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Semana 03 2024.1 2024.1 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA HELLP / IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA 1 PEDIATRIA ICTERÍCIA NEONATAL 7 PREVENTIVA DENGUE 12 RAIVA 19 CLÍNICA MÉDICA CETOACIDOSE DIABÉTICA 23 SEMANA 03 SUMÁRIO 1 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA HELLP / IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA 2 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA HIPERTENSÃO NA GESTAÇÃO INTRODUÇÃO Uma das patologias mais frequentes e prevalentes - acomete cerca de 10% de todas as gestações. É a primeira causa de morte materna no ciclo gravídico puerperal no Brasil, chegando a 1/5 das mortes. Uma das complicações é a “near miss”, experiência de quase morte e têm maior risco para doenças cardiovasculares e renais. É uma morte prevenível através de pré-natal e assistência adequada. Para o feto/ embrião, traz diversas repercussões, como: • Prematuridade - é a segunda causa de prematuridade. • Restrição de crescimento fetal - apresenta uma placenta insuficiente • Óbito fetal • Sofrimento fetal CLASSIFICAÇÃO Definição de hipertensão arterial: • Duas medidas com Pressão arterial (PA) ≥ 140x90 mmHg • Intervalo de 4h entre as medições • Se a PA for ≥ 160x110 mmHg, considera-se uma hipertensão arterial grave, uma emergência hipertensiva • Duas medidas com intervalo de 15 minutos. Técnica: Sentada, braço na altura do coração Cuffs adequados 2 medidas com intervalo de 4 horas Quatro tipos de hipertensão: HAC - hipertensão arterial crônica • Diagnóstico prévio: usa medicação, já foi diagnosticada • Ou na gestação atual antes da 20ª semana - não há hipertensão antes disso, a não ser por moléstia trofoblástica Pré-eclâmpsia • Hipertensão arterial associada com proteinúria • Diagnóstico após 20 semanas de gestação HELLP / IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA 3 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Proteinúria • Mais de 0,3g/ 24h em urina coletada em 24h • Amostra isolada de urina com relação maior 0,3 Proteína/ Creatinina • Hipertensão com creatinina acima de 1, TGO/ TGP acima de 40 e plaquetas abaixo de 150 mil. Mesmo sem proteinúria, uma vez que indica lesão de órgão alvo. Super ajuntada: HAC + pré eclâmpsia Hipertensão gestacional ou temporária ou transitória da gestação: Elevação isolada da pressão arterial, sem alterações laboratoriais e nem repercussões clínicas e/ ou fetais. Normalmente ocorre devido à hipervolemia. Classificação dos tipos de pré eclâmpsia • Pré-eclâmpsia leve • Pré-eclâmpsia grave - forma grave com Níveis pressóricos maior que 160 mmHg e ou PAD > ou igual a 110 mmHg, Proteinúria ≥ 2g em urina de 24 horas, Cianose e/ ou edema agudo de pulmão, Oligúria - que indica impacto renal - <400mL ou creatinina ≥ 1,2 mg/dL, sintomas (antiga iminência de eclâmpsia) - dano neurológico - cefaléia, perturbações visuais e epigastralgia. A pré-eclâmpsia precoce (<32 semanas) tem mais chance de desenvolver a forma grave • Eclâmpsia - forma grave com crise convulsiva • Síndrome HELLP (hemólise, elevação das enzimas hepáticas, plaquetopenia) FISIOPATOLOGIA As formas graves são 2 a 3% das síndromes hipertensivas. Uma das teorias de formação é a deficiência da segunda onda de invasão trofoblástica, que deveria ocorrer com 16 semanas de gestação. Sem ela, as arteríolas espiraladas mantém sua camada média, gerando uma maior resistência vascular ao aumento do volume gestacional. Isso gera lesão endotelial que atrai plaqueta para sua regeneração. A plaqueta libera tromboxano que é vasoconstritor, vai na circulação e, aonde parar, provoca vasoconstrição. ECLÂMPSIA Definição: É a manifestação convulsiva das desordens hipertensivas da gestação e está entre as condições mais graves da doença. É definida pelo surgimento de convulsões tônico-clônicas, focais ou multifocais, na ausência de outras condições, exceto a hipertensão arterial. HELLP / IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA 4 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Começa como uma eclâmpsia iminente - uma síndrome com 3 sintomatologias principais: • Alterações do SNC - cefaleia, obnubilação, torpor e alteração do comportamento • Alterações visuais - escotomas, fosfenas, fotofobia, turvação/perda de visão • Alterações gástricas - dor em hipocôndrio direito, epigastralgia, náuseas e vômitos Tratamento: sulfato de magnésio SÍNDROME HELLP Agravamento multissistêmico das formas graves da pré-eclâmpsia, caracterizado por anemia hemolítica microangiopática, disfunção hepática e trombocitopenia. É associada à pré-eclâmpsia grave e eclampsia. Tríade da síndrome: • Hemólise Elevação de bilirrubinas - BT > ou = 1,2mg% Esquizócitos em sangue periférico Desidrogenase lática DHL >600 mg/dl A LDH é liberada na corrente sanguínea quando as células são danificadas ou destruídas. Assim, o teste LDH pode ser utilizado como um marcador geral de injúria celular. • Alteração de enzimas hepáticas TGO/AST >70 mg/dl • Plaquetopenia Contagem de plaquetas <100.000 Apresenta maior mortalidade e morbidade Complicações: Rotura de fígado CIVD AVC hemorrágico Insuficiência renal Insuficiência respiratória DIAGNÓSTICO Diagnóstico precoce é importante: Considerar fatores de risco Atenção para ganho de peso > ou igual a 1000g/semana Primeiro edema e depois ela desenvolve hipertensão Proteinúria de 24h HELLP / IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA 5 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA SEGUIMENTO: Retorno semanal Dieta, repouso, sedação e hipotensores Formas graves - internação e rastreio de HELLP Sintomas de formas graves Edema generalizado Ganho de peso >1kg Dificuldade no controle da PA Proteinúria - aumento progressivo Cefaleia Perturbações visuais Epigastralgia Dor em hipocôndrio direito Dispneia/icc Piora da função renal Avaliação feto-placentária: Avaliação com 20, 26 e 32 semanas USG doppler de artérias umbilicais se alterada, perfil hemodinâmico fetal Avaliação do volume do líquido amniótico - marcador crônico de funcionamento placentário Seguimento do crescimento fetal pelo USG a partir de 34 semanas: PBF (perfil biofísico fetal) e cardiotocografia TRATAMENTO: Pré eclâmpsia leve Iniciamos o uso anti-hipertensivos de primeira linha: Metildopa: 750 mg a 2g/dia Três a quatro doses Anlodipino 2,5 a 10mg/dia Uma a duas doses Caso não haja controle da hipertensão, associamos à outra droga – se faz uso de metildopa, associo com anlodipino; se faz uso de anlodipino, associo com metildopa. Ainda podemos usar hidralazina via oral. HELLP / IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA 6 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Pré eclâmpsia ou eclâmpsia: Leve: conduta expectante até o termo, conforme condições maternas/fetais. Grave: Internação Sulfato de Magnésio – com bomba infusora Ataque: 4g IV Manutenção 5g 4h/4h Sulfato de Magnésio – sem bomba infusora Ataque: 4g IV + 10g IM Manutenção 5g IM 4h/4h Anti-hipertensivos: Manutenção: Metildopa VO Crise: Hidralazina IV Avaliar feto Interrupção da gravidez: ≥ 34 semanas: parto < 34 semanas: avaliar bem estar para corticoide e, se piorar, parto. Deixar 10ml de gluconato de cálcio 10% aspirado beira leito. SÓ REALIZAMOS CESÁREA SE: • NÃO CONSEGUIMOS ESTABILIZAR CLINICAMENTE A PACIENTE, • ELA NÃO RESPONDER À INDUÇÃO DO PARTO, • DIAGNOSTICADO SOFRIMENTO FETAL AGUDO • DIAGNOSTICADO SÍNDROME HELLP COM FETO VIÁVEL • HELLP / IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA 7 PEDIATRIA ICTERÍCIA NEONATAL 8 PEDIATRIA Icterícia Neonatal Aumento da bilirrubina em recém nascidos que acometem 60% dos termo é 80% dos pré termo. O seu maior risco é a encefalopatia hiperbilirrubinêmica Formação da Bilirrubina A destruição da hemoglobina das hemácias leva à formação de biliverdina e, posteriormente, à formação da bilirrubina indireta (BI). A BI é lipossolúvel e é transportada ligada a albumina até o fígado onde será conjugada a bilirrubina direta (BD) pela ação da glicuroniltransferase (UDP). A BD é eliminada junto com a bike no duodeno. As bactérias intestinais metabolizam essa bile para sua eliminação nas fezes e na urina. ETIOLOGIAS Aumento da produção de bilirrubina • Incompatibilidade sanguínea materno-fetal: • Incompatibilidade Rh: mãe Rh negativo e RN Rh positivo. Precisade sensibilização prévia • ABO: mãe O e RN A ou B. Pode ocorrer desde a primeira gestação • Leva a quadro se Anemia + icterícia • Defeito na membrana de eritrócitos: eferocitose • Deficiências enzimáticas: deficiência de G6PD ou piruvatoquinase • Coleções sanguíneas: Cefalohematoma • Policitemia: PIG, mãe com DMG Diminuição da conjugação • Definição de glucoruniltransferase: Crigler-Najar, Gilbert • Hipotireoidismo congênito • Sepse • Galactosemia • Leite humano: icterícia de início tardio é longa duração • RN saudável, sem dificuldade na amamentação, bom ganho ponderal Aumento da circulação enterro-hepático • Aleitamento materno: RN com dificuldade na amamentação e baixo ganho ponderal • Jejum • Íleo paralítico ICTERÍCIA NEONATAL 9 PEDIATRIA Redução da secreção biliar • Aumento de BD (> 1) • Doença hepática e de vias biliares • Principal etiologia: Atresia de vias biliares CLASSIFICAÇÃO • Fisiológica: geralmente início tardio (> 24 horas de vida) RNT RNPT PICO 3-5 DV 5-7 DV BT 12-13 15 DURAÇÃO 1 semana 2 semanas Manejo • Avaliação da icterícia a cada 8-12h pelas zonas de Kramer: ICTERÍCIA NEONATAL 10 PEDIATRIA Avaliação do percentil da BT pelo gráfico de Buthani: ICTERÍCIA NEONATAL 11 PEDIATRIA Gráfico da AAP para considerar foto de acordo com IG: ATRESIA DE VIAS BILIARES • Investigar em todos com icterícia que dura mais 2-3 semanas, com elevação de BD (> 1 mg/ dl) e presença de sintomas de colestase (colúria e acolia fecal) • USG de abdome + perfil hepático • Encaminhamento precoce para cirurgia pediátrica: Cirurgia de Kasai deve ser feita preferencialmente até 6 semanas de vida ICTERÍCIA NEONATAL 12 PREVENTIVA DENGUE 13 PREVENTIVA DENGUE Epidemiologia e transmissão: A dengue é uma doença endêmica causada pelo vírus DEN, que psosui quatro sorotipos (1-4) e é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, capaz de se reproduzir facilmente em ambientes com água parada, e representa um problema de saúde pública. O mosquito encontra condições de reprodução, especialmente com acúmulo de água parada, em regiões negligenciadas e populações com condições precárias de moradia, saneamento básico e descarte de lixo. A doença tem um grande espectro clínico, podendo apresentar-se desde forma oligossintomáticas até quadros muito graves e óbito. QUADRO CLÍNICO: É importante termos em mente que apesar das diversas manifestações clínicas possíveis, o quadro apresentado nas provas com mais frequência é o típico. Quando vamos suspeitar de dengue? Sempre que nos depararmos com um paciente que apresente: febre (geralmente alta, >39º), com cefaleia (holocraniana ou retro-orbitária), mialgia e artralgias; Algumas vezes o paciente pode desenvolver um exantema máculo-papular, que atinge tronco, face e membros (normalmente aparece após o término da febre). Também é comum história de casos semelhantes na vizinhança. A grande sacada é: síndrome febril aguda com sintomas inespecíficos mas que sugerem uma infecção, nesses casos, sempre precisamos pensar em dengue! Dica: Chykungunya e Zika são duas arboviroses que podem apresentar confusão com dengue, principalmente no início do quadro, quando os sintomas são bem inespecíficos. Quanto a essa diferenciação as provas costumam ser mais didáticas, e trazem elementos clínicos característicos de cada uma dessas doenças para auxiliar no diagnóstico diferencial. 14 PREVENTIVA LEMBRE-SE: • CHYKUNGUNYA CAUSA ARTRALGIA E ATÉ ARTRITE, NORMALMENTE ESSE SINTOMA É PERSISTENTE! • LEMBRE-SE TAMBÉM DA ZIKA, PRINCIPALMENTE QUANDO O PACIENTE TIVER CONJUNTIVITE ASSOCIADO A RASH CUTÂNEO E EDEMA DE EXTREMIDADES; DIAGNÓSTICO: Todo caso suspeito de dengue deve ser notificado!!! O diagnóstico pode ser confirmado por exames como isolamento viral ou pesquisa de material genético por PCR, mas os mais comuns são: pesquisa de antígeno NS1 e sorologia IgM; Quando devemos solicitar cada uma delas? O antígeno está presente nas fases iniciais da infecção, e idealmente é solicitado entre o 1º e 3º dia de sintomas; Os anticorpos demoram alguns dias para serem produzidos, e a sorologia IgM deve ser solicitada após o 5º dia de sintomas; CLASSIFICAÇÃO: Esta é uma das etapas mais importantes no manejo do paciente com suspeita de dengue, e para realizar esta classificação devemos utilizar as informações retiradas na anamnese; Toda vez que pensarmos que pode ser dengue temos que nos fazer 2 perguntas: 1. O paciente tem comorbidades importantes e/ou sangramento de pele (induzido pela prova do laço ou espontâneo)? • Idosos > 65 anos; • Gestantes; • Hipertensão, Diabetes Mellitus; • Nefropatia, cardiopatia, pneumopatias, hepatopatias; • Doenças hematológicas crônicas; DENGUE 15 PREVENTIVA 2. Existem sinais ou sintomas clínicos que sugiram um quadro grave, ou seja, existem sinais de alarme? • Dor abdominal; • Hepatomegalia dolorosa; • Sangramento de mucosa ou outros sítios; • Sinais de choque (hipotensão, oligúria, rebaixamento do nível de consciência); • Tempo de enchimento capilar prolongado; DENGUE 16 PREVENTIVA A classificação é realizada em 4 grupos: GRUPO A • Sem comorbidades; • Sem sinais de alarme; GRUPO B • Com comorbidades; • Com sangramento cutâneo espontâneo ou induzido; • Sem sinais de alarme; GRUPO C • Qualquer sinal de alarme; • Hematócrito em ascenção; GRUPO D • Qualquer sinal de gravidade (choque): hipotensão, oligúria, tempo de enchimento capilar prolongado, sangramento grave; DENGUE 17 PREVENTIVA CONDUTA: Após a classificação a conduta é definida, e é baseada em dois pilares: definição de internação e hidratação, oral ou IV. QUEM RECEBE HIDRATAÇÃO? Todos os casos suspeitos, a diferença é se a indicação é VO (A e B) ou IV (C e D, as vezes B); QUEM INTERNA COM CERTEZA? Grupo C e D internam com certeza; Grupo B depende do hematócrito e evolução, ou seja, grupo B fica em observação; GRUPO A Hidratação oral: 60ml/kg/dia, sendo 1/3 de SRO e 2/3 outros líquidos; Ambulatorial; GRUPO B Hidratação IV (2-4 ml/kg/h) ou VO (como no grupo A); Hemograma obrigatório, poderá reclassificar em grupo C; Ambulatorial com reavaliação diária; GRUPO C Hidratação IV: 10ml/kg na 1ª hora, seguida de 25ml/kg em 6 horas e 25ml/kg em 8 horas; Internação em enfermaria ou UTI; GRUPO D Expansão volêmica com SF 0,9% 20ml/ kg em 20 minutos. Pode-se repetir a fase de expansão 3 vezes, a depender da resposta do paciente e avaliação clínica. Se resposta inadequada: considerar transfusão de hemocomponentes Internação em UTI Para finalizar, algumas dicas práticas: Quando solicitar hemograma? Nos pacientes grupo B, C e D; Quem deve ser internado? Os pacientes grupo C e D e aqueles do grupo B com elevação de hematócrito; QUEM É LIBERADO COM CERTEZA? Grupo A; Um paciente pode ser reclassificado? Sim, se pacientes do grupo B apresentarem hematócrito em Ascenção, ou com aparecimento de DENGUE 18 PREVENTIVA qualquer sinal de alarme, Quem deve ser acompanhado com reavaliação diária e coleta de hemograma até 48h da melhorada febre? Os pacientes do grupo B; Precisa reavaliar os pacientes do grupo A? Devem ser reavaliados no dia da melhora da febre? DENGUE 19 PREVENTIVA RAIVA 20 PREVENTIVA Transmissão: Na prova prática é cobrado a profilaxia da raiva e os cuidados com a ferida e não a doença. A raiva é uma encefalite aguda causada por um vírus transmitido por mordedura (mais comum), arranhadura ou lambedura de um animal infectado (os mais comuns são cães, gatos e morcegos). Avaliação da ferida: Ao atender uma vítima de ferimento por animal é importante avaliar a profilaxia para raiva mas não podemos nos esquecer de avaliar a ferida. Como qualquer ferimento corto contuso é importante saber a localização e buscar por sinais de alarme relacionados a lesões neurológicas ou vasculares. Como são esses sintomas de alarme? Qualquer alteração de função de um desses sistemas, e normalmente a lesão é em membros: - Perda de força, - Alteração de sensibilidade; - Limitação demovimento; - Dor suspeita de acometimento neurológico, como queimação ou parestesias; - Alteração de cor, perfusão ou temperatura do membro; Não esquecer de perguntar o tempo do ferimento. Após a avaliação inicial de sinais e sintomas de alarme iremos classificar a lesão em leve ou grave! Leve: Superficial, troncos e membros (exceto extremidades e polpas digitais); arranhadura ou mordedura ou lambedura; Grave: Tudo o que não é leve... profundo, extenso ou múltiplo em qualquer lugar do corpo; Lambedura de mucosas, lesão em cabeça, mãos, pés; Existe o contato indireto, que corresponde a manipulação de objetos contaminados ou lambedura em pele íntegra. Nesses casos nenhum tratamento além de lavar com água e sabão vai ser indicado. Sobre o animal: Para decidir sobre a profilaxia precisamos também de informações sobre o animal que causou o ferimento. - O animal é conhecido e vacinado? - O animal pode ser acompanhado? - O animal tem contato com outros animais selvagens ou não vacinados? RAIVA 21 PREVENTIVA Por exemplo, se o animal é conhecido, vacinado e não tem contato com outros animais a profilaxia não será necessária em um primeiro momento! A grande sacada é: o animal SEMPRE terá de ser acompanhado, mesmo se não for iniciado nenhum esquema profilático no início, então, SEMPRE indique o acompanhamento do animal. Indicando a profilaxia: Com essas informações podemos indicar a profilaxia. Basicamente existem 2 tratamentos: vacina e soro (IGHAR ou SAR – soro antirrábico humano). A vacina é profilaxia, e o soro, tratamento, ou seja, vai ser aplicado em alto risco de contaminação (lesões graves de animais contaminados ou suspeitos que não podem ser acompanhados). Doses VAR: 0º, 3º, 7º, 14º dia. Insights: - O animal sempre deve ser observado, independente se conhecido ou não; - Nos casos de lesões graves em que for indicado tratamento por suspeita de raiva (seja por suspeita clínica do animal ou porque ele sumiu ou morreu) é necessário aplicar SORO além da vacina; - O soro é infiltrado nas portas de entrada; - A sequência mágica é 0 – 3 – 7 – 14 ATENÇÃO! NÃO SE FAZ MAIS A 28ª DOSE! RAIVA 22 PREVENTIVA - Todo esse cuidado é necessário porque a letalidade da raiva é de 100%; Cuidados com a ferida: Não esqueça dos cuidados básicos: - Lavar com água e sabão; - Conferir vacina antitetânica e indicar se necessário (se última dose < 5 anos não é necessário); - Indicar antibiótico: amoxicilina + clavulanato por 7 dias; - Não realizar sutura; RAIVA 23 CLÍNICA MÉDICA CETOACIDOSE DIABÉTICA 24 CLÍNICA MÉDICA Hiperglicemias: As hiperglicemias são divididas em cetoacidose diabética (CAD) e estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH) e são complicações agudas e graves do paciente diabético. Cetoacidose diabética: Complicação aguda do DM caracterizada por: Hiperglicemia: Glicemia > 250 mg/dL Hipercetonemia/cetonuria: positiva Critérios diagnósticos: pH ≤ 7,3 + Glicemia > 250 + cetonemia/cetonuria Acidose metabólica: pH ≤ 7,3 • Mais comum em DM-1! • Deficiência total de insulina! Na cetoacidose diabética ocorre insulinopenia quase absoluta, ou seja, o paciente não possui insulina. Dessa forma, como forma de manter a gliconeogênese (síntese de glicose) se inicia processo de lipólise. Isso leva a produção de cetoácidos que levam à acidose. Durante esse processo, por conta da hiperglicemia ocorre diurese osmótica que promove desidratação. Os fatores precipitantes mais comuns são: Interrupção do uso da insulina por má adesão e infecções. Muitas vezes a CAD acontece como primo-descompensação diabética, ou seja, um paciente descobre ser diabético tipo 1 durante um quadro de CAD. Outras patologias podem atuar como fator desencadeante: Gestação, cirurgia, trauma, infarto agudo do miocárdio, colecistite, apendicite, diarreias, vômitos e isquemia mesentérica. CETOACIDOSE DIABÉTICA 25 CLÍNICA MÉDICA O processo fisiopatológico pode ser resumido no organograma a seguir: Quadro clínico: • Desidratação • Taquipneia / Kusmaull • Hálito cetônico/frutado/adocicado • Dor abdominal • Rebaixamento de nível consciência • Início abrupto! • Pode ter os 3 P´s! Polifagia, polidipsia e políúria. Estado hiperglicêmico hirperosmolar: No estado hiperglicêmico hiperosmolar, geralmente o paciente apresenta alguma produção residual de insulina, o que é capaz de inibir o processo de lipólise e por sua vez evitar a geração de cetoácidos. Dessa forma, é muito mais comum em pacientes diabéticos do tipo II. O paciente típico é um paciente idoso, diabético tipo II, com alguma intercorrência clínica que o impede de ter acesso à água. Os principais fatores desencadeantes são: Infecções (mais comum), cirurgia, trauma, infarto agudo do miocárdio, colecistite, apendicite, diarreias, vômitos e isquemia mesentérica. O quadro clínico geralmente é marcado por profunda desidratação, rebaixamento de nível de consciência e hiperglicemia. Não há acidose e por isso não é comum a presença de taquipneia e respiração de Kusmaull. CETOACIDOSE DIABÉTICA 26 CLÍNICA MÉDICA Osm: 2xNa + Glicose/18 + Uréia/6 Critérios diagnósticos: pH > 7,3 + Glicemia > 600 + OsmSérica > 320 • pH > 7,3 • Glicemia > 600 mg/dL • OsmSérica > 320 • Geralmente DM-2 • Paciente > 50 anos • Dificuldade de acesso à água Tratamento hiperglicemias: Não há diferenças marcantes no tratamento da CAD ou EHH. A principal diferença decorre do fato de não haver acidose no EHH, dessa forma não se deve repor bicarbonato nessa complicação. A hidratação, insulinização e suspensão da insulina EV segue o mesmo racional para CAD e EHH. Hidratação: A hidratação é o primeiro passo no tratamento das hiperglicemias e pode ser dividida entre a fase de expansão e fase de manutenção conforme a seguir. Expansão rápida: SF 0,9% 1500ml/h. Atenção nessa fase a solução de escolha é o soro fisiológico! Quando dar bicarbonato? Apenas se pH < 7,0! Manutenção: Depende do Na!! Na > 135 mEq/L: NaCl 0,45% Realizar 250-500 ml/h Na < 135 mEq/L: NaCl 0,9% Evitar hipoglicemia: Glicemia geralmente corrige antes da acidose! Quando glicemia 250-300 mg/dL -> Trocar para Nacl 0,45% + SG 5% Se o paciente tiver um pH < 7,0 ele apresenta acidose ameaçadora a vida. Neste contexto deve-se realizar reposição de bicarbonato de sódio. Administrar bicarbonato de sódio se pH< 7,0 da seguinte forma: BICNa 8,4% 100 ml (100 mEq) diluídos em 400ml de água destilada infusão venosa em duas horas. CETOACIDOSE DIABÉTICA 27 CLÍNICA MÉDICA Insulinização: Esse é o conceito historicamente mais cobrado na prova do REVALIDA: Antes de se realizar insulinização deve-se checar o valor do potássio Sempre checar K antes!! Quando indicado, administrar: 20-30 mEq de K diluído em 1000ml de SF0,9% e uma hora! ● K < 3,3 mEq/L -> 20-30 mEq de K diluído em 1000ml de SF0,9% e uma hora. ● K 3,3 – 5,2 mEq/L – insulinização + reposição de K 20-30 mEq por litro da solução de manutenção. ● K > 5,2 mEq/L – insulinização sem reposição de K - Dose de ataque: 0,1-0,15 U/Kg EV INSULINA R - Infusão contínua: 0,1 U/Kg/hora INSULINA R Queda da glicemia ideal: 50-70 mg/dL por hora ATENÇÃO: A correção mais rápida do que 50-70 mg/dL/h pode levar à complicações do tratamento! Resolução da CAD: Os critérios de resolução são: • Controle de fator precipitante + • pH > 7,3 + • Bicarbonato > 18 mEq/L+ • Glicemia < 250 mg/dL É importante lembrar que não se deve esperar reversão da cetonemia/cetonuria para se definir resolução da CAD. O paciente pode manter cetonuria e cetonemia por horas após a resolução. Quando o paciente apresenta reversão da CAD deve-se realizar 10 U de insulina R subcutânea e suspender bomba de infusão de insulina após uma hora! Resolução do EHH: É muito menos comum a cobrança sobre EHH, mas os critérios de resolução para essa patologia são: Critérios resolução EHH: -Controle do fator precipitante -Glicemia < 250 md/dL -Osmlolaridade sérica < 315mOsm/Kg -Normalização do nível de consciência e hemodinâmica ATENÇÃO: •Não esperar reversão de cetonemia/cetonúria!! • Após reversão, prescrever 10 U de Insulina R subcutânea. • - Suspender INSULINA EV em bomba de infusão após 1 hora da realização da insulina subcutânea! CETOACIDOSE DIABÉTICA 28 CLÍNICA MÉDICA Complicações do tratamento: Este tópico é raro nas questões no REVALIDA, no entanto, para complementar o estudo seguem as principais complicações do tratamento das hiperglicemias: • Hipoglicemia: Complicação mais comum, por isso é importante adicionar SG5% para manutenção quando a glicemia estiver entre 250-300 mg/dL. • Edema cerebral: Complicação grave e temida. Ocorre por correção muito rápida da glicemia. Lembrar que deve-se buscar uma redução entre 50-70 mg/dL/hora. Isso ocorre devido ao efeito osmótico da glicose. Ao se reduzir de forma abrupta a glicemia, o intravascular se torna subitamente menos hipertônico do que o sistema nervoso central. Isso faz com que haja, por gradiente osmótico, migração de H20 para o SNC levando a edema cerebral. • Hipocalemia/arritmia: Complicação grave. Ocorre quando não se atenta ao valor do K sérico antes do início da insulina R EV. Deve-se lembrar que a insulina pode causar hipocalemia em decorrência de ativação da bomba Na-K-ATPase e correção da acidose. Por isso, é importante lembrar de repor potássio de acordo com os valores já citados anteriormente. • Congestão/edema: Decorre da reposição volêmica excessiva, principalmente em pacientes com insuficiência cardíaca ou renal. • Mucormicose: Condição grave e rara. Infecção fúngica que acomete pacientes com hiperglicemias agudas. CETOACIDOSE DIABÉTICA HELLP / IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA ICTERÍCIA NEONATAL DENGUE RAIVA CETOACIDOSE DIABÉTICA