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<p>studocu Uma visão sobre a Evasão Escolar Sociologia (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo) A Studocu não é patrocinada ou endossada por nenhuma faculdade ou universidade Baixado por Marcia Nogueira (nogueira306silva@gmail.com)</p><p>EVASÃO ESCOLAR A educação deve ser considerada um processo de construção de um ser humano. O processo de socialização da criança lhe passa alguns princípios, porém, é na escola que ela adquire o conhecimento. Sabemos que a evasão escolar ocorre quando o aluno deixa de frequentar a aula, caracterizando o abandono durante o ano letivo. É um problema social que atinge diversos países, e em geral seus níveis mais elevados são notados em países subdesenvolvidos ou países emergentes. No Brasil, a evasão escolar é um grande desafio para as escolas, pais e para o sistema educacional. Uma pesquisa do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira) de 2007 revelou que de cada 100 alunos que ingressam na escola na série, 5 não concluem o ensino fundamental, ou seja, 95 terminam a série. Uma pesquisa recente, datada de 2015, porém com dados de 2013 e publicada pela ONU (Organização das Nações Unidas), mostra que desde a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Brasil reduziu em 64% a evasão escolar de crianças e adolescentes no ensino fundamental, passando de 19,6% dos alunos matriculados, em 1990, para 7% em 2013. Em 2007, 4,8% dos alunos matriculados no Ensino Fundamental abandonaram a escola. Embora o índice pareça pequeno, corresponde a quase um milhão e meio de alunos. Existem inúmeras causas para esse problema, e responsabilizar o aluno pelo abandono é a saída mais fácil, mas nem sempre são os culpados. Pesquisas indicam que existem dois conjuntos de fatores que interferem no abandono escolar. O primeiro deles é o chamado risco social. Fatores como a condição socioeconômica e o lugar de residência podem aumentar a pressão para a desistência, a baixa qualidade do ensino das escolas, a falta de interesse, dificuldades de aprendizado, doenças crônicas, deficiências no transporte escolar, falta de incentivo dos pais, mudanças de endereço a necessidade do trabalho infantil para compor a renda familiar, a pobreza e a falta de comida em casa, a longa distância entre a escola e a casa, a falta de uniforme e material escolar, que dificultam a ida à escola todos os dias, além de motivos de ordem mais social, como o abuso sexual dentro e fora de casa, ou até mesmo na escola; exploração sexual, a violência física ou psicológica com a criança ou entre seus familiares, o abuso físico ou psicológico na escola ou em casa, a não valorização do ensino por parte dos adultos, o casamento ou gravidez precoces, o uso e tráfico de drogas, a falta de segurança na localidade ou próximo à escola, This document is available free of charge on studocu Baixado por Marcia Nogueira (nogueira306silva@gmail.com)</p><p>brigas de gangues e dificuldades de acompanhamento dos conteúdos curriculares e diversos outros. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a evasão atinge 6,9% no Ensino Fundamental e 10% no Ensino Médio, o que corresponde a 3,2 milhões de crianças e jovens e mais 2,9 milhões que abandonam as aulas num ano e retornam no seguinte, engrossando outro índice preocupante: o da distorção idade e série Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007, apenas 21,8% dos adolescentes que têm ocupação continuam indo às aulas. Entretanto, esses mesmos estudos mostram que a própria escola colabora para agravar a situação. Os altos índices de repetência exercem um papel fortíssimo, pois longe de sua faixa etária original, o aluno se sente desmotivado a seguir aprendendo. Um levantamento feito pelo movimento Todos Pela Educação com base na Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (Pnad) de 2013 indica que 45,7% dos jovens brasileiros não conseguem concluir o ensino médio até os 19 anos - 2 anos depois de idade adequada. Variáveis como situação social e dinâmica familiar estão envolvidas, entre outros elementos que vão além dos muros da escola, mas há posturas que podem ser adotadas e que podem melhorar gradativamente a situação. A evasão tem vários motivos, ligados a contextos diversos. Um estudo mais aprofundado revela que a maior causa do abandono escolar, provavelmente, não é a que sempre imaginamos. Por décadas repetiu-se o discurso de que o aluno abandonava o ensino médio para trabalhar. Mas uma pesquisa de 2009 da Fundação Getúlio Vargas mostrou, com base nos dados da Pnad de 2006, que 40,3% dos jovens de 15 a 17 anos tinham abandonado os estudos por falta de interesse. Essa falta de interesse está na raiz do diagnóstico de muitos educadores de que é preciso mudar o currículo do ensino. Falta de foco, com excesso de conteúdo, e ausência de contextualização estão entre as críticas mais frequentes. Mas existe também um problema conceitual. Um exemplo disso são as aulas sem participação dos alunos, que se limitam a ouvir palestras dos professores e, quando muito, anotam o que foi escrito na lousa. Segundo essas pesquisas, os locais onde mais ocorrem esses problemas são as regiões pouco urbanizadas (interiores), e principalmente nas regiões norte e nordeste. Baixado por Marcia Nogueira</p><p>Cabe lembrar que, segundo a legislação brasileira, o ensino fundamental é obrigatório para as crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, sendo responsabilidade das famílias e do Estado garantir a eles uma educação integral. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB9394/96) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), um número elevado de faltas sem justificativa e a evasão escolar ferem os direitos das crianças e dos adolescentes. Nesse sentido, cabe a instituição escolar valer-se de todos os recursos dos quais disponha para garantir a permanência dos alunos na escola. Prevê ainda a legislação que esgotados os recursos da escola, a mesma deve informar o Conselho Tutelar do Município sobre os casos de faltas excessivas não justificadas e de evasão escolar, para que o Conselho tome as medidas cabíveis. Porém, na prática, percebemos que o sistema é falho e nem sempre ocorre essa relação Escola X Conselho, e quando ocorre, o órgão nem sempre consegue resolver os casos. Dentre as causas desse problema, podemos destacar uma que sem dúvidas é responsável por grande parte dos números desse índice: a base familiar da criança. A família é a base no processo de socialização, e com uma base desestabilizada, todo seu processo de socialização e construção são comprometidos. A escola serve como segunda base nesse processo, é onde a criança ou adolescente começa a interagir e conviver em sociedade. Os pais desde cedo ensinam aos filhos que a educação é importante para se ser alguém na vida. Com isso, frequentam a escola para que consigam um diploma e um emprego que lhes pague bem, ou uma vida tranquila no futuro. Como predomina a ideia de um aprendizado sem sentido, muitos se desestimulam e desistem. Em geral, a interrupção dos estudos é o passo final de um processo que deixa sinais. O primeiro costuma ser o desinteresse em sala. Indisciplina e atos de violência também são comuns. Logo começam as faltas, cada vez mais frequentes. Por fim, a ausência definitiva. Também são recorrentes, sobretudo entre os jovens, as queixas de que a escola "não serve para nada". No ensino médio, o fracasso escolar é o principal motivo do abandono. Isso porque 50% dos alunos chegam à segunda etapa do Ensino Fundamental (6° ano) sem This document is available free of charge on studocu Baixado por Marcia Nogueira (nogueira306silva@gmail.com)</p><p>saber ler um texto de cinco linhas e contar o que leu, ou seja, são os chamados analfabetos funcionais. Desta imensa massa, mais da metade já abandona a escola antes do Ensino Médio, mas em geral são empurrados para as séries seguintes. Isto acontece porque a primeira etapa do Ensino Fundamental, com suas escolas municipais, não ensina o básico: ler, escrever e fazer contas básicas de matemática. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais, divulgada em 2010 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tem a maior taxa de abandono escolar no Ensino Médio entre os países do Mercosul. Segundo a pesquisa, 1 em cada 10 alunos entre 15 e 17 anos deixa de estudar nessa fase, o que equivale a cerca de 1 milhão de estudantes abandonando o ensino médio na rede pública. Isso equivale a 16,9% das matrículas, enquanto na rede privada, a taxa de abandono não chega a 3%. As pesquisas mostram que os alunos que deixam de estudar o fazem porque estão indo mal na escola. O MEC, de olho nesse problema, realiza periodicamente mapeamentos dos índices de evasão no Brasil. Se pararmos para analisar, podemos ver com clareza que o número de alunos que deixa a escola entre 15 e 17 anos é maior. Vemos também que a região com maior evasão é o Nordeste. Na escola particular os índices de evasão são menores, porque os pais estão pagando pela escola e fazem mais esforço para que os filhos não abandonem a sala de aula. Os alunos do noturno são os que mais deixam a escola. Eles representam 9,6% das matrículas, mas totalizam 36% dos que abandonam. O mesmo acontece no ensino médio. Os alunos do noturno somam 51% das matrículas e 70% dos que deixam a escola. Dentro desse grupo, as causas são geralmente o desgaste e a dificuldade de conciliar suas tarefas cotidianas a rotina de estudos. A evasão escolar no ensino médio é um problema não só do Brasil, mas também de países do Primeiro Mundo. Evidentemente, o incômodo causado nos índices Baixado por Marcia Nogueira (nogueira306silva@gmail.com)</p><p>estatísticos dos países desenvolvidos deve ser analisado de acordo com suas realidades. Sendo assim, índices que incomodam, por exemplo, EUA, Reino Unido e Finlândia, são menores que os nossos por uma série de características diferentes, tais como a população, a valorização dos profissionais ligados a educação, a supervalorização dos estudos, infraestrutura para o ensino e o nível de acompanhamento e exigência dos pais de alunos, principalmente aqueles com maior nível de escolaridade, como os finlandeses. A evasão no ensino médio dos Estados Unidos levou Barac Obama, em 2009, a endereçar um discurso patriótico aos alunos de uma escola de ensino médio: "Abandonar a escola não é patriótico! Se você desistir da escola, você não está desistindo de você mesmo, mas de seu país! discurso de Obama teve forte apelo para adolescentes norte-americanos, os quais têm um senso patriótico muito forte. No Reino Unido, que amarga há algum tempo a pior taxa de desistência no ensino médio entre os países desenvolvidos, a evasão é maior que a da Estônia, Grécia e Eslovênia, segundo dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). estudo mostra que cada vez mais adolescentes de 15 a 19 anos estão sem ocupação e estudo. Somente a Turquia, México e Brasil estão em situação pior. As consequências desse problema trazem alguns agravantes para a sociedade. Parte dos alunos que abandonam a escola entram para o mundo do crime, em organizações e facções direcionadas ao roubo, tráfico de drogas e outras atividades ilícitas. A evasão também diminui o número de jovens que ingressam na faculdade, deixando assim o mercado de trabalho sem mão de obra capacitada, gerando um déficit na indústria. Com isso, a economia e a segurança pública tendem a ficarem ameaçadas, aumentando a população carcerária no brasil, que já é elevada. This document is available free of charge on studocu Baixado por Marcia Nogueira (nogueira306silva@gmail.com)</p>