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1 
 
 
APOSTILA 2016 
 
 
 
 
LÍNGUA PORTUGUESA 
LITERATURA E GRAMÁTICA 
 
 
 
ELABORADA E DESENVOLVIDA PELA PROFESSORA AUREA MARIN 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ÍNDICE 
 
LITERATURA 
 
Pré-modernismo 3 
Modernismo 12 
 Modernismo brasileiro 13 
 Fases modernismo no Brasil 15 
Modernismo português 17 
Modernismo no Brasil 23 
Segunda fase 29 
Terceira fase 46 
Tendências contemporâneas em Portugal 55 
Pós modernismo 60 
Prosa brasileira após virada do século 62 
 
GRAMÁTICA 
 
Sintaxe 69 
Predicado 73 
Adjunto adnominal 79 
Adjunto adverbial 80 
Período composto 82 
Orações coordenadas 83 
Oração subordinadas 85 
Concordância nominal 92 
Concordância verbal 98 
 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
3 
PRÉ – MODERNISMO 
 
Contexto Histórico: 
 
 Nos primeiros anos da República, o Brasil foi governado por presidentes militares – era 
chamada República da espada (1889 a 1894). A ela seguiu-se um período caracterizado por 
presidentes ligados às oligarquias rurais (a chamada “nobreza fundiária”) constituídas por 
cafeicultores de São Paulo e pecuaristas de Minas Gerais – a República do café-com-leite. 
(1894 a 1930). 
 Os antigos escravos eram marginalizados e os imigrantes europeus que chegavam para 
trabalhar nas lavouras ou nas indústrias recém-criadas eram submetidos a condições de 
trabalho aviltantes. O Nordeste vivia a estagnação econômica e bandos de cangaceiros 
assaltavam propriedades. As secas levavam à morte milhares de sertanejos e outros tantos 
eram facilmente arregimentados na formação de seitas místicas, lideradas por beatos ou 
conselheiros, tornando-se fanáticos, pela desesperança e pela crença numa solução divina para 
males que, na verdade, tinham origem econômica. 
 Este período, compreendido entre 1900 e 1922 caracteriza-se pela convivência de várias 
correntes e estilos, com predominância ainda do Parnasianismo. 
 Ao lado do mundo “cor-de-rosa” das elites, estava a miséria do povo, e pouquíssimos 
foram os escritores que voltaram os olhos de modo crítico para a realidade brasileira. Os 
literatos “oficiais”, parnasianos, estavam, na verdade, preocupados com o prestígio social que a 
literatura lhes pudesse dar. Freqüentavam cafés, saraus, apreciavam palavras eruditas, os 
modismos europeus e o tom retórico, produzindo uma literatura que se convencionou chamar 
sorriso da sociedade. 
 O Pré-Modernismo, que não é propriamente uma escola literária, designa genericamente 
esse período, no qual poucos escritores procuraram interpretar a realidade brasileira, revelar 
suas tensões e os problemas sociopolíticos da época. 
 Algumas datas podem servir de balizamento para esse período: 
 1902 – publicação de Canaã, de Graça Aranha, e de Os sertões, de Euclides da Cunha; 
 1922 – realização da Semana de Arte Moderna, No Teatro Municipal de São Paulo, nos 
dias 13, 15 e 17 de fevereiro. 
 
 
Principais autores: 
 
 Lima Barreto – A característica mais marcante de sua literatura é a denúncia dos 
problemas sociais de sua época. Vítima de tantos preconceitos foi inevitável que traços 
biográficos do autor se incorporassem nas obras, especialmente em Recordações do escrivão 
Isaías Caminha, uma pesada caricatura em que o escritor esmiúça os bastidores da imprensa da 
época. 
 Em Triste fim de Policarpo Quaresma, inventa o patriota ingênuo que luta até o fim da 
vida para restabelecer as tradições brasileiras mais legítimas. A intenção de denunciar levou o 
escritor a empregar uma linguagem clara e simples, sem os adornos que eram moda na época. 
Dessa opção resultaram as pesadas críticas que recebeu: de ser desleixado, de não saber 
gramática. Via-se descuido e erro onde existia quase sempre o desprezo intencional pelos 
ornamentos, onde predominava o esforço de se fazer entender pelo homem comum, que ele 
incorporou como personagem. 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
4 
 Suas principais obras são: Recordações do escrivão Isaías Caminha, Triste Fim de 
Policarpo Quaresma, Numa e ninfa, Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, Os bruzundangas, 
Clara dos Anjos. 
 
 Euclides da Cunha – Foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo, incumbido de 
fazer a cobertura da Guerra de Canudos. Dessa cobertura jornalística resultou uma obra-prima: 
Os sertões, publicado em 1902, e marco inicial de nosso Pré-Modernismo. Contudo, o autor 
peca pelo estilo retórico-discursivo, muitas vezes barroco e pomposo, mas que de modo algum 
retira o alto nível e a importância da obra, no qual se percebe a formação positivista e a ótica 
determinista do escritor. 
 
 Monteiro Lobato – É o maior escritor da literatura infanto-juvenil brasileira. Com ele 
ocorre uma verdadeira revolução no gênero, até então marcada por textos de preocupações 
moralistas, patrióticas e ufanistas, que ao invés de divertirem as crianças, procuravam doutrina-
las. 
 Ao rejeitar os modelos tradicionais, levou as crianças a se divertirem com reflexão, 
modernidade e assimilação de valores universais. Sua produção infanto-juvenil constitui a parte 
mais importante de sua obra. 
 Embora Monteiro Lobato fosse um homem que acreditava no progresso, cometeu o 
equívoco momentâneo de criticar os modernistas de 22, que buscavam uma arte de reforma. 
 
 Augusto dos Anjos – Caracteriza-se pela crueza dos temas, que giram em torno da 
morte e da doença, focalizando hospitais, necrotérios, hospícios, cadáveres e micróbios, pelo 
exotismo de linguagem, carregada de vocábulos científicos, e por agudo pessimismo diante da 
vida. 
 À visão do mundo harmonioso das elites da época, da literatura “sorriso da sociedade”, 
Augusto dos Anjos contrapôs um outro, de decomposição, angústia e sofrimento, em que se 
percebe a inquietação filosófica do poeta sobre o enigma do Universo e da própria vida. 
 Suas obras foram póstumas: Poesia: Eu, Eu e outras poesias. 
 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Que classes eram o sustentáculo do poder civil nas primeiras décadas da República? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
2) Qual era a situação da classe trabalhadora nas primeiras décadas da República? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
5 
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
3) O que se entende por Pré-Modernismo? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
4) O que se pode criticar em muitos escritores brasileiros do período compreendido entre o final 
do século XIX e as primeiras décadas do século XX? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
5) Que autores se destacam no Pré-Modernismo brasileiro? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________6) A que autor pré-modernista se refere cada um dos comentários a seguir? 
 
a) “Os dramas humildes, as tragédias da classe média encontraram nele um grande, fiel e 
enternecido intérprete. Mas soube retratar, com agudeza e sarcasmo, os meios políticos e as 
redações dos jornais, mostrando aspectos curiosos e dolorosos” (Fernando Góis); 
 
b) “Vislumbrando na matéria orgânica uma vocação fatal para o sofrimento, o poeta concebia o 
espetáculo da vida como um permanente encaminhar-se para a dissolução.” (José Paulo Paes); 
 
c) “Nesses capítulos informados pela mais exaustiva erudição científica (geológica, orográfica, 
climatológica, hidrográfica, botânica, zoológica, antropológica, etnográfica, folclórica, sociológica 
e, mesmo, psiquiátrica), tanta multiplicidade de fatos e de interpretações destina-se a iluminar, 
com a luz crua e violenta da evidência, o meio asperamente conflituoso em que sofre o jagunço 
nordestino.” (Alfredo Bosi); 
 
d) “A contradição moderno-antimodernista leva-o a uma crítica injusta e violenta à pintura de 
Anita Malfatti, fato cultural mais importante antes da Semana de Arte Moderna.” (PUC – SP); 
 
e) NDA. 
 
 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
6 
TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA 
(fragmento) 
 
 Triste Fim de Policarpo Quaresma conta a história de um nacionalista ingênuo, Policarpo 
Quaresma, que acredita em um Brasil forte, rico e soberano, e quer salvá-lo dos políticos 
corruptos. Entretanto, esse exaltado patriotismo só provoca risos e acaba por custar-lhe o 
internato num hospício. Tendo apoiado o Marechal Floriano, volta-se contra o seu governo por 
considerá-lo incompetente e desumano. Ao presenciar a escolha de antiflorianistas para 
fuzilamento, escreve, indignado, uma carta ao presidente. No dia seguinte é preso e fuzilado. 
 Desde dezoito anos que tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar 
inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fossem... Em que lhe 
contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada... O importante é que 
ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das suas coisas de tupi, do folklore, das suas 
tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma!Nenhuma! 
 O tupi encontrou a incredulidade geral, o riso, a zombaria, o escárnio; e levou-o à loucura. 
Uma decepção. E a agricultura? Nada. As terras não eram férteis ela não era fácil como diziam 
os livros. Outra decepção. E, quando o seu patriotismo se fizera combatente, o que achara? 
Decepções. Onde estava a doçura de nossa gente? Pois ele não a viu combater como feras? 
Pois não a via matar prisioneiros, inúmeros? Outra decepção. A sua vida era uma decepção, 
uma série, melhor, um encadeamento de decepções. 
 A pátria que quisera ter era um mito, era um fantasma criado Poe ele no silêncio do seu 
gabinete. Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a política que julgava existir, havia. 
A que existia de fato, era a do Tenente Antonino, a do doutor Campos, a do homem do Itamarati. 
 E, bem pensando, mesmo na sua pureza, o que vinha a ser Pátria? Não teria levado toda 
a sua vida orientado por uma ilusão, por uma idéia a menos, sem base, sem apoio, por Deus ou 
uma Deusa cujo império se desaparecia. 
 
Vocabulário: 
Folclore – estudo e conhecimento das tradições de um povo, expressas nas suas lendas, 
crenças, canções e costumes. 
Mofa – zombaria. 
Feraz – fértil. 
Itamaraty – nome do palácio que, no Rio de Janeiro, serviu de sede do Ministério das Relações 
Exteriores. 
Nortear – orientar, guiar. 
Esvair – dissipar, desaparecer. 
 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) Justifique com elementos do texto a afirmação de que o Major Quaresma tinha um forte 
sentimento nacionalista? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
7 
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
2) Segundo Pero Vaz de Caminha, “(A terra) em tal maneira é graciosa que, querendo-a 
aproveitar, dar-se-á nela tudo...”Que comentário faz Quaresma a esse respeito? 
__________________________________________________________
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3) É comum a crença de que o povo brasileiro possui um espírito pacífico, generoso e cordial. O 
que pensa Policarpo Quaresma a respeito disso? 
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__________________________________________________________ 
 
4) Que ilusão teria guiado Quaresma até o fim da sua vida? 
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OS SERTÕES 
 
 Os sertões é um ensaio sociológico e histórico em torno da guerra de Canudos. Fatores 
geográficos, raciais e históricos determinam as ações dos jagunços rebeldes – A terra - , o autor 
analisa o condicionamento geográfico, com o clima exercendo um papel preponderante na 
formação do meio e do homem, produto desse meio. Na segunda parte – O homem -, temos a 
análise da miscigenação e seus efeitos. Na última parte – A luta - , a descrição do conflito 
resultante. 
Contudo, o autor peca pelo estilo retórico-discursivo, muitas vezes barroco e pomposo, 
mas que de modo algum retira o alto nível e a importância de Os sertões, no qual se percebe a 
formação positiva e a ótica determinista do escritor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
8 
 
 
O HOMEM 
 
 De repente, uma variante trágica. 
 Aproxima-se a seca. 
 O sertanejo adivinha-a e prefixa-a graças ao ritmo singular com que se desencadeia o 
flagelo. 
 Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e pouco invadida pelo limbo 
cadente que irradia do Ceará. 
 Buckle, em página notável, assinala a anomalia de se não afeiçoar nunca, o homem, às 
calamidades naturais que o rodeiam. Nenhum povo tem mas pavor aos terremotos que o 
peruano; e no Peru as crianças ao nascerem têm o berço embalado pelas vibrações da terra. 
 Mas o nosso sertanejo faz exceção à regra. A seca não o apavora. É um complemento à 
sua vida tormetosa, emoldurando-a em cenários tremendos. Enfrenta-a, estóico. Apesar das 
dolorosas tradições que conhece através de um sem número de terríveis episódios, alimenta a 
todo o transe esperanças de uma resistência impossível. 
 (Euclides da Cunha) 
 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) Como Euclides da Cunha caracteriza o homem sertanejo? 
_____________________________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
2) Em que homem sertanejo difere do peruano? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
3) Por que Buckle caracteriza como uma “anomalia” o fato de o homem não se afeiçoar nunca 
às calamidades naturais que o rodeiam? 
__________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
9 
4) Destaque do texto uma passagem que demonstra ser o flagelo da seca algo repetitivo e 
bastante conhecido pelo sertanejo. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
 
JECA TATU 
 
 Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade! 
 Jeca mercador, Jeca lavrador, Jeca filósofo... 
 Quando comparece às feiras, todo mundo logo adivinha o que ele traz: sempre coisas que a 
natureza derrama pelo mato e ao homem só custa o gesto de espichar a mão e colher (...) Nada 
mais. 
 Seu grande cuidado é espremer todas as conseqüências da lei do menor esforço – e nisto vai 
longe. 
 Começa na morada. Sua casa de sapé e lama faz sorrir aos bichos que moram em toca e 
gargalhar ao joão-de-barro. Pura biboca de bosquímano. Mobília, nenhuma. A cama é uma espipada 
esteira de peri posta sobre o chão batido. 
 Às vezes se dá ao luxo de um banquinho de três pernas – para os hóspedes. Três pernas 
permitem equilibrar; inútil, portanto, meter a quarta, o que ainda o obrigaria a nivelar o chão. Para 
que assentos, se a natureza os dotou de sólidos, rachados calcanhares sobre os quais se sentam? 
 Nenhum talher. Não é a munheca um talher completo – colher, garfo e faca a um tempo? 
 Seus remotos avós não gozaram maiores comodidades. Seus netos não meterão quarta perna 
ao banco. Para quê? Vive-se bem sem isso. 
 Se pelotas de barro caem, abrindo seteiras na parede, Jeca não se move a repô-las. Ficam 
pelo resto da vida os buracos abertos, a entremostrarem nesgas de céu. 
 Quando a palha do teto, apodrecida, greta em fendas por onde pinga a chuva, Jeca, em vez 
de remendar a tortura, limita-se, cada vez que chove, a aparar numa gamelinha a água gotejante... 
 Remendo... Para quê? se uma casa dura dez anos e faltam “apenas” nove para que ele 
abandone aquela? Esta filosofia economiza reparos. 
 (Monteiro Lobato – Urupês) 
Vocabulário: 
Biboca – casa humilde, com cobertura de palha. 
Bosquímano – indivíduo dos bosquímanos, povo sul-africano. 
Espipar – esticar, estender. 
Peri – espécie de junco do qual se fazem esteiras; piripiri. 
Munheca – mão. 
Remoto – antigo, distante. 
Seteira – fresta. 
Nesga – pequena espaço. 
Gretar – rasgar. 
Gamela – vasilha de madeira ou barro. 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
10 
 
1) O que podemos concluir ao compararmos a personagem de Monteiro Lobato com o índio 
Peri, de José de Alencar, e os bravos e orgulhosos caboclos dos romances regionalistas do 
mesmo período? 
_____________________________________________________________________________
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__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
2) Em Jeca Tatu, Monteiro Lobato investe contra a idealização do caboclo, apontando algumas 
das suas características negativas. Qual delas é a mais criticada no texto? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
3) “Jeca mercador, Jeca lavrador, Jeca filósofo...” Este parágrafo refere-se ao Jeca de Monteiro 
Lobato ou aos caboclos dos romances românticos? 
__________________________________________________________
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__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
4) Você crê que Monteiro Lobato queria chamar a atenção para uma realidade que deveria ser 
invertida ou pretendeu apenas ridicularizar o caboclo? Por quê? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
 
5) “Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade!” 
 Em Urupês (1918), Monteiro Lobato cria a figura do Jeca Tatu, o caipira atrasado e 
indolente. Mais tarde, Lobato se conscientizaria de que o tipo era uma conseqüência de 
problemas socioeconômicos e da ausência de reformas que dessem ao homem do campo 
condições de desenvolvimento. 
 Segundo você, que reformas e ações governamentais podem contribuir para a melhoria 
das condições de vida do homem do campo? 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
11 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
PSICOLOGIA DE UM VENCIDO 
 
Eu, filho do carbono e do amoníaco, 
Monstro de escuridão e rutilância, 
Sofro, desde a epigênese da infância, 
A influência má dos signos do zodíaco. 
 
Profundissimamente hipocondríaco, 
Este ambiente me causa repugnância... 
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia 
Que se escapa da boca de um cardíaco. 
 
Já o verme – este operário das ruínas 
Que o sangue podre das carnificinas 
Come e à vida em geral declara guerra, 
 
Anda a espreitar meus olhos para roê-los, 
E há de deixar-me apenas os cabelos, 
Na frialdade inorgânica da terra! 
 (Augusto dos Anjos) 
Vocabulário: 
Rutilância – brilho 
Epigênese – teoria da formação dos seres por gerações graduais. 
Hipocondríaco – que tem mania de doença; triste, melancólico. 
 
 
 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) Um dos elementos da renovação poética de Augusto dos Anjos é a desvinculação da palavra 
do seu compromisso com o belo, dessacralizando-a e incluindo vocábulos até então apoéticos. 
Que exemplos podemos retirar do texto para exemplificar essa afirmação? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
12 
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
2) A incorporação de termos científicos na poesia de Augusto dos Anjos revela que tipo de 
influência? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
3) Por influência simbolista – sobretudo de Baudelaire e sua poesia da decomposição -, a 
imagem da decadência é comum na poesia de augusto dos Anjos. No poema, essa imagem se 
realiza no plano físico ou espiritual? Qual o seu agente? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
4) A angústia diante da vida, a imagem da decomposição da carne e a linguagem exótica – 
alguns dos elementos caracterizadores da poesia de Augusto dos Anjos – estão presentes 
nesse poema. Exemplifique cada um deles com elementos do poema. 
____________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
MODERNISMO 
 
Contexto histórico: 
 
 O início do século XX foi marcado por um extraordinário desenvolvimento científico e 
tecnológico, dos quais são exemplos o telégrafo, a eletricidade, o telefone, o cinema, o 
automóvel e o avião; a teoria da relatividade, de Einstein, e a teoria psicanalítica, de Freud. 
Vivia-se a euforia da chamada belle époque, com a valorização do conforto e do “bem viver”. 
 Entretanto, desde o final do século XIX, os países europeus passam por constantes 
sobressaltos, resultantes da instabilidade e competições políticas, o que acelerava a corrida 
armamentista. 
 Em 1914, começa a Primeira Guerra Mundial, de proporções até então desconhecidas 
pela humanidade, que passa a descrer nos sistemas políticos, sociais e filosóficos e questionar 
os valores de seu tempo. 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
13 
 Dessa descrença e desses questionamentos surgem vários movimentos de vanguarda na 
Europa que se caracteriza principalmente pela proposta de ruptura radical com o passado e pelo 
intuito de chocar a opinião pública. Esses movimentos influenciaram o Modernismo brasileiro, 
entre eles: 
 
 Futurismo – Propunha a destruição do passado, a exaltação da vida moderna, o culto da 
máquina e da velocidade, pregando uma arte voltada para o futuro, agressiva, e violenta, 
enaltecendo a guerra, o militarismo e o patriotismo. Preconizava também a destruição da 
sintaxe, com os substantivos dispostos ao acaso, a eliminação da pontuação e a abolição do 
adjetivo, do advérbio e das conjunções. Foi lançado pelo poeta italiano Marinetti. 
 
 Cubismo - Na pintura decompunha os objetos da realidade cotidiana em diferentes planos 
geométricos para sugerir a sua estrutura global, como se fossem vistos de diferentes ângulos. 
Na poesia, valorizava o subjetivismo, a ilogicidade, a frase nominal, o tempo presente e o humor. 
Na pintura um dos exemplos é Picasso. 
 
 Dadaísmo – Reflete a atmosfera pessimista da Primeira Guerra Mundial. Pregava a 
destruição de todos os valores culturais da sociedade que fazia a guerra, instalando o absurdo, o 
ilógico e o incoerente. Buscava-se assim uma antiarte, irracional e anárquica. Daí o automatismo 
psíquico, as livres associações, a invenção de palavras, a exaltação da total liberdade de 
criação, o sarcasmo, a irreverência e a aproximação com o mundo dos loucos e das crianças. 
 
 
 Surrealismo – Lançado na França, valorizava o passado, buscava a emancipação total 
do homem fora da lógica, da razão, da família, da pátria, da moral e da religião. Influenciados 
pela teoria psicanalítica de Freud, os surrealistas conferiam importância ao sonho e à exploração 
do inconsciente, praticando o automatismo psíquico e a expressão libertada da censura e sem o 
controle da razão. 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) O que refletiam os movimentos da vanguarda européia? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
2) Identifique o movimento de vanguarda a que se refere cada um dos fragmentos de manifesto: 
 
a) O princípio: “ama teu próximo” é uma hipocrisia. “Conhece-te” é uma utopia, porém mais 
aceitável porque contém a maldade. Nada de piedade. Após a carnificina, resta-nos a esperança 
de uma humanidade purificada; 
 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
14 
b) Os poetas e os artistas determinam e concertam a imagem de sua época e docilmente o 
futuro se amolda ao seu gosto; 
 
c) (Os loucos)... são pessoas de uma honestidade escrupulosa e cuja inocência só é comparável 
à minha (...) os processos lógicos, de nossos dias, só se aplicam à resolução de problemas de 
interesse secundário; 
 
d) Escrevo depressa, sem um assunto preconcebido, suficientemente depressa para não parar e 
não ter a tentação de reler. A primeira frase virá sozinha, tanto é verdade que a cada segundo 
existe uma frase estranha ao nosso pensamento consciente que só deseja exteriorzar-se; 
 
e) NDA. 
 
 
 
MODERNISMO BRASILEIRO 
 
 No Brasil, os governos das oligarquias iam se sucedendo, Minas e São Paulo repartiam o 
poder, desfavorecendo as camadas empobrecidas da população, os operários e os 
trabalhadores rurais. 
 À época da Semana de Arte Moderna, o quadro brasileiro era de crises sucessivas, que 
acabam por gerar a Revolução de 1930, quando Getúlio Vargas assume o poder. 
 Nascido sob as influências das vanguardas européias, o Modernismo brasileiro, em suma 
primeira fase (1922 – 1930), começou pelo combate às características estéticas tradicionais e 
conservadoras (Parnasianismo), ansioso pela liberdade de linguagem e afirmação dos novos 
valores estéticos que pretendia. 
Semana de Arte Moderna: 
 
 O modernismo brasileiro não começou em 1922. Desde 1912, com o retorno de Oswald 
de Andrade da Europa, onde teve contato com as vanguardas, vários acontecimentos 
delinearam as mudanças que estavam surgindo nas artes brasileiras. Porém o mês de fevereiro 
de 1922 foi o marco histórico do Modernismo brasileiro. 
 Nos dias 13, 15 e 17, o Teatro Municipal de São Paulo, torna-se centro de uma verdadeira 
“amostra” das ideias modernistas. São lidos manifestos e poemas; expõem-se quadros e 
esculturas; músicas são executadas. Tudo diante de um público que reagiu com vaias e apupos. 
Estava “oficialmente” inaugurado o período de combate dos primeiros modernistas, que 
investiam, sobretudo, contra os sólidos valores parnasianos. 
 
 
 
As correntes modernistas: 
 
 Depois da união inicial em torno da Semana, os modernistas, dividiram-se em grupos e 
movimentos que refletiam orientações estéticas e ideológicas diversas: 
 
Movimento Pau-Brasil – Tinha como objetivo a revalorização dos elementos primitivos da 
nossa cultura, através da crítica ao falso nacionalismo e da valorização de obras que 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
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redescobrissem o Brasil, seus costumes, sua cultura, seus habitantes e suas paisagens. Dele 
participaram, principalmente: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Raul Bopp, Alcântara 
Machado e Tarsila do Amaral (pintora). 
 
Movimento Verde- Amarelo – Liderado por Plínio Salgado, Cassiano Ricardo e Menotti del 
Picchia, e tendo uma postura nacionalista, repudiava tudo o que fosse cultura importada e 
tentava mostrar um Brasil grandioso. Entretanto, acabou por revelar uma visão reacionária, 
sobretudo através de Plínio Salgado, que viria a ser o principal líder do Integralismo, movimento 
político brasileiro de extrema direita baseado nos moldes fascistas. 
 
Movimento antropofágico – Radicalização do Movimento Pau-Brasil, foi lançado em 1928, e 
opunha-se ao conservadorismo do movimento Verde-Amarelo. Seus participantes eram os 
mesmos do Movimento Pau-Brasil. 
 
Movimento espiritualista – Procurou conciliar o passado com o futuro e manteve-se preso às 
influências simbolistas. A universalidade dos temas, o mistério, as questões existenciais e o 
espiritualismo caracterizam, de maneira geral, a produção poética desta corrente que assimilou 
as renovações da linguagem modernista. Tasso da Silveira, Augusto Frederico Schimidt, Murilo 
Araújo, Adelino Magalhães, Murilo Mendes e Cecília Meireles são os principais poetas que se 
aglutinaram em torno dessas ideias. 
 
 
Fases do modernismo brasileiro: 
 
 Costuma-se dividir o Modernismo brasileiro em três fases: Entretanto, este é um recurso 
apenas didático. Poetas de uma determinada fase continuaram produzindo, alguns passando 
por tendências diferentes, mudando e aprimorando sua linguageme temas. 
 
Primeira fase (1922 – 1930) ou fase heróica: de combate e destruição, quando ocorre a 
libertação e renovação da linguagem e são afirmados os valores estéticos do movimento. 
 
Segunda fase (1930 – 1945) ou fase construtiva: de estabilização das conquistas, de 
preocupação social e de tendência introspectiva. 
 
Terceira fase (1945 em diante) ou fase de reflexão: de ponderação sobre a linguagem 
(metalinguagem), com o retorno a alguns modelos estilísticos tradicionais, ao que se soma uma 
temática universalista. 
 A partir de 1950, surgem novas tendências em poesia, como o Concretismo, O 
Neoconcretismo, a Poesia-práxis e o Poema-processo. 
 
Os Sapos 
 
Enfunando os papos, 
Saem da penumbra, 
Aos pulos, os sapos. 
 A luz os deslumbra. 
 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
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Em ronco que aterra, 
Berra o sapo-boi: 
-"Meu pai foi à guerra!" — "Não foi!" — "Foi!" — "Não foi!". 
O sapo-tanoeiro, 
Parnasiano aguado, 
Diz: — "Meu cancioneiro 
 É bem martelado. 
 
Vede como primo 
Em comer os hiatos! 
Que arte! E nunca rimo 
Os termos cognatos. 
O meu verso é bom 
Frumento sem joio. 
Faço rimas com 
Consoantes de apoio. 
 
Vai por cinquenta anos 
Que lhes dei a norma: 
Reduzi sem danos 
A formas
1
 a forma. 
 
Clame a saparia 
Em críticas céticas: 
 Não há mais poesia, 
Mas há artes poéticas..." 
 
Urra o sapo-boi: 
— "Meu pai foi rei" — "Foi!" 
— "Não foi"—"Foi!"—"Não foi!" 
 
Brada em um assomo 
 O sapo-tanoeiro: 
— "A grande arte é como 
Lavor de joalheiro 
 
Ou bem de estatuário. 
Tudo quanto é belo, 
Tudo quanto é vário, 
Canta no martelo." 
 
Outros, sapos-pipas 
(Um mal em si cabe), 
Falam pelas tripas: 
- "Sei!" — "Não sabe!" — "Sabe!". 
 
Longe dessa grita, 
Lá onde mais densa 
A noite infinita 
VOCABULÁRIO 
enfunar: Inchar; envaidecer. 
trigo;joio = Erva daninha. O 
sentido, no poema, é de 
retoricamente perfeito" 
aguado: Desagradável, 
monótono. 
cético: Que duvida de tudo; 
descrente. assomo: Irritação, 
enfurecimento. 
martelado: Trabalhado; 
ritmado. 
lavor: Trabalho. 
primar: Ser primoroso, 
hábil. 
estatuário: Escultor. 
cognato: Vocábulo que tem 
raiz comum com outro(s). 
perau: Declive, barranco. 
frumento sem joio: frumento 
= O melhor 
transido: Esmorecido, 
abatido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Verte a sombra imensa; 
 
Lá, fugido ao mundo, 
Sem glória, sem fé, 
 No perau profundo 
 E solitário, é 
 
Que soluças tu, 
Transido de frio, 
Sapo-cururu 
Da beira do rio... 
BANDEIRA, Manuel."Os sapos" In: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro, 
Nova Aguilar, 1983. p. 158. 
 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) Que recurso sonoro o poeta utiliza na primeira estrofe para imitar a marcha saltitante dos 
sapos? 
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2) Em meio à algazarra dos medíocres, quem simboliza a solidão do artista superior? 
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3) Em que versos o poeta resume a sua denúncia do equívoco parnasiano de que a boa métrica 
e a rima constituiriam a excelência da forma e da poesia? 
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4) Qual dos sapos caracteriza a vaidade excessiva de alguns parnasianos? 
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5) Sabendo-se que os três primeiros sapos simbolizam os poetas parnasianos, quem estaria 
sendo simbolizado pelo sapo-cururu? 
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__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
MODERNISMO PORTUGUÊS 
 
Contexto histórico: 
 
 Com a queda da monarquia em 1910, Portugal viveu um breve período democrático até 
1926, quando o país passou a ser governado por uma Junta Militar. Neste cenário, surgiu 
Antônio de Oliveira Salazar, que, inicialmente ministro das Finanças, é nomeado primeiro-
ministro em 1932, dando início a um novo período ditatorial desumano e cruel, durante o qual a 
sua temida PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado, uma espécie de Gestapo nazista 
em Portugal) perseguiu e assassinou milhares de opositores ao regime. 
 Na década de 1960, Portugal organizou campanhas militares para enfrentar rebeliões em 
Angola, na Guiné e em Moçambique, fatos que marcaram profundamente a sociedade 
portuguesa e influenciaram a poesia do período. 
 Em 1968, em virtude de um derrame cerebral, Salazar foi substituído por Marcelo 
Caetano, que governou até ser deposto, em 1974, por um movimento militar que passou à 
história com o nome de Movimento de 25 de abril (ou Revolução dos Cravos). 
 Com o fim das guerras coloniais e com a independência da Guiné-Bissau, Moçambique, 
Cabo Verde, Angola e são Tomé e Príncipe, entre 1974 e 1975, o regresso de tropas e colonos 
agravou os problemas de desemprego e crescimento urbano. Os anos que se seguiram foram 
de instabilidade, quadro que começou a mudar em 1976, quando os socialistas conseguiram a 
maioria dos votos e Mário Soares foi indicado primeiro-ministro. 
 Em 1986, Portugal entrou para a Comunidade Econômica Européia, o que contribuiu para 
a melhoria da sua economia, chegando ao final do século XX com altos índices de crescimento 
econômico e uma expressiva melhoria nas condições de vida de seu povo. 
 
 
Correntes do Modernismo português da primeira metade do século XX: 
 
 O Modernismo português teve várias correntes e grupos, os quais se situam, 
didaticamente, entre 1915 e 1950. 
 
Orfismo - 1915 : A publicação da revista Orfeu, em 1915, que reunia um grupo de escritores e 
artistas plásticos, é o marco inicial do modernismo em Portugal. Em seus dois únicos números 
estavam as figuras mais representativas do Modernismo português: Fernando Pessoa, Mário de 
Sá-Carneiro e Almada Negreiros. 
 
 
 
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 Esses escritores repudiavam o idealismo romântico da burguesia, a qual pretendiam 
escandalizar, e procuravam imprimir ao ambiente literário português o tom europeu, com a 
proposta de romper com o passado e de exprimir na arte o dinamismo da vida moderna, 
assimilando as propostas vanguardistas do início do século, entre elas o Futurismo. 
 No mesmo momento, destacam-se Aquilino Ribeiro e Florbela Espanca, embora não 
tenham ligações com os poetas de Orfeu. 
 
Presencismo – 1927 : Em 1927, surge a revista Presença, que teve 54 números até 1947. 
Coincidindo com o início do fim da democracia em Portugal, os presencistas aspiravam a uma 
literatura desvinculada de qualquer posição de caráter político e religioso. 
 Embora marcados por um conservadorismo político-ideológico, os presencistas 
combatiam o academicismo e difundiam a estética modernista, esforçando-se para tornar 
conhecida a obra de Fernando Pessoa. Desse grupo saíram algumas tentativas de renovação 
do romance português, como, por exemplo, Jogoda cabra-cega, de José Régio. Destacaram-se 
na poesia, na prosa e na crítica literária: Adolfo Casais Monteiro, Alberto Serpa, Antônio Boto, 
Carlos Queirós, João Gaspar Simões, Miguel Torga, Vitorino Nesmésio e outros. 
 
 
Neo-Realismo – 1930: 
 
 Ao longo da década de 30 processou-se a revalorização do realismo, encontrando em 
Ferreira de castro um precursor do qual seria chamado de Neo-Realismo, com o romance A 
selva (1930). Em 1939, Alves Redol publicou Gaibéus, marco definitivo dessa tendência e que 
teve larga aceitação. 
 Fruto da insatisfação com a ditadura salazarista, os neo-realistas voltavam-se para as 
questões sociais do país, objetivando conscientizar os leitores e denunciar a corrosão da 
estrutura política, econômica e social de Portugal. 
 Entre 1941 e 1944, os poetas neo-realistas publicaram 10 volumes do Novo Cancioneiro, 
coletânea onde se encontram os poetas mais representativos do período: Carlos de Oliveira, 
José Gomes Ferreira, Mário Dionísio, e outros. 
 Na prosa, além dos precursores, conquistaram notoriedade: Augusto Abelaira, Carlos de 
Oliveira, Fernando Namora, José Cardoso Pires, José Gomes Ferreira, Manuel da Fonseca, 
Urbano Tavares Rodrigues, Vergílio Ferreira (no começo de sua carreira), entre outros. 
 
 
O Surrealismo tardio: a geração de 50: 
 
 O Surrealismo chega tardiamente em Portugal, por volta de 1947, agrupando alguns 
poetas liderados por Mário Cesariny. 
 Numa oposição clara ao facismo salazarista, esses poetas utilizavam o humor, a 
exploração de imagens do inconsciente e automatismo psíquico. Entre eles, destacaram-se: 
Antônio Maria Lisboa e Alexandre O’Neill. 
 
 
Principais autores: 
 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
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Fernando Pessoa ,o criador de poetas ,o multiplicador de eus- Usava vários heterônimos, 
assinando as suas obras de acordo com a personalidade de cada um deles. O poeta insistia no 
fato de que não se tratava de pseudônimos, já que eram individualidades distintas do autor. Sua 
capacidade de deixar-se possuir por outros seres,que como ele são poetas ,e de assim criar os 
outros eus, os heterônimos,tem sido tema de inumeráveis estudos,debates e controvérsias. 
 Álvaro de Campos, um dos heterônimos do poeta,afirma que ‘`fingir`` é conhecer-
se”enquanto Pessoa,num de seus poemas mais conhecidos,diz que:”O poeta é um fingidor-
Finge tão completamente\Que chega a fingir que é dor.A dor que deveras sente’. 
 Esse paradoxos apontam para a modernidade do poeta,em seu reconhecimento da perda 
da identidade do ser humano,da fragmentação do eu,cindindo num mundo que destruiu as 
certezas inquestionáveis e quebrou o mito da personalidade como algo inteiro,igual a si mesmo. 
 Nesse sentido,o ‘fingimento’ pessoano,isto é,o processo de despersonalização que faz o 
poeta’inventar-se’através de outras criaturas- as quais,no entanto dentro de si-pode ser 
entendido como busca de recriação poética de uma unidade perdida,de algo que seja 
absoluto,que transcenda todas as verdades parciais ,relativas,fragmentadas. 
 Assumindo a sua diversidade,a sua pluralidade,a sua multiplicidade de elementos,quase 
sempre conflitantes.Pessoa procura a unidade,a integridade da pessoa humana 
 Os heterônimos,portanto,não são máscaras literárias ,não se confundem com 
pseudônimos.Pessoa não inventou personagens-poetas,mas criou obras de poetas, e,em função 
delas,as biografias de Álvaro de Campos,Ricardo Reis e Alberto Caeiro, seus principais 
heterônimos. 
 Fernando Pessoa ortônimo:o poeta-filósofo,que conjuga lucidez e vivência: 
Nasceu em 1888,em Lisboa,vindo a falecer na mesma cidade,em 1935,com apenas 47 
anos;órfão de pai ainda criança passou a infância e a adolescência em Durban,na África do 
Sul,onde obteve educação inglesa,tornando-se um poeta bilíngue, 
 Em 1905,prestes a ingressar na Universidade do Cabo,precisou voltar para Lisboa.Lá 
chegou a iniciar o curso de Letras,abandonando-o para instalar uma tipografia.que 
fracassou.Trabalhou obscuramente como correspondente estrangeiro-redator de cartas 
comerciais em inglês e francês –atividade modesta,que acabou por sustentá-lo a maior parte da 
vida. 
 Embora tenha participado das publicações do Modernismo português,seu único livro 
publicado em vida foi:’Mensagem”,obra com a qual participou de um concurso de poesia do 
Secretariado da Propaganda Nacional,em Lisboa,em 1934,pouco antes de morrer. 
, O prêmio de segunda categoria que lhe deram,nessa última experiência literária,mostra o 
quanto não foi reconhecido em vida,embora tenha dedicado toda ela à arte e a poesia.É 
considerado um dos maiores poetas europeus. 
 Além de Mensagem,escreveu Poemas completos de Alberto Caeiro,Odes de Ricardo 
Reis,Poesias de Álvaro de Campos,Poemas dramáticos,Poesias coligidas ,Quadras ao gosto 
popular,Novas poesias inéditas.Em prosa suas obras são:Páginas de Doutrina Estética,A nova 
poesia portuguesa,Análise da vida mental portuguesa,Apologia do paganismo e Páginas íntimas 
e autointerpretação. 
 Poeta filosófico,sutil e complexo,Fernando Pessoa escreve em redondilhas 
rimadas,fundamentalmente procurando reunir o”sentir’ e o ‘pensar’(‘O que em mim sente está 
pensando’). 
 A inquietação,a necessidade de compreender todas as coisas,a busca constante de 
consciência,que inclui saber ser ela uma impossibilidade,constituem alguma das características 
fundamentais de sua vida. 
 
 
 
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 Fernando Pessoa é o poeta que conjuga lucidez e vidência,que se coloca entre o pendor 
para a paixão,o sonho,a entrega mágico-poeta aos mistérios e a postura de constante indagação 
crítica. 
 Assim,fragmentou-se,multiplicou-se,reinventou-se,convivendo em profundidade com 
todas as grandes contradições do nosso tempo e recriando-as poeticamente,numa das 
monumentais obras-primas do século XX. 
 
 Mar portuguez 
 
Ó mar salgado, quanto do teu sal 
São lágrimas de Portygal! 
Por te cruzarmos,quantas mães choraram, 
Quantos filhos em vão resaram! 
Quantas noivas ficaram por casar 
Para que fosses nosso,ó mar! 
 
 Fernando Pessoa.Op.cit.pág.82. 
 
 
Alberto Caeiro,o poeta-pastor – É o poeta ingênuo. Criado no campo, apega-se à simplicidade 
natural da vida, à franqueza e à alegria. Procura ver as coisas como elas são, sem subjetivismo 
e metafísica. O mundo é para ele o que aí está, não havendo nada a desvendar, já que não 
existiria nenhum outro sentido oculto por trás das aparências. 
 
Álvaro de Campos ,o poeta das sensações do homem moderno– É o poeta moderno. Tem a 
visão do homem urbano, agressivo e agitado, que exalta o progresso, mas carrega também a 
angústia da sua época. Na linha do Futurismo, celebra a máquina, a velocidade e a 
simultaneidade das sensações. È o mais emotivo de todos. Questiona as ilusões e fantasias 
humanas. 
 
Ricardo Reis,o poeta neoclássico – É o poeta neoclássico. Seu estilo é trabalhado, cuidadoso 
no vocabulário e na sintaxe de influência latina. Assim como os clássicos, é pagão e, como 
Caeiro, prega o amor à natureza e à vida rústica. Sofre por se saber efêmero, mortal. 
 
Fernando Pessoa “ele mesmo” – É o poeta múltiplo. Sua poesia ora é mística, ora é 
nacionalista, ora é de uma profunda reflexão psicológica e metafísica, como o poema 
“autopsicografia”. Avesso ao sentimentalismo, expressa suas emoções equilibradas pela 
inteligência e pelo intelecto. Parte de sua poesia mantém laços com o Simbolismo. Místico e 
esotérico, revela paixão pelo mistério. O apego à solidão, o tédio, a saudade e o questionamento 
do eu são outras características de Fernando Pessoa “ele mesmo”. 
 
 
 
AUTOPSICOGRAFIA 
 
O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente 
 
 
 
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Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente. 
 
E os que leem o que escreve, 
Na dor lida sentem bem, 
Não as duas que ele teve, 
Mas só a que eles têm. 
 
E assim nas calhas de roda 
Gira, aentreter a razão, 
Esse comboio de corda 
Que se chama o coração. 
 (Fernando Pessoa) 
 
 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) Dê o significado dos radicais que entram na composição do título do poema. O que ele nos 
sugere, relacionado que está ao caráter metalinguístico do texto? 
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2) Literatura é ficção, palavra originária do latim fictione que significa simulação, fantasia. O texto 
literário cria uma nova realidade, baseada não só no mundo real, mas também na imaginação e 
criação do artista. Em que verso o eu-lírico retoma esse conceito? 
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3) Identifique no poema os versos que fazem referência à dor verdadeira, à dor escrita e à dor 
lida. 
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4) A partir da sua imaginação, o poeta constrói um texto que acaba por preencher os momentos 
de lazer dos leitores. Retire da última estrofe os substantivos que correspondem a esta ideia. 
 
 
 
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EXERCÍCIOS 
 
1) Que revista inaugura didaticamente o Modernismo português? 
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2) Identifique nos textos seguintes os principais heterônimos de Fernando Pessoa: 
 
a) Amo-vos a todos, a tudo, como uma fera 
 Amo-vos carnivorosamente, 
 Pervertidamente e enroscando a minha vista 
 Em vós, ò coisas grandes, banais, úteis, inúteis, 
 Ò coisas todas modernas, 
 Ò minhas contemporâneas, forma atual e próxima 
 Do sistema do Universo! 
 Nova Revelação metálica e dinâmica de Deus! 
 
b) O meu olhar azul como o céu 
 É calmo como a água ao sol. 
 É assim, azul e calmo, 
 Porque não interroga nem se espanta... 
 
c) Vem sentar-se comigo, Lídia, à beira do rio. 
 Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos 
 Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. 
 (Enlacemos as mãos) 
 
3) Que autor é considerado o precursor do Neo-Realismo português? Com que obra? 
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4) Que autor e que obra marcam definitivamente o início do Neo-Realismo português? 
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MODERNISMO NO BRASIL 
 
 
PRIMEIRA FASE (1922 – 1930): 
 
 A primeira fase do Modernismo, marcada pelo signo da transformação, ficou conhecida 
como a fase “heróica” ou de destruição, pela postura de rompimento com o passado, vista por 
muitos como anárquica e destruidora. Dentre as principais características literárias observadas 
nos textos dessa geração, destacam-se: 
 
 Negação do passado, caráter destrutivo; 
 Eleição do moderno como um valor em si mesmo; 
 Valorização do cotidiano; 
 Nacionalismo; 
 Redescoberta da realidade brasileira; 
 Desejo de liberdade no uso das estruturas da língua; 
 Predominância da poesia sobre a prosa. 
 
 
Principais autores: 
 
 Mário de Andrade – Estreou com um livro de influências parnasianas e simbolistas. Mas 
Paulicéia desvairada(1922) seria o primeiro livro do Modernismo Brasileiro. 
 As obras ficcionistas desse autor podem ser divididas em duas vertentes: a primeira trata 
do universo familiar da burguesia paulistana e da gente do povo – Amar, verbo intransitivo e a 
série de contos que publicou. A segunda origina-se do aproveitamento de lendas indígenas, 
mitos, anedotas populares e elementos do folclore nacional, com os quais compôs sua obra 
prima, Macunaíma. 
 O herói apresenta traços bem definidos, como a preguiça, o deboche, a irreverência, a 
malandragem, a sensualidade, o individualismo e o sentimentalismo. Entretanto, o caráter do 
herói muda de um episódio para outro, o que justifica qualifica-lo de “herói sem nenhum caráter”. 
 
Obras: 
 
 
 
 
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 Poesia – Há uma gota de sangue em cada poema, Paulicéia desvairada, Losango 
cáqui, Clã do jabuti, Remate de males, Lira paulistana; 
 
 Ficção – Amar, verbo intransitivo, Macunaíma, Os contos de Belazarte, Contos 
novos; 
 
 Ensaio – A escrava que não é Isaura, Aspectos da literatura brasileira, O 
empalhador de passarinhos. 
 
 
 
 
 
 
MACUNAÍMA 
(fragmento) 
 
 Macunaíma parte do interior da selva amazônica rumo a são Paulo para reaver o amuleto 
que ganhara de sua mulher, que subira aos céus desgostosa com a morte do filho. Macunaíma, 
junto com seus irmãos Jiguê e Maanape, participa de várias façanhas até recuperar o amuleto 
que estava em poder de Venceslau Pietro Pietra (o gigante Piaimã). Contudo, perde-o 
novamente, enganado pela Uiara (divindade dos rios e dos lagos). Desiludido e sozinho depois 
da morte dos irmãos, resolve subir aos céus e deixar-se transformar na constelação de Ursa 
Maior. 
 O trecho seguinte narra as transformações de Macunaíma e seus irmãos, ao se banharem 
nas águas de uma cova avistada na rocha, quando seguiam para São Paulo pelo rio Araguaia. 
 
 Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d’água. 
 E a cova era que-nem a marca dum pé-gigante. Abicaram. O herói depois de muitos gritos 
por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirnho. Mas a água era encantada porque 
aquele buraco na lapa era a marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o 
evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco louro e 
de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar 
nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas. 
 Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé. Porém a água 
já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando 
água para todos os lados só conseguiu ficar com a cor do bronze novo. (...) 
 - Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que 
sem nariz. 
 Maanape então é que foi se lavar, mas Jiguê esborrifara toda a água encantada pra fora 
da cova. Tinha só um bocado lá no fundo e Maanape conseguiu molhar só a palma dos pés e 
das mãos. Por isso ficou negro bem o filho da tribo dos Tapanhumas. Só que as palmas das 
mãos e dos pés dele são vermelhas por terem se limpado na água santa. 
(Mário de Andrade) 
 
Vocabulário: 
Lapa – grande pedra ou laje que forma um abrigo. 
 
 
 
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Abicar – encalhar propositamente com a proa. 
Sumé – São Tomé. Segundo a lenda, há no Brasil várias marcas dos pés de São Tomé em sua 
peregrinação apostólica, antes do descobrimento. 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) Alegoria é a exposição de um pensamento sob forma figurada. O texto lido é uma 
representação alegórica de quê? 
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__________________________________________________________ 
 
2) Que reação de Macunaíma não condiz com o que se espera de um herói, prenunciando o 
anti-heroi? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
3) Os modernistas da 1ª fase procuravam romper com a linguagem formal e incorporar a fala 
coloquial (uso do vocabulário e sintaxe bem próximos da linguagem cotidiana). Muitas vezes 
utilizavam registros populares da língua ou não utilizavam pontuação, contrariando a gramática 
normativa. 
Indique no texto passagens que exemplificam essa afirmação. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
5) Mário de Andrade valoriza a lógica e a razão nesse texto? Por quê? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
 Oswald de Andrade – Buscou uma poesia que expressasse o genuinamento brasileiro e 
percorresse, desde os tempos coloniais, a vida rural e urbana do país, que procurou ver com 
olhar ingênuo da criança e o da pureza primitiva do índio. Reaproveitando textos dos primeiros 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
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viajantes (sobretudo de Caminha), escreveu poemas breves, em versos livres e brancos, com 
linguagem coloquial, humor e paródia, recusando a estrutura discursiva do verso tradicional. 
 
Obras: 
 
 Poesia – Pau-brasil, Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade; 
 
 Romance – Trilogia do exílio: I Os condenados, II A estrela do absinto, III A escada 
vermelha, Memórias sentimentais de João Miramar, Serafim Ponte Grande, Marco 
zero I: A revolução melancólica, Marco zero II: Chão; 
 
 Teatro – O homem e o cavalo, O rei da vela, A morta, O rei Floquinhos (infantil) 
 
 
 
 
 
 
 MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE JOÃO MIRAMAR 
(fragmento) 
 
 É considerada a primeira grande realização da prosa modernista. Rompendo com 
esquemas tradicionais da narrativa, a obra é construída a partir de fragmentos justapostos, de 
blocos que rompem com a seqüência discursiva e de capítulos relâmpagos, assemelhando-se à 
justaposição cinematográficas, o que impossibilita uma leitura linear da história e deixa a cargo 
do leitor a recomposição da narrativa. A paródia, a técnica cubista (aproximação de elementos 
distanciados, como a pintura de um olho sobre a perna, por exemplo), a frase sincopada, as 
elipses que devem ser preenchidas pelo leitor, a linguagem infantil e poética, e outras inovações 
fazem das Memórias uma obra revolucionária para sua época. O recurso metonímico, dentro da 
técnica cubista, é levado ao extremo, como nesta passagem em que empresta a uma porta as 
mangas de camisa e as barbas de quem foi abri-la: 
 Um cão ladrou à porta barbuda em mangas de camisa e uma lanterna bicor mostrou os 
iluminados na entrada da parede. 
 
 
3. Gare do infinito 
 Papai estava doente na cama e vinha um carro e um homem e o carro ficava esperando 
no jardim. 
 Levaram-me para uma casa velha que fazia doces e nos mudamos para a sala do quintal 
onde tinha uma figueira na janela. 
 No desabar do jantar noturno a voz toda preta de mamãe ia me buscar para a reza do 
Anjo que carregou meu pai. 
 
8. Fraque do ateu 
 Saí de D. Matilde porque marmanjo não podia continuar na classe com meninas. 
 Matricularam-se na escola-modelo das tiras de quadros nas paredes alvas escadarias em 
um cheiro de limpeza. 
 
 
 
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 Professora magrinha e recreio alegre começou a aula da tarde um bigode de arame 
espetado no grande professor Seu Carvalho. 
 No silêncio tique-taque da sala de jantar informei mamãe que não havia Deus porque 
Deus era a natureza. 
 
 Nunca mais vi o Seu Carvalho que foi para o Inferno. 
 
 (Oswald de Andrade) 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) Que fases da vida de João Miramar estão representadas nos capítulos transcritos? 
_____________________________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
2) Que parágrafo do capítulo 3 melhor caracteriza a linguagem infantil? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
3) Destaque do capítulo 3 a metonímia que registra a força do luto materno na memória do 
narrador. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
4) Por que Seu Carvalho perdeu o emprego de professor? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
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 Manuel Bandeira – Não participou diretamente da Semana de 22, mas seu poema “Os 
sapos” lida por Ronald de Carvalho, provocou reações radicais na segunda noite do 
acontecimento. Mário de Andrade chamava-o de “O São João Batista do Modernismo”. 
 O caráter geral de sua poesia é marcado ainda pelo tom confidencial, pelo desejo 
insatisfeito, pela amargura e por referências autobiográficas relacionadas com a sua doença (a 
tuberculose), com os lugares onde morou (sobretudo o bairro da Lapa, no Rio de Janeiro) e com 
a família. Ainda que se note em várias passagens da sua obra a herança do Romantismo, 
Bandeira soube evitar o sentimentalismo piegas, edificando uma obra depurada e de grande 
valor estético. 
 
Obras: 
 
 Poesia – A cinza das horas, Carnaval, Ritmo dissoluto, Libertinagem, Estrela da 
manhã, Lira dos cinquent’anos, Belo, belo, Estrela da vida inteira; 
 
 Prosa – Crônicas da província do Brasil, Guia de Ouro Preto, Itinerário de 
Pasárgada, Andorinha, andorinha. 
 
 
 
 
 
 
 Alcântara Machado – Importante contista da primeira fase do Modernismo, retratou a 
vida e as gentes de São Paulo, com predileção pelo imigrante italiano. Nos bairros populares, 
suas personagens vivem as cenas do cotidiano: a partida de futebol, as brigas de rua, as festas, 
etc. Diminuindo a distância entre a língua falada e a escrita, incorporou a linguagem popular, os 
italianismos e uma sintaxe simples, o que resultou numa prosa leve e num estilo moderno.Obras: 
 
 Contos e novelas – Pathé-Baby; Brás, Bexiga e Barra Funda; Laranja da China; Mana 
Maria; Novelas paulistanas. 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) O que pretendia a 1ª fase do Modernismo? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
2) Qual autor da 1ª fase que escrevia sobre a cidade de São Paulo? 
 
 
 
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__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
3) Qual autor da 1ª fase em que suas obras são marcadas pela amargura e autobiografia? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
4) A figura do imigrante italiano e do homem do povo e a incorporação da linguagem popular 
encontram-se nos livros de que autor paulistano? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
SEGUNDA FASE (1930 – 1945) 
 
Contexto histórico: 
 
 Em 1930, têm início os quinze anos da ditadura de Getúlio Vargas. 
 Com o objetivo de obter apoio junto às massas, Getúlio toma uma série de medidas: o país é 
dotado de uma legislação trabalhista e previdenciária, decreta-se o salário mínimo e adotam-se 
providências para a criação de um partido trabalhista. Em 1945, é decretada a anistia para os presos 
políticos e são convocadas eleições para dezembro. Porém, as suspeitas de um novo golpe 
getulista, naquele ano, provocam o descontentamento dos militares, que, num movimento liderado 
pelo general Góis Monteiro, depõe o ditador. 
 
A literatura da 2ª fase: 
 
POESIA: 
 
 A geração de 30, despreocupada com as questões imediatas de 22 (o nacionalismo, o folclore, 
a destruição dos esquemas do passado, etc), voltava-se para as questões universais do homem e 
para os problemas da sociedade capitalista. É o que se dá, por exemplo, na poesia de Carlos 
Drummond de Andrade, Murilo Mendes e Jorge de Lima. Em Vinícius de Moraes e Cecília Meireles, 
a temática universalizante também estará presente, embora suplantada por uma poesia personalista. 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 
31 
Por outro lado, alguns dos mais importantes poetas de 30, entre eles Murilo Mendes, Jorge de Lima 
e Cecília Meireles, icorporarariam a religiosidade e o misticismo em seus poemas. 
 Finalmente é preciso observar que a geração de 30 não processou uma mudança repentina e 
tampouco limita-se àquele período. Os poetas de 22, agora mais amadurecidos, continuariam em 
plena atividade, paralelamente aos de 30, e alguns destes também continuariam produzindo e se 
renovando até o final do século XX. 
 
 
Principais autores: 
 
 Carlos Drummond de Andrade – Seu nome está associado ao que se fez de melhor na 
poesia brasileira até hoje. Pela grandiosidade e pela qualidade, sua obra não permite qualquer tipo 
de esquematização. Por isso, segue abaixo alguns aspectos da poesia de Drummond: 
 
a) O cotidiano – De acontecimentos banais, corriqueiros, gestos ou paisagens simples, o eu-lírico 
extrai poesia. 
b) O aspecto gauche – a palavra gauche, de origem francesa, corresponde a “esquerdo” em nosso 
idioma. Em sentido figurado, o termo pode significar “acanhado”, “inepto”. Qualifica o ser às avessas, 
o “torto”, aquele que está à margem da realidade circundante e que com ela não consegue se 
comunicar. É assim que o poeta se vê: como gauche. 
c) A preocupação social e política – Muitos poemas denunciam a opressão que marcou o período 
da Segunda Grande Guerra e a ascensão do nazi-fascismo. 
d) Reminiscências – O passado ressurge muitas vezes na poesia de Drummond e sempre como 
antítese para a realidade presente. A terra natal – Itabira – transforma-se então no símbolo da 
atmosfera cultural e afetiva vivida pelo poeta. Nos primeiros livros, a ironia predominava na 
observação desse passado; mais tarde, o que vale são as impressões gravadas na memória. Na 
reinterpretação desse passado, o tom predominante é de afeto, não mais de ironia. 
 
e) O amor – Nos primeiros livros, o tema merece tratamento irônico. Mais tarde, o poeta procura 
captar a essência desse sentimento e só encontra como Camões e outros – as contradições, que se 
revelam no antagonismo entre o definitivo e o passageiro, o prazer e a dor. 
 
f) Metalinguagem: a poesia torna-se assunto do poema – A reflexão sobre o ato de escrever faz 
parte das preocupações do poeta e ajuda o leitor a entender seu conceito de poesia. 
 
Obras: 
 Poesia - Algumas poesias; Brejo das almas; Sentimento do mundo; Poesias; A rosa do povo; 
A vida passada a limpo; Menino antigo; Discurso de primavera e algumas sombras; Corpo; O 
amor natural, entre outros; 
 
 Prosa – Confissões de Minas; Contos de aprendiz; Passeio na ilha, Fala, amendoeira; Boca 
de luar; entre outros. 
 
 
 
 
 
 
POEMA DE SETE FACES 
 
Quando nasci, um anjo torto 
desses que vivem na sombra 
disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida. 
 
As casas espiam os homens 
que correm atrás das mulheres. 
A tarde talvez fosse azul, 
não houvesse tantos desejos. 
 
 
 
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INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) Que relação se pode estabelecer entre o título do poema e o número de estrofes? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
2) Que elemento comum identifica o poeta e o anjo? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
Vocabulário 
guache: fr. [gôshi] Deslocado, desajustado, à esquerda dos 
acontecimentos. 
 
 
 
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__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
3) Há uma aparente desconexão entre as várias estrofes, como se o poeta registrasse flashes 
da realidade. Identifique cada uma das estrofes, a partir da idéia básica de cada uma delas, que 
assinalamos a seguir: 
a) flash do adulto sério, reservado – ___________________________ 
 
b) nascimento do poeta – ___________________________ 
 
c) percepção de um mundo inquieto, que poderia ser mais belo – 
________________________________ 
 
d) desajustamento entre a realidade interior e a exterior, aliado à percepção da sexualidade - 
_________________________________________ 
 
4) Em que verso o poeta utiliza uma passagem bíblica? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
5) Em que estrofe o poeta descobre-se impotente diante do mundo? Transcreva o verso que 
evidencia essa sensação. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 Murilo Mendes – Faz parte de um grupo de intelectuais que, na década de 30, encontraram no 
cristianismo a respostapara a crise política e ideológica que o mundo atravessava. Embora seja 
um escritor pouco lido ainda hoje, a obra de Murilo Mendes apresenta uma superior qualidade 
literária. A seguir, apontam-se alguns aspectos de sua poesia: 
a) Humor e ironia como instrumento crítico – Esse é o tom dos poemas que herdam algumas 
características da primeira fae do Modernismo. 
b) O cristianismo – Nesse cristianismo ressaltam dois aspectos: 
1- a ênfase sobre a finitude do homem; 
 2 – o heroísmo de Cristo, considerado mais como homem que como Deus. 
 
Obras: 
 Poesia – Poemas; História do Brasil; Tempo e eternidade; A poesia em pânico; O 
visionário; As metamorfoses; Mundi enigma, entre outros; 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
34 
 
 Prosa – O discípulo de Emaús; A idade do serrote; Trasistor; antologia. 
 
 
 Jorge de Lima – Como Murilo Mendes, faz parte do grupo de intelectuais que 
encontraram no cristianismo a resposta para a crise política e ideológica que o mundo 
atravessava. 
 A temática de suas principais obras poéticas pode ser assim resumida: 
a) XIV alexandrinos apresentam versos ainda ligados ao Parnasianismo; 
b) Novos poemas têm o negro e o folclore como assuntos principais; 
c) Tempo e eternidade, obra em que contribuiu com 45 poemas, aponta na religião a solução 
para a realidade injusta, conturbada e excessivamente materialista; 
d) Invenção de Orfeu é um longo poema que procura interpretar simbolicamente a ligação entre 
o homem e o universo; 
 
 Vinícius de Moraes – Em primeiro momento, sua obra pode ser dividida em duas fases: 
místico-religiosa e encontro com o mundo material e cotidiano. 
 O poeta expressa, com intensa angústia, a constante oposição entre a matéria e espírito, 
do qual resulta a sensação do pecado. A existência terrena configura-se para ele como o caos, 
o abismo. 
 Poeta lírico por excelência, em sua segunda fase, alia temas modernos à mais apurada 
forma clássica de composição, o soneto, deixando-nos algumas obras-primas. 
 
Obras: 
 Poesia – O caminho para a distância; Forma e exegese; Ariana, a mulher; Novos 
poemas; Cinco elegias; Poemas, sonetos e baladas; Pátria minha; Livro de sonetos; 
Novos poemas II; 
 
 Crônica – Para viver um grande amor; Para uma menina com uma flor; 
 
 Teatro – Orfeu da Conceição, em versos; Procura-se uma rosa; Cordélia e o peregrino, 
em versos. 
 
 
 Cecília Meireles – São duas as características de suas obras: a musicalidade e a 
preocupação com a fugacidade do tempo e a precariedade das coisas e dos seres. 
 Da consciência dessa fragilidade de tudo, decorre o tom melancólico de muitos de seus 
poemas. Não se filiou radicalmente a nenhuma das tendências modernistas. Sua poesia lírica 
enraíza na tradição luso-brasileira. 
 Em boa parte de sua obra a realidade exterior transportada para o poema reduz-se quase 
exclusivamente a elementos móveis, etéreos, instáveis, efêmeros. Esses elementos são 
metáforas para a falta de duração de tudo 
 Um dos pontos altos de sua obra poética é o Romanceiro da Inconfidência, que lhe 
custou pesquisas históricas e no qual, empregando o melhor de sua técnica, revela o seu amor à 
pátria e sua admiração pelos mártires da Inconfidência Mineira. 
 
 
 
 
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Obras: 
 Poesia – Espectros; Nunca mais... e Poema dos poemas; Baladas para El rei; Viagem; 
Vaga música; Mar absoluto; Retrato natural; romance de Santa Cecília, entre outros. 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Como é caracterizado a 2ª fase do Modernismo? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
2) Os poetas da geração de 30 estavam preocupados com o quê? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
3) Quais são os poetas que em seus poemas incorporaram a religiosidade? 
_____________________________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
4) Quais as principais características da poesia de Carlos Drummond de Andrade? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
5) Qual dos poetas da 2ª escrevia através de sonetos? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
 
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SONETO DO MAIOR AMOR 
 
Maior amor nem mais estranho existe 
Que o meu, que não sossega a coisa amada 
E quando a sente alegre, fica triste 
E se vê descontente, dá risada. 
 
E que só fica em paz se lhe resiste 
O amado coração, e que se agrada 
Mais da eterna aventura em que persiste 
Que de uma vida mal-aventurada 
 
Louco amor meu, que quando toca, fere 
E quando fere vibra, mas prefere 
Ferir a fenecer – e vive a esmo 
 
Fiel à sua lei de cada instante 
Desassombrado, doido, delirante 
Numa paixão de tudo e de si mesmo. 
 
 (Vinícius de Morais) 
 
Vocabulário: 
Mal-aventurado – infeliz, desventurado; 
Fenecer – acabar, morrer; 
A esmo – ao acaso, sem rumo; 
Desassombrado – corajoso; exposto; franco. 
 
 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) O que o eu-lírico leva em consideração para definir o seu amor como um amor “estranho”? 
Exemplifique. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
 
 
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2) Que estrofe contém a idéia de que a graça do amor é a conquista e de que é melhor arriscar-
se no amor do que levar uma vida sem graça? Justifique destacando es expressões que opõem 
uma possibilidade a outra. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
3) O poema lírico deve ser rico em musicalidade. Que recurso sonoro se destaca na 3ª estrofe 
deste soneto? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
4) Identifique o verso em que o eu-lírico declara amar, além da pessoa amada, o próprio 
sentimento de amar. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
PROSA: 
 
 Nos anos 30, a ficção dá novo salto qualitativo com o aparecimento de escritores de 
grande importância, que se distribuem basicamente em três vertentes: 
 
a) prosa regionalista – As raízes do regionalismo já se encontravam no século anterior, com Osertanejo, de José de Alencar, e O Cabeleira, de Franklin Távora 
 A preocupação com a revalorização do Nordeste deve-se em parte ao deslocamento do 
eixo econômico e cultural para o Sul, quando a indústria açucareira começa a decair. 
 O regionalismo de 30 soube revelar o drama da seca e das retiradas, a submissão do 
homem ao latifundiário, a ignorância e as mazelas políticas da região Nordeste. 
 A bagaceira, de José Antonio de Almeida, é a obra inaugural, e seu prefácio, intitulado 
“Antes que me falem”, constitui um autêntico manifesto do regionalismo de então. A seguir, 
publicam-se, entre outros, O Quinze, de Rachel de Queiroz, O país do carnaval, de Jorge 
Amado, e Menino de engenho, de José Lins do Rego. Em 1938, Graciliano Ramos publica Vidas 
secas, a obra máxima do romance nordestino. 
 
b) prosa urbana – José Geraldo Vieira, Érico Veríssimo e Marques Rebelo são os que mais se 
destacaram ao retratar o ambiente e as personagens das grandes cidades de então. 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
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c) prosa intimista – Os conflitos humanos e as questões psicológicas aparecem nas obras de 
Lúcio Cardoso, Dionélio Machado e Otávio de Faria. No final do período, surge um dos maiores 
nomes da literatura brasileira, Clarice Lispector, que merece considerações à parte. 
 
Principais autores: 
 
 Graciliano Ramos – De maneira geral, seus romances caracterizam-se pelo inter-
relacionamento entre as condições sociais e a psicologia das personagens; ao que se soma uma 
linguagem precisa, “enxuta” e despojada, de períodos curtos, mas de grande força expressiva. 
 Entre suas obras autobiográficas, destacam-se Memórias do cárcere, depoimento sobre 
as condições dramáticas de sua prisão durante o governo do ditador Getúlio Vargas. 
 
Obras: 
 
 Romance – Caetés; São Bernardo; Angústia; Vidas Secas; 
 
 Conto – Insônia; 
 
 Memórias – Infância; Memórias do cárcere; Linhas tortas; Viventes do Alagoas; 
 
 Infantis – Histórias de Alexandre; Histórias incompletas. 
 
 
VIDAS SECAS (fragmento) 
 
FUGA 
 
 A vida na fazenda se tornara difícil. Sinhá Vitória benzia-se tremendo, manejava o rosário, 
mexia os beiços rezando rezas desesperadas. Encolhido no banco do copiar, Fabiano espiava a 
catinga amarela, onde as folhas secas se pulverizavam, trituradas pelos redemoinhos, e os 
garranchos se torciam, negros, torrados. No céu azul as últimas arribações tinham 
desaparecido. Pouco a pouco os bichos se finavam, devorados pelo carrapato. E Fabiano 
resistia, pedindo a Deus um milagre. 
 Mas quando a fazenda se despovoou, viu que tudo estava perdido, combinou a viagem 
com a mulher, matou o bezerro morrinhento que possuíam, salgou a carne, largou-se com a 
família, sem se despedir do amo. Não poderia nunca liquidar aquela dívida exagerada. Só lhe 
restava jogar-se ao mundo, como negro fugido. 
 Saíram de madrugada. Sinhá Vitória meteu o braço pelo buraco da parede e fechou a 
porta da frente com a taramela. Atravessaram o pátio, deixaram na escuridão o chiqueiro e o 
curral,vazios, de porteiras abertas, o carro de bois que apodrecia, os juazeiros. Ao passar junto 
às pedras onde os meninos atiravam cobras mortas, Sinhá Vitória lembrou-se da cachorra 
Baleia, chorou, mas estava invisível e ninguém percebeu o choro. 
 Desceram a ladeira, atravessaram o rio seco, tomaram rumo para sul. Com a fresta da 
madrugada, andaram bastante, em silêncio, quatro sombras no caminho estreito coberto de 
seixos miúdos – os meninos à frente, conduzindo trouxas de roupa, Sinhá Vitória sob o baú de 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
39 
folha pintada e a cabaça de água, Fabiano atrás de facão de rasto e faca de ponta, a cuia 
pendurada por uma correia amarrada ao cinturão, o aió a tiracolo, a espingarda de pederneira 
num ombro, o saco da matalotagem no outro. Caminharam bem três léguas antes que a barra 
do nascente aparecesse. 
 Fizeram alto. E Fabiano depôs no chão parte da carga, olhou o céu, as mãos em pala na 
testa. Arrastara-se até ali na incerteza de aquilo fosse realmente mudança. Retardara-se e 
repreendera os meninos que se adiantavam, aconselhara-os a poupara forças. A verdade é que 
não queria afastar-se da fazenda. A viagem parecia-lhe sem jeito, nem acreditava nela. 
Preparara-a lentamente, adiara-a, tornara a prepará-la, e só se resolvera a partir quando estava 
definitivamente perdido. Podia continuar a viver num cemitério? Nada o prendia àquela terra 
dura, acharia um lugar menos seco para enterrar-se. Era o que Fabiano dizia, pensando em 
coisas alheias: o chiqueiro e o curral, que precisavam conserto, o cavalo de fábrica, bom 
companheiro, a égua alazã, as catingueiras, as panelas de losna, as pedras da cozinha, a cama 
de varas. E os pés dele esmoreciam, as alpercatas calavam-se na escuridão. Seria necessário 
largar tudo? As alpercatas chiavam de novo no caminho coberto de seixos. 
 Agora Fabiano examinava o céu, a barra que tingia o nascente, e não queria convencer-se 
da realidade. Procurou distinguir qualquer coisa diferente da vermelhidão que todos os dias 
espiava, com o coração aos baques. As mãos grossas, por baixo da aba curva do chapéu, 
protegiam-lhe os ombros contra a claridade e tremiam. 
 Os braços penderam, desanimados. 
 Acabou-se. 
 Antes de olhar o céu, já sabia que ele estava negro num lado, cor de sangue no outro, e ia 
tornar-se profundamente azul. Estremeceu como se descobrisse uma coisa muito ruim. 
 Desde o aparecimento das arribações vivia desassossegado. Trabalhava demais para não 
perder o sono. Mas no meio do serviço um arrepio corria-lhe no espinhaço, à noite acordava 
agoniado e encolhia-se num canto da cama de varas, mordido pelas pulgas, conjecturando 
misérias. 
 A luz aumentou e espalhou-se pela campina. Só aí principiou a viagem. Fabiano atentou 
na mulher e nos filhos, apanhou a espingarda e o saco de mantimentos, ordenou a marcha com 
uma interjeição áspera. 
(Graciliano Ramos) 
 
 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
 
1) Dois motivos obrigaram a família a retira-se da fazenda. Quais? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
2) Em que parágrafos se evidencia a condição de retirante de Fabiano e sua família? 
 
 
 
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__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
3) Quando tenta controlar a marcha dos filhos, Fabiano na verdade está disfarçando um estado 
de espírito. Identifique-o: 
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4) Fabiano sabe decifrar os sinais da natureza. Em que trecho se narra essa habilidade? 
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5) O conflito fundamental do texto resulta da oposição entre homem x meio natural. Explique: 
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6) O universo de qualquertrabalhador apresenta características próprias: 
 
a) Identifique elementos que caracterizam o universo de atuação de Fabiano. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
b) Fabiano é proprietário de qualquer um dos instrumentos de trabalho desse universo?Sua 
ligação com o meio é estável ou instável. 
 
 
 
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José Lins do Rego – Segundo o próprio autor, sua obra de ficção pode ser dividida em: 
 
 Ciclo da cana-de-açúcar: Menino de engenho, Doidinho, Bangüê, Usina e Fogo morto; 
 Ciclo do cangaço, do misticismo e da seca: Pedra Bonita e Cangaceiros; 
 Obras independentes: O moleque Ricardo, Pureza e Riacho Doce. 
 
As obras do chamado ciclo da cana-de-açúcar são as mais importantes, destacando-se 
Fogo morto. Nelas, o autor procura retratar o início da decadência dos senhores de engenho, o 
advento da usina de açúcar, com seus métodos modernos de produção, e a formação de uma 
nova estrutura econômica e social na região açucareira do Nordeste. 
 
 
 
 
MENINO DE ENGENHO 
(fragmento) 
 
 Coitado do Santa Fé! Já o conheci de fogo morto. E nada é mais triste do que engenho de 
fogo morto. Uma desolação de fim de vida, de ruína, que dá à paisagem rural uma melancolia de 
cemitério abandonado. Na bagaceira, crescendo, o mato-pasto de cobrir gente, o melão 
entrando pelas fornalhas, os moradores fugindo para outros engenhos, tudo deixado para um 
canto, e até os bois de carro vendidos para dar de comer aos seus donos. Ao lado da 
prosperidade e da riqueza do meu avô, eu vira ruir, até no prestígio de sua autoridade, aquele 
simpático velhinho que era o Coronel Lula de Holanda, com o seu Santa Fé caindo aos pedaços. 
Todo barbado, como aqueles velhos dos álbuns de retratos antigos, sempre que saía de casa 
era de cabriolé e de casimira preta. A sua vida parecia um mistério. Não plantava um pé de cana 
e não pedia um tostão emprestado a ninguém. 
 
(José Lins do Rego) 
 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) Explique o sentido da expressão fogo morto em “E nada é mais triste do que um fogo morto”. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
 
 
 
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__________________________________________________________ 
 
2) Destaque do texto uma passagem que comprove o seu caráter memorialista. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
3) Destaque do texto alguns elementos que indiquem a decadência do engenho Santa Fé. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 Jorge Amado – Costuma-se dividir sua obra em duas fases. A primeira caracteriza-se 
pelo forte conteúdo político e pela denúncia das injustiças sociais, o que muitas vezes dá um 
caráter panfletário e tendencioso às obras. O esquematismo psicológico das obras dessa 
primeira fase leva a uma divisão do mundo em heróis (marginais, vagabundos, operários, 
prostitutas, meninos abandonados, marinheiros, etc) e vilões (a burguesia urbana e os 
proprietários rurais). 
 A segunda fase Jorge Amado passa a construir seus romances com elementos folclóricos 
e populares: os costumes afro-brasileiros, a comida típica, o candomblé, os terreiros, a capoeira, 
etc. O mundo dos marginalizados torna-se então feliz, pois seus heróis levam uma vida sem 
preconceitos, sem regras severas de conduta social, o que lhes permite um elevado grau de 
liberdade existencial. 
 
Obras: 
 
 Romance – O país do carnaval; Cacau; Suor; Jubiabá; Mar morto; Capitães de areia; 
Terras do sem-fim; São Jorge do Ilhéus; Gabriela, cravo e canela; Dona Flor e seus dois 
maridos; Tenda dos milagres; Teresa Batista cansada de guerra; Tieta do agreste; 
 
 Novela- Os velhos marinheiros; Os pastores da noite; 
 
 Biografia – ABC de Castro Alves; O cavaleiro da esperança – Vida de Luís Carlos 
Prestes; 
 
 Teatro – O amor de Castro Alves, reeditado como o amor do soldado. 
 
 
 
 
 
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CAPITÃES DA AREIA 
(Jorge Amado) 
 
 O romance Capitães da areia, de Jorge amado é um documento sobre a vida dos meninos de 
rua de Salvador. A sua primeira edição (1937) foi apreendida e queimada em praça pública pouco 
depois de implantada a ditadura de Getúlio Vargas. No trecho a seguir, o narrador nos conta como 
Pedro Bala, aos quinze anos, assumiu a liderança de um grupo que dormia num velho armazém 
abandonado do cais do porto. 
 É aqui também que mora o chefe dos Capitães da Areia: Pedro Bala. Desde cedo foi chamado 
assim, desde seus cinco anos. Hoje tem quinze anos. Há dez que vagabundeia nas ruas da Bahia. 
Nunca soube de sua mãe, seu pai morrera de um balaço. Ele ficou sozinho e empregou anos em 
conhecer a cidade. Hoje sabe de todas as suas ruas e de todos os seus becos. Não há venda, 
quitanda, botequim que ele não conheça. Quando se incorporou aos Capitães da Areia (o cais 
recém- construído atraiu para as suas areias todas as crianças abandonadas da cidade) o chefe era 
Raimundo, o Caboclo, mulato avermelhado e forte. 
 Não durou muito na chefia o caboclo Raimundo, Pedro Bala era muito mais ativo, sabia 
planejar os trabalhos, sabia tratar com os outros, trazia nos olhos e na voz a autoridade de chefe. 
Um dia brigaram. A desgraça de Raimundo foi puxar uma navalha e cortar o rosto de Pedro, um 
talho que ficou para o resto da vida. Os outros se meteram e como Pedro estava desarmado deram 
razão a ele e ficaram esperando a revanche, que não tardou. Uma noite, quando Raimundo quis 
surrar Barandão, Pedro tomou as dores, do negrinho e rolaram na luta mais sensacional a que as 
areias do cais jamais assistiram. Raimundo era mais alto e mais velho. Porém Pedro Bala, o cabelo 
loiro voando, a cicatriz vermelha no rosto, era de uma agilidade espantosa e desde esse dia 
Raimundo deixou não só a chefia dos Capitães da Areia, como o próprio areal. Engajou tempos 
depois num navio. 
 Todos reconheceram os direitos de Pedro Bala à chefia, e foi dessa época que a cidade 
começou a ouvir falar nos Capitães da Areia, crianças abandonadas que viviam do furto. 
 
 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) Pela leitura do texto, pode-se concluir que o romance pretende denunciar que tipo de 
problema? 
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__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
2) Que fato da vida de Pedro Bala pode ser considerado como o elemento desencadeador de 
sua vida de menino de rua? 
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__________________________________________________________
 
 
 
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__________________________________________________________ 
 
3) Que características de Pedro Bala fizeram dele o líder do grupo? 
____________________________________________________________________________________________________________________
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__________________________________________________________ 
 
4) Mesmo sendo um grupo de marginalizados, os meninos demonstravam senso de justiça entre 
os membros do grupo. Que fato narrado comprova essa afirmação? 
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__________________________________________________________
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Érico Veríssimo – Costuma-se dividir suas obras em três grupos: 
 
 Romance urbano – Registram a vida da pequena burguesia porto-alegrense, com uma 
visão otimista, às vezes lírica, às vezes crítica, e com uma linguagem tradicional, sem 
maiores inovações estilísticas. Destacam-se as obras: Clarissa; Caminhos cruzados; Um 
lugar ao sol; Olhai os lírios do campo; saga; O resto é silêncio; 
 
 Romance histórico – O tempo e o vento. A trilogia de Érico Veríssimo procura abranger 
duzentos anos da história do Rio Grande do Sul, de 1745 a 1945; 
 
 Romance político – Escritos durante o período da ditadura militar, denunciam os males 
do autoritarismo e as violações dos direitos humanos. Dessa série destaca-se Incidente 
em Antares, O senhor embaixador e O prisioneiro. 
 
 
 
O tempo e o vento 
 
A trilogia de Érico Veríssimo narra a saga de uma família e de uma 
cidade do Rio Grande do Sul, desde suas origens, em 1745, até 1945.0 
trecho a seguir, extraído do primeiro volume, focaliza a personagem Ana 
Terra. 
 
Muitos anos mais tarde, Ana Terra costumava sentar-se na frente de sua 
casa para pensar no passado. E no seu pensamento como que ouvia o vento de outros tempos e 
sentia o tempo passar, escutava vozes, via caras e lembrava-se de coisas... O ano de 81 trouxera 
um acontecimento triste para o velho Maneco: Horácio deixara a fazenda, a contragosto do pai, e 
Ilustração de Nelson Faedric 
para o romance O tempo e o 
vento, de Érico Veríssimo. 
 
 
 
 
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fora para o Rio Pardo,onde se casara com a filha de um tanoeiro e se estabelecera com uma 
pequena venda. Em compensação, nesse mesmo ano Antônio casou-se com Eulália Moura, filha 
dum colono açoriano dos arredores do Rio Pardo, e trouxe a mulher para a estância, indo ambos 
viver no puxado que tinham feito no rancho. 
Em 85 uma nuvem de gafanhotos desceu sobre a lavoura deitando a perder toda a colheita. 
Em 86, quando Pedrinho se aproximava dos oitos anos, uma peste atacou o gado e um raio matou 
um dos escravos. 
Foi em 86 mesmo ou no ano seguinte que nasceu Rosa,a primeira filha de Antônio e Eulália? 
Bom. A verdade era que a criança tinha nascido pouco mais de um ano após o casamento. Dona 
Henriqueta cortara-lhe o cordão umbilical com a mesma tesoura de podar com que separara 
Pedrinho da mãe. 
E era assim que o tempo se arrastava, o sol nascia e se sumia, a lua passava por todas as 
fases, as estações iam e vinham, deixando sua marca nas árvores, na terra, nas coisas e nas 
pessoas. 
E havia períodos em que Ana perdia a conta dos dias. Mas entre as cenas que nunca mais lhe 
saíram da memória estavam as da tarde em que dona Henriqueta fora para a cama com uma dor 
aguda no lado direito, fica rã se retorcendo durante horas, vomitando tudo que engolia, gemendo e 
suando frio. E quando Antônio terminou de encilhar o cavalo para ir até o Rio Pardo buscar 
recursos, já era tarde demais. A mãe estava morta. Era inverno e ventava. 
 
VERÍSSIMO, Érico. O tempo e o vento 1:0 continente. Porto Alegre, Globo, 1956. p. 185. 
 
 
 
 
 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) Percebe-se no texto o embate de duas forças. Qual delas simboliza o que é permanência 
(memória) e qual simboliza o que é passagem (destruição)? 
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__________________________________________________________ 
 
2) Que forma verbal, predominantemente no texto, dá-lhe caráter memorialístico? 
__________________________________________________________
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3) Na marcação do tempo, um acontecimento positivo vem acompanhado de uma dúvida. Que 
acontecimento é esse? 
Vocabulário 
tanoeiro: Aquele que faz ou conserta barris, tinas, dornas etc. 
encilhar: Arrear, aparelhar. 
 
 
 
 
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4) Segundo a epígrafe que abre a obra, retirada do Eclesiastes, “Uma geração vai, e outra 
geração vem; porém a terra para sempre permanece”, em que parágrafo do texto também está 
presente essa visão cíclica, predominante no romance? 
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EXERCÍCIOS 
 
1) Na prosa, qual a novidade apresentada pela geração de 30? 
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2) O que os autores da prosa regionalista queriam retratar? 
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3) O que os autores da prosa intimista queriam retratar? 
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4) Dê características das obras de Graciliano Ramos, e sua obra que foi o marco do romance 
nordestino. 
 
 
 
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5) Caracterize as obras do ciclo da cana-de-açúcar, de José Lins do Rego. 
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6) Qual era a capital do Brasil que Érico Veríssimo costumava colocar em seus romances? 
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TERCEIRA FASE (1945 em diante) 
 
Fase de reflexão – de ponderação sobre a linguagem (metalinguagem), com o retorno a alguns 
modelos estilísticos tradicionais, ao que se soma uma temática universalista. 
 
 
Contexto histórico: 
 
 Encerrada a Segunda Grande Guerra, a atenção que se havia concentrado no plano 
internacional volta-se novamente para os problemas internos do país. São fatos marcantes no 
período de 45 a 60: 
 
 1945 – Término da Segunda Guerra Mundial. A chamada Guerra Fria separa mundo 
capitalista do socialista. No Brasil, ocorre a deposição de Getúlio Vargas; 
 1946 – Eleição de Eurico Gaspar Dutra e início do processo de redemocratização do país; 
 1950 – Eleição de Getúliopara a presidência da República. Dessa vez eleito pelo povo, 
Vargas vai assumir a presidência no ano seguinte; 
 1954 – Suicídio de Getúlio e posse de Café Filho; 
 1955 – Eleição de Juscelino Kubitschek para a presidência da República. O governo JK 
efetuaria mudanças profundas em nossa economia, buscando suplantar a condição de 
subdesenvolvimento. Uma das mais significativas foi a implantação da industria 
automobilística; 
 1960 – Inauguração de Brasília e eleição de Jânio Quadros para a presidência da 
República. 
 
 
 
 
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 A produção da terceira fase pode ser assim resumida: 
 
Prosa: 
 
 Enriquecida por grande número de contos, crônicas e romances, a prosa do período dá 
seqüência às três tendências básicas já observadas no segundo momento modernista, mas com 
considerável renovação formal. 
 
a) Prosa urbana – Dalton Trevisan é o nome mais importante surgido na terceira fase. 
Destacam-se ainda as crônicas de Rubem Braga e os romances e contos de Lygia Fagundes 
Telles. 
 
b) Prosa intimista – Esboçada na 2ª fase, a tendência intimista amadurece, gerando textos 
cada vez mais complexos e penetrantes. Clarice Lispector é a melhor representante dessa 
prosa. 
 
c) Prosa regionalista – Uma das tendências mais duradouras de nossa literatura, a prosa 
regionalista, surgida no Romantismo, vai ser retomada, porém com grandes inovações temáticas 
e lingüísticas. Destacam-se Herberto Sales, Mário Palmério e Bernardo Elis. Mas nenhum deles 
produziu prosa regionalista tão ousada como Guimarães Rosa, o grande renovador de nosso 
regionalismo. 
 É preciso não esquecer que grande parte dos escritores da fase anterior continuava ainda 
em plena produção artística. 
 
 
 
Poesia: 
 
 A novidade do período foi um grupo de escritores que se autodenominaram “geração de 
45”. Esses poetas reagiram ao que consideravam os exageros de 22, propondo uma linguagem 
precisa, equilibrada e o abandono do prosaísmo. Retomavam a metrificação, afastando o verso 
livre. A poesia passou a ser considerada como um artefato, resultante da precisão formal e da 
correção de linguagem. Repeliam-se, conseqüentemente, o poema-piada e as infrações à norma 
culta, que os poetas da geração de 45 consideravam um “falso” abrasileiramento da linguagem. 
 Muitos críticos vêem nessas propostas um retorno ao Parnasianismo; por isso, a geração 
de 45 foi intitulada de neoparnasiana. 
 Uns dos principais nomes destacam-se: João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar e José 
Paulo Paes. 
 
Teatro: 
 A encenação de Vestido de noiva, de Nélson Rodrigues, é um marco na renovação do 
teatro brasileiro. Outro passo é dado com a fundação do Teatro de Arena e do Teatro Brasileiro. 
Destacam-se: Jorge Andrade, Ariano Suassuna (auto da Compadecida), Plínio Marcos (Navalha 
na carne), Dias Gomes (Odorico, o Bem-Amado) e Chico Buarque de Holanda (Gota d’água, em 
parceria com Paulo Pontes) 
 
 
 
 
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Crônicas: 
 Foi dos gêneros que mais se renovou a partir do final da década de 40, registrando a fala 
do povo e sua psicologia e retratando o cotidiano, com humor, ironia e lirismo, numa perspectiva 
crítica e reveladora. Destacam-se, entre outros: Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, 
Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade. 
 
Principais autores: 
 
 Clarice Lispector – A caracterização das personagens e as ações são elementos 
secundários. Importa-lhe captar a vivência interior das personagens e a complexidade de seus 
aspectos psicológicos. Daí resulta uma narrativa introspectiva e o monólogo interior, em que 
muitas vezes percebe-se o envolvimento do narrador, ficando difícil estabelecer as fronteiras 
entre narrador e personagens. 
 As narrativas de Clarice Lispector quase sempre focalizam um momento de revelação, um 
momento especial em que a personagem defronta-se subitamente com a verdade. Os objetos 
mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas provocam uma iluminação 
repentina na consciência da personagem. 
 
 
 
 
 
Obras: 
 
 Romance – Perto do coração selvagem; O lustre; A cidade sitiada; A hora da estrela, 
entre outros; 
 
 Conto – Alguns contos; Laços de família; A legião estrangeira; Felicidade clandestina; 
entre outros. 
 
TENTAÇÃO 
 
 Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva. 
Na rua vazia as pedras vibravam de calor – a cabeça da menina flamejava. Sentada nos 
degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no 
ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia 
de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. 
 Foi quando aproximou-se a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A 
possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma 
senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua 
fatalidade. Era um basset ruivo. 
 Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, 
acostumado cachorro. A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro 
estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam. 
 Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a 
menina que viera no mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela 
 
 
 
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olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço 
sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e 
continuou a fita-lo. 
 Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos. 
 Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram 
rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se 
com urgência, com encabulamento, surpreendidos. 
 Mas ambos eram comprometidos. 
 Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse 
mulher. Ele, com sua natureza aprisionada. 
 A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da 
menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mude 
que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com os olhos pretos que mal 
acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-lo dobrar a outra esquina. 
 Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás. 
 
 (Clarice Lispector – Tentação) 
 
 
VOCABULÁRIO 
Flamejar – brilhar; Fremir – agitar, estremecer. 
 
 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) Que sentimento humano serve de tema para o conto? 
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2) O narrador considera filosoficamente uma condição humana. Qual? 
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3) O que é mais realçado no conto: as ações ou o universo interior das personagens? 
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4) Nesse, como em outros contos de Clarice Lispector, realiza-se a epifania, isto é, um momento 
especial em que a personagem defronta-se repentinamente com uma verdade. Um 
acontecimento que pode ser considerado banal provoca uma iluminação repentina na 
consciência da personagem e acaba por mostrar a força de uma inusitada revelação. 
Transcreva o período que traduz o momento epifânico da menina. 
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João Guimarães Rosa – Criando um estilo absolutamente novo na ficção brasileira, estiliza o 
linguajar sertanejo, recria e inventa palavras, mescla arcaísmos com vocábulos eruditos, 
populares e modernos, combinam de maneira original palavras, prefixos e sufixos, constrói uma 
sintaxe peculiar e explora as possibilidades sonoras da linguagem, através de aliterações, 
onomatopéias, hiatos, ecos, homofonias, etc. 
 No cerne dessa linguagem nova, na qual prosa e poesia se confundem, estão as 
indagações universais do homem: o sentido da vida e da morte, a existência ou não de Deus e 
do diabo, o significado do amor, do ódio, da ambição, etc. 
 
Obras: 
 
 Conto – Sagarana; Primeiras estórias; Tutaméia: Terceiras estórias; Estas estórias; 
 
 Novela – Corpo de baile; 
 
 Romance – Grande sertão: veredas; 
 
 Diversos – Com o vaqueiro Mariano; Ave, palavra; O mistério dos MMM. 
 
 João Cabral de Melo Neto – Para ele, a poesia não é fruto de um momento de 
inspiração, mas o resultado de um esforço cerebral, um trabalho de artesão da palavra. 
Preocupado com a organização do texto, a concisão e a precisão da linguagem, o poeta busca a 
palavra objetiva, exata, para a concretização do poema, que mantém sob contenção a 
musicalidade fácil e repudia o exagero metafórico. 
 
Obras: 
 
 
 
 
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 Poesia – Pedra do sono; Os três mal-amados; o engenheiro; O cão sem plumas; morte e 
vida Severina; A educação pela pedra; a escola das facas; Auto do frade; Agrestes; 
Primeiros poemas e Sevilha andando, entre outros. 
 
 
TECENDO A MANHÃ 
 
Um galo sozinho não tece uma manhã; 
ele precisará sempre de outros galos. 
De um que apanhe esse grito que ele 
e o lance a outro; de um outro galo 
que apanhe o grito que um galo antes 
e o lance a outro; e de outros galos 
que com muitos outros galos se cruzem 
os fios de sol de seus gritos de galo, 
para que a manhã, desde uma teia tênue, 
se vá tecendo, entre todos os galos. 
 
E se encorpando em tela, entre todos, 
se erguendo tenda, onde entrem todos, 
se entretendendo para todos, no toldo 
(a manhã),que plana livre de armação. 
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo 
que, tecido, se eleva por si: luz balão. 
 (João Cabral de Melo Neto) 
 
 
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 
 
1) “Um galo sozinho não tece uma manhã”. Que ditado popular mais se assemelha a esse 
verso? 
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2) Substitua no poema de João Cabral todos os substantivos galo (ou galos) por homem (ou 
homens); substitua também manhã por consciência e grito por mensagem. Depois, faça um 
comentário sobre as idéias contidas nesse poema. 
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EXERCÍCIOS 
 
1) Qual é a característica da 3ª fase do Modernismo? 
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2) Dê características da poesia da 3ª fase Modernista? 
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3) Caracterize as obras de Clarice Lispector. 
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4) Como é a linguagem nas obras de Guimarães Rosa? 
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__________________________________________________________ 
 
5) O que é a poesia para João Cabral de Melo Neto? 
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Em Grande sertão: veredas, Riobaldo, um ex-jagunço, narra a sua vida a um presumível 
interlocutor que nada declara no decorrer da narrativa, o que faz do discurso de Riobaldo um 
monólogo. Conta-lhe como chegou a chefiar o bando de Joca Ramiro, com a tarefa principal de 
vingar a morte do antigo chefe, o que o leva a fazer um pacto com o diabo. Pacto que não sabe 
se foi realmente feito, mas que o atormenta pelo resto da vida. Sua outra perturbação é a 
amizade extrema que sente por Diadorim (ou Reinaldo), seu maior amigo e companheiro de 
lutas. 
 
 
 
GRANDE SERTÃO: VEREDAS 
João Guimarães Rosa 
 
 
Diadorim vinha constante comigo. Que viesse sentido, soturno? 
Não era, não, isso eu é que estava crendo, e quase dois dias enganoso cri. Depois, somente, 
entendi que o emburro era mesmo meu. Saudade de amizade. Diadorim caminhava correto, 
com aquele passo curto, que o dele era, e que a brio pelejava por espertar. Assumi que ele 
estava cansado, sofrido também. Aí mesmo assim, escasso no sorrir, ele não me negava 
estima, nem o valor de seus olhos. Por um sentir: às vezes eu tinha a cisma de que, só de calcar 
o pé em terra, alguma coisa nele doesse. Mas, essa ideia, que me dava, era do carinho meu. 
Tanto que me vinha a vontade, se pudesse, nessa caminhada, eu carregava Diadorim, livre de 
tudo, nas minhas costas. Até, a que me alegrava, era uma fantasia, assim como se ele, por não 
sei que modo,percebesse meus cuidados e no próprio sentir me agradecendo.O que brotava 
em mim e rebrotava: essas demasias do coração. Continuando, feito um bem, que sutil, e nem 
me perturbava, porque a gente guardasse cada um consigo sua tenção de bem-querer, com 
esquivança de qualquer pensar, do que a consciência escuta e se espanta; e também em razão 
de que a gente mesmo deixava de escogitar e conhecer o vulto verdadeiro daquele afeto,com 
seu poder e seus segredos;assim é que hoje eu penso. Mas, então, num determinado, eu disse: 
-"Diadorim, um mimo eu tenho, para você destinado, e de que nunca fiz menção..."— o qual era 
a pedi de safira,que do Arassuaí eu tinha trazido, e que à espera de uma ocasião sensata eu 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
55 
vinha com cautela guardando, enrolada numa pouca de algodão, dentro dum saquitel igual ao 
de um breve, costurado no forro da bolsa menorzinha da minha mochila. 
Diadorim entrefez o pra-trás de uma boa surpresa, e sem querer parou aberto com os lábios 
da boca, enquanto que os olhos e olhos remiravam a pedra-de-safira no covo de suas mãos. Ao 
que, se sofreou no bridado, se transteve sério, apertou os beiços; e, sem razão sensível nem 
mais, tornou a me dar a pedrinha, só dizendo: 
— "Deste coração te agradeço, Riobaldo, mas não acho de aceitar um presente assim, 
agora. Aí guarda outra vez, por um tempo. Até em quando se tenha terminado de cumprir a 
vingança por Joca Ramiro. Nesse dia, então,eu recebo..." 
 
GUIMARÃES ROSA, João. Grande sertão: veredas. 12.ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1978. 
p. 282-3. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 - Ainda que Diadorim lhe sorrisse pouco, que motivos tinha Riobaldo para crer que Diadorim 
tinha afeição por ele? 
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2- Que significado você atribuiria à expressão "valor de seus olhos" em "Aí mesmo assim, 
escasso no sorrir, ele não me negava estima, nem o valor de seus olhos."? 
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VOCABULÁRIO 
soturno: Triste, sombrio. 
emburro: Aborrecimento. 
a brio: Por dignidade. 
espertar: Estimular; animar. 
demasias: Excessos. 
sutil: Tênue; quase impalpável. 
tenção: Intenção. 
esquivança: Recusa. 
escogitar: Refletir acerca de; pensar em; imaginar, excogitar. 
mimo: Presente, oferenda. 
saquitel: Dim. irreg. de saco. 
breve: Objeto de devoção formado por dois pequenos 
quadrados de pano 
bento, com orações escritas ou uma relíquia, que os devotos 
trazem ao pescoço. 
covo: Côncavo. 
sofrear: Sustar; parar. 
bridado: Rédea. 
 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
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3- Riobaldo, em sua masculinidade, vivia em constante conflito. Qual a razão do seu conflito? 
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4- O narrador utiliza expressões bastante peculiares para caracterizar o espanto de Diadorim ao 
receber o presente. Explique com suas palavras as reações de Diadorim. 
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5- Por que se pode afirmar que Diadorim, apesar de não o ter aceitado, gostara do presente 
oferecido por Riobaldo? 
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TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS EM PORTUGAL 
(1960 – ATUALIDADE) 
 
 Na poesia, notam-se basicamente duas tendências: a poesia experimental – com 
recursos semelhantes aos do Concretismo brasileiro – e a poesia de caráter social. Destacam-se 
Sophia de Melo Breyner Andresen, Herberto Helder e Eugênio de Andrade. 
 Observa-se ainda, como em toda fase pós-modernista, o ecletismo, além da marcante 
influência da obra de Fernando Pessoa. 
 Na prosa, pode-se notar: 
 
a) a permanência do Neo-Realismo, em que são frequentes personagens que representam 
forças humanas coletivas (emigrantes, heróis das guerras colonialistas e, sobretudo, a gente do 
povo); 
b) prosa intimista 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
57 
 
 Destacaram-se na literatura portuguesa contemporânea: Joaquim Paço d’Arcos, Urbano 
Tavares Rodrigues, Álvaro Guerra, Augustina Bessa-Luís, José Saramago, sem contar os 
autores surgidos nas fases anteriores e que continuaram ou continuam produzindo. 
 
 
Concretismo 
 
A poesia concreta surge em 1952, tendo como principal veículo de divulgação a 
revista Noigandres. A palavra noigandres, segundo Augusto de Campos, significa 
"antídoto contra o tédio" e, além de ser o nome da revista, denominou também o 
grupo concretista liderado pelos irmãos Augusto e Haroldo de Campos e por Décio 
Pignatari. Em 1956, esse grupo realiza a Exposição de Arte Concreta, no Museu de 
Arte Moderna de São Paulo. No ano seguinte, obtém a adesão do Jornal do Brasil, 
do Rio de Janeiro, em cujo suplemento dominical passa a publicar poemas e 
manifestos. 
Com influências de Mallarmé, Apollinaire, Ezra Pound, Joyce, Cummings, Oswald de Andrade e 
João Cabral de Melo Neto, a poesia concreta apresenta como características principais: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
a) o poema como resultado de investigação verbal; 
b) incorporação do espaço gráfico (a página) como elemento estrutural do poema; 
c) ampliação do poema pela comunicação não-verbal; 
d) máxima valorização da palavra em si, contra o verso como unidade rítmica convencional; 
e) rejeição do lirismo; 
f) valorização do som, da forma visual e da carga semântica da palavra e suas funções-relações no 
poema; 
g) ampla utilização de recursos tipográficos; 
h) possibilidade de múltiplas leituras, pela abolição do verso tradicional: leitura vertical, horizontal, 
diagonal etc; 
i) utilização do ideograma (sinais das escritas analíticas, como os símbolos da escrita chinesa, por 
exemplo) como modelo de composição. 
 
Essas características, somadas a outras características inovadoras da prosa,da 
arquitetura, da música e das artes plásticas, começam a caracterizar o Pós-
Modernismo. 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
58 
A partir de 1965, o movimento começa a declinar, mas suas contribuições estão ainda hoje 
presentes na literatura brasileira. 
Além dos poetas citados, participaram do movimento José Lino Grünewald, Pedro Xisto e 
Ronaldo Azeredo, entre outros. Muitos foram os poetas oriundos do Modernismo que aproveitaram 
as experiências dos concretistas, como Manuel Bandeira, Murilo Mendes e Cassiano Ricardo. 
Além de influenciar a propaganda, a embalagem de produtos e a música, o movimento 
concretista contribuiu para a divulgação de autores esquecidos pela crítica (Qorpo Santo, 
Sousândrade, Pedro Kilkerry), para o espírito de equipe em trabalhos literários e para a divulgaçãode 
autores estrangeiros no Brasil. 
 
NEOCONCRETISMO (poesia social) 
 
Em 1959, o poeta Ferreira Gullar lidera uma dissidência dos artistas concretos do Rio de Janeiro. 
Através de um manifesto publicado no Jornal do Brasil, propõe uma poesia social, mais comunicativa 
e voltada para os problemas do país, reagindo contra os excessos formais do movimento concretista, 
do qual participara. 
O movimento intitulou-se Neoconcretismo, o que era um equívoco, já que sua intenção era social 
e de ação política. Foi mais uma disputa pelo espaço de poder e discussão teórica entre Rio e São 
Paulo de poetas que queriam fazer Concretismo sem ser concretista, o que é impossível. 
Ferreira Gullar, Affonso Ávila,Thiago de Melo, José Paulo Paes e Jamil Haddad são os 
destaques desse grupo. 
 
 
Não há vagas 
 
O preço do feijão 
não cabe no poema. O preço 
do arroz 
não cabe no poema. 
Não cabem no poema o gás 
a luz o telefone 
a sonegação 
do leite 
da carne 
do açúcar 
do pão. 
 
O funcionário público 
não cabe no poema 
com seu salário de fome 
sua vida fechada 
em arquivos. 
Como não cabe no poema 
o operário 
que esmerila seu dia de aço 
e carvão 
nas oficinas escuras 
 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
59 
 
- porque o poema, senhores, 
está fechado: 
"não há vagas" 
Só cabe no poema o homem sem estômago 
a mulher de nuvens 
a fruta sem preço 
 
O poema, senhores, 
não fede 
nem cheira 
 
 GULLAR, Ferreira."Não há vagas". In: Toda poesia. Rio de Janeiro, Civilização 
Brasileira, 1980. p. 224. 
POESIA-PRÁXIS 
 
Dois manifestos inauguram a Poesia-práxis (que em grego significa ação), movimento 
liderado por Mário Chamie. O primeiro, um "pré-manifesto" foi publicado em 1959 no Diário de 
Notícias, do Rio de Janeiro, preconizando que o poema objetiva-se na unidade "palavra-corpo-
espaço-forma! O segundo, ou "manifesto didático" aparece como posfácio do livro Lavra-lavra 
(1962). 
A Poesia-práxis se auto-define como um processo literário marcado por: 
 
a) considerar a sintaxe não como decorrente de um código gramatical estabelecido, mas como 
resultado original da transformação a que o poeta submete a palavra; 
 
b) objetivar que a forma-conteúdo do texto seja uma estrutura aberta, de tal modo que o leitor 
possa intervir crítica e criativamente no texto, exercendo uma função de co-autoria. 
 
Repudiando a "palavra-coisa" do Concretismo, o poeta-práxis considera a "palavra-
energia" a palavra como um "corpo vivo"que gera outras palavras no contexto do poema. 
Além de Mário Chamie, participaram do movimento Antônio Carlos Cabral, Carlos 
Eduardo Brandão, Yvone Giannetti Fonseca e outros. 
 
 
 
 
 
POEMA-PROCESSO 
 
O movimento, liderado por Wlademir Dias-Pino, vai de 1967 a 1974, ano em que o seu líder 
publica um manifesto pondo fim ao movimento, que já se esgotara bem antes. 
Utilizando elementos não-lingüísticos para a composição dos seus trabalhos, os representantes do 
poema-processo foram mais "desenhistas" e "pintores" do que propriamente escritores. Utilizaram, 
além da palavra, fotografias, desenhos, gráficos e colagens. 
 
 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
60 
POESIA MARGINAL DOS ANOS 1970 
 
 
Contornando o bloqueio sistemático das editoras, que não consideram lucrativo publicar 
poetas desconhecidos, no início da década de 1970 surgem pequenos livros mimeografados ou 
impressos em xerox. Por produzirem e venderem seus livros à margem do circuito industrial e 
comercial das editoras, esses autores ficaram conhecidos como a geração da poesia marginal. 
Ainda que alguns deles tenham assimilado influências do Concretismo, a vantagem é que esse 
grupo representou uma volta ao discurso, com uma linguagem coloquial, e aos temas do 
cotidiano,ora manifestando problemas pessoais ou sociais. 
Não chegaram a constituir um movimento organizado com novas 
propostas estéticas, e poucos foram os que pela qualidade dos seus 
trabalhos, entraram no circuito das editoras, deixando de ser" 
marginais". 
 
 
 
 
 
 
soubesse que era assim 
não tinha nascido 
e nunca teria sabido 
 
ninguém nasce sabendo 
até que eu sou meio esquecido 
mas disso eu sempre me lembro 
 
LEMINSKI, Paulo. De 63 pra cá. Curitiba, ZAR 1980. 
 
 
BONS POETAS, COM OU SEM RÓTULOS 
 
Vários poetas merecem destaque pela qualidade dos seus trabalhos. Como não é possível 
citar todos eles, destacamos, em ordem alfabética: 
 
Adélia Prado (Divinópolis, MG, 1936); Affonso Romano de Sanf Anna (Belo Horizonte, 
MG, 1937); Armindo Trevisan (Santa Maria, RS, 1933); Lindolf Bell (Timbó, SC, 1938 -
Blumenau, SC, 1998); Manoel de Barros (Cuiabá, MT, 1906);Marcus Accioly (Aliança, PE, 
1943) -Mário Faustino (Teresina, PI, 1930 — Peru, 1962); Mário Quintana (Alegrete, RS, 1906 
-Porto Alegre, RS, 1994); Nauro Machado (São Luís, MA, 1935); Olga Savary (Belém, PA, 
1933). 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aprendo mais com abelhas do que com aeroplanos. 
É um olhar para baixo que eu nasci tendo. 
É um olhar para ser menor, para o 
insignificante que eu me criei tendo. 
O ser que na sociedade é chutado como uma 
barata — cresce de importância para o meu 
olho. 
Ainda não entendi por que herdei esse olhar 
para baixo. 
Sempre imagino que venha de ancestralidades 
machucadas. 
Fui criado no mato e aprendi a gostar das 
coisinhas do chão — 
Antes que das coisas celestiais. 
 
Pessoas pertencidas de abandono me comovem: 
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas. 
 
BARROS, Manoel de. In: Retrato do artista quando coisa. Rio de Janeiro, Record, 1998. p. 27. 
POETAS DA INTERNET — A POESIA VIRTUAL "MARGINAL" 
 
É grande o número de poetas que criam páginas na Internet para a divulgação dos seus 
poemas. 
Como é fácil obter gratuitamente um espaço para criar páginas, qualquer pessoa pode 
divulgar os seus poemas em publicações virtuais, inclusive você. 
Se você pesquisar na Internet as palavras poesia,poema ou poetas, encontrará milhares de 
referências. 
Porém, publicar poemas na Internet não significa ser um bom poeta e tampouco assegura 
que eles serão lidos por grande número de pessoas. Mas já é um caminho. Provavelmente, uma 
pesquisa séria sobre esta poesia virtual poderá revelar grandes poetas ainda desconhecidos 
pela crítica. 
 
 
 
 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1 - Identifique qual dos textos abaixo pertence à tendência 
concretista e qual pertence à poesia social do mesmo 
período. 
 
 
 
 
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a) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(Décio Pignatari) 
 
b) 
Madrugada 
Do fundo de meu quarto, do fundo 
de meu corpo 
clandestino 
ouço (não vejo) ouço 
crescer no osso e no músculo da noite 
a noite ocidental obscenamente acesa sobre meu país dividido em classes 
(Ferreira Gullar) 
 
2 – Qual foi o mais importante entre os movimentos de vanguarda da segunda metade do 
século XX? 
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__________________________________________________________ 
 
PÓS-MODERNISMO: TRADIÇÃO E RENOVAÇÃO 
 
VIZINHOS 
Lygia Fagundes Telles 
O vizinho do andar superior — e que nunca cheguei a ver — fazia às vezes ruídos 
esquisitíssimos, não consegui decifrá-los nas minhas noites acesas, eram ruídos noturnos: 
coisas esponjosas que se arrastavam pelo chão, pensei em panos úmidos mas os ruídos 
passaram por variações, criaram vida e se puseram deslizantes como cobras indo e vindo num 
ritmo comandado. Muitas cobras -- seria um amestrador de circo? Cessaram de repente e 
começou um barulho trepi-dante, ágil como o movimento circular de uma máquina de rodinhas, 
rodinhas de borracha, talvez um carrinho de boneca, embora certa noite as rodas do carrinho 
tomassem inesperadamente dimensões adultas,ficaram rodas mais responsáveis, difíceis — 
uma cadeira de paralítico?Os novos inquilinos que chegaram são silenciosos. Tão silenciosos que ouço no silêncio o 
som de uma pena raspando o papel numa letra caprichada — um velho escritor? Quando cessa 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
63 
o ruído rascante da pena que já deve estar muito usada,começa o ruído delicado de alfinetes 
caindo no chão, dezenas de alfinetes que depois são recolhidos numa caixinha de papelão. 
Quando a caixa transborda, são espetados numa almofadinha — um alfaiate? Fiquei adiando a 
pergunta que ia fazer ao porteiro sobre os meus vizinhos mas, eles se mudaram, chegaram 
inquilinos novos e até agora não ouvi nada. Absolutamente nada. Continuo esperando. 
TELLES, Lygia Fagundes. "24 de outubro". In: A disciplina do amor. 2. ed. Rio de Janeiro, Nova 
Fronteira, 1980. p. 82-3. 
 
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO 
 
1 - O que nos pode fazer crer que a narradora morava sozinha? 
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2 - Depreende-se do texto que ocorreram pelo menos quatro mudanças no andar superior. 
Identifique-as, assinalando as passagens do texto que nos permitem essa afirmação. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
3- A mudança constante de vizinhos no andar superior caracteriza que aspecto da vida 
nos grandes centros urbanos nos dias atuais? 
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__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
4- "Fiquei adiando a pergunta que ia fazer ao porteiro..." Esta declaração, somada ao res- 
tante do texto, nos permite interpretar que, apesar da descrição de ruídos, este é um 
texto sobre o silêncio. Que silêncio é esse? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
A PROSA BRASILEIRA NA VIRADA DO SÉCULO 
 
Contexto histórico: 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
64 
 
Nas últimas décadas do século XX, o mundo viveu um acelerado avanço científico e 
tecnológico, graças, sobretudo à criação de computadores de alta velocidade. Nunca antes a 
humanidade vivera tantas e tão rápidas mudanças: as possibilidades, as facilidades e a 
instantaneidade das comunicações, a obtenção e as trocas de informações pela Internet, o 
desenvolvimento aeroespacial, com o envio de sondas a distâncias até então inacreditáveis e o 
uso de satélites com diversas finalidades. A engenharia genética permitiu o desenvolvimento de 
organismos transgênicos animais e vegetais, as clonagens e novas formas de combate a 
doenças. A esses e outros benefícios somaram-se o fim da guerra fria, o esfacelamento do 
bloco soviético e a criação de mercados comuns. 
Entretanto, o alargamento do fosso entre ricos e pobres fez com que esses benefícios 
atendessem a uma pequena parcela da comunidade planetária, com maior agravamento nos 
países subdesenvolvidos ou em via de desenvolvimento. Nestes, ainda é restrito o acesso a 
computadores pessoais e às telecomunicações. Além disso, tivemos o ressurgimento de 
doenças relacionadas à pobreza e à falta de saneamento, como a tuberculose, a sífilis e a 
dengue. O avanço da AIDS entre as populações menos favorecidas foi mais um dos aspectos 
negativos do fim do milênio. A segunda metade do século XX foi marcada também por inúmeras 
guerras, pela xenofobia, pelo crescimento de grupos de extrema direita nos moldes nazistas e 
pelos extremismos religiosos que ainda geram conflitos com milhares de mortes. 
 
 
O PANORAMA POLÍTICO BRASILEIRO 
 
O Plano Cruzado 
 
Para substituir o último presidente militar, em 1985, um Colégio Eleitoral elegeu Tancredo 
Neves, que faleceu antes de tomar posse. Em seu lugar assumiu o vice-presidente, José 
Sarney. 
Inicialmente impopular e sem apoio político expressivo, José Sarney só consegue 
popularidade a partir de 1986, ao implantar o Plano Cruzado.com o objetivo de combater a 
inflação, congelando preços e salários e introduzindo o cruzado como nova moeda. Entretanto, 
o fracasso da política econômica do seu governo fez com que, ao término do seu mandato,em 
1989, contasse com um dos maiores índices de rejeição popular de um presidente brasileiro. 
Caído em descrédito, passou a faixa presidencial quando a inflação chegava a 80% ao mês. 
 
O afastamento de Collor 
 
Depois de 25 anos de regime de exceção, Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente 
eleito pelo voto popular. Ao assumir a Presidência, lançou um plano de combate à inflação que 
impedia os saques nas cadernetas de poupança e restringia os saques nas contas correntes durante 
dezoito meses. Suas medidas só surtiram efeito por pouco mais de um ano. A partir de 1991 os 
índices de inflação voltaram a crescer permanentemente. 
Em meados do mesmo ano, denúncias de corrupção começaram a minar o seu governo. Um 
esquema de propinas e superfaturamento de todos os gastos presidenciais havia sido montado por 
Paulo César Farias, o tesoureiro da campanha do presidente, com o objetivo de desviar bilhões 
de dólares. Diante da certeza de que seria condenado e definitivamente afastado pelo Congresso, 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
65 
Collor renunciou em 29 de dezembro de 1992. Em 1996, Paulo César Farias foi assassinado em 
Alagoas. 
 
 
 
 
 
 
 
Itamar Franco e o Plano Real 
 
Apesar de Itamar Franco ter sido eleito vice-presidente na chapa de Fernando Collor, este, tão 
logo tomou posse, relegou-o ao ostracismo político. Itamar Franco soube manter a sua 
independência e criticava várias medidas do governo Collor. Com o afastamento do presidente, 
tomou posse em caráter definitivo em dezembro de 1992, em meio a inúmeras dificuldades deixadas 
pelo seu antecessor. Deve-se a ele o plano econômico que criou o real como nova moeda brasileira. 
Os resultados positivos do plano e a grande popularidade do presidente ajudaram-no a eleger como 
sucessor o seu ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, ainda que posteriormente tenha 
dado muitas demonstrações de arrependimento. 
 
 
Fernando Henrique: neoliberalismo, privatizações, desemprego... 
 
Fernando Henrique Cardoso foi eleito em 1994, dando continuidade ao Plano Real. Em seu 
primeiro mandato, graças ao controle da inflação, manteve a popularidade que o reelegeu em 1998. 
Sua política de privatizações promoveu um verdadeiro leilão do patrimônio público, com 
financiamentos do próprio governo, sob a justificativa de que elas seriam necessárias para pagar 
dívidas e promover o desenvolvimento. 
Entretanto, no período de 1994-2001, a dívida interna saltou de R$ 62 bilhões para R$ 597 
bilhões. Para rolar essa dívida o Brasil passou a pagar cerca de R$ 80 bilhões por ano. No mesmo 
período, a dívida externa, pública e privada, passou de US$ 145 bilhões para US$ 250 bilhões, 
segundo o Banco Central. A soma das dívidas interna e externa equivale praticamente ao Produto 
Interno Bruto (PIB) do Brasil, isto é, à soma de todos os bens do país. Durante seu governo o Brasil 
teve uma das maiores taxas de desemprego do mundo, a pobreza foi acentuada, os serviços 
públicos foram sucateados e tivemos uma das maiores 
recessões econômicas da nossa história. Tudo isso gerou 
uma violência sem precedentes na sociedade brasileira, com 
os índices de criminalidade que ultrapassam até mesmo as 
situações de guerra. No final do seu mandato, o Brasil era 
considerado o país mais violento do mundo. 
 
 
 
 
Desempregados olham anúncios de emprego no centro de São Paulo. 
 
 
Manifestação em 
São Paulo, pelo 
impeachmentde 
Collor, 1992. 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
66 
Outubro de 2002: Lula presidente 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com mais de 52 milhões de votos, Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato do PT, foi eleito 
presidente da República em 2002 com 61,3% dos votos válidos. Depois de três tentativas, a primeira 
em 1989, e tendo assumido uma postura mais moderada, obteve quase 20 milhões de votos mais do 
que o seu adversário José Serra, o candidato do PSDB de Fernando Henrique Cardoso. A vitória de 
Lula é um exemplo da mobilidade social do país, que permitiu a um retirante nordestino e ex-
metalúrgico de pouca escolaridade alcançar o cargo mais importante da Nação. 
 
 
O PÓS-MODERNISMO E A PROSA BRASILEIRA: DOS ANOS 1960 AOS NOSSOS DIAS 
 
Paralelamente às formas tradicionais do romance, vários escritores, a partir da segunda metade 
do século XX, levaram ao extremo a exploração de novas linguagens, tornando-se verdadeiros 
"inventores"de novos campos literários. 
No Brasil, essa fase foi inaugurada por Clarice Lispector (Uma aprendizagem ou o livro dos 
prazeres) e Guimarães Rosa (Sagarana), na prosa, e pelo Concretismo, na poesia. 
A complexidade do mundo e dos homens se manifesta na complexidade da elaboração dos 
textos. A literatura dos últimos 40 anos valoriza o pluralismo de estilos e a mistura de gêneros. 
Muitíssimos escritores, nutridos pela leitura de textos anteriores ou estrangeiros, passam a in-
corporá-los aos seus próprios textos, quer pela paródia, quer pela citação, quer pela paráfrase, 
valorizando as referências literárias (intertextualidade). Inspirada na técnica cinematográfica, temos 
a composição de textos fragmentados, cabendo ao leitor associá-los e atribuir-lhes um sentido. Ao 
mesmo tempo que temos o desaparecimento do herói, os escritores interiorizam-se, fazendo com 
que esse olhar profundo sobre o homem recaia sobre si mesmo. A contestação da cronologia, com a 
recusa à ordem tradicional da narrativa, a evolução do romance pela forma, e não pela modificação 
do conteúdo, são outras características desse novo momento, que se pode chama de Pós-
Modernismo, ainda que mantenha vínculos com as vanguardas do início do século XX. 
 
 
 
As vertentes pós-modernas e as tradicionais 
 
A falta de um distanciamento histórico e a pluralidade das formas que assume dificultam a 
localização c pós-modernidade na literatura. Portanto, as referências seguintes mesclam textos 
pós-modernos com textos ligados a formas e recursos tradicionais da narrativa, muitas vezes em 
um mesmo autor. 
 
Luiz Inácio 
Lula da 
Silva 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
67 
 
Prosa política 
 
Durante a ditadura militar, um dos meios de se contornar a ação da censura sobre os 
veículos de comunicação foi o texto literário. Muitos escritores procuravam denunciar a violência 
política e social ora em obras que se confundiam com relatos jornalísticos, baseadas em fatos 
reais ou fictícios, ora através da narrativa de situações absurdas e irreais que refletissem 
metaforicamente a situação do país. Assim, temos: 
 
a) Romance-reportagem: Antônio Callado (Quarup, Reflexos do 
baile], Ignácio de Loyola Brandão (Zero, Não verás país nenhum), 
José Louzeiro (Lúcio Flávio, o passageiro da agonia), Roberto 
Drummond (Sangue de Coca-Cola), Fernando Morais (A ilha, 
Olga, Chatô). 
 
b) Realismo fantástico: Ignácio de Loyola Brandão (Cadeiras proibidas), José J. 
Veiga (A hora dos ruminantes, A máquina extraviada, Sombras de reis barbudos), 
Moacyr Scliar (O carnaval dos animais, A balada do falso Messias), Murilo Rubião (O pirotécnico 
Zacarias, O ex-mágico). 
 
 
Prosa urbana 
 
A desumanidade, a violência,a solidão, a marginalização,o vazio associado à vida moderna, 
a hipocrisia social,o conflito de classes e outros males das metrópoles são a matéria de obras 
ficcionais de, entre outros, Dalton Trevisan, Luiz Vilela, Ricardo Ramos, Carlos Heitor Cony e 
Rubem Fonseca, este último um hiper-realista pelo exagero proposital com que enfatiza a 
patologia humana. 
 
 
Prosa intimista 
 
A observação psicológica das personagens, a introspecção, o entrelaçamento do lirismo 
com o realismo, na mesma linha de Clarice Lispector, caracterizam as narrativas de Autran 
Dourado, Josué Montello, Lygia Fagundes Telles, Osman Lins, Raduan Nassar e outros. 
Ao lado desses gêneros, manteve-se a prosa regionalista, com Ariano Suassuna, 
Bernardo Élis, Mário Palmério e outros; e a prosa memorialista ou autobiográfica, com Jorge 
Amado, Pedro Nava, Érico Veríssimo e outros. 
 
 
Outros contemporâneos 
 
Além dos já citados, mais de duas dezenas de autores contemporâneos poderiam estar aqui 
incluídos. Mas sempre seria uma lista incompleta. Como a maioria ainda está viva e produzindo, 
certamente aqueles que sobreviverem literariamente serão conhecidos pelos estudantes, seja 
através da imprensa, seja através de comentários e recomendações de professores, seja 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
68 
através da descoberta pessoal. Muitos já fazem parte do dia-a-dia dos leitores: Antônio Torres, 
Chico Buarque de Holanda, Domingos Pellegrini Jr., Edilberto Coutinho, Ivan Ângelo, João 
Antônio, João Ubaldo Ribeiro, Luiz Vilela, Marcelo Rubens Paiva, Murilo Rubião, Nélida Piñion, 
Sérgio Sant’Anna e muitos outros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A crônica 
 
A crônica, um dos gêneros mais cultivados no país, e o conto, desde fins do século XIX, 
sempre tiveram espaço nos jornais de grande circulação, destacando-se atualmente Affonso 
Romano de Sant'Anna, Carlos Heitor Cony, Fernando Sabino e Luís Fernando Veríssimo, entre 
outros. 
 
 
A literatura de massas 
 
No final do século XX, o desenvolvimento da edição industrial provocou a inflação de uma 
produção de subliteratura, com personagens estereotipadas e narrativas padronizadas em 
moldes que visam agradar a certos tipos de leitores, que as devoram, já que não exigem 
qualquer reflexão. Nesse contexto enquadram-se os livros da chamada literatura esotérica, 
prestigiada pela própria insegurança do indivíduo em sua tentativa de entender as razões de 
estar em um mundo complexo rapidamente mutável e que busca em textos pouco profundos 
respostas inexistentes para o seu destino e comportamento. O valor estético e imaginativo 
dessas obras é bastante contestável, geralmente com justa razão. Entretanto, esse fenômeno 
permitiu o aparecimento de obras interessantes, particularmente no gênero da ficção-científica e 
do romance policial. 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1 - Identifique cada um dos trechos abaixo entre as tendências dadas: realismo fantástico — prosa 
urbana — prosa intimista. 
 
Cena de montagem alternativa da peça O auto da compadecida, 
de Ariano Suassuna. 
 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
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a) À margem do rio, nos fundos do mercado de peixe, ergue-se o velho ingazeiro — ali os bêbados 
são felizes. A população considera-os como animais sagrados, prove às suas necessidades de 
cachaça e pirão. No trivial contentam-se com as sobras do mercado." 
(TREVISAN, Dalton. “Cemitério de elefantes”. In: Vozes do retrato. São Paulo, Ática, 1991. P. 49) 
 
b) "À beira da cisterna, de joelhos no cimento limoso, tento ver meu rosto dentro da água. A água, 
que parece dura, petrificada pela ausência de peixes e de vozes, olha-me baça — o olho de um 
morto. Reflete apenas linhas imprecisas, a interrogadora mancha da cabeça contra o céu nublado. 
Cuspo na minha cara, no vago reflexo da minha cara e levanto-me." 
 
(LINS.Osman. Avalovara.2. ed. São Paulo, Melhoramentos, 1974. p. 1 17.)
 
 
c) Apanhou o envelope e na sua letra cuidadosa subscritou a si mesmo: Narciso, rua Treze, nº 21. 
Passou cola nas bordas do papel, mergulhou no envelope e fechou-se. Horas mais tarde a 
empregada colocou-o no correio. Um dia depois sentiu-se na mala do carteiro. Diante de uma casa, 
percebeu que o funcionáriotinha parado indeciso, consultara o envelope e prosseguira. Voltou ao 
DCT, foi colocado numa prateleira. Dias depois, um novo carteiro procurou seu endereço. Não 
achou, devia ter saído algo errado. A carta voltou à prateleira, no meio de muitas outras, amareladas, 
empoeiradas. Sentiu, então, com ter-ror, que a carta se extraviara. E Narciso nunca maisencontrou a 
si mesmo." 
(BRANDÃO, Ignácio de Loyola."O homem que se endereçou." In: 0 homem do furo na mão. São Paulo, Ática, 1987. p. 28.) 
 
2- Identifique uma característica diferenciadora na obra de Rubem Fonseca, presente no seguinte 
trecho: 
 
"Seu Maurício, quer fazer o favor de chegar perto da parede? 
 Ele encostou bem no meio da parede. Encostado não, não, não, uns dois metros de distância. 
Mais um pouquinho para cá. Aí. Muito obrigado. Atirei bem no meio do peito dele, esvaziando os dois 
canos, aquele tremendo trovão. O impacto jogou o cara com força contra a parede. Ele foi 
escorregando lentamente e ficou sentado no chão. No peito dele tinha um buraco que dava para 
colocar um panetone. Viu, não grudou o cara na parede, porra nenhuma. 
 Tem que ser na madeira, numa porta. Parede não dá, Zequinha disse." 
(FONSECA, Rubem. Feliz ano novo. Rio de Janeiro, Artenova, 1975. p. 14.) 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
3- Que fato histórico influenciou a prosa política bra-sileira a partir de meados dos anos 1960? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
4- Dê o nome de cinco escritores contemporâneos. 
 
 
 
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__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GRAMÁTICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SINTAXE 
 
 As palavras de uma frase não estão dispostas em uma determinada seqüência por acaso. 
A gramática possui uma área que estuda especificamente essa seqüência, a relação e a ordem 
das palavras em um discurso: A sintaxe. 
 
Em uma análise sintática podemos ter: 
 
FRASE: É um conjunto de palavras reunidas que transmite uma idéia completa, dá-se entre uma 
letra maiúscula e o primeiro ponto final, ponto de interrogação, ponto de exclamação ou 
reticências. A presença de um verbo não é obrigatória. 
Exemplo: - Silêncio! 
 “O menino superou a fase um basicamente apenas com seu cérebro.” 
 
ORAÇÃO: É o enunciado que se organiza em torno de um verbo ou locução verbal. 
Exemplo: Ajude-me 
 (verbo) 
 (locução verbal) 
 Este avanço irá permitir o desenvolvimento de outros dispositivos médicos. 
 
PERÍODO: É a frase organizada com uma ou mais orações. 
 
Exemplo: O senhor é meu pastor. 
 (Período simples – apenas uma oração) 
 
 O senhor é o meu pastor, nada me faltará. 
 (Período composto – mais de uma oração) 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Diga quantos períodos e quantas orações há nos textos que seguem: 
 
a) Escovava as calças do marido até que não sobrasse nenhum grão de poeira. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
 
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b) Eu dizia que admito piamente ser o cão o melhor amigo do homem. 
 
 
c) - Até logo, velho! Vou ali a Nova York e já volto! 
 - Felizardos... Vocês se divertem... E eu aqui a ver navios! 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
d) O menino estranhou a atitude do pai, pois ele nunca tinha feito o almoço. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
SINTAXE DO PERÍODO SIMPLES 
 
TERMOS ESSENCIAS DA ORAÇÃO: 
 
SUJEITO – É o termo sobre o qual se diz algo. 
 Para analisar sintaticamente uma oração, inicia-se perguntando ao verbo: “Quem pratica a 
ação?” ou “Quem sofre a ação?” ou “Quem possui a qualidade?” a resposta a essa questão será 
o sujeito. 
 
CLASSIFICAÇÕES: 
 
Sujeito simples: é aquele que possui apenas um núcleo. 
Exemplo: Os alunos do Colégio Aplicação/ foram ao teatro. 
 A menina / curte ouvir som alto. 
 
Sujeito composto: é aquele que possui dois ou mais núcleos. 
Exemplo: Os alunos e os professores/ foram à excursão. 
 O cachorro e o gato lá de casa/ vivem deitados no mesmo lugar. 
 
Sujeito oculto ou elíptico: quando, ao perguntar para o verbo quem é o sujeito, a resposta for 
um dos pronomes eu, tu, ele, ela, você, nós ou vós, sem surgirem escritos na oração: 
Exemplo: Vendemos os convites da festa. (Quem vendeu? Nós) 
 Ontem participei da festa da escola. (Quem participou? Eu.) 
 
Também ocorre quando o sujeito não surgir na oração analisada, mas em orações anteriores: 
 
 
sujeito simples 
 
 
 
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 1ª oração 2ª oração 
Esses alunos/ não fizeram a aula de Educação Física hoje. Vieram sem uniforme. 
 
 
 
Sujeito indeterminado: Aquele que não se quer ou não se pode identificar. 
Exemplo: Jogaram bombas em prédios americanos. (Quem jogou? Alguém) 
 Roubaram minha caneta. (Quem roubou? Alguém) 
 
Oração sem sujeito: ocorre em circunstância de verbos impessoais nos casos: 
 
a) verbos que indicam fenômeno da natureza: 
Exemplo: Nevou em Montreal esta manhã. 
 Choveu muito esta noite! 
 
Quando o verbo que indica fenômeno da natureza aparecer numa frase com sentido figurado, 
haverá sujeito. Veja: 
Choveram papeizinhos coloridos durante o desfile. 
Choveram pedras naquela noite. 
 
b) Ser, estar, parecer, ficar quando indicarem fenômenos da natureza: 
Exemplo: É verão, mas parece inverno em meu coração. 
 Está muito frio hoje. 
 
c) Verbo fazer, quando indicar fenômeno da natureza ou tempo decorrido: 
Exemplo: Faz dias quentíssimos no verão carioca. 
 Faz quatro meses que não a vejo. 
 
d) Verbo haver, quando significar existir ou acontecer ou quando dizer respeito a tempo 
decorrido: 
Exemplo: Houve muitos casos de problemas familiares. 
 Haverá muitas garotas na festa sábado. 
 Há dez meses ela mudou-se para o Canadá. 
 
e) Verbo ser, indicando horas, datas e distâncias. Observe que o verbo ser concorda com o 
numeral a que se refere: 
Exemplo: São duas horas. 
 São dois quilômetros daqui lá. 
 É 10 de janeiro. 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Identifique o sujeito das seguintes orações: 
 
a) Na velha capela da praça bate o sino. 
 
 sujeito oculto: alunos (eles)
 
 
 
 
 
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b) Lá para as bandas do Ipiranga as oficinas tossem. 
 
c) São Paulo é um palco de bailados russos. 
 
d) Alguém chegou perto de você. 
 
e) Acontecem coisas estranhas neste casarão. 
 
f) A luz das velas é cheia de delicadezas. 
 
 
g) Na segunda-feiraele mandou o bombeiro. 
 
2) Classifique o sujeito das seguintes orações: 
 
a) O passeio era demorado e filosófico. 
 
b) Eram todos uns pobres ignorantes. 
 
c) O sargento e o cabo nos ensinaram a atirar. 
 
d) Levaram-me para uma casa velha e abandonada. 
 
e) Havia ali muita ordem e muita paz. 
 
f) já tínhamos a língua surrealista. 
 
g) Suspenderam um instante a música. 
 
h) Naquela noite foi o escrivão ao teatro. 
 
i) No dia seguinte choveu torrencialmente. 
 
j) ficamos ali um bom tempo. 
 
l) Havia bem dez dias. 
 
m) Passava pela estrada um comboio do sertão. 
 
n) Isto porém, não lhe satisfaz. 
 
 
3) Leia esta notícia: 
 
 Deputados do PFL defendem a demissão dos presidentes da Caixa Econômica Federal e 
do Banco do Brasil. Eles reagem contra o projeto para fechar agências das duas instituições. 
 O partido reclama de falta de negociação prévia antes do fechamento de agências onde 
não há bancos oficiais. 
 (Folha de S. Paulo) 
 
 
 
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a) Quantos períodos formam esse texto? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
b) O primeiro período é simples ou composto? E o terceiro período? Justifique sua resposta. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
c) Transcreva e classifique o sujeito da 1ª oração. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
d) Em relação à última oração do texto, identifique e classifique quanto ao tipo de sujeito. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
PREDICADO – É tudo o que se informa sobre o sujeito. Estrutura-se em torno de um verbo. O 
predicado deve concordar sempre em número e pessoa com o sujeito. 
 
Classificações: 
 
 Predicado Nominal – É aquele que tem como núcleo (palavra mais importante) um nome 
(predicativo) e possui um verbo de ligação. 
 
 Verbo de ligação – são verbos que servem como elos de ligação entre o sujeito e o 
predicativo do sujeito. Os principais verbos de ligação são: ser, estar, parecer, permanecer, 
ficar, continuar. 
 
 Sujeito 
 
Verbo de ligação 
 
 
 
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Ex.: Os adolescentes /não são os maiores compradores do setor. 
 Predicado Nominal 
 
 Verbo de ligação 
 Eu / sou feliz. 
 
 Sujeito Predicado Nominal 
Predicativo do sujeito: É o núcleo do predicado nominal. Ele indica uma qualidade ou um 
estado do sujeito. No predicado nominal sempre existe predicativo do sujeito. 
 
 Sujeito 
 
Ex.: Os adolescentes brasileiros /continuam consumistas. 
Predicativo do sujeito 
 
 Predicado Verbal – No predicado verbal, o núcleo é sempre um verbo, que pode ser 
transitivo ou intransitivo. Para ser núcleo do predicado, é necessário que o verbo seja nocional 
(que demonstre uma ação). 
 
 Verbo intransitivo – são verbos capazes de dar uma informação completa a respeito do 
sujeito, não necessitando, dessa forma, de nenhum termo para completar-lhes o sentido. 
 
 Verbo intransitivo 
 
Exemplo: O moço de casaco preto/ saiu. 
 
 Sujeito 
 
 Verbo transitivo – São verbos incapazes de, sozinhos, formar o predicado, exigindo um 
termo para completar-lhes o sentido. 
 
 Sujeito Verbo transitivo 
 
Exemplo: Ela/ contou um segredo. 
 
 
1. Verbo transitivo direto – não exige preposição, liga-se diretamente ao seu complemento, 
chamado objeto direto. 
 verbo transitivo direto 
 
Exemplo: Os alunos/ tiveram provas. 
 
 Sujeito 
 verbo transitivo direto 
 
 Ana Luíza/ comprou um livro. 
 
 Verbo e ligação 
 
 
 
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 Sujeito 
 
 
 
 
 
 
 
2. Verbo transitivo indireto – Exige preposição, liga-se indiretamente ao seu complemento, 
chamado objeto indireto. 
 (Verbo transitivo indireto) 
 
Exemplo: Bruna / gosta de matemática. 
 
 Sujeito 
 (verbo transitivo indireto) 
 Eu e minha irmã / precisamos de sua ajuda. 
 
 Sujeito 
 
3. Verbo transitivo direto e indireto – Exige dois complementos: um sem preposição inicial e 
outro com preposição. 
 
 (verbo transitivo direto e indireto) 
 
Ex.: O clube enviou carta a todos os associados. 
 
Predicativo do objeto- Além de caracterizar o sujeito, o predicativo pode também atribuir uma 
característica ao objeto. Isso ocorre, por exemplo, no segundo verso da poesia de Mário 
Quintana: 
 
 Objeto (VTD) (predicativo do objeto) 
 
Ex.: “O mundo me tornou egoísta e mau”. 
 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Passe um traço embaixo do predicado e classifique-o: 
 
a) Santos Dumont foi um inventor de talento. 
 
b) Santos Dumont realizou um sonho impossível. 
 
c) O exército americano chegou ao Brasil. 
 
 
 
 
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d) O exército angolano parecia vitorioso. 
 
e) O dia amanheceu. 
 
 
2) Classifique os verbos destacados em transitivos, intransitivos ou de ligação: 
 
a) Cientistas americanos descobriram microorganismos contemporâneos dos dinossauros. 
 
b) Rap vira matéria nas escolas particulares, que adotam letras dos Racionais MC’s para 
ensinar poesia e discutir a realidade social. 
 
c) A verdade é filha do tempo, não da autoridade. 
 
d) Alunos preferem fruta e risoto na merenda. 
 
e) Bicho ruim não morre. 
3) A predicação de um verbo (isto é, se ele é intransitivo, transitivo direto etc) depende das 
relações sintáticas entre ele e as demais palavras da oração: por isso, sua classificação pode 
variar. Em cada grupo de frases a seguir, um mesmo verbo apresenta diferentes classificações. 
Indique-as: 
 
a) Eu canto porque o instante existe. 
 
b) Os marinheiros cantavam melancólicas canções de amor. 
 
c) O garotinho já tem quatro anos, mas ainda não fala. 
 
d) Diante do juiz ele falará a verdade. 
 
e) Eu falava com o professor, quando você chegou. 
 
f) A respeito de seu passado, ele nunca falou averdade aos colegas. 
 
 
TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO: 
 
Complementos verbais: Os complementos verbais são o objeto direto e objeto indireto que 
completam o sentido de um verbo transitivo. 
 
Objeto direto – Vem “diretamente” ligado a um verbo transitivo direto, sem o auxílio de uma 
preposição. 
Exemplo: O menino comprou o livro. 
(quem compra, compra alguma coisa: o livro) objeto direto 
 
Objeto indireto – Vem “indiretamente” ligado a um verbo transitivo indireto, com o auxílio de 
uma preposição: 
 
 
 
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79 
Exemplo: Os brasileiros gostam de futebol. 
(Quem gosta, gosta de alguma coisa: de futebol) objeto indireto. 
 
Principais preposições: de, para, com, contra, por, à. 
 
Observação: 
 
1- Um mesmo verbo pode apresentar, simultaneamente, os dois objetos: o direto e o indireto. 
 VTDI OD OI 
 
Ex.: O prefeito enviou os documentos ao governador 
 
2- O objeto direto pode, às vezes, ocorrer com preposição não exigida pelo verbo. Denomina-se, 
então, objeto direto preposicionado. 
Compare: 
O mocinho sacou o revólver. (OD) 
O mocinho sacou do revólver. (OD preposicionado) 
Pronomes oblíquos na função de objeto: 
 Quando funcionam como objeto, alguns pronomes oblíquos têm classificação fixa; outros 
têm classificação dependente do verbo ao qual servem de complemento. Veja o quadro: 
 
 
Complemento nominal: Não são apenas os verbos que podem necessitar de complemento. Um 
substantivo, um adjetivo ou um advérbio também podem exigi-lo: 
 
Exemplo: Tenho necessidade de afeto. 
(Tem necessidade de quê? De afeto) complemento nominal 
 A desunião é prejudicial à família. 
(É prejudicial à que? À família) complemento nominal. 
 
 
Agente da passiva: 
Suponha a seguinte oração: 
Preços de combustíveis serão liberados pelo governo. 
Nela temos: 
preços dos combustíveis – sujeito paciente (sofre a ação de liberar); 
serão liberados – estrutura verbal na voz passiva; 
pelo governo – termo que representa o agente, isto é, aquele que pratica a ação de liberar. 
 
PRONOMES OBLÍQUOS FUNÇÃO EXEMPLO 
o, a, os,as Objeto direto Todos o conhecem. 
lhe, lhes Objeto indireto Eu jamais lhe obedeci. 
demais pronomes: me, 
mim, te, ti, se, si, nos, 
etc 
Objetos diretos, se 
ligados a VTD; ou 
objetos indiretos, se 
ligados a VTI. 
Todos nos conhecem. 
(nos: objeto direto, porque conhecer é VTD). 
A proposta nos interessava. 
(nos: objeto indireto, porque interessar é VTI). 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
80 
Então, agente da passiva é o elemento que, numa oração na voz passiva, pratica a ação 
recebida pelo sujeito. 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Indique se o complemento verbal destacado é objeto direto ou indireto: 
 
a) O cavalheiro abriu a porta delicadamente. 
 
b) Não me explicaram isto. 
 
c) O motorista retirou as malas. 
 
d) Necessitamos dos livros de Geografia. 
 
e) Gosto das flores que me envias semanalmente. 
 
f) O policial perseguiu o ladrão. 
 
g) Rasgou o envelope com ansiedade. 
 
h) Ele pediu à moça um misto quente. 
 
 
2) Indique, nas orações abaixo, se o que está destacado é complemento nominal ou objeto 
indireto: 
 
a) Dagoberto olhava por olhar, indiferente a essa tragédia. 
 
b) Os retirantes tinham carência de atenção. 
 
c) Os senhores de engenho refaziam-se da depreciação. 
 
d) Lança migalhas a aves de arribação. 
 
e) Os retirantes careciam de atenção. 
 
 
3) Indique se o que aparece em destaque é sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento 
nominal, predicativo do sujeito: 
 
a) Ele não tem o menor conhecimento de mecânica. 
 
b) As provas deixaram-na inquieta. 
 
c) Retiraram a seguir as porcas e arruelas. 
 
 
 
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81 
 
d) Sua aplicação aos estudos fora recompensada. 
e) Todos acharam inusitado o seu gesto. 
 
f) Todos estão muito felizes. 
 
g) Longe, na igreja, bate o sino. 
 
 
4) Analise o pronome oblíquo e marque: 
 
 
 
 
a) ( ) Emprestei-lhe o dinheiro. 
b) ( ) Espero-o na estação. 
c) ( ) Isto nos pertence. 
d) ( ) Aquilo não me convinha. 
e) ( ) Entregaram-te o livro. 
f) ( ) Desejo-te uma boa viagem. 
g) ( ) Sua opinião não me importava. 
 
5) Destaque e classifique os complementos verbais: 
 
a) Interrompia a lição com piadinhas. 
 
b) Seis semanas depois, uniram eles seus destinos. 
 
c) Os antigos foram estudar a geologia dos campos santos. 
 
d) Estudamos a lição para a prova. 
 
e) Levava um canivete no cinto. 
 
f) Ele não concorda com você. 
 
g) Gosto do esquadrão canarinho. 
 
h) O jovem deu um presente para a namorada. 
 
i) Ele fez o exercício com calma. 
 
j) Necessitava de medicamentos importados. 
 
 
TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO: 
 
(A) – para objeto direto; 
(B) – para objeto indireto. 
 
 
 
 
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82 
Adjunto adnominal – É o termo de valor adjetivo que acompanha o núcleo para caracterizá-lo ou 
determina-lo. 
 
Ex.: Meu colega de turma descobriu um selo raro. 
 
 Os meus dois melhores amigos de infância mudaram de cidade. 
 
 
Adjunto adverbial – É o termo representado por advérbio ou equivalente, que acrescenta uma 
circunstância ao verbo, ou intensifica ou gradua a idéia expressa por adjetivo, verbo ou advérbio. 
Eis alguns tipos de adjuntos adverbiais: 
 
a) de tempo: Hoje, teremos uma refeição reforçada. 
 
b) de lugar: Rita guardou os livros na estante. 
 
c) de causa: O motorista tremeu de susto. 
 
d) de modo: Ele fez as malas rapidamente. 
 
e) de fim: As tropas estão formadas para o ataque. 
 
f) de dúvida: Talvez ganhemos a causa. 
 
g) de negação: Não teremos prova. 
 
h) de intensidade: Recebeu a notícia muito contrariado. 
 
i) de meio: A costura foi feita à mão. 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Passe um traço embaixo dos Adjuntos adnominais das seguintes orações: 
 
a) O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos. 
 
b) Impossível abandonar o anjinho aos bichos do mato. 
 
c) As manchas dos juazeiros tornaram a aparecer. 
 
d) As alpercatas dele estavam gastas nos saltos. 
 
e) Se eu povoasse os currais, teria boas safras, depositaria dinheiro nos bancos, compraria mais 
terras e construiria novos currais. 
 
 
 
 
 
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83 
2) Identifique a circunstância expressa pelo adjunto adverbial: 
 
a) O sogro e a sogra apelaram no mesmo tom. 
 
b) Era um homem profundamente amargurado. 
 
c) Ao final da corrida, caiu de cansaço. 
 
d) Sua existência era bem equilibrada e suave. 
 
e) Carol pareceu-me meio triste durante a aula. 
 
f) O jornal de hoje trouxe notícias muito boas. 
 
 
EXERCÍCIOS DE REVISÃO 
 
1) Analisar, sintaticamente, as expressões destacadas. 
 
a) O aluno virou a carteira. 
virou – 
 
a carteira – 
 
 
b) A crisálida virou borboleta. 
virou – 
 
borboleta – 
 
 
c) O tempo virou 
virou – 
 
 
d) Passou a ventania 
passou – 
 
a ventania – 
 
e) O caçula passou o mais velho 
passou – 
 
o mais velho – 
 
f) A solteirona passou as novidades ao pároco da aldeia. 
a solteirona – 
 
 
 
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84 
 
as – 
 
 
g) João estava feliz. 
estava – 
 
feliz – 
 
 
h) Um estremecimento elétrico corre pelas veias dos valentes oficiais. 
um estremecimento elétrico – 
 
corre – 
 
 
i) Escreveram uma carta muito discreta para sua aluna. 
sujeito – 
 
verbo – 
 
objeto ___________ - 
 
adjunto adverbial – 
 
 
 
j) Duas horas depois, serviu-se o almoço. 
o almoço – 
 
almoço – 
 
o – 
 
duas horas depois... serviu-se – 
 
duas horas depois – 
 
 
 
PERÍODO COMPOSTO 
 
Período Composto por Coordenação – quando as orações que constituem têm sentido por si 
mesmas, são sintaticamente independentesumas das outras e estabelecem entre si apenas uma 
sucessão de idéias. 
 
Exemplo: Recebeu o salário, visitou algumas lojas e trouxe um belo presente para a noiva. 
 
 
 
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85 
 Vi, vim e venci. 
Período Composto por subordinação – quando há entre as orações que o constitui uma 
relação de dependência da subordinada à principal. 
Exemplo: Confesso que não sei a resposta. 
 O dia raiava quando lhe vieram bater à porta. 
 
 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
 
1) Classifique os períodos destacados em composto por coordenação ou por subordinação: 
 
a) Esfregou as mãos finas, esgaravatou as unhas sujas. 
 
b) Um amigo meu diz que em todos nós existe um charlatão. 
 
c) Naquela noite, jantei sozinho, pois Alberto viajara para Malhada da Pedra. 
 
d) Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da Baronesa. 
 
e) furta cavalos e bois, marca-os de novo, recorta sinais de orelhas com uma habilidade de cigano 
velho. 
 
f) A campanhia tocou, entraram no camarote. 
 
 
ORAÇÕES COORDENADAS 
 
As orações coordenadas podem ser: 
 
Assindéticas – quando não vêm introduzidas por conjunção. 
Exemplo: Levantou-se, foi até a janela, tornou a sentar. 
 
Sindéticas – quando vêm introduzidas por conjunção: 
Exemplo: Recebeu a notícia e deu pulos de satisfação. 
 
 
 
ORAÇÕES COODENADAS SINDÉTICAS: 
 
Coordenada sindética aditiva – Expressa uma idéia de adição, de soma. É introduzida pelas 
conjunções aditivas e, nem, não só..., mas também, etc. 
Exemplo: Vamos ouvir música e comer uma pizza. 
 
 
 
 
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86 
Coordenada sindética adversativa – Expressa uma idéia de compensação ou de contraste. É 
introduzida pelas conjunções adversativas mas, porém, todavia, contudo, entretanto, senão, 
etc. 
Exemplo: Meu coração pergunta, porém meus olhos não respondem. 
 
Coordenada sindética alternativa – Expressa uma idéia de exclusão, de alternância. É 
introduzida pelas conjunções alternativas ou, ou...ou, ora...ora, quer...quer, etc. 
Exemplo: Vamos fazer um poema ou qualquer outra besteira. 
 
Coordenada sindética conclusiva – Exprime conclusão. É introduzida pelas conjunções 
conclusivas logo, pois, portanto, por conseguinte, etc. 
Exemplo: ela o trata com carinho, logo gosta dele. 
 
Coordenada sindética explicativa – Explica a idéia contida na oração anterior, dando um 
motivo. É introduzida pelas conjunções explicativas pois, porque, portanto, que, etc. 
Exemplo: Traga o jornal, pois quero ler as notícias. 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Classifique as orações coordenadas em destaque dos seguintes períodos: 
 
a) Abriu a porta e disse adeus. 
 
b) Alegra-te, que estou aqui. 
 
c) Meus atiradores não fumam nem bebem. 
 
d) Mudou o Natal ou mudei eu? 
 
e) Os caminhoneiros estão em greve, portanto faltarão alimentos. 
 
 
2) Transforme os períodos simples em um período composto por coordenação, expressando a 
relação indicada entre parênteses: 
 
a) O teatro estava lotado. Não conseguimos sentar. (conclusiva) 
 
b) Fiquem quietos. Eu estou dando as explicações necessárias. (explicativa) 
 
c) Tomei muito analgésico. A dor não passou. (adversativa) 
 
d) Penso. Existo. (conclusiva) 
 
e) Estou ouvindo barulho. Deve ter alguém em casa. (conclusiva) 
 
f) Deve ter alguém em casa. Estou ouvindo barulho. (explicativa) 
 
 
 
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3) Em uma prova escolar, uma das questões solicitava que os alunos classificassem a oração 
destacada no período a seguir e justificassem a resposta: 
 
 
 
 
 
Um dos alunos respondeu que a oração era coordenada sindética aditiva, justificando que essa 
classificação se devia à presença da conjunção e. 
Pergunta-se: esse aluno acertou ou errou a resposta? Por quê? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
ORAÇÕES SUBORDINADAS 
 
 Vimos que o período composto por subordinação é constituído por duas ou mais orações: 
uma principal e as demais subordinadas: 
 
Exemplo: 
 
 E nada é mais triste do que engenho de fogo morto. 
 
 Oração Principal Oração subordinada 
 
 As orações subordinadas podem ser: 
 
 Substantivas – desempenham funções comparáveis às exercidas por substantivos. 
Os operários fizeram todo o trabalho, e não 
receberam o pagamento. 
 
 
 
 
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88 
 Adjetivas – desempenham funções comparáveis às exercidas por adjetivos. 
 Adverbiais – desempenham funções comparáveis às exercidas por advérbios. 
 
 
ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS 
 
 As orações subordinadas substantivas apresentam as seguintes características: 
 
 Têm valor de substantivo; 
 
 Funcionam como sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou 
aposto da oração principal; 
 
 Vêem, geralmente, introduzidas pelas conjunções integrantes que e se, com o verbo no 
indicativo ou no subjuntivo; 
 
 Podem ser introduzidas por pronomes ou advérbios interrogativos (quem, quanto, como, onde, 
quando, por que etc). 
 
 
CLASSIFICAÇÃO: 
 
 Subordinada substantiva subjetiva 
 Funciona como sujeito da oração principal: 
Ex: É indispensável que estejamos presentes. 
 
Atenção: As orações às quais a subjetiva está subordinada são formadas por verbos ou locuções 
impessoais, tais como: é bom, é preciso, é necessário, é conveniente, convém, cumpre, consta, 
urge, sabe-se, conta-se, diz-se etc. 
 
 Subordinada substantiva objetiva direta 
 Funciona como objeto direto da oração principal: 
Ex: Confesso que não estudei muito. 
 
Atenção: Observe que, ao contrário da subjetiva, o sujeito da objetiva direta pode ser 
depreendido da oração principal. Além disso, o verbo da oração principal é transitivo direto. 
 
 Subordinada substantiva objetiva indireta 
 Funciona como objeto indireto da oração principal: 
Ex: Dependemos de que ele participe. 
 
Atenção: Observe que o verbo da oração principal é transitivo indireto. 
 
 Subordinada substantiva completiva nominal 
 Funciona como complemento nominal da oração principal: 
Ex: Temos necessidade de que todos compareçam. 
 
 
 
 
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89 
Atenção: Observe que, assim como o complemento nominal, a subordinada substantiva 
completiva nominal completa um nome presente na oração principal. 
 
 Subordinada substantiva predicativa 
 Funciona como predicativo do sujeito da oração principal: 
Ex: O importante é que todos compareçam. 
 
Atenção: Observe que a subordinada predicativa liga-se à oração principal através de verbo de 
ligação. 
 
Subordinada substantiva apositiva 
 Funciona como aposto da oração principal: 
Ex: Desejo apenas uma coisa: que todos compareçam. 
 
Atenção: A oração apositiva vem, geralmente, entre vírgulas ou depois de dois-pontos. 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Classifique as orações subordinadas substantivas destacadas: 
 
a) Fernando tinha a ilusão de que ela não o deixaria.b) Urge que reequipemos a fábrica. 
 
c) Ninguém percebeu que a pedra era falsa. 
 
d) É provável que estejamos aqui amanhã. 
 
e) Nós todos carecemos de que nos tratem com atenção. 
 
f) Só imponho uma condição: que ele aumente o meu salário. 
 
g)Dizem que ele assumirá a chefia. 
 
h) Diz-se que ele assumirá a chefia. 
i) Tenho certeza de que ele assumirá a chefia. 
 
j) Sabíamos que a prova ia ser difícil. 
 
l) É importante que todos compareçam à reunião. 
 
m) Afinal você se convenceu de que o importante é a verdade. 
 
n) Meu maior desejo no momento é que a chuva caia logo. 
 
 
 
 
 
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2) Em todas as alternativas há uma oração subordinada substantiva subjetiva, exceto em: 
a) ( ) Urge que tomemos uma atitude. 
b) ( ) Parece que o tempo voa. 
c) ( ) O ideal seria que todos participassem. 
d) ( ) É preciso que você nos apóie. 
e) ( ) Importa apenas que sejamos felizes. 
 
 
 
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS 
 
 As orações subordinadas adjetivas apresentam as seguintes características: 
 
 Geralmente são introduzidas por pronomes relativos (que, quem, cujo, onde etc);; 
 
 Funcionam como adjunto adnominal (função própria do adjetivo); 
 
 Sempre ligam a um nome da oração principal. 
 
 
CLASSIFICAÇÃO: 
 
 Subordinada adjetiva restritiva: 
 Restringe, delimita, precisa o significado do substantivo; portanto, não pode ser retirada do 
período, sendo indispensável para a sua compreensão. 
 
Ex: O aluno que faltou à prova fará novos exames. 
 Os livros que estão sobre a mesa me pertencem. 
 
 Subordinada adjetiva explicativa: 
 Acrescenta ao termo antecedente a que se refere uma informação acessória que, à 
semelhança de um aposto, esclarece-o, explica-o ou desenvolve-o. A oração explicativa, ao 
contrário da restritiva, costuma aparecer entre vírgulas. 
 
Ex: Pedro, que era ligeiro, foi o primeiro a chegar. 
 O leite, que ficara ao relento, azedou. 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Classifique as orações adjetivas dos seguintes períodos: 
 
a) Há dias voltei à cidade em que nasci para rever os amigos. 
 
b) Da casa, que ficava no alto da colina, via-se todo o vale. 
 
c) Recebemos a nova edição de Macunaíma, que é uma das melhores obras do Modernismo 
brasileiro. 
 
 
 
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d) Depois de entrar na sala e pedir à secretária que lhe trouxesse um café, abriu a gaveta e 
arrumou os papéis que retirou da pasta. 
 
e) Diz-se que ele era um dos alunos que foram representar a escola na maratona de Matemática. 
 
f) Fomos até a casa que estava à venda. 
 
g) São poucos aquele que não têm problemas. 
 
 
2) (Fuvest – SP) “O ar que respiro, este licor que bebo, pertencem ao meu modo de existir.” 
É composto o sujeito do verbo pertencem. 
a) Qual é esse sujeito composto? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
b) Qual a classificação das orações que acompanham cada membro desse sujeito? 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS 
 
 As orações subordinadas adverbiais apresentam as seguintes características: 
 Têm valor de adjunto adnominal; 
 Ligam-se ao verbo da oração principal; 
 São introduzidas por conjunções subordinativas (com exclusão das integrantes) 
 
CLASSIFICAÇÃO: 
 
 
 
 
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92 
 Subordinada adverbial causal: 
 
 Indica a causa do que está expresso no verbo da oração principal. As principais conjunções 
denotadoras da causa são: porque, pois, como, porquanto, visto que, uma vez que etc. 
 
Ex: Como não havia vacinas, muitos pegaram a doença. 
Atenção: 
 Não confunda a oração subordinada adverbial causal com coordenada explicativa. 
Compare: 
 Ele pegou a doença porque andava descalço. (causal) 
 Não ande descalço, porque você vai pegar uma doença. (explicativa) 
 
1 – No primeiro exemplo há forçosamente uma relação de causa (andar descalço) e 
conseqüência (pegar uma doença). No segundo exemplo, não há essa relação, apenas dá-se um 
motivo para que não se ande descalço. 
 
2 – A adverbial causal pode ser transformada em outra, reduzida de infinitivo, iniciada pela 
preposição por. Por andar descalço, ele pegou uma doença. A coordenada explicativa não admite 
essa transformação. 
 
 Subordinada adverbial comparativa: 
 Estabelece uma comparação com a ação expressa pelo verbo da oração principal. As 
principais conjunções comparativas são: que, do que (depois de mais, menos, melhor, 
pior),como etc. 
 
Ex: Ele lutava como um guerreiro espartano lutaria. 
 
 
 Subordinada adverbial concessiva: 
 
 Indica que se admite ou se concede um fato contrário à declaração contida na oração 
principal. As principais conjunções concessivas são: ainda que, embora, mesmo que, posto 
que, por mais que, se bem que, nem que etc. 
 
Ex: Não venderão o produto ainda que gastem milhões em propaganda. 
 
 
 
 
 Subordinada adverbial condicional: 
 
 Indica a condição necessária para que o fato expresso na oração principal se realize. As 
principais conjunções condicionais são: se, caso, sem que, contanto que, salvo se, desde que, 
a menos que, a não ser que etc. 
 
Ex: Venderão o produto, caso alterem a sua fórmula. 
 
 
 
 
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93 
 Subordinada adverbial conformativa: 
 
 Exprime conformidade com o que se declara na oração principal. As principais conjunções 
conformativas são: conforme, como, segundo, consoante etc. 
 
Ex: O jantar será servido às oito horas, conforme combinamos. 
 
 Subordinada adverbial consecutiva: 
 
 Indica a conseqüência do que foi declarado na oração principal. É introduzida pela 
conjunção que (precedida de tal, tanto, tão ou tamanho). 
 
Ex: Ele falava tanto que começava a ser inconveniente. 
 
 Subordinada adverbial final: 
 
 Indica a finalidade do que está expresso na oração principal. As principais conjunções finais 
são: para que, a fim de que, que (= para que), etc. 
 
Ex: Construíram-se diques para que as águas não alagassem os campos. 
 
 Subordinada adverbial proporcional: 
 
 Indica uma relação de proporcionalidade com o fato expresso na oração principal. As 
principais conjunções proporcionais são: à medida que, à proporção que, ao passo que, 
quanto mais...mais, quanto menos...menos, quanto maior..menor etc. 
 
Ex: Os lucros iam crescendo, à proporção que se reduziam os custos. 
 
 Subordinada adverbial temporal: 
 
 Indica o tempo em que ocorre o fato expresso na oração principal. As principais conjunções 
temporais são: quando, enquanto, antes que, depois que, desde que, logo que, assim que, 
até que, apenas, mal etc. 
 
Ex: Todos estavam reunidos quando ele anunciou seu casamento. 
 
 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Indique a circunstância expressa pela oração adverbial destacada nos seguintes períodos: 
 
a) Usávamos o computador para agilizarmos os cálculos. 
 
b) Quando o navio atracou,todos já estavam a postos. 
 
 
 
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c) Como costumava fazer,deu corda no despertador. 
 
d) Transferirei, se vocês permitirem, a reunião semanal. 
 
e) Como não haviam combinado, cada um deu uma versão diferente. 
 
f) Ele reclamava tanto que começava a ser desagradável. 
g) Quanto mais eu rezo, mais assombrações me aparecem. 
 
h) Embora a chuva estivesse forte, os rapazes viajaram naquele dia. 
 
i) Comportam-se como adultos. 
 
j) Mal entramos em casa, desabou o temporal. 
 
 
2) Classifique as orações adverbiais destacadas: 
a) Como estava com as mãos ocupadas, o rapaz não pôde ajudá-la. 
 
b) O elevador enguiçou quando estávamos no terceiro andar. 
 
c) À medida que o tempo passava, mais ficávamos impacientes. 
 
d) Enquanto cobrarem ágio, não trocaremos de automóvel. 
 
e) O documento foi entregue ao presidente do júri para que todos comprovassem a sua 
autenticidade. 
 
f) Não tomarei tal decisão mesmo que me chantageiem. 
 
g) Ele sabia como fazer a montagem melhor do que qualquer um dos técnicos. 
 
h) Como ordenara o comandante, a âncora foi lançada ao mar. 
 
i) Enquanto houver alimentos, eles serão distribuídos aos retirantes. 
 
 
CONCORDÂNCIA NOMINAL 
 
Concordância Nominal é a que se faz, em gênero e número, entre o artigo, o pronome, o numeral 
ou o adjetivo e o substantivo a que se referem. A concordância do adjetivo com o substantivo 
pode, em alguns casos, trazer dúvidas. Por isso, devemos conhecer algumas regras. 
 
REGRAS GERAIS: 
 
1 – Concordância do adjetivo com um só substantivo: 
 
 
 
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95 
 
 O adjetivo concorda com o substantivo em gênero e número. 
 
Ex: Recebi um bom livro - Recebi bons livros 
 Realizou uma obra magnífica - Realizou belas obras. 
 
2 – Adjetivo anteposto a dois ou mais substantivos: 
 
 O adjetivo concorda, por norma, com o substantivo mais próximo. 
 
Ex: Seu trabalho revelou-nos raro talento e beleza. 
 Seu trabalho revelou-nos rara beleza e talento. 
 
 Atravessamos tranqüilos bosques e florestas. 
 Atravessamos tranqüilas florestas e bosques. 
 
Observações: 
 
a) Referindo –se a nomes próprios, de parentesco ou a títulos, deve o adjetivo ir para o plural: 
 
Ex: Estudamos os extraordinários Camões e Gil Vicente. 
 Colaborava com as esforçadas mãe, irmã e tia. 
 Chegaram os vitoriosos governador e prefeito. 
 
b) Quando em função de predicativo, o adjetivo anteposto poderá concordar com o substantivo 
mais próximo ou ir para o plural: 
 
Ex: Estava oculta a carta, a jóia e o testamento. 
 Estavam ocultos a carta, a jóia e o testamento. 
(Observe que, neste caso, prevalece o masculino) 
 
3 – Adjetivo posposto a dois ou mais substantivos: 
 Neste caso, há duas construções possíveis: concorda com o mais próximo, ou vai para o 
plural, prevalecendo, então o masculino. 
 
Ex: Recebeu um elogio e uma promoção merecida. 
 Recebeu um elogio e uma promoção merecidos. 
 
 
 
4 – Dois ou mais adjetivos com um substantivo: 
 Neste caso, também há duas construções possíveis: permanecerá no singular se houver 
repetição do artigo. Se não, irá para o plural juntamente com o artigo que o antecede. 
 
Ex: Suportou a pressão interna e a externa. 
 Suportou as pressões interna e externa. 
 
 
 
 
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96 
Casos Particulares: 
 
 As expressões em anexo, incluso, obrigado, mesmo, próprio, quite, junto leso e meio 
concordam com a palavra a que se referem. 
 
Anexo 
 
As certidões vão anexas ao requerimento. 
Os gráficos vão anexos ao relatório. 
Observação: 
Precedido da preposição em, fica invariável: Em anexo, seguem 
as faturas. 
 
Incluso 
Remeto-lhes, inclusas, as faturas. 
Remeto-lhes, inclusos, os documentos. 
Obrigado 
A moça disse: muito obrigada. 
O rapaz disse: muito obrigado. 
Mesmo 
Ele mesmo fará os convites. 
Ela mesma fará os convites. 
Observação: Quando significa de fato, realmente, é invariável: 
Ela fará mesmo parte de banca examinadora. 
 
Próprio 
Ele próprio expedirá a correspondência. 
Ela própria expedirá a correspondência. 
Meio 
Compramos meio quilo de soja. 
Serviu-nos meia porção de arroz. 
Observação: Meio, advérbio, é invariável: 
Encontrei-a meio triste. 
Eles estavam meio nervosos. 
Quite 
Estou quite com o Serviço Militar. 
Estamos quites com o Serviço Militar. 
Observação: Com o sentido de igualmente pago, igualado, o 
adjetivo quite vai para o plural: Estamos quites. 
Junto 
Remeto-lhe, juntas, as faturas. 
Remeto-lhe, juntos, os documentos 
Observação: Junto, funcionando como advérbio (= juntamente), 
ou compondo locução prepositiva (junto com, junto de), é 
invariável: 
Junto, remeto-lhe as certidões. 
As certidões seguem junto com os requerimentos. 
Leso 
Cometeu um crime de leso-patriotismo. 
Foi um crime de lesa-majestade. 
 
Outros casos: 
 
 
 
 
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97 
Possível 
Com a expressão o mais... 
possível, deve-se fazer a 
variação de acordo com o 
artigo que a encabeça. 
Vencia obstáculos o mais 
difíceis possível. 
Vencia obstáculos os mais 
difíceis possíveis. 
 
Alerta, menos São sempre invariáveis. 
Os soldados estavam alerta. 
Há menos convidados do que 
prevíamos. 
 
 
 
Valor adjetivo ou adverbial: 
 
 Há palavras que funcionam ora com valor adjetivo, ora com valor adverbial. 
Ex: Bastantes alunos sabem esta lição. - refere-se ao substantivo - variável. 
 Os alunos sabem bastante esta lição. - refere-se ao verbo - invariável. 
 Os alunos são bastante estudiosos. - refere-se ao adjetivo – invariável. 
 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Efetue a devida concordância entre os substantivos e os adjetivos indicados entre parênteses: 
 
a) Manifestou _______________respeito e admiração pelo amigo. (profundo) 
 
b) Usava caneta e lápis ___________. (preto) 
 
c) Manifestou respeito e admiração ______________. (profundo) 
 
d) Era _________sua fé e seu talento. (extraordinário) 
 
e) Era ____________ seu talento e sua fé. (extraordinário) 
 
f) Tinha __________ a barba e o cabelo. (branco) 
 
g) Tratava-se de moças e rapazes _____________. (evoluído) 
 
h) Tratava-se de rapazes e moças _____________. (evoluído) 
 
i) Manifestou ____________ admiração e respeito. (profundo) 
 
j) Trabalhamos com balança e microscópio _____________. (importado) 
 
 
 
 
 
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98 
2) Relacione as orações que não apresentarem erro de concordância. Rescreva no final as que 
estiverem erradas, corrigindo-as: 
 
a) Os documentos anexos devem ser microfilmados. 
 
b) Fiquei contente quando ela me disse obrigado. 
 
c) As mercadorias chegaram juntas com as notas de cobrança. 
 
d) Seguem anexos os gráficos do computador. 
 
e) Maria decidiu mesma fazer o vestibular de medicina. 
 
f) É meio-dia e meio na capital federal. 
 
 
3) Corrija a alternativa incorreta: 
 
a) Procurava cavalos os mais velozes possíveis. 
 
b) Há menos alunas na primeira série. 
 
c) Os fiscais observaram alertas todos os alunos. 
 
d) Buscava músicos os mais talentosos possíveis. 
 
 
4) Substitua os espaços em branco por uma das palavras entre parênteses: 
 
a) Pediu que todos caminhassem _______________. (ligeiro – ligeiros) 
 
b) Eram moças ______________ competentes. (bastante – bastantes) 
 
c) Eram problemas ________ os nossos. (sério – sérios) 
 
d) Os meninos eram ___________ com a bola. 
(ligeiro – ligeiros) 
 
e) Os pais falavam ____________ com o filho. 
 (sério – sérios) 
 
f) A casa estava _____________ velha antes da reforma. (meio – meia) 
 
g) Vocês agiram ___________ no caso. 
(certo – certos) 
 
h) Eles estavam ___________ de que elas viriam. (certo – certos) 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
99 
 
5) Rescreva as frases, fazendo as alterações indicadas e estabelecendoadequadamente a 
concordância nominal: 
a) O trem partirá ao meio-dia e vinte. (troque “vinte” por “meio”.) 
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__________________________________________________________ 
 
b) Ela é um pouco antipática. (troque “um pouco” por “meio”) 
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c) No jogo, não foi permitida a entrada de crianças. (exclua o artigo) 
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d) Em anexo, estão os impressos que vocês pediram. (exclua o “em”) 
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100 
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e) Já lhe contei essa história diversas vezes. (troque “diversas” por “bastante”) 
__________________________________________________________
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__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
 
CONCORDÂNCIA VERBAL 
 
Observe: As florestas ainda ocupam 43% do território brasileiro. È uma área tão extensa que, se 
fosse emancipada, a nação verde seria o sétimo maior país do mundo, superando, em tamanho, 
a Índia e a Argentina. 
 No período acima os verbos concordam com o sujeito simples em número e pessoa: 
 
As florestas ocupam...... (sujeito no plural, verbo no plural); 
A nação verde seria... (sujeito no singular, verbo no singular) 
 
Com o sujeito composto, o verbo vai para o plural: 
 
Exemplo: As florestas e os oceanos devem ser tratados com respeito pela humanidade. 
 
Outras normas da Concordância Verbal 
 
Casos Normas Exemplo 
Verbo antecedendo o 
sujeito composto: 
O verbo poderá concordar 
apenas com o núcleo mais 
próximo ou ir para o plural. 
Chegará o presidente e o ministro. 
Chegarão o presidente e o ministro. 
Núcleos do sujeito 
constituídos pelos 
pronomes: 
eu e ele = nós 
tu e eu = nós 
tu e ele = vós ou vocês 
ele e ela = eles 
eu, tu e ele = nós 
O verbo irá para a 1ª 
pessoa do plural, se um 
dos núcleos do sujeito for 
da 1ª pessoa. 
eu + ele = nós 
O verbo irá para a 2ª ou 3ª 
pessoa do plural se um 
dos núcleos for da 2ª 
pessoa e não houver 
Eu e ele recebemos as informações. 
Tu e eu recebemos as informações 
 
 
Tu e ele farão os testes. 
 
Atenção: 
Tu, ele e eu faremos os testes. 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
101 
núcleo da 1ª pessoa. 
tu + ele = vós ou vocês 
Grande parte, a maior 
parte... 
O verbo pode ser usado 
no singular ou no plural 
Grande parte dos alunos compareceu. 
(ou compareceram) 
A maior parte dos alunos compareceu. 
(ou compareceram) 
Quando os núcleos do 
sujeito são sinônimos (ou 
quase) 
O verbo poderá ficar no 
singular ou ir para o plural. 
Observação: 
O mesmo ocorre quando 
há gradação de idéias: 
Aquele sofrimento, aquela 
dor, aquela agonia 
dilacerava-lhe (ou 
dilaceravam-lhe) o 
espírito. 
A tristeza, o desalento levou-o às lágrimas. 
(ou levaram-na) 
 
A instabilidade e a incerteza caracterizava 
o seu comportamento (ou 
caracterizavam...) 
 
Sujeitos resumidos por 
tudo, nada, ninguém, etc 
O verbo fica no singular. 
Os castiçais, os cristais, as jóias, tudo 
estava penhorado. 
O sujeito representado 
pelo pronome relativo 
quem 
O verbo pode ficar na 3ª 
pessoa do singular ou 
concordar com o 
antecedente do pronome. 
Fui eu quem derramou a água. 
Fui eu quem derramei a água. 
O sujeito representado 
pelo pronome relativo que 
O verbo concorda com o 
antecedente do pronome. 
Fui eu que derramei a água. 
Foste tu que derramaste a água. 
Fomos nós que derramamos a água. 
Um dos que..., uma das 
que... 
O verbo pode ficar na 3ª 
pessoa do singular ou do 
plural. 
Ele foi um dos que esteve na 
manifestação. 
Ele foi um dos que estiveram na 
manifestação. 
Núcleos do sujeito ligados 
por ou 
O verbo ficará no singular 
se houver idéia de 
exclusão. Se não houver 
idéia de exclusão, irá para 
o plural. 
Pedro ou Chico casará com Isabel. 
O original ou a cópia serão aceitos. 
Mais de um..., menos de 
três..., cerca de cem... 
O verbo concorda com o 
numera. 
Mais de um aluno faltou à aula. 
Mais de cinco faltaram à aula. 
Um e outro..., nem um 
nem outro... 
O verbo poderá ficar no 
singular ou no plural. 
Nem um nem outro assumiu (ou 
assumiram) a culpa. 
Nomes de países, estados 
e cidades normalmente 
pluralizados. 
O verbo fica no singular, a 
menos que o sujeito venha 
precedido de artigo no 
plural. 
Pelotas fica no Rio Grande do Sul. 
Buenos Aires é uma bela cidade. 
Estados Unidos é uma nação opressora. 
Os Estados Unidos são a maior potência 
mundial. 
 
Concordância do verbo ser: 
 
1 – Nos predicados nominais, com o sujeito representado por um dos pronomes tudo, nada, isto, isso, 
aquilo, os verbos ser e parecer concordam com o predicativo: 
Ex: Tudo são esperanças. 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
102 
 Aquilo parecem ilusões. 
 Aquilo é ilusão. 
 
Observação 
 Pode-se fazer a concordância com o sujeito quando se quer enfatizá-lo: 
Ex: “Tudo é flores no presente.” (Gonçalves Dias) 
 Aquilo é sonhos vãos. 
 
2 – Nas orações iniciadas por pronomes interrogativos, o verbo ser concorda sempre com o nome ou 
pronome que vier depois: 
Ex: Que são florestas equatoriais? 
 Quem eram aqueles homens? 
 
3 – Nas indicações de horas, datas, distâncias, a concordância se fará com a expressão numérica: 
Ex: São oito horas. 
 De Botafogo ao Leblon são oito quilômetros. 
 
Observação: 
 
 Na indicação de datas, admitem-se duas concordâncias: 
 
Ex: Hoje são 31 de março. 
 Hoje é 31 de março. (= Hoje é dia 31 de março) 
Preferimos a segunda concordância. A primeira, um preciosismo, soa artificial. 
 
4 - Com o predicado nominal indicando suficiência ou falta, o verbo ser fica no singular: 
Ex: Três batalhões é muito pouco. 
 Trinta milhões de dólares é muito dinheiro. 
 Dez dias é tanto tempo! 
 
 
5 – Quando o sujeito é pessoa, o verbo ser fica no singular: 
Ex: Maria era as flores da casa. 
 Fernando Henrique foi só decepções. 
 
6 – Quando o sujeito é constituído de verbos no infinitivo, o verbo ser concorda com o predicativo: 
Ex: Dançar e cantar é a sua atividade.Estudar e trabalhar são as minhas atividades. 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Complete os espaços em branco efetuando as concordâncias possíveis. Indique quando houver 
mais de uma possibilidade: 
 
a) Grande parte dos jogadores ______________ao treino. (faltou – faltaram) 
 
b) O zelador e o motorista ______________o assalto. (evitou – evitaram) 
 
 
 
 
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103 
 sujeito predicado 
 
 VTD OD 
Os operários aspiravam o ar poluído. 
 
regente regido 
 
c) O zelador, com o motorista, _______________ o carro. (empurrou – empurraram) 
 
d) Livros, discos, revistas, tudo ___________________________espalhado pela sala. 
(estavam – estava) 
 
e) Aquele operário era um dos que mais ___________________. (trabalhavam – trabalhava) 
 
f) Nem um nem outro _________________ o trabalho. (fez – fizeram) 
 
 
2) Complete as lacunas com uma das formas verbais sugeridas: 
 
a) Algum de vós ______________a bolsa de estudo. (conseguireis – conseguirá) 
 
b) Um de vós me ________ de trair esta noite. 
 (haveis – há) 
 
c) Disse-me o policial que mais de um ladrão já _________tentando arrombar o cofre da firma. 
(andou – andaram) 
 
 
Alguns verbos e nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) pedem complementos. Esses 
complementos podem exigira presença da preposição. Por isso, os dicionários costumam indicar 
se os verbos são transitivos diretos (TD) ou transitivos indiretos (TI) e quais preposições devemos 
usar com eles e com os substantivos, adjetivos e advérbios. 
 
 
 
 
 
 
 
Observe que, conforme a regência,altera-se também o significado. No primeiro exemplo, o 
verbo tem o sentido de "respirar, sorver"; no segundo, o de "desejar, pretender" 
O hábito de leitura e o uso que fazemos do idioma automatizam de certa forma o emprego 
correto de verbos e nomes e suas regências. Entretanto muitos podem causar dúvidas. Alguns 
são encontrados nas gramáticas, mas existem dicionários específicos de regência. Recorra a eles 
sempre que você tiver dúvidas. 
Os quadros abaixo servem apenas para algumas exemplificações, considerando que um bom 
dicionário de regência tem centenas de páginas. 
 
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Aspirar 
Respirar, sorver (TD). Desejar, pretender (TI). 
Obs.: Com o sentido de "pretender" ou "desejar" 
não admite o pronome lhe,que deve ser substituído 
por a ele(s), a ela(s). 
 
Aspiramos o ar poluído. 
Aspiramos a uma vida melhor. 
Chico aspirava ao cargo. 
Chico aspirava a ele 
Assistir 
Socorrer, prestar auxílio (TD ou TI). Presenciar, ver 
(TI). Competir, caber (direito, razão) (TI). Residir, 
morar, habitar; estar, permanecer: pede 
complemento de natureza adverbial. 
Obs.: Com o sentido de presenciar, ver, a norma é 
bastante transgredida na linguagem oral. 
 
O médico assistiu o doente. 
O médico assiste ao doente. 
Os alunos assistiram a um espetáculo magnífico. 
Não assiste ao réu o direito de contestar. 
João assiste em Florianópolis. 
Que a paz assista entre os homens. 
 
Custar 
Causar, acarretar (TDI). Ser difícil, custoso (TI). 
 
Sua despedida custou-lhe lágrimas. 
Custa-me aceitar essa idéia. 
Ele custou a encontrar os cadernos. (uso popular) 
 
Declinar 
Declarar, revelar (TD). Desistir, recusar (TI). 
 
Declinamos os nomes dos jogadores. 
Declinamos do convite inesperado. 
 
Esquecer e 
lembrar 
Pode ser empregado: 
a)como transitivo direto; 
b)como transitivo indireto, pronominal; 
c) como transitivo indireto. 
 
Esqueci o fato./Lembrei o fato. 
Esqueci-me do fato. /Lembrei-me do fato. 
Esqueceu-me o fato. /Lembra-me o fato. 
 
Implicar 
Acarretar, causar (TD). 
É bastante empregado como transitivo indireto 
regendo a preposição em. 
 
Drogas implicam violência. 
O desenvolvimento das ciências implica em 
muitos benefícios. 
 
Informar 
Este verbo pode pedir: 
a)objeto direto de coisa e objeto indireto de 
pessoa; 
b)objeto direto de pessoa e objeto indireto de 
coisa. 
 
Informaram o acidente à polícia. 
Informaram a polícia do acidente. 
 
 
 
 
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Pagar e 
perdoar 
Se o complemento desses verbos for 
representado por "coisa" será um objeto 
direto; se o complemento for "pessoa" ou 
"coisa personificada"será um objeto indireto. 
 
Obs.: É comum o emprego do objeto direto 
para representar "pessoa". 
 
Paguei os legumes, (coisa) 
Paguei ao quitandeiro. (pessoa) 
Perdoamos a dívida. 
Perdoei às crianças. 
Paguei os legumes ao quitandeiro. 
Perdoamos a dívida ao cliente. 
 
Paguei o flanelinha. 
Perdoamos o cliente. 
Preferir 
É transitivo direto e indireto simultaneamente. 
Embora bastante comum, condena-se o uso 
da expressão "do que". 
Preferiu o celibato ao casamento. 
Prefere sair a ficar. 
Condenável: Preferiu sair do que ser humilhado. 
Correta: Preferiu sair a ser humilhado. 
Querer 
Desejar, almejar (TD), 
Estimar, amar (TI). 
 
Quero paz nos seus corações. 
Os pais querem bem aos filhos. 
Simpatizar 
e 
antipatizar 
Transitivos indiretos, regendo a preposição 
com. 
Estes verbos não são reflexivos. Não 
devemos usá-los com os pronomes me, te, 
se, nos e vos. 
 
Eu simpatizo com Teresa. 
Eu antipatizo com ditadores. 
Condenável: Eu me simpatizo... 
Eu me antipatizo... 
Visar 
 
Mirar (TD). 
Dar visto, rubricar (TD). 
Pretender, objetivar (TI). 
 
O artilheiro visou o alvo. 
O gerente vidou o cheque. 
Esta lei visa ao bem comum. 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
106 
 
 
 
 
 
 
Nomes: regências 
 
 
Acostumado – 
a,com 
Hão está acostumado a ambientes sofisticados. 
Reagiu como senão estivesse acostumado com a amiga. 
Adaptado – 
a, para 
Este pára-choque pode ser adaptado ao carro. 
Morte e vida severina foi adaptado para a televisão. 
aflito – com, 
em, para, por 
O professor estava aflito com o resultado das provas. 
Encontrei-o aflito em provar sua inocência. 
Ficou aflito por não encontrar seu cartão de crédito. 
Alheio - a, de 
Vive alheia ao comportamento do filho. 
É um político alheio de más intenções, (livre, isento) 
Alienado - a, de 
Meu carro está alienado à financeira. 
Brás Cubas tornou-se alienado do mundo. 
Alusão - a Todos fizeram alusão ao noticiário daquela manhã. 
Apto – a, para 
Estamos aptos a esclarecer todos os fatos. 
Os meninos estão aptos para vencer a competição. 
Atento – a, em 
Permaneceu atento ao rádio. 
Ficou atento no movimento da passeata. 
Ávido – de, por 
Era um deputado ávido de aparecer no noticiário. Ele está 
ávido por provar aquela fruta. 
Curioso – de, 
para, por 
É um jovem curioso do funcionamento dos computadores. 
Ela estava curiosa para saber se ele tinha compromisso. 
Estava curiosa por saber quem era o professor bonitão. 
Devoto – a, de 
O estudante é devoto ao Partido dos Trabalhadores. 
Minha tia é devota de Santo Expedito. 
Imune – a Com a vacina ficou imune à poliomielite. 
Medo – a, de 
Persiste o medo ao aumento dos planos de saúde. 
 Não tenho medo de encará-lo. 
Preferível – a, do 
que 
É preferível uma derrota honrosa à ausência covarde. 
É preferível insistir do que entregar os pontos logo no início, (uso popular) 
Propenso – a, 
para 
Ela está propensa a largar o marido. 
Luchini é um barítono propenso para a fama. 
Residente - em 
Luísa, residente em Vassouras, estuda em outra cidade. 
Campopiano era um pintor residente na minha rua. 
 
 
 
EXERCÍCIOS 
 
1- Preencha as lacunas pelo pronome que, precedido da preposição adequada quando 
necessário: 
 
a) O ar ________aspiramos não estava contaminado. 
 
b) O cargo ________________ aspiras não está vago. 
 
c) Já não carece de ajuda o orfanato ______ assistias. 
 
 
 
 
LITERATURA E GRAMÁTICA – 3º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2014 
 
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d) O filme __________ assistimos continua em cartaz. 
 
e) ______________ pessoa assiste tomar tal decisão? 
 
 
2- Rescreva as frases abaixo empregando o verbo custar: 
a) Compreender a recusa do irmão é muito difícil para ela. 
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__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
b) Aceitar a decisão dos teus pais é muito difícil para ti. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
c) Entender os seus motivos é muito difícil para mim. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
__________________________________________________________ 
 
3- Nas orações abaixo, a regência dos verbos não está de acordo com a norma culta. Rescreva-
as corre- tamente: 
 
a) Brigas de marido e mulher, não lhes assista. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
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__________________________________________________________ 
 
 
 
 
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b) Assisto à rua 19 de Fevereiro. 
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__________________________________________________________ 
 
 
c) Aspiro que consiga o que deseja. 
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__________________________________________________________
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d) Esquecemos do jogo. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
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__________________________________________________________ 
 
 
e) Nós custamos a contornar a situação. 
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
f) À solução do problema, aspiro-lhe ansiosamente. 
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__________________________________________________________
__________________________________________________________ 
 
 
4- Substitua o complemento sublinhado pelo pronome correspondente: 
 
a) Informei ao João que não haverá aula amanhã. 
 
 
b) Informei João de que não haverá aula amanhã. 
 
 
c) Paguei a prestação. 
 
 
d) Paguei ao credor. 
 
 
e) Perdoamos suas faltas. 
 
 
f) Perdoamos aos faltosos. 
 
 
g) Lembrei ao pintor o retoque. 
 
 
h) Lembrei o pintor do retoque. 
 
 
i) Aconselhamos aos jovens que estudassem. 
 
 
j) Aconselhamos os jovens a que estudassem. 
5- Rescreva as frases, substituindo os • conforme a regência de cada verbo: 
 
a) O escritório situa-se ________ praça Castro Alves. 
 
b) Ele já morou nesta rua, agora mora _______ largo das Flores. 
 
6- Escolha uma das palavras apresentadas entre parênteses preencha a lacuna de cada 
período, rescrevendo-o corretamente: 
 
a) Queriam _______ pais com o amor especial dos filhos. (os - aos) 
 
b) Quero ______céu sempre azul e estrelado. (o - ao) 
 
c) Aos amigos, quero- ______ como aos irmãos. (os - lhes) 
 
 
 
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d) O rapaz disse à jovem que _______ queria muito bem. (a - lhe) 
 
7- Identifique os períodos que não estão de acordo com a norma culta e rescreva-os 
corretamente: 
 
a) É preferível a morte à desonra. 
 
b) É preferível morrer do que ser desonrado. 
 
c) Preferiu lutar do que fugir covardemente. 
 
d) Prefere o silêncio à polêmica inútil. 
 
e) Preferimos vinho do que refrigerante. 
 
f) O atacante visou ao gol. 
 
g) O diretor passou a tarde visando os diplomas. 
 
h) Estas normas visam ao bem-estar da coletividade. 
 
j) O prédio situa-se à rua Ferreira Viana. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
 
Português – Linguagens 3 
Literatura – Produção de texto – Gramática 
Autor: Willian Roberto Cereja 
Ed. Scipione 
 
Portguês –Volume Único 
Autor: Ernani Terra e José Nicola 
Ed. ModernaGramática da Língua Portuguesa 
Autor – Suzana D’ Ávila 
Ed. Do Brasil

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