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Fichamento “O sentido histórico do Golpe de 1964 e da ditadura e suas interpretações”, Gilberto Calil · Analisa o sentido histórico do golpe e da ditadura, considerando todo o contexto, os impasses e embates anterior e a articulação do golpe e o seu “caminhar” após instauração; e para isso é necessário refletir acerca das explicações/interpretações existentes; · Para o autor p golpe não aconteceu de forma aleatória, ele é fruto de articulações que envolve tanto grupos sociais civis, militares e entidades de classes representativa da burguesia, e surge justamente para suprir aos interesses de classe e também reafirmar a nova fase do capitalismo brasileiro; · No âmbito político, é essencial entender as características da democracia brasileira vigente entre 1945 e 1964. Porém, ele recua ainda mais para entender a crise do populismo que surge do projeto populista como alternativa a política oligárquica, para assim entender o sentido histórico da ditadura; · Ele destaca que o projeto populista foi obra fundamentalmente da burguesia industrial, mas que teve êxito pela capacidade de mobilizar diferentes setores sociais (como proletariado e pequena burguesia) em favor de um projeto que objetivava colocar o Estado a serviço de uma política de industrialização. E que muito embora o populismo apresentasse hegemonia com uma fração da burguesia, também apresentava conflitos com as demais classes dominantes e contradições com o imperialismo. Ele destaca também sobre o período não ser homogeneamente populista; · Para o autor, a democracia vigente no BRA era limitada e marcada por aspectos autoritários, herança da ditadura do Estado Novo, onde surge 2 projetos de democratização, onde o primeiro concebia a democracia de forma ampla e que tomou forma nas greves e manifestações; enquanto o segundo era um projeto liberal e excludente que preservava o controle sobre a classe trabalhadora e que limitava a liberdade de organização e manifestação (o que foi o maior responsável pelas lutas e resistências) além de restringir o direito a greve, forte repressão da polícia política, limites contra manifestações públicas, demissão de funcionários públicos que fossem suspeitos de simpatia ao comunismo... caracterizando assim uma democracia liberal herdeira do autoritarismo; · No âmbito social, para o autor a crise do populismo se deu através do crescimento da mobilização e radicalização dos setores subalternos e da reação dos grupos dominantes. A ativação política dos trabalhadores rurais, das Ligas Camponesas e sindicatos rurais reivindicando direitos sociais ao campo e defesa da reforma agrária; enquanto as classes dominantes tinham violenta reação contra qualquer discussão em torno da reforma agrária, e os setores intermediários se dividiam politicamente. · Seguindo essa lógica, o autor destaca o papel protagonista da burguesia brasileira a frente do golpe e na condução política e econômica da ditadura, com ocupação de posições de poder durante a ditadura, surgindo neste contexto o IPES/ABAD (Instituto de pesquisa econômica e sociais e Instituto brasileiro de ações democráticas) que financiaram campanhas, disseminaram posições anticomunistas e participando diretamente das articulações que conduziram ao golpe, a exemplo do IPES ter produzido uma farta propagando golpista através de livros, folhetos, filmes e revistas, ter organizado manifestações de massa e apoiado atividade conspiratória no interior das Forças Armadas; · O autor faz toda sua analise a partir da tese de René Dreifuss que interpreta uma perspectiva de totalidade, onde a burguesia brasileira junto com os capitais externos foram o principal fator que impulsionou o governo e determinou os rumos da ditadura. No último tópico ele faz uma revisão e pontua acerca das críticas que a obra de René teve principalmente pela sua perspectiva totalizante que articulava elementos econômicos, políticos, sociais e culturais.