018). 2. Odebrecht – A empresa de construção brasileira Odebrecht se envolveu em um grande escândalo de corrupção em 2015, quando as autoridades descobriram que a empresa pagou subornos para funcionários do governo em troca de contratos, tanto dentro como fora do Brasil. O escândalo culminou com uma grande investigação global e várias prisões de altos executivos da empresa. Esses são apenas alguns exemplos de escândalos éticos que expuseram violações de ética empresarial desastrosas. Esses e outros escândalos ressaltam a importância de uma conduta ética nos negócios e regulamentações rigorosas para garantir responsabilidade e transparência corporativa. FONTE: COMPLIANCE WEEK 12 O impacto que a gestão socialmente responsável tem no lucro, longevidade das empresas e reconhecimento das marcas é tamanho que vários são os mecanismos que visam hoje auxiliar as empresas a ter uma gestão socialmente responsável e a avaliar as ações dessas empresas. Podemos citar como exemplos desses mecanismos a iniciativa dos Princípios para a Educação da Gestão Responsável (PEGR); ainda, o Pacto Global (GC Principles of Responsible Management Education) é uma rede de escolas de negócios comprometidas em educar os gestores responsáveis. Além disso, em 2010, a Organização Internacional de Normalização lançou a norma ISO 26000, voltada à responsabilidade social, também chamada de ISO SR, que deverá ter uma influência de longo alcance e unificar muitas abordagens diferentes que existem sobre o assunto. Outro aspecto importante é que as empresas éticas tendem a ter um desempenho financeiro melhor a longo prazo, como vimos no caso da Unilever e Natura, pois elas constroem uma reputação positiva junto aos stakeholders, o que se reflete em um aumento da confiança dos consumidores e no engajamento dos colaboradores. Além disso, empresas que adotam práticas sustentáveis, tanto ambiental quanto socialmente, tendem a diminuir seus custos operacionais, o que também pode contribuir para a melhoria dos seus lucros. Em resumo, a ética empresarial e lucro são temas que devem caminhar juntos, pois uma empresa pode ser lucrativa e, ao mesmo tempo, ter responsabilidade social e ambiental. Essa combinação é essencial para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável e, ao mesmo tempo, para a prosperidade dos negócios a longo prazo. Mas como saber se uma empresa se comporta de forma ética? Como analisar as condutas empresariais? Vamos refletir sobre isso utilizando três perspectivas diferentes que chamaremos de ética da convicção, ética da responsabilidade e ética da virtude.FONTE: ADOBE STOCK 13 a) Ética da Convicção: a ética da convicção defende que as ações são tomadas baseando-se em baseia-se em um pilar básico universal de valores humanos que devem nortear a conduta humana. De acordo com Maria Thereza Pompa Antunes (2012), [...] Apesar de termos a consciência de que esse pilar é avaliado segundo diferentes prioridades em distintas nações e culturas, entende-se que a constituição de um conteúdo de uma ética mínima tem um papel essencial para o desenvolvimento do comportamento moralmente aceito nas sociedades e empresas contemporâneas. Apesar da importância da ética da convicção, não podemos imaginar que a ética se resume a essa perspectiva. Uma ética limitada à dimensão da convicção criaria julgamentos apenas a partir de crenças que motivam as ações, excluindo os atos desse julgamento. Isso não faria sentido. A dimensão da ética que coloca uma clara ênfase nas consequências da ação humana é a ética da responsabilidade. b) Ética da Responsabilidade: a ética da responsabilidade é um conceito ético que enfatiza a consideração das consequências e impactos de nossas ações sobre a sociedade, as pessoas e o meio ambiente. Diferentemente da ética da convicção, que se concentra nas convicções pessoais e nas intenções morais, a ética da responsabilidade avalia a responsabilidade ética com base nas repercussões práticas e nos resultados das ações. Na ética da responsabilidade, a tomada de decisão ética envolve a avaliação cuidadosa dos possíveis efeitos e consequências de nossas ações. Isso implica considerar os interesses e direitos dos outros, bem como o impacto social, econômico e ambiental que nossas escolhas podem ter. A ideia central é que somos responsáveis pelas consequências de nossas ações e temos a obrigação de agir de maneira que promova o bem- estar coletivo e minimize os danos. Um aspecto fundamental da ética da responsabilidade é a consideração dos princípios éticos universais, como justiça, igualdade, respeito pelos Direitos Humanos e bem comum. FONTE: ENVATO 14 Esses princípios fornecem uma base para avaliar o impacto ético de nossas ações, garantindo que elas estejam alinhadas com valores fundamentais e contribuam para uma sociedade mais justa e sustentável. A ética da responsabilidade também envolve uma avaliação crítica das relações de poder e das estruturas sociais existentes. Isso significa reconhecer que certas ações ou decisões podem perpetuar desigualdades, injustiças ou danos para determinados grupos ou para o meio ambiente. Assumir a responsabilidade ética requer agir de forma a desafiar e transformar essas estruturas, promovendo mudanças positivas e equitativas. Ao adotar a ética da responsabilidade, os profissionais reconhecem que suas decisões e ações têm consequências mais amplas além de suas convicções pessoais. Eles consideram o impacto a curto e longo prazo, levando em conta o contexto social, econômico, cultural e ambiental em que operam. Essa abordagem ética busca encontrar um equilíbrio entre os interesses individuais e o bem-estar coletivo, buscando promover a justiça, a sustentabilidade e a responsabilidade social. c) Ética da Virtude: a ética da virtude tem como seus principais defensores Aristóteles e na atualidade filósofos como Elizabeth Ascombe, Hutchenson, Hume e Nietzsche. É uma abordagem ética que se concentra no desenvolvimento do caráter moral e na busca da excelência moral. Em vez de se concentrar apenas nas ações individuais ou nas consequências das ações, a ética da virtude se preocupa com o desenvolvimento das virtudes e dos traços de caráter que levam a uma vida ética e plena. Diferentemente das abordagens éticas que estudamos anteriormente, que se baseiam em regras ou consequências, a ética da virtude enfatiza a formação de hábitos virtuosos e o desenvolvimento do caráter ao longo do tempo. Ela não está preocupada apenas com o que devemos fazer, mas também com quem devemos ser como pessoas. Um aspecto central da ética da virtude é a ideia de que a moralidade não é apenas uma questão de cumprir regras, mas de se tornar uma pessoa virtuosa. Isso significa cultivar virtudes em todas as áreas da vida e agir de acordo com essas virtudes em todas as situações. FONTE: ENVATO 15 Por exemplo, em vez de simplesmente seguir uma regra de não roubar, a ética da virtude nos encoraja a desenvolver a virtude da honestidade, que nos leva a agir de forma honesta e íntegra em todas as circunstâncias. Além disso, a ética da virtude enfatiza a importância do autodomínio e do equilíbrio. Ela reconhece que a vida ética envolve encontrar o meio termo entre os extremos, evitando tanto os excessos quanto as deficiências.Por exemplo, a virtude da coragem está no ponto intermediário entre a covardia e a temeridade, encontrando o equilíbrio entre o medo excessivo e a imprudência irresponsável. No ambiente profissional, oferece uma abordagem sólida para a conduta ética e a excelência moral. No contexto do trabalho, a ética da virtude direciona os profissionais a cultivar qualidades e virtudes que promovem relações saudáveis, tomada de decisões responsável e um ambiente de trabalho ético. Uma das virtudes-chave no ambiente profissional é a honestidade. Ser honesto implica em agir com integridade, sinceridade e transparência em todas as interações e transações profissionais. Profissionais que cultivam a virtude da honestidade são confiáveis, cumprindo com suas promessas e assumindo a responsabilidade por suas ações. Eles evitam a manipulação, a fraude e a desonestidade, estabelecendo uma base sólida para relacionamentos de confiança com colegas, superiores e clientes. Outra virtude relevante é a justiça. A ética da virtude incentiva os profissionais a tratarem todas as pessoas com imparcialidade, respeito e igualdade. Ser justo no ambiente de trabalho significa reconhecer o valor de cada indivíduo, promover a diversidade e a inclusão, e garantir que todas as decisões sejam tomadas com base em critérios objetivos e equitativos. Profissionais justos evitam discriminação, favoritismo e preconceitos, criando um ambiente de trabalho justo e igualitário. Além disso, a ética da virtude valoriza a prudência. FONTE: ENVATO 16 A virtude da prudência envolve a capacidade de tomar decisões cuidadosas e ponderadas, considerando os riscos, benefícios e consequências de cada ação. Profissionais prudentes evitam a impulsividade e a negligência, tomando decisões informadas e responsáveis. Eles consideram todas as perspectivas relevantes, analisam os impactos a curto e longo prazo e buscam soluções éticas e sustentáveis para os desafios profissionais. A ética da virtude também enfatiza a importância da coragem no ambiente profissional. Profissionais corajosos têm a disposição de enfrentar desafios éticos e de tomar posições justas, mesmo quando isso implica em ir contra a corrente ou enfrentar consequências pessoais. Eles são persistentes e resilientes, dispostos a assumir riscos para defender o que é correto e ético. Ao adotar a ética da virtude no ambiente profissional, os profissionais são incentivados a buscar o autodesenvolvimento e a aprimorar constantemente seu caráter moral. Eles procuram identificar suas forças e fraquezas, buscando aprimorar suas virtudes e trabalhar em suas deficiências. Além disso, eles buscam modelos de excelência moral e procuram aprender com os exemplos de líderes éticos e bem-sucedidos em suas áreas de atuação. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Essas são três dimensões que podemos nos basear para analisar as condutas empresariais. Para auxiliar as empresas a incorporarem a RSE, o Instituto Ethos criou os indicadores Ethos. Por meio desses indicadores, as empresas podem fa- zer um autodiagnóstico e assim planejar melhores ações e implementar melhores práticas de ética e responsabilidade social. (Instituto Ethos. Disponível em: https://www.ethos.org. br/conteudo/indicadores/?gclid=Cj0KCQjwmtGjBhDhARIsAE- qfDEcn3jwBbNJgj6plyLnPqmi9__MqJyJ1W1Gjk8FDDLQSiBJE- N67HXCgaAvn_EALw_wcB) bWAlye4_9WXdWmXF6jk0WNU- FDZJRTSkm3TSQ8umCXYc/1652367152/public/inline-images/ miolo-1_11.jpg 17 REFERÊNCIAS: ANTUNES, Maria Thereza Pompa. Ética. Editora Pearson, 2012. ARGENTI P. A comunicação empresarial: a construção da identidade, imagem e reputação. 6. ed. São Paulo: Campus, 2014. ARRUDA, Maria Cecilia Coutinho de; WHITAKER, Maria do C.; RAMOS, José Maria R. Fundamentos de Ética Empresarial e Econômica. 5. ed. [Insira a localização do editor]: Grupo GEN, 2017. E-book. ISBN 9788597013115. Disponível em: https:// integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597013115/. Acesso em: 24 maio 2023. CORTELLA, Mario Sergio, FILHO, Clovis de Barros. Ética e vergonha na Cara. 1. ed. –Campinas, SP: Papirus 7 mares, 2014. - (Coleção Papirus Debate) 02. CRISOSTOMO, Alessandro L.; VARANI, Gisele; PEREIRA, Priscila S. et al. Ética. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024557. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788595024557/. Acesso em: 03 mai. 2023. CROCOLI, Daniel José; NODARI, Paulo César. Sobre ética: Aristóteles, Kant e Levinas. Conjectura: Filosofia E Educação, v. 16, n. 1, p. 193-197, 2011. FILHO, Artur R. I L. et al. Ética e Cidadania. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024816. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024816/. Acesso em: 3 maio 2023. La Taille, Yves (2011). Ética para meus pais. São Paulo: Papirus, 272 p. LAASCH, Oliver; CONAWAY, Roger N. Fundamentos da Gestão Responsável: Sustentabilidade, responsabilidade e ética. Cengage Learning Brasil, 2016. E-book. ISBN 9788522121038. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788522121038/. Acesso em: 25 05 2023. NAÇÕES UNIDAS. Natura reconhecida pela ONU por seu compromisso com a sustentabilidade. 2015. Disponível em: Natura reconhecida pela ONU por seu compromisso com a sustentabilidade | ONU News SROUR, Robert Henry. Ética empresarial. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.