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<p>1</p><p>54</p><p>CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL, CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO,</p><p>CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO E O RESPEITO AOS MORTOS E CRIMES CONTRA A</p><p>FAMÍLIA.</p><p>1! DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL .................................................. 3!</p><p>2! DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO E O RESPEITO AOS MORTOS ........ 6!</p><p>2.1! Crimes contra o sentimento religioso ...................................................................................... 7!</p><p>2.2! Crimes contra o respeito aos mortos ....................................................................................... 8!</p><p>3! DOS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA ............................................................................. 8!</p><p>3.1! Dos crimes contra o casamento ............................................................................................... 8!</p><p>3.2! Dos crimes contra o estado de filiação .................................................................................... 9!</p><p>3.3! Dos crimes contra a assistência familiar ................................................................................ 10!</p><p>3.4! Dos crimes contra o pátrio poder, tutela e curatela .............................................................. 12!</p><p>4! DOS CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ......................................... 13!</p><p>4.1! Atentado contra a liberdade de trabalho ............................................................................... 13!</p><p>4.2! Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta ...................... 13!</p><p>4.3! Atentado contra a liberdade de associação ........................................................................... 15!</p><p>4.4! Paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem ............................. 15!</p><p>4.5! Paralisação de trabalho de interesse coletivo ........................................................................ 16!</p><p>4.6! Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Sabotagem .......................... 16!</p><p>4.7! Frustração de direito assegurado por lei trabalhista ............................................................. 17!</p><p>4.8! Frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho ............................................................ 18!</p><p>4.9! Exercício de atividade com infração de decisão administrativa ............................................. 18!</p><p>4.10! Aliciamento para o fim de emigração .................................................................................... 19!</p><p>4.11! Aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional ....................... 20!</p><p>4.12! Tópicos importantes aplicáveis aos crimes contra a organização do trabalho ...................... 21!</p><p>5! DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES ..................................................................... 23!</p><p>6! SÚMULAS PERTINENTES ........................................................................................ 30!</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>2</p><p>54</p><p>6.1! Súmulas do STJ ....................................................................................................................... 30!</p><p>7! JURISPRUDÊNCIA CORRELATA ............................................................................... 31!</p><p>8! RESUMO ................................................................................................................ 32!</p><p>9! EXERCÍCIOS PARA PRATICAR .................................................................................. 36!</p><p>10! EXERCÍCIOS COMENTADOS .................................................................................... 42!</p><p>11! GABARITO ............................................................................................................. 54!</p><p>Olá, meus amigos!</p><p>A aula de hoje trata de diversos crimes em espécie, previstos na parte especial do CP, como</p><p>os crimes contra a organização do trabalho, a família e outros.</p><p>Estes crimes são pouco explorados, de forma que serão tratados com menos profundidade</p><p>que os demais. Além disso, teremos de utilizar questões de Bancas variadas, para não ficarmos com</p><p>uma preparação defasada.</p><p>Considerando que o tempo é um elemento escasso, vamos dar mais ênfase ao que mais</p><p>importa, e menos ênfase ao que menos importa.</p><p>Bons estudos!</p><p>Prof. Renan Araujo</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>3</p><p>54</p><p>1! DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL</p><p>Os crimes contra a propriedade imaterial estão previstos no Título III do Livro II do Código</p><p>Penal, abarcando os tipos penais previstos nos arts. 184 a 196, divididos em 04 capítulos.</p><p>No entanto, apenas o capítulo I permanece em vigor, já que os três capítulos seguintes foram</p><p>REVOGADOS pela 9.279/96.</p><p>O único capítulo restante, o capítulo I, trata dos crimes contra a propriedade intelectual, e</p><p>possui apenas um único tipo penal, que é o de “Violação de direitos autorais”, previsto no art. 184.</p><p>Anteriormente, o art. 185 também previa um tipo penal, o de usurpação de nome ou pseudônimo</p><p>(apelido) alheio, mas este artigo fora revogado pela Lei 10.695/03, que, por sua vez, deu a redação</p><p>atual do artigo 184, o último dos moicanos.</p><p>Vamos estudá-lo?</p><p>O art. 184 do CP possui a seguinte redação:</p><p>Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Esse tipo é o tipo penal base, ou seja, os demais parágrafos dele derivam.</p><p>A conduta consiste em “violar direitos de autor”. Porém, quais seriam os direitos do autor? Os</p><p>direitos do autor são o conjunto de direitos e prerrogativas que a Lei confere ao criador de</p><p>determinada obra (seja ela qual for).</p><p>A matéria está tratada, inclusive, a nível constitucional. Vejamos a redação do art. 5º, XVII:</p><p>XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras,</p><p>transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;</p><p>A matéria, em nível infraconstitucional, é tratada atualmente pela Lei 9.610/98. No entanto,</p><p>fugiria ao nosso trabalho adentrar ao estudo daquela Lei. Basta que vocês saibam que a violação</p><p>dos direitos conferidos pela Lei ao autor é CRIME PREVISTO NO ART. 184 DO CP.</p><p>Veja você, caro aluno, que a reprodução não autorizada desta obra que você está lendo agora,</p><p>pode caracterizar a prática de um delito, de forma que é bastante recomendável evitar a sua prática.</p><p>O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, sendo, portanto, um CRIME COMUM.</p><p>O elemento subjetivo exigido é o dolo, não se admitindo a forma culposa, por não haver</p><p>previsão legal nesse sentido. Aqui não há finalidade de obtenção de lucro.</p><p>Apenas para que vocês saibam, a lei não protege por tempo indeterminado os direitos</p><p>patrimoniais do autor sobre sua obra. Nos termos do art. 41 da Lei 9.610/98, eles duram por 70</p><p>anos, contados de 1º de janeiro do ano subsequente ao do falecimento do autor, ou seja, enquanto</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>4</p><p>54</p><p>vivo o autor, o direito patrimonial existe e, após sua morte, caso haja herdeiros, permanece por mais</p><p>70 anos.</p><p>Após esse prazo, ou falecendo o autor sem deixar sucessores, a obra cai no chamado “domínio</p><p>público”. Assim, é possível imaginar, por exemplo, que alguém incorra em erro de tipo, acreditando</p><p>que a obra que está reproduzindo já está em domínio público, quando não está. Fica aí um exemplo!</p><p>A consumação se dá de formas variadas</p><p>de</p><p>quem sobre ele exerce autoridade, em virtude de lei ou de ordem judicial; confiar a outrem sem ordem do pai,</p><p>do tutor ou do curador algum menor de dezoito anos ou interdito, ou deixar, sem justa causa, de entregá-lo a</p><p>quem legitimamente o reclame:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.</p><p>Subtração de incapazes</p><p>Art. 249 - Subtrair menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude</p><p>de lei ou de ordem judicial:</p><p>Pena - detenção, de dois meses a dois anos, se o fato não constitui elemento de outro crime.</p><p>§ 1º - O fato de ser o agente pai ou tutor do menor ou curador do interdito não o exime de pena, se destituído</p><p>ou temporariamente privado do pátrio poder, tutela, curatela ou guarda.</p><p>§ 2º - No caso de restituição do menor ou do interdito, se este não sofreu maus-tratos ou privações, o juiz</p><p>pode deixar de aplicar pena.</p><p>6! SÚMULAS PERTINENTES</p><p>6.1! SÚMULAS DO STJ</p><p>Ä Súmula 502 do STJ – O STJ já consolidou entendimento no sentido de que tal conduta é TÍPICA, e</p><p>não há que se falar em aplicação, aqui, do princípio da adequação social, tendo sumulado a</p><p>questão:</p><p>Súmula 502 do STJ</p><p>Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no art. 184,</p><p>§ 2º, do CP, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas.</p><p>Ä Súmula 574 do STJ – O STJ sumulou entendimento no sentido de que, para a configuração do</p><p>delito de violação de direito autoral, é suficiente a realização de perícia por amostragem, sendo</p><p>dispensável, inclusive, a identificação do titular do direito autoral violado ou de seus representantes:</p><p>Súmula 574 do STJ - Para a configuração do delito de violação de direito autoral e a comprovação</p><p>de sua materialidade, é suficiente a perícia realizada por amostragem do produto apreendido, nos</p><p>aspectos externos do material, e é desnecessária a identificação dos titulares dos direitos autorais</p><p>violados ou daqueles que os representem.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>31</p><p>54</p><p>7! JURISPRUDÊNCIA CORRELATA</p><p>Ä STJ - RE 587530 AgR – O STF decidiu no sentido de que a competência da Justiça Federal para</p><p>processar e julgar os crimes contra a Organização do Trabalho estará configurada quando “houver</p><p>ofensa ao sistema de órgãos e institutos destinados a preservar, coletivamente, os direitos e deveres</p><p>dos trabalhadores”, não sendo da competência da JF quando se tratar de mera ofensa a direitos</p><p>individuais, ainda que pertencentes a um grupo de pessoas:</p><p>(...) Cumpre à Justiça Federal processar e julgar "os crimes contra a organização do trabalho" (CR,</p><p>art. 109, inc. VI) quando "houver ofensa ao sistema de órgãos e institutos destinados a</p><p>preservar, coletivamente, os direitos e deveres dos trabalhadores" (EDcl no AgRg no CC</p><p>129.181/MG, Rel. Ministro Jorge Mussi, Terceira Seção, julgado em 25/02/2015; Súmula 115/TFR).</p><p>Não lhe compete, contudo, processar e julgar causa decorrente de relação de trabalho</p><p>relacionada à violação de direitos individuais, ainda que pertencentes a um grupo</p><p>determinado de pessoas.</p><p>(...) (CC 131.319/SP, Rel. Ministro NEWTON TRISOTTO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO</p><p>TJ/SC), TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 26/08/2015, DJe 11/09/2015)</p><p>Ä STF - RE 587530 AgR – O STF decidiu no sentido de que a análise, para fins de competência da</p><p>Justiça Federal em relação aos crimes contra a Organização do Trabalho, deverá ser muito mais</p><p>ampla do que a mera configuração de lesão aos órgãos e instituições que visem à proteção do</p><p>trabalho, devendo ser analisado se houve, no caso concreto, lesão à dignidade do ser humano, num</p><p>contexto de relação de trabalho:</p><p>(...) É da mais recente jurisprudência desta Suprema Corte, o entendimento de que, para fins de</p><p>fixação da competência da justiça federal, o enquadramento na categoria de crimes contra a</p><p>organização do trabalho, vai além de condutas ofensivas ao sistema de órgãos e instituições</p><p>que visam a proteção dos trabalhadores. A dignidade do homem, protegida amplamente</p><p>pela Constituição da República, não pode ser olvidada, devendo ser atrelada àquele</p><p>componente orgânico (RE nº 398.041/PA, Tribunal Pleno, Relator o Ministro Joaquim Barbosa,</p><p>DJe de 19/12/08). 2. Restando superada a questão preliminar de incompetência, deve o Tribunal</p><p>Regional Federal da 4ª Região prosseguir na análise das demais questões levadas à sua apreciação</p><p>nos autos do writ ali impetrado. 3. Agravo regimental parcialmente provido.</p><p>(RE 587530 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 03/05/2011, DJe-</p><p>164 DIVULG 25-08-2011 PUBLIC 26-08-2011 EMENT VOL-02574-02 PP-00432)</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>32</p><p>54</p><p>8! RESUMO</p><p>CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL</p><p>Violação de direito autoral</p><p>Conduta do caput (art. 184)</p><p>Conduta - A conduta consiste em “violar direitos de autor”. Os direitos do autor são o conjunto de</p><p>direitos e prerrogativas que a Lei confere ao criador de determinada obra (seja ela qual for).</p><p>Sujeitos e elemento subjetivo - O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, sendo, portanto, um</p><p>CRIME COMUM. O elemento subjetivo exigido é o dolo, não se admitindo a forma culposa, por não</p><p>haver previsão legal nesse sentido. Aqui não há finalidade de obtenção de lucro.</p><p>Consumação e tentativa - A consumação se dá de formas variadas a depender da espécie de obra</p><p>que se está violando. Em sendo obra literária, se dá com a reprodução indevida. Em caso de peça</p><p>artística, com a reprodução pública indevida. Admite-se plenamente a TENTATIVA.</p><p>Conduta do art. 184, §1º</p><p>Conduta - A conduta é aquela de quem realiza a reprodução ilegal com intuito de lucro.</p><p>Sujeitos e elemento subjetivo - O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, sendo, portanto, um</p><p>CRIME COMUM. O elemento subjetivo exigido é o dolo, não se admitindo a forma culposa, por não</p><p>haver previsão legal nesse sentido. Aqui há finalidade de obtenção de lucro (elemento subjetivo</p><p>específico).</p><p>Consumação e tentativa - A consumação se dá com a reprodução indevida, com fim de lucro.</p><p>Admite-se plenamente a TENTATIVA.</p><p>Conduta do art. 184, §2º</p><p>Conduta - A conduta é a daquela pessoa que não realiza a reprodução ilegal, mas, com o intuito de</p><p>lucro direto ou indireto, distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta,</p><p>tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido de forma ilegal.</p><p>Sujeitos e elemento subjetivo - O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, sendo, portanto, um</p><p>CRIME COMUM. O elemento subjetivo exigido é o dolo, não se admitindo a forma culposa, por não</p><p>haver previsão legal nesse sentido. Aqui há finalidade de obtenção de lucro (elemento subjetivo</p><p>específico).</p><p>Consumação e tentativa - A consumação se dá com a prática de qualquer das condutas descritas no</p><p>tipo (distribuir, expor à venda, ter em depósito, etc.), ainda que o agente não consiga o lucro</p><p>pretendido. Admite-se plenamente a TENTATIVA.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>33</p><p>54</p><p>OBS.: A conduta de comercializar CDs e DVDs piratas é CRIME, configurando o delito do art. 184,</p><p>§2º, não havendo que se falar em “adequação social” (STJ – Súmula 502).</p><p>Ação penal nos crimes contra a propriedade imaterial</p><p>Ação penal privada – Conduta do art. 184, caput.</p><p>Ação penal pública condicionada à representação da vítima - Oferecimento mediante sistema de</p><p>distribuição em massa (art. 184, §3º)</p><p>AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA – Demais casos</p><p>CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO</p><p>Ultraje a culto</p><p>e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo</p><p>Sujeito ativo - Crime comum. Sujeito passivo é a coletividade que compartilha deste sentimento</p><p>religioso, podendo, ainda, ser a pessoa efetivamente privada de seu culto religioso ou zombada</p><p>Elemento subjetivo - Dolo</p><p>Tentativa - A tentativa é admissível em todas as hipóteses, salvo nas manifestações verbais</p><p>(escárnio, vilipêndio verbal, etc.).</p><p>CRIMES CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS</p><p>Sujeitos - Todos os delitos são COMUNS. O sujeito passivo NÃO SERÁ O MORTO, pois não é sujeito</p><p>de direitos, mas a coletividade e, em especial, os familiares e demais pessoas que guardam qualquer</p><p>relação de afinidade com a pessoa falecida.</p><p>Elemento subjetivo - Dolo</p><p>Tentativa - A tentativa é admissível em todas as hipóteses, salvo nas manifestações verbais</p><p>(escárnio, vilipêndio verbal, etc.).</p><p>CRIMES CONTRA A FAMÍLIA</p><p>Crimes contra o casamento</p><p>Sujeitos - CRIMES COMUNS. EXCEÇÃO: Bigamia, que somente pode ser praticado pela pessoa que</p><p>possui a qualidade de já ser casada, sendo, portanto, CRIME PRÓPRIO. O sujeito passivo é,</p><p>primariamente, o Estado e, secundariamente, eventual particular lesado.</p><p>Elemento subjetivo - Dolo</p><p>Tentativa – A tentativa é possível em todos os casos. No caso do crime de bigamia, a Doutrina se</p><p>divide, mas majoritariamente entende que também é possível.</p><p>Crimes contra o estado de filiação</p><p>Sujeitos - CRIMES COMUNS. EXCEÇÕES:</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>34</p><p>54</p><p>•! No caso do tipo penal do art. 242 – Na conduta de “dar parto alheio como próprio”.</p><p>Nessa conduta, só a mulher pode praticar o delito.</p><p>•! No caso do tipo penal do art. 243 – Se a conduta é praticada contra filho “próprio”, só</p><p>o pai ou mãe podem praticar o delito.</p><p>O sujeito passivo é o Estado, e secundariamente, a pessoa prejudicada com a ação.</p><p>Elemento subjetivo – Dolo. EXCEÇÃO: No crime do art. 243 do CP não é suficiente o dolo genérico,</p><p>exigindo-se o especial fim de agir, consistente na intenção de prejudicar direito inerente ao estado</p><p>civil.</p><p>Tentativa – A tentativa é possível em todos os casos.</p><p>Crimes contra a assistência familiar</p><p>Sujeitos – Crimes próprios, pois somente podem ser praticados por aqueles que possuam as</p><p>qualidades exigidas nos tipos penais (pai, mãe, responsável, etc.). O sujeito passivo primário, em</p><p>todos eles, é o ESTADO, figurando como sujeito passivo secundário o parente que ficou ao</p><p>desamparo (ascendente, descendente, etc.).</p><p>Elemento subjetivo - Dolo</p><p>Tentativa - A tentativa é admissível, salvo nos crimes de abandono material e abandono intelectual,</p><p>eis que são crimes omissivos próprios.</p><p>Dos crimes contra o pátrio poder, tutela e curatela</p><p>Sujeitos – O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, sendo crimes comuns. Sujeitos passivos são os</p><p>responsáveis pelos incapazes submetidos às situações descritas nos tipos penais. Secundariamente,</p><p>figuram como sujeitos passivos os próprios incapazes.</p><p>Elemento subjetivo – Dolo</p><p>Tentativa - A tentativa é admissível, exceto no caso do art. 248 quando for praticado na modalidade</p><p>de “deixar, sem justa causa, de entrega-lo...”, por se tratar, neste caso, de CRIME OMISSIVO</p><p>PRÓPRIO.</p><p>CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO</p><p>Ø! Boicotagem violenta - Tipo misto cumulativo, ou seja, o tipo penal prevê mais de uma</p><p>conduta (tipo misto), e a prática de mais de uma dessas condutas descritas no núcleo do tipo</p><p>configura mais de um crime, e não crime único (tipo misto cumulativo).</p><p>OBS.: As condutas de obrigar alguém a NÃO celebrar contrato de trabalho e obrigar alguém a</p><p>FORNECER ou AQUIRIR de outrem matéria-prima ou produto industrial ou agrícola NÃO constituem</p><p>crime de boicotagem violenta (não estão previstas no tipo).</p><p>Ø! Paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem - Aqui a violência</p><p>apenas contra COISA caracteriza o delito. Pelo menos três empregados devem participar</p><p>(concurso necessário).</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>35</p><p>54</p><p>Ø! Frustração de direito assegurado por lei trabalhista - O crime se caracteriza pela frustração</p><p>(evitar a efetivação) de um direito trabalhista. Isso pode se dar mediante VIOLÊNCIA OU</p><p>GRAVE AMEAÇA. OBS.: Cláusula de equiparação: conduta daquele que COAGE o empregado</p><p>a consumir mercadoria de determinado estabelecimento, PARA IMPOSSIBILITAR O</p><p>DESLIGAMENTO DO TRABALHO EM RAZÃO DA DÍVIDA, bem como aquele que impede alguém</p><p>de se desligar de serviço mediante COAÇÃO ou RETENÇÃO DE SEUS DOCUMENTOS. OBS.: Se</p><p>há privação da liberdade de locomoção = crime de redução à condição análoga à de escravo.</p><p>Ø! Exercício de atividade com infração de decisão administrativa – Se o agente exerce a</p><p>atividade em descumprimento à decisão JUDICIAL não pratica este delito, mas o delito do art.</p><p>359 do CP. Médico com registro cassado pratica este delito? Sim, pratica este delito, e não</p><p>o crime de exercício ilegal da medicina.</p><p>Tópicos importantes</p><p>Ø! Todas as condutas somente são punidas na modalidade DOLOSA.</p><p>Ø! Todos os crimes são de ação penal pública incondicionada.</p><p>Ø! São, em regra, crimes FORMAIS, mas há exceções</p><p>Ø! Todos os crimes admitem a TENTATIVA, salvo as raras hipóteses em que a conduta não pode</p><p>ser fracionada (exemplo: Negar as condições para retorno, art. 207, §1º, por de tratar de</p><p>conduta omissiva).</p><p>Ø! Para quase todos os delitos é cominada pena de detenção, exceto para o crime do art. 202</p><p>(para este, a pena cominada é a de reclusão).</p><p>Ø! O crime de redução à condição análoga à de escravo não está inserido dentro dos “crimes</p><p>contra a organização do trabalho”, pois está previsto no art. 149 do CP, dentro do capítulo</p><p>referente aos crimes contra a liberdade pessoal.</p><p>Competência para processar e julgar os crimes contra a organização do trabalho</p><p>REGRA - Para o STJ, a competência será, a princípio, da Justiça estadual, salvo se ficar comprovado</p><p>que houve:</p><p>§! violação a direito dos trabalhadores, considerados coletivamente; ou</p><p>§! violação à organização geral do trabalho.</p><p>OBS.: Assim, a mera violação aos direitos de um ou alguns trabalhadores não desloca a competência</p><p>para a Justiça Federal.</p><p>OBS.: O STF destaca que a análise deverá ser muito mais ampla do que a mera configuração de</p><p>lesão aos órgãos e instituições que visem à proteção do trabalho, devendo ser analisado se houve,</p><p>no caso concreto, lesão à dignidade do ser humano, num contexto de relação de trabalho.</p><p>OBS.: Competência para julgar o crime de redução à condição análoga à de escravo = Justiça Federal</p><p>(STF e STJ) – Ofende gravemente a organização do trabalho, eis que, dentre outras coisas, há</p><p>violação flagrante à dignidade da pessoa humana em relação de trabalho.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>36</p><p>54</p><p>_______</p><p>Bons estudos!</p><p>Prof. Renan Araujo</p><p>9! EXERCÍCIOS PARA PRATICAR</p><p>01.! (TRT2 – 2016 – TRT2 – JUIZ DO TRABALHO)</p><p>Em relação aos crimes contra a organização do trabalho, cujos tipos penais estão enunciados no</p><p>Título IV da Parte Especial do Código Penal, segundo a tipologia especificamente adotada por este</p><p>Código, são condutas típicas que, em tese, caracterizam crime contra a organização do trabalho:</p><p>I- “Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a</p><p>jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por</p><p>qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto”.</p><p>II- “Deixar de repassar à previdência social as contribuições</p><p>recolhidas dos contribuintes, no prazo e</p><p>forma legal ou convencional”.</p><p>III- “Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando violência contra pessoa</p><p>ou contra coisa".</p><p>IV- “Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa”.</p><p>V - “Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do território nacional”.</p><p>Responda:</p><p>a) Somente as proposições l,ll e IV estão corretas.</p><p>b) Somente as proposições l,ll e V estão corretas.</p><p>c) Somente as proposições II,III e V estão corretas.</p><p>d) Somente as proposições III,IV e V estão corretas .</p><p>e) Todas as proposições estão corretas.</p><p>02.! (CESPE – 2016 – TRT8 – ANALISTA JUDICIÁRIO – ADAPTADA)</p><p>A conduta de vender ou expor à venda CDs ou DVDs contendo gravações de músicas, filmes ou shows</p><p>não configura crime de violação de direito autoral, por ser prática amplamente tolerada e estimulada</p><p>pela procura dos consumidores desses produtos.</p><p>03.! (CESPE – 2016 – TRT8 – ANALISTA JUDICIÁRIO – ADAPTADA)</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>37</p><p>54</p><p>No crime de aliciamento para o fim de emigração, pune-se a conduta de recrutar trabalhadores,</p><p>mediante fraude, com o fim de levá-los para território estrangeiro, como forma de se garantir a</p><p>proteção à organização do trabalho.</p><p>04.! (CESPE – 2016 – TRT8 – ANALISTA JUDICIÁRIO)</p><p>Em relação aos crimes contra a organização do trabalho, assinale a opção correta.</p><p>a) Para a configuração do crime de participação de abandono coletivo de trabalho com violência</p><p>contra a pessoa, é indispensável o concurso de pelo menos três empregados.</p><p>b) Consiste em infração penal violadora da liberdade individual, e não em crime contra a organização</p><p>do trabalho, a conduta do agente que impede alguém de se desligar de serviços de qualquer</p><p>natureza, mediante a retenção de seus documentos pessoais.</p><p>c) No crime de aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional, o</p><p>recrutador que não assegurar condições de retorno do trabalhador ao local de origem estará sujeito</p><p>a causa específica de aumento de pena.</p><p>d) O Código Penal prevê, para todos os crimes contra a organização do trabalho, como causa de</p><p>aumento de pena o fato de a vítima ser menor de dezoito anos de idade, idosa, gestante, indígena</p><p>ou portadora de deficiência física ou mental.</p><p>e) Processam-se esses crimes por ação penal pública incondicionada, estando o autor de qualquer</p><p>um deles sujeito à pena de detenção, além da pena correspondente à violência empregada, quando</p><p>for o caso.</p><p>05.! (CESPE – 2016 – TRT8 – ANALISTA JUDICIÁRIO)</p><p>Acerca do crime de que trata o art. 198 do CP — atentado contra a liberdade de trabalho e</p><p>boicotagem violenta —, assinale a opção correta.</p><p>a) A competência para o processamento de ação que envolva a prática desse crime é da justiça</p><p>federal, independentemente de se tratar de interesse individual do trabalhador ou coletivo.</p><p>b) A conduta de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a adquirir de outrem</p><p>matéria-prima ou produto industrial agrícola configura o crime previsto no referido artigo.</p><p>c) Cometerá o referido crime aquele que constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça,</p><p>a não celebrar contrato de trabalho.</p><p>d) Haverá concurso de crimes se o agente praticar mais de uma das condutas previstas no art. 198</p><p>do CP.</p><p>e) O referido crime classifica-se como crime próprio.</p><p>06.! (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA)</p><p>Não constitui crime vilipendiar as cinzas de um cadáver, sendo tal conduta atípica por ausência de</p><p>previsão legal.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>38</p><p>54</p><p>07.! (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA)</p><p>Pratica crime previsto no CP aquele que contrai casamento conhecendo a existência de</p><p>impedimento que lhe cause a nulidade absoluta ou relativa.</p><p>08.! (CESPE – 2015 – DPE-RN – DEFENSOR PÚBLICO)</p><p>Vanessa foi presa em flagrante enquanto vendia e expunha à venda cerca de duzentos DVDs piratas,</p><p>falsificados, de filmes e séries de televisão. Realizada a devida perícia, foi confirmada a falsidade dos</p><p>objetos. Incapaz de apresentar autorização para a comercialização dos produtos, Vanessa alegou em</p><p>sua defesa que desconhecia a ilicitude de sua conduta.</p><p>Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta à luz da jurisprudência dominante</p><p>dos tribunais superiores.</p><p>a) Vanessa é isenta de culpabilidade, pois incidiu em erro de proibição.</p><p>b) O MP deve comprovar que os detentores dos direitos autorais das obras falsificadas sofreram real</p><p>prejuízo para que a conduta de Vanessa seja criminosa.</p><p>c) A conduta de Vanessa ofende o direito constitucional que protege a autoria de obras intelectuais</p><p>e configura crime de violação de direito autoral.</p><p>d) A conduta de vender e expor à venda DVDs falsificados é atípica em razão da incidência do</p><p>princípio da adequação social.</p><p>e) A conduta de vender e expor à venda DVDs falsificados é atípica em razão da incidência do</p><p>princípio da insignificância.</p><p>09.! (FCC – 2015 – TRT23 – JUIZ DO TRABALHO)</p><p>Paulo, industrial do ramo de plásticos, mediante promessa de mal futuro, sério e verossímil,</p><p>constrangeu Pedro, proprietário de empresa concorrente, a não adquirir de Antônio matéria-prima</p><p>necessária para a fabricação de seus produtos. No caso, Paulo cometeu o crime de</p><p>a) atentado contra a liberdade de contrato de trabalho.</p><p>b) constrangimento ilegal.</p><p>c) atentado contra a liberdade de trabalho.</p><p>d) sabotagem.</p><p>e) boicotagem violenta.</p><p>10.! (MPT – 2015 – MPT – PROCURADOR DO TRABALHO)</p><p>Acerca do crime de frustração de direito assegurado por lei trabalhista é INCORRETO afirmar:</p><p>a) Admite tentativa.</p><p>b) Pode ser executado por meio de violência.</p><p>c) Trata-se de norma penal em branco.</p><p>d) Não pode ser classificado como crime permanente.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39</p><p>54</p><p>e) Não respondida.</p><p>11.! (FCC – 2015 – TRT6 – JUIZ DO TRABALHO)</p><p>No delito de paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem,</p><p>a) o sujeito ativo só pode ser o empregado.</p><p>b) punível a suspensão de trabalho.</p><p>c) a violência deve ser dirigida, necessariamente, contra pessoa.</p><p>d) o abandono de trabalho pode ser individual.</p><p>e) punível, apenas, o abandono de trabalho.</p><p>12.! (FCC – 2014 – TRT24 – JUIZ DO TRABALHO)</p><p>NÃO constitui crime contra a organização do trabalho</p><p>a) redução a condição análoga à de escravo.</p><p>b) boicotagem violenta.</p><p>c) atentado contra a liberdade de associação.</p><p>d) exercício de atividade com infração de decisão administrativa.</p><p>e) aliciamento para o fim de emigração.</p><p>13.! (FCC – 2014 – TRT1 – JUIZ DO TRABALHO)</p><p>Em 20/10/2012 empresário é surpreendido pela fiscalização frustrando direito assegurado pela</p><p>legislação do trabalho em razão da jornada exaustiva imposta aos empregados, tendo ficado</p><p>caracterizada a condição análoga à de escravo. No curso da ação penal, comprovou-se que o</p><p>empregador lançou falsas anotações nas carteiras de trabalho dos empregados e que, em</p><p>05/05/2010, fora condenado em outro processo, pela prática de apropriação indébita de</p><p>contribuições previdenciárias.</p><p>No que tange à tipicidade penal, o crime praticado pelo empresário em 20/10/2012 tem por objeto</p><p>jurídico</p><p>a) o abuso de autoridade.</p><p>b) o atentado contra o contrato de trabalho.</p><p>c) a saúde do trabalhador.</p><p>d) a organização do trabalho.</p><p>e) a liberdade pessoal do trabalhador.</p><p>14.! (VUNESP – 2012 – TJ-SP – TITULAR NOTARIAL)</p><p>Em relação</p><p>ao crime de bigamia, pode-se afirmar que se caracteriza quando:</p><p>I. contrai alguém, sendo casado, novo casamento;</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>40</p><p>54</p><p>II. contrai alguém, sendo divorciado, por sentença ainda não transitada em julgado, novo casamento;</p><p>III. contrai alguém, sendo divorciado, por sentença transitada em julgado, mas não averbada à</p><p>margem do assento de casamento, novo enlace.</p><p>São corretas as afirmativas</p><p>a) I e II, apenas.</p><p>b) I e III, apenas.</p><p>c) II e III, apenas.</p><p>d) I, II e III.</p><p>15.! (VUNESP – 2012 – TJ-SP – TITULAR NOTARIAL)</p><p>No tocante aos crimes quanto ao estado de filiação:</p><p>I. são considerados atos criminosos a promoção no registro civil da inscrição de nascimento</p><p>inexistente, o fato de dar parto alheio como próprio e, ainda, registrar como seu filho de outrem;</p><p>II. o ato de dar parto alheio como próprio pode ser considerado apenas infração administrativa, se</p><p>reconhecido por sentença judicial que praticado por motivo de reconhecida nobreza;</p><p>III. o ato de promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente pode deixar de ser</p><p>apenado, desde que reconhecido por sentença judicial que praticado por motivo de reconhecida</p><p>nobreza.</p><p>É correto o que se afirma apenas em</p><p>a) I.</p><p>b) I e II.</p><p>c) I e III.</p><p>d) II e III.</p><p>16.! (FCC – 2013 – TJ-PE – TITULAR NOTARIAL)</p><p>Registrar como seu o filho de outrem constitui crime cujo bem jurídico precípuo é</p><p>a) a administração da Justiça.</p><p>b) o patrimônio.</p><p>c) a propriedade imaterial.</p><p>d) a família.</p><p>e) a Administração Pública em geral.</p><p>17.! (VUNESP – 2011 – TJ-SP – TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS)</p><p>Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente</p><p>a) tipifica conduta penal de registro de nascimento inexistente.</p><p>b) tipifica conduta penal de sonegação de estado de filiação.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>41</p><p>54</p><p>c) tipifica conduta penal de parto suposto, supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil</p><p>de recém-nascido.</p><p>d) não configura ilícito penal.</p><p>18.! (INSTITUTO CIDADES – 2010 – DPE-GO – DEFENSOR PÚBLICO)</p><p>Romeu e Julieta se apaixonaram quando se conheceram. Mas a vida de casados desgastou a relação</p><p>e o casal separou-se de fato quando seu único filho, Romeuzinho, completou sete anos. Julieta,</p><p>então, com dedicação e trabalho, passou a sustentar sozinha o filho, cuidando para que nada lhe</p><p>faltasse. Completados dois anos dessa situação, uma vizinha noticiou o fato na Delegacia de Polícia</p><p>e Romeu foi preso em flagrante pelo crime de abandono material ( CP, art. 244: deixar, sem justa</p><p>causa, de prover a subsistência de filho menor de 18 anos, não lhe proporcionando os recursos</p><p>necessários). Penalmente, está correto a defesa técnica alegar que o crime de abandono material</p><p>a) é de ação penal privada, logo a persecução penal não poderia ter sido iniciada pela vizinha.</p><p>b) não foi recepcionado pela Constituição Federal, pois cria obstáculo intransponível para a</p><p>reconciliação do casal e preservação da família.</p><p>c) não se configurou, porque a vítima efetivamente não ficou ao desamparo, uma vez que a</p><p>assistência foi prestada por sua mãe.</p><p>d) não se configurou, porque não houve pensão alimentícia judicialmente acordada.</p><p>e) não é permanente, mas unissubsistente, logo não admite prisão em flagrante.</p><p>19.! (ESAF - AUDITOR FISCAL DO TRABALHO – 2010)</p><p>Carlos e Mário, isoladamente, abandonam o seu trabalho (greve) destruindo a porta do escritório e</p><p>batendo no chefe Beltrão. À luz do previsto dos Crimes contra a Organização do Trabalho na parte</p><p>especial do Código Penal, julgue os itens abaixo, assinalando o correto.</p><p>a) Carlos e Mário devem responder pelo delito tentado de paralisação de trabalho, seguida de</p><p>violência ou perturbação da ordem.</p><p>b) Carlos e Mário não devem responder pelo delito de paralisação de trabalho, seguida de violência</p><p>ou perturbação da ordem.</p><p>c) Carlos e Mário devem responder pelo delito de paralisação de trabalho, seguida de violência ou</p><p>perturbação da ordem na sua forma culposa.</p><p>d) Carlos e Mário devem responder pelo delito de paralisação de trabalho, seguida de violência ou</p><p>perturbação da ordem.</p><p>e) Só Carlos deve responder pelo delito de paralisação de trabalho, seguida de violência ou</p><p>perturbação da ordem.</p><p>20.! (ESAF - AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL – 2009)</p><p>Paulo, dirigente do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo, constrange Márcia, metalúrgica não</p><p>filiada, a participar do sindicato dos metalúrgicos, ameaçando-a de ser demitida caso não se associe</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>42</p><p>54</p><p>imediatamente. Tal ameaça foi presenciada por policial que se encontrava casualmente ao lado de</p><p>Márcia. À luz do Código Penal, julgue os itens abaixo assinalando o correto.</p><p>a) Márcia não tem direito de se opor à filiação, desse modo a conduta de Paulo é lícita.</p><p>b) Paulo cometeu o crime de atentado contra a liberdade de trabalho.</p><p>c) Paulo cometeu o crime de atentado contra a liberdade de associação.</p><p>d) Caso Paulo seja preso em flagrante, este deverá ser preso junto com os outros detentos até que</p><p>seja paga fiança ou decretada a sua liberdade provisória.</p><p>e) Paulo estará sujeito a advertência administrativa, não tendo cometido nenhum delito.</p><p>21.! (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA)</p><p>No crime de bigamia, a data do fato constitui o termo inicial do prazo prescricional.</p><p>22.! (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA)</p><p>As cinzas humanas não podem ser objeto material do crime de vilipêndio a cadáver.</p><p>10!EXERCÍCIOS COMENTADOS</p><p>01.! (TRT2 – 2016 – TRT2 – JUIZ DO TRABALHO)</p><p>Em relação aos crimes contra a organização do trabalho, cujos tipos penais estão enunciados no</p><p>Título IV da Parte Especial do Código Penal, segundo a tipologia especificamente adotada por este</p><p>Código, são condutas típicas que, em tese, caracterizam crime contra a organização do trabalho:</p><p>I- “Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou</p><p>a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo,</p><p>por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto”.</p><p>II- “Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo</p><p>e forma legal ou convencional”.</p><p>III- “Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando violência contra pessoa</p><p>ou contra coisa".</p><p>IV- “Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa”.</p><p>V - “Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do território</p><p>nacional”.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>43</p><p>54</p><p>Responda:</p><p>a) Somente as proposições l,ll e IV estão corretas.</p><p>b) Somente as proposições l,ll e V estão corretas.</p><p>c) Somente as proposições II,III e V estão corretas.</p><p>d) Somente as proposições III,IV e V estão corretas .</p><p>e) Todas as proposições estão corretas.</p><p>COMENTÁRIOS:</p><p>I – ERRADA: O crime de redução à condição análoga à de escravo não é crime contra a organização</p><p>do trabalho! Trata-se de crime previsto no art. 149 do CP, sendo crime contra a liberdade pessoal.</p><p>II – ERRADA: Também não temos aqui um crime contra a organização do trabalho, mas um crime</p><p>contra o patrimônio, que é o crime de apropriação indébita previdenciária, previsto no art. 168-A do</p><p>CP.</p><p>III – CORRETA:</p><p>Item correto, pois este é um crime contra a organização do trabalho, previsto no art.</p><p>200 do CP.</p><p>IV – CORRETA: Item correto, pois este também é um crime contra a organização do trabalho, previsto</p><p>no art. 205 do CP.</p><p>V - CORRETA: Item correto, pois este também é um crime contra a organização do trabalho, previsto</p><p>no art. 207 do CP.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.</p><p>02.! (CESPE – 2016 – TRT8 – ANALISTA JUDICIÁRIO – ADAPTADA)</p><p>A conduta de vender ou expor à venda CDs ou DVDs contendo gravações de músicas, filmes ou</p><p>shows não configura crime de violação de direito autoral, por ser prática amplamente tolerada e</p><p>estimulada pela procura dos consumidores desses produtos.</p><p>COMENTÁRIOS: A conduta do agente se amolda ao tipo penal do art. 184, §2º do CP:</p><p>Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>(...)</p><p>§ 2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou indireto, distribui, vende, expõe à venda,</p><p>aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma</p><p>reproduzido com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor</p><p>de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização dos</p><p>titulares dos direitos ou de quem os represente. (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>O STJ já consolidou entendimento no sentido de que não há que se falar em aplicação, aqui, do</p><p>princípio da adequação social, tendo sumulado a questão (súmula 502 do STJ).</p><p>Portanto, a AFIRMARTIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>03.! (CESPE – 2016 – TRT8 – ANALISTA JUDICIÁRIO – ADAPTADA)</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>44</p><p>54</p><p>No crime de aliciamento para o fim de emigração, pune-se a conduta de recrutar trabalhadores,</p><p>mediante fraude, com o fim de levá-los para território estrangeiro, como forma de se garantir a</p><p>proteção à organização do trabalho.</p><p>COMENTÁRIOS: Item correto, pois esta é a exata previsão da conduta típica prevista no art. 206 do</p><p>CP, que trata do crime de “aliciamento para o fim de emigração”.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>04.! (CESPE – 2016 – TRT8 – ANALISTA JUDICIÁRIO)</p><p>Em relação aos crimes contra a organização do trabalho, assinale a opção correta.</p><p>a) Para a configuração do crime de participação de abandono coletivo de trabalho com violência</p><p>contra a pessoa, é indispensável o concurso de pelo menos três empregados.</p><p>b) Consiste em infração penal violadora da liberdade individual, e não em crime contra a</p><p>organização do trabalho, a conduta do agente que impede alguém de se desligar de serviços de</p><p>qualquer natureza, mediante a retenção de seus documentos pessoais.</p><p>c) No crime de aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional, o</p><p>recrutador que não assegurar condições de retorno do trabalhador ao local de origem estará</p><p>sujeito a causa específica de aumento de pena.</p><p>d) O Código Penal prevê, para todos os crimes contra a organização do trabalho, como causa de</p><p>aumento de pena o fato de a vítima ser menor de dezoito anos de idade, idosa, gestante, indígena</p><p>ou portadora de deficiência física ou mental.</p><p>e) Processam-se esses crimes por ação penal pública incondicionada, estando o autor de qualquer</p><p>um deles sujeito à pena de detenção, além da pena correspondente à violência empregada,</p><p>quando for o caso.</p><p>COMENTÁRIOS:</p><p>a) CORRETA: Esta é a exata previsão contida no § único do art. 200 do CP.</p><p>b) ERRADA: Item errado, pois esta conduta configura crime contra a organização do trabalho,</p><p>previsto no art. 203, §1º, II do CP:</p><p>Frustração de direito assegurado por lei trabalhista</p><p>Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação do trabalho:</p><p>Pena - detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência. (Redação dada pela Lei</p><p>nº 9.777, de 1998)</p><p>§ 1º Na mesma pena incorre quem: (Incluído pela Lei nº 9.777, de 1998)</p><p>(...) II - impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou por meio da retenção</p><p>de seus documentos pessoais ou contratuais. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 1998)</p><p>c) ERRADA: Item errado, pois neste caso o agente responderá pelo delito do art. 207, §1º do CP, que</p><p>possui a mesma pena prevista para a conduta do caput do art. 207, não havendo causa de aumento</p><p>de pena.</p><p>d) ERRADA: Item errado, pois tal causa de aumento de pena só é prevista para os delitos do art. 203</p><p>e 207 do CP.</p><p>e) ERRADA: Item errado, pois para o delito do art. 202 é cominada pena de RECLUSÃO:</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>45</p><p>54</p><p>Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Sabotagem</p><p>Art. 202 - Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com o intuito de impedir ou embaraçar</p><p>o curso normal do trabalho, ou com o mesmo fim danificar o estabelecimento ou as coisas nele existentes ou delas</p><p>dispor:</p><p>Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.</p><p>05.! (CESPE – 2016 – TRT8 – ANALISTA JUDICIÁRIO)</p><p>Acerca do crime de que trata o art. 198 do CP — atentado contra a liberdade de trabalho e</p><p>boicotagem violenta —, assinale a opção correta.</p><p>a) A competência para o processamento de ação que envolva a prática desse crime é da justiça</p><p>federal, independentemente de se tratar de interesse individual do trabalhador ou coletivo.</p><p>b) A conduta de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a adquirir de outrem</p><p>matéria-prima ou produto industrial agrícola configura o crime previsto no referido artigo.</p><p>c) Cometerá o referido crime aquele que constranger alguém, mediante violência ou grave</p><p>ameaça, a não celebrar contrato de trabalho.</p><p>d) Haverá concurso de crimes se o agente praticar mais de uma das condutas previstas no art. 198</p><p>do CP.</p><p>e) O referido crime classifica-se como crime próprio.</p><p>COMENTÁRIOS:</p><p>a) ERRADA: Item errado, pois a competência será, a princípio, da Justiça estadual, salvo se ficar</p><p>comprovado que houve: (i) violação a direito dos trabalhadores, considerados coletivamente; ou (ii)</p><p>violação à organização geral do trabalho.</p><p>b) ERRADA: Item errado, pois tal conduta não se amolda ao tipo penal do art. 198 do CP, que</p><p>criminaliza a conduta de quem obriga alguém a NÃO FORNECER a outra pessoa ou NÃO ADQUIRIR</p><p>de outra pessoa matéria-prima ou produto industrial ou agrícola.</p><p>c) ERRADA: Item errado, pois a conduta criminalizada (dentre outras) é a de constranger alguém a</p><p>CELEBRAR contrato de trabalho, nos termos do art. 198 do CP.</p><p>d) CORRETA: Item correto, pois temos aqui o que se chama de tipo misto cumulativo, ou seja, a</p><p>prática de mais de uma das condutas descritas no núcleo do tipo configura mais de um crime, e não</p><p>crime único.</p><p>e) ERRADA: Trata-se de crime comum, pois pode ser praticado por qualquer pessoa.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.</p><p>06.! (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA)</p><p>Não constitui crime vilipendiar as cinzas de um cadáver, sendo tal conduta atípica por ausência de</p><p>previsão legal.</p><p>COMENTÁRIOS: Item errado, pois tal conduta é criminalizada pelo art. 212 do CP:</p><p>Vilipêndio a cadáver</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>46</p><p>54</p><p>Art. 212 - Vilipendiar cadáver ou suas cinzas:</p><p>Pena - detenção, de um a três anos,</p><p>e multa.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>07.! (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA)</p><p>Pratica crime previsto no CP aquele que contrai casamento conhecendo a existência de</p><p>impedimento que lhe cause a nulidade absoluta ou relativa.</p><p>COMENTÁRIOS: Item errado, pois o crime do art. 237 do CP só se aplica se o agente contrai</p><p>casamento sabendo da existência de impedimento que cause nulidade ABSOLUTA, nos termos do</p><p>art. 237 do CP.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>08.! (CESPE – 2015 – DPE-RN – DEFENSOR PÚBLICO)</p><p>Vanessa foi presa em flagrante enquanto vendia e expunha à venda cerca de duzentos DVDs</p><p>piratas, falsificados, de filmes e séries de televisão. Realizada a devida perícia, foi confirmada a</p><p>falsidade dos objetos. Incapaz de apresentar autorização para a comercialização dos produtos,</p><p>Vanessa alegou em sua defesa que desconhecia a ilicitude de sua conduta.</p><p>Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta à luz da jurisprudência dominante</p><p>dos tribunais superiores.</p><p>a) Vanessa é isenta de culpabilidade, pois incidiu em erro de proibição.</p><p>b) O MP deve comprovar que os detentores dos direitos autorais das obras falsificadas sofreram</p><p>real prejuízo para que a conduta de Vanessa seja criminosa.</p><p>c) A conduta de Vanessa ofende o direito constitucional que protege a autoria de obras</p><p>intelectuais e configura crime de violação de direito autoral.</p><p>d) A conduta de vender e expor à venda DVDs falsificados é atípica em razão da incidência do</p><p>princípio da adequação social.</p><p>e) A conduta de vender e expor à venda DVDs falsificados é atípica em razão da incidência do</p><p>princípio da insignificância.</p><p>COMENTÁRIOS: A conduta do agente se amolda ao tipo penal do art. 184, §2º do CP:</p><p>Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>(...)</p><p>§ 2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou indireto, distribui, vende, expõe à venda,</p><p>aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma</p><p>reproduzido com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor</p><p>de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização dos</p><p>titulares dos direitos ou de quem os represente. (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>O STJ já consolidou entendimento no sentido de que não há que se falar em aplicação, aqui, do</p><p>princípio da adequação social, tendo sumulado a questão (súmula 502 do STJ).</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>47</p><p>54</p><p>Não se exige, ainda, comprovação de que tenha havido efetivo prejuízo, eis que se trata de crime</p><p>formal. Além disso, incabível sustentar a ocorrência de erro de proibição, eis que se trata de conduta</p><p>amplamente divulgada como ilícita.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.</p><p>09.! (FCC – 2015 – TRT23 – JUIZ DO TRABALHO)</p><p>Paulo, industrial do ramo de plásticos, mediante promessa de mal futuro, sério e verossímil,</p><p>constrangeu Pedro, proprietário de empresa concorrente, a não adquirir de Antônio matéria-</p><p>prima necessária para a fabricação de seus produtos. No caso, Paulo cometeu o crime de</p><p>a) atentado contra a liberdade de contrato de trabalho.</p><p>b) constrangimento ilegal.</p><p>c) atentado contra a liberdade de trabalho.</p><p>d) sabotagem.</p><p>e) boicotagem violenta.</p><p>COMENTÁRIOS: Neste caso, paulo cometeu o crime de BOICOTAGEM VIOLENTA, previsto no art.</p><p>198 do CP, segunda parte:</p><p>Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta</p><p>Art. 198 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato de trabalho, ou a não</p><p>fornecer a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial ou agrícola:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.</p><p>10.! (MPT – 2015 – MPT – PROCURADOR DO TRABALHO)</p><p>Acerca do crime de frustração de direito assegurado por lei trabalhista é INCORRETO afirmar:</p><p>a) Admite tentativa.</p><p>b) Pode ser executado por meio de violência.</p><p>c) Trata-se de norma penal em branco.</p><p>d) Não pode ser classificado como crime permanente.</p><p>e) Não respondida.</p><p>COMENTÁRIOS: Tal delito admite tentativa, pois é crime plurissubsistente. Além disso, é crime que</p><p>pode ser praticado mediante fraude ou violência. Trata-se, ainda, de norma penal em branco, já que</p><p>depende de complementação pelas normas que regulam as relações trabalhistas. Por fim, trata-se</p><p>de crime que pode ser praticado de forma permanente quando, por exemplo, praticado na</p><p>modalidade do art. 203, §1º, II. Neste caso, o crime estará sendo praticado enquanto persistir o</p><p>impedimento (crime permanente).</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA INCORRETA É A LETRA D.</p><p>11.! (FCC – 2015 – TRT6 – JUIZ DO TRABALHO)</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>48</p><p>54</p><p>No delito de paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem,</p><p>a) o sujeito ativo só pode ser o empregado.</p><p>b) punível a suspensão de trabalho.</p><p>c) a violência deve ser dirigida, necessariamente, contra pessoa.</p><p>d) o abandono de trabalho pode ser individual.</p><p>e) punível, apenas, o abandono de trabalho.</p><p>COMENTÁRIOS:</p><p>a) ERRADA: O particular também pode ser sujeito ativo do crime, desde que em concurso de agentes</p><p>com um empregado.</p><p>b) CORRETA: Não só o abandono, mas também a suspensão coletiva de trabalho, mediante violência</p><p>ou grave ameaça, configura o delito do art. 200 do CP.</p><p>c) ERRADA: Item errado, pois a violência, aqui, pode ser contra pessoa ou contra coisa.</p><p>d) ERRADA: Item errado, pois o abandono só pode ser coletivo, e exige a presença de pelo menos</p><p>três empregados, na forma do art. 200, parágrafo único do CP.</p><p>e) ERRADA: Item errado, pois a suspensão coletiva de trabalho, mediante violência ou grave ameaça,</p><p>também configura o delito do art. 200 do CP.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.</p><p>12.! (FCC – 2014 – TRT24 – JUIZ DO TRABALHO)</p><p>NÃO constitui crime contra a organização do trabalho</p><p>a) redução a condição análoga à de escravo.</p><p>b) boicotagem violenta.</p><p>c) atentado contra a liberdade de associação.</p><p>d) exercício de atividade com infração de decisão administrativa.</p><p>e) aliciamento para o fim de emigração.</p><p>COMENTÁRIOS: A despeito de o STF e o STJ entenderem que o delito de “redução à condição</p><p>análoga à de escravo” (art. 149 do CP) afeta a organização do trabalho, por violar direitos</p><p>fundamentais relacionados às relações trabalhistas, tal delito não está inserido dentro do Título</p><p>previsto para os crimes contra a organização do trabalho (arts. 197 a 207 do CP), motivo pelo qual,</p><p>pela literalidade da Lei, não se trata de crime contra a organização do trabalho, mas crime contra a</p><p>liberdade pessoal.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.</p><p>13.! (FCC – 2014 – TRT1 – JUIZ DO TRABALHO)</p><p>Em 20/10/2012 empresário é surpreendido pela fiscalização frustrando direito assegurado pela</p><p>legislação do trabalho em razão da jornada exaustiva imposta aos empregados, tendo ficado</p><p>caracterizada a condição análoga à de escravo. No curso da ação penal, comprovou-se que o</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>49</p><p>54</p><p>empregador lançou falsas anotações nas carteiras de trabalho dos empregados</p><p>e que, em</p><p>05/05/2010, fora condenado em outro processo, pela prática de apropriação indébita de</p><p>contribuições previdenciárias.</p><p>No que tange à tipicidade penal, o crime praticado pelo empresário em 20/10/2012 tem por objeto</p><p>jurídico</p><p>a) o abuso de autoridade.</p><p>b) o atentado contra o contrato de trabalho.</p><p>c) a saúde do trabalhador.</p><p>d) a organização do trabalho.</p><p>e) a liberdade pessoal do trabalhador.</p><p>COMENTÁRIOS: A despeito de o STF e o STJ entenderem que o delito de “redução à condição</p><p>análoga à de escravo” (art. 149 do CP) afeta a organização do trabalho, por violar direitos</p><p>fundamentais relacionados às relações trabalhistas, tal delito não está inserido dentro do Título</p><p>previsto para os crimes contra a organização do trabalho (arts. 197 a 207 do CP), motivo pelo qual,</p><p>pela literalidade da Lei, não se trata de crime contra a organização do trabalho, mas crime contra a</p><p>liberdade pessoal.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.</p><p>14.! (VUNESP – 2012 – TJ-SP – TITULAR NOTARIAL)</p><p>Em relação ao crime de bigamia, pode-se afirmar que se caracteriza quando:</p><p>I. contrai alguém, sendo casado, novo casamento;</p><p>II. contrai alguém, sendo divorciado, por sentença ainda não transitada em julgado, novo</p><p>casamento;</p><p>III. contrai alguém, sendo divorciado, por sentença transitada em julgado, mas não averbada à</p><p>margem do assento de casamento, novo enlace.</p><p>São corretas as afirmativas</p><p>a) I e II, apenas.</p><p>b) I e III, apenas.</p><p>c) II e III, apenas.</p><p>d) I, II e III.</p><p>COMENTÁRIOS:</p><p>I – CORRETA: Item correto, nos termos do art. 235 do CP.</p><p>II – CORRETA: Item correto, pois se ainda não houve o trânsito em julgado da sentença de divórcio,</p><p>a pessoa ainda está casada.</p><p>III – ERRADA: Item errado, pois o que marca a ruptura definitiva do laço conjugal é o trânsito em</p><p>julgado da sentença de divórcio. A averbação do divórcio no registro de casamento é irrelevante</p><p>para estes fins.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>==120e83==</p><p>50</p><p>54</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.</p><p>15.! (VUNESP – 2012 – TJ-SP – TITULAR NOTARIAL)</p><p>No tocante aos crimes quanto ao estado de filiação:</p><p>I. são considerados atos criminosos a promoção no registro civil da inscrição de nascimento</p><p>inexistente, o fato de dar parto alheio como próprio e, ainda, registrar como seu filho de outrem;</p><p>II. o ato de dar parto alheio como próprio pode ser considerado apenas infração administrativa,</p><p>se reconhecido por sentença judicial que praticado por motivo de reconhecida nobreza;</p><p>III. o ato de promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente pode deixar de ser</p><p>apenado, desde que reconhecido por sentença judicial que praticado por motivo de reconhecida</p><p>nobreza.</p><p>É correto o que se afirma apenas em</p><p>a) I.</p><p>b) I e II.</p><p>c) I e III.</p><p>d) II e III.</p><p>COMENTÁRIOS:</p><p>I – CORRETA: Tais condutas configuram crime contra o estado de filiação, nos termos do art. 241 e</p><p>242 do CP.</p><p>II – ERRADA: Neste caso não teremos mera infração administrativa, mas crime em sua forma</p><p>privilegiada, nos termos do art. 242, § único do CP.</p><p>III – ERRADA: Item errado, pois não há tal previsão.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.</p><p>16.! (FCC – 2013 – TJ-PE – TITULAR NOTARIAL)</p><p>Registrar como seu o filho de outrem constitui crime cujo bem jurídico precípuo é</p><p>a) a administração da Justiça.</p><p>b) o patrimônio.</p><p>c) a propriedade imaterial.</p><p>d) a família.</p><p>e) a Administração Pública em geral.</p><p>COMENTÁRIOS: Tal conduta constitui o crime previsto no art. 242 do CP, e é um crime que atenta</p><p>contra a família.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.</p><p>17.! (VUNESP – 2011 – TJ-SP – TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS)</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>51</p><p>54</p><p>Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente</p><p>a) tipifica conduta penal de registro de nascimento inexistente.</p><p>b) tipifica conduta penal de sonegação de estado de filiação.</p><p>c) tipifica conduta penal de parto suposto, supressão ou alteração de direito inerente ao estado</p><p>civil de recém-nascido.</p><p>d) não configura ilícito penal.</p><p>COMENTÁRIOS: Tal conduta configura o delito previsto no art. 241 do CP:</p><p>Registro de nascimento inexistente</p><p>Art. 241 - Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente:</p><p>Pena - reclusão, de dois a seis anos.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.</p><p>18.! (INSTITUTO CIDADES – 2010 – DPE-GO – DEFENSOR PÚBLICO)</p><p>Romeu e Julieta se apaixonaram quando se conheceram. Mas a vida de casados desgastou a</p><p>relação e o casal separou-se de fato quando seu único filho, Romeuzinho, completou sete anos.</p><p>Julieta, então, com dedicação e trabalho, passou a sustentar sozinha o filho, cuidando para que</p><p>nada lhe faltasse. Completados dois anos dessa situação, uma vizinha noticiou o fato na Delegacia</p><p>de Polícia e Romeu foi preso em flagrante pelo crime de abandono material ( CP, art. 244: deixar,</p><p>sem justa causa, de prover a subsistência de filho menor de 18 anos, não lhe proporcionando os</p><p>recursos necessários). Penalmente, está correto a defesa técnica alegar que o crime de abandono</p><p>material</p><p>a) é de ação penal privada, logo a persecução penal não poderia ter sido iniciada pela vizinha.</p><p>b) não foi recepcionado pela Constituição Federal, pois cria obstáculo intransponível para a</p><p>reconciliação do casal e preservação da família.</p><p>c) não se configurou, porque a vítima efetivamente não ficou ao desamparo, uma vez que a</p><p>assistência foi prestada por sua mãe.</p><p>d) não se configurou, porque não houve pensão alimentícia judicialmente acordada.</p><p>e) não é permanente, mas unissubsistente, logo não admite prisão em flagrante.</p><p>COMENTÁRIOS: O delito em questão é o do art. 244 do CP:</p><p>Art. 244. Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou</p><p>inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos, não lhes proporcionando os</p><p>recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada;</p><p>deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente, gravemente enfermo: (Redação dada pela</p><p>Lei nº 10.741, de 2003)</p><p>Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País.</p><p>(Redação dada pela Lei nº 5.478, de 1968)</p><p>Parágrafo único - Nas mesmas penas incide quem, sendo solvente, frustra ou ilide, de qualquer modo, inclusive por</p><p>abandono injustificado de emprego ou função, o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada</p><p>ou majorada. (Incluído pela Lei nº 5.478, de 1968)</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>52</p><p>54</p><p>No caso em tela, o delito não se verificou, pois a Doutrina entende que a vítima deverá, de fato, ficar</p><p>ao desamparo, o que não ocorreu, eis que sua mãe proveu-lhe a subsistência.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.</p><p>19.! (ESAF - AUDITOR FISCAL DO TRABALHO – 2010)</p><p>Carlos e Mário, isoladamente, abandonam o seu trabalho (greve) destruindo a porta do escritório</p><p>e batendo no chefe Beltrão. À luz do previsto dos Crimes contra a Organização do Trabalho na</p><p>parte especial do Código Penal, julgue os itens abaixo, assinalando o correto.</p><p>a) Carlos e Mário devem responder pelo delito tentado de paralisação de trabalho, seguida de</p><p>violência ou perturbação da ordem.</p><p>b) Carlos e Mário não devem responder pelo delito de paralisação de trabalho, seguida de</p><p>violência ou perturbação da ordem.</p><p>c) Carlos e Mário</p><p>devem responder pelo delito de paralisação de trabalho, seguida de violência</p><p>ou perturbação da ordem na sua forma culposa.</p><p>d) Carlos e Mário devem responder pelo delito de paralisação de trabalho, seguida de violência</p><p>ou perturbação da ordem.</p><p>e) Só Carlos deve responder pelo delito de paralisação de trabalho, seguida de violência ou</p><p>perturbação da ordem.</p><p>COMENTÁRIOS: O crime de paralisação de trabalho seguido de violência ou perturbação da ordem</p><p>está previsto no art. 200 do CP. Vejamos:</p><p>Art. 200 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando violência contra pessoa ou contra</p><p>coisa:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.</p><p>No entanto, a conduta deve ser praticada por, ao menos, TRÊS, empregados, nos termos do § único</p><p>do art. 200 do CP:</p><p>Parágrafo único - Para que se considere coletivo o abandono de trabalho é indispensável o concurso de, pelo menos,</p><p>três empregados.</p><p>Desta forma, no caso concreto, Carlos e Mário não devem responder pelo crime, já que não restou</p><p>caracterizado o requisito da “suspensão ou abandono coletivo de trabalho” mediante o concurso</p><p>mínimo de três pessoas.</p><p>ASSIM, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.</p><p>20.! (ESAF - AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL – 2009)</p><p>Paulo, dirigente do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo, constrange Márcia, metalúrgica</p><p>não filiada, a participar do sindicato dos metalúrgicos, ameaçando-a de ser demitida caso não se</p><p>associe imediatamente. Tal ameaça foi presenciada por policial que se encontrava casualmente</p><p>ao lado de Márcia. À luz do Código Penal, julgue os itens abaixo assinalando o correto.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>53</p><p>54</p><p>a) Márcia não tem direito de se opor à filiação, desse modo a conduta de Paulo é lícita.</p><p>b) Paulo cometeu o crime de atentado contra a liberdade de trabalho.</p><p>c) Paulo cometeu o crime de atentado contra a liberdade de associação.</p><p>d) Caso Paulo seja preso em flagrante, este deverá ser preso junto com os outros detentos até que</p><p>seja paga fiança ou decretada a sua liberdade provisória.</p><p>e) Paulo estará sujeito a advertência administrativa, não tendo cometido nenhum delito.</p><p>COMENTÁRIOS: O crime de atentado à liberdade de associação se caracteriza quando alguém</p><p>constrange outrem, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou deixar de participar de</p><p>determinada associação profissional ou sindicado, nos termos do art. 199 do CP, caracterizando-se</p><p>como crime contra a Organização do Trabalho. Vejamos:</p><p>Art. 199 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou deixar de participar de</p><p>determinado sindicato ou associação profissional:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.</p><p>No caso em tela a conduta de Paulo se amolda perfeitamente a este tipo penal, devendo ele ser</p><p>responsabilizado pelo crime de atentado à liberdade de associação.</p><p>PORTANTO, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.</p><p>21.! (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA)</p><p>No crime de bigamia, a data do fato constitui o termo inicial do prazo prescricional.</p><p>COMENTÁRIOS: O termo inicial, neste caso, é a data em que o fato se tornou conhecido, por força</p><p>do art. 111, IV do CP.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>22.! (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA)</p><p>As cinzas humanas não podem ser objeto material do crime de vilipêndio a cadáver.</p><p>COMENTÁRIOS: O art. 212 do CP é expresso em sentido contrário:</p><p>Vilipêndio a cadáver</p><p>Art. 212 - Vilipendiar cadáver ou suas cinzas:</p><p>Pena - detenção, de um a três anos, e multa.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>54</p><p>54</p><p>11!GABARITO</p><p>1.! ALTERNATIVA D</p><p>2.! ERRADA</p><p>3.! CORRETA</p><p>4.! ALTERNATIVA A</p><p>5.! ALTERNATIVA D</p><p>6.! ERRADA</p><p>7.! ERRADA</p><p>8.! ALTERNATIVA C</p><p>9.! ALTERNATIVA E</p><p>10.! ALTERNATIVA D</p><p>11.! ALTERNATIVA B</p><p>12.! ALTERNATIVA A</p><p>13.! ALTERNATIVA E</p><p>14.! ALTERNATIVA A</p><p>15.! ALTERNATIVA A</p><p>16.! ALTERNATIVA D</p><p>17.! ALTERNATIVA A</p><p>18.! ALTERNATIVA C</p><p>19.! ALTERNATIVA B</p><p>20.! ALTERNATIVA C</p><p>21.! ERRADA</p><p>22.! ERRADA</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>a depender da espécie de obra que se está violando.</p><p>Em sendo obra literária, se dá com a reprodução indevida. Em caso de peça artística, com a</p><p>reprodução pública indevida, e por aí vai. Admite-se plenamente a TENTATIVA.</p><p>Se a violação se der com o INTUITO DE LUCRO, a pena será a prevista no §1º do art. 184, que</p><p>traz uma qualificadora:</p><p>§ 1o Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por qualquer</p><p>meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do</p><p>autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente: (Redação</p><p>dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>A conduta do §1º do art. 184 é aquela de quem realiza a reprodução ilegal com intuito de lucro.</p><p>Mas, e quem vende ou expõe à venda o produto falsificado? Neste caso, responde nos termos</p><p>do art. 184, §2º do CP. Ou seja, o §2º do art. 184 se aplica àquele que, apesar de não reproduzir o</p><p>material com violação dos direitos autorais, contribui para esta violação com fins lucrativos, tendo</p><p>em depósito, alugando, expondo à venda, etc. Vejamos:</p><p>§ 2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou indireto, distribui, vende, expõe à</p><p>venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou</p><p>fonograma reproduzido com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do</p><p>direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a</p><p>expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente. (Redação dada pela Lei nº 10.695, de</p><p>1º.7.2003)</p><p>CUIDADO! Como podemos perceber, os §§1º e 2º do art. 184 exigem que o delito seja</p><p>praticado COM O INTUITO DE LUCRO, no que temos, aqui, um elemento subjetivo</p><p>específico ou, em outros termos, dolo específico (também chamado de especial fim de</p><p>agir). Não se exige, entretanto, que o agente tenha efetivo lucro, bastando que ele tenha</p><p>a INTENÇÃO de obter lucro.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>5</p><p>54</p><p>CUIDADO MASTER! Muito já se discutiu a respeito da tipificação da conduta de quem vende ou</p><p>expõe à venda CDs e DVDs piratas. Parte da Doutrina chegou a sustentar a atipicidade material da</p><p>conduta, sob o fundamento de que haveria “adequação social”.</p><p>Contudo, o STJ não seguiu este entendimento. O STJ já consolidou entendimento no sentido de que</p><p>tal conduta é TÍPICA, e não há que se falar em aplicação, aqui, do princípio da adequação social,</p><p>tendo sumulado a questão:</p><p>Súmula 502 do STJ</p><p>Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no art. 184, § 2º, do CP, a</p><p>conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas.</p><p>O §3º prevê outra forma de realização do delito, mas cuja pena é idêntica à prevista nos §§1º</p><p>e 2º. Trata-se, basicamente, de oferecer ao público, mediante sistema de distribuição (diversos</p><p>tipos) em massa, a obra artística protegida. Vejamos:</p><p>§ 3o Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer</p><p>outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la em um tempo e</p><p>lugar previamente determinados por quem formula a demanda, com intuito de lucro, direto ou indireto, sem</p><p>autorização expressa, conforme o caso, do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor de</p><p>fonograma, ou de quem os represente: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Dentro dessa conduta se insere, por exemplo, quem cria um blog e hospeda diversos materiais</p><p>protegidos por direitos autorais e cobra uma quantia para que os usuários possam fazer o download</p><p>dos materiais. CRIME!</p><p>O §4º traz uma hipótese de EXCLUSÃO DA TIPICIDADE, relativa aos delitos das formas</p><p>qualificadas (§§1º a 3º), silenciando sobre o caput, mas a Doutrina entende que se estende também</p><p>a este. Vejamos:</p><p>§ 4o O disposto nos §§ 1o, 2o e 3o não se aplica quando se tratar de exceção ou limitação ao direito de autor ou</p><p>os que lhe são conexos, em conformidade com o previsto na Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, nem a</p><p>cópia de obra intelectual ou fonograma, em um só exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro</p><p>direto ou indireto. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Mas o que seria exceção ou limitação ao direito de autor? São as disposições legais permissivas, ou</p><p>seja, aquelas regras previstas na lei, admitindo a reprodução da obra em determinados casos</p><p>específicos, respeitadas todos os requisitos estabelecidos. Nesses casos, não haverá crime.</p><p>O art. 186 trata da ação penal nos crimes previstos no art. 184 e §§. Vejamos:</p><p>Art. 186. Procede-se mediante: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>I - queixa, nos crimes previstos no caput do art. 184; (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>6</p><p>54</p><p>II - ação penal pública incondicionada, nos crimes previstos nos §§ 1o e 2o do art. 184; (Incluído pela Lei nº</p><p>10.695, de 1º.7.2003)</p><p>III - ação penal pública incondicionada, nos crimes cometidos em desfavor de entidades de direito público,</p><p>autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo Poder Público; (Incluído</p><p>pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>IV - ação penal pública condicionada à representação, nos crimes previstos no § 3o do art. 184. (Incluído pela</p><p>Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Portanto, se a conduta praticada for a do caput, temos um crime de ação penal privada. No</p><p>caso da distribuição lucrativa e sua forma equiparada (§§1º e 2º), temos AÇÃO PENAL PÚBLICA</p><p>INCONDICIONADA (em razão da maior gravidade). Esta também é a modalidade prevista quando o</p><p>sujeito passivo (titular do direito violado) for entidade de direito público, empresa pública ou</p><p>sociedade de economia mista. No caso do oferecimento mediante sistema de distribuição em massa</p><p>(§3º), temos um meio termo em questão de gravidade, por isso a ação penal pública condicionada</p><p>à representação da vítima.</p><p>2! DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO E O</p><p>RESPEITO AOS MORTOS</p><p>CAPÍTULO I</p><p>CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO</p><p>Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo</p><p>Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar</p><p>cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.</p><p>Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente</p><p>à violência.</p><p>CAPÍTULO II</p><p>DOS CRIMES CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS</p><p>Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária</p><p>Art. 209 - Impedir ou perturbar enterro ou cerimônia funerária:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.</p><p>Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente</p><p>à violência.</p><p>Violação de sepultura</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>7</p><p>54</p><p>Art. 210 - Violar ou profanar sepultura ou urna funerária:</p><p>Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.</p><p>Destruição, subtração ou ocultação de cadáver</p><p>Art. 211 - Destruir,</p><p>subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele:</p><p>Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.</p><p>Vilipêndio a cadáver</p><p>Art. 212 - Vilipendiar cadáver ou suas cinzas:</p><p>Pena - detenção, de um a três anos, e multa.</p><p>Como podemos ver, o título se divide em dois capítulos. O primeiro é referente aos delitos (ou</p><p>melhor, ao único delito) contra o sentimento religioso; já o segundo nos traz os crimes contra o</p><p>respeito aos mortos.</p><p>2.1! CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO</p><p>Como podemos ver, temos aqui apenas um delito. Trata-se de crime comum, ou seja, pode ser</p><p>praticado por qualquer pessoa.</p><p>O sujeito passivo é a coletividade que compartilha deste sentimento religioso, podendo,</p><p>ainda, ser a pessoa efetivamente privada de seu culto religioso ou zombada (na hipótese de se tratar</p><p>de escárnio).</p><p>A conduta somente é punida a título doloso, não se admitindo a forma culposa.</p><p>A tentativa é admissível em todas as hipóteses, salvo nas manifestações verbais (escárnio,</p><p>vilipêndio verbal, etc.), que não admitem fracionamento da conduta e, portanto, não admitem</p><p>tentativa.</p><p>A ação penal será pública incondicionada em qualquer caso.</p><p>CUIDADO! Se o infrator escarnece, impede ou perturba a realização de algum ato religioso, rito ou</p><p>cerimônia INDÍGENA, não pratica o delito do art. 208 do CP, mas o do art. 58 da Lei 6.001/73</p><p>(Estatuto do Índio), por se tratar de norma especial, que afasta a aplicação da norma de caráter</p><p>geral.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>8</p><p>54</p><p>2.2! CRIMES CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS</p><p>Todos os delitos são COMUNS, ou seja, podem ser praticados por qualquer pessoa.</p><p>O sujeito passivo NÃO SERÁ O MORTO, pois não é sujeito de direitos, mas a coletividade e, em</p><p>especial, os familiares e demais pessoas que guardam qualquer relação de afinidade com a pessoa</p><p>falecida.</p><p>As condutas somente são punidas a título doloso, não se admitindo a forma culposa.</p><p>A tentativa é admissível em todas as hipóteses, salvo nas manifestações verbais (escárnio,</p><p>vilipêndio verbal, etc.), que não admitem fracionamento da conduta e, portanto, não admitem</p><p>tentativa.</p><p>A ação penal será pública incondicionada em qualquer caso.</p><p>3! DOS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA</p><p>3.1! DOS CRIMES CONTRA O CASAMENTO</p><p>Neste capítulo o CP prevê alguns tipos penais cujo bem jurídico tutelado é a Instituição do</p><p>Casamento. Vejamos:</p><p>CAPÍTULO I</p><p>DOS CRIMES CONTRA O CASAMENTO</p><p>Bigamia</p><p>Art. 235 - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:</p><p>Pena - reclusão, de dois a seis anos.</p><p>§ 1º - Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo essa circunstância, é</p><p>punido com reclusão ou detenção, de um a três anos.</p><p>§ 2º - Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo que não a bigamia, considera-</p><p>se inexistente o crime.</p><p>Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento</p><p>Art. 236 - Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento</p><p>que não seja casamento anterior:</p><p>Pena - detenção, de seis meses a dois anos.</p><p>Parágrafo único - A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada senão</p><p>depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.</p><p>Conhecimento prévio de impedimento</p><p>Art. 237 - Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta:</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>9</p><p>54</p><p>Pena - detenção, de três meses a um ano.</p><p>Simulação de autoridade para celebração de casamento</p><p>Art. 238 - Atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento:</p><p>Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não constitui crime mais grave.</p><p>Simulação de casamento</p><p>Art. 239 - Simular casamento mediante engano de outra pessoa:</p><p>Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.</p><p>Todos os tipos penais aqui descritos são CRIMES COMUNS, podendo ser praticados por</p><p>qualquer pessoa. A exceção fica por conta do delito de bigamia, que somente pode ser praticado</p><p>pela pessoa que possui a qualidade de já ser casada, sendo, portanto, CRIME PRÓPRIO.</p><p>O sujeito passivo é, primariamente, o Estado e, secundariamente, eventual particular lesado,</p><p>geralmente o outro cônjuge, ou até ambos os cônjuges, como no caso do art. 238 do CP.</p><p>O elemento subjetivo exigido é o dolo, não se punindo as condutas culposas.</p><p>A tentativa é possível em todos os casos. No caso do crime de bigamia, a Doutrina se divide,</p><p>mas majoritariamente entende que também é possível.</p><p>CUIDADO! No crime de bigamia, se o indivíduo contrai novo casamento após o trânsito em julgado</p><p>de sentença de divórcio, não há crime, pois com o trânsito em julgado da sentença de divórcio fica</p><p>definitivamente rompida a sociedade conjugal.</p><p>3.2! DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO</p><p>CAPÍTULO II</p><p>DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO</p><p>Registro de nascimento inexistente</p><p>Art. 241 - Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente:</p><p>Pena - reclusão, de dois a seis anos.</p><p>Parto suposto. Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>10</p><p>54</p><p>Art. 242 - Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de outrem; ocultar recém-nascido ou</p><p>substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil: (Redação dada pela Lei nº 6.898, de 1981)</p><p>Pena - reclusão, de dois a seis anos. (Redação dada pela Lei nº 6.898, de 1981)</p><p>Parágrafo único - Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza: (Redação dada pela Lei nº 6.898,</p><p>de 1981)</p><p>Pena - detenção, de um a dois anos, podendo o juiz deixar de aplicar a pena. (Redação dada pela Lei nº 6.898,</p><p>de 1981)</p><p>Sonegação de estado de filiação</p><p>Art. 243 - Deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho próprio ou alheio, ocultando-lhe</p><p>a filiação ou atribuindo-lhe outra, com o fim de prejudicar direito inerente ao estado civil:</p><p>Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.</p><p>Todos os delitos podem ser praticados por qualquer pessoa, sendo, portanto, CRIMES</p><p>COMUNS. Contudo, o crime é PRÓPRIO nos seguintes casos:</p><p>•! No caso do tipo penal do art. 242 – Na conduta de “dar parto alheio como próprio”.</p><p>Nessa conduta, só a mulher pode praticar o delito.</p><p>•! No caso do tipo penal do art. 243 – Se a conduta é praticada contra filho “próprio”, só</p><p>o pai ou mãe podem praticar o delito.</p><p>O sujeito passivo é o Estado, e secundariamente, a pessoa prejudicada com a ação (como o</p><p>filho, no caso do art. 243 do CP).</p><p>O elemento subjetivo exigido é o dolo, não se punindo a forma culposa. No entanto, no crime</p><p>do art. 243 do CP não é suficiente o dolo genérico, exigindo-se o especial fim de agir, consistente</p><p>na intenção de prejudicar direito inerente ao estado civil.</p><p>A tentativa é sempre admissível.</p><p>3.3! DOS CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR</p><p>CAPÍTULO III</p><p>DOS CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR</p><p>Abandono material</p><p>Art. 244. Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho menor de 18 (dezoito) anos</p><p>ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos, não lhes proporcionando</p><p>os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou</p><p>majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente, gravemente enfermo: (Redação</p><p>dada pela Lei nº 10.741, de 2003)</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia</p><p>Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>11</p><p>54</p><p>Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no</p><p>País. (Redação dada pela Lei nº 5.478, de 1968)</p><p>Parágrafo único - Nas mesmas penas incide quem, sendo solvente, frustra ou ilide, de qualquer modo, inclusive</p><p>por abandono injustificado de emprego ou função, o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada,</p><p>fixada ou majorada. (Incluído pela Lei nº 5.478, de 1968)</p><p>Entrega de filho menor a pessoa inidônea</p><p>Art. 245 - Entregar filho menor de 18 (dezoito) anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o</p><p>menor fica moral ou materialmente em perigo: (Redação dada pela Lei nº 7.251, de 1984)</p><p>Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. (Redação dada pela Lei nº 7.251, de 1984)</p><p>§ 1º - A pena é de 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão, se o agente pratica delito para obter lucro, ou se o menor</p><p>é enviado para o exterior. (Incluído pela Lei nº 7.251, de 1984)</p><p>§ 2º - Incorre, também, na pena do parágrafo anterior quem, embora excluído o perigo moral ou material,</p><p>auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior, com o fito de obter lucro. (Incluído pela</p><p>Lei nº 7.251, de 1984)</p><p>Abandono intelectual</p><p>Art. 246 - Deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar:</p><p>Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.</p><p>Art. 247 - Permitir alguém que menor de dezoito anos, sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou vigilância:</p><p>I - freqüente casa de jogo ou mal-afamada, ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida;</p><p>II - freqüente espetáculo capaz de pervertê-lo ou de ofender-lhe o pudor, ou participe de representação de igual</p><p>natureza;</p><p>III - resida ou trabalhe em casa de prostituição;</p><p>IV - mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública:</p><p>Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.</p><p>Os delitos deste capítulo possuem como bem jurídico tutelado a assistência familiar, de forma</p><p>que o sujeito passivo primário, em todos eles, é o ESTADO, figurando como sujeito passivo</p><p>secundário o parente que ficou ao desamparo (ascendente, descendente, etc.).</p><p>O elemento subjetivo exigido é o dolo, não sendo exigido nenhum especial fim de agir.</p><p>A tentativa é admissível, salvo nos crimes de abandono material e abandono intelectual, eis</p><p>que são crimes omissivos próprios, de forma que não se pode fracionar a conduta do agente e,</p><p>portanto, não se admite a tentativa.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>12</p><p>54</p><p>CUIDADO! A Doutrina entende que, no caso do abandono material, o crime só estará configurado</p><p>se o incapaz, de fato, ficar “ao relento”, ou seja, se ele ficar numa situação periclitante. Se por acaso,</p><p>ele é acolhido por outra pessoa (parente ou não), e não chega a estar numa situação de abandono,</p><p>o crime não estará configurado.</p><p>3.4! DOS CRIMES CONTRA O PÁTRIO PODER, TUTELA E CURATELA</p><p>CAPÍTULO IV</p><p>DOS CRIMES CONTRA O PÁTRIO PODER, TUTELA CURATELA</p><p>Induzimento a fuga, entrega arbitrária ou sonegação de incapazes</p><p>Art. 248 - Induzir menor de dezoito anos, ou interdito, a fugir do lugar em que se acha por determinação de</p><p>quem sobre ele exerce autoridade, em virtude de lei ou de ordem judicial; confiar a outrem sem ordem do pai,</p><p>do tutor ou do curador algum menor de dezoito anos ou interdito, ou deixar, sem justa causa, de entregá-lo a</p><p>quem legitimamente o reclame:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.</p><p>Subtração de incapazes</p><p>Art. 249 - Subtrair menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei</p><p>ou de ordem judicial:</p><p>Pena - detenção, de dois meses a dois anos, se o fato não constitui elemento de outro crime.</p><p>§ 1º - O fato de ser o agente pai ou tutor do menor ou curador do interdito não o exime de pena, se destituído</p><p>ou temporariamente privado do pátrio poder, tutela, curatela ou guarda.</p><p>§ 2º - No caso de restituição do menor ou do interdito, se este não sofreu maus-tratos ou privações, o juiz pode</p><p>deixar de aplicar pena.</p><p>Os delitos aqui possuem como sujeitos passivos os responsáveis pelos incapazes submetidos</p><p>às situações descritas nos tipos penais. Secundariamente, figuram como sujeitos passivos os</p><p>próprios incapazes.</p><p>O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, sendo CRIME COMUM.</p><p>Só se admite a conduta dolosa, não se admitindo a forma culposa.</p><p>A tentativa é plenamente admissível, em ambos os crimes, salvo no caso do art. 248 quando</p><p>for praticado na modalidade de “deixar, sem justa causa, de entrega-lo...”, por se tratar, neste caso,</p><p>de CRIME OMISSIVO PRÓPRIO.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>13</p><p>54</p><p>4! DOS CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO</p><p>Os crimes contra a Organização do Trabalho estão descritos nos arts. 197 a 207 do CP,</p><p>totalizando 11 tipos penais diferentes, além de suas variantes. Vejamos cada um deles:</p><p>4.1! ATENTADO CONTRA A LIBERDADE DE TRABALHO</p><p>Atentado contra a liberdade de trabalho</p><p>Art. 197 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça:</p><p>I - a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não trabalhar durante certo</p><p>período ou em determinados dias:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência;</p><p>II - a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou paralisação de atividade</p><p>econômica:</p><p>Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.</p><p>Aqui temos dois tipos penais com a mesma lógica, a mesma identidade, mas penas distintas,</p><p>pois ambos são espécies de constrangimento ilegal. No primeiro caso (inciso I) temos o</p><p>constrangimento ilegal cuja finalidade é obrigar alguém a exercer ou deixar de exercer determinada</p><p>profissão ou a exercê-la ou não a exercer em determinados dias.</p><p>No segundo caso, trata-se de um constrangimento ilegal voltado à compelir alguém a abrir ou</p><p>fechar seu estabelecimento de trabalho ou aderir a algum movimento trabalhista (greve, piquete,</p><p>etc.).</p><p>Ambas as condutas podem ser praticadas por qualquer pessoa, sendo, portanto, CRIME</p><p>COMUM. O elemento exigido é o dolo, não se exigindo nenhuma finalidade especial de agir.</p><p>O crime é MATERIAL, pois só se consuma quando a vítima cede ao constrangimento do</p><p>infrator. Caso contrário, teremos apenas um crime na modalidade tentada.</p><p>4.2! ATENTADO CONTRA A LIBERDADE DE CONTRATO DE TRABALHO E BOICOTAGEM VIOLENTA</p><p>Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta</p><p>Art. 198 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato de trabalho, ou a não</p><p>fornecer a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial ou agrícola:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>14</p><p>54</p><p>Trata-se de crime COMUM, pois pode ser praticado por qualquer pessoa. É crime MATERIAL,</p><p>pois exige que a vítima ceda ao constrangimento do infrator para que o crime se consume. A</p><p>tentativa é ADMITIDA.1</p><p>O elemento subjetivo exigido é o dolo.</p><p>Além disso, temos duas condutas distintas:</p><p>§! Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato de</p><p>trabalho</p><p>§! Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a não fornecer a outrem ou</p><p>não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial ou agrícola:</p><p>CUIDADO!</p><p>Temos aqui o que se chama de tipo misto cumulativo, ou seja, o tipo penal prevê mais</p><p>de uma conduta (tipo misto), e a prática de mais de uma dessas condutas descritas no núcleo do</p><p>tipo configura mais de um crime, e não crime único (tipo misto cumulativo).</p><p>EXEMPLO: Imagine que José, mediante grave ameça, obrigue Maria a celebrar contrato</p><p>de trabalho com ele. Na mesma oportunidade, José constrange Maria a não fornecer</p><p>matéria-prima para Paulo. Neste caso, José responde por DOIS crimes (atentado contra a</p><p>liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta).</p><p>⇒! Mas, e a conduta daquele que OBRIGA alguém a NÃO celebrar contrato de trabalho? Tal</p><p>conduta não se amolda ao tipo penal do art. 198 do CP (temos aqui uma falha legislativa). Neste</p><p>caso, a solução será:</p><p>§! A depender do caso, enquadrar a conduta como crime contra a liberdade trabalho (art. 197,</p><p>I)</p><p>§! Em não sendo possível tal enquadramento, considerar como constrangimento ilegal (art. 146</p><p>do CP)</p><p>Mas, e a conduta daquele que OBRIGA alguém a FORNECER ou AQUIRIR de outrem matéria-prima</p><p>ou produto industrial ou agrícola? Também não está prevista no tipo penal do art. 198, podendo</p><p>configurar constrangimento ilegal (art. 146 do CP).</p><p>1 CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal. Parte Especial. 7º edição. Ed. Juspodivm. Salvador, 2015, p. 401</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>15</p><p>54</p><p>4.3! ATENTADO CONTRA A LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO</p><p>Atentado contra a liberdade de associação</p><p>Art. 199 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou deixar de participar de</p><p>determinado sindicato ou associação profissional:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.</p><p>Aqui temos mais um delito de constrangimento ilegal, só que com a finalidade de compelir</p><p>alguém a associar-se ou deixar de associar-se a determinado sindicato ou associação profissional.</p><p>Temos mais um crime COMUM, pois pode ser praticado por qualquer pessoa, embora em</p><p>regra seja cometido por integrantes dos sindicatos.</p><p>Trata-se de crime MATERIAL, só se consumando se a vítima, efetivamente, praticar a conduta</p><p>pretendida pelo infrator (associar ou não se associar). A tentativa é admitida, e o elemento</p><p>subjetivo é o DOLO, apenas.</p><p>4.4! PARALISAÇÃO DE TRABALHO, SEGUIDA DE VIOLÊNCIA OU PERTURBAÇÃO DA ORDEM</p><p>Paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem</p><p>Art. 200 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando violência contra pessoa ou</p><p>contra coisa:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.</p><p>Parágrafo único - Para que se considere coletivo o abandono de trabalho é indispensável o concurso de, pelo</p><p>menos, três empregados.</p><p>Aqui não temos um delito de constrangimento ilegal, mas um delito que é praticado</p><p>necessariamente com violência à pessoa ou contra COISA.</p><p>CUIDADO COM ISSO! Aqui a violência apenas contra COISA também caracteriza o delito.</p><p>O crime é de concurso necessário, pois, nos termos do § único do art. 200, pelo menos três</p><p>empregados devem participar da paralisação, embora não seja necessário que todos pratiquem a</p><p>violência. No entanto, é óbvio que somente aqueles que praticarem a violência é que serão</p><p>responsabilizados por este delito.</p><p>O crime se consuma com o emprego da violência, desde que realizada durante paralisação ou</p><p>suspensão do trabalho (mínimo de três empregados). A TENTATIVA É ADMITIDA.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>16</p><p>54</p><p>4.5! PARALISAÇÃO DE TRABALHO DE INTERESSE COLETIVO</p><p>Paralisação de trabalho de interesse coletivo</p><p>Art. 201 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a interrupção de obra pública</p><p>ou serviço de interesse coletivo:</p><p>Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.</p><p>Aqui temos um crime que pode ser praticado pelos empregados ou pelo empregador. Se</p><p>praticado pelo empregador, na modalidade de suspensão coletiva de trabalho (lockout), o crime é</p><p>unissubjetivo, ou seja, pode ser praticado por apenas uma pessoa. No entanto, quando praticado</p><p>pelos empregados (abandono coletivo de trabalho), o crime é considerado pela Doutrina como</p><p>PLURISSUBJETIVO, ou seja, de concurso necessário, pois não há como realizar abandono COLETIVO</p><p>de trabalho sozinho.</p><p>É necessário, ainda, que seja provocada a interrupção de obra pública ou serviço de interesse</p><p>coletivo, independentemente de haver, ou não, no caso concreto, efetivo prejuízo à sociedade, pois</p><p>o prejuízo é presumido (CRIME FORMAL).</p><p>A tentativa é admitida, e o elemento subjetivo é o DOLO, apenas.</p><p>4.6! INVASÃO DE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL, COMERCIAL OU AGRÍCOLA. SABOTAGEM</p><p>Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Sabotagem</p><p>Art. 202 - Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com o intuito de impedir ou</p><p>embaraçar o curso normal do trabalho, ou com o mesmo fim danificar o estabelecimento ou as coisas nele</p><p>existentes ou delas dispor:</p><p>Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.</p><p>Aqui temos a conduta de “invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola,</p><p>ou danificar o estabelecimento ou as coisas nele existente, ou delas se desfazer”. Essa conduta pode</p><p>ser praticada por qualquer pessoa, sendo CRIME COMUM.</p><p>O elemento subjetivo é o DOLO, exigindo-se a finalidade especial de agir, consistente na</p><p>intenção de IMPEDIR OU EMBARAÇAR O CURSO NORMAL DO TRABALHO. Caso ausente essa</p><p>finalidade específica, poderemos ter o crime de invasão de domicílio, furto ou dano, a depender da</p><p>situação, mas nunca o crime do art. 202 do CP.</p><p>O crime se consuma com a mera realização da conduta (invadir, danificar, etc.),</p><p>independentemente de a intenção do infrator ser alcançada (perturbar o trabalho). A tentativa é</p><p>admissível.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>17</p><p>54</p><p>4.7! FRUSTRAÇÃO DE DIREITO ASSEGURADO POR LEI TRABALHISTA</p><p>Frustração de direito assegurado por lei trabalhista</p><p>Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação do trabalho:</p><p>Pena - detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência. (Redação dada pela</p><p>Lei nº 9.777, de 29.12.1998)</p><p>§ 1º Na mesma pena incorre quem: (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)</p><p>I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para impossibilitar o</p><p>desligamento do serviço em virtude de dívida; (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)</p><p>II - impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou por meio da retenção</p><p>de seus documentos pessoais ou contratuais. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)</p><p>§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena</p><p>ou portadora de deficiência física ou mental. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)</p><p>O crime deste artigo se caracteriza pela frustração (evitar a efetivação) de um direito</p><p>trabalhista. Isso pode se dar mediante VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA.</p><p>EXEMPLO: O empregador que ameaça de demissão o empregado que pretende gozar suas</p><p>férias já vencidas.</p><p>Embora o exemplo dado trate do empregador, o crime é COMUM, podendo ser praticado por</p><p>qualquer pessoa.</p><p>O crime é MATERIAL, só se consumando se o direito trabalhista é, efetivamente, frustrado,</p><p>não sendo</p><p>suficiente para a consumação apenas a realização da conduta (violência ou grave</p><p>ameaça).</p><p>O elemento subjetivo é o DOLO, apenas.</p><p>O §1º, I e II, traz uma cláusula de equiparação, punindo também, e pela mesma pena, aquele</p><p>que coage alguém a consumir mercadoria de determinado estabelecimento, PARA IMPOSSIBILITAR</p><p>O DESLIGAMENTO DO TRABALHO EM RAZÃO DA DÍVIDA, bem como aquele que impede alguém</p><p>de se desligar de serviço mediante COAÇÃO ou RETENÇÃO DE SEUS DOCUMENTOS.</p><p>No primeiro caso, devemos lembrar que há a chamada FINALIDADE ESPECIAL DE AGIR, não</p><p>bastando o dolo genérico. O agente deve realizar a coação COM A FINALIDADE DE IMPOSSIBILITAR</p><p>O DESLIGAMENTO EM RAZÃO DA DÍVIDA.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>18</p><p>54</p><p>No entanto, caso o agente pratique algum ato de privação da liberdade de locomoção do trabalhador</p><p>em razão da dívida eventualmente contraída, poderemos estar diante do crime previsto no art. 149</p><p>do CP, que é o de REDUÇÃO À CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO. Vejamos:</p><p>Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada</p><p>exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua</p><p>locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto: (Redação dada pela Lei nº 10.803, de</p><p>11.12.2003)</p><p>Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência. (Redação dada pela Lei</p><p>nº 10.803, de 11.12.2003)</p><p>CUIDADO COM ISSO!</p><p>O §2º, por fim, traz uma causa especial de aumento de pena (aumento de 1/6 a 1/3), caso a</p><p>vítima seja:</p><p>⇒!Menor de dezoito anos;</p><p>⇒! Idosa</p><p>⇒!Gestante</p><p>⇒! Indígena</p><p>⇒!Portadora de deficiência física ou mental</p><p>4.8! FRUSTRAÇÃO DE LEI SOBRE A NACIONALIZAÇÃO DO TRABALHO</p><p>Frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho</p><p>Art. 204 - Frustrar, mediante fraude ou violência, obrigação legal relativa à nacionalização do trabalho:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.</p><p>O crime em tela, segundo MAIORIA DA DOUTRINA, não foi recepcionado pela Constituição de</p><p>1988, já que tinha a finalidade de proteger o mercado de trabalho nacional, punindo aqueles que</p><p>admitissem estrangeiros em detrimento de brasileiros, conforme as leis da época em que foi</p><p>promulgado o CP.</p><p>Como a CRFB/88 proibiu a distinção entre brasileiros e estrangeiros para este fim, a DOUTRINA</p><p>MAJORITÁRIA entende que este crime não foi recepcionado pela Constituição.</p><p>4.9! EXERCÍCIO DE ATIVIDADE COM INFRAÇÃO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA</p><p>Exercício de atividade com infração de decisão administrativa</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>19</p><p>54</p><p>Art. 205 - Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa:</p><p>Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.</p><p>A conduta aqui é bem simples, e consiste no exercício de atividade de que o agente está</p><p>impedido de exercer por decisão administrativa.</p><p>Trata-se de CRIME PRÓPRIO, pois somente aquela pessoa que foi impedida de exercer</p><p>determinada atividade, por decisão administrativa, é que pode praticar o crime.</p><p>EXEMPLO: Advogado que exerce a advocacia após ter sua inscrição suspensa em razão de</p><p>incompatibilidade por exercício de determinado cargo público.</p><p>Mas, e o médico que exerce a medicina após ter seu registro cassado? Responde por este crime</p><p>ou pelo crime do art. 282 (exercício ilegal da medicina)? O STF entende que, neste caso, o médico</p><p>responde por este crime e não por exercício ilegal da medicina!</p><p>E caso o agente descumpra uma decisão JUDICIAL e não administrativa? Nesse caso, pratica um</p><p>crime contra a administração da Justiça, previsto no art. 359 do CP2:</p><p>Art. 359 - Exercer função, atividade, direito, autoridade ou múnus, de que foi suspenso ou privado por decisão</p><p>judicial:</p><p>Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.</p><p>O elemento subjetivo é o DOLO, e o crime se consuma com o exercício, segundo maioria da</p><p>Doutrina, HABITUAL da atividade da qual está impedido.</p><p>CUIDADO! A habitualidade do delito não é tema pacífico, havendo quem defenda que o</p><p>crime não é habitual, sendo suficiente a prática de um ato para a sua caracterização.</p><p>4.10!ALICIAMENTO PARA O FIM DE EMIGRAÇÃO</p><p>Aliciamento para o fim de emigração</p><p>2 STF - HC 74.826-SP, rel. Min. Sydney Sanches, 11.3.97. (INFORMATIVO Nº 63 DO STF)</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>20</p><p>54</p><p>Art. 206 - Recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para território estrangeiro. (Redação</p><p>dada pela Lei nº 8.683, de 1993)</p><p>Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos e multa. (Redação dada pela Lei nº 8.683, de 1993)</p><p>O crime aqui previsto pode ser praticado por qualquer pessoa, sendo CRIME COMUM. Veja</p><p>que somente ocorrerá o crime se o aliciamento se der MEDIANTE FRAUDE, não havendo crime no</p><p>mero aliciamento de pessoas para trabalhar em outro país, desde que sem fraude.</p><p>A Doutrina exige, ainda, que o aliciamento se dê em relação A MAIS DE UMA PESSOA, pois o</p><p>tipo penal usa o termo “trabalhadores”, no plural. No entanto, alguns Doutrinadores (p.ex.</p><p>Mirabete), entendem que devem ser no mínimo TRÊS pessoas aliciadas.</p><p>O termo “trabalhadores” é mais amplo que “empregados”, abarcando quaisquer pessoas que</p><p>estejam sendo aliciadas com a promessa de trabalho, seja ele formal ou não.</p><p>O elemento subjetivo é o DOLO, além da finalidade especial consistente na intenção de levar</p><p>os trabalhadores para o exterior.</p><p>O crime é FORMAL e se consuma com a mera perpetração da FRAUDE, pouco importando se</p><p>a saída do território nacional chega a ser concluída. Admite-se a TENTATIVA.</p><p>4.11!ALICIAMENTO DE TRABALHADORES DE UM LOCAL PARA OUTRO DO TERRITÓRIO NACIONAL</p><p>Aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional</p><p>Art. 207 - Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do território nacional:</p><p>Pena - detenção de um a três anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)</p><p>§ 1º Incorre na mesma pena quem recrutar trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho, dentro</p><p>do território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia do trabalhador, ou, ainda, não</p><p>assegurar condições do seu retorno ao local de origem. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)</p><p>§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena</p><p>ou portadora de deficiência física ou mental. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)</p><p>O crime aqui é parecido com o anterior, só que o destino não é o exterior, mas outra</p><p>localidade do território nacional.</p><p>A forma de aliciamento também não é necessariamente a fraude, podendo ser outra que não</p><p>seja a livre vontade do trabalhador, livre de vícios de consentimento.</p><p>A Doutrina afirma, ainda, que essa outra localidade do território nacional deve ser longe (e aí</p><p>não define longe) do local de origem.</p><p>O §1º traz uma forma equiparada, que é o RECRUTAMENTO de trabalhadores fora da</p><p>localidade de execução do trabalho, que pode se dar de duas maneiras distintas. A primeira</p><p>mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia do trabalhador (visa a evitar a exploração</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>21</p><p>54</p><p>econômica de quem pouco possui). A segunda, não assegurando</p><p>as condições de retorno ao local</p><p>de origem, caso a empreitada não dê certo.</p><p>Todas as hipóteses são crimes FORMAIS, consumando-se com a mera realização da conduta,</p><p>ainda que o deslocamento não ocorra. No entanto, na segunda parte do §1º, a Doutrina ente de que</p><p>o crime se consuma no momento em que o recrutador nega ao trabalhador as condições para</p><p>retornar ao local de origem, não importando se este consegue retornar com recursos próprios.</p><p>O §2º, por sua vez, traz uma causa de aumento de pena, no caso de a vítima se enquadrar</p><p>numa das hipóteses previstas no texto do dispositivo legal.</p><p>4.12!TÓPICOS IMPORTANTES APLICÁVEIS AOS CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO</p><p>⇒!Todas as condutas somente são punidas na modalidade DOLOSA, não havendo previsão</p><p>de punição a título culposo;</p><p>⇒!Todos os crimes são de ação penal pública incondicionada, já que a lei não diz o contrário</p><p>(segue a regra);</p><p>⇒!São, em regra, crimes FORMAIS, mas há exceções (aquelas que nós vimos);</p><p>⇒!Todos os crimes admitem a TENTATIVA, salvo as raras hipóteses em que a conduta não</p><p>pode ser fracionada (exemplo: Negar as condições para retorno, art. 207, §1º, por de</p><p>tratar de conduta omissiva).</p><p>⇒!Para quase todos os delitos é cominada pena de detenção, exceto para o crime do art.</p><p>202 (para este, a pena cominada é a de reclusão).</p><p>⇒!O crime de redução à condição análoga à de escravo não está inserido dentro dos</p><p>“crimes contra a organização do trabalho”, pois está previsto no art. 149 do CP, dentro</p><p>do capítulo referente aos crimes contra a liberdade pessoal.</p><p>Por fim, a quem compete processar e julgar tais delitos? O art. 109, VI da CF/88 assim dispõe:</p><p>Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:</p><p>(...) VI - os crimes contra a organização do trabalho (...)</p><p>A partir daí, seria possível concluir que a competência para processar e julgar tais delitos seria</p><p>da Justiça Federal. Não é esse, contudo, o entendimento consolidado do STF e do STJ.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>22</p><p>54</p><p>Para o STJ, a competência será, a princípio, da Justiça estadual, salvo se ficar comprovado que</p><p>houve:</p><p>(i) violação a direito dos trabalhadores, considerados coletivamente; ou</p><p>(ii) violação à organização geral do trabalho.</p><p>Segundo o STJ, a mera violação aos direitos de um ou alguns trabalhadores não desloca a</p><p>competência para a Justiça Federal. Resumidamente, para o STJ, só haverá competência da Justiça</p><p>Federal quando a conduta configurar lesão ao sistema de órgãos e instituições destinadas a</p><p>preservar a coletividade trabalhista.</p><p>O STF segue a mesma linha, ou seja, se estivermos diante de mera violação a interesses</p><p>individuais do trabalhador, não haverá competência da Justiça Federal. Contudo, o STF destaca que</p><p>a análise deverá ser muito mais ampla do que a mera configuração de lesão aos órgãos e</p><p>instituições que visem à proteção do trabalho, devendo ser analisado se houve, no caso concreto,</p><p>lesão à dignidade do ser humano, num contexto de relação de trabalho3.</p><p>Por fim, a quem cabe julgar o crime de redução à condição análoga à de escravo? Embora</p><p>este seja um delito que não está inserido dentro do Título referente aos crimes contra a organização</p><p>do trabalho, o STF e o STJ possuem entendimento pacífico no sentido de que a competência será da</p><p>Justiça Federal, eis que o delito ofende gravemente a organização do trabalho, eis que, dentre outras</p><p>coisas, há violação flagrante à dignidade da pessoa humana em relação de trabalho. Vejamos o</p><p>entendimento do STF:</p><p>(...) O bem jurídico objeto de tutela pelo art. 149 do Código Penal vai além da liberdade individual, já que a</p><p>prática da conduta em questão acaba por vilipendiar outros bens jurídicos protegidos constitucionalmente</p><p>como a dignidade da pessoa humana, os direitos trabalhistas e previdenciários, indistintamente considerados.</p><p>2. A referida conduta acaba por frustrar os direitos assegurados pela lei trabalhista, atingindo, sobremodo, a</p><p>organização do trabalho, que visa exatamente a consubstanciar o sistema social trazido pela Constituição</p><p>Federal em seus arts. 7º e 8º, em conjunto com os postulados do art. 5º, cujo escopo, evidentemente, é proteger</p><p>o trabalhador em todos os sentidos, evitando a usurpação de sua força de trabalho de forma vil. 3. É dever do</p><p>Estado (lato sensu) proteger a atividade laboral do trabalhador por meio de sua organização social e trabalhista,</p><p>bem como zelar pelo respeito à dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, inciso III). 4. A conjugação harmoniosa</p><p>dessas circunstâncias se mostra hábil para atrair para a competência da Justiça Federal (CF, art. 109, inciso VI)</p><p>o processamento e o julgamento do feito. 5. Recurso extraordinário do qual se conhece e ao qual se dá</p><p>provimento. (RE 459510, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal</p><p>Pleno, julgado em 26/11/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-067 DIVULG 11-04-2016 PUBLIC 12-04-2016)</p><p>3 (RE 587530 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 03/05/2011, DJe-164 DIVULG 25-</p><p>08-2011 PUBLIC 26-08-2011 EMENT VOL-02574-02 PP-00432)</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>23</p><p>54</p><p>No mesmo sentido, o entendimento do STJ:</p><p>(...)- Nos termos da jurisprudência firmada nesta Corte e no Supremo Tribunal Federal, compete à Justiça</p><p>Federal processar e julgar o crime de redução a condição análoga à de escravo, pois a conduta ilícita de</p><p>suprimir dos trabalhadores direitos trabalhistas constitucionalmente conferidos viola o princípio da dignidade</p><p>da pessoa humana, bem como todo o sistema de organização do trabalho e as instituições e órgãos que o</p><p>protegem.</p><p>Conflito conhecido para declarar competente o Juízo Federal da 11ª Vara da Seção Judiciária do Estado de Goiás,</p><p>ora suscitado.</p><p>(CC 132.884/GO, Rel. Ministra MARILZA MAYNARD (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/SE), TERCEIRA</p><p>SEÇÃO, julgado em 28/05/2014, DJe 10/06/2014)</p><p>5! DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES</p><p>CÓDIGO PENAL</p><p>Ä Arts. 184 a 187 do CP – Tipificam os crimes contra a propriedade imaterial:</p><p>TÍTULO III</p><p>DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL</p><p>CAPÍTULO I</p><p>DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE INTELECTUAL</p><p>Violação de direito autoral</p><p>Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>§ 1o Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por</p><p>qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização</p><p>expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente:</p><p>(Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>24</p><p>54</p><p>§ 2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou indireto, distribui, vende, expõe</p><p>à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou</p><p>fonograma reproduzido com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do</p><p>direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga original ou</p><p>cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a</p><p>expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente. (Redação dada pela Lei nº 10.695, de</p><p>1º.7.2003)</p><p>§ 3o Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou</p><p>qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la em um</p><p>tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, com intuito de lucro, direto ou indireto,</p><p>sem autorização expressa, conforme o caso, do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor de</p><p>fonograma, ou de quem os represente: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>§ 4o O disposto nos §§ 1o, 2o e 3o não se aplica quando se tratar de exceção ou limitação ao direito de</p><p>autor ou os que lhe são conexos, em conformidade com o previsto na Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998,</p><p>nem a cópia de obra intelectual ou fonograma, em um só exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de</p><p>lucro direto ou indireto. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Usurpação de nome ou pseudônimo alheio</p><p>Art. 185 - (Revogado pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Art. 186. Procede-se mediante: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>I – queixa, nos crimes previstos no caput do art. 184; (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>II – ação penal pública incondicionada, nos crimes previstos nos §§ 1o e 2o do art. 184; (Incluído pela Lei nº</p><p>10.695, de 1º.7.2003)</p><p>III – ação penal pública incondicionada, nos crimes cometidos em desfavor de entidades de direito público,</p><p>autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo Poder Público;(Incluído</p><p>pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>IV – ação penal pública condicionada à representação, nos crimes previstos no § 3o do art. 184. (Incluído</p><p>pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)</p><p>Ä Arts. 197 a 207 do CP – Tipificam os crimes contra a organização do trabalho:</p><p>TÍTULO IV</p><p>DOS CRIMES CONTRA</p><p>A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO</p><p>Atentado contra a liberdade de trabalho</p><p>Art. 197 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça:</p><p>I - a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não trabalhar durante certo</p><p>período ou em determinados dias:</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>25</p><p>54</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência;</p><p>II - a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou paralisação de</p><p>atividade econômica:</p><p>Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.</p><p>Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta</p><p>Art. 198 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato de trabalho, ou a</p><p>não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial ou agrícola:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.</p><p>Atentado contra a liberdade de associação</p><p>Art. 199 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou deixar de participar de</p><p>determinado sindicato ou associação profissional:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.</p><p>Paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem</p><p>Art. 200 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando violência contra pessoa ou</p><p>contra coisa:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.</p><p>Parágrafo único - Para que se considere coletivo o abandono de trabalho é indispensável o concurso de,</p><p>pelo menos, três empregados.</p><p>Paralisação de trabalho de interesse coletivo</p><p>Art. 201 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a interrupção de obra</p><p>pública ou serviço de interesse coletivo:</p><p>Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.</p><p>Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Sabotagem</p><p>Art. 202 - Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com o intuito de impedir ou</p><p>embaraçar o curso normal do trabalho, ou com o mesmo fim danificar o estabelecimento ou as coisas nele</p><p>existentes ou delas dispor:</p><p>Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.</p><p>Frustração de direito assegurado por lei trabalhista</p><p>Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação do trabalho:</p><p>Pena - detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência. (Redação dada</p><p>pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)</p><p>§ 1º Na mesma pena incorre quem: (Incluído pela Lei nº 9.777, de 1998)</p><p>I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para impossibilitar o</p><p>desligamento do serviço em virtude de dívida; (Incluído pela Lei nº 9.777, de 1998)</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>26</p><p>54</p><p>II - impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou por meio da</p><p>retenção de seus documentos pessoais ou contratuais. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 1998)</p><p>§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa, gestante,</p><p>indígena ou portadora de deficiência física ou mental. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 1998)</p><p>Frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho</p><p>Art. 204 - Frustrar, mediante fraude ou violência, obrigação legal relativa à nacionalização do trabalho:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.</p><p>Exercício de atividade com infração de decisão administrativa</p><p>Art. 205 - Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa:</p><p>Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.</p><p>Aliciamento para o fim de emigração</p><p>Art. 206 - Recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para território estrangeiro.</p><p>(Redação dada pela Lei nº 8.683, de 1993)</p><p>Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos e multa. (Redação dada pela Lei nº 8.683, de 1993)</p><p>Aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional</p><p>Art. 207 - Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do território nacional:</p><p>Pena - detenção de um a três anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)</p><p>§ 1º Incorre na mesma pena quem recrutar trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho,</p><p>dentro do território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia do trabalhador, ou, ainda, não</p><p>assegurar condições do seu retorno ao local de origem. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 1998)</p><p>§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa, gestante,</p><p>indígena ou portadora de deficiência física ou mental. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 1998)</p><p>Ä Arts. 208 a 212 do CP – Tipificam os crimes contra o sentimento religioso e o respeito aos mortos:</p><p>TÍTULO V</p><p>DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO</p><p>RELIGIOSO E CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS</p><p>CAPÍTULO I</p><p>DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO</p><p>Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo</p><p>Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou</p><p>perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.</p><p>Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da</p><p>correspondente à violência.</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>27</p><p>54</p><p>CAPÍTULO II</p><p>DOS CRIMES CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS</p><p>Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária</p><p>Art. 209 - Impedir ou perturbar enterro ou cerimônia funerária:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.</p><p>Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da</p><p>correspondente à violência.</p><p>Violação de sepultura</p><p>Art. 210 - Violar ou profanar sepultura ou urna funerária:</p><p>Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.</p><p>Destruição, subtração ou ocultação de cadáver</p><p>Art. 211 - Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele:</p><p>Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.</p><p>Vilipêndio a cadáver</p><p>Art. 212 - Vilipendiar cadáver ou suas cinzas:</p><p>Pena - detenção, de um a três anos, e multa.</p><p>Ä Arts. 235 a 249 do CP – Tipificam os crimes contra a família:</p><p>TÍTULO VII</p><p>DOS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA</p><p>CAPÍTULO I</p><p>DOS CRIMES CONTRA O CASAMENTO</p><p>Bigamia</p><p>Art. 235 - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:</p><p>Pena - reclusão, de dois a seis anos.</p><p>§ 1º - Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo essa circunstância,</p><p>é punido com reclusão ou detenção, de um a três anos.</p><p>§ 2º - Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo que não a bigamia,</p><p>considera-se inexistente o crime.</p><p>Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento</p><p>Art. 236 - Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe</p><p>impedimento que não seja casamento anterior:</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>28</p><p>54</p><p>Pena - detenção, de seis meses a dois anos.</p><p>Parágrafo único - A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada senão</p><p>depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.</p><p>Conhecimento prévio de impedimento</p><p>Art. 237 - Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta:</p><p>Pena - detenção, de três meses a um ano.</p><p>Simulação de autoridade para celebração de casamento</p><p>Art. 238 - Atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento:</p><p>Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não constitui crime mais grave.</p><p>Simulação de casamento</p><p>Art. 239 - Simular casamento mediante engano de outra pessoa:</p><p>Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.</p><p>Adultério</p><p>Art. 240 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)</p><p>CAPÍTULO II</p><p>DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO</p><p>Registro de nascimento inexistente</p><p>Art. 241 - Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente:</p><p>Pena - reclusão, de dois a seis anos.</p><p>Parto suposto. Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido</p><p>Art. 242 - Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de outrem; ocultar recém-nascido ou</p><p>substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil: (Redação dada pela Lei nº 6.898, de 1981)</p><p>Pena - reclusão, de dois a seis anos. (Redação dada pela Lei nº 6.898, de 1981)</p><p>Parágrafo único - Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza: (Redação dada pela Lei nº</p><p>6.898, de 1981)</p><p>Pena - detenção, de um a dois anos, podendo o juiz deixar de aplicar a pena. (Redação dada pela Lei nº</p><p>6.898, de 1981)</p><p>Sonegação de estado de filiação</p><p>Art. 243 - Deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho próprio ou alheio, ocultando-</p><p>lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra, com o fim de prejudicar direito inerente ao estado civil:</p><p>Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.</p><p>CAPÍTULO III</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>29</p><p>54</p><p>DOS CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR</p><p>Abandono material</p><p>Art. 244. Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho menor de 18 (dezoito)</p><p>anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos, não lhes</p><p>proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente</p><p>acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente, gravemente</p><p>enfermo: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)</p><p>Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente</p><p>no País. (Redação dada pela Lei nº 5.478, de 1968)</p><p>Parágrafo único - Nas mesmas penas incide quem, sendo solvente, frustra ou ilide, de qualquer modo,</p><p>inclusive por abandono injustificado de emprego ou função, o pagamento de pensão alimentícia judicialmente</p><p>acordada, fixada ou majorada. (Incluído pela Lei nº 5.478, de 1968)</p><p>Entrega de filho menor a pessoa inidônea</p><p>Art. 245 - Entregar filho menor de 18 (dezoito) anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que</p><p>o menor fica moral ou materialmente em perigo: (Redação dada pela Lei nº 7.251, de 1984)</p><p>Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. (Redação dada pela Lei nº 7.251, de 1984)</p><p>§ 1º - A pena é de 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão, se o agente pratica delito para obter lucro, ou se o</p><p>menor é enviado para o exterior. (Incluído pela Lei nº 7.251, de 1984)</p><p>§ 2º - Incorre, também, na pena do parágrafo anterior quem, embora excluído o perigo moral ou material,</p><p>auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior, com o fito de obter lucro. (Incluído pela</p><p>Lei nº 7.251, de 1984)</p><p>Abandono intelectual</p><p>Art. 246 - Deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar:</p><p>Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.</p><p>Art. 247 - Permitir alguém que menor de dezoito anos, sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou</p><p>vigilância:</p><p>I - freqüente casa de jogo ou mal-afamada, ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida;</p><p>II - freqüente espetáculo capaz de pervertê-lo ou de ofender-lhe o pudor, ou participe de representação de</p><p>igual natureza;</p><p>III - resida ou trabalhe em casa de prostituição;</p><p>IV - mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública:</p><p>Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.</p><p>CAPÍTULO IV</p><p>DOS CRIMES CONTRA O</p><p>PÁTRIO PODER, TUTELA CURATELA</p><p>Renan Araujo, Time Renan Araujo</p><p>Aula 08</p><p>Direito Penal p/ Polícia Civil-RJ (Inspetor) Com Videoaulas</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>30</p><p>54</p><p>Induzimento a fuga, entrega arbitrária ou sonegação de incapazes</p><p>Art. 248 - Induzir menor de dezoito anos, ou interdito, a fugir do lugar em que se acha por determinação</p>