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<p>Conhecimentos básicos</p><p>“É melhor você tentar algo,</p><p>vê-lo não funcionar e</p><p>aprender com isso, do que</p><p>não fazer nada.”</p><p>Mark Zuckerberg</p><p>COACHING PARA CONCURSOS – ESTRATÉGIAS PARA SER APROVADO</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Compreensão e Interpretação de Texto</p><p>Ao ler, tomamos contato com textos dos mais variados tipos, sendo possível classificá-los de diversas</p><p>maneiras (poéticos, científicos, textos em verso e textos em prosa, políticos, religiosos etc).</p><p>Daí, tratar da classificação dos textos se revelará útil tanto para a leitura quanto para a produção de</p><p>textos.</p><p>I – Modos de texto</p><p>Classificam-se os textos em Narrativos, Descritivos e Dissertativos, embora, na maioria das vezes,</p><p>não encontremos um texto em estado puro, já que o narrativo, o descritivo e o dissertativo podem</p><p>interpolar-se em um único texto.</p><p>a) Texto Narrativo: Relata as mudanças progressivas de estado que vão ocorrendo no tempo</p><p>(evolução cronológica) com as pessoas e as coisas. Nesse tipo de texto, existe uma relação de</p><p>anterioridade ou de posterioridade entre os episódios e os relatos.</p><p>De uma forma sucinta, podemos afirmar que predominam nos textos narrativos</p><p>• a presença de verbos que indicam ação, advérbios temporais e conjunções temporais</p><p>• sucessão temporal</p><p>• o objetivo de relatar os fatos</p><p>• tempos verbais: presente e pretérito-perfeito do Indicativo, isto é, tempos que expressam o fato que</p><p>ocorre no presente ou acontecido no passado, em uma sucessão temporal.</p><p>b) Texto Descritivo: Enquanto uma narração faz progredir uma história, a descrição consiste</p><p>justamente em interrompê-la, detendose em um personagem, um objeto – relatando suas</p><p>características – , em um lugar etc.</p><p>Os fatos reproduzidos numa descrição são simultâneos não existindo, portanto, progressão temporal</p><p>de um estado anterior para outro posterior.</p><p>Assim, podemos observar nos textos descritivos:</p><p>• predominância de substantivos e adjetivos</p><p>• ausência de passagem do tempo</p><p>• o objetivo de identificar e qualificar os fatos</p><p>• tempos verbais: o presente e o pretérito- imperfeito do Indicativo – tempos que indicam um fato</p><p>observado em um determinado momento do tempo.</p><p>c) Texto Dissertativo: Seu propósito principal é expor ou explanar, explicar ou interpretar idéias. Na</p><p>dissertação, expressamos o que sabemos ou acreditamos saber a respeito de determinado assunto;</p><p>externamos nossa opinião sobre o que é ou nos parece ser.</p><p>Observam-se nos textos argumentativos:</p><p>• conectores relacionando argumentos</p><p>• mecanismos de coesão</p><p>• ausência da sucessão do tempo</p><p>• objetivo de discutir, informar ou expor idéias</p><p>• presença de opiniões e argumentos, com os verbos no Presente do Indicativo.</p><p>COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Tipologia textual (modos de texto) – esquema</p><p>INTENÇÃO DO AUTOR EVOLUÇÃO CRONOLÓGICA</p><p>NARRATIVO Relatar acontecimento. SIM. Antes e depois. Marca</p><p>fundamental.</p><p>DESCRITIVO Caracterizar NÃO. Tempo congela. Fatos</p><p>ocorrem ao mesmo tempo.</p><p>DISSERTATIVO Discutir, abstrair, discorrer,</p><p>conceituar. Não Descreve.</p><p>Não é relevante.</p><p>Exercícios De Fixação</p><p>I) Identifique os modos de organização discursiva dos seguintes trechos:</p><p>1- Eram sete horas da noite em São Paulo e a cidade toda se agitava naquele clima de quase</p><p>tumulto típico dessa hora. De repente, uma escuridão total caiu sobre todos como uma espessa lona</p><p>opaca de um grande circo. Os veículos acenderam os faróis altos, insuficientes para substituir a</p><p>iluminação anterior.</p><p>2- Eis São Paulo às sete da noite. O trânsito caminha lento e nervoso. Nas ruas, pedestres</p><p>apressados se atropelam. Nos bares, bocas cansadas conversam, mastigam e bebem em volta das</p><p>mesas. Luzes de tons pálidos incidem sobre o cinza dos prédios.</p><p>3- As condições de bem-estar e de comodidade nos grandes centros urbanos como São Paulo são</p><p>reconhecidamente precárias por causa, sobretudo, da densa concentração de habitantes num espaço</p><p>que não foi planejado para alojá-los. Com isso, praticamente todos os pólos da estrutura urbana ficam</p><p>afetados: o trânsito é lento; os transportes coletivos, insuficientes; os estabelecimentos de prestação</p><p>de serviços, ineficazes.</p><p>II – Tipos de Texto</p><p>1) Informativo: Informar, veicular conhecimento que o leitor desconhece. É mais específico do que</p><p>expositivo. Exs: jornal, bula de remédio, etc. (*) Tem por marcas lingüísticas freqüentes a clareza e a</p><p>precisão. Procura meios de atrair a atenção do leitor para o que é veiculado. Traz implícita a idéia de</p><p>que o conteúdo do texto é de interesse dos leitores.</p><p>2) Didático: Ensinar, também são informações que o leitor desconhece. Ex: livros didáticos.</p><p>3) Expositivo: Expõe o que se sabe, sem opinar. Ex: questões discursivas em concursos públicos.</p><p>4) Opinativo: Também chamado de Argumentativo. Diferente do expositivo. Há a colocação da</p><p>opinião do autor. Ex: os editoriais dos jornais.</p><p>5) Polêmico: Neste texto aparecem, ao menos, dois pontos de vista sobre um assunto. Ex.: artigos</p><p>que tratam de temas polêmicos – aborto, o sistema de reserva de quotas para negros nas</p><p>universidades etc.</p><p>6) Injuntivo: Tem por objetivo instruir em vista de uma ação. Ex: manuais.</p><p>Enunciados de Tipologia Textual</p><p>A seguir, os enunciados mais comuns de provas de concursos públicos sobre o assunto:</p><p>“O texto deve ser classificado de forma mais adequada...”; “Os textos narrativos/ informativos/</p><p>didáticos caracterizam-se por...”; “O texto lido poderia ser classificado como...”; “Quanto ao modo de</p><p>organização do discurso, pode-se afirmar que o texto lido é...”; “O texto lido deve ser considerado</p><p>COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>prioritariamente como...”; “A finalidade principal desse texto é a de...”; “O objeto maior do texto é...”,</p><p>entre outros.</p><p>Tipologia Textual – Provas</p><p>Quanto aos modos e tipos de textos, julgue os itens a seguir: Texto 01</p><p>O Construtor De Pontes</p><p>Dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um rio, entraram em conflito.</p><p>Foi a primeira grande desavença em toda uma vida de trabalho lado a lado. Mas agora tudo havia</p><p>mudado. O que começou com um pequeno mal-entendido finalmente explodiu numa troca de</p><p>palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio. Numa manhã, o irmão mais velho ouviu</p><p>baterem à sua porta.</p><p>— Estou procurando trabalho, disse um forasteiro. Faço trabalhos de carpintaria. Talvez você tenha</p><p>algum serviço para mim.</p><p>— Sim, disse o fazendeiro. Claro! Vê aquela fazenda ali, além do rio? É do meu vizinho. Na realidade</p><p>é do meu irmão mais novo. Nós brigamos e não posso mais suportá-lo. Vê aquela pilha de madeira</p><p>ali no celeiro? Pois use para construir uma cerca bem alta.</p><p>— Acho que entendo a situação, disse o carpinteiro.</p><p>Mostre-me onde estão a pá e os pregos.</p><p>O irmão mais velho entregou o material e foi para a cidade. O homem ficou ali cortando, medindo,</p><p>trabalhando o dia inteiro. Quando o fazendeiro chegou, não acreditou no que viu: em vez de cerca,</p><p>uma ponte foi construída ali, ligando as duas margens. Era um belo trabalho, mas o fazendeiro ficou</p><p>enfurecido e falou:</p><p>— Você foi atrevido construindo essa ponte depois de tudo que lhe contei! Mas as surpresas não</p><p>pararam aí. Ao olhar novamente para a ponte, viu o seu irmão se aproximando de 31 braços abertos.</p><p>Por um instante permaneceu imóvel do seu lado do rio.</p><p>O irmão mais novo então falou:</p><p>— Você realmente foi muito amigo construindo esta ponte mesmo depois do que eu lhe disse. De</p><p>repente, num só impulso, o irmão mais velho correu na direção do outro e abraçaram-se,</p><p>emocionados, no meio da ponte.</p><p>O carpinteiro que fez o trabalho preparou-se para partir, com sua caixa de ferramentas.</p><p>— Espere, fique conosco! Tenho outros trabalhos para você.</p><p>Porém o carpinteiro respondeu:</p><p>— Eu gostaria, mas tenho outras pontes a construir...</p><p>1. O texto é essencialmente</p>
<p>• Diário</p><p>• Relatos (viagens, históricos, etc.)</p><p>• Biografia e autobiografia</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>11 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• Notícia</p><p>• Currículo</p><p>• Lista de compras</p><p>• Cardápio</p><p>• Anúncios de classificados</p><p>Texto Dissertativo-Argumentativo</p><p>Os textos dissertativos são aqueles encarregados de expor um tema ou assunto por meio de argu-</p><p>mentações. São marcados pela defesa de um ponto de vista, ao mesmo tempo que tentam persuadir</p><p>o leitor. Sua estrutura textual é dividida em três partes: tese (apresentação), antítese (desenvolvimen-</p><p>to), nova tese (conclusão).</p><p>Exemplos de gêneros textuais dissertativos:</p><p>• Editorial Jornalístico</p><p>• Carta de opinião</p><p>• Resenha</p><p>• Artigo</p><p>• Ensaio</p><p>• Monografia, dissertação de mestrado e tese de doutorado</p><p>Texto Expositivo</p><p>Os textos expositivos possuem a função de expor determinada ideia, por meio de recursos como:</p><p>definição, conceituação, informação, descrição e comparação.</p><p>Alguns exemplos de gêneros textuais expositivos:</p><p>• Seminários</p><p>• Palestras</p><p>• Conferências</p><p>• Entrevistas</p><p>• Trabalhos acadêmicos</p><p>• Enciclopédia</p><p>• Verbetes de dicionários</p><p>Texto Injuntivo</p><p>O texto injuntivo, também chamado de texto instrucional, é aquele que indica uma ordem, de modo</p><p>que o locutor (emissor) objetiva orientar e persuadir o interlocutor (receptor). Por isso, apresentam, na</p><p>maioria dos casos, verbos no imperativo.</p><p>Alguns exemplos de gêneros textuais injuntivos:</p><p>• Propaganda</p><p>• Receita culinária</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>12 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• Bula de remédio</p><p>• Manual de instruções</p><p>• Regulamento</p><p>• Textos prescritivos</p><p>Conheça mais gêneros textuais:</p><p>• Anedota</p><p>• Blog</p><p>• Reportagem</p><p>• Charge</p><p>• Carta</p><p>• E-mail</p><p>• Declaração</p><p>• Memorando</p><p>• Bilhete</p><p>• Relatório</p><p>• Requerimento</p><p>• ATA</p><p>• Cartaz</p><p>• Cartum</p><p>• Procuração</p><p>• Atestado</p><p>• Circular</p><p>• Contrato</p><p>Tipologia Textual</p><p>Quando falamos em tipos de textos, normalmente nos limitamos a tripartição, sob o enfoque tradicio-</p><p>nal: Descrição, Narração e Dissertação. Vamos um pouco mais além no intuito de conhecer um pou-</p><p>co mais sobre este assunto.</p><p>Texto Descritivo</p><p>A descrição usa um tipo de texto em que se faz um retrato falado de uma pessoa, animal, objeto ou</p><p>lugar. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua função caracteriza-</p><p>dora, dando ao leitor uma grande riqueza de detalhes.</p><p>A descrição, ao contrário da narração, não supõe ação. È uma estrutura pictórica, em que os aspec-</p><p>tos sensoriais predominam. Assim como o pintor capta o mundo exterior ou interior em suas telas, o</p><p>autor de uma descrição focaliza cenas ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade.</p><p>Quanto à descrição de pessoas, podemos atribuir-lhes características físicas ou psicológicas.</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>13 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Texto Narrativo</p><p>Esta é uma modalidade textual em que se conta um fato, fictício ou real, ocorrido num determinado</p><p>tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Há uma relação de anterioridade e posterioridade. O</p><p>tempo verbal predominante é o passado.</p><p>Em geral, a narrativa se desenvolve na prosa. O narrar surge da busca de transmitir, de comunicar</p><p>qualquer acontecimento ou situação. A narração em primeira pessoa pressupõe a participação do</p><p>narrador (narrador personagem) e em terceira pessoa mostra o que ele viu ou ouviu (narrador obser-</p><p>vador).</p><p>Na narração encontramos ainda os personagens (principais ou secundários), o espaço (cenário) e o</p><p>tempo da narrativa.</p><p>Texto Dissertativo</p><p>Neste tipo de texto há posicionamentos pessoais e exposição de idéias. Tem por base a argumenta-</p><p>ção, apresentada de forma lógica e coerente a fim de defender um ponto de vista. Assim, a disserta-</p><p>ção consiste na ordenação e exposição de um determinado assunto. É a nossa conhecida “redação”</p><p>de cada dia. É a modalidade mais exigida nos concursos, já que exige dos candidatos um conheci-</p><p>mento de leitura do mundo, como também um bom domínio da norma culta.</p><p>Está estruturada basicamente assim:</p><p>1. Idéia principal (introdução)</p><p>2. Desenvolvimento (argumentos e aspectos que o tema envolve)</p><p>3. Conclusão (síntese da posição assumida)</p><p>Texto Expositivo</p><p>Apresenta informações sobre determinados assuntos, expondo idéias, explicando e avaliando. Como</p><p>o próprio nome indica, ocorre em textos que se limitam a apresentar uma determinada situação.</p><p>As exposições orais ou escritas entre professores e alunos numa sala de aula, os livros e as fontes</p><p>de consulta, são exemplos maiores desta modalidade.</p><p>Texto Injuntivo</p><p>Este tipo de texto indica como realizar uma determinada ação. Ele normalmente pede, manda ou</p><p>aconselha. Utiliza linguagem direta, objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria, empregados</p><p>no modo imperativo.</p><p>Bons exemplos deste tipo de texto são as receitas de culinária, os manuais, receitas médicas, editais,</p><p>etc.</p><p>Gêneros Textuais</p><p>Muitos confundem os tipos de texto com os gêneros. No primeiro, eles funcionam como modos de</p><p>organização, sendo limitados. No segundo, são os chamados textos materializados, encontrados em</p><p>nosso cotidiano. Eles são muitos, apresentando características sócio-comunicativas definidas por seu</p><p>estilo, função, composição conteúdo e canal.</p><p>Assim, quando se escreve um bilhete ou uma carta, quando se envia ou recebe um e-mail ou usamos</p><p>o Orkut ou MSN, estamos utilizando diversos gêneros textuais.</p><p>Tipos Textuais</p><p>Descrição</p><p>Narração</p><p>Dissertação</p><p>Exposição</p><p>Injunção</p><p>Gêneros Textuais</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>14 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Bilhete</p><p>Carta pessoal, comercial</p><p>Diário, agenda, anotações</p><p>Romance</p><p>Blog, e-mail,Orkut, MSN</p><p>Aulas</p><p>Reuniões</p><p>Entrevistas</p><p>Piadas</p><p>Cardápio</p><p>Horóscopo</p><p>Telegrama, telefonema</p><p>Lista de compras, etc.</p><p>Tipologia Textual: Conheça Os 5 Tipos Textuais e as Principais Características e Regras Gramaticais</p><p>de Cada Tipo</p><p>Sempre cai nas provas o assunto “Tipologia textual” (Tipos textuais) mas muita gente confunde</p><p>com “Gêneros Textuais” (gêneros discursivos).</p><p>Querem Dizer A Mesma Coisa?</p><p>Não.</p><p>Estas são duas classificações que recebem os textos que produzimos a longo de nossa vida, seja na</p><p>forma oral ou escrita.</p><p>Sendo que a primeira leva em consideração estruturas específicas de cada tipo, ou seja, seguem</p><p>regras gramaticais, algo mais formal.</p><p>Já a segunda preocupa-se não em classificar um texto por regras, mas sim levando em consideração</p><p>a finalidade do texto; o papel dos interlocutores; a situação de comunicação. São inúmeros os gêne-</p><p>ros textuais: Piada, conto, romance, texto de opinião, carta do leitor, noticia, biografia, seminário, pa-</p><p>lestras, etc.</p><p>O Que É Tipologia Textual?</p><p>Como dito anteriormente, são as classificações recebidas por um texto de acordo com as regras gra-</p><p>maticais, dependendo de suas características. São as classificações mais clássicas de um texto:</p><p>A narração, a descrição e a dissertação. Hoje já se admite também a exposição e a injunção. Ao</p><p>todo são 5 (cinco) tipos textuais.</p><p>Narração</p><p>Ao longo de nossa vida estamos sempre relatando algo que nos aconteceu ou aconteceu com outros,</p><p>pois nosso dia-a-dia é feito de acontecimentos que necessitamos contar/relatar. Seja na forma escrita</p><p>ou na oralidade, esta é a mais antiga das tipologias, vem desde os tempos das cavernas quando o</p><p>homem registrava seus momentos através dos desenhos nas paredes.</p><p>Regra Gramatical Para Este Tipo De Texto (Narração):</p><p>Narrar é contar uma história que envolve personagens e acontecimentos. São apresentadas ações e</p><p>personagens: O que aconteceu, com quem, como, onde e quando.</p><p>Segue a seguinte estrutura:</p><p>NARRAÇÃO/NARRAR</p><p>(CONTAR)</p><p>Personagens (com quem/ quem vive a história – reais ou imaginários)</p><p>Enredo (o que/ como – fatos reais ou imaginários)</p><p>Espaço (onde? /quando?)</p><p>Exemplo:</p><p>Minha Vida De Menina</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>15 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Faço hoje quinze anos. Que aniversário triste! Vovó chamou-me cedo, ansiada como está, coitadinha</p>
<p>e disse: "Sei que você vai ser sempre feliz, minha filhinha, e que nunca se esquecerá de sua avozi-</p><p>nha que lhe quer tanto". As lágrimas lhe correram pelo rosto abaixo e eu larguei dos braços dela e</p><p>vim desengasgar-me aqui no meu quarto, chorando escondida.</p><p>Como eu sofro de ver que mesmo na cama, penando com está, vovó não se esquece de mim e de</p><p>meus deveres e que eu não fui o que deveria ter sido para ela! Mas juro por tudo, aqui nesta hora,</p><p>que eu serei um anjo para ela e me dedicarei a esta avozinha tão boa e que me quer tanto.</p><p>Vou agora entrar no quarto para vê-la e já sei o que ela vai dizer: "Já estudou suas lições? Então vá</p><p>se deitar, mas antes procure alguma coisa para comer. Vá com Deus". Helena Morley</p><p>DESCRIÇÃO</p><p>a intenção deste tipo de texto é que o interlocutor possa criar em sua mente uma imagem do que está</p><p>sendo descrito. Podemos utilizar alguns recursos auxiliares da descrição. São eles:</p><p>A-) A enumeração:</p><p>Pela enumeração podemos fazer um “retrato do que está sendo descrito, pois dá uma ideia de au-</p><p>sência de ações dentro do texto.</p><p>B-) A comparação:</p><p>Quando não conseguimos encontrar palavras que descrevam com exatidão o que percebemos, po-</p><p>demos utilizar a comparação, pois este processo de comparação faz com que o leitor associe a ima-</p><p>gem do que estamos descrevendo, já que desperta referências no leitor. Utilizamos comparações do</p><p>tipo: o objeto tem a cor de ..., sua forma é como ..., tem um gosto que lembra ..., o cheiro parece com</p><p>..., etc.</p><p>C-) Os cinco sentidos:</p><p>Percebemos que até mesmo utilizando a comparação para poder descrever, estamos utilizando tam-</p><p>bém os cinco sentidos: Audição, Visão, Olfato, Paladar, Tato como auxílio para criação desta ima-</p><p>gem, proporcionando que o interlocutor visualize em sua mente o objeto, o local ou a pessoa descrita.</p><p>Por exemplo: Se você fosse descrever um momento de lazer com seus amigos numa praia. O que</p><p>você perceberia na praia utilizando a sua visão (a cor do mar neste dia, a beleza das pessoas à sua</p><p>volta, o colorido das roupas dos banhistas) e a sua audição (os sons produzidos pelas pessoas ao</p><p>redor, por você e pelos seus amigos, pelos ambulantes). Não somente estes dois, você pode utilizar</p><p>também os outros sentidos para caracterizar o objeto que você quer descrever.</p><p>Regra Gramatical Para Este Tipo De Texto (Descrição):</p><p>Descrever é apresentar as características principais de um objeto, lugar ou alguém.</p><p>Pode ser:</p><p>Objetiva: Predomina a descrição real do objeto, lugar ou pessoa descrita. Neste tipo de descrição</p><p>não há a interferência da opinião de quem descreve, há a tendência de se privilegiar o que é visto,</p><p>em detrimento do sujeito que vê.</p><p>Subjetiva: aparecem, neste tipo de descrição, as opiniões, sensações e sentimentos de quem des-</p><p>creve pressupondo que haja uma relação emocional de quem descreve com o que foi descrito.</p><p>Características Do Texto Descritivo</p><p>• - É um retrato verbal</p><p>• - Ausência de ação e relação de anterioridade ou posterioridade entre as frases</p><p>• - As classes gramaticais mais utilizadas são: substantivos, adjetivos e locuções adjetivas</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>16 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• - Como na narração há a utilização da enumeração e comparação</p><p>• - Presença de verbos de ligação</p><p>• - Os verbos são flexionados no presente ou no pretérito (passado)</p><p>• - Emprego de orações coordenadas justapostas</p><p>A Estrutura Do Texto Descritivo</p><p>A descrição apresenta três passos básicos:</p><p>1- Introdução: apresentação do que se pretende descrever.</p><p>2- Desenvolvimento: caracterização subjetiva ou objetiva da descrição.</p><p>3- Conclusão: finalização da apresentação e caracterização de algo.</p><p>Exemplo:</p><p>Alguns dados sobre Rudy Steiner</p><p>“Ele era oito meses mais velho do que Liesel e tinha pernas ossudas, dentes afiado, olhos azuis es-</p><p>bugalhados e cabelos cor de limão. Como um dos seis filhos dos Steiner, estava sempre com fome.</p><p>Na rua Himmel, era considerado meio maluco ...”</p><p>Dissertação</p><p>Podemos dizer que dissertar é falar sobre algo, sobre determinado assunto; é expor; é debater. Este</p><p>tipo de texto apresenta a defesa de uma opinião, de um ponto de vista, predomina a apresentação</p><p>detalhada de determinados temas e conhecimentos.</p><p>Para construção deste tipo de texto há a necessidade de conhecimentos prévios do assunto/tema</p><p>tratado.</p><p>Regra Gramatical Para Esse Tipo De Texto (Dissertação):</p><p>Dissertar é expor os conhecimentos que se tem sobre um assunto ou defender um ponto de vista</p><p>sobre um tema, por meio de argumentos.</p><p>Estrutura da dissertação</p><p>EXPOSITIVA</p><p>Predomínio da exposição, explica-</p><p>ção</p><p>ARGUMENTATIVA</p><p>Predomínio do uso de argumentos, visando</p><p>o convencimento, à adesão do leitor.</p><p>Introdução Apresentação do assunto sobre o</p><p>qual se escreve (Apresentação da</p><p>tese).</p><p>Apresentação do assunto sobre o qual se</p><p>escreve (apresentação da tese) e do ponto</p><p>de vista assumido em relação a ele.</p><p>Desenvolvimento Exposição das informações e co-</p><p>nhecimentos a respeito do assunto</p><p>(é o momento da discussão da</p><p>tese)</p><p>A fundamentação do ponto de vista e sua</p><p>defesa com argumentos. (Defende-se a</p><p>tese proposta)</p><p>Conclusão Finalização do texto, com o encer-</p><p>ramento do que foi dito</p><p>Retomada do ponto de vista para fechar o</p><p>texto de modo mais persuasivo</p><p>Exemplo:</p><p>Redução Da Maioridade Penal, Grande Falácia</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>17 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>O advogado criminalista Dalio Zippin Filho explica por que é contrário à mudança na maioridade pe-</p><p>nal.</p><p>Diuturnamente o Brasil é abalado com a notícia de que um crime bárbaro foi praticado por um ado-</p><p>lescente, penalmente irresponsável nos termos do que dispõe os artigos 27 do CP, 104 do ECA e 228</p><p>da CF. A sociedade clama por maior segurança. Pede pela redução da maioridade penal, mas logo</p><p>descobrirá que a criminalidade continuará a existir, e haverá mais discussão, para reduzir para 14 ou</p><p>12 anos. Analisando a legislação de 57 países, constatou-se que apenas 17% adotam idade menor</p><p>de 18 anos como definição legal de adulto.</p><p>Se aceitarmos punir os adolescentes da mesma forma como fazemos com os adultos, estamos admi-</p><p>tindo que eles devem pagar pela ineficácia do Estado, que não cumpriu a lei e não lhes deu a prote-</p><p>ção constitucional que é seu direito. A prisão é hipócrita, afirmando que retira o indivíduo infrator da</p><p>sociedade com a intenção de ressocializá-lo, segregando-o, para depois reintegrá-lo. Com a redução</p><p>da menoridade penal, o nosso sistema penitenciário entrará em colapso.</p><p>Cerca de 85% dos menores em conflito com a lei praticam delitos contra o patrimônio ou por atuarem</p><p>no tráfico de drogas, e somente 15% estão internados por atentarem contra a vida. Afirmar que os</p><p>adolescentes não são punidos ou responsabilizados é permitir que a mentira, tantas vezes dita, trans-</p><p>forme-se em verdade, pois não é o ECA que provoca a impunidade, mas a falta de ação do Estado.</p><p>Ao contrário do que muitos pensam, hoje em dia os adolescentes infratores são punidos com muito</p><p>mais rigor do que os adultos.</p><p>Apresentar propostas legislativas visando à redução da menoridade penal com a modificação do dis-</p><p>posto no artigo 228 da Constituição Federal constitui uma grande falácia, pois o artigo 60, § 4º, inciso</p><p>IV de nossa Carta Magna não admite que sejam objeto de deliberação de emenda à Constituição os</p><p>direitos e garantias individuais, pois se trata de cláusula pétrea.</p><p>A prevenção à criminalidade está diretamente associada à existência de políticas sociais básicas e</p><p>não à repressão, pois não é a severidade da pena que previne a criminalidade, mas sim a certeza de</p><p>sua aplicação e sua capacidade de inclusão social.</p><p>Dalio Zippin Filho é advogado criminalista. 10/06/2013</p><p>Texto publicado na edição impressa de 10 de junho de 2013</p><p>Exposição</p><p>Aqueles textos que nos levam a uma explicação sobre determinado assunto, informa e esclarece sem</p><p>a emissão de qualquer opinião a respeito, é um texto expositivo.</p><p>Regras gramaticas para este tipo textual (Exposição):</p><p>Neste tipo de texto</p>
<p>são apresentadas informações sobre assuntos e fatos específicos; expõe ideias;</p><p>explica; avalia; reflete. Tudo isso sem que haja interferência do autor, sem que haja sua opinião a</p><p>respeito. Faz uso de linguagem clara, objetiva e impessoal. A maioria dos verbos está no presente do</p><p>indicativo.</p><p>Exemplos: Notícias Jornalísticas</p><p>Injunção</p><p>Os textos injuntivos estão presentes em nossa vida nas mais variadas situações, como por exemplo</p><p>quando adquirimos um aparelho eletrônico e temos que verificar manual de instruções para o funcio-</p><p>namento, ou quando vamos fazer um bolo utilizando uma receita, ou ainda quando lemos a bula de</p><p>um remédio ou a receita médica que nos foi prescrita. Os textos injuntivos são aqueles textos que nos</p><p>orientam, nos ditam normas, nos instruem.</p><p>Regras Gramaticais Para Este Tipo De Texto (Injunção):</p><p>Como são textos que expressão ordem, normas, instruções tem como característica principal a utili-</p><p>zação de verbos no imperativo. Pode ser classificado de duas formas:</p><p>-Instrucional: O texto apresenta apenas um conselho, uma indicação e não uma ordem.</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>18 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>-Prescrição: O texto apresenta uma ordem, a orientação dada no texto é uma imposição.</p><p>Como organizar sequências didáticas</p><p>Um dos grandes desafios dos professores é como fazer um planejamento capaz de levar a turma a</p><p>um ano de muita aprendizagem. No livro Ler e Escrever na Escola, o Real, o Possível e o Necessá-</p><p>rio (128 págs., Ed. Penso, tel. 0800-703- 3444, 46 reais), Delia Lerner diz que "o tempo é um fator de</p><p>peso na instituição escolar: sempre é escasso em relação à quantidade de conteúdos fixados no pro-</p><p>grama, nunca é suficiente para comunicar às crianças tudo o que desejaríamos ensinar-lhes em cada</p><p>ano escolar". E a constatação não poderia ser mais realista.</p><p>Escolher quais conteúdos abordar e de que maneira são questões fundamentais para o sucesso do</p><p>trabalho que será realizado ao longo do ano. A tarefa é complexa, mas há algumas orientações es-</p><p>senciais que ajudam nesse processo. "Um bom planejamento é aquele que dialoga com o projeto</p><p>político-pedagógico (PPP) da escola e está atrelado a uma proposta curricular em que há desafios,</p><p>de forma que exista uma progressão dos alunos de um estado de menor para um de maior conheci-</p><p>mento", orienta Beatriz Gouveia, coordenadora de projetos do Instituto Avisa Lá. "Tendo claras as</p><p>diretrizes anuais, o docente pode desdobrá-las em propostas trimestrais (ou bimestrais) e semanais,</p><p>organizadas para dar conta do que foi previsto", complementa Ana Lúcia Guedes Pinto, professora da</p><p>Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).</p><p>Faz-se necessário criar situações didáticas variadas, em que seja possível retomar os conteúdos</p><p>abordados em diversas oportunidades. Isso pressupõe um planejamento que contenha diferentes</p><p>modalidades organizativas: projetos didáticos, atividades permanentes e sequências didáticas.</p><p>Confira, a seguir, as respostas a dez perguntas imprescindíveis para planejar e implementar boas</p><p>sequências didáticas.</p><p>Como definir o tema da sequência didática?</p><p>As sequências sempre são parte de um planejamento didático maior, em que você coloca o que es-</p><p>pera dos estudantes ao longo do ano. A escolha dos temas de cada proposta não pode ser aleatória.</p><p>Se, por exemplo, seu objetivo for desenvolver bons leitores, precisa pensar qual desafo em relação à</p><p>leitura quer apresentar à classe. Com base nele, procure os melhores gêneros textuais para traba-</p><p>lhar. "É preciso organizar as ações de modo que exista uma continuidade de desafos e uma diversi-</p><p>dade de atividades", explica Beatriz. Converse com o coordenador pedagógico e com os outros do-</p><p>centes, apresente suas ideias e ouça o que têm a dizer. Essa troca ajudará a preparar um planeja-</p><p>mento eficiente.</p><p>O que levar em conta na sondagem inicial?</p><p>A sondagem é fundamental a todo o trabalho por ser o momento em que são levantados os conheci-</p><p>mentos da turma. Muitas vezes, os professores acham que perguntar "o que vocês sabem sobre..." é</p><p>suficiente para ter respostas, mas não é bem assim. Essa etapa inicial já configura uma situação de</p><p>aprendizagem e precisa ser bem planejada. Em vez da simples pergunta, o melhor é colocar o aluno</p><p>em contato com a prática. No caso de uma sequência sobre dinossauros, por exemplo, distribua li-</p><p>vros, revistas e imagens sobre o tema aos alunos, proponha uma atividade e passe pelos grupos</p><p>para observar como se saem. Não se preocupe se precisar de mais de uma aula para realizar a pri-</p><p>meira sondagem.</p><p>Como estabelecer conteúdos e objetivos?</p><p>Conteúdo é o que você vai ensinar e objetivo o que espera que as crianças aprendam. Se, por exem-</p><p>plo, sua proposta for trabalhar com a leitura de contos de aventura, precisa parar e pensar o que es-</p><p>pecificamente quer que a turma saiba após terminar a sequência. "Pode ser comportamento leitor do</p><p>gênero, característica da linguagem", exemplifica Beatriz. De nada adianta defnir um conteúdo e en-</p><p>xertar uma série de objetivos desconexos ou criar uma sequência com muitos conteúdos. Como es-</p><p>creve Myriam Nemirovsky no livro O Ensino da Linguagem Escrita (159 págs., Ed. Artmed, 0800-703-</p><p>3444, edição esgotada), "abranger uma ampla escala de conteúdos e crer que cada um deles gera</p><p>aprendizagem significa partir da suposição de que é possível conseguir aprendizagem realizando</p><p>atividades breves e esporádicas. Porém, isso está longe de ser assim".</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>19 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>De que modo atrelar atividades e objetivos?</p><p>Definido o que você vai ensinar e o que quer que a turma aprenda, é hora de pensar nas estratégias</p><p>que vai usar para chegar aos resultados. Vale detalhar esse "como fazer" nas atividades da sequên-</p><p>cia, que nada mais são que orientações didáticas. O melhor, nesse momento, é analisar cada um dos</p><p>conteúdos que se propôs a trabalhar, relembrar seus objetivos e ir desdobrando-os em ações concre-</p><p>tas. "Para que a classe conheça as características de determinado gênero, por exemplo, posso pen-</p><p>sar em itens como: leituras temáticas, análises de textos de referência, análise de alguns trechos</p><p>específicos e verificação do que ficou claro para a turma", sugere Beatriz. Cada atividade tem de ser</p><p>planejada com intencionalidade, tendo os objetivos e conteúdos muito claros e sabendo exatamente</p><p>aonde quer chegar.</p><p>Que critérios usar para encadear as etapas?</p><p>Quando você pensa nas ações de uma sequência didática, já tem na cabeça uma primeira ideia de</p><p>ordem lógica para colocá-las. Para que essa organização dê resultado, lembre-se de pensar em</p><p>quais conhecimentos a classe precisa para passar de uma atividade para a seguinte (considerando</p><p>sempre que os alunos têm necessidades de aprendizagem diversas). Como escreve Myriam, "a se-</p><p>quência didática será constituída por um amplo conjunto de situações com continuidade e relações</p><p>recíprocas". Quanto mais você sabe sobre a prática, as condições didáticas necessárias à aprendiza-</p><p>gem e como se ensina cada conteúdo, mais fácil é para fazer esse planejamento. Se ainda não tiver</p><p>muita experiência, não se preocupe. Pode fazer uma primeira proposta e ir vendo quais ações têm de</p><p>ser antecipadas ou postergadas.</p><p>Como estimar o tempo que dura a sequência?</p><p>A resposta a essa pergunta não está relacionada à quantidade de tarefas que você vai propor, mas à</p><p>complexidade dos conteúdos e objetivos que tem em mente. Para saber a duração de uma sequên-</p><p>cia, leve em conta o que determinou que os alunos aprendam e quanto isso vai demorar. Cada ação</p><p>pode exigir mais ou menos tempo de sala de aula. "Repertoriar uma criança em um gênero, por</p><p>exemplo, demanda mais horas do que uma sequência de fluência leitora", diz Beatriz. É importante,</p><p>também, pensar em como essa sequência se encaixa na grade horária da escola e como se relaciona</p><p>com as demais ações que estão sendo realizadas com as crianças. Se, por exemplo, você tem duas</p><p>aulas por semana, as propostas vão demorar mais do que</p>
<p>se tivesse três. "Organize o tempo de mo-</p><p>do que seja factível realizar todas as atividades previstas", orienta Ana Lúcia.</p><p>Qual a melhor forma de organizar a turma?</p><p>"No curso de cada sequência se incluem atividades coletivas, grupais e individuais", escreve Delia.</p><p>Cada uma funciona melhor para uma intenção específica. "Você propõe uma atividade no coletivo</p><p>quando quer estabelecer modelos de comportamentos e procedimentos", explica Beatriz. Ao partici-</p><p>par de um grupo e trocar com os colegas, a criança tem aprendizados que são úteis quando ela for</p><p>trabalhar sozinha. Já uma atividade em dupla é interessante quando quiser que o aluno tenha uma</p><p>interação mais focada, apresentando suas hipóteses e confrontando-as com o outro. As propostas</p><p>individuais, por sua vez, permitem à criança pôr em xeque os conhecimentos que construiu. Essas</p><p>organizações são critérios didáticos que precisam ser pensados com base nos objetivos da cada</p><p>etapa e nas características da classe.</p><p>Como flexibilizar as atividades?</p><p>É bem provável que você tenha, na turma, crianças com necessidades educacionais especiais (NEE).</p><p>E elas não podem ficar de fora do planejamento. Procure antecipar quais ajustes podem ser necessá-</p><p>rios para que elas participem das propostas. As adaptações não devem ser vistas como um plano</p><p>paralelo, em que o aluno é segregado ou excluído. A lógica tem que ser o contrário: diferenciar os</p><p>meios para igualar os direitos, principalmente o direito à participação e ao convívio. O ideal é que a</p><p>escola conte com um profissional de Atendimento Educacional Especializado (AEE), que ajude você</p><p>nessa tarefa, orientando-o sobre como atuar em classe e complementando a prática na sala de re-</p><p>cursos. A inclusão não é obrigação apenas dos professores, mas de toda a escola.</p><p>Como avaliar o que a turma aprendeu?</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>20 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>A avaliação pode ser feita de diferentes formas. A pergunta principal que você tem de responder, ao</p><p>final de uma sequência, é se os alunos avançaram de um estado de menor para um de maior conhe-</p><p>cimento sobre o que foi ensinado. Para isso, vale registrar os progressos de cada estudante, obser-</p><p>vando como ele se sai nas atividades, desde a sondagem inicial - que já é uma situação de aprendi-</p><p>zagem - até a etapa final. Ao analisar esses registros, fica fácil entender quais foram os avanços dos</p><p>alunos. Aliado a isso, pense em atividades avaliativas propriamente ditas, como provas e trabalhos.</p><p>Essas propostas precisam estar diretamente ligadas ao que você ensinou na sala de aula. Retome os</p><p>objetivos propostos e prepare uma consigna na qual fiquem claros os saberes que estão sendo pedi-</p><p>dos aos estudantes.</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>TEXTUALIDADE</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Textualidade</p><p>A textualidade é um conjunto de elementos necessários em toda produção textual.</p><p>Ela é composta por sete fatores (coerência, coesão, intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade,</p><p>informatividade e intertextualidade) mais os elementos (clareza, expressividade e originalidade), que,</p><p>juntos, são os responsáveis por indicar cada aspecto envolvido na comunicação do texto.</p><p>O texto é o produto final da textualidade e apresenta aspectos estruturais e pragmáticos — textuali-</p><p>dade — e aspectos ideológicos, como valores morais e culturais, analisados pela discursividade.</p><p>A textualidade é o conjunto de características básicas de todo texto. Ela é responsável por garantir</p><p>que, em uma situação comunicativa, algo seja compreendido como um texto, e não um aglomerado</p><p>de palavras e frases justapostas.</p><p>Os princípios da textualidade embasam toda produção textual, logo é essencial compreendê-los e do-</p><p>miná-los.</p><p>Vejamos um exemplo. A expressão “Fogo!”, sem contexto comunicativo, representa uma palavra da</p><p>língua portuguesa acompanhada do ponto exclamativo.</p><p>Entretanto, se pensamos em uma situação cotidiana, onde um morador grita “Fogo!”, isso pode se</p><p>configurar como um texto, por quê?</p><p>O texto não é composto apenas pela base material (palavras e frases), mas também por elementos</p><p>pragmáticos, ou seja, extratextuais.</p><p>No exemplo citado, a aplicação a um contexto indica que, ao gritar “Fogo!”, essa única palavra ganha</p><p>valor de texto, pois comunica uma situação de perigo, bem como solicita ajuda.</p><p>Sendo assim, o ouvinte/leitor reconhece, em uma situação real, que essa expressão transmite uma</p><p>mensagem maior, mas que, devido às próprias características do contexto, não pode ser explicada</p><p>em longas frases.</p><p>O estudo da textualidade explica quais fatores fazem com que “Fogo!” possa ser um texto.</p><p>Os elementos da textualidade são características superficiais que se aplicam à matéria textual (pala-</p><p>vras e frases).</p><p>Eles são responsáveis por auxiliar na construção do sentido, garantindo a compreensão e interpreta-</p><p>ção do leitor. Falamos em três elementos principais, que se relacionam internamente no texto.</p><p>Clareza das palavras: refere-se à boa escolha vocabular. Toda palavra possui um significado denota-</p><p>tivo, mas também diversos outros significados simbólicos.</p><p>Na hora de escolher quais expressões utilizar, é importante atentar a quais outros sentidos elas po-</p><p>dem evocar, evitando toda escolha que for prejudicial ao sentido.</p><p>É importante que o vocabulário seja preciso e objetivo.</p><p>Expressividade: é o complemento da clareza vocabular.</p><p>Ela se concentra no modo geral como o autor trabalha com as palavras, escolhe-as com objetividade</p><p>e organiza-as com estratégia e direcionamento, permitindo que o sentido esteja acessível ao leitor.</p>
<p>TEXTUALIDADE</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Por exemplo: no texto jornalístico, a expressividade avaliaria aspectos como objetividade, formalidade</p><p>e impessoalidade no sentido do texto; já em um texto literário, a expressividade se voltaria ao aspecto</p><p>estético utilizado para atingir o leitor.</p><p>Originalidade: refere-se ao aspecto autoral das produções textuais.</p><p>Nenhum texto é totalmente novo, mas repetir informações conhecidas ou reproduzir ideias não é inte-</p><p>ressante ao texto.</p><p>Sendo assim, é importante adicionar sua própria perspectiva tanto no trabalho conceitual do tema</p><p>quanto na forma de organizar e expressar a mensagem.</p><p>Os fatores da textualidade são os elementos essenciais a toda produção textual, pois são as caracte-</p><p>rísticas básicas que abarcam os elementos textuais e contextuais, imbricados em toda comunicação.</p><p>São sete os fatores da textualidade, dois linguísticos e cinco pragmáticos: coerência, coesão, intenci-</p><p>onalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade, intertextualidade.</p><p>Coerência: trabalha no aspecto lógico, semântico e cognitivo do texto. Ela é a propriedade que ga-</p><p>rante a construção de um novo sentido, a partir das relações entre diferentes ideias e conceitos utili-</p><p>zados.</p><p>Um texto coerente apresenta ideias conectadas e explicadas, bem como evita contradições.</p><p>Coesão: é a materialização da coerência, por meio dos elementos conectivos (conjunções, prono-</p><p>mes, preposições, etc.), responsáveis por estabelecer e caracterizar a natureza das relações entre as</p><p>ideias do texto.</p><p>O texto que apresenta muitas informações, mas não estabelece relações linguísticas entre elas,</p><p>acaba deixando as frases soltas e o sentido total comprometido.</p><p>Intencionalidade: refere-se ao esforço linguístico do locutor (escritor/falante) em expressar a sua men-</p><p>sagem, por meio de um texto coerente e coeso. Todo texto é produzido com algum intuito comunica-</p><p>tivo.</p><p>Quando organizamos bem o sentido, a intenção do autor se faz mais evidente e contribui na compre-</p><p>ensão do leitor/ouvinte.</p><p>Aceitabilidade: é o fator referente ao interlocutor (ouvinte/leitor), pois indica a expectativa do receptor</p><p>em compreender a mensagem do texto.</p><p>O sentido não se constrói somente pela intenção do autor, mas também pela abertura e conheci-</p><p>mento de mundo do leitor. Sendo assim, esse fator interfere na compreensão de um produto como</p><p>texto.</p><p>Situacionalidade: indica o contexto no qual o texto está inserido, analisando a pertinência ou não da</p><p>produção textual para a situação comunicativa. Um texto só pode ser reconhecido como tal se ele es-</p><p>tiver contextualizado adequadamente.</p><p>Informatividade: é o fator que avalia o equilíbrio entre as novas informações e as informações já co-</p><p>nhecidas. Nenhum texto produz um sentido totalmente novo, pois sempre considera conhecimentos</p><p>já existentes.</p><p>Entretanto, o texto que somente repete dados conhecidos não acrescenta nada de novo, apresenta-</p><p>se mais como cópia. O autor, desse modo, deve balancear os conhecimentos que serão retomados e</p><p>quais novos serão apresentados.</p><p>TEXTUALIDADE</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Intertextualidade: refere-se à presença de marcas, semânticas ou formais, de textos produzidos ante-</p><p>riormente no novo texto.</p><p>Como dito anteriormente, o texto não pode apresentar informações totalmente novas, por isso nos</p><p>referimos a outros textos para acrescentarmos ou criticarmos seu sentido. Todo texto apresenta inter-</p><p>textualidade, mas nem sempre ela vem indicada explicitamente.</p><p>Diferença Entre Texto E Textualidade</p><p>A textualidade é o conjunto de características que permitem que uma produção seja reconhecida</p><p>como texto, ou seja, são os atributos de toda produção textual.</p><p>O texto é o produto da textualidade, uma manifestação verbal, oral ou escrita, na qual os elementos</p><p>linguísticos são organizados e estruturados pelo locutor, com o intuito de permitir que o interlocutor</p><p>compreenda a intenção do sentido e possa interagir com ele, criticando-o ou refletindo sobre.</p><p>Diferença Entre Textualidade E Discursividade</p><p>A textualidade indica os fatores que são pertinentes a toda produção textual, focando-se apenas nos</p><p>atributos gerais que envolvem as situações comunicativas. Ela avalia os aspectos que permitem que</p><p>um texto seja entendido como tal, desconsiderando os valores semânticos e ideológicos.</p><p>Diferentemente, a discursividade analisa as expressões do texto como produto ideológico, conside-</p><p>rando suas marcações identitárias (gênero, classe, raça), valores morais e/ou religiosos (noções de</p><p>certo e errado), influências culturais, etc. Ela prioriza os sentidos e vê a estrutura como um instru-</p><p>mento de expressão deles.</p><p>Elementos Da Textualidade</p><p>Os elementos da textualidade são um conjunto de aspectos que constroem os textos e influenciam</p><p>seu sentido, tanto no que se refere à produção quanto à compreensão.</p><p>Existe um número de elementos já aceitos e reconhecidos nos estudos do texto, entretanto é impor-</p><p>tante ressaltar que pesquisas continuam sendo feitas, propondo a inserção de novos elementos.</p><p>Como dito, os elementos provêm dos fatores da textualidade, que se dividem entre semânticos e</p><p>pragmáticos. Assim, cada elemento prioriza uma ou outra perspectiva, mas com um objetivo final co-</p><p>mum: a garantia da textualidade.</p><p>No que se refere aos elementos de fator semântico, destacam-se:</p><p>coerência: elemento responsável por garantir a fluência, clareza e não contradição das ideias, foca-se</p><p>no texto em seu aspecto semântico;</p><p>coesão: elemento responsável por garantir a amarração entre as ideias do texto, evidenciando as re-</p><p>lações estabelecidas e servindo para associar, retomar e conectar as partes do texto.</p><p>No que tange aos elementos de fator pragmático, apresenta-se um número maior de elementos, al-</p><p>guns considerados os principais, por serem mais reconhecidos e consagrados, e outros que são no-</p><p>vas propostas para ampliar os estudos. Abaixo segue uma lista com os cinco primeiros elementos de</p><p>fator pragmático.</p><p>Intencionalidade: refere-se ao modo ou à forma como o autor constrói o texto para alcançar determi-</p><p>nada intenção. Nesse sentido, cabem principalmente os textos publicitários, nos quais a linguagem e</p><p>o texto se moldam para convencer o consumidor.</p><p>Aceitabilidade: refere-se à recepção do texto, à compreensão do interlocutor sobre a mensagem.</p><p>TEXTUALIDADE</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Situcionalidade: refere-se ao contexto no qual o texto está inserido, seja na produção, seja na leitura.</p><p>Esse elemento interfere no uso da língua, na escolha e polidez das palavras, no tom de voz, etc. Gra-</p><p>ças às situações de uso, um texto pode ter sentido em um contexto e não o ter em outro.</p><p>Informatividade: refere-se aos dados que o texto apresenta, se são informações novas ou conheci-</p><p>das. Para que o texto tenha fluência, é importante que ele balanceie os dois tipos de informação. Se o</p><p>texto só apresentar informações conhecidas, pode ser redundante; se apresentar só informações no-</p><p>vas, pode ser incompreensível.</p><p>Intertextualidade: refere-se às relações discursivas entre diferentes textos. Mesmo que não haja</p><p>uma intertextualidade explícita no texto, ele precisa considerar informações prévias à sua produção,</p><p>desse modo, todo texto carrega outros textos em sua composição.</p><p>Além desses, novos elementos têm sido acrescentados ao estudo da textualidade.</p><p>Contextualizadores: referem-se a informações contextuais que são necessárias à compreensão dos</p><p>textos, como data e local.</p><p>Consistência: refere-se ao desenvolvimento das ideias, exigindo do texto uma construção mais sólida</p><p>e menos contraditória.</p><p>Focalização: refere-se à concentração do texto em uma parte do conhecimento ou não, desse modo,</p><p>entende que a compreensão do texto passa também</p>
<p>pelas áreas do conhecimento às quais ele re-</p><p>corre.</p><p>Apesar de texto e textualidade estarem no mesmo círculo de estudos e estarem relacionados, o con-</p><p>ceito e aplicação de cada um são diferentes.</p><p>O conceito de textualidade, como analisado acima, refere-se às características presentes em uma</p><p>produção textual e que são responsáveis por caracterizá-la como texto.</p><p>O texto, diferentemente, é o produto final, ou seja, a própria produção textual, construída com base</p><p>nos elementos da textualidade.</p><p>O texto é uma unidade de sentido, um ato comunicativo realizado por meio de uma produção de lin-</p><p>guagem, que pode ser somente verbal ou pode ter a utilização de outras linguagens.</p><p>Diferença Entre Textualidade E Discursividade</p><p>As noções de textualidade e discursividade podem se confundir, afinal ambas compreendem o texto</p><p>como um produto também contextual. Em outras palavras, os dois conceitos abarcam os elementos</p><p>extralinguísticos que influenciam a produção textual.</p><p>Entretanto, apesar desse traço em comum, os estudos da discursividade centram-se na língua como</p><p>um ato social, uma ação concreta no mundo, uma “língua viva”. Essa noção extrapola o estudo da es-</p><p>trutura textual, pertinente à textualidade.</p><p>A discursividade centra-se na análise dos valores sociais, identitários, políticos e culturais que são</p><p>construídos, combatidos, reconstruídos ou criados a partir da linguagem.</p><p>Desse modo, todo discurso possui valor social, que independe de sua forma cumprir ou não determi-</p><p>nados padrões estabelecidos culturalmente.</p><p>Vimos pela discussão desta Unidade que os sete fatores da textualidade (coesão, coerência, intenci-</p><p>onalidade e aceitabilidade, grau de informação, situação e intertextualidade) não podem ser avaliados</p><p>isoladamente.</p><p>TEXTUALIDADE</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Quando nos deparamos com uma dada sequência linguística, ela será ou não bem sucedida em nos</p><p>comunicar algo, dependendo de como todos esses fatores interagirem entre si.</p><p>Por causa disso, é muito difícil oferecer uma definição objetiva de texto, sem considerar como todos</p><p>esses fatores estão interagindo numa sequência linguística específica.</p><p>Em geral, não é a oposição? texto vs. não-texto? que irá nos interessar, mas sim a adequação de um</p><p>texto às circunstâncias de sua produção, principalmente com base em dois princípios reguladores:</p><p>eficiência e eficácia.</p><p>Um texto eficiente é aquele que consegue o seu objetivo usando o mínimo de recursos possíveis.</p><p>Já com relação ao segundo princípio, um texto é eficaz quando ele causa uma forte impressão no re-</p><p>ceptor, criando boas condições para alcançar seus objetivos. Em determinados momentos, esses</p><p>dois princípios são compatíveis.</p><p>É o caso, por exemplo, da placa de trânsito discutida em 1.4, ou do diálogo do casal de jornalistas</p><p>discutido em 1.8.</p><p>Nesses dois casos, os produtores do texto utilizam um mínimo de recursos linguísticos (são eficien-</p><p>tes) e conseguem comunicar com sucesso aquilo que desejam aos receptores (são eficazes).</p><p>A esse respeito, nós vimos inclusive que, se os produtores desses textos optassem por torná-los alta-</p><p>mente coesos e explícitos, os dois iriam perder não apenas em eficiência, mas também em eficácia.</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>COERÊNCIA E ELEMENTOS DE COESÃO</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Coerência e Elementos de Coesão</p><p>A Linguística Textual é um ramo da linguística e está entre as chamadas linguísticas discursivas ou</p><p>teorias de análise de textos (ao lado, por exemplo, da Análise do Discurso e da Semântica do Texto).</p><p>Conforme registram Fávero e Koch (2000, p. 11), a Linguística Textual começou a desenvolver-se na</p><p>década de 60 na Europa, especialmente na Alemanha. Para esse “novo” ramo da Lingüística, o foco</p><p>da investigação não seria mais a palavra ou a frase, mas o texto, “por serem os textos a forma especí-</p><p>fica de manifestação da linguagem”.</p><p>O estudo das palavras ou das frases de forma isolada não poderia dar conta de fenômenos que também</p><p>deveriam ser investigados tais como: a correferência, a pronominalização, a seleção de artigos, as</p><p>relações entre sentenças, as especificidades de concordância de tempos verbais. Esses fenômenos</p><p>podem ser analisados apenas a partir de sua inserção num texto ou em um contexto situacional.</p><p>Conte (apud FÁVERO; KOCH, 2000, p. 11) menciona três momentos que seriam fundamentais na</p><p>passagem da teoria da frase para a teoria do texto: “apresenta, como primeiro momento, o da análise</p><p>transfrástica, em que se procede à análise das regularidades que transcendem os limites do enunciado;</p><p>o segundo é da construção das gramáticas textuais; o terceiro, finalmente, é o da construção das teorias</p><p>de texto” (destaques das autoras).</p><p>Já deve ter ficado evidente que o objeto de estudo da Linguística Textual é o texto. Stammerjohann</p><p>(apud FÁVERO; KOCH, 2000, p. 18), sobre o termo texto, declara que se trata do conceito central da</p><p>Linguística Textual e da Teoria de Texto, abrangendo textos orais e textos escritos. Mas que conceito</p><p>de texto se está considerando? Para o momento, entende-se como suficiente a síntese:</p><p>“(...) o texto consiste em qualquer passagem, falada ou escrita, que forma um todo significativo inde-</p><p>pendente de sua extensão. Trata-se, pois, de uma unidade de sentido, de um contínuo comunicativo</p><p>contextual que se caracteriza por um conjunto de relações responsáveis pela tessitura do texto – os</p><p>critérios ou padrões de textualidade, entre os quais merecem atenção especial a coesão e a coerência”</p><p>(FÁVERO; KOCH, 2000, p.25).</p><p>Conforme lembra Koch (2001, p.12), Beaugrande e Dressler vêm se dedicando ao estudo dos principais</p><p>critérios de textualidade que, segundo eles, são os seguintes: a coesão e a coerência (centrados no</p><p>texto), a informatividade, a situacionalidade, a intertextualidade, intencionalidade e a aceitabilidade. De</p><p>acordo com o que já se mencionou, este trabalho pretende analisar, a partir da leitura de um texto</p><p>escrito, um desses critérios de textualidade – a coesão textual, conceito semântico que se refere às</p><p>relações que se estabelecem entre os elementos de um texto.</p><p>Essas relações se dão em parte por meio de recursos da gramática e em parte por meio de recursos</p><p>lexicais. Segundo a divisão mais conhecida, que é a de Halliday e Hasan (1976) (apud KOCH, 2001,</p><p>p. 19), os principais fatores de coesão textual são a referência, a substituição, a elipse, a conjunção e</p><p>a coesão lexical.</p><p>Os elementos de referência são aqueles itens que não são</p>
<p>interpretados semanticamente por si mes-</p><p>mos; eles remetem ou fazem referência a outros itens do discurso. Essa referência pode ser textual</p><p>(endofórica), quando o elemento necessário à interpretação está expresso no próprio texto; ou situaci-</p><p>onal (exofórica), quando a remissão é feita a algum elemento do contexto comunicativo. A referência,</p><p>conforme Halliday e Hasan (op. cit.), pode ser pessoal, quando se faz por meio de pronomes pessoais</p><p>ou possessivos; pode ser demonstrativa, quando é realizada por meio de pronomes demonstrativos e</p><p>advérbios indicativos de lugar; ou ainda comparativa, quando é efetuada por meio de similaridades ou</p><p>identidades.</p><p>O mecanismo da substituição, conforme sugere o nome, consistiria na colocação de um item no lugar</p><p>de outro. Esse item poderia ser uma palavra, uma expressão ou uma oração inteira. De acordo com</p><p>Koch (2001, p. 21), “seria uma relação interna ao texto em que uma espécie de ‘coringa’ é usado em</p><p>lugar da repetição de um item particular”. A substituição é realizada, por exemplo, por meio de prono-</p><p>mes indefinidos, numerais, nomes genéricos.</p><p>A elipse é um mecanismo de coesão que consiste também na substituição, mas por zero. Nesse caso,</p><p>a palavra, o sintagma ou a oração omitida é recuperável pelo contexto.</p><p>COERÊNCIA E ELEMENTOS DE COESÃO</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>O mecanismo denominado conjunção ou conexão estabelece relações significativas específicas entre</p><p>elementos ou orações do texto. Os principais tipos de elementos conjuntivos são advérbios e locuções</p><p>adverbiais, conjunções coordenativas e subordinativas, locuções conjuntivas, preposições e locuções</p><p>prepositivas, e itens continuativos como daí, então, a seguir.</p><p>Por fim, a coesão lexical é obtida por meio de dois mecanismos: a reiteração e a colocação. A primeira</p><p>se faz por repetição do mesmo item lexical ou através de sinônimos, hiperônimos, nomes genéricos; a</p><p>segundo se faz por meio do uso de termos pertencentes ao mesmo campo semântico.</p><p>Alguns estudiosos que também se dedicaram à pesquisa do tema consideram a divisão de Halliday e</p><p>Hasan (1976) passível de algumas críticas ou pelo menos de algumas indagações. Fávero (1997, p.</p><p>15-16), por exemplo, propõe a seguinte reflexão: “A separação entre referência, substituição e elipse</p><p>não resiste a uma análise mais acurada, pois a substituição também é uma forma de referência e, se a</p><p>elipse é, como eles mesmo o dizem, uma substituição por zero, por que considerá-la um tipo à parte?”</p><p>A autora questiona ainda: “(...) a coesão dita lexical, não tem ela, também, função de estabelecer refe-</p><p>rência ou recorrência? Por que então considerá-la um tipo à parte?”. Essas questões evidenciam ape-</p><p>nas algumas das críticas que são feitas em relação à classificação apresentada.</p><p>Em vista disso, Fávero (1997) sugere que a coesão seja reclassificada em três tipos: a coesão referen-</p><p>cial (que poderia ser obtida por substituição e por reiteração), a coesão recorrencial (que seria obtida</p><p>pela recorrência de termos, por paralelismo, por paráfrase e por recursos fonológicos segmentais e</p><p>supra-segmentais) e a coesão sequencial (que ocorreria por sequenciação temporal ou sequenciação</p><p>por conexão).</p><p>Koch (2001), por sua vez, sugere que a coesão seja pensada apenas a partir de duas grandes moda-</p><p>lidades – a coesão referencial e a coesão sequencial. De acordo com a autora, a coesão referencial é</p><p>“aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro(s) elemento(s) do universo</p><p>textual” (p. 30), e a coesão sequencial “diz respeito aos procedimentos linguísticos por meio dos quais</p><p>se estabelecem entre segmentos (...) diversos tipos de relações semânticas e/ou pragmáticas à medida</p><p>que se faz o texto progredir” (p.49).</p><p>Consideram-se as duas propostas de classificação igualmente adequadas e funcionais. Para este tra-</p><p>balho, no entanto, opta-se pela classificação de Koch que parece mais simples, tendo em vista os</p><p>objetivos do trabalho, por ser dividida em apenas dois tipos.</p><p>Além dos tipos de coesão, quando o assunto é esse, outra questão comumente apresentada é se é ou</p><p>não necessário que se separe para análise e estudo coesão de coerência. Como lembra Fávero (1997,</p><p>p. 09), existem autores que fazem a distinção entre os dois fatores, outros não distinguem e outros</p><p>estudam vários aspectos desses fenômenos, mas sem qualquer rotulação.</p><p>Costa Val (1994, p. 06), que também dedica um trabalho ao estudo dos fatores de textualidade, a</p><p>respeito desse tema, escreve: “a coesão é a manifestação linguística da coerência; advém da maneira</p><p>como os conceitos e relações subjacentes são expressos na superfície textual”.</p><p>Beaugrande e Dressler (1981) consideram coesão e coerência dois níveis diferentes de análise. Koch,</p><p>embora reconheça e explicite razões pelas quais os dois fenômenos estão relacionados (da mesma</p><p>forma que os outros autores), trata de cada um dos fatores em obras diferentes (Coesão Textual e</p><p>Coerência Textual são os títulos dos dois livros da autora).</p><p>Em favor dessa posição, que é também a adotada neste trabalho, menciona-se o fato de que pode</p><p>haver uma sequência de frases ou enunciados coesivos que não podem se constituir como um texto</p><p>porque não faz sentido para quem o recebe; e por outro lado, pode haver sequências de frases ou</p><p>enunciados em que não se observam elementos de coesão, mas que fazem sentido para quem o re-</p><p>cebe, isto é, têm coerência.</p><p>É preciso esclarecer, entretanto, que ainda que se opte por separar os fenômenos de coesão e coe-</p><p>rência em dois níveis de análise, a distinção nem sempre é muito nítida. Koch e Travaglia (1999, p. 44),</p><p>a esse respeito, afirmam: “Na verdade a coesão tem relação com a coerência na medida em que é um</p><p>dos fatores que permite calculá-la e, embora do ponto de vista analítico seja interessante separá-las,</p><p>distingui-las, cumpre não esquecer que são duas faces do mesmo fenômeno”.</p><p>COERÊNCIA E ELEMENTOS DE COESÃO</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Por isso, ao proceder à análise dos recursos de coesão do texto Aula de Inglês, em vários momentos,</p><p>acaba sendo inevitável referir-se a estratégias de construção de sentido que facilmente se encaixaria</p><p>em uma análise sobre a coerência desse texto.</p><p>Análise do texto Aula de Inglês</p><p>A crônica Aula de Inglês, objeto de estudo deste trabalho, encontra-se transcrita integralmente em</p><p>anexo. No entanto, os parágrafos de onde são retirados os exemplos sobre os quais são tecidos co-</p><p>mentários são transcritos nesta parte do trabalho. Inicialmente serão feitas as considerações sobre os</p><p>elementos do texto que constituem mecanismos de coesão referencial e, em seguida, sobre os ele-</p><p>mentos que compõem a coesão sequencial. Convém esclarecer que, ainda que se tenha optado por</p><p>essa divisão proposta por Koch (2001), quando se julga conveniente para tornar os comentários mais</p><p>claros, volta-se a utilizar alguns termos da divisão de Halliday e Hasan (1976). Esclarece-se ainda que</p><p>outras considerações teóricas, além das já apresentadas na primeira parte deste trabalho, são feitas</p><p>de acordo com o que se considerou necessário para análise.</p><p>Evidentemente predominou a análise das marcas que se constituem como mecanismos de coesão</p><p>referencial ou de coesão sequencial, mas outras questões também foram assinaladas.</p><p>A coesão referencial</p><p>O título de qualquer texto é importante porque pode resumir ou fornecer pistas sobre o assunto que</p><p>será tratado. No caso do texto em análise, pelo título o leitor fica sabendo que se trata de uma Aula de</p><p>Inglês. Sabendo-se que a cena é uma aula, é fácil entender também porque se inicia com uma pergunta</p><p>– as perguntas são comuns e frequentes durante as aulas; elas são feitas ou pelos alunos, quando</p><p>desejam esclarecer suas dúvidas; ou pelos professores, como estratégias para ensinar ou para testar</p><p>os conhecimentos dos estudantes.</p><p>Logo no início do parágrafo 02, o leitor percebe que a cena é narrada em primeira pessoa e fica sabendo</p><p>também que quem conta é um aluno. Bem mais adiante,</p>
<p>apenas no parágrafo 12, é possível saber que</p><p>se trata de um aluno do sexo masculino: “Fiquei muito perturbado com essa pergunta”. Voltando ao</p><p>parágrafo 02, reproduzido a seguir,</p><p>(2) Minha tendência imediata foi responder que não; mas a gente não deve se deixar levar pelo primeiro</p><p>impulso. Um rápido olhar que lancei à professora bastou para ver que ela falava com seriedade, e tinha</p><p>o ar de quem propõe um grave problema. Em vista disso, examinei com a maior atenção o objeto que</p><p>ela me apresentava.</p><p>observa-se no sintagma nominal à professora que o referente já é introduzido no texto com artigo defi-</p><p>nido. É mais frequente, tanto em textos orais quanto escritos, que os referentes sejam apresentados</p><p>com artigos indefinidos e depois retomados por sintagmas introduzidos por artigos definidos. No caso</p><p>do texto em análise, a construção é possível e perfeitamente adequada porque o autor, após preparar</p><p>o leitor dizendo a ele que se está em uma aula, pode contar com o conhecimento prévio e partilhado</p><p>(entre narrador e leitor). Assim, apesar das regras para o emprego dos artigos definidos como formas</p><p>remissivas, Weinrich (apud KOCH, 2001, p. 35-35) mostra que “o artigo definido pode não só remeter</p><p>a informação do contexto precedente, como elementos da situação comunicativa (...)”. Isso explica</p><p>também o sintagma o objeto, cujo referente foi subentendidamente introduzido pela pergunta da pro-</p><p>fessora “Is this an elephant?”, que aponta para fora do texto, isto é, para a situação comunicativa.</p><p>No mesmo parágrafo, o sintagma a professora é retomado anaforicamente duas vezes pelo pronome</p><p>pessoal de 3ª pessoa ela. Nesse trecho, a referência ou remissão poderia ser feita, pelo menos em um</p><p>dos usos do pronome, também pelo recurso da elipse. No entanto, essa repetição do pronome parece</p><p>contribuir para conferir ao texto um tom mais próximo do coloquial pretendido pelo cronista.</p><p>Os pronomes demonstrativos, em geral, fazem remissão a uma oração, a um enunciado ou a todo um</p><p>contexto anterior. Ainda no parágrafo 02, o pronome demonstrativo disso, composto pela contração de</p><p>+ isso, remete à oração anterior.</p><p>O parágrafo 03, transcrito a seguir, inicia-se com um recurso de coesão, a elipse, facilmente recuperá-</p><p>vel pelo contexto: o termo ocultado, na primeira oração, é o nome do objeto que a professora apresen-</p><p>tava ao aluno.</p><p>COERÊNCIA E ELEMENTOS DE COESÃO</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>(3) Não tinha nenhuma tromba visível, de onde uma pessoa leviana poderia concluir às pressas que</p><p>não se tratava de um elefante. Mas se tirarmos a tromba a um elefante, nem por isso deixa ele de ser</p><p>um elefante; mesmo que morra em conseqüência da brutal operação, continua a ser um elefante; con-</p><p>tinua, pois um elefante morto é, em princípio, tão elefante como qualquer outro. Refletindo nisso, lem-</p><p>brei-me de averiguar se aquilo tinha quatro patas, quatro grossas patas, como costumam ter os elefan-</p><p>tes. Não tinha. Tampouco consegui descobrir o pequeno rabo que caracteriza o grande animal e que,</p><p>às vezes, como já notei em um circo, ele costuma abanar com uma graça infantil.</p><p>O recurso da elipse é utilizado em outros trechos do parágrafo como, por exemplo, em (...) tão elefante</p><p>como qualquer outro, em que se oculta o item elefante; e em Não tinha, em que se oculta o sujeito</p><p>aquilo.</p><p>Mas o que mais se evidencia nesse parágrafo 03 é a coesão obtida por meio da reiteração realizada</p><p>pela repetição do mesmo item lexical elefante – utilizado sete vezes no parágrafo. É fácil concluir que</p><p>a repetição, nesse caso, não significa que o autor não domina outras estratégias para construir o seu</p><p>texto; ao contrário, pode ser entendida como recurso estilístico ou de construção de sentido que pode</p><p>ter como objetivo demonstrar certa ironia e até impaciência em relação ao fato de a professora propor</p><p>ao aluno uma questão de resposta tão óbvia. A evidência ou facilidade da resposta se dá em razão de</p><p>que elephant e elefante são palavras cognatas e por isso não seria necessário conhecer inglês para</p><p>saber que aquilo não se tratava de um elefante.</p><p>Ainda no parágrafo 03 destaca-se o fato de o referente elefante ser retomado também duas vezes pelo</p><p>pronome de terceira pessoa ele e pelo grupo nominal definido o grande animal. Esse grupo nominal</p><p>fornece instruções referenciais sobre o referente, ou seja, ao mesmo tempo em que se faz a referência</p><p>que o encadeamento do texto requer, é possível oferecer ao leitor alguma informação ou impressão</p><p>sobre o item que se está retomando. Funciona de forma semelhante o grupo nominal da brutal opera-</p><p>ção, que remete à ação de se tirar a tromba do elefante.</p><p>Nesse parágrafo temos ainda mais uma vez um pronome demonstrativo que compõe a contração nisso</p><p>(em + isso), que remete não apenas à oração anterior, mas a todo o enunciado anterior desse pará-</p><p>grafo. Esse pronome, além de fazer remissão anafórica, de certa medida, também compõe um jogo de</p><p>linguagem com o outro demonstrativo aquilo, que aparece logo na sequência e, por sua vez, faz refe-</p><p>rência ao objeto que a professora apresentava.</p><p>No parágrafo 04, a coesão é feita pela reiteração do mesmo item lexical, de acordo com o que se</p><p>observa:</p><p>(4) Terminadas as minhas observações, voltei-me para a professora e disse convincentemente:</p><p>Nesse caso, entretanto, a principal razão para isso, é que o referente já se encontra um pouco distante</p><p>no texto e convém, então, não deixar dúvida de quem se está falando. Após essa reiteração, o autor</p><p>do texto volta a utilizar os pronomes, como se constata no parágrafo 06.</p><p>(6) Ela soltou um pequeno suspiro, satisfeita: a demora de minha resposta a havia deixado apreensiva.</p><p>Imediatamente perguntou:</p><p>Nota-se que, apesar da linguagem coloquial comum nas crônicas e já observada nesse texto, há um</p><p>cuidado em se empregar também construções da modalidade culta da língua, como em a havia deixado</p><p>e várias outras construções do texto.</p><p>Novamente – assim como no parágrafo 03 – o recurso da repetição do mesmo item lexical com propó-</p><p>sitos de construir sentidos é utilizado no parágrafo 08. Aqui os itens livro/livros são repetidos sete vezes.</p><p>(8) Sorri da pergunta: tenho vivido uma parte de minha vida no meio de livros, conheço livros, lido com</p><p>livros, sou capaz de distinguir um livro a primeira vista no meio de quaisquer outros objetos, sejam eles</p><p>garrafas, tijolos ou cerejas maduras — sejam quais forem. Aquilo não era um livro, e mesmo supondo</p><p>que houvesse livros encadernados em louça, aquilo não seria um deles: não parecia de modo algum</p><p>um livro. Minha resposta demorou no máximo dois segundos:</p><p>Nesse momento o narrador já deixa claro o quanto estava achando fácil a aula de inglês: ele afirma</p><p>que sorriu (e o leitor entende que se trata de um sorriso irônico) da pergunta da professora.</p><p>COERÊNCIA E ELEMENTOS DE COESÃO</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>A propósito, ao utilizar o sintagma da pergunta, o autor utiliza uma forma referencial com lexema que</p><p>classifica uma parte anterior do texto no nível metalinguístico.</p><p>Mas um ponto alto do sarcasmo em relação à aula e às perguntas da professora pode ser notado no</p><p>parágrafo 10, em que o referente, além de ser retomado pelo pronome, também é retomado pelo sin-</p><p>tagma Aquela mulher.</p><p>(10) Tive o prazer de vê-la novamente satisfeita — mas só por alguns segundos. Aquela mulher era um</p><p>desses espíritos insaciáveis que estão sempre a se propor questões, e se debruçam com uma curiosi-</p><p>dade aflita sobre a natureza das coisas.</p><p>A essa altura para entender o humor do texto, o leitor já deve ter notado que, na opinião do narrador,</p><p>as perguntas que a professora propõe nem de longe são suficientes para concluir que ela era um des-</p><p>ses espíritos insaciáveis que estão sempre a se propor questões, e se debruçam com uma curiosidade</p><p>aflita sobre a natureza das coisas.</p><p>O parágrafo 12 também se inicia com uma oração que parece apresentar ironia.</p><p>(12) Fiquei muito perturbado com essa pergunta. Para dizer a verdade, não sabia o que poderia</p>
<p>ser um</p><p>handkerchief; talvez fosse hipoteca... Não, hipoteca não. Por que haveria de ser hipoteca? Hand-</p><p>kerchief! Era uma palavra sem a menor sombra de dúvida antipática; talvez fosse chefe de serviço ou</p><p>relógio de pulso ou ainda, e muito provavelmente, enxaqueca. Fosse como fosse, respondi impávido:</p><p>Na verdade, o fato de o narrador não saber responder se o que a professora mostrava era ou não um</p><p>handkerchief não parece de fato representar uma grande perturbação para ele, que parece acreditar</p><p>que saber ou não responder àquelas questões em nada contribuirá para ampliar sua competência co-</p><p>municativa na língua estrangeira que ele está pretendendo aprender.</p><p>No que se refere aos mecanismos de coesão referencial, verifica-se que novamente se tem uma forma</p><p>referencial com lexema que classifica uma parte anterior do texto no nível metalinguístico: essa per-</p><p>gunta. E vale acrescentar que, nesse parágrafo 12, o autor também utiliza o recurso da repetição (do</p><p>item hipoteca).</p><p>No parágrafo 14 observa-se um caso de remissão ao mesmo referente feita novamente pelo pronome</p><p>aquilo. Essa recorrência, como se verá mais adiante, além de promover a coesão referencial também</p><p>contribui para a coesão sequencial.</p><p>(14) Minhas palavras soaram alto, com certa violência, pois me repugnava admitir que aquilo ou qual-</p><p>quer outra coisa nos meus arredores pudesse ser um handkerchief.</p><p>Como nos próximos parágrafos do texto os recursos ou mecanismos de coesão referencial começam</p><p>a ficar repetidos, destacam-se apenas mais dois exemplos especialmente de como a coesão pode</p><p>contribuir para a construção de sentido, ou seja, para a coerência de um texto. No parágrafo 20, um</p><p>referente que já foi retomado por professora, ela, aquela mulher agora é referenciado por a boa se-</p><p>nhora. Não há outra razão aparente para esse uso a não ser a ironia. Chamar a professora de boa</p><p>senhora é como compará-la a qualquer outra boa mulher, a uma dona de casa, por exemplo. Boa</p><p>senhora não é um qualificativo que interessa a uma profissional professora de inglês.</p><p>(20) O que sucedeu então foi indescritível. A boa senhora teve o rosto completamente iluminado por</p><p>onda de alegria; os olhos brilhavam — vitória! vitória! — e um largo sorriso desabrochou rapidamente</p><p>nos lábios havia pouco franzidos pela meditação triste e inquieta. Ergueu-se um pouco da cadeira e</p><p>não se pôde impedir de estender o braço e me bater no ombro, ao mesmo tempo que exclamava, muito</p><p>excitada:</p><p>No parágrafo 23, transcrito a seguir, o sintagma daquela primeira aula faz remissão a todos os fatos</p><p>narrados referentes àquela primeira aula de inglês do narrador. Do ponto de vista do narrador, tanto</p><p>esse sintagma quanto o sintagma naquele momento remetem para um contexto fora do discurso, ou</p><p>seja, para um momento da situação comunicativa.</p><p>Ainda nesse parágrafo, o sintagma o embaixador britânico, introduzido por artigo definido só é possível</p><p>porque o autor conta com o conhecimento prévio e partilhado entre os interlocutores que sabem da</p><p>existência dessa figura no Brasil.</p><p>COERÊNCIA E ELEMENTOS DE COESÃO</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>(23) Retirei-me imensamente satisfeito daquela primeira aula; andei na rua com passo firme e ao ver,</p><p>na vitrine de uma loja, alguns belos cachimbos ingleses, tive mesmo a tentação de comprar um. Certa-</p><p>mente teria entabulado uma longa conversação com o embaixador britânico, se o encontrasse naquele</p><p>momento. Eu tiraria o cachimbo da boca e lhe diria:</p><p>A coesão sequencial</p><p>De acordo com Koch (2001, p. 49), a progressão de um texto pode ocorrer com ou sem elementos</p><p>recorrentes (que se repetem ou que voltam a ser utilizados algumas vezes). A autora chama de se-</p><p>quenciação parafrástica quando se observam no texto procedimentos de recorrência estrita; e de se-</p><p>quenciação frástica aquela não baseada em procedimentos de recorrência. Apresentam-se, em se-</p><p>guida, considerações sobre a sequenciação parafrástica do texto em estudo.</p><p>Na crônica Aula de Inglês, o esquema pergunta da professora, comentários do aluno e resposta à</p><p>pergunta é repetido praticamente do início ao final do texto. Apenas no parágrafo 21 o esquema é</p><p>modificado, conforme se observa na síntese a seguir, em que os números entre parênteses referem-</p><p>se aos parágrafos (ver anexo):</p><p>a) (1) pergunta da professora – (2), (3), (4) comentários do aluno – (5) resposta do aluno – (6) comen-</p><p>tário do aluno</p><p>b) (7) pergunta da professora – (8) comentário do aluno – (9) resposta do aluno – (10) comentário do</p><p>aluno</p><p>c) (11) pergunta da professora – (12) comentário do aluno – (13) resposta do aluno – (14), (15) comen-</p><p>tários do aluno</p><p>d) (16) pergunta da professora – (17), (18) comentário do aluno – (19) resposta do aluno – (20) comen-</p><p>tário do aluno</p><p>e) (21) comentário da professora – (22), (23), (24), (25) comentário do aluno</p><p>Essa opção por fazer o texto progredir com determinado esquema predefinido que vai se repetindo se</p><p>constitui também como um mecanismo de coesão sequencial. Nesse caso, há recorrência de estrutura</p><p>e de conteúdo dos parágrafos. Em certa medida, é uma forma de paralelismo.</p><p>A ideia de satisfação, expressa inclusive com o mesmo item lexical, é repetida em quatro parágrafos,</p><p>conforme se verifica nos trechos transcritos a seguir. Ao afirmar que a professora fica satisfeita, o aluno</p><p>fica satisfeito e até o embaixador britânico fica satisfeito, o texto expressa ironia, já que na verdade isso</p><p>pode ser traduzido como uma crítica à qualidade daquela aula, sem utilidade. E isso não deveria deixar</p><p>ninguém satisfeito.</p><p>(6) Ela soltou um pequeno suspiro, satisfeita (...)</p><p>(10) Tive o prazer de vê-la novamente satisfeita (...)</p><p>(23) Retirei-me imensamente satisfeito daquela primeira aula (...)</p><p>(25) E ele na certa ficaria muito satisfeito por ver que eu sabia falar inglês (...)</p><p>Outro tipo de recorrência que também tem função coesiva é a de tempo verbal. De acordo com Koch</p><p>(2001, p. 33), comentar e narrar são dois tipos de atitude comunicativa e cada língua possui tempos</p><p>verbais apropriados para expressá-los. São tempos próprios do comentário: o presente do indicativo, o</p><p>pretérito perfeito (simples e composto), o futuro do presente; são tempos do relato o pretérito perfeito</p><p>simples, o pretérito imperfeito, o pretérito mais-que-perfeito e o futuro do pretérito do indicativo.</p><p>No texto em análise, observa-se recorrência do pretérito perfeito e do pretérito imperfeito do indicativo</p><p>que predominam no texto, indicando relato. Os trechos seguintes são exemplos dessa afirmação.</p><p>(2) Minha tendência imediata foi responder que não; mas a gente não deve se deixar levar pelo primeiro</p><p>impulso. Um rápido olhar que lancei à professora bastou para ver que ela falava com seriedade, e tinha</p><p>o ar de quem propõe um grave problema. Em vista disso, examinei com a maior atenção o objeto que</p><p>ela me apresentava.</p><p>COERÊNCIA E ELEMENTOS DE COESÃO</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>(15) Ela então voltou a fazer uma pergunta. Desta vez, porém, a pergunta foi precedida de um certo</p><p>olhar em que havia uma luz de malícia, uma espécie de insinuação, um longínquo toque de desafio.</p><p>Sua voz era mais lenta que das outras vezes; não sou completamente ignorante em psicologia feminina,</p><p>e antes dela abrir a boca eu já tinha a certeza de que se tratava de uma palavra decisiva.</p><p>Observa-se, porém, que o texto se constitui de trechos de relato mesclados de reflexões ou comentários</p><p>do narrador, que são expressos com verbos no presente do indicativo como em “mas a gente não deve</p><p>se deixar levar pelo primeiro impulso” e “não sou completamente ignorante em psicologia feminina (...)”</p><p>Os mecanismos de sequenciação frástica, isto é, aqueles não relacionados à recorrência “garantem a</p><p>manutenção do tema, o estabelecimento de relações semânticas e/ou pragmática entre segmentos</p><p>maiores ou menores do texto, a ordenação e articulação de sequências textuais” (KOCH, 2001, p. 57).</p><p>A manutenção temática, em muitos casos, é realizada pelo uso de um conjunto</p>
<p>de itens do mesmo</p><p>campo lexical. Em um texto que relata e comenta uma aula, seriam comuns itens lexicais como profes-</p><p>sora, perguntas, respostas, aluno, livro, caderno, lousa, giz... Apenas, os três primeiros itens, porém,</p><p>são encontrados no texto. A temática é mantida, nessa crônica, por outros recursos, como, por exem-</p><p>plo, pela recorrência de conteúdos semânticos, conforme já mencionado.</p><p>O estabelecimento de relações semânticas e/ou pragmáticas entre segmentos do texto é obtido por</p><p>meio do encadeamento que pode ser realizado ou por justaposição ou por conexão.</p><p>No parágrafo 02, novamente transcrito a seguir, é possível observar mecanismos de coesão efetivados</p><p>por encadeamento dos dois tipos mencionados (justaposição e conexão).</p><p>(2) Minha tendência imediata foi responder que não; mas a gente não deve se deixar levar pelo primeiro</p><p>impulso. Um rápido olhar que lancei à professora bastou para ver que ela falava com seriedade, e tinha</p><p>o ar de quem propõe um grave problema. Em vista disso, examinei com a maior atenção o objeto que</p><p>ela me apresentava.</p><p>A conjunção mas, nessa posição do texto, é um conector que estabelece uma relação de conexão,</p><p>mais especificamente de contrajunção, por meio da qual enunciados de orientações argumentativas</p><p>distintas estão colocados lado a lado. Prevalece o argumento contido no enunciado introduzido por</p><p>esse conector. O mesmo acontece no parágrafo 03: “Não tinha nenhuma tromba visível, de onde uma</p><p>pessoa leviana poderia concluir às pressas que não se tratava de um elefante. Mas se tirarmos a tromba</p><p>a um elefante, nem por isso deixa ele de ser um elefante (...)”.</p><p>Já o encadeamento estabelecido pela expressão Em vista disso pode ser um exemplo de justaposição</p><p>realizada por enunciado metacomunicativo, que funciona como um demarcador da parte anterior do</p><p>texto. Também são exemplos de encadeamento por justaposição o que se verifica no trecho seguinte</p><p>do parágrafo 03, em que a oração inicial funciona como uma espécie de marcador conversacional. A</p><p>presença desse marcador no texto justifica-se porque a crônica escrita, de certo modo, estiliza a mo-</p><p>dalidade falada.</p><p>(3) (...) Refletindo nisso, lembrei-me de averiguar se aquilo tinha quatro patas, quatro grossas patas,</p><p>como costumam ter os elefantes...</p><p>Já no trecho seguinte, do parágrafo 17, as expressões em destaque são marcadores que promovem o</p><p>encadeamento do texto ordenando argumentos ou, nesse caso, mais especificamente, explicações.</p><p>(17) Uma grande alegria me inundou a alma. Em primeiro lugar porque eu sei o que é um ash-tray: um</p><p>ash-tray é um cinzeiro. Em segundo lugar porque, fitando o objeto que ela me apresentava, notei uma</p><p>extraordinária semelhança entre ele e um ash-tray.</p><p>Na sequência apresentam-se outros exemplos de coesão sequencial obtida por meio de elementos de</p><p>conexão que promovem outras relações lógico-semânticas ou relações discursivas ou pragmáticas.</p><p>A relação de contrajunção é estabelecida pelo operador mas (ou equivalentes), conforme já se menci-</p><p>onou. Essa relação, entretanto, ainda pode ser estabelecida pelo operador embora (ou equivalentes),</p><p>como se verifica nos trechos seguintes.</p><p>COERÊNCIA E ELEMENTOS DE COESÃO</p><p>8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>(3) (...) mesmo que morra em conseqüência da brutal operação, continua a ser um elefante; continua,</p><p>pois um elefante morto é, em princípio, tão elefante como qualquer outro.</p><p>(8) (...) Aquilo não era um livro, e mesmo supondo que houvesse livros encadernados em louça, aquilo</p><p>não seria um deles...</p><p>Convém lembrar que quando se utilizam operadores com sentido de embora, (nesse caso mesmo que</p><p>e mesmo) a orientação argumentativa que prevalece é a não introduzida por ele, diferentemente do</p><p>que ocorre quando as ideias são articuladas com o mas.</p><p>Já o elemento pois, também presente no primeiro trecho, é um conector que pode estabelecer relação</p><p>de explicação, de justificativa ou até de conclusão. Seguem outros exemplos de conexão realizada com</p><p>esse elemento.</p><p>(14) Minhas palavras soaram alto, com certa violência, pois me repugnava admitir que aquilo ou qual-</p><p>quer outra coisa nos meus arredores pudesse ser um handkerchief.</p><p>(25) E ele na certa ficaria muito satisfeito por ver que eu sabia falar inglês, pois deve ser sempre agra-</p><p>dável a um embaixador ver que sua língua natal começa a ser versada pelas pessoas de boa-fé do</p><p>país junto a cujo governo é acreditado.</p><p>Constitui-se, do mesmo modo, como exemplo de conexão, a expressão destacada no trecho do pará-</p><p>grafo 12, em que Para dizer a verdade introduz uma ideia que é uma ampliação do fato contido no</p><p>primeiro enunciado.</p><p>(12) Fiquei muito perturbado com essa pergunta. Para dizer a verdade, não sabia o que poderia ser um</p><p>handkerchief; talvez fosse hipoteca...</p><p>Para concluir, mais três exemplos em que os conectores em destaque estabelecem diferentes tipos de</p><p>relação: o primeiro, de comparação; os dois últimos, de temporalidade:</p><p>(3) (...) um elefante morto é, em princípio, tão elefante como qualquer outro.</p><p>(15) (...) antes dela abrir a boca eu já tinha a certeza de que se tratava de uma palavra decisiva.</p><p>(20) (...) Ergueu-se um pouco da cadeira e não se pôde impedir de estender o braço e me bater no</p><p>ombro, ao mesmo tempo que exclamava, muito excitada:</p><p>Estudo da linguística textual na língua inglesa</p><p>Compreendendo a Importância da Coesão</p><p>A identificação e o conhecimento do objeto de estudo da linguística textual e da função dos elementos</p><p>coesivos serão nossos novos aliados no processo de leitura e compreensão de textos escritos na língua</p><p>inglesa. Com isso trabalharemos através da textualidade com sete padrões de textualidade: coesão;</p><p>coerência; intentionality; aceitabilidade; informatividade; situacionalidade; intertextualidade. Constitu-</p><p>tivo contra princípios reguladores: eficiência; eficácia; adequação. Podemos então verificar no contexto</p><p>histórico da linguística textual: a retórica; estilística; estudos literários; antropologia; tagmemics ( análise</p><p>gramatical de uma língua que se baseia sobre a forma na qual os diferentes elementos que constroem</p><p>uma frase são dispostos): sociologia; análise do discurso; perspectiva na sentença funcional, linguística</p><p>estrutural descritiva: os níveis do sistema; sistemas e sistematização; descrição e explicação; a modu-</p><p>laridade e interação; Explosão combinatória; Texto como uma entidade processual.</p><p>Facilidade de processamento e a profundidade de processamento. Limiares de rescisão. Sistemas vir-</p><p>tuais e reais. Regulação cibernética. Continuidade, Estabilidade. Resolução de problemas: busca em</p><p>profundidade, procura em largura, e os meios finais de análise. Apego processual. Fases de produção</p><p>de texto: planejamento; ideação; desenvolvimento; expressão; análise; linearização e adjacência. As</p><p>fases de recepção do texto: análise; recuperação de conceito; idéia de recuperação; recuperação plana,</p><p>reversibilidade da produção e recepção. O estudo da coesão na língua inglesa é a maneira em que os</p><p>itens linguísticos dos quais textos são constituídos são significativamente interligados em sequências.</p><p>Coesão pode ser de quatro tipos: de referência, elipse, conjunção e organização lexical. Referência</p><p>(realizado por substantivos, determinantes, pronomes pessoais e demonstrativos ou advérbios), quer</p><p>COERÊNCIA E ELEMENTOS DE COESÃO</p><p>9 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>pontos fora do texto para um item de mundo real (ou seja, a sua denotação), daí referência exofórica</p><p>ou se refere a um item dentro do texto, portanto, referência endofórica.</p><p>As duas direções possíveis de referência endofórica são anteriores ( anafórico.; anáfora direta:, anáfora</p><p>indireta.) Ou posterior (catáfoca); no caso de uma referência a um item do qual existe (na situação</p><p>dada). Falamos de homófora. A relação entre dois itens em que ambos se referem à mesma pessoa</p><p>ou coisa e se destaca como um antecedente linguístico da outra é chamado correferência. Elipse, ou</p><p>seja, a omissão de algo referido anteriormente é um exemplo</p>
<p>narrativo, apesar de o parágrafo inicial ter passagem descritiva.</p><p>Texto 02</p><p>A Santa Cruz Da Estiva</p><p>No final do século passado, existia, rodeada por pequeno cemitério, outra igrejinha próxima ao local</p><p>onde hoje está erguida a Capela de Santa Cruz da Estiva. Junto à estrada que passa diante da</p><p>Capela, residia, então, um humilde lavrador que trabalhava as terras, auxiliado por sete filhos.</p><p>Rapagões fortes e destemidos, eram o orgulho do pai.</p><p>Foi quando surgiu a febre amarela, ceifando vidas sem piedade. Por ironia, ela foi levando um por um</p><p>os sete filhos do lavrador, deixando-o sozinho com sua dor.</p><p>COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Passada a epidemia, o desventurado buscou consolo em Deus. E se propôs, apesar de passar por</p><p>dificuldades econômicas, a construir uma Capela nova junto à antiga, pedindo ao Senhor amparo</p><p>para as almas de seus sete rapazes, conseguindo-lhes, assim, a absolvição dos pecados</p><p>possivelmente cometidos.</p><p>Obteve com seus rogos que a dona da fazenda fizesse a doação de uma faixa de terreno e, com os</p><p>amigos e conhecidos, acertou o empreendimento de um mutirão.</p><p>Assim foi construída a Capela de Santa Cruz da Estiva, segundo se diz por aí...</p><p>(Adaptação de lenda de autor desconhecido)</p><p>A lenda “A Santa Cruz da Estiva”, quanto ao modo de organização textual e à justificativa para a</p><p>classificação, pode ser considerada um texto:</p><p>A) narrativo, porque relata mudanças progressivas de personagens e coisas através do tempo</p><p>B) descritivo, porque transmite imagens positivas ou negativas dos elementos descritos</p><p>C) dissertativo, porque analisa e interpreta dados da realidade por meio de conceitos abstratos</p><p>D) poético, porque utiliza jogos de figuras de modo a ocultar uma visão de mundo subjetiva</p><p>Texto 03</p><p>“Estavam no pátio de uma fazenda sem vida. O curral deserto, o chiqueiro das cabras arruinado e</p><p>também deserto, a casa do vaqueiro fechada, tudo anunciava abandono. Certamente o gado se</p><p>finara e os moradores tinham fugido. Fabiano procurou em vão perceber um toque de chocalho.</p><p>Avizinhou-se da casa, bateu, tentou forçar a porta. Encontrando resistência, penetrou num cercadinho</p><p>cheio de plantas mortas, rodeou a tapera, alcançou o terreiro do fundo, viu um barreiro vazio, um</p><p>bosque de catingueiras murchas, um pé de turco e o prolongamento da cerca do curral. Trepou-se no</p><p>mourão do canto, examinou a caatinga, onde avultavam as ossadas e o negrume dos urubus.</p><p>Desceu, empurrou a porta da cozinha. Voltou desanimado, ficou um instante no copiar, fazendo</p><p>tenção de hospedar ali a família. Mas chegando aos juazeiros, encontrou os meninos adormecidos e</p><p>não quis acordá-los.”</p><p>(Graciliano Ramos, apud Carreter e outros, 1963:29)</p><p>a) descritivo;</p><p>b) jurídico;</p><p>c) didático;</p><p>d) narrativo;</p><p>e) argumentativo.</p><p>Texto 04</p><p>Quando era menino, na escola, as professoras me ensinaram que o Brasil estava destinado a um</p><p>futuro grandioso porque as suas terras estavam cheias de riquezas: ferro, ouro, diamantes, florestas</p><p>e coisas semelhantes. Ensinaram errado. O que me disseram equivale a predizer que um homem</p><p>será um grande pintor por ser dono de uma loja de tintas. Todavia, o que faz um quadro não é a tinta:</p><p>são as idéias que moram na cabeça do pintor. As idéias dançantes na cabeça fazem as tintas dançar</p><p>sobre a tela. Por isso, sendo um país tão rico, somos um povo tão pobre.</p><p>Não sabemos pensar. (...) Minha filha me fez uma pergunta: “O que é pensar?” Disse-me que essa</p><p>era uma pergunta que o professor de Filosofia havia proposto à classe. Pelo que lhe dou os</p><p>parabéns. Primeiro, por ter ido diretamente à questão essencial. Segundo, por ter tido a sabedoria de</p><p>fazer a pergunta, sem dar a resposta. Porque, se tivesse dado a resposta, teria com ela cortado as</p><p>asas do pensamento. O pensamento é como a águia que só alça vôo nos espaços vazios do</p><p>desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o</p><p>pensamento que o ensino das respostas certas. Para isto existem as escolas: não para ensinar as</p><p>respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme, mas</p><p>somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.</p><p>COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Rubem Alves. Ao professor, com o meu carinho. São Paulo: Verus Editora, 2004, p. 57-58.</p><p>1 O texto caracteriza-se como texto científico devido ao uso de dados comprovados e ao excesso de</p><p>trechos descritivos.</p><p>Texto 05</p><p>Violência No Campo</p><p>José Saramago</p><p>No dia 17 de abril de 1996, no estado brasileiro do Pará, perto de uma povoação chamada Eldorado</p><p>dos Carajás (Eldorado: como pode ser sarcástico o destino de certas palavras...), 155 soldados da</p><p>polícia militarizada, armados de espingardas e metralhadoras, abriram fogo contra uma manifestação</p><p>de camponeses que bloqueavam a estrada em ação de protesto pelo atraso dos procedimentos</p><p>legais de expropriação de terras, como parte do esboço ou simulacro de uma suposta reforma agrária</p><p>na qual, entre avanços mínimos e dramáticos recuos, se gastaram já cinqüenta anos, sem que</p><p>alguma vez tivesse sido dada suficiente satisfação aos gravíssimos problemas de subsistência (seria</p><p>mais rigoroso dizer sobrevivência) dos trabalhadores do campo. Naquele dia, no chão de Eldorado</p><p>dos Carajás ficaram 19 mortos, além de umas quantas dezenas de pessoas feridas.</p><p>Passados três meses sobre este sangrento acontecimento, a polícia do estado do Pará, arvorando-se</p><p>a si mesma em juiz numa causa em que, obviamente, só poderia ser a parte acusada, veio a público</p><p>declarar inocentes de qualquer culpa os seus 155 soldados, alegando que tinham agido em legítima</p><p>defesa, e, como se isto lhe parecesse pouco, reclamou procedimento judicial contra três dos</p><p>camponeses, por desacato, lesões e detenção ilegal de armas.</p><p>O arsenal bélico dos manifestantes era constituído por três pistolas, pedras e instrumentos de lavoura</p><p>mais ou menos manejáveis. Demasiado sabemos que, muito antes da invenção das primeiras armas</p><p>de fogo, já as pedras, as foices e os chuços haviam sido considerados ilegais nas mãos daqueles</p><p>que, obrigados pela necessidade a reclamar pão para comer e terra para trabalhar, encontraram pela</p><p>frente a polícia militarizada do tempo, armada de espadas, lanças e albardas. Ao contrário do que</p><p>geralmente se pretende fazer acreditar, não há nada mais fácil de compreender que a história do</p><p>mundo, que muita gente ilustrada ainda teima em afirmar ser complicada demais para o entendimento</p><p>rude do povo.</p><p>1. O texto é mais adequadamente classificado como:</p><p>a) descritivo;</p><p>b) narrativo;</p><p>c) argumentativo;</p><p>d) expositivo;</p><p>e) informativo.</p><p>Texto 06</p><p>O Medo Social</p><p>Jurandir Freire Costa</p><p>No Rio de Janeiro, uma senhora dirigia seu automóvel com o filho ao lado. De repente foi assaltada</p><p>por um adolescente, que a roubou, ameaçando cortar a garganta do garoto. Dias depois, a mesma</p><p>senhora reconhece o assaltante na rua. Acelera o carro, atropela-o e mata-o, com a aprovação dos</p><p>que presenciaram a cena. Verídica ou não, a história é exemplar. Ilustra o que é a cultura da</p><p>violência, a sua nova feição no Brasil.</p><p>Ela segue regras próprias. Ao expor as pessoas a constantes ataques à sua integridade física e</p><p>moral, a violência começa a gerar expectativas, a fornecer padrões de respostas. Episódios</p><p>truculentos e situações-limite passam a ser imaginados e repetidos com o fim de caucionar a idéia de</p><p>COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>que só a força resolve conflitos. A violência torna-se um item obrigatório na visão do mundo que nos</p><p>é transmitida. Cria a convicção tácita de que o crime e a brutalidade são inevitáveis. O problema,</p><p>então, é entender como chegamos a esse ponto. Como e por que estamos nos familiarizando com a</p><p>violência, tornando-a nosso cotidiano.</p><p>Em primeiro lugar, é preciso que a violência se torne corriqueira para que a lei deixe de ser concebida</p><p>como o instrumento</p>
<p>de anáfora textual. Conjunção, reforçada</p><p>por sintáticas (adverbials – subjuncts, conjuncts, disjuncts; pronouns, conectore metalingual s, etc.)</p><p>e gramatical (concordância, seqüência de tempos verbais) conectores, cria intrincados sistemas de</p><p>títulos intratextuais. Coesão lexical estabelece semântica (por meio de dispositivos lexicais, tais como</p><p>repetição, equivalência - sinonímia, hiponímia, hiperonímia, parafrasear, concatenação natural de pa-</p><p>lavras) e pragmática (pressuposto) conexão; em contraste com os tipos anteriores de coesão, que</p><p>opera maiores trechos de texto, uma vez que estabelece cadeias de referências relacionadas. Abran-</p><p>gendo do estudo da coerência, o recurso de subsuperfície de um texto, refere-se às formas pelas quais</p><p>os significados dentro de um texto (conceitos, as relações entre eles e as suas relações com o mundo</p><p>externo) são estabelecidos e desenvolvidos. Algumas das principais relações de coerência são sequên-</p><p>cias lógicas, como causa-conseqüência (and so), condição conseqüência (if), instrumento-realização</p><p>(by), contraste (however), compatibilidade (and), etc.</p><p>Além disso, é o 'aboutness' geral, isto é, o desenvolvimento tópico que fornece um texto com integri-</p><p>dade necessária; mesmo na ausência de relações abertas, um texto pode ser percebido como coerente</p><p>(ou seja, como fazer sentido), como em várias listas, tabelas, horários, menus. Contrariamente, outros</p><p>tipos de textos são caracterizados por uma estrutura coesa, explícita, sinalização, intrincadas de rela-</p><p>ções lógico-semânticas (relatórios científicos, textos legais); em obras literárias, a coesão pode ser</p><p>suprimida por meio de programação, a fim de aumentar o prazer ao descobrir essas ligações para si</p><p>mesmas. Compreender a Intentionality, relacionar com a intenção, por parte de um remetente para</p><p>produzir um texto coeso / coerente visando alcançar um objetivo identificável ( teleológica, isto é, a</p><p>natureza orientada para o objetivo da função da linguagem significativa, Čermák 2001). Aceitabilidade</p><p>diz respeito à expectativa receptor que o texto deve ser coerente / coesa e de alguma relevância para</p><p>eles.</p><p>Informatividade aborda a previsibilidade (im) possibilidade ou (com ou sem) previsão de um texto em</p><p>uma dada situação; no caso de um texto é improvável (inesperada), uma “procura por motivação”,</p><p>realizada por um receptor ( Teoria da Relevância baseado na característica básica da cognição hu-</p><p>mana, a saber. a expectativa de que uma mensagem seja relevante). A Situacionalidade diz respeito</p><p>ao problema de tornar-se um texto relevante para uma situação. A intertextualidade está preocupada</p><p>com as formas em que utiliza de textos dependem do conhecimento de outros (anterior ou posterior)</p><p>textos. O princípio da eficiência exige que o texto deva ser usado com um mínimo de esforço - daí o</p><p>uso de linguagem simples que, no entanto chato e inexpressivo, é fácil de produzir e compreender (sem</p><p>imaginação e estereotipados).</p><p>Em contraste, a eficácia pressupõe deixar uma impressão forte e à criação de condições favoráveis</p><p>para atingir um objetivo comunicativo; isto pressupõe a utilização de criativo (imaginação original,) lin-</p><p>guagem que, por mais eficaz, pode levar a uma ruptura comunicativa. O princípio de tentativas de</p><p>adequação para equilibrar fora dos dois princípios acima, buscando um acordo entre a configuração de</p><p>texto e padrões de textualidade. Como são óbvios a partir da lista das características sobre o nível de</p><p>texto, eles fornecem explorações estilisticamente motivados com possibilidades quase sem restrições</p><p>de variação deixando uma marca importante no 'estilo' da língua.</p><p>Tendo por base que o grau de modificação dos padrões sintáticos básicos tendem a variar de acordo</p><p>com os usuários. Não cabe o entendimento de interpretar texto da língua inglesa na variação metalin-</p><p>guística textual. Todos os esboços aplicados por diversos mecanismo para que se possa se adequar a</p><p>satisfação de dever feito. Por isso a aplicabilidade do contexto e o estudo da pragmática o que ou quem</p><p>este texto se refere? Que tipo de informação precisaria para ordenar a compreensão deste texto? O</p><p>enunciado deverá compreender não apenas um trecho de um aviso, mas dá preferência como um</p><p>sumário de expectativa sobre comunicação e como a língua é usada. Partindo da máxima de que a</p><p>orientação pelo texto tem que ser o princípio superior do ensino de línguas, esboça-se um conceito</p><p>funcional do texto e descrevem-se como alguns desenvolvimentos mais recentes da linguística textual</p><p>COERÊNCIA E ELEMENTOS DE COESÃO</p><p>10 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>fornecem instrumentos convenientes para poder ensinar os significados culturais e sociais das ativida-</p><p>des de linguagem.</p><p>Também é discutido como a Didática faz uso dos saberes da linguística textual para o trabalho com</p><p>textos em sala de aula. As conclusões indicam que a falta de uma teoria global do texto e a complexi-</p><p>dade do processo de ensino-aprendizagem são as principais causas para as dificuldades na transpo-</p><p>sição didática dos resultados da linguística textual. Na prática, o texto por si mesmo nunca se tornou</p><p>objeto de análise. Uma vez que não se faziam exigências comunicativas reais, cultivava-se, na verdade,</p><p>uma pseudo-comunicação com padrões ritualizados de perguntas e respostas.</p><p>Nas atividades propostas aos alunos, havia – aos custos do conteúdo – uma insistência na correção</p><p>formal e a progressão da matéria curricular baseava-se exclusivamente em considerações gramaticais.</p><p>De fato, tratava-se, antes de tudo, da produção de uma meta conhecimento sobre a gramática de língua</p><p>inglesa ou do treinamento de um conjunto de hábitos condicionados, rotinas e automatismos baseados</p><p>em conhecimentos linguístico-estruturais que – com exceção, talvez, de alguns articuladores textuais</p><p>que não ultrapassaram o nível da oração. Todavia, o que se percebeu logo é que os atos de fala difi-</p><p>cilmente podem ser ensinados isoladamente, já que as atividades comunicativas sempre ocorrem em</p><p>unidades maiores, ou seja, em textos. De fato, é no texto que um ato de fala individual se articula com</p><p>outros atos e ações linguísticas mais complexas para desenvolver os conteúdos temáticos pertinentes</p><p>a uma atividade comunicativa em construção.</p><p>Descobriu-se, então, que a língua se manifesta apenas através de textos que, por sua vez, assumem</p><p>ora uma, ora outra forma, de acordo com os propósitos a que se destinam e em virtude das diversas</p><p>circunstâncias em que são produzidos e interpretados. Ampliando o foco para além das pesquisas,</p><p>pode-se constatar que o conjunto de trabalhos relevantes nos principais campos de pesquisa da LT no</p><p>ensino da língua inglesa – os princípios da construção textual de sentido; o processamento cognitivo</p><p>do texto e as estratégias sociocognitivas e interacionais nele envolvidas; a organização global dos tex-</p><p>tos, com a relação entre as modalidades oral e escrita do uso da linguagem; as questões da referência</p><p>textual, da inferência, do acesso ao conhecimento prévio, etc. – não resultou numa teoria textual global;</p><p>por outro lado, não se pode negar que a disciplina já forneceu inúmeras descrições de exemplares e</p><p>gêneros textuais que, entre outras coisas, têm também a finalidade de facilitar o ensino de línguas e a</p><p>produção e recepção de textos.</p><p>Tem se tratado bastante detidamente os aspectos mentais dos processos de leitura, escrita e interpre-</p><p>tação. Observando-se alguns aspectos de informação, para entender o que acontece quando a língua</p><p>põe em comunicação vários indivíduos. Constituindo os princípios básicos da linguística textual os ele-</p><p>mentos principais que caracterizam a comunicação e as funções correspondentes, revelam a seguinte</p><p>compreensão: (addresser) é a pessoa que emite a mensagem, dirigida a um destinatário (addressee),</p><p>no âmbito de um contexto determinado. O contexto é fundamental. Na maioria dos casos, o enunciado</p><p>descontextualizado perde o sentido ou, em todo caso, se torna ambíguo. Isto é devido, em primeiro</p><p>lugar, a que a</p>
<p>comunicação é muito econômica ou eficiente e tende a não explicitar e a dar como</p><p>conhecidos alguns aspectos da mensagem que são considerados implícitos, ou seja, ligados ao con-</p><p>texto. O modelo bem conhecido das funções da linguagem pode ser discutido por vários motivos do</p><p>ponto de vista teórico.</p><p>Quando analisamos as funções da linguagem por uma dada unidade (como uma palavra, um texto ou</p><p>uma imagem), nós especificamos a que classe ou espécie pertence (por exemplo, um texto ou gênero</p><p>pictórico), cujas funções são presente / ausente, e as características das funções, trata incluindo as</p><p>relações hierárquicas e quaisquer outras relações que entre pode operá-lo. Em uma análise adequada,</p><p>começamos por determinar se cada uma das funções da linguagem está presente ou ausente. Cada</p><p>fator deve estar presentes e concordantes para que a comunicação de sucesso. Por conseguinte, as</p><p>relações são estabelecidas entre todos os fatores, em particular entre a mensagem e os outros fatores.</p><p>Mas aqui, estamos interessados nas relações ou funções específicas.</p><p>Vamos supor que, embora uma ou mais - ou até mesmo todas - as funções da linguagem podem estar</p><p>ausentes em unidades de curta duração (tal como sinal isolado), unidades de longas pode ativar todos</p><p>eles. Onde mais do que uma função está presente, que vai estabelecer tanto: uma hierarquia simples,</p><p>através da identificação da função dominante e não classificando as outras funções, ou uma hierarquia</p><p>complexa, indicando o grau de presença de alguns ou todos das funções. Vários critérios podem ser</p><p>usados para estabelecer a hierarquia funcional. Usar um critério baseado em intenção: "A função do-</p><p>minante é a que responde à pergunta:" Com que intenção foi essa mensagem transmitida? E as funções</p><p>COERÊNCIA E ELEMENTOS DE COESÃO</p><p>11 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>secundárias estão lá para apoiá-lo. Devemos distinguir a intenção associada a cada fragmento da in-</p><p>tenção geral, que é “uma frase ou uma série de frases que corresponde a uma intenção”. Uma vez que</p><p>a intenção pode ser escondida, a função que é dominante em termos de grau de presença ostensiva</p><p>pode não ser dominante em termos de intenção. Distinguir entre as manifestações diretas e indiretas</p><p>de intenção, que se correlacionam com a oposição entre funções reais e evidentes. A função apelativa</p><p>(conativa) se manifesta diretamente.</p><p>Em que a função ostensiva é referencial informativo. Além disso, é preciso distinguir entre as funções</p><p>de causa e efeito, bem como fins e meios funções (as extremidades ser no sentido de que é pedida).</p><p>Por exemplo, quando a função fática (causa) é superativada, pode acionar a função poética (efeito);</p><p>sobre ativação pode ser usada para fins estéticos, e neste caso a função poética é uma extremidade e</p><p>a função fática é um meio. As Funções da linguagem podem ser ligadas aos vários possíveis agentes</p><p>enunciativas.</p><p>Em um texto, por exemplo, estes agentes são os seguintes: o autor empírico (real), o autor implícito (a</p><p>nossa impressão do autor da leitura de seu texto), o narrador, o personagem, o narratário, o leitor</p><p>implícito e o empírico leitor (real).Para dar um exemplo simples, em uma interação desconectada entre</p><p>os personagens, a desintegração da função fática (como quando o diálogo se degenera em monólogos</p><p>paralelos) pode corresponder a um, simbolicamente, uma disfunção fática entre o autor empírico e</p><p>leitor, e a função poética que está sendo ativado através da disfunção entre os personagens. Neste</p><p>caso, a função fática é tematizada, e é ficcional (que está a funcionar entre os personagens), e a função</p><p>poética é "real" (que se origina do verdadeiro autor e destina-se a ser percebido pelo leitor real). Este</p><p>tematizada, função fática ficcional é, portanto, uma forma de ativar a função poética na realidade.</p><p>Descrição do Problema</p><p>Pensar nas características principais que abordam a textualidade. Os saberes contemporâneos como</p><p>a linguística textual, análise do discurso e pragmática. Os estudos de textos em língua inglesa se ba-</p><p>seando em ampla textualidade com fator decisivo na construção dos significados. Assim fora do texto</p><p>e do contexto não existe significado possível. Hoje, somente quem é capaz de ler o texto no seu sentido</p><p>mais abrangente, tingido o nível do discurso, com todas as suas implicações linguísticas, estéticas,</p><p>sócios culturais e políticas. O ensino da língua inglesa, atualmente, lida com metas ambiciosas. Po-</p><p>dendo então levar o professor a ler e a compreender criticamente o texto, de diferentes tipos e gêneros,</p><p>por meios de diferentes modos, canais, como oral, escrito, em jornais, rádio, televisão, em mais de um</p><p>registro linguístico, como o literário, o cientifico, etc.</p><p>Para se interpretar o texto, todos os recursos são válidos e podem ser acionados simultaneamente, isto</p><p>é, na mesma aula: as questões lexicais, os elementos morfológicos e sintáticos, os aspectos fonológi-</p><p>cos (mesmo que o foco de aula seja a compreensão do texto escrito, importa muito a pronúncia das</p><p>palavras) e os conteúdos culturais. Do mesmo modo, diversas abordagens, métodos e técnicas podem</p><p>ser aplicados, sem a preocupação de estarem na última moda ou não: análise contrastiva, analise de</p><p>erros, abordagem comunicativa e mesmo gramática e tradução, se isso for produtivo.</p><p>Todo texto se caracteriza como uma estrutura aberta para uma rede textual. A leitura de texto, literário</p><p>ou não, é uma nova interpretação, isto é, a construção de um novo sentido. Um texto nunca possui</p><p>apenas um único sentido possível. Mesmo os textos científicos possuem aspectos culturais e subjeti-</p><p>vos. Toda leitura é tradução, e tradução é transcrição. Diferentemente do ensino de língua estrangeira</p><p>baseado em tópicos gramaticais, no qual a gramatica é apresentada como uma norma a ser seguida</p><p>subversivamente, a aprendizagem por meio de textos propicia ao professor uma maior autonomia. Os</p><p>significados de um texto não estão previamente estabelecidos com uma regra gramatical.</p><p>O futuro professor de inglês como língua estrangeira, para lidar adequadamente com o texto em sala</p><p>de aula, deve ter conhecimentos básicos de linguística textual e linguística funcional, análise do dis-</p><p>curso e pragmática. Tudo isso ajudará a ler criticamente o texto. Se o professor não for capaz de realizar</p><p>uma leitura crítica do texto (ler o que está por detrás das palavras e vislumbrar as implicações daquele</p><p>texto na sua vida e na vida dos seus estudantes), dificilmente poderá ser capaz de conduzir os seus</p><p>alunos a uma leitura crítica.</p><p>Nesse caso, existe risco de que a leitura seja apenas uma decodificação e não o descortinar do mundo</p><p>que se abre a partir do texto. Esse tipo de trabalho com o texto se assemelharia perigosamente ao</p><p>COERÊNCIA E ELEMENTOS DE COESÃO</p><p>12 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>adestramento com a língua escrita, isto é, a situação daquele que lê, mas não entende o que leu. O</p><p>ensino da língua inglesa deve ser organizada em torno do estudo de texto (texto de todos os tipos e</p><p>gêneros, em seu sentido mais amplo e profundo, no nível do discurso, implicando o conhecimento mais</p><p>amplo da noção dinâmica de textualidade e discursividade), uma vez que o texto faz girar todas as</p><p>dimensões desse ensino: lexical, gramatical, semântica, estética, politica, cultural, etc.</p><p>A importância da LT no estudo da língua inglesa está no fato de que nem todos os fenômenos da língua</p><p>são descritos pela gramática, como a correferência: ele pertence a um universo complexo, dotado de</p><p>manifestações e estruturas que vão além das superficiais. O texto é, em sua essência, o resultado de</p><p>ações cognitivas, interacionais e linguísticas. Em suma, texto é ação, assim como a língua. Para que</p><p>qualquer sentença seja vista como um texto, é preciso que ela tenha uma característica que se mani-</p><p>festa através dele mesmo: textualidade. Este é o princípio fundamental para que qualquer ato de co-</p><p>municação seja um texto. Como um produto que nunca está pronto, é possível (re) construir vários</p><p>sentidos. No</p>
<p>campo da LT, é possível estudar os mecanismos de articulação entre as frases ou textos</p><p>(coesão), a coerência, entre outros. E é disso que vamos tratar ao longo do trabalho.</p><p>O professor deve observar se o texto acha-se construído na perspectiva da enunciação. E os processos</p><p>enunciativos não são simples nem obedecem a regras fixas. No processo interlocutório à relação dos</p><p>indivíduos entre si e com a situação discursiva. Estes aspectos vão exigir do falante e escritores que</p><p>se preocupem em articular conjuntamente seus textos ou que tenham em mente seus interlocutores</p><p>quando escrevem. Podendo observar numa produção discursiva as coisas geniais, é preciso ter sensi-</p><p>bilidade; para descobrir os sentidos do texto.</p><p>Com esses aspectos o professor de língua inglesa deve abranger seu repertório intelectual o estudo</p><p>de texto,organizando todos os marcadores de discurso que possam levá-lo as bases enunciativas. Para</p><p>orientar tal empreendimento, as regras explícitas de investigação linguística poderá ser ajustado, tais</p><p>como: O professor deve define as unidades básicas de ações, e o domínio como domínio de ação. Os</p><p>itens linguísticos, recursos ou formas são interpretados e classificados de acordo com sua relevância</p><p>para o desempenho das ações.</p><p>Todas as entidades estruturadas (frases, sentenças, textos. Etc.) devem ser estudados em termos de</p><p>como eles são criados e utilizados em eventos comunicativos. As prospectivas "Regras" devem ser</p><p>fixadas como procedimentos para usá-los. Afirmando abertamente como e por que o inquérito é seletivo</p><p>e limitado, e que interesses e motivações da pesquisa está servindo. Sem conjunto único de limitações</p><p>e seleções podem ser definitiva; outras necessidades podem estabelecer outros conjuntos. A evidência</p><p>não pode ser inventada, mas recolhidas a partir de discurso empiricamente real.</p><p>A interdisciplinaridade é reconhecida como essencial para a validade mais ampla das conclusões par-</p><p>ticulares. Em tal inquérito, qualquer teoria deverá ser expressamente identificada como um conjunto de</p><p>decisões sobre como descobrir e usar evidências. Objetos científicos compartilhados abertamente re-</p><p>conhecidos como um efeito derivado dos motivos e condições para investigação linguística. E os pro-</p><p>cessos pelos quais o efeito é derivado seria uma parte adequada do inquérito.</p><p>Cada estudo particular do discurso seria tanto mais e menos do que uma descrição da linguagem como</p><p>um sistema abstrato: mais porque a constituição do discurso é baseada em outros fatores além do</p><p>sistema abstrato.</p><p>A evidência empírica de atividades espontâneas seria usada para não só para testar hipóteses indivi-</p><p>duais, mas também para delimitar a extensão e as condições de vários domínios do discurso, para que</p><p>novos inquéritos podem ser adequadamente concebidos.</p><p>A descoberta de formas, recursos e estruturas seria controlada por interesses e predisposições episte-</p><p>mológicas claramente definidas. O que é que o contexto cria quando citando um exemplo linguístico</p><p>em uma discussão? A "hipótese nula" seria: no contexto: o exemplo é e continuar a ser o que é (uma</p><p>palavra, frase, texto, etc;) mesmo se completamente removido de todos os usos reais.</p><p>As esta hipótese é claramente insuficiente, porque uma discussão linguística é em si um contexto in-</p><p>fluenciado pelo conhecimento, experiência e objetivos do professor. E o exemplo é destinado (e muitas</p><p>vezes inventado) para algo 'show', para justificar ou refutar alguma afirmação. O professor deverá então</p><p>criar um contexto mínimo uniforme para os seus exemplos. A contribuição de contexto poderia ser tão</p><p>pequena quanto possível. Essa hipótese também parece vulnerável, tendo em vista o fato de que os</p><p>linguistas podem discordar de forma tão dramática sobre o que é um determinado exemplo.</p><p>COERÊNCIA E ELEMENTOS DE COESÃO</p><p>13 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Determinar qual destas hipóteses é válida, é urgente, uma vez que a validade, generalidade, e cumu-</p><p>latividade de todo o empreendimento da linguística estão na balança. Temos de explorar a forma como</p><p>o texto-fragmento é constituído dentro do tipo de texto. Certamente um método perspicaz de estudos</p><p>textual deve oferecer assistência chave para esclarecer esta questão.</p><p>Enfatizando o desenvolvimento de vários paradigmas para o estudo de como frases se interligam. A LT</p><p>chama a atenção para os vários dispositivos linguísticos que podem ser usados para garantir que um</p><p>texto "se encaixa". Tais dispositivos são chamados "mecanismos de coesão ou laços de coesão" e</p><p>inclui o uso de repetição lexical, a utilização de artigos, pronomes pessoais, para se referir a entidades</p><p>mencionadas anteriormente no texto e a utilização de palavras de ligação para estabelecer uma relação</p><p>lógica particular de, por exemplo, o contraste, concessão ou adição entre duas ou mais frases de um</p><p>texto. O desenvolvimento de uma tipologia do tipo textual. A classificação mais comumente conhecida</p><p>é que a variação tipológica pode ser reduzida a cinco tipos funcionais: os textos argumentativos, textos</p><p>narrativos, textos descritivos, textos expositivos e textos instrutivos.</p><p>Em algumas versões dessa teoria, os cinco tipos tendem a ser vistos como estratégias de textualização.</p><p>Podendo então ser possível incorporar diferentes partes de diferentes tipos de texto que são abrangidos</p><p>pelas diferentes posições funcionais em um único texto; um romance pode ser constituído por episódios</p><p>descritivo, narrativo e argumentativo, um editorial do jornal é susceptível de conter narrativa e peças</p><p>argumentativos.</p><p>Paro o estudo de sequência textual que está preocupado com a forma como sentenças funcionam</p><p>interligadas dentro de determinado esquema retórico; tipos de sequência textual, tais como top-down e</p><p>bottom-up métodos de processo; um exemplo do primeiro caso é uma sequência que consiste de uma</p><p>reivindicação geral → uma aplicação específica → listar argumentos → dando exemplos; um exemplo</p><p>de um bottom-up é o modo de proceder: um exemplo→ Análise→ exemplo próximo → Análise→ a</p><p>conclusão.</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>INTERTEXTUALIDADE</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Intertextualidade</p><p>A intertextualidade é a presença textual de elementos semânticos e/ou formais que se referem a outros</p><p>textos produzidos anteriormente. Ela pode se manifestar de modo explícito, permitindo que o leitor</p><p>identifique a presença de outros textos, ou de modo implícito, sendo identificada somente por quem já</p>
<p>conhece a referência.</p><p>Por meio dessa relação entre diferentes textos, a intertextualidade permite uma ampliação do sentido,</p><p>na medida em que cria novas possibilidades e desloca sentidos. Desse modo, ela pode ser utilizada</p><p>para melhorar uma explicação, apresentar uma crítica, propor uma nova perspectiva, produzir humor</p><p>etc.</p><p>A intertextualidade se refere à presença de elementos formais ou semânticos de textos, já produzidos,</p><p>em uma nova produção textual. Em outras palavras, refere-se aos textos que apresentam, integral ou</p><p>parcialmente, partes semelhantes ou idênticas de outros textos produzidos anteriormente.</p><p>Essa intertextualidade pode ser indicada explicitamente no texto ou pode vir “disfarçada” pela lingua-</p><p>gem do autor. Em todo caso, para que o sentido da relação estabelecida seja compreendido, o leitor</p><p>precisa identificar as marcas intertextuais e, em alguns casos, conhecer e compreender o texto anterior.</p><p>Em trabalhos científicos, como artigos e dissertações, é comum haver citação de ideias ou informações</p><p>de outros textos. A citação pode ser direta, cópia integral do trecho necessário, ou indireta, quando se</p><p>explica a informação desejada com suas próprias palavras. As duas formas compreendem a intertex-</p><p>tualidade, pois aproveitam ideias já produzidas para contribuir com as novas informações.</p><p>A intertextualidade também pode ocorrer no nível formal, quando o autor repete elementos da estrutura</p><p>anterior, mas altera outros aspectos, construindo, com isso, um novo texto, com ligações explícitas com</p><p>a produção anterior. É muito comum nos gêneros artísticos, como poesia e música, em textos publici-</p><p>tários etc.</p><p>Tipos De Intertextualidade</p><p>Alusão – é o ato de indicar ou insinuar um texto anterior sem, no entanto, aprofundar-se nele. Esse</p><p>método de intertextualidade apresenta de forma superficial e objetiva informações, ideias ou outros</p><p>dados presentes em texto ou textos anteriores.</p><p>Exemplo: Como diria o poeta, amanhã é outro dia.</p><p>Paródia – é o tipo de intertextualidade em que se apresenta uma estrutura semelhante à de um texto</p><p>anterior, mas com mudanças que interferem e/ou subvertem o sentido do texto, o qual passa a apre-</p><p>sentar forte teor crítico, cômico e/ou sátiro. Desse modo, além de construir-se um novo texto, com</p><p>semelhanças a um anterior, procura-se também evidenciar uma mudança de sentido.</p><p>Exemplo:</p><p>“Minha terra tem macieiras da Califórnia</p><p>onde cantam gaturanos de Veneza.</p><p>Os poetas da minha terra</p><p>são pretos que vivem em torres de ametista,</p><p>os sargentos do exército são monistas, cubistas,</p><p>os filósofos são polacos vendendo a prestações.</p><p>A gente não pode dormir</p><p>com os oradores e os pernilongos.</p><p>Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda</p><p>Eu morro sufocado</p><p>em terra estrangeira.</p><p>Nossas flores são mais bonitas</p><p>nossas frutas mais gostosas</p><p>mas custam cem mil réis a dúzia.</p><p>Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade</p><p>e ouvir um sabiá com certidão de idade!”</p><p>INTERTEXTUALIDADE</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Murilo Mendes</p><p>Paródia da “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias</p><p>Paráfrase – é o processo de intertextualidade no qual o sentido do texto original é reafirmado, porém</p><p>com pouca ou nenhuma semelhança estrutural. Nesse tipo, o intuito é reescrever o assunto do texto</p><p>original, aproveitando principalmente os elementos semânticos já existentes, para produzir uma nova</p><p>linguagem com o mesmo tema.</p><p>Exemplo:</p><p>“Meus olhos brasileiros se fecham saudosos</p><p>Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.</p><p>Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?</p><p>Eu tão esquecido de minha terra…</p><p>Ai terra que tem palmeiras</p><p>Onde canta o sabiá!”</p><p>Carlos Drummond de Andrade</p><p>Paráfrase da “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias</p><p>Epígrafe – é a reprodução de um pequeno trecho do texto original no início de um novo texto. Ela,</p><p>comumente, vem alocada no início da página, no canto direito e em itálico. Apesar de ser um trecho</p><p>“solto”, a epígrafe sempre tem uma relação com o conteúdo do novo texto.</p><p>“Apesar de você</p><p>amanhã há de ser</p><p>outro dia.”</p><p>Chico Buarque</p><p>Citação – é quando o autor referencia outro texto por ter pertinência e relevância com o conteúdo do</p><p>novo texto. A citação pode ocorrer de forma direta, quando se copia o trecho na íntegra e o destaca</p><p>entre aspas, ou pode ser indireta, quando se afirma o que o autor do texto original disse, mas expli-</p><p>cando os conceitos com novas palavras, relacionando a abordagem com o novo conteúdo.</p><p>Segundo Sócrates, “Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância”, logo, de nada adi-</p><p>anta ter acúmulo de informações, quando não se aplica a autocrítica e a reflexão como ferramentas de</p><p>reconhecimento das potências e limites do nosso conhecimento.</p><p>Diferenças entre intertextualidade implícita e intertextualidade explícita</p><p>A intertextualidade pode se expressar de dois modos: implícito ou explícito. O modo implícito enquadra</p><p>as produções que, apesar de referenciarem informações, conceitos e dados já apresentados por textos</p><p>anteriores, não o farão com cópias integrais nem com indicação explícita.</p><p>Assim como a paráfrase de Drummond, a intertextualidade implícita cita sem evidenciar ou anunciar.</p><p>Caso o leitor não conheça o texto anterior, pode encontrar dificuldades de perceber alguma relação</p><p>estabelecida.</p><p>Já a intertextualidade explícita é aquela que se expressa diretamente na superfície textual, ou seja,</p><p>apresenta semelhanças ou cópia de trechos do texto original. Nesse processo, mesmo que o autor não</p><p>conheça o primeiro texto, ele identificará, ao menos, que existe uma referência a outra produção.</p><p>Exemplos de intertextualidade</p><p>A intertextualidade é presente em diferentes gêneros textuais, mas tem um espaço privilegiado nos</p><p>gêneros artísticos. Nesses contextos, ela é utilizada, também, como ferramenta de inspiração e criati-</p><p>vidade, pois provoca uma ressignificação de textos já conhecidos, em novos contextos. Segue alguns</p><p>exemplos de intertextualidade em gêneros textuais artísticos:</p><p>INTERTEXTUALIDADE</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Na música:</p><p>“De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda</p><p>De Michael Jackson, nem a Billie Jean</p><p>De Jimi Hendrix, nem a doce Angel</p><p>Nem Ângela nem Lígia, de Jobim</p><p>Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz</p><p>Das doze deusas de Edu e Chico</p><p>Até das trinta Leilas de Donato</p><p>E de Layla, de Clapton, eu abdico</p><p>Só você,</p><p>Canto e toco só você</p><p>Só você</p><p>Que nem você ninguém mais pode haver”</p><p>(Lenine)</p><p>A música do cantor brasileiro Lenine apresenta uma declaração de amor do eu lírico à sua musa inspi-</p><p>radora. Na letra, o poeta faz referência a diferentes musas, já reconhecidas socialmente, que são ins-</p><p>pirações de outros, mas não dele, pois a sua única musa é sua amada, verdade confirmada em “só</p><p>você”, contrapondo-se à enumeração de musas referenciadas.</p><p>Na literatura:</p><p>“Minha terra tem palmares</p><p>onde gorjeia o mar</p><p>Os passarinhos daqui</p><p>Não cantam como os de lá</p><p>Minha terra tem mais rosas</p><p>E quase que mais amores</p><p>Minha terra tem mais ouro</p><p>Minha terra tem mais terra”</p><p>(Oswald de Andrade)</p><p>No segundo exemplo, poema de Oswald de Andrade, encontramos a intertextualidade com o poema</p><p>“Canção do Exílio”, publicado anteriormente pelo poeta Gonçalves Dias. O segundo texto apresenta</p><p>elementos que evidenciam essa relação, como a repetição de expressões como “Minha terra”, "pal-</p><p>mares”, “gorjeia”, “daqui”, “lá”.</p><p>Em textos visuais:</p><p>INTERTEXTUALIDADE</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>A Mona Lisa é um dos textos que mais apresenta releituras, exemplificando a relação de pontos de</p><p>intertextualidade com a obra original. Nas duas imagens anteriores, é possível reconhecer a referência</p><p>ao quadro de Leonardo da Vinci — a posição das mãos, a paleta de cores, o cabelo, a posição do</p><p>corpo, entre outros detalhes.</p>
<p>Percebe-se que, mesmo com tantas semelhanças, os dois textos apre-</p><p>sentam novos sentidos para a imagem, cada um com sua assinatura específica.</p><p>A intertextualidade é um recurso realizado entre textos, ou seja, é a influência e relação que um esta-</p><p>belece sobre o outro. Assim, determina o fenômeno relacionado ao processo de produção de textos</p><p>que faz referência (explícita ou implícita) aos elementos existentes em outro texto, seja a nível de con-</p><p>teúdo, forma ou de ambos: forma e conteúdo.</p><p>Grosso modo, a intertextualidade é o diálogo entre textos, de forma que essa relação pode ser estabe-</p><p>lecida entre as produções textuais que apresentem diversas linguagens (visual, auditiva, escrita), sendo</p><p>expressa nas artes (literatura, pintura, escultura, música, dança, cinema), propagandas publicitárias,</p><p>programas televisivos, provérbios, charges, dentre outros.</p><p>Tipos De Intertextualidade</p><p>Há muitas maneiras de realizar a intertextualidade sendo que os tipos de intertextualidade mais comuns</p><p>são:</p><p>Paródia: perversão do texto anterior que aparece geralmente, em forma de crítica irônica de caráter</p><p>humorístico. Do grego (parodès) a palavra “paródia” é formada pelos termos “para” (semelhante) e</p><p>“odes” (canto), ou seja, “um canto (poesia) semelhante à outra”. Esse recurso é muito utilizado pelos</p><p>programas humorísticos.</p><p>Paráfrase: recriação de um texto já existente mantendo a mesma ideia contida no texto original, entre-</p><p>tanto, com a utilização de outras palavras. O vocábulo “paráfrase”, do grego (paraphrasis), significa a</p><p>“repetição de uma sentença”.</p><p>Epígrafe: recurso bastante utilizado em obras, textos científicos, desde artigos, resenhas, monografias,</p><p>uma vez que consiste no acréscimo de uma frase ou parágrafo que tenha alguma relação com o que</p><p>será discutido no texto. Do grego, o termo “epígrafhe” é formado pelos vocábulos “epi” (posição supe-</p><p>rior) e “graphé” (escrita). Como exemplo podemos citar um artigo sobre Patrimônio Cultural e a epígrafe</p><p>do filósofo Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.): "A cultura é o melhor conforto para a velhice".</p><p>Citação: Acréscimo de partes de outras obras numa produção textual, de forma que dialoga com ele;</p><p>geralmente vem expressa entre aspas e itálico, já que se trata da enunciação de outro autor. Esse</p><p>recurso é importante haja vista que sua apresentação sem relacionar a fonte utilizada é considerado</p><p>“plágio”. Do Latim, o termo “citação” (citare) significa convocar.</p><p>Alusão: Faz referência aos elementos presentes em outros textos. Do Latim, o vocábulo “alusão” (allu-</p><p>dere) é formado por dois termos: “ad” (a, para) e “ludere” (brincar).</p><p>Outras formas de intertextualidade são o pastiche, o sample, a tradução e a bricolagem.</p><p>Exemplos</p><p>Segue abaixo alguns exemplos de intertextualidade na literatura e na música:</p><p>Intertextualidade Na Literatura</p><p>Fenômeno recorrente nas produções literárias, segue alguns exemplos de intertextualidade.</p><p>O poema de Casimiro de Abreu (1839-1860), “Meus oito anos”, escrito no século XIX, é um dos textos</p><p>que gerou inúmeros exemplos de intertextualidade, como é o caso da paródia de Oswald de Andrade</p><p>“Meus oito anos”, escrito no século XX:</p><p>Texto Original</p><p>“Oh! que saudades que tenho</p><p>Da aurora da minha vida,</p><p>Da minha infância querida</p><p>INTERTEXTUALIDADE</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Que os anos não trazem mais!</p><p>Que amor, que sonhos, que flores,</p><p>Naquelas tardes fagueiras</p><p>À sombra das bananeiras,</p><p>Debaixo dos laranjais!”</p><p>(Casimiro de Abreu, “Meus oito anos”)</p><p>Paródia</p><p>“Oh que saudades que eu tenho</p><p>Da aurora de minha vida</p><p>Das horas</p><p>De minha infância</p><p>Que os anos não trazem mais</p><p>Naquele quintal de terra!</p><p>Da rua de Santo Antônio</p><p>Debaixo da bananeira</p><p>Sem nenhum laranjais”</p><p>(Oswald de Andrade)</p><p>Outro exemplo é o poema de Gonçalves Dias (1823-1864) intitulado Canção do Exílio o qual já rendeu</p><p>inúmeras versões. Dessa forma, segue um dos exemplos de paródia, o poema de Oswald de Andrade</p><p>(1890-1954), e de paráfrase com o poema de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987):</p><p>Texto Original</p><p>“Minha terra tem palmeiras</p><p>Onde canta o sabiá,</p><p>As aves que aqui gorjeiam</p><p>Não gorjeiam como lá.”</p><p>(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”)</p><p>Paródia</p><p>“Minha terra tem palmares</p><p>onde gorjeia o mar</p><p>os passarinhos daqui</p><p>não cantam como os de lá.”</p><p>(Oswald de Andrade, “Canto de regresso à pátria”)</p><p>Paráfrase</p><p>“Meus olhos brasileiros se fecham saudosos</p><p>Minha wboca procura a ‘Canção do Exílio’.</p><p>Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?</p><p>Eu tão esquecido de minha terra...</p><p>Ai terra que tem palmeiras</p><p>Onde canta o sabiá!”</p><p>(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”)</p><p>Intertextualidade Na Música</p><p>Há muitos casos de intertextualidade nas produções musicais, veja alguns exemplos:</p><p>A música “Monte Castelo” da banda legião urbana cita os versículos bíblicos 1 e 4, encontrados no livro</p><p>de Coríntios, no capítulo 13: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse</p><p>amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine” e “O amor é sofredor, é benigno; o amor</p><p>não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece”.</p><p>INTERTEXTUALIDADE</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Além disso, nessa mesma canção, ele cita os versos do escritor português Luís Vaz de Camões (1524-</p><p>1580), encontradas na obra “Sonetos” (soneto 11):</p><p>“Amor é um fogo que arde sem se ver;</p><p>É ferida que dói, e não se sente;</p><p>É um contentamento descontente;</p><p>É dor que desatina sem doer.</p><p>É um não querer mais que bem querer;</p><p>É um andar solitário entre a gente;</p><p>É nunca contentar-se e contente;</p><p>É um cuidar que ganha em se perder;</p><p>É querer estar preso por vontade;</p><p>É servir a quem vence, o vencedor;</p><p>É ter com quem nos mata, lealdade.</p><p>Mas como causar pode seu favor</p><p>Nos corações humanos amizade,</p><p>Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”</p><p>Igualmente, a música “GoBack” do grupo musical Titãs, cita o poema “Farewell” do escritor chileno</p><p>Pablo Neruda (1904-1973):</p><p>“Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,</p><p>ya no se endulzará junto a ti mi dolor.</p><p>Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada</p><p>y hacia donde camines llevarás mi dolor.</p><p>Fui tuyo, fuiste mía. ¿Qué más? Juntos hicimos</p><p>un recodo en la ruta donde el amor pasó.</p><p>Fui tuyo, fuiste mía. Tú serás del que te ame,</p><p>del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.</p><p>Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.</p><p>Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.</p><p>...Desde tu corazón me dice adiós un niño.</p><p>Y yo le digo adiós.”</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Classes De Palavras</p><p>Bom, a língua portuguesa é um rico objeto de estudo</p>
<p>– você certamente já percebeu isso. Por apre-</p><p>sentar tantas especificidades, é natural que ela fosse dividida em diferentes áreas, o que facilita sua</p><p>análise. Entre essas áreas, está a Morfologia, que é o estudo da estrutura, da formação e da classifi-</p><p>cação das palavras. Na Morfologia, as palavras são estudadas isoladamente, desconsiderando-se a</p><p>função que exercem dentro da frase ou do período, estudo realizado pela Sintaxe. Nos estudos morfo-</p><p>lógicos, as palavras estão agrupadas em dez classes, que podem ser chamadas de classes de palavras</p><p>ou classes gramaticais. São elas:</p><p>Substantivo: palavra que dá nome aos seres em geral, podendo nomear também ações, conceitos</p><p>físicos, afetivos e socioculturais, entre outros que não podem ser considerados “seres” no sentido literal</p><p>da palavra;</p><p>Artigo: palavra que se coloca antes do substantivo para determiná-lo de modo particular (definido) ou</p><p>geral (indefinido);</p><p>Adjetivo: palavra que tem por função expressar características, qualidades ou estados dos seres;</p><p>Numeral: palavra que exprime uma quantidade definida, exata de seres (pessoas, coisas etc.), ou a</p><p>posição que um ser ocupa em determinada sequência;</p><p>Pronome: palavra que substitui ou acompanha um substantivo (nome), definindo-lhe os limites de sig-</p><p>nificação;</p><p>Verbo: palavra que, por si só, exprime um fato (em geral, ação, estado ou fenômeno) e localiza-o no</p><p>tempo;</p><p>Advérbio: palavra invariável que se relaciona com o verbo para indicar as circunstâncias (de tempo, de</p><p>lugar, de modo etc.) em que ocorre o fato verbal;</p><p>Preposição: palavra invariável que liga duas outras palavras, estabelecendo entre elas determinadas</p><p>relações de sentido e dependência;</p><p>Conjunção: palavra invariável que liga duas orações ou duas palavras de mesma função em uma ora-</p><p>ção;</p><p>Interjeição: palavra (ou conjunto de palavras) que, de forma intensa e instantânea, exprime sentimen-</p><p>tos, emoções e reações psicológicas.</p><p>A classificação das palavras sofreu alterações ao longo do tempo, o que é normal, haja vista que a</p><p>língua é mutável, isto é, sofre alterações e adaptações de acordo com as necessidades dos falantes.</p><p>Classificar uma palavra não é tarefa fácil, porém, possível, prova disso é que na língua portuguesa</p><p>todos os vocábulos estão incluídos dentro de uma das dez classes de palavras. Conhecer a gramática</p><p>que rege nosso idioma é fundamental para aprimorarmos a comunicação. Foi por essa razão que o</p><p>Brasil Escola preparou uma seção voltada ao estudo das classes gramaticais. Nela você encontrará</p><p>diversos artigos que explicarão a morfologia da língua de maneira simples e direta por meio de textos</p><p>e variados exemplos.</p><p>A primeira gramática do ocidente foi de autoria de Dionísio de Trácia, que identificava oito partes do</p><p>discurso: nome, verbo, particípio, artigo, preposição, pronome, advérbio e conjunção. Atualmente, são</p><p>reconhecidas dez classes gramaticais pela maioria dos gramáticos: substantivo, adjetivo, advérbio,</p><p>verbo, conjunção, interjeição, preposição, artigo, numeral e pronome.</p><p>Como podemos observar, houve alterações ao longo do tempo quanto às classes de palavras. Isso</p><p>acontece porque a nossa língua é viva, e portanto vem sendo alterada pelos seus falantes o tempo</p><p>todo, ou seja, nós somos os responsáveis por estas mudanças que já ocorreram e pelas que ainda vão</p><p>ocorrer. Classificar uma palavra não é fácil, mas atualmente todas as palavras da língua portuguesa</p><p>estão incluídas dentro de uma das dez classes gramaticais dependendo das suas características. A</p><p>parte da gramática que estuda as classes de palavras é a MORFOLOGIA (morfo = forma, logia = es-</p><p>tudo), ou seja, o estudo da forma.</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Na morfologia, portanto, não estudamos as relações entre as palavras, o contexto em que são empre-</p><p>gadas, ou outros fatores que podem influenciá-la, mas somente a forma da palavra.</p><p>Há discordância entre os gramáticos quanto a algumas definições ou características das classes gra-</p><p>maticais, mas podemos destacar as principais características de cada classe de palavras:</p><p>SUBSTANTIVO – é dita a classe que dá nome aos seres, mas não nomeia somente seres, como tam-</p><p>bém sentimentos, estados de espírito, sensações, conceitos filosóficos ou políticos, etc.</p><p>Exemplo: Democracia, Andréia, Deus, cadeira, amor, sabor, carinho, etc.</p><p>ARTIGO – classe que abriga palavras que servem para determinar ou indeterminar os substantivos,</p><p>antecedendo-os.</p><p>Exemplo: o, a, os, as, um, uma, uns, umas.</p><p>ADJETIVO – classe das características, qualidades. Os adjetivos servem para dar características aos</p><p>substantivos.</p><p>Exemplo: querido, limpo, horroroso, quente, sábio, triste, amarelo, etc.</p><p>PRONOME – Palavra que pode acompanhar ou substituir um nome (substantivo) e que determina a</p><p>pessoa do discurso.</p><p>Exemplo: eu, nossa, aquilo, esta, nós, mim, te, eles, etc.</p><p>VERBO – palavras que expressam ações ou estados se encontram nesta classe gramatical.</p><p>Exemplo: fazer, ser, andar, partir, impor, etc.</p><p>ADVÉRBIO – palavras que se associam a verbos, adjetivos ou outros advérbios, modificando-os.</p><p>Exemplo: não, muito, constantemente, sempre, etc.</p><p>NUMERAL – como o nome diz, expressam quantidades, frações, múltiplos, ordem.</p><p>Exemplo: primeiro, vinte, metade, triplo, etc.</p><p>PREPOSIÇÃO – Servem para ligar uma palavra à outra, estabelecendo relações entre elas.</p><p>Exemplo: em, de, para, por, etc.</p><p>CONJUNÇÃO – São palavras que ligam orações, estabelecendo entre elas relações de coordenação</p><p>ou subordinação.</p><p>Exemplo: porém, e, contudo, portanto, mas, que, etc.</p><p>INTERJEIÇÃO – Contesta-se que esta seja uma classe gramatical como as demais, pois algumas de</p><p>suas palavras podem ter valor de uma frase. Mesmo assim, podemos definir as interjeições como pa-</p><p>lavras ou expressões que evocam emoções, estados de espírito.</p><p>Exemplo: Nossa! Ave Maria! Uau! Que pena! Oh!</p><p>Segundo um estudo morfológico da língua portuguesa, as palavras podem ser analisadas e cataloga-</p><p>das em dez classes de palavras ou classes gramaticais distintas, sendo elas: substantivo, artigo, adje-</p><p>tivo, pronome, numeral, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição.</p><p>Substantivo</p><p>Substantivos são palavras que nomeiam seres, lugares, qualidades, sentimentos, noções, entre outros.</p><p>Podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e grau (diminutivo,</p><p>normal, aumentativo). Exercem sempre a função de núcleo das funções sintáticas onde estão inseridos</p><p>(sujeito, objeto direto, objeto indireto e agente da passiva).</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Substantivos simples</p><p>• Casa;</p><p>• Amor;</p><p>• Roupa;</p><p>• Livro;</p><p>• Felicidade.</p><p>Substantivos compostos</p><p>• Passatempo;</p><p>• Arco-íris;</p><p>• Beija-flor;</p><p>• Segunda-feira;</p><p>• Malmequer.</p><p>Substantivos primitivos</p><p>• Folha;</p><p>• Chuva;</p><p>• Algodão;</p><p>• Pedra;</p><p>• Quilo.</p><p>Substantivos derivados</p><p>• Território;</p><p>• Chuvada;</p><p>• Jardinagem;</p><p>• Açucareiro;</p><p>• Livraria.</p><p>Substantivos próprios</p><p>• Flávia;</p><p>• Brasil;</p><p>• Carnaval;</p><p>• Nilo;</p><p>• Serra da Mantiqueira.</p><p>Substantivos comuns</p><p>• Mãe;</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• Computador;</p><p>• Papagaio;</p><p>• Uva;</p><p>• Planeta.</p><p>Substantivos coletivos</p><p>• Rebanho;</p><p>• Cardume;</p><p>• Pomar;</p><p>• Arquipélago;</p><p>• Constelação.</p><p>Substantivos concretos</p><p>• Mesa;</p><p>• Cachorro;</p><p>• Samambaia;</p><p>• Chuva;</p><p>• Felipe.</p><p>Substantivos abstratos</p><p>• Beleza;</p><p>• Pobreza;</p><p>• Crescimento;</p><p>• Amor;</p><p>• Calor.</p><p>Substantivos comuns de dois gêneros</p><p>• O estudante / a estudante;</p><p>• O jovem / a jovem;</p><p>• O artista / a artista.</p><p>Substantivos sobrecomuns</p><p>• A vítima;</p><p>• a pessoa;</p><p>• a criança;</p><p>• o gênio;</p><p>• o indivíduo.</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Substantivos Epicenos</p><p>• a formiga;</p><p>• o crocodilo;</p><p>• a mosca;</p><p>• a baleia;</p><p>• o besouro.</p><p>Substantivos De Dois Números</p><p>• o lápis / os lápis;</p><p>• o tórax / os tórax;</p><p>• a práxis / as práxis.</p><p>Artigo</p><p>Artigos são palavras que antecedem os substantivos,</p>
<p>determinando a definição ou a indefinição dos</p><p>mesmos. Sendo flexionados em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural), indicam</p><p>também o gênero e o número dos substantivos que determinam.</p><p>Artigos Definidos</p><p>• o;</p><p>• a;</p><p>• os;</p><p>• as.</p><p>Artigos Indefinidos</p><p>• um;</p><p>• uma;</p><p>• uns;</p><p>• umas.</p><p>Adjetivo</p><p>Adjetivos são palavras que caracterizam um substantivo, conferindo-lhe uma qualidade, característica,</p><p>aspecto ou estado. Podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino), número (singular e plural)</p><p>e grau (normal, comparativo, superlativo).</p><p>Adjetivos Simples</p><p>• vermelha;</p><p>• lindo;</p><p>• zangada;</p><p>• branco.</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Adjetivos Compostos</p><p>• verde-escuro;</p><p>• amarelo-canário;</p><p>• franco-brasileiro;</p><p>• mal-educado.</p><p>Adjetivo primitivo</p><p>• feliz;</p><p>• bom;</p><p>• azul;</p><p>• triste;</p><p>• grande.</p><p>Adjetivo Derivado</p><p>• magrelo;</p><p>• avermelhado;</p><p>• apaixonado.</p><p>Adjetivos Biformes</p><p>• bonito;</p><p>• alta;</p><p>• rápido;</p><p>• amarelas;</p><p>• simpática.</p><p>Adjetivos Uniformes</p><p>• competente;</p><p>• fácil;</p><p>• verdes;</p><p>• veloz;</p><p>• comum.</p><p>Adjetivos Pátrios</p><p>• paulista;</p><p>• cearense;</p><p>• brasileiro;</p><p>• italiano;</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• romeno.</p><p>Pronome</p><p>Pronomes são palavras que substituem o substantivo numa frase (pronomes substantivos) ou que</p><p>acompanham, determinam e modificam os substantivos, atribuindo particularidades e características</p><p>aos mesmos (pronomes adjetivos). Podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino), número</p><p>(singular e plural) e pessoa (1.ª, 2.ª ou 3.ª pessoa do discurso).</p><p>Pronomes Pessoais Retos</p><p>• eu;</p><p>• tu;</p><p>• ele;</p><p>• nós;</p><p>• vós;</p><p>• eles.</p><p>Pronomes Pessoais Oblíquos</p><p>• me;</p><p>• mim;</p><p>• comigo;</p><p>• o;</p><p>• a;</p><p>• se;</p><p>• conosco;</p><p>• vos.</p><p>Pronomes Pessoais De Tratamento</p><p>• você;</p><p>• senhor;</p><p>• Vossa Excelência;</p><p>• Vossa Eminência.</p><p>Pronomes Possessivos</p><p>• meu;</p><p>• tua;</p><p>• seus;</p><p>• nossas;</p><p>• vosso;</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• sua.</p><p>Pronomes Demonstrativos</p><p>• este;</p><p>• essa;</p><p>• aquilo;</p><p>• o;</p><p>• a;</p><p>• tal.</p><p>Pronomes Interrogativos</p><p>• que;</p><p>• quem;</p><p>• qual;</p><p>• quanto.</p><p>Pronomes Relativos</p><p>• que;</p><p>• quem;</p><p>• onde;</p><p>• a qual;</p><p>• cujo;</p><p>• quantas.</p><p>Pronomes Indefinidos</p><p>• algum;</p><p>• nenhuma;</p><p>• todos;</p><p>• muitas;</p><p>• nada;</p><p>• algo.</p><p>Numeral</p><p>Numerais são palavras que indicam quantidades de pessoas ou coisas, bem como a ordenação de</p><p>elementos numa série. Alguns numerais podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino) e</p><p>número (singular e plural), outros são invariáveis.</p><p>Numerais Cardinais</p><p>• um;</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>9 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• sete;</p><p>• vinte e oito;</p><p>• cento e noventa;</p><p>• mil.</p><p>Numerais Ordinais</p><p>• primeiro;</p><p>• vigésimo segundo;</p><p>• nonagésimo;</p><p>• milésimo.</p><p>Numerais Multiplicativo</p><p>• duplo;</p><p>• triplo;</p><p>• quádruplo;</p><p>• quíntuplo.</p><p>Numerais Fracionários</p><p>• um meio;</p><p>• um terço;</p><p>• três décimos.</p><p>Numerais Coletivos</p><p>• dúzia;</p><p>• cento;</p><p>• dezena;</p><p>• quinzena.</p><p>Verbo</p><p>Verbos são palavras que indicam, principalmente, uma ação. Podem indicar também uma ocorrência,</p><p>um estado ou um fenômeno. Podem ser flexionados em número (singular e plural), pessoa (1.ª, 2.ª ou</p><p>3.ª pessoa do discurso), modo (indicativo, subjuntivo e imperativo), tempo (passado, presente e futuro),</p><p>aspecto (incoativo, cursivo e conclusivo) e voz (ativa, passiva e reflexiva).</p><p>Verbos Regulares</p><p>• cantar;</p><p>• amar;</p><p>• vender;</p><p>• prender;</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>10 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• partir;</p><p>• abrir.</p><p>Verbos Irregulares</p><p>• medir;</p><p>• fazer;</p><p>• ouvir;</p><p>• haver;</p><p>• poder;</p><p>• crer.</p><p>Verbos Anômalos</p><p>• ser;</p><p>• ir.</p><p>Verbos Principais</p><p>• comer;</p><p>• dançar;</p><p>• saltar;</p><p>• escorregar;</p><p>• sorrir;</p><p>• rir.</p><p>Verbos Auxiliares</p><p>• ser;</p><p>• estar;</p><p>• ter;</p><p>• haver;</p><p>• ir.</p><p>Verbos de Ligação</p><p>• ser;</p><p>• estar;</p><p>• parecer;</p><p>• ficar;</p><p>• tornar-se;</p><p>• continuar;</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>11 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• andar;</p><p>• permanecer.</p><p>Verbos Defectivos</p><p>• falir;</p><p>• banir;</p><p>• reaver;</p><p>• colorir;</p><p>• demolir;</p><p>• adequar.</p><p>Verbos Impessoais</p><p>• haver;</p><p>• fazer;</p><p>• chover;</p><p>• nevar;</p><p>• ventar;</p><p>• anoitecer;</p><p>• escurecer.</p><p>Verbos Unipessoais</p><p>• latir;</p><p>• miar;</p><p>• cacarejar;</p><p>• mugir;</p><p>• convir;</p><p>• custar;</p><p>• acontecer.</p><p>Verbos Abundantes</p><p>• aceitado / aceito;</p><p>• ganhado / ganho;</p><p>• pagado / pago.</p><p>Verbos Pronominais Essenciais</p><p>• arrepender-se;</p><p>• suicidar-se;</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>12 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• zangar-se;</p><p>• queixar-se;</p><p>• abster-se;</p><p>• dignar-se.</p><p>Verbos Pronominais Acidentais</p><p>• pentear / pentear-se;</p><p>• sentar / sentar-se;</p><p>• enganar / enganar-se</p><p>• debater / debater-se.</p><p>Advérbio</p><p>Advérbios são palavras que modificam um verbo, um adjetivo ou um advérbio, indicando uma circuns-</p><p>tância (tempo, lugar, modo, intensidade, …). São invariáveis, não sendo flexionadas em gênero e nú-</p><p>mero. Contudo, alguns advérbios podem ser flexionados em grau.</p><p>Advérbio de lugar</p><p>• aqui;</p><p>• ali;</p><p>• atrás;</p><p>• longe;</p><p>• perto;</p><p>• embaixo.</p><p>Advérbio de Tempo</p><p>• hoje;</p><p>• amanhã;</p><p>• nunca;</p><p>• cedo;</p><p>• tarde;</p><p>• antes.</p><p>Advérbio De Modo</p><p>• bem;</p><p>• mal;</p><p>• rapidamente;</p><p>• devagar;</p><p>• calmamente;</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>13 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• pior.</p><p>Advérbio De Afirmação</p><p>• sim;</p><p>• certamente;</p><p>• certo;</p><p>• decididamente.</p><p>Advérbio De Negação</p><p>• não;</p><p>• nunca;</p><p>• jamais;</p><p>• nem;</p><p>• tampouco.</p><p>Advérbio De Dúvida</p><p>• talvez;</p><p>• quiçá;</p><p>• possivelmente;</p><p>• provavelmente;</p><p>• porventura.</p><p>Advérbio de Intensidade</p><p>• muito;</p><p>• pouco;</p><p>• tão;</p><p>• bastante;</p><p>• menos;</p><p>• quanto.</p><p>Advérbio de Exclusão</p><p>• salvo;</p><p>• senão;</p><p>• somente;</p><p>• só;</p><p>• unicamente;</p><p>• apenas.</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>14 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Advérbio de Inclusão</p><p>• inclusivamente;</p><p>• também;</p><p>• mesmo;</p><p>• ainda.</p><p>Advérbio de Ordem</p><p>• primeiramente;</p><p>• ultimamente;</p><p>• depois.</p><p>Preposição</p><p>Preposições são palavras que estabelecem conexões com vários sentidos entre dois termos da oração.</p><p>Através de preposições, o segundo termo (termo consequente) explica o sentido do primeiro termo</p><p>(termo antecedente). São invariáveis, não sendo flexionadas em gênero e número.</p><p>Preposições Simples Essenciais</p><p>• a;</p><p>• após;</p><p>• até;</p><p>• com;</p><p>• de;</p><p>• em;</p><p>• entre;</p><p>• para;</p><p>• sobre.</p><p>Preposições Simples Acidentais</p><p>• como;</p><p>• conforme;</p><p>• consoante;</p><p>• durante;</p><p>• exceto;</p><p>• fora;</p><p>• mediante;</p><p>• salvo;</p><p>• segundo;</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>15 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• senão.</p><p>Preposições Compostas ou Locuções Prepositivas</p><p>• acima de;</p><p>• a fim de;</p><p>• apesar de;</p><p>• através de;</p><p>• de acordo com;</p><p>• depois de;</p><p>• em vez de;</p><p>• graças a;</p><p>• perto de;</p><p>• por causa de.</p><p>Conjunção</p><p>Conjunções são palavras utilizadas como elementos de ligação entre duas orações ou entre termos de</p><p>uma mesma oração, estabelecendo relações de coordenação ou de subordinação. São invariáveis, não</p><p>sendo flexionadas em gênero e número.</p><p>Conjunções Coordenativas Aditivas</p><p>• e;</p><p>• nem;</p><p>• também;</p><p>• bem como;</p><p>• não só...mas também.</p><p>Conjunções Coordenativas Adversativas</p><p>• mas;</p><p>• porém;</p><p>• contudo;</p><p>• todavia;</p><p>• entretanto;</p><p>• no entanto;</p><p>• não obstante.</p><p>Conjunções Coordenativas Alternativas</p><p>• ou;</p><p>• ou...ou;</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>16 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• já…já;</p><p>• ora...ora;</p><p>• quer...quer;</p><p>• seja...seja.</p><p>Conjunções Coordenativas Conclusivas</p><p>• logo;</p><p>• pois;</p><p>• portanto;</p><p>• assim;</p><p>• por isso;</p><p>• por consequência;</p><p>• por conseguinte.</p><p>Conjunções Coordenativas Explicativas</p><p>• que;</p><p>• porque;</p><p>• porquanto;</p><p>• pois;</p><p>• isto é.</p><p>Conjunções Subordinativas Integrantes</p><p>• que;</p><p>• se.</p><p>Conjunções Subordinativas Adverbiais Causais</p><p>• porque;</p><p>• que;</p><p>• porquanto;</p><p>• visto que;</p><p>• uma vez que;</p><p>• já que;</p><p>• pois que;</p><p>• como.</p><p>Conjunções Subordinativas Adverbiais Concessivas</p><p>•</p>
<p>embora;</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>17 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• conquanto;</p><p>• ainda que;</p><p>• mesmo que;</p><p>• se bem que;</p><p>• posto que.</p><p>Conjunções Subordinativas Adverbiais Condicionais</p><p>• se;</p><p>• caso;</p><p>• desde;</p><p>• salvo se;</p><p>• desde que;</p><p>• exceto se;</p><p>• contando que.</p><p>Conjunções Subordinativas Adverbiais Conformativas</p><p>• conforme;</p><p>• como;</p><p>• consoante;</p><p>• segundo.</p><p>Conjunções Subordinativas Adverbiais Finais</p><p>• a fim de que;</p><p>• para que;</p><p>• que.</p><p>Conjunções Subordinativas Adverbiais Proporcionais</p><p>• à proporção que;</p><p>• à medida que;</p><p>• ao passo que;</p><p>• quanto mais… mais,…</p><p>Conjunções Subordinativas Adverbiais Temporais</p><p>• quando;</p><p>• enquanto;</p><p>• agora que;</p><p>• logo que;</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>18 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• desde que;</p><p>• assim que;</p><p>• tanto que;</p><p>• apenas.</p><p>Conjunções subordinativas adverbiais comparativas</p><p>• como;</p><p>• assim como;</p><p>• tal;</p><p>• qual;</p><p>• tanto como.</p><p>Conjunções subordinativas adverbiais consecutivas</p><p>• que;</p><p>• tanto que;</p><p>• tão que;</p><p>• tal que;</p><p>• tamanho que;</p><p>• de forma que;</p><p>• de modo que;</p><p>• de sorte que;</p><p>• de tal forma que.</p><p>Interjeição</p><p>Interjeições são palavras que exprimem emoções, sensações, estados de espírito. São invariáveis e</p><p>seu significado fica dependente da forma como as mesmas são pronunciadas pelos interlocutores.</p><p>Interjeições de alegria</p><p>• Oh!;</p><p>• Ah!;</p><p>• Oba!;</p><p>• Viva!;</p><p>• Opa!.</p><p>Interjeições de Estímulo</p><p>• Vamos!;</p><p>• Força!;</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>19 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• Coragem!;</p><p>• Ânimo!;</p><p>• Adiante!.</p><p>Interjeições de Aprovação</p><p>• Apoiado!;</p><p>• Boa!;</p><p>• Bravo!.</p><p>Interjeições de desejo</p><p>• Oh!;</p><p>• Tomara!;</p><p>• Oxalá!.</p><p>Interjeições De Dor</p><p>• Ai!;</p><p>• Ui!;</p><p>• Ah!;</p><p>• Oh!.</p><p>Interjeições de Surpresa</p><p>• Nossa!;</p><p>• Cruz!;</p><p>• Caramba!;</p><p>• Opa!;</p><p>• Virgem!;</p><p>• Vixe!.</p><p>Interjeições de Impaciência</p><p>• Diabo!;</p><p>• Puxa!;</p><p>• Pô!;</p><p>• Raios!;</p><p>• Ora!.</p><p>Interjeições de Silêncio</p><p>• Psiu!;</p><p>• Silêncio!.</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>20 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Interjeições de Alívio</p><p>• Uf!;</p><p>• Ufa!;</p><p>• Ah!.</p><p>Interjeições de Medo</p><p>• Credo!;</p><p>• Cruzes!;</p><p>• Uh!;</p><p>• Ui!.</p><p>Interjeições de Advertência</p><p>• Cuidado!;</p><p>• Atenção!;</p><p>• Olha!;</p><p>• Alerta!;</p><p>• Sentido!.</p><p>Interjeições de Concordância</p><p>• Claro!;</p><p>• Tá!;</p><p>• Hã-hã!.</p><p>Interjeições de Desaprovação</p><p>• Credo!;</p><p>• Francamente!;</p><p>• Xi!;</p><p>• Chega!;</p><p>• Basta!;</p><p>• Ora!.</p><p>Interjeições de Incredulidade</p><p>• Hum!;</p><p>• Epa!;</p><p>• Ora!;</p><p>• Qual!.</p><p>CLASSES DE PALAVRAS</p><p>21 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Interjeições de Socorro</p><p>• Socorro!;</p><p>• Aqui!;</p><p>• Piedade!;</p><p>• Ajuda!.</p><p>Interjeições de Cumprimentos</p><p>• Olá!;</p><p>• Alô!;</p><p>• Ei!;</p><p>• Tchau!;</p><p>• Adeus!.</p><p>Interjeições de Afastamento</p><p>• Rua!;</p><p>• Xô!;</p><p>• Fora!;</p><p>• Passa!.</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Novo Acordo Ortográfico</p><p>Assinado em 1990, o Acordo Ortográfico visa à padronização da ortografia da língua portuguesa. Os</p><p>países Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Ti-</p><p>mor-Leste, que formam a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), assinaram o tratado</p><p>e cada um determinou prazos para que a reforma entrasse em vigor em seus territórios.</p><p>Em Portugal, as novas regras entraram em vigor no ano de 2009, já aqui, no Brasil, o prazo sofreu</p><p>algumas alterações. Inicialmente, em território brasileiro, a renovação ortográfica entraria em vigor em</p><p>janeiro de 2013. Porém, o governo brasileiro decidiu estender o período para implementação.</p><p>A presidente Dilma, então, decidiu que janeiro de 2016 seria o momento certo para tornar obrigatórias</p><p>as novas regras do acordo ortográfico. Ainda que tenha sido dado mais tempo para que nós, falantes</p><p>da língua portuguesa aqui no Brasil, nos adequássemos à reforma, muitos ainda têm dúvidas em rela-</p><p>ção às mudanças realizadas.</p><p>Pensando nisso, a equipe do Português decidiu montar um guia rápido com essas alterações.</p><p>O que mudou?</p><p>→ Alfabeto</p><p>Como era:</p><p>A B C D E F G H I J L M N O P Q R S T U V X Z</p><p>Como está:</p><p>A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z</p><p>Antes do acordo, tínhamos 23 letras em nosso alfabeto, agora, contamos com o acréscimo das letras</p><p>K, W e Y, totalizando 26 letras no alfabeto do português brasileiro. Essa mudança ocorreu com a inten-</p><p>ção de deixar “as coisas mais organizadas”.</p><p>Como assim? Em nossa língua, temos nomes próprios e algumas abreviaturas que fazem uso dessas</p><p>letras. A exemplo disso, temos: km, Yasmin, Wilson. Pensando nisso, o acordo procurou tornar oficiais</p><p>as letras que já eram utilizadas pelos falantes do português.</p><p>Atenção!</p><p>Ter tornado essas letras oficiais não significa que, agora, palavras como “quilo” e “quilômetro” passarão</p><p>a ser escritas como “kilo” e “kilômetro”.</p><p>→ Acentuação</p><p>Esse conteúdo foi o foco das alterações. Vejam:</p><p>NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>→ Hífen</p><p>Se a acentuação é o conteúdo que recebeu mais modificações, o hífen é a mudança do acordo que</p><p>rende mais polêmicas, visto que palavras que não tinham hífen passaram a ter, outras perderam o</p><p>sinal, além de palavras que perderam o hífen e ainda repetem as letras.</p><p>NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>O alfabeto brasileiro foi um dos que sofreram alteração com o Novo Acordo Ortográfico</p><p>No Brasil, a implantação do novo acordo começou em 2008. O prazo final para a adesão é 31 de</p><p>dezembro de 2015, conforme o Decreto 7875/2012.</p><p>Este também é o prazo em Portugal, mas nem todos os países unificarão ao mesmo tempo. Cabo</p><p>Verde, por exemplo, só estará totalmente adaptado ao novo acordo em 2019.</p><p>Até lá, concursos públicos, provas escolares e publicações oficiais do governo estarão adaptadas às</p><p>regras. A implantação nos livros didáticos brasileiros começou em 2009.</p><p>O objetivo do acordo é unificar a ortografia oficial e reduzir o peso cultural e político gerado pelas duas</p><p>formas de escrita oficial do mesmo idioma. A ideia é aumentar o prestígio internacional e a difusão do</p><p>Português.</p><p>Acordos Ortográficos Anteriores</p><p>Países lusófonos no mundo</p><p>As diferenças na grafia da língua utilizada por Brasil e Portugal começaram em 1911, quando o país</p><p>lusitano passou pela primeira reforma ortográfica. A reformulação não foi extensiva ao Brasil.</p><p>NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>As primeiras tentativas para minimizar a questão ocorreram em 1931. Nesse momento, representantes</p><p>da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa passaram a discutir a unifica-</p><p>ção dos dois sistemas ortográficos. Isso só ocorreu em 1943, mas sem</p>
<p>sucesso.</p><p>Representantes dos dois países voltaram a discutir o assunto novamente em 1943, quando ocorreu a</p><p>Convenção Ortográfica Luso-brasileira. Tal como o primeiro, este também não surtiu o efeito desejado</p><p>e somente Portugal aderiu às novas regras.</p><p>Uma nova tentativa reuniu novamente os representantes. Desta vez, em 1975, quando Portugal não</p><p>aceitou a imposição de novas regras ortográficas. Somente em 1986, estudiosos dos dois países vol-</p><p>taram a tocar na reforma ortográfica tendo, pela primeira vez, representantes de outros países da co-</p><p>munidade de língua portuguesa.</p><p>Na ocasião, foi identificado que entre as principais justificativas para o fracasso das tratativas anteriores</p><p>estava a drástica simplificação do idioma. A crítica principal estava na supressão dos acentos diferen-</p><p>ciais nas palavras proparoxítonas e paroxítonas, ação rejeitada pela comunidade portuguesa.</p><p>Já os brasileiros discordaram da restauração de consoantes mudas, abolidas há tempo.</p><p>Outro ponto rejeitado pela opinião pública brasileira estava na acentuação de vogais tônicas "e" e "o"</p><p>quando seguidas das consoantes nasais "m" e "n". Essa regra era válida para as palavras proparoxíto-</p><p>nas com acento agudo e não o circunflexo.</p><p>Seriam assim no caso de Antônio (António), cômodo (cómodo) e gênero (género).</p><p>Assim, além da grafia, os estudiosos passaram a considerar também a pronúncia das palavras.</p><p>Considerando as especificidades dos países signatários do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa,</p><p>foi acordada a unificação em 98% dos vocábulos.</p><p>Principais Mudanças</p><p>As Consoantes C, P, B, G, M e T</p><p>Ficam consideradas neste caso as especificidades da pronúncia conforme o espaço geográfico. Ou</p><p>seja, a grafia é mantida quando há pronúncia é retirada quando não são pronunciadas.</p><p>A manutenção de consoantes não pronunciadas ocorria, principalmente, pelos falantes de Portugal,</p><p>que o Brasil há muito havia adaptado a grafia.</p><p>Também houve casos da manutenção da dupla grafia, também respeitando a pronúncia.</p><p>Ficou decidido que nesses casos, os dicionários da língua portuguesa passarão a registrar as duas</p><p>formas em todos os casos de dupla grafia. O fato será esclarecido para apontar as diferenças geográ-</p><p>ficas que impõem a oscilação da pronúncia.</p><p>Exemplos de consoantes pronunciadas:</p><p>Compacto, ficção, pacto, adepto, aptidão, núpcias, etc.</p><p>Exemplos de consoantes não pronunciadas:</p><p>Acção, afectivo, direcção, adopção, exacto, óptimo, etc.</p><p>Exemplos de dupla grafia:</p><p>Súbdito e súdito, subtil e sutil, amígdala e amídala, amnistia e anistia, etc.</p><p>Acentuação Gráfica</p><p>Os acentos gráficos deixam de existir em determinadas palavras oxítonas e paroxítonas.</p><p>Exemplos:</p><p>NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Para – na flexão de parar</p><p>Pelo – substantivo</p><p>Pera – substantivo</p><p>Também deixam de receber acento gráfico as paroxítonas com ditongos "ei" e "oi" na sílaba tônica.</p><p>Exemplos:</p><p>Assembleia, boleia, ideia.</p><p>Cai, ainda, o acento nas palavras paroxítonas com vogais dobradas. Isto ocorreu porque em palavras</p><p>paroxítonas ocorre a mesma pronúncia em todos os países de língua portuguesa.</p><p>Exemplos:</p><p>Abençoo – flexão de abençoar</p><p>Enjoo – flexão de enjoar</p><p>Povoo – flexão de povoar</p><p>Voo – flexão de voar</p><p>O Brasil possui grande extensão territorial e, conseqüentemente, apresenta uma gama de falares bas-</p><p>tante variável. Falares e formas expressivas da língua escrita estão em constantes transformações não</p><p>apenas no Brasil, mas em muitos outros países que têm a Língua Portuguesa como instrumento oficial</p><p>de comunicação.</p><p>Desde tempos remotos o sistema ortográfico passou por grandes mudanças, especialmente, na tenta-</p><p>tiva de uniformizar os mecanismos de comunicação.</p><p>Se é um fato a variação lingüística na fala o seu registro ideal em termos da representação escrita é,</p><p>também, um grande problema para os países usuários do português, uma vez que as distinções voca-</p><p>bulares tendem por minar as formas escritas desses vocábulos e, assim, oferecer certas dificuldades</p><p>em termos operativos, sobretudo quando de transações comerciais e/ou sistemáticas de comunicação</p><p>internacional.</p><p>As mudanças e variações sempre existiram. São parte das línguas vivas. Mesmo assim, estudiosos</p><p>buscam uma maneira de unificar a escrita, melhorando-a para torná-la mais acessível e lógica.</p><p>Seguindo esta linha, no ano de 2009, entrou em vigor o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa</p><p>que visa a unificação da escrita nos países que adotam o Português como língua oficial, respectiva-</p><p>mente Portugal, São Tomé e Príncipe, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Timor-</p><p>Leste, países integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CLPL), cuja criação oficial</p><p>data de 17 de julho de 1996 (SANTOS IN SARAIVA, 2001:17).</p><p>Entretanto percebemos que embora amplamente divulgado pela mídia, o conteúdo da nova reforma</p><p>ortográfica, bem como a Lei que a regulamenta, ainda é desconhecida ou ignorada pelos usuários da</p><p>língua, até mesmo no universo acadêmico. Desconhecemos os fatores que possam servir de entrave</p><p>aos ditames do que é exigido para o conhecimento das regras oficiais implicadas na reforma ortográfica,</p><p>mas inferimos ser um problema possível em matéria de investigação sobre a língua.</p><p>Assim, este trabalho visa transpor a barreira existente entre o novo acordo e o público falante, mais</p><p>especificamente estudantes dos níveis fundamental, médio e superior.</p><p>O nosso trabalho monográfico não está ordenado em capítulos segmentados. Os segmentos tópicos</p><p>refletem a forma organizacional e constitutiva de laudas seqüenciais para o tratamento do assunto.</p><p>Para efeito de desenvolvimento do nosso tema e para melhor determinar as nossas considerações o</p><p>texto aqui apresentado compreende, inicialmente, a exposição da problemática, seguida de breve uma</p><p>revisão da literatura sobre a reforma ortográfica.</p><p>NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Após uma breve fundamentação teórica, passaremos a tratar das referências de ordem do acordo em</p><p>função dos países que fazem parte da comunidade internacional de língua portuguesa e sobre os prin-</p><p>cipais problemas que o mesmo poderá estar fazendo aflorar.</p><p>Por fim, apresentaremos as nossas considerações finais tecidas com base no que estudamos ao longo</p><p>da vivência em termos operativos para a elaboração do presente estudo. Claro, não são formulações</p><p>conclusivas cabais, mas um modo de manifestar um ponto de vista bem pessoal sobre o assunto.</p><p>O Novo Acordo Ortográfico Da Língua Portuguesa</p><p>Problemática</p><p>Concordar com algo implica, grosso modo, a existência de uma questão divergente ou, ao menos,</p><p>problemática em termos de uniformização. Certamente, em termos do Novo Acordo Ortográfico da</p><p>Língua Portuguesa as mudanças estão ainda, em termos operativos, seguindo caminhos bastante di-</p><p>vergentes em termos de conhecimento e aceitação por parte dos usuários da língua materna.</p><p>Quais as principais mudanças implantadas mediante o Novo Acordo Ortográfico? Qual o grau de acei-</p><p>tação no universo estudantil e até que o ponto a sua aplicação é viável para o ensino de Língua Portu-</p><p>guesa, são parte dos questionamentos que nos fazemos no momento de trabalhar com a materialidade</p><p>do Novo Acordo Ortográfico. Para tanto, traçamos os seguintes objetivos, a saber:</p><p>Objetivos:</p><p>Geral:</p><p>Promover a socialização do conhecimento acerca das regras do Novo Acordo Ortográfico, bem como</p><p>da sua importância enquanto mecanismo de aproximação entre os países lusófonos.</p><p>Específicos:</p><p>-Identificar as principais mudanças na ortografia usada no Brasil;</p><p>-Apresentar opiniões de especialistas, professores e alunos a respeito do tema;</p><p>-Propagar entre os alunos a relevância da universalização da Língua Portuguesa;</p><p>-Contribuir para a divulgação das bases do novo acordo ortográfico nas instituições de ensino.</p><p>Um Breve Histórico Dos Acordos Ortográficos</p><p>Em 1907, Medeiros e Albuquerque, membro da Academia Brasileira de Letras, propôs</p>
<p>um sistema de</p><p>grafia simplificadora em termos fonográficos, que não alcançou adeptos nem obteve êxito.</p><p>Mas os passos iniciais para a construção de um sistema ortográfico, com fundamentos científicos, re-</p><p>montam em 1885, elaboradas pelos foneticistas Gonçalves Viana e Vasconcelos de Abreu.</p><p>As ideias deste livro foram melhoradas e orientaram a primeira reforma oficializada pelo governo, em</p><p>1911, mas os brasileiros não participaram deste diálogo e só então em 1940 foram elaborados os vo-</p><p>cabulários ortográficos das duas academias, o português em 1940 e o brasileiro em 1943.</p><p>No entanto, houve divergências neste acordo que mais atendia a ortografia de Portugal, e o Brasil</p><p>decidiu ficar com as bases de seu vocabulário de 1943.</p><p>Depois dessa divergência, em 1945, no governo de Gaspar Dutra, o Decreto – lei nº 8286 de 05 de</p><p>fevereiro de 1945 regulamentava o acordo ortográfico com a cisão dos dois sistemas oficiais, o do Brasil</p><p>de 1943 e o de Portugal, acompanhadas pelos africanos em 1945.</p><p>Os dois países procuravam buscar a unificação ortográfica da Língua Portuguesa, e em 1971 houve o</p><p>primeiro Simpósio Luso-Brasileiro sobre a Língua Portuguesa que tinha como proposta solucionar al-</p><p>gumas divergências ortográficas: como o excesso do emprego do acento circunflexo (êle, dêle, nêle),</p><p>os tremas dos hiatos átonos (vaïdade, saüdade), entre outras divergências.</p><p>NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Finalmente, em maio de 1986, reúnem-se no Rio de Janeiro, na Academia Brasileira de Letras, os</p><p>representantes das sete instituições que tem a Língua Portuguesa como veículo oficial de expressão,</p><p>e mais os representantes governamentais, dando início aos trabalhos de que resultaram as bases do</p><p>novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.</p><p>Mas o texto mereceu emendas e correções que resultaram no documento preparado, em 1990, pela</p><p>Academia das Ciências de Lisboa, Academia Brasileira de Letras e as demais delegações. O novo</p><p>acordo de 1990 previa sua entrada em 1994, se todos os membros o assinassem, mas apenas Brasil,</p><p>Portugal e Cabo verde ratificaram o documento e sua entrada em vigor ficou pendente.</p><p>Desde 1990 foram assinados vários protocolos para modificação do texto e para todas as assinaturas</p><p>dos países que falam o português. Mas foi em 2008, depois de 17 anos que foi estabelecida o decreto</p><p>nº 6583/08, publicada em 29 de setembro de 2008, que promulgou o Acordo Ortográfico no Brasil. A</p><p>mais Nova Reforma Ortográfica entrou em vigor em 1º de janeiro de 2009, pondo em prática as regras</p><p>do decreto para todos os países falantes da Língua Portuguesa.</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>COESÃO TEXTUAL</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Coesão Textual</p><p>Coesão refere-se as articulações gramaticais entre palavras de uma mesma oração, com o objetivo</p><p>de levar clareza e levar o sentido buscado pelo escritor. A coesão busca a harmonia entre estes ter-</p><p>mos e é percebida quando existe continuidade dos fatos expostos.</p><p>Segundo Halliday e Hasan existe cinco tipos de articuladores coesivos, que são:</p><p>Referência (Endofórica e Exofórica) , Substituição, elipse, conjunção e léxico.</p><p>Segundo Fávero e Koch , existe três tipos de coesão: Referencial ( Substituição e Reiteração) , Re-</p><p>correncial (Paralelismo, Paráfrase, Recursos fonológicos, segmentais e suprassegmentais) e Se-</p><p>quencial (Temporal e Por conexão).</p><p>Leonor Lopes Fávero faz critica a outras classificações com relação à coesão lexical e com relação à</p><p>referência exofórica.</p><p>Coesão Por Referência</p><p>Ocorre quando determinado elemento textual se refere a outro, substituindo-o. A referência, a princí-</p><p>pio, pode ser em relação a um dado externo (exofórica) ou interno (endoforica) ao texto.</p><p>Exofórica.: é aquela que se refere a um elemento fora do texto.</p><p>Ex.: A gente era pequena naquele tempo. E aquele era um tempo em que ainda se apregoava nas</p><p>ruas.</p><p>Endofórica.: pode se referir a algo mencionado anteriormente no texto à anáfora ou a algo menciona-</p><p>do posteriormente à catáfora.</p><p>Exemplo de anáfora:</p><p>· Maria é excelente amiga. Ela sempre me deu provas disso.</p><p>Exemplo de catáfora:</p><p>· Só desejo isto: que você não se esqueça de mim.</p><p>Coesão Por Substituição</p><p>COESÃO TEXTUAL</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Ocorre quando há colocação de um item no lugar de outro ou até de uma oração inteira. Pode ser</p><p>nominal (feita por meio de pronomes pessoais, numerais, indefinidos, nomes genéricos como coisa,</p><p>gente, pessoa) e verbal (o verbo “fazer” é substituto dos causativos, “ser” é o substituto existencial).</p><p>Elipse</p><p>A elipse acontece quando omitimos um termo que já foi apresentado anteriormente e que devido ao</p><p>contexto criado pela oração se torna fácil lembrar esta expressão. A elipse é bastante utilizada tanto</p><p>na linguagem escrita, quanto na oralidade, pois torna o entendimento do texto mais fácil, apesar da</p><p>omissão de termos.</p><p>Ex.: 01- O diretor foi o primeiro a chegar à sala. Abriu as janelas e começou a arrumar tudo para a</p><p>assembleia com os acionistas.</p><p>O termo “O diretor” foi omitido na segunda oração, antes do verbo “abriu” e do verbo “começou”.</p><p>Conjunção</p><p>É diferente das outras relações de coesão, pois não está apenas relacionada a retomada de algo já</p><p>expresso no texto. Os elementos conjuntivos são coesivos de maneira indireta, devido a relação que</p><p>faz entre os períodos e sentenças.</p><p>Tipos de elementos conjuntivos:</p><p>-Advérbios e locuções adverbiais</p><p>Ex.: Os seus pais passam muito bem.</p><p>-Conjunções coordenativas e subordinativas:</p><p>Ex.: (subordinativas) Não sabemos se ela realmente virá.</p><p>-Locuções conjuntivas</p><p>Ex.: desde que, uma vez que, já que, por mais que, à medida que, à proporção que, visto que, ainda</p><p>que, entre outras.</p><p>-Preposições</p><p>Ex: A, ante, perante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás,</p><p>atrás de, dentro de, para com.</p><p>-Itens continuativos</p><p>Ex: Então, daí.</p><p>-Coordenativas</p><p>Ex:</p><p>COESÃO TEXTUAL</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Léxico</p>
<p>de escolha na aplicação da justiça. Sua proliferação indiscriminada mostra que</p><p>as leis perderam o valor normativo e os meios legais de coerção, a força que deveriam ter. Nesse</p><p>vácuo, indivíduos e grupos passam a arbitrar o que é justo ou injusto, segundo decisões privadas,</p><p>dissociadas de princípios éticos válidos para todos. O crime é, assim, relativizado em seu valor de</p><p>infração. Os criminosos agem com consciências felizes. Não se julgam fora da lei ou da moral, pois</p><p>conduzem-se de acordo com o que estipulam ser o preceito correto. A imoralidade da cultura da</p><p>violência consiste justamente na disseminação de sistemas morais particularizados e irredutíveis a</p><p>ideais comuns, condição prévia para que qualquer atitude criminosa possa ser justificada e legítima.</p><p>“No Rio de Janeiro, uma senhora dirigia seu automóvel com o filho ao lado. De repente foi assaltada</p><p>por um adolescente...”; a passagem do pretérito imperfeito para o pretérito perfeito marca a mudança</p><p>de:</p><p>A)um texto descritivo para um texto narrativo;</p><p>B)a fala do narrador para a fala do personagem;</p><p>C)um tempo passado para um tempo presente;</p><p>D)um tempo presente para um tempo passado;</p><p>E)a mudança de narrador.</p><p>O texto acima pode ser classificado, de forma mais adequada, como:</p><p>a) narrativo moralizante;</p><p>b) informativo didático;</p><p>c) dissertativo opinativo;</p><p>d) normativo regulamentador;</p><p>e) dissertativo polêmico.</p><p>Texto 07</p><p>Por ser uma versão continental dos Jogos Olímpicos, o Pan é o mais importante evento esportivo das</p><p>Américas, envolvendo 42 países e um número estimado de 5.500 atletas, o que possibilita o</p><p>intercâmbio técnico e a descoberta de novos talentos e recordistas. Com a transmissão ao vivo para</p><p>vários países, o Pan também é uma ótima oportunidade de exposição de marca para a PETROBRAS,</p><p>visto que atende à sua estratégia de internacionalização.</p><p>Além do aporte financeiro ao evento, a companhia deverá participar do dia-a-dia da Vila Pan-</p><p>Americana, promovendo shows diários na Zona Internacional da vila com artistas patrocinados pelo</p><p>Programa PETROBRAS Cultural. O apoio ao Pan tem ainda como finalidade contribuir para a</p><p>educação da juventude por meio da prática esportiva e dentro do espírito olímpico, que exige</p><p>dedicação, trabalho em equipe e solidariedade. A PETROBRAS é, historicamente, uma das</p><p>empresas que mais contribuem para o crescimento do esporte brasileiro. Em 2006, por exemplo, a</p><p>companhia investiu cerca de R$ 70 milhões em modalidades como automobilismo, surfe, futebol,</p><p>tênis e handebol.</p><p>1. Predomina no texto o tipo textual narrativo.</p><p>Texto 08</p><p>A maioria do público acredita que os produtos químicos utilizados no diaa-dia já foram</p><p>exaustivamente testados e que seus criadores sabem exatamente como a natureza os receberá de</p><p>volta quando eles forem jogados em esgotos ou simplesmente caírem no solo. Infelizmente essa não</p><p>é toda a verdade.</p><p>Apesar dos inúmeros cuidados e métodos desenvolvidos para se avaliar o impacto ambiental dos</p><p>compostos químicos, a realidade é que é virtualmente impossível testar como cada um deles vai se</p><p>COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>comportar na natureza. “Leva um tempo muito grande para se estimar o destino ambiental dos</p><p>compostos químicos — a indústria produz novos químicos muito mais rapidamente do que eles</p><p>podem ser testados”, diz o Dr. Victor de Lorenzo, pesquisador que desenvolveu, no Centro Nacional</p><p>de Biotecnologia da Espanha, um programa de computador capaz de prever com grande precisão</p><p>como um determinado composto químico se comportará na natureza, se ele irá se biodegradar ou</p><p>não. O destino dos compostos orgânicos no meio ambiente, dos mata-matos aos medicamentos, é</p><p>largamente decidido pelos micróbios. Esses organismos quebram alguns compostos diretamente em</p><p>dióxido de carbono (CO2), mas, outros produtos químicos permanecem no meio ambiente por anos,</p><p>absolutamente intocados.</p><p>O novo sistema desenvolvido por Lorenzo mostra como os microrganismos digerem os compostos</p><p>químicos.</p><p>Diante de uma formulação que não seja digerida, é emitido um alerta que poderá auxiliar as</p><p>autoridades a estabelecerem restrições ou até a proibir a comercialização do novo produto químico.</p><p>O programa, chamado BDPServer, foi disponibilizado gratuitamente na Internet.</p><p>1. O texto apresenta aspectos textuais que permitem classificá-lo como dissertativo-informativo.</p><p>Texto 09</p><p>O laudo médico-pericial é utilizado como prova técnica, devendo estar isento de tendências, vícios e</p><p>distorções — condição básica para atingir seu objetivo principal: descrever e interpretar fatos médicos</p><p>para a correta aplicação da justiça, cumprindo seu papel como um dos principais instrumentos de</p><p>garantia aos Direitos Universais do Homem.</p><p>Não importa se vítima ou agressor: o periciado tem o direito de ser visto e respeitado como homem,</p><p>sendo examinado em ambiente neutro, sem a presença de estranhos, devendo sentir-se seguro e</p><p>livre de coações. Enfim, contar com total liberdade para relatar sua versão dos fatos. Por sua vez, o</p><p>médico-legista deve exercer seu mister livre de constrangimentos, coações ou pressões de quaisquer</p><p>espécies, mantendo o respeito incondicional pelo homem.</p><p>Para deixar mais claro: a própria Resolução CFM n.º 1.635, de 9 de maio de 2002, veda ao médico a</p><p>realização de exames médico-periciais de corpo de delito em seres humanos no interior dos prédios</p><p>e(ou) dependências de delegacias, seccionais ou sucursais de polícia, unidades militares, casas de</p><p>detenção e presídios. Proíbe, ainda, exames de corpo de delito em seres humanos contidos por</p><p>algemas ou por qualquer outro meio — exceto quando o periciado oferecer risco à integridade física</p><p>do médicoperito.</p><p>Como ficaria a posição do legista, trabalhando no interior de delegacias policiais, quartéis ou casas</p><p>de detenção, repleta de policiais, caso assistisse à violação dos direitos humanos? Seria uma simples</p><p>testemunha ou um perito médico, com obrigação legal de relatar os fatos? Um legista não é (e não</p><p>pode ser visto como) testemunha ou cúmplice dos fatos.</p><p>Nunca, jamais, devem acontecer ocorrências que levem o periciado a confundir a figura imparcial e</p><p>isenta do médico-legista (interessado na busca da verdade, por meio da prova técnica) com o</p><p>aparelho repressor do Estado. Sua função é descrever, por meio da observação atenta e minuciosa,</p><p>os fatos ocorridos, interpretando-os para a justiça, com seus conhecimentos de medicina.</p><p>1. A partir do texto, assinale a opção que resume, corretamente, a idéia do parágrafo</p><p>correspondente.</p><p>A) primeiro parágrafo – apresentação de função, característica e objetivo dos laudos médico-periciais.</p><p>B) segundo parágrafo – relato da necessidade de agressores e vítimas descreverem as versões dos</p><p>fatos, responsavelmente.</p><p>C) terceiro parágrafo – narrativa sintética dos princípios da Resolução CFM n.º 1.635, de 9 de maio</p><p>de 2002.</p><p>D) último parágrafo – argumentação imparcial em defesa da isenção dos médicos-legistas.</p><p>COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO</p><p>8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Texto 10</p><p>Entende-se que policial militar é um trabalhador que desenvolve um processo de trabalho peculiar.</p><p>Concebe-se também que o exercício de sua atividade caracterize uma profissão, na medida em que a</p><p>atividade policial é exercida por um grupo social específico, que partilha idéias, valores e crenças</p><p>comuns. Considera-se, ainda, a polícia como uma profissão pelo conjunto de atividades atribuídas</p><p>pelo Estado à organização policial para a aplicação da lei e a manutenção da ordem pública. Júlio</p><p>Consul, em A Polícia Militar — revelando sua identidade, afirma que o trabalho de policial militar se</p><p>caracteriza pela percepção, pelas expectativas e pela retórica para legitimar, entre o eu e o outro, nós</p><p>e eles, o atributo de profissão policial sob os auspícios das atividades que eles desenvolvem no seu</p><p>cotidiano laboral.</p><p>O trabalho do policial militar compreende tudo aquilo que o profissional utiliza na realização de sua</p><p>atividade.</p>
<p>É um tipo de coesão obtida pela reiteração de itens lexicais idênticos ou que possuem o mesmo refe-</p><p>rente. Inclui-se aí, também, o uso de nomes genéricos cuja função coesiva está no limite entre coe-</p><p>sões lexical e gramatical, nomes estes que estão a meio caminho do item lexical, membro de um</p><p>conjunto abeto e do item gramatical, membro de um conjunto fechado.</p><p>Gramaticalmente, os nomes como gente, a pessoa, a coisa, o negócio, dentre outros, funcionam co-</p><p>mo itens de referência anafórica. Lexicalmente, são membros superordenados (hiperônimos) agindo</p><p>como sinônimos dos itens a eles subordinados (hipônimos).</p><p>Outro fator de coesão lexical é a colocação, resultante da associação de itens lexicais que regular-</p><p>mente concorrem. Virtualmente não há colocações impossíveis, mas algumas são melhores do que</p><p>outras, tendendo para o padrão que, quando fortes, constituem os clichês.</p><p>Ex.: Convém desmistificar aquele político, desmascará-lo é nossa obrigação. (sinônimos)</p><p>Ex.: O manifestante jogou um tomate na cara do ministro. A fruta estava podre. (hipônimo)</p><p>Referencial</p><p>Por Substituição</p><p>A substituição se dá quando um componente é retomado ou precedido por uma pró-forma (elemento</p><p>gramatical representante de uma categoria como, por exemplo, o nome; caracteriza-se por baixa</p><p>densidade sêmica: traz as marcas do que substitui). No caso de retomada, tem-se uma anáfora e, no</p><p>caso de sucessão, uma catáfora.</p><p>As pro-formas podem ser pronominais, verbais, adverbiais, numerais.</p><p>Exemplos:</p><p>1- Lúcia corre todos os dias no parque. Patrícia faz o mesmo.</p><p>Faz: pro-forma verbal (sempre acompanhada de uma forma pro nominal: o, o mesmo, isto etc.)</p><p>2- Mariana e Luiz Paulo são irmãos. Ambos estudam inglês e francês.</p><p>Ambos: pro-forma numeral</p><p>3 - Paula não irá à Europa em janeiro. Lá faz muito frio.</p><p>Lá: pro-forma adverbial</p><p>Por Reiteração</p><p>A reiteração é a repetição de expressões presentes no texto e que tem a mesma referência.</p><p>Segundo Fávero, existe 5 tipos de Reiteração:</p><p>COESÃO TEXTUAL</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Repetição do Mesmo Item Lexical</p><p>Acontece quando se repete um termo já utilizado na oração.</p><p>Ex.: O fogo acabou com tudo. A casa estava destruída. Da casa não sobrara nada.</p><p>Sinônimo</p><p>Para Fávero, definir a Reiteração por Sinônimo é muito difícil, pois não existe um sinônimo verdadei-</p><p>ro, já que todas as palavras de uma língua tem significado próprio, por mais semelhantes que sejam.</p><p>É feita quando se utiliza um sinônimo para referir-se a um termo dito anteriormente.</p><p>Ex.: A criança caiu e chorou. Também o menino não fica quieto!</p><p>Hiperônimos e Hipônimos</p><p>Hiperônimo ocorre quando a primeira palavra mantém uma relação de maior totalidade com o segun-</p><p>do termo.</p><p>Ex.: Gosto muito de doces. Cocada, então, adoro.</p><p>*Neste caso, observa-se que o termo “doces” engloba o termo “cocada”, por isso tem-se um hiperô-</p><p>nimo.</p><p>Hipônimo ocorre quando a segunda palavra utilizada mantém uma relação de maior totalidade com o</p><p>primeiro termo.</p><p>Ex.: Os corvos ficaram à espreita. As aves aguardavam o momento de se lançarem sobre os animais</p><p>mortos.</p><p>*Neste segundo exemplo, nota-se que “aves” engloba o termo “corvos”, por isso tem-se hipônimo.</p><p>Expressões Nominais Definidas</p><p>Este caso de reiteração ocorre quando um novo termo retoma uma palavra já utilizada, para isto é</p><p>necessário conhecimento de mundo por parte do leitor, já que o termo substituinte é uma forma de</p><p>aposto da primeira palavra usada.</p><p>Ex.: O cantor Sting tem lutado pela preservação da Amazônia. O ex- líder da banda Police chegou</p><p>ontem ao Brasil. O vocalista chegou com o cacique Raoni, com quem escreveu um livro.</p><p>*Neste caso, a expressão utilizada “ex- líder da banda Police” retoma um termo já utilizado, “cantor</p><p>Sting”, assim apresenta ao leitor novas informações sempre que se utiliza este tipo de reiteração.</p><p>Nomes Genéricos</p><p>Os nomes genéricos são expressões bastante comuns à cultura de onde o texto foi escrito e por isso</p><p>podem ser usadas sem medo do não entendimento do texto pelo leitor. São algumas delas: coisa,</p><p>negócio, lugar, gente, dentre outras.</p><p>Ex.: Até que o mar, quebrando um mundo, anunciou de longe que trazia nas suas ondas coisa nova,</p><p>desconhecida, forma disforme que flutuava, e todos vieram à praia, na espera... E ali ficaram, até que</p><p>o mar, sem se apressar, trouxe a coisa; e depositou na areia surpresa triste, um homem morto.</p><p>*A expressão “coisa” é utilizada, neste exemplo, para designar algo que só é apresentado no final da</p><p>frase, “um homem morto”.</p><p>COESÃO TEXTUAL</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Recorrencial</p><p>Por Paralelismo</p><p>Ocorre quando as estruturas de uma sentença são aplicadas de outra maneira, ou seja, o mesmo</p><p>conteúdo reutilizado de maneira diferente. O paralelismo é uma estrutura estilística bastante empre-</p><p>gada na literatura.</p><p>Ex.: Seria porventura o homem mais justo do que Deus? Seria porventura o homem mais puro do que</p><p>o seu Criador? Jó 4:17</p><p>Por Paráfrase</p><p>Possui uma certa semelhança com o paralelismo, pois é uma reorganização ou reformulação. Este</p><p>elemento coesivo é um articulador entre novas e antigas informações de um texto, e se difere de uma</p><p>repetição pela criatividade do escritor.</p><p>Ex.: “A mente de Deus é como a Internet: ela pode ser acessada por qualquer um, no mundo todo.”</p><p>(Américo Barbosa, na Folha de São Paulo)</p><p>Reecrito: No mundo todo, qualquer um pode acessar a mente de Deus e a internet. (PARÁFRASE)</p><p>Sequencial</p><p>Os mecanismos de coesão sequencial são os que tem por função ,da mesma forma que os de recor-</p><p>rência ,fazer progredir o texto, fazer caminhar o fluxo informacional. Diferem dos de recorrência, por</p><p>não haver neles retomada de itens, sentenças ou estruturas.</p><p>Sequenciação Temporal</p><p>Qualquer sequência textual só é coesa e coerente se a sequencialização dos enunciados conseguir</p><p>satisfazer as condições conceptuais sobre localização temporal e ordenação relativa que sabemos</p><p>serem características dos estados de coisas no mundo selecionado pela referida sequência textual.</p><p>Assim ,a sequenciação temporal pode ser obtida por:</p><p>Ordenação Linear dos Elementos</p><p>É o que torna possível dizer</p><p>Ex:</p><p>-Vim,vi,venci</p><p>e não</p><p>-Venci,vi,vim.</p><p>Expressões que Assinalam a Ordenação ou Continuação das Sequencias Temporais</p><p>Ex:</p><p>-Primeiro vi a moto, depois o ônibus.</p><p>-Os capítulos anteriores tratam de eletrostática, agora falaremos da eletrodinâmica, deixando os pro-</p><p>blemas do eletromagnetismo para os próximos.</p><p>Partículas Temporais</p><p>COESÃO TEXTUAL</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Ex.:</p><p>Não deixe de vir amanhã</p><p>Correlação dos Tempos Verbais</p><p>Ex:</p><p>-Ordeno que deixem a casa em ordem.</p><p>-Paulo não chegou ainda embora tivesse saído cedo.</p><p>Sequenciação por Conexão</p><p>Em um texto, tudo está relacionado; um enunciado está subordinado a outros na medida em que não</p><p>só se compreende por si mesmo, mas ajuda na compreensão dos demais. Esta interdependência</p><p>semântica ou pragmática é expressa por operadores do tipo lógico, operadores discursivos e pausas.</p><p>Os operadores do tipo lógico tem por função o tipo de relação lógica que o escritor estabelece entre</p><p>duas proposições.</p><p>Os operadores do tipo lógico são:</p><p>Disjunção</p><p>Combina proposições por meio do conector ou, significando um ou outros. Essa relação só é verda-</p><p>deira se uma das proposições ou ambas forem verdadeiras.</p><p>Exemplos:</p><p>-Quer sorvete ou chocolate?</p><p>-quero os dois.</p><p>-Há vagas para moças e /ou rapazes.</p><p>Condicionalidade</p><p>Conecta proposições que mantêm entre si uma relação de dependência entre a antecedente e a con-</p><p>sequente.</p><p>Ex.: Se chover, não iremos á festa.</p><p>Causalidade</p><p>A relação de causalidade está inserida no tipo real da condicionalidade.</p><p>Ex.: Se Paulo é homem então é mortal</p><p>Mediação</p><p>As relações de medicação, do mesmo modo que as de causalidade, fazem parte da condicionalidade,</p><p>mas são destacadas por razões didáticas.</p><p>Ex.: Fugiu para que não o vissem.</p><p>Complementação</p><p>Expressa-se por duas proposições ,uma das</p>
<p>quais complementa o sentido de um termo da outra.</p><p>Ex: Necessito de um livro.</p><p>COESÃO TEXTUAL</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Restrição</p><p>Expressa-se por duas proposições em que uma restringe ,limita a extensão de um termo da outra.</p><p>Ex.: Vi a menina que toca piano.</p><p>Quebra de Coesão</p><p>Regência Incorreta:</p><p>Ex.: “Nenhum dos encarregados está apto com assumir o cargo de gerente.”</p><p>Concordância Incorreta:</p><p>Ex.: “Ela chegou com o rosto e mãos feridas.” Correto : “Ela chegou com o rosto e as mãos feridos”.</p><p>Frases inacabadas:</p><p>Ex.: “Ainda não estou curado mas estou em vias de...”</p><p>Anacolutos:</p><p>Ex.: “O relógio da parede eu estou acostumado com ele, mas você precisa mais de relógio do que</p><p>eu”. (Rubem Braga)”</p><p>"A coesão não nos revela a significação do texto, revela-nos a construção do texto enquanto edifício</p><p>semântico".</p><p>- Michael Halliday</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>ACENTUAÇÃO GRÁFICA</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Acentuação Gráfica</p><p>Regras de Acentuação Gráfica</p><p>Baseiam-se na constatação de que, em nossa língua, as palavras mais numerosas são as</p><p>paroxítonas, seguidas pelas oxítonas. A maioria das paroxítonas termina em -a, -e, -o, -em, podendo</p><p>ou não ser seguidas de "s". Essas paroxítonas, por serem maioria, não são acentuadas graficamente.</p><p>Já as proparoxítonas, por serem pouco numerosas, são sempre acentuadas.</p><p>Proparoxítonas</p><p>Sílaba tônica: antepenúltima</p><p>As proparoxítonas são todas acentuadas graficamente. Exemplos:</p><p>trágico, patético, árvore</p><p>Paroxítonas</p><p>Sílaba tônica: penúltima</p><p>Acentuam-se as paroxítonas terminadas em:</p><p>l fácil</p><p>n pólen</p><p>r cadáver</p><p>ps bíceps</p><p>x tórax</p><p>us vírus</p><p>i, is júri, lápis</p><p>om, ons iândom, íons</p><p>um, uns álbum, álbuns</p><p>ã(s), ão(s) órfã, órfãs, órfão, órfãos</p><p>ditongo oral (seguido ou não de s) jóquei, túneis</p><p>Observações:</p><p>1) As paroxítonas terminadas em "n" são acentuadas (hífen), mas as que terminam em "ens", não</p><p>(hifens, jovens).</p><p>2) Não são acentuados os prefixos terminados em "i "e "r" (semi, super).</p><p>3) Acentuam-se as paroxítonas terminadas em ditongos crescentes: ea(s), oa(s), eo(s), ua(s), ia(s),</p><p>ue(s), ie(s), uo(s), io(s).</p><p>Exemplos:</p><p>várzea, mágoa, óleo, régua, férias, tênue, cárie, ingênuo, início</p><p>Oxítonas</p><p>Sílaba tônica: última</p><p>Acentuam-se as oxítonas terminadas em:</p><p>a(s): sofá, sofás</p><p>e(s): jacaré, vocês</p><p>o(s): paletó, avós</p><p>em, ens: ninguém, armazéns</p><p>A acentuação gráfica consiste na aplicação de certos símbolos escritos sobre determinadas</p><p>letras para representar o que foi estipulado pelas regras de acentuação do idioma.</p><p>ACENTUAÇÃO GRÁFICA</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>De forma geral estes acentos são usados para auxiliar a pronúncia de palavras que fogem do padrão</p><p>prosódico mais comum.</p><p>Acento Agudo</p><p>O acento agudo ( ´ ) é usado na maioria dos idiomas para assinalar geralmente uma vogal aberta ou</p><p>longa. Em português, aparece em todas as vogais tônicas na última sílaba ou na antepenúltima</p><p>sílaba. Aparece também nos grupos "em" e "ens" (como em armazém, além, etc.) e para separar as</p><p>letras i e u dentro de um hiato (como em alaúde).</p><p>Em idiomas como o holandês e o islandês, pode funcionar como marca diferencial em palavras</p><p>homônimas cujo significado não pode ser inferido pelo contexto. Na escrita pinyin do mandarimindica</p><p>o segundo tom, de baixo para cima. Em polonês pode aparecer sobre as consoantes c e n para</p><p>indicar a palatização (passando a ser pronunciadas como /tch/ e /nh/).</p><p>Acento Grave</p><p>O acento grave (`) era usado geralmente para designar uma vogal curta ou grave em latim e grego.</p><p>Em português serve para marcar a crase. É de uso frequente em italiano e francês para marcar a</p><p>sílaba tônica de algumas palavras. Em norueguês e romeno, serve como acento para desambiguação</p><p>de palavras. Na escrita pinyin, indica o quarto tom, de cima para baixo.</p><p>Acento Circunflexo</p><p>O acento circunflexo (^) é um sinal diacrítico usado em português e galês tem função de marcar a</p><p>posição da sílaba tônica. No caso específico do português, aparece sobre as vogais a, e, o quando</p><p>são tônicas na última ou antepenúltima sílaba (p. ex.: lâmpada, pêssego, supôs) e têm timbre</p><p>fechado. Em francês é usado para marcar vogais longas decorrentes da supressão da letra s na</p><p>evolução histórica da palavra (p. ex. hospital → hôpital).</p><p>Cáron</p><p>O cáron (ˇ), ou circunflexo invertido, é um acento inexistente em português. Aparece em várias</p><p>línguas balto-eslavas e línguas urálicas sobre consoantes para indicar a palatização. Também indica</p><p>o terceiro tom na escrita pinyin do mandarim (alto - baixo - alto).</p><p>Til</p><p>O til é um sinal diacrítico cujo uso mais frequente é em português. Serve para indicar a nasalização</p><p>das vogais - atualmente somente nos ditongos ão, ãe, õe e isoladamente na vogal ã, mas no passado</p><p>podia aparecer também sobre a vogal e. Também aparece no espanhol sobre a letra n para indicar a</p><p>palatização (devendo ser pronunciada como /nh/) e no estoniano sobre a letra o para indicar uma</p><p>vogal intermediária entre /o/ e /e/.</p><p>Trema</p><p>O trema (¨) é um sinal gráfico presente em várias línguas românicas e línguas germânicas, e usado</p><p>em português do Brasil até o acordo ortográfico de 1990 sobre a letra u nos grupos que, qui, gue e</p><p>gui quando fossem pronunciados, como em freqüência e ungüento, uso ainda presente em espanhol.</p><p>Em francês, holandês e italiano, serve para marcar a segunda vogal de um hiato.</p><p>Em alemão, sueco e finlandês aparece sobre as vogais a, o e u para indicar que devem ser</p><p>pronunciadas como vogais posteriores.</p><p>Cedilha</p><p>A cedilha (¸) é usada geralmente para indicar que uma consoante deve ser pronunciada de forma</p><p>sibilante. Em português, francês e turco aparece sob a letra c (ç) - no caso do turco, para indicar a</p><p>palatização. Em romeno aparece sob as letras s e t.</p><p>Anel</p><p>ACENTUAÇÃO GRÁFICA</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>O anel (˚) é um acento inexistente em português. Aparece nas línguas escandinavas sobre a letra</p><p>a (å) para indicar que deve ser pronunciada como /ó/. Também aparece em checosobre a letra u para</p><p>indicar que deve ser pronunciada como uma vogal longa.</p><p>Ogonek</p><p>O ogonek (˛) é um acento exclusivo do polonês, colocado abaixo das vogais nasais (ą, ę, ǫ, ų). Tem a</p><p>mesma função do til em português.</p><p>Regras básicas de acentuação em português</p><p>Monossílabos</p><p>Os monossílabos tônicos terminados em a, e ou o, seguidos ou não de s, são acentuados. [1]</p><p>Exemplos: pá, vá, gás, Brás, cá, má, pé, fé, mês, três, crê, vê, lê, sê, nós, pôs, xô, nó, pó, só.</p><p>Oxítonas ou agudas</p><p>As palavras oxítonas ou agudas (quando a última sílaba é a sílaba tônica) com a mesma terminação</p><p>dos monossílabos tônicos acentuados, com acréscimo do em e ens, são acentuadas. Também são</p><p>acentuadas as oxítonas terminadas nos ditongos éu, éi e ói. Exemplos:</p>
<p>pará, vatapá, estás, irás, cajá,</p><p>você, café, Urupês, jacarés, jiló, avó, avô, retrós, supôs, paletó, cipó, mocotó, alguém, armazéns,</p><p>vintém, parabéns, também, ninguém, aquém, refém, réu, céu, pastéis, herói.</p><p>Paroxítonas ou Graves</p><p>As palavras paroxítonas ou graves (quando a penúltima sílaba é a sílaba tônica) que possuem</p><p>terminação diferente das oxítonas acentuadas, são acentuadas. Exemplos: táxi, beribéri, lápis, grátis,</p><p>júri,bónus/bônus, álbum, álbuns, nêutron, prótons, incrível, útil, ágil, fácil, amável, éden, hífen, pólen,</p><p>éter, mártir, caráter, revólver, destróier, tórax, ónix/ônix, fénix/fênix, bíceps, fórceps, ímã, órfã, ímãs,</p><p>órfãs, bênção, órgão, órfãos, sótãos. São exceções as com prefixos como anti e super.</p><p>Proparoxítonas ou Esdrúxulas</p><p>As palavras proparoxítonas ou esdrúxulas (quando a antepenúltima sílaba é a sílaba tônica) são</p><p>todas acentuadas. A vogal com timbre aberto é acentuada com um acento agudo, já a com timbre</p><p>fechado ou nasal é acentuada com um acento circunflexo. Exemplos: lâmpada, relâmpago, Atlântico,</p><p>trôpego, Júpiter, lúcido, ótimo, víssemos, flácido.</p><p>Observação.: Palavras terminadas em encontro vocálico átono podem ser consideradas tanto</p><p>paroxítonas quanto proparoxítonas, e devem ser todas acentuadas. Encontros vocálicos átonos no</p><p>fim de palavras tanto podem ser entendidos como ditongos quanto como hiatos.</p><p>Exemplos: cárie, história, árduo, água, errôneo. FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda (2010). mini</p><p>Aurélio 8 ed. Curitiba: Positivo. p. 20. ISBN 85-385-4239-1 Verifique |isbn=(ajuda) </ref></p><p>Exemplos: anéis, fiéis, papéis, céu, troféu, véu, constrói, dói, herói.</p><p>Hiatos</p><p>As letras i e u (seguidos ou não de s) quando em hiatos, são acentuados desde que estas letras</p><p>sejam precedidas por vogal e que estejam isoladas em uma sílaba (só o i ou só o u).</p><p>Exemplos: a-í, ba-la-ús-tre, e-go-ís-ta, fa-ís-ca, vi-ú-vo, he-ro-í-na, sa-í-da, sa-ú-de.</p><p>Obs.: Não se acentuam as palavras oxítonas terminadas em i ou u, seguidos ou não do s, pois fogem</p><p>a regra das oxítonas acentuadas. Palavras como baú, saí, Anhangabaú, etc., são acentuadas não por</p><p>serem oxítonas, mas pelo i e u formarem sílabas sozinhos (hiato).</p><p>Não se acentuam hiatos que precedem as letras l, r, z, m, n, e o dígrafo nh. Exemplo contribuinte.</p><p>Acento Diferencial</p><p>ACENTUAÇÃO GRÁFICA</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>pôde (pret. perf. do ind. de poder) de pode (pres. do ind. de poder);</p><p>pôr (verbo) de por (preposição);</p><p>têm (terceira pessoa do plural do verbo ter) de tem (terceira pessoa do singular do verbo ter);</p><p>derivados do verbo ter têm na terceira pessoa do singular um acento agudo "´", já a terceira pessoa</p><p>do plural tem um acento circunflexo "^" mantém/mantêm;</p><p>vêm (terceira pessoa do plural do verbo vir) - vem (terceira pessoa do singular do verbo vir);</p><p>derivados do verbo vir têm na terceira pessoa do singular um acento agudo "´", já a terceira pessoa</p><p>do plural tem um acento circunflexo "^" provém/provêm.</p><p>Casos em que o acento diferencial é opcional:</p><p>Acento diferencial do pretérito: chegámos (1ª pessoa do plural no pretérito - indicativo) chegamos (1ª</p><p>pessoa do plural no presente - indicativo)</p><p>fôrma (substantivo) de forma (substantivo e verbo)</p><p>Após a reforma ortográfica, o acento diferencial foi quase totalmente eliminado da escrita, porém,</p><p>obviamente, a pronúncia continua a mesma.</p><p>Acentuação Gráfica</p><p>O português, assim como outras línguas neolatinas, apresenta acento gráfico. Toda palavra da língua</p><p>portuguesa de duas ou mais sílabas possui uma sílaba tônica. Observe as sílabas tônicas das</p><p>palavras arte, gentil, táxi e mocotó. Você constatou que a tonicidade recai sobre a sílaba inicial</p><p>em arte, a final em gentil, a inicial em táxi e a final em mocotó.</p><p>Além disso, notou que a sílaba tônica nem sempre recebe acento gráfico. Portanto, todas as palavras</p><p>com duas ou mais sílabas terão acento tônico, mas nem sempre terão acento gráfico. A tonicidade</p><p>está para a oralidade (fala) assim como o acento gráfico está para a escrita (grafia).</p><p>Oxítonas</p><p>1. São assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas que terminam em a, e e o abertos, e com</p><p>acento circunflexo as que terminam em e e o fechados, seguidos ou não de s.</p><p>Exemplos:</p><p>a já, cajá, vatapá</p><p>as ás, ananás, mafuás</p><p>e fé, café, jacaré</p><p>es pés, pajés, pontapés</p><p>o pó, cipó, mocotó</p><p>os nós, sós, retrós</p><p>e crê, dendê, vê</p><p>es freguês, inglês, lês</p><p>o avô, bordô, metrô</p><p>os bisavôs, borderôs, propôs</p><p>2. São acentuados os infinitivos seguidos dos pronomes oblíquos lo, la, los, las.</p><p>Exemplos: dá-lo, matá-los, vendê-la, fê-las, compô-lo, pô-los etc.</p><p>3. Nunca se acentuam as oxítonas terminadas em i e u e em consoantes.</p><p>Exemplos: ali, caqui, rubi, bambu, rebu, urubu, sutil, clamor.</p><p>4. Nunca se acentuam os infinitivos em i, seguidos dos pronomes oblíquos lo, la, los, las.</p><p>ACENTUAÇÃO GRÁFICA</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Exemplos: fi-lo, puni-la, reduzi-los, feri-las</p><p>5. Acentuam-se sempre as oxítonas de duas ou mais sílabas terminadas em -em e -ens.</p><p>Exemplos: alguém, armazém, também, parabéns, reféns.</p><p>Paroxítonas</p><p>1. Assinalam-se com acento agudo ou circunflexo as paroxítonas terminadas em i, is, ã, ãs, ão, ãos,</p><p>us, l, um, uns, n, ps, r, x:</p><p>Exemplos:</p><p>i dândi, júri, táxi</p><p>is lápis, tênis, Clóvis</p><p>ã/ãs ímã, órfã, ímãs</p><p>ão/ãos bênção, órfão, órgãos</p><p>us bônus, ônus, vírus</p><p>l amável, fácil, imóvel</p><p>um/uns álbum, médium, quóruns</p><p>n albúmen, hífen, Nílton</p><p>ps bíceps, fórceps, tríceps</p><p>r César, mártir, revólver</p><p>x fênix, látex, tórax</p><p>Observação</p><p>As paroxítonas terminadas em -en perdem o acento no plural.</p><p>Exemplos: hifens, liquens.</p><p>2. Os prefixos anti-, inter-, semi- e super-, embora paroxítonos, não são acentuados graficamente.</p><p>Exemplos: inter-humano, inter-racial, anti-ibérico, anti-humano, semi-hebdomadário, semi-infantil,</p><p>super-homem, super-requintado.</p><p>3. Não se acentuam graficamente as paroxítonas apenas porque apresentam vogais tônicas abertas</p><p>ou fechadas.</p><p>Exemplos: espelho, famosa, medo, ontem, socorro, pires, tela.</p><p>4. Depois do Acordo Ortográfico, não se usa mais o acento no i e no u tônicos das palavras</p><p>paroxítonas quando vierem depois de um ditongo decrescente. Se o i ou o u forem precedidos de</p><p>ditongo crescente, porém, o acento permanece.</p><p>Exemplos: baiuca, bocaiuva, cauila, feiura, guaíba, Guaíra.</p><p>Proparoxítonas</p><p>Todas as proparoxítonas são acentuadas graficamente.</p><p>Exemplos: abóbora, bússola, cântaro, dúvida, líquido, mérito, nórdico, política, relâmpago, têmpora.</p><p>Casos especiais</p><p>1. Acentuam-se sempre os ditongos tônicos abertos éis, éu(s) e ói(s).</p><p>Exemplos: fiéis, céu, chapéus, herói, caracóis etc.</p><p>2. Depois do Acordo Ortográfico, não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras</p><p>paroxítonas.</p><p>Exemplos: alcateia, geleia, ideia, plateia, boia, joia, asteroide, heroico.</p><p>ACENTUAÇÃO GRÁFICA</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>3. Acentuam-se sempre o i e o u tônicos dos hiatos, quando estes formam sílabas sozinhas ou são</p><p>seguidos de s.</p><p>Exemplos: aí, balaústre, baú, egoísta, faísca, heroína, saída, saúde, viúvo.</p><p>4. Acentuam-se graficamente as palavras terminadas em ditongo oral átono, seguido ou não de s.</p><p>Exemplos: área, ágeis, importância, jóquei, lírios, mágoa, extemporâneo, régua, tênue, túneis.</p><p>5. Emprega-se o til para indicar a nasalização de vogais.</p><p>Exemplos: afã, coração, devoções, maçã, relação.</p><p>6. Depois do Acordo Ortográfico, não é mais acentuado o primeiro o do hiato oo.</p><p>Exemplos: enjoo, voo.</p><p>7. Depois do Acordo Ortográfico, não são mais acentuadas as formas verbais dissílabas terminadas</p><p>em eem.</p><p>Exemplos: creem, leem, veem, deem e correlatas.</p><p>8. Depois do Acordo Ortográfico, o trema não é mais utilizado.</p><p>Exemplos: frequente, tranquilo.</p><p>Observação</p><p>O trema permanece, porém, nas palavras estrangeiras e em suas derivadas.</p><p>Exemplos: Müller, mülleriano.</p><p>9. Depois do Acordo Ortográfico, não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis,</p><p>(ele) argui,</p>
<p>(eles) arguem, do presente do indicativo do verbo arguir. O mesmo vale para o seu</p><p>composto redarguir.</p><p>10. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar,</p><p>apaziguar, averiguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir etc. Esses verbos admitem duas</p><p>pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do</p><p>imperativo.</p><p>a) Se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas.</p><p>Exemplos:</p><p>verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem.</p><p>verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam.</p><p>b) Se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas.</p><p>Exemplos:</p><p>verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues, enxaguem.</p><p>verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua, delinquas, delinquam.</p><p>Observação</p><p>a) A vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pronunciada mais fortemente que as outras.</p><p>b) No Brasil, a pronúncia mais corrente é a com a e i tônicos.</p><p>ACENTUAÇÃO GRÁFICA</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>11. O acento diferencial é utilizado para distinguir uma palavra de outra que se grafa de igual</p><p>maneira. Depois do Acordo Ortográfico, passamos a usar apenas alguns acentos diferenciais.</p><p>Exemplos:</p><p>pôde (pretérito perfeito do indicativo de poder) pode (presente do indicativo de poder)</p><p>pôr (verbo) por (preposição)</p><p>têm (3.a pessoa do plural do verbo ter) tem (3.a pessoa do singular do verbo</p><p>ter)</p><p>vêm (3.a pessoa do plural do verbo ter) vem (3.a pessoa do singular do verbo</p><p>ter)</p><p>Observações</p><p>a) O Acordo Ortográfico passou a aceitar a dupla grafia da palavra fôrma/forma, acentuada ou não.</p><p>b) Os derivados do verbo ter (conter, deter, manter etc.) seguem a mesma regra do verbo ter.</p><p>Exemplos:</p><p>Ele contém Eles contêm</p><p>Ele detém Eles detêm</p><p>Ele mantém Eles mantêm</p><p>c) Depois do Acordo Ortográfico, não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para,</p><p>péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.</p><p>Exemplos:</p><p>Ele para o carro.</p><p>Ele foi ao polo Norte.</p><p>Ele gosta de jogar polo.</p><p>Esse gato tem pelos brancos.</p><p>Comi uma pera.</p><p>Acentuação</p><p>Gramática</p><p>O Novo Acordo Ortográfico, em uso desde 2009, estabeleceu muitas mudanças nas regras de</p><p>acentuação gráfica.</p><p>Em se tratando de acentuação, devemos nos ater à questão das novas regras ortográficas da Língua</p><p>Portuguesa, as quais entraram em uso desde o dia 1º de janeiro de 2009. Como toda mudança</p><p>implica adequação, o ideal é que façamos uso das novas regras o quanto antes.</p><p>O estudo exposto a seguir visa a aprofundar seus conhecimentos no que se refere à maneira correta</p><p>de grafar as palavras, levando em consideração as regras de acentuação e o que foi proposto pelo</p><p>novo acordo ortográfico.</p><p>Acentuação Tônica</p><p>A acentuação tônica refere-se à intensidade em que são pronunciadas as sílabas das palavras.</p><p>Aquela que é pronunciada de forma mais acentuada é a sílaba tônica. As demais, como são</p><p>pronunciadas com menos intensidade, são denominadas de átonas.</p><p>De acordo com a tonicidade, as palavras são classificadas como:</p><p>Oxítonas: são aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a última sílaba.</p><p>ACENTUAÇÃO GRÁFICA</p><p>8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Ex.: café – coração – cajá – atum – caju – papel</p><p>Paroxítonas: são aquelas em que a sílaba tônica evidencia-se na penúltima sílaba.</p><p>Ex.: útil – tórax – táxi – leque – retrato – passível</p><p>Proparoxítonas: são aquelas em que a sílaba tônica evidencia-se na antepenúltima sílaba.</p><p>Ex.: lâmpada – câmara – tímpano – médico – ônibus</p><p>Acentuação gráfica</p><p>Regras fundamentais:</p><p>Proparoxítonas: todas são acentuadas. Ex.: analítico, hipérbole, jurídico, cólica.</p><p>Palavras oxítonas: acentuam-se todas as oxítonas terminadas em "a", "e", "o", "em", seguidas ou não</p><p>do plural(s). Ex.: Pará – café(s) – cipó(s) – armazém(s)</p><p>Essa regra também é aplicada aos seguintes casos:</p><p>→ Monossílabos tônicos terminados em "a", "e", "o", seguidos ou não de “s”.</p><p>Ex.: pá – pé – dó – há</p><p>→ Formas verbais terminadas em "a", "e", "o" tônicos seguidas de lo, la, los, las.</p><p>Ex.: respeitá-lo – percebê-lo – compô-lo.</p><p>Paroxítonas: Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em:</p><p>→ i, is</p><p>Ex.: táxi – lápis – júri</p><p>→ us, um, uns</p><p>Ex.: vírus – álbuns – fórum</p><p>→ l, n, r, x, ps</p><p>Ex.: automóvel – elétron - cadáver – tórax – fórceps</p><p>→ ã, ãs, ão, ãos</p><p>Ex.: ímã – ímãs – órfão – órgãos</p><p>→ Ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não de “s”.</p><p>Ex.: água – pônei – mágoa – jóquei</p><p>Regras especiais:</p><p>→ Os ditongos de pronúncia aberta "ei", "oi", que antes eram acentuados, perderam o acento com o</p><p>Novo Acordo. Veja na tabela a seguir alguns exemplos:</p><p>ANTES AGORA</p><p>Assembléia Assembleia</p><p>Idéia Ideia</p><p>Geléia Geleia</p><p>Jibóia Jiboia</p><p>Apóia (verbo apoiar) Apoia</p><p>ACENTUAÇÃO GRÁFICA</p><p>9 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Paranóico Paranoico</p><p>→ Quando "i" e "u" tônicos formarem hiato com a vogal anterior, acompanhados ou não de "s", desde</p><p>que não sejam seguidos por "-nh", haverá acento:</p><p>Ex.: saída – faísca – baú – país – Luís</p><p>Observação importante:</p><p>→ Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos formando hiato quando vierem depois de ditongo:</p><p>ANTES AGORA</p><p>Bocaiúva Bocaiuva</p><p>Feiúra Feiura</p><p>Sauípe Sauipe</p><p>→ O acento pertencente aos hiatos “oo” e “ee” foi abolido.</p><p>ANTES AGORA</p><p>crêem creem</p><p>lêem leem</p><p>vôo voo</p><p>enjôo enjoo</p><p>→ Não se acentuam as vogais "i" e "u" dos hiatos se vierem precedidas de vogal idêntica:</p><p>Ex.: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba .</p><p>No entanto, em se tratando de palavra proparoxítona, haverá o acento, já que a regra de acentuação</p><p>das proparoxítonas prevalece sobre a dos hiatos:</p><p>Ex.: fri-ís-si-mo, se-ri-ís-si-mo</p><p>→ As formas verbais que possuíam o acento tônico na raiz com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e</p><p>seguido de "e" ou "i" não serão mais acentuadas.</p><p>ANTES AGORA</p><p>apazigúe (apaziguar) apazigue</p><p>averigúe (averiguar) averigue</p><p>argúi (arguir) argui</p><p>→ Acentua-se a 3ª pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter e vir e dos seus</p><p>compostos (conter, reter, advir, convir etc.).</p><p>SINGULAR PLURAL</p><p>ele tem eles têm</p><p>ele vem eles vêm</p><p>ele contém eles contêm</p><p>ele obtém eles obtêm</p><p>ele retém eles retêm</p><p>→ Não se acentuam mais as palavras homógrafas para diferenciá-las de outras semelhantes. Apenas</p><p>em algumas exceções, como:</p><p>A forma verbal pôde (terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do modo indicativo) ainda</p><p>continua sendo acentuada para diferenciar-se de pode (terceira pessoa do singular do presente do</p><p>indicativo). O mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciá-lo da preposição por.</p><p>Exemplos de palavras homógrafas:</p><p>Pera (substantivo) - pera (preposição antiga)</p><p>ACENTUAÇÃO GRÁFICA</p><p>10 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Para (verbo) - para (preposição)</p><p>Pelo(s) (substantivo) - pelo (do verbo pelar)</p><p>______________________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________</p>
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Eles não apenas indicam pausas e entonações durante a leitura, mas</p><p>também estabelecem relações sintáticas e semânticas entre os elementos do texto. Abaixo, explora-</p><p>mos os principais sinais de pontuação, seu emprego e sua função no texto.</p><p>Os sinais de pontuação são recursos de linguagem empregados na língua escrita edesempenham a</p><p>função de demarcadores de unidades e de sinalizadores de limitesde estruturas sintáticas nos tex-</p><p>tos escritos. Assim, os sinais de pontuação cumprem o papel dos recursos prosódicos, utilizados na</p><p>fala para darmos ritmo, entoação e pausas e indicarmos os limites sintáticos e unidades de sentido.</p><p>Como na fala temos o contato direto com nossos interlocutores, contamos também com nossos ges-</p><p>tos para tentar deixar claro aquilo que queremos dizer. Na escrita, porém, são os sinais de pontuação</p><p>que garantem a coesão e a coerência interna dos textos, bem como os efeitos de sentidos dos enun-</p><p>ciados.</p><p>Vejamos, a seguir, quais são os sinais de pontuação que nos auxiliam nos processos de escrita:</p><p>Ponto ( . )</p><p>Indicar o final de uma frase declarativa:</p><p>Gosto de sorvete de goiaba.</p><p>b) Separar períodos:</p><p>Fica mais um tempo. Ainda é cedo.</p><p>c) Abreviar palavras:</p><p>Av. (Avenida)</p><p>V. Ex.ª (Vossa Excelência)</p><p>p. (página)</p><p>Dr. (doutor)</p><p>Dois-pontos ( : )</p><p>Iniciar fala de personagens:</p><p>O aluno respondeu:</p><p>– Parta agora!</p><p>b) Antes de apostos ou orações apositivas, enumerações ou sequência de palavras que explicam</p><p>e/ou resumem ideias anteriores.</p><p>Esse é o problema dos caixas eletrônicos: não tem ninguém para auxiliar os mais idosos.</p><p>Anote o número do protocolo: 4254654258.</p><p>c) Antes de citação direta:</p><p>Como já dizia Vinícius de Morais: “Que o amor não seja eterno posto que é chama, mas que seja</p><p>infinito enquanto dure.”</p><p>Reticências ( ... )</p><p>Indicar dúvidas ou hesitação:</p><p>Sabe... andei pensando em uma coisa... mas não é nada demais.</p><p>PONTUAÇÃO</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>b) Interromper uma frase incompleta sintaticamente:</p><p>Quem sabe se tentar mais tarde...</p><p>c) Concluir uma frase gramaticalmente incompleta com a intenção de estender a reflexão:</p><p>“Sua tez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...” (Cecí-</p><p>lia - José de Alencar)</p><p>d) Suprimir palavras em uma transcrição:</p><p>“Quando penso em você (...) menos a felicidade.” (Canteiros - Raimundo Fagner)</p><p>Parênteses ( )</p><p>Isolar palavras, frases intercaladas de caráter explicativo, datas e também podem substituir a vírgula</p><p>ou o travessão:</p><p>Manuel Bandeira não pôde comparecer à Semana de Arte Moderna (1922).</p><p>"Uma manhã lá no Cajapió (Joca lembrava-se como se fora na véspera), acordara depois duma</p><p>grande tormenta no fim do verão.” (O milagre das chuvas no Nordeste- Graça Aranha)</p><p>Ponto de Exclamação ( ! )</p><p>Após vocativo</p><p>Ana, boa tarde!</p><p>b) Final de frases imperativas:</p><p>Cale-se!</p><p>c) Após interjeição:</p><p>Ufa! Que alívio!</p><p>d) Após palavras ou frases de caráter emotivo, expressivo:</p><p>Que pena!</p><p>Ponto de Interrogação ( ? )</p><p>Em perguntas diretas:</p><p>Quantos anos você tem?</p><p>b) Às vezes, aparece com o ponto de exclamação para enfatizar o enunciado:</p><p>Não brinca, é sério?!</p><p>Vírgula ( , )</p><p>De todos os sinais de pontuação, a vírgula é aquele que desempenha o maior número de fun-</p><p>ções. Ela é utilizada para marcar uma pausa do enunciado e tem a finalidade de nos indicar que os</p><p>termos por ela separados, apesar de participarem da mesma frase ou oração, não formam uma uni-</p><p>dade sintática.</p><p>Por outro lado, quando há umarelação sintática entre termos da oração, não se pode separá-los por</p><p>meio de vírgula.</p><p>Antes de explicarmos quais são os casos em que devemos utilizar a vírgula, vamos explicar primeiro</p><p>os casos em que NÃO devemos usar a vírgula para separar os seguintes termos:</p><p>PONTUAÇÃO</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Sujeito de Predicado;</p><p>Objeto de Verbo;</p><p>Adjunto adnominal de nome;</p><p>Complemento nominal de nome;</p><p>Predicativo do objeto do objeto;</p><p>Oração principal da Subordinada substantiva (desde que esta não seja apositiva nem apareça na</p><p>ordem inversa).</p><p>Casos em que devemos utilizar a vírgula:</p><p>A vírgula no interior da oração</p><p>Utilizada com o objetivo de separar o vocativo:</p><p>Ana, traga os relatórios.</p><p>O tempo, meus amigos, é o que nos confortará.</p><p>b) Utilizada com o objetivo de separar apostos:</p><p>Valdirene, minha prima de Natal, ligou para mim ontem.</p><p>Caio, o aluno do terceiro ano B, faltou à aula.</p><p>c) Utilizada com o objetivo de separar o adjunto adverbial antecipado ou intercalado:</p><p>Quando chegar do trabalho, procurarei por você.</p><p>Os políticos, muitas vezes, são mentirosos.</p><p>d) Utilizada com o objetivo de separar elementos de uma enumeração:</p><p>Estamos contratando assistentes, analistas, estagiários.</p><p>Traga picolé de uva, groselha, morango, coco.</p><p>e) Utilizada com o objetivo de isolar expressões explicativas:</p><p>Quero o meu suco com gelo e açúcar, ou melhor, somente gelo.</p><p>f) Utilizada com o objetivo de separar conjunções intercaladas:</p><p>Não explicaram, porém, o porquê de tantas faltas.</p><p>g) Utilizada com o objetivo de separar o complemento pleonástico antecipado:</p><p>A ele, nada mais abala.</p><p>h) Utilizada com o objetivo de isolar o nome do lugar na indicação de datas:</p><p>Goiânia, 01 de novembro de 2016.</p><p>Utilizada com o objetivo de separar termos coordenados assindéticos:</p><p>É pau, é pedra, é o fim do caminho.</p><p>Utilizada com o objetivo de marcar a omissão de um termo:</p><p>Ele gosta de fazer academia, e eu, de comer. (omissão do verbo gostar)</p><p>PONTUAÇÃO</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Casos em que se usa a vírgula antes da conjunção e:</p><p>Utilizamos a vírgula quando as orações coordenadas possuem sujeitos diferentes:</p><p>Os banqueiros estão cada vez mais ricos, e o povo, cada vez mais pobre.</p><p>2) Utilizamos a vírgula quando a conjunção “e” repete-se com o objetivo de enfatizaralguma ideia</p><p>(polissíndeto):</p><p>E eu canto, e eu danço, e bebo, e me jogo nos blocos de carnaval.</p><p>3) Utilizamos a vírgula quando a conjunção “e” assume valores distintos que não retratam sentido de</p><p>adição (adversidade, consequência, por exemplo):</p><p>Chorou muito, e ainda não conseguiu superar a distância.</p><p>A vírgula entre orações</p><p>A vírgula é utilizada entre orações nas seguintes situações:</p><p>Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas:</p><p>Meu filho, de quem só guardo boas lembranças, deixou-nos em fevereiro de 2000.</p><p>b) Para separar</p>
<p>as orações coordenadas sindéticas e assindéticas, com exceção das orações inicia-</p><p>das pela conjunção “e”:</p><p>Cheguei em casa, tomei um banho, fiz um sanduíche e fui direto ao supermercado.</p><p>Estudei muito, mas não consegui ser aprovada.</p><p>c) Para separar orações subordinadas adverbiais (desenvolvidas ou reduzidas), principalmente se</p><p>estiverem antepostas à oração principal:</p><p>"No momento em que o tigre se lançava, curvou-se ainda mais; e fugindo com o corpo apresentou o</p><p>gancho." (O selvagem - José de Alencar)</p><p>d) Para separar as orações intercaladas:</p><p>"– Senhor, disse o velho, tenho grandes contentamentos em estar plantando-a...”</p><p>e) Para separar as orações substantivas antepostas à principal:</p><p>Quando sai o resultado, ainda não sei.</p><p>Ponto e vírgula ( ; )</p><p>Utilizamos ponto e vírgula para separar os itens de uma sequência de outros itens:</p><p>Antes de iniciar a escrita de um texto, o autor deve fazer-se as seguintes perguntas:</p><p>O que dizer;</p><p>A quem dizer;</p><p>Como dizer;</p><p>Por que dizer;</p><p>Quais objetivos pretendo alcançar com este texto?</p><p>Utilizamos ponto e vírgula para separar orações coordenadas muito extensas ou orações coordena-</p><p>das nas quais já se tenha utilizado a vírgula:</p><p>PONTUAÇÃO</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>“O rosto de tez amarelenta e feições inexpressivas, numa quietude apática, era pronunciadamente</p><p>vultuoso, o que mais se acentuava no fim da vida, quando a bronquite crônica de que sofria desde</p><p>moço se foi transformando em opressora asma cardíaca; os lábios grossos, o inferior um tanto tenso."</p><p>(O Visconde de Inhomerim - Visconde de Taunay)</p><p>Travessão ( — )</p><p>Utilizamos o travessão para iniciar a fala de um personagem no discurso direto:</p><p>A mãe perguntou ao filho:</p><p>— Já lavou o rosto e escovou os dentes?</p><p>b) Utilizamos o travessão para indicar mudança do interlocutor nos diálogos:</p><p>— Filho, você já fez a sua lição de casa?</p><p>— Não se preocupe, mãe, já está tudo pronto.</p><p>c) Utilizamos o travessão para unir grupos de palavras que indicam itinerários:</p><p>Disseram-me que não existe mais asfalto na rodovia Belém—Brasília.</p><p>d) Utilizamos o travessão também para substituir a vírgula em expressões ou frases explicativas:</p><p>Pelé — o rei do futebol — anunciou sua aposentadoria.</p><p>Aspas ( “ ” )</p><p>As aspas são utilizadas com as seguintes finalidades:</p><p>Isolar palavras ou expressões que fogem à norma culta, como gírias, estrangeirismos, palavrões,</p><p>neologismos, arcaísmos e expressões populares:</p><p>A aula do professor foi “irada”.</p><p>Ele me pediu um “feedback” da resposta do cliente.</p><p>b) Indicar uma citação direta:</p><p>“Ia viajar! Viajei. Trinta e quatro vezes, às pressas, bufando, com todo o sangue na face, desfiz e refiz</p><p>a mala”. (O prazer de viajar - Eça de Queirós)</p><p>FIQUE ATENTO!</p><p>Caso haja necessidade de destacar um termo que já está inserido em uma sentença destacada por</p><p>aspas, esse termo deve ser destacado com marcação simples ('), não dupla (").</p><p>Veja agora algumas observações relevantes:</p><p>Dispensam o uso da vírgula os termos coordenados ligados pelas conjunções e, ou, nem.</p><p>Observe:</p><p>Preferiram os sorvetes de creme, uva e morango.</p><p>Não gosto nem desgosto.</p><p>Não sei se prefiro Minas Gerais ou Goiás.</p><p>Caso os termos coordenados ligados pelas conjunções e, ou, nem aparecerem repetidos, com a fina-</p><p>lidade de enfatizar a expressão, o uso da vírgula é, nesse caso, obrigatório.</p><p>Observe:</p><p>PONTUAÇÃO</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Não gosto nem do pai, nem do filho, nem do cachorro, nem do gato dele.</p><p>Importância dos Sinais de Pontuação no Texto</p><p>Os sinais de pontuação desempenham um papel crucial na construção da coesão e coerência textual.</p><p>Eles não apenas organizam as ideias, mas também orientam a interpretação do leitor, indicando co-</p><p>mo as partes do texto se relacionam e ajudando a transmitir a intenção comunicativa do autor. Em</p><p>textos acadêmicos e profissionais, o uso correto da pontuação é essencial para garantir clareza, pre-</p><p>cisão e eficiência na comunicação.</p><p>Além disso, a pontuação pode influenciar diretamente o tom do texto, afetando a forma como a men-</p><p>sagem é percebida. Um mesmo conteúdo pode ser entendido de maneiras diferentes dependendo</p><p>dos sinais de pontuação utilizados, evidenciando a importância de dominar seu uso para uma comu-</p><p>nicação eficaz.</p><p>Em resumo, o emprego adequado dos sinais de pontuação é essencial para a clareza, organização e</p><p>expressividade do texto na língua portuguesa. Eles facilitam a compreensão, ajudam a evitar ambi-</p><p>guidades e são fundamentais para a estruturação lógica das ideias. Portanto, é vital que se dedique</p><p>atenção especial ao aprendizado e à prática correta da pontuação para se alcançar uma comunica-</p><p>ção escrita clara e eficiente.</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>PROCESSO DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Processo de Coordenação e Subordinação</p><p>A análise sintática "serve" para examinar o texto, as suas estruturas e os elementos que o compõem.</p><p>O texto é composto por orações e períodos. A oração é uma frase que possui verbo, enquanto o período</p><p>é o conjunto de orações. Exemplo:</p><p>A menina caiu da bicicleta quando fez a curva.</p><p>Nesse exemplo há duas orações porque há dois verbos (“cair” e “fazer”). Entenda que, cada termo da</p><p>oração tem uma função específica e é isso que a análise sintática tem como objetivo, determinar essa</p><p>função. E esses termos podem ser classificados como essenciais, integrantes e acessórios.</p><p>Essenciais: sujeito e predicado.</p><p>Integrantes: objeto direto e objeto indireto, complemento nominal e agente da passiva.</p><p>Acessórios: adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto.</p><p>Essenciais E Integrantes</p><p>Observe a frase:</p><p>A menina pegou a bola.</p><p>“A menina” é o sujeito e “pegou a bola” é o predicado. O verbo é o “pegar” que é classificado como</p><p>transitivo direto e “a bola” é o complemento do verbo, o objeto direto.</p><p>Uma forma de determinar a classificação dos objetos é perguntando ao verbo. Veja: quem pega, pega</p><p>alguma coisa. Quando a pergunta não necessita de uma preposição, o verbo é transitivo direto. Ob-</p><p>serve a diferença nessa frase:</p><p>Eu preciso de você.</p><p>O verbo precisar é transitivo indireto. Faça a pergunta: quem precisa, precisa “de” alguém. O termo</p><p>“de” é uma preposição, logo, a expressão “de você” é um objeto indireto.</p><p>O complemento nominal serve para complementar um termo que não seja verbo dentro da oração.</p><p>Diferentemente</p>
<p>do objeto indireto, o complemento nominal completa um substantivo, adjetivo e advér-</p><p>bio e não um verbo. Por exemplo: A menina teve orgulho do pai. A expressão “do pai” complementa o</p><p>sentido de “orgulho”.</p><p>O agente da passiva sempre está acompanhado de duas preposições, “por” e “de”. Se o verbo estiver</p><p>na voz passiva, o agente será aquele que praticará a ação do verbo. Veja: O pássaro foi capturado</p><p>pelos agentes. A expressão “pelos agentes” é o agente da passiva.</p><p>Acessórios</p><p>Já os termos que são acessórios na oração caracterizam algo. O adjunto adnominal, por exemplo,</p><p>especifica o substantivo. Não há uma regra específica, pode ser artigos, locuções, pronomes, adjetivos</p><p>e mais. Exemplo: Seu olhar singelo é lindo. O termo “singelo” é o adjunto adnominal. Veja outro exem-</p><p>plo: O passeio de barco me cansou. A expressão “de barco” é um adjunto adnominal.</p><p>Por outro lado, o adjunto adverbial funciona como advérbio dentro da oração. Logo, vamos rever os</p><p>tipos de advérbios: afirmação, negação, intensidade, dúvida, tempo, companhia, causa, finalidade, lu-</p><p>gar, meio e assunto. Exemplo: Isso está muito difícil! O termo “muito” é um adjunto adverbial.</p><p>E o aposto explica um termo na oração. Exemplo: A Carol, menina sapeca, entrou na escola. A expres-</p><p>são “menina sapeca” está explicando quem é a Carol. A expressão é o aposto da oração.</p><p>Coordenação e Subordinação</p><p>Dentro da análise sintática, os períodos podem ser classificados em: composto por coordenação, su-</p><p>bordinação ou coordenação e subordinação.</p><p>PROCESSO DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>O período de coordenação é composto por orações que são autônomas, independentes entre si, mas</p><p>que juntas complementam o sentido da frase. Exemplo: Eu dormi e sonhei com você. Observe que</p><p>ambas as orações são independentes, isto é, fazem sentido se fossem separadas.</p><p>Já o período composto por subordinação apresenta orações que são dependentes entre si, são subor-</p><p>dinadas. Veja: O bolo que ela fez ainda deixava lembranças. As duas orações não podem ser separa-</p><p>das.</p><p>E ainda há o período composto por coordenação e subordinação que, nada mais é, a junção dos dois.</p><p>Exemplo: O juiz entrou na quadra e permitiu que o jogo começasse. Há três orações. As duas primeiras</p><p>são coordenadas e a terceira é subordinada.</p><p>Existem 5 tipos de classificações para orações coordenadas:</p><p>Oração coordenada aditiva: acresce uma informação. Ex: Eu dormi e sonhei.</p><p>Oração coordenada adversativa: apresenta um contraste. Ex: Eu passei no vestibular, mas não sei se</p><p>é isso que quero.</p><p>Oração coordenada alternativa: apresenta alternância. Ex: Ora você gosta de mim, ora você some.</p><p>Oração coordenada conclusiva: conclui a ideia. Ex: Não gosto daqui. Portanto, pedirei a minha demis-</p><p>são.</p><p>Oração coordenada explicativa: tem como objetivo explicar. Ex: Você está errado porque tenho provas.</p><p>Já no período de subordinação há duas categorias: orações subordinadas adjetivas (função de adjetivo)</p><p>e orações subordinadas adverbiais (função de advérbio).</p><p>Orações Subordinadas Adjetivas</p><p>Orações subordinadas adjetivas podem ser duas: restritivas e explicativas. As restritivas limitam o que</p><p>a frase quer dizer. Exemplo: Se não fosse pela mulher que me ajudou, não teria conseguido. O sentido</p><p>da “mulher” é único, não é generalizado, é específico, é uma mulher X. Já nas orações explicativas, o</p><p>sentido é mais abrangente: O homem, um ser racional, busca ser melhor em todos os campos da vida.</p><p>A expressão “um ser racional” está entre vírgulas e, portanto, está generalizando todos os homens não</p><p>apenas um.</p><p>Orações Subordinadas Adverbiais</p><p>Podem ter 9 classificações:</p><p>Oração subordinada adverbial causal: expressa causa. Ex: Não posso opinar, uma vez que não tenho</p><p>direito.</p><p>Oração subordinada adverbial concessiva: indica permissão. Ex: Você pode fazer isso, mesmo que não</p><p>tenha experiência.</p><p>Oração subordinada adverbial condicional: expressa condição. Ex: Se você conseguir, ganhará uma</p><p>recompensa.</p><p>Oração subordinada adverbial comparativa: indica uma comparação. Ex: Os olhos azuis são boni-</p><p>tos como o do pai.</p><p>Oração subordinada adverbial consecutiva: relação de causa e consequência. Ex: Acordei tão atra-</p><p>sado que não consegui entrar na faculdade.</p><p>Oração subordinada adverbial final: indica uma finalidade. Ex: Eu fiz isso para subir na vida.</p><p>Oração subordinada adverbial temporal: expressa tempo. Ex: Chorei por você quando foi embora.</p><p>Oração subordinada adverbial proporcional: indica proporção. Ex: Fui amolecendo à medida que per-</p><p>cebi que te amava.</p><p>PROCESSO DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Oração subordinada adverbial conformativa: expressa conformidade. Ex: Fiz o que você pediu con-</p><p>forme as regras.</p><p>Coordenação e Subordinação</p><p>Para compreender a estrutura sintática de uma frase, ou seja, a análise em relação à organização da</p><p>mesma, que é dividida em coordenação e subordinação; primeiramente deve-se entender o que é frase;</p><p>e, de acordo com Mattoso Câmara, nada mais é do que “unidade de comunicação linguística, caracte-</p><p>rizada [...] do ponto de vista comunicativo – por ter um propósito definido e ser suficiente pra defini-lo,</p><p>e do ponto de vista fonético – por uma entonação [...] que lhe assinala nitidamente o começo e o fim.”.</p><p>Seguindo a linha de definição acerca de frase escrita, Perini diz que se inicia com letra maiúscula e</p><p>finaliza com algum sinal de pontuação (ponto final, ponto de interrogação, ponto de exclamação etc),</p><p>todavia, outros gramáticos não delimitam a necessidade de pontuação para a constituição de frase.</p><p>O vocábulo definido acima ainda pode ser uma oração, mas a última não é sinônimo de frase; isto é,</p><p>uma oração possui verbo, mas uma frase não precisa de verbo para ser denominada como tal, sendo</p><p>assim, toda oração (ou conjunto de orações = período) é uma frase (exemplo: Abra o livro na página 4</p><p>e Faça um bolo e entregue a Maria), porém, nem toda frase é uma oração (exemplo: O caderno amarelo</p><p>da filha de João da Silva).</p><p>Quanto a período (ou enunciado) – que é a soma dos elementos estruturais da frase e tem a necessi-</p><p>dade da pontuação –, este pode ser simples ou composto; sendo por composição, será subdividido em</p><p>coordenação (semântica + sintática) e subordinação (“... é o emprego de um nível mais elevado no</p><p>lugar de outro de nível inferior”, BACK). Outro ponto a ser frisado é que composição por aposição difere-</p><p>se de composição por coordenação, pois a primeira admite expressões explicativas (isto é; quero dizer)</p><p>e expressões retificadoras (minto; aliás).</p><p>Ainda em relação à composição por aposição, Back enumera dois tipos de aposição: identificadora</p><p>(“Pedro Álvares Cabral, um almirante português, descobriu o Brasil.”) e retificadora (“João, minto, Pedro</p><p>veio até a sala.”), e ambas exercem a mesma função sintática.</p><p>A locução subordinante também tem duas classificações, podendo ser complexa ou unitária. A primeira</p><p>refere-se a uma locução verbal (Ex. Amanhã, todos os alunos irão fazer o teste), enquanto a segunda,</p><p>como o próprio nome diz, é composta por um único verbo (Ex. Ontem, Pedro fez o exame).</p><p>A explanação de alguns termos, como hipotaxe (subordinação) – estrutura muito complexa que pode</p><p>ser reduzida – e parataxe – termo equivalente para a coordenação –, hipertaxe – palavra que exerce</p><p>um grande significado, como, por exemplo, um substantivo com significado maior – é também bastante</p><p>válida para uma compreensão clara e coerente. Além disso, vale ressaltar que pronome sempre tem</p><p>função sintática.</p><p>Coordenação e Subordinação</p><p>Quando um período é simples, a oração de que é constituído recebe o nome de oração absoluta. Por</p><p>exemplo:</p><p>A menina comprou chocolate.</p><p>Quando um período é composto, ele pode apresentar os seguintes esquemas de formação:</p><p>a) Composto por Coordenação: ocorre quando é constituído apenas de orações independentes, coor-</p><p>denadas entre si, mas sem nenhuma dependência sintática.</p><p>Por Exemplo: Saímos de manhã e voltamos à noite.</p>
<p>b) Composto por Subordinação: ocorre quando é constituído de um conjunto de pelo menos duas ora-</p><p>ções, em que uma delas (Subordinada) depende sintaticamente da outra (Principal).</p><p>Por Exemplo:</p><p>Não fui à aula porque estava doente.</p><p>PROCESSO DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Oração Principal Oração Subordinada</p><p>c) Misto: quando é constituído de orações coordenadas e subordinadas.</p><p>Por Exemplo:</p><p>Fui à escola e busquei minha irmã que estava esperando.</p><p>Oração Coordenada Oração Coordenada Oração Subordinada</p><p>Obs.: qualquer oração (coordenada ou subordinada) será ao mesmo tempo principal, se houver outra</p><p>que dela dependa.</p><p>Por Exemplo:</p><p>Fui ao mercado e comprei os produtos que estavam faltando.</p><p>Coordenação x Subordinação</p><p>Sintaxe</p><p>Entender o processo de coordenação e subordinação e explicar o funcionamento das orações subor-</p><p>dinadas adjetivas explicativas fica muito mais lógico pela ótica da sintaxe</p><p>Sempre pergunto a meus alunos qual é a diferença entre orações coordenadas e subordinadas. Inva-</p><p>riavelmente, a resposta é que as primeiras são independentes, e, as segundas, dependentes.</p><p>Ora, quando se começa a operar a sintaxe, que é a movimentação das palavras do eixo paradigmático</p><p>para o sintagmático com a finalidade de gerar sentido, semântica, todas as palavras estabelecem, entre</p><p>seus pares sintagmáticos, uma indissociável subordinação.</p><p>Ou seja, na sintaxe, a relação entre as palavras quando contraem funções é de subordinação. Assim,</p><p>se digo “A menina vendia doces na praia”, todas as palavras dessa oração estão em relação de abso-</p><p>luta subordinação, quer sintática, quer semântica. E fonética, se a frase for falada.</p><p>É fácil confirmar essa asserção: quando empregamos o artigo A, ele necessariamente precisará do</p><p>substantivo a que se refere (menina) e ao qual é subordinado e ambos formam um sintagma nominal,</p><p>contraindo a função de sujeito, sintagma que exige, pois, a presença do predicado (“vendia doces na</p><p>praia”). Ao usarmos o verbo “vender” como núcleo do predicado, ele exige aqui o seu complemento, o</p><p>objeto direto, no caso “doces”.</p><p>Como o fato principal (“vender doces”) é de sentido amplo (por exemplo, onde?, quando?), é muito</p><p>conveniente, para completar a informação, que venha acompanhado de um fato secundário, a circuns-</p><p>tância. No caso de nossa oração, veio a circunstância de lugar, representada pelo adjunto adverbial “na</p><p>praia”, o qual, dentro de si, já traz subordinação do artigo ao substantivo, além da subordinação do</p><p>próprio adjunto ao verbo “vender”.</p><p>Como se percebe, subordinação absoluta dentro da sintaxe.</p><p>O “Amor” Entre as Palavras</p><p>A relação subordinante-subordinado é indispensável na sintaxe, nas contrações de funções pelas pa-</p><p>lavras, quer no período simples, quer no composto. Sem essa contração, essa simbiótica relação vo-</p><p>cabular, a sintaxe não cumpriria seu objetivo: gerar sentido.</p><p>Gladstone Chaves de Melo acha estranho que haja atração (e, no caso, subordinação) entre elementos</p><p>virtuais, quando analisa e rebate, em sua ótima Gramática Fundamental da Língua Portuguesa, Ed.</p><p>Livraria Acadêmica, Rio de Janeiro, 2. ed, 1970, p. 373, com certo inconformismo, o problema da atra-</p><p>ção de certas palavras a pronomes oblíquos:</p><p>PROCESSO DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>“Ora, uma palavra não pode atrair outra, porque, uma vez pronunciada, deixa de existir, ao passo que</p><p>a outra, a supostamente atraída, ainda não existe. Isto, sem considerar que palavra é acidente de</p><p>acidente, momentâneo resultado da passagem do ar pelos órgãos articuladores em determinada mo-</p><p>mentânea posição.”</p><p>O grande mestre levou em consideração apenas a atração oral, mas o fato é que, apesar da estranheza</p><p>dele por essa atração “virtual”, há mesmo, no campo da fala, atrações entre o que existe e o que ainda</p><p>vai existir, e vice-versa. Digamos que seja algo que ocorre lá no pensamento — abstrato, portanto — e</p><p>jorra para o real, para o concreto, para o sonoro. Mas é preciso levar em conta também a atração</p><p>gráfica.</p><p>É só percebermos o verdadeiro papel de potente ímã que as palavras de sentido relativo exercem sobre</p><p>as palavras que lhe serão complementos. Ou a atração que o substantivo exerce sobre artigos, adjeti-</p><p>vos, pronomes etc. Há, entre as palavras, uma relação de amor infinito. Ou seja, uma palavra não tem</p><p>vida nem utilidade sem as demais palavras.</p><p>Mesmo uma simples palavra afixada sobre, digamos, um frasco esclarecendo o seu conteúdo, “ácido”,</p><p>por exemplo, só sobreviverá se, ao lermos, fizermos toda a cadeia de decodificação para entendermos:</p><p>“aqui tem ácido e isso representa perigo, é preciso cuidado” etc. E essa decodificação é feita, como se</p><p>viu, por muitas outras palavras. Amor, a atração das atrações, por ser inquestionável, é mesmo a pa-</p><p>lavra que define a relação entre as palavras.</p><p>A Diferença entre Subordinadas e Coordenadas</p><p>Visto isso, qual a diferença entre orações subordinadas e coordenadas? A diferença básica é que as</p><p>orações subordinadas são (exercem) funções sintáticas dentro da oração principal, e as coordenadas</p><p>não exercem funções sintáticas.</p><p>As Funções Sintáticas das Orações Subordinadas</p><p>De acordo com a NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira), as orações substantivas exercem, dentro</p><p>da oração principal, as seguintes funções sintáticas: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento</p><p>nominal, predicativo e aposto; enquanto as orações subordinadas adverbiais funcionam como adjunto</p><p>adverbial dentro da oração principal; e as orações subordinadas adjetivas exercem a função sintática</p><p>de adjunto adnominal.</p><p>Numa sequência como “Chegamos cedo, tomamos um cafezinho, conversamos sobre política e futebol</p><p>e, finalmente, fomos trabalhar”, temos quatro orações coordenadas, porque nenhuma delas exerce</p><p>função sintática dentro de outra. Mas é claro que, entre elas, há uma dependência semântica (além da</p><p>dependência sintática entre as funções que existem dentro de cada oração), sem a qual não transmiti-</p><p>ríamos essa informação.</p><p>Já em “Tenho medo de que ele sucumba”, temos duas orações, a primeira, chamada principal, é “Te-</p><p>nho medo”, cujo sujeito é “eu”, oculto, o verbo é transitivo direto e tem como objeto direto a pala-</p><p>vra “medo”. Esse substantivo“medo” é palavra de sentido relativo e solicita um complemento nominal,</p><p>que é a oração “de que ele sucumba”.</p><p>Portanto, essa oração é subordinada por exercer a função de complemento nominal do termo “medo”</p><p>dentro da oração anterior, que lhe é principal porque um dos seus termos a tem como complemento</p><p>nominal. A omissão da preposição, possível por se tratar de oração, não muda sua função sintática. Ou</p><p>seja, em “Tenho medo que ele sucumba”, a oração “que ele sucumba” continua sendo complemento</p><p>nominal do substantivo “medo”, que, por sua vez, é o núcleo do objeto direto do verbo “tenho”.</p><p>Nomenclatura Gramatical Brasileira</p><p>Criada em 1958, a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) representou um grande avanço no ensino</p><p>do Português no Brasil ao padronizar padronizações e classificações. Até então, cada gramático utili-</p><p>zava denominações próprias para as funções sintáticas, orações subordinadas e classes gramaticais</p><p>— o objeto indireto, por exemplo, também era chamado de “complemento terminativo” ou “complemento</p><p>relativo” —, o que tornava quase impossível a homogeneidade no ensino de gramática.</p><p>PROCESSO DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>A NGB foi desenvolvida por uma comissão de grandes estudiosos da época (como Antenor Nascentes,</p><p>Rocha Lima e Celso Cunha) e estabeleceu uma divisão esquemática dos conteúdos gramaticais, uni-</p><p>ficando e fixando a nomenclatura a ser usada pelos professores no ensino escolar. Em 1959, o governo</p><p>de Juscelino Kubitschek, numa portaria recomendou sua adoção em todo o território nacional.</p><p>Adjetivos e Orações Adjetivas Restritivas e Explicativas</p><p>Antes da reforma gramatical imposta pela Nomenclatura Gramatical Brasileira, em 1959, os</p>
<p>adjetivos</p><p>também eram classificados em restritivos e explicativos. É fácil notar a dife rença, por exemplo, do</p><p>adjetivo FRIO quando se relaciona a gelo ou a mão, e do adjetivo ESCURO quando se refere a noite</p><p>ou a pele. Necessariamente todo gelo é frio e toda noite é escura, mas nem toda mão é fria nem toda</p><p>pele é escura.</p><p>No primeiro caso (gelo frio e noite escura), os adjetivos são meros epítetos, meros qualificadores e não</p><p>elementos distintivos de substantivos de mesma espécie. Eram classificados como adjetivos explicati-</p><p>vos. Já no segundo caso (mão fria e pele escura), os adjetivos não só qualificam como também distin-</p><p>guem os respectivos substantivos, uma vez que nem toda mão é fria, nem toda pele é escura. Eram</p><p>classificados como adjetivos restritivos.</p><p>Essa classificação desapareceu para os adjetivos, mas foi mantida para as orações subordinadas ad-</p><p>jetivas, que funcionam como adjunto adnominal, geralmente do termo que antecede o pronome relativo.</p><p>Quando trabalhamos com orações subordinadas adjetivas restritivas, essa constatação da função delas</p><p>como adjunto adnominal não é problemática. Mais difícil é achar e aceitar a função de adjunto adnomi-</p><p>nal de uma explicativa.</p><p>Em “O gol que a Holanda marcou desmontou a seleção brasileira”, não fica nenhuma dúvida de que a</p><p>oração em destaque é adjunto adnominal do substantivo “gol” da oração anterior, qualificando e distin-</p><p>guindo o gol holandês de outro gol qualquer. Há nessa oração a grande força distintiva do adjetivo</p><p>nesse papel. A oração “que a Holanda marcou” pode até ser substituída pelo adjetivo holandês, “O gol</p><p>holandês”, como fiz logo acima.</p><p>Porém, em “O gol, que é a alegria e a tristeza no futebol, embeleza ainda mais o espetáculo”, a oração</p><p>destacada é adjetiva explicativa e atua apenas como um epíteto, um mero qualificador, isto é, não</p><p>distingue esse gol de outro gol. Sua função sintática é tão de adjunto adnominal como a do adjetivo frio</p><p>na frase “O gelo frio eriçava ainda mais os pelos de sua perna”.</p><p>Só que no caso do período em estudo, a oração se separa do substantivo a que se refere pelas vírgulas,</p><p>por dois basilares motivos.</p><p>Primeiro, por ser oração explicativa e, apesar de exercer função sintática, é meramente intercalada, ou</p><p>seja, algo que se coloca no meio de outra oração para algum esclarecimento, alguma qualificação;</p><p>segundo, pela necessária ênfase que esse esclarecimento traz na sua essência, responsável pela in-</p><p>formação implícita.</p><p>E não pode ser retirada do texto, como alguns professores ensinavam antigamente, porque sua omis-</p><p>são desvirtuaria a informação implícita que há nas orações adjetivas. Explicitamente, isto é, na super-</p><p>fície do texto, informa-se que o gol embeleza o espetáculo e que é a alegria ou a tristeza no futebol.</p><p>Implicitamente a oração adjetiva nesse texto mostra que qualquer gol provoca alegria ou tristeza, não</p><p>há distinção.</p><p>Na oração anterior, explicitamente informa-se que a seleção brasileira sofreu um gol e que esse gol a</p><p>desarticulou. Implicitamente a oração adjetiva distingue o gol holandês de outro gol qualquer, não foi</p><p>outro gol que desmantelou nossa seleção, mas o holandês. Em outras palavras, as orações adjetivas</p><p>também dizem nas entrelinhas, no não dito. São, pois, indispensáveis.</p><p>As Adjetivas Explicativas e a Causa</p><p>Os usuários que tenham, no mínimo, razoável competência linguística percebe que boa parte das ad-</p><p>jetivas explicativas apresenta um leve sabor de causa em relação ao que ocorre na oração principal.</p><p>Não, não, não são orações adverbiais causais. Apenas nos fazem sentir essa breve sensação de</p><p>causa, sem ser a causa. Vejamos alguns exemplos:</p><p>PROCESSO DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>“O gol, que é a alegria e a tristeza no futebol, embeleza ainda mais o espetáculo.” (O gol, porque é a</p><p>alegria e a tristeza no futebol, embeleza ainda mais o espetáculo).</p><p>Com a adjetiva, apenas esclarecemos o papel embelezador do gol e apenas sugerimos a causa; com</p><p>o segundo exemplo, “porque é a alegria e a tristeza no futebol”, nossa intenção é realmente mostrar a</p><p>causa do embelezamento do espetáculo pelo gol. Essa mesma explicação vale para os exemplos</p><p>abaixo.</p><p>“Deus, que é nosso pai, perdoa nossos pecados.” (Deus, por ser nosso pai,).</p><p>“As emissoras de São Paulo, que deram a falsa notícia, serão punidas.” (As emissoras de São</p><p>Paulo, porque deram a falsa notícia,)</p><p>Aliás, na oração que demos acima com adjetivo explicativo, “O gelo frio eriçava ainda mais os pelos de</p><p>sua perna”, também se pode sentir esse saborzinho de causa no adjetivo frio: “O gelo, por ser frio,</p><p>eriçava ainda mais os pelos de sua perna”. Se colocássemos esse adjetivo entre vírgulas, o saborzinho</p><p>passaria já a sabor.</p><p>Só que agora o adjetivo pode ser percebido de duas maneiras: 1) com a mesma função de mero adjunto</p><p>adnominal do substantivo qualificado, ou 2) como a parte visível de uma oração adverbial causal: “O</p><p>gelo, frio, eriçava ainda mais os pelos de sua perna”, ou seja, “O gelo, por ser frio, eriçava ainda mais</p><p>os pelos de sua perna”.</p><p>Semântica</p><p>Semântica foi o tema da capa da edição 25 da CONHECIMENTO PRÁTICO LÍNGUA PORTUGUESA,</p><p>em texto assinado por Edmilson José Sá, que inicia o texto explicando: “Desde os escritos do pai da</p><p>Linguística, Ferdinand de Saussure, o conceito de significado figura entre os elementos-chave na re-</p><p>flexão linguística. De tão importante, ele ganhou até um ramo próprio para seu estudo. É a Semântica,</p><p>que se preocupa justamente com os sentidos adquiridos pelas palavras ou lexias ou pelos seus agru-</p><p>pamentos.”</p><p>Como se pode ver, há um insubstituível papel da morfologia e da sintaxe. A morfologia é a matéria-</p><p>prima manipulada pela sintaxe para, ao combinar as palavras, fazê-las contrair funções e gerar o ter-</p><p>ceiro elemento do tripé: a semântica. Agora, como essa semântica é demonstrada como resultado</p><p>dessa contração é questão de estilo individual, é papel da estilística.</p><p>As Adjetivas e o Aposto</p><p>Não por acaso o adjunto adnominal e o aposto são funções acessórias na sintaxe. Que fique claro aqui</p><p>que acessório em linguagem não é como um acessório num carro. Em linguagem, o acessório é tão</p><p>importante e tão indispensável quanto o essencial e o integrante. Por exemplo, nos nomes de ruas,</p><p>cidades ou outros elementos geográficos, temos um núcleo e um aposto, mas não podemos separar</p><p>um do outro. Assim, em Avenida São João, o “São João” é aposto de avenida e não pode, de forma</p><p>alguma, ser separado por vírgula ou suprimido.</p><p>Sabemos que um substantivo é modificado pelos seus adjetivos (artigo, adjetivo, numeral e pronome),</p><p>que funcionam como adjuntos adnominais na mesma função sintática em que esse substantivo é o</p><p>núcleo.</p><p>Porém, às vezes, essa força adjetiva é exercida por outro substantivo, ou seja, na mesma função sin-</p><p>tática há um núcleo substantivo e outro substantivo acrescentando uma ideia acessória qualquer a esse</p><p>núcleo. A esse papel de um substantivo atuando como adjetivo e exercendo a função sintática de ad-</p><p>junto adnominal, por causa da hierarquia (substantivo é sempre igual a outro substantivo em termos</p><p>hierárquicos) é que se dá o nome de APOSTO, ou seja, colocado um ao lado do outro. Em outras</p><p>palavras, o aposto é a função adjunto adnominal exercida por substantivo.</p><p>Em outras palavras, as orações adjetivas também dizem nas entrelinhas, no não dito. São, pois, indis-</p><p>pensáveis.</p><p>Causa: Nem Todas São Iguais...</p><p>PROCESSO DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO</p><p>8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>É bom esclarecer que há adjetivas explicativas que não apresentam esse saborzinho de causa. Em “O</p><p>jovem, que esteve aqui hoje cedo, é o novo médico da família.”, frase só possível se o referido jovem</p><p>for o assunto da conversa entre o locutor e o interlocutor, a adjetiva explicativa destacada não passa o</p><p>mesmo sabor de causa dos exemplos anteriores, uma vez que o jovem não é o novo médico por ter</p><p>estado lá (aqui) hoje cedo.</p><p>E, como as anteriores, não pode ser dispensada porque sua</p>
<p>informação implícita mostra um jovem</p><p>conhecido do locutor e do interlocutor, portanto, não distintiva. Essa mesma oração sem as vírgulas</p><p>(“O jovem que esteve aqui cedo é o novo médico da família.”) passa a ser restritiva porque acrescenta</p><p>a informação implícita distintiva, isto é, distingue esse jovem de outro e necessariamente representa</p><p>um contexto diferente da oração anterior, entre vírgulas.</p><p>E é por isso também que o aposto pode ser, como as orações adjetivas, restritivo ou explicativo. Se</p><p>dizemos, em 2010, “O presidente do Brasil, Lula, viajou bastantes vezes ao exterior”, o substantivo</p><p>Lula, exercendo o papel de adjunto adnominal, recebe o nome de aposto, exatamente por ser substan-</p><p>tivo modificando substantivo, e é explicativo porque não distingue esse presidente de outro presidente.</p><p>Em 2010, o presidente do Brasil era mesmo o Lula.</p><p>Porém, em qualquer momento, se dizemos “O ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso</p><p>também viajou bastantes vezes ao exterior”, o substantivo Fernando Henrique Cardoso, exercendo o</p><p>mesmo papel de adjunto adnominal e também pelos mesmos motivos acima, é chamado de aposto, só</p><p>que agora restritivo, porque distingue esse ex-presidente dos demais ex-presidentes.</p><p>E é por isso que Lula, aposto meramente explicativo, está e deve vir entre vírgulas, e Fernando Henri-</p><p>que Cardoso, aposto distintivo, não está e não pode ser colocado entre vírgulas. Se o colocássemos</p><p>entre vírgulas, mudaríamos a informação implícita e diríamos a nosso ouvinte/leitor que, desde 1889,</p><p>só há um ex-presidente, o que é absolutamente falso.</p><p>Resta aqui enfatizar que num texto podemos captar informações explícitas e implícitas, ou seja, lemos</p><p>as linhas e as entrelinhas. Na superfície do texto, ou seja, nas linhas, captamos as informações explí-</p><p>citas; no profundo do texto, ou seja, nas entrelinhas, no não-dito, captamos as informações implícitas.</p><p>E as orações adjetivas atuam fortemente nas duas linhas, razão por que é preciso realmente tomar</p><p>cuidado com a pontuação, para que não se desvirtuem as informações implícitas.</p><p>Confusão entre Oração Adjetiva e Oração Apositiva</p><p>Esclarecido isso, e para encerrar, podemos tratar agora de uma confusão plausível entre oração su-</p><p>bordinada adjetiva e oração subordinada substantiva apositiva. Essa confusão é possível porque o</p><p>aposto, como vimos, é de fato um adjunto adnominal, só que exercido por substantivos ou equivalentes.</p><p>Vejamos como são semelhantes os fatos expressos nos dois períodos abaixo:</p><p>A ideia que ele nos deu acrescerá muito a nosso objetivo de lazer.</p><p>A ideia dele, que viajássemos a Portugal, acrescerá muito a nosso objetivo de lazer.</p><p>A primeira, equivalente ao adjetivo particípio DADA (“A ideia dada acrescerá muito a nosso objetivo de</p><p>lazer”) é adjetiva restritiva e funciona como adjunto adnominal do substantivo “ideia” da oração princi-</p><p>pal. A segunda, equivalente à expressão substantiva “uma viagem a Portugal”, é substantiva apositiva,</p><p>pois equivale a um substantivo (viagem) esclarecendo outro substantivo (ideia).</p><p>No primeiro caso, podemos substituir o “que” por “a qual”; na segunda, o que ocorre por parte do ou-</p><p>vinte/leitor é uma pergunta sobre algo que precisa ser esclarecido. A pergunta é: “que ideia?”. A res-</p><p>posta é um aposto:</p><p>“A ideia dele, uma viagem a Portugal, acrescerá muito a nosso objetivo de lazer”. Mas, como ela é</p><p>expressa por uma oração, temos oração subordinada substantiva apositiva. E isso também já desmonta</p><p>aquela asserção de que as orações apositivas vêm somente depois de dois pontos.</p><p>Como se vê, nossa língua apresenta tantos caminhos e soluções que jamais poderá ter a exatidão</p><p>matemática ou física. As linhas, entrelinhas e meandros de um texto provocam discursos sempre à</p><p>PROCESSO DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO</p><p>9 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>espera de que lhes captem as minúcias. Um usuário competente sabe manejá-la e atingir seus objeti-</p><p>vos.</p><p>Revendo a Coordenação e a Subordinação nas Gramáticas e no Ensino do Português</p><p>Este trabalho tem como objetivo uma re-análise dos processos de coordenação e subordinação a par-</p><p>tir dos compêndios gramaticais e difundidos nas aulas de Língua Portuguesa, cuja temática são os es-</p><p>tudos de análise das orações.</p><p>Considerando a análise dos manuais gramaticais no que toca à coordenação e à subordinação, per-</p><p>cebemos que tais fenômenos são abordados a partir de um corpus formado por frases isoladas e des-</p><p>contextualizadas que, às vezes, não mostram visão semântico pragmática.</p><p>A análise das orações está fundamentada nos critérios meramente sintáticos ou formais. Tais critérios,</p><p>sem os componentes semânticos e pragmáticos, não mostram, com clareza, o uso efetivo da língua.</p><p>Não podemos falar em coordenação ou subordinação sem fazermos referência às orações: coorde-</p><p>nada, principal e subordinada, uma vez que essa tripartição é constante nas gramáticas e nas aulas de</p><p>sintaxe do português.</p><p>Procedemos à análise de dez manuais gramaticais, considerando como são abordadas as orações</p><p>nesses manuais e, consequentemente, os exercícios de análise linguística do período composto quer</p><p>por coordenação quer por subordinação.</p><p>Referencial Teórico</p><p>A Gramática Tradicional traça diretrizes para o estudo das orações a partir da classificação dos consti-</p><p>tuintes oracionais em termos essenciais (sujeito e predicado), integrantes (complementos, agente da</p><p>passiva e predicativos) e acessórios (adjuntos e aposto), procurando inserir os elementos da oração</p><p>nessas funções. Cada termo recebe a classificação de acordo com a função exercida.</p><p>CARONE (1994: 11) considera como função a relação de dependência que os elementos da ora-</p><p>ção estabelecem entre eles.</p><p>Os constituintes de uma oração apresentam – se em dois processos: o processo de ordem e de de-</p><p>pendência.</p><p>De ordem, porque há uma sequência, e de dependência, porque os termos se articulam no processo</p><p>de hierarquia, para formar as frases.</p><p>Essa articulação é dada graças à conexão sintática, daí vem o processo da subordinação.</p><p>A Nomenclatura Gramatical Brasileira usa os termos coordenação e subordinação quando faz alu-</p><p>são ao período composto. Será que em uma oração não há tais processos sintáticos?</p><p>A Gramática Tradicional traça diretrizes para o estudo das orações a partir da classificação dos consti-</p><p>tuintes oracionais em termos essenciais (sujeito e predicado), integrantes (complementos, agente da</p><p>passiva e predicativos) e acessórios (adjuntos e aposto), procurando inserir os elementos da oração</p><p>nessas funções. Cada termo recebe a classificação de acordo com a função exercida.</p><p>Para AZEREDO (1995: 49), “o processo por excelência é, portanto, a subordinação, meio que con-</p><p>siste em prover as unidades que formam os sintagmas que constituem as orações”.</p><p>As palavras se organizam num processo de hierarquia, ou seja, num processo de subordinação. Ne-</p><p>nhuma língua viva ou morta conhece uma frase organizada por coordenação.</p><p>A subordinação é responsável pela estrutura da frase, como também pela interpretação semântica.</p><p>Orações Coordenadas</p><p>A doutrina tradicional e ortodoxa considera a oração coordenada como uma oração independente no</p><p>período. Esse conceito ainda hoje se apresenta em algumas gramáticas e difundido por alguns profes-</p><p>sores nas aulas de sintaxe.</p><p>PROCESSO DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO</p><p>10 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>KOCH (1995: 124) diz que as coordenadas são orações independentes do ponto de vista estrutural, ou</p><p>seja, não há encaixe de uma oração em outra.</p><p>Apesar de uma coordenada apresentar autonomia sintática, ocorre uma combinação que estabelece</p><p>entre elas uma vinculação semântica, como por exemplo:</p><p>(1) Estudou, mas não obteve bom resultado.</p><p>As gramáticas consideram as duas orações independentes, sendo que a idéia de adversidade não está</p><p>apenas no conectivo, como afirmam os gramáticos, e sim entre as duas orações, ocorrendo as-</p><p>sim a vinculação semântica[1] (c.f. KOCH).</p><p>BARRETO (1994: 10) afirma que as orações coordenadas devem possuir</p>
<p>Essa atividade comporta o aspecto instrumental e o conhecimento técnico-operativo,</p><p>descritos a seguir. Instrumental: São os equipamentos utilizados e os aprestos. São as ferramentas</p><p>que dão suporte ao policial militar na realização de suas atividades, tais como: uniforme (a farda),</p><p>capa de chuva, armas (arma de fogo, cassetete e algemas), viaturas, rádios transceptores, apito,</p><p>coletes refletores, papel, caneta, telefone; instrumentos de prevenção: colete à prova de balas,</p><p>capacete de controle de tumulto.</p><p>Conhecimento técnico-operativo da profissão: É o saber adquirido no exercício profissional e o</p><p>conjunto de conhecimentos que o policial militar adquire por meio dos cursos de formação e</p><p>habilitação. Isso orientará sua maneira de agir. O policial utiliza ainda outros recursos que podem</p><p>contribuir para a efetividade de sua ação, como diálogos com a comunidade, palestras e orientações.</p><p>Em resumo, o papel da polícia é tratar de problemas humanos quando sua solução necessita ou</p><p>possa necessitar do emprego da força. Assim, para que o policial possa realizar o seu trabalho com</p><p>eficiência, é fundamental que aprenda a intervir-nos mais distintos espaços, de modo que exerça sua</p><p>autoridade como profissional dentro das prerrogativas que lhe conferem o poder de polícia, mas sem</p><p>abusar desse poder, de maneira arbitrária ou autoritária.</p><p>1.O último parágrafo do texto faz uma síntese das idéias do parágrafo inicial sem a elas acrescentar</p><p>informação alguma, o que evidencia a natureza narrativa.</p><p>Texto 11</p><p>Em sua posse no cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o embaixador</p><p>Sérgio Amaral reafirmou o explícito entusiasmo de enfrentar o desafio de incrementar as exportações</p><p>brasileiras. Ficou claro para todos que ele expressava uma posição de governo, enfatizada pelo</p><p>presidente da República, em uma demonstração de que o espírito das autoridades federais está</p><p>inoculado pela causa e de que a compreensão do que significa uma ação coordenada, visando à</p><p>inserção do Brasil na economia internacional, começa a se disseminar. Entre outras coisas, o ministro</p><p>declarou: “Nossa prioridade é o MERCOSUL”.</p><p>O governo federal foca seus esforços no aumento das exportações brasileiras e na direção certa,</p><p>mas há uma agenda aguardando definições e atos, particularmente no que diz respeito aos juros –</p><p>que precisam ser reduzidos a patamares compatíveis com os praticados nos lugares do mundo onde</p><p>nossos concorrentes se financiam. Espera-se também uma maior disponibilidade de recursos nos</p><p>programas de fomento às exportações; uma reforma tributária, que é urgente; um aperfeiçoamento da</p><p>legislação trabalhista e é uma ampliação e melhoria da infra-estrutura nacional, principalmente no</p><p>setor de transportes. Esse conjunto de fatores -- - enquanto não definidos e implementados --- é que</p><p>torna as empresas brasileiras vulneráveis no jogo do comércio internacional. Mas a questão da</p><p>América do Sul merece uma análise especial.</p><p>Dinheiro é um facilitador das transações, mas não é a única forma de relação comercial. O mundo</p><p>moderno não pode menosprezar a sabedoria de nossos antepassados, que sobreviveram séculos</p><p>fazendo trocas. Um bom exemplo de alinhamento entre estratégias empresariais e apoio</p><p>governamental, que resultou em uma equação, é o caso da Odebrecht em Angola: esta construtora</p><p>constrói a hidrelétrica de que o país africano necessita, e o governo angolano paga com petróleo,</p><p>produto abundante naquele país.</p><p>O fato é que existe um vasto mercado para exportação na América do Sul que não pode ser</p><p>COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO</p><p>9 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>desconsiderado. Politicamente, esse é o mercado do Brasil, e o Brasil é o mercado para sua</p><p>viabilização. O governo federal não deve fechar-se sobre o MERCOSUL. Precisamos assumir o papel</p><p>geopolítico de liderança em toda a América do Sul, até porque nossa condição diferenciada no</p><p>contexto mundial facilita a captação de capitais internacionais, para financiar, aqui, operações dessa</p><p>natureza. A infraestrutura de transportes, geração de energia e telecomunicações e as riquezas do</p><p>subsolo estão esperando por investimentos. Se não os fizemos, outros farão.</p><p>Emílio Odebrecht. Ícaro Brasil, nov/2001, p. 28-30 (com adaptações)</p><p>1. Aplicando conhecimentos acerca de tipologia, estrutura e organização de um texto em parágrafos,</p><p>julgue os itens a seguir, segundo as idéias desenvolvidas no texto.</p><p>a) No primeiro parágrafo, fica explícita a disposição do governo em enfrentar o desafio do aumento</p><p>das exportações brasileiras, prioritariamente junto aos países que compõem o MERCOSUL.</p><p>b) No segundo parágrafo, alude-se à ampliação dos limites do mercado, de forma a abranger todo o</p><p>continente sul-americano, e levantam-se algumas estratégias de ação para viabilizar esse propósito:</p><p>redução dos juros, aumento da disponibilidade de recursos, reforma tributária, aperfeiçoamento da</p><p>legislação trabalhista e ampliação e melhoria da infra-estrutura de transportes.</p><p>c) O terceiro parágrafo, predominantemente narrativo, apresenta o ponto de vista do narrador acerca</p><p>do dinheiro, da sabedoria dos antepassados e das estratégias empresariais do governo africano para</p><p>com o petróleo.</p><p>d) O quarto parágrafo descreve o vasto mercado para a exportação da América do Sul, além do</p><p>MERCOSUL, o papel geopolítico de liderança brasileira na região sul-americana, a condição</p><p>diferenciada do Brasil no contexto mundial e a infra-estrutura brasileira de transportes, de geração de</p><p>energia, de telecomunicações e de tecnologia.</p><p>d) Nesse texto, eminentemente dissertativo, o autor discute o assunto do incremento das</p><p>exportações brasileiras na América do Sul, apresentando vários argumentos que teriam, em tese, o</p><p>intuito de fazer o leitor partilhar do seu ponto de vista, que está resumindo na última idéia do texto:</p><p>“Se não o fizermos, outros farão”.</p><p>Texto 12</p><p>A globalização começou no dia em que um anônimo primitivo, em alguma parte do continente ainda</p><p>sem nome, movido por um sentimento de curiosidade, caminhou além dos limites conhecidos por sua</p><p>tribo e encontrou um grupo de desconhecidos, com o qual entabulou algum tipo de comunicação. A</p><p>partir daquele momento, os homens nuca mais pararam de caminhar, de olhar ao redor e de integrar-</p><p>se em um processo de globalização cada vez mais amplo.</p><p>Desde o final do século XV, com a invenção de novos equipamentos de navegação e as grandes</p><p>descobertas, esse processo se espalhou por todo o planeta, ao mesmo tempo em que aumentava a</p><p>influência européia no mundo. No século XIX, o telégrafo submarino reduziu o tempo com que as</p><p>informações, as ordens e as diversas decisões importantes chegavam a diversos lugares do mundo –</p><p>em pontos específicos, em quantidades limitadas e com alguma defasagem de tempo.</p><p>O processo atual de globalização se diferencia do iniciado há centenas de milhares de anos porque o</p><p>mundo se tornou um só e instantâneo. O conhecimento das informações, o acesso às coisas e a</p><p>influência do poder ficaram internacionais e chegam ao mesmo tempo em todas as partes.</p><p>Globalização é essa “simultaneidade totalizante”, que se instalou sem uma integração entre os</p><p>homens. Para surpresa de todos que observam o mundo global, a globalização torna iguais os seres,</p><p>não importa o grupo a que pertençam, mas faz com que dentro de cada grupo as pessoas sejam</p><p>mais diferentes entre elas do que no passado.</p><p>Uma das maiores manifestações lingüísticas na fronteira entre os séculos XX e XXI é a idéia de</p><p>globalização como um processo de internacionalização. A globalização é um processo de</p><p>disseminação das idéias, da cultura e dos objetivos sociais dos Estados Unidos. No lugar de</p><p>globalização, há uma ameriglobalização. A melhor prova disso é que esse país defende a abertura</p><p>comercial, mas fecha suas fronteiras e toma medidas protecionistas sempre que necessário.</p><p>COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO</p><p>10 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>1.Analisando a tipologia do texto e a síntese</p>
<p>a mesma estrutura sintático-</p><p>gramatical.</p><p>Na verdade, nestas orações há um mecanismo de encadeamento de idéias, ocorre uma dependência</p><p>semântica que estabelece entre elas uma subordinação.</p><p>GARCIA (1990: 21), analisando o processo da coordenação, afirma a existência de uma falsa coorde-</p><p>nação. Há, portanto, a coordenação gramatical e a subordinação psicológica.</p><p>BECHARA (1999: 476) considera a coordenação como um grupo oracional formado por orações inde-</p><p>pendentes do ponto de vista sintático.</p><p>KURY (1995: 16) reconhece as coordenadas como orações – frases, porque cada oração é capaz de</p><p>formar um período.</p><p>Essa afirmação,por apresentar uma série de interpretações e controvésias, não pode ser feita para to-</p><p>das as orações coordernadas.</p><p>Para CARONE (op. cit.), as coordenadas são duas orações que se encontram, uma não é parte da ou-</p><p>tra. Não há o processo de encaixamento entre elas.</p><p>Segundo FÁVERO (1990: 52), será necessária uma re análise nos conceitos de coordenação e subor-</p><p>dinação, uma vez que é estabelecido entre as orações um processo de interdependência no qual todas</p><p>elas são necessárias para o processo de análise e compreensão do texto.</p><p>As orações que constituem um período, não importa se são coordenadas ou subordinadas, estão in-</p><p>ter-relacionadas, formando um todo. É a “subordinação psíquica”.(c.f. Gili Y Gaya apud. FÁVERO op.</p><p>cit).</p><p>Embora as orações coordenadas sejam classificadas como independentes, exprimem uma rela-</p><p>ção semântica que exige a presença de duas ou mais orações, conforme podemos observar na sen-</p><p>tença:</p><p>Venha cedo, porque vai chover.</p><p>A explicação porque vai chover semanticamente está subordinada a venha cedo e vice-versa.</p><p>Os exercícios adotados pelas gramáticas para separação e classificação das orações, partindo apenas</p><p>da idéia expressa pelo conectivo, proporcionam um estudo fragmentado, como se o texto fosse um</p><p>emaranhado de frases, reforçando assim o mito da autonomia das orações. (grifo meu).</p><p>As Orações Subordinadas</p><p>Na subordinação, encontramos o binônimo: oração principal e oração subordinada.</p><p>Os exercícios para memorização estão fundados nos enunciados:</p><p>· Classifique as orações em destaque;</p><p>· Separe a oração subordinada e classifique – a.</p><p>PROCESSO DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO</p><p>11 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Como separar uma oração que está encaixada na outra?</p><p>Que critérios usam os gramáticos para definir uma oração principal, considerando o processo de</p><p>uma oração está encaixada na outra?</p><p>Analisando alguns manuais gramaticais, encontra-mos vários conceitos para as orações subordinada</p><p>e principal.</p><p>Analisando alguns manuais gramaticais, encontra-mos vários conceitos para as orações subordinada</p><p>e principal.</p><p>Os estudos estão voltados para a estruturação e segmentação do período, como se as orações que</p><p>formam uma sentença não estivessem interligadas.</p><p>SPALDING (1980) retoma o conceito de oração principal na visão de alguns gramáticos, comparando</p><p>– os com os mais recentes, notamos que pouco mudou:</p><p>“Oração principal é a que tem sentido principal no período.” (Napoleão Mendes de Almeida).</p><p>“Oração principal é que encerra o pensamento fundamental no período.” (Francisco da Silveira Bu-</p><p>eno).</p><p>“Oração principal é a que exprime o sentido mais importante.” (Marques da Cruz).</p><p>“Oração principal é a que traz para si como dependente outra oração”. (Rocha Lima).</p><p>Como falarmos em oração principal, se existe, no período, um processo de interdependência?</p><p>Se as orações seguem uma as outras numa ordem lógica de modo que uma ajuda na compreen-</p><p>são da outra?</p><p>À luz da Linguística Moderna, podemos questionar o processo de subordinação numa v são mais prag-</p><p>mática e semântica.</p><p>Segundo KURY, (op.cit.) a oração principal, se analisada sozinha, é uma oração truncada e despro-</p><p>vida de sentido, havendo, portanto, sentido quando considerar o conjunto.</p><p>Para BECHARA (op.cit.), no período composto por subordinação, há uma unidade oracional, em que a</p><p>oração subordinada não passa de um termo sintático na oração complexa, sendo impossível separá-la</p><p>do período.</p><p>que seja feliz é um termo sintático na oração complexa e funciona como objeto direto do verbo desejar,</p><p>ocorrendo uma recursividade.</p><p>Separando a oração principal e a subordinada, nenhuma delas satisfaz as condições de sentido da</p><p>oração.</p><p>O período composto por subordinação, como uma oração complexa, composta ou geral con-</p><p>forme classificavam José Oiticica e Souza da Silveira., não é, portanto, aconselhável a separação arti-</p><p>ficial entre subordinada e principal.</p><p>A Nomenclatura Gramatical Portuguesa eliminou a designação de oração principal sob o argumento</p><p>de não fazer falta ao estudo desses processos e dar ensejos a duplas interpretações quer sejam</p><p>no plano lógico quer sejam no plano gramatical. (apud. CUNHA & CINTRA 1985: 580).</p><p>Concordamos com BARRETO (op.cit) na subordinação, as orações são dependentes quanto à fun-</p><p>ção e quanto ao sentido.</p><p>Trata – se de um processo de hierarquização, havendo uma dependência entre as orações.</p><p>Os conceitos de subordinação e de coordenação não são questionados por KOCH (op.cit) porque, “do</p><p>ponto de vista semântico – pragmático, as frases que formam um período composto são necessaria-</p><p>mente interdependentes”.</p><p>PROCESSO DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO</p><p>12 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>No processo de subordinação ou na oração complexa, temos termos representados sob forma de ora-</p><p>ção.</p><p>Baseados nos princípios acima, podemos afirmar que na subordinação há uma transposição, ou seja,</p><p>uma unidade de camada superior – oração independente – passa a ser uma inferior, funcionan-do</p><p>como membro de outra oração.</p><p>Assim só ocorrerá oração composta ou período composto quando houver coordenação (c.f. BECHA-</p><p>RA).</p><p>As coordenadas são orações que se encontram, uma não é parte da outra. Só a coordenação tem a</p><p>capacidade de relacionar orações, havendo o paralelismo.</p><p>A subordinação é um processo em que, na oração complexa, um dos seus termos funciona como ora-</p><p>ção, existindo assim uma oração ampliada.</p><p>Na maioria das gramáticas analisadas, encontramos o período composto por coordenação antece-</p><p>dendo o composto por subordinação.</p><p>Se o que ocorre é uma unidade oracional, na qual temos uma oração ampliada, justificase a subordi-</p><p>nação anteceder a coordenação, já que segundo, AZEREDO, CARONE e BECHARA, o termo perí-</p><p>odo composto é reservado à coordenação.</p><p>Segundo CARONE (op.cit), a coordenação forma sequências abertas e não sintagmas.</p><p>Para compreendermos como se relacionam as orações, seremos mais prudentes, se partirmos da su-</p><p>bordinação para a coordenação, contextualizando – as no texto, por ser o recurso mais completo e</p><p>adequado para as análises das relações na oração, haja vista a insuficiência da gramática frasal no</p><p>que tange à apreensão e à interpretação dos fatos da língua. (c.f. Elisa Guimarães).</p><p>A metodologia de separar, conceituar e classificar as orações a partir de conectivos como fazem alguns</p><p>gramáticos não possibilita uma análise coerente da conexão entre as orações que formam um período,</p><p>ou até mesmo um texto.</p><p>Tal metodologia nos mostra um ensino fragmentado e voltado para a análise sintática a partir da no-</p><p>menclatura e das funções consagradas pela NGB.</p><p>É necessário, aliados às aulas de sintaxe tradicional, considerarmos a integração entre a rede sintática</p><p>(tessitura textual) e o fio condutor da mensagem (plano lógico – semântico).</p><p>Nesse processo, estamos não vendo só a sintaxe do texto, como também a semântica, observando a</p><p>macro e a microestruturas nos planos linguístico e conceitual. (c.f. VAL – Redação e textualidade).</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p>
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A retextualização</p><p>também ocorre com textos escritos ou orais (MARCUSCHI, 2007).</p><p>De acordo com Marcuschi (2012, p. 33), a Linguística de Texto é “o estudo das operações linguísticas</p><p>e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção de textos</p><p>escritos ou orais”.</p><p>Não temos uma definição única para texto, porém precisamos tomar alguns conceitos como parâmetros</p><p>para que nossa análise tenha uma definição de texto que lhe seja adequada e conveniente. Marcuschi</p><p>(2008) apresenta a definição de Roland Harweg, que considera o texto como “uma sucessão de unida-</p><p>des linguísticas constituídas por uma cadeia pronominal ininterrupta” (HARWEG, 1968, p. 148). Já H.</p><p>Weinrich (1976, p. 186-7) conceitua texto como “uma sequência ordenada de signos linguísticos entre</p><p>duas interrupções comunicativas importantes”.</p><p>No primeiro conceito, o foco do autor é a cadeia pronominal, isto é, para ele, no texto, como unidade</p><p>linguística, precisa conter estruturas linguísticas substituíveis por pronomes. O segundo autor tem mais</p><p>preocupação com a ordenação dos signos e as pausas intermediárias.</p><p>Costa Val (2004, p. 3) define texto ou discurso como a “ocorrência linguística falada ou escrita, de</p><p>qualquer extensão, dotada de unidade sociocomunicativa, semântica e formal”. Para a autora, o texto</p><p>se concretiza como tal se se observarem três aspectos:</p><p>a) O pragmático, que se refere à funcionalidade comunicativa;</p><p>b) O semântico-conceitual, que constitui a própria coerência;</p><p>c) O formal, que é a própria construção da coesão textual.</p><p>Para o enunciado linguístico-oral ou escrito ser considerado texto, é necessário observar sua textuali-</p><p>dade. Costa Val (2004, p. 5) assim a define: textualidade é o “conjunto de características que fazem</p><p>com que um texto seja um texto, e não apenas uma sequência de frases”. Beaugrande e Dressler</p><p>(1981), nos quais Costa Val se apoia, identificam sete componentes da textualidade:</p><p>a) coerência é a condição básica de uma unidade linguística, porque garante o sentido do texto tanto</p><p>para o produtor quanto para o recebedor. Se não houver compartilhamento das informações lógico-</p><p>semânticas e cognitivas, não haverá coerência textual;</p><p>b) coesão é “a manifestação linguística da coerência; advém da maneira como os conceitos e relações</p><p>subjacentes são expressos na superfície textual” (Costa Val, 2004, p. 06). Com o uso de mecanismos</p><p>gramaticais e lexicais, o produtor de textos faz a coesão ocorrer. Esses mecanismos podem ser os</p><p>pronomes catafóricos e anafóricos, as conjunções, os advérbios etc.</p><p>Há ainda mais cinco componentes – agora pragmáticos – do texto, identificados por Beaugrande e</p><p>Dressler (op. cit.):</p><p>c) intencionalidade, que se relaciona à dedicação de quem escreve ou fala para elaborar um texto ade-</p><p>quado, a fim de atingir o objetivo almejado;</p><p>d) aceitabilidade, que se relaciona à capacidade de interpretar as informações presentes no texto de tal</p><p>modo que compreenda o que está posto;</p><p>e) situacionalidade, que é a conformação do texto à ocorrência sociocomunicativa;</p><p>f) informatividade, que se trata da previsibilidade das informações do texto, isto é, quanto menos pre-</p><p>visível for o texto, mais informativo será;</p><p>g) intertextualidade, que é a relação entre textos, isto é, o texto precisa dialogar com outro(s) texto(s)</p><p>para significar mais.</p><p>REESCRITA E RETEXTUALIZAÇÃO:</p><p>IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DA ESCRITA</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Nosso objeto de estudo é a materialidade do texto. Segundo Rojo (2005), nesse caso, é preferível</p><p>utilizar a expressão gêneros textuais, a qual tomamos neste estudo, uma vez que não focaremos as-</p><p>pectos sócio-históricos do texto em si. Essa expressão é utilizada por Marcuschi (2007), Antunes (2005)</p><p>e Bronckart (2006). Assim, evitamos usar gêneros textuais como sinônimo de gêneros discursivos.</p><p>Qualquer produção de texto requer que o produtor planeje a atividade, efetive o processo de escrita em</p><p>si e, por fim, complete a revisão. A atividade de escrita é tão complexa quanto qualquer outra, isto é,</p><p>há que ser feita por etapas e cada uma exige dedicação e planejamento.</p><p>Para Antunes (2005), os quatro elementos indispensáveis ao texto são a coesão, a coerência, a infor-</p><p>matividade e a intertextualidade. Vejamos cada um:</p><p>Antunes (2005, p. 47) define a coesão como “essa propriedade pela qual se cria e se sinaliza toda</p><p>espécie de ligação, de laço, que dá ao texto unidade de sentido ou unidade temática”. Ou seja, para</p><p>ela, haver coesão no texto significa “criar, estabelecer e sinalizar os laços que deixam os vários seg-</p><p>mentos do texto ligados, articulados, encadeados” (ANTUNES, 2009, p. 78). Fávero (2009), por sua</p><p>vez, analisa a coesão como as concatenações frásicas lineares, que acontecem por meio de procedi-</p><p>mentos, como a referência, substituição, elipse, conjunção e léxico. Ou seja, há entendimento entre</p><p>esses conceitos que a coesão é a ligação por palavras ou sentido.</p><p>Já a coerência se refere à não-contradição no texto, conforme Antunes (2009, 2005), Costa Val (2004),</p><p>etc.. A informatividade, por sua vez, refere-se “ao grau de novidade, de imprevisibilidade que a com-</p><p>preensão de um texto comporta.” Antunes (2009) que, em todo texto informativo, na medida em que o</p><p>autor espera, haja algo de novo, é informativo. Antunes (2005) elenca os cinco mecanismos para aná-</p><p>lise do grau de informatividade. Pormenorizamos cada um abaixo:</p><p>a) a organização textual dada pelo aluno com base no mundo real, aceito pela comunidade em que vive;</p><p>b) a estruturação lexical elaborada no texto;</p><p>c) a distribuição dos conteúdos, novos ou não, como se estruturam nas sentenças do texto;</p><p>d) a tipologia e o gênero textual em discussão;</p><p>e) o contexto em que o texto se insere.</p><p>A intertextualidade é um recurso utilizado para produzir um texto novo; cada texto é um novo texto, mas</p><p>com trechos ou partes de um velho texto ou discurso de outrem. Um texto novo é elaborado por vários</p><p>mecanismos intertextuais. Pode ser uma citação direta ou indireta, uma paráfrase, uma paródia etc.</p><p>Portanto, a intertextualidade serve para legitimar tanto a produção como a recepção do texto, as infor-</p><p>mações postas ali pelo estudante em sua atividade comunicativa. Por alguma razão, não é fácil para o</p><p>alunado lidar com a intertextualidade na produção de textos escolares significativos.</p><p>Gêneros Textuais Segundo Marcuschi</p><p>A abordagem cognitivista se firmou, com mais vigor, no ano de 1958, quando houve preocupação com</p><p>os estudos behavioristas, cujos enfoques são os estímulos observáveis, sem quaisquer delimitações</p><p>para os campos mentais. Ou seja, “A mente e seus estados eram vistos como uma 'caixa preta', algo</p><p>inacessível para o método científico” (KOCH E CUNHA-LIMA, 2005, p. 252). A hipótese do relativismo</p><p>linguístico de Sapir-Whorf diz que "a mente do falante de uma língua é moldada por essa língua”. Isso</p><p>é mais um ponto de partida teórico e filosófico do que uma hipótese empiricamente comprovável. As</p><p>autoras consideram o gerativismo como uma descrição cognitivista clássica.</p><p>Entendemos que a linguagem se desenvolve nas relações sociais, por isso ela é o resultado da ativi-</p><p>dade humana e está calcada na comunicação social vista como interação.</p>
<p>Bakhtin (1997) afirma que a</p><p>verdadeira substância da língua é constituída pelo fenômeno social da interação verbal, que constitui a</p><p>realidade fundamental da língua.</p><p>Para ele, o diálogo compreende tanto o sistema linguístico concreto quanto os aspectos contextuais da</p><p>situação de interação, logo determinado locutor mobiliza seu discurso de acordo com as especificida-</p><p>des do gênero discursivo de que precisa em determinada situação social.</p><p>REESCRITA E RETEXTUALIZAÇÃO:</p><p>IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DA ESCRITA</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Tanto Bakhtin (1997) quanto Bronckart (2006) e também Marcuschi (2007) demonstram que a popula-</p><p>ção se comunica diariamente por intermédio de gêneros. Ou seja, não há como uma pessoa interagir</p><p>com outras a não ser, por exemplo, por cartas, telefonemas, torpedos, resumo, lista de compras, for-</p><p>mulário, ficha de inscrição, edital de concurso, etc. Nesse sentido, a língua não é vista como um instru-</p><p>mento, tampouco como um sistema formal, mas como elemento de interação. Assim, não há preocu-</p><p>pação, por parte do falante, quanto aos aspectos formais do sistema linguístico, porém ele se preocupa</p><p>com aspectos sociais, históricos e cognitivos.</p><p>Tanto Bakhtin (1997) quanto Bronckart (2006) ressaltam que:</p><p>a) os gêneros textuais, orais ou escritos, são produtos histórico-sociais heterogêneos, que têm sua</p><p>funcionalidade focada nas formações discursivas sociais;</p><p>b) o surgimento de qualquer gênero se deve: a novas necessidades sociais – a videoconferência e o</p><p>correio eletrônico existem por causa da invenção do computador; a situações inexistentes – por exem-</p><p>plo, o blog, o twitter etc.; e a suportes novos – os banners, por exemplo, devido à rede mundial de</p><p>computadores;</p><p>c) os gêneros textuais se atualizam constantemente para suprir as necessidades sociais;</p><p>d) não há limites entre os gêneros, porém, como são resultados históricos e sociais de outros gêneros</p><p>já existentes, cada gênero se particulariza. Por exemplo, o artigo de opinião é diferente do artigo cien-</p><p>tífico que, por sua vez, é distinto da carta da qual se derivou.</p><p>Ao se propor um estudo sobre a linguagem e sobre o gênero textual, é conveniente terem-se claras as</p><p>concepções desses termos, pois, nos estudos linguísticos, são diversas as concepções de lingua-</p><p>gem/língua e muitos são os autores que pesquisam gêneros. Alguns pesquisadores os chamam de</p><p>gêneros discursivos e outros de gêneros textuais, escolha que vai ao encontro do objetivo da perspec-</p><p>tiva teórica da investigação linguística. Assim sendo, apresentaremos, em primeiro lugar, a concepção</p><p>de linguagem/língua pensada para uma apresentação geral acerca dos gêneros textuais.</p><p>Letramento</p><p>Neste tópico, abordamos a origem do termo letramento, suas definições, conforme vários autores, sua</p><p>importância e principais contribuições para o ensino de leitura e escrita na escola.</p><p>A leitura e a escrita tornaram-se necessidades para as pessoas em qualquer local, independentemente</p><p>da idade, sexo ou atividade profissional, pois essas práticas estão tão arraigadas no cotidiano social</p><p>que não se consegue fazer algo sem se desenvolver uma ou outra ou até mesmo com as duas habili-</p><p>dades. Sobre isso, Mortatti (2004) afirma que o exercício pleno da cidadania e o nível sociocultural são</p><p>conquistados por meio da leitura e da escrita. Porém, é fundamental esclarecer como isso foi aconte-</p><p>cendo no dia a dia das pessoas até o surgimento do vocábulo letramento para cobrir as necessidades</p><p>contemporâneas da leitura e da escrita.</p><p>Seguindo as definições anteriores, consideramos que, para ser letrado, não basta reconhecer as letras</p><p>do alfabeto ou assinar o próprio nome ou algo similar. É necessário que a leitura e a escrita façam parte</p><p>do dia-a-dia das pessoas, como nos atos de escrever cartas, relatórios, listas de compras, mensagens</p><p>eletrônicas, relação de compromissos, artigos, ensaios, teses, dissertações; ler o cartão de vacinação,</p><p>a conta de água, de energia, de telefone, da fatura etc. Essas práticas sociais possibilitam maior parti-</p><p>cipação das pessoas nos contextos culturais e históricos.</p><p>Para Mortatti (2004), o letramento traz, como resultado das atividades de leitura e escrita, consequên-</p><p>cias sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas, linguísticas, quer para o indivíduo, quer para o</p><p>grupo em que os atos de ler e escrever estão inseridos.</p><p>Rojo (2009, p. 10) usa o termo letramentos como sendo "um conjunto muito diversificado de práticas</p><p>sociais situadas, que envolvem sistemas de signos, como a escrita ou outras modalidades de lingua-</p><p>gem, para gerar sentidos". O uso do vocábulo letramentos, no plural, por essa autora, corrobora a visão</p><p>de Street (2012), que faz uso de outro termo relacionado ao tema estudado aqui, também, no plural:</p><p>multiletramentos. Já Bortoni-Ricardo (2012) emprega letramento ou culturas de letramento para se re-</p><p>ferir ao conhecimento cultural adquirido por meio da escrita.</p><p>REESCRITA E RETEXTUALIZAÇÃO:</p><p>IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DA ESCRITA</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Diante das dificuldades que as pessoas alfabetizadas encontravam nas suas práticas sociais com a</p><p>leitura e a escrita, dois modelos de letramento foram propostos por Street (1984):</p><p>a) Modelo autônomo de letramento – de acordo com esse modelo, a escrita não necessita do contexto</p><p>para sua interpretação; é um fim em si mesma. Por isso, a escrita e a oralidade são dicotômicas. Con-</p><p>forme Macedo (2005, p. 22), a escrita nesse modelo, é “objeto abstrato e neutro, descontextualizado,</p><p>menos conectado com as particularidades do tempo e do espaço que a linguagem oral”. Reforçando</p><p>essa ideia, Gnerre (1998, p. 45) diz que “a capacidade de ler e escrever é considerada intrinsecamente</p><p>boa” e como se apresentasse “vantagens óbvias sobre a pobreza da oralidade”. O modelo autônomo</p><p>tem como base a atribuição do insucesso na escola ao indivíduo com pertencimento aos grupos exclu-</p><p>ídos culturalmente nas sociedades tecnologizadas. Street (op. cit.) introduz esse modelo de letramento,</p><p>que se pauta em práticas de utilização da escrita na escola. Para Kleiman, essa forma é equivocada e</p><p>incompleta, embora seu uso seja preponderante socialmente, e se relacione com as consequências</p><p>para a mobilidade social e o progresso.</p><p>A crítica a esse modelo de letramento é que ele não sofre atualização, isto é, só se repete anos após</p><p>anos na sociedade. Os progressos advindos com a evolução dos recursos sociais não são levados em</p><p>consideração por esse modelo. O modelo autônomo de letramento de Street tem as seguintes carac-</p><p>terísticas: (i) o letramento se restringe ao texto escrito; (ii) o desenvolvimento do letramento se associa</p><p>ao progresso, a mais tecnologia e a mais liberdade individual; (iii) o letramento é causa para o desen-</p><p>volvimento econômico e de habilidades cognitivas, que são suas consequências;</p><p>a) Modelo de letramento ideológico – diferentemente do modelo técnico ou neutro, esse modelo leva</p><p>em consideração as atividades contextualizadas que envolvem a leitura e a escrita. O modelo ideoló-</p><p>gico, proposto por Street (1984), apresenta as práticas de letramento configuradas cultural e social-</p><p>mente e os usos específicos da escrita, em cada grupo social, se associam aos contextos e às institui-</p><p>ções. Conforme essa proposta, a oralidade e a escrita não são dois blocos estanques, há interfaces</p><p>entre as atividades letradas. Para Street (1984), o modelo ideológico destaca claramente que as práti-</p><p>cas de letramento têm a ver com os aspectos estruturais e sociais de uma população.</p><p>Para Kleiman (2008), eventos de letramento são situações em que a escrita representa parte funda-</p><p>mental em relação aos interactantes e aos mecanismos de interpretação. Outra definição da autora diz</p><p>que eventos de letramento são as atividades ou práticas sociais, cujos objetivos vão trazer benefícios</p><p>quanto aos impactos sociais que a leitura e a escrita causarão às pessoas. Ou seja, o contar histórias</p><p>ao dormir; o faz de conta de comprador e vendedor que</p>
<p>as crianças fazem; as brincadeiras de médico</p><p>e de professor que elas realizam etc.</p><p>Outro conceito importante de Kleiman (op. cit.) se refere às agências de letramento que fazem referên-</p><p>cia à escola como o lugar privilegiado, em que mais se viabilizam as práticas sociais voltadas ao letra-</p><p>mento. Mas há também o sindicato, o clube, a igreja, a associação de classe, os centros comerciais,</p><p>as galerias, o teatro, os museus, as praças etc., como já observado.</p><p>Retextualização:</p><p>Uma Breve Introdução</p><p>A primeira vez que foi utilizado o termo retextualização no Brasil foi em 1993, por Neuza Gonçalves</p><p>Travaglia, em sua tese de doutoramento na Universidade de São Paulo. Dessa tese, há o livro Tradução</p><p>e retextualização: a tradução numa perspectiva textual, publicado pela editora da Universidade Federal</p><p>de Uberlândia, em 2003.</p><p>Cavalcanti (2010, p. 193) conceitua a retextualização como “a passagem de um gênero para outro,</p><p>atividade que contribui para desenvolver habilidades de escrita (e também de leitura)”. Para ela, leitura</p><p>é construção de sentidos. E, dessa forma, não se deve ver a língua como código, pois, se assim o for,</p><p>não há espaço para construir significados conforme a abordagem interacionista de Bakhtin (1997),</p><p>Vygotsky (1991) e outros. Dentro dessa perspectiva de língua, os significados já estão preestabeleci-</p><p>dos; o leitor é passivo: um mero decodificador de mensagens, como observa Cagliari (2010). Já numa</p><p>concepção dialógica da linguagem, como preveem Bakhtin (op. cit.) e Vygotsky (op. cit.), o leitor se</p><p>torna ativo, porque, ao ler, interage com o texto e com o autor a fim de elaborar os sentidos pertinentes</p><p>ao texto ou à sequência linguística.</p><p>Para Dell’Isola (2007, p. 36), retextualização:</p><p>REESCRITA E RETEXTUALIZAÇÃO:</p><p>IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DA ESCRITA</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>é um processo que envolve operações complexas que interferem tanto no código como no sentido e</p><p>evidencia uma série de aspectos da relação oralidade-escrita, oralidade-oralidade, escrita-escrita, es-</p><p>crita- oralidade. Retextualização é a refacção ou a reescrita de um texto para outro, ou seja, trata-se</p><p>de um processo de transformação de uma modalidade textual em outra, envolvendo operações espe-</p><p>cíficas de acordo com o funcionamento da linguagem.</p><p>Marcuschi (2007, p. 46), igualmente, afirma que a retextualização é um processo que envolve opera-</p><p>ções complexas que interferem tanto no código como no sentido e evidenciam uma série de aspectos</p><p>nem sempre bem compreendidos da relação oralidade-escrita.</p><p>Segundo ele, as atividades de retextualização podem ocorrer da fala para a escrita; da fala para a fala;</p><p>da escrita para a fala; e da escrita para a escrita. Para que essas atividades sejam bem sucedidas em</p><p>sala de aula, é importante considerar algumas variáveis intervenientes nesse processo de transforma-</p><p>ção de um texto em outro. Essas variáveis podem ser o objetivo da retextualização, a aproximação ou</p><p>o distanciamento entre o produtor do texto e o autor e a tipologia entre o gênero textual original e o</p><p>novo texto retextualizado.</p><p>Marcuschi (op. cit.) considera importante que o professor, ao trabalhar retextualização com seus alu-</p><p>nos, observe os processos de formulação, porque formas linguísticas são eliminadas, transformadas,</p><p>introduzidas, substituídas ou reordenadas. Para esse fim, ele delimita cinco estratégias que serão fun-</p><p>damentais para nossa pesquisa. Ou seja, trabalharemos com elas para categorizar as análises das</p><p>retextualizações realizadas por nossos colaboradores. Todas as estratégias foram adaptadas de Mar-</p><p>cuschi (2007). Resumidamente, este é o quadro básico das estratégias de retextualização, segundo</p><p>Marcuschi (2007):</p><p>Percebemos, assim, que para trabalhar a retextualização em sala de aula devem-se exigir vários pro-</p><p>cedimentos linguísticos e metodológicos, de tal forma que evidenciem a ideia primária abordada pelo</p><p>texto. Antes de qualquer transformação textual, deve ocorrer uma atividade cognitiva que é a compre-</p><p>ensão, a partir da qual, podemos alterar a modalidade (fala-escrita), o gênero (conversação espontânea</p><p>- telefonema) etc. O ato de compreender o texto é essencial para que não haja problemas de coerência</p><p>durante os processos de retextualização. Talvez, esse momento seja o mais importante da retextuali-</p><p>zação, porque, a partir dele, decorrem os outros mecanismos que encerram a elaboração do outro</p><p>texto, tendo como suporte o texto-fonte, consoante Marcuschi (2007). São exemplos de retextualização:</p><p>1) um relatório redigido pela secretária com as anotações feitas das ordens do chefe;</p><p>2) o ato de contar a outrem o que terminou de ouvir na televisão ou no rádio ;</p><p>3) o comentário de um jovem ao colega sobre o que leu em jornal ou revista;</p><p>Uma carta que relata o que alguém viu no dia anterior;as anotações do estudante relativas às informa-</p><p>ções dadas pelo professor durante a aula.</p><p>Ainda para o autor, a atividade de retextualização é como se fosse uma tradução endolíngue, que</p><p>requer enorme conhecimento da língua em que se encontra o texto. Segundo ele, o problema se avo-</p><p>luma quando há mudança de um gênero para outro. Ou seja, é necessário não somente conhecer as</p><p>operações linguístico-discursivas de um gênero textual, mas também saber do outro, no qual o texto-</p><p>fonte é retextualizado. Além dessas operações cognitivas e metacognitivas, a compreensão do texto</p><p>em si é imprescindível para o processo de textualidade.</p><p>Conforme Dell’Isola (2007), para a tarefa de retextualização ocorrer corretamente, alguns procedimen-</p><p>tos devem ser seguidos, a saber:</p><p>a) Leitura dos textos;</p><p>b) Compreensão textual, observação e caracterização do texto lido;</p><p>c) Identificação do gênero;</p><p>d) Retextualização: escrita de outro texto, transformando-se um gênero em outro gênero;</p><p>REESCRITA E RETEXTUALIZAÇÃO:</p><p>IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DA ESCRITA</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>e) Conferência: verificar as condições de produção do texto: o novo gênero deverá manter partes das</p><p>informações lidas no texto-fonte;</p><p>f) Identificação, no texto recriado, das características do gênero-produto da retextualização;</p><p>g) reescrita: fazem-se os ajustes imprescindíveis à versão final do texto retextualizado.</p><p>Como se percebe, há algumas tarefas de leitura e interpretação para que a retextualização se materi-</p><p>alize. Os dois linguistas, a seu modo, procuram fornecer pistas do campo cognitivo para o aluno não</p><p>se atrapalhar no decorrer do processo da elaboração de uma produção escrita retextualizada.</p><p>Gênero Textual: Artigo De Opinião</p><p>“Ler é perceber o mundo</p><p>A leitura é importante, pois ler é um exercício mental. Principalmente no dia-a- dia que é repleto de</p><p>comerciais, “outdoors”, propagandas, isto é, tanto linguagem verbal como visual.</p><p>Podemos viajar para vários lugares como nos livros de literatura, ou seja, ver o mundo através da</p><p>leitura. Cantar, dançar apenas lendo uma música.</p><p>Com tanta informação e entretenimentos eletronicamente, além de algumas crianças terem dificuldade</p><p>para ler, muitas são lentas para pegar um livro e precisam de um incentivo como: pais leitores que lêem</p><p>tanto para si quanto para os filhos, professores leitores que além disso, devem estimular a leitura em</p><p>sala de aula para que se estenda à casa dos alunos.</p><p>Recentemente, têm surgido campanhas para estimular a leitura nas escolas, aproveitar o ambiente</p><p>tanto para alfabetizá-las quanto para o hábito de ler.</p><p>Dentro dessas iniciativas, a leitura se torna mais atrativa, porque as crianças têm a oportunidade de</p><p>participar de concursos, ganhar prêmios e reconhecimento.</p><p>Sendo assim, tais campanhas proporcionam um futuro melhor para essas crianças, visto que terão</p><p>como construir opinião, se tornarem boas escritoras e cidadãos críticos, expressando assim usa visão</p><p>de mundo.</p><p>Ler é uma forma de compreender o mundo e tudo que está a nossa volta. Mas também é diversão, ler</p><p>é diversão, ler é prevenir doenças degenerativas como mal de Parkinson, Alzheimer em que portadores</p>
<p>dessas doenças ao se tornarem leitores revertem o caso. Ler é saúde.”</p><p>Na análise linguística e textual, vamos observar que a escola brasileira tem como proporcionar mais</p><p>qualidade ao ensino de leitura e escrita, pois os erros presentes nessa produção, como em outras,</p><p>demonstram que não falta tanto assim. No entanto, é preciso sistematizar as aulas de Língua Portu-</p><p>guesa, além de manter uma organicidade para que os estudantes entendam adequadamente as estru-</p><p>turas de nosso idioma. Observemos nossos comentários.</p><p>ANÁLISE DOS ASPECTOS LINGUÍSTICOS</p><p>Texto do Aluno Padrão Culto da Língua</p><p>“Dia-a-dia” “Dia a dia”</p><p>“Através” “Por meio de”</p><p>“Com tanta informação e entretenimentos</p><p>eletronicamente,”</p><p>“Com tanta informação e entretenimentos ele-</p><p>trônicos,”</p><p>“mal de Parkinson” “Mal de Parkinson”</p><p>“se tornarem boas escritoras...” “tornarem-se boas escritoras,...”</p><p>REESCRITA E RETEXTUALIZAÇÃO:</p><p>IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DA ESCRITA</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>“mal de Parkinson, Alzheimer em que por-</p><p>tadores...”</p><p>“Mal de Parkinson e Alzheimer, cu-</p><p>jos portadores...”</p><p>ANÁLISE TEXTUAL</p><p>“Ler é uma forma de compreender o mundo</p><p>e tudo que está a nossa volta. Mas também</p><p>é diversão, ler é diversão, ler é prevenir do-</p><p>enças degenerativas como mal de Parkin-</p><p>son, Alzheimer em que portadores dessas</p><p>doenças ao se tornarem leitores revertem o</p><p>caso. Ler é saúde.”</p><p>Temos um exemplo de uso indevido do conec-</p><p>tor “em que” no lugar de “cujo”. É frequente</p><p>essa permuta para muitos produtores de tex-</p><p>tos, porém melhor fica se o trecho tiver essa</p><p>provável correção: “Ler é uma forma de com-</p><p>preender o mundo e tudo que está a nossa</p><p>volta. Mas também é diversão; ler é diversão,</p><p>ler é prevenir doenças degenerativas como</p><p>Mal de Parkinson e Mal de Alzheimer, cujos</p><p>portadores, quando se tornam leitores, rever-</p><p>tem o caso. Ler é saúde.”</p><p>Por meio da estratégia da estruturação argumentativa, nosso colaborador define a leitura e discorre</p><p>acerca de vários aspectos dela. Esses subtemas não estão, diretamente, apresentados no texto-fonte,</p><p>porém fazem ligação com o assunto geral – a leitura -, que é o tema da campanha pernambucana. O</p><p>aluno conclui sua retextualização, focando a leitura em duas vertentes: diversão e prevenção.</p><p>O grau médio de previsibilidade em relação à informatividade se faz, porque discorre, sem novidades,</p><p>sobre a leitura, mas o texto acrescenta a relação leitura-saúde mental, como forma de prevenir doenças</p><p>degenerativas.</p><p>O ensino escolar da produção de textos mudou muito no decorrer do século XX e início deste século.</p><p>Inicialmente, produzir textos na escola era entendido como saber utilizar uma escrita correta, seguir as</p><p>regras da gramática normativa e da ortografia, daí a insistência, nas aulas de Língua Portuguesa, nas</p><p>análises morfológica e sintática de palavras e de frases isoladas. Os textos eram compreendidos como</p><p>um agrupamento de palavras e frases, e para escrevê-los bastava que os alunos aprendessem a es-</p><p>crever e, depois de alfabetizados, aprendessem a juntar frases gramaticalmente corretas.</p><p>Em publicação recente, Beth Marcuschi (2010)3 nos fornece uma visão clara das diferentes abordagens</p><p>de didatização da escrita. No século passado, ela distingue três períodos distintos.</p><p>Até os anos 50, enfatizava-se a apreciação de modelos clássicos das antologias escolares e a produção</p><p>era solicitada na forma de “composição livre”, “composição à vista de gravura”, “trechos narrativos”,</p><p>“composição de lavra própria”, por meio de vagas informações para os alunos que geralmente compre-</p><p>endiam um título e breves orientações de cunho organizacional e temático. O aluno era convidado a</p><p>escrever um texto que atendesse às regularidades gramaticais, a “usar a imaginação” e a desenvolver</p><p>seu texto de “modo original”. Como se pode notar, essa perspectiva não tomava a escrita como um</p><p>processo de interlocução, pois as indicações sobre o que escrever não apareciam de modo contextua-</p><p>lizado, não eram estabelecidos o objetivo da atividade, o leitor presumido, o espaço em que o texto iria</p><p>circular; em resumo, a escrita não era entendida como construção de sentido.</p><p>Nos anos 60 e 70, com a ampliação do acesso à escola e a mudança do perfil do alunado, que passou</p><p>a abranger as classes menos favorecidas, a convivência e intimidade com textos clássicos não podiam</p><p>mais ser pressupostas; por outro lado, a explosão da comunicação de massa e a conseqüente valori-</p><p>zação da capacidade de se comunicar “de modo claro” conduziram a uma concepção de língua como</p><p>código que, se utilizado adequadamente pelo “emissor”, garantiria uma “mensagem sem ruídos” ao</p><p>“receptor”.</p><p>Isso favoreceu a ideia de que seria possível ensinar por meio de uma “técnica de redação” que se</p><p>aplicaria aos mais variados tipos de textos, sendo que estes se organizavam basicamente em três</p><p>“padrões”: narração, descrição, dissertação. Segui-los à risca garantiria a uniformidade e a clareza da</p><p>REESCRITA E RETEXTUALIZAÇÃO:</p><p>IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DA ESCRITA</p><p>8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>mensagem e, com isso, a decodificação pelo receptor. Os textos eram vistos, portanto, como mensa-</p><p>gens padronizadas, dirigidas para qualquer “receptor” (e, ao mesmo tempo, para ninguém em particu-</p><p>lar).</p><p>Nos anos 80, a “redação escolar” começa de fato a ser entendida como “texto”, com características</p><p>interlocutivas semelhantes às dos textos que circulam fora da sala de aula. A concepção de língua</p><p>como um sistema que sofre a ação histórica dos seus usuários, é sensível ao contexto, ganha força.</p><p>As propostas para escrever começam a colocar em evidência o “ato” de escrever, privilegiando a ex-</p><p>pressão “produção de texto”. Mesmo assim, os achados da Lingüística Textual jogam ênfase nos as-</p><p>pectos formais dos textos como maneira de garantir a estruturação e a hierarquização textual interna.</p><p>Uma fórmula da época é a insistência na sequenciação “começo, meio e fim” do texto, vista como uma</p><p>das propriedades inegociáveis de uma boa redação, ainda entendida ou como narração, ou dissertação</p><p>ou descrição. Apesar dos avanços da época, predominava a idéia de que o objetivo da escrita se es-</p><p>gotava em si, pois os aspectos formais eram mais priorizados, ainda que já se falasse de “contextuali-</p><p>zação” da escrita.</p><p>Na segunda metade anos 90, os gêneros textuais ganham espaço expressivo no contexto da sala de</p><p>aula. Inicialmente, predominou o interesse pela nomeação e pela classificação dos gêneros, tratados</p><p>como fixos, e pela caracterização de seus aspectos formais. A preocupação maior era o “ensino dos</p><p>gêneros textuais” em si e por si, à revelia do processo sociointeracional que supõe a produção de</p><p>qualquer texto. Foi com a difusão das reflexões de Bakhtin (1895-1975) e com as pesquisas e propostas</p><p>da chamada “escola de Genebra” que os gêneros passaram a ser concebidos em sua relação com as</p><p>práticas sociais, ou seja, passou-se a considerar que os textos não funcionam de forma independente</p><p>nem autônoma na produção de significação. Não escrevemos da mesma maneira quando redigimos</p><p>uma carta íntima ou de reclamação; não falamos da mesma forma quando fazemos uma exposição</p><p>diante de um auditório ou quando conversamos com amigos. Os textos escritos ou orais que produzi-</p><p>mos diferenciam-se uns dos outros e isso porque são produzidos em condições diferentes.</p><p>Ao avaliar o que significou o surgimento desta perspectiva para o ensino da escrita, Beth Marcuschi</p><p>aponta que aprender um gênero passou a ser visto não mais como aprender “um padrão de formas”,</p><p>mas aprender a eleger adequadamente os fins que desejamos alcançar ao escrever ou falar: elogiar,</p><p>apresentar desculpas, interagir, expressar desejos, contar histórias, construir e socializar conheci-</p><p>mento, influenciar pessoas, criticar, fazer um pedido, julgar um procedimento, recomendar alguém, dar</p><p>instruções, mentir, ironizar etc.</p><p>O objetivo principal da produção de textos na escola passou a ser a participação ativa e crítica do</p><p>estudante na sociedade, daí importância de a</p>
<p>escola propor situações de produção que se reportassem</p><p>a práticas sociais e a gêneros textuais que existem de fato, que circulam socialmente e sejam passíveis</p><p>de serem reconstituídos, ainda que parcialmente, em sala de aula. Escrever na escolar passou a ser</p><p>visto como um “ensaio” ou mesmo uma “prévia convincente” do que será requerido dos jovens apren-</p><p>dizes no espaço social. Daí ser necessário contemplar os gêneros que circulam nas diferentes esferas</p><p>da atividade humana: literária, jornalística, midiática, científica, do lazer etc., o que permitiu privilegiar</p><p>as diferentes práticas letradas da vida contemporânea, buscando-se (re)produzi-las na escola. Mais</p><p>recentemente, inclusive, a ensinar produção de texto na escola significa também trabalhar com o uso</p><p>de outras linguagens que não só a verbal, para privilegiar letramentos múltiplos, práticas plurais, cultu-</p><p>ralmente sensíveis e significativas à formação de cidadãos críticos e protagonistas.</p><p>E como se caracterizam as propostas de produção de textos desta perspectiva? Chama-se especial</p><p>atenção para a necessidade de explicitar claramente o contexto de produção dos textos a serem pro-</p><p>duzidos e que compreendem:</p><p>• o objetivo pretendido (qual a razão da escrita/fala?)</p><p>• o espaço de circulação (em que âmbito o texto será divulgado?),</p><p>• o leitor/ouvinte presumido (quem o locutor tem em mente, ao produzir seu texto?),</p><p>• o suporte pressuposto (em que suporte o texto será disponibilizado?),</p><p>• o tom que será assumido (formal ou informal, irônico ou amigável, próximo ou distante?)</p><p>REESCRITA E RETEXTUALIZAÇÃO:</p><p>IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DA ESCRITA</p><p>9 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• o gênero textual a ser produzido (crônica, reportagem, notícia, artigo de opinião, anúncio publicitário,</p><p>panfleto, artigo científico, email, pôster, resenha, tirinha, seminário?)</p><p>Cada gênero a ser ensinado requer um percurso pedagógico distinto, pois não se trata apenas de</p><p>compreender os seus aspectos formais, mas de refletir sobre as práticas sociais em que os gêneros se</p><p>inserem, os discursos e temas que neles circulam. Surgem assim as chamadas sequências didáticas</p><p>que propõem várias atividades para cada etapa do processo de produção, tais como:</p><p>• Mobilização de conhecimentos prévios sobre o gênero em questão;</p><p>• Diferenciação de gêneros semelhantes ou próximos;</p><p>• Análise das principais características do gênero no que diz respeito ao conteúdo temático, forma</p><p>composicional e estilo;</p><p>• Consideração das condições de produção específicas do texto a ser produzido no gênero em questão;</p><p>• Alimentação temática e orientações para os alunos buscarem informações novas em diferentes ma-</p><p>teriais e suportes;</p><p>• Planejamento global do texto;</p><p>• Reflexão sobre as estratégias e recursos lingüísticos relevantes para a escritura do gênero e do texto</p><p>em questão</p><p>• Atividades de avaliação, revisão e reformulação.</p><p>Se realizarmos um balanço das contribuições desta última abordagem, é inegável concluir, ainda com</p><p>Beth Marcuschi (2010), que o estudo dos gêneros forneceu respostas satisfatórias a vários desafios</p><p>postos pela didatização do eixo da produção escrita no ensino de língua. Destaquemos apenas duas</p><p>importantes contribuições.</p><p>Em primeiro lugar, esta perspectiva de trabalho tornou possível integrar os diferentes eixos didáticos</p><p>no ensino de Língua Portuguesa, já que as atividades de produção de texto passaram a englobar tam-</p><p>bém o trabalho com a leitura e as capacidades leitoras, com os diversos tipos de conhecimentos lin-</p><p>güísticos (semânticos, sintáticos, morfológicos, pragmáticos e discursivos) necessários à produção de</p><p>textos e com a oralidade. Em relação a este último ponto especificamente, cabe lembrar o lugar injus-</p><p>tamente periférico que se conferia à linguagem oral na escola. Hoje, o estudo dos gêneros orais, em</p><p>suas diferentes funções sociais, tem sido contemplado, assim como o estudo das diferenças e seme-</p><p>lhanças entre escrita e oralidade e do português falado no Brasil.</p><p>Além disso, pelo fato de o trabalho se dar em torno dos gêneros que circulam nas diferentes esferas</p><p>de atividade humana, o ensino da escrita favoreceu grandemente a ampliação das práticas de letra-</p><p>mento. Trata-se de um aspecto que perpassa todo o processo de escolarização e funciona como “pedra</p><p>de toque” pela articulação entre os processos de alfabetização/ensino de língua e processos de letra-</p><p>mento. De fato, o baixo desempenho em leitura e produção de textos que caracteriza boa parte dos</p><p>estudantes brasileiros em avaliações institucionais revela que o problema não deve ser entendido como</p><p>referente a “métodos de alfabetização” ou a “abordagens de ensino” utilizados, mas sim à capacidade</p><p>de a escola planejar e promover eventos de letramento significativos, capazes de desenvolver nos</p><p>alunos as competências e habilidades de leitura e escrita que a vida contemporânea exige.</p><p>Lançando um olhar para as tendências que se colocam daqui em diante para o trabalho com a produção</p><p>de textos na escola, assim como para os desafios a serem ainda superados, cabem algumas conside-</p><p>rações.</p><p>Em primeiro lugar, há o perigo de se tomar o trabalho com os gêneros como uma “camisa de força”.</p><p>Não é incomum observarmos que, para alguns, esta é considerada como a única concepção a ser</p><p>aceita, como a única possibilidade de se ensinar a escrever, o que não é necessariamente verdadeiro.</p><p>Além disso, como acontece com toda abordagem que tende a ser entendida como exclusiva, ou tomada</p><p>como um “modismo”, corre-se o risco de se exagerar na dose e levar, por exemplo, o aluno a realizar</p><p>REESCRITA E RETEXTUALIZAÇÃO:</p><p>IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DA ESCRITA</p><p>10 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>sequências didáticas excessivamente longas, de tal forma que, ao final do processo, alunos e profes-</p><p>sores não aguentam mais ouvir falar do gênero que está sendo ensinado. Corre-se também o risco de</p><p>os professores pensarem que basta ensinar gênero textuais para que todas as dificuldades que os</p><p>alunos enfrentam para escrever na escola estarão milagrosamente resolvidas.</p><p>A esse respeito, é significativo notar que Dolz e outros autores da própria escola de Genebra, parecem,</p><p>em publicação recente4, dar ao gênero um lugar bem menos central no ensino da produção de textos</p><p>na escola. Ao tratar das fontes de dificuldade que alunos enfrentam para escrever, o autor insiste na</p><p>necessidade de que o professor realize a “análise didática dos erros” cometidos pelos alunos para</p><p>tentar compreendê-los e organizar a sua ação em torno deles. É o que ele faz de forma muito esclare-</p><p>cedora nesta publicação, a partir de alguns textos produzidos por alunos brasileiros. Dentre as princi-</p><p>pais fontes de dificuldades mencionadas, o autor elenca as seguintes:</p><p>• Motivacionais: que exigem a adequada canalização das necessidades e do desejo do aprendiz para</p><p>escrever ou falar, assim como com a gestão pelo professor do dilema que geralmente o estudante vive</p><p>quando se depara com a intensidade do esforço que realiza para produzir um texto em comparação ao</p><p>resultado muitas vezes insatisfatório que obtém;</p><p>• Enunciativas: que dizem respeito à ��entrada” do sujeito no texto, o modo como o produtor do texto</p><p>leva em conta e implica o outro; a gestão dialógica (a quem responde o texto?) e polifônica do texto</p><p>(que vozes são citadas e como?);</p><p>• Procedimentais: que se referem aos procedimentos e estratégias convocadas para produzir o texto,</p><p>a gestão “on line” dos processos de planificação, textualização, ajuste na releitura, revisão e reescrita</p><p>do texto;</p><p>• Textuais: relativas ao conhecimento do aluno em relação ao gênero a ser produzido; tais dificuldades</p><p>seriam diferentes para os “4 grandes tipos de discurso”, cada um deles compreendendo variados gê-</p><p>neros cujo funcionamento discursivo exige operações lingüísticas específicas para serem textualizados;</p><p>• Linguísticas: que compreendem o uso das unidades lexicais e a construção das frases (problemas</p><p>morfológicos, sintáticos etc.);</p><p>• Ortográficas: relativas</p>
<p>à base alfabética da escrita e às as regras ortográficas;</p><p>• Sensório-motoras: que se relacionam ao domínio da coordenação manovisual, à precisão e rapidez</p><p>no gesto gráfico.</p><p>Como se vê, são de diferentes naturezas as fontes de dificuldade para se produzir um texto e todas</p><p>elas devem ser contempladas na ação pedagógica do professor. Note-se que o conhecimento relativo</p><p>ao gênero fica praticamente restrito a um dos aspectos acima, quando costumava ocupar grande parte</p><p>do trabalho que caracterizava as tradicionais sequências didáticas.</p><p>Talvez isso possa ser visto como uma tendência no ensino da produção de textos, que não se opõe às</p><p>reflexões e propostas anteriores da escola de Genebra, mas antes as aprofundam e realizam um certo</p><p>deslocamento ao lançar os olhos para outros aspectos que ação pedagógica deve focalizar sistemati-</p><p>camente. Neste sentido, parece-nos particularmente feliz a idéia dos autores de que haveria o que eles</p><p>chamam de “dimensões transversais à produção escrita”, que estariam presentes na produção de qual-</p><p>quer gênero. Não é possível aprofundarmos aqui este ponto, mas a leitura desta publicação – carinho-</p><p>samente dedicada a todos os professores participantes das Olimpíadas de Língua Portuguesa Escre-</p><p>vendo o Futuro – será bastante útil para tanto.</p><p>Finalmente, para apontar outro aspecto no ensino da produção de textos que se configura também</p><p>como um desafio a ser ainda enfrentado - e que sempre foi um “calcanhar de Aquiles” na abordagem</p><p>dos gêneros textuais - cabe lembrar a questão do discurso poético, presente na prosa literária e nos</p><p>poemas. Em primeiro lugar, seria preciso definir até que ponto os textos literários e poéticos são mesmo</p><p>“gêneros”, tal como estes são concebidos na abordagem de Genebra. Trata-se de uma longa discus-</p><p>são. Em seguida, caberia perguntar: é possível de fato ensinar a lê-los (e a escrevê-los?) pela obser-</p><p>vação de traços e usos que lhes sejam comuns, quando o que caracteriza o discurso poético é exata-</p><p>mente a sua singularidade? Como padronizar ou “generalizar” o ensino dos gêneros/textos/discursos</p><p>REESCRITA E RETEXTUALIZAÇÃO:</p><p>IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DA ESCRITA</p><p>11 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>poéticos? Até mesmo nomeá-los é difícil...</p><p>Considerando-se a questão do ponto específico de vista da didatização da escrita, certamente não se</p><p>espera que a escola tenha o compromisso de produzir escritores de literatura e poetas. Mas deve sim</p><p>produzir leitores de textos literários e poéticos. Quanto a isso, não há divergência. Mas será que basta</p><p>ler? Não seria esta uma forma de retomar de alguma forma a idéia de “apreciação dos modelos clássi-</p><p>cos”? Isso é algo a ser incentivado ou evitado?</p><p>Assim, afora todas as considerações que necessitariam ser feitas para se pensar adequadamente estas</p><p>questões, uma das primeiras a ser enfrentada é a de definir quais gêneros deveriam ser objeto exclu-</p><p>sivo do ensino de leitura e quais também podem e devem ser objeto de ensino de produção. O que não</p><p>nos parece possível é excluir dos currículos de Língua Portuguesa propostas de produção de textos</p><p>literários e poéticos, sob pena de estarmos privando o aluno de praticar um certo tipo de expressão</p><p>verbal que é única, produzida na e pela literatura.</p><p>Os limites deste texto não nos permitem aprofundar mais este e outros pontos que ficam em aberto</p><p>quando se tem que tomar decisões sobre o ensino da escrita na escola. Mas esta fica sendo uma</p><p>história a ser contada em outro momento...</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Significação Das Palavras</p><p>Palavra é um termo, um vocábulo, uma expressão. É uma manifestação verbal ou escrita formada por</p><p>um grupo de fonemas com uma significação. Do latim parábola.</p><p>Palavra é um conjunto de sons articulados que expressam ideias e são representados por uma grafia,</p><p>formada por uma reunião de letras, que quando agrupadas formam as frases.</p><p>Para começar a entender sobre significação das palavras, vamos ao conceito de sinônimo:</p><p>Palavras que possuem significado próximo. Exemplo: casa, residência, moradia, morada, lar, etc.</p><p>Observe que nós não dissemos que o seu significado é igual, mas próximo.</p><p>É porque sinônimos não são equivalentes. É difícil encontrar um que seja perfeito, ou seja, uma palavra</p><p>cujo significado seja exatamente igual ao de outra.</p><p>Para você entender do que estamos falando, veja: Comprei uma nova casa. É diferente (e estranho)</p><p>de dizer: Comprei um novo lar.</p><p>Os sinônimos são um excelente recurso em textos, para retomada de elementos que inter-relacionam</p><p>partes do texto. Assim, evita-se o uso repetitivo de um termo.</p><p>O que são Antônimos</p><p>Já os antônimos são o contrário dos sinônimos, isto é, representam significados opostos das palavras.</p><p>Exemplo: mau e bom; mal e bem; constrói e destrói, dormi e acordei, claro e escuro, perto e longe etc.</p><p>Polissemia</p><p>Sinônimos e antônimos são bem conhecidos, não é mesmo? Mas, você sabe o que é polissemia?</p><p>Polissemia é a possibilidade de uma palavra ter diversos significados, dependendo do contexto onde</p><p>ela aparece.</p><p>Vamos tomar como exemplo, o termo “cabo”.</p><p>Se somente falarmos a palavra isolada, você pode achar que estamos nos referindo ao posto militar,</p><p>ao cabo de uma vassoura, ao cabo de uma faca etc.</p><p>E banco? Pode ser a instituição financeira ou um tipo de assento. O mesmo acontece com manga, que</p><p>pode ser a fruta ou a parte de uma roupa.</p><p>O significado de cada palavra dependerá de como ela será utilizada. Tomemos o primeiro caso como</p><p>exemplo, para formação de frases que dotarão o termo de sentido.</p><p>O cabo Arthur compareceu ao treinamento nesta manhã (cabo = posto militar).</p><p>O cabo da faca está enferrujado.</p><p>Coloque o cabo da vassoura para cima.</p><p>Monossemia</p><p>Ao falarmos de polissemia, vimos que uma única palavra pode ter diversos significados (poli).</p><p>Em se tratando de monossemia, temos o caso em que a palavra tem apenas um significado (por isso</p><p>a presença do radical mono).</p><p>A palavra cabeça, por exemplo, é polissêmica porque pode ser referida quando se menciona a parte</p><p>do corpo. Mas também o líder</p>
<p>de um grupo (o cabeça dos escoteiros, por exemplo).</p><p>SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Já no caso de estetoscópio, que é uma palavra monossêmica, isso não acontece. Isto é, não há como</p><p>pensar em outra significação que não seja o instrumento utilizado pelo médico.</p><p>O que são Homônimos</p><p>No conteúdo de significação das palavras geralmente os candidatos estudam bastante a parte de sinô-</p><p>nimos e antônimos.</p><p>Mas as bancas têm cobrado algo além: você sabe o que são os Homônimos e Parônimos?</p><p>Homônimos são palavras que possuem a mesma pronúncia (podendo ou não ter a mesma grafia), mas</p><p>seus significados são diferentes. Veja os exemplos abaixo:</p><p>Ascender (subir) e acender (colocar fogo, ligar).</p><p>Acento (sinal gráfico) e assento (local onde se senta).</p><p>Cheque (forma de pagamento) e xeque (jogo de xadrez).</p><p>Concerto (sessão musical) e conserto (reparo).</p><p>Esterno (osso do peito) e externo (relacionado ao exterior).</p><p>Tacha (prego pequeno) e taxa (imposto).</p><p>Nos casos mencionados temos homônimos homófonos, ou seja, são palavras que possuem a mesma</p><p>pronúncia e o mesmo som.</p><p>Quando os homônimos possuem a mesma grafia e o mesmo som, eles são chamamos de homônimos</p><p>perfeitos. Exemplos:</p><p>Cedo – “Eu cedo meu assento para idosos” (verbo ceder) e “Cheguei cedo ao estádio” (advérbio de</p><p>tempo).</p><p>Porém, se a grafia for a mesma, mas a pronúncia for diferente, o significado também será. Veja o caso</p><p>de almoço: “O almoço está na mesa” (refeição) e “Eu almoço ao meio-dia” (verbo almoçar).</p><p>O mesmo acontece com gosto: “Esta comida está com gosto bom” (substantivo) e “Eu gosto de ler</p><p>romances” (verbo gostar).</p><p>Quando isso acontece, os homônimos são chamados de homógrafos. Ou seja, possuem a mesma</p><p>grafia.</p><p>Agora vamos aprender o que são os Parônimos, um conceito que também cai muito em pegadinhas</p><p>das bancas de concurso.</p><p>Parônimos são palavras diferentes, porém sua grafia e pronúncia são muito parecidas. Vou mostrar</p><p>vários casos para você entender o que são parônimos:</p><p>Absolver (tirar a culpa) e absorver (aspirar).</p><p>Despensa (armário para guardar mantimentos) e dispensa (ato de dispensar).</p><p>Eminente (elevado) e iminente (prestes a ocorrer).</p><p>Delatar (denunciar) e dilatar (alargar).</p><p>Flagrante (evidente, pego no flagra) e fragrante (perfumado).</p><p>Inflação (alta de preços) e infração (violação).</p><p>Soar (produzir som) e suar (transpirar).</p><p>Tráfego (trânsito) e tráfico (comércio ilegal).</p><p>SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>A diferença entre Denotação e Conotação</p><p>Outra dúvida bastante comum entre os candidatos que estudam a significação das palavras: a diferença</p><p>entre Denotação e Conotação.</p><p>Denotação é a capacidade que as palavras têm para apresentar um sentido literal, objetivo.</p><p>Conotação é o oposto, ou seja, as palavras apresentam sentido figurado, simbólico. Atente-se aos</p><p>exemplos para entender melhor.</p><p>Denotação</p><p>Veja exemplos do emprego da denotação:</p><p>Simone chegou atrasada ao trabalho hoje.</p><p>Andressa vai jantar com seu namorado na pizzaria.</p><p>As duas frases mencionadas são bem objetivas, não é mesmo? Você entendeu que Simone hoje se</p><p>atrasou para o trabalho, e que Andressa vai jantar na pizzaria com o namorado.</p><p>Conotação</p><p>Na conotação o sentido literal não acontece. Veja os exemplos:</p><p>Meu namorado é um porto seguro.</p><p>Edson é muito burro em Matemática.</p><p>O sentido figurado está bem presente nos exemplos acima. Afinal, namorados, em sentido literal, não</p><p>podem ser portos seguros, locais para atracar barcos.</p><p>E pessoas não são animais, como no exemplo de Edson não ser inteligente em Matemática. Foram</p><p>utilizados símbolos para mostrar a segurança que o namorado traz para a pessoa, e também para</p><p>mostrar que Edson precisa estudar mais para se dar bem em Matemática.</p><p>A diferença entre Hiperônimo e Hipônimo</p><p>Vamos nos aprofundar mais um pouco. Você sabe a diferença entre Hiperônimo e Hipônimo?</p><p>Um hiperônimo é uma palavra que possui significado mais abrangente, enquanto um hipônimo é um</p><p>termo com significado mais restrito.</p><p>Veja os exemplos:</p><p>Material escolar é um hiperônimo de caneta.</p><p>Caneta é um hipônimo de material escolar.</p><p>Ferramentas de marcenaria é um hiperônimo de serrote.</p><p>Serrote é um hipônimo de ferramentas de marcenaria.</p><p>Quando se restringe um item (caneta, serrote), temos um caso de hipônimo.</p><p>Quando se abre uma categoria (material escolar, ferramentas de marcenaria), temos um caso de hipe-</p><p>rônimo.</p><p>Formas Variantes</p><p>Outro ponto para você atentar são as formas variantes. São as palavras que podem ser escritas de</p><p>mais de uma forma, sem que haja grafia incorreta por conta de seu emprego.</p><p>Confira alguns exemplos (todas as escritas estão corretas):</p><p>SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Marcelo possui uma cicatriz no abdome.</p><p>Marcelo possui uma cicatriz no abdômen.</p><p>Os cabelos de Marta são loiros.</p><p>Os cabelos de Marta são louros.</p><p>Naquele bar há dois bêbados.</p><p>Naquele bar há dois bêbedos.</p><p>É a sua vez de embaralhar as cartas.</p><p>É a sua vez de baralhar as cartas.</p><p>Ricardo teve um infarto ontem.</p><p>Ricardo teve um enfarte ontem.</p><p>É bom estar atento(a) a isso… Errar na prova do seu concurso com essas formas variantes é muito</p><p>fácil.</p><p>Palavras e expressões latinas</p><p>A depender do concurso que você fizer, principalmente aqueles da área jurídica, as palavras e expres-</p><p>sões latinas podem causar dificuldades na sua prova.</p><p>Esse é um tópico da significação das palavras bem esquecido pelos candidatos (portanto, um diferen-</p><p>cial fantástico para você).</p><p>Conheça a seguir o significado de palavras e expressões latinas que costumam figurar tanto em lin-</p><p>guagem formal quanto informal.</p><p>Ao contrário de palavras como tablet e layout, elas não podem ser aportuguesadas, devendo ser escri-</p><p>tas em sua forma original.</p><p>Por este motivo, precisam ser grafadas com indicação de sua origem estrangeira, com itálico, subli-</p><p>nhado, negrito ou entre aspas. Veja:</p><p>Ad hoc</p><p>Quando uma pessoa foi nomeada para assumir um cargo específico, ou então para indicar a finalidade</p><p>de algo. É sinônimo de: para isto, para tal fim, de propósito.</p><p>Exemplo: Para a palestra da aula inaugural, chamamos um especialista ad hoc.</p><p>A priori</p><p>Aplica-se a casos onde não foi feita verificação dos fatos, apenas baseando-se em pressupostos.</p><p>É uma expressão bastante utilizada na Filosofia e seus sinônimos são: a princípio, em princípio e à</p><p>primeira vista.</p><p>Exemplo: A priori, dará tudo certo.</p><p>A posteriori</p><p>Neste caso, a expressão é utilizada baseando-se em acontecimentos previstos e realizados, partindo-</p><p>se dos efeitos para as causas. Seus sinônimos são de seguida, depois.</p><p>Exemplo: Só poderei afirmar se dará certo a posteriori.</p><p>Carpe diem</p><p>SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Significa aproveitar o presente ao máximo, sinônimo de aproveite o dia.</p><p>Exemplo: Carpe diem! A vida é curta e os momentos felizes são efêmeros.</p><p>Curriculum vitae</p><p>Algumas palavras são mais frequentes no nosso vocabulário, do que outras, e curriculum vitae com</p><p>certeza é uma das mais comuns.</p><p>Esta expressão latina quer dizer conjunto de dados que constituem a vida de uma pessoa.</p><p>É um documento pessoal onde constam os dados pessoais, profissionais e acadêmicos de uma pessoa</p><p>que busca uma oportunidade de emprego. Sinônimo: currículo. Abreviatura: CV.</p><p>Exemplo: O curriculum vitae de César está em sua mesa.</p><p>Data venia</p><p>É uma forma cordial de introdução de contra-argumentação. A expressão é comumente utilizada no</p><p>setor jurídico e também em debates acadêmicos.</p><p>É sinônimo de com a devida vênia, com o devido respeito, dada a licença, dada a permissão.</p><p>Exemplo: Data venia, apresento minha opinião sobre o caso.</p><p>Grosso modo</p><p>Expressão bastante utilizada na Língua Portuguesa, grosso modo significa que algo foi feito de modo</p><p>impreciso, sem detalhes ou pormenores.</p><p>Sinônimo de aproximadamente, mais ou menos, sumariamente, de modo genérico.</p><p>Exemplo: O Concurso da Petrobrás teve, grosso modo, três mil</p>
<p>candidatos.</p><p>Habeas corpus</p><p>Também bastante conhecida em nosso vocabulário, a expressão quer dizer que uma medida jurídica</p><p>foi tomada para proteger cidadãos com mobilidade restrita por autoridades legítimas. Sinônimo de</p><p>salvo-conduto.</p><p>Exemplo: O habeas corpus do deputado foi negado, então ele continuará em detenção.</p><p>In memoriam</p><p>Homenagem feita a pessoas que já faleceram, utilizada em diversos contextos (convites, dedicatórias,</p><p>obituários, epitáfios) e também quando o autor já é falecido, com publicação póstuma de sua obra.</p><p>Sinônimo de em memória, em lembrança.</p><p>Exemplo: Dedico este livro a meu pai (in memoriam), que tanto me incentivou a escrevê-lo.</p><p>Lato sensu</p><p>Utilizada sempre que se refere a sentido mais amplo, extenso. Nos casos acadêmicos, ocorre quando</p><p>um curso de pós-graduação de menor duração visa uma especialização. Sinônimo: em sentido amplo.</p><p>Exemplo: A pós-graduação lato sensu, que Silmara faz, acontece aos sábados.</p><p>Stricto sensu</p><p>O contrário de Lato sensu é Stricto sensu, ou seja, algo mais restrito, como um curso de maior duração</p><p>que visa uma especialização (mestrado ou doutorado).</p><p>Exemplo: A pós-graduação stricto sensu, que Silmara faz, acontece aos sábados.</p><p>SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Per capita</p><p>Indicação de valor por cabeça ou valor por pessoa, com utilização em dados estatísticos. Sinônimo de</p><p>por cabeça.</p><p>Exemplo: A renda per capita do Brasil baixou.</p><p>Sine qua non</p><p>Condição onde algo é indispensável. Seus sinônimos: fundamental, imprescindível, essencial, sem a</p><p>qual não.</p><p>Exemplo: Temos que viajar imediatamente, é uma condição sine qua non.</p><p>Status quo</p><p>Indicação da situação atual. É a forma reduzida de outra expressão latina, in statu quo ante, indicação</p><p>de como as coisas estavam antes.</p><p>Sinônimos: situação vigente, situação atual, estado atual, posição atual.</p><p>Exemplo: Nossa empresa irá progredir, segundo seu status quo.</p><p>Sui generis</p><p>Quer dizer algo único, sem igual, um caso peculiar. Sinônimo de único em seu gênero.</p><p>Exemplo: A generosidade de Ieda é sui generis.</p><p>Arcaísmo</p><p>Para finalizar nosso estudo sobre significação das palavras, vale a pena você entender o que é arca-</p><p>ísmo.</p><p>Arcaísmo é a utilização de palavras antigas, que perderam seu uso na linguagem culta. Eram utilizadas</p><p>por pessoas de outras épocas e foram substituídas por termos mais modernos, mas que são sinônimos.</p><p>Vou apresentar alguns arcaísmos aqui, para você se familiarizar com seu significado (como fizemos</p><p>nas palavras e expressões latinas), porque os arcaísmos podem constar em questões, principalmente</p><p>de interpretação de texto, em textos literários. Veja os exemplos:</p><p>Botica = farmácia.</p><p>Ladroa = ladra.</p><p>Pera = para.</p><p>Soldo = obrigação no arrendamento de terra.</p><p>Tença = posse.</p><p>Vosmecê = você.</p><p>Aguça = pressa.</p><p>Absolto = absolvido.</p><p>Dada = doação.</p><p>Embora = em boa hora.</p><p>Escala = escada.</p><p>Franquia = sinceridade.</p><p>SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Graveza = gravidade.</p><p>Pertinência = pertença.</p><p>Com a criação diária de novas palavras e expressões, os termos que utilizamos hoje e são tidos como</p><p>modernos podem ser os arcaísmos de amanhã.</p><p>O pronome “vós”, por exemplo, em breve poderá se tornar um caso deste tipo. Você utiliza essa palavra</p><p>no seu cotidiano? Provavelmente, não.</p><p>O arcaísmo literário é algo que acontece com frequência, sendo um recurso linguístico que confere</p><p>caráter nobre, rebuscado, a textos. Portanto, não pode ser desprezado.</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>SUBSTITUIÇÃO DE TEXTOS</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Substituição De Textos</p><p>Coesão é a conexão, ligação, harmonia entre os elementos de um texto. Percebemos tal definição</p><p>quando lemos um texto e verificamos que as palavras, as frases e os parágrafos estão entrelaçados,</p><p>um dando continuidade ao outro.</p><p>Os elementos de coesão determinam a transição de ideias entre as frases e os parágrafos.</p><p>Observe a coesão presente no texto a seguir:</p><p>“Os sem-terra fizeram um protesto em Brasília contra a política agrária do país, porque consideram</p><p>injusta a atual distribuição de terras. Porém o ministro da Agricultura considerou a manifestação um</p><p>ato de rebeldia, uma vez que o projeto de Reforma Agrária pretende assentar milhares de sem-terra.”</p><p>As palavras destacadas têm o papel de ligar as partes do texto, podemos dizer que elas são</p><p>responsáveis pela coesão do texto.</p><p>Há vários recursos que respondem pela coesão do texto, os principais são:</p><p>- Palavras de transição: são palavras responsáveis pela coesão do texto, estabelecem a inter-relação</p><p>entre os enunciados (orações, frases, parágrafos), são preposições, conjunções, alguns advérbios e</p><p>locuções adverbiais.</p><p>Veja algumas palavras e expressões de transição e seus respectivos sentidos:</p><p>- inicialmente (começo, introdução)</p><p>- primeiramente (começo, introdução)</p><p>- primeiramente (começo, introdução)</p><p>- antes de tudo (começo, introdução)</p><p>- desde já (começo, introdução)</p><p>- além disso (continuação)</p><p>- do mesmo modo (continuação)</p><p>- acresce que (continuação)</p><p>- ainda por cima (continuação)</p><p>- bem como (continuação)</p><p>- outrossim (continuação)</p><p>- enfim (conclusão)</p><p>- dessa forma (conclusão)</p><p>- em suma (conclusão)</p><p>- nesse sentido (conclusão)</p><p>- portanto (conclusão)</p><p>- afinal (conclusão)</p><p>- logo após (tempo)</p><p>- ocasionalmente (tempo)</p><p>- posteriormente (tempo)</p><p>- atualmente (tempo)</p><p>- enquanto isso (tempo)</p><p>- imediatamente (tempo)</p><p>- não raro (tempo)</p><p>- concomitantemente (tempo)</p><p>- igualmente (semelhança, conformidade)</p><p>- segundo (semelhança, conformidade)</p><p>- conforme (semelhança, conformidade)</p><p>- assim também (semelhança, conformidade)</p><p>- de acordo com (semelhança, conformidade)</p><p>- daí (causa e consequência)</p><p>- por isso (causa e consequência)</p><p>- de fato (causa e consequência)</p><p>- em virtude de (causa e consequência)</p><p>- assim (causa e consequência)</p><p>- naturalmente (causa e consequência)</p><p>- então (exemplificação,</p>
<p>esclarecimento)</p><p>- por exemplo (exemplificação, esclarecimento)</p><p>SUBSTITUIÇÃO DE TEXTOS</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>- isto é (exemplificação, esclarecimento)</p><p>- a saber (exemplificação, esclarecimento)</p><p>- em outras palavras (exemplificação, esclarecimento)</p><p>- ou seja (exemplificação, esclarecimento)</p><p>- quer dizer (exemplificação, esclarecimento)</p><p>- rigorosamente falando (exemplificação, esclarecimento).</p><p>Ex.: A prática de atividade física é essencial ao nosso cotidiano. Assim sendo, quem a pratica possui</p><p>uma melhor qualidade de vida.</p><p>- Coesão por referência: existem palavras que têm a função de fazer referência, são elas:</p><p>- pronomes pessoais: eu, tu, ele, me, te, os...</p><p>- pronomes possessivos: meu, teu, seu, nosso...</p><p>- pronomes demonstrativos: este, esse, aquele...</p><p>- pronomes indefinidos: algum, nenhum, todo...</p><p>- pronomes relativos: que, o qual, onde...</p><p>- advérbios de lugar: aqui, aí, lá...</p><p>Ex.: Marcela obteve uma ótima colocação no concurso. Tal resultado demonstra que ela se esforçou</p><p>bastante para alcançar o objetivo que tanto almejava.</p><p>- Coesão por substituição: substituição de um nome (pessoa, objeto, lugar etc.), verbos, períodos</p><p>ou trechos do texto por uma palavra ou expressão que tenha sentido próximo, evitando a repetição no</p><p>corpo do texto.</p><p>Ex.: Porto Alegre pode ser substituída por “a capital gaúcha”;</p><p>Castro Alves pode ser substituído por “O Poeta dos Escravos”;</p><p>João Paulo II: Sua Santidade;</p><p>Vênus: A Deusa da Beleza.</p><p>Ex.: Castro Alves é autor de uma vastíssima obra literária. Não é por acaso que o "Poeta dos</p><p>Escravos" é considerado o mais importante da geração a qual representou.</p><p>A comparação ora estabelecida parece casar perfeitamente diante daquele momento em que as</p><p>ideias são elencadas. No entanto, é preciso ser hábil para escolher palavra por palavra, de modo a</p><p>fazer com que o discurso (as orações, os períodos, os parágrafos) torne-se claro e preciso,</p><p>atendendo às expectativas de nosso interlocutor. Dessa forma, como aqueles grãos que boiam fora,</p><p>desnecessários por sinal, algumas palavras também parecem não se encaixar, pois por um motivo ou</p><p>outro acabam escapando aos nossos olhos.</p><p>O porquê de escaparem? É simples, haja vista que nesse momento essa habilidade antes</p><p>mencionada entra em ação e, em meio a esse ínterim, conhecimentos de toda ordem parecem se</p><p>relacionar, sejam eles de ordem ortográfica, semântica, sintática e, sobretudo, aqueles indispensáveis</p><p>a todo bom redator: o conhecimento de mundo.</p><p>Dada essa manifestação, é impossível não abordar um procedimento, tão útil quanto necessário: a</p><p>reescrita textual. Acredite que, por meio dele, você, enquanto emissor, encontrará os grãos pesados</p><p>entre um grão qualquer, pedra ou indigesto, um grão imastigável, de quebrar dente. Vale dizer,</p><p>contudo, que essa reescrita não deve se dar somente no âmbito de corrigir aqueles possíveis erros...</p><p>digamos assim... gramaticais. Importantes eles? Sim, sem dúvida alguma, mas não são tudo. Cumpre</p><p>afirmar que a reescrita deve ir além, haja vista que nos permite reconhecer aquelas “falhas” que</p><p>certamente seriam reconhecidas por outra pessoa, sobretudo em se tratando do “teor”, da “essência”</p><p>discursiva.</p><p>Tendo em vista que a coesão representa um dos principais aspectos na produção textual, muitas</p><p>vezes, mediante a leitura daquilo que escrevemos, constatamos que os parágrafos não se encontram</p><p>assim tão harmoniosamente ligados como deveriam. Às vezes, uma conjunção ali, um advérbio acolá</p><p>e um pronome adiante não se encontram bem distribuídos. Outras vezes, percebemos uma quebra</p><p>de simetria (revelada pela falta de paralelismo), em que uma ideia poderia ter sido expressa de outra</p><p>forma.</p><p>SUBSTITUIÇÃO DE TEXTOS</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Assim, de modo a constatar como esse aspecto assimétrico se manifesta na prática, analise o</p><p>seguinte enunciado:</p><p>A leitura é importante, necessária, útil e traz benefícios a todo emissor que deseja aprimorar ainda</p><p>mais a competência discursiva.</p><p>Inferimos que com o uso de “traz benefícios” houve uma quebra de simetria dos adjetivos explicitados</p><p>(importante, necessária, útil...). Não que isso seja considerado uma falha de grande extensão, mas a</p><p>ideia ficaria mais clara se outro adjetivo tivesse sido utilizado, justamente para acompanhar o</p><p>raciocínio antes firmado, ou seja:</p><p>A leitura é importante, necessária, útil e benéfica a todo emissor que deseja aprimorar ainda mais a</p><p>competência discursiva.</p><p>Outro aspecto, não menos importante, materializa-se pela “abundância” de orações intercaladas, as</p><p>quais corroboram para a extensão da ideia, fazendo com que o interlocutor perca o “fio da meada” e</p><p>passe a não entender mais o que se afirma no início da oração. Dessa forma, para que fique um</p><p>pouco mais claro, analisemos o parágrafo que segue, revelando ser um bom exemplo da ocorrência</p><p>em questão:</p><p>A leitura, esse importante instrumento – o qual o torna mais culto, mais apto a expressar seus</p><p>pensamentos –, pois amplia significativamente seu vocabulário, contribui para o aperfeiçoamento da</p><p>escrita.</p><p>Tudo aquilo que se afirma acerca da eficácia da leitura, ainda que relevante, tornou extensa e</p><p>cansativa a ideia abordada. Dessa forma, retificando a oração, poderíamos obter como essencial</p><p>somente estes dizeres, os quais seguem expressos:</p><p>A Leitura Contribui Para O Aperfeiçoamento Da Escrita.</p><p>Mediante os pressupostos aqui elencados, acreditamos ter contribuído de forma significativa para que</p><p>você aprimore ainda mais suas habilidades no que tange à construção textual. E que, por meio da</p><p>reescrita de suas ideias, possa ser hábil em jogar fora o leve o oco, assim mesmo como ressalta</p><p>nosso grande mestre, e reelabore seu discurso pautando-se na concretude das palavras, tornando-as</p><p>claras, precisas, objetivas.</p><p>Reescrita De Textos De Diferentes Gêneros E Níveis De Formalidade.</p><p>Os níveis de formalidade serão trabalhados aqui como níveis de linguagem. Eles têm relação direta</p><p>com a intenção comunicativa, isto é: Qual é o objetivo do texto? Qual o contexto em que a</p><p>comunicação é veiculada?</p><p>Quem é o emissor e para quem é dirigida a Comunicação?</p><p>Para entendermos melhor isso, pensemos no seguinte exemplo: recorte a fala de um juiz em um</p><p>tribunal e Enderece a uma criança ou a um jovem.</p><p>Certamente o juiz não vai ser entendido, concorda?</p><p>Para que haja a devida comunicação, ele deve escolher palavras adequadas ao entendimento</p><p>daquele público-alvo: a criança ou o adolescente.</p><p>Assim, os níveis de linguagem levam em conta esses estratos (camadas sociais, econômicas,</p><p>culturais, etárias, situacionais), a cujo contexto a linguagem deve adaptar-se.</p><p>O que determinará o nível de linguagem empregado é o meio social no qual o indivíduo se encontra.</p><p>Portanto, para cada ambiente sociocultural há uma medida de vocabulário, um modo de se falar, uma</p><p>entonação empregada, uma maneira de se fazer a combinação das palavras, e assim por diante.</p><p>Com base nessas considerações, não se deve pensar a comunicabilidade pelas noções de certo e</p><p>errado, mas pelos conceitos de adequado e inadequado, segundo determinado contexto. Assim, não</p><p>se espera que um adolescente, reunido com outros em uma lanchonete, assim se expresse:</p><p>SUBSTITUIÇÃO DE TEXTOS</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>“Vamos ao shopping assistir a um filme”.</p><p>Naturalmente, ele vai reestruturar o seu texto (retextualizar) para se adaptar ao seu meio: “Vamos no</p><p>shopping assistir um filme”.</p><p>Com base nisso, vamos aos principais níveis de linguagem:</p><p>A Linguagem Culta Ou Padrão: É aquela ensinada nas escolas e serve de</p><p>veículo às ciências em que se apresenta com terminologia especial. É usada pelas pessoas</p><p>instruídas das diferentes classes sociais e caracteriza-se pela obediência às normas gramaticais.</p><p>Mais comumente usada na linguagem escrita e literária, reflete prestígio social e cultural. É mais</p><p>artificial, mais estável, menos sujeita a variações. Está presente em diversos gêneros textuais, como</p><p>nas aulas, conferências, sermões,</p>
<p>das idéias nele desenvolvidas, assinale a opção</p><p>incorreta.</p><p>a) O primeiro parágrafo apresenta o mais remoto indício da globalização, título do texto, de forma</p><p>expositiva, sem haver posicionamento explícito do autor frente aos acontecimentos.</p><p>b) O segundo parágrafo mostra a evolução do processo, em uma retrospectiva histórica, desde o final</p><p>do século XV, tempo e, que a influência européia no mundo se fez marcante, até o século XIX,</p><p>quando as informações chegavam a diversos lugares do mundo “em quantidades limitadas e com</p><p>alguma defasagem de tempo”.</p><p>c) No terceiro parágrafo, o autor, de forma descritiva e privilegiando a apresentação do quadro global</p><p>em vários pontos do planeta, discorre a respeito do processo de total simultaneidade, instalada sem</p><p>uma integração entre os homens.</p><p>d) No quarto parágrafo, o autor desmistifica a visão corrente de que a globalização é um processo</p><p>neutro de internacionalização, exemplificando com a atuação da sociedade norte-americana perante</p><p>o mundo.</p><p>e) Em todo o texto predomina a estrutura dissertativa, por meio da qual o assunto é abordado, em</p><p>linguagem objetiva e referencial, obedecendo a um viés cronológico, do passado ao presente.</p><p>Coesão E Coerência</p><p>A crescente escassez de profissionais qualificados no mercado de trabalho doméstico está obrigando</p><p>a Companhia Vale do Rio Doce a lançar uma campanha global de recrutamento para arregimentar</p><p>pessoal especializado nos EUA, na Inglaterra, na Austrália e no Canadá. A previsão é de 62 mil</p><p>contratações nos próximos cinco anos.</p><p>O Estado de S.Paulo, 21/3/2008 (com adaptações).</p><p>1) Assinale a opção que constitui continuação coesa e coerente para o fragmento de texto acima.</p><p>a) Essa disputa se tornou tão acirrada que elevou o nível médio salarial. Um soldador, por exemplo,</p><p>hoje tem um ordenado inicial entre R$ 1,2 mil e R$ 2,1 mil. Nas escolas do SESI e do SENAC, os</p><p>formandos são disputados pelos empregadores.</p><p>b) Essa é a iniciativa mais audaciosa já tomada por uma empresa brasileira em matéria de oferta de</p><p>emprego, e é mais uma das conseqüências da globalização da economia.</p><p>c) Entretanto, com o extraordinário crescimento da produção industrial chinesa, nos últimos anos, o</p><p>preço das commodities no mercado internacional disparou, o que abriu caminho para a expansão dos</p><p>setores de mineração, siderurgia, petróleo e equipamentos de transporte pesado.</p><p>d) Desde então, as empresas mais competitivas desses setores criaram milhares de novos postos de</p><p>trabalho e, de forma cada vez mais agressiva, vêm disputando trabalhadores preparados para ocupá-</p><p>los.</p><p>e) Todas essas empresas vêm publicando anúncios em inglês, em busca de profissionais qualificados</p><p>de nível técnico superior. As empresas também vêm contratando trabalhadores aposentados e</p><p>procurando atrair profissionais qualificados da PETROBRAS.</p><p>Há cinco anos, sob o comando de George W. Bush, os Estados Unidos da América (EUA) invadiam o</p><p>Iraque. Já se mostrou à exaustão que a aventura foi uma catástrofe humanitária e um fracasso</p><p>político que encalacrou o Pentágono numa ocupação militar sem perspectiva de solução. Verifica-se,</p><p>agora, que foi também um desastre financeiro.</p><p>Folha de S.Paulo, 20/3/2008 (com adaptações).</p><p>2. Assinale a opção em que o fragmento constitui continuação coesa e coerente para o texto acima.</p><p>COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO</p><p>11 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>a) Entretanto, Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, calcula que a empreitada poderá sair por</p><p>assombrosos US$ 4 trilhões ou mais, dependendo de quanto tempo a ocupação durar.</p><p>b) Mas, agora que o país se encontra numa situação de déficit fiscal, a conta da guerra contribui para</p><p>a crescente desvalorização da moeda norte-americana, num movimento que dificulta o combate à</p><p>crise de crédito nos EUA e agrava suas repercussões globais.</p><p>c) Às vésperas da invasão, a Casa Branca estimava que gastaria algo entre US$ 50 bilhões e US$ 60</p><p>bilhões para derrubar Saddam Hussein e instalar um novo governo no país. Hoje, a conta está em</p><p>US$ 600 bilhões e continua subindo.</p><p>d) Avaliações mais conservadoras, como a do Escritório de Orçamento do Congresso, órgão que</p><p>municia o Poder Legislativo com informações técnicas, concluem que a ocupação não atingirá</p><p>efetivamente a economia norteamericana.</p><p>e) Portanto, nada indica que o próximo presidente dos EUA terá condições de colocar um fim rápido à</p><p>aventura. Fala-se em retirar as tropas até o fim de 2009. Isso, é claro, no melhor cenário. E o</p><p>problema é que, no Iraque, o melhor cenário nunca se materializa.</p><p>O conflito do Tibete, que se arrasta desde o século 13, requer solução pacífica pautada pelo signo da</p><p>não-violência. Invadida pela China em 1950, a província luta pela autonomia há cinco décadas.</p><p>Pequim resiste. Além de constante desrespeito aos direitos humanos, procede ao que o dalai-lama</p><p>denomina “genocídio cultural” — sistemático esmagamento das tradições da região.</p><p>Com o controle dos meios de comunicação, as autoridades chinesas exercem violenta censura à</p><p>informação e à livre circulação de pessoas. A tevê só mostra imagens liberadas pelos</p><p>administradores locais. O mesmo ocorre com as notícias e certos sítios da Internet. Jornalistas e</p><p>turistas encontram as fronteiras fechadas.</p><p>Torna-se difícil, assim, avaliar as dimensões e as conseqüências dos protestos que eclodiram</p><p>recentemente. Pequim soma 13 mortos. Os tibetanos falam em mais de 100 e de centenas de prisões</p><p>de dissidentes. Suspeita-se, com razão, do incremento da repressão.</p><p>Correio Braziliense, 20/3/2008 (com adaptações).</p><p>03) Assinale a opção que apresenta as idéias principais do texto acima.</p><p>a) Pequim controla os tibetanos, que vivem sob censura, sem possibilidade de livre circulação em sua</p><p>própria região.</p><p>b) A tevê só mostra imagens liberadas pelos administradores locais, e as fronteiras estão fechadas</p><p>para turistas e jornalistas.</p><p>c) Para Pequim, houve treze mortos nos conflitos recentes; para os tibetanos, houve mais de cem</p><p>mortos e centenas de prisões de dissidentes.</p><p>d) A China procede a um genocídio cultural no Tibete, quando esmaga as tradições da região.</p><p>e) Embora haja controle dos meios de comunicação e das fronteiras, suspeita-se do aumento da</p><p>repressão no Tibete, que luta pela autonomia, pois é ocupado pela China há mais de cinqüenta anos.</p><p>4. Assinale a opção que constitui continuação coesa e coerente para o texto abaixo: Até aqui o</p><p>governo se dedicou a expor seu ponto de vista e começou a mover suas pedras no tabuleiro, a partir</p><p>de sua opção pela prioridade sulamericana e do Mercosul. Estabeleceu, em seguida, uma série de</p><p>pontes e alianças possíveis com a África e a Ásia, como aconteceu com o G21, na reunião de</p><p>Cancun da OMC, e como está acontecendo nas negociações do G3, com a África do Sul e com a</p><p>Índia. Ou ainda, como vem ocorrendo nas novas parcerias tecnológicas com a Ucrânia, a Rússia, a</p><p>China, ou com os projetos infra-estruturais com a Venezuela, a Bolívia, o Peru e a Argentina.</p><p>a) Não há dúvida, porquanto, de que essas principais disputas giraram em torno das divergências</p><p>econômicas entre os Estados Unidos e o Brasil, em particular as negociações da OMC, FMI e ALCA.</p><p>COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO</p><p>12 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>b) O que se vê é a afirmação de uma nova política externa, ativa, presente, baseada no interesse</p><p>nacional brasileiro e na afinidade histórica e territorial do Brasil com o resto da América do Sul, bem</p><p>como na sua afinidade de interesses com os demais grandes países em desenvolvimento.</p><p>c) E do outro lado, naquele momento, estarão os grupos econômicos e as forças sociais, intelectuais</p><p>e políticas que sempre lutaram por um projeto de desenvolvimento para o Brasil.</p><p>d) E aqui, não há como se enganar sobre as forças que esta batalha despertava, dentro e fora do</p><p>governo: de um lado estarão, como sempre estiveram, os grupos de interesse que defendem uma</p><p>relação subserviente com os Estados Unidos, em troca de uma acesso mais</p>
<p>discursos políticos, comunicações científicas, noticiários de TV,</p><p>programas culturais etc.</p><p>A linguagem culta pode ser formal ou informal. Isso depende da intenção comunicativa e do meio</p><p>utilizado para tal. Pode haver comunicação de acordo com a norma culta como no exemplo:</p><p>“Dilma! Estou aqui pensando como o Brasil cresceu depois de que começou seu mandato. Quantos</p><p>ministros você dispensou, por envolvimento em falcatruas…”</p><p>Veja que todas as palavras estão de acordo com a norma culta, mesmo percebendo que o pronome</p><p>“você”, relacionando-se a uma personalidade política, não seria o ideal.</p><p>Mas não podemos dizer que esse emprego estaria incorreto gramaticalmente, pois, fora do contexto</p><p>político, formal, cabe o direcionamento a esta pessoa como “você”, como num bate-papo entre</p><p>amigos políticos, familiares de Dilma, por exemplo. O contexto não requer o tratamento cerimonioso.</p><p>Muitas vezes essa informalidade é vista nos gêneros textuais crônicas, jornais, revistas, textos</p><p>literários, cartas pessoais e comunicações não oficiais.</p><p>Isso dá ao texto um desprendimento do rito, da formalidade, o qual a linguagem jornalística muitas</p><p>vezes procura implementar.</p><p>Claro que um crítico político não usaria o pronome “você” direcionando-se a um presidente de</p><p>qualquer país, pois o contexto não permite; mas cabe numa crônica livre, humorística, por exemplo.</p><p>Reescrevendo a mesma comunicação feita acima de cunho informal, agora de maneira formal,</p><p>teremos:</p><p>“Excelentíssima Senhora Presidenta da República, Há de evidenciar em seu mandato a clareza de</p><p>procedimentos, principalmente nos eventos que culminaram na exoneração de alguns Ministros.”</p><p>A linguagem popular ou coloquial: É aquela usada espontânea e fluentemente pelo povo. Mostra-se</p><p>quase sempre rebelde à norma gramatical e é carregada de vícios de linguagem (erros de regência e</p><p>concordância; erros de pronúncia, grafia e flexão; ambiguidade; cacofonia; pleonasmo), expressões</p><p>vulgares, gírias. A linguagem popular está presente nas mais diversas situações: conversas familiares</p><p>ou entre amigos, anedotas, irradiação de esportes, programas de TV (sobretudo os de auditório),</p><p>novelas, expressão dos estados emocionais etc.</p><p>Veja a relação entre a formalidade e informalidade nos dois gêneros textuais:</p><p>Textos Científicos E Publicitários:</p><p>O texto científico funciona como um outro texto qualquer: é necessário que ele tenha começo, meio e</p><p>fim, seja agradável de ler, gramaticalmente correto, compreensível, coerente e mantenha conexões</p><p>lógicas entre as ideias nele contidas.</p><p>Uma característica comum a praticamente todos os textos científicos é a organização nas seguintes</p><p>partes: Introdução, Objetivos, Materiais e Métodos, Resultados, Discussão e Conclusões.</p><p>SUBSTITUIÇÃO DE TEXTOS</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Também são encontrados nos textos científicos: o Título, a Autoria, Resumo, Figuras e Tabelas,</p><p>Agradecimentos e Referências Bibliográficas.</p><p>Assim, entendemos que neste gênero textual é necessária a formalidade, a padronização da</p><p>estrutura.</p><p>Texto Publicitário:</p><p>O objetivo do texto científico é divulgar o resultado de experiências, assinalando a comprovação do</p><p>objeto científico. Já o texto publicitário tem por objetivo persuadir, convencer o leitor a consumir o</p><p>produto ou a ideia veiculados em anúncio de revista, outdoor ou internet.</p><p>Como a linguagem da publicidade é centrada no receptor ou destinatário da mensagem, utiliza a</p><p>criatividade para seduzir o consumidor.</p><p>Muitas vezes, subverte a norma culta, para manter uma linguagem mais próxima do público-alvo.</p><p>Veja o exemplo abaixo:</p><p>“Vem pra caixa você também.”</p><p>Realizando a reescrita, em uma situação formal de comunicação, seguindo as normas gramaticais, o</p><p>anúncio “Vem pra caixa você também.”</p><p>deveria ficar: Venha para a Caixa você também.</p><p>ou Vem para a Caixa tu também.</p><p>Nem sempre a linguagem apropriada para o texto publicitário é a norma culta. Isso porque o texto</p><p>deve atingir determinado público. Quando a abrangência é maior, a população como um todo, muitas</p><p>vezes se rompe a norma culta, para que o texto seja familiar ao leitor, soando agradável àquilo que</p><p>normalmente ele ouve nas ruas. Esse é o mesmo processo de composição de músicas populares.</p><p>Não importa tanto a norma culta, mas as palavras serem agradáveis aos ouvidos, trazendo uma</p><p>melodia. Por isso, nas músicas, vemos algumas vezes a junção de verbo em terceira pessoa</p><p>combinando com pronome de segunda pessoa, o que a norma culta não admite, mas o ritmo,</p><p>a sonoridade e o público a que se quer atingir admitem.</p><p>Por exemplo: “Cantei pra ti dormir” é o verso de uma canção que possui ritmo, sonoridade agradável</p><p>e melodia; mas, de acordo com a norma culta, estaria errada.</p><p>Porém, tente cantar esta música usando a norma culta: “Cantei para tu dormires”!!!!. O número de</p><p>sílabas poéticas aumentou, assim, feriu o ritmo e a melodia, também a forma verbal “dormires” soa</p><p>artificial perante a massa popular.</p><p>Dessa forma, estaria de acordo com a norma culta, mas a estrutura frasal não estaria adequada ao</p><p>público e à musicalidade.</p><p>O mesmo ocorre com este slogan publicitário:</p><p>“Se você não se cuidar, a Aids vai te pegar.”</p><p>Perceba que o interlocutor (a quem o texto se dirige) é expresso pelo pronome “você” (terceira</p><p>pessoa do singular), reforçado pelo pronome oblíquo átono “se”. Porém, em seguida, há o pronome</p><p>oblíquo átono de segunda pessoa “te”. Dessa forma, percebemos que esse é o registro coloquial,</p><p>soa agradável ao público, mas não é a forma culta da língua.</p><p>Então, eu lhe pergunto: o que o autor do texto da propaganda quer?</p><p>Transmitir a informação, usando a forma como a massa fala; ou soar artificial, mas estar de acordo</p><p>com a norma culta?</p><p>Certamente, o comunicador quer é veicular a informação. Por isso, misturou os pronomes. Isso fere a</p><p>norma culta, mas é usual em texto publicitário, desde que tenha como público-alvo a massa popular.</p><p>SUBSTITUIÇÃO DE TEXTOS</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Podemos ter duas formas de realizar a reescrita: levar as formas verbais e os pronomes para a</p><p>segunda pessoa:</p><p>Se tu não te cuidares, a Aids vai te pegar.</p><p>ou para a terceira pessoa:</p><p>Se você não se cuidar, a Aids vai pegá-lo.</p><p>Na realidade, a retextualização já foi trabalhada na aula passada nas questões de reescritura de</p><p>fragmentos do texto. Aqui, esse trabalho é mais focado na adequação do uso da informalidade ou da</p><p>formalidade de acordo com o contexto social.</p><p>Figuras De Palavras</p><p>As figuras de palavra consistem no emprego de um termo com sentido diferente daquele</p><p>convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um efeito mais expressivo na comunicação.</p><p>São figuras de palavras:</p><p>Comparação:</p><p>Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois elementos que se identificam,</p><p>ligados por conectivos comparativos explícitos – feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual,</p><p>que nem – e alguns verbos – parecer, assemelhar-se e outros.</p><p>Exemplos: “Amou daquela vez como se fosse máquina. / Beijou sua mulher como se fosse lógico.”</p><p>(Chico Buarque);</p><p>“As solteironas, os longos vestidos negros fechados no pescoço, negros xales nos ombros, pareciam</p><p>aves noturnas paradas…” (Jorge Amado).</p><p>Metáfora:</p><p>Ocorre metáfora quando um termo substitui outro através de uma relação de semelhança resultante</p><p>da subjetividade de quem a cria. A metáfora também pode ser entendida como uma comparação</p><p>abreviada, em que o conectivo não está expresso, mas subentendido.</p><p>Exemplo: “Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso</p><p>extrair pérolas, que é a razão.” (Machado de Assis).</p><p>Metonímia:</p><p>Ocorre metonímia quando há substituição de uma palavra por outra, havendo entre ambas algum</p><p>grau de semelhança, relação, proximidade de sentido ou implicação mútua. Tal substituição</p><p>fundamenta-se numa relação objetiva, real, realizando-se de inúmeros modos:</p><p>– o continente pelo conteúdo e vice-versa: Antes de sair, tomamos um cálice (o conteúdo de um</p><p>cálice)</p>
<p>favorecido ao mercado</p><p>interno americano.</p><p>e) Orientando-se pelos interesses nacionais do povo e não apenas pelos interesses imediatos e</p><p>particulares do seu agrobusiness, e dos seus grupos financeiros defendidos e acobertados pela</p><p>retórica diletante e pela política escandalosamente subserviente dos “diplomatas descalços”.</p><p>5.Os trechos a seguir constituem um texto, mas estão desordenados. Ordeneos nos parênteses e</p><p>aponte a opção correta:</p><p>( ) A aguda crise social desdobrou-se, então, em quatro vertentes de alternativa política: o fascismo</p><p>italiano, o nazismo alemão, a social democracia sueca e o New Deal norte-americano.</p><p>( ) O desemprego é uma tragédia social com profundas implicações políticas.</p><p>( ) Um dado dessa natureza é importante, pois estabelece a conexão entre a crise social e o efeito</p><p>político-eleitoral.</p><p>( ) A esmagadora maioria dos eleitores nas últimas eleições apontava esse fenômeno como o mais</p><p>grave problema do país.</p><p>( ) Tal conexão apareceu pela primeira vez na História, claramente, há mais de 70 anos, nos</p><p>principais países capitalistas, na Grande Depressão.</p><p>a) 5, 1, 3, 2, 4</p><p>b) 3, 5, 1, 4, 2</p><p>c) 2, 4, 3, 5, 1</p><p>d) 4, 1, 3, 5, 2</p><p>e) 2, 1, 4 5, 3</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Tipologias e Generos Textuais</p><p>Tipologia Textual</p><p>1. Narração</p><p>Modalidade em que um narrador, participante ou não, conta um fato, real ou fictício, que ocorreu num</p><p>determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Refere-se a objetos do mundo real. Há</p><p>uma relação de anterioridade e posterioridade. O tempo verbal predominante é o passado. Estamos</p><p>cercados de narrações desde as que nos contam histórias infantis até às piadas do cotidiano. É o tipo</p><p>predominante nos gêneros: conto, fábula, crônica, romance, novela, depoimento, piada, relato, etc.</p><p>2. Descrição</p><p>Um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A</p><p>classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. Nu-</p><p>ma abordagem mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de</p><p>anterioridade e posterioridade. Significa "criar" com palavras a imagem do objeto descrito. É fazer</p><p>uma descrição minuciosa do objeto ou da personagem a que o texto se Pega. É um tipo textual que</p><p>se agrega facilmente aos outros tipos em diversos gêneros textuais. Tem predominância em gêneros</p><p>como: cardápio, folheto turístico, anúncio classificado, etc.</p><p>3. Dissertação</p><p>Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Dependendo do</p><p>objetivo do autor, pode ter caráter expositivo ou argumentativo.</p><p>3.1 Dissertação-Exposição</p><p>Apresenta um saber já construído e legitimado, ou um saber teórico. Apresenta informações sobre</p><p>assuntos, expõe, reflete, explica e avalia ideias de modo objetivo. O texto expositivo apenas expõe</p><p>ideias sobre um determinado assunto. A intenção é informar, esclarecer. Ex: aula, resumo, textos</p><p>científicos, enciclopédia, textos expositivos de revistas e jornais, etc.</p><p>3.1 Dissertação-Argumentação</p><p>Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa de ideias ou um ponto de vista do autor. O texto,</p><p>além de explicar, também persuade o interlocutor, objetivando convencê-lo de algo. Caracteriza-se</p><p>pela progressão lógica de ideias. Geralmente utiliza linguagem denotativa. É tipo predominante em:</p><p>sermão, ensaio, monografia, dissertação, tese, ensaio, manifesto, crítica, editorial de jornais e revis-</p><p>tas.</p><p>4. Injunção / Instrucional</p><p>Indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria,</p><p>empregados no modo imperativo, porém nota-se também o uso do infinitivo e o uso do futuro do pre-</p><p>sente do modo indicativo. Ex: ordens; pedidos; súplica; desejo; manuais e instruções para montagem</p><p>ou uso de aparelhos e instrumentos; textos com regras de comportamento; textos de orientação (ex:</p><p>recomendações de trânsito); receitas, cartões com votos e desejos (de natal, aniversário, etc.).</p><p>OBS1: Muitos estudiosos do assunto listam apenas os tipos acima. Alguns outros consideram que</p><p>existe também o tipo predição.</p><p>5. Predição</p><p>Caracterizado por predizer algo ou levar o interlocutor a crer em alguma coisa, a qual ainda está por</p><p>ocorrer. É o tipo predominante nos gêneros: previsões astrológicas, previsões meteorológicas, previ-</p><p>sões escatológicas/apocalípticas.</p><p>OBS2: Alguns estudiosos listam também o tipo Dialogal, ou Conversacional. Entretanto, esse nada</p><p>mais é que o tipo narrativo aplicado em certos contextos, pois toda conversação envolve persona-</p><p>gens, um momento temporal (não necessariamente explícito), um espaço (real ou virtual), um enredo</p><p>(assunto da conversa) e um narrador, aquele que relata a conversa.</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Dialogal / Conversacional</p><p>Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocutores. É o tipo predominante nos gêneros: entrevista,</p><p>conversa telefônica, chat, etc.</p><p>Gêneros textuais</p><p>Os Gêneros textuais são as estruturas com que se compõem os textos, sejam eles orais ou escritos.</p><p>Essas estruturas são socialmente reconhecidas, pois se mantêm sempre muito parecidas, com carac-</p><p>terísticas comuns, procuram atingir intenções comunicativas semelhantes e ocorrem em situações</p><p>específicas. Pode-se dizer que se tratam das variadas formas de linguagem que circulam em nossa</p><p>sociedade, sejam eles formais ou informais. Cada gênero textual tem seu estilo próprio, podendo</p><p>então, ser identificado e diferenciado dos demais através de suas características. Exemplos:</p><p>Carta: quando se trata de "carta aberta" ou "carta ao leitor", tende a ser do tipo dissertativo-</p><p>argumentativo com uma linguagem formal, em que se escreve à sociedade ou a leitores. Quando se</p><p>trata de "carta pessoal", a presença de aspectosnarrativos ou descritivos e uma linguagem pessoal é</p><p>mais comum. No caso da "carta denúncia", em que há o relato de um fato que o autor sente necessi-</p><p>dade de o exporao seu público, os tipos narrativos e dissertativo-expositivo são mais utilizados.</p><p>Propaganda: é um gênero textual dissertativo-expositivo onde há a o intuito de propagar informações</p><p>sobre algo, buscando sempre atingir e influenciar o leitor apresentando, na maioria das vezes, men-</p><p>sagens que despertam as emoções e a sensibilidade do mesmo.</p><p>Bula de remédio: trata-se de um gênero textual descritivo, dissertativo-expositivo einjuntivo que tem</p><p>por obrigação fornecer as informações necessárias para o correto uso do medicamento.</p><p>Receita: é um gênero textual descritivo e injuntivo que tem por objetivo informar a fórmula para prepa-</p><p>rar tal comida, descrevendo os ingredientes e o preparo destes, além disso, com verbos no imperati-</p><p>vo, dado o sentido de ordem, para que o leitor siga corretamente as instruções.</p><p>Tutorial: é um gênero injuntivo que consiste num guia que tem por finalidade explicar ao leitor, passo</p><p>a passo e de maneira simplificada, como fazer algo.</p><p>Editorial: é um gênero textual dissertativo-argumentativo que expressa o posicionamento da empresa</p><p>sobre</p>
<p>determinado assunto, sem a obrigação da presença da objetividade.</p><p>Notícia: podemos perfeitamente identificar características narrativas, o fato ocorrido que se deu em</p><p>um determinado momento e em um determinado lugar, envolvendo determinadas personagens. Ca-</p><p>racterísticas do lugar, bem como dos personagens envolvidos são, muitas vezes, minuciosamen-</p><p>te descritos.</p><p>Reportagem: é um gênero textual jornalístico de caráter dissertativo-expositivo. A reportagem tem,</p><p>por objetivo, informar e levar os fatos ao leitor de uma maneira clara, com linguagem direta.</p><p>Entrevista: é um gênero textual fundamentalmente dialogal, representado pela conversação de duas</p><p>ou mais pessoas, o entrevistador e o(s) entrevistado(s), para obter informações sobre ou do entrevis-</p><p>tado, ou de algum outro assunto. Geralmente envolve também aspectos dissertativo-expositivos, es-</p><p>pecialmente quando se trata de entrevista a imprensa ou entrevista jornalística. Mas pode também</p><p>envolver aspectosnarrativos, como na entrevista de emprego, ou aspectos descritivos, como na en-</p><p>trevista médica.</p><p>História em quadrinhos: é um gênero narrativo que consiste em enredos contados em pequenos qua-</p><p>dros através de diálogos diretos entre seus personagens, gerando uma espécie de conversação.</p><p>Charge: é um gênero textual narrativo onde se faz uma espécie de ilustração cômica, através de cari-</p><p>caturas, com o objetivo de realizar uma sátira, crítica ou comentário sobre algum acontecimento atual,</p><p>em sua grande maioria.</p><p>Poema: trabalho elaborado e estruturado em versos. Além dos versos, pode ser estruturado em es-</p><p>trofes. Rimas e métrica também podem fazer parte de sua composição. Pode ou não ser poético.</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Dependendo de sua estrutura, pode receber classificações específicas, como haicai, soneto, epopeia,</p><p>poema figurado, dramático, etc. Em geral, a presença de aspectos narrativos e descritivos são mais</p><p>frequentes neste gênero. Importante também é a distinção entre poema e poesia. Poesia é o conteú-</p><p>do capaz de transmitir emoções por meio de uma linguagem, ou seja, tudo o que toca e comove pode</p><p>ser considerado como poético. Assim, quando aplica-se a poesia ao gênero <poema>, resulta-se em</p><p>um poema poético, quando aplicada à prosa, resulta-se na prosa poética (até mesmo uma peça ou</p><p>um filme podem ser assim considerados).</p><p>Canção: possui muitas semelhanças com o gênero poema, como a estruturação em estrofes e as</p><p>rimas. Ao contrário do poema, costuma apresentar em sua estrutura um refrão, parte da letra que se</p><p>repete ao longo do texto, e quase sempre tem uma interação direta com os instrumentos musicais. A</p><p>tipologia narrativa tem prevalêncianeste caso.</p><p>Adivinha: é um gênero cômico, o qual consiste em perguntas cujas respostas exigem algum nível de</p><p>engenhosidade. Predominantemente dialogal.</p><p>Anais: um registro da história resumido, estruturado ano a ano. Atualmente, é utilizado para publica-</p><p>ções científicas ou artísticas que ocorram de modo periódico, não necessariamente a cada</p><p>ano. Possui caráter fundamentalmente dissertativo.</p><p>Anúncio publicitário: utiliza linguagem apelativa para persuadir o público a desejar aquilo que é ofe-</p><p>recido pelo anúncio. Por meio do uso criativo das imagens e dalinguagem, consegue utilizar todas as</p><p>tipologias textuais com facilidade.</p><p>Boletos, faturas, carnês: predomina o tipo descrição nestes casos, relacionados a informações de um</p><p>indivíduo ou empresa. O tipo injuntivo também se manifesta, através da orientação que cada um traz.</p><p>Profecia: em geral, estão em um contexto religioso, e tratam de eventos que podem ocorrer no futu-</p><p>ro da época do autor. A predominância é a do tipo preditivo, havendo também características dos</p><p>tipos narrativo e descritivo.</p><p>Gêneros literários:</p><p>Gênero Narrativo:</p><p>Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o dramá-</p><p>tico. Com o passar dos anos, o gênero épico passou a ser considerado apenas uma variante do gê-</p><p>nero literário narrativo, devido ao surgimento de concepções de prosa com características diferentes:</p><p>o romance, a novela, o conto, a crônica, a fábula. Porém, praticamente todas as obras narrativas</p><p>possuem elementos estruturais e estilísticos em comum e devem responder a questionamentos, co-</p><p>mo: quem? o que? quando? onde? por quê? Vejamos a seguir:</p><p>Épico (ou Epopeia): os textos épicos são geralmente longos e narram histórias de um povo ou de</p><p>uma nação, envolvem aventuras, guerras, viagens, gestos heroicos, etc. Normalmente apresentam</p><p>um tom de exaltação, isto é, de valorização de seus heróis e seus feitos. Dois exemplos são Os Lusí-</p><p>adas, de Luís de Camões, e Odisséia, de Homero.</p><p>Romance: é um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidos e de caráter</p><p>mais verossímil. Também conta as façanhas de um herói, mas principalmente uma história de amor</p><p>vivida por ele e uma mulher, muitas vezes, “proibida” para ele. Apesar dos obstáculos que o separam,</p><p>o casal vive sua paixão proibida, física, adúltera, pecaminosa e, por isso, costuma ser punido no final.</p><p>É o tipo de narrativa mais comum na Idade Média. Ex: Tristão e Isolda.</p><p>Novela: é um texto caracterizado por ser intermediário entre a longevidade do romance e a brevidade</p><p>do conto. Como exemplos de novelas, podem ser citadas as obras O Alienista, de Machado de Assis,</p><p>e A Metamorfose, de Kafka.</p><p>Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa, que conta situações rotineiras,</p><p>anedotas e até folclores. Inicialmente, fazia parte da literatura oral. Boccacio foi o primeiro a reprodu-</p><p>zi-lo de forma escrita com a publicação de Decamerão. Diversos tipos do gênero textual conto surgi-</p><p>ram na tipologia textual narrativa: conto de fadas, que envolve personagens do mundo da fantasia;</p><p>contos de aventura, que envolvem personagens em um contexto mais próximo da realidade; contos</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>folclóricos (conto popular); contos de terror ou assombração, que se desenrolam em um contexto</p><p>sombrio e objetivam causar medo no expectador; contos de mistério, que envolvem o suspense e a</p><p>solução de um mistério.</p><p>Fábula: é um texto de caráter fantástico que busca ser inverossímil. As personagens principais são</p><p>não humanos e a finalidade é transmitir alguma lição de moral.</p><p>Crônica: é uma narrativa informal, breve, ligada à vida cotidiana, com linguagem coloquial. Pode ter</p><p>um tom humorístico ou um toque de crítica indireta, especialmente, quando aparece em seção ou</p><p>artigo de jornal, revistas e programas da TV..</p><p>Crônica narrativo-descritiva: Apresenta alternância entre os momentos narrativos e manifestos descri-</p><p>tivos.</p><p>Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo ideias, críticas e refle-</p><p>xões morais e filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado. Con-</p><p>siste também na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosó-</p><p>fico, político, social, cultural, moral, comportamental, etc.), sem que se paute em formalidades como</p><p>documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter científico. Exemplo:Ensaio sobre a tolerân-</p><p>cia, de John Locke.</p><p>Gênero Dramático:</p><p>Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse tipo de texto, não há um narrador con-</p><p>tando a história. Ela “acontece” no palco, ou seja, é representada por atores, que assumem os papéis</p><p>das personagens nas cenas.</p><p>Tragédia: é a representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e terror. Aristóteles</p><p>afirmava que a tragédia era "uma representação duma ação grave, de alguma extensão e completa,</p><p>em linguagem figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror". Ex: Romeu e Juli-</p><p>eta, de Shakespeare.</p><p>Farsa: A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao emprego de processos como o absurdo, as</p><p>incongruências, os equívocos, a caricatura, o humor primário, as situações ridículas e, em especial,</p>
<p>o</p><p>engano.</p><p>Comédia: é a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento comum, de riso fácil. Sua</p><p>origem grega está ligada às festas populares.</p><p>Tragicomédia: modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômicos. Originalmente, signifi-</p><p>cava a mistura do real com o imaginário.</p><p>Poesia de cordel: texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com forte apelo linguístico e cultural</p><p>nordestinos, fatos diversos da sociedade e da realidade vivida por este povo.</p><p>Gênero Lírico:</p><p>É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no poema e que nem sempre corresponde à</p><p>do autor) exprime suas emoções, ideias e impressões em face do mundo exterior. Normalmente os</p><p>pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da função emotiva da linguagem.</p><p>Elegia: é um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a morte é elevada como o ponto má-</p><p>ximo do texto. O emissor expressa tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poe-</p><p>ma melancólico. Um bom exemplo é a peça Roan e yufa, de william shakespeare.</p><p>Epitalâmia: é um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites românticas com poemas e</p><p>cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.</p><p>Ode (ou hino): é o poema lírico em que o emissor faz uma homenagem à pátria (e aos seus símbo-</p><p>los), às divindades, à mulher amada, ou a alguém ou algo importante para ele. O hino é uma ode com</p><p>acompanhamento musical;</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Idílio (ou écloga): é o poema lírico em que o emissor expressa uma homenagem à natureza, às bele-</p><p>zas e às riquezas que ela dá ao homem. É o poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de des-</p><p>frutar de tais belezas e riquezas ao lado da amada (pastora), que enriquece ainda mais a paisagem,</p><p>espaço ideal para a paixão. A écloga é um idílio com diálogos (muito rara);</p><p>Sátira: é o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém ou a algo, em tom sério ou irônico.</p><p>Acalanto: ou canção de ninar;</p><p>Acróstico: (akros = extremidade; stikos = linha), composição lírica na qual as letras iniciais de cada</p><p>verso formam uma palavra ou frase;</p><p>Balada: uma das mais primitivas manifestações poéticas, são cantigas de amigo (elegias) com ritmo</p><p>característico e refrão vocal que se destinam à dança;</p><p>Canção (ou Cantiga, Trova): poema oral com acompanhamento musical;</p><p>Gazal (ou Gazel): poesia amorosa dos persas e árabes; odes do oriente médio;</p><p>Haicai: expressão japonesa que significa “versos cômicos” (=sátira). E o poema japonês formado de</p><p>três versos que somam 17 sílabas assim distribuídas: 1° verso= 5 sílabas; 2° verso = 7 sílabas; 3°</p><p>verso 5 sílabas;</p><p>Soneto: é um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois quartetos e dois tercetos, com rima</p><p>geralmente em a-ba-b a-b-b-a c-d-c d-c-d.</p><p>Vilancete: são as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de escárnio e de maldizer); satíricas,</p><p>portanto.</p><p>Diferenças Entre Gêneros E Tipos Textuais</p><p>Gêneros e tipos textuais são dois conceitos distintos, embora ainda seja bastante comum a confusão</p><p>entre esses elementos.</p><p>A compreensão e identificação dos gêneros textuais é um tema recorrente em concursos e vestibula-</p><p>res. Entretanto, existem também os chamados “tipos textuais”, que são comumente confundidos com</p><p>os gêneros, induzindo inúmeros candidatos ao erro. As diferenças entre gêneros e tipos textuaisexis-</p><p>tem e são bem importantes!</p><p>Gêneros e tipos texuais são elementos distintos, observe:</p><p>Tipos Textuais</p><p>Gêneros textuais</p><p>Os tipos textuais são caracterizados por propriedades lin-</p><p>guísticas, como vocabulário, relações lógicas, tempos ver-</p><p>bais, construções frasais etc.</p><p>Possuem função comunicativa e</p><p>estão inseridos em um contexto</p><p>cultural.</p><p>São eles: narração, argumenta-</p><p>ção, descrição, injunção (ordem) e exposição (que é o</p><p>texto informativo).</p><p>Possuem um conjunto ilimitado de</p><p>características, que são determina-</p><p>das de acordo com o estilo do au-</p><p>tor, conteúdo, composição e fun-</p><p>ção.</p><p>Geralmente variam entre 5 e 9 tipos. São infinitos os exemplos de gêne-</p><p>ros: receita culinária, blog, e-mail,</p><p>lista de compras, bula de remédios,</p><p>telefonema, carta comercial, carta</p><p>argumentativa etc.</p><p>Podemos afirmar que a tipologia textual está relacionada com a forma como um texto apresenta-se e</p><p>é caracterizada pela presença de certos traços linguísticos predominantes. O gênero textual exerce</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>funções sociais específicas, que são pressentidas e vivienciadas pelos usuários da língua. Mas você</p><p>deve estar perguntando-se: “por que é importante saber a diferença entre gêneros e tipos textuais?”.</p><p>Saber as diferenças elencadas no quadro acima é fundamental para a correta distinção entre gêneros</p><p>e tipos textuais, pois quando conhecemos as características de cada um desses elementos, fica mui-</p><p>to mais fácil interpretar um texto. A interpretação está relacionada não apenas com a construção de</p><p>sentidos, mas também com os diversos fatores inerentes à estruturação textual.</p><p>Você Sabe O Que São Tipos Textuais?</p><p>Podemos chamar de tipos textuais o conjunto de enunciados organizados em uma estrutura bem</p><p>definida e facilmente identificada por suas características predominantes. O termo tipologia textu-</p><p>al (outra nomenclatura possível) designa uma sequência definida pela natureza linguística de sua</p><p>composição, ou seja, está relacionado com questões estruturais da língua, determinadas por aspec-</p><p>tos lexicais, sintáticos, relações lógicas e tempo verbal. Objetivamente, dizemos que o tipo textual é</p><p>a forma como o texto apresenta-se.</p><p>Podem variar entre cinco e nove tipos, contudo, os mais estudados e exigidos nas diferentes provas</p><p>de vestibular e concursos no Brasil são a narração, a dissertação, a descrição, a injunção e a exposi-</p><p>ção. Veja as principais características de cada um deles:</p><p>► Narração: Sua principal característica é contar uma história, real ou não, geralmente situada em</p><p>um tempo e espaço, com personagens, foco narrativo, clímax, desfecho, entre outros elementos. Os</p><p>gêneros que se apropriam da estrutura narrativa são: contos, crônicas, fábulas, romance, biografias</p><p>etc.</p><p>► Dissertação: Tipo de texto opinativo em que ideias são desenvolvidas por meio de estratégias</p><p>argumentativas. Sua maior finalidade é conquistar a adesão do leitor aos argumentos apresentados.</p><p>Os gêneros que se apropriam da estrutura dissertativa são: ensaio, carta argumentativa, dissertação,</p><p>editorial etc.</p><p>► Descrição: Têm por objetivo descrever objetiva ou subjetivamente coisas, pessoas ou situações.</p><p>Os gêneros que se apropriam da estrutura descritiva são: laudo, relatório, ata, guia de viagem etc.</p><p>Também podem ser encontrados em textos literários por meio da descrição subjetiva.</p><p>► Injunção: São textos que apresentam a finalidade de instruir e orientar o leitor, utilizando verbos</p><p>no imperativo, no infinitivo ou presente do indicativo, sempre indeterminando o sujeito. Os gêneros</p><p>que se apropriam da estrutura injuntiva são: manual de instruções, receitas culinárias, bulas, regula-</p><p>mentos, editais, códigos, leis etc.</p><p>► Exposição: O texto expositivo tem por finalidade apresentar informações sobre um objeto ou fato</p><p>específico, enumerando suas características por meio de uma linguagem clara e concisa. Os gêneros</p><p>que se apropriam da estrutura expositiva são: reportagem, resumo, fichamento, artigo científico, se-</p><p>minário etc.</p><p>Para que você conheça com detalhes cada um dos tipos textuais citados, o sítio de Português prepa-</p><p>rou uma seção sobre tipologia textual. Nela você encontrará vários artigos que têm como objetivo</p><p>discutir as características que compõem a narração, a dissertação, a descrição, a injunção e a expo-</p><p>sição, bem como apresentar as diferenças entre tipos e gêneros textuais. Esperamos que você apro-</p><p>veite o conteúdo disponibilizado e, principalmente, desejamos que todas as informações aqui encon-</p><p>tradas possam transformar-se em conhecimento. Boa leitura</p>
<p>e bons estudos!</p><p>Gêneros Textuais</p><p>Os gêneros textuais são um modo de classificar os textos. Veja a diferença entre gênero textual, lite-</p><p>rário e tipos de textos</p><p>Os textos, sejam eles escritos ou orais, embora sejam diferentes entre si, podem apresentar diversos</p><p>pontos em comum. Quando eles apresentam um conjunto de características semelhantes, podem ser</p><p>classificados em determinado gênero textual.</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Dessa maneira, os gêneros textuais podem ser compreendidos como as diferentes formas de lingua-</p><p>gem empregadas nos textos, configurando-se como manifestações socialmente reconhecidas que</p><p>procuram alcançar intenções comunicativas semelhantes, exercendo funções sociais específicas.</p><p>Cada gênero textual tem o seu próprio estilo e pode ser diferenciado dos demais por meio das suas</p><p>características. Algumas das características que determinam o gênero textual são o assunto, o papel</p><p>dos interlocutores e a situação. Graças à sua natureza, torna-se impossível definir a quantidade de</p><p>gêneros textuais existentes na língua portuguesa.</p><p>Gênero Textual, Tipo Textual E Gênero Literário</p><p>Antes de vermos mais detalhadamente alguns exemplos de gêneros textuais, é necessário abordar</p><p>alguns conceitos a fim de evitar possíveis confusões. Vejamos a seguir:</p><p>Gênero literário – Os gêneros textuais abrangem todos os tipos de texto, ao contrário dos gêneros</p><p>literários que, como o próprio nome já indica, aborda apenas os literários. O gênero literário é classifi-</p><p>cado de acordo com a sua forma, podendo ser do gênero dramático, lírico, épico, narrativo etc.</p><p>Tipo textual – É a forma como um texto se apresenta. Pode ser classificado como narrativo, argu-</p><p>mentativo, dissertativo, descritivo, informativo ou injuntivo.</p><p>Observe que, enquanto os tipos textuais variam entre 5 e 9 tipos, temos infinitos exemplos de gêne-</p><p>ros textuais.</p><p>Os Gêneros Textuais</p><p>Os gêneros textuais são inúmeros e cada um deles possui o seu próprio estilo de escrita e de estrutu-</p><p>ra. Confira alguns deles a seguir:</p><p>• Conto maravilhoso;</p><p>• Conto de fadas;</p><p>• Fábula;</p><p>• Carta pessoal;</p><p>• Lenda;</p><p>• Telefonema;</p><p>• Poema;</p><p>• Narrativa de ficção científica;</p><p>• Romance;</p><p>• E-mail;</p><p>• Manual de instruções;</p><p>• Lista de compras;</p><p>• Edital;</p><p>• Conto;</p><p>• Piada;</p><p>• Relato;</p><p>• Relato de viagem;</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>• Diário;</p><p>• Autobiografia;</p><p>• Curriculum vitae;</p><p>• Notícia;</p><p>• Biografia;</p><p>• Relato histórico;</p><p>• Texto de opinião;</p><p>• Carta de leitor;</p><p>• Carta de solicitação;</p><p>• Editorial;</p><p>• Ensaio;</p><p>• Resenhas críticas;</p><p>• Seminário;</p><p>• Conferência;</p><p>• Palestra;</p><p>• Texto explicativo;</p><p>• Relatório científico;</p><p>• Receita culinária;</p><p>• Regulamento;</p><p>Vejamos alguns exemplos de gêneros textuais mais detalhadamente:</p><p>Carta</p><p>Na carta pessoal, é comum encontrarmos uma linguagem pessoal e a presença de aspectos narrati-</p><p>vos ou descritivos. Já a carta aberta, destinada à sociedade, tende a ser do tipo dissertativo-</p><p>argumentativo.</p><p>Diário</p><p>É escrito em linguagem informal, consta a data e geralmente o destinatário é a própria pessoa que</p><p>está escrevendo.</p><p>Notícia</p><p>Apresenta linguagem narrativa e descritiva e o objetivo é informar algo que aconteceu.</p><p>Como já foi dito, os gêneros textuais são inúmeros e, por isso, seria impossível estudá-los ao mesmo</p><p>tempo. Para produzir um bom texto em determinado gênero textual, é importante estudar as suas</p><p>características e ler alguns exemplos.</p><p>Os gêneros e os tipos textuais estão intrinsecamente relacionados, o que torna difícil a dissociação</p><p>entre as duas noções</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>9 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Você já deve ter ouvido falar sobre gêneros e tipos textuais, certo? Mas será que você sabe como</p><p>diferenciar essas duas noções?</p><p>Diferenciar gêneros e tipologias textuais não é tarefa fácil, contudo é importante que saibamos alguns</p><p>aspectos que possam defini-los para, dessa forma, facilitar nossos estudos. Vamos então à análise:</p><p>Gêneros Textuais</p><p>Os gêneros textuais são aqueles que encontramos em nossa vida diária, inclusive em nossos mo-</p><p>mentos de interação verbal. Quando nos comunicamos verbalmente, fazemos, intuitivamente, uso de</p><p>algum gênero textual.</p><p>Sendo assim, a língua, sob a perspectiva dos gêneros textuais, é compreendida por seus aspectos</p><p>discursivos e enunciativos, e não em suas peculiaridades formais. Os gêneros privilegiam a funciona-</p><p>lidade da língua, ou seja, a maneira como os falantes podem dela dispor, e não seus aspectos estru-</p><p>turais. São inúmeros os gêneros textuais utilizados em nossas ações sociocomunicativas:</p><p>Telefonema</p><p>Carta comercial</p><p>Carta pessoal</p><p>Poema</p><p>Cardápio de restaurante</p><p>Receita culinária</p><p>Bula de remédio</p><p>Bilhete</p><p>Notícia de jornal</p><p>Romance</p><p>Edital de concurso</p><p>Piada</p><p>Carta eletrônica</p><p>Formulário de inscrição</p><p>Inquérito policial</p><p>História em quadrinhos</p><p>Entrevista</p><p>Biografia</p><p>Monografia</p><p>Aviso</p><p>Conto</p><p>Obra teatral</p><p>É importante ressaltar que os gêneros textuais são passíveis de modificação, pois devem atender às</p><p>situações comunicativas do cotidiano. Podemos destacar também que os gêneros atendem a neces-</p><p>sidades específicas, que vão desde a elaboração do cardápio do restaurante à elaboração de um e-</p><p>mail. Novos gêneros podem surgir (ou desaparecer) de acordo com a demanda linguística dos falan-</p><p>tes.</p><p>Tipos Textuais</p><p>Os tipos textuais diferem dos gêneros textuais por serem limitados, abrangendo categorias conheci-</p><p>das como:</p><p>Narração</p><p>Argumentação</p><p>Exposição</p><p>Descrição</p><p>Injunção (imposição)</p><p>TIPOLOGIAS E GENEROS TEXTUAIS</p><p>10 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>O termo Tipologia textual designa uma sequência definida pela natureza linguística de sua composi-</p><p>ção, ou seja, está relacionado com questões estruturais da língua, determinadas por aspectos lexi-</p><p>cais, sintáticos, relações lógicas e tempo verbal.</p><p>Apesar dessa tentativa arbitrária de diferenciação entre gêneros e tipos textuais – o tema costuma</p><p>provocar polêmica até mesmo entre linguistas –, é importante observar que essas duas noções estão</p><p>intrinsecamente relacionadas. Um texto narrativo (tipo textual) poderá contar com elementos descriti-</p><p>vos (gênero textual), e, para classificá-lo, a predominância de um elemento sobre o outro deve ser</p><p>observada, pois um texto pode ser tipologicamente variado.</p><p>Os gêneros textuais são classificados conforme as características comuns que os textos apresentam</p><p>em relação à linguagem e ao conteúdo.</p><p>Existem muitos gêneros textuais, os quais promovem uma interação entre os interlocutores (emissor</p><p>e receptor) de determinado discurso.</p><p>São exemplos resenha crítica jornalística, publicidade, receita de bolo, menu do restaurante, bilhete</p><p>ou lista de supermercado.</p><p>É importante considerar seu contexto, função e finalidade, pois o gênero textual pode conter mais de</p><p>um tipo textual. Isso, por exemplo, quer dizer que uma receita de bolo apresenta a lista de ingredien-</p><p>tes necessários (texto descritivo) e o modo de preparo (texto injuntivo).</p><p>Tipos De Gêneros Textuais</p><p>Cada texto possuiu uma linguagem e estrutura. Note que existem inúmeros gêneros textuais dentro</p><p>das categorias tipológicas de texto. Em outras palavras, gêneros textuais são estruturas textuais pe-</p><p>culiares que surgem dos tipos de textos: narrativo, descritivo, dissertativo-argumentativo, expositivo e</p><p>injuntivo.</p><p>Texto Narrativo</p><p>Os textos narrativos apresentam ações de personagens no tempo e no espaço. A estrutura da narra-</p><p>ção é dividida em: apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho.</p><p>Alguns exemplos de gêneros textuais narrativos:</p><p>• Romance</p><p>• Novela</p><p>• Crônica</p><p>• Contos de Fada</p><p>• Fábula</p><p>• Lendas</p><p>Texto Descritivo</p><p>Os textos descritivos se ocupam de relatar e expor determinada pessoa, objeto, lugar, acontecimento.</p><p>Dessa forma, são textos repletos de adjetivos, os quais descrevem ou apresentam imagens a partir</p><p>das percepções sensoriais do locutor (emissor).</p><p>São exemplos de gêneros textuais descritivos:</p>

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