Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

CICLO DE VIDA 2 - 
ADOLESCÊNCIAS E JUVENTUDES
PROF. ME. MURILO MAGESTE DE MORAES
REITORIA: 
Dr. Roberto Cezar de Oliveira
PRÓ-REITORIA:
Profa. Ma. Gisele Colombari Gomes
DIRETORIA DE ENSINO:
Profa. Dra. Gisele Caroline Novakowski
EQUIPE DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS:
Diagramação
Revisão textual
Produção audiovisual
Gestão
WWW.UNINGA.BR
33WWW.UNINGA.BR
UNIDADE
01
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 4
1. PUBERDADE ........................................................................................................................................................... 5
2. PUBERDADE PRECOCE ........................................................................................................................................ 6
3. MATURAÇÃO SEXUAL ............................................................................................................................................7
4. DESEJOS E INDEPENDÊNCIA .............................................................................................................................. 8
CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................................................................................10
PRÉ-ADOLESCÊNCIA
PROF. ME. MURILO MAGESTE DE MORAES
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
CICLO DE VIDA 2: 
ADOLESCÊNCIAS E JUVENTUDES
4WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 1
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
INTRODUÇÃO
A pré-adolescência é um período de transição, marcado por mudanças signi� cativas em 
diferentes aspectos do desenvolvimento humano, conforme destacado por Picirilli (2019). A 
puberdade, a maturação sexual, a emergência de novos desejos e a busca por independência são 
alguns dos principais marcos desse período.
A puberdade é um processo biológico caracterizado pelo desenvolvimento dos órgãos 
sexuais, maturação dos caracteres sexuais secundários e consolidação da capacidade reprodutiva, 
sendo desencadeado pela ação de hormônios sexuais. Embora a puberdade ocorra de maneira 
individualizada, estudos apontam que a idade média de início é de 9 a 13 anos para meninas e de 
10 a 14 anos para meninos (PICIRILLI, 2019).
No entanto, a puberdade precoce pode ocorrer em algumas crianças, sendo caracterizada 
pelo aparecimento dos sinais pubertários antes da idade média de início da puberdade. Essa 
condição pode trazer consequências físicas e psicológicas adversas para a criança, tais como 
maior risco de desenvolvimento de doenças crônicas, problemas emocionais e baixa autoestima. 
Os sinais que podem indicar a puberdade precoce são o aparecimento de pelos pubianos e axilares 
antes dos 8 anos nas meninas e antes dos 9 anos nos meninos, o desenvolvimento de mamas nas 
meninas antes dos 8 anos e o aumento do tamanho do testículo nos meninos antes dos 9 anos.
Além das mudanças físicas, a pré-adolescência é caracterizada pelo surgimento de 
novos desejos sexuais, associados a um maior interesse pela sexualidade. É importante que os 
pais e responsáveis promovam uma educação sexual adequada e esclarecedora, com o objetivo 
de esclarecer dúvidas e orientar os jovens acerca da importância da proteção e do respeito nas 
relações sexuais.
Outra característica importante da pré-adolescência é a busca por maior autonomia e 
independência. Os pré-adolescentes iniciam um processo de questionamento das normas e regras 
estabelecidas pelos adultos, em busca de mais liberdade e autonomia para tomarem suas próprias 
decisões. É fundamental que os pais e responsáveis incentivem essa busca por independência a 
� m de propiciar um processo de transição saudável para a adolescência.
Em resumo, a pré-adolescência é um período complexo e importante do desenvolvimento 
humano, com implicações signi� cativas para a vida adulta. A compreensão e o apoio aos jovens 
nessa fase são fundamentais para seu desenvolvimento psicossocial, como destacado por Picirilli 
(2019). Portanto, nesta unidade abordaremos esses tópicos e, ao � nal, você deverá ser capaz de 
entender a adolescência e os processos biológicos dessa fase, bem como possíveis implicações 
para a vida do indivíduo. 
5WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 1
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
1. PUBERDADE
A puberdade é caracterizada por mudanças � siológicas, psicológicas e sociais signi� cativas, 
que afetam a vida dos indivíduos em vários aspectos. Nesta unidade, discutiremos os principais 
aspectos da puberdade, incluindo as mudanças hormonais, as alterações físicas e psicológicas e o 
impacto dessas mudanças na vida dos indivíduos.
Para explicarmos sobre puberdade, precisamos iniciar entendendo a pré-adolescência e 
a adolescência. A adolescência pode ser de� nida como um processo que envolve movimentos 
de transição do ser humano ou também pode ser compreendida como uma fase localizada 
entre a infância e a vida adulta (PICIRILLI, 2019). Em sua de� nição no “Dicionário Técnico de 
Psicologia”, ela é destacada como o período do crescimento humano entre o início da puberdade 
e a maturidade adulta (CABRAL; NICK, 2001). 
Esse período relaciona-se à idade do indivíduo e ao sexo, visto que se inicia na puberdade. 
A puberdade, por sua vez, se refere às transformações biológicas e � siológicas de maturação 
hormonal, como aceleração e desaceleração do crescimento musculoesquelético, alterações 
da distribuição de gordura corporal, desenvolvimento das gônadas e dos órgãos reprodutores, 
além de outros fatores que, combinados, modulam o sistema neuroendócrino e suas atividades 
(COLLI, 1988; BARBOSA; FRANSESCHINI; PRIORE, 2006). Essas alterações são controladas 
por uma série de hormônios produzidos pelas glândulas endócrinas, incluindo o hipotálamo, a 
hipó� se e as glândulas adrenais. O principal hormônio responsável pela puberdade é o hormônio 
luteinizante (LH), que estimula a produção de testosterona nos testículos nos meninos e a 
produção de estrogênio nos ovários nas meninas. Essas mudanças se dividem em características 
sexuais primárias (que são aquelas envolvendo os órgãos sexuais) e sexuais secundárias (que se 
referem aos pelos pubianos e da axila, às mamas e ao crescimento) (PICIRILLI, 2019). 
Em decorrência da complexidade desse processo, o início da puberdade pode variar de 
acordo com a individualidade biológica. Porém, é mais comum que, para o sexo feminino, ocorra 
entre 9 e 13 anos de idade, enquanto, para o sexo masculino, ocorra entre os 10 e 14 anos de idade. 
No sexo feminino, os primeiros sinais indicativos do início da puberdade são o crescimento das 
mamas, seguido pelo crescimento dos pelos pubianos. A menarca usualmente acontece aos 12 
anos de idade, mas é irregular nos primeiros dois anos. No sexo masculino, os primeiros sinais 
são o crescimento dos testículos; logo após inicia-se o crescimento do pênis e dos pelos pubianos. 
Somente após dois anos é que se inicia o crescimento em outras partes do corpo, como axilas e 
face (COLLI, 1988; PICIRILLI, 2019). 
Figura 1 - Puberdade. Fonte: Organics News Brasil (2016).
6WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 1
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
As mudanças psicológicas da puberdade são igualmente importantes, embora menos 
visíveis. Durante a puberdade, os adolescentes passam por uma série de mudanças emocionais e 
cognitivas, incluindo o desenvolvimento de habilidades de pensamento abstrato, a formação de 
identidade e a busca por autonomia e independência. Essas mudanças podem levar a con� itos 
com os pais e outros adultos, bem como a problemas de autoestima e ansiedade.
A puberdade tem um impacto signi� cativo na vida dos adolescentes, afetando suas 
relações com os pais, amigos e colegas de escola. As mudanças físicas podem levar a sentimentosde inadequação e insegurança, especialmente em relação ao corpo e à aparência. As mudanças 
psicológicas podem levar a con� itos com os pais e a problemas de relacionamento com os colegas 
de escola. Além disso, a puberdade é uma época em que os adolescentes começam a explorar sua 
sexualidade, o que pode levar a riscos de gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis.
Portanto, a puberdade representa a despedida da fase infantil, tornando o organismo apto 
a se reproduzir e o corpo rumo ao corpo adulto (PICIRILLI, 2019; BARBOSA; FRANCESCHINI; 
PRIORE, 2006). Entretanto, cabe ressaltar que ela não é sinônimo da adolescência, embora 
caminhem juntas. A adolescência depende de fatores ambientais, como inserção cultural e 
histórica, convívio social, hábitos de saúde, estilo de vida, entre outros; por isso, deve ser entendida 
como um processo não somente biológico que se inicia com a puberdade, mas também altamente 
moldado pelo contexto social (PICIRILLI, 2019). 
2. PUBERDADE PRECOCE
A puberdade precoce é uma condição médica que afeta crianças, caracterizada pelo 
início prematuro do desenvolvimento sexual. Essa condição pode ter um impacto signi� cativo 
na qualidade de vida da criança e pode levar a problemas psicológicos e sociais. Este tópico 
examina os fatores de risco para a puberdade precoce, os métodos de diagnóstico e as opções de 
tratamento disponíveis (MACEDO et al., 2014; PICIRILLI, 2019).
A puberdade é um período importante do desenvolvimento humano, marcado por 
alterações hormonais e físicas que culminam com a maturação sexual e reprodutiva. A puberdade 
precoce é de� nida como o início do desenvolvimento sexual antes dos 8 anos em meninas e antes 
dos 9 anos em meninos. A puberdade precoce é uma condição relativamente rara, afetando cerca 
de 1 em cada 5.000 a 10.000 crianças. A causa pode ser idiopática, ou seja, de causa desconhecida, 
ou devido a fatores genéticos, doenças ou uso de medicamentos.
Vários fatores de risco foram identi� cados para a puberdade precoce, incluindo 
obesidade, exposição a hormônios exógenos, como esteroides anabolizantes, condições médicas, 
como tumores cerebrais e doenças endócrinas, como o hipotireoidismo. Além disso, a puberdade 
precoce é mais comum em meninas do que em meninos, com uma proporção de 10:1.
O diagnóstico de puberdade precoce é baseado na avaliação clínica e exames de imagem. 
Os sintomas da puberdade precoce incluem desenvolvimento de mamas, crescimento acelerado, 
aparecimento de pelos pubianos e axilares, aumento dos órgãos genitais e desenvolvimento de 
acne. Os exames de imagem, como a ressonância magnética (RM) ou tomogra� a computadorizada 
(TC), podem ser usados para detectar a presença de tumores cerebrais ou outras anomalias.
7WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 1
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Figura 2 - Puberdade precoce. Fonte: Escola Kids (2023).
O tratamento da puberdade precoce depende da causa subjacente. Se a puberdade precoce 
for idiopática, o tratamento pode não ser necessário. No entanto, se a puberdade precoce for 
devido a uma condição médica ou uso de medicamentos, esses fatores devem ser tratados. Em 
casos de puberdade precoce central, o tratamento pode incluir o uso de agonistas do hormônio 
liberador de gonadotro� na (GnRH), que podem inibir a produção de hormônios sexuais. Além 
disso, a terapia hormonal pode ser usada para suprimir a produção de hormônios sexuais.
Portanto, a puberdade precoce é uma condição médica que pode ter um impacto 
signi� cativo na qualidade de vida da criança. É importante que essa condição seja tratada 
adequadamente para prevenir problemas emocionais e sociais. A colaboração entre médicos, 
pacientes e familiares é essencial para o diagnóstico precoce e tratamento e� caz da puberdade 
precoce.
3. MATURAÇÃO SEXUAL
A maturação sexual é um processo complexo que começa na infância e culmina na 
puberdade, período caracterizado pelo desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários, 
aquisição da capacidade reprodutiva e crescimento somático acelerado. A maturação sexual é 
regulada pela ação coordenada de diversos hormônios e genes, que interagem de maneira complexa 
para promover a diferenciação sexual e a maturação dos tecidos reprodutivos (BARBOSA; 
FRANSESCHINI; PRIORE, 2006). A maturação sexual pode ser afetada por fatores ambientais e 
genéticos, sendo que a idade de início e o ritmo da maturação podem variar consideravelmente 
entre indivíduos (BARBOSA; FRANSESCHINI; PRIORE, 2006; PICIRILLI, 2019).
A maturação sexual é um processo complexo que envolve diversas mudanças biológicas 
e psicológicas. Durante a infância, os ovários e os testículos permanecem inativos, e a produção 
de hormônios sexuais é baixa. A partir dos oito anos de idade, ocorre o início da produção de 
Recomendamos que você leia:
MACEDO, D. B. et al. Avanços na etiologia, no diagnóstico e no tratamento da 
puberdade precoce central. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 
v. 58, 2014.
8WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 1
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
hormônios sexuais, principalmente estrógeno nas meninas e testosterona nos meninos, que 
estimulam o crescimento dos tecidos reprodutivos e dos caracteres sexuais secundários, tais 
como o crescimento dos seios e o aparecimento de pelos pubianos. A maturação sexual é regulada 
pela ação de diversos hormônios, tais como o hormônio luteinizante (LH), o hormônio folículo-
estimulante (FSH), a testosterona e o estrógeno. Esses hormônios são produzidos pelos ovários 
e pelos testículos, bem como pela hipó� se, uma glândula endócrina localizada no cérebro. A 
produção desses hormônios é controlada por um feedback complexo envolvendo diversos 
neurotransmissores e hormônios hipotalâmicos.
A maturação sexual é in� uenciada por fatores genéticos e ambientais. Estudos em gêmeos 
indicam que a idade de início da puberdade tem uma forte componente genética, com uma 
herdabilidade estimada em torno de 60%. No entanto, fatores ambientais, tais como nutrição, 
exposição a produtos químicos e doenças, também podem afetar a maturação sexual. A obesidade, 
por exemplo, tem sido associada a um início precoce da puberdade, possivelmente devido ao 
aumento da produção de hormônios sexuais pelos adipócitos (BARBOSA; FRANSESCHINI; 
PRIORE, 2006).
A maturação sexual pode ser afetada por distúrbios endócrinos, tais como a puberdade 
precoce e a puberdade tardia. A puberdade precoce é de� nida como o início da puberdade 
antes dos oito anos de idade nas meninas e dos nove anos nos meninos. A puberdade precoce 
pode ter diversas causas, tais como tumores hipotalâmicos, síndromes genéticas e exposição a 
hormônios exógenos. A puberdade tardia, por outro lado, é de� nida como a ausência de sinais de 
puberdade aos 14 anos nas meninas e 16 anos nos meninos. A puberdade tardia pode ser causada 
por distúrbios hipotalâmicos, hipo� sários ou gonadais, bem como por desnutrição e excesso de 
exercícios.
4. DESEJOS E INDEPENDÊNCIA
É na puberdade que os jovens começam a desenvolver sua identidade e a se tornarem mais 
independentes. Os desejos e a independência são temas muito relevantes durante a puberdade, 
uma vez que eles in� uenciam signi� cativamente a forma como os adolescentes lidam com as 
mudanças em seu corpo e em sua vida (PICIRILLI, 2019).
Os desejos são uma parte fundamental da puberdade. Durante esse período, os 
adolescentes começam a sentir uma intensa necessidade de explorar o mundo ao seu redor e 
de experimentar novas sensações. Eles podem desejar coisas como liberdade, independência, 
relacionamentos íntimos, popularidade, status social e reconhecimento.
Esses desejos muitas vezes entram em con� ito com as expectativas dos pais e da sociedade 
em geral. Os pais podem querer proteger seus � lhos e mantê-los seguros, enquanto a sociedade 
pode valorizar o conformismo e a obediência (PICIRILLI, 2019). Essescon� itos podem gerar 
estresse e ansiedade nos adolescentes, que muitas vezes se sentem presos entre o que querem e o 
que é esperado deles.
Além do hormônio estrogênio, o corpo feminino também produz outro hormônio 
chamado progesterona, que é responsável por preparar o útero para fecundação e 
as glândulas mamárias para a amamentação.
9WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 1
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Figura 3 - Desejos e independência. Fonte: Da Mata (2023).
A independência é outro tema importante na puberdade. À medida que os adolescentes 
amadurecem, eles começam a desenvolver um senso de identidade próprio e a se afastar do controle 
dos pais. Eles podem querer tomar suas próprias decisões e assumir mais responsabilidades. Esse 
desejo de independência pode ser difícil para os pais, que podem se sentir perdendo o controle 
sobre seus � lhos.
A independência também pode ser desa� adora para os adolescentes. Eles podem enfrentar 
novos desa� os, como lidar com dinheiro, fazer escolhas difíceis e lidar com as consequências de 
suas ações. No entanto, a independência também pode ser emocionante e grati� cante, permitindo 
que os adolescentes experimentem a vida de forma mais plena e autêntica.
Em resumo, os adolescentes precisam encontrar um equilíbrio entre seus próprios desejos 
e as expectativas da sociedade e de seus pais. A independência pode ser desa� adora, mas também 
é uma parte importante do processo de amadurecimento. Os pais e a sociedade em geral devem 
apoiar os adolescentes em suas jornadas, ajudando-os a desenvolverem suas próprias identidades 
e a alcançarem seu potencial máximo.
Esse período é o momento em que os pré-adolescentes irão se mostrar mais 
resistentes e querer ter mais autonomia, apresentando resistência para seguir 
comandos e orientações feitas pelo responsável.
Sendo assim, é de fundamental importância que os adultos responsáveis pelo pré-
adolescente mantenham a calma e saibam lidar com as possíveis adversidades 
que venham a surgir durante o dia a dia.
10WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 1
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Para complementar o conhecimento aqui adquirido, assista ao 
vídeo Puberdade - Estágios do Desenvolvimento, disponível em 
https://www.youtube.com/watch?v=e-tBfhSfXdU.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A puberdade é um período de intensas mudanças e desa� os, tanto para os adolescentes 
como para seus pais e cuidadores. Ao longo desta unidade, exploramos muitos dos aspectos físicos, 
emocionais e sociais que acompanham essa fase da vida, bem como algumas das estratégias para 
entender esse processo.
Uma das principais mensagens desta unidade é que cada indivíduo é único e pode ter 
uma experiência muito diferente da puberdade, dependente da individualidade biológica de cada 
um e do contexto em que este está inserido. Ainda que saibamos que a puberdade é, em sua 
essência, um processo de mudanças biológicas e de crescimento � siológico com o intuito de 
tornar o indivíduo um ser reprodutor, o contexto social em que esse processo ocorre também 
molda a experiência. Enquanto alguns indivíduos no início da adolescência podem passar por 
essa fase sem problemas signi� cativos, outros podem enfrentar desa� os complexos em áreas 
como autoestima, relacionamentos, sexualidade e saúde mental. No entanto, independentemente 
da sua situação, existem diversas estratégias a que os adolescentes e seus pais podem recorrer 
para enfrentar esses desa� os e aproveitar ao máximo essa fase de suas vidas.
Um aspecto importante da unidade é a importância do diálogo aberto e honesto entre 
pais/responsáveis e os pré-adolescentes. Muitas vezes, estes podem sentir-se inseguros e confusos 
com as mudanças que estão ocorrendo em seus corpos e mentes, e podem não ter certeza de 
como se comunicar com seus pais ou responsáveis. Por outro lado, os pais também podem sentir-
se inseguros sobre como abordar esses temas sensíveis com seus � lhos.
Em última análise, a puberdade é um período de crescimento e descoberta, e cada jovem 
deve ser capaz de explorar o mundo de uma forma segura e saudável. 
1111WWW.UNINGA.BR
UNIDADE
02
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................................12
1. ADOLESCÊNCIA E DESENVOLVIMENTO .............................................................................................................14
2. SEXUALIDADE E GRAVIDEZ..................................................................................................................................16
3. VIOLÊNCIA E DROGAS ..........................................................................................................................................18
4. ATOS INFRACIONAIS DURANTE A INFÂNCIA ................................................................................................... 20
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 22
ADOLESCÊNCIA
PROF. ME. MURILO MAGESTE DE MORAES
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
CICLO DE VIDA 2: 
ADOLESCÊNCIAS E JUVENTUDES
12WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 2
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
INTRODUÇÃO
Já sabemos que a adolescência é um período de transição marcado por mudanças 
signi� cativas no desenvolvimento biológico, psicológico e social. Durante esse período, os 
indivíduos passam por uma série de mudanças em seu comportamento, cognição, emoções, 
relacionamentos e identidade. A adolescência é caracterizada por um aumento na busca de 
independência, pela experimentação de novas experiências e pela formação de uma identidade 
própria, muitas vezes em con� ito com as regras impostas pelos pais ou responsáveis, ou 
ao funcionamento da sociedade atual. Em decorrência disso, as características notáveis da 
adolescência também sofreram modi� cações ao longo das décadas, uma vez que dependem da 
interação multidirecional com as diversas esferas ecológicas e sociais (PICIRILLI, 2019).
O desenvolvimento é um tema central na adolescência. A puberdade é um marco 
importante no desenvolvimento físico e hormonal, levando a mudanças signi� cativas no 
corpo, incluindo a maturação sexual, o crescimento e o desenvolvimento de características 
sexuais secundárias, conforme exposto anteriormente. Cabe ressaltar que a adolescência tem 
início na puberdade e, portanto, está intimamente ligada às suas características. Além disso, 
o desenvolvimento cognitivo também passa por mudanças importantes, com o pensamento 
abstrato e a capacidade de introspecção se desenvolvendo. As habilidades sociais e emocionais 
também se tornam mais so� sticadas, com a capacidade de empatia e compreensão das emoções 
dos seus pares e dos indivíduos de forma geral na sociedade.
Em decorrência do desenvolvimento sexual provindo de maturação dos órgãos sexuais 
e do exponencial aumento dos hormônios sexuais na puberdade, a sexualidade e a gravidez 
são temas frequentemente associados à adolescência. A experimentação sexual é comum nessa 
fase, podendo levar a riscos com consequências graves, como gravidez, infecções sexualmente 
transmissíveis e o desenvolvimento de comportamentos de risco. Além disso, a gravidez 
na adolescência pode ter um impacto signi� cativo na vida futura, incluindo a limitação de 
oportunidades educacionais e pro� ssionais e o julgamento social, que é acompanhado de grande 
impacto psicossocial do adolescente.
É imprescindível considerar os fatores ambientais aos quais os adolescentes estão 
expostos, se estes se apresentam como barreiras ou como facilitadores do pleno desenvolvimento. 
Como resultado do contexto ambiental em casa, na escola e na comunidade, a violência e as 
drogas podem ser temas complexos einter-relacionados na adolescência. Muitos são expostos a 
ambientes violentos, incluindo situações de abuso, negligência e violência doméstica. Além disso, 
a exposição a drogas pode ser um risco signi� cativo na adolescência, com potenciais impactos 
físicos e psicológicos. O uso de drogas pode levar a um aumento no comportamento de risco, 
como dirigir sob in� uência, e à exposição a situações violentas. E é importante ressaltar que, 
como uma das principais características da adolescência são a identidade própria e as interações 
sociais, os grupos aos quais o adolescente se integra e participa exercem forte in� uência em seus 
comportamentos diante de atos ilícitos. Com isso em mente, o papel dos principais cuidadores 
e da família é imprescindível, bem como a colaboração da escola para com esses adolescentes. 
Os atos infracionais cometidos durante a infância podem ter um impacto signi� cativo 
no desenvolvimento da adolescência. As crianças que foram expostas a situações de risco ou 
que apresentaram comportamentos de risco durante a infância podem estar em maior risco de 
desenvolver problemas de comportamento na adolescência, incluindo comportamento antissocial 
e delinquência juvenil. Além disso, a exposição a situações de risco pode levar a problemas de 
saúde mental, como depressão e ansiedade.
13WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 2
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Nesta unidade, vamos explorar em profundidade esses temas da adolescência, discutindo 
as mudanças no desenvolvimento físico, cognitivo e emocional durante esse período. Vamos 
discutir questões relacionadas à sexualidade e à gravidez, bem como os desa� os enfrentados 
pelos adolescentes em relação à violência e às drogas. Além disso, vamos discutir como os 
atos infracionais cometidos durante a infância podem afetar o desenvolvimento e a vida dos 
adolescentes. A compreensão desses temas pode ajudar os pro� ssionais de saúde, educadores e 
pais a fornecerem um apoio adequado para os adolescentes em suas transições para a vida adulta.
14WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 2
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
1. ADOLESCÊNCIA E DESENVOLVIMENTO
De acordo com Picirilli (2019, p. 10), “(...) a adolescência pode ser compreendida enquanto 
uma fase ou um período localizado entre a infância e a vida adulta”. Ainda, o “Dicionário Técnico 
de Psicologia” (CABRAL; NICK, 2001) a de� ne como um período de crescimento humano que 
ocorre entre o início da puberdade e o estabelecimento da maturidade adulta. Nesse período, 
ocorre a transição do estágio infantil para o estágio adulto, incluindo a maturação sexual após 
um período de latência. No entanto, a adolescência não se limita apenas às mudanças pubertais 
no corpo, mas também envolve o desenvolvimento de habilidades intelectuais, interesses, 
atitudes e ajustes sociais. Embora não exista uma de� nição precisa dos limites da adolescência, 
convencionalmente, essa fase é de� nida como sendo dos 12 aos 21 anos para o sexo feminino e dos 
13 aos 22 anos para o sexo masculino. Durante a adolescência, ocorrem mudanças signi� cativas 
em vários aspectos da vida dos jovens, incluindo mudanças físicas, psicológicas, sociais e 
emocionais. Essas mudanças podem ser desa� adoras e complexas, mas também apresentam 
oportunidades para o crescimento e o desenvolvimento pessoal (CABRAL; NICK, 2001).
Embora haja interesse na proposta de universalidade com relação ao estágio da 
adolescência, sabe-se que ela depende do contexto de vida, histórico e cultural, gênero, geração e 
grupo social, e que, por isso, a experiência torna-se variável de acordo com o indivíduo. Hábitos de 
saúde, interações sociais e as descobertas de oportunidades, especialmente no ambiente escolar, 
in� uenciam individualmente a vivência da adolescência (SCHOEN-FERREIRA; AZNAR-
FARIAS; SILVARES, 2010; PICIRILLI, 2019). 
Historicamente, a adolescência era compreendida como um comportamento impulsivo 
e sexual, com diferenças nos papéis sociais de homens e mulheres. A ginástica, inclusive, era 
utilizada como treino médico preparatório com o intuito de “(...) tirar dos jovens a energia venéra 
(SCHOEN-FERREIRA; AZNAR-FARIAS; SILVARES, 2010, p. 229)” relacionada aos desejos 
sexuais e uso de álcool. Essa prática preparava os homens para assumirem compromissos na 
guerra e na política e as mulheres, para a maternidade. E essa fase era entendida como a transição 
para a vida adulta, sendo que os pais dos homens os declaravam capazes de serem adultos, e as 
meninas eram consideradas aptas a casar desde os 12 anos – em decorrência da maturação sexual 
e da capacidade reprodutiva advinda da puberdade na pré-adolescência. Ainda que sempre tenha 
sido atribuído valor ao início da capacidade reprodutiva humana – colocando esses indivíduos 
em diferentes posições sociais ao atingirem essa fase –, somente a partir dos séculos XVIII e XX 
é que a adolescência começou a ser considerada um período de desenvolvimento humano, e não 
mais “pequenos adultos”. A partir de então, a adolescência é tida como um estágio especial do 
desenvolvimento, com conturbações relacionadas à emergência da sexualidade e como objeto 
de estudo do campo cientí� co e acadêmico (OLIVEIRA, 2010; BERNI; ROSO, 2014; PICIRILLI, 
2019). 
Da mesma forma que a de� nição de adolescência apresenta um contexto histórico 
envolvido e conta com diversas variáveis, o conceito de juventude também foi, e é, construído 
socialmente e, portanto, não deve ser entendido como sinônimo de adolescência, ainda que 
ambas sejam condições sociais orientadas por uma faixa etária (PICIRILLI, 2019). No Brasil, o 
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) designa o adolescente dentro da faixa etária entre 
12 e 18 anos incompletos, enquanto o termo jovem compreende a pessoa entre 15 e 29 anos. A 
de� nição desses termos, bem como a diferenciação entre eles, é essencial para permitir maiores 
estudos nessas vivências humanas e para a formulação de políticas públicas especí� cas para cada 
grupo social, considerando suas especi� cidades e singularidades como indivíduo e como ser 
social inserido em sociedade.
Como parte imprescindível da adolescência, está também o desenvolvimento moral, 
que é compreendido como o conceito envolvendo o conjunto de normas e padrões de conduta 
15WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 2
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
adotados pelo indivíduo com base no que ele mais se identi� ca e que rege o comportamento 
humano (CABRAL; NICK, 2001; PICIRILLI, 2019). Segundo Piaget (2002), o pensamento do 
adolescente é construído com base em um mecanismo hipotético-dedutivo, no qual o adolescente 
constrói sistemas e teorias que permitem que a leitura da realidade seja realizada a partir de 
re� exões pessoais do indivíduo, construindo seus próprios conceitos morais sobre a vida, mas 
interligados com seu contexto social. 
O desenvolvimento dessa moral, porém, tem início desde a infância a partir da obediência 
da criança para com as � guras de autoridade – o que forma o sentido de justiça para o indivíduo 
(PIAGET, 2002). 
Os estudos de Piaget na década de 1970 foram um dos pioneiros no entendimento do 
desenvolvimento da moral, seguidos de Bee (1996), que apresentou uma teoria envolvendo os 
estágios do desenvolvimento moral. 
Bee (1996) organizou a sua teoria a partir de três níveis, sendo eles: (1) moralidade pré-
convencional; (2) moralidade convencional; (3) moralidade com princípios ou pós-convencional. 
Cada nível possui dois estágios de desenvolvimento. Esses estágios são apresentados por Bee 
(1996), de 1 a 6, conforme segue: 
1. A criança determina a ação como certa ou errada com base no efeito – se houve um 
castigo ou não;
2. Nesse estágio, a criança compreende as ações como boas a partir de uma consequência 
positiva;
3. A criança não tem mais o seu ponto de vista somente emsi, mas também no outro – ou 
seja, é compreendido como “bom” aquilo que agrada ao outro;
4. As ações morais são aquelas de� nidas por regras de grupos sociais;
5. Nesse estágio, as regras e leis são importantes e re� etem decisões e atitudes justas, mas 
são maleáveis; 
6. Por � m, o indivíduo assume as responsabilidades de suas ações baseando-se nos 
princípios universais de justiça.
Portanto, a moralidade não é tida como sinônimo de caráter, mas, sim, como forma de 
operacionalizar o raciocínio – e, quanto mais elevado o nível de raciocínio da criança, mais forte 
será o seu vínculo com o comportamento (BEE, 1996). 
Para complementar o conhecimento aqui adquirido, assista ao 
vídeo O que é a adolescência?, disponível em https://www.youtube.
com/watch?v=h4-YXXKPXVg.
16WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 2
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
2. SEXUALIDADE E GRAVIDEZ
O início da puberdade e, portanto, da adolescência, começa a preparar o corpo infantil 
para o processo de reprodução sexual. Inserido em um contexto social e não somente biológico, 
o adolescente não vivencia somente uma preparação � siológica para a procriação da espécie. 
Ele experimenta os dilemas intimamente relacionados ao campo da sexualidade com base na 
sociedade e nas construções socio-históricas vividas, como relacionamentos, sentimentos e 
gravidez precoce (PICIRILLI, 2019).
Historicamente, houve diversas modi� cações a respeito do valor moral das relações 
de sexualidade. A Babilônia possuía hierarquia em sua civilização, com um modelo familiar 
patriarcal e uma prática comum do adultério, desde relações heterossexuais até as homossexuais, 
visto que eram consideras naturais pela sociedade. 
Na Grécia Antiga, as relações homossexuais masculinas e femininas também eram 
práticas comuns da sociedade, ainda que possuíssem regras baseadas na hierarquia social 
(SOLOVIJOVAS et al., 2002). A Roma Antiga também se caracterizava como um modelo familiar 
patriarcal, porém, as relações bissexuais estavam autorizadas desde que respeitando as regras 
sociais da época. Com a chegada do Cristianismo ao � nal do império romano, a moral social foi 
totalmente transformada. 
Diversos costumes e comportamentos tidos como aceitáveis até então foram modi� cados 
com base na in� uência maciça da Igreja Católica na moral do homem, que agora seguia as leis 
divinas. As estratégias adotadas pela Igreja para instituir o total controle da sociedade era a 
propagação do medo, do castigo e da culpa, culminados a um possível inferno. A partir de então, 
a vinculação do sexo ao pecado foi bastante difundida, desde o ato sexual ao desejo sexual. O 
clero, portanto, tornou-se o único elo entre Deus e o homem, ditando o que era certo e errado, 
sendo o detentor do poder de salvação. O sexo, portanto, era pecaminoso e afastava o homem de 
Deus, e só deveria ser realizado por um casal heterossexual casado com o propósito de reproduzir. 
Nesse contexto, a mulher tornou-se a imagem do pecado, dita como a chave do inferno, ausente 
de valor e fortemente discriminada – o que causou a morte de milhares de mulheres na Santa 
Inquisição (SOLOVIJOVAS et al., 2002). 
No Renascimento, o retorno ao belo, exaltando o corpo nu em esculturas de arte, ganha 
espaço novamente, o que leva à perseguição de todas as formas de nudez por parte das autoridades 
civis e religiosas. Essas atitudes com relação ao corpo evidenciaram a castidade e o pudor, o qual 
se tornou um símbolo de distinção social e moral utilizado pela burguesia para condenar as 
classes inferiores. 
Nessa sociedade, as mulheres foram as maiores vítimas dessa moralidade sexual, uma vez 
que eram vistas como sedutoras e que levavam o homem ao pecado. 
A partir do Iluminismo, a união dos casais tornou-se uma relação movida pelo afeto e 
um ato igualitário, ainda que a relação ainda fosse caracterizada pela submissão da mulher à 
autoridade do homem. 
Porém, tudo começou a mudar a partir do século XX na Revolução Industrial. Com a 
entrada das mulheres em um ambiente dominado pelos homens, esse foi o palco para o movimento 
de defesa da liberdade sexual (PIRICILLI, 2019). Um dos principais eventos desse processo foi 
a descoberta da pílula anticoncepcional, o que signi� cou a liberdade da maternidade e permitiu 
que o corpo feminino fosse de posse da mulher que o tem, e não mais da � gura masculina. 
Aliados ao movimento feminino, outros movimentos de direitos civis também ganharam força, 
com a homossexualidade sendo retirada do Código Internacional das Doenças (PIRICILLI, 
2019). Porém, a liberdade sexual teve o seu ônus, que foi a chegada do vírus HIV na década de 
1980, e o preconceito contra a comunidade gay. Com isso, a crença de que o HIV era um castigo 
divino pelas práticas sexuais consideradas pecaminosas e anormais aumentou, disseminando 
17WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 2
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
novamente o medo e o controle da sexualidade humana com base em uma moral religiosa. 
A conquista de direitos das mulheres com relação à vida social e aos seus corpos é 
resultado do movimento feminista, que iniciou em decorrência da Revolução Francesa (LENZI, 
2023). O avanço da luta contra o sistema opressor masculino, que ainda ditava o funcionamento 
e as regras de uma sociedade patriarcal, apresentou também questionamentos sobre a construção 
da sexualidade binária – o feminino e o masculino. A diferença entre sexo e gênero atende à 
tese de que o gênero é cultural e socialmente construído, com base no sexo biológico (BUTLER, 
2003). 
A justi� cativa para se questionar sobre o que é considerado “normal” e “aceitável” em 
uma sociedade é de que esses conceitos são produtos culturais e sociais, e não verdades inerentes 
ao ser humano (PICIRILLI, 2019). Portanto, as mudanças em nossos vocabulários são essenciais 
para desconstruir preconceitos e formar adolescentes desde a puberdade, quando essas questões 
tornam-se mais evocadas. 
O corpo, portanto, se relaciona com o outro a partir de aspectos culturais e históricos, 
crenças e normas. É por meio do corpo que entendemos sobre nossa individualidade e sobre o 
outro, nos manifestamos, nos posicionamos, questionamos, concordamos, lutamos, evidenciando 
nossa marca na sociedade e praticando mudanças – tanto positivas como negativas. E é nessa 
mesma compreensão que o dilema da gestação na adolescência se apresenta, não somente pela 
sexualidade em si, mas porque a maternidade precoce também decorre de processos históricos 
sobre o papel do feminino e do masculino.
A gravidez na adolescência é uma questão de saúde pública, visto que há maior incidência 
de complicações obstétricas, bem como questões psicossociais e econômicas mais vulneráveis 
envolvidas (YAZLLE, 2006). Além disso, o índice de mortalidade materna é muito maior nessa 
faixa etária. De acordo com as Nações Unidas do Brasil (ONUBR) (2018), mundialmente, para 
cada 1.000 meninas entre 15 e 19 anos, 49 � cam grávidas. No Brasil, a média é ainda maior, sendo 
68,4 casos de gestação a cada 1.000 meninas na mesma faixa etária. Um dos principais pontos a 
ser considerado na gravidez na adolescência é a escolaridade, uma vez que grande parte dessa 
população abandona os estudos, com consequente di� culdade de pro� ssionalização e entrada no 
mercado de trabalho – especialmente as que vivem em situação de vulnerabilidade (PICIRILLI, 
2019).
Os fatores associados à gravidez na adolescência incluem a baixa autoestima, di� culdade 
escolar, uso de álcool e drogas, con� itos familiares e com pobre comunicação, � gura paterna 
ausente, violência física, psicológica e sexual, separação dos pais, entre outros (YAZLLE, 2006). 
Ainda que muitas vezes a gestação precoce se relacione com classes econômicas mais 
vulneráveis e quando não há planejamento futuro, não é restrita a elas, mas transita por todos os 
níveis sociais. Ademais, a gravidez na adolescênciapode evidenciar desejos inconscientes, como 
uma experiência simbólica de renascimento, o suprimento de uma carência afetiva, o uso da 
gravidez como estratégia de inserção no mundo adulto, a romantização da maternidade, entre 
outros fatores (PICIRILLI, 2019). 
Esses dados revelam a necessidade de investimento na educação preventiva e sustentação 
de políticas públicas voltadas para essa população, favorecendo o cuidado e a construção de 
projetos de vida, com foco na idealização de um futuro palpável para essa faixa etária (PICIRILLI, 
2019). É também importante ressaltar que a educação em saúde nesses casos deve ser voltada 
tanto para meninas como para os meninos a � m de potencializar o cuidado e evidenciar as 
responsabilidades de ambos no processo e na vida sexual. 
No sentido educacional, a escola atua na prevenção da gestação precoce, abordando 
abertamente o tema da sexualidade e orientando os alunos dentro da instituição escolar e por 
meio de planejamento pedagógico. Dessa forma, o papel da escola é problematizar e questionar 
os conhecimentos sobre saúde e sexualidade para que a família cumpra seu papel de educar e 
18WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 2
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
apresentar os valores associados à sexualidade, e a escola complemente essa educação por meio 
de orientações, garantindo o conhecimento dos alunos a respeito dos métodos contraceptivos 
disponíveis, como utilizá-los e como ter uma prática sexual saudável e segura. A escola necessita 
exercer um papel de educar e acolher individualmente seus alunos, e não reproduzir espaços 
de repressão e controle, a � m de evitar Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e gestação 
precoce, encorajando o conhecimento sobre o sexo seguro de meninos e meninas e encorajando a 
responsabilidade para ambos, e não apenas para a � gura feminina – como é a realidade na maior 
parte das vezes. 
Portanto, podemos compreender que a gestação na adolescência e o aumento frequente 
de IST em adolescentes evidenciam não apenas a falta de investimento em prevenção. Esses 
problemas também indicam que a luta pela igualdade de gênero ainda está longe de ser alcançada, 
além de apontar para a necessidade de a escola e a sociedade aprenderem mais e educarem mais.
3. VIOLÊNCIA E DROGAS
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 1996), a violência envolve o uso 
de força física ou poder, contra si e contra outras pessoas e grupos, que resulte em dano físico 
ou psicológico, morte, sofrimento ou desenvolvimento prejudicado – ou seja, há intenção de 
provocar algum dano. Como parte das relações de força e poder, o conceito de violência inclui 
atos que envolvam intimidação e ameaças, ainda que não envolva contato físico (DAHLBER; 
KRUG, 2007). 
A violência é um comportamento naturalizado e faz parte da cultura do nosso e de muitos 
outros países. Desde a cultura de bater em crianças com um discurso educacional, a violência 
contra a mulher e contra minorias, entre outros. A sociedade acredita poder incitar o ódio e a 
violência a tudo que gera incômodo, e é papel de cada indivíduo atuar em seus contextos para 
desconstruir essa cultura (PICIRILLI, 2019). 
A escola ocupa um papel privilegiado e deve ser voz ativa na condução de re� exões críticas 
e analíticas da sociedade, fazendo política e produzindo cidadania com seus estudantes e corpo 
docente. Entretanto, o comportamento de intolerância tem crescido em sociedade, especialmente 
no contexto escolar, uma vez que crianças e adolescentes convivem boa parte de seus dias nas 
escolas. Sendo assim, além das diversas violências propagadas entre os alunos, a agressão de 
alunos contra professores tem sido um problema crescente e que ganha cada vez mais espaço e 
voz na mídia (PICIRILLI, 2019). 
O Sindicato dos Docentes Paulistas realizou uma pesquisa com 702 professores, dos quais 
44% relataram sofrer agressões verbais, 9% sofreram discriminação, 6% foram vítimas de furtos 
e roubos e 5% sofreram agressões físicas. Considerando o número total de professores da rede 
estadual do Estado de São Paulo, o percentual de docentes agredidos corresponde a 104 mil 
(PICIRILLI, 2019). 
A educação sexual é um componente muito importante a ser abordado durante o 
período da adolescência para que os riscos sejam ressaltados e para que exista o 
dobro de atenção e prudência do adolescente.
Caso situações adversas venham a ocorrer, o ideal é ser suporte para o adolescente 
e acolhê-lo neste momento de fragilidade e vulnerabilidade.
19WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 2
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Além dos professores, os próprios alunos também são vítimas de uma violência constante 
na Escola. De acordo com um levantamento realizado pela Faculdade Latino-Americana de 
Ciências Sociais de 2016 a 2017, mais da metade de uma amostra de alunos matriculados em 
50 escolas de Ensino Médio da rede pública do Ceará e do Rio Grande do Sul relatou ter sofrido 
violência no ambiente escolar. Bullying em redes sociais, xingamentos e brigas são as principais 
reclamações desses adolescentes, que enfrentam diariamente uma realidade de violência. 
As vítimas frequentemente experienciam evasão escolar, aumento das taxas de suicídio e de 
automutilação (PICIRILLI, 2019).
Na violência no contexto escolar, também observamos a violência social, que se con� gura 
quando há prejuízo intencional contra outras pessoas, com base em seus relacionamentos, 
autoestima e status social. Essas agressões podem ser diretas ou indiretas, sempre contando com 
atos de manipulação da realidade, calúnia e exclusão social. 
A exclusão social nesse contexto pode agir de forma verbal ou não verbal, como a vítima 
ser impedida de participar de alguma atividade ao receber um “não” do grupo; ou a vítima ser 
ignorada, impedindo sua inserção nos grupos, respectivamente. Esses comportamentos violentos 
são extremamente comuns no ambiente escolar e promovem um desengajamento moral, ou 
seja, impedem que o indivíduo desenvolva um comportamento de autorregulação social. Nesse 
sentido, escola é um espaço poderoso para a re� exão sobre os princípios éticos e morais que 
regulam as ações dos indivíduos na sociedade, especialmente na adolescência (PICIRILLI, 2019).
A violência institucional, apesar de pouco discutida na mídia, é uma violência com 
potencial de destruição coletiva. Tem como característica ser perpetrada pelo Estado e exercida 
nos contextos de serviços públicos, sendo uma relação de poder assimétrica entre usuário e 
pro� ssional, incluindo desde a ausência de serviços até discriminação e violência física. Trazendo 
para o contexto escolar, a violência institucional mais visível é o racismo, principalmente contra 
pessoas de pele negra. 
Ainda que a escola seja um ambiente formativo e indispensável ao desenvolvimento 
humano, também é um ambiente em que se encontra racismo – perpetuado pela sociedade em 
que vivemos, com desvalorização de pessoas negras com relação aos seus cabelos, cor e cultura 
(SANTOS, 2017). Esses comportamentos perpetuam o genocídio da população negra que 
acontece no Brasil, sendo a juventude a população mais atingida pela violência nesse cenário 
(CERQUEIRA et al., 2017).
Quando as violências aumentam e as desigualdades também, há um proporcional 
aumento da relação entre população pobre e trá� co de entorpecentes, evidenciando a natureza 
social desses problemas, potencializados pelo racismo estrutural e pela perpetuação da violência 
em diversos meios sociais (PICIRILLI, 2019). 
Fazer essa relação entre as camadas sociais, as desigualdades e a violência é essencial 
para entender o impacto do racismo em nossa sociedade. Se a maior parte da população negra 
vive em situação de vulnerabilidade social – em decorrência do sistema escravocrata recente 
no País –, ela estará mais suscetível a atividades ilícitas para sobreviver ou como única forma 
de futuro. Alémdisso, o preconceito di� culta o processo de inclusão no mercado de trabalho, 
aumentando as desigualdades sociais e no ambiente acadêmico, tornando-se um ciclo vicioso 
que se retroalimenta em nossa sociedade (PICIRILLI, 2019). 
Portanto, o uso de substâncias lícitas e ilícitas está associado à violência, desde o efeito 
das drogas no organismo, até o cenário socioeconômico e suas disparidades. A participação 
de jovens no trá� co é um problema social evidente na atualidade (TRASSI; MALVASI, 2010; 
PICIRILLI, 2019). 
20WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 2
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Figura 1 - Violência e drogas. Fonte: � e Smiley (2023).
A Escola desempenha um papel importante na discussão e no entendimento de 
substâncias lícitas e ilícitas para os adolescentes, especialmente na educação com relação ao uso 
dessas substâncias e como um canal de ajuda quando necessário. 
Portanto, a Escola deve trazer o assunto para discussão, dando um contexto histórico 
aos alunos e tornando possível a compreensão do peso sociocultural da violência e do uso de 
drogas, além de mediar con� itos e educar para uma comunicação resolutiva e não violenta. 
Esse papel, en� m, possibilita que adolescentes aprendam a solucionar con� itos sem violência, 
exerçam a escuta quali� cada, melhorem as habilidades interpessoais e estejam disponíveis ao 
diálogo (PICIRILLI, 2019). 
4. ATOS INFRACIONAIS DURANTE A INFÂNCIA
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) surge no Brasil em 1990 com o propósito 
de proteger a criança e o adolescente e substituir o Código de Menores de 1979, que agia como 
um tratado voltado para a criança ou adolescente privado de serviços e condições essenciais como 
saúde e educação, vítima de maus-tratos por parte dos responsáveis, privado de assistência legal, 
autor de infração penal, entre outros (BRASIL, 1979). A primeira versão do Código de Menores, 
de 1927, tratava a criança pobre e marginalizada como um adulto infrator e foi atualizada com a 
versão citada anteriormente, publicada em 1979. O Governo Vargas, nas décadas de 1930 a 1940, 
ampliou a maioridade penal para 18 anos, com o objetivo de aprimorar o olhar para a infância 
e para a maternidade. Entretanto, o que aconteceu foi uma ação policial violenta de retirada de 
crianças e adolescentes em situação de rua para instituições criadas com esse objetivo (CABRAL; 
SOUZA, 2004).
Estudos na literatura evidenciam que o início do uso de drogas pelos adolescentes 
é desencadeado por emoções ligadas diretamente ao sofrimento psicológico, 
como a depressão, sentimentos de ansiedade, sentimentos de culpa e também 
pode estar ligada à baixa autoestima.
21WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 2
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Para centralizar o atendimento do Ministério da Justiça e da Polícia Militar, surgiu o 
Serviço de Atendimento dos Menores na década de 1940 e que, posteriormente, se tornou a 
Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor – FEBEM. Essa instituição foi marcada por situações 
de violência como maus-tratos, violência psicológica, tortura, situações de insalubridade, 
encarceramento, rebeliões e outros agravantes. Ainda com o surgimento do ECA, as agressões 
contra os adolescentes persistiam, o que, anos depois, levou à extinção da FEBEM com o objetivo 
de tornar esse relacionamento com crianças e adolescentes um ato humanizado (SUCUPIRA, 
2003).
O ECA foi instituído com o intuito de mudar o foco da criança em situação irregular 
(tida como criança como objeto do Estado) para crianças e adolescentes como indivíduos de 
direitos (PICIRILLI, 2019). Portanto, a abolição do termo “menor”, por se entender como algo 
pejorativo, trouxe em evidência o reconhecimento da infância e da adolescência como processo 
de desenvolvimento humano e social, dando voz e direito de um lugar na sociedade. 
Compreender para garantir e preservar os direitos à vida, saúde, alimentação, educação, 
esporte, lazer, pro� ssionalização, cultura, dignidade, respeito, liberdade, entre outros, é, nessa 
exata ordem, papel da família, da comunidade, da sociedade e do Estado. Portanto, para garantia 
desses direitos, o ECA destaca a proteção de crianças e adolescentes por meio de uma rede de 
atendimento intersetorial.
Sendo assim, as condutas infracionais serão abordadas pelo ECA de forma mais cuidadosa, 
apresentando intervenções condizentes com a população, como advertências, prestação de serviço 
à comunidade, entre outros. É importante também destacar a inserção de crianças e adolescente 
em programas de orientação e tratamento contra o uso de álcool e outras drogas, bem como seus 
familiares.
Figura 2 - Atos infracionais na infância. Fonte: ZME Science (2017).
Em outra perspectiva no entendimento de atos infracionais na infância e na adolescência, 
Winnicott (1983) destaca que os adolescentes respondem às experiências de vida com base nas 
memórias de infância, ainda que inconscientemente. Dessa forma, o adolescente que executou um 
ato infracional pode ser compreendido como um indivíduo em busca das referências de cuidado 
que lhe faltaram previamente (WINNICOTT, 1983). Portanto, para o autor, a transgressão 
representa a esperança de que um ambiente bom irá acolher suas expectativas infantis.
A Escola deve atuar como rede de atendimento e proteção ao adolescente em ato 
infracional, ainda que se apresente como um espaço desa� ador de inserção. É necessário lembrar 
que o papel da Escola é de um espaço de proteção e garantia de direitos, e esse conceito deve 
permanecer (PICIRILLI, 2019). 
Entretanto, ainda que a Escola possa atuar como essa rede de apoio, é muito mais comum 
22WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 2
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
que esses adolescentes tenham abandonado a Escola antes mesmo do ato infrator. 
Como discutido durante toda a unidade, existem diversas camadas sociais por trás de 
atos de violência, e esses fatores podem resultar na evasão escolar. Além disso, é comum que 
adolescentes em ato infrator que não evadiram da Escola apresentem uma defasagem entre a 
faixa etária e o aprendizado, o que di� culta o papel da Escola como educadora. Portanto, como 
tentativa de tornar a Escola mais atraente para crianças e adolescentes, é dever das famílias, da 
sociedade e do Estado repensar o modelo de Escola atual e agir com o intuito de trazer esses 
adolescentes para o ambiente escolar, protegidos da rua (PICIRILLI, 2019). 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na presente unidade, foram discutidos aspectos cruciais relacionados à adolescência, 
incluindo o desenvolvimento físico, cognitivo e social, a sexualidade e gravidez, a violência e 
drogas e os atos infracionais durante a infância.
Durante a adolescência, o indivíduo passa por uma série de transformações signi� cativas 
em diversas áreas do seu ser. Do ponto de vista físico, há um grande aumento no tamanho e 
na força muscular, a voz muda, os órgãos sexuais amadurecem e a puberdade traz mudanças 
signi� cativas nas características sexuais secundárias. No plano cognitivo, ocorre uma maior 
capacidade de processamento de informações complexas e abstratas e de lidar com ambiguidades 
e incertezas. A esfera social também é afetada, pois o adolescente passa a se ver em um novo 
contexto social, em que novas demandas e expectativas são colocadas.
No que se refere à sexualidade e gravidez, é essencial que os adolescentes tenham acesso 
a informações claras e precisas sobre o assunto, bem como a métodos contraceptivos e� cazes. A 
educação sexual deve ser uma prioridade a � m de evitar gestações precoces e doenças sexualmente 
transmissíveis. Os pais e educadores devem ter um papel fundamental nessa abordagem, 
oferecendo um ambiente seguro e acolhedor para discussões abertas e francas.
No entanto, além da falta de informação, a violência e drogas também são fatores que 
podem in� uenciar negativamentea vida dos adolescentes. A exposição a ambientes violentos e 
a pressão para experimentar drogas podem levar a comportamentos de risco e consequências 
graves para a saúde física e mental. A violência pode incluir bullying, con� itos interpessoais, 
abuso sexual, abuso físico e outros tipos de comportamentos agressivos. As drogas, por sua vez, 
podem levar à dependência, problemas de saúde física e mental, além de riscos de envolvimento 
com a criminalidade e outros comportamentos de risco.
Por � m, também é importante mencionar os atos infracionais durante a infância, que 
podem ter consequências signi� cativas para o desenvolvimento dos adolescentes. A intervenção 
precoce é essencial para evitar que esses comportamentos se tornem persistentes e levem a 
problemas mais graves no futuro. Uma abordagem preventiva, com ênfase em fatores de proteção, 
Recomendamos que você leia os seguintes textos:
- SCHENKER, M.; MINAYO, M. C. S. Fatores de risco e de proteção para o uso de 
drogas na adolescência. Ciência & Saúde Coletiva, v. 10, p. 707-717, 2005.
- PAIVA, F. S.; RONZANI, T. M. Estilos parentais e consumo de drogas entre 
adolescentes: revisão sistemática. Psicologia em estudo, v. 14, p. 177-183, 2009.
23WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 2
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
é preferível à abordagem reativa, que foca na punição.
Em resumo, a adolescência é uma fase complexa e desa� adora, em que o indivíduo enfrenta 
muitas mudanças em diversas áreas do seu ser. Pais, educadores e pro� ssionais de saúde devem 
estar atentos e preparados para apoiar os adolescentes nesse processo, oferecendo informações 
precisas, um ambiente seguro e acolhedor e intervenções precoces quando necessário. É preciso 
estar ciente de que cada indivíduo tem um ritmo de desenvolvimento próprio e que essa fase da 
vida pode ter suas di� culdades, mas também pode ser uma oportunidade para o crescimento e 
a realização de potencialidades.
2424WWW.UNINGA.BR
UNIDADE
03
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 25
1. JUVENTUDE E DIVERSIDADE .............................................................................................................................. 26
2. JUVENTUDE E ESPAÇO EDUCACIONAL ............................................................................................................. 28
3. JUVENTUDE E TRABALHO ................................................................................................................................... 30
CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................................................................................31
JUVENTUDE
PROF. ME. MURILO MAGESTE DE MORAES
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
CICLO DE VIDA 2: 
ADOLESCÊNCIAS E JUVENTUDES
25WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 3
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
INTRODUÇÃO
Ao longo das unidades anteriores, você foi apresentado a diversos aspectos relacionados à 
adolescência e juventude, dois conceitos que, embora distintos, são frequentemente interligados e 
moldados pelo contexto social em que estão inseridos. Compreender as nuances das identidades, 
das relações intergeracionais, da sexualidade, da violência e do uso de substâncias psicoativas foi 
fundamental para aprofundar a discussão em torno das experiências vividas por adolescentes e 
jovens, bem como para ilustrar as complexidades decorrentes desses fenômenos.
Nesta unidade, propõe-se uma análise ainda mais profunda dessas temáticas, explorando-
as sob novas perspectivas e abordagens, sempre com ênfase em suas intersecções com o ambiente 
escolar. O objetivo é proporcionar a você uma visão ampla e holística dos desa� os enfrentados 
por adolescentes e jovens, assim como dos fatores que contribuem para seu desenvolvimento e 
bem-estar.
A discussão inicia-se com a apresentação do conceito de diversidade, que abrange uma 
multiplicidade de aspectos culturais, étnicos, sociais e pessoais. A diversidade é uma característica 
intrínseca das sociedades contemporâneas e, como tal, deve ser contemplada nas discussões sobre 
adolescência e juventude na medida em que in� uencia as experiências vividas pelos indivíduos e 
molda suas identidades.
Em seguida, aborda-se a temática do trabalho e sua relação com a adolescência. O 
ingresso precoce no mercado de trabalho pode trazer tanto oportunidades quanto riscos para o 
desenvolvimento dos jovens, sendo fundamental compreender como essa experiência in� uencia 
suas trajetórias e perspectivas de vida. A análise será embasada em estudos que contemplam 
diferentes contextos socioeconômicos e culturais, visando a oferecer uma visão abrangente e 
contextualizada do tema. Serão apresentadas diversas estratégias de proteção desenvolvidas por 
órgãos governamentais, organizações não governamentais e outros atores sociais, assim como 
suas implicações para o desenvolvimento dos adolescentes e jovens.
Ao longo desta unidade, exploraremos diferentes aspectos relacionados à juventude, 
com foco na diversidade, no espaço educacional e no trabalho. A discussão sobre juventude 
e diversidade destacou a importância de reconhecer e valorizar as múltiplas dimensões que 
compõem a identidade dos jovens, incluindo cultura, etnia, orientação sexual, gênero, entre 
outras. A compreensão dessa diversidade é fundamental para a promoção de políticas públicas e 
práticas educacionais inclusivas e equitativas, que respeitem e celebrem as diferenças e favoreçam 
o desenvolvimento pleno dos jovens.
No que diz respeito à juventude e ao espaço educacional, a literatura enfatiza o papel 
crucial da educação na promoção do desenvolvimento saudável dos jovens e na preparação 
para a vida adulta. Nesse sentido, é imprescindível que os sistemas educacionais sejam capazes 
de abordar as necessidades especí� cas dessa população, considerando as particularidades do 
contexto em que estão inseridos e os desa� os associados a essa fase da vida.
Em suma, a compreensão das múltiplas dimensões que permeiam a vida dos jovens é 
essencial para a elaboração de políticas e práticas que atendam às suas necessidades e promovam 
seu bem-estar e desenvolvimento. A abordagem integrada e interdisciplinar apresentada nesta 
unidade visa a contribuir para a formação de pro� ssionais e pesquisadores mais capacitados e 
sensíveis às demandas dessa população, bem como para o avanço do conhecimento cientí� co e 
da intervenção baseada em evidências no campo da juventude.
26WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 3
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
1. JUVENTUDE E DIVERSIDADE
Assim como a adolescência, a juventude também é uma condição social que possui 
como parâmetro a faixa etária e tem seu conceito construído socialmente (PICIRILLI, 2019). 
O Estatuto da Juventude, instituído em 2013, de� ne como “jovem” o indivíduo com faixa etária 
entre 15 e 19 anos de idade (BRASIL, 2013). Portanto, a juventude engloba a adolescência, mas 
não é sinônimo dela. Entender esse conceito é importante para individualizar a atenção à saúde, 
educação e ao desenvolvimento dos jovens, bem como para fomentar a formação de políticas 
públicas que garantam a cidadania desses indivíduos, especialmente considerando as diversidades 
da sociedade (PICIRILLI, 2019). 
Diversidade, como o nome em si explica, abrange um conjunto de características distintas 
e envolve a multiplicidade. Uma vez que compõe um conceito importante na democracia, 
é essencial entender o seu signi� cado e ressaltar que a presença da diversidade pode levar a 
condutas divergentes, o que torna relativamente difícil conviver com ela. Essa pluralidade advinda 
dela pode resultar em divergências construtivas, como a riqueza cultural, ou negativas,como 
discursos e atitudes de intolerância. 
Como parte do processo de entender a diversidade, especialmente da juventude no 
Brasil, é necessário compreender o contexto histórico de diferentes grupos sociais no País e 
como esse processo acarretou os distintos problemas que marginalizam e excluem pessoas e que 
têm uma origem de cunho social. O Brasil foi o último país do continente americano a abolir 
a escravidão e contava com estratégias diversas e de sucesso sobre o uso de violência física e 
psicológica contra corpos escravos, utilizando-se de um discurso que colocava o negro como 
inferior ao branco. Além disso, outras estratégias racistas foram utilizadas na manutenção do 
modelo escravocrata, como fomentar a imigração em massa de brancos europeus na tentativa 
de um “branqueamento da população”. Essas táticas eram orquestradas pela elite brasileira, 
incluindo o governo, e tinham como objetivo impedir que a população negra tomasse terras 
brasileiras (PICIRILLI, 2019). Portanto, a população negra no Brasil disputava as mesmas vagas 
de empregos e os mesmos terrenos para moradia que os brancos e europeus, e não contava com 
qualquer política pública de minimização da disparidade de concorrência. Essas características 
implicaram uma pseudoinclusão da população e, ainda hoje, são as responsáveis pelo racismo 
estruturado no Brasil – e que levaram à formação de favelas, concentraram pessoas negras em 
trabalhos braçais e de salários na linha da pobreza, di� cultaram o acesso à educação de qualidade 
dessa população, entre outras consequências.
A compreensão desse mecanismo criado e perpetuado em um país racista e de origem 
escravocrata é essencial ao enfrentamento dessa violência – a qual também engloba o entendimento 
de que a população branca não esteve (ou está) minimamente perto de vivenciar um processo 
similar ao que a população negra vivenciou. Essa posição histórica informa, portanto, que não 
há uma posição de privilégio de negros em relação aos brancos em nosso País e a� rma que é um 
erro conceitual disseminar a crença de que há “racismo reverso” na sociedade (PICIRILLI, 2019). 
Em meio a um processo tão complexo como o étnico-racial, a juventude negra está inserida 
e é refém de violências sociais, exclusão econômica e de diversas vulnerabilidades decorrentes da 
ausência de políticas públicas que garantam a cidadania digna, justa e equânime. Portanto, é 
essencial que haja representatividade na educação, saúde, mídia, posições de poder, entre outras. 
Dessa forma, torna-se real a possibilidade de realizar sonhos e alcançar posições muitas vezes 
consideradas inimagináveis, especialmente pela juventude, quebrando o ciclo vicioso em que a 
vulnerabilidade social/econômica coloca essa população.
Assim como questões como ausência de representatividade na mídia, discurso 
estereotipado e racismo na crença de que há superioridade biológica e intelectual do homem 
branco afetam a juventude negra, o mesmo acontece com a juventude indígena (PICIRILLI, 
27WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 3
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
2019). Como parte de um senso comum errôneo, a juventude indígena é tida como um mundo à 
parte do capitalismo e não pertencente ao sistema. Partindo do mesmo princípio, há um grande 
preconceito na ocupação dos jovens indígenas em espaços urbanos, como se essa ação apagasse a 
identidade dessa população. Inseridos na mesma sociedade globalizada que o resto da população, 
muitas tribos utilizam do acesso à Internet para propagarem suas histórias e vivências (LEITE, 
2017). O sofrimento psicológico e emocional que a falta de suporte governamental causa na 
população indígena deve ser compreendido, assim como os impactos que a escassez de recursos, 
a situação de extrema pobreza e os con� itos com fazendeiros geram, levando à morte dessa 
população (JESUS, 2016). Infelizmente, as leis de proteção à população indígena no Brasil são 
altamente de� citárias em sua execução e regulamentação, o que possibilita a invasão de terras 
pelo agronegócio e a demarcação de suas terras pelo governo em prol do capitalismo. O impacto 
que a perda do território causa nas comunidades indígenas é, majoritariamente, psicológico visto 
que rompe com a identidade dessa população – o que justi� ca o alto índice de suicídio de jovens 
indígenas, que compõe uma taxa três vezes maior do que o registrado entre brancos e negros e 
coloca essa questão como um grave problema de saúde pública (ANDES-SN, 2017).
Contemplar a temática da diversidade na juventude no contexto escolar é essencial para 
possibilitar a compreensão do impacto que nosso sistema como sociedade causa na vida das 
pessoas. Essa discussão abrange desde o entendimento de que o nosso País foi invadido, e não 
“descoberto”, até a liberdade individual de escolher não viver e acessar a nossa sociedade e nosso 
sistema, o respeito à cultura e crença da população indígena e a compreensão de que não há uma 
forma “correta” de se viver (PICIRILLI, 2019). O papel do pedagogo no avanço desse discurso é 
imprescindível. 
Além das populações negras e indígenas e suas juventudes em seus contextos históricos 
próprios, há também um processo que atingiu essas populações no êxodo rural. Isso porque a 
chegada do capitalismo, com a condição de propriedade de um território a partir da compra, 
fez com que a população mais vulnerável – negros e indígenas (por serem escravizados pelo 
latifúndio brasileiro) –, saísse do campo e fosse para a cidade em busca de emprego. Portanto, o 
poder do agronegócio foi conquistado pelo roubo de propriedades, o que fomentou a formação 
de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra para combater a 
desigualdade na posse e no uso das terras no Brasil (KUHN, 2015). 
Figura 1 - Juventude e diversidade. Fonte: Forbes (2019).
A desigualdade causada pela concentração de riqueza e bens em uma minoria riquíssima 
coloca os jovens do campo sob uma realidade de miséria, em que a renda mensal atinge menos 
28WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 3
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
de R$ 70,00 (RABELLO; OLIVEIRA; FELICIANO, 2014). Parte dessa juventude vive em 
assentamentos rurais, criados por meio de políticas governamentais, para que as comunidades 
pobres e rurais exerçam seus direitos e cidadania. O acesso à Escola por parte dessa população é 
de� citário em decorrência das di� culdades encontradas, como estradas de terra, longas distâncias 
e ausência de transporte. Ainda assim, a Escola apresenta-se como um espaço valorizado por 
essas comunidades. Portanto, é dever do pedagogo compreender as singularidades dos alunos 
para garantir um processo de aprendizagem justo (KUHN, 2015; PICIRILLI, 2019).
2. JUVENTUDE E ESPAÇO EDUCACIONAL
A juventude, etapa crucial no desenvolvimento humano, compreende um período de 
transição entre a infância e a vida adulta, marcada por signi� cativas transformações biológicas, 
psicológicas e sociais (ARNETT, 2004). Nessa fase, os jovens enfrentam desa� os e oportunidades 
que moldam sua trajetória de vida e in� uenciam a sociedade como um todo. O espaço educacional, 
por sua vez, constitui um ambiente essencial na promoção do desenvolvimento integral dos 
jovens, in� uenciando suas capacidades cognitivas, emocionais, sociais e culturais (ECCLES; 
ROESER, 2011). Portanto, é importante analisar os desa� os e perspectivas associados à interação 
entre a juventude e o espaço educacional, considerando a importância de se criarem ambientes 
inclusivos e transformadores para essa população.
A educação tem um papel fundamental na vida dos jovens, contribuindo para a formação 
de habilidades, conhecimentos e competências essenciais para o exercício pleno da cidadania 
e a inserção no mercado de trabalho. Além disso, a Escola desempenha um papel importante 
na construção da identidade dos jovens e na ampliação de suas redes sociais, promovendoa 
integração e a interação entre diferentes grupos e indivíduos.
Contudo, a relação entre a juventude e a educação enfrenta diversos desa� os, tais como a 
Recomendamos que você leia:
- FRANCO, D. S. et al. Entre a inserção e a inclusão de minorias nas organizações: 
uma análise crítica sob o olhar de jovens trabalhadores. Revista Economia & 
Gestão, v. 17, n. 48, p. 43-61, 2017.
- REZENDE NEVES, R. L. et al. Políticas públicas para minorias étnico-raciais, 
mulheres e juventude: notas introdutórias sobre as áreas de saúde, trabalho, 
educação, esporte e lazer. Pensar a Prática, v. 18, n. 4, 2015.
Para complementar o conhecimento adquirido até aqui, assista 
ao vídeo Minorias Sociais: Juventude, disponível em https://www.
youtube.com/watch?v=G21veHe-hNM.
29WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 3
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
evasão escolar, a repetência, o analfabetismo funcional e as desigualdades de acesso e qualidade 
educacional. Além disso, as escolas nem sempre estão preparadas para lidar com as necessidades 
e demandas especí� cas dos jovens, especialmente aqueles pertencentes a grupos vulneráveis, 
como os jovens negros, indígenas, com de� ciência, em situação de pobreza e os que vivem em 
áreas rurais e periferias urbanas.
A inclusão educacional é um princípio fundamental para garantir o direito à educação de 
todos os jovens, independentemente de suas características e condições pessoais e sociais. Nesse 
sentido, os espaços educacionais devem promover práticas pedagógicas inclusivas e diferenciadas, 
que respeitem a diversidade e considerem as especi� cidades de cada jovem (PICIRILLI, 2019).
Para tanto, é fundamental a formação e capacitação de educadores, gestores e demais 
pro� ssionais envolvidos no processo educacional a � m de desenvolverem habilidades e 
competências para trabalhar com a diversidade e promover a inclusão. Além disso, a estrutura 
física, os materiais didáticos, os currículos e as metodologias de ensino devem ser adaptados e 
diversi� cados para atender às necessidades e demandas de todos os jovens, incluindo aqueles 
com de� ciência e outras condições especí� cas. 
A participação dos jovens nos processos decisórios e na construção do espaço 
educacional é essencial para garantir que suas vozes sejam ouvidas e suas demandas, atendidas 
(PICIRILLI, 2019). O envolvimento dos jovens na elaboração de políticas, programas e projetos 
educacionais contribui para a melhoria da qualidade e relevância da educação, bem como para o 
desenvolvimento de habilidades e competências relacionadas à liderança, ao trabalho em equipe 
e à responsabilidade social (PICIRILLI, 2019).
Para fomentar a participação juvenil no espaço educacional, é importante promover 
a criação de canais e mecanismos de diálogo e colaboração entre jovens, educadores, gestores 
e demais atores envolvidos no processo. Além disso, é fundamental incentivar a formação de 
grupos, comitês e conselhos estudantis, bem como a realização de eventos, o� cinas e encontros 
que estimulem o protagonismo e a mobilização dos jovens em prol da educação.
A inovação no espaço educacional é um elemento-chave para enfrentar os desa� os e 
aproveitar as oportunidades associadas à juventude. Nesse contexto, é importante promover 
a adoção de novas tecnologias, metodologias e abordagens pedagógicas que estimulem o 
engajamento, a criatividade e a aprendizagem dos jovens, considerando suas características, 
interesses e necessidades.
Entre as principais tendências e inovações no espaço educacional, destacam-se a 
educação a distância, os ambientes virtuais de aprendizagem, os recursos educacionais abertos, 
a gami� cação, a aprendizagem baseada em projetos, a educação integral e a educação para o 
desenvolvimento sustentável. Tais práticas e recursos podem contribuir para a democratização 
do acesso e a melhoria da qualidade e equidade educacional, bem como para a formação de 
jovens críticos, autônomos e comprometidos com a transformação social e ambiental.
A interação entre a juventude e o espaço educacional apresenta desa� os e perspectivas que 
demandam re� exão e ação por parte de todos os atores envolvidos no processo educacional. Para 
criar ambientes inclusivos e transformadores, é fundamental promover a inclusão, a participação 
juvenil, a inovação e a formação continuada de educadores e gestores. Ao enfrentar esses desa� os 
e aproveitar as oportunidades, o espaço educacional poderá contribuir para o desenvolvimento 
integral dos jovens e, consequentemente, para a construção de uma sociedade mais justa, 
democrática e sustentável.
30WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 3
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
3. JUVENTUDE E TRABALHO
Como discutido nos outros tópicos, a adolescência e a juventude são processos não só 
do corpo biológico, mas também dos aspectos sociais e culturais que compõem a construção 
subjetiva do indivíduo. Associada a essa complexa fase, a pressão da família e da sociedade sobre 
as escolhas de pro� ssão dos jovens começa a ganhar força (PICIRILLI, 2019).
 Historicamente, a origem da palavra “trabalho” remete a um instrumento de tortura e, 
portanto, seu conceito é associado ao sofrimento (CARVALHO; CARVALHO, 2006). Entretanto, 
desde o início das civilizações, o homem trabalha para sobreviver, seja na caça no período da 
pré-história, seja como moeda de troca do capitalismo, constituindo-o como parte importante 
do comportamento social. A burguesia iniciou uma nova con� guração econômica na Europa, 
em que o lucro conquistou espaço. O valor do trabalho e das mercadorias passou a visar ao lucro 
monetário e à expansão do comércio. Com o avanço das sociedades, cabe destacar a diferença 
conceitual entre “trabalho” e “emprego”. 
O conceito de emprego está vinculado a uma atividade remunerada, enquanto o trabalho 
não necessariamente se relaciona a uma ação produtiva mercantil (WOLECK, 2002; PICIRILLI, 
2019). Há, ainda, a atribuição de sentido para a palavra “ofício”, o qual se refere a uma atividade 
executada com total domínio de quem a executa (SOUSA NETO, 2005).
Sendo assim, a escolha pro� ssional pode ser um trabalho ou um emprego – e essa escolha 
muitas vezes está vinculada ao que é encorajado pela família, sociedade ou como única forma de 
sobrevivência. Como re� exo de uma sociedade capitalista e desigual, uma parte signi� cativa dos 
jovens entre 14 e 29 anos no Brasil não frequentou a Escola no ano anterior para que pudessem 
exercer uma atividade remunerada e contribuir com a renda da casa. Essa é uma realidade que 
atinge grande parte da população em vulnerabilidade social e econômica, para a qual o desemprego 
de jovens representa um risco às condições mínimas de sobrevivência da casa, como o risco 
alimentar. Além disso, quando afastados da escola e do mercado de trabalho, esses jovens estão 
mais propensos a exercerem atividades ilícitas e que afetem o seu pleno desenvolvimento. Esses 
são pontos essenciais a serem pensados como questões sociais e políticas em nossa sociedade, na 
tentativa de quebrar o ciclo vicioso de trabalhos informais e de reprodução de vivências familiares 
em sistemas socioeconômicos precários. 
No Brasil, jovens com menos de 16 anos não podem exercer atividade trabalhista. 
Entretanto, na tentativa de manter o jovem na Escola e com incentivo ao estudo, o Programa Jovem 
Aprendiz, por exemplo, permite que jovens a partir de 14 anos exerçam atividade remunerada, 
exceto sob condições de trabalho perigosas, insalubres ou noturnas. Jovens que trabalham sob as 
condições desse Programa possuem um contrato de dois anos, obrigatoriedade de frequentar a 
Escola e não ultrapassar seis horas diárias de exercício pro� ssional, exceto alguns casos em que 
há aprendizagem teórica no trabalho para alunos que concluíram o Ensino Fundamental. 
Portanto, é essencial que a Escola esteja atenta aos jovens inseridos no mercado de 
trabalho, garantindoa eles acesso ao ensino e à aprendizagem e com atenção especial à orientação 
Quanto mais tivermos o público jovem no espaço educacional, mais preparados 
esses jovens estarão para sua vida profi ssional e mais amparo eles terão das 
instituições de ensino de que fi zerem parte. Sendo assim, a sociedade contará 
com futuros profi ssionais capacitados e competentes para desenvolver suas 
funções e exercer sua cidadania.
31WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 3
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
pro� ssional para que haja incentivo a um planejamento do futuro a partir dos seus próprios 
desejos (PICIRILLI, 2019). É também papel da Escola estar atenta às violações de proteção ao 
trabalho juvenil, garantindo que os direitos legais desses jovens sejam assegurados por meio da 
educação dos próprios trabalhadores e pela vigilância de seus alunos. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo desta unidade, discutimos a complexidade das relações entre a juventude e três 
aspectos fundamentais de sua vivência: diversidade, espaço educacional e trabalho. Procuramos 
compreender como esses elementos se entrelaçam, oferecendo perspectivas e desa� os únicos 
para os jovens no contexto atual.
A discussão sobre juventude e diversidade nos permitiu vislumbrar as múltiplas formas 
como as diferenças culturais, étnicas e sociais impactam as vivências dos jovens. Ressaltamos a 
importância de abordar a diversidade como uma riqueza, que amplia os horizontes dos jovens 
e lhes proporciona novas oportunidades de aprendizado e desenvolvimento. Contudo, também 
destacamos a necessidade de reconhecer e enfrentar as desigualdades e discriminações existentes, 
como forma de promover uma sociedade mais justa e inclusiva.
No âmbito do espaço educacional, analisamos as transformações pelas quais o ensino 
passou nas últimas décadas. Discutimos a Escola como um ambiente onde as desigualdades sociais 
são reproduzidas e, por vezes, exacerbadas, porém, também destacamos a potencialidade desse 
espaço para transformações e emancipação dos jovens. A relevância do papel dos educadores, 
das políticas educacionais e das práticas pedagógicas inclusivas e críticas foi enfatizada, buscando 
promover o desenvolvimento integral dos jovens e o enfrentamento das desigualdades.
Já no contexto do trabalho, exploramos as mudanças no mundo do trabalho e suas 
implicações para a juventude. Abordamos as di� culdades enfrentadas pelos jovens em sua 
inserção no mercado, bem como os desa� os impostos pela precarização das relações trabalhistas 
e pela crescente demanda por quali� cação. Nesse sentido, destacamos a importância de políticas 
públicas e iniciativas que estimulem a capacitação, a geração de empregos e a garantia de direitos 
trabalhistas, como estratégias para enfrentar as adversidades vividas pelos jovens no contexto 
laboral.
Ao re� etir sobre as interfaces entre juventude e diversidade, juventude e espaço 
educacional e juventude e trabalho, � ca evidente a interconexão desses aspectos na vida dos 
jovens. A diversidade in� uencia e é in� uenciada pelas experiências educacionais e laborais, 
e vice-versa. Compreender essa relação é fundamental para o desenvolvimento de políticas e 
práticas que visem ao bem-estar e à promoção da cidadania dos jovens.
Além disso, é preciso considerar a especi� cidade e a heterogeneidade das vivências juvenis 
de modo a evitar generalizações e estereótipos que possam limitar a compreensão das múltiplas 
facetas dessa etapa da vida. Nesse sentido, pesquisas futuras devem aprofundar a investigação 
sobre as diferentes interações entre os jovens e os aspectos abordados nesta unidade, bem como 
O programa Jovem Aprendiz é diferente dos programas de estágio, pois o 
participante não precisa estar cursando uma graduação, mas, sim, ter Ensino 
Médio. Segundo a lei, o jovem deve ter entre 14 e 24 anos para se adequar a essa 
categoria, e toda empresa de grande ou médio portes deve ter de 5 a 15% de 
aprendizes entre seus funcionários.
32WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 3
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
ampliar o diálogo com outras áreas do conhecimento e outras dimensões da juventude, tais como 
saúde, lazer e participação política.
Ao longo desta análise, buscamos contribuir para um maior entendimento da 
complexidade das vivências juvenis em suas interações com a diversidade, o espaço educacional 
e o trabalho a � m de subsidiar a formulação de políticas públicas e práticas sociais mais efetivas 
e inclusivas. Contudo, é importante ressaltar que o conhecimento sobre a juventude está em 
constante transformação, e é imprescindível que os estudos nessa área se mantenham atualizados 
e atentos às mudanças no contexto social, cultural e econômico.
Em suma, esta unidde buscou lançar luz sobre os desa� os e oportunidades que a juventude 
enfrenta em sua relação com a diversidade, a educação e o trabalho. Esperamos que, ao promover 
uma re� exão crítica e contextualizada sobre esses temas, possamos contribuir para o avanço 
da pesquisa e das práticas voltadas para o desenvolvimento integral e emancipação dos jovens, 
favorecendo a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e inclusiva.
3333WWW.UNINGA.BR
UNIDADE
04
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 34
1. CIDADANIA ........................................................................................................................................................... 36
2. PROTEÇÃO AO ADOLESCENTE ............................................................................................................................37
3. DIREITOS DO ADOLESCENTE ............................................................................................................................. 39
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 40
PROTEÇÃO À ADOLESCÊNCIA
PROF. ME. MURILO MAGESTE DE MORAES
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
CICLO DE VIDA 2: 
ADOLESCÊNCIAS E JUVENTUDES
34WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 4
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
INTRODUÇÃO
A adolescência traz consigo diversos desa� os, tais como a busca por autonomia e 
identidade, a experimentação de novas experiências e a adaptação às mudanças no papel social 
(ARNETT, 2004). Nesse contexto, a proteção à adolescência emerge como um tema crucial, 
envolvendo questões de cidadania, proteção e direitos do adolescente.
Cidadania é um conceito que abrange direitos e deveres de um indivíduo dentro de 
uma sociedade, englobando aspectos políticos, civis e sociais (MARSHALL, 1950). No caso 
dos adolescentes, a cidadania implica o reconhecimento de suas especi� cidades e a garantia 
de direitos e deveres adequados à sua condição de desenvolvimento. A efetivação da cidadania 
juvenil requer políticas públicas que promovam a inclusão e a participação ativa dos adolescentes 
nos processos decisórios que afetam suas vidas, além da garantia de acesso a serviços básicos, 
como educação, saúde, cultura e lazer (HART, 1992).
A proteção ao adolescente envolve a criação e a implementação de medidas que visam 
a assegurar o bem-estar e o desenvolvimento integral dos jovens. Essa proteção deve ser 
exercida tanto pelos órgãos governamentais quanto pela sociedade em geral, incluindo a família 
e os pro� ssionais que trabalham diretamente com essa população. Nesse sentido, destaca-se a 
importância da articulação entre diferentes setores e atores sociais, como escolas, serviços de 
saúde, organizações não governamentais e comunidades, na promoção de ações e políticas de 
proteção aos adolescentes.
Os direitos do adolescente são normas jurídicas que estabelecem as garantiase 
obrigações relacionadas ao pleno desenvolvimento dos jovens. Esses direitos estão consagrados 
em documentos internacionais, como a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), e 
em legislações nacionais, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no Brasil (Lei 
8.069/1990). Dentre os principais direitos dos adolescentes, destacam-se o direito à vida, à saúde, 
à educação, à convivência familiar e comunitária, à participação social e política, à proteção 
contra exploração e violência e ao acesso à justiça.
A compreensão das relações entre cidadania, proteção ao adolescente e direitos do 
adolescente é fundamental para o desenvolvimento de políticas e práticas que contribuam para 
o bem-estar e a inclusão social dos jovens. Nesse sentido, é importante abordar questões como 
a efetivação dos direitos dos adolescentes, a participação dos jovens nos processos decisórios, a 
responsabilidade das instituições e dos pro� ssionais envolvidos na proteção e na promoção da 
cidadania juvenil, além dos desa� os e oportunidades que emergem nesse contexto.
A efetivação dos direitos dos adolescentes envolve a implementação de políticas e 
programas que garantam o acesso a serviços e oportunidades adequados às suas necessidades e 
características etárias. Nesse sentido, é importante garantir o acesso aos serviços de saúde, com 
ênfase na saúde mental e na prevenção de agravos relacionados ao uso de substâncias, à gravidez 
na adolescência e às infecções sexualmente transmissíveis.
A participação dos adolescentes nos processos decisórios é um aspecto central da 
cidadania e da proteção ao adolescente, pois permite que os jovens expressem suas opiniões 
e demandas e contribuam para a formulação e implementação de políticas e programas que 
afetam suas vidas. Nesse sentido, é fundamental promover espaços de diálogo e de escuta, como 
conselhos e fóruns juvenis, e capacitar os adolescentes para que possam exercer sua participação 
de forma crítica e consciente.
A responsabilidade das instituições e dos pro� ssionais envolvidos na proteção e 
na promoção da cidadania juvenil é evidenciada pela necessidade de ações coordenadas e 
35WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 4
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
integradas entre diferentes setores e atores sociais. Nesse contexto, cabe às escolas, serviços de 
saúde, organizações não governamentais e comunidades desenvolver e implementar práticas e 
políticas que promovam o bem-estar e o desenvolvimento dos adolescentes, considerando suas 
especi� cidades e diversidade cultural.
Os desa� os e oportunidades que emergem na interface entre cidadania, proteção ao 
adolescente e direitos do adolescente incluem questões como a e� cácia e a equidade das políticas 
e programas voltados para essa população, a necessidade de aprimorar a formação e a atuação 
dos pro� ssionais que trabalham com adolescentes, e a urgência de enfrentar problemas sociais 
que afetam os jovens, como a pobreza, a discriminação e a violência.
Nesta unidade, serão aprofundadas as discussões acerca dos temas apresentados nesta 
introdução, com o objetivo de fornecer subsídios teóricos e práticos para a promoção da proteção 
à adolescência, considerando os aspectos de cidadania, proteção e direitos do adolescente. 
36WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 4
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
1. CIDADANIA 
O conceito de cidadania é necessário para a sustentação de um Estado Democrático de 
Direitos (BRASIL, 1988). É a partir da Constituição Federal Brasileira que todo cidadão se torna 
igual perante a lei, vedando toda forma de distinção. As garantias da igualdade e da liberdade 
passam a ser direitos fundamentais à vida. A cidadania, portanto, refere-se à garantia desses 
direitos e, como consequência, dos seus deveres, além do reconhecimento e reinvindicação da 
necessidade de novos direitos quando necessário, sendo esses os direitos sociais (educação, saúde, 
moradia, entre outros), os civis (direito ao casamento, à propriedade, entre outros) e os políticos 
(voto, entre outros).
Para que a cidadania seja exercida com consciência e defendida, é necessário entender 
a estrutura do sistema de governo brasileiro. O Estado é organizado em três Poderes: (1) o 
Legislativo, que elabora as leis e � scaliza o Poder Executivo e é composto pelas esferas federal, 
estadual e municipal; o (2) Executivo, que governa os interesses da população e executa as leis 
elaboradas pelo Poder Legislativo, que conta com gestões municipais, estaduais e a gestão federal; 
e o (3) Judiciário, que julga os casos a partir das legislações vigentes, composto, inclusive, pelo 
Superior Tribunal Federal.
É função essencial da Justiça defender a ordem pública, os interesses sociais e individuais 
e os regimes democráticos. Para isso, a Constituição Federal inclui o Ministério Público, a 
Advocacia-Geral da União e a Defensoria Pública.
Como dito, a cidadania se refere à garantia de direitos civis, sociais e políticos. O 
Estatuto da Criança e do Adolescente (doravante, ECA), que também foi abordado em outros 
momentos nas unidades anteriores, é que assegura a cidadania de crianças e adolescentes. O 
ECA é que assegurará a proteção dos direitos dessa população, de medidas de proteção a medidas 
socioeducativas (PICIRILLI, 2019). 
Como previsto pelo ECA, a Escola também deve ser um espaço de valorização da 
dignidade e de garantia dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes, sendo uma 
instituição parceira e protetiva, atuando enquanto formadora de cidadãos participativos em suas 
cidadanias. Segundo Severino (2010, p. 69), a Escola é “(...) a institucionalização das mediações 
reais para que uma intencionalidade possa tornar-se efetiva”. Ainda de acordo com o autor, investir 
na cidadania na Escola é articular um projeto político na sociedade, ampliando a consciência 
de adolescente e jovens enquanto cidadãos e incentivando a participação ativa deles para além 
da instituição (SEVERINO, 2010). Discussões no ambiente escolar relacionadas às relações de 
gênero, diversidade sexual, criação de grêmio estudantil, entre outras, são propostas que podem 
incentivar a participação política dos adolescentes e o exercício de sua cidadania.
Espaços políticos, como Conferências de Direitos da Criança e do Adolescente, são 
importantes de serem ocupados pela juventude a � m de participarem do planejamento e da gestão 
de políticas públicas de promoção, proteção e defesa dos direitos – que também são organizadas 
em diferentes níveis: municipal, estadual e nacional. Porém, somente a presença dos adolescentes 
nesses espaços não é su� ciente – é necessário que se entenda o objetivo dessas construções e seu 
funcionamento (PICIRILLI, 2019). A participação dos adolescentes em todas essas instâncias 
tem resultados por meio da luta por direitos da população jovem, como o direito a transporte 
interestadual gratuito (limitado a duas vagas por veículo) e meia-entrada em eventos culturais, 
ambos por meio do programa ID Jovem. Além disso, a ocupação desses espaços por adolescentes 
garante que um número maior de jovens tenha conhecimento de seus direitos e lute por eles. 
Para além da ocupação nos espaços políticos, o conceito de cidadania também deve 
permear outros assuntos, e a Escola, como voz altamente importante nesse cenário, deve debater: 
a prática de sexting e o envio de fotos de nudez (as populares “nudes”) entre a população jovem 
(PICIRILLI, 2019). O termo sexting consiste no compartilhamento de mensagens de caráter sexual 
37WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 4
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
por meio de tecnologias digitais. Por sua vez, o envio de fotos de nudez vem acompanhado de 
sérios riscos, como o compartilhamento da imagem sem autorização, a divulgação da identidade 
do indivíduo, entre outros, que causarão danos psicológicos, emocionaise sociais à vítima – 
que, na maioria das vezes, são as meninas (PICIRILLI, 2019). A relação dessas práticas com a 
cidadania está nas relações de gênero, nos direitos e deveres do meio virtual e nos valores sociais 
da juventude. Além disso, engloba a reprodução de violência, como a que acontece com a vítima 
que sofre ameaça de exposição de conteúdo íntimo no meio virtual. Na grande maioria dos casos, 
são mulheres que têm suas fotos e vídeos divulgados por homens como mecanismo de vingança 
– comportamento denominado de “pornogra� a por vingança” (PICIRILLI, 2019; VARELLA; 
SOPRANA, 2015). 
Portanto, a discussão de papéis sociais e estereótipos, especialmente no contexto escolar, 
é o caminho para desconstruir comportamentos sexistas e que reproduzam violência de gênero.
2. PROTEÇÃO AO ADOLESCENTE
A adolescência é tempo de questionamentos, transgressões, rea� rmações e construções 
de identidades e, por isso, demanda cuidado e paciência da família, dos educadores, pro� ssionais 
da saúde e outros adultos que os cercam. Como citado anteriormente, o ECA constitui-se de todos 
os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana (BRASIL, 1990). Esses direitos, portanto, 
devem ser protegidos por sua família, pela comunidade, pela sociedade geral e pelo Estado – 
sendo que este deve intervir no caso de as instituições anteriores terem falhado em seus papéis.
A família tem papel principal e primordial no desenvolvimento infanto-juvenil, sendo 
a partir dessa relação que são desenvolvidos aspectos relativos à personalidade (WINNICOTT, 
1983). É na família que acontece a descoberta dos sentimentos de amor e ódio, simpatia e 
tolerância, além de diversos outros comportamentos e sentimentos humanos. Porém, ainda 
que seja dever da família assegurar a proteção de crianças e adolescentes, muitas vezes isso não 
acontece, e essa população é exposta a inúmeras violências. 
A violência pode ser classi� cada em doméstica e extrafamiliar. A violência doméstica 
diz respeito a uma transgressão de poder disciplinador do adulto, que gera uma desigualdade de 
poder; além disso, ela nega o valor de liberdade da criança e do adolescente e coloca o adulto em 
um papel de vítima para exercer poder sobre a criança e o adolescente (GUERRA, 2008). De forma 
geral, a violência doméstica objeti� ca a criança e o adolescente e leva à negação do direito desses 
indivíduos de serem tratados como sujeitos de direito. Ainda como parte da violência doméstica, 
ela pode ser dividida em quatro tipos: sexual, psicológica, física e a negligência (GUERRA, 2008). 
Por outro lado, a violência extrafamiliar envolve morte por causas externas, violência 
urbana, violência virtual, entre diversas outras. Uma forma de violência que deve ser destacada 
na população infanto-juvenil é a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes 
(doravante, ESCCA). A ESCCA envolve, majoritariamente, crianças e adolescentes em situação de 
vulnerabilidade econômica e social, que partem de um núcleo familiar conturbado e de inúmeras 
outras violências – o que evidencia que essa população não se prostitui, mas, sim, é prostituída 
A cidadania carrega um papel importante na vida do jovem e do adolescente, uma 
vez que envolve a consciência sobre seus direitos e também consciência sobre 
zelar pelo espaço em que se vive em sociedade, sobre a importância de exercer o 
seu voto e o primordial: o direito a ter acesso à educação.
38WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 4
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
por um adulto, que pode vir a ser um familiar ou pessoa externa (PICIRILLI, 2019). A ESCCA 
con� gura um conjunto de violências sexuais que ferem a integridade sexual e o desenvolvimento 
emocional, físico e afetivo de crianças e adolescentes. De acordo com o Código Penal, esse crime 
envolve submeter, induzir ou atrair menores de 18 anos para práticas sexuais ou impedir que eles 
abandonem esse ato. A ESCCA con� gura um crime dividido em quatro tipos: (1) exploração 
mercantil do corpo; (2) pornogra� a infantil; (3) turismo sexual; e (4) trá� co de seres humanos. 
Esse é um problema social de dimensões enormes, e o Brasil ocupa o primeiro lugar na América 
Latina de vítimas da ESCCA (PICIRILLI, 2019). 
Relacionando ao contexto escolar, é um cenário onde muitas manifestações de violência 
acontecem, inclusive que se desdobram na própria Escola. Portanto, é mais uma vez papel da 
Escola estabelecer voz ativa na condução de discussões sobre esses temas, na tentativa de identi� car 
possíveis violações de direitos domésticos ou extrafamiliares, e alertar para que crianças e jovens 
tenham consciência do que é e o que não é permitido ser feito com seus corpos. A partir disso, a 
Escola tomará as devidas providências para assegurar a cidadania e a defesa dos direitos desses 
indivíduos. 
Portanto, a proteção ao adolescente é um tema de grande relevância no campo das políticas 
públicas e das práticas sociais, uma vez que a adolescência é uma fase crucial do desenvolvimento 
humano (ARNETT, 2004). Nesse sentido, é fundamental garantir a proteção aos adolescentes, de 
modo a promover seu bem-estar, sua saúde e seu desenvolvimento integral, considerando suas 
especi� cidades e diversidade cultural.
Como visto, a proteção ao adolescente abrange uma série de aspectos, tais como a garantia 
de direitos e a prevenção e o enfrentamento de riscos e vulnerabilidades que possam afetar sua 
saúde, sua educação, sua convivência familiar e comunitária, sua participação social e política, sua 
proteção contra exploração e violência e seu acesso à Justiça. Para tanto, é necessário implementar 
políticas e programas que contemplem esses aspectos e que estejam alinhados com as normas e 
os princípios estabelecidos em documentos internacionais, como a Convenção sobre os Direitos 
da Criança (CDC), e em legislações nacionais, como o ECA no Brasil (Lei 8.069/1990).
A promoção da saúde é um elemento central da proteção ao adolescente, uma vez que a 
adolescência é uma fase da vida em que os jovens estão mais expostos a riscos e agravos à saúde, 
como o uso de substâncias, a gravidez na adolescência e as infecções sexualmente transmissíveis. 
Nesse contexto, é crucial garantir o acesso dos adolescentes aos serviços de saúde, com ênfase na 
saúde mental e na prevenção de agravos, e promover ações educativas e de promoção da saúde, 
envolvendo tanto os adolescentes quanto suas famílias e comunidades.
A educação é outro aspecto fundamental da proteção ao adolescente, sendo importante 
promover uma educação inclusiva e de qualidade, que contemple aspectos como a formação 
integral, a participação dos estudantes na gestão escolar e a prevenção e o combate à violência 
no ambiente educacional. Além disso, é necessário garantir a permanência dos adolescentes na 
Escola e o acesso à educação pro� ssional e tecnológica, de modo a ampliar suas oportunidades e 
perspectivas de futuro (FURLONG; CARTMEL, 2007).
A convivência familiar e comunitária é um aspecto essencial da proteção ao adolescente, 
sendo importante implementar políticas e programas que promovam a prevenção e o 
enfrentamento da violência intrafamiliar, o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários 
e a participação dos adolescentes em atividades culturais, esportivas e de lazer. Nesse sentido, 
é fundamental envolver as famílias e as comunidades na proteção e no desenvolvimento dos 
adolescentes, considerando suas necessidades, suas potencialidades e sua diversidade cultural.
A efetivação da proteção ao adolescente requer a articulação entre diferentes setores e 
atores sociais, como governos, sociedade civil, famílias, comunidades, escolas, serviços de saúde 
e organizações não governamentais. Nesse sentido, é fundamental promover a intersetorialidade 
e a cooperação entre as diferentes instâncias e áreas de atuação, de modo a construir uma 
39WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DADE
 4
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
rede de proteção e apoio aos adolescentes, que seja e� caz, integrada e culturalmente adequada 
(ALDERSON; MORROW, 2011).
Além disso, é importante fortalecer a capacidade dos pro� ssionais que trabalham 
diretamente com adolescentes, oferecendo formação e capacitação especí� ca para lidar com as 
questões e desa� os inerentes a essa etapa da vida. A formação e o acompanhamento de pro� ssionais 
capacitados (como educadores, pro� ssionais de saúde, assistentes sociais e conselheiros tutelares) 
são elementos fundamentais para a efetivação da proteção ao adolescente.
Em suma, a proteção ao adolescente é um tema complexo e multifacetado, que demanda 
a articulação e a cooperação de diversos setores e atores sociais, bem como a implementação de 
políticas e programas integrados e baseados em evidências cientí� cas e nas normas e princípios 
estabelecidos em documentos internacionais e nacionais. A promoção da proteção ao adolescente 
é um investimento na construção de um futuro mais justo, inclusivo e sustentável para todos.
3. DIREITOS DO ADOLESCENTE
O que deve ser feito quando há suspeita ou evidência de que uma criança ou adolescente 
está em situação de violência? A primeira ação a se tomar é noti� car o Conselho Tutelar. Caso 
essa noti� cação venha da Escola, deve ser realizada por meio de relatório assinado e carimbado 
pelo gestor da instituição para formalizar a denúncia. Vale ressaltar que situações de maus-tratos, 
faltas injusti� cadas e evasão escolar, excesso de repetição escolar, entre outros, são situações 
passíveis de denúncia ao Conselho Tutelar (PICIRILLI, 2019).
O Conselho Tutelar é um órgão permanente e autônomo, que possui como objetivo zelar 
pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Faz parte de suas atribuições atender 
crianças e adolescentes quando medidas de proteção forem necessárias e orientar os responsáveis; 
encaminhar o caso para o sistema judiciário quando não estiver mais em sua competência técnica; 
e assessorar na elaboração de propostas orçamentárias para programas que englobem os direitos 
da criança e do adolescente.
Nesse sentido, serão adotadas medidas de proteção quando os direitos desses indivíduos 
forem ameaçados ou violados. Essas medidas englobam diversas possibilidades, como a requisição 
de tratamento médico em regime hospitalar ou ambulatorial. O afastamento da criança ou do 
adolescente de sua família dependerá de determinação do Poder Judiciário e deverá ser justi� cado 
mediante relatório dos pro� ssionais envolvidos, orientando seja o acolhimento institucional 
desses indivíduos, a reinserção na família ou a inserção em família substituta. No caso de inserção 
em família substituta, o processo se dará por meio de adoção nacional ou internacional. 
Outra medida de proteção que compõe os direitos dos adolescentes é o acionamento da 
rede intersetorial para diversos serviços, como os Centros de Referência da Assistência Social 
(CRAS). Esse e outros serviços são fundamentais na interlocução com pro� ssionais da educação 
visto que asseguram a proteção dos direitos do adolescente. O CRAS, inclusive, realiza o Serviço 
de Proteção e Atendimento Integral à Família, que abrange o trabalho social com famílias com 
Recomendamos a leitura de:
ASSIS, S. G.; PESCE, R. P.; AVANCI, J. Q. Resiliência enfatizando a proteção dos 
adolescentes. In: Resiliência enfatizando a proteção dos adolescentes. p. 144-
144. 2006.
40WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 4
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
o objetivo de fortalecer a função protetiva das famílias por meio do incentivo ao diálogo, no 
combate à violência, ao preconceito e a qualquer discriminação nas relações familiares. 
Portanto, é fundamental que o pro� ssional da educação tenha conhecimento sobre 
a rede de serviços de seu território, assim como também é papel do pro� ssional da saúde ter 
conhecimento sobre o funcionamento da rede intersetorial do território e do município a � m de 
promover saúde e proteção aos indivíduos. É a partir da articulação entre os diversos serviços e 
políticas que se torna possível a garantia de direitos e o exercício da cidadania de adolescentes, 
com o suporte de uma rede de apoio adulta. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo desta unidade, buscou-se discutir e analisar os temas relacionados à proteção 
à adolescência, contemplando aspectos de cidadania, proteção ao adolescente e direitos do 
adolescente. A partir da análise das referências cientí� cas e legislações pertinentes, torna-se 
evidente que a promoção da proteção à adolescência é uma responsabilidade compartilhada 
entre governos, sociedade civil, famílias e os próprios adolescentes.
A discussão sobre cidadania evidenciou a importância do reconhecimento das 
especi� cidades dos adolescentes e a necessidade de garantir direitos e deveres adequados à sua 
condição de desenvolvimento. A participação ativa dos adolescentes nos processos decisórios que 
afetam suas vidas, bem como a garantia de acesso a serviços básicos, são elementos fundamentais 
para a efetivação da cidadania juvenil.
No tocante à proteção ao adolescente, esta unidade destacou a relevância da articulação 
entre diferentes setores e atores sociais, como escolas, serviços de saúde, organizações não 
governamentais e comunidades na promoção de ações e políticas de proteção aos adolescentes. 
Além disso, ressaltou-se a importância da criação e implementação de medidas que assegurem o 
bem-estar e o desenvolvimento integral dos jovens, exercidas tanto pelos órgãos governamentais 
quanto pela sociedade em geral, incluindo a família e os pro� ssionais que trabalham diretamente 
com essa população.
Quanto aos direitos do adolescente, enfatizou-se a importância do cumprimento 
das normas jurídicas estabelecidas em documentos internacionais, como a Convenção sobre 
O direito do adolescente prevê igualdade de condições para o acesso e 
permanência na Escola, direito de ser respeitado pelos seus educadores, direito 
de contestar critérios avaliativos e também direito de organizar e participar em 
entidades estudantis.
Para complementar o conhecimento adquirido até aqui, assista 
ao vídeo ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente, disponível em 
https://www.youtube.com/watch?v=rHCUPXCuBv8.
41WWW.UNINGA.BR
CI
CL
O 
DE
 V
ID
A 
2: 
AD
OL
ES
CÊ
NC
IA
S 
E 
JU
VE
NT
UD
ES
| U
NI
DA
DE
 4
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
os Direitos da Criança (CDC), e em legislações nacionais, como o Estatuto da Criança e do 
Adolescente (ECA) no Brasil (Lei 8.069/1990). Além disso, destacou-se a necessidade de 
garantir o acesso dos adolescentes a serviços e oportunidades adequados às suas necessidades e 
características etárias, como educação, saúde, convivência familiar e comunitária, participação 
social e política, proteção contra exploração e violência e acesso à Justiça.
Os desafi os enfrentados para a promoção da proteção à adolescência incluem a efi cácia e 
a equidade das políticas e programas voltados para essa população, a necessidade de aprimorar a 
formação e a atuação dos profi ssionais que trabalham com adolescentes e a urgência de enfrentar 
problemas sociais que afetam os jovens, como a pobreza, a discriminação e a violência. Nesse 
sentido, é fundamental promover a pesquisa e a produção de conhecimento científi co sobre a 
adolescência a fi m de subsidiar a formulação de políticas e práticas baseadas em evidências.
As considerações fi nais desta unidade destacam a complexidade e a importância do tema 
da proteção à adolescência e a necessidade de ações concretas e coordenadas para enfrentar os 
desafi os inerentes a essa temática. A promoção da cidadania, proteção ao adolescente e a garantia 
dos direitos dos adolescentes são fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade mais 
justa e inclusiva.
É crucial a criação de espaços de diálogo e cooperação entre governos, sociedade civil, 
famílias e adolescentes, visando à troca de experiênciase à construção de soluções conjuntas 
para os problemas enfrentados por essa população. Além disso, é necessário fortalecer a 
capacidade dos profi ssionais que trabalham diretamente com adolescentes, oferecendo formação 
e capacitação específi ca para lidar com as questões e desafi os inerentes a essa etapa da vida.
Por fi m, é importante ressaltar que a promoção da proteção à adolescência é uma 
responsabilidade compartilhada e intergeracional, que demanda o compromisso e a cooperação 
de todos os atores sociais envolvidos no processo de desenvolvimento dos adolescentes. A 
construção de um futuro melhor e mais inclusivo para os adolescentes depende, em grande 
medida, da capacidade de articular esforços e recursos para enfrentar os desafi os e aproveitar 
as oportunidades que emergem nessa etapa tão fundamental da vida humana, com especial voz 
ativa da Escola.
42WWW.UNINGA.BR
ENSINO A DISTÂNCIA
REFERÊNCIAS
ALDERSON, P.; MORROW, V. � e Ethics of Research with Children and Young People: A 
Practical Handbook. Sage Publications, 2011.
ARNETT, J. J. Emerging adulthood: � e winding road from the late teens through the twenties. 
Oxford University Press, 2004.
BARBOSA, K. B. F.; FRANCESCHINI, S. C. C.; PRIORE, S. E. In� uência dos estágios de 
maturação sexual no estado nutricional, antropometria e composição corporal de adolescentes. 
Rev. Bras. Saúde Mater. Infant., Recife, v. 6, n. 4, p. 375-382, 2006. 
BEE, H. Pensando sobre relacionamentos: o desenvolvimento da cognição social. In: BEE, H. 
A criança em desenvolvimento. Tradução de Maria Adriana Veríssimo Veronese. 7. ed. Porto 
Alegre: Artes Médicas, 1996.
BERNI, V. L.; ROSO, A. A adolescência na perspectiva da psicologia social crítica. Rev. Psicologia 
& Sociedade, Belo Horizonte, v. 26, n. 1, 2014.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Assembleia 
Nacional Constituinte, [1988].
BRASIL. Lei 8.069 de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente 
e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1990]. 
BRASIL. Lei nº 12.852, de 5 de agosto de 2013. Institui o Estatuto da Juventude e dispõe sobre 
os direitos dos jovens, os princípios e diretrizes das políticas públicas de juventude e o Sistema 
Nacional de Juventude - SINAJUVE. Brasília, DF: Presidência da República, [2013].
BRASIL. Lei nº 6.697, de 10 de outubro de 1979. Institui o Código de Menores. Brasília, DF: 
Presidência da República, [1979].
BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato 
Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
CABRAL, Á.; NICK, E. Dicionário técnico de psicologia. 11. ed. São Paulo: Cultrix, 2001.
CABRAL, S. H.; SOUSA, S. M. G. O histórico processo de exclusão/inclusão dos adolescentes 
autores de ato infracional no Brasil. Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v. 10, n. 15, p. 71-90, 
2004. 
CARVALHO, R. F. P.; CARVALHO, O. J. P. Evolução do trabalho: das comunidades pré-industriais 
às pós-industriais. REVISTA DA ABET, v. VI, n. 2, 2006. 
CERQUEIRA, D. et al. Atlas da Violência 2017. Rio de Janeiro: IPEA, 2017. 
COLLI, A. S. Crescimento e desenvolvimento físico. In: COMISSÃO DE SAÚDE DO 
ADOLESCENTE. Adolescência e saúde. São Paulo: Paris Editorial, 1988.
43WWW.UNINGA.BR
ENSINO A DISTÂNCIA
REFERÊNCIAS
DA MATA. Desejos e independência. 2023. Disponível em: https://www.damata.ind.br/blog/25-
04-2019/23/jovemaprendizdamata. Acesso em: 20 abr. 2023.
DAHLBERG, L. L.; KRUG, E. G. Violência: um problema global de saúde pública. Ciênc. Saúde 
coletiva, Rio de Janeiro, v. 11, p. 1163-1178, 2007. 
ECCLES, J. S.; ROESER, R. W. Schools as developmental contexts during adolescence. Journal of 
Research on Adolescence, v. 21, n. 1, p. 225-241, 2011.
ESCOLA KIDS. Puberdade precoce. 2023. Disponível em: 
https://escolakids.uol.com.br/ciencias/puberdade.htm. Acesso em: 20 abr. 2023.
FORBES. Juventude e diversidade. 2019. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/
roytelmontero/2019/12/20/beyond-the-meme-how-these-gen-zers-are-making-their-
mark/?sh=4438a0e85b52. Acesso em: 20 abr. 2023.
FURLONG, A.; CARTMEL, F. Young people and social change: New perspectives. McGraw-
Hill Education, 2007.
GUERRA, V. N. A. A violência doméstica contra crianças e adolescentes. In: GUERRA, V. N. A. 
Violência de pais contra � lhos: a tragédia revisitada. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
HART, R. A. Children’s participation: From tokenism to citizenship. Innocenti Essays No. 4. 
UNICEF International Child Development Centre, 1992.
JESUS, A. V. Violação do direito às terras tradicionais dos povos originários. In: Conselho 
Regional de Psicologia de São Paulo. Povos indígenas e Psicologia: a procura do bem viver. São 
Paulo: CRP SP, 2016.
KUHN, A. Juventude do campo e migração: escolarização, resistência e expansão do agronegócio.
Ponto-e-Vírgula: Revista de Ciências Sociais, [s. l.], n. 18, 2015. 
LEITE, L. M. F. Juventude indígena conectada: narrativas da nova geração do território indígena 
do Xingu (TIX). 2017. Dissertação (Mestrado) – Brasília, Universidade de Brasília, 2017.
LENZI, T. O que é o movimento feminista? In: Toda Política. 2023. Disponível em: https://www.
todapolitica.com/movimento-feminista/. Acesso em: 18 abr. 2023.
Levantamento aponta que taxa de suicídios é maior entre indígenas. 26 set. 2017. Disponível em: 
http://portal.andes.org.br/andes/print-ultimas-noticias.andes?id=9062. Acesso em: 19 abr. 2023.
MACEDO, D. B. et al. Avanços na etiologia, no diagnóstico e no tratamento da puberdade precoce 
central. Arq. Bras. Endócrino Metab, São Paulo, v. 58, n. 2, p. 108-117, 2014.
MARSHALL, T. H. Citizenship and Social Class and Other Essays. Cambridge University Press, 
1950.
44WWW.UNINGA.BR
ENSINO A DISTÂNCIA
REFERÊNCIAS
OLIVEIRA, M. L. Adolescência. In: OLIVEIRA, M. L. A rebeldia e as tramas da desobediência. 
São Paulo: Editora UNESP, 2010. 
ONUBR - NAÇÕES UNIDAS NO BRASIL. Taxa de gravidez adolescente no Brasil está acima 
da média latino-americana e caribenha. 2018. Disponível em: https://nacoesunidas.org/taxa-
de-gravidez-adolescente-no-brasil-esta-acima-da-media-latino-americana-e-caribenha/. Acesso 
em: 18 abr. 2023.
ORGANICS NEWS BRASIL. Puberdade. 2016. Disponível em: https://organicsnewsbrasil.com.
br/pesquisa-aponta-problemas-com-peso-em-adolescentes/. Acesso em: 20 abr. 2023.
PIAGET, J. Seis estudos de psicologia. Tradução de Maria Alice Magalhães D’Amorim e Paulo 
Sérgio Lima Silva. 24. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002.
PICIRILLI, C. C. Adolescência e juventude no século XXI. São Paulo: Editora e Distribuidora 
educacional S.A., 2019.
RABELLO, D.; OLIVEIRA, L. B.; FELICIANO, C. A. Permanecer ou sair do campo? Um dilema 
da juventude camponesa. Revista Pegada, Unesp, v. 15, n. 1, 2014. 
SANTOS, A. A violência de Estado, o racismo e a Psicologia: ontem e hoje. In: Conselho Regional 
de Psicologia de São Paulo. Violência de Estado ontem e hoje: da exclusão ao extermínio. São 
Paulo: CRP-SP, 2017.
SCHOEN-FERREIRA, T. H.; AZNAR-FARIAS, M.; SILVARES, E. F. M. Adolescência através dos 
séculos. Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, v. 26, n. 2, p. 227-234, 2010. 
SEVERINO, A. J. Formação política do adolescente no ensino médio: a contribuição da Filoso� a. 
Pro-Posições, Campinas, v. 21, n. 1, p. 57-74, 2010. 
SOLOVIJOVAS, A. R. et al. Sexualidade em uma abordagem histórico-cultural. Campinas: 
Universidade Estadual de Campinas, 2002.
SOUSA NETO, M. F. O ofício, a o� cina e a pro� ssão: re� exões sobre o lugar social do professor. 
Cad. CEDES, Campinas, v. 25, n. 66, p. 249-259, 2005. 
SUCUPIRA, F. Projeto propõe extinção da FEBEM e adequação de SP ao ECA. Carta Maior. 
2003. 
THE SMILEY. Violência e drogas. 2023. Disponível em: https://thesmiley.eu/consumul-de-
droguri-si-alcool-la-adolescenti/. Acesso em: 20 abr. 2023.
TRASSI, M. L.; MALVASI, P. A. Violentamente pací� cos: desconstruindo a associação juventude 
e violência. In: BOCK, A. M. B. (coord.). Coleção construindoo compromisso social da 
psicologia. São Paulo: Cortez, 2010.
45WWW.UNINGA.BR
ENSINO A DISTÂNCIA
REFERÊNCIAS
VARELLA, G.; SOPRANA, P. Pornogra� a de vingança é um problema de gênero. Revista Época. 
3 dez. 2015. Disponível em: https://epoca.globo.com/vida/experiencias-digitais/noticia/2015/12/
pornogra� a-de-vinganca-e-um-problema-de-genero.html. Acesso em: 19 abr. 2023.
WINNICOTT, D. W. Da dependência à independência no desenvolvimento do indivíduo. In: O 
Ambiente e os Processos de Maturação. Tradução de Irineo Constantino Schuch Ortiz. Porto 
Alegre, 1983.
WOLECK, A. O trabalho, a ocupação e o emprego: Uma perspectiva histórica. Revista de 
Divulgação Técnico-cientí� ca do Instituto Catarinense de Pós-Graduação, v. 1, p. 33-39, 2002. 
YAZLLE, M. E. H. D. Gravidez na adolescência. Rev. Bras. Ginecol. Obstet., Rio de Janeiro, 
v. 28, n. 8, p. 443-445, 2006. 
ZME SCIENCE. Atos infracionais na infância. 2017. Disponível em: https://www.zmescience.
com/medicine/gun-related-violence-children-43223/. Acesso em: 20 abr. 2023.

Mais conteúdos dessa disciplina