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<p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>1</p><p>GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ</p><p>ELMANO de FREITAS da Costa</p><p>GOVERNADOR DO ESTADO DO CEARÁ</p><p>SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA E DEFESA SOCIAL - SSPDS</p><p>SAMUEL ELÂNIO de Oliveira Júnior - DPF</p><p>SECRETÁRIO DA SSPDS</p><p>ACADEMIA ESTADUAL DE SEGURANÇA PÚBLICA DO CEARÁ – AESP|CE</p><p>LEONARDO D`Almeida Couto BARRETO - DPC</p><p>DIRETOR-GERAL DA AESP|CE</p><p>Francisca ASMENHA Cruz Furtado Torquato – Cel PM</p><p>DIRETORA DE PLANEJAMENTO E GESTÃO INTERNA DA AESP|CE</p><p>EVANDRO Queiroz de Assunção – Cel PM</p><p>COORDENADOR DE ENSINO E INSTRUÇÃO DA AESP|CE</p><p>TÚLIO Ítalo da Silva Oliveira – Perito Criminal</p><p>COORDENADOR ACADÊMICO PEDAGÓGICO DA AESP|CE</p><p>Francisca ADEIRLA Freitas da Silva – Maj PM</p><p>SECRETÁRIA ACADÊMICA DA AESP|CE</p><p>MÔNICA Pontes Rodrigues</p><p>ORIENTADORA DA CÉLULA DE ENSINO A DISTÂNCIA DA AESP|CE</p><p>CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS POLICIAIS MILITARES - CFSD PM/2024</p><p>DISICPLINA</p><p>Fundamentos da Inteligência Policial Militar</p><p>CONTEUDISTA</p><p>Felipe Silva Azevedo</p><p>FORMATAÇÃO</p><p>JOELSON Pimentel da Silva – 1º SGT PM</p><p>• 2024 •</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>2</p><p>SUMÁRIO</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR.................................................................................................................... 3</p><p>1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ........................................................................................................................................................... 3</p><p>2. BREVE HISTÓRICO E ORIGEM DA ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA NO BRASIL E O CEARÁ ............................................................. 3</p><p>2.1 Origem e Evolução no Brasil ................................................................................................................................................. 4</p><p>2.2 O Sistema Brasileiro de Inteligência e a Agência Brasileira de Inteligência.......................................................................... 6</p><p>2.3 O Subsistema de Inteligência de Segurança Pública e o Sistema Estadual de Inteligência de Segurança Pública ............... 7</p><p>2.4 O Sistema Estadual de Inteligência de Segurança Pública e Defesa Social ........................................................................... 7</p><p>3. POLÍTICA E ESTRATÉGIA NACIONAL DE INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA ...................................................................... 9</p><p>3.1 Pressupostos da Atividade de Inteligência de Segurança Pública ........................................................................................ 9</p><p>3.2 Características da Doutrina de Inteligência ........................................................................................................................ 11</p><p>3.3 Sugestão da Estrutura Básica de uma Agência de Inteligência (DNISP) ............................................................................. 11</p><p>4. ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA E DE ISP ...................................................................................................................................... 12</p><p>4.1 Principais Ameaças da Inteligência de Segurança Pública ................................................................................................. 12</p><p>4.2 Finalidades da Atividade de ISP ......................................................................................................................................... 13</p><p>4.3 Características da Atividade de Inteligência ....................................................................................................................... 13</p><p>4.4 Princípios da Atividade de Inteligência .............................................................................................................................. 14</p><p>4.5 Valores da Atividade de Inteligência .................................................................................................................................. 14</p><p>5. ESPECIFICIDADES DA ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA .................................................................................................................. 15</p><p>5.1 Ciclo da Informação ........................................................................................................................................................... 15</p><p>5.2 Conhecimento .................................................................................................................................................................... 15</p><p>5.3 Estados da Mente ............................................................................................................................................................... 15</p><p>5.4 Graus de Complexidade dos Trabalhos intelectuais ........................................................................................................... 15</p><p>5.5 Tipos de Conhecimentos .................................................................................................................................................... 15</p><p>5.6 Julgamento da Fonte e do Conteúdo ................................................................................................................................. 16</p><p>5.7 Documentos de Inteligência ....................................................................................................................................... 16</p><p>5.9 Ações de Inteligência: ações de coleta e busca .................................................................................................................. 17</p><p>5.8 Ações de Busca ........................................................................................................................................................... 17</p><p>5.9 Tipos de Fontes .................................................................................................................................................................. 18</p><p>5.11 Conceitos específicos da Atividade de Inteligência .......................................................................................................... 18</p><p>5.12 Operações de Inteligência ................................................................................................................................................ 18</p><p>5.14 – Técnicas Operacionais – TOI`s ....................................................................................................................................... 19</p><p>6. NOÇÕES ESPECÍFICAS DE CONTRAINTELIGÊNCIA ..................................................................................................................... 19</p><p>6.1 Conceitos Importantes ....................................................................................................................................................... 20</p><p>6.2 Medidas de salvaguarda .................................................................................................................................................... 20</p><p>6.3. Segurança Orgânica ........................................................................................................................................................... 20</p><p>7. DISTINÇÃO ENTRE INTELIGÊNCIA E OUTROS INSTITUTOS ........................................................................................................ 20</p><p>8. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................................... 21</p><p>REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................................................ 21</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>3</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS</p><p>A Atividade de Inteligência Policial militar representa</p><p>do trabalho</p><p>intelectual necessário à produção do conhecimento (ideia,</p><p>juízo e raciocínio);</p><p> A necessidade de elaborar, além de trabalhos</p><p>relacionados com fatos e/ou situações passadas e presentes,</p><p>outros voltados para o futuro.</p><p>As definições que se seguem dizem respeito aos tipos</p><p>de conhecimentos.</p><p> Informe: É o conhecimento resultante de juízo(s)</p><p>formulado(s) pelo profissional de Inteligência de</p><p>Segurança Pública e que expressa o seu estado de</p><p>certeza ou de opinião frente à verdade sobre fato</p><p>ou situação passados e/ou presente.</p><p> Informação: É o conhecimento resultante de</p><p>raciocínio(s) elaborado(s) pelo profissional de</p><p>Inteligência de Segurança Pública e que expressa o</p><p>seu estado de certeza frente à verdade sobre ou</p><p>situação passados e/ou presentes.</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>16</p><p> Apreciação: É o conhecimento resultante de</p><p>raciocínio(s) elaborado(s) pelo profissional de</p><p>Inteligência de Segurança Pública e que expressa o</p><p>seu estado de opinião frente à verdade sobre o</p><p>fato ou situação passados e/ou presentes.</p><p> Estimativa: É o conhecimento resultante de</p><p>raciocínio(s) elaborado(s) pelo profissional de</p><p>inteligência e que expressa a sua opinião sobre a</p><p>evolução futura de um fato ou de uma situação.</p><p>Importante frisar que existe uma discussão técnica e</p><p>doutrinária sobre a possibilidade de criação de um novo tipo</p><p>de conhecimento que será a Análise de Risco(s). No caso,</p><p>ainda está em fase de estudo pelo Ministério da Justiça e</p><p>Segurança Pública, pela SENASP e SEGEN e, caso seja</p><p>confirmado, virá especificado na nova versão da DNISP.</p><p>Segue quadro resumo que possibilita uma visão mais</p><p>geral e comparativa sobre o que foi estudado:</p><p>5.6 Julgamento da Fonte e do Conteúdo</p><p>No processo de julgamento da fonte, vários aspectos</p><p>devem ser apreciados pelo agente de inteligência, tais como,</p><p>nível de envolvimento da fonte com o fato, características e</p><p>interesse pessoais (motivação: ideológica ou financeira,</p><p>contribuições anteriores, antecedentes criminais). Segundo a</p><p>Doutrina os aspectos cruciais para análise são:</p><p> Autenticidade – verificação se o dado ou</p><p>conhecimento realmente provém da fonte de</p><p>origem ou de intermediários. A fonte é</p><p>considerada autêntica quando teve contato direto</p><p>com o fato ou a situação, sem intermediários e</p><p>teve a oportunidade de observar, perceber e</p><p>memorizar;</p><p> Confiança – São verificados diversos aspectos,</p><p>alguns subjetivos, a fim de qualificar uma fonte</p><p>como idônea ou não: antecedentes e</p><p>comportamento social, colaboração anterior</p><p>procedente, motivação de ordem ética ou</p><p>profissional, grau de instrução, valores,</p><p>convicções, maturidade, etc.;</p><p> Competência – Avaliação sobre a fonte ter</p><p>habilitação técnica, intelectual ou física, ou seja,</p><p>se reúne condições pessoais ou físicas de relatar o</p><p>fato da forma como foi apresentado ou se detinha</p><p>localização adequada para obter aquele dado</p><p>específico.</p><p>Com relação ao conteúdo é necessário analisar se o</p><p>dado é compatível ou contraditório com outros já existentes,</p><p>se demonstra ser coerente com o contexto geral, se</p><p>apresenta semelhança com o dado transmitido por outra</p><p>fonte. Neste sentido devem ser perquiridos os seguintes</p><p>quesitos:</p><p> Coerência: Verificação se o dado apresenta</p><p>contradições no conteúdo, no encadeamento</p><p>lógico e na harmonia interna (sequência lógica);</p><p> Compatibilidade: Análise sobre o grau de</p><p>harmonia com que o dado se relaciona com</p><p>outros já conhecidos;</p><p> Semelhança: Observação se há outro dado</p><p>semelhante, oriundo de outra fonte, que venha</p><p>confirmar o dado sob observação. Tem que se ter</p><p>o cuidado de não ser um dado replicado pela</p><p>mesma fonte, através de um colaborador.</p><p>A Técnica de Avaliação de Dados – TAD – permite a</p><p>junção das análises da fonte e do conteúdo, permitindo um</p><p>entendimento melhor sobre o contexto em análise e serve</p><p>de balizamento para o analista na produção do</p><p>conhecimento.</p><p>Analisando o quadro, a melhor hipótese é a A1 e as</p><p>piores são a E5 e o F6.</p><p>5.7 Documentos de Inteligência</p><p>Dentre os requisitos dos documentos de inteligência,</p><p>temos que a padronização dos documentos é extremamente</p><p>necessária para se obter unidade de entendimento e</p><p>uniformidade de procedimentos entre os órgãos que</p><p>integram o Sistema de Inteligência de Segurança Pública -</p><p>SISP.</p><p>Assim, tem-se que os documentos conterão</p><p>obrigatoriamente os seguintes itens mínimos de</p><p>identificação e controle: Brasão da União ou do Ente</p><p>Federado; Designação e timbre da AI produtora e sua</p><p>subordinação; Grau de sigilo; Designação do tipo do</p><p>documento; Numeração sequencial por ano e data de</p><p>expedição do documento e Cabeçalho contendo: Data (de</p><p>produção); Assunto; Origem (órgão que originalmente</p><p>produziu o documento); Difusão (destinatários do</p><p>documento); Difusão Anterior (destinatários anteriores);</p><p>Referência (documentos pertinentes difundidos</p><p>anteriormente entre as AIs); Anexo (documentos que</p><p>contribuem para o entendimento do assunto); Texto;</p><p>Numeração das páginas (no canto superior à direita, número</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>17</p><p>sequencial seguido do total de páginas do documento,</p><p>separado por barra); Autenticação (no canto superior à</p><p>direita, abaixo da numeração e em todas as páginas do</p><p>documento, inclusive nos anexos) e Recomendação legal</p><p>sobre preservação do sigilo.</p><p>a) Relatório de Inteligência (RELINT) – documento</p><p>padronizado e numerado onde são transmitidos</p><p>conhecimentos para o Usuário ou outras Agências de</p><p>Inteligência. A redação indicará a difusão e qual o tipo de</p><p>conhecimento está sendo produzido (Informe, Informação,</p><p>Apreciação ou Estimativa). Este documento deve ter</p><p>classificação de sigilo e não pode ser difundido sem</p><p>autorização do órgão que produziu, não se prestando a</p><p>fomentar um procedimento administrativo ou policial,</p><p>servindo apenas para o trâmite de conhecimentos no nível</p><p>de inteligência. Vale ressaltar a nota de rodapé, conforme</p><p>modelo disponibilizado pela DNISP: “O sigilo deste</p><p>documento é protegido e controlado pela Lei Nº</p><p>12.527/2011. A divulgação, a revelação, o fornecimento, a</p><p>utilização ou a reprodução desautorizada de seu conteúdo, a</p><p>qualquer tempo, meio e modo, inclusive mediante acesso ou</p><p>facilitação de acesso indevidos, constituem condutas ilícitas</p><p>que ensejam responsabilidades penais, civis e</p><p>administrativas.” Outra RESSALVA que pode ser destacada no</p><p>RELINT é: “É vedada a retransmissão deste conhecimento”</p><p>sendo de caráter opcional da AI que está difundindo o</p><p>documento.</p><p>b) Relatório Técnico (RT) – documento, em tese sem</p><p>classificação de sigilo, destinado à transmissão de</p><p>conhecimentos que foram produzidos e quando foram</p><p>constituídas provas, servindo como base para instauração de</p><p>procedimentos administrativos e/ou policiais.</p><p>c) Ordem de Busca (OB) – documento padronizado</p><p>utilizado para determinar a efetivação de buscas pelo</p><p>elemento de operações da Agência.</p><p>d) Pedido de Busca (PB) – documento padronizado</p><p>utilizado para solicitar dados/ conhecimentos entre</p><p>Agências.</p><p>e) Relatório de Busca (RB) – documento elaborado</p><p>por uma Agência ou pelo agente de inteligência em resposta</p><p>ou cumprimento de uma OB ou um PB.</p><p>f) Relatório Interno (RI) – documento de iniciativa de</p><p>um agente para encaminhar para um conhecimento para a</p><p>Agência.</p><p>Ainda temos o Comunicado e o Sumário que são</p><p>menos usuais. Segue quadro que demonstra todos os</p><p>documentos utilizados, no âmbito interno e externo:</p><p>5.9 Ações de Inteligência: ações de coleta e busca</p><p>Vale destacar que Reunião de Dados e/ou</p><p>Conhecimento compreende a etapa da Metodologia de</p><p>Produção do Conhecimento (MPC) em que se procura obter</p><p>dados e/ou conhecimentos, que respondam e/ou</p><p>complementem os aspectos essenciais a conhecer, visando a</p><p>concretização dessa fase, utiliza-se as ações de inteligência.</p><p>As ações de inteligência compreendem todos os</p><p>procedimentos e medidas adotados por uma Agência de</p><p>Inteligência (AI) com o objetivo de obter os dados essenciais</p><p>para a produção de conhecimento. Essas ações são</p><p>geralmente categorizadas em dois tipos principais: Ações de</p><p>Coleta e Ações de Busca.</p><p>Ações de Coleta são todos os procedimentos</p><p>realizados por uma AI, ostensiva ou sigilosamente, a fim de</p><p>obter dados depositados em fontes disponíveis, sejam elas</p><p>oriundas de indivíduos, órgãos públicos ou privados,</p><p>dividem-se em coleta primária e secundária:</p><p> Coleta Primária – envolve o desenvolvimento de</p><p>ações de inteligência para obtenção de dados e/ou</p><p>conhecimentos disponíveis;</p><p> Coleta Secundária – envolve o desenvolvimento</p><p>de ações de inteligência, por meio de acesso</p><p>autorizado, por se tratar de consulta a bancos de</p><p>dados protegidos, geralmente realizado por um</p><p>analista de inteligência conforme credencial de</p><p>acesso.</p><p>5.8 Ações de Busca</p><p>Os procedimentos conduzidos pelo Elemento de</p><p>Operações (ELO) de uma Agência de Inteligência (AI)</p><p>englobam as operações de ambos os ramos da Inteligência,</p><p>com o propósito de coletar informações protegidas e/ou</p><p>negadas em um ambiente antagônico. Essas ações são</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>18</p><p>meticulosamente planejadas e executadas para atender às</p><p>demandas específicas da inteligência, visando obter dados</p><p>cruciais em cenários desafiadores e muitas vezes restritos. O</p><p>ELO desempenha um papel essencial na condução de</p><p>operações que demandam habilidades especializadas para</p><p>adquirir informações valiosas em ambientes adversos.</p><p>5.9 Tipos de Fontes</p><p>Doutrinariamente as fontes são divididas em abertas</p><p>e fechadas:</p><p>a) Abertas: Disponíveis ao público em geral sem</p><p>restrições ao acesso, constante em locais abertos ao acesso</p><p>público, murais, periódicos, livros, redes sociais e na internet</p><p>de um modo geral.</p><p>b) Fechadas: Obtidas em banco de dados de acesso</p><p>restrito, geralmente requer cadastro de login e senha não</p><p>disponíveis ao público em geral, necessitando de uma</p><p>autorização específica de uma autoridade pública ou de uma</p><p>empresa. (Ex: Sistema de Informações Policiais da Secretaria</p><p>da Segurança Pública e Defesa Social – SIP).</p><p>b.1) Dado negado é aquele que necessita de uma</p><p>operação de busca para sua obtenção</p><p>b.2) Dado protegido é aquele que necessita de</p><p>credenciamento para acesso</p><p>5.10 Meios de obtenção de dados: humanos e</p><p>eletrônicos.</p><p>a) Meios humanos: Não obstante poder ser utilizado</p><p>equipamentos eletrônicos como meio de obtenção dos</p><p>dados, essa fonte está centrada no esforço do homem;</p><p>b) Meios eletrônicos: Seu foco central está na</p><p>obtenção dos dados por meio de equipamentos eletrônicos,</p><p>sendo dividida em inteligência de sinais, de imagens e de</p><p>dígitos:</p><p> Sinais: Os dados são obtidos através da</p><p>decodificação de interceptações telefônicas, análise de</p><p>comunicações e decodificação de mensagens criptografadas;</p><p> Imagens: Obtenção de dados através da análise de</p><p>fotografias e vídeos, acessados através de operações de</p><p>campo ou na internet;</p><p>Dígitos: através da captura de dados de informática</p><p>e telemática.</p><p>5.11 Conceitos específicos da Atividade de</p><p>Inteligência</p><p> Ambiente operacional: É a área onde se</p><p>desenvolve a Operação de Inteligência de</p><p>Segurança Pública. Pode ser uma região, uma</p><p>cidade, um bairro, uma rua, uma praça ou uma</p><p>instalação.</p><p> Alvo: Objeto principal das ações de coleta ou de</p><p>busca. Pode ser um assunto, uma pessoa, um</p><p>local, uma organização ou um objeto.</p><p> Elemento de Operações (ELO): Setor ou agente de</p><p>uma Agência responsável pela obtenção do dado</p><p>negado em campo.</p><p> Analista: Agente que realiza coletas e produz o</p><p>conhecimento.</p><p> Agente: funcionário orgânico de uma Agência de</p><p>Inteligência que possui treinamento especializado.</p><p>Usualmente também conceituado como o ELO.</p><p>Obs.: No caso de você, como policial militar, pode ser</p><p>agente da COIN, da ASINT ou de uma SAI, como Analista ou</p><p>participante como ELO (“Agente”).</p><p> Colaborador: pessoa recrutada operacionalmente</p><p>ou não, sem treinamento especializado que por</p><p>suas ligações e conhecimentos cria facilidades</p><p>para a Agência. Normalmente não busca uma</p><p>vantagem direta. Enquanto policial militar não</p><p>atuando em um órgão de inteligência você pode e</p><p>deve atuar como um colaborador.</p><p> Informante – pessoa não-orgânica recrutada</p><p>operacionalmente para fornecer dados de</p><p>interesse da ISP, podendo receber treinamentos</p><p>visando facilitar a obtenção de dados de interesse.</p><p>Normalmente busca uma vantagem.</p><p> Rede: Conjunto de pessoas não-orgânicas</p><p>(colaboradores e informantes) controladas pela</p><p>Agência.</p><p> Controlador: Agente responsável pelo controle</p><p>dos componentes da rede.</p><p>5.12 Operações de Inteligência</p><p>É o conjunto de ações de busca, podendo envolver</p><p>eventualmente ações de coleta, executados com o objetivo</p><p>de obter dados negados ou protegidos de difícil acesso e que</p><p>exige emprego de pessoal, material e técnicas especializadas.</p><p>Podem ser:</p><p> Exploratórias: São Operações que buscam dados</p><p>específicos em um curto espaço de tempo,</p><p>visando atender à necessidade imediata de um</p><p>conhecimento específico a respeito de</p><p>determinado alvo ou situação. Pode-se citar o</p><p>reconhecimento operacional de uma determinada</p><p>área, a cobertura de um determinado evento,</p><p>entre outros.</p><p> Sistemáticas: São Operações de Inteligência que</p><p>buscam a obtenção constante de dados a respeito</p><p>de um fato ou situação que deva ser</p><p>acompanhado. São utilizadas, normalmente, para</p><p>acompanhar metodicamente as atividades de</p><p>pessoas, organizações, entidades e localidades.</p><p>Pode-se citar o acompanhamento de facções</p><p>criminosas, a neutralização de suas ações e a</p><p>identificação de seus integrantes, modus operandi</p><p>e trajetória de futuras ações. Visam atualizar e</p><p>aprofundar conhecimentos sobre suas estruturas,</p><p>atividades e ligações, por meio da produção de um</p><p>fluxo contínuo de dados.</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>19</p><p>5.13 Procedimentos de Ações de busca</p><p>Ações de Busca são todos os procedimentos</p><p>realizados pelos agentes do Elemento de Operações (ELO) de</p><p>uma AI, com o objetivo de reunir dados protegidos e/ou</p><p>negados, num universo antagônico, de difícil obtenção. São</p><p>eles:</p><p> Reconhecimento: É a obtenção de dados</p><p>operacionais com o objetivo de subsidiar o</p><p>planejamento de Operações de Inteligência. São</p><p>os dados básicos necessários à execução da</p><p>maioria das Técnicas Operacionais. Implica em um</p><p>procedimento metódico e abrangente, para evitar</p><p>que os agentes designados para o reconhecimento</p><p>tenham que retornar ao local mais de uma vez e</p><p>possam chamar a atenção e prejudicar a</p><p>operação, salvo quando se entenda oportuno.</p><p> Vigilância: Ato de manter um alvo sob</p><p>observação.</p><p> Recrutamento Operacional: É o ato de convencer</p><p>ou persuadir uma pessoa a trabalhar em benefício</p><p>do Órgão de Inteligência.</p><p> Infiltração: Colocação de uma pessoa junto ao</p><p>alvo com o objetivo de obter um dado negado.</p><p>Importante frisar que no caso de uma investigação</p><p>ou de uma ação de inteligência para a produção</p><p>de provas, necessária uma autorização judiciária</p><p>prévia e os atendimentos dos demais preceitos</p><p>legais instituídos pela Lei nº 12.850/13,</p><p>permitindo uma proteção jurídica ao agente, pelos</p><p>riscos decorrentes. Tal ação é somente utilizada</p><p>em último recurso.</p><p> Desinformação: Fazer com que os alvos cometam</p><p>erros de apreciação ou executem um</p><p>comportamento pré-determinado.</p><p> Provocação: Ação com alto nível de especialização</p><p>que faz com que o alvo modifique sua conduta e</p><p>execute algo desejado pela Agência.</p><p> Entrevista: Conversação com fins definidos</p><p>(obtenção de dados) planejada pelo entrevistador.</p><p>Possibilidades de emprego de meios eletrônicos</p><p>(áudio/vídeo).</p><p> Entrada: Obtenção de dados em locais de acesso</p><p>restrito.</p><p> Ação</p><p>Controlada: É a permissão que a autoridade</p><p>policial tem para retardar a ação policial contra</p><p>organizações criminosas ou elementos vinculados</p><p>à mesma. Nesta ação, o agente policial deve</p><p>retardar sua ação, sempre mantendo a ação</p><p>criminosa sob observação e vigilância, e efetuá-la</p><p>no melhor momento sem o prejuízo da operação</p><p>em curso.</p><p> Interceptação de Sinais e Dados: Pode ser</p><p>utilizada pela Inteligência no curso oficial de uma</p><p>investigação, com a necessidade de autorização</p><p>judicial prévia (Lei 9.296/96).</p><p>5.14 – Técnicas Operacionais – TOI`s</p><p>São as habilidades nas quais os agentes de ISP devem</p><p>ser treinados, a fim de facilitar a sua atuação nas Ações de</p><p>Busca maximizando potencialidades, possibilidades e</p><p>operacionalidades. São técnicas de fundamental</p><p>importância para o emprego das Ações de Busca. Com elas, o</p><p>ELO consegue com maior eficiência e segurança na obtenção</p><p>do dado buscado.</p><p>Observação, memorização e descrição (OMD): é uma</p><p>técnica muito utilizada para a identificação e descrição de</p><p>pessoas e veículos no emprego de outras TOI’s ou Ações de</p><p>Buscas, como a Vigilância por exemplo. A OMD, de maneira</p><p>objetiva, se resume a capacidade do agente de inteligência</p><p>em observar um alvo (cenário, veículo, documento, pessoas,</p><p>etc.), memorizá-lo e, oportunamente, descrevê-lo.</p><p>Estória-Cobertura (EC): É uma identidade de proteção</p><p>para pessoas, instalações e organizações, com o fim de</p><p>dissimular e acobertar os verdadeiros propósitos a serem</p><p>desencadeados por meio da persecução da atividade de</p><p>inteligência. Doutrinariamente pode-se classificar a EC</p><p>quanto às bases de formulação e à capacidade de resistência,</p><p>podendo ser superficial ou profunda de acordo com essa</p><p>capacidade.</p><p>Disfarce: É a modificação dos traços fisionômicos de</p><p>uma pessoa – bem como de suas características pessoais –</p><p>com a finalidade de dificultar sua identificação, seja para</p><p>caracterizar ou descaracterizar o agente. Quando o agente –</p><p>normalmente em uma EC – necessita criar uma identidade</p><p>temporária, busca no disfarce a sua caracterização. Já</p><p>quando ele necessita modificar sua aparência física, para não</p><p>ser reconhecido em um determinado momento, ele utiliza-se</p><p>de sua descaracterização. O Disfarce ainda possui como</p><p>finalidades dificultar a identificação de uma pessoa e</p><p>reforçar a técnica operacional estória-cobertura.</p><p>São outras TOI’s:</p><p> Processo de Identificação de Pessoas;</p><p> Comunicação Sigilosa;</p><p> Leitura da Fala;</p><p> Análise de Veracidade;</p><p> Emprego de Meios Eletrônicos;</p><p> Foto-Interpretação.</p><p>6. NOÇÕES ESPECÍFICAS DE CONTRAINTELIGÊNCIA</p><p>Inicialmente cabe relembrar que se trata do ramo da</p><p>atividade de inteligência de segurança pública que objetiva</p><p>prevenir, detectar, obstruir e neutralizar atividades adversas</p><p>e ações de qualquer natureza que constituam ameaça à</p><p>salvaguarda de dados, informações e conhecimentos de</p><p>interesse da segurança da sociedade e do Estado, bem como</p><p>das áreas e dos meios que os retenham ou em que</p><p>transitem.</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>20</p><p>As noções fundamentais a seguir apresentadas e</p><p>desenvolvidas se ligam a termos essenciais da linguagem de</p><p>Inteligência, porém utilizados predominantemente nas ações</p><p>de salvaguarda.</p><p>6.1 Conceitos Importantes</p><p> Responsabilidade: Constituem condutas ilícitas</p><p>que ensejam responsabilidade do agente público</p><p>ou militares divulgar ou permitir que divulguem,</p><p>acessam ou permitir o acesso indevido às</p><p>informações classificadas como sigilosas. (Art. 31,</p><p>IV, da Lei 15.175/2012).</p><p> Acesso: Deriva necessariamente de uma</p><p>autorização superior, o acesso nada mais é do que</p><p>a possibilidade e/ou oportunidade de uma pessoa</p><p>obter conhecimentos e/ou dados sigilosos. Sob a</p><p>óptica da Doutrina de Inteligência, o termo acesso</p><p>denota não somente o ato de uma pessoa obter</p><p>conhecimentos e/ou dados, mas também a</p><p>condição para fazê-lo; A possibilidade de tais</p><p>circunstâncias derivarem ou de autorização oficial</p><p>emanada de autoridade competente, ou da</p><p>superação das medidas de salvaguarda aplicadas</p><p>aos conhecimentos ou dados sigilosos.</p><p> Credencial de segurança: A credencial de</p><p>segurança é o certificado, concedido por</p><p>autoridade competente, que habilita uma pessoa</p><p>a ter acesso até determinado grau de sigilo, a</p><p>conhecimentos e/ou dados sigilosos. É a</p><p>materialização da autorização oficial para o</p><p>acesso. Exemplo: sistemas policiais oficiais.</p><p> Necessidade de conhecer: A necessidade de</p><p>conhecer é a condição indispensável inerente ao</p><p>exercício funcional, para que uma pessoa, com</p><p>credencial de segurança adequada, tenha acesso a</p><p>conhecimentos e/ou dados sigilosos classificados</p><p>com grau de sigilo igual ou inferior ao da</p><p>credencial de segurança. Dessa maneira, a</p><p>necessidade de conhecer constitui um fator</p><p>restritivo ao acesso e deve sempre guiar quem</p><p>trabalhar na Inteligência.</p><p> Compartimentação: A compartimentação é o</p><p>resultado eficaz de todas as medidas de</p><p>salvaguarda que visam a restringir o acesso das</p><p>pessoas à necessidade que tenham de conhecer.</p><p> Comprometimento: O comprometimento é a</p><p>perda de segurança resultante de acesso, por</p><p>pessoa não autorizada, a conhecimentos e/ou</p><p>dados sigilosos e também a inutilização desses</p><p>conhecimentos e/ou dados, através de</p><p>adulteração, destruição ou perda de</p><p>oportunidade. Entenda-se que o</p><p>comprometimento pode efetivar-se por ação</p><p>voluntária ou não, ou, ainda, em consequência de</p><p>fenômenos naturais. O comprometimento decorre</p><p>da insuficiência ou da inadequação das medidas</p><p>de salvaguarda aplicada aos conhecimentos e/ou</p><p>dados sigilosos.</p><p>6.2 Medidas de salvaguarda</p><p>A Contrainteligência se implementa através da adoção</p><p>de medidas voltadas para a prevenção, obstrução,</p><p>identificação e neutralização de ações adversas de qualquer</p><p>natureza, observando-se sempre os limites de competência</p><p>da atividade de Inteligência. As medidas de</p><p>Contrainteligência estão compreendidas em grupos que se</p><p>apoiam e se completam. Essas medidas são desenvolvidas</p><p>por meio da Proteção ao Conhecimento, Contraespionagem,</p><p>Contraterrorismo e Contrapropaganda.</p><p>6.3. Segurança Orgânica</p><p>A Segurança Orgânica - SEGOR compreende um</p><p>conjunto de medidas voltado para a prevenção e obstrução</p><p>de ações adversas de qualquer natureza. Para atingir os</p><p>objetivos de prevenir e obstruir, as medidas da SEGOR são</p><p>integradas e meticulosamente planejadas, destinadas a</p><p>proteger o Pessoal, a Documentação, as Instalações, o</p><p>Material, as Operações de Inteligência, as Comunicações e</p><p>Telemática, e a Informática.</p><p>7. DISTINÇÃO ENTRE INTELIGÊNCIA E OUTROS INSTITUTOS</p><p>Apesar de ainda persistirem algumas críticas</p><p>infundadas e entendimentos equivocados de leigos</p><p>querendo entender a Inteligência como sinônimo de</p><p>Investigação, tais institutos são totalmente díspares e</p><p>carregam uma doutrina e regramento próprios, não se</p><p>confundindo. Por vezes estes se complementam e podem ser</p><p>utilizados como apoios mútuos. Não obstante, no decorrer</p><p>de uma Investigação em andamento poderão ser utilizadas</p><p>ferramentas de inteligência, e a Atividade de Inteligência</p><p>poderá se valer dos conhecimentos concebidos durante uma</p><p>investigação, porém existem diversas diferenças entre os</p><p>Institutos, conforme podemos verificar no quadro</p><p>comparativo que se segue:</p><p>De igual forma, persistem outras diferenças em</p><p>relação ao Sistema de Justiça e Disciplina:</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>21</p><p>8. CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A atividade de inteligência vem se mostrando como</p><p>uma das melhores estratégias de atuação contra a</p><p>criminalidade e contra um dos maiores desafios atuais da</p><p>Segurança Pública, o crime organizado.</p><p>Ressalte-se que o Governo Federal vem pautando</p><p>fortemente suas ações com implementações na área de</p><p>inteligência. No caso do Estado do Ceará, o Governo também</p><p>sensível a atual problemática da</p><p>criminalidade, através do</p><p>projeto governamental intitulado “Ceará Pacífico”, vem</p><p>recomendando a observância do tripé: aproximação com a</p><p>população; uso intensivo de informações com</p><p>aperfeiçoamento da Inteligência e da investigação; e, ações</p><p>de articulação e integração das Agências de Segurança</p><p>Pública e Justiça (CEARÁ, 2017). Umas das ações foi a</p><p>inauguração do Centro Integrado de Segurança Pública (CISP)</p><p>no qual está inserido prédio do Centro de Inteligência do</p><p>Ceará (CIC), permitindo uma atuação mais próxima e</p><p>articulada entre as Agências de Inteligência do Estado.</p><p>Outra consideração importante é o perfil do</p><p>profissional que deve atuar na Atividade de Inteligência.</p><p>Além de resguardar as características essenciais de ser</p><p>policial, agregando os valores de honestidade e sentimento</p><p>de servir ao próximo, deve ser leal à Corporação que serve e</p><p>ser um profissional abnegado e devotado.</p><p>Por fim, reforçamos as palavras do então Ministro</p><p>Miguel Reale Junior, quando em 2022 afirmou que:</p><p>“Segurança significa, antes de tudo, inteligência”.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANDRADE JÚNIOR. Raimundo Rocha de. O aprimoramento</p><p>da gestão de fontes humanas na inteligência de segurança</p><p>pública. Especialização em Altos Estudos de Segurança</p><p>Pública. AESP. Fortaleza, Ceará, 2019.</p><p>ARAÚJO, Raimundo Teixeira de. História Secreta dos Serviços</p><p>de Inteligência: origens, evolução e institucionalização. São</p><p>Luís: Ed. do autor, 2004. 204p.</p><p>BARRETO, Alessandro Gonçalves. Inteligência Digital: uma</p><p>análise das fontes abertas na produção de conhecimento e</p><p>de provas em investigações criminais e processos. Rio de</p><p>Janeiro: Brasport, 2013.</p><p>BÍBLIA, A. T. Números. In: BÍBLIA. Sagrada Bíblia Católica:</p><p>Antigo e Novo Testamentos. Tradução: José Simão. São</p><p>Paulo: Sociedade Bíblica de Aparecida, 1991.</p><p>BRASIL. Exército. Comando de Operações Terrestres.</p><p>Produção do Conhecimento de Inteligência. Brasília, 2019,</p><p>p. 2-18.</p><p>BRASIL. Lei nº 9.883, de 7 de dezembro de 1999. Institui o</p><p>Sistema Brasileiro de Inteligência, cria a Agência Brasileira</p><p>de Inteligência - ABIN, e dá outras providências. Brasília, DF:</p><p>Presidência da República. 1999. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9883.htm></p><p>Acesso em: 16 de janeiro de 2024</p><p>BRASIL. Lei nº 12.850, de 02 de agosto de 2013. Define</p><p>organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal,</p><p>os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e</p><p>o procedimento criminal; (...). Brasília, DF: Presidência da</p><p>República. 2013. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-</p><p>2014/2013/lei/l12850.htm> Acesso em: 16 janeiro 2024.</p><p>CEARÁ. Lei nº 10.145, de 29 de novembro de 1977. Dispõe</p><p>sobre a Organização da Polícia Militar do Ceará e da outras</p><p>providencias. Fortaleza, Ceará. 1977. Disponível em:</p><p><https://sistemas.sspds.ce.gov.br/file_bd?sql=FILE_DOWNLO</p><p>AD_FIELD_ARQUIVO_DOWNLOAD¶metros=165&extFile</p><p>=pdf Acesso em: 16 janeiro 2024.</p><p>CEARÁ. Lei nº 14.282, de 23 de dezembro de 2008. Cria o</p><p>Sistema Estadual de Inteligência de Segurança Pública e</p><p>Defesa Social do Estado do Ceará – SEISP, a gratificação por</p><p>exercício na atividade de inteligência – GEAI, e dá outras</p><p>providências. Fortaleza, Ceará. 2008. Disponível em:</p><p><https://www.al.ce.gov.br/legislativo/legislacao5/leis2008/14</p><p>282.htm> Acesso em: 18 maio 2021.</p><p>CEARÁ. Decreto Estadual nº 34.053, de 30 de abril de 2021.</p><p>Altera a estrutura organizacional e dispõe sobre os cargos</p><p>de provimento em comissão da polícia militar do Ceará</p><p>(PMCE). Série 3, Ano XIII nº 105, Fortaleza, Ceará. 2021. p.</p><p>01-04.</p><p>CEARÁ. Portaria nº 121/2020-GC, de 11 de ago. 2020. Aprova</p><p>o regimento interno do gabinete do Comando-Geral da</p><p>Polícia Militar do Ceará e dá outras providências. Fortaleza,</p><p>Ceará. 2020.</p><p>CONSTITUIÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL, DE 10 DE</p><p>NOVEMBRO DE 1937</p><p><https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitu</p><p>icao37.htm> Acesso em 14 janeiro 2024.</p><p>CRONOLOGIA DE CRIAÇÃO DOS ÓRGÃOS DE INTELIGÊNCIA</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%209.883-1999?OpenDocument</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao37.htm</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao37.htm</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao37.htm</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>22</p><p>DE ESTADO NO BRASIL, www.gov.br/abin, 2024.</p><p>Disponível em <https://www.gov.br/abin/pt�br/acesso-a-</p><p>informacao/institucional/historico>. Acesso em 18 de janeiro</p><p>de 2024.</p><p>DECRETO Nº 3.695, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2000.Cria o</p><p>Subsistema de Inteligência de Segurança Pública, no âmbito</p><p>do Sistema Brasileiro de Inteligência, e dá outras</p><p>providências. <</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3695.htm ></p><p>Acesso em: 15 de janeiro de 2024</p><p>DECRETO Nº 10.777, DE 24 DE AGOSTO DE 2021.Institui a</p><p>Política Nacional de Inteligência de Segurança Pública.</p><p>>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-</p><p>2022/2021/decreto/d10777.htm#:~:text=DECRETO%20N%C2</p><p>%BA%2010.777%2C%20DE%2024,que%20lhe%20confere%2</p><p>0o%20art. < Acesso em: 16 de janeiro de 2024</p><p>DECRETO Nº 10.778, DE 24 DE AGOSTO DE 2021.Aprova a</p><p>Estratégia Nacional de Inteligência de Segurança Pública.</p><p><https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-</p><p>2022/2021/decreto/d10778.htm > Acesso em 16 de janeiro</p><p>de 2024.</p><p>EXPERIÊNCIAS exitosas de enfrentamento à violência e à</p><p>criminalidade: Análise de Benchmarking. Ceará Pacífico.</p><p>Fortaleza, Ceará. 2017. Disponível em:</p><p><https://www.ceara.gov.br/wp-</p><p>content/uploads/2017/12/CP_Livro-1_Experie%CC%82ncias-</p><p>Exitosas-de-Enfrentamento-a%CC%80-Viole%CC%82ncia-e-</p><p>a%CC%80-Criminalidade.pdf> Acesso em: 18 de janeiro</p><p>2024.</p><p>FERRÃO, Erika da Silva; HERKENHOFF, Henrique Geaquinto;</p><p>LIRA, Pablo Silva; MOTA, Gibran Ayupe. Constitucionalização</p><p>da Atividade de Inteligência -Perspectivas e Desafios</p><p>Brasileiros. IN: Revista Brasileira de Segurança Pública (2018).</p><p>FIGUEIREDO, Lucas. Ministério do silêncio: a história do</p><p>serviço secreto brasileiro de Washington Luís a Lula (1927 –</p><p>2005). Rio de Janeiro: Record, 2005.</p><p>GONÇALVES, Joanisval Brito. Atividade de Inteligência e</p><p>legislação correlata 5. Ed. Niterói, RJ. IMPETUS, 2017.</p><p>GASPARI, Elio. 5. A ditadura acabada. Rio de Janeiro:</p><p>Intríseca, 2016.</p><p>HOLANDA, Alexandre Maciel. Revitalização do sistema de</p><p>inteligência da Polícia Militar do Ceará (SIMPO/CE). Curso</p><p>de aperfeiçoamento de Oficiais. AESP. Fortaleza, Ceará. 2009.</p><p>LEVANTAMENTO DE INFORMAÇÃO CLASSIFICADA DOS</p><p>ÓRGÃOS E ENTIDADES DO PODER EXECUTIVO ESTADUAL</p><p>https://cearatransparente.ce.gov.br/attachments/0774964d6</p><p>57cda3a0876c714859361ce3aa670e6/store/72c77eb1fe4aa5</p><p>2be5555c7aaa766f3b4aff1c0bd6e7da2ccb784c00e0e1/Docu</p><p>mentos_Classificados_com_Grau_de_Sigilo_2012_2022.pdf</p><p>> Acesso em: 17 de janeiro de 2024.</p><p>LOPES, Elizabeth Nunes; SAMPAIO, Sinval da Silveira. O</p><p>agente de inteligência Policial Militar e as situações de</p><p>flagrante delito. Curso Superior de Segurança Pública. AESP.</p><p>Fortaleza, Ceará, 2017.</p><p>OS SERVIÇOS DE INTELIGÊNCIA NOS ANOS 90. PDF.</p><p>Disponível em < Capítulo 3 – Os serviços de inteligência nos</p><p>anos 90 – Mudanças (ufmg.br)>. Acesso em 18 de janeiro de</p><p>2024.</p><p>SUN, Tzu. Século VI a.C. A Arte da Guerra: Por uma</p><p>Estratégia Perfeita/Sun Tzu; tradução Heloísa Sarzana</p><p>Pugliesi, Márcio Pugliesi. — São Paulo: Madras, 2005.</p><p>TORRES. Lúcio Ponte. Planejamento operacional integrado</p><p>da Polícia Civil direcionado ao combate à criminalidade</p><p>organizada no Ceará. Curso de especialização em altos</p><p>estudos de segurança pública. Fortaleza, Ceará, 2019.</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3695.htm</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/d10777.htm#:~:text=DECRETO%20N%C2%BA%2010.777%2C%20DE%2024,que%20lhe%20confere%20o%20art</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/d10777.htm#:~:text=DECRETO%20N%C2%BA%2010.777%2C%20DE%2024,que%20lhe%20confere%20o%20art</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/d10777.htm#:~:text=DECRETO%20N%C2%BA%2010.777%2C%20DE%2024,que%20lhe%20confere%20o%20art</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/d10777.htm#:~:text=DECRETO%20N%C2%BA%2010.777%2C%20DE%2024,que%20lhe%20confere%20o%20art</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/d10778.htm</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/d10778.htm</p><p>https://cearatransparente.ce.gov.br/attachments/0774964d657cda3a0876c714859361ce3aa670e6/store/72c77eb1fe4aa52be5555c7aaa766f3b4aff1c0bd6e7da2ccb784c00e0e1/Documentos_Classificados_com_Grau_de_Sigilo_2012_2022.pdf</p><p>https://cearatransparente.ce.gov.br/attachments/0774964d657cda3a0876c714859361ce3aa670e6/store/72c77eb1fe4aa52be5555c7aaa766f3b4aff1c0bd6e7da2ccb784c00e0e1/Documentos_Classificados_com_Grau_de_Sigilo_2012_2022.pdf</p><p>https://cearatransparente.ce.gov.br/attachments/0774964d657cda3a0876c714859361ce3aa670e6/store/72c77eb1fe4aa52be5555c7aaa766f3b4aff1c0bd6e7da2ccb784c00e0e1/Documentos_Classificados_com_Grau_de_Sigilo_2012_2022.pdf</p><p>https://cearatransparente.ce.gov.br/attachments/0774964d657cda3a0876c714859361ce3aa670e6/store/72c77eb1fe4aa52be5555c7aaa766f3b4aff1c0bd6e7da2ccb784c00e0e1/Documentos_Classificados_com_Grau_de_Sigilo_2012_2022.pdf</p><p>https://www.fafich.ufmg.br/pae/republica/bibliografia/capitulo4.pdf</p><p>https://www.fafich.ufmg.br/pae/republica/bibliografia/capitulo4.pdf</p><p>uma peça fundamental no complexo quebra-cabeça da</p><p>Segurança Pública no Estado do Ceará. Para que os Policiais</p><p>Militares desempenhem eficazmente seu papel na</p><p>manutenção da ordem e na proteção da sociedade, é crucial</p><p>que possuam um entendimento sólido sobre os princípios e</p><p>as nuances inerentes à inteligência.</p><p>Preliminarmente gostaríamos de situar você, Policial</p><p>Militar, sobre concepções iniciais acerca do que significa a</p><p>atividade de inteligência. Tida como apanágio dos nobres</p><p>nos dizeres do Coronel Walther Nicolai, 1873/1934, Chefe do</p><p>Serviço de Inteligência do Chanceler Bismarck, é uma</p><p>atividade hoje muito difundida no meio empresarial como</p><p>uma ferramenta estratégica de atuação.</p><p>Por ser uma atividade de assessoramento é</p><p>importante que seja conduzida por corpo técnico, capacitado</p><p>e leal haja vista a sensibilidade das informações que</p><p>transitam dentro da agência de inteligência (AI) levando a</p><p>produção de conhecimentos, pois poucos são capazes de</p><p>produzi-la e dominá-la como dizia o coronel Walther Nicolai</p><p>(1873-1934), chefe do serviço de inteligência da Alemanha</p><p>na I Guerra Mundial, com a seguinte frase "A inteligência é o</p><p>apanágio dos nobres. Confiada a outros, desmorona".</p><p>A Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança</p><p>Pública (DNISP) que embasa a Atividade de Inteligência serve</p><p>como alicerce, delineando as diretrizes e os procedimentos</p><p>essenciais para a coleta, análise e difusão da produção do</p><p>conhecimento. Nesse contexto, os profissionais da Polícia</p><p>Militar são desafiados a compreender não apenas as técnicas</p><p>operacionais, mas também os princípios éticos que norteiam</p><p>o uso responsável e legal das informações obtidas.</p><p>Ao abordar as considerações iniciais sobre a Atividade</p><p>de Inteligência, buscamos não apenas proporcionar uma</p><p>visão panorâmica, mas também cultivar um entendimento</p><p>aprofundado das responsabilidades e desafios enfrentados</p><p>pelos agentes e analistas. Este conhecimento não apenas</p><p>fortalece a capacidade operacional, mas também ressalta a</p><p>importância do papel ético e legal desempenhado por cada</p><p>membro da Polícia Militar no contexto da Inteligência.</p><p>Nesse sentido, esta apostila se torna uma ferramenta</p><p>valiosa, fornecendo as bases necessárias para o</p><p>desenvolvimento de uma inteligência eficaz e alinhada com</p><p>os valores institucionais da Polícia Militar do Ceará. Ao</p><p>avançarmos, convidamos cada aluno do CFSD a mergulhar</p><p>nesse estudo, reconhecendo que o domínio da Atividade de</p><p>Inteligência é crucial para enfrentarmos os desafios</p><p>complexos que a segurança pública contemporânea nos</p><p>apresenta.</p><p>No caso da Polícia Militar do Ceará a regulação mais</p><p>atualizada está inserta no Decreto nº 34.053, de 30 de abril</p><p>2021 que altera a estrutura organizacional e dispõe sobre os</p><p>cargos de provimento e comissão da polícia militar do ceará</p><p>(PMCE), situando a Assessoria de Inteligência Policial Militar</p><p>como Órgão de Assessoramento Superior, vinculado</p><p>diretamente ao Comando-Geral da Corporação, tamanha a</p><p>importância do papel da Atividade de Inteligência para a</p><p>PMCE.</p><p>A Assessoria de Inteligência Policial Militar –</p><p>ASINT/PMCE é a Agência Central de Inteligência da PMCE,</p><p>tendo como vinculadas no cenário doutrinário e operacional</p><p>às Subagências de Inteligências dos Batalhões da Polícia</p><p>Militar (SAIs). Assim, temos em praticamente todos os</p><p>rincões do Estado policiais militares exercendo essa função</p><p>tão cara e precípua para a Corporação, produzindo</p><p>conhecimentos nos níveis operacional, tático, estratégico e</p><p>político, a fim de que os gestores tomem decisões mais</p><p>assertivas de emprego do policiamento e, por sua vez, este</p><p>atue de forma mais direcionada e qualificada.</p><p>2. BREVE HISTÓRICO E ORIGEM DA ATIVIDADE DE</p><p>INTELIGÊNCIA NO BRASIL E O CEARÁ</p><p>A percepção da necessidade de informações para</p><p>uma melhor tomada de decisão não é atual. O entendimento</p><p>sobre a necessidade de informações para a tomada de</p><p>decisão surgiu desde a época do homem primitivo, quando</p><p>este passou a viver em grupos e, de certa forma, disputar</p><p>recursos e territórios com outros grupos, em prol da</p><p>sobrevivência.</p><p>De forma rudimentar iniciaram o processo de análise</p><p>de dados para a produção do conhecimento. Embora não</p><p>dominassem a escrita, transmitiam as informações por via</p><p>oral. A necessidade de sobrevivência resultou nos seguintes</p><p>questionamentos:</p><p> Se a área por eles dominada tinham alimentos;</p><p> Se suas habitações (cavernas) eram seguras;</p><p> Quantos eram;</p><p> Se eram fortes ou fracos;</p><p> Se eram hábeis no emprego de armas; e</p><p> Se era possível vencê-los.</p><p>A concepção da existência da Inteligência resguarda</p><p>também uma origem mitológica, segundo a qual Argus, que</p><p>suplantou a hegemonia de Micenas, por volta do século XII</p><p>a.C, protegeu de diversas maneiras suas mensagens</p><p>enquanto vivo e criou uma rede eficaz de espiões, tornando-</p><p>se o Pai da Inteligência. Alguns vocábulos vindos de Argus</p><p>são comuns à Inteligência: arguto, argúcia, argumento,</p><p>argüir, etc.</p><p>No antigo Império Persa os Sátrapas (nome dado aos</p><p>governadores das províncias, chamadas satrapias) eram</p><p>nomeados pelo Rei e para evitar a corrupção, o Rei dos Reis</p><p>(Xá) possuía uma rede de espiões que foi chamada de "os</p><p>olhos e ouvidos do rei". Após a conquista de Alexandre, o</p><p>Grande esse sistema de administração foi mantido.</p><p>Um dos ícones da sabedoria milenar, General Chinês</p><p>Sun Tzu, autor do clássico “A Arte da Guerra”, obra elaborada</p><p>por volta de 500 a.C., já abordava de forma muito firme a</p><p>necessidade do emprego da Inteligência para o sucesso das</p><p>Batalhas a serem enfrentadas:</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>4</p><p>Os espiões são os elementos mais importantes de</p><p>uma guerra [...] Se você conhece o inimigo e</p><p>conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado</p><p>de cem batalhas. Se você se conhece, mas não</p><p>conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá</p><p>uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo</p><p>nem a si mesmo, perderá todas as batalhas [...]</p><p>Dessa maneira, apenas o governante esclarecido e o</p><p>general criterioso usarão as mais dotadas</p><p>Inteligências do exército para fins de Inteligência,</p><p>obtendo, dessa forma, grandes resultados. (SUN</p><p>TZU)</p><p>No mesmo tom, asseverou “o soberano esclarecido e</p><p>o comandante hábil, por serem capazes de atrair pessoas de</p><p>extrema inteligência para se tornarem seus espiões, estarão</p><p>destinados a grandes conquistas”. Podemos extrair deste</p><p>trecho a importância não somente da Atividade de</p><p>Inteligência desde os primórdios, mas também a necessidade</p><p>de boa capacidade intelectual dos profissionais que fazem</p><p>parte desta função, sendo um dos atributos essenciais para</p><p>que o conhecimento seja produzido com muita sabedoria e</p><p>assertividade, sob pena da decisão a ser tomada ser</p><p>equivocada e inábil para atingir os resultados pretendidos.</p><p>O livro mais famoso e lido do mundo, a Bíblia Sagrada,</p><p>em seu Antigo Testamento, também traz à tona a</p><p>preocupação em relação à necessidade de informações para</p><p>a tomada de decisões. Nas escrituras constam que Moisés,</p><p>no episódio em que espiões foram enviados à terra de Canaã</p><p>(Bíblia Sagrada, Livro dos Números – Cap.13, Versículos 17-</p><p>20), apontou instruções àqueles que poderiam ser hoje</p><p>considerados os doze “agentes de Inteligência”:</p><p>Tomem este caminho, e subam a montanha, e</p><p>vejam qual é a terra; e o povo que nela habita, se é</p><p>forte ou fraco, poucos ou muitos; e vejam o lugar</p><p>onde eles vivem, se é bom ou mau, e em que</p><p>cidades eles moram, se fortificadas ou não; e como</p><p>é a terra, se acidentada ou plana, se há florestas ou</p><p>não. (BIBLIA SAGRADA)</p><p>Os grandes reinos demonstraram a utilização de</p><p>estratégias ou órgãos de Inteligência no curso da história</p><p>como uma ferramenta poderosa de assessoria, dentre este</p><p>podemos citar: o Serviço Secreto da rainha Elizabeth I, o</p><p>Cabinet Noir do Rei Francês Luis IV (Rei Sol), a rede de</p><p>informantes do Napoleão Bonaparte e outros. Seguindo este</p><p>arcabouço histórico, podemos relembrar</p><p>a utilização da</p><p>Inteligência nas duas Guerras Mundiais (Ex. Mata Hari na 1ª</p><p>Guerra e o Enigma na 2ª Guerra), até chegar nos órgãos</p><p>reconhecidos e atuantes no mundo todo, como FBI (EUA),</p><p>CIA (EUA), MOSSAD (Israel), MI6 (Inglaterra), SRV(KGB)</p><p>(Rússia) e MISS (China).</p><p>2.1 Origem e Evolução no Brasil</p><p>O desenvolvimento da Atividade de Inteligência no</p><p>Brasil percorreu diferentes fases ao longo de sua história,</p><p>refletindo mudanças políticas, sociais e econômicas do país.</p><p>Este breve histórico visa expor suas mudanças, influências e</p><p>acima de tudo destacar sua evolução histórica</p><p>demonstrando aspectos que vão desde o surgimento da</p><p>Atividade de Inteligência, período conhecido como “Fase</p><p>Embrionária”, passando por períodos críticos como a “Fase</p><p>da Bipolaridade”, “Fase de Transição” e chegando aos dias</p><p>atuais chamada de “Fase Contemporânea”.</p><p> FASE EMBRIÓNARIA (1927 a 1964)</p><p>O nascimento do serviço de inteligência no Brasil</p><p>pode ser situado nos idos de 1927, durante a gestão do</p><p>então presidente Washington Luís.</p><p>Nesse contexto desafiador, no qual a necessidade de</p><p>informações seguras e de um assessoramento técnico se</p><p>tornava imperativa, o presidente Washington Luiz tomou</p><p>uma medida crucial. Em 29 de novembro de 1927, através do</p><p>Decreto nº 17.999, ele instituiu o "Conselho de Defesa</p><p>Nacional" (CDN). Este órgão tinha como principal objetivo</p><p>produzir conhecimentos e analisar informações, visando à</p><p>proteção do Estado.</p><p>O CDN emergiu como uma resposta direta à urgência</p><p>de obter dados estratégicos essenciais para a governança do</p><p>país. Sua criação refletiu a compreensão de que a segurança</p><p>nacional demandava uma abordagem mais organizada e</p><p>especializada. Sob a égide do Decreto nº 23.873, datado de</p><p>15 de fevereiro de 1934, o Conselho de Defesa Nacional foi</p><p>devidamente organizado.</p><p>Este órgão, responsável por fornecer ao governo os</p><p>elementos necessários para a resolução de questões</p><p>relacionadas à defesa nacional, foi posteriormente</p><p>incorporado ao texto constitucional. O artigo 162 da</p><p>Constituição de 1937 recepcionou o CDN, atribuindo-lhe a</p><p>função específica de estudar todas as questões relacionadas</p><p>à segurança nacional.</p><p>Art 162 - Todas as questões relativas à segurança</p><p>nacional serão estudadas pelo Conselho de</p><p>Segurança Nacional e pelos órgãos especiais criados</p><p>para atender à emergência da mobilização.</p><p>O Conselho de Segurança Nacional será</p><p>presidido pelo Presidente da República e</p><p>constituído pelos Ministros de Estado e pelos</p><p>Chefes de Estado-Maior do Exército e da Marinha.</p><p>Dessa forma, a criação e evolução do Conselho de</p><p>Defesa Nacional representaram um marco significativo na</p><p>história da inteligência no Brasil. O CDN estabeleceu as bases</p><p>para a organização e produção de informações estratégicas,</p><p>consolidando-se como um instrumento crucial para a</p><p>segurança e estabilidade do Estado. Essa iniciativa do</p><p>presidente Washington Luiz demonstrou a adaptação</p><p>proativa do governo diante das crescentes demandas por</p><p>inteligência no cenário nacional e internacional.</p><p>No período subsequente, durante o governo de</p><p>Getúlio Vargas de 1930 a 1945, tornou-se evidente a</p><p>necessidade de evolução do Conselho de Defesa Nacional</p><p>(CDN). Os equívocos experimentados anteriormente foram</p><p>essenciais para o amadurecimento do órgão, não sob a</p><p>liderança do presidente, mas sob a direção do general de</p><p>guerra Eurico Gaspar Dutra. Durante seus nove anos à frente</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>5</p><p>da pasta, Dutra percebeu a importância crítica da</p><p>informação, especialmente devido à sua experiência direta</p><p>na Segunda Guerra Mundial. Enviando e vivenciando a</p><p>participação de soldados brasileiros nesse conflito, o general</p><p>Dutra adquiriu uma expertise valiosa no tratamento de</p><p>informações estratégicas. Essa experiência significativa foi</p><p>fundamental para aprimorar a atuação do CDN, marcando</p><p>um período de aprendizado e refinamento no contexto da</p><p>inteligência nacional.</p><p>No ano de 1946, durante o governo do presidente</p><p>Eurico Dutra, foi estabelecido um marco significativo na</p><p>estrutura de inteligência brasileira com a criação do Serviço</p><p>Federal de Informações e Contra Informações (SFICI). Este</p><p>órgão foi normatizado pelos Decretos Lei nºs 9.775 e 9.775-</p><p>A, conferindo-lhe a competência de superintender e</p><p>coordenar as atividades de informações consideradas de</p><p>interesse para a Segurança Nacional. A definição e</p><p>coordenação das atividades eram atribuições de uma junta</p><p>coordenadora, o que proporcionava uma abordagem</p><p>centralizada e estratégica na gestão de informações</p><p>sensíveis.</p><p>Adicionalmente, em 1949, o governo de Eurico Dutra</p><p>criou o Regulamento para a Salvaguarda e Assuntos Sigilosos</p><p>(RSAS) das informações de interesse da Segurança Nacional.</p><p>Esse regulamento representou uma medida adicional para</p><p>fortalecer a segurança e a confidencialidade das informações</p><p>estratégicas do país, demonstrando a preocupação do</p><p>governo em estabelecer procedimentos específicos para a</p><p>proteção desses dados sensíveis.</p><p>Durante o governo de Juscelino Kubitschek, as teorias</p><p>que antes eram objeto de debate e estudo foram finalmente</p><p>colocadas em prática. Nesse contexto, foi publicada a</p><p>extinção do Conselho Nacional de Defesa (CDN), dando lugar</p><p>ao que antes era um departamento subordinado e que</p><p>passou a se tornar o órgão principal: o SFICI, Serviço Secreto</p><p>de Informação e Contra Informação. Esta transformação</p><p>marcou efetivamente o nascimento do serviço secreto</p><p>brasileiro em 1956.</p><p>O formato do SFICI, concebido durante o governo de</p><p>Juscelino Kubitschek, perdurou até 1964. Foi nesse ano,</p><p>durante o governo do presidente Castelo Branco, que chegou</p><p>ao poder após o golpe militar, que o coronel Golbery do</p><p>Couto e Silva teve a oportunidade de criar uma nova fase do</p><p>serviço secreto brasileiro, dando início à “Fase Transição”.</p><p>Essa reestruturação tinha como foco o inimigo interno.</p><p>Essa transição representou não apenas uma mudança</p><p>estrutural, mas uma adaptação do serviço secreto às</p><p>demandas e percepções de ameaças contemporâneas,</p><p>refletindo a dinâmica política do período.</p><p> FASE DA BIPOLARIDADE (1964 a 1990)</p><p>Em 13 de junho de 1964, durante a instauração do</p><p>Regime Militar (1964-1985), foi criado o Serviço Nacional de</p><p>Informações (SNI) com o objetivo claro de centralizar, sob a</p><p>presidência da República, o controle das informações</p><p>relacionadas à segurança nacional. A legitimidade legal do</p><p>SNI foi estabelecida pela Lei n°. 4.341. Ao longo do período</p><p>do Regime Militar, a atividade de inteligência pode ser</p><p>categorizada como a "Fase da Bipolaridade". Isso se deve ao</p><p>fato de que a atuação do serviço de inteligência estava</p><p>diretamente vinculada ao contexto da Guerra Fria,</p><p>caracterizando-se por traços notoriamente ideológicos.</p><p>Em maio de 1967, foram instalados diversos órgãos</p><p>de segurança, marcando uma intensificação do aparato</p><p>repressivo durante o período da ditadura. Entre esses,</p><p>destaca-se a criação do Centro de Informações do Exército</p><p>(CIE), que desempenhava um papel significativo na coleta de</p><p>informações.</p><p>Além disso, outros órgãos importantes foram</p><p>estabelecidos, como o Centro de Informações da Marinha</p><p>(CENIMAR), criado em 1957, e o Centro de Informações de</p><p>Segurança da Aeronáutica (CISA), montado em 1970. Essas</p><p>entidades complementavam o complexo sistema de</p><p>inteligência militar. Paralelamente, foram criados os Centros</p><p>de Operação e Defesa Interna (CODI) e os Destacamentos de</p><p>Operação Interna (DOI).</p><p>Conforme relato de Gaspari (2016), o Serviço</p><p>Nacional de Informações (SNI) sob a gestão de Figueiredo</p><p>era uma entidade robusta, contando com mais de 2 mil</p><p>funcionários, cuja influência se estendia por estados,</p><p>ministérios e empresas estatais. O SNI, criado em 1964 pelo</p><p>general Golbery, inicialmente recrutou vinte oficiais de todo</p><p>o Exército, demonstrando a expansão da estrutura de</p><p>inteligência naquela época.</p><p>No ano de 1978, já consolidado, o SNI possuía um</p><p>contingente expressivo, especialmente no Planalto, onde</p><p>contava com catorze oficiais, sendo notável o fato de três</p><p>deles serem generais da ativa. Esses números evidenciam a</p><p>significativa presença do SNI em áreas estratégicas do</p><p>governo, revelando seu papel crucial no cenário político e</p><p>militar da época.</p><p>A grandiosidade do SNI, tanto em termos de pessoal</p><p>quanto em alcance institucional, ressalta seu papel central</p><p>durante o período em que esteve em operação.</p><p> FASE DE TRANSIÇÃO (1990 a 1999)</p><p>Com a redemocratização, a atividade de Inteligência</p><p>passou por processo de reavaliação e autocrítica para se</p><p>adequar a novos contextos governamentais de atuação. A</p><p>Inteligência tornou-se vinculada a Secretarias da Presidência</p><p>da República, primeiro como Departamento de Inteligência</p><p>(DI) e, posteriormente, como Subsecretaria de Inteligência</p><p>(SSI). (ABIN, 2024, on-line).</p><p>Como já visto na “Fase da Bipolaridade” até 1990, a</p><p>inteligência era exercida pelo extinto Serviço Nacional de</p><p>Informações (SNI). Após sua extinção, a inteligência foi</p><p>vinculada a diversas entidades, começando pela Secretaria</p><p>de Assuntos Estratégicos (SAE), passando pelo Departamento</p><p>de Inteligência (DI), Subsecretaria de Inteligência (SSI), e</p><p>finalmente, como Secretaria de Inteligência (SI) de 1994 a</p><p>1995. Em 1995, a inteligência passou a ser vinculada à</p><p>Secretaria da Presidência da República (SGPR) e, em seguida,</p><p>à Casa Militar da Presidência da República de 1995 a 1999,</p><p>ambas por meio da Subsecretaria de Inteligência (SSI).</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>6</p><p> FASE CONTEMPORÂNEA (1999 até hoje)</p><p>Iniciada com a criação da Agência Brasileira de</p><p>Inteligência (ABIN), consequência de ampla discussão</p><p>política com representantes da sociedade no Congresso</p><p>Nacional. É marcada pelo expressivo avanço da atividade no</p><p>País – tanto pela consolidação da atuação da ABIN quanto</p><p>pela expansão do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN),</p><p>também criado em 1999. (ABIN, 2024, on-line).</p><p>Conforme ensina Gonçalves (2018) O legislador</p><p>deixou bem claro que a atividade de inteligência no Brasil</p><p>deve ser conduzida dentro dos princípios democráticos</p><p>respeitando os direitos humanos fundamentais e aqueles</p><p>que a exercem tem o dever de respeitar as normas</p><p>constitucionais e infraconstitucionais.</p><p>A evolução da atividade de inteligência durante esse</p><p>período é notável, destacando-se tanto a consolidação da</p><p>atuação da ABIN quanto a expansão do Sistema Brasileiro de</p><p>Inteligência (Sisbin), ambos estabelecidos pela Lei nº 9.883</p><p>de 7 de dezembro de 1999.</p><p>Essa legislação é considerada um verdadeiro marco</p><p>histórico para a atividade de inteligência no Brasil. A ABIN</p><p>passou a desempenhar um papel central na coordenação e</p><p>execução das atividades de inteligência no país, enquanto o</p><p>Sisbin promoveu uma abordagem mais integrada e eficiente</p><p>na gestão dessas atividades.</p><p>Alguns doutrinadores vão além, afirmando que a</p><p>inteligência brasileira pode ser vista em duas fases distintas:</p><p>antes e depois da Lei 9.883. O artigo 1º dessa lei estabelece</p><p>as bases legais para o funcionamento da ABIN e define os</p><p>princípios e diretrizes que norteiam a atividade de</p><p>inteligência no Brasil. Essa transformação legislativa reforçou</p><p>a importância estratégica da inteligência para a segurança</p><p>nacional e a tomada de decisões governamentais.</p><p>Art. 1º Fica instituído o Sistema Brasileiro de</p><p>Inteligência, que integra as ações de planejamento</p><p>e execução das atividades de inteligência do País,</p><p>com a finalidade de fornecer subsídios ao</p><p>Presidente da República nos assuntos de interesse</p><p>nacional.</p><p>O conhecimento do contexto histórico proporciona</p><p>uma base sólida para compreender as estratégias, desafios e</p><p>sucessos que marcaram a trajetória da inteligência. Além</p><p>disso, permite aos alunos identificar padrões, tendências e</p><p>lições aprendidas, fundamentais para aprimorar as práticas</p><p>de inteligência no presente e no futuro.</p><p>Abaixo uma sinopse das fases da inteligência,</p><p>trazendo uma relação com os Presidentes da república em</p><p>cada período para melhor compreensão da origem e</p><p>evolução da inteligência no Brasil.</p><p>2.2 O Sistema Brasileiro de Inteligência e a Agência</p><p>Brasileira de Inteligência</p><p>Em 07 de dezembro de 1999, foi aprovada a Lei nº</p><p>9.883 que instituiu o Sistema Brasileiro de Inteligência -</p><p>SISBIN e criou a Agência Brasileira de Inteligência - ABIN. A</p><p>lei em questão é normatizada pelo Decreto nº 4.376, datado</p><p>de 13 de setembro de 2002, que estabelece as diretrizes para</p><p>a estrutura, organização e operação do Sistema Brasileiro de</p><p>Inteligência (Sisbin). Desde seu estabelecimento, a atividade</p><p>de inteligência tem evoluído em conformidade com os</p><p>princípios, metas e orientações delineadas por essa</p><p>legislação específica.</p><p>Nos termos do Artigo 1º do citado instrumento legal,</p><p>o SISBIN tem como objetivo integrar as ações de</p><p>planejamento e execução das atividades de Inteligência do</p><p>País, com a finalidade de fornecer subsídios ao Presidente da</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>7</p><p>República nos assuntos de interesse nacional.</p><p>O SISBIN tem como órgão central de inteligência, a</p><p>ABIN, que tem a seu cargo planejar, executar, coordenar,</p><p>supervisionar e controlar as atividades de inteligência no</p><p>País, obedecidas a política e as diretrizes traçadas pelo</p><p>Governo Federal.</p><p>Logomarca da ABIN (Site: Gov.br)</p><p>O Artigo 2º ressalta que fazem parte do SISBIN os</p><p>Órgãos e Entidades da Administração Pública Federal, que,</p><p>direta ou indiretamente, possam produzir conhecimentos de</p><p>interesse das atividades de inteligência, em especial aqueles</p><p>responsáveis pela defesa externa, segurança interna e</p><p>relações exteriores. Saliente-se que as Unidades da</p><p>Federação também podem constituir o SISBIN, mediante</p><p>instrumentos autorizadores.</p><p>Importante frisar que §2º do Artigo 1º dá luz ao que</p><p>se entende por Inteligência, conforme se observa:</p><p>§ 2</p><p>o</p><p>Para os efeitos de aplicação desta Lei, entende-</p><p>se como inteligência a atividade que objetiva a</p><p>obtenção, análise e disseminação de</p><p>conhecimentos dentro e fora do território nacional</p><p>sobre fatos e situações de imediata ou potencial</p><p>influência sobre o processo decisório e a ação</p><p>governamental e sobre a salvaguarda e a segurança</p><p>da sociedade e do Estado.</p><p>De igual forma traz à tona outro conceito importante</p><p>da Atividade de Inteligência que é a Contrainteligência,</p><p>conforme estudaremos mais amiúde, aduzindo:</p><p>§ 3</p><p>o</p><p>Entende-se como contrainteligência a atividade</p><p>que objetiva neutralizar a inteligência adversa.</p><p>2.3 O Subsistema de Inteligência de Segurança</p><p>Pública e o Sistema Estadual de Inteligência de</p><p>Segurança Pública</p><p>O Subsistema de Inteligência de Segurança Pública -</p><p>SISP - é um conjunto formado por órgãos Federais e</p><p>Estaduais que, de forma coordenada, exercem a atividade de</p><p>inteligência com o foco na Segurança Pública. O SISP foi</p><p>criado no âmbito do SISBIN, através do Decreto 3.695 de 21</p><p>de dezembro de 2000, estabelecendo a Secretaria Nacional</p><p>De Segurança Pública - SENASP - como Órgão Central do</p><p>Subsistema.</p><p>O SISP tem como finalidade coordenar e integrar as</p><p>Atividades de Inteligência de Segurança Pública em todo</p><p>País, bem como suprir os governos federal e estadual de</p><p>informações que subsidiem a tomada de decisões neste</p><p>campo.</p><p>Constitui o SISP, segundo o epigrafado Decreto:</p><p>I - como membros permanentes, com direito a voto:</p><p>a) o Secretário Nacional de Segurança Pública, que</p><p>o presidirá;</p><p>b) um representante do órgão de Inteligência do</p><p>Departamento de Polícia Federal e outro da área</p><p>operacional da Polícia Rodoviária Federal;</p><p>c) dois representantes do Ministério da Fazenda,</p><p>sendo um do Conselho de Controle de Atividades</p><p>Financeiras (COAF) e outro da Coordenação Geral</p><p>de Pesquisa e Investigação (COPEI) da Secretaria da</p><p>Receita Federal;</p><p>d) dois representantes</p><p>do Ministério da Defesa;</p><p>e) um representante do Gabinete de Segurança</p><p>Institucional da Presidência da República;</p><p>f) um representante da Defesa Civil do Ministério da</p><p>Integração Nacional; e</p><p>g) um representante da Agência Brasileira de</p><p>Inteligência.</p><p>II - como membros eventuais, sem direito a voto,</p><p>um representante de cada um dos órgãos de</p><p>Inteligência de Segurança Pública dos Estados e do</p><p>Distrito Federal.</p><p>No caso, o Estado do Ceará foi um dos primeiros</p><p>estados da federação a manifestar o interesse em integrar o</p><p>SISP, formalizando através do Ofício GG nº 023/01, de 16</p><p>março de 2001.</p><p>2.4 O Sistema Estadual de Inteligência de Segurança</p><p>Pública e Defesa Social</p><p>Através dos Decretos 27.874, de 16 de agosto de</p><p>2005, 28.794, de 11 de julho de 2007, Art. 85 e da Lei</p><p>14.282, de 23 de dezembro de 2008 foi criado o Sistema</p><p>Estadual de Inteligência de Segurança Pública e Defesa Social</p><p>do Estado do Ceará – SEISP, conforme citação abaixo da</p><p>legislação especificada mais recente de criação:</p><p>Art.1º Fica criado, no âmbito do Governo do Estado</p><p>do Ceará, o Sistema Estadual de Inteligência de</p><p>Segurança Pública e Defesa Social – SEISP,</p><p>subordinado ao Secretário da Segurança Pública e</p><p>Defesa Social – SSPDS, tendo como órgão central a</p><p>Coordenadoria de Inteligência – COIN, com o</p><p>objetivo de coordenar e integrar as atividades de</p><p>Inteligência de Segurança Pública desenvolvidas em</p><p>nível estadual, visando assessorar o Secretário da</p><p>Segurança Pública e Defesa Social no processo</p><p>decisório pertinente à Segurança Pública e Defesa</p><p>Social e, quando for o caso, ao Governador do</p><p>Estado.</p><p>§1º Integram o Sistema Estadual de Inteligência de</p><p>Segurança Pública – SEISP, a COIN e os órgãos</p><p>centrais de Inteligência da Polícia Civil, Polícia</p><p>Militar e Corpo de Bombeiros Militar.</p><p>§2º Podem também integrar o SEISP, órgãos da</p><p>Administração Estadual que possam contribuir</p><p>direta ou indiretamente, com dados relevantes para</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>8</p><p>a produção de conhecimentos de Segurança</p><p>Pública.</p><p>§ 3 º A COIN, como Núcleo de Gerenciamento do</p><p>Sistema Estadual de Inteligência de Segurança</p><p>Pública, exerce subordinação técnica e doutrinária</p><p>sobre os órgãos integrantes do SEISP, com o</p><p>objetivo de coordenar e integrar as ações de</p><p>Inteligência de Segurança Pública no Estado do</p><p>Ceará.</p><p>2.4.1 Inteligência Policia Militar</p><p>Conforme a Doutrina, o conceito da Atividade de</p><p>Inteligência Policial Militar se mostra em total acordo com o</p><p>munus público de competência da Corporação, buscando</p><p>alcançar a missão Constitucional das PMs, conforme</p><p>podemos observar:</p><p>A atividade de Inteligência Policial Militar é o</p><p>exercício permanente e sistemático de ações</p><p>especializadas para identificar, avaliar e</p><p>acompanhar ameaças reais ou potenciais na esfera</p><p>de segurança Pública, orientadas para a produção e</p><p>salvaguarda de conhecimentos necessários para</p><p>assessorar o processo decisório; para o</p><p>planejamento, execução e acompanhamento de</p><p>assuntos de Segurança Pública e da Polícia</p><p>Ostensiva, subsidiando ações para rever, prevenir e</p><p>neutralizar ilícitos e ameaças de qualquer natureza,</p><p>que possam afetar a ordem pública e a</p><p>incolumidade das pessoas e do patrimônio, sendo</p><p>exercida pelas Agências de Inteligência das Polícias</p><p>Militares.</p><p>No caso da PMCE, existe o Sistema de Inteligência</p><p>Policial Militar – SIPOM – que está em fase de construção e</p><p>consolidação, que norteia a atividade de acordo com os</p><p>demais regramentos, entendendo-se por SIPOM: o conjunto</p><p>de órgãos formados pelas agências de inteligências de todas</p><p>as unidades operacionais em nível de Batalhão, estruturado</p><p>e dotado de pessoal técnico e especializado para obter,</p><p>processar e difundir dados e conhecimentos.</p><p>Tem como Missão (SIPOM):</p><p> Executar a atividade de inteligência.</p><p> Produção de informações policiais militares.</p><p> Assessoramento aos diversos usuários.</p><p> Nortear as ações de assessoramento no que diz</p><p>respeito ao fortalecimento e proteção</p><p>institucional.</p><p>Assim, consoante já especificado a Inteligência da</p><p>PMCE é formada pela:</p><p>Agência Central (ASINT/PMCE): Assessoria de</p><p>Inteligência da PM responsável pelo assessoramento ao</p><p>Ccomando-Geral da Corporação em todos os níveis,</p><p>principalmente estratégico e político, centralizando e</p><p>produzindo conhecimento, exercendo o gerenciamento e a</p><p>coordenação doutrinária, técnica e operacional sobre as</p><p>Subagências de Inteligência pertencentes ao SIPOM.</p><p>Subagências Policiais Militares (SAIs): Agências de</p><p>Inteligência da PM que atuam em nível de Batalhão.</p><p>Entendendo o sistema, importante frisar que o</p><p>Policial Militar pode trabalhar na Atividade de Inteligência no</p><p>âmbito da Segurança Pública do Estado do Ceará em três</p><p>situações, a seguir especificadas:</p><p> À disposição da Coordenadoria de Inteligência</p><p>(COIN);</p><p> Lotado na Assessoria de Inteligência da PMCE</p><p>(ASINT);</p><p> Integrante de uma Subagência de Inteligência de</p><p>uma Unidade PM (SAI).</p><p>Em todos os cenários, irá passar por uma análise</p><p>criteriosa. No caso de ir trabalhar na COIN o próprio Órgão</p><p>Central do SEISP fará a análise. Em relação à ASINT ou uma</p><p>SAI, a análise é realizada pela ASINT e, se for para trabalhar</p><p>em uma Subagência, o policial militar será credenciado e,</p><p>somente após este credenciamento, poderá atuar na</p><p>Atividade de Inteligência junto a um Batalhão PM.</p><p>Logomarca da ASINT (Portaria nº 300/2019, publicada no BCG 198,</p><p>de 18.10.2019)</p><p>Ressalte-se que é possível também trabalhar no</p><p>Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública –</p><p>CIISPR-NE (Órgão vinculado o Ministério da Justiça e</p><p>Segurança Pública), mas será como integrante da COIN ou da</p><p>ASINT.</p><p>A presente estrutura, pela capilaridade e amplitude</p><p>da Atividade Policial Militar, permite a formação da maior</p><p>rede de Inteligência de Segurança Pública do Estado, sem</p><p>olvidar de que todo PM, mesmo não estando lotado na</p><p>Atividade de Inteligência, é potencialmente um agente, além</p><p>de ser um colaborador, tendo sempre uma equipe</p><p>trabalhando conjuntamente, no Batalhão de origem, em prol</p><p>da atividade de policiamento ostensivo e do cumprimento da</p><p>missão da PMCE. Segue um mapa ilustrativo onde hoje a</p><p>PMCE está atuando com a Atividade de Inteligência, sem</p><p>esquecer-se de citar que praticamente todas as Unidades</p><p>Especializadas também possuem SAIs ativas e apoiando os</p><p>PMs em função no Policiamento Ostensivo:</p><p>Mobile User</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>9</p><p>3. POLÍTICA E ESTRATÉGIA NACIONAL DE INTELIGÊNCIA DE</p><p>SEGURANÇA PÚBLICA</p><p>A Política Nacional de Inteligência de Segurança</p><p>Pública – PNISP - foi editada através do Decreto 10.777, de</p><p>24 de agosto de 2021, situando melhor os meandros da</p><p>Atividade de Inteligência de Segurança Pública.</p><p>No anexo ao normativo podemos nos valer de</p><p>vários conceitos orientadores. Um dos mais importantes foi</p><p>sobre a própria concepção da Atividade de Inteligência de</p><p>Segurança Pública, conforme abaixo:</p><p>1.4 Para fins de implementação da PNISP, a</p><p>atividade de inteligência de segurança pública é</p><p>conceituada como o exercício permanente e</p><p>sistemático de ações especializadas destinadas à</p><p>identificação, à avaliação e ao acompanhamento de</p><p>ameaças reais e potenciais no âmbito da segurança</p><p>pública, orientadas para a produção e a salvaguarda</p><p>de conhecimentos necessários ao processo</p><p>decisório no curso do planejamento e da execução</p><p>da PNSPDS e das ações destinadas à prevenção, à</p><p>neutralização e à repressão de atos criminosos de</p><p>qualquer natureza que atentem contra a ordem</p><p>pública, a incolumidade das pessoas e do</p><p>patrimônio.</p><p>Dando continuidade, a PNISP conceitua os dois ramos</p><p>da Atividade de Inteligência de Segurança Pública, sendo</p><p>eles:</p><p>Inteligência de segurança pública - que visa à</p><p>produção e à difusão de conhecimentos para assessoramento</p><p>às autoridades de segurança pública</p><p>competentes, de modo</p><p>a subsidiar o processo decisório no curso do planejamento e</p><p>da execução das políticas de segurança pública; e</p><p>Contrainteligência de segurança pública - que visa à</p><p>prevenção, à detecção, à neutralização e à obstrução de</p><p>ações e atividades que constituam ameaça à consecução</p><p>plena da atividade de inteligência de segurança pública e à</p><p>atuação livre dos órgãos de segurança pública e das suas</p><p>estruturas de inteligência, nas quais se incluem os dados e o</p><p>conhecimento sensíveis em poder do Estado.</p><p>Diante desse cenário, surge a Estratégia Nacional de</p><p>Inteligência de Segurança Pública - ENISP, que é o</p><p>documento de orientação estratégica decorrente da Política</p><p>Nacional de Inteligência de Segurança Pública - PNISP.</p><p>A Estratégia Nacional de Inteligência de Segurança</p><p>Pública – ENISP - foi editada através do Decreto 10.778, de</p><p>24 de agosto de 2021, tem o objetivo de estabelecer os</p><p>parâmetros e os limites de atuação da atividade de</p><p>inteligência de segurança pública e de seus executores, no</p><p>âmbito do Subsistema de Inteligência de Segurança Pública -</p><p>Sisp.</p><p>Destaca-se que a ENISP tem como missão Integrar e</p><p>desenvolver nacionalmente a atividade de inteligência de</p><p>segurança pública a fim de promover e defender os</p><p>interesses da sociedade e do Estado, Consolidando como</p><p>estrutura principal de integração das agências de inteligência</p><p>e contribuir para a excelência das ações de segurança</p><p>pública.</p><p>O decreto também apresenta uma abordagem de</p><p>suma importância para a inteligência de ISP quanto ao</p><p>fortalecimento da cultura de proteção do conhecimento e de</p><p>preservação do sigilo.</p><p>A preservação do sigilo e a proteção das fontes, dos</p><p>agentes e do conhecimento sensível são determinantes para</p><p>o cumprimento dos objetivos da atividade de inteligência de</p><p>segurança pública.</p><p>A cultura de proteção, inerente à atividade de</p><p>inteligência, estende-se para um campo maior, no qual se</p><p>incluem os ativos estratégicos materiais e imateriais, que</p><p>apoiam o desenvolvimento da sociedade brasileira e da</p><p>segurança pública.</p><p>Tanto a PNISP quanto a ENISP estão alicerçadas em</p><p>pressupostos éticos, normas, conceitos e valores, estando de</p><p>acordo com a Carta Magna de 1988 e tendo nos ideais e na</p><p>prática da Democracia suas mais nobres fontes de inspiração.</p><p>3.1 Pressupostos da Atividade de Inteligência de</p><p>Segurança Pública</p><p>Segundo a PNISP, são pressupostos da Atividade o</p><p>seguinte:</p><p>3.1.1 Obediência à Constituição e às leis</p><p>A inteligência de segurança pública desenvolve as</p><p>suas atividades em estrita obediência ao ordenamento</p><p>jurídico brasileiro, pautada pela fiel observância aos</p><p>princípios, aos direitos e às garantias fundamentais expressos</p><p>na Constituição, em prol da segurança pública, do bem-</p><p>comum e da defesa dos interesses da sociedade e do Estado</p><p>Democrático de Direito.</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>10</p><p>3.1.2 Atividade de Estado de caráter permanente</p><p>A atividade de inteligência de segurança pública é</p><p>exclusiva de Estado, de caráter permanente, e constitui-se</p><p>como instrumento de assessoramento do Sistema Único de</p><p>Segurança Pública - SUSP, indispensável à manutenção do</p><p>Estado Democrático de Direito e à defesa de suas</p><p>instituições; atende, precipuamente, aos interesses da</p><p>sociedade e não se coloca a serviço de grupos, ideologias e</p><p>objetivos mutáveis sujeitos, por exemplo, às conjunturas</p><p>externas, econômicas ou político-partidárias.</p><p>3.1.3 Atividade de assessoramento oportuno</p><p>Cabe à inteligência de segurança pública contribuir</p><p>com as autoridades constituídas por meio do fornecimento</p><p>de informações oportunas, abrangentes e confiáveis,</p><p>necessárias ao exercício do processo decisório, para</p><p>preservação da ordem pública e da incolumidade das</p><p>pessoas e do patrimônio.</p><p>Cabe à atividade de inteligência de segurança pública</p><p>acompanhar e avaliar as conjunturas interna e externa com</p><p>vistas a identificar fatos ou situações que possam resultar em</p><p>ameaças ou riscos aos interesses da sociedade e do Estado</p><p>no âmbito da segurança pública; deve buscar suprimir ou</p><p>minimizar essas ameaças ou riscos, de modo a evitar ou</p><p>mitigar possíveis danos.</p><p>3.1.4 Atividade especializada</p><p>A atividade de inteligência de segurança pública é</p><p>técnica e especializada, de natureza sigilosa, e tem o seu</p><p>exercício alicerçado em conjunto sólido de princípios e</p><p>valores profissionais com a utilização de metodologia própria</p><p>estabelecida em doutrina comum às agências de inteligência,</p><p>sem prejuízo da autonomia doutrinária conferida às</p><p>instituições de segurança pública. A atividade de inteligência</p><p>de segurança pública é realizada sob estrito amparo legal e</p><p>busca, por meio do emprego de técnicas especializadas, a</p><p>produção do conhecimento.</p><p>3.1.5 Conduta ética</p><p>A atividade de inteligência de segurança pública</p><p>pauta-se pela conduta ética, que pressupõe conjunto de</p><p>princípios orientadores do comportamento humano em</p><p>sociedade. O comportamento dos profissionais de</p><p>inteligência deve se pautar pelo cuidado com a preservação</p><p>dos valores que determinam a primazia da verdade. Os</p><p>valores éticos devem balizar tanto os limites de ação de seus</p><p>profissionais quanto os usuários do conhecimento produzido.</p><p>3.1.6 Abrangência</p><p>A atividade de inteligência de segurança pública deve</p><p>possuir abrangência que lhe possibilite prever, prevenir,</p><p>neutralizar e reprimir atos que possam representar ameaça à</p><p>ordem pública, à incolumidade das pessoas e do patrimônio</p><p>e ao meio ambiente.</p><p>Para aumentar a abrangência da atividade de</p><p>inteligência de segurança pública, é importante a</p><p>participação colaborativa da sociedade, de forma a</p><p>potencializar a sua atuação e contribuir com o Estado na</p><p>construção e na execução da política de segurança pública.</p><p>3.1.7 Gestão estratégica</p><p>Para promover a efetividade da atividade de</p><p>inteligência de segurança pública, é imprescindível a adoção</p><p>da gestão estratégica, desde o diagnóstico até o</p><p>monitoramento dos seus resultados por intermédio de</p><p>indicadores e metas, de forma a contribuir para o</p><p>direcionamento adequado e efetivo dos ativos operacionais.</p><p>Da mesma forma, a produção do conhecimento estratégico é</p><p>essencial para a consecução dos objetivos da PNSPDS.</p><p>3.1.8 Interação entre as agências de inteligência</p><p>É imperioso que haja, além de integração, a interação</p><p>entre as agências de inteligência e entre os integrantes da</p><p>comunidade de inteligência. A interação implica estabelecer,</p><p>estreitar e manter relações confiáveis e sistêmicas de</p><p>cooperação, com vistas a otimizar o emprego de esforços</p><p>para a consecução dos objetivos da atividade de inteligência</p><p>de segurança pública. A interação tem como princípios a</p><p>voluntariedade, a igualdade de direitos, a não ingerência em</p><p>assuntos internos, a vantagem mútua e a imparcialidade.</p><p>3.1.9 Coordenação e controle</p><p>A atividade de inteligência de segurança pública</p><p>pressupõe coordenação e controle que, por meio de canal</p><p>técnico, conciliem interesses e conjuguem esforços para a</p><p>consecução de objetivos, tarefas, propósitos e missões, e</p><p>otimizem os meios disponíveis de modo a conferir mais</p><p>efetividade às ações executadas para a obtenção, a análise e</p><p>o processamento de dados, a produção e a difusão do</p><p>conhecimento estratégico, em observância aos ditames</p><p>legais e constitucionais.</p><p>3.1.10 Sigilo</p><p>O sigilo conferido à atividade de inteligência de</p><p>segurança pública visa a preservar os profissionais de</p><p>inteligência no exercício de suas atividades e os órgãos a que</p><p>estão vinculados.</p><p>Podemos asseverar que uma das marcas distingue a</p><p>Atividade de Inteligência de outras atividades é exatamente a</p><p>busca do dado negado, o que exige o emprego de métodos e</p><p>equipamentos especiais para o alcance do dado para a</p><p>produção do conhecimento. Para alguns, a verdadeira</p><p>Inteligência é e deve ser monopólio do Estado.</p><p>O mais importante papel da Inteligência, em última</p><p>análise, é de proporcionar conhecimentos</p><p>antecipados e</p><p>suprir as necessidades do seu Usuário (gestor a quem está</p><p>subordinada a Agência de Inteligência. Exemplos: Usuário da</p><p>COIN é o Secretário da Segurança Pública e Defesa Social.</p><p>Usuário da PMCE é o Comandante-Geral da Corporação), a</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>11</p><p>fim de que mesmo possa direcionar as ações em prol da</p><p>sociedade de forma mais producente. Assim, o planejamento</p><p>e a direção da Atividade de Inteligência envolvem a</p><p>administração de todos os esforços visando identificar os</p><p>dados e informações necessárias ao processo decisório do</p><p>gestor.</p><p>Não se pode descuidar das legislações que</p><p>tangenciam a Atividade de Inteligência, visto que, no ano de</p><p>2011 outro importante ordenamento jurídico foi</p><p>regulamentado a fim de normatizar certos aspectos</p><p>utilizados na Atividade de Inteligência. A fim de definir</p><p>princípios em relação a classificação de documentos e</p><p>informações com caráter sigilosos surge a Lei nº 12.527 de</p><p>18 de novembro de 2011, conhecida como Lei de Acesso à</p><p>Informação (LAI). Sua regulamentação ocorreu por meio de</p><p>dois decretos, Decreto nº 7.724 de 16 de maio de 2012 e</p><p>decreto nº 7.845 de 14 de novembro de 2012, bem como, a</p><p>Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD. Neste</p><p>contexto, são prazos máximos de restrição de acesso à</p><p>informação.</p><p>A legislação estadual vem complementar, no âmbito</p><p>do Ceará, a Lei Geral de Acesso à Informação, Lei nº</p><p>12.527/2011. Assim, a Lei Estadual de Acesso à Informação,</p><p>Lei nº 15.175/2012, institui como princípio fundamental que</p><p>o acesso à informação pública é a regra e o sigilo a exceção.</p><p>Sua sanção representa mais um importante passo para a</p><p>consolidação do regime democrático e para o fortalecimento</p><p>das políticas de transparência pública. O Art. 4°, inciso III –</p><p>define como informação sigilosa: aquela submetida</p><p>temporariamente à restrição de acesso público em razão de</p><p>sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do</p><p>Estado.</p><p>As informações poderão ser classificadas conforme a</p><p>LAI em:</p><p>a) Classificada como ultrassecreto: 25 (vinte e cinco)</p><p>anos;</p><p>b) Classificada como secreto: 15 (quinze) anos;</p><p>c) Classificada como reservada: 5 (cinco) anos.</p><p>d) informações pessoais: 100 (cem) a contar de sua</p><p>produção, independente da classificação de sigilo a elas</p><p>atribuída.</p><p>Em atendimento ao que determina o art. 29 da Lei</p><p>15.175 de 28 de junho de 2012, o Comitê Setorial de Acesso</p><p>à Informação da Controladoria e Ouvidoria Geral do Estado</p><p>(CGE) apresenta o rol de documentos classificados com grau</p><p>de sigilo e rol de informações desclassificadas.</p><p>Conforme última atualização de levantamento de</p><p>informação classificada dos órgãos e entidades do poder</p><p>executivo estadual, tem-se que os Relatórios de Inteligência</p><p>(Relint) produzidos pela Polícia Militar do Ceará são</p><p>classificados como SECRETOS, por 15 (quinze) anos.</p><p>A Doutrina de Inteligência de Segurança Pública é</p><p>formada por um conjunto de conceitos, características,</p><p>princípios, valores, normas, métodos, procedimentos, ações</p><p>e técnicas que orientam e disciplinam a atividade de</p><p>Inteligência de Segurança Pública - ISP. Propõe uma</p><p>linguagem especializada entre os profissionais da atividade</p><p>de ISP, de modo que as relações de comunicação essenciais</p><p>ao seu exercício ocorram sem distorções ou incompreensões.</p><p>Dentro dessa perspectiva, a doutrina se presta a padronizar a</p><p>atuação das agências que integram o Sistema de Inteligência</p><p>de Segurança Pública (SISP), visando maximizar os seus</p><p>padrões de eficácia e eficiência, convertendo-se em</p><p>importante instrumento de assessoria às políticas e ações</p><p>relacionadas à área de Segurança Pública. Os elementos que</p><p>compõem a definição de Doutrina de Inteligência são assim</p><p>entendidos:</p><p> Princípios - proposições diretoras gerais</p><p>destinadas a orientar o desenvolvimento do corpo</p><p>doutrinário.</p><p> Conceitos - homogeneizações sobre os objetos, os</p><p>fenômenos e as relações fundamentais previstas</p><p>pela Doutrina.</p><p> Normas - disposições que visam a fixar</p><p>estritamente as relações propostas pela Doutrina.</p><p> Métodos - orientações práticas e racionais,</p><p>consagradas pela Doutrina, para que se alcancem</p><p>objetivos desejados com o menor dispêndio de</p><p>meios, em menor tempo e com o melhor</p><p>resultado.</p><p> Processos - maneiras de realizar o que está</p><p>preconizado pelos métodos ou mesmo pelas</p><p>normas.</p><p> Valores - convicções positivas de conduta,</p><p>cultuadas pela sociedade nacional e,</p><p>necessariamente, respeitada pela doutrina.</p><p>3.2 Características da Doutrina de Inteligência</p><p> Normativa – uma vez que o seu conteúdo exprime</p><p>preceitos orientados do exercício da Atividade de</p><p>Inteligência.</p><p> Dinâmica – em razão do caráter evolutivo de seus</p><p>fundamentos.</p><p> Adogmática – uma vez que não está sujeita a</p><p>dogmas formulados e impostos e seus preceitos</p><p>derivam de fundamentos racionais e realísticos.</p><p> Consensual – pois a livre aceitação de seus</p><p>preceitos pela maioria dos profissionais de</p><p>inteligência resulta da convicção de sua</p><p>procedência e acerto.</p><p> Unitária – porque seus preceitos propiciam</p><p>unidade de pensamento, procedimento e</p><p>linguagem entre os profissionais de inteligência.</p><p>3.3 Sugestão da Estrutura Básica de uma Agência de</p><p>Inteligência (DNISP)</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>12</p><p>4. ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA E DE ISP</p><p>A Atividade de Inteligência é o exercício permanente</p><p>de ações especializadas e orientadas para a produção e</p><p>salvaguarda de conhecimentos que, por seu sentido velado e</p><p>seu alcance estratégico, configuram segredos de Estado,</p><p>dentro da rigorosa observância dos direitos fundamentais da</p><p>pessoa humana e dos princípios da República Federativa do</p><p>Brasil.</p><p>Num sentido mais amplo a Atividade de Inteligência é</p><p>o exercício permanente de ações direcionadas para:</p><p>a) a obtenção de dados e avaliação de situações que</p><p>impliquem ameaças, veladas ou dissimuladas, capazes de</p><p>dificultar ou impedir a consecução dos interesses</p><p>estratégicos do Brasil;</p><p>b) a obtenção de dados e a avaliação de situações que</p><p>representem oportunidades para a consecução dos</p><p>interesses estratégicos do país;</p><p>c) a identificação, avaliação e neutralização da</p><p>espionagem promovida por organismos ou pessoas,</p><p>vinculados ou não a governos;</p><p>d) a salvaguarda dos conhecimentos e dados que, no</p><p>interesse da segurança do Estado e da sociedade, devam ser</p><p>protegidos.</p><p>4.1 Principais Ameaças da Inteligência de Segurança</p><p>Pública</p><p>No caso da Atividade de inteligência se Segurança</p><p>Pública a própria PNISP traz á tona as principais ameaças e,</p><p>logicamente, que devem ser preocupações constantes das</p><p>Agências de Inteligência de Segurança Pública, de acordo</p><p>com as competências legais de cada Órgão, a seguir</p><p>especificadas:</p><p>Criminalidade violenta</p><p>Na sistemática do comportamento criminoso,</p><p>entende-se como criminalidade violenta os relacionamentos</p><p>que resultam em conflito, lesão física grave ou morte. A</p><p>criminalidade violenta exige especial atenção da atividade de</p><p>inteligência de segurança pública, porque expõe a população</p><p>a riscos e danos e potencializa a sensação de insegurança.</p><p>Os Crimes Violentos Letais Intencionais – CVLIs – são</p><p>uma preocupação constante da Segurança Pública, tanto</p><p>pela gravidade do bem jurídico atacado (vida) quanto às</p><p>questões de potencialização da sensação de insegurança</p><p>pela população e os reflexos negativos decorrentes de um</p><p>alto índice.</p><p>Crime organizado</p><p>O crime organizado apresenta significativa</p><p>abrangência e projeta sua influência, direta ou</p><p>indiretamente, na sociedade.</p><p>O alcance do crime organizado recai sobre delitos de</p><p>amplitude interestadual e transnacional, com vertentes no</p><p>sistema prisional, em dimensão tal que contribui para o</p><p>desenvolvimento de outros fenômenos criminais.</p><p>Trata-se de ameaça à segurança pública e ao sistema</p><p>de justiça, e exige combate</p><p>enérgico e eficiente por parte das</p><p>agências de segurança pública, do sistema de justiça criminal</p><p>e da sociedade.</p><p>Seu enfrentamento demanda integração entre os</p><p>órgãos do Sisp, a fim de potencializar a identificação de redes</p><p>criminais, seus integrantes e suas relações e de possíveis</p><p>desdobramentos de sua atuação. Além disso, a produção de</p><p>conhecimento sobre as origens, as trajetórias e os efeitos do</p><p>crime organizado está entre as principais contribuições da</p><p>atividade de inteligência de segurança pública para o sistema</p><p>de segurança pública e defesa social.</p><p>É por demais importante entender todos os</p><p>meandros que envolvem a criminalidade organizada, a fim</p><p>de permitir a adoção de estratégias mais efetivas em relação</p><p>às facções criminosas.</p><p>4.1.3 Corrupção</p><p>A corrupção promovida por agentes públicos ou</p><p>privados, de forma passiva ou ativa, impacta negativamente</p><p>a administração pública e resulta no descrédito das</p><p>instituições do Estado perante a sociedade.</p><p>Entre os prejuízos causados pela corrupção,</p><p>destacam-se aqueles relacionados à lavagem de dinheiro,</p><p>que mantém estreita ligação com o crime organizado e cujas</p><p>consequências sociais e econômicas são de grande</p><p>relevância.</p><p>A atividade de inteligência de segurança pública deve</p><p>subsidiar os órgãos de controle e fiscalização do Estado para</p><p>uma repressão qualificada da corrupção por meio da</p><p>produção de conhecimentos que auxiliem a sua identificação</p><p>e o seu enfrentamento.</p><p>Este papel da ISP é primordial, tendo em vista que a</p><p>corrupção de agentes públicos é um dos principais vetores</p><p>para o fortalecimento da criminalidade organizada. Sem esse</p><p>vínculo o enfraquecimento das facções se mostrará bem</p><p>mais evidente e contribuirá de forma significativa para uma</p><p>real pacificação social.</p><p>4.1.4 Lavagem de dinheiro e evasão de divisas</p><p>A lavagem de dinheiro constitui o principal</p><p>mecanismo de ocultação e dissimulação da natureza, da</p><p>origem, da localização, da disposição, da movimentação da</p><p>propriedade de bens, dos direitos ou dos valores provenientes</p><p>direta ou indiretamente de infrações penais.</p><p>De igual modo, a evasão de divisas compromete a</p><p>regularidade da política cambial com sérios impactos</p><p>econômicos e monetários, além de impedir a fiscalização do</p><p>registro adequado das operações financeiras internacionais.</p><p>Nesse contexto, a atividade de inteligência de</p><p>segurança pública deve se materializar em ações</p><p>coordenadas entre os integrantes do Sisp e os demais órgãos</p><p>especializados, tais como as unidades de inteligência</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>13</p><p>financeira, a fim de qualificar a prevenção e a repressão aos</p><p>delitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.</p><p>Tanto a Inteligência quanto à Investigação devem</p><p>buscar entender e alcançar a área financeira dos grupos</p><p>criminosos, a fim de permitirem um enfraquecimento destes</p><p>e uma reparação necessária pelos delitos praticados.</p><p>4.1.5 Ações contrárias à segurança pública no espaço</p><p>cibernético</p><p>São ações perpetradas por meio da utilização de</p><p>recursos tecnológicos em espaço cibernético, com potencial</p><p>de comprometer a ordem pública, a incolumidade das</p><p>pessoas e do patrimônio e o meio ambiente e de manipular a</p><p>opinião pública com vistas à obtenção de vantagens</p><p>indevidas em detrimento do bom funcionamento de</p><p>instituições públicas e privadas.</p><p>A utilização massiva de tecnologias da informação e</p><p>comunicação tem tornado vulneráveis todos os setores da</p><p>sociedade. Observa-se a ampliação e a migração de práticas</p><p>ilícitas para o espaço cibernético.</p><p>Tal cenário impõe desafios à preservação da ordem</p><p>pública, à repressão criminal tradicional e ao ordenamento</p><p>jurídico brasileiro, o que demonstra a relevância e a</p><p>imprescindibilidade de inserção, aprimoramento e atuação</p><p>integrada da atividade de inteligência de segurança pública</p><p>no contexto do uso massificado das novas tecnologias</p><p>virtuais emergentes.</p><p>A Rede Mundial de Computadores (Internet) e,</p><p>sobretudo, as Redes Sociais são cenário fértil para golpes que</p><p>trazem aflições graves diariamente para os cidadãos, sejam</p><p>estas orquestradas por facções ou mesmo por estelionatários</p><p>que buscam mediante fraudes e graves ameaças lesar o</p><p>cidadão. Este campo é vasto e necessita da Inteligência um</p><p>olhar amiúde para alcançar esta modalidade de delito tão</p><p>atual e constante.</p><p>4.1.6 Ações contrárias ao Estado Democrático de</p><p>Direito</p><p>Consideram-se ações contrárias ao Estado</p><p>Democrático de Direito aquelas que atentem contra o pacto</p><p>federativo, a preservação da ordem pública e da</p><p>incolumidade das pessoas e do patrimônio, os direitos e as</p><p>garantias fundamentais, a dignidade da pessoa humana, a</p><p>cidadania e o meio ambiente, além de outros atos ou</p><p>atividades que representem ou possam representar risco aos</p><p>preceitos constitucionais relacionados à integridade do</p><p>Estado.</p><p>A concretização de ações contrárias ao Estado</p><p>Democrático de Direito representa risco grave à segurança</p><p>pública e à harmonia da convivência social; portanto, deve</p><p>ser objeto de atenção efetiva e sistemática da atividade de</p><p>inteligência de segurança pública.</p><p>4.1.7 Desastres de causas naturais ou tecnológicas</p><p>com impacto na segurança pública</p><p>Os desastres naturais e tecnológicos podem ter</p><p>impactos consideráveis na segurança pública e implicar</p><p>ofensas à vida, à saúde, à liberdade, à propriedade, ao meio</p><p>ambiente, ao bom funcionamento dos serviços públicos e a</p><p>outros bens jurídicos penalmente tutelados.</p><p>4.1.8 Ações contrárias à segurança de infraestruturas</p><p>críticas com impacto na segurança pública</p><p>As ações que atentem contra as instalações, os</p><p>serviços, os bens e os sistemas cuja interrupção ou</p><p>destruição, total ou parcial, possa provocar sérios impactos</p><p>sociais, ambientais, econômicos, políticos e internacionais,</p><p>demandam medidas a fim de preservar a ordem pública, a</p><p>incolumidade das pessoas e do patrimônio.</p><p>4.2 Finalidades da Atividade de ISP</p><p>A Atividade de Inteligência de Segurança Pública tem</p><p>por finalidade:</p><p>a) realizar avaliação de situações de interesse da</p><p>Segurança Pública, subsidiando o processo decisório de seus</p><p>usuários;</p><p>b) subsidiar o planejamento estratégico das</p><p>organizações do Sistema de Segurança Pública;</p><p>c) dispor, quando possível, de informações relevantes</p><p>as atividades inerentes as Polícias Militar e Civil;</p><p>d) tentar antecipar fatos que causem crise ou grave</p><p>perturbação da ordem pública;</p><p>e) auxiliar a Polícia Judiciária na investigação de</p><p>delitos;</p><p>f) proteger o conhecimento produzido.</p><p>4.3 Características da Atividade de Inteligência</p><p>As características da Atividade de Inteligência</p><p>comungam com os pressupostos da PNISP, sendo elas:</p><p> Produção de conhecimento;</p><p> Assessoria;</p><p> Verdade com significado;</p><p> Busca de dados protegidos;</p><p> Ações especializadas;</p><p> Economia de meios;</p><p> Iniciativa;</p><p> Dinâmica;</p><p> Abrangência;</p><p> Segurança.</p><p>Sobre a Produção do Conhecimento, produto da</p><p>Atividade de Inteligência, oportuno relatar que o tratamento</p><p>de dados, por meio de técnicas próprias da atividade, pelo</p><p>profissional de inteligência se trata da rotina primordial de</p><p>um Analista de Inteligência. Para um entendimento mais</p><p>adequado, importante conceituar dado e conhecimento:</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>14</p><p>Dado:</p><p>- É toda e qualquer representação de fato, situação,</p><p>comunicação, notícia, documento, extrato de documento,</p><p>fotografia, gravação, relato, denúncia, dentre outros, ainda</p><p>não submetido pelo profissional de inteligência à</p><p>metodologia de produção de conhecimento.</p><p>Conhecimento:</p><p>- Conhecimento, por sua vez, é o resultado final que</p><p>pode ser expresso por escrito ou oralmente pelo profissional</p><p>de Inteligência, quando da utilização da Metodologia de</p><p>Produção de Conhecimento sobre dados, tornando-o assim</p><p>em um conhecimento trabalhado, significativo, útil</p><p>e</p><p>oportuno.</p><p>4.4 Princípios da Atividade de Inteligência</p><p>A Atividade de Inteligência de Segurança Pública é</p><p>exercida em perfeita sintonia com as suas finalidades e sob a</p><p>égide de determinados princípios, de forma que a aplicação</p><p>de um deles não acarrete prejuízo no emprego dos demais.</p><p>Esses princípios são as proposições diretoras - as bases, os</p><p>fundamentos, os alicerces, os pilares - que orientam e</p><p>definem os caminhos da atividade.</p><p>Os princípios básicos que regem a atividade de</p><p>inteligência são:</p><p> Amplitude – Consiste na obtenção dos resultados</p><p>mais complexos possíveis diante dos trabalhos</p><p>desenvolvidos;</p><p> Interação – estabelecer sistema de cooperação</p><p>institucional, otimizando as atividades</p><p>desenvolvidas pela Agência de Inteligência;</p><p> Objetividade – consiste no cumprimento das</p><p>missões de forma direta e completa, seguindo</p><p>critérios de organização e planejamento em</p><p>sintonia com os objetivos;</p><p> Oportunidade – orienta a produção do</p><p>conhecimento dentro de prazos que possibilitem o</p><p>melhor aproveitamento das informações;</p><p> Permanência – tem a finalidade de garantir a</p><p>produção contínua do fluxo de conhecimento;</p><p> Precisão – voltado à veracidade da avaliação</p><p>tornando o conhecimento útil, complexo e com</p><p>significado;</p><p> Simplicidade – visa o planejamento das ações com</p><p>a utilização de meios que mitiguem os custos e</p><p>riscos operacionais, culminando em resultados</p><p>claros e concisos;</p><p> Segurança – utilização de medidas de salvaguarda</p><p>necessárias à proteção do agente, do órgão e dos</p><p>resultados obtidos;</p><p> Imparcialidade – conduz a atividade em</p><p>conformidade com preceitos de justiça, retidão,</p><p>neutralidade e imparcialidade, não permitindo dos</p><p>agentes juízos de valores que gerem distorções;</p><p> Compartimentação – decorrente do sigilo é</p><p>direcionada a permitir acesso somente aos</p><p>agentes que tenham a “necessidade de conhecer”,</p><p>em conformidade com a credencial de segurança;</p><p> Controle – determina o acompanhamento</p><p>sistemático das ações desenvolvidas, evitando a</p><p>interferência de variáveis que possam implicar em</p><p>prejuízo das ações;</p><p> Sigilo – visa preservar o órgão, fontes, atividades e</p><p>agentes envolvidos.</p><p>4.5 Valores da Atividade de Inteligência</p><p>A Atividade de Inteligência é constituída como um</p><p>serviço à causa pública, submetida aos princípios</p><p>constitucionais da moralidade, da impessoalidade, da</p><p>eficiência e da legalidade, e, em especial, tendo em vista a</p><p>observância da ética, dos direitos e garantias individuais e</p><p>sociais e o Estado Democrático de Direito.</p><p>A própria PNISP traz em seu bojo diretrizes</p><p>consistentes e alicerçadas com o ordenamento jurídico</p><p>pátrio, em especial no respeito aos direitos humanos, sendo</p><p>uma das diretrizes a promoção dos DDHH, conforme se</p><p>extrai:</p><p>8.5 Promover o respeito aos direitos humanos</p><p>Para que as ações desenvolvidas no âmbito da</p><p>atividade de inteligência de segurança pública</p><p>sejam plenas, há de se resguardar os direitos e as</p><p>garantias fundamentais, em defesa dos direitos</p><p>humanos. Nesse esteio, torna-se premente o</p><p>enfrentamento, em especial, à criminalidade</p><p>violenta, em que o bem a ser garantido, em última</p><p>análise, é a vida.</p><p>A defesa dos preceitos de direitos humanos vincula</p><p>a atividade de inteligência de segurança pública</p><p>também à proteção de minorias e de outros grupos</p><p>vulneráveis, com especial atenção à prevenção e à</p><p>repressão aos crimes de ódio ou intolerância.</p><p>Além do Ministério Público, que exerce o Controle</p><p>Externo da Atividade Policial, existe a prescrição do Controle</p><p>Externo da Atividade de Inteligência. No caso, o controle e</p><p>fiscalização externa da atividade de inteligência serão</p><p>exercidos pelo Poder Legislativo, através de um órgão</p><p>integrado pelos Presidentes das Comissões de Relações</p><p>Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e do</p><p>Senado Federal, pelos líderes da maioria e da minoria na</p><p>Câmara dos Deputados e no Senado Federal, em</p><p>conformidade com o art. 6º da Lei que criou o SISBIN e a</p><p>ABIN (Lei 9.883/99).</p><p>Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará – AESP|CE</p><p>FUNDAMENTOS DA INTELIGÊNCIA POLICIAL MILITAR</p><p>15</p><p>5. ESPECIFICIDADES DA ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA</p><p>Conforme já discutido e especificado nas legislações</p><p>já citadas, de forma genérica, a Atividade de Inteligência tem</p><p>como objetivo a obtenção e análise de dados e informações,</p><p>visando à produção e difusão do conhecimento, através de</p><p>metodologia própria, com a finalidade de assessorar o</p><p>processo decisório.</p><p>5.1 Ciclo da Informação</p><p>A necessidade de informações está cada vez mais</p><p>latente e é muito importante que a Agência consiga produzir</p><p>conhecimentos com muita celeridade, mas sem descuidar da</p><p>responsabilidade necessária. Neste contexto algumas</p><p>preocupações são pertinentes, conforme reflexões que se</p><p>seguem:</p><p>Princípio da Oportunidade (Velocidade X Qualidade);</p><p>Informação urgente sempre será superficial, genérica,</p><p>passível de alterações não contraditórias;</p><p>Inteligência não tem prazo;</p><p>O conhecimento produzido é difundido ao cargo do</p><p>tomador de decisão levando em consideração a sua</p><p>necessidade de conhecer, sempre em razão da sua função.</p><p>5.2 Conhecimento</p><p>O conhecimento é admitido em duas acepções:</p><p>Processo e Produto. Como processo, o conhecimento é a</p><p>formação de uma imagem de um fato ou de uma situação na</p><p>mente humana, podendo ocorrer de diferentes modos.</p><p>Como produto, o conhecimento é a representação (oral ou</p><p>escrita) de fatos ou situações; é, assim, a exteriorização de</p><p>uma imagem sobre um fato ou uma situação, antes restrita</p><p>aos limites da mente humana.</p><p>No âmbito da Atividade de Inteligência, conforme já</p><p>especificado quando discutido sobre as características da</p><p>atividade, o conhecimento é a representação de um fato ou</p><p>de uma situação, reais ou hipotéticos, de interesse para a</p><p>Atividade de Inteligência, processada pelo profissional de</p><p>Inteligência.</p><p>Desse modo, qualquer representação de um fato ou</p><p>de uma situação que não decorra da produção intelectual do</p><p>profissional de Inteligência é considerada como dado na</p><p>linguagem da Inteligência.</p><p>5.3 Estados da Mente</p><p>A verdade, como contrária ao erro, consiste na</p><p>perfeita concordância do conteúdo do pensamento (sujeito)</p><p>com o fato ou as situações (objeto).</p><p>Em relação à verdade, a mente humana pode</p><p>encontrar-se em quatro diferentes estados: certeza, opinião,</p><p>dúvida, ignorância.</p><p> Certeza: consiste no acatamento integral, pela</p><p>mente, da imagem por ela mesma formada, como</p><p>correspondente a determinado fato e/ou situação.</p><p> Opinião: é um estado no qual a mente se define</p><p>por um objeto, considerando a possibilidade de</p><p>um equívoco. Por isso, o valor do estado de</p><p>opinião se expressa por meio de indicadores de</p><p>probabilidades.</p><p> Dúvida: é o estado em que a mente encontra,</p><p>metodicamente, em situação de equilíbrio, razões</p><p>para aceitar e negar que a imagem, por ela mesma</p><p>formada, esteja em conformidade com</p><p>determinado objeto.</p><p> Ignorância: é o estado em que a mente encontra-</p><p>se privada de qualquer imagem sobre uma</p><p>realidade específica.</p><p>5.4 Graus de Complexidade dos Trabalhos</p><p>intelectuais</p><p>O ser humano, para conhecer determinados fatos ou</p><p>situações, pode realizar três trabalhos intelectuais: conceber</p><p>idéias, formular juízos e elaborar raciocínios.</p><p> Ideia é a simples concepção, na mente, da</p><p>imagem de determinado objeto sem, contudo,</p><p>qualificá-lo.</p><p> Juízo é a operação pela qual a mente estabelece</p><p>uma relação entre idéias.</p><p> Raciocínio é a operação pela qual a mente, a</p><p>partir de dois ou mais juízos conhecidos, alcança</p><p>outro que deles decorre logicamente.</p><p>5.5 Tipos de Conhecimentos</p><p>A Doutrina de Inteligência de Segurança Pública</p><p>preconiza uma diferenciação dos conhecimentos produzidos.</p><p>Esta diferenciação resulta dos seguintes fatores:</p><p> Os diferentes estados em que a mente humana</p><p>pode situar-se em relação à verdade (certeza, opinião,</p><p>dúvida e ignorância);</p><p> Os diferentes graus de complexidade</p>