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<p>1</p><p>MÍDIAS SOCIAIS</p><p>Aluno ...............................................................................................................................</p><p>Curso: Especialização em Jornalismo Digital</p><p>Turma: JD2019</p><p>2</p><p>Índice geral</p><p>Aula 1 História, conceito e visão geral</p><p>Aula 2 Uso das mídias sociais para a distribuição de conteúdo</p><p>Aula 3 Estratégias de uso das mídias sociais</p><p>Aula 4 Visão geral do mercado no Brasil e em Manaus</p><p>3</p><p>Sumário</p><p>HISTÓRIA, CONCEITO E VISÃO GERAL .......................................................................................... 1</p><p>Um pouco de história ................................................................................................................ 1</p><p>Ciclo digital ................................................................................................................................ 5</p><p>Mídias e redes sociais ................................................................................................................ 5</p><p>Conceitos-chaves .............................................................................................................. 6</p><p>A adesão das mídias sociais pelas empresas ............................................................................. 7</p><p>Raio-x do atual cenário na internet ......................................................................................... 10</p><p>MÍDIAS SOCIAIS E DISTRIBUIÇÃO DE CONTEÚDO ..................................................................... 12</p><p>Distribuindo conteúdo ............................................................................................................ 17</p><p>Notícias pela manhã ................................................................................................................ 21</p><p>Partilhando links ..................................................................................................................... 22</p><p>O lugar dos smartphones ....................................................................................................... 23</p><p>ESTRATÉGIAS PARA USO DAS MÍDIAS SOCIAIS ......................................................................... 26</p><p>Regras básicas ........................................................................................................................ 27</p><p>O MERCADO NO BRASIL E EM MANAUS .................................................................................... 38</p><p>Jornalistas brasileiros .............................................................................................................. 39</p><p>Visão de Manaus .................................................................................................................... 41</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................. 44</p><p>1</p><p>CONCEITO E LINGUAGEM NAS MÍDIAS SOCIAIS</p><p>É possível que, paralelamente à leitura desta apostila, você esteja com o</p><p>celular em mãos e, muito possivelmente, com algumas (talvez dezenas de)</p><p>notificações de alguma rede social na tela.</p><p>Facebook, Instagram, WhatsApp, Twitter, etc. São diversas as redes pelas</p><p>quais nos conectamos com as pessoas.</p><p>Neste estudo, veremos como elas são utilizadas (e como deveriam) pelos</p><p>jornalistas, bem como pelas empresas jornalísticas. Em Manaus, nos últimos</p><p>anos houve um boom das pequenas empresas e já existem mais de 100 sites</p><p>de notícias com sede na capital amazonense, conforme levantamento da</p><p>empresa #Pesquisa365.</p><p>Um pouquinho do passado (e do futuro)</p><p>Estamos vivendo uma ampla transformação</p><p>no ambiente de informações e na forma pela</p><p>qual as pessoas se informam e constroem</p><p>sua visão dos fatos e sua opinião.</p><p>Ao longo da história, muitos processos de mudança como os que hoje ocorrem</p><p>também foram observados, é claro que em diferentes formas e em diferentes</p><p>dimensões, mas também com transições entre mídias.</p><p>No mundo analógico, as novas possibilidades consistiam ou em um novo canal</p><p>de transmissão (rádio, telégrafo, TV, TV a cabo) ou em novo suporte físico</p><p>(papel impresso em preto e branco, em cores, em alta qualidade,</p><p>discos de vinil, CD, CD-ROM, DVD...). Cada nova mídia trazia um</p><p>impacto e uma ameaça aos canais e às plataformas de</p><p>comunicação então atuantes.</p><p>1</p><p>2</p><p>Em 1844, a primeira linha telegráfica ligando Baltimore a Washington, nos</p><p>Estados Unidos, foi inaugurada. Veja essa notícia que foi publicada no “New</p><p>York and Offing of Magnetic Telegraph Line”, à época:</p><p>É evidente que o sistema telegráfico de notícias está fadado a</p><p>desbancar, e muito, a publicação de jornais comerciais nessa e em</p><p>outras cidades do norte. Quem em Nova Orleans, por exemplo, assinaria</p><p>jornais de Nova Iorque para então esperar oito, dez dias as notícias</p><p>comerciais trazidas a bordo de um navio transatlântico, quando podem</p><p>simplesmente apoderar-se do mesmo conteúdo em meros minutos</p><p>através de correspondência telegráfica?</p><p>Os telegramas eram os e-mails de então e potenciais ameaças aos</p><p>jornais diários.</p><p>Na década de 1950, a morte do rádio foi prevista para ocorrer em</p><p>poucos anos, a partir da invenção da televisão.</p><p>A cada introdução de uma nova mídia, demorava um tempo até que o novo</p><p>canal ou a nova plataforma se implantasse plenamente, desenvolvendo um</p><p>padrão e um formato que possibilitasse ao mercado entender suas</p><p>possibilidades, principalmente as comerciais – que iriam sustentar um novo</p><p>modelo de negócio, requisito essencial para o canal inovador se consolidar e</p><p>seguir em diante.</p><p>Ao mesmo tempo, as mídias existentes, impactadas (e, como se viu,</p><p>frequentemente juradas de morte), se adaptavam à novidade, ou</p><p>reposicionando-se ou mesmo sofrendo ajustes estruturais.</p><p>E então veio a internet.</p><p>Originalmente desenvolvida como parte de uma rede de operações militares</p><p>norte-americanas durante os anos de 1950 e 1960, no período da chamada</p><p>3</p><p>“Guerra Fria”, a internet passou pouco a pouco para uso comum,</p><p>primeiramente nas universidades e, em seguida, para o público em geral.</p><p>Na época em que era basicamente acessada por comunidades científicas</p><p>vinculadas às universidades, o propósito principal era fazer da rede uma</p><p>plataforma para troca de informações e para pesquisa.</p><p>A criação dos primeiros portais e a entrada dos grupos de mídia como jornais e</p><p>agências de notícias marcaram a década de 1990. O período coincide com o</p><p>surgimento dos sites de relacionamento.</p><p>Sites como o Classmates.com, o SixDegrees.com e o Friendster foram alguns</p><p>dos pioneiros na utilização de endereços de e-mail e na construção de perfis de</p><p>usuários para aproximar pessoas.</p><p>Da internet 1.0 para a 2.0</p><p>Em 1991, Tim Berners-Lee e seus colegas no Centro Europeu de Pesquisas</p><p>Nucleares desenvolvem a “World Wide Web”, iniciando a criação das páginas e</p><p>sites — até então, o compartilhamento de dados era feito primordialmente a</p><p>partir de outras formas de comunicação em rede como as BBS (“Board Bulletin</p><p>System”, ou, em tradução livre, listas de mensagens) e e-mails.</p><p>A expansão de redes sociais e formas de produção colaborativa a partir do</p><p>início dos anos de 2000 levou a um tipo mais denso de conexões na chamada</p><p>Web 2.0, termo cunhado por Tim O’Reilly4 em 2005 para definir o alto grau de</p><p>interatividade, colaboração e produção/uso/consumo de conteúdos pelos</p><p>próprios usuários.</p><p>Em oposição ao caráter “fixo” da Web 1.0, que operava ao redor sobretudo de</p><p>“páginas” com elementos relativamente estáveis, como blogs, navegadores,</p><p>transposição de conteúdos offline para o digital, a Web 2.0 se apresentava</p><p>como uma plataforma dinâmica, em constante transformação gerada pelas</p><p>interações entre usuários.</p><p>4</p><p>As redes sociais, o Google e as produções</p><p>colaborativas seriam exemplos</p><p>desse cenário. Embora o termo não seja objeto de, seu uso logo se disseminou</p><p>para além das pesquisas acadêmicas.</p><p>No Brasil</p><p>A pré-história da internet está fartamente documentada, mas, para estabelecer</p><p>arbitrariamente um ponto de partida, seria possível dizer que, no Brasil, é por</p><p>volta de 1994-1995 que a rede começa a ganhar espaço no cotidiano. A</p><p>possibilidade de aquisição de computadores por parcelas cada vez maiores da</p><p>população contribuiu para o crescimento do uso da rede no país.</p><p>Vale lembrar que até os anos de 1990 computadores pessoais eram, por assim</p><p>dizer, praticamente inacessíveis à maior parte da população.</p><p>A partir de 1995, de maneira cada vez mais rápida, as mídias digitais e a</p><p>internet passam a fazer parte do cotidiano, espalhando-se não apenas no uso</p><p>de computadores, mas também, em um segundo momento, em celulares,</p><p>smartphones e outros equipamentos. O cotidiano se conecta, e com ele a</p><p>necessidade de se pensar, em termos teóricos e conceituais, o que significam</p><p>as mídias digitais.</p><p>Para historiadores – como o britânico Peter Burke – estamos vivendo ciclos</p><p>cada vez mais curtos, com velocidades de mudança cada vez maiores. Por</p><p>isso, ainda é difícil prever até onde chegará a presente transformação. Nesse</p><p>contexto, os jornais, inclusive aqui em Manaus, têm procurando meios de tirar</p><p>proveito e sair vitoriosos nessa atual transição.</p><p>“Foi difícil avaliar as consequências da revolução da informação impressa</p><p>porque a mudança foi muito lenta, e por outro lado é difícil avaliar as</p><p>consequências da revolução digital pela razão inversa, por causa da velocidade</p><p>da mudança”, disse Burke.</p><p>5</p><p>Ciclo digital</p><p>A mudança de agora é de outra natureza. O ciclo digital se inicia em 1995 com</p><p>a entrada em operação da internet comercial, com ciclos curtos e rápidos de</p><p>inovação.</p><p>Agora, a transformação não é apenas de suporte físico ou de plataforma de</p><p>distribuição. A transformação é na lógica pela qual a comunicação se</p><p>estabelece.</p><p>Nos tempos pré-internet, imperava a lógica da oferta (os jornais, o rádio, a TV)</p><p>suprindo a demanda (os leitores, ouvintes, espectadores). A oferta se</p><p>encarregava de empacotar algo, que seria “entregue” à demanda, cujo principal</p><p>papel era o de “uso”, numa atitude mais passiva.</p><p>Agora é diferente. Com as permanentes trocas de informação e interação por</p><p>meio das redes sociais, qualquer indivíduo tem a possibilidade de editar,</p><p>publicar e ter voz. Há muito mais informação disponível.</p><p>Mas afinal, o que são mídias e redes sociais?</p><p>A palavra mídia refere-se a qualquer instrumento ou meio de comunicação</p><p>social, como o jornal ou o rádio. Esses meios de comunicação tradicionais</p><p>podem ser caracterizados como uma via de mão única. De forma geral o termo</p><p>mídia também serve para designar a imprensa.</p><p>De um modo simples, as mídias sociais são aquelas as quais possibilitam que</p><p>você também se comunique, ou seja, são uma via de mão dupla. São</p><p>instrumentos que permitem a criação e o intercâmbio de conteúdo, muitos dos</p><p>quais gerados pelos próprios usuários.</p><p>Quando falamos em mídias sociais, nos referimos às aplicações de internet</p><p>que incluem redes sociais e também blogs, wikis e sites de compartilhamento.</p><p>6</p><p>Em outras palavras, mídias sociais são meios de comunicação que podem ser</p><p>usados por qualquer pessoa ou empresa para compartilhar e disseminar ideias,</p><p>opiniões e perspectivas.</p><p>Nesses meios é possível publicar (ou postar, como se diz) diversos tipos de</p><p>conteúdo, como foto, vídeo, texto ou qualquer outro tipo de fonte de</p><p>informação.</p><p>Esse termo já existia, mas foi após o surgimento das mídias sociais online</p><p>(internet) que ele se difundiu. Nesses meios, todos os membros, a qualquer</p><p>momento, podem contribuir com publicações, sejam elas positivas ou</p><p>negativas.</p><p>As redes sociais da internet são os serviços criados com o propósito de facilitar</p><p>as relações sociais de pessoas que compartilham os mesmos interesses,</p><p>experiências ou ainda conexões na vida real. São caracterizadas como</p><p>plataformas interativas, que contam com uma grande variedade de serviços</p><p>agregados.</p><p>Conceitos-chaves</p><p>As mídias analógicas, em linhas gerais, tinham uma base material: em um</p><p>disco de vinil, o som era gravado em pequenos sulcos sobre uma superfície de</p><p>vinil e, quando uma agulha passava sobre esses sulcos, o som era</p><p>reproduzido.</p><p>Da mesma maneira, na fotografia e no cinema, uma película fixava, a partir de</p><p>reações químicas, a luz que chegava através da lente de uma câmera.</p><p>No caso do rádio e da televisão, ondas produzidas a partir de meios físicos</p><p>eram lançadas no ar e captadas por antenas.</p><p>Nas mídias sociais digitais, esse suporte físico praticamente desaparece.</p><p>7</p><p>Alguns conceitos-chave para as mídias:</p><p>Conceito Definição geral</p><p>Ciberespaço Espaço de interação criado no fluxo de dados digitais em</p><p>redes de computadores; virtual por não ser localizável no</p><p>espaço, mas real em suas ações e efeitos.</p><p>Convergência Integração entre computadores, meios de comunicação e</p><p>redes digitais, bem como de produtos, serviços e meios na</p><p>internet.</p><p>Cultura</p><p>participativa</p><p>Potencialidade de qualquer indivíduo se tornar um produtor</p><p>de cultura, seja recriando conteúdos já existentes, seja</p><p>produzindo conteúdos inéditos.</p><p>Inteligência</p><p>coletiva</p><p>Possibilidade aberta pelas tecnologias de rede de aumentar</p><p>o conhecimento produzido de maneira social e coletiva</p><p>Interatividade Interferência e interação entre usuários, ou usuários,</p><p>programas e conteúdos, em diferentes níveis e formas, nos</p><p>sistemas de comunicação digital em rede.</p><p>Interface A operação das mídias digitais acontece a partir de pontos</p><p>de contato “amigáveis” entre dispositivos e usuários,</p><p>moldados a partir de referências culturais anteriores.</p><p>Velocidade A rapidez de conexão de dados nas mídias digitais se</p><p>articula com a aceleração de inúmeras atividades,</p><p>processos e acontecimentos na vida cotidiana.</p><p>Microblogs Esse tipo de mídia social tem como objetivo compartilhar</p><p>conteúdos, de maneira eficaz e rápida. Sendo bem usada,</p><p>pode trazer resultados excelentes, já que hoje em dia a</p><p>agilidade faz toda a diferença. Como exemplos, podemos</p><p>citar: Tumblr, Twitter,etc;</p><p>Redes sociais</p><p>de conteúdo</p><p>Esse tipo de mídia social é bem parecida com outras redes</p><p>sociais já conhecidas, como o Facebook, mas elas</p><p>possuem o seu objetivo a criação e conseqientu</p><p>compartilhamento de informações. Como exemplos, temos:</p><p>Flickr, SlideShare, Youtube, etc</p><p>Redes sociais Esse tipo de mídia social tem como principal característica</p><p>8</p><p>ter ferramentas de rápida divulgação, e os resultados são</p><p>ainda mais favoráveis quando utilizados juntamente à um</p><p>blog. Como exemplos, mencionaremos: Google+,</p><p>Facebook, etc.</p><p>Blogs Esse tipo de mídia social é formada por pensamentos e</p><p>ideias que são expostos em uma página na internet. É</p><p>interessante que as empresas utilizem essa ferramenta</p><p>para ficar mais próximo do seu público-alvo, principalmente</p><p>com a utilização da técnica do SEO (que são maneiras de</p><p>otimizar o blog para que ele possua mais acesso e melhore</p><p>a disseminação).</p><p>Por que as empresas aderiram às mídias sociais?</p><p>Veja este levantamento de 2018, considerando as razões para as empresas</p><p>estarem nas mídias sociais:</p><p>9</p><p>Agora perceba quais são os conteúdos mais divulgados:</p><p>Do ponto de vista do público, este é o percentual de participação em cada uma</p><p>das redes sociais e o que acessam:</p><p>Se há algo que realmente podemos prever em nossa vida é o efeito “Maria vai</p><p>com as outras”. É possível observá-lo em todos os lugares. Na televisão,</p><p>10</p><p>sempre que um canal descobre uma série de sucesso, podemos contar em</p><p>uma só mão o número de semanas que levará até que outra emissora surja</p><p>com um programa similar – veja os reality shows, por exemplo.</p><p>O mesmo</p><p>ocorre no futebol. Quando um time é campeão, não demora para que</p><p>outros comecem a tentar imitar o jeito de jogar que levou o rival à consagração.</p><p>Quando esse fenômeno se instala dentro do mundo dos negócios, resulta em</p><p>uma corrida das empresas para tentar repetir o sucesso alcançado por outras.</p><p>Quando uma empresa está em um desses meios de comunicação, a interação</p><p>e a identificação pela marca ou produto entre os consumidores é maior. No</p><p>caso dos sites de notícias, o alcance do público é incrivelmente maior e o</p><p>feedback é instantâneo.</p><p>Conforme uma pesquisa que foi feita no ano de 2017 pelo Relatório Social</p><p>Media Marketing para a Indústria, aproximadamente 92% dos empresários</p><p>declararam que as mídias sociais têm grande importância em seus</p><p>investimentos. Assim sendo, podemos dizer que nos dias de hoje, com o</p><p>avanço da internet, as informações se propagam muito rapidamente, “quase</p><p>como a velocidade da luz”, e por esses motivos, é necessário que a</p><p>comunicação seja feita de forma objetiva e clara.</p><p>5 Características (e questionamentos) do atual cenário na internet</p><p>1</p><p>As pessoas hoje estão expostas a uma mistura de informações composta</p><p>de notícias geradas profissionalmente, muitas vezes fatiadas aos</p><p>pedaços, e eventualmente misturadas com rumores, boatos e opiniões.</p><p>2</p><p>Os mecanismos de formação de grupos nas redes sociais facilitam a</p><p>convivência predominantemente com quem pensa e vê as coisas de uma</p><p>forma semelhante. Isso pode ser catalisado pelos algoritmos que</p><p>gerenciam a distribuição de conteúdos nas redes com base nas</p><p>preferências manifestadas pelos usuários.</p><p>3</p><p>O enfraquecimento das redações pode causar um empobrecimento geral</p><p>na qualidade da informação. As redações ditas “tradicionais” ainda são a</p><p>grande fonte de abastecimento do ambiente geral. Enfraquecidas, que</p><p>11</p><p>tipo de conteúdo será replicado nas redes sociais?</p><p>4</p><p>A decadência dessas plataformas estáveis de produção –a mídia</p><p>estabelecida, responsáveis pela lógica da oferta—pode enfraquecer o</p><p>estabelecimento do que os cientistas sociais chamam de “uma agenda</p><p>pública comum”.</p><p>5</p><p>O fortalecimento das redes como principais distribuidoras traz de volta o</p><p>debate sobre a transparência (ou a falta dela) dos algoritmos. Esses</p><p>sofisticados “software” e seus gestores são, na prática, os novos</p><p>“editores” ou “publishers”?</p><p>É quase um exercício de imaginação pensar o cotidiano sem a presença das</p><p>mídias digitais. Das atividades mais simples, como marcar um jantar com</p><p>amigos, aos complexos meandros da política internacional, boa parte da vida</p><p>humana está ligada às relações articuladas com mídias digitais. Elas estão ali,</p><p>trocando uma quantidade quase infinita de dados a todo instante, e em geral é</p><p>só quando falham que voltamos a percebê-las.</p><p>Pensar as mídias digitais exige um trabalho constante de autoanálise para</p><p>evitar a tentação do “ano zero”, no sentido de pensar que tudo mudou, assim</p><p>como a perspectiva de que tudo continua igual, apenas em outro ambiente.</p><p>Seres humanos continuam sendo seres humanos, em toda sua paradoxal</p><p>complexidade, mas conectados de uma maneira diferente a partir das mídias</p><p>digitais. Até onde se pode ir, elas não são melhores ou piores do que os</p><p>indivíduos, comunidades e sociedades que as criaram e usam.</p><p>As redes sociais são importantes ferramentas para atração de usuários para</p><p>diferentes empresas, sejam de notícias, sejam outras.</p><p>12</p><p>MÍDIAS SOCIAIS E DISTRIBUIÇÃO DE CONTEÚDO</p><p>Nas últimas duas décadas, o jornalismo tem procurado formas de distribuição</p><p>alternativas ao processo tradicionalmente usado nos jornais, nas rádios e nas</p><p>televisões para compensar as perdas registadas na sua audiência tradicional,</p><p>mas também para chegar mais rapidamente a ela.</p><p>A Internet emergiu como uma potencial solução para alguns problemas pela</p><p>facilidade em fazer levar os conteúdos às pessoas.</p><p>O jornalismo procurou aproveitar a Internet para chegar mais longe, ficar cada</p><p>vez mais íntimo dos consumidores ou mesmo para atrair novos públicos até</p><p>então desligados do mundo das notícias.</p><p>De um meio rudimentar e fechado, no espaço de duas décadas a Internet</p><p>tornou-se o meio de todos e para todos. Em 2007, apenas 7% da população da</p><p>União Europeia não tinha a possibilidade técnica de se ligar à Internet. Em</p><p>2010, a cobertura de ligações ADSL e 3G no velho continente ultrapassavam</p><p>80% do território.</p><p>A comunicação mediada por computador veio alterar de forma substancial, não</p><p>só a forma como as pessoas passaram a receber as notícias, como os</p><p>processos de produção nas quais se encontram envolvidos. Consumidores e</p><p>profissionais da comunicação, todos evoluíram com o aparecimento da rede.</p><p>Atente para estes dados:</p><p>Usuários:</p><p>Há dois anos (2016), a Forbes publicou que o Brasil é o maior usuário de redes</p><p>sociais da América Latina, seguido do México e da Argentina. A fonte da</p><p>informação era uma pesquisa da agência eMarketer, segundo a qual 86,5%</p><p>dos usuários utilizariam smartphones para se conectar às redes como</p><p>Facebook, Twitter e Instagram, entre outras.</p><p>2</p><p>13</p><p>Abaixo, a tabela sobre os Usuários de Redes Sociais na América Latina, por</p><p>país, de 2014 a 2020:</p><p>Penetração:</p><p>Os números mostram o quanto as redes sociais estão presentes na maioria da</p><p>vida dos internautas latino-americanos. O México lidera este quesito: 79,2%</p><p>dos mexicanos com acesso à internet utilizam ao menos uma rede social — em</p><p>2020, esta porcentagem deve ser de 82,3%.</p><p>O Brasil vem em segundo lugar, com 77.8% dos internautas ligados a uma</p><p>rede social — a previsão para daqui a quatro anos é de 80,3%. Na Argentina,</p><p>72,7% dos internautas estão nas redes sociais — em 2020, este número deve</p><p>ser 75,5%.</p><p>14</p><p>Domínio do Facebook:</p><p>Como era de se esperar, o Facebook é a rede social dominante na América</p><p>Latina — assim como o é em quase todo o restante do mundo. Segundo dados</p><p>da eMarketer, 245 milhões de latino-americanos têm conta na plataforma</p><p>criada por Mark Zuckerberg, um número impressionante que significa exatos</p><p>94,2% de todos os internautas do continente.</p><p>Em todos os países, o Facebook tem números expressivos entre as pessoas</p><p>que usam alguma rede social. No México, 94,2% das pessoas que usam algum</p><p>site do gênero estão no Facebook; no Brasil, a porcentagem é um pouco maior:</p><p>95%; por fim, na Argentina, o número é ainda maior, 97,7%.</p><p>Twitter ainda engatinha:</p><p>Apesar do alvoroço causado pelo Twitter, a rede social ainda engatinha por</p><p>aqui, “indo pouco além de seu papel principal como fonte de notícias de última</p><p>hora”. Segundo o estudo divulgado pela empresa, apenas 29% de todos os</p><p>usuários de redes sociais da região estão no Twitter. Este número deve crescer</p><p>12,9% em 2016, segunda maior taxa de crescimento do mundo e ligeiramente</p><p>maior do que a média mundial.</p><p>Dos três maiores países latino-americanos, o México lidera na proporção de</p><p>usuários: 42% das pessoas com contas em alguma rede social tem perfil no</p><p>Twitter. A Argentina vem em segundo lugar, com 36,9% e o pódio é fechado</p><p>pelo Brasil, com 29,7%.</p><p>Atualizando...</p><p>Além desta pesquisa da eMarketer, um relatório feito em 2017 pela We Are</p><p>Social em parceria com a Hootsuite apontou que 58% da população brasileira é</p><p>usuária das redes sociais.</p><p>15</p><p>Essa porcentagem representa mais de 122 milhões de usuários ativos. E não</p><p>para por aí: o Brasil foi um dos países com maior aumento no número de</p><p>usuários nas redes, com mais de 19 milhões de novos usuários.</p><p>Veja o levantamento:</p><p>Novamente o Facebook:</p><p>Dos respondentes da Social Media Trends 2018, 95% declararam usar o</p><p>Facebook, enquanto 98,8% das empresas afirmaram usar o Facebook para a</p><p>estratégia de marketing da empresa.</p><p>O Brasil é o terceiro país mais ativo no Facebook, perdendo apenas para os</p><p>EUA e a Índia.</p><p>WhatsApp já não é só para grupos de família e amigos</p><p>Mais da metade da população brasileira</p><p>está presente no WhatsApp. São 120</p><p>milhões de usuários no país.</p><p>16</p><p>E, se antes essa rede era usada apenas para conversar com amigos e famílias,</p><p>hoje ela é um dos principais aplicativos de mensagem e comunicação não só</p><p>do Brasil, como do mundo — o aplicativo conta com 1,2 bilhão de usuários</p><p>globalmente.</p><p>E se muitas marcas não usavam o aplicativo pelas limitações para fazer</p><p>negócio por meio dele, pode ser que esse cenário esteja prestes a mudar. Com</p><p>o recente anúncio do WhatsApp Business, novas possibilidades para empresas</p><p>serão oferecidas.</p><p>O bom (e velho) YouTube</p><p>Com um crescimento de mais de 58% usuários no Brasil nos últimos dois anos,</p><p>o YouTube tem hoje 98 milhões de usuários no país sendo uma das maiores</p><p>redes tanto aqui quanto no mundo todo. Hoje, a maior plataforma de vídeos do</p><p>mundo é usada para acompanhar programas, escutar músicas, acompanhar os</p><p>youtubers e vídeos jornalísticos.</p><p>Instagram lidera Ranking</p><p>de engajamento:</p><p>Com 57 milhões de usuários</p><p>no Brasil e o maior índice de</p><p>engajamento entre as redes</p><p>sociais, o Instagram é o</p><p>queridinho do momento.</p><p>47,1% dos respondentes da</p><p>Social Media Trends 2018</p><p>declararam que o Instagram</p><p>é sua rede social preferida,</p><p>deixando todas as outras</p><p>para trás — até mesmo o Facebook, que ficou com apenas 29,6% dos votos</p><p>17</p><p>Distribuindo conteúdo</p><p>Como já deu pra perceber, é difícil imaginar a distribuição de conteúdo –</p><p>inclusive jornalístico – sem passar pelas redes sociais. O brasileiro é o terceiro</p><p>do mundo no ranking de quem passa mais tempo na Internet. Os brasileiros</p><p>gastam, em média, 9 horas navegando na web. O país também aparece entre</p><p>os primeiros quando o assunto o tempo gasto nas redes sociais: são mais de 3</p><p>horas diárias.</p><p>A tecnologia das redes sociais não mudará o jeito de se fazer uma matéria. O</p><p>jornalista ainda precisará entrevistar fontes, apurar a notícia. Mas por quais</p><p>mudanças passa e passará o jornalismo em uma conjuntura onde 45% dos</p><p>internautas substituem portal de notícias por redes sociais, em um tipo de troca</p><p>de informação diferente? “O importante hoje é escutar, e praticar um jornalismo</p><p>com mais humildade”, disse Juliana Sawaia, gerente de Inteligência de</p><p>Mercado do Ibope durante o MediaOn, 4º Seminário Internacional de</p><p>Jornalismo Online.</p><p>Veja este levantamento da Hootsuite com a We Are Social:</p><p>Dos 5 apps mais baixados no Brasil em 2017, 4 são de interação social.</p><p>WhatsApp, Facebook, Facebook Messenger, Instagram e Uber foram, nessa</p><p>ordem, as aplicações de smartphone com mais downloads em 2017, de acordo</p><p>com os dados do site App Annie.</p><p>18</p><p>Diante destes dados, fica evidente que as redes sociais são hoje ferramentas</p><p>de utilização obrigatória para os meios de comunicação social que procuram</p><p>manter uma relação próxima com os seus leitores, ouvintes ou telespectadores.</p><p>Imprensa online</p><p>No início da década de 1990, a Internet ficou muito mais amigável com o</p><p>desenvolvimento de navegadores mais intuitivos que abriu este mundo a novos</p><p>públicos.</p><p>O jornalismo foi uma das atividades profissionais que imediatamente percebeu</p><p>as potencialidades que a rede oferecia: atenuar as barreiras do espaço e do</p><p>tempo foi sempre uma aspiração do jornalismo e o novo meio permitia agora</p><p>fazê-lo de forma simples, tanto no momento da recolha de informação como na</p><p>hora da distribuição.</p><p>Na última década, a circulação de jornais diários caiu 5% nos Estados Unidos</p><p>da América e 3% na Europa.</p><p>O cenário é ainda pior quando olhamos para os números das receitas entre</p><p>versão online e versão impressa. Segundo um relatório do Pew Research</p><p>(2012), estima-se que por cada dólar que um jornal ganhou na versão online,</p><p>perdeu sete na versão impressa.</p><p>Na época da internet 1.0, o Jornalismo 1.0 era aquele que usava os mesmos</p><p>conteúdos no meio de comunicação tradicional e na versão Web. Já o</p><p>Jornalismo 2.0 caracteriza-se por criar conteúdos específicos para a rede. E já</p><p>se fala em jornalismo 3.0, que é aquele que socializa os conteúdos, incluindo-</p><p>os ainda nos próprios meios de comunicação.</p><p>No universo 2.0, o leitor de um jornal online passa também a funcionar como</p><p>um redistribuidor, uma fonte de informação e um crítico do produto que</p><p>consome. A Web 2.0 está intimamente ligado à criação de software, mas no</p><p>caso do jornalismo, está mais ligado à criação de novos serviços de consumo,</p><p>ou seja, novas maneiras de fazer chegar as notícias à audiência.</p><p>19</p><p>Um mar de informações</p><p>Em uma Web tão aberta, tão convidativa à participação e de processos tão</p><p>simplificados, verifica-se um crescimento exponencial da informação disponível</p><p>e o fluxo de notícias é quase imparável, transformando-se num autêntico mar</p><p>de informação.</p><p>Um estudo realizado pelo Pew Research Center (2010) comprovou isso mesmo</p><p>ao comparar a oferta de informação nos anos 2005 e 2010: 70% dos inquiridos</p><p>concordou com a afirmação “The amount of news and information available</p><p>from diferente sources today is overwhelming”.</p><p>Segundo os dados deste estudo, 92% dos americanos usam múltiplas</p><p>plataformas para receber notícias durante um dia normal de entre os seguintes</p><p>modelos de distribuição: televisões locais, televisões nacionais, Internet, jornais</p><p>locais, jornais nacionais e rádio.</p><p>A forma como as pessoas recebem notícias é hoje mais multiplataforma, com</p><p>46% dos inquiridos a receber as notícias</p><p>de 4 a 6 dos meios referenciados.</p><p>Atenção ao risco da superficialidade</p><p>A abundância de informação acaba por ser um perigo pela superficialidade</p><p>como tratam algumas matérias, sobretudo as que têm origem em fontes</p><p>primárias encontradas ao acaso na Internet. Uma das funções que seria</p><p>responsabilidade principal do jornalismo - a de informar e esclarecer as</p><p>pessoas – é posta em xeque devido à Internet.</p><p>20</p><p>O mundo virtual conectado</p><p>No desenho animado Wall-e, lançado pela Pixar em 2008, em um futuro</p><p>distante, seres humanos praticamente perderam sua capacidade de se</p><p>comunicar sem o auxílio de mídias digitais.</p><p>Em uma cena, duas pessoas sentadas lado a lado estão usando uma rede</p><p>social para conversar, mesmo estando a poucos centímetros uma da outra.</p><p>Diante das telas, experimentam um tipo de interação integralmente digital. O</p><p>pensamento, acoplado à tecnologia digital, é alterado em sua essência.</p><p>Ao que parece, a mente humana tem uma enorme plasticidade, capacidade de</p><p>se adaptar ao ambiente cognitivo no qual está inserida. Nosso processar</p><p>informações e dar sentido a elas está ligado ao modo como essas informações</p><p>chegam até nós — o ambiente cognitivo diz respeito aos modos de circulação</p><p>de dados em uma determinada época.</p><p>A quantidade de informações atual demanda um tempo adicional para</p><p>selecionar, mesmo em um nível superficial, o que merece atenção –</p><p>trabalhamos em um “pântano intelectual” decorrente do acúmulo de</p><p>informações que chegam.</p><p>Como essas informações vêm de todos os lugares - telas espalhadas em</p><p>transportes públicos, computadores, avisos, outdoors — e são muito</p><p>numerosas, a mente tem muito mais trabalho e gasta muito mais tempo. Como</p><p>o dia continua tendo apenas 24 horas, o resultado é a sensação de que o</p><p>tempo está passando mais rápido.</p><p>A capacidade de prestar atenção nas coisas, bem como o tempo em que a</p><p>mente consegue ficar concentrada em algo, diminui. Como resultado, uma</p><p>ansiedade constante por novas informações: queremos acesso a tudo agora,</p><p>instantânea e simultaneamente. Se, no início do século XX, a resposta a um a</p><p>carta poderia demorar semanas, no início do século XXI uma mensagem que</p><p>não seja respondida instantaneamente pode gerar preocupação.</p><p>21</p><p>Ambiente comum</p><p>Jornalistas e utilizadores comuns partilham o mesmo espaço hoje. Contatam</p><p>diretamente sem a mediação da empresa, ainda que seja o nome desta a</p><p>juntar as duas pessoas segundo os seus interesses. Alguém que se classifique</p><p>como jornalista não garante</p><p>à partida uma audiência, mas se for jornalista de</p><p>um jornal e ainda disser há quanto tempo lá trabalha, isto traduz-se num certo</p><p>nível de confiança.</p><p>Na Internet dos blogues e do social networking, acessar a notícia de forma</p><p>indireta através da sugestão de terceiros será a forma mais natural de o fazer</p><p>A relação das pessoas com as notícias, em especial na Internet, está a tornar-</p><p>se uma experiência social partilhada na qual os utilizadores trocam links,</p><p>discutem temas em sites com tópicos organizados, publicam e partilham as</p><p>histórias com os seus contatos nas redes sociais: 75% dos norte-americanos</p><p>diz receber notícias através de email ou de publicações nas redes sociais e</p><p>52% diz partilhar notícias com outros através desses mesmos canais.</p><p>O estudo da Pew Research apurou que 44% dos consumidores de informação</p><p>online recebe notícias através de emails, updates automáticos e alertas, ou</p><p>publicações nas redes sociais.</p><p>Notícias pela manhã</p><p>Um estudo da Retrevo concluiu que 16% dos entrevistadios recebe as</p><p>primeiras notícias da manhã através do Facebook e Twitter, enquanto 42%</p><p>afirma que acessar a estas redes sociais é a primeira coisa que fazem pela</p><p>manhã</p><p>Outro estudo, de Justin Owens (2011), concluiu que a família, amigos próximos</p><p>e colegas de trabalho/escola são os grupos sociais com quem mais se partilha</p><p>no Facebook.</p><p>Quanto aos conteúdos partilhados, vídeos (70%), fotos (67%) e conteúdos</p><p>engraçados/humorísticos (66%) são os tipos de publicações mais partilhadas.</p><p>22</p><p>A partilha de notícias aparece na sexta posição dos conteúdos mais</p><p>partilhados, com 57% das respostas.</p><p>Fora do Facebook, as notícias são a terceira categoria mais partilhada pelos</p><p>respondentes, com 55% das respostas.</p><p>Quando confrontados com as razões pelas quais partilhavam conteúdos no</p><p>Facebook, “recipient is interested”, “make recipient smile” e “ricipient think is</p><p>funny” foram as razões mais apontadas, o que reforça o carácter de</p><p>entretenimento que as redes sociais apresentam.</p><p>Partilhando links</p><p>O estudo de Owens tocou ainda num ponto que tem interesse para a estratégia</p><p>dos meios de comunicação social: partilhar muitos links e links de fraco</p><p>interesse, que reações provocam nos receptores?</p><p>Ignorar foi a opção mais indicada, mas houve quem respondesse que esconde</p><p>os conteúdos ou simplesmente acaba por desfazer amizade com os</p><p>utilizadores que partilham demais ou partilham links sem interesse.</p><p>O sucesso das redes sociais prova que o público sentia a necessidade de ter</p><p>um espaço de partilha dentro da sua comunidade de interesses: nas redes</p><p>sociais a comunicação é bidirecional (de muitos para muitos), o que obriga a</p><p>uma relação de proximidade entre os diferentes membros da comunidade.</p><p>A sociedade em rede alterou por completo o sistema social da produção e</p><p>distribuição de conteúdos. E apesar de existirem sites específicos, , a verdade</p><p>é que Facebook e Twitter continuam a ser os melhores agregadores sociais</p><p>para a informação – embora outros estejam crescendo, como o Instagram e o</p><p>WhatsApp.</p><p>As redes sociais não fazem jornalismo, nem os seus utilizadores são jornalistas</p><p>– apenas se limitam a enviar e a hierarquizar as informações para os restantes.</p><p>23</p><p>O papel dos smartphones</p><p>As notícias online se tornaram a principal fonte de notícias na América Latina e</p><p>na maior parte do mundo. À medida que a internet e as plataformas de</p><p>comunicação dentro dela se diversificam, também mudam as formas pelas</p><p>quais os consumidores acessam esse conteúdo.</p><p>O Digital News Report 2018 do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo</p><p>(RISJ) realizou pesquisa em quatro países latino-americanos e descobriu que,</p><p>em cada caso, a maioria dos entrevistados está acessando suas notícias em</p><p>seus smartphones</p><p>71% dos entrevistados estão acessando notícias desde seus smartphones na</p><p>Argentina, 81% no Chile e 74% no México. No Brasil, o percentual de usuários</p><p>de smartphones (72%) está empatado com aqueles recebendo notícias de</p><p>seus computadores, mas este último está em declínio.</p><p>Em cada país da América Latina, a maioria dos entrevistados está usando o</p><p>Facebook como a principal plataforma de mídia social e de mensagens para</p><p>notícias. No entanto, essa porcentagem também caiu em cada país em</p><p>comparação com o ano anterior. Em todos os países, exceto no México, o</p><p>WhatsApp ficou em segundo lugar (o YouTube ficou em segundo no México e</p><p>o Whatsapp em terceiro).</p><p>Em termos de confiança nas notícias em geral, o Brasil se destacou entre os</p><p>países da América Latina (59%) e teve a terceira classificação mais alta dos 37</p><p>países pesquisados. A Argentina teve o menor percentual na região (41%).</p><p>24</p><p>Atente para estes dados relativos ao Brasi:</p><p> A maioria dos entrevistados consome notícias online (90%) e via</p><p>televisão (75%). Para TV, rádio e impressos, assim como online, a</p><p>Globo domina.</p><p> 48% dos entrevistados usam o WhatsApp para notícias</p><p> Notáveis 85% disseram estar preocupados com o que é real e o que é</p><p>falso na internet</p><p> 22% pagam por notícias on-line e 23% usam um bloqueador de</p><p>anúncios.</p><p>Dada a importância dos smartphones, alguns dos mais importantes órgãos de</p><p>comunicação a nível mundial, investiram em apps para smartphones e que</p><p>dispensa os próprios browsers no acesso à informação.</p><p>No celular, as tecnologias de pull and push misturam-se – podemos consultar</p><p>as notícias por iniciativa própria (pull) ou podemos recebê-las por iniciativa</p><p>alheia (push). Com o crescimento das redes sociais e do número de notícias</p><p>partilhadas nestes sites, o push pode tornar-se o modo de acesso mais</p><p>comum.</p><p>O Pew Research concluiu que os utilizadores que têm acesso à Internet nos</p><p>seus dispositivos móveis maximizam a utilização destes a nível social, quando</p><p>25</p><p>comparado com o número dos utilizadores de internet na globalidade: usam</p><p>mais as redes sociais (73% contra 48%) e atualizam mais vezes o seu estado</p><p>nesses mesmos sites (29% contra 14%).</p><p>26</p><p>3</p><p>ESTRATÉGIAS PARA USO DAS MÍDIAS SOCIAIS</p><p>A ideia de rede social começou a ser usada há cerca de um século, para</p><p>designar um conjunto complexo de relações entre membros de um sistema</p><p>social a diferentes dimensões. A partir do século XXI, surgiram as redes sociais</p><p>na Internet, e, do ponto de vista sociológico, permanecem os mesmos</p><p>conceitos. A revolução das mídias sociais aconteceu sem se derramar uma</p><p>gota de sangue e já é uma realidade.</p><p>Os empresários já veem a importância de se contratar profissionais</p><p>especializados ou contratar consultores para treinar suas equipes internas com</p><p>o objetivo de gerenciar suas contas nos ambientes sociais.</p><p>Veja os dados do estudo global de jornalismo social feito pela Cision, com</p><p>dados de 2016:</p><p>27</p><p>O estudo também identificou que:</p><p>Fica evidente que as redes sociais são fundamentais para o trabalho dos</p><p>jornalistas. Então, vejamos:</p><p>Regras básicas para uso das mídias sociais por jornalistas</p><p>1. Regras éticas tradicionais continuam valendo para o ambiente online.</p><p>Muitos jornalistas podem cair na tentação de achar que o ambiente virtual</p><p>requer menos seriedade e comprometimento do que nas mídias tradicionais.</p><p>Este erro pode custar a audiência e a perda de credibilidade.</p><p>Repórteres costumam agir da mesma forma online como eles agem</p><p>pessoalmente. Mas eles não deveriam dizer nada que não quisessem ver nas</p><p>páginas dos seus jornais, e eles não deveriam postar nada que pudesse ser</p><p>embaraçoso pessoalmente e profissionalmente, para si ou para suas</p><p>28</p><p>organizações. Isto pode parecer um senso comum, mas não é óbvio para</p><p>muitos jornalistas.</p><p>Não há nenhuma razão para que a ética tradicional seja jogada pela janela.</p><p>Esta deveria ser a primeira mensagem nos guias de social mídia por aí.</p><p>John Robinson, o editor de The Greensboro (N.C.) News & Record,</p><p>respondendo a um e-mail sobre</p><p>sua política para as mídias sociais, disse: “Eu</p><p>falei para toda a minha equipe de social media, não sejam estúpidos”. Segundo</p><p>ele, funciona para eles.</p><p>Esta é a política de uso das mídias sociais do jornal Washington Post:</p><p>“Ao usar essas redes, nada do que</p><p>fazemos deve questionar a</p><p>imparcialidade do julgamento de</p><p>nossas notícias. Nós nunca</p><p>abandonamos as diretrizes que</p><p>governam a separação das notícias</p><p>do que é opinião, a importância do fato e da objetividade, o uso apropriado da</p><p>linguagem e do tom, e outras características da nossa marca de jornalismo…</p><p>Os jornalistas devem abster-se de escrever, twittar ou postar qualquer coisa -</p><p>incluindo fotografias ou vídeo - que possa ser entendida como refletindo</p><p>preconceito ou preconceito político, racial, sexista, religioso ou outro que</p><p>poderia ser usado para manchar nossa credibilidade jornalística”.</p><p>2. Assuma que tudo o que se publica online se tornará público.</p><p>Isso é verdade mesmo que esteja em uma conta que não esteja explicitamente</p><p>vinculada ao seu empregador. As configurações de privacidade estão em</p><p>constante mudança e o que você escreve atrás do muro de alguém um dia</p><p>pode estar na esfera pública no dia seguinte. Ou, mais provavelmente, pode</p><p>ser vazado por um antagonista.</p><p>Manter esferas separadas não é mais viável, como poderia ter sido há alguns</p><p>anos atrás. Se algo acontecer em uma página privada, os funcionários devem</p><p>saber que precisam estar prontos para defendê-lo publicamente.</p><p>29</p><p>Na nova ordem mundial, mais repórteres estão construindo suas próprias</p><p>marcas pessoais. É aceitável colocar conteúdo pessoal em um fórum público,</p><p>mas equilíbrio é necessário. Muita informação pessoal confunde a água e</p><p>barateia a marca. Repórteres criando novas contas do Twitter devem</p><p>considerar a inclusão do nome da publicação em algum lugar no nome de</p><p>usuário ou no identificador. Eles são claramente identificados como parte da</p><p>equipe.</p><p>Veja as diretrizes do jornal Los Angeles Times:</p><p>“Sua vida profissional e sua vida</p><p>pessoal estão interligadas no mundo</p><p>online, assim como estão offline.</p><p>Tentativas, por exemplo, de distinguir</p><p>seus amigos do ensino médio de seus</p><p>associados profissionais são boas,</p><p>mas em todos os espaços deve aderir ao princípio de que, como funcionário</p><p>editorial, você é responsável por manter a credibilidade do Times”.</p><p>Estas são as diretrizes da National Public Radio:</p><p>“Informações da sua página do</p><p>Facebook, suas entradas no blog e seus</p><p>tweets - mesmo que você pretenda que</p><p>eles sejam mensagens pessoais para</p><p>seus amigos ou familiares - pode ser</p><p>facilmente divulgado além do seu</p><p>público-alvo. Este conteúdo, portanto,</p><p>representa você e a NPR para o mundo exterior tanto quanto uma história de rádio ou</p><p>uma história para a NPR.org ”.</p><p>3. Use as mídias sociais para se relacionar com os leitores, mas</p><p>profissionalmente.</p><p>Um dos principais valores dessas redes é que elas oferecem a chance de</p><p>interagir com leitores e fontes de maneiras que antes não eram possíveis.</p><p>30</p><p>Repórteres e editores podem ver o que está gerando negócio, coletar</p><p>informações em tempo real durante desastres e melhorar os esforços</p><p>jornalísticos.</p><p>Muitos executivos de notícias veem as plataformas de mídia social como</p><p>apenas uma maneira de divulgar o que estão fazendo. Mas esta é uma forma</p><p>bidirecional de comunicação. Repórteres têm a obrigação de interagir e</p><p>responder.</p><p>Existem limites para o valor do engajamento. Políticas devem encorajar</p><p>repórteres a não entrar em guerras de chamas com trolls ou leitores irracionais.</p><p>Isso diminui a credibilidade do papel e eleva a visibilidade do antagonista. É</p><p>subjetivo, e geralmente é uma área cinzenta. O cuidado é necessário, e os</p><p>repórteres devem estar cientes dos perigos do engajamento.</p><p>Veja as diretrizes do Guardian:</p><p>Participe de conversas</p><p>sobre nosso conteúdo e</p><p>assuma a responsabilidade</p><p>pelas conversas que você</p><p>iniciar. Concentre-se no</p><p>construtivo, reconhecendo e</p><p>recompensando</p><p>contribuições inteligentes. Não recompense o comportamento disruptivo com</p><p>atenção, mas denuncie quando você encontrá-lo. Conecte-se a fontes de fatos</p><p>ou declarações que você mencionou e incentive outras pessoas a fazer o</p><p>mesmo. Incentive os leitores a contribuírem com perspectiva, conhecimento e</p><p>experiência adicionais.</p><p>Estas são as diretrizes da agência de notícias Reuters:</p><p>Pense antes de postar.</p><p>Um dos segredos para o</p><p>sucesso da mídia social é</p><p>como se tornou fácil</p><p>31</p><p>participar dela. Mas isso também torna fácil responder antes que você tenha</p><p>pensado nas consequências. Resista à tentação de responder com raiva ou</p><p>mal humor.</p><p>Veja as diretrizes da Dow Jovens.</p><p>“Não se envolva em nenhum diálogo indelicado com quem pode mudar teu</p><p>trabalho – não importa quão rude ou provocativo eles possam ser”.</p><p>4. As Break News devem estar primeiro no seu site, não na rede social.</p><p>As mídias sociais podem se tornar um grande sugador de tempo, distraindo os</p><p>repórteres da realização de reportagens tradicionais ou da execução de seus</p><p>deveres.</p><p>Em uma era de notícias que valoriza a velocidade, há grandes tentações e</p><p>incentivos adicionais para divulgar notícias no Twitter ou no Facebook em vez</p><p>de esperar que ele passasse pelo pipeline editorial. Isso enfraquece um dos</p><p>principais valores das mídias sociais para organizações que vivem de notícias,</p><p>que é direcionar o tráfego e aumentar o alcance do jornalismo de alta</p><p>qualidade.</p><p>A palavra operativa é equilíbrio. Há momentos em que é aconselhável postar</p><p>no Twitter antes de postar uma história em seu site.</p><p>Ao tweetar sobre press releases ou sobre uma coletiva de imprensa que está</p><p>sendo televisionada, por exemplo, relatórios de precisão não são</p><p>comprometidos. Em notícias de última hora, há casos em que obter as</p><p>informações tem precedência sobre a espera para uma história se mover pelo</p><p>pipeline editorial. Ou seja, há momentos em que é melhor esperar.</p><p>É uma boa política informar aos funcionários que eles devem incluir links</p><p>sempre que possível para uma matéria no site do empregador. Desta forma,</p><p>passa por um editor e aumenta o tráfego.</p><p>32</p><p>A necessidade de permanecer competitivo coloca o ônus dos desenvolvedores</p><p>e gerentes da Web de reduzir o tempo necessário para obter material online.</p><p>5. Sempre se identifique como um jornalista.</p><p>O anonimato não é mais aceitável em fóruns online do que em eventos</p><p>políticos ou em outros locais de reportagem tradicionais. Os repórteres não</p><p>devem se apresentar de forma equivocada para obter acesso a material que</p><p>não é público. Quando pedindo informações a alguém, especialmente se eles</p><p>planejam publicá-lo, há uma expectativa de que os repórteres sejam diretos,</p><p>identificando-se.</p><p>Empresas jornalísticas devem exigir que seus funcionários sejam transparentes</p><p>quando usam redes sociais. Não finja ser outra pessoa para obter informações.</p><p>O Denver Post exige categoricamente que os repórteres se identifiquem como</p><p>trabalhando para o Denver Post em seus perfis, por exemplo.</p><p>Veja as diretrizes do Washington Post:</p><p>“Ao usar redes sociais como</p><p>Facebook, LinkedIn ou Twitter,</p><p>devemos proteger nossa</p><p>integridade profissional. Os</p><p>jornalistas do Washington Post</p><p>devem se identificar como tal.</p><p>Precisamos ser precisos em</p><p>nossos relatórios e transparentes</p><p>sobre nossas intenções ao participar. Devemos ser concisos, mas claros</p><p>ao descrever quem somos e que informação procuramos.”</p><p>6. Redes sociais são ferramentas, não brinquedos.</p><p>Manter a seriedade em um ambiente repleto de distrações não é simples, mas</p><p>o jornalista deve ficar atento ao próprio comportamento para evitar perder o</p><p>foco e a qualidade do trabalho.</p><p>33</p><p>De certa forma, alguns jornalistas relatam informações falsas em redes sociais.</p><p>Como os jornalistas estão representando suas organizações de notícias, eles</p><p>não devem abandonar o papel de "verdadeiros" quando se aventuram no</p><p>Twitter</p><p>BRASIL E EM MANAUS</p><p>Atente para os dados do estudo feito por pesquisadores ligados ao Centro</p><p>Knight na América Latina, junto a associados da Associação Nacional de</p><p>Jornais (ANJ).</p><p>Editores-chefe e diretores de redação responderam questionário detalhado em</p><p>que compararam a configuração da produção e dos produtos editados, entre</p><p>hoje e cerca de dez anos atrás. Participaram da pesquisa 60 diários, que</p><p>representam 80% da circulação total. Entre as principais conclusões:</p><p>- As redações (83% dos respondentes) reduziram mais jornalistas do que</p><p>páginas da edição impressa (78%);</p><p>- Política Local e Nacional foram as editorias mais preservadas; em Política</p><p>Local, 34% reduziram páginas e 43% reduziram jornalistas; em Política</p><p>Nacional, 38% reduziram páginas e 33% reduziram jornalistas;</p><p>- Essa relativa “preservação” das editorias de política é mais evidente,</p><p>proporcionalmente, no Sudeste, região em que os percentuais de redução</p><p>citados acima são menores. E ela parece fazer sentido, a se considerar a</p><p>turbulência política que assola o Brasil, notadamente após 2005. Mas vale</p><p>lembrar que em Manaus, a editoria de Política é considerada a principal para</p><p>os grandes jornais e para os pequenos veículos também, sejam tradicionais,</p><p>sejam da web.</p><p>- Tanto a produção própria de conteúdo, quanto o uso de conteúdo de terceiros</p><p>(compra de agências de notícias) sofreram redução expressiva (entre 29% e</p><p>53% das redações reduziram a produção própria; entre 47% e 55% das</p><p>redações reduziram uso de agências).</p><p>Outro estudo publicado no livro New Info Enviroment, disponível para download</p><p>gratuito em português, o pesquisador Ricardo Gandour divulgou dados sobre a</p><p>atividade digital das redações profissionais</p><p>Em cada estado brasileiro monitorou-se:</p><p>39</p><p>- O número de posts em uma dada rede social (foi escolhido o Facebook);</p><p>- O número de interações (“likes”, “shares” and “comments”) por post.</p><p>Tomamos estas medidas para um veículo de comunicação por estado nos</p><p>períodos:</p><p>- Imediatamente antes dos grandes protestos de rua de junho de 2013;</p><p>- Ao final do mesmo ano de 2013;</p><p>- No início do ano de 2016.</p><p>Entre 2013 e 2016, os jornais aumentaram em 6% sua média diária de posts, e</p><p>em 354% a média de interações por post.</p><p>Os jornalistas brasileiros e as mídias sociais</p><p>Uma pesquisa realizada pela PR Oriella Network revelou que muitos jornalistas</p><p>brasileiros buscam mais informações nas mídias sociais do que nas</p><p>assessorias de imprensa. Cerca de 66,67% dos entrevistados disseram utilizar</p><p>o Twitter como fonte de informação. Os outros 40% disseram utilizar o</p><p>Facebook.</p><p>A pesquisa também mostrou que os jornalistas costumam ter o hábito de</p><p>confirmar as informações recebidas nessas redes com a assessoria de fontes</p><p>oficiais, ou até mesmo, com as próprias fontes. Pode-se concluir que, mesmo</p><p>que os jornalistas acessem com frequência as redes sociais para buscar</p><p>informações, são as fontes oficiais ou assessorias que ditam a veracidade das</p><p>informações.</p><p>Diante dos números, pode-se perceber que as rotinas das redações de jornais</p><p>mudaram no que tange à busca de fonte de informações e seu relacionamento</p><p>com elas. Houve uma ressignificação do campo de atuação do jornalista.</p><p>O acesso direto a fontes alterou o processo de apuração para a maioria dos</p><p>jornalistas brasileiros, como mostra a pesquisa. O trabalho de apuração em si</p><p>não mudou, ainda é necessário analisar as fontes de informações, porém foram</p><p>40</p><p>acrescentadas novas ferramentas que modificam e reconfiguram a rotina de</p><p>busca por fontes.</p><p>Ranking de jornais brasileiros no Twitter</p><p>O Centro Knight para o Jornalismo nas Américas criou</p><p>um ranking informal dos jornais impressos na região</p><p>com o maior número de seguidores no Twitter. Embora</p><p>seja difícil considerar todas as publicações impressas</p><p>nacionais e regionais na América Latina, recentemente</p><p>foram examinados os maiores jornais impressos e</p><p>percebeu-se que os diários colombianos e brasileiros</p><p>possuem o maior número de seguidores.</p><p>Este ano, o ranking do Centro Knight centrou-se apenas no número de</p><p>seguidores do Twitter para os maiores jornais impressos da região. As quinze</p><p>publicações mais seguidas estão abaixo (dados de janeiro de 2018):</p><p>1. El Tiempo (@ELTIEMPO) - 6,25 milhões (Colômbia)</p><p>2. Folha de S. Paulo (@folha) - 6,18 milhões (Brasil)</p><p>3. Estadão (@Estadao) - 5,97 milhões (Brasil)</p><p>4. Jornal O Globo (@JornalOGlobo) - 5,51 milhões (Brasil)</p><p>5. El Universal (@eluniversal) - 4,79 milhões (Venezuela)</p><p>6. El Universal (@El_Universal_Mx) - 4,7 milhões (México)</p><p>7. El Nacional (@ElNacionalWeb) - 4,47 milhões (Venezuela)</p><p>8. El Espectador (@elespectador) - 4,46 milhões (Colômbia)</p><p>9. El Milenio (@Milenio) - 4,04 milhões (México)</p><p>10. Últimas Noticias (@UNoticias) - 3,74 milhões (Venezuela)</p><p>11. La Nación (@LANACION) - 3,04 milhões (Argentina)</p><p>12. Meridiano (@MeridianoTV) - 2,91 milhões (Venezuela)</p><p>13. Clarín (@clarincom) - 2,74 milhões (Argentina)</p><p>14. Diario Olé (@DiarioOle) - 2,57 milhões (Argentina)</p><p>15. Reforma (@Reforma) - 2,48 milhões (México)</p><p>41</p><p>A realidade em Manaus</p><p>Em Manaus, todos as grandes empresas de jornalismo fazem uso de uma</p><p>aplicação de mídia social, seja Facebook, Twitter, Instagram, WhatsApp, entre</p><p>outros, para distribuir o conteúdo que produzem.</p><p>Mas esta não é uma prática exclusiva dos grandes conglomerados, que</p><p>também contam com Televisão, Jornal Impresso ou Rádio. Os pequenos sites</p><p>– pequenos no sentido de não serem conglomerados e trabalharem com uma</p><p>quantidade menor de mão de obra – também estão presentes em diferentes</p><p>aplicações de mídias sociais para a distribuição do conteúdo que produzem.</p><p>E há uma razão para isso.</p><p>As pessoas recebiam as notícias das redações profissionais, e as empresas</p><p>jornalísticas se sustentavam com essa exclusividade. Com a Internet, a</p><p>informação tornou-se abundante e em grande parte gratuita.</p><p>Com as redes sociais, os conteúdos das redações são replicados em pedaços.</p><p>E todo mundo se tornou capaz de publicar e ter voz. Há agora mais</p><p>informação, e isso é inegavelmente bom.</p><p>42</p><p>Mas nas redes sociais, as notícias</p><p>profissionais qualificadas se</p><p>misturam com outras informações e</p><p>opiniões não-checadas. Rumores e</p><p>fofocas entram no fluxo. É a</p><p>fragmentação digital.</p><p>As empresas jornalísticas estão enfrentando problemas. Muitas são forçadas a</p><p>cortar custos, reduzindo sua capacidade de oferecer mais notícias, contexto e</p><p>análises. Isso pode diminuir a qualidade do ambiente informativo como um</p><p>todo.</p><p>Um efeito da fragmentação digital é a polarização. Opiniões e rumores não</p><p>baseados em fatos aceleram o comportamento de tomar rapidamente um</p><p>atalho para “like” ou “dislike”. O debate público perde nuances.</p><p>Outro efeito é sobre a chamada alfabetização midiática. As pessoas podem</p><p>estar perdendo a habilidade de diferenciar informação de opinião, por exemplo.</p><p>Um dos efeitos da fragmentação é o surgimento de pequenos veículos</p><p>dedicados a temas específicos, muitas vezes sob um novo modelo, o</p><p>jornalismo sem fins lucrativos, financiados por doações. Eles complementam o</p><p>ambiente noticioso e ajudam a mediar o debate público.</p><p>Em Manaus, nos últimos anos surgiram muitos pequenos veículos dedicados a</p><p>dois assuntos em especial: política, de um lado, e polícia, de outro. São</p><p>exemplos:</p><p>43</p><p>Mudanças</p><p>A internet tornou a informação abundante e livre. Todos passaram a ter a</p><p>possibilidade de editar, publicar e ter voz. As redes sociais se transformaram</p><p>em mega plataformas de distribuição.</p><p>Muito mais informação está disponível e acessível, e isso é inegavelmente</p><p>bom. Mas ao jogar o valor de comercialização da informação para próximo de</p><p>zero, a revolução digital colocou em xeque os</p><p>principais produtores de informação original –</p><p>leiam-se as redações chamadas “tradicionais”,</p><p>que passaram a ter dificuldades de se</p><p>sustentar. E isso tem afetado não apenas as</p><p>empresas, mas o jornalismo como atividade.</p><p>Vivemos mais um dos capítulos da fascinante</p><p>história das mídias, desde a invenção da</p><p>máquina de imprimir em papel por Gutenberg. Até então, o conhecimento era</p><p>transmitido oralmente ou por meio de manuscritos. Com o engenho de</p><p>Gutenberg, conhecimento e informação passaram a ser distribuídos em larga</p><p>escala e em maior amplitude geográfica. Hoje, todos estamos descobrindo</p><p>como será o futuro.</p><p>44</p><p>BIBLIOGRAFIA</p><p>HOHMANN, James. 10 Best Practices for Social Media. Centro Knight, 2011. Link</p><p>em http://asne.org/Files/pdf/10_Best_Practices_for_Social_Media.pdf</p><p>MARTINO, Luís Mauro. Teoria das Mídias Digitais: Linguagens, ambientes, redes.</p><p>2 ed. São Paulo: Editora Vozes, 2014</p><p>TELLES, André. A revolução das mídias sociais: cases, conceitos, dicas e</p><p>ferramentas. 2 ed. São Paulo: Editora M.Books, 2011.</p><p>GANDOUR, Ricardo. Um Novo Sistema Informativo. Centro Knight, 2016.</p><p>BARGER, Christopher. O estrategista em mídias sociais. São Paulo: DVS Editora,</p><p>2012.</p><p>FERREIRA, Rui Fernando da Rocha. Jornalismo e redes sociais: novas formas de</p><p>distribuição e interação com a imprensa portuguesa. Dissertação para a obtenção</p><p>do grau de Mestre em Jornalismo da Universidade da Beira Interior, 2012.</p><p>http://asne.org/Files/pdf/10_Best_Practices_for_Social_Media.pdf</p>empresas, mas o jornalismo como atividade. 
Vivemos mais um dos capítulos da fascinante 
história das mídias, desde a invenção da 
máquina de imprimir em papel por Gutenberg. Até então, o conhecimento era 
transmitido oralmente ou por meio de manuscritos. Com o engenho de 
Gutenberg, conhecimento e informação passaram a ser distribuídos em larga 
escala e em maior amplitude geográfica. Hoje, todos estamos descobrindo 
como será o futuro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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BIBLIOGRAFIA 
HOHMANN, James. 10 Best Practices for Social Media. Centro Knight, 2011. Link 
em http://asne.org/Files/pdf/10_Best_Practices_for_Social_Media.pdf 
 
MARTINO, Luís Mauro. Teoria das Mídias Digitais: Linguagens, ambientes, redes. 
2 ed. São Paulo: Editora Vozes, 2014 
 
TELLES, André. A revolução das mídias sociais: cases, conceitos, dicas e 
ferramentas. 2 ed. São Paulo: Editora M.Books, 2011. 
 
GANDOUR, Ricardo. Um Novo Sistema Informativo. Centro Knight, 2016. 
 
BARGER, Christopher. O estrategista em mídias sociais. São Paulo: DVS Editora, 
2012. 
 
FERREIRA, Rui Fernando da Rocha. Jornalismo e redes sociais: novas formas de 
distribuição e interação com a imprensa portuguesa. Dissertação para a obtenção 
do grau de Mestre em Jornalismo da Universidade da Beira Interior, 2012. 
http://asne.org/Files/pdf/10_Best_Practices_for_Social_Media.pdf

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