Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

FOTOGRAFIA E SUA IMPORTÂNCIA HISTÓRICA
· Aula 1 - História da fotografia
· Aula 2 - Fotografia e memória
· Aula 3 - A fotografia como documento
· Aula 4 - A fotografia como arte
· Aula 5 - Revisão da unidade
· Referências
INTRODUÇÃO
Caro estudante, vamos falar sobre a história da fotografia e sua influência mundial, portanto, vamos conhecer como a imagem fotográfica foi criada por meio de experimentos químicos e como as câmeras foram se adaptando à tecnologia de seu tempo.
Para melhor compreensão vamos abordar quem foram os inventores que se tornaram os primeiros fotógrafos e qual a sua contribuição para a evolução tecnológica das câmeras. Você também vai conhecer um pouco sobre o primeiro fotógrafo no Brasil e como ele criou o termo “fotografia” antes mesmo dos europeus, apesar de que seu nome só veio a ser descoberto 150 anos depois.
Queremos convidar você a conhecer as técnicas utilizadas durante décadas e que, ainda hoje, podem ser recriadas de muitas maneiras em seu cotidiano profissional como fotógrafo.
Bons estudos!
A FOTOGRAFIA E AS SUAS TRANSFORMAÇÕES
Da câmera escura até as digitais, foram muitas as transformações na fotografia, chegando ao desenvolvimento das pequenas lentes acopladas em smartphones. Ao pensar em fotografia, precisamos entender que ela é o resultado de duas técnicas: a ótica (câmera escura) e a química (fotossensibilidade).
A câmera escura é uma caixa com um orifício em um dos lados, e quando a luz entra pelo orifício reflete o objeto externo dentro da caixa, porém a imagem fica invertida. Já a fotossensibilidade é a propriedade sensível de um objeto à luz a partir de um material que tenha alta sensibilidade à luz. Por exemplo, os sais de prata em contato com um papel branco transformam o papel em fotossensível e, quando exposto à luz, reproduz o que for refletido nele.
Figura 1 | Câmera escura
Fonte: Wikipédia Commons.
Durante muitos anos, cientistas, químicos e astrônomos utilizaram a câmera escura apenas como instrumento para observações astrológicas e experimentos. A partir do século XVI, a câmera escura também começou a ser utilizada por artistas para gravar imagens em papéis finos, como o vegetal, para em seguida transferir em telas ou outros materiais utilizados.
Mas foi a partir do século XIX que os experimentos com químicos passaram a ser utilizados. A primeira fotografia que se tem notícia foi tomada pelo inventor Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833), datada em 1826. Ao sobrepor betume da Judeia em uma placa de estanho dentro de uma câmera escura e deixar em exposição por 8 horas, ele conseguiu reproduzir a vista da janela de sua casa, um processo denominado como heliografia.
Em 1839, Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851) divulgou pela primeira vez o daguerreótipo, um processo que deixava as fotografias mais detalhadas e que não precisava de tanto tempo de exposição, sendo que em alguns segundos a imagem exposta já era fixada em uma placa de cobre revestida por uma camada de prata iodada. A primeira fotografia com pessoas foi produzida por Daguerre em 1838, antes de tornar público o seu experimento.
Figura 2 | Daguerreótipo
Fonte: Wikipédia Commons.
Já no Brasil, o inventor francês radicado em Campinas, Hercule Florence (1804-1879), isoladamente criou o termo “fotografia” enquanto fazia experimentações com nitrato de prata e a câmera escura em 1832. Contudo, o termo criado por Florence foi descoberto 150 anos depois, e após um manuscrito ser detalhadamente examinado por Boris Kossoy, pesquisador e fotógrafo brasileiro, trazendo tardiamente sua importância para a história da fotografia. Antes dessa descoberta, a criação do termo photography era atribuída ao inglês John Herschel.
A partir de 1900, as câmeras portáteis começaram a ser comercializadas e o aparelho chegava nas casas das pessoas que podiam pagar pelo custo, não só da câmera como da revelação. A Kodak foi a primeira a criar as câmeras de baixo custo.
Em 1947, a Polaroid criou as primeiras câmeras instantâneas, nas quais bastava clicar e a foto já saía impressa para a pessoa que a tirava. Essas câmeras se popularizam na década de 1950 e 1960, para logo perder seu lugar às câmeras digitais em meados da década de 1970. A primeira câmera digital profissional também é da Kodak, o modelo DCS SLR começou a ser comercializado em 1991 e nove anos depois o primeiro celular com câmera foi apresentado a população.
A tecnologia, depois da industrialização, passou a crescer rapidamente e, por conseguinte, a fotografia acompanhou essa evolução, trazendo cada vez mais tecnologia para as mãos dos fotógrafos e praticamente a todas as pessoas interessadas.
OS PRIMEIROS FOTÓGRAFOS
Mas afinal, quem foram os primeiros fotógrafos?
Como você pôde perceber, as primeiras fotografias foram resultado de experimentos químicos durante o século XIX na Europa. O francês Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833) era inventor e trabalhava quimicamente com a câmera escura desde 1793 até obter, com êxito, a primeira imagem fixa, em 1826, com o processo de heliografia. Já Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851) era inventor, físico, pintor e cenógrafo e patenteou o daguerreótipo em 1835.
Apesar de ambos obterem êxito em gravar uma imagem fixa, ainda haveria outros experimentos que trariam outras descobertas para o mundo da fotografia. Enquanto o método de Niépce (1765-1833) não trazia nitidez na imagem, o daguerreótipo de Daguerre (1787-1851) trouxe a nitidez que faltava na heliogafia.
Figura 3 | Vista da janela, Joseph Nicéphore Niépce, 1826
Fonte: Wikipédia Commons.
Figura 4 | Zachary Taylor, retrato de Mathew Brady com o daguerreótipo
Fonte: Wikimedia Commons.
Em 1835, na Inglaterra, William Henry Fox Talbot (1800-1877) consegue reproduzir um negativo com papel e composto de prata. Porém, alguns anos depois, Talbot descobre o processo negativo/positivo, em que uma única imagem negativa geraria infinitas cópias positivas e, em 1844, ele lança “The pencil of Nature”, o primeiro livro ilustrado com fotografias.
A partir de 1840, o daguerreótipo começou a ser apresentado em outras localidades, chegando ao Brasil pelas mãos de Louis Compte (1798-1868), abade francês que pretendia registrar suas viagens com o equipamento.
Mas o que ele não sabia é que na Vila de São Carlos (Campinas), Província de São Paulo, um outro francês estava fazendo experimentos com a câmera escura e nitrato de prata. Hercule Florence (1804-1879), isolado no Brasil e alheio às descobertas na Europa, conseguiu realizar de forma precária – porém com sucesso – a sua primeira imagem fixa no papel: a janela aberta de sua casa (KOSSOY, 2020, pp. 186-187).
O pesquisador Kossoy (2020) fez toda uma pesquisa sobre a vida do francês e traduziu seus manuscritos e diários, trazendo à tona o pioneirismo da descoberta da fotografia no Brasil. Quando descobriu sobre Daguerre e seu daguerreótipo, Hercule Florence ficou devastado porque ele não conseguiu apresentar seus experimentos fora de Campinas. Na época, a cidade tinha apenas dois jornais, o que o deixava isolado do resto do mundo.
Com suas descobertas, cada um à sua maneira, os primeiros fotógrafos tornaram possível o que ninguém imaginava: congelar o tempo. Os retratos que outrora eram pinturas passaram a ser fotografias. Quem adquiria um equipamento como o daguerreótipo e começava a trabalhar como fotógrafo retratava não só as pessoas de uma época, mas a vida cotidiana de seu tempo. Com o passar dos anos, essas imagens se tornaram testemunhas de um passado, fatos históricos deixados para a posteridade e passíveis de serem pesquisados.
Como podemos observar, caro estudante, o fotógrafo é uma peça importante na tomada de uma imagem. Para o historiador Maurício Lissovsky, “a foto oscila entre aquilo que lhe escapa e isto que nela se infiltra” (2014, p. 20) e isso depende do olhar e da intenção daquela pessoa que segura a câmera.
A FOTOGRAFIA PÓS-REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Com o advento da Revolução Industrial (1740-1850), a tecnologia começou a avançar com uma velocidade impressionante. Se antes, para tomar uma foto o equipamentoutilizado precisava ficar horas em exposição, com a criação das primeiras câmeras portáteis e os filmes, a fotografia se tomava em segundos com um único clique.
Se antes da Revolução Industrial as primeiras fotografias já impressionavam por sua nitidez, após os avanços técnicos das câmeras fotográficas as imagens melhoravam cada vez mais nesse quesito. Walter Benjamin (1892-1940) escreveu em seu ensaio “Pequena história da fotografia” que as pessoas tinham receio em olhar as fotografias de retrato que o daguerreótipo tomava porque a nitidez da imagem as assustava (2012, p. 95).
Portanto, quando a fotografia se popularizou e as câmeras se tornaram menores e mais leves, a venda delas aumentou. Isso fez com que a população, que outrora pagava para alguém fotografá-la, adquirisse o hábito de testemunhar e registrar o seu dia a dia.
A Kodak tinha como slogan a frase “Você aperta o botão, nós fazemos o resto”, pois as câmeras vinham com um filme de 100 poses e, depois de usá-lo completamente, enviava-se a câmera para a empresa para revelar e reabastecer com um novo filme.
No gatilho da popularização, as fotografias se tornaram documentos sociais e culturais de uma comunidade. Para Boris Kossoy (2014):
Paralelamente ao desejo do indivíduo em ver sua própria imagem perpetuada através do retrato fotográfico, uma verdadeira indústria de imagens se desenvolveu em função de um vasto mercado internacional, ávido por consumi-las. 
(KOSSOY, 2014, p. 150)
Após as fotografias começarem a ser utilizadas pelos meios de comunicação, mais precisamente a partir de 1880, as imagens passaram a transmitir os fatos da história do cotidiano, desenvolvendo em larga escala a indústria da imagem em função da sociedade de consumo.
Desde a primeira imagem tomada por Niépce (1765-1833) em 1826 na França, a fotografia se tornou documento da vida histórica de seu autor, já que ela é forma de expressão da vida a partir daquela realidade.
Nessa perspectiva, caro estudante, quando fazemos valer nosso direito de tomar uma fotografia, estamos congelando a história no tempo. Isso vale para que, em algum momento do futuro, antropólogos, historiadores, etnógrafos, cientistas sociais, entre outros, possam pesquisar e interpretar aquela imagem de alguma forma.
Não podemos esquecer que uma imagem é a visão do fotógrafo que tem um propósito naquela fotografia, e quando ela for vista e interpretada por outra pessoa em outro momento, esse intérprete terá outra maneira de pensar aquela imagem. A reconstrução histórica a partir da iconografia, assim como a verdade, tem várias facetas (KOSSOY, 2014).
Ao analisarmos uma fotografia, seja ela qual for, precisamos também saber quem foi o fotógrafo por trás daquela imagem. Talvez não seja possível chegar ao mesmo ideal que ele, mas, pelo menos, saberemos as condições com que o fotógrafo tomou aquela imagem.
VIDEO RESUMO
Olá, estudante, neste vídeo você verá as principais etapas da evolução fotográfica e quem foram os primeiros fotógrafos e os inventores das primeiras imagens fixas. Também veremos como o francês Hercule Florence foi pioneiro em sua descoberta, mesmo isolado na Vila de São Carlos (Campinas). Todos esses experimentos foram cruciais para que a fotografia tomasse forma e se fixasse como uma das maiores invenções do século XIX.
 
Saiba mais
Caro estudante, no livro Diálogo/Fotografia, você encontrará uma correspondência entre os dois autores, no qual explicam seus pensamentos acerca da fotografia, fazendo com que o diálogo a dois possa ocorrer também com o leitor. Dessa forma, buscam questionamentos desde sua história e como a fotografia tornou-se documentação, mas também arte. 
Caro estudante, no livro Fotografia, de Paulo Cesar Pereira, você consegue encontrar mais detalhadamente a história da fotografia, no capítulo intitulado “História e áreas de atuação”. Também é importante entender o contexto histórico em que a fotografia surgiu e como se deu sua popularização após a Revolução Industrial (1740-1850).
INTRODUÇÃO
Caro aluno,
Nesta aula, estudaremos a importância do valor iconográfico da fotografia para a vida social e para a história da arte, observando três imagens tomadas durante as guerras em diferentes períodos.
Também veremos como os álbuns de família são importantes para a criação de uma identidade e, também, a sua representação para as gerações posteriores.
Abordaremos como foi a chegada da fotografia ao Brasil e como o equipamento transformou a vida social de sua época. Falaremos sobre os primeiros cientistas que vieram ao país fazer pesquisas etnográficas e antropológicas e entenderemos a visão estereotipada que o exterior tem das terras tupiniquins.
Bons estudos!
A IMPORTÂNCIA DA FOTOGRAFIA NO COTIDIANO
Após as primeiras descobertas acerca da fotografia e sua popularização, cada vez mais percebemos ela sendo utilizada como uma forma de perpetuar um momento. Podemos tomar como conhecimento da importância do valor iconográfico de uma foto ao pensar que, no final do século XIX e começo do século XX, as famílias tinham o hábito de fotografar seus mortos para se ter uma lembrança deles.
Mesmo que o processo fotográfico do daguerreótipo fosse caro para muitas pessoas, pedir uma tela de seu familiar a um pintor era bem mais caro. Então, muitos fotógrafos começaram suas carreiras fotografando pessoas mortas.
Quando pensamos, caro estudante, que o tempo é efêmero e que um clique da câmera fotográfica fará com que esse momento se torne eterno, temos noção da revolução que foi a descoberta do processo fotográfico.
Assim, dentro das residências, a imagem fotográfica tomou a importância de memória no núcleo familiar. Quando as fotos não estão expostas em porta-retratos ou quadros na sala, elas eram guardadas em álbuns, esperando por um momento especial para serem expostas.
O álbum de família só foi possível a partir da comercialização da câmera portátil, com preço acessível e de tamanho leve, proposto pela empresa de George Eastman (1854-1932), a Kodak, a partir de 1895. A empresa norte-americana tinha o slogan “Aperte o botão que nós fazemos o resto”, assim a massificação das imagens se tornou presente na vida das pessoas, servindo para testemunhar a vida familiar: amizades, namoros, casamentos, nascimentos, batizados, o crescimento dos filhos e perpetuar a vivência e a felicidade da rotina cotidiana, moldando, assim, gerações inteiras de um núcleo familiar.
E, no Brasil, como se propagou a fotografia?
Lembremos que, apesar do pioneirismo de Hercule Florence (1804-1879) nas terras tupiniquins, a fotografia foi importada da Europa. Tanto os cientistas quanto os primeiros equipamentos saíram da França. O daguerreótipo, por exemplo, chegou ao Brasil em 1840, trazido pelo francês Louis Compte (1798-1868), que apresentou o maquinário a D. Pedro II (1825-1891). A partir de então, a fotografia passou a fazer parte da construção do país.
Figura 1| D. Pedro II, retrato de 1848, tomado com um daguerreótipo
Fonte: Wikimedia Commons.
Além dos retratos, outros temas eram registrados por fotógrafos, como, por exemplo: obras das estradas de ferro, agricultura, industrialização e transformações urbanas, para citar algumas. Essas imagens eram tomadas por fotógrafos que moravam no Brasil.
Porém, o ideário cientificista que dominou o Brasil a partir de 1870, no qual prevalecia a mentalidade abolicionista e republicana, trouxe ao país pseudocientistas que se valeram da fotografia etnográfica e de teorias como o darwinismo social, evolucionismo social e o positivismo para investigar e documentar a população brasileira. Assim, as imagens tomadas pelos europeus de negros e indígenas, por exemplo, era a visão de fora do país, de quem via o Brasil como “exótico”.
Para além da questão racial, havia um estereótipo de que o Brasil era dominado pela paisagem natural. As palmeiras imperiais, as araucárias e a natureza selvagem se tornaram símbolos iconográficos do país no exterior. Essa visão começou a se transformar quando fotógrafos começaram a buscar outros componentes simbólicos para representar o Brasil além-mar.A FOTOGRAFIA CHEGA AO BRASIL
Em meados do século XIX, com a aprovação da utilização da fotografia pela Sociedade Etnológica de Londres em conjunto com a Associação Britânica para o Avanço da Ciências e com a intenção de criar o Manual de Investigação Etnológica, em 1852, a fotografia etnológica se tornou um estilo muito popular entre os cientistas.
A ideia era viajar pelo Ocidente, Oriente Médio e Ásia e fotografar os povos daqueles lugares. Os “fotógrafos comercializavam imagens exóticas e apelativas de não europeus, enquadradas nos gêneros da etnografia e do paisagismo” (HACKING, 2018, p. 137). Portanto, esse estilo de iconografia teve um valor muito grande na época, sendo que essas imagens se tornariam cartões postais ou de visitas e álbuns de fotografias.
Já no fim do século XIX e começo do século XX, os antropólogos começaram a se desvincular das representações etnográficas e iniciaram trabalhos in loco, ou seja, eles viviam e observavam os povos no seu cotidiano. Um antropólogo que fez esse trabalho, no Brasil, foi o francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Sua primeira visita ao Brasil data de 1935, quando ele chegou com uma comitiva francesa para a criação da Universidade de São Paulo. Durante sua estadia no país, fez várias viagens e pesquisas etnológicas com alguns povos indígenas, entre eles o da etnia Bororo, que resultou em um livro.
Figura 2| Etnia Bororo, fotografia de Claude Lévi-Strauss
Fonte: Wikimedia Commons.
Apesar das pesquisas etnográficas do final do século XIX e começo do século XX, a fotografia se tornou importante para documentar os processos de urbanização e industrialização no Brasil, porém sem perder o interesse pelo retrato fotográfico.
A iconografia brasileira se valeu de fotógrafos estrangeiros que nos legaram a documentação de diferentes regiões brasileiras. Do Nordeste, o alemão Augusto Stahl (1828-1877) fixou em imagens os aspectos urbanos de Recife, as paisagens do interior de Pernambuco, além da instalação das ferrovias nessa região.
Já o francês Victor Frond (1821-1881), permaneceu no Rio de Janeiro e no interior da província, além da Bahia. Suas fotografias se tornaram conhecida na Europa e deu origem ao livro “Brasil pitoresco”, impresso em 1859. Isso para citarmos apenas dois, dos vários fotógrafos europeus que registraram a história urbana do país.
Boris Kossoy escreve que a “fotografia é memória enquanto registro da aparência dos cenários, personagens, objetos e fatos […]” e que a fotografia também “[…] tem se prestado, desde sua invenção, ao registro amplo e convulsivo da experiência humana” (KOSSOY, 2014b, pp. 131-132).
Portanto, quando, finalmente, surge a câmera portátil, no final do século XIX, com a fundação da Kodak, não surpreende o fato da expansão do fotoamadorismo no mundo. As câmeras começam a entrar nas casas das pessoas e fazer parte de seu cotidiano. No Brasil, essa popularização não foi diferente.
Podemos pensar que os álbuns de família não são documentos históricos, mas fazem parte da narrativa social de uma comunidade. Como essa família vivia, suas vestimentas, a organização familiar, as imagens expõem a história daquele grupo de pessoas, na época em que aquela fotografia foi tomada.
Essas imagens existem porque aqueles momentos sociais foram importantes para aquele núcleo familiar. Portanto, essas fotografias são documentos de memória para esse grupo de pessoas.
Não podemos pensar que, por não ser uma foto histórica, uma imagem não tem importância social na história da fotografia. Toda imagem é memória e toda memória é importante para alguém.
O VALOR DA IMAGEM PARA A VIDA SOCIAL
A Biblioteca Nacional, no Brasil, possui em seu acervo cerca de 23 mil fotografias doadas em testamento por D. Pedro II, intitulada “Collecção D. Thereza Christina Maria”. Essas imagens retratam o Brasil do século XIX e ilustram o valor iconográfico da fotografia, já que sem elas não poderíamos saber como as pessoas da época viviam, como se vestiam ou como era seu cotidiano, além de termos registrado a fauna e flora do país no momento em que as fotos foram tiradas.
Sabemos, caro estudante, que uma foto não se toma sozinha. Para que se tenha uma imagem, é necessário o fotógrafo com seu equipamento e o tema para registrar.
Com o decorrer dos anos, o registro fotográfico foi diversificando seus temas conforme a época. E, para o fotógrafo “tirar fotos serve a um propósito elevado: desvelar uma verdade oculta, conservar um passado em via de desaparecer” (SONTAG, 2004, p. 71). Como já mencionado, o tempo é efêmero, é memória, e sua existência não pode se repetir. E aí é que entra a fotografia e sua mágica em congelar o tempo, perpetuar o agora para a posteridade.
Quando nos deparamos com imagens de algum passado que não é o nosso e vamos em busca de seu significado e de sua época, podemos “viajar” naquela realidade e transformar a nossa própria realidade. Mas como que isso acontece?
Se pegarmos de exemplo duas imagens de guerra (imagens 3 e 4), em diferentes períodos e localidades, o que podemos saber apenas de olhar as fotografias? O que podemos buscar de conhecimento por meio delas? Quem são essas pessoas, de onde elas são, como estão sobrevivendo por esse período? Não temos como saber exatamente tudo, mas podemos encontrar algumas respostas.
Figura 3| Mulher trabalhando durante a Primeira Guerra Mundial
Fonte: Wikimedia Commons.
Figura 4| Soldado em Okinawa (1945)
Fonte: Wikimedia Commons.
O que precisamos entender, caro estudante, é que o fotógrafo não é apenas uma pessoa que aperta um botão e toma a foto. Ele também escreve uma história por meio de imagens, perpetua no tempo a história de uma outra pessoa ou a de uma comunidade, de um lugar, de um país.
Ainda buscando um exemplo de guerra, podemos observar na Figura 5 o hasteamento da bandeira norte-americana em Iwo Jima, em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial. O fotógrafo Joe Rosenthal (1911-2006) ganhou o prêmio Pulitzer com essa fotografia. Mas poucas pessoas querem saber o que aconteceu por trás dessa foto.
Figura 5 | Hasteamento da bandeira norte-americana em Iwo Jima (1945)
Fonte: Wikimedia Commons.
O hasteamento da bandeira precisou ser feito às pressas porque as tropas norte-americanas estavam sendo atacadas pelos japoneses e o fotógrafo quase não conseguiu registrar o momento. É um fato importante ir atrás da história de como uma imagem foi tomada.
O historiador Boris Kossoy escreveu que “as fantasias da imaginação individual e do imaginário coletivo adquirem contornos nítidos e formas concretas através do chamado testemunho fotográfico” (2016, p. 139). Portanto, cada vez que observamos uma imagem e imaginamos como ela foi tomada, quando e em quais circunstâncias, estamos sendo instigados pela fotografia a conhecer mais sobre a vida que nos rodeia.
Assim, acredito que o fotógrafo também faz história e traz um valor iconográfico não só para a história da fotografia, mas também para a vida social.
VÍDEO RESUMO
Caro estudante, nesta videoaula vamos identificar e nos aprofundar nos conceitos por meio das fotografias registradas por diferentes fotógrafos e como essas imagens foram importantes testemunhos de suas épocas.
Observaremos as fotografias tomadas no Brasil, no final do século XIX, e como os fotógrafos estrangeiros ajudaram a criar uma visão estereotipada do país, incluindo os cientistas com a etnografia.
Bons estudos!
 
Saiba mais
No artigo A fotografia como objeto de recurso de memória, Samain e Felizardo escrevem sobre o advento da fotografia digital e discutem o valor e o uso da fotografia como portadora de memória.
Já Márcia Elisa Rendeiro, no artigo Álbuns de Família – Fotografia  memória: identidade e representação busca trazer a importância dos álbuns de família para a memória do núcleo familiar e suas representações.
Para finalizar, sugerirmos, também, o artigo Hastamento americano: A história por trás de uma das fotos mais famosas da Segunda Guerra, que aborda a história por trás do hasteamento da bandeira em Iwo Jima (1945).
Boa leitura! 
INTRODUÇÃO
Caro aluno,
Nesta aula, abordaremossobre a fotografia jornalística e a fotografia documental e buscaremos entender o valor histórico das imagens dentro de cada uma dessas vertentes.
Também estudaremos sobre como a fotorreportagem começou a fazer parte dos meios de comunicação e quais são as diferenças e similaridades com a fotografia documental, trazendo características de cada uma delas.
Vamos entender como o fotodocumentarismo surgiu a partir do pensamento crítico social dos fotógrafos depois do advento da Revolução Industrial e como as sociedades começaram a se transformar e, com isso, a técnica fotográfica também. 
Bons estudos!
 A FOTOGRAFIA DOCUMENTAL E O FOTOJORNALISMO
A partir da segunda metade do século XIX, caro estudante, surge uma nova tradição fotográfica. O valor documental da fotografia vai estabelecer-se a partir dos fatos históricos registrados pelos fotógrafos de sua época.
Com o passar dos anos, a evolução dos equipamentos e das técnicas de revelação foram se modificando e ficando cada vez menores e mais rápidas. Fotógrafos começaram a entender que a fotografia poderia ser utilizada como fonte histórica.
O que não podemos deixar de ressaltar é que toda imagem é produto de construção de sentidos e significados daquela pessoa que toma e perpetua a imagem, e que as fotografias “refletem visualmente valores ideológicos, idealizações e sistemas estéticos e éticos de grupos sociais” (SÔNEGO, 2010, p. 118).
A fotografia documental é fidedigna com a realidade do momento em que foi tomada, podendo ter, por parte do fotógrafo, liberdade criativa, podendo interromper o tempo da feitura da imagem, ter expressão artística e mais planejamento.
Então, caro estudante, você pode estar se perguntando: mas a fotografia jornalística não é a mesma coisa?
Não, não é. E vou te dizer o porquê. No fotojornalismo, a imagem precisa transmitir clara e objetivamente a informação daquele acontecimento em específico, sem manipulações e sem interromper a ação. Como exemplo, podemos observar na Figura 1, um acidente de carro ocorrido em 1919, em Washington, D.C. Essa é uma fotografia jornalística porque o acidente ocorreu em um momento determinado e não foi programado, manipulado ou imaginado pelo fotógrafo que a tomou.
Já a fotografia documental, temos como exemplos, fotógrafos como Steven McCurry, da revista National Geographic e, também, o brasileiro com fama internacional, Sebastião Salgado, que utiliza das fotografias preto e branco para contar a história de determinado lugar ou comunidade.
Figura 1| Acidente de carro, Washington DC, 1919
Fonte: Wikimedia Commons.
Na Figura 2, intitulada Mães de paciência, podemos observar que a fotografia foi pensada para ter sombras e pouca luz entrando e iluminando o rosto dessa senhora que espera por alguém, talvez seu filho ou filha, se pegarmos o título como ponto de partida para entender o contexto da imagem.
Figura 2| Mães de Paciência
Fonte: Wikimedia Commons.
Independentemente do contexto em que é tomada há duas realidades na fotografia, a primeira é aquela em que se toma a imagem, a que será representada para a posteridade, o efêmero do tempo; já a segunda realidade é a recepção dessa imagem no futuro, a interpretação do perpétuo. E assim, a fotografia se torna um documento de um fato histórico (KOSSOY, 2014).
Já para Márcio Sônego, a imagem fotográfica assumiu “o status de documento, matéria-prima fundamental na produção do conhecimento sobre determinados períodos da História, acontecimentos e grupos sociais” (2010, p.114).
Entender que o fotojornalismo e a fotografia documental têm linguagens diferentes é importante para interpretar uma imagem, seja ela qual for. De imediato, podemos dizer que tanto a primeira técnica quanto a segunda transformam as fotografias em fatos históricos em documentação social.
A FOTOGRAFIA E SUAS VERTENTES
A primeira fotografia a ser publicada em um periódico foi em 1880, no New York Daily Graphic, nos Estados Unidos, e mudou a maneira como o público se relacionava com a informação, pois a imagem passou a ter um valor a mais dentro das matérias.
O conceito de fotorreportagem se desenvolveu com mais afinco a partir de 1930 e o termo foi criado pelo alemão Stefan Lorant (1901-1997). Antes desse período, as fotografias traduziam os fatos, sem muita alteração. Não podemos esquecer que, apesar de ser mais difícil, as fotos passavam por manipulações. Na atualidade, com o digital, essas manipulações podem ser feitas de inúmeras maneiras.
Quando pensamos no ser fotógrafo, precisamos ter em mente que para ser um profissional da área precisa-se ter a mente aberta, não ter preconceitos e ser o mais imparcial possível ao tomar uma fotografia. A imparcialidade é importante tanto para o fotógrafo quanto para a linha editorial do periódico em que este trabalha. Nem sempre conseguimos ser 100% imparcial, já que, como seres humanos, as emoções podem influenciar no trabalho.
Para a historiadora Ana Maria Mauad (2005, p. 47-48), “[...] a linguagem fotojornalística foi se definindo no regime visual contemporâneo, a partir das relações de analogia e de experimentação formal com o referente, organizando em diferentes espaços de sociabilidade os locais de aprendizado.”.
No período entre guerras, houve uma ascensão do fotojornalismo (Figura 3), principalmente o norte-americano. Os fotógrafos que atuavam em campos de guerra e em conflitos sociais influenciaram a maneira como a história começou a ser narrada e as fotografias de forte apelo social cunharam o gênero de documentação social.
Figura 3 | Fotógrafo durante a Segunda Guerra Mundial
Fonte: Wikimedia Commons.
Porém, antes de falar sobre a fotografia documental, precisamos lembrar que o fotojornalismo possui algumas características particulares. Dentro dessa vertente, há quatro gêneros distintos, que são: fotojornalismo social, fotojornalismo político, fotojornalismo esportivo e fotojornalismo cultural. Para cada um há uma característica específica e que compõem os editoriais dos periódicos.
A reportagem fotográfica, que outrora era considerada como verdade absoluta, tinha no texto o parceiro para construir a informação de forma clara e precisa, mas com o surgimento da linguagem documental, o fotógrafo começou a ter liberdade de criar e manipular as imagens por meios tecnológicos (edição da imagem fotográfica) e pela encenação. Portanto, uma fotografia documental é criada “a partir de uma estrutura de poder – política, econômica, artística ou de qualquer outra manifestação social escolhida por quem a produz” (WARD, p 110, 2021).
Figura 4| Fotografia documental sobre religiosos Xiitas (2018)
Fonte: Wikimedia Commons.
As fotografias de cunho documental (Figura 4) têm por característica mostrar a realidade, e precisam ser fotos com credibilidade. As legendas e explicações são dispensáveis e as imagens precisam despertar o interesse para o assunto que está sendo fotografado. Além dessas características, elas também podem expor uma época, um local, um evento, um indivíduo ou grupo e uma estrutura social.
A fotografia documental busca a reflexão sobre problemas sociais, cenas do cotidiano, faces desconhecidas e locais distantes, ou seja, a realidade que determinada sociedade ou comunidade enfrentam e que pode ser reproduzida iconograficamente com uma narrativa diferente da fotografia jornalística.
A FOTOGRAFIA DOCUMENTAL
A fotografia documental surgiu na segunda metade do século XIX, quando uma nova geração de artistas fotógrafos começou a registrar situações que tinham como finalidade denunciar problemas sociais. Com o início da consciência de classe dos trabalhadores e a ascensão das camadas pequeno-burguesas, esses artistas despertaram para uma crítica social consciente (FREUND, 1976).
Entre os fotógrafos dessa primeira geração de foto documentaristas estão o alemão Heinrich Zille (1858-1929), o dinamarquês Jacob Riis (1849-1914) e o norte-americano Lewis Hine (1874-1940).
Zille ganhou a alcunha de “o pai das ruas” e “o artista da pobreza” ao fotografar a classe trabalhadora de sua época (Figura 5). Com uma infância difícil, o ilustradore fotógrafo vagava pelas ruas de seu bairro natal Charlottenburg e registrava “imagens que transpiravam espontaneidade” (HACKING,2018 p. 149).
Figura 5| Coletoras de Madeira (1898)
Fonte: Wikimedia Commons.
Já Riis, após imigrar para os Estados Unidos, buscou denunciar a miséria que assolava as favelas que estavam expandindo na Nova York do final do século XIX. Em sua série “Inquilinos de um cortiço na Bayard Street, cinco centavos a vaga” (1889), ele mostrou fotografias de pessoas que viviam amontoadas em quartos de cortiços e que pagavam os cinco centavos do título por vaga nesses locais. Amaioria dessas pessoas eram imigrantes como ele.
O norte-americano Lewis Hine (1874-1940) não se interessava em reformar a sociedade, mas tinha consciência de que coisas erradas estavam acontecendo. Ele tornou-se fotógrafo oficial do National Child Labour Comitte (Comitê Nacional do Trabalho Infantil), dos Estados Unidos, após suas fotografias de crianças trabalhando em minas e fábricas por mais de 12 horas influenciaram para que o trabalho infantil se tornasse ilegal no país (Figura 6).
Figura 6 | Fiandeiras em uma fábrica de algodão (1911)
Fonte: Wikimedia Commons.
Devemos entender que, dependendo do local e da época retratada, teremos pensamentos diferentes de quem observa a imagem tomada, além de expressões artísticas e interesses particulares daquela época. E, também, fica claro que os fotógrafos criam suas identidades e seguem tendências estéticas do período em que vivem. Tanto que um fotodocumentarista do século XXI possui temas diferentes daquele que viveu no século XX ou até mesmo no século XIX.
O marco para a mudança na forma de representação fotográfica acontece a partir do período do pós-guerra com o trabalho do suíço Robert Frank (1924-2019). Ele não se interessava por momentos significativos e nem acontecimentos imediatos, mas queria registrar a banalidade do cotidiano, o vazio, a falta de significado em objetos e pessoas, o que poderia oferecer várias interpretações para aquela imagem.
Dentro desse panorama, Kátia Lombardi (2008) escreve sobre o documentário imaginário, nome dado ao estilo de fotografia documental que abre os olhares para novas possibilidades de direcionamento, como ela foi se modificando e quais influências agiram sobre ela. Lombardi ainda escreve que “as imagens fluem menos apegadas à ideia de objetividade e de espelhamento do real, embora as características fundamentais da fotografia documental sejam mantidas.” (2008, p. 51).
Para finalizar, vamos elencar algumas características fundamentais para o fotodocumentarista seguir:
· Fazer uma pesquisa prévia sobre o tema a ser retratado.
· No fotodocumentarismo se exige um tempo maior para sua produção.
· As fotografias formam uma narrativa.
VIDEO RESUMO
Caro estudante, nesta videoaula vamos estudar a fotografia jornalística e a fotografia documental e, também, o valor histórico que essas imagens tomadas trouxeram para se entender a História num contexto global e como auxílio para conhecer além da técnica fotográfica.
Vamos aprender as diferenças de uma fotografia jornalística e uma fotografia documental utilizando imagens tomadas por fotógrafos dentro de um mesmo contexto histórico.
Bons estudos!
 
Saiba mais
Caro estudante, no artigo intitulado Fotojornalismo: entenda o que é e saiba mais sobre a profissão, você poderá ler sobre a profissão do fotojornalista, com depoimentos de alguns fotógrafos que trabalham no dia a dia de veículos de comunicação.
Nesta pesquisa intitulada Flávio Damm, profissão fotógrafo de imprensa: o fotojornalismo e a escrita da história contemporânea, Ana Maria Mauad escreve sobre o fotógrafo Flávio Damm e discute as relações entre as palavras e as imagens na construção das narrativas.
Já na pesquisa intitulada Da fotografia documental à artística, Rodolfo Ward explica como a fotografia documental se relaciona com a sociedade criando regimes de verdade e de poder.
Bons estudos! 
INTRODUÇÃO
Caro estudante, seja bem-vindo!
Nesta aula, vamos abordar sobre as vanguardas artísticas e como elas foram importantes para que a fotografia se consolidasse como arte. Aprenderemos como a fotografia deixou de ser cópia da realidade e começou a ser utilizada como suporte para práticas artísticas.
A partir dessas práticas, vamos estudar e entender sobre o ato-fotográfico, o suprematismo russo e as combinações simbólicas de movimentos como o surrealismo. Além de conhecer artistas que foram cruciais nesses movimentos, como o francês Marcel Duchamp.
Depois, estudaremos as fotomontagens, hibridismo fotográfico e as poéticas digitais, mostrando, também, como essas técnicas chegaram ao Brasil.
Bons estudos!
ARTE-FOTOGRAFIA
Nas primeiras décadas do século XX, surgiu, na Europa, novos movimentos estéticos: as vanguardas artísticas. Elas chegaram para se opor e renovar a estética artística já consagrada até aquele momento.
Os novos movimentos eram denominados cubismo, futurismo, expressionismo, dadaísmo e surrealismo. Cada uma dessas vertentes tem características específicas dentro da pintura. Porém, a união entre arte e fotografia se firmou a partir da década de 1970 e, mais claramente, a partir de 1980 e essa junção foi denominada por André Rouillé (2009) de arte-fotografia.
Marcel Duchamp (1887-1968), artista francês, passeou por alguns desses movimentos artísticos, alguns críticos o enquadram no dadaísmo, contudo, se observarmos sua obra e, consequentemente, sua personalidade, Duchamp é muito singular para encaixar em apenas um movimento artístico. Ele nunca foi fotógrafo, mas sempre trabalhou com a fotografia, imagens essas que eram de autoria de Man Ray, seu parceiro.
É na arte contemporânea, então, que a fotografia deixa de ser cópia literal da realidade (pictural) e passa a ser interpretativa, marcada pela experimentação e subjetividade. Portanto, a intervenção acontece em vários momentos do processo fotográfico: desde o ato de tomar a foto até a sua impressão.
Trata-se em todo o caso de um conjunto de práticas que reúnem o essencial dos desafios da arte contemporânea e que, à sua maneira, tornam literalmente indiscerníveis o campo da arte e o da fotografia. 
(DUBOIS, 2012, p. 291)
Philippe Dubois (2012) ressalta que essas práticas têm três aspectos: a lógica do ato (relação com o ato fotográfico em que o fotógrafo tem intenção premeditada no resultado a imagem), a possibilidade de uma abstração espacial (relação com o movimento artístico russo dos suprematistas que foi influenciado pela pintura abstrata), e novas combinações simbólicas (relação com o movimento dadaísta e surrealista e as fotomontagens – Figura 1).
Figura 1| Fotomontagem dadaísta, Johannes Theodor Baargeld (1920)
Fonte: Wikimedia Commons.
O hibridismo fotográfico começa a tomar forma com as intervenções artísticas. A mistura da fotografia impressa com outras técnicas começa com artistas como Duchamp, porém ela também foi se transformando com o tempo. Segundo Rodolfo Ward (2021), a fotografia adquiriu liberdade a partir da emancipação da tecnologia digital, tendo assim, “interferência direta na dilatação dos conceitos de verdade e nas metanarrativas contemporâneas por permitir, de forma visual, acesso a mundos até então desconhecidos.” (WARD, 2021, p. 104).
No Brasil, há artistas visuais que utilizam essa técnica híbrida com a fotografia em suas obras para discutir alguns temas, como racismo, violências de gênero, política, entre outros. Dentre os artistas, podemos citar alguns, como: Rosana Paulino, Danny Bittencourt, Bruna Alcântara, Jota Mombaça e Arthur Chaves.
A fotografia híbrida pode ter diversas técnicas, como: bordado, pintura, aquarela com fotografia, colagens, mesclar técnicas fotográficas como a longa exposição, entre outras.
Outra técnica que se tornou prática recorrente com o advento da internet é o das poéticas digitais. Esse tipo de arte utiliza, principalmente, da linguagem digital para sua produção. Misturar áudio, vídeo, fotografia e textos para se criar tipos de mídia em conjunto com a ciência e a informática.
Independentemente dequal seja a técnica utilizada, a fotografia se tornou um instrumento imprescindível da arte contemporânea e basta ter uma ideia na cabeça para colocá-la em prática e, com as redes sociais, é muito mais rápido mostrar seu trabalho para as pessoas.
DAS VANGUARDAS ARTÍSTICAS ÀS POÉTICAS DIGITAIS
Apesar da arte e da fotografia serem autônomas, jamais deixaram de manter relações, mesmo que fosse de repulsa. Não se esqueça, caro estudante, que quando a fotografia foi descoberta, muitos pintores a repeliram porque era na pintura que se podia captar o instante. Durante o século XIX, a fotografia foi ascendendo ao posto de arte, mas a arte só deixou-se infiltrar pela fotografia. A arte contemporânea foi marcada pela fotografia a partir do século XX (DUBOIS, 2012).
O movimento pictorialista foi o precursor dessa liga entre arte e fotografia. Nesse movimento, os fotógrafos ambicionavam que suas fotografias se tornassem arte, porém é que nesse reconhecimento, os adeptos ao pictorialismo apenas imitavam a aparência e o acabamento das pinturas, gravuras e desenhos.
O artista Marcel Duchamp (1887-1968) vinha do movimento dadaísta, que se inicia a partir de 1920 e rejeitava a lógica e a estética da sociedade capitalista moderna. As obras dadaístas expressavam o absurdo, a irracionalidade e protestava contra a burguesia.
A arte contemporânea e a fotografia se conectam, então, a partir de três aspectos:
· o ato fotográfico;
· suprematismo russo;
· combinações simbólicas.
Duchamp tinha como premissa que a obra artística era apenas um traço do artista, o que se tornava absolutamente essencial era o ato de se fazer arte, o que na fotografia se denominaria o ato-fotográfico.
Já o movimento suprematista se inicia na União Soviética e utiliza de formas geométricas (círculos, quadrados). A relação desse movimento com a fotografia é que as composições são marcadas pela abstração, perda da referência realista e o uso das formas elementares e universais, por exemplo, a fotografia aérea que abusa das angulações.
Por fim, as combinações simbólicas são práticas de associação de ideias, como, por exemplo, as fotomontagens (Figura 2). Os movimentos dadaístas e surrealistas são os maiores influenciadores nesse tipo de obra fotográfica. O fotograma ou raiografia é uma técnica que foi muito utilizada nesse período por fotógrafos-artistas como Man Ray (1890-1976) e László Moholy-Nagy (Figura 3). Essa técnica consiste em sobrepor objetos em papel fotográfico e expor à luz, dentro de um quarto escuro.
Figura 2| Fotomontagem de László Moholy-Nagy
Fonte: Wikimedia Commons.
Figura 3| Exemplo de Raiografia ou Fotograma
Fonte: Wikimedia Commons.
Essas técnicas híbridas abriram espaço para que, com o advento da internet, novas técnicas se consagrassem. As poéticas digitais nascem da hibridização da prática artística com os meios digitais e, não necessariamente, a obra final se apresenta em forma digital.
Os meios digitais, com o passar do tempo, trouxeram outra concepção de realidade as pessoas, pois alteram a “percepção espacial e temporal introduzidas pelas tecnologias de transmissão instantânea” (GONZAGA, p.112, 2012).
Com as poéticas digitais, o espectador pode ou não participar ativamente com a obra em exposição, independentemente se ela está sendo exposta virtual ou presencialmente. As poéticas digitais abrem um leque bem maior de possibilidades artísticas, mas não podemos deixar de frisar que essas obras precisam ter uma finalidade, pois para ser arte o trabalho precisa causar estranhamento, inquietude, possibilidades de mudarmos nossa realidade.
O HIBRIDISMO FOTOGRÁFICO NO BRASIL
Como vimos anteriormente, os movimentos de vanguarda vieram quebrar paradigmas da arte tradicional, criando um distanciamento da realidade e das convenções. Muitos artistas e fotógrafos utilizavam de seu equipamento para criticar a sociedade, a política e a própria arte. Com o hibridismo fotográfico e as novas pautas que chegaram com o século XXI, podemos observar que a materialidade utilizada em obras foi se diversificando.
As fotomontagens, também conhecidas como colagens, é um exemplo de algo que foi se alterando com o tempo. Com softwares digitais como o Photoshop, hoje é possível fazer esse trabalho por um computador. Ainda há artistas que utilizam a prática da fotomontagem em papel, montando primeiro em uma tela ou outro material e depois fazendo uma cópia digital. Mas, digitalmente, há infinitas possibilidades de manipulações fotográficas (Figura 4).
Figura 4| Coletoras de Madeira (1898)
Fonte: Wikimedia Commons.
É interessante destacar e diferenciar duas terminologias aqui: mixed media e multimídia. O primeiro se refere à mistura de duas técnicas analógicas, por exemplo fotografia com outros tipos de suporte (metal, papel, bordado, tinta, colagem manual), e o segundo se refere à mistura de técnicas digitais (imagem, som e vídeo).
As obras podem vir de vários formatos e tamanhos diferentes. E não podemos pensar que esses tipos de trabalho acontecem apenas no exterior. No Brasil, há muitos artistas visuais utilizando da fotografia como meio para discutir questões políticas, sociais, raciais e de sexualidade.
Rosa Paulino é uma dessas artistas brasileiras e faz um trabalho de hibridismo com fotografia e bordado para discutir o racismo, por exemplo. Ela transfere imagens fotográficas em tecido e faz suturas com linhas e agulhas de bordado. Sua obra “Atlântico Vermelho” traz onze pedaços de tecidos bordados, com imagens e linhas, o título está em destaque no meio da obra enquanto uma porção de linhas estão “escorrendo” na parte inferior (Figura 5).
Figura 5| Atlântico Vermelho, Rosana Paulino
Fonte: Wikimedia Commons.
Danny Bittencourt, poeta visual, fotógrafa e escritora, faz um trabalho de autorretrato com fotografia mixed media que permite expandir a noção da realidade, com nuances da subjetividade, obras sensoriais e repletas de significados íntimos.
Essas são apenas duas artistas que trazem suportes diferentes com os processos híbridos dentro de suas narrativas. Há muitos outros e outras que fazem trabalhos significativos para pensarmos, não só a fotografia, mas a arte em si.
As obras de processos híbridos podem trazer narrativas simples ou complexas e podem ser um caminho para se pensar o diálogo entre significação e processo. Como posso expressar o que quero dialogar com o espectador? De que forma e com quais suportes?
Talvez você, caro estudante, possa parar por um momento e pensar, não só sobre como essas obras te afetam, mas como afetam a sociedade como um todo. Quais são os tipos de suportes e/ou materiais utilizados para aquele trabalho específico? Aprender a observar o que o outro nos revela, também é treinar nossa maneira de expressar o que queremos dizer.
VIDEO RESUMO
Caro estudante, nesta videoaula, vamos estudar sobre as vanguardas artísticas e os precursores desses movimentos que foram importantes para alavancar a fotografia ao status de arte.
Vamos também passar pelos trabalhos de artistas que utilizam do hibridismo fotográfico e das poéticas digitais para fazer críticas às questões sociais, políticas, raciais e de sexualidade no século XXI.
Bons estudos!
 
Saiba mais
Olá, caro estudante, no artigo intitulado Arte digital: decodificando poéticas, você pode ver trabalhos sobre arte, mídias e tecnologias e entender um pouco mais as poéticas digitais.
Em conjunto com esses trabalhos, indicamos o livro Poéticas digitais, que traz um pouco mais de teoria sobre as poéticas digitais.
Confira, também, o trabalho de conclusão de curso de Júlia Bertolucci Delduque de Souza, intitulado Reflexões sobre fotografia e arte: Um olhar sobre Fotoformas e Sobras de Geraldo de Barros, que faz uma reflexão sobre fotografia e arte.
Além disso, sugerimos que você faço uma pesquisa sobre os artistas visuais brasileiros que utilizam de processos híbridos para dialogar com questões sociais, políticas e raciais.
Bons estudos!
VALOR ICONOGRÁFICO DA FOTOGRAFIA
Olá, caro estudante!
Vamos prosseguir falando sobre a importância da fotografia documental para artee memória e o seu valor em cada uma dessas vertentes.
Com a sua invenção, a fotografia registrava objetos da realidade, porém com a evolução de suas técnicas e desejando quebrar paradigmas, os fotógrafos começaram a construir a verdade com imagens, com narrativas e subjetividade, criando, portanto, a fotografia documental. Ela se origina do documentalismo social, que tinha como objetivo trazer a mudança para o mundo, porém na fotografia documental o propósito é o ato de compreensão e de questionar aquilo que se observa.
A fotografia como arte surge a partir do movimento de fotógrafos que necessitavam de outra forma de expressão que não fosse apenas de registrar um momento, eles queriam contar uma história. O fotógrafo deixa de ser aquele que aperta o botão para tomar uma fotografia para se tornar a pessoa que está à procura de um tema, de locais e de outras pessoas para contar uma história e, por muito tempo, foi ele que rondava as partes obscuras da cidade buscando registrar o oprimido e cenas de violências (SONTAG, 2004).
A fotografia artística trouxe mais liberdade de expressão ao fotógrafo. Os temas se tornaram abstratos e subjetivos, possibilitando ao leitor/intérprete maneiras diferentes de entender aquela imagem específica. A arte traz autonomia ao artista-fotógrafo ou ao fotógrafo-artista parar criar, para ir além, tanto que formas híbridas de obras surgiram e podemos ver a fotografia ser utilizada em técnicas variadas.
As imagens que foram tomadas de locais, pessoas, paisagens, construções, se tornaram memória social de uma comunidade, de cidades, da evolução urbanística e rural. A fotografia foi testemunha de muitas histórias. “Fotos podem ser mais memoráveis do que imagens em movimento porque são uma nítida fatia do tempo, e não um fluxo.” (SONTAG, p. 28, 2004).
E essa “nítida fatia do tempo”, como Susan Sontag (1933-2004) escreve, pode se tornar tanto um documento histórico com valor imensurável quanto uma obra de arte. Muitas imagens tomadas em períodos de guerra se tornaram icônicas no decorrer da história.
Mortes, astros do cinema e da música, política, sociedade, nascimentos, família. A fotografia percorre todos os segmentos da vida de uma pessoa, desde seu nascimento até sua derradeira morte. As imagens são a permanência do momento para a posterioridade, são lembranças, entregam memórias.
REVISÃO DA UNIDADE
Caro estudante, neste vídeo, vamos abordar a importância do valor iconográfico dentro da história da fotografia por meio de narrativas fotográficas.
Também estudaremos a importância de se utilizarem métodos híbridos com a fotografia para questionar paradigmas e produzir obras de arte que dialoguem com seus espectadores.
O ato-fotográfico depende da criatividade do fotógrafo-artista ou do artista-fotógrafo, que pode ser ilimitada.
Bons estudos!!!
 
ESTUDO DE CASO
Caro estudante, suponhamos que você comprou uma casa e que, durante a limpeza do lugar antes da mudança, você encontre um baú. Ao abri-lo, encontra fotos soltas, um álbum com fotos de pessoas e vários negativos bem protegidos em plásticos.
Ao analisar essas imagens, descobre que são registros de bairros e cidades, de locais conhecidos e de outros que, ao analisar por cima, não é no Brasil. Você, como fotógrafo, se sente atraído por aquele amontoado de fotografias, se senta e verifica uma por uma, até a exaustão.
Num dado momento, se recorda que aquela casa era de outra pessoa e, então, liga para a pessoa que a vendeu e descobre que aquele baú já estava naquela residência antes do proprietário anterior entrar e que ele nunca jogou fora esses documentos porque acreditava que alguém viria buscar essas memórias esquecidas.
Enquanto faz todo seu processo de mudança, você começa a ir atrás da história daquela casa e das pessoas que moraram nela anteriormente. Ao analisar as fotografias, você percebe que uma figura singular está aparecendo com frequência em muitas e se pergunta se essa pessoa é a personagem principal dessa narrativa iconográfica, observando que há fotografias de autorretrato dessa mesma mulher.
No álbum de família, há fotografias de crianças a idosos, com casacos pesados, em um lugar onde se vê muita neve. As imagens, em sua maioria, são em preto e branco, e com legendas, porém a caligrafia está incompreensível e em uma língua estrangeira.
Intrigado com todo esse material, você decide revelar os filmes para explorar melhor as imagens dos negativos. Nas impressões, você percebe que o estilo de fotografia que ela tinha é diferente de muitas imagens que viu até aquele momento. Eram verdadeiras obras de arte.
Havia fotografias de campos de guerra, soldados, mulheres e crianças brincando em locais destruídos, de uma senhora sentada em uma cadeira de balanços, costurando uma roupa surrada e com um feixe de luz iluminando seu rosto. Outras fotografias, em cores, da cidade onde está morando: pessoas conversando em feiras, idosos na praça jogando dominó e cartas, igrejas, as imagens mostravam a evolução da cidade e seus habitantes.
Depois de meses investigando, descobre que uma mulher imigrante morou nessa casa sozinha e faleceu, sem deixar família e, então, você comenta com amigos historiadores e fotógrafos sobre seu achado e eles se interessam para ver e analisar essas fotografias com você.
Nesse ponto, ao pensar sobre toda essa investigação, o que você faria com esse baú? Continuaria sua busca sobre quem era a mulher que residiu nessa casa? Guardaria essas fotografias, doaria para um museu, venderia para colecionadores?
Reflita
Olá, estudante!
Reflita sobre o que foi estudado até agora sobre a importância do valor iconográfico da fotografia e lembre-se de que, desde o advento do daguerreotipo e da primeira câmera portátil, a história da fotografia evoluiu e, com a tecnologia, as câmeras passaram a ser menores e acopladas a telefones móveis.
Você é uma pessoa do presente, com toda tecnologia a seu favor, e encontra um baú repleto de fotografias analógicas. Como você se sente ao tocar esse material pela primeira vez? Ao abrir um álbum de família e ver todas aquelas pessoas desconhecidas por você?
Ao analisar essas imagens e buscar a história por trás de quem as tomou e de quem viveu nessa casa, você está pesquisando sobre a história de uma comunidade inteira, seja ela estrangeira ou brasileira.
Qual é a importância desse achado? Como você classificaria essas fotografias? Você consegue ter ideia da dimensão que essas fotografias teriam para a História?
Reflita, se faça perguntas e tente encontrar essas respostas a partir do seu conhecimento sobre a história da fotografia.
RESOLUÇÃO DO ESTUDO DE CASO
Caro estudante, se você já leu ou escutou sobre Vivian Maier, então deve ter identificado esse cenário que descrevi no estudo de caso.
Supondo que você encontre esse baú em sua casa e perceba o valor desse material ao analisá-lo metodicamente, as possibilidades são múltiplas e é de sua responsabilidade a decisão que tornará essas fotografias conhecidas pelo público ou não.
A importância para a História desses registros de guerra nas fotografias encontradas, por exemplo, é primordial, tanto para ter conhecimento do que aconteceu com aquele povo, quanto pelas imagens perpetuadas de um momento terrível na vida daquelas pessoas. Boris Kossoy escreveu que, “com a fotografia, descobriu-se que, embora ausente, o objeto poderia ser (re)apresentado, eternamente” (KOSSOY, p. 146, 2014), portanto é assim que a fotografia perpetua a memória na longa duração e é através dela que “aprendemos, recordamos e sempre criamos novas realidades” (ibidem, p. 147).
Vivian Maier (1926-2009) foi uma fotógrafa norte-americana que teve seu trabalho fotográfico reconhecido após sua morte. Ela trabalhava como babá e, quando saía com as crianças que cuidava, levava sua Rolleiflex para registrar o que achava interessante.
Portanto, ao se deparar com um acervo de negativos e imagens impressas de uma pessoa que você nunca ouviu falar e que tem uma técnica expressiva no ato de fotografar, você pode fazer uma pesquisa sobre quem é essa pessoa por trás da câmera,como viveu, com que trabalhou.
A fotografia é um elo entre o passado, o presente e o futuro e cabe a nós deixar que as imagens dialoguem conosco e uma solução possível seria apresentá-las em uma exposição.
Em um trabalho expositivo, primeiro você vai precisar escolher um local e seu público-alvo, após todos os trâmites burocráticos (gastos com aluguel do espaço e equipe, valores de divulgação, além de despesas extras como iluminação, para citar algumas), você vai iniciar as escolhas das imagens que serão exibidas (um critério de escolha seria a das imagens que fazem sentido para narrativa da exposição, por exemplo), podendo fazer um processo de imersão do espectador com essas fotografias, montando um cenário de guerra, montando o quarto de uma casa onde estaria escondido esse baú (figura 1) para que as pessoas possam ter o mesmo sentimento de espanto que teve ao encontrar essas fotografias.
Figura 1| Modelo de quarto para exposição
Fonte: Freepik.
Figura 2 | Modelo de exposição
Fonte: Freepik.
Em seguida, vai precisar resolver o tamanho em que essas imagens serão exibidas (figura 2), quais serão as fotografias que farão parte do processo de imersão, como montá-las de forma a fazer com que o público se sinta parte daquela história.
Ou ainda você pode escolher escrever um livro, contando como você chegou nessas imagens e tudo o que descobriu sobre elas, sobre a fotógrafa que as tomou, inclusive, narrando sobre a guerra por trás dessas fotografias.
 
RESUMO VISUAL
Fonte: elaborada pela autora.
REFERÊNCIAS
Aula 1 ACHUTTI, L. E.; TIBURI, M. Diálogo/Fotografia. São Paulo: SENAC, 2012. Disponível em: https://www.bibliotecadigitalsenac.com.br/?from=busca%3FcontentInfo%3D920%26term%3Dfotografia#/legacy/920. Acesso em: 10 abr. 2023.
BENJAMIN, W. Pequena história da fotografia. In: Obras Escolhidas Vol. I - Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 2012.
KOSSOY, B. Fotografia & História. 5ª ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2014.
KOSSOY, B. Hercule Florence: A Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil. 4ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2020.
LISSOVSKY, M. Pausas do Destino: Teoria, arte e história da fotografia. Rio de Janeiro: Mauad, 2014.
PEREIRA, P. C. Fotografia. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019.
Aula 2 FELIZARDO, A.; SAMAIN, E. A fotografia como objeto e recurso de memória. Discursos fotográficos, v. 3, n. 3, p. 205-220, 2007. Disponível em: https://www.uel.br/revistas/uel/index.php/discursosfotograficos/article/view/1500 Acesso em: 11 jan. 2023.
FERRARI, W. Hastamento americano: A história por trás de uma das fotos mais famosas da Segunda Guerra. Aventuras na História, São Paulo, ago/2020. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/hasteamento-americano-historia-por-tras-de-uma-das-fotos-mais-famosas-da-segunda-guerra.phtml. Acesso em: 13 jan. 2023.
HACKING, J. (org.). Tudo sobre fotografia. Trad. Beatriz Medina. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.
KOSSOY, B. Fotografia e Memória. In: Fotografia & História. 5ª ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2014a.
KOSSOY, B. Os tempos da Fotografia – O efêmero e o perpétuo. 3ª ed. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2014b.
KOSSOY, B. Realidades e Ficções na Trama Fotográfica. 5ª ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2016.
RENDEIRO, M. E. L. S. ÁLBUNS DE FAMÍLLIA – Fotografia e Memória; Identidade e Representação. In: XIV Encontro Regional da ANPUH-RIO: Memória e Patrimônio, 2010, Rio de Janeiro. Anais […]. Rio de Janeiro: NUMEM, 2010. Disponível em: https://www.encontro2010.rj.anpuh.org/resources/anais/8/1276726781_ARQUIVO_ArtigoANPUH[MarciaElisa_2010.1].pdf. Acesso em: 12 jan. 2023.
SONTAG, S. Sobre fotografia. Trad. Rubens Figueiredo. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2004.
Aula 3 FOTOJORNALISMO: entenda o que é e saiba mais sobre a profissão. g1, Rio de Janeiro, 6 março 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2022/03/06/fotojornalismo-entenda-o-que-e-e-saiba-mais-sobre-a-profissao.ghtml. Acesso em: 23 jan. 2023.
HACKING, J. (org.). Tudo sobre fotografia. Trad. Beatriz Medina. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.
KOSSOY, B. Os tempos da Fotografia – O efêmero e o perpétuo. 3ª ed. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2014.
___________. Realidades e Ficções na Trama Fotográfica. 5ª ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2016.
LOMBARDI, K. H., Documentário imaginário: reflexões sobre a fotografia documental contemporânea. Discursos fotográficos, 4(4), 35-58, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.5433/1984-7939.2008v4n4p35. Acesso em: 20 jan. 2023.
MAUAD, A M. F. D., profissão fotógrafo de imprensa: o fotojornalismo e a escrita da história contemporânea. História, v. 24, nº 2, 41-78, 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/his/a/YQmgF6C7tCDw6cGZbZ7kgvC/?lang=pt#:~:text=O%20primeiro%20trabalho%20de%20Fl%C3%A1vio,Foi%20o%20que%20ele%20fez.. Acesso em: 23 jan. 2023.
SÔNEGO, M. J. F. A fotografia como fonte histórica. Historiae, 1(2), 113-120, 2010. Disponível em: https://periodicos.furg.br/hist/article/view/2366. Acesso em: 20 jan. 2023.
SONTAG, S. Sobre fotografia. Trad. Rubens Figueiredo. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2004.
WARD, R. Da fotografia documental à artística. ARS (São Paulo), 19(41), 102-165, 2021. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ars/article/view/169675. Acesso em: 23 jan. 2023.
Aula 4 DUBOIS, P. O ato fotográfico e outros ensaios. Trad. Marina Appenzeller. 14ª ed. Campinas, SP: Papirus, 2012.
GAMEIRO, C.; S., Clarice; G., Francine. Arte Digital: decodificando poéticas. Rio de Janeiro, 25 jun. 2019. Disponível em: https://artemidiastec.wordpress.com/2019/06/25/arte-digital-decodificando-poeticas/. Acesso em: 20 jan. 2023.
GONZAGA, R. M. Poéticas digitais. Vitória: UFES, Núcleo de Educação Aberta e a Distância, 2012. Disponível em: https://issuu.com/mariannas/docs/poeticas_digitais. Acesso em: 20 jan. 2023.
HACKING, J. (org.). Tudo sobre fotografia. Trad. Beatriz Medina. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.
LOMBARDI, K. H., Documentário imaginário: reflexões sobre a fotografia documental contemporânea. Discursos fotográficos, 4(4), 35-58, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.5433/1984-7939.2008v4n4p35. Acesso em: 20 jan. 2023.
ROUILLÉ, A.. A fotografia: entre documento e arte contemporânea. Trad. Constancia Egrejas. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2009.
SOUZA, J. B. D. de. Reflexões sobre fotografia e arte: Um olhar sobre Fotoformas e Sobras de Geraldo de Barros. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. Disponível em: www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/27883/000768030.pdf. Acesso em: 20 jan. 2023.
WARD, R. Da fotografia documental à artística. ARS (São Paulo), 19(41), 102-165, 2021. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ars/article/view/169675. Acesso em: 23 jan. 2023.
Aula 5 HARAZIM, D. O enigma Vivian Maier – Parte 1. Revista Zum. São Paulo, 5 nov. 2013. Disponível em: https://revistazum.com.br/colunistas/o-enigma-vivian-maier/. Acesso em 04 fev. 2023.
KOSSOY, B. Os tempos da Fotografia – O efêmero e o perpétuo. 3ª ed. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2014b.
SONTAG, S. Sobre fotografia. Trad. Rubens Figueiredo. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2004.
Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.
image1.jpeg
image2.jpeg
image3.jpeg
image4.jpeg
image5.jpeg
image6.jpeg
image7.jpeg
image8.jpeg
image9.jpeg
image10.jpeg
image11.jpeg
image12.jpeg
image13.jpeg
image14.jpeg
image15.jpeg
image16.jpeg
image17.jpeg
image18.jpeg
image19.jpeg
image20.jpeg
image21.jpeg
image22.jpeg
image23.jpeg