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2023 - Plano 30 - Sociologia - Unidade 5

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UNIDADE 05 Estratificação Social
Disponível em: <http://oquevaipelomundo.blogspot.com.br/>. (Adaptado)
Foi bom enquanto
durou meu
passeio.
Rebaixado de novo
EXTRATIFICAÇÃO SOCIAL
Separação da sociedade em classes, 
estados ou castas.
Distribuição dos indivíduos em cama-
das sociais hierárquicas.
Processo de diferenciação das diver-
sas camadas sociais, que compõem 
uma sociedade, agrupadas a partir 
de suas relações e de seus valores 
culturais.
Figura 1
Figura 2
Figura 3
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1. CONCEITO DA ESTRATIFICAÇÃO
 SOCIAL
Estratificação social é a organização da socieda-
de em camadas, grupos sociais, ou seja, pessoas 
ocupando posições socialmente diferentes.
A estratificação é fruto das desigualdades sociais 
entre os indivíduos de uma determinada sociedade, 
que apresentam diferenças de riqueza, poder e pres-
tígio.
Os três principais tipos de estratificação social são:
• Estratificação econômica: fundamenta-se 
na posse de bens materiais, em que se encon-
tram pessoas ricas e pobres.
• Estratificação política: fundamenta-se no 
grupo que tem poder e no que não tem poder, 
ou seja, os grupos que mandam na socieda-
de.
• Estratificação profissional: fundamenta-se 
nos diferentes graus atribuídos a cada profis-
sional. 
Todos os aspectos de uma sociedade, sejam eles 
econômicos, políticos ou sociais, estão interligados.
Em uma sociedade, observa-se que os aspectos 
econômicos são muito mais importantes do que os 
outros tipos na caracterização dessa sociedade.
Desse modo, quando um indivíduo possui um 
poder aquisitivo elevado, sua posição de poder será 
valorizada, ele ocupará os melhores cargos e sua 
profissão será também mais valorizada dentro da 
sociedade, observando-se, dessa forma, a desigual-
dade social.
Para uma melhor compreensão dos fatores que 
fazem parte de uma sociedade em que ocorre a de-
sigualdade social, podemos representá-la através de 
uma pirâmide, na qual os grupos sociais são classifi-
cados conforme o nível de sua renda. Observe:
Fonte: Datafolha/nov.2013. Obs.: A soma não chega a 100%, pois parte 
dos entrevistados se nega a declarar a renda. Acesso em: junho 2015.
A hierarquia social divide a sociedade em estra-
tos ou camadas mais ou menos fixas. A divisão em 
camada ou estrato pode se dar em: castas (como 
na Índia); estamentos (como na Europa Ocidental 
durante a Idade Média); classes sociais (nos países 
capitalistas).
São vários fatores que diferenciam os grupos e os 
indivíduos de uma sociedade, sendo, portanto, uma 
hierarquia de posições que se dividem em estratos 
ou camadas. Em uma sociedade, os grupos ou indi-
víduos não possuem a mesma posição nem o mes-
mo prestígio, não existindo, assim, sociedade pura.
Ao longo do tempo, diversos estudiosos e soció-
logos apresentaram teorias acerca da estratificação. 
Karl Marx, por exemplo, foi um dos primeiros autores 
a tratar desse problema. Para ele, o que determina 
a estratificação é o fator econômico. Por outro lado, 
Max Weber, em seus estudos, acreditava que não 
era apenas o fator econômico; por isso, apresentou 
três dimensões da sociedade, que são:
• Ordem econômica: representada pela clas-
se, que está estratificada de acordo com su-
as relações com a produção e a aquisição 
de bens; é representada pelos rendimentos, 
bens e serviços que o indivíduo possui;
• Ordem social (status): é representada pelo 
estilo de vida, pelo prestígio de honra desfru-
tado, em função do consumo de bens;
• Ordem política: representada pelo partido, 
manifesta-se através da distribuição de po-
der entre os partidos políticos, ocorrendo a 
estratificação através da distribuição de po-
der entre os membros dos grupos. Para We-
ber, essas dimensões possuem estratifica-
ção própria. 
Para o sociólogo russo Pitirim Sorokin (1889-
1968), a estratificação apresenta três formas depen-
dentes e recíprocas. São elas:
• Estratificação econômica: divisão entre ri-
cos e pobres através da situação econômi-
ca ou financeira, manifesta-se de forma con-
creta no nível de vida, na posse de bens, po-
dendo surgir nos diferentes tipos de socieda-
des capitalista ou socialista, não importando 
a forma de governo ou organização política;
• Estratificação política: a desigualdade po-
lítica ocorre pela diversidade em decorrência 
da distribuição desigual de poder, de autori-
dade, de prestígio, de honra e de título. Essa 
estratificação ocorre independente da cons-
tituição particular da sociedade.
• Estratificação profissional: na sociedade 
profissional observa-se diferenças nas ocu-
pações, fazendo com que o indivíduo ganhe 
prestígio ou não, dependendo do tipo de ati-
vidade exercida ou do grau hierárquico de 
sua função. 
Melvin Marvin Tumin (1919-1994), sociólogo re-
cente, trata a desigualdade social e a estratificação 
social como sinônimos. Para esse autor, a estratifica-
ção é compreendida como a "disposição de qualquer 
AUMENTA A DISTÂNCIA ENTRE RICOS E POBRES
Figura 4
Figura 5
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grupo ou sociedade numa hierarquia de posições 
desiguais com relação a poder, propriedade, valori-
zação social e satisfação psicológica".
 
Melvin Tumin
Para Tumin, o poder se dá quando uma pessoa 
recebe uma remuneração e esta, passando a ser 
sua propriedade, o possibilita a adquirir serviços ou 
bens (joias, imóveis, automóveis), o que o leva a ob-
ter certo prestígio social. Esse indivíduo passa a ser 
valorizado pelo que possui, sentindo assim orgulho e 
prazer, o que é considerado satisfação psicológica. 
Essa satisfação em possuir bens e até mesmo a for-
ma como é valorizado diferencia-se de um indivíduo 
para outro.
Tanto na sociedade quanto nos indivíduos, o que 
importa é como se dá a distribuição dos bens. Por 
exemplo, em uma sociedade industrial urbanizada, a 
distribuição dos bens se dá de acordo com a posição 
ou status do indivíduo, sobretudo se ele possui uma 
profissão que lhe garante algum status.
A sociedade possui diversos estratos organizados 
hierarquicamente, conforme a quantidade de poder, 
propriedade, valorização e satisfação psicológica.
Os estratos consistem em status socialmente de-
finidos que recebem cotas determinadas de poder, 
propriedade e prestígio. Dessa forma, estrato pode 
ser definido como conjunto de pessoas que, em uma 
determinada sociedade e em dado período, tem sta-
tus equivalente ou semelhante, distinto dos status 
dos demais componentes dessa sociedade.
São diversos e variados os critérios que os pes-
quisadores atuais utilizam para analisar e investigar 
de forma empírica a divisão social da sociedade, e 
também como ocorre essa estratificação.
Do mesmo modo, são diversos os critérios usados 
nas investigações para estabelecer a estratificação. 
Exemplos: riqueza, prestígio da ocupação, montante 
e origem dos rendimentos, educação, zonas residen-
ciais, origem étnica, entre outros critérios.
Para os sociólogos contemporâneos Kingsley 
Davis (1908-1997) e Wilbert E. Moore (1914-1987), 
"toda a sociedade, tanto do passado como a presen-
te, mostra que não existe uma sociedade estratifica-
da, isso porque a estratificação é universal e repre-
senta a distribuição desigual de direitos e obrigações 
no interior da sociedade".
A estratificação social varia, dependendo do tipo 
de sociedade. Cabe aos pesquisadores observar, in-
vestigar e analisar a maneira como as pessoas estão 
hierarquicamente organizadas para contextualizar de 
forma científica como ocorre essa divisão social. 
2. TIPOS DE ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL 
1. CASTAS
Na Índia, por força da tradição, as castas perma-
necem fortemente enraizadas, apesar de legalmente 
não mais existirem. Nesse ambiente, a estratificação 
social ocorre de maneira rígida e fechada, não ofe-
recendo mobilidade social. Os sacerdotes e mestres 
da erudição sacra, que são os brâmanes, ocupam 
o grau mais elevado da sociedade; a seguir vêm os 
guerreiros pertencentes à aristocracia militar e tam-
bém os governantes, encarregados de manter e 
proteger a ordemsocial e o sagrado saber, sendo 
denominados de xátrias. Em terceiro lugar, estão os 
vaícias, que são os comerciantes, os artesãos e os 
camponeses. Os sudras constituem a casta mais 
baixa, fazem trabalhos manuais e atividades servis 
de toda espécie.
A sociedade indiana ainda hoje é fortemente mar-
cada pelas castas. 
Figura 6
Figura 7
Figura 9
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Bramas = os sacerdotes, que se cha-
mavam bramas, representavam a classe 
mais elevada da sociedade e se consi-
deravam nascidos da cabeça do Deus 
Brama.
Xátrias = guerreiros com poder político. 
Vaícias = comerciantes, camponeses e 
artesãos.
Sudras = servos.
Párias = eram os marginalizados da so-
ciedade.
IMPORTANTE:
As castas são grupos sociais fechados. O ca-
samento só é permitido com membros da mes-
ma casta. Tradicionalmente, os filhos seguem a 
profissão herdada do pai. A pessoa que nasce 
em uma casta deve permanecer o resto de sua 
vida nela. Ao nascer, sua posição social já está 
definida, não podendo subir socialmente por 
qualificação ou profissão. 
Os grupos de miseráveis não possuem ne-
nhum direito de prestígio, não têm uma profissão 
definida e normalmente transmitem repugnância 
às outras pessoas. Vivem da compaixão dos 
outros. Socialmente, não é permitido que se ba-
nhem no rio Ganges e nem podem ler os livros 
sagrados.
Nessa sociedade, o povo acredita que no princí-
pio de toda a criação, foram introduzidas quatro cas-
tas, que são eternas, que se originaram de diferentes 
partes das divindades".
Foi por volta de 1400 a.C. que esse sistema de 
casta foi introduzido na Índia pelos conquistadores 
arianos. Por ser muito rígido, o sistema de casta fez 
com que o povo indiano perdesse o sentimento de 
igualdade e se submetesse a esse sistema que per-
manece até hoje.
A estratificação na Índia desenvolveu o conceito 
de seres superiores e inferiores. Lá, esse sistema é 
tão relevante que, para o povo, a evolução do espí-
rito depende da aceitação passiva de se manter nas 
normas de casta, com a casta mais baixa servindo 
a casta superior e aceitando a desigualdade social.
Apesar de todo o desenvolvimento econômico 
influenciado pela industrialização, nas aldeias ainda 
permanece esse rígido sistema de castas devido à 
influência religiosa que está enraizada no íntimo de 
cada indiano. Contudo, nos grande centros, iniciou-
-se o rompimento do sistema de casta.
Mesmo com a abolição oficial da casta por meio 
da lei Constitucional de 26 de novembro de 1947, 
que dá o direito de igualdade a todos os cidadãos, 
sendo proibido qualquer tipo de rejeição na socie-
dade hindu, verifica-se que essa lei nada significa, 
principalmente nas pequenas aldeias, onde as cas-
tas superiores não querem perder seus privilégios 
e as castas inferiores continuam sendo rejeitadas e 
humilhadas, não tendo acesso à educação, tendo os 
piores empregos, como, por exemplo, limpadores de 
fossa. Nos dias atuais, suas condições de vida per-
manecem as mesmas.
A diferença de castas para muitos sociólogos e 
historiadores ocorre devido ao contato de raças dife-
rentes em decorrência de conquistas, como é o caso 
da Índia.
A palavra casta é de origem portuguesa, e para 
os indianos corresponde a varna, cujo significado é 
cor. Em consideração às ascensões regionais, ocor-
re certa relação entre as castas com referência à cor, 
sendo que a cor das castas superiores é mais clara 
que a das inferiores.
O economista sueco Gunnar Myrdal (1898-1987), 
em sua análise sobre a relação entre negros e bran-
cos, nos Estados Unidos da América, utilizou o mes-
mo conceito com relação à cor. No processo históri-
co, o contato do branco com o negro ocasionou uma 
relação parecida com a do sistema de casta, na qual 
o branco impôs uma suposta superioridade sobre o 
negro, classificando-o como ser inferior, não haven-
do, geralmente, a possibilidade da mistura entre ne-
gros e brancos através do casamento, e não ocorren-
do assim a mobilidade social.
Gunnar Myrdal
Nos Estados Unidos da América, por força da 
influência religiosa, não se manteve forte o sistema 
de casta como ocorreu na Índia, pois o cristianismo" 
é uma religião que preza igualdade entre homens e 
perante Deus. Por esse motivo, a escravidão nos Es-
tados Unidos foi abolida; e também por ocorrerem 
diversos conflitos a partir de movimentos de descon-
tentamento em relação à escravidão.
Figura 9
Figura 10
Figura 11
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Nobreza média
Grupos modestos:
Comerciantes, 
camponeses com 
terra, artesãos.
Alto clero
Clero médio
 Grupos médios
Estratos 
mais pobres
Realeza
Os negros nos Estados Unidos nunca aceitaram 
o regime de escravidão, assim como também havia 
brancos que não aceitavam as condições dos ne-
gros. Mesmo com o descontentamento de negros e 
brancos, as características de casta estavam presen-
tes e permaneceram por um século após o fim da 
escravidão.
Podemos considerar que, em determinadas so-
ciedades históricas, existiu o sistema de casta, como: 
no Japão medieval, no Egito, na Alemanha nazista 
- com a divisão entre arianos e não arianos - e na 
África do Sul com o apartheid, que determinava a 
separação entre negros e brancos.
Apartheid – África do Sul
 
No mundo inteiro, e ao longo de toda a história 
da humanidade, multiplicaram-se os fenômenos de 
classe e casta. Mesmo com todos os protestos e as 
manifestações em prol de igualdade social, as dife-
renças de classes sempre existiram e permanecem 
nas sociedades. 
2. ESTAMENTO OU ESTRATO
O sistema de estamento vigorou na Europa Ocidental durante o feudalismo, no período medieval.
O estamento é uma sociedade semelhante à casta, só que um pouco mais aberta. As divisões sociais no 
estamento são reconhecidas por leis que estão em geral ligadas ao conceito de honra.
Nesse tipo de sociedade, a mobilidade social era difícil de ocorrer, mas não totalmente impossível como 
na sociedade de castas. A mobilidade social era possível quando a Igreja escolhia pessoas menos favoreci-
das economicamente como membros; quando ocorria a libertação de um servo pelo seu senhor; quando um 
homem pobre recebia títulos permitidos pelo vassalo, ou pelo casamento de uma filha de um comerciante rico 
com uma pessoa pertencente à nobreza. Contudo, dificilmente ocorria a mobilidade na sociedade estamental. 
Geralmente, o indivíduo permanecia durante toda a vida no mesmo estamento que nascia.
Figura 12
Figura 13
Figura 14
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A nobreza e o alto clero eram os donos das terras 
e obtinham rendas através da exploração dos servos. 
Os nobres exerciam o poder judiciário e ocupavam-se 
da guerra e da caça. O alto clero compunha-se de car-
deais, sacerdotes, arcebispos, bispos e abades, que 
eram eclesiásticos vindos da nobreza, uma camada 
letrada que desempenhava funções administrativas.
Os comerciantes, apesar de possuírem riquezas, 
não tinham poder como tinha a nobreza. Os artesãos 
viviam nas cidades reunidos em associações, os co-
merciantes livres trabalhavam a terra e vendiam os 
produtos nas cidades, o baixo clero era de origem po-
bre, vivia com o povo, prestando assistência religiosa.
Os servos trabalhavam a terra, e parte de sua 
produção era cedida para seu senhor. Por estarem 
ligados à terra, tinham novo senhor quando a terra 
passava a um novo dono.
Faziam parte da nobreza os guerreiros, com o po-
der de posse de terras, ligados por laços de vassa-
lagem e de fidelidade. Os feudos eram terras imen-
sas que eram exploradas; e, quando alguém recebia 
essas terras, ficava ligado ao vassalo pelo grau de 
fidelidade. O que impedia a organização dos esta-
mentos eram as disputas pela posse de terra. Tinha 
mais poder e privilégio quem tinha maior quantidade 
de propriedades.
O clero era o grupo mais organizado; quando ne-
cessário, recrutava pessoas de outro estamento. Os 
que eram de origem da aristocracia e da burguesia e 
que tinham uma certa influência eram do alto clero, 
os dos outros estamentos pertenciam ao baixo clero. 
O clero era um grupo poderoso,que tinha acesso à 
leitura, conhecimento e riqueza.
O filósofo, historiador e sociólogo alemão Hans 
Freyer (1887-1969) ao se referir à sociedade esta-
mental disse: "é como uma fase determinada na his-
tória das formas sociais de dominação; como um ele-
mento na série das estruturas sociais fundamentais".
Hans Freyer
Para Freyer, na medida em que a classe domi-
nante — aristocracia e o clero — ia se fortalecendo 
em seu poder, o sistema tornava-se duradouro como 
também a desigualdade dos direitos e deveres.
Os diferentes estamentos dentro da sociedade 
feudal desenvolveram sistemas de privilégios e ati-
vidades sociais. A classe dominante, por estar mais 
organizada, tratou de dar continuidade ao sistema e 
de realizar, de forma tradicional, os deveres que são 
próprios de cada estamento.
Para Hans Freyer, "essa estrutura da sociedade, 
segundo privilégios específicos e atividades atribu-
ídas, se realiza naturalmente de cima para baixo; 
isto é, estabelecido por aqueles que detêm a domi-
nação". Os privilégios e as atividades têm início nas 
classes dominantes e vão se prolongando até as 
classes inferiores.
Não deixando haver nenhuma possibilidade de 
mobilidade, a classe dominante, para se manter no 
poder, teve inicialmente suas atividades voltadas 
para serviços de guerra, cargos públicos, proprieda-
de de terra e também serviços ligados à Igreja. Em 
hipótese alguma executavam quaisquer serviços ma-
nuais ou do comércio.
O estamento, de forma geral, desenvolveu carac-
terísticas no conceito de honra; modo específico de 
vida de cada estamento, dando origem a um tipo de 
ser humano, devido a sua atividade e posição em 
cada estamento.
Por ser uma camada fechada, sem a possibili-
dade de as camadas inferiores fazerem parte dela, 
mantinha-se no poder graças à submissão dos gru-
pos inferiores. A forma de dominação sobre a cama-
da inferior tornava impossível abalar a estrutura, re-
forçando cada vez mais a dominação aristocrática.
 Desigualdade social urbana no Brasil
Em toda forma de dominação há desigualdade de 
direitos e privilégios, o que ocasiona revoltas, agres-
sões e manifestações; contudo, os estamentos infe-
riores do período feudal não tinham a pretensão de 
ir contra o sistema estamental superior; quando se 
manifestavam era para lutar por igualdade de direitos 
e privilégios entre si.
Em toda estrutura que tem formação na dominação 
de grupos que são considerados inferiores há desi-
gualdade de privilégio e direitos. Para Pitirim Sorokin, 
os estamentos superiores não são tão organizados em 
relação ao estamento inferior. Ele analisa o estamento 
superior contextualizando que, nos estamentos, não 
existe uma organização em relação ao inferior; o que 
há é uma coletividade sem organização alguma. 
Pitirim Sorokin
Figura 15
Figura 17
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Para Sorokin, a dominação é hereditária (de pai 
para filho), não é fechada como o sistema de casta. O 
que há é um laço de ligação que mantém o estamento 
superior através de direitos, deveres, privilégios e obri-
gatoriedade do pagamento de impostos ao Estado.
Apenas uma pequena parcela do estamento pos-
sui um grau de vínculo com a linguagem e a raça co-
mum; são pouquíssimos os grupos estamentais que 
mantêm um laço de parentesco.
Com o surgimento das cidades e o desenvolvi-
mento do comércio, surgiu uma outra classe: a bur-
guesia, que, aos poucos, foi adquirindo poder em 
relação aos nobres.
O estamento burguês especializou-se em diver-
sos tipos de atividades. Enriquecendo, a burguesia 
passou a exigir maior liberdade e participação nas 
atividades políticas, além do rompimento dos laços 
com o senhor feudal, para que o comércio pudesse 
crescer cada vez mais. 
3. CLASSES SOCIAIS
Na sociedade capitalista, alguns proprietários são 
donos do meio de produção, e a maioria representa 
a força de trabalho.
Nessa sociedade, ocorre a desigualdade social. 
Os proprietários, donos dos meios de produção (má-
quinas, terras etc.), possuem a renda mais alta, os 
de renda média são os trabalhadores qualificados, os 
de renda baixa são os trabalhadores de mão de obra 
não qualificada.
Os donos dos meios de produção são os que go-
zam de maior prestígio social, têm mais privilégios 
e mais poder. A distribuição de poder baseia-se na 
posição dos indivíduos com relação aos elementos 
da produção.
Os que possuem os meios de produção têm um 
maior nível de consumo e mais prestígio social que 
os trabalhadores que possuem apenas seu trabalho, 
não desfrutando das mesmas condições dos donos 
da produção, vendo-se obrigados a trabalhar para os 
proprietários recebendo em troca uma remuneração.
Sendo assim, podemos definir classe social como 
grupo de pessoas que apresentam uma mesma si-
tuação ou status social similar com relação aos ele-
mentos de produção ou a outros critérios, sobretudo 
o econômico.
A sociedade pode ser classificada de acordo com 
o nível de consumo de seus membros. Os donos dos 
meios de trabalho adquirem bens e serviços de luxo, 
os trabalhadores que possuem mão de obra quali-
ficada adquirem bens por preços intermediários, já 
os trabalhadores de mão de obra não qualificada so-
mente adquirem bens de primeira necessidade.
Na sociedade capitalista, a classe social está 
classificada da seguinte forma: 
• Classe alta: indivíduos com grande poder 
aquisitivo; são os proprietários do grande ca-
pital, os grandes industriais, os banqueiros e 
os grandes comerciantes, além dos grandes 
proprietários de terras.
▪ Classe média: indivíduos com renda e po-
der aquisitivo medianos; são aqueles que vi-
vem do pequeno capital, das pequenas in-
dústrias (microempresários) e dos pequenos 
comércios, também os pequenos produtores 
agropecuaristas e os profissionais liberais 
(advogados, médicos, engenheiros, dentis-
tas, entre outros).
▪ Classe baixa: camada de pequeno poder 
aquisitivo e baixa renda; trabalhadores com 
pouca qualificação, do comérico informal, 
desempregados; os que vivem, geralmente, 
com uma renda pequena e insuficiente para 
o dia a dia. 
Nas investigações sobre as classes sociais, só é 
possível compreender os aspectos sociais da socie-
dade capitalista levando em conta os aspectos eco-
nômicos. 
4. ESTUDOS A RESPEITO DE CLASSES
 SOCIAIS
Como vimos, há diversas teorias científicas para 
definir o conceito de classes sociais. O contemporâ-
neo sociólogo norte-americano Gerhard Emmanuel 
Lenski (1924) afirma que "durante séculos, houve 
uma tendência, por parte dos conservadores, de in-
terpretar a classe social como uma necessidade fun-
cional para a sobrevivência da sociedade".
 
Gerhard Emmanuel Lenski
Atualmente, a classe social é vista como uma 
necessidade funcional. Lenski, ao reunir diversas 
teorias sobre classe social, sustentou o conceito de 
classe social como uma necessidade, porque a so-
ciedade está dividida de acordo com o seu grau de 
domínio econômico.
 
Gaetano Mosca
Figura 18
Figura 19
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Os sociólogos italianos Gaetano Mosca (1858-
1941) e Vilfredo Pareto (1848-1923), ao definirem 
classe social, e na tentativa de provar sua necessida-
de, foram mais longe. Para eles, nos modernos siste-
mas industriais ocorre a circulação de elites; portan-
to, não há nenhuma classe dominante permanente.
Vilfredo Pareto
O termo classe social pode ser definido como um 
grupo de indivíduos segundo seu poder aquisitivo. 
No sistema de casta, por exemplo, a sociedade esta-
va dividida por camada social. A diferença dos outros 
grupos, seja do sistema capitalista ou feudal, é que 
não existia a mobilidade social; a pessoa que nascia 
na casta considerada baixa permanecia na mesma, 
sendo impossível mudar de status, como ocorre no 
sistema capitalista.
Segundo Karl Marx, "as classes sociais estão 
associadas à divisão do trabalho. São grupos cole-
tivos que desempenham o mesmo papel na divisão 
do trabalho num determinado modo de produção". 
Na visão marxista, em toda sociedade, não importa 
se pré-capitalista oucom característica capitalista, a 
classe dominante controla direta ou indiretamente o 
Estado.
No sistema capitalista industrial, a sociedade pode 
ser classificada em três níveis diferentes: a classe 
alta, a classe média e a classe baixa. Nos países 
subdesenvolvidos, a classe média é a minoria e a 
classe baixa é a grande massa da população. A partir 
desta divisão é possível encontrar outras classes: 
• Classe altíssima: composta por indivíduos 
que se destacam economicamente (elite). 
Exemplo: os donos das empresas de ori-
gem familiar tradicionalmente rica.
• Classe alta: composta por indivíduos que 
se tornaram ricos por receberem uma boa 
remuneração. 
• Classe média alta: composta por indivídu-
os com uma remuneração razoável, como 
médicos e advogados, entre outros. 
• Classe média: composta por indivíduos 
que recebem uma remuneração mediana, 
como gerentes, arquitetos, professores, en-
tre outros. 
• Classe média baixa: composta por indiví-
duos que recebem um salário mais baixo, 
como secretários, vendedores, recepcio-
nistas, entre outros. 
• Classe baixa: composta por indivíduos 
que exercem trabalhos braçais, como os 
operários, serventes, garis, entre outros.
• Classe dos miseráveis: composta por 
pessoas que não representam mão de obra 
especializada, não possuem escolaridade 
suficiente para o campo de trabalho, por is-
so se tornam excluídas, sendo despreza-
das pela sociedade de forma geral. 
No mundo capitalista contemporâneo, quanto 
mais poder econômico um indivíduo possui, mais as-
sume seu papel de classe dominante na sociedade, 
adequando sua estrutura social para perpetuação da 
exploração, controlando as outras classes de poder 
aquisitivo menor, para, assim, continuar no poder. 
5. EXCLUSÃO SOCIAL
 
As desigualdades sociais geram desfavorecimen-
tos ou exclusão social, que é uma forma de levar o 
indivíduo a se afastar e se isolar da sociedade, sem 
poder exercer sua cidadania, gozar seus direitos ou 
cumprir seus deveres. A falta de acesso a oportuni-
dades oferecidas pela sociedade a seus membros é 
uma forma de exclusão social.
A exclusão social atinge basicamente todas as 
áreas e setores da sociedade, bem como todos os 
gêneros e idades. Ela manifesta-se no mercado de 
trabalho (desemprego de longa duração, baixos salá-
rios); no acesso à moradia e aos serviços públicos de 
saúde, educação, iluminação e saneamento básico; 
no acesso aos bens públicos. Atinge idosos despro-
tegidos, mendigos, sem-teto, analfabetos, crianças 
trabalhadoras, índios, negros, mulheres, homosse-
xuais etc.
6. A MOBILIDADE SOCIAL NO BRASIL
MOBILIDADE SOCIAL
8 É a mudança de posição social de 
uma pessoa num determinado siste-
ma de estratificação social.
8 Pode ser vertical no sentido de subir 
e descer na hierarquia social, ou, hori-
zontal, indicando uma mudança dentro 
da mesma camada social.
8 Divisão da sociedade em camadas ou 
estratos sociais, que na sociedade 
capitalista é indicada pelas classes so-
ciais.
Figura 20
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Um dos grandes estudos sobre a mobilidade social 
brasileira foi publicado pelos sociólogos José Pastore 
e Nelson do Valle Silva. Com base nos dados do cen-
so nacional de 1996, eles compararam as profissões 
dos brasileiros com idade entre 20 e 64 anos às de 
seus pais. Em 50% dos casos, os representantes da 
nova geração tinham ocupações melhores.
Figura 21
Figura 22
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74
Reflita
Mais recentemente, surgiu outro trabalho de fôlego sobre o tema, de autoria do sociólogo Car-
los Costa Ribeiro, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Utilizando 
uma metodologia semelhante, Ribeiro elaborou um índice que mostra as chances de ascensão so-
cial em vários lugares do mundo. No Brasil, segundo a pesquisa, os trabalhadores têm 4,5 vezes mais 
chances de subir na vida do que de sofrer um revés. Somente a Coreia do Sul, com índice 6, supera o 
país nesse quesito (os Estados Unidos têm índice 2; a Alemanha, 3; a Inglaterra, 2).
Uma das explicações para o fenômeno da mobilidade social no Brasil foi o intenso processo 
de urbanização pelo qual o país passou nas últimas décadas. Com o crescimento acelerado das 
grandes cidades, deixar o campo passou a ser a melhor alternativa para subir na vida. Essa transfe-
rência constitui um indicador de mobilidade social. Segundo o estudo de Ribeiro, 24% dos profis-
sionais liberais que ganham a vida nas grandes cidades do Brasil são provenientes do campo. Esse 
índice só é superado pelos da Polônia (38%), Japão (31%) e Hungria (29%). 
Ao fim da primeira década do século XXI, o Brasil enfrenta um enorme desafio que outras eco-
nomias emergentes já conseguiram superar. Nossos padrões educacionais são insuficientes para 
suportar altas taxas de crescimento. Mas não se pode ignorar o fato de que a proporção de brasi-
leiros com acesso à escola aumentou muito nas últimas décadas. 
Somente no ensino básico, a evolução do percentual de crianças nas salas de aula foi de 51% 
para 97%. Avanços como esse contribuíram de forma decisiva para a elevação social de uma par-
cela da população.
"Trabalhei como office-boy para completar os estudos", afirma o empresário mineiro Salim Mat-
tar. Aos 23 anos, ele comprou seis fuscas usados com um empréstimo de 100 mil reais e montou 
a Localiza. No começo, fazia de tudo: limpava a loja, lavava carro e trabalhava de motorista - além 
de atender os clientes. Hoje, com uma frota de 50 mil automóveis e 350 agências, a Localiza é a 
maior locadora do Brasil, está presente em nove países da América do Sul, tem seu capital aberto 
na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) e vários de seus empregados têm parte da remunera-
ção vinculada ao desempenho das ações, numa manifestação de meritocracia e foco no resultado 
típica de economias empreendedoras como a norte-americana.
O estímulo ao empreendedorismo já se provou um dos maiores e melhores motores do desen-
volvimento econômico. Empreender - e ter chance de sucesso no empreendimento - depende de 
uma série de condições. A principal delas é o desejo de correr risco (...).
Esse ambiente que permite a ascensão, porém, não eliminou o fosso que há entre as classes 
menos favorecidas e a elite brasileira. A melhor imagem para definir o problema é a de uma corri-
da. Nessa competição, os filhos das famílias ricas largam na frente e, por isso, têm um lugar quase 
certo no ponto mais alto do pódio.
"As chances de um filho da elite permanecer em sua classe são 20 vezes maiores do que as 
de um filho de um trabalhador ultrapassar um degrau na escala social", afirma Ribeiro, do Iuperj. 
Quem larga atrás nessa competição tem possibilidades reais de evoluir, mas precisa realizar um 
esforço pessoal muito maior para superar os obstáculos.
POLONI, Gustavo. O país da mobilidade social. Exame, 10.10.07
1. Segundo o autor, o Brasil enfrenta um enorme desafio que outras economias emergentes 
já conseguiram superar. Que dessafio é esse? Por que se trata de um desafio? De que for-
ma o Brasil pode vencê-lo?
2. "O estímulo ao empreendedorismo já se provou um dos maiores e melhores motores do 
desenvolvimento econômico." Você concorda com essa frase? Explique por quê.
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7. A SOCIEDADE ESTAMENTAL
O princípio estrutural "sociedade estamental" deve 
ser entendido (num sistema concreto de Sociologia) 
não como a lei fundamental e eterna de toda cultura 
humana - no sentido em que todos os românticos do 
passado e do presente querem fazê-lo -, mas como 
uma fase determinada na história das formas sociais 
de dominação, como um elemento na série das es-
truturas sociais fundamentais.
Quando uma forma de dominação se afirma, 
convertendo-se num sistema duradouro, isto habitu-
almente se faz acompanhar da concessão, aos diver-
sos grupos parciais, de determinados direitos, possi-
bilidades de aquisição, bens culturais e atividades, 
tudo isso de acordo com um esquema fixo. As partes 
heterogêneas de que se compõe a sociedade vão 
crescendo num sistemafixo de privilégios e, sobre-
tudo, num sistema fixo de atividades sociais neces-
sárias, adquirindo, em razão desse fato, um sentido 
objetivo para o corpo social na sua totalidade. 
A firmeza do edifício social depende de que as 
funções atribuídas a esses grupos (que chamaremos 
"estados" ou "estamentos") sejam visivelmente ne-
cessárias para o todo; depende também de que a 
relação entre os estamentos e seus deveres sociais 
seja firme, orgânica, constitutiva de tradição e de for-
ça educadora (no feudalismo, o dever do estamento 
religioso, ou seja, do clero, era intermediar a relação 
entre Deus e os fiéis; o dever do estamento aristocrá-
tico era fazer a guerra, e assim por diante). 
Essa estruturação da sociedade, segundo privi-
légios específicos e atividades atribuídas, realiza-se 
naturalmente, "de cima para baixo"; ou seja, é esta-
belecida pelos que detêm a dominação. É um proces-
so que começa em cima e se estende até embaixo. 
As forças ativas dentro do corpo social, os senhores, 
que são sempre a minoria, têm que delimitar-se, isto 
é, têm que configurar-se como "estamento", de modo 
a manter em vigor aquele mundo que fundamenta a 
sua dominação. 
Todos os "estados" (estamentos) autênticos se 
delimitam; por isso, cuidam de seu hermetismo (isto 
é, de seu caráter fechado). Basta considerar o papel 
relevante que desempenha, em todas as sociedades 
estamentais, o casamento e a luta em torno dele. 
O meio típico para conseguir o hermetismo de 
um estamento consiste na monopolização de de-
terminados encargos sociais. O serviço guerreiro e 
sacerdotal, o desempenho de cargos públicos e a 
propriedade territorial são, de ordinário, os setores 
que os estamentos dominantes reservam para si. Do 
mesmo modo, outras posições vitais, ou profissões 
(comércio, trabalho remunerado), são consideradas 
incompatíveis com esses estamentos. 
Sobre a base dessas atividades e profissões re-
servadas aos diferentes "estados" se desenvolve 
também uma forma especial de vida, um conceito 
especial de honra e alguns costumes sociais também 
especiais. Esse fato, por sua vez, contribui para a 
concreção de um estrato social e para a sua conver-
são em estamento.(...) 
A longo prazo, nem os meros privilégios nem um 
simples predomínio econômico bastam para manter 
de pé uma ordem estamental. Estamentos de nível 
histórico só existem quando há tarefas autênticas e 
básicas que podem mobilizar determinadas energias 
e dar à luz um determinado tipo de homem. (...) 
O princípio estamental pode penetrar todo o corpo 
social, desde cima, e só quando assim ocorre pode-
se dizer que se realizou plenamente a lei estrutural 
da sociedade estamental. Nesse momento teremos 
diante de nós um claro sistema de estratos sociais, 
cada um dos quais se incumbe de sua função espe-
cial, dentro do todo, e cada um dos quais desenvol-
ve, no desempenho desta incumbência especial, sua 
honra e sua atitude social específica. (...) 
Não obstante, a estrutura de uma sociedade es-
tamental traz também em si, como toda realidade 
social, uma dinâmica histórica. (...) A dinâmica his-
tórica consiste, em primeiro lugar, em que ocorram 
constantemente na sociedade estamental processos 
sociais de ascensão e deslocamento. Por mais que o 
hermetismo seja uma das características essenciais 
do estamento, os estamentos dominantes precisam 
receber em seu seio novas forças procedentes dos 
estratos inferiores. A sabedoria instintiva de uma aris-
tocracia consiste em absorver somente, mas sempre, 
aqueles elementos que podem ser inseridos no esta-
mento e aqueles em quem pode imprimir sua forma 
peculiar de vida.
É muito importante ter em conta que esses pro-
cessos de ascensão social, pelos quais penetram 
no espaço fechado dos estamentos dominantes a 
riqueza ou o talento de pessoas da burguesia, não 
dissolvem nem abalam a estrutura estamental; ao 
contrário, contribuem para fortalecê-Ia. (...) Todas as 
grandes aristocracias da história realizaram com ha-
bilidade essa prática de inserir em seu seio talentos 
ou riquezas de origem plebeia (Roma) ou burguesa 
(Inglaterra, França etc.). 
Além dessa dinâmica (ocorrem também lutas) en-
tre "estados" (estamentos), nas quais os "estados" 
inferiores lutam unidos contra os privilégios dos "es-
tados" dominantes. Todo corpo social que repousa 
sobre a desigualdade de direitos e sobre a dominação 
de um grupo sobre outros traz sempre, em si, o germe 
de distúrbios e rebeliões. Com respeito à forma e ao 
curso das lutas entre os "estados", é possível formular 
uma série de traços típicos e, inclusive, leis. 
Tanto os objetivos da luta como a tática que nela 
se emprega, e as possibilidades de seu resultado, se 
repetem uma ou outra vez no curso da história; sob 
a única condição de que se trate verdadeiramente de 
luta entre estamentos, isto é, de movimentos sociais 
dentro de uma ordem social estamentaI. (...) Quanto 
ao seu objetivo, as lutas entre "estados" tendem sem-
pre a modificar, em pontos concretos, a atribuição de 
privilégios, a arrebatar ao estamento vizinho deter-
minados direitos políticos ou sociais, e a recuperar 
direitos perdidos ou a ampliar os que se possuem. 
Enquanto nos movemos no terreno da ordem es-
tamental, as lutas sociais não têm nunca a intenção 
nem o efeito de contestar a estrutura estamental, ou 
de modificar o princípio que rege a estrutura social do 
todo. Na luta só se perseguem e só se conseguem 
correções de limites entre os estamentos.
FREYER, Hans. A sociedade estamental. ln. IANNI, Octavio. 
Teorias de estratificação social. São Paulo: Cia. Editora Nacio-
nal,1972. p. 168-71.
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1. Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem dife-
rente. A classe média europeia não está acos-
tumada com a moleza. Toda pessoa normal 
que se preze esfria a barriga no tanque e a es-
quenta no fogão, caminha até a padaria para 
comprar o seu próprio pão e enche o tanque de 
gasolina com as próprias mãos.
SETTI, A. Disponível em: http://colunas.revistaepoca.
globo.com. Acesso em: 21 maio 2013 (fragmento).
 A diferença entre os costumes assinalados no 
texto e os da classe média brasileira é conse-
quência da ocorrência no Brasil de 
a) automação do trabalho nas fábricas, relacio-
nada à expansão tecnológica. 
b) ampliação da oferta de empregos, vinculada à 
concessão de direitos sociais. 
c) abertura do mercado nacional, associada à 
modernização conservadora. 
d) oferta de mão de obra barata, conjugada à he-
rança patriarcal. 
e) consolidação da estabilidade econômica, liga-
da à industrialização acelerada. 
 
2. Seguiam-se vinte criados custosamente vesti-
dos e montados em soberbos cavalos; depois 
destes, marchava o Embaixador do Rei do 
Congo magnificamente ornado de seda azul 
para anunciar ao Senado que a vinda do Rei 
estava destinada para o dia dezesseis. Em res-
posta obteve repetidas vivas do povo que con-
correu alegre e admirado de tanta grandeza. 
 “Coroação do Rei do Congo em Santo Amaro”, Bahia apud 
DEL PRIORE, M. Festas e utopias no Brasil colonial. In: CA-
TELLI JR., R. Um olhar sobre as festas populares brasilei-
ras. São Paulo: Brasiliense, 1994 (adaptado).
 Originária dos tempos coloniais, a festa da Co-
roação do Rei do Congo evidencia um proces-
so de 
a) exclusão social. 
b) imposição religiosa. 
c) acomodação política. 
d) supressão simbólica. 
e) ressignificação cultural. 
 
3. A história da cultura brasileira é pontuada pe-
lo “jeitinho brasileiro” e pela cordialidade, fru-
tos da colonização portuguesa. Sérgio Buar-
1. O que o autor quer dizer com a frase "O princí-
pio estrutural 'sociedade estamental' deve ser 
entendido (num sistema concreto de Sociolo-
gia) não como a lei fundamental e eterna de to-
da a cultura humana"?
Reflita
2. De que forma se estruturam os estamentos, 
segundo a análise de Hans Freyer?
3. Pelo que afirma o autor, pode-se dizer que 
existe mobilidade social em uma sociedade 
estamental? Explique sua resposta e cite um 
trecho do texto para fundamentar sua opinião.que sugere que nossa cultura tem algumas 
singularidades, tais como: aversão à impesso-
alidade, forte simpatia e rejeição ao formalis-
mo nas relações sociais. Tais singularidades 
se refletem no ordenamento da sociedade ex-
presso no fragmento da música Minha história 
de João do Vale e Raimundo Evangelista, que 
trata da educação como base da estratificação 
social na sociedade burguesa. 
E quando era noitinha, a meninada ia brincar. 
Vige como eu tinha inveja de ver Zezinho contar: 
“o professor ralhou comigo, 
porque eu não quis estudar” (bis) 
Hoje todos são doutor, 
E eu continuo um João Ninguém 
Mas, quem nasce pra pataca 
nunca pode ser vintém. 
Ver meus amigos doutor basta pra mim sentir 
bem (bis)... 
João do vale; Chico Evangelista. “Minha história”. 
In: álbum, João do Vale. Rio de Janeiro: Sony, 1981.
 Conforme a contribuição de Karl Marx sobre a 
análise da sociedade capitalista, os conceitos 
sociológicos expressos nessa música são 
a) superestrutura, anomia social, racionalidade, 
alienação. 
b) ação social, infraestrutura, solidariedade orgâ-
nica, coesão social. 
c) divisão do trabalho, mais valia, solidariedade 
mecânica, burocracia. 
d) sansão social, relações de produção, organi-
cismo, forças produtivas. 
e) ideologia, classe social, desigualdade social, 
relações sociais de trabalho. 
 
4. Leia o fragmento do poema Traduzir-se, de 
Ferreira Gullar, pseudônimo de José de Riba-
mar Ferreira, ludovicense, poeta, crítico de ar-
te, biógrafo, memorialista e ensaista. 
Uma parte mim 
é todo mundo: 
outra parte é ninguém: 
fundo sem fundo. 
Uma parte de mim 
é multidão: 
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2. As transformações na 
sociedade possuem di-
versas causas.
3. A estratificação social é 
influenciada por diferen-
ças de classe, status e 
partido.
4. As classes sociais decor-
rem das relações de pro-
dução e da divisão do 
trabalho.
5. O Estado é definido pela 
posse do monopólio do 
uso legítimo da força.
6. O Estado está relaciona-
do com a superestrutura 
da sociedade.
7. A luta de classes é o mo-
tor da história.
 
7. A mobilidade social nas sociedades capitalis-
tas é maior do que nas divididas em castas ou 
estamentos, mas não é tão ampla quanto pode 
parecer. As barreiras para a ascensão social 
não estão escritas nem são declaradas aberta-
mente, mas estão dissimuladas nas formas de 
convivência social.
TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o ensino médio. 
São Paulo: Saraiva, 2010, p. 76
 Quais barreiras para a ascensão social existem 
no Brasil atualmente? Cite pelo menos três.
 
8. Forma de dominação que tem por base o po-
der econômico dos mais ricos. É o domínio 
exercido pela alta burguesia sobre a massa da 
população, por meio de instrumentos que lhe 
asseguram o controle político e social, assim 
como seus privilégios de classe.
outra parte estranheza 
e solidão. 
Uma parte de mim 
pesa, pondera: 
outra parte delira... 
GULLAR, Ferreira. “Traduzir-te”. In: Ferreira Gullar,
Na vertigem do dia (1975-1980).
Rio de Janeiro: José Olympio, 1980. 
 Com relação às mudanças ocorridas na socie-
dade contemporânea, notam-se as contradi-
ções entre as relações indivíduo x sociedade, 
conforme o fragmento do poema. As causas 
dessas contradições, do ponto de vista socio-
lógico, são as seguintes: 
a) Alienação, associação, capitalismo, consumismo. 
b) Assimilação, consumismo, democracia, cons-
cientização. 
c) Sociedade industrial, alienação, sociedade de 
massa, mercantilização. 
d) Estratificação, homogeneização, hiper-realida-
de, altruísmo. 
e) Socialismo, solidarismo, homogeneização, in-
dividualismo. 
 
5. Basta uma vista de olhos pelas estatísticas 
ocupacionais de um país pluriconfessional 
para constatar a notável frequência de um fe-
nômeno por diversas vezes vivamente discu-
tido na imprensa e na literatura católicas bem 
como nos congressos católicos da Alemanha: 
o caráter predominantemente protestante dos 
proprietários do capital e empresários, assim 
como das camadas superiores da mão de obra 
qualificada, notadamente do pessoal de mais 
alta qualificação técnica ou comercial das em-
presas modernas. 
WEBER, Max. A ética protestante e o “espírito” do capitalis-
mo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 29.
 O livro A ética protestante e o “espírito” do ca-
pitalismo começa com a constatação de uma 
relação entre dois fenômenos. Que fenôme-
nos são esses, expressos no texto acima? 
a) Confissão religiosa e estratificação social. 
b) Confissão religiosa e preferência sexual. 
c) Estratificação social e desenvolvimento social. 
d) Formação universitária e desenvolvimento eco-
nômico. 
e) Estatística e literatura. 
 
6. Max Weber e Karl Marx foram sociólogos que 
procuraram compreender as transformações 
na sociedade moderna. Entretanto, em muitos 
pontos, eles apresentam ideias bastante diver-
gentes. Assinale se as frases a seguir dizem 
respeito à sociologia de Marx ou à sociologia 
de Weber.
MARX WEBER
1. As transformações na 
sociedade são decorren-
tes, principalmente, das 
alterações no modo de 
produção da vida mate-
rial.
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 Assinale a alternativa que se refere ao texto 
acima. 
a) Patriarcado. 
b) Plutocracia. 
c) Nepotismo. 
d) Dominação Econômica. 
e) Estamento Social. 
 
9. Max Weber, sociólogo alemão, conceituou três 
tipos ideais de dominação: dominação legal, 
dominação tradicional e dominação carismá-
tica. São tipos ideais porque são construções 
conceituais que o investigador utiliza para fa-
zer aproximações entre a teoria e o mundo em-
pírico.
 Leia a seguir o trecho da Carta Testamento de 
Getúlio Vargas:
 Sigo o destino que é imposto. Depois de de-
cênios de domínio e espoliação dos grupos 
econômicos e financeiros internacionais, fiz-
me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o 
trabalho de libertação e instaurei o regime de 
liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao 
governo nos braços do povo.
(VARGAS, G. Carta Testamento. 
Disponivel em: http://www.cpdoc.fgv.br/dhbd/verbetes_
htm/5458_53.asp. Acesso em: 17 nov. 2007.)
 Com base nos conhecimentos sobre os tipos 
ideais de dominação e levando em considera-
ção o texto citado e as características históri-
cas e políticas do período, assinale a única al-
ternativa que apresenta a configuração corre-
ta do tipo de dominação exercida por Getúlio 
Vargas. 
a) Dominação carismática e tradicional. 
b) Dominação tradicional que se opõe à domina-
ção carismática. 
c) Dominação tradicional e legal. 
d) Dominação legal e carismática. 
e) Dominação legal que reforça a dominação tra-
dicional. 
 
10. Max Weber, teórico cujos conhecimentos con-
tinuam básicos para a Sociologia, procurou 
não apenas conhecer a sociedade moderna, 
mas explicar sua estrutura de dominação polí-
tica e econômica e suas disparidades.
 Com base no enunciado e nos conhecimentos 
sobre o autor, assinale a alternativa correta: 
a) Para Weber, os interesses coletivos estão 
acima dos interesses particulares, portanto, 
é possível transformar a realidade social por 
meio da acentuada divisão social do trabalho, 
já que esta produz a solidariedade orgânica 
e ainda possui o Direito Penal que, com suas 
sanções repressivas, pode normalizar a socie-
dade nos momentos de crise. 
b) De acordo com o autor, a divisão do traba-
lho capitalista expressa modos de segmenta-
ção da sociedade que levam os indivíduos a 
ocuparem posições desiguais, gerando anta-
gonismos de classes. Assim, a classe explo-
rada, que no capitalismo é a classe operária, 
seria a única capaz de realizar a mudança da 
sociedade capitalista para uma sociedade me-
nos desigual. 
c) Weber considera que somente a renda e a pos-
se geram desigualdades. Assim, a possibilidade 
do desenvolvimento de uma sociedade mais jus-
ta é utópica, pois as vantagens materiais deri-
vam dos próprios méritos dos indivíduos, que já 
nascem desiguais em relação aos dons naturais, 
inteligência, gosto e coragem, entre outros. 
d) O autor, numa perspectiva simbólica, procura 
explicar a sociedade capitalistae a sua pos-
sibilidade de transformação. Considera que é 
necessário analisar a sociedade microssocio-
logicamente, pois, como só alguns grupos pos-
suem capital simbólico e econômico de maior 
significância na hierarquia social, reproduzem 
a cultura, a ideologia, organizando o sistema 
simbólico segundo a lógica da diferença. 
e) Segundo Weber, as classes, os estamentos e 
os partidos são fenômenos de distribuição de 
poder dentro de uma comunidade, que se legiti-
mam e se definem pelos valores sociais conven-
cionalmente estabelecidos em dada sociedade. 
 
11. (Unesp 2014) 
TEXTO I
 A ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros 
(PT), acusa a polícia e os frequentadores de 
shoppings de discriminar jovens negros nos 
“rolezinhos”. “As manifestações são pacífi-
cas. Os problemas são derivados da reação 
de pessoas brancas que frequentam esses lu-
gares e se assustam com a presença dos jo-
vens.” Para ela, a liminar que autorizou os sho-
ppings a barrar clientes “consagra a segrega-
ção racial” e dá respaldo ao que a PM “faz co-
tidianamente”: associar negros ao crime.
(Medo de “rolezinho” é reação de brancos, diz ministra. 
Folha de S.Paulo, 16.01.2014.)
TEXTO II
 Não se percebia, originalmente, nenhuma mo-
tivação de classe ou de “raça” nos rolezinhos. 
Agora, sim, grupos de esquerda, os tais “mo-
vimentos sociais” e os petistas estão tentando 
tomar as rédeas do que pretendem transfor-
mar em protesto de caráter político. Se há, ho-
je, espaços de fato públicos, são os shoppin-
gs. As praças de alimentação, por exemplo, 
são verdadeiras ágoras da boa e saudável 
democratização do consumo e dos serviços. 
Lá estão pobres, ricos, remediados, brancos, 
pretos, pardos, jovens, velhos, crianças...
(Reinaldo Azevedo. “Rolezinho e mistificações baratas”. 
Folha de S. Paulo, 17.01.2014. Adaptado.)
 O confronto dos dois textos permite afirmar 
que 
a) o texto 1 elogia o caráter democrático da so-
ciedade brasileira, enquanto o texto 2 assume 
uma posição elitista. 
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b) ambos criticam a manipulação do desejo exer-
cida pela publicidade e pelo marketing na so-
ciedade de consumo. 
c) o texto 1 aborda o tema pelo viés da segrega-
ção racial, enquanto o texto 2 critica a manipu-
lação da opinião pública. 
d) ambos tratam os “rolezinhos” como resultado 
histórico e material da luta de classes na so-
ciedade brasileira. 
e) ambos tratam as manifestações como protes-
tos de natureza ideológica contra os proces-
sos de exclusão social. 
 
12. Os preconceitos fazem parte da vida em so-
ciedade e resistem às mudanças, muitas ve-
zes alimentando as desigualdades e a exclu-
são social, conforme trecho da música A car-
ne dos compositores Seu Jorge, Marcelo Yuca 
e Wilson Capellette. 
A carne mais barata do mercado é a carne ne-
gra que vai de graça ‘pro’ presídio 
E para debaixo de plástico que vai de graça 
‘pro’ subemprego 
E ‘pros’ hospitais psiquiátricos 
A carne mais barata do mercado é a carne ne-
gra 
Que fez e faz história 
Segurando esse país no braço 
O cabra aqui não se sente revoltado 
Porque o revólver já está engatilhado 
E o vingador é lento 
Mas, muito bem intencionado 
E esse país vai deixando todo mundo preto e o 
cabelo esticado... 
Seu Jorge; Marcelo Yuca e Ulisses Cappelletti. 
“A Carne”. In: Farofa Carioca, Moro no Brasil.
Rio de Janeiro: independente, 1998. 
 Os conceitos sociológicos apresentados no 
trecho da composição A carne são os seguin-
tes: 
a) acomodação, discriminação racial, exploração 
do trabalho. 
b) institucionalização, igualdade social, politiza-
ção. 
c) marginalização, industrialização, socialização. 
d) democracia, cidadania, desigualdade social. 
e) estigma, flexibilização, modernização. 
 
13. Harriet Martineau (1802-1876) nasceu na Ingla-
terra, foi autora de mais de 50 livros e tem sido 
chamada a “primeira socióloga mulher”. En-
tre tantos feitos, foi original ao dirigir um olhar 
social à vida cotidiana e ao introduzir a Socio-
logia na Grã-Bretanha, com a tradução do livro 
fundador da disciplina, a “Filosofia Positiva”, 
de Augusto Comte. No entanto, quando se fala 
sobre os fundadores da Sociologia, não é co-
mum se ouvir falar em Harriet.
 Com base nessas informações, sobre as rela-
ções de gênero e o mundo do trabalho, é cor-
reto afirmar: 
a) A exclusão da mulher no campo do trabalho é 
explicada apenas por conjunturas econômicas. 
b) A história de Martineau se explica por uma al-
ta divisão social do trabalho porque antecede 
a Revolução Industrial. 
c) O caso de Harriet exemplifica como a existên-
cia de gênero pode alcançar a discriminação 
sexual no trabalho. 
d) A relação de gênero é norteada pelas diferen-
ças biológicas e justifica as desigualdades e a 
exclusão social da mulher. 
e) A dificuldade encontrada pelas mulheres no 
mundo do trabalho reflete a sua inferioridade 
nesse campo social, diferente da esfera do-
méstica.
14. (Unicamp 2021) Como justificar que somos 
uma humanidade, se mais de 70% estão total-
mente alienados do mínimo exercício de ser? 
A modernização jogou essa gente do campo e 
da floresta para viver em favelas e em perife-
rias, para virar mão de obra em centros urba-
nos. Essas pessoas foram arrancadas de seus 
coletivos, de seus lugares de origem, e joga-
das nesse liquidificador chamado humanida-
de. Se as pessoas não tiverem vínculos pro-
fundos com sua memória ancestral, com as re-
ferências que dão sustentação a uma identida-
de, vão ficar loucas neste mundo maluco que 
compartilhamos.
(Adaptado de Ailton Krenak, 
Ideias para adiar o fim do mundo. 
Apple Books, 2018, p. 10.)
 Com base no texto e em seus conhecimentos, 
assinale a alternativa que apresenta correta-
mente os conceitos de “alienação” e “identi-
dade”, respectivamente,
a) dissociação dos seres humanos de algum as-
pecto essencial de sua natureza; interações 
coletivas construídas sobre heranças espa-
ciais e temporalidades vividas.
b) associação dos seres humanos com a nature-
za fundamental das sociedades; enraizamen-
tos em espaços e temporalidades herdados 
que constroem nexos coletivos.
c) falta de controle sobre processos sociais ca-
pitais para a vida das pessoas; apagamento 
dos tempos e temporalidades precedentes co-
mo forma de vínculo coletivo.
d) consciência e controle plenos das transforma-
ções nas relações sociais; estranhamento com 
relação aos espaços herdados e projetos de 
futuro das coletividades.
15. (Unesp 2021) A classificação das raças em 
“superiores” e “inferiores”, recorrente des-
de o século XVII, ganha uma falsa legitimida-
de baseada no mito iluminista do saber cientí-
fico, coincidindo com a necessária justificati-
va de que a dominação e a exploração da Áfri-
ca, mais do que “naturais” e inevitáveis, eram 
“necessárias” para desenvolver os “selva-
gens” africanos, de acordo com as normas e 
os valores da civilização ocidental.
(Leila Leite Hernandez. A África na sala de aula: visita 
à história contemporânea, 2005.)
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 As teorias raciais utilizadas durante o pro-
cesso de colonização da África no século XIX 
eram
a) desdobramentos do pensamento ilustrado, 
que valorizava a liberdade e a igualdade social 
e de natureza.
b) manifestações ideológicas que buscavam jus-
tificar a exploração e o domínio europeus so-
bre o continente africano.
c) baseadas no pensamento lamarckista, que ex-
plicava a transmissão genética de característi-
cas fisiológicas e intelectuais adquiridas.
d) validadas pela defesa darwinista do direito dos 
superiores se imporem aos demais seres vi-
vos.
e) sustentadas pelo pensamento antropológico, 
que tratava as diferenças culturais dos diver-
sos povos como positivas e necessárias.
16. (Unicamp 2021)
Estátua de Cristóvão Colombo é derrubada em 
protestos em Saint Paul, Minnesota, Estados Unidos. 
Policiais armados isolam a estátua.
(Pablo Guimón, Estátuas são o novo alvo do mpovimento 
revisionista nos EUA, El País, 12/06/2020.
 A partir do registro fotográfico da derrubada 
da estátua de Cristóvão Colomboem Saint 
Paul, Minnesota, Estados Unidos, em junho de 
2020, e de seus conhecimentos sobre as rela-
ções entre presente e passado, assinale a al-
ternativa correta.
a) O progresso histórico demonstra que as está-
tuas do passado perdem os seus significados 
no presente, justificando sua derrubada dos 
espaços públicos.
b) As estátuas e os monumentos medeiam for-
mas de lembrar o passado e de compreender 
o presente, e seus significados são sempre 
suscetíveis a disputas políticas e sociais.
c) As estátuas e os monumentos testemunham 
modos de viver e conceber o mundo no passa-
do, portanto são alheios à ideologia e às dispu-
tas políticas.
d) As estátuas e os monumentos do passado são 
veículos neutros em termos ideológicos e polí-
ticos, por isso devem ser preservados e prote-
gidos de vandalismo.
17. (Enem PPL 2020) As canções dos escravos 
tornaram-se espetáculos em eventos sociais 
e religiosos organizados pelos senhores e 
chegaram a ser cantadas e representadas, ao 
longo do século XIX, de forma estereotipada 
e depreciativa, pelos blackfaces dos Estados 
Unidos e Cuba, e pelos teatros de revista do 
Brasil. As canções escravas, sob a forma de 
cakewalks ou lundus, despontavam frequen-
temente no promissor mercado de partituras 
musicais, nos salões, nos teatros e até mesmo 
na nascente indústria fonográfica – mas não 
necessariamente seus protagonistas negros. 
O mundo do entretenimento e dos empresá-
rios musicais atlânticos produziu atraentes di-
versões dançantes com base em gêneros e rit-
mos identificados com a população negra das 
Américas.
ABREU, M. O legado das canções escravas nos Estados Uni-
dos e no Brasil: diálogos musicais no pós-abolição. Revista 
Brasileira de História, n. 69, jan.-jun. 2015.
 A absorção de elementos da vivência escra-
va pela nascente indústria do lazer, como de-
monstrada no texto, caracteriza-se como
a) ação afirmativa.
b) missão civilizatória.
c) desobediência civil.
d) apropriação cultural.
e) comportamento xenofóbico.
18. (Unesp 2020) A reação diante da 1alteridade 
faz parte da própria natureza das sociedades. 
Em diferentes épocas, sociedades particula-
res reagiram de formas específicas diante do 
contato com uma cultura diversa à sua. Um fe-
nômeno, porém, caracteriza todas as socieda-
des humanas: o estranhamento, que chama-
mos etnocentrismo, diante de costumes de 
outros povos, e a avaliação de formas de vi-
da distintas a partir dos elementos da sua pró-
pria cultura. Assim, percebemos como o etno-
centrismo se relaciona com o conceito de 2es-
tereótipo. Os estereótipos são uma maneira 
de “biologizar” as características de um gru-
po, isto é, considerá-las como fruto exclusivo 
da biologia, da anatomia. No interior de nossa 
sociedade, encontramos uma série de atitudes 
etnocêntricas e biologicistas.
(https://gdeufabc.wordpress.com)
1alteridade: característica, estado ou qualidade de ser 
distinto e diferente, de ser outro.
2estereótipo: ideia ou convicção classificatória precon-
cebida sobre alguém ou algo.
 Um exemplo de etnocentrismo incorporado a 
uma política estatal foi
a) o movimento sionista, na Palestina.
b) o apartheid, na África do Sul.
c) a questão curda, na Turquia.
d) a primavera árabe, na Síria.
e) a balcanização, na Chechênia.
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19. (Enem PPL 2020) Uma civilização é a entidade 
cultural mais ampla. As aldeias, as regiões, as 
etnias, as nacionalidades, os segmentos re-
ligiosos, todos têm culturas distintas em di-
ferentes níveis de heterogeneidade cultural. 
A cultura de um vilarejo no sul da Itália pode 
ser diferente da de um vilarejo no norte da Itá-
lia, mas ambos compartilharam uma cultura 
italiana comum que os distingue de vilarejos 
alemães. As comunidades europeias, por sua 
vez, compartilharão aspectos culturais que 
as distinguem das comunidades chinesas ou 
hindus.
HUNTINGTON, S. P. O choque de civilizações. 
Rio de Janeiro: Objetiva,1997.
 De acordo com esse entendimento, a civiliza-
ção é uma construção cultural que se baseia na
a) atemporalidade dos valores universais.
b) globalização do mundo contemporâneo.
c) fragmentação das ações políticas.
d) centralização do poder estatal.
e) identidade dos grupos sociais.
GABARITO
1. D
2. E
3. E
4. C
5. A
6. Marx: 1; 4; 6; 7
 Weber: 2; 3; 5
7. Preconceito Social; 
Falta de escolarida-
de adequada; Falta 
de domínio dos códi-
gos culturais utiliza-
dos pelas classes so-
ciais mais altas.
8. C
9. D
10. E
11. C
12. A
13. C
14. A
15. B
16. B
17. D
18. B
19. E
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