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<p>Manejo da Hanseníase na</p><p>Atenção Primária à Saúde</p><p>PROFESSORA: ROZILEIA SILVA LEONARDO</p><p>Agenda:</p><p>• Epidemiologia</p><p>• Transmissão</p><p>• Diagnóstico: Abordagem Diagnóstica às Lesões de Pele</p><p>• Apresentação Clínica</p><p>• Conduta na APS</p><p>• Medidas de Prevenção e Controle</p><p>• Lei do Sigilo</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Levítico 13:</p><p>“… O Senhor disse a Moisés e a Aarão: “Se</p><p>alguém notar na sua pele um inchaço ou uma</p><p>crosta ou um empolamento, deverá ser</p><p>suspeito de estar com lepra. Será levado a</p><p>Aarão, o sacerdote, ou a um dos seus filhos,</p><p>para ser observado. Se o pelo desse sítio</p><p>afetado se tiver tornado branco e tiver a</p><p>aparência de algo mais profundo que a pele, é</p><p>porque se trata de lepra; o sacerdote terá de o</p><p>declarar impuro …”</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>• Doença infecto contagiosa;</p><p>• Mycobacterium leprae (bacilo de Hansen);</p><p>• Doença de várias facetas - amplo espectro;</p><p>• Lesão indeterminada manchas com perda de sensibilidade;</p><p>• Predileção pela pele e pelos nervos periféricos (células de Schwann);</p><p>Diagnóstico</p><p>Precoce</p><p>Tratamento</p><p>Oportuno</p><p>Desenvolvimento</p><p>Social</p><p>Estratégias para</p><p>prevenir a Hanseníase</p><p>no mundo</p><p>Epidemiologia</p><p>• Prevalência global e nacional</p><p>Você sabia que hanseníase ainda é um importante problema de saúde pública</p><p>em algumas partes do mundo?</p><p>2021 - 106 países reportaram à OMS 140.594 casos novos da doença no mundo.</p><p>A taxa de detecção de casos novos aumentou 10,2% em comparação com 2020.</p><p>A Índia é o país que mais reportou casos novos em 2021, cerca de 53,6% do total global.</p><p>Na região das Américas, houve 19.826 (14,1%) casos notificados; desses, 18.318 (92,4%)</p><p>ocorreram no Brasil.</p><p>Brasil ocupa o segundo lugar entre os países com maior número de casos no mundo,</p><p>seguido da Indonésia. Índia, Brasil e Indonésia são os países que mais reportaram casos</p><p>novos, correspondendo a 74,5% do total global (OMS, 2022).</p><p>Epidemiologia</p><p>• Acomete ambos os sexos, porém os homens apresentam formas mais graves e sofrem</p><p>mais deformidades;</p><p>• A doença ocorre em todas as idades, sobretudo em adultos entre 20 e 50 anos – a faixa</p><p>etária economicamente ativa;</p><p>• A ocorrência de doença em indivíduos com idade < 15 anos indica exposição precoce ao</p><p>agente etiológico, determinada pelo maior nível de endemicidade;</p><p>Fatores</p><p>Biológicos</p><p>Fatores</p><p>Socioculturais</p><p>Fatores</p><p>Econômicos</p><p>Serviços de</p><p>Saúde</p><p>Epidemiologia</p><p>• Fatores de risco</p><p>- Baixo nível socioeconômico;</p><p>- Desnutrição;</p><p>- Fatores imunológicos;</p><p>- Superpopulação doméstica.</p><p>• A maioria da população é resistente ao bacilo - cerca de 95%;</p><p>• Mycobacterium leprae caracteriza-se por alta infectividade e baixa patogenicidade</p><p>- muitos se infectam e poucos adoecem;</p><p>• Contatos intradomiciliares são mais suscetíveis a contrair a doença quando há o</p><p>convívio íntimo e prolongado com um paciente infectado e não tratado (BRASIL, 2018).</p><p>Transmissão</p><p>• Mucosa do trato respiratório (aerossóis e secreções nasais) - pessoas com as formas</p><p>multibacilares (MBs), sem tratamento;</p><p>• Necessário o contato prolongado com indivíduos doentes MBs não tratados para contrair a</p><p>doença - contatos intradomiciliares primeiro meio de adquirir a doença;</p><p>• Indivíduos com resistência ao bacilo poderão evoluir para cura espontânea ou para formas</p><p>paucibacilares (PB), não contagiosas;</p><p>• Indivíduos com a forma multibacilar sem tratamento + sinais clínicos pouco aparentes =</p><p>mais importante fonte de infecção;</p><p>• O período de incubação é, em média, de 2 a 7 anos.</p><p>Verificar contatos</p><p>dos últimos 5 anos!</p><p>Fonte: Núcleo Telessaúde Santa Catarina</p><p>Fonte: Núcleo Telessaúde Santa Catarina</p><p>Diagnóstico</p><p>Quando devo pensar em hanseníase?</p><p>- Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com sensação de</p><p>amortecimento, formigamento ou falta de suor;</p><p>- Pele com diminuição de pelos;</p><p>- Queixas de queimaduras ou bolhas;</p><p>- Sensação de formigamento - parestesias;</p><p>- Dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas;</p><p>- Edema de mãos e pés;</p><p>- Diminuição da força das mãos e pés “cansados” - perde o chinelo ao caminhar;</p><p>- Úlceras de pernas e pés;</p><p>- Caroços no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos;</p><p>- Edema e artralgia;</p><p>- Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz;</p><p>- Respiração “pesada”, ruidosa,</p><p>Diagnóstico</p><p>• O diagnóstico de hanseníase é essencialmente clínico e epidemiológico:</p><p>- análise da história</p><p>- condições de vida do indivíduo</p><p>- exame dermatoneurológico</p><p>• Considerar hanseníase o indivíduo que apresente pelo menos uma das características a</p><p>seguir, com ou sem história epidemiológica, e que requer tratamento específico:</p><p>- lesão(ões) e/ou área(s) da pele com alteração de sensibilidade;</p><p>- acometimento de nervo(s) periférico(s), com ou sem espessamento, associado a alterações</p><p>sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas;</p><p>- baciloscopia positiva de esfregaço intradérmico ou biópsia de pele.</p><p>Diagnóstico</p><p>• Anamnese:</p><p>• Alteração na pele - manchas hipocrômicas ou eritematosas, placas, infiltrações, nódulos ou</p><p>tubérculos;</p><p>• Tempo de aparecimento e evolução;</p><p>• Possíveis alterações de sensibilidade em áreas da pele;</p><p>• Presença de dores nos nervos periféricos, assim como fraqueza de mãos e/ou pés e</p><p>cãibras.</p><p>Uma história epidemiológica negativa para hanseníase não exclui seu diagnóstico!</p><p>Diagnóstico</p><p>• Exame físico:</p><p>• Pesquisam-se 3 modalidades de sensibilidade: térmica, dolorosa e tátil (alteram nesta ordem);</p><p>• Avaliação neurológica:</p><p>- inspeção e pesquisa de sensibilidade de olhos, mãos e pés;</p><p>- inspeção do nariz;</p><p>- avaliação da força muscular de mãos e pés;</p><p>- avaliação dos principais troncos nervosos periféricos: facial e trigêmeo (avaliação indireta por</p><p>meio do exame dos olhos) e a palpação dos nervos radial, ulnar, mediano, fibular e tibial.</p><p>• Os troncos nervosos devem ser palpados, buscando-se:</p><p>- alterações de espessura</p><p>- consistência</p><p>- dor (neurite)</p><p>É importante que seja feita a comparação</p><p>com o nervo contralateral, pois as variações</p><p>individuais são grandes!</p><p>Exame dermatoneurológico e a correta</p><p>interpretação dos achados são de</p><p>importância fundamental!</p><p>Abordagem Diagnóstica às Lesões de Pele</p><p>• Lesões cutâneas: manchas hipocrômicas, eritemato-hipocrômicas ou eritematosas,</p><p>infiltrações, nódulos, tubérculos, lesões foveolares, placas eritematovioláceas.</p><p>• Presença ou ausência de distúrbio de sensibilidade, perda de pelos no local e alteração da</p><p>sudorese.</p><p>• Alterações neurológicas: podem ocorrer tanto nos ramos superficiais da pele quanto nos</p><p>nervos periféricos, levando a distúrbios de sensibilidade, inicialmente hiperestesia, depois</p><p>hipoestesia e anestesia.</p><p>• O envolvimento de fibras motoras resulta em incapacidades e deformidades em olhos, mãos</p><p>e pés;</p><p>• Acometimento das fibras autonômicas pode levar, ainda, à alopecia e à anidrose.</p><p>Não examinar apenas as manchas, mas o corpo todo!</p><p>Abordagem Diagnóstica às Lesões de Pele</p><p>• Os nervos mais acometidos: ramo</p><p>oftálmico do trigêmeo, facial,</p><p>auricular, radial, ulnar, mediano,</p><p>radial cutâneo, fibular comum,</p><p>sural e tibial;</p><p>Fonte: Aula Telessaúde Espírito Santo</p><p>• Acometimento de pele e</p><p>nervos - afinidade por áreas</p><p>mais frias do corpo;</p><p>• Extremidades!</p><p>Fonte: Aula Telessaúde Espírito Santo</p><p>PROTOCOLO COMPLEMENTAR DE INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA DE</p><p>CASOS DE HANSENÍASE EM MENORES DE 15 ANOS – PCID < 15</p><p>1 UNIDADE DE SAÚDE 2 MUNICÍPIO 3 UF</p><p>1 INFORMAÇÕES DO(A) PACIENTE</p><p>4 NOME DO(A) PACIENTE 5 Nº DO PRONTUÁRIO</p><p>NOME SOCIAL (CONFORME LEGISLAÇÃO VIGENTE QUE DISPÕE SOBRE O USO DE NOME SOCIAL DE PESSOAS TRAVESTIS E TRANSEXUAIS)</p><p>6 NOME DA MÃE</p><p>7 DATA DE NASCIMENTO 8 IDADE</p><p>_______________ ANOS</p><p>9 MUNICÍPIO DE RESIDÊNCIA 10 UF</p><p>11 HÁ QUANTO TEMPO RESIDE NESSE MUNICÍPIO?</p><p>12 HÁ QUANTO TEMPO APARECERAM OS PRIMEIROS SINAIS E SINTOMAS? MENOS DE 06 MESES DE 06 MESES A 1 ANO MAIS DE 1 ANO</p><p>13 JÁ FEZ ALGUM TIPO TRATAMENTO</p><p>ANTERIOR PARA A SINTOMATOLOGIA ATUAL?</p><p>NÃO SIM. QUAL O PROBLEMA / DOENÇA HAVIA SIDO IDENTIFICADO?: _________________________________________________________________________</p><p>14 EXISTEM OUTRAS PESSOAS COM PROBLEMAS DE PELE NA FAMÍLIA? NÃO SIM. QUANTAS? ____________________</p><p>15 EXISTE OU EXISTIU ALGUM(A) DOENTE DE HANSENÍASE NA FAMÍLIA? NÃO SIM. QUANTOS(AS)? ____________________</p><p>OBS: TODOS OS CONTATOS DE MENORES DE 15 ANOS DEVEM SER EXAMINADOS</p><p>2 EXAME DO(A) DOENTE</p><p>16 NÚMERO DE LESÕES NA PELE</p><p>17 TIPOS / CARACTERÍSTICAS DE LESÕES</p><p>ÁREA(S) COM ALTERAÇÃO DE SENSIBILIDADE SEM MANCHA(S)</p><p>MANCHA(S) COM ALTERAÇÃO DA COLORAÇÃO DA PELE</p><p>PLACAS ERITEMATOMATOSAS COM BORDAS ELEVADAS</p><p>COM ALTERAÇÃO DE SENSIBILIDADE</p><p>COM ALTERAÇÃO DE SENSIBILIDADE</p><p>COM ALTERAÇÃO DE SENSIBILIDADE</p><p>SEM ALTERAÇÃO DE SENSIBILIDADE</p><p>SEM ALTERAÇÃO DE SENSIBILIDADE</p><p>SEM ALTERAÇÃO DE SENSIBILIDADE</p><p>NÓDULOS / PÁPULAS INFILTRAÇÃO</p><p>OUTRAS. ESPECIFICAR: _________________________________________________________________</p><p>18 CICATRIZ DE BCG NENHUMA UMA DUAS OU MAIS</p><p>19 EXISTEM ÁREAS COM RAREFAÇÃO DE PELO? NÃO SIM. ONDE? ____________________________________</p><p>20 EXISTEM NERVOS ACOMETIDOS? NÃO SIM. QUANTOS? _________________________________</p><p>21 TESTE DE HISTAMINA NÃO REALIZADO REALIZADO. RESULTADO: _________________________________________</p><p>22 LOCALIZE AS LESÕES E NERVOS ACOMETIDOS NO ESQUEMA CORPORAL AO LADO</p><p>23 AVALIAÇÃO DO GRAU DE INCAPACIDADE</p><p>GRAU</p><p>OLHO MÃO PÉ</p><p>SINAIS E / OU SINTOMAS D E SINAIS E / OU SINTOMAS D E SINAIS E / OU SINTOMAS D E</p><p>0</p><p>NENHUM PROBLEMA COM OS</p><p>OLHOS DEVIDO À HANSENIÍASE</p><p>NENHUM PROBLEMA COM AS MÃOS</p><p>DEVIDO À HANSENIÍASE</p><p>NENHUM PROBLEMA COM OS PÉS</p><p>DEVIDO À HANSENIÍASE</p><p>1 DIMINUIÇÃO OU PERDA DA</p><p>SENSIBILIDADE DIMINUIÇÃO OU PERDA DA</p><p>SENSIBILIDADE DIMINUIÇÃO OU PERDA DA</p><p>SENSIBILIDADE</p><p>2</p><p>LAGOFTALMO E / OU ECTRÓPIO LESÕES TRÓFICAS E / OU LESÕES</p><p>TRAUMÁTICAS LESÕES TRÓFICAS E / OU LESÕES</p><p>TRAUMÁTICAS</p><p>TRIQUÍASE GARRAS GARRAS</p><p>OPACIDADE CORNEANA CENTRAL REABSORÇÃO REABSORÇÃO</p><p>ACUIDADE VISUAL MENOR QUE 0,1</p><p>OU NÃO CONTA DEDOS A 6M MÃO CAÍDA</p><p>PÉ CAÍDO</p><p>CONTRATURA DO TORNOZELO</p><p>24 CASO CONFIRMADO COMO CASO DE HANSENÍASE? NÃO SIM</p><p>25 DATA DO DIAGNÓSTICO</p><p>CLASSIFICAÇÃO OPERACIONAL PB MB</p><p>26 NOME DO(A) PROFISSIONAL CRM</p><p>27 DATA DE PREENCHIMENTO DO PROTOCOLO</p><p>ANEXAR A CÓPIA DESTA FICHA AO PRONTUÁRIO, MESMO DAQUELES NÃO CONFIRMADOS.</p><p>SENDO CASO DE HANSENÍASE, ANEXAR ESSA FICHA À DO SINAN E ENCAMINHAR À SMS.</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>2</p><p>.</p><p>1</p><p>SA</p><p>E</p><p>–</p><p>03</p><p>01</p><p>00</p><p>91</p><p>-</p><p>E</p><p>/ I</p><p>27/01/2023 – GEESP</p><p>• Em crianças, o diagnóstico de hanseníase</p><p>exige exame criterioso, diante da dificuldade de</p><p>aplicação e interpretação dos testes de</p><p>sensibilidade;</p><p>• R e c o m e n d a - s e a p l i c a r o P r o t o c o l o</p><p>Complementar de Investigação Diagnóstica de</p><p>Casos de Hanseníase em Menores de 15 anos</p><p>(PCID < 15);</p><p>• Encaminhar os suspeitos para confirmação</p><p>diagnóstica por profissionais ou serviços com</p><p>mais experiência em hanseníase.</p><p>Diagnóstico</p><p>• Diante de toda pessoa com lesão de pele - LEMBRAR do diagnóstico de hanseníase;</p><p>• Brasil é um país onde a doença ainda é um problema de saúde pública, sobretudo nas</p><p>regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste;</p><p>• Não existem exames como teste rápido e sorologia para hanseníase;</p><p>• Mesmo exames como o anatomopatológico e o eletroneuromiografia, nem sempre sugerem</p><p>diagnóstico de hanseníase, servem mais para afastar outras patologias;</p><p>Importância do diagnóstico precoce!</p><p>Diagnóstico</p><p>• Baciloscopia:</p><p>• Exame complementar mais útil no diagnóstico da hanseníase, de execução simples e de</p><p>relativo baixo custo;</p><p>• Positiva nas formas multibacilares da hanseníase e quando bem realizada (BRASIL, 2010);</p><p>• Baciloscopia + - demonstra diretamente a presença do M. leprae / pacientes mais</p><p>infectantes;</p><p>• Especificidade de 100% / Sensibilidade baixa - raramente ocorre em mais de 50% dos</p><p>casos novos diagnosticados;</p><p>• Raspado dérmico padronizado pelo Ministério da Saúde - coletado exame direto dos</p><p>esfregaços dérmicos em quatro sítios: lesão cutânea, de cotovelo contralateral a essa</p><p>lesão e dos lóbulos auriculares.</p><p>Atenção!</p><p>O resultado negativo da baciloscopia não exclui o diagnóstico da doença!</p><p>Diagnóstico</p><p>• Eletroneuromiografia (ENMG)</p><p>• Útil para demonstrar o comprometimento do nervo e, às vezes, pode ser utilizada para o</p><p>diagnóstico;</p><p>• A principal diferença entre hanseníase e outras doenças dermatológicas é a perda da</p><p>sensibilidade nas lesões de pele, sempre presente na primeira;</p><p>• Principais diagnósticos diferenciais: Gusso, 2019</p><p>Classificação</p><p>• O bacilo tem predileção pelas células de Schwann e da pele, porém sua disseminação para</p><p>outros tecidos pode ocorrer nas formas MB da doença, afetando os olhos, os linfonodos, os</p><p>testículos, o fígado e outros órgãos que podem abrigar grande quantidade de bacilos;</p><p>• Após diagnóstico - fazer a classificação operacional para definir o tratamento:</p><p>- Classificação proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS): baseia-se no número</p><p>de lesões cutâneas e baciloscopia de esfregaço intradérmico</p><p>A. Paucibacilar (PB): apresentam até 5 lesões de pele e baciloscopia negativa;</p><p>B. Multibacilar (MB): mais de 5 lesões de pele e (ou) baciloscopia positiva.</p><p>Classificação</p><p>• Forma Clínica:</p><p>1- Indeterminada: mancha branca hipoestática</p><p>ou áreas hipoestáticas sem alteração de cor.</p><p>Sem lesões de nervos periféricos.</p><p>Fonte: Aula Telessaúde Espírito Santo</p><p>Classificação</p><p>• Forma Clínica:</p><p>2- Tuberculoide: borda mais</p><p>elevada e bem delimitada.</p><p>Anestésica.</p><p>Fonte: Aula Telessaúde Espírito Santo</p><p>Classificação</p><p>• Forma Clínica:</p><p>3- Dimorfa: manchas polimórficas /</p><p>assimétricas;</p><p>Baciloscopia positiva;</p><p>Fonte: Aula Telessaúde Espírito Santo</p><p>Dimorfa</p><p>Tuberculóide</p><p>Dimorfa</p><p>Virchowiana</p><p>Classificação</p><p>• Forma Clínica:</p><p>3- Dimorfa: manchas polimórficas /</p><p>assimétricas;</p><p>baciloscopia positiva;</p><p>Fonte: Aula Telessaúde Espírito Santo</p><p>Dimorfa</p><p>Tuberculóide</p><p>Dimorfa</p><p>Virchowiana</p><p>Classificação</p><p>• Forma Clínica:</p><p>4 - V i r c h o w i a n a :</p><p>baciloscopia positiva</p><p>Fonte: Aula Telessaúde Espírito Santo</p><p>Gusso, 2019</p><p>Conduta na APS</p><p>• A hanseníase tem cura! - Todo paciente deve ser informado no diagnóstico que, com o</p><p>tratamento adequado, a doença será curada;</p><p>• Tratamento ambulatorial e de forma gratuita, de acordo com esquema padronizado em</p><p>1982 pela OMS e adotado pelo MS a partir de 1986, denominado PQT;</p><p>• Objetivos: curar o paciente, prevenir e tratar incapacidades e controlar a endemia;</p><p>• Tratamento nos serviços de APS, sempre que possível, independentemente da forma clínica;</p><p>• Em caso de intercorrências clínicas ou cirúrgicas, decorrentes ou não da hanseníase, deve-</p><p>se realizar o encaminhamento para um serviço de referência.</p><p>Conduta na APS</p><p>• Desde 2018, OMS recomenda o tratamento com um regime único de 3 medicamentos:</p><p>- rifampicina, clofazimina e dapsona – para todos os pacientes com hanseníase</p><p>- 6 meses para hanseníase PB e 12 meses para hanseníase MB</p><p>• A poliquimioterapia recomendada pela OMS é padronizada e distribuída pelo Ministério da</p><p>Saúde, que passou a recomendar esse esquema único a partir de setembro de 2020;</p><p>• Objetivos recomendação: simplificar o tratamento e prevenir uma possível</p><p>classificação errônea da hanseníase MB - todos os pacientes passam a receber o mesmo</p><p>esquema</p><p>de tratamento;</p><p>• Os medicamentos são fornecidos em cartelas individuais - dose mensal supervisionada +</p><p>doses diárias autoadministradas, adulto ou infantil;</p><p>• Pacientes recebem alta após: seis doses supervisionadas - PBs</p><p>12 doses supervisionadas - MBs</p><p>Duncan, 2022</p><p>Ministério da Saúde, 2020</p><p>Estados Reacionais</p><p>• As complicações mais frequentes em uma pessoa com</p><p>hanseníase são as reações;</p><p>• As reações hansênicas ou estados reacionais são processos</p><p>inflamatórios agudos ou subagudos no decorrer da infecção</p><p>crônica hansênica;</p><p>• As reações podem ocorrer antes (às vezes, levando à</p><p>suspeição diagnóstica de hanseníase), durante ou após o</p><p>término (meses a anos) do tratamento PQT;</p><p>• Caso aconteçam durante o tratamento, este não deverá ser</p><p>interrompido, mas, caso aconteçam posteriormente ao término</p><p>da PQT, o mesmo não deve ser reiniciado.</p><p>• Tipo 1: Inicia tratamento medicamentoso, durante e após -</p><p>surto reacional;</p><p>• Tipo 2: Eritema nodoso hansênico: Talidomida.</p><p>Os casos de recidiva em</p><p>hanseníase são raros e</p><p>em geral ocorrem em</p><p>período superior a 5 anos</p><p>após a cura;</p><p>Todos os casos suspeitos</p><p>de recidiva devem ser</p><p>confirmados por</p><p>unidades de referência.</p><p>Medidas de Prevenção e Controle</p><p>• MFC - deve priorizar as ações educativas voltadas para a população e para as equipes,</p><p>com o objetivo:</p><p>- melhorar o conhecimento sobre sinais e sintomas da hanseníase;</p><p>- conscientizar da importância do diagnóstico precoce;</p><p>- difusão da existência de cura;</p><p>- divulgação dos locais de diagnóstico e tratamento.</p><p>• Os profissionais da equipe de saúde devem estar capacitados para:</p><p>- realizar uma escuta ativa da pessoa portadora de hanseníase;</p><p>- realizar as atividades de diagnósticos;</p><p>- desenvolver atividades educativas;</p><p>- diagnóstico precoce para prevenir as incapacidades físicas.</p><p>Medidas de Prevenção e Controle</p><p>• O objetivo da prevenção de incapacidades é:</p><p>- evitar ou minimizar a ocorrência de danos físicos, emocionais e socioeconômicos;</p><p>- proporcionar ao paciente, durante o tratamento e após a alta, a manutenção ou a melhora das</p><p>condições observadas no momento do diagnóstico e por ocasião da alta.</p><p>• As seguintes ações fazem parte da prevenção de incapacidades</p><p>→ educação em saúde;</p><p>→ diagnóstico precoce da doença e tratamento oportuno e regular com poliquimioterapia;</p><p>→ avaliação dos contatos e aplicação de BCG;</p><p>→ detecção precoce e tratamento adequado das reações e neurites;</p><p>→ realização de autocuidados, incluindo exercícios e utilização de adaptações para as atividades</p><p>da vida diária;</p><p>→ apoio emocional e integração social na família, na escola, no trabalho e nos grupos sociais;</p><p>→ identificação das necessidades de reabilitação e encaminhamento oportuno.</p><p>Medidas de Prevenção e Controle</p><p>Medidas de Prevenção e Controle</p><p>• Considera-se como contato intradomiciliar toda pessoa que resida ou residiu (mesmo não</p><p>familiar) nos últimos 5 anos com indivíduos apresentando hanseníase, independente de sua</p><p>forma clínica;</p><p>• Todos os contatos devem ser convocados para fazer o exame dermatoneurológico;</p><p>• A vacina BCG-ID (bacilo de Calmette e Guérin – intradérmico) deverá ser aplicada nos</p><p>contatos intradomiciliares sem presença de sinais e sintomas de hanseníase no momento da</p><p>avaliação, independente de serem contatos de casos de PB ou de MB;</p><p>Medidas de Prevenção e Controle</p><p>Nota técnica MS, 2022</p><p>Lei do Sigilo</p><p>• LEI Nº 14.289, DE 3 DE JANEIRO DE 2022</p><p>• Torna obrigatória a preservação do sigilo sobre a condição de pessoa que vive com infecção</p><p>pelos vírus da imunodeficiência humana (HIV) e das hepatites crônicas (HBV e HCV) e de</p><p>pessoa com hanseníase e com tuberculose;</p><p>• O sigilo profissional sobre a condição de pessoa que vive com infecção pelos vírus da</p><p>imunodeficiência humana (HIV) e das hepatites crônicas (HBV e HCV) e de pessoa com</p><p>hanseníase e com tuberculose somente poderá ser quebrado nos casos determinados por</p><p>lei, por justa causa ou por autorização expressa da pessoa acometida ou, quando se tratar de</p><p>criança, de seu responsável legal, mediante assinatura de termo de consentimento informado;</p><p>• A notificação compulsória de casos de doenças e de agravos à saúde tem caráter sigiloso, o</p><p>qual deve ser observado pelos profissionais especificados que tenham procedido à notificação,</p><p>pelas autoridades sanitárias que a tenham recebido e por todos os trabalhadores ou servidores</p><p>que lidam com dados da notificação.</p><p>“O grande segredo da nossa doença oscila entre a precipitação e a negligência."</p><p>Johann Goethe</p>

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