Prévia do material em texto
<p>1</p><p>FACULDADE CATÓLICA SALESIANA DO ESPIRITO SANTO</p><p>CRISTINA BORCHARDT RODRIGUES</p><p>NATIELE TELAU CORREA</p><p>SILVANA ROSA DIAS</p><p>A INSERÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA EDUCAÇÃO</p><p>VITÓRIA</p><p>2010</p><p>2</p><p>CRISTINA BORCHARDT RODRIGUES</p><p>NATIELE TELAU CORREA</p><p>SILVANA ROSA DIAS</p><p>A INSERÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA EDUCAÇÃO</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso</p><p>apresentado a Faculdade Católica Salesiana</p><p>do Espírito Santo, como requisito obrigatório</p><p>para obtenção do título de Bacharel em</p><p>Serviço Social.</p><p>Orientadora: Prof.ª Silvia Trugilho</p><p>VITÓRIA</p><p>2010</p><p>3</p><p>RESUMO</p><p>O objetivo do estudo é analisar a atuação do assistente social na educação,</p><p>considerando o Projeto Ético Político do Serviço Social e a Política de Educação, no</p><p>contexto político, social e econômico atual.</p><p>Tomamos como base teórica, o Código de Ética do Serviço Social, a Lei de</p><p>Diretrizes e Bases da educação (LDB), a Constituição Federal de 1988 e o Projeto</p><p>Ético Político da profissão e outras bibliografias que discorrem sobre o Serviço</p><p>Social.</p><p>Para alcançar os objetivos do estudo foi utilizada uma abordagem qualitativa através</p><p>de entrevista estruturada com representantes da comunidade escola, bem como</p><p>assistentes sociais do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES).</p><p>Por meio do estudo teórico e análise de dados foi possível concluir que o Serviço</p><p>Social é necessário na educação haja vista as questões sociais que permeiam no</p><p>cotidiano escolar, e, principalmente, porque o assistente social viabiliza o acesso</p><p>aos direitos sociais e, por conseguinte contribui para permanência do aluno na</p><p>escola.</p><p>Palavras-chaves: Assistente Social, Lei de Diretrizes e Base e Código de Ética.</p><p>4</p><p>CRISTINA BORCHARDT RODRIGUES</p><p>NATIELE TELAU CORREA</p><p>SILVANA ROSA DIAS</p><p>INSERÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA EDUCAÇÃO</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso submetido ao Programa de Graduação em Serviço</p><p>Social da Faculdade Católica Salesiana do Espírito Santo.</p><p>Aprovada em 01 de julho de 2010.</p><p>COMISSÃO EXAMINADORA</p><p>Prof.ª Silvia Trugilho</p><p>Faculdade Católica Salesiana do Espírito Santo</p><p>Orientadora</p><p>Prof.ª Doralice Veiga Alves</p><p>Faculdade Católica Salesiana do Espírito Santo</p><p>Banca Examinadora</p><p>Prof.ª Célia Maria Vilela Tavares</p><p>Faculdade Católica Salesiana do Espírito Santo</p><p>Banca Examinadora</p><p>5</p><p>"Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam à Deus".</p><p>Romanos 8:28</p><p>6</p><p>AGRADECIMENTO</p><p>Agradecemos em primeiro lugar a Deus pelo dom a nós confiando, e por permitir à</p><p>concretização deste sonho.</p><p>Agradecemos aos nossos pais, familiares e amigos que de forma especial e</p><p>carinhosa nos deu força e coragem, para alcançarmos os nossos objetivos.</p><p>Aos servidores do IFES (Instituto Federal do Espirito Santo), que nos permitiram a</p><p>realização da pesquisa.</p><p>Agradecemos a Professora Silvia Trugilho, pela paciência e compreensão, e</p><p>principalmente pela confiança em nós depositada e por abrir as portas do</p><p>conhecimento para que pudéssemos dar mais este passo.</p><p>A nossa turma de Serviço Social pela convivência e pela amizade.</p><p>Aos nossos professores da Graduação, que de maneira simples nos mostraram, que</p><p>com ética nos tornaremos profissionais comprometidos, críticos e competentes.</p><p>Obrigado pela contribuição na nossa formação profissional.</p><p>A todos os que contribuíram com suas reflexões para o desenvolvimento desse</p><p>trabalho.</p><p>A cada uma de nós mesmas, pela iniciativa e dedicação.</p><p>CRISTINA BORCHARDT RODRIGUES</p><p>NATIELE TELAU CORREA</p><p>SILVANA ROSA DIAS</p><p>7</p><p>A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode</p><p>temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão</p><p>criadora, sob pena de ser uma farsa. (Freire)</p><p>8</p><p>LISTA DE SIGLAS</p><p>CEAS - Centro de Estudos e Ação Social de São Paulo</p><p>CFESS - Conselho Federal de Serviço Social</p><p>IFES - Instituto Federal do Espírito Santo</p><p>LBV - Legião da Boa Vontade</p><p>LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional</p><p>MEC - Ministério da Educação e Cultura</p><p>PLC - Projeto de Lei da Câmara</p><p>PNE - Plano Nacional da Educação</p><p>SENAI - Serviço Nacional de aprendizagem Industrial</p><p>SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial</p><p>9</p><p>SUMÁRIO</p><p>1. INTRODUÇÃO.....................................................................................................10</p><p>2. A EDUCAÇÃO NO BRASIL................................................................................13</p><p>2.1- ASPECTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO NO BRASIL E A NOVA</p><p>LDB..........................................................................................................................13</p><p>2.2- A EDUCAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE..................................................24</p><p>3. O SERVIÇO SOCIAL, E A POLÍTICA PÚBLICA DE</p><p>EDUCAÇÃO.............................................................................................................30</p><p>3.1- O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E PROJETO ÉTICO</p><p>POLÍTICO.................................................................................................................32</p><p>3.2- O DEBATE SOBRE A EDUCAÇÃO NO SERVIÇO SOCIAL: O QUE A</p><p>LITERATURA ESPECIALIZADA NA ÁREA APRESENTA .....................................40</p><p>4. METODOLOGIA..................................................................................................47</p><p>5. ANÁLISE DE DADOS.........................................................................................49</p><p>6. CONCLUSÃO......................................................................................................63</p><p>7. REFERÊNCIAS....................................................................................................65</p><p>APÊNDICES............................................................................................................69</p><p>ANEXOS..................................................................................................................77</p><p>10</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>O tema da pesquisa é a “Inserção do Assistente Social na Educação”, que consiste em</p><p>analisar a atuação desse profissional na escola, bem como a sua importância,</p><p>considerando o Projeto Ético Político do Serviço Social e a Política de Educação, nos</p><p>contexto político, social e econômico atual.</p><p>Nesta perspectiva, o Serviço Social enquanto profissão reconhecida e legitimada</p><p>socialmente fundamentada em teorias políticas e sociais que norteiam a ação</p><p>profissional pode contribuir para ampliação dos direitos sociais, além de apresentar</p><p>elemento importante para a efetivação do direito à educação. Afirma-se isto, pois existe</p><p>uma relação contundente entre Serviço Social e políticas sociais.</p><p>A atuação do assistente social nas escolas pode contribuir positivamente para a</p><p>ampliação da política educacional, por se tratar de uma área que apresenta diversos</p><p>problemas que no âmbito do Serviço Social tem se designado por questões sociais, as</p><p>quais podemos citar: exclusão, uso e abuso de drogas, fome, dentre outros.</p><p>A educação é um espaço pouco explorado e ocupado pelo assistente social, cuja</p><p>atuação encontra-se mais sedimentada nas áreas de saúde e assistência social,</p><p>firmada nas próprias políticas públicas destas áreas específicas que asseguram o</p><p>profissional de Serviço Social no quadro de suas equipes interdisciplinares.</p><p>Conforme Rodrigues (1998) a interdisciplinaridade permite ao profissional transitar e</p><p>ampliar o horizonte para diferentes saberes e abordar a realidade do objeto em sua</p><p>pluralidade de ângulos.</p><p>Com isso se quer</p><p>social"</p><p>- diferentes estágios capitalistas produzem diferentes manifestações da</p><p>"questão social"; esta não é uma sequela adjetiva ou transitória do capital:</p><p>sua existência e suas manifestações são indissociáveis da dinâmica</p><p>específica do capital tornado potência social dominante. A "questão social" é</p><p>constitutiva do desenvolvimento do capitalismo (NETTO, 2000, p. 45).</p><p>Em decorrência de tais questões, o campo educacional tem tornado área de</p><p>interesse e necessidade de atuação do Serviço Social. É nesse espaço repleto de</p><p>contradições, que o assistente social, na relação que se estabelece com usuários,</p><p>poderá promover o rompimento de práticas conservadoras de controle, por meio do</p><p>fortalecimento da participação e da socialização de informações sobre direitos e</p><p>serviços, numa perspectiva pautada na democratização, para tanto é importante o</p><p>assistente social ter:</p><p>[...] um perfil profissional comprometido com valores ético-humanistas: com</p><p>valores de liberdade, igualdade e justiça, como pressupostos e condição</p><p>para a auto construção de sujeitos individuais e coletivos, criadores da</p><p>história. No plano da prática sociopolítica, este compromisso vem se</p><p>desdobrando na defesa de uma prática profissional envolvida com a</p><p>construção de uma nova cidadania coletiva, capaz de abranger as</p><p>dimensões econômicas políticas e culturais da vida dos produtores de</p><p>riqueza, do conjunto das classes subalternas (IAMAMOTO, 2003, p.185).</p><p>Ainda segundo a autora, o assistente social, como profissional, deve conhecer as</p><p>questões de sobrevivência social e material, viabilizar o acesso/implementar ações</p><p>que incidam sobre essas condições, as repercussões no campo dos valores, dos</p><p>comportamentos, da cultura, do conhecimento, tendo efeitos reais que interfiram na</p><p>construção da vida dos sujeitos.</p><p>Nesta perspectiva, o Serviço social tem muito a contribuir na educação, seja na</p><p>viabilização dos direitos sociais, elaboração de projetos, realização de visitas</p><p>domiciliares, para o conhecimento do contexto social e econômico do aluno e de sua</p><p>família.</p><p>Em consonância a essa afirmação, o Código de Ética do Assistente Social (2002)</p><p>destaca que um dos princípios fundamentais do Assistente Social é a ampliação e</p><p>consolidação da cidadania e a garantia da universalidade do acesso ao direito</p><p>44</p><p>social. Nota-se, assim, que as demandas emergentes nas escolas têm um espaço</p><p>de prevenção, minimização, superação a ser ocupado por esse profissional.</p><p>Além disso, o assistente social está habilitado a realizar encaminhamentos e</p><p>mobilização da rede de proteção social, que atualmente é desconhecida pela equipe</p><p>escolar. O assistente social pode propiciar não só o diagnóstico destas questões,</p><p>mas a proposição e alternativas para a mudança dessas realidades, realizando a</p><p>mediação entre a escola e o Estado, entre a escola e a sociedade, e entre a escola</p><p>e a família.</p><p>O Serviço Social, pela angulação específica que marca sua visibilidade,</p><p>compreensão e enfrentamento da questão social e de suas expressões nos</p><p>mais diversos problemas sociais, das políticas sociais, da assistência, como</p><p>dos processos culturais que atravessam seu fazer profissional, tem</p><p>condições de não só elaborar como ampliar os seus instrumentos de</p><p>trabalho. Emprestando-lhe a possibilidade de não só servir à condução mais</p><p>usual do seu processo de trabalho, mas também de aferir, agrupar e</p><p>favorecer a reflexão sobre as próprias condições de realização do seu</p><p>trabalho, sobre as condições de vida e trabalho da população como, ainda,</p><p>sobre a questão social, as políticas sociais e a assistência nas suas</p><p>expressões cotidianas (ALMEIDA, 1996, p. 42).</p><p>O Serviço Social conta em seu processo de trabalho com instrumentos que</p><p>permitem sua intervenção na vida do sujeito, sendo uma profissão chamada a</p><p>intervir em diversos espaços: saúde, educação, moradia, entre outras. Nossa</p><p>discussão gira em torno da inserção do assistente social, pois a atuação desse</p><p>profissional nas instituições de ensino poderá contribuir para a ampliação da política</p><p>educacional.</p><p>Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho,</p><p>o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à</p><p>infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.</p><p>(BRASIL, 1999, p.22).</p><p>Desta forma, podemos afirmar que, sendo a educação uma política pública de direito</p><p>constitucional, esta deve ser garantida com qualidade, a fim de promover o</p><p>crescimento cultural, econômico e social dos indivíduos.</p><p>45</p><p>A reflexão da atuação do assistente social na escola pública oportunizou a</p><p>proposição do Projeto de Lei nº 3.688 de 2000, que dispõe sobre a introdução de</p><p>Assistente Social no quadro de profissionais da educação, e o Projeto de Lei nº 837</p><p>de julho de 2005, que dispõe sobre a introdução de assistentes sociais e psicólogos</p><p>nas escolas.</p><p>Vale salientar que não devemos pensar apenas na atuação do assistente social na</p><p>educação como forma de ampliação do mercado de trabalho, mas na defesa</p><p>intransigente dos direitos sociais e das políticas públicas. Tal afirmação é defendida</p><p>por diversos autores que debatem sobre o Serviço Social na educação, dentre eles</p><p>Almeida (2000), Silva (2003) e Barbosa (1980).</p><p>Dada a essas questões que permeia no contexto escolar, o assistente social pode</p><p>realizar diagnósticos para criar alternativas no enfrentamento das múltiplas</p><p>expressões da questão social, além de proporcionar encaminhamentos, contribuindo</p><p>assim para amenizar os impactos que o capital exerce sobre a vida do aluno.</p><p>Para Morin (2003) a educação para a cidadania deve ser contextualizada, isto é, o</p><p>indivíduo deve ser visto como um ser global, inserido numa família e na sociedade,</p><p>sendo visto em sua totalidade.</p><p>E para isso faz- se necessário o uso de instrumentos como entrevista, visita</p><p>domiciliar e relatórios que subsidiam a busca de recursos na rede sócio assistencial</p><p>quando necessário, buscando intervir na realidade dos usuários.</p><p>A presença do assistente social no âmbito educacional faz-se importante para</p><p>atender às inúmeras e complexas demandas que giram em torno dos alunos que por</p><p>sua vez influenciam no processo educativo. Além disso, trata-se de uma profissão</p><p>reconhecida e legitimada socialmente, fundamentada em teorias políticas e sociais</p><p>que norteiam a ação profissional.</p><p>46</p><p>Segundo Amaro (1997) educadores e assistentes sociais partilham desafios</p><p>parecidos, e têm a escola como ponto de encontro para enfrentá-los. Então tem-se a</p><p>necessidade de agir diante das questões sociais que refletem sob o desempenho do</p><p>aluno e por conseguinte, leva a equipe pedagógica recorrer ao serviço do assistente</p><p>Social.</p><p>Para Martins (1999, p. 60) os objetivos da prática profissional do Serviço Social no</p><p>setor educacional são:</p><p>- Contribuir para o ingresso, regresso, permanência e sucesso da criança e</p><p>adolescente na escola;</p><p>- Favorecer a relação famíla-escola-comunidade ampliando o espaço de</p><p>participação destas na escola, incluindo a mesma no processo educativo;</p><p>- Ampliar a visão social dos sujeitos envolvidos com a educação, decodificando as</p><p>questões sociais;</p><p>- Proporcionar articulação entre educação e as demais políticas sociais e</p><p>organizações do terceiro setor, estabelecendo parcerias, facilitando o acesso da</p><p>comunidade escolar aos seus direitos.</p><p>Neste aspecto, a inserção do assistente social nas escolas pode contribuir para a</p><p>viabilização dos direitos, minimizando os conflitos sociais no ambiente escolar,</p><p>intervindo junto aos alunos com ações sócio-educativas, palestras quanto aos seus</p><p>direitos sociais; podendo assim favorecer o acesso da população as políticas</p><p>sociais, no sentido de propiciar condições necessárias para a sobrevivência da</p><p>população.</p><p>47</p><p>4 METODOLOGIA</p><p>Tendo em vista o interesse em analisar a atuação do assistente social no campo</p><p>escolar, buscamos com o presente estudo responder</p><p>as questões: Quais as</p><p>principais demandas atendidas pelo assistente social na escola? Qual a</p><p>compreensão da comunidade escolar acerca da atuação do serviço social? Qual a</p><p>apreensão do Serviço social pelos alunos? Quais os principais desafios do</p><p>assistente social no ambiente escolar? E qual a contribuição do profissional de</p><p>Serviço Social para a educação e quais demandas que se apresentam no cotidiano</p><p>escolar que fogem da competência de professores e pedagogos?</p><p>Tais questões se convertem no problema de pesquisa de nossa investigação. São</p><p>questões que norteiam nosso percurso em busca de conhecimento a respeito da</p><p>atuação do assistente social no campo da educação.</p><p>Optamos pela pesquisa exploratória e bibliográfica, pela possibilidade de realização</p><p>de um estudo, devido a pouca bibliografia referente ao tema em questão. No caso</p><p>da pesquisa exploratória, esta possibilita aproximar o pesquisador do fenômeno a</p><p>ser estudado, para que este se familiarize com as características e peculiaridades do</p><p>tema a ser explorado.</p><p>Tomamos como campo para a realização da pesquisa em sua fase de coleta de</p><p>dados, o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES). Uma instituição de âmbito</p><p>Federal de Educação Tecnológica Pública, situada na Avenida Vitória, Nº. 1729</p><p>Vitória-ES.</p><p>O interesse e a escolha em realizar a pesquisa de campo no (IFES) se justifica por</p><p>se tratar de uma das poucas instituições públicas da Região Metropolitana de</p><p>Vitória, que possui assistente social.</p><p>Para coleta de dados com a comunidade escolar (04 Professores, 11 Alunos,</p><p>Diretor, 02 Pedagogas, 01 Psicóloga, 02 Técnica em assuntos educacionais e 04</p><p>Assistentes Sociais) foram utilizados os seguintes instrumentos: estudo documental</p><p>48</p><p>e entrevista estruturada com a comunidade escolar do Instituto Federal do Espírito</p><p>Santo (IFES).</p><p>Para os registros dos dados foram realizadas, gravações das entrevistas em alguns</p><p>casos e em outros as respostas foram registradas pelas próprias pesquisadoras. O</p><p>material gravado foi imediatamente destruído após sua transcrição. Para Haguett</p><p>(1987), a entrevista é:</p><p>[...] um processo de interação social entre duas pessoas na qual uma delas,</p><p>o entrevistador, tem por objetivo a obtenção de informações por parte do</p><p>outro, o entrevistado. As informações são obtidas através de um roteiro de</p><p>entrevista constando de uma lista de pontos ou tópicos previamente</p><p>estabelecidos de acordo com uma problemática central que deve ser</p><p>seguida. O processo de interação contém quatro componentes que devem</p><p>ser explicados, enfatizando-se suas desvantagens e limitações. São eles: a)</p><p>o entrevistador, b) o entrevistado; c) a situação de entrevista; d) instrumento</p><p>de captação de dados, ou roteiro de entrevista (Haguett, 1987, p. 86).</p><p>Após a coleta dos dados, procedemos a sua organização, tendo como referência o</p><p>estudo teórico, bem como os dados documentais e da realidade. O que por fim,</p><p>forneceu elementos para a elaboração do trabalho de conclusão de curso.</p><p>Utilizamos o método de Análise de Conteúdo, segundo Bardin (1979). De acordo</p><p>com esse método, organizamos o material coletado, transformado em texto, para</p><p>interpretação das mensagens contidas no mesmo que se mostrassem reveladoras</p><p>do nosso objeto de pesquisa e tornassem possível desvelá-lo.</p><p>Assim, seguindo sistematicamente os passos metodológicos descritos por Bardin, a</p><p>partir dos textos produzidos com os dados coletados, identificamos as unidades de</p><p>sentido e construímos as categorias de análise, buscando discorrer sobre as</p><p>mesmas, o que demonstramos no capítulo destinado ao tratamento e análise dos</p><p>dados coletados.</p><p>49</p><p>5. ÁNALISE DE DADOS.</p><p>Para analisar a atuação do Serviço Social na educação, bem como a sua</p><p>importância, procedemos ao tratamento dos dados coletados, tendo como</p><p>referência o método de análise de conteúdo descrito por Bardin (1979). Trata-se</p><p>este de um método de análise das mensagens contidas em textos que busca do</p><p>sentido ou dos sentidos dos mesmos. A partir desse método procedemos à leitura</p><p>analítica do material transcrito das entrevistas realizadas, o que permitiu estabelecer</p><p>as unidades de significado e, assim, identificarmos nossas categorias de análise.</p><p>Para demonstrar os dados, procedemos ao tratamento analítico destes utilizando-</p><p>nos de nossa inferência e interpretação, seguindo os seguintes passos: 1º) extrair</p><p>do texto figuras presentes no discurso dos colaboradores do estudo e que, a partir</p><p>da intuição, apareceram para nossa consciência como unidades de sentido,</p><p>constituindo-se em categorias de análise, reveladoras do fenômeno; 2º) tratar</p><p>descritiva e compreensivamente essas categorias, discorrendo sobre as mesmas</p><p>naquilo que elas expressam como sentido revelador de nosso objeto de estudo.</p><p>A análise dos dados a seguir, expressam a percepção da comunidade escolar a</p><p>cerca da atuação do Serviço Social na escola. Identificamos três categorias de</p><p>análise que denominamos de: 1) O assistente social como elemento necessário na</p><p>educação; 2) O assistente social como profissional de ajuda; 3) O assistente social</p><p>em seu processo de trabalho e a educação. A seguir passamos a discorrer sobre</p><p>cada uma destas categorias, expressando o conteúdo de cada uma delas.</p><p>O assistente social como elemento necessário na educação</p><p>Esta categoria se desvela por meio da concepção da comunidade escolar sobre a</p><p>importância das ações desenvolvidas pelo profissional de Serviço Social na escola,</p><p>que se dão a partir de: análise da condição socioeconômica dos alunos;</p><p>acompanhamento aos educandos de modo a favorecer sua permanência na escola;</p><p>50</p><p>avaliação das condições financeiras dos alunos em situação de risco social e</p><p>econômico.</p><p>Verificamos através das falas abaixo relacionadas, que a comunidade escolar</p><p>compreende que o assistente social no IFES, tem por competência analisar a</p><p>condição sócio-econômica dos educandos, e a partir disso, realizar intervenções</p><p>junto aos alunos.</p><p>“[...] os assistentes sociais trabalham com o sumário social dos alunos que</p><p>se inscrevem e são aprovados na escola, a partir desse sumário social eles</p><p>fazem um cadastramento desses alunos e elaboram programas e projetos</p><p>de inserção social, onde eles buscam assegurar a esses alunos uma</p><p>condição plena para almejarem aquilo que eles vieram buscar, inclusive</p><p>procurando ajudá-los no ponto de vista financeiro com alguns projetos que</p><p>possam estar inseridos em programas de bolsas sociais. Cujo objetivo é</p><p>assegurar a permanência do aluno até a conclusão do curso [...]” (Professor</p><p>1).</p><p>“[...] avaliam e concedem benefícios sociais e atuam apoiando e</p><p>amparando os educandos [...]” (Professor 2).</p><p>“Acompanha os alunos, para ajudar a se manter, participando das</p><p>atividades escolares [...]” (Aluno 8).</p><p>“[...] o Serviço Social é responsável em cuidar das questões sociais, além</p><p>de fazerem o acompanhamento de alunos que precisam de serviço médico</p><p>e psicólogo [...]” (Técnica em assuntos educacionais 1).</p><p>“[...] o Serviço Social tem nos ajudado muito. Tanto o Serviço Social, quanto</p><p>os pedagogos sempre conversam quando há necessidades, fazendo</p><p>parceria na intervenção, tanto para os alunos, quanto para os funcionários,</p><p>quando necessário” (Pedagoga).</p><p>O Serviço Social atua de forma a contribuir para a permanência dos alunos na</p><p>escola, sendo o responsável pela realização de acompanhamento destes no que diz</p><p>respeito a sua vida acadêmica, social e econômica.</p><p>No que se refere às demandas que fogem da competência de pedagogos e</p><p>professores, identificamos que a comunidade escolar considera de competência do</p><p>Serviço Social avaliar as condições financeiras dos alunos em situação de risco</p><p>social e econômico, bem como realizar acompanhamento das famílias e realizar</p><p>trabalhos de prevenções quanto a uso de álcool, drogas e tabaco. Além disso,</p><p>51</p><p>alguns profissionais sinalizaram que as demandas trazidas pelos alunos devem</p><p>ser</p><p>trabalhadas juntamente com o pedagógico e Psicologia.</p><p>Segundo Simionato (1997) o uso abusivo de álcool e drogas na escola não pode ser</p><p>analisado como um fenômeno isolado, ela é parte de um processo, que vai além da</p><p>escola, pois abrange uma série de fatores que envolvem o contexto social.</p><p>O assistente social como profissional de ajuda</p><p>Nesta unidade o leitor poderá imaginar que identificamos o assistente social como</p><p>aquele profissional existente no início da profissão, que realizava uma prática leiga e</p><p>assistencialista de ajuda por meio de filantropia e assistencialismo e que a</p><p>comunidade escolar também vincula a imagem do assistente social a este tipo de</p><p>profissional. Contudo, a relação de ajuda aqui identificada se expressa como uma</p><p>ajuda no sentido de colaborar para o fortalecimento do sujeito, na constituição da</p><p>cidadania e o pleno exercício dos seus direitos sociais.</p><p>O Serviço Social tem interface com a cidadania, “[...] na execução das políticas</p><p>sociais a profissão atua, orientando os direitos, acessando os programas”</p><p>(GENTILLI, 1998, p. 172).</p><p>Identificamos que os alunos vinculam o Serviço Social à ajuda financeira, ou seja,</p><p>percebemos nas falas resquícios de uma prática assistencialista, entretanto,</p><p>analisamos que esta ajuda não significa apenas o repasse de benefícios, mas,</p><p>sobretudo a viabilização de direitos e construção de cidadania.</p><p>“O assistente social verifica o perfil do aluno ou de qualquer outro integrante</p><p>daqui da escola, a fim de identificar as condições necessárias para integrar</p><p>escola e aluno [...]” (Aluna 1).</p><p>“O Serviço Social faz uma seleção dos alunos para receberem bolsas, livros</p><p>e material didático [...]” (Aluna 4).</p><p>52</p><p>“Auxilia para que os estudantes tenham um bom desenvolvimento</p><p>acadêmico, quanto à vida social dentro e fora da Instituição, pois avalia não</p><p>só o estudo na vida acadêmica, mas também sua vida pessoal [...]” (Aluno</p><p>7).</p><p>“O assistente social dá suporte para o aluno que não consegue se manter</p><p>financeiramente. [...]” (Aluno 11).</p><p>Segundo Sposati (1999), assistencialismo significa o acesso a um bem através de</p><p>uma benesse, já a assistência social como política pública se ocupa do provimento</p><p>de atenções para enfrentar as fragilidades de determinados segmentos sociais,</p><p>superar exclusões sociais e defender os direitos dos mínimos de cidadania e</p><p>dignidade.</p><p>Nessa perspectiva, podemos constatar que o Serviço Social deve intervir no</p><p>cotidiano escolar, tendo como base uma visão emancipatória em relação o processo</p><p>educativo, desenvolvendo um trabalho que promova tanto, o desenvolvimento</p><p>profissional como a construção da cidadania.</p><p>“[...] o Serviço Social, poderia desenvolver um trabalho que vai desde</p><p>identificar habilidades, competências destes estudantes não só do ponto de</p><p>vista profissional, mas também do ponto de vista de desenvolvimento pessoal</p><p>que possibilitem este estudante se direcionar ao mundo do trabalho e</p><p>cidadania [...]” (Professor 3).</p><p>Frente a isto, Libâneo, Oliveira e Toschi (2009) ressaltam que:</p><p>A formação para a cidadania critica e participativa diz respeito a cidadãos-</p><p>trabalhadores capazes de interferir criticamente na realidade para</p><p>transformá-la, e não apenas para integrar o mercado de trabalho. A escola</p><p>deve continuar investigando para que se tornem críticos e se engajem na</p><p>luta pela justiça social. Deve ainda entender que cabe aos alunos se</p><p>empenhar, como cidadãos críticos, na mudança da realidade em que vivem</p><p>e no processo de desenvolvimento nacional e que é função da escola</p><p>capacitá-los para que desempenhem esse papel (LIBÂNEO, OLIVEIRA e</p><p>TOSCHI, 2009, p. 119).</p><p>Assim, identificamos que o Serviço Social inserido na educação, deve promover uma</p><p>educação com vistas à emancipação dos sujeitos, contribuindo para a construção de</p><p>uma educação democrática, no sentido de formar cidadãos críticos para participar</p><p>do processo de transformação da realidade.</p><p>53</p><p>O assistente social em seu processo de trabalho e a educação</p><p>Esta categoria evidencia os diversos instrumentos e métodos de atuação do</p><p>assistente social no âmbito do contexto e cotidiano escolar, com suas variadas</p><p>demandas.</p><p>De acordo com as múltiplas expressões da questão social que rebatem no cotidiano</p><p>escolar, faz-se importante o desenvolvimento de um trabalho social firmado na</p><p>interdisciplinaridade, de modo a abordar a realidade escolar em sua</p><p>multidimensionalidade. Em consonância a tal afirmação Rodrigues (1998) afirma</p><p>que:</p><p>[...] a interdisciplinaridade, favorecendo o alargamento e a flexibilização no</p><p>âmbito do conhecimento, pode significar uma instigante disposição para os</p><p>horizontes do saber. (...) Penso a interdisciplinaridade, inicialmente, como</p><p>postura profissional que permite se pôr a transitar o “espaço da diferença”</p><p>com sentido de busca, de desenvolvimento da pluralidade de ângulos que</p><p>um determinado objeto investigado é capaz de proporcionar, que uma</p><p>determinada realidade é capaz de gerar, que diferentes formas de abordar o</p><p>real podem trazer (RODRIGUES, 1998. p.156).</p><p>A fala apresentada abaixo é significativa neste sentido:</p><p>“[...] se algum aluno está com problema na sala de aula há uma articulação</p><p>entre assistente social, pedagogo para resolver o problema [...]” (Técnica de</p><p>assuntos educacionais 2).</p><p>Associado à interdisciplinaridade está à articulação em rede, que vem a ser uma</p><p>forma de o profissional buscar interligar sua ação à de outros atores sociais e</p><p>instituições. Nesse aspecto, podemos verificar que na escola (campo deste estudo),</p><p>o Serviço Social tem uma ação interdisciplinar em redes, conforme podemos</p><p>confirmar no discurso da comunidade escolar:</p><p>“Realiza o acompanhamento dos alunos e família, trabalho com</p><p>prevenção e articula com outras instituições [...]” (Professor 4).</p><p>54</p><p>[...] temos casos aqui de alunos viciados, alunos dependentes químicos, e</p><p>elas tem nos ajudado muito nesta questão, através das redes, elas</p><p>conseguem o tratamento para esses alunos, claro que sigilosamente. Tem</p><p>casos de alunos que não podem continuar na escola, antes de fazer o</p><p>tratamento, aí elas nos ajudam a conseguir o tratamento e assim o aluno</p><p>não perde a vaga. (Pedagoga 2).</p><p>Os alunos trazem para a escola demandas (drogas, desinteresse, problemas de</p><p>saúde e indisciplina) que exigem intervenções do Serviço Social, pois os educadores</p><p>sozinhos, não estão conseguindo dar conta de todos os problemas vivenciados na</p><p>escola, mas para isso o assistente social deve estar respaldado no código de ética</p><p>para dar respostas às demandas trazidas pelos usuários.</p><p>Conforme a Lei Nº 8.662/93 de 07 de Junho de 1993, que regulamenta a profissão</p><p>se constitui como uma das competências do profissional de Serviço Social, segundo</p><p>o art. 4º:</p><p>V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de</p><p>identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa dos</p><p>seus direitos.</p><p>Dadas as questões postas para a intervenção, é importante que o assistente social</p><p>faça uso de instrumentos como visita domiciliar e relatórios que subsidiam a busca</p><p>de recursos na rede sócio-assistencial quando necessário. É fundamental também,</p><p>acompanhar as famílias, nesse processo, cabendo ao profissional de Serviço Social</p><p>orientar e buscar juntamente com a comunidade escolar, a mediação com as</p><p>famílias.</p><p>Nesta perspectiva, o assistente social juntamente com outros profissionais é capaz</p><p>de analisar a realidade social dos alunos em sua totalidade e dar respostas</p><p>concretas que possibilite o desenvolvimento cultural, social e econômico.</p><p>Em uma realidade social dinâmica que se modifica e se transforma rápida e</p><p>constantemente, torna-se vital a atualização profissional do assistente social em</p><p>seus conhecimentos técnico-científicos de modo a intervir com competência numa</p><p>55</p><p>práxis transformadora das desigualdades sociais. A este respeito encontramos</p><p>respaldo em Silva e Silva (1995).</p><p>O assistente social tem muito a contribuir na educação, seja na viabilização dos</p><p>direitos sociais, elaboração de projetos, realização de visitas domiciliares, para</p><p>desvelar o contexto social e econômico do aluno e de sua família.</p><p>Referente ao trabalho que o Serviço Social poderia desenvolver com os alunos na</p><p>instituição, a falas apresentadas abaixo expressam que o assistente social deve</p><p>estar mais articulado com o setor pedagógico, família dos educandos bem como, o</p><p>desenvolvimento de um trabalho mais efetivo, no que se refere à divulgação do seu</p><p>trabalho, por meio de promoção de debates e palestras.</p><p>“[...] articular a ação da pedagogia com a família [...]” (Professor 1).</p><p>“[...] trabalhar com a família, no sentido de verificar os dados e visita na</p><p>residência [...]” (Professor 2).</p><p>“[...] trabalho de aproximação com o setor pedagógico, fazendo um</p><p>programa integrado com Psicologia e Serviço Social para discutir as</p><p>temáticas [...]” (Psicóloga)</p><p>Precisaria de mais divulgação do trabalho desenvolvido pelo Serviço Social,</p><p>para os alunos saberem os seus direitos, por exemplo, temos dentistas,</p><p>bolsas, então tudo isso é abarcado pelo Serviço Social” (Técnica em</p><p>assuntos educacionais 1).</p><p>“Deveriam trabalhar mais com os alunos do PROEJA, quanto à questão,</p><p>dos direitos deles enquanto militantes que estão retornando para a escola e</p><p>que tem dificuldades intelectual e financeira. Nesse caso, os assistentes</p><p>sociais entrariam mais na área financeira desses alunos, juntamente com a</p><p>escola” (Pedagoga 1).</p><p>Ressaltamos que educadores e assistentes sociais são profissionais que</p><p>compartilham desafios semelhantes, ambos têm na escola seu ponto de encontro.</p><p>Dentre desses possíveis espaços de atuação profissional apresenta-se como ponto</p><p>fundamental no contexto da profissão a dimensão educativa, procurando direcionar</p><p>o processo de trabalho do assistente social através de ações interdisciplinares de</p><p>orientação e informação, contribuindo para a construção de novos sujeitos sociais</p><p>(SIMIONATO, 1997).</p><p>56</p><p>Desta forma, o Serviço Social precisa estar atrelado a outras áreas do</p><p>conhecimento, fazendo uma leitura crítica da realidade para dar conta das</p><p>demandas institucionais sem perder de vista a criticidade e a visão histórica dos</p><p>processos que envolvem a problemática do usuário, para que se coloque em prática</p><p>suas proposições voltadas à recuperação do sujeito em todas as instâncias de sua</p><p>vida social.</p><p>As falas destacadas abaixo, nos ajudam a apurar que a atuação do assistente social</p><p>no IFES trouxe melhorias significativas, no sentido de possibilitar a reflexão crítica</p><p>dos alunos, bem como, rendimento escolar e responsabilidades quanto aos serviços</p><p>de monitoria executado na instituição.</p><p>“Os alunos que fazem uso da monitoria tem melhorado, pelo fato do aluno</p><p>vim e estar disponível dentro do setor. Eles estão aprendendo a ter</p><p>responsabilidade a pensar no trabalho e ter essa cultura de como trabalhar”</p><p>(Professor 1).</p><p>“Este é um profissional do quadro permanente de servidores e a atuação</p><p>deles sempre favorecem a ação educativa [...]” (Professor 2).</p><p>“O rendimento do aluno melhorou [...]” (Professor 3).</p><p>“Apesar de poucos recursos humanos disponíveis no Serviço Social,</p><p>identifico boa vontade do setor em estar resolvendo esses problemas,</p><p>manter as bolsas para aqueles alunos que precisam [...]” (Pedagoga 1).</p><p>“[...] o Serviço Social desde o seu início procura sair daquele lugar comum</p><p>de ser um mero prestador de auxílio e ajuda para um grupo de pessoas</p><p>menos favorecidas, mas também levar a reflexão e ação para que os alunos</p><p>pudessem se auto reconhecer e conhecer a realidade em seu entorno, e a</p><p>partir de então, realizar o enfrentamento desta realidade com sua</p><p>competência profissional [...]” (Professor 4).</p><p>Então podemos observar que o Serviço Social trouxe melhorias nas condições de</p><p>vida dos alunos, no sentido de contribuir para a conquista dos direitos sociais e</p><p>promoção da cidadania dos indivíduos.</p><p>O Serviço Social enquanto profissão com base teórica, técnico e prático é capaz de</p><p>estabelecer estratégias de intervenções frente as mais diversas expressões da</p><p>57</p><p>questão social. Sendo assim, a inserção do assistente social na educação possibilita</p><p>aos alunos o acesso aos direitos sociais e, por conseguinte a sua permanência na</p><p>escola.</p><p>Então, se torna imprescindível, ao assistente social refletir sobre o seu agir</p><p>profissional e conjecturar novas alternativas para construir diferentes respostas para</p><p>o enfrentamento das questões sociais que emergem no cotidiano escolar.</p><p>Foi identificado pelos alunos que a atuação do Serviço Social no IFES apresentou</p><p>melhorias significativas, no que tange a fiscalização dos benefícios liberados, no</p><p>atendimento aos alunos e principalmente ajuda de custo para manter os estudos.</p><p>Tal fato reforça que o trabalho do assistente social no espaço escolar, seja o</p><p>mediador das relações de confronto e de conquista de direitos, materializando a</p><p>assistência social como política de inclusão, apontando para a construção coletiva</p><p>da cidadania, através de ações e projetos que auxiliam os educandos as famílias e</p><p>os educadores a se reconhecerem como sujeitos capazes de intervir e transformar a</p><p>realidade social (SIMIONATO,1997).</p><p>Torna-se claro que o Serviço Social se configura como profissão indispensável no</p><p>campo educacional, cabendo a tal profissional possuir uma visão diferenciada sobre</p><p>a realidade dos alunos, observando os aspectos sociais, políticos, econômicos e</p><p>culturais. Conforme Gentilli (1998) “Os assistentes sociais estão entre aquelas</p><p>categorias de pessoas que devem proteger os direitos dos usuários dos serviços das</p><p>organizações em que trabalham” (GENTILLI, 1998, p. 178).</p><p>Tal profissional é importante para acompanhar as famílias em situação de</p><p>vulnerabilidade social, mas também encaminhar e orientar quanto aos benefícios e</p><p>direitos sociais, para tanto é preciso estar atentos a situações de dificuldades na</p><p>aprendizagem, gerando desmotivação para com os estudos, e assim os riscos de</p><p>evasão escolar, pois:</p><p>[...] a questão social vem forjando a vida material, a cultura, a sociabilidade,</p><p>afetando a dignidade da população atendida, (...) é o conhecimento</p><p>58</p><p>criterioso dos processos sociais e sua vivência pelos indivíduos sociais que</p><p>poderá alimentar propostas inovadoras, capazes de propiciar o</p><p>reconhecimento e atendimento às efetivas necessidades sociais dos</p><p>segmentos subalternizados, alvos das ações institucionais (IAMAMOTO,</p><p>2002, p. 34).</p><p>Quanto ao trabalho desenvolvido pelo Serviço Social, identifica-se abaixo, que o</p><p>fazer profissional do assistente social, está voltado para o acompanhamento escolar</p><p>do aluno, bem como as condições sócio-econômicas.</p><p>“Desenvolvemos projetos de concessão de bolsas e benefícios. Fazemos o</p><p>atendimento ao aluno, entrevistas socioeconômicas, avaliamos se o aluno</p><p>tem o perfil para receber o beneficio, enfim, fazemos o acompanhamento do</p><p>aluno quanto ao seu desenvolvimento na escola. O objetivo do projeto é que</p><p>impedir a evasão escolar, ou seja, objetivamos atender as necessidades do</p><p>aluno para que este possa manter-se na escola, pois a realidade hoje é de</p><p>alunos trabalhadores, principalmente os alunos noturnos, que são alunos</p><p>que já tem filhos e famílias, ou seja, a realidade é outra, ao contrário do que</p><p>a maioria das pessoas pensam, temos sim, alunos carentes e que</p><p>necessitam de auxilio para continuar os estudos. E durante o processo, tudo</p><p>que eles falam no momento da entrevista, é comprovado através de</p><p>documentos, e quando necessário, fazemos uma visita domiciliar, afim de</p><p>conhecermos a realidade do aluno” (Assistentes sociais da Tarde).</p><p>Neste contexto, o assistente social deve acompanhar e orientar os alunos quanto</p><p>aos benefícios e direitos sociais, também deve estar atento à situação de</p><p>dificuldades na aprendizagem, desmotivação nos</p><p>estudos, a fim de evitar os riscos</p><p>de evasão escolar.</p><p>Discorrendo sobre as demandas originárias do âmbito educacional, Almeida (2000)</p><p>e Martins (1999), expressam que são muitas questões sociais que demandam a</p><p>intervenção do Serviço Social, sendo importante a realização de um trabalho com as</p><p>famílias e com os próprios educandos, além de manter a articulação com as políticas</p><p>sociais no sentido, de viabilização dos direitos sociais.</p><p>Quanto ao trabalho que os assistentes sociais poderiam desenvolver com os alunos,</p><p>verifica-se que os profissionais consideram que deveriam acompanhar mais os</p><p>alunos do Proeja, pois, o acompanhamento feito não é suficiente, devido à grande</p><p>59</p><p>quantidade de alunos presentes na Instituição, outro trabalho que poderia ser</p><p>desenvolvido seria o fornecimento de alimentos para os alunos.</p><p>“Nós temos um projeto chamado PROEJA, que atende os alunos acima de</p><p>18 anos, estes alunos cursam o ensino médio com o curso técnico e</p><p>recebem uma bolsa de R$ 150.00, mensal. O acompanhamento com esses</p><p>alunos é realizado através da freqüência, porém o acompanhamento que o</p><p>Serviço Social faz não é o suficiente, porque não temos pernas para isso.</p><p>Não depende só da gente a realização de acompanhamento maior no</p><p>PROEJA, não depende de nós. O IFES tem um número muito grande de</p><p>alunos, são 6 mil alunos no mínimo. Nosso interesse realmente é que</p><p>tivesse um pedagogo no Serviço Social, que atendesse o PROEJA junto</p><p>com o Serviço Social [...]” (Assistentes Sociais da Manhã).</p><p>“Existe uma proposta do Governo de um programa voltado para a</p><p>alimentação dos alunos, porque o recurso que fornecemos hoje é para</p><p>atender todas as demandas em geral que existem, e agora há possibilidade</p><p>da implantação desse programa. Mas ainda é cedo, o projeto tem que</p><p>amadurecer ainda, mas será muito bom” (Assistentes sociais da Tarde).</p><p>Quanto às melhorias que a instituição obteve com a atuação do Serviço Social,</p><p>podemos identificar nas falas que desde a sua implantação até a atualidade houve</p><p>significativo aumento nos recursos financeiros e melhoria na estrutura de</p><p>atendimento do Serviço Social.</p><p>“[...] quando nós entramos aqui a bolsa de estudos era de R$ 60.00</p><p>(sessenta reais) e hoje o orçamento do Serviço Social [...] [...] é um dos</p><p>maiores que existe [...]” (Assistentes Sociais da Manhã).</p><p>“Achamos que sim, pois temos alunos que necessitam desses recursos. E</p><p>como era isso antes? Antes não tinha esse atendimento que temos hoje.</p><p>Então, se hoje existe um atendimento é por conta de uma percepção de</p><p>uma necessidade aparente, quer dizer que antes não era suprida, mas que</p><p>ela sempre existiu” (Assistentes Sociais da Tarde).</p><p>Faz-se importante que o assistente social tenha uma atitude investigativa sob a</p><p>realidade dos usuários, para propor alternativas de intervenções compatíveis as</p><p>necessidades dos educandos, sendo assim, é primordial a socialização de</p><p>informações com os diversos saberes para ampliação dos direitos sociais.</p><p>Segundo Iamamoto (2003) a atuação do assistente social, “[...] se dirigirá no sentido</p><p>de uma ação esclarecedora a população quanto aos direitos e serviços propiciados</p><p>60</p><p>pelas instituições e dos mecanismos necessários a sua realização.” (IAMAMOTO,</p><p>2003, p. 101).</p><p>Desta forma, o trabalho em rede possibilita aos assistentes sociais desenvolver</p><p>ações que ultrapassem o cotidiano escolar, garantindo integralidade da ação</p><p>profissional e assim, atingindo a promoção social dos indivíduos.</p><p>No que tange aos principais desafios encontrados pelas assistentes sociais,</p><p>podemos apurar de acordo com as falas abaixo que o Serviço Social tem uma ampla</p><p>autonomia para realizar as intervenções junto à escola.</p><p>“Olha se eu disser que nós não temos, eu estou mentindo, temos toda</p><p>autonomia, nunca tivemos problema, temos total liberdade [...]” (Assistente</p><p>Social da Manhã).</p><p>“Trabalhamos com muita autonomia, até porque a instituição é muito</p><p>grande, e muito ramificada, tem diversos setores, inúmeros alunos e mais</p><p>de mil funcionários, cada um cuida do seu espaço, não temos tempo de</p><p>invadir o espaço do outro, temos também muita cautela quanto a isso, tudo</p><p>é documentado. Temos recursos para usar, claro que temos que prestar</p><p>conta, mas temos sim à autonomia para fazer as intervenções” (Assistentes</p><p>sociais da Tarde).</p><p>Iamamoto (2003) ressalta que o assistente social dispõe de uma autonomia relativa</p><p>no seu exercício profissional, ou seja, a partir da sua prática institucional, tem</p><p>possibilidade de redefinir a direção da sua ação, construir novas alternativas de</p><p>intervenção, e, por conseguinte, ampliar a sua autonomia.</p><p>Frente a isto o Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais no art. 2º,</p><p>expressa que, constitui como direito do assistente social:</p><p>h) ampla autonomia no exercício da profissão, não sendo obrigado a prestar</p><p>serviços profissionais incompatíveis com as sua atribuições, cargos ou funções</p><p>(CFESS, 2009).</p><p>Assim sendo faz-se importante que o assistente social tenha uma atitude</p><p>investigativa sobre a realidade dos usuários, para propor alternativas de</p><p>61</p><p>intervenções compatíveis as necessidades dos educandos, sendo primordial a</p><p>socialização de informações com os diversos saberes para ampliação dos direitos</p><p>sociais.</p><p>“Assim, o Serviço Social é socialmente necessário porque ele atua sobre questões</p><p>que dizem respeito à sobrevivência social e material dos setores majoritários da</p><p>população trabalhadora” (IAMAMOTO, 1999, p. 67).</p><p>Para Novais (2001, p. 13), o profissional do Serviço Social deverá desenvolver as</p><p>seguintes atividades no cotidiano escolar:</p><p>• Pesquisa de natureza sócio-econômica e familiar para a caracterização da</p><p>população escolar;</p><p>• Elaboração e execução de programas de orientação sócio-familiar, visando</p><p>prevenir a evasão escolar e melhor o desempenho e rendimento do aluno e sua</p><p>formação para o exercício da cidadania;</p><p>• Participação, em equipe multidisciplinar, da elaboração de programas que visem</p><p>prevenir a violência; o uso de drogas e o alcoolismo, bem como visem prestar</p><p>esclarecimento e informações sobre doenças infecto-contagiosas e demais questões</p><p>de saúde pública;</p><p>• Articulação com instituições públicas, privadas, assistenciais e organizações</p><p>comunitárias locais, com vistas ao encaminhamento de pais e alunos para</p><p>atendimento de suas necessidades;</p><p>• Somente com o objetivo de ampliar o conhecimento acerca da realidade sócio-</p><p>familiar do aluno, de forma a possibilitar assisti-lo e encaminhá-lo adequadamente;</p><p>• Elaboração e desenvolvimento de programas específicos nas escolas onde</p><p>existem classes especiais;</p><p>62</p><p>• Empreender e executar as demais atividades pertinentes ao Serviço Social,</p><p>previstas pelos artigos 4º e 5º da lei 8662/93.</p><p>Em síntese o Serviço Social na educação, não visa substituir qualquer outro saber</p><p>da comunidade escolar, pois suas ações se caracterizam em apoiar a escola, no</p><p>enfrentamento de questões sociais que se presentificam no ambiente escolar.</p><p>Finalizando, importa ressaltar que</p><p>A política educacional é, assim, expressão da própria questão social na</p><p>medida em que representa o resultado das lutas sociais travadas pelo</p><p>reconhecimento da educação pública como direito social. E aqui deve ser</p><p>ressaltada uma das principais características da realidade brasileira: o fato</p><p>de a educação não ter se constituído até o momento em um direito social</p><p>efetivo e universalmente garantido [...] (ALMEIDA, 2000, p. 6).</p><p>Assim, o assistente social na educação poderá ser aquele profissional que alia sua</p><p>prática à de outros no intuito de favorecer a constituição de uma política educacional</p><p>pública de qualidade enquanto direito social inalienável da população.</p><p>63</p><p>6. CONCLUSÃO</p><p>A escola como uma das principais instituições sociais, tem sido desafiada</p><p>cotidianamente em articular o conhecimento que é trabalhado no</p><p>contexto escolar</p><p>com a realidade social do aluno, ou seja, seus problemas e necessidades sociais.</p><p>Dessa forma, verificamos que a escola é um espaço dinâmico, onde se perpassa e</p><p>se apreende conhecimento, valores sociais, políticos, culturais e econômicos e, mais</p><p>que isso, a escola, deve ser capaz de preparar os indivíduos para a vida em</p><p>sociedade.</p><p>Frente a isto, podemos considerar que a escola é um espaço potencial, de estratégia</p><p>de atuação para o Serviço Social, para a consolidação do direito social. Neste</p><p>sentido, o Serviço Social como uma profissão legitimada na divisão social e técnica</p><p>do trabalho, poderá de forma efetiva promover estratégias de intervenções,</p><p>possibilitando o acesso e permanência dos alunos na escola.</p><p>Este estudo analisou a atuação do assistente social na educação, bem como a sua</p><p>importância, considerando o projeto ético político do Serviço Social e a Política de</p><p>Educação, no contexto político, social e econômico atual, a fim de contribuir para o</p><p>acesso aos direitos assegurados na Constituição Federal de 1988 e nas legislações</p><p>complementares (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e o Estatuto da</p><p>Criança e do Adolescente).</p><p>Diante disso, o estudo possibilitou identificar a compreensão da comunidade escolar</p><p>(IFES), em relação ao trabalho desenvolvido pelo Serviço Social, verificando-se a</p><p>necessidade da intervenção teórico-prático do assistente social na escola.</p><p>Nesta pespectiva, percebemos que a competência do assistente social no ambiente</p><p>escolar será melhor e mais explorada, a partir do momento em que este, construir</p><p>alternativas de intervenção, seja na orientação, informação, divulgação do seu</p><p>trabalho, ou tendo uma maior interatividade e articulação com a comunidade</p><p>escolar.</p><p>64</p><p>Segundo Martinelli (1998), o Serviço Social é uma profissão que trabalha no sentido</p><p>educativo de proporcionar novas discussões, assim, o assistente social pode intervir</p><p>no cotidiano escolar, desenvolvendo um trabalho de articulação e operacionalização,</p><p>em busca de novas estratégias, que envolve a integralidade e coletividade humana.</p><p>Em relação às demandas que emergem no interior da escola, identificamos que as</p><p>principais questões, são: familiares, financeiros e drogadição.</p><p>Dessa forma, percebemos que a inserção do assistente social na escola, reflete</p><p>diretamente no rendimento do aluno, assim, vemos que é necessário a requisição do</p><p>assistente social neste âmbito, pois tal profissional tem embasamento teórico-</p><p>metológico para atuar e intervir na realidade social dos educandos, realizando</p><p>encaminhamentos, visitas domiciliares, de forma a contribuir para a permanência</p><p>destes na escola.</p><p>Constata-se ainda que a participação do Serviço Social no ambiente escolar é um</p><p>componente para que a educação seja construída de forma ampliada e democrática,</p><p>que não vise apenas uma educação de cunho mercantilista, mas que promova a</p><p>participação dos alunos, das famílias e da comunidade no processo educativo.</p><p>Com a inserção do assistente social na escola, podemos considerar que tal</p><p>profissional fortalece o trabalho desenvolvido pela equipe pedagógica, de forma a</p><p>auxiliar professores e pedagogos, para além da tarefa de ensinar, intervindo na</p><p>realidade social dos alunos, de forma a promover uma educação com vistas a</p><p>emancipação e cidadania, formando assim, cidadãos críticos, conscientes e</p><p>participantes na constução da sociedade.</p><p>Em síntese com o estudo verificamos que o Serviço Social poderá contribuir de</p><p>forma efetiva no ambiente escolar, trabalhando a realidade do aluno, num contexto</p><p>amplo, numa perspectiva de totalidade, promovendo a consolidação dos direitos</p><p>sociais.</p><p>65</p><p>7 REFERÊNCIAS</p><p>ALMEIDA, Ney Luiz Teixeira de, A educação como direito social e a inserção dos</p><p>assistentes sociais em estabelecimentos educacionais. Disponível em</p><p>http://docentes.ismt.pt/~eduardo/supervisao_estagio/documents/13_ServicoSocialn:</p><p>Educacao.pdf , acesso em: dia 25 maio, 2010.</p><p>_____. Educação: Capacitação em Serviço Social e Política Social. Módulo 3</p><p>Brasília: UNB, Centro de Educação Aberta, Continuada a Distância, 2000b. p.151-</p><p>163.</p><p>_____. O Serviço Social na educação. Revista Inscrita. N. 6. Brasília CEFESS,</p><p>2000 a. p.19-24.</p><p>ALVES, Nilda e OLIVEIRA, Inês Barbosa. Imagem Pesquisa e Educação: Currículo</p><p>e cotidiano escolar. Campinas, 2004. Educação & Sociedade. Campinas, 2004.</p><p>AMARO, Sarita Teresinha Alves. Serviço Social na escola: o encontro da realidade</p><p>com a educação. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1997.</p><p>ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia. São</p><p>Paulo: Moderna, 2006.</p><p>BARRONE, Paulo M.V. Educação Superior no Brasil: O que é essencial. São</p><p>Paulo: Editora Cortez, 2000.</p><p>BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1979.</p><p>BIBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida, São Paulo:</p><p>Co-Edição Sociedade Bíblica do Brasil, 1995</p><p>BRASIL. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. São Paulo:</p><p>Editora Saraiva, 2005.</p><p>CRESS – Assistente Social: Etica e Direitos. Coletânea de Leis e Resoluções.</p><p>Volume I. 5. Ed. Revista e atualizada ate junho/2008.</p><p>CFESS. Serviço Social na Educação. Grupo de estudos sobre o Serviço Social na</p><p>Educação. Brasília: DF, 2001.</p><p>CUNHA, E. de P.; CUNHA, E. S. M.. Políticas públicas e sociais. In: CARVALHO,</p><p>A.; SALES, F. (Orgs.) Políticas públicas. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002.</p><p>EUZÉBIOS Antonio. e GUZZO, Raquel Souza Lobo. Desigualdade social e</p><p>sistema educacional brasileiro: a urgência da educação emancipadora. Fundação</p><p>Helena Antipoff. Instituto Anísio Teixeira, 2005.</p><p>FREIRE, Paulo. Educação como Pratica da Liberdade. 25. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Editora Paz e Terra, 2001.</p><p>http://docentes.ismt.pt/~eduardo/supervisao_estagio/documents/13_ServicoSocialn:%20Educacao.pdf</p><p>http://docentes.ismt.pt/~eduardo/supervisao_estagio/documents/13_ServicoSocialn:%20Educacao.pdf</p><p>66</p><p>FREIRE, Paulo. A alfabetização de adultos: é ela um que fazer neutro?</p><p>Educação e Sociedade, ano I, nº 1, Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1973.</p><p>GENTILLI, Raquel de Matos Lopes. Representações e práticas: identidade e</p><p>processo de trabalho no serviço social. São Paulo: Veras, 1998.</p><p>GHIRALDELLI Junior Paulo. Filosofia e história da educação brasileira. São</p><p>Paulo: Manole, 2003.</p><p>HAGUETE, F. Maria. Metodologias na Sociologia. Metrópoles: Editora Vozes, 1997,</p><p>p. 86.</p><p>HENRIQUES, Ricardo et al. Educação escolar indígena: diversidade sociocultural</p><p>indígena resignificando a escola. Ministério da Educação, Secretaria de Educação</p><p>Continuada, Alfabetização e Diversidade. Brasília, 2007.</p><p>HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26. ed. São Paulo: Schwarcz,</p><p>2001.</p><p>IAMAMOTO, Marilda Villela. Renovação e Conservadorismo no Serviço Social:</p><p>Ensaios críticos. 2. ed. São Paulo: Cortez editora, 1994.</p><p>_____. Renovação e Conservadorismo no Serviço Social: Ensaios Críticos. 5 ed.</p><p>São Paulo: Cortez, 2000.</p><p>_____. Serviço Social em Tempo de Capital fetiche: capital financeiro, trabalho e</p><p>questão social. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2008.</p><p>_____. O Serviço Social na Contemporaneidade:Trabalho e formação</p><p>profissional. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2003.</p><p>_____. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional.</p><p>2 ed. São Paulo. Cortez, 1999.</p><p>LIBÂNEO, J. C. Pedagogia e pedagogos, para quê? São Paulo: Cortez, 1998.</p><p>LIBÂNEO, José Carlos e SANTOS, Akiko (Orgs.) Educação na era do</p><p>conhecimento em rede e transdisciplinaridade. Campinas: Editora Alínea, 2005.</p><p>LIBÂNEO, José Carlos, OLIVEIRA, José Ferreira e TOSCHI, João Seabra.</p><p>Educação Escolar: políticas, estruturas e organização. 7. Ed. São Paulo: Cortez,</p><p>2009. Desigualdade social e sistema educacional brasileiro: a urgência da</p><p>educação emancipadora.</p><p>67</p><p>LINHARES, Célia. Experiências Insituintes na Educação Publica? Alguns</p><p>porquês desta busca. Revista de Educação Pública: Cuiabá, 2007</p><p>MARTINELLI, Maria Lúcia. Serviço Social: identidade e alienação. São Paulo:</p><p>Cortez, 1997.</p><p>MARTINS, Eliana Bolorino Canteiro. Educação e Serviço Social: Elo para a</p><p>Construção da Cidadania. Apresentação da Tese. Campinas: PUC/SP, 2007.</p><p>MARTINS, Eliana Bolorino Canteiro. O Serviço Social na área da Educação. IN:</p><p>Revista Serviço Social & Realidade. V 8 N.º 1.UNESP, Franca: São Paulo, 1999.</p><p>MELLO, G.N. Formação inicial de professores para a educação básica: uma</p><p>revisão radical. 1999.</p><p>MENEZES, J. M. F. de; FILHO, J. A. dos S. Após-abolição na Bahia: memória à</p><p>construção da vida. In: NASCIMENTO, Antonio Dias. HRTKOWSKI, Tânia (Orgs.).</p><p>Memória e formação de professores. Salvador: EDUFBA, 2007. 19/06 ás 23:11</p><p>MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 8ª ed. São</p><p>Paulo: Cortez, 2003.</p><p>NETTO, Jose Paulo. Capitalismo Monopolista e Serviço Social. São Paulo:</p><p>Cortez, 1999.</p><p>_____. Ditadura e Serviço Social: uma análise do serviço social no Brasil pós - 64.</p><p>6. ed. São Paulo: Cortez, 2002.</p><p>NOVAIS, L. C.C. et al. Serviço Social na educação: uma inserção possível e</p><p>necessária. Brasília, set. 2001. p. 6-32.</p><p>OLIVEIRA, Inês Barbosa. DOSSIÊ: Cotidiano Escolar. São Paulo, 2007. Educação</p><p>& Sociedade versão impressa ISSN 0101-7330. Educ.</p><p>Soc. v.28 n.98 Campinas jan./abr. 2007.</p><p>PONTES, Reinaldo Pontes Nobre. Mediação e serviço Social: um estudo</p><p>preliminar sobre a categoria teórica e sua apropriação pelo Serviço Social. São</p><p>Paulo: Cortes, 1997.</p><p>RIBEIRO, Maria Luisa Santos. História da Educação Brasileira: a organização</p><p>escolar. São Paulo: Autores Associados, 1998.</p><p>RODRIGUES, Maria Lúcia. O Serviço Social e a perspectiva interdisciplinar. in</p><p>Martinelli, M. L. e outros (org). O Uno e o múltiplo nas relações entre as áreas do</p><p>saber. São Paulo: Cortez/ Educ, 1998.</p><p>ROMANELI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil. Petrópolis: Editora</p><p>Vozes, 1999.</p><p>68</p><p>SILVA, A. C. A desconstrução da discriminação no livro didático. In: MUNANGA,</p><p>K. (org) Superando o racismo na escola 2 ed. Brasília: SECAD, 2005, acesso em</p><p>junho de 2010.</p><p>SILVA e SILVA. O Serviço social e o popular: resgate teórico-metodológico do</p><p>projeto profissional de ruptura. São Paulo: Cortez, 1995.</p><p>SILVA, Maria Ozanira da Silva e Silva:Yasbek, Maria Carmelita: Giovanni, Geraldo</p><p>di. A Politica Social Brasileira no Seculo XXI: A prevalência dos programas de</p><p>transferência de renda. São Paulo: Editora Cortez, 2004.</p><p>SIMIONATTO, Ivete. “Globalitarismo e sociedade civil: a manipulação dos</p><p>conceitos”. Florianópolis, digit , 1997.</p><p>_____. O social e o político no pensamento de Gramsci, Mimiografado , 2004.</p><p>SPOSATI, Aldaíza. Mínimos sociais e seguridade: uma revolução da consciência da</p><p>cidadania. Revista Serviço Social e Sociedade, São Paulo, Ano XVIII, n.º 55, p. 9-</p><p>38, novembro de 1999;</p><p>YAMAMOTO, O. H. Questão social e políticas públicas: revendo o compromisso</p><p>da Psicologia. In Bock, A. M. B. (org.), Psicologia e compromisso social. P.37- 54.</p><p>São Paulo: Cortez, 2003.</p><p>YASBEK, Maria Carmelita. Classes subalternas e assistência social. São Paulo:</p><p>Cortez, 2003.</p><p>VEIGA, Cynthia Greive. Historia da Educação. São Paulo: Editora Ática, 2007.</p><p>______. Serviço Social na Educação uma inserção possível e necessária. Conselho</p><p>Federal de Serviço Social. Brasilia/DF. 2001.</p><p>69</p><p>APÊNDICES</p><p>70</p><p>FACULDADE CATÓLICA SALESIANA DO ESPIRITO SANTO</p><p>CURSO DE SERVIÇO SOCIAL</p><p>APRESENTAÇÃO DA PESQUISA E SOLICITAÇÃO DE AUTORIZAÇÃO PARA SUA</p><p>REALIZAÇÃO</p><p>As alunas Cristina Borchardt Rodrigues, Natiele Telau Correa e Silvana Rosa Dias</p><p>do Curso de Serviço Social da Faculdade Salesiana de Vitória, buscam desenvolver</p><p>a pesquisa intitulada “A inserção do Assistente Social na Educação”, para a</p><p>realização do Trabalho de Conclusão do Curso de graduação em Serviço Social. A</p><p>pesquisa está vinculada à formação acadêmica das alunas e é orientada pela Profª</p><p>Drª Silvia Moreira Trugilho, tendo por objetivo analisar a atuação do assistente social</p><p>no âmbito escolar, considerando o projeto ético do Serviço social e a política de</p><p>educação no contexto político, social e econômico atual.</p><p>O interesse e escolha em utilizar no estudo o Instituto Federal do Espírito Santo</p><p>(IFES) se justifica no fato de considerarmos o IFES uma importante instituição de</p><p>ensino, e por se tratar de uma das poucas instituições educacionais existente na</p><p>Região Metropolitana de Vitória, que possui assistente social.</p><p>A pesquisa tem caráter descritivo com observação e registro dos dados para</p><p>entender as diversas situações e relações que ocorrem no âmbito escolar e também</p><p>realização de pesquisa exploratória para analisar a atuação do assistente social no</p><p>âmbito escolar.</p><p>71</p><p>As informações obtidas na pesquisa serão confidenciais, assegurando o sigilo sobre</p><p>a participação e privacidade dos colaboradores da pesquisa (Diretor, assistente</p><p>social, professores, pedagogos, vigilantes, entre outros funcionários da instituição).</p><p>Os dados obtidos serão apresentados de forma que não possibilitem a identificação</p><p>dos colaboradores, preservando o anonimato dos mesmos. Não existem eventuais</p><p>riscos ou benefícios diretos à sua pessoa relacionados à sua participação nesta</p><p>pesquisa.</p><p>Autorizando a realização da pesquisa em seu espaço institucional, o Instituto</p><p>Federal do Espírito Santo (IFES) atuará de forma de contribuir para a produção de</p><p>conhecimentos a respeito da compreensão da comunidade escolar sobre a atuação</p><p>do assistente social na escola, as principais demanda que emergem neste espaço</p><p>para a ação do profissional de serviço e as contribuições deste profissional para</p><p>intervenção nas demandas sociais que surgem no cotidiano escolar.</p><p>Diante da importância da produção de conhecimentos no Serviço Social e a</p><p>aplicabilidade destes na sociedade, de modo a contribuirmos para a melhoria da</p><p>mesma, gostaríamos de contar com a colaboração desta instituição social e sua</p><p>concordância com a realização da pesquisa em seu espaço institucional. Colocamo-</p><p>nos à disposição para maiores esclarecimentos sobre a pesquisa.</p><p>Atenciosamente,</p><p>Profª Drª Silvia Moreira Trugilho</p><p>Professora Orientadora</p><p>72</p><p>FACULDADE CATÓLICA SALESIANA DO ESPIRITO SANTO</p><p>CURSO DE SERVIÇO SOCIAL</p><p>TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO</p><p>Você está sendo convidado para participar como voluntário de uma pesquisa sobre</p><p>A Inserção do Assistente Social na Educação. Sua participação constitui-se numa</p><p>valiosa colaboração, mas não é obrigatória. A qualquer momento você pode desistir</p><p>de participar e retirar o seu consentimento. Sua recusa não trará nenhum prejuízo</p><p>em sua relação com o pesquisador ou com a instituição e não acarretará custos para</p><p>você.</p><p>INFORMAÇÕES SOBRE A PESQUISA</p><p>Título do Projeto: A Inserção do Assistente Social na Educação</p><p>Pesquisador responsável: Cristina Borchardt Rodrigues, Natiele Telau Correa e Silvana</p><p>Rosa Dias</p><p>Professora Orientadora: Silvia Moreira Trugilho</p><p>A pesquisa a ser realizada faz parte da formação em Serviço Social e tem como objetivo</p><p>analisar a atuação do assistente social no âmbito escolar, considerando o Projeto Ético</p><p>Político do Serviço social e a Política de Educação no contexto político, social e econômico</p><p>atual. Busca-se ainda verificar a compreensão da comunidade escolar acerca do assistente</p><p>social na escola, identificar os principais desafios do assistente social no ambiente escolar e</p><p>identificar as principais demandas feitas e atendidas pelo assistente social na escola.</p><p>Espera-se que o estudo contribua para a produção de conhecimentos a respeito da</p><p>compreensão da comunidade escolar sobre a atuação do assistente social na escola, as</p><p>principais demandas que emergem neste espaço, para a ação do profissional de Serviço</p><p>Social</p><p>e as contribuições deste profissional para intervenção nas demandas sociais que</p><p>surgem no cotidiano escolar.</p><p>73</p><p>Sua participação nesta pesquisa consistirá em fornecer depoimentos através de entrevista,</p><p>sobre “Como você vê a atuação do serviço social nesta instituição”. Os depoimentos</p><p>poderão ser gravados ou registrados conforme você preferir. O material gravado será</p><p>destruído logo após sua transcrição, evitando acesso de outras pessoas ao mesmo. Não</p><p>existem eventuais riscos ou benefícios diretos à sua pessoa relacionados à sua participação</p><p>nesta pesquisa.</p><p>As informações obtidas serão confidenciais, assegurando o sigilo sobre sua</p><p>participação e privacidade. Os dados obtidos serão divulgados de forma que não</p><p>possibilite sua identificação. A pesquisa será convertida em um Trabalho de</p><p>Conclusão de Curso, onde não constará o nome dos sujeitos colaboradores da</p><p>pesquisa, preservando seu anonimato e poderá ser posteriormente publicada em</p><p>forma de artigo científico, bem como apresentada em congressos e similares.</p><p>Você receberá uma cópia deste termo onde constam os telefones das</p><p>pesquisadoras principais, podendo tirar suas dúvidas sobre o projeto de pesquisa e</p><p>sua participação em qualquer momento de realização da pesquisa.</p><p>_______________________ ______________________ ______________________</p><p>Cristina Borchardt Rodrigues Natiele Telau Correa Silvana Rosa Dias</p><p>Eu, ____________________________________________________ declaro que recebi e</p><p>compreendi por completo as informações por escrito que constam neste documento e as</p><p>explicações que me foram fornecidas. Fui informado (a) que sou livre para escolher</p><p>concordar em participar ou me recusar. Declaro está ciente e esclarecido da pesquisa, seus</p><p>objetivos, metodologia, riscos/benefícios, garantia de sigilo e liberdade para desistir de</p><p>participar e colaborar com a pesquisa em qualquer etapa da mesma sem danos para a</p><p>minha pessoa. Nestes termos, concordo em participar deste estudo.</p><p>____________________________________</p><p>Assinatura do participante</p><p>74</p><p>Formulário de Entrevista</p><p>Local da pesquisa:________________________________________________</p><p>Nome:__________________________________________________________</p><p>Profissão:_______________________________________________________</p><p>Sexo: F ( ) M ( )</p><p>Data: _____/______/_______</p><p>1- Você sabe o que faz um assistente social?</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>2- Que tipo de demandas existem nesta escola que fogem da competência de</p><p>professores e dos pedagogos?</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>3- Que trabalho o assistente social poderia desenvolver com os alunos?</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>4- Houve melhoria com a atuação do assistente social nesta instituição? Qual?</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________</p><p>5- Você considera necessário a atuação do assistente social na educação? Por</p><p>quê?</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>75</p><p>Formulário de Entrevista</p><p>Local da pesquisa:________________________________________________</p><p>Nome:__________________________________________________________</p><p>Profissão:_______________________________________________________</p><p>Sexo: F ( ) M ( )</p><p>Data: _____/______/_______</p><p>1- Qual o trabalho desenvolvido pelo assistente social nesta Instituição de</p><p>ensino?</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>3- Quais as principais demandas trazidas pelos alunos?</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>4- Que trabalho o assistente social poderia desenvolver com os alunos?</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>5- Houve melhoria com a atuação do assistente social nesta instituição? Quais?</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>6- Quais são os principais encaminhamentos realizados pelo Serviço Social?</p><p>76</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>7- O serviço social trabalha em rede com outras instituições?</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>8- Quais são os principais desafios encontrados, que dificulta o seu trabalho? O</p><p>Serviço Social tem autonomia para desenvolver as ações?</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>9- Como é a sua relação, com os outros profissionais que fazem parte da</p><p>comunidade escolar?</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>___________________________________________________________________</p><p>77</p><p>ANEXOS</p><p>78</p><p>Bolsa PROEJA</p><p>Apresentação:</p><p>O programa Institucional de Assistência ao Estudante dos cursos PROEJA é um</p><p>programa no âmbito do IFES destinado a reduzir o índice de evasão escolar de</p><p>estudantes residentes nas áreas geográficas de atuação da instituição. O Governo</p><p>Federal repassa nominalmente para cada aluno matriculado em um dos cursos na</p><p>modalidade PROEJA o valor de R$100,00 e o IFES completa com</p><p>R$50,00 para</p><p>cada um, totalizando uma bolsa de R$150,00.</p><p>Objetivos</p><p>1. Prestar assistência aos alunos do PROEJA possibilitando a continuidade de</p><p>seus estudos na instituição, que tem por objetivo sua inserção no mercado de</p><p>trabalho;</p><p>2. Proporcionar condições para que os alunos com dificuldade de aprendizado</p><p>participem das monitorias que são oferecidas em horários alternados de</p><p>estudos.</p><p>Divulgação</p><p>A divulgação ocorre durante todo o ano através de cartazes informes e por contato</p><p>direto com o setor de Serviço Social do campus, além disso, também existe o</p><p>Projeto Bom Vindas executado pelo Núcleo de Gestão Pedagógica no inicio de cada</p><p>semestre que socializa em todas as turmas ingressantes os projetos e benefícios</p><p>oferecidos pelo setor.</p><p>Critérios de seleção</p><p>1. Estar regulamente matriculado em um dos cursos do IFES;</p><p>2. Ter ficha de entrevista socioeconômica no Serviço Social do campus ofertante</p><p>do curso;</p><p>3. Encaminhar ao Serviço Social solicitação de interrupção da bolsa com</p><p>justificativa, no caso de desistência, sob pena de ser impossibilitado de</p><p>participar de outros programas desenvolvidos no IFES;</p><p>79</p><p>4. Participar das atividades de acompanhamento do programa, apresentar</p><p>frequência e aproveitamento mínimos previstos no ROD em todos os quesitos</p><p>acadêmicos;</p><p>5. Não cometer irregularidade ou infração disciplinar prevista no Código de Ética</p><p>e Disciplina do Corpo Discente do IFES apurada em sindicância para essa</p><p>finalidade, com garantia de contraditório e ampla defesa;</p><p>6. Assinar o termo de concessão de bolsa onde estarão explicitados os critérios</p><p>adotados.</p><p>Vale ressaltar que para este Programa, especificamente, o critério de seleção</p><p>numero quatro é flexível, pois os bolsistas que não cumprirem o pré-requisito em</p><p>questão poderão manter o beneficio após analise realizada pela equipe de</p><p>acompanhamento do Projeto – Serviço Social, Gestão Pedagógica,</p><p>Coordenadoria de Curso.</p><p>Número de alunos atendidos</p><p>No mês de abril de 2010 foram concedidas 319 bolsas.</p><p>Bolsa de Estudos Comum</p><p>Apresentação</p><p>A Bolsa de Estudos Comum é um beneficio que visa atender às demandas dos</p><p>alunos desfavorecidos financeiramente e/ou que se encontrem em situação de risco</p><p>social, oferecendo-lhes a oportunidade de complementar o processo ensino-</p><p>aprendizagem, além de contribuir com o desenvolvimento das atividades da</p><p>Instituição auxiliando os serviços prestados em um dos setores do IFES como</p><p>bolsista. O horário da bolsa é inverso ao da aula e o aluno pode cumprir quinze</p><p>horas semanais de acordo com o setor onde for lotado.</p><p>Objetivos</p><p>1. Possibilitar o aluno a continuidade do processo ensino-aprendizagem;</p><p>80</p><p>2. Contribuir para o desenvolvimento do senso de responsabilidade e iniciativa</p><p>dos alunos atendidos pelo programa;</p><p>3. Proporcionar a complementação do recurso financeiro dos alunos oriundos de</p><p>famílias de baixo poder aquisitivo;</p><p>4. Contribuir com o IFES para o desenvolvimento satisfatório das suas</p><p>necessidades.</p><p>Divulgação</p><p>A divulgação ocorre durante todo o ano através de cartazes informes e por contato</p><p>direto com o setor de Serviço Social do campus, além disso, também existe o</p><p>Projeto Boas Vindas executado pelo Núcleo de Gestão Pedagógica no inicio de cada</p><p>semestre que socializa em todas as turmas ingressantes os projetos e benefícios</p><p>oferecidos pelo setor.</p><p>Critérios de Seleção</p><p>1. Estar regulamente matriculado em um dos cursos do IFES;</p><p>2. Ter ficha de entrevista socioeconômica no Serviço Social do campus ofertante</p><p>do curso;</p><p>3. Encaminhar ao Serviço Social solicitação de interrupção da bolsa com</p><p>justificativa, no caso de desistência, sob pena de ser impossibilitado de</p><p>participar de outros programas desenvolvidos no IFES;</p><p>4. Participar das atividades de acompanhamento do programa, apresentar</p><p>frequência e aproveitamento mínimos previstos no ROD em todos os quesitos</p><p>acadêmicos;</p><p>5. Não cometer irregularidade ou infração disciplinar prevista no Código de Ética</p><p>e Disciplina do Corpo Discente do IFES apurada em sindicância para essa</p><p>finalidade, com garantia de contraditório e ampla defesa;</p><p>6. Assinar o termo de concessão de bolsa onde estarão explicitados os critérios</p><p>adotados.</p><p>Numero de Alunos Atendidos</p><p>No mês de abril de 2010 foram concedidas 134 bolsas.</p><p>81</p><p>Auxílio Transporte</p><p>Apresentação</p><p>Este auxílio atende aos alunos com baixo poder aquisitivo, contribuindo para que ele</p><p>tenha condições de frequentar diariamente às aulas e não tenha seu processo de</p><p>aprendizagem comprometido por faltas. O auxilio compreender o valor integral da</p><p>passagem paga por estudante quando residente na região metropolitana onde</p><p>estiver situado o respectivo campus IFES; ou, com valor parcial, a saber: 60%</p><p>quando morador de município que ultrapasse os limites regionais estabelecidos. Aos</p><p>discentes da zona rural onde não há transporte coletivo poderá ser oferecido o</p><p>transporte por meio de parcerias com prefeituras municipais.</p><p>Objetivos</p><p>1. Permitir aos alunos que comprovem necessidade, condições de frequentarem</p><p>diariamente às aulas no IFES;</p><p>2. Contribuir para um melhor aproveitamento do curso.</p><p>Divulgação</p><p>A divulgação ocorre durante todo o ano através de cartazes informes e por contato</p><p>direto com o setor de Serviço Social do campus, além disso, também existe o</p><p>Projeto Boas Vindas executado pelo Núcleo de Gestão Pedagógica no inicio de cada</p><p>semestre que socializa em todas as turmas ingressantes os projetos e benefícios</p><p>oferecidos pelo setor.</p><p>Critérios e Seleção</p><p>1. Estar regulamente matriculado em um dos cursos do IFES;</p><p>2. Ter ficha de entrevista socioeconômica no Serviço Social do campus ofertante</p><p>do curso;</p><p>82</p><p>3. Encaminhar ao Serviço Social solicitação de interrupção da bolsa com</p><p>justificativa, no caso de desistência, sob pena de ser impossibilitado de</p><p>participar de outros programas desenvolvidos no IFES;</p><p>4. Participar das atividades de acompanhamento do programa, apresentar</p><p>frequência e aproveitamento mínimos previstos no ROD em todos os quesitos</p><p>acadêmicos;</p><p>5. Não cometer irregularidade ou infração disciplinar prevista no Código de Ética</p><p>e Disciplina do Corpo Discente do IFES apurada em sindicância para essa</p><p>finalidade, com garantia de contraditório e ampla defesa;</p><p>6. Assinar o termo de concessão de bolsa onde estarão explicitados os critérios</p><p>adotados.</p><p>Numero de Alunos Atendidos</p><p>No mês de abril d e2010 foram atendidos 79 alunos com auxilio transporte.</p><p>Bolsa de Monitoria</p><p>Apresentação</p><p>A Bolsa de Monitoria é um beneficio que visa valorizar o potencial do aluno,</p><p>oferecendo-lhe oportunidade de desenvolver atividade de monitoria remunerada às</p><p>atividades nos laboratórios e reforço escolar em horário inverso ao de aula,</p><p>possibilitando consequentemente aos alunos com baixo rendimento escolar o</p><p>atendimento de suas dificuldades acadêmicas. O monitor é selecionado pelo</p><p>professor, respeitando determinados critérios específicos de cada curso.</p><p>Objetivos</p><p>O Projeto Bolsa de Monitoria objetiva contribuir para o bom desenvolvimento do</p><p>processo de ensino-aprendizagem atendendo a dois segmentos de alunos: aqueles</p><p>que possuem um bom desempenho e que podem vir a melhorá-lo ensinando aos</p><p>83</p><p>demais e aqueles que necessitam de apoio em suas dificuldades acadêmicas. O</p><p>monitor não substitui o professor, este tem papel fundamental e intransferível no</p><p>processo.</p><p>Divulgação</p><p>A divulgação ocorre durante todo o ano através de cartazes informes e por contato</p><p>direto com o setor de Serviço Social do campus, além disso, também existe o</p><p>Projeto Boas Vindas executado pelo Núcleo de Gestão Pedagógica no inicio de cada</p><p>semestre que socializa em todas as turmas ingressantes os projetos e benefícios</p><p>oferecidos pelo setor.</p><p>Critérios de Seleção</p><p>Os critérios abaixo correlacionados são também imprescindíveis para a seleção do</p><p>monitor, além daqueles estabelecidos pelo professor.</p><p>1. Estar regulamente matriculado em um dos cursos do IFES;</p><p>2. Ter ficha de entrevista socioeconômica no Serviço Social do campus ofertante</p><p>do curso;</p><p>3. Encaminhar ao Serviço Social solicitação de interrupção da bolsa com</p><p>justificativa, no caso de desistência, sob pena de ser impossibilitado de</p><p>participar de outros programas desenvolvidos no IFES;</p><p>4. Participar das atividades de acompanhamento do programa, apresentar</p><p>frequência e aproveitamento mínimos previstos no ROD em todos os quesitos</p><p>acadêmicos;</p><p>5. Não cometer irregularidade ou infração disciplinar prevista no Código de Ética</p><p>e Disciplina do Corpo Discente do IFES apurada em sindicância para essa</p><p>finalidade, com garantia de contraditório e ampla defesa;</p><p>6. Assinar o termo de concessão de bolsa onde estarão explicitados os critérios</p><p>adotados.</p><p>7. Apresentar bom desempenho na disciplina que for monitorar.</p><p>84</p><p>Numero de Alunos atendidos</p><p>No mês de abril de 2010 foram concedidas 113 bolsas.</p><p>dizer, que o trabalho interdisciplinar possibilita que o assistente</p><p>social, juntamente com outros saberes construa respostas para o enfrentamento da</p><p>questão social, portanto, é importante que tal profissão esteja envolvido com outros</p><p>11</p><p>agentes para discutir assuntos relevante a realidade de intervenção (MELLO e</p><p>ALMEIDA, 1999).</p><p>Muito embora, o campo educacional absorvam em pequena escala, ou de forma</p><p>quase nula, o assistente social, trata-se este de um especialista importante a ser</p><p>inserido na equipe educacional, para lidar com as expressões da questão social que</p><p>incide em seu contexto.</p><p>Almeida (2000) relata que pensar na atuação do assistente social na área de</p><p>educação exige refletir na política educacional em sua dinâmica e estrutura, o que</p><p>denota dizer que o espaço escolar é apenas uma das possibilidades de atuação</p><p>deste profissional no campo educacional.</p><p>Assim sendo, propomos, através deste estudo (Trabalho de Conclusão de Curso),</p><p>analisar a atuação desse profissional na educação, bem como a sua importância,</p><p>considerando o Projeto Ético Político do Serviço Social e a Política de Educação, no</p><p>contexto político, social e econômico atual, contribuir para o acesso aos direitos</p><p>assegurados na Constituição Federal de 1988 e nas legislações complementares</p><p>(Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e Estatuto da Criança e do</p><p>Adolescente).</p><p>Dessa forma, esperamos que o estudo ao identificar as demandas emergentes no</p><p>contexto e cotidiano escolar, possa contribuir para abrir novos campos de atuação</p><p>para o Serviço social. Estaremos exatamente, seguindo uma orientação dada por</p><p>Iamamoto (2002) quando a mesma expressa que novos espaços ocupacionais para</p><p>o Serviço Social estão surgindo, cabendo a nós profissionais se apropriar e decifrar</p><p>estes espaços, tendo como pano de fundo a realidade social e o Projeto Ético-</p><p>Político Profissional.</p><p>Por se tratar de um tema novo e como há “pouca” bibliografia sobre o assunto (A</p><p>Inserção do Assistente social na educação), almejamos com esse estudo contribuir</p><p>12</p><p>com o acervo teórico e oferecer um possível suporte aos profissionais da área de</p><p>educação.</p><p>Na introdução, faremos uma breve apresentação do referido trabalho de conclusão</p><p>de curso, dando enfoque á inserção do Serviço Social na educação.</p><p>No capítulo dois, problematizaremos os aspectos históricos da educação no Brasil,</p><p>em consonância com a Política de Educação, em destaque a Lei de Diretrizes e</p><p>Bases (LDB), bem como, analisaremos a educação na atual conjuntura, diante das</p><p>transformações sociais, políticas e econômicas que estão ocorrendo na sociedade.</p><p>No capitulo três, enfocaremos o Serviço Social, considerando o Projeto Ético-Político</p><p>Profissional, abordaremos também o que a literatura especializada apresenta, sobre</p><p>a Educação no Serviço Social, e por último realizaremos a análise dos dados</p><p>coletados.</p><p>Na metodologia, identificamos o campo de pesquisa, bem como a descrição de</p><p>como se deu o processo de coleta e análise de dados, através de uma abordagem</p><p>qualitativa, tendo como participantes da pesquisa representantes da comunidade</p><p>escolar (assistente social, alunos, pedagogos, diretor, entre outros funcionários) do</p><p>Instituto Federal do Espírito Santo (IFES).</p><p>E por fim, na conclusão, apresentaremos de forma sintética o objetivo do presente</p><p>trabalho, bem como, as contribuições do Serviço Social na educação, e ainda</p><p>destacaremos os resultados alcançados com o estudo.</p><p>13</p><p>2 A EDUCAÇÃO NO BRASIL.</p><p>Para analisar a história da educação no Brasil iremos dividi-la de acordo com seus</p><p>respectivos períodos histórico: Colônia, Império, República Velha, Estado Novo e</p><p>Ditadura Militar.</p><p>Embora cada época tenha a sua particularidade, vê-se que a educação era privilégio</p><p>de poucos, pois excluía do processo de ensino índios, mulheres, negros em geral a</p><p>classe subalterna.</p><p>A classe dominante apenas mostrou-se interessada no ensino público, em</p><p>decorrência ao acelerado crescimento da economia, isto é, o capitalismo exigia que</p><p>a população tivesse o mínimo de conhecimento para se adequar ao mercado de</p><p>trabalho. Sendo assim, a educação tinha um caráter dualista. Em consonância a tal</p><p>afirmação Aranha (2008) afirma que:</p><p>Sempre os segmentos mais pobres da sociedade têm sido excluídos da</p><p>escola e, quando muito, dependendo das necessidades econômicas, tem</p><p>lhes sido permitido freqüentar cursos profissionalizantes, o que reforça o</p><p>dualismo na educação escolar (uma educação intelectualizada restrita à</p><p>elite e atividades manuais para os segmentos populares) (ARANHA, 2008,</p><p>p. 327).</p><p>Nesta perspectiva podemos constatar que desde o período colonial o ensino tem</p><p>sido usado como instrumento da classe dominante e principalmente, o próprio</p><p>Estado se mostrou alheio aos problemas educacionais.</p><p>2.1- Aspectos históricos da educação no Brasil e a nova LDB.</p><p>A organização escolar no Brasil estava diretamente ligada à política colonizadora</p><p>dos portugueses. Os colonos utilizavam da política ditada por D. João III, para</p><p>converter os índios a fé católica e propagar a fé católica. Para tal fim, é enviado para</p><p>o Brasil o governador Tomé de Souza, juntamente com o padre Manoel da Nóbrega</p><p>para dar início à catequização Aranha (2008).</p><p>14</p><p>A intenção dos missionários, porém, não se reduzia simplesmente a difundir</p><p>a religião. Numa época de absolutismo, a igreja, submetida ao poder real,</p><p>era instrumento importante para a garantia da unidade política, já que</p><p>uniformizava a fé e a consciência. A atividade missionária facilitava</p><p>sobremaneira a dominação metropolitana, e nessas circunstâncias a</p><p>educação assumia papel de agente colonizador (ARANHA, 2008, p.139).</p><p>Podemos então afirmar, que os padres jesuítas se mostraram indiferentes ao modo</p><p>de vida dos indígenas, pois os nativos tiveram que abrir mão de sua própria cultura</p><p>para se adequar ao estilo de vida dos portugueses.</p><p>A escola entrou na comunidade indígena como um corpo estranho, que ninguém</p><p>conhecia. Quem a estava colocando sabia o que queria, mas os índios não sabiam</p><p>(HENRIQUES, 2007).</p><p>Os índios e os filhos dos colonos recebiam um ensino diferenciado, isto é, os</p><p>primeiros eram catequizados para atender interesses econômicos e os segundos na</p><p>doutrina cristã a ler e escrever. Essa diferença não era colocada de modo explícito</p><p>(RIBEIRO, 2007).</p><p>A elite colonial era preparada para um trabalho intelectual enquanto o índio</p><p>desenvolvia um trabalho braçal. Os padres acabaram ministrando, em</p><p>princípio, educação elementar para a população índia e branca em geral</p><p>(salvo as mulheres), educação média para os homens de classe dominante,</p><p>parte da qual continuou nos colégios preparando-se para o ingresso na</p><p>classe sacerdotal, e educação superior religiosa só para esta última</p><p>(ROMANELLI, 1997, p. 35).</p><p>Em contrapartida, a coroa portuguesa controlava os conteúdos aplicados nas</p><p>escolas, devido ao processo de mudança provinda do campo do conhecimento e</p><p>científico de outros países. Temiam que a população apropriasse de novos</p><p>saberes e descobrisse a deficiência do ensino jesuítico, por isso era viável mantê-</p><p>los isolados de novos conhecimentos.</p><p>Este isolacionismo, fruto não apenas desta orientação educacional como</p><p>também do simples fato de ser colônia, e, enquanto tal, subordinada a um</p><p>monopólio que é também intelectual, no caso do Brasil teve</p><p>conseqüências bastante graves para a vida intelectual, porque a própria</p><p>metrópole portuguesa encontrava-se afastada das influências modernas</p><p>(RIBEIRO, 1998.p. 26).</p><p>15</p><p>Neste período, Portugal estava passando por sérios problemas financeiros e tal</p><p>situação, refletia diretamente na colônia. Diante da crise, foi aumentada mais ainda a</p><p>fiscalização sob as atividades desenvolvidas no Brasil. Para tal fim, foi necessário a</p><p>criação de cargos administrativos, que deveriam ser apenas ocupados pela classe</p><p>dominante.</p><p>Tais ocupações exigiam</p><p>da elite colonial um preparo elementar, ou seja, a leitura e</p><p>escrita, que até então era a responsabilidade da família, passa a ser uma instrução</p><p>primária dada pela escola.</p><p>O ensino que os padres ministravam era completamente alheio à realidade</p><p>da vida da colônia. Desinteressado, destinado a dar cultura geral básica,</p><p>sem a preocupação de qualificar para o trabalho, uniforme e neutro, não</p><p>podia, por isso mesmo, contribuir para modificações estruturais na vida</p><p>social e econômica do Brasil, na época, (ROMANELLI, 1999, p. 34).</p><p>De acordo com Veiga (2007) o predomínio da educação jesuíta no Brasil foi quase</p><p>absoluto até o ano de 1759, quando Marquês de Pombal expulsou todos os padres</p><p>da Companhia de Jesus da colônia, pois considerava a presença dos jesuítas na</p><p>colônia uma ameaça, devido à grande proporção econômica e política que a</p><p>companhia das índias estava adquirindo.</p><p>No lugar dos colégios da Companhia de Jesus, foram criadas as aulas régias de</p><p>Latim, Grego e Retórica, cada uma delas constituindo uma unidade, autônoma e</p><p>isolada. Pombal objetivava inovar o ensino, porém poucos recursos havia para tal</p><p>investimento, devido à decadência econômica que permeava em Portugal.</p><p>“Em 1808, devido aos atritos da corte portuguesa com Napoleão, a família real foge</p><p>para a colônia, sobre a proteção da Inglaterra” (Aranha, 2008, p. 219). Então, pela</p><p>primeira vez é criado o curso superior, todavia só tinham acesso as famílias</p><p>abastadas.</p><p>A implantação de cursos superiores, proporcionou uma certa independência política</p><p>a colônia e, por conseguinte, o aparecimento de uma nova demanda escolar,</p><p>16</p><p>denominada camada intermediária, “[...] que desde cedo, percebeu o valor da escola</p><p>como instrumento de ascensão social”. (ROMANELLI, 1999, p. 37).</p><p>Esta camada intermediária teve uma importante participação na vida social e política</p><p>da colônia, sendo a mineração fator responsável para ascensão de tal classe, que</p><p>tinham as suas atividades voltadas para o pequeno comércio.</p><p>Segundo Aranha (2008) após a Independência do Brasil, na Assembleia Constituinte</p><p>de 1823, os deputados inspirados na Revolução Francesa, almejavam uma</p><p>educação pública, mas não houve cumprimento devido à falta de recursos. Ainda no</p><p>período imperial, não era exigido à conclusão do ensino primário para acesso aos</p><p>outros níveis; tal ensino era transmitido em casa através de preceptores, sendo</p><p>assim, conseqüentemente os menos favorecidos eram distanciados da educação,</p><p>devido à ausência de investimento em tal ensino.</p><p>Por meio do Ato adicional1 de 1834 a província ficou responsável pela educação</p><p>primária e secundária. Esta objetivava reunir tais ensinos, portanto, o Brasil não</p><p>tinha recursos financeiros para tal junção. Deste modo, o ensino secundário ficou</p><p>sob a responsabilidade da iniciativa privada e o ensino primário foi largado a mercê</p><p>da própria sorte.</p><p>O fato de a maioria dos colégios secundários estarem em mãos de particulares</p><p>acentuou ainda mais o caráter classista e acadêmico do ensino, visto que apenas as</p><p>famílias de altas posses podiam pagar a educação de seus filhos (ROMANELLI,</p><p>1999, p. 40).</p><p>1</p><p>O Ato adicional de 1834 “conferia ás províncias o direito de legislar sobre instrução pública e</p><p>estabelecimentos próprios a promovê-la, excluindo, porém, de sua competência as Faculdades de</p><p>Medicina e Direito e as Academias então existentes e outros quaisquer estabelecimentos que, no</p><p>futuro, fossem criados por lei geral”. Isso suscitou uma dualidade de sistemas, com superposição de</p><p>poderes (provincial e central) relativamente ao ensino primário e secundário (ROMANELLI, 1999, p.</p><p>39).</p><p>17</p><p>Com esta descentralização foram criadas liceus nas capitais, todavia a falta de</p><p>investimento no ensino impossibilitou que fossem criadas uma rede de escolas</p><p>organizadas.</p><p>A Constituição da República 2 de 1891 também descentralizou a educação e, assim,</p><p>a União ficou responsável pela educação superior e secundária e aos estados cabia</p><p>controlar o ensino primário e o ensino profissional. “Dessa forma reforçou o viés</p><p>elitista, já que a educação elementar recebia menor atenção” (ARANHA, 2008, p.</p><p>298).</p><p>Portanto, esta dualidade na educação, era uma forma discriminatória, pois de um</p><p>lado tínhamos a classe dominante com as escolas secundárias e superiores e, do</p><p>outro, o povo com a educação primária e profissional sem qualidade.</p><p>Percebe-se então, que a educação era restrita e excludente, por atender apenas a</p><p>elite, isto é, excluía negros, índios, mulheres, em geral qualquer pessoa que não</p><p>fosse da classe dominante, sendo assim, ensino que predominava era classicista.</p><p>Após o período imperial, instaura-se no Brasil a República Velha. Várias medidas</p><p>foram tomadas na tentativa de melhorar a educação, porém nenhuma obteve êxito.</p><p>A forma como se instaurou o regime republicano no Brasil e como se</p><p>conduziram no poder as elites, em nada modificando a estrutura sócio</p><p>econômica, influiu para que, de um lado, não houvesse pressão de</p><p>demanda social e educação e, de outro, não ampliasse a oferta, nem se</p><p>registrasse real interesse pela educação pública , universal e gratuita</p><p>(ROMANELLI, 1999, p. 60).</p><p>2</p><p>A Constituição da República de 1891, que instituiu o sistema de governo, consagrou também a</p><p>descentralização do ensino, ou melhor, a dualidade de sistemas, já que, pelo artigo 35, itens 3º. Ela</p><p>reservou à união o direito de “criar instituições de ensino superior e secundário nos Estados” e</p><p>“prover a instrução secundária no Distrito Federal”, o que, consequentemente, delegava aos Estados</p><p>competência para prover e legislar sobre a educação primária. (ROMANELLI, 1999. p. 41)</p><p>18</p><p>Neste período, o Brasil estava passando de um modelo agrário exportador para um</p><p>modelo parcialmente urbano-industrial. Esta transição:</p><p>[...] afetou o equilíbrio estrutural dos fatores influentes no sistema</p><p>educacional pela inclusão de novas e crescentes necessidades de recursos</p><p>humanos para ocupar funções nos setores secundário e terciário da</p><p>economia (ROMANELLI, 1999, p. 46).</p><p>Nessa perspectiva, o sistema capitalista passou a exigir um indivíduo que</p><p>acompanhasse as mudanças econômicas, porém a classe dominante se mostrou</p><p>incapaz de organizar o sistema educacional “[...] de forma que atendesse</p><p>harmonicamente, tanto à demanda social da educação, quanto às novas</p><p>necessidades de formação de recursos humanos exigidos pela economia em</p><p>transformação” (ROMANELLI, 1999, p. 46).</p><p>O capitalismo teve uma forte influência sobre a educação, devido às mudanças</p><p>introduzidas nas relações de produção e, sobretudo, a concentração cada vez mais</p><p>ampla de população em centros urbanos tornou imperiosa eliminar o analfabetismo</p><p>e dar o mínimo de qualificação para o trabalho a um máximo de pessoas.</p><p>O capitalismo industrial3 objetivava apenas que as pessoas adquirissem</p><p>conhecimento para atender a lógica de produção, pois quanto mais pessoas fossem</p><p>inseridas na educação, mas atendia a lógica do capital. O Estado diante da pressão</p><p>do mercado e da sociedade começa a investir na educação, porém de forma a</p><p>atender o mercado e conseqüentemente a camada dominante.</p><p>Neste período “Apesar da efetiva extensão dos programas de atendimento, as</p><p>medidas tomadas pelos governos ainda são insuficientes, mas nem sempre de</p><p>modo eficaz” (ARANHA, 2008, p. 246).</p><p>3</p><p>O capitalismo, notadamente o capitalismo industrial, engendra a necessidade de fornecer</p><p>conhecimentos a camadas cada vez mais numerosas, seja pelas exigências da própria produção,</p><p>seja pelas necessidades de consumo que essa produção acarreta. Ampliar a área social de atuação</p><p>do sistema capitalista industrial é condição de sobrevivência deste. (ROMANELLI, 1999. p. 59)</p><p>19</p><p>Há que acrescentar</p><p>que o governo não mostrava interesse pela educação popular e</p><p>formação técnica, isto é, privilegiava apenas as profissões voltadas para a elite,</p><p>desconsiderando as atividades de ofício: carpinteiro, pedreiros, tecelões etc. sendo</p><p>tais atividades desenvolvidas principalmente pelos escravos.</p><p>Nesta perspectiva as “mudanças ocorridas, a contar da abolição da escravatura até</p><p>a proclamação da república, em nada alteraram a posição em que se encontrava o</p><p>ensino”. (ROMANELLI, 1999, p. 110).</p><p>O curso superior continuou com o caráter elitista, “[...] privilegiava o acesso aos</p><p>nobres, aos proprietários de terras e a uma camada intermediária, surgida da</p><p>ampliação dos quadros administrativos e burocráticos” (ARANHA, 2008, p. 226).</p><p>No Brasil, até o final da década de 1920, as camadas dominantes, com o</p><p>objetivo de servir e alimentar seus próprios interesses e valores</p><p>conseguiram organizar o ensino de forma fragmentária, tomado os país</p><p>como um todo, e ideal, considerando o modelo proposto de educação.</p><p>(Romanelli, 1999. p. 30)</p><p>A educação estava longe de atingir a democracia, pois as poucas vagas que tinham</p><p>eram disputadas e ocupadas pela classe média e, consequentemente, não</p><p>contemplava a classe subalterna.</p><p>Em circunstâncias da industrialização os operários tinham que ter o mínimo de</p><p>escolarização para acompanhar as transformações provindas do mundo de trabalho.</p><p>De maneira geral, as propostas educacionais do século XIX reafirmaram, no</p><p>século XX, a necessidade da escola pública, leiga, gratuita e obrigatória.</p><p>Esta exigência tornou-se mais premente devido ao crescimento das</p><p>indústrias e à explosão demográfica. (ARANHA, 2008, p. 246)</p><p>Nesta perspectiva, em 1932 foi publicado, o Manifesto dos Pioneiros cujo objetivo</p><p>era atender às diversas fases do crescimento humano, tal educação deveria ser</p><p>funcional e ativa, e os currículos deveriam adaptar-se aos interesses naturais dos</p><p>alunos, que são o eixo da escola e o centro de gravidade da educação. Todos os</p><p>20</p><p>professores, mesmo os de ensino primário, deveriam ter formação universitária</p><p>(VEIGA, 2007).</p><p>Neste período, poucas medidas foram adotadas pelo governo quanto à educação; o</p><p>ensino profissionalizante foi meta prioritária do Estado devido à efervescência na</p><p>economia.</p><p>O ensino continuou, a oferecer determinado percurso para os alunos</p><p>provenientes das classes mais abastadas e outro percurso diferente para as</p><p>crianças de setores menos favorecidas economicamente que, porventura,</p><p>conseguissem chegar e permanecer na escola (GHIRALDELLI, 2003, p. 87).</p><p>Isso quer dizer que o país continuou alheio à educação popular, para a população só</p><p>sobrava mesmo à exploração da força de trabalho, pois a economia não podia ficar</p><p>parada, no entanto, o sistema de ensino profissionalizante não atendeu de início aos</p><p>interesses da industrialização, pois os setores médios não estavam interessados na</p><p>profissionalização.</p><p>Para atender o acelerado crescimento industrial foi criado em 1942 o Serviço</p><p>Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), e em 1946 surge o Serviço Nacional</p><p>de Aprendizagem Comercial (SENAC), o que reforçava mais ainda o caráter</p><p>aristocrático na educação. Aranha (2008).</p><p>Quanto aos negros podemos sinalizar que não tiveram acesso à educação do Brasil</p><p>colônia até o Estado Novo, pois a igreja e a classe dominante diziam que estes não</p><p>tinham inteligência e alma, e, por conseguinte não havia necessidade de adquirir</p><p>conhecimento, cabendo apenas o trabalho braçal.</p><p>“[...] a escolarização, até esse período, foi de responsabilidade particular e</p><p>privilégio de senhores e de seus filhos homens. À outra parcela da</p><p>população, bem mais numerosa, constituída por mulheres, nativos e</p><p>africanos, não cabia esse direito. Ao se considerar a história da educação,</p><p>denota-se que o acesso dos negros à educação, além de tardia, não lhes</p><p>garantira devidamente a inclusão. Durante o escravismo e o predomínio da</p><p>oligarquia rural, não se concebia sequer a alfabetização dos africanos, haja</p><p>vista que prevalecia, por um lado, a concepção de que eram destituídos de</p><p>inteligência e de alma. Por outro, a eles cabia apenas o trabalho doméstico</p><p>21</p><p>e braçal, logo não havia necessidade de adquirir outros conhecimentos e</p><p>saberes [...] (SILVA & SILVA, 2005, p. 195).</p><p>Desta forma, os negros foram destituídos da educação, sendo relegados ao</p><p>esquecimento e das políticas governamentais e consequentemente tiveram acesso a</p><p>educação tardiamente.</p><p>No ano de 1960 a educação popular torna alvo de discussão de diversos</p><p>segmentos. Neste período é criada a LDB (Lei de Diretrizes Bases da educação),</p><p>porém, devido a divergências de interesses entre os defensores da escola pública e</p><p>os representantes das instituições de ensino privados, o projeto de lei tramitou</p><p>durante 13 anos até ser aprovado, segundo assinala Veiga (2007).</p><p>Durante sua tramitação, o Ministério da Educação e Saúde Pública se desmembrou,</p><p>sendo criado o Ministério da Educação e Cultura, o MEC, que articulado às</p><p>universidades e secretarias de Educação, realizou pesquisas de caráter sociológico</p><p>para identificar problemas regionais e nacionais.</p><p>Aprovada no Governo João Goulart (1961 – 1964), cujo ministro da educação era o</p><p>baiano Antônio Ferreira de Oliveira Brito (1908 – 1997), a primeira LDB (lei nº</p><p>4.024/1961) manteve a autonomia administrativa dos estados em relação ao ensino</p><p>primário e ao normal, a única padronização foi quanto à duração dos cursos.</p><p>Ao mesmo tempo, estabeleceu parâmetros genéricos válidos para todo o território</p><p>nacional e assegurou que a educação, com base nos princípios da liberdade e da</p><p>solidariedade, fosse direito de todo cidadão.</p><p>Apesar da retórica da democracia, o Estado brasileiro mais uma vez não assumiu o</p><p>compromisso constitucional de prover educação para todos, exemplo dessa omissão</p><p>foi à rendição das exceções legais que isentavam os responsáveis da</p><p>obrigatoriedade de manter as crianças na escola.</p><p>22</p><p>Ao mesmo tempo que se mostrava omisso, o governo favorecia a iniciativa privada</p><p>com subvenções e financiamento para construir, reformar e aparelhar escolas</p><p>particulares.</p><p>A LDB não alterou a estrutura do ensino primário, mas estipulava ainda que</p><p>empresas com mais de 100 funcionários oferecessem ensino primário aos</p><p>funcionários e a seus filhos. Tal dispositivo não foi cumprido, mas evidenciava outra</p><p>estratégia da omissão estatal na oferta da escolarização básica.</p><p>Em 1964, se tornou notório o Plano Nacional da Educação (PNE) que seguindo as</p><p>determinações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional atribuiu ao</p><p>governo federal à obrigação de investir no mínimo 12% na educação, no entanto,</p><p>PNE foi extinto no mesmo ano.</p><p>Durante o período ditatorial 4, o Brasil vivenciou a ausência de um Estado que fosse</p><p>voltado para os direitos sociais. O governo se mostrou autoritário na educação, foi</p><p>tirada da lei a União Nacional dos estudantes, devido suas idéias serem</p><p>consideradas subversivas, sendo assim, neste período foram proibidas quaisquer</p><p>ações políticas (ARANHA, 2008).</p><p>“As escolas de grau médio sofreram controle, e seus grêmios foram transformados</p><p>em centros cívicos, sob a orientação do professor de educação Moral e cívica, cargo</p><p>ocupado por uma pessoa de confiança da direção” (ARANHA, 2008.p 314). Rever</p><p>Na tentativa de organizar o ensino ao novo quadro político, como instrumento para</p><p>dinamizar a própria ordem socioeconômica, ajusta-se a LDB 4.024/61, não sendo</p><p>4</p><p>O período ditatorial, ao longo de duas décadas que serviram de palco para o revezamento de cinco</p><p>generais na Previdência da República, se pautou em termos educacionais pela repressão,</p><p>privatização de ensino, exclusão de boa parcela dos setores mais pobres do ensino elementar de boa</p><p>qualidade, institucionalização do ensino profissionalizante na rede pública regular sem qualquer</p><p>arranjo prévio para tal feito</p><p>[...] (GHIRALDELLI , 2003, p.126).</p><p>23</p><p>considerada pelo governo militar a necessidade de editar por completo a lei em</p><p>questão (VEIGA, 2007).</p><p>Atendendo à ideologia desenvolvimentista adotada pelo governo, ajustou-se a LDB</p><p>de 1961, sancionando a lei de 5.540/68, que reformou a estrutura do ensino</p><p>superior, sendo por isso, chamada de lei da reforma universitária (VEIGA, 2007).</p><p>Para atender às demandas do ensino primário e médio foi necessária uma nova</p><p>reforma, instituída pela lei 5.692/71, que alterou a sua denominação para ensino de</p><p>1º e 2º graus. Desta forma, as disposições previstas na Lei de Diretrizes e Bases da</p><p>Educação Nacional nº 4.024/61, relativas ao primário, médio e superior foram</p><p>revogadas e substituídas pelo disposto nas duas novas leis sancionadas pelo</p><p>Congresso.</p><p>Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, o deputado Octávio Elísio</p><p>apresentou na Câmara Federal um projeto fixando as diretrizes e bases nacionais</p><p>frente à nova realidade da educação e da sociedade brasileira, seguindo os</p><p>parâmetros da nova Carta Magna. O projeto em pauta propusera uma ampliação</p><p>dos recursos para educação pública.</p><p>Com emendas e projetos anexados à proposta original, iniciou-se as negociações</p><p>formando a defesa pela escola pública em um modelo democrático, prevendo uma</p><p>maior abrangência ao sistema público de educação, à regulamentação da educação</p><p>infantil e avanços curriculares ao ensino médio.</p><p>Diversos setores da iniciativa privada do setor educacional eram contra a alguns dos</p><p>pontos da proposta e tinham o apoio de alguns parlamentares que faziam frente às</p><p>aprovações. Esses debates e negociações deram origem a duas novas versões do</p><p>texto do deputado Elísio, sendo a última votada na Comissão da Educação, Cultura</p><p>e Desporto da Câmara dos Deputados, e com aprovação final na sessão de 13 de</p><p>maio de 1993.</p><p>24</p><p>Tal projeto, ao dar entrada no senado, foi identificado como PLC (Projeto de Lei da</p><p>Câmara) nº 101 de 1993 que fixa diretrizes e bases da educação nacional, tendo</p><p>sido designado relator na Comissão de Educação o Senador Cid Sabóia</p><p>(PMDB/CE). Uma vez aprovado no Senado o projeto retornou a Câmara dos</p><p>Deputados na forma do substitutivo Darcy Ribeiro e o deputado José Jorge foi</p><p>designado relator.</p><p>O Governo Federal exigiu a aprovação até o final do ano de 1996, assim, em sessão</p><p>realizada em 17 de dezembro de 1996, foi aprovado na Câmara o relatório contendo</p><p>o texto final da LDB, posteriormente sancionada pela Presidência da República no</p><p>dia 20, sob o nº 9.394/96. Instituída a lei surge a necessidade de adequação da</p><p>educação aos novos parâmetros legislativos, de forma a estabelecer um modelo</p><p>educacional condizente com a realidade do país.</p><p>2.2- A educação na contemporaneidade.</p><p>O sistema educacional vem sofrendo uma série de mudanças, em decorrência das</p><p>transformações econômicas, políticas, sociais e culturais, que vem ocorrendo no</p><p>mundo contemporâneo.</p><p>Essas mudanças surgem como conseqüência dos avanços tecnológicos, do</p><p>desenvolvimento do capitalismo, da ideologia neoliberal e, sobretudo da concepção</p><p>do Estado frente a esse atual contexto.</p><p>De certo modo, há que se destacar, o processo de valorização da educação</p><p>vem se mostrando impregnado por uma concepção alicerçada nos</p><p>pressupostos da economia, ou seja, educar para a competitividade, educar</p><p>para o mercado, educar para incorporar o Brasil no contexto da</p><p>globalização. Esta visão restrita acabou por deixar de lado muito dos</p><p>valores que anteriormente vinham informando o fazer educacional: educar</p><p>para a cidadania, educar para a participação política, educar para construir</p><p>cidadania, educar para a participação política, educar para construir cultura,</p><p>educar para a vida em geral (BARRONE, 2000, p.8).</p><p>25</p><p>Percebemos que as mudanças tecnológicas estão favorecendo o surgimento de</p><p>uma nova sociedade, marcada pela informação e pela técnica, colocando como</p><p>elemento central o conhecimento e a educação.</p><p>Do ponto de vista do capitalismo, essa centralidade se refere a uma educação</p><p>globalizada, que é ponto crucial para a transformação produtiva do desenvolvimento</p><p>econômico, para obtenção do lucro, e para a concorrência entre os mercados, dessa</p><p>forma a educação é o elemento primordial para o desenvolvimento desse novo</p><p>padrão de vida posto pelo capitalismo.</p><p>Verifica-se, que esse novo processo de produção concorrencial requer um</p><p>trabalhador qualificado, flexível e polivalente, capaz de se submeter a esse novo</p><p>padrão, que se faz necessário um contínuo processo de aprendizagem, promotor de</p><p>novas habilidades e competências.</p><p>Com isso, o trabalhador passa a ser mais um componente, do processo de</p><p>produção, ocorrendo assim o aumento da produtividade, da eficiência, e da</p><p>qualidade de serviços e produtos.</p><p>Para essa linha de produção técnico cientifico, o grande desafio da educação é a</p><p>formação, qualificação e capacitação da mão-de-obra a fim, de satisfazer as</p><p>exigências do mercado, portanto o ambiente escolar atual segue a lógica de uma</p><p>pedagogia da concorrência, da eficiência e dos resultados da produtividade diante</p><p>da aprendizagem.</p><p>Mediante isso, é difícil pensar na construção da educação universal, igualitária e</p><p>democrática, tendo em vista que o projeto educacional transmitido é a prática</p><p>seletiva, competitiva e individualista.</p><p>Sabemos que a escola não é considerada o único meio de socialização do</p><p>conhecimento, vemos que a mídia em geral, tem difundido uma ideologia de</p><p>26</p><p>educação voltada à qualificação técnico flexível, adequada as exigências do</p><p>mercado, bem como para garantia da empregabilidade.</p><p>Segundo Guzzo e Euzébios Filho (2005) o sistema educacional, fruto de um</p><p>processo histórico, configura-se no bojo das relações sociais e de produção, que</p><p>dividiram e ainda dividem a sociedade em grupos econômicos distintos e, ainda</p><p>mais, estabelece uma relação entre classes sociais antagônicas.</p><p>Dessa forma, a educação passa a ser um instrumento do capitalismo, para</p><p>reprodução dos seus interesses e para manutenção de sua hegemonia, assumindo</p><p>uma perspectiva de mercadoria, não de um direito social.</p><p>Ainda de acordo os autores acima, o sistema educacional assume, portanto, um</p><p>papel fundamental na manutenção da alienação e da divisão social do trabalho, na</p><p>medida em que as escolas têm se configurado como um espaço estratégico de</p><p>convivência social, pautada pela reprodução da dinâmica da sociedade capitalista.</p><p>De acordo com Libâneo, Oliveira e Toschi (2009) a escola, como uma instituição</p><p>social educativa, vem sendo questionada acerca de seu papel perante a essas</p><p>transformações, pois é indispensável que além, de formar cidadãos preparados e</p><p>qualificados é necessário que a escola possibilite uma formação consciente e crítica.</p><p>Diante dos impactos da revolução tecnológica, o sistema educacional deve oferecer</p><p>respostas concretas à sociedade, formando profissionais capazes de participar</p><p>desse processo criticamente, norteando a sua prática a favor da equidade, da</p><p>universalidade, da inclusão, constituindo cidadãos participantes da construção de</p><p>uma sociedade mais justa e igualitária.</p><p>Numa perspectiva critica, a escola é vista como uma instituição educacional e social</p><p>que se constitui historicamente, pela transmissão e apropriação do saber, se</p><p>27</p><p>caracteriza como instrumento social que permite o desenvolvimento de uma cultura</p><p>contra-hegemônica.</p><p>A escola é uma organização de caráter político, ideológico e social, onde vários</p><p>indivíduos transmitem seus valores, suas crenças e suas percepções de realidade,</p><p>influenciando outros indivíduos e grupos, através do convívio, interação e</p><p>socialização. O processo de ensino acontece por meio da construção das relações</p><p>interpessoais, marcado pelas nossas vivências sociais, econômicas, políticas,</p><p>históricas e culturais.</p><p>Dessa forma, compreendemos que a escola é um espaço constitucionalmente</p><p>estabelecido, que constrói identidades, um local de construção de subjetividades e</p><p>identidades individuais e coletivas, onde experiências sociais são desenvolvidas.</p><p>A escola precisa oferecer serviços de qualidade e um produto de qualidade, de</p><p>modo que os alunos que passam por ela ganhem melhores e mais efetivas</p><p>condições do exercício da liberdade política e intelectual (LIBÂNEO, 1998, p. 10).</p><p>Porém, observamos que as Políticas de Educação não buscam compreender as</p><p>condições de ensino, vivenciadas pelos docentes e discentes, nos diversos</p><p>cotidianos escolares. Desenvolvem uma ação pautada num discurso hegemônico de</p><p>educação e conhecimento, sem se preocupar com a diversidade de sujeitos,</p><p>referente a este aspecto Oliveira (2007), assinala que:</p><p>Em que pese o discurso que, cada vez mais, busca evidenciar a</p><p>aceitação/tolerância da existência de uma diversidade de "olhares" sobre o</p><p>mundo, ou de leituras de mundo, as políticas de educação e particularmente</p><p>as de currículo insistem em negligenciar este dado, desenvolvendo</p><p>propostas fechadas em generalizações fundamentadas no pensamento</p><p>cientificista que restringe o conhecimento àquilo que, supostamente, é</p><p>universal e formalmente explicitado e desenvolvido, num claro</p><p>descompromisso com as aprendizagens cotidianas e experiências de vida</p><p>de educandos e professores (OLIVEIRA, 2007, p. 03).</p><p>28</p><p>Conforme Oliveira (2007), ressalta-se a importância do respeito à subjetividade do</p><p>aluno, das experiências culturais e históricas que são trazidas para o interior do</p><p>ambiente escolar; é imprescindível, que o ambiente favoreça o respeito à</p><p>diversidade, e não disseminação de um modelo de negação do outro, incidindo a</p><p>naturalização de práticas discriminatórias.</p><p>Nesse sentido, é necessário que a comunidade escolar, assuma uma postura ética,</p><p>pautada numa atitude democrática, de respeito à diferença, estabelecendo</p><p>alternativas de enfretamento ao preconceito, que os auxilie na dinâmica pedagógica.</p><p>Esta, as escolas reais, se tecem singularmente em diferentes</p><p>espaçostempos, e sua existência depende da passagem de cada pessoa</p><p>por ela, quer como aluno, quer como professor. As escolas não são apenas</p><p>isso que se diz delas, no singular; são muito mais: são escolas múltiplas</p><p>realidades que assim devem ser elucidadas (OLIVEIRA, 2009, p. 96).</p><p>Verificamos assim, que a escola é um ambiente plural, de diversas linguagens e</p><p>saberes, que expressam a subjetividade de cada um, diante da convivência de uns</p><p>com os outros.</p><p>As instituições educacionais e escolares nos empoderam, mas também nos</p><p>emudecem, ou seja, o processo educativo e escolar, trás conhecimento, interfere</p><p>nas nossas vidas, nas nossas relações interpessoais, mas também desapropria-nos</p><p>de nossas experiências, nos tirando a capacidade de sonhar, tal aspecto é apontado</p><p>por Linhares (2007).</p><p>Portanto, a apropriação do saber, nos constitui, influenciando as nossas vivências de</p><p>forma que, se a escola não apresentar uma educação emancipatória voltada para a</p><p>democracia, os sujeitos serão meros reprodutores de valores burgueses.</p><p>Segundo Freire (1973), a Educação pode dirigir-se a dois caminhos: para contribuir</p><p>para o processo de emancipação humana, ou para domesticar e ensinar a ser</p><p>passivo diante da realidade que está posta.</p><p>29</p><p>Dessa forma, para promover uma formação crítica, é importante que a comunidade</p><p>escolar invista no conhecimento capaz de reconhecer e superar a lógica implantada</p><p>pelo neoliberalismo, que a escola como instituição social capacite, para a formação</p><p>de cidadãos trabalhadores com uma perspectiva critica, sendo estes capazes de</p><p>interferir na realidade, a fim de transformá-la, e não uma educação apenas, voltada</p><p>para a inserção no mercado de trabalho.</p><p>Contudo, observarmos que historicamente a Política Educacional não se constituiu,</p><p>como um direito social efetivo e universal, ela vem refletindo as suas condições</p><p>sócio-econômicas na qualidade no ensino prestado à população, ocasionando a não</p><p>inclusão efetiva de todas as crianças e jovens no sistema escolar.</p><p>A partir da década de 1980, o contexto socioeconômico brasileiro marcava a</p><p>minimização do Estado, frente aos direitos sociais. Libâneo, Oliveira e Toschi (2009)</p><p>ressaltam que esse modelo neoconservador já está instalado, evidenciando que o</p><p>Estado está se ausentando e se afastando de seu papel, como provedor dos</p><p>serviços públicos.</p><p>Portanto, atualmente a Política de Educação brasileira sofre os reflexos da</p><p>perspectiva neoliberal assumida pelo Estado, e uma das características adotadas e</p><p>que merece destaque é a descentralização, que alterou a dinâmica e a direção das</p><p>políticas sociais.</p><p>Frente a isso, é importante destacar o descompromisso do Estado, frente à</p><p>transferência de sua responsabilidade para a sociedade civil, com a</p><p>descentralização e a privatização dos serviços educacionais.</p><p>Desde o final do século XX, observamos que a descentralização está associada aos</p><p>interesses neoliberais, em função da diminuição dos gastos sociais do Estado.</p><p>Isso ficou evidente após a promulgação da Lei 9.394/96 - Lei de Diretrizes e Bases</p><p>da Educação Nacional -, que centraliza no âmbito federal as decisões sobre o</p><p>currículo e sobre avaliação e repassa à sociedade responsabilidades estatais, por</p><p>30</p><p>exemplo o trabalho voluntário na escola. Os projetos Família na Escola e Amigos da</p><p>Escola e a descentralização de responsabilidades do ensino fundamental em</p><p>direção aos municípios são outros exemplos concretos de uma política que</p><p>centraliza o poder e descentraliza as responsabilidades (LIBÂNEO, OLIVEIRA e</p><p>TOCHI, 2009 p.142).</p><p>Diante disso, o Estado vem intervindo em busca de uma maior qualidade no ensino,</p><p>porém percebemos que diversas questões, como evasão e repetência estão</p><p>presentes no cotidiano escolar que dificultam o acesso à educação e que fogem da</p><p>competência da comunidade escolar.</p><p>Nesse sentido, Libâneo, Oliveira, Toschi (2009) destacam que a escola é um espaço</p><p>privilegiado, não apenas, para aprender a ler, a escrever e a contar, mas para</p><p>desenvolver outras habilidades importantes, que garantam a promoção da</p><p>cidadania.</p><p>Em suma, é necessário que a Política de Educação ocupe uma função de destaque</p><p>na formação dos cidadãos, não somente pedagógica, mas, sobretudo social, cultural</p><p>e política, com vistas a uma educação que garanta a participação efetiva dos</p><p>cidadãos no processo de constituição da sociedade de forma crítica e consciente.</p><p>Mas, para isso, é necessário um maior investimento do estado, para que a educação</p><p>se torne uma política universal e de qualidade.</p><p>3 O SERVIÇO SOCIAL E A POLÍTICA PÚBLICA DE EDUCAÇÃO.</p><p>A educação é um direito constitucional, que deve ser garantido pelo Estado, não</p><p>somente com a democratização do serviço, mas, sobretudo com a oferta de uma</p><p>educação de qualidade, que possibilite o desenvolvimento cultural e político do</p><p>individuo.</p><p>Dessa forma, a educação aqui elucidada, faz menção a uma educação inclusiva,</p><p>que possibilita a transformação da sociedade, que forma cidadãos capazes de</p><p>31</p><p>pensar e participar criticamente das relações sociais, políticas e econômicas da</p><p>sociedade.</p><p>Porém, de acordo com Almeida (1995) verificamos que a Política Educacional tem</p><p>modificado suas estruturas para atender o capital. O ensino e a cultura seguem a</p><p>lógica da produção da mercadoria, onde a ideologia da empregabilidade é difundida</p><p>como estratégia para aquisição do lucro.</p><p>E em decorrência dessas mudanças, observamos que a Política educacional</p><p>necessita de ações mais direcionadas, a fim de possibilitar a inserção e</p><p>permanência do aluno na escola, tal assertiva é defendida por Almeida (1995):</p><p>O alcance dessas mudanças fornecem um novo contorno à divisão</p><p>internacional do trabalho e da produção cultura, exigindo ações mais</p><p>articuladas e de proporções mais amplas na garantia das condições</p><p>necessárias para o desenvolvimento das novas estratégias formuladas pelo</p><p>capital [...] (ALMEIDA, 1995, p. 156).</p><p>O Serviço Social como uma profissão legitimada, tem por competência a atuação no</p><p>âmbito das políticas sociais, sua base teórica, técnico-metodológica, possibilita sua</p><p>inserção nesse âmbito, podendo contribuir muito em relação à conquista dos direitos</p><p>e promoção da cidadania dos indivíduos.</p><p>Deste modo, consideramos que o Serviço Social é uma profissão importante para a</p><p>construção de uma educação ampliada, onde a formação de cidadãos seja pautada</p><p>numa ação democrática, que promova indivíduos, com domínio de seus</p><p>conhecimentos de forma a atender as suas necessidades básicas, tanto individuais</p><p>como sociais.</p><p>32</p><p>3.1 Serviço Social no Brasil e Projeto Ético Político</p><p>O Serviço Social surge no Brasil nos primeiros anos da década de 1930, vinculado à</p><p>igreja católica e a burguesia, sendo uma profissão baseada no assistencialismo com</p><p>fundamentação na Doutrina social da Igreja.</p><p>A origem do Serviço Social é marcada pela luta e mobilização da classe operária,</p><p>que reivindicavam seus direitos, quanto a melhores condições de vida e trabalho.</p><p>Referente a isso Martinelli ressalta, que: “A luta pela vida, pela sobrevivência, pelo</p><p>trabalho, pela liberdade levava o proletariado a avançar seu processo organizativo, o</p><p>que era visto com muita apreensão pela burguesia” (MARTINELLI, 1997, p. 122).</p><p>A classe dominante unida ao Estado e à Igreja procurava montar estratégias</p><p>repressivas a fim de desmobilizar o movimento dos proletariados, mas a contradição</p><p>entre as classes era tão penalizadora, que a luta de classes era inevitável.</p><p>O Estado como forma de amenizar as tensões existentes entre as classes e</p><p>defendendo assim os seus interesses, passou a intervir nessa relação, trazendo</p><p>para si, a responsabilidade de cuidar da reprodução da força de trabalho, mas para</p><p>isso buscou fortalecer sua aliança com a Igreja e com a burguesia.</p><p>Em junção de esforços da Igreja e da burguesia foi criado em 1932, o Centro de</p><p>Estudos e Ação Social de São Paulo (CEAS), que desempenhava um importante</p><p>papel de qualificação dos agentes para a realização da prática social.</p><p>Nesse Centro, como fruto de iniciativa das cônegas de Santo Agostinho, no</p><p>Brasil realizou-se o primeiro curso de preparo para o exercício da ação</p><p>social, que, sob a denominação de Curso Intensivo de Formação Social</p><p>para Moças, foi ministrado pela assistente social belga Adèle de Loneux, da</p><p>Escola Católica de Serviço Social de Bruxelas. A clientela desse primeiro</p><p>curso foi constituída por jovens católicas, algumas já participantes de</p><p>atividades assistenciais ou militantes de movimentos da igreja, e todas</p><p>pertencentes a famílias da burguesia paulista (MARTINELLI, 1997, p. 123).</p><p>33</p><p>Historicamente a origem do Serviço Social estava associada à burguesia e a igreja,</p><p>vinculando sua ação a repressão e controle das classes subalternas, fortalecendo</p><p>assim, o poder hegemônico do capital e difusão da sua ideologia.</p><p>Segundo Martinelli (1997), a função do Serviço Social era muito útil, para a</p><p>burguesia, pois a sua prática expressava os mecanismos de reprodução capitalista,</p><p>e naturalizava sua política repressiva e garantia assim, a acumulação e expansão do</p><p>capital.</p><p>O Serviço Social não respondia nenhuma das reivindicações trabalhistas, ao mesmo</p><p>tempo em que tinha uma forte aproximação com a burguesia, tinha um</p><p>distanciamento extremo da classe trabalhadora.</p><p>De acordo com Martinelli (1997) a identidade profissional só é construída a partir da</p><p>tomada de consciência social em constate movimento, e da análise das relações</p><p>sociais, porém essa realidade para a profissão, nesse período, tornava-se remota,</p><p>pois a prática do serviço Social estava totalmente atrelada ao capitalismo e à prática</p><p>de adaptação e de ajustamento dos indivíduos.</p><p>Neste sentido, a identidade atribuída ao Serviço Social objetivava a difusão da</p><p>política burguesa, atribuindo à sua função, a ideologia do controle social, onde os</p><p>benefícios prestados a classe trabalhadora, caracterizavam-se numa estratégia de</p><p>domínio das manifestações coletivas, exercendo de modo indireto a função</p><p>econômica da ação.</p><p>O Serviço Social a partir da década de 1960 começa a renovar seus métodos</p><p>profissionais, por pressão da autocracia burguesa, pois até então, a profissão estava</p><p>voltada para o assistencialismo, no entanto, a profissão, começa a mudar o seu</p><p>padrão organizacional e seu referencial teórico, cultural e ideológico, bem como, a</p><p>suas auto-representações.</p><p>34</p><p>O Movimento de Reconceituação do Serviço Social surge no Brasil na segunda</p><p>metade na década de 1970, em contestação ao Serviço Social tradicional e</p><p>conservador. Nesse período os assistentes sociais começam a ter um maior contato</p><p>com o pensamento marxista, baseando sua prática numa perspectiva critica,</p><p>atendendo os interesses da população.</p><p>O Movimento de Reconceituação se cria e se desenvolve a partir da</p><p>identificação político-ideológica da profissão pelo capital e da negação de</p><p>uma prática conservadora do Serviço Social, firmando um compromisso</p><p>político com a classe subalterna (SILVA e SILVA, 2002, p. 87 apud MOTA,</p><p>1987, p. 15-16).</p><p>A renovação critica do Serviço Social se deu num processo lento e gradual, havendo</p><p>a necessidade de modificar suas estruturas para poder intervir e responder as novas</p><p>demandas que estavam surgindo. Essas mudanças se deram no período ditatorial,</p><p>onde a classe operária era perseguida e vivia em constante conflito com a</p><p>burguesia.</p><p>Cabe ressaltar que o processo de renovação do Serviço Social, se deu em três</p><p>perspectivas, sendo a Perspectiva Modernizadora, Conservadora e a Intenção de</p><p>Ruptura, destacamos que a perspectiva que daremos enfoque, é última, que se</p><p>iniciou na década de 1980, que tem por base teórica, o Materialismo Histórico</p><p>Dialético de Karl Marx, que se opõe à lógica e a ideologia de acumulação do capital.</p><p>Conforme Netto destaca,</p><p>Ao contrário das anteriores, essa possui um substrato nuclear uma critica</p><p>sistemática ao desempenho “tradicional” e aos seus suportes teóricos,</p><p>metodológicos e ideológicos. Com efeito, ela manifesta a pretensão de</p><p>romper quer com a herança teórico-metodologica do pensamento</p><p>conservador (a tradição positivista), quer com os seus paradigmas de</p><p>intervenção social (o reformismo conservador) (NETTO, 2002, p. 159).</p><p>O Movimento de Reconceituação se constitui, portanto, como uma perspectiva de</p><p>superação e ruptura do Serviço Social tradicional e conservador, buscando uma</p><p>nova identidade profissional, passando de uma ação pautada nos interesses</p><p>burgueses, para uma visão política de intervenção. Netto (1990), afirma que:</p><p>35</p><p>[...] a renovação critico-analitica viabilizada pelo desenvolvimento teórico da</p><p>perspectiva de intenção de ruptura propicia novos portes no nível prático</p><p>operativo da profissão donde, por exemplo, a circunscrição de formas</p><p>alternativa de intervenção, no bojo das políticas sociais, junto a movimentos</p><p>sociais e reequacionamento do desempenho profissional no marco da</p><p>assistência pública (NETTO, 1990, p.303).</p><p>Diante do exposto, o Serviço Social começou a incorporar as reivindicações dos</p><p>trabalhadores, tendo uma base técnica, eficiente, racional e critica, para enfrentar a</p><p>questão social, favorecendo assim, a consolidação de Projeto Ético-Político</p><p>profissional, bem como a regulamentação da sua prática no Código de Ética,</p><p>recusando assim, o Serviço Social conservador.</p><p>Nesse sentido, o Serviço Social se legitima como uma profissão reconhecida, como</p><p>uma especialização do trabalho coletivo, intervindo nas relações sociais, conforme</p><p>Iamamoto (2008, p. 414-415) pontua que, “[...] desde a década de 80, de que o</p><p>Serviço Social é das especializações do trabalho, parte da divisão social e técnica</p><p>do trabalho social.”</p><p>O Serviço Social tem por objeto,</p><p>enquanto base de especialização do seu trabalho a</p><p>questão social, isto é, expressões das desigualdades sociais, econômicas e</p><p>culturais, originadas do modo de produção do sistema capitalista, e estas se</p><p>manifestam por um conjunto de antagonismos que vai desde a alienação a</p><p>contradição. Iamamoto (2008) salienta que a queda dos níveis educacionais dos</p><p>jovens é uma das mais importantes expressões da questão social.</p><p>O Serviço Social tem como significado da sua ação, a busca do desvendamento e</p><p>descortinamento da realidade social, atua como participante da reprodução das</p><p>classes sociais, permeada pela relação contraditória e antagônica entre capital e</p><p>trabalho.</p><p>O Serviço Social, enquanto inscrito nas relações sociais como prática</p><p>pedagógica, é concebido como um processo eminentemente político-</p><p>ideologico, que assume adesão a projetos hegemônicos de classes. Fica aí</p><p>posta a possibilidade de o Serviço Social contribuir para o processo de</p><p>transformação social, através de uma intervenção vinculada aos projetos</p><p>dos setores subalternos na sociedade (SILVA e SILVA, 1995, p. 238).</p><p>36</p><p>A partir disso, o Serviço Social começa a ter uma nova roupagem. Tendo por</p><p>método de intervenção, o movimento de análise da realidade, começou a realizar o</p><p>seu trabalho sob a perspectiva da totalidade, analisando o indivíduo dentro de seu</p><p>contexto social, político e econômico, usando de diversos instrumentos que</p><p>possibilitam construção de alternativas concretas, a fim de amenizar os impactos</p><p>que o capital exerce sobre o individuo, ou seja, cabe ao profissional ir além do</p><p>imediatismo por meio de uma atitude investigativa da realidade. Quanto a esse</p><p>aspecto Silva e Silva, destaca</p><p>[...] os fenômenos sociais são analisados na sua significação real e na sua</p><p>relação com a totalidade, numa perspectiva teórica que permite ir além do</p><p>aparente, devido à necessidade de uma analise interpretativa da realidade</p><p>social (SILVA e SILVA, 1995, p. 86).</p><p>Deste modo, o Serviço social é chamado a mediar às seqüelas da questão social,</p><p>que se referem às contradições produzidas pelo próprio sistema capitalista, como a</p><p>crescente desigualdade social, o desemprego estrutural, a pobreza generalizada,</p><p>entre outras mazelas sociais que dele decorrem.</p><p>[...] um dos maiores desafios que o assistente social vive no presente é</p><p>desenvolver sua capacidade de decifrar a realidade e construir propostas de</p><p>trabalho criativas e capazes de preservar e efetivar direitos, a partir das</p><p>demandas emergentes no cotidiano (IAMAMOTO, 2003, p. 20).</p><p>A questão social ganhou dimensões profundas, à medida que o sistema capitalista</p><p>acentuou suas contradições. Na contemporaneidade observa-se, o desenvolvimento</p><p>do modo de produção capitalista e o acirramento do neoliberalismo.</p><p>Cabe destacar que a emergência e a visibilidade da questão social estão vinculadas</p><p>à constituição da classe trabalhadora como sujeito sócio-político que torna público e</p><p>politiza as contradições decorrentes da relação capital trabalho.</p><p>Portanto ressalta-se que o Serviço Social institucionaliza-se enquanto profissão, à</p><p>medida que é chamado para o controle da questão social, passando a integrar os</p><p>mecanismos de execução das políticas sociais do Estado burguês.</p><p>37</p><p>Com o surgimento das grandes instituições, amplia-se o mercado de</p><p>trabalho para a profissão, permitindo ao Serviço Social romper com as suas</p><p>origens confessionais e transforma-se numa atividade institucionalizada.</p><p>Suas bases de legitimação são deslocadas para o Estado e para os setores</p><p>empresarias da sociedade, ao mesmo tempo em que o assistente social se</p><p>transforma numa típica categoria profissional assalariada [...] (SILVA e</p><p>SILVA, 1995, p. 25).</p><p>Diante disso, o mercado passa a exigir um trabalhador com formação, técnico-</p><p>flexível, e ao mesmo tempo em que enxuga as políticas sociais, simultaneamente</p><p>aumenta o investimento no mercado.</p><p>Dessa forma, as políticas sociais, surgem neste momento, para o Estado, como um</p><p>conjunto de seguridades sociais, de Bem-Estar Social, em contraponto percebemos</p><p>que as políticas sociais se caracterizam como compensatórias, surgem para</p><p>amortecer o processo de crise do capital, são uma forma de alienação dos</p><p>indivíduos, e são totalmente contraditórias, pois ao mesmo tempo em que ameniza</p><p>as necessidades sociais, amortece a exploração típica do sistema capitalista.</p><p>Mediante isso, Iamamoto (2008, p. 143) afirma que “Os investimentos especulativos</p><p>são favorecidos em detrimento da produção, o que se encontra na raiz da redução</p><p>dos níveis de emprego, do agravamento da questão social e da regressão das</p><p>políticas sociais públicas”.</p><p>As políticas sociais, ou seja, as instituições que operacionalizam estas políticas são</p><p>consideradas um espaço privilegiado da intervenção profissional do Serviço social.</p><p>Dessa forma, o Serviço Social passa a integrar os mecanismos de</p><p>execução das políticas sociais do Estado e dos setores empresariais,</p><p>enquanto forma de enfrentamento da questão social emergente no contexto</p><p>do desenvolvimento urbano-industrial (SILVA e SILVA, 1995, p. 25).</p><p>A relação do Serviço Social com a teoria marxista foi imprescindível para que a</p><p>atuação do assistente social fosse pautada numa visão, capaz de compreender o</p><p>significado social da profissão, e, além disso, contribuir para a reflexão de</p><p>intervenção sócio-profissional e, sobretudo para fundamentar a sua teoria e prática</p><p>profissional.</p><p>38</p><p>Segundo Netto (1999), os projetos societários apresentam uma imagem de</p><p>sociedade a ser estabelecida, que reclamam determinados valores para justificá-la e</p><p>que privilegiam certos meios (materiais e culturais) para concretizá-la. Constituem-se</p><p>em projetos macroscópicos, para o conjunto da sociedade. São, portanto, projetos</p><p>de classe em construção coletiva.</p><p>Inscrevem-se como projetos profissionais, aquelas profissões que são reconhecidas</p><p>legitimamente, que tenha uma formação teórica, técnica e interventiva.</p><p>Os projetos profissionais são coletivos; apresentam a auto-imagem de uma</p><p>profissão; elegem os valores que a legitimam; delimitam e priorizam seus</p><p>objetivos e funções; formulam os requisitos (teóricos, práticos e</p><p>institucionais) para o seu exercício, prescrevem normas para o</p><p>comportamento dos profissionais; estabelecem as bases das suas relações</p><p>com os usuários dos seus serviços, com as outras profissões e com as</p><p>organizações e instituições sociais, privadas e públicas (inclusive o Estado,</p><p>a que cabe o reconhecimento jurídicos dos estatutos profissionais) (NETTO,</p><p>1999, p. 4).</p><p>Conforme Netto (1999), o projeto profissional do Serviço Social foi construído no</p><p>contexto histórico de renovação da prática social de 1970 a 1980, num processo de</p><p>redemocratização, compromissadas aos interesses da sociedade trabalhadora,</p><p>recusando o conservadorismo presente no Serviço Social brasileiro.</p><p>Dessa forma, construía-se um projeto profissional vinculado a democracia social, e a</p><p>transformação da sociedade. O Projeto ético-político do Serviço Social tem em seu</p><p>núcleo central, a liberdade como valor ético essencial, para a prática profissional:</p><p>[...] liberdade concebida historicamente, como possibilidade de escolher</p><p>entre alternativas concretas; daí um compromisso com a autonomia a</p><p>emancipação plena dos indivíduos sociais. O Projeto profissional vincula-se</p><p>a um projeto societário que propõe a construção de uma nova ordem social,</p><p>sem dominação e/ou exploração de classe, etnia e gênero (NETTO, 1999,</p><p>p. 105).</p><p>Este projeto profissional assegura a defesa intransigente dos direitos humanos e a</p><p>recusa do arbítrio e dos preconceitos, posicionando a favor da equidade e da justiça</p><p>39</p><p>social, garantia do pluralismo, ampliação e consolidação da cidadania e democracia,</p><p>visando à viabilização dos direitos civis, políticos e sociais.</p><p>Neste sentido, Netto (1999) ressalta que a construção e consolidação de um projeto</p><p>profissional, deve estar pautado</p><p>no pluralismo que é elemento central da vida social</p><p>e para a profissão, que deve ser respeitado, não inibindo o debate de idéias, mas</p><p>supondo também o respeito as hegemonias legitimamente conquistadas.</p><p>Baseado no Código de Ética Profissional o Serviço Social pode contribuir para a</p><p>viabilização dos direitos do indivíduo enquanto cidadão, numa sociedade marcada</p><p>pela desigualdade social, mas para isso o assistente social deve estar respaldado no</p><p>código de ética para dar respostas às demandas trazidas pelos usuários.</p><p>De acordo, com o Código de Ética profissional dos Assistentes Sociais, é</p><p>considerado princípio ético fundamental para o exercício profissional a, “Ampliação e</p><p>consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda a sociedade, com</p><p>vistas à garantia dos direitos civis, sociais e políticos das classes trabalhadoras”</p><p>(CFESS, 1993, p. 19).</p><p>Desse modo, percebemos a importância da atuação profissional do Serviço Social,</p><p>nos âmbitos das políticas sociais, considerando a sua competência teórica, técnica e</p><p>política, assim podemos verificar a atuação desse profissional em diversos setores</p><p>públicos e privados.</p><p>Conforme a Lei Nº 8.662/93 de 07 de Junho de 1993, que regulamenta a profissão</p><p>se constitui como competência do profissional de Serviço Social, segundo o art. 4º:</p><p>I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da</p><p>administração pública direta e indireta, empresas, entidades e organizações</p><p>populares;</p><p>40</p><p>V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de</p><p>identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa dos</p><p>seus direitos.</p><p>Em suma, verificamos que o Serviço Social, é uma profissão com base teórica,</p><p>técnico e prático que está inserido na divisão social e técnica do trabalho, que tem</p><p>competência a atuação no âmbito das políticas sociais, sendo capaz de estabelecer</p><p>estratégias de intervenções frente as mais diversas expressões da questão social. E</p><p>dessa forma, o Projeto ético- político e o Código de ética são suportes legais, que se</p><p>faz materializar no agir profissional a consolidação dos direitos humanos.</p><p>3.2 O debate sobre a Educação no Serviço Social: O que a</p><p>literatura especializada na área apresenta.</p><p>São poucas as literaturas que trazem o debate do Serviço Social na educação,</p><p>devido o pouco número de assistentes sociais atuando no âmbito escolar, mas</p><p>encontramos em Almeida et al. (2000) um importante debate a cerca da atuação do</p><p>assistente social na educação.</p><p>Durante muitos anos a associação entre Serviço Social e educação esteve</p><p>quase que de forma automática, relacionada ou ao campo da formação</p><p>profissional ou à dimensão educativa do trabalho dos assistentes sociais. As</p><p>razões não nos são desconhecidas: uma franca alteração no perfil do</p><p>mercado de trabalho, no que se tange à efetiva atuação dos assistentes</p><p>sociais no âmbito dos estabelecimentos e da política educacional ao longo</p><p>dos anos 70 e parte dos 80, a afirmação do debate e das práticas sobre</p><p>educação popular que se estenderam para além dos muros institucionais,</p><p>além do reconhecido avanço teórico e político que as abordagens sobre a</p><p>formação dos assistentes sociais ganharam no final deste século,</p><p>particularmente face à atuação da Associação Brasileira de Ensino e</p><p>Pesquisa em Serviço Social (ALMEIDA, 2000, p.19-20).</p><p>Para Almeida (2000) os educadores sozinhos, não estão conseguindo dar conta de</p><p>todos os problemas vivenciados no cotidiano escolar e, neste sentido, percebemos</p><p>que este âmbito, necessita de uma intervenção concreta, capaz de produzir</p><p>resultados reais que contribuam para que as instituições educacionais sejam</p><p>capazes de promover a aquisição do conhecimento, mas, também de impactar nos</p><p>41</p><p>indivíduos um posicionamento crítico, a fim de provocar a transformação da</p><p>realidade.</p><p>O Serviço Social é um desses saberes que pode intervir na realidade dos usuários,</p><p>de acordo com a particularidade de cada um e como uma profissão legalmente</p><p>conhecida tem muito a contribuir na política da educação.</p><p>As demandas emergentes na escola justificam a inserção do assistente social no</p><p>âmbito da política educacional, pois “[...] trabalham com as mais diferentes</p><p>expressões da questão social, esclarecendo à população seus direitos sociais e os</p><p>meios de ter acesso aos mesmos" (IAMAMOTO, 2000, p. 26).</p><p>As mudanças ocorridas ao longo das últimas três décadas do século vinte no modo</p><p>de produção capitalista foram decisivas para um conjunto diversificado de</p><p>requisições no campo educacional.</p><p>Essas transformações na esfera da produção e da cultura impõem dois</p><p>desafios centrais para a educação, vinculados exatamente às suas funções</p><p>econômicas e ideológicas, estratégicas no atual estágio de desenvolvimento</p><p>do capitalismo: a garantia de uma formação técnica flexível, adequada às</p><p>exigências dos novos padrões de produção e consumo e às variações do</p><p>mercado de compra e venda da força de trabalho, assim como a garantia de</p><p>uma formação ideologicamente funcional ao paradigma da empregabilidade.</p><p>O alcance planetário dessas mudanças fornece um novo contorno à divisão</p><p>internacional do trabalho e da produção cultural, exigindo ações mais</p><p>articuladas e de proporções mais amplas na garantia das condições</p><p>necessárias para o desenvolvimento das novas estratégias formuladas pelo</p><p>capital nas três últimas décadas (ALMEIDA, 2000, p. 153).</p><p>Os alunos trazem para a escola diversos problemas que se inserem no âmbito</p><p>sócio-familiar, que são provindas e decorrentes do capitalismo. O trabalhador vende</p><p>a sua força de trabalho para atender a uma determinada necessidade social em</p><p>vista de sua própria sobrevivência na sociedade, mas não é o suficiente, devido à</p><p>situação de exploração e de dominação própria da estrutura capitalista.</p><p>42</p><p>Essa mesma estrutura cria a miséria e os aspectos a ela ligada que incidem</p><p>diretamente sobre o trabalhador e sua família, sendo assim, os alunos trazem</p><p>diversos problemas para a escola que exigem medidas que ultrapassem os muros</p><p>institucionais.</p><p>Pois, conforme o livro “O Serviço Social na Educação”, elaborado pelo Conselho</p><p>Federal de Serviço Social, o CFESS (2001).</p><p>No atual contexto o sistema de ensino, além de se mostrar “insuficiente” no</p><p>que se refere à quantidade de vagas para o atendimento dos alunos, temos</p><p>também com grande desafio da “melhoria” de sua qualidade. As estatísticas</p><p>tem se mostrado, que em algumas regiões do país 60% dos alunos que</p><p>iniciam seus estudos não chegam a concluir a 8ª série do ensino</p><p>fundamental, ou seja, não concluem a segunda etapa da educação básica</p><p>(CFESS, 2001, p.11).</p><p>A aprovação da LDB em 1996 trouxe mudanças positivas para o ensino brasileiro,</p><p>pois até então a educação era privilégio de poucos e agora passa a contemplar às</p><p>necessidades sociais como prevê no art. 1º onde, a educação abrange os processos</p><p>formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no</p><p>trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e</p><p>organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.</p><p>No entanto, mesmo diante desse avanço na educação, vê-se a importância da</p><p>intervenção de outros profissionais na educação, pois com as mudanças ocorridas</p><p>na sociedade faz necessário intervenções que vão além do cotidiano escolar.</p><p>A violência, a evasão escolar, a desigualdade social, a saúde precária, a fome e</p><p>outros, são expressões da questão social, que se fazem presentes no interior das</p><p>escolas. Sabemos que essa realidade está tão interiorizada no ambiente escolar,</p><p>que todos esses conflitos, dificultam o cumprimento, da finalidade maior da escola,</p><p>enquanto instituição educacional, que é a de contribuir para a formação da cidadania</p><p>e promoção cultural dos indivíduos. Em conformidade a esse parágrafo Netto afirma:</p><p>43</p><p>O desenvolvimento capitalista produz compulsoriamente, a "questão</p>