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<p>Faculdade de Educação</p><p>Departamento de Educação em Ciências Naturais e Matemática</p><p>Licenciatura em Educação Ambiental</p><p>2 ° ano, Pós - Laboral</p><p>Disciplina: Clima e Mudanças Climática</p><p>Efeitos Ambientais da Concentração dos Gases de Efeito Estufa e do Aumento da Temperatura</p><p>Discente:</p><p>Carla Mondlane</p><p>Docentes: Mestre Alcídio Macuácua</p><p>& Mestre Pedro Notisso</p><p>Maputo, agosto de 202</p><p>Índice</p><p>1. Introdução 3</p><p>1.2. Objectivos da pesquisa 4</p><p>1.3. Justificativa 4</p><p>1.4. Metodologia 4</p><p>II. Revisão de literatura 5</p><p>2.1. Efeito Estufa 5</p><p>2.2. Gases de Efeito Estufa 5</p><p>2.3. Mudanças Climáticas 6</p><p>2.4. Fontes de Emissão de GEE 7</p><p>2.5. Consequências do aumento da Concentração de GEE 7</p><p>2.6. Formas de mitigação do aumento da Concentração de GEE 8</p><p>3. Conclusão 11</p><p>4.Referências bibliográficas 12</p><p>1. Introdução</p><p>A preocupação da sociedade com as questões ambientais vem se tornando mais evidente. A questão ambiental não é preocupação de alguns países em específico em que Moçambique faz parte, mas sim do mundo. todavia os países desenvolvidos e não desenvolvidos devem reunir esforços que possam combater o aumento da concentração dos gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera, e este é visto como sendo um dos principais fatores que contribuem para as mudanças climáticas globais. Os gases como dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄) e óxidos de nitrogênio (NOₓ), são responsáveis por reter o calor na atmosfera, resultando no aquecimento global.</p><p>As alterações climáticas têm sido identificadas como um dos grandes problemas da actualidade e do futuro que afetam a sociedade, o ambiente e a economia, ameaçando o desejado conceito de “desenvolvimento sustentável” (Borrego et al., 2009). Neste cenário de alterações no clima e de aumento das consequências que delas advém, surge a necessidade de estudar os seus impactos económicos, sociais e ambientais (Warner et al., 2008).</p><p>No entanto, atualmente apercebemo-nos que a intensificação do efeito de estufa, têm como consequência resultados desastrosos provenientes do aquecimento global. Para melhor perceber o impacto do aumento do efeito de estufa sobre o aquecimento global e a temperatura da Terra, é necessário que percebamos como o efeito de estufa decorre, os gases envolvidos neste processo e os efeitos que podem surgir com o aumento da temperatura.</p><p>De facto, as zonas costeiras constituem uma das localizações mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas (Santos e Miranda, 2006; Rua, 2013). Prevê-se que em algumas regiões costeiras do território moçambicano, assim como em outras regiões costeiras baixas no Mundo, a subida do nível médio das águas do mar e o aumento da precipitação intensa aumentem, e com elas também o risco de inundações costeiras (IPCC, 2024).</p><p>Esse fenômeno tem impactos significativos sobre os ecossistemas, recursos hídricos, biodiversidade e atividades humanas. Moçambique, um país com uma rica biodiversidade e vulnerável a desastres naturais, os efeitos das mudanças climáticas são particularmente preocupantes.</p><p>1.2. Objectivos da pesquisa</p><p>1.2.1. Objectivo geral</p><p>· Analisar os efeitos ambientais da concentração dos GEE e do aumento da temperatura.</p><p>1.2.2. Objectivos Específicos</p><p>· Identificar as principais fontes emissoras de GEE</p><p>1.3. Justificativa</p><p>O estudo do tema em questão está veiculado a necessidade de conhecimentos sobre os efeitos ambientais da concentração dos gases do efeito estufa e aumento da temperatura que se faz sentir nos dias actuais no Mundo todo devido as práticas antrópicas. Espera-se que o trabalho em questão sirva de base para a análise dos diferentes contextos, mas com especial atenção para o nosso país que não fica de fora, pois tais efeitos ambientais da concentração dos GEE. Não só, mas também, os colegas podem fazer o uso do trabalho para diversos fins académicos que tenham uma relação com o tema, assim como material de apoio para realização de teste, exame e para sustentar outros estudos. Espera-se ainda que o trabalho sirva para contributo da percepção dos efeitos que se fazem sentir no país, sendo que esta enfrenta desafios únicos devido à sua localização geográfica, dependência de recursos naturais e vulnerabilidade a eventos climáticos extremos.</p><p>1.4. Metodologia</p><p>O trabalho de pesquisa será realizado por meio de uma revisão bibliográfica, utilizando fontes acadêmicas, relatórios e artigos científicos. Além disso, serão analisados dados climatológicos e ambientais de Moçambique para entender as tendências de mudanças na concentração de GEE e o aumento da temperatura.</p><p>Metodologia é conjunto de técnicas e processos utilizados para ultrapassar subjectividade do autor e atingir a obra literária; é a arte de dirigir o espírito na investigação da verdade (Silvestre & Araújo, 2012:107).</p><p>II. Revisão de literatura</p><p>2.1. Efeito Estufa</p><p>O efeito estufa é um processo natural importante, responsável pela manutenção da temperatura atmosférica e da superfície do planeta, criando um ambiente propício para a manutenção da vida no planeta Terra. Este efeito ocorre devido à presença de gases de efeito estufa na atmosfera, os quais permitem que a luz do sol passe através da atmosfera e aqueça a Terra (ADENE, 2010).</p><p>A superfície da Terra absorve energia solar e aquece e, como resultado, ela emite calor que é absorvido pela atmosfera. O calor emitido pela Terra encontra as moléculas de GEE presentes na atmosfera e é absorvido. A atmosfera aquece e como resultado também emite calor. Parte deste calor é emitido para o espaço, e a outra parte é emitida de volta à superfície da Terra resultando num clima de temperatura estáveis (Mann & Kump, 2008).</p><p>As emissões antropogénicas mudam a composição da atmosfera, quebram o equilíbrio natural e uma quantidade maior de radiação é devolvida à Terra produzindo um aumento da temperatura do planeta (Mann & Kump, 2008).</p><p>O conhecimento sobre as emissões dos GEE, é de extrema importância, pois as mudanças climáticas têm o Homem como o ser dominante e maior contribuinte para a quebra do equilíbrio natural da atmosfera e do seu ecossistema e, caso não tome conhecimento sobre os possíveis impactos causados pelas suas actividades, as suas acções podem ser irreversíveis (ADENE, 2010).</p><p>2.2. Gases de Efeito Estufa</p><p>O gás de efeito estufa que ocorrem naturalmente são o vapor de água (H2O), dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O). Outros como perofluocarbonetos (CH4, C2F6), hidrofluorcarbonos (HFC's) e hexafluoreto de enxofre (SF6) encontram-se presentes na atmosfera devido a processos industriais (CSS, 2011).</p><p>Figura 1 Contribuição global dos gases do efeito estufa em 2004</p><p>A maior parte das emissões globais é constituída por CO2 (76.7%) derivado da queima de combustíveis fósseis e desflorestamento, seguido do CH4 (14.3%) e em menores quantidades o N2O (7.9%) e os gases CFC (1.1%) (CSS, 2011).</p><p>2.3. Mudanças Climáticas</p><p>As mudanças climáticas são entendidas como sendo o resultado da evolução do sistema climático no tempo que pode ser influenciada por dinâmicas internas próprias e devida às alterações em factores externos denominados de forçante. Estes forçantes externos incluem: fenômenos naturais como erupções vulcânicas e variações solares, bem como mudanças na atmosfera induzidas pelo homem (Le Treut et al, 2007).</p><p>A alteração atmosférica, além de intensificar o fenômeno do efeito estufa, pode afetar o comportamento de algumas plantas e microrganismos de interesse agrícola. O dióxido de carbono, por ser um componente básico da fotossíntese, em alta concentração, pode causar alterações na morfologia e nos processos fisiológicos das plantas, assim como na interação destas com fitopatógenos. As alterações no metabolismo e processos fisiológicos do hospedeiro podem resultar em mudanças na predisposição da planta, sendo este e outros mecanismos ainda pouco elucidados (Manning; Tiedemann, 1995; Ghini, 2005).</p><p>2.4. Fontes de Emissão de GEE</p><p>De acordo com Almeida et al(2021), as mudanças na concentração</p><p>de gases de efeito estufa na atmosfera ocorrem de diversas maneiras, inclusive por ações antrópicas como na agricultura, por meio da preparação da terra para plantio e aplicação de fertilizantes; na pecuária, por meio do tratamento de dejetos animais e pela fermentação entérica do gado; no transporte, pelo uso de combustíveis fósseis, como gasolina e gás natural; no tratamento dos resíduos sólidos, pela forma como o lixo é tratado e disposto; nas florestas, pelo desmatamento e degradação de florestas; e nas indústrias, pelos processos de produção, como cimento, alumínio, ferro e aço, etc.</p><p>A mudança na concentração de gases de efeito estufa na atmosfera ocorrem também de forma natural, através do vulcanismo, na medida em que as erupções vulcânicas liberarão dióxido de carbono (CO2) e outros gases, por meio da respiração de organismos vivos e pela decomposição orgânica que liberam também o CO2, pelas emissões de metano (CH4) de zonas húmidas naturais, estas que são a maior fonte natural de emissões de CH4 (Gerlach, 2011; Schlesinger & Bernhardt, 2013; Barklett & Harriss, 1993).</p><p>2.5. Consequências do aumento da Concentração de GEE</p><p>O efeito estufa é um fenômeno natural essencial para a manutenção da vida na Terra, mas o aumento das atividades humanas, principalmente a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento, tem intensificado esse efeito, levando a várias consequências ambientais, econômicas e sociais. Algumas das principais consequências são:</p><p>1. Aquecimento Global e Mudanças Climáticas: Segundo Hansen (2004), o aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera leva ao aquecimento global, que por sua vez causa mudanças climáticas. Essas mudanças incluem o aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como furacões, secas e inundações.</p><p>2. Derretimento das Calotas Polares e Aumento do Nível do Mar: Houghton (2004), aponta que o aquecimento global está acelerando o derretimento das calotas polares e geleiras, contribuindo para o aumento do nível do mar. Isso pode resultar na inundação de áreas costeiras, deslocamento de populações e perda de habitat natural.</p><p>3. Impacto na Biodiversidade: Para Lovejoy (2005), as mudanças climáticas, impulsionadas pelo efeito estufa, estão causando a migração de espécies, mudanças nos ecossistemas e, em muitos casos, extinções. Ele argumenta que a perda de biodiversidade compromete os serviços ecossistêmicos vitais para a humanidade.</p><p>4. Impactos na saúde dos seres humanos: De acordo com McMichael et al (2006), o aumento das temperaturas e os eventos climáticos extremos resultantes do efeito estufa podem agravar problemas de saúde, como doenças respiratórias, doenças transmitidas por vetores e o estresse térmico.</p><p>2.6. Formas de mitigação do aumento da Concentração de GEE</p><p>Segundo Fujihara & Lopes (2009), citado Miranda et al (2012), os esforços para redução da emissão de GEE são de caráter de mitigação e prevenção a fim de evitar prejuízos maiores em longo prazo. Portanto, as principais estratégias de mudanças do clima envolvem duas perspectivas: minimização, objetivando à redução de emissões, e adaptação, buscando compreender e adaptar diferentes setores da economia para as mudanças que virão nos próximos anos. Algumas das principais formas de mitigação são:</p><p>1. Redução das Emissões de GEE</p><p>Energia Renovável: Substituir combustíveis fósseis por fontes de energia renovável, como solar, eólica e hidrelétrica, para reduzir as emissões de CO₂.</p><p>Eficiência Energética: Melhorar a eficiência energética em indústrias, edifícios e transportes, utilizando tecnologias que consomem menos energia para realizar as mesmas funções.</p><p>Tecnologias de Captura e Armazenamento de Carbono (CCS): Desenvolver e implementar tecnologias que capturam CO₂ das emissões industriais e o armazenam em locais subterrâneos.</p><p>2. Conservação e Recuperação de Florestas</p><p>Reflorestamento e Aflorestamento: Plantar novas árvores e restaurar áreas desmatadas para aumentar a absorção de CO₂ da atmosfera.</p><p>Proteção de Florestas Tropicais: Evitar o desmatamento, especialmente em áreas como a Amazônia, onde as florestas desempenham um papel crucial na regulação do clima global.</p><p>3. Mudanças nos Padrões de Consumo</p><p>Agricultura Sustentável: Promover práticas agrícolas que reduzam a emissão de GEE, como o uso de técnicas de cultivo que capturam carbono no solo e a redução do uso de fertilizantes químicos.</p><p>Mudança de Dieta: Incentivar dietas com menor consumo de carne, pois a pecuária é uma grande fonte de metano, um GEE potente.</p><p>Economia Circular: Promover a reutilização, reciclagem e redução de resíduos para diminuir a necessidade de produção de novos produtos, o que reduz as emissões associadas.</p><p>4. Desenvolvimento Urbano Sustentável</p><p>Infraestrutura Verde: Criar cidades que incorporam mais espaços verdes, o que ajuda a capturar carbono, melhorar a qualidade do ar e regular a temperatura urbana.</p><p>Transporte Sustentável: Desenvolver redes de transporte público eficientes e promover o uso de bicicletas e veículos elétricos para reduzir as emissões do setor de transportes.</p><p>5. Políticas e Acordos Internacionais</p><p>Acordo de Paris: Implementar compromissos assumidos por países para manter o aumento da temperatura global abaixo de 2°C, com esforços para limitar o aumento a 1,5°C.</p><p>Taxação de Carbono: Implementar impostos sobre as emissões de carbono para incentivar empresas e indivíduos a reduzir suas emissões.</p><p>6. Adaptação às Mudanças Climáticas</p><p>Infraestruturas Resilientes: Construir infraestruturas que possam suportar eventos climáticos extremos, como inundações e tempestades.</p><p>Gestão de Recursos Hídricos: Desenvolver sistemas de gestão de água para enfrentar secas e garantir o fornecimento sustentável de água potável.</p><p>3. Conclusão</p><p>Após a realização do trabalho, pude concluir que o Efeito Estufa é um fenômeno que acontece há milhares de anos e é indispensável, pois sem ele a temperatura média na Terra seria muito mais baixa, impossibilitando assim a vida no planeta. Em contrapartida, o reforço ou intensificação do mesmo, provocado pelo aumento da concentração dos GEE na atmosfera, gases estes que permitem reter o calor na Terra, irão consequentemente piorar o aquecimento global, desencadeando o acréscimo da temperatura no planeta, derretendo as geleiras das zonas polares, aumentando o nível do mar e colocando em potencial risco as zonas costeiras e as populações. Mas como a maioria dos problemas, existem algumas soluções para o aumento da concentração dos GEE, nomeadamente: a redução das emissões dos GEE, a conservação e recuperação de florestas, o desenvolvimento de zonas urbanas de forma sustentável, o cumprimento das políticas e normas internacionais sobre os GEE e a adaptação às mudanças climáticas.</p><p>4.Referências bibliográficas</p><p>· Almeida, M. G. R., Dorneles, P. F. T & Marranghello, G. F. (2021). Mudanças Climáticas: Efeito Estufa. UNIPAMPA-Brasil.</p><p>· Bartlett, K. B. & Harriss, R. C. (1993). Review and assessment of methane emissions from wetlands. Chemosphere, 26 (1-4), 261-320.</p><p>· CSS (2011). Greenhouse Gases.University of Michigan. Michigan 2pp.</p><p>· Gerlach, T. M. (2011). Volcanic Versus Anthropogenic Carbon Dioxide. Eos, Transactions American Geophysical Union.</p><p>· Ghini, R. (2005). Mudanças climáticas globais e doenças de plantas. Jaguariúna, SP: Embrapa Meio Ambiente, p104.</p><p>· Hansen, J. E. (2004). Defusing the global warming time bomb. Scientific American, 290(3), pp.68-77.</p><p>· Houghton, J. T. (2004). Global Warming: The Complete Briefing. Cambridge University Press.</p><p>· Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) (2007). Climate Change 2007. Summary of Policymakers. Disponível em: http://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar4/wg1/ar4-wg1-spm.pdf (acedido em 05 agosto 2024).</p><p>· IPCC (2007). IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories. 20pp.</p><p>· Lovejoy, T. E. & Hannah, L. (2005). Climate Change and Biodiversity. Yale University Press.</p><p>· Mann, M. E. & Kump, L. R. (2008). Dire Predictions- Understanding Global Warming. DK. New York. 208pp.</p><p>· McMichael, J. F., Oliveira, P. R. O. & Silva, M. F. F. (2012). Aquecimento Global: causas, consequências e formas mitigadoras de seus efeitos. FCA- Anápolis/Brasil.</p><p>· Micoa (2003). Mozambique Initial National Communication to the Unfccc.</p><p>· Schlesinger, W. H. & Bernhardt, E. S. (2013). Biogeochemistry: An analysis of global change. Academic Press.</p><p>· Warner, K., Hamza, M., Oliver-Smith A., Renaud F., Julca A. (2008). Climate change, environmental degradation, and migration. Nat Hazards, 55 (3), 689-715.</p><p>image1.png</p><p>image2.png</p>