Prévia do material em texto
1 TÓPICOS EM FILOSOFIA 1 Sumário NOSSA HISTÓRIA .......................................................................................... 2 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 3 O que é filosofia? ............................................................................................. 4 Origens da Filosofia ......................................................................................... 9 A Filosofia é grega ......................................................................................... 11 Sócrates ........................................................................................................ 14 Platão ............................................................................................................ 19 Aristóteles ...................................................................................................... 22 O legado da Filosofia grega para o Ocidente europeu .................................. 25 O que alguns filósofos dizem sobre O que é a Filosofia: ............................... 28 Filosofia, Sociedade e Democracia ............................................................... 37 A contribuição da filosofia para a educação .................................................. 42 Filosofia da ciência ........................................................................................ 46 A Filosofia Política. ........................................................................................ 48 A Importância da Filosofia no Mundo Atual ................................................... 50 CONCLUSÃO ................................................................................................ 52 REFERENCIAS ............................................................................................. 53 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 INTRODUÇÃO Filosofia é uma palavra grega que significa "amor à sabedoria" e consiste no estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem. Filósofo é um indivíduo que busca o conhecimento de si mesmo, sem uma visão pragmática, movido pela curiosidade e sobre os fundamentos da realidade. Além do desenvolvimento da filosofia como uma disciplina, a filosofia é intrínseca à condição humana, não é um conhecimento, mas uma atitude natural do homem em relação ao universo e seu próprio ser. A filosofia foca questões da existência humana, mas diferentemente da religião, não é baseada na revelação divina ou na fé, e sim na razão. Desta forma, a filosofia pode ser definida como a análise racional do significado da existência humana, individual e coletivamente, com base na compreensão do ser. Apesar de ter algumas semelhanças com a ciência, muitas das perguntas da filosofia não podem ser respondidas pelo empirismo experimental. A Filosofia surgiu na Grécia Antiga, por volta do século VI a.C. Naquela época, a Grécia era um centro cultural importante e recebia influências de várias partes do mundo. Assim, o pensamento crítico começou a florescer e muitos indivíduos começaram a procurar respostas fora da mitologia grega. Essa atitude de reflexão que busca o conhecimento significou o nascimento da Filosofia. Antes de surgir o termo filosofia, Heródoto já usava o verbo filosofar e Heráclito usava o substantivo filósofo. No entanto, vários autores indicam que Tales de Mileto foi o primeiro filósofo (sem se descrever como tal) e Pitágoras foi o primeiro que se classificou como filósofo ou amante da sabedoria. 4 O que é filosofia? A Filosofia lida com o conhecimento e com o pensamento de maneira abstrata, crítica e conceitual. A Filosofia é uma forma do pensamento se desdobrar sobre si mesmo. De maneira conceitual e abstrata, a Filosofia preza, muitas vezes, por um rigor metodológico parecido com o rigor científico. Outras vezes, utiliza-se de novas perspectivas próprias de cada pensador e de cada trabalho filosófico desenvolvido. É fato que a Filosofia mantém acesa a chama que aquece a busca pelo conhecimento sem, na maioria das vezes, fornecer respostas prontas e acabadas. A Filosofia é, portanto, uma atividade que problematiza, ou seja, coloca questões em jogo, respondendo a cada pergunta com uma nova pergunta – o que faz o pensamento manter-se sempre em movimento. 5 A pergunta “o que é a Filosofia?” é complexa e envolta de polêmicas. Ao longo da história universal, vários pensadores diferentes apresentaram as suas ideias sobre o que vem a ser a Filosofia, mas nunca houve um consenso estabelecido, pronto e definido sobre a sua essência. Essa seja, talvez, a maior característica da Filosofia, que, por meio do livre pensar e da crítica, permite que seja desenvolvida uma maneira autônoma de se pensar sobre diversos assuntos, impulsionando o conhecimento sempre adiante. Porém, de maneira provisória e seguindo uma convenção acadêmica, podemos dizer que a filosofia é a atividade crítica, abstrata, conceitual e problematizadora que o ser humano pode estabelecer sobre os diversos elementos do conhecimento humano e de seu meio. Na tentativa de formular uma resposta genérica que abarque o conceito de Filosofia em geral, faremos uma incursão perigosa, pois ela pode tender para um determinado ponto de vista. Por não haver um consenso do que seja a Filosofia e de como a Filosofia deve operar, muitos pensadores desenvolveram teses diferentes acerca da atividade filosófica. A Filosofia é uma área do conhecimento que coloca em questão o próprio conhecimento. Os filósofos, desde a Antiguidade, tentaram entender o mundo e tudo o que há nele, seja concreto, seja abstrato, de maneira conceitual. Perguntando pelas essências das coisas, por meio da pergunta “o que é?”, passaram a formular definições complexas e envoltas em problemas, que resultaram em um movimento de constante problematização e formulação de novas questões que rodeia as perguntas “como é?”, “por que é?”, “em que situações se aplica?”, etc. Gilles Deleuze e Félix Guattari afirmaram que “a filosofia, mais rigorosamente, é a disciplina que consiste em criar conceitos”i. Isso indica, em primeira mão, que a Filosofia é um trabalho de criação e também de recriação, renovação e atualização dos conceitos. O filósofo, na ótica dos pensadores contemporâneos citados, deve trabalhar com um “plano de imanência”, que seria um plano conceitual no qual ele pode pegar os conceitos criados por filósofos anteriores e recriá-los, atualizá-los, moldá-los novamente, criando um pensamento novo. Nessa perspectiva, a Filosofia passa a criar novossignificados para o mundo, sempre transformando a si mesma e ao meio, na medida em que permite que o pensamento nunca cesse a sua marcha. https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/filosofia/o-que-filosofia.htm#sdendnote1sym 6 A professora Marilena Chaui, da Universidade de São Paulo (USP), escreveu em seu livro Convite à Filosofiaii que esse saber tem a missão de duvidar das crenças costumeiras. Isso significa colocar em questão o senso comum. A Filosofia seria, para Chaui, aquele movimento que Sócrates iniciou na Antiguidade de olhar para dentro de si (“conhece-te a ti mesmo” são as palavras entalhadas no templo dedicado a Apolo em Atenas que tanto marcaram a trajetória de Sócrates), para então tentar entender o mundo e a verdade. Esse movimento seria percebido apenas em momentos de crise, quando a pessoa sai de sua zona de conforto e percebe a existência de uma realidade muito maior do que a que ela julgava existir. O que a filosofia estuda? Existem, hoje, os cursos de Filosofia que ensinam História da Filosofia. Os professores e filósofos em formação estudam, de início, https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/filosofia/o-que-filosofia.htm#sdendnote2sym 7 a produção intelectual de pensadores já canonizados como arautos do conhecimento por meio da história para, quem sabe, produzirem o seu próprio conhecimento. Algumas perspectivas de estudiosos da didática e da metodologia filosófica, como a de Gonzalo Armijos Paláciosiii, professor titular de Filosofia da Universidade Federal de Goiás (UFG), contrariam essa visão, conjecturando que (com base em uma frase comumente atribuída a Kant) não se deve ensinar História da Filosofia, mas filosofar. Nessa perspectiva, o aprendizado da Filosofia acontece por meio da atitude filosófica, que não é passiva, no sentido de esperar por um conhecimento, mas sim ativa, no sentido de ser a própria atividade um conhecimento. Ao longo da história, diversos pensadores apresentaram diversas visões do que é a Filosofia. Alguns disseram a respeito dessas visões próprias; outros, simplesmente, agiram de acordo com o que acreditavam. Se para Sócrates a Filosofia deveria partir do conhecimento interior para se chegar à verdade, para Aristóteles e Tomás de Aquino a Filosofia partiria do conhecimento das causas para se chegar a um conhecimento das essências. Se para Descartes a Filosofia era racionalista, devendo atuar somente no campo conceitual e abstrato do pensamento, para Hume e Bacon ela deveria partir da experiência prática. Se para Kant e Nietzsche a Filosofia é feita pelo criticismo, para Deleuze, que tem inspirações nietzschianas, a filosofia é o trabalho com os conceitos. Para a epistemologia, a Filosofia deve buscar entender como é possível o conhecimento. Para a filosofia política, o trabalho filosófico consiste em problematizar as ações humanas resultantes da vida em sociedade. Há uma variedade imensa de estudos e possibilidades de atuação para os filósofos, sendo impossível elencar, em um breve texto, todas essas possibilidades. Para que serve a Filosofia? https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/filosofia/o-que-filosofia.htm#sdendnote3sym 8 A pergunta acerca da utilidade da Filosofia gera muitas polêmicas. Muitos acusam a Filosofia de não ter utilidade alguma, pois ela não apresenta nada de concreto e útil em suas teses. Em partes, é verdade. A Filosofia não atua de maneira prática e concreta, modificando visivelmente o mundo. De tanto essa pergunta se repetir, com intenções irônicas, os estudantes de Filosofia também se habituaram a soltar uma resposta não menos irônica: “a filosofia é uma ciência com a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qualv”. Assim, partindo do ponto de vista pragmático da sociedade capitalista que afirma que algo somente tem o direito de existir se for imediatamente útil e, em todos os casos, lucrativo, então a Filosofia não tem utilidade. A Filosofia não serve para essa modificação concreta do mundo porque ela não serve a ninguém. A Filosofia, ao menos uma Filosofia autêntica, é autônoma e crítica, emancipada das amarras de qualquer norma que determine o que deve ou não ser feito, o que pode ou não ser dito. Esse foi o motivo da condenação de Sócrates pelos atenienses, que viram no pensador um perigo para a estabilidade política dos governantes. A Filosofia é aquela capaz de criar subterfúgios e caminhos para que o pensamento continue avançando, que a humanidade continue questionando-se e tentando entender o mundo e o seu próprio pensamento de maneira crítica e racional. É a Filosofia que oferece ferramentas para as ciências ao mesmo tempo em que questiona a validade das teorias científicas. É a Filosofia que oferece subsídios teóricos para a política, ao mesmo tempo em que questiona as ações políticas. É a Filosofia que estrutura a ética e o modo como o ser humano deve agir. Nesse ponto, a Filosofia tem a sua utilidade e a sua importância no mundo. É a Filosofia que tem a capacidade de derrotar a ignorância por intermédio de um pensamento livre, crítico e autônomo. https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/filosofia/o-que-filosofia.htm#sdendnote5sym 9 Origens da Filosofia A palavra filosofia A palavra filosofia é grega. É composta por duas outras: philo e sophia. Philo deriva-se de philia, que significa amizade, amor fraterno, respeito entre os iguais. Sophia quer dizer sabedoria e dela vem a palavra sophos, sábio. Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. Filósofo: o que ama a sabedoria, tem amizade pelo saber, deseja saber. Assim, filosofia indica um estado de espírito, o da pessoa que ama, isto é, deseja o conhecimento, o estima, o procura e o respeita. Atribui-se ao filósofo grego Pitágoras de Samos (que viveu no século V antes de Cristo) a invenção da palavra filosofia. Pitágoras teria afirmado que a sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas que os homens podem desejá-la ou amá- la, tornando-se filósofos. 10 Dizia Pitágoras que três tipos de pessoas compareciam aos jogos olímpicos (a festa mais importante da Grécia): as que iam para comerciar durante os jogos, ali estando apenas para servir aos seus próprios interesses e sem preocupação com as disputas e os torneios; as que iam para competir, isto é, os atletas e artistas (pois, durante os jogos também havia competições artísticas: dança, poesia, música, teatro); e as que iam para contemplar os jogos e torneios, para avaliar o desempenho e julgar o valor dos que ali se apresentavam. Esse terceiro tipo de pessoa, dizia Pitágoras, é como o filósofo. Com isso, Pitágoras queria dizer que o filósofo não é movido por interesses comerciais - não coloca o saber como propriedade sua, como uma coisa para ser comprada e vendida no mercado; também não é movido pelo desejo de competir - não faz das idéias e dos conhecimentos uma habilidade para vencer competidores ou “atletas intelectuais”; mas é movido pelo desejo de observar, contemplar, julgar e avaliar as coisas, as ações, a vida: em resumo, pelo desejo desaber. A verdade não pertence a ninguém, ela é o que buscamos e que está diante de nós para ser contemplada e vista, se tivermos olhos (do espírito) para vê -la. 11 A Filosofia é grega A Filosofia, entendida como aspiração ao conhecimento racional, lógico e sistemático da realidade natural e humana, da origem e causas do mundo e de suas transformações, da origem e causas das ações humanas e do próprio pensamento, é um fato tipicamente grego. Evidentemente, isso não quer dizer, de modo algum, que outros povos, tão antigos quanto os gregos, como os chineses, os hindus, os japoneses, os árabes, os persas, os hebreus, os africanos ou os índios da América não possuam sabedoria, pois possuíam e possuem. Também não quer dizer que todos esses povosnão tivessem desenvolvido o pensamento e formas de conhecimento da Natureza e dos seres humanos, pois desenvolveram e desenvolvem. Quando se diz que a Filosofia é um fato grego, o que se quer dizer é que ela possui certas características, apresenta certas formas de pensar e de exprimir os pensamentos, estabelece certas concepções sobre o que sejam a realidade, o 12 pensamento, a ação, as técnicas, que são completamente diferentes das características desenvolvidas por outros povos e outras culturas. Vejamos um exemplo. Os chineses desenvolveram um pensamento muito profundo sobre a existência de coisas, seres e ações contrários ou opostos, que formam a realidade. Deram às oposições o nome de dois princípios: Yin e Yang. Yin é o princípio feminino passivo na Natureza, representado pela escuridão, o frio e a umidade; Yang é o princípio masculino ativo na Natureza, representado pela luz, o calor e o seco. Os dois princípios se combinam e formam todas as coisas, que, por isso, são feitas de contrários ou de oposições. O mundo, portanto, é feito da atividade masculina e da passividade feminina. Tomemos agora um filósofo grego, por exemplo, o próprio Pitágoras. Que diz ele? Que a Natureza é feita de um sistema de relações ou de proporções matemáticas produzidas a partir da unidade (o número 1 e o ponto), da oposição entre os números pares e ímpares, e da combinação entre as superfícies e os volumes (as figuras geométricas), de tal modo que essas proporções e combinações aparecem para nossos órgãos dos sentidos sob a forma de qualidades contrárias: quente-frio, seco- úmido, áspero-liso, claro-escuro, grande-pequeno, doce-amargo, duro-mole, etc. Para Pitágoras, o pensamento alcança a realidade em sua estrutura matemática, enquanto nossos sentidos ou nossa percepção alcançam o modo como a estrutura matemática da Natureza aparece para nós, isto é, sob a forma de qualidades opostas. Qual a diferença entre o pensamento chinês e o do filósofo grego? O pensamento chinês toma duas características (masculino e feminino) existentes em alguns seres (os animais e os humanos) e considera que o Universo inteiro é feito da oposição entre qualidades atribuídas a dois sexos diferentes, de sorte que o mundo é organizado pelo princípio da sexualidade animal ou humana. O pensamento de Pitágoras apanha a Natureza numa generalidade muito mais ampla do que a sexualidade própria a alguns seres da Natureza, e faz distinção entre as qualidades sensoriais que nos aparecem e a estrutura invisível da Natureza, que, para ele, é de tipo matemático e alcançada apenas pelo intelecto, ou inteligência. 13 São diferenças desse tipo, além de muitas outras, que nos levam a dizer que existe uma sabedoria chinesa, uma sabedoria hindu, uma sabedoria dos índios, mas não há filosofia chinesa, filosofia hindu ou filosofia indígena. Em outras palavras, Filosofia é um modo de pensar e exprimir os pensamentos que surgiu especificamente com os gregos e que, por razões históricas e políticas, tornou-se, depois, o modo de pensar e de se exprimir predominante da chamada cultura européia ocidental da qual, em decorrência da colonização portuguesa do Brasil, nós também participamos. Através da Filosofia, os gregos instituíram para o Ocidente europeu as bases e os princípios fundamentais do que chamamos razão, racionalidade, ciência, ética, política, técnica, arte. Aliás, basta observarmos que palavras como lógica, técnica, ética, política, monarquia, anarquia, democracia, física, diálogo, biologia, cronologia, gênese, genealogia, cirurgia, ortopedia, pedagogia, farmácia, entre muitas outras, são palavras gregas, para percebermos a influência decisiva e predominante da Filosofia grega sobre a formação do pensamento e das instituições das sociedades européias ocidentais. É por isso que, em decorrência do predomínio da economia capitalista criada pelo Ocidente e que impõe um certo tipo de desenvolvimento das ciências e das técnicas, falamos, por exemplo, em “ocidentalização dos chineses”, “ocidentalização dos árabes”, etc. Com isso queremos significar que modos de pensar e de agir, criados no Ocidente pela Filosofia grega, foram incorporados até mesmo por culturas e sociedades muito diferentes daquela onde nasceu a Filosofia. É pelo mesmo motivo que falamos em “orientalismos” e “orientalistas” para indicar pessoas que buscam no budismo, no confucionismo, no Yin e no Yang, nos mantras, nas pirâmides, nas auras, nas pedras e cristais maneiras de pensar e de explicar a realidade, a Natureza, a vida e as ações humanas que não são próprias ou específicas do Ocidente, isto é, são diferentes do padrão de pensamento e de explicação que foram criados pelos gregos a partir do século VII antes de Cristo, época em que nasce a Filosofia. 14 Sócrates Sócrates foi um grego de origem humilde que revolucionou o pensamento ocidental de tal modo que foi condenado à morte em 399 a.C. Sócrates (470 – 399 a.C.) foi um filósofo grego que revolucionou o pensamento ocidental. Ao contrário da maioria dos filósofos antigos, que, para se dedicarem ao ócio filosófico, deveriam possuir posses para não precisarem trabalhar, Sócrates era filho de um artesão e de uma parteira, tendo exercido o ofício do pai em sua juventude e ingressado em campanhas militares em guerras. Dentre essas, a Guerra do Peloponeso, em que Sócrates lutou em destacamento em 431 a.C e em outro por volta de dez anos depois. Soldado corajoso e de grande resistência física, Sócrates obteve benefícios das características da cultura ateniense para os jovens, envolto na prática de esportes e na formação científica e política, o que conferiu ao pensador a sua personalidade questionadora. Sócrates ficou conhecido por ter iniciado um período da Filosofia Grega Antiga, o Período Socrático ou Antropológico, que teria surgido como uma nova saída em relação aos estudos dos filósofos anteriores (classificados como pré-socráticos). A filosofia passaria, a partir de então, a abordar questões essencialmente humanas, ou questões advindas das relações humanas e do convívio em sociedade, como a justiça, o bem, a moral e a verdade. Contam os seus biógrafos que, certa vez, ainda em sua juventude, Sócrates visitou o Templo de Apolo, na cidade de Atenas, onde ficou marcado pelas inscrições entalhadas no pórtico do templo: “conhece-te a ti mesmo”. Essa máxima do 15 autoconhecimento tocou o filósofo, fazendo-o perceber que qualquer conhecimento posterior do mundo requiriria, antes, um conhecimento de si mesmo. Sócrates afirmava a sua ignorância, dizendo a frase que, segundo ele mesmo, definia-o: “Só sei que nada sei.” Esse reconhecimento de sua ignorância foi uma marca fundamental para estabelecer o seu caráter questionador de sábio, pois o reconhecimento da ignorância leva à busca pelo saber, ao passo que a soberba intelectual leva à estagnação. Na mesma ocasião de visita ao templo, o jovem pensador consultou o Oráculo de Delfos, que o qualificou como o mais sábio dos homens da Grécia. Isso foi tomado por Sócrates como uma missão – levar a sua sabedoria consigo e adiante. Sócrates passou a vagar pelas ruas de Atenas conversando com as pessoas, questionando-as e ensinando-as, por meio da prática, o seu método. Hoje, não temos escritos deixados diretamente por Sócrates. O que é conhecido do filósofo são relatos de seus discípulos, principalmente Platão e também Xenofonte. Também existem relatos de seus detratores, como Aristófanes, um comediógrafo grego que satirizou a imagem de Sócrates em várias de suas peças. Para se moldar à personalidade de Sócrates e reconstruir a sua filosofia, é necessário, então, estabelecer um diálogo intelectual com aqueles que escreveram sobre ele. Método socrático Sócrates dizia-se um “parteiro de ideias”. Assim como sua mãe, que trazia bebês ao mundo,Sócrates trazia ideias, mas não dele mesmo, mas, sim, das outras pessoas, que ao conversarem com ele, passavam pelo seu método. Sua missão era, sobretudo, a missão do diálogo, que levava as pessoas à “evidência da própria ignorância: situação que, não sendo ultrapassada, prenderia a alma num estéril engano” O método socrático de trazer as ideias das pessoas consistia em dois passos: 1. Maiêutica – uma ferramenta retórica/argumentativa que consistia em sucessivas perguntas sobre a essência de algo, sobre o que é algo. 16 2. Ironia – a resposta, em tom irônico, dada ao interlocutor servia para desconsertá-lo e mostrá-lo que o conhecimento que ele julgava ter estava, na verdade, incorreto. O método socrático conferiu ao filósofo o êxito de sua missão: levar a sua sabedoria ao povo ateniense. Ele foi um dos primeiros a tornar a questão pela essência das coisas assunto filosófico e, lutando contra o relativismo sofístico, falou da necessidade de se defrontar, não com as opiniões, mas com a verdade. Sócrates e a Atenas Clássica Sócrates nasceu em uma época de ouro em Atenas, tendo vivido as heranças de Sólon e Péricles, a democracia grega e o florescimento cultural e político que tanto ficou conhecido pela posteridade. Nessa época, a atividade filosófica grega já tinha sido iniciada há alguns anos. Sofistas como Protágoras e Górgias já prestavam seus serviços aos jovens atenienses, e a política era assunto de todo cidadão grego. O sistema político permitia que todos os cidadãos pudessem legislar e participar do judiciário, como membros do júri, o que necessitava de preparo. Sócrates foi um homem que teve destaque por ter buscado esse preparo. Grande entendedor de política, de filosofia e da sociedade, o pensador beneficiou-se de cada aspecto que a cultura de sua época poderia fornecer aos cidadãos. Como soldado, também serviu com coragem ímpar as campanhas em que participou, mas a mesma coragem em campo de batalha aparecia em sua imagem na vida pessoal, o que o fez angariar algumas inimizades. “Diante de qualquer forma de governo e de qualquer autoridade constituída, Sócrates prestava primeiro obediência aos ditames de sua própria consciência” Despertando a curiosidade e a amizade dos jovens e a ira dos mais velhos, dos políticos e dos mais ricos, Sócrates foi vítima de uma perseguição política, que resultou em uma acusação, nos consequentes julgamentos e na condenação à morte. 17 Morte de Sócrates Após gerar incômodos e burburinho entre pessoas influentes em Atenas, Sócrates recebeu uma acusação que partiu, principalmente, do poeta Meleto e do político e orador Anitos. “A acusação era grave: não reconhecer os deuses do Estado, introduzir novas divindades e corromper a juventude”. Isso significava que o pensador, já passado dos setenta anos de idade, seria julgado por um júri composto por outros cidadãos da pólis, e sua pena seria definida a partir do julgamento. Os relatos do julgamento de Sócrates podem ser conferidos no diálogo de Platão Apologia de Sócrates e também em Defesa de Sócrates, do também discípulo do pensador, Xenofonte. No ano 399 a.C., o tribunal dos heliastas, constituído por cidadãos provenientes de dez tribos que compunham a população de Atenas e escolhidos, por meio da tiragem de sorte, reuniu-se com 500 ou 501 membros. Difícil tarefa aguardava os juízes: julgar Sócrates, conhecida mas controvertida figura. Cidadão admirado e enaltecido por alguns – particularmente pelos jovens -, era, entretanto, criticado e combatido por outros, que nele viam uma ameaça para as tradições da polis e um elemento pernicioso à juventude. O trecho citado acima reforça a tese de que Sócrates foi julgado e condenado por não se deixar levar pela ordem estabelecida, mas sempre questionar o conhecimento tido como correto. No tribunal em que o filósofo foi julgado, a defesa ficava por conta do réu. Ao contrário do que muitos réus faziam na época, Sócrates não lançou apelos misericordiosos, utilizando sua posição social, sua família e seus filhos como meio de comover os membros do júri. Essa prática é vista pelo Direito, hoje, como uma tática falaciosa. Trata-se do argumentum ad misericordium, ou apelo para a misericórdia, que não apresenta uma estrutura lógica argumentativa, mas tenta vencer pela emoção. Sócrates recusou tecer esse tipo de defesa por considerar que um apelo à misericórdia seria quase que uma aceitação da denúncia. Sócrates manteve-se firme em apresentar argumentos que contradissessem as falas de seus acusadores, porém essa atitude não foi suficiente para que o filósofo fosse absolvido. 18 Condenado pela maioria dos votos, cabia a Sócrates fixar a sua pena. Meleto queria a pena de morte. O exílio, que seria também um exílio político (vida que Sócrates não queria para ele), também foi cogitado. Amigos sugeriram para ele o pagamento de uma multa. Sócrates, porém, não aceitou nem o exílio e nem a multa, pois sua consciência consideraria esse ato uma espécie de aceitação da culpa, que ele julgava não carregar. Ficou definido, então, que sua pena seria a morte. Após a condenação e a sentença, Sócrates proferiu as seguintes palavras: – Cidadãos! Tanto aqueles que dentre vós induzistes as testemunhas a perjurarem, levantando falso testemunho contra mim, quanto os que vos deixastes subornar, deveis, de força, sentir-vos culpados de grande impiedade e injustiça. Mas eu, por que haveria de crer-me empequenecido se nada se comprovou do que me acoimam? Jamais ofereci sacrifícios a outras divindades [...]. Quanto aos jovens, seria corrompê-los, habituá-los à paciência e à frugalidade? Atos contra os quais a lei pronuncia a morte, como a profanação dos templos, o roubo com efração, a venda de homens livres, a traição à pátria, meus próprios acusadores não ousam dizer que os haja cometido. Surpreso pois, pergunto a mim mesmo qual o crime por que me condenais à morte. [...] Estou certo que tanto quanto o passado, me renderá o porvir o testemunho de que nunca fiz mal a ninguém, jamais tornei ninguém mais vicioso, mas servia os que comigo privavam ensinando-lhes sem retribuição tudo o que podia de bem.” Sócrates dizia que, ao conversar com as pessoas pelas ruas de Atenas, ele estava levando a sua missão, com responsabilidade, à frente – aquela missão que ele julgou ter ao conversar com o oráculo, de levar o conhecimento aos outros por ser o mais sábio homem da Grécia. A virtude, julgava Sócrates, só poderia ser obtida mediante o conhecimento verdadeiro dos conceitos e das essências, e a sua missão era mostrar às pessoas que elas poderiam obter tal conhecimento, começando por um processo de autoanálise que findaria no questionamento e no conhecimento do mundo. Por perturbar a ordem vigente, esse foi o real motivo da condenação e da sentença de Sócrates. 19 Em 399 a.C., o filósofo recebeu o cálice contendo cicuta, o veneno utilizado para sua execução. Ele mesmo bebeu o conteúdo do cálice e, poucos minutos depois, morreu. A cena da morte de Sócrates foi imortalizada pelo pintor francês Jacques-Louis David (1748 – 1825), na tela “A morte de Sócrates”, de 1787. Platão Fundador da Academia de Atenas, Platão, aluno de Sócrates e professor de Aristóteles, é um dos filósofos gregos mais conhecidos e estudados até os dias atuais, especialmente por sua obra ter sobrevivido praticamente intacta mais de 2400 anos, o que não aconteceu com a grande maioria de seus contemporâneos. 20 Estátua de Platão, em Atenas, Grécia. Foto: markara / Shutterstock.com Muito importante para a história da filosofia, Platão é responsável por termos acesso ao pensamento de diversos filósofos da Grécia antiga, como Sócrates, seu mestre, Heráclito, Parmenides e Pitágoras. Platão foi ainda o introdutor do método de diálogo em filosofia e com suaobra A República fundou a filosofia política ocidental. Os personagens dos diálogos de Platão tratam de diversos temas em praticamente todas as áreas da vida, privada ou pública, entre os principais temas encontramos, a política, arte, religião, justiça, medicina, vício e virtude, crime e castigo, sofrimento e prazer, sexualidade e a natureza humana, amor e sabedoria, entre outros. Platão foi uma dos filósofos mais conscientes do modo como a filosofia deveria ser concebida e qual deveria ser seu escopo e quais ambições poderia aspirar o filósofo. De fato, Platão pode ser considerado o inventor do tema da filosofia, aquilo de que ela de fato trata, tendo a filosofia como um rigoroso e sistemático exame dos assuntos éticos, políticos, metafísicos e epistemológicos através de um método distintivo. A Platão frequentemente se atribui uma posição filosófica que atualmente seria descrita como racionalista, parte de uma definição de raciocínio como uma operação 21 mental discursiva, pautada pela lógica, e utilizando proposições para extrair conclusões; realista, em relação à existência de universais, as formas ideais; idealista, com sua teoria das ideias, na qual a verdadeira realidade estaria no mundo das ideias, sendo acessível apenas à razão; e dualista, concepção baseada na existência de duas substâncias irredutíveis uma a outra. Embora estas posições não tenham sido completamente desenvolvidas por Platão, suas ideias iniciais inspiraram a formação destas posições filosóficas, a tal ponto que, por exemplo, o realismo, na forma apresentada acima, é hoje conhecido como "Realismo Platônico". A Teoria das Formas, também frequentemente referida como Teoria das Ideias, é um dos mais importantes desenvolvimentos filosóficos de Platão, de acordo com esta teoria, as formas abstratas, aquelas não-materiais, possuem o tipo mais elevado e fundamental de realidade, mesmo não possuindo existência física estas formas são substanciais e imutáveis. O mundo material mutável que conhecemos através da sensação teria existência secundária e dependente das formas, também chamadas "ideias". Alguns autores chamaram estas formas de "essências puras" que sustentam a existência do mundo material. Platão defendeu a existência de uma conexão metafísica, portanto abstrata, entre a maneira como procuramos ter acesso às formas, descrevendo tal procura, bem como as dificuldades inerentes a este processo, em sua Alegoria da caverna, na obra República. Autores como Stephen Körner, consideraram a adesão às ideias de Platão como uma tendência natural para os estudiosos da matemática, esta posição é evidenciada pela grande adesão de importantes nomes da matemática ao pensamento platônico, entre eles Sir Bertrand Russell, A. N. Whitehead, Gottlob Frege, Kurt Gödel, Georg Cantor, entre outros. Também na física existe uma arraigada tradição platônica, começando com Galileu Galilei e se estendendo até Werner Heisenberg, Roger Penrose, Stephen Hawking, entre outros importantes nomes da física contemporânea. Para além de sua grande relevância para a filosofia e ciência, Platão também foi importante para o processo de racionalização da fé cristã, em grande medida através de sua influência sobre o filósofo e teólogo Agostinho, um dos mais importantes da história da cristandade. 22 Aristóteles Discípulo de Platão e preceptor de Alexandre Magno, Aristóteles foi um filósofo grego do século V a.C. cujo trabalho se estende por todas as áreas da filosofia e ciência conhecidas no mundo grego, sendo ainda o autor do primeiro sistema abrangente de filosofia ocidental. Escultura de Aristóteles. Foto: MidoSemsem / Shutterstock.com Sua obra filosófica, organizada no Corpus Aristotelicum, chegou até nossos dias graças ao trabalho dos compiladores e estudiosos da era escolástica. Seguindo a ordem destas compilações, o primeiro passo no estudo da obra de Aristóteles são os trabalhos compilados sob o título Física, um compêndio de trabalhos nos quais Aristóteles estabeleceu uma interpretação sistemática da natureza e dos fenômenos físicos que permaneceu até o Iluminismo e a formulação da Mecânica Clássica. Um dos aspectos mais marcantes da Física é a introdução de um quinto elemento, o éter (aithēr), que seria uma substância de origem divina, compondo a abóbada celeste visível, planetas e estrelas. Esta hipótese influenciou diversos pensadores, mantendo-se viva até o final do século XIX. Aristóteles também explora https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2016/07/arist%C3%B3teles_202409779.jpg 23 o movimento, os fenômenos ópticos, mudança e espontaneidade e a causalidade, sugerindo que a razão de todas as coisas pode ser atribuída a quatro tipos de causas: 1. Causa material 2. Causa formal 3. Causa eficiente 4. Causa final Os estudos formais em lógica, que fazem parte da Física, foram introduzidos na estrutura da lógica formal moderna no final do século XIX. Na Metafísica, Aristóteles dedica-se ao estudo dos objetos imateriais em geral. Respondendo a muitos de seus contemporâneos e abrindo caminho para desenvolvimentos posteriores, tendo influenciado a filosofia da idade média e através desta fundado a disciplina Metafísica. Aristóteles examina os conceitos de substância e essência, concluindo que uma substância é a combinação daquilo que a compõe, a matéria, e aquilo que a distingue como tal, a forma. Desta maneira explorando também os conceitos de potencialidade e atualidade. Utilizando o exemplo de uma mesa, temos a forma atual da mesa, aquilo que a distingue enquanto tal, diferenciando-a de uma cadeira ou um banco, esta é a atualidade da mesa. Por outro lado, uma mesa pode ser construída com aço ou madeira, de tal maneira que a madeira que constitui a mesa possui tão somente o potencial para ser mesa. Este posicionamento leva Aristóteles a retomar a discussão platônica acerca da distinção entre universais e particulares. Embora concorde com seu mestre acerca da existência de formas universais, Aristóteles discorda da existência daquilo que Platão chamou de "universais não instanciados", aqueles que não possuem correlato particular. Platão defende que, embora talvez não exista um particular "bom", ainda há o universal "bom". Para Aristóteles, todos os universais são instanciados, como um particular ou como uma relação, que existe, existiu ou existirá, algo a que o universal possa ser predicado. Esta questão continua ativa na filosofia atual, 24 sendo Sir Bertrand Russell o maior critico de Aristóteles, no que concerne este ponto, no século XX. No campo da ética e moral, a obra Ética a Nicomâco, além de diversos tratados, é um marco importante no estudo e desenvolvimento da ética como disciplina filosófica. Baseada em seu pai, Nicomâco, a obra traz uma abordagem prática das virtudes como o caminho para o pleno desenvolvimento humano, do ponto de vista ético, defendendo que o objetivo é ser bom, não apenas saber o que é bom. Ainda, segundo Aristóteles, um caráter virtuoso nos aproxima da felicidade. Diversos aspectos da produção filosófica de Aristóteles continuam a ser matéria de estudo e investigação. Ainda, graças ao trabalho de Aristóteles temos acesso ao pensamento de vários filósofos pré-socráticos, cujas obras não sobreviveram até nosso tempo, mas sobreviveram o bastante para serem citadas, criticadas ou comentadas por Aristóteles. 25 O legado da Filosofia grega para o Ocidente europeu Por causa da colonização européia das Américas, nós também fazemos parte - ainda que de modo inferiorizado e colonizado - do Ocidente europeu e assim também somos herdeiros do legado que a Filosofia grega deixou para o pensamento ocidental europeu. Desse legado, podemos destacar como principais contribuições as seguintes: A idéia de que a Natureza opera obedecendo aleis e princípios necessários e universais, isto é, os mesmos em toda a parte e em todos os tempos. Assim, por exemplo, graças aos gregos, no século XVII da nossa era, o filósofo inglês Isaac Newton estabeleceu a lei da gravitação universal de todos os corpos da Natureza. A lei da gravitação afirma que todo corpo, quando sofre a ação de um outro, produz uma reação igual e contrária, que pode ser calculada 26 usando como elementos do cálculo a massa do corpo afetado, a velocidade e o tempo com que a ação e a reação se deram. Essa lei é necessária, isto é, nenhum corpo do Universo escapa dela e pode funcionar de outra maneira que não desta; e esta lei é universal, isto é, válida para todos os corpos em todos os tempos e lugares. Um outro exemplo: as leis geométricas do triângulo ou do círculo, conforme demonstraram os filósofos gregos, são universais e necessárias, isto é, seja em Tóquio em 1993, em Copenhague em 1970, em Lisboa em 1810, em São Paulo em 1792, em Moçambique em 1661, ou em Nova York em 1975, as leis do triângulo ou do círculo são necessariamente as mesmas. A idéia de que as leis necessárias e universais da Natureza podem ser plenamente conhecidas pelo nosso pensamento, isto é, não são conhecimentos misteriosos e secretos, que precisariam ser revelados por divindades, mas são conhecimentos que o pensamento humano, por sua própria força e capacidade, pode alcançar A idéia de que nosso pensamento também opera obedecendo a leis, regras e normas universais e necessárias, segundo as quais podemos distinguir o verdadeiro do falso. Em outras palavras, a idéia de que o nosso pensamento é lógico ou segue leis lógicas de funcionamento. Nosso pensamento diferencia uma afirmação de uma negação porque, na afirmação, atribuímos alguma coisa a outra coisa (quando afirmamos que “Sócrates é um ser humano”, atribuímos humanidade a Sócrates) e, na negação, retiramos alguma coisa de outra (quando dizemos “este caderno não é verde”, estamos retirando do caderno a cor verde). Nosso pensamento distingue quando uma afirmação é verdadeira ou falsa. Se alguém apresentar o seguinte raciocínio: “Todos os homens são mortais. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal ”, diremos que a afirmação “Sócrates é mortal” é verdadeira, porque foi concluída de outras afirmações que já sabemos serem verdadeiras. A idéia de que as práticas humanas, isto é, a aç ão moral, a política, as técnicas e as artes dependem da vontade livre, da deliberação e da discussão, da nossa escolha passional (ou emocional) ou racional, de 27 nossas preferências, segundo certos valores e padrões, que foram estabelecidos pelos próprios seres humanos e não por imposições misteriosas e incompreensíveis, que lhes teriam sido feitas por forças secretas, invisíveis, sejam elas divinas ou naturais, e impossíveis de serem conhecidas. A idéia de que os acontecimentos naturais e humanos são necessários, porque obedecem a leis naturais ou da natureza humana, mas também podem ser contingentes ou acidentais, quando dependem das escolhas e deliberações dos homens, em condições determinadas. Dessa forma, uma pedra cai porque seu peso, por uma lei natural, exige que ela caia natural e necessariamente; um ser humano anda porque as leis anatômicas e fisiológicas que regem o seu corpo fazem com que ele tenha os meios necessários para a locomoção. No entanto, se uma pedra, ao cair, atingir a cabeça de um passante, esse acontecimento é contingente ou acidental. Por quê? Porque, se o passante não estivesse andando por ali naquela hora, a pedra não o atingiria. Assim, a queda da pedra é necessária e o andar de um ser humano é necessário, mas que uma pedra caia sobre minha cabeça quando ando é inteiramente contingente ou acidental. Todavia, é muito diferente a situação das ações humanas. É verdade que é por uma necessidade natural ou por uma lei da Natureza que ando. Mas é por deliberação voluntária que ando para ir à escola em vez de andar para ir ao cinema, por exemplo. É verdade que é por uma lei necessária da Natureza que os corpos pesados caem, mas é por uma deliberação humana e por uma escolha voluntária que fabrico uma bomba, a coloco num avião e a faço despencar sobre Hiroshima. Um dos legados mais importantes da Filosofia grega é, portanto, essa diferença entre o necessário e o contingente, pois ela nos permite evitar o fatalismo - “tudo é necessário, temos que nos conformar e nos resignar ” -, mas também evitar a ilusão de que podemos tudo quanto quisermos, se alguma força extranatural ou sobrenatural nos ajudar, pois a Natureza segue leis necessárias que podemos conhecer e nem tudo é possível por mais que o queiramos. A idéia de que os seres humanos, por Natureza, aspiram ao conhecimento verdadeiro, à felicidade, à justiça, isto é, que os seres 28 humanos não vivem nem agem cegamente, mas criam valores pelo quais dão sentido às suas vidas e às suas ações. A Filosofia surge, portanto, quando alguns gregos, admirados e espantados com a realidade, insatisfeitos com as explicações que a tradição lhes dera, começaram a fazer perguntas e buscar respostas para elas, demonstrando que o mundo e os seres humanos, os acontecimentos e as coisas da Natureza, os acontecimentos e as ações humanas podem ser conhecidos pela razão humana, e que a própria razão é capaz de conhecer-se a si mesma. Em suma, a Filosofia surge quando se descobriu que a verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso, que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos, mas que, ao contrário, podia ser conhecida por todos, através da razão, que é a mesma em todos; quando se descobriu que tal conhecimento depende do uso correto da razão ou do pensamento e que, além da verdade poder ser conhecida por todos, podia, pelo mesmo motivo, ser ensinada ou transmitida a todos. O que alguns filósofos dizem sobre O que é a Filosofia: Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.): “A admiração sempre foi, antes como agora, a causa pela qual os homens começaram a filosofar: a princípio, surpreendiam-se com as dificuldades mais comuns; depois, avançando passo a passo, tentavam 29 explicar fenômenos maiores, como, por exemplo, as fases da lua, o curso do sol e dos astros e, finalmente, a formação do universo. Procurar uma explicação e admirar- se é reconhecer-se ignorante." Epicuro (341 a . C. - 270 a . C.): "Nunca se protele o filosofar quando se é jovem, nem o canse fazê-lo quando se é velho, pois que ninguém é jamais pouco maduro nem demasiado maduro para conquistar a saúde da alma. E quem diz que a hora de filosofar ainda não chegou ou já passou assemelha-se ao que diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz." Edmund Husserl (1859-1938): "O que pretendo sob o título de filosofia, como fim e campo de minhas elaborações, sei-o naturalmente. E contudo não o sei... Qual o pensador para quem, na sua vida de filósofo, a filosofia deixou de ser um enigma?" Friedrich Nietzsche (1844-1900): “Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre tomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes”. (Para além do bem e do mal, p. 207) Kant (1724-1804): “Não se ensina filosofia, ensina-se a filosofar”. Ludwig Wittgenstein (1889-1951): "Qual o seu objetivo em filosofia? - Mostrar à mosca a saída do vidro." Maurice Merleau-Ponty (1908-1961): "A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo." Gilles Deleuze (1925-1996) e Félix Guattari (1930-1993): "A filosofia é a artede formar, de inventar, de fabricar conceitos... O filósofo é o amigo do conceito, ele é conceito em potência... Criar conceitos sempre novos é o objeto da filosofia." Karl Jaspers (1883-1969): “As perguntas em filosofia são mais essenciais que as respostas e cada resposta transforma-se numa nova pergunta” (Introdução ao pensamento filosófico, p. 140). 30 García Morente (1886-1942): “Para abordar a filosofia, para entrar no território da filosofia, é absolutamente indispensável uma primeira disposição de ânimo. É absolutamente indispensável que o aspirante a filósofo sinta a necessidade de levar seu estudo com uma disposição infantil. (…) Aquele para quem tudo resulta muito natural, para quem tudo resulta muito fácil de entender, para quem tudo resulta muito óbvio, nunca poderá ser filósofo”. (Fundamentos de filosofia, p. 33-34) filósofos que marcaram o mundo Da medicina à moral, os filósofos têm mudado a forma como pensamos. Seu contributo para o mundo atual . 1. Platão Platão viveu na Grécia entre os anos de 427 e 347 a.C. Discípulo de Sócrates, outro filósofo famoso, Platão teve grande influência no mundo ocidental. Ele escreveu sobre vários assuntos, como a natureza da realidade e dos valores morais. A expressão “amor platônico” vem da ideia de Platão sobre um amor mais espiritual, menos centrado na sexualidade. 31 Platão fundou a Academia, uma das primeiras universidades da História! Além de filosofia, seus alunos também estudavam vários outros assuntos, como as ciências e a política. Os escritos de Platão inspiraram santo Agostinho, um dos pensadores mais importantes do Cristianismo. Por causa disso, as ideias de Platão marcaram muito a Europa na Idade Média. 2. Aristóteles Aristóteles foi o aluno mais famoso de Platão na Academia. Ele viveu entre 384 e 322 a.C. a foi o professor de Alexandre o Grande, um dos maiores imperadores da História. Seu legado no pensamento científico foi enorme. Ao contrário de Platão, Aristóteles estudou principalmente o mundo físico. Ele foi um dos primeiros cientistas, fazendo várias observações sobre biologia e medicina. Também desenvolveu a famosa lógica aristotélica, que ajuda a distinguir entre bons e maus argumentos. 32 3. Sun Tzu Imagem de: 663highland O general Sun Tzu era um militar chinês que viveu por volta do século VI a.C. Ele ficou conhecido por causa de seu livro A Arte da Guerra, que explica como vencer na guerra (e na vida). Muito mais que estratégia militar, Sun Tzu criou toda uma filosofia de vida nesse livro. Ainda hoje o livro de Sun Tzu é estudado por militares no mundo inteiro. A Arte da Guerra também influenciou vários empresários e líderes mundiais. Seu legado tem mudado o rumo de guerras e até de países inteiros! 33 4. Immanuel Kant Kant foi um grande filósofo alemão do século XVIII que influenciou muito do pensamento ocidental moderno. Ele questionou os limites do conhecimento humano e estudou a forma como a mente funciona. Kant também sugeriu que uma ação não é boa se o motivo não é bom. As ideias de Kant mudaram a atenção da filosofia ocidental. Desde então, a filosofia tem sido muito mais centrada na experiência humana e como isso afeta nossa percepção da realidade. 34 5. René Descartes Descartes era um filósofo francês que viveu entre 1596 e 1650. Ele foi mais longe que muitos filósofos e duvidou de tudo, até de sua própria existência! Descartes procurou uma base sólida para tudo em que acreditava. Foi assim que ele chegou à conclusão: “penso, logo existo”. A filosofia de Descartes de questionar tudo e de procurar certezas mudou a forma como os filósofos encaravam o conhecimento. Em vez de aceitar algumas verdades como inquestionáveis, os filósofos passaram a fazer mais perguntas, até sobre coisas que pareciam óbvias. 35 6. Confúcio Confúcio foi um político e filósofo chinês da mesma época que Sun Tzu. Sua filosofia influenciou muito da cultura chinesa e asiática ao longo dos séculos. Suas ideias até se tornaram a base para uma religião – o Confucionismo! Confúcio se preocupava principalmente com a forma como se deve viver. Ele ensinou muitas lições de moral e acreditava que o melhor tipo de liderança era pelo exemplo. Confúcio foi um dos primeiros defensores do lema “não faça aos outros o que você não quer que façam a si”. 36 7. Montesquieu O barão de Montesquieu foi um advogado francês muito interessado em política, que viveu entre 1689 e 1755. Ele estudou sistemas políticos e procurou entender como se formavam. Ele também se interessou pela forma como uma sociedade se organiza. O grande contributo de Montesquieu para o mundo foi a ideia da separação entre poderes. Ele acreditava que ninguém deveria ter todo poder em um país, porque isso levava a abusos. Os poderes legislativo, executivo e judicial deveriam todos ser controlados por pessoas diferentes e prestar contas uns aos outros. 37 Filosofia, Sociedade e Democracia O homem é um ser que vive e se realiza através da sociedade, mas sofre com as inúmeras consequências decorrentes da mudança do/no tempo. E uma das formas de conhecimento mais antiga através da qual o homem busca explicações para a realidade social em que vive é através do conhecimento filosófico. A despeito disto, muitos não conseguem ver a importância da filosofia. Acham que ela é inútil e não serve para nada. Não conseguem enxergar como a filosofia procura contribuir não só com o conhecimento da ciência, mas sobretudo o ensino moral, ético e social. Neste sentido podemos dizer que a Filosofia é a arte do bem viver, que estuda as paixões e os vícios humanos, na qual analisa a capacidade de nossa razão, onde impõe limite e nos ensina a viver de modo honesto e justo na companhia dos outros seres humanos. Não existe uma única filosofia e não existe um único pensamento filosófico e talvez por isso muitas pessoas achem a filosofia algo complexo. Na filosofia não existe uma única definição, um único pensamento, mas pensamentos muitas vezes divergentes que discutem entre si, pensamentos críticos e https://www.sabedoriapolitica.com.br/images/200001354-2601326fab/Filosofia Pol%C3%ADtica.PNG 38 contestatórios fazendo com que os filósofos cheguem a conclusões muitas vezes opostas uns dos outros. Mas como sempre precisamos de uma definição, vamos utilizar algumas ideias para melhor entender a filosofia. De acordo com Chauí (2012, p. 29): a filosofia surgiu quando alguns pensadores gregos se deram conta de que a verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso, que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos, mas que, ao contrário, podia ser conhecida por todos através das operações mentais de raciocínio. E Jaspers (1992, p.138) diz que: “A filosofia entrevê os critérios últimos, a abóbada celeste das possibilidades e procura, à luz do aparentemente impossível, a vida pela qual o homem poderá enobrecer-se em sua existência empírica”. Além disso, a filosofia é compreendida como um das mais importantes contribuições da civilização grega. Uma forma racional de compreensão do real a partir da qual decorre uma forma de agir, como defende uma boa parte dos filósofos, entre eles Platão e Karl Marx por exemplo. O primeiro quando afirma que (...) Deve-se considerar que nenhum de nós nasceu para si mesmo; a pátria reclama uma boa porção de nossa vida; outra os parentes; outra ainda, os amigos (...) Quando a pátria manda que nos ocupemos com seus assuntos, não ficaria fazer- nos de desentendidos? Desse modo só facilitaríamos o acesso de gente desqualificada, que não se aproxima dos negócios públicos com boas intenções (CARTA IX – 358 a).E Karl Marx, quando critica os próprios filósofos, por achar que estes apenas interpretavam o mundo e o que importava era transformá-lo. Partindo destes princípios podemos dizer então que ao compreender esse mundo real sentimos a necessidade de promover mudanças, a não ser que estejamos satisfeitos com as formas de relações sociais existentes. Mas se nos sentimos insatisfeitos devemos mudar. Por isso que a compreensão filosófica do real necessariamente implica numa forma de agir e não apenas de pensar ou teorizar essa realidade social. Ao refletir sobre os diferentes aspectos da realidade social, a filosofia nos convida a sermos protagonistas desta mesma realidade. 39 A sociedade impõe a existência de relações de poder, formas de organização política, abusos de autoridade, opressão das massas em torno das quais não podemos permanecer passivos e acomodados. É fácil perceber a importância da filosofia ao analisar questões sociais se tomarmos, por exemplo, o conceito de cidadania do filósofo grego Aristóteles e que pode trazer contribuições importantes para a nossa época atual, segundo o qual um cidadão, para ser considerado como tal, deveria participar diretamente da coisa pública. Não bastava morar na cidade, ou ser descendente de cidadãos. Para ser cidadão impõe-se “tomar parte na administração da justiça e fazer parte na assembleia que legisla e governa a cidade” (REALE, 2007, p. 130). Em uma sociedade globalizada como a nossa que se caracteriza pelos conflitos e contradições, é importante pensar num indivíduo envolvido nas mais diferentes questões sociais e políticas e para tal os filósofos em suas mais diferentes épocas tem importantes ideias para contribuir com o nosso engajamento político, como Maquiavel, Hobbes, Rousseau, Habermas e muitos outros. Maquiavel foi o primeiro defensor da autonomia da esfera política, sobretudo em relação a moral e a religião. O realismo político de Maquiavel (que procurava a verdade efetiva das coisas ao contrário das utopias sociais) está ligado a um pessimismo antropológico sobre a visão de uma natureza humana corrupta. Por isso, Maquiavel entende que o bom governante, forçado pela necessidade, deve saber usar a violência visando o bem coletivo. Para Maquiavel os homens sempre agiram pelas formas de violência e da corrupção, concluindo que o homem é capaz de tudo. Thomas Hobbes, que também tem uma visão pessimista da natureza humana, analisa o surgimento do Estado e da Socidade como uma forma necessária de controlar a violência dos homens entre si e garantir a preservação da vida humana. Como Maquiavel, também não confia nos homens, considerando-o antissocial por natureza, nos quais predominam interesses egoístas, onde o homem se torna um lobo para o próprio homem. Ele afirmava que o estado natural do homem é de agressividade, ou seja de “guerra de todos contra todos”. Sendo assim, o homem age movido por paixões e desejos e não hesitará em tirar do outro algum objeto de desejo que esteja em suas mãos, inclusive a própria vida. Entre os mais diferentes temas que envolvem as relações de poder e organização política, globalização, opressão, e muitos outros, a ideia 40 de Democracia é algo que deve ser levado em consideração, já que vivemos em um Estado Democrático de Direito e os filósofos também procuraram das suas contribuições ao analisar a ideia de que como a soberania de um Estado deve estar nas mãos do povo. Nesse aspecto ganham importância os filósofos Jean-Jacques Rousseau e Habermas. O primeiro como um teórico do iluminismo francês e defensor da soberania popular e o segundo idealizador da Teoria do Agir Comunicativo, cuja teoria pretende aplicar nas sociedades democráticas, caracterizadas por uma esfera pública denominada pelo discurso e pela argumentação de interesse coletivo, propondo uma participação igualitária de todos os cidadãos nas discussões em torno da coisa pública. Desta análise decorre a ideia de uma Democracia Deliberativa que tem como objetivo promover a legitimidade das decisões coletivas, encorajando a população a participar dos assuntos públicos. Habermas e Jean-Jacques Rousseau através de suas teorias defendiam que a democracia ideal é aquela em que os cidadãos têm livre arbítrio para escolherem o que será melhor para a sociedade, tendo uma postura ativa em todas as decisões. Rousseau fala sobre uma Democracia onde a soberania deve ser do povo, o povo deve exercer diretamente essa soberania na esfera Legislativa, onde ela não pode ser Representativa, no entanto essa soberania seria limitada a uma esfera, sendo o Poder Executivo sujeito a Representatividade. Segundo ele cabia ao povo criar as leis que os próprios deveriam obedecer. Em contrapartida Habermas foi mais além e defendia um modelo de Democracia Deliberativa, onde povo deveria participar na esfera Legislativa e Executiva; na criação de leis e na formulação e implementação de Políticas Públicas. Ao destacar as ideias de filósofos, de épocas distintas e realidades bem díspares, fica evidente o que dissemos mais acima, que não existe uma única filosofia e nem mesmo um único pensamento filosófico. Na filosofia não existe uma única definição, um único pensamento, mas diferentes formas de pensamentos e de interpretar o mundo e a realidade social. Mas a despeito de tantos pensamentos divergentes, será que a filosofia tem algo a contribuir para pensar a nossa realidade local? 41 No Brasil o caminho foi conturbado para que se chegasse a uma Democracia, principalmente durante o golpe militar e os anos que sucederam a ditadura, que privava os cidadãos de qualquer direito como a liberdade e o direto de voto livre. Muitas vidas foram ceifadas para que se atingisse um Estado Democrático. Mesmo passado 30 anos de tal conquista, a insatisfação está presente nos olhares dos cidadãos com atual modelo de democracia onde os políticos eleitos pelo povo não estão correspondendo à altura e confiança que lhe foram depositadas, isso vem causando atritos constantes gerando insatisfações, e tal insatisfação decorre devido a perda de noção do compromisso social da classe política com a sociedade. Além disso fatores históricos fazem com que os brasileiros não se vejam como cidadãos responsáveis pelo governo do país, colocando-se em uma posição passiva na maior parte do tempo. É lamentável ver uma grande maioria da população se alienar, aceitar e até se enganar com propostas, programas e projetos elaborados em períodos eleitorais, elas que muitas vezes por falta de conhecimento e se sentirem dependentes destes, acabam colocando toda uma nação em mãos de pessoas totalmente sem conhecimento, que se sustentam no poder na base da mentira enganação ao passar palavras de igualdade, mudanças positivas, justiça. Dizer que vivemos em um país que exerce o poder Democrático, que há liberdade de expressão, que é livre de distinções ou privilégio de classes, não passa de hipocrisia, ilusão por ainda acreditar nesse modelo de governo mesmo diante dos fatos explícitos e absurdos. Uma democracia deve visar o bem em comum, mas estamos muito longe de ver na realidade prática esse ideal teórico. A sociedade em geral, homens, mulheres, crianças, têm que estar ligado a política de uma forma Participativa, entrando sempre em consenso ou não diante das questões sociais, saber decidir quem melhor irá administrar o exercício público, deixar de só balançar a cabeça mencionando o positivo, deve-se principalmente colocar em práxis a comunicação, debater, questionar, reivindicar, protestar, aliás, não estamos condenados a continuar presenciando absurdos, criança matando, roubando, usando drogas, vendo a violação de leis e direitos, altos impostos, corrupçãosem punição, a humanidade se destruindo e ficarmos de braços cruzados. 42 Enfim, há uma multiplicidade de fatos e atos desconexos, que se entrelaçam no interior da sociedade, constituindo o elemento mais complexo que se pode imaginar: o homem contemporâneo, por excelência, um ser social, que diante da sua realidade vê nascer seus problemas. A Filosofia desempenha um papel relevante na vida do homem, buscando soluções para seus principais problemas, que versam sobre a moral, e a reorganização da sociedade e dentre outros. Sendo assim, continua disponível para dar a sua contribuição. Mostrar ao homem que ele não é meramente um produto do meio, que sofre com as interferências das pessoas e reage como tal. O homem, por sua vez, transforma a sociedade. Então o discurso filosófico aparece para desenvolver o pensamento crítico, buscando refletir sobre as inúmeras práticas sociais, dentro da realidade na qual nos encontramos. Portanto, a filosofia tem um papel relevante em uma sociedade democrática, estimulando o debate, a análise crítica das estruturas sociais, o diálogo como forma de interação social e, sobretudo, estimulando homens e mulheres a transformar a realidade na qual estamos inseridos. A contribuição da filosofia para a educação A Filosofia é de grande interesse de várias áreas de estudos, entre elas a Pedagogia, a lingüística, a psicologia entre outras, no entanto, ainda para muitos 43 alunos e para alguns profissionais destas áreas ela parece tão distante e complicada, deixando grandes dúvidas sobre sua importância para estas áreas. Na pedagogia que tem como objeto a educação a filosofia tem grande valor, e é nesta perspectiva que este trabalho irá direcionar seu olhar. Ao fazer a leitura do artigo de Severino (1990), percebe-se que a filosofia e a educação são interligadas desde suas origens, e a ligação entre as duas é de extrema importância no momento de se refletir sobre a educação, mesmo que, a essa relação hoje seja vista de forma deturpada e separada, ou seja, elas vistas desvinculadas uma da outra o que tem dificultado muitos estudos nesta área. Pois se sabe que muitos dos problemas que se tem hoje no campo educacional, só podem ser resolvidos com abordagens filosóficos. Um dos "eixos" da filosofia e a Filosofia da Educação, o qual tentaremos trazer à luz neste trabalho. Desde o século VI a. C., quando ocorreu o surgimento da Filosofia, ela foi posta como uma nova ordem de pensamento. No entanto, não podemos afirmar que o fato de ser uma nova ordem de pensamento seja suficiente para definir a filosofia. Nela, há liberdade de pensamento, portanto, se torna uma tarefa impossível encontrar uma definição pronta. Encontraremos, sim, uma constante busca pelo aprender a filosofar. Como diz o grande filósofo alemão Emmanuel Kant, "Não há filosofia que se possa aprender; só se aprende a filosofar." PILETTI(1991), . Nesse sentido, é importante saber a o sentido etimológico da palavra Filosofia, que vem do grego philosophein, que em sua estrutura verbal significa amar a sabedoria, entendida como reflexão do homem acerca da vida e do mundo. Assim, entendemos que a filosofia não é a sofia mesma, ciência e sabedoria ao mesmo tempo, e sim, o desejo, a procura por essa sofia. Desse modo, PILETTI (1991) relata: A essência da Filosofia é a procura do saber e não sua posse. Se [...] é procura e não posse, podemos dizer que o trabalho filosófico é um trabalho de reflexão. A palavra reflexão vem do verbo latino reflectere, que significa voltar atrás. Filosofar, portanto, significa retomar, reconsiderar os dados disponíveis, revisar, examinar detidamente, prestar atenção e analisar com cuidado. Com efeito, entendemos que a filosofia é o meio pelo qual o homem se torna crítico, pois, é a partir do momento em que passa a pensar, refletir, analisar os 44 conceitos da sociedade, que se vê como um membro com possibilidade de viver e de alterar o funcionamento desta. E, é somente assim que conseguimos expor idéias novas e interagir sobre o meio em que vivemos. Por conseguinte, não aceitamos exclusiva e unicamente o que nos é posto como certo a ser seguido. Sendo assim, quando começamos então, a filosofar, começamos também a ponderar a cotidianidade dos seres humanos. Para reforçar o exposto acima, informa LUCKESI (1990, p.22): Filosofia é um corpo de conhecimento, constituído a partir de um esforço que o ser humano vem fazendo de compreender o seu mundo e dar-lhe um sentido, um significado compreensivo. Corpo de conhecimentos, em Filosofia, significa um conjunto coerente e organizado de entendimentos sobre a realidade. [...] Desse modo, a filosofia é corpo de entendimentos que compreende e direciona a existência humana em suas mais variadas dimensões. A relação da filosofia com a educação existe desde o mundo grego. Os filósofos gregos, em busca da virtude humana, foram os que deram início às discussões sobre a filosofia da educação e seu sentido no mundo. Pode-se dizer que a filosofia da educação surgiu do forte vínculo entre a filosofia e a pedagogia estabelecido no decorrer dos anos, pois a filosofia, preocupada com as formas do conhecimento perfeito, orientou o homem segundo a razão, inferindo um pensamento pedagógico que busca a perfeição. Presente na dicotomia e na relação que parece animá-la, a filosofia da educação da segunda metade do séc. XX tematiza o contraste entre cultura científica e cultura humanística. A diversificação, bastante clara nos últimos anos, permeia de um lado a filosofia de cunho descritivo e, de outro, a filosofia de tipo histórico e ontológico. A filosofia da educação, no seu acontecer histórico, esclareceu muitas dúvidas, contribuindo para transformações qualitativas na sociedade. Torna-se importante retomar e discutir o sentido do filosofar nos cursos de formação de professores, para que os futuros profissionais da educação possam atribuir novos significados às práticas docentes. Na medida em que há uma racionalidade que não pode mais simplesmente explicitar o modelo de ensino idealizado ou lógico de filosofia, introduz- se a possibilidade de reconduzir as propostas pedagógicas a partir do 45 reconhecimento intersubjetivo e hermenêutico de conjugação entre a filosofia e a prática educativa. Acredita-se que a Filosofia leva ao trabalho de pensar, refletir, raciocinar e, assim, despertar o senso crítico e, conseqüentemente, auxiliar a construir uma nova visão de sociedade, onde, pressupõe-se que a educação é a principal responsável pelas transformações da mesma. Historicamente, pode-se ver que a educação vem sofrendo modificações, as quais, por sua vez, visam torná-la mais adequada à realidade. Entretanto, a Filosofia afirma que é a partir do convívio e da ação do homem com e sobre a realidade, que ele se forma e se estrutura. Assim sendo, constata-se que o senso comum a respeito da educação é o de uma formação fragmentária, incoerente, desarticulada, enfim, totalmente desprovida de certeza. Enquanto na consciência filosófica acontece o contrário, pois, é uma concepção com total coerência, unidade e articulação. E ainda fornece à educação uma reflexão sobre a sociedade na qual está situada. Entretanto, compreende-se que a educação está aberta a questionamentos. Por isso, acredita- se que a Filosofia é uma das muitas alternativas para se tentar pensar a educação como instrumento de transformação social. Dessa forma, concorda-se com LUCKESI (1990, p.33) quando afirma que, "a reflexão filosófica sobre a educação é que dá o tom a pedagogia, garantindo-lhe a compreensão dos valores que, hoje, direcionam a prática educacional e dos valores que deverão orientá-la para o futuro". Então, se constata que a Pedagogia nada mais é do que uma concepção filosófica da Educação, a qual deve ser exercida na práxis, para obter seusmelhores resultados. 46 Filosofia da ciência Aproximando questões de metafísica, epistemologia e ontologia, quando estas tratam da relação entre ciência e verdade, a filosofia da ciência é o ramo da filosofia que trata das questões relativas a confiabilidade, previsibilidade e métodos da ciência. Questões acerca da ciência sempre estiveram presentes em filosofia, por muito tempo não houve distinção entre questões da filosofia e da ciência. No entanto, uma área da filosofia dedicada exclusivamente a compreensão das ciências só veio a surgir na metade do século XX, particularmente sob influência do positivismo lógico, que buscava desenvolver critérios para garantir o significado de afirmações filosóficas, mas também pela obra de Thomas Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas, de 1962, na qual o autor procurou apresentar uma nova visão de como se dá o progresso científico. Atualmente, existem ramos dentro da filosofia da ciência para todas as ciências existentes, desde a filosofia da física, que irá analisar, entre outros tópicos, questões relativas a natureza do espaço-tempo, até a filosofia da psicologia e ciência cognitiva. A filosofia da ciência, como área ampla, neste contexto, analisará ainda questões relativas a possibilidade de se reduzir uma ciência a outra (reducionismo), 47 a validade do raciocínio científico e mesmo questões próximas a ética, como a morte na filosofia da medicina. Os principais tópicos de investigação para a filosofia da ciência são três: 1. O que se qualifica como ciência? 2. Qual o propósito da ciência? 3. A confiabilidade das teorias científicas. O primeiro tópico, que trata do que se qualifica como ciência, é conhecido como "problema da demarcação". De acordo com Karl Popper, a qualidade fundamental da ciência é a falseabilidade. Sabemos que estamos diante de uma pseudo-ciência quando esta não comporta mecanismos para mostrar que suas teses podem ser falsas. Ainda segundo Popper, esta seria a questão primordial da filosofia da ciência. Embora muitos filósofos concordem com Popper, um consenso ainda não foi estabelecido, chegando alguns filósofos a afirmar que devemos usar o padrão Potter Stewart, segundo o qual "eu sei o que é quando vejo". Quanto ao propósito da ciência, existem duas correntes mais proeminentes, realistas e instrumentalistas. Realistas irão defender que o mundo descrito pelas ciências é o mundo real, que o objetivo último da ciência é a verdade, e defenderão que entidades inobserváveis possuem o mesmo status ontológico que as entidades observáveis. Nesta corrente encontramos nomes como Ernan McMullin e Richard Boyd. Instrumentalistas, por outro lado, defenderão que as teorias científicas são ferramentas para identificar relações entre meio e finalidade úteis e confiáveis na experiência, mas sem afirmar a revelação de entidades para além da experiência. Entre os instrumentalistas os principais nomes são Karl Popper e John Dewey. Quanto à questão da confiabilidade das teorias científicas, trata-se de investigar como e por qual razão devemos confiar em uma teoria científica. Entre as possíveis respostas encontramos a tese do poder de predição de fenômenos, segundo a qual uma teoria é confiável quando ela é eficaz em prever fenômenos que se dispõe a prever. Outra abordagem, intimamente ligada a primeira, é a de que a teoria confiável oferece uma boa explicação para os eventos que ocorrem com regularidade, ou que já ocorreram. O critério pelo qual se poderia dizer que uma teoria 48 explicou bem um evento, assim como o que significa dizer que uma teoria tem poder explicatório, ainda permanece sob discussão. Entre as questões importantes para a filosofia da ciência encontramos ainda, o reducionismo, que trata não apenas da possibilidade de se reduzir uma ciência a outra, mas também da possibilidade de reduzir todos os campos de estudo a explicações científicas; e a neutralidade politica e social da ciência. A Filosofia Política. A Filosofia é fruto da Antiguidade Clássica, foi criada pelos gregos, o primeiro povo a tentar solucionar seus próprios problemas. Os gregos refletiam sobre as inquietações de suas vidas e buscavam soluções que acreditavam ser eternas e aplicáveis a todas as sociedades. Inicialmente, a filosofia grega dedicou-se ao entendimento da natureza, seus eventos e fenômenos. Mais tarde, vieram os três grandes pilares da filosofia grega, Sócrates, Platão e Aristóteles. Eles desencadearam uma série de mudanças nas reflexões filosóficas gregas e, principalmente, colocaram o homem como ponto central de abordagem. A partir da 49 chamada filosofia socrática, tornar-se-ia central nas reflexões as questões sobre o homem e seus relacionamentos, abrindo espaço para avaliações políticas. Sócrates foi julgado e condenado à morte por ser considerado um subversor, mas deixou um grande legado reflexivo, ainda que fosse analfabeto. Seu discípulo e seguidor Platão encarregou-se de manter vivo o pensamento socrático, mas também ofereceu sua própria contribuição para a filosofia, especialmente com a obra A República, na qual discutiu as possibilidades de uma sociedade justa e ideal. No entanto, Aristóteles é que se tornaria célebre para a teoria política grega, estabelecendo o formato de democracia dos gregos. Na Grécia Antiga, o homem político era o cidadão, ou seja, aquele que podia participar das reuniões na ágora e opinar juto a seus pares por ser homem, grego e maior de 21 anos de idade. A ideia de República, criada com Platão, venceu o tempo, foi objeto de análise de Cícero, na Roma Antiga, de Maquiavel, na península itálica, e de outros filósofos e intelectuais antes e depois da Revolução Francesa. Ou seja, há mais de dois mil anos, reflexões sobre o relacionamento humano e sua forma de fazer política fazem parte de nossas vidas. O passar dos anos e o acúmulo de reflexões contribuíram para o enriquecimento do tema. No entanto, desde a Grécia Antiga os temas são praticamente os mesmos, o relacionamento humano, a participação política, a legitimação e a justificação do Estado e também do governo. Várias escolas de pensamento filosófico se seguiram, como, por exemplo, o Liberalismo e o Socialismo, que são perspectivas antagônicas e muito presentes nos debates e nos confrontos ideológicos a partir do século XIX. A Filosofia Política é indissociável de nossa condição social, através dela foram colocadas ideais e práticas sobre os limites e a organização do Estado, as relações entre sociedade e Estado, as relações entre economia e política, o poder do indivíduo, a liberdade, questões de justiça e Direto e questões sobre participação e deliberação, por exemplo. 50 A Importância da Filosofia no Mundo Atual A filosofia está sempre presente, sendo parte integrante dela, analisando profundamente o passado em sua fonte, ou descrevendo como deveria ser em seu futuro. O homem é o principal objeto da filosofia. Ignorada a sua importância, a filosofia sofre o preconceito quanto a sua utilidade e seu objetivo, sendo marginalizada dentre as demais ciências do conhecimento, pois não sendo uma ciência de exatas ou técnicas, ela é desprezada. Sua intenção é estimular consciência, o pensamento e alimentar sempre uma posição questionadora do homem, que consequentemente não é do interesse da classe dominante da sociedade, que poderá ser perigosa ter a essência da verdade á mostra. A filosofia traz ao homem o desejo do conhecimento de si próprio, faz refletir sobre a sua posição no universo, sempre buscando a verdade e almejando uma 51 utopia, está disponível para todos, mas poucos a usufruem, como é definido entre o sábio e as massas. Se o homem começa a pensar filosoficamente, teria que mudar toda a sua vida radicalmente, pois seus conceitos mudariam, entretantoo medo do novo, do desconhecido e o comodismo da vida, acostumados aos problemas sociais e econômicos do dia a dia, não o fazem buscar a filosofia, vivendo assim em uma antifilosofia. Entretanto, a antifilosofia também é um tipo de filosofia, se o homem em busca da sua verdade adota a filosofia, passará a interrogar sempre sobre tudo em seu universo, prevendo assim tendências neste mesmo universo, criando uma fusão entre a verdade atual e a revelação de seu futuro. É conveniente para o homem moderno afastar-se da filosofia, pois, em meio de uma falsa democracia a qual vivemos, além de corrupta, tem seu domínio não mãos de poucos que determinam a linha de vida política, econômica e social de muitos, objetivando só e exclusivamente o poder, ficando cegos para o que realmente acontece em seu meio. Assim, cria-se uma tranquilidade infinita, do pressuposto que o seu amanha será igual ao seu hoje, só com visões de melhoria socioeconômicas, não vendo que a nossa verdade hodierna tende a uma consequente extinção de toda a vida terrena, já que fingindo não ver, seguidas construções de maquinas para aniquilações, bombas, conflitos, poluições, armas e doenças químicas, terrorismo com atos cada dia mais hediondo, manipulação da radioatividade, violência e mortes nas cidades e estradas mundiais, alterações na natureza modificando irresponsavelmente o meio ambiente e afetando seu ciclo natural e seu equilíbrio, escassez de viveres, violência entre os semelhantes, e tudo isso se passa por despercebido como normal e cotidiano sem a preocupação de onde nos levará. Embora desprezada e vítima de preconceito, a filosofia iria abrir a mente das civilizações, não se deixando iludir por uma falsa sensação de confiança e considerar a hipótese de uma inevitável catástrofe letal, que poderá extinguir a vida na terra. 52 CONCLUSÃO A filosofia é o pensar reflexivo do homem sobre o seu cotidiano, ou seja, o homem utiliza a filosofia para compreender seus atos e seus pensamentos, não se tratando apenas de qualquer reflexão, mas a reflexão sobre o próprio pensar; pensar aquilo que já foi pensado, voltar para si mesmo e colocar em questão o que já se conhece. Baseado na importância que a filosofia tem nas nossas vidas, no nosso cotidiano e, principalmente na formação da cidadania, este trabalho mostra que a filosofia está diretamente ligada aos assuntos abordados no corpo deste: arte, cultura, filosofia, reflexão filosófica e conhecimento humano. Sendo assim, existe uma criação coletiva de ideias, símbolos e valores pelos quais uma sociedade define para si mesma: o bom e o mau, o belo e o feio, o justo e o injusto, o verdadeiro e o falso, o puro e o impuro, o possível e o impossível, o inevitável e o casual, o sagrado e o profano, o espaço e o tempo, entre outros. A Cultura se manifesta como vida social, como criação das obras de pensamento e de arte, como vida religiosa e vida política, com o modo de relacionar-se com os mais velhos e os mais jovens. Também se têm o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si mesmo. Não somos apenas seres pensantes, mais sim, seres que se relacionam com pessoas diferentes, ou seja, temos que agir de forma diferente. Fazemos sempre perguntas, como: “Por quê?!”, “O quê?!”, “Para quê?!”, para assim buscar conhecimentos mais lógicos, buscar outras respostas, tentar alcançar uma visão critica de si mesmo. Através da filosofia passamos a adquirir conhecimentos, para evitarmos erros apenas com um simples pensamento, a filosofia nos ensina como pensar e a partir daí, todos desenvolvem os conhecimentos culturais, seja através da arte, fazendo com que a nossa sensibilidade promova uma visão sobre um determinado tema, ou até mesmo propor uma reflexão, seja com uma pintura, uma música, um poema ou um livro. 53 REFERENCIAS DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O QUE É A FILOSOFIA? TRADUÇÃO DE BENTO PRADO JR. E ALBERTO ALONSO MUÑOZ. RIO DE JANEIRO: 34, 1992, P. 13. CHAUI, M. CONVITE À FILOSOFIA. SÃO PAULO: ÁTICA, 2005. PALÁCIOS, G. A. ENSINA-SE A FILOSOFAR, FILOSOFANDO. IN: PHILÓSOPHOS, VOL. 12, N. 1. GOIÂNIA: UFG, 2007, P. 79-90. REALE, G. HISTÓRIA DA FILOSOFIA ANTIGA. SÃO PAULO: LOYOLA, 1993, V. 1, P. 11. CHAUI, M. CONVITE À FILOSOFIA. SÃO PAULO: ÁTICA, 2005, P. 19. CICERONE, LE DISCUSSIONI DI TUSCOLO, 2 VOL. ZANICHELLI, BOLOGNA, 1990. GALLO, SILVIO. ÉTICA E CIDADANIA – CAMINHOS DA FILOSOFIA. SÃO PAULO: PAPIRUS, 2002. GARCIA MORENTE, MANUEL. FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA. SÃO PAULO: MESTRE JOU, 1970. JASPERS, KARL. INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO. SÃO PAULO, SP: CULTRIX. NIETZSCHE. PARA ALÉM DO BEM E DO MAL. PRELÚDIO A UMA FILOSOFIA DO FUTURO. SÃO PAULO: MARTIN CLARET, 2007. LUCKESI, CIPRIANO CARLOS. FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO. SÃO PAULO: CORTEZ, 1990. PILETTI, CLAUDINO. FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO. 3 ED. SÃO PAULO: ÁTICA, 1991. GOLDSCHMIDT, VICTOR. DIÁLOGOS DE PLATÃO (OS) LOYOLA. 2002. NOTOPOULOS, A. "THE NAME OF PLATO". CLASSICAL PHILOLOGY 34 (2): 135–145. THE UNIVERSITY OF CHICAGO PRESS. 1939. REALE, GIOVANNI. HISTÓRIA DA FILOSOFIA GREGA E ROMANA - PLATÃO LOYOLA. 2010. ARISTÓTELES, DE ANIMA. APRESENTAÇÃO, TRADUÇÃO E NOTAS DE MARIA CECÍLIA GOMES REIS. SÃO PAULO. ED. 34, 2006. 54