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TEORIA DO TESTEMUNHO TESE DE PSICOLOGIA

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A CREDIBILIDADE DO TESTEMUNHO 
 
A VERDADE E A MENTIRA NOS TRIBUNAIS 
 
 
 
CARLOS ALBERTO BARBOSA DIAS RIBAS 
 
 
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM MEDICINA LEGAL 
 
 
 
 
 
 
 
2011 
MESTRADO EM MEDICINA LEGAL 
 
 
CARLOS ALBERTO BARBOSA DIAS RIBAS 
 
 
 
A CREDIBILIDADE DO TESTEMUNHO: 
A VERDADE E A MENTIRA NOS TRIBUNAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Dissertação de Candidatura ao grau de Mestre 
em Medicina Legal, submetida ao Instituto de 
Ciências Biomédicas de Abel Salazar da 
Universidade do Porto. 
 
 Orientador – Dr. Joaquim Correia Gomes 
 Categoria – Juiz Desembargador 
 Afiliação – Tribunal da Relação do Porto 
 
 
 
 
 
 
 
 
MESTRADO EM MEDICINA LEGAL 
 
Agradecimentos 
 
Aos meus antepassados, cuja memória invoco, ao meu pai e a todos 
quantos mais de perto me ajudaram a construir e formar a minha 
personalidade, carácter e moral. Aos meus professores e mestres por tudo 
quanto me deram a conhecer. Aos Srs. Professores Doutores José Eduardo 
Pinto da Costa e Maria José Pinto da Costa, pessoas de inigualável e 
superior craveira intelectual e académica, dotados de grande sabedoria, que 
me deram a honra de poder, mais de perto, escutar o brilho e a eloquência 
dos seus conhecimentos. Ao meu Orientador, Sr. Dr. Juiz Desembargador 
Joaquim Correia Gomes, pessoa de craveira intelectual invulgar, por todo o 
apoio, confiança, motivação, encorajamento, visão crítica e sublime 
demonstração de estímulo intelectual. 
A todos os Colegas e Amigos deste curso que, por alguma forma, me 
acompanharam e ajudaram neste percurso. A todos aqueles que, em cada 
momento, me ajudaram no alcançar da meta a que me proponho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MESTRADO EM MEDICINA LEGAL 
palavras-chave 
 
Prova, credibilidade, testemunho, verdade, mentira, livre convicção, percepção, memória, 
julgador, direito, emoções, psicologia, avaliação, valoração. 
Resumo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os temas da Justiça estão na ordem do dia. Nunca foi tão visível a forma como é exercida a 
pretensão punitiva do Estado no quadro do nosso ordenamento jurídico. Porém, toda a 
actividade jurisdicional está sujeita a regras, quer de carácter substantivo, quer de carácter 
processual ou adjectivo, disciplinando estas últimas o modo e a forma pela qual podem os 
operadores judiciários realizar a sua função. 
 
Todavia, tais regras de procedimento, de carácter adjectivo, mais não são do que estatuições 
de um conjunto encadeado de actos para a realização do fim a alcançar, qual seja o da 
realização da Justiça, a qual se realiza após o conhecimento dos recortes factuais que o 
direito enquadra e a que dá resposta. 
 
Contudo, para o apuramento das realidades a subsumir a quadros normativos, contribuem, 
decisivamente, os meios de prova, nomeadamente a prova testemunhal e a prova por 
declarações. 
 
Neste contexto, tem sido crescente o interesse pela forma com que tais depoimentos são 
apreciados e valorados em sede penal, tal o avolumar de casos mediáticos ligados, 
sobretudo, aos crimes sexuais e à violência doméstica. 
 
Tal interesse foi assim o propulsor da presente dissertação, que tem por objecto a análise do 
que em sede judicial é considerado prova, do princípio regra informador da sua apreciação e 
valoração – Princípio da Livre Apreciação da Prova - do testemunho, do depoimento do 
acusado, da testemunha, da detecção da mentira, da linguagem no testemunho, da psicologia 
do testemunho, da sua avaliação, valoração e credibilidade e na relação entre a Psicologia, o 
Direito e a Justiça. 
 
Nuclearmente a presente dissertação tem por objecto a forma pela qual os Tribunais, no 
respeito pelo Princípio da Livre Apreciação da Prova, valoram e credibilizam o 
testemunho/depoimento prestado oralmente, as condicionantes do seu rigor e verdade, a sua 
avaliação e credibilização. 
 
Foi nossa pretensão, nesta dissertação, a análise dos pressupostos da credibilização do 
testemunho, equacionando a forma como vem sendo valorado e tudo quanto o pode 
contaminar, evidenciando a mais valia que pode ser o contributo da psicologia para uma 
melhor valoração do testemunho, sobretudo em casos de escassos meios probatórios, tanto 
mais que esta tem por base o conhecimento das características psicológicas e da 
personalidade de quem o presta, contribuindo decisivamente para uma melhor apreciação do 
testemunho em si e dos factores que o podem influenciar. 
 
O estudo empírico traduziu-se na realização de vinte e cinco entrevistas a Magistrados 
Judiciais, das diversas instâncias, onde foram recolhidos dados de origem quantitativa e 
qualitativa, cujos resultados pretendem espelhar uma melhor compreensão e percepção do 
que, em concreto, motiva decisões judiciais no que concerne à credibilização dos 
testemunhos. 
 
Esta dissertação tenta assim contribuir para uma maior e crescente sensibilização que 
desperte o sentimento da necessidade de convocação do saber de áreas externas ao Direito, 
tal como a Psicologia, para uma melhor compreensão e valoração dos testemunhos e 
contornos que determinam a sua credibilização. 
 
Caminhando neste sentido e com esta orientação, teremos certamente uma melhor Justiça, 
cuja malha da peneira por onde passam os culpados, mas não devem passar os inocentes, se 
adeque mais ainda na sua distensão apenas à passagem dos primeiros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MESTRADO EM MEDICINA LEGAL 
keywords 
 
Proof, credibility, testimony, truth, lie, free conviction, perception, memory, judge, justice, 
emotions, psychology, assessment, valuation. 
 
Abstract 
 
The themes of Justice are on the agenda. It has never been so visible how it is exercised the 
punitive claim of the State within the framework of our legal system. 
 
Nevertheless, all jurisdictional activity is subjected to rules, either of substantive nature or of 
processual or adjective nature, regulating these last ones the mode and manner in which the 
judicial operators can perform their function. 
 
However, such proceeding regulations of adjective nature, are nothing more than 
orders/decisions of a chain set of acts to carry out the purpose to achieve, which is the 
realisation of Justice, which takes place after the knowledge of the factual clippings that Law 
frames and answers. 
 
Although, for the clearance of the realities to subsume to legal frameworks, contributes, 
decisively, the evidence, namely witness proof and the proof by statements. 
 
In this context, it has been growing the interest by the manner such statements are 
appreciated and valued in a criminal court, such is the swell of media cases connected, mainly, 
to sexual crimes and domestic violence. 
 
Such interest was the propulsive of this dissertation, which concerns the analysis of what is 
considered proof in a criminal court; of the principle rule-informer of its appreciation and value 
– Principle of Free Appreciation of the Proof - of the testimony; of the deposition of the 
accused; of the witness; of the detection of lies; of the language in testimony; of the 
psychology of testimony; of its assessment, valuation and credibility in the relation between 
Psychology, Law and Justice. 
 
Nuclearly, this dissertation has as purpose the manner Courts, in the respect for the Principle 
of the Free Appreciation of the Proof, assess and give credibility to the oral 
testimony/deposition, the constraints of its accuracy and truth, its assessment and credibility. 
 
It was our intention, on this dissertation the analyses of the credibility of the testimony, 
equating the way it has been valued and all which can contaminate it, demonstrating the 
added value that the contribution of psychology to a better valuation of the testimony, 
especially in cases of scarce means of proof, all the more since this one has as bases the 
knowledge of the psychological characteristics and personality of who gives it, contributing 
decisively