Prévia do material em texto
João Crisóstomo dos Santos Neto ESTRUTURAS DE FUNDAÇÕES João Crisóstomo dos Santos Neto Estruturas de Fundações © 2023 by Universidade de Uberaba Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Universidade de Uberaba. Universidade de Uberaba Reitor: Marcelo Palmério • Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão: André Luís Teixeira Fernandes • Pró-Reitora de Ensino Superior: Heliodora Collaço • Pró-Reitor de Educação a Distância: Fernando Cesar Marra e Silva • Coordenadora de Produção Editorial: Erileine F. Rodrigues Carotenuto • Editoração e Arte: Editora Universitária Mario Palmério • Editoração: Érika Fabiana Mendes Salvador e Maria Bárbara Soares e Abrão • Revisão textual: Stela Maria Queiroz Dias e Vanessa de Oliveira Passos • Diagramação: Matheus Kaneko da Silva • Projeto da capa: Jessica de Paula Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central Uniube Conselho Editorial Juan José Mena - Universidad de Salamanca - Espanha Leonardo Campos de Assis - Uniube - Brasil Maria Heliodora do Vale Romeiro Collaço - Uniube - Brasil María Sol Villagomez Rodriguez - Universidad Politécnica Salesiana - Equador Marilene Ribeiro Resende - Uniube - Brasil Pedro José Santos Carneiro Cruz - UFPB - Brasil Raquel Varela - Universidade Nova Lisboa - Portugal Raul Sergio Reis Rezende - Uniube - Brasil Ricardo Baratella - Uniube - Brasil Sandra Campos Vilas Boas - Uniube - Brasil Sara Ferreira de Almeida - UFV - Brasil Santiago A. Holowaty - FCEQyN -UNaM - Posadas - Argentina Selva Guimarães - Uniube - Brasil Thiago Reis dos Santos - Uniube - Brasil Tiago Zanqueta de Souza - Uniube - Brasil Valéria Oliveira de Vasconcelos - UNIPLAC - Brasil André Luís Teixeira Fernandes - Uniube - Brasil Adriano Dawison de Lima - Uniube - Brasil Alberto Borges Peixoto - Uniube - Brasil Camila Ferreira Guimarães - Uniube - Brasil Danilo Seithi Kato - UFTM - Brasil Décio Gatti Júnior - UFU - Brasil Edilberto Pereira Teixeira - Uniube - Brasil Erileine Faria Rodrigues Carotenuto - Uniube - Brasil Fabiana Rodrigues de Sousa - USF - Brasil Fabiane Santana Previtalli - UFU - Brasil Fabrício Pelizer de Almeida - Uniube - Brasil Geraldo Thedei Junior - Uniube - Brasil Giuliana Cristina Marre Bruschi Thedei - Uniube - Brasil Iraí Maria Campos Teixeira - UFSCar - Brasil Jaime Caiceo Escudero - Universidad de Santiago - Chile Jorge Fabián Cabaluz Ducasse’s - Universidad Academia de Humanismo - Chile José Roberto Delalibera Finzer - Uniube - Brasil Santos Neto, João Crisóstomo dos. S59e Estruturas de fundações [livro eletrônico] / João Crisóstomo dos Santos Neto. – Uberaba: Universidade de Uberaba, 2023. 158 p. : il., color. Programa de Educação a Distância – Universidade de Uberaba. Inclui bibliografia. ISBN 978-85-7777-899-7. 1. Fundações (Engenharia). 2. Geotécnica. I. Universidade de Uberaba. Programa de Educação a Distância. II. Título. CDD 624.15 João Crisóstomo dos Santos Neto Graduação em Engenharia Civil e em Engenharia de Produção, ambas pela Universidade de Uberaba (Uniube). Especialização em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância pela Universidade Federal Fluminense (UFF). MBA em Gestão Estratégica de Projetos e Metodologias Ágeis pela Faculdade Descomplica. Possui mais de 10 anos de experiência em educação a distância e atualmente é coordenador geral do Programa de Pós-Graduação Lato Sensu, modalidade EaD|Digital, da Universidade de Uberaba (Uniube). Sobre o autor Apresentação .......................................................................................IX Capítulo 1 Investigações do subsolo ................................................. 1 1.1 Investigação geotécnica .......................................................................................... 6 1.2 Prospecção superficiais ........................................................................................... 6 1.3 Planejamento para investigação do solo ................................................................. 7 1.4 Sondagens ............................................................................................................... 8 1.4.1 Quantidade e locação das sondagens ........................................................... 9 1.4.2 Profundidade das sondagens....................................................................... 10 1.5 Sondagens de simples reconhecimento a percursão - SPT ................................. 13 1.5.1 Resistência do solo - SPT ............................................................................ 16 1.6 Sondagem de penetração estática ........................................................................ 20 1.7 Sondagem rotativa ................................................................................................. 21 1.8 Considerações finais.............................................................................................. 23 Capítulo 2 Fundações ........................................................................27 2.1 Tipos de fundações ................................................................................................ 30 2.2 Fundações superficiais .......................................................................................... 31 2.2.1 Sapata........................................................................................................... 32 2.2.2 Bloco ............................................................................................................. 35 2.3 Fundações profundas ............................................................................................ 36 2.3.1 Estaca pré-moldada ..................................................................................... 38 2.3.2 Estaca moldada in loco ............................................................................... 39 2.3.3 Tubulão ......................................................................................................... 44 2.4 Considerações finais.............................................................................................. 46 Capítulo 3 Dimensionamento de Sapatas - Parte I ......................... 49 3.1 Sapatas .................................................................................................................. 52 3.1.1 Classificação das sapatas quanto à rigidez ................................................. 52 3.1.2 Dimensionamento da sapata sob carga centrada ....................................... 53 3.1.3 Dimensionamento da sapata sob carga excêntrica ..................................... 54 3.1.4 Dimensionamento em planta da sapata ...................................................... 56 Sumário 3.1.5 Altura da sapata ............................................................................................ 60 3.2 Considerações finais.............................................................................................. 63 Capítulo 4 Dimensionamento de Sapatas - Parte II ........................ 67 4.1 Dimensionamento das armaduras da sapata ....................................................... 70 4.2 Sapata corrida ........................................................................................................ 76 4.2.1 Sapata corrida sob cargacentrada ............................................................... 77 4.3 Considerações finais..............................................................................................80 Capítulo 5 Blocos de fundação .........................................................83 5.1 Blocos de fundação ............................................................................................... 86 5.1.1 Comportamento estrutural dos blocos ......................................................... 87 5.2 Método das bielas .................................................................................................. 87 5.2.1 Inclinação das bielas .................................................................................... 88 5.3 Bloco de fundação sobre duas estacas ................................................................ 88 5.4 Considerações finais.............................................................................................. 97 Capítulo 6 Estacas - parte I ..............................................................101 6.1 Estacas ................................................................................................................ 104 6.1.1 Estacas de madeira .................................................................................... 105 6.1.2 Estacas metálicas ....................................................................................... 106 6.1.3 Estacas pré-moldadas ................................................................................ 108 6.1.4 Estacas moldadas inloco .......................................................................... 110 6.2 Critérios para a escolha da estaca ...................................................................... 110 6.3 Determinação do número de estaca ....................................................................111 6.4 Distribuição da estaca ...........................................................................................111 6.4.1 Critétios para a distribuição das estacas ................................................... 115 6.5 Considerações finais............................................................................................ 117 Capítulo 7 Estacas - parte II .............................................................121 7.1 Capacidade de carga das estacas ...................................................................... 124 7.2 Método de Decourt e Quaresma ......................................................................... 124 7.2.1 Cálculo da capacidade de carga ................................................................ 125 7.3 Considerações finais............................................................................................ 132 Capítulo 8 Tubulões ..........................................................................135 8.1 Tubulões............................................................................................................... 138 8.1.1 Elementos do tubulão ................................................................................. 139 8.1.2 Tipos de tubulão ......................................................................................... 140 8.2 Dimensionameto do tubulão ................................................................................ 142 8.3 Considerações finais............................................................................................ 145 Prezado(a) aluno(a), é um prazer tê-lo(a) conosco! Este e-book, intitulado Estruturas de Fundações, está dividido em 8 capítulos, dispostos na seguinte ordem: 1 – Investigação do Subsolo; 2 – Tipos de Fundações; 3 – Sapatas – Parte I; 4 – Sapatas – Parte II; 5 – Blocos de Fundações; 6 – Estacas – Parte I; 7 – Estacas – Parte II; 8 – Tubulões. No capítulo 01 – Investigação do Subsolo, iremos tratar sobre a importância em se realizar investigações do subsolo para as Estruturas de Fundações, bem como os métodos utilizados para a investigação geotécnica com destaque para os mais usuais. No capítulo 02 – Tipos de Fundações, faremos um abordagem referente aos principais tipos de fundação existentes, destacando os critérios básicos para realizar a escolha do melhor tipo de fundação a ser utilizada e os elementos utilizados na elaboração de um projeto de fundação. No capítulo 03 – Sapatas – Parte I, iremos verificar que a sapata pode ser considerada uma fundação superficial, sendo um das mais utilizadas. Por apresentarem determinadas características, as sapatas apresentam um custo relativamente baixo, agilidade em sua execução, além de não ser necessário utilizar equipamentos especiais. Apresentação X Uniube No capítulo 04 – Sapatas – Parte II, continuaremos nosso estudo referente às sapatas, em que iremos verificar que esse tipo de fundação é mais utilizada em solos estáveis, com boa resistência em suas camadas superficiais. Além disso, veremos que quando comparamos as sapatas com os demais tipos de fundação, elas se sobrepõempor conseguirem suportar grandes capacidades de cargas. No capítulo 05 – Blocos de Fundação, veremos que os blocos podem ser caracterizados como um elemento de fundação de base geralmente em planta quadrada ou retangular, que têm a função de distribuir as cargas provenientes dos pilares aos elementos de fundações profundas, tais como as estacas e os tubulões. Nos capítulos 06 e 07 – Estacas – Parte I e II, faremos uma abordagem sobre outro tipo de fundação: as estacas. Esse tipo de fundação são elementos estruturais esbeltos, que são colocados no solo através de cravação ou perfuração e tem como objetivo transmitir as cargas ao solos por meio de sua base (resistência de ponta), de sua superfície lateral (resistência lateral) ou por uma combinação de ambas. Por fim, no capítulo 08 – Tubulões, iremos observar que esse tipo de fundação é classificada como profunda e que pode ser constituída concretando-se um poço aberto no terreno da construção. Os tubulões são indicados em obras que terão cargas resultantes bastante elevadas, construídas em áreas que possuem dificuldade de adoção de outros tipos de fundação. Investigações do subsolo João Crisóstomo dos Santos Neto Estruturas de Fundações Capítulo 1 Introdução Neste capítulo, iremos falar sobre a importância da investigação do subsolo para as Estruturas de Fundações e os métodos de investigação geotécnica existentes, destacando aqueles que são os mais utilizados. Existem projetos que são desafiadores, como a ponte apresentada na Figura 1, onde se faz necessário um amplo conhecimento sobre Estruturas de Fundações. A partir do exemplo abaixo, é possível reconhecer a importância de conhecer os principais tipos de fundações existentes, bem como saber identificar qual a melhor fundação a ser utilizada para cada projeto. Figura 1 – Ponte Rama VIII da Tailândia Fonte: Getty Images. Acervo Uniube. Para a elaboração de um projeto de fundação, é fundamental que o projetista responsável tenha um amplo conhecimento do solo no qual irá projetar uma edificação. Na grande maioria dos casos, a investigação do subsolo é realizada através de sondagens de simples reconhecimentodapercursão (SPT), mas, dependendo do tipo e do porte da obra, pode ser necessária a utilização de outros métodos, como a sondagem rotativa por exemplo. Independentemente do tipo de obra, seja ela de grande ou pequeno porte, residencial ou comercial, é imprescindível a realização deensaios de sondagem. Porém, é comum observarmos que,na grande maioria dos projetos depequenas dimensões, nenhum tipo de investigação é realizada. Nesses casos, é realizada apenas uma avaliação visual do solo, o que não é recomendado. O conhecimento das características físicas do solo é importante não só para garantir segurança à edificação, mas também será fundamental para auxiliar e dar suporte ao projetista na escolha do melhor tipo de fundação a ser utilizada no projeto desenvolvido, trazendo, assim, economia para a obra, uma vez que é comum o superdimensionamento de projetos de fundações em casos em que não há necessidade. De acordo com alguns estudos realizados, estima-se que cercade 0,2% a 0,5% do valor do custo total da obra é destinado para esta fase do projeto. Como pode ser observado, o investimento que se faz com esse tipo de serviço é razoavelmente baixo, dada a sua importância, e não compromete o valor total do custo da obra. Além disso, é essa análise que dará ao projetista a segurança necessária paraa elaboração de um projeto que garanta a estabilidade da edificação projetada e,principalmente,a integridade de todos os seus ocupantes. Objetivos Após a leitura deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • explicar a importância da realização das investigações geotécnicas; • demonstrar os principais tipos de prospecções superficiais; • mostrar a real necessidade da utilização de sondagens do solo para a escolha do tipo de fundação; • aplicar as recomendações das normas técnicas na realização das sondagens. Esquema 1.1 Investigação geotécnica 1.2 Prospecções superficiais 1.3 Planejamento para investigação do solo 1.4 Sondagens 1.4.1 Quantidade e locação das sondagens 1.4.2 Profundidade das sondagens 1.5 Sondagem de simples reconhecimento a percursão– SPT 1.5.1 Resistência do solo - SPT 1.6 Sondagem de penetração estática – CPT 1.7 Sondagem rotativa 1.8 Considerações finais 6 Uniube Investigação geotécnica 1.1 Prospecção superficiais 1.2 De acordo com o item 4 da NBR 6122 - Projeto e Execução de Fundações (1996), as investigações de terrenos constituídos por solo, rocha, mistura de ambos ou rejeitos, para fins de projeto e execução de fundações, compreendem: a. Investigação de campo: • sondagens a trado; • poços e trincheiras; • sondagens de simples reconhecimento a percussão; • sondagens rotativas; • realização de provas de carga; • ensaios em geral. b. Investigação em laboratório: • caracterização; • resistência; • deformabilidade; • permeabilidade; • colapsibilidade; • expansabilidade. A prospecção superficial tem como objetivo a avaliação preliminar do solo em pequenas profundidades, auxiliando na escolha dos métodos e processos das demais fases de investigação. Esse tipo de investigação é utilizada em fundações rasas ou de pequenas cargas e os tipos mais usados são: Uniube 7 Planejamento para investigação do solo 1.3 Para a construção de uma edificação, é necessária a realização de diversas etapas ao longo de todo o projeto. Para que cada uma dessas etapas atinja o nível de qualidade desejada e atenda ao prazo estipulado para a sua realização, é necessário que exista um planejamento das atividades a serem desenvolvidas. E na etapa de investigação do solo não é diferente. Segundo Das (2007), a investigação do solo de uma determinada estrutura é dividida em quatro fases: a. compilação das informações existentes relacionadas à estrutura: nessa fase, são consideradas as informações da estrutura a ser construída, bem como sobre a sua utilização futura; b. coleta de informações existentes para as condições do subsolo: nessa fase, são obtidas informações já existentes do local, através de mapas geológicos, manuais de solos emitidos pelos departamentos rodoviários e relatórios de exploração do solo utilizados em estruturas próximas. É importante ressaltar que esse tipo de levantamento poderá proporcionar redução de custos consideráveis na programação de investigação; c. reconhecimento do local de construção proposto: durante essa fase, o engenheiro deve realizar uma inspeção visual do a. Abertura de poços ou trincheiras: permite a análise direta (táctil- visual) das camadas do solo; b. Prova de carga: é utilizada para fins de fundações por sapatas rasas, conforme NBR 6489 – Prova de carga direta sobre o terreno de fundação (1984); c. Sondagens a trado: têm como finalidade a coleta de amostras deformadas e devem ser realizadas conforme NBR 9603 – Sondagem a Trado (1986). 8 Uniube terreno, bem como da área circunvizinha, observando informações como o tipo de vegetação do local, acessibilidade do local, natureza da drenagem, rachaduras de estruturas vizinhas, entre outras informações pertinentes; d. investigação detalhada do local: essa fase se refere à realização da exploração do solo através de sondagens realizadas no local. Sondagens 1.4 Como já foi falado anteriormente, é fundamental que no início de qualquer tipo de obra seja feita a realização da investigação do solo, no intuito de obter o conhecimento necessário sobre as características físicas de uma determinada área. Para isso, são utilizadas as sondagens do solo. As sondagens são realizadas com o objetivo de determinar quais são as condições naturais do solo. De acordo com Rebello (2008), por meio desse procedimento é possível determinar o tipo do solo, as características físicas e, sobretudo, a sua resistência. Além disso, a sondagem permite a determinação do nível do lençol freático. Importante É comum imaginar que a etapa de investigação do solo se inicia diretamentecom a realização das sondagens. Observeque essa etapa do projeto é iniciada bem antes, com a análise da estrutura a ser projetada e do local em que ela será localizada. Uniube 9 Quantidade e locação das sondagens1.4.1 Para a determinação da locação e a quantidade de furos de sondagem que devem ser realizados em um terreno, deve ser considerada a NBR 8036 – Programação de Sondagens de Simples Reconhecimento dos Solos para Fundação de Edifícios (1983). De acordo com a norma citada, a quantidade de sondagens deve ser, no mínimo, de uma para cada 200 m² de área da projeção em planta para até 1200 m² de área. Para áreas cuja dimensão varie de 1200 m² a 2400 m², é necessário realizar uma sondagem para cada 400 m² que excederem 1200 m². Para terrenos de dimensões superiores a 2400 m², a quantidade de sondagens deverá seguir um plano particular da construção. Para quaisquer uma das circunstâncias acima citadas, o número mínimo de sondagens a serem realizadas deve ser: a. duas, para área de projeção de até 200 m²; b. três, para área entre 200 m² e 400 m². Em algumas situações, na fase de escolha de terreno, por exemplo, a disposição em planta da edificação poderá não estar finalizada. Nesses casos, a NBR 8036 estabelece que a distância das sondagens deverá ser no máximo de 100 m, sendo três o número mínimo a ser realizado. A norma ainda estabelece que as sondagens devem ser localizadas em planta e apresenta também alguns critérios referentes à locação delas: a. na fase preliminar e de planejamento, as sondagens devem ser dispostas igualmente em toda a área; já na fase de projetos, as locações das sondagens podem seguir critérios específicos que levem em conta pormenores estruturais. 10 Uniube b. em casos em que a quantidade de sondagens necessárias for maior que três, elas não devem ser dispostas ao longo de um mesmo alinhamento. Profundidade das sondagens1.4.2 Com relação à profundidade das sondagens, a NBR 8036 estabelece que ela deve ser determinada em função do tipo do edifício, das características da estrutura, das dimensões em planta, da forma da área carregada e das condições geotécnicas e topográficas do local do terreno. A norma diz ainda que as sondagens devem ser realizadas até a profundidade na qual o solo não seja mais solicitado pelas cargas Exemplificando 1) Considerando uma residência térrea com uma área de edificação projetada em planta de 10 por 30 m, determine, de acordo com a NBR 8036, a quantidade mínima de sondagens a serem realizadas: Com base nos dados fornecidos, verifica-se que a área de projeção em planta da residência é de 300 m². Assim, considerando o item 4.1.1.2 (a) da NBR 8036, deverão ser realizadas no mínimo 3 (três) sondagens. 2) Considerando um edifício residencial de 12 pavimentos, com uma área de edificação projetada em planta de 40 por 50 m, determine, de acordo com a NBR 8036, a quantidade mínima de sondagens a serem realizadas: Com base nos dados fornecidos, verifica-se que a área de projeção em planta do edifício é de 2000 m². Assim, considerandoo item 4.1.1.2 da NBR 8036, deverão ser realizadas no mínimo 8 (oito) sondagens. Uniube 11 Importante Existem casos em que a edificação pode apresentar uma planta composta por vários corpos. Nessa situação, a NBR 8036 estabelece que todos os critérios da norma se aplicam a cada corpo da edificação. A referida norma apresenta alguns critérios específicos em que a sondagem poderá ser interrompida antes de atingir a profundidade determinada: a) Quando a sondagem atingir uma camada do solo de compacidade ou consistência elevada, e as condições geológicas do local mostrarem não haver outras possibilidades de se chegar a outras camadas; b) Quando a sondagem atingir a rocha ou camada impenetrável à percussão, subjacente a solo adequado ao suporte da fundação. (NBR 8036, 1983, p. 3). De acordo com o item 4.1.2.5 da norma, em casos de corpos de fundações isolados e muito espaçados entre si, a profundidade da exploração deve ser determinada a partir da consideração simultânea da menor dimensão dos corpos de fundação, da profundidade dos seus elementos e da pressão estimada por eles transmitida. Para auxiliar na estimativa da profundidade das sondagens a serem realizadas, a NBR indica a utilização do gráfico a seguir (Figura 2): provenientes da estrutura, determinando como critério a profundidade onde o acréscimo de pressão no solo, em função das cargas estruturais a ele aplicadas, seja menor do que 10% da pressão geostática. 12 Uniube em que: q = pressão média sobre o terreno (peso específico dividido pela área em planta); Ƴ = peso específico médio estimado para os solos ao longo da profundidade em questão; M = coeficiente decorrente do critério definido no item 4.1.2.2 da NBR 8036; B = menor dimensão do retângulo circunscrito à planta de edificação; Figura 2 – Gráfico para estimativa da profundidade Fonte: ABNT – NBR 8036 (1983, p. 2). Uniube 13 Exemplificando Considere um edifício residencial de 8 pavimentos com as seguintes características: • área da edificação projetada em planta: 10 por 30 m; • carga distribuída sobre o terreno: 120 kN/m²; • peso específico médio estimado para o solo: 18 kN/m². Determine, de acordo com a NBR 8036, a quantidade mínima e a profundidade das sondagens a serem realizadas. Com base nos dados fornecidos, verifica-se que a área de projeção em planta do edifício é de 300 m². Assim, considerando o item 4.1.1.2 da NBR 8036, deverão ser realizadas no mínimo 3 (três) sondagens. Para a determinação da dimensão das sondagens, deve-se utilizar o gráfico para estimativa da profundidade (Figura 01). Para isso, devemos identificar as coordenadas nos eixos x e y: → eixo y: → eixo x: L = maior dimensão do retângulo circunscrito à planta de edificação; D = profundidade da sondagem. 14 Uniube Analisando o gráfico para estimativa de profundidade com os resultados acima encontrados, temos que: Com base nos dados fornecidos, verifica-se que a profundidade das sondagens deverá ser de 18 metros, atendendo ao item 4.1.2 da NBR 8036. Sondagens de simples reconhecimento a percursão - SPT 1.5 O ensaio SPT (Standard Penetration Test), também conhecido como Sondagem de Simples Reconhecimento a Percussão, é a mais tradicional forma de reconhecimento do solo e o método mais utilizadoentre os existentes, devido a sua simplicidade e facilidade na aplicação dos resultados. Em 2001, a sondagem SPT foi regulamentada no Brasil pela ABNT, através da NBR 6484- “Solo: Sondagens de simples reconhecimento com SPT – Método de ensaio”. De acordo com a referida norma, o método de execução de sondagens de simples reconhecimento – SPT tem como finalidade: a. a determinação do tipo de solo em suas respectivas profundidades; b. a determinação da posição do nível d’água; c. a determinação dos índices de resistência à penetração a cada metro. (NBR 6484, 2001, p. 1). A sondagem SPT (Figura 3) é realizada através de um equipamento composto por um tripé, do qual se deixa cair, de uma altura padrão de 75 cm, um martelo de ferro com peso de 65 Kg, de forma cilíndrica ou prismática. Esse peso faz penetrar nosolo um tubo de Uniube 15 aço (amostrador padrão) com diâmetro externo de 50,8 mm e diâmetro interno de 34,9 mm. (REBELLO, 2008). Figura 3 – Sondagem SPT Fonte: Elaborado pelo autor. De acordo com Cintra e Aoki (2008), a sondagem de simples reconhecimento (SPT) é executada em três fases, que são repetidas a cada metro de profundidade. As três etapas são: 1. Perfuração: essa etapa consiste na abertura de um furo. A NBR 6484 recomenda que a abertura seja iniciada com um trado concha para o primeiro metro e para as demais profundidades é indicada a utilização de um trado helicoidal. 2. Penetração: essa fase é a responsável pela determinação do índice de resistência à penetração do solo (NSPT) através da execução do ensaio, conforme NBR 6484. 16 Uniube 3. Amostragem: nessa etapa, é realizada a retirada do amostrador e posteriormente são identificados o tipo e as camadas de solo. A cada metro perfurado, deve ser realizado o ensaio de penetração dinâmica, conforme o item 6.3 da NBR 6484. No ensaio, deve ser anotado o número de golpes necessários para fazer com que o amostrador padrão penetre o solo, numa profundidade de 45 cm, divididos em segmentos de 15 cm, como pode ser observado através da Figura 4. Figura 4 – Penetração dinâmica - SPT Fonte: Elaborado pelo autor. Uniube 17 Resistência do solo - SPT1.5.1 O índice de resistência à penetração (NSPT) é a soma do número de golpes necessários para a penetração dos últimos 30 cm do amostrador padrão no solo. Como pode ser observado na Figura 03, os 15 cm iniciais são desconsiderados para a determinação do NSPT. Esse índice nos permite determinar parâmetros e propriedades, como a compacidade ou consistência do solo analisado, como pode ser observado na Tabela 1 a seguir: Para cada metro perfurado, são coletadas amostras deformadas do subsolo através do amostrador. Essas amostras são acondicionadas em sacos plásticos, com identificação, para posteriormente serem classificadas e identificadas táctil-visualmente, segundo os termos prescritos nas normas NBR 6502 – Rochas e Solos (1995) e NBR 7250 – Identificação e Descrição de Amostras de Solos Obtidas em Sondagens de Simples Reconhecimento dos Solos (1982). Estas amostras deverão ficar arquivadas por 30 dias após a data do ensaio, à disposição do cliente, e, posteriormente, poderão ser descartadas. De acordo com a NBR 6484, existem algumas situações em que a sondagem poderá ser paralisada: a. Quando, em 3 metros seguidos, forem necessários 30 golpes para a penetração do amostrador dos 15 cm iniciais; b. Quando, em 4 metros seguidos, forem necessários 50 golpes para a penetração do amostrador dos 30 cm iniciais; c. Quando, em 5 metros seguidos, forem necessários 50 golpes para a penetração do amostrador dos 45 cm iniciais. (NBR 6484, 2001, p.13). 18 Uniube SOLO ÍNDICE DE RESISTÊNCIA À PENETRAÇÃO DESIGNAÇÃO AREIAS E SILTES ARENOSOS ≤ 4 FOFO 5 → 8 POUCO COMPACTO 9 → 18 MEDIANAMENTO COMPACTO 19 → 40 COMPACTO >40 MUITO COMPACTO ARGILA E SILTES ARGILOSOS ≤ 2 MUITO MOLE 3 → 5 MOLE 6 → 10 MÉDIA 11 → 19 RIJA >19 DURA Tabela 1 – Classificação do solo Fonte: ABNT – NBR 7250 (1982, p. 3). Segundo Rebello (2008), existem diversas relações que levam em conta a tensão admissível do solo (σADM) e o número de golpes necessários para cravar os últimos 30 cm (NSPT). A fórmula a seguir, apesar de não levar em conta o tipo de solo, pode ser utilizada para, de forma rápida, determinar a tensão admissível do solo através dos valores encontrados no ensaio SPT. Existe um estudo elaborado por Chiossi (1987) em que é possível a determinação da resistência do solo por meio do número de golpes da sondagem SPT (Tabela 2). Diferentemente da fórmula mostrada anteriormente, nesse estudo o tipo de solo é considerado. Nos casos em que o número de golpes for um valor queesteja entre os citados Uniube 19 SOLO Nº DE GOLPES RESISTÊNCIA DO SOLO (kg/cm²) ARGILA < 4 0 →1 4 →8 1 →2 8 →15 2 →3,5 > 15 > 3,5 AREIA E SILTE < 5 1 →1,5 5 →10 1 →3 10 →25 2,5 →5 > 25 > 5 Tabela 2 – Resistência do Solo – SPT Fonte: Chiossi (1987, p. 53). É importante ressaltar que os valores encontrados através da fórmula e da tabela são genéricos e imprecisos, podendo ser utilizados para uma análise preliminar. Além disso, é importante destacar que, se os resultados obtidos através da tabela e da fórmula forem diferentes, como no exemplo mostrado anteriormente, devemos considerar, em favor da segurança, o de menor valor. Exemplificando Considerando a sondagem a seguir, determine a resistência do solo a 4 metros de profundidade. Para isso, utilize a fórmula e a tabela apresentadas: na tabela, esses valores deverão ser interpolados para encontrar a resistência do solo correspondente. 20 Uniube Para uma profundidade de 4 metros, temos N = 8 Exemplificando 1) Pela fórmula, tem-se: 2) Pela tabela, tem-se: Para argila: 4 a 8 golpes → 1,0 a 2,0 Kg/cm² Com isso, teremos que: Figura 5 – Exemplo de tipo de solo Fonte: Elaborado pelo autor. Uniube 21 Sondagem de penetração estática 1.6 A sondagem de penetração estática foi desenvolvida na década de 30 na Holanda e também é conhecida como Sondagem do Cone Holandês ou Cone Penetration Test - CPT. O equipamento para a realização desse tipo de ensaio possui hastes emendáveis que possuem em sua ponta um cone com um ângulo de 60º e uma área de 10 cm². (OLIVEIRA; BRITO,1998). Segundo Rebello (2008), a penetração do cone é realizada continuamente a uma velocidade de 1 cm/s, e o esforço requisitado para proceder com a penetração do cone no solo é registrado durante todo o processo. Nesse ensaio, é possível determinar a resistência de ponta (qc) e também o atrito lateral. Uma das vantagens desse tipo de sondagem em relação à sondagem SPTé que nesses métodos os resultados são registrados durante todo o procedimento, ou seja, por toda a profundidade, enquanto no segundo método a análise é considerada em apenas 30 cm por metro. Para a utilização da fórmula e tabela, apresentadas anteriormente, na determinação da resistência do solo, é necessário estabelecer uma relação entre os resultados dos ensaios CTP e SPT. Para isso, devemos utilizar a equação a seguir, que determina o Nspt, com base na resistência de ponta (qc), que deverá ser expresso em Mpa. A tabela a seguir (Tabela 3) apresenta os valores para K de acordo com o tipo de solo que será analisado: 22 Uniube Sondagem rotativa 1.7 Em alguns casos, é necessária a realização de sondagens em solos rochosos ou em terrenos em que a sondagem de simples reconhecimento apercussão não conseguiu penetrar o solo. Nesse tipo de situação, é utilizada a sondagem rotativa para a coleta de amostras. De acordo com a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento – CASAN (1997, p. 28), a sondagem rotativa pode ser definida como: TIPO DE SOLO K AREIA 0,60 AREIA SILTOSA * AREIA ARGILOSA * AREIA ARGILO-SILTOSA 0,60 SILTE * SILTE ARENOSO * ARGILA ARENOSA 0,60 SILTE ARENO-ARGILOSO * ARGILA SILTO-ARENOSA 0,38 SILTE ARGILOSO 0,30 ARGILA * ARGILA SILTOSA 0,25 Tabela 3 – Diâmetros mais comuns de furos e testemunhos Fonte: Rebello (2008, p.42). Exemplificando Considerando uma sondagem cujo qc seja igual a 2Mpa e o solo silte argiloso, determine o valor de NSTP: Uniube 23 um método de investigação que consiste no uso de um conjunto moto-mecanizado, projetado para a obtenção de amostras de materiais rochosos, contínuas e com formato cilíndrico, através da ação perfurante dada basicamente por forças de penetração e rotação que, conjugadas, atuam com poder cortante. A sondagem rotativa também pode ser caracteriza como um tipo de investigação geotécnica realizada com um tubo (barrilete) que possui uma peça cortante, feita com material que possui alta dureza (coroa) em sua extremidade, que penetra o terreno por meio de um movimento de rotação. Segundo Oliveira e Brito (1998), o equipamento utilizado para a realização da sondagem rotativa consta de uma sonda motorizada, bomba de água, hastes, barriletes e coroas, sendo que os dois últimos podem ter dimensões variadaspara permitir a execução das perfurações. A série de diâmetros padronizados é denominada com as letras EW, AW, BW, NW e HW, sendo que os diâmetros mais utilizados são o NW e HW (Tabela 4). DENOMINAÇÃO DIÂMETRO DO FURO (mm) DIÂMETRO DO TESTEMUNHO (mm) EW 37,71 21,46 AW 48,00 30,10 BW 59,94 42,04 NW 75,69 54,73 HW 99,23 76,20 Tabela 4 – Diâmetros mais comuns de furos e testemunhos Fonte: Oliveira e Brito (1998, p. 81). Na maioria dos casos em que há a necessidade da utilização da sondagem rotativa, ela é combinada com a sondagem do tipo SPT. Com a combinação desses dois tipos de métodos, a sondagem passa a ser 24 Uniube definida como mista. Essa situação ocorre quando se utiliza a sondagem SPT até uma determinada profundidade em que o amostrador não consegue mais penetrar o solo e, a partir daí, é dada continuidade à perfuração através da sondagem rotativa. Importante É importante ressaltar que para a penetração do amostrador em solos rochosos e consolidados através da sondagem rotativa, é necessário que o amostrador seja constituído de uma coroa de material robusto, por exemplo, diamante. Nas sondagens rotativas, é recomendado que o amostrador penetre o solo por pelo menos 4 metros de profundidade para ter a segurança de que não está atravessando um simples matacão. (REBELLO, 2008). Considerações finais 1.8 Como você pode observar durante a leitura deste capítulo,foram apresentados os procedimentos mais usuais para a investigação do solo, assim como as formas de interpretação dos resultados encontrados nesses procedimentos, para a avaliação da capacidade de resistência do solo. Essa fase inicial é importantíssima para o projeto das estruturas de fundações. Através de investigações geotécnicas bem realizadas, você terá as condições necessárias para definir qual o melhor tipo de fundação a ser utilizado em um determinado projeto. Uniube 25 Resumo Neste capítulo, iniciamos o nosso estudo referente às Estruturas de Fundações dando destaque: • aos tipos de investigações geotécnicas que podem ser realizadas em campo ou em laboratório; • aos métodos mais usados de prospecção superficial que são utilizados para uma análise preliminar do solo; • às fases do planejamento para a investigação do solo; • a informações importantes sobre sondagens, como quantidade, locação e profundidade delas; • à sondagem de simples reconhecimento a percussão - SPT, que é o procedimento mais utilizado nas investigações; • à sondagem de penetração estática, também conhecida como sondagem do cone holandês – CPT; • à sondagem rotativa, que é utilizada nos casos em que há a necessidade de penetração em solos rochosos. 26 Uniube Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122 – Projeto e Execução de Fundações. Rio de Janeiro, 1996. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6489 – Prova de carga direta sobre o terreno de fundação. Rio de Janeiro, 1984. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9603 – Sondagem a Trado. Rio de Janeiro, 1986. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8036 – Programação de Sondagens de Simples Reconhecimento dos Solos para Fundação de Edifícios. Rio de Janeiro, 1983. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6484 - “Solo: Sondagens de simples reconhecimento com SPT – Método de ensaio. Rio de Janeiro, 2001. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6502 – Rochas e Solos. Rio de Janeiro, 1995. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7250 – Identificação e descrição de amostras de solos obtidas em sondagens de simples reconhecimento dos solos. Rio de Janeiro, 1982. CASAN - COMPANHIA CATARINENSE E ÁGUAS E SANEAMENTO. Manual de Execuçãode Sondagens. Florianópolis, 1997. CHIOSSI, Nivaldo. Geologia Aplicada à Engenharia. 4. ed. São Paulo: Grêmio Politécnico, 1987. 239 p. CINTRA, José; AOKI, Nelson. Fundações por estaca: projeto geotécnico. São Paulo: Oficina de Textos, 2010. 96 p. DAS, Braja. Fundamentos de Engenharia Geotécnica. 6. ed. São Paulo: Thonsom, 2007. 561 p. Referências Uniube 27 GETTY Images. Disponível em: www.gettyimages.com.br. Acesso em: 22 abr. 2020. OLIVEIRA, Antônio; BRITO, Sérgio. Geologia de Engenharia. São Paulo: ABGE, 1998. 586 p. REBELLO, Yopanan. Fundações: guia prático de projeto, execução e dimensionamento. São Paulo: Zigurate, 2008. 240 p. Fundações João Crisóstomo dos Santos Neto Estruturas de Fundações Capítulo 2 Introdução Neste capítulo, iremos falar sobre os principais tipos de fundação existentes, os critérios básicos para a escolha do melhor tipo de fundação e os elementos necessários para a elaboração de um projeto. Como você poderá perceber ao longo deste capítulo, existem diversos tipos de fundações, que podem ser classificados como superficiais (também conhecidas como diretas ou rasas) ou profundas. Objetivos Após o estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • explicar a importância das fundações; • demonstrar os principais tipos de fundações superficiais e profundas; • mostrar as características e particularidades dos principais tipos de fundações; • aplicar as normas técnicas na elaboração de um projeto de fundação. Esquema 2.1 Tipos de fundações 2.2 Fundações superficiais 2.2.1 Sapata 2.2.2 Radier 32 Uniube 2.2.3 Bloco 2.3 Fundações profundas 2.3.1 Estaca pré-moldada 2.3.2 Estaca moldada in loco 2.3.3 Tubulão 2.4 Considerações finais Tipos de fundações 2.1 Como já foi falado anteriormente, as fundações são divididas em dois grandes grupos: fundações superficiais e fundações profundas. A NBR 6122 – Projeto e Execução de Fundações (2010) define esses dois grupos conforme a Tabela 1 a seguir: TIPOS DE FUNDAÇÃO DEFINIÇÃO FUNDAÇÃO SUPERFICIAL Elemento de fundação em que a carga é transmitida ao terreno pelas tensões distribuídas sob a base da fundação, e a profundidade de assentamento em relação ao terreno adjacente à fundação é inferior a duas vezes a menor dimensão da fundação. FUNDAÇÃO PROFUNDA Elemento de fundação que transmite a carga ao terreno ou pela base (resistência de ponta) ou por sua superfície lateral (resistência de fuste) ou por uma combinação das duas, devendo sua ponta ou base estar assente em profundidade superior ao dobro de sua menor dimensão em planta e no mínimo 3,0m. Tabela 1 – Tipos de fundações Fonte: NBR 6122 (2010, p. 2). Uniube 33 Fundações superficiais 2.2 As fundações superficiais, também conhecidas como diretas ou rasas, são caracterizadas por serem projetadas em profundidades de pequenas dimensões, por isso são executadas com pequenas escavações em valas rasas. Temos como exemplo de fundações superficiais as sapatas, os radiers e os blocos. A principal característica desse tipo de fundação é a transferência de cargas para o solo, que é realizada através da sua base (Figura 1). Com isso, as cargas pontuais, as provenientes dos pilares, por exemplo, são convertidas em cargas distribuídas ao longo de todo o elemento, fazendo assim com o que o solo seja capaz de suportar tal carga. Figura 1 – Distribuição de cargas Fonte: Elaborado pelo autor. 34 Uniube Tendo em vista que nesses tipos de fundações as cargas são transmitidas para as primeiras camadas do solo, é necessário que ele tenha resistência suficiente para suportar esses esforços. Para isso, é fundamental o reconhecimento do solo, que é obtido através das sondagens. Em virtude das dimensões de sua profundidade, as fundações superficiais são utilizadas em construções de pequeno porte. Em função dessa característica, segundo Milititsky, Consoli e Schnaid (2008), é comum que essas fundações sejam projetadas tendo como base as soluções de obras circunvizinhas e executadas sem a supervisão e acompanhamento de profissionais qualificados. Sapata2.2.1 De acordo com a NBR 6122 (2010), as sapatas podem ser caracterizadas como elementos de fundação superficial, que são dimensionados de modo que as tensões de tração nele resultantes sejam resistidas pelo emprego da armadura, especialmente disposta para esse fim. As sapatas são construídas em concreto armado e podem ter praticamente qualquer forma em planta, sendo os formatos mais utilizados as sapatas quadradas, retangulares e corridas. Segundo Hachich et. al (1998), em cálculos geotécnicos, uma sapata é considerada retangular quando o maior lado é menor que cinco vezes o menor lado( ). 2.2.1.1 Sapata isolada As sapatas isoladas são caracterizadas por uma placa de concreto armado, com uma base que pode ser quadrada, retangular ou circular, e é otipo de fundaçãomais frequentemente utilizado. Esse tipo de sapata é usado quando as cargas transmitidas pela superestrutura são pontuais Uniube 35 ou concentradas, como acontece com as cargas de pilares e as reações de vigas na fundação (vigas baldrames), por exemplo. Observe a Figura 2, que ilustra uma sapata isolada. Figura 02 – Sapata isolada Fonte: Elaborado pelo autor. 2.2.1.2 Sapata associada De acordo com Hachichet. al (1998), quando as cargas provenientes da superestrutura forem muito elevadas quando comparadas com a tensão admissível, ou quando houver proximidade entre mais de um pilar, poderá não ser possível a projeção de sapat asisola das para cada um desses pilares. Nesse caso, será necessário o emprego de uma única sapata para dois ou mais pilares, devendo a sapata ser centrada no centro de cargas dos pilares. Observe a Figura 3, que ilustra uma sapata associada. 36 Uniube Figura 3 – Sapata associada Fonte: Elaborada pelo autor. 2.2.1.3 Sapata de divisa Em alguns casos, o pilar poderá estar próximo à divisa do lote onde não será possível a projeção de uma sapata. Nessa situação, como a sapata deve estar dentro dos limites do terreno, não é possível coincidir o centro do elemento de fundação com o centro do pilar, causando assim uma excentricidade, que será eliminada com a utilização de uma viga alavanca.Observe a Figura 4, em que há a representação de uma sapata de divisa. Figura 4 – Sapata de divisa Fonte: Elaborado pelo autor. Uniube 37 Segundo a NBR6122 (2010), o radier pode ser caracterizado como um elemento de fundação superficial que abrange parte ou todos os pilares de uma estrutura, distribuindo os carregamentos provenientes da superestrutura sobre o terreno de maneira uniforme. Esse tipo de fundação é muito utilizada em pequenas construções e deve ser utilizado em terrenos que possuem o mesmo tipo de solo em toda a sua dimensão. Observe a Figura 5, em que temos uma ilustração de um radier. Figura 5 – Radier Fonte: Elaborado pelo autor. O bloco pode ser classificado, de acordo com a NBR 6122 (2010), como um elemento de fundação superficial de concreto, dimensionado de uma forma que as tensões de traçãonele resultantes possam ser resistidas pelo concreto, não sendo necessária a utilização de armadura. Os blocos podem ser dimensionados com seção quadrada ou retangular, com faces verticais inclinadas ou escalonadas.Observe a Figura 6: Bloco2.2.3 Radier2.2.2 38 Uniube Figura 6 – Bloco Fonte: Elaborado pelo autor. Os blocos de fundação são responsáveis pela equivalência na distribuição das cargas parao solo. Quando o sistema de blocos é utilizado, verifica-se que onde existir um pilar, deverá haver um bloco de fundação que distribuaacarga do pilar para o terreno. Os blocos podem ser feitos de pedra, tijolos maciços, concreto simples ou armado. Fundações profundas 2.3 Quando não for possível a utilização de fundação do tipo superficial, será necessária a projeção de uma fundação profunda. Uniube 39 Figura 7 – Fundação profunda Fonte: Elaborado pelo autor. Como pode ser observadona Figura 7, esse tipo de fundação transmite a carga nela resultante ao terreno, através de sua base (resistência de ponta - RP), por sua superfície lateral (resistência lateral - RL) ou por uma combinação das duas. Com relação à profundidade das fundações profundas, a NBR 6122 (2010) estabelece que a profundidade do assentamento deve ser superior ao dobro da menor dimensão em planta do elemento de fundação, conforme pode ser observado na Figura 8 a seguir. Figura 8 – Profundidade - Fundação Profunda Fonte: Elaborado pelo autor. 40 Uniube De acordo com Rebello (2008), as fundações profundas são classificadas como fundações moldadas in loco e pré-moldadas. Para as fundações moldadas in loco, é realizado, com equipamento próprio, um furo no solo, que em seguida é preenchido com concreto, que poderá ser ou não armado, dependendo da necessidade. Já nas fundações pré-moldadas, o elemento de fundação é executado na indústria, sendo em seguida cravado no solo por um equipamento adequado, o bate-estaca. In loco expressão latina que significa no local. A estaca pré-moldada é executada em indústrias especializadas, fornecida já pronta para utilização e cravada no solo através de um equipamento denominado bate-estaca.Esse equipamento consiste em uma torre metálica da qual é lançado um peso (pilão), que tem como objetivo cravar a estaca no solo. As estacas podem ser de aço ou concreto e, caso haja necessidade, elas podem ser compostas de dois materiais distintos. Em caso de solos mais rígidos, pode ser utilizada uma estaca mista, executada em concreto e aço, sendo que o aço irá facilitar a cravação do elemento no solo. Estaca pré-moldada2.3.1 Tipo Produtividade Capacidade de carga Profundidade máxima Estaca metálica 50 m diários, podendo ocorrer variações em função das características do solo, profundidade da fundação, condições do terreno e distância entre as estacas 20 A 200 tf Não possui limitação Tabela 2 – Características das estacas pré-moldadas Uniube 41 Segundo a NBR 6122 (2010), as estacas moldadas in loco são executadas através do preenchimento, podendo ser com concreto ou argamassa, das perfurações realizadas no terreno, determinadas pelo projeto estrutural de fundação. Por serem moldadas diretamente no local, logo após a escavação do solo, uma das vantagens desse tipo de estaca está na possibilidade de concretar apenas o comprimento recomendado. Além disso, as estacas moldadas in loco podem apresentar uma capacidade de carga superior quando comparadas com as estacas pré-moldadas. Estaca moldada in loco2.3.2 Estaca concreto 50 m diários, podendo ocorrer variações em função das características do solo, profundidade da fundação, condições do terreno e distância entre as estacas 25 A 170 tf 8 a 12 m, dependendo do tipo de estaca Fonte: Associação Brasileira de Cimento Portland-ABCP (2012, p.125). Entre os materiais disponíveis para a construção de estacas, Velloso e Lopes (2012) afirmam que o concreto é a melhor opção devido a sua resistência a agentes agressivos, além de suportar muito bem as alterações do meio. Além disso, com esse tipo de material é possível a projeção de estacas que suportem pequenas ou grandes capacidades de carga, dependendo da sua necessidade. 42 Uniube Importante Tendo em vista que as estacas moldadas in loco não possuem um controle de qualidade tão rigoroso quanto às estacas pré-moldadas, que são fabricadas em indústrias próprias, é importante que a equipe responsável pela sua execução seja capacitada. Por serem executadas após a realização da escavação do solo, outra vantagem que as estacas moldadas in loco apresentam é em relação à possibilidadede execução em solos de difícil penetração, em solos rochosos, por exemplo, onde as estacas pré-moldadas não conseguem penetrar. 2.3.2.1 Estaca Strauss A estaca Strauss é executada com a perfuração do solo, realizada através de uma sonda ou piteira e revestimento metálico. À medida que o material vai sendo lançado, o revestimento metálico vai sendo retirado, com simultâneo apiloamento do concreto, sendo esse procedimento realizado até que se atinja a cota desejada. (NBR 6122,2010). Em princípio, não é recomendável o uso da estaca Strauss abaixo do nível d’agua. Porém, é possível a sua aplicação nessas condições desde que a sua execução seja realizada com bastante cuidado e por profissionais experientes. Para a sua execução, é necessária a utilização da estaca Strauss em equipamento leve e econômico, por isso se trata de uma estaca que apresenta determinadas vantagens: Uniube 43 • ausência de vibrações nas edificações vizinhas; • fácil locomoção na obra; • possibilidade de execução da estaca de acordo com o comprimento projetado; • possibilidade de constatar a presença de detritos no solo durante a escavação; • possibilidade de utilização de estacas próximas às divisas; • utilização em edificações que possuem pé-direito reduzido; • autonomia para a execução em locais remotos. 2.3.2.2 Estaca Franki Segundo Hachich et. al (1998), a estaca tipo Franki é realizada em concreto armado, moldado no solo. Essa estaca possui uma base alargada e deve ser totalmente armada de acordo com a NBR 6122 (2010). Para a execução de uma estaca, Franki, Velloso e Lopes (2012) estabelecem as seguintes fases: • cravação do tubo; • execução da base alargada; • colocação da armadura; • concretagem da estaca. Pela forma como elas são executadas, as estacas Franki podem ser utilizadas em qualquer tipo de solo, bem como abaixo do nível da água, ao contrário das estacas Strauss. Esse tipo de estaca é normalmente aplicada em obras onde os pilares apresentam grandes cargas, e a sua utilização se torna viável economicamente em cargas superiores a 45 toneladas. 44 Uniube 2.3.2.3 Estaca escavada Para a execução das estacas escavadas, é necessária a retirada de material durante a sua perfuração. Esse tipo de estaca é moldada in loco e poderá ser executada com ou sem revestimento, podendo a escavação ser feita mecanicamente, com injeção ou com fluido estabilizante, segundo a NBR 6122. A escavação mecânica é feita com um trado mecânico, sem a utilização de revestimento ou fluidos estabilizantes. A escavação com injeção é realizada através de perfuração rotativa e injetada com calda de cimento por meio de um tubo com válvulas. Com relação à execução da perfuração com fluido estabilizante, a estabilidade da parede é alcançada através da utilização do referido fluido. 2.3.2.4 Estaca raiz A execução da estaca raiz é realizada através de um equipamento de rotação com circulação de água, lama bentonítica ou ar comprimido, podendo ter forma circular de até 410 mm. A execução de uma estaca raiz contempla quatro fases, conforme descreve Hachich et. al. (1998, p. 57): • perfuração; • instalação da armadura; • preenchimento com argamassa; • remoção de revestimento e aplicação de golpes de ar comprimido. 2.3.2.5 Estaca hélice contínua De acordo com Hachichet al. (1998), a estaca tipo hélice contínua é moldada in loco, feita em concreto, sendo sua execução realizada através Uniube 45 de um trado contínuo e injeção de concreto, sob uma pressão controlada, através de uma haste central do trado. Para a execução de uma estaca tipo hélice contínua, são realizadas as seguintes fases: • perfuração; • concretagem simultânea à extração da hélice contínua do terreno; • colocação da armação. Para Hachich et al. (1998), esse tipo de estaca apresenta alguns tipos de vantagens, tais como: • alta produtividade; • fácil adaptação em terrenos, exceto quando existem matacões e rochas; • a execução não apresenta distúrbios e vibrações nem causa descompressão do terreno e a perfuração não produz detritos poluídos por lama bentonítica. Porém a estaca tipo hélice contínua apresenta também algumas desvantagens quanto à sua utilização. São elas: • em virtude do porte do equipamento necessário para a sua execução,é recomendado que as áreas de trabalho sejam planas e com facilidade de movimentação; • é necessária também a presença de uma central de concreto próximo ao local da obra; • para a limpeza e remoção do material extraído através da perfuração, faz-se necessária a presença de uma pá-carregadeira; • apresentar limite do comprimento e da armação da estaca. (HACHICH et al., 1998). 46 Uniube Em determinados solos, as camadas rasas não apresentam a resistência prevista. Nessa situação, é necessária a utilização de tubulões, que são fundações mais profundas e sem a necessidade de técnicas mecanizadas. De acordo com Caputo (2008, p. 322), os tubulões podem ser definidos como: Fundações construídas concretando-se um poço aberto no terreno ou fazendo descer, por escavação interna, um tubo, geralmente de concreto armado ou de aço, que é posteriormente cheio com concreto simples ou armado. No caso de revestimento com tubo metálico, este poderá, ou não, ser recuperado. Observe a Figura 9, em que há a representação de um tubulão. Tubulão2.3.3 Figura 9 – Tubulão Fonte: Elaborado pelo autor. Uniube 47 Importante Conforme a NBR 6122, esse tipo de fundação profunda deve ser empregada acima do lençol freático, ou mesmo abaixo dele, desde que haja o risco de desmoronamento, que o solo se mantenha estável e que seja capaz de controlar a água do interior do tubulão, respeitando sempre as Normas de Segurança, em especial, a Portaria 3 215 do Ministério do Trabalho e Emprego - NR18. Os tubulões podem ser classificados em dois tipos básicos: a céu aberto e a ar comprimido. 2.3.3.1 Tubulão a céu aberto Devido à escavação da base ou do fuste ser realizada manualmente, é indicado que os tubulões a céu aberto sejam utilizados acima do nível do lençol freático. Porém nada impede que a escavação seja executada por meio do rebaixamento do lençol freático. A utilização desse tipo de tubulão é indicada principalmente em obras em que as cargas elevadas serão predominantes. Além disso, em locais onde poderá haver dificuldade de acesso de equipamentos mecanizados, recomenda-se também a utilização do tubulão a céu aberto. 2.3.3.2 Tubulão a ar comprimido Os tubulões a ar comprimido tem a sua execução realizada abaixo no nível do lençol freático. Por isso, é necessária a utilização de equipamentos específicos que sejam capazes de equilibrar a pressão interna com a pressão da água, fazendo com ele impeça a entrada de água. 48 Uniube Assim como os tubulões a céu aberto, os de ar comprimidosão indicados para obras que possuem cargas elevadas, como viadutos e pontes. Em virtude dos altos custos envolvidos, a utilização desse tipo de fundação não é tão comum quanto a das demais. Considerações finais 2.4 Como você pode observar durante a leitura deste capítulo, foram apresentados os tipos mais usuais de fundações existentes. É possível observar que cada um dos tipos apresentados possui suas características e particularidades, devendo o engenheiro projetista fazer a opção pela melhor escolha. Nos próximos capítulos, você irá verificar detalhadamente cada um dos tipos de fundações apresentados. Através deste estudo, você será capaz de fazer uma escolha correta da fundação que melhor irá atendê-lo, sendo capaz de projetar e dimensionar cada uma delas. Uniube 49 Referências Neste capítulo, demos continuidade ao nosso estudo referente às Estruturas de Fundações dando destaque: • aos tipos de fundações existentes, destacando os mais usuais; • às características de cada um dos tipos de fundações apresentadas; • a informações importantes, como as vantagens e desvantagens quanto à utilização de cada tipo de fundação; • à classificação das fundações, que podem ser superficiais ou profundas. Resumo 50 Uniube Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122 – Projeto e Execução de Fundações. Rio de Janeiro, 1996. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND-ABCP. 3.ed. São Paulo, 2012. CAPUTO, Homero. Mecânica dos Fluidos e suas Aplicações. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008. 498 p. HACHICH, Waldemar et al. Fundações: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Pini, 1998. 526 p. MILITITSKY, Jarbas; CONSOLI, Nilo; SCHNAID, Fernando. Patologia das Fundações. 2. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. 244 p. REBELLO, Yopanan. Fundações: guia prático de projeto, execução e dimensionamento. São Paulo: Zigurate, 2008. 240 p. VELLOSO, Dirceu; LOPES, Francisco. Fundações. São Paulo: Oficina de Textos, 2012. 568 p. Dimensionamento de Sapatas - Parte I João Crisóstomo dos Santos Neto Estruturas de Fundações Capítulo 3 Introdução A sapata é considerada um dos principais tipos de fundação superficial. Em função das suas características, esse tipo de fundação tem um custo relativamente baixo, rapidez em sua execução, além de não ser necessária a utilização de equipamentos especiais. Esse tipo de fundação é indicada para regiões de solos estáveis que apresentam uma boa resistência nas camadas superficiais. Quando comparada aos demais tipos de fundação superficial, as sapatas se sobrepõem pelo fato de suportar grandes capacidades de cargas da estrutura. Objetivos Após o estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • classificar as sapatas como rígidas ou flexíveis; • dimensionar uma sapata sob carga centrada; • dimensionar uma sapata sob carga excêntrica; • determinar a altura da sapata. Esquema 3.1 Sapatas 3.1.1 Classificação das sapatas quanto à rigidez 3.1.2 Dimensionamento da sapata sob carga centrada 3.1.3 Dimensionamento da sapata sob carga excêntrica 54 Uniube 3.1.4 Dimensionamento em planta da sapata 3.1.5 Altura da sapata 3.2 Considerações finais Sapatas 3.1 As sapatas podem ser identificadas como um elemento de fundação superficial, de altura relativamente baixa quando comparada com a dimensão de sua base, executada em concreto armado. Elas são caracterizadas por trabalharem a flexão. Observando todos os tipos de fundações existentes, podemos dizer que a sapata é a mais comum de todas. Devido à grande possibilidade de variação da sua configuração e a forma como a estrutura nela se apoia, existem alguns tipos de sapatas: sapata isolada, de divisa e associada. Classificação das sapatas quanto à rigidez3.1.1 De acordo com a NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto (2014), através da fórmula a seguir, é possível classificar as sapatas tendo como base a sua rigidez. Quando se atende a expressão a seguir, a sapata é classificada como rígida, caso contrário, como flexível: Uniube 55 Dimensionamento da sapata sob carga centrada3.1.2 As sapatas sob cargas centradas ocorrem quando a carga vertical proveniente do pilar se estende pelo centro da gravidade da sapata. Nesse tipo de situação, as tensões do solo na base da sapata são em que: h = altura da sapata; ap = dimensão do pilar na mesma direção; a = dimensão da sapata em uma determinada direção. Figura 1 – Dimensões da sapata Fonte: Elaborado pelo autor. Em virtude de suas características, as sapatas rígidas são mais utilizadas do que as sapatas flexíveis. Isso se deve ao fato de as sapatas rígidas sofrerem menos deformações por estarem menos sujeitas à ruptura e apresentarem maior segurança. As sapatas flexíveis possuem altura relativamente baixa, e, de acordo com a NBR 6118 (2014), esse tipo de sapata é recomendado para a fundação de estruturas de pequenas cargas e em solos considerados de baixa resistência. 56 Uniube distribuídas uniformemente e de maneira constante e podem ser obtidas através da razão entre a carga centrada e a área da sapata. Figura 2 – Sapata sob carga centrada Fonte: Elaborado pelo autor. em que: Fk= carga vertical proveniente do pilar (Nkx α) A = área da base da sapata. Dimensionamento da sapata sob carga excêntrica3.1.3 A carga vertical do pilar nem sempre será aplicada de forma centrada. Em alguns casos, essas cargas poderão ser aplicadas excentricamente em relaçãoao centro de gravidade da sapata, ocasionando momentos nos elementos de fundações. Figura 3 – Sapata sob carga excêntrica Fonte: Elaborado pelo autor. Uniube 57 Para determinar a excentricidade da força vertical em apenas uma direção, é necessário proceder com os cálculos das tensões máxima e mínima na sapata a partir das expressões referentes à flexão normal composta: em que: F = força vertical atuando na sapata; A = área da base da sapata; M = momento exercido sobre a sapata (M = F · e); W = módulo de resistência elástico. Para definirmos o módulo de resistência elástico da base da sapata (W), devemos utilizar a seguinte expressão: em que: a = maior dimensão da sapata b = menor dimensão da sapata Para determinar a excentricidade de carga em duas direções, devemos considerar asexpressões referentes à flexão oblíqua composta desde que a carga vertical esteja situada no núcleo central, o que pode ser verificado através das fórmulas a seguir: 58 Uniube Figura 4 – Sapata sob carga excêntrica Fonte: Elaborado pelo autor. Tendo a figura acima como exemplo, a tensão máxima estará localizada no ponto 4 e a tensão mínima no ponto 1. Para calcular a tensão em cada um dos pontos, utilizamos as seguintes expressões: Dimensionamento em planta da sapata3.1.4 Para a determinação das dimensões em planta de uma sapata, é necessário levar em consideração alguns fatores importantes, como a tensão admissível do solo, bem como a presença de outras fundações. Em sua grande maioria, as sapatas estão sujeitas a cargas excêntricas em função da ação do vento. Assim, elas devem ser dimensionadas de Uniube 59 modo que as tensões de compressão no solo não sejam superiores à tensão admissível. Nos casos das sapatas isoladas, o seu centro de gravidade (CG) deve ser o mesmo do centro de gravidade do pilar. Para o cálculo de sua área, deve ser considerado que a sapata esteja sujeita a uma carga centrada, ou seja, sem momentos. em que: Nk = força nominal do pilar; α = coeficiente relacionado ao peso próprio da sapata; σADM.SOLO= tensão admissível do solo. Importante Para as sapatas flexíveis, o coeficiente (α) deverá ser no valor de 1,05 e, para as sapatas rígidas, deve-se adotar o valor de 1,10 para esse mesmo coeficiente. Após a determinação da área da sapata, devemos definir as dimensões para cada um dos lados dos elementos. Para a definição desses valores, devemos observar os seguintes critérios: a. o centro de carga do pilar deve ser o mesmo do centro de gravidade da sapata; b. em nenhuma hipótese, a sapata poderá ter dimensão de algum dos seus lados inferior a 60cm; 60 Uniube c. quando possível, a relação entre os dois lados da sapata deve ser menor ou igual a 2,5; d. quando possível, os valores dos dois lados devem ser estimados de forma que os balanços da sapata (ap e bp) sejam iguais em ambas as direções. Para que seja possível atender ao item d, as dimensões da sapata estarão condicionadas diretamente à forma do pilar. Para pilares de seção retangular, o mais recomendado é a utilização de uma sapata também retangular. Em relação à definição das dimensões, deve-se observar as expressões a seguir, considerando os balanços da sapata: Exemplificando Dimensione uma sapata rígida para um pilar de dimensão 40 x 100 cm e carga de 4200kN. Considere a tensão admissível do solo igual a 0,3 Mpa. Considere Mk = 330 kN⋅m. → Determinação da área da sapata → Determinação das dimensões da sapata Uniube 61 → Determinação do módulo de resistência à flexão (W) → Determinação da tensão máxima sobre a sapata OBS.: Como a tensão máxima na sapata (327,90 kn/m²) é maior que a tensão admissível do solo (300 kn/m²), deve-se redimensionar a sapata. Adota-se: a = 445cm b = 385cm → Determinação do novo módulo de resistência à flexão (W) → Determinação da nova tensão máxima sobre a sapata → Determinação dos balanços OBS.: Para a execução da sapata, recomenda-se que as duas dimensões sejam projetadas em múltiplos de 5. Dessa forma, nesse caso, adota-se balanço igual a 1,75, passando as dimensões da sapata para a = 4,50 e b = 3,90m conforme figura abaixo: 62 Uniube Figura 6 – Sapara dimensionada Fonte: Elaborado pelo autor. Altura da sapata3.1.5 Para a determinação da altura de uma determinada sapata, devemos considerar os seguintes critérios: a. Rigidez da sapata: normalmente, as sapatas são dimensionadas de modo que sejam classificadas como rígida. As sapatas flexíveis são indicadas para situações em que a resistência do solo é baixa. • Sapatas flexíveis: • Sapatas rígidas: Uniube 63 em que: a = dimensão da base da sapata; ap = dimensão do pilar (na mesma direção analisada da sapata). b. Comprimento de ancoragem necessário às barras longitudinais do pilar: para que as forças nas armaduras sejam transferidas do pilar para a fundação, é necessário que a sapata tenha uma altura que seja capaz de atender à ancoragem, incluindo um cobrimento mínimo de proteção: em que: lb= comprimento de ancoragem; c = cobrimento. Na Tabela 1, a seguir, são apresentados os comprimentos de ancoragem, de acordo com a classe do concreto, em função do diâmetro, encontrados a partir das expressões encontradas na NBR 6118 (2014). CONCRETO SEM GANCHO COM GANCHO C15 53Ø 37Ø C20 44Ø 31Ø C25 38Ø 26Ø C30 33Ø 23Ø C35 30Ø 21Ø C40 28Ø 19Ø C45 25Ø 18Ø C50 24Ø 17Ø Tabela 01 – Comprimento de ancoragem Fonte: Adaptado de ABNT – NBR 6118 (2014). 64 Uniube Exemplificando Determine a altura da sapata dimensionada no exemplo anterior,considerando: - Classe do concreto:C25 - Aço das armaduras: CA-50 - Cobrimento das armaduras: 4,5cm - Diâmetro da barra de aço: 12,5mm • Rigidez da sapata Por tratar-se de sapata rígida, temos que: • Comprimento de ancoragem Tendo em vista a classe do concreto (C25), Aço CA-50, zona de boa aderência e barra sem gancho, temos: 38Ø Deve-se considerar o maior valor encontrado para as alturas, arredondando-o para cima em múltiplos de 5 cm., portanto: Uniube 65 Considerações finais 3.2 Como você pôde observar durante a leitura deste capítulo, foram apresentados os critérios que devem ser considerados no momento do dimensionamento das sapatas. Observando todos os tipos de fundações existentes, podemos verificar que sapata pode ser considerada a mais comum de todas devido à grande possibilidade de variação da sua configuração e à forma como a estrutura nela se apoia. 66 Uniube Resumo Neste capítulo, iniciamos o nosso estudo referente às sapatas dando destaque: • à classificação das sapatas quanto a sua rigidez; • aos critérios para o dimensionamento da sapata sob carga centrada; • aos critérios para o dimensionamento da sapata sob carga excêntrica; • ao detalhamento em planta da sapata; • ao dimensionamento da altura da sapata. Uniube 67 Referências ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6118:2014 – Projeto de estruturas de concreto. Rio de Janeiro: ABNT, 2014. Referências Dimensionamento de Sapatas - Parte II João Crisóstomo dos Santos Neto Estruturas de Fundações Capítulo 4 Introdução As sapatas são consideradas um dos principais tipos de fundações existentes. Isso ocorre devido às suas características, uma vez que possuem um custo relativamente baixo, rapidez em sua execução, além de não ser necessária a utilização de equipamentos especiais. As sapatas são indicadas para regiões de solos estáveis, que apresentam uma boa resistência nas camadas superficiais. Esse tipo de fundação, quando comparado com os demais, sobrepõe-se pelo fato de suportar grandes capacidades de cargas oriundas da estrutura. Neste capítulo, iremos determinar a armação necessária para que a sapata suporte a carga nela resultante. Objetivos Após o estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • dimensionar a armação de uma sapata; • determinar a armação necessária para uma determinada área de aço; • dimensionar uma sapata corrida.Esquema 4.1 Dimensionamento das armaduras da sapata 4.2 Sapata corrida 4.2.1 Sapata corrida sob carga centrada 4.3 Considerações finais 72 Uniube Dimensionamento das armaduras da sapata 4.1 Após o dimensionamento das dimensões e da altura das sapatas, deve-se dimensionar as armaduras que serão utilizadas. Para isso, devemos considerar uma seção de referência (S1A e S1B) ao longo dos elementos de fundação, perpendicular à superfície de apoio e situada na parte interna do pilar em 15%. em que: ap = dimensão do pilar Figura 1 – Seção de referência Fonte: Elaborado pelo autor. A seção de referência S1 apresenta um momento fletor que pode ser calculado, considerando a reação oriunda do solo que atua na área da base da sapata. O momento fletor das duas direções deve ser verificado, e o menor deles deverá ser no mínimo 1/5 do maior momento fletor encontrado. Uniube 73 Na verificação dos momentos fletores, não é necessário considerar o peso da sapata e o solo acima da fundação, pois esses fatores não resultam na flexão na sapata. Caso o momento fletor encontrado seja negativo, uma armadura positiva na parte superior da sapata deverá ser adotada. Conforme falado anteriormente, os momentos fletores deverão ser verificados nas duas direções, considerando as seções de referências S1A e S1B, relacionadas com os lados dasapata (a e b). Os balanços ca e cb podem ser encontrados através das seguintes equações: A pressão exercida sobre o solo pela sapata (reação do solo) pode ser obtida através da equação a seguir: OBS.: conforme falado anteriormente, não será necessário considerar o peso próprio da sapata e solo, apenas o coeficiente de ponderação da segurança. Observe a Figura 2: 74 Uniube Figura 2 – Seções de referência Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. As distâncias Xa e Xb, que correspondem à dimensão das seções de referências (S1A e S1B), podem ser encontradas através das expressões abaixo: Considerando a pressão exercida no solo, em cada uma das áreas de influência, é possível determinar a força resultante, conforme pode ser observado através da Figura 3 e das expressões a seguir: Figura 3 – Pressão do solo Uniube 75 A partir das expressões apresentadas, podemos determinar os momentos fletores das seções de referências (S1A e S1B): Nas sapatas que apresentam superfícies superiores inclinadas, a seção comprimida de concreto possui uma forma de trapézio, e o cálculo das armaduras de flexão deve partir dessa consideração. Porém, para simplificar esse cálculo, pode ser considerada uma seção retangular: No intuito de evitar ocorrências com o preenchimento do concreto entre as barras e minimizar a possibilidade do aparecimento de fissuras, é recomendado que as barras da armadura de flexão tenham um espaçamento que varie de 10 a 20cm. De acordo com a NBR 6118 (2014), a armadura de flexão deve ser distribuída de forma uniforme por toda a extensão da sapata, de face a face, devendo terminar com gancho em ambas as extremidades. Importante Para sapatas quadradas, a armadura de flexão deve ser distribuída uniformemente, paralela aos lados da sapata. Já nas sapatas retangulares, a armadura paralela ao maior lado (a) deve ser distribuída de forma uniforme sobre o menor lado (b). 76 Uniube Para auxiliar na determinação no diâmetro e na quantidade de barras a serem utilizadas, podemos utilizar a Tabela 1 a seguir: Espaçamento (cm) Diâmetro Nominal (mm) 4,2 5 6,3 8 10 12,5 5 2,77 4,00 6,30 10,00 16,00 25,00 5,5 2,52 3,64 5,73 9,09 14,55 22,73 6 2,31 3,33 5,25 8,33 13,33 20,83 6,5 2,13 3,08 4,85 7,69 12,31 19,23 7 1,98 2,86 4,50 7,14 11,43 17,86 7,5 1,85 2,67 4,20 6,67 10,67 16,67 8 1,73 2,50 3,94 6,25 10,00 15,63 8,5 1,63 2,35 3,71 5,88 9,41 14,71 9 1,54 2,22 3,50 5,56 8,89 13,89 9,5 1,46 2,11 3,32 5,26 8,42 13,16 10 1,39 2,00 3,15 5,00 8,00 12,50 11 1,26 1,82 2,86 4,55 7,27 11,36 12 1,15 1,67 2,62 4,17 6,67 10,42 12,5 1,11 1,60 2,52 4,00 6,40 10,00 13 1,07 1,54 2,42 3,85 6,15 9,62 14 0,99 1,43 2,25 3,57 5,71 8,93 15 0,92 1,33 2,10 3,33 5,33 8,33 16 0,87 1,25 1,97 3,13 5,00 7,81 17 0,81 1,18 1,85 2,94 4,71 7,35 17,5 0,79 1,14 1,80 2,86 4,57 7,14 18 0,77 1,11 1,75 2,78 4,44 6,94 19 0,73 1,05 1,66 2,63 4,21 6,58 20 0,69 1,00 1,58 2,50 4,00 6,25 22 0,63 0,91 1,43 2,27 3,64 5,68 24 0,58 0,83 1,31 2,08 3,33 5,21 25 0,55 0,80 1,26 2,00 3,20 5,00 26 0,53 0,77 1,21 1,92 3,08 4,81 28 0,49 0,71 1,12 1,79 2,86 4,46 30 0,46 0,67 1,05 1,67 2,67 4,17 33 0,42 0,61 0,95 1,52 2,42 3,79 Tabela 1 – Área de armadura (cm²/m) Fonte: Pinheiro (1994, p. 65). Uniube 77 Exemplificando Determine a área de aço necessária para uma sapata de 2,80 x 2,40 m e 70 cm de altura de um pilar de 70 x 30 cm que transfere uma carga de 1500 kN. Considere CA-50, coeficiente de ponderação de segurança igual a 1,4 e d = h –5. → Determinação da pressão exercida sobre o solo: → Determinação dos balanços da sapata: → Determinação de Xa e Xb → Determinação dos momentos fletores: → Determinação da área de aço: 78 Uniube Sapata corrida 4.2 De acordo com a NBR 6122 – Projeto e Execução de Fundações (2010), a sapata corrida é um elemento de fundação sujeito à ação de uma carga distribuída linearmente ou de pilares ao longo de uma mesmo alinhamento. Assim como os demais tipos de sapatas, esse tipo também pode ser classificado como rígido ou flexível, de acordo com critérios da NBR 6118. Observe a Figura 4. Figura 4 – Sapata corrida Fonte: Elaborado pelo autor. Uniube 79 Fonte: Elaborado pelo autor. No dimensionamento de uma sapata corrida, é recomendado sempre que possível que a sua altura h seja maior ou igual que 15 cm e a altura h0 maior ou igual a 10 ou 15cm. A altura H0 refere-se à altura da base da sapata e h, à sua altura total, como pode ser observado na Figura 5 a seguir. Figura 5 – Altura da sapata corrida Sapata corrida sob carga centrada4.2.1 A utilização de sapatas corridas rígidas é indicada em situações que apresentam muros ou paredes com cargas relativamente altas, bem como sobre solo que possui boa capacidade de suporte. A determinação da armadura principal deve ser dimensionada para a força , conforme a Figura 6ª seguir: 80 Uniube Figura 6 – Força sobre a sapata Fonte: Elaborado pelo autor. Para determinar a força , utiliza-se a seguinte expressão: Após a determinação de Tx, é possível determinar a armadura principal da sapata. Para isso, utiliza-se a expressão: Para determinação da armadura secundária (distribuição), devemos adotar o maior valor dos critérios apresentados a seguir: Uniube 81 Exemplificando Determine a área de aço de uma sapata rígida sob uma parede corrida de concreto de 25 cm de largura com uma carga vertical igual a 250 kN/m e tensão admissível do solo igual a 0,15Mpa. Considere CA-50. → Determinação da área da base sapata → Determinação do balanço da sapata → Determinação da altura da sapata → Determinação da armadura principal → Determinação do espaçamento da aramação (adotando 82 Uniube → Determinação da armadura secundária Armação = Ø 5,0 c/ 20cm Considerações finais 4.3 Como você pôde observar durante a leitura deste capítulo, foram apresentados os critérios que devem ser considerados no momento do dimensionamento de uma sapata corrida, bem como a armação necessária para que as sapatas possam suportar os esforços aplicados sobre ela. Uniube 83 Referências Neste capítulo, finalizamos o nosso estudo referente às sapatas dando destaque: • à armação das sapatas; • aos critérios para o dimensionamento da armação das sapatas; • ao dimensionamento de uma sapata corrida. Resumo 84 Uniube Referências ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6118:2014 – Projeto de estruturas de concreto. Rio de Janeiro: ABNT, 2014. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122 – Projeto e Execução de Fundações. Rio de Janeiro, 1996. PINHEIRO, L.M.; BARALDI, L.T.; POREM, M.E..Concreto Armado: ábacospara flexão oblíqua. São Carlos, Departamento de Engenharia de Estruturas, Escola de Engenharia de São Carlos – USP, 1994. Blocos de fundação João Crisóstomo dos Santos Neto Estruturas de Fundações Capítulo 5 Introdução Os blocos podem ser caracterizados como um elemento de fundação que apresenta uma base geralmente quadrada ou retangular eque têm a função de distribuir as cargas proveniente dos pilares aos elementos de fundações profundas, tais como as estacas e os tubulões. O dimensionamento dos blocos de fundação é semelhante ao das sapatas, diferenciando-se pelo fato de se ter cargas concentradas no bloco devido à reação das estacas. O comportamento estrutural e o dimensionamento dos blocos dependerãoda sua classificação quanto à rigidez, tendo como base os mesmos critérios das sapatas. Dessa forma, os blocos são classificados como flexíveis ou rígidos. Objetivos Após os estudos deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • verificar a importância dos blocos de fundação; • observar o comportamento estrutural dos blocos de fundação; • dimensionar um bloco de fundação sobre duas estacas. Esquema 5.1 Blocos de fundação 5.1.1 Comportamento estrutural dos blocos 5.2 Método das bielas 5.2.1 Inclinação das bielas 5.3 Bloco de fundação sobre duas estacas 5.4 Considerações finais 88 Uniube Blocos de fundação 5.1 De acordo com a NBR 6118 (2014), os blocos de fundação podem ser caracterizados como estruturas de volume, responsável por transmitirem às estacas e aos tubulões as cargas neles resultantes. Os blocos podem ser classificados como rígidos ou flexíveis, conforme critério idêntico ao das sapatas. Veja Figura 1 a seguir: Figura 1 – Blocos de fundação Fonte: Elaborado pelo autor. Os blocos de fundação podem ser dimensionados para n estacas. A capacidade de carga desse elemento de fundação e a característica do solo influenciarão o número de estacas necessárias. No caso de pequenas edificações, onde a carga proveniente do pilar é pequena, geralmente se utiliza uma ou duas estacas. Já para as grandes obras, é comum que se utilizem mais de duas estacas. Uniube 89 Método das bielas 5.2 O método das bielas é caracterizado por admitir no interior do bloco uma treliça espacial que é constituída de: • barras tracionadas (tirantes), situadas no plano médio das armaduras. Esse plano é horizontal e se localiza acima do plano de arrasamento das estacas; • barras comprimidas e inclinadas (bielas). As bielas têm suas extremidades de um lado na intersecção com as estacas do outro na interseção com opilar. Nos casos de blocos de fundação, submetidos a cargas não centradas, o método das bielas também poderá ser utilizado com Comportamento estrutural dos blocos5.1.1 Ainda de acordo com a NBR 6118 (2014), os blocos de fundação rígidos são caracterizados pelo: • trabalho à flexão nas duas direções, mas com trações essencialmente concentradas nas linhas sobre as estacas; • forças transmitidas do pilar para as estacas, essencialmente por bielas de compressão, de forma e dimensões complexas; • trabalho ao cisalhamento também em duas direções, não apresentando ruínas por tração diagonal, e sim por compressão das bielas, analogamente às sapatas. A NBR 6118 (2014) estabelece que para os blocos de fundação flexíveis deve ser realizada uma análise mais completa, que vai desde a distribuição dos esforços junto às estacas, dos tirantes de tração, até a verificação da punção. 90 Uniube a estaca mais carregada desde que se trabalhe com as formulações de equilíbrio de forças. Inclinação das bielas5.2.1 O bloco de fundação deve permitir a ancoragem das barras longitudinais dos pilares, bem como ter altura necessária para que seja possível a transmissão direta do carregamento, que vai desde a base do pilar até o topo das estacas, através das bielas comprimidas. Dessa forma, é recomendado que o ângulo de inclinação das bielas obedeça ao seguinte critério: Bloco de fundação sobre duas estacas 5.3 Primeiramente, deve ser verificada a força atuante nas estacas conforme Figura 2 a seguir: Figura 2 – Força atuante nas estacas Fonte: Elaborado pelo autor. Uniube 91 Para determinar a força máxima que atua nas estacas, é necessário utilizar a seguinte expressão: em que: 1,02 = coeficiente relacionado ao peso próprio do bloco e do solo sobre o bloco. Após, calcula-se a força atuante sobre o bloco. Para isso, deve-se multiplicar a força máxima pela quantidade de estacas utilizada e pelo coeficiente de majoração de segurança (1,4). Em seguida, deve-se calcular a altura do bloco. Para que as bielas comprimidas não apresentem risco de ruptura por punção, deve-se obedecer à condição de que 40º ≤ α ≤ 55º, conforme já explicado anteriormente. Pode-se determinar o ângulo α através da seguinte expressão: em que: ap = dimensão do pilar e = distância entre os centros das estacas. 92 Uniube Dessa forma, tendo como base a variação do ângulo α, dMÍN e dMÁX podem ser determinados utilizando as seguintes expressões: Segundo a NBR 6118 (2014), é necessário que o bloco de fundação tenha uma altura que seja capaz de permitir a ancoragem da armadura de arranque dos pilares. Para isso, devemos considerar a Tabela 1 a seguir: CONCRETO SEM GANCHO COM GANCHO C15 53Ø 37Ø C20 44Ø 31Ø C25 38Ø 26Ø C30 33Ø 23Ø C35 30Ø 21Ø C40 28Ø 19Ø C45 25Ø 18Ø C50 24Ø 17Ø Tabela 1 – Comprimento de ancoragem Fonte: Adaptado de ABNT – NBR 6118 (2014). É importante ressaltar que a armadura longitudinal vertical do pilar estará ancorada no interior do pilar desde que: em que: lb = comprimento de ancoragem do pilar. Uniube 93 Quando d <lb, podemos fazer um “colarinho”, que consiste no alargamento da seção do pilar sobre o bloco, no intuito de aumentar a altura para a ancoragem da armadura do pilar. Figura 3 – Colarinho Fonte: Elaborado pelo autor. A altura total do bloco será determinada por: Sendo que é igual a: ou em que: 94 Uniube Após a determinação da altura do bloco de fundação, deve-se fazer a verificação das tensões atuantes. Para isso, inicia-se com o cálculo da tensão limite: em que: Kr = coeficiente que considera a perda de resistência do concreto ao longo da sua vida útil em função das cargas permanentes. Esse coeficiente varia de 0,9 a 0,95. Para eliminar a chance de esmagamento do concreto, as tensões atuantes nas estacas e no pilar devem ser inferiores à tensão limite. Após o cálculo da tensão limite, deve-se calcular a tensão de compressão na biela relativa à estaca: em que: Após o cálculo da tensão atuante no pilar, deve-se calcular a tensão de compressão na biela relativa ao pilar: em que: Uniube 95 Após a verificação das tensões atuantes, inicia-se o cálculo da armação necessária para o bloco de fundação. A armadura principal, que fica disposta sobre o topo das estacas, pode ser encontrada através da seguinte equação: Segundo a NBR 6118 (2014), as armaduras de laterais (pele) e as superiores são obrigatórias em blocos de fundação com duas ou mais estacas dispostas em uma única linha. Em casos de blocos com grande volume, é necessária uma análise da necessidade de armaduras complementares. A armadura superior pode ser determinada como uma parcela de 20% da armadura principal: Já a armadura de pele pode ser obtida através da expressão a seguir: em que: B = largura do bloco. 96 Uniube Exemplificando Dimensione as armaduras de um bloco para um pilar de 25 x 35 cm, com carga igual a 750 kN, sobre duas estacas com capacidade de carga de 400kN e diâmetro de 35 cm. Considere ainda: Mx = 430kN My = 460kN Classe de Concreto:C25 Diâmetro das barras do pilar: 20mm - Kr: 0,95 → Determinar as dimensões do bloco: → Determinaçãoda força máxima que atua nas estacas: → Determinação da força sobre o bloco Uniube 97 → Determinação da altura do bloco (Não OK) Como d <lb, deve-se fazer um “colarinho”, que consiste no alargamento da seção do pilar sobre o bloco,no intuito de aumentar a altura para a ancoragem da armadura do pilar 98 Uniube → Verificação das tensões: • Tensão limite • Tensão atuante na estaca • Tensão atuante no pilar → Determinação da armadura do bloco: • Armadura principal Uniube 99 • Armadura superior • Armadura de pele Considerações finais 5.4 Neste capítulo, foram apresentados os critérios que devem ser considerados no momento do dimensionamento dos blocos de fundação. Os blocos de fundação podem ser dimensionados para n estacas. A capacidade de carga desse elemento de fundação e a característica do solo influenciarão o número de estacas necessárias. 100 Uniube Resumo Neste capítulo, finalizamos o nosso estudo referente ao blocos de fundação dando destaque: • à conceituação dos blocos de fundação; • ao comportamento estrutural dos blocos de fundação; • ao estudos do método das bielas; • ao dimensionamento de um bloco de fundação sobre duas estacas. Uniube 101 Referências ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6118:2014 – Projeto de estruturas de concreto. Rio de Janeiro: ABNT, 2014. Referências Estacas - parte I João Crisóstomo dos Santos Neto Estruturas de Fundações Capítulo 6 Introdução As estacas são elementos estruturais esbeltos que, colocados no solo por cravação ou perfuração, têm a finalidade de transmitir cargas a ele, através da sua base (resistência de ponta), por sua superfície lateral (resistência lateral), ou por uma combinação das duas. As estacas recebem esforços axiais de compressão, que são resistidos pela reação exercida pelo solo sobre a sua ponta e pelo atrito lateral entre a estaca e o terreno. Esforços axiais O esforço axial pode ser caracterizado como a resultante das forças que atuam na direção do eixo perpendicular ao plano da seção de uma barra. O esforço axial pode ser positivo (tração) ou negativo (compressão). Objetivos Após os estudos deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • explicar a importância estrutural das estacas; • demonstrar as principais características das estacas de madeira, metálica, pré-moldadas e moldadas in loco; • atender aos critérios para a escolha do tipo de estaca; • aplicar critérios para a determinação do número de estacas; • explicar as possibilidades de distribuição das estacas. 106 Uniube Esquema 6.1 Estacas 6.1.1 Estacas de madeira 6.1.2 Estacas metálicas 6.1.3 Estacas pré-moldadas 6.1.4 Estacas moldadas in loco 6.2 Critérios para a escolha da estaca 6.3 Determinação do número de estacas 6.4 Distribuição das estacas 6.4.1 Critérios para a distribuição das estacas 6.5 Considerações finais Estacas 6.1 As estacas são caracterizadas como um elemento de fundação profundo, esbelto, que são inseridas no solo por cravação ou perfuração e que têm como objetivo transferir a carga ao solo através da sua extremidade inferior (resistência de ponta) ou pela sua extremidade lateral (resistência lateral) ou ainda por uma combinação das duas. (ALONSO, 2010). Observe a Figura 1: Uniube 107 Figura 1 – Estaca Fonte: Elaborado pelo autor. De acordo com o seu material, as estacas podem ser de: • madeira; • aço (metálica); • concreto. Estacas de madeira6.1.1 A madeira foi o primeiro material a ser utilizado para a fabricação de estacas. Nos dias atuais, devido aos novos materiais disponíveis, as estacas de madeiras não são muito utilizadas como na antiguidade. As estacas de madeira são elementos feitos de troncos de árvores, sendo o eucalipto o tipo de madeira mais utilizada no Brasil, cravados no solo através de percussão, ou seja, dando golpes na estaca através de um bate-estaca. 108 Uniube 6.1.1.1 Vantagens e desvantagens As estacas de madeira apresentam as seguintes vantagens para uma construção. Podemos citar: • baixo custo; • facilidade de transporte devido ao seu baixo peso; • possibilidade de fazer emendas com facilidade; • grande período de vida útil quando submersas. As estacas de madeira também possuem algumas desvantagens que podem tornar o seu uso inviável, tais como: • rápida deterioração quando há variação no nível da água; • fragilidade durante a cravação; • limitação de carga. Estacas metálicas6.1.2 As estacas metálicas são utilizadas, geralmente, em casos em que o emprego da estaca de concreto não pode ser adotado. As estacas de açosão indicadas para situações em que se deseja diminuir a vibração durante a cravação desse elemento de fundação ou quando o atrito para atravessar o solo impede a utilização da estaca de concreto. As estacas de aço são feitas de peças de aço soldado e/ou laminado, principalmente em perfis de seção I ou H, assim como por trilhos. Os perfis I e H possuem alta capacidade para suportar cargas horizontais, verticais e momento fletor. Observe a Figura 4: Uniube 109 Figura 4 – Estacas metálicas formato H Fonte: Getty Images. Acervo Uniube. Conforme já falado anteriormente, uma das principais características da estaca de aço é a sua fácil cravação, além de apresentar uma grande capacidade de carga. A facilidade em sua cravação se deve pelo fato de ao invés de provocar compressão lateral do terreno, ela se limita a perfurar as camadas do terreno. É natural a preocupação com a corrosão das estacas metálicas, porém essa situação não ocorre quando o elemento de fundação permanece por toda a sua extensão enterrada abaixo do solo. Isso acontece porque a presença de oxigênio que existe abaixo do solo é praticamente nula, assim, não há a possibilidade de ocorrer uma reação química que promova a corrosão do aço. A NBR 6122 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT, 1996) estabelece que seja desconsiderada a espessura de 1,5 mm em toda a sua superfície que esteja em contato com o solo, o que resulta em uma área útil inferior à área real do perfil. 110 Uniube 6.1.2.1 Vantagens e desvantagens As estacas metálicas apresentam as seguintes vantagens para uma construção: • podem ser utilizadas em quase todos os tipos de solo; • apresentam facilidade de emenda; • têm grande capacidade de carga; • podem ser reutilizadas quando utilizadas em serviços provisórios; • apresentam inexistência de vibração durante a sua cravação. As estacas metálicas também possuem algumas desvantagens que podem tornar o seu uso inviável, tais como: • custo elevado quando comparado ao custo das estacas de concreto; • exigência de indústria específica para a sua fabricação. Estacas pré-moldadas6.1.3 As estacas pré-moldadas são fabricadas em indústrias específicas, sendo cravadas no terreno através de um equipamento conhecido como bate-estaca. As estacas pré-moldadas podem ser feitas de concreto armado ou protendido e podem ser concretadas em formas horizontais ou verticais. Esse tipo de estaca pode ser cravadono terreno através de percussão e também as estacas podem ser denominadas como “estacas de deslocamento”. Em virtude do terreno, as estacas pré-moldadas podem ser feitas por um único tipo de material ou por uma combinação de dois materiais: • concreto e madeira; • concreto e aço. Uniube 111 6.1.3.1 Vantagens e desvantagens As estacas pré-moldadas apresentam as seguintes vantagens para uma construção: • boa capacidade de carga; • boa resistência aos esforços de flexão e cisalhamento; • execução em alta qualidade. As estacas pré-moldadas também possuem algumas desvantagens que podem tornar o seu uso inviável, tais como: • alto peso próprio; • limitação de comprimento. Observe a Figura 5: Figura 5 – Estacas pré-moldadas Fonte:Getty Images. Acervo Uniube. 112 Uniube Estacas moldadas in loco6.1.4 As estacas moldadas in loco, como o nome já diz, são produzidas no local onde elas serão utilizadas. Esse tipo de estaca é executado através do preenchimento com concreto das perfurações feitas no terreno. Essas perfurações podem ser feitas através de escavações e/ou cravações. As estacas moldadas in loco podem ser: • brocas; • estaca tipo raiz; • estacaescavada; • estacas trauss; • estacas franki; • estaca hélice contínua, entre outras. Critérios para a escolha da estaca 6.2 É importante considerar alguns fatores no momento da escolha do tipo de estaca a ser utilizada: • localização: é necessário um conhecimento prévio do local onde a estaca ficará localizada para que seja possível verificar a quais condições ela estará sujeita durante a sua vida útil; • tipo de estrutura: para que seja possível proceder com o melhor tipo de estaca para o projeto, é importante saber qual o tipo da estrutura e quais cargas estarão atuando na estaca; • solo: para qualquer projeto de fundação, faz-se necessário um amplo conhecimento sobre o solo onde a estrutura será projetada; Uniube 113 Determinação do número de estaca 6.3 Distribuição da estaca 6.4 Após a determinação do tipo de estaca a ser adotada no projeto, deve-se determinar o número de elementos necessários. O número de estacas pode ser cálculo através da seguinte expressão: Após a determinação do número de estacas necessárias para o projeto em questão, faz-se necessário determinar como elas serão distribuídas no bloco de fundação. Para isso, Alonso (2010) estabelece algumas formas de como as estacas devem ser distribuídas. • durabilidade: a partir do conhecimento da localização e do solo, é possível fazer uma opção de estaca que tenha uma durabilidade considerável; • custo: além de todos os critérios acima relacionados, não se pode deixar o fator custo de lado. É necessário verificar se a escolha feita é viável economicamente para o projeto que está sendo desenvolvido. 114 Uniube • Distribuição para duas estacas: Figura 6 – Distribuição de duas estacas Fonte: Elaborado pelo autor. • Distribuição para três estacas: • Distribuição para quatro estacas: Figura 7 – Distribuição de três estacas Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. Figura 8 – Distribuição de quatro estacas Uniube 115 • Distribuição para cinco estacas: Figura 9 – Distribuição de cinco estacas Fonte: Elaborado pelo autor. 116 Uniube • Distribuição para seis estacas: Figura 10 – Distribuição de seis estacas Fonte: Elaborado pelo autor • Distribuição para sete estacas: Figura 11 – Distribuição de sete estacas Fonte: Elaborado pelo autor. • Distribuição para oito estacas: Figura 12 – Distribuição de oito estacas Fonte: Elaborado pelo autor. Uniube 117 Critétios para a distribuição das estacas6.4.1 No momento de realizar a distribuição das estacas, alguns critérios deverão ser levados em consideração, tais como: • Deve-se respeitar o espaçamento entre as estacas (d), tanto para estacas situadas no mesmo bloco quanto entre estacas de blocos vizinhos; • Quando possível, a distribuição das estacas deve ser preferencialmente realizada no sentido do pilar que apresentar maior dimensão; • Em situações em que um bloco apresenta mais de um pilar, o “centro de carga” deverá ser o mesmo do centro de gravidade das estacas; • Sempre que possível, recomenda-se que seja evitado o uso de blocos contínuos de grandes dimensões; • Em caso de um bloco apresentar duas estacas para dois pilares, deve-se evitar que as estacas sejam posicionadas abaixo dos pilares; • Em projetos de pequeno porte, deve-se optar por não misturar estacas de diâmetros distintos em um mesmo bloco. Exemplificando Observando os pilares representados na figura a seguir, dimensione uma fundação de estacas pré-moldadas considerando as seguintes características: • diâmetro da estaca: 40cm • distância entre o centro das estacas: 100cm • capacidade da estaca: 700kN • distância da divisa: 50cm 118 Uniube → Determinação do número de estacas: → Determinação do centro de carga dos pilares: Uniube 119 → Distribuição das estacas: Considerações finais 6.5 A partir do que foi apresentado, podemos observar que em qualquer situação a escolha do tipo de estaca bem como dos métodos de projeto serão definidos pelos mesmos fatores que influenciaram a definição do uso de estacas. Além disso, concluímos que aescolha do tipo de estaca de fundação a ser utilizada em um projeto deve respeitar quesitos de segurança sem deixar de levar em conta os fatoreseconômicos. Outros critérios, como a topografia e tipo do solo,também influenciam a escolha do melhor tipo de estaca a ser utilizada assim como a preocupação com as edificações vizinhas. 120 Uniube Resumo Neste capítulo, iniciamos o nosso estudo referente às estacas dando destaque: • aos estudos sobre as estacas; • às características das estacas de madeira, metálica, pré-moldada e moldada in loco; • aos critérios para a escolha do tipo de estaca; • aos critérios para a determinação do número de estacas; • à distribuição das estacas. Uniube 121 Referências ALONSO, Urbano. Exercícios de Fundação. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2010. 206 p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6122 – Projeto e Execução deFundações. Rio de Janeiro, 1996. GETTY Images. Disponível em: www.gettyimages.com.br. Acesso em: 22 abr. 2020. Referências Estacas - parte II João Crisóstomo dos Santos Neto Estruturas de Fundações Capítulo 7 Introdução As estacas são elementos estruturais que transmitem a carga ao solo por meio da sua base e pela sua superfície lateral. Neste capítulo, iremos apresentar alguns cálculos que são realizados para determinar a capacidade de carga utilizando o método de Decourt e Quaresma. Além disso, veremos como são realizados os cálculos utilizados para determinar a resistência lateral e de ponta de uma estaca, bem como determinar a sua área lateral e de ponta. Objetivos Após os estudos deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • determinar a capacidade de carga de uma estaca; • calcular a resistência lateral de uma estaca; • calcular a resistência de ponta de uma estaca; • determinar a área lateral de uma estaca; • determinar a área de ponta de uma estaca. Esquema 7.1 Capacidade de carga das estacas 7.2 Método de Decourte Quaresma 7.2.1 Cálculo da capacidade de carga 7.3 Considerações finais 126 Uniube Capacidade de carga das estacas 7.1 Método de Decourt e Quaresma 7.2 Os resultados encontrados através do método de investigação SPT podem ser utilizados para a determinação da capacidade de carga das estacas, quanto ao recalque ou à ruptura. A utilização desses resultados pode ser feita através da correlação entre a carga de ruptura e o índice de penetração do ensaio. De acordo com a NBR 6122 - NBR 6122 – Projeto e Execução de Fundações (1996), os métodos semiempíricos, utilizados para a determinação da capacidade de carga, são aqueles em que a propriedade dos materiais, obtidos através de correlações, é utilizada. Alguns autores, com base em suas experiências, elaboraram alguns estudos estatísticos. No Brasil, os métodos semiempíricos são os mais utilizados para a determinação da capacidade de carga. Um dos métodos mais conhecidos foi elaborado por Decourt e Quaresma (1978). A transferência da carga da estaca se dá pelo atrito lateral entre o elemento de fundação e o solo e também pela resistência de ponta da estaca. Através dos cálculos para a verificação da capacidade de carga, veremos que ela estará condicionada ao tipo, comprimento e diâmetro da estaca, bem como ao tipo do solo onde ela será executada. Os engenheiros brasileiros Luciano Decourt e Arthur Quaresmaapresentaram um método para a determinação da Uniube 127 capacidade de carga de uma estaca, utilizando os valores obtidos pelo ensaio de sondagem à percursão - SPT, no 6º Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia de Fundações. Ao longo dos anos, Decourt e Quaresma foram atualizando o método elaborado por eles e em 1996 esse estudo foi estendido a outros tipos de estacas, que não foram indicadas nos primeiros ensaios realizados. Além disso, foram considerados também os coeficientes “β” e “α”, que serão apresentados em tabelas a seguir,para a majoração ou minoração das resistências de ponta e também para a resistência lateral. Os autores destacam que o método elaborado por eles não propõe a determinação de valores exatos. Esse estudo visa obter estimativas bastante próximas de fácil interpretação, e o mais importante, seguras. Cálculo da capacidade de carga7.2.1 Para encontrar a capacidade de carga da estaca, através do método de Decourt e Quaresma, utilizamos a seguinte expressão: em que: = carga de ruptura da estaca; = resistência lateral; = área lateral da estaca; = resistência de ponta; = área da ponta da estaca; e = coeficientes relacionados ao tipo de estaca e de solo. 128 Uniube 7.2.1.1 Resistência lateral Para a determinação da resistência lateral de uma estaca, devemos utilizar a seguinte expressão: em que: Nm = valor médio de N ao longo do fuste da estaca. Se o valor encontrado para Nm for menor ou igual a 3 (Nm ≤ 3), deve-se adotar Nm = 3 e se o valor encontrado for superior ou igual a 50 (Nm ≥ 50) deverá ser adotado Nm = 50. Exemplificando Considerando o perfil de sondagem a seguir, determine a resistência lateral da estaca que possui comprimento igual a 6 metros. Uniube 129 7.2.1.2 Área lateral da estaca Para determinar a área lateral de uma estaca circular, devemos considerar a expressão a seguir: em que: r = raio da estaca; h = altura da estaca. Exemplificando Considerando a estaca apresentada no exemplo anterior, com um diâmetro de 30 cm, determine a sua área lateral. 7.2.1.3 Resistência de ponta Para a determinação da resistência de ponta de uma estaca, devemos utilizar a seguinte expressão: 130 Uniube em que: K = coeficiente relacionado ao tipo de solo; N = valor médio de Nspt correspondente à ponta da estaca, o imediatamente anterior e o imediatamente posterior ao longo do fuste. O coeficiente K, que está relacionado ao tipo de solo onde a estaca será executada, pode ser encontrado na Tabela 1 a seguir: Tabela 1 – Coeficiente K Fonte: Decourt e Quaresma (1978, p.157). Exemplificando Considerando o perfil de sondagem a seguir, determine a resistência lateral da estaca que possui comprimento igual a 8 metros. Uniube 131 / 7.2.1.4 Área de Ponta da Estaca Para determinar a área de ponta de uma estaca circular, devemos considerar a expressão a seguir: em que: d = diâmetro da estaca. 7.2.1.5 Capacidade de carga Após a determinação das resistências de ponta e lateral e das áreas da estaca, é possível calcular a sua capacidade de carga. Para isso, 132 Uniube devemos considerar as tabelas a seguir para verificar os valores para os coeficientes β e α, que estão relacionados ao tipo de estaca e de solo. Observe a Tabela 2: Tabela 2– Coeficiente α Fonte: Decourt (1996, p.163). Exemplificando Considerando a sondagem a seguir, determine a capacidade de uma estaca hélice contínua com diâmetro de 30 cm e comprimento igual a 6 metros. Uniube 133 → Determinação da resistência lateral → Determinação da resistência lateral → Determinação da resistência de ponta → Determinação da capacidade de carga da estaca → Determinação da resistência lateral → Determinação da resistência lateral 134 Uniube → Determinação da resistência de ponta → Determinação da capacidade de carga da estaca Considerações finais 7.3 O método elaborado pelos engenheiros Decourt e Quaresma estima a capacidade de carga última de fundações isoladas pela soma das parcelas de resistência lateral e resistência de ponta. Assim, a partir do método elaborado por eles, podemos determinar qual será a capacidade de carga das estacas e, com isso, verificar a quantidade necessária desses elementos de fundação para o seu projeto. Referências Neste capítulo, iniciamos o nosso estudo referente às estacas dando destaque: • ao método de cálculo de capacidade de carga, elaborado por Decourte Quaresma; • ao cálculo da capacidade de carga das estacas; • à determinação da resistência lateral e de ponta das estacas; • ao cálculo das áreas laterais e de ponta das estacas. Resumo Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122 – Projeto e Execução de Fundações. Rio de Janeiro, 1996. Tubulões João Crisóstomo dos Santos Neto Estruturas de Fundações Capítulo 8 Introdução O tubulão é um tipo de fundação profunda, constituído concretando-se um poço aberto no terreno da construção. Esse tipo de fundação é indicada para obras em que as cargas resultantes são bastante elevadas, construídas em áreas com dificuldade de adoção de outros tipos de fundação mais mecanizada ou localizada em regiões mais afastadas dos centros urbanos. Os tubulões são caracterizados por um fuste cilíndrico, podendo ser ou não revestidos por uma camisa e por uma base que pode ser alargada ou não. Eles podem ser escavados a céu aberto ou com a utilização de ar comprimido. Objetivos Após a leitura dos conteúdos apresentados neste capítulo, espero que você seja capaz de: • explicar a importância estrutural dos tubulões; • demonstrar os elementos de um tubulão; • mostrar os tipos de tubulões; • atender às características de um tubulão a céu aberto; • verificar as características de um tubulão a ar comprimido; • dimensionar um tubulão. 140 Uniube Esquema 8.1 Tubulões 8.1.1 Elementos do tubulão 8.1.2 Tipos de tubulão 8.2 Dimensionamento do tubulão 8.3 Considerações finais Tubulões 8.1 De acordo com a NBR 6122 (2010), os tubulões podem ser caracterizados como uma fundação profunda, escavada manual ou mecanicamente, em que há descida de alguém para o alargamento da base ou limpeza do tubulão. Neste tipo de fundação, as cargas são transmitidas essencialmente pela sua base. Figura 1 – Tubulão Fonte: Elaborado pelo autor. Uniube 141 O tubulão é composto por um cilindro vertical de concreto, que pode apresentar ou não um alargamento em sua base. Esse cilindro de concreto é chamado de fuste e o seu diâmetro não deverá ser inferior a 70 cm. Essa dimensão mínima é necessária para que seja possível a descida de um operário em casos em que o tubulão seja executado manualmente. Segundo Rebello (2008), ao se atingir a cota de profundidade, que irá depender da carga que será transmitida ao tubulão, ele poderá ter um alargamento da sua base, podendo ser circular ou uma falsa elipse (alongada). É importante ressaltar que a altura da base não poderá ser superior a 2 metros. No intuito de tornar a sua execução mais facilitada, é recomendável evitar que a base seja armada. Para isso, a base do tubulão deve ser dimensionada de tal forma que as forças de tração sejam absorvidas pelo concreto sem que esse seja armado. Dessa forma, é necessário que a inclinação da base tenha um ângulo que seja maior ou igual a 60º. Elementos do tubulão8.1.1 Os tubulões são compostos pelos seguintes elementos: • Cabeça: esse elemento é o segmento inicial do tubulão, responsável por distribuir as tensões resultantes do pilar. Caso o engenheiro julgue necessário, a cabeça poderá ser substituída por um bloco sobre o fuste. • Fuste: esse elemento é dimensionado como um pilar de concreto simples, submetido à compressão simples. Caso exista, o momento fletor deverá ser considerado para dimensionar o fuste. • Base: esse elemento é o responsável pela transmissão da carga proveniente do pilar ao terreno, podendo ser ou não alargada. 142 Uniube Tipos de tubulão8.1.2 Os tubulões, de acordo com a forma como são executados, podem ser classificados em dois tipos: • tubulão a céu aberto; • tubulão a ar comprimido. 8.1.2.1 Tubulão a céu aberto Os tubulões a céu aberto, segundo Alonso (2010), podem ser classificados como um elemento estrutural constituído a partir da concretagem de um poço aberto em um terreno e possuem normalmente um alargamento em sua base. Esse tipo de tubulão deve ter a sua execução realizada acima do lençol freático ou com o rebaixamento do nível da água. Em algumas situações, como nos casos terrenos saturados, porexemplo, o tubulão a céu aberto poderá ser executado desde que haja a possibilidade de bombear a água, impossibilitando, assim, o risco de desmoronamento. Importante Caso o tubulão receba somente cargas verticais, não será necessária a sua armação. Nesses casos, coloca-se apenas uma ferragem de topo para fazer o ligamento com o bloco de coroamento. Uniube 143 8.1.2.1.1 Execução do tubulão a céu aberto Para a execução de um tubulão a céu aberto, as fases descritas a seguir deverão ser realizadas: a. Escavação: o fuste poderá ser escavado por operários (manualmente) ou por equipamento próprio até a profundidade desejada. É importante no caso de escavação manual que o prumo e a forma do fuste sejam verificados durante a sua execução. b. Alargamento da base: no caso de necessidade do alargamento da base, é imprescindível a descida de um poceiro para a realização desse procedimento. Por tratar-se de um processo que apresenta riscos ao operário, é importante que todos os requisitos de segurança sejam adotados, como a utilização dos equipamentos de segurança. Após o alargamento da base, realiza- se a limpeza da base do tubulão. c. Verificação: após a realização do alargamento da base pelo operário, o responsável técnico pela obra deverá descer para realizar a conferência das dimensões da base, bem como o ângulo formado entre a base e o fuste. Em muitas situações, essa fase não ocorre pela confiança do engenheiro em seus funcionários, mas vale ressaltar que é o responsável técnico que possui os conhecimentos necessários para a verificação do serviço que foi executado. d. Concretagem: a fase de concretagem do tubulão deverá ser realizada imediatamente após a escavação. A concretagem é realizada com o lançamento do concreto da superfície, podendo utilizar ou não um vibrador para facilitar a ocupação do concreto em toda a dimensão do tubulão. 8.1.2.2 Tubulão a ar comprimido Os tubulões a ar comprimido são recomendados nos casos em que há a necessidade de utilização desse tipo de elemento de fundação em solos que possuem a presença de água e que não seja possível o seu 144 Uniube esgotamento. Dessa forma, para evitar o risco de desmoronamento, são utilizados os tubulões a ar comprimido com camisa de aço ou de concreto. De acordo com Alonso (2010), caso a camisa seja de concreto, a cravação da camisa, a abertura e a concretagem da base deverão ser realizadas sob ar comprimido. Caso a camisa seja feita de aço, a diferença está na cravação da camisa, que deverá ser feita através de equipamentos específicos. Importante A pressão máxima utilizada para os tubulões a ar comprimido deverá ser de 3 atm (0,3 MPa), limitando assim a sua profundidade a 30 metros abaixo do nível da água. Dimensionamento do tubulão 8.2 O primeiro passo para determinar as dimensões de um tubulão é a determinação da área de sua base. Para isso, devemos utilizar a expressão: em que: = área da base; P = carga atuante no tubulão; = tensão admissível do solo. Uniube 145 Após a determinação da área da base do tubulão, é possível determinar o seu diâmetro. Dessa forma, utiliza-se a seguinte expressão: em que: = diâmetro da base; = área da base. Em seguida, deve-se determinar a área necessária para o fuste do tubulão. Para isso, utilizamos a expressão a seguir: em que: = área do fuste; P = carga atuante no tubulão; resistência característica do concreto. Após a determinação da área do fuste do tubulão, é possível determinar o seu diâmetro. Dessa forma, utiliza-se a seguinte expressão: em que: = diâmetro do fuste; = área do fuste. 146 Uniube Após encontrar a área e o diâmetro do fuste e da base do tubulão, faz-se necessária a determinação da altura da base do tubulão. A altura pode ser determinada utilizando a seguinte expressão: em que: Db = diâmetro da base; Df = diâmetro do fuste. Exemplificando Dimensione um tubulão com as seguintes características: Carga: 1250kN; Tensão admissível do solo: 0,2MPa; Concreto:C25. → Determinação da área da base: → Determinação do diâmetro da base: → Determinação da área do fuste: Uniube 147 → Determinação do diâmetro do fuste: Observação: adotar como 0,70 m. → Determinação da altura: Considerações finais 8.3 O tubulão é um tipo de fundação profunda recomendada para situações em que o nível do lençol freático esteja bem elevado e que não seja aconselhável a utilização de estacas. Esse tipo de fundação é bastante utilizado em estruturas que apresentam cargas bastante elevadas, como pontes, edifícios de grandes alturas e indústrias. Em virtude das características de sua execução, é muito importante que a sua construção seja sempre acompanhada por um responsável técnico no intuito de garantir a segurança de todos os envolvidos nos procedimentos executivos. 148 Uniube Resumo Neste capítulo, conhecemos um pouco mais sobre os tubulões dando destaque: • à importância estrutural dos tubulões; • aos elementos do tubulão; • aos tipos de tubulões; • às características de um tubulão a céu aberto; • às características de um tubulão a ar comprimido; • ao dimensionamento de um tubulão. Uniube 149 Referências ALONSO, Urbano. Exercícios de Fundação. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2010. 206 p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122 – Projeto e Execução deFundações. Rio de Janeiro, 1996. REBELLO, Yopanan. Fundações: guia prático de projeto, execução e dimensionamento. São Paulo: Zigurate, 2008. 240 p. Referências