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que a grelha tem 
um funcionamento análogo ao de um vertedor de soleira livre, para profundidades de 
lâmina d´água de até 12 cm. A grelha passa a funcionar como orifício somente quando a 
lâmina d'água for superior a 42 cm e entre 12 e 42 cm o funcionamento é indefinido. 
A Fig. 112 reúne as duas condições acima e os gráficos fornecidos representam as 
seguintes equações: 
– Para y < 0,12 m 
516551 ,yx,
P
Q = 
– Para y > 0,42 m 
50912 ,yx,
A
Q =
 
Onde: 
P
Q = vazão por metro linear de perímetro da boca-de-lobo; 
y = altura d'água na sarjeta sobre a grelha; 
A
Q = vazão por metro quadrado de área de abertura da grelha, excluído as áreas 
ocupadas pelas barras. 
Na faixa de transição entre 12 e 42 cm, a escolha de y depende exclusivamente do 
projetista, e, conseqüentemente, de sua experiência. 
O perímetro P da abertura da grelha deve ser calculado sem levar em consideração as 
barras internas e descontando-se os lados pelos quais a água não entra, como por 
exemplo, quando um dos lados está junto à face do meio-fio. A é a área útil das aberturas 
da grelha, excluindo-se, portanto, da área total às áreas correspondentes as barras. 
Os resultados obtidos através do nomograma da Fig. 112 devem ser multiplicados pelos 
coeficientes de redução da tabela 54 apresentada no Apêndice D, pois, na prática a 
capacidade de esgotamento das bocas-de-lobo é menor que a calculada, em razão de 
diversos fatores, entre os quais enumera-se: 
 
Manual de Drenagem de Rodovias 290 
MT/DNIT/DPP/IPR 
Figura 112 - Capacidade de esgotamento das grelhas localizadas em pontos 
baixos das sarjetas 
 
Manual de Drenagem de Rodovias 291 
MT/DNIT/DPP/IPR 
– obstruções causadas por detritos carreados pelas águas; 
– irregularidades nos pavimentos das ruas, junto às sarjetas e bocas-de-lobo; 
– hipóteses de cálculo que nem sempre correspondem à realidade. 
Assim, para compensar os efeitos globais desses fatores, devem-se aplicar coeficientes 
de redução sobre os valores teóricos calculados. 
Por outro lado, segundo consta no Manual de Drenagem Urbana de Denver, estudos 
conduzidos pela Universidade John Hopkins admitem o funcionamento da grelha como 
orifício a partir de 7,5 cm, e recomenda a utilização do gráfico da Fig. 113 para o 
dimensionamento. A diferença entre os resultados obtidos através das Figs. 112 e 113 
decorre de critérios diferentes adotados na escolha do coeficiente de descarga pêlos 
orifícios. A seleção de um ou outro método de dimensionamento ficará a critério do 
projetista. 
Estudos dessa mesma Universidade mostraram que a capacidade teórica de 
esgotamento das bocas-de-lobo combinadas é, aproximadamente, igual ao somatório das 
vazões pela grelha e pela abertura no meio-fio, consideradas isoladamente. 
Bocas-de-lobo com grelha em ponto intermediário das sarjetas 
Para se estudar o comportamento das grelhas instaladas em pontos intermediários das 
sarjetas destaca-se em particular "The Design of Storm Water Inlets" que consubstancia o 
estudo efetuado na Universidade John Hopkins, único que pode ser aplicado para 
configuração de grelhas e de ruas diferentes daquelas dos ensaios. 
A Fig. 114 mostra um esquema geral da grelha. Na seção BB da figura, está assinalada a 
profundidade y’ que é facilmente calculada uma vez conhecido y0 (item 5.2). 
Manual de Drenagem de Rodovias 292 
MT/DNIT/DPP/IPR 
Figura 113 - Capacidade de escoamento das grelhas localizadas em pontos 
baixos das sarjetas 
 
Manual de Drenagem de Rodovias 293 
MT/DNIT/DPP/IPR 
Figura 114 - Esquema geral de grelha 
 
A profundidade y' é importante neste método, pois admitindo-se que a parcela d'água na 
sarjeta ao longo da largura W da grelha irá escoar longitudinalmente para seu interior, 
então a parcela restante, com lamina de largura (T - W) e profundidade y', escoará 
lateralmente em direção à grelha como se fosse uma boca-de-lobo simples. Para que 
toda essa água seja esgotada longitudinalmente e lateralmente, conforme mostra a 
Fig.114, a grelha deverá possuir um comprimento mínimo L', calculado a partir da fórmula 
empírica seguinte, baseada em experiências de laboratório: 
0,5
o g
y'xtgØxvx1,2L' ⎟⎟⎠
⎞
⎜⎜⎝
⎛= 
onde: 
tgØ
Wy,y o −= 
Se for adotado um valor de L menor que L' haverá um excesso de água q2 que não será 
esgotado pela grelha e deve ser calculado por: 
( ) ( ) 512 250 ,'yxgxL'Lx,q −= 
Manual de Drenagem de Rodovias 294 
MT/DNIT/DPP/IPR 
Por outro lado, o comprimento da grelha deverá ser maior ou igual a L para que todo o 
escoamento longitudinal na sarjeta dentro da faixa W da grelha seja esgotado. Se L for 
menor que L0, as águas pluviais não esgotadas ultrapassam as grelhas. O valor de L é 
calculado por: 
50,
oo g
yvxmL ⎟⎟⎠
⎞
⎜⎜⎝
⎛=
 
O fator m é uma constante que depende da configuração da grelha e os seus valores 
encontram-se na tabela 34 do Apêndice D, em função do tipo da boca-de-lobo. 
Em condições normais, as grelhas devem ser dimensionadas de modo que oLL ≥ . 
Se, por algum motivo, L < Lo, a vazão que ultrapassa a grelha pode ser calculada por: 
2
2
2
3 1 ⎟⎟⎠
⎞
⎜⎜⎝
⎛ −=
o
o L
LxQq 
Assim sendo, a vazão total que ultrapassa a grelha é calculada por; 
32 qqq += 
Finalmente, a vazão esgotada pela grelha será; 
qQQ o −= 
Símbolos empregados na formulação matemática: 
y' = profundidade da lâmina d’água junto à borda externa da grelha, em m; 
yo = profundidade da lâmina d´água na sarjeta, em m; 
W = largura da grelha, em m; 
T = largura da seção molhada de escoamento, em m; 
L' = comprimento da grelha necessário para interceptar, lateralmente, toda a água que 
escoa fora da grelha q2, em m; 
Vo = velocidade média de escoamento nas sarjetas, em m/s = Qo/Ao 
Qo = vazão que escoa na sarjeta, em m3/s; 
Ao = área da seção transversal de escoamento da sarjeta, em m2; 
Ø' = ângulo formado entre o plano da superfície do pavimento e o plano vertical na grelha ( )1/itgØ'= ; 
Manual de Drenagem de Rodovias 295 
MT/DNIT/DPP/IPR 
i = declividade transversal do pavimento da pista de rolamento; 
g = aceleração da gravidade, em m/s2; 
Ø' = ângulo formado entre o plano da sarjeta e o plano vertical; 
L = comprimento da grelha, em m; 
Qo = vazão que escoa lateralmente à grelha, em m3/s; 
Lo = comprimento da grelha necessário para captar toda a água que escoa sobre a 
grelha, em m; 
q = vazão total não esgotada pela boca-de-lobo, em m3/s; 
Q = vazão esgotada pela boca-de-lobo, em m3/s; 
t = espessura das barras longitudinais das grelhas, em m; 
e = espaçamento entre as barras longitudinais das grelhas, em m. 
As bocas-de-lobo devem ser localizadas imediatamente a montante das curvas dos meio-
fios nos cruzamentos, em pontos baixos do perfil e em pontos intermediários, segundo as 
necessidades de captação de águas, e seu espaçamento é função da capacidade 
hidráulica da sarjeta (item 5.2) 
Para os procedimentos a serem seguidos na execução deste dispositivo, devem ser 
obedecidas as Especificações de Serviço DNIT 030/2004-ES . 
6.4 POÇOS-DE-VISITA 
Os poços-de-visita são dispositivos especiais que têm a finalidade de permitir mudanças 
ou das dimensões das galerias ou de sua declividade e direção. São dispositivos também 
previstos quando, para um mesmo local, concorrem mais de um coletor. Têm ainda o 
objetivo de permitir a limpeza nas galerias e a verificação de seu funcionamento e 
eficiência. 
Após o dimensionamento e localização das bocas-de-lobo e sarjetas, devem ser 
posicionados os poços de visita que atenderão às bocas-de-lobo projetadas e demais 
casos particulares, conforme descrito acima. 
6.5 ROTEIRO PARA PROJETO DE GALERIAS PLUVIAIS DE SEÇÃO CIRCULAR 
Será apresentado a seguir um roteiro para o projeto de galerias pluviais de seção circular