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<p>SUMÁRIO</p><p>1 A SAÚDE MENTAL.....................................................................................2</p><p>2 A SAÚDE MENTAL INFANTIL....................................................................3</p><p>3 A Saúde Mental Infantil no Brasil ................................................................ 4</p><p>4 POLÍTICAS DE SAÚDE PÚBLICA NA SAÚDE MENTAL INFANTIL .......... 6</p><p>5 OS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL INFANTO-JUVENIS</p><p>(CAPSI) ..................................................................................................................</p><p>12</p><p>6 A POTÊNCIA DO ACOLHIMENTO ........................................................... 14</p><p>7 O PROFISSIONAL DE SAÚDE ................................................................15</p><p>8 FAMÍLIA E SOFRIMENTO PSÍQUICO: O DESAFIO DO PROTAGONISMO</p><p>FAMILIAR ..................................................................................................................</p><p>17</p><p>9 A Estratégia Saúde da Família .................................................................19</p><p>10 Abordagem Familiar: Ferramentas e Recomendações .........................20</p><p>11 Lei de Amparo à Criança e ao Adolescente ..........................................22</p><p>11.1 O que diz a Lei 10.216/2001 ........................................................... 24</p><p>11.2 Lei de Amparo às pessoas portadoras de transtornos mentais ...... 24</p><p>12 INTERVENÇÃO EM SAÚDE MENTAL..................................................27</p><p>13 O cuidado que dá certo em saúde mental .............................................28</p><p>14 Quando uma criança deve fazer Psicoterapia .......................................29</p><p>15 LUDOTERAPIA .....................................................................................30</p><p>BIBLIOGRAFIA............................................................................................... 36</p><p>1 A SAÚDE MENTAL</p><p>Fonte: ehealth.eletsonline.com</p><p>A Organização Mundial de Saúde afirma que não existe definição "oficial" de</p><p>saúde mental. Diferenças culturais, julgamentos subjetivos, e teorias relacionadas</p><p>concorrentes afetam o modo como a "saúde mental" é definida. Saúde mental é um</p><p>termo usado para descrever o nível de qualidade de vida cognitiva ou emocional.</p><p>A saúde Mental pode incluir a capacidade de um indivíduo de apreciar a vida e</p><p>procurar um equilíbrio entre as atividades e os esforços para atingir a resiliência</p><p>psicológica. Admite-se, entretanto, que o conceito de Saúde Mental é mais amplo que</p><p>a ausência de transtornos mentais"</p><p>Saúde Mental é o equilíbrio emocional entre o patrimônio interno e as</p><p>exigências ou vivências externas. É a capacidade de administrar a própria vida e as</p><p>suas emoções dentro de um amplo espectro de variações sem contudo perder o valor</p><p>do real e do precioso. É ser capaz de ser sujeito de suas próprias ações sem perder</p><p>a noção de tempo e espaço. É buscar viver a vida na sua plenitude máxima,</p><p>respeitando o legal e o outro. (Dr. Lorusso)</p><p>Saúde Mental é estar de bem consigo e com os outros. Aceitar as exigências</p><p>da vida. Saber lidar com as boas emoções e também com as desagradáveis:</p><p>alegria/tristeza; coragem/medo; amor/ódio; serenidade/raiva; ciúmes; culpa;</p><p>frustrações. Reconhecer seus limites e buscar ajuda quando necessário.</p><p>Os seguintes itens foram identificados como critérios de saúde mental:</p><p>Atitudes positivas em relação a si próprio</p><p>Crescimento, desenvolvimento e auto realização</p><p>Integração e resposta emocional</p><p>Autonomia e autodeterminação</p><p>Percepção apurada da realidade</p><p>Domínio ambiental e competência social</p><p>Problemas de saúde mental mais frequentes:</p><p>Ansiedade</p><p>Mal-estar psicológico ou stress continuado</p><p>Depressão</p><p>Dependência de álcool e outras drogas</p><p>Perturbações psicóticas, como a esquizofrenia</p><p>Atraso mental</p><p>Demências</p><p>Estima-se que em cada 100 pessoas 30 sofram, ou venham a sofrer, num ou</p><p>noutro momento da vida, de problemas de saúde mental e que cerca de 12 tenham</p><p>uma doença mental grave.</p><p>A depressão é a doença mental mais frequente, sendo uma causa importante</p><p>de incapacidade.</p><p>2 A SAÚDE MENTAL INFANTIL</p><p>A saúde mental tem se tornado o foco principal pra uma qualidade de vida,</p><p>fazendo com que os profissionais que trabalham nessa área tenham um olhar mais</p><p>atento. Para se falar de saúde mental infantil é necessário a compreensão das etapas</p><p>de desenvolvimento do ciclo vital, pois é nela que se estrutura o psiquismo. Dentro</p><p>deste âmbito é preciso percebermos que se tornaram comuns os problemas infantis</p><p>de foro psiquiátrico, que um número significativo destes problemas podem ter um mau</p><p>prognóstico e que muitas das perturbações da idade adulta têm as suas raízes em</p><p>fatores de risco da infância.</p><p>Uma intervenção inicial na promoção de competências que visem aumentar o</p><p>bem-estar pode ter efeitos preventivos importantes, como é o caso do aumento da</p><p>autoestima e da diminuição do comportamento antissocial.</p><p>O campo da psicopatologia desenvolvimental clarificou de que forma os</p><p>aspectos do comportamento normativo, tais como as relações com o grupo ou a</p><p>autoestima podem estar ligados à propensão para problemas posteriores, como, por</p><p>exemplo, a depressão e o comportamento antissocial. Os problemas com as relações</p><p>interpessoais entre iguais parecem aumentar o risco de ocorrência de perturbações</p><p>na infância e no início da adolescência.</p><p>Outros fatores de extrema importância são os fatores de risco familiar. As</p><p>crianças cujos progenitores sofrem de problemas de saúde física ou mental têm sido</p><p>foco de considerável atenção. Vários estudos de crianças cujos pais sofrem de</p><p>perturbação afetiva demonstram a importância das intervenções na família.</p><p>Os mecanismos psicossociais por meio dos quais o distúrbio nos pais influencia</p><p>o desenvolvimento das crianças parecem ser, principalmente, a discórdia familiar e a</p><p>interferência com as funções parentais.</p><p>A maior possibilidade que as crianças com problemas de conduta e</p><p>perturbações emocionais (especialmente as que foram diagnosticadas numa idade</p><p>precoce) têm de mudar o seu comportamento, reside principalmente na melhoria dos</p><p>fatores familiares, nas relações positivas de grupos de pares e nas boas experiências</p><p>escolares.</p><p>3 A SAÚDE MENTAL INFANTIL NO BRASIL</p><p>No início do século XX, o movimento higienista teve significativa influência na</p><p>psiquiatria infantil brasileira, pois, mesmo não voltando seu olhar para a patologia</p><p>mental propriamente dita, lançou bases para uma medicina que se preocupava com a</p><p>criança e seu desenvolvimento.</p><p>As crianças consideradas normais eram institucionalizadas através das escolas</p><p>e internatos. Já as crianças tidas como insanas, eram internadas nos manicômios</p><p>dividindo espaço com os adultos, pois não havia estudos ou instituições especificas</p><p>voltadas às crianças nesse período.</p><p>Dessa maneira, os primeiros estudiosos dos problemas infantis focaram suas</p><p>investigações nas desordens evidentes buscando remediá-las, investindo-se no</p><p>aperfeiçoamento da assistência pública em ambientes fechados, visando aos</p><p>delinquentes, aos retardados e às crianças abandonadas e maltratadas. Naquela</p><p>época, o saber médico deslocou sua intervenção também para a prevenção de</p><p>doenças, aumentando seu papel na sociedade, bem como sua importância como</p><p>apoio técnico-científico ao exercício de poder do Estado, a legitimação da psiquiatria</p><p>como uma das instâncias reguladoras do espaço social, extrapolou os limites do asilo</p><p>clássico, construindo um saber psiquiátrico preventivo ao qual se vincula o surgimento</p><p>da psiquiatria infantil.</p><p>No Brasil, é fato recente o reconhecimento, pelas instâncias governamentais,</p><p>de que a Saúde Mental de crianças e jovens é uma questão de saúde pública e deve</p><p>integrar o conjunto de ações do Sistema Único de Saúde (SUS). Historicamente, as</p><p>ações relacionadas à Saúde Mental da infância e adolescência foram, no país,</p><p>delegadas aos setores educacionais e de assistência social, com quase ausência de</p><p>proposições pela área da Saúde Mental (Couto, Duarte & Delgado 2008). Foucault</p><p>(1988) definiu que a biopolítica</p><p>age na espécie. Ela se preocupa em cuidar de todo o</p><p>processo de vida desde o nascimento até a morte, enfim com a saúde da população.</p><p>A biopolítica cria técnicas de gestão da vida, nas quais o biológico é o centro</p><p>das discussões políticas, com o objetivo de modificá-la, transformá-la, aperfeiçoá-la</p><p>para melhor manejá-la. Para Foucault (1988), a valorização e o investimento sobre o</p><p>corpo vivo, bem como a gestão distributiva de suas forças foram indispensáveis para</p><p>o desenvolvimento do capitalismo.</p><p>Na infância esse processo de biologização ou medicalização ocorre na</p><p>educação, por intermédio, principalmente do diagnóstico do Transtorno de Distúrbio</p><p>de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Esse fenômeno da medicalização do social tão</p><p>em evidência no mundo contemporâneo não deixa escapar a população infanto-</p><p>juvenil. Podemos observar um aumento cada vez maior de consumo de psicotrópicos</p><p>pela infância, principalmente nas crianças em idade escolar. Se de um lado</p><p>observamos o avanço do processo da biologização da vida, e em especial da infância.</p><p>De outro lado, a atual Política Nacional de Saúde Mental tem definido diretrizes</p><p>importantes para a assistência à criança e adolescente. Como observadores mais</p><p>próximos da saúde e do bem-estar da criança, os pais devem atender às suas próprias</p><p>dúvidas e intuições.</p><p>Fonte: italofilosofia.blogspot.com.br</p><p>Se por algum motivo o aspecto do seu desenvolvimento, seja ele motor,</p><p>cognitivo, emocional ou comportamental os preocupa, deverão pedir ajuda.</p><p>4 POLÍTICAS DE SAÚDE PÚBLICA NA SAÚDE MENTAL INFANTIL</p><p>As políticas de saúde estão relacionadas, historicamente, com os processos de</p><p>urbanização e industrialização. É no século XIX, como já citamos anteriormente, com</p><p>as grandes aglomerações populacionais, que nascem medidas de cunho higienista</p><p>buscando mudar hábitos alimentares, de moradia, vestimentas que eram, até então,</p><p>os principais responsáveis pelos altos índices de mortalidade da população,</p><p>notadamente da população infantil. A Saúde Mental Infantil no Brasil, enquanto campo</p><p>de intervenção, cuidados e estudos sobre a criança, não teve nada estruturado ou</p><p>sistematizado até o século XIX, quando surgiram as primeiras teses em psicologia e</p><p>em psiquiatria, especialmente a partir da criação do primeiro hospital psiquiátrico</p><p>brasileiro o Hospício D. Pedro II, em 1852 (Ribeiro, 2006).</p><p>Na esfera das políticas públicas de saúde tem uma história muito recente.</p><p>Podemos tomar como marco a III Conferência Nacional de Saúde Mental, realizada</p><p>em 2001, quando, pela primeira vez, o campo da reforma psiquiátrica brasileira</p><p>assumiu publicamente o atraso no enfrentamento da saúde pública com o sofrimento</p><p>psíquico na infância. Até então, quem vinha se ocupando das questões específicas</p><p>desta parcela da população brasileira era o campo da educação e da assistência</p><p>social, com forte tendência à institucionalização das crianças e adolescentes e com</p><p>uma expressiva presença de entidades filantrópicas na gestão destas ações. O</p><p>relatório final da III Conferência indicou que a construção de uma rede de atenção à</p><p>saúde mental infantil começaria pela criação dos Centros de Atenção Psicossocial</p><p>para a infância, os CAPSi.</p><p>As políticas de saúde mental existentes estão relacionadas aos problemas da</p><p>população adulta. Na população de crianças e adolescentes, os tipos de transtorno,</p><p>principais fatores de risco e de proteção, estratégias de intervenção e organização do</p><p>sistema de serviços têm especificidades que não podem ser contempladas pela</p><p>simples extensão das estratégias de cuidado da população adulta à população infantil</p><p>e juvenil. Tais especificidades tendem a permanecer invisíveis na agenda mais geral</p><p>das políticas de saúde mental, requerendo, assim, a proposição de uma agenda</p><p>política específica. A inexistência de políticas de saúde mental infantil em quase todas</p><p>as partes do mundo torna o desenvolvimento de políticas nacionais de saúde mental</p><p>para infância e adolescência um empreendimento não apenas necessário, como</p><p>urgente. Uma política de saúde mental específica para este segmento auxiliaria</p><p>substancialmente a ampliação do sistema de serviços, daria institucionalidade à</p><p>construção de dados e de informações culturalmente relevantes acerca das questões</p><p>que lhe são próprias, e contribuiria para o avanço das pesquisas nesta área.</p><p>Com o objetivo de superar esta delegação silenciosa e os problemas</p><p>assistenciais que lhe são inerentes, existem hoje ações em direção à implantação de</p><p>uma política de saúde mental para infância e adolescência como um plano específico,</p><p>integrado à política geral de saúde mental do SUS. A principal finalidade desta política</p><p>é a construção de uma rede de cuidados capaz de responder com efetividade às</p><p>necessidades de crianças e adolescentes. Duas ações principais estão em curso nos</p><p>últimos anos:</p><p>1) a implantação pelo SUS de novos serviços de saúde mental para crianças e</p><p>adolescentes, os Centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi); e</p><p>2) a construção de estratégias para articulação intersetorial da saúde mental</p><p>com setores historicamente envolvidos na assistência à infância e adolescência:</p><p>saúde geral, educação, assistência social, justiça e direitos, com vistas à integralidade</p><p>do cuidado. Esta última ação será denominada ao longo deste artigo como 'rede</p><p>intersetorial potencial'.</p><p>Profundas mudanças vêm se operando a partir das invenções de fazeres para</p><p>além da clínica. O abandono, a violência e a segregação destinados à loucura ao</p><p>longo da história, vêm gradativamente sendo substituídos por outros recursos e</p><p>dispositivos que permitam ao portador de sofrimento mental a retomada ou a</p><p>manutenção dos laços sociais, minimizando assim os riscos de sua exclusão</p><p>(AMARANTE, 1995). É inegável que os avanços alcançados pela Reforma</p><p>Psiquiátrica, se devem à contribuição da Lei Federal 10.216, de 06 de abril de 2001,</p><p>que dispõe sobre a proteção e os direitos dos portadores de sofrimento mental grave</p><p>e redimensiona o modelo de assistência no campo da saúde mental no Brasil, e da</p><p>portaria 336/02 (BRASIL, 2002) que cria uma linha de financiamento para a instalação</p><p>e manutenção de Centros de Atenção Psicossociais, como locais prioritários para o</p><p>tratamento dos portadores de sofrimento mental. Nesse contexto, devemos considerar</p><p>que a Reforma Psiquiátrica tem avançado, mas também tem convocado à invenção</p><p>de um “novo” que suporte o real da loucura, chamado aqui de imperativo à construção,</p><p>como aponta Couto (2004, p. 61):</p><p>[...] a Reforma Psiquiátrica Brasileira vem constituindo nesses 20 anos um</p><p>movimento pendular caracterizado por um lado, pelo reconhecimento de</p><p>avanços significativos e, por outro, pela imposição permanente de novos de-</p><p>safios como se cada conquista festejada fosse acompanhada da evidência</p><p>de que ainda há muito a ser feito em direção à construção efetiva de um novo</p><p>modo de cuidar e tratar sujeitos atravessados pela radicalidade de certos so-</p><p>frimentos psíquicos [...].</p><p>À medida que a Reforma Psiquiátrica avança, produz novas demandas para</p><p>além da clínica fazendo-se necessária a criação de novas respostas para lidar com a</p><p>loucura. Amparada sob o pensamento de que a desinstitucionalização não deve ser</p><p>considerada mera extinção de hospitais psiquiátricos, mas como a retomada do</p><p>domínio público pela loucura e o restabelecimento dos vínculos sociais pelo paciente</p><p>(BASAGLIA, 1985, ROTELLI, 1990; LOBOSQUE, 1997), questões referentes ao que</p><p>fazer para os pacientes egressos de hospitais psiquiátricos, como tratá-los a fim de</p><p>que os cuidados a eles destinados não redundem novamente em exclusão social</p><p>(preconceitos, estigmas), como superar as associações da figura do louco como um</p><p>ser incapaz, perigoso e não-cidadão proporcionando o estabelecimento e a</p><p>manutenção de seus laços sociais; apontaram para a necessidade de um fazer</p><p>coletivo e político no que se refere ao campo da saúde mental. Como dito inicialmente,</p><p>avanços têm sido alcançados no campo da saúde mental, mas se pensarmos nas</p><p>crianças e adolescentes, podemos nos perguntar sobre o que foi feito ou pensado,</p><p>pelos trabalhadores da saúde mental, para as crianças e adolescentes que foram</p><p>internadas em instituições totais e excluídas do convívio sócio familiar?</p><p>Quando retornam de seu período de internação, assim como os adultos, não</p><p>carregam consigo o estigma do internato, as marcas da violência, o apagamento do</p><p>sujeito? Sabemos que o regime de exclusão também se impôs a elas ao longo da</p><p>história nas mais diversas instituições e manicômios.</p><p>Crianças que ainda insistem em ser crianças tem as pernas pequenas, e os</p><p>braços ágeis. Crianças que também sabem seu nome, sua idade, seus so-</p><p>nhos. Correm para lá e para cá, rente aos muros, na divisa das grades, da</p><p>insensibilidade humana. Vivendo no pátio, corredores e portões de ferro...</p><p>grades e celas, um quarto de contenção, de choque elétrico. (FIRMINO,</p><p>1980).</p><p>A partir da verificação dos horrores e a exclusão exercida sobre as crianças,</p><p>pôde-se perguntar sobre o lugar destinado a elas no contexto da Reforma Psiquiátrica,</p><p>e assim, caminhar rumo a construção de novos dispositivos de atenção a crianças e</p><p>adolescentes no campo da saúde mental, amparados por uma política sustentada em</p><p>princípios de cidadania. Segundo Bezerra (1994), a cidadania não é um atributo</p><p>formal, algo dado aprioristicamente, mas um projeto aberto a ser construído. Para ele,</p><p>a construção do lugar do louco na cidade é condição “ sine qua non” para cidadania .</p><p>Contudo, o cenário da atenção a crianças e adolescentes no campo da saúde mental</p><p>testemunha que ainda coexistem intactas, ao lado da Reforma Psiquiátrica, práticas</p><p>manicomiais capazes de produzir efeitos tão devastadores quanto os produzidos</p><p>pelos hospícios. Para muitas crianças, o campo da saúde mental é ainda cercado,</p><p>senão por um silêncio, por uma discrição no tratamento de questões relativas à</p><p>loucura, operando-se aí uma sutil exclusão, um sutil confinamento.</p><p>A Atenção Primária à Saúde tem se sido foco das discussões em saúde em</p><p>todo o mundo. Várias Conferências e Relatórios internacionais1 têm apontado o</p><p>investimento na Atenção Primária como a forma mais eficaz na produção de um</p><p>sistema de saúde resolutivo (Buss, 2000).</p><p>A Conferência Internacional em Alma-Ata (1978), promovida pela Organização</p><p>Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF),</p><p>declarou que a APS é fundamental à assistência sanitária. Isto porque a APS coloca</p><p>a assistência em saúde ao alcance de todos os indivíduos e famílias da comunidade,</p><p>com sua plena participação e a um custo que a comunidade e o país possam suportar.</p><p>A APS, uma vez que constitui o núcleo do sistema nacional de saúde, faz parte do</p><p>conjunto do desenvolvimento econômico e social da comunidade.</p><p>Fonte: www.mynewshub.cc</p><p>A Conferência de Alma-Ata afirmou também que a APS é chave para alcançar</p><p>em todo o mundo um nível aceitável de saúde que fizesse parte do desenvolvimento</p><p>social e se inspirasse em um espírito de justiça. A meta foi proposta para o ano 2000.</p><p>A Declaração de Alma-Ata definiu ainda que a APS devesse se orientar de acordo</p><p>com os principais problemas sanitários da comunidade e prestar atenção preventiva,</p><p>curativa, de reabilitação e de promoção de saúde. Portanto, a APS não se restringiria</p><p>a um programa específico ou à prestação de serviços por meio de pacotes básicos.</p><p>Deveria estar interligado com os outros níveis de atenção (Andrade, Barreto &</p><p>Bezerra, 2009).</p><p>De acordo com o Ministério da Saúde, a Atenção Básica:</p><p>[...] caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual</p><p>e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de</p><p>agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a</p><p>manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver uma atenção integral</p><p>que impacte na situação de saúde e autonomia das pessoas e nos determi-</p><p>nantes e condicionantes de saúde das coletividades.</p><p>(Brasil, 2012, p.19).</p><p>Sendo assim, APS se constitui como a porta de entrada preferencial do SUS e</p><p>também para as ações em Saúde Mental. Ao ser considerada a organizadora dos</p><p>demais pontos contínuos de atenção, a APS imprime o caráter de estratégia, podendo</p><p>ser capaz de resolver em torno de 90% dos problemas de saúde dos usuários.</p><p>(Mendes, 2001).</p><p>No ano de 2011 o Ministério da Saúde aprova a Portaria n 2.488 que estabelece</p><p>“a revisão de diretrizes e normas para a organização da atenção básica, para a</p><p>Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde</p><p>(PACS)” e revoga a Portaria n 648 de 2006 (Brasil, 2012, p.13).</p><p>A Estratégia da Saúde da Família (ESF) configura-se como principal</p><p>modalidade de atuação da atenção básica. Seus princípios são: atuação no território</p><p>através do diagnóstico situacional, enfrentamento dos problemas de saúde de</p><p>maneira pactuada com a comunidade, buscando o cuidado dos indivíduos e das</p><p>famílias ao longo do tempo; buscar a integração com instituições e organizações</p><p>sociais e ser espaço de construção da cidadania.</p><p>É na Atenção Primária que deveriam chegar todos os tipos de queixa referentes</p><p>à Saúde Mental Infantil. Desta forma, acentua-se a importância do conhecimento e da</p><p>atenção que os profissionais dos serviços públicos de saúde dão às queixas e</p><p>sintomas de Saúde Mental. A escuta cuidadosa das queixas pode possibilitar uma</p><p>intervenção efetiva por parte da equipe local. Por outro lado, um encaminhamento</p><p>adequado das crianças com problemas mentais para serviços especializados pode</p><p>permitir intervenção terapêutica precisa e oportuna. (Brasil, 2005).</p><p>De acordo com a pesquisa realizada por Boarini e Borges (1998) a maioria dos</p><p>casos atendidos nos serviços de saúde mental da rede pública se refere aos</p><p>problemas de aprendizagem ou escolares, questões estas que não necessariamente</p><p>necessitam de intervenções especificas de um profissional de saúde mental. Para as</p><p>autoras, esse dado pode sugerir que</p><p>[...] além de não existir suficiente oferta de serviços para atender àquelas cri-</p><p>anças que, provavelmente, necessitam de atendimento especializado em sa-</p><p>úde mental, a maior parte do tempo do profissional é absorvida em atendi-</p><p>mentos, muitas vezes, dispensáveis. (Boarini; Borges, 1998, p.85).</p><p>De acordo com a atual Política Nacional de Saúde Mental, as ações de saúde</p><p>mental devem ser desenvolvidas em articulação com a Atenção Básica pela</p><p>convergência de princípios entre elas. Mas, para que a saúde mental seja</p><p>concretizada na Atenção Básica, é preciso que os princípios do SUS se tornem</p><p>práticas cotidianas.</p><p>Nesse sentido, ações que envolvam conceitos como acolhimento e vínculo,</p><p>atuação em equipe e no território, integralidade do cuidado e responsabilização pelas</p><p>ações, trabalho em rede, desinstitucionalização e reabilitação psicossocial, são</p><p>condições para a construção de cuidados comuns entre estas políticas. (Borges,</p><p>2012).</p><p>5 OS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL INFANTO-JUVENIS (CAPSI)</p><p>Fonte: 1pjpalhoca.blogspot.com.br</p><p>Os CAPSi foram propostos a partir de 2002, sob os mesmos princípios que</p><p>regem as demais tipologias de CAPS no país. São serviços territoriais, de natureza</p><p>pública, financiados integralmente com recursos do SUS, com a função de prover</p><p>atenção em saúde mental baseados na integralidade do cuidado. Foram planejados</p><p>inicialmente para as cidades com 200.000 habitantes ou mais, com a finalidade de</p><p>atender casos de maior gravidade, conforme deliberação da III Conferência Nacional</p><p>de Saúde Mental realizada em 2001, e ordenar a demanda em saúde mental infantil</p><p>e juvenil no seu território de abrangência.</p><p>Compostos por equipes multiprofissionais - contendo no mínimo um psiquiatra,</p><p>neurologista ou pediatra com formação em saúde mental infantil, um enfermeiro,</p><p>quatro profissionais de nível superior (entre: psicólogo, assistente social, terapeuta</p><p>ocupacional, fonoaudiólogo, pedagogo) e cinco profissionais de nível médio - os</p><p>CAPSi devem se responsabilizar pelo atendimento regular de um número limitado de</p><p>pacientes e de suas</p><p>famílias, em regimes diferenciados de tratamento, segundo as</p><p>necessidades de cada caso (intensivo, semi-intensivo e não intensivo),</p><p>desenvolvendo um elenco diversificado de atividades terapêuticas. São prioritários os</p><p>atendimentos para autistas, psicóticos e para todos aqueles cuja problemática incida</p><p>diretamente em prejuízos psicossociais severos (na socialização, inclusão escolar,</p><p>familiar/comunitária etc.).</p><p>Os CAPSi são também encarregados de desenvolver ações para conhecimento</p><p>e ordenação das diferentes demandas que concernem à saúde mental da infância e</p><p>adolescência no território sob sua responsabilidade. Esta inflexão para o território,</p><p>conjugada ao atendimento dos casos, imputa a estes serviços um duplo mandato:</p><p>terapêutico e gestor. Este último deve ser realizado por meio:</p><p>1) do levantamento das reais necessidades em saúde mental presentes no</p><p>contexto social específico onde está inserido e nos equipamentos públicos locais</p><p>como, por exemplo, escolas, conselhos tutelares, abrigos, postos de saúde e demais,</p><p>por intermédio de reuniões regulares e/ou outras estratégias pertinentes;</p><p>2) da pactuação de fluxos pelos diferentes serviços/setores, visando à melhor</p><p>cobertura das demandas que, mesmo não requerendo tratamento diário e intensivo,</p><p>exigem cuidado e tratamento.</p><p>Fonte: www.ibamendes.com</p><p>As demandas para o tratamento de crianças, não raramente, convocam os</p><p>psicólogos à conversão dos comportamentos “anormais” em “normais”, na tentativa</p><p>de restabelecer a ordem para aquilo que vai à contramão dos valores dominantes</p><p>sobre a normalidade. Caso os psicólogos respondam a esta demanda, também</p><p>contribuirão como parcela significativa para a desassistência à crianças no campo da</p><p>saúde mental, pois como avançar e pensar na loucura da criança, se os profissionais</p><p>responsáveis pelo seu cuidado se assentarem sob o imperativo de restaurá-las de</p><p>acordo com os ideais sociais de normalidade? Ao ser considerada como anormal e</p><p>passível de conserto, não estaria sendo retirada da criança a possibilidade de</p><p>subjetivar suas questões e criar saídas singulares para lidar com seu mal-estar,</p><p>mesmo que uma dessas saídas seja a loucura?</p><p>Segundo Ferreira (2004) se o campo da saúde mental do adulto toma a loucura</p><p>como uma questão do sujeito, no que concerne à criança, não raro ela se encontra</p><p>sob o manto da deficiência; e estando “a loucura” da criança encoberta sob o manto</p><p>da deficiência e considerada como algo momentâneo a ser ajustado em um momento</p><p>posterior há um caminho “natural” sinalizado, que substitui o tratamento, que é o</p><p>encaminhamento à educação especial em instituições, não raramente, com</p><p>semblantes bastante parecidos aos hospícios para adultos. Sendo assim, se todas as</p><p>vezes que uma criança tornar-se refratária ao ide al de “normalidade” for engendrada</p><p>numa noção de deficiência e raramente reconhecida como “louca”, a assistência à</p><p>criança no campo da saúde mental permanecerá em um marasmo, se comparado à</p><p>saúde mental do adulto.</p><p>6 A POTÊNCIA DO ACOLHIMENTO</p><p>O acolhimento realizado nas unidades de Saúde é um dispositivo para a</p><p>formação de vínculo e a prática de cuidado entre o profissional e o usuário. Em uma</p><p>primeira conversa, por meio do acolhimento, a equipe da unidade de Saúde já pode</p><p>oferecer um espaço de escuta a usuários e a famílias, de modo que eles se sintam</p><p>seguros e tranquilos para expressar suas aflições, dúvidas e angústias, sabendo</p><p>então que a UBS está disponível para acolher, acompanhar e se o caso exigir, cuidar</p><p>de forma compartilhada com outros serviços.</p><p>Estes encontros com os usuários oferecem ao profissional a possibilidade de</p><p>conhecer as demandas de saúde da população de seu território. Com este</p><p>conhecimento, a equipe de Saúde tem como criar recursos coletivos e individuais de</p><p>cuidado avaliados como os mais necessários ao acompanhamento e ao suporte de</p><p>seus usuários e de sua comunidade.</p><p>No campo da Saúde Mental, temos como principais dispositivos comunitários</p><p>os grupos terapêuticos, os grupos operativos, a abordagem familiar, as redes de apoio</p><p>social e/ou pessoal do indivíduo, os grupos de convivência, os grupos de artesanato</p><p>ou de geração de renda, entre outros. Estes dispositivos também podem ser úteis na</p><p>abordagem de problemas de saúde de outros campos e, neste caderno, alguns</p><p>capítulos serão dedicados a abordar a especificidade de cada um destes recursos no</p><p>campo da Saúde Mental, com olhar específico para a Atenção Básica.</p><p>7 O PROFISSIONAL DE SAÚDE</p><p>Pois bem, vamos falar sobre essa sensação de insegurança que permeia as</p><p>intervenções de saúde mental. Boa parte da formação dos profissionais de Saúde tem</p><p>orientado o seu foco de trabalho na doença. Por essa razão, entre outras, muitas das</p><p>expectativas que temos acerca de como lidar com os casos de saúde mental são de</p><p>acabar com os sintomas que os usuários nos expõem.</p><p>No âmbito da Saúde Mental, muitas vezes não conseguiremos corresponder a</p><p>esta tradição e expectativa. E devemos realmente perguntar se os sintomas</p><p>manifestados pelos usuários são as causas dos seus problemas ou se tais sintomas</p><p>também não estão realizando uma função de indicar que algo não vai bem com aquele</p><p>usuário.</p><p>Alguns dos medos revelados pelos profissionais de Saúde sobre o manejo das</p><p>demandas de saúde mental são justificados por essa expectativa de cura. Os</p><p>profissionais alegam não saber o que falar ou perguntar, tem receios de piorar o</p><p>quadro dos pacientes de saúde mental, ou entendem que este campo do saber não</p><p>lhes é acessível.</p><p>Quando um trabalhador de Saúde conta a um colega sobre uma situação de</p><p>saúde mental é comum, virem à cabeça de ambos, questionamentos sobre como lidar</p><p>com o caso. Pois bem, sabemos que no contexto da Atenção Básica vivenciamos</p><p>diferentes sensações, emoções e sentimentos no convívio com usuários e colegas de</p><p>equipe.</p><p>Neste contexto, é pertinente que questionemos os conhecimentos que temos,</p><p>as técnicas que utilizamos, as atitudes e intervenções que realizamos em combinação</p><p>com usuários e colegas. E se aprofundamos tais questionamentos, acabamos por</p><p>refletir acerca do que iremos perguntar quando estivermos frente a frente com aquele</p><p>usuário.</p><p>Este exercício de reflexão deve ser feito tendo no horizonte que nem sempre</p><p>haverá como definir perguntas ou afirmações corretas. Já mencionamos neste</p><p>capítulo que o trabalho na Atenção Básica é longitudinal, ou seja, que o cuidado à</p><p>saúde das pessoas deve acontecer ao longo do tempo, independentemente do</p><p>usuário estar com alguma doença.</p><p>Portanto, trata-se de um acompanhamento processual. A proximidade com o</p><p>usuário, seu território e sua realidade vão auxiliar a construção deste processo de</p><p>cuidado em que se espera uma fortificação do vínculo entre profissional de Saúde e</p><p>usuário.</p><p>Por tratar-se de um processo, mesmo que o profissional se sinta na obrigação</p><p>de orientar algo ao paciente em resposta àquilo que este, por sua vez demanda, nem</p><p>sempre haverá necessidade da pressa. Por vezes, a sensação de não saber o que se</p><p>está fazendo pode causar um sentimento de desconforto, impotência, auto</p><p>depreciação e até mesmo de culpa nos trabalhadores de Saúde.</p><p>Não é nada incomum escutar o relato de um usuário sobre alguma situação</p><p>comovente e procurar um colega de trabalho para desabafar ou pedir uma orientação.</p><p>No entanto, não há nada de errado nesta atitude. Ela apenas demonstra claramente</p><p>que os trabalhadores de Saúde não são insensíveis às situações ocorridas nos</p><p>encontros com os usuários. O profissional também tem a necessidade de desabafar</p><p>e conseguir visualizar sob outras perspectivas as emoções que o encontro com um</p><p>usuário lhe suscitou.</p><p>A dificuldade de lidar emocionalmente com estes encontros pode propiciar</p><p>distanciamento ou resistência ao trabalho com a saúde mental. Portanto, é preciso</p><p>que o profissional realize um esforço de separar emocionalmente as suas vivências:</p><p>os valores pessoais das vivências e os valores pessoais dos usuários que</p><p>acompanha.</p><p>Por vezes, pode ocorrer ao trabalhador de Saúde</p><p>desejar que o usuário mude</p><p>aspectos da vida em função de valores pessoais do profissional, os quais podem não</p><p>estar em sintonia com a autonomia e os valores pessoais dos usuários. No entanto,</p><p>para lidar com isso, é preciso discutir os casos em equipe em espaços protegidos, ou</p><p>procurar suporte com equipes de apoio matricial.</p><p>É preciso cuidado para que as intervenções de saúde não se transformem em</p><p>regras rígidas, sob a consequência de que estas ações estejam apenas baseadas na</p><p>remissão dos sintomas, descontextualizadas da vida do usuário e do território em que</p><p>ele vive. É preciso que o usuário possa se perguntar sobre a relação do seu sofrimento</p><p>com a manifestação sintomática que está acontecendo. Ainda que necessárias para</p><p>alguns casos, nem sempre intervenções que se orientem diretamente à supressão</p><p>dos sintomas estarão aliadas a uma intervenção positiva na vida do usuário.</p><p>Procuraremos discutir de que formas podemos enfrentar os desafios que se</p><p>colocam para a realização do cuidado em saúde mental na Atenção Básica.</p><p>Terminamos este capítulo propondo um exercício de reflexão, para que o leitor possa</p><p>refletir acerca de como está lidando diante das demandas de saúde mental.</p><p>8 FAMÍLIA E SOFRIMENTO PSÍQUICO: O DESAFIO DO PROTAGONISMO FA-</p><p>MILIAR</p><p>Fonte: www.eusemfronteiras.com.</p><p>A reforma psiquiátrica brasileira traz imensas contribuições na forma de</p><p>conceber e perceber a família no contexto do cuidado em saúde mental. Antes de sua</p><p>implementação, a forma de tratamento disponível para as pessoas em sofrimento</p><p>psíquico era baseada no isolamento e na exclusão, sendo os sujeitos privados do</p><p>contato com sua família e com a sociedade.</p><p>Não havia investimentos na mobilização das famílias como participantes</p><p>importantes no tratamento, já que o indivíduo era visto de maneira isolada e como</p><p>doente. A principal diretriz da Política Nacional de Saúde Mental, inspirada na reforma</p><p>psiquiátrica brasileira, consiste na redução gradual e planejada de leitos em hospitais</p><p>psiquiátricos, priorizando concomitantemente a implantação de serviços e ações de</p><p>saúde mental de base comunitária, capazes de atender com resolubilidade os</p><p>pacientes que necessitem de atenção (BRASIL, 2005).</p><p>Dentro dessa perspectiva, a família é requisitada como parceira dos novos</p><p>serviços e reafirmada como um dos possíveis espaços do provimento de cuidado</p><p>(ROSA, 2004), passando a ser concebida como necessária e aliada no cuidado de</p><p>seu familiar em sofrimento psíquico.</p><p>Dessa forma, o que se almeja não é simplesmente a transferência da pessoa</p><p>com sofrimento mental para fora dos muros do hospital, entregando-o aos cuidados</p><p>de quem puder assisti-lo ou largando-o à própria sorte. Espera-se o resgate ou o</p><p>estabelecimento da sua cidadania, “o respeito a sua singularidade e subjetividade,</p><p>tornando-o como sujeito de seu próprio tratamento sem a ideia de cura como o único</p><p>horizonte.</p><p>Espera-se, assim, a autonomia e a reintegração do sujeito à família e à</p><p>sociedade” (GONÇALVES; SENA, 2001, p. 51). Os profissionais de Saúde, em muitas</p><p>situações, esperam que a família aceite e cuide da pessoa em sofrimento psíquico</p><p>intenso sem se dar conta de que não estão lhe oferecendo suporte nem orientações</p><p>(KOGA, 1997); ou percebem o familiar como um simples informante das alterações</p><p>apresentadas pela pessoa em tratamento, que deve seguir passivamente suas</p><p>prescrições de tratamento.</p><p>Considerar a família como protagonista do cuidado reabilitador é um verdadeiro</p><p>desafio. Ao acolher suas demandas e dificuldades de convívio com um familiar em</p><p>sofrimento psíquico intenso, o profissional promove o suporte possível para as</p><p>solicitações manifestas (COLVERO et. al., 2004).</p><p>Essas famílias possuem demandas das mais variadas ordens, entre elas: a</p><p>dificuldade de lidar com as situações de crise, com os conflitos familiares emergentes,</p><p>com a culpa, com o pessimismo por não conseguir vislumbrar saídas para os</p><p>problemas, pelo isolamento social a que ficam sujeitos, pelas dificuldades materiais</p><p>da vida cotidiana, pelas complexidades do relacionamento com esse familiar, pela</p><p>expectativa frustrada de cura e pelo desconhecimento da doença propriamente dita</p><p>(COLVERO et. al., 2004).</p><p>Torna-se fundamental considerar que o provimento de cuidado doméstico à</p><p>pessoa com sofrimento psíquico é um trabalho complexo, historicamente retirado da</p><p>família e que agora lhe está sendo restituído. Esse cuidado requer disponibilidade,</p><p>esforço, compreensão, capacitação mínima, inclusive para que os cuidadores</p><p>encontrem estratégias para lidar com frustrações, sentimentos de impotência e culpa,</p><p>ou seja, com suas próprias emoções.</p><p>9 A ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA</p><p>Fonte: www.snpcultura.org</p><p>A Estratégia Saúde da Família (ESF), concebe a família de forma integral e</p><p>sistêmica, como espaço de desenvolvimento individual e grupal, dinâmico e passível</p><p>de crises, inseparável de seu contexto de relações sociais no território em que vive.</p><p>A família é, ao mesmo tempo, objeto e sujeito do processo de cuidado e de</p><p>promoção da saúde pelas equipes de Saúde da Família. Na ESF o vínculo entre os</p><p>profissionais de Saúde, a família e a comunidade é concebido como fundamental para</p><p>que as ações da equipe tenham impacto positivo na saúde da população.</p><p>Esse vínculo de confiança vai sendo fortalecido por meio da escuta, do</p><p>acolhimento, da garantia da participação da família na construção do Projeto</p><p>Terapêutico Singular (PTS), da valorização da família enquanto participante ativa do</p><p>tratamento etc.</p><p>Na metodologia de trabalho das equipes de SF, o cadastramento das famílias</p><p>e o diagnóstico da situação de saúde da população permitem que os profissionais</p><p>prestem atenção diferenciada às famílias em situação de risco, vulnerabilidade e/ou</p><p>isolamento social.</p><p>As famílias com pessoas em sofrimento psíquico intenso e usuárias de álcool</p><p>e outras drogas necessitam de atenção especial, e um primeiro passo nesse sentido</p><p>é instrumentalizar os agentes comunitários de Saúde (ACS) na identificação dessas</p><p>situações.</p><p>Vecchia e Martins (2009) ressaltam que a estratégia de atender prioritariamente</p><p>as famílias com maiores dificuldades psicossociais é importante, desde que tal</p><p>priorização não produza estigmatizações, levando em consideração o dinamismo e a</p><p>complexidade da vida de cada família.</p><p>A Estratégia Saúde da Família, por ter como ação as visitas mensais aos</p><p>moradores de uma determinada área, possibilita que pessoas e famílias em situação</p><p>de maior risco sejam atendidas. Podem ser pessoas que não comparecem às</p><p>consultas, que não solicitam ajuda (por exemplo, as que fazem uso prejudicial de</p><p>drogas), que sofrem atos de violência, que estão em risco de suicídio ou em cárcere</p><p>privado.</p><p>10 ABORDAGEM FAMILIAR: FERRAMENTAS E RECOMENDAÇÕES</p><p>Para uma abordagem familiar é importante aliar conhecimentos científicos e</p><p>tecnológicos às habilidades de observação, comunicação, empatia e intervenção, o</p><p>que requer aperfeiçoamento de competências profissionais.</p><p>Na abordagem familiar, considera-se que a saúde da família vai além da soma</p><p>da saúde dos indivíduos.</p><p>Sendo assim, espera-se que a equipe de Atenção Básica à Saúde seja capaz</p><p>de identificar e desenvolver as seguintes especificidades:</p><p>– Conceituar família e considerar sua complexidade.</p><p>– Cuidar com base na experiência da família ao longo do tempo, ou seja, sua</p><p>história pregressa, atual e perspectivas futuras.</p><p>– Trabalhar com todos da família, tanto doentes como sadios.</p><p>– Que a família enquanto um sistema é afetada pela mudança de qualquer um</p><p>de seus membros.</p><p>– Reconhecer que a pessoa mais sintomática (doente) da família também pode</p><p>mudar com o tempo.</p><p>– Promover apoio mútuo e compreensão entre os membros da família sempre</p><p>que possível.</p><p>– Levar em conta o contexto social e cultural da família na facilitação de suas</p><p>relações com a comunidade.</p><p>Outro aspecto importante é a contradição família pensada versus família vivida</p><p>e a sua outra face família estruturada versus família desestruturada, apoiada em uma</p><p>visão sistêmica</p><p>inclusiva e não conservadora que reconhece múltiplas estruturas</p><p>familiares que nada mais são do que formas diferentes de ser família e que vão</p><p>ganhando contornos específicos por intermédio do tempo e das peculiaridades do</p><p>espaço geográfico, social e cultural (SOARES; PAGANI; OLIVEIRA, 2005).</p><p>Consolidada tal compreensão, os profissionais terão critérios para avaliar o</p><p>enredo, a estrutura e a dinâmica do sistema familiar, elaborando um plano de trabalho</p><p>multidisciplinar com as estratégias mais adequadas e possíveis.</p><p>Sugerem-se formas de atuação da equipe que fortaleçam:</p><p>1) a competência da família em garantir a sobrevivência material dos seus</p><p>membros utilizando sua rede social primária (parentes, amigos e vizinhos), as</p><p>instituições e as redes sociais comunitárias;</p><p>2) suas relações afetivas e novas possibilidades de agir, pensar e conviver;</p><p>3) sua participação social e comunitária enquanto exercício de cidadania.</p><p>Essa atuação pode ser realizada de diferentes maneiras, como:</p><p>– Oferecimento de acolhimento, escuta regulares e periódicas;</p><p>– Grupos de orientação aos familiares;</p><p>o o</p><p>– Grupos de cuidado aos cuidadores;</p><p>– Intervenções domiciliares que diminuam a sobrecarga da família cuidadora; –</p><p>Oferecimento de dispositivos da rede social de apoio onde os familiares,</p><p>cuidadores de pessoas com sofrimento psíquico possam ter garantido também</p><p>espaços de produção de sentido para sua vida, vinculadas a atividades prazerosas e</p><p>significativas a cada um.</p><p>Aqui exemplificamos algumas ferramentas úteis para o trabalho com família.</p><p>Vale ressaltar que devido às diversidades e às singularidades, muitas vezes será</p><p>necessário buscar outras ferramentas ou até mesmo criar sua própria ferramenta de</p><p>trabalho com família.</p><p>11 LEI DE AMPARO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE</p><p>O Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei 8069/1990, aprovada em 13 de</p><p>Julho e sancionada e em vigor a partir de Outubro de 1990, foi o marco legal e social</p><p>na proteção e no atendimento de crianças e adolescentes a partir do artigo 227 da</p><p>Constituição Federal de 1988, que aborda a prioridade absoluta e a proteção como</p><p>Dever da Família, da Sociedade e do Estado.</p><p>As raízes e bases de sustentação dos vários artigos têm origem na</p><p>efervescente mobilização nacional e o trabalho desenvolvido por inúmeros</p><p>especialistas durante a campanha brasileira Criança e Constituinte e com reflexos</p><p>internacionais, pois a Convenção dos Direitos da Criança. Trata-se de uma Lei que é</p><p>o fruto do esforço conjunto de milhares de pessoas e comunidades empenhadas na</p><p>defesa da democracia e no reconhecimento das crianças e adolescentes como</p><p>sujeitos de direitos! O respeito à Lei assegura que a opressão e o abandono se</p><p>transformem em justiça, dignidade e promoção à vida dos milhões de crianças e</p><p>adolescentes, agora considerados cidadãos do Brasil.</p><p>São 8 artigos dos direitos fundamentais dedicados ao Direito à Vida e à Saúde,</p><p>artigos 7 ao 14 , mas todos os demais artigos interagem com estes para garantir os</p><p>direitos à liberdade, ao respeito, à dignidade, à convivência familiar e comunitária, à</p><p>educação, à cultura, ao esporte e ao lazer, incluindo o direito de brincar e de não ser</p><p>explorado, abusado, maltratado ou traumatizado pela violência de quaisquer pessoas,</p><p>serviços ou instituições.</p><p>o o</p><p>Desde mesmo antes do nascimento, pois nos artigos 7 e 8 estão assegurados</p><p>à gestante e assim ao seu recém-nato os atendimentos pré e peri-natal mediante a</p><p>efetivação de políticas sociais, gratuitas e públicas que permitam o nascimento sadio</p><p>e harmonioso, em condições dignas de existência. É o estabelecimento do binômio</p><p>mãe-filho, e a seguir família-criança, como determinantes do processo crítico e</p><p>dinâmico para o crescimento, desenvolvimento e maturação cerebral, mental e</p><p>corporal e que serão marcantes na trajetória de vida das pessoas, como brasileiros</p><p>em suas expressões no meio ambiente e no contexto social.</p><p>A importância da proteção legal ao alojamento conjunto, à amamentação, ao</p><p>registro do recém-nascido, ao acesso universal e igualitário às ações e serviços de</p><p>assistência médica e odontológica e ações de promoção, proteção e recuperação da</p><p>saúde, incluindo tratamentos, medicamentos, próteses e vacinações e o atendimento</p><p>especializado às crianças com deficiências, além de assegurar as condições</p><p>necessárias para o acompanhamento e permanência em tempo integral de um dos</p><p>pais ou responsável, nos casos de hospitalização da criança ou adolescente, são</p><p>artigos que garantem os direitos à saúde e ao bem-estar de todos brasileirinhos e</p><p>brasileirinhas, como um investimento prioritário, sem favores ou esmolas, no</p><p>orçamento público.</p><p>Também a importância do artigo 13 que determina que todos os casos de</p><p>suspeita ou confirmação de maus-tratos ou violência, abusos ou exploração contra a</p><p>criança ou adolescente serão notificados e obrigatoriamente comunicados ao</p><p>Conselho Tutelar da respectiva localidade, inovando assim o conceito de “maus tratos”</p><p>da violência como problema de saúde. Atualmente, o ECA já recebeu várias</p><p>modificações, incluindo a Lei 13010/2014 mais conhecida como Lei Menino Bernardo</p><p>que prevê adoção de políticas públicas e medidas que permitam a educação</p><p>preventiva contra a violência do castigo e tratamento cruel e degradante de crianças.</p><p>E a Lei 12.594/2012 que institui o SINASE, Sistema Nacional de Atendimento</p><p>Socioeducativo.</p><p>Os artigos 240 e 241 também foram atualizados em relação aos crimes de</p><p>exploração sexual de crianças e adolescentes através da rede mundial de</p><p>computadores ou internet. Protocolos opcionais das Nações Unidas também foram</p><p>assinados em 2000 e ratificados em 2004, pelo Brasil, como os sobre a prevenção de</p><p>conflitos armados e a exploração sexual e pornografia envolvendo crianças e</p><p>adolescentes.</p><p>o</p><p>o</p><p>o</p><p>11.1 O que diz a Lei 10.216/2001</p><p>O Governo Federal, procurando atender a Saúde Mental da população, editou</p><p>a Lei nº 10.216/2001, que tem por finalidade proteger e garantir os direitos das</p><p>pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em</p><p>saúde mental. Conforme esta lei, todos os pacientes que padecem de transtornos</p><p>mentais têm direito a ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, adequado</p><p>às suas necessidades, bem como ser tratado com humanidade e respeito, e no</p><p>interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela</p><p>inserção na família, no trabalho e na comunidade.</p><p>Além disso, estes pacientes deverão ser protegidos contra qualquer forma de</p><p>abuso e exploração, tendo garantia de sigilo nas informações prestadas a respeito de</p><p>sua doença e com direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a</p><p>necessidade ou não de uma possível hospitalização involuntária.</p><p>Os pacientes podem ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis e</p><p>devem receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu</p><p>tratamento.</p><p>11.2 Lei de Amparo às pessoas portadoras de transtornos mentais</p><p>LEI N 10.216, DE 6 DE ABRIL DE 2001</p><p>Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos</p><p>mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental</p><p>Art. 1 Os direitos e a proteção das pessoas acometidas de transtorno mental,</p><p>de que trata esta Lei, são assegurados sem qualquer forma de discriminação quanto</p><p>à raça, cor, sexo, orientação sexual, religião, opção política, nacionalidade, idade,</p><p>família, recursos econômicos e ao grau de gravidade ou tempo de evolução de seu</p><p>transtorno, ou qualquer outra.</p><p>Art. 2 Nos atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e</p><p>seus familiares ou responsáveis serão formalmente cientificados dos direitos</p><p>enumerados no parágrafo único deste artigo.</p><p>Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental:</p><p>I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas</p><p>necessidades;</p><p>o</p><p>o</p><p>o</p><p>o</p><p>o</p><p>o</p><p>o</p><p>o</p><p>II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de</p><p>beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação</p><p>pela inserção na família, no</p><p>trabalho e na comunidade;</p><p>III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração;</p><p>IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas;</p><p>V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a</p><p>necessidade ou não de sua hospitalização involuntária;</p><p>VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;</p><p>VII - receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de</p><p>seu tratamento;</p><p>VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos</p><p>possíveis;</p><p>IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.</p><p>Art. 3 É responsabilidade do Estado o desenvolvimento da política de saúde</p><p>mental, a assistência e a promoção de ações de saúde aos portadores de transtornos</p><p>mentais, com a devida participação da sociedade e da família, a qual será prestada</p><p>em estabelecimento de saúde mental, assim entendidas as instituições ou unidades</p><p>que ofereçam assistência em saúde aos portadores de transtornos mentais.</p><p>Art. 4 A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada</p><p>quando os recursos extra hospitalares se mostrarem insuficientes.</p><p>§ 1 O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do</p><p>paciente em seu meio.</p><p>§ 2 O tratamento em regime de internação será estruturado de forma a</p><p>oferecer assistência integral à pessoa portadora de transtornos mentais, incluindo</p><p>serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer, e outros.</p><p>§ 3 É vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em</p><p>instituições com características asilares, ou seja, aquelas desprovidas dos recursos</p><p>mencionados no § 2 e que não assegurem aos pacientes os direitos enumerados no</p><p>parágrafo único do art. 2 .</p><p>Art. 5 O paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize</p><p>situação de grave dependência institucional, decorrente de seu quadro clínico ou de</p><p>ausência de suporte social, será objeto de política específica de alta planejada e</p><p>reabilitação psicossocial assistida, sob responsabilidade da autoridade sanitária</p><p>o</p><p>o</p><p>o</p><p>o</p><p>o</p><p>o</p><p>competente e supervisão de instância a ser definida pelo Poder Executivo,</p><p>assegurada a continuidade do tratamento, quando necessário.</p><p>Art. 6 A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico</p><p>circunstanciado que caracterize os seus motivos.</p><p>Parágrafo único. São considerados os seguintes tipos de internação</p><p>psiquiátrica:</p><p>I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário;</p><p>II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário</p><p>e a pedido de terceiro; e</p><p>III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.</p><p>Art. 7 A pessoa que solicita voluntariamente sua internação, ou que a</p><p>consente, deve assinar, no momento da admissão, uma declaração de que optou por</p><p>esse regime de tratamento.</p><p>Parágrafo único. O término da internação voluntária dar-se-á por solicitação</p><p>escrita do paciente ou por determinação do médico assistente.</p><p>Art. 8 A internação voluntária ou involuntária somente será autorizada por</p><p>médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina - CRM do Estado</p><p>onde se localize o estabelecimento.</p><p>§ 1 A internação psiquiátrica involuntária deverá, no prazo de setenta e duas</p><p>horas, ser comunicada ao Ministério Público Estadual pelo responsável técnico do</p><p>estabelecimento no qual tenha ocorrido, devendo esse mesmo procedimento ser</p><p>adotado quando da respectiva alta.</p><p>§ 2 O término da internação involuntária dar-se-á por solicitação escrita do</p><p>familiar, ou responsável legal, ou quando estabelecido pelo especialista responsável</p><p>pelo tratamento.</p><p>Art. 9 A internação compulsória é determinada, de acordo com a legislação</p><p>vigente, pelo juiz competente, que levará em conta as condições de segurança do</p><p>estabelecimento, quanto à salvaguarda do paciente, dos demais internados e</p><p>funcionários.</p><p>Art. 10. Evasão, transferência, acidente, intercorrência clínica grave e</p><p>falecimento serão comunicados pela direção do estabelecimento de saúde mental aos</p><p>familiares, ou ao representante legal do paciente, bem como à autoridade sanitária</p><p>responsável, no prazo máximo de vinte e quatro horas da data da ocorrência.</p><p>o o</p><p>Art. 11. Pesquisas científicas para fins diagnósticos ou terapêuticos não</p><p>poderão ser realizadas sem o consentimento expresso do paciente, ou de seu</p><p>representante legal, e sem a devida comunicação aos conselhos profissionais</p><p>competentes e ao Conselho Nacional de Saúde.</p><p>Art. 12. O Conselho Nacional de Saúde, no âmbito de sua atuação, criará</p><p>comissão nacional para acompanhar a implementação desta Lei.</p><p>Art. 13. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.</p><p>Brasília, 6 de abril de 2001; 180 da Independência e 113 da República.</p><p>12 INTERVENÇÃO EM SAÚDE MENTAL</p><p>Os profissionais de Saúde costumam refletir consigo e por vezes ficam em</p><p>dúvida sobre quais situações de sua realidade cotidiana necessitam de intervenções</p><p>em saúde mental. Imaginamos que, algumas vezes todo profissional de Saúde já</p><p>tenha se sentido inseguro, surpreso ou sem saber como agir assim que identificou</p><p>uma demanda de saúde mental.</p><p>Também acreditamos ser provável que em algumas destas situações o</p><p>profissional se sente improvisando, ou usando a intuição e o bom senso. Pois bem,</p><p>para início de conversa, podemos dizer que estas reflexões e sensações são comuns</p><p>à prática em saúde. Contudo, sentir-se sem chão ou sem um saber técnico específico</p><p>não é indicativo suficiente para definir que uma intervenção em saúde mental possa</p><p>estar equivocada.</p><p>Entendemos que as práticas em saúde mental na Atenção Básica podem e</p><p>devem ser realizadas por todos os profissionais de Saúde. O que unifica o objetivo</p><p>dos profissionais para o cuidado em saúde mental devem ser o entendimento do</p><p>território e a relação de vínculo da equipe de Saúde com os usuários, mais do que a</p><p>escolha entre uma das diferentes compreensões sobre a saúde mental que uma</p><p>equipe venha a se identificar.</p><p>Mesmo os profissionais especialistas em saúde mental elaboram suas</p><p>intervenções a partir das vivências nos territórios. Ou seja, o cuidado em saúde mental</p><p>não é algo de outro mundo ou para além do trabalho cotidiano na Atenção Básica.</p><p>Pelo contrário, as intervenções são concebidas na realidade do dia a dia do território,</p><p>com as singularidades dos pacientes e de suas comunidades.</p><p>Portanto, para uma maior aproximação do tema e do entendimento sobre quais</p><p>intervenções podem se configurar como de saúde mental, é necessário refletir sobre</p><p>o que já se realiza cotidianamente e o que o território tem a oferecer como recurso</p><p>aos profissionais de Saúde para contribuir no manejo dessas questões. Algumas</p><p>ações de saúde mental são realizadas sem mesmo que os profissionais as percebam</p><p>em sua prática.</p><p>13 O CUIDADO QUE DÁ CERTO EM SAÚDE MENTAL</p><p>As intervenções em saúde mental devem promover novas possibilidades de</p><p>modificar e qualificar as condições e modos de vida, orientando-se pela produção de</p><p>vida e de saúde e não se restringindo à cura de doenças.</p><p>Isso significa acreditar que a vida pode ter várias formas de ser percebida,</p><p>experimentada e vivida. Para tanto, é necessário olhar o sujeito em suas múltiplas</p><p>dimensões, com seus desejos, anseios, valores e escolhas. Na Atenção Básica, o</p><p>desenvolvimento de intervenções em saúde mental é construído no cotidiano dos</p><p>encontros entre profissionais e usuários, em que ambos criam novas ferramentas e</p><p>estratégias para compartilhar e construir juntos o cuidado em saúde.</p><p>Os profissionais de Saúde realizam diariamente, por meio de intervenções e</p><p>ações próprias do processo de trabalho das equipes, atitudes que possibilitam suporte</p><p>emocional aos pacientes em situação de sofrimento. Serão apresentadas e</p><p>desenvolvidas ao longo deste caderno algumas destas atitudes.</p><p>14 QUANDO UMA CRIANÇA DEVE FAZER PSICOTERAPIA</p><p>Fonte: avaliacaoneuropsico.com.br</p><p>Às vezes as crianças, tal como os adultos, podem necessitar ou beneficiar de</p><p>uma Psicoterapia.</p><p>Os Psicoterapeutas ajudam as crianças e as famílias a lidarem com</p><p>situações de stress e com uma grande variedade de problemas emocionais e</p><p>comportamentais, ajudando a criança a desenvolver habilidades para reso ver</p><p>problemas e também ensiná-los a procurar ajuda.</p><p>Muitas vezes os pais recorrem a ajuda especializada quando as crianças</p><p>passam por dificuldades na escola, como ansiedade aos testes, dificuldades de</p><p>aprendizagem, de atenção ou concentração. Estes são sintomas manifestos de algo</p><p>que se passa e muitas vezes são a maneira que a criança encontra para demonstrar</p><p>o seu sofrimento. Grande parte das crianças precisa de ajuda para pensar e organizar</p><p>os seus sentimentos sobre as suas relações familiares, especialmente se há eventos</p><p>de vida significativos, tais como a morte de um familiar, amigo ou animal de estimação,</p><p>divórcio ou uma mudança, um abuso ou uma doença grave na família que podem</p><p>causar estresse e levar a problemas com comportamento, humor, sono, apetite etc.</p><p>Mas outras situações menos evidentes podem também surtir um efeito</p><p>http://avaliacaoneuropsico.com.br/servicos/</p><p>desorganizador e apesar de não ser tão claro o que causou sofrimento à criança, de</p><p>repente esta parece retirada, ansiosa, preocupada, zangada ou chorosa. Quando</p><p>buscar ajuda:</p><p>Atraso do desenvolvimento da fala e linguagem</p><p>Dificuldades de aprendizagem ou problemas de atenção e concentração</p><p>Dificuldades em estar só ou elaborar tarefas sozinho</p><p>Problemas de comportamento</p><p>Queda significativa dos resultados escolares</p><p>Episódios de tristeza, depressão, choro ou retraimento social e isolamento</p><p>Ser vítima de bullying ou exercê-lo sobre outras crianças</p><p>Diminuição do interesse em atividades antes apreciadas</p><p>Comportamento excessivamente agressivo</p><p>Questões relacionadas com o luto</p><p>Problemas com as mudanças (separação, divórcio, recolocação)</p><p>Abuso sexual, físico, emocional ou outros eventos traumáticos etc.</p><p>15 LUDOTERAPIA</p><p>Fonte: psicoter.com.br</p><p>Psicoterapia infantil consiste na relação de cooperação entre o terapeuta e a</p><p>criança. O terapeuta clínico exerce o papel de facilitador do autoconhecimento,</p><p>possibilitando à criança vivenciar e experienciar a liberdade e o poder de decisão por</p><p>meio de espaço, escuta, nominação de seus desejos e respeito pela sua</p><p>singularidade. Auxilia a criança ao reencontro consigo mesma e a ressignificar</p><p>sofrimento psíquico em forma de sintomas.</p><p>O trabalho terapêutico com criança ocorre através de técnicas lúdicas, é por</p><p>meio do brincar que a criança vive, revive e sente as experiências de sua relação com</p><p>ela mesma e com o mundo exterior. Consequentemente, cria-se o espaço do</p><p>simbólico (imaginário) possibilitando a elaborar as partes do mundo” faz -de-conta”. No</p><p>lúdico a criança vivencia situações de ameaças, perigos, medos, e prazeres que</p><p>conduzem a fatos de sua vida real através do simbólico.</p><p>O terapeuta acessa a criança por meio do brincar, onde ela elabora situações</p><p>traumáticas psiquicamente através da transformação do que foi vivido passivamente</p><p>em algo ativo, bem como expressa fantasias e desejos de forma simbólica. Os</p><p>brinquedos são de suma importância na vida das crianças, pois é através deles que a</p><p>criança interage socialmente, aprende a importância da negociação e da divisão, das</p><p>regras, a argumentar na resolução de conflitos que surgem, melhoram aprendizagem</p><p>e desenvolve habilidade.</p><p>Em primeiro lugar a criança encontra-se com um ludoterapeuta que está</p><p>treinado para promover durante a sessão um ambiente de aceitação, empatia e</p><p>compreensão. Depois, o brincar de que aqui falamos não é semelhante ao brincar em</p><p>que geralmente observamos as crianças, uma vez que a ludoterapia simplesmente se</p><p>apropria do brincar enquanto gesto natural da criança para exprimir as suas</p><p>preocupações em reação a situações de vida, utilizando objetos familiares à sua volta</p><p>para compreender situações de stress ou novas aprendizagens.</p><p>Na sala de ludoterapia, é a criança que conduz a brincadeira, quando quer e</p><p>como quer, escolhendo os brinquedos. Não se parte do princípio de que se vai</p><p>transformar a criança ou fazer coisas para ela. O ludoterapeuta está com a criança</p><p>plenamente, utilizando os seus conhecimentos e técnicas para compreender a</p><p>criança, através do seu próprio olhar. Será como perguntar: “Como sente as coisas</p><p>aquela criança?” Não tentará r esolver os seus problemas, mas sim compreender a</p><p>criança. Assim, podemos encarar a ludoterapia para as crianças como a psicoterapia</p><p>para os adultos.</p><p>As crianças poderão sentir dificuldades na expressão das suas emoções e em</p><p>compreender o impacto que estas têm na sua vida. É frequente não saberem o que</p><p>sentem nem como as controlar, uma vez que ainda não estão suficientemente</p><p>desenvolvidas ao nível emocional, cognitivo e linguístico. No entanto, estando na</p><p>presença de um adulto que as tenta compreender de forma empática, proporcionando</p><p>segurança e utilizando brinquedos selecionados e que possibilitam a sua expressão</p><p>emocional criativa, dá-se um passo para a expressão e exploração do seu self –</p><p>sentimentos, pensamentos, experiências, comportamentos, dificuldades, que vão</p><p>potenciar a mudança terapêutica.</p><p>Nesta exploração, a criança enfrenta os seus sentimentos de frustração,</p><p>agressividade, medo, insegurança, confusão, entre tantos outros, aprendendo a</p><p>controlá-los ou a abandoná-los, ao mesmo tempo que vai percebendo que é uma</p><p>pessoa autónoma e com direito a sentir todas essas emoções. Assim, o brincar é a</p><p>forma natural de a criança se expressar, tal como falar é a forma natural de o adulto</p><p>se expressar. Na sala dos brinquedos, estes são usados como palavras e o brincar é</p><p>a linguagem da criança. Percebemos a importância do brincar para a criança, não só</p><p>pela sua utilização num contexto terapêutico, mas também pela importância da</p><p>brincadeira em todas as dimensões da vida da criança. Mas em que consiste, de fato,</p><p>o brincar? Uma ideia difundida popularmente limita o ato de brincar a um simples</p><p>passatempo, sem funções mais importantes que entreter uma criança com atividades</p><p>divertidas. Sabe-se atualmente que esta ideia está completamente errada.</p><p>Bergman (1998) afirma que o brincar é uma forma de linguagem. A maior parte</p><p>das características desta linguagem pode ser constatada logo nos primeiros contatos</p><p>das crianças com os seus pais ou com aqueles que cuidam delas. As mães ou as</p><p>pessoas responsáveis pelos cuidados dos bebés ajudam-nos a brincar, desde muito</p><p>pequenos, quando interagem com eles. Através de uma atitude e de uma linguagem</p><p>segura, esses adultos estabelecem com os bebés laços de confiança que possibilitam</p><p>o início do brincar.</p><p>Este é considerado como uma linguagem, uma vez que permite às crianças</p><p>comunicar com as outras pessoas e iniciar a compreensão, desde muito cedo, de que</p><p>podem suportar e representar a ausência temporária das pessoas que amam,</p><p>substituindo-as pelas primeiras brincadeiras. O processo do brincar é apreciado tal</p><p>como é pela criança e o produto final do brincar não é o mais importante desta</p><p>atividade. A maioria dos adultos é capaz de expressar sob a forma verbal os seus</p><p>sentimentos, frustrações e angústias; no entanto, a criança, por ainda não ter</p><p>facilidade cognitiva e verbal, utiliza os brinquedos como palavras. Podemos mesmo</p><p>dizer que quando a criança brinca, o seu ser está totalmente presente. Entende-se</p><p>então que o brincar é realmente uma forma de atividade complexa, que envolve a</p><p>criança física, mental, social e emocionalmente, revelando os seus sentimentos,</p><p>experiências e reações a essas mesmas experiências (desejos, receios, percepção</p><p>de si própria, entre outros).</p><p>Através do brincar, a criança conhece o Mundo, e com ele, conhece as</p><p>pessoas, as relações e regras sociais; pode imitar o adulto, expressando conflitos,</p><p>além de, ao brincar, serem transmitidos conhecimentos educacionais e este ser</p><p>igualmente um indicativo do desenvolvimento da criança: as brincadeiras duma</p><p>criança podem ser indicativas de alguma dificuldade ou desenvolvimento tardio</p><p>em</p><p>determinado aspecto, visível aos pais e outros adultos que contatam diariamente com</p><p>a criança. O brincar está muito presente no dia-a-dia de uma educadora de infância.</p><p>É o instrumento principal pelo qual as crianças aprendem coisas novas e crescem a</p><p>cada dia, a todos os níveis: cognitivo, emocional, linguístico, social e motor.</p><p>É imprescindível haver este espaço para que as crianças se possam</p><p>desenvolver. Além de fonte de lazer, o brincar é simultaneamente fonte de</p><p>conhecimento. É esta dupla natureza que nos leva a considerar o brincar como parte</p><p>integrante da atividade educativa, sobretudo no pré-escolar. Infelizmente, a</p><p>brincadeira começa a ganhar cada vez menos importância, à medida que as crianças</p><p>crescem, começando a haver cada vez mais exigências a nível intelectual. No dia-a-</p><p>dia da sala de aula, o brincar, para além de possibilitar o exercício daquilo que é</p><p>próprio no processo de desenvolvimento e aprendizagem, possibilita situações em</p><p>que a criança constitui significados, sendo uma forma de assimilação dos papéis</p><p>sociais e de compreensão das relações afetivas que ocorrem no seu meio, assim</p><p>como para a construção do conhecimento.</p><p>Fonte: almeidadeinha1978.blogspot.com.br</p><p>O jogo e a brincadeira são sempre situações em que a criança realiza, constrói</p><p>e se apropria de conhecimentos das mais diversas ordens. Eles possibilitam,</p><p>igualmente, a construção de categorias e a ampliação dos conceitos das várias áreas</p><p>do conhecimento. Num contexto de creche (neste caso, 2 e 3 anos), as crianças</p><p>brincam imenso ao longo do dia, tanto mais quanto lhes for dado espaço para isso. É</p><p>também curioso perceber que, num grupo alargado de crianças, há algumas que</p><p>procuram bastante a atenção do adulto e brincar com ele, enquanto outras se</p><p>envolvem completamente nas brincadeiras, individualmente e em grupo. Cabe ao</p><p>educador mediar estas situações, aproveitando para interagir e transmitir</p><p>conhecimentos através da brincadeira que ali se desenrola, uma vez que o lúdico</p><p>possibilita uma das atividades mais significativas para a aprendizagem. Diríamos até</p><p>a mais significativa!</p><p>Nesta faixa etária, as crianças já desenvolveram capacidades emocionais e</p><p>cognitivas para incluir outras pessoas nas suas brincadeiras. Anteriormente,</p><p>brincavam ao lado do outro, mas não com o outro. E é percebendo a presença do</p><p>outro que começam a ser criadas e respeitadas as regras. Conviver com outra pessoa</p><p>exige que se respeitem limites: os limites impostos pelo outro. Surgem por isso alguns</p><p>conflitos, sendo que é nesta fase que cresce nas famílias a preocupação com a</p><p>possibilidade de o seu filho ser uma criança violenta.</p><p>Normalmente não há motivo para preocupação, as crianças estão apenas a</p><p>crescer e a aprender cada vez mais sobre o comportamento humano! A imaginação</p><p>começa a dominar e brincam muito o faz-de-conta. Representam papéis, recriam</p><p>situações, agradáveis ou não. Quando a criança recria estas situações, faz de uma</p><p>forma que ela é capaz de suportar, não correndo riscos reais. É comum ver, por</p><p>exemplo, uma criança que é a “mãe” r alhar com o bebê – “Senta na cadeira! E come</p><p>a papa toda!” –, à semelhança do que ela experimenta na realidade. Através do faz-</p><p>de-conta, a criança traz para perto de si uma situação vivida, adaptando-a à sua</p><p>realidade e necessidades emocionais. Percebemos então a importância das</p><p>brincadeiras na casinha e na garagem, como os “pais e as mães”, o “médico”, o</p><p>“supermercado”, “a oficina”, entre tantas outras.</p><p>Portanto, a brincadeira e as situações de jogos são fundamentais para a vida</p><p>saudável da criança e, por que não dizê-lo, para o adulto também. Pode-se em relação</p><p>a isto acrescentar que, envolvidos em brincadeiras com as crianças, os adultos</p><p>sentem-se igualmente divertidos, mais descontraídos e felizes, o que é benéfico para</p><p>o clima e ambiente na sala, onde deve existir cumplicidade e harmonia. E é igualmente</p><p>benéfico para os adultos como pessoas, se pensarmos no conceito de playfulness,</p><p>associado, entre outros, ao bom humor, capacidade lúdica e descontração. Algo que</p><p>deveríamos manter como seres humanos depois da infância! Como forma de</p><p>conclusão, é importante salientar mais uma vez a importância do brincar e do lúdico,</p><p>que começam a ter cada vez mais relevância, apesar de ainda haver um grande</p><p>caminho a percorrer. Não só educadores e outros profissionais que trabalham com</p><p>crianças, mas também os pais ajudariam bastante os seus filhos ao serem</p><p>esclarecidos e orientados sobre a necessidade de brincar com as crianças.</p><p>Como educadores de infância, é importante contribuirmos para esta mudança,</p><p>alertando os pais e os outros profissionais sobre estas questões, começando a</p><p>construir um caminho para que, cada vez mais, as crianças possam ser</p><p>compreendidas da forma que elas melhor são capazes de se expressar: através do</p><p>brincar.</p><p>BIBLIOGRAFIA</p><p>AMARANTE, P. (2009). Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no</p><p>Brasil. 2° Ed, 4° reimpressão. Rio de Janeiro: SDN/ENSP</p><p>AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA). Manual Diagnóstico e Estatís-</p><p>tico de Transtornos Mentais - DSM-IV. 4. e. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.</p><p>ANDRADE, L. M.; BUENO, I. C. de H. C.; BEZERRA, R. C. (2009). Atenção primária</p><p>e estratégia saúde da família. In: CAMPOS, G. W. S. et al.Tratado de Saúde Cole-</p><p>tiva. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; São Paulo: Editora HUCITEC.</p><p>ANTONI, C.; KOLLER, S. H. A visão de família entre as adolescentes que sofre-</p><p>ram violência intrafamiliar. Estudos de Psicologia, Natal, v. 5, n. 2, p. 347-381, 2000.</p><p>BAHLS, S. C. Aspectos clínicos da depressão em crianças e adolescentes . Jornal</p><p>de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 78, n. 5, p. 359-366, 2002.</p><p>BASTOS, H. P. (2013). Saúde e Educação: reflexões sobre o processo de medi-</p><p>calização. Tese de Doutorado, IPUSP, USP – São Paulo, SP, Brasil.</p><p>BERGMAN, Ana. Educação Infantil I - Coleção Vitória-Régia. Campina Grande do</p><p>Sul: Lago, 1998.</p><p>BOARINI, M. L. ; BORGES, R. F. (1998). Demanda infantil por serviços de saúde</p><p>mental: sinal de crise. Estudos de psicologia, Maringá, v. 3, n. 1, p. 83-108.</p><p>BORGES, R.F. (2012). Reforma Psiquiátrica Brasileira e Atenção Básica à Saúde:</p><p>desafios e possibilidades. Tese de Doutorado. UNESP, Assis, SP, Brasil. 2012.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. (1990). Lei 8080 de 19 de setembro de 1990. Dispõe</p><p>sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organiza-</p><p>ção e o funcionamento dos serviços correspondenes, e dá outras providências. Dis-</p><p>ponível em:<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/Lei%208080.pdf.>. Acesso</p><p>em 03 nov.2016.</p><p>FOUCAULT, Michel. (1988). História da Sexualidade: a vontade de saber. Rio de</p><p>Janeiro: Edições Graal.</p>