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<p>Conhecimentos específicos</p><p>“Camuflar um erro seu é</p><p>anular a busca pelo</p><p>conhecimento. Aprenda</p><p>com eles e faça novamente</p><p>de forma correta.”</p><p>Nara Nubia Alencar</p><p>ATO ADMINISTRATIVO</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Ato Administrativo</p><p>A Administração Pública realiza sua função executiva por meio de atos jurídicos que recebem a deno-</p><p>minação especial de atos administrativos. Tais atos, seja por sua natureza, por seu conteúdo ou forma,</p><p>diferenciam-se dos que emanam do Legislativo (leis) e do Judiciário (decisões judiciais), quando de-</p><p>sempenham suas atribuições específicas de legislação e de jurisdição.</p><p>Assim sendo, temos, na atividade pública geral, três categorias de atos inconfundíveis entre si: atos</p><p>legislativos, atos judiciais e atos administrativos.</p><p>Fundamentalmente, ato administrativo poderia ser conceituado tal qual o ato jurídico, todavia diferen-</p><p>cia-se por conta de sua finalidade pública.</p><p>Características do Ato Administrativo</p><p>Diante dos conceitos doutrinários apresentados, podemos depreender algumas características funda-</p><p>mentais:</p><p>1) provém do Estado ou de quem esteja investido em prerrogativas estatais;</p><p>2) é exercido no uso de prerrogativas públicas, sob regência do direito público;</p><p>3) trata-se de declaração jurídica unilateral, mediante manifestação que produz efeitos de direito, como</p><p>sejam: certificar, criar, extinguir, transferir, declarar ou de qualquer modo modificar direitos ou obriga-</p><p>ções.</p><p>4) sujeita-se a exame de legitimidade por órgão jurisdicional, por não apresentar caráter de definitivi-</p><p>dade perante o Direito.</p><p>5) consiste em providências jurídicas complementares da lei ou excepcionalmente da própria Consti-</p><p>tuição, sendo aí estritamente vinculadas, a título de dar-lhes cumprimento.</p><p>O ato administrativo nem sempre constitui declaração “de vontade”, tanto que são comuns os casos</p><p>máquinas programadas para expedir ordens em nome da Administração, é o caso por exemplo dos</p><p>comandos emitidos pelo semáforo que são verdadeiros atos administrativos que não decorrem de qual-</p><p>quer manifestação imediata de vontade.</p><p>Outro ponto a se destacar do conceito consiste na referência ao ato administrativo como aquele prati-</p><p>cado no exercício da função administrativa. Deste modo há a possibilidade de tais atos serem expedi-</p><p>dos por qualquer pessoa encarregada de executar tarefas da Administração, ainda que não esteja li-</p><p>gada à estrutura do Poder Executivo.</p><p>Poder Judiciário, Poder Legislativo, Ministério Público e particulares delegatários de função administra-</p><p>tiva, como concessionários e permissionários, também podem praticar atos administrativos; ou seja, é</p><p>considerado ato administrativo aquele praticado por entidade de direito privado no exercício de função</p><p>delegada do Poder Público e em razão dela”</p><p>Outra característica jurídica do ato administrativo é a sua necessária subordinação aos dispositivos</p><p>legais. Nas palavras de Alexandre Mazza:</p><p>"Como a lei representa, na lógica do Estado de Direito, manifestação legítima da vontade do povo, a</p><p>submissão da Administração Pública à lei reafirma a sujeição dos órgãos e agentes públicos à sobera-</p><p>nia popular. Ao ato administrativo é reservado o papel secundário de realizar a aplicação da lei no caso</p><p>concreto;</p><p>Destaque-se também que além de a Administração não poder atuar contra legem (contrariando a lei)</p><p>ou praeter legem (fora da lei), deve agir secundum legem (conforme a lei). Deste modo o ato adminis-</p><p>trativo só pode tratar de matéria previamente disciplinada em lei, não podendo haver decreto discipli-</p><p>nando matéria nova, tampouco inovando em temas já legislados;</p><p>O ato administrativo é praticado para adquirir, resguardar, modificar, extinguir e declarar direitos. O que</p><p>o diferencia dos demais atos jurídicos é que tais efeitos estão latentes na lei, e o ato administrativo</p><p>ATO ADMINISTRATIVO</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>apenas desencadeiam a eficácia legal em relação a determinada pessoa, ao contrário de outras cate-</p><p>gorias de atos jurídicos que criam, por força própria, as consequências jurídicas decorrentes de sua</p><p>prática.</p><p>Perfeição, Validade e Eficácia</p><p>Como todo ato jurídico, o ato administrativo está sujeito a três planos lógicos distintos: Perfeição ou</p><p>Existência, Validade e Eficácia.</p><p>Nas palavras de Celso Antônio Bandeira de Mello o ato administrativo:</p><p>"é perfeito quando esgotadas todas as fases necessárias à sua produção. Portanto, ato perfeito é o</p><p>que completou o ciclo necessário à sua formação. [...] é válido quando foi expedido em absoluta con-</p><p>formidade com as exigências do sistema normativo. Vale dizer, quando se encontra adequado aos</p><p>requisitos estabelecidos pela ordem jurídica. [...] é eficaz quando está disponível para a produção de</p><p>seus efeitos próprios; ou seja, quando o desencadear de seus efeitos típicos não se encontra depen-</p><p>dente de qualquer evento posterior, como uma condição suspensiva, termo inicial ou ato controlador a</p><p>cargo de outra autoridade."</p><p>Perfeição diz respeito à situação do ato cujo processo de formação já está concluído. Validade, por sua</p><p>vez, trata da adequação dos atos às exigências normativas. Por fim, eficácia é a situação de disponibi-</p><p>lidade para produção dos efeitos típicos, próprios do ato.</p><p>Os atos administrativos combinam esses aspectos, podendo ser, como explica Celso Antônio Bandeira</p><p>de Mello:</p><p>a) perfeito, válido e eficaz - quando, concluído o seu ciclo de formação, encontra-se plenamente ajus-</p><p>tado as exigências legais e está disponível para deflagração dos efeitos que lhe são típicos;</p><p>b) perfeito, inválido e eficaz - quando, concluído o seu ciclo de formação e apesar de não se achar</p><p>conformado as exigências normativas, encontra-se produzindo os efeitos que lhe seriam inerentes;</p><p>c) perfeito, válido e ineficaz - quando, concluído o seu ciclo de formação e estando adequado aos</p><p>requisitos de legitimidade, ainda não se encontra disponível para a eclosão de seus efeitos típicos, por</p><p>depender de um termo inicial ou de uma condição suspensiva, ou autorização, aprovação ou homolo-</p><p>gação, a serem manifestados por uma autoridade controladora;</p><p>d) perfeito, inválido e ineficaz - quando, esgotado seu ciclo de formação, sobre encontrar-se em des-</p><p>conformidade com a ordem jurídica, seus efeitos ainda não podem fluir, por se encontrarem na depen-</p><p>dência de algum acontecimento previsto como necessário para a produção dos efeitos (condição sus-</p><p>pensiva ou termo inicial, ou aprovação ou homologação dependentes de outro orgão).</p><p>Ressalta-se que, sendo imperfeito o ato, não se falará em validade e eficácia.</p><p>Perfeição ou Existência</p><p>O primeiro plano lógico ao qual se submete o ato administrativo é o da perfeição ou existência.</p><p>O plano de existência do ato administrativo consiste no cumprimento do ciclo de formação deste ato,</p><p>ou seja, ato perfeito é aquele que já completou o seu ciclo necessário de formação, já percorreu todas</p><p>as fases necessárias para sua constituição. A perfeição do ato não leva em consideração a sua vali-</p><p>dade, mas sim apenas as fases de produção.</p><p>Neste plano verifica-se se o ato administrativo cumpriu o seu ciclo jurídico de formação, ou seja, se o</p><p>ato está revestido dos elementos e pressupostos necessários para que possa ser considerado como</p><p>tal.</p><p>Convém salientar que a perfeição do ato não diz respeito à sua existência fática, mas sim à sua exis-</p><p>tência jurídica. Deste modo, um ato pode materialmente ser praticado (existência fática), mas ser ine-</p><p>xistente juridicamente por não atender a um ou mais requisitos necessários à sua formação. Outro</p><p>ponto interessante é que a existência do ato deve ser analisada à luz de determinado ramo do direito,</p><p>pois pode um ato ser imperfeito para um ramo e perfeito para outro.</p><p>ATO ADMINISTRATIVO</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Pode-se considerar que o ato administrativo possui dois elementos de existência (conteúdo e forma ou</p><p>exteriorização do conteúdo) e dois pressupostos (objeto e referibilidade à função administrativa).</p><p>Validade</p><p>exemplificativo;</p><p>c) Bens municipais: são os que pertencem aos Municípios; não estão na repartição constitucional;</p><p>são enumerados, portanto, em sede legal;</p><p>d) Bens distritais: como o DF não pode ser dividido em municípios, ele tem uma “competência soma-</p><p>tória”; logo, abrangem os bens estaduais + municipais.</p><p>Quanto À Destinação</p><p>Bens De Uso Comum Do Povo (Ou Bens De Domínio Público Em Sentido Estrito)</p><p>Os bens de uso comum do povo, também denominados bens do domínio publico, são os bens que</p><p>todos podem usar. Destinam-se à utilização geral pelos indivíduos, podendo ser federais, estaduais</p><p>ou municipais. Todos os lugares abertos a utilização publica adquirem esse caráter de comunidade,</p><p>de uso coletivo. Tal destinação pode decorrer da natureza do bem ou de previsão legal, como, por</p><p>exemplo, ruas, praças, mares, praias, rios, estradas, logradouros públicos, alem de outros.</p><p>São aqueles bens destinados ao uso da coletividade, de forma indiscriminada (sem distinção). Res-</p><p>salte-se, entretanto, que, não obstante tais bens estejam à disposição da coletividade de forma indis-</p><p>tinta, o poder público pode regulamentar a sua utilização. Ex.: fechamento de praças a partir das 22</p><p>(vinte e duas) horas, com o fim de proteger o bem público; fechamento de um viaduto nos fins de</p><p>semana em razão do barulho.</p><p>Os bens de uso comum do povo, vale dizer, não precisam de prévia autorização para o seu uso nor-</p><p>mal. Nesse contexto, cumpre destacar a relação entre esses bens e o direito de reunião, previsto no</p><p>art. 5º, XVI, da CF/88 . Esse dispositivo assegura o direito de reunião (pacífica e sem armas) inde-</p><p>pendentemente de autorização, porém com aviso prévio à autoridade competente, e desde que não</p><p>frustre outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local.</p><p>Entende a jurisprudência, por seu turno, que a administração pública pode impedir que a reunião</p><p>aconteça naquele determinado local, em razão de um interesse público (fluidez do trânsito, horário</p><p>impróprio etc.), mediante decisão fundamentada. Contudo, deve o administrador indicar outro local</p><p>com a mesma visibilidade do anterior, não podendo frustrar a reunião.</p><p>Bens De Uso Especial (Ou Bens Do Patrimônio Administrativo)</p><p>São aqueles bens destinados, especialmente, à prestação de serviços públicos. São considerados</p><p>instrumentos do serviço público, também chamados de aparelhamento estatal. São, portanto,todas as</p><p>coisas, móveis ou imóveis, corpóreas ou incorpóreas, utilizadas pela Administração Pública para rea-</p><p>lização de suas atividades e consecução de seus fins.</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Exemplos: repartições públicas; escolas públicas; hospitais públicos; mercados municipais; teatros e</p><p>museus públicos; veículos oficiais; aeroportos; navios militares; terras de silvícolas; cemitérios etc.</p><p>Acerca da expressão "de uso especial" utilizada pela doutrina majoritária, Di Pietro (2014,p.748)</p><p>apresenta uma objeção a respeito:</p><p>A expressão uso especial, para designar essa modalidade de bem, não é muito feliz, porque se con-</p><p>funde com outro sentido em que é utilizada, quer no direito estrangeiro, quer no direito brasileiro, para</p><p>indicar o uso privativo de bem público por particular e também para abranger determinada modalida-</p><p>de de uso comum sujeito a maiores restrições, como pagamento de pedágio e autorização para circu-</p><p>lação de veículos especiais.</p><p>A autora (2014,p.748) ainda complementa seu entendimento apresentando uma opção para o uso de</p><p>termo mais correto e técnico para se referir a tais bens:</p><p>É mais adequada a expressão utilizada pelo direito italiano e pelo antigo Código de Contabilidade</p><p>Pública, ou seja, bens do patrimônio indisponível; por aí se ressaltar o caráter patrimonial do bem (ou</p><p>seja, a sua possibilidade de ser economicamente avaliado) e a sua indisponibilidade, que resulta, não</p><p>da natureza do bem, mas do fato de estar ele afetado a um fim público.</p><p>Os bens de uso especial podem ser utilizados pelos indivíduos, desde que observadas as condições</p><p>impostas pela administração pública (ex.: horário). Por fim, frise-se que tanto os bens de uso comum</p><p>do povo quanto os bens de uso especial são afetados a uma finalidade pública.</p><p>Bens Dominicais (Ou Bens Do Patrimônio Disponível)</p><p>Os bens dominicais são definidos por exclusão. Assim, como os bens de uso comum do povo e os</p><p>bens de uso especial são afetados a uma finalidade pública, temos que são bens dominicais aqueles</p><p>que não têm destinação pública. Exemplos: terras devolutas; prédios públicos desativados. Assim</p><p>também entende a ilustre doutrinadora Marinela (2013,p.887):</p><p>São os que pertencem ao acervo do Poder Publico, sem destinação especial, sem finalidade publica,</p><p>não estando, portanto, afetados. Esse conceito e estabelecido por exclusão, trata de uma definição</p><p>residual, sendo dominical aquele bem que não e de uso comum do povo e não e de uso especial.</p><p>São exemplos: as terras sem destinação publica especifica, as terras devolutas, os prédios públicos</p><p>desativados, os bens moveis inservíveis e a divida ativa.</p><p>Para a maioria da doutrina, vale dizer, bens dominicais e dominiais são sinônimos. Cretella Jr., entre-</p><p>tanto, em doutrina minoritária, faz a distinção entre essas expressões. Para o referido autor, o bem</p><p>dominial corresponde a todos os bens que estão sob o domínio do Estado; e o bem dominical refere</p><p>aos bens que não têm destinação pública.</p><p>Regime Jurídico</p><p>Inalienabilidade Ou Alienabilidade Condicionada</p><p>Os bens públicos são alienáveis de forma condicionada (preenchidas algumas condições, é possível</p><p>aliená-los); é o que a doutrina chama de inalienabilidade relativa. Tais condições estão previstas no</p><p>art.17, lei 8.666/93.</p><p>Devemos guardar, como regra, que os bens de uso comum do povo e os bens de uso especial são</p><p>inalienáveis, pois são afetados a uma finalidade pública. Por outro lado, os bens dominicais são alie-</p><p>náveis, na forma da lei, uma vez que não possuem destinação pública.</p><p>É possível que um bem de uso especial ou de uso comum do povo perca a sua destinação pública,</p><p>tornando-se dominical. O contrário também é possível (um bem dominical pode ganhar uma utilidade</p><p>pública, tornando-se de uso comum do povo ou de uso especial). A esse fenômeno dá-se o nome de</p><p>afetação/desafetação (ou consagração/desconsagração). Vejamos:</p><p>a) Afetação: dá ao bem uma utilidade pública, tornando-o inalienável; ela pode se dar por lei, ato ad-</p><p>ministrativo ou, até mesmo, pelo simples uso.</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>9 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>b) Desafetação: retira a proteção do bem, tornando-o alienável, razão pela qual a doutrina entende</p><p>que ela só pode ocorrer mediante lei ou, no máximo, por ato administrativo previamente autorizado</p><p>por lei.</p><p>De acordo com a doutrina majoritária, não se exige tanto rigor na desafetação de um bem de uso</p><p>especial para torná-lo dominical (ela pode se dar por lei, por ato administrativo ou até mesmo por fato</p><p>da natureza que impeça que o bem continue cumprindo sua destinação, a exemplo de incêndio, de-</p><p>sabamento etc.), sob o fundamento de que não se está retirando o bem do povo.</p><p>Bem assim, também de acordo com a maioria da doutrina, o simples não uso do bem não tem o con-</p><p>dão de desafetá-lo (o uso enseja a afetação, mas o não uso não enseja, necessariamente, a desafe-</p><p>tação, a qual depende de formalidades).</p><p>Ainda na linha da doutrina majoritária, a afetação e a desafetação dizem respeito ao fato de o bem</p><p>ser dominical ou não. Ou seja, a desafetação ocorre quando um bem de uso comum do povo ou de</p><p>uso especial se torna bem dominical, enquanto a afetação se dá no sentido inverso (bem dominical</p><p>transformado em bem de uso comum do povo ou de uso especial).</p><p>Conforme Celso Antonio Bandeira de Melo (2009,p.905), minoritariamente, também será caso de</p><p>afetação/desafetação quando há transformação de bem de uso comum do povo para bem de uso</p><p>especial, e vice versa ,ou seja, quando há mudança de finalidade.</p><p>Impenhorabilidade</p><p>Os bens públicos não podem ser objetos de penhora, arresto e sequestro.</p><p>Penhora é a garantia do</p><p>juízo, no processo de execução. Arresto e sequestro, por sua vez, são medidas cautelares típicas que</p><p>visam à proteção de futura penhora. O sequestro é utilizado para a proteção de bens determinados,</p><p>ao passo que o arresto incide sobre bens indeterminados.</p><p>Os bens públicos não podem ser utilizados como meio de garantia para o pagamento de seus débi-</p><p>tos. Daí decorre o regime de precatórios. o regime de precatórios nada mais é do que uma fila de</p><p>créditos dispostos de acordo com a ordem cronológica de sua apresentação. Apesar de os bens pú-</p><p>blicos não serem passíveis de penhora, sequestro e arresto, há uma exceção dentro do regime de</p><p>precatórios, que diz respeito ao sequestro de valores, quando há inobservância da ordem cronológi-</p><p>ca.</p><p>Impossibilidade De Oneração</p><p>“Oneração” refere-se a direito real de garantia. Nesse contexto, temos que os bens públicos não po-</p><p>dem ser objeto de direitos reais de garantia, ou seja, de penhor, hipoteca e anticrese. Estas, vale</p><p>dizer, são garantias que ocorrem fora da ação judicial (execução).</p><p>Lembre-se que o penhor é garantia sobre bens móveis, enquanto a hipoteca recai sobre bens imó-</p><p>veis. A anticrese, por sua vez, corresponde à exploração, pelo credor, do patrimônio do devedor, de</p><p>modo a saldar a dívida.</p><p>Destaque-se, por fim, que a impossibilidade de oneração também ocorre como consequência da ina-</p><p>lienabilidade dos bens públicos.</p><p>Imprescritibilidade</p><p>Estamos nos referindo à prescrição aquisitiva, ou seja, de usucapião. Os bens públicos são insuscetí-</p><p>veis de prescrição aquisitiva (usucapião). O patrimônio público não pode ser usucapido, todavia é</p><p>possível o Estado usucapir bens particulares.</p><p>A imprescritibilidade dos bens públicos está prevista no art. 102 do CC/02 , nos arts. 183, §3º , e 191,</p><p>p. único, ambos da CF/88 , bem como a Súmula 340 do STF . Não há exceção a esta regra.</p><p>O credor do Poder Público não pode ajudar garantia real sobre bens públicos. Se, por desvio jurídico,</p><p>as partes assim ajustarem, a estipulação é nula e não pode ensejar os efeitos normalmente extraídos</p><p>desse tipo de garantia. O credor terá que se sujeitar ao regime previsto no mandamento do art. 100</p><p>da CF/88, ou seja, ao regime de precatórios.</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>10 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Formas De Aquisição De Bens Públicos</p><p>A Administração pública pode adquirir bens de diversas formas. Veja-se algumas delas (rol exemplifi-</p><p>cativo):</p><p>a) Contratos: a exemplo da compra e venda, doação, permuta etc;</p><p>b) Dação em pagamento: note que os bens adquiridos mediante dação em pagamento podem ser</p><p>alienados pelo Estado por concorrência ou por leilão (é uma das exceções à regra da obrigatoriedade</p><p>da alienação de bens públicos pela modalidade concorrência);</p><p>c) Usucapião;</p><p>d) Desapropriação;</p><p>e) Direito hereditário: seja em virtude de testamento, seja através de herança jacente (ausência de</p><p>herdeiros);</p><p>f) Acessão natural: manifestam-se em três hipóteses, quais sejam, álveo abandonado (leito do rio</p><p>abandonado); aluvião (quantidade imperceptível de terra que se desloca, paulatinamente, do terreno</p><p>superior, pelo fluxo das águas, fixando-se no terreno inferior); avulsão (deslocamento abrupto de ter-</p><p>ras do imóvel superior para o inferior);</p><p>g) Arrematação: aquisição de bens em hasta pública;</p><p>h) Adjudicação: ocorre nos processos em que o Estado figura como credor, quando o imóvel ofereci-</p><p>do como garantia ao juízo não seja arremetado por ninguém;</p><p>i) Parcelamento do solo urbano;</p><p>j) Pena de perdimento de bens: trata-se de efeito automático da condenação, previsto no art. 91, II,</p><p>do CP;</p><p>k) Reversão de bens: consiste na tomada dos bens da concessionária necessários à manutenção do</p><p>serviço público. A reversão ocorre com a rescisão do contrato administrativo com a concessionária e</p><p>é precedida pela ocupação provisória dos bens (que se dá no curso do processo administrativo). Em</p><p>alguns casos, a reversão é passível de indenização.</p><p>Não se deve confundir o instituto da reversão com a encampação. Encampação ocorre com a resci-</p><p>são unilateral do contrato por razões de interesse público. A rescisão do contrato administrativo por</p><p>descumprimento de cláusula contratual (inadimplemento) é chamada de caducidade;</p><p>l) Abandono: previsto no art. 1276 do CC/02 . O abandono acontece quando o proprietário, com âni-</p><p>mo de abandonar, abre mão de determinado bem (intenção de não mais o conservar em seu patri-</p><p>mônio).</p><p>Há ainda a classificação quanto à aquisição de bens públicos em originária e derivada. Na aquisição</p><p>originária, não há transmissão da propriedade por qualquer manifestação de vontade. A aquisição é</p><p>direta, independendo da figura do transmitente, assim como não há ensejo para discussão sobre</p><p>vícios de vontade ou de legalidade quanto à transmissão do bem. Exemplos: acesso por aluvião.</p><p>Na aquisição derivada, por sua vez, há uma cadeia de transmissibilidade do bem, ou seja, alguém</p><p>transmite um bem ao adquirente mediante certas condições por ele estabelecidas. Ao contrário da</p><p>aquisição originária, aqui rende ensejo à discussão sobre vícios da vontade e do próprio negócio jurí-</p><p>dico. Exemplo: contrato de compra e venda.</p><p>Gestão Dos Bens Públicos (Formas De Uso)</p><p>Os bens públicos podem ser utilizados pelo Estado e também pelos particulares. Destacar-se-á quais</p><p>são as formas de uso dos bens públicos. Segundo Marinela (2014,p.899):</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>11 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>A gestão dos bens públicos compreende o poder de administrar esses bens, determinar sua utiliza-</p><p>ção conforme sua natureza e destinação, alem das obrigações de guarda, conservação e aprimora-</p><p>mento.</p><p>O dever de guarda consiste na vigilância constante com o intuito de garantir sua integridade e finali-</p><p>dade; na conservação ha o dever de cuidado quanto as suas características, e no aprimoramento, as</p><p>providencias de aperfeiçoamento e valorização.</p><p>Quanto Aos Fins Naturais (Destinação) Do Bem Público</p><p>a) Uso normal: andar pela rua, ir à praia, conversar na praça etc. Nessa situação, não é necessária a</p><p>autorização do Estado.</p><p>b) Uso anormal: é necessária a autorização do Estado. Ex.: promover uma festa particular na praça.</p><p>Quanto À Generalidade Do Uso</p><p>a) Utilização comum: uso geral, todos têm direito de utilizar o bem público, indistinta e gratuitamente.</p><p>Caracteriza-se, ainda, pela inexistência de qualquer gravame para a sua utilização. Ressalte-se, en-</p><p>tretanto, que é possível a regulamentação do uso do bem público pelo Estado (ex.: fixação de horá-</p><p>rio);</p><p>b) Utilização especial: são estabelecidas condições para o uso do bem público. Além disso, para o</p><p>uso especial, é necessário o consentimento do Estado. O uso especial pode se dar de três formas:</p><p>remunerada, privativa ou compartilhada;</p><p>b.1) Utilização especial remunerada: só pode utilizar o bem quem pagar, como é o caso, por exemplo,</p><p>da zona azul, do pedágio, da entrada em museus etc;</p><p>b.2) Utilização especial privativa: o bem público deixa de ser de uso comum para tornar-se de uso</p><p>privativo (após a autorização do Estado), ganhando uma finalidade especifica relacionada ao interes-</p><p>se particular. Exemplo: permissão de uso concedida a um bar que deseja instalar mesas e cadeiras</p><p>na calçada durante o seu horário de funcionamento. Cumpre destacar que a utilização privativa pode</p><p>ocorrer em decorrência de institutos de Direito Público e também de Direito Privado. Como institutos</p><p>de Direito Público, tem-se:</p><p>b.2.1) Autorização de uso do bem público: utilização temporária, eventual. Ex.: carnaval fora de épo-</p><p>ca, luau, quermesse na praça etc. Concedida no interesse do particular, mediante ato administrativo</p><p>unilateral, discricionário e precário (= pode ser desfeito a qualquer tempo e não gera direito à indeni-</p><p>zação). Frise-se, por fim, que esse instituto independe de licitação e de autorização legislativa;</p><p>b.2.2) Permissão de uso do bem público: normalmente, é utilizada em situações em que o uso do</p><p>bem público não é ocasional, mas também não é permanente (os seus efeitos não são</p><p>definitivos, ou</p><p>seja, pode ser desfeita com facilidade).</p><p>É realizada visando ao atendimento dos interesses público e privado. Realiza-se mediante ato admi-</p><p>nistrativo, unilateral, discricionário e precário. Como se trata de ato unilateral, em princípio, não há o</p><p>dever de licitar. A permissão de uso pode ser simples, ou seja, sem prazo determinado, ou condicio-</p><p>nada, ou seja, com prazo determinado (se a permissão for desfeita antes do prazo, gera indenização</p><p>ao particular).</p><p>Não se deve confundir permissão, autorização e concessão de serviço público com permissão, auto-</p><p>rização e concessão de uso de bem público. Naquele, transfere-se um serviço público ao particular;</p><p>neste, transfere-se a utilização de um bem público. No Brasil, a permissão (de uma forma geral) nas-</p><p>ceu como um ato administrativo unilateral, discricionário e precário. Ocorre que a Lei 8.987/95 (art.</p><p>40) deu à permissão de serviço público natureza contratual. Ou seja, com a referida lei, a permissão</p><p>de serviço público passou a ser formalizada por meio de contrato administrativo.</p><p>Ocorre que a permissão de uso de bem público continua como ato administrativo unilateral, discricio-</p><p>nário e precário. Deve-se ficar atento, portanto, à distinção quanto à natureza da permissão de servi-</p><p>ço público (contrato administrativo) e da permissão de uso de bem público (ato administrativo unilate-</p><p>ral, discricionário e precário);</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>12 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>b.2.3) Concessão de uso do bem público: é realizada visando o interesse público. Ainda, deve ser</p><p>formalizada mediante contrato administrativo, dependendo, portanto, de licitação. Já que é contrato,</p><p>tem prazo determinado, além de depender de autorização legislativa. Geralmente, esse instituto é</p><p>cabível quando o investimento for elevado e mais permanente, trazendo maior segurança ao particu-</p><p>lar (não possui caráter precário). Ex.: restaurante em universidade pública; lanchonete na escola pú-</p><p>blica;</p><p>Existem, ainda, outras formas de utilização privativa (Direito Privado):</p><p>a) Concessão de direito real de uso;</p><p>b) Cessão de uso;</p><p>c) Enfiteuse;</p><p>d) Locação;</p><p>e) Arrendamento;</p><p>f) Comodato.</p><p>b.3) Utilização especial compartilhada: o Estado e o particular compartilham a utilização do bem pú-</p><p>blico, o que pode ocorrer mediante convênio, servidão ou contrato. Ex.: orelhão público.</p><p>Considerações Finais</p><p>Como se pode notar ao longo do presente trabalho, o patrimônio público é formado por bens de toda</p><p>natureza e espécie que tenham interesse para a Administração e por toda a comunidade. Como se</p><p>viu, tais bens recebem conceituação, classificação e destinação legal para sua correta administração,</p><p>utilização e alienação.</p><p>Devido às suas características bem peculiares, os bens públicos merecem um tratamento jurídico</p><p>diferenciado em relação aos bens particulares. Os aspectos da imprescritibilidade, inalienabilidade,</p><p>impenhorabilidade e impossibilidade de oneração repercutem não só no âmbito da administração,</p><p>mas também na órbita privada.</p><p>O regime de pagamento da Fazenda por meio de precatórios e a impossibilidade do uso da usucapi-</p><p>ão pelo particular em relação ao bem público são bons exemplos decorrentes diretamente dessas</p><p>características que afetam diretamente a sociedade como um todo.</p><p>Diante de todo o exposto, além de outras características tão importantes quanto, pode-se apresentar</p><p>alguns elementos que sintetizam o regime jurídico diferenciado e peculiar dos bens públicos.</p><p>Primeiramente, tem-se a ideia de pertinência dos bens públicos à Administração, ou seja, afasta-se a</p><p>tese de que o poder público não exerce o direito de propriedade sobre tais bens.</p><p>Segundo a afetação ao uso coletivo ou ao próprio uso da Administração representa um traço distinti-</p><p>vo entre os bens dessa categoria (de uso comum do povo e os de uso especial) e os dominicais.</p><p>O traço acima revela a maior abrangência do vocábulo bem no direito público, em relação ao direito</p><p>privado. Neste há um interesse inerente às coisas suscetíveis de avaliação econômica e que possam</p><p>ser objeto de posse ou propriedade exclusiva pelo homem. No Direito Administrativo, entretanto, os</p><p>bens possuem um sentido bem mais amplo, tendo em vista que abrangem não apenas as coisas que</p><p>podem ser objeto de posse e propriedade exclusivas, mas também aquelas que são destinadas ao</p><p>uso coletivo ou ao uso do próprio poder público;</p><p>Por último, é cediço a aplicação do regime jurídico de direito público, derrogatório e exorbitante do</p><p>direito comum, aos bens intitulado como público, não se aplicando os institutos regidos pelo direito</p><p>privado.</p><p>Controle da Administração Pública</p><p>Conceito De Controle Da Administração Pública</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>13 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Para iniciar o entendimento de o que é o controle da administração pública, cabe se utilizar do concei-</p><p>to da palavra controle, em tema de administração pública, utilizado pelo Professor Hely Lopes Meirel-</p><p>les, dizendo que controle “é a faculdade de vigilância, orientação e correção que um Poder, órgão ou</p><p>autoridade exerce sobre a conduta funcional de outro”.</p><p>Já se utilizando deste conceito, Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo conceituam o controle da admi-</p><p>nistração pública dizendo que esta é tanto o poder como o dever, que a própria Administração (ou</p><p>outro Poder) tem de vigiar, orientar e corrigir, diretamente ou por meio de órgãos especializados, a</p><p>sua atuação administrativa. É o controle que o Poder Executivo – e os outros órgãos administrativos</p><p>dos demais Poderes – tem sobre suas próprias atividades, tendo como intenção a legitimidade de</p><p>seus atos, mantê-los dentro da lei, a defesa dos direitos dos administrados e a conduta adequada de</p><p>seus agentes.</p><p>Assim, chega-se ao conceito mais simples de Fernanda Marinela, que explana o controle da adminis-</p><p>tração como “o conjunto de mecanismos jurídicos e administrativos para a fiscalização e revisão de</p><p>toda atividade administrativa”.</p><p>Cabe ressaltar que o controle da administração é exercitável em todos e por todos os Poderes do</p><p>Estado, devendo-se estender à toda atividade administrativa e todos seus agentes.</p><p>Qualquer atuação administrativa estará condicionada aos princípios expressos no artigo 37 da Consti-</p><p>tuição Federal. Porém, não há um capítulo ou título específico, nem um diploma único que discipline o</p><p>controle da administração. Por outro lado, a existência de diversos atos normativos colaboram com</p><p>regras, modalidades, instrumentos, órgãos, etc. para a organização desse controle.</p><p>Portanto, este controle é extremamente necessário para se garantir que a administração pública man-</p><p>tenha suas atividades sempre em conformidade com os referidos princípios encontrados na Consti-</p><p>tuição e com as regras expressas nos atos normativos – tornando legítimos seus atos – e afastá-los</p><p>da nulidade.</p><p>Classificação Das Formas De Controle Da Administração Pública</p><p>Existem diversos tipos e formas de controlar a administração pública. Estes variam conforme o Poder,</p><p>órgão ou autoridade que o exercitará, ou também pelo sua fundamentação, modo e momento de sua</p><p>efetivação.</p><p>A classificação das formas de controle se dará, portanto, conforme: sua origem; o momento do exer-</p><p>cício; ao aspecto controlado; à amplitude.</p><p>Conforme a Origem</p><p>Controle Interno</p><p>O controle interno é aquele que é exercido pela entidade ou órgão que é o responsável pela atividade</p><p>controlada, no âmbito de sua própria estrutura. O controle que as chefias exercem nos atos de seus</p><p>subordinados dentro de um órgão público é considerado um controle interno. Segundo Marinela, todo</p><p>superior hierárquico poderá exercer controle administrativo nos atos de seus subalternos, sendo, por</p><p>isso, responsável por todos os atos praticados em seu setor por servidores sob seu comando.</p><p>Sempre será interno o controle exercido no Legislativo ou no Judiciário por seus órgãos de adminis-</p><p>tração, sobre seus servidores e os atos administrativos praticados por estes.</p><p>A Constituição Federal, em seu artigo 74, determina que deverá</p><p>ser mantido pelos Poderes sistemas</p><p>de controle interno, estabelecendo alguns itens mínimos que este controle deverá ter como objeto,</p><p>conforme exposto abaixo:</p><p>“Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de</p><p>controle interno com a finalidade de:</p><p>I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de go-</p><p>verno e dos orçamentos da União;</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>14 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamen-</p><p>tária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplica-</p><p>ção de recursos públicos por entidades de direito privado;</p><p>III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres</p><p>da União;</p><p>IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.”</p><p>Em seu parágrafo primeiro, fica estabelecido que “Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem</p><p>conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da</p><p>União, sob pena de responsabilidade solidária”. Ou seja, se torna obrigatório a denúncia de qualquer</p><p>irregularidade encontrada para o TCU.</p><p>Controle Externo</p><p>O controle externo ocorre quando outro Poder exerce controle sobre os atos administrativos pratica-</p><p>dos por outro Poder. Nas palavras de Hely Lopes Meirelles, “é o que se realiza por órgão estranho à</p><p>Administração responsável pelo ato controlado”. Este mesmo autor utiliza como exemplo a aprecia-</p><p>ção das contas do Executivo e do Judiciário pelo Legislativo; a auditoria do Tribunal de Contas sobre</p><p>a efetivação de determinada despesa do Executivo; a anulação de um ato do Executivo por decisão</p><p>do Judiciário; a sustação de ato normativo do Executivo pelo Legislativo.</p><p>Controle Externo Popular</p><p>Já que a administração sempre atua visando o interesse público, é necessário a existência de meca-</p><p>nismos que possibilitem a verificação da regularidade da atuação da administração por parte dos</p><p>administrados, impedindo a prática de atos ilegítimos, lesivos tanto ao indivíduo como à coletividade,</p><p>e que também seja possível a reparação de danos caso estes atos de fato se consumem.</p><p>O exemplo mais comum de controle externo popular é o previsto no artigo 31, §3º, da Constituição</p><p>Federal, que determina que as contas dos Municípios fiquem, durante sessenta dias, anualmente, à</p><p>disposição de qualquer contribuinte para o exame e apreciação, podendo questionar-lhes a legitimi-</p><p>dade nos termos da lei. Não existindo lei específica sobre o assunto, o controle poderá ser feito atra-</p><p>vés dos meios processuais comuns, como, por exemplo, o mandado de segurança e a ação popular.</p><p>Conforme o Momento do Exercício</p><p>Controle Prévio ou Preventivo (a Priori)</p><p>Se chama prévio o controle exercido antes do início ou da conclusão do ato, sendo um requisito para</p><p>sua eficácia e validade. É exemplo de controle prévio quando o Senado Federal autoriza a União, os</p><p>Estados, o Distrito Federal ou os Municípios a contrair empréstimos externos. Outro exemplo apre-</p><p>sentado por Hely Lopes Meirelles é o da liquidação da despesa para oportuno pagamento.</p><p>Controle Concomitante</p><p>É o controle exercido durante o ato, acompanhando a sua realização, com o intento de verificar a</p><p>regularidade de sua formação. Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo expõem como exemplos do con-</p><p>trole concomitante a fiscalização da execução de um contrato administrativo e a realização de uma</p><p>auditoria durante a execução do orçamento, entre outros.</p><p>Controle Subsequente ou Corretivo (a Posteriori)</p><p>Considera-se subsequente ou corretivo, o controle exercido após a conclusão do ato, tendo como</p><p>intenção, segundo Fernanda Marinela, “corrigir eventuais defeitos, declarar sua nulidade ou dar-lhe</p><p>eficácia, a exemplo da homologação na licitação”. Alexandrino e Paulo ainda constatam que o contro-</p><p>le judicial dos atos administrativos, por via de regra é um controle subsequente.</p><p>Quanto ao Aspecto Controlado</p><p>Controle de Legalidade ou Legitimidade</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>15 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>É este tipo de controle que verifica se o ato foi praticado em conformidade com a lei; nas palavras de</p><p>Hely Lopes Meirelles, “é o que objetiva verificar unicamente a conformação do ato ou do procedimen-</p><p>to administrativo com as normas legais que o regem”.</p><p>O controle de legalidade e legitimidade não só verifica apenas a compatibilidade entre o ato e o dis-</p><p>posto na norma legal positivada, mas também deverá ser apreciado os aspectos relativos à obser-</p><p>vância obrigatória da dos princípios administrativos.</p><p>Poderá ser exercido tanto pela própria administração que praticou o ato (que configurará um controle</p><p>interno de legalidade) quanto pelo Poder Judiciário, no exercício de sua função jurisdicional, ou pelo</p><p>Poder Legislativo em casos previstos na Constituição.</p><p>Nas palavras de Alexandrino e Paulo, “como resultado do exercício do controle de legalidade pode</p><p>ser declarada a existência de vício no ato que implique a declaração de sua nulidade”.</p><p>O ato será declarado nulo nos casos em que existir ilegalidade neste, e poderá ser feita pela própria</p><p>Administração, ou pelo Poder Judiciário. A anulação terá efeito retroativo, desfazendo as relações</p><p>resultantes dele.</p><p>Com a edição da Lei nº 9.784/99, além de um ato poder ser válido ou nulo, passou a ser admitida a</p><p>convalidação do ato administrativo defeituoso, quando este não acarretar lesão ao interesse público</p><p>ou a terceiros.</p><p>Controle de Mérito</p><p>O controle de mérito tem como objetivo a verificação da eficiência, da oportunidade, da conveniência</p><p>e do resultado do ato controlado. Conforme Hely Lopes Meirelles, “a eficiência é comprovada em face</p><p>do desenvolvimento da atividade programada pela Administração e da produtividade de seus servido-</p><p>res”.</p><p>Ele normalmente é de competência do próprio Poder que editou o ato. Todavia, existem casos ex-</p><p>pressos na Constituição em que o Poder Legislativo deverá exercer controle de mérito sobre atos que</p><p>o Poder Executivo praticou, caso este previsto no artigo 49, inciso X:</p><p>“Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: (...)</p><p>X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo,</p><p>incluídos os da administração indireta;”</p><p>Segundo grande parte da doutrina, não cabe ao Poder Judiciário exercer esta revisão, para não violar</p><p>o princípio de separação dos poderes. Quando o Poder Judiciário exerce controle sobre atos do Exe-</p><p>cutivo, o controle será sempre de legalidade ou legitimidade.</p><p>Entretanto, pelo fortalecimento dos princípios fundamentais da administração como o da moralidade e</p><p>eficiência, e os princípios constitucionais implícitos da razoabilidade e da proporcionalidade, existe</p><p>atualmente, nas palavras de Alexandrino e Paulo, “uma nítida tendência à atenuação dessa vedação</p><p>ao exercício, pelo Poder Judiciário, do controle de determinados aspectos de alguns atos administra-</p><p>tivos, que costumavam ser encobertos pelo conceito vago de ‘mérito administrativo’”.</p><p>Portanto, hoje em dia o Poder Judiciário pode invalidar um ato administrativo de aplicação de uma</p><p>penalidade disciplinar, por considerar a sanção desproporcional ao motivo que a causou, por exem-</p><p>plo. Quando o Judiciário se utiliza do controle de mérito, ele está declarando ilegal um ato que estará</p><p>ferindo os princípios jurídicos básicos, como no exemplo acima, o da razoabilidade. Cabe também</p><p>lembrar que o Judiciário não poderá revogar o ato administrativo, e sim apenas anulá-lo.</p><p>Quanto à Amplitude</p><p>Controle Hierárquico</p><p>O controle hierárquico, segundo Hely Lopes Meirelles, é aquele “que resulta automaticamente do</p><p>escalonamento vertical dos órgãos do Executivo, em que os inferiores estão subordinados aos supe-</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>16 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>riores”. O controle é hierárquico sempre que os órgãos superiores (dentro de uma mesma estrutura</p><p>hierárquica)</p><p>têm competência para controlar e fiscalizar os atos praticados por seus subordinados.</p><p>Esta forma de controle é sempre um controle interno, típico do Poder Executivo, mas que também</p><p>existe nos demais poderes. Nas palavras do professor Gustavo Mello, “existe controle hierárquico em</p><p>todos os poderes, quanto às funções administrativas, de acordo com a escala hierárquica ali existen-</p><p>te, mas não há nenhum controle hierárquico entre Poderes distintos, vez que os três Poderes são</p><p>independentes entre si”. Um exemplo de controle hierárquico é o diretor de uma secretaria controlan-</p><p>do o ato de seu serventuário.</p><p>O controle hierárquico é irrestrito e não depende de alguma norma específica que o estabeleça ou o</p><p>autorize. Graças a este controle que se pode verificar os aspectos relativos à legalidade e ao mérito</p><p>de todos atos praticados pelos agentes ou órgãos subordinados a determinado agente ou órgão.</p><p>Controle Finalístico</p><p>É o controle que é exercido pela Administração Direta sobre as pessoas jurídicas integrantes da Ad-</p><p>ministração Indireta. É um controle que depende de lei que o estabeleça, determine os meios de con-</p><p>trole, as autoridades responsáveis pela sua realização, bem como as suas finalidades.</p><p>Em casos excepcionais (casos de descalabro administrativo), poderá a Administração Direta controlar</p><p>a indireta independentemente de regulamentação legal. É a chamada tutela extraordinária.</p><p>Ele não se submete a hierarquia, visto que não há subordinação entre a entidade controlada e a auto-</p><p>ridade ou o órgão controlador. Segundo Hely Lopes Meirelles, “é um controle teleológico, de verifica-</p><p>ção do enquadramento da instituição no programa geral no Governo e de seu acompanhamento dos</p><p>atos de seus dirigentes no desempenho de suas funções estatuárias, para o atingimento das finalida-</p><p>des da entidade controlada”.</p><p>Controle Judicial Da Adminstração Pública</p><p>O controle judiciário ou judicial é o exercido pelos órgãos do Poder Judiciário sobre os atos adminis-</p><p>trativos exercidos pelo Poder Executivo, Legislativo e do próprio Judiciário – quando este realiza ati-</p><p>vidade administrativa.</p><p>De acordo com Maria Sylvia Zanella Di Pietro, graças a adoção do sistema da jurisdição una, funda-</p><p>mentado no artigo 5º, inciso XXXV da Constituição Federal, no direito brasileiro, o Poder Judiciário</p><p>deverá apreciar qualquer lesão ou ameaça a direito, mesmo que o autor da lesão seja o poder públi-</p><p>co.</p><p>Este tipo de controle é exercido, por via de regra, posteriormente. Ele tem como intuito unicamente a</p><p>verificação da legalidade do ato, verificando a conformidade deste com a norma legal que o rege.</p><p>Conforme Alexandrino e Paulo, os atos administrativos podem ser anulados mediante o exercício do</p><p>controle judicial, mas nunca revogados. A anulação ocorrerá nos casos em que a ilegalidade for cons-</p><p>tatada no ato administrativo, podendo a anulação ser feita pela própria Administração ou pelo Poder</p><p>Judiciário, e terá efeitos retroativos, desfazendo as relação resultantes do ato. Entretanto, de acordo</p><p>com os mesmos autores, a regra de o ato nulo não gerar efeitos “há que ser excepcionada para com</p><p>os terceiros de boa-fé que tenham sido atingidos pelos efeitos do ato anulado. Em relação a esses,</p><p>em face da presunção de legitimidade que norteia toda a atividade administrativa, devem ser preser-</p><p>vados os efeitos já produzidos na vigência do ato posteriormente anulado”.</p><p>No que concerne aos limites do controle do Poder Judiciário, este não deverá invadir os aspectos que</p><p>são reservados à apreciação subjetiva da Administração Pública, conhecidos como o mérito (oportu-</p><p>nidade e conveniência). Neste ponto, a doutrina se divide ao analisar qual é o limite que a apreciação</p><p>judicial poderá chegar: Alexandrino e Paulo consideram que “o Judiciário não pode invalidar, devido</p><p>ao acima explicado, a escolha pelo administrador (resultado de sua valoração de oportunidade e con-</p><p>veniência administrativas) dos elementos motivo e objeto desses atos, que formam o chamado mérito</p><p>administrativo, desde que feita, essa escolha, dentro dos limites da lei”, já Di Pietro considera que</p><p>“não há invasão de mérito quando o Judiciário aprecia os motivos, ou seja, os fatos que precedem a</p><p>elaboração; a ausência ou falsidade do motivo caracteriza ilegalidade, suscetível de invalidação pelo</p><p>Poder Judiciário”.</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>17 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>O Poder Judiciário sempre poderá, portanto, anular atos administrativos, vinculados ou discricioná-</p><p>rios, desde que provocado, que apresentem vícios de ilegalidade ou ilegitimidade. Existem diversos</p><p>meios de controle dos atos da Administração, sendo alguns acessíveis a todos os administrados, e</p><p>outros restritos a legitimados específicos. Estes meios serão expostos a seguir.</p><p>Meios de Controle Judiciário</p><p>De acordo com Hely Lopes Meirelles, os meios de controle judiciário “são as vias processuais de</p><p>procedimento ordinário, sumaríssimo ou especial de que dispõe o titular do direito lesado ou ameaça-</p><p>do de lesão para obter a anulação do ilegal em ação contra a Administração Pública”.</p><p>Habeas Corpus</p><p>O habeas corpus tem como objetivo proteger o direito de locomoção. Gustavo Mello ensina que este</p><p>“será concedido sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em</p><p>sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder”.</p><p>Este instrumento poderá ser impetrado por qualquer pessoa (não necessita de advogado) quando</p><p>seu direito de ir, vir e ficar for prejudicado por alguém, tanto uma autoridade pública quanto um parti-</p><p>cular estranho à Administração. Ele é gratuito, conforme disposto no artigo 5º, inciso LXXVII e se</p><p>encontra previsto no inciso LXVIII deste mesmo artigo:</p><p>“LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer</p><p>violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;”</p><p>Habeas Data</p><p>O habeas data é o instrumento constitucional que será concedido para assegurar à pessoa física ou</p><p>jurídica o conhecimento de informações contidas em registros concernentes ao postulante e constan-</p><p>tes de repartições públicas ou particulares acessíveis ao público, ou para retificação de dados pesso-</p><p>ais. A Lei nº 9.507/97, acrescentou mais uma hipótese em seu artigo 7º, inciso III, garantindo também</p><p>“para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado ver-</p><p>dadeiro mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável”.</p><p>Deve-se lembrar que esse remédio constitucional tem como objetivo garantir que a pessoa tenha</p><p>conhecimento de quais informações sobre sua própria pessoa constam de algum banco de dados,</p><p>bem como para retificá-las, caso tenha interesse. O habeas data não serve para garantir o direito de</p><p>obter uma informação qualquer, mesmo sendo de seu interesse particular, mas que não se refira à</p><p>sua vida pessoal.</p><p>O habeas data será cabível, conforme o STJ consagrou em sua Súmula nº 2, após a recusa por parte</p><p>da autoridade administrativa em fornecer a informação indesejada.</p><p>Mandado de Segurança Individual</p><p>O mandado de segurança é o meio constitucional que será concedido sempre para proteger um direi-</p><p>to líquido e certo, que não seja amparado por habeas corpus e habeas data, lesado ou ameaçado de</p><p>lesão por ato de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder</p><p>Público. Segundo Hely Lopes Meirelles, “Destina-se a coibir atos ilegais de autoridade que lesam</p><p>direito subjetivo, liquido e certo, do impetrante”.</p><p>O prazo para impetrar o mandado de segurança é de 120 dias contados após o conhecimento do ato</p><p>a ser impugnado. É um prazo decadencial, onde não se admite interrupção nem suspensão. Este</p><p>meio constitucional não será cabível nas hipóteses de: direitos amparados pelo habeas corpus e ha-</p><p>beas data; para corrigir lesão decorrente de lei em tese (conforme preceitua a Súmula nº 266 do</p><p>STF); ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independente de caução; deci-</p><p>são judicial</p><p>que caiba recurso com efeito suspensivo; e de decisão judicial transitada em julgado.</p><p>Esse remédio constitucional admite a suspensão liminar do ato, e a ordem, quando concedida, tem</p><p>efeito mandamental e imediato, não podendo ser impedida sua execução por nenhum recurso co-</p><p>mum, exceto pelo Presidente do Tribunal competente para apreciar a decisão inferior.</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>18 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Mandado de Segurança Coletivo</p><p>Esse tipo de mandado de segurança surgiu com a Constituição Federal de 88, em seu artigo 5º, inci-</p><p>so LXX, que determina:</p><p>“LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:</p><p>a) partido político com representação no Congresso Nacional;</p><p>b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamen-</p><p>to há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;”</p><p>De acordo com Gustavo Mello, “cabe ressaltar que as entidades relacionadas na alínea b só podem</p><p>defender os interesses de seus ‘membros ou associados’, enquanto os partidos políticos defendem</p><p>os interesses da população.”</p><p>Ação Popular</p><p>A ação popular é um instrumento de defesa dos interesses da coletividade. Ela é utilizável por qual-</p><p>quer de seus membros, exercendo seus direitos cívicos e políticos. Não tem como intenção proteger</p><p>direito próprio do autor, mas sim interesses de toda a comunidade. Ela poderá ser utilizada de forma</p><p>preventiva ou de forma repressiva contra a atividade administrativa lesiva do patrimônio público.</p><p>Ela poderá ser proposta por qualquer cidadão, ou seja, o brasileiro nato ou naturalizado, que está no</p><p>gozo de seus direitos políticos, apto a votar e ser votado. Caso derrotado na ação, o autor não será</p><p>obrigado a pagar custas judiciais ou indenizar a parte contraria, visto que a ação visa proteger um</p><p>interesse público, e não o seu interesse individual, salvo se o autor houver movido a ação de má-fé.</p><p>A ação popular se encontra prevista no artigo 5º, inciso LXXIII, da Constituição Federal:</p><p>“LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao</p><p>patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio</p><p>ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de cus-</p><p>tas judiciais e do ônus da sucumbência”;</p><p>Em caso de desistência da ação por parte do autor, como esta se trata de um interesse público, po-</p><p>derá haver o prosseguimento da ação pelo Ministério Público ou por outro cidadão.</p><p>Ação Civil Pública</p><p>Nas palavras de Alexandrino e Paulo “a ação civil pública visa reprimir ou impedir lesão a interesses</p><p>difusos e coletivos, como os relacionados à proteção do patrimônio público e social, do meio ambien-</p><p>te, do consumidor, etc.”. Ela nunca deverá ser proposta para defesa de direitos individuais, e não se</p><p>destina a reparar prejuízos causados a particulares pela conduta comissiva ou omissiva do réu.</p><p>O doutrinador Gustavo Mello considera que essa ação “não é especificamente uma forma de controle</p><p>da Administração, vez que tem como sujeito passivo qualquer pessoa, pública ou privada, que cause</p><p>o referido dano; eventualmente, essa pessoa poderá ser da Administração Pública”.</p><p>O controle externo da administração pública no Brasil</p><p>O presente artigo tem como objetivo descrever a forma como é realizado o controle externo dos atos</p><p>administrativos no Brasil, demonstrando seus principais aspectos, tais como descrição do órgão res-</p><p>ponsável, composição, competência e função, dentre outros temas relevantes.</p><p>Antes de adentrar no tema específico deste artigo, faz-se necessário discorrer sobre a forma como se</p><p>dá o controle da administração pública nos dias atuais, demonstrando a importância do tema no con-</p><p>trole dos gastos públicos.</p><p>Assim, a diferenciação entre o controle interno e externo se faz relevante, pois insere os órgãos con-</p><p>troladores que aqui serão tratados dentro do contexto atual da Administração Pública. Outro tema a</p><p>ser aqui tratado é com relação aos modelos de controle externo existentes, a fim de situar a realidade</p><p>do Brasil em cada um deles.</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>19 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Um dos objetivos desse artigo será a análise das mudanças institucionais referentes ao tema em</p><p>questão e que foram introduzidas nos novos modelos constitucionais.</p><p>O Tribunal de Contas da União – TCU adquiriu uma nova conformação e novas competências a partir</p><p>da promulgação da Constituição Federal de 1988, deferindo a este órgão autonomia administrativa e</p><p>financeira, e conferindo aos seus membros as prerrogativas e garantias dos membros do Poder Judi-</p><p>ciário, tornando-o, assim, um órgão totalmente independente em relação a qualquer dos Poderes do</p><p>Estado. A partir da promulgação dessa Constituição, o TCU viu o seu papel no contexto nacional ser</p><p>bastante reforçado, passando a ter competência na fiscalização contábil, financeira, orçamentária,</p><p>operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à lega-</p><p>lidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas.</p><p>Partindo de uma nova concepção de controle da Administração Pública na atualidade, tem-se que os</p><p>órgãos de controle externo podem contribuir de forma decisiva na proteção dos direitos fundamentais</p><p>dos cidadãos, pois o estreitamento das relações dos órgãos de controle e a sociedade tendem a in-</p><p>crementar a fiscalização dos gastos públicos, aumentando a efetividade das políticas sociais, bem</p><p>como dos próprios serviços que são prestados pelo Estado, contribuindo para o fortalecimento</p><p>da cidadania e, porque não dizer, do próprio regime democrático.</p><p>Nessa esteira de entendimento, tem-se que os órgãos de controle externo existentes nos países de-</p><p>mocráticos, vêm alcançando, cada vez mais, uma importância na defesa de direitos fundamentais</p><p>assentes nas diversas Constituições, na medida em que exercem, por exemplo, a fiscalização contá-</p><p>bil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do governo, bem como das entidades da ad-</p><p>ministração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, eficácia e economicidade.</p><p>É de fundamental importância ressaltar que o controle da gestão, bem como da aplicação dos recur-</p><p>sos financeiros que são auferidos pelo Estado, seja realizado de forma autônoma e independente, a</p><p>fim de que esses recursos sejam convertidos em benefício da própria população deste Estado, coi-</p><p>bindo, assim, que haja desperdício ou que tais recursos sejam, de alguma forma, desviados.</p><p>Importante asseverar que as constantes alterações no comportamento da sociedade, aliada aos</p><p>grandes avanços na seara da informação, gera atualmente uma maior expectativa por parte desta</p><p>mesma sociedade no tocante às soluções a serem buscadas quando constatada qualquer irregulari-</p><p>dade na utilização dos recursos públicos, por agente do governo ou até mesmo de terceiros, e o cla-</p><p>mor da população pede que os Governos atuem de forma célere, objetiva e eficaz.</p><p>O Controle Na Administração Pública</p><p>Generalidades</p><p>Antes que se adentre no tema específico deste artigo, faz-se necessário introduzir um breve estudo</p><p>acerca do tema “controle externo”, trazendo importantes conceitos que facilitarão a compreensão de</p><p>como essa função é hoje tratada no Brasil.</p><p>Primeiramente, faz-se mister ressaltar que a função “controle” está intrinsecamente interligada com o</p><p>poder e, por consequência, com a administração pública. O seu objeto pode ser definido como o vetor</p><p>do processo decisório na busca do redirecionamento das ações programadas (MEDAUAR, 1993,</p><p>p.14), e na lição de Fernandes, os instrumentos dessa função seriam “a revisão dos atos, a anulação,</p><p>a admoestação e a punição dos agentes, sempre visando a reorientação do que está em curso, para</p><p>obter o aperfeiçoamento” (FERNANDES, 2003, pp.32-33). Todo o processo do controle tem uma</p><p>finalidade precípua, qual seja, a de garantir que os administradores públicos atuem em consonância</p><p>com princípios</p><p>basilares da Administração Pública, tais como: legalidade, moralidade, impessoalida-</p><p>de, eficiência, dentre outros.</p><p>Assim, pode-se definir controle na administração pública como sendo a faculdade que um determina-</p><p>do ente estatal tem de fiscalizar os seus próprios atos de gestão ou de outro ente, podendo se apre-</p><p>sentar com sentido negativo ou positivo. Por sentido negativo entende-se o controle como sendo si-</p><p>nônimo de fiscalização, ou seja, quando a ação incide sobre pessoas. Por sentido positivo entende-se</p><p>o controle capaz de realizar as atividades de gestão conforme o prévio planejamento, com vistas ao</p><p>alcance dos objetivos.</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>20 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>O controle dos atos realizados em nome da Administração Pública faz-se imprescindível porque há</p><p>interesse público na análise da eficiência dos serviços postos à disposição da população. Por isso, a</p><p>Administração Pública deve atuar sempre com legitimidade, de acordo com a finalidade e o interesse</p><p>coletivo na sua realização.</p><p>Nesse ensejo, referindo-se ao conceito de controle da Administração Pública, vale trazer a lume as</p><p>lúcidas palavras de Carvalho Filho (2007), verbis:</p><p>Controle da Administração Pública é o conjunto de mecanismos jurídicos e administrativos por meio</p><p>dos quais se exerce o poder de fiscalização e revisão da atividade administrativa em qualquer das</p><p>esferas de poder.</p><p>Controle Interno E Externo</p><p>De posse dessas informações, faz-se mister apresentar a classificação do controle com relação ao</p><p>posicionamento do órgão controlador dentro da Administração Público. Por essa classificação tem-se</p><p>que o controle pode ser interno e externo.</p><p>O controle interno é aquele realizado em cada setor da administração, decorrente da sua própria au-</p><p>tonomia administrativa e financeira, ou seja, decorre do seu próprio poder de autotutela, permitindo à</p><p>Administração Pública rever os seus próprios atos caso ilegais, inoportunos ou inconvenientes, sem-</p><p>pre com fulcro nos princípios da legalidade, supremacia do interesse público, eficiência e economici-</p><p>dade.</p><p>O controle interno, também, conhecido como autocontrole, controle intra-orgânico ou controle admi-</p><p>nistrativo, é uma modalidade de controle exercido pela própria Administração, tendo como objetivo a</p><p>verificação da oportunidade e do mérito do ato administrativo.</p><p>Uma das funções do controle interno é verificar se as metas anteriormente fixadas na lei orçamentária</p><p>alcançaram os resultados almejados, estimulando a ação dos órgãos públicos na verificação da efi-</p><p>cácia das medidas adotadas na solução dos problemas constatados.</p><p>No caso do controle externo tem-se que é aquele exercido por um Poder ou um órgão estranho à</p><p>Administração Pública, como por exemplo, o controle exercido pelo Poder Legislativo, que faz o con-</p><p>trole político, e pelo Tribunal de Contas, responsável pelo controle financeiro. Esse foi o modelo ado-</p><p>tado pelos legisladores para o controle externo no Brasil.</p><p>O controle externo pode ser definido como um conjunto de ações de controle desenvolvidas por uma</p><p>estrutura organizacional, contendo procedimentos, atividades e recursos próprios, alheios à estrutura</p><p>controlada, e que visa à fiscalização, verificação e correção dos atos.</p><p>Nas lúcidas palavras de Guerra (2005), pode-se extrair a seguinte definição:</p><p>O controle externo é aquele desempenhado por órgão apartado do outro controlado, tendo por finali-</p><p>dade a efetivação de mecanismos, visando garantir a plena eficácia das ações de gestão governa-</p><p>mental, porquanto a Administração Pública deve ser fiscalizada, na gestão dos interesses da socie-</p><p>dade, por órgão de fora de suas partes, impondo atuação em consonância com os princípios determi-</p><p>nados pelo ordenamento jurídico, como os da legalidade, legitimidade, economicidade, moralidade,</p><p>publicidade, motivação, impessoalidade, entre outro.</p><p>Insta frisar que não há qualquer hierarquia entre o controle interno e o externo. O que ocorre, na ver-</p><p>dade, é a complementação de um sistema pelo outro. E nessa esteira de entendimento, conclui-se</p><p>que o controle interno tem como principal função apoiar o controle externo, orientando as autoridades</p><p>públicas no sentido de evitar o erro, efetivando um controle preventivo, colhendo subsídios mediante</p><p>o controle concomitante a fim de determinar o aperfeiçoamento das ações futuras, revendo os atos já</p><p>praticados, corrigindo-os antes mesmo da atuação do controle externo (MEDAUAR, 1993, p.14).</p><p>Em vista de todo o exposto, tem-se que o sistema de controle da Administração Pública é de funda-</p><p>mental importância para qualquer organização e deve ser entendido de forma ampla, não podendo</p><p>estar limitado apenas quanto aos aspectos financeiros e administrativos, mas sim, deve ser compre-</p><p>endido como um conjunto de ações e métodos que devem ser implementados dentro de um determi-</p><p>nado ente administrativo, gerando nele uma verdadeira cultura de diafaneidade, permitindo, assim,</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>21 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>que se faça comparações entre os resultados previstos e os efetivamente realizados, sempre tendo</p><p>em vista o seu fim precípuo: o interesse público.</p><p>O Controle Externo No Brasil</p><p>Origem</p><p>Durante o período colonial, que durou do século XVI ao XIX o controle das contas públicas no Brasil</p><p>era exercido por Portugal de forma bastante precária.</p><p>Apenas em meados do século XVIII é que foram criadas as Juntas das Fazendas das Capitanias e a</p><p>Junta do Rio de Janeiro, ambas, como se disse anteriormente, jurisdicionadas a Portugal.</p><p>Essa situação começou a ser alterada com a chegada da família real portuguesa em 1808 ao Brasil,</p><p>que, impelida pelo avanço das tropas francesas liderada por Napoleão Bonaparte, foi forçada a aban-</p><p>donar Lisboa já que as tropas portuguesas não conseguiriam impor resistência às tropas francesas.</p><p>Logo após a sua chegada ao Brasil, o príncipe regente D. João VI expediu em 28 de junho de 1808</p><p>um alvará real por meio do qual se criava o Erário Régio e o Conselho da Fazenda. O primeiro ficou</p><p>encarregado da guarda dos tesouros reais e ao outro coube a responsabilidade pelo controle dos</p><p>gastos públicos.</p><p>Importa observar que já havia em Portugal um Erário Régio que tinha sido criado por meio da carta</p><p>de Lei de 22 de dezembro de 1761, durante o reinado de D. José I, e que representava o regime de</p><p>absoluta centralização, pois ali todas as rendas da coroa davam entrada e todas as saídas para o</p><p>pagamento das despesas dele proviam. Essa entidade, com sede em Lisboa, foi presidida durante</p><p>1761 e 1777 pelo Inspetor Geral do Tesouro, Sebastião José de Carvalho Melo, que ficou conhecido</p><p>posteriormente como Marquês de Pombal.</p><p>Após a proclamação da independência do Brasil em relação à Portugal ocorrida em 1822, é que o</p><p>Erário Régio criado por D. João VI foi transformado no órgão conhecido por Tesouro Nacional. Essa</p><p>transformação se deu por meio da Constituição Imperial de 1824 (art. 170). A partir desse marco,</p><p>começou-se a se defender a criação de um mecanismo de controle dos gastos públicos, com o intuito</p><p>de que fosse verificada a correta execução do orçamento. Essa tese encontrou diversos opositores</p><p>que viam nela uma barreira ao exercício dos poderes do monarca. Para se ter uma ideia dos argu-</p><p>mentos de um desses opositores à época, colaciona-se a seguir trecho das palavras do Visconde de</p><p>Baependi (LOPES, 1947, p.214), verbis:</p><p>(...) se o Tribunal da revisão de contas, que se pretende estabelecer, se convertesse em tribunal de</p><p>fiscalização das despesas públicas antes de serem feitas em todas e quaisquer repartições, poder-</p><p>se-ía colher dele proveito; mas sendo unicamente destinado ao exame das contas e documentos,</p><p>exame que se faz no Tesouro, para nada servirá, salvo novidade do sistema e aumento da despesa</p><p>com os nele empregados.</p><p>A presença de diversos opositores à ideia de criação de um Tribunal de Contas no Brasil Imperial,</p><p>não ofuscou a exposição de ideias dos defensores da sua criação. Alguns desses defensores foram</p><p>os senadores Felisberto Caldeira</p><p>Brandt, conhecido como Visconde de Barbacena, e José Inácio</p><p>Borges, que, em 1826, apresentaram um projeto de lei nesse sentido.</p><p>Outras tentativas de criação de um tribunal de contas no Brasil Imperial foram postas em práticas,</p><p>embora todas elas tivessem sido rejeitadas. Uma dessas tentativas se deu em 1838, por meio de</p><p>uma proposta do Marquês de Abrantes, que, à época, ocupava o cargo de Ministro da Fazenda. A</p><p>proposta era baseada na criação de um tribunal de contas com função judicante. Outra tentativa que</p><p>resultou frustrada ocorreu em 1845, já no segundo reinado, por meio da proposta do então Ministro</p><p>do Império, Manoel Alves Branco.</p><p>Somente na fase Republicana, por meio de iniciativa incisiva do então Ministro da Fazenda Rui Bar-</p><p>bosa, é que foi criado o Tribunal de Contas da União, a partir do Decreto nº 966/A, assinado em 7 de</p><p>novembro de 1890.</p><p>Antecedentes</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>22 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Com o início do período republicano no Brasil, se deu a promulgação da primeira Constituição Repu-</p><p>blicana em 1891, tendo sido iniciada a sua elaboração no início de 1890. Essa constituição, promul-</p><p>gada em 24 de fevereiro de 1891, vigorou durante toda a fase da Primeira República, tendo sido for-</p><p>temente inspirada na Constituição dos Estados Unidos da América e apresentava como principal</p><p>característica a forte centralização dos poderes, embora tivesse sido dada grande autonomia aos</p><p>Estados-membros.</p><p>Apesar dessa primeira constituição republicana ter sido promulgada em 1891, a instalação do Tribu-</p><p>nal de Contas se deu apenas no ano de 1893, a partir do empenho de Serzedello Corrêa, então Mi-</p><p>nistro da Fazenda do Governo de Floriano Peixoto. Uma das características marcantes desse primei-</p><p>ro Tribunal de Contas no Brasil foi que o mesmo era vinculado ao Poder Executivo (RAMOS, 1996), e</p><p>não ao Poder Legislativo, como é o caso atual.</p><p>O sistema adotado para esse Tribunal de Contas foi o sistema belga, que previa que esse órgão seria</p><p>responsável pela fiscalização de todas as receitas e despesas, mas sem prejuízo de analisar todos os</p><p>demais atos que pudessem originar despesas ou mesmo que interesassem às finanças da República,</p><p>incluindo todos os responsáveis, independentemente de qual ministério estivesse vinculado, “com a</p><p>outorga de quitação, com a possibilidade, ainda, de ordenar o pagamento do que fosse devido, isso</p><p>acaso verificasse desvios de finalidade” (GOMES JÚNIOR, 2003, pp.4-5).</p><p>Por esse sistema, uma vez impugnada a despesa, o Ministro que fosse o ordenador de despesa res-</p><p>ponsável pelo ato impugnado poderia recorrer ao Presidente da República, que daria a última pala-</p><p>vra, e, caso seu entendimento fosse contrário ao do Tribunal de Contas, esse seria obrigado a proce-</p><p>der o registro, mesmo que sob protesto.</p><p>O Tribunal de Contas foi alçado ao mesmo patamar do Tribunal de Justiça por meio da legislação</p><p>infraconstitucional, e as decisões dele emanadas que fossem de caráter definitivo teriam força de</p><p>sentença. Apenas em 1917 os seus membros passaram a ser denominados de Ministros. Na Consti-</p><p>tuição de 1891, a previsão da existência do Tribunal de Contas restou inserta no art. 89, verbis:</p><p>Art. 89 – É instituído um Tribunal de Contas para liquidar as contas de receita e despesa e verificar</p><p>sua legalidade, antes de serem prestadas ao Congresso.</p><p>Importante frisar que as disposições contidas na Constituição de 1891 representou um avanço signifi-</p><p>cativo no que se refere ao controle dos gastos públicos, na medida em que instituiu um órgão auxiliar</p><p>para atuar com a finalidade precípua de fiscalização desses gastos. De acordo com Oliveira Araújo,</p><p>“apenas com o advento da República, o Estado Brasileiro veio a incorporar, na sua estrutura, um</p><p>Tribunal responsável pela verificação e pelo julgamento das contas dos responsáveis pelos bens e</p><p>dinheiros públicos do país” (ARAÚJO, 2002, p.40).</p><p>Apenas com o advento da Constituição de 1934 é que o Tribunal de Contas adquire uma delimitação</p><p>mais precisa no tocante às suas atribuições. Essa constituição previa a nomeação dos seus membros</p><p>pelo Presidente da República, sendo aprovados previamente pelo Senado. Era considerado um órgão</p><p>de cooperação, onde lhe competia acompanhar a execução orçamentária, julgar as contas dos gesto-</p><p>res responsáveis por dinheiros e bens públicos, além do registro dos contratos e de atos de que re-</p><p>sultasse obrigações de pagamento para o Tesouro Nacional ou por conta dele. As modalidades de</p><p>controle previstas nesta constituição eram o prévio e a posteriori. Na Constituição de 1934, a previsão</p><p>do Tribunal de Contas estava inserta no art. 99, conforme segue:</p><p>Art. 99 – É mantido o Tribunal de Contas, que, diretamente, ou por delegações organizadas de acor-</p><p>do com a lei, acompanhará a execução orçamentária e julgará as contas dos responsáveis por dinhei-</p><p>ros e bens públicos.</p><p>A Carta de 1937, conhecida como Polaca, visto que baseada na Constituição autoritária da Polônia,</p><p>foi outorgada pelo Presidente Getúlio Vargas, implantando, assim, a ditadura do Estado Novo. A prin-</p><p>cipal característica dessa constituição era a enorme concentração de poderes nas mãos do chefe do</p><p>Executivo, tendo um conteúdo bastante centralizador. Por esse motivo, pouca importância teve o</p><p>Tribunal de Contas nessa época, tendo sido reservado a ele apenas um dispositivo na Constituição,</p><p>dentro da parte destinada ao Poder Judiciário, embora dele não fizesse parte, conforme segue:</p><p>Art. 114. Para acompanhar, diretamente, ou por delegações organizadas de acordo com a lei, a exe-</p><p>cução orçamentária, julgar as contas dos responsáveis por dinheiros ou bens públicos e da legalidade</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>23 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>dos contratos celebrados pela União, é instituído um Tribunal de Contas, cujos membros serão no-</p><p>meados pelo Presidente da República, com aprovação do Conselho Federal. Aos Ministros do Tribu-</p><p>nal de Contas são asseguradas as mesmas garantias que aos Ministros do Supremo Tribunal Fede-</p><p>ral.</p><p>Com o advento da Constituição de 1946 as competências do Tribunal de Contas foram ampliadas,</p><p>permitindo a análise das contas das autarquias, bem como a verificação da legalidade dos contratos</p><p>administrativos, das aposentadorias, reformas e pensões e de qualquer ato que resultasse obrigação</p><p>de pagamento pelo Tesouro Nacional ou por conta deste. Com essa Constituição, o Tribunal de Con-</p><p>tas restou inserto dentro do capítulo referente ao Poder Legislativo. A modalidade de controle que</p><p>predominou nesse período foi a posteriori, porém, com relação à fiscalização dos contratos, esse</p><p>controle poderia ser concomitante ou até mesmo prévio, caso fosse identificado a existência de algum</p><p>tipo de encargo para o Tesouro Nacional. Na Constituição de 1946, a previsão do Tribunal de Contas</p><p>estava inserta no art. 76, conforme segue:</p><p>Art. 76. O Tribunal de Contas tem sua sede na Capital da República e jurisdição em todo o território</p><p>nacional.</p><p>§1º Os Ministros do Tribunal de Contas serão nomeados pelo Presidente da República, depois de</p><p>aprovada a escolha pelo Senado Federal, e terão os mesmos direitos, garantias, prerrogativas e ven-</p><p>cimentos dos juízes do Tribunal Federal de Recursos.</p><p>§2º O Tribunal de Contas exercerá, no que lhe diz respeito, as atribuições constantes do art. 97 e terá</p><p>quadro próprio para o seu pessoal.</p><p>A partir da Constituição de 1946, o Tribunal de Contas passou a ter uma conformação muito parecida</p><p>com a atual, e isso se pode comprovar por meio de algumas opiniões de renomados juristas, como é</p><p>o caso de Pontes de Miranda, que “defendia o entendimento de que o Tribunal de Contas, frente ao</p><p>texto constitucional, teria a função de julgar, sendo no plano material um órgão judiciário, e, no formal,</p><p>auxiliar do Congresso Nacional” (MIRANDA, 1947, p.93), e de Themístocles Brandão Cavalcanti que</p><p>afirmava que o Tribunal de Contas, nos termos da Constituição de 1946, seria um órgão de controle,</p><p>sem dependência direta de nenhum dos poderes, “defendendo a atuação desse órgão como algo</p><p>benéfico, ainda que naquela época não cumprisse integralmente as finalidades para as quais tinha</p><p>sido criado” (RAMOS, 1996).</p><p>Com o advento da Constituição de 1946, restaurando o regime democrático no país, observa-se que</p><p>o Poder Legislativo retomou seu papel na elaboração da proposta orçamentária, pois, durante o perí-</p><p>odo do Estado Novo foi criado um Departamento Administrativo, cujos membros eram nomeados pelo</p><p>Presidente da República, com atribuição de aprovar as propostas orçamentárias do executivo, bem</p><p>como fiscalizar a sua execução.</p><p>Com a Constituição de 1967 foi mantida a disciplina referente ao Tribunal de Contas dentro do capítu-</p><p>lo dedicado ao Poder Legislativo, o que reforçava a ideia que o mesmo seria um órgão auxiliar deste</p><p>poder. Por meio dessa Constituição foi abolida a modalidade de controle prévio, passando a ser ape-</p><p>nas a posteriori. Mas, de acordo com Semer (2000), com a instituição das inspeções e auditorias, o</p><p>controle poderia ser anterior, concomitante ou posterior.</p><p>Com a Constituição de 1967 o papel atribuído ao Tribunal de Contas foi bastante reduzido, pois o</p><p>país, àquela época, adentrava num período de autoritarismo, o que impedia a convivência pacífica</p><p>com um órgão que fosse detentor de atribuições de fiscalização e controle das contas públicas. Du-</p><p>rante esse período, novamente se pode perceber que a prerrogativa de apresentar leis ou emendas</p><p>referentes ao orçamento que criassem ou aumentassem as despesas foram novamente retiradas da</p><p>competência do Poder Legislativo. Mesmo com algumas restrições impostas pelo regime militar em</p><p>vigor, o Tribunal de Contas continuou a exercer as suas funções.</p><p>O Tribunal De Contas Da União – Tcu E A Constituição Federal De 1988</p><p>Com o advento da Constituição de 1988 o Tribunal de Contas, incluindo aí o Tribunal de Contas da</p><p>União e o dos Estados e Municípios, continuou a ser inserido, de forma orgânica, no Poder Legislati-</p><p>vo, mas detendo autonomia constitucional, não sendo um órgão preposto a este Poder. Esse inclusi-</p><p>ve foi o posicionamento do Supremo Tribunal Federal, em sede de ação direta de inconstitucionalida-</p><p>de, conforme segue:</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>24 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Não são, entretanto, as cortes de contas órgãos subordinados ou dependentes do Poder Legislativo,</p><p>tendo em vista que dispõem de autonomia administrativa e financeira, nos termos do artigo 73, caput,</p><p>da Constituição Federal, que lhes confere as atribuições previstas no seu artigo 96, relativas ao Poder</p><p>Judiciário. (Adin nº 1.140-5, Relator Ministro Sidney Sanches )</p><p>Embora a Constituição Federal de 1988, em seu art. 71, mencione que o Controle Externo, a cargo</p><p>do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União (a nível federal),</p><p>é importante asseverar que essa atuação não se traduz em subordinação, pois se assim for entendi-</p><p>do, estar-se-á confundindo a função com a natureza do órgão.</p><p>Sabe-se que a função deste Tribunal é exercer o controle financeiro e orçamentário da Administração</p><p>em auxílio ao poder responsável, em última instância, por essa fiscalização. Como já citado no pará-</p><p>grafo anterior, o Supremo Tribunal Federal, órgão máximo do Poder Judiciário no Brasil, também se</p><p>posicionou da seguinte forma: “O Tribunal de Contas não é preposto do Legislativo. A função que</p><p>exerce recebe diretamente da Constituição Federal, que lhe define as atribuições”.</p><p>Na definição de Gualazzi (1992), os Tribunais de Contas, no Brasil, atuam como órgão administrativo</p><p>parajudicial, funcionalmente autônomo, cuja função consiste em “exercer, de ofício, o controle exter-</p><p>no, fático e jurídico, sobre a execução financeiro-orçamentária, em face dos três poderes do Estado,</p><p>sem a definitividade jurisdicional”. Não se deve confundir a função com a natureza do órgão. A Cons-</p><p>tituição Federal de 1988 dispõe que o controle externo do Congresso Nacional será exercido com o</p><p>auxílio do Tribunal de Contas da União. Dessa forma, deve-se entender que a sua função, portanto, é</p><p>a de exercer o controle financeiro e orçamentário da Administração Pública Federal, em auxílio ao</p><p>poder que, em última instância, é responsável por essa fiscalização.</p><p>Outro ponto que merece destaque é que a própria Constituição Federal de 1988 assegura ao Tribunal</p><p>de Contas as mesmas garantias de independência do Poder Judiciário. E, assim sendo, não é possí-</p><p>vel considerá-lo subordinado ao Poder Legislativo, ou mesmo inserido na sua estrutura. A despeito de</p><p>ter como função atuar em auxílio ao Poder Legislativo, o Tribunal de Contas é um órgão independen-</p><p>te e não me mostra vinculado à estrutura de quaisquer dos três poderes.</p><p>Controle Legislativo da Atividade Administrativa - Apontamentos</p><p>Controle, em suma, pode ser conceituado como a fiscalização e necessária correção dos atos prati-</p><p>cados pelo Poder Público, de acordo com os princípios do regime jurídico administrativo.</p><p>Controle Legislativo, por sua vez, é também conhecido como Controle Parlamentar, isto é, aquele</p><p>exercido pelo Congresso Nacional (ou suas Casas Legislativas), de forma típica, direta ou indireta-</p><p>mente, alcançando o Poder Executivo, os entes da Administração Indireta, e o Poder Judiciário,</p><p>quando no exercício da função administrativa.</p><p>Quanto ao alcance, o referido controle abrange aspectos de legalidade, legitimidade, eficiência e</p><p>economicidade, podendo adentrar tanto no aspecto de legalidade, quanto no próprio mérito do ato</p><p>administrativo, sua oportunidade e conveniência.</p><p>O exercício do controle legislativo ou parlamentar pode ser feito tanto de forma direta, quanto de for-</p><p>ma indireta. Diretamente ele pode ser exercido pelos próprios órgãos do Congresso Nacional, a</p><p>exemplo das Comissões Parlamentares, ou pelo próprio Congresso ou suas Casas, conforme autori-</p><p>za os artigos 49, X, e 58, § 2º, III e VI, ambos da Constituição Federal. De forma indireta, tal controle</p><p>é exercido pelo Congresso Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da União, conforme prevê o</p><p>art. 71, da constituição Federal.</p><p>Quanto ao momento de exercício, o controle legislativo pode ser prévio (ex.: competência do Con-</p><p>gresso Nacional para autorizar a declaração de guerra, celebração de paz, e a transição e permanên-</p><p>cia de forças estrangeiras em território nacional - art. 49, II, CF/88), concomitante (ex.: avaliação pe-</p><p>riódica da funcionalidade do Sistema Tributário Nacional feita pelo Senado Federal - art. 52, XV, da</p><p>CF/88) e posterior (ex.: apreciação das contas prestadas anualmente pelo Presidente da República,</p><p>feita pelo Congresso Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da União, art. 71, I, da CF/88).</p><p>Pode o controle parlamentar ser dividido, ainda, em controle político e financeiro ou orçamentário.</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>25 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Sob o aspecto político, o controle é exercido de forma direta pelo Congresso Nacional, seus órgãos, e</p><p>Casas, podendo ser citados os seguintes exemplos: a) julgamento de crimes de responsabilidade</p><p>cometidos pelo Presidente de República (arts. 85 e 86, CF/88); b) sustação de atos do Poder Execu-</p><p>tivo que exorbitem o seu poder regulamentar (art. 49, V, CF/88); c) convocação de Ministros de Esta-</p><p>do para prestarem esclarecimentos (art. 58, § 2º, III, CF/88); d) aprovação de Estado de Defesa, Es-</p><p>tado de Sítio e Intervenção Federal (art. 49, IV, CF/88).</p><p>Já no que se refere ao aspecto financeiro, é exercido pelo Congresso Nacional, mediante assistência</p><p>do Tribunal de Contas da União, tendo como pessoas controladas qualquer pessoa física ou ente</p><p>público que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre bens e valores públicos (controle de</p><p>contas). São exemplos de controle financeiro: a) apreciação as contas prestadas anualmente pelo</p><p>Presidente da República (art. 71, I, CF/88); b) fiscalização da aplicação de recursos repassados a</p><p>Estados, DF e Municípios (art. 71, VI, da CF/88); c) realização de auditorias contábeis, financeiras,</p><p>orçamentárias, operacionais, e patrimoniais, em unidades administrativas de qualquer</p><p>dos poderes e</p><p>demais entes da administração indireta (art. 71, IV, CF/88).</p><p>Por fim, cumpre salientar que, por respeito à Tripartição dos Poderes, quaisquer dos controles exerci-</p><p>dos pelo Poder Legislativo devem ter previsão constitucional para serem válidos.</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>09 Apostila Concurso (Médio)</p><p>01 Quem Somos</p><p>02 Proibido Copia</p><p>04 Especificos</p><p>04 Ato Administrativo</p><p>05 Poderes Administrativos</p><p>06 Bens Públicos</p><p>05 Referencia</p><p>06 Contra Capa</p><p>do Ato Administrativo</p><p>A Validade do ato, por sua vez leva em consideração a sua conformidade com a lei. Assim sendo, ato</p><p>válido é aquele que não viola o ordenamento jurídico. Do contrário, será ato inválido.</p><p>O plano de validade do ato administrativo pressupõe que o ato seja perfeito, não se falando em ato</p><p>válido ou inválido antes do integral cumprimento do seu ciclo de formação.</p><p>Uma vez comprovada a existência do ato administrativo, passa-se a análise da sua conformidade com</p><p>os requisitos fixados no ordenamento, a qual determinará a sua validade ou não.</p><p>A doutrina diverge quanto à denominação e a quantidade de requisitos necessários à validade do ato</p><p>administrativo. Há, basicamente, dois posicionamentos preponderantes:</p><p>1. A visão tradicional, encabeçada por Hely Lopes Meirelles, que tomando por base o artigo 2˚ da Lei</p><p>4717/65 (Lei da Ação Popular), divide o ato administrativo em 5 requisitos: competência, objeto, forma,</p><p>motivo e finalidade.</p><p>2. A visão moderna, desenvolvida por Celso Antônio Bandeira de Mello que entende serem 6 os pres-</p><p>supostos de validade do ato administrativo, quais sejam: sujeito, motivo, requisitos procedimentais,</p><p>finalidade, causa e formalização.</p><p>Eficácia do Ato Administrativo</p><p>A Eficácia diz respeito à aptidão do ato para produzir efeitos jurídicos, é a idoneidade que se reconhece</p><p>ao ato administrativo para que este possa produzir seus efeitos específicos.</p><p>Ato eficaz é o que produz ou tem condição de produzir efeitos. É o ato que se encontra apto para</p><p>produção de efeitos. Vale ressaltar que a eficácia do ato administrativo ocorre a partir da publicação do</p><p>respectivo ato na imprensa oficial.</p><p>Algumas circunstâncias podem interferir na irradiação de efeitos do ato administrativo. É o caso, por</p><p>exemplo da existência de vício, como a inexistência jurídica do ato administrativo.</p><p>Outras circunstâncias dizem respeito à existência de condição suspensiva, condição resolutiva, termo</p><p>inicial e termo final.</p><p>Quantos e quais são esses atributos?</p><p>São quatro: Presunção de legitimidade/ Autoexecutoriedade/ Imperatividade e Tipicidade:</p><p>Presunção de Legitimidade, Legalidade e Veracidade.</p><p>- Presume-se que o ato é legal, legítimo (regras morais) e verdadeiro (realidade posta).</p><p>- Trata-se de presunção relativa, admitindo, portanto, prova em contrário.</p><p>Tais atributos fundamentam-se no Princípio da Legalidade, do qual extrai-se que ao administrador pú-</p><p>blico só é dado fazer aquilo que a lei autoriza e permite.</p><p>Autoexecutoriedade</p><p>- A Administração Pública pode impor suas decisões, independentemente de provimento judicial.</p><p>- A Autoexecutoriedade traz uma peculiaridade, que é a sua conceituação a partir da junção de duas</p><p>outras características dos atos, que é a Exigibilidade + Executoriedade:</p><p>· Exigibilidade: meios indiretos de coerção.</p><p>Exemplo: Só consegue obter licenciamento, carro que não tenha multas pendentes.</p><p>ATO ADMINISTRATIVO</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>· Executoriedade: meios diretos de coerção.</p><p>Exemplo: apreensão de mercadorias.</p><p>Imperatividade</p><p>- A Administração impõe suas decisões, independentemente da vontade ou concordância do particular</p><p>afetado.</p><p>Tipicidade</p><p>- Por tipicidade entende que a atuação da Administração Pública somente se dá nos termos do tipo</p><p>legal, como decorrência do anteriormente mencionado Princípio da Legalidade.</p><p>Bom pessoal, então após revisar esses pontos, já se pode resolver uma questão saindo do forno em</p><p>que tal tema foi recentemente cobrado pela Fundação Carlos Chagas:</p><p>(FCC – 2012 – TRF – 5ª REGIÃO – Analista Judiciário – Execução de Mandados)</p><p>Constitui atributo dos atos administrativos:</p><p>a) Presunção de legitimidade, o que afasta possibilidade de apreciação judicial, salvo para os atos</p><p>vinculados.</p><p>b) Autoexecutoriedade, que autoriza a Administração a colocar o ato em execução, empregando meios</p><p>diretos e indiretos de coerção, na forma prevista em lei.</p><p>c) Exigibilidade, que autoriza a Administração a utilizar meios coercitivos para o seu cumprimento nos</p><p>termos da lei, sempre com a intervenção do Poder Judiciário.</p><p>d) Tipicidade, que impede a Administração de praticar atos de natureza discricionária.</p><p>e) Presunção de veracidade, que afasta a possibilidade de revogação, salvo por vício de legalidade.</p><p>Logo, a partir de nossa revisão, podemos considerar como a assertiva mais correta a alternativa B, a</p><p>qual é o gabarito da questão.</p><p>Extinção</p><p>Os atos administrativos podem ser extintos através das seguintes formas: anulação, a revogação e</p><p>a convalidação.</p><p>A anulação, ou invalidação, é o desfazimento do ato administrativo, com base no seu poder de auto-</p><p>tutela, sobre os próprios atos.</p><p>Também pode ser feita pelo Poder Judiciário, mediante provocação dos interessados, que poderão</p><p>utilizar, para esse fim as ações ordinárias e especiais previstas na legislação processual ou os remé-</p><p>dios constitucionais de controle judicial da Administração Pública,</p><p>Um aspecto que se discute é quanto ao caráter vinculado ou discricionário da anulação.</p><p>Deve-se observar, que a Administração tem, em regra, o dever de anular os atos ilegais, sob pena</p><p>de cair por terra o princípio da legalidade. No entanto, poderá deixar de fazê-lo, em circunstâncias</p><p>determinadas, quando o prejuízo resultante da anulação puder ser maior do que o do decorrente da</p><p>manutenção do ato ilegal, nesse caso, é o interesse público que norteará a decisão.</p><p>As nulidades no direito privado obedecem a um sistema dicotômico, composto da nulidade e da anu-</p><p>labilidade, a primeira figurando no artigo 166 e a segunda no artigo 171 do Código Civil.</p><p>No Direito Civil, são as seguintes as diferenças entre a nulidade absoluta e relativa:</p><p>1. Na nulidade absoluta, o vício não pode ser sanado, na nulidade relativa pode.</p><p>ATO ADMINISTRATIVO</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>2. A nulidade absoluta pode ser decretada pelo juiz de ofício ou mediante provocação do interesse</p><p>ou do Ministério Público (art. 168 do CC), a nulidade relativa só pode ser decretada se provocada</p><p>pela parte interessada.</p><p>No Direito Administrativo são duas as diferenças básicas entre a nulidade e a anulabilidade. Primei-</p><p>ramente, a nulidade não admite convalidação, ao passo que na anulabilidade ela é possível.</p><p>As nulidades e anulabilidades se referem aos cinco elementos do ato jurídico, definidos no artigo 2º</p><p>da lei de ação popular, a saber:</p><p>1. Vício no elemento competência decorrente da inequação entre a conduta e as atribuições do</p><p>agente. É o caso em que o agente pratica o ato que refoge ao círculo de suas atribuições (excesso</p><p>de poder).</p><p>2. Vício no elemento finalidade: compete na prática de ato direcionado a interesses privados, o</p><p>agente confere autorização apenas aquele a quem pretende beneficiar.</p><p>3. Vício de forma provém de ato que inobserva ou omite o meio de exteriorização exigido para o ato,</p><p>ou que não atende ao procedimento previsto em lei como necessário à decisão que a Administração</p><p>deseja tomar.</p><p>4. Vício do elemento motivo. Ocorre de três modos: a) inexistência de fundamento para o ato; b)</p><p>fundamento falso, vale dizer, incompatível com a verdade real; c) fundamento desconexo com o ob-</p><p>jetivo pretendido pela Administração.</p><p>5. Vício no elemento objeto: consiste na prática de ato dotado de conteúdo diverso de que a lei</p><p>autoriza ou determina. Há vício se o objeto é ilícito, impossível ou indeterminável.</p><p>A revogação é o ato administrativo discricionário pelo qual a administração extingue um ato válido,</p><p>por razões de oportunidade e conveniência.</p><p>Seus efeitos produzem efeitos ex nunc:</p><p>1. Não podem ser revogados os atos vinculados, precisamente, porque nestes não há os aspectos</p><p>concernentes à oportunidade e conveniência.</p><p>2. Não podem ser revogados os atos que exauriram os seus efeitos.</p><p>3. A revogação não pode ser feita quando já se exauriu a competência relativamente ao objeto de</p><p>ato.</p><p>4. A revogação não pode atingir os meros atos administrativos, como certidões, atestados, vetos,</p><p>porque</p><p>os efeitos deles decorrentes são estabelecidos pela lei.</p><p>5. Também não podem ser revogados os atos que integram um procedimento, pois a cada novo ato</p><p>ocorre a preclusão com relação ao anterior.</p><p>6. Não podem ser revogados os atos que geram direitos adquiridos, conforme expresso na Súmula</p><p>473 do STF.</p><p>Já a convalidação ou saneamento é o ato administrativo pelo qual é suprido o vício existente em um</p><p>ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que foi praticado.</p><p>Tratando-se de ato vinculado praticado por autoridade incompetente, a autoridade competente não</p><p>poderá deixar de convalidá-lo, se estiverem presentes os requisitos para a prática do ato; a convali-</p><p>dação é obrigatória, para dar validade aos efeitos já produzidos; se os requisitos legais não estiverem</p><p>presentes, ela deverá necessariamente anular o ato. Se o ato praticado por autoridade incompetente</p><p>é discricionário e, portanto, admite apreciação subjetiva quanto aos aspectos de mérito, não pode a</p><p>autoridade competente ser obrigada a convalidá-lo, porque é obrigada a aceitar a mesma avaliação</p><p>subjetiva feita pela autoridade incompetente; nesse caso poderá convalidar ou não, dependendo de</p><p>sua própria apreciação discricionária.</p><p>ATO ADMINISTRATIVO</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Há três formas de convalidação. A primeira é a ratificação. A autoridade que deve ratificar deve ser</p><p>a mesma que praticou o ato anterior ou um superior hierárquico, mas o importante é que a lei lhe</p><p>haja conferido essa competência específica. A segunda é a reforma. Esta forma de aproveitamento</p><p>admite que novo ato suprima a parte inválida do ato anterior, mantendo sua parte válida. A última é</p><p>a conversão, que se assemelha à reforma.</p><p>Por meio dela a Administração depois de retirar a parte inválida do ato anterior processa a sua subs-</p><p>tituição por uma nova parte de modo que o novo ato passa a conter a parte válida anterior e uma</p><p>nova parte, de modo que o novo ato passa a conter a parte válida anterior e uma nova parte, nascida</p><p>esta com o ato de aproveitamento.</p><p>Nem todos os vícios do ato permitem seja este convalidado. Os vícios insanáveis impedem o apro-</p><p>veitamento do ato, ao passo que os vícios sanáveis possibilitam a convalidação. São convalidáveis</p><p>os atos que tenham vício de competência e de forma. Também é possível convalidar atos com vício</p><p>no objeto, ou conteúdo, mas apenas quando se tratar de conteúdo plúrimo, ou seja, quando a vontade</p><p>administrativa se preordenar a mais de uma providência administrativa no mesmo ato. Vícios insa-</p><p>náveis tornam os atos inconvalidáveis.</p><p>Desfazimento</p><p>Quando os atos administrativos forem inconvenientes ou inoportunos, ilegais ou ilegítimos podem ser</p><p>extintos através de revogação, anulação e/ou convalidação.</p><p>Revogação: É a extinção de um ato administrativo praticado de forma válida e discricionária, quando</p><p>sua manutenção deixar de ser conveniente e oportuna, por motivo de interesse público. Alguns atos</p><p>não podem ser revogados como: atos vinculados; atos que geram direito adquiridos; atos consuma-</p><p>dos; atos que integram um procedimento e atos enunciativos. Efeito Ex Nunc</p><p>Anulação: É a extinção do ato administrativo considerado ilegal pela própria Administração ou pelo</p><p>Poder Judiciário. Efeito Ex Tunc.</p><p>Os atos discricionários e os atos vinculados estão sujeitos ao controle de legalidade e por isso, são</p><p>passíveis de anulação.</p><p>A anulação de um ato administrativo tem efeito retroativo.</p><p>Em algumas situações é possível corrigir o ato administrativo que foi considerado ilegal (convalida-</p><p>ção).</p><p>Convalidação: ocorre quando o ato administrativo possui um vício sanável, mas caso for extinguir</p><p>poderá trazer consequência aos destinatários ou ao público. Então faz apenas uma reparação da</p><p>parte falha do ato administrativo e mantendo o resto do ato.</p><p>Sanatória ou Convalidação</p><p>A sanatória ou convalidação, é uma forma de corrigir vícios existentes em um ato ilegal sendo precei-</p><p>tuado no art. 55 da Lei nº 9.784/1999, in verbis:</p><p>Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a</p><p>terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Adminis-</p><p>tração.</p><p>Os efeitos da convalidação são retroativos ( ex tunc ) ao tempo de sua execução.</p><p>Convalidação: ocorre quando o ato administrativo possui um vício sanável, mas caso for extinguir</p><p>poderá trazer consequência aos destinatários ou ao público. Então faz apenas uma reparação da</p><p>parte falha do ato administrativo e mantendo o resto do ato.</p><p>Classificação, Espécies e Exteriorização</p><p>Classificação:</p><p>Quanto ao regramento: Atos vinculados e Atos discricionários</p><p>ATO ADMINISTRATIVO</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Quanto aos destinatários dos atos: atos individuais e atos gerais.</p><p>Quanto ao alcance: Atos internos e atos externos</p><p>Quanto ao seu objeto: Atos de império, atos de gestão e atos de expedientes</p><p>Quanto aos efeitos: atos constitutivos e atos declaratórios.</p><p>Quanto à estrutura do ato: atos concretos e atos abstratos.</p><p>Quanto à formação (processo de elaboração): Ato simples, Ato complexo e ato composto</p><p>Quanto à função da vontade administrativa: atos negociais ou negócios jurídicos e atos puros ou meros</p><p>atos administrativos.</p><p>Quanto aos resultados sobre a esfera jurídica dos administrados: atos ampliativos e atos restritivos.</p><p>Quanto à formação do ato: atos unilaterais e atos bilaterais.</p><p>Espécies</p><p>Espécies de atos administrativos:</p><p>Atos normativos: Decreto, regulamentos, Regimento, resolução e deliberação.</p><p>Atos ordinatórios: Instruções, Circulares, Avisos, portarias, Ofícios e Despachos administrativos.</p><p>Atos negociais: Licença, Autorização, Permissão, Aprovação, Visto, Homologação, Dispensa e Renún-</p><p>cia.</p><p>Atos enunciativos: Atestado, Certidão e pareceres</p><p>Atos punitivos</p><p>Exteriorização</p><p>Formas de exteriorização do ato administrativo</p><p>Decreto – Ato administrativo unilateral por meio do qual os Chefes dos Poderes Executivos praticam</p><p>de forma escrita atos relacionados à sua competência</p><p>Portaria – Ato administrativo na qual é expedido por agentes públicos de cargo de chefia que pode</p><p>conter instruções acerca da aplicação de leis ou regulamentos ou recomendações gerais.</p><p>Alvará – Ato administrativo para expedir autorizações e licenças;</p><p>Aviso – Ato administrativo usado por ministros ou militares para orientar seus subordinados.</p><p>Instrução – Ato administrativo geral expedido por autoridades que se encontra no topo da hierarquia.</p><p>Circular – Ato administrativo que tem como objetivo transmitir ordens iguais para seus subordinados.</p><p>Regimento: Ato administrativo unilateral de aplicação interna e de caráter normativo e geral que visa</p><p>fixar regras de funcionamento e administração.</p><p>Ordem de Serviço – Ato administrativo para iniciar uma obra ou determinado serviço.</p><p>Resolução – Ato administrativo que comunica deliberações dos órgãos colegiais;</p><p>Ofício – Ato administrativo na qual os agentes se comunicam formalmente;</p><p>Parecer – Ato administrativo emitido por órgão consultivo para fazer uma apreciação técnica;</p><p>Despacho – Ato administrativo que manifesta a decisão final de uma autoridade.</p><p>ATO ADMINISTRATIVO</p><p>8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Vinculação e Discricionariedade</p><p>Na concepção de HELY LOPES MEIRELLES “Atos vinculados ou regrados são aqueles para os quais</p><p>a lei estabelece os requisitos e condições de sua realização”, ao passo que “discricionários são os que</p><p>a Administração pode praticar com liberdade de escolha de seu conteúdo, de seu destinatário, de sua</p><p>conveniência, de sua oportunidade e de seu modo de realização”.</p><p>O ato vinculado é exatamente como a lei manda, e o discricionário o agente público tem alguma liber-</p><p>dade para fazer algumas mudanças conforme a sua vontade, mas com limites. O administrador tem na</p><p>verdade que respeitar a lei e os princípios da administração pública, ou seja, não deve confundir a</p><p>discricionariedade com arbitrariedade.</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>PODERES ADMINISTRATIVOS</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Poderes Administrativos</p><p>Vinculado: Quando a lei confere à Administração Pública poder para a prática de determinado ato,</p><p>estipulando todos os requisitos e elementos necessários à sua validade. Discricionário: Quando o Di-</p><p>reito concede à Administração, de modo explícito ou implícito, poder para prática de determinado ato</p><p>com liberdade de escolha de sua conveniência e oportunidade. Existe uma gradação.</p><p>Normativo: Embora a atividade normativa caiba predominantemente ao Legislativo, nele não se exaure,</p><p>cabendo ao Executivo expedir regulamentos e outros atos normativos de caráter geral e de efeitos</p><p>externos. É inerente ao Poder Executivo.</p><p>Hierárquico: É o meio de que dispõe a Administração Pública para distribuir e escalonar as funções dos</p><p>órgãos públicos; estabelecer a relação de subordinação entre seus agentes; e ordenar e rever a atua-</p><p>ção de seus agentes.</p><p>Disciplinar: É conferido à Administração para apurar infrações e aplicar penalidades funcionais a seus</p><p>agentes e demais pessoas sujeitas à disciplina administrativa, como é o caso das que por ela são</p><p>contratados;</p><p>Poder de Polícia: É a atividade da Administração Pública que, limitando ou disciplinando direitos, inte-</p><p>resses ou liberdades individuais, regula a prática do ato ou abstenção de fato, em razão do interesse</p><p>público. É aplicado aos particulares.</p><p>Segmentos Do Poder De Polícia:</p><p>Policia Administrativa: incide sobre bens, direitos, atividades e é regida pelo Direito Administrativo</p><p>Policia Judiciária: incide sobre as pessoas e destina-se à responsabilização penal</p><p>Limitações do Poder de Polícia:</p><p>• Necessidade: o Poder de policia só deve ser adotado para evitar ameaças reais ou prováveis de</p><p>pertubações ao interesse público;</p><p>• Proporcionalidade: é a exigência de uma relação entre a limitação ao direito individual e o prejuízo a</p><p>ser evitado;</p><p>• Eficácia: a medida deve ser adequada para impedir o dano ao interesse público.</p><p>Atributos do Poder e Polícia:</p><p>• Discricionariedade: Consiste na livre escolha, pela Administração Pública, dos meios adequados para</p><p>exercer o poder de policia, bem como, na opção quanto ao conteúdo, das normas que cuidam de tal</p><p>poder.</p><p>• Auto-Executoriedade: Possibilidade efetiva que a Administração tem de proceder ao exercício imedi-</p><p>ato de seus atos, sem necessidade de recorrer, previamente, ao Poder Judiciário.</p><p>• Coercibilidade: É a imposição imperativa do ato de policia a seu destinatário, admitindo-se até o em-</p><p>prego da força pública para seu normal cumprimento, quando houver resistência por parte do adminis-</p><p>trado.</p><p>• Atividade Negativa: Tendo em vista o fato de não pretender uma atuação dos particulares e sim sua</p><p>abstenção, são lhes impostas obrigações de não fazer.</p><p>Uma Visão Simplificada E Efetiva Dos Poderes Administrativo.</p><p>Dos diversos princípios informadores do Direito Administrativo decorrem os poderes para as autorida-</p><p>des administrativas, fundamentais para que a finalidade de interesse público seja atingida, sobrepondo</p><p>as necessidades coletivas às individuais, sobrepondo as necessidades coletivas às individuais.</p><p>Nascem com a Administração, e são usados para que os objetivos previstos em lei sejam atingidos.</p><p>Por isso, são chamados instrumentais, ou seja, são ferramentas para atingir os objetivos do Estado.</p><p>PODERES ADMINISTRATIVOS</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>O exercício do poder não é uma faculdade do administrador, é um “poder-dever”, a ser usado em be-</p><p>nefício da coletividade: é irrenunciável. Em face do sempre presente princípio da legalidade, o exercício</p><p>dos diversos poderes administrativos está adstrito aos contornos legais.</p><p>Poder Vinculado</p><p>Muitos doutrinadores não veem neste um poder propriamente dito, mas apenas um atributo dos outros</p><p>poderes.</p><p>Para o exercício desse “poder”, devem ser observados todos os contornos traçados pela lei, que não</p><p>deixa margem de manobra À autoridade responsável.</p><p>A lei estabelece todos os detalhes, como deve ser feito, quando, por que etc. Dessa forma, estando</p><p>presente os requisitos legais, à pessoa competente só resta praticá-lo, de forma com prevista.</p><p>Para que seja possível a melhor compreensão do assunto, trago a memória do leitor que ato adminis-</p><p>trativo é composto de cinco elementos: competência; finalidade; forma; motivo e objeto.</p><p>No exercício do Poder Vinculado, esses cinco requisitos são previstos na lei e de observância obriga-</p><p>tória. Ressalte-se que os três primeiros (competência, finalidade e forma), são sempre vinculados,</p><p>mesmo no âmbito do Poder Discricionário, visto a seguir.</p><p>Se um fiscal de tributos constata a omissão de pagamentos de um tributo devido, tem a obrigação de</p><p>fazer a autuação do contribuinte faltoso, independente de quem seja (art. 3º, CTN, Lei nº 5.172/66). Se</p><p>constata que um inimigo seu não pagou o tributo devido, deve fazer esse lançamento tanto quanto se</p><p>a mesma omissão fosse pratica por sua mãe, pois a lei assim determina, e essa é uma atividade vin-</p><p>culada. Perceba que esse poder está diretamente vinculado ao exercício de um ato vinculado.</p><p>Poder Discricionário</p><p>Da mesma forma que no caso anterior, não se trata de um poder autônomo, mas sim é apenas um</p><p>atributo de outros poderes.</p><p>Nesse caso, a lei também estabelece uma série de regras para a prática de um ato, mas deixa certa</p><p>dose de prerrogativas à autoridade, que poderá optar por um entre vários caminhos igualmente válidos.</p><p>Então, se a lei deixa certo grau de liberdade, diz que há discricionariedade.</p><p>No entanto, não existe poder discricionário absoluto, pois sempre a lei fixará os limites de atuação,</p><p>dentro dos quais deve o agente atuar, sobe pena de prática desvio ou excesso de poder.</p><p>Dentro dos elementos supra citados, somente estão na esfera da opção do administrador os dois últi-</p><p>mos, ou seja, o motivo e o objeto, quando diante de um ato discricionário, pois, como</p><p>sobredito, os</p><p>demais são sempre vinculados. A opção pode ser verificada no motivo, no objeto, ou em ambos.</p><p>Cabe, então, à Administração Pública a liberdade na escolha da conveniência e oportunidade para</p><p>realização do ato. A essa dupla (conveniência + oportunidade) chama-se mérito administrativo.</p><p>No mesmo exemplo supracitado, se a lei estabelecer que a multa aplicada em determinado caso pode</p><p>variar de 10 a 40%, a autoridade fiscal pode fixar multa dentro desses limites. Como tem vários cami-</p><p>nhos possíveis, diz-se que tal valoração faz parte da discricionariedade prevista legalmente.</p><p>Outro caso típico no Direito Administrativo pode ser visto na estipulação da suspensão aplicada a um</p><p>servidor faltoso.</p><p>Nos termos do art. 130 da Lei nº 8.112/90, poderá ser aplicada suspensão em determinados casos,</p><p>que não excederá de 90 dias.</p><p>Ao fim do processo, concluído que é o caso de aplicação da suspensão, a autoridade poderá fixar um</p><p>número de dias que variará de um a noventa. Novamente, se há mais de um caminho possível e igual-</p><p>mente válido, há ato discricionário. Aqui, o “quantum” da pena, seu conteúdo. A punição, sua gradação,</p><p>devem ser sempre motivadas (art. 128, parágrafo único, Lei nº 8.112/90).</p><p>PODERES ADMINISTRATIVOS</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Se a autoridade competente quiser destituir um servidor de um cargo em comissão, pode fazê-lo sem</p><p>maiores problemas, não sendo necessário sequer dizer os motivos, posto que é outro exemplo de ato</p><p>discricionário.</p><p>Acrescente-se que, em se tratando dos conceitos ditos empíricos ou de experiência, fica afastado o</p><p>exercício do poder discricionário, posto que a prática anterior, e suas conclusões como melhores cami-</p><p>nhos a seguir para atingir a finalidade estatal, devem ser observadas por todos.</p><p>Por fim, ressalte-se que, além dos limites fixados na lei, a autoridade está sempre adstrita aos princípios</p><p>da razoabilidade e proporcionalidade, para que se evitem as injustiças. Da mesma forma, pela Teoria</p><p>dos Motivos Determinantes, a validade do atoa se vincula à existência, validade ou legitimidade dos</p><p>motivos que justificaram sua prática.</p><p>No que se refere à anulação dos atos discricionários, saliente-se que o ato discricionário ilegal, como</p><p>qualquer ato ilegal, pode ser revisto, tanto pela Administração Pública quanto pelo Poder Judiciário. No</p><p>entanto, não compete ao Judiciário a apreciação do mérito administrativo, ou seja, a oportunidade ou</p><p>conveniência da prática de determinado ato, quando atuando em sua função principal, jurisdicional.</p><p>Para que fique claro, o Judiciário pode sim rever critérios de mérito, mas apenas dos seus próprios atos</p><p>administrativos, ou seja, quando atua em suas funções secundárias, não jurisdicionais.</p><p>Se o Presidente de determinado Tribunal resolver alterar o horário de atendimento ao público, atua na</p><p>sua função administrativa. Concluindo que deixou de ser conveniente esse novo horário, poderá re-</p><p>vogá-lo, pois, repita-se, aqui não age enquanto Poder Judiciário propriamente dito, mas sim como ad-</p><p>ministrador.</p><p>Então, o Judiciário pode anular um ato ilegal, produzido por qualquer dos Poderes. A revogação de um</p><p>ato inoportuno ou inconveniente só pode ser feita por quem o praticou, estando vedada análise do</p><p>mérito pelo Judiciário.</p><p>Poder Hierárquico</p><p>É a estrutura hierarquizada da Administração Pública que justifica a existência desse Poder. Como</p><p>sabemos, as duas características essenciais da Administração são a hierarquia e a repartição de com-</p><p>petências.</p><p>Então, além de a lei dividir entre todos as competências, também estabelece uma relação de coorde-</p><p>nação e subordinação entre os vários órgãos, cargos e funções etc., fixando assim a hierarquia, sempre</p><p>dentro de uma mesma entidade. O que existe entre, por exemplo, um Ministério e uma autarquia de-</p><p>nomina-se vinculação, e não subordinação.</p><p>Através desse Poder, decorrem as seguintes faculdades atribuídas ao superior, com relação a seu</p><p>subordinado:</p><p>· Dar ordens: as ordens devem ser cumpridas pelos subordinados, exceto quando manifestamente</p><p>ilegais, situação na qual caberá o dever de representar contra tal ilegalidade (art. 116, IV e XII, Lei</p><p>nº 8.112/90);</p><p>Fiscalizar: compete ao superior verificar e acompanhar as tarefas executadas por seus subordinados,</p><p>para eventuais correções, sempre que necessárias;</p><p>Delegar: corresponde ao repasse de atribuições administrativas de responsabilidade do superior para</p><p>o subalterno;</p><p>Avocar: representa o caminho contrário da delegação, é dizer, acontece a avocação quando o superior</p><p>atrai para si a tarefa de responsabilidade do subordinado, podendo tal atividade ter sido delegada para</p><p>este ou ser de sua competência originária;</p><p>Rever: pode o superior, de ofício ou mediante pedido do interessado, realizar a revisão dos atos de</p><p>seus subordinados, enquanto não for tal ato definitivo, mantendo-o ou modificando-o.</p><p>PODERES ADMINISTRATIVOS</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Também decorre desse Poder a possibilidade de edição de atos normativos, como instruções, resolu-</p><p>ções, portarias etc. Não se confunda com regulamentos: esses atos têm aplicação apenas internas e,</p><p>por isso mesmo, são produzidos com base na relação hierárquica.</p><p>Poder Disciplinar</p><p>Diretamente relacionado como o Poder Hierárquico, representa o poder-dever de a Administração Pú-</p><p>blica punir seus servidores sempre que cometam faltas, apuradas mediante sindicância ou Processo</p><p>Administrativo Disciplinar (art. 143 e seguintes, Lei nº 8.112/90). Pode também haver punição de parti-</p><p>cular submetido ao controle estatal, como no caso daquele que descumpre contrato administrativo.</p><p>Não se confunda este poder com a possibilidade de o Estado punir seu povo tampouco com o exercício</p><p>de sua capacidade regulatória das atividades cometimento de crimes ou contravenções. No segundo,</p><p>em que é exemplo aplicação de multa pelo não atendimento de uma exigência sanitária por uma lan-</p><p>chonete, haverá exercício do Poder de Polícia (visto a seguir), por não ser do âmbito interno da Admi-</p><p>nistração Pública.</p><p>Poder Regulamentar</p><p>A Constituição Federal confere aos chefes do Poder Executivo federal, municipal e estadual poder para</p><p>editar normas gerais e abstratas que explicam a lei, complementando-a e dando sua correta aplicabili-</p><p>dade.</p><p>Como se sabe, a lei não pode descer a minúcias de explicar e esclarecer toda sorte de situação por</p><p>ela abrangidas. Assim, cabe ao Executivo essa tarefa, clareando seu conteúdo, sem, contudo, exorbitar</p><p>de seus parâmetros.</p><p>Esse tipo de regulamento é expedido para dar a fiel execução da lei (art. 84, IV, CF/88), não podendo</p><p>ser contrário a ela, tampouco tratar de assunto não tratados por ela.</p><p>Não pode inovar, ou seja, criar direitos, obrigações, sanções diversas das previstas na lei que regula-</p><p>menta, mesmo porque ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo, senão em virtude de lei</p><p>(art. 5º, II, CF/88). Assim, cabe ao regulamento apenas fixar normas para o cumprimento da lei. São</p><p>também chamados de decretos de execução, únicos possíveis a partir da CF/88.</p><p>Outro importante tipo de decreto é o chamado autônomo, editados pelo Executivo, inovando o Direito</p><p>Positivo, ou seja, criando novas regras diretamente advindas da Constituição. Por isso, são ditos atos</p><p>primário, independentes de qualquer lei. Sob a égide da ordem constitucional anterior, esse tipo de</p><p>decreto era plenamente possível.</p><p>Com a promulgação, em 1988, da nossa nova Carta Política, foi banido, pois, de acordo com o previsto</p><p>em seu art. 84, IV, compete privativamente ao Presidente da República, entre outras coisas, expedir</p><p>decretos e regulamentos para a fiel execução das leis.</p><p>Contudo, essa realidade mudou a partir da edição da Emenda Constitucional nº 32, de 11/09/2001. De</p><p>fato, alterou-se a redação do inciso VI do mesmo art. 84. Agora, também é competente o Presidente</p><p>da República para dispor, mediante decreto, sobre a organização e funcionamento da Administração</p><p>federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção</p><p>de órgãos públicos, e a</p><p>extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos.</p><p>Ainda mais, o parágrafo único desse artigo permite que o Presidente da República delegue tais atribui-</p><p>ções aos Ministros de Estados, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União,</p><p>que deverão observar os limites traçados nas respectivas delegações. Isto posto, nessas duas situa-</p><p>ções, e somente nessas, poderá o Executivo editar decreto autônomo, como exceção à regra de edição</p><p>de apenas decretos de execução.</p><p>Acrescente-se que essas matérias passaram a ser de competência do Executivo, afastando a possibi-</p><p>lidade de o Legislativo tratar desse assunto, tendo em vista que a mesma EC nº 32/2001, também</p><p>alterou os incisos X e XI, do art. 48, sobre as competências do Congresso Nacional.</p><p>Se o Executivo se omite de exercer seu poder-dever de regulamentar as leis, caberá, por expressa</p><p>previsão constitucional, o uso do mandado de injunção e da ação de inconstitucionalidade por omissão.</p><p>PODERES ADMINISTRATIVOS</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Poder de Polícia</p><p>Uma série de direitos são garantidos à sociedade pela legislação. Contudo o exercício desses direitos</p><p>não pode ser ilimitado, devendo haver regulação do uso e gozo de bens, atividades e direitos individu-</p><p>ais, em atenção ao benefício comum do povo.</p><p>Assim, disciplina-se o direito à livre manifestação do pensamento, à propriedade, ao trânsito, ao livre</p><p>exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, e tantos outros no nosso cotidiano.</p><p>É no exercício do Poder de Polícia que a Administração Pública limita, disciplina, fiscaliza o cumpri-</p><p>mento etc., sempre baseado no interesse público, manifestando-se por meio de atos normativos e con-</p><p>cretos.</p><p>A propósito do tema, cite-se a definição de Poder de Polícia inserida no Código Tributário Nacional, em</p><p>seu art. 78:</p><p>“Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou discipli-</p><p>nando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou a abstenção de fato, em razão de</p><p>interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção</p><p>e do mercado, ao exercício de atividade econômicas dependentes de concessão ou autorização do</p><p>Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coleti-</p><p>vos.</p><p>Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo</p><p>órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância de processo legal e, tratando-se de</p><p>atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder.”</p><p>Então, numa tentativa de dar um conceito mais conciso, Poder de Polícia é a faculdade de que dispõe</p><p>a Administração Pública para condicionar o uso, o gozo e a disposição da propriedade ou liberdades,</p><p>em prol da coletividade ou do Estado. O exercício desse Poder independe de prévio recurso ao Judici-</p><p>ário para que se executem suas decisões nesse âmbito, em face do atributo da auto-executoriedade.</p><p>Os atos de polícia possuem elementos, os quais são:</p><p>Editado pela Administração Pública ou por quem lhe faça as vezes;</p><p>Fundamento num vínculo geral;</p><p>Interesse público e social;</p><p>Incidir sobre a propriedade ou sobre liberdade.</p><p>Fundamenta-se na Supremacia do Estado, e tem como objeto os bens, direitos e atividades que de</p><p>alguma forma afetem ou possam afetar a coletividade. Lembre-se: a finalidade é sempre atender e</p><p>proteger o interesse público.</p><p>No exercício desse Poder, podemos citar como exemplos a fixação e fiscalização de normas sanitárias</p><p>para funcionamento de um açougue ou supermercado, ou de limites de barulho produzido por casas</p><p>noturnas, ou ainda, verificação do cumprimento das normas de prevenção de incêndios de novas cons-</p><p>truções. Nesse contexto, temos as autorizações, que são expedidas pela Administração discricionaria-</p><p>mente, e as licenças, que são atos vinculados.</p><p>Importante frisar que Polícia Administrativa não se confunde com Polícia Judiciária. A primeira, em</p><p>geral, é preventiva e tem como objeto a propriedade e a liberdade; a segunda, repressiva, e cuida de</p><p>pessoas, sujeitas, as normas processuais penais.</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Bens Públicos</p><p>O art. 99 do Código Civil elenca três categorias de bens públicos: os de uso comum do povo, os de</p><p>uso especial e os dominicais. De uso comum do povo são todos aqueles bens de “utilização concor-</p><p>rente de toda a comunidade”, usados livremente pela população, o que não significa “de graça” e sim,</p><p>que não dependem de prévia autorização do Poder Público para sua utilização, como por exemplo,</p><p>rios, mares, ruas, praças.</p><p>Os de uso especial são aqueles destinados ao “cumprimento das funções públicas”. Têm utilização</p><p>restrita, não podem ser utilizados livremente pela população, sejam eles bens móveis ou imóveis,</p><p>tbais como repartições públicas, veículos oficiais, museus, cemitérios, entre outros.</p><p>Já, os dominicais (ou dominiais), são aqueles que integram o patrimônio da Administração Pública</p><p>(federal, estadual, distrital ou municipal). Patrimônio esse utilizado com fins econômicos, como imó-</p><p>veis desocupados, que não possuem destinação pública. São bens que a Administração Pública utili-</p><p>za como se fosse o seu “senhorio”, inclusive obtendo renda sobre eles.</p><p>Por exclusão, bens dominicais são aqueles que não se enquadram nem sob o título de “uso especial</p><p>do povo” nem sob “uso especial”.</p><p>Essa diferenciação, apesar de fundamental, não é bastante em si mesma para classificar o que são</p><p>bens públicos.</p><p>Segundo Hely Lopes Meirelles, são bens públicos “em sentido amplo, todas as coisas, corpóreas ou</p><p>incorpóreas, imóveis, móveis e semoventes, créditos, direitos e ações que pertençam, a qualquer</p><p>título, às entidades estatais, autárquicas, fundacionais e empresas governamentais”.</p><p>Já, para Celso Antonio Bandeira de Mello, bens públicos “são todos os bens que pertencem às pes-</p><p>soas jurídicas de direito público” e acrescenta ainda, aqueles que, “embora não pertencentes a tais</p><p>pessoas, estejam afetados à prestação de um serviço público”.</p><p>Marçal Justen Filho leciona que a “Administração pública é um conjunto de instituições, o que signifi-</p><p>ca a existência de estruturas organizacionais, conjugando a atuação de pessoas para a satisfação de</p><p>valores. O desempenho das funções institucionais depende de um conjunto de bens que se constitu-</p><p>em nos instrumentos materiais de promoção dos fins buscados. Esses bens podem ser indicados, no</p><p>caso da Administração Pública, como bens públicos”.</p><p>Ao se referir à Administração Pública como “conjunto de instituições”, subtende-se que são bens pú-</p><p>blicos aqueles pertencentes tanto à Administração Pública Direta (União, Estados, Distrito Federal e</p><p>Municípios), quanto a Indireta (Autarquias, Fundações Públicas, Sociedades de Economia Mista e</p><p>Empresas Públicas).</p><p>Mas, para se afirmar que um bem é público, faz-se necessário definir, primeiro, qual o regime jurídico</p><p>aplicável a estes bens, posto que por ele saberemos à qual legislação estará subordinado o bem – se</p><p>regime jurídico público ou privado.</p><p>Afirma Marçal Justen Filho que “não existe um regime jurídico único, aplicável a todos os bens públi-</p><p>cos e acrescenta que o que existe são variáveis em vista das características dos bens e das finalida-</p><p>des a que se destinam a satisfazer”. Logo, deve-se partir da destinação do bem, ou seja, sua finalida-</p><p>de.</p><p>Afetar, segundo Marcus Vinícius Corrêa Bittencourt, significa “conferir uma destinação pública a um</p><p>determinado bem, caracterizando-o como bem de uso comum do povo ou bem de uso especial, por</p><p>meio de lei ou ato administrativo”. Ou seja,</p><p>pelo instituto da afetação, os bens passam a integrar o</p><p>patrimônio da Administração Pública, passando, a partir daí, a se prestarem à realização de serviços</p><p>públicos.</p><p>A afetação, segundo Marçal Justen Filho, “é a destinação do bem público à satisfação das necessi-</p><p>dades coletivas e estatais, do que deriva sua inalienabilidade, decorrendo ou da própria natureza do</p><p>bem ou de um ato estatal unilateral”.</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Assim, é possível dizer que um bem privado, destinado à satisfação de necessidades coletivas, será</p><p>submetido ao regime de direito público, mesmo não sendo um bem público.</p><p>Significa dizer que, quando um bem particular tem destinação pública, todas as características de</p><p>bem público restarão preservadas. Nesse caso, o Estado, usando de seu poder extroverso, pode</p><p>afetar esse bem particular, transformando-o em público, seja em decorrência de lei ou de ato adminis-</p><p>trativo, como por exemplo, o contrato.</p><p>Esse poder extroverso, típico do Estado, consiste, segundo Marcus Vinícius Corrêa Bittencourt, na</p><p>imperatividade em que “os atos administrativos se impõem a terceiros, independentemente de sua</p><p>concordância. Quando o Estado atua investido desta qualidade, diz-se que age em virtude de seu</p><p>‘poder de império’...”. Significa dizer que ao Estado é permitido constituir unilateralmente obrigações</p><p>em relação a terceiros.</p><p>Desse modo, por exemplo, um serviço terceirizado de transporte, contratado pela Administração Pú-</p><p>blica, terá o bem utilizado (veículo), considerado bem público, sujeitando-se às regras do direito pú-</p><p>blico durante todo o período em que estiver prestando serviço público, ou seja, durante a vigência do</p><p>contrato.</p><p>Sujeitar-se às regras de direito público, significa que este bem será inalienável, impenhorável e im-</p><p>prescritível, por questão de segurança jurídica e pela preservação do patrimônio público.</p><p>Isso não significa transferência de propriedade do bem à Administração Pública, mas, transferência</p><p>apenas de domínio.</p><p>Conclui-se, portanto, que bens públicos não são apenas aqueles elencados no art. 99 do Código Ci-</p><p>vil, a eles deve-se somar uma quarta categoria, qual seja, bens particulares com destinação pública.</p><p>Igualdade e Discriminação</p><p>A Constituição Federal declara que "todos são iguais perante a lei", mas a desigualdade social é his-</p><p>tórica e a discriminação social é permanente, pois faz parte da atual realidade brasileira, que exige</p><p>medidas compensatórias e ações afirmativas.</p><p>A Constituição Federal declara que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer nature-</p><p>za [...] (art. 5º caput)”. Então, por quê falar em discriminação? - Infelizmente a discriminação é históri-</p><p>ca e sempre existiu, sendo praticada pelos indivíduos, pelos governos e pela própria sociedade. To-</p><p>davia, hoje, observamos que as nações, inclusive o Brasil, têm o deve de diminui as desigualdades e</p><p>contribuir para a inclusão social.</p><p>Afinal, igualdade formal e igualdade real significam a mesma coisa? O quê é discriminação? Precon-</p><p>ceito, discriminação e racismo significam a mesma coisa? E o estereotipo? Ação afirmativa e cotas</p><p>significam a mesma coisa? Toda discriminação é negativa? Para responder essas indagações preci-</p><p>samos fazer algumas reflexões conceituais, legais, ou seja, com base na lei e sobre a realidade brasi-</p><p>leira, no que diz respeito à igualdade e a discriminação. No entanto, os objetivos destas reflexões,</p><p>como veremos, é contribuir para eliminação gradativa da discriminação e a promoção da igualdade,</p><p>para provocar uma mudança de comportamento.</p><p>Ao enfrentarmos o desafio deste tema, devemos evitar opiniões de natureza emocional ou ideológi-</p><p>cas e voltadas unicamente para casos particulares para generalizar, sem levar em consideração à lei,</p><p>os valores das pessoas e da sociedade, bem como a realidade social. Para tanto, precisamos inicial-</p><p>mente definir e compreender os termos: preconceito, racismo, estereotipa e discriminação, ação afir-</p><p>mativa, cotas, para depois contextualizar.</p><p>Preconceito – É um julgamento prévio ou pré-julgamento de uma pessoa com base em estereótipos,</p><p>ou seja, simples carimbo. Este conceito prévio nada mais é do que preconceito. “Trata-se de umas</p><p>atitudes negativas, desfavoráveis, para com um grupo ou seus componentes individuais. É caracteri-</p><p>zado por crenças estereotipadas, mas ninguém nasce com preconceitos, daí precisamos estar muito</p><p>atentos quando formos proferir julgamentos sobre uma pessoa, uma idéia ou sobre uma crença”.A</p><p>atitude resulta de processos internos do portador e não do teste dos tributos reais do gru-</p><p>po.”(Dicionário de Ciências Sociais – Fundação Getúlio Vargas – MEC). P. (962)”.</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>O preconceito localiza-se na esfera da consciência e/ou afetiva dos indivíduos e, por si só, não fere</p><p>direitos. Aliás, embora violando as normas do bom senso e da afetividade, o preconceito não implica</p><p>necessariamente em violação de direitos. Isto porque ninguém é obrigado a gostar, por exemplo, do</p><p>portador de deficiência, do homossexual, do idoso, do índio ou do afro-brasileiro. Mas todos somos</p><p>obrigados a respeitar os seus direitos.</p><p>Racismo – É um doutrina ou ideologia que defende a existência de hierarquia entre grupos humanos,</p><p>ou seja, algumas raças são superiores a outras, assim os superiores teriam o direito de explorar e</p><p>dominar os inferiores. As teorias racistas surgem na Europa, em meados do século XIX, preconizan-</p><p>do superioridade do povo europeu em contrapartida à inferioridade dos povos não-europeus. E atu-</p><p>almente, em várias partes do mundo, as teorias racistas servem para justificar a exploração e domi-</p><p>nação de determinados grupos humanos sobre outros. Trata-se de um equívoco, pois além das difi-</p><p>culdades de definir uma raça pura, não existem raças superiores, e sim culturas e valores diferentes.</p><p>Estereotipo – O termo deve ser claramente distinguido do preconceito, pois pertence à categoria das</p><p>convicções, ou seja, de um fato estabelecido. Uma vez “carimbados” os membros de determinado</p><p>grupo como possuidores deste ou daquele “atributo”, as pessoas deixam de avaliar os membros des-</p><p>ses grupos pelas suas reais qualidades e passam a julgá-los pelo carimbo. Exemplo: todo judeu é</p><p>sovina; todo português é burro; todo negro é ladrão; toda mulher não sabe dirigir.</p><p>Discriminação – Diferentemente do preconceito, a discriminação depende de uma conduta ou ato</p><p>(ação ou omissão), que resulta em viola direitos com base na raça, sexo, idade, estado civil, deficiên-</p><p>cia física ou mental, opção religiosa e outros. A Carta Constitucional de 1988 alargou as medidas</p><p>proibitivas de práticas discriminatórias no país. Algumas delas como, por exemplo, discriminação</p><p>contra a mulher, discriminação contra a criança e o adolescente, discriminação contra o portador de</p><p>deficiência, discriminação em razão da idade, ou seja, a discriminação contra o idoso, discriminação</p><p>em razão de credo religioso, discriminação em virtude de convicções filosóficas e políticas, discrimi-</p><p>nação em função do tipo de trabalho, discriminação contra o estrangeiro e prática da discriminação,</p><p>preconceito e racismo. A propósito, segundo o jurista constitucionalista José Afonso da Silva:</p><p>“A discriminação é proibida expressamente, como consta no art. 3º, IV da Constituição Federal, onde</p><p>se dispõe que, entre os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, está: promover o</p><p>bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de dis-</p><p>criminação. Proibi-se, também, a diferença de salário, de exercício de fundações e de critério de ad-</p><p>missão por motivo de sexo, idade, cor, estado civil ou posse de deficiência (art. 7º, XXX e XXXI).”</p><p>(Curso de Direito Constitucional Positivo, 2003, p. 222).</p><p>A discriminação racial está em foro Constitucional, que considera prática do racismo como crime ina-</p><p>fiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão (art. 5º, incisos XLI e XLII), Para o direito penal</p><p>brasileiro,</p><p>a prática da discriminação e preconceito por raça, etnia, cor, religião ou procedência nacio-</p><p>nal consiste em delito previsto na lei 7.716/89, alterada pela lei 9.459/97. Segundo art. 140, parágrafo</p><p>terceiro do Código Penal: Se a injúria utilizar elementos relacionados à raça, cor, etnia, religião ou</p><p>origem, a pena é de reclusão, pena é de reclusão de 1(um) a 3(três) anos e multa.</p><p>De acordo com a intenção da lei nova, chamar alguém de judeu, pretão, negão, crioulo, miserável,</p><p>preto, fanático religioso, pobretão, etc., desde que com intenção ou vontade de lhe ofender a honra e</p><p>a dignidade relacionada com a cor, religião, raça ou etnia, sujeita o autor a uma pena prevista na lei</p><p>pena. Da mesma forma a prática da discriminação constitui-se, em matéria civil (art. 186 do Código</p><p>Civil) um ato ilícito praticado em desacordo com a ordem jurídica, violando direito subjetivo individual.</p><p>Causa dano à vítima comete ato ilícito, criando o dever de repará-lo. (MARTINS, Sergio, 1999, p. 27).</p><p>A discriminação racial ocorre com a manifestação exteriorizada do preconceito do racismo.</p><p>Para Convenção Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial de</p><p>1966:</p><p>“Discriminação racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseados em</p><p>raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica, que tenha por objeto ou efeito anular ou res-</p><p>tringir o reconhecimento, o gozo ou o exercício, em condições de igualdade, dos direitos humanos e</p><p>liberdades fundamentais no domínio político, econômico, social e cultural ou em qualquer outro domí-</p><p>nio da vida pública.”</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Uma das mais graves discriminações ocorre quando o direito de ser educado de uma pessoa é atin-</p><p>gido, porque o direito à educação é um direito social fundamental para o ser humano:</p><p>“O termo discriminação abarca qualquer distinção, exclusão, limitação ou preferência que, por motivo</p><p>de raça, cor, sexo, língua, opinião pública ou qualquer outra opinião, origem nacional ou social, con-</p><p>dição econômica ou nascimento, tenha por objeto ou efeito destruir ou alterar a igualdade de trata-</p><p>mento em matéria de ensino”. (Convenção Relativa à Luta Contra a Discriminação no Campo do En-</p><p>sino – adotada pela conferência Geral da Unesco em Paris, 1960 – promulgada pelo Decreto nº</p><p>63.223, de 6 de setembro de 1968).</p><p>O repúdio ao racismo nas relações internacionais foi, também, expressamente estabelecido no art. 4º</p><p>inciso VIII da Constituição Federal: “A república Federativa do Brasil rege-se nas suas relações inter-</p><p>nacionais pelos seguintes princípios [...] repúdio ao terrorismo e ao racismo”. Nele se encontra, tam-</p><p>bém, o reconhecimento de que o preconceito de origem, raça e cor, especialmente contra os negros,</p><p>não estão ausente das relações sociais brasileiras. Disfarçadamente ou, não raro, ostensivamente,</p><p>pessoas negras sofrem discriminação até mesmo nas relações com entidades públicas.</p><p>Vale lembrar, que o Estado e a sociedade brasileira demoraram a perceber que o princípio da igual-</p><p>dade de todos perante a lei não é suficiente para defender uma ordem social justa e democrática,</p><p>pois as desigualdades foram acumuladas no processo histórico. Além da base geral em que assenta</p><p>o princípio da igualdade perante a lei, ou seja, a igualdade formal, é necessária o tratamento desigual</p><p>a situações desiguais, ou seja, a igualdade real ou material. Aliás, quando afirmamos que todos são</p><p>iguais perante a lei, é preciso responder a duas perguntas: a) igualdade entre quem. e b) igualdade</p><p>em quê? Todos são iguais, porém alguns são mais iguais do que outros. (BOBBIO, Norberto, 1996, p.</p><p>12). Para erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais, co-</p><p>mo objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil (art. 3º, III), se faz necessário tratar os</p><p>desiguais de forma desigual, através de políticas e ações afirmativas.</p><p>Por isso, surgem às inovações na Constituição Federal e nas demais leis ordinárias. Uma inovação</p><p>constitucional importante encontra-se na situação jurídica do trabalhador deficiente. A Constituição</p><p>Federal estabelece a “proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admis-</p><p>são do trabalhador portador de deficiência”. (art. 7º XXXI); a outra em nível Constitucional ocorreu</p><p>com a superação do tratamento desigual fundado no sexo, ao equiparar os direitos e obrigações de</p><p>homens e mulheres (art. 5º, I). A questão mais complexa consiste na discriminação sofrida pelos ho-</p><p>mossexuais. Aqui, embora a constituição não mencione a expressão textualmente, entende-se que é</p><p>proibida a discriminação de qualquer natureza, inclusive em razão de opção sexual”. Quanto à crian-</p><p>ça e o adolescente, é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar com absoluta prioridade</p><p>todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana previstos no art. 227 da Constituição Fe-</p><p>deral:</p><p>“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta</p><p>prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cul-</p><p>tura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a</p><p>salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”</p><p>Da mesma forma, o idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, con-</p><p>forme dispõe o art. 9º do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741, de 01/10/2003):</p><p>“É obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de</p><p>políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade.”</p><p>A concepção de uma igualdade puramente formal, ou seja, com base apenas na lei está sendo ques-</p><p>tionada, pois contribui para aumentar as desigualdades. Neste contexto, não podemos deixar de des-</p><p>tacar as ações e políticas afirmativas, que vem sendo adotadas desde o Programa Nacional de Direi-</p><p>tos Humanos de 1995. No ordenamento jurídico brasileiro, como exemplo de modalidade de ação</p><p>afirmativa, podemos citar as Leis nºs 9.100/95 e 9.504/97, que estabeleceram cotas mínimas de can-</p><p>didatas mulheres para as eleições. Outro exemplo está no art. 37, VII, da Constituição Federal, e nas</p><p>Leis nºs 7.835/89 e 8.112/90, que regulamentaram o dispositivo constitucional referido, no qual há</p><p>reservas de vagas em concurso público para os portadores de deficiência física.</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Cabe destacar, como mais uma forma de Ação afirmativa, o que contém a Lei nº 10.173/01, na qual</p><p>se deu prioridade de tramitação aos procedimentos judiciais onde figure como parte, pessoas com</p><p>idade igual ou superior a sessenta e cinco anos.</p><p>Na área da educação, temos o Programa Universidade para Todos (Prouni), que é destinado à con-</p><p>cessão de bolsas de estudos integrais e bolsas de estudos parciais de 50% (meia bolsa), para curso</p><p>de graduação e seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de Ensino Superior com</p><p>ou sem fins lucrativos. E aqui, há cotas para negros e indígenas. O percentual terá que ser, no míni-</p><p>mo, correspondente ao percentual de cidadãos autodeclarados negros, pardos e indígenas no último</p><p>censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de cada Estado.</p><p>Contudo, afinal! O quê é Ação afirmativa? Significa a mesma coisa que cotas? – Ação afirmativa é o</p><p>reconhecimento de que o princípio da igualdade de todos perante a lei é insuficiente para garantir a</p><p>plena cidadania. É oportuno lembra que podemos implementar ações ou políticas afirmativas, sem</p><p>utilização de cotas, pois esta é apenas uma modalidade ou forma de ação afirmativa.</p><p>É o caso, da iniciativa do Frei David, que em diversos bairros da baixada fluminense criou o chamado</p><p>pré-vestibular para negros e carentes (PVNC). Este movimento ganhou tamanha dimensão nacional e</p><p>internacional que, em 1994, a PUC-RIO resolveu dar bolsas de estudos para</p><p>alunos provenientes do</p><p>PVNC, que passassem no vestibular e o governo brasileiro passou a apoiar a iniciativa. Além disso,</p><p>ação afirmativa pode ser pública e privada. Aqui, Joaquim Barbosa Gomes nos dá uma definição de</p><p>ação afirmativa:</p><p>Um conjunto de políticas públicas e privadas de caráter compulsório, facultativo ou voluntário, conce-</p><p>bidas com vista ao combate à discriminação racial, de gênero e de origem nacional, bem como para</p><p>corrigir os efeitos presentes da discriminação praticada no passado, tendo por objetivo a concretiza-</p><p>ção do ideal de efetiva igualdade de acesso a bens fundamentais como a educação e o empre-</p><p>go. (Ação afirmativa, 2001: p. 40).</p><p>As primeiras experiências de ações afirmativas surgiram nos Estados Unidos, em 1963, editando-se a</p><p>lei sobre igualdade de salário, em 1964, referente a direitos civis, e alei a respeito da igualdade de</p><p>oportunidades no emprego, em 1972. O termo, também, surgiu nos Estados Unidos, no pós-guerra, já</p><p>na década de 1960, quando as sociedades ocidentais cobravam a presença de critérios mais justo na</p><p>reestruturação dos Estados de Direito (V. www.politicasdacor.net). No campo da educação, os primei-</p><p>ros programas de ação afirmativa foram postos em prática no início dos anos 60, logo após o Presi-</p><p>dente Kennedy haver determinado, através de decreto executivo, que fossem tomadas medidas posi-</p><p>tivas no sentido de promover a inserção dos negros no sistema educacional de qualidade, historica-</p><p>mente reservado às pessoas de raça branca, como diz Joaquim Barbosa Gomes, atualmente Ministro</p><p>do Supremo Tribunal.</p><p>No caso brasileiro, a expressão “ação afirmativa” ou “políticas afirmativas” alcança não apenas os</p><p>afro-brasileiros, mas todos os segmentos sociais historicamente discriminados e atualmente excluí-</p><p>dos, como já vimos. Vale lembrar, ainda, que as chamadas ações e políticas afirmativas são conside-</p><p>radas discriminação positiva, pela finalidade de inclusão social dos segmentos historicamente excluí-</p><p>dos.</p><p>Enfim, a síntese divulgada pelo IBGE, em 2003, confirmava que a desigualdade é uma característica</p><p>histórica da sociedade brasileira , mas nos últimos anos a violência e a corrupção, em todos níveis,</p><p>estão presentes no contexto das desigualdades sociais. Percebe-se, por um lado, que as ações polí-</p><p>ticas afirmativas ou compensatórias, que sejam de iniciativas institucionais pública ou priva-</p><p>da, principalmente na educação e no trabalho, podem contribuir efetivamente para diminuir as desi-</p><p>gualdades. Por outro lado, é fundamental a participação da sociedade, não só reconhecendo a exis-</p><p>tência das desigualdades sociais, mas, sobretudo exigindo medidas do poder público no combate a</p><p>corrupção e a violência. Essas mudanças de concepções ou de atitudes por parte da sociedade e do</p><p>Estado, que tem a dignidade da pessoa humana como referência, certamente vão contribuir para</p><p>diminuir a discriminação e o preconceito na sociedade brasileira.</p><p>Bens Públicos e suas Especificidades</p><p>Antes de analisarmos os bens públicos propriamente ditos, é imprescindível que se tenha em mente</p><p>os conceitos de domínio eminente e de bem público.</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Quando se pretende fazer referência ao poder político que permite ao Estado, de forma geral, subme-</p><p>ter à sua vontade todos os bens situados em seu território, emprega-se a expressão domínio eminen-</p><p>te. Segundo o ilustre doutrinador José dos Santos Carvalho Filho (2014,p.1.156):</p><p>Domínio eminente não tem qualquer relação com o domínio de caráter patrimonial. O sentido da ex-</p><p>pressão alcança o poder geral do Estado sobre tudo quanto esteja em suas linhas territoriais, sendo</p><p>esse poder decorrente de sua própria soberania. Não quer dizer que o Estado seja proprietário de</p><p>todos os bens. Claro que não o é. Significa apenas a disponibilidade potencial de que é detentor em</p><p>razão de seu poder soberano.</p><p>O domínio eminente, analisada sob esse prisma, compreende 3 (três) categorias de bens, os quais,</p><p>em regra, submetem-se ao poder estatal: bens público; bens privados e bens não sujeitos ao regime</p><p>normal da propriedade, como, por exemplo, o espaço aéreo e as águas.</p><p>A expressão domínio publico é tanto imprecisa, todavia muito importante para a compreensão de</p><p>outros elementos do tema bens públicos, razão pela qual é relevante esclarecer suas aplicações.</p><p>Vale considerar, de início, que tal expressão é utilizada com enfoques variados: em certas circuns-</p><p>tancias o foco e o Estado; em outras se refere a coletividade, a sociedade usuária de alguns bens</p><p>públicos ou insuscetíveis de apropriação.</p><p>A doutrina emprega a expressão “domínio público” em duas acepções distintas:</p><p>a) Domínio público em sentido amplo: poder de controle, regulamentação, que o Estado exerce sobre</p><p>todos os bens (públicos ou privados).</p><p>b) Domínio público em sentido estrito: refere-se aos bens que estão à disposição da coletividade</p><p>(bens de uso comum do povo).</p><p>Pode-se dizer, portanto, que os bens e interesses públicos não pertencem à administração, nem a</p><p>seus agentes, pois visam beneficiar a própria coletividade. Domínio público é um conceito mais ex-</p><p>tenso que o de propriedade, pois ele inclui bens que não pertencem ao poder público.</p><p>Conceito</p><p>Pode-se dizer que bem público é todo bem que pertence a uma pessoa jurídica de direito público.</p><p>Quanto a isso, não há divergência doutrinária. Tal previsão está, inclusive, na lei (art. 98 do CC/02 ).</p><p>Logo, são bens públicos aqueles pertencentes à Administração Direta (União, Estados, Municípios e</p><p>DF) e às autarquias e fundações públicas de direito público. Frise-se, que, nesse caso, pouco importa</p><p>se o bem está ou não afetado à finalidade pública. Corrobora com esse entendimento Carvalho</p><p>(2014,p.1.157):</p><p>Com base no vigente dispositivo do novo Código, podemos, então, conceituar bens públicos como</p><p>todos aqueles que, de qualquer natureza e a qualquer título, pertençam às pessoas jurídicas de direi-</p><p>to público, sejam elas federativas, como a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, se-</p><p>jam da Administração descentralizada, como as autarquias, nestas incluindo-se as fundações de di-</p><p>reito público e as associações públicas.</p><p>Os elementos do conceito que já anteriormente apresentávamos foram sufragados pelo art. 98 do</p><p>Código Civil, como é fácil concluir.</p><p>São também bens públicos os bens pertencentes a pessoas jurídicas de direito privado, desde que</p><p>estejam diretamente ligados à prestação de serviço público. Essa ideia decorre do princípio da conti-</p><p>nuidade do serviço público.</p><p>Em regra, os bens de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação pública de</p><p>direito privado são bens privados, ou seja, podem ser alienados, onerados, penhorados etc. Como</p><p>exceção, só seguem o regime de bem público aqueles bens diretamente ligados à prestação de ser-</p><p>viço público. Percebe-se a diferença:</p><p>• Bem de empresa pública é PENHORÁVEL;</p><p>• Bem de empresa pública que presta serviço público é PENHORÁVEL.</p><p>BENS PÚBLICOS</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• Bem de empresa pública que está diretamente ligado à prestação de um serviço público é IMPE-</p><p>NHORÁVEL.</p><p>Nesse contexto, deve-se ficar atento à peculiaridade dos Correios. Após o julgamento da ADPF 46, o</p><p>STF deu à ECT o tratamento de Fazenda Pública. Logo, todos os seus bens estão protegidos, se-</p><p>guindo o regime de bem público, independentemente de estarem ou não afetados a uma finalidade</p><p>pública.</p><p>Doutrina minoritária, a exemplo de José dos Santos Carvalho Filho, entende que só seguem o regime</p><p>de bem público os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público, não abrangendo, em</p><p>qualquer hipótese, os bens das pessoas privadas, ainda que estejam diretamente ligados à prestação</p><p>de serviço público.</p><p>Classificação Dos Bens Públicos</p><p>Quanto À Titularidade</p><p>a) Bens federais: são aqueles pertencentes à União; estão enumerados no art. 20 da CF/88, em rol</p><p>exemplificativo;</p><p>b) Bens estaduais: são os pertencentes aos Estados; estão enumerados no art. 26 da CF/88, em rol</p>