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Prévia do material em texto

Andrezza Karine Araújo de 
Medeiros Pereira
PROGRAMA 
DE EDUCAÇÃO 
PERMANENTE 
EM SAÚDE 
DA FAMÍLIA
Módulo: 
Procedimentos 
de Enfermagem 
na APS
UNIDADE 2
Refletindo sobre a 
coleta de citologia 
oncótica na prática 
do enfermeiro
27Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
Refletindo sobre a coleta de citologia 
oncótica na prática do enfermeiro
Olá, cursista! Nessa unidade 2, discutiremos a coleta da citologia oncótica na prática do 
enfermeiro. Na primeira aula, iremos conversar sobre alguns saberes importantes para 
embasar a prática da coleta da citologia. Na segunda aula, trataremos da prática em si da 
coleta da citologia. Bons estudos!
28Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
Aula 1 – Coleta de citologia oncótica: 
saberes necessários 
Questões que envolvem a coleta da citologia oncótica na 
APS
A coleta de citologia oncótica (CO) é um dos procedimentos de enfermagem mais presentes 
no cotidiano do enfermeiro que trabalha na atenção primária, sendo necessários alguns 
saberes teóricos para embasar esta prática que é tão importante na prevenção do câncer 
(CA) de colo de útero e que gera tantas dúvidas e expectativas nas mulheres.
Você já deve ter vivenciado diversos momentos nos quais o resultado da CO vem insatisfató-
rio e a usuária precisa repetir a coleta, causando um constrangimento para ela. Muitas vezes 
esse resultado remete a algum problema na coleta, no acondicionamento e no transporte 
das amostras, sendo necessário, então, estarmos sempre nos atualizando, fazendo educa-
ções permanentes e leituras para melhorar a cada dia nossa prática. Veja como aconteceu a 
consulta da dona Margarida na História em quadrinhos 1 no AVASUS:
História em quadrinhos 1
29Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
Uma questão a ser ressaltada é que precisamos interpretar da melhor forma os achados do 
colo do útero para: termos mais segurança em preencher os formulários a serem enviados 
ao laboratório; dialogar com a mulher, que muitas vezes quer saber como foi o exame; regis-
trar no seu prontuário; e facilitar a compreensão do profissional médico que irá interpretar 
o resultado do exame.
Frente a estas questões, como você vem realizando a citologia oncótica no seu local de tra-
balho? As mulheres se sentem acolhidas por você no momento da coleta? O material dos 
exames que você coleta está tendo uma boa qualidade no sentido de facilitar a leitura da 
lâmina nos laboratórios? Você tem tido dúvidas em interpretar os achados do colo do útero 
no momento da coleta? Reflita sobre esses questionamentos e direcione um pouco suas 
leituras e ações para os pontos em que você considera que precisa melhorar.
Você deve saber que a rotina recomendada para o rastreamento de câncer de colo de útero 
no Brasil é a repetição do exame papanicolaou a cada três anos, após dois exames normais 
consecutivos realizados com um intervalo de um ano (INCA, 2016; BRASIL, 2013).
Segundo o Ministério da Saúde, a população-alvo no rastreamento do CA de colo de útero 
são as mulheres na faixa etária de 25 anos (que tiveram ou têm vida sexual ativa) a 64 anos, 
justificando-se por ser a faixa de maior ocorrência das lesões intraepiteliais (LIE) de alto grau, 
passíveis de serem tratadas efetivamente para não evoluírem para o câncer (INCA, 2016).
É importante reforçar a informação de que a incidência de CA de útero aumenta nas mulhe-
res entre 30 e 39 anos e atinge seu pico na quinta ou sexta décadas de vida. Antes dos 25 
anos prevalecem as infecções por HPV e as lesões de baixo grau, que regredirão espontane-
amente na maioria dos casos, justificando-se assim a não recomendação da realização da 
citologia nessa faixa etária (BRASIL, 2013).
 
 
 
 
A partir dos 65 anos, por outro lado, se a mulher não tiver história 
prévia de doença neoplásica pré-invasiva e tiver resultado de pelo 
menos dois exames negativos consecutivos nos últimos cinco anos, 
a coleta de CO pode ser interrompida (INCA, 2016).
Para mulheres com mais 64 anos de idade e que nun-
ca se submeteram ao exame citopatológico, deve-se 
realizar dois exames com intervalo de um a três anos. 
Se ambos os exames forem negativos, essas mulheres 
podem ser dispensadas de exames adicionais (INCA, 
2016, p. 35).
30Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
A equipe de saúde à qual você pertence tem conseguido fazer esse rastreamento conforme 
as orientações acima? As mulheres vêm procurar realizar a citologia apenas espontanea-
mente ou vocês têm utilizado estratégias que não esperam apenas a decisão da mulher pelo 
agendamento da citologia? Há algumas dessas faixas etárias mais vulneráveis que não estão 
chegando aos serviços para realizar a citologia?
Você precisa aproveitar todas as vindas das mulheres aos serviços de saúde e conversar 
sobre essa prevenção, incentivando que os outros trabalhadores da equipe também o 
façam, inclusive o agente comunitário de saúde, que está mais próximo à comunidade. 
Outra questão importante é o acolhimento dessa mulher, de modo que você irá realizar 
uma escuta qualificada com ela, buscando identificar e dialogar sobre as diversas necessida-
des e anseios que ela apresenta, procurando ter um olhar integral, não reduzindo-a apenas 
ao útero (BRASIL, 2009b; BRASIL, 2013).
31Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
Agora vamos revisar um pouco a anatomia do colo do útero:
 
Como falamos anteriormente, uma questão importante na coleta é sua qualidade, deven-
do essa ser uma das nossas preocupações enquanto enfermeiros da APS.
32Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
 
 
 
 
Amostra insatisfatória para avaliação:
É considerada insatisfatória a amostra cuja leitura esteja prejudicada 
pelas razões expostas abaixo, algumas de natureza técnica e outras 
de amostragem celular, podendo ser assim classificadas:
1. Material acelular ou hipocelular (menos de 10% do esfregaço);
2. Leitura prejudicada (mais de 75% do esfregaço) por presença de: 
sangue, piócitos, artefatos de dessecamento, contaminantes externos 
ou intensa superposição celular.
Recomendação: a mulher deve repetir o exame entre 6 e 12 sema-
nas com correção, quando possível, do problema que motivou o 
resultado insatisfatório.
Amostra satisfatória para avaliação:
Designa amostra que apresente células em quantidade representativa, 
bem distribuídas, fixadas e coradas, de tal modo que sua observação 
permita uma conclusão diagnóstica. 
Podem estar presentes células representativas dos epitélios do colo 
do útero:
• Células escamosas;
• Células glandulares (não inclui o epitélio endometrial);
• Células metaplásicas.
Fonte: Brasil (2013).
Muitas vezes, no cotidiano da APS, temos algumas dúvidas quanto a coleta da citologia em 
mulheres grávidas, em mulheres histerectomizadas, entre outras. Diante disso, o Ministério da 
Saúde faz a seguinte recomendação:
33
Programa de edUcaÇÃo Permanente em saÚde da famÍLia
UNIDADE 2
 Gestantes - Seguir as recomendações de faixa etária e periodicidade das demais 
mulheres. Estudos mostram que a coleta da endocérvice parece não trazer riscos para a 
gestação, desde que utilizada a técnica correta;
 Mulheres Pós-Menopausa - As mulheres que se enquadram nessa situação 
especial devem seguir o rastreamento indicado para as demais mulheres. Se necessário, 
realizar a terapia com estrógeno antes da realização da coleta, devendo essa orientação 
já proceder no momento em que a mesma for ser agendada;
 Histerectomizadas -.As mulheres que já se submeteram à histerectomia total 
por lesões benignas, que não tenham história prévia de diagnóstico e/ou tratamen-
to de lesões cervicais de alto grau, podem ser excluídas do rastreamento, sendo para 
tanto necessário que elas tenham dois resultados de citologias prévias com resultados 
normais. Já as mulheres que tiveram histerectomia motivada por lesões precursoras 
ou câncer de colo de útero devem seguir o acompanhamento de acordo com a lesão 
tratada; 
 Mulheres sem história de atividade sexual - Mulheres que se enquadramnessa situação, não devem submeter-se ao rastreamento do CA de colo de útero, 
considerando que o HPV, principal responsável pelo processo de carcinogênese, 
só pode ser transmitido através do ato sexual, sendo o risco de desenvolver essa neo-
plasia desprezível;
 Imunossuprimidas - Mulheres nessa situação específica, após início da ativida-
de sexual, devem no primeiro ano realizar a coleta da citologia semestralmente. Se os 
resultados desses exames forem normais, devem ficar realizando a coleta anualmente, 
enquanto se mantiver o fator de imunossupressão.
É importante lembrar a recomendação de que “mulheres HIV positivas com contagem de lin-
fócitos CD4+ abaixo de 200 células/mm3 devem ter priorizada a correção dos níveis de CD4+ 
e, enquanto isso, devem ter o rastreamento citológico a cada seis meses” (INCA, 2016, p. 38).
Obs.: de acordo com o INCA (2016), são enquadradas no grupo de imunossuprimidas princi-
palmente as mulheres: infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV); imunossupri-
midas por uso de imunossupressores após transplante de órgãos sólidos; em tratamentos de 
câncer; e usuárias crônicas de corticosteroides. 
34Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
Agora que você fez um breve resumo dos achados clínicos mais comuns durante a coleta, 
vamos relembrar as recomendações dadas pelo INCA para resultados de citológicos com 
alterações celulares benignas e com alterações que requerem uma maior investigação
Quadro 1 - Recomendações e condutas diante de resultados de exames citopatológicos com 
alterações celulares benignas (reativa ou reparativa) 
RESULTADO RECOMENDAÇÕES
Inflamação sem 
identificação do agente
Se houver queixa de corrimento ou 
conteúdo vaginal anormal, a mulher 
deverá ser conduzida, conforme diretriz, 
para o tratamento de corrimento genital 
e doenças sexualmente transmissíveis. 
Seguir a rotina de rastreamento citológico 
para as mulheres com resultado 
normal. Se houver ausência de queixa 
ou evidência clínica de colpite, não há 
necessidade de encaminhamento para 
exame ginecológico ou tratamento ou 
repetição do exame citopatológico
Metaplasia Escamosa Imatura Seguir a rotina de rastreamento citológico
35Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
Reparação
Seguir a rotina de rastreamento citológico. 
Esta geralmente é a fase inicial da 
inflamação
Atrofia com inflamação
Seguir a rotina de rastreamento citológico. 
Se no laudo vier mencionada dificuldade 
de diagnóstico em virtude da atrofia, deve 
ser feita a estrogenização por via vaginal, 
com cremes de estrógenos conjugados 
em baixa dosagem (0,5 g de um aplicador, 
o que contém 0,3 mg) do princípio ativo 
ou estriol vaginal 1g com aplicador vaginal 
toda noite, durante 21 dias. Coletar nova 
citologia entre cinco a sete dias após a 
parada do uso.
Para mulheres com histórico de CA de 
mama ou outras contraindicações, avaliar 
o uso do estrógeno individualmente. Caso 
a mulher vá utilizar o estrógeno, seguir 
recomendação acima descritas, com uso 
do creme por no máximo 21 dias
Alterações decorrentes de radiações 
ou quimioterapias
Seguir a rotina de rastreamento citológico. 
É necessário colocar no formulário quimio 
ou radioterapia prévias.
Achados microbiológicos (lactobacilos, cocos, 
outros bacilos
Seguir a rotina de rastreamento citológico. 
Se houver queixa de corrimento, prurido 
ou odor vaginal anormal, na presença 
de agentes patogênicos (Gardnerella/
mobiluncus sp, Trichomonas vaginalis, 
Candida sp), tratar conforme protocolo do 
Ministério da Saúde.
Células endometriais fora do período 
menstrual ou pós-menopausa
Seguir a rotina de rastreamento citológico. 
Avaliar indicação de investigação da 
cavidade endometrial.
Fonte: (INCA, 2016)
36Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
Quadro 2 - Recomendações e condutas diante de resultados de exames citopatológicos com 
alterações que requerem uma maior investigação para o CA de colo de útero 
RESULTADO RECOMENDAÇÕES
Atipias de significado indeterminado 
em células escamosas, possivelmente 
não neoplásicas.
Repetir a citologia em 06 meses ou 12 
meses. Se dois exames citopatológicos 
subsequentes com intervalo de 06 meses 
(no caso de mulheres com 30 anos ou 
mais) ou 12 meses (no caso de mulheres 
com menos de 30 anos) forem negativos, 
a mulher deverá retornar à rotina de 
rastreamento citológico trienal; se achado 
de lesão igual ou mais grave, encaminhar 
para colposcopia
Atipias de células escamosas de significado 
indeterminado, quando não se pode excluir 
lesão intraepitelial de alto grau.
Devem ser encaminhadas para uma 
unidade de referência para colposcopia
Atipias em células glandulares provavelmente 
não neoplásicas, quando não se pode afastar 
lesão de alto grau.
Mulheres com este diagnóstico devem 
ser encaminhadas para colposcopia. 
Concomitantemente, é recomendável 
a avaliação endometrial com 
ultrassonografia transvaginal (USTV) 
em pacientes acima de 35 anos e, caso 
anormal, estudo anatomopatológico 
do endométrio. Abaixo dessa idade, 
a investigação endometrial deverá 
ser realizada se houver presença de 
sangramento uterino anormal ou se a 
citologia sugerir origem endometrial.
Atipias de células de origem indefinida, 
quando não se pode afastar lesão 
de alto grau.
Mulheres com esse diagnóstico devem ser 
encaminhadas para a unidade secundária 
para investigação. Recomenda-se também 
a avaliação dos demais órgãos pélvicos 
com exame de imagem. A avaliação 
endometrial é recomendada em pacientes 
acima de 35 anos.
Lesão intraepitelial escamosa de baixo grau
Recomenda-se repetir o exame 
citopatológico em seis meses na 
unidade básica de saúde. Se houver 
citologia negativa em dois exames de 
repetição consecutivos, seguir rotina de 
rastreamento. Se em um período de 1 
ano, uma das citologias de repetição for 
positiva, encaminhar para colposcopia. .
37Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
Lesão intraepitelial escamosa de alto grau
Encaminhar à unidade de referência para 
realização de colposcopia. A repetição 
da citologia é inaceitável como conduta 
inicial. Se ocorrer colposcopia inadequada 
em virtude de processos inflamatórios ou 
qualquer outra situação que inviabilize a 
sua realização, realizá-la logo que possível.
Lesão intraepitelial de alto grau, não podendo 
excluir microinvasão ou carcinoma epidermoi-
de invasor
Encaminhar com agilidade à unidade 
secundária para colposcopia.
Adenocarcinoma in situ e invasor.
Encaminhar com brevidade para 
colposcopia na atenção secundária. 
Essas mulheres terão indicação de 
excisão tipo 3, exceto se, à colposcopia, 
forem observados achados sugestivos 
de invasão. Nesse caso, deve ser 
realizada a biópsia. Caso o diagnóstico 
histopatológico confirme essa suspeita, 
encaminhar para atenção terciária (alta 
complexidade). Se a biópsia resultar 
negativa ou houver outro diagnóstico 
que não de doença invasiva, indica-se a 
conização do colo uterino.
Fonte: (INCA, 2016)
 
 
 
Você pode ver as condutas e recomendações com mais detalhes no 
link a seguir: http://www.ans.gov.br/images/stories/Particitacao_da_
sociedade/2016_gt_oncologia/gt_oncorede_reuniao7_diretrizes_can-
cer_colo.pdf
Na próxima aula, vamos conversar um pouco sobre a coleta em si do exame de citologia 
oncótica, procurando refletir sobre como estamos realizando esse procedimento, a fim de 
que, se necessário, pensemos em redirecionamentos.
38Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
Aula 2 – Coleta de citologia oncótica: 
dialogando com a prática 
Conforme vimos na situação-problema, a prática do enfermeiro na unidade básica de saúde 
é permeada pela realização de diversos procedimentos, sendo a coleta de citologia oncótica 
uma atividade geralmente realizada semanalmente. Na maioria das realidades, só quem faz 
essa coleta é o enfermeiro. Na sua realidade é diferente? O profissional médico também se 
responsabiliza por este procedimento?
Na aula anterior, discutimos sobre alguns saberes necessários para qualificara nossa res-
ponsabilidade com a citologia oncótica e, consequentemente, a nossa responsabilidade com 
a prevenção do CA de colo de útero. Agora vamos refletir um pouco sobre o procedimento 
em si da coleta.
Na unidade de saúde em que você trabalha, a sala de coleta dispõe 
de todos esses equipamentos, materiais e insumos apresentados 
no vídeo?
Antes do agendamento da coleta, dialoga-se com a mulher a respeito 
dos requisitos necessários para pode fazer a coleta?
Em sua rotina de coleta de citologia oncótica, você costuma acolher a 
mulher, deixando-a bem à vontade para falar não só sobre o exame, 
mas sobre sua vida e necessidades?
Você tem feito a entrevista com as mulheres observando e anotando 
todos os pontos do formulário específico para a coleta de citologia 
oncótica? Tem anotado essas informações no prontuário da mulher?
Além disso, você tem realizado orientações individuais ou coletivas? 
Elas são feitas no momento ou antes da coleta? Você dialoga sobre 
a coleta em si, sua importância para a prevenção do CA de colo de 
útero, periodicidade, materiais utilizados e como ela é feita?
Quem é responsável pelo preenchimento das lâminas na sua unidade? 
Você confere os dados da lâmina e faz a limpeza dela? O acondicio-
namento e o envio da lâmina têm contribuído para a garantia da 
qualidade do material coletado? 
39Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
Todas essas informações são aparentemente simples, mas importantes para garantir uma 
coleta segura e de qualidade. Agora vamos conversar um pouco sobre a coleta em si.
Antes de iniciar a coleta, confira se os materiais necessários estão disponíveis, se estão 
dentro de suas datas de validades, se os lacres estão íntegros e se o foco está funcionando. 
40Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
A enfermeira Daniela, da situação-problema, chegou a explicar para a dona Margarida como 
será realizada a coleta, confira na História em quadrinhos 2 no AVASUS.
 
História em quadrinhos 2
41Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
Vamos ver mais detalhes sobre como realizar esse procedimento?
Procedimento de Coleta 
Lave as mãos com água e sabão e seque-as com papel toalha antes de iniciar o procedimento.
- Coloque a mulher na posição ginecológica adequada e o mais confortável possível;
- Cubra-a com o lençol;
- Posicione o foco de luz;
- Calce as luvas descartáveis;
- Faça a inspeção da vulva e vagina, observando atentamente os órgãos genitais externos, 
a distribuição dos pelos, a integralidade do clitóris, do meato uretral, dos grandes e dos 
pequenos lábios, a presença de secreções vaginais, de sinais de inflamação, de veias varico-
sas e outras lesões como úlceras, fissuras, verrugas e tumorações;
- Coloque o espéculo, que deve ter o tamanho escolhido de acordo com as características 
perineais e vaginais da mulher a ser examinada. Não deve ser usado lubrificante, mas em 
casos selecionados, principalmente em mulheres idosas com vaginas extremamente atrófi-
cas, recomenda-se molhar o espéculo com soro fisiológico.
- Após visualizar o colo, colete material da ectocérvice com a espátula de ayre do lado que 
apresenta a reentrância. Coloque no orifício externo do colo a parte mais longa da espátula, 
fazendo uma raspagem em um movimento rotativo de 360º em todo orifício cervical. 
- Em seguida, colete material da endocérvice introduzindo a escovinha endocervical e fazen-
do um movimento giratório de 360º, contornando todo o orifício cervical;
- Delicadamente disponha o material coletado sobre a lâmina e fixe-o imediatamente para 
evitar dessecamento do material. Se a fixação for feita com álcool a 96%, coloque a lâmina 
dentro do frasco com álcool em quantidade suficiente para que todo o esfregaço seja cober-
to e feche o recipiente cuidadosamente. Na fixação com spray de polietilenoglicol, borrife a 
lâmina, que deve estar em posição horizontal imediatamente após a coleta, com o spray fixa-
dor a uma distância de 20cm e acondicione-a cuidadosamente em caixa de lâminas revesti-
da com espuma de náilon e papel, a fim de evitar a quebra. Lacre a tampa da caixa com fita 
gomada;
- Feche o espéculo, mas não totalmente para não beliscar a mulher, e retire-o;
- Faça a retirada das luvas, descartando-as em local adequado;
- Auxilie a mulher a descer da mesa e oriente-a a vestir sua roupa;
- Dialogue com a mulher sobre a possibilidade de sangramento discreto que poderá ocorrer 
depois da coleta, tranquilizando-a de que cessará espontaneamente;
42Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 2
- Agende o retorno para o resultado, reforçando a importância de que a mulher venha pegar 
o resultado;
- Registre as informações no prontuário da mulher;
- Se o espéculo for de metal, coloque-o em solução de H2O e sabão, para desinfecção, e em 
seguida encaminhe à Central de Material e Esterilização. Caso seja descartável, despreze-o 
em local apropriado. 
 
 
Você pode aprofundar sua leitura acerca do procedimento de coleta 
da citologia oncótica no link: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publica-
coes/controle_canceres_colo_utero_2013.pdf
Vamos nos encontrar na nossa próxima aula, na qual iremos refletir sobre a inserção de 
sondas na prática do enfermeiro da atenção primária.

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