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TEORIA DO TESTEMUNHO TESE DE PSICOLOGIA

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desta, sendo 
nulas as provas obtidas mediante tortura, coacção ou, em geral, ofensa da integridade 
física ou moral das pessoas (cfr. art. 126.º, n.º 1 do C.P.P. e art. 32.º, n.º 8, da 
Constituição da República Portuguesa, adiante designada por C.R.P.). 
 
“Prova, em sentido lógico, ou filosófico, significa um processo mediante o qual se 
estabelece que a conclusão se segue das premissas. Alguns autores incluem no 
significado da «prova» a dedução; outros restringem o significado à 
demonstração cuja conclusão é correcta. Para efectuar uma prova é necessário 
utilizar certas regras de inferência. Em nenhum caso a prova se baseia numa 
«intuição» da verdade de uma proposição” (Jornadas de Direito Processual 
Penal e Direitos Fundamentais, 2004, p. 224). 
 
Prova é assim ―a actividade de demonstrar a realidade de um facto, ou o resultado da 
demonstração de que determinado facto é real‖ (Jornadas de Direito Processual Penal 
e Direitos Fundamentais, 2004, p. 224). 
 
O Código Penal e o Código de Processo Penal não contêm qualquer definição do que 
é a prova. Porém este último diploma, mercê de muitas referências que ali contém 
relativas à prova, conclui que a prova, em sede processual penal, visa a demonstração 
da realidade dos factos. Assim sendo, pressuposto para a aplicação da estatuição é a 
verificação da previsão, e para que esta se dê, por seu turno, por preenchida, ponto é 
que os factos em que a mesma se analisa sejam dados por assentes, isto é, como 
historicamente verificados (Jornadas de Direito Processual Penal e Direitos 
Fundamentais, 2004, pp. 224-225). 
 
“O termo «prova», pode significar, no texto do Código de Processo Penal: 
- A própria actividade de tentar convencer o Tribunal de uma certa versão das 
coisas, exibindo documentos, interrogando testemunhas, etc. 
- Os modos de reunir indícios que venham a servir para esse convencimento, isto 
é, a actividade de recolha dos elementos (armas, documentos, vestígios, etc.)” 
(Pinto A., 2001, p. 281). 
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A CREDIBILIDADE DO TESTEMUNHO – A VERDADE E A MENTIRA NOS TRIBUNAIS 
Em idêntico sentido, e segundo Marques da Silva, prova tanto poderá significar o ―acto 
complexo de actos que tendem a formar a convicção da entidade sobre a existência ou 
inexistência de uma determinada situação factual‖, como a ―convicção da entidade 
decidente formado no processo sobre a existência ou não de uma dada situação de 
facto‖, como o ―instrumento probatório para formar aquela convicção‖ (Jornadas de 
Direito Processual Penal e Direitos Fundamentais, 2004, p. 225). 
 
―Tradicionalmente, e logicamente, concebe-se a prova enquanto processo, ou método, 
no mais próprio sentido da palavra: um caminho que se trilha entre um facto cuja 
existência histórica (ou verdade) se quer demonstrar, e a conclusão sobre a respectiva 
existência ou não‖ (Jornadas de Direito Processual Penal e Direitos Fundamentais, 
2004, p. 226). 
 
No processo penal moderno “(…) a prova, entendida como actividade é também 
garantia da realização de um processo justo, de eliminação do arbítrio, quer enquanto 
a demonstração da realidade dos factos não há-de procurar-se a qualquer preço, mas 
apenas através de meios lícitos, quer enquanto através da obrigatoriedade de 
fundamentação das decisões de facto permite a sua fiscalização através dos diversos 
mecanismos de controlo de que dispõe a sociedade” (Silva G., 1999, pp. 92-93). 
 
―O conhecimento judiciário de um facto (retalho da vida), a sua representação 
convincente, bem como a afirmação da sua existência, depende, essencialmente, da 
«arte de administrar» as provas no processo. A prova é o meio através do qual se liga 
o objecto (facto) à convicção do sujeito (julgador)‖ (Magistrados do Ministério Público 
do Distrito Judicial do Porto, 2009, p. 337). 
 
―A prova tem por função assegurar a objectividade de Juízo através da demonstração 
da realidade dos factos (art. 341.º do C.C.), garantir a validade da demonstração, 
assegurar a constituição do processo equitativo e ainda permitir a fundamentação e o 
controle endoprocessual da convicção‖ (Magistrados do Ministério Público do Distrito 
Judicial do Porto, 2009, p. 337). 
 
“A produção da prova move-se numa dupla perspectiva, de racionalidade 
extrínseca ou processual, pela qual a autoridade judiciária dispõe de um quadro 
de princípios, regras e proibições, de raiz constitucional e legal cuja observância 
se lhe impõe; e de racionalidade intrínseca ou pessoal, que consagra uma 
pleíade de regras lógicas e de metodologia que necessita de manusear, num 
quadro de livre apreciação, sob pena de aceder a um conhecimento por meio de 
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uma metodologia epistemologicamente anárquica” (Teixeira C., citado por 
Magistrados do Ministério Público do Distrito Judicial do Porto, 2009, p. 338). 
 
―A intervenção judicial e os juízos de facto e de direito que vão ser exarados na 
decisão final, particularmente quando é proferida a sentença, dependem da produção 
de provas realizadas, por regra, em sede de audiência de julgamento‖ (Dias M., 2005, 
Revista do CEJ, p. 170). 
 
―Prova é uma palavra polissémica mesmo no estrito plano jurídico-processual. Com ela 
podemos reportar-nos, desde logo, à actividade probatória enquanto procedimento 
pelo qual um facto duvidoso adquira o valor de uma verdade, pelo menos provisório, 
por meio de um julgamento que o reconhece (…)‖ (Fonseca A., 2006, p. 90). 
 
―Com este sentido, estabelece o art. 124.º do C.P.P. que, constituem objecto de prova 
todos os factos juridicamente relevantes para a existência ou inexistência do crime, a 
punibilidade ou não punibilidade do arguido e a determinação da pena ou de medida 
de segurança aplicáveis‖ (Fonseca A., 2006, p. 90). 
 
―No sentido de meios de prova, esta consiste, antes, nas diversas vias ou 
instrumentos, de natureza pessoal ou material, pelos quais pode demonstrar-se a 
realidade de um facto no processo. Com este sentido incluiu o C.P.P. nos meios de 
prova, a prova testemunhal, a prova pericial, entre outras (…)‖ (Fonseca A., 2006, p. 
90). 
 
Ainda a propósito da prova, “predomina, entre os juristas, a corrente daqueles que 
seguem a chamada teoria do probabilismo, segundo a qual não há certezas no 
acontecer histórico, mas apenas probabilidades (…)‖ (Almeida D., 1977, p. 104). 
 
“ (…) O jurista tanto pode lançar mão das certezas físico-matemáticas, quando 
os factos a investigar lhe surgem através de rigorosas análises laboratoriais, 
como terá de alcançar mão de juízos de probabilidade, quando a realidade dos 
factos é trazida através do testemunho ou de documentos. Neste último caso, é o 
alto grau de probabilidade ou de verosimilhança que leva à certeza (…)” (Almeida 
D., 1977, p. 104). 
 
―Toda a convicção humana é uma convicção de probabilidade, ao homem não é 
permitida a consciência da verdade absoluta e indubitável – certeza – mas a 
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consciência de um elevado grau de probabilidade, consciência a que chamamos 
convicção‖ (Mendes, 1961, citado por Almeida D., 1977, p. 105). 
 
Temos assim, na perspectiva cujo enfoque aqui desejamos, a prova enquanto juízo de 
mérito sobre os respectivos suportes, que leva à convicção dos contornos de uma 
certa realidade histórica, à convicção do decisor/julgador sobre as circunstâncias de 
tempo, lugar e modo em que a mesma ocorreu. 
 
Prova enquanto apuramento de uma realidade factual sobre a qual se tornou possível 
a elaboração de um juízo probatório relativamente à demonstração de factos 
juridicamente relevantes, assegurando-se, validando-se e demonstrando-se assim a 
objectividade das decisões. 
 
2. A livre apreciação da prova 
 
No que concerne ao juízo probatório temos ―(…) o sistema de valoração legal formal