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<p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 1</p><p>ÉTICA E FILOSOFIA</p><p>1. Ética e cidadania.</p><p>2. Fundamentos da Filosofia.</p><p>3. Consciência crítica e filosofia.</p><p>4. Filosofia moral: Ética ou filosofia moral</p><p>5. A relação entre os valores éticos ou morais e a cultura.</p><p>6. Juízos de fato ou de realidade e juízos de valor.</p><p>7. Ética e violência.</p><p>8. Racionalismo ético.</p><p>9. Utilitarismo ético.</p><p>10. Ética e liberdade.</p><p>11. Ética aplicada (bioética, ética ambiental e ética dos negó-</p><p>cios).</p><p>1. Ética e cidadania.</p><p>O que é Ética e Cidadania:</p><p>Ética e cidadania são dois conceitos fulcrais na sociedade humana. A</p><p>ética e cidadania estão relacionados com as atitudes dos indivíduos e a</p><p>forma como estes interagem uns com os outros na sociedade.</p><p>Ética é o nome dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos mo-</p><p>rais. A palavra ética é derivada do grego, e significa aquilo que pertence ao</p><p>caráter. A palavra “ética” vem do Grego “ethos” que significa “modo de ser”</p><p>ou “caráter”.</p><p>Cidadania significa o conjunto de direitos e deveres pelo qual o cida-</p><p>dão, o indivíduo está sujeito no seu relacionamento com a sociedade em</p><p>que vive. O termo cidadania vem do latim, civitas que quer dizer “cidade”.</p><p>Um dos pressupostos da cidadania é a nacionalidade, pois desta forma</p><p>ele pode cumprir os seus direitos políticos. No Brasil os direitos políticos</p><p>são orquestrados pela Constituição Federal. O conceito de cidadania tem</p><p>se tornado mais amplo com o passar do tempo, porque está sempre em</p><p>construção, já que cada vez mais a cidadania diz respeito a um conjunto de</p><p>parâmetros sociais.</p><p>A cidadania pode ser dividida em duas categorias: cidadania formal e</p><p>substantiva. A cidadania formal é referente à nacionalidade de um indivíduo</p><p>e ao fato de pertencer a uma determinada nação. A cidadania substantiva é</p><p>de um caráter mais amplo, estando relacionada com direitos sociais, políti-</p><p>cos e civis. O sociólogo britânico T.H. Marshall afirmou que a cidadania só</p><p>é plena se for dotada de direito civil, político e social.</p><p>Com o passar dos anos, a cidadania no Brasil sofreu uma evolução no</p><p>sentido da conquista dos direitos políticos, sociais e civis. No entanto, ainda</p><p>há um longo caminho a percorrer, tendo em conta os milhões que vivem em</p><p>situação de pobreza extrema, a taxa de desemprego, um baixo nível de</p><p>alfabetização e a violência vivida na sociedade.</p><p>A ética e a moral têm uma grande influência na cidadania, pois dizem</p><p>respeito à conduta do ser humano. Um país com fortes bases éticas e</p><p>morais apresenta uma forte cidadania.</p><p>O que é Ética:</p><p>Ética é o nome dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos mo-</p><p>rais. A palavra ética é derivada do grego, e significa aquilo que pertence ao</p><p>caráter. Ética é diferente de moral, pois moral se fundamenta na obediência</p><p>a normas, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos e</p><p>a ética, busca fundamentar o modo de viver pelo pensamento humano.</p><p>Na filosofia, a ética não se resume à moral, que geralmente é entendi-</p><p>da como costume, ou hábito, mas busca a fundamentação teórica para</p><p>encontrar o melhor modo de viver; a busca do melhor estilo de vida. A ética</p><p>abrange diversos campos, como antropologia, psicologia, sociologia, eco-</p><p>nomia, pedagogia, política, e até mesmo educação física e dietética.</p><p>Num sentido menos filosófico e mais prático podemos compreender um</p><p>pouco melhor esse conceito examinando certas condutas do nosso dia a</p><p>dia, quando nos referimos por exemplo, ao comportamento de alguns</p><p>profissionais tais como um médico, jornalista, advogado, empresário, um</p><p>político e até mesmo um professor. Para estes casos, é bastante comum</p><p>ouvir expressões como: ética médica, ética jornalística, ética empresarial e</p><p>ética pública.</p><p>A ética pode ser confundida com lei, embora que, com certa frequência</p><p>a lei tenha como base princípios éticos. Porém, diferente da lei, nenhum</p><p>indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos a cum-</p><p>prir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a</p><p>estas; mas a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas pela ética.</p><p>Ética no Serviço Público</p><p>O tema da ética no serviço público está diretamente relacionada com a</p><p>conduta dos funcionários que ocupam cargos públicos. Tais indivíduos</p><p>devem agir conforme um padrão ético, exibindo valores morais como a boa</p><p>fé e outros princípios necessários para uma vida saudável no seio da</p><p>sociedade.</p><p>Quando uma pessoa é eleita para um cargo público, a sociedade de-</p><p>posita nela confiança, e espera que ela cumpra um padrão ético. Assim,</p><p>essa pessoa deve estar ao nível dessa confiança e exercer a sua função</p><p>seguindo determinados valores, princípios, ideais e regras. De igual forma,</p><p>o servidor público deve assumir o compromisso de promover a igualdade</p><p>social, de lutar para a criação de empregos, de desenvolver a cidadania e</p><p>de robustecer a democracia. Para isso ele deve estar preparado para pôr</p><p>em prática políticas que beneficiem o país e a comunidade a nível social,</p><p>econômico e político.</p><p>Um profissional que desempenha uma função pública deve ser capaz</p><p>de pensar de forma estratégica, inovar, cooperar, aprender e desaprender</p><p>quando necessário, elaborar formas mais eficazes de trabalho. Infelizmente</p><p>os casos de corrupção no âmbito do serviço público são fruto de profissio-</p><p>nais que não trabalham de forma ética.</p><p>Ética Imobiliária</p><p>A ética no ramo imobiliário diz respeito à forma como os agentes ou</p><p>corretores imobiliários interagem com os possíveis clientes.</p><p>No mercado imobiliário, um dos valores mais importantes é a credibili-</p><p>dade, que é um valor que se conquista trabalhando de forma ética. Muitos</p><p>agentes imobiliários forçam uma venda ou um imóvel, sendo que muitas</p><p>vezes escondem detalhes que sabem que irão prejudicar o cliente no</p><p>futuro. Trabalhar de forma ética é pensar no bem comum e deixar o indivi-</p><p>dualismo para trás. O profissional deve procurar a satisfação mútua das</p><p>partes. Quando um negócio é conduzido e fechado e forma ética, a proba-</p><p>bilidade da fidelização do cliente é muito maior.</p><p>O mundo imobiliário lida com mercadorias intangíveis, como a ética, o</p><p>bom senso, a criatividade, o profissionalismo, o conhecimento do produto,</p><p>etc. Desta forma, um agente imobiliário inteligente, profissional e ético atua</p><p>com justiça e decência, sabendo que o âmago da sua profissão não é lidar</p><p>com imóveis e sim construir relações saudáveis e tornar sonhos em reali-</p><p>dade.</p><p>O empresário Fábio Azevedo afirma que: "Para vender com ética, pri-</p><p>meiro, venda para você mesmo, depois compre de você mesmo, se você</p><p>ficar satisfeito, estará no caminho."</p><p>Ética a Nicômaco</p><p>O livro intitulado "Ética a Nicômaco" é da autoria de Aristóteles e foi</p><p>dedicado ao seu pai, cujo nome era Nicômaco. Esta é a principal obra de</p><p>Aristóteles sobre Ética e é constituída por dez livros, onde Aristóteles é</p><p>como um pai que está preocupado com a educação e felicidade do seu</p><p>filho, mas também tem por objetivo fazer com que as pessoas pensem</p><p>sobre as suas ações, colocando assim a razão acima das paixões, procu-</p><p>rando a felicidade individual e coletiva, porque o ser humano vive em soci-</p><p>edade e as suas atitudes devem ter em vista o bem comum. Nas obras</p><p>aristotélicas, a ética é vista como parte da política que precede a própria</p><p>política, e está relacionada com o indivíduo, enquanto que a política retrata</p><p>o homem na sua vertente social.</p><p>Para Aristóteles, toda a racionalidade prática visa um fim ou um bem e</p><p>a ética tem como propósito estabelecer a finalidade suprema que está</p><p>acima e justifica todas as outras, e qual a maneira de alcançá-la. Essa</p><p>finalidade suprema é a felicidade, e não se trata dos prazeres, riquezas,</p><p>honras, e sim de uma vida virtuosa, sendo que essa virtude se encontra</p><p>entre os extremos e só é alcançada por alguém que demonstre prudência.</p><p>APOSTILAS</p><p>levariam as sociedades</p><p>inevitavelmente à revoluçãoe ao socialismo.</p><p>No campo da ética, os filósofos ingleses Jeremy Bentham (1748-1832)</p><p>e John Stuart Mill (1806-1873) elaboram os princípios fundamentais</p><p>do utilitarismo.[63] Para eles, o valor ético não é algo intrínseco à ação</p><p>realizada; esse valor deve ser mensurado conforme as consequências da</p><p>ação, pois a ação eticamente recomendável é aquela que maximiza o bem-</p><p>estar na coletividade.</p><p>Talvez a teoria que maior impacto filosófico provocou no século XIX</p><p>não tenha sido elaborada por um filósofo. Ao propor sua teoria da evolução</p><p>das espécies porseleção natural, Charles Darwin (1809-1882) estabeleceu</p><p>as bases de uma concepção de mundo profundamente revolucionária. O</p><p>filósofo que melhor percebeu as sérias implicações da teoria de Darwin</p><p>para todos os campos de estudo foi Herbert Spencer (1820-1903). Em</p><p>várias publicações, Spencer elaborou uma filosofia evolucionista que apli-</p><p>cava os princípios da teoria da evolução aos mais variados assuntos,</p><p>especialmente à psicologia, ética e sociologia.</p><p>Também no século XIX surgem filósofos que colocam em questão a</p><p>primazia da razão e ressaltam os elementos voluntaristas e emotivos do ser</p><p>humano e de suas concepções de mundo e sociedade. Entre esses desta-</p><p>cam-se Arthur Schopenhauer (1788-1860), Søren Kierkgaard (1813-1855)</p><p>e Friedrich Nietzsche (1844-1900). Tomando como ponto de partida a</p><p>filosofia kantiana, Schopenhauer defende que o mundo dos fenômenos – o</p><p>mundo que representamos em ideias e que julgamos compreender – não</p><p>passa de uma ilusão e que a força motriz por trás de todos os nossos atos</p><p>e ideias é uma vontade cega, indomável e irracional. Kierkgaard condena</p><p>todas as grandes elaborações sistemáticas, universalizantes e abstratas da</p><p>filosofia. Considerado um precursor do existencialismo, Kierkgaard enfatiza</p><p>que as questões prementes da vida humana só podem ser superadas por</p><p>uma atitude religiosa; essa atitude, no entanto, demanda uma escolha</p><p>individual e passional contra todas as evidências, até mesmo contra a</p><p>razão.[64] Nietzsche, por sua vez, anuncia que “Deus está morto”; e decla-</p><p>ra, portanto, a falência de todas as concepções éticas, políticas e culturais</p><p>que se assentam na doutrina cristã. Em substituição aos antigos valores,</p><p>Nietzsche prescreve um projeto de vida voluntarista aos mais nobres, mais</p><p>capazes, mais criativos - em suma, àqueles em que fosse mais forte</p><p>a vontade de potência. [65]</p><p>Filosofia do século XX</p><p>No século XX, a filosofia tornou-se uma disciplina profissionalizada das</p><p>universidades, semelhante às demais disciplinas acadêmicas. Desse modo,</p><p>tornou-se também menos geral e mais especializada. Na opinião de um</p><p>proeminente filósofo: “A filosofia tem se tornado uma disciplina altamente</p><p>organizada, feita por especialistas para especialistas. O número de filósofos</p><p>cresceu exponencialmente, expandiu-se o volume de publicações e multi-</p><p>plicaram-se as subáreas de rigorosa investigação filosófica. Hoje, não só o</p><p>campo mais amplo da filosofia é demasiadamente vasto para uma única</p><p>mente, mas algo similar também é verdadeiro em muitas de suas subáreas</p><p>altamente especializadas.”[66]</p><p>Ludwig Wittgenstein, o mais importante filósofo analítico do século pas-</p><p>sado.</p><p>Nos países de língua inglesa, a filosofia analítica tornou-se a escola</p><p>dominante. Na primeira metade do século, foi uma escola coesa, fortemen-</p><p>te modelada pelo positivismo lógico, unificada pela noção de que os pro-</p><p>blemas filosóficos podem e devem ser resolvidos por análise lógica. Os</p><p>filósofos britânicos Bertrand Russell e George Edward Moore são geralmen-</p><p>te considerados os fundadores desse movimento. Ambos romperam com a</p><p>tradição idealista que predominava na Inglaterra em fins do século XIX e</p><p>buscaram um método filosófico que se afastasse das tendências espiritua-</p><p>listas e totalizantes do idealismo. Moore dedicou-se a analisar crenças</p><p>do senso comum e a justificá-las diante das críticas da filosofia acadêmica.</p><p>Russell, por sua vez, buscou reaproximar a filosofia da tradição empirista</p><p>britânica e sintonizá-la com as descobertas e avanços científicos. Ao elabo-</p><p>rar sua teoria das descrições definidas, Russell mostrou como resolver um</p><p>problema filosófico empregando os recursos da nova lógica matemática. A</p><p>partir desse novo modelo proposto por Russell, vários filósofos se conven-</p><p>ceram de que a maioria dos problemas da filosofia tradicional, se não</p><p>todos, não seriam nada mais que confusões propiciadas pelas ambiguida-</p><p>des e imprecisões da linguagem natural. Quando tratados numa linguagem</p><p>científica rigorosa, esses problemas revelar-se-iam como simples confu-</p><p>sões e mal-entendidos.</p><p>Uma postura ligeiramente diferente foi adotada por Ludwig Wittgenste-</p><p>in, discípulo de Russell. Segundo Wittgenstein, os recursos da lógica ma-</p><p>temática serviriam para revelar as formas lógicas que se escondem por trás</p><p>da linguagem comum. Para Wittgenstein, a lógica é a própria condição de</p><p>sentido de qualquer sistema linguístico.[67] Essa ideia está associada à sua</p><p>teoria pictórica do significado, segundo a qual a linguagem é capaz de</p><p>representar o mundo por ser uma figuração lógica dos estados de coisas</p><p>que compõem a realidade.</p><p>Sob a inspiração dos trabalhos de Russell e de Wittgenstein, o Círculo</p><p>de Viena passou a defender uma forma de empirismo que assimilasse os</p><p>avanços realizados nas ciências formais, especialmente na lógica. Essa</p><p>versão atualizada do empirismo tornou-se universalmente conhecida como</p><p>neopositivismo ou positivismo lógico. O Círculo de Viena consistia numa</p><p>reunião de intelectuais oriundos de diversas áreas (filosofia, física, matemá-</p><p>tica, sociologia, etc.) que tinham em comum uma profunda desconfiança</p><p>em relação a temas de teor metafísico. Para esses filósofos e cientistas,</p><p>caberia à filosofia elaborar ferramentas teóricas aptas a esclarecer os</p><p>conceitos fundamentais das ciências e revelar os pontos de contatos entre</p><p>os diversos ramos do conhecimento científico. Nessa tarefa, seria importan-</p><p>te mostrar, entre outras coisas, como enunciados altamente abstratos das</p><p>ciências poderiam ser rigorosamente reduzidos a frases sobre a nossa</p><p>experiência imediata.[68]</p><p>Fora dos países de língua inglesa, floresceram diferentes movimentos</p><p>filosóficos. Entre esses destacam-se a fenomenologia, a hermenêutica,</p><p>o existencialismo e versões modernas do marxismo. O filósofo alemão</p><p>Edmund Husserl (1859-1938) foi o fundador da fenomenologia. Para Hus-</p><p>serl, o traço fundamental dos fenômenos mentais é a intencionalidade. A</p><p>estrutura da intencionalidade é constituída por dois elemen-</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 11</p><p>tos: noesis e noema. O primeiro elemento é o ato intencional; e o segundo</p><p>é o objeto do ato intencional. A ciência da fenomenologia trata do significa-</p><p>do ou da essência dos objetos da consciência. A fim de revelar a estrutura</p><p>da consciência, o fenomenólogo deve pôr entre parêntesis a realidade</p><p>empírica. Segundo Husserl, os procedimentos fenomenológicos desvelam o</p><p>ego transcendental – que é a própria base e fonte de unidade do eu empíri-</p><p>co.[69] Coube a um dos alunos de Husserl, o filósofo alemão Martin Hei-</p><p>degger (1889-1976), construir uma filosofia que mesclasse a fenomenologi-</p><p>a, a hermenêutica e o existencialismo. O ponto de partida de Heidegger foi</p><p>a questão clássica da metafísica: "o que é o ser?". Mas, na abordagem de</p><p>Heidegger, a resposta a essa questão passa por uma análise dos modos</p><p>de ser do ser humano – que foi por ele denominado Dasein (Ser-aí).</p><p>O Daseiné o único ser que pode se admirar com a sua própria existência e</p><p>indagar o sentido de seu próprio ser. O modo de existir do Dasein está</p><p>intimamente conectado com a história e a temporalidade e, em vista disso,</p><p>questões sobre autenticidade, cuidado, angústia, finitude e morte tornam-se</p><p>temas centrais</p><p>na filosofia de Heidegger.[69]</p><p>Movimentos filosóficos da atualidade</p><p>Filosofia clínica</p><p>A filosofia clínica é um conceito filosófico voltado à "terapia da alma"</p><p>usando o potencial prático da filosofia como recurso terapêutico para indiví-</p><p>duos, organizações ou empresas através de consultas individuais, discus-</p><p>sões de grupo, seminários, palestras, viagens ou cafés filosóficos.[70]</p><p>Notas e referências</p><p>↑ a b c Teichman, J.; Evans, K. C. Philosophy: a beginner's guide. 3rd</p><p>ed. Oxford: Blackwell.</p><p>↑ Bailey, Andrew. First philosophy: values and society. Broadview</p><p>Press, 2004.ISBN 9781551116570. p. 1.</p><p>↑ Morente, M. G. Fundamentos de filosofia: lições preliminares. São</p><p>Paulo: Mestre Jou, 1980. cap. 1.</p><p>↑ Huisman, Denis & Vergez, André. Curso moderno de filosofia: intro-</p><p>dução à filosofia das ciências. Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos,</p><p>1980. p. 155-158.</p><p>↑ Versão eletrônica do diálogo platônico Teeteto. p. 16.</p><p>↑ Aristotle, Metaphysics. The Internet Classics Archive.</p><p>↑ a b c Magee, Bryan. História da Filosofia. São Paulo: Edições Loyola,</p><p>2001.pp. 7-9</p><p>↑ a b Chauí, Marilena. Convite à Filosofia. pág. 19.</p><p>↑ (em francês) R. Bödéus, "philosophía", in (dir.) Jacob,</p><p>André, Encyclopédie philosophique universelle, vol. 2: Les notions philoso-</p><p>phiqe, tome 2, Paris, PUF.</p><p>↑ (em francês) Alquié, F., Signification de la philosophie, Paris, 1971.</p><p>↑ Simmel, Georg. "On the nature of philosophy". In: A Collection of Es-</p><p>says.pág. 282.</p><p>↑ Metafísica, Livro I, capítulo 2. Na edição da coleção Os Pensado-</p><p>res de 1973 (1.ª ed.), o trecho encontra-se à pág. 213.</p><p>↑ a b c d e Ferrater-Mora, José. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Lo-</p><p>yola, 2.a ed., 2005. Tomo II. pp. 1044-1050.</p><p>↑ Lindberg, D. The beginnings of western science. Chicago: University</p><p>of Chicago Press, 2007. ISBN 9780226482057. p. 242.</p><p>↑ “Philosophia est rerum humanarum divinarumque cognitio cum studio</p><p>bene vivendi coniuncta.” Etymologiae. Tradução para o inglês: The etimolo-</p><p>gies of Isidore of Seville. Cambridge: C.U.P. p. 79.</p><p>↑ Ver, por exemplo, o aforismo III do Novum Organum: "Ciência e po-</p><p>der do homem coincidem, uma vez que, sendo a causa ignorada, frustra-se</p><p>o efeito. Pois a natureza não se vence, se não quando se lhe obedece. E o</p><p>que à contemplação apresenta-se como causa é regra na prática" (São</p><p>Paulo: Nova Cultural, 1999. Coleção "Os Pensadores").</p><p>↑ Descartes, R. Princípios da Filosofia. Lisboa: Edições 70. p. 22.</p><p>↑ Quinton, Anthonny. Filosofia.Crítica: revista de filosofia. Acesso em</p><p>26/01/2011.</p><p>↑ Prado Jr., Caio. O que é filosofia. São Paulo: Brasiliense, 1981</p><p>↑ Strawson, Peter. Filosofia como Gramática Conceptual. Acesso em</p><p>06/12/2010</p><p>↑ Russell, B. Os problemas da filosofia. Capítulo 15.</p><p>↑ Popper, K. Conjecturas e Refutações. 3a. ed. Brasilia: EdUnB, 1994.</p><p>Cap. 4, "Retorno aos Pré-Socráticos", pp. 163s.</p><p>↑ Steup, M. The Analysis of Knowledge. Stanford Encyclopedia of Phi-</p><p>losophy. Acesso em: 28/01/2011.</p><p>↑ Broad, C. D. Some Methods of Speculative Philosophy. Acesso em</p><p>28/01/2011.</p><p>↑ Blackburn, S. Pense: uma introdução à filosofia. Lisboa: Gradiva,</p><p>2001. ISBN 9789726627906. Cap. 2.</p><p>↑ Bunnin, N.; Yu, J (eds.) The Blackwell dictionary of Western philoso-</p><p>phy. Blackwell, 2004. Blackwell Reference Online. Acesso: 12 de março de</p><p>2011.</p><p>↑ a b c d e Solomon, R. C. & Higgins, K. M. The big questions: a short</p><p>introduction to philosophy. p. 7.</p><p>↑ Copi, I. M. Introdução à lógica. 2.ª ed. São Paulo: Mestre Jou, 1978.</p><p>p. 19.</p><p>↑ Coupe, Laurence. Myth. 2nd. ed. London; New York: Routledge,</p><p>2009. p. 9.ISBN 9780415442848</p><p>↑ Morgan, Katheryn. Myth and Philosophy. Cambridge: Cambridge Uni-</p><p>versity Press, 2004. p. 17. ISBN 0521621801</p><p>↑ Vernant, Jean-Pierre. Myth and Society in Ancient Greece. London:</p><p>Methuen, 1982: "o conceito de mito peculiar à antiguidade clássica tornou-</p><p>se, assim, claramente definido pela oposição entre mythos e logos, desde</p><p>então vistos como termos separados e contrastantes" (p. 187).</p><p>↑ Aristóteles. Metafísica, III, 4.</p><p>↑ Reale, Giovanni; Antiseri, Dario. História da Filosofia. São Paulo:</p><p>Paulus, 1990. ISBN 8505010760. V. 1. pp. 14-16.</p><p>↑ Reale, Giovanni; Antiseri, Dario. História da Filosofia. São Paulo:</p><p>Paulus, 1990. ISBN 8505010760. V. 1. p. 26.</p><p>↑ Bornheim, G. Os filósofos pré-socráticos. p. 13.</p><p>↑ Guerreiro, Mario A. L. Pré-socráticos: a invenção da filosofia. p. 40.</p><p>↑ Chauí, M. Introdução à história da filosofia. p. 95.</p><p>↑ Chauí, M. Introdução à história da filosofia. p. 105.</p><p>↑ Zilles, U. Teoria do conhecimento. p. 59.</p><p>↑ Stone, I. F. O julgamento de Sócrates. p. 61.</p><p>↑ Morente, Manuel García. "Lecciones Preliminares de Filosofía,"</p><p>in Obras Completas. Barcelona: Anthropos; Madrid: Fundación Caja de</p><p>Madrid, 1996. V. I. ISBN 8476584962, pp. 81-87</p><p>↑ Durant, Will. A História da Filosofia. São Paulo: Nova Cultural,</p><p>s/d. ISBN 8535106952. p. 75</p><p>↑ Reale, Giovanni. História da filosofia antiga: os sistemas da Era He-</p><p>lenística. São Paulo: Loyola, 2008. pp. 214s.</p><p>↑ Reale, Giovanni. História da filosofia antiga: os sistemas da Era He-</p><p>lenística. São Paulo: Loyola, 2008. p. 361.</p><p>↑ Cooper, D. E. Filosofias do Mundo. São Paulo: Loyola, 2002. ISBN</p><p>8515023164. p. 167.</p><p>↑ Segundo Rafael Guerrero, "houve filosofia nessa época porque hou-</p><p>ve continuidade e sobrevivência da filosofia antiga: os medievais se preo-</p><p>cuparam em assimilar, à medida que lhes foi possível, a prática e o saber</p><p>das gerações anteriores." Historia de la Filosofía Medieval. p. 10</p><p>↑ The Blackwell Dictionary of Western Philosophy. Verbete "Medieval</p><p>Philosophy": "O tema central da filosofia medieval foi a tentativa de unir a fé</p><p>à razão."</p><p>↑ Gracia, Jorge. Medieval Philosophy. In: The Blackwell Companion to</p><p>Philosophy. pp. 619s</p><p>↑ Charles Schmitt e Quentin Skinner (eds.), The Cambridge History of</p><p>Renaissance Philosophy. Cambridge University Press, 1988, p. 5, define o</p><p>período da filosofia do Renascimento como o intervalo que vai “da época de</p><p>Ockham até os trabalhos revisionistas de Bacon, Descartes e seus con-</p><p>temporâneos”.</p><p>↑ Copenhaver, B.; Schmitt, C. Renaissance Philosophy, Oxford Univer-</p><p>sity Press, 1992, p. 4: “pode-se considerar como marco da filosofia da</p><p>Renascença o amplo e acelerado interesse, estimulado por novos textos</p><p>disponíveis, por fontes primárias do pensamento grego e romano que eram</p><p>até então desconhecidos ou dos quais pouco se sabia ou pouco se havia</p><p>lido”.</p><p>↑ Gracia, Jorge. In: Bunnin, N.; Tsui-James, E.P. (eds.), The Blackwell</p><p>Companion to Philosophy, Blackwell, 2002, p. 621: "os humanistas ...</p><p>recolocaram o homem no centro das atenções e canalizaram seus esforços</p><p>no sentido de recuperar e transmitir o saber clássico, particularmente o da</p><p>filosofia de Platão.”</p><p>↑ von Fritz, Kurt; Rev. Maurer, Armand; Levi, Albert W.; Stroll, Avrum;</p><p>Wolin, Richard, «Western philosophy»(em inglês), Encyclopædia Britannica</p><p>Online</p><p>↑ Ver §4 da introdução de An essay concerning human understandig,</p><p>de John Locke; a introdução do Tratado da natureza humana, de David</p><p>Hume; e o prefácio da primeira edição da Crítica da razão pura, de Kant.</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 12</p><p>↑ Russell, Bertrand. History of Western Philosophy. London: Routledge,</p><p>2004.ISBN 9780415325059. p. 511.</p><p>↑ Descartes, R. Discurso do Método. 4ª. parte.</p><p>↑ Cottingham, J. Descartes. São Paulo: Ed. Unesp, 1999. p. 24.</p><p>↑ Magee, Bryan. História da Filosofia. São Paulo: Edições Loyola,</p><p>2001. p. 83</p><p>↑ Durant, Will. A História da Filosofia. São Paulo: Nova Cultural,</p><p>s/d. ISBN 8535106952. p. 247</p><p>↑ Solomon, R. C; Higgins, K. M. The Big Questions. pp. 135s.</p><p>↑ Cooper, D. E. Filosofias do Mundo. p. 371.</p><p>↑ Russell, B. História do Pensamento Ocidental. pp. 442s.</p><p>↑ William Outhwaite (ed.), The Blackwell dictionary of modern social</p><p>thought.p. 44.</p><p>↑ Hegenberg, L. Filosofia moral. V. 1 (Ética). Rio de Janeiro:</p><p>E-papers,</p><p>2010.ISBN 8576502607. pp. 115-22.</p><p>↑ Solomon, R. C. & Higgins, K. M. The big questions: a short introduc-</p><p>tion to philosophy. 8th ed. ISBN 9780495595151. p.66</p><p>↑ Raeper, W; Smith, L. Introdução ao estudo das ideias: religião e filo-</p><p>sofia no passado e no presente. 2ª. ed. São Paulo: Loyola, 2001. ISBN</p><p>8515015684. pp. 116-20.</p><p>↑ Soames, Scott. Philosophical analysis in the twentieth century. Prin-</p><p>ceton: Princeton University Press, 2003. V. 2. p. 463</p><p>↑ Glock, Hans-Johann. Dicionário Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge</p><p>Zahar, 1998. ISBN 8571104409. p. 237 (Verbete "Lógica").</p><p>↑ Galvão, Paulo. "Positivismo Lógico," in Branquinho, João ; Murcho,</p><p>Desidério ; Gomes, Nelson Gonçalves (Orgs.) Enciclopédia de Termos</p><p>Lógico-Filosóficos. São Paulo: Martins Fontes, 2006. pp. 577-80.</p><p>↑ a b Bunnin, N.; Yu, J (eds.) The Blackwell dictionary of Western phi-</p><p>losophy. Blackwell, 2004. Blackwell Reference Online. Acesso em</p><p>28/03/2011.</p><p>↑ A Filosofia e seus usos: crítica e acomodação (tese de doutourado de</p><p>Marli Aparecida Pechula). diaadiaeducacao.pr.gov.br (2007). Página visita-</p><p>da em 22 de abril de 2012.</p><p>Obtida de</p><p>"http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Filosofia&oldid=31600781"</p><p>3. Consciência crítica e filosofia.</p><p>Duas dimensões complementares no processo de conscientização:</p><p>- consciência de si exige reflexão. Manifesta-se através de falar, criar,</p><p>afirmar, propor, inovar.</p><p>- consciência do outro, exige atenção. Manifesta-se através de escutar,</p><p>absorver, reformular, rever, renovar.</p><p>O crescimento só da consciência do outro: alheamento. O cresci-</p><p>mento só da consciência de si: fechamento interior, isolamento.</p><p>Mito é ideia falsa, crença exagerada, algo irreral e supersticioso. Mito</p><p>num sentido antropológico são narrativas e ritos tradicionais, integrantes da</p><p>cultura de um povo.</p><p>Consciência religiosa : crença em um poder superior inteligente.</p><p>Verdades reveladas pela fé. A filosofia e a ciência se apoiam na razão.</p><p>Consciência intuitiva. A intuição é um saber imediato. Intuição sen-</p><p>sível: conhecimento imediato - leituras de mundo.</p><p>Consciência racional. Três grandes formas de compreensão do</p><p>mundo: religião, arte e filosofia. A religião apreende o mundo pela fé, a arte</p><p>pela intuição e a filosofia pelo conhecimento racional.</p><p>A filosofia desenvolveu métodos científicos baseados em experimen-</p><p>tações. É mais teórica e não condiciona o objeto de sua análise a um</p><p>laboratório de experimentações. A filosofia pretende um conhecimento que</p><p>resgate a visão de conjunto. Não busca somente a descrição objetiva da</p><p>realidade, mas avalia e questiona essa realidade.</p><p>Senso comum. o conjunto de opiniões, aceitas como verdadeiras,</p><p>mas sem uma fundamentação de sua validade, recebe o nome de senso</p><p>comum.</p><p>Algumas podem esconder ideias falsas, parciais ou preconceituosas.</p><p>O que caracteriza o senso comum é a falta de fundamentação crítica. É um</p><p>conhecimento adquirido sem uma base crítica. Em virtude da ausência da</p><p>razão crítica, o senso comum se torna terreno favorável ao desenvolvimen-</p><p>to do fenômeno da ideologia.</p><p>Ideologia. A palavra ideologia queria dizer ciência das ideias. Poste-</p><p>riormente: ideias próprias de certos grupos sociais e políticos. Por influência</p><p>de Karl Marx, a palavra ideologia adquiri significado crítico e negativo: um</p><p>conjunto de ideias que dissimulam a realidade, mostram as coisas de forma</p><p>apenas parcial, distorcida em relação ao que realmente são.</p><p>A ideologia teria funções como a de preservar a dominação de clas-</p><p>ses apresentando uma explicação apaziguadora para as diferenças sociais.</p><p>Objetivo: evitar um conflito aberto. A ideologia seria criação de conceitos e</p><p>preconceitos como instrumentos de dominação.</p><p>Para a filósofa Marilena Chauí a noção de ideologia tem os seguintes</p><p>traços: anterioridade, generalização lacuna.</p><p>Generaliza para toda a sociedade aquilo que corresponde aos inte-</p><p>resses específicos dos grupos ou classes dominantes. O 'bem de alguns"</p><p>como "bem comum".</p><p>A ideologia é uma lógica montada para ocultar, esconder, falsear.</p><p>Suas 'verdades' devem parecer naturais, plenamente justificadas, válidas</p><p>para todos os homens e para todo o sempre.</p><p>De acordo com filósofo Gyorgy Kukács a característica fundamental</p><p>da ideologia seria o fato de ela se prestar à orientação da vida prática dos</p><p>indivíduos, ou seja, de fornecer a base para a resolução dos problemas</p><p>práticos da vida em sociedade.</p><p>Razão instrumental. é um tipo de razão calculadora, que mede utili-</p><p>dades e resultados. Está voltada para ser um instrumento de poder e</p><p>dominação.</p><p>A exigência de clareza e de livre crítica é própria do percurso filosófi-</p><p>co. O homem sentia uma necessidade crescente de entender e explicar de</p><p>maneira clara, coerente e precisa. Essa busca do saber fez nascer a filoso-</p><p>fia. A palavra filosofia filos: amor; sofia: sabedoria. - 'amor à sabedoria'.</p><p>O saber filosófico designava a totalidade do conhecimento racional</p><p>desenvolvido pelo homem. Todo o conjunto dos conhecimentos racionais</p><p>integrava o universo do saber filosófico. Nos dias atuais a filosofia passou a</p><p>ter o papel, entre outros, de buscar a unidade do saber, de examinar a</p><p>validade dos métodos e critérios adotados pelas ciências. Isto é, passou a</p><p>desenvolver o trabalho de reflexão sobre os conhecimentos alcançados por</p><p>todas as ciências, além da procura de respostas, por exemplo, ao sentido e</p><p>ao valor da vida.</p><p>Para o ser humano o conhecimento não é facultativo, mas indispen-</p><p>sável, uma vez que sua sobrevivência dele depende.</p><p>Resumo ulisses</p><p>4. Filosofia moral: Ética ou filosofia moral</p><p>Filosofia Moral: Ética e Moral</p><p>A Filosofia Moral distingue entre ética e moral. Ética tem a ver com o</p><p>"bom": é o conjunto de valores que apontam qual é a vida boa na concep-</p><p>ção de um indivíduo ou de uma comunidade. Moral tem a ver com o "justo":</p><p>é o conjunto de regras que fixam condições equitativas de convivência com</p><p>respeito e liberdade. Éticas cada qual tem e vive de acordo com a sua;</p><p>moral é o que torna possível que as diversas éticas convivam entre si sem</p><p>se violarem ou se sobreporem umas às outras. Por isso mesmo, a moral</p><p>prevalece sobre a ética.</p><p>No terreno da ética estão as noções de felicidade, de caráter e de vir-</p><p>tudes. As decisões de qual propósito dá sentido à minha vida, que tipo de</p><p>pessoa eu sou e quero vir a ser e qual a melhor maneira de confrontar</p><p>situações de medo, de excassez, de solidão, de arrependimento etc. são</p><p>todas decisões éticas.</p><p>No terreno da moral estão as noções de justiça, ação, intenção, res-</p><p>ponsabilidade, respeito, limites, dever e punição. A moral tem tudo a ver</p><p>com a questão do exercício do direito de um até os limites que não violem</p><p>os direitos do outro.</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 13</p><p>As duas coisas, claro, são indispensáveis. Sem moral, a convivência é</p><p>impossível. Sem ética, é infeliz e lamentável. Diz-se que quem age moral-</p><p>mente (por exemplo, não mentindo, não roubando, não matando etc.) faz o</p><p>mínimo e não tem mérito, mas quem não age moralmente deixa de fazer o</p><p>mínimo e tem culpa (por isso pode ser punido). Por outro lado, quem age</p><p>eticamente (sendo generoso, corajoso, perseverante etc.) faz o máximo e</p><p>tem mérito, mas quem não age eticamente apenas faz menos que o máxi-</p><p>mo e deixa de ter mérito, mas sem ter culpa (por isso não pode ser punido,</p><p>mas, no máximo, lamentado).</p><p>Parte II - Escrita em 28/09/2010</p><p>A postagem "Filosofia Moral: Ética e Moral", que publiquei em 10 de</p><p>novembro de 2007, se tornou ao longo do tempo a postagem mais comen-</p><p>tada e visualizada dos 5 anos de meu blog, tendo até o momento 38 co-</p><p>mentários e mais de 9.000 visualizações. Em homenagem a essa marca,</p><p>que sem dúvida me surpreende e naturalmente me deixa muito contente,</p><p>decidi publicar uma segunda</p><p>postagem, que ao mesmo tempo prossegue,</p><p>complementa e aperfeiçoa aquela primeira. Principalmente para aqueles</p><p>que procuram aquela minha postagem atrás de leitura introdutória para</p><p>suas pesquisas penso que esta postagem complementar será muito útil.</p><p>Organizarei a postagem em tópicos, de modo a facilitar a apreensão de seu</p><p>conteúdo.</p><p>Origem dos termos "ética" e "moral"</p><p>Ética vem do grego "éthos" e moral, do latim "mos". Tanto "ethos"</p><p>quanto "mos" significam a mesma coisa: hábito, costume. Quando os</p><p>filósofos gregos quiseram cunhar um nome para a parte da filosofia que se</p><p>ocupa com as ações cotidianas do indivíduo, criaram a expressão "ethiké</p><p>epistéme", que significava "ciência dos costumes" ou, como ficou conheci-</p><p>da, "ciência ética", ou simplesmente "ética". Já quando os filósofos roma-</p><p>nos, que eram atentos leitores dos gregos, quiseram traduzir para o latim a</p><p>expressão "ethiké epistéme", tentaram encontrar um equivalente em sua</p><p>língua e cunharam "scientia moralis", que significava "ciência dos costu-</p><p>mes" ou, como ficou conhecida, "ciência moral", ou simplesmente "moral".</p><p>Assim, qualquer diferença que se possa encontrar entre "ética" e "moral"</p><p>não advém do significado original dos dois termos, pois estes, em sua</p><p>origem, eram apenas a tradução um do outro.</p><p>Há também uma versão segundo a qual "ética" não teria sua origem no</p><p>grego "éthos", escrito "έθος", com "ε" (épsilon, letra grega que soa como um</p><p>"e" curto e aberto), "costume", e sim no grego "éthos" escrito "ήθος", com</p><p>"η" (eta, letra grega que soa como um "e" longo e fechado), "habitação".</p><p>Para os que defendem essa versão, essa segunda forma de "éthos" ("ήθο-</p><p>ς", com "η") designaria um modo de ser, um caráter habitual, um conjunto</p><p>de traços e ações que constituem a identidade de quem se é, nos quais se</p><p>está à vontade, "em casa". Nesse caso, a "ethiké epistéme" significaria não</p><p>a ciência dos costumes, e sim a ciência do estar em casa, do ser si mesmo,</p><p>do encontrar-se em sua própria identidade, sem distanciar-se de si nem de</p><p>seus valores. O fato de que "ética" era escrita "ηθικά", com "η", nos trata-</p><p>dos gregos parece corroborar essa versão. Nesse caso, a tradução de</p><p>"ηθικά" por "moralis" teria sido um erro dos filósofos romanos.</p><p>2) Formas de distinção entre ética e moral</p><p>Há duas tradições de distinção entre os dois termos. Uma delas é fran-</p><p>cesa e ganhou fama no Período das Luzes, no qual a célebre "Enciclopé-</p><p>dia" de D'Alembert e Diderrot atribuiu a "moral" o sentido de conjunto de</p><p>normas e valores em que os homens de certa época e lugar acreditam e</p><p>que realizam mediante suas ações, enquanto a ética seria o conjunto de</p><p>teorias filosóficas, racionais e reflexivas, sobre as normas e os valores em</p><p>que os homens deveriam acreditar e que eles deveriam realizar em suas</p><p>ações. Nessa tradição, a moral tem a ver com as normas e valores que já</p><p>são seguidos na prática, os quais podem ser habituais, preconceituosos,</p><p>supersticiosos, cruéis e irracionais de várias maneiras. A ética, ao contrário,</p><p>é coisa dos filósofos, está no plano da teoria, da especulação, da reflexão e</p><p>argumentação racional. Em suma: A moral seria aquilo que os homens</p><p>comuns aceitam e praticam como certo e errado; a ética seria aquilo que os</p><p>filósofos pensam e propõem como certo e errado. Outra forma de dizer a</p><p>mesma coisa seria que a ética é uma reflexão sobre a moral; ou ainda que</p><p>a ética é a moral quando submetida à crítica da razão.</p><p>A segunda tradição é alemã e tem origem nas maneiras distintas como</p><p>Kant e Hegel conceberam (ou pelo menos nas maneiras distintas co-</p><p>mo geralmente se alega queeles conceberam) a reflexão sobre o bem e o</p><p>mal. Segundo geralmente se alega, Kant imaginou a moral como um con-</p><p>junto de normas ditadas pela razão, as quais seriam as mesmas para todos</p><p>os homens, em todas as épocas e lugares. Já Hegel, contrapondo-se a</p><p>Kant, chamou o que este propunha de "moralidade" e disse que ela era</p><p>demasiadamente abstrata, vazia, inflexível e incapaz de motivar o ser</p><p>humano. Em lugar da "moralidade" kantiana, Hegel propôs-se falar de uma</p><p>"eticidade", a qual seria, segundo se alega, um conjunto de crenças, valo-</p><p>res e ideais que os homens de certa época e certo lugar carregam consigo,</p><p>porque foram formados neles desde a infância e porque por meio deles se</p><p>entendem e convivem uns com os outros, formando sua identidade indivi-</p><p>dual e coletiva. Assim, "moralidade" e "eticidade" se tornam rótulos conve-</p><p>nientes para duas abordagens da ética: Uma com base em normas racio-</p><p>nais válidas para todos (moralidade, Kant) e outra com base nas convic-</p><p>ções culturais de cada povo (eticidade, Hegel). Embora essas estejam</p><p>longe de ser boas caracterizações das concepções éticas de Kant e Hegel,</p><p>é importante tê-las em vista para compreender de que modo moral e ética</p><p>vieram a significar duas diferentes abordagens das questões do que se</p><p>deve fazer.</p><p>3) Objeto da ética e da moral</p><p>A ética é uma teoria da vida boa para mim. Como assim? É uma teoria</p><p>que procura responder: De todas as coisas possíveis de serem feitas,</p><p>vivenciadas e realizadas na vida, qual delas é a que vale mais e realmente</p><p>a pena? De que modo devo viver a minha vida? Que tipo de pessoa eu sou</p><p>e que tipo de pessoa eu quero ser? O que espero ter sido e feito na vida,</p><p>quando estiver velho e olhar para ela retrospectivamente? Todas essas são</p><p>questões éticas. Responder a elas é traçar para si um propósito, um fim,</p><p>um "télos" na vida. É definir para onde se quer caminhar e como se preten-</p><p>de chegar lá. Um homem de negócios, um filantropo, um artista, um sacer-</p><p>dote, todos eles são homens que se fizeram as mesmas questões éticas</p><p>acima, mas deram a elas diferentes respostas. O que importa no fim das</p><p>contas? Ter riqueza, sucesso e poder? Dedicar-se aos outros e aliviar as</p><p>dores do mundo? Viver o prazer, o amor e a beleza? Voltar-se para Deus e</p><p>ter uma vida neste mundo como preparação para uma vida noutro mundo?</p><p>Essas são algumas das alternativas que se abrem para todo aquele que se</p><p>pergunta o que pretende fazer de sua vida.</p><p>A moral é uma teoria da convivência justa com os outros. Não tem a</p><p>ver com o que quero para mim, e sim com o respeito que devo aos outros.</p><p>Não tem a ver com os meus fins, e sim com os limites que todos temos que</p><p>respeitar, quaisquer que sejam os fins que estejamos perseguindo. A moral</p><p>responde à seguinte questão: Quais são as condições de uma convivência</p><p>pacífica, respeitosa e solidária com os demais seres humanos? Ou, o que é</p><p>o mesmo: Uma vez que todos somos livres e iguais e todos temos direito a</p><p>perseguir nossos fins éticos, mas sem prejudicar-nos ou causarmos danos</p><p>uns aos outros, quais são os atos que devo obrigatoriamente praticar e que</p><p>devo obrigatoriamente evitar? Quais são os deveres dos homens uns em</p><p>relação aos outros, quaisquer que sejam seus projetos éticos? Nesse caso,</p><p>o homem de negócios pode querer riquezas, mas não pode consegui-las à</p><p>custa de apropriação indevida dos bens dos outros. O filantropo pode</p><p>querer fazer o bem a outrem, mas não pode fazê-lo à custa de eliminar a</p><p>liberdade do outro de escolher o que é melhor para si. O artista pode querer</p><p>dedicar-se somente à beleza, mas não pode simplesmente não contribuir</p><p>para o sustento da prole que tenha ajudado a gerar. O sacerdote pode</p><p>querer dedicar-se a Deus, mas não pode fazê-lo de forma tal a desprezar</p><p>ou perseguir os homens que partilham de outras crenças ou que não ade-</p><p>rem a crença alguma. Isso é assim porque há, ao lado dos fins éticos, que</p><p>variam de pessoa para pessoa, deveres morais, que se impõem a todos</p><p>indistintamente. Danilo Cardoso</p><p>5. A relação entre os valores éticos ou morais e a cultura.</p><p>Ética - O que é?</p><p>É uma ciência prática e normativa que estuda o comportamento dos ho-</p><p>mens, que convivem socialmente sob uma série de normas que lhes permi-</p><p>tem ordenar suas ações, as quais o mesmo grupo social estabeleceu.</p><p>Estudo da Ética</p><p>Ética, do latim ethica, provém do grego "Ethikos", cujo significado é "cará-</p><p>APOSTILAS OPÇÃO</p><p>A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 14</p><p>ter". A ética tem como objeto de estudo a moral e a ação humana.</p><p>A ética estuda a moral, e determina o que é bom, e a partir deste ponto de</p><p>vista, como se deve agir. Ou seja, é a teoria ou a ciência do comportamento</p><p>moral.</p><p>A Moral</p><p>"Esse político é corrupto", "Esse homem é pouco apresentável", "Sua</p><p>presença é louvável". Nestas declarações aparecem os termos "corrupto",</p><p>"pouco apresentável" e "louvável" envolvendo avaliações de moral.</p><p>Conceito de Moral</p><p>A palavra Moral tem sua origem no termo do latim "mos, moris", cujo signifi-</p><p>cado é "costume".</p><p>Conjunto de costumes, crenças, valores e normas de uma pessoa ou grupo</p><p>social, que funciona como um guia para o trabalho, ou seja, que orienta</p><p>sobre o bem ou mal - certo ou errado - de uma ação.</p><p>Conjunto de regras e normas de ações, destinada a regular as relações dos</p><p>indivíduos em uma comunidade.</p><p>Diferenças entre Ética e Moral</p><p>Ética e moral são discutidos com igual significado. No entanto, em um nível</p><p>intelectual, enquanto que "a moral tende a ser particular, pela concretude</p><p>de seus objetos, a ética tende a ser universal, pela abstração de seus</p><p>princípios.</p><p>Ato Moral</p><p>Todo ato realizado pelo homem está sujeito a aprovação ou sanção dos</p><p>demais.</p><p>Amoral - Sem moral</p><p>Imoral - Que vai conta a moral</p><p>Os Valores</p><p>Os valores são características morais que todas as pessoas possuem, tais</p><p>como a humildade, a piedade e o respeito.</p><p>Conceito de Valor</p><p>Se considera "valor" aquelas qualidades ou características dos objetos, das</p><p>ações ou das instituições, selecionadas ou eleitas de maneira livre e cons-</p><p>ciente. Servem ao indivíduo para orientar seus comportamentos e ações,</p><p>na satisfação de determinadas necessidades.</p><p>Importância</p><p>Os valores são o que orientam a nossa conduta, com base neles decidimos</p><p>como agir diante das diferentes situações que a vida nos impõe.</p><p>Se relacionam principalmente com os efeitos que tem sobre o que fazemos</p><p>para as pessoas, para a sociedade ou em nosso ambiente geral.</p><p>Suas principais funções são:</p><p>* Motivam, impulsam a ação, dizem o quê fazer.</p><p>* Dão significado aos comportamentos e os legitimam.</p><p>* Servem como guia e orientação.</p><p>A questão dos valores, da ética e da moral, está muito vinculada com a dos</p><p>direitos e obrigações do cidadão e do ser humano em geral, por esta razão,</p><p>ensinar os valores preparará as pessoas para que suas decisões, atitudes</p><p>e ações sejam respeitosas e responsáveis, para si e para os demais.</p><p>Cultura</p><p>A cultura é o conjunto de todas as formas e expressões de uma determina-</p><p>da sociedade. Como tal, inclue costumes, práticas, códigos, normas e</p><p>regras da maneira de ser, vestimenta, religião, rituais, comportamento e</p><p>crenças. De outro ponto de vista, pode-se dizer que a cultura é toda a</p><p>informação e habilidade que possui o ser humano.</p><p>Mudança Social</p><p>Uma mudança social é uma alteração da estrutura do sistema estabelecido,</p><p>e as consequências e manifestações, dessas estruturas ligadas as normas,</p><p>aos valores e as mudanças internas e/ou externas, produto das mesmas.</p><p>Identidade</p><p>Conjunto de características próprias de um indivíduo ou de uma coletivida-</p><p>de que os caracterizam frente aos demais. Consciência individual ou coleti-</p><p>va que tem de ser ela mesma e distinta das demais.</p><p>Costume</p><p>Um costume é uma prática social enraizada. Geralmente se distingue entre</p><p>bons costumes, aqueles que contam com a aprovação social, e os maus</p><p>costumes, que são relativamente comuns, porém não possuem a aprova-</p><p>ção social, e as vezes, leis são promulgadas para tratar de modificar a</p><p>conduta.</p><p>Hábitos</p><p>O hábito é qualquer comportamento repetido regularmente, que requer um</p><p>pequeno ou nenhum raciocínio e é aprendido, ao invés de congênito.</p><p>http://oratoriaelideranca.blogspot.com.br/2010/05/etica-moral-e-valores.html</p><p>6. Juízos de fato ou de realidade e juízos de valor.</p><p>Se dissermos: “Está chovendo”, estaremos enunciando um aconteci-</p><p>mento constatado por nós e o juízo proferido é um juízo de fato. Se, po-</p><p>rém, falarmos: “A chuva é boa para as plantas” ou “A chuva é bela”, esta-</p><p>remos interpretando e avaliando o acontecimento. Nesse caso, proferimos</p><p>um juízo de valor.</p><p>Juízos de fato são aqueles que dizem o que as coisas são, como são e</p><p>por que são. Em nossa vida cotidiana, mas também na metafísica e nas</p><p>ciências, os juízos de fato estão presentes. Diferentemente deles, os juízos</p><p>de valor - avaliações sobre coisas, pessoas e situações - são proferidos na</p><p>moral, nas artes, na política, na religião.</p><p>Juízos de valor avaliam coisas, pessoas, ações, experiências, aconte-</p><p>cimentos, sentimentos, estados de espírito, intenções e decisões como</p><p>bons ou maus, desejáveis ou indesejáveis.</p><p>Os juízos éticos de valor são também normativos, isto é, enunciam</p><p>normas que determinam o dever ser de nossos sentimentos, nossos atos,</p><p>nossos comportamentos. São juízos que denunciam obrigações e avaliam</p><p>intenções e ações segundo o critério do correto e do incorreto.</p><p>Os juízos éticos de valor nos dizem o que são o bem, o mal, a felicida-</p><p>de. Os juízos éticos normativos nos dizem que sentimentos, intenções, atos</p><p>e comportamentos devemos ter ou fazer para alcançarmos o bem e a</p><p>felicidade.</p><p>Enunciam também que atos, sentimentos, intenções e comportamentos</p><p>são condenáveis ou incorretos do ponto de vista moral.</p><p>Como se pode observar, senso moral e consciência moral são insepa-</p><p>ráveis da vida cultural, uma vez que esta define para seus membros os</p><p>valores positivos e negativos que devem respeitar ou detestar.</p><p>Qual a origem da diferença entre os dois tipos de juízos? A diferença</p><p>entre a Natureza e a Cultura. A primeira, como vimos, é constituída por</p><p>estruturas e processos necessários, que existem em si e por si mesmos,</p><p>independentemente de nós: a chuva é um fenômeno meteorológico cujas</p><p>causas e cujo efeitos necessários podemos constatar e explicar. Por sua</p><p>vez, a Cultura nasce da maneira como os seres humanos interpretam a si</p><p>mesmos e suas relações com a Natureza, acrescentando-lhe sentidos</p><p>novos, intervindo nela, alterando-a através do trabalho e da técnica, dando-</p><p>lhe valores.</p><p>Dizer que a chuva é boa para as plantas pressupõe a relação cultural</p><p>dos humanos com a Natureza, através da agricultura. Considerar a chuva</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 15</p><p>bela pressupõe uma relação valorativa dos humanos com a Natureza,</p><p>percebido como objeto de contemplação.</p><p>Frequentemente, não notamos a origem cultural dos valores éticos, do</p><p>senso moral e da consciência moral, porque somos educados (cultivados)</p><p>para eles e neles, como se fossem naturais ou fáticos, existentes em si e</p><p>por si mesmos. Para garantir a manutenção dos padrões morais através do</p><p>tempo e sua continuidade de geração a geração, as sociedades tendem a</p><p>naturalizá-los. A naturalização da existência moral esconde, portanto, o</p><p>mais importante da ética: o fato de ela ser criação histórico-cultural.</p><p>http://gabrielbistafa.blogspot.com.br/</p><p>7. Ética e violência.</p><p>O homem, no decorrer da história, organizou sua vida em grupo, pas-</p><p>sando a viver em sociedade. Á partir desta organização surge comporta-</p><p>mentos socialmente estabelecidos, várias formas de relações e organiza-</p><p>ções sociais com maneiras de agir, pensar e sentir que se tornam uma</p><p>imposição obrigatória aos indivíduos.</p><p>As organizações sociais, bem como as formas de relações estabeleci-</p><p>das mudam constantemente de acordo com cada época e contextos histó-</p><p>ricos, sociais, culturais e das características específicas dos indivíduos</p><p>neles envolvidos. Essas mudanças continuas caracterizam o que chama-</p><p>mos de Processo Social.</p><p>As relações sociais entre indivíduos</p><p>e grupos podem ser estabelecidas</p><p>de maneira associativas, como a cooperação e a assimilação ou dissociati-</p><p>va, como a competição e o conflito. Quando se têm indivíduos, grupos e</p><p>comunidades trabalhando juntos para um mesmo fim temos a forma mais</p><p>comum de relações associativas: a cooperação.</p><p>Porém, no mundo atual vivemos numa sociedade que não respeita as</p><p>individualidades alheias, onde a competição é a força que leva os indiví-</p><p>duos a agirem uns contra os outros na busca da satisfação dos desejos</p><p>particulares e nos torna individualistas. Essa relação é dissociativa e se</p><p>caracteriza por grandes tensões sociais surgindo assim os conflitos. A</p><p>incapacidade de pensar do ponto de vista do outro dá origem a toda as</p><p>formas de rivalidade, discussão, disputa e violência. Comportamentos que</p><p>fogem ao conceito da ética.</p><p>O que é ética?</p><p>O termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pes-</p><p>soa). Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a</p><p>conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e</p><p>bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado.</p><p>Neste sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as leis, está</p><p>relacionada com o sentimento de justiça social.</p><p>A ética é construída por uma sociedade conforme as exigências ou ne-</p><p>cessidades fundamentais da natureza humana e tem como base os valores</p><p>históricos e culturais. Do ponto de vista da Filosofia, a Ética é uma ciência</p><p>que estuda os valores e princípios morais que motivam, distorcem, discipli-</p><p>nam ou orientam o comportamento humano de uma sociedade e seus</p><p>grupos.</p><p>A ética é praticada no do dia a dia. Ela que orienta nossa conduta, tan-</p><p>to social como individualmente, pois exterioriza as virtudes no cumprimento</p><p>de nossas obrigações e deveres, bem como nosso comportamento perante</p><p>as normas e as leis estabelecidas e mesmo quando não seguem o instituí-</p><p>do a ética se faz presente quando contestamos valores contrários ao bem</p><p>comum, ao respeito às diferenças e a organização de uma sociedade justa.</p><p>A ética, portanto, define o sujeito ético, ou seja, o individuo como um</p><p>ser racional e consciente que sabe o que faz, como um ser livre que decide</p><p>e escolhe o que faz, e como um ser responsável que responde pelo que</p><p>faz. A ética ainda define as ações e o conjunto de noções (ou valores) que</p><p>orientam os indivíduos.</p><p>Essas ações éticas são definidas pela concepção do bom e mau, justo</p><p>e injusto, virtude e vício, valores cujo conteúdo pode variar de uma socie-</p><p>dade para outra ou na história de uma mesma sociedade, mas que pro-</p><p>põem sempre uma diferença entre condutas, segundo o bem, o justo e o</p><p>virtuoso. Assim, uma ação só será ética se for consciente, livre e responsá-</p><p>vel e só será virtuosa se for realizada em conformidade com o bom e o</p><p>justo e de forma livre, ou seja, resultar de uma decisão interior do individuo</p><p>e não da obediência a uma ordem, a um comando ou a uma pressão de</p><p>outros.</p><p>O que é violência?</p><p>A violência é o uso da força física e/ou psíquica contra alguém para o-</p><p>briga-lo a fazer alguma coisa contrária à sua vontade, aos seus interesses</p><p>e desejos, ao seu corpo e a sua consciência, causando-lhe danos profun-</p><p>dos e irreparáveis, como a morte, a loucura, a autoagressão ou a agressão</p><p>aos outros.</p><p>A violência se manifesta de várias formas. Pode resultar do uso da for-</p><p>ça física para assaltar, ferir ou matar, ou ainda para constranger alguém a</p><p>realizar atos contra a sua própria vontade; Pode resultar da força de natu-</p><p>reza psicológica que atua sobre a consciência pela opressão, intimidação,</p><p>pelo medo e pelo terror, exigindo da vitima uma aceitação aparentemente</p><p>voluntária.</p><p>A violência da desigualdade social, fruto da injusta repartição das tare-</p><p>fas e dos privilégios que reservam para poucos o aproveitamento dos bens</p><p>produzidos pela comunidade. A violência da fome crônica que prevalece</p><p>em amplas regiões do mundo, como resultado do planejamento econômico</p><p>que visa, em primeiro lugar, ao interesse dos negócios. Violência também é</p><p>a criança permanecer fora da escola, privando-se de educação e do saber,</p><p>pelo fato de precisar trabalhar, ou devido à classe social desfavorável a que</p><p>pertence.</p><p>Mas qual a relação entre violência e ética? A violência geralmente se</p><p>refere à falta da ética, de indivíduos que não interioriza os valores éticos,</p><p>fruto da sociedade atual que perdeu sua referencia e prega o desenvolvi-</p><p>mento, sem a preservar sua história cultural. Esses indivíduos seguem as</p><p>leis, cada vez mais desenvolvidas e bem elaboradas, sem compreendê-las</p><p>e vivem em negação dos seus valores.</p><p>Vivemos na atualidade uma situação de barbárie que passou a integrar</p><p>o nosso cotidiano. Os meios de comunicação de massa nos apresentam</p><p>todos os dias, em seus noticiários, as mais diversas cenas de violência,</p><p>muitas delas, retratadas amplamente: violência doméstica, envolvimento</p><p>com drogas, espancamentos e mortes por homofobia e xenofobia, mortes</p><p>violentas por brigas no trânsito, pais que abusam de suas filhas e espan-</p><p>cam seus filhos,pedofilos abusando de crianças indefesas, prostituição</p><p>infantil, brigas de crianças e adolescentes nas escolas, entre tantas outras,</p><p>etc. Outra forma de violência lançadas contra a infância e a juventude</p><p>brasileira, são as próprias programações dos meios de comunicação,</p><p>muitas delas, impróprias e desqualificadas, sem nenhum valor cultural ou</p><p>moral e que em nada contribuem para a formação ética e moral do ser em</p><p>processo de desenvolvimento.</p><p>As normas e leis ainda que desenvolvidas e bem elaboradas, necessi-</p><p>tam dos valores éticos para que tenham sentido e sejam aplicadas com</p><p>justiça, no entanto a ética parece estar cada vez mais longe e a violência é</p><p>um retrato do esvaziamento de sentido do indivíduo e da atual organização</p><p>social.</p><p>A sociedade como um todo, os governos, as escolas e as famílias, co-</p><p>mo contribuintes do surgimento e desenvolvimento deste estado de coi-</p><p>sas, devem tomar consciência do seu papel no processo da estruturação</p><p>de uma sociedade justa e mais igualitária, e oferecer cada um uma contri-</p><p>buição eficaz para que juntos possam interferir na prevenção e diminuição</p><p>da pratica destas violências e quebrar esse círculo vicioso. Trata-se de um</p><p>trabalho de combate em equipe e não se trata de algo fácil, não somente, e</p><p>principalmente, por se tratar de seres humanos.</p><p>Porém, é preciso Compreender que do ponto de vista ético somos pes-</p><p>soas e não podemos ser tratados como coisas a serem usadas e manipu-</p><p>ladas por outros. A ética está no nosso cotidiano e está ligada às escolhas</p><p>feitas na prática, da forma que decidimos viver. http://taina-</p><p>cardozo.blogspot.com.br/p/etica-e-violencia_26.html</p><p>8. Racionalismo ético.</p><p>O "Racionalismo ético" de Jean-Jacques Rousseau e a educação</p><p>(Fon-</p><p>te: http://www.geocities.com/Athens/Ithaca/9565/tese/rousseau.html) ou</p><p>(http://www.bonato.kit.net/)</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 16</p><p>Sergio Luiz Bonato</p><p>O historiador Lourenço Luzuriaga, na Introdução de sua obra História</p><p>da educação e da pedagogia, nos adverte:</p><p>... os ideais educacionais não são algo vago e flutuante, distanciados</p><p>da realidade, mas precisos e concretos, como a própria realidade. Constitu-</p><p>em, com efeito, parte tão intrínseca de nossa vida e da sociedade humana</p><p>quanto nossas ações e as instituições sociais, geralmente mais caducas e</p><p>circunstanciais que os ideais humanos históricos...[1]</p><p>O autor nos mostra, ainda, que a história da educação e da pedagogia</p><p>não depende somente dos que estão envolvidos na ação da escola. Os</p><p>fatores históricos, culturais e sociais têm um grande peso. Entre eles,</p><p>destaca os seguintes: situação histórica geral de cada povo e de cada</p><p>época; o caráter da cultura - política ou religião, direito ou filosofia; a estru-</p><p>tura social; a orientação política;</p><p>os ideais de educação condicionados à</p><p>concepção do mundo e da vida; a concepção estritamente pedagógica; as</p><p>reformas das autoridades oficiais; as modificações e os métodos da educa-</p><p>ção</p><p>Por isso, ao examinarmos o pensamento e a obra dos educadores, é</p><p>de suma importância que levemos em conta o tempo e o espaço em que</p><p>viveram, as influências que receberam e as que exercem até nossos dias.</p><p>Com esta ótica estudamos os jesuítas, Locke e agora Rousseau.</p><p>Utilizando a lógica de Luzuriaga, para entender o pensamento educa-</p><p>cional de Jean-Jacques Rousseau, poderíamos dizer que precisamos</p><p>conhecer um pouco de sua história de vida.</p><p>Jean-Jacques Rousseau nasceu em Genebra, na Suíça, em 28 de ju-</p><p>nho de 1712, e faleceu em Ermenonville, nordeste de Paris, França, em 2</p><p>de julho de 1778. Filho de pais protestantes, estima-se que o fato de sua</p><p>mãe ter morrido poucos dias depois de seu nascimento, em consequência</p><p>do parto, o tenha marcado desde criança. Quando adulto torna-se seguidor</p><p>do catolicismo.</p><p>Ainda jovem chega a Paris e ganha a vida como professor de música.</p><p>Nesse período, lê muito e começa a escrever. Uma crise de saúde o abate,</p><p>e a sua descrição sugere o mal hoje conhecido como "síndrome do pânico".</p><p>Em maio de 1740, foi para Lyon, tutorar, as crianças de Jean-Bonnot de</p><p>Mably.[2] Em 1741, retorna a Paris e expõe na Academia sua Dissertation</p><p>sur la musique moderne com seu sistema de notações musicais, sendo</p><p>reprovado. Posteriormente, concluiu sua ópera Les Muses Galantes, então</p><p>aplaudida por especialistas.</p><p>Entre os Enciclopedistas, cultiva amizade com Diderot e Jean Le Rond</p><p>d'Alembert, quando ambos preparavam A Enciclopédia. Diderot propôs a</p><p>Rousseau escrever os verbetes de música, o que ocorreu.</p><p>Seu círculo incluía também o abade Étienne Bonnot de Condillac, natu-</p><p>ral de Grenoble, adepto de John Locke; e também Henri Dietrich (1723-</p><p>1789), o barão de Holbach, um ateu alemão muito rico que se estabeleceu</p><p>em Paris para fazer guerra contra a crença em Deus. No início de 1745</p><p>Rousseau assumiu vida conjugal com Thérèse le Vasseur, com quem teve</p><p>5 filhos, os quais foram todos enviados para um orfanato.</p><p>Estimulado por Diderot, em 1749, participa de um concurso da Acade-</p><p>mia de Dijon com o o trabalho Discurso sobre as ciências e as artes, pelo</p><p>qual ganhou o primeiro prêmio; sua publicação ao final do ano seguinte o</p><p>tornou famoso.</p><p>No Discurso sobre as ciências e as artes, Rousseau articulou o tema</p><p>fundamental que perpassa sua filosofia social: o conflito entre as socieda-</p><p>des modernas e a natureza humana, ressaltando o paradoxo da superiori-</p><p>dade do estado selvagem, proclamando a "volta à natureza". Ao mesmo</p><p>tempo, denuncia as artes e as ciências como corruptoras do homem.</p><p>A opereta Le Devin du village acabou por torná-lo conhecido em Paris.</p><p>Após esse sucesso, na mesma época, porém com menor repercussão,</p><p>escreve a peça Narcisse. A partir dela elabora um novo trabalho para</p><p>concorrer na Academia de Dijon. O tema proposto pela Academia era a</p><p>origem da desigualdade entre os homens. Nele, procura recriar na mente a</p><p>imagem do homem natural, teorizando que da própria civilização vinham os</p><p>males que afligiam o homem civilizado. Considera os homens iguais no</p><p>estado natural, quando viviam isoladamente como selvagens, e a civiliza-</p><p>ção é que se encarrega de introduzir a desigualdade. Embora sem o prê-</p><p>mio, o seu Discurso sobre a desigualdade entre os homens, em 1753,</p><p>assegurou sua fama.</p><p>Em 1757, começa a escrever A Nova Heloísa, romance em que reúne</p><p>no personagem principal seus amores; teve um contexto moral, filosófico,</p><p>religioso e até econômico mais amplo do que havia concebido inicialmente;</p><p>a obra é publicada em 1761.</p><p>Em 1758, rompe definitivamente com Diderot e os enciclopedistas.</p><p>D'Alembert, por instigação de Voltaire, no artigo Geneve da Enciclopé-</p><p>dia, fazia críticas aos valores tradicionais e propunha que um teatro fosse</p><p>instalado em Genebra para servir como centro de propaganda para as</p><p>novas ideias filosóficas. Rousseau preparou uma réplica ao artigo, Lettre a</p><p>d'Alembert sur les spectacles, publicada em 1758. Nela, Rousseau, fiel ao</p><p>seu primeiro "Discurso", mostrou que o teatro clássico francês, de Molière a</p><p>Voltaire, tinha sido prisioneiro da concepção aristocrática de vida social e</p><p>cultural. Não expurgou as paixões maléficas e não purificou a moral. Ao</p><p>contrário, levou à ociosidade e à corrupção, e o povo de Genebra deveria</p><p>desconfiar dele se quisesse defender sua liberdade. Já no Prefácio desta</p><p>carta, Rousseau avisava que a vida social e mundana era a fonte da mal-</p><p>dade. Diderot considerou a carta uma deserção, uma traição, num momen-</p><p>to em que Rousseau devia estar defendendo a Enciclopédia.</p><p>Em 1759, estava trabalhando nas obras Instituitions politiques, Contra-</p><p>to social e no Dictionnaire de musique. O Materialisme du sage tornou-se</p><p>um longo devaneio sobre a educação e ganhou o título de Emílio ou da</p><p>educação. A muitos pareceu que nessa obra ele estava tentando redimir-se</p><p>de ter abandonado os filhos, ajudando outros pais a criar suas crianças</p><p>adequadamente. Aconselhava-os a se desvencilhar de seus preconceitos</p><p>sociais e seguir a natureza.</p><p>Em 1761, publica o Contrato social, um importante trabalho de filosofia</p><p>política; em 1762 Emílio ou da educação. Estas obras seriam condenadas</p><p>pelo Parlamento de Paris em junho do mesmo ano, como contrárias ao</p><p>governo e à religião. Perseguido politicamente, fugiu para a Suíça. Em</p><p>Genebra, seu livro O discurso sobre a desigualdade entre os homens foi</p><p>queimado, e no dia 13 de junho foi expedida ordem de prisão, caso apare-</p><p>cesse por lá, nove dias depois de ter sido expedida em Paris, pelo arcebis-</p><p>po. Refugiou-se em Yverdum. No entanto, muitas pessoas, de todas as</p><p>categorias, viajavam léguas para inquiri-lo sobre suas ideias.</p><p>No final de 1764 recebeu um panfleto anônimo, Le Sentiment des cito-</p><p>yens (O sentimento dos cidadãos), acusando-o de hipócrita, pai desnatura-</p><p>do e amigo ingrato. Foi escrito por Voltaire. Decidiu, então, escrever sua</p><p>autobiografia - As Confissões de Jean-Jacques Rousseau.Recebeu ata-</p><p>ques também dos camponeses, orientados por seus pastores. Era vaiado e</p><p>agredido, com pedradas, na rua. David Hume,que com grande reputação</p><p>na França, principalmente entre os enciclopedistas, devido a seus tratados</p><p>de comércio e política, escreve a Rousseau, convidando-o para ir a Ingla-</p><p>terra e o oferecimento de todos os seus préstimos e amigos para que tal</p><p>estadia lhe fosse agradável. Depois de dois anos, sua casa, em setembro</p><p>de 1765, foi duramente apedrejada, devido à presença de Rousseau.</p><p>Estava trabalhando no projeto de uma Constituição para a Córsega, pen-</p><p>sando em refugiar-se lá. Retornou a Inglaterra em 1766.Hume obteve para</p><p>ele uma residência chamada Wooton, na Inglaterra. Tão logo Rousseau</p><p>chegou a Wooton, escreveu a Hume, agradecendo. Em pouco tempo,</p><p>porém, o relacionamento entre eles alterou-se.</p><p>Em 1768, voltou para França e tomou o nome de Renou, escondendo-</p><p>se no Castelo de Trye; em 1770, mudou para Paris disposto a defender-se.</p><p>Reassumiu seu nome verdadeiro. No ano seguinte, ocupou-se então de um</p><p>estudo que lhe foi solicitado pelos nacionalistas poloneses, sobre reforma</p><p>das instituições, e escreveu Considerations sur le gouvernement de Polog-</p><p>ne.</p><p>Em 1775, escreve Rousseau juge de Jean-Jacques. Em dezembro</p><p>desse ano, quis colocar esse trabalho sobre a proteção de Deus, sobre o</p><p>altar da Catedral de Notre-Dame, porém não pôde fazê-lo e escreveu o</p><p>mais sereno e delicado de seus trabalhos, Les Reveries du promeneur</p><p>solitaire (Devaneios de um caminhante solitário), dedicado ao seu tema</p><p>predileto: a natureza e os sentimentos do homem por ela. Em maio de</p><p>1778, mudou-se para Ermenonville, onde morreu pouco mais de um mês</p><p>depois. Seus restos mortais foram removidos para o Panteon em Paris,</p><p>durante a Revolução Francesa.</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia</p><p>A Opção Certa Para a Sua Realização 17</p><p>Jean-Jacques Rousseau, um dos mais renomados pensadores euro-</p><p>peus no século XVIII, gerou, a partir de suas obras, reformas políticas e</p><p>educacionais, tornando-se, posteriormente, a base do Romantismo. For-</p><p>mou, com Montesquieu e os liberais ingleses, o grupo de brilhantes pensa-</p><p>dores responsáveis pela ciência política moderna. Em filosofia da educa-</p><p>ção, enalteceu a educação natural, conforme um acordo livre entre o mes-</p><p>tre e o aluno, levando assim o pensamento de Montaigne a uma reformula-</p><p>ção que se tornou a diretriz das correntes pedagógicas nos séculos seguin-</p><p>tes. Foi um dos filósofos da doutrina que ele mesmo chamou "materialismo</p><p>dos sensatos", "teísmo", ou "religião civil". Lançou sua filosofia não só</p><p>através de escritos filosóficos formais, mas também em romances, cartas,</p><p>músicas e em sua autobiografia.</p><p>2. A importância da educação e da liberdade no pensamento de</p><p>Rousseau</p><p>Por esta breve biografia percebemos que Jean-Jacques Rousseau foi</p><p>um educador e filósofo dos mais considerados e influentes.</p><p>Rousseau inovou, combatendo as ideias vigentes em sua época, prin-</p><p>cipalmente a de que a educação da criança deveria ser voltada para os</p><p>interesses do adulto e da vida adulta. Neste sentido, introduziu a concep-</p><p>ção de que a criança era um ser com características próprias, com suas</p><p>ideias e interesses, não podendo ser vista como um adulto em miniatura.</p><p>As crianças não têm os mesmos desejos que os homens; mas sujeitas</p><p>como eles à sujidade que fere os sentidos, podem unicamente, em virtude</p><p>dessa sujeição, receber as mesmas lições de decoro.[3]</p><p>Em Emílio afirma ainda que toda criança nasce boa, porém, quando o</p><p>homem intervém em sua educação, a criança sente que aquele deve servi-</p><p>la. [4] O homem não está determinado pela natureza a nenhuma escravi-</p><p>dão, é autônomo e livre. Parece estar convicto de que o abuso de sua</p><p>liberdade é responsabilidade da espécie humana, não do acaso.</p><p>O Emílio fala de um garoto que experimenta a simplicidade da vida do</p><p>campo durante sua formação, conhecendo a vida dura de trabalhos manu-</p><p>ais. Rousseau julgava ser necessário uma infância solitária para que o</p><p>menino conhecesse os deveres de cidadão apenas na hora certa, não se</p><p>desvirtuando na sociedade. Emílio só conhece o mestre, que busca incenti-</p><p>var as aptidões naturais do menino, e lhe dá uma educação sem frugalida-</p><p>des. Emílio só será encaminhado à sociedade na maturidade, quando</p><p>conhecerá uma cidade grande.</p><p>Se o homem é ativo e livre, ele age por si mesmo; tudo o que faz livre-</p><p>mente não entra no sistema ordenado da Providência e a esta não pode ser</p><p>imputado. Ela não quer o mal que o homem faz, abusando da liberdade que</p><p>ela lhe dá; mas ela não impede de fazê-lo, ou porque da parte de um ser</p><p>tão fraco esse mal seja nulo a seus olhos, ou porque não o pôde impedir</p><p>sem perturbar a liberdade dele e fez um mal maior degradando a natureza.</p><p>Ela o quis livre, a fim de que fizesse, não o mal, mas o bem de vontade</p><p>própria. Ela o pôs em condições de fazer esta escolha usando das faculda-</p><p>des com que o dotou; mas tal modo limitou-lhe as forças que o abuso da</p><p>liberdade que lhe permite não pode perturbar a ordem geral.[5]</p><p>Com suas ideias, derrubou as concepções vigentes que pregavam ser</p><p>a educação o processo pelo qual a criança passa a adquirir conhecimentos,</p><p>atitudes e hábitos armazenados pela civilização, sem transformações.</p><p>Considerava cada fase da vida como dotada de características pró-</p><p>prias. Tanto o homem como a sociedade se modificam, e a educação é</p><p>elemento fundamental para a necessária adaptação a essas modificações.</p><p>Se cada fase tem suas próprias características, a educação inicial não</p><p>poderia mais ser considerada uma preparação para a vida, tal como conce-</p><p>bida pelos educadores da época.</p><p>Rousseau afirmou que a educação não vem de fora, é a expressão li-</p><p>vre da criança no seu contato com a natureza. Ao contrário da rígida disci-</p><p>plina e do excessivo uso da memória vigentes então, propôs serem traba-</p><p>lhados com a criança: o brinquedo, o esporte, a agricultura e o uso de</p><p>instrumentos de variados ofícios, a linguagem, o canto, a aritmética e a</p><p>geometria. Através dessas atividades a criança estaria medindo, contando,</p><p>pesando; portanto, estariam sendo desenvolvidas atividades relacionadas à</p><p>vida e aos seus interesses.</p><p>2. Os principais elementos da pedagogia de Rousseau</p><p>Os pressupostos básicos de Rousseau com respeito à educação eram</p><p>a crença na bondade natural do homem, e a atribuição à civilização da</p><p>responsabilidade pela origem do mal. Se o desenvolvimento adequado é</p><p>estimulado, a bondade natural do indivíduo pode ser protegida da influência</p><p>corruptora da sociedade.</p><p>Consequentemente, os objetivos da educação, para Rousseau, com-</p><p>portam dois aspectos: o desenvolvimento das potencialidades naturais da</p><p>criança e o seu afastamento dos males sociais; para ele, o mestre deve</p><p>educar o aluno baseado nas suas motivações naturais, pois logo que nos</p><p>tornamos conscientes de nossas sensações, inclinamo-nos a procurar ou</p><p>evitar os objetos que as produzem.</p><p>Essencialmente, o mestre deve educar o aluno para ser um homem,</p><p>usando a estrutura provida pelo desenvolvimento natural do aluno, ao</p><p>mesmo tempo mantendo em mente o contexto social no qual este eventu-</p><p>almente será membro. Isto só pode ser conseguido em um ambiente muito</p><p>bem controlado.</p><p>Seu método de educação era o de retardar o crescimento intelectual:</p><p>ele demandava a criança demonstrar seu próprio interesse em um assunto</p><p>e fazer suas próprias perguntas; no estágio da puberdade, no entanto, a</p><p>sensibilidade do jovem deveria ser educada. O adolescente aceitaria com</p><p>confiança um contrato livre e recíproco de amizade com seu mestre, que</p><p>poderia então ajudá-lo a descobrir as alegrias da religião e as dificuldade</p><p>de lidar com a sociedade.</p><p>O ambiente em que o aluno vive devia ser isento de qualquer restrição</p><p>física que não viesse do próprio aluno, e, depois que desenvolve cogniti-</p><p>vamente, até os 15 anos, não deveria haver qualquer restrição moral em</p><p>seu ambiente. O objetivo é que se desenvolva plenamente seu Eu natural,</p><p>sendo óbvio que tal educação só seria possível se o aluno fosse totalmente</p><p>isolado da sociedade e não tivesse contato social senão com seu mestre.</p><p>Ele só entraria na sociedade quando a tendência para a socialização</p><p>surgisse como uma de suas necessidades naturais, o que aconteceria na</p><p>adolescência, após o desenvolvimento da razão. Diz Rousseau: Ele antes</p><p>tinha apenas sensações, agora ele julga. Então o aluno experimenta um</p><p>desejo de companhia de outros e lhe será permitido desenvolver relacio-</p><p>namento pessoal. Ele vai estudar história e religião.</p><p>Finalmente vai entrar na sociedade educada de uma grande cidade.</p><p>Agora poderá entender o que significa ser um cidadão. No Emílio, ele</p><p>apresenta o cidadão ideal e os meios de treinar a criança para o Estado de</p><p>acordo com a natureza, inclusive para um sentido de Deus.</p><p>A criança deve, portanto, ser criada em um ambiente rural, de modo</p><p>que possa se desenvolver em continuidade com a natureza, mais que em</p><p>oposição a ela. Permite-se que desenvolva os primeiros impulsos, desde</p><p>que canalizados para um respeito genuíno para com as pessoas, respeito</p><p>nascido do amor-próprio e não do orgulho.</p><p>Emílio, que laboriosamente adquiriu um senso de propriedade (nos</p><p>moldes das ideias de John Locke) ao cultivar seu jardim, descobre a vida</p><p>difícil de um trabalhador quando se torna aprendiz de carpinteiro.</p><p>Trazido à comunidade por uma tendência natural, ou simpatia para</p><p>com aqueles ao seu redor, Emílio desenvolve um senso moral e uma</p><p>necessidade no sentido da perfeição e do crescimento interior que lhe</p><p>permite elevar-se acima das paixões e alcançar a virtude. Então, através de</p><p>Sofia, descobre a natureza do amor. Ele tem de deixá-la, no entanto, para</p><p>completar sua educação política, a qual requeria procurar através do mun-</p><p>do pelo país que melhor serviria à sua futura família.</p><p>Curiosamente, o único livro que</p><p>se permite a Emílio na sua educação é</p><p>Robinson Crusoe de Daniel Defoe, que mostra o caminho no qual o caráter</p><p>amadurece em harmonia com a natureza, se a engenhosidade natural é</p><p>permitida trabalhar desimpedida da corrupção da sociedade.</p><p>O método de Rousseau serviu de inspiração para Pestalozzi e outros</p><p>métodos universais pedagógicos. No contexto de sua época, formulou</p><p>princípios educacionais que permanecem até nossos dias, principalmente</p><p>quando afirmava que a verdadeira finalidade da educação era ensinar a</p><p>criança a viver e a aprender a exercer a liberdade.</p><p>A liberdade e a igualdade são os temas centrais do pensamento edu-</p><p>cacional e político de Jean-Jacques Rousseau. Ao gozo da liberdade ele</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 18</p><p>confere, provavelmente, mais importância do que a qualquer outro aspecto</p><p>da vida humana; para ele, renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de</p><p>homem, aos direitos da humanidade.[6] Parece ficar evidente que o sonho</p><p>de construir uma sociedade livre e igualitária, com democracia direta e</p><p>soberania popular, era seu projeto prioritário, só podendo ser realizado pela</p><p>educação plena, nos moldes propostos em Emílio e Contrato social.</p><p>Para o autor, o homem nasce livre e está inicialmente isolado, inde-</p><p>pendente, não associado com outros semelhantes, mas esse quadro de</p><p>isolamento primitivo não precisa ser interpretado literalmente: apenas</p><p>pretende deixar claro que hierarquia e subordinação, autoridade e controle</p><p>são profundamente estranhos aos direitos originais dos seres humanos.</p><p>Cada indivíduo é na vida selvagem[7] seu próprio juiz e senhor, não e-</p><p>xistindo nenhum outro juiz ou senhor humano perante o qual tenha de</p><p>apresentar contas. Neste estado, é absoluta a soberania da pessoa na</p><p>condução de suas ações, sem prestar contas delas a quem quer que seja.</p><p>Essa ilimitada soberania individual, segundo Jean-Jacques Rousseau,</p><p>caracteriza o homem no estado de natureza pela sua liberdade individual,</p><p>indicando que o indivíduo desfruta de livre-arbítrio para atuar ou não. No</p><p>entanto, as limitações desta liberdade absoluta, por uma calamidade da</p><p>natureza, forçam as pessoas a se juntar em associações materiais e civis, a</p><p>fim de, reunindo suas forças e qualidades, superar os obstáculos da liber-</p><p>dade natural.</p><p>A questão da maldade se coloca quando surge o que chamou de liber-</p><p>dade moral quando o homem associa-se[8] ou a liberdade de todos. Esta</p><p>impõe uma renúncia à liberdade individual, entendida como satisfação</p><p>exclusiva de desejos para a construção da vontade geral.</p><p>De certa maneira a liberdade moral é uma liberdade diminuída, pois</p><p>nesta é o homem quem cria o bem e o mal, quando comparada à liberdade</p><p>individual, onde o mal não é imputado ao ser humano. No exercício da</p><p>liberdade moral o homem está subordinado à exigência de acatar e respei-</p><p>tar o outro, mas esta obrigação moral não representa uma diminuição ou</p><p>negação da liberdade discricionária do indivíduo, pois, ao respeitar este</p><p>princípio, o homem reassume seu próprio caráter. Uma atitude livre não</p><p>elimina a possibilidade de convivência com a outra, portanto, parece afirmar</p><p>que não existem duas liberdades, mas duas atitudes.</p><p>A questão da liberdade é bastante complexa, supõe muito debate, mas</p><p>uma possível interpretação é que se possa chegar a um procedimento</p><p>decisório, de modo que se respeite a liberdade do indivíduo e de todos os</p><p>que estão sujeitos na associação às regras resultantes da implementação</p><p>desse procedimento. Por isso, nenhum procedimento decisório tem autori-</p><p>dade na associação comum dos homens sem o consentimento discricioná-</p><p>rio individual de todos para sua implementação.</p><p>Essa obrigação coletiva não autoriza a tirania nem o controle prepoten-</p><p>te de uns sobre o outros, embora isso possa ocorrer se a soberania indivi-</p><p>dual e absoluta for considerada como a única liberdade. Somente a aceita-</p><p>ção da lei moral criada pelo humano, ou contrato entre os homens, é que</p><p>realiza qualquer liberdade segura e proveitosa para o indivíduo - já que o</p><p>homem não pode mais voltar a seu estado selvagem. Neste sentido, afirma</p><p>Rousseau: aquele que se recusar a obedecer à vontade geral a tanto será</p><p>constrangido por todo um corpo, o que não significa senão que o forçarão a</p><p>ser livre.[9]</p><p>Essa imposição da liberdade àqueles que se recusaram a cumprir os</p><p>desejos coletivos levou muitos inocentes à guilhotina ou aos paredões. Aqui</p><p>está, certamente, toda a dificuldade do ser humano para tornar-se livre.</p><p>Como aderir à vontade geral sem imposições, sem que ninguém force o</p><p>homem a ser livre? A educação pode ser um caminho para enfrentar esta</p><p>questão. Rousseau com certeza acreditava nisso.</p><p>A tirania, os desvios pela liberdade, o desrespeito às leis comuns são</p><p>algumas consequências de vícios produzidos principalmente na infância,</p><p>por uma formação educativa degenerada, que transforma a natureza dos</p><p>homens e lhe tira a liberdade desde o nascimento até a morte.</p><p>Educar o ser humano é o único caminho para que possa atingir a liber-</p><p>dade. A educação deve aspirar não só a introduzir o saber para ações</p><p>coletivas, mas a formar o coração, o espírito e a capacidade de julgamento.</p><p>Educar para ele seria a aquisição de bons hábitos e disposições que devem</p><p>ter prioridade sobre o conhecimento abstrato. A criança é mais bem ensi-</p><p>nada para ser livre através de fábulas e histórias do que através de argu-</p><p>mentos abstratos, racionais; deve ser conduzida pelo seu interesse, não</p><p>forçada por lições frias a obedecer, por imposições. Estes procedimentos</p><p>despertam na criança desagrado e resistência, que mais tarde a farão</p><p>rejeitar as leis coletivas, já que toda sua educação lhe foi imposta.</p><p>O educando deve ser ensinado de tal maneira que o habilite a ser feliz;</p><p>com mestres que são felizes, e isso, afirma Rousseau, consegue-se melhor</p><p>aprendendo a moderar as paixões, em vez de ceder em tudo a uma crian-</p><p>ça.</p><p>A ideia central de seu pensamento educacional é a da educação nega-</p><p>tiva - entendida como o contrário da educação que visa controlar, dirigir,</p><p>admoestar, moldar ou forçar a criança a todo o momento.</p><p>Deve-se, ao contrário, perceber que existe um curso naturalmente sau-</p><p>dável e ordenado no desenvolvimento do corpo, raciocínio e sentimentos</p><p>de uma criança - a educação da natureza pelos sentidos, e o papel do</p><p>educador consiste em respeitar a integridade desse desenvolvimento, dar</p><p>espaço e oportunidade para que ele ocorra em seu modo e tempo adequa-</p><p>dos, ajustando as lições da criança de forma que sua atenção seja atraída</p><p>direta e indiretamente em conformidade com seu nível corrente de interes-</p><p>ses e aptidões. Com essa pedagogia a criança quase não percebe que está</p><p>sendo educada ou que há imposições do mundo, pensa que é tudo diver-</p><p>são e que está sendo ajudada a construir o que seus poderes e inclinações</p><p>nascentes a teriam, de qualquer modo, estimulado a fazer. Neste sentido,</p><p>dificilmente essa criança será um ditador.</p><p>No entanto, há um momento em que, embora fosse bom que tal instru-</p><p>ção continuasse, ela não pode continuar sendo levada a efeito através do</p><p>simples método que tem na natureza seu princípio. No final da adolescên-</p><p>cia, e início da idade adulta, a relação entre professor e aluno precisa ser</p><p>restabelecida numa base voluntária; enquanto era criança, sua liberdade</p><p>dependia do adulto; a partir da juventude, o saber e a autonomia precisam</p><p>ser exercitados.</p><p>Nesse ponto, Rousseau inova de uma maneira fabulosa, descobrindo</p><p>os estágios do conhecimento humano e os estudando no Emílio passo a</p><p>passo, para que o homem se torne livre e cidadão, o que veremos agora de</p><p>uma forma mais detalhada, nos pressupostos de sua pedagogia.</p><p>3. Os estágios da vida humana para a educação de Rousseau</p><p>No Emílio ou da Educação, Jean-Jacques Rousseau estipula os está-</p><p>gios de desenvolvimento da criança:</p><p>No livro I, do nascimento aos dois</p><p>anos de idade a valorização da infância e suas especificidades; no livro II</p><p>de dois a doze anos engloba a grosso modo, o período que chama de</p><p>idade da natureza; no livro III dos doze aos quinze anos, a idade da força</p><p>ou energia vital; no livro IV dos quinze aos vinte anos, idade da inteligência,</p><p>da razão e das paixões ou do segundo nascimento do homem; e finalmente</p><p>o livro V, dos vinte aos vinte e cinco anos, a idade da educação política ou</p><p>da sabedoria.[10]</p><p>Sem ser um rigoroso e esquemático padrão, ele serve como útil quadro</p><p>de referência de quando, pela primeira vez na história, o homem foi estu-</p><p>dado enquanto um ser que possui fases distintas de saber; ideia que Jean-</p><p>Piaget aprofundará mais tarde, construindo toda sua teoria psicogenética.</p><p>O desenvolvimento interno de nossas faculdades e de nossos órgãos é</p><p>a educação da natureza.[11] Esta é a fase que vai do nascimento até aos</p><p>12 anos. No primeiro e no segundo capítulo do Emílio, Rousseau nos dá</p><p>detalhadamente um manual pedagógico para esta idade, onde a natureza é</p><p>a grande educadora. Mostra como tudo aquilo que a natureza cria o homem</p><p>degenera, inclusive o próprio ser humano:</p><p>Tudo está bem em saindo das mãos do autor das coisas, tudo degene-</p><p>ra nas mãos do homem. Ele obriga uma terra a nutrir as produções de</p><p>outra, uma árvore a dar frutos de outra; mistura e confunde climas, as</p><p>estações; mutila seu cão, seu cavalo, seu escravo; transforma tudo, desfi-</p><p>gura tudo; ama a disformidade, os monstros; não quer nada como fez a</p><p>natureza, nem mesmo o homem; tem de ensiná-lo para si, como um cavalo</p><p>de picadeiro; tem de moldá-lo a seu jeito como uma árvore de seu jar-</p><p>dim.[12]</p><p>O homem é o único ser que tudo quer destruir para apropriar-se e a-</p><p>cumular, mesmo sem ser uma contingência necessária à sua sobrevivên-</p><p>cia. Na infância, este sentimento de destruição já lhe é imputado pela</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 19</p><p>sociedade, a criança não o possui naturalmente, mas logo que o homem</p><p>passa a educá-la, não tardará em assimilar seus vícios.</p><p>Uma das características principais da criança, neste período, é sua ex-</p><p>trema fraqueza e vulnerabilidade. Ela nasce frágil, num mundo que não a</p><p>compreende, dependente para todas as necessidades; sua própria sobrevi-</p><p>vência depende da ajuda daqueles que a rodeiam. Duas coisas são extre-</p><p>mamente essenciais nesta fase, na opinião de Rousseau. Primeiro, o</p><p>tratamento apropriado das vontades de uma criança, isto é, de suas tentati-</p><p>vas de controle imperioso, que na verdade são o avesso da sua impotência</p><p>e medo; ela deve ser preservada da crença de que ordem e obediência,</p><p>dominação e subserviência são os termos com os quais os seres humanos</p><p>se relacionam mutuamente, e de que o mundo é submetido a um controle</p><p>arbitrário de seus desejos particulares.</p><p>Segundo, a criança não deve ser fisicamente constrangida (desde que</p><p>sua segurança esteja assegurada) por ameaças ou exigências, pois ela</p><p>verá nisso apenas tentativas para contrariá-la provocando ressentimento e</p><p>a induzirndo-a à combatividade, à evasão e ao fingimento, deve ser dada a</p><p>ela liberdade para viver, respirar, sentir livremente a sua própria energia, e</p><p>descobrir por si mesma, lidando com o mundo material o alcance e os</p><p>limites de seus poderes[13]. Gradualmente, adquirirá experiência em pri-</p><p>meira mão de como funciona o mundo, e aprenderá como ele pode ser</p><p>usado vantajosamente, trabalhando com ele, em vez de tentar submetê-lo</p><p>ao seu comando. O meio ambiente, previsível, ordenado, insiste Jean-</p><p>Jacques Rousseau, ajudará o progresso da criança nesse rumo, acalman-</p><p>do seus temores e a constelação de outros sentimentos, sobretudo sua</p><p>convicção de que o mundo está perversamente decidido a contrariá-la.</p><p>Por volta dos 12 anos, uma criança terá adquirido a competência e a</p><p>aptidão física básicas para enfrentar efetivamente o seu meio ambiente</p><p>imediato. Inicia-se, então, um período em que existe alguma energia mental</p><p>livre, por assim dizer, não dedicada exclusivamente à resolução de ques-</p><p>tões práticas. É a época de ampliar sua compreensão para além do que é</p><p>imediato e local, para que aprenda algumas verdades e leis gerais acerca</p><p>das coisas (educação das coisas), e da natureza que o envolve. A melhor</p><p>maneira, sustenta Rousseau, não é pela aprendizagem livresca nem a</p><p>instrução passiva. O bom educador deve, antes, criar ocasiões em que, a</p><p>partir das exigências de uma situação prática, alguma lição mais ampla</p><p>possa ser aprendida ou aplicada, para o benefício imediato. Por exemplo</p><p>simulando ter-se perdido durante um passeio, o professor pode fazer com</p><p>que o aluno aprenda a respeito de marcos divisórios, ângulos de direção e</p><p>o significado do ângulo e do comprimento de sombras. Desse modo, é</p><p>introduzido na cartografia, na geometria, na aritmética e nas ciências ge-</p><p>rais. Mas a questão aqui não é que o aluno aprenda muitos fatos e teorias.</p><p>em vez de apoiar-se na aprendizagem abstrata, ele adquirirá habilidades de</p><p>aplicação geral, capacitando-o a filtrar, avaliar e dar um sentido ao que</p><p>acontece à sua volta. dos</p><p>No livro III do Emílio Rousseau descreve detalhadamente o que seria</p><p>para ele a idade da força ou energia vital: (dos 12 aos 15 anos),[14] ocorre</p><p>um desequilíbrio entre o desenvolvimento das forças e as necessidades da</p><p>criança. Parece ser o único momento da vida de uma criança onde ela não</p><p>somente pode bastar-se a si mesma, como tem ainda mais força do que</p><p>precisa.[15] Para manter o princípio da liberdade bem regrada, os limites</p><p>passam a ser impostos pelo critério da utilidade.</p><p>Com essa idade mudam as características e as potencialidades da cri-</p><p>ança; Consequentemente, a ação do governante também deve mudar,</p><p>conservando sempre o princípio básico: praticar uma educação que leve a</p><p>criança a ter autonomia que se define pela liberdade. Este é o começo da</p><p>idade da força - do sentimento vivido, elétrico, da energia apaixonada[16]</p><p>No livro IV do Emílio Rousseau nos ensina que aos 15 anos a criança</p><p>chega à idade da Razão e das Paixões, quando se forma como ser amante</p><p>e sensível e começa a examinar suas relações com o mundo e os homens.</p><p>É a idade em que entra no mundo moral, e sobre isso nos fala Rousseau:</p><p>Eis o segundo nascimento de que falei; agora é que o homem nasce</p><p>verdadeiramente para a vida e que nada de humano lhe é estranho. Até</p><p>aqui nossos cuidados não passaram de jogos infantis; só agora adquirem</p><p>importância real. Esta época em que terminam as educações comuns é</p><p>precisamente aquela em que a nossa deve iniciar-se.[17]</p><p>É também no livro IV, que se dá igualmente a descrição de um Emílio</p><p>que será submetido à sua primeira aula sobre religião do coração, proferida</p><p>pelo vigário de Savóia. Rousseau reafirma a importância das paixões e</p><p>repudia a ideia de que há paixões boas ou más em si mesmas; o que as</p><p>torna más ou boas é o uso que se faz delas.</p><p>Agora, o adolescente, o jovem, sente os impulsos fortes da paixão, um</p><p>interesse absorvente em tudo o que o cerca, sobretudo no modo como o</p><p>vêem na sociedade, se o amam ou não. Jean-Jacques Rousseau chama</p><p>isso de segundo nascimento da criança; o primeiro, o seu nascimento para</p><p>a espécie, o segundo para o seu sexo. Essas mudanças púberes têm para</p><p>Rousseau, uma origem especificamente sexual que faz das questões de</p><p>amor e sexo uma preocupação obsessiva.</p><p>Esse cauteloso surto de intensos sentimentos em relação aos outros</p><p>acarreta grandes problemas para o educador. Argumenta Jean-Jacques</p><p>Rousseau que, em primeiro lugar, o fluxo de interesse sexual deve ser</p><p>controlado; é preferível que o adolescente comece sendo orientado para</p><p>possuir relações amigas e não paixões ou romances. Amigos, companhei-</p><p>ros e concidadãos são preferíveis a parceiros (as) sexuais em intimidade</p><p>erótica.</p><p>E prossegue, falando da finalidade do educador</p><p>OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 2</p><p>Esta obra foi muito importante para a história da filosofia, uma vez que</p><p>foi o primeiro tratado sobre o agir humano da história.</p><p>O que é Cidadania:</p><p>Cidadania significa o conjunto de direitos e deveres pelo qual o cida-</p><p>dão, o indivíduo está sujeito no seu relacionamento com a sociedade em</p><p>que vive. O termo cidadania vem do latim, civitas que quer dizer “cidade”.</p><p>Este conceito de cidadania está arraigado à noção de direito, precipu-</p><p>amente no que se refere aos direitos políticos, sem os quais o indivíduo não</p><p>poderá intervir, nos negócios do Estado, onde permite, participar direta ou</p><p>indiretamente do governo e na consequente administração, através do voto</p><p>direto para eleger ou para concorrer, a um cargo público da maneira indire-</p><p>ta. A cidadania pressupõe direitos e deveres e a serem cumpridos pelo</p><p>cidadão que serão responsáveis pela sua vivencia em sociedade.</p><p>Um dos pressupostos da cidadania é a nacionalidade, para que possa</p><p>o cidadão exercer seus direitos políticos. Porém há indivíduos, que apesar</p><p>de serem nacionais de um Estado, não estão investidos de direitos políti-</p><p>cos, que podem ter sido cassados ou negados, como por exemplo, temos</p><p>os presidiários que são impedidos de votar. Os direitos políticos são regu-</p><p>lados no Brasil pela Constituição Federal, sendo o alistamento eleitoral e o</p><p>voto, obrigatórios para os maiores de 18 anos, porém é facultativo para os</p><p>analfabetos, pessoas com 16 e 17 anos e para indivíduos com mais de 70</p><p>anos.</p><p>A Constituição proíbe alistamento eleitoral dos estrangeiros e dos bra-</p><p>sileiros em serviço militar obrigatório. A cidadania requer que o indivíduo</p><p>como habitante da cidade, como diz a raiz da palavra, cumpra seus deve-</p><p>res, e como um indivíduo de ação possa realizar tarefas para seu bem e</p><p>também para o maior desenvolvimento da comunidade onde vive, uma vez</p><p>que os problemas da cidade dizem respeito a todos os cidadãos.</p><p>A cidadania é exercida pelo indivíduo, por grupos e até instituições que</p><p>através do empoderamento, isto é, através do poder que tem para realizar</p><p>tarefas sem necessitar de autorização ou permissão de alguém, realizam</p><p>ações ocasionando mudanças que as levam a evoluir e se fortalecer,</p><p>participando em comunidades, em políticas sociais, participando ativamente</p><p>de ONGs através do voluntariado, onde acontecem ações de solidariedade,</p><p>para o bem da população excluída das condições de cidadania. Estas</p><p>organizações conseguem complementar o trabalho do Estado, realizando</p><p>ações onde ele não consegue chegar. http://www.significados.com.br/etica-</p><p>e-cidadania/</p><p>2. Fundamentos da Filosofia.</p><p>Filosofia (do grego Φιλοσοφία, literalmente «amor à sabedoria») é o</p><p>estudo de problemas fundamentais relacionados à existência,</p><p>ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à</p><p>linguagem.[1] Ao abordar esses problemas, a filosofia se distingue</p><p>da mitologia e da religião por sua ênfase em argumentos racionais; por</p><p>outro lado, diferencia-se das pesquisas científicas por geralmente não</p><p>recorrer a procedimentos empíricos em suas investigações. Entre seus</p><p>métodos, estão a argumentação lógica, a análise conceptual,</p><p>as experiências de pensamento e outros métodos a priori.</p><p>A filosofia ocidental surgiu na Grécia antiga no século VI a.C. A partir</p><p>de então, uma sucessão de pensadores originais -</p><p>como Tales, Xenófanes, Pitágoras, Heráclito e Protágoras - empenhou-se</p><p>em responder, racionalmente, questões acerca da realidade última das</p><p>coisas, das origens e características do verdadeiro conhecimento, da</p><p>objetividade dos valores morais, da existência e natureza de Deus (ou dos</p><p>deuses). Muitas das questões levantadas por esses antigos pensadores</p><p>são ainda temas importantes da filosofia contemporânea.[2]</p><p>Durante as Idades Antiga e Medieval, a filosofia compreendia</p><p>praticamente todas as áreas de investigação teórica. Em seu escopo</p><p>figuravam desde disciplinas altamente abstratas - em que se estudavam o</p><p>"ser enquanto ser" e os princípios gerais do raciocínio – até pesquisas</p><p>sobre fenômenos mais específicos – como a queda dos corpos e</p><p>a classificação dos seres vivos. Especialmente a partir do século XVII,</p><p>vários ramos do conhecimento começam a se desvencilhar da filosofia e a</p><p>se constituir em ciências independentes com técnicas e métodos próprios</p><p>(priorizando, sobretudo, a observação e a experimentação).[3] Apesar</p><p>disso, a filosofia atual ainda pode ser vista como uma disciplina que trata de</p><p>questões gerais e abstratas que sejam relevantes para a fundamentação</p><p>das demais ciências particulares ou demais atividades culturais. A princípio,</p><p>tais questões não poderiam ser convenientemente tratadas por métodos</p><p>científicos.[4]</p><p>Por razões de conveniência e especialização, os problemas filosóficos</p><p>são agrupados em subáreas temáticas: entre elas as mais tradicionais são</p><p>a metafísica, a epistemologia, a lógica, a ética, a estética e a filosofia</p><p>política.</p><p>Introdução</p><p>As atividades a que nos dedicamos cotidianamente pressupõem a</p><p>aceitação de diversas crenças e valores de que nem sempre estamos</p><p>cientes. Acreditamos habitar um mundo constituído de diferentes objetos,</p><p>de diversos tamanhos e diversas cores. Acreditamos que esse mundo</p><p>organiza-se num espaço tridimensional e que o tempo segue a sua marcha</p><p>inexorável numa única direção. Acreditamos que as pessoas ao redor são</p><p>em tudo semelhantes a nós, veem as mesmas coisas, têm os mesmos</p><p>sentimentos e sensações e as mesmas necessidades. Buscamos interagir</p><p>com outras pessoas, e encontrar alguém com quem compartilhar a vida e,</p><p>talvez, constituir família, pois tudo nos leva a crer que essa é uma das</p><p>condições para a nossa felicidade. Periodicamente reclamamos de abusos</p><p>na televisão, em propagandas e noticiários, na crença de que há certos</p><p>valores que estão sendo transgredidos por puro sensacionalismo. Em todos</p><p>esses casos, nossas crenças e valores determinam nossas ações e</p><p>atitudes sem que eles sequer nos passem pela cabeça. Mas eles estão lá,</p><p>profundamente arraigados e extremamente influentes. Enquanto estamos</p><p>ocupados em trabalhar, pagar as contas ou divertir-nos, não vemos</p><p>necessidade de questionar essas crenças e valores. Mas nada impede que,</p><p>em determinado momento, façamos uma reflexão profunda sobre o</p><p>significado desses valores e crenças fundamentais e sobre a sua</p><p>consistência. É nesse estado de espírito que formularemos perguntas</p><p>como: “O que é a realidade em si mesma?”, “O que há por trás daquilo que</p><p>vejo, ouço e toco?”, “O que é o espaço? E o que é o tempo?”, “Se o que</p><p>aconteceu há um centésimo de segundo atrás já é passado, será que o</p><p>presente não é uma ficção?”, “Será que tudo o que acontece é sempre</p><p>antecedido por causas?”, “O que é a felicidade? E como alcançá-la?”, “O</p><p>que é o certo e o errado?”, “O que é a liberdade?”.</p><p>Paul Gauguin, De onde viemos? Quem somos? Para onde</p><p>vamos?(1897/98).</p><p>Essas perguntas são tipicamente filosóficas e refletem algo que</p><p>poderíamos chamar de atitude filosófica perante o mundo e perante nós</p><p>mesmos. É a atitude de nos voltarmos para as nossas crenças mais</p><p>fundamentais e esforçar-nos por compreendê-las, avaliá-las e justificá-las.</p><p>Muitas delas parecem ser tão óbvias que ninguém em sã consciência</p><p>tentaria sinceramente questioná-las. Poucos colocariam em questão</p><p>máximas como “Matar é errado”, “A democracia é melhor que a ditadura”,</p><p>“A liberdade de expressão e de opinião é um valor indispensável”. Mas, a</p><p>atitude filosófica não reconhece domínios fechados à investigação. Mesmo</p><p>em relação a crenças e valores que consideramos absolutamente</p><p>inegociáveis, a proposta da filosofia é a de submetê-los ao exame crítico,</p><p>racional e argumentativo, de modo que a nossa adesão seja restabelecida</p><p>em novo patamar. Em outras palavras, a proposta filosófica é a de que, se</p><p>é para sustentarmos</p><p>para ajudar uma crian-</p><p>ça a ter caracter nesta fase da vida do homem:</p><p>A finalidade do educador deve ser habilitá-lo a encontrar uma sólida</p><p>base em que se sinta confiante, seguro, respeitado e capaz de sentir-se</p><p>senhor de si, sem ter de recorrer à agressividade ou ao servilismo excessi-</p><p>vos. A natureza dota o educador de paixões, especificamente a compaixão</p><p>ou piedade, a qual também está presente no adolescente nessa época, e o</p><p>educador pode usá-las para promover um desenvolvimento mais criativo</p><p>em suas relações.[18]</p><p>O entendimento do que o autor chama piedade, difere de pena, parece</p><p>estar mais próximo de solidariedade; trata-se de um sentimento puro que o</p><p>homem e os animais possuem desde a criação, mas que no caso do ho-</p><p>mem, é corrompido pela ganância e o amor-próprio, à medida que descobre</p><p>a sociedade corrompida e a ela se entrega.</p><p>Para Rousseau com a adolescência, aparece o homem completo, o</p><p>homem com suas paixões, o homem que não se contenta em existir, mas</p><p>que quer viver. Aqui se inicia a formação do homem moral.</p><p>Finalmente no capítulo V, a idade da sabedoria para a cidadania: as-</p><p>sim, o autor parece pensar que a educação, que passa a envolver agora</p><p>um amplo componente de autodidatismo, deveria continuar na idade da</p><p>sabedoria (20-25 anos). O aluno, agora um jovem adulto, aprende sobre</p><p>leis, sociedade, governo, e também a cortejar e obter uma parceira conju-</p><p>gal. Ele se tornou, finalmente, um membro plenamente qualificado, senhor</p><p>de si e de seus atos, da sociedade adulta e cidadão de um Estado; através</p><p>de sua própria virtude e conduta, o bem- estar da sociedade tem sua conti-</p><p>nuidade assegurada. É em relação a essas matérias que Emílio e seu</p><p>preceptor devem renegociar as bases do seu relacionamento: Jean-</p><p>Jacques pode continuar como tutor e guia de Emílio apenas com a permis-</p><p>são deste último. Nesses estágios finais da educação, o preceptor usa uma</p><p>abordagem mais teórica - quando trata de lei e governo, por exemplo, mas</p><p>a experiência concreta ainda é enfatizada. Emílio é incentivado a viajar</p><p>para que não possua apenas meras informações e conhecimentos sobre</p><p>outras situações, outras organizações políticas, outras formas de governo,</p><p>mas as compreenda; durante seus namoros, por estar propenso a destruir-</p><p>se através de paixões incontroláveis, seu preceptor, por vezes, encenará os</p><p>encontros ou intervirá para evitar situações delicadas.</p><p>Todas estas propostas educacionais, ora intrigantes, ora divertidas, em</p><p>seus detalhes, segundo Dent:</p><p>...conspiram para servir de propósito dominante de Jean-Jacques</p><p>Rousseau: habilitar o ser humano a crescer como um todo, intacto, na</p><p>posse de seus próprios poderes e possibilidades criativos, que ele usará</p><p>para seu benefício pessoal e de outros. E, dado que ele é tão crítico das</p><p>deformações e sofrimentos que a sociedade ordinariamente inflige às</p><p>pessoas, Jean-Jacques Rousseau é obrigado a mostrar o que uma pessoa</p><p>seria se, fiel à sua natureza, fosse criada de acordo com os princípios por</p><p>ele descritos no ‘Emílio’. Do começo ao fim, o programa educacional esta a</p><p>serviço desse propósito superior.[19]</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 20</p><p>Desta forma, as ideias de Jean-Jacques Rousseau parecem ter sido in-</p><p>fluentes na história e, em grande parte, benéficas; estamos de acordo com</p><p>o comentarista quando nos faz concluir:</p><p>Que as crianças devem desfrutar de liberdade para poder avaliar por</p><p>experiência própria, seus próprios poderes; que a instrução deve ser orien-</p><p>tada de acordo com o nível delas e de modo a mobilizar seus interesses;</p><p>que tarefas diferentes são apropriadas para diferentes idades; que habili-</p><p>dades e competências são mais valiosas e mais duradouras do que o</p><p>conhecimento adquirido de cor, sem ser assimilado - tudo isso seria hoje</p><p>considerado fruto do senso comum.[20]</p><p>Jean-Jacques Rousseau não teria, certamente, ficado feliz, porém, com</p><p>a tendência de uma certa educação centrada na criança que lhe permite</p><p>pensar que pode fazer tudo, ou com uma liberdade individual ilimitada,</p><p>fazendo o que seus impulsos lhe ditem, pois ele acredita que este capricho</p><p>admitido como lei, seria inimigo de um crescimento bem-sucedido.[21]</p><p>Em nossos dias, enfatiza-se a exigência de leituras para crianças, mas</p><p>há que se atentar para o perigo da antecipação racional. Para Rousseau,</p><p>crianças devem ser crianças, e tudo deve vir a seu tempo, ou em cada fase</p><p>de desenvolvimento, sendo esta afirmação um ponto fundamental para</p><p>entrelaçar as ideias básicas sobre o educando. Nela parece referir-se em</p><p>primeiro lugar ao livre pensar, que se opõe ao ato de decorar conteúdos a</p><p>partir de uma educação escolar sem sentidos.</p><p>A criança que lê não pensa, só lê; não se instrui, aprende palavras.</p><p>Tornai vosso aluno atento aos fenômenos da natureza, muito em breve o</p><p>tornareis curioso. Mas, para alimentar sua curiosidade, não vos apresseis</p><p>nunca em satisfazê-la. Ponde os problemas ao seu alcance e deixai-o que</p><p>os resolva. Que nada saiba, porque vós lho dissestes, e sim porque o</p><p>compreendeu sozinho. Que ele não se avizinhe à ciência, que a invente. Se</p><p>jamais substituirdes em seu espírito a autoridade à razão, ele não racioci-</p><p>nará mais; não será mais do que o joguete da opinião dos outros.[22]</p><p>Tanto na época de Rousseau quanto hoje, a realidade demonstra que</p><p>continuamos exercitando na educação práticas moldadas no poder da</p><p>autoridade, desde o nascimento da criança. Práticas que são empecilhos</p><p>básicos para a liberdade.</p><p>Liberdade parece ser mais que um elemento pedagógico, implicando</p><p>uma tomada de posição ideológica contra uma sociedade que oprime, que</p><p>divide os homens entre opressores e oprimidos. Educar é praticá-la, cons-</p><p>truindo uma consciência crítica, capaz de gerar comportamentos e a ação</p><p>libertadora da sociedade. Em Rousseau, só há uma possibilidade para que</p><p>o homem realize sua libertação: a construção de uma sociedade moldada</p><p>em um contrato, que garanta a liberdade de todos os indivíduos.</p><p>Outro ponto suscitado em sua pedagogia é a da curiosidade sobre os</p><p>fenômenos, como vimos em nossa exposição. Rousseau faz tal afirmação</p><p>quando propõe uma educação que faça referência a elementos concretos</p><p>da natureza, e que coloque o educando em contato com os mesmos. A</p><p>educação prescinde, para o autor, de elementos só teóricos ou só racio-</p><p>nais.</p><p>...a aquisição de bons hábitos e disposições deve ter prioridade sobre o</p><p>conhecimento abstrato. A criança é mais bem ensinada para ser livre</p><p>através de fábulas e histórias do que através de argumentos abstratos,</p><p>racionais; deve ser conduzida pelo seu interesse, não forçada por lições</p><p>frias a obedecer, a imposições.[23]</p><p>Para Rousseau, a natureza dá ao homem liberdade individual, mas é</p><p>insuficiente, pois o amor-próprio e seu individualismo geram no homem o</p><p>egoísmo, a competição, a injustiça e a destruição da própria natureza.</p><p>Diante disso, o homem tem que construir suas associações através de um</p><p>Contrato social, para ordenar estas vontades individuais. Desta forma, o</p><p>homem continuará livre, mas submetido à vontade geral (vontade coletiva),</p><p>que será também a sua, e será soberana; desde que todos cumpram as</p><p>normas determinadas por todos.</p><p>Como dentro do homem existe naturalmente a bondade, ele não abu-</p><p>sará da liberdade se for educado para ser livre. Esta complexa questão fica</p><p>mais evidente, em Rousseau, quando afirma:</p><p>Se o homem é ativo e livre, ele age por si mesmo; tudo o que faz livre-</p><p>mente não entra no sistema ordenado da Providência e a esta não pode ser</p><p>imputado. Ela não quer o mal que o homem faz, abusando da liberdade que</p><p>ela lhe dá; mas ela não impede de fazê-lo, ou porque da parte de um ser</p><p>tão fraco esse mal seja nulo a seus olhos, ou porque não o pôde impedir</p><p>sem perturbar a liberdade dele e fez um mal maior degradando a natureza.</p><p>Ela o quis livre, a fim de</p><p>que fizesse, não o mal, mas o bem de vontade</p><p>própria. Ela o pôs em condições de fazer esta escolha usando das faculda-</p><p>des com que o dotou; mas tal modo limitou-lhe as forças que o abuso da</p><p>liberdade que lhe permite não pode perturbar a ordem geral.[24]</p><p>O mal ou a escravidão não são uma determinação da natureza. Rous-</p><p>seau prepara o Emílio para a tarefa de libertar-se do poder da autoridade;</p><p>como a natureza não criou tal poder, podemos afirmar que a liberdade</p><p>humana é uma exigência da natureza. Uma educação que recupere a</p><p>bondade natural, respeitando as fases do desenvolvimento humano, torna-</p><p>se para o autor exigência para a concretização de um ser liberto.</p><p>Pode-se agora tentar resumir as linhas mestras mais importantes do</p><p>pensamento de Rousseau, que vão além de um pensamento sobre educa-</p><p>ção; sem seu entendimento não se pode compreender sua inovação peda-</p><p>gógica.</p><p>Rousseau é o filósofo iluminista precursor do romantismo do século</p><p>XIX. Foi característico do Iluminismo o pensamento de que a sociedade</p><p>havia pervertido o homem natural, o selvagem nobre que havia vivido</p><p>harmoniosamente com a natureza, livre de egoísmo, cobiça, possessivida-</p><p>de e ciúme. Este pensamento já está em Montaigne.</p><p>Em seu Discours sur l'origine et les fondements de l'inégalité parmi les</p><p>hommes (1755), ele dá uma descrição hipotética do estado natural do</p><p>homem, propondo que, apesar de desigualmente dotado pela natureza, os</p><p>homens em uma dada época eram de fato iguais, viviam isolados uns dos</p><p>outros e não estavam subordinados a ninguém; evitavam-se como fazem</p><p>os animais selvagens. De acordo com Rousseau, cataclismos geológicos</p><p>reuniram os homens para a "idade de ouro" descrita em vários mitos, a vida</p><p>comunal primitiva na qual o homem aprendia o bem junto com o mal nos</p><p>prazeres do amor, amizade, canções, e danças, e no sofrimento da inveja,</p><p>ódio e guerra. A descoberta do ferro e do trigo iniciou o terceiro estágio da</p><p>evolução humana, criando a necessidade da propriedade privada.</p><p>Esse aspecto é criticado principalmente por Voltaire, que diz: ninguém</p><p>jamais pôs tanto engenho em querer nos converter em animais e que ler</p><p>Rousseau faz nascer desejos de caminhar em quatro patas[25] mas o</p><p>propósito de Rousseau é o de combater os abusos e não o de repudiar os</p><p>mais altos valores humanos.</p><p>Sua teoria política é, sob vários aspectos, uma síntese de Hobbes e</p><p>Locke. Foi o ferro e o trigo que civilizaram os homens e arruinaram a raça</p><p>humana... Do cultivo da terra, sua divisão seguiu-se necessariamente...</p><p>Quando as heranças cresceram em número e extensão, a ponto de cobrir</p><p>toda a terra e de confrontarem umas com as outras, algumas tinham de</p><p>crescer às custas de outras... A sociedade nascente deu lugar ao mais</p><p>horrível estado de guerra. Posteriormente, Rousseau disse que esse esta-</p><p>do de guerra forçou os proprietários de terra ricos a recorrer a um sistema</p><p>de leis para proteger sua propriedade.</p><p>Rousseau parece deixar claro não ser possível ao homem retornar à</p><p>primitiva igualdade, ao estado natural, mas, em um artigo encomendado</p><p>por Diderot para a Enciclopédia, publicado separadamente em 1755, como</p><p>Le Citoyen: Ou Discours sur l'economie politique, busca meios de minimizar</p><p>as injustiças que resultam da desigualdade social. Recomendou três cami-</p><p>nhos: primeiro, igualdade de direitos e deveres políticos, ou o respeito por</p><p>uma vontade geral, de acordo com o qual a vontade particular dos ricos não</p><p>desrespeite a liberdade ou a vida de ninguém; segundo, educação pública</p><p>para todas as crianças, baseada na devoção pela pátria e na austeridade</p><p>moral, de acordo com o modelo da antiga Esparta; terceiro, um sistema</p><p>econômico e financeiro combinando os recursos da propriedade pública</p><p>com taxas sobre as heranças.</p><p>Estão no pensamento de Rousseau aquelas linhas que serão logo a</p><p>seguir características do movimento romântico que caracterizou a primeira</p><p>metade do século XIX: A valorização dos sentimentos em detrimento da</p><p>razão intelectual, e da natureza mais autêntica do homem, em contraposi-</p><p>ção ao artificialismo da vida civilizada. Sua influencia no movimento român-</p><p>tico e na nova pedagogia é incontestável.</p><p>NOTAS</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 21</p><p>[1] Lourenzo LUZURIAGA. História da educação e da pedagogia. São</p><p>Paulo: Companhia Editora Nacional, 1987, p.13.</p><p>[2] Por intermédio de Mme. De Warens, 1740 Rousseau é convidado</p><p>por Jean Bonnot de Mably para ser preceptor de seus filhos... Rousseau,</p><p>um homem de bem, maltratado pela sorte, que se faz pedagogo por voca-</p><p>ção e não por ambição... Montaigne com L’Instrucion des enfantes o influ-</p><p>enciou no nível pedagógico. Retirado da introdução de Dorothée de Bru-</p><p>chard ao livro Projeto para educação do senhor de Sainte- Marie, de Jean</p><p>Jacques ROUSSEAU, 1994, p.7.</p><p>[3] Jean Jacques ROUSSEAU. Emílio ou da educação. Rio de Janeiro:</p><p>Bertrand Brasil, 1992, p.245.</p><p>[4] Id., ibid., p.50.</p><p>[5] Id., ibid., p.235.</p><p>[6] Jean-Jacques ROUSSEAU. O Contrato social, p.170.</p><p>[7] A descrição deste tema está explicada detalhadamente no seu pri-</p><p>meiro discurso, denominado Discurso sobre a origem e as desigualdades</p><p>dos homens, pelo que ganhou o prêmio da Academia de Dijon na França. A</p><p>partir deste fato Rousseau se tornou conhecido.</p><p>[8] N.J.H. DENT, Dicionário Rousseau, Rio de Janeiro: Jorge Zahar</p><p>Ed., 1996, P.159.</p><p>[9] Jean-Jacques ROUSSEAU, apud. N.J.H. DENT. Dicionário Rousse-</p><p>au. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 1996, p. 159.</p><p>[10] Frederick EBY. História da educação moderna. Porto Alegre: Ed.</p><p>Globo, 1976, p.121.</p><p>[11] Jean-Jacques ROUSSEAU. Emílio ou da educação, p.11.</p><p>[12] Id., ibid., p.9.</p><p>[13] Id., ibid.</p><p>[14] As idades citadas não devem ser tomadas com exatidão; é a arti-</p><p>culação das diferentes fases de desenvolvimento que é significativa. Nesta</p><p>fase tem início o segundo nascimento, é o início da idade jovem, onde a</p><p>razão passa a ser exercitada.</p><p>[15] Jean-Jacques ROUSSEAU, Émile ou de L’éducacion. Paris, Clas-</p><p>siques Garnier, 1951, p. 182.</p><p>[16] N.J.H. DENT, Dicionário Rousseau, Rio de Janeiro: Jorge Zahar</p><p>Ed., 1996, p. 118.</p><p>[17] Jean-Jacques ROUSSEAU. Emílio ou da educação, p.234.</p><p>[18] N.J.H. DENT, Dicionário Rousseau, Rio de Janeiro: Jorge Zahar</p><p>Ed., 1996, p.,118</p><p>[19] N.J. H. DENT. Op. cit. p.119.</p><p>[20] Id., ibid., p.119.</p><p>[21] Id., ibid.</p><p>[22] Jean-Jacques ROUSSEAU. Emílio ou da educação, p.176.</p><p>[23] Id., ibid., p.11.</p><p>[24] Id., ibid., p. 325.</p><p>[25] Frederick EBY. História da educação moderna, p.277.</p><p>9. Utilitarismo ético.</p><p>O utilitarismo é uma teoria ética que propõe que atos e intenções não</p><p>são bons ou ruins em si, mas sim à medida que produzem consequências</p><p>de valor (utilidade) positivo ou negativo, segundo algum critério de avalia-</p><p>ção. Na sua versão original, o utilitarismo clássico, atos são avaliados</p><p>segundo a diferença na quantidade de felicidade ou sofrimento que produ-</p><p>zem no mundo, de maneira que a melhor forma de agir é a que gera a</p><p>maior diferença positiva de felicidade no mundo.</p><p>Assim, atos como ajudar, amar, roubar e matar não são sempre bons</p><p>ou ruins, serão bons quando causarem boas consequências (p.e. gerando</p><p>felicidade e/ou evitando sofrimento) e ruins quando causarem o contrário.</p><p>Deve-se portanto agir da maneira que provocará mais felicidade e menor</p><p>sofrimento, todas as outras formas deixam de produzir bens ou provocam</p><p>males desnecessariamente.</p><p>A teoria utilitarista foi originalmente proposta pelo filósofo e jurista in-</p><p>glês Jeremy Bentham (1748–1832) no seu livroAn Introduction to the Prin-</p><p>ciples of Morals and Legislation em 1789, o ano da revolução francesa e</p><p>seguinte ao ano da publicação da Crítica da Razão Prática, na</p><p>qual Immanuel Kant (1724–1804) publicou sua teoria ética. Diversos filóso-</p><p>fos propuseram versões modificadas da teoria utilitarista desde então.</p><p>O utilitarismo clássico combina o</p><p>consequencialismo, o princípio de que</p><p>o valor dos atos está nas suas consequências, com o hedonismo, o princí-</p><p>pio de que o bem e o mal se reduzem a estados de bem-estar e sofrimento,</p><p>e propõe que o valor de uma ação está na sua utilidade em maximizar o</p><p>bem-estar e minimizar o sofrimento agregados dos seres sencientes. Ou-</p><p>tras versões do utilitarismo, como o utilitarismo de preferência, buscam</p><p>maximizar outros fins podendo incorporar outros valores como liberdade e</p><p>justiça.</p><p>A teoria utilitarista influenciou substancialmente a política, o direito e</p><p>principalmente a economia, dando origem aoutilitarismo econômico.</p><p>Atualmente, o utilitarismo tem muitas versões, em parte devido às suas</p><p>críticas, e é uma das principais teorias éticas normativas, juntamente à</p><p>deontologia Kantiana. O defensor do utilitarismo mais famoso atual é o</p><p>filósofoPeter Singer.</p><p>10. Ética e liberdade.</p><p>O que é Liberdade:</p><p>Liberdade significa o direito de ir e vir, de acordo com a própria vonta-</p><p>de, desde que não prejudique outra pessoa, é a sensação de estar livre e</p><p>não depender de ninguém. Liberdade é também um conjunto de ideias</p><p>liberais e dos direitos de cada cidadão.</p><p>Liberdade é classificada pela filosofia, como a independência do ser</p><p>humano, o poder de ter autonomia e espontaneidade.A liberdade é um</p><p>conceito utópico, uma vez que é questionável se realmente os indivíduos</p><p>tem a liberdade que dizem ter, se com as mídias ela realmente existe, ou</p><p>não. Diversos pensadores e filósofos dissertaram sobre a liberdade, como</p><p>Sartre, Descartes, Kant, Marx e outros.</p><p>No meio jurídico, existe a liberdade condicional, que é quando um in-</p><p>divíduo que foi condenado por algo que cometeu, recebe o direito de</p><p>cumprir toda, ou parte de sua pena em liberdade, ou seja, com o direito de</p><p>fazer o que tiver interesse, mas de acordo com as normas da justiça.</p><p>Liberdade em Ética</p><p>Em ética, liberdade é relacionado com responsabilidade, uma vez que</p><p>um indivíduo tem todo o direito de ter liberdade, desde que essa atitude</p><p>não desrespeite ninguém, não passe por cima de princípios éticos e</p><p>legais.</p><p>Liberdade na Filosofia</p><p>Segundo a filosofia, liberdade é o conjunto de direitos de cada indiví-</p><p>duo, seja ele considerado isoladamente ou em grupo, perante o governo</p><p>do país em que reside; é o poder qualquer cidadão tem de exercer a sua</p><p>vontade dentro dos limites da lei.</p><p>Liberdade pelos Filósofos</p><p>Diversos filósofos estudaram e publicaram suas obras sobre a liber-</p><p>dade, como Marx, Sartre, Descartes, Kant, e outros. Para Descartes a</p><p>liberdade é motivada pela decisão do próprio indivíduo, mas muitas vezes</p><p>essa vontade depende de outros fatores, como dinheiro ou bens materiais.</p><p>Segundo Kant, liberdade está relacionado com autonia, é o direito do</p><p>indivíduo dar suas próprias regras, que devem ser seguidas racionalmen-</p><p>te. Essa liberdade só ocorre realmente, através do conhecimento das leis</p><p>morais e não apenas pela própria vontade da pessoa. Kant diz que a</p><p>liberdade é o livre arbítrio e não deve ser relacionado com as leis.</p><p>Para Sartre, a liberdade é a condição de vida do ser humano, o prin-</p><p>cípio do homem é ser livre. O homem é livre por si mesmo, independente</p><p>dos fatores do mundo, das coisas que ocorrem, ele é livre para fazer o que</p><p>tiver vontade.</p><p>Karl Marx diz que a liberdade humana é uma prática dos indivíduos, e</p><p>ela está diretamente ligada aos bens materiais. Os indivíduos manifestam</p><p>sua liberdade em grupo, e criam seu próprio mundo, com seus próprios</p><p>interesses.</p><p>11. Ética aplicada (bioética, ética ambiental e ética dos negócios).</p><p>Por Débora Carvalho Meldau</p><p>A bioética é a ética aplicada a vida e, abrange temas que vão desde</p><p>uma simples relação interpessoal até fatores que interferem na sobrevivên-</p><p>cia do próprio planeta. Dentro da medicina veterinária, este termo está</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 22</p><p>intimamente ligado à noção de bem-estar animal. O termo bioética foi</p><p>utilizado pela primeira vez no ano de 1970, por um médi-</p><p>co oncologistachamado van Rensselaer Potter.</p><p>As principais razões para seu surgimento foram:</p><p>Abusos na utilização de animais e seres humanos em experimentos;</p><p>Surgimento acelerado de novas técnicas desumanizantes que apresen-</p><p>tam questões inéditas, como por exemplo,clonagem de seres humanos;</p><p>Percepção da insuficiência dos referenciais éticos tradicionais, pois de-</p><p>vido ao rápido progresso científico, torna-se fácil constatar que os códigos</p><p>de ética ligados a diferentes profissões não acompanharam o rápido pro-</p><p>gresso científico, sendo diversas vezes insuficientes para julgar os temas</p><p>polêmicos da bioética.</p><p>O emprego de descobertas científicas pode, muitas vezes, afetar posi-</p><p>tiva ou negativamente a sociedade ou até mesmo o planeta. Deste modo, a</p><p>análise das vantagens e desvantagens do emprego de uma determina-</p><p>da tecnologia ou da realização de certos experimentos deve ser avaliada</p><p>por comitês formados por indivíduos de diversas formações. Sendo assim,</p><p>pode ser percebido que a bioética envolve profissionais das seguintes</p><p>áreas:</p><p>Tecnociências (medicina, veterinária e biologia);</p><p>Humanidades (filosofia, teologia, psicologia e antropologia);</p><p>Ciências sociais (economia e sociologia);</p><p>Direito;</p><p>Política.</p><p>Os princípios básicos da bioética são três:</p><p>Autonomia ou princípio da liberdade: ele se baseia no fato de que</p><p>na relação médico-paciente, este último possui o direito de ser informado</p><p>sobre seu estado de saúde, detalhes do tratamento a ser prescrito e tem</p><p>toda a liberdade de decidir se irá ou não se submeter ao tratamento deter-</p><p>minado. Caso o paciente não possa decidir, os pais ou responsáveis é que</p><p>tomam a decisão. Em casos de experimentos conduzidos com seres huma-</p><p>nos, os indivíduos submetidos aos testes devem receber detalhes dos</p><p>procedimentos a serem adotados e dar uma autorização, por escrito, de</p><p>que deseja participar da pesquisa. Na medicina veterinária, como o animal</p><p>não pode tomar essa decisão, cabe ao médico veterinário fornecer todas as</p><p>informações sobre o animal e possíveis tratamentos e obter a autorização</p><p>do proprietário para a realização dos procedimentos.</p><p>Beneficência ou princípio da não-maleficência: toda e qualquer tec-</p><p>nologia deve trazer benefícios para a sociedade e jamais causar-lhe malefí-</p><p>cios. É fato nos dias de hoje, que a bioética está mais relacionada aos</p><p>seres humanos do que aos animais, pois a maior parte dos experimentos</p><p>existentes visa beneficiar o homem e não os animais.</p><p>Justiça distributiva: os avanços técnico-científicos devem beneficiar a</p><p>sociedade como um todo e não apenas alguns grupos privilegiados.</p><p>A bioética divide-se em dimensões, também conhecidas como gran-</p><p>des áreas de estudo da bioética, que são:</p><p>Dimensão pessoal: estuda a relação entre os profissionais responsá-</p><p>veis e seus pacientes. A liberdade do indivíduo ou responsável pelo indiví-</p><p>duo deve ser respeitada;</p><p>Dimensão social, econômica e política: tem como objetivo estabele-</p><p>cer critérios para que seja determinada a alocação e distribuição de recur-</p><p>sos, bem como tentar reduzir as diferenças econômicas e sociais dentro de</p><p>um país ou entre países. Dentre os diferentes assuntos que são abordados</p><p>nessa área da bioética, destacam-se: alocação de recursos financeiros;</p><p>patentes; desequilíbrio entre países ricos e pobres e fome;</p><p>Dimensões ecológicas: os principais temas que fazem parte da pauta</p><p>de discussão da bioética no campo da ecologia são proteção ao meio</p><p>ambiente, exploração dos recursos naturais, desertificação, poluição,</p><p>extinção de espécies, equilíbrio ecológico, utilização de animais e plantas</p><p>em condições éticas, proteção da qualidade de vida dos animais, desequilí-</p><p>brio entre países ricos e pobres, problemas nucleares e proteção</p><p>da biodiversidade;</p><p>Dimensão pedagógica: trata-se da discussão de alternativas que vi-</p><p>sem uma</p><p>melhora no ensino e aprendizagem nas instituições;</p><p>Dimensões biológicas ou bioética especial: dentro deste grupo da</p><p>bioética, destacamos o começo da vida, o diagnóstico pré-natal, o aborta-</p><p>mento provocado, a reanimação do recém-nascido, a engenharia genéti-</p><p>ca e organismos geneticamente modificados, terapia gênica, eugenia,</p><p>reprodução medicamental assistida, clonagem,transplante de órgãos,</p><p>experimentação animal e em humanos, eutanásia e distanásia.</p><p>A importância das discussões em bioética, em razão do seu caráter</p><p>transdisciplinar, é fazer com que a ciência não utilize indiscriminadamente</p><p>as novas tecnologias logo que se tornem viáveis, mas somente apenas</p><p>após possuir o conhecimento e a sabedoria suficientes para utilizá-las em</p><p>benefício da humanidade e não em seu detrimento. Nesse sentido, a bioéti-</p><p>ca permitirá que a sociedade decida sobre as tecnologias que lhe convêm.</p><p>Ética ambiental é um conceito filosófico desenvolvido na década de</p><p>1960 que amplia o conceito de ética, enquanto da forma de agir</p><p>do homem em seu meio social, pois se refere também à sua maneira de</p><p>agir em relação à natureza. Considera que a conservação da vida humana</p><p>está intrinsecamente ligada à conservação da vida de todos os seres.</p><p>O conceito de ética ambiental relaciona-se assim como o conceito</p><p>de ecocentrismo, por oposição ao antropocentrismo. Por esse conceito, o</p><p>comportamento do homem deve ser considerado em relação a si mesmo e</p><p>em relação a todos os seres vivos.</p><p>Por esse conceito, todos os seres são iguais. O homem, apesar de im-</p><p>buído de racionalidade, não pode continuar a ver outros seres como inferio-</p><p>res e, portanto, não pode agir de forma predatória em relação aos mesmos.</p><p>O homem deixa de ser "dono" da natureza para voltar a ser parte da Natu-</p><p>reza.</p><p>Busca-se, com a ética ambiental, criar-se uma nova ordem mundial,</p><p>onde o Homem não mais satisfaça apenas seus desejos imediatos mas, ao</p><p>agir, busque atender seus desejos, limitados pelas necessidades de outros</p><p>seres vivos, bem como os desejos de gerações futuras.</p><p>Ética nos Negócios</p><p>A gestão da ética nos negócios e das relações de trabalho é um dos pilares</p><p>de sustentação das empresas. As instituições que pretendem ter vida longa</p><p>necessitam estabelecer relações éticas com todos os seus públicos.</p><p>Em negociações comerciais, a necessidade da existência de regras de</p><p>comportamentos bem como direitos e deveres respeitados e obedecidos é</p><p>talvez ainda mais importante. Em ética empresarial, a menor das infrações</p><p>provoca um impacto gravíssimo na reputação de uma companhia ou das</p><p>equipes que a compõe. O que foi construído em um longo tempo é perdido</p><p>rapidamente. Um exemplo de Prejuízo foi da empresa Siemens que numa</p><p>atitude de tentar subordinar uma parte do processo de negociação, teve um</p><p>prejuízo de 1,4 bilhões de dólares. Quanto mais houver obediência espontâ-</p><p>nea de ética, menos tempo e dinheiro serão desviados para a defesa de</p><p>eventuais comportamentos não-éticos.</p><p>O comportamento das empresas bem como seus valores repercutem dire-</p><p>tamente nas relações com clientes, fornecedores e com a própria sociedade.</p><p>A prática do pluralismo tem difundindo essas informações e agregado valor</p><p>nas relações de clientes e fornecedores.</p><p>A competitividade nas Negociações Comerciais</p><p>De boas ideias a preços baixos e excelentes produtos, o mundo está com</p><p>excesso de oferta. Nesse contexto é comum observar a grande competitivi-</p><p>dade nas empresas e a busca pela sustentabilidade e posição de destaque.</p><p>A dificuldade em ser ético em vendas é justamente discernir sobre o que é</p><p>certo e errado. Uma forma valiosa nesse caso é posicionar-se no lugar da</p><p>pessoa que estará sendo afetada por seu ato. Quer seja um empregador,</p><p>um colega, um concorrente ou um cliente, é preciso observar a questão sob</p><p>o ponto de vista do outro.</p><p>Nos segmentos altamente competitivos como a Indústria farmacêutica,</p><p>indústria do tabaco e de bebidas requer um cuidado especial na conduta dos</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 23</p><p>funcionários em suas áreas de atuações. Casos que com o excesso de</p><p>cobranças faz com que funcionários ajam contra as próprias regras morais</p><p>com o propósito de alcançar os objetivos da companhia e consequentemen-</p><p>te de se manter empregado. Em algumas empresas desse segmento, tem-</p><p>se a impressão que ética e negócio são palavras excludentes.</p><p>A grande necessidade de conquistar a preferência do cliente faz com que</p><p>alguns vendedores transgridem a ética distorcendo fatos e omitindo informa-</p><p>ções relevantes. Enfrentar uma concorrência acirrada leva alguns vendedo-</p><p>res a exagerar nas vantagens da sua oferta. Isso também pode ser antiético</p><p>se a crença nesses exageros resultar em prejuízo para o cliente.</p><p>A competitividade traz melhorias contínuas, mas o excesso bem como a</p><p>grande cobrança na área comercial pode influenciar na prática de ações</p><p>desleais perante alguma parte do sistema. O grande desafio dos Gestores é</p><p>saber dosar até que ponto se pode chegar numa negociação para que não</p><p>afete a corrente ética estabelecida. Outro importante requisito é de se aten-</p><p>tar em conhecer os princípios éticos dos profissionais que contratam.</p><p>Vantagens das empresas Éticas</p><p>A ética nas empresas representa um elemento mediador das práticas, guia e</p><p>orienta as relações humanas e incentiva os indivíduos a constituírem um</p><p>ambiente de harmonia norteado nos valores humanos.</p><p>Algumas das vantagens de empresas éticas:</p><p>• Desenvolvem relações de confiança mais estáveis e lucrativas com seus</p><p>clientes, sejam internos ou externos;</p><p>• Criam um ambiente de trabalho saudável e consequentemente mais produ-</p><p>tivo;</p><p>• Tornam positivas as experiências de compra ou venda nas transações</p><p>comerciais;</p><p>• Aumenta a confiança e reciprocidade;</p><p>• Empresas com padrões éticos têm menos problemas de furtos, sabotagem,</p><p>discriminações e depredação das instalações;</p><p>• Minimizam riscos de escândalos que destroem carreiras e companhias;</p><p>Conclusão</p><p>Em negociações comerciais, o grande negócio é ser ético. Embora o com-</p><p>portamento antiético possa levar as vendas imediatas, isso só acontece em</p><p>curto prazo. Com o tempo, pessoas que costumam ter esse tipo de compor-</p><p>tamento antiético vêem sua reputação sofrer as consequências. Por outro</p><p>lado, pessoas que costumeiramente comportam-se de acordo com os mais</p><p>elevados padrões éticos vêem suas reputações subirem. Uma reputação</p><p>favorável fará mais pela criação de vendas e sucesso duradouro do que</p><p>qualquer comportamento antiético.</p><p>Finalmente é importante destacar que a ética é importante tanto na vida</p><p>pessoal como na vida profissional. A esperança que mais organizações</p><p>adotem código de ética e conduta e que todos sejam inseridos nele e que</p><p>passem a construir uma sociedade mais humana e consequentemente mais</p><p>produtiva. Rodolfo Maciel Dourado</p><p>PROVA SIMULADA</p><p>1. Sabe-se que a filosofia é um modo de pensar sobre a realidade além da</p><p>aparecia geral dos fatos. Pois em, marque a alternativa que indica correta-</p><p>mente onde a filosofia nasceu:</p><p>a)Grécia Antiga.</p><p>b)Império Romano.</p><p>c)Mesopotâmia</p><p>d)Egito Antigo.</p><p>e)No Império Persa.</p><p>2. A filosofia é conhecida por ser muito questionadora. São nas interroga-</p><p>ções que encontramos o pensamento filosófico. Então, o ato de fazer</p><p>perguntas é importante por que:</p><p>a)Somente com o hábito de perguntar é que podemos encontrar a verdade</p><p>sobre algo ou sobre alguma coisa.</p><p>b)Temos que questionar tudo o que nos cerca, porque para a filosofia tudo</p><p>é falso.</p><p>c)Não existe verdade nenhuma em nosso mundo.</p><p>d)Com a filosofia podemos provar que a verdade é algo que nunca pode-</p><p>remos compreender.</p><p>e)Instiga apenas a formulação de especulações ideológicas.</p><p>3. Sobre o Senso Moral é correto afirmar que:</p><p>a)É a maneira como avaliamos a nossa conduta e a de nossos semelhan-</p><p>tes em relação a vida em sociedade.</p><p>b)É quando não refletimos sobre o comportamento que temos na socieda-</p><p>de.</p><p>c)Ocorre quando somente criticamos certas posturas erradas de outras</p><p>pessoas.</p><p>d)É algo que está intimamente ligado a vida individual da pessoa.</p><p>4. “A Filosofia confia na Razão, para a filosofia a realidade é racional, ou</p><p>seja, é passível de compreensão”. Ao analisar a frase a cima pode-se</p><p>afirmar que ela explica sobre:</p><p>a)Nunca poderemos entender a realidade, uma vez que, ela é muito com-</p><p>plexa.</p><p>b)A Razão incluída em cada ser humano, e a capacidade que o homem</p><p>não tem em compreender sobre a sua realidade.</p><p>c)A capacidade que os Seres Humanos tem em entender a nossa realidade</p><p>através de um posicionamento filosófico na busca do conhecimento.</p><p>d)O posicionamento da Filosofia como forma de tentar entender todos os</p><p>problemas do homem e do mundo.</p><p>e)A Razão seria algo estritamente ligado aos filósofos e pensadores que</p><p>tem na filosofia uma forma absoluta de se conceber a verdade.</p><p>5. Sobre a Consciência Moral é incorreto afirmar que:</p><p>a)Esta ligada a opinião de outras pessoas em relação a nossas condutas.</p><p>b)É a maneira como avaliamos além de nossos sentimentos, mas também</p><p>o pensamento de outras pessoas.</p><p>c)Geralmente ocorre quando enfrentamos situações de conflitos que nos</p><p>deixam em dúvidas sobre nossas decisões.</p><p>d)É quando agimos de uma forma na qual somente pensamos em nossas</p><p>opiniões.</p><p>6. Marque a alternativa que afirma corretamente sobre a Cultura de Violên-</p><p>cia que em muitos casos está bastante presente no cotidiano das pessoas:</p><p>a) Quando falamos de cultura de Violência, estamos nos referindo aos</p><p>padrões tribais das antigas civilizações.</p><p>b) Cultura de violência é algo que já foi, em muitos casos superados, pelos</p><p>novos padrões civilizatórios da pós-modernidade.</p><p>c) São padrões de comportamento que estão ligados a conflitos étnicos e</p><p>religiosos.</p><p>d) Definimos uma cultura de Violência como hábitos que a sociedade</p><p>cultiva, baseados em comportamentos agressivos e imposição de poder, de</p><p>forma habitual.</p><p>e) Seria um conjunto de conhecimentos preventivos em relação aos hábitos</p><p>violentos da sociedade.</p><p>7. O sistema carcerário serve para reeducar um individuo condenado por</p><p>algum crime ao convívio social, no entanto essa situação não se concretiza</p><p>isso se dá por quê:</p><p>a)Os projetos de reeducação do cidadão condenado por um crime são</p><p>muito complexos para os seus usuários.</p><p>b)Existe uma falsa impressão que a penitenciária serve como um local de</p><p>sofrimento e vingança para o criminoso e não como um local para reabilitar</p><p>pessoas ao convívio social.</p><p>c)Existem muitos recursos para o melhoramento do sistema penitenciário</p><p>brasileiro.</p><p>d)Todo o problema está no criminoso e não tem nenhuma relação com a</p><p>sociedade.</p><p>e)Nenhuma das alternativas estão corretas.</p><p>8. Em nenhum momento na história do tráfico de drogas no Brasil, houve</p><p>uma conduta correta do Estado para desmantelar as redes de traficantes,</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 24</p><p>as ações da polícia sempre resultam em abuso de poder, chacina e gran-</p><p>des índices de violência.</p><p>O texto acima se refere:</p><p>a) A Grande capacidade do sistema político brasileiro em acabar com o</p><p>trafico de drogas.</p><p>b) A Habilidade pacifica da polícia brasileira com a problemática com o</p><p>tráfico de drogas.</p><p>c) O poder que o Estado tem em acabar com o submundo das drogas no</p><p>país.</p><p>d) A ineficiência do Estado, junto com seus organismos de manutenção da</p><p>ordem social em lidar com o complexo problema das drogas no Brasil.</p><p>9. “O interrogatório é muito fácil de fazer,</p><p>Pega o favelado e dá porrada até doer.</p><p>O interrogatório é muito fácil de acabar,</p><p>Pega o bandido e dá porrada até matar".</p><p>(Refrão cantado por soldados do Batalhão de Operações Especiais –</p><p>BOPE)</p><p>Com base no texto podemos analisar:</p><p>a) O preparo humanitário da polícia do Rio de Janeiro.</p><p>b) Como a violência policial se institucionalizou em alguns cantos do Brasil.</p><p>c) Que a polícia deve sempre trabalhar com o uso de práticas violentas</p><p>para colher bons frutos.</p><p>d) A violência policial somente se manifesta na forma de canções.</p><p>10. Sobre as Políticas de Não-Violência é correto afirmar que:</p><p>a) Não há ligação alguma entre a Não-Violência e o Pacifismo.</p><p>b) È um processo de comportamento, voltado apenas para a redução de</p><p>problemas individuais.</p><p>c) Nasce da necessidade de se promover umas reflexões e ações visando</p><p>a redução dos índices de violência social.</p><p>d) Não promovem reflexões sobre problemas de exclusão social e econô-</p><p>mica.</p><p>11. Um cidadão armado tem 57% de chances de ser assassinado do que</p><p>os que andam desarmados. As armas de fogo provocam um custo ao SUS</p><p>de mais de 200 milhões de reais. Fonte: UNESCO.</p><p>Pois bem sobre o texto podemos afirmar que:</p><p>a) A violência é um elemento gerador de mais violência, podendo ser um</p><p>elemento causador de aumento de impostos.</p><p>b) Não há relação entre política, economia e violência.</p><p>c) A violência somente é provocada a pessoas portadoras de armas de</p><p>fogo.</p><p>d) O Índice de Violência reduziriam se o porte de arma fosse de fácil aces-</p><p>so a todos.</p><p>e) N.D.A</p><p>12. Ao analisar as causas da violência é preciso refletir sobre:</p><p>a) Somente as questões Econômicas que levam a acontecer acontecimen-</p><p>tos marcados pela violência.</p><p>b) A intenção Política e Cultura que lavam a consolidação da violência.</p><p>c) Sobre toda a organização social, desde a suas estruturas econômicas e</p><p>políticas, quanto os seus valores, pois a violência é uma problemática</p><p>bastante complexa</p><p>d) A importância de construirmos mais presídios em locais afastados dos</p><p>centros urbanos.</p><p>13.Sobre a ideia de Liberdade é correto afirmar que:</p><p>a) liberdade é poder fazer algo quando se quiser.</p><p>b) liberdade é um caminhos que outro ser decide para a nossa vida.</p><p>c) liberdade é um estado em que o homem não tem mais limites, podendo</p><p>fazer o que quiser e sem precisar considerar a liberdade dos outros.</p><p>d) liberdade é escolher o tipo de pessoa que você possa ser ou será, se-</p><p>gundo a sua consciência moral.</p><p>e) liberdade é um cálculo sobre as causas que levaram as pessoas a fazer</p><p>o mal.</p><p>14. Imagine-se em um centro urbano, observando pessoas que estão indo</p><p>e vindo de diferentes lugares, cada uma movida por múltiplas razões. Pode-</p><p>se, entre outros aspectos, identificar que cada pessoa é impulsionada a</p><p>realizar características que a distinguem de outros animais. Cada uma</p><p>dessas características pode afirmar o homem como</p><p>I. ser histórico.</p><p>II. ser religioso.</p><p>III. ser que produz cultura.</p><p>IV. ser de conhecimento.</p><p>V. ser que se realiza pelo trabalho.</p><p>Estão CORRETAS</p><p>A) I e II, apenas.</p><p>B) III e IV, apenas.</p><p>C) I, II, III, IV e V.</p><p>D) II, III e V, apenas.</p><p>E) I e V, apenas.</p><p>15. Para agir no mundo, a pessoa humana utiliza-se de diferentes modali-</p><p>dades de conhecimento.</p><p>Coloque Verdadeiro (V) ou Falso (F) para as afirmativas a seguir que</p><p>buscam expressar diferenças e características fundamentais de cada</p><p>modalidade de conhecimento, conceituando:</p><p>( ) senso comum como conhecimento irracional, de pouca influência na</p><p>formação de novos conhecimentos.</p><p>( ) ciência como um saber, que, na sua essência, procura desvendar a</p><p>natureza a partir, principalmente, das relações entre causa e efeito.</p><p>( ) arte como um conhecimento que proporciona entender o mundo através</p><p>da sensibilidade do artista.</p><p>( ) filosofia como um saber que se propõe a oferecer um conhecimento,</p><p>baseado na busca rigorosa da origem dos problemas, relacionando-os a</p><p>outros aspectos da vida humana.</p><p>( ) mito como saber capaz de superar a subjetividade do homem, frente ao</p><p>desconhecido.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.</p><p>A) F,V,V,V,F.</p><p>B) V,V,F,F,V.</p><p>C) F,V,F,V,F.</p><p>D) V,F,V,V,V.</p><p>E) F,V,V,V,V.</p><p>GABARITO:</p><p>1 - A</p><p>2 - A</p><p>3 - A</p><p>4 - C</p><p>5 - B</p><p>6 - D</p><p>7 - B</p><p>8 - D</p><p>9 - B</p><p>10 - C</p><p>11 - A</p><p>12 - C</p><p>13 - D</p><p>14</p><p>- C</p><p>15 - E</p><p>certas crenças e valores, que sejam sustentados de</p><p>maneira crítica e refletida.</p><p>Muitos autores identificam essa atitude filosófica com uma espécie de</p><p>habilidade ou capacidade de se admirar com as coisas, por mais prosaicas</p><p>que sejam. Na base da filosofia, estaria a curiosidade típica das crianças ou</p><p>dos que não se contentam com respostas prontas. Platão, um dos pais</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 3</p><p>fundadores da filosofia ocidental, afirmava que o sentimento de assombro</p><p>ou admiração está na origem do pensamento filosófico:</p><p>"A admiração é a verdadeira característica do filósofo. Não tem outra ori-</p><p>gem a filosofia."</p><p>— Platão, Teeteto.[5]</p><p>Na mesma linha, afirmava Aristóteles:</p><p>"Os homens começam e sempre começaram a filosofar movidos pela</p><p>admiração."</p><p>— Aristóteles, Metafísica, I 2.[6]</p><p>Embora essa capacidade de admirar-se com a realidade possa estar</p><p>na origem do pensamento filosófico, isso não significa que tal admiração</p><p>provoque apenas e tão somente filosofia. O sentimento religioso, por</p><p>exemplo, pode igualmente surgir dessa disposição: a aparente perfeição</p><p>da natureza, as sincronias dos processos naturais, a complexidade</p><p>dos seres vivos podem causar profunda impressão no indivíduo e levá-lo a</p><p>indagar se o responsável por tudo isso não seria uma Inteligência Superior.</p><p>Uma paisagem que a todos parecesse comum e sem atrativos poderia</p><p>atrair de modo singular o olho do artista e fazê-lo criar uma obra de arte</p><p>que revelasse nuances que escaparam ao olhar comum. Analogamente,</p><p>embora a queda de objetos seja um fenômeno corriqueiro, se nenhum</p><p>cientista tivesse considerado esse fenômeno surpreendente ou digno de</p><p>nota, não saberíamos nada a respeito da gravidade. Esses exemplos</p><p>sugerem que, além de certa atitude em relação à nossa experiência da</p><p>realidade, há um modo de interpelar a realidade e nossas crenças a seu</p><p>respeito que diferenciariam essa investigação da religião, da arte e</p><p>da ciência.</p><p>Ao contrário da religião, que se estabelece entre outras coisas sobre</p><p>textos sagrados e sobre a tradição, a filosofia recorre apenas à razão para</p><p>estabelecer certas teses e refutar outras. Como já mencionado acima a</p><p>filosofia não admite dogmas. Não há, em princípio, crenças que não</p><p>estejam sujeitas ao exame crítico da filosofia. Disso não decorre um conflito</p><p>irreconciliável entre a filosofia e a religião. Há filósofos que argumentam em</p><p>favor de teses caras às religiões, como, por exemplo, a existência de Deus</p><p>e a imortalidade da alma. Mas um argumento propriamente filosófico em</p><p>favor da imortalidade da alma apresentará como garantias apenas as suas</p><p>próprias razões: ele apelará somente ao assentimento racional, jamais</p><p>à fé ou à obediência.[7]</p><p>Os artistas assemelham-se aos filósofos em sua tentativa de</p><p>desbanalizar a nossa experiência do mundo e alcançar assim uma</p><p>compreensão mais profunda de nós mesmos e das coisas que nos cercam.</p><p>Mas a forma em que apresentam seus resultados é bastante diferente. Os</p><p>artistas recorrem à percepção direta e à intuição;[7]enquanto a filosofia</p><p>tipicamente apresenta seus resultados de maneira argumentativa, lógica e</p><p>abstrata.</p><p>Mas, se essa insistência na razão diferencia a filosofia da religião e da</p><p>arte, o que a diferenciaria das ciências, uma vez que também essa</p><p>privilegia uma abordagem metódica e racional dos fenômenos? A diferença</p><p>é que os problemas tipicamente filosóficos não podem ser resolvidos</p><p>por observação e experimentação.[7] Não há experimentos e observações</p><p>empíricas que possam decidir qual seria a noção de “direitos humanos”</p><p>mais adequada do ponto de vista da razão. O mesmo vale para outras</p><p>noções, tais como “liberdade”, “justiça” ou “falta moral”. Não há como</p><p>resolver em laboratório questões como: “quando tem início o ser humano?”,</p><p>“os animais podem ser sujeitos de direitos?”, “em que medida</p><p>o Estado pode interferir na vida dos cidadãos?”, “As entidades</p><p>microscópicas postuladas pelas ciências têm o mesmo grau de realidade</p><p>que os objetos da nossa experiência cotidiana (pessoas, animais, mesas,</p><p>cadeiras, etc.)?”. Em resumo, quando um tópico é defendido ou criticado</p><p>com argumentos racionais, e essa defesa ou ataque não pode contar com</p><p>observações e experimentos para a sua solução, estamos diante de um</p><p>debate filosófico.</p><p>A definição de filosofia</p><p>Etimologia</p><p>Filósofo em Meditação, de Rembrandt (detalhe).</p><p>A palavra "filosofia" (do grego) é uma composição de duas</p><p>palavras: philos (φίλος) e sophia (σοφία). A primeira é uma derivação</p><p>de philia (φιλία) que significa amizade, amor fraterno e respeito entre os</p><p>iguais; a segunda significa sabedoria ou simplesmente saber. Filosofia</p><p>significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber; e o</p><p>filósofo, por sua vez, seria aquele que ama e busca a sabedoria, tem</p><p>amizade pelo saber, deseja saber.[8]</p><p>A tradição atribui ao filósofo Pitágoras de Samos (que viveu no século</p><p>V a.C.) a criação da palavra. Conforme essa tradição, Pitágoras teria criado</p><p>o termo para modestamente ressaltar que a sabedoria plena e perfeita seria</p><p>atributo apenas dos deuses; os homens, no entanto, poderiam venerá-la e</p><p>amá-la na qualidade de filósofos.[8]</p><p>A palavra philosophía não é simplesmente uma invenção moderna a</p><p>partir de termos gregos,[9] mas, sim, um empréstimo tomado da própria</p><p>língua grega. Os termos φιλοσοφος (philosophos) e φιλοσοφειν</p><p>(philosophein) já teriam sido empregados por alguns pré-</p><p>socráticos[10] (Heráclito, Pitágoras e Górgias) e pelos</p><p>historiadores Heródoto e Tucídides. Em Sócrates e Platão, é acentuada a</p><p>oposição entre σοφία e φιλοσοφία, em que o último termo exprime certa</p><p>modéstia e certo ceticismo em relação ao conhecimento humano.</p><p>O conceito de filosofia</p><p>O conceito de "filosofia" sofreu, no transcorrer da história, várias</p><p>alterações e restrições em sua abrangência. As concepções do que seja a</p><p>filosofia e quais são os seus objetos de estudo também se alteram</p><p>conforme a escola ou movimento filosófico. Essa variedade presente na</p><p>história da filosofia e nas escolas e correntes filosóficas torna praticamente</p><p>impossível elaborar uma definição universalmente válida de filosofia. Definir</p><p>a filosofia é realizar uma tarefa metafilosófica. Em outras palavras, é fazer</p><p>uma filosofia da filosofia. O sociólogo e filósofo alemão Georg</p><p>Simmel ressaltou esse ponto ao dizer que um dos primeiros problemas da</p><p>filosofia é o de investigar e estabelecer a sua própria natureza. Talvez a</p><p>filosofia seja a única disciplina que se volte para si mesma dessa maneira.</p><p>O objeto da física não é, certamente, a própria ciência da física, mas os</p><p>fenômenos ópticos e elétricos, entre outros. A filologia ocupa-se de</p><p>registros textuais antigos e da evolução das línguas, mas não se ocupa de</p><p>si mesma. A filosofia, no entanto, move-se neste curioso círculo: ela</p><p>determina os pressupostos de seu método de pensar e os seus propósitos</p><p>através de seus próprios métodos de pensar e propósitos. Não há como</p><p>apreender o conceito de filosofia fora da filosofia; pois somente a filosofia</p><p>pode determinar o que é a filosofia.[11]</p><p>Platão e Aristóteles concordam em caracterizar a filosofia como uma</p><p>atividade racional estimulada pelo assombro ou admiração. Mas, para</p><p>Platão, o assombro é provocado pela instabilidade e contradições dos</p><p>seres que percebemos pelos sentidos. A filosofia, no quadro platônico,</p><p>seria a tentativa de superar esse mundo de coisas efêmeras e mutáveis e</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 4</p><p>apreender racionalmente a realidade última, composta por formas eternas e</p><p>imutáveis que, segundo Platão, só podem ser captadas pela razão. Para</p><p>Aristóteles, ao contrário,</p><p>não há separação entre, de um lado, um mundo</p><p>apreendido pelos sentidos e, de outro lado, um mundo exclusivamente</p><p>captado pela razão. A filosofia seria uma investigação das causas e</p><p>princípios fundamentais de uma única e mesma realidade. O filósofo,</p><p>segundo Aristóteles, “conhece, na medida do possível, todas as coisas,</p><p>embora não possua a ciência de cada uma delas por si”.[12] A filosofia</p><p>almejaria o conhecimento universal, não no sentido de um acúmulo</p><p>enciclopédico de todos os fatos e processos que se possam investigar, mas</p><p>no sentido de uma compreensão dos princípios mais fundamentais, dos</p><p>quais dependeriam os objetos particulares a que se dedicam as demais</p><p>ciências, artes e ofícios. Aristóteles considera que a filosofia, como ciência</p><p>das causas e princípios primordiais, acabaria por identificar-se com</p><p>a teologia, pois Deus seria o princípio dos princípios.[13]</p><p>As definições de filosofia elaboradas depois de Platão e Aristóteles</p><p>separaram a filosofia em duas partes: uma filosofia teórica e uma filosofia</p><p>prática. Como reflexo da busca por salvação ou redenção pessoal, a</p><p>filosofia prática foi gradativamente se tornando um sucedâneo da fé</p><p>religiosa e acabou por ganhar precedência em relação à parte teórica da</p><p>filosofia. A filosofia passa a ser concebida como uma arte de viver, que</p><p>forneceria aos homens regras e prescrições sobre como agir e como se</p><p>portar diante das inconstâncias do mundo. Essa concepção é muito clara</p><p>em diversas correntes da filosofia helenística, como, por exemplo,</p><p>no estoicismo e noneoplatonismo.[13]</p><p>As definições de filosofia formuladas na Antiguidade persistiram na</p><p>época de disseminação e consolidação do cristianismo, mas isso não</p><p>impediu que as concepções cristãs exercessem influência e moldassem</p><p>novas maneiras de se entender a filosofia. As definições de filosofia</p><p>elaboradas durante a Idade Média foram coordenadas aos serviços que o</p><p>pensamento filosófico poderia prestar à compreensão e sistematização da</p><p>fé religiosa; e, desse modo, a filosofia passa a ser concebida como “serva</p><p>da teologia” (ancilla theologiae).[13] Segundo São Tomás de Aquino, por</p><p>exemplo, a filosofia pode auxiliar a teologia em três frentes: (1) ela pode</p><p>demonstrar verdades que a fé já toma como estabelecidas, tais como a</p><p>existência de Deus e a imortalidade da alma; (2) pode esclarecer certas</p><p>verdades da fé ao traçar analogias com as verdades naturais; e (3) pode</p><p>ser empregada para refutar ideias que se oponham à doutrina sagrada.[14]</p><p>Os medievais também mantiveram a acepção de filosofia como saber</p><p>prático, como uma busca de normas ou recomendações para se alcançar a</p><p>plenitude da vida. Santo Isidoro de Sevilha, ainda no século VII, definia a</p><p>filosofia como “o conhecimento das coisas humanas e divinas combinado</p><p>com uma busca pela vida moralmente boa” [15]</p><p>Frontispício da Instauratio Magna, de Francis Bacon, 1620. Na parte</p><p>inferior está escrito: Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos</p><p>passarão, e o conhecimento aumentará). As colunas representam as</p><p>limitações da filosofia antiga e medieval.</p><p>Tanto na Idade Média como em qualquer outra época da história</p><p>ocidental, a compreensão do que é a filosofia reflete uma preocupação com</p><p>questões essenciais para a vida humana em seus múltiplos aspectos. As</p><p>concepções de filosofia do Renascimento e da Idade Moderna não são</p><p>exceções. Também aí as noções do que seja a filosofia sintetizam as</p><p>tentativas de oferecer respostas substantivas aos problemas mais</p><p>inquietantes da época. O advento da era moderna fez ruir as próprias</p><p>bases da sabedoria tradicional; e impôs aos intelectuais a tarefa de</p><p>encontrar novas formas de conhecimento que pudessem restabelecer a</p><p>confiança no intelecto e na razão. Para Francis Bacon - um dos primeiros</p><p>filósofos modernos - a filosofia não deveria se contentar com uma atitude</p><p>meramente contemplativa, como queriam os antigos e medievais; ao</p><p>contrário, deveria buscar o conhecimento das essências das coisas a fim</p><p>de obter o controle sobre os fenômenos naturais e, portanto, submeter a</p><p>natureza aos desígnios humanos.[16] Para Descartes, a filosofia, na</p><p>qualidade de metafísica, é a investigação das causas primeiras, dos</p><p>princípios fundamentais. Esses princípios devem ser claros e evidentes, e</p><p>devem formar uma base segura a partir da qual se possam derivar as</p><p>outras formas de conhecimento. É nesse sentido, entendendo-se a filosofia</p><p>como o conjunto de todos os saberes e a metafísica como a investigação</p><p>das primeiras causas, que se deve ler a famosa metáfora de Descartes:</p><p>“Assim, a Filosofia é uma árvore, cujas raízes são a Metafísica, o tronco a</p><p>Física, e os ramos que saem do tronco são todas as outras ciências”.[17]</p><p>Após Descartes, a filosofia assume uma postura crítica em relação a</p><p>suas próprias aspirações e conteúdos. Os empiristas britânicos,</p><p>influenciados pelas novas aquisições da ciência moderna, dedicaram-se a</p><p>situar a investigação filosófica nos limites do que pode ser avaliado pela</p><p>experiência. Segundo a orientação empirista, argumentos tradicionais da</p><p>filosofia, como as demonstrações da existência de Deus, da imortalidade da</p><p>alma e de essências imutáveis seriam inválidos, uma vez que as ideias com</p><p>que operam não são adequadamente derivadas da experiência. De</p><p>maneira análoga, Kant, ao elaborar sua doutrina da filosofia transcendental,</p><p>rejeita a possibilidade de tratamento científico de muitos dos problemas da</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 5</p><p>filosofia tradicional, uma vez que a adequada solução deles demandaria</p><p>recursos que ultrapassam as capacidades do intelecto humano.</p><p>O empirismo britâncio e o idealismo de Kant acentuam uma</p><p>característica frequentemente destacada na filosofia: a de ser um "pensar</p><p>sobre o pensamento"[18] ou um "conhecer o conhecimento".[19] Esse</p><p>concepção reflexiva da filosofia, do pensamento que se volta para si</p><p>mesmo, influenciará vários autores e escolas filosóficas, tanto do século</p><p>XIX como do século XX. A fenomenologia, por exemplo, considerará a</p><p>filosofia como um empreendimento eminentemente reflexivo.</p><p>Segundo Edmund Husserl - o fundador da fenomenologia - a filosofia é uma</p><p>ciência rigorosa dos fenômenos tal como nos aparecem, ou seja, tal como é</p><p>a nossa consciência deles. Para descrevê-los, o filósofo deve pôr entre</p><p>parênteses todas as suas pressuposições e preconceitos (até mesmo</p><p>a certeza de que os objetos existem) e restringir-se apenas aos conteúdos</p><p>da consciência.</p><p>Com a virada linguística do início do século XX, muitos filósofos</p><p>passam a considerar a filosofia como uma análise de conceitos.</p><p>Para Wittgenstein, os problemas filosóficos tradicionais são todos</p><p>resultantes de confusões linguísticas; e a tarefa do filósofo seria a de</p><p>esclarecer o modo como os conceitos são empregados a fim de explicitar</p><p>tais confusões. Numa abordagem mais positiva sobre a atividade</p><p>filosófica, Strawson considera que a filosofia é análoga à gramática: assim</p><p>como os estudiosos da gramática explicitam as regras que os falantes</p><p>inconscientemente empregam, a filosofia explicitaria conceitos-chave que,</p><p>na construção de nossas concepções e argumentos, adotamos sem ter</p><p>plena consciência de suas implicações e relações.[20]</p><p>A lista de concepções da filosofia propostas ao longo de sua história</p><p>pode ser estendida indefinidamente. Sua variedade é tão grande que</p><p>dificilmente se pode encontrar um elemento que perpasse todas as</p><p>concepções em todas as épocas. Mas não se pode esquecer que as</p><p>antigas concepções de filosofia tornaram-se algo obsoletas frente ao</p><p>avanço de outras disciplinas que antes se abrigavam à sombra,</p><p>excessivamente vasta, da filosofia. As concepções de autores antigos e</p><p>medievais, e mesmo de alguns modernos, consideravam</p><p>indiscriminadamente como filosóficas investigações que hoje denominamos</p><p>simplesmente de científicas.</p><p>Assuntos como as leis do movimento, a</p><p>estrutura da matéria e o funcionamento dos processos psicológicos – que</p><p>hoje consideramos como temas da física, da química e da psicologia,</p><p>respectivamente – eram todos reunidos na noção de filosofia natural. Após</p><p>a revolução científica do século XVII, as investigações da filosofia natural</p><p>foram gradualmente se desvencilhando da filosofia e se constituíram em</p><p>domínios específicos e independentes de pesquisa. De certa forma, os</p><p>problemas clássicos da filosofia formam hoje um conjunto de assuntos</p><p>elusivos que não se dobraram à metodologia indutiva e experimental das</p><p>ciências.[21] Mas isso não implica dizer que a filosofia atual seja mero</p><p>resíduo do processo de crescimento e consolidação da ciência moderna.</p><p>Dizer isso seria esquecer o aspecto profundamente dinâmico e reflexivo da</p><p>filosofia. A reflexão filosófica não é algo que ocorra num limbo intelectual:</p><p>ela acompanha de perto a evolução das ciências, da política, da religião e</p><p>das artes.[13] Essa evolução tende a apresentar novos problemas e</p><p>desafios que, por escaparem ao estrito domínio da disciplina em que</p><p>surgiram, podem ser chamados de "filosóficos".</p><p>Talvez não haja uma resposta categórica à pergunta “O que é</p><p>filosofia?”.[13] Os filósofos divergem entre si sobre o que fazem, os</p><p>problemas filosóficos ramificam-se indefinidamente e os métodos variam</p><p>conforme a concepção do que seja o trabalho filosófico. Talvez a afirmação</p><p>de Simmel de que só é possível entender a filosofia no âmbito da filosofia</p><p>possa ser tomada como uma advertência quando contrastada com o amplo</p><p>espectro de conceitos sobre a sua natureza: ao adotar uma das diferentes</p><p>orientações filosóficas, tratamos de determinados problemas e</p><p>adotamos determinados métodos para tentar esclarecê-los; mas, dado que</p><p>há outras concepções, conforme outros métodos e conforme outras</p><p>finalidades, devemos modestamente reconhecer que essas concepções</p><p>alternativas têm o mesmo direito de ostentar o título de “filosofia” que a</p><p>nossa concepção.</p><p>Os métodos da filosofia</p><p>Discussão noite adentro, de William Blades: o debate franco de ideias,</p><p>conforme os padrões da argumentação lógica, é uma das características</p><p>centrais da atividade filosófica.</p><p>Os trabalhos filosóficos são realizados mediante técnicas e</p><p>procedimentos que integram os cânones do pensamento racional.</p><p>Tradicionalmente, a filosofia destaca e privilegia a argumentação lógica, em</p><p>linguagem natural ou em linguagem simbólica, como a ferramenta por</p><p>excelência da apresentação e discussão de teorias filosóficas. A</p><p>argumentação lógica está associada a dois elementos importantes: a</p><p>articulação rigorosa dos conceitos e a correta concatenação das</p><p>premissas e conclusões, de modo que essas últimas sejam derivações</p><p>incontestáveis das primeiras. Toda a ideia filosófica relevante é</p><p>inevitavelmente submetida a escrutínio crítico; e a presença de falhas na</p><p>argumentação é frequentemente o primeiro alvo das críticas. Desse modo,</p><p>o destino de uma tese qualquer que não esteja amparada por argumentos</p><p>sólidos e convincentes será, frequentemente, a severa rejeição por parte da</p><p>comunidade filosófica. Embora a reflexão sobre os princípios e métodos da</p><p>lógica só tenha sido realizada pela primeira vez por Aristóteles, a ênfase na</p><p>argumentação lógica e na crítica à solidez dos argumentos é uma</p><p>característica que acompanha a filosofia desde os seus primórdios. A</p><p>própria ruptura entre o pensamento mítico-religioso e o pensamento</p><p>racional é assinalada pela adoção de uma postura argumentativa e crítica</p><p>em relação às explicações tradicionais. Quando Anaximandro rejeitou as</p><p>explicações de seu mestre – Tales de Mileto – e propôs concepções</p><p>alternativas sobre a natureza e estrutura do cosmos, o pensamento</p><p>humano dava seus primeiro passos em direção ao debate franco, público e</p><p>aberto de ideias, orientado apenas por critérios racionais de correção, como</p><p>forma destacada de se aperfeiçoar o conhecimento; e abandonava, assim,</p><p>as narrativas tradicionais sobre a origem e composição do universo,</p><p>apoiadas na autoridade inquestionável da tradição ou em ensinamentos</p><p>esotéricos.[22]</p><p>Mas não se podem restringir os métodos da filosofia apenas à ênfase</p><p>geral na argumentação lógica e na crítica sistemática às teorias</p><p>apresentadas. Nas grandes tradições da história da filosofia, podem ser</p><p>identificadas duas orientações bem abrangentes, cujos objetivos e técnicas</p><p>tendem a diferir radicalmente: existem as escolas que privilegiam uma</p><p>abordagem analítica dos problemas filosóficos e aquelas que optam por</p><p>uma abordagem predominantemente sintética ou sinóptica.[1]</p><p>A orientação analítica é exemplificada nos trabalhos filosóficos que se</p><p>dedicam à decomposição de um conceito em suas partes constituintes e ao</p><p>exame criterioso das relações lógicas e conceptuais explicitadas pela</p><p>análise. O exemplo clássico é a análise do conceito de conhecimento. A</p><p>reflexão sobre a natureza do conhecimento levou os filósofos a decompor a</p><p>noção de conhecimento em três noções</p><p>associadas: crença, verdade e justificação. Para que algo seja</p><p>conhecimento é imprescindível que seja antes uma crença – em outras</p><p>palavras, o conhecimento é uma espécie diferenciada do gênero mais</p><p>abrangente da crença. A pergunta óbvia que essa primeira constatação</p><p>sugere é: o que diferencia, então, o conhecimento das demais formas de</p><p>crença? Nesse ponto, o exame do conceito conduz a duas noções distintas.</p><p>Em primeiro lugar, à noção de verdade. Intuitivamente separamos as</p><p>crenças falsas das verdadeiras. É por isso que mantemos a crença de que</p><p>Papai Noel existe num patamar diferente da crença de que a Lua gira em</p><p>torno da Terra – quem sustenta a primeira, tem apenas uma crença; quem</p><p>sustenta a última, provavelmente sabe algo sobre o sistema solar, pois</p><p>exprime uma crença verdadeira. Mas, para que seja promovida à condição</p><p>de conhecimento, a crença precisa de algo mais: ela precisa ser apoiada</p><p>por alguma espécie de justificação. Além de sustentar uma crença</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 6</p><p>verdadeira, o sujeito deve ser capaz de apresentar os meios ou as fontes,</p><p>consideradas universalmente legítimas, que lhe propiciaram chegar à</p><p>crença em questão. Feito esse exame, a conclusão é a célebre fórmula: o</p><p>conhecimento é crença verdadeira justificada.[23] Nesse e em muitos</p><p>outros casos envolvendo noções filosoficamente relevantes, o trabalho de</p><p>análise é capaz de explicitar pressupostos importantes implicitamente</p><p>presentes no uso dos conceitos.</p><p>A outra orientação – a sintética – percorre o caminho oposto ao da</p><p>análise. Os adeptos dessa orientação buscam elaborar uma síntese de</p><p>várias noções relevantes e apresentá-las como um todo harmônico.[1] Às</p><p>vezes chamada de “filosofia especulativa”, essa orientação filosófica</p><p>pretende revelar princípios universais que possam reunir organicamente</p><p>vários elementos díspares, que aparentemente não guardam relações</p><p>relevantes entre si.[24] Um caso paradigmático dessa orientação é a</p><p>filosofia hegeliana, cujo fito é integrar numa dinâmica panteísta a evolução</p><p>das mais diversas formas de manifestação da cultura humana – artes, leis,</p><p>governos, religiões, ciências e filosofias.</p><p>Desde o surgimento da ciência moderna, vários filósofos buscaram</p><p>separar a investigação filosófica da investigação científica por meio de uma</p><p>caracterização dos métodos peculiares à filosofia. Como as ciências</p><p>especiais privilegiam a investigação empírica, especialmente por adoção de</p><p>métodos experimentais, defendeu-se que a adoção de métodos a</p><p>priori (isto é, de métodos que antecedem a investigação empírica ou são</p><p>dela independentes) seria o traço definidor do trabalho filosófico. Nos casos</p><p>da argumentação lógica, da análise conceptual e da síntese compreensiva</p><p>não há necessidade de observação dos fenômenos</p><p>para que se decida se</p><p>uma conclusão é ou não é logicamente correta, se um conceito está sendo</p><p>ou não corretamente empregado ou se uma visão sinóptica é ou não é</p><p>incoerente. Isso não implica um divórcio entre a ciência e a filosofia. Ao</p><p>contrário, implica que os filósofos estão aptos a analisar os conceitos e</p><p>argumentos das ciências especiais, e, nesse domínio, podem prestar um</p><p>serviço relevante ao aperfeiçoamento das teorias científicas.</p><p>Kant deduzindo coisas que não são passíveis de ser experienciadas -</p><p>Trabalho artístico de Friedrich Hagermann, 1801.</p><p>Além das orientações metodológicas acima explicadas, há outras duas</p><p>estratégias que podem ser caracterizados como métodos a priori. Os</p><p>experimentos mentais e os argumentos transcendentais. Um experimento</p><p>mental (às vezes também chamado de "experiência de pensamento") é a</p><p>elaboração de uma situação puramente hipotética – geralmente impossível</p><p>de ser construída na prática – por meio da qual o filósofo testa os limites de</p><p>determinados pressupostos ou conceitos. O experimento mental mais</p><p>famoso da história da filosofia é a hipótese do Gênio Maligno concebida por</p><p>Descartes: ao imaginar um deus onipotente que se dedica a ludibriá-lo,</p><p>Descartes leva o ceticismo ao seu extremo a fim de identificar uma certeza</p><p>inabalável capaz de superar até mesmo a hipótese do Gênio Maligno.</p><p>(Essa hipótese recebeu uma roupagem moderna na elaboração de outro</p><p>experimento mental – o cérebro numa cuba).[25]</p><p>O outro método – o dos argumentos transcendentais – foi concebido</p><p>por Kant, e consiste em tomar como dados os fatos da experiência, e</p><p>deduzir coisas que não são passíveis de ser experienciadas, mas que</p><p>constituem a própria condição de possibilidade daqueles fatos. Com essa</p><p>espécie de argumento, Kant concluiu, por exemplo, que a forma pura do</p><p>espaço é uma das condições necessárias pressupostas pela experiência</p><p>dos objetos externos, pois sem ela tal experiência seria impossível.[26]</p><p>Embora o emprego da lógica formal, da análise conceptual e dos</p><p>experimentos mentais sejam constantes na filosofia contemporânea,</p><p>predomina hoje, sobretudo na tradição analítica, a orientação que se</p><p>convencionou chamar de naturalismo filosófico. Essa orientação tem suas</p><p>origens nos trabalhos do filósofo americano Willard Van Orman</p><p>Quine (1908-2000) que criticam a distinção entre questões conceptuais e</p><p>empíricas. Os adeptos do naturalismo rejeitam a suposição de que a</p><p>filosofia se diferencie das ciências por um conjunto de métodos próprios: os</p><p>problemas filosóficos e os científicos pertencem a uma única e mesma</p><p>esfera e, portanto, os métodos científicos, historicamente bem-sucedidos,</p><p>devem também ser aplicados à problemática filosófica.</p><p>Disciplinas filosóficas</p><p>A filosofia é geralmente dividida em áreas de investigação específica.</p><p>Em cada área, a pesquisa filosófica dedica-se à elucidação de problemas</p><p>próprios, embora sejam muito comuns as interconexões. As áreas</p><p>tradicionais da filosofia são as seguintes:</p><p>Metafísica: ocupa-se da elaboração de teorias sobre a realidade e</p><p>sobre natureza fundamental de todas as coisas. O objetivo da metafísica é</p><p>fornecer uma visão abrangente do mundo – uma visão sinóptica que reúna</p><p>em si os diversos aspectos da realidade. Uma das subáreas da metafísica</p><p>é a ontologia(literalmente, a ciência do "ser"), cujo tema principal é a</p><p>elaboração de escalas de realidade. Nesse sentido, a ontologia buscaria</p><p>identificar as entidades básicas ou elementares da realidade e mostrar</p><p>como essas se relacionam com os demais objetos ou indivíduos - de</p><p>existência dependente ou derivada.[27]</p><p>Epistemologia ou teoria do conhecimento: é a área da filosofia que</p><p>estuda a natureza do conhecimento, sua origem e seus limites. Dessa</p><p>forma, entre as questões típicas da epistemologia estão: “O que diferencia</p><p>o conhecimento de outras formas de crença?”, “O que podemos</p><p>conhecer?”, “Como chegamos a ter conhecimento de algo?”.[27]</p><p>Lógica: é a área que trata das estruturas formais do raciocínio perfeito</p><p>– ou seja, daqueles raciocínios cuja conclusão preserva a verdade das</p><p>premissas. Na lógica são estudados, portanto, os métodos e princípios que</p><p>permitem distinguir os raciocínios corretos dos raciocínios incorretos.[28]</p><p>Ética ou filosofia moral: é a área da filosofia que trata das distinções</p><p>entre o certo e o errado, entre o bem e o mal. Procura identificar os meios</p><p>mais adequados para aprimorar a vida moral e para alcançar uma vida</p><p>moralmente boa. Também no campo da ética dão-se as discussões a</p><p>respeito dos princípios e das regras morais que norteiam a vida em</p><p>sociedade, e sobre quais seriam as justificativas racionais para adotar</p><p>essas regras e princípios.[27]</p><p>Filosofia política: é o ramo da filosofia que investiga os fundamentos</p><p>da organização sociopolítica e do Estado. São tradicionais nessa área, as</p><p>hipóteses sobre o contrato original que teria dado início à vida em</p><p>sociedade, instituído o governo, os deveres e os direitos dos cidadãos.</p><p>Muitas dessas situações hipotéticas são elaboradas no intuito de</p><p>recomendar mudanças ou reformas políticas aptas a aproximar as</p><p>sociedades concretas de um determinado ideal político.[27]</p><p>Estética ou filosofia da arte: entre as investigações dessa área,</p><p>encontram-se aquelas sobre a natureza da arte e da experiência estética,</p><p>sobre como a experiência estética se diferencia de outras formas de</p><p>experiência, e sobre o próprio conceito de belo.[27]</p><p>Evolução histórica</p><p>Pensamento mítico e pensamento filosófico</p><p>Como em muitas outras sociedades antigas, as narrativas míti-</p><p>cas desempenhavam uma função central na sociedade grega. Além de</p><p>estabelecer marcos importantes na vida social, os mitos gregos promoviam</p><p>uma concepção de mundo de natureza religiosa que propiciava respostas</p><p>às principais indagações existenciais que desde sempre inquietaram o</p><p>espírito humano. Os eventos históricos, os fenômenos naturais e os princi-</p><p>pais eventos da vida humana (nascimento, casamento, doença e morte)</p><p>eram entrelaçados às histórias tradicionais sobre conflitos entre deuses,</p><p>intercâmbios entre deuses e homens e feitos memoráveis de semideuses.</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 7</p><p>Originalmente, a palavra grega mythos significava simplesmente pala-</p><p>vra ou fala;[29] mas o termo remetia também à noção de uma palavra</p><p>proferida com autoridade.[30]As histórias épicas de Homero, permeadas de</p><p>intervenções sobrenaturais, ou a teogonia de Hesíodo eram mythos no</p><p>sentido de serem anúncios revestidos de autoridade, dignos de crédito e</p><p>reverência. Gradualmente, o termo foi assumindo outro sentido e já à época</p><p>de Platão e Aristóteles o mythos era empregado para caracterizar histórias</p><p>fictícias ou absurdas que se afastariam do logos - isto é, do discurso racio-</p><p>nal.[31] Aristóteles, por exemplo, considerava a filosofia como um empre-</p><p>endimento intelectual completamente distinto das elaborações mitológicas.</p><p>Na Metafísica, ao tratar do problema da incorruptibilidade, Aristóteles</p><p>menciona Hesíodo e, logo em seguida, descarta peremptoriamente suas</p><p>opiniões, pois, segundo ele, “não precisamos perder tempo investigando</p><p>seriamente as sutilezas dos criadores de mitos.”[32]</p><p>Pode-se dizer que a filosofia surge como uma espécie de rompimento</p><p>com a visão mítica do mundo. Enquanto os mitos se organizavam em</p><p>narrações, imagens e seres particulares, a filosofia inaugurava o discurso</p><p>argumentativo, abstrato e universal. Além disso, ao contrário dos autores</p><p>de mitos, os filósofos gregos tentaram com afinco elaborar concepções de</p><p>mundo que fossem isentas de contradições e imperfeições lógicas.</p><p>Desse modo, não é sem razão que muitos autores enfatizam o caráter</p><p>de ruptura e divergências ao comparar o advento da filosofia com a tradição</p><p>mítica da Grécia antiga. Mas, embora sejam inegáveis as diferenças, mais</p><p>recentemente</p><p>vários estudiosos têm apontado os pontos de continuidade e</p><p>semelhança entre as primeiras elucubrações filosóficas dos gregos e as</p><p>suas concepções mitológicas.[33] Para esses autores, as peculiaridades da</p><p>tradição mítica grega favoreceram o surgimento da filosofia grega e os</p><p>primeiros filósofos empenharam-se numa espécie dessacralização e des-</p><p>personalização das narrativas tradicionais sobre o surgimento e organiza-</p><p>ção do cosmos.</p><p>Filosofia antiga</p><p>A filosofia antiga teve início no século VI a.C. e se estendeu até a de-</p><p>cadência do império romano no século V d.C. Pode-se dividi-la em quatro</p><p>períodos: (1) o período dos pré-socráticos; (2) um período humanista, em</p><p>que Sócrates e os sofistas trouxeram as questões morais para o centro do</p><p>debate filosófico; (3) o período áureo da filosofia em Atenas, em que des-</p><p>pontaram Platão e Aristóteles; (4) e o período helenístico. Às vezes se</p><p>distingue um quinto período, que compreende os primeiros filósofos cris-</p><p>tãos e os neoplatonistas.[34] Os dois autores mais importantes da filosofia</p><p>antiga em termos de influência posterior foram Platão e Aristóteles.</p><p>Os primeiros filósofos gregos, geralmente chamados de pré-socráticos,</p><p>dedicaram-se a especulações sobre a constituição e a origem do mundo. O</p><p>principal intuito desses filósofos era descobrir um elemento primordial,</p><p>eterno e imutável que fosse a matéria básica de todas as coisas. Essa</p><p>substância imutável era chamada de physis(palavra grega cuja tradução</p><p>literal seria natureza, mas que na concepção dos primeiros filósofos com-</p><p>preendia a totalidade dos seres, inclusive entidades divinas),[35] e, por</p><p>essa razão, os primeiros filósofos também foram conhecidos como</p><p>os physiologoi (literalmente “fisiólogos”, isto é, os filósofos que se dedica-</p><p>vam ao estudo daphysis).[36] A questão da essência material imutável foi a</p><p>primeira feição assumida por uma inquietação que percorreu praticamente</p><p>toda a filosofia grega. Essa inquietação pode ser traduzida na seguinte</p><p>pergunta: existe uma realidade imutável por trás das mudanças caóticas</p><p>dos fenômenos naturais? Já os próprios pré-socráticos propuseram respos-</p><p>tas extremas a essa pergunta. Parmênides de Eleia defendeu que a perene</p><p>mutação das coisas não passa de uma ilusão dos sentidos, pois a razão</p><p>revelaria que o Ser é único, imutável e eterno.[37] Heráclito de Éfeso, por</p><p>outro lado, defendeu uma posição diametralmente oposta: a própria essên-</p><p>cia das coisas é mudança, e seriam vãos os esforços para buscar uma</p><p>realidade imutável.[38]</p><p>Tais especulações, que combinavam a oposição entre realidade e apa-</p><p>rência com a busca de uma matéria primordial, culminaram na filosofi-</p><p>a atomista de Leucipo e Demócrito. Para esses filósofos a substância de</p><p>todas as coisas seriam partículas minúsculas e invisíveis – os átomos – em</p><p>perene movimentação no vácuo. E os fenômenos que testemunhamos</p><p>cotidianamente são resultado da combinação, separação e recombinação</p><p>desses átomos.</p><p>A teoria de Demócrito representou o ápice da filosofia da physis, mas</p><p>também o seu esgotamento. As transformações sociopolíticas, especial-</p><p>mente em Atenas, já impunham novas demandas aos sábios da época.</p><p>A democracia ateniense solicitava novas habilidades intelectuais, sobretudo</p><p>a capacidade de persuadir. É nesse momento que se destacam os filósofos</p><p>que se dedicam justamente a ensinar a retórica e as técnicas de persuasão</p><p>– os sofistas. O ofício dessa nova espécie de filósofos trazia como pressu-</p><p>posto a ideia de que não há verdades absolutas. O importante seria domi-</p><p>nar as técnicas da boa argumentação, pois, dominando essas técnicas, o</p><p>indivíduo poderia defender qualquer opinião, sem se preocupar com a</p><p>questão de sua veracidade. De fato, para os sofistas, a busca da verdade</p><p>era uma pretensão inútil. A verdade seria apenas uma questão de aceita-</p><p>ção coletiva de uma crença, e, a princípio, não haveria nada que impedisse</p><p>que o que hoje é tomado como verdade, amanhã fosse considerado uma</p><p>tolice.[39]</p><p>O contraponto a esse relativismo dos sofistas foi Sócrates. Embora par-</p><p>tilhasse com os sofistas certa indiferença em relação aos valores tradicio-</p><p>nais, Sócrates dedicou-se à busca de valores perenes. Sócrates não deixou</p><p>nenhum registro escrito de suas ideias. Tudo o que sabemos dele chegou-</p><p>nos através do testemunho de seus discípulos e contemporâneos. Segundo</p><p>dizem, Sócrates teria defendido que a virtude é conhecimento e as faltas</p><p>morais provêm da ignorância.[40] O indivíduo que adquirisse o conheci-</p><p>mento perfeito seria inevitavelmente bom e feliz. Por outro lado, essa busca</p><p>simultânea do conhecimento e da bondade deve começar pelo exame</p><p>profundo de si mesmo e das crenças e valores aceitos acriticamente.</p><p>Segundo contam, Sócrates foi um inquiridor implacável e fez fama por sua</p><p>habilidade de levar à exasperação os seus antagonistas. Ao concidadão</p><p>que se dizia justo, Sócrates perguntava “O que é a justiça?”, e depois se</p><p>dedicava a demolir todas as tentativas de responder à pergunta.</p><p>A Morte de Sócrates, Jacques-Louis David, 1787.</p><p>A atitude de Sócrates acabou por lhe custar a vida. Seus adversários</p><p>conseguiram levá-lo a julgamento por impiedade e corrupção de jovens.</p><p>Sócrates foi condenado à morte – mais especificamente, a envenenar-se</p><p>com cicuta. Segundo o relato de Platão, o seu mais famoso discípulo,</p><p>Sócrates cumpriu a sentença com absoluta serenidade e destemor.</p><p>Coube a Platão levar adiante os ensinamentos do mestre e superá-los.</p><p>Platão realiza a primeira grande síntese da filosofia grega. Em</p><p>seus diálogos, combinam-se as antigas questões dos pré-socráticos com as</p><p>urgentes questões morais e políticas, o discurso racional com a intuição</p><p>mística, a elucubração lógica com a obra poética, os mitos com a ciência.</p><p>Segundo Platão, os nossos sentidos só nos permitem perceber uma</p><p>natureza caótica, em que as mudanças e a diversidade aparentam não</p><p>obedecer a nenhum princípio regulador; mas a razão, ao contrário, é capaz</p><p>de ir além dessas aparências e captar as formas imutáveis que são as</p><p>causas e modelos de tudo o que existe. A geometria fornece um bom</p><p>exemplo. Ao demonstrar seus teoremas os geômetras empregam figuras</p><p>imperfeitas. Por mais acurado que seja o compasso, os desenhos</p><p>de círculos sempre conterão irregularidades e imperfeições. As figuras</p><p>sensíveis do círculo estão sempre aquém de seu modelo – e esse modelo é</p><p>a própria ideia de círculo, concebível apenas pela razão. O mesmo ocorre</p><p>com os demais seres: os cavalos que vemos são todos diferentes entre si,</p><p>mas há um princípio unificador – a ideia de cavalo – que nos faz chamar a</p><p>todos de cavalos. Com os valores, não seria diferente. As diferentes opini-</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 8</p><p>ões sobre questões morais e estéticas devem-se a uma visão empobrecida</p><p>das coisas. Os que empreenderem uma busca sincera alcançarão a con-</p><p>cepção do Belo em si mesmo e do Bem em si mesmo.</p><p>Ao contrário do que o termo “ideias” possa sugerir, Platão não as con-</p><p>sidera como meras construções psicológicas; ao contrário, ele lhes atribui</p><p>realidade objetiva. As ideias constituem um mundo suprassensível – ou</p><p>seja, uma dimensão que não podemos ver e tocar, mas que podemos</p><p>captar como os “olhos” da razão. Essa é a famosa teoria das ideias de</p><p>Platão. Ele a ilustra numa alegoria igualmente célebre – a alegoria da</p><p>caverna.</p><p>Platão nos convida a imaginar uma caverna em que se acham vários</p><p>prisioneiros. Eles estão amarrados de tal maneira que só podem ver a</p><p>parede do fundo da caverna. Às costas dos prisioneiros há um muro da</p><p>altura de um homem. Por trás desse muro, transitam várias pessoas carre-</p><p>gando estátuas de diversas formas – todas elas são réplicas de coisas que</p><p>vemos cotidianamente (árvores, pássaros, casas etc.). Há também uma</p><p>grande fogueira, atrás desse muro e dos carregadores. A luz da fogueira</p><p>faz</p><p>com que as sombras das estátuas sejam projetadas sobre o fundo da</p><p>parede. Os barulhos e falas dos carregadores reverberam no fundo da</p><p>caverna, dando aos prisioneiros a impressão de que são oriundos das</p><p>sombras que eles veem. Nessa situação imaginária, os prisioneiros pensa-</p><p>riam que as sombras e os ecos constituem tudo o que existe. Como nunca</p><p>puderam ver nada além das sombras projetadas na parede da caverna,</p><p>acreditam que apenas as sombras são reais.</p><p>Após apresentar esse cenário, Platão sugere que, se um desses prisi-</p><p>oneiros conseguisse se libertar, veria, com surpresa, que as estátuas que</p><p>sempre estiveram atrás dos prisioneiros são mais reais do que aquelas</p><p>sombras. Ao sair da caverna, a luz o ofuscaria; mas, após se acostumar</p><p>com a claridade, veria que as coisas da superfície são ainda mais reais do</p><p>que as estátuas. Esse prisioneiro que se liberta é o filósofo, e a sua jornada</p><p>em direção à superfície representa a o percurso da razão em sua lenta</p><p>ascensão ao conhecimento perfeito.</p><p>A Escola de Atenas, de Rafael, representa os mais importantes filóso-</p><p>fos, matemáticos e cientistas da Antiguidade.</p><p>Aristóteles, discípulo de Platão e preceptor de Alexandre, o Grande, re-</p><p>jeitou a teoria das ideias. Para ele, a hipótese de uma realidade separada e</p><p>independente, constituída apenas por entidades inteligíveis, era uma dupli-</p><p>cação do mundo absolutamente desnecessária.[41] Na visão de Aristóteles,</p><p>a essência de uma coisa não consiste numa ideia suplementar e separada,</p><p>mas numa forma que lhe é imanente. Essa forma imanente é o que dá</p><p>organização e estrutura à matéria, e propicia, no caso dos organismos</p><p>vivos, o seu desenvolvimento conforme a sua essência. Aristóteles também</p><p>divergiu de Platão sobre o valor da experiência na aquisição do conheci-</p><p>mento. Enquanto na filosofia platônica, há uma perene desconfiança em</p><p>relação ao saber derivado dos sentidos, na filosofia aristotélica o conheci-</p><p>mento adquirido pela visão, audição, tato etc. é considerado como o ponto</p><p>de partida do empreendimento científico.</p><p>Aristóteles foi um pesquisador infatigável, e seus interesses abarcavam</p><p>praticamente todas as áreas do conhecimento. Foi o fundador da biologia; e</p><p>o criador da lógica como disciplina. Fez contribuições originais e duradou-</p><p>ras em metafísica e teologia, ética e política, psicologia e estética. Além de</p><p>ter contribuído nas mais diversas disciplinas, Aristóteles realizou a primeira</p><p>grande sistematização das ciências, organizando-as conforme seus méto-</p><p>dos e abrangência. Em cada uma das disciplinas que criou, ou ajudou a</p><p>criar, Aristóteles cunhou uma terminologia que até hoje está presente no</p><p>vocabulário científico e filosófico: como exemplos, podem-se mencionar as</p><p>palavras substância, categoria, energia, princípio e forma.[42]</p><p>Na transição do século IV para o século III a.C., durante o período he-</p><p>lenístico, formam-se duas escolas filosóficas cujos ensinamentos represen-</p><p>tam uma clara mudança de ênfase em relação à Academia de Platão e</p><p>à escola peripatética de Aristóteles. Sua preocupação é principalmente a</p><p>redenção pessoal. Tanto para Epicuro (ca.341-270 a.C.) e seus seguidores</p><p>como para Zenão de Cítio e demais estoicos o principal objetivo da filosofia</p><p>deveria ser a obtenção da serenidade de espírito. As duas escolas também</p><p>se assemelham na crença de que esse objetivo passa por uma espécie de</p><p>harmonização entre o indivíduo e a natureza, mas divergem quanto à forma</p><p>de se realizar essa harmonização. Para Epicuro, a sintonia com a natureza</p><p>supõe a aceitação das necessidades e desejos naturais e dos prazeres</p><p>sensoriais. Dessa forma, ele preconiza a fruição moderada dos prazeres e</p><p>a comedida gratificação dos desejos.[43] Os estoicos, por outro lado, sus-</p><p>tentavam a crença de que o cosmos e os seres humanos partilhavam do</p><p>mesmo logos divino. O ideal filosófico de vida seria, na concepção dos</p><p>estoicos, a adesão à necessidade racional da natureza e o desenvolvimen-</p><p>to de uma absoluta imperturbabilidade (ataraxia) em relação aos fatos e</p><p>eventos do mundo.[44]</p><p>A Antiguidade tardia viu ainda o florescimento de uma nova interpreta-</p><p>ção do platonismo, de acentuada tendência mística – o chamado Neoplato-</p><p>nismo. Seu principal representante, Plotino (205-270), defendeu que o</p><p>princípio fundamental e divino do universo seria o Uno e que desse princí-</p><p>pio fundamental emanavam novas realidades, de diferentes graus de</p><p>perfeição. O universo material e sensível – o "mundo das sombras" da</p><p>alegoria platônica – seria uma emanação distante do Uno, e, por isso,</p><p>apresentaria os traços de imperfeição e inconstância que o caracteri-</p><p>zam.[45]</p><p>Filosofia medieval</p><p>São Tomás de Aquino</p><p>A filosofia medieval é a filosofia da Europa ocidental e do Oriente Mé-</p><p>dio durante a Idade Média. Começa, aproximadamente, com a cristianiza-</p><p>ção do Império Romano e encerra-se com a Renascença. A filosofia medie-</p><p>val pode ser considerada, em parte, como prolongamento da filosofia</p><p>greco-romana[46] e, em parte, como uma tentativa de conciliar o conheci-</p><p>mento secular e a doutrina sagrada.[47]</p><p>A Idade Média carregou por muito tempo o epíteto depreciativo de "i-</p><p>dade das trevas", atribuído pelos humanistas renascentistas; e a filosofia</p><p>desenvolvida nessa época padeceu do mesmo desprezo. No entanto, essa</p><p>era de aproximadamente mil anos foi o mais longo período de desenvolvi-</p><p>mento filosófico na Europa e um dos mais ricos. Jorge Gracia defende que</p><p>“em intensidade, sofisticação e aquisições, pode-se corretamente dizer que</p><p>o florescimento filosófico no século XIII rivaliza com a época áurea da</p><p>filosofia grega no século IV a. C.”[48].</p><p>Entre os principais problemas discutidos nessa época estão a relação</p><p>entre fé e razão, a existência e unidade de Deus, o objeto da teologia e da</p><p>metafísica, os problemas do conhecimento, dos universais e da individuali-</p><p>zação.</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 9</p><p>Entre os filósofos medievais do ocidente, merecem destaque Agostinho</p><p>de Hipona, Boécio, Anselmo de Cantuária, Pedro Abelardo,Roger Ba-</p><p>con, Boaventura de Bagnoregio, Tomás de Aquino, João Duns Esco-</p><p>to, Guilherme de Ockham e Jean Buridan; na civilização islâmi-</p><p>ca, Avicena e Averrois; entre os judeus, Moisés Maimônides.</p><p>Tomás de Aquino (1225-1274), fundador do tomismo, exerceu influên-</p><p>cia inigualável na filosofia e na teologia medievais. Em sua obra, ele deu</p><p>grande importância à razão e à argumentação, e procurou elaborar uma</p><p>síntese entre a doutrina cristã e a filosofia aristotélica. A filosofia de Tomás</p><p>de Aquino representou uma reorientação significativa do pensamento</p><p>filosófico medieval, até então muito influenciado pelo neoplatonismo e sua</p><p>reinterpretação agostiniana.</p><p>Filosofia do Renascimento</p><p>O Homem vitruviano, deLeonardo Da Vinci, resume vários dos ideais</p><p>do pensamento renascentista.</p><p>A transição da Idade Média para a Idade Moderna foi marcada pe-</p><p>lo Renascimento e pelo Humanismo.[49] Nesse período de transição, a</p><p>redescoberta de textos da Antiguidade[50] contribuiu para que o interesse</p><p>filosófico saísse dos estudos técnicos de lógica, metafísica e teologia e se</p><p>voltasse para estudos ecléticos nas áreas da filologia, da moralidade e</p><p>do misticismo. Os estudos dos clássicos e das letras receberam uma ênfa-</p><p>se inédita e desenvolveram-se de modo independente</p><p>da escolástica tradicional. A produção e disseminação do conhecimento e</p><p>das artes deixam de ser uma exclusividade das universidades e dos aca-</p><p>dêmicos profissionais, e isso contribui para que a filosofia vá aos poucos se</p><p>desvencilhando da teologia. Em lugar de Deus e da religião, o conceito de</p><p>homem assume o centro das ocupações artísticas, literárias e filosófi-</p><p>cas.[51]</p><p>O renascimento revigorou a concepção da natureza como um todo or-</p><p>gânico, sujeito à compreensão e influência humanas. De uma forma ou de</p><p>outra, essa concepção</p><p>está presente nos trabalhos de Nicolau de Cu-</p><p>sa, Giordano Bruno, Bernardino Telesio e Galileu Galilei. Essa reinterpreta-</p><p>ção da natureza é acompanhada, em muitos casos, de um intenso interes-</p><p>se por magia, hermetismo e astrologia – considerados então como instru-</p><p>mentos de compreensão e manipulação da natureza.</p><p>À medida que a autoridade eclesial cedia lugar à autoridade secular e</p><p>que o foco dos interesses voltava-se para a política em detrimento da</p><p>religião, as rivalidades entre os Estados nacionais e as crises internas</p><p>demandavam não apenas soluções práticas emergenciais, mas também</p><p>uma profunda reflexão sobre questões pertinentes à filosofia política. Desse</p><p>modo, a filosofia política, que por vários séculos esteve dormente, recebeu</p><p>um novo impulso durante o Renascimento. Nessa área, destacam-se as</p><p>obras de Nicolau Maquiavel e Jean Bodin.[52]</p><p>Filosofia moderna</p><p>A filosofia moderna é caracterizada pela preponderância</p><p>da epistemologia sobre a metafísica. A justificativa dos filósofos modernos</p><p>para essa alteração estava, em parte, na ideia de que, antes de querer</p><p>conhecer tudo o que existe, seria conveniente conhecer o que se pode</p><p>conhecer.[53]</p><p>Geralmente considerado como o fundador da filosofia moderna,[54] o</p><p>cientista, matemático e filósofo francês René Descartes(1596-1650) redire-</p><p>cionou o foco da discussão filosófica para o sujeito pensante. O projeto de</p><p>Descartes era o de assentar o edifício do conhecimento sobre bases segu-</p><p>ras e confiáveis. Para tanto, acreditava ele ser necessário um procedimento</p><p>prévio de avaliação crítica e severa de todas as fontes do conhecimento</p><p>disponível, num procedimento que ficou conhecido como dúvida metódica.</p><p>Segundo Descartes, ao adotar essa orientação, constatamos que resta</p><p>como certeza inabalável a ideia de um eu pensante: mesmo que o sujeito</p><p>ponha tudo em dúvida, se ele duvida, é porque pensa; e, se pensa, é</p><p>porque existe. Essa linha de raciocínio foi celebrizada pela fórmula “penso,</p><p>logo existo” (cogito ergo sum).[55][56] A partir dessa certeza fundamental,</p><p>Descartes defendia ser possível deduzir rigorosamente, ao modo de um</p><p>geômetra, outras verdades fundamentais acerca do sujeito, da natureza do</p><p>conhecimento e da realidade.</p><p>No projeto cartesiano estão presentes três pressupostos básicos: (1)</p><p>a matemática, ou o método dedutivo adotado pela matemática, é o modelo</p><p>a ser seguido pelos filósofos; (2) existem ideias inatas, absolutamente</p><p>verdadeiras, que de alguma forma estão desde sempre inscritas no espírito</p><p>humano; (3) a descoberta dessas ideias inatas não depende da experiência</p><p>– elas são alcançadas exclusivamente pela razão. Esses três pressupostos</p><p>também estão presentes nas filosofias de Gottfried Leibniz (1646-1716)</p><p>e Baruch Spinoza (1632-1677), e constituem a base do movimento filosófi-</p><p>co denominado racionalismo.[57]</p><p>Se os racionalistas priorizavam o modelo matemático, a filosofia anta-</p><p>gônica – o empirismo – enfatizava os métodos indutivos das ciências expe-</p><p>rimentais. O filósofoJohn Locke (1632-1704) propôs a aplicação desses</p><p>métodos na investigação da própria mente humana. Em patente confronto</p><p>com os racionalistas, Locke argumentou que a mente chega ao mundo</p><p>completamente vazia de conteúdo – é uma espécie de lousa em branco</p><p>ou tabula rasa; e todas as ideias com que ela trabalha são necessariamen-</p><p>te originárias da experiência.[58] Esse pressuposto também é adotado</p><p>pelos outros dois grandes filósofos do empirismo britânico, George Berke-</p><p>ley (1685-1753) e David Hume (1711-1776).</p><p>As ideias do empirismo inglês também se difundiram na França; e o en-</p><p>tusiasmo com as novas ciências levou os intelectuais franceses a defender</p><p>uma ampla reforma cultural, que remodelasse não só a forma de se produ-</p><p>zir conhecimento, mas também as formas de organização social e política.</p><p>Esse movimento amplo e contestatório ficou conhecido como Iluminismo.</p><p>Os filósofos iluministas rejeitavam qualquer forma de crença que se base-</p><p>asse apenas na tradição e na autoridade, em especial as divulgadas pe-</p><p>la Igreja Católica. Um dos marcos do Iluminismo francês foi a publicação</p><p>da Encyclopédie. Elaborada sob a direção de Jean le Rond</p><p>d’Alembert e Denis Diderot, essa obra enciclopédica inovadora incorporou</p><p>vários dos valores defendidos pelos iluministas e contou com a colaboração</p><p>de vários de seus nomes mais destacados, co-</p><p>mo Voltaire, Montesquieu e Rousseau.</p><p>Em 1781, Immanuel Kant publicou a sua famosa Crítica da Razão Pu-</p><p>ra, em que propõe uma espécie de síntese entre as teses racionalistas e</p><p>empiristas. Segundo Kant, apesar de o nosso conhecimento depender de</p><p>nossas percepções sensoriais, essas não constituem todo o nosso conhe-</p><p>cimento, pois existem determinadas estruturas do sujeito que as antecedem</p><p>e tornam possível a própria formação da experiência. O espaço, por exem-</p><p>plo, não é uma realidade que passivamente assimilamos a partir de nossas</p><p>impressões sensoriais. Ao contrário, somos nós que impomos uma organi-</p><p>zação espacial aos objetos. Do mesmo modo, o sujeito não aprende, após</p><p>inúmeras experiências, que todas as ocorrências pressupõem uma causa;</p><p>antes, é a estrutura peculiar do sujeito que impõe aos fenômenos uma</p><p>organização de causa e efeito. Uma das consequências da filosofia kantia-</p><p>na é estabelecer que as coisas em si mesmas não podem ser conhecidas.</p><p>A fronteira de nosso conhecimento é delineada pelos fenômenos, isto é,</p><p>pelos resultados da interação da realidade objetiva com os esquemas</p><p>cognitivos do sujeito.</p><p>Filosofia do século XIX</p><p>Geralmente se considera que depois da filosofia de Kant tem início</p><p>uma nova etapa da filosofia, que se caracterizaria por ser uma continuação</p><p>e, simultaneamente, uma reação à filosofia kantiana. Nesse período desen-</p><p>volve-se o idealismo alemão (Fichte, Schelling e Hegel), que leva as ideias</p><p>kantianas às últimas consequências. A noção de que há um universo inteiro</p><p>(a realidade em si mesma) inalcançável ao conhecimento humano, levou os</p><p>idealistas alemães a assimilar a realidade objetiva ao próprio sujeito no</p><p>APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos</p><p>Ética e Filosofia A Opção Certa Para a Sua Realização 10</p><p>intuito de resolver o problema da separação fundamental entre sujeito e</p><p>objeto. Assim, por exemplo, Hegel postulou que o universo é espírito. O</p><p>conjunto dos seres humanos, sua história, sua arte, sua ciência e sua</p><p>religião são apenas manifestações desse espírito absoluto em sua marcha</p><p>dinâmica rumo ao autoconhecimento.[59] Enquanto na Alemanha, o idea-</p><p>lismo apoderava-se do debate filosófico, na França, Auguste Com-</p><p>te retomava uma orientação mais próxima das ciências e inaugurava</p><p>o positivismo e a sociologia. Na visão de Comte, a humanidade progride</p><p>por três estágios: o estágio teológico, o estágio metafísico e, por fim, o</p><p>estágio positivo. No primeiro estágio, as explicações são dadas em termos</p><p>mitológicos ou religiosos; no segundo, as explicações tornam-se abstratas,</p><p>mas ainda carecem de cientificidade; no terceiro estágio, a compreensão</p><p>da realidade se dá em termos de leis empíricas de “sucessão e semelhan-</p><p>ça” entre os fenômenos.[60] Para Comte, a plena realização desse terceiro</p><p>estágio histórico, em que o pensamento científico suplantaria todos os</p><p>demais, representaria a aquisição da felicidade e da perfeição.[61]</p><p>Também no campo do desenvolvimento históri-</p><p>co, Marx e Engels davam uma nova formulação ao socialismo. Eles fazem</p><p>uma releitura materialista da dialética de Hegel no intuito de analisar e</p><p>condenar o sistema capitalista. Desenvolvem a teoria da mais-valia, segun-</p><p>do a qual o lucro dos capitalistas dependeria inevitavelmente da exploração</p><p>do proletariado. Sustentam que o estado, as formas político-institucionais e</p><p>as concepções ideológicas formavam uma superestrutura construída sobre</p><p>a base das relações de produção[62] e que as contradições resultantes</p><p>entre essa base econômica e a superestrutura</p>