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6565 SO C IO LO G IA UNIDADE 05 Estratificação Social Disponível em: <http://oquevaipelomundo.blogspot.com.br/>. (Adaptado) Foi bom enquanto durou meu passeio. Rebaixado de novo EXTRATIFICAÇÃO SOCIAL Separação da sociedade em classes, estados ou castas. Distribuição dos indivíduos em cama- das sociais hierárquicas. Processo de diferenciação das diver- sas camadas sociais, que compõem uma sociedade, agrupadas a partir de suas relações e de seus valores culturais. Figura 1 Figura 2 Figura 3 66 SO C IO LO G IA 66 1. CONCEITO DA ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL Estratificação social é a organização da socieda- de em camadas, grupos sociais, ou seja, pessoas ocupando posições socialmente diferentes. A estratificação é fruto das desigualdades sociais entre os indivíduos de uma determinada sociedade, que apresentam diferenças de riqueza, poder e pres- tígio. Os três principais tipos de estratificação social são: • Estratificação econômica: fundamenta-se na posse de bens materiais, em que se encon- tram pessoas ricas e pobres. • Estratificação política: fundamenta-se no grupo que tem poder e no que não tem poder, ou seja, os grupos que mandam na socieda- de. • Estratificação profissional: fundamenta-se nos diferentes graus atribuídos a cada profis- sional. Todos os aspectos de uma sociedade, sejam eles econômicos, políticos ou sociais, estão interligados. Em uma sociedade, observa-se que os aspectos econômicos são muito mais importantes do que os outros tipos na caracterização dessa sociedade. Desse modo, quando um indivíduo possui um poder aquisitivo elevado, sua posição de poder será valorizada, ele ocupará os melhores cargos e sua profissão será também mais valorizada dentro da sociedade, observando-se, dessa forma, a desigual- dade social. Para uma melhor compreensão dos fatores que fazem parte de uma sociedade em que ocorre a de- sigualdade social, podemos representá-la através de uma pirâmide, na qual os grupos sociais são classifi- cados conforme o nível de sua renda. Observe: Fonte: Datafolha/nov.2013. Obs.: A soma não chega a 100%, pois parte dos entrevistados se nega a declarar a renda. Acesso em: junho 2015. A hierarquia social divide a sociedade em estra- tos ou camadas mais ou menos fixas. A divisão em camada ou estrato pode se dar em: castas (como na Índia); estamentos (como na Europa Ocidental durante a Idade Média); classes sociais (nos países capitalistas). São vários fatores que diferenciam os grupos e os indivíduos de uma sociedade, sendo, portanto, uma hierarquia de posições que se dividem em estratos ou camadas. Em uma sociedade, os grupos ou indi- víduos não possuem a mesma posição nem o mes- mo prestígio, não existindo, assim, sociedade pura. Ao longo do tempo, diversos estudiosos e soció- logos apresentaram teorias acerca da estratificação. Karl Marx, por exemplo, foi um dos primeiros autores a tratar desse problema. Para ele, o que determina a estratificação é o fator econômico. Por outro lado, Max Weber, em seus estudos, acreditava que não era apenas o fator econômico; por isso, apresentou três dimensões da sociedade, que são: • Ordem econômica: representada pela clas- se, que está estratificada de acordo com su- as relações com a produção e a aquisição de bens; é representada pelos rendimentos, bens e serviços que o indivíduo possui; • Ordem social (status): é representada pelo estilo de vida, pelo prestígio de honra desfru- tado, em função do consumo de bens; • Ordem política: representada pelo partido, manifesta-se através da distribuição de po- der entre os partidos políticos, ocorrendo a estratificação através da distribuição de po- der entre os membros dos grupos. Para We- ber, essas dimensões possuem estratifica- ção própria. Para o sociólogo russo Pitirim Sorokin (1889- 1968), a estratificação apresenta três formas depen- dentes e recíprocas. São elas: • Estratificação econômica: divisão entre ri- cos e pobres através da situação econômi- ca ou financeira, manifesta-se de forma con- creta no nível de vida, na posse de bens, po- dendo surgir nos diferentes tipos de socieda- des capitalista ou socialista, não importando a forma de governo ou organização política; • Estratificação política: a desigualdade po- lítica ocorre pela diversidade em decorrência da distribuição desigual de poder, de autori- dade, de prestígio, de honra e de título. Essa estratificação ocorre independente da cons- tituição particular da sociedade. • Estratificação profissional: na sociedade profissional observa-se diferenças nas ocu- pações, fazendo com que o indivíduo ganhe prestígio ou não, dependendo do tipo de ati- vidade exercida ou do grau hierárquico de sua função. Melvin Marvin Tumin (1919-1994), sociólogo re- cente, trata a desigualdade social e a estratificação social como sinônimos. Para esse autor, a estratifica- ção é compreendida como a "disposição de qualquer AUMENTA A DISTÂNCIA ENTRE RICOS E POBRES Figura 4 Figura 5 6767 SO C IO LO G IA grupo ou sociedade numa hierarquia de posições desiguais com relação a poder, propriedade, valori- zação social e satisfação psicológica". Melvin Tumin Para Tumin, o poder se dá quando uma pessoa recebe uma remuneração e esta, passando a ser sua propriedade, o possibilita a adquirir serviços ou bens (joias, imóveis, automóveis), o que o leva a ob- ter certo prestígio social. Esse indivíduo passa a ser valorizado pelo que possui, sentindo assim orgulho e prazer, o que é considerado satisfação psicológica. Essa satisfação em possuir bens e até mesmo a for- ma como é valorizado diferencia-se de um indivíduo para outro. Tanto na sociedade quanto nos indivíduos, o que importa é como se dá a distribuição dos bens. Por exemplo, em uma sociedade industrial urbanizada, a distribuição dos bens se dá de acordo com a posição ou status do indivíduo, sobretudo se ele possui uma profissão que lhe garante algum status. A sociedade possui diversos estratos organizados hierarquicamente, conforme a quantidade de poder, propriedade, valorização e satisfação psicológica. Os estratos consistem em status socialmente de- finidos que recebem cotas determinadas de poder, propriedade e prestígio. Dessa forma, estrato pode ser definido como conjunto de pessoas que, em uma determinada sociedade e em dado período, tem sta- tus equivalente ou semelhante, distinto dos status dos demais componentes dessa sociedade. São diversos e variados os critérios que os pes- quisadores atuais utilizam para analisar e investigar de forma empírica a divisão social da sociedade, e também como ocorre essa estratificação. Do mesmo modo, são diversos os critérios usados nas investigações para estabelecer a estratificação. Exemplos: riqueza, prestígio da ocupação, montante e origem dos rendimentos, educação, zonas residen- ciais, origem étnica, entre outros critérios. Para os sociólogos contemporâneos Kingsley Davis (1908-1997) e Wilbert E. Moore (1914-1987), "toda a sociedade, tanto do passado como a presen- te, mostra que não existe uma sociedade estratifica- da, isso porque a estratificação é universal e repre- senta a distribuição desigual de direitos e obrigações no interior da sociedade". A estratificação social varia, dependendo do tipo de sociedade. Cabe aos pesquisadores observar, in- vestigar e analisar a maneira como as pessoas estão hierarquicamente organizadas para contextualizar de forma científica como ocorre essa divisão social. 2. TIPOS DE ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL 1. CASTAS Na Índia, por força da tradição, as castas perma- necem fortemente enraizadas, apesar de legalmente não mais existirem. Nesse ambiente, a estratificação social ocorre de maneira rígida e fechada, não ofe- recendo mobilidade social. Os sacerdotes e mestres da erudição sacra, que são os brâmanes, ocupam o grau mais elevado da sociedade; a seguir vêm os guerreiros pertencentes à aristocracia militar e tam- bém os governantes, encarregados de manter e proteger a ordemsocial e o sagrado saber, sendo denominados de xátrias. Em terceiro lugar, estão os vaícias, que são os comerciantes, os artesãos e os camponeses. Os sudras constituem a casta mais baixa, fazem trabalhos manuais e atividades servis de toda espécie. A sociedade indiana ainda hoje é fortemente mar- cada pelas castas. Figura 6 Figura 7 Figura 9 68 SO C IO LO G IA 68 Bramas = os sacerdotes, que se cha- mavam bramas, representavam a classe mais elevada da sociedade e se consi- deravam nascidos da cabeça do Deus Brama. Xátrias = guerreiros com poder político. Vaícias = comerciantes, camponeses e artesãos. Sudras = servos. Párias = eram os marginalizados da so- ciedade. IMPORTANTE: As castas são grupos sociais fechados. O ca- samento só é permitido com membros da mes- ma casta. Tradicionalmente, os filhos seguem a profissão herdada do pai. A pessoa que nasce em uma casta deve permanecer o resto de sua vida nela. Ao nascer, sua posição social já está definida, não podendo subir socialmente por qualificação ou profissão. Os grupos de miseráveis não possuem ne- nhum direito de prestígio, não têm uma profissão definida e normalmente transmitem repugnância às outras pessoas. Vivem da compaixão dos outros. Socialmente, não é permitido que se ba- nhem no rio Ganges e nem podem ler os livros sagrados. Nessa sociedade, o povo acredita que no princí- pio de toda a criação, foram introduzidas quatro cas- tas, que são eternas, que se originaram de diferentes partes das divindades". Foi por volta de 1400 a.C. que esse sistema de casta foi introduzido na Índia pelos conquistadores arianos. Por ser muito rígido, o sistema de casta fez com que o povo indiano perdesse o sentimento de igualdade e se submetesse a esse sistema que per- manece até hoje. A estratificação na Índia desenvolveu o conceito de seres superiores e inferiores. Lá, esse sistema é tão relevante que, para o povo, a evolução do espí- rito depende da aceitação passiva de se manter nas normas de casta, com a casta mais baixa servindo a casta superior e aceitando a desigualdade social. Apesar de todo o desenvolvimento econômico influenciado pela industrialização, nas aldeias ainda permanece esse rígido sistema de castas devido à influência religiosa que está enraizada no íntimo de cada indiano. Contudo, nos grande centros, iniciou- -se o rompimento do sistema de casta. Mesmo com a abolição oficial da casta por meio da lei Constitucional de 26 de novembro de 1947, que dá o direito de igualdade a todos os cidadãos, sendo proibido qualquer tipo de rejeição na socie- dade hindu, verifica-se que essa lei nada significa, principalmente nas pequenas aldeias, onde as cas- tas superiores não querem perder seus privilégios e as castas inferiores continuam sendo rejeitadas e humilhadas, não tendo acesso à educação, tendo os piores empregos, como, por exemplo, limpadores de fossa. Nos dias atuais, suas condições de vida per- manecem as mesmas. A diferença de castas para muitos sociólogos e historiadores ocorre devido ao contato de raças dife- rentes em decorrência de conquistas, como é o caso da Índia. A palavra casta é de origem portuguesa, e para os indianos corresponde a varna, cujo significado é cor. Em consideração às ascensões regionais, ocor- re certa relação entre as castas com referência à cor, sendo que a cor das castas superiores é mais clara que a das inferiores. O economista sueco Gunnar Myrdal (1898-1987), em sua análise sobre a relação entre negros e bran- cos, nos Estados Unidos da América, utilizou o mes- mo conceito com relação à cor. No processo históri- co, o contato do branco com o negro ocasionou uma relação parecida com a do sistema de casta, na qual o branco impôs uma suposta superioridade sobre o negro, classificando-o como ser inferior, não haven- do, geralmente, a possibilidade da mistura entre ne- gros e brancos através do casamento, e não ocorren- do assim a mobilidade social. Gunnar Myrdal Nos Estados Unidos da América, por força da influência religiosa, não se manteve forte o sistema de casta como ocorreu na Índia, pois o cristianismo" é uma religião que preza igualdade entre homens e perante Deus. Por esse motivo, a escravidão nos Es- tados Unidos foi abolida; e também por ocorrerem diversos conflitos a partir de movimentos de descon- tentamento em relação à escravidão. Figura 9 Figura 10 Figura 11 6969 SO C IO LO G IA Nobreza média Grupos modestos: Comerciantes, camponeses com terra, artesãos. Alto clero Clero médio Grupos médios Estratos mais pobres Realeza Os negros nos Estados Unidos nunca aceitaram o regime de escravidão, assim como também havia brancos que não aceitavam as condições dos ne- gros. Mesmo com o descontentamento de negros e brancos, as características de casta estavam presen- tes e permaneceram por um século após o fim da escravidão. Podemos considerar que, em determinadas so- ciedades históricas, existiu o sistema de casta, como: no Japão medieval, no Egito, na Alemanha nazista - com a divisão entre arianos e não arianos - e na África do Sul com o apartheid, que determinava a separação entre negros e brancos. Apartheid – África do Sul No mundo inteiro, e ao longo de toda a história da humanidade, multiplicaram-se os fenômenos de classe e casta. Mesmo com todos os protestos e as manifestações em prol de igualdade social, as dife- renças de classes sempre existiram e permanecem nas sociedades. 2. ESTAMENTO OU ESTRATO O sistema de estamento vigorou na Europa Ocidental durante o feudalismo, no período medieval. O estamento é uma sociedade semelhante à casta, só que um pouco mais aberta. As divisões sociais no estamento são reconhecidas por leis que estão em geral ligadas ao conceito de honra. Nesse tipo de sociedade, a mobilidade social era difícil de ocorrer, mas não totalmente impossível como na sociedade de castas. A mobilidade social era possível quando a Igreja escolhia pessoas menos favoreci- das economicamente como membros; quando ocorria a libertação de um servo pelo seu senhor; quando um homem pobre recebia títulos permitidos pelo vassalo, ou pelo casamento de uma filha de um comerciante rico com uma pessoa pertencente à nobreza. Contudo, dificilmente ocorria a mobilidade na sociedade estamental. Geralmente, o indivíduo permanecia durante toda a vida no mesmo estamento que nascia. Figura 12 Figura 13 Figura 14 70 SO C IO LO G IA 70 A nobreza e o alto clero eram os donos das terras e obtinham rendas através da exploração dos servos. Os nobres exerciam o poder judiciário e ocupavam-se da guerra e da caça. O alto clero compunha-se de car- deais, sacerdotes, arcebispos, bispos e abades, que eram eclesiásticos vindos da nobreza, uma camada letrada que desempenhava funções administrativas. Os comerciantes, apesar de possuírem riquezas, não tinham poder como tinha a nobreza. Os artesãos viviam nas cidades reunidos em associações, os co- merciantes livres trabalhavam a terra e vendiam os produtos nas cidades, o baixo clero era de origem po- bre, vivia com o povo, prestando assistência religiosa. Os servos trabalhavam a terra, e parte de sua produção era cedida para seu senhor. Por estarem ligados à terra, tinham novo senhor quando a terra passava a um novo dono. Faziam parte da nobreza os guerreiros, com o po- der de posse de terras, ligados por laços de vassa- lagem e de fidelidade. Os feudos eram terras imen- sas que eram exploradas; e, quando alguém recebia essas terras, ficava ligado ao vassalo pelo grau de fidelidade. O que impedia a organização dos esta- mentos eram as disputas pela posse de terra. Tinha mais poder e privilégio quem tinha maior quantidade de propriedades. O clero era o grupo mais organizado; quando ne- cessário, recrutava pessoas de outro estamento. Os que eram de origem da aristocracia e da burguesia e que tinham uma certa influência eram do alto clero, os dos outros estamentos pertenciam ao baixo clero. O clero era um grupo poderoso,que tinha acesso à leitura, conhecimento e riqueza. O filósofo, historiador e sociólogo alemão Hans Freyer (1887-1969) ao se referir à sociedade esta- mental disse: "é como uma fase determinada na his- tória das formas sociais de dominação; como um ele- mento na série das estruturas sociais fundamentais". Hans Freyer Para Freyer, na medida em que a classe domi- nante — aristocracia e o clero — ia se fortalecendo em seu poder, o sistema tornava-se duradouro como também a desigualdade dos direitos e deveres. Os diferentes estamentos dentro da sociedade feudal desenvolveram sistemas de privilégios e ati- vidades sociais. A classe dominante, por estar mais organizada, tratou de dar continuidade ao sistema e de realizar, de forma tradicional, os deveres que são próprios de cada estamento. Para Hans Freyer, "essa estrutura da sociedade, segundo privilégios específicos e atividades atribu- ídas, se realiza naturalmente de cima para baixo; isto é, estabelecido por aqueles que detêm a domi- nação". Os privilégios e as atividades têm início nas classes dominantes e vão se prolongando até as classes inferiores. Não deixando haver nenhuma possibilidade de mobilidade, a classe dominante, para se manter no poder, teve inicialmente suas atividades voltadas para serviços de guerra, cargos públicos, proprieda- de de terra e também serviços ligados à Igreja. Em hipótese alguma executavam quaisquer serviços ma- nuais ou do comércio. O estamento, de forma geral, desenvolveu carac- terísticas no conceito de honra; modo específico de vida de cada estamento, dando origem a um tipo de ser humano, devido a sua atividade e posição em cada estamento. Por ser uma camada fechada, sem a possibili- dade de as camadas inferiores fazerem parte dela, mantinha-se no poder graças à submissão dos gru- pos inferiores. A forma de dominação sobre a cama- da inferior tornava impossível abalar a estrutura, re- forçando cada vez mais a dominação aristocrática. Desigualdade social urbana no Brasil Em toda forma de dominação há desigualdade de direitos e privilégios, o que ocasiona revoltas, agres- sões e manifestações; contudo, os estamentos infe- riores do período feudal não tinham a pretensão de ir contra o sistema estamental superior; quando se manifestavam era para lutar por igualdade de direitos e privilégios entre si. Em toda estrutura que tem formação na dominação de grupos que são considerados inferiores há desi- gualdade de privilégio e direitos. Para Pitirim Sorokin, os estamentos superiores não são tão organizados em relação ao estamento inferior. Ele analisa o estamento superior contextualizando que, nos estamentos, não existe uma organização em relação ao inferior; o que há é uma coletividade sem organização alguma. Pitirim Sorokin Figura 15 Figura 17 Figura 16 7171 SO C IO LO G IA Para Sorokin, a dominação é hereditária (de pai para filho), não é fechada como o sistema de casta. O que há é um laço de ligação que mantém o estamento superior através de direitos, deveres, privilégios e obri- gatoriedade do pagamento de impostos ao Estado. Apenas uma pequena parcela do estamento pos- sui um grau de vínculo com a linguagem e a raça co- mum; são pouquíssimos os grupos estamentais que mantêm um laço de parentesco. Com o surgimento das cidades e o desenvolvi- mento do comércio, surgiu uma outra classe: a bur- guesia, que, aos poucos, foi adquirindo poder em relação aos nobres. O estamento burguês especializou-se em diver- sos tipos de atividades. Enriquecendo, a burguesia passou a exigir maior liberdade e participação nas atividades políticas, além do rompimento dos laços com o senhor feudal, para que o comércio pudesse crescer cada vez mais. 3. CLASSES SOCIAIS Na sociedade capitalista, alguns proprietários são donos do meio de produção, e a maioria representa a força de trabalho. Nessa sociedade, ocorre a desigualdade social. Os proprietários, donos dos meios de produção (má- quinas, terras etc.), possuem a renda mais alta, os de renda média são os trabalhadores qualificados, os de renda baixa são os trabalhadores de mão de obra não qualificada. Os donos dos meios de produção são os que go- zam de maior prestígio social, têm mais privilégios e mais poder. A distribuição de poder baseia-se na posição dos indivíduos com relação aos elementos da produção. Os que possuem os meios de produção têm um maior nível de consumo e mais prestígio social que os trabalhadores que possuem apenas seu trabalho, não desfrutando das mesmas condições dos donos da produção, vendo-se obrigados a trabalhar para os proprietários recebendo em troca uma remuneração. Sendo assim, podemos definir classe social como grupo de pessoas que apresentam uma mesma si- tuação ou status social similar com relação aos ele- mentos de produção ou a outros critérios, sobretudo o econômico. A sociedade pode ser classificada de acordo com o nível de consumo de seus membros. Os donos dos meios de trabalho adquirem bens e serviços de luxo, os trabalhadores que possuem mão de obra quali- ficada adquirem bens por preços intermediários, já os trabalhadores de mão de obra não qualificada so- mente adquirem bens de primeira necessidade. Na sociedade capitalista, a classe social está classificada da seguinte forma: • Classe alta: indivíduos com grande poder aquisitivo; são os proprietários do grande ca- pital, os grandes industriais, os banqueiros e os grandes comerciantes, além dos grandes proprietários de terras. ▪ Classe média: indivíduos com renda e po- der aquisitivo medianos; são aqueles que vi- vem do pequeno capital, das pequenas in- dústrias (microempresários) e dos pequenos comércios, também os pequenos produtores agropecuaristas e os profissionais liberais (advogados, médicos, engenheiros, dentis- tas, entre outros). ▪ Classe baixa: camada de pequeno poder aquisitivo e baixa renda; trabalhadores com pouca qualificação, do comérico informal, desempregados; os que vivem, geralmente, com uma renda pequena e insuficiente para o dia a dia. Nas investigações sobre as classes sociais, só é possível compreender os aspectos sociais da socie- dade capitalista levando em conta os aspectos eco- nômicos. 4. ESTUDOS A RESPEITO DE CLASSES SOCIAIS Como vimos, há diversas teorias científicas para definir o conceito de classes sociais. O contemporâ- neo sociólogo norte-americano Gerhard Emmanuel Lenski (1924) afirma que "durante séculos, houve uma tendência, por parte dos conservadores, de in- terpretar a classe social como uma necessidade fun- cional para a sobrevivência da sociedade". Gerhard Emmanuel Lenski Atualmente, a classe social é vista como uma necessidade funcional. Lenski, ao reunir diversas teorias sobre classe social, sustentou o conceito de classe social como uma necessidade, porque a so- ciedade está dividida de acordo com o seu grau de domínio econômico. Gaetano Mosca Figura 18 Figura 19 72 SO C IO LO G IA 72 Os sociólogos italianos Gaetano Mosca (1858- 1941) e Vilfredo Pareto (1848-1923), ao definirem classe social, e na tentativa de provar sua necessida- de, foram mais longe. Para eles, nos modernos siste- mas industriais ocorre a circulação de elites; portan- to, não há nenhuma classe dominante permanente. Vilfredo Pareto O termo classe social pode ser definido como um grupo de indivíduos segundo seu poder aquisitivo. No sistema de casta, por exemplo, a sociedade esta- va dividida por camada social. A diferença dos outros grupos, seja do sistema capitalista ou feudal, é que não existia a mobilidade social; a pessoa que nascia na casta considerada baixa permanecia na mesma, sendo impossível mudar de status, como ocorre no sistema capitalista. Segundo Karl Marx, "as classes sociais estão associadas à divisão do trabalho. São grupos cole- tivos que desempenham o mesmo papel na divisão do trabalho num determinado modo de produção". Na visão marxista, em toda sociedade, não importa se pré-capitalista oucom característica capitalista, a classe dominante controla direta ou indiretamente o Estado. No sistema capitalista industrial, a sociedade pode ser classificada em três níveis diferentes: a classe alta, a classe média e a classe baixa. Nos países subdesenvolvidos, a classe média é a minoria e a classe baixa é a grande massa da população. A partir desta divisão é possível encontrar outras classes: • Classe altíssima: composta por indivíduos que se destacam economicamente (elite). Exemplo: os donos das empresas de ori- gem familiar tradicionalmente rica. • Classe alta: composta por indivíduos que se tornaram ricos por receberem uma boa remuneração. • Classe média alta: composta por indivídu- os com uma remuneração razoável, como médicos e advogados, entre outros. • Classe média: composta por indivíduos que recebem uma remuneração mediana, como gerentes, arquitetos, professores, en- tre outros. • Classe média baixa: composta por indiví- duos que recebem um salário mais baixo, como secretários, vendedores, recepcio- nistas, entre outros. • Classe baixa: composta por indivíduos que exercem trabalhos braçais, como os operários, serventes, garis, entre outros. • Classe dos miseráveis: composta por pessoas que não representam mão de obra especializada, não possuem escolaridade suficiente para o campo de trabalho, por is- so se tornam excluídas, sendo despreza- das pela sociedade de forma geral. No mundo capitalista contemporâneo, quanto mais poder econômico um indivíduo possui, mais as- sume seu papel de classe dominante na sociedade, adequando sua estrutura social para perpetuação da exploração, controlando as outras classes de poder aquisitivo menor, para, assim, continuar no poder. 5. EXCLUSÃO SOCIAL As desigualdades sociais geram desfavorecimen- tos ou exclusão social, que é uma forma de levar o indivíduo a se afastar e se isolar da sociedade, sem poder exercer sua cidadania, gozar seus direitos ou cumprir seus deveres. A falta de acesso a oportuni- dades oferecidas pela sociedade a seus membros é uma forma de exclusão social. A exclusão social atinge basicamente todas as áreas e setores da sociedade, bem como todos os gêneros e idades. Ela manifesta-se no mercado de trabalho (desemprego de longa duração, baixos salá- rios); no acesso à moradia e aos serviços públicos de saúde, educação, iluminação e saneamento básico; no acesso aos bens públicos. Atinge idosos despro- tegidos, mendigos, sem-teto, analfabetos, crianças trabalhadoras, índios, negros, mulheres, homosse- xuais etc. 6. A MOBILIDADE SOCIAL NO BRASIL MOBILIDADE SOCIAL 8 É a mudança de posição social de uma pessoa num determinado siste- ma de estratificação social. 8 Pode ser vertical no sentido de subir e descer na hierarquia social, ou, hori- zontal, indicando uma mudança dentro da mesma camada social. 8 Divisão da sociedade em camadas ou estratos sociais, que na sociedade capitalista é indicada pelas classes so- ciais. Figura 20 7373 SO C IO LO G IA Um dos grandes estudos sobre a mobilidade social brasileira foi publicado pelos sociólogos José Pastore e Nelson do Valle Silva. Com base nos dados do cen- so nacional de 1996, eles compararam as profissões dos brasileiros com idade entre 20 e 64 anos às de seus pais. Em 50% dos casos, os representantes da nova geração tinham ocupações melhores. Figura 21 Figura 22 74 SO C IO LO G IA 74 Reflita Mais recentemente, surgiu outro trabalho de fôlego sobre o tema, de autoria do sociólogo Car- los Costa Ribeiro, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Utilizando uma metodologia semelhante, Ribeiro elaborou um índice que mostra as chances de ascensão so- cial em vários lugares do mundo. No Brasil, segundo a pesquisa, os trabalhadores têm 4,5 vezes mais chances de subir na vida do que de sofrer um revés. Somente a Coreia do Sul, com índice 6, supera o país nesse quesito (os Estados Unidos têm índice 2; a Alemanha, 3; a Inglaterra, 2). Uma das explicações para o fenômeno da mobilidade social no Brasil foi o intenso processo de urbanização pelo qual o país passou nas últimas décadas. Com o crescimento acelerado das grandes cidades, deixar o campo passou a ser a melhor alternativa para subir na vida. Essa transfe- rência constitui um indicador de mobilidade social. Segundo o estudo de Ribeiro, 24% dos profis- sionais liberais que ganham a vida nas grandes cidades do Brasil são provenientes do campo. Esse índice só é superado pelos da Polônia (38%), Japão (31%) e Hungria (29%). Ao fim da primeira década do século XXI, o Brasil enfrenta um enorme desafio que outras eco- nomias emergentes já conseguiram superar. Nossos padrões educacionais são insuficientes para suportar altas taxas de crescimento. Mas não se pode ignorar o fato de que a proporção de brasi- leiros com acesso à escola aumentou muito nas últimas décadas. Somente no ensino básico, a evolução do percentual de crianças nas salas de aula foi de 51% para 97%. Avanços como esse contribuíram de forma decisiva para a elevação social de uma par- cela da população. "Trabalhei como office-boy para completar os estudos", afirma o empresário mineiro Salim Mat- tar. Aos 23 anos, ele comprou seis fuscas usados com um empréstimo de 100 mil reais e montou a Localiza. No começo, fazia de tudo: limpava a loja, lavava carro e trabalhava de motorista - além de atender os clientes. Hoje, com uma frota de 50 mil automóveis e 350 agências, a Localiza é a maior locadora do Brasil, está presente em nove países da América do Sul, tem seu capital aberto na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) e vários de seus empregados têm parte da remunera- ção vinculada ao desempenho das ações, numa manifestação de meritocracia e foco no resultado típica de economias empreendedoras como a norte-americana. O estímulo ao empreendedorismo já se provou um dos maiores e melhores motores do desen- volvimento econômico. Empreender - e ter chance de sucesso no empreendimento - depende de uma série de condições. A principal delas é o desejo de correr risco (...). Esse ambiente que permite a ascensão, porém, não eliminou o fosso que há entre as classes menos favorecidas e a elite brasileira. A melhor imagem para definir o problema é a de uma corri- da. Nessa competição, os filhos das famílias ricas largam na frente e, por isso, têm um lugar quase certo no ponto mais alto do pódio. "As chances de um filho da elite permanecer em sua classe são 20 vezes maiores do que as de um filho de um trabalhador ultrapassar um degrau na escala social", afirma Ribeiro, do Iuperj. Quem larga atrás nessa competição tem possibilidades reais de evoluir, mas precisa realizar um esforço pessoal muito maior para superar os obstáculos. POLONI, Gustavo. O país da mobilidade social. Exame, 10.10.07 1. Segundo o autor, o Brasil enfrenta um enorme desafio que outras economias emergentes já conseguiram superar. Que dessafio é esse? Por que se trata de um desafio? De que for- ma o Brasil pode vencê-lo? 2. "O estímulo ao empreendedorismo já se provou um dos maiores e melhores motores do desenvolvimento econômico." Você concorda com essa frase? Explique por quê. 7575 SO C IO LO G IA 7. A SOCIEDADE ESTAMENTAL O princípio estrutural "sociedade estamental" deve ser entendido (num sistema concreto de Sociologia) não como a lei fundamental e eterna de toda cultura humana - no sentido em que todos os românticos do passado e do presente querem fazê-lo -, mas como uma fase determinada na história das formas sociais de dominação, como um elemento na série das es- truturas sociais fundamentais. Quando uma forma de dominação se afirma, convertendo-se num sistema duradouro, isto habitu- almente se faz acompanhar da concessão, aos diver- sos grupos parciais, de determinados direitos, possi- bilidades de aquisição, bens culturais e atividades, tudo isso de acordo com um esquema fixo. As partes heterogêneas de que se compõe a sociedade vão crescendo num sistemafixo de privilégios e, sobre- tudo, num sistema fixo de atividades sociais neces- sárias, adquirindo, em razão desse fato, um sentido objetivo para o corpo social na sua totalidade. A firmeza do edifício social depende de que as funções atribuídas a esses grupos (que chamaremos "estados" ou "estamentos") sejam visivelmente ne- cessárias para o todo; depende também de que a relação entre os estamentos e seus deveres sociais seja firme, orgânica, constitutiva de tradição e de for- ça educadora (no feudalismo, o dever do estamento religioso, ou seja, do clero, era intermediar a relação entre Deus e os fiéis; o dever do estamento aristocrá- tico era fazer a guerra, e assim por diante). Essa estruturação da sociedade, segundo privi- légios específicos e atividades atribuídas, realiza-se naturalmente, "de cima para baixo"; ou seja, é esta- belecida pelos que detêm a dominação. É um proces- so que começa em cima e se estende até embaixo. As forças ativas dentro do corpo social, os senhores, que são sempre a minoria, têm que delimitar-se, isto é, têm que configurar-se como "estamento", de modo a manter em vigor aquele mundo que fundamenta a sua dominação. Todos os "estados" (estamentos) autênticos se delimitam; por isso, cuidam de seu hermetismo (isto é, de seu caráter fechado). Basta considerar o papel relevante que desempenha, em todas as sociedades estamentais, o casamento e a luta em torno dele. O meio típico para conseguir o hermetismo de um estamento consiste na monopolização de de- terminados encargos sociais. O serviço guerreiro e sacerdotal, o desempenho de cargos públicos e a propriedade territorial são, de ordinário, os setores que os estamentos dominantes reservam para si. Do mesmo modo, outras posições vitais, ou profissões (comércio, trabalho remunerado), são consideradas incompatíveis com esses estamentos. Sobre a base dessas atividades e profissões re- servadas aos diferentes "estados" se desenvolve também uma forma especial de vida, um conceito especial de honra e alguns costumes sociais também especiais. Esse fato, por sua vez, contribui para a concreção de um estrato social e para a sua conver- são em estamento.(...) A longo prazo, nem os meros privilégios nem um simples predomínio econômico bastam para manter de pé uma ordem estamental. Estamentos de nível histórico só existem quando há tarefas autênticas e básicas que podem mobilizar determinadas energias e dar à luz um determinado tipo de homem. (...) O princípio estamental pode penetrar todo o corpo social, desde cima, e só quando assim ocorre pode- se dizer que se realizou plenamente a lei estrutural da sociedade estamental. Nesse momento teremos diante de nós um claro sistema de estratos sociais, cada um dos quais se incumbe de sua função espe- cial, dentro do todo, e cada um dos quais desenvol- ve, no desempenho desta incumbência especial, sua honra e sua atitude social específica. (...) Não obstante, a estrutura de uma sociedade es- tamental traz também em si, como toda realidade social, uma dinâmica histórica. (...) A dinâmica his- tórica consiste, em primeiro lugar, em que ocorram constantemente na sociedade estamental processos sociais de ascensão e deslocamento. Por mais que o hermetismo seja uma das características essenciais do estamento, os estamentos dominantes precisam receber em seu seio novas forças procedentes dos estratos inferiores. A sabedoria instintiva de uma aris- tocracia consiste em absorver somente, mas sempre, aqueles elementos que podem ser inseridos no esta- mento e aqueles em quem pode imprimir sua forma peculiar de vida. É muito importante ter em conta que esses pro- cessos de ascensão social, pelos quais penetram no espaço fechado dos estamentos dominantes a riqueza ou o talento de pessoas da burguesia, não dissolvem nem abalam a estrutura estamental; ao contrário, contribuem para fortalecê-Ia. (...) Todas as grandes aristocracias da história realizaram com ha- bilidade essa prática de inserir em seu seio talentos ou riquezas de origem plebeia (Roma) ou burguesa (Inglaterra, França etc.). Além dessa dinâmica (ocorrem também lutas) en- tre "estados" (estamentos), nas quais os "estados" inferiores lutam unidos contra os privilégios dos "es- tados" dominantes. Todo corpo social que repousa sobre a desigualdade de direitos e sobre a dominação de um grupo sobre outros traz sempre, em si, o germe de distúrbios e rebeliões. Com respeito à forma e ao curso das lutas entre os "estados", é possível formular uma série de traços típicos e, inclusive, leis. Tanto os objetivos da luta como a tática que nela se emprega, e as possibilidades de seu resultado, se repetem uma ou outra vez no curso da história; sob a única condição de que se trate verdadeiramente de luta entre estamentos, isto é, de movimentos sociais dentro de uma ordem social estamentaI. (...) Quanto ao seu objetivo, as lutas entre "estados" tendem sem- pre a modificar, em pontos concretos, a atribuição de privilégios, a arrebatar ao estamento vizinho deter- minados direitos políticos ou sociais, e a recuperar direitos perdidos ou a ampliar os que se possuem. Enquanto nos movemos no terreno da ordem es- tamental, as lutas sociais não têm nunca a intenção nem o efeito de contestar a estrutura estamental, ou de modificar o princípio que rege a estrutura social do todo. Na luta só se perseguem e só se conseguem correções de limites entre os estamentos. FREYER, Hans. A sociedade estamental. ln. IANNI, Octavio. Teorias de estratificação social. São Paulo: Cia. Editora Nacio- nal,1972. p. 168-71. 76 SO C IO LO G IA 76 1. Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem dife- rente. A classe média europeia não está acos- tumada com a moleza. Toda pessoa normal que se preze esfria a barriga no tanque e a es- quenta no fogão, caminha até a padaria para comprar o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos. SETTI, A. Disponível em: http://colunas.revistaepoca. globo.com. Acesso em: 21 maio 2013 (fragmento). A diferença entre os costumes assinalados no texto e os da classe média brasileira é conse- quência da ocorrência no Brasil de a) automação do trabalho nas fábricas, relacio- nada à expansão tecnológica. b) ampliação da oferta de empregos, vinculada à concessão de direitos sociais. c) abertura do mercado nacional, associada à modernização conservadora. d) oferta de mão de obra barata, conjugada à he- rança patriarcal. e) consolidação da estabilidade econômica, liga- da à industrialização acelerada. 2. Seguiam-se vinte criados custosamente vesti- dos e montados em soberbos cavalos; depois destes, marchava o Embaixador do Rei do Congo magnificamente ornado de seda azul para anunciar ao Senado que a vinda do Rei estava destinada para o dia dezesseis. Em res- posta obteve repetidas vivas do povo que con- correu alegre e admirado de tanta grandeza. “Coroação do Rei do Congo em Santo Amaro”, Bahia apud DEL PRIORE, M. Festas e utopias no Brasil colonial. In: CA- TELLI JR., R. Um olhar sobre as festas populares brasilei- ras. São Paulo: Brasiliense, 1994 (adaptado). Originária dos tempos coloniais, a festa da Co- roação do Rei do Congo evidencia um proces- so de a) exclusão social. b) imposição religiosa. c) acomodação política. d) supressão simbólica. e) ressignificação cultural. 3. A história da cultura brasileira é pontuada pe- lo “jeitinho brasileiro” e pela cordialidade, fru- tos da colonização portuguesa. Sérgio Buar- 1. O que o autor quer dizer com a frase "O princí- pio estrutural 'sociedade estamental' deve ser entendido (num sistema concreto de Sociolo- gia) não como a lei fundamental e eterna de to- da a cultura humana"? Reflita 2. De que forma se estruturam os estamentos, segundo a análise de Hans Freyer? 3. Pelo que afirma o autor, pode-se dizer que existe mobilidade social em uma sociedade estamental? Explique sua resposta e cite um trecho do texto para fundamentar sua opinião.que sugere que nossa cultura tem algumas singularidades, tais como: aversão à impesso- alidade, forte simpatia e rejeição ao formalis- mo nas relações sociais. Tais singularidades se refletem no ordenamento da sociedade ex- presso no fragmento da música Minha história de João do Vale e Raimundo Evangelista, que trata da educação como base da estratificação social na sociedade burguesa. E quando era noitinha, a meninada ia brincar. Vige como eu tinha inveja de ver Zezinho contar: “o professor ralhou comigo, porque eu não quis estudar” (bis) Hoje todos são doutor, E eu continuo um João Ninguém Mas, quem nasce pra pataca nunca pode ser vintém. Ver meus amigos doutor basta pra mim sentir bem (bis)... João do vale; Chico Evangelista. “Minha história”. In: álbum, João do Vale. Rio de Janeiro: Sony, 1981. Conforme a contribuição de Karl Marx sobre a análise da sociedade capitalista, os conceitos sociológicos expressos nessa música são a) superestrutura, anomia social, racionalidade, alienação. b) ação social, infraestrutura, solidariedade orgâ- nica, coesão social. c) divisão do trabalho, mais valia, solidariedade mecânica, burocracia. d) sansão social, relações de produção, organi- cismo, forças produtivas. e) ideologia, classe social, desigualdade social, relações sociais de trabalho. 4. Leia o fragmento do poema Traduzir-se, de Ferreira Gullar, pseudônimo de José de Riba- mar Ferreira, ludovicense, poeta, crítico de ar- te, biógrafo, memorialista e ensaista. Uma parte mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: 7777 SO C IO LO G IA 2. As transformações na sociedade possuem di- versas causas. 3. A estratificação social é influenciada por diferen- ças de classe, status e partido. 4. As classes sociais decor- rem das relações de pro- dução e da divisão do trabalho. 5. O Estado é definido pela posse do monopólio do uso legítimo da força. 6. O Estado está relaciona- do com a superestrutura da sociedade. 7. A luta de classes é o mo- tor da história. 7. A mobilidade social nas sociedades capitalis- tas é maior do que nas divididas em castas ou estamentos, mas não é tão ampla quanto pode parecer. As barreiras para a ascensão social não estão escritas nem são declaradas aberta- mente, mas estão dissimuladas nas formas de convivência social. TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o ensino médio. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 76 Quais barreiras para a ascensão social existem no Brasil atualmente? Cite pelo menos três. 8. Forma de dominação que tem por base o po- der econômico dos mais ricos. É o domínio exercido pela alta burguesia sobre a massa da população, por meio de instrumentos que lhe asseguram o controle político e social, assim como seus privilégios de classe. outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira... GULLAR, Ferreira. “Traduzir-te”. In: Ferreira Gullar, Na vertigem do dia (1975-1980). Rio de Janeiro: José Olympio, 1980. Com relação às mudanças ocorridas na socie- dade contemporânea, notam-se as contradi- ções entre as relações indivíduo x sociedade, conforme o fragmento do poema. As causas dessas contradições, do ponto de vista socio- lógico, são as seguintes: a) Alienação, associação, capitalismo, consumismo. b) Assimilação, consumismo, democracia, cons- cientização. c) Sociedade industrial, alienação, sociedade de massa, mercantilização. d) Estratificação, homogeneização, hiper-realida- de, altruísmo. e) Socialismo, solidarismo, homogeneização, in- dividualismo. 5. Basta uma vista de olhos pelas estatísticas ocupacionais de um país pluriconfessional para constatar a notável frequência de um fe- nômeno por diversas vezes vivamente discu- tido na imprensa e na literatura católicas bem como nos congressos católicos da Alemanha: o caráter predominantemente protestante dos proprietários do capital e empresários, assim como das camadas superiores da mão de obra qualificada, notadamente do pessoal de mais alta qualificação técnica ou comercial das em- presas modernas. WEBER, Max. A ética protestante e o “espírito” do capitalis- mo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 29. O livro A ética protestante e o “espírito” do ca- pitalismo começa com a constatação de uma relação entre dois fenômenos. Que fenôme- nos são esses, expressos no texto acima? a) Confissão religiosa e estratificação social. b) Confissão religiosa e preferência sexual. c) Estratificação social e desenvolvimento social. d) Formação universitária e desenvolvimento eco- nômico. e) Estatística e literatura. 6. Max Weber e Karl Marx foram sociólogos que procuraram compreender as transformações na sociedade moderna. Entretanto, em muitos pontos, eles apresentam ideias bastante diver- gentes. Assinale se as frases a seguir dizem respeito à sociologia de Marx ou à sociologia de Weber. MARX WEBER 1. As transformações na sociedade são decorren- tes, principalmente, das alterações no modo de produção da vida mate- rial. 78 SO C IO LO G IA 78 Assinale a alternativa que se refere ao texto acima. a) Patriarcado. b) Plutocracia. c) Nepotismo. d) Dominação Econômica. e) Estamento Social. 9. Max Weber, sociólogo alemão, conceituou três tipos ideais de dominação: dominação legal, dominação tradicional e dominação carismá- tica. São tipos ideais porque são construções conceituais que o investigador utiliza para fa- zer aproximações entre a teoria e o mundo em- pírico. Leia a seguir o trecho da Carta Testamento de Getúlio Vargas: Sigo o destino que é imposto. Depois de de- cênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz- me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. (VARGAS, G. Carta Testamento. Disponivel em: http://www.cpdoc.fgv.br/dhbd/verbetes_ htm/5458_53.asp. Acesso em: 17 nov. 2007.) Com base nos conhecimentos sobre os tipos ideais de dominação e levando em considera- ção o texto citado e as características históri- cas e políticas do período, assinale a única al- ternativa que apresenta a configuração corre- ta do tipo de dominação exercida por Getúlio Vargas. a) Dominação carismática e tradicional. b) Dominação tradicional que se opõe à domina- ção carismática. c) Dominação tradicional e legal. d) Dominação legal e carismática. e) Dominação legal que reforça a dominação tra- dicional. 10. Max Weber, teórico cujos conhecimentos con- tinuam básicos para a Sociologia, procurou não apenas conhecer a sociedade moderna, mas explicar sua estrutura de dominação polí- tica e econômica e suas disparidades. Com base no enunciado e nos conhecimentos sobre o autor, assinale a alternativa correta: a) Para Weber, os interesses coletivos estão acima dos interesses particulares, portanto, é possível transformar a realidade social por meio da acentuada divisão social do trabalho, já que esta produz a solidariedade orgânica e ainda possui o Direito Penal que, com suas sanções repressivas, pode normalizar a socie- dade nos momentos de crise. b) De acordo com o autor, a divisão do traba- lho capitalista expressa modos de segmenta- ção da sociedade que levam os indivíduos a ocuparem posições desiguais, gerando anta- gonismos de classes. Assim, a classe explo- rada, que no capitalismo é a classe operária, seria a única capaz de realizar a mudança da sociedade capitalista para uma sociedade me- nos desigual. c) Weber considera que somente a renda e a pos- se geram desigualdades. Assim, a possibilidade do desenvolvimento de uma sociedade mais jus- ta é utópica, pois as vantagens materiais deri- vam dos próprios méritos dos indivíduos, que já nascem desiguais em relação aos dons naturais, inteligência, gosto e coragem, entre outros. d) O autor, numa perspectiva simbólica, procura explicar a sociedade capitalistae a sua pos- sibilidade de transformação. Considera que é necessário analisar a sociedade microssocio- logicamente, pois, como só alguns grupos pos- suem capital simbólico e econômico de maior significância na hierarquia social, reproduzem a cultura, a ideologia, organizando o sistema simbólico segundo a lógica da diferença. e) Segundo Weber, as classes, os estamentos e os partidos são fenômenos de distribuição de poder dentro de uma comunidade, que se legiti- mam e se definem pelos valores sociais conven- cionalmente estabelecidos em dada sociedade. 11. (Unesp 2014) TEXTO I A ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros (PT), acusa a polícia e os frequentadores de shoppings de discriminar jovens negros nos “rolezinhos”. “As manifestações são pacífi- cas. Os problemas são derivados da reação de pessoas brancas que frequentam esses lu- gares e se assustam com a presença dos jo- vens.” Para ela, a liminar que autorizou os sho- ppings a barrar clientes “consagra a segrega- ção racial” e dá respaldo ao que a PM “faz co- tidianamente”: associar negros ao crime. (Medo de “rolezinho” é reação de brancos, diz ministra. Folha de S.Paulo, 16.01.2014.) TEXTO II Não se percebia, originalmente, nenhuma mo- tivação de classe ou de “raça” nos rolezinhos. Agora, sim, grupos de esquerda, os tais “mo- vimentos sociais” e os petistas estão tentando tomar as rédeas do que pretendem transfor- mar em protesto de caráter político. Se há, ho- je, espaços de fato públicos, são os shoppin- gs. As praças de alimentação, por exemplo, são verdadeiras ágoras da boa e saudável democratização do consumo e dos serviços. Lá estão pobres, ricos, remediados, brancos, pretos, pardos, jovens, velhos, crianças... (Reinaldo Azevedo. “Rolezinho e mistificações baratas”. Folha de S. Paulo, 17.01.2014. Adaptado.) O confronto dos dois textos permite afirmar que a) o texto 1 elogia o caráter democrático da so- ciedade brasileira, enquanto o texto 2 assume uma posição elitista. 7979 SO C IO LO G IA b) ambos criticam a manipulação do desejo exer- cida pela publicidade e pelo marketing na so- ciedade de consumo. c) o texto 1 aborda o tema pelo viés da segrega- ção racial, enquanto o texto 2 critica a manipu- lação da opinião pública. d) ambos tratam os “rolezinhos” como resultado histórico e material da luta de classes na so- ciedade brasileira. e) ambos tratam as manifestações como protes- tos de natureza ideológica contra os proces- sos de exclusão social. 12. Os preconceitos fazem parte da vida em so- ciedade e resistem às mudanças, muitas ve- zes alimentando as desigualdades e a exclu- são social, conforme trecho da música A car- ne dos compositores Seu Jorge, Marcelo Yuca e Wilson Capellette. A carne mais barata do mercado é a carne ne- gra que vai de graça ‘pro’ presídio E para debaixo de plástico que vai de graça ‘pro’ subemprego E ‘pros’ hospitais psiquiátricos A carne mais barata do mercado é a carne ne- gra Que fez e faz história Segurando esse país no braço O cabra aqui não se sente revoltado Porque o revólver já está engatilhado E o vingador é lento Mas, muito bem intencionado E esse país vai deixando todo mundo preto e o cabelo esticado... Seu Jorge; Marcelo Yuca e Ulisses Cappelletti. “A Carne”. In: Farofa Carioca, Moro no Brasil. Rio de Janeiro: independente, 1998. Os conceitos sociológicos apresentados no trecho da composição A carne são os seguin- tes: a) acomodação, discriminação racial, exploração do trabalho. b) institucionalização, igualdade social, politiza- ção. c) marginalização, industrialização, socialização. d) democracia, cidadania, desigualdade social. e) estigma, flexibilização, modernização. 13. Harriet Martineau (1802-1876) nasceu na Ingla- terra, foi autora de mais de 50 livros e tem sido chamada a “primeira socióloga mulher”. En- tre tantos feitos, foi original ao dirigir um olhar social à vida cotidiana e ao introduzir a Socio- logia na Grã-Bretanha, com a tradução do livro fundador da disciplina, a “Filosofia Positiva”, de Augusto Comte. No entanto, quando se fala sobre os fundadores da Sociologia, não é co- mum se ouvir falar em Harriet. Com base nessas informações, sobre as rela- ções de gênero e o mundo do trabalho, é cor- reto afirmar: a) A exclusão da mulher no campo do trabalho é explicada apenas por conjunturas econômicas. b) A história de Martineau se explica por uma al- ta divisão social do trabalho porque antecede a Revolução Industrial. c) O caso de Harriet exemplifica como a existên- cia de gênero pode alcançar a discriminação sexual no trabalho. d) A relação de gênero é norteada pelas diferen- ças biológicas e justifica as desigualdades e a exclusão social da mulher. e) A dificuldade encontrada pelas mulheres no mundo do trabalho reflete a sua inferioridade nesse campo social, diferente da esfera do- méstica. 14. (Unicamp 2021) Como justificar que somos uma humanidade, se mais de 70% estão total- mente alienados do mínimo exercício de ser? A modernização jogou essa gente do campo e da floresta para viver em favelas e em perife- rias, para virar mão de obra em centros urba- nos. Essas pessoas foram arrancadas de seus coletivos, de seus lugares de origem, e joga- das nesse liquidificador chamado humanida- de. Se as pessoas não tiverem vínculos pro- fundos com sua memória ancestral, com as re- ferências que dão sustentação a uma identida- de, vão ficar loucas neste mundo maluco que compartilhamos. (Adaptado de Ailton Krenak, Ideias para adiar o fim do mundo. Apple Books, 2018, p. 10.) Com base no texto e em seus conhecimentos, assinale a alternativa que apresenta correta- mente os conceitos de “alienação” e “identi- dade”, respectivamente, a) dissociação dos seres humanos de algum as- pecto essencial de sua natureza; interações coletivas construídas sobre heranças espa- ciais e temporalidades vividas. b) associação dos seres humanos com a nature- za fundamental das sociedades; enraizamen- tos em espaços e temporalidades herdados que constroem nexos coletivos. c) falta de controle sobre processos sociais ca- pitais para a vida das pessoas; apagamento dos tempos e temporalidades precedentes co- mo forma de vínculo coletivo. d) consciência e controle plenos das transforma- ções nas relações sociais; estranhamento com relação aos espaços herdados e projetos de futuro das coletividades. 15. (Unesp 2021) A classificação das raças em “superiores” e “inferiores”, recorrente des- de o século XVII, ganha uma falsa legitimida- de baseada no mito iluminista do saber cientí- fico, coincidindo com a necessária justificati- va de que a dominação e a exploração da Áfri- ca, mais do que “naturais” e inevitáveis, eram “necessárias” para desenvolver os “selva- gens” africanos, de acordo com as normas e os valores da civilização ocidental. (Leila Leite Hernandez. A África na sala de aula: visita à história contemporânea, 2005.) 80 SO C IO LO G IA 80 As teorias raciais utilizadas durante o pro- cesso de colonização da África no século XIX eram a) desdobramentos do pensamento ilustrado, que valorizava a liberdade e a igualdade social e de natureza. b) manifestações ideológicas que buscavam jus- tificar a exploração e o domínio europeus so- bre o continente africano. c) baseadas no pensamento lamarckista, que ex- plicava a transmissão genética de característi- cas fisiológicas e intelectuais adquiridas. d) validadas pela defesa darwinista do direito dos superiores se imporem aos demais seres vi- vos. e) sustentadas pelo pensamento antropológico, que tratava as diferenças culturais dos diver- sos povos como positivas e necessárias. 16. (Unicamp 2021) Estátua de Cristóvão Colombo é derrubada em protestos em Saint Paul, Minnesota, Estados Unidos. Policiais armados isolam a estátua. (Pablo Guimón, Estátuas são o novo alvo do mpovimento revisionista nos EUA, El País, 12/06/2020. A partir do registro fotográfico da derrubada da estátua de Cristóvão Colomboem Saint Paul, Minnesota, Estados Unidos, em junho de 2020, e de seus conhecimentos sobre as rela- ções entre presente e passado, assinale a al- ternativa correta. a) O progresso histórico demonstra que as está- tuas do passado perdem os seus significados no presente, justificando sua derrubada dos espaços públicos. b) As estátuas e os monumentos medeiam for- mas de lembrar o passado e de compreender o presente, e seus significados são sempre suscetíveis a disputas políticas e sociais. c) As estátuas e os monumentos testemunham modos de viver e conceber o mundo no passa- do, portanto são alheios à ideologia e às dispu- tas políticas. d) As estátuas e os monumentos do passado são veículos neutros em termos ideológicos e polí- ticos, por isso devem ser preservados e prote- gidos de vandalismo. 17. (Enem PPL 2020) As canções dos escravos tornaram-se espetáculos em eventos sociais e religiosos organizados pelos senhores e chegaram a ser cantadas e representadas, ao longo do século XIX, de forma estereotipada e depreciativa, pelos blackfaces dos Estados Unidos e Cuba, e pelos teatros de revista do Brasil. As canções escravas, sob a forma de cakewalks ou lundus, despontavam frequen- temente no promissor mercado de partituras musicais, nos salões, nos teatros e até mesmo na nascente indústria fonográfica – mas não necessariamente seus protagonistas negros. O mundo do entretenimento e dos empresá- rios musicais atlânticos produziu atraentes di- versões dançantes com base em gêneros e rit- mos identificados com a população negra das Américas. ABREU, M. O legado das canções escravas nos Estados Uni- dos e no Brasil: diálogos musicais no pós-abolição. Revista Brasileira de História, n. 69, jan.-jun. 2015. A absorção de elementos da vivência escra- va pela nascente indústria do lazer, como de- monstrada no texto, caracteriza-se como a) ação afirmativa. b) missão civilizatória. c) desobediência civil. d) apropriação cultural. e) comportamento xenofóbico. 18. (Unesp 2020) A reação diante da 1alteridade faz parte da própria natureza das sociedades. Em diferentes épocas, sociedades particula- res reagiram de formas específicas diante do contato com uma cultura diversa à sua. Um fe- nômeno, porém, caracteriza todas as socieda- des humanas: o estranhamento, que chama- mos etnocentrismo, diante de costumes de outros povos, e a avaliação de formas de vi- da distintas a partir dos elementos da sua pró- pria cultura. Assim, percebemos como o etno- centrismo se relaciona com o conceito de 2es- tereótipo. Os estereótipos são uma maneira de “biologizar” as características de um gru- po, isto é, considerá-las como fruto exclusivo da biologia, da anatomia. No interior de nossa sociedade, encontramos uma série de atitudes etnocêntricas e biologicistas. (https://gdeufabc.wordpress.com) 1alteridade: característica, estado ou qualidade de ser distinto e diferente, de ser outro. 2estereótipo: ideia ou convicção classificatória precon- cebida sobre alguém ou algo. Um exemplo de etnocentrismo incorporado a uma política estatal foi a) o movimento sionista, na Palestina. b) o apartheid, na África do Sul. c) a questão curda, na Turquia. d) a primavera árabe, na Síria. e) a balcanização, na Chechênia. 8181 SO C IO LO G IA 19. (Enem PPL 2020) Uma civilização é a entidade cultural mais ampla. As aldeias, as regiões, as etnias, as nacionalidades, os segmentos re- ligiosos, todos têm culturas distintas em di- ferentes níveis de heterogeneidade cultural. A cultura de um vilarejo no sul da Itália pode ser diferente da de um vilarejo no norte da Itá- lia, mas ambos compartilharam uma cultura italiana comum que os distingue de vilarejos alemães. As comunidades europeias, por sua vez, compartilharão aspectos culturais que as distinguem das comunidades chinesas ou hindus. HUNTINGTON, S. P. O choque de civilizações. Rio de Janeiro: Objetiva,1997. De acordo com esse entendimento, a civiliza- ção é uma construção cultural que se baseia na a) atemporalidade dos valores universais. b) globalização do mundo contemporâneo. c) fragmentação das ações políticas. d) centralização do poder estatal. e) identidade dos grupos sociais. GABARITO 1. D 2. E 3. E 4. C 5. A 6. Marx: 1; 4; 6; 7 Weber: 2; 3; 5 7. Preconceito Social; Falta de escolarida- de adequada; Falta de domínio dos códi- gos culturais utiliza- dos pelas classes so- ciais mais altas. 8. C 9. D 10. E 11. C 12. A 13. C 14. A 15. B 16. B 17. D 18. B 19. E _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 82 SO C IO LO G IA 82 _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________