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APOSENTARIA POR IDADE, TEMPO 
DE CONTRIBUIÇÃO E ESPECIAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
Sumário 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................................................. 4 
INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 5 
1 - A EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 1998 .............................................................. 6 
2.1 - A EMENDA CONSTITUCIONAL N. 103, DE 2019 ................................................... 12 
3 - RELAÇÃO DO DIREITO PREVIDENCIÁRIO COM OUTRO RAMOS DO DIREITO ....... 13 
4 - APOSENTADORIA POR IDADE ...................................................................................... 15 
4.1 - Renda mensal inicial ............................................................................................... 18 
5 - APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO.................................................. 24 
5.1-Beneficiários .............................................................................................................. 27 
5.2 - Período de carência ................................................................................................. 30 
5.3 - Data de início do benefício ..................................................................................... 30 
5.5 - Validade das novas regras de cálculo ................................................................... 32 
6 - EC n. 103/2019 – Regras de transição em relação à aposentadoria por tempo de 
contribuição e por idade ............................................................................................................... 33 
7 - APOSENTADORIA ESPECIAL ....................................................................................... 42 
7.1 – Beneficiários ........................................................................................................... 49 
7.2 - Comprovação do exercício de atividade especial ................................................ 51 
7.3 - Laudo técnico pericial ............................................................................................. 58 
7.4 - Uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) ............................................... 60 
7.5 - Nível do ruído ........................................................................................................... 64 
7.6 - Período de carência ................................................................................................. 68 
7.7 - Data de início do benefício ..................................................................................... 68 
7.8 - Renda mensal inicial ............................................................................................... 70 
7.9 - Conversão do tempo de serviço/contribuição ...................................................... 70 
7.10- Fator de conversão do tempo especial ................................................................ 73 
7.11 - A EC n. 103/2019 e as regras de transição para a aposentadoria especial ...... 75 
8 – MODELOS DE PETIÇÕES ............................................................................................. 76 
 
 
 
 
 
 
 
3 
8.1 - DA CTPS ................................................................................................................... 77 
8.2 - DO EXTRATO DO FGTS .......................................................................................... 78 
8.3 - DA TUTELA DE URGÊNCIA .................................................................................... 79 
8.4 - DO DIREITO .............................................................................................................. 80 
8.5 - DO PEDIDO .............................................................................................................. 82 
8.6 - TUTELA DE URGÊNCIA .......................................................................................... 83 
8.6.1 - DA JUSTIÇA GRATUITA ......................................................................................................................... 83 
8.6.2 - DOS FATOS ............................................................................................................................................... 84 
8.7 - DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS .......................................................................... 85 
9 – BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................. 92 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à 
crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa 
instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a 
inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e 
colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos 
e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação 
ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para 
que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o 
espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação 
tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
A Reforma da Previdência Social foi materializada pela publicação da Emenda Constitucional nº 
103 de 2019, em 13 de novembro de 2019, e altera dispositivos da Constituição Federal e o 
sistema de Previdência Social, disciplinando regras de transição. 
As mudanças proporcionadas pela EC 103/2019 implicaram em alterações no Direito 
Constitucional, no Direito Previdenciário, no Direito Tributário e Financeiro e no Direito 
Administrativo. 
As regras para servidores públicos estaduais e municipais, segurados do Regime Próprio de 
Previdência Social (RPPS), não foram objeto da Emenda. 
As alterações abrangem as regras dos benefícios para os servidores públicos federais, segurados 
do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), assim como as regras para os beneficiários do 
Regime Geral da Previdência Social (RGPS). 
Além disso, para os Policiais Militares, Bombeiros, trabalhadores rurais e professores foram 
instituídas regras próprias. 
Vamos lá! 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
 
 
1 - A EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 1998 
 
 No ano de 1995, o então Chefe do Poder Executivo enviou ao Congresso Nacional uma 
proposta de emenda constitucional visando alterar várias normas a respeito do Regime Geral de 
Previdência Social e da Previdência Social dos servidores públicos. 
 A Emenda n. 20, que modificou substancialmente a Previdência Social no Brasil, foi 
promulgada no dia 15.12.1998, no encerramento do ano legislativo, após três anos e nove meses 
de tramitação no Congresso Nacional. A votação da Emenda foi acelerada nos últimos meses da 
legislatura, por conta da crise econômica alardeada em meados de outubro daquele ano, o que 
pressionou o Legislativo por providências imediatas no sentido da aprovação de medidas capazes 
de conter o déficit público. Com isso, lamentavelmente, o debate acerca das questões envolvidas 
na reforma deixou de ser feito sob os pontos de vistaestritamente jurídico e social, e passou a ser 
capitaneado pelo enfoque econômico, atuarial e dos resultados financeiros esperados com a 
aprovação do texto. 
 A proposta original da Emenda, de iniciativa do Presidente da República, sofreu diversas 
alterações. Três pontos básicos da reforma foram derrubados pelos deputados: a cobrança 
de contribuição previdenciária dos servidores públicos inativos, a idade mínima para a 
aposentadoria dos trabalhadores da iniciativa privada e o fim da aposentadoria integral dos 
servidores públicos, com a criação de um “redutor” para aposentadorias de maior valor. 
 A Reforma realizada em 1998 pretendeu modificar a concepção do sistema, pois, conforme 
o texto, as aposentadorias passaram a ser concedidas tendo por base o tempo de contribuição, e 
não mais o tempo de serviço, tanto no âmbito do Regime Geral de Previdência Social, tanto – e 
principalmente – no âmbito dos Regimes de Servidores Públicos, aos que ingressaram em tais 
regimes após a publicação da Emenda, ou aos que optaram pelas regras da mesma, já sendo 
segurados anteriormente. 
 A alteração proposta só terá eficácia se vier a ser adotado, futuramente, pela Previdência 
Social, o regime de capitalização, com contas individualizadas, ou se o próprio segurado for 
 
 
 
 
 
 
 
7 
responsabilizado pelas contribuições – atualmente, a maioria dos segurados, que pertencem às 
categorias de empregados e trabalhadores avulsos, não possui tal responsabilidade tributária, que 
fica a encargo do empregador ou do órgão que intermedeia o trabalho, no caso dos avulsos. 
Porém, convém salientar que, com os altos índices de sonegação e de informalidade nas relações 
de trabalho, o único penalizado com a adoção deste mecanismo seria o segurado. 
 Manteve-se a possibilidade de adoção, por lei complementar, de aposentadorias especiais, 
concedidas com menor tempo de contribuição que as demais, desde que tenham por fundamento a 
exposição a condições prejudiciais à saúde ou à integridade física. 
 Outro aspecto importante, é que, desde 16.12.1998, a idade mínima para o ingresso na 
condição de trabalhador – e, por conseguinte, de segurado da Previdência passou a ser de 16 
anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos. Aos menores de 16 anos já filiados 
ao RGPS até essa data, segundo linha de interpretação constante do Decreto n. 3.048/1999, foram 
assegurados todos os direitos previdenciários. 
 O mesmo entendimento se verifica quanto a pessoas que começaram a trabalhar aos 12 
anos de idade, quando a ordem jurídica assim autorizava (antes da Constituição de 1988 e mesmo 
após a promulgação desta, quando na condição de aprendiz, até a publicação da Emenda 
Constitucional n. 20), pois não poderia a lei atual desconsiderar tempo de trabalho prestado 
conforme as normas vigentes. 
 Sobre a idade mínima para o trabalho, nos termos da jurisprudência do STF, o art. 7º, 
XXXIII, da Constituição “não pode ser interpretado em prejuízo da criança ou adolescente que 
exerce atividade laboral, haja vista que a regra constitucional foi criada para a proteção e defesa 
dos trabalhadores, não podendo ser utilizada para privá-los dos seus direitos” (RE 600616 AgR/RS, 
1ª Turma, Min. Barroso, DJe de 10.9.2014). 
 O tempo de contribuição dos segurados vinculados a uma relação de trabalho em que a 
responsabilidade pelo recolhimento de suas contribuições seja transferido integralmente ao 
tomador dos serviços (caso do segurado empregado, empregado doméstico e do trabalhador 
avulso) será igual ao tempo de serviço prestado e comprovado por meio de documentos, 
imputando-se eventual inadimplemento ao responsável, e não ao segurado. Já para os demais 
 
 
 
 
 
 
 
8 
segurados, permanece a obrigação de realizar os recolhimentos de contribuições para fazer jus 
aos benefícios. 
 Foram criadas regras diferenciadas para os trabalhadores que já contribuíam para a 
Previdência e para os que entraram no mercado de trabalho após 16.12.1998. 
 Para a concessão da aposentadoria integral daqueles que já pertenciam ao RGPS, em 
16.12.1998, mas não tinham o tempo suficiente para a concessão do benefício, foi prevista 
exigência de cumprimento dos limites mínimos de idade, 53 anos para os homens e 48 anos 
para as mulheres, mais 20% do período que faltava (pedágio) para os respectivos tempos de 
contribuição mínimos exigidos (trinta anos de contribuição, no caso de mulheres, e trinta e 
cinco anos, no caso dos homens). Sendo facultado aos segurados optar pelo critério mais 
vantajoso (art. 9º, caput, da EC n. 20/1998) o requisito desta norma de transição perdeu sua razão 
de ser. A exigência do pedágio e da idade mínima não teve aplicabilidade, pois as regras 
permanentes do art. 201, § 7º, I da Constituição exigem apenas a prova do tempo de contribuição 
de 35 anos para o homem e de 30 anos para a mulher. 
 Para a concessão da aposentadoria proporcional dos que já eram segurados antes da 
Emenda, os segurados terão de cumprir os limites de idade – 53 anos para os homens e 48 anos 
para as mulheres – e acrescer 40% ao período que falta para os respectivos tempos de 
contribuição mínimos exigidos (vinte e cinco anos no caso de mulheres, e trinta anos, no 
caso dos homens). Neste caso, o segurado também possui a opção pelas novas regras, que em 
muitos casos, tende a ser mais vantajosa. 
 A aposentadoria proporcional foi extinta para quem começou a trabalhar na data da 
publicação da Emenda n. 20/98. Na regra de transição que passou a vigorar para quem já era 
filiado ao Regime, este benefício corresponde a 70% do salário de benefício calculado para a 
aposentadoria integral, acrescendo-se 5% por ano adicional, até o limite de 100%, regra que 
também passou a ser aplicada nos Regimes Próprios ligados ao serviço público, até vir a ser 
revogada pela EC n. 41/2003. Anteriormente, a aposentadoria proporcional no serviço público era 
calculada tomando-se uma percentagem entre o tempo de serviço completado e o tempo 
necessário à aposentadoria integral. 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 Os professores que comprovem exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de 
magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio preservaram o direito à 
aposentadoria especial, com vinte e cinco anos de atividades, no caso das mulheres, ou trinta 
anos, no caso dos homens, sem observância do limite mínimo de idade. 
 O professor – inclusive o universitário – poderá contar o tempo trabalhado em atividade 
docente com acréscimo de 17%, se homem, e de 20%, se mulher, antes do cálculo do pedágio, 
desde que se aposente exclusivamente com tempo de magistério e pelas regras de transição. 
 A situação dos trabalhadores rurais não mudou. Continuaram podendo se aposentar por 
idade, com cinco anos a menos do que os demais trabalhadores – 60 anos de idade para os 
homens e 55 anos para as mulheres. 
 Outra alteração importante: e que não pode passar despercebida no contexto é a regra do 
§ 10 do art. 201, que estabelece a possibilidade de livre concorrência, para a cobertura do risco de 
acidentes de trabalho, entre o Regime Geral de Previdência (INSS) e a iniciativa privada 
(seguradoras), o que pode ocorrer mediante regulamentação por lei ordinária. 
 Os direitos adquiridos de quem já reunia os requisitos exigidos pela legislação anterior – 
seja no serviço público, seja no regime do INSS – foram resguardados. Neste caso, o trabalhador e 
o servidor público poderão se aposentar, a qualquer tempo, sob as regras anteriores, de forma 
integral ou proporcional. 
 A Emenda trouxe, basicamente, reduções de despesas no que tange aos benefícios do 
regime geral, gerido pelo INSS, não tendo sido tomada qualquer medida para o aumento da 
arrecadação. Assim, no mesmo diapasão, o salário-família e o auxílio- reclusão passaram a ser 
devidos somente a dependentes de segurados de “baixa renda” – entendidos assim, no texto da 
Emenda, osque percebiam, mensalmente, até R$ 360,00 na data da promulgação. 
 Com a publicação da Lei n. 9.876, de 28.11.1999, adotou-se, em substituição à exigência de 
idade mínima para aposentadoria voluntária no RGPS, uma forma de cálculo que leva em 
consideração a idade do segurado, o tempo de contribuição do mesmo e a expectativa de 
sobrevida da população brasileira. A adoção do chamado “fator previdenciário” visou reduzir 
despesas com a concessão de aposentadorias por tempo de contribuição a pessoas que se 
 
 
 
 
 
 
 
10 
aposentem com idades bem abaixo daquela considerada ideal pelos atuários da Previdência 
Social. Trata-se de uma fórmula que, aplicada a segurados com idade e tempo de contribuição 
menores, tendia a reduzir o valor do salário de benefício e, consequentemente, reduzir a renda 
mensal da aposentadoria. Em compensação, aplicada a segurados com idade e tempo de 
contribuição maiores, tendia a elevar o salário de benefício e a renda mensal. Tal sistemática deixa 
de vigorar com a vigência da EC 103/2019, é dizer, para as pessoas que não preencheram os 
requisitos para aposentadoria voluntária no RGPS antes da vigência da Emenda, não há como 
postular a aplicação do fator, exigindo-se, doravante, a idade mínima prevista para a modalidade 
de aposentadoria requerida. 
 Segundo Martinez, 
o pressuposto lógico-jurídico da Lei n. 9.876/1999 é alcançar o equilíbrio do 
Plano de Benefícios do RGPS. Seu escopo inicial era, a médio prazo, eliminar 
o déficit da Previdência Social; fundamentalmente, estabelecer correlação 
sinalagmática entre a contribuição (expressa por um salário de benefício mais 
largo) e o benefício, levando em consideração a esperança média de vida 
aferida estatisticamente quando da aposentação. 
 Além da criação do fator previdenciário, a Lei n. 9.876/1999 estabeleceu nova forma de 
cálculo dos benefícios de prestação continuada apurados com base na noção de salário de 
benefício (aposentadorias, pensões, auxílios-doença, auxílios-reclusão e auxílios-acidente): foi 
ampliada a gama de salários de contribuição, que até então era fixada nos trinta e seis últimos 
valores que serviram de base para a contribuição do segurado, para o período de julho de 1994 até 
o mês anterior ao do benefício. 
 Àqueles que ingressaram no RGPS após julho de 1994, o período básico de cálculo se inicia 
no mês em que o segurado iniciou a atividade laborativa (no caso dos empregados e 
trabalhadores avulsos), ou quando iniciou a contribuir (demais casos). De todos os salários de 
contribuição, corrigidos monetariamente até o mês da concessão do benefício, seriam utilizados no 
cálculo da média para o cálculo da renda mensal apenas 80% dos mesmos, desprezando-se a 
quinta parte correspondente aos salários de contribuição de menor valor dentre todos os existentes 
no período básico de cálculo. 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 Convém frisar que ambas as alterações produzidas não atingiram direitos adquiridos, ou 
seja, o benefício a que fazia jus o segurado antes da publicação da Lei n. 9.876/1999, mesmo que 
requerido posteriormente, mas com base em direito adquirido à sua utilização, mesmo após a 
vigência da Lei n. 9.876/1999 e da EC n. 103/2019, será calculado com base nos últimos trinta e 
seis salários de contribuição, sem aplicação do fator previdenciário, resguardando-se a utilização 
das novas regras, se mais benéficas ao segurado. 
 Com a edição da Lei n. 13.183, de 4.11.2015, foi criada nova regra que isentava da 
aplicação do fator previdenciário os segurados que, tendo cumprido todos os requisitos para a 
aposentadoria por tempo de contribuição, consigam somar tempo de contribuição e idade de modo 
que atinjam o número 95, para os do sexo masculino, e o número 85, para as do sexo feminino. Foi 
aprovada, ainda, uma tabela progressiva para tais somas, a partir de 31.12.2018, tabela essa que 
também perde eficácia a partir da vigência da EC 103/2019. 
 2 - AS EMENDAS CONSTITUCIONAIS NS. 41 E 47 
 No ano de 2003, o Governo Federal encaminhou ao Congresso Nacional duas Propostas de 
Emendas Constitucionais, as quais a mídia denominou de PEC da Reforma da Previdência e 
Reforma Tributária, respectivamente. Após tramitação em tempo recorde, os textos foram 
promulgados pela Mesa do Congresso em 19.12.2003, e publicados no Diário Oficial no dia 
31.12.2003, sob os números 41 e 42. 
 Em termos gerais, pouco se alterou o Regime Geral de Previdência Social, objeto de estudo 
do Direito Previdenciário. As Emendas afetaram fundamentalmente os regimes próprios de agentes 
públicos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, e apenas em aspectos pontuais, o 
regime que é administrado pelo INSS. 
 Em caráter programático, o § 12 do art. 201, cuja redação foi alterada pela Emenda, prevê 
que “Lei disporá sobre sistema especial de inclusão previdenciária para trabalhadores de baixa 
renda, garantindo-lhes acesso a benefícios de valor igual a um salário mínimo, exceto 
aposentadoria por tempo de contribuição”. 
 A Emenda n. 47, de 5.7.2005, modificou regras de transição estabelecidas pela Emenda n. 
41 a agentes públicos ocupantes de cargos efetivos e vitalícios, pertencentes aos chamados 
 
 
 
 
 
 
 
12 
Regimes próprios, com efeitos retroativos a 1.1.2004, revogando, ainda, o parágrafo único do art. 
6º da Emenda n. 41, de 31.12.2003. 
 Trata-se, em verdade, de parte da Proposta de Emenda Constitucional que tramitou em 
2003 e que, por falta de consenso entre os parlamentares, constituiu nova PEC, apelidada de PEC 
paralela da Previdência, em que houve retorno à primeira casa legislativa para votação das 
matérias alteradas no Senado. 
 A referida Emenda trata especialmente dos regimes de agentes públicos, adentrando, 
principalmente, em aspectos muito específicos dos chamados Regimes Próprios de que trata o art. 
40 da Constituição. 
 Um aspecto interessante a ser observado, quanto à EC 47, é a previsão de seus efeitos 
retroativos. É dizer, muitos benefícios de aposentadoria já concedidos, no interregno entre 1.1.2004 
e 4.7.2005 deverão ser objeto de revisão, para adequação à norma mais favorável, quando for o 
caso, por força das novas disposições incluídas pela referida Emenda. 
 Os detalhes a respeito das modificações trazidas pelas Emendas n. 20, 41, 47 e 70 (esta 
última que acrescentou o art. 6º-A à EC n. 41, de 2003, para estabelecer critérios para o cálculo e a 
correção dos proventos da aposentadoria por invalidez dos servidores públicos que ingressaram 
no serviço público até 31.12.2003), quanto aos Regimes Próprios de ocupantes de cargos efetivos 
de que trata o art. 40 da Constituição são tratados na Parte V desta obra, à qual remetemos o 
leitor. 
 
2.1 - A EMENDA CONSTITUCIONAL N. 103, DE 2019 
 
 No ano de 2019, tramitou no Congresso Nacional a PEC n. 6/2019, que alterou de novo e de 
forma bastante significativa tanto o RGPS quanto o RPPS da União. Os regimes de Estados, 
Distrito Federal e Municípios não foram tão afetados, criando-se inclusive tratamento diferenciado 
para servidores federais, se comparados aos demais ocupantes de cargos efetivos dos demais 
entes da Federação. 
 Nela, destacam-se: a criação de uma idade mínima para as aposentadorias voluntárias do 
 
 
 
 
 
 
 
13 
RGPS, inclusive a “especial”; a alteração do critério de carência para novos filiados ao RGPS do 
sexo masculino, de 15 para 20 anos; a mudança na apuração do salário de benefício, que passa a 
ser igual à média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994; o critério de cálculo da 
renda mensal inicial das aposentadorias, inclusive a por invalidez, salvo a acidentária; a alteração 
no direito à pensão por morte, auxílio-reclusão e salário-família; a previsão de aposentadoria de 
empregados públicos com cessação do vínculo de emprego, inclusive por atingimento da idade 
“compulsória” aplicada a ocupantes de cargos; e regras mais restritivasde acumulação de 
benefícios, especialmente de aposentadoria e pensão, entre outras regras incluídas. 
3 - RELAÇÃO DO DIREITO PREVIDENCIÁRIO COM OUTRO RAMOS DO 
DIREITO 
 
 Como já asseverado, o Direito não pode ser visto como um conjunto de ramos estanques, 
como um todo fragmentado em partes. A coerência do ordenamento jurídico, de que nos fala 
Bobbio, não permite que tenhamos normas que sejam incompatíveis entre si. Importa, pois, 
demonstrar de forma exemplificativa a relação do Direito Previdenciário com alguns ramos do 
Direito. 
 O primeiro ramo com o qual há íntima relação é o Direito Constitucional. Dada a fixação de 
diversos princípios e normas no texto constitucional, resulta que o Direito Previdenciário tem sofrido 
grande influência deste ramo, principalmente no tópico referente à concessão de benefícios: 
requisitos, cálculo dos proventos, fixação de limites mínimo e máximo, entre outros. No que tange 
ao custeio da Previdência Social, interferem diretamente os princípios e normas relativos ao 
sistema tributário nacional e as hipóteses de incidência indicadas no art. 195. No mesmo sentido, a 
fixação da competência dos entes públicos para a criação de contribuições sociais. 
 Identifica-se também grande relação com o Direito do Trabalho, pois a grande maioria dos 
segurados da Previdência é composta de empregados, de modo que as alterações no campo do 
Direito Laboral trazem repercussões efetivas no Direito Previdenciário, e vice-versa. Questões que 
sempre envolvem a análise destes dois ramos são facilmente verificáveis. 
 Veja-se, a propósito, a questão da idade mínima para o trabalho –prevista no texto 
constitucional; o salário-maternidade (benefício previdenciário) e a licença à gestante (instituto de 
Direito do Trabalho); o afastamento do trabalho por motivo de doença, que nos primeiros quinze 
 
 
 
 
 
 
 
14 
dias gera a obrigação ao empregador urbano ou rural de pagar o salário, e, após isso, o direito ao 
benefício auxílio-doença; a sempre atual discussão sobre os efeitos da aposentadoria sobre o 
contrato de trabalho; o acidente do trabalho e o direito à estabilidade provisória do acidentado, 
entre outros direitos. 
 Com o Direito Civil, a relação do Direito Previdenciário se dá a partir de vários aspectos. O 
principal deles, a nosso ver, é a conceituação da responsabilidade por danos, da qual vai se 
socorrer o Direito Previdenciário, nas questões envolvendo acidentes do trabalho e doenças 
ocupacionais, para revelar a responsabilidade do empregador ou tomador dos serviços. Também 
se verifica a necessidade de interação com o Direito Civil na caracterização do estado das pessoas 
– filiação, casamento e sua dissolução, bem como a união estável, a homoafetiva e as questões 
ligadas às relações afetivas simultâneas e paralelas, para fins de dependência previdenciária; 
ainda cabe salientar a aplicação dos conceitos de capacidade e incapacidade civil, emancipação, 
ausência e morte presumida, todos obtidos das normas do Código Civil. Em relação ao Direito 
Tributário, vale-se o Direito Previdenciário de um sem- número de princípios e normas para o 
suprimento de lacunas na legislação de custeio, trazendo daí os conceitos de contribuinte, 
responsabilidade por substituição, sub- rogação, solidariedade, moratória, decadência e prescrição 
de créditos tributários. 
 Naturalmente, a utilização de institutos do Direito Tributário pressupõe a ausência de norma 
específica na legislação própria do Direito Previdenciário. 
 Do Direito Empresarial vai-se extrair toda a matéria relativa à classificação dos empresários 
como segurados obrigatórios, bem como a responsabilidade dos sócios gestores pelo 
inadimplemento de obrigações perante a legislação de custeio, a conceituação de cotas de 
participação nos lucros e dividendos. A escrituração contábil é de extrema relevância para a ação 
fiscal, que deverá observar sua regularidade, conforme as normas deste ramo do Direito Privado. 
 O Direito Administrativo guarda correlação com o Direito Previdenciário em função da 
atividade estatal desenvolvida pela autarquia gestora – entidade da Administração Indireta. Assim, 
a organização da Previdência Social na estrutura do Poder Executivo, a expedição dos atos 
administrativos – normativos ou não –, os direitos, deveres e obrigações dos servidores que atuam 
na autarquia previdenciária em relação aos beneficiários e contribuintes com que se relacionam, 
 
 
 
 
 
 
 
15 
merecem especial atenção no estudo do Direito Previdenciário. Assim, os atos de concessão de 
benefícios e o procedimento contencioso administrativo estarão diretamente jungidos aos seus 
princípios e normas. 
 Na ocorrência de prática de infração à legislação previdenciária, há que se observar se a 
conduta do agente caracteriza delito ou contravenção penal. Daí a importância da relação com o 
Direito Penal. Desse ramo obter-se-á a tipificação de condutas reprováveis sob o ponto de vista 
criminal, sujeitas à sanção penal, cabendo ao estudioso do Direito Previdenciário ter delas noção. 
 O Direito Processual tem recebido diversas alterações com base em normas inseridas na 
legislação da Previdência Social. Desse modo, tem-se na Lei de Custeio diversos privilégios ao 
credor na execução fiscal; nas ações em que o INSS figura como réu, prevalecem os prazos 
especiais conferidos à Fazenda Pública. Em contrapartida, o processo contencioso administrativo, 
de interesse de contribuinte ou beneficiário, se abastece de vários princípios processuais, para a 
consecução do princípio-mor, do devido processo legal. 
 
4 - APOSENTADORIA POR IDADE 
 
 A aposentadoria por idade, criada pela Lei Orgânica da Previdência Social – Lei n. 
3.807/1960 – e mantida pela EC n. 103/2019, era devida ao segurado que, cumprida a carência 
exigida, completasse 65 anos de idade, se homem, ou 60 anos de idade, se mulher. A partir da 
vigência da EC n. 103/2019, a idade do homem permaneceu em 65 anos, mas a da mulher foi 
elevada para 62 anos. 
 Para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os que exerçam suas atividades em 
regime de economia familiar, neste incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal, 
a idade é reduzida para 60 anos, se homem, e 55 anos, se mulher (art. 201, § 7º, II, da CF, com 
redação conferida pela EC n. 103/2019). 
 Não se pode dizer que, tecnicamente, haja o risco de infortunística pelo fato de um indivíduo 
vir a envelhecer; partindo deste princípio, não haveria razão para a cobertura do evento 
envelhecimento pela previdência social. Mas Russomano demonstra o cabimento da proteção em 
face da idade avançada: 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 Mas, pouco a pouco, os sistemas previdenciais foram compreendendo em que medida pode 
a velhice ser definida como risco, pois, como a invalidez, ela cria a incapacidade física para o 
trabalho e, muitas vezes, coloca o ancião em difíceis condições econômicas (Carlos G. Posada. 
“Los Seguros Obligatorios en España”, 3. ed., p. 237, s/d; A. Lopez Nunes. “El Seguro Social de 
Vejez”, 1919, p. 5). 
 A denominação “aposentadoria por idade” surgiu com a Lei n. 8.213/1991, conforme se 
observa do comentário de Sergio Pinto Martins: 
No sistema anterior falava-se em aposentadoria por velhice. A expressão aposentadoria por 
idade surge com a Lei n. 8.213. A denominação utilizada atualmente é mais correta, pois o 
fato de a pessoa ter 60 ou 65 anos não quer dizer que seja velha. Há pessoas com essa 
idade que têm aparência de dez, vinte anos mais moça, além do que, a expectativa de vida 
das pessoas hoje tem atingido muito mais de 60 anos. Daí porque se falar em aposentadoria 
por idade, quando a pessoa atinge a idade especificada na lei. 
 A aposentadoria por idade, segundo a Lei de Benefícios (art. 49), pode ser requerida pela 
empresa, compulsoriamente, desde que o empregado tenha cumprido o período de carência e 
completado 70 anos, se homem,e 65 anos, se mulher. Nesse caso, será garantida ao empregado 
a indenização prevista na legislação trabalhista, considerada como data da rescisão do contrato de 
trabalho a imediatamente anterior à do início da aposentadoria. Entretanto, frisamos que a regra 
atualmente não tem mais sentido em permanecer vigente, já que o segurado é o legítimo detentor 
do direito, cabendo a este decidir pela época mais oportuna para requerer o benefício, podendo 
inclusive desistir do benefício requerido até o pagamento da primeira renda mensal. Desta forma, a 
empresa que toma tal providência apenas decreta a extinção do contrato de trabalho, passando a 
ter de arcar com as verbas decorrentes da dispensa. 
 No que diz respeito à comprovação dos requisitos para obtenção da aposentadoria por 
idade urbana, a jurisprudência é assente no sentido de que a idade e a carência não necessitam 
ser preenchidas simultaneamente. Nesse sentido: TNU, PEDILEF 200872650011307, Juiz Federal 
Paulo Ricardo Arena Filho, DOU de 30.8.2011; STJ, REsp 1412566/RS, 2ª Turma, Relator Ministro 
Mauro Campbell Marques, DJe 2.4.2014). 
 O mesmo vale para o direito da pensionista do falecido segurado que já havia implementado 
 
 
 
 
 
 
 
17 
os requisitos para a aposentadoria por idade, a saber: idade e carência, ainda que não de forma 
simultânea. Vejamos: 
AGRAVO INTERNO. PENSÃO POR MORTE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA 
APOSENTADORIA POR IDADE ANTES DO ÓBITO DO SEGURADO. 
DESNECESSIDADE DA IMPLEMENTAÇÃO SIMULTÂNEA. PRECEDENTES. 
1.Desnecessária a implementação simultânea dos requisitos para aposentadoria por idade. 
2. O preenchimento dos requisitos para aposentadoria por idade, antes do óbito do 
segurado, torna possível a concessão de pensão por morte aos dependentes. 3. Agravo ao 
qual se nega provimento. (STJ. AGA 200601773314. Sexta Turma. Rel. Min. Celso Limongi 
– Desembargador Convocado do TJ/SP. DJe 7.6.2010). 
 
 Cabe mencionar que a Lei nº. 10.666/2003 (art. 3, § 1º) estabelece que para a concessão da 
aposentadoria por idade, a perda da qualidade de segurado não será considerada, desde que o 
segurado conte com, no mínimo, o tempo de contribuição correspondente ao exigido para efeito de 
carência na data do requerimento do benefício. 
 Consoante orientação firmada pelo STJ, a regra da não simultaneidade dos requisitos não 
tem validade no caso da aposentadoria por idade rural, sendo necessário que o segurado especial 
comprove o cumprimento da carência no período que antecede o implemento da idade ou o 
requerimento (STJ, PET 7.476, 3ª Seção, Relator p/ acórdão Min. Jorge Mussi, DJe 25.4.2011). 
 Ademais, o STJ, ao julgar recurso repetitivo (Tema 642), confirmou a tese de que: 
 “O segurado especial tem que estar laborando no campo, quando completar a idade 
mínima para se aposentar por idade rural, momento em que poderá requerer seu benefício. 
Ressalvada a hipótese do direito adquirido, em que o segurado especial, embora não tenha 
requerido sua aposentadoria por idade rural, preenchera de forma concomitante, no 
passado, ambos os requisitos carência e idade” (REsp n. 1354908/SP, Primeira Seção, 
Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 9.9.2015). 
 No que diz respeito à apuração dos requisitos para a concessão da aposentadoria por idade, 
a jurisprudência da TNU é no sentido de ser o momento em que o requisito etário é implementado 
 
 
 
 
 
 
 
18 
ou aquele em que o requerimento administrativo é protocolizado. No caso em referência, o relator 
do processo, Juiz Federal Otávio Port, considerou que levar em conta a data em que a pessoa 
formulou o requerimento administrativo seria uma afronta ao princípio da isonomia uma vez que 
distinguiria, de forma indevida, duas pessoas que, embora tendo a mesma idade e o mesmo 
tempo de contribuição, formularam seus requerimentos administrativos em momentos distintos 
(Proc. 2005.72.95.01.7041-4, DJ de 13.10.2009). 
 As regras gerais sobre a aposentadoria por idade estão disciplinadas no art. 19 da EC n. 
103/2019 (regra transitória), nos arts. 48 a 51 da Lei n. 8.213/1991 e nos arts. 51 a 55 do Decreto 
n. 3.048/1999. 
4.1 - Renda mensal inicial 
 
 Até o advento da EC n. 103/2019, o valor da aposentadoria por idade era proporcional ao 
tempo de contribuição, consistindo numa renda mensal correspondente a 70% do salário de 
benefício, mais 1% por grupo de doze contribuições mensais, até o máximo de 100% do salário de 
benefício, podendo haver a multiplicação pelo fator previdenciário, caso este, uma vez aplicado, 
caracterize condição mais benéfica para o segurado (art. 7º da Lei n. 9.876/1999). Tal regra 
permanece aplicável a quem completou os requisitos (idade e carência) antes da vigência da 
Emenda. 
 Para aqueles que preencham os requisitos a partir da entrada em vigor da EC n. 103/2019, 
para apuração do salário de benefício, será utilizada a média aritmética simples dos salários de 
contribuição atualizados monetariamente, correspondentes a 100% do período contributivo desde a 
competência julho de 1994 ou desde o início da contribuição, se posterior àquela competência. E o 
coeficiente de cálculo corresponderá a 60% da média aritmética (SB), com acréscimo de dois 
pontos percentuais para cada ano que exceder o tempo de 20 anos de contribuição, para os 
homens, e de 15 anos, para as mulheres. 
 A previsão do divisor mínimo para apuração do salário de benefício na aposentadoria por 
idade (sessenta por cento do período decorrido da competência julho de 1994 até a data de início 
do benefício, limitado a cem por cento de todo o período contributivo), previsto no art. 3º, § 2º da 
Lei n. 9.874/1999, foi validado pelo STJ (REsp n. 929.032/RS, 5ª Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, 
 
 
 
 
 
 
 
19 
DJe de 27.4.2009). 
 Essa regra se mostra compatível com as novas regras estabelecidas pela EC n.103/2019, 
para garantir o equilíbrio financeiro e atual do sistema. 
 A aposentadoria por idade do trabalhador rural que se enquadre na regra do § 1º do art. 48 
da Lei de Benefícios, é igual ao valor mínimo do salário de benefício, ou seja, o salário mínimo 
mensal (art. 29, § 6º, da Lei n. 8.213/1991), salvo quando contribua, facultativamente, como 
contribuinte individual, quando então terá sua aposentadoria calculada com base na regra geral de 
cálculo (art. 39, II, da Lei n. 8.213/1991). 
 Para efeito da concessão da aposentadoria por idade híbrida, prevista no § 3º do art. 48 da 
Lei de Benefícios, o cálculo da renda mensal do benefício será apurado de acordo com o disposto 
no inciso II do caput do art. 29 da Lei de Benefícios (obedecendo-se o cálculo da média dos 
salários de contribuição a partir de julho de 1994), considerando-se como salário de contribuição 
mensal do período como segurado especial o limite mínimo de salário de contribuição da 
Previdência Social. Nesse sentido: STJ, AREsp 397.348/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Herman 
Benjamin, DJe de 3.10.2013. 
 Na aposentadoria híbrida não se aplicava o fator previdenciário, mesmo que pudesse ser 
superior a 1,0 – pois a referência feita pelo art. 48, § 4º, da Lei n. 8.213/1991 (inserido pela Lei n. 
11.718/2008) remete ao critério de cálculo dos benefícios não sujeitos ao fator previdenciário. 
 Quanto ao cálculo da aposentadoria por idade urbana, a TNU tinha orientação no sentido de 
permitir a utilização do tempo de atividade rural para elevação do coeficiente de cálculo (PU 
200872550073376, DOU de 18.11.2011). Na sequência, a TNU revisou esse entendimento e 
editou a Súmula n. 76 com o seguinte teor: “A averbação de tempo de serviço rural não contributivo 
não permite majorar o coeficiente de cálculo da renda mensal inicial de aposentadoria por idade 
previsto no art. 50 da Lei n. 8.213/91”. 
 Essa súmula se baseou na orientação do STJ, segundo o qual a aposentadoria por idade 
urbana exige a efetiva contribuição para o aumento do coeficiente da renda mensal. Diante da 
inexistência de contribuiçõesmensais correspondentes aos períodos de atividade rural, a 
averbação desse tempo de serviço não traz reflexos financeiros capazes de propiciar a revisão, 
 
 
 
 
 
 
 
20 
pois se refere a interregnos que não compõem o Período Básico de Cálculo – PBC da 
aposentadoria por idade (REsp 1.063.112/SC, 5ª Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 
03.08.2009). 
 Já no tocante ao tempo de trabalho rural, decidiu o STJ, em julgamento de recurso 
repetitivo, que o reconhecimento do tempo de serviço registrado em carteira profissional, para 
efeito de cumprimento de carência pelo trabalhador rural, não ofende o § 2º do art. 55 da Lei n. 
8.213/1991, tendo em vista que o empregador rural, juntamente com as demais fontes previstas na 
legislação, era responsável pelo custeio do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural 
(FUNRURAL). 
 Em seu voto, o relator da matéria, ministro Arnaldo Esteves Lima, ressaltou que a ação não 
trata de aposentadoria rural por idade, mas do reconhecimento do direito à aposentadoria por 
tempo de serviço mediante o cômputo do tempo de serviço rural constante da carteira profissional 
de trabalhador rural. Assim, o tempo anterior à vigência da Lei n. 8.213 pode ser computado, 
inclusive, para comprovar a carência, desde que haja anotação em carteira, como é caso dos 
autos. “Com efeito, mostra-se incontroverso nos autos que o autor foi contratado por empregador 
rural, com registro em carteira profissional desde 1958, razão pela qual não há como 
responsabilizá-lo pela comprovação do recolhimento das contribuições”, consignou o relator (STJ, 
1ª Seção, REsp 1.352.791, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, j. Em 27.11.2013). 
 Como consequência, o período de empregado rural, mesmo anterior à Lei n. 8.213/19991, 
deve ser computado para fins de carência e para a definição do coeficiente de cálculo da 
aposentadoria por idade. 
 
QUADRO-RESUMO – APOSENTADORIA POR IDADE 
 
 
BENEFÍCIO 
APOSENTADORIA POR IDADE 
Código da Espécie (INSS): B-41 
Evento Gerador 
a) Homem: 65 anos + 15 anos de tempo de contribuição para quem 
era filiado até a EC n. 103/2019; para novos segurados, 20 anos de 
tempo de contribuição; 
b) Mulher: 60 anos + tempo de contribuição de 15 anos (a partir da 
EC n. 103/2019, a idade da mulher foi elevada para 62 anos); 
 
 
 
 
 
 
 
21 
60 anos, se homem, e 55 anos, se mulher + tempo de atividade 
rural: 15 anos. 
Todos os segurados do RGPS 
Carência 
180 contribuições mensais para os segurados inscritos após 
24.7.1991; 
Tabela Progressiva do art. 142 da Lei n.º 8.213/1991: para os 
segurados inscritos antes de 24.7.1991. 
Qualidade de 
Segurado 
A perda da qualidade de segurado não será considerada pa a 
concessão desse benefício, desde que o segurado conte com, no 
mínimo, o tempo de contribuição correspondente ao exigido para 
efeito de carência na data do 
requerimento do benefício (art. 3.º da Lei n. 10.666/2003). 
 
Essa regra não se aplica ao segurado especial, pois a aposentadoria 
rural tem requisito adicional específico: o efetivo exercício da 
atividade rural em período logo antecedente ao requerimento 
administrativo (arts. 39, I; 48, § 2.º; e 143, todos da Lei n. 8.213, de 
1991). 
 
A concessão do benefício de aposentadoria por idade, nos termos 
do art. 3º da Lei nº 10.666/2003, observará, para os fins de cálculo 
do valor do benefício, o disposto no art. 3º, caput e § 2º, da Lei n. 
9.876/1999, ou, não havendo salários de contribuição recolhidos no 
período a partir da competência julho de 1994, será de um salário 
mínimo. 
 
 
 
 
 
 
 
22 
Fator 
Previdenciário 
(aplicável até o 
advento da EC 
n. 103/2019) 
– Será calculado considerando-se a idade, a expectativa de 
sobrevida e o tempo de contribuição do segurado ao se aposentar. 
– Ao segurado com direito à aposentadoria por idade é assegurada 
a opção pela aplicação ou não do fator previdenciário, considerando 
o que for mais vantajoso. 
Fator 
Previdenciário 
(aplicável até o 
advento da EC 
n. 103/2019) 
Sobrevida e o tempo de contribuição do segurado ao se aposentar. 
– Ao segurado com direito à aposentadoria por idade é assegurada 
a opção pela aplicação ou não do fator previdenciário, considerando 
o que for mais vantajoso. 
 
 
Renda Mensal 
Inicial 
a) Até a entrada em vigor da EC n. 103/2019: 
Proporcional ao tempo de contribuição, consistindo numa renda 
mensal correspondente a 70% do salário de benefício, mais 1% a 
cada grupo de doze contribuições mensais, até 100% do salário de 
benefício. 
b) Após a entrada em vigor da EC n. 103/2019: 
60% do valor do salário de benefício (média integral de todos os 
salários de contribuição), com acréscimo de dois pontos percentuais 
para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 20 anos de 
contribuição para os homens e de 15 anos para as mulheres. 
Segurado especial: é igual a um salário mínimo, salvo quan 
contribua, facultativamente, como contribuinte individual, quando 
então terá a aposentadoria calculada com base na regra geral. 
Período Básico 
de Cálculo 
O Período Básico de Cálculo – PBC é fixado, conforme o caso, de 
acordo com a: 
I – Data do Afastamento da Atividade ou do Trabalho – DAT; 
II – Data de Entrada do Requerimento – DER; 
III – Data da Publicação da Lei nº 9.876, de 1999 – DPL; 
IV – Data da Publicação da EC n. 103/2019; 
V – Data de Implementação das Condições Necessárias à 
Concessão do Benefício – DICB. 
Data de Início 
do Benefício 
– Segurado empregado, inclusive o doméstico: 
 - A partir da data do desligamento do emprego, quando requerida 
até essa data ou até noventa dias depois; 
- Da data do requerimento, quando não houver desligamento do 
emprego ou quando requerida após 90 dias. 
– Para os demais segurados: a partir da data da entrada do 
requerimento 
 
 
 
 
 
 
 
23 
 
Aposentadoria 
Compulsória 
A aposentadoria por idade pode ser requerida pela empresa desde que o 
segurado tenha cumprido a carência, quando este completar 70 anos de 
idade, se do sexo masculino, ou 65, se do sexo feminino, sendo 
compulsória, caso em que será garantida ao empregado a indenização 
prevista na legislação trabalhista, considerada como data da rescisão do 
contrato de trabalho a imediatamente anterior à do início da 
aposentadoria. 
Os empregados dos consórcios públicos, das empresas públicas, das 
sociedades de economia mista e das suas subsidiárias serão 
aposentados compulsoriamente, observado o cumprimento do tempo 
mínimo de contribuição, ao atingir a idade máxima de 75 anos. 
 
Duração 
Indeterminada. Cessa com a morte do segurado, transformando-se em 
pensão por morte, caso tenha dependentes. 
 
Desistência 
Depois que receber o primeiro pagamento, ou sacar o PIS e/ou o FGTS (o 
que ocorrer primeiro), o segurado não poderá do benefício (art. 181-B – 
Decreto nº 3048/1999). 
Observações 
As regras gerais da aposentadoria por idade encontram-se no art. 201 da 
CF (com redação conferida pela EC n. 103/2019), nos arts. 48 a 51 da Lei 
nº 8.213/1991 e nos arts. 51 a 55 do Decreto nº 3.048/1999. 
 
 
 
 
 
 
 
24 
 
5 - APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO 
 
 
 Embora criticada por muitos doutrinadores, era da tradição da Previdência Social brasileira a 
aposentadoria por tempo de atividade laborativa, razão pela qual, em que pese ter sido extinta a 
aposentadoria por tempo de serviço, permaneceu a noção de aposentadoria por tempo de 
atividade, com o surgimento de nova modalidade de jubilação. 
 Com a Reforma da Previdência efetivada pela Emenda Constitucional n. 20/1998, o tempo 
de serviço deixou de ser considerado para a concessão da aposentadoria, passando a valer o 
tempo de contribuição efetiva para o regime previdenciário. A partir de então, para aqueles que se 
filiaram ao RGPS após a EC n. 20, não mais havia possibilidade de concessão de aposentadoria 
proporcional ao tempo de serviço. 
 A exigência da combinação do tempo de contribuição com uma idade mínima foieliminada 
durante a tramitação do texto principal da Emenda Constitucional n. 20, constando apenas das 
regras de transição. 
 Conforme a regulamentação dada pela Previdência Social à matéria, a aposentadoria por 
tempo de contribuição foi concedida de acordo com as seguintes regras: 
 Os segurados inscritos no RGPS até 16 de dezembro de 1998, data da publicação da 
Emenda Constitucional n. 20, inclusive os oriundos de outro regime de Previdência Social, desde 
que cumprida a carência exigida, tinham direito à aposentadoria por tempo de contribuição nas 
seguintes situações: 
 – aposentadoria por tempo de contribuição ou de serviço, conforme o caso, com renda 
mensal no valor de cem por cento do salário de benefício, desde que cumpridos: 
 35 anos de contribuição, se homem; 
 30 anos de contribuição, se mulher; 
 – aposentadoria por tempo de contribuição com renda mensal proporcional, desde que 
cumpridos os seguintes requisitos, cumulativamente: 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 idade: 53 anos para o homem; 48 anos para a mulher; 
 tempo de contribuição: 30 anos, se homem, e 25 anos de contribuição, se mulher; 
um período adicional de contribuição equivalente a quarenta por cento do tempo que, em 16 de 
dezembro de 1998, faltava para atingir o tempo de contribuição estabelecido na alínea b; 
 Os segurados inscritos no RGPS a partir de 17 de dezembro de 1998, inclusive os oriundos 
de outro regime de Previdência Social, desde que cumprida a carência exigida, tinham direito à 
aposentadoria por tempo de contribuição desde que comprovassem: 
 35 anos de contribuição, se homem; 
 30 anos de contribuição, se mulher. 
 A Constituição assegurava ao professor que comprovasse exclusivamente tempo de efetivo 
exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio, a 
redução de cinco anos no tempo de contribuição (art. 201, § 8º). 
 As regras de transição previstas para os segurados inscritos no RGPS até 16.12.1998 
estavam contidas no art. 9º da Emenda Constitucional n. 20/1998. Com relação aos critérios para 
concessão de aposentadoria integral pelas regras de transição, estas não tinham aplicabilidade por 
serem mais gravosas ao segurado, já que eram previstos os seguintes requisitos: a idade mínima, 
de 53 anos para o homem, e de 48 anos, para a mulher; e, para atingir o tempo de contribuição de 
trinta e cinco anos, se homem, e de trinta anos, se mulher, o cumprimento de um período adicional 
de contribuição equivalente a vinte por cento do tempo que, na data da publicação da Emenda, 
faltasse para atingir o limite de tempo de contribuição. Nesse sentido: STF, ED no Ag. Reg. no Rec. 
Ext. 524.189/MG, 2ª Turma, Rel. Min. Teori Zavascki, DJe de 30.8.2016. 
 Essa situação foi reconhecida pelo INSS quando da edição da Instrução Normativa INSS/DC 
n. 57/2001 e mantido o entendimento conforme as instruções normativas subsequentes. Ou seja, 
não se exigiu idade mínima e o pedágio de vinte por cento para a concessão da aposentadoria 
integral pelas regras de transição. No entanto, a idade mínima e o pedágio de quarenta por cento 
foram exigidos dos segurados que pretendessem optar pela aposentadoria proporcional, de acordo 
com as regras de transição. 
 
 
 
 
 
 
 
26 
 A mesma orientação foi adotada pela Turma Nacional de Uniformização dos Juizados 
Especiais Federais: PU n. 200451510235557, Relator Juiz Federal Edilson Pereira Nobre Júnior, 
DJ de 15.5.2008). 
 
 Ainda quanto à aplicação das regras de transição da EC n. 20/1998, o STF interpretou no 
sentido da impossibilidade de utilizar o tempo de contribuição posterior a 16.12.1998 para 
concessão da aposentadoria com as regras anteriores à reforma da Previdência. A decisão foi 
proferida pelo Tribunal Pleno com Repercussão Geral – Tema 70, sendo fixada a seguinte tese: 
 “Na sistemática de cálculo dos benefícios previdenciários, não é lícito ao segurado conjugar 
as vantagens do novo sistema com aquelas aplicáveis ao anterior, porquanto inexiste direito 
adquirido a determinado regime jurídico” (Leading Case: RE 575.089, Rel. Min. Ricardo 
Lewandowski, DJe 24.10.2008). 
 A perda da qualidade de segurado não era considerada para a concessão da aposentadoria 
por tempo de contribuição, regra prevista na Lei n. 10.666/2003 (art 3º) . 
– Extinção da aposentadoria por tempo de contribuição: EC n. 103/2019 
 Na avaliação do Governo (Exposição de Motivos da PEC n. 06/2019), essas mudanças 
decorrentes da EC n. 20/1998 e da Lei n. 9.876/1999 não foram suficientes para reduzir o déficit do 
sistema, pois a média de idade nas aposentadorias por tempo de contribuição estava em 54,22 
anos. 
Com isso, a solução proposta e aprovada, constante da EC n. 103/2019, foi a extinção da previsão 
de aposentadoria por tempo de contribuição (sem a previsão de uma idade mínima) das regras 
permanentes da Constituição. 
 Temos, assim, a partir da EC n. 103/2019, somente a possibilidade de concessão de 
aposentadoria voluntária com o cumprimento de tempo de contribuição e de idade mínima ou 
pontuação mínima (idade + tempo de contribuição). 
 No entanto, foi prevista regra de transição para a aposentadoria por tempo de contribuição 
sem idade mínima, para homens e mulheres que faltavam cumprir até 2 (dois) anos de contribuição 
 
 
 
 
 
 
 
27 
na data da publicação da EC n. 103/2019, mesmo assim, com um pedágio de 50% do tempo 
faltante. 
5.1-Beneficiários 
 Em princípio, todos os segurados do RGPS tinham direito à aposentadoria por tempo de 
contribuição, observadas as seguintes exceções: 
 Segurado especial: 
 Quando contribuísse exclusivamente com base na comercialização da produção rural, não 
teria direito à aposentadoria por tempo de contribuição. Caso optasse por efetuar contribuições 
mensais, de forma voluntária, passaria a ter reconhecido o direito à concessão desse benefício. 
 Contribuinte individual e segurado facultativo: 
 Os contribuintes individuais e segurados facultativos que optassem pela sistemática de 
contribuição, na forma estabelecida na Lei Complementar n. 123, de 14.12.2006 (alíquota de 11% 
sobre o valor mínimo mensal do salário de contribuição, ou seja, 11% sobre o salário mínimo), não 
poderiam desfrutar do benefício da aposentadoria por tempo de contribuição, salvo se 
complementassem as contribuições feitas em alíquota menor que a regra geral (mais 9% sobre o 
mesmo salário de contribuição). 
 Microempreendedor Individual (MEI): 
 A contribuição reduzida (5% do salário mínimo) não assegurava ao MEI a aposentadoria por 
tempo de contribuição. Caso pretendesse contar o tempo de contribuição correspondente para fins 
de obtenção da aposentadoria por tempo de contribuição ou da contagem recíproca do tempo de 
contribuição a que se refere o art. 94 da Lei n. 8.213/1991, deveria complementar a contribuição 
mensal mediante recolhimento, sobre o valor correspondente ao limite mínimo mensal do salário de 
contribuição em vigor na competência a ser complementada, da diferença entre o percentual pago 
e o de 20%, acrescido dos juros moratórios equivalentes à taxa Selic. 
 Segurado facultativo com contribuição reduzida (CadÚnico): 
 A lei também reduziu para 5% do salário mínimo a contribuição do segurado facultativo sem 
 
 
 
 
 
 
 
28 
renda própria que se dedique exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, 
desde que pertencente à família de baixa renda, assim considerada a família inscrita no Cadastro 
Único para Programas Sociais do Governo Federal – CadÚnico cuja renda mensal seja de até dois 
salários mínimos. 
 O segurado (contribuinte individual ou facultativo) enquadrado nos requisitos da Lei n. 
12.470/2011 que tenha contribuído com a alíquota de 5% sobre o salário mínimo e pretendesse 
contar o tempo de contribuição correspondente para fins de obtenção da aposentadoria por tempo 
de contribuição ou da contagem recíproca do tempo de contribuição a quese refere o art. 94 da Lei 
n. 8.213/1991, deveria complementar a contribuição mensal mediante recolhimento, sobre o valor 
correspondente ao limite mínimo mensal do salário de contribuição em vigor na competência a ser 
complementada, da diferença entre o percentual pago e o de 20%, acrescido dos juros moratórios 
equivalentes à taxa Selic. 
 
 
 Síntese dos segurados que efetuam contribuição reduzida: 
 
Alíquota 11% Alíquota 5% 
Somente pode pagar sobre o salário 
mínimo de cada competência; 
Somente pode pagar sobre o salário 
mínimo de cada competência; 
Não tem direito à aposentadoria por 
tempo de contribuição; 
Não tem direito à aposentadoria por 
tempo de contribuição; 
Disponível para segurado facultativo 
ou segurado contribuinte individual, 
que trabalhe por conta própria, sem 
relação de trabalho com empresa ou 
equiparado; 
Disponível para microempreendedor 
individual (MEI) e segurado facultativo 
sem renda própria que se dedique 
exclusivamente ao trabalho doméstico no 
âmbito de sua residência, desde que 
pertencente a família de baixa renda 
registrada no CadÚnico; 
 
 
 
 
 
 
 
29 
Se quisesse se aposentar por tempo 
de contribuição ou obter CTC para 
contagem recíproca deve 
complementar a contribuição mensal 
com a diferença de 9%. 
Se quisesse se aposentar por tempo de 
contribuição ou obter CTC para 
contagem recíproca deve complementar a 
contribuição mensal com a diferença de 
15%. 
 
 
 
 
 
 
 
30 
5.2 - Período de carência 
 A carência era de 180 contribuições mensais, com a aplicação da tabela do art. 142 da Lei 
n. 8.213/1991 aos segurados que se filiaram antes de 24.7.1991, caso implementado até o ano de 
2011. 
 A exigência de 35 anos de contribuição para o segurado e de 30 anos de contribuição, para 
a segurada, não excluía a regra então vigente sobre a carência, uma vez que o tempo de 
contribuição poderia ser obtido computando-se atividades prestadas em períodos anteriores à 
filiação, como nos casos de averbação do tempo anterior à perda da qualidade de segurado, de 
contagem recíproca de tempo de contribuição cumprido noutros regimes, e outras aberturas legais 
que permitiam incluir períodos em que não houve efetiva contribuição ao sistema, como nas 
hipóteses de fruição de benefícios de prestação continuada, substitutivos do salário de 
contribuição. 
 Entendemos compatível a continuidade da exigência do período de carência de 180 meses 
nas regras de transição da EC n. 103/2019 que ainda permitem a aposentadoria por tempo de 
contribuição associado a outros requisitos. 
5.3 - Data de início do benefício 
 A aposentadoria por tempo de contribuição é devida ao segurado empregado, inclusive ao 
doméstico, que cumpriu os requisitos antes da EC n. 103/2019, ou pelas regras de transição dessa 
Emenda, a partir da data do desligamento do emprego (quando requerida até essa data ou até 
noventa dias depois), ou da data do requerimento (quando não houvesse desligamento do 
emprego ou quando fosse requerida após noventa dias). Para os demais segurados, que também 
tenham cumprido os requisitos até a EC n. 103/2019 ou das regras de transição, é devida a partir 
da data da entrada do requerimento. 
 O benefício pode ser solicitado por meio da Central 135, pelo portal da Previdência Social na 
Internet (Meu INSS) ou nas Agências da Previdência Social, mediante o cumprimento das 
exigências legais. Ressaltamos que o trabalhador não precisava deixar o emprego para requerer a 
aposentadoria. 
 
 
 
 
 
 
 
31 
 
 
 De acordo com o Regulamento da Previdência Social, a aposentadoria por tempo de 
contribuição é irreversível e irrenunciável depois que o segurado receber o primeiro pagamento, 
sacar o PIS ou o Fundo de Garantia (o que ocorrer primeiro). 
 O STF, ao julgar a repercussão geral que tratou da desaposentação, validou esse 
entendimento, fixando a tese de que por ausência de norma legal não é possível a renúncia da 
aposentadoria para a concessão de outra mais vantajosa, sendo constitucional a regra do art. 18, 
§ 2º, da Lei n. 8.213/1991 (RE 661.256/SC, Tribunal Pleno, j. 26.10.2016, DJe 29.9.2016). 
 Frisamos, que tais regras relativas à DIB permanecem válidas para as situações que 
envolvem direitos adquiridos (preenchimento dos requisitos antes da vigência da EC n. 103/2019) e 
para quem se aposentar pelas regras de transição doravante aplicáveis. 
5.4 - Renda mensal inicial 
 A renda mensal da aposentadoria por tempo de contribuição correspondia a 100% do salário 
de benefício, calculado na forma do § 9º do art. 32 do Decreto n. 3.048/1999. 
 Para os benefícios com DIB a partir de 26.11.1999 (Lei n. 9.876/1999) havia a incidência 
obrigatória do fator previdenciário, o qual foi tornado opcional pela Lei n. 13.183, de 4.11.2015, 
apenas quando implementada a Fórmula 95/85 progressiva. Essa regra é comentada com 
apresentação de exemplos no Capítulo 33 desta obra. 
 O período básico de cálculo – PBC era fixado, conforme o caso, de acordo com as datas a 
seguir relacionadas, observada a mais vantajosa para o segurado: 
 data do afastamento da atividade – DAT; 
 data da entrada do requerimento – DER; 
 data da publicação da Emenda Constitucional n. 20, de 16.12.1998 – DPE; 
 data da publicação da Lei n. 9.876, de 28.11.1999 – DPL; 
 
 
 
 
 
 
 
32 
 data de implementação das condições necessárias à concessão do benefício – DICB. 
 Para os benefícios da regra de transição da EC n. 20/1998, deferidos com contagem de 
tempo após 16.12.1998, o coeficiente de cálculo era de 70% do salário de benefício acrescido de 
5% por ano de contribuição que superasse a soma do tempo de 30 anos, se homem, ou 25 anos, 
se mulher, mais o tempo adicional do pedágio (art. 188, § 2º, do Decreto n. 3.048/1999). Nesse 
sentido: Turma Regional de Uniformização dos JEFs da 4ª Região, Incidente de Uniformização 
2004.72.95.004578-0, Sessão de 15.4.2005. 
 Quando da concessão de aposentadoria com o cômputo do tempo de atividade até 
16.12.1998, ou até 28.11.1999, a renda mensal inicial será calculada com base nos trinta e seis 
últimos salários de contribuição anteriores àquelas datas, reajustadas pelos mesmos índices 
aplicados aos benefícios, até a data da entrada do requerimento, não sendo devido qualquer 
pagamento relativamente a período anterior a esta data. 
 Tais regras podem ser conferidas nos arts. 187 e 188 do Decreto n. 3.048/1999. Questão 
relevante estava relacionada à sistemática de cálculo da RMI quanto não coincidente com a DER. 
O entendimento firmado pela jurisprudência foi no sentido daquele preconizado no Regulamento da 
Previdência Social, o qual prevê a atualização pelos mesmos índices utilizados para reajustar os 
benefícios e não daqueles empregados para correção dos salários de contribuição, regra que seria 
bem mais vantajosa para os segurados. 
Neste sentido: TNU: PEDILEF 0012147- 38.2006.4.03.6302; STJ: REsp 1342984; REsp 
1.369.028. 
 
5.5 - Validade das novas regras de cálculo 
 Com as mudanças promovidas pelas EC n. 20/1998 e n. 103/2019, assim como pela Lei n. 
9.876/2019, as normas de concessão e de apuração do benefício vão depender da época em que 
o segurado adquiriu o direito à aposentadoria, pois a legislação posterior não pode alterar a forma 
de cálculo dos benefícios cujo direito já foi adquirido. 
 A esse respeito, o art. 3º, § 2º, da EC n. 103/2019 estabelece que os proventos de 
 
 
 
 
 
 
 
33 
aposentadoria devidos ao segurado e as pensões por morte devidas aos seus dependentes serão 
apurados de acordo com a legislação em vigor à época em que foram atendidos os requisitos nela 
estabelecidos para a concessão desses benefícios. 
 Segundo o § 4º do art. 56 do Decreto n. 3.048/1999, cumpre ao INSS estabelecer o 
comparativo entre o valor inicial da aposentadoria apurada pelas regras atuais e pelas regras 
anteriores, com vistas à possibilidade de que o segurado possa vislumbrarqual a opção mais 
vantajosa. 
 Insta ressaltar que não assiste direito ao segurado às regras de cálculo revogadas quando 
pretender somar o tempo trabalhado após as reformas. Nesse sentido, a Repercussão Geral Tema 
n. 70, cuja tese fixada pelo STF, foi a seguinte: “Na sistemática de cálculo dos benefícios 
previdenciários, não é lícito ao segurado conjugar as vantagens do novo sistema com aquelas 
aplicáveis ao anterior, porquanto inexiste direito adquirido a determinado regime jurídico.” 
 Em conclusão, consolidou-se o entendimento de que a tese em questão importava em 
“mesclar as vantagens de dois regimes distintos de aposentadoria”, beneficiando- se das 
vantagens decorrentes de um sistema híbrido. 
6 - EC n. 103/2019 – Regras de transição em relação à aposentadoria por 
tempo de contribuição e por idade 
 A Reforma da Previdência estabeleceu cinco novas regras de transição para os segurados 
filiados ao RGPS até a data de entrada em vigor da EC n. 103/2019. Quanto ao valor da 
aposentadoria devida em razão de tais regras de transição, prevê a EC n. 103/2019 que, 
futuramente, o cálculo poderá ser modificado na forma de lei ordinária a ser aprovada pelo 
Congresso Nacional. Vejamos a seguir quais são essas regras e o embasamento legal. 
– Regra de Transição 1: SISTEMA DE PONTOS 
 Está prevista no art. 15 da EC n. 103/2019, tendo por destinatários os segurados filiados ao 
RGPS até a entrada em vigor dessa EC, assegurando o direito à aposentadoria, quando 
preenchidos, cumulativamente, os seguintes requisitos: 
 
 
 
 
 
 
 
34 
– 30 (trinta) anos de contribuição, se mulher, e 35 (trinta e cinco) anos de contribuição, se 
homem; e 
– somatório da idade e do tempo de contribuição, incluídas as frações, equivalente a 86 
(oitenta e seis) pontos, se mulher, e 96 (noventa e seis) pontos, se homem. 
 A partir de 1º de janeiro de 2020, a pontuação que se iniciou em 86/96 será acrescida de um 
ponto a cada ano para o homem e para a mulher, até atingir o limite de 100 pontos, se mulher (em 
2033), e de 105 pontos, se homem (em 2028). A idade e o tempo de contribuição são apurados em 
dias para o cálculo do somatório de pontos. 
 Importante destacar que o requisito de pontos (estabelecido através do somatório de idade e 
de tempo de contribuição) impõe um mecanismo de incremento gradual dos requisitos, 
especialmente a partir de 1º de janeiro de 2020, quando essas pontuações vão aumentando 
gradativamente ano após ano. 
 Pode-se dizer que essa regra fragiliza a concepção da previsibilidade de data estimada de 
aposentadoria, estipulando requisitos mutáveis e que, com o passar do tempo, vão se revelando 
cada vez mais difíceis de cumprir e exigindo uma idade ainda mais avançada de aposentação. 
 Nos termos da EC n. 103/2019, e enquanto a matéria não seja disciplinada por lei posterior, 
o valor da aposentadoria corresponderá a 60% do valor do salário de benefício (média integral de 
 
 
 
 
 
 
 
35 
todos os salários de contribuição desde julho de 1994), com acréscimo de dois pontos percentuais 
para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 20 anos de contribuição para os homens e 
de 15 anos para as mulheres. 
 
– Regra de Transição 2: TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO + IDADE MÍNIMA 
Está prevista no art. 16 da EC n. 103/2019, tendo por destinatários os segurados filiados ao RGPS 
até a entrada em vigor dessa EC, assegurando o direito à aposentadoria, quando preenchidos, 
cumulativamente, os seguintes requisitos: 
– 30 (trinta) anos de contribuição, se mulher, e 35 (trinta e cinco) anos de contribuição, se 
homem; 
– idade de 56 (cinquenta e seis) anos, se mulher, e 61 (sessenta e um) anos, se homem. 
A partir de 1º de janeiro de 2020, a idade será acrescida de seis meses a cada ano, até atingir 62 
anos de idade, se mulher (em 2031), e 65 anos de idade, se homem (em 2027). Em 12 anos acaba 
a transição para as mulheres e em 8 anos para os homens. 
 Nos termos da EC n. 103/2019, e enquanto a matéria não seja disciplinada por lei posterior, 
o valor da aposentadoria corresponderá a 60% do valor do salário de benefício (média integral de 
todos os salários de contribuição desde julho de 1994), com acréscimo de dois pontos percentuais 
para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 20 anos de contribuição para os homens e 
de 15 anos para as mulheres. 
 
 
 
 
 
 
 
36 
 
 
– Regra de Transição 3: PEDÁGIO DE 50% DO TEMPO FALTANTE 
 Está prevista no art. 17 da EC n. 103/2019, tendo por destinatários os segurados filiados ao 
RGPS até a entrada em vigor dessa EC, e que na referida data contavam com mais de 28 anos de 
contribuição, se mulher, e 33 anos de contribuição, se homem, ficando assegurado o direito à 
aposentadoria quando preenchidos, cumulativamente, os seguintes requisitos: 
– 30 (trinta) anos de contribuição, se mulher, e 35 (trinta e cinco) anos de contribuição, se homem; 
e 
– cumprimento de período adicional correspondente a 50% (cinquenta por cento) do tempo que, na 
data de entrada em vigor da EC n. 103/2019, faltava para atingir 30 (trinta) anos de contribuição, se 
mulher, e 35 (trinta e cinco) anos de contribuição, se homem. 
 De acordo com o parágrafo único do art. 17, o benefício concedido com base nessa regra 
terá seu valor apurado de acordo com a média aritmética simples dos salários de contribuição e 
das remunerações calculadas na forma da lei, multiplicada pelo fator previdenciário, calculado na 
forma do disposto nos §§ 7º a 9º do art. 29 da Lei n. 8.213/1991. 
 
 
 
 
 
 
 
37 
 A renda mensal inicial deverá corresponder a 100% do salário de benefício, que deverá ser 
apurado com base na média aritmética simples dos salários de contribuição correspondentes a 
todo o período contributivo (desde julho de 1994), multiplicada pelo fator previdenciário. E, pela 
falta de previsão expressa, não deverá ser aplicada a fórmula 86/96 progressiva para exclusão do 
fator previdenciário, constante do art. 29-C da Lei 8.213/1991. 
 Esse novo critério de apuração do valor da renda mensal inicial irá redundar em perda 
significativa para os segurados que estavam perto de preencher os requisitos da aposentadoria. 
 Outro aspecto polêmico dessa regra, que não exige idade mínima, é a exclusão dos 
segurados com menor tempo de contribuição. É possível imaginar segurados que não serão 
beneficiados por terem faltado 2 anos e 1 mês de tempo de contribuição na data da publicação da 
EC n. 103/2019. 
 A título de comparação, podemos citar a EC n. 20/1998, que fixou o pedágio de 20% e de 
40% do tempo faltante quando substituiu a aposentadoria por tempo de serviço pela de tempo de 
contribuição e extinguiu a possibilidade da aposentadoria proporcional. De acordo com aquela EC, 
todos os segurados poderiam, em tese, optar pelas regras de transição, desde que cumpridos o 
pedágio e a idade mínima exigida de 53 anos, se homem, e de 48 anos, se mulher. Contudo, com 
o passar do tempo, as regras permanentes se tornaram mais atrativas, por não exigirem pedágio e 
sequer idade mínima. 
 
 
REGRA DE TRANSIÇÃO (RGPS): TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO + PEDÁGIO 
 
 
 
 
 
 
 
38 
 – Regra de Transição 4: IDADE E TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO 
Está prevista no art. 18 da EC n. 103/2019, tendo por destinatários os segurados filiados ao RGPS 
até a entrada em vigor dessa EC, assegurando o direito à aposentadoria, quando preenchidos, 
cumulativamente, os seguintes requisitos: 
– 60 (sessenta) anos de idade, se mulher, e 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem; 
– 15 (quinze) anos de contribuição, para ambos os sexos. 
A partir de 1º de janeiro de 2020, a idade de 60 anos da mulher será acrescida em seis meses a 
cada ano, até atingir 62 anos de idade (em 2023). Para os homens, a idade mínima continua como 
era antes da Reforma, 65 anos. O tempo mínimo de contribuição também foi mantido para ambos 
os sexos em 15 anos. 
 
DE 50% 
 
Tempo de 
Contribuiçãoaté a 
Reforma 
 
Tempo de Contribuição 
Faltante 
 
Pedágio de 
50% 
 
 
Tempo Total 
 
 
33 anos 2 anos 1 ano 36 anos 
 
34 anos 
 
1 ano 
 
6 meses 
35 anos e 6 meses 
 
 
28 anos 2 anos 1 ano 31 anos 
 
29 anos 
 
1 ano 
 
6 meses 
30 anos e 6 meses 
RMI: 100% do salário de benefício (média integral dos salários de contribuição x Fator Previdenciário) 
 
 
 
 
 
 
 
39 
O que alterou foi o cálculo do valor do benefício. Inicialmente, corresponderá a 60% do valor 
do salário de benefício (média integral de todos os salários de contribuição desde julho de 1994), 
com acréscimo de dois pontos percentuais para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 
20 anos de contribuição para os homens e de 15 anos para as mulheres. 
Entendemos que o coeficiente para os homens deve ser igual aos das mulheres, 
começando com 60% aos 15 anos (idade prevista para a aposentadoria) com acréscimo de dois 
pontos percentuais a cada novo ano de contribuição, chegando aos 100% com 35 anos de 
contribuição. Isso porque ficou garantida aposentadoria ao homem com 65 anos de idade e 15 
anos de contribuição, não sendo previsto coeficiente menor que 60% do salário de benefício. 
Quanto ao segurado do meio rural, embora a EC 103/2019 não tenha fixado regra de 
transição específica, deverá ser mantida a exigência dos 15 anos para quem era filiado ao RGPS 
até a entrada em vigor dessa EC. Nesse sentido a referência feita no Parecer 113, de 2019 (p. 
14/15): “(...) o esforço é nulo para os que usufruem da aposentadoria rural (...). O tempo de 
trabalho no campo continua o mesmo, 15 anos, e o valor do benefício também, 1 salário mínimo”. 
 
REGRA DE TRANSIÇÃO (RGPS): IDADE MÍNIMA E TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO 
 
 
 
IDADE: 
65 anos 
 
 
IDADE: 
2019 – 60 anos; 2020 – 60,5 anos; 
2021 – 61 anos; 2022 – 61,5 anos 
2023 – 62 anos 
TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO: 
15 anos 
 
TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO: 
15 anos 
RMI: 60% do salário de benefício (média integral) + dois pontos percentuais para cada ano de contribuição 
que exceder a 20 anos (15 anos – conforme interpretação apresentada), se homem, e 15 anos, se 
mulher. 
 
 
 
 
 
 
 
40 
 
– Regra de Transição 5: PEDÁGIO DE 100% DO TEMPO FALTANTE 
Está prevista no art. 20 da EC n. 103/2019, tendo por destinatários os segurados filiados ao 
RGPS até a data de entrada em vigor dessa EC, assegurando o direito à aposentadoria, quando 
preenchidos, cumulativamente, os seguintes requisitos: 
– 57 (cinquenta e sete) anos de idade, se mulher, e 60 (sessenta) anos de idade, se homem; 
– 30 (trinta) anos de contribuição, se mulher, e 35 (trinta e cinco) anos de contribuição, se 
homem; 
– período adicional de contribuição correspondente ao tempo que, na data de entrada em 
vigor da EC n. 103/2019, faltaria para atingir o tempo mínimo de contribuição referido no 
inciso II (pedágio de 100% do tempo faltante). 
Como exemplo dessa regra, podemos considerar que um segurado que já tenha a idade 
mínima de 60, mas tiver 30 anos de tempo de contribuição quando a reforma entrou em vigor, terá 
que trabalhar os 5 anos que faltam para completar os 35 anos, mais 5 anos de pedágio. 
Nessa regra, o que mais atrai em relação às demais é o coeficiente de cálculo do benefício, 
que será de 100% do salário de benefício, calculado com base na média integral de todos os 
salários de contribuição desde julho de 1994. 
No entanto, considerando o tempo de pedágio a ser cumprido, é bem provável que, para a 
grande maioria das pessoas, as regras permanentes sejam mais vantajosas que as de transição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Idade Mínima Contribuição 
Pedágio de 100% Tempo 
Faltante 
 
 
 
 
60 anos 
 
 
35 anos 
Ex.: 30 anos de TC + 5 
anos (faltante) + 5 
anos (pedágio): 
Tempo total: 40 
anos 
 
 
 
 
57 anos 
 
 
30 anos 
Ex.: 27 anos de TC + 3 
anos (faltante) + 3 
anos (pedágio): 
Tempo total: 33 
anos 
RMI: 100% do salário de benefício, calculado com base na média integral, sem incidência de fator 
previdenciário. 
REGRA DE TRANSIÇÃO (RGPS): TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO + PEDÁGIO DE 100% 
 Tempo de 
 
 
 
 
 
 
 
42 
7 - APOSENTADORIA ESPECIAL 
A aposentadoria especial é uma espécie de aposentadoria por tempo de contribuição, com 
redução do tempo necessário à inativação, concedida (segundo o art. 201, § 1º, da Constituição – 
redação anterior à EC n. 103/2019) em razão do exercício de atividades consideradas prejudiciais 
à saúde ou à integridade física. 
A respeito da finalidade da aposentadoria especial, manifestou-se Maria Lúcia Luz Leiria: “A 
finalidade do benefício de aposentadoria especial é de amparar o trabalhador que laborou em 
condições nocivas e perigosas à sua saúde, reduzindo o tempo de serviço/contribuição para fins de 
aposentadoria. Tem, pois, como fundamento o trabalho desenvolvido em atividades ditas 
insalubres. Pela legislação de regência, a condição, o pressuposto determinante do benefício está 
ligado à presença de agentes perigosos ou nocivos (químicos, físicos ou biológicos) à saúde ou à 
integridade física do trabalhador, e não apenas àquelas atividades ou funções catalogadas em 
regulamento”. 
O tempo mínimo de exercício da atividade geradora do direito à aposentadoria especial foi 
estipulado em – 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos – pelo art. 31 da Lei n. 
3.807/1960, que instituiu o benefício, sendo mantido esse período pelas legislações subsequentes 
(atualmente art. 57 da Lei n. 8.213/1991). 
A Emenda n. 20/1998, ao dar nova redação ao § 1º do art. 201 da Constituição Federal, 
estabeleceu que os critérios para concessão da aposentadoria decorrente de atividades exercidas 
sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física serão definidos em lei 
complementar. 
Comentando esse dispositivo, José Afonso da Silva esclarece: “Por regra, essas atividades 
são aquelas a que o art. 7º, XXIII, confere direito a um adicional de remuneração: atividades 
penosas, insalubres e perigosas, cujo sentido já mencionamos antes (pp. 670-671)”. 
Por sua vez, o art. 15 da Emenda Constitucional n. 20/1998 manteve em vigor o disposto 
nos arts. 57 e 58 da Lei n. 8.213, de 24.7.1991, na redação vigente em 16.12.1998, até que a Lei 
Complementar a que se refere o art. 201, § 1º, da Constituição Federal seja publicada. Consigne-
se que o Congresso Nacional não aprovou a lei complementar para regular a aposentadoria 
 
 
 
 
 
 
 
43 
especial. 
Na reforma previdenciária decorrente da Emenda Constitucional n. 47, de 2005, o art. 201, § 
1º, da Constituição passou a dispor que: “É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados 
para a concessão de aposentadoria aos beneficiários do regime geral de previdência social, 
ressalvados os casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde 
ou a integridade física e quando se tratar de segurados portadores de deficiência, nos termos 
definidos em lei complementar”. 
Ou seja, houve uma ampliação do direito à aposentadoria com critérios diferenciados em 
favor dos segurados com deficiência. Regra justa e adequada que foi regulamentada pela Lei 
Complementar n. 142, de 2013, a qual é analisada nesse estudo. 
– A EC n. 103/2019 e a Aposentadoria Especial 
A EC n. 103/2019 alterou substancialmente a redação do § 1º do art. 201 da Constituição, 
estabelecendo a possibilidade de previsão, em lei complementar, de idade e tempo de contribuição 
distintos da regra geral para concessão de aposentadoria exclusivamente em favor dos segurados 
cujas atividades sejam exercidas com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos 
prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedados a caracterização por categoria 
profissional ou ocupação. 
Quanto ao enquadramento por periculosidade, o Senado Federal aprovou destaque 
excluindo do texto originárioda PEC 06/2019 o trecho que barrava o direito à aposentadoria 
especial para quem trabalha em situação perigosa, como vigilantes, motoristas de caminhão-
tanque, eletricitários e motoboys. Com isso, tal questão será regulamentada por meio de lei 
complementar. 
A definição da idade mínima constou do art. 19, § 1º, sendo fixada provisoriamente em 55, 
58 ou 60 anos, a depender do tempo de exposição de 15, 20 ou 25 anos, respectivamente. No 
futuro, esses requisitos serão disciplinados por lei complementar. 
Entendemos que não se mostra condizente com a natureza dessa aposentadoria a exigência 
de idade mínima para a inativação. Isso porque esse benefício se presta a proteger o trabalhador 
sujeito a condições de trabalho inadequadas e sujeito a um limite máximo de tolerância com 
 
 
 
 
 
 
 
44 
exposição nociva à saúde. 
 
No passado, já houve a fixação da idade mínima de 50 anos para a concessão da 
aposentadoria especial, a qual constava do art. 31 da Lei n. 3.807/1960, o qual foi revogado pela 
Lei n. 5.890/1973. 
Basta imaginar um mineiro de subsolo em frente de escavação que começa a trabalhar com 
20 anos de idade e, após 15 anos de atividade, cumpre o tempo necessário para a aposentadoria. 
Como estará com 35 anos de idade, terá que aguardar até os 55 anos. Com mais alguns anos de 
trabalho, além dos 15 previstos como limite de tolerância, estará inválido ou irá a óbito, em virtude 
das doenças respiratórias ocupacionais, tais como asma ocupacional, pneumoconiose e 
pneumonia de hipersensibilidade. 
– Caracterização do Tempo de Atividade Especial 
A redação original do art. 57 da Lei n. 8.213/1991 admitia duas formas de se considerar o 
tempo de serviço como especial: 
enquadramento por categoria profissional: conforme a atividade desempenhada pelo 
segurado, presumia a lei a sujeição a condições insalubres, penosas ou perigosas; 
enquadramento por agente nocivo: independentemente da atividade ou profissão exercida, o 
caráter especial do trabalho decorria da exposição a agentes insalubres arrolados na legislação de 
regência. 
A Lei n. 9.032, de 29.4.1995, acabou com o enquadramento por categoria profissional e 
impôs a necessidade de comprovação, pelo segurado, da efetiva exposição aos agentes 
agressivos, exigindo ainda que essa exposição fosse habitual e permanente. 
A exigência de exposição aos agentes nocivos é salutar, pois existiam categorias inteiras 
que eram beneficiadas com aposentadorias precoces sem que os trabalhadores tivessem sido 
efetivamente expostos aos agentes nocivos à saúde e aos riscos do trabalho. 
Dessa forma, não terá direito à aposentadoria especial o segurado que trabalhou 
 
 
 
 
 
 
 
45 
ocasionalmente ou de maneira intermitente em condições prejudiciais à saúde. Assim, por 
exemplo, o dirigente sindical que está desempenhando o mandato respectivo, mas não está 
exercendo atividade em condições prejudiciais à sua saúde, a partir de 29.4.1995, não terá este 
tempo contado para a concessão desse benefício (art. 57, §§ 3º e 4º, da Lei n. 8.213/1991, com a 
redação dada pela Lei n. 9.032/1995). 
Segundo o art. 65, caput, do Decreto n. 3.048/1999, considera-se tempo de trabalho 
permanente aquele que é exercido de forma não ocasional nem intermitente, no qual a exposição 
do segurado ao agente nocivo seja indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço. 
De qualquer forma, não pode o INSS exigir comprovação de exposição permanente no período 
antecedente ao da Lei n. 9.032/1995, como sumulou a TNU: 
– “Para reconhecimento de condição especial de trabalho antes de 29.4.1995, a exposição a 
agentes nocivos à saúde ou à integridade física não precisa ocorrer de forma permanente.” 
Quanto aos agentes biológicos, consolidou-se o entendimento de que os conceitos de 
habitualidade e permanência são diversos daqueles utilizados para outros agentes nocivos, pois o 
que se protege não é o tempo de exposição, mas sim o risco de exposição. É computado como 
tempo de trabalho exercido sob condições especiais: os períodos de descanso determinados pela 
legislação trabalhista, inclusive férias; os de afastamento decorrentes de gozo de benefícios de 
auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez acidentários; bem como os de percepção de salário-
maternidade, desde que, à data do afastamento, o segurado estivesse exposto aos fatores de risco 
de que trata o art. 68 do Decreto n. 3.048/1999 (parágrafo único do art. 65 do Decreto, com a 
redação conferida pelo Decreto n. 8.123/2013). 
Discordamos quanto a essa limitação em relação ao auxílio-doença, pois entendemos que 
os afastamentos que geram o recebimento temporário de benefício substitutivo do rendimento do 
trabalho devem ocorrer sem prejuízo da contagem do tempo de atividade especial, mesmo quando 
a incapacidade seja de origem comum (não acidentária). 
Essa interpretação foi adotada pelo TRF da 4ª Região ao julgar o IRDR/TRF4 
50178966020164040000, Tema 8, Relator Des. Fed. Paulo Afonso Brum Vaz, j. em 25.10.2017, 
cuja tese fixada foi a seguinte: “O período de auxílio-doença de natureza previdenciária, 
 
 
 
 
 
 
 
46 
independente de comprovação da relação da moléstia com a atividade profissional do segurado, 
deve ser considerado como tempo especial quando trabalhador exercia atividade especial antes do 
afastamento.” 
A controvérsia ensejou o Recurso Repetitivo no âmbito do STJ, Tema 998, em que foi fixada 
a seguinte tese: “O Segurado que exerce atividades em condições especiais, quando em gozo de 
auxílio-doença, seja acidentário ou previdenciário, faz jus ao cômputo desse mesmo período como 
tempo de serviço especial”. 
– Agentes Nocivos 
A Lei n. 9.528, de 10.12.1997, ao modificar a Lei de Benefícios da Previdência Social, 
estabeleceu que a relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de 
agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, considerados para fins de concessão da 
aposentadoria especial, poderá ser definida pelo Poder Executivo. Fixou, também, a 
obrigatoriedade de as empresas manterem laudo técnico atualizado, sob pena de multa, assim 
como elaborar e manter perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo 
trabalhador (art. 58, caput e §§ 3º e 4º, da Lei n. 8.213/1991). 
Consideram-se condições especiais que prejudiquem a saúde e a integridade física aquelas 
nas quais a exposição ao agente nocivo ou associação de agentes presentes no ambiente de 
trabalho esteja acima dos limites de tolerância estabelecidos segundo critérios quantitativos ou 
esteja caracterizada de acordo com critérios da avaliação qualitativa dispostos no § 2º do art. 68 do 
Decreto n. 3.048/1999, na forma da redação conferida pelo Decreto n. 8.123/2013. 
A classificação dos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes 
prejudiciais à saúde, ou à integridade física e o tempo de exposição considerados para fins de 
concessão de aposentadoria especial constam do Anexo IV do Decreto n. 3.048/1999. 
Defendemos que essa relação não pode ser considerada exaustiva, mas enumerativa. 
Assim também decidiu o STJ: Repetitivo Tema 534 – REsp 1306113, 1ª Seção, DJe 7.3.2013. 
Entendem-se por agentes nocivos aqueles que possam trazer ou ocasionar danos à saúde 
ou à integridade física do trabalhador nos ambientes de trabalho, em função de natureza, 
concentração, intensidade e fator de exposição, considerando-se: 
 
 
 
 
 
 
 
47 
físicos: os ruídos, as vibrações, o calor, as pressões anormais, as radiações ionizantes etc.; 
químicos: os manifestados por névoas, neblinas, poeiras, fumos, gases, vap de substâncias 
nocivas presentes no ambiente de trabalho etc.; 
biológicos: os micro-organismos como bactérias, fungos, parasitas, bacilos, vírus etc. 
Na forma do § 2º do art. 68 do Decreto n. 3.048/1999, com a redação conferida pelo Decreto n. 
8.123/2013, a avaliação qualitativa de riscos e agentes nocivos serácomprovada mediante 
descrição: 
– das circunstâncias de exposição ocupacional a determinado agente nocivo ou associação de 
agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho durante toda a jornada; 
– de todas as fontes e possibilidades de liberação dos agentes mencionados no inciso I; e 
– dos meios de contato ou exposição dos trabalhadores, as vias de absorção, a intensidade da 
exposição, a frequência e a duração do contato. 
Sobre as mudanças nos critérios de concessão da aposentadoria especial, por parte das 
Leis n. 9.032/1995 e n. 9.528/1997, comenta Wladimir Novaes Martinez: 
“A Lei n. 9.032/95 redefiniu o art. 57 do PBPS: a) alterando o coeficiente do salário de 
benefício, unificado em 100%; b) impondo a necessidade de prova das condições ambientais; c) 
cometendo ao MPAS a atribuição de fixar os critérios de conversão; d) eliminando o cômputo do 
tempo de serviço do dirigente sindical; e) vedando a volta ao trabalho do aposentado. A Lei n. 
9.528/97, desde a MP n. 1.523/96: a) prescreveu a possibilidade de o Poder Executivo relacionar 
os agentes nocivos; b) recriou o SB- 40, sob o nome de DSS 8030; c) instituiu o laudo técnico; d) 
exigiu referência à tecnologia diminuidora da nocividade; e) fixou multa para empresa sem laudo 
técnico atualizado; f) instituiu o perfil profissiográfico e revogou a Lei n. 8.641/93 (telefonistas)”. 
– Atividades Perigosas e Penosas. 
Desde a edição do Decreto n. 2.172, de 6.3.1997, o INSS não considera mais como 
especiais as atividades perigosas e penosas, mas somente as insalubres. 
A vedação ao reconhecimento da especialidade das atividade perigosas tem levado ao 
 
 
 
 
 
 
 
48 
ajuizamento frequente de ações, em face da consolidada jurisprudência que considera que o rol de 
atividades e agentes nocivos possui caráter exemplificativo. Nesse sentido, a Súmula n. 198 do 
extinto Tribunal Federal de Recursos, segundo a qual devida a aposentadoria especial se a perícia 
judicial constatar que a atividade exercida pelo segurado é perigosa, insalubre ou penosa, mesmo 
não inscrita em regulamento. 
O STJ seguiu essa orientação e permitiu o reconhecimento da natureza especial da 
atividade que expõe a risco a integridade física do trabalhador em razão de periculosidade quanto 
ao agente eletricidade, mesmo após a edição do Decreto 2.172/1997. Nesse sentido: 
 
 
Agente perigoso eletricidade – Tema/Repetitivo n. 534: Tese Firmada: “As normas 
regulamentadoras que estabelecem os casos de agentes e atividades nocivos à saúde do 
trabalhador são exemplificativas, podendo ser tido como distinto o labor que a técnica médica e a 
legislação correlata considerarem como prejudiciais ao obreiro, desde que o trabalho seja 
permanente, não ocasional, nem intermitente, em condições especiais (art. 57, § 3º, da Lei 
8.213/1991)” (DJe 7.3.2013). 
Essa orientação firmada pela 1ª Seção do STJ acabou invocada para assegurar o direito ao 
reconhecimento da especialidade para outras atividades consideradas perigosas. Nesse sentido: 
Vigilante – “é possível reconhecer a possibilidade de caracterização da atividade de 
vigilante como especial, com ou sem o uso de arma de fogo, mesmo após 5.3.1997, desde 
que comprovada a exposição do trabalhador à atividade nociva, de forma permanente, não 
ocasional, nem intermitente” (STJ, PET 10.679/RN, 1ª Seção, Rel. Min. Napoleão Nunes 
Maia Filho, DJe 24.5.2019). 
O transporte de inflamáveis é considerado atividade perigosa pela Norma Regulamentadora 
n. 16, do Ministério do Trabalho, e pela Lei n. 12.740, de 2012. (PEDILEF 0008265-
54.2008.4.04.7051, Relator p/acórdão Juiz Federal João Batista Lazzari, Sessão de 18.6.2015) 
No entanto, a Primeira Seção do STJ afetou, em sessão virtual, três recursos especiais 
 
 
 
 
 
 
 
49 
(REsp 1.830.508, REsp 1.831.371 e REsp 1.831.377) que serão julgados sob o rito dos repetitivos, 
nos quais os ministros irão decidir sobre a possibilidade de reconhecimento do caráter especial da 
atividade de vigilante para efeito previdenciário, após a edição da Lei n. 9.032/1995 e do Decreto n. 
2.172/1997. 
Os três recursos especiais estão sob a relatoria do ministro Napoleão Nunes Maia Filho, e a 
controvérsia foi cadastrada como Tema 1.031 no sistema de repetitivos do STJ. 
A definição das atividades ou operações consideradas perigosas está prevista no art. 193 da 
CLT: 
“Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da 
regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua 
natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de exposição 
permanente do trabalhador a: 
– inflamáveis, explosivos ou energia elétrica; 
– roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança 
pessoal ou patrimonial. 
(...) § 4º São também consideradas perigosas as atividades de trabalhador em motocicleta. 
(Incluído pela Lei nº 12.997, de 2014.)” 
Quanto ao reconhecimento da especialidade das atividades penosas, o TRF da 4ª Região 
tem precedentes em favor dos motoristas de caminhão e de ônibus. Nesse sentido: EINF 5014229-
12.2012.404.7112, 3ª Seção, j. 14.8.2015; EINF 5006209- 46.2014.4.04.7117/RS, 3ª Seção, j. 
23.8.2017. 
7.1 – Beneficiários 
 
De acordo com o regramento adotado pelo INSS (art. 64, caput, do Decreto n. 3.048/1999), 
a aposentadoria especial será devida ao segurado empregado, trabalhador avulso e contribuinte 
individual, este último somente quando filiado à cooperativa de trabalho ou de produção. 
Com relação ao contribuinte individual que presta serviço em caráter eventual e sem relação 
 
 
 
 
 
 
 
50 
de emprego, o INSS tem adotado a interpretação de que, a partir de 29 de abril de 1995, a sua 
atividade não poderá ser enquadrada como especial, uma vez que não existe forma de comprovar 
a exposição a agentes nocivos prejudiciais à saúde e a integridade física, de forma habitual e 
permanente, não ocasional nem intermitente. Também entende que falta fonte de custeio 
específica, pois a Lei n. 9.732/1998 não contempla o contribuinte individual. 
Avaliamos como equivocada essa exclusão de segurados, visto que a Lei de Benefícios não 
estabelece qualquer restrição nesse sentido, e a especialidade da atividade decorre da exposição 
aos agentes nocivos, e não da relação de emprego. Tenha-se, por exemplo, um fabricante de 
cristais que exerce a atividade de forma autônoma: pela norma interna do INSS, não faria jus a 
benefício de aposentadoria especial; da mesma forma, os demais profissionais que atuam 
expostos a agentes nocivos e que não possuem vínculo empregatício. 
Da mesma forma, a falta de previsão legal de contribuição adicional para aposentadoria 
especial sobre o salário de contribuição do contribuinte individual não pode impedir o 
reconhecimento de tempo especial. Do contrário, não seria possível reconhecer condição especial 
de trabalho para nenhuma categoria de segurado antes da Lei n. 9.732/98, que criou a contribuição 
adicional. 
Precedentes jurisprudenciais admitem o reconhecimento do tempo especial e o direito à 
aposentadoria especial para o contribuinte individual a qualquer tempo, tendo em vista que o art. 
57 da Lei n. 8.213/1991 não estabelece restrição. Nesse sentido: STJ, REsp 1436794/SC, 2ª 
Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 28.9.2015. 
No mesmo sentido, foi editada a Súmula n. 62 da TNU: “O segurado contribuinte individual 
pode obter reconhecimento de atividade especial para fins previdenciários, desde que consiga 
comprovar exposição a agentes nocivos à saúde ou à integridade física.” 
– Impedimentos legais ao exercício de atividades especiais 
Ressaltamos, no entanto, a existência de restrição ao exercício de atividades especiais, 
devido ao seu caráter protetivo, dos menores de 18 anos, das gestantes e lactantes, consoante 
normas que seguem: 
CF/1988: “Art. 7º (...) XXXIII – proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubrea 
 
 
 
 
 
 
 
51 
menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na 
condição de aprendiz, a partir de quatorze anos.” 
CLT: “Art. 394-A. Sem prejuízo de sua remuneração, nesta incluído o valor do adicional de 
insalubridade, a empregada deverá ser afastada de: (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 
2017) 
– atividades consideradas insalubres em grau máximo, enquanto durar a gestação; 
– atividades consideradas insalubres em grau médio ou mínimo, durante a gestação; III – 
atividades consideradas insalubres em qualquer grau, durante a lactação. (...) 
§ 2º Cabe à empresa pagar o adicional de insalubridade à gestante ou à lactante, 
efetivando-se a compensação, observado o disposto no art. 248 da Constituição Federal, 
por ocasião do recolhimento das contribuições incidentes sobre a folha de salários e 
demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste 
serviço. 
§ 3º Quando não for possível que a gestante ou a lactante afastada nos termos do caput 
deste artigo exerça suas atividades em local salubre na empresa, a hipótese será 
considerada como gravidez de risco e ensejará a percepção de salário-maternidade, nos 
termos da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, durante todo o período de afastamento.” 
O STF, ao julgar a ADIN 5.938, declarou a inconstitucionalidade da expressão “quando 
apresentar atestado de saúde, emitido por médico de confiança da mulher, que recomende o 
afastamento”, contida nos incisos II e III do art. 394-A da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), 
inseridos pelo art. 1º da Lei n. 13.467/2017 (Plenário, Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. em 
29.5.2019). 
Caso os empregadores desrespeitem essas vedações, mesmo assim caberá o 
reconhecimento da especialidade em favor de quem exerceu a atividade, pois as normas citadas 
servem para proteger o trabalhador e não para criar penalidade às pessoas submetidas a 
condições inadequadas de labor. 
7.2 - Comprovação do exercício de atividade especial 
 
 
 
 
 
 
 
52 
 
As condições de trabalho que geram direito à aposentadoria especial são comprovadas por 
prova documental específica que, por sua vez, traz demonstrações ambientais que caracterizem a 
efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos. 
Segundo o § 3º do art. 68 do Decreto n. 3.048/1999, com a redação conferida pelo Decreto 
n. 8.123/2013, a comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita 
mediante formulário emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de 
condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do 
trabalho. 
No referido laudo técnico deverão constar informações sobre a existência de tecnologia de 
proteção coletiva ou individual, e de sua eficácia, e deverá ser elaborado com observância das 
normas editadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego e dos procedimentos estabelecidos pelo 
INSS (§ 5º do art. 68 do Decreto n. 3.048/1999, com a redação conferida pelo Decreto n. 
8.123/2013). 
Esta é a cronologia dos formulários exigidos pelo INSS conforme a época: 
 
Formulário Período 
IS n. SSS-501.19/7 26.2.1971 a 5.12.1977 
ISS-132 6.12.1977 a 12.8.1979 
SB-40, regulamentado pela OS SB 52.5, de 13.8.1979 13.8.1979 e 11.10.1995 
DISES BE 5235, regulamentado pela Resolução INSS/PR 58, de 
16.9.1991 
 
16.9.1991 e 12.10.1995 
DSS-8030, regulamentado pela OS INSS/DSS 518, de 13.10.1995 13.10.1995 e 
25.10.2000 
DIRBEN-8030, regulamentado pela IN INSS/DC 39, de 26.10.2000 26.10.2000 e 
31.12.2003 
 
 
 
 
 
 
 
53 
Perfil Profissiográfico Previdenciário regulamentado pela IN INSS/DC 
99, de 5.12.2003 
 
A partir de 1.1.2004 
 
 
 
O tempo de serviço/contribuição deve ser disciplinado pela lei vigente à época em que 
efetivamente prestado, passando a integrar, como direito autônomo, o patrimônio jurídico do 
trabalhador. A lei nova que venha a estabelecer restrição a esse cômputo não pode ser aplicada 
retroativamente, em razão da intangibilidade do direito adquirido. Nesse sentido: REsp 
1.151.363/MG, 3ª Seção, Relator Ministro Jorge Mussi, DJe 5.4.2011. 
A Lei n. 9.732, de 1998, deu nova redação aos §§ 1º e 2º do art. 58 da Lei n. 8.213/1991, 
estabelecendo que a comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será 
feita mediante formulário – na forma estabelecida pelo INSS –, emitido pela empresa ou seu 
preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do 
trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. Do laudo 
técnico deverá constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou 
individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação 
sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. 
Dessa forma, a partir de dezembro de 1998, o laudo técnico deve conter informação sobre a 
existência e aplicação efetiva de equipamento de proteção individual – EPI. E, para fins de 
concessão da aposentadoria especial, a perícia médica do INSS deverá analisar o formulário e o 
laudo técnico referidos, bem como inspecionar o local de trabalho do segurado para confirmar as 
informações contidas nos referidos documentos. 
As demonstrações ambientais que atualmente fazem parte das obrigações acessórias 
dispostas na legislação previdenciária e trabalhista, constituem-se, entre outros, nos seguintes 
documentos: 
I – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA); II – Programa de 
Gerenciamento de Riscos (PGR); 
– Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção 
 
 
 
 
 
 
 
54 
(PCMAT); 
– Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO); V – Laudo Técnico de 
Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT); VI – Perfil Profissiográfico Previdenciário 
(PPP); 
VII – Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT). 
Considera-se Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) o documento histórico- laboral do 
trabalhador, segundo modelo instituído pelo INSS, que, entre outras informações, deve conter o 
resultado das avaliações ambientais, o nome dos responsáveis pela monitoração biológica e das 
avaliações ambientais, os resultados de monitoração biológica e os dados administrativos 
correspondentes. 
Wladimir Novaes Martinez analisa o PPP e destaca o objetivo pelo qual foi criado: 
Ele tem por objetivo propiciar à perícia médica do INSS informações pormenorizadas sobre o 
ambiente operacional e as condições de trabalho, controle do exercício laboral, troca de 
informações sobre as doenças ocupacionais, supervisão da aplicação das normas legais 
regulamentadoras da saúde, medicina e segurança do trabalho. 
O PPP deverá ser elaborado pela empresa ou equiparada à empresa, de forma 
individualizada para seus empregados, trabalhadores avulsos e cooperados, que laborem expostos 
a agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à 
integridade física. 
A empresa que desenvolve atividades em condições especiais que exponham os 
trabalhadores a riscos ambientais está obrigada a elaborar e manter atualizado o PPP, abrangendo 
as atividades desenvolvidas pelos segurados empregados, trabalhadores avulsos e cooperados 
filiados à cooperativa de trabalho e de produção que laborem expostos a agentes nocivos 
químicos, físicos, biológicos ou à associação desses agentes, prejudiciais à saúde ou à integridade 
física, ainda que não presentes os requisitos para concessão de aposentadoria especial, seja pela 
eficácia dos equipamentos de proteção, coletivos ou individuais, seja por não se caracterizar a 
permanência. 
A exigência do PPP tem como finalidade identificar os trabalhadores expostos a agentes 
 
 
 
 
 
 
 
55 
nocivos em relação aos quais será cobrada a respectiva alíquota adicional de contribuição para o 
custeio do benefícioda correspondente aposentadoria especial, caso implementados os demais 
requisitos a esse direito. 
A elaboração do PPP, em relação aos agentes químicos e ao agente físico ruído, fica 
condicionada ao alcance dos níveis de ação de que trata o subitem 9.3.6 da NR-9 do MTE, e em 
relação aos demais agentes, à simples presença no ambiente de trabalho. 
O PPP deverá ser atualizado anualmente ou sempre que houver alteração no ambiente de 
trabalho ou troca de atividade pelo trabalhador. 
O trabalhador tem o direito de obter da empresa cópia autenticada do PPP em caso de 
ruptura do contrato de trabalho, que deverá ser fornecido no prazo de 30 dias da rescisão do seu 
contrato de trabalho, sob pena de sujeição às sanções previstas na legislação aplicável (§ 8º do 
art. 68 do Decreto n. 3.048/1999, com a redação conferida pelo Decreto n. 8.123/2013). 
A obrigação de manter o PPP se aplica à cooperativa de trabalho e à empresa contratada 
para prestar serviços mediante cessão ou empreitada de mão de obra. 
A presença no ambiente de trabalho de agentes nocivos reconhecidamente cancerígenos 
em humanos, listados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, será suficiente para a comprovação 
de efetiva exposição do trabalhador, para efeitos de contagem de tempo especial e emissão do 
PPP correspondente (§ 4º do art. 68 do Decreto n. 3.048/1999, com a redação conferida pelo 
Decreto n. 8.123/2013). Trata- se de regra de grande importância, pois corresponde a um avanço 
no entendimento sobre a existência de agentes nocivos no ambiente laboral e sua comprovação. 
Nas avaliações ambientais deverão ser considerados, além do disposto no Anexo IV do 
Decreto n. 3.048/1999, a metodologia e os procedimentos de avaliação estabelecidos pela 
Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho – Fundacentro. Na 
hipótese de não terem sido estabelecidos pela Fundacentro a metodologia e os procedimentos de 
avaliação, cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego definir outras instituições que os estabeleçam 
(art. 68 do Decreto n. 3.048/1999, §§ 12 e 13, incluídos pelo Decreto n. 8.123/2013). 
O trabalhador ou seu preposto terá acesso às informações prestadas pela empresa sobre o 
seu perfil profissiográfico, podendo inclusive solicitar a retificação de informações quando em 
 
 
 
 
 
 
 
56 
desacordo com a realidade do ambiente de trabalho, conforme orientação estabelecida em ato do 
Ministro de Estado da Previdência Social. 
Ainda, segundo a TNU, a validade do conteúdo do PPP depende da congruência com o 
laudo técnico. Essa congruência é presumida. A presunção relativa de congruência do PPP com o 
laudo técnico dispensa, em regra, que esse documento tenha que ser apresentado conjuntamente 
com o PPP. Circunstancialmente, pode haver dúvidas objetivas sobre a compatibilidade entre o 
PPP e o laudo técnico. Nesses casos, é legítimo que o juiz condicione a valoração do PPP à 
exibição do laudo técnico ambiental. A apresentação de laudo técnico ambiental para aferir a 
validade do teor do PPP deve ser a exceção, e não a regra. Assim, em regra, deve ser considerado 
exclusivamente o PPP como meio de comprovação da exposição do segurado ao agente insalubre, 
inclusive em se tratando de ruído, independentemente da apresentação do respectivo laudo 
técnico-ambiental (PU 2009.71.62.001838-7, Rel. Juiz Federal Herculano Martins Nacif, DOU de 
22.3.2013). Essa orientação da TNU foi validada pelo STJ: 
PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. 
COMPROVAÇÃO DE TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL. RUÍDO. PERFIL 
PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO (PPP). APRESENTAÇÃO SIMULTÂNEA DO 
RESPECTIVO LAUDO TÉCNICO DE CONDIÇÕES AMBIENTAIS DE TRABALHO 
(LTCAT). DESNECESSIDADE QUANDO AUSENTE IDÔNEA IMPUGNAÇÃO AO 
CONTEÚDO DO PPP (STJ, PET 10.262/RS, 1ª Seção, MinistroSérgio Kukina, DJe 
16.2.2017). 
Embora o PPP, em princípio, seja documento hábil e suficiente para a comprovação das 
condições especiais da atividade laboral, havendo irregularidade formal no seu preenchimento e, 
por conseguinte, fundadas dúvidas acerca da sua legitimidade, bem como acerca das informações 
dele constantes, mostra-se justificável a produção de prova pericial. E, caso impossível a 
realização da perícia no local onde o serviço foi prestado, porque não mais existente, admite-se a 
perícia indireta ou por similitude, realizada mediante o estudo técnico em outro estabelecimento, 
que apresente estrutura e condições de trabalho semelhantes às daquele em que a atividade foi 
exercida. Nesse sentido: 
STJ – “É possível, em virtude da desconfiguração da original condição de trabalho da ex-
 
 
 
 
 
 
 
57 
empregadora, a realização de laudo pericial em empresa do mesmo ramo de atividade, 
com o exame de local com características similares ao daquele laborado pelo obreiro, a fim 
de apurar a efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos, para reconhecimento do 
direito à contagem de tempo especial de serviço” (REsp 1.428.183/RS, DJe de 6.3.2014). 
TRF4 – Súmula 106: “Quando impossível a realização de perícia técnica no local de 
trabalho do segurado, admite-se a produção desta prova em empresa similar, a fim de 
aferir a exposição aos agentes nocivos e comprovar a especialidade do labor”. 
TNU: “Para fins de análise do pedido de reconhecimento do caráter especial das atividades 
desenvolvidas pelo segurado, é possível a realização de perícia indireta (por similaridade) 
se as empresas nas quais a parte trabalhou estiverem inativas, sem representante legal e 
não existirem laudos técnicos ou formulários, ou quando a empresa tiver alterado 
substancialmente as condições do ambiente de trabalho da época do vínculo laboral e não 
for mais possível a elaboração de laudo técnico, observados os seguintes aspectos: (i) 
serem similares, na mesma época, as características da empresa paradigma e aquela 
onde o trabalho foi exercido, 
(ii) as condições insalubres existentes, (iii) os agentes químicos aos quais a parte foi 
submetida, e (iv) a habitualidade e permanência dessas condições” (Processo 0001323-
30.2010.4.03.6318, Sessão de 22.6.2017). 
Cumpre ressaltar que as perícias realizadas por similaridade ou por aferição indireta das 
circunstâncias de trabalho têm sido amplamente aceitas em caso de impossibilidade da coleta de 
dados in loco para a comprovação da atividade especial. Nesse sentido, destacamos: TRF 3ª 
Região, AC 200603990223516, Turma Suplementar da 3ª Seção, Juiz Alexandre Sormani, 
18.9.2008; TNU, PEDILEF 0001323-30.2010.4.03.6318, Sessão de 22.6.2017. 
Tema controvertido na matéria é o cabimento do enquadramento, como atividade especial, 
do trabalho com exposição ao calor “ao ar livre”. A esse respeito, a TNU, em sessão de 30.8.2017, 
entendeu que, após a vigência do Decreto n. 2.172/1997 e mesmo após sua revogação pelo 
Decreto n. 3.048/99, se tornou possível o reconhecimento das condições especiais do trabalho 
exercido sob exposição ao calor proveniente de fontes naturais, de forma habitual e permanente, 
 
 
 
 
 
 
 
58 
quando comprovada a superação dos patamares estabelecidos no Anexo 3 da NR 15, calculado 
pelo Índice de Bulbo Úmido – Termômetro de Globo (IBUTG), de acordo com a fórmula prevista 
para ambientes externos com carga solar (PEDILEF 0501218-13.2015.4.05.8307, Rel. Juiz 
Federal Fernando Moreira Gonçalves, DJ 25.9.2017). 
Destaque-se, também, que o Tribunal Superior do Trabalho reconheceu a competência da 
Justiça do Trabalho para declarar que a atividade laboral prestada por empregado é nociva à 
saúde e obrigar o empregador a fornecer a documentação hábil ao requerimento da aposentadoria 
especial, bem como, a inexistência de prazo prescricional para postular o PPP ou a retificação de 
laudos: 
OBRIGAÇÃO DE FAZER. ENTREGA DO PERFIL PROFISSIOGRÁFICO 
PREVIDENCIÁRIO PELO EMPREGADOR. “Nos termos do parágrafo 4º do artigo 58 da 
Lei nº 8.213/91, o reclamado deve fornecer o Perfil ProfissiográficoPrevidenciário ao 
reclamante, obrigação que decorre do reconhecimento da periculosidade no ambiente de 
trabalho, independentemente de tal condição ter sido deferida apenas em juízo, como no 
caso dos autos. Precedentes. Recurso de Revista conhecido e provido” (ARR-225600- 
36.2007.5.02.0059, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz José Dezena da Silva, DEJT 30.5.2019). 
“Em razão de o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) atestar as 
condições em que se deu a prestação de serviços, sendo necessário para fins de prova 
perante a Previdência Social, a pretensão de retificação não se sujeita aos prazos 
prescricionais previstos no art. 7º, XXIX, da CF, invocado pela recorrente. Incidência do art. 
11, § 1º, da CLT” (TST, AIRR-10074-88.2013.5.15.0043, 3ª Turma, Rel. Min. Alexandre 
Belmonte, DEJT 1.3.2019). 
7.3 - Laudo técnico pericial 
O Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) é um documento com 
caráter pericial, de iniciativa da empresa, com a finalidade de propiciar elementos ao INSS para 
caracterizar ou não a presença dos agentes nocivos à saúde ou à integridade física relacionados 
no Anexo IV do Decreto n. 3.048/1999. O LTCAT deverá ser assinado por engenheiro de 
segurança do trabalho ou por médico do trabalho. 
 
 
 
 
 
 
 
59 
A partir de 1º de janeiro de 2004, foi dispensada a apresentação do LTCAT ao INSS, mas o 
documento deverá permanecer na empresa, à disposição da Previdência Social. Na hipótese de 
dúvida quanto às informações contidas no Laudo Técnico e nos documentos que fundamentaram 
a sua elaboração, o INSS poderá efetuar diligência prévia para conferência dos dados. 
Em relação ao período a partir da qual é obrigatória a apresentação do laudo técnico das 
condições ambientais do trabalho, o CRPS editou o Enunciado n. 20: 
20 – Salvo em relação ao agente agressivo ruído, não será obrigatória a apresentação de 
laudo técnico pericial para períodos de atividades anteriores à edição da Medida Provisória 
n. 1.523-10, de 11.10.96, facultando-se ao segurado a comprovação de efetiva exposição a 
agentes agressivos à sua saúde ou integridade física mencionados nos formulários SB-40 
ou DSS-8030, mediante o emprego de qualquer meio de prova em direito admitido. 
Na via judicial foi pacificado o entendimento de que a exigência do laudo técnico é válida 
somente após o advento do Decreto n. 2.172, de 6.3.1997, salvo para o agente nocivo ruído que 
deve existir independentemente da época trabalhada. Nesse sentido: STJ, REsp 1.629.545, Rel. 
Min. Assusete Magalhães, DJe de 30.9.2016. 
O fato de o laudo pericial ter sido elaborado após o término do período laborado em 
condições prejudiciais à saúde e/ou à integridade física não impede o reconhecimento da atividade 
especial, até porque como as condições do ambiente de trabalho tendem a aprimorar-se com a 
evolução tecnológica, sendo razoável supor que em tempos pretéritos a situação era pior ou 
quando menos igual à constatada na data da elaboração. 
Da mesma forma, o laudo pode valer para períodos futuros desde que presentes informações 
sobre a manutenção do layout e demais condições de trabalho. Neste sentido, a Súmula n. 68 da 
TNU: “O laudo pericial não contemporâneo ao período trabalhado é apto à comprovação da 
atividade especial do segurado”. 
Está disponível para consulta no Sistema EPROC (Processo Eletrônico da Justiça Federal da 
4ª Região – www.trf4.jus.br) um importante banco de laudos. Os advogados cadastrados podem ter 
acesso ao link “Laudos Técnicos” e pesquisar em mais de 3.000 laudos (número em crescimento, 
pois outros estão em fase de inserção no sistema). Entre as opções de consulta estão: Seção 
http://www.trf4.jus.br/
 
 
 
 
 
 
 
60 
Judiciária de localização da empresa; Atividade Econômica Principal (CNAE); Pessoa 
Jurídica/Entidade; CNPJ ou Nome da Empresa; Função; Setor; Data de Validade; e Tipo do laudo 
técnico. 
7.4 - Uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) 
Considera-se Equipamento de Proteção Individual (EPI) todo dispositivo ou produto, de uso 
individual, utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a 
segurança e a saúde no trabalho (NR 6 do Ministério do Trabalho e Emprego). 
Em conformidade com a NR 6: “O equipamento de proteção individual, de fabricação nacional ou 
importado, só poderá ser posto à venda ou utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação – 
CA, expedido pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho do 
Ministério do Trabalho e Emprego”. 
A NR 6 estabelece, também, as atribuições do empregador e do empregado quanto ao EPI. São 
elas: 
Cabe ao empregador quanto ao EPI: 
 adquirir o adequado ao risco de cada atividade; 
 exigir seu uso; 
 fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional competente em 
matéria de segurança e saúde no trabalho; 
 orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação; 
 substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado; 
 responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica; 
 comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada; e 
 registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotados livros fichas ou 
sistema eletrônico. 
Cabe ao empregado quanto ao EPI: 
 
 
 
 
 
 
 
61 
 usar, utilizando-o apenas para a finalidade a que se destina; 
 responsabilizar-se pela guarda e conservação; 
 comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso; e 
 cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado. 
É relevante mencionar o Enunciado n. 21 do CRPS sobre o tema: “O simples fornecimento 
de equipamento de proteção individual de trabalho pelo empregador não exclui a hipótese de 
exposição do trabalhador aos agentes nocivos à saúde, devendo ser considerado todo o ambiente 
de trabalho”. 
No mesmo sentido, o Enunciado n. 289 do Tribunal Superior do Trabalho: “Insalubridade. 
Adicional. Fornecimento do aparelho de proteção. Efeito: O simples fornecimento do aparelho de 
proteção pelo empregador não o exime do pagamento do adicional de insalubridade. Cabe-lhe 
tomar as medidas que conduzam à diminuição ou eliminação da nocividade, entre as quais as 
relativas ao uso efetivo do equipamento pelo empregado”. 
No que tange ao agente nocivo ruído, a Turma Nacional de Uniformização dos Juizados 
Especiais Federais editou a Súmula n. 9, com o seguinte teor: 
“Aposentadoria especial – Equipamento de Proteção Individual: O uso
 de Equipamento de Proteção Individual (EPI), ainda que elimine a insalubridade, no caso de 
exposição a ruído, não descaracteriza o tempo de serviço especial prestado”. 
A orientação da TNU expressa na Súmula n. 9 é justificável, pois, de acordo com estudos 
médicos, o ruído elevado causa danos, não apenas ao aparelho auditivo, mas provoca alterações 
físicas e psíquicas não evitadas pelo uso do EPI. Os sintomas auditivos geralmente são 
representados por: perda auditiva, zumbidos, dificuldades na compreensão da fala. Os sintomas 
extra-auditivos são alterações do sono e transtornos da comunicação, neurológicos, vestibulares, 
digestivos, comportamentais, cardiovasculares e hormonais. 
Cabe destacar que o STF reconheceu a existência de repercussão geral em relação à 
validade do “uso de EPI” para afastar a especialidade do labor (Tema 555 – ARE 664.335, julgado 
em 4.12.2014), fixando duas teses jurídicas a respeito: 
 
 
 
 
 
 
 
62 
– O direito à aposentadoria especial pressupõe a efetiva exposição do trabalhador a agente 
nocivo à sua saúde, de modo que, se o EPI for realmente capaz de neutralizar a nocividade 
não haverá respaldo constitucional à aposentadoria especial; 
– Na hipótese de exposição do trabalhador a ruído acima dos limites legais de tolerância, a 
declaração do empregador, no âmbito do Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), no 
sentido da eficácia do Equipamento de Proteção Individual– EPI, não descaracteriza o 
tempo de serviço especial para aposentadoria. 
Nesse julgado o Plenário do STF negou provimento ao recurso do INSS e manteve a 
validade da Súmula n. 9 da TNU. Considerando-se que a maioria das ações que discutem o 
reconhecimento do tempo especial está relacionada ao agente nocivo ruído, pode-se concluir que 
a decisão do STF representou uma vitória aos segurados da previdência. 
Quanto aos demais agentes nocivos, somente a utilização de EPI eficaz poderá afastar o 
direito à contagem do tempo trabalhado como especial. Nesse sentido, o STJ tem posicionamento 
de que: 
“o simples fornecimento de EPI, ainda que tal equipamento seja efetivamente utilizado, não 
afasta, por si só, a caracterização da atividade especial” (REsp 1573551/RS, DJe 
19.5.2016). 
“o fato de a empresa fornecer equipamento de proteção individual – EPI para neutralização 
dos agentes agressivos não afasta, por si só, a contagem do tempo especial, pois cada 
caso deve ser examinado em suas peculiaridades, comprovando-se a real efetividade do 
aparelho e o uso permanente pelo empregado durante a jornada de trabalho” (REsp 
1662171/RJ, 2ª Turma, DJe 12.9.2017). 
Com base nessas premissas, entendemos que não basta a simples indicação do fornecimento de 
EPI eficaz no PPP e que deverão ser produzidas provas dessa eficácia nos termos da citada NR 6 
do MTE. Nesse sentido: 
“(…) não basta o mero preenchimento dos campos específicos no PPP, onde 
simplesmente são respondidas as perguntas ‘EPI eficaz?’ e ‘EPC eficaz?’, sem qualquer 
detalhamento acerca da total elisão ou neutralização do agente nocivo” (TRF/4, EINF 
 
 
 
 
 
 
 
63 
5011383-34.2012.4.04.7108/RS, 3ª Seção, 30.6.2016). 
Assinalamos que o PPP e o LTCAT não podem ser considerados provas suficientes do 
cumprimento da eficácia do EPI para todo o lapso temporal do empregado, pois refletem uma 
situação estática, ou seja, a verificação em determinado momento. Assim, entendemos que, em 
juízo, cabe ao INSS demonstrar que houve fiscalização sobre a observância da NR-6 ou diligenciar 
para buscar junto ao empregador os documentos que comprovem essa realidade. 
No âmbito do TRF da 4ª Região, foi julgado, em 22.11.2017, o IRDR Tema 15 – Proc. 
5054341-77.2016.4.04.0000, fixando a seguinte tese: “A mera juntada do PPP referindo a eficácia 
do EPI não elide o direito do interessado em produzir prova em sentido contrário”. 
No voto vencedor desse IRDR acertadamente foram destacadas hipóteses em que a 
indicação de adoção de EPI eficaz no PPP deverá ser desconsiderada e o tempo será computado 
como especial (independentemente da produção da prova da falta de eficácia). São elas: 
Períodos anteriores a 3.12.1998: pela ausência de exigência de controle de fornecimento e 
uso de EPI em período anterior a essa data, conforme IN INSS 77/2015 (art. 279, § 6º). No mesmo 
sentido, a Súmula n. 87 da TNU: “A eficácia do EPI não obsta o reconhecimento de atividade 
especial exercida antes de 03.12.1998, data de início da vigência da MP 1.729/98, convertida na 
Lei n. 9.732/98”; 
 Pela reconhecida ineficácia do EPI: 
no enquadramento por categoria profissional: devido a presunção da nocividade; 
em caso de ruído: Repercussão Geral 555; 
em relação aos agentes biológicos: item 3.1.5 do Manual da 
Aposentadoria Especial editado pelo INSS, 2017; 
para agentes nocivos reconhecidamente cancerígenos: Memorando- Circular Conjunto 
nº 2/DIRSAT/DIRBEN/INSS/2015; 
para a periculosidade; em relação ao calor, radiações ionizantes e trabalhos em condições 
hiperbáricas. 
 
 
 
 
 
 
 
64 
 
 E, segundo o IRDR 15, esgotada a produção da prova na via judicial e não sendo possível 
constatar a eficácia do EPI, cabe observar o item 11 do Acórdão do STF no julgamento da 
Repercussão Geral 555 (ARE 664335/SC): “Em caso de divergência ou dúvida sobre a real eficácia 
do Equipamento de Proteção Individual, a premissa a nortear a Administração e o Judiciário é pelo 
reconhecimento do direito ao benefício da aposentadoria especial. Isto porque o uso de EPI, no 
caso concreto, pode não se afigurar suficiente para descaracterizar completamente a relação 
nociva a que o empregado se submete”. 
 A relação de situações que o EPI não elide o reconhecimento da atividade especial deve ser 
vista com exemplificativa, pois há outras hipóteses em que não há neutralização da nocividade e 
da periculosidade, tais como: penosidade; vibrações; frio; calor; pressões anormais; agentes 
nocivos sobre os quais não se conhece um limite seguro/aceitável de tolerância. 
Quanto aos efeitos do EPI, em relação às atividades exercidas pelo segurado contribuinte 
individual, a TNU fixou a seguinte tese em Representativo de Controvérsia: 
Tema n. 188: “Após 03/12/1998, para o segurado contribuinte individual, não é possível o 
reconhecimento de atividade especial em virtude da falta de utilização de equipamento de 
proteção individual (EPI) eficaz, salvo nas hipóteses de: (a) exposição ao agente físico ruído acima 
dos limites legais; (b) exposição a agentes nocivos reconhecidamente cancerígenos, constantes do 
Grupo 1 da lista da LINACH; ou (c) demonstração com fundamento técnico de inexistência, no caso 
concreto, de EPI apto a elidir a nocividade da exposição ao agente agressivo a que se submeteu o 
segurado” (PUIL 5000075-62.2017.4.04.7128/RS, j, em 22.8.2019). 
7.5 - Nível do ruído 
O ruído costuma ser o agente nocivo mais presente nos locais de trabalho. Classificado 
como agente físico, depende de medição do nível da pressão sonora e somente quando superados 
os limites de tolerância gera o direito ao reconhecimento da especialidade da atividade. 
A NR 15 da Portaria n. 3.214/1978, do então Ministério do Trabalho, no Anexo I, estabelece 
os limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente, os quais são aplicados no âmbito 
 
 
 
 
 
 
 
65 
trabalhista e previdenciário. Vejamos os valores constantes da tabela do referido anexo: 
 
Nível de Ruído (dB) – Máxima Exposição Diária 
85 8 horas 
86 7 horas 
87 6 horas 
88 5 horas 
89 4 h e 30 min 
90 4 horas 
91 3 h e 30 min 
92 3 horas 
93 2 h e 40 min 
94 2 h e 15 min 
95 2 horas 
96 1 h e 45 min 
98 1 h e 15 min 
100 1 hora 
102 45 minutos 
104 35 minutos 
105 30 minutos 
106 25 minutos 
108 20 minutos 
110 15 minutos 
112 10 minutos 
114 8 minutos 
115 7 minutos 
 
Os decretos regulamentadores dos benefícios previdenciários fixaram níveis variáveis de 
tolerância ao longo do tempo e somente a partir do Decreto n. 4.882, de 18.11.2003, houve o 
alinhamento com as normas trabalhistas. 
Especificamente quanto ao agente nocivo ruído, o Quadro Anexo do Decreto n. 53.831, o 
Anexo I do Decreto n. 83.080/1979 , o Anexo IV do Decreto n. 2.172/1997, durante os respectivos 
períodos de vigência, e o Anexo IV do Decreto n. 3.048/1999, alterado pelo Decreto n. 4.882/2003, 
consideram insalubres as atividades que expõem o segurado a níveis de pressão sonora 
superiores, respectivamente, a 80, 90, 90 e 85 decibéis, de acordo com os códigos 1.1.6, 1.1.5, 
2.0.1 e 2.0.1: 
 
 
 
 
 
 
 
 
66 
 
 
Período trabalhado Enquadramento Limites de tolerância 
 
Até 5.3.1997 
Anexo do Decreto n. 
53.831/1964 Anexo I do Decreto n. 
83.080/1979 
 
Superior a 80 dB Superior 
a 90 dB 
 
De 6.3.1997 a 6.5.1999 
Anexo IV do Decreto n. 
2.172/1997 
 
Superior a 90 dB 
 
De 7.5.1999 a 
18.11.2003 
Anexo IV do Decreto n. 
3.048/1999, na sua redação original 
 
Superior a 90 dB 
 
A partir de 19.11.2003 
Anexo IV do Decreto n. 
3.048/1999, com a alteração do 
Decreto n. 4.882/2003 
 
Superior a 85 dB 
 
Quanto ao período anterior a 5.3.1997, ficou pacificado pelo STJ e também pelo INSS na 
esfera administrativa (Instrução Normativa INSS/DSS 57/2001 e posteriores), que são aplicáveis 
concomitantemente, para fins de enquadramento, os Decretos n. 53.831/1964 e n. 83.080/1979até 
5.3.1997, data imediatamente anterior à publicação do Decreto n. 2.172/1997, durante os 
respectivos períodos de vigência. Desse modo, até então, é considerada nociva à saúde a 
atividade sujeita a ruídos superiores a 80 decibéis, conforme previsão mais 
benéfica do Decreto n. 53.831/1964. Nesse sentido também já houve manifestação do STJ 
no Repetitivo 694. Assim, na vigência do Decreto n. 2.172, de 5.3.1997, o nível de ruído a 
caracterizar o direito à contagem do tempo de trabalho como especial deve ser superior a 90 
decibéis, só sendo admitida a redução para 85 decibéis após a entrada em vigor do Decreto n. 
4.882, de 18.11.2003. Quando os níveis de ruído são variáveis, existem precedentes diversos. 
Vejamos: 
 
 
 
 
 
 
 
67 
TNU: o cálculo deve ser pela média ponderada e, na ausência desta no laudo pericial, deve 
ser aplicada a apuração da média aritmética (PEDILEF 50138346120144047205, Rel. Juiz 
Gerson Luiz Rocha, em 14.9.2017). 
TRF/3ª Região: “Nas hipóteses de aferição de nível variável à pressão sonor sem indicação 
da média ponderada, não se pode concluir que o segurado estava exposto ao menor nível 
de ruído, ou seja, deve prevalecer o maior patamar, por se sobrepor ao menor” (TRF/3ªR, 
ED/AC 0000029- 43.2015.4.03.6131/SP, 10ª Turma, Rel. Des. Fed. Sergio Nascimento, DE 
11.9.2017). Há também decisões em sentido contrário no TRF/3ªR: APELREEX 
1957335/SP, 7ª Turma, Rel. Des. Fed. Toru Yamomoto, DE 18.9.2017. 
TRF/4ª Região: Quando não é possível aferir a média ponderada do nível de ruído 
variados, deve-se utilizar o “critério dos picos de ruído” (maior nível de ruído no ambiente 
durante a jornada de trabalho do segurado, a técnica ideal a ser considerada é a média 
ponderada) (APELREEX 0010550- 22.2016.4.04.9999/SC, TRS SC, Rel. Des. Fed. Paulo 
A. B. Vaz, DE 28.9.2017). 
Por fim, destacamos como tese jurídica inovadora a que considera a “margem de erro” na 
medição do nível do ruído em favor do segurado. Segue o precedente do TRF da 3ª Região: 
“Mesmo o resultado sendo inferior ao patamar mínimo de 90 decibéis, previsto no Decreto 
2.172/97, é razoável concluir que uma diferença de 01 (um) dB na medição pode ser 
admitida dentro da margem de erro decorrente de diversos fatores. 
Ressalto que, mesmo sendo tal índice inferior a 90 decibéis, pode-se concluir que uma 
diferença menor que 01 decibel na medição há de ser admitida dentro da margem de erro 
decorrente de diversos fatores (tipo de aparelho, circunstâncias específicas na data da medição 
etc.)” (TRF/3ªR, ED/AC 0000029-43.2015.4.03.6131/SP, 10ª Turma, Rel. Des. Fed. Sérgio 
Nascimento, DE 11.9.2017). 
Entretanto, por ora, o STJ não tem acolhido a tese da margem de erro. Nesse sentido: “II – 
No caso dos autos, o Tribunal de origem, em desconformidade com a jurisprudência do STJ, 
reconheceu como especial o período laborado de 1º/10/2002 a 18/11/2003, em que o segurado foi 
exposto a ruídos de 89 decibéis, apesar da diferença de 1 decibel em relação ao patamar mínimo, 
 
 
 
 
 
 
 
68 
fixado no Decreto n. 2.172/1997, de 90 decibéis” (AgInt no REsp n. 1.629.906/SP, 2ª Turma, Rel. 
Min. Francisco Falcão, DJe 12.12.2017). 
7.6 - Período de carência 
O período de carência para a concessão da aposentadoria especial previsto na LBPS é de 
180 contribuições mensais. Para o segurado inscrito na Previdência Social Urbana até 24.7.1991, 
bem como para o trabalhador e o empregador rurais cobertos pela Previdência Social Rural, a 
carência das aposentadorias por idade, por tempo de serviço e especial obedece à tabela prevista 
no art. 142 da Lei n. 8.213/1991, a qual leva em conta o ano em que o segurado implementou ou 
implementará as condições necessárias à obtenção do benefício. 
Além da carência, que diz respeito ao número mínimo de contribuições mensais feitas pelo 
segurado, é necessária a comprovação do tempo exigido (quinze, vinte ou vinte e cinco anos), em 
atividades prejudiciais à saúde ou à integridade física. 
A manutenção da qualidade de segurado para a concessão da aposentadoria especial 
deixou de ser obrigatória por força da Lei n. 10.666/2003. 
Importante ressaltar que, a partir da entrada em vigor da EC n. 103/2019, além do tempo de 
exercício de atividade especial, foi introduzida a idade mínima, a qual constou do art. 19, § 1º, 
sendo fixada em 55, 58 ou 60 anos, a depender do tempo de exposição de 15, 20 ou 25 anos, 
respectivamente. 
7.7 - Data de início do benefício 
A aposentadoria especial será devida ao segurado empregado a partir da data do 
desligamento do emprego (quando requerida até essa data ou até noventa dias depois desta), ou 
da data do requerimento (quando não houver desligamento do emprego ou quando for requerida 
após noventa dias deste). Para os demais segurados, será a data da entrada do requerimento. 
A TNU tem reafirmado a tese consolidada na Súmula n. 33, para estabelecer a data de início 
do benefício previdenciário na data do requerimento administrativo, destacando que o momento da 
confecção ou de apresentação do PPP no qual se baseou o juízo para acolher o pleito de 
aposentação é indiferente para esse fim (v.g., Processo 0535799-85.2009.4.05.8300). 
 
 
 
 
 
 
 
69 
O segurado aposentado de forma especial que continuar ou retornar ao exercício de 
atividades ou operações que o sujeitem aos agentes nocivos terá sua aposentadoria cancelada, 
conforme ficou determinado pela Lei n. 9.732/1998 (art. 57, § 8º, da Lei n. 8.213/1991). Na 
regulamentação desse dispositivo (parágrafo único do art. 69 do Decreto n. 3.048/1999) foi 
estabelecido que o segurado que retornar ao exercício de atividade ou operação que o sujeite aos 
riscos e agentes nocivos constantes do Anexo IV do Decreto n. 3.048/1999, ou nele permanecer, 
na mesma ou em outra empresa, qualquer que seja a forma de prestação do serviço ou categoria 
de segurado, será imediatamente notificado da cessação do pagamento de sua aposentadoria 
especial, no prazo de 60 dias contados da data de emissão da notificação, salvo comprovação, 
nesse prazo, de que o exercício dessa atividade ou operação foi encerrado. Curiosamente, não há 
penalização prevista para o empregador que exija do segurado já aposentado que trabalhe em 
condições nocivas à saúde. 
Importante referir o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 8º do art. 57 da Lei n. 
8.213/1991 por parte do TRF da 4ª Região, sob os seguintes fundamentos: 
(...) A restrição à continuidade do desempenho da atividade por parte do trabalhador que 
obtém aposentadoria especial cerceia, sem que haja autorização constitucional para tanto 
(pois a constituição somente permite restrição relacionada à qualificação profissional), o 
desempenho de atividade profissional, e veda o acesso à previdência social ao segurado 
que implementou os requisitos estabelecidos na legislação de regência. 
A regra em questão não possui caráter protetivo, pois não veda o trabalho especial, ou 
mesmo sua continuidade, impedindo apenas o pagamento da aposentadoria. Nada obsta que o 
segurado permaneça trabalhando em atividades que impliquem exposição a agentes nocivos sem 
requerer aposentadoria especial; ou que aguarde para se aposentar por tempo de contribuição, a 
fim de poder cumular o benefício com a remuneração da atividade, caso mantenha o vínculo; como 
nada impede que, se aposentando sem a consideração do tempo especial, peça, quando do 
afastamento definitivo do trabalho, a conversão da aposentadoria por tempo de contribuição em 
aposentadoria especial. A regra, portanto, não tem por escopo a proteção do trabalhador, 
ostentando mero caráter fiscal e cerceando de forma indevida o desempenho de atividade 
profissional. (Arguição de Inconstitucionalidade 5001401-77.2012.404.0000, Corte Especial, Rel. 
 
 
 
 
 
 
 
70 
Des. Federal Ricardo Teixeira do Valle Pereira, Sessão de 24.5.2012.) 
Sobre esse tema, pende o julgamento de mérito pelo STF de Recurso Extraordináriocom 
Repercussão Geral reconhecida – Tema 709. Para o Ministro Relator, a matéria envolve o 
direito constitucional do livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, “bem como 
a determinação constitucional da vedação de critérios diferenciados para a concessão de 
aposentadoria aos beneficiários do regime geral de previdência, ressalvados os casos de 
atividades exercidas sob condições especiais” (RE 788.092, Plenário Virtual, Rel. Min. Dias 
Toffoli, j. 28.3.2014). 
7.8 - Renda mensal inicial 
A aposentadoria especial, a partir de 29.4.1995, tinha renda mensal equivalente a 100% do 
salário de benefício (Lei n. 9.032/1995). 
Para os que passaram a ter direito ao benefício após a vigência da Lei n. 9.876/1999, o 
cálculo se deu sobre a média dos maiores salários de contribuição equivalentes a 80% do período 
contributivo, a partir de julho de 1994, neste caso sem a incidência do fator previdenciário. 
A partir da entrada em vigor da EC n. 103/2019, ou seja, para quem não implementou os 
requisitos antes de sua vigência, o valor da aposentadoria especial corresponderá a 60% do valor 
do salário de benefício (média integral de todos os salários de contribuição), com acréscimo de 
dois pontos percentuais para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 20 anos de 
contribuição para os homens e de 15 anos para as mulheres. Nos casos de atividades especiais de 
15 anos (atualmente apenas mineiros em subsolo em frente de escavação), o percentual de 60% 
inicia após cumprido esse tempo mínimo, tanto para homens como para mulheres. 
7.9 - Conversão do tempo de serviço/contribuição 
A conversão de tempo de serviço trabalhado em condições especiais para tempo de 
atividade comum consiste na transformação daquele período com determinado acréscimo 
compensatório em favor do segurado, pois esteve sujeito a trabalho (perigoso, penoso ou 
insalubre) prejudicial à sua saúde. 
Segundo Wladimir Novaes Martinez: “Pressuposto lógico da conversão é a existência de 
 
 
 
 
 
 
 
71 
dois ou mais tempos de serviço especiais (de 15, 20 ou 25 anos) – hipótese menos comum, ou 
tempos de serviço especiais e comuns. Daí afirmar-se não ser possível conversão apenas de 
tempo especial”. 
Há que se ressaltar que a regulamentação do reconhecimento da atividade especial ocorreu 
somente com a Lei n. 3.807/1960, o que não impede a conversão do tempo especial para comum 
exercido anteriormente a essa data. Nesse sentido, precedente do STJ: AgRg no REsp 
1.015.694/RS, 6ª Turma, Ministra Maria Thereza de Assis Moura, DJe 1.2.2011. 
A Lei n. 9.032/1995 vedou a conversão de tempo de serviço comum em especial. Antes era 
possível a conversão de especial para comum e deste para especial, restando ao segurado que 
dispõe de tempo especial insuficiente a aposentadoria comum. 
O STJ validou essa restrição ao firmar a tese de que não é possível a conversão em 
especial do tempo de serviço comum, quando o referido requerimento tenha ocorrido na vigência 
da Lei n. 9.032/1995 (EDcl no Recurso Especial n. 1.310.034- PR. 1ª Seção, DJe 2.2.2015). 
O STF assentou a ausência de repercussão geral do tema relativo à possibilidade de 
conversão do tempo de serviço comum para especial, mediante a aplicação do fator 0,71 de 
conversão, nas hipóteses em que o trabalho fora prestado em período anterior à Lei n. 9.032/1995, 
para fins de concessão de aposentadoria especial com data de início posterior a essa legislação 
(RE 1.029.723/PR, Relator o Ministro Edson Fachin, DJe de 21.4.2017). 
Para o segurado que houver exercido sucessivamente duas ou mais atividades sujeitas a 
condições especiais prejudiciais à saúde ou à integridade física, sem completar em qualquer delas 
o prazo mínimo exigido (15, 20 ou 25 anos), os respectivos períodos serão somados após a 
conversão, considerando para esse fim, a atividade preponderante, cabendo, dessa forma, a 
concessão da Aposentadoria Especial com o tempo exigido para a atividade não convertida. 
Há de se ressaltar que, até o advento da EC n. 103/2019, o tempo de trabalho exercido sob 
condições especiais consideradas prejudiciais à saúde ou à integridade física, conforme a 
legislação vigente à época, será somado, após a respectiva conversão, ao tempo de trabalho 
exercido em atividade comum. Esse entendimento está contemplado no Decreto n. 4.827, de 
3.12.2003, e as tabelas de conversão constam dos anexos desta obra. 
 
 
 
 
 
 
 
72 
A orientação do STJ foi pacificada admitindo-se a possibilidade de converter o tempo 
especial em comum, independentemente da época em que foi prestado: REsp – julgado como 
Repetitivo 1.151.363/MG, 3ª Seção, Relator Ministro Jorge Mussi, DJe 5.4.2011. 
No que tange ainda à conversão do tempo especial, em caso de mudança de regime 
jurídico laboral por parte do servidor público, o STF firmou posicionamento quanto à necessidade 
de observância da lei vigente à época da prestação de serviços. Nesse sentido, a decisão que 
segue: 
 
 
 
 
“A jurisprudência da Corte é no sentido de que o servidor que laborou em condições 
insalubres, quando regido pelo regime celetista, pode somar esse período, ainda que 
convertido em tempo de atividade comum, com a incidência dos acréscimos legais, ao 
tempo trabalhado posteriormente sob o regime estatutário, inclusive para fins de 
aposentadoria e contagem recíproca entre regimes previdenciários distintos” (RE 603.581 
AgR/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe 4.12.2014). 
A matéria encontra-se com repercussão geral pendente de julgamento (RE 612358) – Tema 
293: “Contagem especial de tempo de serviço, prestado sob condições insalubres, em período 
anterior à instituição do Regime Jurídico Único”. 
Outra importante decisão do STF diz respeito ao direito de o servidor público obter no INSS 
a certidão do tempo de serviço prestado como celetista em condições especiais, nos termos que 
seguem: 
O servidor público tem direito à emissão pelo INSS de certidão de tempo de serviço 
prestado como celetista sob condições de insalubridade, periculosidade e penosidade, com os 
acréscimos previstos na legislação previdenciária. 
 
 
 
 
 
 
 
73 
A autarquia não tem legitimidade para opor resistência à emissão da certidão com 
fundamento na alegada impossibilidade de sua utilização para a aposentadoria estatutária; 
requerida esta, apenas a entidade à qual incumba deferi-la é que poderia se opor à sua concessão. 
(RE 433.305, 1ª Turma. Relator Ministro Sepúlveda Pertence, julg. 14.2.2006). 
– A EC n. 103/2019 e a vedação da conversão do tempo especial em comum 
Com a entrada em vigor da EC n. 103/2019, foi vedada a conversão do tempo especial em 
comum para períodos trabalhados após a entrada em vigor dessa emenda. Consta do art. 25, § 2º, 
in verbis: § 2º Será reconhecida a conversão de tempo especial em comum, na forma prevista na 
Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, ao segurado do Regime Geral de Previdência Social que 
comprovar tempo de efetivo exercício de atividade sujeita a condições especiais que efetivamente 
prejudiquem a saúde, cumprido até a data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional, 
vedada a conversão para o tempo cumprido após esta data. 
Uma interpretação literal desse dispositivo – “tempo de efetivo exercício de atividade sujeita 
a condições especiais que efetivamente prejudiquem a saúde” – pode levar o INSS a entender 
como necessária a realização de perícia médica para avaliar se o segurado teve perda da 
capacidade laborativa ou doença relacionada com o tempo de exercício da atividade especial. 
Essa exigência seria inconcebível, pois se refere a tempo prestado antes da aprovação da 
EC n. 103/2019 e violaria duas regras basilares de reconhecimento de tempo de 
serviço/contribuição relacionada com o princípio tempus regit actum (STF, RE 392.559, Rel. Min. 
Gilmar Mendes, 2ª Turma, DJ 3.3.2006), quais sejam: 
- o tempo de serviço/contribuição é disciplinado pela leivigente à época em q efetivamente 
prestado, passando a integrar, como direito autônomo, o patrimônio jurídico do trabalhador; e 
- a lei nova que venha a estabelecer restrição ao cômputo do tempo de serviço/contribuição 
não pode ser aplicada retroativamente, em razão da intangibilidade do direito adquirido. 
7.10- Fator de conversão do tempo especial 
Aspecto que provocou novas discussões está relacionado ao fator de conversão do tempo 
especial para comum para o segurado homem. 
 
 
 
 
 
 
 
74 
De acordo com os decretos que regulamentam a Lei n. 8.213/1991, a conversão de tempo 
de atividade exercido sob condições especiais em tempo de atividade comum observa, para o 
homem, o fator 1,4 (de 25 para 35 anos). É de ressaltar que o § 2º do art. 70 do Decreto n. 
3.048/1999 (incluído pelo Decreto n. 4.827, de 2003) determina a aplicação do fator 1,4 ao trabalho 
prestado em qualquer período. 
No entanto, para o período laborado durante a vigência do Decreto 83.080/1979, as duas 
turmas do STJ vinham decidindo que deve ser aplicado como fator de conversão o coeficiente de 
1,2 (de 25 anos para 35 anos) e para o período posterior a 21.7.1992, quando entrou em vigor o 
Decreto n. 611/1992, deve ser utilizado o coeficiente de 1,4 (REsp 601.489/RS, 5ª Turma, Relator 
Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJ 23.4.2007). 
A TNU adotou esse mesmo entendimento até final de setembro/2008 (PU 
2005.72.95.008449-2/SC), quando então reformulou sua jurisprudência ao julgar o Pedido de 
Uniformização 2007.63.06.00.8925-8, na Sessão de 29.9.2008. 
Posteriormente, a 5ª Turma do STJ também revisou sua orientação, ao julgar o REsp 
1.151.652/MG, DJe de 9.11.2009. Na sequência, a regra de conversão pelo critério de 1,4 para 
homem (25 p/ 35 anos) acabou prevalecendo na 3ª Seção do STJ, que julgou o tema em caráter 
repetitivo, pacificando a matéria (REsp – julgado como Repetitivo 1.151.363/MG, 3ª Seção, Relator 
Ministro Jorge Mussi, DJe 5.4.2011). 
Defendemos esta última orientação jurisprudencial, pois, independentemente da época 
trabalhada, o coeficiente matemático que enseja a transformação de 25 para 35 anos é o de 1,4. 
A respeito do tema, a TNU editou a Súmula n. 55 da TNU com o seguinte teor: “A conversão 
do tempo de atividade especial em comum deve ocorrer com aplicação do fator multiplicativo em 
vigor na data da concessão da aposentadoria”. 
Da mesma forma, a Primeira Seção do STJ consolidou essa orientação definindo em 
recurso repetitivo que: “A lei vigente por ocasião da aposentadoria é a aplicável ao direito à 
conversão entre tempos de serviço especial e comum, independentemente do regime jurídico à 
época da prestação do serviço” (REsp 1.310.034/PR, Relator Ministro Hermann Benjamin. DJe 
19.12.2012). 
 
 
 
 
 
 
 
75 
7.11 - A EC n. 103/2019 e as regras de transição para a aposentadoria 
especial 
As regras de transição para a aposentadoria especial foram fixadas pelo art. 21 da EC n. 
103/2019, cujos requisitos contemplam uma soma mínima de idade e tempo de contribuição, além 
de tempo mínimo de trabalho com exposição a esses agentes. 
De acordo com o citado dispositivo, o segurado que tenha se filiado ao RGPS até a data de 
entrada em vigor da EC n. 103/2019, cujas atividades tenham sido exercidas com efetiva exposição 
a agentes nocivos químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses 
agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação, na forma dos arts. 57 e 
58 da Lei n. 8.213/1991, poderá aposentar-se quando o total da soma resultante da sua idade e do 
tempo de contribuição e o tempo de efetiva exposição forem, respectivamente, de: 
I – 66 (sessenta e seis) pontos e 15 (quinze) anos de efetiva exposição; 
II – 76 (setenta e seis) pontos e 20 (vinte) anos de efetiva exposição; e 
III – 86 (oitenta e seis) pontos e 25 (vinte e cinco) anos de efetiva exposição. 
A idade e o tempo de contribuição serão apurados em dias para o cálculo do somatório de 
pontos. E não há qualquer diferenciação entre homem e mulher, sendo exigidos a mesma 
pontuação e o mesmo tempo de atividade especial. 
Sendo assim, a partir da entrada em vigor da EC 103/2019, para condições de trabalho 
menos gravosas (exemplo: exposição ao ruído acima dos limites de tolerância), passou a ser 
exigido um mínimo de 25 anos de atividade especial e a soma de 86 pontos (idade + tempo de 
contribuição). 
Com isso, são necessários 61 anos de idade para se chegar aos 86 pontos somados aos 25 
anos de atividade especial. Ou tempo trabalhado superior a 25 anos para reduzir a idade. Nada 
impede que seja utilizado tempo comum acima dos 25 anos de tempo especial para chegar à 
pontuação necessária. Exemplo: 25 anos de tempo especial + 10 anos de tempo comum + 51 anos 
de idade = 86 pontos. 
Mesmo nas regras de transição, o valor da aposentadoria corresponderá a 60% do valor do 
 
 
 
 
 
 
 
76 
salário de benefício (média integral de todos os salários de contribuição), com acréscimo de dois 
pontos percentuais para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 20 anos de contribuição 
para os homens e de 15 anos para as mulheres. O acréscimo de dois pontos percentuais será 
aplicado a partir dos 15 anos, inclusive para homens, em caso de atividades que geram 
aposentadoria com esse tempo (mineiros de subsolo em frentes de produção). O acréscimo de 
dois pontos percentuais será aplicado a partir dos 15 anos, inclusive para homens, em caso de 
atividades que geram aposentadoria com esse tempo (mineiros de subsolo em frentes de 
produção). O valor da aposentadoria concedida nesses termos poderá ser alterado na forma de lei 
ordinária a ser aprovada pelo Congresso Nacional. 
Logo abaixo seguem duas petições conforme nova legislação. 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 – MODELOS DE PETIÇÕES 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DA VARA ....FEDERAL 
PRIORIDADE IDOSO. 
 XXXXXXXXXX qualificação completa, vem perante Vossa Excelência, por meio de sua 
advogada subscritora, mandato em anexo, endereço no rodapé, ajuizar a presente AÇÃO DE 
CONCESSÃO DE APOSENTADORIA POR IDADE URBANA COM PEDIDO DE TUTELA DE 
URGÊNCIA em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS, autarquia federal, 
localizada na XXXXXXXX pelos fatos e fundamentos abaixo expostos: 
 
 
 
 
 
 
 
77 
DA ANOTAÇÃO NA PRIORIDADE NA TRAMITAÇÃO 
Considerando a idade atual do autor e aplicação do estatuto do idoso, requer peça anotação 
na prioridade na tramitação dos autos, requerendo ainda, a tramitação de urgência nos moldes do 
Estatuto do Idoso, por ser pessoa maior de 65 anos de idade. 
DOS FATOS: 
O autor requereu administrativamente o benefício previdenciário da aposentadoria por idade 
urbana em 03/03/2016. 
No entanto, o INSS mesmo diante de toda documentação apresentada indeferiu o pedido do 
benefício B 31 nº xxxxxxx sob a seguinte alegação: 
“Não comprovação de período de carência, correspondente ao tempo mínimo de 
contribuições mensais indispensáveis para que faça jus ao benefício”. 
O requerente não tinha conhecimento de que a empresa que o emprega desde 1998 não 
recolheu as contribuições previdenciárias, o qual o dever de fiscalizar era do INSS, que falhou não 
podendo o requerente pagar por tamanha desídia da autarquia. 
Assim, vem o requerente pleitear seu justo benefício junto ao Judiciário para corrigir a lesão. 
DAS PROVAS DO LABOR 
 
 
8.1 - DA CTPS 
Conforme demonstra cópia da CTPS ora juntada o requerente adentrou na empresa em que 
até hoje labora em 18/09/1998, tendo a CTPS em perfeito estado de conservação com todas as 
anotações, inclusive de férias! 
Pois bem, a própria Instrução Normativa do INSS nº 77/2015 assim aduz: 
“Art. 10. Observado o disposto no art. 58, a comprovação do vínculo e das remunerações do 
empregado urbano ou rural, far-se-á por um dos seguintes documentos: 
 
 
 
 
 
 
 
78 
I - da comprovação do vínculoempregatício: 
a) Carteira Profissional - CP ou Carteira de Trabalho e Previdência Social - CTPS;” (grifou-se). 
Assim é o entendimento pacífico da jurisprudência: 
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. 
ATIVIDADE ESPECIAL. CONVERSÃO PARA TEMPO DE SERVIÇO COMUM. CTPS. 
PROVA PLENA DE VERACIDADE. AGRAVO LEGAL DESPROVIDO. 1. A contagem do 
tempo de serviço teve por base o reconhecimento em âmbito administrativo dos períodos 
listados às fls. 263 e ss., não sendo o caso de erro material, ou seja, de erro de soma dos 
períodos a ser sanado, mas de reconhecimento pelo INSS da existência de labor nos 
períodos posteriores a 03/11/03, reconhecimento esse que não integrou a controvérsia 
delineada nos autos e sequer foi objeto de contestação, pelo que se admite o fato como 
verdadeiro. 2. Os contratos de trabalho registrados na CTPS, independente de constarem 
ou não dos dados assentados no CNIS, devem ser contados, pela autarquia, como tempo 
de contribuição, a teor do Art. 19, do Decreto 3.048/99 e do Art. 29, § 2º, letra d, da CLT. 
Precedentes desta Corte e do STJ. 3. Agravo desprovido.(TRF-3 - REO: 14932 SP 
2009.61.05.014932-9, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL BAPTISTA PEREIRA, Data 
de Julgamento: 12/07/2011, DÉCIMA TURMA, ) (grifo da subscritora) 
Portanto, a CTPS demonstra que possui a carência necessária, ainda que não tenha havido 
recolhimento das contribuições sociais, gozando a CTPS presunção de veracidade. 
8.2 - DO EXTRATO DO FGTS 
Conforme demonstra o Extrato do FGTS juntado, o requerente é optante desde 18/09/1998 
inclusive pela mesma empresa empregadora, já que anteriormente o requerente laborou apenas no 
campo. 
Ora, o extrato do FGTS é documento oficial do trabalhador, também gozando de presunção 
de veracidade, salvo casos em que seja patente a existência de fraudes, senão vejamos o 
entendimento da jurisprudência: 
PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. REQUISITOS DO 
 
 
 
 
 
 
 
79 
ART. 52 DA LEI 8.213/91. DEMONSTRAÇÃO. DIVERGÊNCIA DE RECOLHIMENTOS NO CNIS. 
IRRELEVÂNCIA. - Trazendo a parte autora elementos capazes de comprovar o tempo de serviço, 
é equivocada a decisão do INSS de suspender o benefício previdenciário. - No que diz respeito à 
comprovação do vínculo empregatício firmado com a empresa ETACQ - CONSTRUÇÕES LTDA, 
no período entre 01/08/1994 a 02/06/1998, entendo satisfatória, com fulcro nos elementos 
colacionados, mormente a anotação na CTPS, as relações de salários de contribuição, as guias de 
recolhimento do FGTS da Caixa Econômica Federal, ficha de registro de empregado, entre outros, 
não havendo a autarquia previdenciária apresentado subsídios hábeis a infirmá-los. - A ausência 
ou divergência de registro de recolhimentos no CNIS, relativos a vínculo empregatício registrado na 
CTPS, não prejudica o direito do trabalhador, devendo o INSS proceder execução das 
contribuições recolhidas a menor ou mesmo em atraso junto ao empregador. - Apelação e remessa 
improvidas.(TRF-5 - AC: 353700 RN 0009587-85.2003.4.05.8400, Relator: Desembargador Federal 
Cesar Carvalho (Substituto), Data de Julgamento: 01/10/2009, Primeira Turma, Data de 
Publicação: Fonte: Diário da Justiça Eletrônico - Data: 28/10/2009 - Página: 100 - Nº: 38 - Ano: 
2009) (grifou-se) 
Além dos documentos anteriormente mencionados há ainda holerites onde consta 
expressamente que o contrato de trabalho do requerente com sua empregadora atual se deu em 
1998, não restando dúvidas da veracidade das informações prestadas pelo requerente, 
infelizmente desprezadas pelo INSS, que sem nenhuma prova em contrário negou o benefício, 
desprezando seu próprio regramento, como já anteriormente mencionado. 
8.3 - DA TUTELA DE URGÊNCIA 
Estão preenchidos os requisitos do art. 300, do CPC que diz: 
Art. 300, do CPC: 
“A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a 
probabilidade do direito do e perigo de dano ou o risco ao resultado útil ao processo” 
Os elementos que evidenciam a probabilidade do direito do autor estão provados tendo em 
vista que a CTPS, o extrato de FGTS, bem como holerites foram juntados aos autos o que 
comprova o direito que lhe cabe a concessão da aposentadoria. 
 
 
 
 
 
 
 
80 
Os requisitos de que haja perigo de dano está caracterizado porque se trata de verba de 
natureza alimentar que está sendo, sendo o autor idoso e necessitando dos proventos da 
aposentadoria para sobreviver. 
Aliás, não há óbice de concessão de urgência para a concessão de aposentadoria por idade 
urbana ou de qualquer outro benefício previdenciário, dado o seu caráter alimentar. 
Senão vejamos: 
PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL - AÇÃO CAUTELAR INOMINADA - 
SUSPENSÃO DE BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO - ALEGAÇÃO 
DE IRREGULARIDADE NA CONCESSÃO - INOBSERVÂNCIA DO DEVIDO PROCESSO LEGAL - 
"FUMUS BONI IURIS" - PRESENÇA - PRETENSÃO DE NATUREZA ALIMENTAR - RISCO DE 
INEFICÁCIA DO PROVIMENTO PRINCIPAL EM CASO DE DEMORA - "Periculum in mora" - 
PRESENÇA - PEDIDO CAUTELAR DEFERIDO PARA O RESTABELECIMENTO DO BENEFÍCIO - 
SENTENÇA MANTIDA. 1. Presentes os requisitos do "fumus boni iuris" e do "periculum in 
mora"representados, o primeiro, por não haver logrado o apelante demonstrar a observância do 
devido processo legal na realização do combatido ato de suspensão; e, o segundo, pela 
possibilidade de ineficácia do provimento principal em caso de demora na prestação jurisdicional, 
haja vista a nítida natureza alimentar da pretensão, deve ser mantida a sentença que julga 
procedente o pedido cautelar de restabelecimento do benefício. 2. Precedente (AC 
1997.40.00.006998-2/PI, Rel. Des. Federal LUIZ GONZAGA BARBOSA MOREIRA, 1ª Turma, DJ 
01/09/2003, p. 52). 3. Apelação e remessa oficial desprovidas.(TRF-1 - AC: 16830 MG 
2004.01.99.016830-2, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ AMILCAR MACHADO, Data 
de Julgamento: 24/03/2008, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: 15/04/2008 e-DJF1 p.66) 
(grifou-se) 
Portanto, é o pedido para concessão liminar da Tutela de Urgência do benefício B 31 nº 
XXXXXXX vez que há probabilidade do direito invocado, e o perigo de dano consistente no fato da 
verba pleiteada tem caráter alimentar. 
8.4 - DO DIREITO 
O INSS ao negar o direito de aposentadoria por idade urbana ao autor age com afronta a lei, 
 
 
 
 
 
 
 
81 
contrariando o que consta nas provas robustas da autora qual seja a CTPS, extrato de FGTS, bem 
como holerites juntados, sendo um direito justo ao recebimento da respectiva aposentadoria. 
Está provado conforme a CTPS do autora que este trabalhou desde o ano de 1998, 
completando pois os requisitos para aposentar-se por idade. 
Não se pode negar ao direito do trabalhador de se aposentar por culpa do empregador uma 
vez que é previsto em lei que o trabalhador devidamente registrado tem direito ao recolhimento 
correto das contribuições previdenciárias e compete ao empregador a função de pagá-las de 
maneira correta. 
O que é injusto é inverter o ônus probandi no sentido de que não contribuiu; se o autor prova 
pela CTPS de que desconhecia a sonegação da sua empregadora, o qual o dever legal de 
fiscalizar era e é do INSS, não podendo o requerente arcar com o ônus que não lhe competia. 
Caso a contribuição realmente não tenha sido feita foi por culpa do empregador e não do 
autor, inclusive sendo crime de sonegação de contribuição previdenciária ou apropriação indébita 
previdenciária a depender do caso concreto que compete a requerida investigar. 
Foi provado pela autora junto ao INSS o tempo exigido em lei, qual seja as 180 
contribuições, através da CTPS e extrato de FGTS. 
Dessa maneira, encontram-se todos os requisitos básicos para a concessão da 
aposentadoria por idade urbana, conforme as exigências legais que são: idade de 65 anos para 
homens e 180 meses de carência para o caso de art. 142, da Lei 8.213/91. 
O autor completou a idade de 65 anos em 02/12/2015e acreditava que poderia desfrutar de 
seu sagrado benefício, no que foi surpreendido pela incapacidade do INSS de arcar com as 
consequências de sua inércia no que tange a fiscalizar, função essencialmente sua. 
Conforme os documentos acostados aos autos o benefício previdenciário somente não foi 
concedido ao autor por falta de carência uma vez que a empresa empregadora deixou de contribuir 
para a previdência social em período de mais de 10 anos! 
Contudo, o autor não tem responsabilidade na falta de pagamento da empregadora sendo 
dever do INSS de cobrá-la judicialmente os valores que entenderem devidos. 
 
 
 
 
 
 
 
82 
Por essa razão o autor tem 180 contribuições de carência, tendo atingido a idade legal, 
sendo direito do autor a concessão da aposentadoria por idade urbana. Requer então a 
procedência da Ação para conceder em caráter definitivo a implantação do benefício B 31 nº 
178.986.707-4 
 8.5 - DO PEDIDO 
 Pelas razões de fato e de direito acima expostas, requer-se: 
A) Que seja deferido os benefícios da justiça judiciária gratuita, nos termos do artigo 12 da 
Lei 1.060/50, por ser pobre na acepção legal, não podendo arcar com as custas do processo sem 
prejuízo do sustento próprio; 
B) Que seja deferido a prioridade na tramitação do processo uma vez que o autor é idosa, 
nos termos do art. 71, da Lei 10.741/2003; 
C) A concessão da Tutela de Urgência em Caráter Antecedente, Inaudita Altera Pars, para 
implantação do benefício B 31 nº 178.986.707-4 no prazo de 30 dias sob pena de multa diária a ser 
arbitrada pelo juízo.: 
D) A procedência total da ação para que seja ao final confirmada a antecipação dos efeitos 
da tutela e julgada procedente o pedido da autora para condenar a ré para que proceda a 
concessão do benefício previdenciário da aposentadoria por idade urbana e pague os retroativos 
devidos desde a data do requerimento 03/06/2016. 
E) A condenação da autarquia ré ao pagamento das custas processuais e dos honorários 
advocatícios no importe de 20% do valor total da condenação nos termos do artigo 85 § 2º do novo 
CPC. 
F) O requerente informa que não há interesse em audiência de conciliação vez que o direito 
em questão exige realização de perícia médica. 
Protesta a autora pela produção de provas por todos os meios em direito admitidos, 
especialmente a oitiva de testemunhas . 
Dá a causa para os efeitos fiscais o valor de R$ 15.840,00 (quinze mil oitocentos e quarenta 
 
 
 
 
 
 
 
83 
reais) 
Termos em que, 
Pede deferimento. 
Data 
Nome 
OAB 
 
EXMO. (A) SR. (A) DR. (A) JUIZ (A) FEDERAL DE UMA DAS VARAS FEDERAIS DA COMARCA 
DE ________________ 
 
8.6 - TUTELA DE URGÊNCIA 
AUTOR, por meio de seu advogado e procurador que esta subscreve in fini, vem à presença 
de V. Excelência com supedâneo no artigo 201, §7º, CF propor a presente AÇÃO 
PREVIDENCIÁRIA PARA CONCESSÃO DE APOSENTADORIA POR TEMPO DE 
CONTRIBUIÇÃO contra INSS – INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, autarquia federal, 
que deverá ser citada através de seu representante legal, na Procuradoria do INSS situada em 
Campinas/SP, Rua Jorge Harrat, 95, Ponte Preta, CEP 13041-550, pelas razões que passa a 
expor. 
8.6.1 - DA JUSTIÇA GRATUITA 
O que se pleiteia com a presente demanda é o benefício de aposentadoria por tempo de 
contribuição, tendo em vista que o autor em idade avançada para o labor, não possui mais 
condições de se manter financeiramente. 
Portanto, com fundamento no art. 98 do NCPC requer seja deferido os benefícios da 
gratuidade judiciária, pois, preenchido o requisito da hipossuficiência financeira atestada em 
declaração anexa. 
 
 
 
 
 
 
 
84 
 
8.6.2 - DOS FATOS 
O requerente é segurado da Previdência Social desde 1979 e permanece nesta qualidade 
até então (CTPS em anexo) contribuindo regularmente como segurado obrigatório, sendo 
empregado do Senai como Técnico de Ensino. 
Possui o seguinte histórico laboral: 
XXXXXXXXX – De 09.10.1978 até 07.08.1981 – Auxiliar Eletricista 
XXXXXXXX – De 28.07.1986 a 30.08.2002 – Engenheiro de Assistência Técnica a 
Coordenador de Projetos de Indução 
XXXXXXXXX– De 10.02.2003 até o momento – Técnico de Ensino 
Durante o pacto laboral, o requerente laborou exposto a agentes insalubres com riscos 
físicos e químicos (ruído e óleo mineral) e perigoso (eletricidade) de forma permanente e habitual 
conforme se infere dos DSS 8030 em anexo e dos laudos técnicos que atestam os períodos de 
09.10.1978 a 07.08.1981 e de 28.07.1986 a 30.08.2002. 
Destarte, buscou junto ao INSS requerer o benefício de aposentadoria por tempo de 
contribuição comprovando o período de labor em tempo especial para conversão em tempo comum 
pelos documentos mencionados acima, e assim, preencher o requisito de 35 anos de tempo de 
contribuição. 
Apresentou como provas documentais as cópias da CTPS, formulários DSS 8030 e laudos 
técnicos, que constatam a exposição habitual e permanente à agentes insalubres físicos e 
químicos (ruído e óleo mineral). 
Contudo, o benefício em questão foi registrado sob o n. XXXXXXXX com data de 
24.10.2016 e em 17.11.2016 o requerente recebeu a decisão da autarquia indeferindo o benefício 
sob o argumento de que o período de 09.10.1978 a 07.08.1981 e de 28.07.1986 a 30.08.2002 não 
fora considerado prejudiciais à saúde do segurado ou à sua integridade física de acordo com a 
conclusão da perícia médica, sendo que o período apurado como tempo comum até aquela data 
 
 
 
 
 
 
 
85 
fora de 33 anos e 17 dias. 
É descabida, entretanto, a justificação apresentada pela autarquia ré para o indeferimento, 
sendo devida a concessão do benefício nas formas da Lei Previdenciária vigente. O segurado 
recorre a esse nobre Juízo para garantir a concessão da aposentadoria por tempo de contribuição 
considerando o período de labor especial conforme farto conjunto probatório nos autos, posto que 
implementou todos os requisitos necessários para o deferimento do pedido administrativo (em 
anexo). 
8.7 - DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS 
Compreende a Seguridade Social um conjunto de ações integradas de iniciativa dos 
Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à 
previdência social e à assistência social, como reza o art. 194 da Carta Maior que tem como 
principal fundamento a dignidade da pessoa humana. 
Com efeito, o art. 201 da CF prescreve a previdência social organizada sob a forma de 
regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o 
equilíbrio financeiro e atuarial, e atender/a, nos termos da lei, em especial, a cobertura dos eventos 
de doença, invalidez, morte e idade avançada. 
Para a concessão de benefícios do RGPS, é necessário o preenchimento de requisitos 
legais tais como, qualidade de segurado, carência e contingência adequada ao benefício requerido. 
É patente nos autos que o requerente possuía a qualidade de segurado no momento do 
requerimento junto ao INSS, vez que mantém vinculo de emprego como Técnico de Ensino no 
Senai (CTPS anexa). 
Quanto a carência exigida no art. 25, II da lei 8.213/91 estava completamente preenchida, 
porquanto a própria autarquia reconhece 33 anos de contribuição, sendo que a carência mínima 
para o benefício em questão é de 180 contribuições. 
Por fim, a controvérsia paira quanto a contingência do labor em ambiente insalubre ou 
perigoso que enseja a conversão do tempo especial em comum de que trata o parágrafo 5º do art. 
57 da lei 8.213/91. 
 
 
 
 
 
 
 
86 
Pois bem. O requerente laborou nos períodos supradescritos sujeitos a condições especiais 
à sua saúde e integridade física nos seguintes termos (DSS 8030 e Laudo Técnico em anexo): 
XXXXXXXXXX – De 09.10.1978 até 07.08.1981 – Auxiliar Eletricista – agente físico – Ruído 
81 a 83 dB (A) – habitual e permanente – atividade perigosa – eletricidade. 
XXXXXXXXXX – De 28.07.1986 a 30.08.2002 – Engenheiro de AssistênciaTécnica a 
Coordenador de Projetos de Indução – agente físico – Ruído 88 a 96 dB (A) – agente químico – 
Óleos Minerais (Análise Quantitativa). 
Com efeito, o segurado laborou em atividade que o submetia de modo habitual e 
permanente, a agentes nocivos à saúde elencados nos Decretos 53.831/64 e n. 83.080/79. O 
enquadramento em tais diplomas perdurou até 05.03.1997, quando passou a ser disciplinado no 
Decreto n. 2172. Por fim, desde 06.05.1999, os agentes nocivos encontram previsão no Decreto 
3.048. Entende que, pelo menos até o advento da lei 9.032/95, que passou a exigir prova de 
efetiva submissão aos agentes nocivos, a comprovação de que seu labor foi especial pode dar-se 
pela apresentação dos formulários DSS 8030 que seguem anexos. 
Demais disso, tem direito adquirido (art. 5º, XXXIV da CF) a ver considerados tais períodos 
como tempo de serviço especial, de acordo com a sistemática vigente à época em que o labor foi 
executado, bem como é possível a conversão do tempo de serviço especial em comum do trabalho 
prestado em qualquer período segundo a Súmula n. 50 da TNU. 
Não se pode olvidar que para verificação do exercício da atividade especial deve-se 
entender por agentes nocivos aqueles que possam trazer ou ocasionar danos à saúde ou à 
integridade física do trabalhador nos ambientes de trabalho, em função de natureza, concentração, 
intensidade e fator de exposição. No caso em tela, o segurado era exposto a agente físico (ruído) e 
químico (óleo mineral). 
Quanto ao ruído, é sobremaneira importante auferir o limite de tolerância segundo as regras 
vigentes na época da exposição segundo a tabela abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
87 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quanto ao período anterior a 05.03.1997, ficou pacificado pelo STJ e também pelo INSS na 
esfera administrativa (IN INSS/DS 57/2001 e posteriores), que são aplicáveis concomitantemente, 
para fins de enquadramento, os Decretos n. 53.841/64 e n. 83.080/79 até 05.03.1997. Desse 
modo, até então, é considerada nociva à saúde a atividade sujeita a ruídos superiores a 80 
decibéis, conforme previsão mais benéfica do Decreto n. 53.831/64. Nesse sentido também já 
houve manifestação da TNU: 
“UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TEMPO ESPECIAL. RUÍDO ACIMA DE 80 
DB. PROVIMENTO. I – A jurisprudência da 3ª Seção do STJ, bem como esta Turma 
Nacional (Súmula 32) admite, por força da repristinação do Anexo do Decreto n. 53. 831/64 
pelo art. 294 do Decreto n. 357/91, a contagem, como especial, do labor despenhado sob o 
ruído acima de 80 dB, desde que prestado até 05.03.1997. II – Pedido de Uniformização 
conhecido e parcialmente provido (PU n. 2005.83.20.009948-4/PE, Rel. Juiz Federal 
Edilson Pereira Nobre Júnior, Turma Nacional de Uniformização, Unânime, DJU 
18.12.2006 – grifos nossos).” 
Observando a tabela abaixo, aplicam-se os limites ao labor do segurado nos seguintes termos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
88 
 
Período Exposição Limites 
De 09/10/1978 a 
07/08/1981 
Ruído 81 a 83 dB (A) Ruído superior a 80 dB – 
Anexo I Decreto n. 
53.831/64 
De 28.07.1986 a 
30.08.2002 
Ruído 88 a 96 dB (A) Ruído superior a 90 dB – 
Anexo IV do 
Decreto 2.172/97 e 
Anexo IV do 
Decreto 3.048/99 
 
Não se pode olvidar ainda que durante o segundo contrato de trabalho do segurado com a 
empresa XXXXXXX, que perdurou de 28.07.1986 a 30.08.2002, havia a exposição ao agente 
insalubre químico, Óleo Mineral que consta no anexo IV do Decreto 3.048/99. Do mesmo modo, 
deve ser considerado o labor perigoso, expondo a vida do segurado de forma permanente e 
habitual, o fato de trabalhar com eletricidade no período de 09.10.1978 a 28.07.1986 como 
descreve o DSS 8030 em anexo. 
Sendo assim, a soma do período especial a ser considerado para fins de conversão é de 18 
anos e 11 meses de labor com exposição à agentes nocivos à saúde ou à integridade física do 
trabalhador. Considerando o fator 1,4 nos termos do parágrafo 2º do art. 70 do Decreto 3.048/99, 
tem-se o seguinte cálculo convertendo o tempo especial em comum: 
Tempo de Trabalho 
Especial 
Fator de Conversão Resultado 
18 anos e 11 meses 1,4 25,354 
 
Infere-se do resultado a soma de 25 anos e 3 meses de labor convertido de tempo especial 
para comum, que, somado ao atual vínculo de emprego do requerente junto ao Senai, cuja 
admissão se deu em 10.02.2003 e soma mais de 10 anos de vínculo, atualmente o segurado conta 
com 39 anos e 1 mês de tempo de contribuição, preenchendo a contingência do benefício 
requerido que é de 35 anos de contribuição. 
 
 
 
 
 
 
 
89 
Pelo exposto acima, requer seja julgado PROCEDENTE o pedido para condenar a autarquia 
ré na implementação do benefício de Aposentadoria por Idade Urbana com o pagamento do salário 
benefício observada a regra do art. 50 da lei 8.213/91 com data de início para pagamento em 
24.10.2016, quando fora requerido o benefício administrativamente. 
DA TUTELA DE URGÊNCIA 
Segundo o art. 300 do NCPC, os requisitos para concessão da tutela de urgência 
antecipada são: a) existência de elementos que evidenciam a probabilidade do direito; b) perigo de 
dano ou risco ao resultado útil do processo. 
In caso, os elementos de probabilidade do direito repousam na comprovação do período de 
carência exigido por meio da CTPS, dos DSS 8030 de ambos os vínculos em que o requerente 
laborou exposto à agentes nocivos à sua saúde e integridade física, ambos carreados nos autos. 
De se firmar que segundo as regras do art. 52 c/c parágrafo 5º do art. 57 da lei 8.213/91 
para concessão da aposentadoria por idade, estão, no caso em tela, todas devidamente 
comprovadas, sendo a idade e o período de carência. 
Outrossim o caráter alimentar da verba pretendida é motivo do perigo de dano, vez que se 
busca meios de subsistência por meio de benefício previdenciário devido quando preenchida a 
contingência e regras de concessão. 
Afim de evitar lesão ao sustento da segurada, bem como danos de difícil reparação, requer 
seja concedida a tutela de urgência antecipada compelindo a autarquia ré na implementação do 
benefício de aposentadoria por tempo de contribuição somado ao tempo especial, fixando 
astreintes que entender cabível em caso de descumprimento. 
DA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS 
Fora requerido o benefício em questão na via administrativa (XXXXXXXXX) e, para tanto, a 
autora teve de anexar documentos originais os quais requer o acesso e disponibilização pela 
autarquia ré. Os documentos são declarações de antigos empregadores, exames médicos, 
documentos pessoais e outros que compreendem todo o procedimento administrativo da autarquia. 
Assim, com fulcro no art. 396 e 400 do NCPC, requer que a ré traga nos autos todos os 
 
 
 
 
 
 
 
90 
documentos acima descritos e outros pertinentes ao procedimento administrativo que resultou no 
benefício de n. XXXXXXXX. 
DOS REQUERIMENTOS 
Em face do exposto, requer-se a V. Excelência: 
A concessão da TUTELA DE URGÊNCIA ANTECIPADA, para compelir o INSS à 
implementação do benefício de APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO COM 
TEMPO ESPECIAL, pois preenchido os requisitos do art. 300 do NCPC. 
A citação do INSS para que, querendo, responder à presente demanda, no prazo legal, 
advertindo-se, em caso de inércia, será aplicada a revelia e seus efeitos jurídicos. 
A determinação ao INSS para que, na primeira oportunidade em que se pronunciar nos 
autos, apresente o Processo de Concessão do Benefício Previdenciário para apuração dos valores 
devidos à Parte Autora, conforme determinado pelo art. 11 da lei 10.259/01, sob pena de 
cominação de multa diária, nos termos do art. 139, IV do CPC/2015. 
A PROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO DEDUZIDA, consoante o narrado nesta inicial, 
condenando-se o INSS a conceder o benefício de APOSENTADORIA POR TEMPO DE 
CONTRIBUIÇÃO COM TEMPO ESPECIAL à Parte Autora, com data de início a contar do 
requerimento administrativo DER em 24.10.2016. 
A condenação do INSS ao pagamentodos valores acumulados desde a concessão do 
benefício à Parte Autora, acrescidos de correção monetária a partir do vencimento de cada 
prestação até efetiva liquidação, respeitada a prescrição quinquenal, adotando-se, como critério de 
atualização, o INPC (conforme o art. 31 da lei 10.741/2003, combinado com a lei 11.430/2006, 
precedida da MP 315/2006, que acrescentou o art. 41-A à lei 8.213/91, e REsp 1.103.122/PR). 
Requer-se ainda a aplicação dos juros de mora a serem fixados à Taxa de 1% ao mês, a contar da 
citação, com base no art. 3º do Decreto-lei n. 2.322/87, aplicável analogicamente aos benefícios 
pagos com atraso, tendo em vista o seu caráter alimentar. 
A condenação do INSS ao pagamento de custas, despesas e de honorários advocatícios, na 
base de 20% sobre a condenação, conforme dispõe o art. 85 e seguintes do NCPC. 
 
 
 
 
 
 
 
91 
A concessão dos benefícios da Justiça Gratuita nos termos da fundamentação. 
Protesta provar o alegado, por todos os meios de prova admitidos em direito em especial, 
provas documentais que seguem anexo, sem prejuízo de outras que se fizerem necessárias 
durante a instrução processual. Requer ainda seja a reclamada compelida a trazer nos autos todos 
os documentos inerentes ao benefício de n. XXXXXXXX sob pena de confissão nos termos do art. 
396 e 400 do NCPC. 
Por derradeiro, requer-se com base no parágrafo 4º do art. 22 da lei 8.906/94, que, ao final 
da presente demanda, caso sejam encontradas diferenças em favor da autora quando da 
expedição da RPV ou do precatório, os valores referentes aos honorários contratuais (contrato de 
honorários em anexo) sejam expedidos em nome de ADVOGADO E OAB, no percentual de 20% 
conforme contrato anexo, sem prejuízo dos eventuais honorários de sucumbência. 
Dá-se a causa o valor de R$ 1.000,00 (um mil reais) para fins fiscais. 
Termos em que 
Pede deferimento 
Local de Data 
Advogado e OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
92 
9 – BIBLIOGRAFIA 
 
MARTINS, Sergio Pinto. Op. cit., pp. 272-273. 
 
SAVARIS, José Antonio. Curso de perícia judicial previdenciária. São Paulo: Conceito Editorial, 
2011, p. 29. Decisão na íntegra em: <http://www.conjur.com.br/2005-jul- 
01/stf_suspende_medida_provisoria_auxilio-doenca?pagina=7>. Acesso em 9 out. 2016. 
 
MARTINS, Sergio Pinto. Op. cit., p. 274. 
 
RUSSOMANO, Mozart Victor. Comentários à Consolidação das Leis da 
Previdência Social. 2. ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 1981, p. 135. 
 
 
MARTINEZ, Wladimir Novaes. CD – Comentários à Lei Básica da Previdência Social. Brasília, 
Rede Brasil/LTr, fev./1999. 
 
 
COIMBRA, J. R. Feijó. Direito previdenciário brasileiro. 7. ed., Rio de Janeiro: Edições 
Trabalhistas, 1997, p. 121. 
 
 
 
 
http://www.conjur.com.br/2005-jul-01/stf_suspende_medida_provisoria_auxilio-doenca?pagina=7
http://www.conjur.com.br/2005-jul-01/stf_suspende_medida_provisoria_auxilio-doenca?pagina=7

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