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4949 SO C IO LO G IA "A SOCIEDADE, ASSIM COMO O CORPO HUMANO, TEM PARTES, NECESSIDADES E FUNCIONAMENTO INTER-RELACIONADOS". ÉMILE DURKHEIM (1858-1917) A humanidade evoluiu de pequenas comunidades ou agrupamentos homogêneos para a formação de sociedades grandes e complexas. Na sociedade tradicional, a religião e a cultura criaram uma consciência coletiva capaz de produzir solidariedade. Na sociedade moderna, a divisão do trabalho trouxe uma maior especialização, e o foco mudou para o indivíduo em vez do coletivo... ... de modo que a solidariedade agora vem da interdependência de indivíduos com funções especializadas. A sociedade, assim como o corpo humano, tem partes, necessidades e funcionamento inter-relacionados. UNIDADE 04 Objeto da Sociologia Figura 01 50 SO C IO LO G IA 50 1. CONCEITO DE FATO SOCIAL Durante o século XX, ocorreram profundos estu- dos científicos da sociedade. Entre os estudio- sos estava Durkheim, que qualificou fato social como uma "coisa exterior ao indivíduo", ou seja, são ma- neiras de agir, de pensar e de sentir exteriores ao indivíduo, dotadas de poder coercitivo. Nesse sen- tido, fatos sociais são vistos também como normas coletivas às quais, gostando ou não, a pessoa se vê obrigada a segui-las e caso não sigam, poderão so- frer punição, consequências, retaliações etc. São fatos sociais o modo de se vestir, a língua, a religião, o sistema monetário e uma infinidade de fenômenos do mesmo tipo. Pode-se observar o se- guinte exemplo: se, em uma cerimônia de casamen- to, um dos convidados aparecer trajando maiô ou sunga, como se estivesse na praia, poderá ser alvo de risos, deboches, impedimento etc. Segundo essa teoria, para ocorrer o estudo do fato social é necessário aplicar métodos e processos por meio de recursos experimentais, tal qual nas ci- ências exatas. Durkheim defendia a ideia de que somente a par- tir da investigação das causas sociais é que se pode explicar os fatos que ocorrem na sociedade. Apesar da enorme contribuição de Augusto Comte, considerado o pai da sociologia e primeiro estudioso a utilizar a palavra sociologia, foi Durkheim o primeiro a considerar a sociologia como ciência, demonstrando que o fato social tem características próprias. Para ele, "a sociologia é o estudo dos fatos sociais". A força coercitiva dos fatos sociais se torna evi- dente pelas "sanções legais" ou "espontâneas" a que o indivíduo está sujeito quando tenta rebelar-se contra ela. "Legais" são as sanções prescritas pela sociedade, sob a forma de leis, nas quais se define a infração e se estabelece a penalidade corresponden- te. Espontâneas são as que afloram como resposta a uma conduta considerada inadequada por um grupo ou uma sociedade. Multas de trânsito, por exemplo, fazem parte das coerções legais, pois estão previs- Figura 02 5151 SO C IO LO G IA tas e regulamentadas pela legislação que regula o tráfego de veículos e pessoas pelas vias públicas. Já os olhares de reprovação de que somos alvo quando comparecemos a um local com a roupa inadequada constituem sanções espontâneas. Embora não codi- ficados em lei, esses olhares têm o poder de conduzir o infrator para o comportamento esperado. Durkheim dá o seguinte exemplo das sanções espontâneas: 2. CARACTERÍSTICA E NATUREZA DO FATO SOCIAL As características do fato social, segundo Durk- heim, são: 2.1 Generalidade: é comum aos membros de um grupo ou à sociedade, como a forma de habita- ção, de comunicação, de sentidos e moral. 2.2 Exterioridade: é externo ao indivíduo, indepen- dente de sua vontade; o que existe antes de seu nascimento são as regras sociais, os costumes, as leis, que são impostos de maneira coercitiva. 2.3 Coercitividade: os indivíduos são obrigados a seguir o comportamento estabelecido, ou seja, a força que os fatos exercem sobre eles, levando-os a se conformar com as regras da sociedade em que vivem, independente de sua vontade de escolha. 2.1. Generalidade São os fatos sociais comuns na sociedade, ou seja, são as características que irão determinar a qual sociedade o indivíduo pertence, permitindo dis- tinguir se ele é brasileiro ou mexicano, por exemplo. Como vimos, Durkheim reconhecia a existência de duas consciências: a coletiva e a individual. A consciência individual se manifesta por meio dos traços de caráter ou de temperamento e também por meio das experiências pessoais, possibilitando, assim, uma relativa autonomia no emprego e na ade- quação da forma de agir, de pensar e de sentir. Na generalidade, a consciência coletiva pode se impor, com maior ou menor força, possibilitando à consciência individual diversos graus de autonomia. Nas sociedades coletivas, é possível notar a ge- neralidade dos fatos sociais com maior clareza, pois a consciência coletiva domina quase que totalmente as consciências individuais. O que não difere da so- ciedade moderna com uma tecnologia avançada, em que a generalidade do fato social continua existindo, fazendo com que as consciências individuais passem a ter certa autonomia, surgindo, desse modo, grupos que possuem características distintas. As relações familiares nas variadas nações ou até mesmo em diferentes regiões de um mesmo país sofreram e sofrem modificação. Em um tempo remo- to, eram os pais que determinavam com quem seus filhos deveriam casar. Na atualidade, é a própria pes- soa que, geralmente, escolhe o(a) companheiro(a). Em algumas regiões do Oriente, a escolha dos cônjuges ainda é feita pelos mais velhos da família, sendo que só é permitido ao noivo ver o rosto de sua noiva no dia do casamento. Durkheim ensina aos sociólogos que os fatos so- ciais podem ser estudados objetivamente, como "coi- sas", e que, para estudá-los, teriam de aplicar métodos e processos científicos, ou seja, recursos experimen- tais como os aplicados nas ciências exatas. Para ele, ao explicar o fato social, tem de haver uma necessidade de investigar as causas sociais, não pelos fatos históricos, nem psicológicos e nem biológicos. O pesquisador precisa ser neutro em re- lação aos fatos, tem de deixar de lado seus valores e sentimentos pessoais em relação aos aconteci- mentos estudados, para não distorcer a realidade dos fatos e para que sua pesquisa possa ter base científica. Nesse sentido, o pesquisador deve obser- var, comparar e medir independentemente do que as pessoas pensem ou declarem a seu respeito. De acordo com as concepções de Durkheim, o cientista necessita identificar características exterio- res comuns para se apoderar dos fatos sociais. O trabalho científico deve eliminar quaisquer traços de subjetividade, além de manter uma atitude de distan- ciamento. Com esse rigor, Durkheim queria garantir o su- cesso da ciência exata, definindo a sociologia como ciência, rompendo com as ideias e o senso comum e propondo que a realidade social deixasse de ser interpretada de maneira vulgar. 2.2. Exterioridade No conceito de Durkheim, a exterioridade é de consciência coletiva. E são as maneiras de agir, de pensar e de sentir, comuns entre os membros de uma determinada sociedade que são transmitidas através do tempo, de geração a geração. Os modos de agir, de pensar e de sentir são de fora para dentro, ou seja, são exteriores e estão além dos sentidos dos indivíduos, e por isso sobrevivem ao longo do tempo e permanecem. Figura 03 Figura 04 52 SO C IO LO G IA 52 2.3. Coercitividade As leis e os costumes são transmitidos socialmen- te por meio da educação, que se encarrega de tornar aceito e válido o modo de agir, pensar e sentir. Todas as pessoas têm direitos garantidos e deve- res a cumprir estabelecidos pelo Estado, pela institui- ção familiar, por religiosos, pela empresa em que se trabalha etc. As normas de condutas ou de pensamento são impostas independente da vontade das pessoas; portanto, agem de forma externa, por isso são dota- das de poder coercitivo. As normas que regulam as instituições, por exem- plo,estão estabelecidas mesmo que as neguemos ou deixemos de pertencer a elas. Ainda assim elas continuarão existindo. O descumprimento das normas leva à punição. São várias as formas de punição. Uma delas é por meio de prisão, por exemplo, ao indivíduo que não cumpra as leis. As leis só passam a vigorar se o indi- víduo não as cumprir. A coerção também ocorre atra- vés de risos, zombarias, afastamento das pessoas etc. Socialmente, usos e costumes não são imóveis, estáticos, mas sim dinâmicos. Transformam-se dia- riamente. A coerção não deixa de existir, mesmo ocorrendo transformações que modificam as normas e os cos- tumes na sociedade. Quando uma pessoa procura inovar as regras dentro de uma sociedade, ela sofre pressão social e terá de lutar para obter êxito. Todas as mudanças, por melhores que sejam, de início não são aceitas. Geralmente, há pressões para que não vigorem. Quando ocorre a pressão dos fatos sociais, observa-se a subjetividade que se impõe a nossa consciência, que é externa e alheia a nossa vontade; e a objetividade é a reação provocada no grupo por não nos submetermos às normas e condutas já exis- tentes e que permanecem. 3. NATUREZA DO FATO SOCIAL De acordo com Durkheim, os fenômenos sociais devem ser tratados como coisa exterior ao indiví- duo. Para Durkheim, todo objeto do conhecimento que a inteligência não chega a perceber de maneira natural é coisa. Portanto, nas próprias palavras de Durkheim: "[...] tudo aquilo de que não podemos formular uma noção adequada por simples processo de aná- lise mental, tudo o que o espírito não pode chegar a compreender, senão sob condição de sair de si mes- mo, por meio da observação e da experimentação, passando, progressivamente, dos caracteres mais imediatamente acessíveis para os menos visíveis e mais profundos." É natural que os fatos sociais devam ser tratados como coisas, e, ao observá-los, o pesquisador preci- sa estudá-los de modo objetivo e científico, partindo tanto do princípio da observação de como ocorrem os fatos sociais como também da experimentação — isso porque nem tudo que nos chega do mundo exterior é de maneira natural. Os fatos sociais devem ser explicados a partir das causas sociais. Segundo Durkheim: [...] Desta forma, quando tentamos explicar um fenômeno social, devemos investigar separa- damente a causa eficiente que o produz e a fun- ção que ele desempenha. Preferimos servir-nos do termo função em vez do de fim ou objetivo, precisamente porque os fenômenos sociais não existem geralmente em vista dos resultados úteis que produzem. O que é necessário determinar é se existe correspondência entre o fato consi- derado e as necessidades gerais do organismo social e em que consiste esta correspondência, sem nos preocuparmos em saber se foi ou não intencional. Todas estas questões de intenção são, aliás, demasiado subjetivas para poder ser tratadas cientificamente [...] A causa determinan- te de um fato social deve ser buscada entre os fatos sociais anteriores, e não entre os estados Figura 05 Figura 06 5353 SO C IO LO G IA de consciência individual [...] A função de um fato social deve ser sempre buscada na relação que mantém com algum fim social. DURKHEIM , Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martin Claret, 2003. Os fenômenos sociais não existem para resulta- dos úteis, é necessário determinar uma relação entre os fatos considerados e as necessidades gerais do organismo social, sem a preocupação de ser ou não intencional. Vejamos a seguir um exemplo. Imaginemos que alguns delinquentes entram em uma casa com o objetivo de roubar. No entanto, al- guém vê e aciona a Polícia Militar. Um grupo de po- liciais vai até o local e cerca a casa. Como possuem reféns, os ladrões fazem exigências e solicitam um carro blindado. Na fuga, levam um dos donos da casa, sob ameaça de morte. No entanto, os ladrões são dominados, presos, julgados e condenados a cumprir pena. O cumprimento da pena pelo crime cometido pas- sa a ser a reação social pela intensidade dos sen- timentos da sociedade causada pelo crime. Esse cumprimento da pena é também uma maneira de manter a sociedade coesa em um determinado grau de intensidade, para que não haja manifestações como agressões violentas de linchamento ou ape- drejamento. Os fatos sociais possuem uma dependência re- cíproca. Segundo Durkheim, "sejam quais forem as causas, repercutem em todas as direções do orga- nismo social e não podem deixar de afetar, mais ou menos, todas as suas funções". Suicídio Durkheim estudou profundamente o suicídio, utili- zando nesse trabalho toda a metodologia defendida e propagada por ele. Considerou-o fato social por sua presença universa em toda e qualquer socieda- de e por suas características exteriores e mensurá- veis, completamente independentes das razões que levam cada suicida a acabar com a própria vida. Assim, apesar da conduta marcada pela vontade individual, o suicídio interessa ao sociólogo por aquilo que ele tem em comum e coletivo e que, certamente, escapa às consciências individuais dos indivíduos – do suicida e dos que os cercam. Para Durkheim, a prova de que o suicídio depende de leis sociais e não da vontade dos sujeitos es- tava na regularidade com que variam as taxas de suicídio de acordo com as alternâncias as condi- ções históricas. Ele verificou, por exemplo, que as taxas de suicídio aumentavam nas sociedades em que havia a aceitação profunda de uma fé religiosa que promete a felicidade após a morte. É sobre fa- tos assim concretos e objetivos, gerais e coletivos, cuja natureza social se evidencia, que o sociólogo deve se debruçar. Com o auxílio de estatísticas, mostra em se- guida Durkheim que o suicídio é com certeza um fato social na medida em que, em todos os paí- ses, a taxa de suicídios se mantém constante de um ano para o outro. A longo prazo, ainda por cima, a evolução dos suicídios se inscreve em curvas que têm formas similares para todos os países da Europa. Os desvios entre regiões e países são igualmente constantes. LALLEMENT, Michael. História das ideias sociológicas. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 218 4. CONCEITOS DE AÇÃO SOCIAL (MAX WEBER) Durkheim define que a sociologia tem caráter ob- jetivo, pois determina o caráter social da ação, par- tindo da coerção do mundo exterior sobre o procedi- mento dos indivíduos. Já Max Weber, em seu conceito sobre o modo subjetivo da ação social, procura fundamentar-se em critérios interiores aos indivíduos participantes. Para Weber, a ação social é a maneira pela qual o ser hu- mano se comporta, dotado de sentidos dentro de uma sociedade. Ele afirmava que os agentes da ação so- cial podem ser a política, a economia ou a religião. Existem várias etapas que compõem a ação so- cial. Por exemplo, ao enviarmos uma carta, podemos observar várias ações sociais com sentido, que deter- minam um objetivo: escrever, selar, enviar e receber. Portanto, a ação social tem efeito sobre a realidade em que ocorre, escapando ao controle do indivíduo e da previsão do agente. A ação social permite des- vendar o seu sentido, que é social na medida em que cada indivíduo age levando em conta a resposta ou a reação dos outros. O indivíduo, por meio de valores sociais e de sua motivação, produz o sentido da ação; isso não quer dizer que cada pessoa possa prever com certeza todas as consequências de determi- nada ação. Por mais individual que seja o sentido de uma ação, o fato de se agir levando em consideração o outro dá um caráter social a toda ação humana. Sendo assim, o social só se manifesta em indivídu- os, expressando-se sob forma de motivação interna e pessoal. Figura 07 54 SO C IO LO G IA 54 Para que haja uma relação social, é preciso que o sentido seja compartilhado. Podemos citar como exem- plo uma sala de aula, onde o objeto da ação dos alunos é compartilhar, criando assim uma relação social. Para Max Weber, o objetivo da sociologia é investigara ação social; cada formação social adquire especi- ficidade e importância própria. É o homem que dá sentido a sua ação social, pois estabelece a conexão entre o motivo da ação propriamente dita e seus efeitos. A tarefa do cientista, para Weber, é descobrir os possíveis sentidos da ação humana presente na reali- dade social que lhe interessa estudar. Compete também ao pesquisador detectar o sentido produzido pelos diversos agentes em todas as suas consequências. A ligação que o cientista faz entre motivos e ações sociais revela as diversas instâncias da ação social, sejam elas políticas, econômicas ou religiosas. Portanto, o cientista pode descobrir o vínculo entre as várias etapas que separam os elementos da ação social. Quando Weber diferencia ação da relação social, é para mostrar que para se ter uma relação social é preciso que o sentido seja compartilhado. É o cientista que vai entender as frequências com que certas ações sociais levam o indivíduo a agir de determinado modo em cada sociedade. A meta do cientista é compreen- der, buscar as ligações causais que representam o sentido da ação social. Para Weber, qualquer que seja a perspectiva adotada por um cientista, será sempre parcial. São palavras dele: "Todo indivíduo em ação age guiado por seus motivos, sua cultura e sua tradição". Teoria Sociológica Durkheimiana - Esquema teórico MORAL FISIOLOGIA SOCIAL MORFOLOGIA SOCIAL RELIGIÃO A N O M IA SO LI D A R IE D A D E SO C IA L REPRESENTAÇÕES COLETIVAS GRUPOS E INSTITUIÇÕESINDIVÍDUO ORGÂNICA MECÂNICA SUICÍDIO DIVISÃO DO TRABALHO SOCIEDADE (complexo integrado de fatos sociais) Sagrado Profano Direito Repressivo Direito Restitutivo CONSCIÊNCIA COLETIVA coerção co erç ão an ôm ico tipo tipo funções altruísta egoísta coerção 5555 SO C IO LO G IA 5. CARACTERIZAÇÃO DA AÇÃO SOCIAL Segundo Weber, a ação social pode ser: a) Racional (fins): por expectativa utilizada como condições ou meios para alcançar fins próprios que são racionalmente avaliados e procurados. Uma pessoa, quando atua de forma racional, procura visar os fins; quando orienta sua ação pelos meios ou quando atua de forma racional, procura fazer uma comparação dos meios com os fins, até mesmo pelas consequências envolvidas e também pelos diferentes fins possíveis. b) Racional (valores): através da crença que tem, de acordo com seu conhecimento, adquirindo valor ético, estético e religioso entre outros. Esses valores são próprios de uma conduta específica, baseados nos méritos desses mesmos valores. Quando o ser humano atua de forma racional, ele procura visar os valores; não tem a consideração com as consequências que poderá causar. Sua ação se dá através da certeza do que almeja sobre o dever, a dignidade, a beleza, a crença ou em nome de uma causa. c) Afetiva: determinada pelo afeto e o estado sentimental. Ocorre de forma afetiva, quando um indivíduo atua de forma a satisfazer apenas suas necessidades para alcançar algo que almeja, seja por vingança, prazer, crença em uma doutrina religiosa ou por sua paixão. A ação afetiva tem como objetivo adquirir valores através de sua própria ação. d) Tradicional: por um costume enraizado. A ação de uma pessoa é ligada a costumes tradicionais; portanto, é rigorosa e possui um limite que muitas vezes está além de seus limites, do que se pode chamar de uma ação com sentido. A reação é habitual, ligada por atitudes tradicionais que estão enraizadas nos costumes. Batizado do Lorenzo Segundo Weber, essas características apresenta- das não representam uma ação específica, mas toda a ação do ser humano que atua em sociedade e que possui valores e crenças que estão ligados a traços de tradição ou não, pois cada indivíduo atua num mundo cheio de particularidades. 6. AÇÃO Ação é a maneira como um indivíduo age, atua ou se manifesta sobre outro, sendo de caráter social. É o sentido da ação do indivíduo que vai determinar se há relação social ou não, de acordo com a necessi- dade de cada um. Weber distingue a ação da relação social. Para ele, a ação ocorre na maneira em que a pessoa age ou atua no ambiente em que está inserida; já a re- lação social tem a necessidade de que os sentidos sejam compartilhados. Caso isso não ocorra, haverá uma ação social, como, por exemplo: um sujeito que pede informação a outro está somente estabelecen- 56 SO C IO LO G IA 56 do a ação social, mas não compartilha um sentido com o outro. Em um ambiente em que o objetivo da ação é compartilhar, pode-se dizer que há uma relação so- cial. Por exemplo: um grupo de jovens em que todos torcem para um mesmo time de futebol acaba com- partilhando sentimentos pelo time; seja assistindo no estádio, na televisão ou conversando a respeito do assunto. Portanto, o modo em que o indivíduo age, manifesta-se ou atua é que vai determinar se ele está estabelecendo uma ação ou uma relação social. Conforme as concepções de Weber, a motivação para a ação é algo sentido pelo sujeito sob forma de valores e modelos de conduta: "o sentido tem muito a ver com o modo como se encadeia o processo de ação, tomando-se a ação efetiva adotada de senti- do como um meio para alcançar um fim, justamente aquele subjetivamente visado pelo agente". Para Weber, a ação social não é um ato isolado, mas sim um processo no qual percorre uma sequên- cia definida de ligações. 7. A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO Um dos trabalhos mais conhecidos e importantes de Weber é A ética protestante e o espírito do capita- lismo, no qual ele relaciona o papel do protestantis- mo na formação do comportamento típico do capita- lismo ocidental moderno. Weber parte de dados estatísticos que lhe mos- traram a proeminência de adeptos da Reforma Pro- testante entre grandes homens de negócios, empre- sários bem-sucedidos e mão de obra qualificada. A partir daí, procura estabelecer conexões entre a doutrina e a pregação protestante, seus efeitos no comportamento dos indivíduos e sobre o desenvolvi- mento capitalista. Weber descobre que os valores do protestantis- mo - como disciplina ascética, a poupança, a austeri- dade, a vocação, o dever e a propensão ao trabalho - atuavam de maneira decisiva sobre os indivíduos. No seio das famílias protestantes, os filhos eram criados para o ensino especializado e para o traba- lho fabril, optando sempre por atividades mais ade- quadas à obtenção do lucro, preferindo o cálculo e os estudos técnicos ao estudo humanístico. Weber mostra a formação de uma nova mentalidade, um ethos - conjunto dos costumes e hábitos fundamen- tais - propício ao capitalismo, em flagrante oposição ao "alheamento" e à atitude contemplativa do cato- licismo, voltado para a oração, sacrifício e renúncia da vida prática. Um dos aspectos importantes desse trabalho, no seu sentido teórico, está em expor as relações entre religião e sociedade e desvendar particularidades do capitalismo. Além disso, nessa obra, podemos ver de que maneira Weber aplica seus conceitos e posturas metodológicas. Alguns dos principais aspectos da análise. 1. A relação entre a religião e a sociedade não se dá por meios institucionais, mas por inter- médio de valores introjetados nos indivíduos e transformados em motivos da ação social. A motivação do protestante, segundo Weber, é o trabalho, enquanto dever e vocação, como um fim absoluto em si mesmo, e não o ganho material obtido por meio dele. 2. O motivo que mobiliza internamente os indi- víduos é consciente. Entretanto, os feitos dos atos individuais vão além das metas propostas e aceitas por eles. Buscando sair-se bem na profissão, mostrando sua própria virtude e vo- cação e renunciando aos prazeres materiais, o protestante puritano se adapta facilmente ao mercado de trabalho, acumula capital e o rein- veste produtivamente. Figura 08 5757 SO C IO LO G IA 3. Ao cientista cabe, segundo Weber, estabele- cer conexões entre motivação dos indivídu- os e os efeitosde sua ação no meio social. Procedendo assim, Weber analisa os valo- res do catolicismo e do protestantismo, mos- trando que os últimos revelam a tendência ao racionalismo econômico, base da ação capitalista. 4. Para constituir o tipo ideal de capitalismo ocidental moderno, Weber estuda as diver- sas características das atividades econômi- cas em diversas épocas e lugares, antes e após o surgimento das atividades mercantis e da indústria. E, conforme seus preceitos, constrói um tipo gradualmente estruturado a partir de suas manifestações particulares tomadas à realidade histórica. Assim, diz ser o capitalismo, na sua forma típica, uma or- ganização econômica racional assentada no trabalho livre e orientada para um mercado real, não para a mera especulação ou rapi- nagem. O capitalismo promove a separação entre empresa e residência, a utilização téc- nica de conhecimentos científicos e o surgi- mento do direito e da administração racionali- zados. Nessa pintura holandesa podemos perceber a valorização do trabalho, própria da ética protestante analisada por Weber. O vendedor de peixes, pintura de Adrien Van Ostade, de 1672. 7.1 Análise Histórica e Método Compreensivo Weber teve uma contribuição importantíssima para o desenvolvimento da sociologia. Em meio a uma tradição filosófica peculiar, a alemã, e vivendo os problemas de seu país, diversos dos da França e da Inglaterra na mesma época, pôde trazer uma nova visão, não influenciada pelos ideais políticos nem pelo racionalismo positivista de origem anglo- -francesa. Sua contribuição para a sociologia tornou-o re- ferência obrigatória. Mostrou, em seus estudos, a fecundidade da análise histórica e da compreen- são qualitativa dos processos históricos e sociais. Embora polêmicos, seus trabalhos abriram as portas para as particularidades históricas das so- ciedades e para a descoberta do papel da subjeti- vidade na ação e na pesquisa social. Weber desen- volveu suas análises de forma mais independente das ciências exatas e naturais. Foi capaz de com- preender a especificidade das ciências humanas como aquelas que estudam o ser humano como um ser diferente dos demais e, portanto, sujeito a leis de ação e comportamento próprios. Figura 09 Outra novidade do pensamento weberiano no desenvolvimento da sociologia foi a ideia do inde- terminismo histórico. Ao contrário de seus prede- cessores, ele não admitia nenhuma lei pré-existen- te que regulasse o desenvolvimento da sociedade ou a sucessão de tipos de organização social. Isso permitiu que ele se aprofundasse no estudo das particularidades, procurando entender as forma- ções sociais em suas singularidades, especial- mente a jovem nação alemã que ele via despontar como potência. Nesse sentido, contribuiu também para a formação de um pensamento alemão, críti- co, histórico e consoante com sua época. Outros sociólogos alemães puseram em prática o método compreensivo de Weber, como Sombart, igualmente um estudioso do capitalismo ocidental. Weber desenvolveu também trabalhos na área de história econômica, buscando as leis de desenvol- vimento das sociedades. Estudou ainda, com base em fontes históricas, as relações entre o meio ur- bano e o agrário e o acúmulo de capital auferido pelas cidades por meio dessas relações. 58 SO C IO LO G IA 58 Ética do trabalho protestante DATAS IMPORTANTES 1517 O teólogo alemão Martinho Lutero anuncia suas "Noventa e cinco teses sobre o poder e eficácia das indulgências", um catalisador da Reforma Protestante. A partir de 1840 Karl Marx foca os fatores econômicos - não os religiosos ou culturais - para entender a ascen- são do capitalismo. 1882 Uma visão de mundo hostil ao cristianismo é articulada pelo filósofo alemão Friedrich Nietzs- che, que declara que "Deus está morto". 1920 O livro Sociologia das religiões é publicado e se torna uma enorme influência nas teorias socio- lógicas da religião. A visão de mundo protestante Foi moldada pelo conceito de que as tarefas se- culares mostram reverência a Deus e promovem sua glória. O sucesso material é interpretado como a aprovação de Deus - uma recompensa pelo esforço, pela parcimônia, pela sobriedade e por outras formas "corretas" de viver. "O PURITANO QUERIA SER UM PROFISSIONAL - NÓS DEVEMOS SÊ-LO." Max Weber A modernidade e o Holocausto Para Weber, a disseminação dos valores de cál- culo, racionalidade e autocontrole que definiam a ética do trabalho protestante também era cru- cial para o desenvolvimento da modernidade. O sociólogo alemão-polonês Zygmunt Bauman argumenta que a base de valor daquela ética também explica como foi possível que hou- vesse o Holocausto nazista. Em vez da visão tradicional do Holocausto como o triunfo da ir- racionalidade e da regressão a formas de pen- sar e agir primitivas e pré-modernas, Bauman vê esse evento como altamente racionalizado. Não apenas a modernidade tornou possível o Holocausto, como também lhe foi uma condição necessária, porque o extermínio era administra- do de forma burocrática e organizada. Bauman argumenta que os altos níveis de racionalidade e autodisciplina demonstrados pelos perpetra- dores do Holocausto estão inextricavelmente ligados à cultura e aos valores religiosos encon- trados por toda a Europa protestante. Honre seu chamado e será recompensado. “ O cumprimento das tarefas seculares é... a única maneira de viver aceitável para Deus. Max Weber“ Secularização - O que é? _______________________________________ _______________________________________ _______________________________________ _______________________________________ _______________________________________ _______________________________________ _______________________________________ _______________________________________ 5959 SO C IO LO G IA A corrupção e outros aspectos mundanos do catolicismo romano provocam um chamado à mudança A noção reformadora do "chamado" alega que o dever religioso e o ganho do sustento são a mesma coisa. As raízes religiosas do capitalismo desaparecem conforme o seu sucesso leva ao triunfo da secularização. Uma ética do trabalho de inspiração religiosa se desenvolve com um senso de dever animado pela "utilidade social". Uma ênfase na acumulação econômica alimenta o novo "espírito do capitalismo" protestante. ⇒ ⇒ ⇐ ⇐ 8. TIPO IDEAL, DE MAX WEBER Max Weber Às vezes compreender um conceito sociológico não é uma tarefa fácil. Quase sempre é necessário entender elementos que não estão presente em uma definição. Pensando nisso, destacamos 10 pontos que são necessários para compreender o conceito de Tipo Ideal, cunhado por Max Weber. 1. O conceito foi criado para designar um método proposto por Weber para estudar os fenôme- nos culturais; 2. Criado para dar conta de um embate teórico- -metodológico em torno da indefinição de um método para estudar os fenômenos culturais (generalizante ou particularizante? Explicati- vo ou compreensivo? Objetividade ou subjeti- vidade?); 3. Tem influência kantiana, por isso carrega adje- tivo “ideal” (tipo ideal); 4. Trata-se de uma construção mental, não exis- tindo em sua forma pura na realidade, por isso o adjetivo “Puro”(Tipos Ideais Puros); 5. O tipo ideal é sempre um recorte a ser pes- quisado, por isso trata-se de uma construção mental acentuada lateralmente; 6. Embora seja um construto mental do pesqui- sador, não é arbitrário, totalmente subjetivo e pessoal; 7. O tipo ideal possui função compreensiva/com- parativa (individualizante) ou explicativa (ge- neralizante); 8. É por meio da construção de um tipo ideal que o pesquisador organiza mentalmente a realidade de forma lógica, sem pretensão de traduzir com exatidão a estrutura do mundo social; 9. Para a criação de um tipo ideal o pesquisa- dor realiza seleções de características que daram “corpo” e inteligibilidade ao fenômeno estudado de acordo com seus interesses de estudo; 10.O tipo ideal por ser um instrumento metodo- lógico é mobilizado em toda a obra de We- ber, seja buscando compreender particulari- dades ou em historicizações comparativas que realizou. 60 SO C IO LO G IA 60 1. (Seduc-CE) Entre as principais obras de Weber, destaca-se: a) A ação humana. b) Economia e sociedade. c) Por uma sociologia positivista. d) Suicídio. 2. Durkheim em seu conceito sobre o fato social procurou qualificá-lo como coisa exterior ao indivíduo, pois crê que ao estudarmos o fato social é necessário que apliquemos um método e processo, através de experiências, como faz a ciência exata, pois essa investigação é necessária para que possam ser explicados os fatos que ocorrem na sociedade. Podemos definir um fato social como: a) a ação de um indivíduo de apenas olhar para outro. b) o modo como a pessoa age, sem a intenção de coerção perante outro. c) a maneira de agir, de pensar ou sentir que são exteriores ao indivíduo dotado de um poder coercivo. d) nenhuma das alternativas está correta. 3. As três características do fato social, segundo Durkheim, são: a) organização, poder e manifestação. b) organização, generalidade e exterioridade. c) ação, coerção e organização. d) generalidade, exterioridade e coercitividade. 4. Quando estudamos os fenômenos sociais devemos: a) olhar os fatos sociais com sentimento de valo- rizar as coisas como realmente acontecem. b) tratar os fatos sociais como coisa, podendo estudá-la de forma objetiva e científica. c) estudar os fatos sociais sem a preocupação de explicar suas causas e efeitos. d) valorizar nossos sentimentos ao estudar os fatos sociais para garantir o sucesso dessa ciência. 5. O conceito de exterioridade baseia-se: a) nas normas de conduta dos pensamentos. b) no poder coercitivo que se opõem ao indiví- duo. c) na concepção de Durkheim de consciência co- letiva. d) nos costumes da sociedade, por não ser uma transformação contínua. 6. Na interpretação de Max Weber, a sociologia é: a) uma ciência cujo objetivo é compreender de forma clara a conduta humana e fornecer ex- plicação causal de sua origem e resultados. b) uma ciência que tem como critério estudar a história dos fatos como realmente acontecem, valorizando as condutas, sem a necessidade de explicar suas origens. c) uma explicação dos fatos como realmente acontecem, conduzindo-a a uma realidade aparente. d) uma ciência racional que estuda as formas e os efeitos da história humana. 7. Segundo Max Weber, a ação afetiva é: a) determinada por suas crenças em valores éti- cos, estéticos, religiosos, entre outros. b) determinada por costumes enraizados na so- ciedade. c) determinada por afeto e estado de sentimento. d) determinada pela coerção que os fatos sociais exercem sobre os indivíduos. A seguir apresentamos um esquema de questões que envolvem o conceito de tipo ideal puro: 6161 SO C IO LO G IA 8. Durkheim caracteriza o suicídio – até então considerado objeto de estudo da epidemiolo- gia, da psicologia e da psiquiatria – como fato social e, por isso, dotado das características da coercitividade, da exterioridade, da genera- lidade. É tomado, pois, como objeto de estudo sociológico, em virtude do fato de a) variar na razão inversa ao grau de integração dos grupos sociais de que faz parte o indiví- duo, ou seja, quanto maior o grau de integra- ção ao grupo social, mais elevada é a taxa de mortalidade-suicídio da sociedade. b) ser possível observar uma certa predisposição social para fornecer determinado número de suicidas, ou seja, uma tendência constante, marcada pela permanência, a despeito de va- riações circunstanciais. c) configurar-se como uma morte que resulta direta ou indiretamente, consciente ou in- conscientemente de um ato executado pela própria vítima. d) depender, exclusivamente, do temperamento do suicida, de seu caráter, de seu histórico familiar, de sua biografia, uma vez que não deixa de ser um ato do próprio indivíduo. 9. O sociólogo francês Émile Durkheim (1858- 1917), em sua obra As Regras do Método Sociológico, ocupou-se em estabelecer o objeto de estudo da sociologia. Entre as constatações de Durkheim, está a de que o fato social não pode ser definido pela sua generalidade no interior de uma sociedade. Nessa obra, Durkheim elabora um tratamen- to científico dos fatos sociais e cria uma base para a sociologia no interior de um con- junto coeso de disciplinas sociais, visando fornecer uma base racional e sistemática da sociedade civil. Sobre o significado do fato social para Dur- -kheim, é correto afirmar que a) os fenômenos sociais, embora obviamente inexistentes sem os seres humanos, resi- dem nos seres humanos como indivíduos, ou seja, os fatos sociais são os estados mentais ou emoções dos indivíduos. b) os fatos sociais, parecem, aos indivíduos, uma realidade que pode ser evitada, de ma- neira que se apresenta dependente de sua vontade. Nesse sentido, desobedecer a uma norma social não conduz o indivíduo a san- ções punitivas. c) a proposição fundamental do método de Durkheim é a de que os fatos sociais devem ser tratados como coisas, ou seja, como ob- jeto do conhecimento que a inteligência não penetra de forma natural, mas através da ob- servação e da experimentação. d) Durkheim considera os fatos sociais como coisas materiais. Pode-se afirmar, portanto, que todo objeto de ciência é uma coisa mate- rial e deve ser abordado a partir do princípio de que o seu estudo deve ser abordado sem ignorar completamente o que são. e) os fatos sociais são semelhantes aos fatos psíquicos, pois apresentam um substrato semelhante e evoluem no mesmo meio, de maneira que dependem das mesmas condi- ções. 10. Na tirinha acima, quase todas as pessoas pos- suem um comportamento similar. Nesse caso específico, pode-se dizer que o consumo se tornou, segundo a abordagem durkheimiana: a) Um fato social. b) Uma anomia social. c) Um erro social. d) Uma morte social. e) Uma modalidade social. 11. (Enem 2013) TEXTO I Ela acorda tarde depois de ter ido ao teatro e à dança; ela lê romances, além de desperdiçar o tempo a olhar para a rua da sua janela ou da sua varanda; passa horas no toucador a arru- mar o seu complicado penteado; um número igual de horas praticando piano e mais outra na sua aula de francês ou de dança. Comentário do Padre Lopes da Gama acerca dos costumes femininos [1839] apud SILVA, T. V. Z.Mulheres, cultura e literatura brasileira. Ipo- tesi — Revista dos Estudos Literários, Juiz de Fora, v. 2. n. 2, 1998. TEXTO II As janelas e portas gradeadas com treliças não eram cadeias confessas, positivas; mas eram, pelo aspecto e pelo seu destino, grandes gaio- las, onde os pais e maridos zelavam, sonega- das à sociedade, as filhas e as esposas. MACEDO, J.M. “Memória da Rua do Ouvidor [1878]”. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 20 maio 2013 (adaptado). A representação social do feminino comum aos dois textos é o(a) 62 SO C IO LO G IA 62 das nos setores público e privado, diretamen- te associados com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros. É característica que contribui para este cenário: a) o exercício pleno da manipulação genética, selecionando desde a metade do século XX apenas os indivíduos portadores dos genes da longevidade. b) a mudança no padrão de consumo do brasilei- ro, que a partir de 1994 eliminou o consumo de alimentos industrializados e incentivou a com- pra de artigos esportivos. c) o estabelecimento de benefícios públicos, como a instituição de meia-entrada e o trans- porte público gratuito para a população idosa. d) a dificuldade de uma aposentadoria segura, obrigando as pessoas a participarem das ati- vidades econômicas até os 64 anos. e) o acesso crescente a serviços de educação e saúde, condição que amplia as informações sobre o bem-estarda população e evita mor- tes precoces pela falta de tratamento. 14. (Ufu 2013) Ao contrário de outros pensadores sociológicos anteriores, Weber acreditava que a Sociologia deveria se concentrar na ação so- cial e não nas estruturas. GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4.ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. p. 33. De acordo com esta assertiva, Weber conside- ra que a) as ideias, os valores e as crenças têm o poder de ocasionar transformações. b) o conflito de classes é o fator mais relevante para a mudança social. c) as estruturas existem externamente ou inde- pendentemente dos indivíduos. d) os fatores econômicos são os mais importan- tes para as transformações sociais. TEXTO PARA A QUESTÃO 15: Leia o texto a seguir e responda à próxima questão. O desenvolvimento da civilização e de seus modos de produção fez aumentar o poder béli- co entre os homens, generalizando no planeta a atitude de permanente violência. No mundo contemporâneo, a formação dos Estados na- cionais fez dos exércitos instituições de defe- sa de fronteiras e fator estratégico de perma- nente disputa entre nações. Nos armamentos militares se concentra o grande potencial de destruição da humanidade. Cada Estado, em nome da autodefesa e dos interesses do ci- dadão comum, desenvolve mecanismos de controle cada vez mais potentes e ostensivos. O uso da força pelo Estado transforma-se em recurso cotidianamente utilizado no combate à violência e à criminalidade. Adaptado de: COSTA, C. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 1997. p.283-285. a) submissão de gênero, apoiada pela concep- ção patriarcal de família. b) acesso aos produtos de beleza, decorrência da abertura dos portos. c) ampliação do espaço de entretenimento, volta- do às distintas classes sociais. d) proteção da honra, medida pela disputa mas- culina em relação às damas da corte. e) valorização do casamento cristão, respaldado pelos interesses vinculados à herança. 12. (Interbits 2014) Segundo Max Weber, podem existir 4 tipos puros de ação social. Relacione a primeira coluna com a segunda, de acordo com o tipo de ação social mais adequado a cada uma das situações: (1) Homem que uma vez por semana vai à missa. ( ) Ação racional com relação a valores. (2) Mulher que deixa o marido por ele tê-la traído. ( ) Ação racional com relação a fins. (3) Mulher correndo por 2 horas para poder emagrecer. ( ) Ação tradicional. (4) Homem comendo comida vegeta- riana por respeito aos animais. ( ) Ação afetiva. 13. Especialista propõe redefinir conceito de idoso Condições de vida e de saúde mudaram desde a criação do Estatuto do Idoso, que completa 10 anos em outubro. “A definição de população idosa ficou velha?” Quem levanta a questão é a demógrafa Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ela propõe redefi- nir o conceito na Lei n.º 10.741/2003, o Estatu- to do Idoso, que completa 10 anos em outubro e, há uma década, estipulou como população idosa, para diversos fins, quem tem 60 anos de idade ou mais. “Em 1994, a esperança de vida ao nascer da população brasileira foi estimada em 68,1 anos. Entre 1994 e 2011, este indica- dor aumentou 6 anos, alcançando 74,1. Isso tem sido acompanhado por uma melhoria das condições de saúde física, cognitiva e mental da população idosa, bem como de sua partici- pação social. Em 2011, 57,2% dos homens de 60 a 64 anos participavam das atividades eco- nômicas”, destaca a pesquisadora. (www.ipea.gov.br. Adaptado.) A redefinição do conceito de idoso é uma pro- posta que responde às mudanças encontra- 6363 SO C IO LO G IA 15. Assinale a alternativa que apresenta, correta- mente, a concepção sociológica weberiana so- bre o uso da força pelo Estado contemporâneo. a) A força militar contemporânea, por seu poder de persuasão e atributos personalísticos, é um agente exemplar do tipo de dominação caris- mática. b) Na sociedade contemporânea, o poder com- partilhado entre cidadãos e Estado, para o uso da força, define a dominação legítima do tipo racional-legal. c) O Estado contemporâneo caracteriza-se pela fragmentação do poder de força, conforme o tipo ideal de dominação carismática, a exem- plo do patriarca. d) O Estado contemporâneo define-se pelo di- reito de monopólio do uso da força, baseado na dominação legítima do tipo racional-legal. e) O tipo ideal de dominação tradicional é exer- cido com base na legitimidade e na legalidade do poder de uso democrático da força pelo Es- tado contemporâneo. 16. Do ponto de vista do agente, o motivo é o fun- damento da ação; para o sociólogo, cuja tarefa é compreender essa ação, a reconstrução do motivo é fundamental, porque, da sua perspec- tiva, ele figura como a causa da ação. Nume- rosas distinções podem ser estabelecidas e Weber realmente o faz. No entanto, apenas inte- ressa assinalar que, quando se fala de sentido na sua acepção mais importante para a análise, não se está cogitando da gênese da ação, mas sim daquilo para o que ela aponta, para o obje- tivo visado nela; para o seu fim, em suma. COHN, Gabriel (Org.). Max Weber: sociologia. São Paulo: Ática, 1979. A categoria weberiana que melhor explica o texto em evidência está explicitada em a) A ação social possui um sentido que orienta a conduta dos atores sociais. b) A luta de classes tem sentido porque é o que move a história dos homens. c) Os fatos sociais não são coisas, e sim aconte- cimentos que precisam ser analisados. d) O tipo ideal é uma construção teórica abstrata que permite a análise de casos particulares. e) O sociólogo deve investigar o sentido das ações que não são orientadas pelas ações de outros. 17. Associe o conceito sociológico com a sua de- vida explicação. 1. Maneiras de pensar, agir e sentir que são exteriores aos indivíduos e exercem coer- ção sobre eles. ( ) Tipo ideal. 2. Compreensão invertida da realidade que reafirma a si- tuação de dominação do ho- mem pelo homem. ( ) Ideologia. 3. Sentimento de falta de objetivos individuais causado pela perda de influência das normas so- ciais sobre o indivíduo. ( ) Anomia social. 4. Instrumento metodológico que serve para dar objetividade à análise sociológica compre- ensiva. ( ) Fato social. GABARITO 1. B 2. C 3. D 4. B 5. C 6. A 7. C 8. B 9. C 10. A 11. A 12. 4; 3; 1; 2 13. E 14. A 15. D 16. A 17. 4; 2; 3; 1 64 SO C IO LO G IA 64 _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________