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DILEMAS DA
ADOLESCÊNCIA
Aula 1
A CONSTRUÇÃO DO
SUJEITO ENQUANTO SER
SOCIAL
A construção do sujeito enquanto
ser social
Olá, estudante!
Nesta unidade, aprofundaremos um pouco mais os estudos nas
implicações da adolescência no desenvolvimento do sujeito,
considerando sua percepção de si e do mundo, o papel da aceitação
social e as questões envolvendo gênero e sexualidade durante a
juventude. Essa é uma temática importante para refletirmos sobre os
aspectos socioemocionais no processo de educação de jovens e
adolescentes. Vamos lá?
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
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06/08/2024, 10:18 Dilemas da Adolescência
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Bons estudos!
Ponto de Partida
Diversas pesquisas já comprovaram que a adolescência acarreta
mudanças biológicas, psicológicas e sociais, além de ser
experienciada e vivenciada de diferentes formas pelos sujeitos,
dependendo de seus contextos. Para dar sequência a nossos
estudos, imagine a seguinte situação: em uma escola de Ensino
Médio, situada no centro da cidade, observa-se uma dinâmica
complexa entre os jovens que estão vivenciando a transição da
adolescência para a fase adulta. Nesse ambiente escolar, surgem
desafios significativos relacionados à busca de sentido de vida, à
aceitação no grupo social e às questões de sexualidade e gênero.
Alunos do Ensino Médio muitas vezes enfrentam pressões
acadêmicas e sociais que influenciam suas escolhas futuras. A
incerteza sobre carreiras e o desenvolvimento de habilidades
interpessoais mostram-se desafios recorrentes.
Como a instituição escolar pode implementar programas ou recursos
para orientar os alunos durante a transição para a vida adulta,
proporcionando apoio na tomada de decisões acadêmicas e
pessoais? Qual seria a melhor abordagem pedagógica para
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promover a compreensão, a aceitação e o respeito à diversidade,
garantindo um ambiente escolar inclusivo e seguro para todos?
Vamos refletir sobre isso juntos.
Bons estudos!
Vamos Começar!
Transição da adolescência para a fase adulta
A adolescência é um período marcado por mudanças em todas as
esferas da vida do sujeito; por ser uma fase de transição, é
permeada por questões e dúvidas. Essa capacidade de refletir sobre
a vida de forma mais abstrata é algo que aprimoramos e
desenvolvemos durante a adolescência. Desse modo, podemos
notar que essa passagem para a vida adulta não é simples, e sim
cercada por várias questões fundamentais para o sujeito. Oliveira,
Pinto e Souza (2003) lembram que o adolescente está em busca de
autonomia, encarando o futuro como uma incerteza. O presente é
sempre questionado, e o futuro, uma reflexão constante.
Algumas das situações marcantes dessa fase são o primeiro
emprego, o primeiro namorado, o primeiro salário etc. Todavia, as
rápidas mudanças sociais, as incertezas econômicas globais e os
avanços tecnológicos complicam as escolhas profissionais para os
jovens (Oliveira; Pinto; Souza, 2003).
Embora a adolescência seja retratada por uma visão estigmatizada
como uma “idade-problema”, trata-se de uma fase importante em
que todas as “pequenas conquistas” e as relações estabelecidas
ajudam na construção da identidade e na percepção do indivíduo
enquanto ser social.
Na perspectiva do materialismo histórico-dialético, o ser social é
intrinsecamente histórico e social (Tonet, 2005). Sua totalidade é
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constantemente moldada pelos atos humanos, resultando na
inexistência de uma ordem social que possa se autoproclamar
insuperável. O ser social se caracteriza essencialmente por
atividade, sociabilidade, consciência, liberdade e universalidade.
Importante ressaltar que, na perspectiva marxista, a noção de
essência não é metafísica, mas profundamente histórica, originando-
se nos próprios atos humanos.
A compreensão da adolescência como um período intrinsecamente
ligado à construção histórica do ser social destaca a importância de
reconhecer e valorizar cada aspecto desse processo. Por meio das
experiências, os adolescentes não apenas moldam suas identidades
individuais, mas também influenciam ativamente a dinâmica da
sociedade em que estão inseridos. Assim, a adolescência emerge
como parte fundamental na narrativa da construção do ser social,
tanto refletindo o desenvolvimento individual quanto contribuindo
para a contínua evolução e transformação da sociedade como um
todo.
Siga em Frente...
Busca de sentido de vida e aceitação do
grupo
Quando ingressamos na adolescência, deparamo-nos com
questionamentos acerca das inúmeras mudanças que ocorrem
nessa etapa. Não mais crianças, como costumávamos ser, mas
ainda não adultos como nossos pais; surge uma necessidade
premente de aceitação, tanto de nós mesmos quanto do grupo ao
qual aspiramos pertencer. A adolescência destaca-se como um
período crucial para o desenvolvimento, e a interação social é um
elemento fundamental nesse processo.
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A busca de aceitação e a formação de grupos tornam-se
especialmente evidentes nessa fase, sob a influência de diversos
fatores (Pereira et al., 2000). Muitos adolescentes encontram nos
grupos um espaço propício para a identificação com seus pares,
permitindo a discussão de problemas, angústias e sentimentos
compartilhados, sem a presença ou o controle direto de adultos.
Sendo a escola como um ambiente propício para a formação de
grupos, observa-se que essa instituição congrega diversas culturas,
sujeitos e perspectivas. A divisão em turmas, por exemplo, configura
uma forma inicial de agrupamento, mas as dinâmicas estabelecidas
pelos sujeitos em cada turma variam, influenciadas por
representações sociais, identidade social, afinidades, entre outros
fatores, conforme aponta Salles (1995).
Ainda segundo essa autora, trata-se de afirmações que os sujeitos
fazem de sua realidade e suas relações com os outros. Esse
processo, essencial para atribuir sentido e significado à realidade, é
alimentado pela interação com pares e outros contextos sociais,
contribuindo para a construção da identidade individual e,
consequentemente, para uma identidade cultural mais ampla.
Nesse contexto, ganha destaque o papel das chamadas tribos
urbanas, coletivos que se formam principalmente em ambientes
urbanos, compartilhando hábitos, valores culturais, estilos musicais
e ideologias políticas. Exemplos como surfistas, hippies, emos e
veganos ilustram a diversidade desses grupos. Oliveira, Camilo e
Assunção (2003) observam, em seu estudo sobre adolescentes
brasilienses, que o significado do grupo parece evoluir ao longo da
adolescência e da juventude, desempenhando um papel central
como fonte de referências identitárias durante a puberdade e
diminuindo à medida que a adolescência avança para sua fase final.
Nesse período, urge a busca de sentido da vida, pergunta complexa
que muitas vezes acompanha os sujeitos ao longo de toda sua
trajetória. Para Grondin (2012), a partir de reflexões filosóficas,
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pensar no que é a vida passa por pensar o sentido direcional de
nossa vida; questiona-se, em segundo lugar, se essa direção possui
um significado, se há algo que a atrai, algo que a impulsiona; em
terceiro lugar, o sentido refere-se à nossa capacidade de perceber
esse significado, nossa habilidade de sentir as coisas, de abrir
nossos sentidospara o sentido; e, em quarto lugar, a filosofia em si
e o desenvolvimento das explicações.
A aceitação refere-se ao acolhimento, à concordância e à anuência
do sujeito com o grupo social e consigo mesmo. A necessidade de
pertencimento e de se encaixar em um grupo torna-se uma âncora
emocional. Ao buscarem aceitação, os adolescentes visam não
apenas validar suas próprias experiências, mas também encontrar
significado e conexão com os outros. Assim, a complexa interação
entre a formação da identidade individual, a busca de sentido da
vida e a integração em grupos sociais desempenha um papel crucial
no desenvolvimento emocional e social dos adolescentes, moldando
suas perspectivas e influenciando diretamente suas trajetórias
futuras.
 
Sexualidade e gênero
No cenário da adolescência e da juventude, a dimensão da
sexualidade e gênero não pode ser deixada de lado, dada sua
presença na realidade vivida por muitos desses sujeitos. O objetivo
dessa discussão é levantar uma reflexão científica, histórica e social
sobre gênero e sexualidade, visando compreender a complexidade
desses conceitos na construção social e individual dos
adolescentes. Para isso, faz-se necessário abordar alguns
conceitos.
O primeiro conceito a ser analisado é o de gênero, compreendido
como uma construção histórico-social relacionada a papéis e
expectativas culturalmente atribuídos aos sujeitos, ultrapassando a
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dimensão biológica para tornar-se uma construção social
influenciadora na formação das identidades de gênero. De acordo
com Amaral et al. (2017), o conceito de gênero está em constante
evolução, moldado pelas transformações socioculturais. No caso
dos adolescentes, suas concepções de gênero são expressas com
base nos contextos social e político, influenciadas por fatores como
herança familiar, bagagem religiosa e sociocultural, mídia e
interações sociais.
Outro conceito relevante é o de identidade de gênero, que se refere
à forma como o indivíduo se percebe e sente, sua identificação. Por
exemplo, se uma pessoa do sexo feminino se identifica com seu
gênero, feminino, ela é considerada cisgênero, pois a identidade de
gênero coincide com o sexo designado no nascimento. No entanto,
se ocorre o oposto, e a identidade de gênero não coincide com o
sexo designado no nascimento, a pessoa é considerada
transgênero, como travestis e transexuais.
A orientação sexual refere-se à atração, ao que a pessoa pode
sentir por outra. Quando falamos sobre o sexo biológico, referimo-
nos às características biológicas e anatômicas do corpo,
relacionadas com aspectos anatômicos e fisiológicos do aparelho
reprodutivo.
Por fim, mas não menos importante, a sexualidade como um
conceito mais amplo envolve vários aspectos da vida humana,
sensações corpóreas e subjetivas, bem como emoções. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) define a sexualidade como
um aspecto da vida humana que envolve fantasias, desejos, prazer,
crenças, valores, comportamentos etc. Esses conceitos estão
interligados com o desenvolvimento humano e as relações sociais, o
que destaca sua importância para a discussão da educação sexual.
A importância da educação sexual reside na transmissão de
conhecimentos fundamentais para uma vida sexual saudável. Para
além da anatomia e da fisiologia, ela fomenta a compreensão de
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aspectos emocionais, consentimento, diversidade sexual e
prevenção de doenças. Ao fornecer ferramentas práticas, a
educação sexual desafia estigmas e mitos, estabelecendo uma base
sólida para uma sexualidade informada e consciente ao longo da
vida.
Você pode se perguntar: qual é a importância de um professor ou
futuro professor compreender tais aspectos ou temáticas? Em
tempos de tanta informação, pluralidade de ideias, relativismo
cultural e discussões sobre o respeito à diversidade e aos direitos
humanos, é essencial que professores compreendam as temáticas
de gênero e sexualidade para promover ambientes escolares
inclusivos e respeitosos. Isso possibilita desenvolver repertórios
para auxiliar no combate ao preconceito e ao bullying escolar, bem
como no atendimento às demandas dos estudantes e na
contribuição para seu desenvolvimento integral enquanto ser social.
Além disso, essa conduta está alinhada com princípios éticos e
legais e propicia uma educação de qualidade, sensível à diversidade
e capaz de formar cidadãos conscientes e respeitosos.
Vamos Exercitar?
No caso da situação-problema apresentada no início desta aula,
alguns dos caminhos possíveis para a instituição escolar são
programas de orientação vocacional, workshops sobre habilidades
interpessoais e sessões de aconselhamento acadêmico e
profissional. Essas iniciativas podem fornecer aos alunos
informações relevantes a respeito de carreiras, opções educacionais
e desenvolvimento pessoal, auxiliando na tomada de decisões. Além
disso, espaços de diálogo abertos para discussões sobre
sexualidade, gênero e diversidade, por meio de palestras e debates,
e a inclusão desses temas de maneira transversal no currículo
podem promover a compreensão e a aceitação mútua.
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A abordagem pedagógica ideal seria centrada na educação para a
diversidade, incentivando a empatia, o respeito e a valorização das
diferenças. Introduzir temas de diversidade nas disciplinas,
promover atividades que destaquem a importância da inclusão e
combater qualquer forma de discriminação no ambiente escolar são
estratégias eficazes. A formação contínua dos professores em
questões relacionadas à adolescência, diversidade e inclusão
também é crucial para garantir um ambiente escolar seguro e
acolhedor.
Bons estudos!
Saiba Mais
Leia o artigo Formação de professores/as em gênero e sexualidade:
possibilidades e desafios, que discorre sobre a abordagem das
temáticas de gênero e sexualidade por parte de professores de
Ciências do Ensino Fundamental no Estado do Rio de Janeiro.
Conduzida por meio de abordagem qualitativa e entrevistas
semiestruturadas, a pesquisa revela a contribuição do curso para a
ampliação da visão dos docentes sobre as identidades sexuais e de
gênero, trazendo reflexões para se pensar na formação de
professores e nas experiências com essas temáticas no contexto
nacional.
Referências Bibliográficas
AMARAL, A. M. S. et al. Adolescência, gênero e sexualidade: uma
revisão integrativa. Revista Enfermagem Contemporânea, [S. l.], v.
6, n. 1, p. 62-67, 2017. Disponível em:
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GRONDIN, J. Hablar del sentido de la vida. Utopía y Praxis
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OLIVEIRA, M. C. S. L. de; PINTO, R. G.; SOUZA, A. da S.
Perspectivas de futuro entre adolescentes: universidade, trabalho e
relacionamentos na transição para a vida adulta. Temas em
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http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-73142004000200008
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-73142004000200008
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2003000100007
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2003000100007
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2003000100003
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https://repositorio.ispa.pt/handle/10400.12/1268. Acesso em: 21 mar.
2024.
SALLES, L. M. F. A representação social do adolescente e da
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2024.
SOARES, Z. P.; MONTEIRO, S. S. Formação de professores/as em
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Revista, Curitiba, v. 35, n. 73, p. 287-305, 2019. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/er/a/KMSmJfk43rKWcRNHWHfWsfC/abstract/
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TONET, I. Cidadania ou emancipação humana. Revista Espaço
Acadêmico, Maringá, n. 44, p. 1-10, 2005. Disponível em:
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WORLD HEALTH ORGANIZATION – WHO. Sexual health:
definitions sexuality. Disponível em: https://www.who.int/health-
topics/sexual-health#tab=tab_2. Acesso em: 30 nov. 2023.
Aula 2
DILEMAS DA
ADOLESCÊNCIA
Dilemas da adolescência
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https://publicacoes.fcc.org.br/cp/article/view/835
https://www.scielo.br/j/er/a/KMSmJfk43rKWcRNHWHfWsfC/abstract/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/er/a/KMSmJfk43rKWcRNHWHfWsfC/abstract/?lang=pt
https://ivotonet.xp3.biz/arquivos/CIDADANIA_OU_EMANCIPACAO_HUMANA.pdf
https://ivotonet.xp3.biz/arquivos/CIDADANIA_OU_EMANCIPACAO_HUMANA.pdf
https://www.who.int/health-topics/sexual-health#tab=tab_2
https://www.who.int/health-topics/sexual-health#tab=tab_2
Olá, estudante!
Continuamos nossas reflexões explorando os dilemas da
adolescência, entendendo-os como situações desafiadoras que
colocam o sujeito diante de escolhas difíceis e complexas. Nessa
fase da vida, diversos dilemas surgem em decorrência das
mudanças e do contexto social em que os adolescentes estão
inseridos. Dentre esses desafios, destacamos a violência escolar e a
gravidez precoce. 
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Bons estudos!
Ponto de Partida
Considerar os aspectos sociais, biológicos e psicológicos pelos
quais os adolescentes passam é crucial para entendermos situações
desafiadoras que esses sujeitos enfrentam. Para ilustrar essa ideia,
imagine a seguinte situação: em uma escola de Ensino Médio,
observa-se um aumento nas situações de violência entre os
adolescentes, além de um crescente número de casos de gravidez
precoce. Os estudantes enfrentam dilemas complexos que
impactam seu desenvolvimento e bem-estar.
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Diante dessa realidade, como a instituição escolar pode abordar
efetivamente essas questões, promovendo um ambiente seguro e
saudável para os adolescentes? Quais estratégias preventivas a
escola pode adotar para combater a violência entre os adolescentes
e favorecer relações interpessoais saudáveis? Como implementar
programas de conscientização e educação sexual que contribuam
para a redução dos casos de gravidez precoce, garantindo
informação adequada e apoio emocional aos estudantes?
A partir dessas indagações, vamos desenvolver os tópicos desta
aula.
Bons estudos!
Vamos Começar!
Gravidez precoce e seus impactos na vida
dos adolescentes
O início da puberdade representa o despertar do corpo infantil para
o processo de reprodução sexual. Além da preparação biológica, os
adolescentes enfrentam desafios relacionados às questões de
sexualidade, como relacionamentos e gravidez precoce. Yazlle
(2006) destaca que, em alguns países, a gravidez na adolescência é
um tema de saúde pública, associado a complicações obstétricas e
desafios psicossociais e econômicos. No que se refere aos estudos
e à escola, muitas jovens abandonam os estudos em virtude da
gravidez precoce, configurando a evasão escolar.
A gravidez na adolescência pode ser decorrente de diferentes
fatores: desde falta de informações sobre métodos preventivos até
aspectos psicológicos como baixa autoestima, dificuldades
escolares e abusos. O artigo 8ºA do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) institui a Semana Nacional de Prevenção da
Gravidez na Adolescência, a fim de disseminar informações e
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contribuir para a redução desses casos. Dados de 2019 da Pesquisa
Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) (Brasil, 2021) revelam a
precocidade das experiências sexuais, indicando a urgência de
abordagens preventivas, principalmente no contexto brasileiro.
O Brasil enfrenta desafios significativos nessa área, destacando-se
como um dos países da América Latina com alta prevalência de
gravidez na adolescência, especialmente nas regiões Norte e
Nordeste. Investimentos em iniciativas preventivas e suporte a
políticas públicas são essenciais. A escola, por meio da educação
sexual, desempenha papel crucial, ampliando o conhecimento dos
alunos de maneira formal e sistematizada.
Ao estudarmos o desenvolvimento dos adolescentes, percebemos oimpacto da desigualdade social na vida, na saúde e nas
perspectivas futuras. A permanência na escola torna-se desafiadora
devido às condições socioeconômicas desfavoráveis, destacando a
necessidade de abordagens integrais e comprometidas entre toda a
sociedade para enfrentar essas complexas questões.
 
Impactos da desigualdade social brasileira e
permanência de jovens e adolescentes na
escola
A desigualdade social é um desafio persistente que afeta diversas
camadas da sociedade, e a juventude brasileira não está imune a
essa realidade. Apesar da riqueza cultural e dos recursos naturais
do Brasil, enfrentamos disparidades socioeconômicas que impactam
diretamente a qualidade de vida e as perspectivas dos jovens em
diferentes regiões do país. No cenário brasileiro, a desigualdade
social entre os jovens manifesta-se de diversas formas. A falta de
acesso à educação de qualidade, a oportunidades de emprego e a
serviços básicos são apenas alguns dos fatores que contribuem
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para a marginalização de uma parcela significativa da juventude.
Além disso, a distribuição desigual de recursos e a concentração de
riqueza em determinadas regiões perpetuam a exclusão social.
A juventude, muitas vezes, é confrontada com obstáculos adicionais,
como a discriminação de gênero e raça e a falta de
representatividade em espaços políticos e de decisão. Combinados,
esses fatores geram um ciclo de desigualdade que leva ao aumento
da pobreza e limita o pleno desenvolvimento do potencial humano.
Diante desse cenário desafiador, é imperativo implementar políticas
públicas eficazes para combater a desigualdade social que afeta a
juventude brasileira. Investir em educação de qualidade, criar
oportunidades de emprego, promover a equidade de gênero e raça,
além de garantir o acesso a serviços básicos, são passos
fundamentais para construir uma sociedade mais justa e inclusiva.
Somente por meio do enfrentamento direto das causas estruturais
da desigualdade será possível proporcionar um futuro mais
promissor e igualitário para a juventude do Brasil.
A desigualdade social consiste na disparidade econômica entre
grupos específicos de indivíduos em uma sociedade. Torna-se uma
preocupação para uma região ou um país quando as discrepâncias
de renda são significativamente amplas, resultando em fortes
divergências. Em regiões afetadas pela desigualdade social, o
acesso à educação de qualidade muitas vezes é um privilégio de
poucos. Escolas em áreas economicamente desfavorecidas
enfrentam desafios como falta de infraestrutura, poucos professores
qualificados e recursos educacionais limitados. Essas condições
desiguais contribuem para um ambiente de aprendizado precário,
desmotivando os jovens e aumentando as taxas de evasão.
Jovens provenientes de famílias economicamente desfavorecidas se
veem diante de obstáculos adicionais. A pressão para contribuir
financeiramente para o sustento da família muitas vezes leva os
jovens a abandonarem os estudos em busca de empregos precários
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e mal-remunerados. A falta de perspectivas de ascensão social por
meio da educação também desencoraja muitos desses jovens,
perpetuando esse ciclo de desigualdade.
A desigualdade social pode criar um ambiente psicossocial
desafiador para os jovens, impactando negativamente a autoestima
e o senso de pertencimento. A falta de oportunidades igualitárias
tende a gerar desesperança e desmotivação e, em última instância,
contribuir para a decisão de abandonar os estudos.
Conforme Ferreira (2014), diferentes fatores provocam a evasão
escolar, dentre os quais destacam-se: problemas com a escola
(metodologia, infraestrutura, relação com professores), falta de
motivação por parte do estudante, problemas de saúde, violência,
gravidez na adolescência, ausência dos pais ou responsáveis no
acompanhamento do desenvolvimento do adolescente, inserção no
mercado de trabalho e desigualdades sociais. Desse modo, a
evasão não é um problema isolado de responsabilidade de um único
setor.
Escola, família, comunidade, sociedade e Poder Público
compartilham a responsabilidade pela formação educacional dos
jovens e adolescentes. A evasão escolar nega essa formação, e o
princípio constitucional da prioridade absoluta na educação só será
efetivo quando a questão da evasão for abordada de maneira
coordenada, visando à sua redução gradual e à atuação consciente
perante as desigualdades sociais. 
Siga em Frente...
Bullying e cyberbullying
Os fenômenos bullying e cyberbullying emergem como
preocupações crescentes na sociedade contemporânea,
especialmente entre adolescentes e jovens. Essas formas de
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agressão, seja no ambiente escolar ou virtual, deixam cicatrizes
emocionais profundas, influenciando significativamente o bem-estar
psicológico e o desenvolvimento saudável dos jovens.
De acordo com Zych, Ortega-Ruiz e Del Rey (2015), o bullying é um
fenômeno psicossocial complexo presente em escolas de todo o
mundo. Consiste na agressão intencional e repetitiva de alunos
contra colegas psicológica ou fisicamente mais fracos. Essa
agressão persiste ao longo do tempo sob a lei do silêncio e o
esquema de dominação-submissão, com estudantes assumindo
papéis de agressores, vítimas ou vítimas de agressores, enquanto
um grupo de espectadores favorece o desenvolvimento e a
persistência desse fenômeno. Já o cyberbullying envolve
principalmente o envio de mensagens hostis, agressivas e em geral
repetidas, por meios eletrônicos, com a intenção de prejudicar outra
pessoa; os perpetradores podem ou não ser anônimos.
No contexto escolar, o bullying manifesta-se por meio de
comportamentos agressivos e repetitivos, incluindo intimidação,
humilhação e exclusão social. O impacto psicológico dessas ações
pode ser devastador para os adolescentes, afetando a autoestima, a
confiança e até mesmo o desempenho acadêmico. Com o avanço
da tecnologia, o cyberbullying adiciona uma dimensão virtual às
formas tradicionais de agressão. A disseminação rápida de
mensagens ofensivas, ameaças e difamações nas plataformas
online pode levar a um isolamento digital, amplificando os danos
emocionais e sociais entre os jovens. A perpetuação constante
dessas agressões cria um ambiente tóxico, do qual muitas vezes é
difícil escapar.
Silva (2018) explica que o bullying se manifesta de diferentes
formas: direta, indireta e psicológica. As agressões diretas envolvem
atos físicos, como chutes, murros e roubo de pertences, incluindo
dinheiro. Já as agressões indiretas são de natureza verbal, como
apelidos pejorativos e brincadeiras maldosas, resultando na
exclusão social das vítimas de atividades grupais. Por sua vez, a
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agressão psicológica combina as formas anteriores, causando
sofrimento adicional por meio de ridicularizações, intimidações e
medo.
No contexto escolar, esse tipo de violência pode ter sérias
consequências para os adolescentes, incluindo problemas de saúde
mental, como ansiedade, depressão, impactos negativos na
autoestima e na autoconfiança, dificuldades acadêmicas, isolamento
social, comportamentos autodestrutivos, potencial agressividade
futura, estresse, problemas nas relações familiares, limitação no
desenvolvimento de habilidades sociais e criação de um ciclo
vicioso, no qual vítimas podem tornar-se agressoras. Todas as
formas de agressão deixam marcas duradouras na saúde mental
dos adolescentes.
Então, é essencial o trabalho preventivo e de diálogo para favorecer
espaços mais saudáveis de convivência e pensarcoletivamente em
maneiras de autorregular as emoções e lidar com essas questões
nas escolas. No processo de combate e prevenção a essas formas
de violência, o relacionamento entre professor e alunos é de
extrema importância; por meio desse relacionamento, o bullying
pode ser identificado. Todavia, é preciso estar consciente de que
práticas de violência não são apenas “brincadeiras”. Principalmente
a família e os profissionais de ensino devem estar atentos a
qualquer sinal de ação agressiva, seja ela verbal, física ou
psicológica. Veja a Figura 1.
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Figura 1 | Exemplo de bullying. Fonte: adaptada da autora.
Nesse exemplo, podemos observar que uma das pessoas utiliza
uma linguagem agressiva para insultar a aparência e a preferência
da outra, o que é claramente uma forma de violência verbal e
ofensa. Deve-se combater e condenar esse tipo de comportamento,
promovendo um ambiente onde o respeito e a empatia prevaleçam.
A adolescência é uma fase marcada por intensas transformações
físicas, emocionais e sociais, o que frequentemente resulta em
dilemas e desafios para os jovens. Nesse contexto, o papel do
professor e da escola é essencial para a orientação e o apoio aos
adolescentes. Em primeiro lugar, os educadores desempenham um
papel fundamental ao reconhecer e compreender as complexidades
emocionais enfrentadas pelos adolescentes. Ao fomentarem um
espaço de confiança, os professores podem se tornar mentores,
ajudando-os a entenderem pressões sociais, questões de identidade
e desafios acadêmicos inerentes a essa fase de transição.
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Além disso, a escola desempenha um papel importantíssimo ao
implementar programas e práticas que promovam o
desenvolvimento emocional e social dos adolescentes. Iniciativas
que abordem habilidades socioemocionais e estimulem a empatia e
a compreensão mútua contribuem significativamente para o bem-
estar geral dos estudantes. Os dilemas enfrentados durante a
adolescência muitas vezes se entrelaçam com questões
educacionais, e a escola, ao reconhecer essas interconexões, pode
adotar abordagens globais para apoiar os alunos não apenas no
desenvolvimento acadêmico, mas também na construção de uma
base sólida para o crescimento pessoal e social.
Vamos Exercitar?
No caso da situação-problema apresentada no início desta aula,
para enfrentar o aumento das situações de violência e dos casos de
gravidez precoce entre os adolescentes em uma escola de Ensino
Médio, é fundamental adotar abordagens abrangentes e integradas.
Primeiramente, a instituição pode implementar programas
educacionais que visem estimular valores de respeito, empatia e
comunicação eficaz, fortalecendo as relações interpessoais e
contribuindo para a construção de um ambiente seguro. Isso pode
incluir a realização de workshops, palestras e atividades que
abordem temas como resolução de conflitos, prevenção de bullying
e promoção de comportamentos saudáveis.
Além disso, é crucial estabelecer programas de conscientização e
educação sexual que ofereçam informações precisas e abrangentes
sobre saúde sexual e reprodutiva. Esses programas devem discutir
questões não apenas biológicas, mas também emocionais, éticas e
responsáveis relacionadas à sexualidade. Oferecer um espaço
aberto com profissionais qualificados e respeitosos pode ser
essencial para garantir que os estudantes tenham informação e
apoio emocional.
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A escola também pode implementar serviços de aconselhamento e
suporte psicológico, proporcionando aos alunos um ambiente onde
se sintam à vontade para compartilhar preocupações e dilemas.
Ainda, a criação de redes de apoio entre estudantes, professores e
profissionais de saúde fortalece a comunidade escolar e contribui
para a prevenção de comportamentos de risco.
Em última análise, essas questões requerem uma abordagem global
que combine educação, suporte emocional e promoção de uma
cultura de respeito e responsabilidade. Ao investir nessas
estratégias, a escola desempenha um papel significativo na
promoção do bem-estar dos adolescentes e na criação de um
ambiente escolar saudável e seguro.
Bons estudos!
Saiba Mais
Leia o texto informativo sobre a Semana Nacional de Prevenção da
Gravidez na Adolescência, disponibilizado na Biblioteca Virtual em
Saúde, do Ministério da Saúde. O texto aborda o que é a gravidez
na adolescência, os impactos para a saúde da mãe e a dos filhos,
os fatores de risco e os aspectos legais presentes no ECA. Trata-se
de uma leitura objetiva e esclarecedora sobre essa temática. 
Referências Bibliográficas
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Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências.
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm.
Acesso em: 22 mar. 2024. 
BRASIL. Ministério da Saúde. 01 a 08/02 – Semana nacional de
prevenção da gravidez na adolescência. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/01-a-08-02-semana-nacional-de-
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2015. Disponível em:
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00774?via%3Dihub. Acesso em: 22 mar. 2024.
Aula 3
VIOLÊNCIA E JUVENTUDE
Violência e juventude
Olá, estudante!
Nesta videoaula, abordaremos um aspecto social que infelizmente
afeta muitos jovens, acarretando desafios e dilemas. Além de
bullying e cyberbullying, existem diversas formas de violência às
quais os jovens e adolescentes podem ser submetidos. Nosso
objetivo é aprofundar a discussão, apresentando novas perspectivas
para o combate à violência e ao preconceito e destacando o papel
transformador da educação nesse cenário.
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Bons estudos!
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https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1359178915000774?via%3Dihub
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https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/ADOLESCENCIA_E_JUVENTUDE_NO_SECULO_XXI/PPT/u2a3_ado_juv_sec_xxi.pdf
Ponto de Partida
Você já refletiu sobre a definição de “violência”? Será que esse
conceito abrange apenas agressões físicas e intensas?
Primeiramente, é fundamental esclarecer que a violência se
manifesta nas interações sociais. Para entendermos um pouco mais
desse tema, vamos imaginar a seguinte situação: em uma escola de
Ensino Médio, observa-se um aumento preocupante no
envolvimento de adolescentes com violência e uso de drogas na
comunidade. Grupos de estudantes estão participando de
confrontos físicos e verbais, enquanto casos de consumo de
substâncias ilícitas vêm sendo relatados. Essa realidade impacta
negativamente o ambiente escolar, prejudicando o bem-estar dos
alunos e comprometendo a qualidade do ensino.
Quais fatores podem estar contribuindo para o aumento da violência
e do uso de drogas entre os adolescentes no contexto escolar? De
que maneira a comunidade escolar, incluindo professores, pais e
funcionários, pode colaborar para reverter essa situação e promover
um ambiente mais seguro e saudável?
Bons estudos!
Vamos Começar!
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Violência contra jovens e adolescentes
A violência é um fenômeno complexo, por isso exige uma análise
abrangente que evite reducionismos e senso comum. Ao lidar, por
exemplo, com uma família que utiliza a violência física na educação
dos filhos, é necessário superar o simples estigma do pai ou da mãe
que bate no filho e buscar uma compreensão mais profunda.
A violência é uma expressão de força, poder ou agressão
manifestada de maneira física, verbal, psicológica, institucional ou
estrutural. Essa manifestação de violência pode ocorrer em
diferentes contextos, envolvendo relações interpessoais, sociais e
até mesmo estruturas sistêmicas. Além das agressões evidentes, a
violência pode existir de modo sutil, perpetuando desigualdades,
prejudicando o bem-estar emocional e comprometendo a dignidade
humana. Segundo Pinheiro e Adorno (1993), na ausência de
proteção social adolescentes e jovens são submetidos a restrição e
constrangimentos de toda ordem, que comprometem o direito à vida
e o acesso aos bens culturais, desumanizando-os e instituindo a
violência como única forma possível de comunicar-se.
A Constituição Federal de 1988, no artigo 3, dos princípios
fundamentais, estabelece que a República Federativa do Brasil
busca “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais” e “promover o bem de todos, sem
preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras
formas de discriminação” (Brasil, 1988).
Desse modo, a dignidade da pessoa humana é um aspecto
essencial para todos os cidadãos. O Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), em seu artigo 5º, enfatiza que “Nenhuma
criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e
opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou
omissão, aos seus direitos fundamentais” (Brasil, 1990).
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Todavia, para que de fato esses direitos se efetivem, é necessário
um esforço colaborativo entre toda a sociedade e os governos, a fim
de superar as desigualdades sociais e educacionais que
historicamente marcam a organização educacional e política do
país. Podemos inferir que a violência contra adolescentes e jovens
no Brasil está intrinsecamente ligada à persistente desigualdade
social.
Em muitas regiões brasileiras, a falta de investimento em educação
de qualidade contribui para um ciclo de desigualdade, limitando as
perspectivas de jovens em comunidades economicamente
desfavorecidas. A escassez de oportunidades de emprego digno
nesses contextos muitas vezes leva os jovens a enfrentarem
cenários precários, aumentando sua vulnerabilidade à violência.
Além disso, a distribuição desigual de recursos e a concentração de
riqueza em determinadas áreas perpetuam a exclusão social,
impactando diretamente a segurança e o bem-estar dos
adolescentes. A falta de infraestrutura e serviços públicos nessas
comunidades cria um ambiente propício para o surgimento de
situações violentas, que afetam especialmente os mais jovens.
Segundo dados do Atlas 2023: violência contra a juventude, em
2021 quase metade dos jovens entre 15 e 29 anos faleceram no
Brasil: a cada 100, 49 foram vítimas de violência letal, privados da
oportunidade de completar sua educação, trilhar uma carreira
profissional, estabelecer uma família própria ou serem reconhecidos
por suas realizações. O descaso em relação à juventude está
prejudicando o futuro da nação. Em 2021, em média 66 jovens
foram assassinados por dia no Brasil.
O Atlas ainda inclui considerações sobre a questão da violência na
escola, apresentando que 62,9% dos alunos do Ensino Fundamental
e 74% do Ensino Médio se sentiam tristes ou negligenciados. Além
disso, saltou de 5,4%, em 2009, para 11,4%, em 2019, a proporção
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de estudantes do Ensino Fundamental que deixaram de ir à escola
por causa da sensação de insegurança (Ipea, 2023).
A discriminação de gênero e racial também desempenha um papel
significativo na violência contra adolescentes, agravando a
desigualdade social. Jovens pertencentes a grupos historicamente
marginalizados enfrentam barreiras adicionais, desde a
discriminação no acesso à educação e ao emprego até a exposição
a situações de violência com maior frequência.
Portanto, a violência contra adolescentes no Brasil requer não
apenas medidas de segurança,mas também uma abordagem
sistêmica que enfrente as raízes da desigualdade social. Investir em
educação, oportunidades de emprego e serviços públicos e
promover a equidade de gênero e racial são passos essenciais para
construir uma sociedade mais justa, onde os jovens possam
prosperar sem serem vítimas da desigualdade estrutural.
Siga em Frente...
Uso de drogas
Lícitas ou ilícitas, as drogas são associadas aos comportamentos de
risco durante a adolescência, desencadeando uma série de
problemas que podem acompanhar os indivíduos por um longo
período. Conforme Schenker e Minayo (2005), na área da saúde, o
termo “risco” corresponde ao conhecimento e à experiência
acumulada acerca da ameaça à saúde individual ou coletiva por
doenças e agravos. Como um conceito central na epidemiologia,
refere-se a situações reais ou potenciais que resultam em efeitos
adversos, representando alguma forma de exposição. Derivados de
análises coletivas, os alertas epidemiológicos fornecem à população
informações cruciais para cuidados e prevenção. A expressão
amplamente reconhecida como "fatores de risco" designa condições
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ou variáveis associadas à probabilidade de ocorrência de resultados
prejudiciais para a saúde, o bem-estar e o desempenho social.
As autoras ainda ressaltam que o desejo juvenil por prazer por meio
do uso de drogas apresenta, como lado negativo, o risco de
desenvolver dependência e comprometer a realização de tarefas
normais do cotidiano, os papéis sociais esperados, a aquisição de
habilidades essenciais e a preparação adequada para a transição
para a fase adulta. O termo “comportamento de risco” refere-se,
nesse contexto, às ameaças ao desenvolvimento bem-sucedido dos
adolescentes.
A educação para a saúde deve abordar, portanto, os riscos
associados aos comportamentos que os adolescentes apresentam,
sem ignorar o aspecto “prazeroso” desse envolvimento — que
muitas vezes leva os adolescentes a se viciarem —, mas
destacando os diversos malefícios a curto e longo prazo.
No Brasil, uma iniciativa educacional diretamente ligada a essa
temática é o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à
Violência (Proerd). Originado nos Estados Unidos em 1983 e
implementado em mais de 58 países, o Proerd tem como alvo
estudantes do quinto ano do Ensino Fundamental, tanto na rede
pública quanto na particular, seguindo o lema “Manter nossas
crianças longe das drogas”.
O programa, ministrado por policiais militares voluntários
capacitados pedagogicamente, tem a duração de quatro meses e
trabalha em parceria com pais, professores, estudantes e
comunidades, enfocando a prevenção do uso de drogas. Suas aulas
orientam os estudantes sobre como evitar más companhias, resistir
à violência, lidar com pressões diretas ou indiretas, bem como
acionar os pais ou responsáveis quando necessário.
A prevenção não se limita a fornecer informações sobre os riscos do
uso de drogas; também engloba a criação de ambientes saudáveis e
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de apoio, onde os adolescentes sintam-se seguros para expressar
suas preocupações e encontrar alternativas construtivas para lidar
com desafios. A escola desempenha um papel fundamental ao
fornecer educação abrangente e programas que fortaleçam as
habilidades de resistência dos jovens, promovendo a autoestima e o
desenvolvimento emocional.
Prevenir o uso de drogas na adolescência é uma responsabilidade
compartilhada que exige esforços coordenados. Investir na
orientação dos jovens, capacitando-os a fazerem escolhas
informadas e saudáveis, não apenas resguarda seu futuro, mas
também contribui para a construção de uma sociedade mais
resiliente e comprometida com o bem-estar coletivo.
 
Papel da escola, da comunidade e da família
na prevenção da violência
É importante destacar o papel das famílias e escolas nesse
contexto. Além de oferecer informações claras e abrangentes sobre
os riscos associados ao consumo de substâncias, a escola deve
promover um ambiente seguro e acolhedor. Programas
educacionais que abordem as consequências físicas, psicológicas e
sociais do uso de drogas, juntamente com estratégias para resistir à
pressão dos colegas, são essenciais. Ainda, a escola pode
incentivar atividades extracurriculares que promovam o senso de
pertencimento, a autoestima e as habilidades de enfrentamento.
A família, por sua vez, deve ser a base principal para a formação de
valores e comportamentos. O diálogo aberto sobre o tema,
proporcionando um ambiente onde os adolescentes sintam-se
confortáveis para expressar suas preocupações e dúvidas, é crucial.
Estabelecer limites claros e firmes, mas com compreensão, é uma
maneira de orientar os jovens na tomada de decisões saudáveis. A
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presença e o envolvimento dos pais na vida dos filhos,
demonstrando apoio emocional e interesse genuíno, fortalecem os
vínculos familiares e contribuem para a prevenção do uso de
drogas.
Portanto, a parceria entre escola e família, por meio de uma
abordagem integrada e contínua, é fundamental para criar um
ambiente de prevenção eficaz, oferecendo suporte e orientação aos
adolescentes e jovens, de modo que eles possam se afastar dos
riscos associados ao uso de drogas.
Além disso, a comunidade desempenha um papel crucial como um
ambiente de apoio, promovendo programas de conscientização,
espaços seguros e parcerias com organizações locais. A
colaboração entre esses três pilares cria uma rede abrangente de
suporte, contribuindo para um ambiente propício ao
desenvolvimento saudável dos jovens e prevenindo o envolvimento
com substâncias ilícitas.
Vamos Exercitar?
Considerando o que estudamos até aqui e as indagações propostas
na situação-problema do início da aula, algumas das soluções
possíveis para prevenir o uso de drogas são programas voltados
aos estudantes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, além de
conversas, palestras e discussões envolvendo resolução de conflitos
e atividades extracurriculares que incentivem habilidades sociais e
emocionais. A criação de espaços para diálogo aberto entre
estudantes, professores e pais, buscando identificar precocemente
sinais de comportamento violento ou uso de substâncias,
proporciona um suporte mais efetivo para abordar essas questões
de maneira proativa.
Bons estudos!
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Saiba Mais
Para saber mais sobre o assunto leia os capítulos 22 (Qual o papel
da escola na prevenção das drogas) e 25 (Como a escola pode se
preparar para desenvolver a prevenção às drogas?), do livro Álcool
e drogas na adolescência: um guia para pais e professores,
disponível na Biblioteca Virtual.
Referências Bibliográficas
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm.
Acesso em: 22 mar. 2024.
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o
Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências.
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm.
Acesso em: 22 mar. 2024. 
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA – IPEA. Atlas
2023: violência contra juventude. 2023. Disponível em:
https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/6096-
dashjuventude-perdidafinalconferido.pdf. Acesso em: 5 fev. 2024.
PAZINATTO, Cesar. Álcool e drogas na adolescência: um guia
para pais e professores. 1. ed. São Paulo: Contexto, 2019. E-book.
Disponível em:
https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/22527. Acesso
em: 24 abr. 2024.
PINHEIRO, P. S.; ADORNO,S. Violência contra crianças e
adolescentes, violência social e estado de direito. São Paulo em
Perspectiva, São Paulo, v. 7, n. 1, p. 106-117, 1993. Disponível em:
https://biblio.fflch.usp.br/Adorno_S_1789266_ViolenciaContraCrianc
asEAdolescentes.pdf. Acesso em: 22 mar. 2024.
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https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/22527
https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/22527
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm
https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/6096-dashjuventude-perdidafinalconferido.pdf
https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/6096-dashjuventude-perdidafinalconferido.pdf
https://biblio.fflch.usp.br/Adorno_S_1789266_ViolenciaContraCriancasEAdolescentes.pdf
https://biblio.fflch.usp.br/Adorno_S_1789266_ViolenciaContraCriancasEAdolescentes.pdf
SCHENKER, M.; MINAYO, M. C. de S. Fatores de risco e de
proteção para o uso de drogas na adolescência. Ciência & Saúde
Coletiva, Rio de Janeiro, v. 10, n. 3, p. 707-717, 2005. Disponível
em:
https://www.scielo.br/j/csc/a/gkX7PLctLG7ZB7w6VRzVznp/abstract/
?lang=pt. Acesso em: 22 mar. 2024.
Aula 4
ADOLESCENTES E ATOS
INFRACIONAIS
Adolescentes e atos infracionais
Olá, estudante!
Nesta videoaula, abordaremos as práticas socioeducativas voltadas
para jovens e adolescentes infratores, um tema crucial para discutir
o direito à educação para todos. Vamos explorar o papel dessas
práticas na reinserção social dos jovens no contexto brasileiro,
visando a uma melhor qualidade de vida. Vamos lá?
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Bons estudos!
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Ponto de Partida
A questão dos adolescentes envolvidos em atos infracionais é um
tema complexo e crucial nas políticas brasileiras. A abordagem
adotada para lidar com jovens que cometem infrações se reflete
diretamente nas perspectivas de reintegração social e prevenção da
reincidência. Nesse contexto, é fundamental compreendermos as
políticas e práticas implementadas no Brasil, para abordar essas
situações considerando não apenas a responsabilização, mas
também o papel essencial da ressocialização e do acesso à
educação na construção de um futuro mais promissor para esses
adolescentes. Pensando nesses princípios, para nosso
aprofundamento, imagine a seguinte situação: em uma comunidade
urbana, observa-se um aumento preocupante nos casos de atos
infracionais cometidos por adolescentes. Diversos jovens,
envolvidos em atividades ilícitas, têm enfrentado conflitos com a lei.
A ausência de medidas preventivas e a falta de perspectivas
educacionais contribuem para a perpetuação desse cenário.
Quais fatores sociais e econômicos podem estar contribuindo para o
aumento dos atos infracionais entre os adolescentes nessa
comunidade? Como as políticas de socioeducação poderiam ser
implementadas de modo eficaz para interromper o ciclo de atos
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infracionais e oferecer oportunidades de ressocialização aos jovens
envolvidos?
Bons estudos!
Vamos Começar!
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), promulgado em
1990, representa um marco significativo na legislação brasileira,
consolidando direitos fundamentais para crianças e adolescentes.
Sua criação reflete uma mudança de paradigma, afastando-se de
uma abordagem assistencialista para adotar uma perspectiva de
proteção integral. O artigo 4º do ECA aponta que
É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e
do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a
efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à
liberdade e à convivência familiar e comunitária. (Brasil, 1990)
A criação do Estatuto foi uma resposta às demandas por uma
legislação mais moderna e alinhada aos princípios da Constituição
de 1988. Antes de sua implementação, as crianças e os
adolescentes eram regidos, pelo Código de Menores, cuja primeira
publicação foi em 1927; posteriormente, no período da ditadura
militar, houve uma nova publicação do Código de Menores,
enfocando assistência, proteção e vigilância dos menores.
O Estatuto da Criança e do Adolescente consolida um conjunto de
direitos, delineando as responsabilidades do Estado, da sociedade e
da família na proteção e no desenvolvimento integral da juventude.
Dentre seus princípios, destaca-se a prioridade absoluta, garantindo
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que os interesses da criança e do adolescente estejam no centro
das políticas públicas e decisões judiciais. Bezerra (2004) afirma
que o ECA introduz uma inovação no âmbito da proteção integral de
crianças e adolescentes ao reconhecer a violência contra esses
sujeitos como um problema de saúde pública, estabelecendo o
direito à vida e à saúde. Além disso, a legislação determina a
obrigatoriedade de comunicar, à autoridade competente, ocorrências
de suspeita ou confirmação de maus-tratos.
Em termos de estrutura, o documento apresenta 267 artigos,
divididos em dois livros. O primeiro trata das questões gerais da lei e
dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes, enquanto o
segundo descreve as normas gerais do enfrentamento às situações
de violação ou ameaças ao direito de crianças e adolescentes.
O ECA estabelece medidas específicas para a responsabilização e a
socioeducação dos adolescentes (entre 12 e 18 anos) em conflito
com a lei, buscando alternativas à privação de liberdade sempre que
possível. Ao longo dos anos, tem sido uma ferramenta essencial na
construção de uma abordagem mais humanizada e eficaz para a
proteção dos direitos da infância e da adolescência no Brasil.
Em síntese, o ECA é uma conquista histórica que orienta a
promoção e a proteção dos direitos de crianças e adolescentes,
reafirmando o compromisso do país com a construção de uma
sociedade mais justa e inclusiva.
Siga em Frente...
Direitos e deveres de crianças e
adolescentes
Os direitos são normas e regras que garantem à pessoa liberdade,
justiça e proteção. Essas normas são estabelecidas pela sociedade
e pelo Estado para assegurar que cada indivíduo tenha sua
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dignidade respeitada, bem como para regular suas relações com os
outros membros da comunidade. Já os deveres consistem em
obrigações e responsabilidades que o sujeito tem em relação à
sociedade e aos demais membros. São ações ou comportamentos
que se espera que a pessoa cumpra para contribuir para o bem
comum e o funcionamento harmonioso da comunidade. Os deveres
muitas vezes estão interligados com os direitos, formando uma base
para a convivência social justa e equilibrada.
A Declaração Universal dos Direitos da Criança (1959), que
fundamenta a Constituição Federal Brasileira de 1988, ressalta
direitos importantes para as crianças, dentre os quais podemos
destacar: proteção integral para seu desenvolvimento físico, mental
e social; nome e nacionalidade; alimentação e saúde; educação
gratuita e amor. No que se refere aos deveres, os mesmos
documentos apontam: respeitaros pais e responsáveis; frequentar a
escola; respeitar o próximo e suas diferenças; manter limpos e
preservar os espaços públicos e respeitar a si mesmo.
Esses deveres não se restringem a crianças e adolescentes; na
verdade, engloba todos os cidadãos. Os compromissos que os
membros da sociedade devem cumprir, conforme estabelecido pela
Constituição Brasileira, são universais, independentemente de
idade, gênero, crença, raça ou religião. Além das responsabilidades
atribuídas às crianças, o ECA delineia as obrigações dos indivíduos
e do Estado, com o propósito de salvaguardar os direitos
fundamentais das crianças e dos adolescentes.
Em síntese, a compreensão e a prática efetiva dos direitos e
deveres destinados a crianças e adolescentes constituem alicerces
cruciais para uma sociedade justa e equitativa. Ao reconhecermos e
respeitarmos os direitos fundamentais desses indivíduos,
proporcionamos um ambiente mais saudável e pleno para seu
desenvolvimento. A reciprocidade entre direitos e deveres fomenta
não apenas a cidadania desde cedo, mas também a construção de
valores sólidos e éticos. A responsabilidade compartilhada entre a
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família, a sociedade e o Estado demonstra um comprometimento
coletivo em garantir um futuro promissor para as novas gerações.
Portanto, ao internalizarmos a importância desses princípios,
contribuímos para a formação de cidadãos conscientes, capazes de
participar ativamente na construção de uma sociedade mais justa,
inclusiva e respeitosa com os direitos e deveres de todos. A atenção
dedicada aos direitos e deveres de crianças e adolescentes é não
só uma obrigação legal, mas também um investimento valioso na
construção de um futuro mais humano e igualitário.
 
Atos infracionais e medidas socioeducativas
Segundo o artigo 103 do ECA, atos infracionais são crimes ou
contravenções penais praticados por crianças ou adolescentes.
Esses atos podem ser classificados como leves (por exemplo,
ameaça, calúnia e porte de entorpecentes para consumo próprio),
graves (por exemplo, tráfico e furto qualificado) e gravíssimos (por
exemplo, homicídio, sequestro, roubo e estupro). Para cada um dos
crimes, dependendo do grau, é aplicada uma medida
socioeducativa, que varia desde uma advertência até liberdade
assistida, semiliberdade ou internação em estabelecimento
educacional.
A internação é uma medida de restrição à liberdade que deve ser
executada em uma instituição exclusiva para adolescentes, em local
separado daquele designado para abrigos, seguindo uma estrita
segregação com base em critérios como idade, constituição física e
gravidade da infração. Durante o período de cumprimento da
medida, a participação em atividades pedagógicas é mandatória
(Governo de Goiás, 2019).
É importante destacarmos que as medidas que não envolvem
restrição de liberdade (liberdade assistida e prestação de serviços à
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comunidade) são implementadas no âmbito municipal, ao passo que
as medidas que envolvem restrição de liberdade (semiliberdade e
internação) são executadas pelo Estado. A regulamentação das
medidas socioeducativas é estabelecida pela Lei nº 12.594/2012,
que institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo
(Sinase).
Essas medidas desempenham uma função social fundamental
quando se trata de adolescentes em conflito com a lei. Visam
promover a reeducação e a reinserção social, prevenindo a
reincidência e contribuindo para a formação de cidadãos
conscientes.
Quando se fala em medidas socioeducativas em vez de se
falar em penas para os que cometeram ações consideradas
ilegais, está implícito que educar é possível, mesmo àqueles
que apresentam um comportamento divergente. E, ainda, que
o fato de cometer um ato infracional não significa que o
adolescente é um criminoso e está destinado à vida do crime.
Educar é sempre uma atitude de esperança. Se houvesse
mais confiança nas pessoas, menos medo e mais esperança
certamente haveria menos violência e menos sofrimento. Não
é, entretanto, evidente o que significa educar. Certamente a
educação exige uma definição prévia de desenvolvimento
humano e da realidade social. A educação é uma intervenção
consciente e intencional de um adulto a favor do
desenvolvimento de uma criança ou de um adolescente, ou
mesmo de um outro adulto. (Craidy, 2011, p. 12)
Ao garantirem os direitos dos adolescentes com abordagens
individualizadas e proporcionais, as medidas socioeducativas são
meios de construir a cidadania e a consciência social. Além disso,
integram atividades pedagógicas para não apenas corrigir
comportamentos, mas também promover a compreensão de direitos
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e deveres. Atendendo às determinações legais, essas medidas são
aplicadas a fim de transformar a trajetória dos jovens infratores,
fomentando a convivência pacífica e contribuindo para a prevenção
da criminalidade.
Vamos Exercitar?
Com base no que estudamos, podemos pensar em alguns caminhos
para solucionar os problemas descritos na situação-problema do
início da aula. A resolução para o aumento dos atos infracionais
entre adolescentes em uma comunidade urbana requer uma
abordagem integrada que leve em consideração fatores sociais e
econômicos e o reconhecimento dos elementos que contribuem
para esse cenário.
A disparidade econômica pode criar um ambiente propício para
a criminalidade, especialmente entre jovens que enfrentam a
falta de oportunidades e perspectivas educacionais.
A ausência de oportunidades educacionais adequadas pode
levar à desmotivação e ao envolvimento em atividades ilícitas.
A falta de empregos disponíveis para jovens pode causar
desesperança e resultar na busca de sustento por meios
ilegais.
A presença de grupos criminosos e a influência de pares
podem induzir os adolescentes a participarem de atividades
delituosas.
Após a identificação dos cenários, para interromper o ciclo de atos
infracionais, as políticas de socioeducação devem ser
implementadas de maneira eficaz.
Desenvolvimento e implementação de programas preventivos
que abordem as causas subjacentes, proporcionando
alternativas construtivas e oportunidades educacionais.
Adoção de abordagens individualizadas para cada adolescente,
considerando suas circunstâncias específicas, para melhor
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atender às suas necessidades e promover a ressocialização.
Estabelecimento de parcerias com organizações locais, escolas
e famílias para criar um ambiente de apoio e promover uma
rede de cuidado para os jovens.
Implementação de programas que desenvolvam habilidades
sociais, emocionais e profissionais para melhorar a
empregabilidade e a autoestima dos adolescentes.
Garantia de acesso a serviços de saúde mental para lidar com
questões emocionais e psicológicas que possam provocar o
comportamento infracional.
Uma abordagem integral, envolvendo tanto a prevenção quanto a
intervenção efetiva, pode contribuir para reverter o quadro e oferecer
oportunidades significativas de ressocialização para os adolescentes
envolvidos.
Bons estudos!
Saiba Mais
Acesse o portal Observatório da Criança e do Adolescente, da
Fundação Abrinq. Na parte Cenários da Infância, você encontrará
diferentes pesquisas, documentos e indicadores sobre saúde,
educação e proteção de crianças e adolescentes. Trata-se de um
espaço online que centraliza os principais indicadores sociais e
projetos de lei relacionados à infância e à adolescência no Brasil. O
propósito é simplificar o acesso a informações estatísticas e
legislativas, utilizando dados provenientesde fontes diversas para
analisar a qualidade de vida de crianças e adolescentes de zero a
18 anos. 
Referências Bibliográficas
BEZERRA, S. de C. Estatuto da criança e do adolescente: marco da
proteção integral. In: BRASIL. Ministério da Saúde. Violência faz
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https://observatoriocrianca.org.br/cenario-infancia
mal à saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2004. p. 17-22.
Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/violencia_faz_mal.pdf.
Acesso em: 22 mar. 2024.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm.
Acesso em: 22 mar. 2024.
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o
Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências.
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm.
Acesso em: 22 mar. 2024. 
CRAIDY, C. M. Medidas socioeducativas. Revista Digital
Multidisciplinar do Ministério Público-RS, v. 3, n. 3, p. 8-16, 2011.
Disponível em:
https://www.mprs.mp.br/media/areas/infancia/arquivos/revista_digital
/numero_03/revista_digital_ed_03_1.pdf. Acesso em: 22 mar. 2024.
FUNDAÇÃO ABRINQ. Observatório da Criança e do Adolescente.
Disponível em: https://observatoriocrianca.org.br/. Acesso em: 5 fev.
2024.
GOVERNO DE GOIÁS. Secretaria de Estado de Desenvolvimento
Social. Medidas socioeducativas. 7 ago. 2019. Disponível em:
https://goias.gov.br/social/medidas-socioeducativas/. Acesso em: 22
mar. 2024.
Encerramento da Unidade
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https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/violencia_faz_mal.pdf
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm
https://www.mprs.mp.br/media/areas/infancia/arquivos/revista_digital/numero_03/revista_digital_ed_03_1.pdf
https://www.mprs.mp.br/media/areas/infancia/arquivos/revista_digital/numero_03/revista_digital_ed_03_1.pdf
https://observatoriocrianca.org.br/
https://goias.gov.br/social/medidas-socioeducativas/
DILEMAS DA
ADOLESCÊNCIA
Dilemas da adolescência
Olá, estudante!
Chegamos à etapa final desta unidade. Com base nos conceitos
abordados até o momento, foi possível refletir sobre a importância
dos direitos e deveres, bem como das políticas e legislações no que
se refere a assegurar os direitos de crianças e adolescentes.
Compreender os direitos e deveres desses sujeitos é essencial para
práticas pedagógicas mais coerentes com as individualidades e a
diversidade na educação brasileira.
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Bons estudos!
Ponto de Chegada
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Embora não seja simples, pensar sobre adolescência e os múltiplos
aspectos que envolvem a constituição do ser social nessa etapa da
vida é uma tarefa extremamente necessária para práticas
educacionais mais coerentes e inclusivas quando se trata das
demandas do século XXI. Ao longo da adolescência e da juventude,
o sujeito experimenta uma série de mudanças em todas as esferas
da vida, as quais seguem como repertórios para a fase adulta.
Desse modo, analisar esses múltiplos aspectos que caracterizam a
transição da infância para a fase adulta, identificando os dilemas
emocionais e sociais que permeiam essa etapa do desenvolvimento
humano nos contextos atuais, é essencial para uma melhor relação
professor-aluno.
A busca de sentido da vida, propósito, amigos e aceitação social se
torna essencial e uma questão recorrente para muitos adolescentes
e jovens. Alves (2020) lembra que a adolescência é uma fase que
demanda atenção especial, pois é durante esse período que ocorre
a formação da identidade, a construção de conceitos e a possível
manifestação de pré-conceitos ou preconceitos. Nessa etapa, são
evidentes as transformações no corpo, como o surgimento dos pelos
pubianos, as alterações no tom da voz e a ocorrência de acne, entre
outras mudanças que impactam tanto o social quanto o emocional.
Também é o momento em que as questões de sexualidade e gênero
se tornam temas mais emergentes e impactantes. Muitas vezes,
esse caminho é confuso e pouco informativo, o que pode gerar
desafios relacionados à aceitação e compreensão, evidenciando a
importância de um diálogo inclusivo e educacional.
Além disso, a influência das redes sociais e da mídia na formação
de conceitos sobre beleza, padrões e papéis de gênero é notória na
vida dos adolescentes. A pressão para se enquadrar em
determinados padrões muitas vezes impacta negativamente a
autoestima e o bem-estar emocional dos jovens. Portanto, esse
cenário na sociedade contemporânea requer uma perspectiva atenta
e inclusiva.
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O estabelecimento de ambientes educativos que promovam a
compreensão, o respeito e a aceitação da diversidade contribui para
um desenvolvimento saudável e consciente dos adolescentes nesse
contexto dinâmico e em constante evolução.
Outro ponto de discussão importante sobre a adolescência e
juventude se refere aos dilemas que muitos deles enfrentam, como
gravidez precoce, violência e drogas. Embora algumas dessas
questões também estejam presentes na fase adulta, na
adolescência a intensidade e a forma como o sujeito lida com elas
podem ser muito mais desafiadoras.
Ao discutir com outros especialistas a temática do uso de drogas na
adolescência, Curvello (2023) ressalta que, em muitos casos,
crianças e adolescentes são expostos às drogas antes dos 14 anos
de idade. No cenário brasileiro, o álcool e o tabaco são as drogas
mais consumidas. Ao longo do tempo, esse aumento decorre de
vários fatores, como pressão social, curiosidade, baixa autoestima e
necessidade de aceitação.
O uso de drogas por adolescentes gera uma séria preocupação
devido aos inúmeros riscos associados, incluindo consequências
físicas, emocionais e sociais. A relação entre o consumo de
substâncias psicoativas e a violência é uma realidade que exige
uma abordagem multifacetada, envolvendo esforços coordenados
de escolas, famílias e governos.
Nesse cenário, a escola desempenha um papel crucial ao fornecer
informações educativas sobre os riscos associados ao consumo de
drogas, promover habilidades de resistência e criar um ambiente de
apoio. A integração da família nesse processo é igualmente vital. Um
ambiente familiar que estimule a comunicação aberta e o
entendimento das necessidades emocionais dos adolescentes
contribui significativamente para prevenir o uso de drogas.
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Por fim, o papel do governo é essencial na implementação de
políticas públicas eficazes, que incluam programas de prevenção
nas escolas, acesso a tratamento para dependentes químicos e
ações que visem reduzir o tráfico e a disponibilidade de drogas
ilícitas. Investir em iniciativas que abordem a questão de maneira
abrangente é fundamental para estruturar uma rede de proteção
sólida, promovendo a saúde e o bem-estar dos adolescentes e,
consequentemente, contribuindo para a redução da violência
associada ao uso de drogas. Esses aspectos se relacionam
diretamente com os princípios de proteção integral à criança e aos
direitos fundamentais previstos no Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA).
A relação entre violência, desigualdade e atos infracionais na
adolescência é mais um tema complexoque merece atenção,
especialmente considerando o impacto desses fatores no
desenvolvimento dos jovens. A desigualdade socioeconômica muitas
vezes cria um cenário propício para o surgimento de conflitos e o
envolvimento em atos infracionais.
Adolescentes que vivenciam situações de desigualdade social, falta
de acesso a oportunidades educacionais e econômicas, bem como
exposição à violência em suas comunidades, podem enfrentar
desafios significativos. A ausência de alternativas positivas pode
levar alguns jovens a buscarem soluções inadequadas, contribuindo
para a perpetuação do ciclo de violência e atos infracionais.
Nesse contexto, as medidas socioeducativas são aplicadas como
um esforço para compreender as causas dos comportamentos
infracionais e oferecer oportunidades de reeducação e
ressocialização. Proporcionar aos adolescentes acesso a atividades
educativas, apoio psicossocial e habilidades profissionais pode ser
fundamental para interromper o ciclo da violência.
O papel do professor também é essencial nesse processo. Além de
promoverem um ambiente educacional inclusivo, os educadores
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podem identificar sinais precoces de problemas enfrentados pelos
alunos e encaminhá-los para apoio adequado. A conscientização
sobre as realidades sociais dos estudantes, o estímulo ao diálogo e
o engajamento em práticas pedagógicas que promovam a empatia e
o respeito contribuem para a construção de um ambiente escolar
mais saudável.
Em suma, a relação entre violência, desigualdade e atos infracionais
na adolescência requer uma abordagem integrada que combine
estrutura familiar, medidas socioeducativas eficazes e atuação dos
professores no suporte e na orientação dos jovens. Essa
colaboração permite criar um ambiente propício para a
transformação positiva, contribuindo para a construção de um futuro
mais justo e equitativo.
É Hora de Praticar!
Ao longo das aulas, discutimos as transformações envolvendo a
adolescência e os impactos dos dilemas na formação do ser social.
A violência surge nesse cenário como uma agravante para os
direitos dos adolescentes e jovens, trazendo variadas formas de
traumas, medos e insegurança para os sujeitos.
Pensando nesses aspectos, analise a seguinte situação: em uma
escola de Ensino Médio, um adolescente vem passando por
desafios significativos em sua vida. Tem sofrido violências verbais e
bullying por parte de colegas, enfrenta problemas familiares e,
recentemente, expressou pensamentos suicidas em uma redação
escolar. Como a escola pode identificar precocemente sinais de
sofrimento emocional nos alunos e proporcionar um ambiente
seguro para que expressem suas dificuldades? De que maneira as
práticas educacionais e o apoio emocional podem ser aprimorados
para lidar com situações de bullying e violência verbal, visando à
prevenção do suicídio na adolescência?
Pare por um momento e anote suas reflexões sobre essas questões.
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Reflita
Como a violência, em suas variadas formas, impacta a vida dos
adolescentes e jovens brasileiros? Como a educação e os
professores podem contribuir para o processo formativo de crianças
e adolescentes para superar os dilemas recorrentes nessa etapa de
transição? Qual é o papel da escola e da família na prevenção ao
uso de drogas e na educação para superar os estigmas, medos e
preconceitos envolvendo sexualidade e gênero?
 
Dê o Play!
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Resolução do estudo de caso
Sem dúvidas, trata-se de um problema complexo que envolve a
família e a escola. A escola deve implementar ações de apoio
psicossocial que inclua orientação e aconselhamento para alunos
que enfrentem dificuldades emocionais. Isso pode envolver a
criação de grupos de apoio, a presença de psicólogos e a promoção
de atividades que incentivem a empatia e a compreensão entre os
estudantes.
Além disso, as famílias podem participar de palestras educativas
sobre saúde mental e bullying, desenvolvendo estratégias conjuntas
com a escola para abordar e prevenir essas situações. A
comunicação aberta e o estabelecimento de um ambiente familiar
acolhedor são fundamentais para apoiar a jornada emocional dos
adolescentes. Em conjunto, a escola e as famílias podem agir de
modo significativo para prevenir suicídio na adolescência,
promovendo um ambiente que valorize a saúde mental e o respeito
mútuo.
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Em conclusão, a abordagem dos dilemas enfrentados pelos
adolescentes, como o risco de suicídio, exige uma compreensão
sensível e proativa por parte dos educadores. O papel do professor
vai além da transmissão de conhecimentos acadêmicos; também
influencia na construção de um ambiente educacional seguro,
inclusivo e propício ao desenvolvimento socioemocional dos alunos.
Dê o play!
Assimile
A figura a seguir reúne alguns dos principais tópicos estudados
nesta unidade.
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Figura 1 | Dilemas da adolescência: principais tópicos. Fonte: elaborada pela autora.
Referências
ALVES, L. H. B. Algumas considerações sobre a Adolescência. In:
CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 7., 2020, Maceió.
Anais […]. Maceió: Realize, 2020. Disponível em:
https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/67929. Acesso em: 22
mar. 2024.
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o
Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências.
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm.
Acesso em: 22 mar. 2024.
CURVELLO, A. C. Consumo de drogas aumenta entre adolescentes
e meninas são mais afetadas. Gazeta do Povo, 5 ago. 2023.
Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-
cidadania/consumo-de-drogas-aumenta-entre-adolescentes-e-
meninas-sao-mais-
afetadas/#:~:text=A%20experimenta%C3%A7%C3%A3o%20ou%20
exposi%C3%A7%C3%A3o%20ao,e%20divulgada%20no%20ano%2
0passado. Acesso em: 5 fev. 2024. 
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm
https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/consumo-de-drogas-aumenta-entre-adolescentes-e-meninas-sao-mais-afetadas/#:~:text=A%20experimenta%C3%A7%C3%A3o%20ou%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20ao,e%20divulgada%20no%20ano%20passado
https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/consumo-de-drogas-aumenta-entre-adolescentes-e-meninas-sao-mais-afetadas/#:~:text=A%20experimenta%C3%A7%C3%A3o%20ou%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20ao,e%20divulgada%20no%20ano%20passado
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https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/consumo-de-drogas-aumenta-entre-adolescentes-e-meninas-sao-mais-afetadas/#:~:text=A%20experimenta%C3%A7%C3%A3o%20ou%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20ao,e%20divulgada%20no%20ano%20passado
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