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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA
RELATÓRIO DE AULA PRÁTICA - SEMIOLOGIA EM EQUINOS, HABRONEMOSE E CICLO ESTRAL DAS ÉGUAS 
Estudante:
Brenda Raphaela Carvalho de Brito UC22200941
Professora: Edilaine Fernandes
BRASÍLIA-DF
2022
Sumário
I. Introdução
II. Semiologia em equinos 
1. Introdução a semiologia
2. Anamnese
3. Exame Físico
3.1. Inspeção
3.2. Palpação
3.3. Auscultação
3.4. Percussão
3.5. Termometria retal
3.6. Avaliação das mucosas
3.7. Tempo de preenchimento capilar
3.8. Grau de hidratação
3.9. Avaliação do sistema locomotor 
III. Habronemose
1. Habronemose cutânea 
2. Habronemose gástrica
3. Habronemose pulmonar
4. Terapêutica da habronemose 
IV. Ciclo estral das éguas 
V. Conclusão
VI. Referências bibliográficas 
I. Introdução
Por ser um animal doméstico, o equino tem sido cada vez mais requisitado para diversos tipos de trabalho exigindo um esforço acima do limite considerado natural para o animal. Devido a isso, a saúde do equídeo deve estar constantemente sob supervisão de um especialista, manejando os exames com eficiência, garantindo um bom desempenho do animal. Com base nisso, apresenta-se a Habronemose, uma doença que acomete os equinos, causando desde uma lesão dérmica até um grave problema sistêmico. Será discorrido, então, suas variações, diagnóstico e tratamentos. Ademais, o ciclo estral das éguas é descrito como uma simultaneidade entre os comportamentos anatômicos e endócrinos, sendo consequência da ovulação. 
. 
II. Semiologia em equinos
1. Introdução à semiologia
A semiologia médica é a área que visa compreender os sinais e sintomas apresentados pelo paciente, através de um exame físico, a fim de chegar a um diagnóstico plausível. A partir disso, concomitante a anamnese, é possível fazer a análise geral dos sistemas do organismo em busca de disfunções, inflamações ou doenças. O sinal clinico mostra-se como uma manifestação objetiva da doença, sendo analisado com o aparecimento de um sintoma mais a interpretação do médico, como exemplo cita-se um sopro no coração que pode sugerir uma insuficiência cardíaca. O sintoma aparece como uma manifestação subjetiva, gerado uma alteração no organismo que revela a doença sem nenhuma interferência ou assimilação externa, como uma tosse ou uma êmese.
2. Anamnese 
Queixa principal;
Duração da enfermidade;
Uso de fármacos no período ou controlados;
Histórico de doenças; 
Histórico de convulsões; 
Histórico reprodutivo;
Ambientação do animal;
Dieta; 
Imunização e vermifugação;
Presença de ectoparasitas;
Estado de saúde dos contactantes;
	
3. Exame físico 
O exame físico geral mostra-se como uma importante ferramenta para a investigação, pois o veterinário analisa todos os sistemas em conjunto do animal estabelecendo quais exames específicos precisam ser feitos, quais amostras precisam ser coletadas, se há necessidade de exames de imagem, além de guiar e auxiliar o diagnóstico e prognóstico do paciente.
3.1. Inspeção
Avaliar o nível de consciência do animal; 
Padrão e postura respiratória;
Postura e locomoção (repouso, movimento e decúbito);
Condição física ou corporal (magro, sobrepeso, obeso);
Pelagem e lesões dérmicas (orelhas e glândulas perianais);
Capacidade do campo visual em estabelecer diferenças e detalhes
Inspecionar ao redor dos olhos em busca de ectoparasitas;
Capacidade de audição;
Inspecionar a face interna das orelhas em busca de ectoparasitas;
Forma abdominal;
Simetria da musculatura e dos movimentos; 
Fraturas e cicatrizes; 
Tumores visíveis.
3.2. Palpação: examinar todas as áreas do corpo do paciente verificando
Sensibilidades;
Temperatura do local;
Simetria; 
Consistência e textura;
Elasticidade cutânea;
Qualidade e frequência do pulso;
Linfonodos: mandibular, retrofaríngeo, parotídeo, pré-escapular e subilíaco. 
3.3. Auscultação: examinar ruídos normais ou patológicos
Ritmo cardíaco e respiratório;
Bulhas;
Identificar os focos valvares;
Determinar frequência cardíaca e respiratória;
Percepção de sopro;
Movimento ceco avaliando frequência, força de contração e qualidade do ruído.
	Frequência respiratória dos equinos
	12 - 20 (RPM)
	Frequência cardíaca dos equinos
	28 - 44 (BPM)
3.4. Percussão: avalia e identifica alterações no tórax 
Som timpânico;
Som maciço;
Som sub-maciço;
Som claro.
3.5. Termometria retal
	Equinos jovens
	37 - 38,9° C
	Equinos adultos
	37,5 - 38,5° C
3.6. Avaliação das mucosas: verificar integridade, coloração, brilho umidade, hemorragia e ulcerações.
Mucosas 
· Conjuntiva
· Nasal
· Oral
· Vulvo-vaginal (fêmeas)
· Peniana (machos)
Coloração
· Normocorada: rosa intenso
· Hipercorada: avermelhada
· Hipocorada: esbranquiçada
· Cianótica: azul/arroxeada
· Ictérica: amarelada 
Secreção
· Catarral
· Sanguinolenta: pus e sangue
· Purulenta: pus
· Serosa: aquosa
3.7. Tempo de preenchimento capilar: avaliar o tempo do retorno da coloração da mucosa após a compressão digital na cavidade oral. 
	Equinos jovens e adultos 
	2 segundos 
3.8. Grau de hidratação: um dos sinais de desidratação é o ressecamento com enrugamento da pele
Avaliar:
Turgor de pele
Globo ocular
Hidratação da mucosa
Tempo de preenchimento capilar
3.9. Avaliação do sistema locomotor 
Avaliar aprumo e simetria do membro;
Determinar qual o membro claudicante se houver;
· Localizar a lesão no membro
· Graduar a claudicação 
Avaliar casco;
Medir pulso das artérias digitais;
Teste de flexão; 
Inspeção do animal em movimento;
· Trote lento e rápido
· Corrida
· Trote em linha reta
· Locomoção em movimentos circulares
III. Habronemose
A habronemose é uma doença causada por larvas do nematóide Habronema spp. No ciclo do Habronema a mosca doméstica hospedeiro intermediário (MURO, et al. 2008). Ela envolve três espécies de nematódeos: Habronema muscae, H. microstoma e Draschia megastoma, as quais infectam o estômago dos equídeos. (NASCIMENTO 2018). Esses parasitas, tanto nas formas larvárias como adultas podem causar doença gástrica, cutânea e / ou doenças mucocutâneas (como larvas) em equídeos (cavalos, burros, mulas e zebras). Estes nematódeos são transmitidos ao habitar muscídeos de esterco, como a mosca doméstica (Musca domestica) e a mosca dos estábulos (Stomoxys calcitrans) (GIANGASPERO et.al., 2005).
1. Habronemose cutânea 
A habronemose cutânea, também conhecida como ferida de verão consiste em uma dermatite granulomatosa que afeta os equídeos em geral. As lesões causadas por essa enfermidade formam massas ulcerativas com regiões necrosadas, nodulares de aspecto. (SMITH, 1994). Desenvolve-se mais comumente no canto interno do olho, na linha média do abdome e nos membros abaixo das regiões metacárpicas e metatársicas (THOMASSIAN, 2005). E com menor frequência na mucosa dos olhos ou fossas nasais causando habronemose conjuntival e pulmonar (ÁLVAREZ et.al., 2017). A causa da doença não é totalmente clara, a forma cutânea é resultado da presença de larvas mortas ou que estão morrendo, o que causa uma reação de hipersensibilidade. (REED, 2000). Os ferimentos infectados pelas larvas formam feridas de difícil cicatrização, que ocasiona grandes prejuízos econômicos e um sério desconforto aos animais acometidos. (ANDRADE, 2002). 
Os principais meios de diagnóstico são baseados em histórico clínico, raspados de pele, biópsia, e exame histopatológico em que se caracteriza pelo tecido de granulação, e infiltração de eosinófilos, além de focos de necrose e coagulação que são encontrados no tecido de granulação. (SMITH, 1994).
2. Habronemose gástrica
 Dois tipos de habronemose gástrica podem ocorrer: a causada por Draschia, onde grande parte dos equinos vão apresentar 17 uma gastrite crônica moderada, geralmente sem sinais clínicos e a perfuração gástrica raramente pode ocorrer, acarretando em uma peritonite local; e a causada pelo gênero Habronema, que vive livremente no estômago, em uma camada de muco aderida na mucosa, podendo ou não invadir as glândulas gástricas (RADOSTITS et.al., 2002). As manifestações clínicas são raras, podendo ocasionaruma irritação da mucosa gástrica, que irá desencadear uma hipersecreção de muco viscoso e espesso, devido à hiperplasia das células produtoras de muco (RADOSTITS et.al., 2000; BELLI et.al., 2005).
O diagnóstico definitivo da habronemose gástrica é feito pela técnica de xenodiagnóstico, e consiste na pesquisa da larva infectante em moscas, criadas com fezes de animais suspeitos (THOMASSIAN, 2005). Um método de diagnóstico alternativo e pouco utilizado seria a lavagem gástrica seguido do exame microscópico do conteúdo sedimentado, mas esta abordagem é considerada invasiva, arriscada e requer sedação e contenção do paciente (GIANGASPERO et.al., 2005). Atualmente a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), apesar de pouco utilizada, tem sido útil no diagnóstico de qualquer forma de habronemose, pois apresenta uma boa sensibilidade e uma alta especificidade. E a grande vantagem é que este método é capaz de detectar a presença do parasita em qualquer fase do ciclo evolutivo que ele se encontra, podendo ser utilizado coo diagnóstico precoce, evitando assim grandes lesões e comprometimento clínico do animal (RODRIGUES et.al, 2016).
3. Habronemose pulmonar
Apesar de rara (MUNHOZ et.al., 2015), alguns autores já comprovaram a existência dessa possibilidade, porém atualmente não há muitos relatos de casos de como a doença realmente funciona. Acredita-se que as larvas chegam ao pulmão ao serem depositadas na região de narina do equino ou fazendo migrações por diversos órgãos, tendo a possibilidade de milhares de larvas migrar até o tecido pulmonar e ocorrer a formação de nódulos peribronquiais de aproximadamente 0,5cm resistentes, arredondados e com aspectos de grãos de chumbo, à palpação, sendo esse processo observado na fase aguda. Mais tarde, pela reação inflamatória, vai ocorrer a morte do parasita e a formação de um infiltrado linfoplasmocitário conhecido por granuloma (SCHUSTER et.al., 2010; MUNHOZ et.al., 2015).
Em relação ao diagnóstico diferencial da habronemose pulmonar, sabe-se que os nódulos helmínticos se assemelham bastante com os nódulos de Burkrolderia, mas são diferenciados principalmente pelo infiltrado eosinofílico que não ocorre nos nódulos de mormo (PINTO et.al.,1938); assim como também se assemelham a nódulos de Parascaris equorum, porém estes são de coloração verde acinzentados (COSTA et.al., 2011); e os de de Strongylus vulgaris, porém estes são semitransparentes e atingem o tamanho de um grão de milho (PINTO et.al., 1938).
4. Terapêutica da habronemose
A habronemose cutânea equina (HCE) não responde aos tratamentos de feridas comuns, indicando-se nesses casos o uso tópico de produtos organofosforados como o triclorfon (THOMASSIAN, 2005). No trato gástrico, objetivo principal do tratamento é a cura da doença pela eliminação do parasito adulto do estômago que propicia a proliferação da Habronemose, eliminação da infestação no ferimento pelas larvas de Habronema, redução da 25 dimensão da lesão, redução do processo inflamatório e infeccioso associado a esta lesão (SILVA et.al,2017). São diversos os tratamentos relatados, sendo que os mais conhecidos e utilizados compreendem a administração de antiparasitários injetáveis das classes das avermectinas e milbemicinas, o uso de pomadas preparadas a base de anti-inflamatórios, triclorfón, coumafós e antibióticos, assim como a excisão cirúrgica e aplicação de nitrogênio líquido (ÁLVAREZ et.al., 2013). O tratamento cirúrgico é feito por meio de ressecção do tecido de granulação e é indicado em casos de feridas que não respondem aos tratamentos conservadores, que não cicatrizam, em casos de nódulos calcificados que causem comprometimento funcional da região ou transtornos estéticos (FREITAS et.al., 2011). Como terapia complementar da HCE pode-se associar aos tratamentos descritos acima, indicado em casos de difícil resolução, métodos como a acupuntura, criocirurgia, radioterapia e auto-hemoterapia ozonizada (FREITAS et.al., 2011)
IV. Ciclo estral das éguas 
A égua é um animal poliéstrico estacional, com duração do ciclo estral de 20 a 21 dias, apresentando mais de um ciclo estral dentro de um período específico. O ciclo estral é definido como a sequência de alterações anatômicos e endócrinos que preparam a fêmea para a ovulação (SAMPER, 2008; FERREIRA, 2009). Na égua, O ciclo estral pode ser dividido em estro, a fase folicular que dura em média sete dias, e em diestro, a fase luteal durando aproximadamente 15 dias. 
Durante o estro a égua é sexualmente receptiva ao garanhão. Neste período, o folículo dominante se desenvolve e secreto estrógeno, que induz o comportamento do cio. Nas éguas, o cio tem duração de cinco a sete dias, a ovulação se dá geralmente no terço final do cio (SAMPER, 2008). A ovulação geralmente ocorre 24 a 48 horas antes do final da receptividade sexual (LAGE, 2007; PORTO, 2007). 
O metaestro é um estágio de transição no qual o estrógeno em declínio é contrabalanceado pela P4 em elevação. Após a ovulação ocorre formação de corpo lúteo, que se desenvolve em três ou quatro dias formando uma glândula hormonal. No caso de fecundação e desenvolvimento do embrião, o corpo lúteo é mantido por período mais longo. Quando não ocorre a fecundação, ele atrofia (LAGE, 2007).
O diestro é o período de secreção da P4 pelo corpo lúteo, a fertilização dos ovócitos e a subsequente gestação resultam no prolongamento do diestro. A duração do diestro varia entre as espécies, nos equinos dura, em média, cinco a seis dias (SAMPER, 2008).
O proestro é o período em que ocorre a maturação de um ou mais folículos, sob a influência do FSH. O folículo começa a secretar estrógeno, que influencia os órgãos genitais. Os níveis crescentes de estrógenos suprimem níveis de progesterona em declínio. Essa fase de maturação folicular na égua, dura de dois a seis dias. A atividade ovariana e o crescimento folicular ocorrem em resposta ao aumento da duração da luz do dia (GOMES, 2003). 
V. Conclusão
Levando em conta o exposto acerca da semiologia, conclui-se que os equinos são mais propensos a desenvolverem problemas, principalmente no aparelho locomotor devido a trabalhos pesados, sendo necessário sempre fazer os exames dentro dos parâmetros para a espécie. É de suma importância, também, manter os animais sob supervisão em relação aos ferimentos, e caso ocorra algum deve-se tratá-lo com rapidez para que a doença da Habronemose não os infecte. Outrossim, o conhecimento e o monitoramento do ciclo estral das éguas mostram-se importante para a reprodução equina. 
VI. Referências bibliográficas
ANDRADE, S. F. manual de terapêutica veterinária. 2.ed. São Paulo: roca, 2002.
BELLI, C. B; SILVA, L. C. L. C; FERNANDES, W. R. Aspectos endoscópicos da habronemose gástrica equina. São Paulo: crvm, 2005.
COSTA, RICARDO BENZINHO. Caracterização do parasitismo gastrintestinal em cavalos de desporto e lazer no distrito de Coimbra. 2011. 108 f. 
FREITAS, F. C. et al. habronemose nasal em uma égua.
GALVÃO A L.B.; JUNIOR W.H.F. Manual ilustrado de semiologia basica. São Paulo: uniara, 2020 
JUNIOR, EDUARDO HARRY BIRGEL. Semiologia veterinária: plano geral de exame clinico e funções vitais. fzea/usp 
MURO, LUIS FERNANDO FERREIRA ET AL. habronemose cutânea. Revista cientifica eletrônica de medicina veterinária, garça, ano vi, n.11, jul. 2008
NASCIMENTO, RAYANE CAROLINE MEDEIROS. Habronemose sistêmica em um equino: relato de caso. Viçosa: ufa, 2018.
PIMENTEL ET AL. monitoramento do ciclo estral de fêmeas equinas por meio de citologia vaginal, ultrassonografia e dosagem hormonal. Umuarama: Unipar, 2004. 
PRATES, RAQUEL CHEYNE. Parâmetros fisiológicos de éguas mangalarga marchador em provas de marcha e alimentadas com dietas suplementadas com cromo. Belo Horizonte: UFMG, 2007.
RADOSTITS, O. M.; GAY, C. C.; BLOOD, D.C. HINCHCLIFF, K.W. clínica veterinária: um tratado de doenças de bovinos, ovinos, suínos, caprinos e equinos. 9. ed. rio de janeiro, guanabara koogan ltda, 2002.
REED, S. M.; BAYLY, W. M. medicina interna equina. Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 2000
SILVA, etal. habronemose cutânea equina – relato de caso. Revista científica de medicina veterinária periódico semestral. vol.14, nº29. jul., 2017. 
SMITH, B. P. tratado de medicina interna de grandes animais. v.2. São Paulo: Manole, 1994.
THOMASSIAN, A. enfermidades dos cavalos. 2.ed. São Paulo: varela, 2005.
LINKS - acessados em 10/11/2022 
https://www.vetprofissional.com.br/artigos/aferir-temperatura-de-cavalos-e-simples-saiba-como
https://www.escoladocavalo.com.br/sinais-vitais-de-equinos-quais-sao-e-como-monitorar/
https://www.studocu.com/pt-br/document/universidade-federal-do-pampa/semiologia-veterinaria/9-aula-semiologia-do-sistema-locomotor-de-equinos/10634646
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