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FISIOLOGIA DA LACTAÇÃO INTRODUÇÃO Assim que o parto terminar, o animal neonato deve receber cuidados naturais para este período bem como ser alimentado. Os mamíferos secretam leite através das glândulas mamárias para nutrir suas crias durante o período inicial da vida pós-fetal. A funcionalidade das glândulas mamárias permite aos mamíferos eficiência quanto à alimentação de sua prole, este mecanismo tem dado a estes animais vantagens de sobrevivência, uma vez que os filhotes inicialmente não precisam de dentes para o processo de sucção e, por isso, podem nascer com a maxila e a mandíbula imaturas e isto facilita a passagem da cabeça durante o parto. Outro ponto é que a produção de leite pelas mães não deixa os filhotes dependerem diretamente de condições ambientais favoráveis para se alimentarem e sobreviverem. A GLÂNDULA MAMÁRIA Presentes tanto nos machos (difícil de identificar em garanhões) quanto nas fêmeas, de modo geral tem funcionalidade apenas em fêmeas, visto que os machos não secretam a mistura apropriada de hormônios para ativá-las, sendo assim, nestes animais apenas os mamilos irão se desenvolver, enquanto que os cordões mamários primários que dariam origem ao tecido glandular não avançam. É uma glândula cutânea especializada (exócrina) que possui estrutura túbulo alveolar bem desenvolvida. As glândulas mamárias têm origem no ectoderma embrionário durante o desenvolvimento fetal e diferencia-se ao longo de todo o crescimento e gestação. Uma grande área de epitélio se desenvolve na superfície, formando assim o teto ou mamilo, que conecta o sistema interno de secreção e o meio externo, sendo o local onde há os orifícios que promovem a excreção do leite. Diferença entre as espécies As glândulas mamárias apresentam-se diferentes entre as espécies animais. Variando em número, localização e também na quantidade de orifícios para a saída do leite. Animal Número Localização Aberturas Cães 10 Região inguinal, abdominal e torácica 8-14 Gatos 10 Região inguinal, abdominal e torácica 3-7 Bovinos 4 Região inguinal 1 Ovinos 2 Região inguinal 1 Caprinos 2 Região inguinal 1 Equinos 2 Região inguinal 2-4 Suínos 14 Região inguinal, abdominal e torácica 2-3 Humanos 2 Região torácica 15-24 Tecido mamário Por serem muito grandes, especializadas e semelhante as das demais espécies, as glândulas mamárias da vaca, comumente conhecidas como úbere é utilizada como modelo de sistema mamário. O tecido mamário é composto por uma parte funcional, conhecida como parênquima, este abriga uma rede de ductos, células mioepiteliais e células secretoras de leite. O tecido mamário também é composto pelo estroma, que contém tecido conjuntivo, nervos e vasos sanguíneos e linfáticos. Sistema de ductos e alvéolos Um conjunto de pequenas células epiteliais se organizam de modo a formar estruturas circulares ocas denominadas alvéolos. Estas células são as responsáveis por sintetizar e secretar os componentes do leite no lúmen alveolar, ficando assim conhecidas como células secretoras do leite ou simplesmente células alveolares. Envolvendo os alvéolos estão as células mioepiteliais, que possuem características contráteis importantes para o mecanismo de ejeção do leite. Minúsculos ductos alveolares unem-se para formar ductos maiores e assim por diante. Os grandes ductos desembocam em um espaço amplo denominado cisterna da glândula, que se comunica com a cisterna da teta, estas são áreas reservadas ao armazenamento do leite, isso permite que entre as ordenhas ou nos períodos após a mamada, uma maior quantidade de leite seja sintetizada e armazenada nos alvéolos e nas cisternas glandular e da teta. ALVÉOLOS Unidades secretoras LÓBULOS Conjunto de alvéolos LOBO Conjunto de lóbulos Fonte da imagem: Michel A. Wattiaux (Babcock Institute) Estrutura de sustentação Em vacas leiteiras, o úbere pode pesar até 60 Kg, por isso, necessita de um sistema suspensório forte para suportar o peso e prendê-lo ao corpo. Este sistema suspensório consiste em um arranjo de ligamentos centrais e laterais, que ancoram e suspendem o úbere. A pele também desempenha um papel menor no suporte e estabilização, mas as principais estruturas que suportam o úbere são: Ligamento suspensor medial: É um tecido elástico que adere o úbere à parede abdominal, por estas características, ele funciona como um amortecedor de choques, minimizando impactos das mudanças no tamanho e peso do úbere que ocorrem de acordo se intensifica a produção de leite e idade da vaca. Ligamento suspensor lateral: Tecido fibroso não flexível, se origina dos ligamentos pré-púbico e subpúbico e recobre as laterais do úbere, onde se torna parte do tecido conjuntivo intersticial, formando uma rede suspensora e conferindo o formato do úbere. Lesões ou fraqueza do sistema suspensor levam a “queda” ou estiramento do úbere para baixo, tornando a ordenha mais difícil e aumentando a probabilidade de acidentes e ferimentos, nos tetos e úbere, devido a maior proximidade com o chão. Rede sanguínea A rede de artérias e veias que irrigam a glândula mamária é abundante, pois são elas que irão fornecer a quantidade ideal de sangue que chega até o úbere, uma vez que a produção de leite demanda muitos nutrientes e estes são trazidos via sangue. Estima-se que para produzir 1 litro de leite, 400 a 500 litros de sangue devem passar pelo úbere diariamente. Além disso, o sangue carrega os hormônios que irão controlar o desenvolvimento mamário, a síntese e ejeção do leite, bem como a regeneração do aparato glandular durante o período seco. A irrigação sanguínea do úbere da vaca origina-se da aorta distal, seguindo por uma rede de ramificações, até que se origina as artérias mamárias, adentrando a glândula mamária. O sangue retorna ao coração por veias que recebem nomes semelhantes as artérias, até desembocar na veia cava caudal. OBS: Existem amplas variações entre as espécies no que se refere à capacidade de armazenamento as vacas armazenam apenas 20 a 30% do seu leite nas cisternas, desse modo, a maior parte do leite produzido antes está nos alvéolos e nos sistemas de ductos. As cabras armazenam até 80% do seu leite nas cisternas, já as porcas não armazenam leite nas cisternas entre os períodos de amamentação. Fonte das imagens: Budras e Habel (2003) Rede linfática Durante a lactação, o fluxo sanguíneo do úbere forma grande quantidade de linfa (1,6 vezes maior que o volume de leite). A linfa circula por uma rede extensiva de vasos até os linfonodos supramamários localizados acima das glândulas caudais. Na vaca pouco antes do parto ou nas vacas com mastite, devido o aumento do fluxo de sangue pode haver acumulação de fluídos dentro do úbere caracterizando um edema, persistindo até que o sistema linfático seja capaz de remover o fluído extra. Rede nervosa Uma particularidade da glândula mamária é que ela não conta com inervação parassimpática, sendo encontradas apenas fibras nervosas simpáticas. O úbere possui receptores nervosos presentes em sua superfície, estes são sensíveis ao toque e à temperatura. A pele da teta tem grande quantidade de receptores sensoriais, especialmente nas proximidades do esfíncter da teta. Durante o preparo do úbere para ordenha, bem como a mamada ou ordenha em si, esses nervos são estimulados e iniciam o reflexo da descida do leite dos alvéolos, permitindo a liberação do mesmo. • Mamogênese A mamogênese corresponde ao processo de desenvolvimento e crescimento das glândulas mamárias. Para que lactação seja bem sucedida a mamogênese adequada é fundamental. Este processo inicia-se durante a vida intrauterina e estendem-se até o nascimento do filhote, podendo alcançar o início da lactação algumas espécies. Grande parte do crescimento das mamas ocorre durante a gestação (especialmente no terço final),entretanto, alterações nesse crescimento em qualquer período pode comprometer a futura reprodução e lactação. Desenvolvimento fetal: Nesta fase irá ocorre a formação das glândulas, cisternas e ductos principais. Entre os hormônios envolvidos nesse período estão o hormônio do crescimento (GH), esteroides adrenais e fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGFs). Antes da puberdade: Após o nascimento, ocorre uma intensa proliferação do tecido não secretório (estroma). Na fase pré-púbere, o crescimento das mamas é isométrico, pois, a taxa de crescimento mamário se dá de forma equivalente ao crescimento do resto do corpo. Os hormônios envolvidos são semelhantes aos que atuam no período fetal. Da puberdade à concepção: Intenso crescimento do parênquima com alongamento e ramificação do sistema de ductos e também proliferação do estroma (especialmente dos vasos sanguíneos). Crescimento alométrico (mais rápido que a taxa de crescimento do corpo), durante os primeiros ciclos estrais e depois volta à fase de crescimento isométrico após a concepção (nos bovinos o crescimento alométrico começa com 3 a 4 meses de vida e estende-se até depois da puberdade). Intensa influência do estrogênio, com colaboração da progesterona secretada na fase lútea e prolactina, levando a formação dos lóbulos e lobos (parênquima funcional) Da concepção até o parto: Fatores associados ao eixo materno fetal aceleram o crescimento alométrico, do parênquima com proliferação lobuloalveolar extensiva, assim até 95% do crescimento mamário total ocorre durante esse período. No início da gestação há o alongamento e ramificação dos ductos, enquanto os terços médio e final ocorre o desenvolvimento dos alvéolos. O crescimento mamário, especialmente no final da gestação, depende dos níveis elevados de estrogênio e progesterona. Há também secreções simultâneas de prolactina (PRL) e hormônio do crescimento (GH). Estes efeitos são potencializados pelo lactogênio placentário (apenas ruminantes), pois exerce atividade semelhante à PRL e ao GH. Insulina e os IGFs também estão envolvidos na mitose celular mamária, enquanto os hormônios tireóideos contribuem para a alta taxa metabólica. No período pré-parto as células alveolares proliferam e diferenciam em células secretórias, este processo requer um perfil hormonal orquestrado, que depende da redução da progesterona (devido a luteólise antes do parto). A C B Desenhos de cortes da glândula mamária da cabra em três diferentes momentos durante a gestação (150 dias) A (35º dia): Pequenas coleções de ductos espalhados pelo vasto estroma no 35º dia. B (92ª dia): Lóbulos começando a se formar em grupos conhecidos como lobos; secreção está presente em alguns lumens alveolares. C (120º dia): Os lóbulos de alvéolos estão quase completamente desenvolvidos; os alvéolos estão repletos de secreção, estroma reduzido com finas faixas separando os lóbulos e faixas mais espessas entre os lobos Imagem adaptada de: Cunningham (2014) • Lactogênese Refere-se ao processo de início da lactação é nesta fase que vai ocorrer a diferenciação das células alveolares mamárias, adquirindo assim a capacidade de secretar leite. O nível alto de progesterona durante a gestação impede a lactogênese, mas pouco antes do parto os níveis deste hormônio começam a decair, isso permite que permite que outros hormônios iniciem a diferenciação celular e a lactação. O estrogênio estimula a secreção de PRL, que por sua vez, estimula uma notável maturação das organelas (retículo endoplasmático rugoso e liso e aparelho de Golgi) das células alveolares assim inicia a diferenciação e as atividades enzimáticas necessárias à produção e secreção das proteínas, carboidratos e gorduras do leite. Este processo também recebe a influência de hormônios como GH, IGF, insulina e hormônios tireóideos LACTAÇÃO A lactação é definida como um processo combinado de secreção e remoção do leite que ocorre no último estágio do ciclo reprodutivo. A secreção do leite, envolve a formação do mesmo nas glândulas mamárias, este processo refere-se tanto a síntese intracelular dos componentes, como também a transferência destes do citoplasma para o lúmen alveolar, esse mecanismo é estimulado pela prolactina. A remoção nada mais é do que a condução do leite para o exterior, se dando através da ejeção do leite que está presente no lúmen alveolar e nas cisternas do teto e da glândula, este processo está sob responsabilidade da oxitocina. A lactação demanda integração sincrônica de diversos processos fisiológicos, que envolvem o desenvolvimento da estrutura glandular, a aquisição dos nutrientes essenciais à produção e respostas aos estímulos que promovem a ejeção, sendo estas etapas reguladas por mecanismos neuro- endócrinos. •Primeiro estágio da lactogênese, resulta na secreção de quantidades limitadas de leite. Diferenciação enzimática e citológica das células alveolares •É o segundo estágio, começa pouco antes do parto e, na maioria da espécies, estende-se por vários dias pós parto. Secreção copiosa de todos os componentes do leite Colostro A secreção do leite no pré-parto (sem remoção) resulta na formação do colostro. É importante ressaltar que a lactação não pode ocorrer completamente até que a gestação esteja a termo, devido aos efeitos inibitórios da progesterona e do estrógeno sobre a secreção do leite, tais fatores inibitórios decaem logo antes do parto, a secreção das células alveolares pré-parto forma o colostro. Apresenta aparência e composição diferentes do leite normal, contendo maior quantidade de proteínas, lipídios e aminoácidos que o leite, além de altos teores de várias vitaminas essenciais, uma exceção aos valores altos é a lactose, a sua síntese é inibida pela progesterona até o momento do parto. É importante que o neonato ingira o colostro imediatamente após o nascimento, pois apresenta as seguintes funções: Fornecimento de nutrientes importantes Efeito laxativo que ajuda a eliminar o mecônio Forncimento de lisozimas, lactoferrinas e lactoperoxidases, antimicrobianos importantes Fonte energética para os primeiros momentos do neonato TRANSFERÊNCIA DA IMUNIDADE PASSIVA DA MÃE PARA O NEONATO Os neonatos de todas as espécies domésticas adquirem anticorpos através da ingestão do colostro, uma vez que imunoglobulinas não são tranferidas através da placenta Filhotes que não ingerem colostro suficiente no período crítico neonatal são muito mais propensos a doenças. Mesmo que não morram por infecções, são normalmente mais fracos e não crescem tão rapidamente se comparados aos que ingeriram o colostro no período apropriado. As imunoglobulinas (anticorpos) estão em altas concentrações no colostro, eles são formados quando a mãe teve contato com organismos causadores de doenças ou recebeu determinadas vacinas, através do consumo do colostro, o neonato receberá imunidade passiva contra estes patógenos. Os neonatos apresentam um período limitado (24-36 horas) no qual as imunoglobulinas podem ser absorvidas pelo intestino, se o colostro não for ingerido nas primeiras horas, o revestimento interno do intestino não conseguirá absorver estas moléculas intactas, assim os anticorpos serão hidrolisados pelo processo digestivo, e a imunidade passiva não será transmitida. Vacinações e Imunidade Passiva Se um filhote de cão ou gato for vacinado enquanto ainda estiver com altos níveis de anticorpos maternos na sua corrente sanguínea, a vacina será inativada e não estimulará o sistema imune a sintetizar novos anticorpos. Porém, se esperar muito tempo para vacinar, poderá não haver mais a imunidade passiva, deixando o animal suscetível a infecções. A solução mais prática é vacinar o animal emsérie, com um certo intervalos de tempo entre as doses, emendando assim o período em que a imunidade passiva provavelmente terminaria, com a resposta protetora da vacina já aplicada. Leite O leite pode ser caracterizado como uma mistura complexa e nutritiva, nada mais é do que uma combinação de diversos elementos sólidos diluídos em água. Os elementos sólidos representam aproximadamente 12 a 13% do leite e a água, aproximadamente 87%. Os principais elementos sólidos do leite são lipídios (gordura), carboidratos, proteínas, sais minerais e vitaminas. As micelas de caseína (proteína) e os glóbulos de gordura são responsáveis pela maior parte das características físicas (estrutura e cor) encontradas nos produtos lácteos. Embora as estruturas anatômicas e os processos fisiológicos que resultam na produção do leite sejam semelhantes entre as espécies domésticas, a composição nutricional do produto resultante pode variar, dando características diferentes entre as espécies e até mesmo entre raças distintas de uma mesma espécie. Fonte da tabela: Venturini e Silva (2007) g/ml % % % % % % % % % % % % % % % % % % •O principal carboidrato do leite é a lactose. •É a principal fonte de energia dos recém-nascidos. •No leite há outros carboidratos livres, como a glicose e a galactose, mas em pequenas quantidades. •Compreende aproximadamente 52% dos sólidos totais do leite desnatado. •Controla o volume de leite produzido, atraindo a água do sangue para equilibrar a pressão osmótica na glândula mamária. A concentração de lactose no leite é de aproximadamente 5%. •É um dos elementos mais estáveis do leite, isto é, menos sujeito a variações. •A porcentagem de proteína é proporcional à quantidade de gordura presente no leite. Isso significa que quanto maior a percentagem de gordura no leite, maior será a de proteína. •Existem vários tipos de proteína no leite. A principal delas é a caseína, que apresenta alta qualidade nutricional e é muito importante na fabricação dos queijos. •Organiza-se na forma de micelas, que são agrupamentos de várias moléculas de caseína junto com cálcio, fósforo e outros sais. •A caseína não é facilmente alterada pelo calor, entretanto, quando ocorrem mudanças na acidez do leite, há rompimento da estrutura das micelas, o que faz a caseína precipitar e formar coágulos. •A gordura do leite está presente na forma de pequenos glóbulos, suspensos no líquido. •Cada glóbulo é envolvido por uma camada de membrana fosfolipídica, isto impede a união dos glóbulos e a gordura do leite é mantida na forma de suspensão. •A maior parte da gordura do leite é constituída de triglicerídios, que são formados por ácidos graxos ligados ao glicerol. •Serve de veículo para as vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), colesterol e outras substâncias solúveis em gordura, como os carotenóides, que cinfere ao leite sua cor amarelo-creme. •A concentração de gordura no leite varia geralmente entre 3,5 e 5,3%, em razão de diferenças entre raças, estágio da lactação e de acordo com a alimentação dos animais. •O cálcio e o fósforo do leite apresentam alta disponibilidade, em parte porque se encontram associados à caseína. Por isso, o leite é a melhor fonte de cálcio para o crescimento do esqueleto dos indivíduos jovens e para a manutenção da integridade dos ossos dos adultos. •O conteúdo de ferro é baixo. •O leite é uma importante fonte de vitaminas lipo e hidrosolúveis •Mais de dez vitaminas do complexo B são encontradas no leite. •O leite é uma fonte importante de vitamina C (ácido ascórbico), mas esta é rapidamente oxidada na presença de cobre em um produto biologicamente inativo. SÍNTESE DO LEITE Os produtos resultantes do processo fermentativo e digestivo, tais como aminoácidos, carboidratos e gorduras, são absorvidos no trato gastrointestinal. Após serem absorvidos, esses nutrientes são transportados pela corrente sanguínea até a glândula mamária, onde servem de base à síntese do leite. Síntese de carboidratos A molécula de glicose que adentra na célula pode servir como fonte de energia, uma parte porte convertidas em galactose, que é unida ao restante das moléculas de glicose formando o dissacarídeo lactose. Para que ocorra a junção da glicose com a galactose obrigatoriamente deve haver a produção prévia da enzima lactose-sintetase, esta é um complexo formado por outras duas enzimas (galactosiltransferase, que é comumente encontrada nos tecidos e α-lactalbumina específica do tecido mamário). Uma vez sintetizada, a lactose é acondicionada em vesículas para que sejam exportadas através de exocitose para o lúmen alveolar. enquanto a vesícula espera na célula para ser secretada, quantidades expressivas de água são incorporadas em consequência do efeito osmótico da lactose, por isso dizemos que esse carboidrato é o componente principal que contribui para a osmolaridade do leite. Nos animais não ruminantes a síntese da lactose depende diretamente do suprimento e digestão de açúcares e amidos presentes dieta. Síntese da gordura A síntese dos ácidos graxos ocorre no citoplasma das células e envolve a ação de enzimas que que reúne as cadeias de carbono. Os ácidos graxos acético e butírico produzidos no rúmen são usados como precursores dos lipídios de cadeia curta encontrados no leite, estes correspondem a metade da quantidade total de ácidos graxos que compõe a gordura do leite, sendo exclusivamente sintetizada no úbere. A composição da dieta dos ruminantes tem uma forte influência na concentração da gordura do leite, uma vez que a falta de fibra leva a baixa formação de acetato no rúmen, isso resulta na produção de leite com baixa concentração de gordura. A outra parte da gordura do leite é composta pelos ácidos graxos de cadeia longa, originados da dieta e da mobilização das reservas do organismo, na circulação que chega ao úbere estão moléculas de quilomícrons e lipoproteínas circulantes, então, lipases lipoproteicas presentes no tecido mamário decompõe os triglicerídeos presentes nessas moléculas de modo que possam entrar nas células alveolares. O glicerol necessário para unir 3 ácidos graxos formando um triglicerídeo vem da glicose. De onde vem a glicose que chega até a glândula mamária da vaca? A glicose da dieta é totalmente fermentada no rúmen, gerando ácidos graxos voláteis (AGV’s) sendo os principais o ácido acético, propiônico e butírico, com 2, 3 e 4 carbonos, respectivamente. O úbere lactente demanda grandes quantidades de glicose, assim, os AGV’s absorvidos pelas papilas ruminais chegam ao fígado, onde o ácido propiônico entra na via gliconeogênica, sendo convertido em glicose que é transportada pelo sangue para o úbere, onde é usada como fonte de energia para as células, como precursor de galactose e lactose, ou como fonte de glicerol necessária para síntese de gordura. Uma vez produzidos os triglicerídeos e outros produtos lipídicos formam microgotículas, que se reúnem em gotículas maiores à medida que avançam para a membrana apical da célula alveolar, ao atingirem a membrana da célula, a gota de gordura é englobada pela mesma, e então pequenos glóbulos se dispersam no leite, envolvidos pela membrana celular, vale lembrar que neste glóbulo normalmente contém porções de citoplasma celular. Deste modo a gordura presente no leite tem um revestimento fosfolipídico que permite a emulsificação dos glóbulos no meio aquoso do leite. Síntese de proteínas As proteínas presentes no leite são sintetizadas no retículo endoplasmático rugoso, a partir de aminoácidos que chegam até a glândula mamária via sangue, estes são resultantes da digestão da proteína alimentar, da digestão das proteínas microbianas que chegam até o abomaso ou do catabolismo de proteínas corporais. As imunoglobulinas são sintetizadas pelos plasmócitos (célulasdo sistema imune). Como são moléculas grandes, a permeabilidade das células secretórias às imunoglobulinas é alta durante a síntese de colostro, mas cai drasticamente com o início da lactação. Uma vez sintetizadas, são organizadas em micelas antes de serem liberadas por exocitose no lúmen alveolar. REMOÇÃO DO LEITE A manutenção da secreção ao longo de todo ciclo de lactação necessita que o leite seja removido da glândula mamária através da amamentação ou da ordenha. Sem remoção haverá o acumulo de leite na glândula levando ao aumento da pressão dentro dos alvéolos, e, quanto maior a pressão intramamária menor será a taxa de secreção de leite. A taxa de secreção de leite é mais alta logo depois da sua remoção por sucção ou ordenha, mas diminui drasticamente com o passar das horas. Por esse motivo a adoção de um intervalo mais curto entre as retiradas do leite pode aumentar a capacidade produtiva. Fonte da imagem: https://slideplayer.com.br/slide/2341415/ https://slideplayer.com.br/slide/2341415/ Para que ocorra a ejeção ou descida do leite é necessário que a ocitocina seja secretada pela hipófise posterior, via corrente sanguínea chegará ao úbere do animal e interage com receptores presentes nas células mioepiteliais que circundam os alvéolos. Essa interação hormônio-receptor provoca contração das células mioepiteliais, que força o líquido a sair do lúmen alveolar, sendo direcionado aos ductos que levam à cisterna da glândula. Mecanismos que levam a liberação da ocitocina A secreção de ocitocina pela neurohipófise é desencadeada por estímulos táteis que ativa receptores sensoriais existentes na teta, ou por estímulos condicionados, como por exemplo a presença, visão, vocalização e cheiro do filhote, aproximação e audição do equipamento de ordenha. A estimulação tátil das tetas ocorre durante a sucção promovida pelo filhote no momento da mamada, pelas mãos do ordenhador na ordenha manual ou durante a preparação do úbere para a ordenha mecânica. Após o estímulo a liberação de ocitocina podem ser detectadas na veia jugular em 30 s, e apresenta um tempo de ação relativamente curto (2 a 3 min), por isso, para se alcançar uma remoção máxima do leite alveolar é necessário estimulação contínua da teta durante todo o processo de remoção do leite, provocando assim a secreção pulsátil de ocitocina durante todo o processo de ordenha. OBS: No momento da mamada, o bezerro ao realizar a sucção produz vácuo dentro de sua boca e isto permite que o leite flua da teta para sua boca, enquanto os filhotes de cabra seguram a teta com a boca e usam a língua para espreme-la e retirar mecanicamente o leite de seu interior. Portanto, o bezerro simula o processo utilizado pela máquina de ordenha, enquanto os filhotes de cabra simulam o processo de ordenha manual. Fonte da imagem: https://www.sanarmed.com/fisiologia-da-lactacao-e-manutencao-da-producao-de-leite-colunista https://www.sanarmed.com/fisiologia-da-lactacao-e-manutencao-da-producao-de-leite-colunista INVOLUÇÃO É o processo que ocorre depois que cessa a ordenha ou aparta-se o bezerro da mãe, tais atitudes resultam em alterações estruturais e fisiológicas da glândula mamária. A atividade secretória diminui em consequência da elevação da pressão intramamária (pois não está havendo remoção do leite) o hipotálamo então libera dopamina, que inibe gradualmente a secreção de prolactina pela adenohipófise e consequentemente a secreção do leite pelas células alveolares. As vacas leiteiras podem manter suas estruturas alveolares por semanas da meses, precisando de um tempo mais longo para perderem completamente sua atividade secretória. O CICLO DA LACTAÇÃO Depois do parto, a produção de leite aumenta a uma taxa acelerada até alcançar o desempenho máximo e, em seguida, o volume diário de leite diminui progressivamente até o final da lactação. No gado leiteiro, a produção de pico normalmente ocorre entre 8 e 12 semanas depois do parto. Depois de alcançar a produção de pico, a produção diária de leite diminui em consequência da redução de eficiência e da perda de parte das células secretórias. As vacas que não engravidam podem continuar a amamentar indefinidamente se bem estimuladas, mas como a produção vai sempre decaindo, os custos financeiros da ordenha destes animais geralmente limita sua lactação produtiva a um período de 305 dias. Convencionalmente, as vacas de produção são inseminadas ou cobertas entre 55 e 60 dias após o último parto, dando sequência a gestação enquanto ainda estão lactando sem que ocorra interferências na produtividade. Os dois últimos meses de gestação normalmente é reservado para que o sistema secretor (alvéolos) e o excretor (ductos) regridam e sejam renovados, assim a vaca finaliza um período produtivo ao mesmo tempo em que se prepara para iniciar um novo ciclo de lactação. MANEJO DAS VACAS DURANTE A ORDENHA manejo correto das vacas é essencial para a eficiência da ordenha, se mal manejadas, as vacas podem liberar catecolaminas (epinefrina e norepinefrina) e estas interferem negativamente na descida do leite pois causam acentuada vasoconstrição, impedindo que quantidade suficientes de ocitocina se ligue as células mioepiteliais além de ativar outras respostas simpáticas. Ao contrário de quando são bem tratadas, e entram tranquilas na sala de ordenha, animais com um bom nível de bem-estar recompensam seus ordenhadores e proprietários aumentando em até 5,5% a produção de leite durante o período de lactação. Em contrapartida, há uma redução de 10% na produção quando as vacas estão sujeitas a situações estressoras. Fatores que ativam o sistema nervoso simpático destes animais: Maus- tratos Gritos e barulhos Cães latindo Baixa sanidade Dor O sistema eferente simpático inerva os músculos lisos que circundam os vasos sanguíneos, túbulos coletores e esfíncteres do mamilo, logo, uma vez ativado irá dificultar a ejeção do leite. Embora a maior parte do crescimento da glândula mamária já tenha ocorrido ainda durante a gestação, no pós parto as células apresentam um crescimento adicional, até seu estágio máximo de lactação Período em que se interrompe a lactação e inicia-se os processos de involução e regeneração das estruturas da gandula mamária, preparando-a para um novo ciclo de lactação, que pode ser notado no início do gráfico. O dia do parto é considerado o dia 0 do ciclo produtivo 1 Fonte das Imagens: 1- https://www.milkpoint.com.br/artigos/producao-de-leite/guia-rapido-para-nutricao-de-vacas-leiteiras-60707n.aspx 2- Cunningham (2014) 3- Dukes (2017) 2 3 Hormônios envolvidos no crescimento da glândula mamária e no início da secreção de leite Comparação das alterações estruturais que ocorrem durante a involução mamária de espécies leiteiras. CEM = células epiteliais mamárias. https://www.milkpoint.com.br/artigos/producao-de-leite/guia-rapido-para-nutricao-de-vacas-leiteiras-60707n.aspx REFERÊNCIAS BRITO, Maria Aparecida et al. Composição. In: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. EMBRAPA. Agência de informação da Embrapa: Agronegócio do leite. [S. l.], 2001. Disponível em: https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia8/AG01/arvore/AG01_128_21720039243.html. Acesso em: 1 maio 2021. BUDRAS, Klaus D.; HABEL, Robert E. Bovine anatomy: An Illustrated Text. 1. ed. Germany: Schlütersche, 2003. 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