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<p>Universidade Paulista UNIP</p><p>CURSO DE FISIOTERAPIA</p><p>SEMINÁRIO</p><p>MARCHA DO IDOSO</p><p>Luis Fernandes Costa Ferreira - N4374A2</p><p>Leticia Santos Tenório - N489AA7</p><p>SANTANA DE PARNAÍBA - SP</p><p>2023</p><p>Seminário</p><p>Marcha do idoso</p><p>Seminário do Estágio de Fisioterapia</p><p>em Saúde Pública, Saúde Coletiva,</p><p>Saúde do Idoso, Saúde da Mulher e</p><p>Saúde do Trabalhador, 7o semestre</p><p>do curso de Fisioterapia apresentado</p><p>à Universidade Paulista – UNIP.</p><p>Luis Fernandes Costa Ferreira - N4374A2</p><p>Leticia Santos Tenório - N489AA7</p><p>Orientadora : Profa. Vanessa Vieira Pereira</p><p>SANTANA DE PARNAÍBA - SP</p><p>2023</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO......................................................................................... 4</p><p>2 CICLOS DA MARCHA FISIOLÓGICA......................................................... 5</p><p>2.1 FASE DE APOIO................................................................................... 6</p><p>2.1.1 Contato inicial................................................................................. 7</p><p>2.1.2 Resposta à carga............................................................................ 7</p><p>2.1.3 Apoio médio................................................................................... 7</p><p>2.1.4 Apoio terminal............................................................................... 8</p><p>2.1.5 Pré-balanço..................................................................................... 8</p><p>2.2 FASE DE BALANÇO.............................................................................. 9</p><p>2.2.1 Balanço inicial................................................................................. 9</p><p>2.2.2 Balanço médio................................................................................ 9</p><p>2.2.3 Balanço terminal............................................................................. 9</p><p>3 CICLOS DA MARCHA DO IDOSO............................................................. 9</p><p>3.1ALTERAÇÕESNORMAISDOENVELHECIMENTO.................................... 10</p><p>3.1.1Velocidadedamarcha....................................................................... 10</p><p>3.1.2 Cadência......................................................................................... 10</p><p>3.1.3Tempodeduploapoio....................................................................... 10</p><p>3.1.4 Alterações posturais....................................................................... 11</p><p>3.1.5Fasedeapoio.................................................................................... 11</p><p>3.1.6 Fase de balanço.............................................................................. 11</p><p>4DISPOSITIVOSDEAUXÍLIODAMARCHA................................................... 11</p><p>4.1BENGALA............................................................................................ 12</p><p>4.2 ANDADOR.......................................................................................... 13</p><p>5CASOCLÍNICO......................................................................................... 15</p><p>6REFERÊNCIAS......................................................................................... 17</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>O ato de caminhar é uma atividade fundamental para os seres humanos. No entanto, é</p><p>importante reconhecer que a caminhada pode ser aprimorada em termos de eficiência e</p><p>segurança. Ao longo dos anos, desde a infância, desenvolvemos habilidades motoras que nos</p><p>permitem nos deslocar com autonomia e realizar diversas atividades ao mesmo tempo, como</p><p>conversar, evitar obstáculos e olhar ao redor.Se observarmos pessoas em diferentes fases da</p><p>vida, notaremos que as crianças levam em média entre 11 e 15 meses para aprender a</p><p>caminhar completamente, alcançando seu pleno desenvolvimento por volta dos 7 anos.</p><p>Durante esse processo, elas continuam a aprimorar seus movimentos para se adaptarem às</p><p>mudanças de altura e peso, adquirindo cada vez mais independência.</p><p>Já os idosos passam por um processo semelhante de adaptação na caminhada devido às</p><p>alterações naturais em seus corpos, como a diminuição da força muscular, os efeitos da</p><p>gravidade ao longo do tempo e o desgaste das articulações e da postura. É essencial que eles</p><p>se adaptem a esses novos padrões de marcha para evitar quedas e fraturas. Nessa fase da vida,</p><p>é necessário desenvolver estratégias motoras para se proteger e se ajustar às demandas do</p><p>ambiente e das tarefas diárias.</p><p>Em resumo, a caminhada é uma atividade comum, mas que pode ser aprimorada em relação à</p><p>eficiência e segurança. Desde a infância até a terceira idade, é fundamental desenvolver</p><p>habilidades motoras que nos permitam caminhar de maneira adequada e adaptar-se aos</p><p>diferentes estágios da vida. Isso garante não apenas a qualidade de vida, mas também a</p><p>prevenção de acidentes, quedas e lesões.</p><p>2. CICLOS DA MARCHA FISIOLÓGICA</p><p>Para uma boa análise da marcha fisiológica, devemos levar em conta alguns pontos</p><p>importantes: iniciação da marcha, altura do passo, comprimento do passo, simetria do passo,</p><p>continuidade do passo, desvio da linha média, estabilidade de tronco e base de apoio durante</p><p>as fases da marcha.</p><p>Para entender a marcha, precisamos entender o que significa algumas nomenclaturas:1</p><p>• Passo: é a distância (ou o tempo decorrido) desde o apoio de um calcâneo no chão até o</p><p>apoio do calcâneo do pé contralateral</p><p>• Passada: é a distância (ou o tempo decorrido) desde o apoio de um calcâneo no chão até o</p><p>apoio do calcâneo do mesmo pé no chão;1</p><p>• Largura do passo: é a distância entre os membros inferiores durante a marcha;1</p><p>• Cadência: é o número de passos que ocorre numa unidade de tempo (passos/minuto);1</p><p>• Velocidade: corresponde à distância percorrida por unidade de tempo (m/s).1</p><p>A avaliação precisa do ciclo da marcha é essencial para uma melhor compreensão e</p><p>intervenção na melhoria do movimento. Uma análise mais aprofundada das fases de apoio e</p><p>balanço da marcha pode fornecer informações valiosas sobre a qualidade e eficiência do</p><p>movimento.Durante a fase de apoio, em que o membro está em contato com o solo, ocorre</p><p>uma série de processos biomecânicos complexos. É nessa etapa que os músculos e articulações</p><p>são ativados de forma isométrica e dinâmica para garantir a estabilidade e suporte adequados</p><p>ao corpo durante a caminhada. Essa fase representa aproximadamente 60% do ciclo da</p><p>marcha, mostrando sua importância no processo global.</p><p>Já a fase de balanço, que corresponde aos momentos em que o membro não está em contato</p><p>com o solo, é responsável pelo avanço e impulso necessários para a progressão durante a</p><p>marcha. Durante essa etapa, músculos específicos são ativados para realizar os movimentos</p><p>adequados e manter o equilíbrio.</p><p>Ao compreender e analisar essas duas fases do ciclo da marcha, é possível identificar padrões</p><p>de movimento anormais ou desequilíbrios musculares. Essas informações podem ser utilizadas</p><p>para desenvolver estratégias de intervenção, visando à melhoria da marcha em diferentes</p><p>contextos e estágios da vida.</p><p>O ciclo da marcha é composto por várias etapas que permitem uma análise mais completa de</p><p>todos os componentes envolvidos. Para uma descrição mais precisa desse ciclo, é importante</p><p>entender as especificidades das fases de apoio e balanço.A fase de apoio, que corresponde ao</p><p>período em que o membro está em contato com o solo, representa 60% do ciclo da marcha. Já</p><p>a fase de balanço, que ocorre quando o membro está no ar, correspondendo aos outros 40%</p><p>do ciclo, é responsável pelo avanço do membro.</p><p>Para que essas duas fases ocorram corretamente, é necessário o acionamento dos grupos</p><p>musculares de forma isométrica e dinâmica. Durante a fase de apoio, ocorrem processos</p><p>biomecânicos complexos que garantem a estabilidade e o suporte adequado ao corpo durante</p><p>a caminhada. Por sua vez, na fase de balanço, músculos específicos são ativados para promover</p><p>o movimento e manter o equilíbrio.</p><p>Ao analisar e compreender essas fases do ciclo da marcha, é possível identificar padrões de</p><p>movimento anormais ou desequilíbrios musculares. Essas informações são fundamentais para</p><p>desenvolver estratégias de intervenção e melhorar a marcha em diferentes</p><p>contextos e</p><p>estágios da vida.</p><p>2.1 FASE DE APOIO</p><p>A fase de apoio é a fase do ciclo da marcha em que um dos membros inferiores está em</p><p>contato com o solo e o corpo é sustentado e impulsionado para a frente.</p><p>Contato inicial</p><p>A fase de contato inicial é a primeira etapa da fase de apoio da marcha. Nesse estágio, o pé</p><p>entra em contato com o solo pelo calcanhar e inicia-se a sustentação do peso corporal. É</p><p>importante destacar que ocorre uma leve flexão plantar do tornozelo para amortecer o</p><p>impacto da descarga do peso corporal e evitar possíveis lesões. Além disso, os músculos</p><p>dorsiflexores atuam de forma excêntrica para controlar a descida do pé e evitar um impacto</p><p>muito brusco.A articulação do quadril encontra-se em pequena flexão durante o contato inicial,</p><p>enquanto o tronco se mantém ereto ao longo de todo o ciclo da marcha. Ao mesmo tempo,</p><p>ocorre uma rotação para o lado contralateral do movimento. O membro superior oposto ao</p><p>membro inferior analisado é projetado para frente, realizando uma flexão de ombro. Essa ação</p><p>funciona como um pêndulo, gerando equilíbrio com todo o movimento de dissociação das</p><p>cinturas escapulares e pélvica, e iniciando a descarga do peso para o membro de apoio.</p><p>Resposta à carga</p><p>A resposta à carga na marcha desempenha um papel crucial na adaptação do corpo ao peso</p><p>durante esse movimento. É nesse estágio que ocorre o ajuste e controle muscular,</p><p>especialmente quando o peso do corpo é suportado por um único membro. Durante essa fase,</p><p>a carga corporal é transferida para o membro inferior em contato com o solo, gerando uma</p><p>força de reação que precisa ser absorvida pelo corpo para garantir estabilidade e evitar lesões.</p><p>É importante compreender e considerar essa dinâmica no contexto da avaliação e tratamento</p><p>de possíveis disfunções relacionadas ao movimento.</p><p>Apoio médio</p><p>Nessa fase da marcha, todo o peso do corpo é transferido para o membro inferior de apoio, e o</p><p>centro de gravidade se posiciona diretamente sobre esse pé. Durante o apoio médio, há uma</p><p>leve dorsiflexão do tornozelo, mas os músculos dorsiflexores deixam de ser ativos, enquanto os</p><p>músculos flexores plantares começam a contrair para controlar a velocidade da perna durante</p><p>o movimento sobre o tornozelo. O quadril e o joelho permanecem estendidos, mantendo a</p><p>perna de apoio na posição vertical. Os músculos do glúteo médio e mínimo, assim como o</p><p>quadríceps femoral e os músculos adutores da coxa, trabalham para manter a estabilidade do</p><p>corpo durante o apoio médio. É importante destacar que a duração do apoio médio varia de</p><p>acordo com a velocidade da marcha e o comprimento do passo. Nesse momento, os membros</p><p>superiores se estendem bilateralmente, ficando quase paralelos ao corpo, enquanto o tronco</p><p>se mantém em posição neutra. Esses detalhes são essenciais para uma compreensão mais</p><p>aprofundada da marcha e podem guiar a avaliação e tratamento de possíveis disfunções</p><p>relacionadas ao movimento.</p><p>Apoio terminal</p><p>Nessa fase da marcha, o membro inferior de apoio continua a sustentar o peso do corpo,</p><p>enquanto o pé se prepara para avançar e iniciar o próximo ciclo de passo. Durante o apoio</p><p>terminal, ocorre a flexão plantar do pé, com contração dos músculos gastrocnêmio e sóleo. O</p><p>joelho começa a flexionar e o quadril inicia a extensão, preparando-se para impulsionar o</p><p>corpo para frente. Os músculos flexores plantares do pé desempenham um papel fundamental</p><p>nessa fase, impulsionando ativamente o corpo para frente, em preparação para o próximo ciclo</p><p>de passo. Os músculos da coxa e do quadril também contribuem para essa impulsão do corpo</p><p>para frente. Após o apoio terminal, o pé avança e inicia-se a fase de balanço, completando</p><p>assim um ciclo completo de passo. Nesse momento, o tronco começa a girar na direção do</p><p>membro inferior analisado, enquanto o membro superior do lado oposto realiza uma extensão</p><p>dos braços.Esses detalhes são cruciais para a compreensão e análise da marcha, auxiliando na</p><p>identificação de possíveis disfunções e no planejamento de intervenções adequadas para a</p><p>reabilitação e prevenção de lesões relacionadas ao movimento.</p><p>Pré-balanço</p><p>Nessa fase do ciclo da marcha os dedos dos pés estarão em hiperextensão, tocando levemente</p><p>o solo com suas falanges distais, cerca de 10° de flexão plantar, bem como flexão dos joelhos e</p><p>quadril.1</p><p>2.2 FASE DE BALANÇO</p><p>Durante a fase de balanço da marcha, o membro inferior que não está em contato com o solo</p><p>move-se para a frente, preparando-se para o próximo apoio. Nesse momento, o pé é levantado</p><p>do solo e o membro inferior é flexionado no quadril, joelho e tornozelo, a fim de criar espaço</p><p>adequado para a passagem do membro por baixo do corpo. Essa fase é crucial para o</p><p>movimento suave e eficiente durante a marcha, e sua compreensão é fundamental na</p><p>identificação de possíveis irregularidades na locomoção e no planejamento de intervenções</p><p>adequadas para a reabilitação e prevenção de lesões relacionadas à marcha.</p><p>2.2.1 Balanço inicial</p><p>Durante o balanço inicial, o pé é levantado do solo pela ação dos músculos flexores do quadril</p><p>e do joelho, enquanto os músculos dorsiflexores do tornozelo mantêm o pé em posição neutra.</p><p>À medida que o membro se move para a frente, o joelho é estendido e o tornozelo é fletido</p><p>para que a ponta do pé aponte para cima.</p><p>2.2.2 Balanço médio</p><p>Na fase de balanço médio, o membro inferior passa diretamente abaixo do corpo, enquanto o</p><p>quadril, joelho e tornozelo são flexionados novamente para se prepararem para o primeiro</p><p>contato com o solo no próximo apoio. Nessa parte da fase de balanço, o membro inferior</p><p>atinge sua maior altura em relação ao solo e o corpo está no ponto mais elevado em relação ao</p><p>solo. É importante observar essa etapa da marcha, pois ela marca a transição entre a fase de</p><p>apoio e a fase de balanço, proporcionando estabilidade e impulso para o próximo ciclo de</p><p>passo. O entendimento dessa fase é essencial para identificar possíveis desequilíbrios na</p><p>marcha e planejar intervenções adequadas visando a reabilitação e prevenção de lesões</p><p>relacionadas ao movimento.</p><p>2.2.3 Balanço terminal</p><p>No final da fase de balanço, o pé é direcionado em direção ao solo, em preparação para o</p><p>próximo apoio, e os músculos do quadril, joelho e tornozelo trabalham juntos para controlar a</p><p>descida suave do pé em contato com o solo, completando assim uma passada completa.1</p><p>3 CICLO DA MARCHA DO IDOSO</p><p>Considerando que a marcha é uma das funções mais afetadas pelo envelhecimento, é</p><p>fundamental entender como as fases do ciclo de marcha são alteradas em idosos. Estudos</p><p>mostram que de 8% a 19% dos idosos têm dificuldades na marcha ou necessitam de auxílio</p><p>para realizá-la, seja com o apoio de outras pessoas ou dispositivos auxiliares. Uma das</p><p>principais alterações ocorre na divisão das fases do ciclo de marcha, onde os idosos passam</p><p>cerca de 62% do tempo no apoio e 38% na fase de balanço. Compreender essas alterações é</p><p>essencial para identificar possíveis problemas na marcha e planejar intervenções adequadas</p><p>para melhorar a locomoção dos idosos.</p><p>3.1 ALTERAÇÕES NORMAIS DO ENVELHECIMENTO</p><p>3.1.1 Velocidade da marcha</p><p>A velocidade da marca tende a se manter estável até cerca de 75 anos de idade – salvo em</p><p>casos patológicos –, declinando cerca de 15% por década para a velocidade normal, e cerca de</p><p>20% por década para a velocidade máxima. Em comparação, um adulto normalmente possui</p><p>uma velocidade de marcha de 1,33 m/s, enquanto um idoso possui uma velocidade de marcha</p><p>de 0,97 m/s5.</p><p>3.1.2 Cadência</p><p>Os idosos tendem a alterar a velocidade da marcha, aumentando a cadência. Uma das</p><p>principais razões para o encurtamento do comprimento da passada é a fraqueza dos músculos</p><p>gastrocnêmio e sóleo, que são responsáveis pela impulsão do corpo para a frente. Em</p><p>comparação, um adulto normalmente possui uma cadência média de 108 passos por minuto,</p><p>enquanto um idoso apresenta uma cadência média de aproximadamente 116 passos por</p><p>minuto. É importante estar ciente dessas alterações na marcha dos idosos, pois isso pode</p><p>afetar sua mobilidade e segurança ao caminhar.</p><p>3.1.3 Tempo de duplo apoio</p><p>Com</p><p>o envelhecimento, é comum que o tempo de duplo apoio no ciclo da marcha aumente.</p><p>Em adultos jovens, esse tempo representa cerca de 18%, enquanto em idosos saudáveis pode</p><p>chegar a aproximadamente 26%. O aumento do tempo de duplo apoio acaba reduzindo a fase</p><p>de balanço do membro inferior, o que consequentemente encurta o comprimento da passada.</p><p>É importante ressaltar que o tempo de duplo apoio pode ser ainda maior dependendo da</p><p>superfície em que o idoso está caminhando, como por exemplo, superfícies escorregadias ou</p><p>irregulares. Essas alterações na marcha dos idosos podem impactar na sua mobilidade e</p><p>segurança ao caminhar.</p><p>3.1.4 Alterações posturais</p><p>A dissociação de cinturas durante a marcha é diminuída com o processo de envelhecimento.</p><p>Essa alteração vem em conjunto com outras alterações posturais, como uma maior anteversão</p><p>pélvica associada a aumento da lordose, provavelmente pelo enfraquecimento da musculatura</p><p>abdominal e dos flexores de quadril. Além disso, os idosos têm a tendência de caminhar com</p><p>uma maior rotação externa de quadril, devido a uma perda de força nos rotadores internos do</p><p>quadril, ou para aumentar a estabilidade lateral – a base de sustentação e a largura do passo5.</p><p>3.1.5 Fase de apoio</p><p>Na fase de apoio, ocorrem modificações no contato inicial devido à redução da força no</p><p>músculo tibial anterior e à diminuição da amplitude de movimento no tornozelo. Isso resulta</p><p>em um contato inicial não com o calcanhar, mas sim com a parte da frente do pé, que fica</p><p>"desabada" e quase completamente apoiada no solo. Além disso, o término do apoio e o</p><p>pré-balanço são afetados pela falta de força nos músculos gastrocnêmio e sóleo, que são</p><p>responsáveis pela flexão plantar e pela propulsão do corpo para a frente durante a marcha. É</p><p>importante considerar essas alterações na marcha dos idosos, pois podem ter um impacto</p><p>significativo na sua mobilidade e segurança ao caminhar.</p><p>3.1.6 Fase de balanço</p><p>A fase de balanço geralmente é reduzida devido à falta de equilíbrio durante o apoio em um só</p><p>pé, o que é necessário para o movimento de um dos membros inferiores para frente. Além</p><p>disso, a fraqueza nos músculos flexores do quadril contribui para essa diminuição na fase de</p><p>balanço e na altura do passo. É importante destacar essas alterações na marcha dos idosos,</p><p>pois podem afetar sua mobilidade e segurança ao caminhar.</p><p>4. DISPOSITIVOS DE AUXÍLIO DA MARCHA</p><p>Com o aumento do número de idosos, é comum o desenvolvimento de distúrbios relacionados</p><p>à marcha. Em alguns casos, esses problemas não são resolvidos por meio de tratamentos ou</p><p>cirurgias, sendo necessário o uso de dispositivos externos para melhorar a capacidade de</p><p>caminhar desses indivíduos.A prescrição de dispositivos auxiliares de marcha (DAM) costuma</p><p>ser feita por médicos e fisioterapeutas. No entanto, antes de recomendar o dispositivo</p><p>adequado, é fundamental que esses profissionais realizem uma avaliação detalhada, levando</p><p>em consideração a capacidade cognitiva, vestibular, visual, força dos membros superiores e</p><p>condicionamento físico do idoso.</p><p>Atualmente, os dois dispositivos mais utilizados são a bengala e o andador, ambos com o</p><p>objetivo de auxiliar na marcha, prevenir quedas, reduzir a carga nas articulações e melhorar o</p><p>controle motor. É importante destacar a importância desses dispositivos na qualidade de vida e</p><p>segurança dos idosos.</p><p>4.1 BENGALA</p><p>A bengala é frequentemente prescrita para pacientes com deficiência e mobilidade moderadas.</p><p>Existem vários tipos de bengalas, mas sua principal função é ampliar a base de apoio,</p><p>proporcionando mais equilíbrio e agilidade ao paciente para realizar atividades diárias. No</p><p>entanto, em comparação com o andador, a bengala é mais instável e, quando o ponto de apoio</p><p>é anteriorizado, pode levar ao desenvolvimento da Síndrome do Túnel do Carpo.Para</p><p>determinar a altura correta da bengala, o paciente deve estar usando o calçado habitual. A</p><p>bengala deve ser posicionada cerca de 15 cm da borda lateral dos dedos do pé e a parte</p><p>superior da bengala deve estar aproximadamente na altura do trocânter maior do fêmur. O</p><p>cotovelo deve estar flexionado entre 15 e 30 graus.</p><p>A bengala deve ser usada na mão oposta ao membro afetado, a fim de reduzir a sobrecarga no</p><p>membro afetado. Para caminhar com a bengala, o membro inferior e a bengala devem avançar</p><p>juntos e, em seguida, a perna saudável ultrapassa a perna afetada. Essas orientações são</p><p>essenciais para garantir o uso correto da bengala e maximizar seus benefícios na mobilidade do</p><p>paciente.</p><p>Ao subir escadas, é recomendável segurar o corrimão, se disponível. Em seguida, deve-se</p><p>posicionar o membro inferior saudável no degrau, seguido pela bengala na mão oposta e, por</p><p>fim, o membro inferior afetado. Ao descer escadas, é aconselhável colocar a bengala no degrau</p><p>junto com o membro inferior afetado e, em seguida, colocar o membro inferior saudável, que</p><p>suportará o peso do corpo. Essas orientações garantem uma escalada e descida seguras para os</p><p>pacientes que utilizam bengalas.</p><p>Ao levantar, é recomendado ao paciente mover seu corpo para frente, inclinar o tronco para</p><p>frente, colocar a mão sobre a coxa e pressionar para baixo, se necessário. Após se levantar, o</p><p>paciente deve pegar a bengala. Para se sentar, ele deve se aproximar da cadeira, girar para o</p><p>lado não afetado até sentir a cadeira encostar em suas pernas e então apoiar-se na bengala</p><p>para alcançar o braço de apoio e sentar-se. Essas orientações ajudam a garantir uma transição</p><p>segura entre ficar de pé e sentar-se para os pacientes que utilizam bengalas.</p><p>4.2 ANDADOR</p><p>O andador é frequentemente recomendado para pacientes com fraqueza generalizada, déficit</p><p>de equilíbrio e que precisam reduzir a carga nos membros inferiores. Existem quatro tipos de</p><p>andadores, cada um com sua finalidade específica. Eles podem ser utilizados por pacientes</p><p>idosos e/ou com déficits cognitivos, problemas no ombro ou incapacidade de levantar o</p><p>andador.A principal função do andador é oferecer uma base de suporte maior, proporcionando</p><p>ao paciente mais segurança e estabilidade. No entanto, há algumas desvantagens em seu uso,</p><p>como a contraindicação do uso em escadas, seu tamanho, o padrão de marcha mais lento e</p><p>controlado, a necessidade de prestar mais atenção durante o uso, a redução do balanço dos</p><p>membros superiores, maior gasto de energia corporal e, em alguns pacientes, uma postura</p><p>inclinada do tronco que não é funcional para a marcha. Para determinar a altura ideal do</p><p>andador, utiliza-se o mesmo método da bengala, mantendo as mãos na altura do quadril.</p><p>Para caminhar com o andador fixo, o paciente deve pegar as quatro pernas do andador ao</p><p>mesmo tempo, levantá-las e movê-las adiante enquanto dá um passo com a perna mais</p><p>afetada. Em seguida, ele deve dar um passo com a perna saudável, tomando cuidado para não</p><p>se aproximar muito dos apoios anteriores do andador, para evitar o risco de cair para trás. É</p><p>importante instruir o idoso a manter sempre uma boa postura, olhar para frente e evitar</p><p>qualquer deslizamento ou balanço dos apoios do andador.No caso do andador articulado, não</p><p>é necessário levantá-lo. O paciente deve simplesmente levar uma das partes do andador à</p><p>frente, junto com a perna, e então fazer o mesmo com a outra parte. Nos andadores com</p><p>rodas, não é preciso levantar o dispositivo, apenas conduzi-lo suavemente à frente enquanto</p><p>caminha.</p><p>Quando for se levantar, é recomendado que o indivíduo desloque o corpo para frente na</p><p>cadeira, posicione o andador em frente à cadeira, incline o tronco para frente e, se necessário,</p><p>pressione as mãos nas coxas para ajudar a se levantar. Assim que estiver de pé, ele pode</p><p>colocar uma mão de cada vez no andador. Outra opção é posicionar o andador à frente do</p><p>corpo e usar o apoio do próprio dispositivo para se levantar. Para sentar, o paciente deve se</p><p>aproximar da cadeira utilizando o andador, girar na direção do membro menos afetado até</p><p>sentir a cadeira contra as pernas e, em seguida, descer uma mão de cada vez em direção ao</p><p>braço da cadeira antes de sentar-se de forma controlada.</p><p>5. CASO CLÍNICO</p><p>Paciente Anisia José Da Silva, 73 anos, queixa principal: Dores nos membros inferiores pós um</p><p>AVC e dor lombar localizada à esquerda - a nível de L3-L4, L4. Avaliação da marcha: a avaliação</p><p>da marcha é empírica, embora baseada nas fases de apoio e suas subfases, e na fase de</p><p>balanço e suas subfases. Espera-se um ideal de amplitude de movimento, mobilidade articular,</p><p>dissociação de cinturas e força muscular para realizar o movimento de maneira funcional. O</p><p>sempre bom o fisioterapeuta deve sempre se posicionar ao lado do paciente durante a</p><p>avaliação, protegendo-o contra eventuais quedas, avaliando um lado de cada vez, sempre</p><p>atentando para cada fase e subfase.</p><p>Realizada a avaliação da paciente, o seguinte diagnóstico foi encontrado:</p><p>• Fase de apoio: 1) contato inicial realizado com o antepé “em eversão”, indicando pouca</p><p>mobilidade de tornozelo associada à fraqueza de tibial anterior; 2) pré-balanço contábil pouca</p><p>impulsão e pouca elevação de calcanhar, indicando pouca mobilidade de tornozelo associada à</p><p>fraqueza de gastrocnêmio e sóleo;</p><p>• Fase de balanço: toda a fase de balanço está alterado em redução da velocidade e em</p><p>amplitude de movimento, mas o ponto principal é o balanço médio,</p><p>pois a paciente não realiza de forma esperada a elevação de joelho, deixando o movimento</p><p>menos amplo.</p><p>Considerando os resultados obtidos durante a avaliação da marcha da paciente em questão,</p><p>podemos recomendar um programa de treino de marcha com o objetivo de melhorar as</p><p>especificidades identificadas.</p><p>1. Para fortalecer o músculo tibial anterior e melhorar a marcha, é recomendado realizar</p><p>exercícios específicos como o treino de marcha com o calcanhar. Nessa atividade, o</p><p>fisioterapeuta deve estar atento a possíveis desequilíbrios. O paciente pode praticar</p><p>uma marcha adaptada, caminhando apenas com os calcanhares e seguindo uma</p><p>distância pré-determinada, o que irá estimular a dorsiflexão.</p><p>2. Para fortalecer o tríceps sural e aprimorar a marcha, recomenda-se realizar o treino de</p><p>marcha com pontas de pé. Nessa atividade, o paciente caminha em uma superfície</p><p>demarcada, utilizando apenas a posição de flexão plantar dos pés. Isso cria um</p><p>trabalho isométrico de contração do tríceps sural durante toda a prática da marcha.</p><p>3. Treinamento da marcha com sobreposição de obstáculos: Nesse tipo de treinamento,</p><p>focamos na fase de balanço da marcha, onde o paciente é desafiado a transpor objetos</p><p>que estão em seu caminho, exigindo maior elevação do joelho e dos membros</p><p>inferiores.a)Treinamento da marcha com caneleiras: Nesse caso, o objetivo é fortalecer</p><p>os músculos flexores do quadril e joelho, visando uma fase de balanço mais efetiva</p><p>durante a marcha. O paciente será solicitado a realizar movimentos "amplos", de forma</p><p>a trabalhar a força e amplitude dos movimentos.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. Neumann DA. Cinesiologia do aparelho musculoesquelético: fundamentos para reabilitação.</p><p>3a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021, 754 p.</p><p>2. Ávila DC, Bom FSP, Juschaks LM, Ribas DIR. Avaliação da marcha em ambiente terrestre em</p><p>indivíduos com síndrome de Down. Fisioter. Mov. [Internet]. 2011Oct; 24 (Fisioter. mov., 2011</p><p>24(4)):737–43. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-51502011000400019.</p><p>3. Perracini MR. Funcionalidade e envelhecimento. 2a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,</p><p>2019.</p><p>4. Alexander NB. Gait disorders in older adults. Journal of the American Geriatrics Society. V.</p><p>44, N. 4, pp. 434–451. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1532-5415.1996.tb06417.x .</p><p>5. Bianchi AB, Oliveira JM, Bertolini SMGG. Marcha no processo de envelhecimento: Alterações,</p><p>Avaliação e Treinamento. Revista Uningá. v.45: 52- 55, Jul 2015.</p><p>6. Kirwood et al. Análise biomecânica das articulações do quadril e joelho durante a marcha em</p><p>participantes idosos. Acta ortop bras. v.15, n.5, p:267-271, 2007.</p><p>7. Albuquerque VS, Fernandes LP, Delgado FFF, Marmora CHC O Uso de Dispositivos Auxiliares</p><p>para Marcha em idosos e sua Relação com Revista HUPE, Rio de Janeiro, 2018 p. 51-56</p><p>8. Mandi Sehgal, Md, Jeremy Jacobs, Do, And Wendy S. Biggs, Md. Mobility Assistive Device</p><p>Use in Older Adults. Am Fam Physician. 2021;103(12):737-744</p><p>9. Glisoi SFdN, Ansai JH, Silva TO, Ferreira FPC, Soares AT, Cabral KN, et al. Auxiliary devices for</p><p>walking: guidance, demands and falls prevention in elderly. Geriatr Gerontol Aging.</p><p>2012;6:261-272</p><p>10. Monica Rodrigues Perracini, Claudia Marina Fló. Funcionalidade e envelhecimento / - 2. ed.</p><p>- Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2019.560 p. : il. ; 24 cm.</p>