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SEMANA 1 – INTRODUÇÃO CONTEXTO DOS ESTUDOS LINGUÍSTICOS NO SÉCULO XX • Principais teorias: estruturalista e gerativista • Ferdinand de Saussure, suíço (1857-1913) • Noam Chomsky, estadunidense (1928) Com seu Curso de linguística geral, Saussure inaugura a linguística moderna, delimitando e definindo seu objeto de estudo, estabelecendo seus princípios gerais e seu método de análise. Saussure é um marco do estruturalismo, segundo a qual a língua é tomada em si mesma, separada de fatores externos; uma estrutura autônoma. Propostas de saussure para o estudo e a pesquisa linguística LANGUE E PAROLE – LÍNGUA E FALA: • A língua é homogênea e social, um sistema de signos instalado no cérebro das pessoas devido à prática da fala. • A fala é a manifestação concreta da língua. Trata-se de um ato individual e heterogêneo. • Para Saussure, o objeto de estudo da linguística é a língua, langue. SINCRONIA E DIACRONIA – DOIS EIXOS (PERSPECTIVAS) PARA ESTUDAR A LÍNGUA: • Sincronia é recorte de um momento. Não interessa o processo que leva até aquele momento ou o que está em seu entorno. Interessa o fenômeno em si; • Diacronia: a língua é analisada como um fenômeno envolto em movimentos de evoluções, de mudanças. Há aqui uma ideia de algo que é dinâmico. • Para Saussure a abordagem sincrônica viabiliza o estudo científico da língua. Nos Estados Unidos, a visão formal da língua ganha destaque, a partir da década de 1960, com Noam Chomsky, assim como a escola chamada de gerativismo, segundo a qual a língua: É sistema de princípios universais; É conhecimento mental que um falante tem a partir de sua competência. O que interessa aqui é o sistema abstrato de regras usados na formação de sentenças gramaticais. O que essas correntes (estruturalista e gerativista) têm em comum? • Percebem a língua como uma realidade abstrata, desvinculada de fatores históricos e sociais. • É como uma reação a essas duas correntes que a sociolinguística surge nos Estados Unidos na década de 1960, tendo como um de seus maiores nomes William Labov (1927, EUA). Seu foco principal é demonstrar como a língua se relaciona com o social, a sociedade, tornando-a um fenômeno passível de variação e mudanças. O termo sociolinguística fixou-se em 1964, em um congresso organizado por William Bright, na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, (UCLA,) no qual participaram estudiosos que se constituíram em referências clássicas na tradição de estudos voltados para a questão da relação entre linguagem e sociedade, como John Fischer e William Labov. (ALKMIN, 2001) SOCIOLINGUÍSTICA É MULTIDISCIPLINAR (por LABOV) · ANTROPOLOGIA – interesse pela descrição e análise da língua dentro dos aspectos culturais de seu uso. Surge daí o que hoje chamamos de “Sociolinguística Interacional”, uma derivação da sociolinguística que estuda a relação entre os falantes, o assunto de que tratam, entre outros aspectos para realizar a análise da conversação; · SOCIOLOGIA (SOCIOLOGIA DA LINGUAGEM) – investiga a interação entre língua e sociedade. Interessa como se dá o uso da língua e a organização social do comportamento. · GEOGRAFIA (GEOGRAFIA LINGUÍSTICA, OU DIALETOLOGIA, OU GEOLINGUÍSTICA) – interesse pelo atlas linguístico. Conhecer, descrever, documentar e analisar a realidade linguística de cada parte de um território. A sociolinguística surgiu em meados dos anos de 1960, em um congresso em Los Angeles (EUA). A Sociolinguística é dedicada às questões como variação e mudança linguística, bilinguismo, contato linguístico, línguas minoritárias, política e planejamento linguístico, preconceitos linguísticos e ensino de línguas. A teórica Tânia Maria Alkmin define que “o objeto da Sociolinguística é o estudo da língua falada, observada, descrita e analisada em seu contexto social, isto é, em situações reais de uso” (ALKMIN, 2001, p. 31). Em termos concretos, a sociolinguística contribui sobremaneira em determinadas áreas. Ensino, sociedade mais justa e estabelecimento de políticas públicas. ENSINO - O QUE É LETRAMENTO? “O conjunto de conhecimentos, atitudes e capacidades envolvidos no uso da língua em práticas sociais e necessários para uma participação ativa e competente na cultura escrita.” (BATISTA, Antônio Augusto Gomes e SOARES, Magda Becker. Alfabetização e Letramento. Belo Horizonte: Ceale/FaE/UFMG, 2005. P. 50) SOCIEDADE MAIS JUSTA A língua falada nas ruas se impõe e transforma o modo como a comunidade se comunica. Até mesmo fazendo surgir novas palavras. Ao estudar e pesquisar sobre esses fenômenos, a sociolinguística os retira da zona do preconceito, do estigma social, da ideia de “erro” e viabiliza uma língua mais justa e inclusiva com seus usuários. O que desemboca em outra contribuição: O combate ao preconceito linguístico. POLÍTICAS PÚBLICAS A sociolinguística dá base para que os governos locais, estaduais e federal pensem em linhas de pesquisas, financiamentos, publicações, métodos, treinamentos e outras ações em torno do ensino da língua, de modo a tornar esse processo mais eficiente e inclusivo. A proposta de Bright (1974) para a Sociolinguística "era demonstrar a covariação sistemática das variações linguística e social, ou seja, relacionar as variações lingüísticas observáveis em uma comunidade às variações existentes na estrutura social desta mesma sociedade" (BRIGHT, 1974 apud ALKMIM, 2001, p. 28). Sociolinguística, estando tal objeto relacionado a fatores tais como: identidade social do emissor ou falante, identidade social do receptor ou ouvinte, o contexto social e o "julgamento social distinto que os falantes fazem do próprio comportamento lingüístico e sobre os outros, isto é, as atitudes linguísticas" (ALKMIM, 2001, p. 29). Segundo Mendes (2013, p. 124), "padrões de uso numa comunidade de falantes podem ser depreendidos pelo sociolinguista através de distribuição de variantes, quantitativamente analisadas". Como esse entendimento emana das lições de Labov, acaba por reforçar que a quantificação e a análise de dados sociais com base nas ocorrências têm grande importância para a Teoria da Variação de LABOV. O documentário em questão trata do uso e da transformação cotidiana da linguagem. Os vários aspectos da língua são os fenômenos abordados pela linguística. Grandes nomes da ciência linguística. Explique por que a experiência da família Souza (documentada pelo programa Língua Viva, da TV Unesp) é mais vinculada à sociolinguística de Labov que a linguística de Saussure. O documentário em questão trata do uso e transformação cotidiana da linguagem, envolvendo vários aspectos da língua, da escrita e da fala. A sociolinguística dedica-se justamente ao estudo das mudanças e variação que ocorrem na língua por meio de seu uso envolvendo a fala, a escrita e sociedade. Já o estruturalismo de Saussure percebe a língua como um objeto fixo, imutável e não engloba a fala. Defina a sociolinguística e suas principais características. Sociolinguística é uma das áreas da linguística e está dedicada ao estudo do uso que as comunidades de fala fazem da língua. Para tanto a sociolinguística leva em consideração as relações entre os aspectos linguísticos e sociais. Suas principais características são a interdisciplinaridade e o caráter heterogêneo do uso linguístico. SEMANA 2 - TEORIA DA VARIAÇÃO E MUDANÇA LINGUÍSTICA “A sociolinguística é uma das subáreas da Linguística e estuda a língua em uso no seio das comunidades de fala, voltando a atenção para um tipo de investigação que correlaciona aspectos linguísticos e sociais. Esta ciência se faz presente num espaço interdisciplinar, na fronteira entre língua e sociedade, focalizando precipuamente os empregos linguísticos concretos, em especial os de caráter heterogêneo.” As línguas são HETEROGÊNEAS (apresentam um dinamismo). Têm formas diferentes, mas que “...em princípio, equivalem semanticamente no nível do vocabulário, da sintaxe e morfossintaxe, do subsistema fonético-fonológico e no domínio pragmático-discursivo”. (Mollica e Braga, 2010, p.9) GRAMÁTICA · Semântica: trata do sentidodas palavras, da interpretação das sentenças e dos enunciados (significado da palavra, polissemia, figura de linguagem). · Sintaxe: trata das relações formais que conectam os elementos que constituem a sentença e que lhe atribuem estrutura (concordância, regência, complementos). · Morfologia: estuda a estrutura, formação e classificação das palavras isoladas e de seus contextos (classes gramaticais, verbo, adjetivo, sujeito). Morfossintaxe é gramatica em si. Os estudos sociolinguísticos X os estudo sociolinguístico ------ Concordância Nominal Eles estudam sociolinguística X eles estuda sociolinguística ------ Concordância Verbal “Não existe uma comunidade de fala homogênea, nem um falante-ouvinte ideal. Pelo contrário, a existência de variação e de estruturas heterogêneas nas comunidades de fala é um fato comprovado. Existe variação inerente à comunidade de fala – não há dois falantes que se expressam do mesmo modo, nem mesmo um falante que se expresse da mesma maneira em diferentes situações de comunicação.” Variação inerente desde que o sistema linguístico é heterogêneo. (i) a variação é uma propriedade regular do sistema; (ii) o falante tem competência linguística para lidar com regras variáveis. VARIAÇÃO “É o processo pelo qual duas formas podem ocorrer no mesmo contexto linguístico com o mesmo valor referencial, ou com o mesmo valor de verdade, i.e., com o mesmo significado. Dois requisitos devem, pois, ser cumpridos para que ocorra variação: (i) as formas envolvidas precisam ser intercambiáveis no mesmo contexto e (ii) manter o mesmo significado.” REGRA CATEGÓRICA: não é passível de mudança. Por exemplo: a colocação do artigo antes do nome: “o sapato” e não “sapato o” REGRAS VARIÁVEIS: permitem alterações no uso da língua, a depender de contextos sociais, culturais, educacionais, econômicos, etc.... (sociolinguística) “Cabe à Sociolinguística investigar o grau de estabilidade ou de mutabilidade da variação, diagnosticar as variáveis que têm efeito positivo ou negativo sobre a emergência dos usos linguísticos alternativos e prever seu comportamento regular e sistemático.” (Maria Cecilia Mollica, 2008, p. 11) DISTINÇÃO ENTRE VARIÁVEL, VARIANTE E VARIEDADES • Variável é o lugar na gramática em que localizamos variação, de forma mais abstrata – no caso (tu/você), a variável com a qual estamos lidando é a da expressão pronominal da segunda pessoa do singular. • Variantes (dessa variável) são as formas que “brigam” pela expressão da variável – no caso, os pronomes tu e você. • Variedade representa a fala de uma comunidade de modo global, considerando-se todas as suas particularidades, tanto categóricas quanto variáveis; é o mesmo que dialeto ou falar. VARIANTE PADRÃO E NÃO PADRÃO • Variantes padrão são as que seguem os manuais de norma padrão. Variante de prestígio. • Variantes não padrão são as que não seguem a norma. Estigmatizada. Tu vai sair? ------ Tu vais sair? A gente vamos sair. ------ A gente vai sair Nós vai sair. ------------ Nós vamos sair JULGAMENTOS SOCIAIS CONSCIENTES E INCONSCIENTES SOBRE A LÍNGUA (LABOV) · ESTEREÓTIPOS: Os estereótipos são traços socialmente marcados de forma consciente Exemplos: O fonema /e/ átono final pronunciado. “leite quente” – interior de São Paulo e regiões do Paraná. O fonema /l/ de encontros consonantais pronunciado como /r/, como em “craro, Cráudia” – · MARCADORES: Os marcadores são traços linguísticos social e estilisticamente estratificados. Muitas vezes, o uso se dá inconscientemente. Exemplos: O uso alternado dos pronomes tu e você. · INDICADORES: Os indicadores são traços socialmente estratificados, mas não sujeitos à variação estilística, sem força avaliativa, com julgamentos sociais inconscientes. Exemplos peixe/pexe, feijão/fejão, couve/cove, couro/coro COMUNIDADE DE FALA: É onde se dá a relação entre língua e sociedade. Para a sociolinguística, a comunidade de fala interessa mais que o indivíduo. Labov: é na comunidade de fala que a variação e a mudança acontecem. Gregory Guy (2001) 1) Os falantes devem compartilhar traços linguísticos que sejam diferentes de outros grupos; 2) Devem ter uma frequência de comunicação alta entre si; 3) Devem ter as mesmas normas e atitudes em relação ao uso da linguagem. “Redes sociais são redes de relacionamento dos indivíduos estabelecidas na vida cotidiana. Essas redes variam de um indivíduo para outro e são constituídas por ligações de diferentes tipos, envolvendo graus de parentesco, amizade, ocupação (ambiente de trabalho) etc. Quanto maior o número de pessoas que se conhecem umas às outras numa certa rede, mais alta será a densidade dessa rede; quanto menor o número de pessoas, mais baixa será a densidade da rede.” I. Rede social engloba pessoas que se relacionam em seu dia a dia. II. Há uma variedade de rede social, pois as conexões entre as pessoas são diferentes para cada indivíduo. III. As redes sociais envolvem aspectos como grau de parentesco, amizade, profissão, gênero, entre outros. VARIAÇÃO INTERNA (À LÍNGUA) · VARIAÇÃO LEXICAL (SIMILAR À VARIAÇÃO REGIONAL OU DIATÓPICA) bergamota (ou vergamota), tangerina, laranja-cravo, mimosa; banheiro, toalete, w.c. · VARIAÇÃO FONOLÓGICA (Rotacismo. Firme ---- Filme) Evolução do latim para o português (metaplasmo): ecclesia > igreja; plaga > praia; SÍNCOPE: supressão de fonema no interior da palavra. Evolução do latim para o português como: digitu > dedo; insula > ilha; MONOTONGAÇÃO: transformação ou redução de um ditongo em uma vogal: pouco/poco, roupa/ropa. ALÇAMENTO DAS VOGAIS MÉDIAS: elevação das vogais pré-tônicas por influência: menino/minino, tesoura/tesoura. EPÊNTESE VOCÁLICA: emissão de uma vogal entre consoantes, não representada na escrita formal: obiter (por ‘obter’), pineu ou peneu (por ‘pneu’) VOCALIZAÇÃO: transformação de consoante (lateral) em vogal: Brasiu (por ‘Brasil’), méu (por ‘mel’) DESNASALIZAÇÃO (de vogais postônicas): transformação de um fonema nasal em oral: home (por ‘homem’), bagage (por ‘bagagem’) PALATALIZAÇÃO: transformação de um ou mais fonemas em um fonema palatal: como em demonho (por ‘demônio’), familha (por ‘família’); ASSIMILAÇÃO: aproximação total ou parcial de fonemas devido à influência de um sobre o outro: como em cantano (por ‘cantando’), correno (por ‘correndo’). · VARIAÇÃO MORFOFONOLÓGICA, MORFOLÓGICA E MORFOSSINTÁTICA Morfema: unidade mínima significativa. Variação morfológica é a alteração que ocorre num morfema da palavra. Variação morfofonológica - casos em que os morfemas ausentes ou alterados são também fonemas (representam um som), como acontece nos exemplos citados. Variação morfossintaxe – a variação acontece levando em conta a oração inteira: “as menina vão”. · VARIAÇÃO SINTÁTICA (Fernando Tarallo e Mary Kato, Sociolinguística e funcionalismo (Talmy Givón) CONSTRUÇÕES RELATIVAS: O filme a que me referi é muito bom/ O filme que me referi é muito bom/ O filme que me referi a ele é muito bom. PREENCHIMENTO DO SUJEITO ANAFÓRICO: Nós fomos à praia/ Fomos à praia/ A gente foi à praia/ Foi à praia. POSIÇÃO DO CLÍTICO: Eu vi-o no cinema / Eu o vi no cinema. CONSTRUÇÕES PASSIVAS VERSUS ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO: Alugam-se casas / Aluga-se casas. VARIAÇÃO E DISCURSO: Conectores e, aí, daí e então na função de ‘coordenação em relação de continuidade e consonância’. No artigo de Márcia Cristina do Carmo, “Variação linguística das vogais médias pretônicas em contexto medial no noroeste paulista” O objetivo do texto é tratar do comportamento variável das vogais médias pretônicas no interior de São Paulo. “Constata-se que o alçamento dessas vogais é resultado, sobretudo, de informações de natureza linguística, com destaque à atuação do processo de harmonização vocálica, visto que a altura da vogal presente na sílaba subsequente à sílaba da pretônica-alvo foi apontada como a variável mais relevante para a aplicação do alçamento, independentemente da classe gramatical (nomes ou verbos)”, (CARMO, 2018, p. 238) “Andá” (andar), “vendê” (vender), “parti” (partir) é exemplo de qualvariação: Morfofonológica Explique por que “tu/você” é exemplo de variação linguística. Porque é possível usar um ou outro termo alternadamente sem modificar o referencial (segunda pessoa do singular). As estudiosas Joyce Eliane de Almeida e Stella Maris Bortoni-Ricardo citam Magda Soares, na página 11 do texto “Variação Linguística na escola - Para fundamentar”, para explicar como a ideologia das diferenças, associada a um suposto déficit das camadas pobres da população, atua no ensino. Leia o trecho abaixo. “A teoria da deficiência cultural afirma que as crianças das camadas populares chegam à escola com uma linguagem deficiente, que as impede de obter sucesso nas atividades e aprendizagem: seu vocabulário é pobre; usam frases incompletas, curtas, monossilábicas; sua sintaxe é confusa e inadequada à expressão do pensamento lógico; cometem ‘erros’ de concordância, de regência, de pronúncia; comunicam-se muito mais através de recursos não verbais do que através de recursos verbais. Em síntese: são crianças ‘deficitárias’ linguisticamente.” Preconceito linguístico SEMANA 3 - VARIAÇÃO REGIONAL (DIATÓPICA OU GEOGRÁFICA) VARIAÇÃO INTERNA (À LÍNGUA) • Variação lexical (vocabulário); • Variação fonológica (pronúncia); • Variação morfofonológica, morfológica e morfossintática (estruturas que formam as palavras); • Variação sintática (palavras constituintes de uma frase); • Variação e discurso. VARIAÇÃO EXTERNA (À LÍNGUA) • Variação Regional (diatópica ou geográfica); • Variação Social (diastrática); • Variação Estilística (diastrática); • Variação na fala e na escrita (diamésica). VARIAÇÃO REGIONAL OU GEOGRÁFICA A teoria, os métodos e a pesquisa da sociolinguística servem para evitar essas imposturas. (Caricaturas e preconceitos. Banalizações. Preconceito recreativo...) A variação regional é aquela vinculada ao território de origem do falante. Pode ser estudada comparando lugares diferentes. VARIAÇÃO DE PRESTÍGIO E VARIAÇÃO ESTIGMATIZADA · NORMA–PADRÃO: Instrumento de política linguística para contornar a diversidade linguística regional e social. Foi estabelecida por meio de instrumentos normativos, como gramáticas e dicionários. Serve para uniformizar a língua. · NORMA–POPULAR: falada por pessoas não escolarizadas. Possui suas próprias regras de funcionamento que não correspondem necessariamente àquelas da gramática-normativa. · NORMA-CULTA: usada por pessoas letradas durante suas práticas de fala e escrita, mais formal. UNIFICAR A FALA, A EXPRESSÃO E OS MODOS DE USO DA LÍNGUA: • Discrimina pessoas que usam vocabulário, pronúncia ou maneirismos de suas regiões de origem. • Empobrece a língua, pois a reduz a apenas um modo de uso. • Dificulta alfabetização e letramento de quem não está no espectro considerado padrão ou normal. • Impacta no desenvolvimento da fala e da escrita... “A dicotomia oralidade X escrita. Ao mesmo tempo em que se peca por se pretender ser a escrita um registro regular, natural e inequívoco da fala, peca-se por se priorizar a primeira em detrimento da segunda. Escrita e oralidade têm suas peculiaridades que as tornam únicas em suas diferentes modalidades. Por outro lado, fica difícil isolar a primeira num trabalho dissociado da prática primeva da língua, isto é, da fala, da oralidade... ... assim, para que se promova um ensino eficaz da língua materna, faz-se necessário demolir a barreira que separa essas duas práticas indissociáveis da língua nas sociedades letradas.” Marcuschi (2001) reforça que se parta sempre da oralidade para a escrita, trabalhando as diferenças e semelhanças entre as duas modalidades, visto que o fim maior do ensino de português “[...] é o pleno domínio e uso de ambas as modalidades nos seus diferentes níveis”. “Não se está defendendo aqui que tudo vale [...], que no trabalho de ensino-aprendizagem de língua materna não haja princípios normatizadores a serem estudados e aprendidos [...] e sim que o ensino de língua materna seria mais interessante e eficaz se pautado numa reflexão sobre as variedades linguísticas, despojada de preconceitos, a fim de que o estudante perceba esse trabalho como estudo de uma língua não artificial.” LP E COLONIZAÇÃO • Jesuítas • Ensino de português aos indígenas • Evangelização • José de Anchieta (1534-1597) • Manuel da Nóbrega (1517-1570) • José de Anchieta chega ao Brasil em 1553 (com menos de 20 anos) • Em 1554, participa da fundação do Colégio São Paulo (Pátio do Colégio) • Escreve a Primeira Gramática da “língua geral” falada no litoral. • A arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil (1595, Portugal) VALORIZAÇÃO DA GRAMÁTICA • Gramática-normativa estabelece como a linguagem deve ser, por meio de regras que orientam o comportamento linguístico de seus leitores. Regulamenta, normatiza a língua e seu uso. • ILARI, R.; BASO, R. O português da gente. São Paulo: Contexto, 2007. • A ênfase na gramática normativa já era considerada retrógrada. • No Brasil, a valorização da gramática perpassa toda a colonização e se consolida em 1957. • Portaria nº152 de 24 de abril de 1957, com anteprojeto de Simplificação e Unificação da Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) LÍNGUAS INDÍGENAS • Indígenas eram (aproximadamente) entre um e seis milhões. • Falavam cerca de 300 línguas diferentes. • Grupo Jê e Grupo Tupi-Guarani. • Os indígenas do Grupo Jê ocuparam as selvas abertas, isto é, os cerrados do Brasil Central. • Os indígenas do Grupo Tupi-Guarani ocupavam toda a costa brasileira. Tupi-Guarani, que cedeu centenas de vocábulos. Substantivos próprios de lugares e de pessoas, nomes de vegetais e de animais. CONTRIBUIÇÕES DAS LÍNGUAS AFRICANAS • A Língua Portuguesa seria mais extensivamente exposta à influência das línguas africanas. • De 1538 a 1855, dezoito milhões de pessoas negras africanas foram sequestradas, trazidas e escravizadas, sujeitas ao contato mais intenso com a escassa população branca. • Cultura Banto e a Cultura Sudanesa, muçurana, paca, içá, boitatá, taturana, saracura. • A Cultura Banto cinde-se no Grupo Ocidental, originário do Congo e de Angola, e no Grupo Oriental, originário de Moçambique, Tanganica e Região dos Lagos. • Seus representantes se fixaram no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Pernambuco e Alagoas. • A Cultura Sudanesa compreende os Fulá, os Mandinga, os Hausá, os Fanti-Ashanti, os Ewê e os Iorubá ou Nagô, originários da costa oeste africana: Sudão, Senegal, Guiné, Costa do Ouro, Daomé e Nigéria. Eles se fixaram principalmente na Bahia, vieram em número menor que os Banto, e dois séculos mais tarde. • Estima-se em, no mínimo, 300 o número de palavras africanas que foram incorporadas ao léxico do Português Brasileiro. “[...] ao passo que os povos migrantes da Europa, como os escoceses, os irlandeses, os italianos, os alemães, os franceses, chegaram com suas canções, suas tradições de família, seus instrumentos, a imagem de seus deuses, etc., os africanos chegaram despojados de tudo, de toda e qualquer possibilidade, e mesmo despojados de sua língua. Porque o ventre do navio negreiro é o lugar e o momento em que as línguas africanas desaparecem, porque nunca se colocavam juntas no navio negreiro, nem nas plantações pessoas que falavam a mesma língua. O ser se encontrava dessa maneira despojado de toda espécie de elementos de sua vida, mas também, e sobretudo, de sua língua”. “a língua portuguesa usada no Brasil é amplamente heterogênea” que conclui a ideia basilar do texto. Qual seja, a língua portuguesa muda, se transforma com o passar do tempo, e há uma variedade infinita a depender do território habitado pelo falante.” Selecione a alternativa que completa corretamente a frase: Em termos de implementação da língua portuguesa no Brasil, entre outras ações, José de Anchieta foi o responsável por: Escrever, o que é considerada, a primeira gramática da língua portuguesa falada no Brasil. No vídeo “As marcas do português brasileiro”, produzido pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo),é possível ouvir pesquisadores analisando a formação da língua portuguesa no Brasil. Assinale a alternativa que reúne apenas aspectos presentes nos argumentos desenvolvidos por eles. I. A língua portuguesa no Brasil é, em muitos aspectos, diferente da língua portuguesa de Portugal. 1. A língua portuguesa falada no Brasil é uma mistura das línguas faladas por vários povos, incluindo os indígenas e os africanos. 1. As rotas percorridas pelos Bandeirantes são estudadas pela linguística. 1. A mescla de línguas no Brasil teve início no século XIX, com a chegada dos imigrantes. 1. O Brasil não tem boas pesquisas na área da Linguística e da Sociolinguística. Assinale a alternativa que melhor resume as consequências da negação e da estigmatização da variação regional nas práticas de ensino: Tal atitude resulta em discriminação das pessoas que usam vocabulário regionalizado, dificultando seu acesso aos recursos educacionais. SEMANA 4 - VARIAÇÃO SOCIAL (DIASTRÁTICA) Os principais fatores sociais que condicionam a variação linguística • Grau de escolaridade Supostamente, falantes altamente escolarizados dificilmente usam formas como: nós vai ou a gente vamos... • Nível socioeconômico Foco dos trabalhos de Labov. (Fatores sociais que condicionam a variação linguística são: nível educacional, perfil socioeconômico, sexo/gênero e idade) O grupo social menos privilegiado favorece o uso de variantes não padrão da língua, enquanto os mais privilegiados optam pela variante padrão. “O efeito de indicadores sociais sobre o perfil sociolinguístico dos falantes não é nada simples. Segundo Mollica (2008), origem social, renda, acesso a bens materiais e culturais, ocupação, grau de inserção em redes sociais são alguns dos indicadores sociais. No Brasil, há poucos estudos que levam em consideração esses indicadores.” (COELHO, 2010, p. 78) • Sexo/gênero Alguns estudos mostram que as mulheres são mais conservadoras do que os homens. Tendem a usar as variantes valorizadas socialmente. Temos que ter cautela, pois essas diferenças linguísticas entre os sexos/gêneros podem estar relacionadas com o papel que a mulher tem na vida pública das sociedades. “Nesse caso, o comportamento conservador é observado na fala dos homens (cf. Labov, 1982). Paiva sugere que uma atitude mais adequada seria, portanto, a de correlacionar sempre a variável sexo/gênero com a faixa etária da população e, se possível, com a história social das diferentes comunidades investigadas, para que as transformações culturais e as mudanças comportamentais das faixas mais jovens da população possam ser levadas em consideração também.” (COELHO, 2010, p.79) • Faixa etária Variação linguística (implica duas ou mais formas que concorrem para expressar um mesmo significado) e idade do falante. Mudança linguística (implica processo de substituição gradual de uma forma por outra) e idade do falante. Perspectiva clássica: o processo de aquisição da linguagem se encerra mais ou menos na puberdade, e que o indivíduo, praticamente, não muda sua língua espontânea no decorrer dos anos. Perspectiva da mudança em tempo aparente: “[...] nesse caso, na comparação entre as diferentes faixas etárias e não na fala de um mesmo indivíduo. Temos, então, variação na comunidade e estabilidade no indivíduo. As gírias (antigas e novas) são reflexos dessa mudança em curso, por exemplo. Esse tipo de mudança é conhecido como mudança em tempo aparente.” (COELHO, 2010, p.80) Possibilidades: • A fala do indivíduo permanece estável e a comunidade muda; • A fala do indivíduo permanece estável e a comunidade também permanece estável; • A fala do indivíduo muda e a comunidade permanece estável; • A fala do indivíduo muda e a comunidade também muda. VARIAÇÃO SOCIAL – TEORIA A MITOLOGIA DO PRECONCEITO LINGUÍSTICO (Marcos Bagno. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. São Paulo: Editora Loyola, 2017 (1999)) Mito n° 1 “A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente” Mito n° 2 “Brasileiro não sabe português” / “Só em Portugal se fala bem português” “O brasileiro sabe português, sim. O que acontece é que nosso português é diferente do português falado em [pg. 23] Portugal. Quando dizemos que no Brasil se fala português, usamos esse nome simplesmente por comodidade e por uma razão histórica, justamente a de termos sido uma colônia de Portugal. Do ponto de vista linguístico, porém, a língua falada no Brasil já tem uma gramática — isto é, tem regras de funcionamento — que cada vez mais se diferencia da gramática da língua falada em Portugal. Por isso os linguistas (os cientistas da linguagem) preferem usar o termo português brasileiro, por ser mais claro e marcar bem essa diferença.” (BAGNO, 2017, pp. 23 e 24) Mito n° 3 “Português é muito difícil” Mito n° 4 “As pessoas sem instrução falam tudo errado” “Se dizer Cráudia, praca, pranta é considerado “errado”, e, por outro lado, dizer frouxo, escravo, branco, praga é considerado “certo”, isso se deve simplesmente a uma questão que não é linguística, mas social e política — as pessoas que dizem Cráudia, praca, pranta pertencem a uma classe social desprestigiada, marginalizada, que não tem acesso à educação formal e aos bens culturais da elite, e por isso a língua que elas falam sofre o mesmo preconceito que pesa sobre elas mesmas, ou seja, sua língua é considerada “feia”, “pobre”, “carente”, quando na verdade é apenas diferente da língua ensinada na escola.” (BAGNO, 2017, p.41) “[...] do ponto de vista exclusivamente linguístico, o fenômeno que existe no português não-padrão é o mesmo que aconteceu na história do português-padrão, e tem até um nome técnico: rotacismo. O rotacismo participou da formação da língua portuguesa padrão, como já vimos em branco, escravo, praga, fraco etc., mas ele continua vivo e atuante no português não-padrão, como em broco, chicrete, pranta, Cráudia, porque essa variedade não padrão deixa que as tendências normais e inerentes à língua se manifestem livremente. Assim, o problema não está naquilo que se fala, mas em quem fala o quê.” (BAGNO, 2017, p. 42) Mito n° 5 “O lugar onde melhor se fala português no Brasil é o Maranhão” Mito n° 6 “O certo é falar assim porque se escreve assim” Mito n° 7 “É preciso saber gramática para falar e escrever bem” Mito n° 8 “O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social” “É preciso garantir, sim, a todos os brasileiros o reconhecimento (sem o tradicional julgamento de valor) da variação linguística, porque o mero domínio da norma culta não é uma fórmula mágica que, de um momento para outro, vai resolver todos os problemas de um indivíduo carente. É preciso favorecer esse reconhecimento, mas também garantir o acesso à educação em seu sentido mais amplo, aos bens culturais, à saúde e à habitação, ao transporte de boa qualidade, à vida digna de cidadão merecedor de todo respeito.” (BAGNO, 2017, p.70) VARIAÇÃO SOCIAL – HIPERCORREÇÃO (A hipercorreção ocorre por motivações sociais) “As fontes da hipercorreção são duas. Uma é a própria variação linguística, que sempre envolve uma forma considerada correta e outra considerada errada. A segunda fonte é a vontade de ser correto.” “A hipercorreção, por questões sociolinguísticas, está presente na escrita de pessoas em ascensão cultural, pois esses sujeitos já têm certa noção das normas da língua, do contrário, não teriam essa intenção de “acerto”. O que ocorre é que o usuário da língua fica ansioso por evitar erros para os quais já foi alertado, e termina aplicando a regra onde ela não se faz necessária.” (HIPERCORREÇÃO E O IMAGINÁRIO DE “CORREÇÃO” DE LÍNGUA. Débora Maria dos Santos Castro SILVA. Anais do SILEL. Volume 3, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2013, p. 3) Dois tipos de comportamento linguístico: O modo como o falante avalia a própria fala (“certo” ou “errado”). Ou valorizam sua prática linguística ou tentam alcançar o modelo de prestígio. O modo como o falante avalia a fala dos outros, estigmatizando uns e valorizando outros. Segurança linguística: Quando o falante considera a sua variantelinguística como prestigiada. Insegurança linguística: Quando o falante avalia seu modo de falar como uma norma desprestigiada na sociedade e reconhece outra norma de mais prestígio. “Algumas pessoas me dizem que a eliminação da noção de erro dará a entender que, em termos de língua, vale tudo. Não é bem assim. Na verdade, em termos de língua, tudo vale alguma coisa, mas esse valor vai depender de uma série de fatores. Falar gíria vale? Claro que vale: no lugar certo, no contexto adequado, com as pessoas certas. E usar palavrão? A mesma coisa. Uma das principais tarefas do professor de língua é conscientizar seu aluno de que a língua é como um grande guarda roupa, onde é possível encontrar todo tipo de vestimenta. Ninguém vai só de maiô fazer compras num shopping center, nem vai entrar na praia, num dia de sol quente, usando terno de lã, chapéu de feltro e luvas... Usar a língua, tanto na modalidade oral como na escrita, é encontrar o ponto de equilíbrio entre dois eixos: o da adequabilidade e o da aceitabilidade. Quando falamos (ou escrevemos), tendemos a nos adequar à situação de uso da língua em que nos encontramos: se é uma situação formal, tentaremos usar uma linguagem formal; se é uma situação descontraída, uma linguagem descontraída, e assim por diante. Essa nossa tentativa de adequação se baseia naquilo que consideramos ser o grau de aceitabilidade do que estamos dizendo por parte de nosso interlocutor ou interlocutores.” (BAGNO, 2017, p. 129) Como podemos classificar o ato de fala que usa a forma “nós vai” no lugar de “nós vamos”? Trata-se de uma ocorrência típica de variação social, vinculada ao nível educacional. Foi comentando em aula o livro de Marcos Bagno, Preconceito linguístico: o que é, como se faz (São Paulo: Editora Loyola, 2017 (1999)). Segundo o autor, as afirmações “o brasileiro não sabe português” / “só em Portugal se fala bem português” são avaliadas e comentadas. Assinale a alternativa que contém a avaliação correta sobre as duas afirmações. As duas afirmações são falsas, pois ambas trazem pressupostos e crenças sobre a língua sem fundamento em pesquisas ou fatos. Leia o trecho abaixo: “[...] aplicando o modelo dos três continua ao quadro de polarização, têm-se, no ponto extremo da norma popular, as comunidades rurais mais isoladas do interior do país, cujos falantes, imersos na oralidade, exibiriam um espectro de variação estilística bastante reduzido, já que é escasso também seu contato com as demais variedades do português” (LUCCHESI, 2015, p. 153). Trata-se de um modelo de análise linguística formada por três continua, quais sejam: urbanização, letramento e monitoração estilística. Sobre a hipercorreção, é correto afirmar que: I. A hipercorreção, frequentemente, está presente na escrita e na fala de pessoas em ascensão cultural. 1. Pessoas que praticam a hipercorreção têm certa noção das normas da língua. 1. A hipercorreção é frequente em pessoas inseguras quanto às normas da língua. 1. Hipercorrigir, muitas vezes, é aplicar a regra de modo equivocado e desnecessário. Leia o trecho abaixo e assinale a única alternativa correta sobre o conteúdo tratado neste trecho: “O processo de industrialização e urbanização das sociedades modernas, como o ocorrido na Europa, tem como contraparte um processo de nivelamento linguístico, em que a variedade urbana de base letrada se impõe sobre o mosaico de dialetos rurais, cujas origens remontam à sociedade agrária feudal. [...] Assim, a consequência natural da industrialização e da urbanização da sociedade brasileira seria esse nivelamento linguístico, sob o modelo da norma urbana culta, que desencadeia mudanças “de cima para baixo” na norma linguística dos segmentos populares, sobretudo nos contingentes que se deslocaram para os grandes centros urbanos, eliminando em sua fala as formas e estruturas que antigas mudanças desencadeadas pelo contato entre línguas teriam produzido em sua formação histórica.” (LUCCHESI, 2015, p. 89). O objetivo do texto é apresentar e explicar o conceito de nivelamento linguístico: processo socioeconômico que sufoca os dialetos das zunas rurais e impõe a variedade da língua usada nas grandes cidades, ou seja, nivela a língua tendo como base apenas uma perspectiva – a norma urbana culta. SEMANA 5 - PRECONCEITO LINGUÍSTICO • Variação regional. Variação Social. Privilégios linguísticos. Hipercorreção. • Variedade prestigiada. Variedade estigmatizada. • A fala como campo de preconceitos. • Sua fala pode ser um disparador de preconceito, em uma sociedade preconceituosa, com grande desigualdade de renda e de acesso à educação, que discrimina pessoas pobres, pretas e pardas, nordestinas, interioranas ou pouco escolarizadas. • O preconceito linguístico deve ser combatido, especialmente nas escolas. “Preconceito linguístico: julgamento sobre falantes ou sobre grupos inteiros em uma comunidade em virtude das formas linguísticas que empregam (e essas formas geralmente são as que se afastam do padrão, sendo consideradas ‘incorretas’ , ‘feias’ , ‘piores’ , ‘imperfeitas’ etc.).” Como se dá o ciclo? Três elementos: • a gramática tradicional • os métodos tradicionais de ensino • os livros didáticos (“comandos paragramaticais” – manuais e mídia) “A gramática tradicional inspira a prática de ensino, que por sua vez provoca o surgimento da indústria do livro didático, cujos autores — fechando o círculo — recorrem à gramática tradicional como fonte de concepções e teorias sobre a língua.” (RE)CONHER A CRISE. MUDAR DE ATITUDE “Acionar nosso senso crítico toda vez que nos depararmos com um comando paragramatical e saber filtrar as informações realmente úteis, deixando de lado (e denunciando, de preferência) as afirmações preconceituosas, autoritárias e intolerantes [...] Da parte do professor em geral, e do professor de língua em particular, essa mudança de atitude deve refletir-se na não aceitação de dogmas, na adoção de uma nova postura (crítica) em relação a seu próprio objeto de trabalho: a norma culta.” (BAGNO, p. 114) E OS PRECONCEITOS (CRIMINOSOS) QUE SE CONCRETIZAM NA LINGUAGEM? Vocabulário e linguagem machista, racista, homofóbica, gordofóbica, discriminatória de indígenas, entre outras. COMO COMBATER: mudando nossa atitude, alertando a sociedade, exigindo a atualização por parte dos usuários oficiais da língua: editoras, escritores, mídia, universidades, acadêmicos, professores, governos, lideranças. O professor deve se informar sobre a linguagem antirracista e aplicar seus princípios na sala de aula e nos materiais didáticos. O tema deve sempre ser acompanhado de debate e com amplo acesso à informação. Não é uma questão para punição, mas de conscientização. Não é aconselhável que o professor ignore a linguagem racista, mas sim que aproveite a oportunidade para conversar sobre o tema e operar a transformação do vocabulário. O debate em sala de aula pode e deve ser ampliado para toda a escola e até para comunidade ao redor. A escola (lugar da educação formal) é o ambiente em que o preconceito linguístico é propagado por meio de livros didáticos, ensino gramatical e postura dos professores, mas também apontam a escola como o lugar com maior potencial de mudar o padrão de ensino e combater o preconceito linguístico de modo efetivo. Marcos Bagno declara que seu livro, Preconceito Linguístico, deu origem a qual outro trabalho de sua autoria? Deu origem à sua tese de Doutorado, intitulada “A dramática da língua portuguesa”. A pesquisadora Maridelma Laperuta-Martins, em seu artigo “Preconceito linguístico e sua conscientização: o papel da escola”, considera alguns pontos principais relacionados ao preconceito linguístico. Quais são eles? I. A atração que os aluno de graduação em Letras têm por aprender gramática normativa. II. O pouco conhecimento dos conceitos da sociolinguística, por parte dos professores da educação básica. III. O senso comum propagado na sociedade, muitas vezes equivocado, sobre o conhecimento técnico da linguagem, da língua portuguesa e suas implicações noensino. IV. A dificuldade que o brasileiro tem em aprender gramática. V. A baixa qualidade do ensino da norma culta da língua nas escolas em geral. A certa altura da entrevista contida no vídeo “Preconceito Linguístico - 20 anos depois”, os participantes fazem uma análise sobre os gramáticos (filólogos) contemporâneos. Qual a opinião dos participantes sobre esses pesquisadores da língua e suas obras? Os participantes explicam que os gramáticos contemporâneos não seguem normas gramaticais rígidas, inclusive há divergência entre eles e alguns até já preveem e admitem usos da língua que antes eram considerados inadequados. Qual a principal proposta do artigo “Por que pensar hoje em uma educação linguística antirracista?”, de Maurício José de Souza Neto (Revista de Estudos Linguísticos e Literários, 2021)? O autor objetiva discutir a educação linguística antirracista como uma plataforma de combate ao racismo na língua e na linguagem, para tanto sugere ações de educação linguística antirracista dentro e fora das escolas. Leias as afirmações abaixo e escolha a alternativa que reúne crenças equivocadas sobre a língua portuguesa no Brasil, segundo Marcos Bagno. I. “A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente” II. “Brasileiro não sabe português” / “Só em Portugal se fala bem português” III. “Português é muito difícil” IV. “As pessoas sem instrução falam tudo errado” V. “O certo é falar assim porque se escreve assim” Segundo Marcos Bagno, em Preconceito linguístico: o que é, como se faz, (São Paulo: Editora Loyola, 2017) qual é o elemento central que promove e perpetua o ciclo vicioso do preconceito linguístico? A gramática tradicional. SEMANA 6 - VARIAÇÃO ESTILÍSTICA (DIASTRÁTICA) E VARIAÇÃO NA FALA E NA ESCRITA (DIAMÉSICA) VARIAÇÃO ESTILÍSTICA OU DIAFÁSICA Variação estilística considera a adequação da fala aos contextos e às interações sociais do falante. Um mesmo falante pode usar diferentes formas linguísticas, dependendo da situação em que se encontra, lugar de onde fala, sobre o que fala e com quem fala. “papéis sociais” desempenhados em “contextos/domínios sociais” na interlocução com pessoas (relações de poder e de solidariedade). PAPÉIS SOCIAIS: “um conjunto de obrigações e de direitos definidos por normas socioculturais [...] são construídos no próprio processo da interação humana” (BORTONI-RICARDO, 2004, p. 23). Contexto ou domínio social: onde ocorre a comunicação - na escola, no trabalho, em casa, na igreja, na vizinhança etc. Esses são fatores (o assunto sobre o qual se conversa) que determinam a variação estilística – uma questão de adequação ao contexto em que ocorre a comunicação. A perspectiva variacionista (sociolinguística) comprova que são as interações sociais, e não a tradição gramatical, que determinam as dinâmicas linguísticas. • Variação social. • Variação estilística. • Preconceito linguístico. • O lugar, de Annie Ernaux. • Autossociobiografia (autoficção) VARIAÇÃO NA FALA E NA ESCRITA OU DIAMÉSICA A palavra diamésica - vários meios ou códigos Nesse contexto, a relação dos vários meios é com a fala e a escrita. O QUE DIFERENCIA A FALA DA ESCRITA? Condições básicas de produção. A fala é atividade espontânea, improvisada e suscetível a variação nos mais diversos níveis (salvo em momentos especiais, como o proferimento de uma palestra). A escrita é uma atividade artificial (não espontânea), ensaiada (no sentido de que reserva tempo e espaço para planejamento, revisões e reformulações), e um pouco menos variável, pois em geral está mais vinculada à produção de gêneros sobre os quais há mais regras e maior monitoramento. A variação diamésica na fala é causada por: • Tempo de fala / espontaneidade • Interação com interlocutor(es) • Comunicação corporal / informações extralinguísticas • Formas mais ligadas à linguagem coloquial. No texto escrito. ⮚ Tempo da escrita / planejamento. ⮚ Maior monitoramento linguístico. ⮚ Grande gama de variação estilística. ⮚ As variedades de prestígio são mais frequentes Não há uma oposição polarizada entre os registros formal e informal. Não há uma fronteira rígida entre as modalidades oral e escrita da língua. Impacto dessa reflexão (variação linguística) para além das questões diretamente ligadas ao ensino e aos preconceitos linguísticos. A variação linguística e a tradução de textos literários. Transcrever (usar) a fala oral nos diálogos, monólogos e até solilóquios para caracterizar personagens ou regiões geográficas da trama e criar contextos mais verossímeis “[...] a língua falada e a língua escrita, isso porque a primeira possui recursos de expressão, gestos, entonações e as frases, muitas vezes, são inacabadas, sem que sequer haja prejuízo à compreensão do receptor da mensagem, visto que ele está presente recebendo os sinais extralinguísticos e os enviando de volta. O receptor pode expressar feições e entonações de desentendimento, pode fazer perguntas e ser esclarecido no momento. A língua escrita não conta com esses recursos. O pensamento é construído lentamente, o texto pode ser reescrito e revisado diversas vezes, até que se alcance um modelo preciso e coeso como um todo. Desse modo, o uso da variação linguística é mais perceptível na língua falada que na escrita, apesar de não estar ausente desta”. (PAGANINE, C., & Fonseca, E. (2015). Na literatura brasileira, até o século XIX, houve resistência ao uso desse recurso estilístico, que era entendido como falta de domínio da língua portuguesa. Semana de 22 (modernistas) trouxeram a incorporação e valorização da linguagem popular, da língua falada para a literatura. O movimento vem de longe: José Alencar, Visconde de Taunay, Machado de Assis, Aluízio Azevedo e Lima Barreto já traziam a variação linguística em suas obras. Mas o exemplo máximo é Guimarães Rosa com Grande Sertão: Veredas ou com seu conto “Meu Tio o Iauaretê”, da obra Estas Estórias. (oralidade e neologismo e regionalismos) Qual a relação entre o título do artigo de Souza e Simioni (“Pro samba que você me convidou, com que roupa eu vou?”) com a variação estilística? O título é o verso de um samba, que trata da adequação entre a vestimenta e o lugar visitado. Imagem frequente quando falamos em variação estilística, pois alude à adequação da fala com o lugar social do falante No livro A língua de Eulália: novela sociolinguística, de Marcos Bagno, quem é Eulália? É a personagem que representa a variação linguística frequente em pessoas com pouca escolaridade Para a Sociolinguística, o que determina as dinâmicas linguísticas? As interações sociais