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Sociologicamente, a aplicação dessa doutrina após a outorga do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 1968, gerou a paralisia quase total da sociedade civil organizada. A censura prévia à imprensa, às artes e às universidades impediu a circulação do pensamento crítico e camuflou os índices reais de miséria e corrupção. Os sindicatos sofreram intervenção direta do Ministério do Trabalho, e o movimento estudantil foi empurrado para a clandestinidade. O resultado não foi a paz social, mas a pacificação pelo terror, operacionalizada pelos porões do DOI-CODI. Ao extirpar os canais democráticos de mediação de conflitos, o regime autoritário atomizou os indivíduos, quebrando os laços de solidariedade comunitária e incutindo na população a cultura do medo, da desconfiança mútua e do silêncio como únicas vias de autopreservação, transformando a denúncia e o engajamento político em sinônimos de perigo letal e banimento social. O legado desse período reverbera até os dias atuais, especialmente no campo da memória institucional. A transição brasileira para a democracia foi desenhada "lenta, gradual e segura" pelos próprios militares, culminando em uma Lei de Anistia que equalizou politicamente os opositores do regime e os agentes de Estado responsáveis pela repressão. Ao contrário de nações vizinhas, o Brasil não promoveu um acerto de contas imediato com o seu passado autocrático. O adiamento do estabelecimento de uma justiça de transição plena permitiu que resquícios autoritários, como a criminalização dos movimentos populares, sobrevivessem incólumes no tecido contemporâneo. Repensar a ditadura não é um exercício sobre arquivos empoeirados, mas uma exigência inadiável para compreender as fraturas que limitam a cidadania no país.
A política de integração territorial da região amazônica, materializada em obras de grande escala como a Rodovia Transamazônica, foi justificada pelo Estado brasileiro por meio de uma premissa ideológica específica. No contexto abordado, essa premissa serviu politicamente para
A proteger rigorosamente as fronteiras secas do país contra o avanço de guerrilhas comunistas internacionais financiadas pela Guerra Fria.
B demarcar vastas reservas ecológicas e proteger as riquezas naturais da bacia hidrográfica contra a exploração predatória estrangeira.
C promover uma reforma agrária igualitária que solucionasse os conflitos fundiários seculares existentes no sertão nordestino.
D legitimar a ocupação forçada do território ao invisibilizar a presença histórica de populações tradicionais sob o mito do "vazio demográfico".
E explorar reservas minerais estratégicas utilizando tecnologias limpas recém-adquiridas no processo de alinhamento com os Estados Unidos.
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há 6 horas

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há 6 horas

Vamos analisar o contexto histórico e sociológico apresentado: - O texto fala sobre o regime autoritário no Brasil após o AI-5 (1968), repressão, censura, medo e a transição lenta para a democracia. - Em seguida, menciona a política de integração territorial da Amazônia, com obras como a Rodovia Transamazônica. - A pergunta é sobre a premissa ideológica usada para justificar essa política. Historicamente, o governo militar justificava a ocupação da Amazônia com a ideia do "vazio demográfico", ou seja, que a região era praticamente desabitada e precisava ser ocupada para garantir a soberania nacional, especialmente contra ameaças externas (como o comunismo na Guerra Fria). Analisando as alternativas: A) Proteger fronteiras contra guerrilhas comunistas — é parte da justificativa, mas o foco principal da integração territorial era a ocupação e controle do território, não só a defesa contra guerrilhas. B) Demarcar reservas ecológicas — não era o foco do regime militar, que priorizava a ocupação e exploração. C) Reforma agrária no sertão nordestino — não tem relação com a Amazônia. D) Legitimar a ocupação forçada do território ao invisibilizar populações tradicionais sob o mito do "vazio demográfico" — corresponde exatamente à justificativa ideológica usada. E) Explorar reservas minerais com tecnologias limpas — não condiz com o contexto da época. Portanto, a alternativa correta é: D) legitimar a ocupação forçada do território ao invisibilizar a presença histórica de populações tradicionais sob o mito do "vazio demográfico".

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Sociologicamente, a aplicação dessa doutrina após a outorga do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 1968, gerou a paralisia quase total da sociedade civil organizada. A censura prévia à imprensa, às artes e às universidades impediu a circulação do pensamento crítico e camuflou os índices reais de miséria e corrupção. Os sindicatos sofreram intervenção direta do Ministério do Trabalho, e o movimento estudantil foi empurrado para a clandestinidade. O resultado não foi a paz social, mas a pacificação pelo terror, operacionalizada pelos porões do DOI-CODI. Ao extirpar os canais democráticos de mediação de conflitos, o regime autoritário atomizou os indivíduos, quebrando os laços de solidariedade comunitária e incutindo na população a cultura do medo, da desconfiança mútua e do silêncio como únicas vias de autopreservação, transformando a denúncia e o engajamento político em sinônimos de perigo letal e banimento social. O legado desse período reverbera até os dias atuais, especialmente no campo da memória institucional. A transição brasileira para a democracia foi desenhada "lenta, gradual e segura" pelos próprios militares, culminando em uma Lei de Anistia que equalizou politicamente os opositores do regime e os agentes de Estado responsáveis pela repressão. Ao contrário de nações vizinhas, o Brasil não promoveu um acerto de contas imediato com o seu passado autocrático. O adiamento do estabelecimento de uma justiça de transição plena permitiu que resquícios autoritários, como a criminalização dos movimentos populares, sobrevivessem incólumes no tecido contemporâneo. Repensar a ditadura não é um exercício sobre arquivos empoeirados, mas uma exigência inadiável para compreender as fraturas que limitam a cidadania no país.
Os mecanismos de censura e o aparato repressivo do Estado, recrudescidos a partir de 1968, provocaram impactos profundos na organização da sociedade civil. O texto sugere que a principal consequência sociológica das ações do regime nesse período foi a
A desmobilização política e a atomização dos indivíduos, instaurando uma cultura do medo que inviabilizou a mediação democrática de conflitos.
B criação de canais participativos modernos que substituíram as antigas organizações estudantis no diálogo direto e pacífico com o governo central.
C transparência total na divulgação de dados sociais, permitindo que a população fiscalizasse as obras de integração nacional em andamento.
D ampliação significativa da autonomia financeira dos sindicatos operários, que passaram a ditar as regras de reajuste salarial sem interferência.
E consolidação de laços de solidariedade comunitária fortalecidos pela confiança irrestrita que os cidadãos depositaram nos órgãos de segurança.

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