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TEORIA DO TESTEMUNHO TESE DE PSICOLOGIA

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em estudos (Brainerd; Reyna, 1993; McDermott, 1996b; 
Brainerd & Monjardin, 1998, citados por Reis, M., 2006, p. 86), o efeito de uma mera 
entrevista anterior pode levar a um prejuízo importante na precisão do relato numa 
entrevista posterior, visto que o efeito de criação das falsas memórias pode suplantar 
aquele de protecção das memórias para o que realmente ocorreu‖ (Reyna, 1998, 
citado por Reis M., 2006, p. 81). 
 
“No que diz respeito à persistência dos traços de memória por um período de 
uma semana, é senso comum que a memória para aquelas informações que 
fazem parte da experiência realmente vivida deve ser mais duradoura que para 
aquilo que não foi vivido. Todavia, contrariando o nosso senso comum, as falsas 
memórias podem ser tão duradouras quanto as verdadeiras” (McDermott, 1996, 
citado por Reis M., 2006, p. 81). 
“Excluindo o crime de falso testemunho, prescrito na lei, pode-se afirmar que, 
num depoimento judicial, as lembranças reais, tanto de adultos quanto de 
crianças, muitas vezes se confundem com outras lembranças, que não são 
necessariamente uma mera criação fantasiosa, mas, ainda assim, são falsas em 
relação ao facto em questão” (Reis M., 2006, p. 82). 
 
“A pesquisa sobre falsas memórias na área forense, além de transpor o 
paradigma do verdadeiro e do falso testemunho, serve como ferramenta para 
que polícias, advogados, promotores da justiça e magistrados, venham a 
maximizar a elucidação dos mais variados litígios fazendo assim cumprir o 
objectivo primeiro de, conciliar e defender, ao mesmo tempo, os direitos das 
partes envolvidas” (Reis M., 2006, p. 82). 
 
―(…) O relato livre, sem interrogatórios é sempre melhor que o interrogatório e melhor 
ainda se um especialista pedir o relato. Não se deve descartar a realização de 
perguntas, mas sempre posteriormente‖ (Reis M., 2006, p. 82). 
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“(…) Com a realização de perguntas produz-se uma interiorização da informação 
devido à aparição de uma maior quantidade de informação idiossincrática, 
alusiva a processos mentais. A introdução de informação que não provém 
directamente do relato original, mas sim, do modelo activado e da maior 
implicação dos processos mentais, fará com que os sinais de memória dos 
sujeitos se desloquem dos sinais originais com cada nova recuperação e, 
portanto, provocará nos sujeitos mais problemas na discriminação do facto 
presenciado” (Reis M., 2006, pp. 82-83). 
 
―Este facto leva a que, nos vários relatos, vão aparecendo mais expressões dúbias. A 
aparição de mais dúvidas e mais correcções espontâneas nos relatos dos sujeitos é 
trazido pelas perguntas‖ (Manzanero & Diges, 1992, citado por Reis, M., 2006, p. 83). 
 
“Se se tiver em conta que quase todos os interrogatórios judiciais versam sobre 
situações de delito ou, pelo menos, que giram em redor de um núcleo emocional 
intenso, compreender-se-á a frequência com que o choque emocional se apresenta, 
não só nos suspeitos como nas testemunhas. Este fenómeno, devido ao facto da 
“repressão” exercida por parte dos diferentes promotores da justiça, levam os sujeitos 
a actuar de forma inconsciente. Esquecem, involuntariamente, factos ou fragmentos da 
situação conflituosa. Nestas condições, quanto mais esforços por parte do sujeito para 
vencer o seu esquecimento, tanto mais os incrementará. Por outro lado, o sujeito, ao 
dar-se conta da pobreza das suas recordações, completa-a automaticamente, e de boa 
fé, utilizando cadeias de associações relacionadas com os factos vividos. A memória 
do testemunho é um tema complexo que se compõe de três elementos cognoscitivos 
distintos: a psicologia, o direito e a medicina. Tentar unir os conhecimentos da ciência 
da medicina, da psicologia e do direito para explicar o valor psicológico e jurídico do 
testemunho constitui o desafio contemporâneo” (Reis M., 2006, p. 83). 
 
―A emoção é um factor facilitador da memória, embora não garanta uma recordação 
isenta de erros‖ (Reis M., 2006, p. 200). 
 
―Posteriores repetições pioram a recuperação da informação armazenada e evocada‖ 
(Reis M., 2006, p. 200). 
 
“(…) O sistema judiciário pretende que as declarações das testemunhas sejam 
sempre consistentes. As recuperações que as diferentes instâncias judiciais 
levam em conta, formulando perguntas, torna mais fácil sugerir informação, 
mesmo que essa informação seja verdadeira como foi a utilizada neste estudo. O 
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relato livre é melhor, ou pelo menos, permite que não ocorram erros ou falsas 
memórias. As perguntas são necessárias, mas devem ser obtidas a posteriori e, 
formuladas de forma correcta. Assim, a recordação livre é mais exacta do que a 
recordação com indícios. A realização de perguntas, produz uma interiorização 
da informação devido à aparição de uma maior quantidade de informação 
idiossincrática alusiva a processos mentais. Esta interiorização da informação 
provocada pelo questionário poderá ser uma das causas do surgimento de mais 
dúvidas e mais correcções nos relatos iniciais. Até porque, conforme defendem 
vários autores, toda a introdução de informação que não provenha directamente 
do facto original, fará com que as marcas da memória das testemunhas se 
desloquem da marca inicial com cada nova recuperação e, provocará, que estas 
tenham mais problemas na discriminação do que realmente presenciaram e do 
que não presenciaram” (Reis M., pp. 200-201). 
 
4.4.7.1. O Efeito do Sorriso na Percepção da Verdade e da Mentira 
 
Não se pode esconder o rosto pois este “ (…) é a parte mais visível que apresentamos 
ao mundo. Por isso, é o palco da metacognição. Tudo o que se faz, no caso concreto 
da tomada de uma decisão, tem reflexos na expressão facial da emoção. E tal se nota 
na configuração morfo-esquelética. Os músculos do rosto reflectem estados 
psicológicos associados a uma determinada decisão. (…) Quando a tomada de 
decisão implica mergulhar na emoção felicidade, o rosto exibe movimentos musculares 
de descontracção e distensão, levando aos estados de relaxamento. (…) 
Uma decisão que está tomada no cérebro pode “ver-se” no rosto antes mesmo de ser 
revelada verbalmente. É esse o valor inquestionável da comunicação humana através 
do rosto – não se pode esconder nada. E quando se tenta, estamos a revelar ainda 
mais. A decisão está tomada: o rosto é o rosto da decisão” (Freitas-Magalhães, 2009, 
p. 44). 
 
“(…) O sorriso é uma expressão emocional e, quando verdadeira, completa a função 
de determinada emoção. O sorriso verdadeiro expressa-se independentemente da 
emoção positiva ou negativa que se pretende partilhar, uma vez que o que caracteriza 
tal sorriso é a simetria, a duração e a intensidade do mesmo. 
Quando se pretende mascarar uma emoção negativa com um sorriso, tal apenas é 
possível na intenção porque o palco que é rosto vai denunciar tal atitude sem qualquer 
tipo de contemplações” (Freitas-Magalhães, 2009, p. 45). 
 
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―O sorriso aparece muito cedo no desenvolvimento do bebé e o seu significado é 
essencialmente o mesmo independentemente do contexto cultural ou social onde foi 
exibido. O sorriso espontâneo traduz prazer, alegria ou satisfação (…)‖ (Freitas-
Magalhães, 2009, p. 47). 
 
“O sorriso é um dos principais organizadores do psiquismo humano. A par do 
choro e da alimentação, o sorriso é um instrumento de inserção no peri-mundo. 
(…) 
Usualmente, o sorriso está associado a emoções e sentimentos positivos como a 
felicidade, o prazer, o divertimento ou a amizade. Porém, expressa, também, 
ironia, tristeza, insatisfação, desgosto e embaraço” (Freitas-Magalhães, 2009, pp. 
63-64). 
“Com a ocorrência da emoção alegria, entra em actividade o músculo zygomatic