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<p>CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI</p><p>EDUCAÇÃO AMBIENTAL</p><p>GUARULHOS – SP</p><p>Sumário</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 3</p><p>2 A EVOLUÇÃO HISTÓRIca E TEÓRICA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL (EA) ....... 4</p><p>2.1 O Capítulo 36 da Agenda 21 ................................................................ 6</p><p>3 A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO CRÍTICA AO DESENVOLVIMENTO</p><p>SUSTENTÁVEL: NOTAS SOBRE O MÉTODO .......................................................... 9</p><p>3.1 Construindo Consenso Sobre a EA (Educação Ambiental) associada ao</p><p>Desenvolvimento Sustentável ...................................................................... 11</p><p>4 ALIANÇA MUNDIAL PELA SUSTENTABILIDADE ............................................. 11</p><p>4.1 A Década no Contexto da Globalização ............................................. 12</p><p>4.2 Uma Grande Oportunidade para os Sistemas de Ensino ................... 12</p><p>5 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: CONCEITOS, SIGNIFICADOS E</p><p>INTERPRETAÇÕES ................................................................................................. 13</p><p>5.1 Críticas e Objeções ao Desenvolvimento Sustentável ....................... 14</p><p>5.2 Educação e sustentabilidade .............................................................. 16</p><p>6 SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL NO BRASIL ............................................... 18</p><p>6.1 O Nível Genético ................................................................................ 19</p><p>6.2 Nível De Espécies .............................................................................. 20</p><p>6.3 Estado da Conservação da Flora e da Fauna .................................... 22</p><p>6.4 Os Principais Ecossistemas Brasileiros .............................................. 23</p><p>7 ENERGIA SUSTENTÁVEL ................................................................................. 48</p><p>7.1 Fontes renováveis de energia elétrica ................................................ 50</p><p>8 O PRINCÍPIO DOS TRÊS ERRES (3R’S) NA LEI Nº 12.305/2010: REDUZIR,</p><p>REUTILIZAR E RECICLAR ....................................................................................... 56</p><p>8.1 A participação popular ........................................................................ 59</p><p>8.2 Educação ambiental e sua importância para a implementação da lei nº</p><p>12.305/2010 .................................................................................................. 60</p><p>9 RESÍDUOS SÓLIDOS e recursos hídricos ......................................................... 61</p><p>9.1 Soluções Utilizadas para a Questão Hídrica ...................................... 64</p><p>9.2 Gestão de resíduos sólidos ................................................................ 68</p><p>9.3 Classificação dos resíduos sólidos ..................................................... 69</p><p>9.4 Outros tipos de resíduos sólidos ........................................................ 76</p><p>9.5 Resíduos industriais ........................................................................... 76</p><p>9.6 Impactos Causados pela Disposição Inadequada dos Resíduos Sólidos</p><p>78</p><p>9.7 Doenças Causadas Devido à Disposição Inadequada dos Resíduos</p><p>Sólidos .......................................................................................................... 79</p><p>9.8 Reciclagem: a indústria do presente .................................................. 80</p><p>9.9 Para onde vai o lixo? .......................................................................... 81</p><p>10 CULTURA E SUSTENTABILIDADE EM FOCO: A CULTURA DA</p><p>SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL .......................................................................... 87</p><p>10.1 Ambiente, Cultura e Sustentabilidade ................................................ 88</p><p>10.2 Cultura, produto do desenvolvimento do homem ............................... 89</p><p>10.3 A Cultura da Sustentabilidade Ambiental ........................................... 89</p><p>10.4 Técnicas para Elaboração e Avaliação de Projetos Sustentáveis ...... 90</p><p>11 O MEIO AMBIENTE E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL ...................... 93</p><p>11.1 As Diferentes Concepções de Educação e de Educação Ambiental . 94</p><p>11.2 Olhares e Práticas diferenciadas na Educação Ambiental ................. 94</p><p>11.3 A construção do campo educativo-ambiental e o compromisso com a</p><p>sociedade ..................................................................................................... 95</p><p>11.4 Educação Ambiental Popular ............................................................. 97</p><p>11.5 Educação Ambiental Crítica ............................................................... 99</p><p>11.6 A Metodologia Participativa como Ferramenta para a Educação</p><p>Ambiental Crítica ........................................................................................ 102</p><p>11.7 O Saber Ambiental ........................................................................... 103</p><p>12 BIBLIOGRafia BÁSICA ..................................................................................... 105</p><p>3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Prezado aluno!</p><p>O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante</p><p>ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um</p><p>aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma</p><p>pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é</p><p>que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a</p><p>resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas</p><p>poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em</p><p>tempo hábil.</p><p>Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa</p><p>disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das</p><p>avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora</p><p>que lhe convier para isso.</p><p>A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser</p><p>seguida e prazos definidos para as atividades.</p><p>Bons estudos!</p><p>4</p><p>2 A EVOLUÇÃO HISTÓRICA E TEÓRICA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL (EA)</p><p>O conceito de Educação Ambiental (EA) é mais antigo que o conceito de</p><p>Educação para o Desenvolvimento Sustentável e, nos últimos anos, tem havido muita</p><p>discussão sobre as inter-relações entre estes dois conceitos. O conceito de Educação</p><p>Ambiental surgiu com a própria UNESCO, em 1946, mas foi reforçado em 1975, na</p><p>Carta de Belgrado (UNESCO, 1975). Nessa Carta, afirmava-se que a meta da EA é</p><p>formar uma população consciente e preocupada com o ambiente e com os problemas</p><p>a ele associados e que seja capaz de trabalhar para resolver os problemas existentes</p><p>e para evitar que surjam outros (LEITE & DOURADO, 2015).</p><p>Nos finais da década de 1980 e inícios da década de 1990 começou a emergir</p><p>uma nova concepção de Educação que viria a designar-se como Educação para o</p><p>Desenvolvimento Sustentável (EDS).</p><p>Em 1997, a Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade, em</p><p>Tessalónica, Grécia, considerou que os resultados da implementação das diversas</p><p>orientações sobre EA tinham sido insuficientes e realçou a necessidade de uma</p><p>educação voltada ao Desenvolvimento Sustentável</p><p>No Brasil, a Política Nacional de Educação Ambiental - Lei nº 9795/1999, em seu</p><p>Artigo 1º estabelece que "entendem-se por educação ambiental os processos por</p><p>meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos,</p><p>habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente,</p><p>bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua</p><p>sustentabilidade" (IATO, et al, 2014).</p><p>As Conferências de Estocolmo, em 1972, Belgrado (1975), Tbilisi (1977),</p><p>Moscou (1987), Rio de Janeiro (1992), Tessalônica (1997), Rio+20 (2012) trouxeram</p><p>é o Parque do Parcel de Manuel Luiz, no Maranhão, criado em 1991, com 50</p><p>mil ha. Nas últimas duas décadas, apenas duas pequenas UCs de proteção integral</p><p>foram criadas, ambas pelo estado de São Paulo, cobrindo uma área de pouco mais</p><p>de 5 mil ha. Assim como nos biomas terrestres, a ênfase tem sido dada à criação de</p><p>unidades de proteção de uso sustentável, que totalizam 11 APAs (2,5 milhões de ha)</p><p>e nove reservas extrativistas marinhas (500 mil ha) (CARDOSO JR, 2010).</p><p>6.4.11 Restinga</p><p>A restinga é uma planície arenosa costeira, de origem marinha, incluindo a praia,</p><p>cordões arenosos, depressões entre cordões, dunas e margem de lagunas, com</p><p>vegetação adaptada às condições ambientais.</p><p>40</p><p>Fonte: www.overmundo.com.br</p><p>Sobre a restinga é possível se encontrar a vegetação de restinga, que é um</p><p>conjunto das comunidades vegetais, fisionomicamente distintas, sob influência</p><p>marinha e fluviomarinha, que ocorrem distribuídas em mosaico e em áreas de grande</p><p>diversidade ecológica, sendo consideradas comunidades edáficas, por dependerem</p><p>mais da natureza do substrato que do clima. (CARDOSO JR, 2010)</p><p>A cobertura vegetal nas restingas pode ser encontrada em praias e dunas, sobre</p><p>cordões arenosos, e associadas a depressões. Na restinga os estágios sucessionais</p><p>diferem das formações ombrófilas e estacionais, ocorrendo notadamente de forma</p><p>mais lenta, em função do substrato que não favorece o estabelecimento inicial da</p><p>vegetação, principalmente por dissecação e ausência de nutrientes.</p><p>O corte da vegetação ocasiona uma reposição lenta, geralmente de porte e</p><p>diversidade menores, onde algumas espécies passam a predominar. Os diferentes</p><p>tipos de vegetação ocorrentes nas restingas brasileiras variam desde formações</p><p>herbáceas, passando por formações arbustivas, abertas ou fechadas, chegando a</p><p>florestas cujo dossel varia em altura, geralmente não ultrapassando os 20m. São em</p><p>geral caracterizada por comunidade com pouca riqueza, quando comparada a outras</p><p>comunidades vegetais, sendo protegidas por lei devido à sua fragilidade.</p><p>Em muitas áreas de restinga no Brasil, especialmente no sul e sudeste, ocorrem</p><p>períodos mais ou menos prolongados de inundação do solo, fator que tem grande</p><p>41</p><p>influência na distribuição de algumas formações vegetacionais. A periodicidade com</p><p>que ocorre o encharcamento e a sua respectiva duração são decorrentes</p><p>principalmente da topografia do terreno, da profundidade do lençol freático e da</p><p>proximidade de corpos d’água (rios ou lagoas), produzindo em muitos casos um</p><p>mosaico de formações inundáveis e não inundáveis, com fisionomias variadas, o que</p><p>até certo ponto justifica o nome de “complexo” que é empregado para designar as</p><p>restingas. (CARDOSO JR, 2009)</p><p>As formações herbáceas ocorrem principalmente nas faixas de praia e ante</p><p>dunas, em locais que eventualmente podem ser atingidos pelas marés mais altas, ou</p><p>então em depressões alagáveis. Nas zonas de praia, dunas frontais e dunas mais</p><p>próximas ao mar, predominam espécies herbáceas, em alguns casos com pequenos</p><p>arbustos e árvores, que ocorrem tanto de forma isolada e pouco expressiva, como</p><p>formando agrupamentos mais densos, com variações nas suas respectivas</p><p>fisionomias, composições e graus de cobertura. A vegetação das praias e dunas tem</p><p>ocorrência praticamente ao longo de toda a costa brasileira, mas a sua exata</p><p>circunscrição e os termos empregados para designá-la variam muito. As pressões</p><p>antrópicas no sentido de ocupação e urbanização da zona costeira já suprimiram</p><p>muitas áreas representativas desta formação em vários pontos no litoral brasileiro.</p><p>As formações arbustivas das planícies litorâneas, que para muitos autores</p><p>constituem a restinga propriamente dita são os tipos vegetacionais que mais chamam</p><p>a atenção no litoral brasileiro, tanto pelo seu aspecto peculiar, com fisionomia variando</p><p>desde densos emaranhados de arbustos junto a trepadeiras, bromélias terrícolas e</p><p>cactáceas, até moitas com extensão e altura variáveis, intercaladas por áreas abertas</p><p>que em muitos locais expõem diretamente a areia, principal constituinte do substrato</p><p>nestas formações. Os termos “scrub”, “thicket”, “escrube” e “fruticeto” já foram</p><p>empregados para designar comunidades e/ou formações desta natureza,</p><p>notadamente na região litorânea.</p><p>As formações florestais que ocorrem na planície litorânea brasileira variam</p><p>bastante ao longo da costa, sendo essas variações geralmente atribuídas às</p><p>influências das formações vegetacionais adjacentes e às características do substrato,</p><p>principalmente sua origem, composição e condições de drenagem.</p><p>Estas florestas variam desde formações com altura do estrato superior a partir</p><p>de 5m, em geral livres de inundações periódicas decorrentes da ascensão do lençol</p><p>freático durante os períodos mais chuvosos, até formações mais desenvolvidas, com</p><p>42</p><p>alturas em torno de 15-20m, muitas vezes associadas a solos hidro mórficos e/ou</p><p>orgânicos. (BARBIERI e SILVA, 2011).</p><p>Estes dois tipos de florestas em geral acompanham as variações topográficas</p><p>decorrentes da justaposição dos cordões litorâneos, ao menos onde tais feições são</p><p>bem definidas. Em locais situados mais para o interior da planície costeira, geralmente</p><p>em terrenos mais deprimidos onde tais alinhamentos não são claramente definidos e</p><p>os solos são saturados hidricamente e têm uma espessa camada orgânica superficial,</p><p>ocorrem florestas mais desenvolvidas semelhantes florística e estruturalmente</p><p>àquelas situadas nas depressões entre os cordões.</p><p>A fauna ocorrente nas restingas brasileiras está relativamente menos estudada</p><p>quando comparada com os conhecimentos que já se acumulam sobre a composição</p><p>e estrutura dos seus diferentes tipos vegetacionais. Dentre os estudos tratando de</p><p>grupos de animais invertebrados, podem ser mencionados os realizados com os</p><p>artrópodes, notadamente com diferentes grupos de insetos, estes constituindo a</p><p>maioria dos relatos encontrados. A fauna de vertebrados ocorrente nas restingas</p><p>brasileiras também é relativamente pouco pesquisada, com destaque para os</p><p>trabalhos realizados no litoral do Rio de Janeiro, principalmente com pequenos</p><p>mamíferos e répteis.</p><p>Manguezal: Os mangues ou manguezais são um ecossistema típico de áreas</p><p>litorâneas, alagadas, onde há o encontro da água do mar com a dos rios dando um</p><p>aspecto salobro à água dessas regiões. É de sua característica a transição entre</p><p>aspectos marinhos e terrestres e sua presença em locais com clima tropical ou</p><p>subtropical. Sua vegetação é composta por três tipos de árvores que podem atingir</p><p>até 20 metros de altura em certos pontos do país: Rhizophora mangle (mangue-bravo</p><p>ou vermelho), Laguncularia racemosa (mangue-branco) e Avicena</p><p>schaueriana (mangue-seriba ou seriúba).</p><p>Os mangues estão presentes em diversas partes do mundo como Oceania,</p><p>África, Ásia, alguns países da América e Brasil. No Brasil esse ecossistema pode ser</p><p>encontrado no nordeste do país em Cabo Orange no estado do Amapá até a região</p><p>sul em Laguna em Santa Catarina compreendendo um total de 20 mil quilômetros</p><p>quadrados, 15 % do total em todo o mundo.</p><p>Segundo BARBIERI e SILVA (2011), este é um ecossistema rico em diversas</p><p>espécies de animais como peixe-boi-marinho, caranguejo, lontra, jacaré, cobras,</p><p>mexilhão, aranhas, craca, lagartos, tartaruga, crocodilos entre outros.</p><p>http://www.estudopratico.com.br/clima-tropical/</p><p>43</p><p> Esse tipo de ecossistema possui o solo extremamente rico em nutrientes e</p><p>matéria orgânica, raízes e material vegetal em decomposição.</p><p> As raízes aéreas são uma de suas características mais marcantes, e têm como</p><p>principal função proporcionar a respiração das plantas já que o solo é pobre em</p><p>oxigênio e elas obtêm o mesmo fora dele.</p><p> O cheiro dos mangues também é um aspecto bem característico, isso ocorre</p><p>devido à presença de água salobra e matérias vegetais em estado de</p><p>decomposição.</p><p> Suas</p><p>sementes são geralmente compridas, finas e pontudas para garantir a</p><p>reprodução ao se fixarem melhor ao caírem no solo úmido.</p><p> A caça e comércio do caranguejo, espécie com grande população nos</p><p>mangues, é o que garante o sustento de diversas famílias que vivem na região.</p><p>Uma das principais ameaças a esse ecossistema é a exploração, (como a caça</p><p>do caranguejo) que teve início com fins comerciais em países da Ásia ganhando</p><p>expansão rápida para demais países detentores de mangues. O uso desordenado e</p><p>de maneira não sustentável de seus recursos causa uma depredação quase que</p><p>irrefreável, em países como Tailândia e Filipinas a área de manguezal teve grande</p><p>parte dizimada por conta da super-exploração, chegando a ser reduzida em 110.000</p><p>hectares da área original de 448.000 nas Filipinas. (CARDOSO JR, 2010)</p><p>No Brasil não é diferente, porém algumas leis foram estabelecidas com o intuito</p><p>de promover a preservação dos manguezais. A lei de número 4.771 de 15 de setembro</p><p>de 1965 define os mangues como APPs (Área de Preservação Permanente), e a</p><p>Resolução do CONAMA de número 369 de março de 2006 estabelece a proibição da</p><p>supressão de vegetação ou qualquer outro tipo de intervenção, salvo apenas em</p><p>casos de utilidade pública para as áreas de mangues. Ainda assim esse ecossistema</p><p>é o mais ameaçado dentre todos nos Brasil.</p><p>A poluição também é outra grande inimiga dos manguezais. A poluição</p><p>proveniente das cidades costeiras e de indústrias instaladas na região como o</p><p>depósito de lixo nos mares e rios, derramamentos de petróleo, são fatores que</p><p>contribuem para a degradação do ecossistema.</p><p>6.4.12 Cerrado</p><p>http://www.estudopratico.com.br/o-solo-partes-composicao-e-tipos-de-solo/</p><p>http://www.estudopratico.com.br/a-decomposicao/</p><p>44</p><p>A primeira unidade de conservação do bioma foi a Floresta Estadual Bebedouro,</p><p>criada pelo estado de São Paulo em 1937. Na década de 1940 foram criadas mais</p><p>duas UCs, a Floresta Estadual de Avaré, também pelo estado de São Paulo e a</p><p>Floresta Nacional de Silvânia, pelo governo federal, no estado de Goiás. Até 1960</p><p>nove UCs existiam no bioma, sendo sete de uso sustentável e duas de proteção</p><p>integral. A maior destas, criada em 1959, era o Parque Nacional do Araguaia, que</p><p>abrangia toda a Ilha do Bananal – aproximadamente 2 milhões de ha. (LEITE &</p><p>DOURADO, 2015).</p><p>Fonte: www.revistaplaneta.com.br</p><p>Em 1971 os limites foram redefinidos, devido à criação da Terra Indígena do</p><p>Parque do Araguaia. Mais recentemente, a criação da Terra Indígena Inãwébohona</p><p>se sobrepôs em 377.113 ha à área remanescente do Parque Nacional do Araguaia,</p><p>que é de cerca de 550 mil ha. Ao mesmo tempo, o Decreto de 18 de abril de 2006,</p><p>que homologou a demarcação administrativa desta terra indígena, estabeleceu o</p><p>Parque Nacional do Araguaia como bem público da União submetido a regime jurídico</p><p>de dupla afetação, destinado à preservação do meio ambiente e à realização dos</p><p>direitos constitucionais dos índios, passando este a ser administrado em conjunto pela</p><p>45</p><p>Fundação Nacional do Índio (Funai), pelo Ibama e pelas Comunidades Indígenas</p><p>Javaé, Karajá e Avá-Canoeiro. Outra unidade de conservação do Cerrado que teve</p><p>os limites drasticamente reduzidos foi o Parque Nacional Chapada dos Veadeiros, em</p><p>Goiás. Criado originalmente em 1961 como Parque Nacional do Tocantins, com</p><p>aproximadamente 600 mil ha, hoje o parque conta com aproximadamente 10% da</p><p>área original.</p><p>É a segunda maior formação vegetal brasileira. Estendia-se originalmente por</p><p>uma área de 2 milhões de km², abrangendo dez estados do Brasil Central. Hoje,</p><p>restam apenas 20% desse total. Típico de regiões tropicais, o cerrado apresenta duas</p><p>estações bem marcadas: inverno seco e verão chuvoso. Com solo de savana tropical,</p><p>deficiente em nutrientes e rico em ferro e alumínio, abriga plantas de aparência seca,</p><p>entre arbustos esparsos e gramíneas, e o cerradão, um tipo mais denso de vegetação,</p><p>de formação florestal. A presença de três das maiores bacias hidrográficas da América</p><p>do Sul (Tocantins-Araguaia, São Francisco e Prata) na região favorece sua</p><p>biodiversidade. (LEITE & DOURADO, 2015).</p><p>Estima-se que 10 mil espécies de vegetais, 837 de aves e 161 de mamíferos</p><p>vivam ali. Essa riqueza biológica, porém, é seriamente afetada pela caça e pelo</p><p>comércio ilegal. O cerrado é o sistema ambiental brasileiro que mais sofreu alteração</p><p>com a ocupação humana. Atualmente, vivem ali cerca de 20 milhões de pessoas.</p><p>Essa população é majoritariamente urbana e enfrenta problemas como desemprego,</p><p>falta de habitação e poluição, entre outros. A atividade garimpeira, por exemplo,</p><p>intensa na região, contaminou os rios de mercúrio e contribuiu para seu</p><p>assoreamento. A mineração favoreceu o desgaste e a erosão dos solos. Na economia,</p><p>também se destaca a agricultura mecanizada de soja, milho e algodão, que começa</p><p>a se expandir principalmente a partir da década de 80. Nos últimos 30 anos, a pecuária</p><p>extensiva, as monoculturas e a abertura de estradas destruíram boa parte do cerrado.</p><p>Hoje, menos de 2% está protegido em parques ou reservas.</p><p>Pequenas árvores de troncos torcidos e recurvados e de folhas grossas,</p><p>esparsas em meio a uma vegetação rala e rasteira, misturando-se, às vezes, com</p><p>campos limpos ou matas de árvores não muito altas – esses são os Cerrados, uma</p><p>extensa área de cerca de 200 milhões de hectares, equivalente, em tamanho, a toda</p><p>a Europa Ocidental. A paisagem é agressiva, e por isso, durante muito tempo, foi</p><p>considerada uma área perdida para a economia do país.</p><p>46</p><p>Os Cerrados apresentam relevos variados, embora predominem os amplos</p><p>planaltos. Metade do Cerrado situa-se entre 300 e 600m acima do nível do mar, e</p><p>apenas 5,5% atingem uma altitude acima de 900m. Em pelo menos 2/3 da região o</p><p>inverno é demarcado por um período de seca que se prolonga por cinco a seis meses.</p><p>Seu solo esconde um grande manancial de água, que alimenta seus rios.</p><p>Entre as espécies vegetais que caracterizam o Cerrado estão o barbatimão, o</p><p>pau-santo, a gabiroba, o pequizeiro, o araçá, a sucupira, o pau-terra, a catuaba e o</p><p>indaiá. Debaixo dessas árvores crescem diferentes tipos de capim, como o capim-</p><p>flecha, que pode atingir uma altura de 2,5m. Onde corre um rio ou córrego, encontram-</p><p>se as matas ciliares, ou matas de galeria, que são densas florestas estreitas, de</p><p>árvores maiores, que margeiam os cursos d’água. Nos brejos, próximos às nascentes</p><p>de água, o buriti domina a paisagem e forma as veredas de buriti.</p><p>A presença humana na região data de pelo menos 12 mil anos, com o</p><p>aparecimento de grupos de caçadores e coletores de frutos e outros alimentos</p><p>naturais. Só recentemente, há cerca de 40 anos, é que começou a ser mais</p><p>densamente povoada. (TROMBETTA, 2014).</p><p>A província do cerrado, como denominada por EITEN, englobando 1/3 da biota</p><p>brasileira e 5% da flora e fauna mundiais. É caracterizada por uma vegetação</p><p>savanícola tropical composta, principalmente de gramíneas, arbustos e árvores</p><p>esparsas, que dão origem a variados tipos fisionômicos, caracterizados pela</p><p>heterogeneidade de sua distribuição.</p><p>Muitos autores aceitam a hipótese do oligotrofismo distrófico para formação do</p><p>Cerrado, sua vegetação com marcantes características adaptativas a ambientes</p><p>áridos, folhas largas, espessas e pilosas, caule extremamente suberizado, etc.</p><p>Contudo apesar de sua aparência xeromórfica, a vegetação do cerrado situa-se em</p><p>regiões com precipitação média anula de 1500 mm, estações bem definidas, em</p><p>média com 6 meses de seca, solos extremamente ácidos, profundos, com deficiência</p><p>nutricional e alto teor de alumínio.</p><p>Segundo EITEN os tipos fisionômicos do cerrado (latu sensu) se distribuem de</p><p>acordo com três aspectos do substrato onde se desenvolvem: a fertilidade e o teor de</p><p>alumínio disponível; a profundidade; e o grau de saturação hídrica da camada</p><p>superficial e subsuperficial. Os principais tipos de</p><p>vegetação são:</p><p>Cerrado (strictu sensu) - é a vegetação característica do cerrado, composta por</p><p>exemplares arbustivo-arbóreos, de caules e galhos grossos e retorcidos, distribuídos</p><p>47</p><p>de forma ligeiramente esparsa, intercalados por uma cobertura de ervas, gramíneas</p><p>e espécies semi-arbustivas.</p><p>Floresta mesofítica de interflúvio (cerradão) - este tipo de vegetação cresce sob</p><p>solos bem drenados e relativamente ricos em nutrientes, as copas das árvores, que</p><p>medem em média de 8-10 metros de altura, tocam-se o que denota um aspecto</p><p>fechado a esta vegetação.</p><p>Campo rupestre - encontrado em áreas de contato do cerrado como caatinga e</p><p>floresta atlântica, os solos deste tipo fisionômico são quase sempre rasos e sofrem</p><p>bruscas variações em relação a profundidade, drenagem e conteúdo nutricional. É</p><p>caracteristicamente, composto por uma vegetação arbustiva de distribuição aberta ou</p><p>fechada.</p><p>Campos litossólicos miscelâneos - são caracterizados pela presença de um</p><p>substrato duro, rocha mãe, e a quase inexistência de solo macio, este quando</p><p>presente não ocupa mais que poucos centímetros de profundidade até se deparar</p><p>com a camada rochosa pela qual não passam nem umidade nem raízes. Sua flora é</p><p>caracterizada por um tapete de ervas latifoliadas ou de gramíneas curtas, havendo</p><p>em geral a ausência de exemplares arbustivos, ou a presença de raríssimos</p><p>espécimes lenhosos, neste caso enraizados em frestas da camada rochosa.</p><p>Segundo TROMBETTA (2014) a vegetação de afloramento de rocha maciça -</p><p>representada por cactos, liquens, musgos, bromélias, ervas e raríssimas árvores e</p><p>arbustos, cresce sob penhascos e morros rochosos.</p><p>6.4.13 Pampa</p><p>Com uma área de 176.496 km2, o bioma Pampa está presente no Brasil somente</p><p>na porção sul do Rio Grande do Sul (abaixo do paralelo 30º), onde ocupa 53% do</p><p>estado (IBGE, 2004). A área corresponde aos campos da metade sul e das missões</p><p>do Rio Grande do Sul, enquanto o restante do estado é ocupado pelo bioma Mata</p><p>Atlântica, localizado ao norte.</p><p>Quando comparado aos demais biomas continentais brasileiros, há</p><p>relativamente poucos dados disponíveis sobre o bioma Pampa, utilizando-se o recorte</p><p>definido pelo IBGE (2004). Uma das razões é que, sob o ponto de vista da pesquisa</p><p>biológica, este geralmente é tratado como parte de uma área mais abrangente de</p><p>vegetação campestre do sul do Brasil, os chamados “Campos Sulinos”. Além de todo</p><p>o bioma Pampa, os Campos Sulinos incluem também áreas localizadas no Planalto</p><p>48</p><p>Sul-Brasileiro, os quais formam mosaicos com as florestas na metade norte do Rio</p><p>Grande do Sul e nos estados de Santa Catarina e Paraná. Estes campos do Planalto</p><p>Sul-Brasileiro, porém, estão inseridos no bioma Mata Atlântica, na definição do IBGE</p><p>(2004).</p><p>Assim como os demais biomas, o Pampa teve sua vegetação mapeada em</p><p>escala 1:250.000, utilizando a interpretação de imagens de satélite Landsat obtidas</p><p>em 2002. As imagens foram interpretadas buscando-se identificar categorias que</p><p>indicassem um domínio fisionômico florestal ou campestre e que dessem ideia do grau</p><p>de pressão antrópica sobre a formação (CARDOSO JR, 2010).</p><p>7 ENERGIA SUSTENTÁVEL</p><p>A definição do tipo de energia utilizada em um dado país ou região e decorrente</p><p>da necessidade de se atender a demanda doméstica e de aumentar o nível de</p><p>inserção no mercado econômico internacional. As políticas públicas, ao apoiarem a</p><p>produção de bens, o desenvolvimento regional, o atendimento das famílias, os</p><p>cuidados ambientais; e ao estimularem a geração de energia da fonte A ou B, são</p><p>vetores importantes no desenho do modelo energético. Nesse sentido o Brasil tem</p><p>sido exemplo mundial no uso de energias renováveis ao manter, desde os anos 1970</p><p>até 2009, matriz energética que oscila entre 61% (1971) e 41% (2002) originada de</p><p>fontes renováveis.</p><p>Pode-se afirmar, por conseguinte, que toda redução de custo que puder ser</p><p>alcançada deve fazer parte das estratégias das empresas. Fazer uma análise do custo</p><p>de energia elétrica pode ser complexo, mas percebe-se que identificar melhorias para</p><p>uma organização, no que se refere à utilização desta energia, traz uma redução no</p><p>consumo da eletricidade, que pode refletir diretamente no preço do produto, pois reduz</p><p>os custos de produção (KLAUS e SHERER, 2017)</p><p>A tabela abaixo mostra a participação das principais fontes de geração utilizadas</p><p>no cenário energético do setor elétrico brasileiro, destacando os empreendimentos</p><p>que estão operando, assim como aqueles que estão em construção ou foram</p><p>concedidos – licitação – ou autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica</p><p>(Aneel). Observar que a potência apresentada em MW mostra o perfil da capacidade</p><p>49</p><p>instalada do parque gerador nacional e não a energia produzida ou consumida por</p><p>hora.</p><p>De acordo com a tabela acima, na primeira grande coluna é mostrado o conjunto</p><p>de usinas. Em operação, ou seja, aquelas que já estão gerando energia, seja para o</p><p>serviço público, autoprodução – uso exclusivo –, seja para a produção independente.</p><p>Já na segunda coluna denominada Em construção está disposto o contingente de</p><p>usinas que estão sendo construídas, bem como aquelas que foram recentemente</p><p>licitadas ou autorizadas pelo órgão regulador, mas que ainda não iniciaram sua</p><p>construção (CARDOSO JR, 2010).</p><p>O interesse comum da sociedade vem impulsionando a comunidade científica a</p><p>pesquisar e desenvolver estratégias para o aproveitamento de fontes alternativas de</p><p>energia, menos poluentes, renováveis, e que provoquem reduzido impacto ambiental.</p><p>Esta tendência tem se verificado na prática por meio de uma maior contribuição das</p><p>fontes renováveis na matriz energética mundial, conforme ilustra a Figura abaixo, na</p><p>qual destaca-se ainda a grande dependência mundial energia elétrica proveniente de</p><p>fontes térmicas a carvão e similares. Comparativamente, também cabe chamar a</p><p>50</p><p>atenção para a grande diferença entre as dependências das energias térmica e</p><p>hidráulica entre o Brasil e o mundo (DUPONT; GRASSI, e ROMITTI, 2015).</p><p>7.1 Fontes renováveis de energia elétrica</p><p>O uso de fontes renováveis de energia não é um assunto novo. De fato, os</p><p>primeiros aproveitamentos datam de muitos séculos atrás, fazendo parte da própria</p><p>história da humanidade. Mais recentemente, o aproveitamento destas fontes recebeu</p><p>incontáveis melhorias tecnológicas e a crescente demanda por alternativas</p><p>energéticas, e principalmente sustentáveis, fez que com essas antigas tecnologias</p><p>fossem revisitadas e adaptadas. De maneira geral, as fontes de energia renovável</p><p>fornecem apenas uma fração da energia se comparado com as grandes centrais. Essa</p><p>característica permite duas categorias de fornecimento de energia para as cargas</p><p>(DUPONT; GRASSI, e ROMITTI, 2015).</p><p>7.1.1 Energia Eólica</p><p>Os primeiros indícios da utilização da energia eólica para a realização de</p><p>trabalho mecânico são controversos, mas credita-se algumas das primeiras máquinas</p><p>a Heron de Alexandria, há cerca de dois mil anos (PINTO, 2012).</p><p>51</p><p>Posteriormente, a energia eólica foi amplamente utilizada em moinhos,</p><p>substituindo a tração animal. Contudo, foi apenas nos últimos anos que a energia</p><p>eólica se tornou uma peça fundamental na geração de energia, principalmente</p><p>elétrica, período em que houve uma grande expansão na pesquisa e no</p><p>desenvolvimento para transformar a energia fornecida pelo vento.</p><p>Fonte: www.canalbioenergia.com.br</p><p>A captação da energia cinética do vento pode ser feita basicamente por duas</p><p>formas distintas: as turbinas de eixo vertical e as de eixo horizontal. No primeiro caso,</p><p>engrenagem e gerador são colocados ao nível do solo e a turbina é movida por forças</p><p>de arraste ou sustentação (FARRET, 2014).</p><p>7.1.2 Energia Solar Fotovoltaica</p><p>Entre as fontes renováveis, a energia solar fotovoltaica é uma das mais</p><p>abundantes em toda a superfície terrestre e é inesgotável</p><p>na escala de tempo</p><p>humano. Por esta razão é uma das alternativas mais promissoras para a composição</p><p>de uma nova matriz energética mundial e seu aproveitamento tem se consolidado em</p><p>muitos países (VERMA; MIDTGARD; SATRE, 2011).</p><p>É esperado que até 2040 esta seja a fonte renovável de energia mais importante</p><p>e significativa para o planeta (BRITO et al., 2011)</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>52</p><p>Fonte: diarioms.com.br</p><p>As células fotovoltaicas são dispositivos mais recentes, quando em comparação</p><p>das primeiras tecnologias de aerogeradores, datando de 1839 quando Antoine Henri</p><p>Becquerel conduziu os primeiros estudos sobre o efeito fotovoltaico. Contudo, foi na</p><p>década de 1950 que as aplicações de células fotovoltaicas começaram a ter maior</p><p>atenção nos programas espaciais. (BRITO et al., 2011)</p><p>7.1.3 Energia Hídrica ou Hidroelétrica</p><p>Por sua vez, a energia hidroelétrica utiliza-se do movimento das águas dos rios</p><p>para a produção de eletricidade. Em países como Brasil, Rússia, China e Estados</p><p>Unidos, ela é bastante aproveitada pelas usinas que transformam a energia hidráulica</p><p>e cinética em eletricidade.</p><p>Figura: Usina hidrelétrica de Itaipu, a segunda maior do mundo</p><p>https://brasilescola.uol.com.br/geografia/energia-hidreletrica.htm</p><p>53</p><p>Fonte: brasilescola.uol.com.br</p><p>Como é necessário o estabelecimento de uma área de inundação no ambiente</p><p>em que se instala uma usina hidrelétrica, a sua construção é recomendada em áreas</p><p>de planalto, onde o terreno é mais íngreme e acidentado, pois rios de planície</p><p>necessitam de mais espaço para represamento da água, o que gera mais impactos</p><p>ambientais.</p><p>Por um lado, as hidroelétricas trazem vários prejuízos ambientais, não só pela</p><p>inundação de áreas naturais e desvio de leitos de rios, como também pelo dióxido de</p><p>carbono emitido pela decomposição da matéria orgânica que se forma nas áreas</p><p>alagadas. Por outro lado, essa é considerada uma eficiente forma de geração de</p><p>eletricidade, além de ser menos poluente, por exemplo, que as termoelétricas movidas</p><p>a combustíveis fósseis. (TROMBETTA, 2014).</p><p>7.1.4 Energia da Biomassa</p><p>A biomassa corresponde a toda e qualquer matéria orgânica não fóssil. Assim,</p><p>pode-se utilizar esse material para a queima e produção de energia, por isso ela é</p><p>considerada uma fonte renovável. Sua importância está no aproveitamento de</p><p>https://brasilescola.uol.com.br/geografia/biomassa.htm</p><p>54</p><p>materiais que, em tese, seriam descartáveis, como restos agrícolas (principalmente o</p><p>bagaço da cana-de-açúcar), e também na possibilidade de cultivo.</p><p>Figura: A biomassa é utilizada como fonte de eletricidade e também como</p><p>biocombustível</p><p>Fonte: brasilescola.uol.com.br</p><p>Segundo TROMBETTA (2014) existem três tipos de biomassa utilizados como</p><p>fonte de energia: os sólidos, os líquidos e os gasosos.</p><p>Combustíveis sólidos: podemos citar a madeira, o carvão vegetal e os restos</p><p>orgânicos vegetais e animais.</p><p>Combustíveis líquidos: o etanol, o biodiesel e qualquer outro líquido obtido</p><p>pela transformação do material orgânico por processos químicos ou biológicos.</p><p>Combustíveis gasosos: aqueles que são obtidos pela transformação industrial</p><p>ou até natural de restos orgânicos, como o biogás e o gás metano coletado em áreas</p><p>de aterros sanitários.</p><p>7.1.5 Energia Geotérmica</p><p>55</p><p>A energia geotérmica corresponde ao calor interno da Terra. Em casos em que</p><p>esse calor se manifesta em áreas próximas à superfície, as elevadas temperaturas do</p><p>subsolo são utilizadas para a produção de eletricidade.</p><p>Figura: Usina de energia geotérmica</p><p>Fonte: brasilescola.uol.com.br</p><p>Basicamente, as usinas geotérmicas injetam água no subsolo por meio de dutos</p><p>especificamente elaborados para esse fim. Essa água evapora e é conduzida pelos</p><p>mesmos tubos até as turbinas, que se movimentam e acionam o gerador de</p><p>eletricidade. Para o reaproveitamento da água, o vapor é novamente transportado</p><p>para áreas em que retorna à sua forma líquida, reiniciando o processo. (BRITO et al.,</p><p>2011)</p><p>O principal problema da energia geotérmica é o seu impacto ambiental através</p><p>de eventuais emissões de poluentes, além da poluição química dos solos em alguns</p><p>casos. Somam-se a isso os elevados custos de implantação e manutenção.</p><p>https://brasilescola.uol.com.br/geografia/energia-geotermica-1.htm</p><p>56</p><p>7.1.6 Energia das Ondas e das Marés</p><p>É possível utilizar a água do mar para a produção de eletricidade tanto pelo</p><p>aproveitamento das ondas quanto pela utilização da energia das marés.</p><p>Fonte: www.portal-energia.com</p><p>No primeiro caso, utiliza-se a movimentação das ondas em ambientes onde elas</p><p>são mais intensas para a geração de energia. Já no segundo caso, o funcionamento</p><p>lembra o de uma hidrelétrica, pois cria-se uma barragem que capta a água das marés</p><p>durante as suas cheias, e essa água é liberada quando as marés diminuem. Durante</p><p>essa liberação, a água gira as turbinas que ativam os geradores. (BRITO et al., 2011)</p><p>8 O PRINCÍPIO DOS TRÊS ERRES (3R’S) NA LEI Nº 12.305/2010: REDUZIR,</p><p>REUTILIZAR E RECICLAR</p><p>Entende-se que, com a inclusão dos conceitos de redução, reutilização e</p><p>reciclagem na Lei, pretende-se diminuir o uso de matéria-prima e retardar a disposição</p><p>https://brasilescola.uol.com.br/geografia/energia-das-mares.htm</p><p>http://www.portal-energia.com/</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>57</p><p>dos rejeitos, que é a última etapa da gestão sustentável dos resíduos sólidos,</p><p>conforme prescrito no Título I, Cap. II, art. 3º, XV, da referida Lei. A sua efetivação</p><p>permitirá o aumento do tempo dos recursos naturais no ciclo produtivo, bem como a</p><p>vida útil dos aterros sanitários. A coleta seletiva, necessária ao retorno dos resíduos</p><p>sólidos ao processo de produção, de acordo com a citada Lei, consiste na “coleta de</p><p>resíduos sólidos previamente segregados, conforme sua constituição ou composição”</p><p>(Lei nº 12.305, Título I, Cap. II, art. 3º, V). (VERMA; MIDTGARD; SATRE, 2011).</p><p>58</p><p>Fonte: meubolsofeliz.com.br</p><p>A reciclagem, conforme o Título I, Cap. II, art. 3º, XIV, da Lei nº 12.305/2010,</p><p>consiste no processo de transformação dos resíduos sólidos, que envolve a alteração</p><p>de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à</p><p>transformação em insumos ou novos produtos, observadas as condições e os padrões</p><p>59</p><p>estabelecidos pelos órgãos competentes do Sistema Nacional do Meio Ambiente</p><p>(SISNAMA) e, se couber, do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) e do</p><p>Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA) (REIS e LOPES,</p><p>2018).</p><p>A redução está em consonância com o descrito no Título I, Cap. II, art. 3º, XIII,</p><p>que define os padrões sustentáveis de produção e consumo, estando alinhados com</p><p>o combate ao desperdício: padrões sustentáveis de produção e consumo; produção e</p><p>consumo de bens e serviços de forma a atender as necessidades das atuais gerações</p><p>e permitir melhores condições de vida, sem comprometer a qualidade ambiental e o</p><p>atendimento das necessidades das gerações futuras.</p><p>Já os rejeitos definem-se como resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas</p><p>as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis</p><p>e economicamente viáveis, não apresentam outra possibilidade que não a disposição</p><p>final ambientalmente adequada.</p><p>8.1 A participação popular</p><p>A gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos deve ser planejada,</p><p>implementada e fiscalizada pelo poder público em conjunto com a população. A</p><p>população, neste caso, possui um papel fundamental, pois além de ser responsável</p><p>pela correta destinação dos seus resíduos pós-consumo, atua como fiscalizadora das</p><p>ações sustentáveis de gerenciamento dos resíduos.</p><p>A atuação consciente do cidadão, no que tange à destinação seletiva de seu</p><p>resíduo, separando na fonte o que for resíduo orgânico do resíduo inorgânico,</p><p>possibilita</p><p>tornar o processo economicamente mais barato, por subtrair uma etapa de</p><p>triagem da reciclagem, além de refletir diretamente na qualidade de vida coletiva, pela</p><p>destinação correta, longe de rios, vias públicas, terrenos etc. (REIS e LOPES, 2018).</p><p>Evita-se, com o engajamento da população, o aumento dos impostos</p><p>concernentes ao saneamento básico, ao passo que também diminui a oneração sobre</p><p>o valor dos produtos que deverão contemplar em seu custo os gastos com o</p><p>recolhimento destes pelas empresas, visando à reutilização, reciclagem ou descarte</p><p>final, conforme o caso.</p><p>A Lei também institui o princípio do “poluidor-pagador” e do “protetor-recebedor”.</p><p>No que se refere ao papel do cidadão, não está estabelecido em termos práticos como</p><p>60</p><p>será beneficiado aquele que contribui, ou como aquele que fere os preceitos legais</p><p>será punido.</p><p>A simples homologação da Lei não significa cumprimento, especialmente no</p><p>caso do Brasil, visto que, de acordo com Da Matta (1986), existe uma resistência</p><p>cultural em cumprir as determinações legais, o que condiz com o “jeitinho brasileiro”.</p><p>Em seu art. 8º, VIII, a educação ambiental é postulada como um dos instrumentos da</p><p>Política Nacional de Resíduos Sólidos, o que é certamente mais eficaz para a gestão</p><p>integrada e sustentável dos resíduos sólidos, por significar uma conscientização,</p><p>quando o indivíduo age independente de fiscalização (REIS e LOPES, 2018).</p><p>8.2 Educação ambiental e sua importância para a implementação da lei nº</p><p>12.305/2010</p><p>A gestão integrada e sustentável dos resíduos sólidos, prevista na Lei nº</p><p>12.305/2010, como analisado anteriormente, tem como um de seus pilares a</p><p>participação colaborativa de empresas, indústrias, comércios e cidadãos. A exigência</p><p>de um novo comportamento, que contribua para o paradigma da sustentabilidade,</p><p>impõe-se.</p><p>As estratégias de prevenção da poluição devem considerar a hierarquia a ser</p><p>adotada no gerenciamento ambiental, com a introdução do conceito de Prevenção da</p><p>Poluição: prevenção e redução, reciclagem e reuso, tratamento e disposição.</p><p>Esquema da gestão integrada e sustentável dos resíduos sólidos, com inclusão</p><p>da etapa de educação ambiental para desenvolver hábitos e atitudes visando à coleta</p><p>seletiva e redução de resíduos sólidos:</p><p>EDUCAÇÃO AMBIENTAL</p><p>CONSUMO CONSCIENTE</p><p>NÃO GERAÇÃO, REDUÇÃO¹ NA FONTE</p><p>REDUÇÃO² DE MATÉRIA-PRIMA JÁ EXTRAÍDA DO MEIO AMBIENTE</p><p>REUTILIZAÇÃO RECICLAGEM</p><p>61</p><p>TRATAMENTO QUÍMICO E BIOLÓGICO</p><p>DISPOSIÇÃO FINAL AMBIENTALMENTE ADEQUADA DOS REJEITOS</p><p>Redução 1: ocorre quando o indivíduo deixa de consumir em sintonia com os</p><p>padrões sustentáveis de produção e consumo, o que vai de encontro ao consumismo</p><p>e desperdício.</p><p>Redução 2: ocorre após o consumo, quando o produto volta ao ciclo produtivo</p><p>pela reutilização ou reciclagem, possibilitadas pela atitude de triagem dos resíduos</p><p>sólidos nas fontes geradoras.</p><p>9 RESÍDUOS SÓLIDOS E RECURSOS HÍDRICOS</p><p>Países em desenvolvimento, como o Brasil, revelam uma situação preocupante,</p><p>pois, embora existam serviços de limpeza urbana, estes não são capazes de coletar</p><p>toda a produção de resíduos sólidos. O resultado disto é a deposição de resíduos</p><p>sólidos em passeios públicos, terrenos baldios e, muitas vezes, próximos ou dentro</p><p>dos cursos d’água. Os sistemas de drenagem urbana, já comprometidos pela falta de</p><p>capacidade de condução para a urbanização atual, tornam-se agentes de transporte</p><p>dos resíduos sólidos que obstruem o fluxo (NEVES & TUCCI, 2011; BLUMENSAAT</p><p>et al., 2012).</p><p>O gerenciamento de resíduos sólidos urbanos - RSU é uma atividade que deve</p><p>ser processada de forma integrada, porém, para ser colocada em prática, é necessária</p><p>a cooperação do poder público, disponibilizando recursos financeiros para a</p><p>implementação e melhor qualidade na disposição final destes resíduos.</p><p>62</p><p>Fonte: www.abras.com.br</p><p>Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –</p><p>IBGE (2010) comprovou que a população brasileira corresponde a cerca de 190</p><p>milhões de habitantes, produzindo, diariamente, 250 mil toneladas de resíduos</p><p>sólidos. Com relação à situação da disposição final dos resíduos, observa-se que em</p><p>2000, dos municípios brasileiros, 86% encaminhavam seus resíduos para lixões e</p><p>aterros controlados e, somente 14% destinavam em aterros sanitários. Em 2008,</p><p>apesar do aumento ocorrido no número de municípios, ainda 29% faz a disposição</p><p>final em aterros sanitários e que, a maioria, 71% dispõe seus resíduos em lixões e</p><p>aterros controlados (IBGE, 2010).</p><p>A cidade de Marechal Deodoro se enquadra neste cenário de má qualidade de</p><p>limpeza urbana, tendo como destinação final o lixão a céu aberto, localizado, no</p><p>município, na Fazenda Suíça (SILVA e OLIVEIRA, 2015).</p><p>A Educação Ambiental tem um papel importante na gestão dos resíduos sólidos</p><p>e pode ser praticada de diferentes maneiras dependendo da forma de proposta desse</p><p>gerenciamento. Deve ser empregado como instrumento para reflexão no processo de</p><p>mudança de atitudes em relação ao correto descarte do lixo e à valorização do meio</p><p>ambiente. Se aplicada a gestão dos resíduos sólidos, as mudanças de atitude devem</p><p>ser conduzidas de forma qualitativa e contínua, mediante um processo educacional.</p><p>Na gestão dos resíduos sólidos, a sustentabilidade ambiental e social se constrói</p><p>a partir de modelos e sistemas integrados, que possibilitam tanto a redução do lixo</p><p>63</p><p>gerado pela população, como a reutilização de materiais descartados e reciclagem</p><p>dos materiais que possam servir de matéria prima para a indústria, diminuindo o</p><p>desperdício e gerando renda. Gestão de resíduos sólidos é um conjunto de atitudes</p><p>(comportamento, procedimento, propósitos), tendo como objetivo principal a</p><p>eliminação dos impactos ambientais, relacionados à produção e a destinação do lixo</p><p>(SILVA e OLIVEIRA, 2015).</p><p>O combate ao desperdício da água é decisivo para se alcançar uma gestão</p><p>eficiente dos recursos hídricos. Os índices de desperdício são alarmantes em um</p><p>território em que se criou a mentalidade de que os recursos naturais e, especialmente</p><p>a água, são infinitos. O que torna o desafio do combate ao desperdício uma missão</p><p>gigantesca que deve abranger todos os segmentos da sociedade. O reuso dos</p><p>recursos hídricos é de suma importância na busca pela tão sonhada sustentabilidade</p><p>ambiental. No Brasil a reutilização dos recursos hídricos acontece de maneira tímida,</p><p>devido à falta, principalmente de políticas públicas eficientes e também do</p><p>cumprimento das legislações ambientais, especialmente quando se trata do uso</p><p>público (RODRIGUES, et al 2016).</p><p>Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais os</p><p>indivíduos e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades,</p><p>atitudes e competências de vida e sua sustentabilidade.</p><p>A sustentabilidade ambiental é uma dimensão da educação, é a atividade</p><p>intencional da prática social, que deve imprimir ao desenvolvimento individual um</p><p>caráter social em sua relação com a natureza e com os outros seres humanos, visando</p><p>potencializar essa atividade humana com a finalidade de torná-la plena de prática</p><p>social e de ética ambiental. É a ação educativa permanente pela qual a comunicação</p><p>tem a tomada de consciência de sua realidade global. A educação ambiental deve</p><p>proporcionar as condições para o desenvolvimento das capacidades necessárias,</p><p>para que grupos sociais, em diferentes contextos socioambientais do país,</p><p>intervenham, de modo qualificado tanto na gestão do uso dos recursos ambientais</p><p>quanto na concepção e aplicação de decisões que afetam a qualidade do ambiente.</p><p>Com os avanços tecnológicos advindos após a Revolução Industrial e o</p><p>crescente aumento da população a atividade humana passou a causar mais impactos</p><p>negativos ao meio ambiente, e o que durante muito tempo foi visto como fonte</p><p>inexaurível de recursos disponíveis</p><p>para servir às necessidades do homem agora</p><p>passa a ser uma inquietação, porquanto os recursos são limitados. O ciclo produtivo</p><p>64</p><p>da sociedade capitalista extrai do meio ambiente os insumos necessários para a</p><p>produção de alimentos e bens de consumo, entretanto, o processo produtivo retorna</p><p>resíduos sólidos, efluentes líquidos e emite gases nocivos e poluentes em grandes</p><p>quantidades, acarretando poluição ambiental e esgotamento dos recursos naturais.</p><p>Outra preocupação que emerge é que uma volumosa camada da população mundial</p><p>que sofre com a pobreza, fome e exclusão social. As empresas procuram resultados</p><p>financeiros, ampliação de fatias de mercado e sobrevivência e manutenção de sua</p><p>competitividade. A globalização da economia e o acirramento da competição mundial</p><p>elevam a escala de produção, com a consequente busca da redução dos custos.</p><p>Diante deste panorama as empresas passam a se reestruturar para se adequarem a</p><p>esta nova percepção. As pressões sociais e restrições impostas fazem com que as</p><p>empresas sejam forçadas a buscar formas de reduzir seu impacto ambiental e a</p><p>melhorar sua imagem frente a sua responsabilidade social. Neste sentido, muito tem</p><p>sido feito para a sustentabilidade do setor produtivo (RODRIGUES, et al 2016).</p><p>9.1 Soluções Utilizadas para a Questão Hídrica</p><p>9.1.1 Dessalinização</p><p>A dessalinização é a retirada de sais que se encontram dissolvidos na água por</p><p>meio de diversos métodos. É verdade que a destilação e os processos de troca iônica</p><p>são capazes de reduzir significativamente os sais dissolvidos, produzindo água</p><p>desmineralizada, que é uma água com elevada purificação. Há vários outros</p><p>processos, porém com finalidades distintas. Por exemplo, a filtração, a adsorção, a</p><p>cloração e a própria esterilização são outros meios de que se lança mão para melhorar</p><p>a qualidade da água, mas não são capazes de promover a retirada dos sais. Esses</p><p>métodos atuam sobre outros elementos presentes nas massas líquidas. A filtração,</p><p>por exemplo, é capaz de separar as partículas suspensas, ou seja, que não estão</p><p>dissolvidas, enquanto que a adsorção, ao atuar por meio de filtros de carvão ativo, é</p><p>capaz de reter partículas ainda menores do que aquelas separadas pela filtração.</p><p>Justamente é o objetivo deste método, transformar a água salgada em doce. Os</p><p>dessalinizadores são equipamentos que transformam águas salinas ou salobres em</p><p>água potável empregando a osmose reversa. Esses equipamentos operam sob</p><p>condições severas para os materiais que os constituem, dada à presença de um</p><p>elemento corrosivo que é o íon cloreto, associado a pressões elevadas. Além disso,</p><p>65</p><p>são sofisticados em termos de tecnologia e a sofisticação reside na natureza das</p><p>membranas semipermeáveis artificiais, que imitam as membranas naturais. Elas são</p><p>fabricadas por um número muito pequeno de empresas em todo o mundo</p><p>(RODRIGUES, et al 2016).</p><p>Fonte: blogs.odiario.com</p><p>As organizações em geral já são obrigadas pelas leis ambientais ao cumprimento</p><p>de inúmeros requisitos a favor de recompensar ao menos parte da exploração</p><p>causada por seu processo produtivo, e estas ainda, muitas vezes, vão um pouco mais</p><p>além para ficar bem vistas perante a comunidade. Porém todas essas ações, ainda</p><p>que realmente aplicadas e fiscalizadas, são pequenas se comparado o necessário</p><p>para tornar-se um empreendimento sustentável.</p><p>Despoluição dos rios: crescimento populacional, falta de planejamento urbano,</p><p>conexões clandestinas com a rede de esgoto e indústrias que despejam resíduos</p><p>indevidos.</p><p>66</p><p>Fonte: www.ambientelegal.com.br</p><p>Coletores de ar que condensam a água: as máquinas que existem usam</p><p>basicamente duas técnicas diferentes. A primeira é percebida com a de um ar</p><p>condicionado promovendo o resfriamento do ar e a consequente condensação da</p><p>água, que depois é filtrada e armazenada em pequenos tanques. (RODRIGUES, et al</p><p>2016)</p><p>67</p><p>Fonte: www.fenomenosdaengenharia.blogspot.com.br</p><p>A outra envolve um processo químico, uma solução concentrada de sal absorve</p><p>a umidade do ambiente de onde é extraída a água que também passa por filtração.</p><p>(RODRIGUES, et al 2016).</p><p>Aproveitamento da água da chuva: a água captada da chuva e armazenada</p><p>pode ser usada para fins domésticos e industriais.</p><p>Fonte: www.tubolarmeioambiente.com.br</p><p>68</p><p>Extração de águas de geleiras: mais da metade da água potável do planeta</p><p>está nas geleiras e nas calotas polares. Em caso de crise mundial no abastecimento</p><p>de água, uma das soluções possíveis seria a retirada e exportação de blocos de gelo</p><p>dessas regiões. O mais provável é que a água fosse exportada já na forma líquida em</p><p>grandes navios de carga ou por meio de canos, outra hipótese seria “aproveitar” o</p><p>aquecimento global que está derretendo as geleiras e criando naturalmente novos</p><p>cursos de água.</p><p>Busca de água em outros planetas: outra resposta para a escassez de água</p><p>pode ser encontrada nas fontes fora da Terra. No sistema solar, a NASA já detecta a</p><p>presença de gelo em pontos de Marte, Mercúrio e na Lua.</p><p>9.2 Gestão de resíduos sólidos</p><p>Em 2 de agosto de 2010, a Lei Federal nº 12.305 instituiu a Política Nacional de</p><p>Resíduos Sólidos (PNRS), regulamentada pelo Decreto nº 7.404/2010 (BRASIL,</p><p>2010). A lei incorporou conceitos modernos de gestão de resíduos sólidos, trazendo</p><p>novas ferramentas à legislação ambiental brasileira. Alguns desses aspectos podem</p><p>ser ressaltados, como:</p><p>Acordo Setorial: ato de natureza contratual firmado entre o poder público e</p><p>fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a</p><p>implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto;</p><p>Responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: conjunto</p><p>de atribuições dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos</p><p>consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo dos</p><p>resíduos sólidos pela minimização do volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados,</p><p>bem como pela redução dos impactos causados à saúde humana e à qualidade</p><p>ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei (RIBEIRO</p><p>e MENDES, 2016);</p><p>Logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social,</p><p>caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a</p><p>viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>69</p><p>reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação</p><p>final ambientalmente adequada;</p><p>Coleta seletiva: coleta de resíduos sólidos previamente segregados conforme</p><p>sua constituição ou composição;</p><p>Ciclo de Vida do Produto: série de etapas que envolvem o desenvolvimento do</p><p>produto, a obtenção de matérias–primas e insumos, o processo produtivo, o consumo</p><p>e a disposição final;</p><p>Sistema de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos – SINIR: tem</p><p>como objetivo armazenar, tratar e fornecer informações que apoiem as funções ou</p><p>processos de uma organização. Essencialmente, é composto de um subsistema</p><p>formado por pessoas, processos, informações e documentos, e um outro composto</p><p>por equipamentos e seus meios de comunicação (RIBEIRO e MENDES, 2016);</p><p>Planos de Resíduos Sólidos: o Plano Nacional de Resíduos Sólidos está sendo</p><p>elaborado com participação social, contendo metas e estratégias nacionais sobre o</p><p>tema. Também estão previstos planos estaduais, microrregionais, de regiões</p><p>metropolitanas, planos intermunicipais, municipais de gestão integrada de resíduos</p><p>sólidos e os planos de gerenciamento de resíduos sólidos (MMA; IPEA, 2011)</p><p>9.3 Classificação dos resíduos sólidos</p><p>A classificação de resíduos sólidos é feita com base na identificação do processo</p><p>ou atividade que lhes deu origem, de seus componentes e características, e também</p><p>da comparação entre os componentes dos vários tipos de resíduos</p><p>e substâncias, os</p><p>quais causam sérios impactos à saúde e ao meio ambiente. A classificação dos</p><p>resíduos sólidos, por exemplo, facilita a segregação, a identificação e a composição</p><p>na fonte, contribuindo para o gerenciamento adequado e correto, quanto ao seu</p><p>destino final (SILVA, 2015)</p><p>A Figura abaixo ilustra a classificação dos resíduos sólidos urbanos de acordo</p><p>com a Funasa.</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>70</p><p>Figura - Classificação dos Resíduos Sólidos Urbanos</p><p>Fonte: Funasa, 2010.</p><p>Lei 12.305/2010 e a ABNT/NBR 10004 (2004)</p><p>Art. 13. Para os efeitos desta lei, os resíduos sólidos têm a seguinte</p><p>classificação:</p><p>I - Quanto à origem:</p><p>a) resíduos domiciliares: os originários de atividades domésticas em</p><p>residências urbanas;</p><p>b) resíduos de limpeza urbana: os originários da varrição, limpeza de</p><p>logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana;</p><p>c) resíduos sólidos urbanos: é constituído pelos resíduos doméstico e</p><p>comercial;</p><p>d) resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços,</p><p>os gerados nessas atividades, excetuados os referidos nas alíneas “b”, “e”,</p><p>“g”, “h” e “j”;</p><p>e) resíduos dos serviços públicos de saneamento básico: os gerados</p><p>nessas atividades, excetuados os referidos na alínea “c”;</p><p>f) resíduos industriais: os gerados nos processos produtivos e</p><p>instalações industriais;</p><p>71</p><p>g) resíduos de serviços de saúde: os gerados nos serviços de saúde,</p><p>conforme definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos</p><p>do Sisnama e do SNVS;</p><p>h) resíduos da construção civil: os gerados nas construções, reformas,</p><p>reparos e demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da</p><p>preparação e escavação de terrenos para obras civis;</p><p>i) resíduos agrossilvopastoris: os gerados nas atividades agropecuárias</p><p>e silviculturas, incluídos os relacionados a insumos utilizados nessas</p><p>atividades;</p><p>j) resíduos de serviços de transportes: os originários de portos,</p><p>aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de</p><p>fronteira;</p><p>k) resíduos de mineração: os gerados na atividade de pesquisa, extração</p><p>ou beneficiamento de minérios; os resíduos sólidos são classificados quanto</p><p>ao risco à saúde pública e ao meio ambiente em: perigosos e não perigosos,</p><p>sendo ainda este último grupo subdividido em não inerte e inerte.</p><p>II - Quanto à periculosidade:</p><p>a) resíduos perigosos (classe I): aqueles que, em razão de suas</p><p>características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade,</p><p>patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade,</p><p>podendo apresentam risco à saúde pública ou à qualidade ambiental,</p><p>provocando ou contribuindo para o aumento de uma mortalidade ou incidência</p><p>de doenças e/ou apresentar efeitos adversos ao meio ambiente, quando</p><p>manuseados e dispostos de forma inadequada. (ABNT, 2004)</p><p>b) resíduos não perigosos (Classe II): são aqueles não enquadrados na</p><p>alínea “a” (não são perigosos). Os resíduos não perigosos (Classe II)</p><p>subdividem-se em:</p><p>1) resíduos da classe II A: são aqueles que em função de suas</p><p>características não se enquadram nas classificações de resíduos classe I</p><p>(perigoso) e classe II (inertes). Esses resíduos podem apresentar</p><p>propriedades como solubilidade em água, biodegradabilidade ou</p><p>combustibilidade.</p><p>72</p><p>2) resíduos da classe II B: são resíduos submetidos ao teste de</p><p>solubilidade, não possuem nenhum de seus constituintes solubilizados em</p><p>concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água (ABNT, 2004).</p><p>A figura abaixo ilustra a classificação dos resíduos não perigosos – Classe II</p><p>Fonte: ABNT/NBR 10004 (2004 apud FELTRIN, 2014).</p><p>Um resíduo é considerado não inerte caso ele não seja enquadrado como um</p><p>resíduo perigoso (Classe I) ou resíduo Inerte (Classe II B). De acordo com ABNT,</p><p>(2004) comumente quando os resíduos não inertes apresentam as seguintes</p><p>propriedades:</p><p> Biodegradabilidade: é a quebra de compostos químicos mediados</p><p>biologicamente. Isto significa que determinadas substâncias podem ser</p><p>utilizadas como substratos por micro-organismos capazes de produzirem como</p><p>resultado energia, outras substâncias, novos tecidos e novos organismos. A</p><p>Mineralização é a biodegradação ou quebra total das moléculas orgânicas em</p><p>CO2, água e compostos inorgânicos.</p><p> Combustibilidade: é quando uma substância tem capacidade de entrar em</p><p>combustão e produzir energia, a exemplo das madeiras, dos tecidos e dos</p><p>papéis.</p><p>73</p><p> Solubilidade em Água: são os constituintes solubilizados a concentrações</p><p>superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor,</p><p>turbidez, dureza e sabor, conforme anexo G (padrões de ensaios de</p><p>solubilização) depois de submetidos a um contato dinâmico e estático com</p><p>água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente. Já os resíduos que não</p><p>tiverem seus constituintes solubilizados em água conforme descrito acima, são</p><p>classificados como inertes (ABNT/NBR 10004, 2004 apud FELTRIN, 2014).</p><p>O Quadro 1 apresenta outras legislações e normatizações (ABNT) pertinentes</p><p>dos resíduos sólidos.</p><p>Fonte: MMA: SNIR/ Legislação.2014</p><p>A caracterização consiste nos aspectos físico-químicos, biológicos, qualitativo</p><p>e/ou quantitativo das amostras. De acordo com a caracterização dos resíduos, pode-</p><p>74</p><p>se enfim classifica-los para a melhor escolha da destinação do mesmo. Cumprindo-</p><p>se assim a norma da ABNT NBR 10004/04 e também a lei 12.305 de agosto de</p><p>2010, Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).</p><p> Descrição da origem do resíduo;</p><p> Estado físico;</p><p> Aspecto geral;</p><p> Cor;</p><p> Odor;</p><p> Grau de heterogeneidade;</p><p> Denominação do resíduo;</p><p> Estado físico;</p><p> Processo de origem;</p><p> Atividade industrial;</p><p> Constituinte principal;</p><p> Destinação;</p><p> Destinação final;</p><p> Aterro para resíduo perigoso;</p><p> Aterro sanitário (não perigoso);</p><p> Aterro de resíduo inerte (solubilidade);</p><p> Tratamento térmico (compostagem, incineração, co-processamento).</p><p>Após a caracterização dos resíduos sólidos, é realizado a classificação dos</p><p>resíduos, que envolve a identificação da atividade que gerou determinado resíduo,</p><p>além dos seus constituintes.</p><p>A norma NBR 10004/04 da ABNT dispõe sobre a classificação dos resíduos</p><p>sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública para</p><p>que possam ser gerenciados adequadamente.</p><p>Segundo ABNT (2004), a norma classifica os resíduos nos seguintes grupos:</p><p>9.3.1 Resíduos Classe I – Perigosos</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm</p><p>75</p><p>Os resíduos considerados perigosos são aqueles que têm características que</p><p>podem colocar em risco as pessoas que manipulam ou que tem algum outro tipo de</p><p>contato com o material.</p><p>Fonte: www.koleta.com.br</p><p>Para um resíduo ser considerado perigoso, ele deve apresentar pelo menos uma</p><p>das características seguintes: inflamabilidade, corrosividade, toxicidade, reatividade</p><p>e/ou patogenicidade.</p><p>A NBR 10004/04 aponta critérios específicos para o profissional capacitado</p><p>classifique e avalie cada propriedade dos resíduos. A intenção é que se o produto for</p><p>considerado “perigoso”, seja tomada as devidas providencias para</p><p>manuseio, transporte e a correta destinação desses materiais. (ABNT, 2004)</p><p>9.3.2 Resíduos não perigosos não inertes (Classe II A)</p><p>São resíduos que não se apresentam como inflamáveis, corrosivos, tóxicos,</p><p>patogênicos, e nem possuem tendência a sofrer uma reação química. Contudo, não</p><p>se pode dizer que esses resíduos classe II A não trazem perigos aos seres humanos</p><p>ou ao meio ambiente.</p><p>https://www.vgresiduos.com.br/blog/veja-as-mudanca-nas-normas-para-transporte-de-residuos-perigosos/</p><p>76</p><p>Os materiais desta classe podem oferecer outras propriedades, sendo</p><p>biodegradáveis, comburentes ou solúveis em água.</p><p>Resíduos dessa classificação merecem a mesma</p><p>cautela para destinação final</p><p>e tratamento do resíduo de classe I.</p><p>9.3.3 Resíduos não perigosos inertes (Classe II B)</p><p>Os resíduos dessa classificação não têm nenhuma das características dos</p><p>resíduos de classe I.</p><p>Porém, se mostram indiferentes ao contato com a água destilada ou desionizada,</p><p>quando expostos à temperatura média dos espaços exteriores dos locais onde foram</p><p>produzidos.</p><p>Com isso, não apresentam solubilidade ou combustibilidade para tirar a boa</p><p>potabilidade da água, a não ser no que diz respeito à mudança de cor, turbidez e</p><p>sabor, seguindo os parâmetros indicados no Anexo G da NBR 10004/04.</p><p>Após a classificação, deve-se elaborar um relatório ou laudo, contendo</p><p>informações sobre os resíduos. Desse modo é mais fácil para estabelecer qual o</p><p>melhor descarte final, tratamento, transporte, embalagens.</p><p>9.4 Outros tipos de resíduos sólidos</p><p>É importante destacar que há outros tipos de resíduos sólidos classificados</p><p>segundo a origem, como: resíduos hospitalares, agrícolas, industriais, da construção</p><p>civil, de varrição, comerciais, domésticos; os do tipo recicláveis e não recicláveis.</p><p>No entanto, somente profissionais especializados podem indicar o melhor</p><p>descarte para esse tipo de resíduos. Não apenas o descarte, mas os cuidados que</p><p>devem ser tomados durante o processo de embalagem e transporte, e, até mesmo</p><p>indicar melhores procedimentos para reciclagem, tratamento e destinação final.</p><p>(ABNT, 2004)</p><p>9.5 Resíduos industriais</p><p>Os resíduos industriais são considerados os maiores responsáveis pela</p><p>poluição do meio ambiente. Para isso a melhor solução é o gerenciamento dos</p><p>77</p><p>resíduos sólidos industriais, possibilitando que as indústrias contribuam para um meio</p><p>ambiente menos poluído e mais saudável.</p><p>Fonte: www.saolourencoambiental.com.br</p><p>De acordo com Resolução 313 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, são</p><p>considerados resíduos industriais todo aquele que:</p><p> Resulte das atividades das indústrias;</p><p> Se encontre nos estados sólido, semissólido, gasoso (quando contido)</p><p>ou líquido;</p><p> Cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública</p><p>de esgoto ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnicas</p><p>ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia possível.</p><p>Inclui-se também lodos provenientes de sistemas de tratamento de efluentes</p><p>líquidos e aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição.</p><p>Sendo assim, todo remanescente da atividade industrial que preencha esses</p><p>requisitos é considerado resíduo industrial. (ABNT, 2004)</p><p>http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=335</p><p>78</p><p>9.6 Impactos Causados pela Disposição Inadequada dos Resíduos Sólidos</p><p>Os recursos naturais estão a cada dia mais escasso, devido ao uso excessivo e</p><p>sem as devidas medidas de preservação, e também em consequência do descarte</p><p>irregular de resíduos sólidos nos ecossistemas, a exemplo dos lixões, da disposição</p><p>em valas e locais públicos, constituindo um sério problema em relação aos aspectos</p><p>ambientais, a saúde e suas interações.</p><p>Fonte: residuoall.com.br</p><p>Segundo SILVA (2015), os resíduos sólidos são considerados perigosos devido</p><p>às suas propriedades físicas, químicas e infectocontagiosas e, por isso, alguns dos</p><p>resíduos sólidos, a exemplo dos inorgânicos, disposto no solo não degradam</p><p>facilmente, tal como o vidro, o alumínio, o plástico, entre outros, persistindo por muitos</p><p>anos no meio ambiente.</p><p>Já no processo físico-químico de decomposição dos resíduos orgânicos, quando</p><p>não controlado de forma correta, produzirá um líquido, ou seja, o chorume rico em sua</p><p>maioria em metais pesados, chumbo, níquel, cádmio, e outros, e tanto escoa, como</p><p>percola e infiltra no solo, contaminando os meios hídricos superficiais e também</p><p>79</p><p>subterrâneos. Isso pode se agravar ainda mais no período de chuva, devido ao</p><p>aumento no processo de carreamento e infiltração dessas substâncias em grande</p><p>quantidade (SILVA,2015).</p><p>9.7 Doenças Causadas Devido à Disposição Inadequada dos Resíduos</p><p>Sólidos</p><p>Os impactos ambientais ocorridos pela disposição inadequada dos resíduos</p><p>sólidos vêm seriamente afetando a saúde pública, através do desenvolvimento de</p><p>diversas doenças crônico-degenerativas e infectocontagiosas, transmitidas por ratos,</p><p>baratas, moscas, cães, etc., além dos microrganismos patogênicos, tais como as</p><p>bactérias, vírus, protozoários e helmintos, que são responsáveis pela transmissão da</p><p>leptospirose, dengue, diarreia, febre tifoide, malária e outras (SILVA,2015).</p><p>O descarte de pilhas, lâmpadas fluorescentes e outros objetos que têm em sua</p><p>composição o mercúrio, são descartados junto com os resíduos sólidos orgânicos,</p><p>contaminando através do processo de lixiviação o solo e a água e por sua vez,</p><p>prejudicando a cadeia alimentar, levando o homem a desenvolver sérios problemas</p><p>no sistema nervoso, provocando lesões no córtex e no cérebro, que podem ser</p><p>irreversíveis.</p><p>O Quadro abaixo apresenta as doenças relacionadas aos agentes biológicos que</p><p>fazem dos resíduos sólidos sua fonte de alimentação ou abrigo.</p><p>Fonte: Cussiol (2005)</p><p>80</p><p>9.8 Reciclagem: a indústria do presente</p><p>A reciclagem é uma das alternativas de tratamento de resíduos sólidos mais</p><p>vantajosas, tanto do ponto de vista ambiental como do social. Ela reduz o consumo</p><p>de recursos naturais, poupa energia e água e ainda diminui o volume de lixo e a</p><p>poluição. Além disso, quando há um sistema de coleta seletiva bem estruturado, a</p><p>reciclagem pode ser uma atividade econômica rentável. Pode gerar emprego e renda</p><p>para as famílias de catadores de materiais recicláveis, que devem ser os parceiros</p><p>prioritários na coleta seletiva. Em algumas cidades do país, como por exemplo, São</p><p>Paulo e Belo Horizonte, foi implementada a Coleta Seletiva Solidária, fruto da parceria</p><p>entre o Governo local e as associações ou cooperativas de catadores.</p><p>Fonte: sociedadepublica.com.br</p><p>Para atrair mais investimentos para o setor, é preciso uma união de esforços</p><p>entre o governo, o segmento privado e a sociedade no sentido de desenvolver</p><p>políticas adequadas e desfazer preconceitos em torno dos aspectos econômicos e da</p><p>confiabilidade dos produtos reciclados. (FEITOSA, 2017)</p><p>Os materiais normalmente encaminhados para a reciclagem são o vidro</p><p>(garrafas, frascos, potes etc.), o plástico (garrafas, baldes, copos, frascos, sacolas,</p><p>canos etc.), papel e papelão de todos os tipos e metais (latas de alimentos,</p><p>81</p><p>refrigerantes etc.). Por questões de tecnologia ou de mercado, alguns materiais ainda</p><p>não são reciclados.</p><p>9.9 Para onde vai o lixo?</p><p>Segundo a pesquisa do IBGE, em 64% dos municípios brasileiros o lixo é</p><p>depositado de forma inadequada, em locais sem nenhum controle ambiental ou</p><p>sanitário. São os conhecidos lixões ou vazadouros, terrenos onde se acumulam</p><p>enormes montanhas de lixo a céu aberto, sem nenhum critério técnico ou tratamento</p><p>prévio do solo, com a simples descarga do lixo sobre o solo. Além de degradar a</p><p>paisagem e produzir mau cheiro, os lixões colocam em risco o meio ambiente e a</p><p>saúde pública.</p><p>Como resultado da degradação dos resíduos sólidos e da água de chuva é</p><p>gerado um líquido de coloração escura, com odor desagradável, altamente tóxico,</p><p>com elevado poder de contaminação que pode se infiltrar no solo, contaminando-o e</p><p>podendo até mesmo contaminar as águas subterrâneas e superficiais. Esse líquido,</p><p>chamado líquido percolado, lixiviado ou chorume, pode ter um potencial de</p><p>contaminação até 200 vezes superior ao esgoto doméstico. (FEITOSA, 2017)</p><p>Além da formação do chorume, os resíduos sólidos, ao serem decompostos,</p><p>geram gases, principalmente o metano (CH4), que é tóxico e altamente inflamável, e</p><p>o dióxido de carbono (CO2) que, juntamente com o metano e outros gases presentes</p><p>na atmosfera, contribui para o aquecimento global da Terra, já que são gases de efeito</p><p>estufa.</p><p>Existe uma técnica ambientalmente segura para dispor os resíduos, denominada</p><p>aterro sanitário. Esta técnica surgiu na década de 1930 e vem se aperfeiçoando com</p><p>o tempo. O aterro sanitário pode ser entendido como a disposição final de resíduos</p><p>sólidos no solo, fundamentado em princípios de engenharia e normas operacionais</p><p>específicas, com o objetivo de confinar o lixo no menor espaço e volume possíveis,</p><p>isolando-o de modo seguro para não criar danos ambientais e para a saúde pública.</p><p>Os resíduos dispostos em aterros estão isolados do meio ambiente externo por meio</p><p>da impermeabilização do solo, da cobertura das camadas de lixo e da drenagem de</p><p>gases.</p><p>82</p><p>Tratamento e disposição final do lixo: Existem algumas formas possíveis para</p><p>o tratamento do lixo e sua disposição final na natureza. No Brasil, o gerenciamento</p><p>dos resíduos sólidos urbanos é de responsabilidade das Prefeituras Municipais. Ainda</p><p>é bastante reduzido o número de municípios que possuem um bom gerenciamento de</p><p>resíduos sólidos, com sistemas adequados de coleta, tratamento e disposição final</p><p>dos resíduos. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, realizada</p><p>pelo IBGE em 2000, 64% dos municípios brasileiros depositam seus resíduos em</p><p>lixões. Apenas 14% possuem aterros sanitários e 18% possuem aterros controlados.</p><p>Existe, ainda, a necessidade de se promover a universalização da limpeza pública</p><p>(coleta, varrição, tratamento, destinação final etc.) para toda a população brasileira, já</p><p>que cerca de 30 % do total de resíduos gerados não é coletado no país (IPT/Cempre</p><p>2000).</p><p>Fonte: www2.maringa.pr.gov.br</p><p>O conjunto de ações que objetivam a minimização da geração de lixo e a</p><p>diminuição da sua periculosidade constitui a fase de tratamento dos resíduos, que</p><p>representa uma forma de torná-los menos agressivos para a disposição final,</p><p>diminuindo o seu volume, quando possível. Os processos de tratamento dos resíduos</p><p>são os seguintes:</p><p>83</p><p>Compostagem: É um processo no qual a matéria orgânica putrescível (restos</p><p>de alimentos, aparas e podas de jardins etc.) é degradada biologicamente, obtendo-</p><p>se um produto que pode ser utilizado como adubo. A compostagem permite aproveitar</p><p>os resíduos orgânicos, que constituem mais da metade do lixo domiciliar. A</p><p>compostagem pode ser feita em casa ou em unidades de compostagem.</p><p>Incineração: É a transformação da maior parte dos resíduos em gases, através</p><p>da queima em altas temperaturas (acima de 900º C), em um ambiente rico em</p><p>oxigênio, por um período pré-determinado, transformando os resíduos em material</p><p>inerte e diminuindo sua massa e volume. Não se deve confundir a incineração com a</p><p>simples queima dos resíduos. No primeiro caso, os incineradores geralmente são</p><p>dotados de filtros, evitando que gases tóxicos sejam lançados na atmosfera.</p><p>De qualquer forma, devido a aspectos técnicos, a incineração não é o tratamento</p><p>mais indicado para a maioria dos resíduos gerados e não é adequado à realidade das</p><p>cidades brasileiras. Algumas unidades de incineração estão sendo desativadas no</p><p>país por operarem precariamente, sem sistemas de tratamento adequado dos gases</p><p>emitidos. A incineração é um sistema complexo, que envolve milhares de interações</p><p>físicas e reações químicas. Além do dióxido de carbono e do vapor de água, outros</p><p>gases são produzidos, incluindo diversas substâncias tóxicas, como metais pesados</p><p>e outras. (IPT/Cempre, 2000).</p><p>Entre elas, destacam-se as dioxinas e os furanos, classificados como poluentes</p><p>orgânicos persistentes – POPs, que são tóxicos, cancerígenos, resistentes à</p><p>degradação e acumulam-se em tecidos gordurosos (humanos e animais). Esses</p><p>poluentes são transportados pelo ar, água e pelas espécies migratórias, sendo</p><p>depositados distante do local de sua emissão, onde se acumulam em ecossistemas</p><p>terrestres e aquáticos. Em decorrência dessas características, em setembro de 1998</p><p>a Environmental Protection Agency (EPA), a agência de proteção ambiental</p><p>americana, anunciou que não existe um nível “aceitável” de exposição às dioxinas.</p><p>Pirólise: Diferentemente da incineração, na pirólise a queima acontece em</p><p>ambiente fechado e com ausência de oxigênio.</p><p>Digestão Anaeróbica: É um processo baseado na degradação biológica, com</p><p>ausência de oxigênio e ambiente redutor. Neste processo há a formação de gases e</p><p>líquidos. Este princípio é bastante utilizado em todo o mundo em aterros sanitários.</p><p>Reuso ou Reciclagem: Já implantados em vários municípios brasileiros, estes</p><p>processos baseiam-se no reaproveitamento dos componentes presentes nos resíduos</p><p>84</p><p>de forma a resguardar as fontes naturais e conservar o meio ambiente. Como todo</p><p>processo de tratamento produz um rejeito, isto é, um material que não pode ser</p><p>utilizado, a disposição final em aterros acaba sendo imprescindível para todo tipo de</p><p>tratamento. (ARRUDA; MARQUES; REIS, 2017).</p><p>Aterro sanitário: É um método de aterramento dos resíduos em terreno</p><p>preparado para a colocação do lixo, de maneira a causar o menor impacto ambiental</p><p>possível. Veja a seguir algumas das medidas técnicas empregadas para proteger o</p><p>meio ambiente:</p><p> O solo é protegido por uma manta isolante (chamada de geomembrana) ou</p><p>por uma camada espessa de argila compactada, impedindo que os líquidos</p><p>poluentes, lixiviados ou chorume, se infiltrem e atinjam as águas</p><p>subterrâneas;</p><p> São colocados dutos captadores de gases (drenos de gases) para impedir</p><p>explosões e combustões espontâneas, causadas pela decomposição da</p><p>matéria orgânica. Os gases podem ser queimados para evitar sua dispersão</p><p>na atmosfera;</p><p> É implantado um sistema de captação do chorume, para que ele seja</p><p>encaminhado a um sistema de tratamento;</p><p> As camadas de lixo são compactadas com trator de esteira, umas sobre as</p><p>outras, para diminuir o volume, e são recobertas com solo diariamente,</p><p>impedindo a exalação de odores e a atração de animais, como roedores e</p><p>insetos;</p><p> O acesso ao local deve ser controlado com portão, guarita e cerca, para evitar</p><p>a entrada de animais, de pessoas e a disposição de resíduos não autorizados.</p><p>85</p><p>Fonte: www.grupoescolar.com</p><p>Aterro controlado: O aterro controlado não é considerado uma forma</p><p>adequada de disposição de resíduos porque os problemas ambientais de</p><p>contaminação da água, do ar e do solo não são evitados, já que não são utilizados</p><p>todos os recursos de engenharia e saneamento que evitariam a contaminação do</p><p>ambiente. (ARRUDA; MARQUES; REIS, 2017).</p><p>Fonte: meioambiente.culturamix.com</p><p>86</p><p>No entanto, representa uma alternativa melhor do que os lixões, e se diferenciam</p><p>destes por possuírem a cobertura diária dos resíduos com solo e o controle de entrada</p><p>e saída de pessoas.</p><p>Unidades de segregação e/ou de compostagem: Essa forma de tratamento</p><p>prevê a instalação de um galpão para a separação (triagem) manual dos resíduos,</p><p>usualmente realizada em esteiras rolantes. Quando o município realiza a coleta</p><p>seletiva, os resíduos já chegam separados, isto é, materiais recicláveis separados dos</p><p>resíduos orgânicos.</p><p>Fonte: www.poa24horas.com.br</p><p>Entretanto, quando não existe esta separação nas residências, comércios etc.,</p><p>os sacos de lixo coletados na coleta convencional são encaminhados para a triagem,</p><p>onde os resíduos recicláveis são separados dos orgânicos. Neste último caso, a</p><p>separação é muito mais difícil porque os resíduos estão misturados, dificultando a</p><p>segregação e comprometendo a qualidade do composto orgânico produzido.</p><p>(ARRUDA; MARQUES; REIS, 2017).</p><p>No Brasil, o sistema de reciclagem e compostagem desvinculado da coleta</p><p>seletiva tem-se mostrado oneroso, pois além de exigir gastos elevados com muitos</p><p>funcionários e equipamentos, a separação do material orgânico do reciclável é muito</p><p>87</p><p>baixa. Por esta razão, a melhor alternativa é integrar as centrais de triagem e de</p><p>compostagem a um sistema de coleta seletiva, promovendo</p><p>a separação dos</p><p>materiais recicláveis e compostáveis na origem e a participação comunitária. Para que</p><p>a coleta seletiva seja realmente eficiente é necessária a mudança de hábito na</p><p>disposição e acondicionamento do lixo já na fonte geradora. Além dos benefícios</p><p>ambientais promovidos pela coleta seletiva e consequente destinação dos resíduos</p><p>para reciclagem e compostagem, podemos considerar também os benefícios de</p><p>inclusão social dos catadores, caso eles sejam os parceiros preferenciais na coleta</p><p>seletiva.</p><p>10 CULTURA E SUSTENTABILIDADE EM FOCO: A CULTURA DA</p><p>SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL</p><p>Desde quando emergiu no ambiente primitivo e sem o desenvolvimento do</p><p>intelecto, os primeiros grupos humanos pouco se diferenciavam dos outros animais,</p><p>pautando suas preocupações apenas na percepção dos meios de subsistência pela</p><p>alimentação e pela segurança física. Viviam submissos aos rigores do ambiente, pela</p><p>falta de habilidade para enfrentar as contingências da natureza e a competição com</p><p>muitas outras espécies animais até que conseguiram desenvolver as primeiras</p><p>estratégias de organização (FEITOSA, 2017).</p><p>Os primeiros rudimentos de intelectualidade potenciaram ao homem o sentido</p><p>de organização e de representação do espaço, que são marcos referenciais das</p><p>atividades humanas, ao longo do processo civilizatório. A evolução deste processo</p><p>registra o apogeu e o declínio de algumas comunidades, em diversos lugares e</p><p>através do tempo, permeados por algumas iniciativas ambientalmente racionais, que</p><p>perduraram e se notabilizaram por sua contribuição ao equilíbrio da natureza.</p><p>Inicialmente, atribuindo pouca importância coletiva aos problemas ambientais,</p><p>as primeiras reflexões no sentido de seu enfrentamento emergiram na percepção</p><p>individual de estudiosos mais conscientes de sua relação responsável com o futuro</p><p>do ambiente, no que respeita a extração de matéria-prima para a produção dos</p><p>recursos, mais ainda sem a ponderação de ações mitigadoras tão reivindicadas na</p><p>atualidade. Tais reflexões deram origem às primeiras reuniões setoriais e eventos</p><p>88</p><p>científicos de nível local e regional, para discutir a temática, os quais logo evoluíram</p><p>para a escala global.</p><p>Para além da discussão e aprovação dos instrumentos legais de educação</p><p>ambiental, normatização, fiscalização e ações coercitivas com grande volume de</p><p>estudos e relatórios de impacto ambiental produzido para atender as exigências da</p><p>legislação e recolhidos em acervos documentais cujas recomendações vêm sendo</p><p>negligenciadas por falta de interesse ou de meios materiais. No âmbito da percepção</p><p>individual, merece destaque.</p><p>10.1 Ambiente, Cultura e Sustentabilidade</p><p>Emergindo da natureza, o homem se aproveita dos recursos por ela oferecidos,</p><p>como todos os seres vivos mais evoluídos, para prover sua subsistência e abrigo.</p><p>O processo de desenvolvimento do homem evidencia etapas que permitem</p><p>caracterizar suas primeiras atividades, como: coleta, caça e pesca, domesticação de</p><p>animais e de plantas, as quais, praticadas por pequenos grupos de indivíduos e com</p><p>incipiente emprego da técnica, não constituíram causa de impactos significativos à</p><p>natureza. Contudo, evidenciam o início dos processos culturais cujo percurso resultou</p><p>na diversidade atual, tão bem fragmentada, analisada e valorizada (FEITOSA, 2017).</p><p>Com a Revolução Industrial, no século XVIII, o incremento das atividades da</p><p>agricultura, da pecuária e mineração modernas, para atender as demandas das</p><p>populações urbanas e de matérias-primas para as indústrias, acelerou a frequência e</p><p>a magnitude dos impactos das atividades humanas sobre o ambiente natural, de cujo</p><p>processo emergiram as primeiras preocupações com a natureza, mediante a</p><p>perspectiva de esgotamento dos recursos pela superação dos limiares de equilíbrio</p><p>do ambiente natural.</p><p>Ações decorrentes das conferências citadas motivaram a construção de uma</p><p>agenda ambiental cuja culminância resultou na Rio-92 e na Rio+20 com protocolos</p><p>internacionais e documentos diversos, como a Agenda 21, instrumento para orientar</p><p>a cooperação de governos, empresas, organizações não-governamentais e a</p><p>sociedade em geral, em âmbito global, nacional e local e nas instâncias de</p><p>planejamento e gestão socioambiental.</p><p>89</p><p>As ações do homem no ambiente, praticadas por determinado grupo em um</p><p>tempo e lugar delimitados, constitui a Cultura daquele segmento da humanidade em</p><p>sua totalidade, representada por todas as manifestações individuais e coletivas que</p><p>expressam aptidão, conhecimento, comportamento, costumes e crenças.</p><p>10.2 Cultura, produto do desenvolvimento do homem</p><p>Emergindo da natureza, as primeiras manifestações culturais do homem</p><p>expressaram suas ações e reações praticadas para subsistir ao embate com os</p><p>rigores da natureza e com os animais para adquirir aptidão e conhecimento, ainda que</p><p>incipiente, o instrumental necessário à mudança de comportamento para a superação</p><p>dos obstáculos. Em estágio mais evoluído, identifica-se a elaboração de artefatos para</p><p>maior eficiência nas atividades de coleta, pesca, caça, criação de animais e</p><p>agricultura, seguindo-se a representação espacial dos elementos do seu universo</p><p>conhecido através da arte rupestre e dos processos audíveis (FEITOSA, 2017).</p><p>Na atualidade, muitas ciências expressam compreensão própria sobre o</p><p>conceito e definição de cultura, notadamente as ciências sociais, filosofia e</p><p>antropologia e geografia, ainda que se identifiquem pequenas diferenciações por</p><p>vezes frutos da variação semântica. Nesse contexto, merece relevo a valorização e</p><p>proteção da cultura popular e da cultura patrimonial, aplicada ao ambiente, mesmo</p><p>que com motivação focada na geração de renda.</p><p>10.3 A Cultura da Sustentabilidade Ambiental</p><p>A concepção de sustentabilidade ambiental vem sendo introduzida na rotina</p><p>diária do coletivo das pessoas como um apelo para a solução de uma crise que as</p><p>afeta, mas que elas, individualmente, sabem que não deram causa, e para o resgate</p><p>de uma condição ambiental que a grande maioria não sabe ter perdido, ou mesmo se</p><p>existiu. Contudo, embora a postura das pessoas possa parecer alienação em relação</p><p>a um problema que as afeta no dia-a-dia, é resultado da falta de educação formal com</p><p>qualidade ou mesmo de instrução.</p><p>Uma pequena parcela do coletivo de pessoas, tendo recebido educação formal</p><p>ou instrução com qualidade em relação aos problemas ambientais, tem conhecimento</p><p>destes, mas não os incorpora em nível consciente e não os interpreta como motivação</p><p>90</p><p>para uma mudança séria de valores e atitudes em relação ao ambiente. Neste caso,</p><p>afigura-se certa alienação em relação aos apelos por não terem contribuído para dar</p><p>causa aos problemas.</p><p>O despertar da crise ambiental responsabilizou o crescimento econômico com</p><p>foco no sistema industrial e deflagrou uma série de ações para equacionar os</p><p>problemas identificados através de controles instituídos na legislação e criação de</p><p>normas específicas. Dentre as principais ações neste sentido, referimos a criação do</p><p>PNUMA, cujas ações serviram de base para as políticas públicas ambientais a nível</p><p>nacional (FEITOSA, 2017).</p><p>Considerando todos os esforços despendidos e recursos investidos em</p><p>Educação Ambiental ao longo dos últimos 40 anos, ainda não se observam resultados</p><p>que indiquem uma mudança efetiva dos valores e atitudes dos indivíduos quanto à</p><p>prática sistemática de ações sustentáveis, mas apenas aquisição de informações</p><p>dispersas sobre a necessidade de preservar o “meio ambiente”.</p><p>A importância da cultura para a sustentabilidade ambiental vem sendo pontuada</p><p>por sua influência no fortalecimento dos grupos sociais e para agregar valor às</p><p>variadas expressões e manifestações, fato que contribui para a melhoria das</p><p>condições econômicas, sociais e ambientais. O reconhecimento desta possibilidade</p><p>tornou-se mais visível com o lançamento do livro Cultura: o 4º Pilar da</p><p>em pauta a discussão da educação ambiental como um processo dialético de</p><p>reconhecimento de valores e classificação de conceitos, na busca de adoção de novos</p><p>padrões de atitudes.</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>5</p><p>Imagem: Conferência de estolcomo</p><p>Fonte: www.profes.com.br</p><p>A Assembleia Geral das Nações Unidas com base na resolução n° 57/254</p><p>instituiu a “Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento</p><p>Sustentável” (2005-2014) com o propósito de estimular estratégias articuladas que</p><p>permitissem à educação respostas às crises ambiental, social e econômica. Criaram-</p><p>se assim condições que encorajaram os Estados-membros da ONU (entre eles o</p><p>Brasil) a promoverem a integração dos valores do desenvolvimento sustentável em</p><p>todas as formas de aprendizagem, abrindo perspectivas de diálogo entre os parceiros</p><p>empenhados e com responsabilidades na construção de sociedades mais</p><p>equilibradas ambiental, social e economicamente (IATO, et al, 2014).</p><p>Segundo Barreto & Vilaça, (2018), atualmente a educação ambiental é</p><p>frequentemente complementada com ‘para a sustentabilidade’, sendo um tema</p><p>relevante e prioritário nas discussões de diversas instituições governamentais e não</p><p>governamentais. Assim a Educação para o Desenvolvimento Sustent��vel (EDS) traz</p><p>consigo elementos complementares àquela visão de EA apenas sob a vertente</p><p>ambiente, aproximando da discussão elementos como sociedade e economia.</p><p>Neste contexto, a disciplina de Educação e Desenvolvimento Sustentável</p><p>pretende preparar o futuro Técnico Superior de Educação para o diagnóstico de</p><p>problemas econômicos sociais e ambientais, bem como para a análise de ações</p><p>6</p><p>educativas capazes de minorá-los e ou evitá-los, de uma forma sustentada (LEITE &</p><p>DOURADO, 2015).</p><p>Para dar cumprimento a esse propósito, um dos objetivos do programa da</p><p>disciplina requer a análise das diversas perspectivas sobre EA e EDS, bem como a</p><p>análise dos significados desses conceitos e das suas inter-relações, uma vez que,</p><p>como já mencionado, não existe consenso absoluto sobre esse assunto.</p><p>2.1 O Capítulo 36 da Agenda 21</p><p>A Agenda 21 entendeu a "Promoção do treinamento" como um dos instrumentos</p><p>mais importantes para desenvolver recursos humanos e facilitar a transição para um</p><p>mundo mais sustentável, devendo ser dirigido a profissões determinadas e visar</p><p>preencher lacunas no conhecimento e nas habilidades que ajudarão os indivíduos a</p><p>achar emprego e a participar de atividades de meio ambiente e desenvolvimento.</p><p>Segundo a Agenda 21, ao mesmo tempo, os programas de treinamento devem</p><p>promover uma consciência maior das questões de meio ambiente e desenvolvimento</p><p>como um processo de aprendizagem de duas mãos. A "Promoção de treinamento"</p><p>tem os seguintes objetivos:</p><p>1) Estabelecer ou fortalecer programas de treinamento vocacional que atendam</p><p>às necessidades de meio ambiente e desenvolvimento com acesso assegurado a</p><p>oportunidades de treinamento, independentemente de condição social, idade, sexo,</p><p>raça ou religião;</p><p>2) Promover uma força de trabalho flexível e adaptável, de várias idades, que</p><p>possa enfrentar os problemas crescentes de meio ambiente e desenvolvimento e as</p><p>mudanças ocasionadas pela transição para uma sociedade sustentável;</p><p>3) Fortalecer a capacidade nacional, particularmente no ensino e treinamento</p><p>científicos, para permitir que Governos, patrões e trabalhadores alcancem seus</p><p>objetivos de meio ambiente e desenvolvimento e facilitar a transferência e assimilação</p><p>de novas tecnologias e conhecimentos técnicos ambientalmente saudáveis e</p><p>socialmente aceitáveis;</p><p>4) Assegurar que as considerações ambientais e de ecologia humana sejam</p><p>integradas a todos os níveis administrativos e todos os níveis de manejo funcional,</p><p>tais como marketing, produção e finanças.</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>7</p><p>A partir da publicação do relatório Nosso futuro comum, produzido pela</p><p>Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Cmmad), a expressão</p><p>desenvolvimento sustentável passou a ser difundida e tornou-se popular, com a</p><p>Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (Cnumad),</p><p>realizada no Rio de Janeiro, em 1992 (BARBIERI e SILVA, 2011).</p><p>A Agenda 21, documento aprovado durante a Conferência do Rio de Janeiro, é</p><p>um programa de ação abrangente para guiar a humanidade em direção a um</p><p>desenvolvimento que seja ao mesmo tempo socialmente justo e ambientalmente</p><p>sustentável. Ela é constituída por 40 capítulos, dedicados às diversas questões sociais</p><p>e ambientais de caráter planetário (erradicação da pobreza, proteção da atmosfera,</p><p>conservação da biodiversidade etc.); ao fortalecimento dos principais grupos de</p><p>parceiros para implantar as ações recomendadas (ONGs, governos locais,</p><p>comunidade científica e tecnológica, sindicatos, indústria e comércio etc.); e aos meios</p><p>de implementação, como mecanismos financeiros, desenvolvimento científico e</p><p>tecnológico, cooperação internacional e a promoção do ensino.</p><p>Após a Eco-92, merecem menção, na discussão das ideias da educação</p><p>ambiental, o "Congresso Mundial para Educação e Comunicação sobre Meio</p><p>Ambiente e Desenvolvimento", Toronto, Canadá (1992) e o "I Congresso Ibero-</p><p>americano de Educação Ambiental: uma estratégia para o futuro", Guadalajara,</p><p>México (1992), que se manifestaria em sequência, nos seguintes eventos: "II</p><p>Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental: em busca das marcas de Tbilisi",</p><p>Guadalajara, México (1997); "III Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental:</p><p>povos e caminhos para o desenvolvimento sustentável", Caracas, Venezuela (2000);</p><p>"IV Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental: um mundo melhor é</p><p>possível", Havana, Cuba (2003) e "V Congresso Ibero-americano de Educação</p><p>Ambiental", Joinville, Brasil (2006).</p><p>A promoção do ensino está presente em praticamente todas as áreas e nos</p><p>programas da Agenda 21. Além disso, o Capítulo 36 é inteiramente dedicado à</p><p>promoção do ensino, da conscientização pública e do treinamento. Embora conste em</p><p>seu preâmbulo que as recomendações da Conferência de Tbilisi ofereceram os</p><p>princípios fundamentais desse capítulo, uma análise de seu texto mostra que ele foi</p><p>muito mais influenciado pela Conferência Mundial do Ensino para Todos para a</p><p>Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizado, realizada em Jomtien,</p><p>8</p><p>Indonésia, em 1990. Com efeito, apenas uma única menção foi feita à EA em todo o</p><p>texto do Capítulo 36. Esse fato mostra uma mudança de trajetória no âmbito das</p><p>conferências intergovernamentais promovidas pela ONU e nos documentos</p><p>produzidos por elas. A Declaração de Jomtien reafirma a ideia da educação como um</p><p>direito fundamental de todos, mulheres e homens, de todas as idades, no mundo</p><p>inteiro, e que pode contribuir para conquistar um mundo mais seguro, mais sadio, mais</p><p>próspero e ambientalmente mais puro, ao mesmo tempo que favoreça o progresso</p><p>social, econômico e cultural, a tolerância e a cooperação internacional. A Declaração</p><p>reconhece que uma educação básica adequada é fundamental para fortalecer os</p><p>níveis superiores de ensino, a formação científica e tecnológica e, por conseguinte,</p><p>para alcançar um desenvolvimento autônomo. A educação básica é considerada, de</p><p>modo amplo, como satisfação das necessidades de aprendizagem ao longo de toda</p><p>a vida para todos (UNESCO, 1990).</p><p>A Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CDS) foi criada em 1992 para</p><p>acompanhar e avaliar a implantação das áreas de programas e atividades</p><p>recomendadas pela Agenda 21 e a cooperação internacional relacionada com elas. A</p><p>coordenação das atividades do Capítulo 36 da Agenda ficou a cargo da Unesco, que</p><p>promoveu uma iniciativa internacional denominada Educação para o Futuro</p><p>Sustentável (EPS), em 1994, com o propósito de reforçar os objetivos, as propostas e</p><p>as recomendações constantes nesse</p><p>Sustentabilidade (no qual se destaca a importância da cultura para o resgate dos</p><p>costumes e tradições e o conhecimento do passado como indicador de perspectiva</p><p>do futuro).</p><p>No plano de ação do indivíduo, todas as suas manifestações expressam a cultura</p><p>apreendida como produto das experiências vividas nos meios em que atuou de modo</p><p>ativo ou passivo. Mediante os apelos da cultura da sustentabilidade ambiental em</p><p>cumprimento à responsabilidade de cada indivíduo neste processo, tais</p><p>manifestações podem denotar o cultivo consciente e disciplinado de atitudes e valores</p><p>ambientais nos aspectos objetivos e subjetivos. Um exemplo a ser copiado, um</p><p>modelo a ser seguido.</p><p>10.4 Técnicas para Elaboração e Avaliação de Projetos Sustentáveis</p><p>O Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, tem como</p><p>finalidade chamar a atenção de todas as esferas da população para os problemas</p><p>91</p><p>ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais. A data foi</p><p>instituída na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em</p><p>1972.</p><p>Dentre os principais problemas que afetam o meio ambiente, podemos destacar</p><p>o descarte inadequado de lixo, a falta de coleta seletiva e de projetos de reciclagem,</p><p>consumo exagerado de recursos naturais, desmatamento, uso de combustíveis</p><p>fósseis, desperdício de água e esgotamento do solo. Esses problemas e outros</p><p>poderiam ser evitados se todas as esferas da sociedade se conscientizassem da</p><p>importância do uso correto e moderado dos nossos recursos naturais.</p><p>A pesar de parecer uma tarefa difícil, o meio ambiente pode ser ajudado com</p><p>medidas individuais bastante simples de sustentabilidade. Se cada um fizer sua parte,</p><p>podemos garantir um futuro mais promissor para as gerações futuras. E o papel da</p><p>escola nessa tarefa é fundamental. (ARRUDA; MARQUES; REIS, 2017).</p><p>10.4.1 Criação de Horta na Escola</p><p>A construção de uma horta escolar é uma forma dos alunos compreenderem</p><p>mais sobre como a terra fornece o alimento e a importância de cuidar do solo. A horta</p><p>pode se expandir para um projeto comunitário, educar os outros e permitir que a</p><p>comunidade escolar tenha a oportunidade de trabalhar junta.</p><p>Fonte: www.palmas.to.gov.br</p><p>92</p><p>A escola é um ambiente importante para o desenvolvimento do indivíduo como</p><p>um todo. É papel da escola propiciar a emancipação do indivíduo, ou seja, fornece a</p><p>ele ferramentas que os tornem responsáveis e capazes de contribuir e resolver</p><p>questões sociais. Também é importante que a escola favoreça as relações do</p><p>educando com o meio ambiente onde vive. Pois este contato com o ambiente natural</p><p>pode despertar a consciência das pessoas para o fato que os recursos naturais são</p><p>finitos (ARRUDA; MARQUES; REIS, 2017).</p><p>O desenvolvimento de projetos no ambiente escolar, que abordem a temática</p><p>ambiental, tem grande importância para promover este contato ser humano-natureza.</p><p>Ultrapassando assim a barreira da teoria somente. Um exemplo de projetos desta</p><p>natureza é a construção de hortas no ambiente escolar. A construção de uma horta</p><p>proporciona diversos benefícios para os envolvidos no processo. Com a confecção da</p><p>horta, o estudante tem possibilidade de aprender a plantar, selecionar o que plantar,</p><p>planejar o que plantou, transplantar mudas, regar, cuidar, colher, decidir o que fazer</p><p>do que colheu. É importante que o educando participe ativamente de todas as etapas</p><p>deste processo, pois assim estes se sentem estimulados e corresponsáveis pelo</p><p>projeto.</p><p>Compostagem demonstra os processos da natureza de decomposição,</p><p>transformando resíduos orgânicos em novo solo, permitindo que os alunos se</p><p>familiarizem com o ciclo de nutrientes. Os alunos podem construir com o adubo para</p><p>uso no pátio da escola a ser preenchido com jardim e restos de comida.</p><p>10.4.2 Programa de Reciclagem</p><p>A maioria dos resíduos da sociedade é composta por papel e programas de</p><p>reciclagem devem tentar lidar com todos os tipos possíveis. As escolas podem criar</p><p>contentores de reciclagem nas salas de aula, escritórios, salões e refeitório para</p><p>coletar resíduos. Pode-se também envolver a comunidade, pedindo doação de</p><p>materiais recicláveis para serem trabalhados dentro da escola.</p><p>10.4.3 Projeto de Arborização</p><p>As árvores são partes importantes do ecossistema por fornecerem oxigênio,</p><p>protegerem o solo, fornecerem habitat animal e limparem o ar. O plantio de árvores</p><p>consiste em grande experiência prática de cuidar do meio ambiente e contribuir para</p><p>a comunidade local, além de fornecer habitat natural e de alimentos para animais. Um</p><p>93</p><p>projeto de plantação fornece a oportunidade para aprender sobre botânica e o papel</p><p>das árvores nos ecossistemas.</p><p>10.4.4 Uso Racional de Energia Elétrica</p><p>Disseminar conceitos básicos de uso eficiente e seguro da energia elétrica e</p><p>promover a conscientização da comunidade escolar para o seu uso racional. As</p><p>escolas podem criar iniciativas para transformar os alunos em agentes multiplicadores</p><p>do uso correto da energia elétrica dentro e fora da escola, para que seja compartilhado</p><p>com os familiares e a comunidade.</p><p>11 O MEIO AMBIENTE E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL</p><p>Na década de 1960, começaram os debates sobre a questão ambiental no Brasil.</p><p>A realização de encontros e congressos sobre o assunto fez surgir um embrionário</p><p>movimento ecológico organizado. Entretanto, efetivamente, foi na década de 1970 que</p><p>o governo federal direcionou sua atenção para os problemas de degradação</p><p>ambiental, com a criação de áreas protegidas - como os Parques Nacionais - e</p><p>punição aos infratores ambientais.</p><p>Em uma conjuntura de ―milagre econômico, quando o governo brasileiro</p><p>priorizava o crescimento econômico e a industrialização como condição de</p><p>desenvolvimento em detrimento da conservação e o uso racional de recursos naturais,</p><p>foram criadas as primeiras instituições e políticas públicas ambientais do país</p><p>(MARTINS, 2017).</p><p>Em 1999 foi editada a Lei n° 9.795, que dispõe sobre a Política Nacional de</p><p>Educação Ambiental e define as orientações políticas e pedagógicas deste tema</p><p>transversal nos sistemas de ensino em âmbito nacional. A Lei preconiza que a</p><p>Educação Ambiental deve ser desenvolvida nos currículos das instituições de ensino</p><p>públicas e privadas, em todos os níveis de ensino e de forma interdisciplinar.</p><p>Com todo um aparato legal, a Educação Ambiental vai se disseminando e se</p><p>tornando uma realidade nos bancos escolares do Brasil. Todavia, como cuidar da vida</p><p>no planeta envolve diferentes concepções de sociedade, de educação e da relação</p><p>homem e a natureza. Concepções que se refletem no fazer pedagógico do professor.</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>94</p><p>E a respeito dessas concepções de educação e educação ambiental que o próximo</p><p>capítulo se propõe a refletir.</p><p>11.1 As Diferentes Concepções de Educação e de Educação Ambiental</p><p>Desde que o vocábulo ― educação ambiental começou a ser utilizado no Brasil,</p><p>uma heterogeneidade de denominações surgiu para designar as diferentes</p><p>concepções epistemológicas que orientam a prática pedagógica: variando entre uma</p><p>abordagem conservacionista, que apregoa o uso racional dos recursos naturais e uma</p><p>adequação dos comportamentos individuais ao ponto de vista ambiental, até a EA</p><p>crítica, que propõe a compreensão das relações sociedade-natureza e uma</p><p>consequente intervenção nos problemas e conflitos ambientais. Tais concepções</p><p>norteiam o fazer pedagógico de formas diversas. Com visões de mundo e objetivos</p><p>bem diferenciados, as diferentes denominações vão demarcando as fronteiras</p><p>internas do campo da educação ambiental (MARTINS, 2017).</p><p>As concepções de educação norteiam, de formas diversas, a prática educativa.</p><p>Para que ocorra aprendizagem, na abordagem histórico-cultural, é necessária a</p><p>mediação cultural. Assim, a Educação Ambiental necessita transcender os aspectos</p><p>puramente biológicos, de forma que tenha um alcance social desde</p><p>o seu conceito até</p><p>a prática pedagógica.</p><p>11.2 Olhares e Práticas diferenciadas na Educação Ambiental</p><p>A concepção que se tem de Educação Ambiental está intimamente relacionada</p><p>à representação que um indivíduo e, sobretudo, um grupo possui de meio ambiente.</p><p>Por se tratar de termo passível de múltiplas significações, o conceito tem suscitado</p><p>inúmeras discussões.</p><p>Os PCN – Meio Ambiente – 3º e 4º ciclos (1988), no anexo III, orienta o professor</p><p>com relação a noções básicas referentes à questão ambiental. Dentre elas, a definição</p><p>de meio ambiente:</p><p>95</p><p>[...] o termo “meio ambiente" tem sido utilizado para indicar um “espaço” (com</p><p>seus componentes bióticos e abióticos e suas interações) em que um ser vive</p><p>e se desenvolve, trocando energia e interagindo com ele, sendo transformado</p><p>e transformando-o. No caso do ser humano, ao espaço físico e biológico</p><p>soma-se o “espaço” sociocultural. Interagindo com os elementos do seu</p><p>ambiente, a humanidade provoca tipos de modificação que se transformam</p><p>com o passar da história. E, ao transformar o ambiente, o homem também</p><p>muda sua própria visão a respeito da natureza e do meio em que vive.</p><p>(PCNs,2001, p.31-32).</p><p>Assim, a questão ambiental integra processos tanto de ordem física como social,</p><p>superando, dessa forma, uma concepção reducionista de ambiente.</p><p>É num campo novo do conhecimento, com inúmeras formas de concepção e</p><p>significação do meio ambiente, onde natureza e cultura se articulam e que a Educação</p><p>Ambiental avança na construção de seu objeto de estudo (MARTINS, 2017).</p><p>11.3 A construção do campo educativo-ambiental e o compromisso com a</p><p>sociedade</p><p>A presença da educação ambiental nas licenciaturas é a extensão do processo</p><p>de retradução da crise ambiental no campo acadêmico na forma de problemática</p><p>ambiental.</p><p>Ao abordar a origem do conceito de campo, Bourdieu afirma que ele foi</p><p>elaborado para resolver um problema colocado pela explicação da produção dos bens</p><p>simbólicos na sociedade. A produção cultural, na qual se incluem a ciência e o</p><p>conhecimento ambiental, se explica pela articulação entre o seu conteúdo, na forma</p><p>de auto explicação – uma obra se explica por si só – e as suas determinações sociais.</p><p>Neste sentido, o campo é um espaço relativamente autônomo, com leis próprias,</p><p>ainda que na produção ele se constitua em função das pressões e solicitações</p><p>externas a ele, por exemplo, aquelas colocadas pela questão ambiental à formação</p><p>acadêmica.</p><p>Numa sociedade complexa em que a organização do trabalho e as relações</p><p>sociais estão sofrendo profundas alterações, a escola e o professor têm uma árdua</p><p>missão: responder às demandas dessa sociedade sem perder a sua função primordial</p><p>que é a de ensinar. Na chamada ― era do conhecimento, da comunicação midiática,</p><p>formar um aluno que se adapte às exigências de um mundo cada vez mais científico</p><p>e tecnológico e que seja capaz de transformar a realidade em que vive é tarefa que a</p><p>sociedade delega a escola e, principalmente, ao professor.</p><p>96</p><p>Ao novo currículo, além das áreas do conhecimento tradicionais, foram</p><p>incorporadas questões sociais da vida real, contemporâneas, que estão sendo</p><p>debatidos nas famílias, nas comunidades, nas igrejas, na mídia e necessitam serem</p><p>discutidos dentro das escolas. É neste contexto que a inclusão de projetos de EA é</p><p>realizada nas escolas.</p><p>Em face dessa complexidade, a escolha dos procedimentos metodológicos não</p><p>é fácil. Investigar os projetos de Educação Ambiental, na educação formal, requer a</p><p>imersão num espaço contraditório e complexo que é a escola. E, mais</p><p>especificamente, abordar esse tema sob a ótica do professor é desafiador. O</p><p>professor pensa e age circunstanciado por suas representações, crenças,</p><p>sentimentos e valores e torna-se difícil compreender seus comportamentos sem</p><p>vivenciar o contexto onde a prática educativa se realiza que é a escola. Daí a</p><p>necessidade da aproximação do pesquisador com o contexto da pesquisa.</p><p>Acompanhar de perto os movimentos, as expressões e as mensagens, muitas vezes</p><p>subjetivas, permite uma melhor compreensão da realidade, identificando práticas que</p><p>vão além das aparências.</p><p>Os princípios da Epistemologia Qualitativa – denominação dada à pesquisa</p><p>qualitativa por González Rey - possuem uma estreita relação com a subjetividade. O</p><p>autor enfatiza que a subjetividade está constituída tanto no sujeito, como nos</p><p>diferentes espaços sociais em que ele se relaciona. Os diferentes espaços de uma</p><p>sociedade estão estreitamente relacionados entre si, assim como suas implicações</p><p>subjetivas. É a subjetividade social que se apresenta nas representações sociais, nos</p><p>mitos, nas crenças, na moral, na sexualidade, nos diferentes espaços em que se vive</p><p>e está atravessada pelos discursos e produções de sentido que configuram sua</p><p>organização subjetiva na obra citada.</p><p>Assim, entende-se que para melhor compreensão das ações pedagógicas dos</p><p>professores envolvidos nos projetos de EA da rede pública de ensino é importante</p><p>observar e analisar os aspectos subjetivos – tanto individuais quanto sociais – que</p><p>participam no processo de formação do professor. Em sua prática pedagógica, ele</p><p>pensa e age apoiado em conhecimentos que estão sendo produzidos nos variados</p><p>espaços em que se relaciona. Daí a importância das relações Inter e intrapessoais</p><p>que o professor estabelece no seu processo de formação (ARRUDA; MARQUES;</p><p>REIS, 2017).</p><p>97</p><p>Além da formação ofertada nas instituições de ensino superior, outros espaços</p><p>dentro do campo acadêmico são ocupados por esse conhecimento, tais como eventos</p><p>e publicações científicas, indicando que ele tem conseguido fazer “triunfar</p><p>argumentos, demonstrações e refutações” de acordo com as regras do campo.</p><p>Contudo, ainda são “focos” que não garantem a sua vitória na disputa pelo poder no</p><p>campo. De certa forma, a imagem que mais se aproxima desta possibilidade tem sido</p><p>apresentada pelo discurso da ambientalização do Ensino Superior, na qual haveria.</p><p>(ARRUDA; MARQUES; REIS, 2017)</p><p>11.4 Educação Ambiental Popular</p><p>Depois da reunião do "Clube de Roma" em 1968 e da "Conferência das Nações</p><p>Unidas sobre o Meio Ambiente Humano" em Estocolmo em 1972, a problemática</p><p>ambiental passou a ser analisada na sua dimensão planetária. Nesta última</p><p>conferência, uma das resoluções indicadas no seu relatório final apontava para a</p><p>necessidade de se realizarem projetos de educação ambiental.</p><p>Em 1977, a UNESCO realizou em Tbilisi, URSS, a primeira Conferência Mundial</p><p>de Educação Ambiental, após a realização de inúmeras outras a nível regional, nos</p><p>diferentes continentes. Em 1987, em Moscou, foi realizada a segunda Conferência</p><p>Mundial que reafirmou os objetivos da educação ambiental indicados em Tbilisi.</p><p>Surgidos do consenso internacional, os objetivos da educação ambiental são:</p><p>Consciência: Ajudar os grupos sociais e os indivíduos a adquirirem uma</p><p>consciência e uma sensibilidade acerca do meio ambiente e dos problemas a ele</p><p>associados.</p><p>Conhecimento: Ajudar os grupos sociais e os indivíduos a ganharem uma</p><p>grande variedade de experiências.</p><p>Atividades: Ajudar os grupos sociais e os indivíduos a adquirirem um conjunto</p><p>de valores e sentimentos de preocupação com o ambiente e motivação para</p><p>participarem ativamente na sua proteção e melhoramento.</p><p>Competência: Ajudar os grupos sociais e os indivíduos a adquirirem</p><p>competências para resolver problemas ambientais.</p><p>Participação: Propiciar aos grupos sociais e aos indivíduos uma oportunidade</p><p>de se envolverem ativamente, em todos os níveis, na resolução de problemas</p><p>relacionados com o ambiente.</p><p>98</p><p>Esses elementos fundamentam experiências diversas em educação ambiental a</p><p>nível escolar e extraescolar. (ARRUDA; MARQUES; REIS, 2017).</p><p>Muito recentemente temos visto o surgimento do que tem sido chamado de</p><p>educação ambiental popular, no que o ICAE é um dos centros pioneiros na sua</p><p>divulgação e está implementando</p><p>uma política de realização. Onde então a educação</p><p>popular e a educação ambiental se encontram e se unem?</p><p>Nesta perspectiva de educação popular se incluem os objetivos da educação</p><p>ambiental, só que a primeira tem uma tradição pedagógica e política voltada para o</p><p>avanço das camadas populares. Avanço este que inclui melhores condições de vida,</p><p>democracia e cidadania. A opção política explícita da educação popular não se</p><p>encontra facilmente nos projetos de educação ambiental que têm sido realizados no</p><p>Brasil, em particular. Um estudo mais aprofundado sobre isso na América Latina, é</p><p>necessário ser feito. São também poucas as opções e projetos de educação ambiental</p><p>para as camadas populares, embora esta necessidade e reivindicação já tenham sido</p><p>apontadas em trabalhos que se situam nos limites da educação realizada em escolas</p><p>públicas de São Paulo (Reigota, 1987 e 1990).</p><p>A educação ambiental popular, no entanto, deverá ser realizada prioritariamente</p><p>com os movimentos sociais, associações e organizações ecológicas, de mulheres, de</p><p>camponeses, operários, de jovens, etc., procurando fornecer um salto qualitativo nas</p><p>suas reivindicações políticas, econômicas e ecológicas.</p><p>99</p><p>Fonte: tribunadoceara.uol.com.br</p><p>A sua realização possibilitará recuperar o potencial critico dos movimentos</p><p>ecológicos, que têm se caracterizado pelo conservadorismo, tecnocracismo, elitismo,</p><p>entre outros "ismos", assim como propiciar a participação social nas questões</p><p>ambientais das principais vítimas do modelo de desenvolvimento econômico, que</p><p>ignora as suas consequências sociais e ecológicas.</p><p>A educação ambiental popular terá certamente um papel importante nos</p><p>próximos anos, já que muito resta a fazer nos planos teórico e prático para atingirmos</p><p>uma melhor qualidade de vida, a democracia e a cidadania. O papel que a América</p><p>Latina tem e terá nos próximos anos, no debate internacional sobre o meio ambiente,</p><p>será de importância fundamental para estabelecimento de uma nova ordem</p><p>econômica e ecológica internacional. (ARRUDA; MARQUES; REIS, 2017)</p><p>11.5 Educação Ambiental Crítica</p><p>A “Educação Ambiental Crítica, transformadora ou Emancipatória é uma das</p><p>nomenclaturas existentes no Brasil que, atualmente, retratam um momento da</p><p>Educação Ambiental em que há a necessidade de se criar novos significados para a</p><p>percepção do papel do indivíduo no planeta e são fundamentais para vislumbrar os</p><p>diferentes posicionamentos político-pedagógicos. Nesse sentido, o Brasil abriga uma</p><p>100</p><p>rica discussão sobre as especificidades da Educação Ambiental Crítica na construção</p><p>de uma verdadeira sustentabilidade. O debate no Brasil sobre o novo papel da</p><p>Educação Ambiental é o que veremos ao longo desta seção (DE ANDRADE, 2016).</p><p>A complexidade ambiental emerge no mundo como um efeito das formas de</p><p>conhecimento, mas não se trata apenas de uma relação de conhecimento. Não é uma</p><p>biologia do conhecimento nem se resume a uma relação entre o organismo e seu</p><p>ambiente. A complexidade ambiental não surge das relações ecológicas, mas do</p><p>mundo levado pela cultura e transformado pela ciência, por um conhecimento objetivo,</p><p>fragmentado e especializado. A complexidade ambiental permite uma nova reflexão</p><p>sobre a natureza do ser, do saber e do conhecer e ainda sobre a hibridização do</p><p>conhecimento na interdisciplinaridade e na transdisciplinaridade (DE OLIVEIRA e</p><p>GUIMARÃES, 2014)</p><p>A Educação Ambiental Crítica enfatiza a educação enquanto processo</p><p>permanente, concreto e coletivo, pelo qual os indivíduos devem agir e refletir,</p><p>transformando a realidade de vida. Está focada nas pedagogias problematizadas do</p><p>cotidiano, no reconhecimento das diferentes necessidades, interesses e modos de</p><p>relações na natureza que definem os grupos sociais e o “lugar” ocupado por estes em</p><p>sociedade, como meio para se buscar novas sínteses que indiquem caminhos</p><p>democráticos, sustentáveis e justos para todos. Baseia-se no princípio de que as</p><p>certezas devem ser relativizadas com as críticas e autocríticas constantes e de que a</p><p>ação política é uma forma de se estabelecer movimentos emancipatórios e de</p><p>transformação social, que possibilitem o estabelecimento de novos patamares de</p><p>relações na natureza.</p><p>Designar a qualidade “Crítica” à Educação Ambiental, mesmo que para enfatizar</p><p>uma característica já presente, evidencia os vínculos existentes entre a Teoria Crítica</p><p>e a Educação Ambiental, o que pode significar dois movimentos simultâneos, mas</p><p>distintos: um refinamento conceitual, fruto do amadurecimento teórico do campo da</p><p>Educação Ambiental, mas também o estabelecimento de fronteiras de identidade</p><p>internas de ambos os conceitos. A Educação Ambiental em viés crítico, portanto,</p><p>versa sobre o encontro da educação ambiental com o pensamento crítico dentro do</p><p>campo educativo.</p><p>A partir da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, passando pelos referenciais</p><p>dos movimentos de Contracultura, construiu-se, assim, o conceito de Educação</p><p>Ambiental como Crítica no Brasil, preenchendo a visão convencional de Educação</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>101</p><p>Ambiental de sentido político e como ação política de transformação de relação de</p><p>seres humanos entre si e com o ambiente, seja ele natural ou social, com forte</p><p>influência do pensamento neomarxista, ou seja, do materialismo histórico e dialético.</p><p>A Educação Ambiental Crítica, desse modo, foi definida no Brasil a partir de uma</p><p>matriz que vê a educação como elemento de transformação social e movimento</p><p>integrado de mudança de valores e de padrões cognitivos.</p><p>No campo da educação e suas abordagens, a influência à Educação Ambiental</p><p>Crítica de maior destaque encontra-se na pedagogia inaugurada por Paulo Freire,</p><p>inserida no grupo das pedagogias libertárias e emancipatórias iniciadas na década de</p><p>1970 na América Latina, em seus diálogos com as tradições marxista e humanista</p><p>(DE ANDRADE, 2016).</p><p>Esta pedagogia se destaca pela ideia de que a educação deve ser tratada como</p><p>atividade social de aprimoramento do indivíduo pela aprendizagem e pelo agir,</p><p>atreladas aos mecanismos de transformação social, de ruptura com a sociedade</p><p>consumista e de formas alienadas de se viver. Concebe o indivíduo como um “ser</p><p>inacabado”, ou seja, em constante transformação, sendo por meio desse movimento</p><p>contínuo que o indivíduo passa a conhecer e a evoluir intelectualmente e, nessa</p><p>transformação, integra-se e se insere na sociedade, ampliando a consciência de</p><p>pertencimento ao mundo.</p><p>A Educação Ambiental Crítica, ao se inspirar nessas ideias que tomam a</p><p>educação como parte da construção da história e da personalidade do indivíduo,</p><p>acrescenta uma característica fundamental: propor a compreensão das relações</p><p>homem-natureza, a fim de que o indivíduo passe a atuar sobre os problemas e</p><p>conflitos ambientais. Desse modo, a proposta político-pedagógica da Educação</p><p>Ambiental Crítica seria a de estimular o pensamento crítico para que haja uma</p><p>mudança de valores e atitudes, contribuindo para a formação de um cidadão ecológico</p><p>e comunitário. É dar uma ótica subjetiva de ensinar, pautada em sensibilizar as</p><p>pessoas para questões solidárias em relação à comunidade e ao meio ambiente,</p><p>construindo bases para a formação de indivíduos e grupos sociais capazes de</p><p>identificar, questionar, criticar e atuar frente às questões socioambientais, dentro de</p><p>uma construção ética preocupada com a justiça ambiental (DE ANDRADE, 2016).</p><p>Outro relevante teórico que contribuiu como base de sustentação da Educação</p><p>Ambiental Crítica como uma nova proposta de ensino-aprendizagem, voltada à</p><p>construção de uma postura ético-política do indivíduo, é Boaventura de Sousa Santos,</p><p>102</p><p>que em sua Teoria da Emancipação busca não reduzir o real ao que existe, mas</p><p>enxergar possibilidades alternativas para além do que existe. Para o citado autor, a</p><p>realidade fática da modernidade não se pautou na cidadania plena e na</p><p>universalização</p><p>da liberdade e de direitos. Ao contrário, a lógica capitalista de</p><p>consumo, de concentração de renda e de utilização do máximo de riquezas naturais</p><p>em prol do progresso, somada a um ensino tradicional, reprodutor de ideias pré-</p><p>concebidas, retrai e desestimula as possibilidades de construção de um pensamento</p><p>crítico e de emancipação. Daí a necessidade de reinventar a forma de pensar a</p><p>educação ambiental, no sentido de voltar o pensamento para o futuro que queremos</p><p>e podemos construir em todos os contextos da vida humana e social.</p><p>11.6 A Metodologia Participativa como Ferramenta para a Educação Ambiental</p><p>Crítica</p><p>As metodologias participativas são as mais adequadas ao propósito da</p><p>Educação Ambiental Crítica, uma vez que a participação é um dos seus pressupostos</p><p>indissociáveis, pois permite que os indivíduos passem a questionar e a construir seus</p><p>próprios conceitos.</p><p>Participar, nesse passo, é promover a cidadania, entendida aqui como realização</p><p>do indivíduo enquanto agente de transformação de sua própria realidade. Para isso,</p><p>é preciso libertá-lo de condicionamentos políticos e econômicos e de reprodução de</p><p>conceitos pré-concebidos. No entanto, é importante destacar que um dos grandes</p><p>problemas da participação e, logo, de uma perspectiva emancipatória consiste no fato</p><p>de que vivemos em uma sociedade heterogênea e desigual. Ocorre, ainda, que as</p><p>pessoas se submetem a fatos e argumentos, por ignorância sobre o assunto ou por</p><p>não conseguir visualizar soluções concretas de melhorias para determinada questão</p><p>e, em diversos momentos, filiam-se a opiniões pré-concebidas e acabam se</p><p>identificando com elas, sem fazer qualquer juízo de valor. Por isso, é relevante que</p><p>qualquer informação recebida por um indivíduo se converta em conhecimento, não se</p><p>reduzindo ao simples acesso a elas. No processo educativo, a compreensão, a</p><p>reflexão e a inter-relação são fundamentais na formação de um cidadão e, desse</p><p>modo, a metodologia participativa propõe o estímulo à capacidade individual e coletiva</p><p>de construir argumentos e questões que possam ser incluídos na agenda pública (DE</p><p>ANDRADE, 2016).</p><p>103</p><p>Para que os educadores viabilizem a proposta da ação pedagógica da Educação</p><p>Ambiental Crítica, com o desenvolvimento de projetos que se voltem para além das</p><p>salas de aula, deve haver, inicialmente, uma internalização das práxis de um ambiente</p><p>educativo de caráter crítico. Sendo assim, acredita-se alcançar a efetiva inserção</p><p>política dos educadores no processo de transformação da realidade socioambiental,</p><p>ou seja, é necessário que primeiro os educadores promovam uma transformação</p><p>interna de pensamentos e atitudes para que depois estejam aptos a verdadeiramente</p><p>estimularem a construção deste processo nos seus alunos. Nesse processo</p><p>pedagógico, estar-se-á promovendo a formação da cidadania, na expectativa do</p><p>exercício de um movimento coletivo conjunto, gerador de mobilização para a</p><p>construção de uma nova sociedade ambientalmente sustentável.</p><p>11.7 O Saber Ambiental</p><p>Segundo Leff (2012), o saber ambiental carrega em si o caráter integrador,</p><p>problematizando o conhecimento fragmentado em disciplinas e administrado</p><p>setorialmente, visando constituir teorias e práticas voltadas para a rearticulação das</p><p>relações sociedade-natureza. Ainda segundo o autor, a partir da complexidade da</p><p>problemática ambiental e dos múltiplos processos que a envolvem, questionou-se a</p><p>compartimentalização do conhecimento disciplinar, incapaz de entendê-la e resolvê-</p><p>la.</p><p>O saber ambiental inclui a questão da diversidade cultural no conhecimento da</p><p>realidade, mas também o problema da apropriação de conhecimentos e saberes em</p><p>diferentes culturas e identidades étnicas. Ele não só produz um conhecimento</p><p>científico mais objetivo e abrangentes, mas também gera novas significações sociais,</p><p>novas formas de subjetividade e de posicionamento diante do mundo. Assim sendo,</p><p>o saber ambiental emerge como um processo de revalorização das identidades</p><p>culturais, das práticas tradicionais e dos processos de produção de diferentes</p><p>populações, abrindo num diálogo entre conhecimento e saber proporcionando um</p><p>encontro do tradicional com o moderno. O saber ambiental, portanto, reconhece as</p><p>identidades dos povos, suas cosmologias e seus saberes tradicionais como parte de</p><p>suas estratégias culturais para a apropriação de seu patrimônio de recursos naturais.</p><p>11.7.1 A Complexidade</p><p>104</p><p>A complexidade, dentre outros aspectos, é uma ideia que se contrapõe a</p><p>fragmentação, a simplificação e a redução do conhecimento que caracteriza o</p><p>paradigma dominante. (Reigota, 1987 e 1990)</p><p>A complexidade ambiental emerge no mundo como um efeito das formas de</p><p>conhecimento, mas não se trata apenas de uma relação de conhecimento. Não é uma</p><p>biologia do conhecimento nem se resume a uma relação entre o organismo e seu</p><p>ambiente. A complexidade ambiental não surge das relações ecológicas, mas do</p><p>mundo levado pela cultura e transformado pela ciência, por um conhecimento objetivo,</p><p>fragmentado e especializado. A complexidade ambiental permite uma nova reflexão</p><p>sobre a natureza do ser, do saber e do conhecer e ainda sobre a hibridização do</p><p>conhecimento na interdisciplinaridade e na transdisciplinaridade.</p><p>105</p><p>12 BIBLIOGRAFIA BÁSICA</p><p>CASCINO, Fabio. Educação ambiental: São Paulo: SENAC. 1999. DIAS, General</p><p>Freire. Educação ambiental: Princípios e práticas. 9.ed. São Paulo: Gaia. 2009.</p><p>PEDRINI, A.G. de (org.). 1998. Educação Ambiental - reflexões e prática</p><p>contemporâneas. RJ:Vozes. 2008.</p><p>KINDEL, Eunice Aita Isaia. Educação ambiental: Vários olhares e várias práticas.</p><p>2.ed. Porto Alegre: Mediação 2004.</p><p>BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR</p><p>CECONI, D. E. Diagnóstico e recuperação da mata ciliar da sanga Lagoão do Ouro</p><p>na microbacia hidrográfica do Vacacaí –Mirim, Santa Maria – RS, 2010.</p><p>GADOTTI, M. Pedagogia da Terra. Editora Peirópolis. 6º edição. São Paulo. 2009.</p><p>SACHS, Ignacy. Caminhos para o desenvolvimento sustentável. 2. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Garamond.2002.</p><p>GUERRA, Antônio José. Impactos ambientais urbanos no Brasil:.3. ed., Bertand.</p><p>Rio de Janeiro: 2006.</p><p>SÍLVIO, Gallo. Ética e cidadania: Caminhos da filosofia. São Paulo: PAPIRUS</p><p>EDITORA. 2003.</p><p>RUSCHEINSKY, A. Educação ambiental: abordagens múltiplas. 2.ed. Porto Alegre:</p><p>Penso, 2012.</p><p>capítulo e nas conferências mencionadas</p><p>(BARBIERI e SILVA, 2011).</p><p>Essa mudança de prioridade modificaria a atuação da Unesco e do Pnuma em</p><p>relação à EA. Tal mudança foi precedida pelo encerramento, em 1995, das atividades</p><p>do Piea, que havia sido criado como resultado da Conferência de Estocolmo, como já</p><p>mencionado. Em 1997, a Assembleia Geral da ONU, com base nessa avaliação da</p><p>CDS, adotou um programa para implantar a Agenda 21, na qual os temas do Capítulo</p><p>36 passaram a ter as prioridades citadas. Esse programa usa as expressões</p><p>educação para a sustentabilidade e educação para o futuro sustentável, cujos temas</p><p>centrais incluem, entre outros, a educação permanente, a educação interdisciplinar e</p><p>a educação multicultural.</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>9</p><p>3 A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO CRÍTICA AO DESENVOLVIMENTO</p><p>SUSTENTÁVEL: NOTAS SOBRE O MÉTODO</p><p>Segundo Leher (2016), a matriz discursiva dessa orientação é o</p><p>desenvolvimento sustentável que, a rigor, não é um conceito científico, mas,</p><p>sobretudo, uma ideologia penetrante e indispensável ao capital, em um contexto em</p><p>que os problemas socioambientais alcançam perigosa escala planetária e as</p><p>resistências se ampliam. Está fora de questão que a eficiência energética e o controle</p><p>dos resíduos avançaram de modo extraordinário nas últimas décadas, repercutindo</p><p>de modo positivo em determinados indicadores ambientais e em certos territórios.</p><p>Entretanto, é a lógica destrutiva do capital – materializada no desenvolvimento</p><p>desigual do capital nos territórios – que calibra a forma de consumo de energia, o</p><p>custo possível das mercadorias e define a escala de circulação das mesmas em</p><p>âmbito planetário.</p><p>A opção por um método que converte o Estado em unidade de análise bastante</p><p>em si inevitavelmente leva à reiteração da ordem e ao reforço da institucionalidade</p><p>vigente. Muitos estudos e pesquisas, ao focalizarem a análise interna desses</p><p>documentos, concluem que existe uma polarização nas concepções sobre a</p><p>problemática ambiental, como se houvesse um corte epistemológico entre o culto à</p><p>vida silvestre e o eco cientificismo. A rigor, os dois enfoques possuem pressupostos</p><p>comuns, conforme argumento adiante, ao examinar o Instituto.</p><p>Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis</p><p>IBAMA. Antes de seguir a análise, uma rápida explicitação dos termos é</p><p>necessária:</p><p> Culto à vida silvestre, orientação que busca se referenciar na ecologia –</p><p>políticas que em geral resultam na delimitação de parques e áreas de</p><p>preservação ambiental e da biodiversidade. Muitas dessas medidas são</p><p>patrocinadas por organizações não governamentais de âmbito mundial,</p><p>financiadas por corporações e, muito frequentemente, buscam regulamentar as</p><p>reservas a despeito de conflitos com os povos que nelas vivem.</p><p> Proposições ecocientificistas que argumentam que é possível corrigir o padrão</p><p>de acumulação do capital, melhorando a eficiência do uso dos recursos</p><p>10</p><p>naturais e aperfeiçoando os mecanismos técnicos de controle da</p><p>contaminação. Se valem de proposições como desenvolvimento sustentável,</p><p>modernização ecológica e indústrias verdes, validadas por selos de</p><p>sustentabilidade ambiental. Essas proposições poderiam ser implementadas,</p><p>na prática, por meio de impostos que levassem em consideração a variável</p><p>ambiental, o uso de mercados de permissão de emissões e pelo</p><p>desenvolvimento de tecnologias que economizassem energia e recursos</p><p>naturais, por meio de formas mais eficientes e complexas de reciclagem: a ideia</p><p>chave é a mitigação dos efeitos socioambientais da produção capitalista.</p><p>A matriz discursiva dessa orientação é o desenvolvimento sustentável que, a</p><p>rigor, não é um conceito científico, mas, sobretudo, uma ideologia penetrante e</p><p>indispensável ao capital, em um contexto em que os problemas socioambientais</p><p>alcançam perigosa escala planetária e as resistências se ampliam. Está fora de</p><p>questão que a eficiência energética e o controle dos resíduos avançaram de modo</p><p>extraordinário nas últimas décadas, repercutindo de modo positivo em determinados</p><p>indicadores ambientais e em certos territórios. Entretanto, é a lógica destrutiva do</p><p>capital – materializada no desenvolvimento desigual do capital nos territórios – que</p><p>calibra a forma de consumo de energia, o custo possível das mercadorias e define a</p><p>escala de circulação das mesmas em âmbito planetário. O exemplo da Articulação</p><p>Internacional dos Atingidos pela Vale é significativo. A coordenadora de iniciativas</p><p>populares existe, justamente, em virtude dos efeitos devastadores provocados pela</p><p>mineração da Vale em distintas partes do planeta. Produtos sofisticados,</p><p>ambientalmente certificados, estão inseridos em cadeias produtivas globais, que</p><p>contém nódulos que requerem despojo de populações e elevado custo</p><p>socioambiental. O pensamento ambiental eurocêntrico ignora isso (LEHER, 2016).</p><p>O desenvolvimento desigual do capitalismo, a circulação ampliada do capital e</p><p>os processos contra tendenciais frente à queda da taxa média de lucros explicam o</p><p>motivo porque, a despeito dos avanços tecnológicos do pós-II Guerra, os problemas</p><p>socioambientais agravaram-se de tal modo que a vida no planeta está sob ameaça,</p><p>conforme os relatórios e pesquisas realizadas no âmbito do Painel Intergovernamental</p><p>para a Mudança Climática - IPCC, na sigla em inglês, e sobretudo pela Conferência</p><p>Mundial dos Povos sobre o Câmbio Climático e os Direitos da Mãe Terra, realizado</p><p>na Bolívia, em 2010.</p><p>11</p><p>3.1 Construindo Consenso Sobre a EA (Educação Ambiental) associada ao</p><p>Desenvolvimento Sustentável</p><p>Após a Conferência de Estocolmo de 1972, a EA (Educação Ambiental) passou</p><p>a receber atenção especial em praticamente todos os fóruns relacionados com a</p><p>temática do desenvolvimento e do meio ambiente. Dela resultou a criação do</p><p>Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que viria a dividir com</p><p>a Unesco as questões relativas à EA no âmbito das Nações Unidas.</p><p>Foi estabelecido um plano de trabalho com 110 resoluções, e uma delas se</p><p>refere à necessidade de implantar a EA de caráter interdisciplinar com o objetivo de</p><p>preparar o ser humano para viver em harmonia com o meio ambiente (Resolução nº</p><p>96). Para cumprir essa resolução, a Unesco e o Pnuma criaram o Programa</p><p>Internacional de Educação Ambiental (Piea), com o objetivo de promover o</p><p>intercâmbio de ideias, informações e experiências em EA entre as nações de todo o</p><p>mundo, fomentar o desenvolvimento de atividades de pesquisa que melhorem a</p><p>compreensão e a implantação da EA, promover o desenvolvimento e a avaliação de</p><p>materiais didáticos, currículos, programas e instrumentos de ensino, favorecer o</p><p>treinamento de pessoal para o desenvolvimento da EA e dar assistência aos Estados</p><p>membros com relação à implantação de políticas e programas de EA (BARBIERI e</p><p>SILVA, 2011).</p><p>4 ALIANÇA MUNDIAL PELA SUSTENTABILIDADE</p><p>Em 2006, a Unesco criou um grupo de referência para subsidiar a Secretaria da</p><p>Década com insumos conceituais e estratégias. A Secretaria da Unesco para a</p><p>Década, com base em estudos e pesquisas sobre a educação para o desenvolvimento</p><p>sustentável (EDS), está produzindo materiais educativos para a formação necessária</p><p>para facilitar a emergência de uma reforma educacional que inclua a sustentabilidade</p><p>como princípio e diretriz e que nos conduza a uma nova qualidade do ensino-</p><p>aprendizagem. O Grupo de Referência da Década da Unesco tem como orientação</p><p>básica cinco estratégias:</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>12</p><p> estabelecer os princípios para uma grande aliança mundial pela</p><p>sustentabilidade, governamental e não governamental;</p><p> concretamente, iniciar pela criação e acompanhamento dos trabalhos das</p><p>comissões nacionais da Década;</p><p> criar centros de referência em diferentes partes do mundo para fomentar a</p><p>discussão, a pesquisa e a intervenção na EDS;</p><p> estabelecer estreita ligação com outras iniciativas</p><p>e décadas da ONU, tais</p><p>como: Década da Alfabetização, Educação para Todos, HIV/Aids e os</p><p>Objetivos do Milênio;</p><p> estabelecer uma estratégia de comunicação e informação fortemente</p><p>ancorada nas novas tecnologias e, particularmente, na internet.</p><p>4.1 A Década no Contexto da Globalização</p><p>A globalização, impulsionada pela tecnologia, parece determinar cada vez mais</p><p>nossas vidas. As decisões sobre o que nos acontece no dia-a-dia parecem nos</p><p>escapar, por serem tomadas muito distante de nós, comprometendo nosso papel de</p><p>sujeitos na história. Mas não é bem assim. Como fenômeno, como processo, a</p><p>globalização é irreversível. Mas não esse tipo de globalização, esse modelo de</p><p>globalização, o “globalista” (Ianni, 1996) ao qual estamos submetidos hoje: a</p><p>globalização capitalista. Seus efeitos mais imediatos são o desemprego, o</p><p>aprofundamento das diferenças entre os poucos que têm muito e os muitos que têm</p><p>pouco, a perda de poder e de autonomia de muitos estados e nações. Há, pois, que</p><p>distinguir os países que hoje comandam a globalização – os globalizadores (países</p><p>ricos) – dos países que sofrem a globalização – os globalizados (pobres) (GADOTTI,</p><p>2008).</p><p>Dentro deste complexo fenômeno, pode-se distinguir também a globalização</p><p>econômica, realizada pelas transnacionais, da globalização da cidadania. Ambas se</p><p>utilizam da mesma base tecnológica, mas com lógicas opostas.</p><p>4.2 Uma Grande Oportunidade para os Sistemas de Ensino</p><p>A Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável se constitui numa</p><p>grande oportunidade para a renovação dos currículos dos sistemas formais de</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>13</p><p>educação. O apelo do documento das Nações Unidas é, sobretudo, para os “Estados</p><p>membros”. O documento resgata a história de lutas por uma cultura da</p><p>sustentabilidade, desde Estocolmo (1972), passando pelo Nosso Futuro Comum</p><p>(1987), pela Rio-92, pelo Fórum de Educação de Dakar (2000) e pelos Objetivos do</p><p>Milênio (2002).</p><p>A Década representa um meio de implementação do capítulo 36 da Agenda 21,</p><p>buscando reorientar e potencializar políticas e programas educativos já existentes</p><p>como o da educação ambiental e iniciativas como a da Carta da Terra. O capítulo 36</p><p>da Agenda 21 enfatiza que a educação é um “fator crítico” para promover o</p><p>desenvolvimento sustentável e para desenvolver a capacidade das pessoas no que</p><p>se refere às questões do meio ambiente e do desenvolvimento. O mesmo capítulo</p><p>identifica quatro desafios básicos para implementar uma EDS: melhorar a educação</p><p>básica, reorientar a educação existente para alcançar o desenvolvimento sustentável,</p><p>desenvolver a compreensão pública, o conhecimento e a formação (GADOTTI, 2008).</p><p>A educação para o desenvolvimento sustentável, apesar de sua ambiguidade, é</p><p>uma visão positiva do futuro da humanidade, um consenso apoiado por uma grande</p><p>maioria. Com o aquecimento global, a Década tornou-se ainda mais atual, e pode</p><p>contribuir para a compreensão das grandes crises atuais (água, alimento, energia</p><p>etc.).</p><p>5 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: CONCEITOS, SIGNIFICADOS E</p><p>INTERPRETAÇÕES</p><p>O termo “desenvolvimento sustentável” surgiu a partir de estudos da</p><p>Organização das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, como uma resposta</p><p>para a humanidade perante a crise social e ambiental pela qual o mundo passava a</p><p>partir da segunda metade do século XX. Na Comissão Mundial para o Meio Ambiente</p><p>e o desenvolvimento (CMMAD), também conhecida como Comissão de Brundtland,</p><p>presidida pela norueguesa Gro Haalen Brundtland, no processo preparatório a</p><p>Conferência das Nações Unidas – também chamada de “Rio 92” foi desenvolvido um</p><p>relatório que ficou conhecido como “Nosso Futuro Comum”. Tal relatório contém</p><p>informações colhidas pela comissão ao longo de três anos de pesquisa e análise,</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>14</p><p>destacando-se as questões sociais, principalmente no que se refere ao uso da terra,</p><p>sua ocupação, suprimento de água, abrigo e serviços sociais, educativos e sanitários,</p><p>além de administração do crescimento urbano.</p><p>O relatório Brundland considera que a pobreza generalizada não é mais</p><p>inevitável e que o desenvolvimento de uma cidade deve privilegiar o atendimento das</p><p>necessidades básicas de todos e oferecer oportunidades de melhoria de qualidade de</p><p>vida para a população. Um dos principais conceitos debatidos pelo relatório foi o de</p><p>“equidade” como condição para que haja a participação efetiva da sociedade na</p><p>tomada de decisões, através de processos democráticos, para o desenvolvimento</p><p>urbano (BARBOSA, 2008).</p><p>Não é esperado que toda uma Nação se conscientize de seu papel essencial</p><p>no quadro ambiental e social mundial. Apesar disso, as diversas discussões sobre o</p><p>termo “desenvolvimento sustentável” abrem à questão de que é possível desenvolver</p><p>sem destruir o meio ambiente.</p><p>O Direito Ambiental deve ser firmado em princípios e normas específicas, que</p><p>têm como premissa buscar uma relação equilibrada entre o homem e a natureza ao</p><p>regular todas as atividades que possam afetar o meio ambiente. O fato de que o</p><p>desenvolvimento sustentável tenha respaldo na comunidade brasileira e poder,</p><p>através do Direito Ambiental, fazer parte de uma disciplina jurídica, torna o termo</p><p>capaz de definir um novo modelo de desenvolvimento para o país (BARBOSA, 2008).</p><p>5.1 Críticas e Objeções ao Desenvolvimento Sustentável</p><p>A expressão “desenvolvimento sustentável” se tornou popular após a</p><p>Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada</p><p>no Rio de Janeiro, em 1992, embora já estivesse presente, com diferentes</p><p>denominações, desde a Conferência de Estocolmo, de 1972.</p><p>A definição de desenvolvimento sustentável da Comissão Brundtand, de 1987,</p><p>passou a ser citada em praticamente todos os documentos oficiais da ONU e suas</p><p>agências, como a Unesco, Pnuma, Pnud, Unido e Unctad, em documentos oficiais de</p><p>entidades intergovernamentais, como OMC, OMS e Banco Mundial, em leis nacionais</p><p>e subnacionais, em documentos de empresas e ONGs, e já faz parte do repertório de</p><p>pessoas mais esclarecidas do público em geral. Hoje, é crescente o número de</p><p>empresas que a colocam em suas missões e declarações. A adesão foi tanta e tão</p><p>15</p><p>rápida que não é exagero afirmar que se trata de verdadeiro sucesso em termos de</p><p>popularidade. Mas também não são poucos os que se manifestaram contrários à ideia</p><p>de desenvolvimento sustentável.</p><p>Com efeito, nas medidas de mitigação dos problemas socioambientais, as ações</p><p>de educação ambiental são convocadas para provocar o encontro harmonioso entre</p><p>os “cidadãos” expropriados e os grandes empreendimentos econômicos. As</p><p>resistências verificadas no IBAMA e no ICMBio são trincheiras e ações localizadas</p><p>que provocam correções, ajustes, revisões, mudanças de rota de gasodutos,</p><p>indenização a pescadores e outros atingidos. Entretanto, as medidas de educação</p><p>ambiental exigidas pelo órgão fiscalizador, ainda que a favor das populações afetadas,</p><p>são efetivadas, via de regra, por parcerias público-privadas com organizações que,</p><p>contraditoriamente, dependem do financiamento da empresa que o órgão público está</p><p>interpelando. As tensões são inevitáveis, visto que o setor público exige a mitigação</p><p>dos efeitos das ações provocadas pela empresa que financiará o programa de</p><p>educação ambiental. É uma relação que, a despeito da correção, ética e disposição</p><p>crítica da ONG (ou mesmo do grupo universitário), torna o futuro do trabalho crítico</p><p>incerto e vulnerável às pressões mais ou menos sutis das empresas. Ademais, como</p><p>é possível constatar nos grandes empreendimentos, essas medidas corretivas são</p><p>rapidamente internalizadas nos custos dos produtos e serviços ou, então, têm seus</p><p>cursos absorvidos pelo Estado, em nome da preservação ambiental. No cômputo</p><p>geral, é um ambiente inóspito para vicejar o pensamento crítico, passível de ser</p><p>adensado</p><p>teoricamente e sistematizado (LEHER, 2016).</p><p>De fato, a educação ambiental crítica não pode ser nutrida teórica e</p><p>politicamente, de modo endógeno, no âmbito do Estado.</p><p>Se a educação ambiental crítica encontra dificuldade de se desenvolver, teórica</p><p>e praticamente, nos conflitos advindos do processo de licenciamento de grandes</p><p>empreendimentos, é necessário indagar se nas escolas públicas está sendo possível</p><p>tal adensamento teórico-prático. Um exame dos programas governamentais,</p><p>parcerias com empresas, experiências escolares e de formação docente, confirma</p><p>que a perspectiva crítica se desenvolve em um ambiente educacional francamente</p><p>hostil. Com efeito, a incorporação, nas diversas esferas do Estado, da agenda</p><p>empresarial veiculada pelo Todos pela Educação, pela coalizão ultraconservadora</p><p>Escola Sem Partido, pelas entidades sindicais patronais (Sistema S), pelas</p><p>corporações (Vale S.A., Gerdau...) e pelas entidades empresariais do agronegócio</p><p>16</p><p>(Associação Brasileira do Agronegócio), torna quase que estéril o solo para vicejar a</p><p>educação ambiental inscrita na perspectiva histórico-crítica e libertária. O controle do</p><p>capital sobre a educação básica busca pasteurizar, por meio de seu moinho triturador,</p><p>todas as práticas educativas críticas nas escolas (LEHER, 2016).</p><p>Ademais, em virtude da presença de movimentos sociais que reivindicam a</p><p>perspectiva crítica, os intelectuais do capital chegam a se valer até mesmo do léxico</p><p>pós-moderno para assimilar e esvaziar as proposições emancipatórias de seus</p><p>sentidos anticapitalistas produzidos nas lutas de classes. É necessário, por</p><p>conseguinte, dialogar com a produção do conhecimento decorrente das lutas contra o</p><p>despojo e de seus nexos com espaços de produção de conhecimento científico</p><p>referenciado em uma ética pública.</p><p>A retomada do crescimento com um objetivo do desenvolvimento sustentável</p><p>tanto suscita críticas e desconfianças por diversas razões quanto aplausos e</p><p>regozijos. No entanto, foi a menção à retomada do crescimento que trouxe</p><p>popularidade ao desenvolvimento sustentável entre os políticos profissionais de modo</p><p>geral, pois o crescimento econômico sempre foi bandeira fácil de carregar e de render</p><p>votos.</p><p>Para os governantes, o crescimento econômico gera impostos e uma gestão</p><p>mais tranquila, pois aumenta a possibilidade de atender às demandas de diversos</p><p>setores da sociedade, além do fato de que uma economia em crescimento gera menos</p><p>greves e necessidades de recursos para atender desempregados. Um político que</p><p>propõe em sua plataforma reduzir o crescimento econômico certamente teria uma vida</p><p>política curta. (BARBIERI e SILVA, 2011).</p><p>5.2 Educação e sustentabilidade</p><p>A forma de educação que, em nível mundial, está sendo preconizada para</p><p>enfrentar o desafio de construção de sociedades sustentáveis é a Educação para o</p><p>Desenvolvimento Sustentável (EDS) ou a Educação para a Sustentabilidade (EpS).</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>17</p><p>Fonte: www.ver.pt</p><p>Essa forma de educação passou a ser preconizada internacionalmente pela</p><p>Organização das Nações Unidas (ONU) a partir de 2002 e tem como meta beneficiar</p><p>as pessoas com uma educação em que seus valores e comportamentos possam gerar</p><p>e gerir sociedades sustentáveis.</p><p>À medida que os debates a respeito da sustentabilidade se aprofundam e</p><p>envolvem cada vez mais pessoas, instituições e organizações da sociedade civil,</p><p>compreendemos que a solução dos problemas ecológicos é complexa. Aos poucos,</p><p>percebemos que sem uma mudança de paradigma certamente não seremos capazes</p><p>de encontrar alternativas razoáveis aos grandes desafios que a crise ecológica impõe</p><p>à sociedade global (TROMBETTA, 2014).</p><p>Essa abordagem de desenvolvimento sustentável discute as desigualdades</p><p>econômicas e sociais entre os diferentes países como uma das causas da degradação</p><p>ambiental e propõe políticas para o enfrentamento desses problemas. No entanto,</p><p>podemos observar que as estratégias propostas para substituir os atuais processos</p><p>de crescimento econômico pelo desenvolvimento sustentável dizem respeito a</p><p>modificações nas políticas de desenvolvimento, as mudanças nos processos de</p><p>desenvolvimento econômico da sociedade atual. Em nenhum momento questiona-se</p><p>o modelo de desenvolvimento em si, mas suas estratégias. Assim, desenvolvimento</p><p>sustentável diz respeito a uma forma de crescimento econômico das nações que</p><p>levam em conta o comprometimento dos recursos naturais para as futuras gerações.</p><p>A nova ordem internacional a que ele se refere seria controlar a exploração dos</p><p>18</p><p>recursos naturais em níveis suportáveis em todo mundo. Em resumo, a proposta de</p><p>desenvolvimento sustentável é de crescimento econômico com controle ambiental. A</p><p>desigualdade é tratada como um desajuste a ser superado pela universalização do</p><p>desenvolvimento econômico, porém com sustentabilidade (DE CAMPOS TOZONI-</p><p>REIS, 2011).</p><p>Apesar desse aspecto, a influência do conceito de desenvolvimento sustentável</p><p>manteve-se amparada principalmente no âmbito das políticas nacionais e</p><p>internacionais. O Banco Mundial lançou em 1992 um relatório sobre desenvolvimento</p><p>e meio ambiente, em que deixou clara sua postura neomalthusiano, afirmando que,</p><p>apesar dos conflitos entre crescimento econômico e qualidade ambiental, é possível</p><p>encontrar caminhos para adequar o modelo de crescimento econômico ao bem</p><p>comum.</p><p>6 SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL NO BRASIL</p><p>Conhecer a biodiversidade brasileira é uma condição fundamental para a</p><p>elaboração e o aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento</p><p>sustentável de nosso país. Ao se abordar a temática da biodiversidade, faz-se</p><p>necessária uma breve definição do termo.</p><p>Fonte: www.luciacangussu.bio.br</p><p>A relevância desse tema se traduz na decisão, pela Assembleia-Geral da</p><p>Organização das Nações Unidas (ONU), de declarar 2010 como o Ano Internacional</p><p>19</p><p>da Biodiversidade, com o objetivo precípuo de aumentar a consciência sobre a</p><p>importância da preservação da biodiversidade em todo o mundo, assim como destacar</p><p>sua influência na qualidade de vida humana e dinamizar iniciativas de redução da sua</p><p>perda (CARDOSO JR, 2010).</p><p>A diversidade dentro de espécies abrange toda a variação de indivíduos de uma</p><p>população, bem como entre populações distintas de uma mesma espécie. Embora</p><p>essa definição pudesse incluir outros aspectos, tais como diversidade morfológica e</p><p>comportamental, entre outras, na prática, vem sendo tratada como equivalente à</p><p>diversidade genética.</p><p>A diversidade entre espécies, por sua vez, refere-se usualmente ao número de</p><p>espécies (riqueza) presentes em determinado tipo de ambiente ou região de interesse</p><p>– por exemplo, o Brasil. Ainda como apontado a diversidade de ecossistemas é mais</p><p>ambígua que as outras categorias relacionadas na CDB e, em termos práticos, vem</p><p>sendo abordada como a diversidade de fisionomias de vegetação, de paisagens ou</p><p>de biomas.</p><p>6.1 O Nível Genético</p><p>A diversidade genética está na base dos processos ecológico-evolutivos, que</p><p>determinam, em última instância, a constituição dos níveis superiores (espécies e</p><p>ecossistemas). A manutenção da composição intraespecífica de alelos (diferentes</p><p>versões de um mesmo gene) é tão importante quanto a conservação de espécies ou</p><p>ecossistemas. Essa composição pode variar muito entre os indivíduos de uma mesma</p><p>população ou entre populações diferentes de uma mesma espécie. Isso significa que</p><p>em uma população com 100 irmãos ou primos espera-se encontrar menos</p><p>biodiversidade do que em uma com indivíduos não aparentados.</p><p>Conservar a variabilidade intraespecífica é importante dos pontos de vista ético</p><p>e estético, mas também por motivos mais pragmáticos.</p><p>A baixa diversidade genética compromete a viabilidade de populações em longo</p><p>prazo, pois diminui sua capacidade de adaptação a mudanças ambientais e sua</p><p>resiliência a estresses bióticos ou abióticos – como ataques de</p><p>patógenos ou períodos</p><p>muito quentes. Uma população geneticamente homogênea, ainda que grande,</p><p>sempre possui maior risco de extinção, pois pode ter todos os seus indivíduos</p><p>dizimados por uma mesma doença, por exemplo.</p><p>20</p><p>Uma vez que a perda de hábitats e a fragmentação são as maiores responsáveis</p><p>pela redução da diversidade genética, investir no desenvolvimento de técnicas de</p><p>manejo em paisagens fragmentadas reveste-se de uma importância evidente. Sabe-</p><p>se, por exemplo, que a persistência de populações em paisagens fragmentadas é</p><p>criticamente dependente da manutenção da conectividade entre fragmentos, o que</p><p>diminui o isolamento (CARDOSO JR, 2010).</p><p>Pesquisas sobre a ecologia e a genética de populações mostram-se</p><p>fundamentais, pois o desconhecimento do poder de dispersão das espécies de</p><p>interesse, assim como da sua estrutura genética populacional antes da fragmentação,</p><p>pode ser um sério empecilho à sua conservação. Estudos com anfíbios e aves</p><p>mostram que a erosão genética não ocorre imediatamente após o processo de</p><p>fragmentação. Assim, a preservação de fragmentos onde a deriva genética e a</p><p>endogamia ainda não são pronunciadas pode ser crítica para a manutenção da</p><p>diversidade genética e viabilidade das populações em uma determinada região.</p><p>Apesar de poucos projetos terem abordado efeitos temporais da fragmentação, os</p><p>resultados indicam que diferentes estratégias devem ser adotadas de acordo com a</p><p>idade dos fragmentos.</p><p>6.2 Nível De Espécies</p><p>A diversidade é um dos aspectos mais fascinantes do mundo vivo. Nos últimos</p><p>300 anos, a partir das viagens de exploração – a mais célebre certamente foi a de</p><p>Darwin a bordo do Beagle – o conhecimento sobre a diversidade da vida cresceu</p><p>exponencialmente. Fundamentais à sua consolidação foram as teorias sobre a</p><p>definição biológica de espécie. Ainda que não seja um consenso, já que atualmente</p><p>há diversas definições para a espécie, o conceito proposto por Mayr (1999)</p><p>fundamenta-se em três premissas:</p><p> A espécie é um grupo de populações naturais reprodutivamente isolado de</p><p>outros grupos semelhantes;</p><p> Considerando seu isolamento reprodutivo, todos os processos evolutivos que</p><p>ocorram em uma determinada espécie restringem-se a ela e a seus</p><p>descendentes: a espécie seria a moeda da evolução biológica;</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>21</p><p> A espécie é também a unidade básica em ecologia e nenhum ecossistema será</p><p>compreendido de forma plena sem que se conheçam as espécies que o</p><p>integram e suas respectivas interações. Dessa maneira, a diversidade – ou</p><p>riqueza – de espécies traduz-se em inestimável patrimônio sob os pontos de</p><p>vista evolutivo, ecológico e econômico.</p><p>A tarefa de apresentar um diagnóstico do estado da biodiversidade brasileira em</p><p>nível de espécies é gigantesca, considerando sua acentuada riqueza e, ao mesmo</p><p>tempo, a magnitude daquilo que ainda falta ser conhecido. O estudo mais abrangente</p><p>até o momento, no que se refere à síntese do conhecimento atual, foi realizado no</p><p>âmbito do projeto Estratégia Nacional da Biodiversidade, do Ministério do Meio</p><p>Ambiente (MMA). A partir de informações obtidas de especialistas nos grupos</p><p>taxonômicos mais bem conhecidos e catalogados, estimou-se que o país teria, em</p><p>média, cerca de 13% do total mundial desses grupos, algo entre 168.640 e 212.650</p><p>espécies.</p><p>Enquanto para organismos maiores da biota vegetal e animal a aplicação dos</p><p>métodos tradicionais de classificação possibilita a identificação da espécie, para os</p><p>microrganismos é comum que a caracterização taxonômica seja feita apenas em nível</p><p>de gênero, o que traz restrições às estimativas de riqueza de espécies para a</p><p>microbiota. Sob o aspecto de estudo da diversidade, há ainda limitações associadas</p><p>à grande variabilidade genética registrada em microrganismos em ambiente natural</p><p>(não cultivados em laboratório). Dessa maneira, antes da abordagem sobre o estado</p><p>de conhecimento da flora e da fauna, apresentam-se aspectos singulares acerca da</p><p>diversidade e da conservação da microbiota. (LEITE & DOURADO, 2015)</p><p>Microrganismos são seres vivos unicelulares microscópicos, incluindo bactérias,</p><p>arqueas, fungos, protozoários e vírus. Sua importância ecológica e econômica é</p><p>fundamental: toda a cadeia da vida no planeta, assim como parte significativa das</p><p>atividades econômicas, depende dos processos por eles realizados, destacando-se</p><p>atividades de fotossíntese, ciclagem de nutrientes, manutenção da fertilidade e</p><p>estrutura de solos e processos industriais em diversos setores, destacando-se os de</p><p>química, papel e celulose, alimentos e bebidas. Além disso, microrganismos</p><p>desempenham papel fundamental no tratamento de efluentes industriais, esgotos e</p><p>resíduos sólidos. O isolamento e o cultivo de microrganismos em laboratório</p><p>respondem também por considerável parcela das inovações nas áreas médica,</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>22</p><p>biotecnológica e ambiental. A despeito de sua importância, há uma significativa</p><p>defasagem no conhecimento de sua diversidade em relação a outros grupos, tais</p><p>como animais e plantas superiores. Em nível mundial, estima-se que tenham sido</p><p>descritos cerca de 5% das espécies estimadas de fungos, 0,1% a 12% dos procariotos</p><p>(arqueas e bactérias), 31% dos protozoários e 4% dos vírus. Como o conhecimento</p><p>sobre a diversidade desses grupos no Brasil é ainda incipiente, presume-se que</p><p>também há um vasto campo propício à descoberta de novas espécies (CARDOSO</p><p>JR, 2010).</p><p>Os invertebrados respondem por 95% das espécies animais hoje viventes e o</p><p>número de espécimes tombados em coleção brasileira é quase oito vezes maior que</p><p>o total de vertebrados. Ainda que a maioria dos filos seja total ou parcialmente</p><p>marinha, os invertebrados terrestres destacam-se pela sua riqueza e suas</p><p>importâncias ecológica e econômica. Há filos numerosos, como o Arthropoda, que</p><p>inclui aproximadamente 1,5 milhão de espécies já descritas e estudos recentes</p><p>estimam que esse total pode alcançar até quarenta vezes o número atualmente</p><p>conhecido.</p><p>Avaliado de forma resumida o estado de conhecimento da biodiversidade,</p><p>busca-se a seguir apresentar o nível de proteção – e por consequência de ameaça –</p><p>a que estão sujeitas as espécies brasileiras.</p><p>6.3 Estado da Conservação da Flora e da Fauna</p><p>A primeira lista oficial brasileira das espécies de plantas ameaçadas de extinção</p><p>data de 1968, tendo sido identificadas 13 espécies de plantas, sendo que metade era</p><p>de orquídeas. Em 1980, houve a segunda atualização, com o acréscimo de apenas</p><p>uma espécie. A terceira atualização veio após 12 anos, em janeiro de 1992; poucos</p><p>meses depois, em abril, ocorreu a quarta atualização, com o acréscimo de apenas</p><p>uma planta. A partir daquele ano, incluíram-se nessa lista espécies de biomas</p><p>diversos à Mata Atlântica, refletindo o processo de ocupação dos estados da</p><p>Amazônia e dos cerrados do Centro-Oeste. Desde então, a quantidade de espécies</p><p>ameaçadas praticamente aumentou dez vezes. Apenas recentemente, em 2008, a</p><p>lista de plantas superiores foi novamente atualizada, listando 472 espécies</p><p>ameaçadas de extinção e 1.079 com deficiência de dados.</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>23</p><p>6.4 Os Principais Ecossistemas Brasileiros</p><p>O Brasil possui uma grande diversidade de ecossistemas. Quase todo o seu</p><p>território está situado na zona tropical. Por isso, nosso país recebe grande quantidade</p><p>de calor durante todo o ano, o que favorece essa grande diversidade. Veja, no mapa</p><p>a seguir, exemplos dos principais ecossistemas encontrados no Brasil.</p><p>(RUSCHEINSKY, 2012)</p><p>Fonte: www.estudokids.com.br</p><p>6.4.1 Floresta Amazônica</p><p>Estende-se além do território nacional, com chuvas frequentes e abundantes.</p><p>Apresenta flora exuberante, com espécies, como a seringueira, o guaraná, a vitória-</p><p>régia, e é habitada por inúmeras espécies de animais, como o peixe-boi, o boto, o</p><p>pirarucu, a arara.</p><p>Para termos uma ideia da riqueza da biodiversidade desses</p><p>24</p><p>ecossistemas, ele apresenta, até o momento, 1,5 milhão de espécies de vegetais</p><p>identificadas por cientistas.</p><p>Fonte: www.fatosdesconhecidos.com.br</p><p>Com uma área de aproximadamente 5,5 milhões de km², a Floresta</p><p>Amazônica é a principal cobertura vegetal do Brasil, ocupando 45% do nosso</p><p>território, além de espaços de mais nove países, sendo também a maior floresta</p><p>tropical do mundo. É chamada de Floresta latifoliada equatorial.</p><p>A Floresta Amazônica caracteriza-se por ser heterogênea, havendo um elevado</p><p>quantitativo de espécies, com cerca de 2500 tipos de árvores e mais de 30 mil tipos</p><p>de plantas. Além disso, ela é perene, ou seja, permanece verde durante todo o ano,</p><p>não perdendo as suas folhas no outono. Apresenta uma densidade elevada, o que é</p><p>propício ao grande número de árvores por m². (RUSCHEINSKY, 2012)</p><p>Costuma-se classificar essa floresta conforme a proximidade dos cursos d’água.</p><p>Dessa forma, existem três subtipos principais: mata de igapó, mata de várzea e mata</p><p>de terra firme.</p><p>6.4.2 Mata de Igapó</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>25</p><p>Também chamada de floresta alagada, a mata de igapó caracteriza-se por se</p><p>localizar muito próxima aos rios, estando permanentemente inundada. Apresenta</p><p>plantas de pequeno porte em comparação ao restante da vegetação da Amazônia e</p><p>que costumam ser hidrófilas, ou seja, adaptadas à umidade. Possui, em geral, raízes</p><p>elevadas que acompanham os troncos. (CARDOSO JR, 2010).</p><p>Fonte: www.infoescola.com</p><p>6.4.3 Mata de Várzea</p><p>Assim como a mata de igapó, a várzea também sofre com as inundações, porém</p><p>apenas no período das cheias dos grandes rios, por se encontrar em áreas um pouco</p><p>mais elevadas.</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>26</p><p>Fonte: meioambiente.culturamix.com</p><p>É uma mata muito fechada, com elevada densidade, árvores altas (em média</p><p>20m de altura) e, em geral, com galhos espinhosos, o que dificulta o seu acesso. As</p><p>espécies mais conhecidas são o Jatobá e a Seringueira, essa última muito usada na</p><p>extração de látex, a matéria-prima da borracha.</p><p>6.4.4 Mata de Terra Firme</p><p>Também chamada de caetê, a mata de terra firme caracteriza-se por se</p><p>encontrar relativamente distante dos grandes cursos d’água, localizando-se em</p><p>planaltos sedimentares. Em razão disso, não costuma ser alvo de inundações,</p><p>recobrindo a maior parte da floresta e apresentando as maiores médias de altura</p><p>(algumas árvores chegam a alcançar os 60m). (CARDOSO JR, 2010).</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>27</p><p>Fonte: cristalinolodge.com.br</p><p>A importância da Floresta Amazônica reside, principalmente, em sua função</p><p>ambiental. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, ela não é o “pulmão do</p><p>mundo”, pois o oxigênio por ela produzido é consumido pela própria floresta. Sua</p><p>importância ambiental reside no controle das temperaturas, graças ao aumento da</p><p>umidade, que é resultado da constante evapotranspiração da floresta, produzindo</p><p>massas de ar úmido para todo o continente sul-americano, os chamados Rios</p><p>Voadores. (CARDOSO JR, 2010).</p><p>É importante não confundir o Bioma Amazônia com a Floresta Amazônica. O</p><p>primeiro termo refere-se às características gerais que envolvem a mata, os animais,</p><p>os rios, os solos e a flora, o segundo limita-se às características da floresta.</p><p>http://brasilescola.uol.com.br/brasil/rios-voadores-amazonia.htm</p><p>http://brasilescola.uol.com.br/brasil/rios-voadores-amazonia.htm</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>28</p><p>Fonte: www.sobiologia.com.brp</p><p>6.4.5 Mata de Cocais</p><p>A mata de cocais situa-se entre a floresta amazônica e a caatinga. São matas</p><p>de carnaúba, babaçu, buriti e outras palmeiras. Vários tipos de animais habitam esse</p><p>ecossistema, como a arara canga e o macaco cuxiú.</p><p>A Mata dos Cocais é um tipo de cobertura vegetal situada entre as florestas</p><p>úmidas da região Norte e as terras semiáridas do Nordeste do Brasil, sendo uma zona</p><p>de transição entre os biomas Caatinga, Floresta Amazônica e Cerrado. Abrange</p><p>predominantemente o Meio-Norte (sub-região formada pelos estados do Maranhão e</p><p>Piauí), mas também se estende pelos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e</p><p>Tocantins. (Ceconi, 2010)</p><p>Influenciado pela sua localização, esse bioma possui três tipos de</p><p>climas: equatorial úmido - quente e chuvoso, predominando em menos de 20% do</p><p>bioma; tropical semiúmido - predomina em mais de 65%, com estações secas e</p><p>úmidas bem definidas e temperaturas médias elevadas; tropical semiárido – quente e</p><p>seco, com chuvas escassas e irregulares, predomina em 15% do bioma.</p><p>A Mata dos Cocais se formou ocupando lacunas de outras formações vegetais</p><p>(cerrados e florestas amazonenses), que foram desmatadas para criação de pasto e</p><p>exploração de madeira. Seu solo é rico em minérios como: ferro, ouro,</p><p>diamante, bauxita, alumínio e níquel. Uma característica interessante é que o solo, na</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/regiao-norte/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/regiao-nordeste/</p><p>http://www.infoescola.com/biomas/caatinga/</p><p>http://www.infoescola.com/biomas/floresta-amazonica/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/cerrados/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/clima-equatorial/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/bioma/</p><p>http://www.infoescola.com/compostos-quimicos/minerios-de-ferro/</p><p>http://www.infoescola.com/rochas-e-minerais/bauxita/</p><p>http://www.infoescola.com/elementos-quimicos/aluminio/</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>29</p><p>região dos cocais, possui um lençol freático pouco profundo, permanecendo úmido o</p><p>ano inteiro.</p><p>Fonte: educacao.uol.com.br</p><p>A vegetação da Mata dos Cocais é dominada pela palmeira babaçu (sendo a</p><p>mais importante a Orbignya speciosa), que predomina nos locais mais úmidos como</p><p>o Maranhão, norte do Tocantins e oeste do Piauí. Na área menos úmida, que abrange</p><p>o leste do Piauí e litorais do Ceará e Rio Grande do Norte, predomina a palmeira</p><p>carnaúba (Copernicia cerifera). As outras principais palmeiras são o buriti (Mauritia</p><p>flexuosa) e a oiticica (Licania rigida). Uma grande quantidade de arbustos e</p><p>vegetações de pequeno porte também são encontradas nos locais de menores</p><p>altitudes. (Ceconi, 2010)</p><p>O babaçu chega a atingir 20 metros de altura e uma árvore pode produzir até</p><p>2.000 frutos (cocos) por ano. Dentro dos frutos existem as amêndoas, das quais é</p><p>extraído um óleo muito utilizado em diversas indústrias (alimentícias, farmacêuticas,</p><p>químicas, etc.). Outras partes do coco também são aproveitadas, como o epicarpo</p><p>(camada externa), que é utilizado na produção de estofados, embalagens, vasos,</p><p>placas, etc.</p><p>A carnaúba também é utilizada de várias formas. O uso mais importante é a</p><p>extração da cera de suas folhas, que é utilizada na fabricação de diversos produtos.</p><p>http://www.infoescola.com/hidrografia/lencol-freatico/</p><p>30</p><p>Assim, a Mata dos Cocais representa uma importante fonte de renda para a população</p><p>local. (CARDOSO JR, 2009).</p><p>A fauna nesse bioma é muito diversa, destacando-se a arara-vermelha, gavião-</p><p>real, jaguatirica, lobo-guará, macaco cuxiú (endêmico do Brasil) e outras muitas</p><p>espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Nos rios vivem a ariranha, o boto, o</p><p>acará-bandeira (peixe), entre outros.</p><p>A Mata dos Cocais está sendo prejudicada pelo desmatamento desordenado</p><p>para desenvolvimento da pecuária e cultura de soja. Além disso, a extração de</p><p>minerais que ocorre nesse ambiente acaba por fragilizá-lo ainda mais.</p><p>6.4.6 Mata Atlântica</p><p>Com uma área de 1.110.182 km2, o bioma é um complexo ambiental que</p><p>incorpora cadeias de montanhas, platôs, vales e planícies ao longo de toda a faixa</p><p>continental atlântica brasileira, avançando em direção ao interior do Brasil nas regiões</p><p>sudeste e sul (CARDOSO JR, 2009).</p><p>Essa enorme biodiversidade é resultado, em grande parte, da ampla gama de</p><p>latitudes pela qual a Mata Atlântica se distribui (27º de 3ºS a 30ºS), das grandes</p><p>variações em altitude (desde o nível do</p><p>mar até 2.700 m, nas montanhas da</p><p>Mantiqueira e Caparaó, nos estados de São Paulo, Minas Gerais, do Rio de Janeiro e</p><p>do Espírito Santo) e dos regimes climáticos diversos presentes ao longo de sua</p><p>extensão – desde regimes subúmidos e estações secas no Nordeste até áreas que</p><p>atingem 4 mil mm/ano de pluviosidade, nas montanhas da Serra do Mar.</p><p>A cobertura vegetal da Mata Atlântica começou a ser mapeada utilizando-se a</p><p>análise de imagens de satélite no início da década de 1990, em um trabalho conjunto</p><p>entre a organização não governamental SOS Mata Atlântica e o Inpe. Desde então,</p><p>as duas instituições têm publicado regularmente um atlas contendo informações sobre</p><p>a dinâmica da vegetação da Mata Atlântica – desmatamentos, fragmentação e, mais</p><p>recentemente, regeneração. A quinta e última edição, correspondente ao período</p><p>2005-2008, foi lançada em 2009.</p><p>Unidades de conservação podem ser consideradas como fragmentos de habitat</p><p>natural em um bioma altamente modificado pela ação humana, como é o caso da Mata</p><p>Atlântica – mas também de outros biomas já bastante desflorestados e alterados,</p><p>como a Caatinga e o Cerrado. A descontinuidade que existe entre as UCs, preenchida</p><p>por uma paisagem antropizada constituída por áreas urbanas, industriais e rurais,</p><p>http://www.infoescola.com/aves/arara-vermelha/</p><p>http://www.infoescola.com/aves/gaviao-harpia/</p><p>http://www.infoescola.com/aves/gaviao-harpia/</p><p>31</p><p>áreas degradadas e em regeneração, bem como as características dos</p><p>remanescentes da paisagem natural (por exemplo, tamanho, perímetro e grau de</p><p>isolamento – distância – em relação a fragmentos adjacentes) têm implicações</p><p>importantes em relação à capacidade desses fragmentos conservarem a</p><p>biodiversidade.</p><p>6.4.7 Pantanal</p><p>Com uma área total de 150.355 km2, o bioma Pantanal está inserido na Bacia</p><p>do Alto Paraguai e abrange no Brasil parte dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso</p><p>do Sul. Seus limites coincidem com a chamada “Planície do Pantanal” ou “Pantanal</p><p>Mato-grossense”, que representa a parte mais baixa da bacia hidrográfica e é também</p><p>a maior superfície interiorana inundável do mundo (IBGE, 2004).</p><p>Considerando-se sua reduzida área em relação aos demais biomas brasileiros,</p><p>a riqueza de espécies do Pantanal pode ser considerada elevada, embora haja na</p><p>região um baixo número de endemismos.</p><p>A principal atividade econômica no Pantanal é a pecuária bovina de corte,</p><p>realizada de forma extensiva em pastagens naturais. O gado foi introduzido em</p><p>fazendas no Pantanal a partir de 1740, o que foi favorecido por extensas áreas de</p><p>campo nativo. Porém, foi somente a partir de 1914, com a criação da Estrada de Ferro</p><p>Noroeste do Brasil – de Bauru a Corumbá –, que a pecuária entrou no circuito</p><p>nacional.</p><p>Por se tratar de um bioma altamente influenciado pelo regime hídrico, qualquer</p><p>intervenção humana que altere os ciclos hidrológicos naturais poderá colocar em risco</p><p>a biodiversidade, as populações humanas e as atividades econômicas estabelecidas</p><p>na região. Nesse sentido, as maiores ameaças ao bioma referem-se à execução de</p><p>dragagens, à construção de diques e barragens ao longo da planície do Pantanal, ou</p><p>mesmo no planalto adjacente, pertencente à Bacia do Alto Paraguai, onde estão</p><p>localizadas as cabeceiras de diversos rios que compõem a bacia pantaneira.</p><p>32</p><p>Fonte: www.vix.com</p><p>O bioma Pantanal conta com apenas cinco UCs, o menor número e o que</p><p>proporcionalmente tem a menor cobertura por UCs entre os biomas continentais</p><p>brasileiros. São duas UCs federais e três estaduais, todas de proteção integral, cuja</p><p>área total soma aproximadamente 440 mil ha, o que corresponde a 2,9% da área do</p><p>bioma. As duas UCs federais, o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense</p><p>(135.600 ha) e a Estação Ecológica do Taiamã (14.300 ha), foram criadas em 1981.</p><p>Em 2000 o Mato Grosso do Sul criou o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro</p><p>(77 mil ha) e na década atual o Mato Grosso constituiu suas duas unidades, o Parque</p><p>Estadual do Guirá (103 mil ha) e o Monumento Natural Estadual Morro de Santo</p><p>Antônio (258 ha).</p><p>6.4.8 Campos Sulinos</p><p>No Brasil, o bioma Campos Sulinos abrange parte do território do Rio Grande do</p><p>Sul. São cerca de 170 mil Km2. Além das fronteiras do país, ele se estende por terras</p><p>do Uruguai e da Argentina. (Ceconi, 2010)</p><p>Os campos sulinos são também conhecidos como pampas, palavra de origem</p><p>indígena que quer dizer “região plana”. Na verdade, os pampas são apenas um</p><p>pedaço das terras dos campos sulinos. O bioma engloba também campos mais altos</p><p>e algumas áreas semelhantes a savanas.</p><p>33</p><p>Nos campos do Sul já foram encontradas 102 espécies de mamíferos, 476 de</p><p>aves e 50 de peixes.</p><p>Para que você possa imaginar como é a fauna deste bioma, vamos citar alguns</p><p>de seus integrantes. No grupo dos mamíferos, podemos citar o tatu, o guaxinim, o</p><p>zorrilho, o graxaim (Pseudalopex gymnocercus) e outras duas espécies em risco de</p><p>extinção: o gato-dos-pampas ou gato palheiro (Leopardus pajeros) e a preguiça-de-</p><p>coleira.</p><p>Fonte: www.emaze.com</p><p>Entre as aves mais comuns estão o cisne-de-pescoço-preto, o marreco, a perdiz,</p><p>o quero-quero, o pica-pau do campo e a coruja-buraqueira, que ganhou este nome</p><p>por fazer seus ninhos em buracos cavados no solo. (LEITE & DOURADO, 2015)</p><p>Fazem parte das 50 espécies de peixes catalogadas o lambari-listrado, o</p><p>lambari-azul, o tambuatá, o surubim e o cação-anjo.</p><p>E por lá existem também répteis e insetos. No primeiro grupo está a tartaruga-</p><p>verde-e-amarela, a jararaca-do-banhado, a cobra-cipó e o cágado-de-barbicha. Entre</p><p>os insetos, podemos destacar a vespa da madeira e o conhecido bicho-da-maçã,</p><p>também chamado traça-das-frutas.</p><p>34</p><p>São chamados de pampas os campos mais planos que estão localizados ao sul</p><p>do estado do Rio Grande do Sul. Neles existe uma vegetação campestre, que parece</p><p>um imenso tapete verde. Nos pampas predominam espécies que medem até um</p><p>metro de altura. São comuns as gramíneas, que às vezes transformam os campos em</p><p>grandes capinzais.</p><p>Nos pampas a vegetação pode, então, ser considerada rala e pobre em</p><p>espécies. Ela vai se tornando mais rica nas proximidades de áreas mais altas. Nas</p><p>encostas de planaltos, existem matas com grandes pinheiros e outras árvores, como</p><p>a Cabreúva, a grápia, a caroba, o angico-vermelho e o cedro. Nestas regiões,</p><p>chamadas de campos altos, é encontrada a Mata de Araucária, onde a espécie vegetal</p><p>predominante é o pinheiro-do-paraná.</p><p>Próximo ao litoral, a paisagem é marcada pela presença de banhados,</p><p>ambientes alagados onde aparecem juncos, gravatás e aguapés. O mais conhecido</p><p>banhado é o de Taim, onde foi criada, em 1998, uma estação ecológica administrada</p><p>pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais</p><p>Renováveis) para preservação de tão importante ecossistema.</p><p>Na região dos pampas o solo é fértil. Por isso, estes campos são normalmente</p><p>procurados para desenvolvimento de atividades agrícolas.</p><p>Ainda mais férteis são as áreas com solo do tipo "terra roxa", batizado assim</p><p>devido ao nome que receberam dos italianos que vieram para o Brasil trabalhar na</p><p>lavoura. Por causa de sua cor avermelhada, eles chamavam o solo de terra</p><p>rossa, pois em italiano, rosso é vermelho. Só que quem começou a chamar de terra</p><p>roxa não sabia italiano e acabou confundindo rosso com roxo por conta do som da</p><p>palavra.</p><p>Segundo LEITE & DOURADO, 2015, em áreas de planalto os solos são também</p><p>avermelhados, mas não possuem a fertilidade da terra roxa. Na planície litorânea o</p><p>solo é bastante arenoso.</p><p>Algumas áreas dos pampas estão sofrendo processo de desertificação, devido</p><p>à retirada da vegetação nativa e sua substituição por monoculturas ou pastos.</p><p>O relevo nos campos sulinos é suavemente ondulado. Predominam planícies,</p><p>mas podem ser encontradas algumas colinas, na região conhecidas como “coxilhas”.</p><p>Além das coxilhas existem também alguns planaltos.</p><p>Cavernas e grutas são</p><p>comuns. A pedra do Segredo, em Caçapava do Sul, tem 160 metros de altura e três</p><p>cavernas em seu interior.</p><p>35</p><p>Destacam-se como rios importantes deste bioma o Santa Maria, o Uruguai, o</p><p>Jacuí, o Ibicuí e o Vacacaí. Estes e outros da região se dividem em duas bacias</p><p>hidrográficas: a Costeira do Sul e a do rio da Prata. Tratam-se de rios que apresentam</p><p>boas condições para navegação, constituindo verdadeiras hidrovias na região.</p><p>Próximo ao litoral existem muitos lagos e lagoas. A Lagoa dos Patos, localizada</p><p>no município de São Lourenço do Sul, é a maior laguna do Brasil e a segunda maior</p><p>da América Latina, com 265 km de comprimento.</p><p>O clima da região é o subtropical úmido. O que isso significa? Bom, isso quer</p><p>dizer que, nos campos sulinos, os verões são quentes, os invernos são frios e chove</p><p>regularmente durante todo o ano.</p><p>Quando falamos em invernos frios, estamos falando de temperaturas que podem</p><p>registrar menos que 0º C, ou seja, que podem ser negativas. Quando falamos de</p><p>verões quentes, estamos falando de temperaturas que podem chegar a 35º C. É a</p><p>região com a maior amplitude térmica do país, isto é, onde há maior variação de</p><p>temperatura. (LEITE & DOURADO, 2015)</p><p>6.4.9 Caatinga</p><p>A caatinga, palavra originária do tupi-guarani, que significa “mata branca”, é o</p><p>único sistema ambiental exclusivamente brasileiro. Possui extensão territorial de</p><p>734.478 km², correspondendo a cerca de 10% do território nacional. Ela está presente</p><p>nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas,</p><p>Bahia, Piauí e norte de Minas Gerais.</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>36</p><p>Fonte: www.ecoprimos.com.br</p><p>As temperaturas médias anuais são elevadas, oscilam entre 25°C e 29°C. O</p><p>clima é semiárido; e o solo, raso e pedregoso, é composto por vários tipos diferentes</p><p>de rochas.</p><p>A ação do homem já alterou 80% da cobertura original da caatinga, que</p><p>atualmente tem menos de 1% de sua área protegida em 36 unidades de conservação,</p><p>que não permitem a exploração de recursos naturais.</p><p>As secas são cíclicas e prolongadas, interferindo de maneira direta na vida de</p><p>uma população de, aproximadamente, 25 milhões de habitantes.</p><p>As chuvas ocorrem no início do ano e o poder de recuperação do bioma é muito</p><p>rápido, surgem pequenas plantas e as árvores ficam cobertas de folhas. (CARDOSO</p><p>JR, 2009)</p><p>A região enfrenta também graves problemas sociais, entre eles os baixos níveis</p><p>de renda e de escolaridade, a falta de saneamento ambiental e os altos índices de</p><p>mortalidade infantil.</p><p>Desde o período imperial, tenta-se promover o desenvolvimento econômico na</p><p>caatinga, porém, a dificuldade é imensa em razão da aridez da terra e da instabilidade</p><p>das precipitações pluviométricas. A principal atividade econômica desenvolvida na</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>37</p><p>caatinga é a agropecuária. A agricultura destaca-se na região através da irrigação</p><p>artificial, possibilitada pela construção de canais e açudes. Alguns projetos de</p><p>irrigação para a agricultura comercial são desenvolvidos no médio vale do São</p><p>Francisco, o principal rio da região, juntamente ao Parnaíba.</p><p>Vegetação – As plantas da caatinga são xerófilas, ou seja, adaptadas ao clima</p><p>seco e à pouca quantidade de água. Algumas armazenam água, outras possuem</p><p>raízes superficiais para captar o máximo de água da chuva. E há as que contam com</p><p>recursos para diminuir a transpiração, como espinhos e poucas folhas. A vegetação é</p><p>formada por três estratos: o arbóreo, com árvores de 8 a 12 metros de altura; o</p><p>arbustivo, com vegetação de 2 a 5 metros; e o herbáceo, abaixo de 2 metros. Entre</p><p>as espécies mais comuns estão a amburana, o umbuzeiro e o mandacaru. Algumas</p><p>dessas plantas podem produzir cera, fibra, óleo vegetal e, principalmente, frutas.</p><p>Fauna – A fauna da caatinga é bem diversificada, composta por répteis</p><p>(principalmente lagartos e cobras), roedores, insetos, aracnídeos, cachorro-do-mato,</p><p>arara-azul (ameaçada de extinção), sapo-cururu, asa branca, cutia, gambá, preá,</p><p>veado-catingueiro, tatupeba, sagui-do-nordeste, entre outros animais.</p><p>Segundo CARDOSO JR (2009) a primeira área protegida criada no bioma foi a</p><p>Floresta Nacional do Araripe Apodi, no estado do Ceará, em 1946. A década de 1990</p><p>foi a que apresentou o maior incremento em área de Unidade de Conservação (UCs),</p><p>mas esse incremento se deveu praticamente à criação de apenas três Áreas de</p><p>Proteção Ambiental (APA): dunas e veredas do baixo-médio São Francisco (1 milhão</p><p>de ha), pelo governo do estado da Bahia e Chapada do Araripe (0,9 milhão de ha) e</p><p>Serra do Ibiapaba (1,6 milhão de ha), pelo governo federal. Na atual década a Bahia</p><p>criou mais uma APA de grande extensão, a do Lago de Sobradinho (1,2 milhão de ha)</p><p>(gráfico 3). A maior unidade de conservação de proteção integral do bioma Caatinga</p><p>é o Parque Nacional da Chapada Diamantina, no estado da Bahia, com cerca de 150</p><p>mil ha. Das 67 UCs do bioma, 20 têm área entre 10.001 e 100.000 ha, 21 têm área</p><p>entre 1.001 e 10.000 ha e 19 têm área menor do que 1.000 ha.</p><p>6.4.10 Zona Costeira</p><p>Conforme mencionado, a Zona Costeira e Marinha tem sido tratada como um</p><p>“sétimo bioma” brasileiro no âmbito das políticas governamentais, especialmente as</p><p>Olívia</p><p>Destacar</p><p>38</p><p>ambientais, embora a definição oficial de bioma, baseada na distribuição contígua da</p><p>vegetação, não lhe seja aplicável. A Zona Costeira e Marinha é a fusão de conceitos,</p><p>ações e políticas relacionadas à gestão e do ordenamento territorial, e ao</p><p>reconhecimento da soberania nacional sobre recursos econômicos marinhos</p><p>(CARDOSO JR, 2010).</p><p>A Zona Costeira e Marinha (ZCM) acompanha os mais de 8 mil quilômetros da</p><p>costa brasileira e abriga uma grande diversidade de ambientes, como estuários,</p><p>praias, dunas, os únicos recifes de coral de todo o Atlântico Sul e a maior extensão</p><p>contínua de manguezais do planeta. Cinco dos seis biomas continentais brasileiros</p><p>possuem interface com a ZCM (BRASIL, 2008). Considerando aspectos físicos e</p><p>biológicos, estima-se que existam entre três e nove grandes regiões marinhas no</p><p>Brasil.</p><p>A biodiversidade marinha da costa brasileira é ainda relativamente pouco</p><p>conhecida. No caso de invertebrados bentônicos, já foram registradas pouco mais de</p><p>1.300 espécies na costa sudeste do Brasil, com elevado grau de endemismo, mas</p><p>muitas regiões e ambientes ainda precisam ser adequadamente inventariados. Para</p><p>grupos mais bem conhecidos, os peixes somam aproximadamente 750 espécies, cuja</p><p>diversidade é relativamente uniforme ao longo da costa e de baixo grau de</p><p>endemismo.</p><p>Fonte: www.inctambtropic.org</p><p>39</p><p>O nível de proteção do ambiente marinho por UCs é o mais baixo comparado</p><p>aos biomas continentais brasileiros. Apenas 1,5% da zona marinha é coberta por UCs</p><p>e esta porcentagem cai para meros 0,3% caso a área de APAs não seja contabilizada.</p><p>São ao todo 40 UCs, 22 federais e 18 estaduais, que somam 5,4 milhões de ha.</p><p>Entretanto, excluindo-se as APAs – que representam 89,4% da área de UCs de uso</p><p>sustentável –, a área protegida por UCs é de um milhão de ha (CARDOSO JR, 2010).</p><p>Com área de 35 mil ha, a unidade de conservação mais antiga da zona costeira</p><p>é a Reserva Biológica do Atol das Rocas, no litoral do Rio Grande do Norte, de 1979.</p><p>Em 1980 foi criado também o Parque Nacional de Cabo Orange, no extremo norte do</p><p>Amapá – bioma Amazônia –, com uma área de pouco mais de 600 mil ha, dos quais</p><p>aproximadamente 200 mil ha correspondem a ambientes marinhos, trecho que</p><p>constitui a maior área contínua de unidade de conservação de proteção integral</p><p>existente na zona marinha. Na década seguinte, mais cinco UCs federais de proteção</p><p>integral exclusivas à zona marinha foram criadas, com destaque para as duas</p><p>maiores, o Parque Nacional Marinho de Abrolhos (aproximadamente 90 mil ha) e o de</p><p>Fernando de Noronha (aproximadamente 11mil ha). A maior UC estadual de proteção</p><p>integral</p>