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<p>CIÊNCIA POLÍTICA E TEORIA DO ESTADO:</p><p>Necessidade de se preparar o profissional do direito para ser mais do que um manipulador de um processo técnico, formalista e limitado a fins imediatos.</p><p>“O de que mais se precisa no preparo dos juristas de hoje é fazê-los conhecer bem as instituições e os problemas da sociedade contemporânea, levando-os a compreender o papel que representam na atuação daqueles e aprenderem as técnicas requeridas para a solução destes”. (Edgar Bodenheimer)</p><p>1. Conhecer as instituições;</p><p>2. Saber de que forma os problemas sociais devem ser conhecidos;</p><p>3. É uma disciplina propedêutica.</p><p>Teoria Geral do Estado aprecia os aspectos jurídicos e os não jurídicos.</p><p>Estuda o Estado em sua totalidade, detendo-se quando se trata do direito legislado (positivado)</p><p>TEORIA DO ESTADO NA HISTÓRIA</p><p>“Disciplina de síntese, que sistematiza conhecimentos jurídicos, filosóficos, sociológicos, políticos, históricos, econômicos, psicológicos, valendo-se de tais conhecimentos para buscar o aperfeiçoamento do Estado, concebendo-o, ao mesmo tempo, como um fato social e uma ordem, que procura atingir os seus fins com eficácia e com justiça.” (Dallari, 2009, p.2)</p><p>Século XIX: surgimento da disciplina</p><p>Porém, buscamos estudos relacionados ao tema desde a antiguidade greco-romana, como:</p><p>Escritos de Platão, Aristóteles e Cícero. Esses estudos eram todos fundamentados pela realidade idealizada.</p><p>Na Idade Média: Escritos de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, Marsílio de Padua (1324) – separação do Estado e da (Igreja) religião. Esses estudos eram ainda fundamentados na teologia.</p><p>Renascimento: abandono dos fundamentos teológicos e a busca de generalizações a partir da própria realidade, com MAQUIAVEL (sec XVI) – revolução nos estudos políticos, criando a possibilidade de uma ciência politica.</p><p>Iluminismo: aparecem os autores Thomas Hobbes, John Locke, Montesquieu, Jean-Jacques Rousseau – fundamentam o direito, a organização social e o poder politico na natureza humana e na vida social.</p><p>Século XIX: alemão Gerber: procura sistematizar os fenômenos políticos juridicamente - Fundamentos de um sistema de direito politico alemão (1865) que influencia George Jellinek, que cria uma Teoria Geral do Estado (1900), como disciplina autônoma, tendo por objeto o conhecimento do Estado.</p><p>A PARTIR DAÍ VIERAM OS VÁRIOS TÍTULOS AO TEMA, COMO:</p><p>Itália: Diritto Pubblico Generale (douttrina dello stato (V.E. Orlando)</p><p>França: Théorie Générale de l’Etat e Doctrine de l’Etat</p><p>Espanha: Derecho Político</p><p>Portugal: Direito Político que, segundo Marcelo Caetano, se relacionava primeiro ao Estado e que se chamou mais tarde de Constitucional, havendo agora uma tendência de denominar a primeira parte de Ciência Política.</p><p>Brasil: 1940: desdobramento em Teoria Geral do Estado e Direito Constitucional. Recentemente sob a influencia de Portugal e mais ainda dos Estado Unidos, passaram a identificar a disciplina TGE com a Ciência Politica.</p><p>A partir de dezembro de 1994: obrigatoriedade das disciplinas TGE e CP no curso jurídico.</p><p>DISTINÇÃO ENTRE TEORIA DO ESTADO E CIÊNCIA POLÍTICA</p><p>“O Estado é universalmente reconhecido como pessoa jurídica, que expressa sua vontade através de determinadas pessoas ou determinados órgãos. Nesse dado é que se apoiam todas as teorias que sustentam a limitação jurídica do poder do Estado, bem como o reconhecimento do Estado como sujeito de direitos e de obrigações jurídicas. O poder do Estado é, portanto, poder jurídico, sem perder seu caráter politico.</p><p>A ciência Politica faz o estudo da organização politica e dos comportamentos políticos, tratando dessa temática à luz da Teoria Politica, sem levar em conta os elementos jurídicos. Tal enfoque é de evidente utilidade para complementar os estudos de Teoria do Estado, mas é obviamente insuficiente para a compreensão dos direitos, das obrigações e das implicações jurídicas que se contém no fato politico ou decorrente dele.</p><p>CONCEITO</p><p>TEORIA DO ESTADO é uma disciplina de síntese, que sistematiza conhecimentos jurídicos, filosóficos, sociológicos, políticos, antropológicos, econômicos, psicológicos, valendo-se de tais conhecimentos para buscar o aperfeiçoamento do Estado, concebendo-o ao mesmo tempo como um fato social e uma ordem, que procura atingir os seus fins com eficácia e com justiça. (Dallari)</p><p>OBJETO DA TEORIA GERAL DO ESTADO:</p><p>“Estudo do Estado sob todos os aspectos, incluindo a origem, a organização, o funcionamento e as finalidades, compreendendo-se no seu âmbito tudo o que se considere existindo no Estado e influindo sobre ele.” (Dallari)</p><p>CIÊNCIA POLÍTICA, em sentido lato, tem por objeto o estudo dos acontecimentos, das instituições e das ideias politicas, tanto em sentido teórico (doutrina) como em sentido prático (arte), referido ao passado, ao presente e às possibilidades futuras. (Bonavides)</p><p>As origens do pensamento político</p><p>A política surge na Grécia clássica, no século VI a. C., um período em que o homem abandona a mitologia e o simbolismo, e passa a explicar racionalmente a sua existência no mundo que o circunda. É nesse período que nasce a pólis grega, acontecimento decisivo que provocou grandes alterações na vida social e política dos homens.</p><p>Nesse período, iniciou-se a estabilização da sociedade grega e das cidades-estado, caracterizadas pelo aparecimento de uma classe mercantil politicamente muito influente, graças ao desenvolvimento da atividade comercial e da expansão marítima.</p><p>Essa solidez se refletiu nas reformas políticas iniciadas por Sólon, no século VI a. C., e levadas adiante por Clístenes, que introduziu as primeiras regras democráticas. Essas reformas representaram, concretamente, a quebra dos privilégios de uma oligarquia até então dominante, e a progressiva secularização da sociedade.</p><p>Nesse contexto, a democracia surge como uma possibilidade de se resolverem as diferenças por meio do entendimento mútuo e de leis que primassem pela isonomia entre todos; leis estas que pudessem refletir os anseios do interesse comum dos cidadãos.</p><p>A originalidade das cidades gregas se centra justamente na possibilidade de se debaterem os problemas de interesse comum em reuniões de cidadãos chamadas de “assembleias”, que aconteciam em um espaço público conhecido como “ágora”.</p><p>Isso significa que as decisões passaram a ser tomadas por consenso, o que acarreta persuadir, convencer, justificar e explicar, não se dispondo mais da força, dos privilégios e da autoridade de origem divina, diferentemente do que ocorria antes, em que a imposição, a violência, a obediência, o privilégio, a tradição e o medo eram as formas de exercício do poder.</p><p>Na pólis o domínio público e o privado passam a separar-se mais claramente, o que significa dizer que ao ideal de valor de sangue, restrito a grupos privilegiados em função do nascimento ou fortuna, sobrepunha-se a justa distribuição dos direitos dos cidadãos enquanto representantes dos interesses da cidade.</p><p>É nesse preciso momento que está sendo elaborado um novo ideal de justiça, pelo qual todo cidadão tem direito ao poder. Cultiva-se uma nova noção de justiça, que passa a assumir um caráter político e não apenas moral, não dizendo respeito apenas ao indivíduo e aos interesses da tradição familiar, mas também se referindo à sua atuação na sociedade.</p><p>A linguagem, por meio do diálogo e da discussão, passa a ocupar um papel primordial para conviver-se na pólis, pois por meio dela se rompe com a violência, com o uso da força e do medo, na medida em que, em princípio, todos os falantes têm no diálogo os mesmos direitos: interrogar, questionar, contra argumentar, etc. A razão passa a se sobrepor à força, tornando-se uma forma de controlar o exercício do poder.</p><p>É a expressão da individualidade, por meio do debate, que faz nascer a política, libertando o homem dos exclusivos desígnios divinos, e permitindo a ele mesmo tecer seu destino em praça pública. Por conseguinte, podemos dizer que o cidadão da pólis participava dos destinos da cidade por meio do uso da palavra em praça pública.</p><p>Mas ao falarmos da democracia</p><p>ateniense, é preciso ressaltar que ela se limitava apenas a determinados indivíduos, considerados como os verdadeiros cidadãos da pólis.</p><p>Atenas possuía meio milhão de habitantes, dos quais 300 mil eram escravos e 50 mil estrangeiros, conhecidos como “metecos”. Excluindo-se as mulheres e crianças, restavam apenas dez por cento da população, que englobava os cidadãos propriamente ditos, capacitados para decidir por todos. Por isso, quando falamos em democracia ateniense, é bom lembrar que a maior parte da população se achava excluída do processo político.</p><p>Aliás, quanto mais se desenvolvia a ideia de “cidadão ideal”, com a consolidação da democracia, mais a escravidão surgia como contraponto indispensável, na medida em que ao escravo eram reservadas as tarefas consideradas menores.</p><p>De qualquer forma, é inegável que um houve na Grécia clássica, mormente em Atenas, um processo de mutação do ideal político e o surgimento de uma concepção nova de poder baseada na democracia.</p><p>DESAFIOS DO CIENTISTA POLÍTICO</p><p>É diferente do trabalho do cientista da natureza</p><p>Químico, físicos chega ao conhecimento de leis sempre por via da experiência e da observação.</p><p>Pelo fato de elementos químicos se comportarem da mesma maneira.</p><p>Com o cientista político é diferente, porque os fenômenos sociais e políticos variam de um pais para outro, de uma geração para outra.</p><p>“O material de que se serve assim o cientista social cria pela extrema mutabilidade de sua natureza, não somente óbices quase invencíveis ao estudioso, como torna penosíssimo senão impossível o reconhecimento, na Ciência Política, de leis fixas, uniformes, invariáveis.” (P. Bonavides, 2000. p. 37)</p><p>TRÍPLICE ASPECTO DE ANÁLISE DAS INSTITUIÇÕES - PRISMAS</p><p>JURÍDICO/POLÍTICO</p><p>- Corpo de normas, direito e norma se confundem, Estado puro conceito, sem substantividade</p><p>- Hans Kelsen</p><p>SOCIOLÓGICO</p><p>- Estudos da racionalização do poder, aspecto burocrático do poder, regime politico, essência dos partidos, autoridade, atos legislativos</p><p>- Max Weber, Oppenheimer, Vierkandt, Mannheim</p><p>FILOSÓFICO</p><p>Política como preocupação dos filósofos</p><p>Origem, essência, justificação e fins do Estado</p><p>Sócrates, Platão, Aristóteles, Laski, Carl Schmitt, Villeneuve</p>

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