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<p>SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL</p><p>UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ</p><p>INSTITUTO DE LINGUÍSTICA, LETRAS E ARTES</p><p>FACULDADE DE ESTUDOS DA LINGUAGEM</p><p>CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM LETRAS – LÍNGUA PORTUGUESA</p><p>KEYLANE PINTO DE OLIVEIRA</p><p>O PAPEL DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO</p><p>NA FORMAÇÃO DOCENTE</p><p>Marabá/PA</p><p>2019</p><p>2</p><p>KEYLANE PINTO DE OLIVEIRA</p><p>O PAPEL DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO</p><p>NA FORMAÇÃO DOCENTE</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso</p><p>apresentado como requisito para a</p><p>Graduação do Curso de Licenciatura</p><p>Plena em Letras – Língua Portuguesa da</p><p>Universidade Federal do Sul e Sudeste do</p><p>Pará</p><p>Orientador: Profº Dr. Gilmar Bueno Santos</p><p>Marabá/PA</p><p>2019</p><p>3</p><p>4</p><p>AGRADECIMENTOS</p><p>Agradeço primeiramente a Deus por tudo, principalmente por me dar forças</p><p>para concluir mais uma etapa de minha vida.</p><p>À minha família, que esteve presente em todos os momentos dessa jornada,</p><p>apoiando, incentivando e dando força nas horas necessárias.</p><p>A todos os meus amigos que acompanharam minha caminhada.</p><p>Ao meu querido professor e orientador deste trabalho, Gilmar Bueno Santos,</p><p>que prontamente aceitou me orientar, estando eu já nos últimos momentos de</p><p>chance de defesa.</p><p>A todas as pessoas que direta e indiretamente contribuíram para o êxito deste</p><p>trabalho.</p><p>Que a ausência de alguns nomes não signifique esquecimento.</p><p>5</p><p>Ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar as</p><p>possibilidades para sua produção ou sua construção.</p><p>Quem ensina aprende ao ensinar,</p><p>quem aprende ensina ao aprender.</p><p>Paulo Freire</p><p>6</p><p>RESUMO</p><p>O objetivo geral deste Trabalho de Conclusão de Curso é analisar o papel das</p><p>Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na formação docente. Os</p><p>objetivos específicos são: revisar teoricamente sobre a atual interação existente</p><p>entre educação, escola e as Tecnologias de Informação e Comunicação; investigar a</p><p>aplicação das TICs no processo educacional no intuito de promover novas práticas</p><p>pedagógicas no processo de ensino e aprendizagem de língua portuguesa; e avaliar</p><p>a colaboração das TICs para o aprendizado dinâmico e interativo sob a</p><p>orientação/mediação do professor. A metodologia aplicada foi a pesquisa</p><p>bibliográfica e a pesquisa de campo, com aplicação de entrevistas a professores de</p><p>escolas públicas e privadas do município de Marabá/PA. Concluiu-se que a partir do</p><p>uso dos recursos tecnológicos e das TICs, a escola, juntamente com os professores,</p><p>pode inovar a prática docente, na medida em que, em momentos planejados, pode</p><p>substituir a aula tradicional pela participação dos alunos em aulas virtuais</p><p>acompanhadas e mediadas pelo professor, bem como pesquisas a serem feitas na</p><p>Internet, dessa forma possibilitando que esse aluno perceba que a escola também</p><p>faz parte da sociedade tecnológica e que o professor precisa de capacitação,</p><p>precisa ser formado e qualificado para o uso das novas Tecnologias de Informação e</p><p>Comunicação (TICs), tendo a pesquisa apontado que os professores participantes</p><p>da mesma percebem e sabem o valor e a importância da tecnologia como um</p><p>recurso para o bom desempenho e eficácia de seu trabalho escolar, considerando-</p><p>se o entendimento de que as TICs, além de renovar a práxis pedagógica, propiciam</p><p>reforço e auxílio ao processo de ensino e aprendizagem.</p><p>Palavras-Chave: Tecnologias de Informação e Comunicação. Sociedade</p><p>Tecnológica. Formação Docente.</p><p>7</p><p>ABSTRACT</p><p>The general objective of this Course Completion Work is to analyze the role of</p><p>Information and Communication Technologies (ICTs) in teacher education. The</p><p>specific objectives are: to theoretically review the current interaction between</p><p>education, school and Information and Communication Technologies; to investigate</p><p>the application of ICT in the educational process in order to promote new</p><p>pedagogical practices in the process of teaching and learning Portuguese; and to</p><p>evaluate the collaboration of the TICs for the dynamic and interactive learning under</p><p>the guidance/mediation of the teacher. The applied methodology was the</p><p>bibliographical research and the field research, with the application of interviews to</p><p>teachers of public and private schools of the municipality of Marabá/PA. It was</p><p>concluded that from the use of technological resources and ICTs, the school,</p><p>together with the teachers, can innovate the teaching practice, since, at planned</p><p>moments, it can replace the traditional classroom by the participation of students in</p><p>virtual classes accompanied and mediated by the teacher, as well as researches to</p><p>be done on the Internet, thus enabling this student to realize that the school is also</p><p>part of the technological society and that the teacher needs training, needs to be</p><p>trained and qualified for the use of new technologies Information and Communication</p><p>Technologies (ICTs). The research pointed out that the participating teachers of the</p><p>research perceive and know the value and importance of technology as a resource</p><p>for the good performance and effectiveness of their school work, considering the</p><p>understanding that the ICTs, in addition to renewing pedagogical praxis, provide</p><p>reinforcement and assistance to the teaching and learning process.</p><p>Keywords: Information and Communication Technologies. Technological Society.</p><p>Teacher Training.</p><p>8</p><p>LISTA DE TABELAS</p><p>Tabela 1 - Perfil do Professor 42</p><p>Tabela 2 - A escola possui sala de informática com acesso à internet? Como se</p><p>dá sua utilização?</p><p>43</p><p>Tabela 3 - O espaço físico comporta todos os alunos de uma turma? 44</p><p>Tabela 4 - Há projetos que a escola realiza no ambiente de informática? 44</p><p>Tabela 5 - Quais as principais dificuldades encontradas para se trabalhar a</p><p>disciplina na área de informática?</p><p>45</p><p>Tabela 6 - Houve uma formação adequada para lidar com tais ferramentas? 46</p><p>Tabela 7 - Como você classifica seu nível de conhecimento em informática</p><p>(satisfatório, básico ou insuficiente)?</p><p>47</p><p>Tabela 8 - Qual é a dinâmica utilizada no ambiente de informática? (Como são</p><p>divididas as atividades e os alunos nesse ambiente?)</p><p>48</p><p>Tabela 9 - Diante das redes sociais e do “internetês” (linguagem utilizada em</p><p>ambientes virtuais que visa facilitar as conversas nos mesmos), como você</p><p>avalia a escrita e as produções textuais dos alunos?</p><p>49</p><p>Tabela 10 - Com relação às redes sociais (Facebook, Instagram, Whatsapp),</p><p>quais as vantagens e desvantagens dentro do ambiente escolar?</p><p>51</p><p>Tabela 11 - Como o aluno pode transformar o poder de interação das redes</p><p>sociais em conhecimento?</p><p>52</p><p>9</p><p>SUMÁRIO</p><p>1. INTRODUÇÃO 10</p><p>2. TECNOLOGIA E ENSINO/APRENDIZAGEM DE LÍNGUA PORTUGUESA 12</p><p>2.1 Contextualização Histórica 12</p><p>2.2 Tecnologia e Educação 16</p><p>2.3 A Tecnologia e a Aprendizagem da Língua Portuguesa 20</p><p>2.4 A Tecnologia na Escola 22</p><p>3 FORMAÇÃO DE PROFESSORES E AMBIENTE DIGITAL 27</p><p>3.1 A Era Digital e o Ambiente Escolar 27</p><p>3.2 O Atual Paradigma Tecnológico e a Formação Docente 32</p><p>4 METODOLOGIA DA PESQUISA 39</p><p>4.1 Tipo de Pesquisa 39</p><p>4.2 Método de Abordagem 39</p><p>4.3 Procedimentos Técnicos 39</p><p>4.4 Tratamento e Análise dos Dados 41</p><p>5. OS RESULTADOS DA PESQUISA 42</p><p>5.1 A Abordagem aos Professores 42</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS 55</p><p>REFERÊNCIAS 57</p><p>APÊNDICE 1 – ROTEIRO DA ENTREVISTA 61</p><p>10</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>Vive-se atualmente em uma sociedade tecnológica de acentuada importância</p><p>das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs)</p><p>no meio</p><p>tecnológico, possibilitando assim que o mesmo atue de forma capacitada e, desse</p><p>modo, atenda às exigências do atual contexto social da sociedade tecnológica.</p><p>Nessa “sociedade tecnológica” que se faz presente, cabe ao educador,</p><p>acompanhar de perto os meios e formas de implantação das novas tecnologias de</p><p>comunicação, “entendendo-a em toda a sua dimensão político-pedagógica e</p><p>econômica”, segundo Santoro (2014, p. 29).</p><p>Nesse sentido, o professor que antes desempenhava um papel de mero</p><p>transmissor de conteúdos, agora deve atuar como mediador no processo de ensino</p><p>e aprendizagem, fato este que requer do mesmo uma prática pedagógica voltada</p><p>para a provocação de intervenções na vida e no meio social ao qual o individuo está</p><p>inserido. No entanto, é necessário que além de ter o domínio técnico das</p><p>ferramentas tecnológicas, o professor também conheça as especificidades das TICs,</p><p>na medida em que:</p><p>37</p><p>[...] o domínio instrumental de uma tecnologia, seja ela qual for, é</p><p>insuficiente para que o professor possa compreender seus modos de</p><p>produção de forma a incorporá-la à prática. É preciso criar situações de</p><p>formação contextualizada, nas quais os educadores possam utilizar a</p><p>tecnologia em atividades que lhes permitam interagir para resolver</p><p>problemas significativos para sua vida e trabalho, representar pensamentos</p><p>e sentimentos, reinterpretar representações e reconstruí-las para poder</p><p>recontextualizar as situações em práticas pedagógicas com os alunos</p><p>(VALENTE; ALMEIDA, 2011, p. 160).</p><p>Segundo Tarouco (2014, p. 79), é durante seu processo de formação docente</p><p>que o professor deve ser instigado aos seguintes questionamentos:</p><p>Então, por que fazer o mesmo quando se pode fazer diferente? Uma vez</p><p>que os alunos gostam tanto de aulas que utilizam a tecnologia, por que não</p><p>aproveitar essa oportunidade e usá-la a seu favor? A aula pode entusiasmar</p><p>os alunos de maneira ao menos parecida com que são excitados pelos</p><p>jogos e filmes de alta qualidade em efeitos especiais.</p><p>Para o autor, a escola e as instituições acadêmicas de formação docente</p><p>precisam modernizar-se a fim de acompanhar o ritmo da sociedade e não se</p><p>tornarem instituições fora do contexto e da atual realidade tecnológica,</p><p>ultrapassadas e desinteressantes. Afirma Tarouco (2014) que saber que o aluno</p><p>aprende com o que lhe prende a atenção todos sabem. A questão é: estão os</p><p>professores, as escolas e os sistemas de ensino preparados para tal mudança?</p><p>Tarouco (2014) afirma que aulas modernizadas pelo uso de recursos</p><p>tecnológicos têm vida longa e podem ser adaptadas para vários tipos de alunos,</p><p>para diferentes faixas etárias e diversos níveis de aprendizado. O trabalho acaba</p><p>tendo um retorno muito mais eficaz. É importante, no entanto, que haja não apenas</p><p>uma revolução tecnológica nas escolas. É necessária a revolução na capacitação</p><p>docente, pois a tecnologia é algo ainda a ser desmistificado para a maioria dos</p><p>professores.</p><p>Utilizar o computador em sala de aula é o menor dos desafios do professor:</p><p>utilizar o computador de forma a tornar a aula mais envolvente, interativa,</p><p>criativa e inteligente é que parece realmente preocupante. O simples fato de</p><p>transferir a tarefa do quadro-negro para o computador não muda uma aula.</p><p>É fundamental que a metodologia utilizada seja pensada em conjunto com</p><p>os recursos tecnológicos que a modernidade oferece. O filme, a lousa</p><p>interativa, o computador, etc., perdem a validade se não se mantiver o</p><p>objetivo principal: a aprendizagem (TAROUCO, 2014, p. 51).</p><p>Sampaio e Leite (2014) pontuam que os recursos tecnológicos devem servir</p><p>como extensões do professor. Ideias abstratas tornam-se passíveis de visualização;</p><p>38</p><p>o microscópico torna-se grande; o passado torna-se presente, facilitando o</p><p>aprendizado e transformando o conteúdo em objeto de curiosidade e interesse. O</p><p>essencial é que as aulas obedeçam a uma cadeia de ideias que deixe o aluno</p><p>orientado em relação ao que está aprendendo. Cada aula não é uma aula, e sim</p><p>uma aula que veio antes de uma aula e depois de outra. O aprendizado deve ser</p><p>interligado. Independentemente do recurso tecnológico, o professor deve ser o</p><p>sujeito capaz de mediar o aprendizado e torná-lo mais atrativo, divertido e</p><p>interessante para os alunos.</p><p>Os recursos tecnológicos, bem mais do que aguçar a curiosidade do aluno em</p><p>relação ao que está sendo ensinado, ajudam a prepará-lo para um mundo em que</p><p>se espera que ele conheça, além dos conteúdos escolares, todos os recursos por</p><p>meio dos quais esses conteúdos foram trabalhados.</p><p>A utilização desses novos recursos modifica a dinâmica do ensino, as</p><p>estratégias e o comprometimento de alunos e professores. Com essas novas</p><p>ferramentas tecnológicas a Educação sempre enseja uma aprendizagem</p><p>significativa, com ou sem recursos tecnológicos, proporcionando que o aluno</p><p>aprenda de forma dinâmica e motivadora (TAROUCO, 2014).</p><p>39</p><p>4 METODOLOGIA DA PESQUISA</p><p>4.1 Tipo de Pesquisa</p><p>O tipo de pesquisa adotada é a de campo, de caráter exploratório, descritivo,</p><p>com abordagem qualitativa e quantitativa e baseada em levantamento bibliográfico.</p><p>O caráter exploratório da pesquisa, segundo Gil (2010, p. 42), “visa</p><p>proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a</p><p>construir hipóteses”. E o caráter descritivo consiste em “descrever as características</p><p>de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre</p><p>variáveis” (GIL, 2010, p. 43).</p><p>4.2 Método de Abordagem</p><p>Quanto ao método de abordagem, a pesquisa é qualitativa e quantitativa, que</p><p>segundo Gil (2010, p. 46):</p><p>Refere-se à pesquisa baseada em dados quantitativos, ou seja, números,</p><p>percentuais que em geral são obtidos por meio da aplicação de</p><p>questionários ou levantamento de dados.</p><p>Pesquisas qualitativas consideram que há uma relação dinâmica entre o</p><p>mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo</p><p>objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em</p><p>números.</p><p>4.3 Procedimentos Técnicos</p><p>Quanto aos procedimentos técnicos utilizados na pesquisa, destaca-se a</p><p>pesquisa bibliográfica que, de acordo com Cervo e Bervian (2007), possui natureza</p><p>de pesquisa descritiva, tendo em vista a necessária revisão da literatura</p><p>especializada, abrangendo os principais tópicos sobre a temática delimitada.</p><p>Inicialmente, portanto, aplicou-se a metodologia da pesquisa bibliográfica que,</p><p>segundo Richardson (2010), é importante por ser um método que implica na</p><p>seleção, leitura e análise de textos relevantes ao estudo e tem por base</p><p>fundamentos que determinam os passos e o caminho a ser percorrido na pesquisa,</p><p>assim como exige reflexão constante e controle de variáveis, checando-se</p><p>informações em relação ao conhecimento já adquirido.</p><p>40</p><p>Em um segundo momento foi realizada a pesquisa de campo que, de acordo</p><p>com Lakatos e Marconi (2011), é aquela utilizada com o objetivo de conseguir</p><p>informações acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta; ou de</p><p>uma hipótese que se queira comprovar ou, ainda, descobrir novos fenômenos ou</p><p>relações entre eles. Para os autores, a pesquisa de campo pode ser realizada por</p><p>meio de entrevista com pessoas que tiveram experiências práticas com problemas</p><p>semelhantes e que possam completar a abrangência do tema abordado.</p><p>Dessa forma, esta pesquisa consiste em uma pesquisa de campo, que se</p><p>baseia na coleta de entrevistas e a posterior análise dos dados coletados,</p><p>objetivando encontrar respostas de docentes sobre o assunto discutido e levantar</p><p>uma análise crítica sobre o mesmo.</p><p>A coleta de dados foi pautada em entrevistas direcionadas a 04 (quatro)</p><p>professores de língua portuguesa que trabalham em escolas públicas e outros 03</p><p>(três) que trabalham em escolas privadas do município de Marabá-PA, visando</p><p>adquirir informações sobre sua formação</p><p>e sobre o uso da tecnologia nas escolas</p><p>em que lecionam, considerando a dificuldade de encontrarmos escolas munidas de</p><p>equipamentos tecnológicos que funcionem e sejam suficientes para o trabalho com</p><p>os alunos.</p><p>Dentre os questionamentos a serem feitos nas escolas, foram utilizadas</p><p>algumas questões sugeridas no livro “Informática na Escola – Novas Ferramentas</p><p>Pedagógicas para o Professor na Atualidade” de Sanmya Feitosa Tajra, que nos trás</p><p>vários modelos interessantes de entrevistas voltadas à tecnologia educacional, que</p><p>podem ser feitas à escola, professores e alunos, tais como:</p><p>- A escola possui sala de informática com acesso à internet? Como se dá sua</p><p>utilização?</p><p>- O espaço físico comporta todos os alunos de uma turma?</p><p>- Há projetos que a escola realiza no ambiente de informática?</p><p>- Quais as principais dificuldades encontradas para se trabalhar a disciplina</p><p>na área de informática?</p><p>- Houve uma formação adequada para lidar com tais ferramentas?</p><p>- Qual é a dinâmica utilizada no ambiente de informática? (Como são</p><p>divididas as atividades e os alunos nesse ambiente?).</p><p>41</p><p>- Diante das redes sociais e do “internetês” (linguagem utilizada em ambientes</p><p>virtuais que visa facilitar as conversas nos mesmos), como você avalia a escrita e</p><p>produções textuais dos alunos?</p><p>- Como você classifica seu nível de conhecimento em informática (satisfatório,</p><p>básico ou insuficiente)?</p><p>- Com relação às redes sociais (facebook, instagram, whatsapp), quais as</p><p>vantagens e desvantagens dentro do ambiente escolar?</p><p>- Como o aluno pode transformar o poder de interação das redes sociais em</p><p>conhecimento?</p><p>4.4 Tratamento e Análise dos Dados</p><p>Os dados coletados estão organizados e demonstrados através de tabelas,</p><p>cuja análise compõe os resultados apresentados neste trabalho, sendo as respostas</p><p>interpretadas conforme as análises baseadas no referencial teórico apresentado, em</p><p>que se procedeu à análise e interpretação dos dados, de forma qualitativa, pois a</p><p>análise ocorre de acordo com a perspectiva teórico-metodológica do referencial</p><p>elaborado nesta pesquisa.</p><p>42</p><p>5. OS RESULTADOS DA PESQUISA</p><p>5.1 A Abordagem aos Professores</p><p>Segundo o posicionamento da amostra que compôs o presente estudo,</p><p>observou-se que a maioria dos professores participantes da pesquisa, aqui</p><p>identificados como P1 a P7, relatou, conforme aponta a Tabela 1, elevado tempo de</p><p>experiência na docência, variando o ano de formação, com professores formados</p><p>desde o ano 2000 até com professores iniciantes, com menos de um ano de</p><p>docência, observando-se que P1, P2 e P3 são professores de escolas privadas e os</p><p>professores P4 a P7 são de escola pública, sendo que o P6 exerce a docência na</p><p>Educação de Jovens e Adultos (EJA) e o P7 tem exercício da docência em Escola</p><p>Indígena.</p><p>Tabela 1 - Perfil do Professor</p><p>Professor Ano de Formação Tipo de Escola</p><p>1 2008 Privada</p><p>2 2000 Privada</p><p>3 2017 Privada</p><p>4 2018 Pública</p><p>5 2017 Pública</p><p>6 2001 Pública (EJA)</p><p>7 2001 Pública (Escola Indígena)</p><p>Fonte: Dados da Pesquisa (2018).</p><p>A afirmativa de que cada vez mais todos os setores da sociedade se</p><p>beneficiam com as diversas aplicações e uso das tecnologias de informação e</p><p>comunicação (TICs), principalmente através do acesso à internet, questionou-se aos</p><p>professores participantes da pesquisa se a escola onde exercem a docência possui</p><p>sala de informática com acesso à internet e, caso positivo, como se dá sua</p><p>utilização, obtendo dos professores das escolas privadas que P1 disse que sim; P2</p><p>respondeu que, apesar de a escola não possuir sala específica, “caso necessitem, é</p><p>disponibilizado o espaço da biblioteca, com horários previamente agendados”; P3</p><p>afirmou que sim, mas que é pouco utilizada.</p><p>Por sua vez, dentre os professores que exercem a docência em escola</p><p>pública, P5, P6 (da EJA) e P7 (Escola Indígena) informaram que escola não possui</p><p>sala de informática com acesso à internet; já P4 relatou que sim e que “Há um</p><p>43</p><p>horário reservado durante a semana para o acesso à sala informática ou sempre</p><p>que os professores solicitarem para uso de trabalhos. Lá eles fazem atividades,</p><p>pesquisas, usufruem dos jogos educativos, acessam uma plataforma educativa”, tal</p><p>como se observa na Tabela 2.</p><p>Tabela 2 - A escola possui sala de informática com acesso à</p><p>internet? Como se dá sua utilização?</p><p>Professor Resposta</p><p>1 Sim</p><p>2 No momento, não temos uma sala específica para que os</p><p>alunos utilizem a internet. Caso necessitem, é</p><p>disponibilizado o espaço da biblioteca, com horários</p><p>previamente agendados.</p><p>3 Sim. Ela é utilizada para aulas dinâmicas para fins de</p><p>estudo/pesquisas, mas é pouco utilizada.</p><p>4 Sim. Há um horário reservado durante a semana para o</p><p>acesso à sala informática ou sempre que os professores</p><p>solicitarem para uso de trabalhos. Lá eles fazem atividades,</p><p>pesquisas, usufruem dos jogos educativos, acessam uma</p><p>plataforma educativa.</p><p>5 Não</p><p>6 Não possui</p><p>7 Não possui</p><p>Fonte: Dados da Pesquisa (2018).</p><p>Os resultados acima indicam que, como afirmado por Kenski (2007), que no</p><p>planejamento pedagógico das escolas ainda é priorizado o ensino tradicional, com</p><p>aulas expositivas baseadas no livro, quadro negro e giz (P5, P6 e P7), ressaltando-</p><p>se que o P2 esclareceu que a escola privada onde atua não possui laboratório de</p><p>informática, mas que “é disponibilizado o espaço da biblioteca, com horários</p><p>previamente agendados”. São também resultados que apontam que somente os</p><p>professores P3 e P4 justificam a utilidade da sala de informática, que resulta em</p><p>“aulas dinâmicas” (P3) e atividades de pesquisas e jogos e acessos à plataforma</p><p>educativa (P4).</p><p>A nosso ver, trata-se de um cenário educativo de não aproveitamento e não</p><p>acesso às tecnologias potencializadoras de comunicação que, como bem definiu</p><p>Kenski (2007), deveriam em pleno século XXI, se impor como instrumento de</p><p>trabalho educativo atualizado, a partir do uso normal e regular dos computadores</p><p>com acesso à internet, o que, conforme apurado na realidade da maioria dos</p><p>professores participantes da pesquisa, não ocorre.</p><p>44</p><p>Ao serem questionados se o espaço físico comporta todos os alunos de uma</p><p>turma, conforme a Tabela 3, os professores P1 a P4 responderam que sim; já os</p><p>professores P5 a P7, tal como anteriormente relatado, disseram que a escola não</p><p>possui laboratório de informática.</p><p>Tabela 3 - O espaço físico comporta todos os alunos de uma turma?</p><p>Professor Resposta</p><p>1 Sim</p><p>2 Sim</p><p>3 Sim</p><p>4 Sim</p><p>5 Não</p><p>6 Não possui</p><p>7 Não</p><p>Fonte: Dados da Pesquisa (2018).</p><p>Por sua vez, a afirmação de que a inserção dos recursos tecnológicos nos</p><p>espaços escolares busca aprendizagens significativas e a melhoria dos indicadores</p><p>de desempenho do sistema educacional, onde as tecnologias sejam empregadas de</p><p>forma eficiente e eficaz ensejou questionar aos professores participantes da pesquisa</p><p>se há projetos que a escola realiza no ambiente de informática, sendo apurado que</p><p>responderam sim somente os professores P1 (“Sim, resolução de simulados virtuais</p><p>e outros”) e P4 (Tabela 4).</p><p>Tabela 4 - Há projetos que a escola realiza no ambiente de</p><p>informática?</p><p>Professor Resposta</p><p>1 Sim, resolução de simulados virtuais e outros.</p><p>2 Especificamente no ambiente da informática, não.</p><p>3 Não</p><p>4 Sim</p><p>5 Não</p><p>6 Não</p><p>7 Não</p><p>Fonte: Dados da Pesquisa (2018).</p><p>Observa-se que se trata de uma realidade em que pouquíssimas escolas</p><p>efetivamente utilizam as TICs para facilitar o processo didático-pedagógico,</p><p>concordando-se com Tarouco (2014) quando este autor afirma que a escola precisa</p><p>se modernizar a fim de acompanhar o ritmo da sociedade e não se tornar uma</p><p>instituição fora de moda, ultrapassada e desinteressante, pois os alunos, literalmente</p><p>conectados à tecnologia presente principalmente nos celulares, em vista do caráter</p><p>45</p><p>de passividade a que</p><p>são obrigados na sala de aula, percebem a prática docente</p><p>tradicional como monótona e que o uso das TICs na escola traria mais motivação,</p><p>participação e interação nas aulas e nos relacionamentos entre alunos e professores</p><p>porque as aulas ficariam mais dinâmicas e mais interessantes.</p><p>Em tal contexto, conforme aponta a Tabela 5, a quase unanimidade dos</p><p>professores participantes da pesquisa relatam as dificuldades encontradas para se</p><p>trabalhar a disciplina na área de informática, seja em vista da “resistência por parte</p><p>de alguns profissionais a se adaptarem a este novo método de ensino/aprendizagem”</p><p>(P1), “falta de espaço apropriado para essa prática” (P2) e porque a “escola ainda é</p><p>tradicional. O foco está na utilização de aulas expositivas/explicativas”, seja porque</p><p>simplesmente a disciplina na área de informática não é trabalhada nas escolas (P5 e</p><p>P6) ou não tem laboratório de informática (P7). A exceção encontrada ocorre com o</p><p>professor P4, que relata que “Não há grandes dificuldades, pois o acesso a internet</p><p>facilita os trabalhos a serem realizados”.</p><p>Tabela 5 - Quais as principais dificuldades encontradas para se</p><p>trabalhar a disciplina na área de informática?</p><p>Professor Resposta</p><p>1 A resistência por parte de alguns profissionais a se</p><p>adaptarem a este novo método de ensino/aprendizagem.</p><p>2 Acredito que seja a falta de um espaço apropriado para essa</p><p>prática.</p><p>3 A escola ainda é tradicional. O foco está na utilização de</p><p>aulas expositivas/explicativas, com material do sistema</p><p>bernoulli.</p><p>4 Não há grandes dificuldades, pois o acesso a internet facilita</p><p>os trabalhos a serem realizados.</p><p>5 Não é trabalhada</p><p>6 Não há laboratório</p><p>7 Primeira dificuldade é que a escola que trabalho não tem</p><p>laboratório de informática, e lá disponibilizam no</p><p>administrativo apenas dois computadores, então não tem</p><p>como levá-los todos no horário de aula. Segundo é que</p><p>temos que associar um conteúdo que chame a atenção do</p><p>aluno para inserir na área de informática, e nem sempre</p><p>todos querem participar, como experiência, mesmo sendo</p><p>uma produção de texto produzida no celular no formato de</p><p>história em quadrinhos, alguns não obtiveram êxito.</p><p>Fonte: Dados da Pesquisa (2018).</p><p>A nosso ver, os resultados acima indicam que, apesar de a sociedade viver</p><p>na era tecnológica e digital, a maioria das escolas parece não considerarem a</p><p>importância do uso da tecnologia no ambiente escolar, o que remete à teoria de</p><p>46</p><p>Prado (2015), para quem as escolas não mudaram, permanecendo em processos</p><p>didático-pedagógicos antiquados, pois não levam em conta pesquisas que revelam</p><p>que 77% dos brasileiros em idade escolar, entre 9 e 17 anos, são usuários da</p><p>internet e, destes, 79% têm perfil nas principais redes sociais e 87% usam a internet</p><p>para pesquisas de trabalhos escolares.</p><p>Mediante tais resultados, foram os professores participantes da pesquisa</p><p>questionados se houve uma formação adequada para lidar com tais ferramentas,</p><p>apurando-se que, como demonstrado na Tabela 6, “Sempre que surge uma</p><p>novidade, há uma capacitação para professores e alunos” (P1) e que “Há formação,</p><p>mas não há prática” (P6).</p><p>Chama a atenção, no entanto, o relato do professor P2 de que “não. A escola</p><p>em que trabalho não nos fornece formação para lidarmos com o espaço de</p><p>informática. Na faculdade, não houve essa formação”, resposta que se coaduna com</p><p>o professor P3 que afirmou que “Eu não tive acesso pela escola. Fiz curso por conta</p><p>própria. Na faculdade, não houve disciplina voltada para esse assunto, apenas</p><p>alguns textos teóricos dentro de outras disciplinas” e, do mesmo modo, o professor</p><p>P4 informou que “Na universidade o assunto chegou a ser discutido, porém, sem</p><p>aprofundamento”.</p><p>Tabela 6 - Houve uma formação adequada para lidar com tais</p><p>ferramentas?</p><p>Professor Resposta</p><p>1 Sempre que surge uma novidade, há uma capacitação para</p><p>professores e alunos.</p><p>2 Não. A escola em que trabalho não nos fornece formação</p><p>para lidarmos com o espaço de informática. Na faculdade,</p><p>não houve essa formação.</p><p>3 Eu não tive acesso pela escola. Fiz curso por conta própria.</p><p>Na faculdade, não houve disciplina voltada para esse</p><p>assunto, apenas alguns textos teóricos dentro de outras</p><p>disciplinas.</p><p>4 Na universidade o assunto chegou a ser discutido, porém,</p><p>sem aprofundamento. Na escola em que trabalho, há evento</p><p>para nos auxiliar, porém, ainda cheguei a participar.</p><p>5 Não</p><p>6 Há formação, mas não há prática.</p><p>7 Não</p><p>Fonte: Dados da Pesquisa (2018).</p><p>Tal resultado, a nosso ver, indica ser de grande relevância a participação dos</p><p>professores em cursos de qualificação para a utilização das TICs, julgando-se, de</p><p>47</p><p>acordo com o que afirma Tajra (2012), ser de grande relevância a aquisição de</p><p>conhecimento para a práxis pedagógica a partir do uso da tecnologia, ou seja, o</p><p>conhecimento acerca do uso diário dos softwares (programas) essenciais às práticas</p><p>pedagógicas voltadas para o ensino e aprendizagem dos alunos, o que também não</p><p>ocorre ou ocorre em termos insuficientes nas universidades e faculdades.</p><p>Entende-se, também mediante os resultados apresentados na Tabela 6, que</p><p>na atual sociedade tecnológica é dever do professor/educador, acompanhar de perto</p><p>os meios e os diversos tipos de tecnologias de comunicação, visando entendê-las</p><p>em toda a sua dimensão político-pedagógica, apesar de a escola ser também</p><p>responsável pela formação continuada (qualificação do professor) para a aplicação</p><p>das novas tecnologias em sua prática pedagógica, mas que apresentam uma</p><p>postura de passividade em relação à qualificação dos professores em habilidades e</p><p>competências para lidar com as TICs.</p><p>Nesse sentido, foram os professores questionados como classificam seu nível</p><p>de conhecimento em informática (satisfatório, básico ou insuficiente), apontando a</p><p>pesquisa uma maioria de cinco professores que indicaram conhecimento satisfatório</p><p>(P1, P2, P3, P6 e P7) e conhecimento básico os professores P4 e P5 (Tabela 7).</p><p>Tabela 7 - Como você classifica seu nível de conhecimento em</p><p>informática (satisfatório, básico ou insuficiente)?</p><p>Professor Resposta</p><p>1 Satisfatório</p><p>2 Satisfatório</p><p>3 Satisfatório</p><p>4 Básico</p><p>5 Básico</p><p>6 Satisfatório. Tenho especialização na área.</p><p>7 Satisfatório</p><p>Fonte: Dados da Pesquisa (2018).</p><p>Desse modo, observa-se que, tal como afirmado por Costa e Paz (2014),</p><p>também é dever do professor buscar seu desenvolvimento autônomo através da</p><p>formação continuada, visando à aplicação de seus conhecimentos em informática</p><p>em sua práxis pedagógica, pois a atual realidade demonstra que os professores não</p><p>são ou estão totalmente desconectados da atual sociedade tecnológica, utilizando</p><p>em seu dia a dia tablets e celulares e dessa forma, se pode afirmar que também os</p><p>professores precisam criar alternativas para essa qualificação, em vista da</p><p>importância da formação continuada enquanto instrumento norteador do</p><p>48</p><p>desenvolvimento profissional permanente, considerando-se que, segundo nosso</p><p>entendimento, a formação de professores para as TICs deve se voltar para o</p><p>desenvolvimento de competências que abranjam todas as dimensões da atuação</p><p>profissional do professor.</p><p>Os professores foram ainda questionados sobre qual é a dinâmica utilizada no</p><p>ambiente de informática e como são divididas as atividades e os alunos nesse</p><p>ambiente, avaliando-se como relevantes as respostas do Professor P1 (“Pesquisas,</p><p>estudo e elaboração de trabalhos, sempre através de agendamento prévio”) e P4</p><p>(“Os alunos são divididos em dupla e cada um fica com um aspecto do tema a ser</p><p>trabalhado”), já que os outros professores apontaram resposta negativa neste</p><p>quesito da pesquisa (Tabela 8).</p><p>Tabela 8 - Qual é a dinâmica utilizada no ambiente de informática?</p><p>(Como são divididas as atividades e os alunos nesse ambiente?)</p><p>Professor Resposta</p><p>1 Pesquisas, estudo e elaboração de trabalhos, sempre</p><p>através de agendamento prévio.</p><p>2 Não há como</p><p>eu responder.</p><p>3 Raramente é utilizada.</p><p>4 Os alunos são divididos em dupla e cada um fica com um</p><p>aspecto do tema a ser trabalhado.</p><p>5 Não há sala de informática</p><p>6 Não há esse ambiente.</p><p>7 Não há.</p><p>Fonte: Dados da Pesquisa (2018).</p><p>Trata-se de um resultado que fortemente revela o estado de passividade das</p><p>escolas, como anteriormente já referido, diante da importância da efetiva aplicação</p><p>das TICs no processo educacional brasileiro, que é ainda tradicional e obsoleto e</p><p>que não desperta grandes interesses dos alunos. No entanto, a modernidade</p><p>tecnológica não acompanhada pelas escolas também nos revela a força das redes</p><p>sociais, tais como Facebook, Whatsapp, Twitter etc., e o uso de uma linguagem</p><p>própria, que vem sendo chamada de “internetês”, segundo a qual a produção</p><p>linguística utilizada na Internet é o produto da interação entre os interlocutores, cuja</p><p>linguagem possui caráter interativo, sendo que a conectividade instantânea exige</p><p>linguagem reduzida, como que codificada (FÁVERO, 2015).</p><p>Assim, mediante o regular uso do “internetês” pelos alunos, perguntou-se aos</p><p>professores participantes da pesquisa se, diante das redes sociais e do “internetês”</p><p>(linguagem utilizada em ambientes virtuais que visa facilitar as conversas nos</p><p>49</p><p>mesmos), como eles avaliam a escrita e as produções textuais dos alunos, obtendo-</p><p>se, conforme descrito na Tabela 9, do professor P1 que “esta nova forma de se</p><p>comunicar tem afetado a escrita padrão de muitos alunos. Porém, depende de nós</p><p>professores deixar clara a distinção dos espaços para cada tipo de escrita”.</p><p>Por sua vez, o professor P2 avalia que “a influência das redes sociais e da</p><p>internet como um todo tem prejudicado principalmente os alunos que não são</p><p>devidamente controlados pelos pais. Muitos chegam a transferir palavras e</p><p>expressões próprias do “internetês” para os textos escritos. Além disso, ao ficarem</p><p>presos nesse universo, têm seu vocabulário mais limitado, o que compromete o</p><p>desenvolvimento e a motivação para a leitura e para a escrita”.</p><p>Tabela 9 - Diante das redes sociais e do “internetês” (linguagem</p><p>utilizada em ambientes virtuais que visa facilitar as conversas nos</p><p>mesmos), como você avalia a escrita e as produções textuais dos</p><p>alunos?</p><p>Professor Resposta</p><p>1 Realmente, esta nova forma de se comunicar tem afetado a</p><p>escrita padrão de muitos alunos. Porém, depende de nós</p><p>professores, deixar clara a distinção dos espaços para cada</p><p>tipo de escrita.</p><p>2 A influência das redes sociais e da internet como um todo, tem</p><p>prejudicado principalmente os alunos que não são devidamente</p><p>controlados pelos pais. Muitos chegam a transferir palavras e</p><p>expressões próprias do “internetês” para os textos escritos.</p><p>Além disso, ao ficarem presos nesse universo, têm seu</p><p>vocabulário mais limitado, o que compromete o</p><p>desenvolvimento e a motivação para a leitura e para a escrita.</p><p>3 Boa, pois o uso é muito restrito dentro da escola. O uso fora da</p><p>escola não altera tanto o modo de escrever do aluno.</p><p>4 Nessa escola se trabalha bastante as variações linguísticas,</p><p>mas assume-se o compromisso de ensinar a variedade padrão</p><p>da língua. Então, os alunos são ensinados e motivados a</p><p>escrever textos dentro da norma padrão, porém respeitando as</p><p>demais variedades. Mas com uso frequente de redes sociais</p><p>acontece de ter alunos utilizando a linguagem das redes</p><p>sociais como as abreviações. Portanto, é preciso que o</p><p>professor esteja orientando nas aulas de produção de texto</p><p>sobre o uso da linguagem formal e informal.</p><p>5 Eles não confundem muito quando tem que usar a linguagem</p><p>para algo mais sério, então, avalio de maneira positiva, pois</p><p>tudo depende de como se dá a orientação e ensino do</p><p>professor.</p><p>6 No caso da EJA, são influenciados pela linguagem informal de</p><p>modo geral.</p><p>7 Não há como avaliar, pois o uso de ambientes virtuais, mesmo</p><p>fora da escola, não é tão frequente.</p><p>Fonte: Dados da Pesquisa (2018).</p><p>50</p><p>De outro modo, o professor P3 avaliou que o uso do “internetês” “é muito</p><p>restrito dentro da escola. O uso fora da escola não altera tanto o modo de escrever</p><p>do aluno”. Do mesmo modo, o professor P5 diz que “Eles não confundem muito</p><p>quando tem que usar a linguagem para algo mais sério, então, avalio de maneira</p><p>positiva, pois tudo depende de como se dá a orientação e ensino do professor”.</p><p>Chama a atenção o relato do professor P7 de que “Não há como avaliar, pois o uso</p><p>de ambientes virtuais, mesmo fora da escola, não é tão frequente”, já que se trata de</p><p>um professor de escola indígena, cujos alunos, se supõe, não possuem amplo</p><p>acesso à internet e às redes sociais.</p><p>No entanto, entende-se que é o professor P4 o que mais reflete a realidade</p><p>atualmente vivenciada por alunos que vivem na era digital, haja vista que a escola</p><p>(pública), tendo laboratório de informática e projetos que a escola realiza no</p><p>ambiente de informática, é uma escola onde “se trabalha bastante as variações</p><p>linguísticas, mas assume-se o compromisso de ensinar a variedade padrão da</p><p>língua” e, dessa forma, “os alunos são ensinados e motivados a escrever textos</p><p>dentro da norma padrão, porém respeitando as demais variedades”.</p><p>Observa-se também, conforme o professor P4, que é uma escola antenada</p><p>com a realidade digital das redes e mídias sociais amplamente utilizadas pelos</p><p>alunos, pois considera que com o “uso frequente de redes sociais acontece de ter</p><p>alunos utilizando a linguagem das redes sociais como as abreviações”, que são</p><p>características do “internetês”, mas que é uma escola que sabe da importância de</p><p>que “o professor esteja orientando nas aulas de produção de texto sobre o uso da</p><p>linguagem formal e informal”.</p><p>Portanto, observa-se que a escola do professor P4 trabalha a atual condição</p><p>sociolinguística imposta pela Internet que, como afirmado por Fávero (2015),</p><p>interfere nas condições de produção do texto falado e também do escrito, em que o</p><p>texto conversacional é uma criação organizada de modo a possibilitar elementos</p><p>estruturais característicos da comunicação na Internet, tendo a escola basicamente</p><p>o dever de ensinar as reais diferenças existentes entre a gramática formal e a</p><p>variação linguística amplamente utilizada pelos alunos na internet, especialmente</p><p>nas redes e mídias sociais. Da mesma forma Coscarelli (2013 apud KLEIMAN, 1995,</p><p>p.11) nos diz que,</p><p>51</p><p>saber usar adequadamente as redes sociais, portanto, é uma questão de</p><p>orientação e de educação e, desse modo, a escola, enquanto agência de</p><p>letramento, precisa ser beneficiada pelas políticas públicas para que se</p><p>torne mais íntima desses novos suportes de escrita a fim de poder ajudar,</p><p>orientar e educar os jovens quanto ao uso seguro, eficaz e cidadão das</p><p>novas tecnologias e suas práticas textuais.</p><p>Assim é que, quando questionados sobre as vantagens e desvantagens das</p><p>redes sociais (Facebook, Instagram, Whatsapp) dentro do ambiente escolar,</p><p>conforme a Tabela 10, podemos considerar como importantes para o processo de</p><p>ensino e aprendizagem o posicionamento do professor P3, quando este afirma que</p><p>uma das desvantagens das redes sociais é a alteração da escrita formal, mas que,</p><p>segundo o professor P2, podem “ser desenvolvidos projetos que utilizem esses</p><p>recursos e atraiam o interesse dos alunos”; professor P6, ao afirmar que</p><p>“Dependendo da formação do professor, do planejamento pode haver muitos pontos</p><p>positivos para desenvolvimento de aprendizagens e até “estreitar” a relação</p><p>professor e aluno”; e o professor P7, que defende que “Se trabalhado de forma</p><p>adequada, pode-se obter resultado positivo no quesito interação e escrita, com</p><p>obtenção de notícias importantes, trabalhando-as com o intuito de adquirir</p><p>conhecimento”.</p><p>Tabela 10 - Com relação às redes sociais (Facebook, Instagram,</p><p>Whatsapp), quais as vantagens e desvantagens dentro do ambiente</p><p>escolar?</p><p>Professor Resposta</p><p>1 Sem dúvida, a maior vantagem é a facilitação da</p><p>comunicação. Como desvantagem,</p><p>posso citar a falta de</p><p>cuidado com o que é compartilhado, pois dificilmente as</p><p>pessoas procuram saber a fonte daquela informação ou se</p><p>ela é verídica.</p><p>2 As redes sociais geralmente são vistas apenas como vilões</p><p>dentro do processo de aprendizagem, mas acredito que</p><p>possam ser desenvolvidos projetos que utilizem esses</p><p>recursos e atraiam o interesse dos alunos.</p><p>3 Vantagens: Interação, socialização e aquisição de</p><p>informações (nem sempre importantes). Desvantagens:</p><p>Dispersão e alteração da escrita formal.</p><p>4 Dentro da escola em que trabalho, os alunos não tem</p><p>permissão para acessar as redes sociais. Na realidade eles</p><p>não fazem uso de celular e também não tem permissão pata</p><p>acessar redes sociais na sala de informática.</p><p>5 Ambas têm um poder de divulgação incrível, mas 90% do</p><p>conteúdo não agrega conhecimento na sala de aula.</p><p>6 Dependendo da formação do professor, do planejamento</p><p>pode haver muitos pontos positivos para desenvolvimento de</p><p>aprendizagens e até “estreitar” a relação professor e aluno.</p><p>52</p><p>7 Se trabalhado de forma adequada, pode-se obter resultado</p><p>positivo no quesito interação e escrita, com obtenção de</p><p>notícias importantes, trabalhando-as com o intuito de adquirir</p><p>conhecimento. Como desvantagem, pode desviar a atenção</p><p>do aluno para coisas desnecessárias e inconvenientes.</p><p>Fonte: Dados da Pesquisa (2018).</p><p>Outras desvantagens citadas geralmente dizem respeito ao cuidado com o</p><p>que é compartilhado (P1); dispersão e desvio de atenção dos alunos (P3 e P7) e</p><p>que o conteúdo não agrega conhecimento na sala de aula (P5).</p><p>Por fim, os professores participantes da pesquisa foram convidados a opinar</p><p>como o aluno pode transformar o poder de interação das redes sociais em</p><p>conhecimento, tendo respondido o professor P1, conforme exposto na Tabela 11,</p><p>que é o aluno que deve se tornar “cada dia mais consciente do poder que tem em</p><p>mãos e, a partir disso, responsável pelas coisas que abstrai e compartilha”, ou seja,</p><p>o professor P1, segundo nosso entendimento, avalia o aluno como o único</p><p>responsável pelo conhecimento que eventualmente pode adquirir nas redes sociais.</p><p>Tabela 11 - Como o aluno pode transformar o poder de interação das</p><p>redes sociais em conhecimento?</p><p>Professor Resposta</p><p>1 Tornando-se cada dia mais consciente do poder que tem em</p><p>mãos e, a partir disso, responsável pelas coisas que abstrai e</p><p>compartilha...</p><p>2 A comunicação é a base do convívio em uma sociedade. As</p><p>redes sociais podem ser instrumento não apenas de</p><p>conversas fúteis, mas também, de busca de conhecimento e</p><p>troca de experiências.</p><p>3 Se mediado de forma monitorada e bem direcionada,</p><p>observada e analisada por aspectos que chamem a atenção</p><p>do aluno(a), isso levará em conta a busca por ferramentas</p><p>capazes de melhorar a interação e que sejam positivos para</p><p>a sua relação social e profissional.</p><p>4 Observando as linguagens, respeitando cada uma e fazendo</p><p>um estudo sobre as novas linguagens que vão surgindo. O</p><p>professor pode levar o aluno a ver como a língua se</p><p>transforma a partir dessa ferramenta social. O aluno pode</p><p>observar as notícias, trazer discussões para dentro da sala</p><p>de aula sobre os temas sociais que circulam nesse meio e</p><p>realizar produção de texto.</p><p>5 Adaptando o que aprende com sua realidade.</p><p>6 Direcionando o uso dessas mídias para aprendizagem como</p><p>desenvolver grupos de estudos, troca de informações,</p><p>pesquisas, divulgação de trabalhos coletivos, trabalhar a</p><p>linguagem escrita, enfim... Este espaço deve ser visto não só</p><p>como fonte de entretenimento e lazer.</p><p>53</p><p>7 Procurando dar atenção a assuntos de relevância que as</p><p>mesmas trazem, trocando opiniões, tirando dúvidas...</p><p>Fonte: Dados da Pesquisa (2018).</p><p>Entretanto, ao se compreender que a sala de aula é uma forte ferramenta onde</p><p>transitam várias realidades e comportamentos múltiplos, entende-se que o poder de</p><p>interação das redes sociais propicia discussões e reflexões diversas. Elas podem,</p><p>com intervenções didáticas criativas e ponderadas, ser espetaculares e reder</p><p>ganhos pedagógicos dos quais o educador não irá se arrepender, porém, é</p><p>necessário cautela, como afirmado por Coscarelli (2013), sendo assim, seu uso</p><p>torna-se interessante na medida em que pode suscitar “a busca de conhecimento e</p><p>troca de experiências” (P2).</p><p>Do mesmo modo, o professor P4 avalia que os alunos, mediados pelo</p><p>professor, podem observar e estudar as novas linguagens que surgem, haja vista</p><p>que “O professor pode levar o aluno a ver como a língua se transforma a partir</p><p>dessa ferramenta social. O aluno pode observar as notícias, trazer discussões para</p><p>dentro da sala de aula sobre os temas sociais que circulam nesse meio e realizar</p><p>produção de texto” (P4).</p><p>Também o professor P6, ao analisar como o aluno pode transformar o poder</p><p>de interação das redes sociais em conhecimento, avalia que o aluno pode ser</p><p>direcionado ao “o uso dessas mídias para aprendizagem como desenvolver grupos</p><p>de estudos, troca de informações, pesquisas, divulgação de trabalhos coletivos,</p><p>trabalhar a linguagem escrita”.</p><p>Em vista das avaliações acima, depreende-se, nesse sentido, que a escola é</p><p>o espaço institucional privilegiado em que um de seus múltiplos desafios é o de fazer</p><p>com que os alunos aprendam a ler corretamente diferentes tipos de textos, sendo</p><p>fundamentais os distintos meios pelos quais o aluno aprende, seja pela família, seja</p><p>na escola ou pela veiculação de mensagens que ocorrem nas redes e mídias</p><p>sociais, pois de acordo com Brasil (1997, p. 39),</p><p>Os alunos não contam exclusivamente com o contexto escolar para a</p><p>construção de conhecimento sobre conteúdos considerados escolares. A</p><p>mídia, a família, a igreja, os amigos, são também fontes de influência</p><p>educativa que incidem sobre o processo de construção de significado</p><p>desses conteúdos. Essas influências sociais normalmente somam-se ao</p><p>processo de aprendizagem escolar, contribuindo para consolidá-lo; por isso</p><p>é importante que a escola as considere e as integre ao trabalho.</p><p>54</p><p>Nesse contexto, a escola precisa possibilitar ao aluno, o acesso à diversidade</p><p>de textos que circulam na sociedade, ensinando-o a interpretá-los e a utilizá-los em</p><p>ambientes diferentes de modo adequado. O espaço de sala de aula passa para uma</p><p>escala de ação/reflexão a partir do uso recorrente de assuntos pertinentes às</p><p>contribuições das tecnologias para o conhecimento educacional e metodológico dos</p><p>professores, que enfrentam diariamente as mais diversas situações em função do</p><p>avanço das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs), as quais estão</p><p>cada vez mais presentes no espaço escolar e que devem sim fazer parte da</p><p>formação docente.</p><p>Diante desse pressuposto, pode-se destacar que o compartilhamento do</p><p>poder das redes e mídias sociais e o processo de participação coletiva fazem com</p><p>que a sala de aula e a escola, de fato, passem a ser vistas como espaços</p><p>conectados à sociedade e às transformações tecnológicas, pois não são instâncias</p><p>isoladas de contextos externos à sua realidade educacional, observando-se que a</p><p>realidade de alunos suscita a discussão do desafio da inserção da informática na</p><p>educação e na definição de condições para que a prática didática dos professores</p><p>viabilize a utilização dos mecanismos de acesso às redes sociais para a construção</p><p>coletiva de novos conhecimentos.</p><p>55</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>No contexto escolar atual, é impensável fazermos algumas tarefas sem a</p><p>ajuda de um computador. Pilhas de cadernos, agendas e planilhas de papel foram</p><p>substituídas por arquivos no computador, que facilitam o fechamento de notas, o</p><p>controle de presenças, a emissão do histórico dos alunos, etc. Provas são ricamente</p><p>elaboradas com o uso de softwares, internet e editores de texto. Chega um</p><p>momento, porém, em que a presença de alguns recursos tecnológicos deve deixar</p><p>de ser imprescindível apenas no espaço administrativo</p><p>e ocupar seu lugar onde será</p><p>mais útil e mais ricamente aproveitada: a sala de aula.</p><p>Então, por que fazer o mesmo, com aulas tradicionais de lousa, livro e</p><p>professor, quando se pode fazer diferente? Uma vez que os alunos gostam tanto de</p><p>aulas que utilizam a tecnologia, por que não aproveitar essa oportunidade e usá-la a</p><p>seu favor? A aula pode entusiasmar os alunos de maneira ao menos parecida com</p><p>que são excitados pelos jogos e filmes de alta qualidade em efeitos especiais.</p><p>A escola precisa se modernizar a fim de acompanhar o ritmo da sociedade</p><p>tecnológica e digital e não se tornar uma instituição fora de moda, ultrapassada e</p><p>desinteressante. Embora lentamente, ela esteja fazendo isso, tal como apontam os</p><p>resultados da pesquisa de campo realizada com os professores, tanto de escolas</p><p>privadas como de escolas públicas, a escola precisa avançar mais e cada vez mais</p><p>implementar aulas e projetos educativos modernizados pelo uso de recursos</p><p>tecnológicos e pelas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).</p><p>Este estudo revelou que é importante, no entanto, que haja não apenas uma</p><p>revolução tecnológica nas escolas, pois é também necessária a revolução na</p><p>capacitação docente, pois o uso da tecnologia na práxis docente é algo ainda a ser</p><p>desmistificado para a maioria dos professores, sendo necessária uma formação,</p><p>capacitação e qualificação para lidar adequadamente com tais ferramentas em sala</p><p>da aula, como um suporte para um aprendizado mais atrativo, divertido e</p><p>interessante para os alunos.</p><p>Coscarelli (2013) aponta que, enquanto não surgem políticas públicas</p><p>voltadas para os letramentos digitais na escola, a mesma deve permitir a entrada</p><p>das telas em seu cotidiano, zelando pela disciplina a sala de aula e elaborando usos</p><p>pedagógicos criativos para essas “engenhocas”. Ainda segundo a autora, já que</p><p>nos encontramos em uma era digital, se a escola evitar a inserção das tecnologias</p><p>56</p><p>em seu ambiente e ensino, estará negando aos alunos uma ótima oportunidade de</p><p>serem cidadãos letrados, conscientes das consequências dos usos (in) devidos da</p><p>leitura e da escrita em tempos digitais.</p><p>Este estudo também permitiu observar que a educação se modifica</p><p>significativamente com a inserção das novas tecnologias de informação e</p><p>comunicação (TICs), pois na internet, por exemplo, é possível encontrar diversos</p><p>aplicativos educacionais que a escola pode utilizar em sua prática pedagógica, além</p><p>de ajudar o aluno a realizar pesquisas e elaborar textos na medida em que a internet</p><p>traz diversas possibilidades de pesquisa para professores e alunos.</p><p>Com a inserção da internet e das mídias educacionais na escola, os</p><p>professores precisam se apropriar dos conhecimentos necessários para utilizar</p><p>essas ferramentas a favor da prática pedagógica, pois não podem ignorar as</p><p>mudanças que ocorrem na sociedade e precisam constantemente reciclar seus</p><p>conhecimentos e habilidades, pois a quase totalidade de seus alunos nasceu em</p><p>uma “era virtual” e o professor precisa levar o conhecimento até o mundo deles.</p><p>A utilização desses novos recursos modifica a dinâmica do ensino, as</p><p>estratégias e o comprometimento de alunos e professores. Com essas novas</p><p>ferramentas, a educação sempre enseja uma aprendizagem significativa,</p><p>proporcionando que o aluno aprenda de forma dinâmica e motivadora (TAROUCO,</p><p>2014).</p><p>É importante esclarecer que, apesar da sua necessidade no ensino, a</p><p>tecnologia não vem substituir o professor em sala de aula, servindo apenas como</p><p>instrumento de apoio e atualização no mundo contemporâneo. Com base nisto,</p><p>Coscarelli (2013) vem dizer que é importante pensarmos melhor no conceito de</p><p>tecnologia e apreendermos essa noção como algo que existe não para assustar,</p><p>mas para colaborar, tornando a vida mais fácil.</p><p>Conclui-se, por fim, que a partir do uso dos recursos tecnológicos e das TICs,</p><p>a escola, juntamente com os professores, pode inovar a prática docente, na medida</p><p>em que, em momentos planejados, pode substituir a aula tradicional pela</p><p>participação dos alunos em aulas virtuais acompanhadas e mediadas pelo professor,</p><p>bem como pesquisas a serem feitas na Internet, dessa forma possibilitando que</p><p>esse aluno perceba que a escola também faz parte da sociedade tecnológica e que</p><p>o professor precisa de capacitação, precisa ser formado e qualificado para o uso das</p><p>novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), tendo a pesquisa</p><p>57</p><p>apontado que os professores participantes percebem e sabem o valor e a</p><p>importância da tecnologia como um recurso para o bom desempenho e eficácia de</p><p>seu trabalho escolar, considerando-se o entendimento de que as TICs, além de</p><p>renovar a práxis pedagógica, propiciam reforço e auxílio ao processo de ensino e</p><p>aprendizagem.</p><p>Apesar de toda a demonstração acerca das TICs na formação docente, ainda</p><p>há muito a discutir sobre as reais necessidades na educação para se obter o</p><p>aprendizado dos alunos pois, de certo, as escolas ainda possuem lacunas a serem</p><p>preenchidas em relação aos métodos adequados e a busca de um ensino eficaz.</p><p>Como dito no decorrer do desenvolvimento deste trabalho, as TICs vêm apenas</p><p>como um suporte/auxílio para o educador, a fim de se inserir nesta nova era digital e</p><p>tecnológica em que a maioria dos jovens estudantes já estão introduzidos.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. 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Como se dá sua</p><p>utilização?</p><p>2- O espaço físico comporta todos os alunos de uma turma?</p><p>3- Há projetos que a escola realiza no ambiente de informática?</p><p>4- Quais as principais dificuldades encontradas para se trabalhar a disciplina na área</p><p>de informática?</p><p>5- Houve uma formação adequada para lidar com tais ferramentas?</p><p>6- Qual é a dinâmica utilizada no ambiente de informática (Como são divididas as</p><p>atividades e os alunos nesse ambiente?)</p><p>7- Diante das redes sociais e do “internetês” (linguagem utilizada em ambientes</p><p>virtuais que visa facilitar as conversas nos mesmos), como você avalia a motivação,</p><p>escrita e produções textuais dos alunos?</p><p>8- Como você classifica seu nível de conhecimento em informática (satisfatório,</p><p>básico ou insuficiente)?</p><p>9- Com relação às redes sociais (Facebook, Instagram, Whatsapp), quais as</p><p>vantagens e desvantagens dentro do ambiente escolar?</p><p>10- Como o aluno pode transformar o poder de interação das redes sociais em</p><p>conhecimento?</p><p>e uma realidade escolar na</p><p>qual é premente a necessidade de formação permanente do professor em relação a</p><p>essas ferramentas tecnológicas, para que tanto o professor quanto o aluno possam</p><p>compartilhar o conhecimento. Portanto, o professor, na qualidade de profissional da</p><p>educação, necessita de uma formação e qualificação que não somente inclua as</p><p>áreas de conhecimento específico e a área pedagógica, mas também a dimensão</p><p>tecnológica, haja vista que nos dias atuais, mais do que nunca, deve-se pensar o</p><p>novo papel do professor no processo de ensino-aprendizagem, como mediador e</p><p>incentivador dos alunos em suas aprendizagens.</p><p>O aluno, por sua vez, está cada vez mais buscando sua autonomia em um</p><p>mundo que, na atualidade, é globalizado e ligado em redes interconectadas em</p><p>contraponto a muitos professores que ainda insistem em usar somente quadro</p><p>branco e pincel, livros didáticos e apostilas. Como o aluno tem fácil acesso ao</p><p>mundo tecnológico e digital, fica difícil para o professor que não esteja conectado</p><p>com a “aldeia global”, chamar a atenção do aluno para aulas sem os recursos</p><p>tecnológicos.</p><p>Nessa perspectiva, justifica-se o interesse pela temática, pois se observa o</p><p>aluno modificando sua postura passiva e reprodutiva para uma atitude de autonomia</p><p>na construção do conhecimento, conhecimento que não está agora somente entre</p><p>quatro paredes da sala de aula ou mesmo na pesquisa em biblioteca, mas sim na</p><p>palma de suas mãos, pois que apenas com um apertar de teclas consegue-se</p><p>informação e, com mais algumas pesquisas, a informação transforma-se em</p><p>conhecimento. Trata-se de uma realidade em que o aluno está conectado ao mundo</p><p>virtual, realidade que, por vezes, na escola é deixada de lado pelos professores.</p><p>Mediante tal realidade, o professor precisa mudar sua prática pedagógica,</p><p>não ser um mero transmissor de conhecimento e um construtor do conhecimento,</p><p>pois os desafios são diferentes daqueles imaginados ou treinados na universidade.</p><p>Aprende-se nas universidades que o professor precisa assumir uma postura de</p><p>aprendiz ativo, crítico, criativo e pesquisador, mas na prática o que se vivencia é</p><p>outra realidade, pois além de muitas escolas ainda não estarem adequadas às</p><p>novas tecnologias, é urgente que o docente desenvolva as habilidades e</p><p>11</p><p>competências necessárias para trabalhar com as Tecnologias da Informação e</p><p>Comunicação (TICs), que se configuram em uma ferramenta que também pode</p><p>colaborar para o processo de ensino e aprendizagem no ambiente escolar.</p><p>Nesse sentido, este estudo tem como problema da pesquisa o seguinte</p><p>questionamento: Qual é o papel das Tecnologias de Informação e Comunicação</p><p>(TICs) na formação docente?</p><p>Portanto, o objetivo geral deste Trabalho de Conclusão de Curso é analisar o</p><p>papel das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na formação docente.</p><p>Os objetivos específicos são: (1) revisar teoricamente sobre a atual interação</p><p>existente entre educação, escola e as Tecnologias de Informação e Comunicação;</p><p>(2) investigar a aplicação das TICs no processo educacional no intuito de promover</p><p>novas práticas pedagógicas no processo de ensino e aprendizagem de língua</p><p>portuguesa; e (3) avaliar a colaboração das TICs para o aprendizado dinâmico e</p><p>interativo sob a orientação/mediação do professor.</p><p>A metodologia aplicada foi a pesquisa bibliográfica e a pesquisa de campo,</p><p>com aplicação de entrevistas a professores de escolas públicas e privadas do</p><p>município de Marabá/PA.</p><p>12</p><p>2. TECNOLOGIA E ENSINO/APRENDIZAGEM DE LÍNGUA PORTUGUESA</p><p>2.1 Contextualização Histórica</p><p>A palavra “tecnologia” implica diversos significados e nos permite navegar</p><p>pela história do Brasil e do mundo a fim de que possamos entender como surgiram</p><p>os diferentes tipos de tecnologias até os dias atuais. Deve-se compreender que tal</p><p>termo não se refere apenas ao computador, celular ou outros meios eletrônicos, e</p><p>sim que o mesmo trouxe diversos avanços e inovações, fazendo parte de tudo no</p><p>nosso cotidiano, não sendo somente algo moderno e sim que vem se lapidando há</p><p>muitos anos.</p><p>Segundo Rodrigues (2001 apud VERASZTO, 2008), a palavra tecnologia</p><p>provém de uma junção do termo tecno, do grego techné, que é saber fazer, e logia,</p><p>do grego logus, razão. Portanto, tecnologia significa a razão do saber fazer. Dentre</p><p>os mais variados conceitos do termo, Houaiss e Villar (2009, p. 1821) apresentam os</p><p>seguintes:</p><p>Tecnologia: 1) teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas,</p><p>processos, métodos, meios e instrumentos de um ou mais ofícios ou</p><p>domínios da atividade humana (p. ex., indústria, ciência, etc.); 2) técnica ou</p><p>conjunto de técnicas de um domínio particular; 3) qualquer técnica moderna</p><p>e complexa.</p><p>Tais conceitos, ao analisá-los, podem nos levar a refletir e entendê-los de</p><p>formas totalmente distintas como, por exemplo, no primeiro é notado que se refere à</p><p>tecnologia como algo totalmente abstrato que requer um estudo aprofundado do</p><p>homem para que ele consiga dominar o “objeto”; o segundo se refere a algo que</p><p>nem todos os indivíduos conseguem lidar, que não está disponível para todos; já o</p><p>terceiro se refere a algo que surgiu apenas na modernidade e que é bastante difícil</p><p>de entender.</p><p>Entrando na história da humanidade, pode-se dizer que já no período</p><p>Paleolítico (primeira fase da Idade da Pedra), a tecnologia começa a se fazer</p><p>presente, considerando o fato de que o homem, objetivando garantir sua</p><p>sobrevivência e defender seu território, aprendeu a manipular os elementos da</p><p>natureza - água, fogo, osso - a seu favor. Posteriormente, foram surgindo</p><p>equipamentos um pouco mais avançados como lanças e setas de metal, caravelas e</p><p>13</p><p>navios e assim sucessivamente com o intuito de ampliar domínios e conseguir</p><p>riquezas. Veraszto et al (2008, p. 63), sobre o filme “2001: uma odisseia no espaço”,</p><p>de 1968, do diretor Stanley Kubrick, faz a seguinte consideração:</p><p>Aquele osso nunca mais seria apenas um osso. Seria um poderoso</p><p>instrumento de caça e defesa. [...]. Assim, surgiu o homem. Somente</p><p>através do emprego de sua capacidade intelectual primitiva é que foi capaz</p><p>de estabelecer relações fundamentais que o auxiliaria a modificar o meio,</p><p>empregando uma técnica até então inexistente.</p><p>É importante destacar na citação acima, a parte em que se fala da</p><p>capacidade intelectual primitiva, pois nesse período houve também o surgimento da</p><p>linguagem e os primitivos puderam se comunicar a fim de transmitir ordens e</p><p>analisar fatos do tempo e espaço. De acordo com Lévy (1993 apud VERASZTO,</p><p>2008), o surgimento da linguagem também deve ser visto como uma das primeiras</p><p>técnicas surgidas, ou uma tecnologia intelectual.</p><p>Como se sabe, na história primata, os primeiros registros do pensamento</p><p>humano eram encontrados em forma de gráficos em paredes das cavernas, pedras,</p><p>ossos e peles de animais. Veraszto (2008) afirma que a foi a partir da pedra lascada,</p><p>do fogo e da linguagem que a espécie humana dava um grande salto rumo às</p><p>grandes invenções e às colossais descobertas que acabariam fazendo parte da</p><p>história da sociedade tal qual a conhecemos em nossos dias.</p><p>Saindo então da pré-história, com o surgimento inicial de tecnologias como</p><p>técnicas utilizadas para o aproveitamento dos recursos naturais e obtenção de</p><p>melhor qualidade de vida e ainda o aparecimento dos primeiros vestígios de</p><p>linguagem, partimos para as chamadas “Revoluções Industriais”, as quais podem</p><p>ser consideradas como o ápice da era tecnológica, em que houve o surgimento de</p><p>várias máquinas sofisticadas, alterando também o modo de viver dos trabalhadores</p><p>da época até os dias atuais.</p><p>Tivemos três Revoluções Industriais, cada uma caracterizada pelo surgimento</p><p>e avanço de tecnologias diferentes. A primeira ocorreu na Inglaterra no século XVIII,</p><p>por volta dos anos 1740 e 1840 e nos trouxe a máquina a vapor e inovações</p><p>na</p><p>produção de lã. O trabalho deixa de ser manual, passando a ser feito através de</p><p>máquinas, diminuindo, assim, a mão de obra e o tempo gasto, mudando</p><p>completamente a forma de produção e de trabalho.</p><p>14</p><p>A segunda Revolução Industrial ocorreu nos Estados Unidos e outros países</p><p>na segunda metade do século XIX, onde houve a produção de carros, telefone,</p><p>rádio, havendo também a construção de novas ferrovias para o transporte de</p><p>mercadorias por terra. De acordo com Contin (2016), enquanto na primeira</p><p>revolução a tecnologia era facilmente copiada, na segunda, a pesquisa e o sistema</p><p>educacional tornaram-se cruciais para os novos avanços, sendo o laboratório de</p><p>pesquisa parte integrante do desenvolvimento industrial.</p><p>A terceira e última Revolução Industrial ocorreu no século XX e ficou</p><p>conhecida também como a Terceira Revolução Técnico-Científica, após as grandes</p><p>guerras, havendo um avanço tecnológico nas indústrias farmacêuticas,</p><p>petroquímicas e robóticas. Houve aí o intenso uso da microeletrônica no processo</p><p>de produção, com o desenvolvimento de computadores e o surgimento da internet</p><p>mudando também a nossa comunicação com o mundo e o modo de viver da</p><p>sociedade. Kenski (2007, p. 15-20) faz a seguinte observação:</p><p>As tecnologias são tão antigas quanto a espécie humana. Na verdade, foi a</p><p>engenhosidade humana, em todos os tempos, que deu origem às mais</p><p>diferenciadas tecnologias. O uso do raciocínio tem garantido ao homem um</p><p>processo crescente de inovações. [...] O desenvolvimento tecnológico de</p><p>cada época e a civilização marcou a cultura e a forma de compreender a</p><p>sua história. Todas essas descobertas serviram para o crescimento e</p><p>desenvolvimento do acervo cultural da espécie humana.</p><p>É importante lembrar que, mesmo antes do século XVIII (Primeira Revolução</p><p>Industrial), Thomas Edison já havia inventado a lâmpada elétrica, mudando muito o</p><p>modo de viver da sociedade, que antes vivia iluminada com velas ou lamparinas a</p><p>gás. Porém, é a partir do século XVIII, que as inovações tecnológicas começam a</p><p>crescer disparadamente.</p><p>No Brasil, essas tecnologias demoraram um pouco para chegar, demorando</p><p>também para que a sociedade se acostumasse com as mesmas, pois houve um</p><p>período (por volta dos anos 60-90) em que o país não importava tanto do comércio</p><p>internacional e devido a isso a modernidade não foi implantada tão rapidamente.</p><p>Atualmente, a criação e crescimento de tecnologias estão se desenvolvendo no</p><p>país, porém grande parte ainda não é produzida em território nacional.</p><p>Hoje, quando se ouve falar na palavra tecnologia, costumamos associá-la</p><p>principalmente às telecomunicações, eletrônica e microeletrônica. A exemplo disso,</p><p>têm-se o computador e a internet, ou seja, aquilo que chamamos de “tecnologia</p><p>15</p><p>digital”, visto que é um ramo que vem se desenvolvendo rapidamente, com</p><p>inovações que chamam cada vez mais a atenção da sociedade. De acordo com</p><p>Tajra (2012 apud TAPSCOTT, 1997, p. 21),</p><p>Como marco do novo milênio, temos a internet que, a partir de 1995,</p><p>penetrou no mercado, iniciando uma nova revolução, a revolução digital, a</p><p>era da inteligência em rede, na qual seres humanos combinam sua</p><p>inteligência, conhecimento e criatividade para revoluções na produção de</p><p>riquezas e desenvolvimento social. Essa revolução atinge todos os</p><p>empreendimentos da humanidade – aprendizagem, saúde, trabalho,</p><p>entretenimento.</p><p>Percebe-se, então, que esse novo tipo de tecnologia - a tecnologia digital –</p><p>tem tomado conta de vários ramos da sociedade, principalmente no que se refere ao</p><p>ramo empregatício, visto que grande parte das empresas e profissões tornou-se</p><p>dependente da mesma. Atualmente existem profissões especialmente voltadas para</p><p>a ação de comunicação e informação. Por meio dessa tecnologia, novos meios de</p><p>comunicação permitem o acesso da população a informações e acontecimentos do</p><p>Brasil e do mundo em tempo real, através da televisão, rádio, jornais, revistas,</p><p>internet, entre outros. Kenski (2007, p. 22) enfatiza que,</p><p>Na atualidade, o surgimento de um novo tipo de sociedade tecnológica é</p><p>determinado principalmente pelos avanços das tecnologias digitais de</p><p>comunicação e informação e pela microeletrônica. Essas novas tecnologias-</p><p>assim consideradas em relação às tecnologias anteriormente existentes-,</p><p>quando disseminadas socialmente, alteram as qualificações profissionais e</p><p>a maneira como as pessoas vivem cotidianamente, trabalham, informam-se</p><p>e se comunicam com outras pessoas e com todo o mundo.</p><p>Essa nova tecnologia é caracterizada por meios que despertam a atenção e a</p><p>curiosidade das pessoas como, por exemplo, imagem, som, linguagem escrita,</p><p>linguagem oral e vídeos, nos proporcionando ainda uma gama de informações e</p><p>permitindo-nos a comunicação e interação com qualquer pessoa em qualquer lugar</p><p>do mundo instantaneamente, daí então o uso do termo “TICs” (Tecnologia da</p><p>Informação e Comunicação). É muito difícil, nos tempos atuais, se encontrar alguém</p><p>que não faça uso da internet ou que não tenha um celular moderno ou mesmo uma</p><p>TV digital em casa. A sociedade se tornou e vem se tornando cada vez mais</p><p>dependente da tecnologia digital, seja por querer ou mesmo por necessidade, já que</p><p>o mundo nos exige o mínimo de conhecimento sobre o assunto.</p><p>16</p><p>Passando, então, pela Revolução Industrial em que se tem o surgimento,</p><p>evolução e substituição de mão-de-obra por máquinas capazes de “fazer milagres”</p><p>em termos de produção com rapidez e qualidade e, mais recentemente, tratando do</p><p>avanço da tecnologia, considerada como uma inovação facilitadora da vida humana,</p><p>incluindo aí a facilidade de interação e comunicação, pode-se verificar que os meios</p><p>tecnológicos são uma parte essencial da nossa cultura e que não é novidade na</p><p>sociedade em que vivemos, apesar de que antigamente não havia muitos estudos</p><p>acerca de tal assunto. Seu desenvolvimento teve fortes efeitos sobre as sociedades</p><p>e gerou importantes mudanças na maneira de viver dos seres humanos (LLANO,</p><p>2006, p.19).</p><p>“As tecnologias invadem as nossas vidas, ampliam a nossa memória,</p><p>garantem novas possibilidades de bem-estar e fragilizam as capacidades naturais do</p><p>ser humano” (KENSKI, 2007, p. 19). É evidente que em termos de ampliação de</p><p>memória, os computadores, juntamente com o advento da internet, nos</p><p>proporcionam um leque de informações em tempo real, ou seja, em grande</p><p>velocidade, facilitando e ampliando o nosso conhecimento, o que antes, sem a</p><p>tecnologia digital, não era possível.</p><p>Uma imensa e complexa rede de meios de comunicação, instalada em</p><p>quase todos os países do mundo, interliga pessoas e organizações</p><p>permanentemente. Um único e principal fenômeno tecnológico, a internet,</p><p>possibilita a comunicação entre pessoas para os mais diferenciados fins:</p><p>fazer negócios, trocar informações e experiências, aprender juntas,</p><p>desenvolver pesquisas e projetos, namorar, jogar, conversar, enfim, viver</p><p>novas vidas, que podem ser partilhadas em pequenos grupos ou</p><p>comunidades, virtuais (KENSKI, 2007, p. 33).</p><p>Do mesmo modo, também na educação a tecnologia evolutivamente vem</p><p>fazendo parte do processo de ensino e aprendizagem, em vista do domínio da</p><p>tecnologia digital na sociedade atual, tal como é a seguir exposto.</p><p>2.2 Tecnologia e Educação</p><p>No que diz respeito à educação, a tecnologia também é um fator muito</p><p>importante no mundo contemporâneo, em que muitos dos jovens alunos entendem</p><p>mais do assunto em questão do que os próprios professores que, muitas das vezes,</p><p>17</p><p>estão ligados ao ensino tradicional por não ter tido uma formação que os</p><p>auxiliassem a trabalhar com tais ferramentas.</p><p>Apesar da relevância do uso da tecnologia em sala de aula, é importante</p><p>deixar claro que a mesma não substitui o professor, que passou anos em formação</p><p>buscando conhecimentos para atuar em sua área. Tajra (2012) afirma que o</p><p>professor jamais será substituído pelo computador. O que ocorrerá</p><p>é uma mudança</p><p>de postura em relação ao processo ensino-aprendizagem em substituição ou</p><p>complemento às aulas tradicionais.</p><p>Para Kenski (2007, p. 131), tem se tornado evidente a insatisfação dos alunos</p><p>em relação a aulas ditas "tradicionais", ou seja, aulas expositivas nas quais são</p><p>utilizados apenas o quadro-negro e o giz.</p><p>O aprender por aprender já não existe: hoje, os alunos precisam saber para</p><p>que e por que precisam saber determinado assunto. Essa é a típica</p><p>aprendizagem utilitária, isto é, só aprendo se for útil, necessário para entrar</p><p>no mercado de trabalho, visando ao retorno financeiro. A internet invade</p><p>nossos lares com todas as suas cores, seus movimentos e sua velocidade,</p><p>fazendo o impossível tornar-se palpável, como navegar pelo corpo humano</p><p>e visualizar a Terra do espaço sem sair do lugar. É difícil, portanto, prender</p><p>a atenção do aluno em aulas feitas do conjunto lousa + professor.</p><p>Segundo Kenski (2007, p. 132) somos todos da geração alfabética da</p><p>aprendizagem por meio do texto escrito, da leitura do livro, do artigo. Somos</p><p>analfabetos para a leitura de imagens e sons, “Nossa alfabetização é parcial e não</p><p>total. Sabemos ler apenas textos e não imagens, sons, movimentos...”. Ao educador-</p><p>comunicador, é imperativo aprofundar a relação essencial comunicação-educação,</p><p>uma vez que esta constitui fundamento primeiro da prática pedagógica, pois:</p><p>É na relação educador-educando que a comunicação passa a ser</p><p>qualificada como comunicação educativa, formalizando-se através de</p><p>normas e padrões específicos, seja como comunicação docente ou como</p><p>comunicação discente. E neste sentido ela se posiciona também, como</p><p>objeto da mediação da tecnologia educacional (KENSKI, 2007, p. 132).</p><p>Ao educador-comunicador, o acesso às tecnologias, sobretudo aquelas</p><p>potencializadoras de comunicação, se impõe como instrumento de trabalho</p><p>educativo atualizado. Nesse sentido, podemos verificar a necessidade principal para</p><p>que o educador insira a tecnologia como suporte em seu ensino, ou seja, pelo seu</p><p>poder de comunicação/interação, fundamental para que o indivíduo aprenda a se</p><p>18</p><p>confrontar e a lidar com os processos sociais em desenvolvimento, gerando ainda,</p><p>construção de conhecimento de forma coletiva. De acordo com Silva (2017, p. 10),</p><p>O professor deve encarar o desafio da utilização da informática na</p><p>educação de forma séria e coerente, partindo dos princípios educacionais.</p><p>[...] É imprescindível que a escola ofereça a seus alunos uma formação que</p><p>contemple aspectos como informações técnicas; desenvolvimento de</p><p>habilidades e atitudes; formação de cidadãos críticos e reflexivos. Além</p><p>disso, é fundamental que os alunos conheçam as novas tecnologias e</p><p>aprendam a utilizá-las.</p><p>Dessa forma, é importante ressaltar que com o emprego das tecnologias no</p><p>meio educacional deve ser bem pensado e planejado pelo educador para que ele</p><p>possa atingir o objetivo maior, a aprendizagem e o desenvolvimento das</p><p>competências comunicativas dos alunos. Silva (2017) chama a atenção ainda para o</p><p>fato de que, tanto os alunos quanto os professores, precisam reaprender a</p><p>conhecer, a se comunicar, a ensinar e a aprender, a compreender a intervenção do</p><p>tecnológico em nosso dia a dia. Nesse cenário, há uma troca de conhecimentos</p><p>entre aluno e professor e, o professor, deve estar atento para que os recursos</p><p>tecnológicos sirvam apenas como ferramenta de auxílio em suas aulas, fazendo com</p><p>que o aluno se aproprie e se utilize de maneira correta dos meios audiovisuais,</p><p>especialmente da televisão, do vídeo, do computador e da internet, que são meios</p><p>potencializadores da comunicação na atualidade.</p><p>Do mesmo modo, Kenski (2007, p. 95) também considera que o professor</p><p>precisa ter consciência de que sua ação profissional competente não será</p><p>substituída pelas tecnologias. Elas, ao contrário, ampliam o seu campo de atuação</p><p>para além da escola clássica.</p><p>Espaços virtuais de aprendizagem oferecem condições para a interação</p><p>(síncrona e assíncrona) permanente entre seus usuários. A</p><p>hipertextualidade - funcionando como sequencias de textos articulados e</p><p>interligados, entre si e outras mídias, sons, fotos, vídeos etc. – facilita a</p><p>propagação de atitudes de cooperação entre participantes, para fins de</p><p>aprendizagem. A conectividade garante o acesso rápido à informação e à</p><p>comunicação interpessoal, em qualquer tempo e lugar, sustentando o</p><p>desenvolvimento de projetos em colaboração e a coordenação de</p><p>atividades. Essas três características – interatividade, hipertextualidade e</p><p>conectividade – já garantem o diferencial dos ambientes virtuais para a</p><p>aprendizagem individual e grupal.</p><p>A interação e a facilidade de comunicação são as principais ferramentas</p><p>citadas por autores que o uso da tecnologia trouxe para o ambiente escolar. A</p><p>19</p><p>comunicação moderna está voltada para a era digital. Não há como separar o</p><p>processo de ensino e aprendizagem das atuais formas de comunicação, inclusive</p><p>em função da gestão de tempo em sala de aula e da promoção da interatividade</p><p>que, para Prado (2015, p. 06-07),</p><p>Apesar de se apresentar em uma variedade de formas, a evolução das</p><p>tecnologias de informação e comunicação aponta para uma direção básica:</p><p>a interatividade. Há muito que já é possível interagir com programas de TV,</p><p>seja por meio do telefone, da internet ou de decodificadores digitais. Os</p><p>livros e revistas ganharam edições digitais com recursos adicionais como</p><p>vídeos e infográficos animados. O jornalismo frequentemente se pauta por</p><p>temas que surgem na internet e, em muitos casos, a maior parte de sua</p><p>audiência e da sua repercussão vem das redes sociais, onde as notícias</p><p>são amplamente discutidas e compartilhadas. E, é claro, os aplicativos de</p><p>celulares e tablets permitem uma enorme interação com o ambiente e as</p><p>pessoas ao redor. Se todas as principais formas de comunicação e infor-</p><p>mação têm funcionado por essa via dupla, por que a educação deveria ser</p><p>diferente? A resposta é simples: ela não deve ser diferente, nem pode!</p><p>Um dos primeiros instrumentos advindos da tecnologia para a educação foi o</p><p>livro didático, até hoje utilizado como um suporte para o professor em sala de aula.</p><p>O mesmo causou grandes questionamentos e alteraram a forma de ensino. Depois,</p><p>com a implantação da tecnologia educacional, muitos educadores questionam a sua</p><p>utilização, talvez por não conseguirem acompanhá-la e preferir trabalhar apenas</p><p>como o livro didático, descartando a necessidade de ter que seguir essa evolução</p><p>tecnológica ou mesmo por não ter conhecimento do uso das ferramentas que</p><p>englobam essa tecnologia, optando por reproduzir o modelo no qual foram</p><p>educados.</p><p>Tajra (2012), sobre os atuais usuários educacionais das tecnologias, destaca</p><p>dois grupos: os integrados e os apocalípticos, sendo o primeiro aqueles que</p><p>acreditam que só por incorporar a tecnologia é, por si só, uma inovação; e o</p><p>segundo, como aqueles que não veem a tecnologia de forma tão neutra, acreditando</p><p>que em função do próprio desenvolvimento das suas interfaces, cada vez mais</p><p>amigáveis, será necessário menos conhecimento para manuseá-la. Realmente</p><p>existem esses dois lados, ou seja, aqueles que preferem não ir além, não obter um</p><p>conhecimento tecnológico mais aprofundado e que a simples presença de uma</p><p>televisão ou mesmo um data show no ambiente escolar já quer dizer que a</p><p>tecnologia está ali totalmente inserida; e aqueles que entendem que devem buscar</p><p>um conhecimento maior sobre o assunto, inovar e buscar compreender melhor, se</p><p>ajustando às mudanças e aliando-as ao ensino.</p><p>20</p><p>Segundo Prado (2015, p. 4):</p><p>[...] embora as escolas não tenham mudado, o cotidiano dos alunos é</p><p>constantemente afetado pelas novas tecnologias. Segundo a pesquisa TIC</p><p>Kids Online 2013, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o</p><p>Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br), 77% dos</p><p>brasileiros com idade entre 9 e 17 são usuários</p><p>da internet. Destes, 79%</p><p>têm perfil na rede social que mais utilizam e 87% usaram a rede para fazer</p><p>pesquisa para trabalho escolar.</p><p>Os alunos, hoje em dia, já não utilizam tanto o livro impresso com fonte de</p><p>pesquisa, eles recorrem a sites de buscas. O cotidiano de professores e alunos está</p><p>sendo afetado constantemente pelo uso necessário de recursos tecnológicos e,</p><p>devido a isso, novos projetos e formas de captar a atenção do aluno devem ser</p><p>buscadas, visto que os dados apresentados são bastante relevantes.</p><p>É importante ressaltar que a tecnologia não trouxe apenas benefícios para a</p><p>sociedade, haja vista que, desde a sua evolução nas Revoluções Industriais, as</p><p>mesmas trouxeram vários problemas no modo de viver do trabalhador, que foi</p><p>substituído por máquinas e a mão-de-obra fora reduzida. Atualmente, uma grande</p><p>parte da população tornou-se escrava da internet e faz parte de suas atividades</p><p>diárias através da mesma (pagam contas, fazem compras, se comunicam, preparam</p><p>viagens), transformando-se em seres totalmente inertes. A respeito disso, Tajra</p><p>(2012) diz que, dessa forma, perdemos ou minimizamos um dos aspectos mais</p><p>importantes para o ser humano: o contato presencial com as pessoas. Apesar de</p><p>todo o avanço tecnológico, nenhuma nova tecnologia substituirá a mais perfeita</p><p>tecnologia humana.</p><p>2.3 A Tecnologia e a Aprendizagem da Língua Portuguesa</p><p>Tendo em vista, que hoje em dia, o ensino-aprendizado da língua se dá</p><p>através da comunicação e interação entre falantes de diversos grupos sociais, a</p><p>tecnologia virtual nos fornece de forma a satisfazer essas necessidades, seus mais</p><p>variados recursos (jogos interativos, blogs, e-mail, redes sociais etc.), basta</p><p>sabermos explorá-los de maneira positiva para que os resultados sejam</p><p>satisfatórios.</p><p>Além da interação que a tecnologia e a internet nos proporcionam, permitindo-</p><p>nos o compartilhamento de informações e aprendizagem e na qual é pressuposta</p><p>21</p><p>por Tajra (2012) como sinônimo de processo de comunicação, de diálogo, contando</p><p>com os seguintes elementos: emissor, canal, mensagem, receptor, interpretação e</p><p>conteúdo devolutivo; há também outros dois fatores importantes, a cooperação e a</p><p>colaboração obtida através da internet para o ensino-aprendizado. Ainda de acordo</p><p>com Tajra (2012, p. 204):</p><p>A aprendizagem colaborativa é caracterizada principalmente pela</p><p>contribuição, enquanto cooperação. Envolve o trabalho comum, visando</p><p>alcançar um objetivo comum. Na aprendizagem colaborativa as pessoas</p><p>trabalham para grandes objetivos comuns, fazem pesquisas, desenvolvem</p><p>ações coletivas, lidam com temas de conscientização individual sobre</p><p>problemas mundiais.</p><p>A aprendizagem colaborativa não significa aprender em grupo, mas a</p><p>possibilidade de contar com outras pessoas e dar retorno se, e quando,</p><p>necessário.</p><p>A aprendizagem cooperativa com computadores serve para mediar a</p><p>comunicação, permitir acesso às informações e aos recursos necessários</p><p>para realizar as tarefas em comum. (TAJRA, 2012, p. 204).</p><p>Nesse sentido, cabe à escola e ao professor, escolher e planejar</p><p>corretamente a melhor metodologia de ensino que utilize os recursos tecnológicos e</p><p>que viabilize o conhecimento mútuo e eficaz, ligando interação, colaboração e</p><p>cooperação, buscando satisfazer as necessidades que o mundo impõe,</p><p>acompanhando as constantes mudanças no meio digital, em que todos já estamos,</p><p>de uma forma ou outra, submissos.</p><p>No que diz respeito ao ensino língua portuguesa associada ao uso de</p><p>tecnologias, o professor deve saber explorar as ferramentas e aguçar a criatividade</p><p>e a interatividade do aluno no intuito de se adquirir um ensino/aprendizado eficaz.</p><p>Existem alguns sites na internet que oferecem diversos jogos digitais voltados para a</p><p>educação que podem auxiliar os educadores em seu processo de</p><p>ensino/aprendizagem como, por exemplo, o Banco Internacional de Objetos</p><p>Educacionais (BIOE), que oferece jogos, vídeos, áudios, imagens, entre outros</p><p>objetos de vários níveis de ensino; o Currículo + Educação do Estado de São Paulo,</p><p>que é bem interessante e oferece diversos conteúdos digitais e o Escola Games,</p><p>que oferece jogos digitais voltados para crianças a partir de 05 anos de idade. São</p><p>sites criados para incentivar o professor ao uso da tecnologia em sala de aula e</p><p>inovar seu trabalho com os alunos, visando principalmente à aprendizagem.</p><p>Há também o uso de recursos audiovisuais e a exploração de infográficos</p><p>digitais, que estimulam a leitura e interpretação de textos visuais informativos do</p><p>22</p><p>aluno, trabalhando sua capacidade de análise e observação dos modos verbal e</p><p>imagético, além de ajudar a desenvolver outras habilidades do aluno, visto que em</p><p>um mesmo infográfico pode-se ter imagem, sons, vídeos, animações, entre outros</p><p>fatores que exploram tais habilidades. De acordo com Coscarelli (2016, pp. 47-48),</p><p>Saber localizar informações nos textos visuais informativos é um saber fazer</p><p>articulado a habilidades que tornam esse saber fazer mais complexo, como</p><p>ser capaz de localizar informações em diferentes infográficos, com</p><p>diferentes recursos, ou localizar informações em diferentes modos</p><p>semióticos presentes em um mesmo infográfico. Os conjuntos de</p><p>habilidades de leitura que um sujeito possui formam uma matriz de</p><p>habilidades recursivas, das quais o leitor lança mão, à medida que lê o</p><p>texto.</p><p>Os blogs também são importantes ferramentas digitais que podem ser</p><p>exploradas em aulas de língua portuguesa e de outras disciplinas escolares, uma</p><p>vez que pode promover interação e auxiliar na criatividade do aluno. Os blogs são</p><p>bastante oportunos para a elaboração de trabalhos escolares, podendo ser uma das</p><p>boas opções para publicações dos jornais eletrônicos das escolas. Através do blog,</p><p>diversas atividades colaborativas para o ensino de Língua Portuguesa, podem ser</p><p>desenvolvidas de maneira a trazer um conhecimento novo e interessante para os</p><p>alunos.</p><p>São diversos os proveitos que podemos retirar ao saber fazer bom uso dessa</p><p>ferramenta nas aulas de língua portuguesa, em especial, nas produções textuais</p><p>desenvolvidas por alunos em comunicação com o professor. Dentre os principais</p><p>benefícios, como já citado na introdução, temos a constante interação, colaboração,</p><p>cooperação entre professores e alunos.</p><p>Vimos então que a advento das tecnologias trouxe importantes e instigantes</p><p>transformações em diversos setores da sociedade, inclusive e, porque não dizer,</p><p>principalmente, na educação, a qual teve e, em alguns casos, ainda está tendo que</p><p>passar por adequações e capacitações de profissionais em busca de se adaptar a</p><p>essa nova Era Digital em que todos nós estamos inseridos.</p><p>2.4 A Tecnologia na Escola</p><p>Como já anteriormente referido, a falta de perspectiva dos professores em</p><p>relação ao uso das novas tecnologias, assim como a falta de interesse com relação</p><p>23</p><p>ao tema, pode ser atribuída ao total desconhecimento das técnicas de utilização das</p><p>mesmas, haja vista a constatação de que as metodologias utilizadas pelos</p><p>professores se constituem, na maioria das vezes, de texto escrito e apresentação</p><p>oral.</p><p>Gadotti (2000) afirma que hoje muitos educadores, perplexos diante das</p><p>rápidas mudanças na sociedade, na tecnologia e na economia, perguntam-se sobre</p><p>o futuro de sua profissão, alguns com medo de perdê-la sem saber o que devem</p><p>fazer. Refletindo sobre essa questão, o foco central do sucesso da atuação do</p><p>educador nesta sociedade de mudanças rápidas e imprevisíveis, tem-se constituído</p><p>objeto de análise por parte de alguns educadores preocupados com a qualidade da</p><p>prática educativa e com a resistência de muitos professores para a utilização (ou até</p><p>a aceitação) da tecnologia em sua prática de ensino. Analisando tal afirmativa,</p><p>podemos pensar em alguns questionamentos, tais como:</p><p>a) Como ir de uma prática baseada no modelo da pedagogia tradicional</p><p>(textos e apresentação oral) para uma</p><p>prática pedagógica voltada para as novas</p><p>formas de ensinar e aprender, adaptadas com as exigências e potencialidades das</p><p>novas tecnologias?</p><p>b) Como pensar novas possibilidades para a formação de professores mais</p><p>competentes e criativos na realização desse compromisso?</p><p>Analisando essas questões, alguns teóricos da educação, afirmam ser</p><p>necessário para que o educador consiga promover mudança em sua prática</p><p>pedagógica ser imprescindível que, além do compromisso por um ensino de</p><p>qualidade, busque também se atualizar, apropriando-se de conhecimentos não só</p><p>referentes aos conteúdos e metodologias de sua área de atuação como também dos</p><p>recursos tecnológicos e de como esses recursos articulam-se com o conhecimento,</p><p>tornando-se acessível a toda a sociedade. Por exemplo, ser um educador aberto à</p><p>realização de um trabalho pedagogicamente sustentado em uma linguagem</p><p>audiovisual (KUENZER, 2011).</p><p>A sociedade contemporânea exige dos educadores e dos dirigentes dos</p><p>sistemas educativos o provimento de uma educação de qualidade. Essa qualidade</p><p>se define também pela contemporaneidade da educação, pela atualização das</p><p>escolas e universidades e, especificamente, pela competência do professor. No</p><p>entender de Libâneo (2012), a qualidade do ensino também passa pelos</p><p>professores, sua formação, suas concepções e práticas docentes. Segundo o autor,</p><p>24</p><p>está sendo posta no mundo contemporâneo, a exigência de uma formação geral de</p><p>qualidade, o que está diretamente relacionada a uma formação de qualidade dos</p><p>professores, visto que eles são agentes responsáveis pela construção e</p><p>transformação dos processos pedagógico-didáticos, curriculares e organizacionais.</p><p>Para Kuenzer (2011, p. 91), no caso de escolas públicas deve o poder público</p><p>atentar para não somente as questões de infraestrutura organizacional e de</p><p>equipamentos, mas também se preocupar com o processo de formação continuada</p><p>e qualificação tecnológica, possibilitando-lhes horários flexibilizados para que “os já</p><p>sacrificados professores possuam tempo de aprender e apreender tal conhecimento”</p><p>e, fundamentalmente, buscar a manutenção efetiva desses equipamentos por</p><p>técnicos que não exijam que esses professores entendam sua linguagem específica</p><p>da área, pois tal desconhecimento também os desestimula por acreditarem que o</p><p>mínimo que aprenderam nos cursos de formação continuada ainda não é suficiente</p><p>para o domínio de softwares educacionais.</p><p>Para Coburn (2015, p. 95), para que a tecnologia na escola seja vista como</p><p>um instrumento a ser utilizado e aplicado pelo professor (e não como um</p><p>instrumento de substituição do professor) é fundamental que se reflita com o</p><p>professor sobre qual é seu papel dentro dessa nova dinâmica, pois:</p><p>Anteriormente, era o professor quem detinha os conhecimentos a serem</p><p>transmitidos e aos alunos restava a assimilação passiva desses. Hoje,</p><p>diante da enorme variedade de dados atualizados disponíveis pela Internet,</p><p>o aluno pode tornar-se um sujeito ativo frente a sua aprendizagem. Pode,</p><p>então, procurar e selecionar as informações de acordo com seu interesse e</p><p>necessidade. Assim, o modelo tradicional de acúmulo de conhecimento e</p><p>memorização de dados precisa ser substituído.</p><p>Dentro desse contexto de transformação, cabe ao professor trabalhar no</p><p>sentido de, primeiramente, incentivar em seus alunos o hábito da pesquisa e da</p><p>leitura, ou seja, formar o aluno-pesquisador. Posteriormente, estimular nos alunos o</p><p>desenvolvimento de um senso criterioso para que consigam selecionar e obter os</p><p>dados de que necessitam. E, finalmente, desenvolver o hábito da crítica frente às</p><p>informações obtidas via Internet, por exemplo, como as obtidas através de outros</p><p>meios de comunicação.</p><p>Segundo Varaschini (2016), para que os professores consigam desenvolver</p><p>esse tipo de trabalho, precisam reconhecer que os conhecimentos não estão prontos</p><p>e acabados, e sim em constante transformação, reconhecendo que a superação do</p><p>25</p><p>modelo tradicional é o grande desafio para a educação e não simplesmente a</p><p>utilização da tecnologia. Mas, para que se consiga a superação da postura</p><p>tradicional do professor, é preciso que se invista na formação profissional, dentro de</p><p>uma concepção de continuidade, que não acontece em um encontro de um dia, mas</p><p>que pode ser feita se incorporada à prática a utilização da tecnologia e da Internet</p><p>desde os cursos de graduação.</p><p>Essa formação deve oferecer um suporte tecnológico, pois há a necessidade</p><p>de o educador conhecer todos os recursos que são oferecidos pelo computador,</p><p>mas, prioritariamente, um suporte pedagógico, para que a introdução da informática</p><p>não se restrinja a trabalhos com jogos ou ao “cursinho” de técnico de informática</p><p>(VARASCHINI, 2016).</p><p>Dentro desse paradigma, expõe Varaschini (2016) que a formação objetiva</p><p>deve promover a autonomia do educador e comprometê-lo com o seu próprio</p><p>desenvolvimento profissional, se tornando um pesquisador de sua prática</p><p>pedagógica, com autonomia para construir seu caminho.</p><p>Assim, pode ser explorado o próprio uso da educação à distância através da</p><p>informática. Através do uso de redes promove-se o estudo e a discussão em grupos</p><p>fisicamente distantes, mas com interesses próximos. Tem-se a oportunidade de sair</p><p>do isolamento da sala de aula e enriquecer o conhecimento, trocando sugestões,</p><p>manifestando idéias e opiniões, permitindo, assim, a leitura de um mundo global.</p><p>Observa-se que o uso dessa tecnologia de ponta certamente conduzirá a</p><p>educação para a criação de uma nova dinâmica pedagógica fora do ambiente</p><p>escolar através da informação e comunicação em rede e que, para que a educação</p><p>se adapte ao mundo contemporâneo, é fundamental que os professores utilizem</p><p>todos os recursos tecnológicos disponíveis e que o ambiente de aprendizagem seja</p><p>reorganizado e modernizado.</p><p>Varaschini (2016) afirma, ainda, que o processo de construção do</p><p>conhecimento para o educando é melhor desenvolvido quando há a troca de</p><p>informações pesquisadas pelos alunos e cada um tem a possibilidade de construir</p><p>seus conceitos a partir das próprias concepções anteriores. E dentro dessa</p><p>abordagem de ensino, onde o aluno é visto como sujeito ativo e não mero receptor</p><p>de informações, a Internet se integra perfeitamente como um instrumento capaz de</p><p>favorecer uma aprendizagem mais significativa.</p><p>26</p><p>Em tal contexto, ao considerar o processo sócio-histórico da formação</p><p>docente, é possível afirmar que ela vem passando por um processo de</p><p>reestruturação, tendo sido gerada de uma longa história em que a formação do</p><p>professor estava limitada aos ensinamentos técnico-metodológicos. No entanto, vem</p><p>sendo marcada por mudanças de paradigmas em todas as áreas (ambiental, social,</p><p>política, científica e tecnológica), haja vista que o sistema educacional e a formação</p><p>e qualificação permanente de professores têm se constituído em constante</p><p>preocupação da sociedade que, reconhecendo a educação do homem</p><p>contemporâneo como necessidade é tarefa de fundamental importância, vêm</p><p>investindo nesses setores procurando adequá-los às novas demandas sociais</p><p>(LIBÂNEO, 2012).</p><p>Assim, observa-se que a nova realidade exige qualificações cada vez mais</p><p>elevadas tornando as necessidades educacionais das populações cada vez maiores.</p><p>Nesse sentido, a formação de professores tem sido objeto de reflexão e análise nos</p><p>trabalhos, cada vez mais frequentes, de educadores, autores e críticos, que têm</p><p>investigado essa questão, direcionando as discussões em torno dos currículos dos</p><p>cursos de formação docente. Para que tal aconteça, Varaschini (2016) pontua que é</p><p>fundamental que antes de qualquer iniciativa, se analise e se reveja a formação</p><p>profissional do professor, pois dele depende todo o sucesso do uso da tecnologia</p><p>como uma prática pedagógica e educacional, considerando-se que nos tempos</p><p>atuais, de avançado uso da tecnologia também pelos alunos, principalmente</p><p>a</p><p>tecnologia digital, faz-se necessário que haja a formação e/ou qualificação do</p><p>professor nas novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).</p><p>27</p><p>3 FORMAÇÃO DE PROFESSORES E AMBIENTE DIGITAL</p><p>3.1 A Era Digital e o Ambiente Escolar</p><p>A internet se configura, como afirma Tajra (2012), como a mídia que mais</p><p>cresce no mundo, promovendo mudanças sociais, econômicas, educacionais e</p><p>culturais, sendo um excelente canal de comunicação, acessível financeiramente e</p><p>veloz e, ainda, uma grande aliada para atingirmos um futuro com sucesso. Portanto,</p><p>sua necessidade de utilização na formação dos jovens torna-se imprescindível.</p><p>Nesse cenário da era digital, a sensibilização dos professores requer o</p><p>entendimento de que, como toda ferramenta computacional, a utilização da</p><p>informática educativa exige que haja pessoas capacitadas para executá-la, então os</p><p>professores necessitam se adaptar a essa nova forma de transmitir o conhecimento.</p><p>Ou seja, necessita-se de docentes que façam das tecnologias digitais suas aliadas</p><p>para despertar nos alunos o interesse maior em descobrir o mundo de uma forma</p><p>mais ampla e mais dinâmica.</p><p>Segundo Costa e Paz (2014), o ambiente digital, baseado na aplicação</p><p>intensa e ampla de tecnologias de informação e comunicação, está afetando o</p><p>processo educacional em várias e profundas dimensões. Esse efeito pode ser</p><p>estudado com base nos seguintes fatos: a educação não é algo que acontece</p><p>somente na juventude; o conhecimento tende a tornar-se obsoleto exigindo um</p><p>ambiente que permita o aprendizado contínuo; a educação e o entretenimento estão</p><p>convergindo para um mesmo ambiente; e a entrega de instruções educacionais está</p><p>sendo alterada para um meio eletrônico, essencialmente digital e mais informal.</p><p>Nesse sentido:</p><p>A postura do professor ante esta nova realidade tecnológica deve ser a de</p><p>um mediador na construção do conhecimento, que participa ativamente do</p><p>processo do ensino-aprendizagem e que faz a reflexão-depuração de todo o</p><p>seu trabalho, sendo também além de professor, um aprendiz na busca de</p><p>novas práticas para melhorar o seu próprio conhecimento. O professor no</p><p>ambiente de aprendizagem informatizado deverá estar em contínuo</p><p>processo de reformulação de suas próprias experiências, numa relação</p><p>dialética com os próprios alunos, pois por mais que ele esteja familiarizado</p><p>com o ambiente informatizado, terá sempre que lidar com resultados</p><p>inesperados e isto proporciona a oportunidade de analisar e refletir sobre o</p><p>porquê desses resultados juntos aos alunos (COSTA; PAZ, 2014, p. 29).</p><p>28</p><p>Segundo Dias (2016), entretanto, uma das principais dificuldades verificadas</p><p>na prática docente da atualidade, fundamentalmente em relação aos professores da</p><p>escola pública, ainda se refere à resistência em obterem formação adequada para</p><p>as TICs, observando-se, assim, que a questão do educar na era digital não se limita,</p><p>apenas à questão didática, ou seja, o ensinamento transmitido em sala de aula, mas</p><p>significa ir além da didática, haja vista a necessidade de obterem a formação</p><p>adequada para o uso das novas tecnologias de comunicação e informação como</p><p>ferramenta educacional e pedagógica.</p><p>Vivemos atualmente em um mundo tecnológico e temos como uma das</p><p>principais ferramentas desse meio, a informática. Tal ferramenta nos proporciona</p><p>uma gama de informações e recursos próprios que podem ser utilizados e</p><p>aproveitados nas escolas, visto que seu crescimento e influência na sociedade são</p><p>constantes. Infelizmente ainda há escolas presas ao tradicionalismo que insistem em</p><p>não aderir à modernidade a qual vivenciamos. Nesse sentido, Silva (2017), vem</p><p>dizer que as tecnologias digitais chegam à Escola para contribuir com o ensino e,</p><p>consequentemente, para a construção de uma sociedade melhor, mas é necessário</p><p>que haja um desejo coletivo e uma dedicação de todos para que o processo se</p><p>consolide.</p><p>Não se pode deixar de atentar que a educação ainda vem passando por</p><p>mudanças estruturais e funcionais frente a essa nova tecnologia. De acordo com</p><p>Fróes (2016, p.12), os recursos atuais da tecnologia, os novos meios digitais: a</p><p>multimídia, a Internet e a telemática, trazem novas formas de ler, escrever e</p><p>aprender e, portanto, de pensar e de agir. O simples uso do editor de textos mostra</p><p>como alguém pode registrar seu pensamento de forma distinta daquela do texto</p><p>manuscrito, provocando no indivíduo uma forma diferente de ler e interpretar o que</p><p>escreve, forma que se associa, ora como causa, ora como consequência, a um</p><p>pensar diferente.</p><p>Para Brito e Purificação (2015, p.38), as mudanças tecnológicas</p><p>proporcionam aos professores instrumentos necessários para responder à exigência</p><p>quantitativa e qualitativa da educação, porém é necessário reconhecer essas</p><p>tecnologias e adaptá-las às finalidades educacionais com características inovadoras.</p><p>Dessa forma, deve-se entender a informática e a tecnologia digital na educação, não</p><p>como uma ferramenta neutra que se pode usar simplesmente para apresentar um</p><p>29</p><p>conteúdo, mas como algo que quando usado acaba por modificar quem a usa,</p><p>trazendo inovações e despertando cada vez mais o interesse em seu uso.</p><p>Afirma Fróes (2016) que os recursos atuais da tecnologia, os novos meios</p><p>digitais imprimem grande versatilidade na manipulação do computador (ou o</p><p>computador de mão – o smartphone) ao permitir que o indivíduo possa vivenciar e</p><p>realizar experimentos ou realizar pesquisas sobre temas aos quais nunca poderia ter</p><p>acesso através de meios reais ou mesmo cuja realização demandaria uma</p><p>infraestrutura inviável à maioria das escolas.</p><p>Além disso, o computador permite tanto a realização de operações</p><p>individuais, onde o educando vai navegando por assuntos do seu interesse, quanto</p><p>uma socialização através do relacionamento com pessoas distantes tanto</p><p>geograficamente como muitas vezes culturalmente. Para que isso tudo aconteça é</p><p>necessário um conhecimento mínimo no uso do computador, conhecimento que é</p><p>facilitado pelo uso de interfaces cada vez mais simbióticas com o usuário (FRÓES,</p><p>2016).</p><p>Para a autora, pode-se enxergar a interação professor-computador-aluno</p><p>tanto em uma forma linear, onde a presença do professor temporal ou fisicamente</p><p>não é necessária, como por exemplo, no ensino a distância, ou de uma forma</p><p>triangular onde o professor está presente no ambiente de aprendizagem, o que é o</p><p>comum na educação básica. Nesse esquema, os três agentes envolvidos têm</p><p>importância vital na condução do processo educativo, sendo que o professor não</p><p>poderá deixar de ser o condutor desse processo. Assim, o professor deve assumir</p><p>um papel de condutor ativo da educação auxiliada pela tecnologia da informação.</p><p>Nesse contexto, percebe-se que o educador, para conduzir o processo de</p><p>educação com o uso da tecnologia da informação, deve conhecer as diversas</p><p>formas de usar o equipamento tecnológico (computador, celular etc.). Ele deve se</p><p>guiar com curiosidade pelos sites da internet e pelas novas formas de comunicação</p><p>que surgem na rede mundial de computadores.</p><p>Para Dias (2016), é necessário também que esteja sempre atento ao que atrai</p><p>os alunos nesse mundo virtual onde inovações e novidades fazem parte de sua</p><p>própria dinâmica. E é importante que o educador saiba como alertar para os riscos e</p><p>benefícios que a internet traz, estimulando os alunos a usarem a rede de forma</p><p>cautelosa e em atividades que lhes proporcione crescimento.</p><p>30</p><p>Dias (2016, p. 65) comenta que a liberdade que o mundo virtual oferece leva</p><p>necessariamente a uma responsabilidade e bom senso, e os jovens que são</p><p>introduzidos nesse mundo cada vez mais cedo necessitam ser conduzidos nesse</p><p>processo. Nessa visão, o mundo virtual ou cyber mundo passa a ser um</p><p>componente paralelo da realidade e, nos dois lados, deve haver um</p><p>desenvolvimento produtivo dos indivíduos. Esses dois mundos devem ser</p><p>complementares</p><p>e os jovens devem saber identificar as diferenças entre as relações</p><p>pessoais e verdades nesses mundos. Assim, educar para o mundo também significa</p><p>educar para a tecnologia.</p><p>Ressalta-se que uma das grandes vantagens do uso da tecnologia em</p><p>educação é o seu apelo visual, já que imagens, cores, personagens e movimento</p><p>são parâmetros que se contrapõem às monótonas e bem mais estáticas</p><p>características do ensino tradicional. “Livros e quadro, apesar dos esforços de</p><p>editoras e professores, não se comparam à dinâmica que pode possuir um jogo no</p><p>computador” (MORAES, 2016, p. 91).</p><p>Para este autor, essa é uma importante causa da atração que os jovens</p><p>sentem pelo mundo virtual. Outra importante vantagem é a capacidade de interação</p><p>e a velocidade da resposta que um software pode dar a uma intervenção do usuário.</p><p>Isso se soma à capacidade que o usuário tem de navegar por entre locais, sites ou</p><p>informações através de links.</p><p>Segundo Moraes (2016), essa dinâmica tanto pode prender a atenção do</p><p>aluno quanto o estimular a construir o seu conhecimento a partir de temas do seu</p><p>interesse. Além de levar o estudante a construir o seu conhecimento, uma grande</p><p>porta aberta pela informática na educação é a possibilidade de através do uso de</p><p>ferramentas versáteis e muitas vezes disponíveis livremente em sites, o professor</p><p>produzir material para os seus estudantes com temática local, isto é, se utilizando da</p><p>realidade do aluno no material de aula.</p><p>A intermediação professor-computador-aluno passa necessariamente pelo</p><p>software que deve ser a ferramenta usada na mediação do conhecimento.</p><p>Fundamental no processo ensino-aprendizagem, o software deve obedecer a vários</p><p>parâmetros, alguns dos quais citados acima. Entendendo o software como</p><p>ferramenta crucial, pode-se dividir os programas disponíveis em duas classes:</p><p>programas de uso geral e programas específicos para educação.</p><p>31</p><p>Expõe Dias (2016, p. 66) que na internet podem ser encontrados muitos</p><p>programas gratuitos (softwares livres) tanto para uso geral quanto específico.</p><p>Porém, nem todos são totalmente adequados à realidade de todos os professores,</p><p>principalmente quando se está tratando de locais longe dos grandes centros ou</p><p>mesmo de culturas e sociedades marginalizadas, nas quais se faz necessário</p><p>adequar o programa a sua realidade.</p><p>Essa adequação pode envolver a releitura do material usado dentro do</p><p>contexto local, porém, pode também envolver a criação de novas ferramentas. Esta</p><p>segunda alternativa tanto exige como pode levar a um maior desenvolvimento do</p><p>educador na produção de conteúdo educacional. Apesar de numa primeira</p><p>abordagem parecer que isso exigirá um amplo conhecimento em informática, Dias</p><p>(2016) cita que a aplicação de ferramentas disponíveis a qualquer um pode trazer</p><p>ótimos benefícios.</p><p>Portanto, tal como defende Takahashi (2015), uma instituição como a escola,</p><p>não deve estar alheia à tecnologia, pois que esta é imprescindível ao processo do</p><p>conhecimento, salientando que todo agir do conhecimento, de forma direta ou</p><p>indireta utiliza a tecnologia e a comunicação midiatizada.</p><p>De acordo com Costa e Paz (2014), para se adaptar à comunicação</p><p>midiatizada do conhecimento, o docente precisa reconhecer o papel da tecnologia</p><p>como um recurso de aprendizagem e entender-se cada vez mais como um</p><p>orientador e cooperador do estudante na construção do conhecimento pela</p><p>mediação multimidiática. Assim, as tecnologias podem assumir muitas das funções</p><p>do corpo docente e liberá-lo para novos modos de assistências aos alunos, bem</p><p>como pode incrementar o processo educacional.</p><p>Nesse âmbito, a postura do professor ante a nova realidade tecnológica, deve</p><p>ser a de um mediador na construção do conhecimento que participa ativamente do</p><p>processo do ensino-aprendizagem e que faz a reflexão – depuração de todo o seu</p><p>trabalho, sendo também além de professor, um aprendiz na busca de novas práticas</p><p>para melhorar o seu próprio conhecimento (COSTA; PAZ, 2014).</p><p>Dessa forma, observa-se que, sendo os recursos tecnológicos, na verdade,</p><p>meios de comunicação utilizados na mediação do ensino e da aprendizagem,</p><p>necessário se faz atualizar e ampliar os conhecimentos nas áreas da educação e da</p><p>comunicação bem como é imperioso ao educador tornar-se competente, conhecedor</p><p>32</p><p>e reconhecedor da importância da utilização das modernas tecnologias na sua</p><p>prática docente, frente às mudanças que se fazem presentes na sociedade.</p><p>3.2 O Atual Paradigma Tecnológico e a Formação Docente</p><p>A tecnologia está presente em tudo ao nosso redor (conversas, trabalho,</p><p>leituras, uma cadeira, um lápis, entre outras diversas atividades e objetos comuns do</p><p>nosso cotidiano). Como dito no capítulo anterior, entendemos que a tecnologia pode</p><p>gerar grandes mudanças no meio educacional, porém, cabe ao professor saber usá-</p><p>la de forma correta, vindo a garantir o ensino-aprendizagem dos alunos, inovando</p><p>em suas aulas com atividades que prendam a atenção dos mesmos.</p><p>A incorporação das novas tecnologias de comunicação e informação nos</p><p>ambientes educacionais provoca um processo de mudança contínuo, não permitindo</p><p>mais uma parada, visto que ocorrem cada vez mais rapidamente e em curtíssimo</p><p>espaço de tempo (TAJRA, 2012, p. 110). À vista disso, o professor precisa ter</p><p>capacidade de raciocínio flexível, capaz de se adequar às mudanças constantes da</p><p>sociedade e, para isso ele necessita estar sempre em processo de capacitação e</p><p>formação continuada. Isso se deve ao fato de que, segundo Kenski (2007, p. 103):</p><p>Professores bem formados conseguem ter segurança para administrar a</p><p>diversidade de seus alunos e, junto com eles, aproveitar o progresso e as</p><p>experiências de uns e garantir, ao mesmo tempo, a acesso e o uso</p><p>criterioso das tecnologias pelos outros. O uso criativo das tecnologias pode</p><p>auxiliar os professores a transformar o isolamento, a indiferença e a</p><p>alienação com que costumeiramente os alunos frequentam em salas de</p><p>aula, em interesse e colaboração, por meio dos quais eles aprendam a</p><p>aprender, a respeitar, a aceitar, a serem pessoas melhores e cidadãos</p><p>participativos.</p><p>Do mesmo modo, Tajra (2012) enfatiza também essa necessidade da</p><p>educação em se inserir nesse meio tecnológico, acompanhando e sendo flexível às</p><p>mudanças que vem ocorrendo, as quais, o professor, mesmo diante das dificuldades</p><p>existentes devido à sua formação, deve estar sempre atento e se atualizando. A</p><p>maioria das pessoas está de alguma maneira, conectadas a algum meio eletrônico</p><p>ligado a um ambiente digital. Por esse motivo, é necessário sabermos a melhor</p><p>forma de usar este ambiente para que, de fato, seja possível alcançar o objetivo</p><p>proposto.</p><p>33</p><p>É preciso visualizar esta situação social que estamos vivendo. A educação</p><p>necessita estar atenta às suas propostas e não se marginalizar, tornando-se</p><p>obsoleta e sem flexibilidade. Algumas dessas mudanças podem ser</p><p>realizadas pelo professor que, tendo uma visão de futuro e possuindo mente</p><p>aberta para refletir criticamente sobre sua prática no processo de ensino-</p><p>aprendizagem torna-se um agente ativo no sistema educacional (TAJRA,</p><p>2012, p. 21).</p><p>Em uma notícia publicada no jornal O Estado de São Paulo, publicada em</p><p>2013, pode-se notar algumas dificuldades na formação de professores para que os</p><p>mesmos possam lidar com a tecnologia em sala de aula. É uma notícia interessante</p><p>e que nos faz refletir sobre a realidade em que vivem os professores ao se</p><p>depararem com ferramentas tão complexas. Vejamos um trecho:</p><p>Graduações e licenciaturas atualmente em seu currículo tratam a tecnologia</p><p>e seus recursos de maneira superficial, pois a formação desses</p><p>profissionais dá-se a partir de embasamentos teóricos, não relacionando a</p><p>prática com a real função das tecnologias na educação", diz a presidente do</p><p>Conselho Nacional de Secretários de Educação, Maria Nilene da Costa.</p><p>[...] "O docente que está iniciando a carreira ainda</p><p>se depara com</p><p>dificuldades de inserir o uso das tecnologias e recursos midiáticos de</p><p>maneira interdisciplinar, reproduzindo ainda as aulas tradicionais</p><p>(SALDAÑA, 2013).</p><p>Apesar de se tratar de uma notícia do ano 2013, se formos investigar,</p><p>perceberemos que ainda é uma realidade dentro das faculdades de licenciaturas,</p><p>onde, de acordo com a própria notícia a formação de docente não contempla a</p><p>tecnologia na sala de aula, o que precisa ser analisado, visto que a geração de</p><p>alunos atualmente, já vivem inseridos nesse contexto.</p><p>Litwin (2012) pontua que, no entanto, o professor, que durante séculos atuou</p><p>como um simples reprodutor de conhecimentos, com exceções, ainda apresenta</p><p>dificuldades e resistência para os desafios da tecnologia. Contudo, cabe-lhe, como</p><p>ponto de partida, a predisposição e a conscientização da necessidade de mudar e</p><p>de lançar mão dos recursos tecnológicos à sua disposição. O professor deve estar</p><p>consciente de que a tecnologia, quando operada com ética, metodologia e senso</p><p>crítico, esta a serviço do homem, atualizando-o e trazendo benefícios para a</p><p>humanidade. Deve também o professor reconhecer que o conhecimento é dinâmico</p><p>e a base de sua segurança é a atualização constante e que somente através da</p><p>apropriação da tecnologia é possível preparar o homem para o cotidiano e para o</p><p>futuro.</p><p>34</p><p>Preti (2014, p. 36) comunga desse mesmo pensamento ao afirmar que os</p><p>educadores não podem fechar os olhos aos progressos e avanços das novas</p><p>tecnologias ou permanecer extasiados à sua frente. O autor alerta que é dever “do</p><p>professor conhecer as tecnologias, entrar no seu interior, na sua lógica, para utilizá-</p><p>las e realizar novos projetos, com intuito não apenas de informar, mas sim, formar”.</p><p>Nesse mesmo sentido, Tajra (2012, p. 98) reafirma que “o professor deve</p><p>estar capacitado de tal forma que perceba como deve ser a integração da tecnologia</p><p>com a sua proposta de ensino, cabendo a ele descobrir a sua própria forma de</p><p>utilizá-la conforme o seu interesse educacional”, ou seja, ele deve buscar se adaptar</p><p>ao meio e aos avanços da tecnologia como forma de atualização própria.</p><p>Nessa dimensão, o professor é percebido como sujeito construtor da e de sua</p><p>história que ao mesmo tempo é modificado pelas circunstâncias e também capaz de</p><p>nelas atuar, modificando-as. Assim, a capacitação do professor engloba a dimensão</p><p>técnica e sua conscientização sobre as implicações sociais e pedagógicas da</p><p>utilização da tecnologia, pois, diante das mudanças ocorridas na sociedade</p><p>emergiram novos paradigmas, novas demandas e novas expectativas, já que além</p><p>da formação científica especializada, valoriza-se a flexibilidade e a capacidade de</p><p>adaptação a situações diversas e de solução de problemas.</p><p>Desse modo, ao considerar que as mudanças ocorrem de forma acelerada</p><p>mediante os avanços na ciência e nas tecnologias, fato este que impõe, na mesma</p><p>proporção, algumas necessidades de adaptação em vários campos, inclusive na</p><p>educação, a escola é desafiada a repensar seu papel, no sentido de formar alunos</p><p>mais capazes para o desenvolvimento de suas habilidades cognitivas e condutas</p><p>que facilitem o enfrentamento de situações dinâmicas, visto que, a construção de</p><p>uma sociedade ocorre a partir de paradigmas que surgem mediante as</p><p>necessidades de um determinado contexto histórico.</p><p>Assim, com base no exposto, Rocha (2013, p. 54) afirma que:</p><p>A ligação da escola com a tecnologia mostra que esta última, por</p><p>intermediação da primeira, tem um perceptível laço com o saber, como</p><p>conhecimento. Por isso a educação tem que considerar as implicações</p><p>dessa relação na formação e na vida das pessoas; auxiliando-as com todo o</p><p>instrumental pedagógico disponível e as orientações necessárias para que</p><p>saibam perceber e aproveitar adequadamente os frutos desta relação.</p><p>Em tal contexto, para Libâneo (2012, p. 53):</p><p>35</p><p>Há uma exigência visível de mudança na identidade profissional e nas</p><p>formas de trabalho dos professores. O tipo de trabalho convencional do</p><p>professor está mudando em decorrência das transformações no mundo do</p><p>trabalho, na tecnologia, nos meios de comunicação e informação, nos</p><p>paradigmas do conhecimento, nas formas de exercício da cidadania, nos</p><p>objetivos de formação geral que hoje incluem com mais força a</p><p>sensibilidade, a criatividade, a solidariedade social, a qualidade de vida, o</p><p>reconhecimento da diversidade cultural e das diferenças, a preservação do</p><p>meio ambiental.</p><p>O autor afirma que isso afeta os saberes pedagógicos e didáticos, os modos</p><p>de formação, os métodos de ensino, as técnicas. Ao se considerar a</p><p>intencionalidade da ação educativa exercida por professores, é preciso preparar</p><p>estes professores para agir.</p><p>Libâneo (2012, p.62) ressalta ainda que no processo de formação de</p><p>professores é preciso “incluir no currículo a alfabetização tecnológica e o</p><p>conhecimento e utilização dos meios de comunicação”. O autor se refere à</p><p>alfabetização tecnológica não só no sentido da utilização técnica dos equipamentos,</p><p>mas, sobretudo, que professor e aluno “aprendam a fazer intervir o conhecimento, a</p><p>cultura elaborada, para atribuir significado à informação vinda das mídias”.</p><p>As universidades, instituições por excelência responsáveis pela formação do</p><p>professor/educador, estão, neste contexto, desafiadas a acompanhar e se adaptar</p><p>às alterações ambientais “de modo a assegurar a seus egressos capacidade e</p><p>competência no desempenho profissional, social e humano” (FERREIRA, 2004, p.</p><p>1.232).</p><p>Do mesmo modo, Lampert (2012) reafirma a necessidade de a Universidade,</p><p>dentro dessa nova visão de mundo, estar aberta às inovações e contradições que o</p><p>trinômio ciência, tecnologia e industria desenvolve. O autor se reporta à Declaração</p><p>Mundial sobre o Ensino Superior, aprovada em outubro de 1998, em Paris, por cerca</p><p>de 180 países, e que dispõe: “Para a renovação do ensino superior e entendimento</p><p>internacional, será indispensável o uso amplo e progressivo das novas tecnologias</p><p>de informação: projetos de escolas virtuais, educação à distância e a Internet”.</p><p>No entanto, a universidade, descreve o autor, está mais voltada à formação</p><p>profissional do que para a formação da inteligência, criação e recriação da cultura.</p><p>Domesticam e aprisionam a inteligência do aluno ao invés de desenvolvê-la. Para</p><p>enfrentar o futuro, é necessário se ter um novo professor, capaz de conquistar e</p><p>fazer ciência, de apropriar-se da técnica, sem, entretanto, esquecer sua humanidade</p><p>36</p><p>e seu compromisso político de colocar a ciência e a tecnologia a serviço do bem</p><p>estar social.</p><p>Nessa perspectiva, entende-se que as constantes mudanças na vida de quem</p><p>é educador são frequentes e fazem parte do cotidiano dos profissionais, cabendo ao</p><p>educador mostrar a melhor forma de aproveitamento dessas tecnologias, instigando</p><p>também o discente a utilizar esta evolução tecnológica como ponte para novos</p><p>estudos, experiências, e oportunidade diante do mundo tecnológico, pois o domínio</p><p>sobre esses avanços é uma necessidade nos dias atuais, visando assim uma nova</p><p>perspectiva de vida. Desse modo, conforme Tajra (2012, p. 98):</p><p>O professor deve estar aberto para as mudanças, principalmente em</p><p>relação à sua nova postura, o de facilitador e coordenador do processo de</p><p>ensino-aprendizagem; ele precisa aprender a aprender, a lidar com as</p><p>rápidas mudanças, ser dinâmico e flexível.</p><p>Portanto, diante dos recursos tecnológicos disponíveis na atualidade, cabe ao</p><p>professor uma qualificação que satisfaça as expectativas da sociedade</p><p>contemporânea, visto que, sua atuação é fundamental mediante a incorporação das</p><p>Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no ambiente escolar. Entretanto,</p><p>ao visar a modernização do ensino, é essencial que o mesmo tenha uma boa</p><p>formação, fato que aponta para a necessidade de políticas públicas no que diz</p><p>respeito à formação continuada, no sentido de integrar o professor</p>

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