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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA - CAMPUS I CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE FARMÁCIA CURSO DE FARMÁCIA EM BACHARELADO Discente: Iolanda Victória Lima Ferreira, 2023213530024. Componente curricular: Bioquímica I. Docente: Alessandra Teixeira. Estudo dirigido - Enzimas 1. Qual a importância das enzimas abaixo no diagnóstico clínico? a. Creatina quinase Sendo uma enzima que atua na transferência de grupos fosfato entre moléculas de creatina e ATP, ela desempenha um papel crucial na produção de energia nas células musculares. Existem três tipos principais de creatina quinase: CK-MM (músculos esqueléticos), CK-MB (músculos cardíacos) e CK-BB (cérebro e tecidos neurais). Os valores elevados de CK podem indicar lesões musculares, infarto do miocárdio e distrofias musculares. b. TGO É uma enzima encontrada no fígado, coração, músculos e outros tecidos, quando seus níveis estão em alta quantidade na corrente sanguínea podem significar casos de lesão hepática, como hepatite, cirrose e esteatose hepática A determinação simultânea de TGO e TGP pode indicar a localização da lesão tecidual. c. TGP É uma enzima produzida exclusivamente no fígado, quando seus níveis estão em alta quantidade na corrente sanguínea podem significar alterações no fígado, como hepatite, tumores ou obstrução das vias biliares. Sendo assim um marcador importante para avaliar a saúde hepática. d. Fosfatases Fosfatase Alcalina (FA): Níveis elevados de FA podem indicar doenças ósseas, como a doença de Paget, osteomalacia, raquitismo e metástases ósseas. A FA é produzida em grandes quantidades pelos osteoblastos, as células responsáveis pela formação óssea. A FA também é produzida pelas células do fígado, os níveis elevados podem sugerir obstrução biliar, hepatite, cirrose ou carcinoma hepatocelular, a enzima também pode estar elevada em condições que causam danos aos ductos biliares, como colestase. Fosfatase Ácida (FAc): A fosfatase ácida prostática (PAP) é um marcador tumoral utilizado no diagnóstico e monitoramento do câncer de próstata, seus níveis elevados de PAP podem indicar a presença de câncer de próstata, especialmente em casos avançados ou metastáticos. e. Transferases Dentre as enzimas transferases as mais utilizadas no contexto clínico são as aminotransferases (AST e ALT) e a gama-glutamil transferase (GGT). Sendo a ALT (Alanina Aminotransferase) mais específica para o fígado, seus níveis elevados são indicadores sensíveis de danos hepáticos, sendo especialmente úteis no diagnóstico de hepatites virais, hepatites especiais, e lesões hepáticas induzidas por medicamentos. Já a AST (Aspartato Aminotransferase) é encontrada tanto no fígado quanto em outros tecidos, como o coração e músculos esqueléticos, seus níveis elevados de em conjunto com ALT, ajudam a confirmar lesões hepáticas e suas origens. E a GGT (Gama -Glutamil Transferase) é um marcador sensível de doenças do fígado e das vias biliares seus níveis elevados podem indicar interferência biliar, colangite, colecistite e hepatite específica. Sendo também um importante Detector de Consumo Alcoólico Crônico, visto que seus níveis elevados são frequentemente associados ao consumo excessivo de álcool, sendo útil no diagnóstico de hepatopatia isolada e no monitoramento da abstinência em pacientes com dependência química. f. Amilase A enzima amilase é um dos principais marcadores utilizados no diagnóstico da pancreatite aguda, seus níveis elevados na corrente sanguínea são frequentemente observados nas primeiras horas após o início dos sintomas. Podendo também ser observado níveis elevados de amilase em pacientes com pseudocistos pancreáticos, que são complicações da pancreatite, e em alguns casos, tumores pancreáticos podem causar níveis elevados da enzima amilase. Outro diagnóstico clínico, seria a inflamação das glândulas salivares, especialmente a parótida (caxumba), que pode causar um aumento nos níveis de amilase, já que essas glândulas também produzem a enzima. A obstrução dos dutos salivares causada por cálculos ou outras condições, também pode levar a níveis elevados de amilase. 2. O que são enzimas alostéricas e qual a sua importância? São enzimas que contém uma região separada daquela em que se liga o substrato (região denominada sítio alostérico) na qual pequenas moléculas regulatórias podem se ligar e modificar a atividade catalítica da enzima. Essas moléculas podem atuar atividade ou inibindo a atividade enzimática, alterando a afinidade da enzima pelo substrato. Essas enzimas desempenham um papel fundamental na regulação da atividade enzimática em vias metabólicas, permitindo que as células respondam rapidamente às mudanças nas condições do ambiente e ajustem a produção de metabólitos de acordo com a demanda celular 3. Qual a importância de uma inibição enzimática na hipercolesterolemia? Diga qual tipo de inibição e quais as consequências? Essa doença é caracterizada pelo aumento do colesterol LDL no sangue. A HMG-CoA redutase é uma enzima essencial na síntese do colesterol no organismo pois ela converte a HMG-CoA em mevalonato, um precursor do colesterol. Assim, a classe de medicamentos das estatinas agem como inibidores competitivos desta enzima, e bloqueiam a produção de ácido mevalônico, reduzindo assim a síntese de colesterol. Como consequência, os níveis de colesterol LDL no sangue diminuem, pois a redução do colesterol intracelular aumenta a expressão dos receptores de LDL nas células hepáticas, melhorando a detecção do LDL do sangue. Isso resulta em menor risco de eventos cardiovasculares e também proporciona benefícios adicionais, como propriedades anti-inflamatórias e estabilização de placas ateroscleróticas. Exemplos de estatinas: Atorvastatina, Sinvastatina, Rosuvastatina, Lovastatina. 4. Qual a importância de uma inibição enzimática na hipertensão? Diga qual tipo de inibição e quais as consequências? No tratamento da hipertensão, ocorre uma competição competitiva da enzima conversora de angiotensina (ECA). Os inibidores da ECA competem com o substrato natural da enzima, a angiotensina I, pelo sítio ativo da ECA, bloqueando assim a conversão da angiotensina I em angiotensina II, isso resulta em vasodilatação, redução da resistência vascular periférica e, consequentemente, redução da pressão arterial. Além disso, um inibidor da ECA pode proteger os vasos sanguíneos e reduzir a carga de trabalho do coração. Exemplos de inibidores da ECA: captopril, enalapril, lisinopril e ramipril. 5. Qual mecanismo de ação do AAS? Diga qual tipo de inibição e quais as consequências? O AAS (ácido acetilsalicílico), ou aspirina, atua como inibidor irreversível da enzima ciclooxigenase (COX). A COX é responsável pela conversão do ácido araquidônico em prostaglandinas, que são mediadores da inflamação, dor, febre e vasodilatadores. Ao inibir a COX-1, por meio de uma ligação covalente ao sítio ativo da enzima, o AAS impede a formação de prostaglandinas envolvidas na proteção da mucosa gástrica e na agregação plaquetária, reduzindo assim a inflamação, a dor e a formação de coágulos sanguíneos. No entanto, a inibição da COX-1 também pode levar a efeitos adversos, como irritação gástrica e aumento do risco de sangramento gastrointestinal. 6. O processo de modificação covalente é irreversível? Geralmente é considerado irreversível. Dentro do contexto das enzimas, quando um inibidor se liga covalentemente a uma enzima, ele geralmente modifica o grupo funcional da enzima necessário para sua atividade catalítica de forma permanente, tornando-a inativa. Isso significa que a enzima não pode mais realizar sua função catalítica, e a inibição não pode ser revertida facilmente. No caso do AAS, essa modificação covalente na COX é o que confere o efeito terapêutico prolongado do medicamento.