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<p>1</p><p>2</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 3</p><p>2 USO DE DROGAS ...................................................................................... 4</p><p>3 POLÍTICAS ANTIDROGAS ......................................................................... 9</p><p>4 A POLÍTICA NACIONAL ........................................................................... 11</p><p>4.1 Drogas na atualidade ......................................................................... 13</p><p>4.2 Panorama das atualizações recentes na política nacional de saúde</p><p>mental......... .................................................................................................... 16</p><p>4.3 Mudanças na política nacional de saúde mental ................................ 18</p><p>4.4 Panorama das alterações recentes na política nacional sobre drogas no</p><p>Brasil................. .............................................................................................. 20</p><p>5 PREVENÇÃO ........................................................................................... 21</p><p>5.1 Prevenção do uso/abuso de drogas em instituições</p><p>comunitárias/escolas ...................................................................................... 27</p><p>5.2 Atuação da equipe multiprofissional na prevenção ao uso/abuso de</p><p>drogas e na promoção da saúde .................................................................... 29</p><p>6 TRATAMENTO ......................................................................................... 32</p><p>6.1 Formas de tratamento ........................................................................ 36</p><p>6.2 Prevenção de recaída ........................................................................ 40</p><p>7 COMPETÊNCIAS DO SUS POR NÍVEL DE ATENÇÃO .......................... 40</p><p>8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................... 49</p><p>3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Prezado aluno!</p><p>O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante</p><p>ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um</p><p>aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma</p><p>pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é</p><p>que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a</p><p>resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas</p><p>poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em</p><p>tempo hábil.</p><p>Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa</p><p>disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das</p><p>avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora</p><p>que lhe convier para isso.</p><p>A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser</p><p>seguida e prazos definidos para as atividades.</p><p>Bons estudos!</p><p>4</p><p>2 USO DE DROGAS, PREVEÇÃO E TRATAMENTO</p><p>Fonte: https://encurtador.com.br/cdBV1</p><p>O uso de psicoestimulantes é uma prática humana desde os primórdios da</p><p>humanidade, e as decisões sobre quais drogas usar são baseadas nas necessidades</p><p>e motivações subjetivas e sociais do indivíduo. É importante, portanto, compreender</p><p>como o indivíduo - como pessoa com direitos, desejos e interesses - percebe e</p><p>interpreta sua experiência com a droga, a importância e a necessidade de seu uso</p><p>(ARRAIS; SANTIAGO, 2018).</p><p>É essencial que o olhar em relação a esse indivíduo seja desprovido de</p><p>preconceitos, orientado para abordagens novas e abrangentes, e respeite os diversos</p><p>modos de consumo, as motivações para o uso, as crenças sobre álcool e outras</p><p>substâncias, bem como os estilos de vida diferentes.</p><p>Portanto, as estratégias e ações nesse campo devem ser executadas por uma</p><p>equipe multiprofissional, o que favorece a integração das diversas áreas de</p><p>conhecimento e atuação, como saúde, educação, lazer, cultura, justiça e assistência</p><p>social, e respeito às características locais. Com o agravamento do desemprego, da</p><p>pobreza e do risco social, o número de moradores de rua aumentando, especialmente</p><p>nas áreas urbanas.</p><p>5</p><p>Nas ruas, os indivíduos buscam principalmente se instalar nos centros urbanos,</p><p>onde o comércio e as indústrias de serviços geralmente dominam, e há mais fluxo de</p><p>pessoas, que podem obter alimentos e recursos financeiros, à noite esses locais</p><p>podem se tornar locais de refúgio. Vários termos denotam esse grupo social, sendo</p><p>que o termo população em situação de rua é o mais utilizado na atualidade, pois se</p><p>destina a garantir a complexidade e a diversidade do espaço da rua, além da</p><p>especificidade transitória desse estilo de vida (ARRAIS; SANTIAGO, 2018).</p><p>De maneira geral, a redução de danos inclui ações preventivas voltadas à</p><p>educação de usuários, em que se busca processar as informações, na medida do</p><p>possível, para fazer julgamentos éticos sobre o interesse no uso das informações e</p><p>minimizar possíveis danos para a saúde de quem o utiliza. Os danos, sejam eles</p><p>nocivos ou não.</p><p>No caso do uso nocivo, o objetivo é estabelecer um elo que vise ganhar</p><p>autonomia, por exemplo, reduzindo gradativamente o uso, fornecendo informações</p><p>para que possa ser utilizado da forma mais segura possível. Portanto, a redução de</p><p>danos inclui atitudes práticas, e seu objetivo é promover mudanças nos conceitos</p><p>morais relacionados às drogas, visando fazer respeitar os direitos, desejos e</p><p>necessidades dos usuários, a fim de formular recomendações éticas relacionadas à</p><p>promoção da saúde (CORDEIRO, 2018).</p><p>De um modo geral, existem dois métodos básicos para lidar com o uso e abuso</p><p>de drogas: por meio da “guerra às drogas” e por meio da redução de danos, sendo a</p><p>primeira opção a mais tradicional e a segunda a mais discutida contemporânea.</p><p>A guerra contra as drogas teve origem nos Estados Unidos. Em 1961, a</p><p>"Convenção Única sobre Narcóticos" foi aprovada e gradualmente adotada por outros</p><p>países. Essa política abrange medidas judiciais repressivas com o objetivo de eliminar</p><p>o uso de substâncias psicoativas ilícitas, promover a abstinência e enfatizar</p><p>campanhas preventivas que as consideram prejudiciais à saúde. Ela se baseia na</p><p>punição e no controle moral dos usuários, ao mesmo tempo em que desconsidera o</p><p>prazer proporcionado pelo consumo de drogas.</p><p>De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz em parceria</p><p>com a Secretaria Nacional de Políticas de Drogas, apurou-se que cerca de 50 mil</p><p>usuários de crack e / ou similares no Brasil têm menos de 18 anos, número que</p><p>representa 14% do total de usuários.</p><p>6</p><p>É importante destacar que o grupo de menores de 18 anos inclui crianças de 0</p><p>a 8 anos, que têm um consumo muito reduzido. Portanto, a maioria desse grupo</p><p>encontra-se na fase da adolescência. Além disso, os levantamentos realizados em</p><p>1987, 1989, 1993, 1997 e 2004 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas</p><p>Psicotrópicas (CEBRID) mostraram uma consistência no uso frequente de drogas</p><p>(exceto álcool e tabaco) nessa faixa etária entre 10 a 18 anos, crescendo esta</p><p>frequência após os 18 anos de idade.</p><p>Os últimos dados epidemiológicos nacionais sobre o consumo de substâncias</p><p>psicotrópicas entre alunos do ensino fundamental e médio mostram que, entre 2004</p><p>e 2010, o consumo de bebidas alcoólicas e tabaco diminuiu independentemente dos</p><p>parâmetros de uso diário ou dos parâmetros do ano em curso.</p><p>De acordo com as especificações da Organização Mundial da Saúde (OMS),</p><p>esses parâmetros são usados para identificar diferentes padrões de uso de</p><p>substâncias psicoativas. O uso na vida refere-se a uma pessoa que fez uso de</p><p>qualquer psicofármaco pelo menos uma vez na vida; uso no mesmo ano, quando a</p><p>pessoa fez uso de qualquer psicofármaco pelo menos uma vez nos doze meses</p><p>anteriores à investigação.</p><p>acreditou, em algum momento, que poderia cessar o uso das substâncias</p><p>sem auxílio ou tratamento. Apesar de alguns efetivamente conseguirem</p><p>(aproximadamente 30% a 40%), a maior parte apresenta tentativas frustradas. Para</p><p>os profissionais que trabalham com esse tipo de demanda, é necessário</p><p>conhecimento dos efeitos agudos e crônicos das substâncias, das formas e dos</p><p>padrões de uso mais típicos.</p><p>Depois de décadas de pesquisas em relação aos tratamentos para pessoas</p><p>que sofrem com a toxicodependência, o National Institute of Drug Abuse (NIDA)</p><p>34</p><p>desenvolveu alguns princípios que norteiam os profissionais que trabalham na área</p><p>segundo Romina et al, (2019).</p><p> A toxicodependência é uma doença tratável que afeta a função cerebral e o</p><p>comportamento de um indivíduo: as substâncias abusadas alteram a função e</p><p>a estrutura do cérebro. Esse fato pode nos ajudar a entender por que as</p><p>recaídas ainda ocorrem mesmo após um longo período de abstinência.</p><p> Nenhum tratamento é apropriado para todos: o ambiente de tratamento, o tipo</p><p>de intervenção e os tipos de serviços necessários devem ser individualizados</p><p>de acordo com os problemas apresentados por cada paciente. Isso aumentará</p><p>a chance de recuperação e retorno a um bom funcionamento familiar, no</p><p>trabalho e na sociedade.</p><p> O tratamento deve estar disponível: Como a questão de se fazer ou não</p><p>tratamento é tão comum, ter um tratamento pronto é importante quando um</p><p>usuário decide procurar ajuda. Para qualquer doença crônica, quanto mais</p><p>cedo for tratada, maior será a chance de sucesso.</p><p> Os tratamentos efetivos atendem às múltiplas necessidades do indivíduo, não</p><p>somente o uso de substâncias: para ser efetivo, o tratamento precisa abordar</p><p>também os problemas médicos, psicológicos, sociais, vocacionais e legais do</p><p>paciente. Eles devem ser adaptados à idade, sexo e cultura do indivíduo.</p><p> Permanecer em tratamento por um período adequado é fundamental: o tempo</p><p>apropriado irá depender da gravidade dos problemas apresentados pelo</p><p>usuário. A maioria dos estudos indica que leva pelo menos 3 meses de</p><p>tratamento antes que você possa reduzir ou parar de usá-lo. Quando ocorre</p><p>uma recaída, o tratamento deve ser adaptado e os programas devem incluir</p><p>estratégias para atrair e manter o interesse do paciente.</p><p> As terapias individuais e em grupo são o tipo de tratamento mais comum usado</p><p>para tratar problemas de substâncias: as terapias comportamentais variam e</p><p>podem incluir a motivação do paciente, abstinência, incentivo, atividades</p><p>agradáveis (não relacionadas ao uso de drogas), melhora o relacionamento</p><p>interpessoal, entre outros. Além disso, participar de grupos de apoio durante e</p><p>após o tratamento pode ajudar a manter a dieta.</p><p> Os medicamentos são uma parte importante do tratamento para muitos (mas</p><p>não todos) pacientes, especialmente quando combinados com outros</p><p>35</p><p>tratamentos: para algumas substâncias, como álcool, nicotina e opioides,</p><p>existem medicamentos que foram usados. Tem se mostrado eficaz no</p><p>tratamento do vício.</p><p> Os planos de tratamento devem ser continuamente revistos e revisados de</p><p>acordo com as necessidades do paciente: os dependentes químicos precisam</p><p>de uma variedade de combinações de serviços e elementos de tratamento</p><p>durante sua recuperação. Além da terapia individual ou em grupo, pode haver</p><p>necessidade de medicamentos, serviços médicos, terapia familiar, reabilitação</p><p>ocupacional, serviços sociais, assistência jurídica e muito mais. As</p><p>necessidades mudam com o tempo e devem ser reavaliadas constantemente.</p><p> Muitos indivíduos que apresentam problemas na utilização de drogas têm</p><p>também outro transtorno mental: todos os pacientes devem ser avaliados para</p><p>a presença de outro transtorno mental pela alta frequência com que isso ocorre.</p><p>Quando detectada, as duas patologias devem ser tratadas, incluindo o uso de</p><p>medicações.</p><p> A desintoxicação é apenas o primeiro passo no tratamento e por si só tem muito</p><p>pouco impacto a longo prazo: a desintoxicação por si só raramente é suficiente</p><p>para moderação. Portanto, é necessário encorajar os pacientes a continuar o</p><p>tratamento após a desintoxicação.</p><p> O tratamento não precisa ser voluntário para ser eficaz: o tratamento</p><p>involuntário e / ou obrigatório por meio da justiça, família ou agência às vezes</p><p>é necessário, onde a adesão do paciente pode levar automaticamente ao</p><p>sucesso do tratamento.</p><p> O uso da substância deve ser monitorado durante o tratamento: saber que o</p><p>uso da substância está sendo monitorado pode ajudar os pacientes a</p><p>permanecerem sóbrios. Além disso, permite a detecção e intervenção precoce</p><p>de problemas, no caso de falha ou recaída do paciente.</p><p> Os programas de tratamento devem avaliar a presença de HIV, hepatite B e C,</p><p>tuberculose e outras doenças infecciosas, bem como intervenções para reduzir</p><p>o comportamento de risco: todos os pacientes devem ser avaliados para essas</p><p>doenças infecciosas, aconselhamento sobre como reduzir os comportamentos</p><p>de risco e mudar o tratamento em caso de infecção.</p><p>36</p><p>6.1 Formas de tratamento</p><p>Uma avaliação completa e aprofundada da pessoa é essencial para verificar a</p><p>necessidade de encaminhamento para tratamento. Na maioria das vezes, os melhores</p><p>programas para tratar a dependência de substâncias psicotrópicas oferecem uma</p><p>combinação que incluem terapias e outros serviços que se adequem às necessidades</p><p>individuais de cada pessoa. As questões abordadas durante este primeiro contato com</p><p>o toxicômano devem verificar o perfil psicossocial, se existem comorbidades clínicas</p><p>e psiquiátricas e o histórico de tratamentos.</p><p>A necessidade de tratamento é maior quando o indivíduo apresenta um</p><p>consumo amplo de drogas, e todo paciente que apresenta um potencial prejuízo</p><p>devido a esse consumo deve ser encaminhado para tratamento e acompanhamento.</p><p>Existem diversos meios para trabalhar a situação, sendo a escolha decidida pela</p><p>indicação clínica realizada pela deliberação de especialistas em diferentes áreas</p><p>(ROMINA et al, 2019).</p><p>Desintoxicação</p><p>O primeiro e um dos passos mais importantes para uma desintoxicação bem-</p><p>sucedida é o paciente compreender seu vício. Mas o que isso inclui? Cada caso é</p><p>diferente, mas em geral as etapas são assim segundo Romina (2019):</p><p> Passo 1: o toxicodependente precisa ir apenas uma vez ao dia no centro</p><p>de reabilitação para fazer o tratamento.</p><p> Passo 2: o paciente passa o dia ou a noite no estabelecimento de</p><p>reabilitação.</p><p> Passo 3: A hospitalização é feita apenas nos casos em que o paciente</p><p>apresenta risco de vida. De todas as opções, no entanto, o objetivo é aliviar</p><p>os sintomas existentes, prevenir o agravamento da doença e envolver a</p><p>pessoa no tratamento.</p><p>Grupos de Autoajuda</p><p>37</p><p>Muitos viciados em drogas alcançam a sobriedade participando de grupos de</p><p>apoio à dependência, também conhecidos como grupos de autoajuda.</p><p>Através da troca de experiências, relacionamento próximo e responsabilidade pela</p><p>restauração do desenvolvimento. Os dependentes apoiam-se mutuamente, sempre</p><p>se energizando, com a intenção de permanecerem sãos até o próximo encontro.</p><p>No Brasil temos muitos desses grupos, mas os mais conhecidos são Alcoólicos</p><p>Anônimos (AA) e Dependentes de Drogas Anônimos (NA), que são programas</p><p>populares que as pesquisas mostram que muitas vezes têm sucesso. A distribuição</p><p>é gratuita em todo o território nacional. Apoiando dependentes químicos, desenvolveu</p><p>e orientou trabalhos a partir das experiências de outros participantes e sua</p><p>identificação, promovendo redes sociais saudáveis e de apoio (ROMINA et al, 2019).</p><p>Comunidades terapêuticas</p><p>Como o próprio nome afirma, “Comunidade” é um local onde os</p><p>toxicodependentes moram por um tempo, em unidade, pelo mesmo bem comum.</p><p>O que une os pacientes é que todos que moram lá têm a mesma doença</p><p>químico-dependente. Normalmente, essas instalações</p><p>não fornecem tratamento de</p><p>drogas, mas são privadas, algumas das quais sem fins lucrativos e parcialmente</p><p>financiadas pelo governo. Eles atendem pessoas com transtornos por uso, abuso ou</p><p>dependência de drogas, de forma voluntária e exclusiva. O período de aceitação pode</p><p>ser estendido até 12 meses. Durante esse tempo, os residentes devem permanecer</p><p>dentro da rede para atendimento psicossocial e outros serviços medicamente</p><p>necessários. Ressalta-se a necessidade de verificar se a comunidade terapêutica está</p><p>de acordo com a legislação, o que pode ser verificado no Serviço Nacional de Saúde</p><p>(Anvisa), Ministério da Saúde e Federação dos Serviços de Comunidade Terapia</p><p>Comunitária Brasileira (Febract) (ROMINA et al, 2019).</p><p>Tratamentos farmacológicos</p><p>Drogas para o vício em drogas foram desenvolvidas nas últimas décadas para</p><p>ajudar a tratar a doença. Infelizmente, nem todos os viciados em drogas que procuram</p><p>tratamento podem sair do vício sem medicação. No entanto, não existe uma pílula</p><p>38</p><p>mágica que cure o vício. O fármaco sempre deve ser usado em conjunto com outros</p><p>tratamentos e eles agem de diversas maneiras, mas sempre com o intuito de causar</p><p>aver são à droga, substituir os efeitos da substância, bem como tratar sintomas de</p><p>intoxicação e abstinência (ROMINA et al, 2019).</p><p>Tratamentos psicossociais</p><p>Dentre as inúmeras formas de atendimento, as mais utilizadas são as</p><p>abordagens psicossociais, disponíveis em diferentes níveis do sistema de saúde: no</p><p>Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSad), em clínicas gerais e</p><p>hospitais.</p><p>Entrevista Motivacional (EM). É uma abordagem que visa motivar o paciente a</p><p>desenvolver um determinado nível de comprometimento, levando à decisão de</p><p>mudança de comportamento. É especialmente útil para aqueles mais resistentes à</p><p>mudança e é baseado em cinco princípios básicos:</p><p> Mostrar empatia: ouvir com respeito o indivíduo, tentando entender seu ponto</p><p>de vista sem necessariamente concordar com ele.</p><p> Desenvolvimento de lacunas: faça com que os usuários visualizem seus</p><p>objetivos de vida, em oposição ao seu comportamento atual, para criar</p><p>consciência de incompatibilidade entre suas ações e objetivos.</p><p> Evite a discussão: evite o confronto direto, incentive a reflexão com possíveis</p><p>conselhos sobre o tópico em questão.</p><p> Acompanhar com a resistência: não se deve impor novas visões ou metas, mas</p><p>convidar o indivíduo a vislumbrar novas perspectivas que lhe são oferecidas.</p><p> Promoção da autoeficácia: demonstra a crença do indivíduo em sua</p><p>capacidade de realizar uma tarefa ou solucionar um problema e deve ser</p><p>sempre incentivada.</p><p>Aconselhamento</p><p>É a intervenção psicossocial mais comumente usada na dependência química</p><p>e contribui para a progressão positiva do tratamento. Essencialmente, uma questão</p><p>de apoio, supervisão, monitoramento, monitoramento comportamental e incentivo à</p><p>39</p><p>abstinência. Também oferece serviços ou tarefas específicas, como: orientação</p><p>profissional, atendimento médico e auxílio em questões jurídicas. Intervenções</p><p>breves. Use técnicas comportamentais para moderar ou moderar o consumo. São</p><p>contatos breves nos serviços de atenção primária à saúde e baseiam-se no modelo</p><p>de fases de mudança. Esta é uma técnica de curta duração que pode ser usada por</p><p>não especialistas (ROMINA et al, 2019).</p><p>Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)</p><p>É um modelo de terapia que ajuda o paciente a se conhecer, ou seja, ajuda a</p><p>pessoa a conhecer melhor o seu modo de conceber, por meio dos pensamentos e</p><p>sentimentos (cognição), seus modos de agir (comportamento). A abordagem básica</p><p>pode ser resumida como "reconhecer, evitar e desenvolver habilidades para lidar com"</p><p>situações que promovem o uso de drogas. As sessões seguem uma estrutura</p><p>padronizada, e os indivíduos têm papel ativo no tratamento (ROMINA et al, 2019).</p><p>Terapia de Grupo e de família</p><p>O desenvolvimento da primeira técnica é uma alternativa para atender mais</p><p>pessoas, em menos tempo e a um custo mais acessível. É considerada uma</p><p>alternativa efetiva e viável. Esse tipo de tratamento ocupa uma posição ampla, mas</p><p>as pesquisas sobre ele ainda são limitadas, pois requer um método de avaliação muito</p><p>rigoroso. Já a segunda técnica pode trazer novos dados de fundamental importância</p><p>no esclarecimento do diagnóstico e no tratamento do paciente. Quando se percebe</p><p>que o conflito familiar interfere diretamente no tratamento, costuma-se indicar terapia</p><p>de família, que visa a melhorar a comunicação entre cada um de seus componentes</p><p>e abordar a ambivalência de sentimentos. Pretende-se reforçar positivamente o papel</p><p>do toxicodependente no seio da família, conduzindo a uma melhor adaptação ao seu</p><p>funcionamento social (ROMINA et al, 2019).</p><p>40</p><p>6.2 Prevenção de recaída</p><p>O problema da recaída é considerado por muitos como um fracasso, mas é</p><p>importante saber que, ao lidar com a dependência psicotrópica, essas situações não</p><p>apenas são prováveis de ocorrer, mas também podem existir. Esse processo de</p><p>abstinência/recaída/abstinência deve auxiliar o terapeuta no conhecimento dos</p><p>fenômenos psicológicos envolvidos na dependência de drogas e não deve ser visto</p><p>como um desestímulo ao tratamento.</p><p>Como qualquer outro tratamento de doença crônica, o tratamento dependente</p><p>de quimioterapia requer avaliação contínua e modificação para melhor se adequar ao</p><p>paciente. Nenhuma técnica é 100% eficaz ou aceita incondicionalmente para uma</p><p>prevenção eficaz de recaídas, mas existem vários livros didáticos. Em geral, as</p><p>abordagens para atender a esse tipo de necessidade incluem uma ampla gama de</p><p>possibilidades para incentivar ou manter a abstinência. Desta forma segundo Romina</p><p>(2019):</p><p> Distinguir a fissura e aumentar táticas para enfrentá-la;</p><p> Identificar decisões claramente diminutas que podem acabar em situações de</p><p>risco;</p><p> Disponibilidade, exposição e ativação reduzidas de medicamentos;</p><p> Encorajar a tomada de decisão de interromper a utilização de drogas,</p><p>marcando as consequências do uso, positivas e negativas;</p><p> Ampliar habilidades de recusa e afrontar pensamentos sobre a droga;</p><p> Preparar o indivíduo para manifestações e enfrentamento da recaída no uso de</p><p>substâncias.</p><p>7 COMPETÊNCIAS DO SUS POR NÍVEL DE ATENÇÃO</p><p>A constituição brasileira de 1988, em seu art. 6º, determina a saúde como um</p><p>direito social, sendo dever do Estado sua garantia. Em 1990, a sociedade realizou</p><p>manifestações intensas em busca dessa garantia, corroborando para a criação da Lei</p><p>Orgânica da Saúde (8.080/1990). Essa legislação é um marco histórico e tem como</p><p>objetivo a promoção e proteção da saúde, utilizando o SUS (Sistema Único de Saúde)</p><p>41</p><p>como sistema desenvolverá um conjunto de ações e serviços no âmbito da saúde</p><p>pública (CNM, 2015).</p><p>Políticas públicas com ações expansivas e inter-regionais criam uma rede de</p><p>cuidado diferente dos antigos pressupostos, onde o usuário é retirado de sua vida</p><p>social e encaminhado para um hospital psiquiátrico. Quando se pensa no caminho</p><p>que o usuário e sua família percorrem na rede de saúde SUS, incluímos: Rede da</p><p>assistência social, Entidades comunitárias, Redes não necessariamente inseridas no</p><p>sistema de saúde, mas que de alguma forma participam desta, garantindo assistência</p><p>às necessidades de saúde do usuário (CNM, 2015).</p><p>A rede tem, portanto, a tarefa de garantir tratamento e apoio humano aos</p><p>usuários de drogas e suas famílias. Os serviços do SUS também são obrigados a criar</p><p>e manter equipamentos, qualificar profissionais, desenvolver políticas de saúde em</p><p>coordenação com outros setores, implementar e avaliar políticas. Fortalece as</p><p>características de sua rede, incentivando outras redes a se conectarem. Para tanto, é</p><p>preciso construir vínculos, corresponsabilização e uma visão mais ampla da clínica,</p><p>para que o serviço seja um espaço de acolhimento e manejo coletivo</p><p>das situações</p><p>relacionadas às drogas.</p><p>No Brasil, desde 2000, mudanças significativas podem ser observadas no</p><p>conteúdo da legislação brasileira sobre drogas. Enquanto essas políticas ainda</p><p>estavam em fase de proibição, a atenção à saúde agora está voltada para ações de</p><p>prevenção, tratamento, cura e reinserção social.</p><p>A Lei 10 409/2002 dispõe que “o tratamento do dependente ou usuário deve</p><p>ser feito de forma multidisciplinar e, na medida do possível, com o auxílio da família</p><p>da pessoa”.</p><p>É importante frisar a importância da Equipe com a abordagem multidisciplinar,</p><p>que se refere ao trabalho e ao estudo de diversos profissionais em determinado</p><p>assunto e/ou área para atuar na rede de atenção de forma integralizada. Há também</p><p>a abordagem interdisciplinar, que se refere ao trabalho e ao estudo de diversos</p><p>profissionais em determinada área, implicando necessariamente a integração destes</p><p>para uma compreensão mais ampla do assunto. Os diversos profissionais que podem</p><p>fazer parte da rede são: médicos, assistentes sociais, enfermeiros, psicólogos,</p><p>nutricionistas, fisioterapeutas, dentre outros, que aliados ao saber do usuário podem</p><p>ofertar a melhor proposta de tratamento (CNM, 2015).</p><p>42</p><p>A política afirma claramente que o SUS deve garantir atendimento</p><p>especializado para usuários de álcool e outras substâncias, que até agora tem sido</p><p>financiado prioritariamente por organizações não governamentais, como a</p><p>comunidade terapêutica e grupos de autoajuda, especialmente a criação de uma rede</p><p>de atendimento aos usuários, utilizando o Centro de Apoio Psicossocial sobre Álcool</p><p>e Outras Drogas (CAPSad) estabelecido.</p><p>O CAPSad deve desempenhar um papel estratégico como organizador da rede</p><p>em sua área de intervenção, fomentando a conectividade necessária entre os mais</p><p>diversos sistemas comunitários e sociais de saúde para todos os cuidados e inclusão</p><p>social dos usuários e familiares (CNM, 2015).</p><p>Rede de Atenção</p><p>Sabe-se que o quadro epidemiológico atual do Brasil apresenta significativo</p><p>crescimento do consumo de substâncias psicoativas, especialmente, de álcool,</p><p>cocaína, crack e inalantes. As competências do SUS para a demanda de cuidado aos</p><p>usuários de álcool, crack e outras drogas são bem explicitadas a partir da Portaria</p><p>3.088, de 2011, que cria, ampliar e articular a Rede de Atenção Psicossocial para</p><p>pessoas com transtornos mentais ou com transtornos mentais e cujas necessidades</p><p>surjam com o consumo de bebidas alcoólicas, álcool e outras drogas, no âmbito do</p><p>SUS. Os princípios destacados para o funcionamento da Rede de Atenção</p><p>Psicossocial são (CNM, 2015):</p><p> Acatamento aos direitos humanos, avalizando a autonomia e a liberdade das</p><p>pessoas;</p><p> Ascensão da equidade, conhecendo os determinantes sociais da saúde;</p><p> Luta a estigmas e preconceitos;</p><p> Segurança do acesso e da qualidade dos serviços, contribuindo cuidado</p><p>integral e assistência multiprofissional, sob a lógica interdisciplinar;</p><p> Cuidado humanizada e centrada nas necessidades das pessoas;</p><p> Diversificação das estratégias de cuidado;</p><p> Ampliação de atividades no território, que favoreça a inclusão social com vistas</p><p>à promoção de autonomia e ao exercício da cidadania; Adiantamento de</p><p>estratégias de Redução de Danos;</p><p>43</p><p> A ênfase nos serviços territoriais e comunitários, com a participação e controle</p><p>social dos usuários e suas famílias;</p><p> Organizar os serviços em redes de saúde regionalizadas, com a inovação de</p><p>ações intersetoriais para garantir a integralidade da atenção;</p><p> Promover estratégias de educação ao longo da vida; e</p><p> Desenvolver a lógica de atendimento às pessoas com transtornos mentais e</p><p>necessidades decorrentes do consumo de álcool, cerveja e outras drogas,</p><p>tendo como eixo central o desenvolvimento de um projeto terapêutico único.</p><p>Os objetivos gerais da Rede são expandir o acesso à atenção psicossocial para</p><p>a população em geral, promover o acesso de pessoas com transtornos mentais e</p><p>necessidades emergentes devido ao uso de crack, álcool e drogas por familiares no</p><p>local de atendimento; cobrir a articulação e integração dos pontos de atenção da rede</p><p>médica em todo o território, abrindo o direito ao atendimento por meio da internação,</p><p>acompanhamento contínuo e atendimento de emergência.</p><p>Os objetivos específicos da Rede são: promover a atenção à saúde,</p><p>principalmente para os grupos mais vulneráveis (crianças, jovens, moradores de rua</p><p>e indígenas); prevenir o uso e dependência de crack, álcool e outras substâncias</p><p>viciantes; reduzir os danos causados pelo uso de crack, álcool e outras drogas;</p><p>promover a reabilitação e reinserção das pessoas com transtornos mentais e</p><p>necessidades decorrentes do consumo de álcool, cerveja e outras substâncias na</p><p>sociedade, por meio do acesso ao trabalho, à renda e à moradia solidária; promover</p><p>sistemas de formação contínua para profissionais de saúde; desenvolver ações</p><p>intersetoriais para prevenir e minimizar os danos em cooperação com o governo e</p><p>organizações da sociedade civil; produzir e divulgar informações sobre direitos</p><p>individuais, medidas de prevenção e cuidados e serviços disponíveis online; regular e</p><p>organizar as solicitações e fluxos de apoio da Rede de Apoio Psicossocial; e, por fim,</p><p>monitorar e avaliar a qualidade do serviço por meio da identificação do serviço e de</p><p>indicadores de eficácia.</p><p>Os serviços e competências da Rede de Atenção Psicossocial são concebidos</p><p>desta forma e, a seguir, são apresentados os serviços e alguns modelos de atuação</p><p>para os profissionais que atuam na área (CNM, 2015).</p><p>Atenção Básica em Saúde</p><p>44</p><p> Unidade Básica de Saúde (UBS): realiza o acolhimento do usuário que busca</p><p>o atendimento de saúde mental. Os principais serviços oferecidos são</p><p>consultas médicas, inalações, injeções, curativos, vacinas, coleta de exames</p><p>laboratoriais, tratamento odontológico, encaminhamentos para especialidades</p><p>e fornecimento de medicação básica (CNM, 2015).</p><p> Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF): não se constituem como</p><p>serviços com unidades físicas independentes, e sim, coexistem com a Rede de</p><p>Atenção à Saúde e seus serviços, trabalhando com demandas específicas. Os</p><p>profissionais realizam atendimento conjunto ou não, interconsulta, construção</p><p>conjunta de projetos terapêuticos, educação permanente, intervenções no</p><p>território e na saúde de grupos populacionais e da coletividade, ações</p><p>intersetoriais, ações preventivas e de promoção da saúde e discussão dos</p><p>grupos de trabalho etc.</p><p> Consultório na Rua: são equipes de saúde móveis que prestam atenção</p><p>integral à saúde da população em situação de rua, considerando suas</p><p>diferentes necessidades de saúde. Eles trabalham junto aos usuários de álcool,</p><p>crack e outras drogas com a estratégia de redução de danos, diagnóstico,</p><p>tratamento, reabilitação e manutenção da saúde.</p><p> Serviços de apoio no componente de cuidados transitórios para</p><p>pacientes internados: fornecer suporte clínico e suporte no ponto de</p><p>atendimento. É composto por uma equipe multiprofissional que coordena o</p><p>cuidado e presta serviços de atenção à saúde de forma longitudinal e articulada</p><p>com os outros pontos de atenção da rede.</p><p> Centros de Convivência e Cultura: são unidades públicas, onde são</p><p>oferecidos à população em geral espaços de sociabilidade, produção e</p><p>intervenção na cultura e na cidade.</p><p>8 ESTRUTURA DO SISTEMA DE SAÚDE</p><p>A Constituição Federal de 1988 estabeleceu o Sistema Único de Saúde (SUS)</p><p>como um direito de todos os cidadãos. O SUS é regulamentado pelas Leis Orgânicas</p><p>do SUS, que são as Leis nº 8.080/90 e nº 8.142/90. Essas leis definem como bases</p><p>45</p><p>para a prestação de serviços de saúde, incluindo prevenção, promoção, proteção e</p><p>recuperação da saúde. O Ministério da Saúde é responsável pela gestão central do</p><p>sistema, enquanto a execução das ações ocorre de forma descentralizada, com os</p><p>municípios</p><p>sendo os principais executores da atenção à saúde.</p><p>Além disso, a Constituição permite a participação complementar da iniciativa</p><p>privada na assistência à saúde. Os princípios fundamentais e organizacionais do SUS</p><p>incluem a universalidade, integralidade e equidade. A descentralização de</p><p>responsabilidades, com ênfase nos municípios, e a participação social na formulação</p><p>e controle das políticas nacionais são princípios organizacionais importantes.</p><p>A Lei Complementar nº 141/2012 reforça o arcabouço legal do SUS,</p><p>regulamentando diretrizes para ações e serviços de saúde e compartilhamento de</p><p>financiamento. Essas diretrizes abrangem a integralidade da atenção à saúde, desde</p><p>a atenção básica até a especializada, além da vigilância em saúde, regulação de</p><p>serviços e participação privada complementar.</p><p>O Decreto nº 7.508/2011 detalha a Lei nº 8.080/90 e aborda a organização do</p><p>SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação entre os</p><p>diferentes níveis de governo. Esse decreto define as Regiões de Saúde como espaços</p><p>geográficos contínuos compostos por municípios, considerando aspectos culturais,</p><p>psicológicos e sociais, bem como infraestrutura de comunicação e transporte</p><p>compartilhado. O objetivo das Regiões de Saúde é integrar a organização, o</p><p>planejamento e a execução de ações e serviços de saúde.</p><p>As Regiões de Saúde são protegidas por meio da articulação entre os estados</p><p>e municípios, seguindo as diretrizes gerais acordadas na Comissão Intergestores</p><p>Tripartite (CIT). O Decreto também prevê a possibilidade de criação de Regiões de</p><p>Saúde interestaduais, compostas por municípios vizinhos, por meio de uma ação</p><p>conjunta dos estados envolvidos, em coordenação com os municípios.</p><p>Quando localizadas em áreas de fronteira com outros países, a criação das</p><p>Regiões de Saúde deve cumprir as normas que regem as relações internacionais.</p><p>Para definir uma Região de Saúde, é necessário ter infraestrutura para fornecer um</p><p>conjunto mínimo de ações e serviços de saúde, abrangendo atenção primária,</p><p>urgência e emergência, atenção psicossocial, atenção ambulatorial especializada e</p><p>hospitalar, além de vigilância em saúde. Essas ações também servem como</p><p>referência para transferências de recursos entre os diferentes níveis de governo.</p><p>46</p><p>De acordo com o mesmo decreto, a Relação Nacional de Ações e Serviços de</p><p>Saúde (RENASES) mapeia todas as ações e serviços oferecidos pelo SUS para</p><p>garantir atendimento integral à saúde em todo o país, seguindo as diretrizes</p><p>pactuadas pelo CIT. A composição das ações e serviços listados na RENASES é</p><p>acordada entre a União, estados, Distrito Federal e municípios, por meio das</p><p>respectivas Comissões Intergestores, assim como a definição de suas</p><p>responsabilidades em relação a essas ações e serviços.</p><p>O suporte farmacêutico para as prescrições terapêuticas é estabelecido na</p><p>Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), que inclui a seleção e</p><p>padronização de medicamentos indicados para o tratamento de doenças ou condições</p><p>dentro do âmbito do SUS. A RENAME segue as disposições gerais do Ministério da</p><p>Saúde e os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas em nível nacional, de acordo</p><p>com as diretrizes pactuadas pela CIT. Ela também pode ser complementada por listas</p><p>específicas de medicamentos, desde que estejam em consonância com as drogas.</p><p>Todos os medicamentos presentes na RENAME, assim como nas listas específicas</p><p>estaduais, distritais ou municipais, devem possuir registro na Agência Nacional de</p><p>Vigilância Sanitária (ANVISA).</p><p>Para cumprir as responsabilidades definidas constitucionalmente, o SUS conta</p><p>com uma infraestrutura composta por estabelecimentos de saúde da rede pública,</p><p>complementados por unidades privadas que operam no mercado. Como complemento</p><p>à estrutura de oferta disponibilizada à população, o SUS também regulamenta o setor</p><p>da saúde suplementar, prestado por empresas privadas, por meio de referenciamento</p><p>à estrutura física do setor privado.</p><p>Com o objetivo de operacionalizar essa estrutura, o Ministério da Saúde tem se</p><p>esforçado para aprimorar os processos de governança e gestão, buscando</p><p>estabelecer políticas de saúde com bases eficazes, efetivas e eficientes. Para garantir</p><p>a consistência dessas características, é necessário ter um processo de</p><p>monitoramento</p><p>No contexto do crescente fenômeno da judicialização da saúde, é importante</p><p>destacar algumas iniciativas que visam lidar com essa demanda. Uma delas é a</p><p>criação de varas especializadas em "direito à saúde", sob a responsabilidade do</p><p>Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Além disso, há esforços para fortalecer e</p><p>capacitar os núcleos de apoio técnico do Poder Judiciário, assim como aprimorar a</p><p>47</p><p>qualificação das decisões judiciais por meio de iniciativas de integração com os</p><p>Tribunais de Justiça e com o próprio Conselho.</p><p>Essas ações permitem compreender como a gestão central do SUS está se</p><p>estruturando para conciliar as características da população e da epidemiologia,</p><p>juntamente com os fatores determinantes e condicionantes da saúde, com o perfil da</p><p>oferta de serviços e ações públicas de saúde, com o objetivo de ampliar o acesso de</p><p>forma qualificada.</p><p>9 GESTÃO DO PLANO</p><p>O Plano Nacional de Saúde (PNS) é um instrumento de planejamento que</p><p>resulta de amplas discussões técnicas e políticas sobre as prioridades e desafios do</p><p>setor de saúde em nível nacional. Ele valoriza a participação social, levando em</p><p>consideração as diretrizes e os resultados das Conferências de Saúde. Além de definir</p><p>os resultados prioritários a serem alcançados nos próximos quatro anos, é igualmente</p><p>importante estabelecer como a gestão do plano será estruturada, levando em conta a</p><p>dinâmica da administração federal e do processo de planejamento do Sistema Único</p><p>de Saúde (SUS), bem como os prazos estipulados e as informações fornecidas por</p><p>outros instrumentos de gestão e controle.</p><p>O processo de planejamento no âmbito do SUS é embasado por diversos</p><p>referenciais legais e normativos, incluindo a Lei nº 8.080/90, a Lei Complementar nº</p><p>141/2012 e, em particular, a Portaria nº 2.135/2013, que foi construída na Portaria de</p><p>consolidação nº 1/2017.</p><p>Essas normas estabelecem diretrizes e indicam os instrumentos responsáveis</p><p>pela operacionalidade do plano, como o PNS, a Programação Anual de Saúde (PAS),</p><p>o Relatório Quadrimestral de Prestação de Contas (RQPC) e o Relatório de Gestão</p><p>(RAG). As metas quadrienais protegidas no PNS são promovidas em metas</p><p>corporativas na PAS, que é um instrumento essencial para promover a eficiência da</p><p>gestão do plano. Além de detalhar as metas anuais, o PAS também apresenta a</p><p>previsão de alocação dos recursos orçamentários a serem executados no período.</p><p>A gestão do PNS é orientada pela adoção de um processo de monitoramento</p><p>intensivo ao longo de cada ano de vigilância, juntamente com as estimativas</p><p>planejadas. Essas informações são mantidas à gestão estratégica do Ministério da</p><p>48</p><p>Saúde para subsidiar a tomada de decisões e ajustes, e posteriormente são</p><p>desenvolvidas ao Conselho Nacional de Saúde para sentir.</p><p>O RQPC é um instrumento de monitoramento que informa o controle social e o</p><p>Poder Legislativo sobre a evolução da execução física e financeira do plano, bem</p><p>como a situação das auditorias realizadas durante a execução do PNS. Para avaliar</p><p>o desempenho anual das metas propostas e o uso dos recursos orçamentários, o PNS</p><p>conta com o RAG. Conforme estabelecido pela Lei nº 141/2012, o poder público em</p><p>todas as esferas deve submeter-se ao RAG à deliberação dos Conselhos de Saúde.</p><p>Dessa forma, o relatório explícito dos resultados alcançados com a execução da PAS,</p><p>fornecendo ganhos para orientações redirecionamentos necessários.</p><p>Figura 1- Sistemática de Programação, Monitoramento e Avaliação dos</p><p>Instrumentos de Planejamento do SUS.</p><p>Fonte: Ministério da Saúde, 2020.</p><p>O PNS inclui um capítulo específico</p><p>com uma lista de indicadores da Política</p><p>Nacional de Saúde, além daqueles identificados nos objetivos específicos, que serão</p><p>utilizados para avaliar o desempenho das metas e, ao final do período</p><p>correspondente, permitirão uma avaliação abrangente do setor.</p><p>É importante ressaltar o reforçado entre a programação do Plano Plurianual</p><p>(PPA) e o PNS. Nos últimos quatro anos, durante a vigência do PNS 2016-2019, essa</p><p>relação foi aprimorada, o que permitiu ao Ministério da Saúde identificar as</p><p>49</p><p>potencialidades e observar em sua atuação. Isso tem contribuído para melhorar o</p><p>processo de planejamento e, consequentemente, a interação com o controle social.</p><p>Como consequência, esse processo forneceu uma análise mais sólida das metas e</p><p>indicadores do Relatório Anual de Gestão (RAG), o que resultou em melhores</p><p>estimativas por parte do Conselho Nacional de Saúde.</p><p>10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ARRAIS, V. A. A; SANTIAGO, R. F. Redução de danos e prevenção do uso de</p><p>drogas. Universidade Federal do Piauí; Teresina – PI. Brasil, 2018.</p><p>50</p><p>BRASIL. Portaria n. 1.028, de 1º de julho de 2005. Determina que as ações que visam</p><p>à redução de danos sociais e à saúde, decorrentes do uso de produtos, substâncias</p><p>ou drogas que causem dependência, sejam reguladas por esta Portaria. Brasília,</p><p>2005.</p><p>BRASIL. Ministério da Justiça. Observatório Brasileiro de Informações sobre</p><p>Drogas. Brasília: MJ; 2011</p><p>BRASIL. Ministério da Justiça. Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas. I</p><p>levantamento nacional sobre o uso de álcool, tabaco e outras drogas entre</p><p>universitários das 27 capitais brasileiras. Brasília: SENAD; 2010.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Política de atenção integral a usuários de álcool e</p><p>outras drogas. Brasília, 2003.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. A política do</p><p>Ministério da Saúde para atenção integral a USUÁRIOS de álcool e drogas.</p><p>Brasília: MS; 2003.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de</p><p>Ações Programáticas Estratégicas. Guia estratégico para o cuidado de pessoas com</p><p>necessidades relacionadas ao consumo de álcool e outras drogas: Guia AD /</p><p>Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações</p><p>Programáticas Estratégicas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2015. 100 p.: il.</p><p>CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE MUNICÍPIOS - CNM. Tratamento da</p><p>dependência química: conceitos e abordagens. Confederação Nacional de</p><p>Municípios – CNM – Brasília: CNM, 2015.</p><p>CORDEIRO, I. L. S.; SILVA, D. M. de A.; VECCHIA, M. D. A escola diante do aluno</p><p>que faz uso de álcool e drogas: O que dizem os professores? Pesqui. prát.</p><p>psicossociais, São João del-Rei , v. 11, n. 2, p. 356-368, dez. 2016.</p><p>51</p><p>MINISTERIO DA SAÚDE. Plano Nacional de Saúde 2020-2023. Brasília/DF,</p><p>Fevereiro de 2020.</p><p>ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Manual de classificação estatística</p><p>internacional de doenças e problemas relacionados à saúde. São Paulo: Centro</p><p>Colaborador da OMS para Classificação de Doenças; 1993.</p><p>ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Transtornos devido ao uso de</p><p>substâncias. In: Organização Mundial da Saúde; Organização Pan-Americana da</p><p>Saúde, organizadores. Relatório sobre a saúde no mundo: saúde mental: nova</p><p>concepção, nova esperança. Brasília: Gráfica Brasil; 2001.</p><p>ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DA SAÚDE. Guia para atenção e manejo</p><p>integral de usuários de drogas vivendo com HIV/AIDS na América Latina e</p><p>Caribe. Washington: OPAS; 2006.</p><p>ORGANIZATION OF AMERICAN STATES, Secretariat for Multidimensional</p><p>Security, Inter-American Drug Abuse Control Commission, Multilateral</p><p>Evaluation Mechanism. Hemispheric report: evaluation of progress in drug</p><p>control: fifth evaluation round. Washington: World Factbook; 2011.</p><p>ROMINA, S. TEIXEIRA, M. LIMA, F. VITTORI, P. Plano intersetorial de políticas</p><p>sobre álcool e outras drogas de Contagem. Contagem, 2019.</p><p>SOUZA, M. R. et al. Juventude e drogas: uma intervenção sob a perspectiva da</p><p>Psicologia Social. Pesqui. prát. Psicossociais, São João del-Rei, v. 10, n. 1, p. 66-</p><p>78, jun. 2015.</p><p>TOLEDO, L. Panorama sobre a política de drogas e saúde mental no Brasil</p><p>contemporâneo: prevenção e tratamento. – Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo</p><p>Cruz, 2020. 26 p. – (Textos para Discussão; n. 41).</p><p>52</p><p>ZEFERINO MT. Mundo-vida de caminhoneiros: uma abordagem compreensiva</p><p>para a enfermagem na perspectiva de Alfred Schutz [tese]. Universidade Federal</p><p>de Santa Catarina; Florianópolis (SC), 2010.</p><p>ZEFERINO, M. T. FERMO, V. C. Prevenção ao uso/abuso de drogas. PROENF</p><p>SAÚDE DO ADULTO. 2012;7(2):9-42.</p><p>Atualmente, o consumo de drogas é um problema complexo de saúde pública,</p><p>que pode ser visto de vários ângulos específicos, como conflitos de políticas públicas,</p><p>que podem ser vistos de várias perspectivas. Específicos, como debate sobre políticas</p><p>públicas, discussão política sobre adaptação e prevenção, perspectivas do usuário,</p><p>diversas instituições sociais que abordam o tratamento (CAPS, comunidades</p><p>terapêuticas, etc.), entre outros (SOUZA et al., 2015).</p><p>O uso dessas substâncias pode envolver atitudes experimentais em relação</p><p>aos diferentes modos de vida dos jovens e seus processos particulares, bem como na</p><p>construção da identidade social. O segundo tipo “passa por um processo de</p><p>socialização fora da família”, no qual o indivíduo buscará pertencer a um grupo de</p><p>pares. A questão deste tema torna-se assim relevante, para que os jovens possam</p><p>construir formas únicas de cuidado e relacionamento com as drogas ao longo da vida</p><p>(ARRAIS; SANTIAGO, 2018).</p><p>Porém, nem todos os jovens usam ou abusam dessas substâncias,</p><p>considerando-se “jovens”, não apenas a faixa etária que deve ser considerada. Pode-</p><p>se dizer que, no contexto brasileiro, existem “jovens” caracterizados pela</p><p>7</p><p>desigualdade e pela diferença, com integração e signos. Nesse sentido, “os jovens</p><p>têm diferentes rostos, cores de pele, gênero, condição econômica, orientação sexual,</p><p>crenças, locais de residência e diferentes experiências de vida com as chamadas‘</p><p>drogas ilícitas ’e‘ drogas legais ’”. Portanto, é importante compreender a juventude</p><p>como uma história social e de múltiplas categorias, o que coloca os jovens em diversos</p><p>graus de vulnerabilidade no uso de álcool e outras drogas, constituindo assim um</p><p>estatuto social heterogêneo (SOUZA et al., 2015).</p><p>De acordo com o Ministério da Saúde, a estratégia de redução de danos</p><p>consiste em um conjunto de políticas e programas que têm como objetivo diminuir as</p><p>consequências negativas do consumo de drogas, ao mesmo tempo em que</p><p>minimizam os riscos e potenciais danos para a saúde dos usuários, suas famílias e</p><p>comunidades.</p><p>Esse conjunto de estratégias deve nortear as políticas de saúde voltadas para</p><p>a redução das consequências negativas do uso e abuso de drogas, em oposição às</p><p>“políticas de abstinência”, que visam apenas a redução do uso de drogas. Os danos</p><p>mencionados são tanto no setor social (desvantagem, vulnerabilidade, criminalização,</p><p>estigma, desigualdade e exclusão social) quanto no setor saúde (infecções múltiplas,</p><p>inflamações), fígado, overdose e AIDS).</p><p>Este modelo de política justifica-se na realidade tangível de consciência de que</p><p>dificilmente vamos acabar com o consumo de drogas, no reconhecimento do direito</p><p>do usuário de continuar com uso de drogas e a necessidade de reduzir os danos que</p><p>o uso de drogas causa aos indivíduos e à sociedade (ARRAIS; SANTIAGO, 2018).</p><p>Segundo Arrais (2018) este conceito reconhece a existência de consequências</p><p>negativas no uso de drogas, essas consequências vão além da própria dependência,</p><p>manifestando-se na macro-sociedade, campos macropolíticos, macroeconomia e</p><p>saúde diversos. Um dos principais desafios em lidar com o crescente uso de</p><p>substâncias psicoativas no Brasil é refletir, analisar e discutir como abordar esse</p><p>fenômeno e as principais consequências de seu uso. Método, bem como identificar e</p><p>apresentar recomendações para um verdadeiro sucesso.</p><p>Os reais objetivos da formulação de políticas que enfrentem o problema das</p><p>drogas não foram alcançados: redução da disponibilidade de substâncias, redução do</p><p>número de usuários e dependentes de drogas, redução dos problemas de saúde,</p><p>8</p><p>sociais e econômicos, exigências relacionadas à saúde da substância, entre outras</p><p>substâncias (SOUZA et al., 2015).</p><p>A consolidação de políticas que declaram "guerra às drogas" mostra</p><p>claramente seu fracasso. A cada dia, vemos que essas estratégias legislativas têm</p><p>alcance limitado e impacto negativo nas instituições sociais (indivíduos, famílias,</p><p>escolas), tanto materiais quanto humanas, levam ao sofrimento e à perda de status e</p><p>qualidade de vida para as pessoas da sociedade, e em os resultados do impacto deste</p><p>consumo na economia, saúde e segurança nacional. Estratégias para controlar a</p><p>demanda e reduzir o risco têm sido discutidas desde a década de 1980 em todo o</p><p>mundo.</p><p>Produto de uma análise de apuração de fatos de um tempo de aumento do uso</p><p>de substâncias psicotrópicas ilícitas, aumentos significativos para usuárias e aumento</p><p>do risco de HIV / AIDS. Apesar de evidências convincentes e inequívocas que</p><p>mostram a eficácia das estratégias de redução de danos como meio de lidar com a</p><p>realidade do uso de drogas, não se pode negar que seu status é assustador e menos</p><p>provável. No entanto, o que é mais preocupante nesta situação é que esta abordagem</p><p>está sendo contestada e é menos aceita onde esses planos de ação são mais</p><p>necessários (ARRAIS; SANTIAGO, 2018).</p><p>Diversos estudos realizados por diferentes autores demonstraram que o</p><p>conceito de "incômodo" utilizado em artigos científicos é impreciso e, na maioria das</p><p>vezes, é mais relevante para propostas de controle epidemiológico, especialmente ao</p><p>estudar doenças infecciosas que são consideradas consequências negativas do uso</p><p>de álcool, drogas e outras substâncias para a saúde física. No entanto, é irrealista</p><p>esperar a existência de estratégias que combinem a redução de danos com uma</p><p>abordagem que legitime a autonomia, cidadania e liberdade de existência desses</p><p>usuários.</p><p>A redução de danos abrange vários programas, ações e estratégias, sendo os</p><p>mais difundidos os programas de troca de seringas, kits seguros para o consumo de</p><p>crack e os de tratamento de uso e substituição de drogas. Esses programas são os</p><p>mais criticados e os que sofrem resistência da sociedade principalmente na América</p><p>do Sul. O Brasil vem implementando programas de troca de seringas em alguns</p><p>estados, a exemplo do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Bahia</p><p>(ARRAIS; SANTIAGO, 2018).</p><p>9</p><p>É importante enfatizar que a redução de risco também inclui processos que</p><p>previnem o consumo, promovem estilos de vida saudáveis, educação e informação,</p><p>bem como a conscientização do consumidor, com particular atenção aos riscos de</p><p>overdose, efeitos do consumo e estratégias de gerenciamento seguro de</p><p>medicamentos. Também fazem parte desse processo ações voltadas para a</p><p>comunidade em geral, com o objetivo de prevenir a marginalização desses indivíduos,</p><p>viabilizar o acesso ao sistema de saúde e prevenir o consumo dos indivíduos. Duas</p><p>abordagens são enfatizadas para as políticas de danos e redução de danos: uma é o</p><p>uso de medidas de proibição e aplicação da lei para criminalizar a posse e uso de</p><p>drogas; e outra abordagem que visa aumentar a segurança no uso / abuso de drogas</p><p>ilícitas para reduzir os danos à saúde.</p><p>A redução de danos e riscos é uma estratégia sociopolítica que tem como</p><p>principal objetivo reduzir os efeitos negativos do uso de drogas, reconhecendo</p><p>abertamente que o consumo de drogas persiste mesmo diante de todos os esforços</p><p>para evitar ou erradicá-lo.</p><p>As estratégias de redução de danos atualmente sendo avaliadas incluem uma</p><p>gama de opções de intervenção, revisão das sanções legais existentes relacionadas</p><p>ao uso de drogas e melhoria do acesso dos consumidores a serviços que tratam e</p><p>promovem o comportamento do usuário por meio de projetos educacionais. A redução</p><p>de danos em si não é uma política nova; O que pode ser considerado novo é a</p><p>preocupação e a preocupação com as implicações relacionadas às respostas sociais</p><p>do modelo de proibição dominante, bem como com os custos associados à</p><p>criminalização das drogas (ARRAIS; SANTIAGO, 2018).</p><p>3 POLÍTICAS ANTIDROGAS</p><p>A partir dos anos 2000, uma série de decretos e leis foram anunciados para</p><p>estabelecer novas diretrizes de políticas públicas sobre saúde mental, álcool e outras</p><p>drogas</p><p>no Brasil. Tais regulamentações foram introduzidas para orientar o</p><p>atendimento às pessoas que sofrem de sofrimento psíquico, de transtorno mental</p><p>relacionado ou não ao uso de substâncias no Sistema de Saúde.</p><p>A Unificação (SUS), embora tenha um papel cada vez mais relevante, ainda</p><p>assim caiu na órbita do o Complementaire de Santé, e em particular, de instituições</p><p>10</p><p>fora do controlo da Autoridade Nacional dos Serviços de Saúde Suplementar (ANS)</p><p>por diversos motivos, sendo o primeiro deles não terem sido, até então, definidos</p><p>como estabelecimentos médicos no Senso estrito. Entre estes últimos, as</p><p>comunidades terapêuticas são de particular importância. Alguns deles, até</p><p>recentemente, nem estavam no CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de</p><p>Saúde) (TOLEDO, 2020).</p><p>Os principais marcos regulatórios publicados desde o início dos anos 2000</p><p>relacionados a políticas, programas e modelos de saúde mental, álcool e outras</p><p>drogas estão listados abaixo, em ordem cronológica:</p><p>Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001: Redireciona o modelo assistencial em saúde</p><p>mental no Brasil, até então, centrado na instituição asilar total, representada por</p><p>manicômios, colônias e hospitais psiquiátricos, para o modelo psicossocial,</p><p>caracterizado por serviços que seguem uma lógica de cuidado territorial, porta</p><p>aberta, substitutivos da instituição asilar (BRASIL, 2001).</p><p>Portaria nº 81, de 30 de abril de 2002: Institui o Programa Nacional de Atenção</p><p>Comunitária Integrada a Usuários de Álcool e outras Drogas no âmbito do SUS</p><p>(BRASIL, 2002).</p><p>Política de atenção álcool e drogas (2003): Estabelece as diretrizes para uma</p><p>política de atenção integral aos usuários de álcool e outras drogas (BRASIL, 2003).</p><p>Decreto nº 5.658, de 2 de janeiro de 2006: Promulga a Convenção-Quadro sobre</p><p>Controle do Uso do Tabaco, adotada pelos países membros da Organização</p><p>Mundial de Saúde em 21 de maio de 2003 e assinada pelo Brasil em 16 de junho</p><p>de 2003” (BRASIL, 2006).</p><p>Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006: Institui o Sistema Nacional de Políticas</p><p>Públicas sobre Drogas ‒ Sisnad; prescreve medidas para prevenção do uso</p><p>indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas;</p><p>estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de</p><p>drogas; define crimes e dá outras providências (BRASIL, 2006).</p><p>Decreto nº 6.117, de 22 de maio de 2007: Aprova a Política Nacional sobre o</p><p>Álcool, dispõe sobre as medidas para redução do uso indevido de álcool e sua</p><p>associação com a violência e criminalidade (BRASIL, 2007).</p><p>Portaria nº 2.759, de 25 de outubro de 2007: Estabelece diretrizes gerais para a</p><p>Política de Atenção Integral à Saúde Mental das Populações Indígenas (BRASIL,</p><p>2007).</p><p>Portaria nº 992, de 13 de maio de 2009: Institui a Política Nacional de Saúde</p><p>Integral da População Negra, prevê o fortalecimento da atenção à saúde mental de</p><p>mulheres e homens negros, em especial aqueles com transtornos decorrentes do</p><p>uso de álcool e outras drogas (BRASIL, 2009).</p><p>Portaria nº 2.488, de 21 de outubro de 2011: Aprova a Política Nacional de</p><p>Atenção Básica, que prevê ações de prevenção ao uso de álcool, tabaco e outras</p><p>drogas, dentro do escopo do Programa saúde na Escola, e cria as Equipes do</p><p>consultório na rua, que tem por função realizar a busca ativa e o cuidado aos</p><p>usuários de álcool, crack e outras drogas (BRASIL, 2011).</p><p>11</p><p>Portaria nº 2.836, de 1º de dezembro de 2011: Institui, no âmbito do SUS, a</p><p>Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e</p><p>Transexuais (LGBTT), que tem como um dos seus objetivos específicos: “reduzir</p><p>os problemas relacionados à saúde mental, drogadição, alcoolismo, depressão e</p><p>suicídio na população LGBTT, atuando na prevenção, promoção e recuperação da</p><p>saúde” (BRASIL, 2011).</p><p>Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011: Institui a Rede de Atenção</p><p>Psicossocial para pessoas em sofrimento psíquico associado ou não ao uso de</p><p>crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde – RAPS/SUS,</p><p>dentro do escopo da Política de saúde mental vigente à época (BRASIL, 2011).</p><p>Portaria nº 874, de 16 de maio de 2013: Institui a Política Nacional para a</p><p>Prevenção e Controle do Câncer no âmbito do SUS, onde prevê ações de</p><p>prevenção e enfrentamento do tabagismo e uso do álcool, considerados os fatores</p><p>de risco associados ao câncer (Brasil, 2013).</p><p>Portaria nº 1.082, de 23 de maio de 2014: Redefine as diretrizes da Política</p><p>Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes em Conflito com a Lei que</p><p>tem o intuito de promover a reinserção social dos adolescentes com transtornos</p><p>mentais e com problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas (Brasil,</p><p>2014).</p><p>Portaria nº 2.446, de 11 de novembro de 2014: Redefine a Política Nacional de</p><p>Promoção da Saúde, considerando como um dos temas prioritários, o</p><p>“enfrentamento do uso abusivo de álcool e outras drogas, que compreende</p><p>promover, articular e mobilizar ações para redução do consumo abusivo de álcool</p><p>e outras drogas, com a co-responsabilização e autonomia da população, incluindo</p><p>ações educativas, legislativas, econômicas, ambientais, culturais e sociais” (Brasil,</p><p>2014).</p><p>Portaria nº 4.384, de 28 de dezembro de 2018: Institui a Política Nacional de</p><p>Atenção Integral à Saúde do Povo Cigano/Romani no âmbito do SUS, onde prevê</p><p>ações de “prevenção dos transtornos decorrentes do uso abusivo de álcool e outras</p><p>drogas, além do desenvolvimento de ações para a redução das disparidades</p><p>étnicas nas condições de saúde mental” (Brasil, 2018a).</p><p>Fonte: TOLEDO, 2020.</p><p>Entre os anos de 2017 e 2019, novos marcos legais foram promulgados no Brasil,</p><p>promovendo mudanças na Política Nacional de Saúde Mental e na Política Nacional</p><p>sobre Drogas (TOLEDO, 2020).</p><p>4 A POLÍTICA NACIONAL</p><p>A Lei 11.343/2006, reorganizou todas as atividades do Estado brasileiro no</p><p>âmbito das políticas públicas de drogas. Essa lei trouxe importantes inovações ao</p><p>instituir o Sistema de Políticas Públicas Nacional de Drogas do SISNAD para articular,</p><p>12</p><p>integrar, organizar e coordenar as ações de prevenção, assistência e reinserção social</p><p>associação de usuários e dependentes de álcool e outras drogas, repressão,</p><p>produção ilegal e tráfico de drogas.</p><p>Tendo a ampliação da participação social e a responsabilidade compartilhada</p><p>entre Estado e Sociedade como princípios, o SISNAD reforça o papel dos Conselhos,</p><p>como instâncias colegiadas de diálogo entre Poder Público e Sociedade Civil. Esse</p><p>reconhecimento potencializa a participação do cidadão na tomada de decisões e na</p><p>gestão das políticas públicas.</p><p>Os Conselhos passam a ser um espaço fundamental para a discussão,</p><p>proposição e monitoramento das atividades ligadas à temática. Em nível local, as</p><p>estratégias de conscientização e mobilização social são claras e praticáveis. Um dos</p><p>aspectos mais relevantes da referida lei refere-se à definição, no Título II, Capítulo I,</p><p>dos princípios e objetivos do SISNAD, norteado pelos princípios que regem o Estado</p><p>Democrático de Direito, reafirma o respeito aos princípios fundamentais dos direitos e</p><p>da diversidade, promoção de valores éticos, culturais e cívicos, ampla participação da</p><p>sociedade e responsabilidade compartilhada entre Estado e sociedade.</p><p>O sistema também enfatiza e reconhece o caráter interdisciplinar das políticas</p><p>públicas, o enfoque multissetorial, o equilíbrio entre as atividades de prevenção e</p><p>repressão, a integração das estratégias nacionais e internacionais. Economia, além</p><p>dos vínculos com o Ministério da Relações Públicas e o Legislativo e Judiciário</p><p>Agências (ROMINA et al, 2019).</p><p>No Capítulo II, a organização do SISNAD é assegurada pela orientação central</p><p>e a execução descentralizada das atividades às esferas federal, distrital, estadual e</p><p>municipal. No Título III, a referida legislação enfatiza atividades nas áreas de</p><p>prevenção do uso / abuso de álcool e outras substâncias, assistência e reinserção</p><p>social de usuários e dependentes. Assim, as atividades de prevenção são</p><p>direcionadas para a redução dos fatores de vulnerabilidade e de risco, a que estão</p><p>expostos, em várias situações, nossas crianças, adolescentes e jovens e à promoção</p><p>e fortalecimento dos fatores de proteção (ROMINA et al, 2019).</p><p>13</p><p>4.1 Drogas na atualidade</p><p>O cenário das drogas no Brasil é extremamente calamitoso, o que pode ser</p><p>atribuído às falhas de políticas públicas adotadas no passado. O país tem visto um</p><p>aumento significativo no uso de drogas lícitas e ilícitas, incluindo o crack, bem como</p><p>o aumento do uso de drogas pela população jovem e adolescente. Segundo o</p><p>Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes – UNODC, o Brasil consome</p><p>cerca de 20% de toda cocaína consumida no mundo. Conforme a Confederação</p><p>Nacional dos Municípios, 97% dos municípios brasileiros apresentam problemas</p><p>relacionados ao crack.</p><p>Presenciamos, na última década, nas principais capitais, a expansão de cenas</p><p>abertas de uso do crack, as conhecidas cracolândias. Houve o aumento da população</p><p>de rua com dependência química e também o aumento de afastamento no trabalho,</p><p>por licença saúde no INSS, de pessoas com dependência química, sobretudo do</p><p>crack.</p><p>O aumento de mortes de pessoas com dependência química, principalmente</p><p>de jovens, é outra evidência nas estatísticas brasileiras. Por outro lado, como</p><p>resultado da estratégia de políticas públicas de sucessivos governos, foi elaborada</p><p>uma pequena lista de locais adequados para o recebimento desses dependentes.</p><p>Devido ao tratamento inadequado e uma melhor compreensão da gravidade da</p><p>dependência química, surgiram dois gargalos: a superlotação dos hospitais nos</p><p>departamentos de emergência e emergência (para muitas pessoas, uma pessoa por</p><p>vez). Na dependência química internada no hospital) e um aumento de viciados em</p><p>drogas na prisão (porque as pessoas em crise infringiram a lei e foram presas)</p><p>(COSTA; ROMINA, 2021).</p><p>No Brasil, em 2007, ocorreram mais de 65.000 homicídios, em grande parte</p><p>relacionados ao cenário do tráfico e do consumo das drogas, inclusive do consumo</p><p>do álcool. O país também enfrenta, nos últimos 15 anos, um aumento significativo na</p><p>taxa de suicídio (dados estatísticos mostram que o segundo fator de risco que leva à</p><p>morte por suicídio é a dependência química). Porém, em 2019 novas diretrizes foram</p><p>adotadas e agora acreditamos que temos um posicionamento mais efetivo no manejo</p><p>de medicamentos e no cuidado ao usuário dependente.</p><p>14</p><p>Obviamente, a mudança desse cenário vai exigir muitos anos de esforços</p><p>continuados, mas já temos progressos significativos, com a mudança da gestão do</p><p>Governo Federal, em 2019, a Política Nacional de Drogas, que anterior a esta data</p><p>ficava sob responsabilidade da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas –</p><p>SENAD, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, teve suas competências</p><p>divididas com a criação da Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas</p><p>– SENAPRED, vinculada à Secretaria Especial de Desenvolvimento Social, do</p><p>Ministério da Cidadania. Nessa divisão, as ações de redução da oferta de drogas</p><p>continuaram na SENAD e as ações de redução da demanda de drogas foram</p><p>transferidas para a SENAPRED, dando mais efetividade às ações.</p><p>A publicação da Nova Política Nacional sobre Drogas, instituída pelo Decreto</p><p>9.761/2019, e da Lei 13.840/2020, que altera a Lei de Drogas (Lei 11.343/2006),</p><p>trouxeram importantes avanços para o Brasil, tanto na área de redução da oferta como</p><p>da redução da demanda por drogas.</p><p>Em 2019, foram firmados 494 contratos com Comunidades Terapêuticas,</p><p>resultando em 10.883 vagas financiadas. Considerando a taxa média de ocupação</p><p>(85%), combinada com a média de tempo de tratamento por dependente químico, a</p><p>SENAPRED promoveu o tratamento de 55.500 dependentes químicos em</p><p>Comunidades Terapêuticas, em vagas financiadas pelo Governo Federal, em dois</p><p>anos. Esse número representa um salto quantitativo em acolhimentos na ordem de</p><p>70% em relação aos anos anteriores.</p><p>A intenção da Secretaria é dobrar o número de vagas de acolhimento ainda</p><p>em 2021, condicionada à disponibilidade orçamentária, e aperfeiçoar e ampliar as</p><p>ferramentas de gestão e fiscalização dessas entidades. Ciente do papel relacionado</p><p>de ajuda mútua e organizações de ajuda, o SENAPRED tem apoiado financeiramente</p><p>a expansão desses grupos, especialmente em regiões de fronteira, perto de</p><p>comunidades indígenas, onde nos últimos anos houve um aumento acentuado no</p><p>consumo de psicoestimulantes (COSTA; ROMINA, 2021).</p><p>A SENAPRED criou um canal de comunicação, com o número de telefone 121,</p><p>onde as pessoas têm acesso a diversas informações sobre políticas públicas sobre</p><p>drogas e em 2021 disponibilizará para os grupos de mútua ajuda a linha 132, para</p><p>atendimento de dependentes químicos em todo o país. Outra inovação foi a criação</p><p>de um mapeamento com todas as comunidades terapêuticas existentes no país.</p><p>15</p><p>No site da SENAPRED, há um local onde as pessoas podem acessar no mapa</p><p>do Brasil os endereços dessas comunidades que são financiadas pelo Governo</p><p>Federal, com dados de números de vagas, o que melhora o acesso ao tratamento e</p><p>também a transparência das informações. Em 2021, será lançado o mapa dos grupos</p><p>de mútua ajuda, permitindo que a população também tenha acesso a esse importante</p><p>serviço. (COSTA; ROMINA, 2021).</p><p>De acordo com Costa (2021) a SENAPRED é responsável pela doação dos</p><p>veículos automotores apreendidos em decorrência do tráfico de drogas às entidades</p><p>que atuam na redução da demanda de drogas, como as comunidades terapêuticas e</p><p>as entidades de prevenção, apoio, mútua ajuda, atendimento psicossocial e</p><p>ressocialização de dependentes do álcool e outras drogas e seus familiares. Mais</p><p>especificamente, dos bens apreendidos em decorrência do tráfico de drogas, estamos</p><p>trabalhando fortemente para doar, neste ano de 2021, mais de 100 veículos para</p><p>unidades de atendimento a dependentes químicos, que podem beneficiar cerca de</p><p>6.000 famílias de membros com famílias substitutas nessas unidades.</p><p>Na área de prevenção às drogas, em nível escolar, 276 mil alunos do 5º ano</p><p>do Ensino Fundamental foram beneficiados com materiais didáticos sobre o tema,</p><p>fortalecendo o Programa de Educação sobre Resistência às Drogas e Violência -</p><p>PROERD. Pretende-se que esse atendimento seja ampliado para cerca de 570.000</p><p>alunos, da mesma série, no ano de 2021, entre outras ações, mais ampliadas, em</p><p>todas as escolas, como a atualiza as estratégias de divulgação orientadas pelo</p><p>Manual de Prevenção de Álcool e Outras Substâncias durante o processo do</p><p>Programa Saúde na Escola - PSE.</p><p>Encontra-se, também, em fase de implantação o Sistema Nacional de</p><p>Prevenção, que permitirá que todo cidadão e autoridades da área possam ter acesso</p><p>ao mapeamento nacional e internacional de metodologias e boas práticas na</p><p>prevenção ao uso de drogas e na seleção de políticas e programas relacionados à</p><p>educação, assistência social, saúde e outras áreas, para divulgação nos territórios,</p><p>respeitando as características locais.</p><p>A SENAPRED também celebrou convênio com instituições internacionais,</p><p>como a internacional ISSUP – International Society of Substance Use Professionals e</p><p>a Organização dos Estados Americanos/Comissão Interamericana para o Controle do</p><p>Abuso de Drogas – OEA/CICAD para a realização de estudos, ações e fomento de</p><p>16</p><p>estratégias nas áreas da prevenção à dependência química de drogas lícitas e ilícitas,</p><p>cuidado, tratamento e reinserção social, integrando expertises consagradas</p><p>internacionalmente (COSTA; ROMINA, 2021).</p><p>Segundo Costa (2021) visando a efetiva reinserção social do dependente</p><p>químico acolhido em Comunidade Terapêutica, estamos gerando o</p><p>empreendedorismo nessas instituições com oportunidades de qualificação, emprego</p><p>e renda aos acolhidos, oportunizando o acesso</p><p>gratuito a cursos profissionalizantes,</p><p>de forma presencial ou a distância, contando com parcerias como a da Confederação</p><p>Nacional de Jovens Empreendedores – CONAJE e do Programa PROGREDIR, do</p><p>próprio Ministério da Cidadania. Com isso podemos disponibilizar, de maneira rápida</p><p>e simples, currículos profissionais, bem como facilitar o acesso a vagas de emprego</p><p>e cursos de capacitação.</p><p>Uma outra ação foi a reformulação do Conselho Nacional de Políticas sobre</p><p>Drogas – CONAD, para que possa ter ações mais efetivas na área de redução da</p><p>oferta e da demanda por drogas. Nesse contexto, o comitê interinstitucional</p><p>bipartidário estabelecido no CONAD, formado por funcionários federais e estaduais</p><p>de políticas de drogas, atua como um fórum de discussão e acordo sobre as principais</p><p>ações.</p><p>A implantação do SENAPRED demonstra claramente o interesse pela política</p><p>de drogas, principalmente pela possibilidade de se constituir um órgão regulador mais</p><p>especializado para ações de redução, prevenção, assistência e reabilitação,</p><p>integração social, em consonância com as novas orientações da Política Nacional de</p><p>Drogas. Isso é pouco comentado, mas, nas últimas décadas, o Brasil se tornou o maior</p><p>consumidor de crack e o segundo maior consumidor de cocaína do mundo, além de</p><p>um dos maiores consumidores de uma droga lícita, o álcool. Os novos rumos da</p><p>Política Nacional de Drogas e a implantação do SENAPRED fazem parte das</p><p>respostas ao avanço dessa doença avassaladora, que perturba e causa sofrimento</p><p>para um grande número de pessoas (COSTA; ROMINA, 2021).</p><p>4.2 Panorama das atualizações recentes na política nacional de saúde mental</p><p>A partir da defesa do movimento de reforma mental, iniciado no Brasil no final</p><p>da década de 1970, o país iniciou o processo de elaboração e promulgação de marcos</p><p>17</p><p>legais para reorientar a atenção à saúde mental. Estava em vigor na época, com o</p><p>objetivo de substituir gradativamente os hospitais psiquiátricos (PSs), campos de</p><p>refugiados e colônias, para atendimento psicossocial, com portas comunitárias</p><p>abertas. Desde a década de 2000, houve uma aceleração do ritmo de publicação das</p><p>normas de saúde mental no Brasil, culminando com a publicação da Lei da Reforma</p><p>Mental - Lei 10.216 em 2001, reforçando a reorientação do modelo assistencial</p><p>(BRASIL, 2001).</p><p>Dez anos após a publicação da lei da reforma psiquiátrica, foi publicada a</p><p>Portaria GM / MS nº 3.088 de 2011, que instituiu uma Rede de Apoio Psicossocial</p><p>(RAPS / SUS) para pessoas com sofrimento psíquico, disponível com ou não uso de</p><p>psicoestimulante, estabelecendo um quadro de saúde mental rede que substituiria</p><p>hospitais psiquiátricos / refugiados (BRASIL, 2011).</p><p>Desde a promulgação da Lei da reforma psiquiátrica, a ocupação dos leitos</p><p>SUS em hospitais psiquiátricos vinha se reduzindo, no Brasil. Tal fato só é possível</p><p>por meio da implantação de políticas públicas e ações na área de saúde mental,</p><p>apoiando e prestando assistência técnica para o fechamento de leitos do SUS nos</p><p>PS, em especial:</p><p>Abertura de leitos de psiquiatria em hospitais gerais através da Portaria nº 224 de</p><p>1992 (Brasil, 2004).</p><p>Introdução de Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs) no SUS para egressos</p><p>dos HPs através da Portaria n.º 106 de 2000 (Brasil, 2004).</p><p>Estabelecimento dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e suas diversas</p><p>modalidades através da Portaria nº 336 de 2002 (Brasil, 2004).</p><p>Estabelecimento do Programa de Volta para Casa, que prevê auxílio reabilitação</p><p>para pacientes egressos de internações psiquiátricas através da Lei n.º 10.708 de</p><p>2003 (Brasil, 2004), e) publicação de diretrizes de redução de leitos em HPs através</p><p>das Portarias GM n.º 52 e 53 de 2004 (Brasil, 2004).</p><p>Em 2011, a RAPS, consolida esses e outros marcos legais que dispõem sobre</p><p>serviços que deverão funcionar em rede, de modo a fornecer atenção psicossocial às</p><p>pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do</p><p>uso de crack, álcool e outras drogas nos três níveis de atenção primária, secundária</p><p>e terciária à saúde (Brasil, 2011). A RAPS contempla sete componentes, cada um</p><p>deles contendo um conjunto de serviços descritos a seguir:</p><p>18</p><p>Atenção básica em saúde, composta por todas as modalidades de equipes de</p><p>atenção básica, como a estratégia saúde da família, atenção básica para</p><p>populações específicas, equipes de consultório na rua e os centros de convivência.</p><p>Atenção psicossocial especializada, formada pelos CAPS, nas suas diferentes</p><p>modalidades.</p><p>Atenção de urgência e emergência, formada pelo SAMU 192, sala de estabilização,</p><p>UPA 24 horas, pronto socorro.</p><p>Atenção residencial de caráter transitório, formada pelos seguintes pontos de</p><p>atenção: unidade de acolhimento; comunidades terapêuticas.</p><p>Atenção hospitalar, formada pelas enfermarias especializadas e os serviços</p><p>hospitalar de referência em hospital geral.</p><p>Estratégias de desinstitucionalização, constituídas pelos Serviços Residenciais</p><p>Terapêuticos (SRT) e o Programa de Volta para Casa.</p><p>Reabilitação psicossocial, composta por iniciativas de geração de trabalho e renda,</p><p>empreendimentos solidários, cooperativas sociais.</p><p>4.3 Mudanças na política nacional de saúde mental</p><p>Em dezembro de 2017, o Ministério da Saúde, em comissão tripartite, formada</p><p>por representantes do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde</p><p>(CONASS) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde</p><p>(CONASEMS), anunciou a Nova Política Nacional de Saúde Mental.</p><p>Essas transformações ocorreram por meio da publicação da Resolução nº 32</p><p>de 14 de dezembro de 2017, que estabelece as diretrizes para o fortalecimento da</p><p>Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) (Brasil, 2017a), e da Portaria nº 3.588 de 21</p><p>de dezembro de 2017, que trata da Rede de Atenção Psicossocial e estabelece outras</p><p>medidas pertinentes (BRASIL, 2017).</p><p>Em 2019, o Ministério da Saúde, Ministério da Saúde, Coordenação Conjunta</p><p>de Saúde Mental, Álcool e Outras Substâncias, publicada por meio da Nota Digital</p><p>11/2019 (Brasil, 2019a), compilou as alterações realizadas nos componentes da</p><p>RAPS, trazidas pelas duas portarias mencionadas. Como parte da nova política de</p><p>saúde mental, a RAPS agora conta com quatro destaques adicionais:</p><p>19</p><p>a) os hospitais psiquiátricos especializados,</p><p>b) os hospitais-dia,</p><p>c) as unidades ambulatoriais, e</p><p>d) os CAPSAD IV, como:</p><p> Hospital psiquiátrico: tem um novo rumo “O Ministério da Saúde não</p><p>considera mais o Serviço como substituto de outro serviço, não incentiva mais</p><p>o fechamento de unidades de forma alguma”. Portanto, os leitos do SUS em</p><p>hospitais psiquiátricos ainda existentes não devem ser fechados e substituídos</p><p>pelos serviços da RAPS, mas devem fazer parte dele. Deve-se notar que,</p><p>conforme descrito nas Notas Digitais de novembro de 2019, as estratégias de</p><p>desinstitucionalização para pessoas que vivem em hospitais psiquiátricos</p><p>continuarão a ser incentivadas, mas a desinstitucionalização não será mais</p><p>possível. Significa o fechamento de leitos hospitalares ou hospitais</p><p>psiquiátricos.</p><p> Hospital dia: nenhum detalhe sobre o funcionamento deste dispositivo está</p><p>disponível nas Notas Digitais de novembro de 2019.</p><p> Unidade de Pronto Atendimento: esta modalidade assistencial tem como</p><p>objetivo “ampliar o acesso aos cuidados de saúde mental para indivíduos</p><p>(adultos e crianças) com transtornos mentais moderados, como, por exemplo,</p><p>transtornos de humor, dependência química e transtornos de ansiedade, existe</p><p>um nível de complexidade intermediário entre a atenção básica e os CAPS”.</p><p> CAPS (IV AD): CAPS IV AD “Funcionará 2 horas por dia nas 'cracolândias'”</p><p>(horário de funcionamento para venda e uso de crack) Este tipo de serviço</p><p>destina-se a atender pacientes em situação de emergência psiquiátrica (adultos</p><p>e crianças). “Outro ponto a destacar, na nova política de saúde mental, o</p><p>Ministério da Saúde está atualmente</p><p>financiando a compra de aparelhos de</p><p>eletroconvulsoterapia (ECT). Destina-se a "[tratar] pacientes com certos</p><p>transtornos mentais graves que não podem ser curados por outros</p><p>tratamentos".</p><p>20</p><p>4.4 Panorama das alterações recentes na política nacional sobre drogas no</p><p>Brasil</p><p>As modificações na Política Nacional sobre drogas no Brasil (PNAD) têm por</p><p>apoio, inicialmente, a publicação da Resolução do Conselho Nacional Sobre Drogas</p><p>(CONAD), nº 1, de 9 de março de 2018, que deliberou as diretrizes para o</p><p>realinhamento e fortalecimento da PNAD.</p><p>A resolução n°1/2018 prevê, como uma de suas premissas, que os programas,</p><p>projetos e ações no contexto da PNAD, sejam conceitualmente orientados para “a</p><p>prevenção e mobilização social, promoção da saúde, promoção da abstinência,</p><p>suporte social e redução dos riscos sociais e a saúde e danos decorrentes”. Além</p><p>disso, a resolução prevê fomento de organizações da sociedade civil, comunidades</p><p>terapêuticas e grupos de mútua ajuda.</p><p>Mais recentemente, em 5 de junho de 2019, a Lei nº 13.8 0 foi anunciada pelo</p><p>Presidente da República (Brasil, 2019b), que rege os principais marcos legislativos</p><p>sobre drogas neste país até sua entrada em vigor, que dispõem sobre o Sistema</p><p>Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas e as diretrizes de atenção prestada aos</p><p>usuários ou dependentes de drogas e para tratar do financiamento das políticas sobre</p><p>drogas.</p><p>A Lei nº 13.840/2019 dispõe sobre os princípios das ações de prevenção e</p><p>tratamento das pessoas em sofrimento psíquico ou com transtornos mentais</p><p>decorrentes ou não do uso de substâncias psicoativas. A principal mudança no setor</p><p>de saúde pública, entretanto, é a legalização das comunidades terapêuticas (CTs)</p><p>como dispositivos de saúde mental, estabelecendo critérios para "admissão de</p><p>usuários" ou viciados em drogas na comunidade terapêutica "domiciliar". Desta forma,</p><p>as CTs passam a ser reguladas por lei a elas atinente (BRASIL, 2019).</p><p>Com efeito, antes mesmo da promulgação da Lei nº 13.840/2019, outras</p><p>normativas já haviam sido publicadas com o intuito de regulamentar e (re) direcionar</p><p>as atividades das comunidades terapêuticas no Brasil, tais como:</p><p>Resolução RDC nº 29, de 30 de junho de 2011 da Agência Nacional de Vigilância</p><p>Sanitária (ANVISA): Regulação sobre os requisitos de segurança sanitária</p><p>(BRASIL, 2011).</p><p>21</p><p>Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011 do Ministério da Saúde: Inclusão</p><p>das CTs na RAPS/SUS (BRASIL, 2011).</p><p>Resolução nº 1, 19 de agosto de 2015 do Conselho Nacional sobre Drogas</p><p>(CONAD): Marco regulatório das atividades das CTs (BRASIL, 2015).</p><p>Portaria nº 562, de 19 de março de 2019, da Secretaria Nacional de Cuidados e</p><p>Prevenção às Drogas, do Ministério da Cidadania (SENAPRED/MSD): Prevê a</p><p>regulação de fiscalização e monitoramento das CTs (BRASIL, 2019).</p><p>Portaria nº 563, de 19 de março de 2019, da SENAPRED/MSD: Prevê a regulação</p><p>de credenciamento das CTs (BRASIL, 2019).</p><p>Portaria nº 564, de 19 de março de 2019 - SENAPRED/MSD: Prevê a regulação de</p><p>cursos de capacitação para as CTs (BRASIL, 2019).</p><p>Fonte: ZEFERINO; FERMO (2012).</p><p>5 PREVENÇÃO</p><p>A prevenção ao uso/abuso de álcool e outras drogas é o campo privilegiado</p><p>para atuação dos Conselhos Municipais, pois esses possuem a capacidade de</p><p>articulação dos diversos atores sociais devido a sua capilaridade junto às</p><p>organizações representativas da sociedade civil.</p><p>O Decreto 9.761/2019, que aprova a nova Política Nacional sobre Drogas,</p><p>reitera a prevenção ao uso/abuso de álcool com base em conhecimentos científicos</p><p>validados e experiências bem-sucedidas, adequadas à realidade nacional. Conforme</p><p>publicação do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes – UNODC,</p><p>intitulada “Diretrizes Internacionais sobre a Prevenção do Uso de Drogas”, para cada</p><p>dólar gasto em prevenção, pelo menos dez dólares podem ser economizados em</p><p>custos futuros com saúde, programas sociais e enfrentamento da criminalidade</p><p>(ROMINA et al, 2019).</p><p>Nesse contexto, segundo Romina (2019) a Organização Mundial da Saúde, em</p><p>seu relatório de estatísticas de 2018, estabeleceu que uma de suas metas é fortalecer</p><p>as ações na área de prevenção / abuso do álcool e outras substâncias. Os principais</p><p>objetivos da prevenção ao uso/abuso de álcool e outras drogas são: buscar o</p><p>desenvolvimento seguro e saudável das pessoas, aperfeiçoar habilidades sociais,</p><p>especialmente de crianças, adolescentes e os jovens, para realizar seus talentos e</p><p>22</p><p>potencial, para se tornarem contribuintes para o bem-estar de suas comunidades e</p><p>sociedades.</p><p>A ciência da prevenção avançou muito nos últimos 20 anos devido a esse</p><p>complexo fenômeno social. Agora, funcionários do governo e especialistas da região</p><p>têm uma melhor compreensão dos aspectos que tornam as pessoas mais vulneráveis,</p><p>tanto pessoal quanto socialmente, incluindo fatores de risco: processos biológicos;</p><p>Traços de personalidade; psicose; negligência e abuso na família; falta de vínculo com</p><p>a escola e comunidade; padrões e ambientes que facilitam o uso / abuso de drogas.</p><p>Por outro lado, existem estratégias que colaboram para que o indivíduo, mesmo</p><p>tendo contato com o álcool e outras drogas, tenha condição de se proteger. São os</p><p>chamados fatores de proteção, dentre os quais se destacam: o desenvolvimento de</p><p>habilidades sociais e o espírito de cooperação; o estabelecimento de vínculos com</p><p>outras pessoas e instituições; o desenvolvimento da autonomia e da autoestima; o</p><p>acompanhamento e o cuidado por parte dos familiares, fortalecendo os laços afetivos</p><p>de respeito mútuo; o respeito às leis e normas sociedade; oportunidades de trabalho,</p><p>recreação e vida comunitária; integrar e se adaptar bem no ambiente escolar; o</p><p>desenvolvimento de habilidades e talentos individuais; a construção de um projeto de</p><p>vida.</p><p>Em última análise, prevenir o uso / abuso de álcool e outras substâncias requer</p><p>a participação e o empenho de todos os segmentos da sociedade, para que crianças,</p><p>adolescentes e jovens fiquem em situação de desvantagem, mais vulneráveis e</p><p>melhor preparados para enfrentar as dificuldades e desafios da atualidade (ROMINA</p><p>et al, 2019).</p><p>Durante um certo período, a prevenção do uso de drogas era limitada a folhetos</p><p>impressos que alertavam os jovens sobre os perigos dessas substâncias, porém, com</p><p>pouco ou nenhum impacto no comportamento desses jovens. No entanto, a ciência</p><p>atual nos permite contar uma história diferente.</p><p>Com base em evidências científicas, as estratégias de prevenção</p><p>implementadas junto a famílias, escolas e comunidades podem assegurar que</p><p>crianças e jovens, especialmente os mais pobres e desfavorecidos, cresçam de forma</p><p>saudável e segura até a idade adulta e a velhice. Investir em prevenção, a cada dólar</p><p>gasto, pode resultar em pelo menos dez dólares economizados em custos futuros</p><p>relacionados à saúde, programas sociais e criminalidade (UNODC/ONU, 2019).</p><p>23</p><p>A prevenção ao uso/abuso de álcool e outras drogas pressupõe um conjunto</p><p>de ações e estratégias sistemáticas, baseadas em evidências científicas, que visam</p><p>evitar e/ou retardar o uso/abuso de álcool e outras drogas, especialmente junto às</p><p>crianças, adolescentes e jovens. Segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS,</p><p>o principal objetivo da prevenção é reduzir a incidência de problemas causados pelo</p><p>uso / abuso de álcool e outras substâncias na pessoa e no ambiente.</p><p>A prevenção do uso / abuso de álcool e outras drogas pode ser estruturada de</p><p>acordo com a seguinte visão: Prevenção universal: visa prevenir o uso / abuso de</p><p>álcool e outras substâncias, voltada para a população-alvo, o objeto não foi exposto;</p><p>Prevenção indicada: propõe a realização de diferentes ações que evitem a evolução</p><p>para uso/abuso de álcool e outras drogas de forma ainda mais prejudicial; Prevenção</p><p>seletiva: pretende tratar os efeitos causados pelo uso/abuso de álcool e outras drogas,</p><p>melhorando a qualidade de vida e a reinserção social das pessoas afetadas (ROMINA</p><p>et al, 2019).</p><p>Segundo Romina (2019) as primeiras intervenções do governo brasileiro</p><p>relacionadas ao uso / abuso de drogas ocorreram no início do século 20 com o</p><p>estabelecimento de um aparato jurídico institucional, com o objetivo de estabelecer o</p><p>controle do uso e do tráfico de drogas, venda de drogas, bem como preservar o</p><p>aparato judiciário proibido e criminalizar o uso ilegal e o tráfico de entorpecentes no</p><p>território nacional, com penalidades que incluem a exclusão do usuário do convívio</p><p>social e a internação em prisões e hospitais psiquiátricos.</p><p>Crime e atividades anti-sociais, além de estarem envolvidos na prestação de</p><p>tratamento, cujo objetivo principal é a abstinência. No final da década de 1980, no</p><p>setor de drogas, surgiram as atividades de prevenção, tratamento e pesquisa, bem</p><p>como as primeiras ações de redução de danos, a partir da disseminação do HIV entre</p><p>usuários de drogas injetáveis.</p><p>Assim, ao longo dos anos, as drogas se tornaram um problema de saúde</p><p>pública. Para enfrentar esse problema, em 1998, o governo federal instituiu o Sistema</p><p>Nacional Antidrogas (Sisnad), composto pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad)</p><p>e pelo Conselho Nacional Antidrogas (CONAD).</p><p>A Senad foi responsável pela formulação da Política Nacional de Drogas,</p><p>desenvolvida em 2003, e em 2005 reformulou e deu o nome de Política Nacional de</p><p>Drogas. Em 2003, o Ministério da Saúde (integrante do Sisnad) afirmou seu</p><p>24</p><p>compromisso de tratar as questões relacionadas ao consumo de álcool e outras</p><p>substâncias com enfoque preventivo e desenvolver a Política da Secretaria. Atenção</p><p>integral à saúde de usuários de álcool e outras drogas, fornecendo segundo Romina</p><p>(2019):</p><p> A criação de uma rede global de atenção às atividades do Sistema Único de</p><p>Saúde ([SUS] para prevenir, promover e proteger a saúde);</p><p> Construir uma rede de atenção que inclua especializada (Centros de Apoio</p><p>Psicossocial Álcool e Drogas - CAPS AD) e não especializada (unidades</p><p>básicas, programas de saúde da família e hospital geral);</p><p> Estabelecimento de ações intersetoriais. As políticas de uso / abuso de drogas</p><p>têm sido desenvolvidas e implementadas principalmente por dois ramos: a</p><p>Secretaria Nacional de Entorpecentes (Senad), vinculada à Diretoria de</p><p>Segurança Institucional do Palácio Presidencial da República, e o Ministério da</p><p>Saúde. Considerado essencial, não só para a aplicação da lei, mas também</p><p>para a prevenção do uso de drogas, do tráfico de drogas e da promoção da</p><p>saúde.</p><p>Em primeiro lugar, é necessário compreender o significado das ações de</p><p>prevenção e promoção. Nesse contexto, ações preventivas são definidas como ações</p><p>que visam prevenir o surgimento de doenças específicas e reduzir sua incidência e</p><p>prevalência na população. Por sua vez, as ações de promoção da saúde estão</p><p>relacionadas à diversidade das condições de saúde. Nesse sentido, vai além da</p><p>aplicação de tecnologia e regulamentações e visa a melhoria da saúde da população.</p><p>A prevenção do uso / abuso de drogas pode ser definida como o processo de</p><p>planejamento, implementação e implementação de múltiplas estratégias destinadas a</p><p>reduzir vulnerabilidades e fatores de risco específicos e fortalecer os fatores de</p><p>proteção. Prevenção significa necessariamente que, com a cooperação de todos os</p><p>grupos sociais disponíveis, a comunidade insere a abordagem proposta (ROMINA et</p><p>al, 2019).</p><p>Segundo Romina (2019) vale ressaltar que indivíduos insatisfeitos com a</p><p>qualidade de vida, saúde precária, informações insuficientes sobre problemas com</p><p>drogas, facilidade de acesso às drogas e falta de integração na comunidade têm maior</p><p>probabilidade de usar drogas / abuso. Portanto, além das medidas preventivas, as</p><p>25</p><p>políticas atuais também devem investir na promoção da saúde para melhorar a</p><p>qualidade de vida das pessoas.</p><p>A promoção da saúde tem como foco contribuir para a construção dos</p><p>cidadãos através da partilha de conhecimentos entre indivíduos e comunidades, com</p><p>o objetivo de permitir que indivíduos ricos em conhecimento lutem por melhores</p><p>condições de vida e intervenham ativamente na sua saúde. O uso de drogas é</p><p>prejudicial à saúde.</p><p>No entanto, existem vários outros fatores que podem causar esses danos, por</p><p>exemplo, a poluição é causada por pessoas que estão cientes dos danos, incluindo</p><p>danos às gerações futuras. É bem sabido que a cada ano ocorrem mais acidentes</p><p>fatais de trânsito do que o número de mortes causadas pelo uso nocivo de drogas ou</p><p>overdose, mesmo assim milhões de pessoas continuam usando o carro todos os dias.</p><p>Os exemplos citados pretendem demonstrar que essa postura em relação às</p><p>drogas deve ser tomada com clareza apenas em virtude das tentativas de minimizar</p><p>a poluição e os danos ao trânsito por meio de regulamentações, informações,</p><p>infraestrutura e, principalmente, educação. Visto que é impossível acabar com o</p><p>desejo humano por drogas, o argumento de que isso é um perigo para a saúde não é</p><p>suficiente para sustentar a intolerância a essas drogas e o modo de guerra, nem é</p><p>satisfatório.</p><p>Há um capítulo ao final da Política Nacional de Drogas que enfoca a prevenção</p><p>do uso / abuso de drogas e tem como premissa básica a corresponsabilização dos</p><p>três órgãos de governo (federal, estadual e municipal). A prevenção efetiva será</p><p>resultado do compromisso, cooperação e parceria de diferentes setores da sociedade</p><p>brasileira e órgãos governamentais por meio da construção de uma rede social voltada</p><p>para a melhoria das condições de vida e promoção da saúde geral.</p><p>A implementação da Política Nacional de Drogas deve ser descentralizada em</p><p>cada município, com o apoio do Comitê de Políticas Públicas de Drogas do Conselho</p><p>Estadual, sociedade civil organizada e totalmente adaptada às características locais,</p><p>priorizando as comunidades mais vulneráveis identificadas por meio de diagnóstico.</p><p>Para tanto, os municípios devem ser incentivados a estabelecer, fortalecer e divulgar</p><p>seus comitês municipais de drogas. As precauções devem ser instruídas em princípios</p><p>éticos e pluralidade cultural, orientando-se segundo Zeferino (2012).</p><p> A promoção de valores voltados à saúde física e mental, individual e coletiva;</p><p>26</p><p> O bem-estar;</p><p> A integração socioeconômica;</p><p> A valorização das relações familiares, considerando seus diferentes modelos.</p><p>As ações necessitam ser, ainda, esboçadas e direcionadas:</p><p> Ao desenvolvimento humano;</p><p> Ao incentivo à educação para a vida saudável;</p><p> Acesso a bens culturais, incluindo exercícios e esportes, cultura,</p><p>entretenimento, socialização do conhecimento sobre drogas, base científica;</p><p> Promover a resistência juvenil, o envolvimento da família, da escola e da</p><p>sociedade na ampliação dessas ações.</p><p>As mensagens utilizadas em campanhas e programas de educação e</p><p>prevenção devem ser claras, atualizadas e baseadas na ciência, levando em</p><p>consideração as especificidades do público-alvo, a diversidade cultural e a facilidade</p><p>de uso. Vulnerável, relacionada às diferenças de gênero, raça, e grupos nacionais e</p><p>étnicos. As seguintes estratégias devem ser implementadas segundo Romina (2019):</p><p> Garantir aos pais e / ou responsáveis, representantes de organizações</p><p>governamentais e não governamentais, educadores, lideranças religiosas,</p><p>estudantes e comunidade, e demais segmentos da sociedade, uma</p><p>capacitação permanente em prevenção do uso / abuso de drogas, visando à</p><p>participação no apoio à prevenção;</p><p> Direcionar ações de educação preventiva com foco no indivíduo e em seus</p><p>contextos socioculturais, buscando desestimular o uso inicial de drogas,</p><p>estimular a redução do consumo e reduzir os riscos e malefícios associados ao</p><p>uso / abuso de drogas;</p><p> Dar continuidade, atualizar e divulgar um sistema de informação sobre</p><p>prevenção do uso / abuso de drogas acessível a todos, para</p><p>promover o</p><p>desenvolvimento e implementação de ações preventivas, incluindo o mapa de</p><p>planejamento e a divulgação das boas práticas existentes no Brasil e em outros</p><p>países;</p><p> Inclui uma revisão permanente das ações preventivas tomadas pelos governos</p><p>federal, estadual e municipal;</p><p> Justificativa de campanhas e programas de prevenção em pesquisas e</p><p>levantamentos sobre o uso de drogas e suas consequências, de acordo com o</p><p>27</p><p>público-alvo, respeitando a especificidade da região e as particularidades da</p><p>população diferenciada, principalmente em termos de gênero e cultura;</p><p> Incluir conteúdo relacionado à prevenção do uso de drogas / abuso nos</p><p>currículos do ensino básico e superior;</p><p> Desenvolver programas de saúde para trabalhadores e suas famílias,</p><p>proporcionando oportunidades para prevenir o abuso / uso de drogas no local</p><p>de trabalho;</p><p> Recomendações sobre a criação de mecanismos de incentivo para empresas</p><p>e organizações desenvolverem ações de educação e prevenção sobre drogas.</p><p>5.1 Prevenção do uso/abuso de drogas em instituições comunitárias/escolas</p><p>Escolas, organizações não governamentais (ONGs) e outras instituições</p><p>educacionais são estabelecimentos integrados e organizados dentro da comunidade,</p><p>possuindo o poder de mobilizar alunos, pais, professores e funcionários. Além disso,</p><p>é necessário envolver pessoas de diversos setores e, portanto, toda a sociedade em</p><p>geral. Essas instituições desempenham um papel fundamental como pontos de</p><p>entrada para ações preventivas cuidadas para crianças e jovens.</p><p>Portanto, a prevenção para crianças e ocorre principalmente nesses locais,</p><p>uma vez que os adolescentes é onde o público se reúne e onde informações,</p><p>orientações e conhecimentos podem ser transmitidos de maneira efetiva. É desejável</p><p>que todos os jovens tenham acesso ao ambiente escolar, pois ele tende a ser</p><p>abandonado por aqueles que estão em maior risco de envolvimento com drogas</p><p>(ZEFERINO; FERMO, 2012).</p><p>Um estudo realizado com coordenadores de educação de uma rede pública de</p><p>ensino constatou que o acúmulo de tarefas e a falta de preparo dos professores são</p><p>os problemas mais citados quando se trata de compreender o aluno e seu contexto</p><p>cultural. Essa situação gera dificuldades na relação entre professor e aluno. Os</p><p>profissionais da educação também mencionam dificuldades de aprendizagem, evasão</p><p>escolar, envolvimento em atividades ilícitas, como prostituição e furto, violência entre</p><p>os alunos e contra o patrimônio, além de problemas de julgamento e com o tráfico de</p><p>drogas.</p><p>28</p><p>As abordagens para lidar com essas questões são diversas, abrangendo desde</p><p>respostas passivas até medidas punitivas, repressivas ou até mesmo ações</p><p>abrangentes, incluindo o trabalho conjunto com as comunidades e programas de</p><p>desenvolvimento local.</p><p>O uso / abuso de álcool pelos alunos é considerado um sinal de conflito pessoal</p><p>e cria uma vontade de ajudar. Em situações de intoxicação e uso de drogas ilícitas,</p><p>sentimentos de insegurança levam à paralisia ou ações repressivas.</p><p>De maneira geral, as intervenções implementadas nas escolas são estudadas</p><p>com destaque para a compreensão e inclusão dos alunos, porém, destacando-se a</p><p>dificuldade de acesso a equipamentos sociais para proteger os direitos dos alunos. As</p><p>crianças e jovens e as instituições de ensino médico deixam a escola sozinha nesta</p><p>tarefa. A maioria dos entrevistados falou sobre a incapacidade de prevenção,</p><p>principalmente devido à falta de formação de professores e à presença de traficantes</p><p>na comunidade. Portanto, constatamos, no estudo em análise, que as escolas têm</p><p>dificuldade em assumir a responsabilidade pela prevenção do uso / abuso de drogas,</p><p>devido à percepção de falta de preparo e ao poder do tráfico de pessoas na</p><p>comunidade e, portanto, nega a relevância do tema em relação aos seus campos</p><p>(ZEFERINO; FERMO, 2012).</p><p>A ausência de regras claras, a ambiguidade das decisões específicas dos</p><p>alunos e do tratamento diante dos problemas com drogas, a ausência de vínculos</p><p>entre professores e alunos, além da força destacada pelo tráfico de drogas. As drogas</p><p>em ambientes educacionais atuam como um sério fator de risco para o uso de drogas</p><p>por adolescentes.</p><p>As escolas e outras instituições de ensino são instituições importantes na</p><p>educação de crianças e jovens porque são os espaços onde passam a maior parte do</p><p>dia. Portanto, é necessário utilizá-los para promover os elementos de prevenção ao</p><p>uso de drogas, para construir relações entre professores e alunos, e para fortalecer</p><p>aqueles que os mantêm unidos à própria escola, para permitir que menores, mais</p><p>adaptados ao ambiente, possam alcançar bons resultados acadêmicos.</p><p>É extremamente importante estimular o adolescente a se envolver nas decisões</p><p>e pelo conhecimento, mostrar-lhe que o mundo é repleto de possibilidades e</p><p>descobertas e que, por meio do aprendizado, ele será capaz de construir projetos de</p><p>vida que o levem ao crescimento pessoal e profissional. É necessário maior</p><p>29</p><p>investimento para elevar o status da educação e de seu corpo docente. Essa deve ser</p><p>uma prioridade nas ações governamentais para garantir que professores treinados e</p><p>seguros, no ambiente de trabalho, sejam necessários para atingir o público-alvo de</p><p>drogas de forma controlada e estável (ZEFERINO; FERMO, 2012).</p><p>5.2 Atuação da equipe multiprofissional na prevenção ao uso/abuso de drogas</p><p>e na promoção da saúde</p><p>O uso abusivo de drogas surge como um problema de saúde pública e,</p><p>portanto, requer um modelo de atuação que inclua a promoção da saúde e a ênfase</p><p>na prevenção do uso / abuso de drogas, a fim de criar transformações sociais que</p><p>tragam uma melhor qualidade de vida para a sociedade como um todo.</p><p>A ideia de que a dependência é um problema do usuário deve ser deixada de</p><p>lado e abordada como uma questão que diz respeito a todos: usuários, famílias e</p><p>sociedade, ou seja, numa visão holística, levando em consideração as consequências</p><p>de diversos fenômenos (econômicos, políticos e socioculturais). Os princípios</p><p>doutrinários do SUS são universalidade, equidade e inclusividade das ações e</p><p>serviços de saúde (ROMINA et al, 2019).</p><p>Esses princípios pregam que é dever do Estado zelar pela saúde de todos,</p><p>levar em conta as necessidades individuais e coletivas e, de acordo com as suas</p><p>necessidades, prestar uma assistência resoluta, inclusive ambos na dependência da</p><p>complexidade, lembrando que é necessário reduzir as disparidades sociais existentes</p><p>e focar em ações preventivas, reduzindo assim o tratamento dos agravos à saúde.</p><p>Para colaborar na implementação dos princípios mencionados, foi criado o Programa</p><p>Bem-Estar da Família, que posteriormente se tornou Estratégia Saúde da Família</p><p>(ESF).</p><p>A equipe que compõe a ESF inclui enfermeiros, médicos, auxiliares de</p><p>enfermagem, agentes comunitários de saúde, entre outros. A equipe passou a contar</p><p>também com o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), que reúne outros</p><p>profissionais, como especialistas em educação física, psiquiatras, psicólogos e</p><p>psicólogos fisioterapêuticos, para destacar as diversas áreas do conhecimento</p><p>mobilizadas para atuar no ensino fundamental. Cuidado. Esses profissionais devem</p><p>30</p><p>respeitar os princípios do SUS e, para isso, atuar com responsabilidade na construção</p><p>de uma sociedade que ofereça melhor qualidade de vida para sua população.</p><p>A equipe multiprofissional precisa buscar bolsas para trabalhar com todos os</p><p>segmentos da população, proporcionando um atendimento diferenciado. Para isso, é</p><p>necessário compreender as políticas de saúde e a inserção específica desses</p><p>segmentos nessas políticas. É imprescindível que os profissionais estejam atentos à</p><p>Política Nacional de Drogas, bem como à Política Internacional sobre o Abuso de</p><p>Drogas, sabendo que, por se tratar de um fenômeno global, suas ações devem estar</p><p>pautadas no conhecimento científico produzido</p><p>em nível internacional e nacional.</p><p>O documento de estratégia continental, preparado pela Comissão</p><p>Interamericana sobre Abuso de Drogas (CICAD), aprovado em 2010, adotou uma</p><p>série de iniciativas ou diretrizes para enfrentar os desafios no campo das drogas, com</p><p>ênfase na voz.</p><p> o fortalecimento institucional;</p><p> a diminuição da demanda e da oferta;</p><p> as medidas de controle;</p><p> a cooperação internacional.</p><p>No que diz respeito à redução da procura, os Estados-Membros são</p><p>encorajados a dar prioridade à garantia de uma abordagem abrangente e equilibrada</p><p>do problema mundial das drogas. A literatura fundamenta-se na ideia de que o uso /</p><p>abuso de drogas é um problema social que requer tratamento multidisciplinar e</p><p>multidisciplinar. O documento também sugere que uma política de redução de drogas</p><p>deve incluir, como elementos essenciais, opções para segundo Zeferino e Fermo,</p><p>2012):</p><p> prevenção;</p><p> intervenção precoce;</p><p> tratamento;</p><p> reabilitação;</p><p> serviços de apoio relacionados à recuperação.</p><p>Os serviços devem ser pautados pelo objetivo de promover a saúde e o bem-</p><p>estar social dos indivíduos, famílias e comunidades, como mecanismo para reduzir as</p><p>consequências negativas do consumo de drogas. Para atuar de forma preventiva ao</p><p>uso / abuso de drogas, é fundamental que a equipe multidisciplinar conheça a</p><p>31</p><p>realidade do local em que atua, identifique necessidades, discuta soluções e</p><p>implemente soluções. Para tanto, é necessário que os profissionais de saúde</p><p>conheçam a política do Ministério da Saúde sobre atenção integral à pessoa que faz</p><p>uso de álcool e outras substâncias.</p><p>Os profissionais de saúde podem/devem preparar a comunidade para a</p><p>promoção da saúde e a prevenção ao uso de drogas por meio da capacitação de</p><p>líderes comunitários, professores, religiosos, grupos de jovens, assim como também</p><p>podem agir diretamente em todos os segmentos da sociedade. O enfermeiro, como</p><p>membro da equipe multiprofissional, ascende com um importante papel social de</p><p>promotor e educador em saúde (ZEFERINO; FERMO, 2012).</p><p>As organizações comunitárias são frequentemente confrontadas com o</p><p>fenômeno das drogas e encontram maneiras de lidar com os problemas que surgem.</p><p>No entanto, como mencionado acima, esta é uma questão que requer uma</p><p>intervenção intersetorial. Portanto, neste momento, o enfermeiro tem a oportunidade</p><p>de estreitar o vínculo com a comunidade, facilitando o acesso a esses equipamentos</p><p>sociais com as Unidades Básicas de Saúde (UBS).</p><p>O dever do enfermeiro, mesmo como agente de mudança no contexto do</p><p>cuidado à família, é facilitar a educação em saúde, promover e prevenir agravos à</p><p>saúde. Para isso, é imprescindível o conhecimento dos dados epidemiológicos e das</p><p>áreas de risco, e dos medicamentos, para poder escolher a forma de intervenção</p><p>adequada (universal, seletiva ou indicada) adequada a cada situação particular.</p><p>Capacitar o enfermeiro para a aceitação do desafio abordado é uma ação que</p><p>deve ser realizada de forma gradativa, com a ampliação do conteúdo sobre o tema</p><p>em sua formação, levando em consideração a necessidade de aprimorar seus</p><p>conhecimentos a comunidade, com pessoas que vivenciam o fenômeno das drogas,</p><p>em geral, ou pelo menos com o problema mais epidemiológico.</p><p>Nessa perspectiva, o enfermeiro pode desempenhar um papel importante na</p><p>promoção da saúde, investindo em sua formação e, dessa forma, preparando-o para</p><p>atuar em todos os segmentos da população. É preciso entender que, com esse</p><p>investimento, novas configurações podem surgir no atendimento aos diferentes</p><p>grupos da sociedade, em termos de promoção, prevenção e integração social. Como</p><p>educador, o enfermeiro deve cuidar de pessoas que nunca usaram drogas, que</p><p>32</p><p>podem ter experimentado, com usuários esporádicos dessas substâncias e ainda,</p><p>com consequências da dependência química (ZEFERINO; FERMO, 2012).</p><p>Não deve ter aspectos punitivos ou opressores, para permitir a distribuição de</p><p>tratamento igualitário a todos os cidadãos que buscam atendimento integral. O</p><p>objetivo é permitir baixo uso ou disponibilidade. A missão da educação inclui fornecer</p><p>uma base, por meio da informação, que permita a pesquisa, a discussão e o acesso</p><p>a um público, mas não para negá-lo. Educar significa compartilhar conhecimentos de</p><p>forma a estimular a capacidade dos jovens de perceber, refletir e compreender sobre</p><p>o tema, dando-lhes a capacidade de se tornarem sujeitos com autonomia para</p><p>escolher, para assumir responsabilidades sobre suas ações (ROMINA et al, 2019).</p><p>6 TRATAMENTO</p><p>O tratamento da dependência de drogas por si só não faz grande diferença para</p><p>o uso de drogas de longo prazo; Não existe um tratamento único adequado para todos;</p><p>esteja sempre pronto para o tratamento, pois as pessoas com drogas ou abuso de</p><p>drogas costumam ter uma relação conflituosa sobre se devem iniciar o tratamento,</p><p>por isso é importante estar pronto quando elas sinalizarem que estão dispostas a fazê-</p><p>lo; o tratamento eficaz deve atender às diferentes necessidades da pessoa (questões</p><p>médicas, psicológicas, sociais, ocupacionais e jurídicas) e não apenas ao uso de</p><p>drogas; a proposta de tratamento deve ser continuamente avaliada e, se necessário,</p><p>revisada para garantir que esteja atualizada de acordo com as necessidades da</p><p>pessoa; é importante que a pessoa receba o tratamento no momento adequado,</p><p>depende da pessoa; O aconselhamento (individual ou em grupo) e outras terapias</p><p>comportamentais são essenciais para um tratamento medicamentoso eficaz</p><p>(ZEFERINO; FERMO, 2012).</p><p>O cuidado, o tratamento e a reabilitação compreendem um conjunto de</p><p>estratégias intersetoriais, definidas por diretrizes previstas em diferentes marcos</p><p>legais em vigor no país que organizam a assistência às pessoas que usam/abusam</p><p>de álcool e outras drogas e seus familiares.</p><p>O acolhimento qualificado desse público se constitui como um importante</p><p>método/técnica de atenção fundamental para a identificação das necessidades</p><p>33</p><p>assistenciais dos sujeitos, alívio do sofrimento e planejamento de intervenções</p><p>medicamentosas e terapêuticas, se e quando necessárias, conforme cada caso.</p><p>Nesse sentido, em consonância com as diretrizes da Política Nacional propõe-</p><p>se a articulação de atendimentos integrais que conjuguem os diversos níveis de</p><p>atenção e formas de acolhimento, construção de vínculo e tratamento para usuários</p><p>e familiares (Unidade Básica de Saúde, Centro de Atenção Psicossocial - CAPS,</p><p>Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas – CAPS-AD, comunidades</p><p>terapêuticas, grupos de ajuda-mútua, hospitais gerais e psiquiátricos, hospitais-dia,</p><p>serviços de urgências emergências, dentre outros dispositivos).</p><p>Nessa perspectiva o cuidado, o tratamento e a reabilitação devem ser</p><p>construídos a partir da complexidade da realidade de cada sujeito, o que torna</p><p>impossível apostar em uma saída única, padronizada e isolada (ROMINA et al, 2019).</p><p>Embora existam relatos de situações de alcoolismo datados da antiguidade, as</p><p>primeiras abordagens terapêuticas para o tratamento de usuários de drogas são do</p><p>século XIX. Ainda hoje, a questão da dependência química gera inúmeras pesquisas</p><p>que buscam avaliar quais tratamentos são verdadeiramente eficazes. Pelo que</p><p>consta, os resultados positivos de um tratamento vão muito além do modelo utilizado</p><p>e incluem, entre outros fatores, o tipo de droga usada, o perfil psicológico do</p><p>dependente, o grau da dependência, a estrutura familiar, a vontade de parar o uso e</p><p>doenças associadas. Geralmente os indivíduos que apresentam problemas com</p><p>drogas pertencem a grupos heterogêneos e necessitam de tratamentos diferentes</p><p>(ZEFERINO; FERMO, 2012).</p><p>Fatores relacionados à gravidez, idade, orientação sexual, gênero,</p><p>comorbidades clínicas (HIV e tuberculose, por exemplo) ou psiquiátricas podem</p><p>requerer abordagens específicas. A maioria das pessoas que são dependentes</p><p>químicos</p>

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